O Papa Americano (II) Jorge Rodrigues Simão - 7 Ago 2025 (Continuação da edição de 24 de Julho) Ergo, o cristianismo também é pagão porque, na história, enquanto se dispõe a acolher o seu fim. A proposta de Newman de abrir as portas da Igreja aos leigos combina com uma visão teológica muito ampla. Talvez se possa ver um traço inconsciente disso no apelo caro a Leão XIII, referência não apenas nominal de Prevost, que convida a «sair da sagrada estátua» no espírito de sua encíclica Rerum Novarum (1891), hoje muito citada. E reflecte-se no impulso dos inovadores que gostariam de compensar a tremenda crise de vocações recrutando leigos de ambos os sexos para as divisões do papa. A reelaboração do mistério do Sol e da Lua encontra eco na era contemporânea (1958) no então arcebispo de Milão (Papa Paulo VI), último (até agora) governador da cátedra de Pedro, insusceptível de movimentismo pois «A Igreja é comparada até à Lua, cujas fases de diminuição e crescimento reflectem a história alternada da Igreja que decai e se recupera, e que nunca falha, porque fulget Ecclesia non suo sed Christi lumine, brilha não com a sua própria luz, mas com a de Cristo». A prova ontológica do êxtase romano-cristão, o arrepio da comunhão com Deus todo-poderoso na sua intimidade histórica com a aeternitas Augusti (a imortalidade de Augusto), selo do Império Romano, está na abside da Basílica de Santa Pudenciana. Talvez a casa de Pedro. Destaca-se o mosaico mais antigo de Roma, datado do início do século IV. No centro, Cristo na pele do Imperator Orbis Terrarum, Senhor do Céu e do mundo. Atrás dele, a cruz gemada constantiniana, sobre um fundo azul de pôr-do-sol riscado por pálidos cirros avermelhados. Ao seu lado, os apóstolos Pedro e Paulo, vestidos como senadores romanos, simbolizam a concórdia entre a ecclesia ex circumcisione judaica e a ecclesia ex gentibus pagã ou não judaica. Oriente fundido com Ocidente. Incardinados em Roma. Tanto que os líderes Pedro e Paulo serão por vezes assimilados a Rómulo e Remo. Nos primeiros três séculos da era cristã, a aristocracia senatorial continua a reivindicar a preservação dos ritos pagãos. Para os seguidores de Jesus, a Urbe continua a ser Babilónia. Entre o imperium (poder temporal ou político) e o sacerdotium (poder espiritual ou religioso) estabelece-se uma rivalidade de longa data, nunca resolvida. Somente após Constantino, no trono de 306 a 337, a sede imperial-papal inclina-se para o segundo corno do poder, o eclesiástico nascente, divino e secular, intercepta e acompanha o imperium sine fine (império eterno) em declínio, destinado a reproduzir-se por gemulação nos âmbitos germânico, bizantino, moscovita e franco-americano. Caput mundi (Capital do mundo) torna-se sede apostólica. Na narrativa do historiador jesuíta Karl Schatz afirma que «As duas correntes confundiram-se numa só e o carácter único da Roma antiga foi comunicado à Roma eclesiástica, papal, refundando a sua primazia. A nobreza romana trouxe como dote a sua maneira de pensar, o carisma da sua liderança, o seu talento para conciliar os opostos, o seu senso prático sóbrio como o do poder. Assim, tudo o que tinha tornado Roma capaz de dominar o mundo». O universalismo católico é de raiz romana. É bom lembrar o estigma, quando o esgotamento da linhagem local no trono de Pedro expõe os particularismos que enfraquecem o clero e o povo de Deus. Aqui, a poucos passos do túmulo de Francisco em Santa Maria Maggiore, descobrem-se as pegadas mundanas da relação dos cristãos com a Cidade terrena, na espera activa da Cidade de Deus, entre o já e o ainda não. Entre o Apocalipse de João, que vê no Estado a Besta que surge do abismo (13,1 e seguintes), e a Carta aos Romanos (sempre 13,1 e seguintes por alguma razão desconhecida), na qual o civis romanus Paulo ordena que «Todos devem submeter-se às autoridades constituídas. Na verdade, não há autoridade senão a de Deus pois, as que existem são estabelecidas por Deus. Portanto, quem se opõe à autoridade opõe-se à ordem estabelecida por Deus». Em sintonia com Jesus, que se dirigindo a Pilatos determina: «Tu não terias nenhum poder sobre mim, se não te tivesse sido dado do alto» (João, 19,11). Entre estes dois pólos, que em casos extremos podem levar ao ascetismo ou à mundanização da instituição eclesiástica, corre a história universal da Igreja, do Gólgota até hoje, ao mesmo tempo alegre e sombria. O que nos obriga a remontar a Cristo «Caesaris Caesari, Dei Deo Dai (a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus)» (Mateus, 22,21). Quatro palavras de Jesus inauguram séculos de disputas sobre a relação entre o cristianismo e o poder político, tratadas em milhões de páginas. Inscritas na dupla cidadania do cristão, na terra e na Cidade de Deus. Daí guerras hermenêuticas não apenas virtuais, cismas, condenações e reabilitações papais. Rios de tinta ou de bits no seu valor binário simbólico do dualismo Estado/Igreja, mas também de sangue derramado para traçar o caminho certo na questão central da geopolítica eclesiástica. Tensão permanente. Radicalizada com a ascensão de Leão XIV ao trono, rara, se não única, coincidência entre identidade nacional e missão papal, ambas relacionadas com o máximo poder no campo, seja mundano, seja religioso. O que deve o papa, não apenas americano, aos Estados Unidos, o que o “Número Um” gostaria do seu cidadão ecuménico? Jesus é crucificado porque os romanos o identificam como um zelote que se autoproclama rei dos judeus. Aderente, como outros apóstolos, entre os quais Simão, talvez Judas e o próprio Pedro, ao movimento armado dos zelotes, guerrilheiros (terroristas, corrigiria um Caifás dos dias de hoje) em luta para libertar a Palestina do jugo de Roma. Cristo simpatiza com a causa zelote, mas rejeita a violência, muito menos ambiciona tronos terrestres. Estabelece o historiador e teólogo luterano francês Oscar Cullmann, no seu clássico “Deus e César” afirmando «A posição de Jesus situa-se além tanto de uma aceitação acrítica do Estado romano quanto da resistência política a esse Estado». Uma vez que ele «procura a polis futura». Há algo de pilatesco nesta interpretação? Muito, diria o blasfemo. O dualismo entre poderoso e cristão é traduzido na tensão entre presente e futuro, replicaria o prático. Para resolver a disputa, convoca-se mais um jesuíta, Francesco Occhetta, autor do prefácio do ensaio de Cullmann que diz que «Certamente, para um cristão, o Estado está no céu, mas o terrestre também é bom, mesmo que seja um Estado pagão, desde que as suas tarefas permaneçam dentro dos limites atribuídos pela vontade divina».
Cinemateca | Ciclo Fantástico para ver nas próximas semanas Andreia Sofia Silva - 7 Ago 2025 A Cinemateca Paixão apresenta este mês um novo ciclo de cinema, intitulado “Devaneios & Labirintos – Festival de Cinema Fantástico”. De entre os títulos seleccionados, destaque para “Dangerous Animals” e o assustador “Massacre no Texas”, sem esquecer o toque musical trazido com o documentário sobre os Blur O cinema tem o dom de nos revelar outras formas de vida e histórias, mas quando essas histórias têm uma pitada de horror ou de fantástico, a atracção pelo filme que se vai ver pode diferenciar-se, para melhor ou pior. Para quem adora filmes de terror ou com histórias do género fantástico, este é um bom mês para ir à Cinemateca Paixão, que apresenta o ciclo “Devaneios & Labirintos – Festival do Cinema Fantástico”. Um total de 17 películas integra este cartaz, que se prolonga até Setembro. E um dos destaques vai para “Dangerous Animals”, exibido a 16 de Agosto e depois no dia 6 de Setembro. Eis uma história que remete para o azar de Zephyr, uma surfista astuta e de espírito livre, que é raptada por um assassino em série obcecado por tubarões e mantida prisioneira no seu barco. A mulher terá de encontrar uma forma de escapar antes que este assassino a dê de comer aos tubarões que nadam por baixo do sítio onde Zephyr se encontra. Só Moses percebe que ela desapareceu, sendo uma pessoa por quem tem um interesse amoroso. Destaque ainda para a exibição da cópia restaurada de “Massacre no Texas”, filme de 1974 que celebrou 50 anos de existência no ano passado, e que ainda se mantém actual e com uma onda de fãs. Realizado por Tobe Hooper, “Massacre no Texas” continua a ser uma referência para o subgénero de filmes de terror, intitulado “Slasher”. Foi filmado num curto espaço de tempo, com um orçamento limitado e actores completamente desconhecidos do grande público. “Não há nenhum canto do mundo onde se possa ir e dizer o título “Texas Chainsaw Massacre” e ninguém saber do que é que está a falar, quer tenha visto o filme ou não”, disse à France-Presse (AFP) Chase Andersen, da Exurbia Films, que detém os direitos da saga. A história centra-se num grupo despreocupado de jovens que se depara com uma casa isolada ocupada por um lunático mascarado que começa a cortá-los com coisas afiadas, Leatherface. Na Cinemateca Paixão o filme será exibido no sábado, 30 de Agosto. Rostos da felicidade “A Different Man” [Um Homem Diferente] não é apenas sobre um homem que tem uma estranha doença que lhe deforma o rosto, fazendo dele um monstro em forma de gente. É também uma história sobre o sentido e concepção de felicidade, e de como esta depende da vida e escolhas de cada um. O protagonista, Oswald, é interpretado por Adam Pearson, um actor que sempre lutou contra a neurofibromatose que lhe alterou as formas do rosto. Oswald tinha tudo para ser um homem infeliz e tímido, escondendo-se da humanidade, mas acontece o oposto: consegue ser popular e uma pessoa perfeitamente integrada na sociedade. O mesmo não acontece com um actor com quem se cruza. “A Different Man” será exibido nos dias 19 e 29 de Agosto. No dia 16 de Agosto, será exibido “O Sonho de Alexandria” [The Fall], que remete para a Los Angeles de 1920, quando em Hollywood domina ainda o cinema mudo. Nesses tempos aparece uma menina imigrante internada num hospital após uma queda, e que faz amizade com um homem acamado, paralisado também devido a um acidente durante uma filmagem. Ele encanta-a com uma história fantástica que a transporta para além da monotonia do hospital, rumo a paisagens exóticas da própria imaginação. Esta versão exibida neste festival é também uma versão restaurada em 4K com cenas adicionais face à versão de 2006, tendo sido filmado em 24 países. A história dos Blur “Blur: To The End” [Blur: Até ao Fim] é um documentário de 2024 marcado para exibição nos dias 17 de Agosto e 7 de Setembro, e onde se conta a história da amizade e companheirismo dos membros dos Blur, banda britânica de britpop e rock alternativo formada no final dos anos 80, e que marcou toda uma geração na década de 90. Este documentário foi filmado em 2023, quando a banda se reuniu para gravar novas canções e para se preparar para os primeiros espectáculos no Estádio de Wembley, em Londres, e que tiveram lotação esgotada. O filme conta com interpretações dos temas mais icónicos e acarinhados pelos fãs, incluindo também imagens da banda em estúdio e na estrada. Num registo bem diferente apresenta-se “A Rapariga com a Agulha”, exibido nos dias 22 de Agosto e 7 de Setembro, em que se conta a história de Karoline, uma operária fabril que luta para sobreviver na cidade de Copenhaga, nos anos a seguir à I Guerra Mundial. Quando se vê desempregada, abandonada e grávida, cruza-se com Dagmar, uma mulher carismática que gere uma agência de adopção clandestina, ajudando mães a encontrar lares de acolhimento para os filhos indesejados. Sem alternativa, Karoline aceita o papel de ama de leite. Entre as duas mulheres nasce uma forte ligação, mas o mundo de Karoline desmorona-se ao descobrir a chocante verdade por detrás do seu trabalho, descreve a sinopse do filme.
GP | Taça do Mundo de FR terá novo carro em 2026 Sérgio Fonseca - 6 Ago 2025 A Federação Internacional do Automóvel (FIA) revelou recentemente alguns detalhes sobre o futuro da Fórmula Regional (FR), a disciplina que actualmente dá corpo ao Grande Prémio de Macau e que, a partir de 2026, contará finalmente com um novo monolugar – mais rápido e mais seguro Inicialmente baptizada pela FIA como F3 Regional, a agora designada Fórmula Regional (FR) situa-se acima das competições nacionais de Fórmula 4 e abaixo do Campeonato de Fórmula 3 da FIA, que, por sua vez, apoia o Campeonato de Fórmula 2 da FIA e a Fórmula 1. No ano passado, a FIA decidiu que esta categoria era a que melhor se adequava ao Circuito da Guia, pondo assim fim a quatro décadas de história da Fórmula 3 no Grande Prémio de Macau. Na semana passada, o órgão regulador do automobilismo mundial e a associação desportiva nacional italiana ACI apresentaram em conjunto o futuro monolugar que irá competir no Campeonato de Fórmula Regional Europeia da FIA (FREC na designação inglesa) e que sucederá à actual FRECA. O facto de a sigla ter perdido a letra “A” deve-se à saída da marca Alpine como parceiro e fornecedor de motores ao campeonato. A FRECA estreou-se em 2019, sucedendo à Fórmula Renault Eurocup. Nas últimas temporadas, mais de 160 pilotos, representando 44 nacionalidades e 22 equipas, participaram no campeonato. Esta categoria ganhou importância na pirâmide de monolugares da FIA, tendo como antigos pilotos o ex-campeão Andrea Kimi Antonelli, Isack Hadjar, Gabriel Bortoleto e Franco Colapinto – todos eles pilotos que hoje militam na Fórmula 1. A competição terá o selo do apoio da FIA e deverá ser o maior fornecedor de equipas e pilotos para a Taça do Mundo de FR da FIA do Grande Prémio de Macau a partir do próximo ano. O envolvimento da FIA na competição tem o intuito de gerar mais receitas para a mesma, algo que poderá ter reflexos na escala dos preços. Os campeonatos de FR nas Américas e no Japão, assim como os troféus certificados pela FIA no Médio Oriente e Oceânia continuarão, e progressivamente introduzirão o novo carro produzido em Itália. O Presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, acredita que este projeto “criará um ambiente mais forte e com mais apoio para os jovens pilotos. Com o total apoio das regiões da FIA e uma visão de progressão clara, estamos a dar um passo importante para garantir o futuro da pirâmide de monolugares júnior”. O ex-piloto de ralis e hoje dirigente máximo do desporto automóvel, que recentemente esteve no território para a Assembleia Geral da FIA, afirmou que “a acessibilidade, credibilidade internacional e eficiência de custos estão no centro desta iniciativa.” Novo carro promete mais O novo Tatuus T-326, o monolugar da segunda geração da FR, está equipado com um motor Toyota de 3 cilindros e 1,6 litros, que debita 270 cv de potência e 360 Nm de binário, especialmente adaptado e preparado pela ATM – Autotecnica Motori. O T-326 representa uma evolução natural do modelo T-318, o monolugar da Tatuus que definiu a maioria dos campeonatos de FR em todo o mundo e que se despede dos grandes palcos no próximo mês de novembro, durante o fim de semana do Grande Prémio de Macau. A segunda edição da Taça do Mundo de FR da FIA continuará a utilizar o monolugar Tatuus T-318, motorizado por um bloco Alfa Romeo de 1,75 litros turbo, também preparado pela ATM – Autotecnica Motori, mas que a marca italiana já deixou de fabricar. O futuro carro, que usará um novo pneu especial construído pela Pirelli, apresentará um perfil aerodinâmico totalmente redesenhado, moldado pelas novas regulamentações técnicas da FIA para a categoria e inspirado nas tendências mais recentes das categorias superiores de monolugares. O resultado é um aumento geral de performance, melhor eficiência aerodinâmica e redução do efeito de turbulência, o que facilitará as ultrapassagens. As principais melhorias incluem redução de peso, cremalheira de direção optimizada e suspensão revista, oferecendo uma maior leveza e facilidade de condução. A segurança continua a ser um pilar fundamental em todos os projetos da italiana Tatuus, e este carro não é exceção. O chassis aumentou ainda mais a sua resistência aos impactos. Elementos cruciais como as estruturas de absorção de impacto dianteira e traseira, os painéis anti-intrusão e o roll bar foram atualizados para cumprir os padrões de segurança mais recentes. Para além da segurança, o cockpit foi concebido para maximizar o conforto e a ergonomia do piloto, acolhendo tanto homens como mulheres numa gama mais ampla de alturas, garantindo as melhores condições para competir em pista.
Xangai | Entregas da ‘megafábrica’ da Tesla caem face a concorrência de marcas chinesas Hoje Macau - 6 Ago 2025 As entregas da megafábrica da Tesla em Xangai, leste da China, diminuíram em Julho, retomando a tendência negativa interrompida em Junho, na altura somando oito meses consecutivos de quedas devido à concorrência das marcas locais, informou a imprensa chinesa. De acordo com o jornal de Hong Kong South China Morning Post, que se baseia em dados da associação patronal CPCA, a fábrica – a maior da Tesla no domínio da montagem a nível mundial – entregou cerca de 68.000 veículos a clientes na China e no estrangeiro no mês passado, o que representa uma queda de 5,2 por cento em relação a Junho e de 8,4 por cento, em termos homólogos. “Os modelos ‘premium’ estão a perder apelo entre os consumidores chineses porque eles querem poupar dinheiro. Estão a optar por modelos eléctricos mais baratos e desenvolvidos na China”, explicou Tian Maowei, gestor de vendas da Yiyou Auto Service, de Xangai. No acumulado do ano, incluindo vendas na China e exportações, a megafábrica estabelecida na megalópole oriental chinesa já entregou mais de 432.000 automóveis, uma queda de 13,7 por cento, em termos homólogos. O número contrasta com o aumento de 35 por cento das vendas de eléctricos na China, para cerca de 7,6 milhões de unidades, nos primeiros sete meses de 2025, de acordo com dados da CPCA. Estas duas tendências opostas fizeram com que a quota de mercado da Tesla no mercado chinês de veículos elétricos caísse de 6,9 por cento há um ano para 3,8 por cento. Em 2020, quando abriu a fábrica em Xangai, a quota da marca liderada por Elon Musk era de 16 por cento. Face à concorrência de empresas locais como a Xpeng, a Leapmotor ou a Li Auto e a uma guerra de preços no sector que levou até à intervenção do governo, a Tesla está a tentar recuperar terreno com novas versões mais espaçosas ou com maior autonomia dos seus veículos de maior sucesso, como o Model 3 ou o Model Y.
Filipinas | Pequim rejeita críticas por queda de destroços de foguetão Hoje Macau - 6 Ago 2025 A China rejeitou as críticas das Filipinas pela queda de destroços de um foguetão perto da ilha de Palawan, garantindo que os fragmentos caíram em águas internacionais previamente notificadas, segundo fontes citadas pelo jornal oficial Global Times. O lançamento decorreu “de acordo com o plano de missão” e as zonas de reentrada foram notificadas previamente aos países vizinhos “em conformidade com a prática internacional”, indicam as fontes citadas pelo jornal As mesmas fontes consideraram que as declarações de Manila revelam uma “postura pouco amigável” e um esforço deliberado para “prejudicar a imagem da China”. O foguetão Larga Marcha-12 foi lançado na segunda-feira a partir do centro espacial comercial situado na ilha chinesa de Hainan, com o objectivo de colocar em órbita um grupo de satélites de internet da empresa GALAXYSPACE. No mesmo dia, a Agência Espacial Filipina alertou para a possível queda de destroços não combustíveis em águas próximas de Palawan e recomendou à população que informasse as autoridades em caso de avistamento. Na terça-feira, o conselheiro de segurança nacional das Filipinas, Eduardo Año, classificou o lançamento como uma prova “irresponsável” que “alarmou a população” e “colocou em risco os habitantes” daquela ilha. A condenação do Conselho de Segurança filipino veio agravar a tensão entre Manila e Pequim, que disputam a soberania de diversos territórios no Mar do Sul da China.
Chikungunya | Mais medidas de combate após milhares de infecções na China Hoje Macau - 6 Ago 2025 O combate contra a febre de chikungunya na China intensifica-se com as autoridades a recorrerem a todas as armas para conter o surto que já conta com 7.000 casos, a maioria em Foshan Um surto do vírus chikungunya na China levou as autoridades a implementar medidas preventivas rigorosas, incluindo uso de redes mosquiteiras, ‘drones’ e desinfectante, com ameaças de multas e cortes de electricidade para quem não eliminar águas paradas. Mais de 7.000 casos foram reportados até ontem, concentrados sobretudo na cidade industrial de Foshan. As autoridades indicaram uma tendência de ligeira redução nos novos contágios. Transmitido por mosquitos, o chikungunya provoca febre e dores articulares, com sintomas semelhantes aos da dengue, afectando com maior gravidade crianças, idosos e pessoas com doenças pré-existentes. A televisão estatal chinesa exibiu imagens de equipas a pulverizar desinfectante em ruas, zonas residenciais, estaleiros de construção e outros locais onde os mosquitos transmissores se possam reproduzir em águas estagnadas. Em alguns edifícios de escritórios, a pulverização foi feita antes da entrada de funcionários, numa abordagem reminiscentes das tácticas restritivas aplicadas durante a pandemia de covid-19. As autoridades locais ameaçam aplicar multas até 10.000 yuan e cortes de eletricidade a residentes que não eliminem recipientes exteriores com água, como garrafas ou vasos. Os Estados Unidos emitiram um aviso desaconselhando viagens à província chinesa de Guangdong – onde se situam Foshan, Dongguan e outros polos industriais –, bem como a países como Bolívia, Brasil e nações insulares do oceano Índico, também afectados pelo vírus. Não está fácil Chuvas intensas e temperaturas elevadas agravaram a situação na China, onde o chikungunya, comum em zonas tropicais, surgiu este ano com força invulgar. Desde o surto de SARS em 2003, a China tem recorrido a medidas coercivas consideradas excessivas por muitos países. Em Foshan, os infectados são obrigados a permanecer no hospital durante pelo menos uma semana. As autoridades chegaram a impor quarentenas domiciliárias de duas semanas, entretanto suspensas por o vírus não se transmitir entre humanos. Segundo relatos, têm sido usados peixes que se alimentam de larvas e até mosquitos maiores para caçar os vectores do vírus. Foram realizadas reuniões e definidos protocolos a nível nacional, numa demonstração da determinação chinesa em conter o surto e evitar críticas internas e internacionais.
Memórias de um espelho antigo ou o espelho que prende demónios Hoje Macau - 6 Ago 2025 De Wang Du. Tradução de Miguel Lenoir O que é um espelho? Qual o seu poder, além de reflectir imagens? A literatura chinesa mostrou-se desde sempre fascinada com os espelhos e deles extraiu magníficos pedaços de prosa, além de reconhecidos versos. Hoje apresentamos um famoso conto de Wang Du (王度), que foi um académico e escritor da era Tang, conhecido pelas suas contribuições para a literatura clássica chinesa. Ele é particularmente associado ao género chuanqi (传奇), uma forma de ficção clássica chinesa (relatos do extraordinário) que floresceu durante a dinastia Tang. A obra de Wang Du é importante pela sua influência na literatura chinesa posterior e pelo seu papel no desenvolvimento da ficção clássica chinesa. DURANTE A DINASTIA SUI, havia um tal de Hou Sheng em Fenyin que era um grande académico. Wang Du tratava-o frequentemente com a mesma cortesia que se deve a um professor. Quando Hou Sheng estava a morrer, deu a Wang Du um espelho antigo e disse: “Com ele, todos os tipos de espíritos malignos ficarão longe”. Wang Du aceitou o espelho e guardou-o com muito carinho. O espelho tinha oito polegadas de diâmetro e a parte central convexa, na parte de trás do espelho, fora feita para parecer um unicórnio agachado. À sua volta, está dividido em quatro direcções: este, sul, oeste e norte, com tartarugas, dragões, fénixes e tigres distribuídos por ordem. Fora das quatro direcções estão os Bagua e, para além dos Bagua, estão as posições das doze horas de Zi a Hai, cada uma com animais que representam as horas. Para além das “horas e dos animais”, há vinte e quatro caracteres à volta do espelho. A caligrafia parece escrita oficial e os pontilhados estão completos, mas não se encontram em nenhum dicionário. Quando o sol brilha sobre ele, a caligrafia e a pintura do verso do espelho penetram na sombra, e até os mais pequenos pormenores podem ser vistos com clareza. Se pegarmos nele e lhe batermos, o som será cada vez mais nítido e prolongar-se-á por um dia inteiro. Em Maio do sétimo ano de Daye, Wang Du demitiu-se do seu cargo de censor e regressou a Hedong. Quando Hou Sheng faleceu, ele ficou com o espelho antigo. Em Junho do mesmo ano, Wang Du regressou a Chang’an e ficou em casa do anfitrião Cheng Xiong, em Changlepo. Cheng Xiong tinha recentemente contratado uma criada, muito direita e bonita, chamada Arara. Depois de Wang Du se ter instalado, estando a arrumar a sua roupa, pegou no espelho para se mirar. Quando Arara o viu à distância, ajoelhou-se imediatamente até sangrar e disse: “Não me atrevo a viver mais aqui!” Wang Du foi então procurar o seu mestre e perguntou-lhe porquê. Cheng Xiong disse: “Há dois meses, um convidado veio do leste com esta serva. Nessa altura, a criada estava muito doente, por isso o hóspede deixou-a aqui e disse: ‘Eu levo-a quando voltar’. Ela ainda não regressou. Não sei porque é que a criada está assim”. Wang Du suspeitou que ela era um demónio, por isso pegou num espelho e perguntou-lhe. Ela disse: “Poupa a tua vida! Vou mostrar-te quem sou e o que sou imediatamente”. Wang Du tapou o espelho e disse: “Primeiro explica a tua situação, depois mostra quem verdadeiramente és e eu poupo-te a vida.” A criada curvou-se algumas vezes e contou a sua história: “Eu era originalmente uma raposa de mil anos que vivia debaixo do grande pinheiro, em frente ao Templo Fujun, na montanha Hua. Mudava frequentemente de corpo para confundir os outros e por isso talvez merecesse a morte. Quando fui perseguida pelos Fujun, fugi para entre o rio Amarelo e o rio Weishui, onde me tornei afilhada de Chen Sigong. A família Chen tratou-me muito bem e casou-me com Chai Hua, um homem da sua terra. Mas eu e Chai Hua não nos dávamos bem, pelo que fugi novamente para leste e passei pelo condado de Hancheng, onde fui apanhada por Li Wu Ao, que por ali passava. Wu Ao era um homem rude e tem andado por aí comigo como refém há vários anos. Segui-o até aqui há pouco tempo e aqui me deixou à pressa. É que, inesperadamente, ele encontrara um espelho celestial, e não havia maneira de escapar mesmo que me tornasse invisível.” Wang Du disse-lhe novamente: “Tu és uma raposa velha. Se te transformasses num ser humano, não seria prejudicial para os outros?” A criada respondeu: “Não é prejudicial mudar de forma para servir os outros; só quando se muda de imagem para escapar à supervisão do rei e para enganar as pessoas. Aqueles que são odiados pelos deuses têm de morrer naturalmente”. Wang Du disse novamente: “E se eu te deixasse viver?” Arara disse: “Já que gostas tanto de mim, como me atrevo a esquecer a tua bondade? Mas estou reflectida no espelho celestial. Não posso escapar. Sou humana há muito tempo e tenho vergonha de voltar à minha forma original. Por favor, põe o espelho de volta na caixa e deixa-me beber à vontade e morrer!” Wang Du disse: “Se puser o espelho de volta na caixa, não vais fugir?” Arara sorriu e disse: “Ainda agora me disseste palavras simpáticas e prometeste deixar-me viver. Fugir depois de teres escondido o espelho? Não posso. Como fui apanhada pelo espelho celestial, não tenho forma de escapar. Só espero que eu possa aproveitar as coisas boas da vida nos momentos que me restam!” Wang Du voltou imediatamente a guardar o espelho na caixa, encomendou vinho e comida e convidou todos os vizinhos da família de Cheng Xiong para com ela beberem e rirem. A criada ficou muito bêbeda, abanou as roupas, dançou e cantou: “Espelho precioso, espelho precioso! Que triste destino o meu! Desde que me transformei em ser humano, Quantos apelidos já mudei até agora? Embora a vida possa trazer alegria, Não ficarei triste mesmo se morrer. Por que deveria eu estar relutante em deixar-te? Fica neste mundo conturbado!” Depois de cantar e fazer algumas vénias, transformou-se numa velha raposa e morreu. Todos os presentes suspiraram de espanto.
PJ | Três detidos por burlas com cartões de crédito Hoje Macau - 6 Ago 2025 A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de três pessoas devido ao roubo de dados de cartões de pagamentos bancários, que depois foram utilizados para fazer compras online. No total, as autoridades estimam que a rede criminosa fez compras e pagamentos indevidos no valor de 1,18 milhões de patacas. Segundo os contornos do caso, em Maio, Setembro e Outubro do ano passado a PJ recebeu relatórios de dois bancos sobre a existências de transacções suspeitas em Macau com recurso a dados de cartões emitidos no estrangeiro. No total foram realizadas 2.611 transacções que resultaram numa movimentação de 3,5 milhões de patacas. As transacções envolviam pagamentos online ou utilização de terminais para compras com cartão de crédito. Entre estas, 771 transacções, que representaram 1,18 milhões de patacas são contestadas pelos bancos como ilegítimas e sem autorização dos proprietários dos cartões. As transacções foram feitas em lojas de comércio local. No entanto, a investigação da polícia concluiu que os montantes transaccionados durante as datas em questão não fazem sentido à luz do volume normal de comércio dos negócios investigados. Também se concluiu que o montante das vendas não é consistente com o tipo de produtos disponibilizados. Os cartões cujos dados foram utilizados foram emitidos nos Estados Unidos, Bielorrússia, França, Indonésia, África do Sul, Médio Oriente e Taiwan. Os detidos são três residentes de Macau, entre eles um homem com 39 anos, que é proprietário de um stand de venda de automóveis. Também foi detido um outro homem com 34 anos, empregado por conta própria, e uma mulher com 38 anos, vendedora de produtos de beleza.
Residências médicas | Abertas inscrições para 79 vagas João Luz - 6 Ago 2025 Abrem hoje inscrições para os exames de residência médica para 33 especialidades. Das 79 vagas disponíveis, 29 serão para formar quadros clínicos do Hospital Conde de São Januário e 28 para o Hospital das Ilhas. As especialidades incluem cardiologia, psiquiatria, medicina interna, medicina familiar e geriatria O Governo anunciou ontem oficialmente a abertura do concurso para avaliar “competências integradas médicas, para a admissão à residência médica” de 79 profissionais que vão reforçar os quadros clínicos dos hospitais do território. Os parâmetros do concurso foram ontem divulgados no Boletim Oficial, numa publicação assinada pelo director dos Serviços de Saúde Alvis Lo. As inscrições abrem hoje e os interessados podem candidatar-se até 18 de Agosto ao concurso da responsabilidade da Academia Médica. Os candidatos qualificados admitidos no programa de residência vão receber seis anos de formação sistemática no local de trabalho em instituições de saúde públicas, privadas e comunitárias em Macau, consistindo em dois anos de formação básica e quatro anos de formação avançada. As 79 vagas para residências médicas vão repartir-se em 33 especialidades, incluindo 10 cirurgiões, mas também médicos de cardiologia, psiquiatria, medicina interna, medicina familiar e geriatria. Entre as quase oito dezenas de vagas, apenas três são para médicos de psiquiatria (todos para o Hospitalar Conde de São Januário) Os dois pólos Entre as vagas que vão abrir para residências médicas, 29 irão reforçar o quadro clínico do Centro Hospitalar Conde de São Januário, 28 no Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas, sete no Hospital Kiang Wu, duas em Saúde Pública no Centro de Prevenção e Controlo de Doenças e 13 em Medicina Familiar no Departamento de Cuidados de Saúde Comunitários. Segundo um comunicado publicado ontem pelos Serviços de Saúde, o concurso para residências médicas resultou do trabalho do Conselho de Especialidades da Academia Médica de Macau, que tomou posse em Março. O organismo liderado por Alvis Lo promete que continuará a desenvolver “o acesso à residência médica, a fim de preparar a reserva de talentos das diferentes especialidades e elevar o nível geral dos serviços médicos de Macau”. O Governo compromete-se também em aprofundar a cooperação com instituições de formação, e optimizar a alocação de recursos de formação e aumentar as vagas para mais formandos, com o objectivo de criar uma “plataforma de desenvolvimento profissional mais ampla para os jovens médicos de Macau”.
DST | Mais de 10 milhões de seguidores nas 28 contas Hoje Macau - 6 Ago 2025 No mês passado, as 28 contas oficiais da Direcção dos Serviços de Turismo (DST) superaram 10 milhões de seguidores em várias redes sociais. Segundo um comunicado divulgado ontem pelo organismo liderado por Helena de Senna Fernandes, a estratégia promocional nas redes sociais tem transmitido a “visitantes de todo o mundo, de forma inovadora e interactiva, as últimas informações turísticas, festividades, eventos e experiências típicas de Macau”. Tendo em conta os hábitos de internet dos diferentes mercados emissores de visitantes, a DST abriu contas em redes sociais como o Twitter, Facebook, YouTube, Instagram, Tiktok, Kakao Talk, Line, Wechat, Weibo, Red Note, Douyin (o TikTok chinês), consoante a região ou país. A DST apostou também no convite a influenciadores digitais do Interior da China e de Hong Kong para divulgarem Macau nas suas plataformas através de transmissões em directo, imagens ou vídeos curtos. O investimento em promoções por influenciadores digitais, aliado às campanhas de marcas de brinquedos, como Pop Mart, tem como foco atrair visitantes da geração Z. Recentemente, a conta da DST no Tiktok lançou uma série de dramas curtos em indonésio, filmada em Macau e direccionada ao público jovem, que acumulou cerca de 100 milhões de visualizações.
Febre de chikungunya | Fase crítica de prevenção e controlo Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 6 Ago 2025 Com um total de oito casos registados em Macau, dois deles locais, os Serviços de Saúde destacam que o território está na fase crítica de prevenção e controlo da febre de chikungunya. O assunto foi ontem abordado no programa matinal Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau Numa doença propagada por mosquitos, a prevenção é tudo. E Macau está, neste momento, na fase inicial e crítica de prevenção e controlo da febre de chikungunya, disse ontem a chefe do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos Serviços de Saúde (SS), Chan Choi Wan. As declarações foram proferidas no programa matinal do canal chinês da Rádio Macau, o Fórum Macau. A responsável disse esperar que a população possa aplicar as medidas de limpeza de zonas de água estagnada, a fim de evitar a propagação dos mosquitos que podem causar esta doença. Estas zonas podem ser poças de água estagnada ou espaços em casa com água, tendo sido recomendado o uso de roupas compridas, para evitar picadas de mosquito, ou mesmo o uso de redes mosquiteiras. “A febre de chikungunya e a febre da dengue são transmitidas através das picadas de mosquitos da espécie Ades, não sendo doenças transmitidas entre os seres humanos. São doenças transmissíveis, mas controláveis e cuja prevenção é possível”, apontou no programa radiofónico. No entanto, Chan Choi Wan apontou que, apesar de não haver transmissão comunitária, o risco de transmissão em Macau mantém-se alto devido à importação de casos. Questionada sobre os critérios científicos para o estabelecimento de zonas de eliminação de mosquitos, Chan Choi Wan disse que após a análise epidemiológica de cada caso de infecção é efectuada a eliminação dos mosquitos na zona de risco. Calcula-se ainda um raio circular tendo em conta a distância aproximada do voo dos mosquitos. A chefe substituta da Divisão de Higiene Ambiental do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), Pang Sao Hun, recordou que desde Julho, foram realizadas mais acções de eliminação de mosquitos. “Em relação à higiene de lugares privados ou terrenos desocupados, se se verificar tratar de uma situação urgente ou com risco para a saúde pública, e caso não consigamos contactar os proprietários, o IAM procura coordenar-se para a remoção dos espaços de água estagnada e o lixo, a fim de evitar a propagação de mosquitos e reduzir, assim, o risco de transmissão de doenças”, disse. Sintomas leves Macau tem actualmente oito casos de febre de chikungunya, dos quais seis são importados e dois locais. O médico de Saúde Pública do Centro de Prevenção e Controlo da Doença, Ieong Chon Kit, revelou que os dois doentes relativos aos casos locais ainda estão a ser tratados no hospital apresentando sintomas leves. Esta terça-feira, a Administração para a Regulação do Mercado de Zhuhai publicou um aviso sobre o controlo da febre de chikungunya em farmácias, referindo que as farmácias precisam registar os dados dos utentes que compram medicamentos analgésicos ou que mostrem ter sintomas desta febre, ou ainda se foram picados por mosquitos. As autoridades pediram ainda às farmácias para divulgarem informações sobre as medidas de prevenção e controlo destes dois tipos de febre.
Erro médico | Leong Sun Iok sugere revisão da legislação Hoje Macau - 6 Ago 2025 O deputado Leong Sun Iok defende, num vídeo divulgado nas redes sociais, que a legislação sobre o erro médico deve ser revista tendo em conta os valores cobrados no seguro obrigatório previsto no regime. Para o deputado, os valores não são razoáveis e o regime precisa de ser revisto, tendo em conta que entrou em vigor há oito anos. O deputado referiu ter recebido queixas de médicos e responsáveis de clínicas privadas, motivo pelo qual sentiu a necessidade de intervir. Os queixosos terão dito que diariamente tratam doenças simples que não envolvem operações ou actos médicos de alto risco, e que o seguro obrigatório constitui uma carga pesada. Leong Sun Iok explicou que o preço do seguro é quase igual para todos os médicos que apenas podem adquirir seguros em Macau num mercado monopolista. Por esta razão, o deputado cita opiniões da classe médica de que deveria ser permitido comprar seguros à sua escolha, existindo a possibilidade de reduzir o valor da prestação tendo em conta o número de atendimentos e compensações associadas. Segundo o deputado, o sector deseja também a abertura de um sistema de seguro de responsabilidade civil que abranja as cidades que fazem parte da Grande Baía como alternativa, pedindo que o Governo de Macau crie um fundo destinado a esse novo seguro e esquemas de compensação para apoiar o sector médico.
Associação Kiang Wu | Terreno usado para estacionamento foi recuperado João Santos Filipe - 6 Ago 2025 Era para ser usado como parque da Escola Keang Peng, mas, pelo menos, desde 1996 deixou de ter esse fim. Passados 30 anos, o Executivo decidiu recuperar o terreno por considerar que o contrato de concessão gratuita tinha sido violado O Governo recuperou um terreno que tinha sido cedido gratuitamente à Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu para funcionar como parque de uma escola. Em causa está o facto de o lote ter passado a ser utilizado como estacionamento, violando os termos estabelecidos na concessão. A informação foi divulgada ontem, através de um despacho assinado pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man. Segundo a versão publicada no Boletim Oficial, o terreno tinha sido concedido gratuitamente em 23 de Outubro de 1981 à associação responsável pelo hospital privado mais popular de Macau. A concessão visava a criação de um parque para complementar as instalações da Escola Kiang Wu Peng Man Luen Hap. Anos mais tarde a denominação da instituição de ensino foi alterada para Escola Keang Peng, que actualmente ainda existe e disponibiliza aulas do ensino primário e secundário, em dois campus diferentes. Contudo, a escola deixou de funcionar naquele local em Julho de 1996, há quase 30 anos, pelo que o terreno deixou de ter a utilidade para o qual tinha sido atribuído e passou a ser utilizado para estacionamento de viaturas. A recuperação surge assim na sequência de uma inspecção ao lote com 147,4 metros quadrados, situado na península de Macau, junto à Rua do Barão. “Verifica-se a alteração de finalidade da concessão e o fim para o qual o terreno foi concedido não se encontra a ser prosseguido, o que constitui uma violação do dever de utilização do terreno em conformidade com os fins consignados no título da concessão”, foi considerado pelo Governo. Em silêncio Confrontada pelo Executivo com a possibilidade de perder a concessão do terreno, a Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu, liderada nos últimos anos pelo empresário Liu Chak Wan, manteve-se em silêncio: “a concessionária não se pronunciou, em sede de audiência escrita, sobre o sentido da decisão de declarar a rescisão da concessão”, foi indicado. O despacho de Raymond Tam define também que quaisquer melhoramentos realizados no terreno durante o período da concessão passam para “a Região Administrativa Especial de Macau, sem direito a qualquer indemnização por parte da Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu”. Apesar de não ter apresentado contestação antes do despacho, o documento aponta que a Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu pode tentar impugnar a decisão do secretário de recuperação do actual estacionamento junto do Tribunal de Segunda Instância.
Investimento de Macau mais lucrativo onde se fala cantonês João Santos Filipe - 6 Ago 2025 O investimento de Macau e Hong Kong no Interior tende a ser mais lucrativo quando as empresas em que se investe ficam dentro da zona de Cantão em que se fala cantonês. A conclusão faz parte de um estudo do académico Ma Sen, da Universidade de Jinan, com o título “Laços culturais, Investimento directo externo e desempenho das empresas: Prova do Investimento na China com Origem em Hong Kong e Macau” publicado na revista de economia The World Economy. Tendo em conta as empresas no Interior cujo capital social pertence a mais de 50 por cento a pessoas ou empresas de Macau ou Hong Kong, o estudo apurou que em média as empresas na zona de Cantão em que se fala cantonês têm lucros cerca de sete por cento mais elevados do que as empresas com capital das regiões administrativas nas restantes áreas do Interior. Ao analisar os factos que contribuem para esta diferença, o autor indica que as hipóteses estudadas apontam para uma maior proximidade cultural, que se acaba por traduzir numa maior eficácia de exploração dos negócios. O autor nega mesmo que a diferença se deva a qualquer tipo de favoritismo por haver proximidade cultural: “O ganho de rentabilidade de que beneficiam as empresas culturalmente vinculadas é obtido principalmente através da redução dos custos de transacção e não através de uma selecção baseada no favoritismo”, foi vincado. Mais empregados Outro dos padrões identificados pelo investigador Ma Sem, aponta para que as empresas de Macau e Hong Kong no Interior tenham também uma maior proporção de empregados quando estão situadas dentro da região onde se fala cantonês. Segundo o estudo, as empresas de Macau e Hong Kong dentro desta região têm cerca de 14 por cento mais postos de trabalho do que as empresas situadas fora. Esta diferença é justificada com uma maior proximidade cultural e o impacto positivo na vontade de investir no Interior por parte dos empresários e empresas de Macau e Hong Kong. As ligações culturais têm igualmente impacto ao nível dos juros pagos pelas empresas de Macau e Hong Kong no Interior. De acordo com os dados do estudo, as empresas dentro da zona que fala cantonês pagam em média juros 1,5 por cento mais baixos do que as empresas com esta natureza fora dessa zona.
Cooperação | Convidadas empresas de Hong Kong para Hengqin João Luz - 6 Ago 2025 O Chefe do Executivo de Hong Kong visitou Macau e “trocou impressões de forma aprofundada” com Sam Hou Fai para “reforçar ainda mais a cooperação”. O governante da RAEM reiterou a John Lee a importância de Hengqin no projecto da Grande Baía e convidou empresas de Hong Kong para a zona de cooperação aprofundada Uma comitiva do Governo de Hong Kong, liderada pelo Chefe do Executivo John Lee Ka-chiu, visitou Macau e Hengqin na terça-feira à tarde e teve um encontro com uma equipa de representantes do Executivo da RAEM. Segundo o Gabinete de Comunicação Social (GCS), Sam Hou Fai e John Lee “trocaram impressões de forma aprofundada sobre reforçar ainda mais a cooperação entre as duas regiões”, em áreas como o turismo, o “desenvolvimento de alta qualidade da Grande Baía” e “novas oportunidades” em Hengqin. O líder do Governo de Macau levou John Lee e membros do seu Executivo numa visita a Hengqin, que identificou como uma “plataforma importante da participação de Macau no desenvolvimento integrado da Grande Baía e da promoção da diversificação adequada da economia”. Nesse aspecto, Sam Hou Fai “sublinhou ser bem-vinda a participação de mais empresas de Hong Kong” em Hengqin, de modo a “agarrarem em conjunto novas oportunidades da segunda fase da Zona de Cooperação, para partilhar os benefícios do desenvolvimento de alta qualidade”. Se tu o dizes Em comunicados separados, ambos os governos salientaram que Hong Kong e Macau também são regiões administrativas especiais da China que, ao longo dos anos, têm aproveitado plenamente as vantagens únicas de “Um País, Dois Sistemas”, que o Executivo da RAEM refere ter “alcançado êxitos no desenvolvimento mundialmente notáveis”. Sam Hou Fai indicou ainda que Hong Kong e Macau também são cidades centrais da Grande Baía e motores nucleares do desenvolvimento regional. Em termos turísticos, o governante da RAEM sugeriu que as duas regiões deviam aproveitar a experiência dos Jogos Nacionais e realizar mais eventos desportivos em conjunto para “atraírem mais e diferentes turistas a visitarem Hong Kong, Macau e toda a Grande Baía”. Nesta área, Sam Hou Fai defendeu que as duas regiões devem “continuar a reforçar a conectividade da rede de transportes para proporcionar maior facilidades aos residentes e turistas que circulam entre os dois territórios”, e apostar na promoção de itinerários “multi-destinos”.
Hong Kong | Relatório económico destaca “recorde histórico” de startups Andreia Sofia Silva - 6 Ago 2025 “As startups de Hong Kong estão em ascensão”. É desta forma que o Executivo da região vizinha descreve o ambiente de negócios na região, onde foram criadas em 2024 cerca de 4.700 startups, mais 10 por cento face a 2023. No “Report of Hong Kong’s Business Environment 2025” lê-se que o território está longe de perder competitividade económica O Governo de Hong Kong divulgou no passado dia 30 de Julho o mais recente relatório sobre o panorama económico da região vizinha. E um dos destaques é dado ao cenário de crescimento do empreendedorismo. No “Report of Hong Kong’s Business Environment 2025” [Relatório do Ambiente de Negócios de Hong Kong 2025] destaca-se que “as startups em Hong Kong estão em ascensão”, tendo em conta que, no ano passado existiam “cerca de 4.700 startups na cidade, um recorde histórico e um aumento de 10 por cento em relação ao ano anterior”. O documento explica que “mais de um quarto dessas startups tem fundadores de fora de Hong Kong”, tratando-se de empresas que operam num “amplo espectro de sectores, incluindo ‘fintech’ [alta tecnologia], comércio electrónico e informação, informática e tecnologia”, tendo contratado mais de 17 mil pessoas. Esse número de recursos humanos representa também um aumento de sete por cento em relação a 2023. “Tudo isso é prova do forte apelo de Hong Kong para empreendedores de startups”, destacam as autoridades. Mas não são só as startups que registam crescimento, com o relatório a apontar que o actual Governo, liderado pelo Chefe do Executivo John Lee, “alcançou resultados notáveis na atracção de empresas, investimentos e talentos”. “Por exemplo, em 2024, o número de empresas em Hong Kong com sedes fora do território aumentou significativamente em cerca de 10 por cento, atingindo quase 10.000”. O “Gabinete para a Atracção de Empresas Estratégicas, criado há mais de dois anos, atraiu 84 empresas estratégicas para estabelecer ou expandir os seus negócios em Hong Kong, incluindo empresas com capitalização de mercado ou avaliação superior a 10 mil milhões de dólares americanos, envolvendo tecnologia de ponta”, é acrescentado. O relatório destaca também que entre Janeiro de 2023 e o primeiro semestre deste ano, a Invest Hong Kong, ligada ao Departamento do Investimento Directo Estrangeiro do Governo da RAEHK, “ajudou mais de 1300 empresas estrangeiras e do continente a estabelecer ou expandir os seus negócios em Hong Kong, trazendo investimentos de mais de 160 mil milhões de dólares”. Ainda no que diz respeito à Invest Hong Kong, a entidade ajudou “539 empresas do continente ou estrangeiras a estabelecer ou expandir os seus negócios em Hong Kong, o que representa um crescimento anual de mais de 40 por cento”. No final de Junho deste ano, Hong Kong tinha registadas 1,5 milhões de empresas locais, enquanto o número total de empresas não registadas em Hong Kong atingiu 15 509. “Ambos os números representam recordes históricos”, lê-se, sendo que para o Governo do território vizinho os dados “demonstram a grande confiança que as empresas do continente e do exterior têm no futuro de Hong Kong”. Tendo em conta que Hong Kong também possui um programa de captação de talentos, o “Hong Kong Talent Engage”, lê-se no relatório que até Junho deste ano “foram recebidas cerca de 500.000 candidaturas ao abrigo de vários programas de admissão de talentos, das quais cerca de 330.000 foram aprovadas”. Destes números, chegaram efectivamente a Hong Kong para trabalhar 220.000 quadros qualificados. Bom cenário bolsista Citado numa nota de imprensa oficial, um porta-voz do Governo declarou que “num ambiente externo complexo e volátil, Hong Kong está a passar por uma fase de actualização e transformação económica, mas há mais oportunidades do que desafios”. Tendo em conta que o território sempre se posicionou como um forte mercado financeiro a nível mundial, esse cenário parece ter registado uma recuperação nos últimos anos. “Este ano o desempenho do mercado financeiro de Hong Kong tem vindo a melhorar de forma constante. O Índice Hang Seng registou um aumento de 18 por cento no ano passado e um aumento de mais de 25 por cento neste ano até agora. O volume médio diário de negócios no mercado de acções, no primeiro semestre do ano, foi de cerca de 240 mil milhões de dólares, com um aumento de cerca de 120 por cento.” As autoridades destacam a manutenção da competitividade económica do território, apontando que “ao longo dos anos Hong Kong tem sido constantemente classificada como líder global em liberdade económica e competitividade”. Atenção à guerra comercial Em jeito de conclusão, o Governo da RAEHK esclarece que o território parece manter a estabilidade económica em tempos de conflitos comerciais constantes, com Donald Trump a ameaçar e a concretizar a imposição de tarifas a uma série de países. “Por mais volátil e turbulento que o mundo possa ser, continuamos firmemente comprometidos com o sistema comercial multilateral baseado em regras, tendo a OMC [Organização Mundial do Comércio] como núcleo, ao mesmo tempo em que participamos activamente e apoiamos a cooperação económica regional.” São referidas as “inúmeras vantagens de Hong Kong”, com o seu “ambiente empresarial altamente internacionalizado, um sistema financeiro flexível e sólido, um regime fiscal simples e seguro com taxas de imposto baixas e um sistema jurídico robusto e independente”. Porém, no documento é também salientado que a “guerra tarifária provocou uma realocação global de capital”, sendo que Hong Kong quer apostar na atracção de “empresas e capital estrangeiros” para a região. O relatório dá também conta de que “as organizações internacionais e as câmaras de comércio estrangeiras em Hong Kong estão confiantes nas perspectivas futuras” do território, e que para as autoridades “não há motivo para preocupação com alguns sentimentos excessivamente pessimistas”. “Na verdade, o Governo da RAEHK está a criar um novo impulso e a expandir a capacidade para sustentar o crescimento económico de Hong Kong, aumentando assim a sua competitividade geral e alcançando um desenvolvimento de alta qualidade”, é ainda acrescentado. O porta-voz do Executivo estabeleceu ainda um paralelismo entre a boa situação económica e a estabilidade política. “Nos últimos anos, a implementação da Lei de Segurança Nacional restaurou um ambiente social estável em Hong Kong. Isso não só protegeu os direitos e liberdades do público em geral, mas também tornou Hong Kong um porto seguro para atrair capital e investimento internacional”, concluiu. O relatório foi apresentado pelo Secretário para as Finanças de Hong Kong, Paul Chan.
Hiroshima assinala 80 anos da bomba atómica num contexto de conflitos Hoje Macau - 6 Ago 2025 O Japão vai assinalar na quarta-feira os 80 anos do lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima num contexto de apelos ao abandono das armas nucleares e das guerras na Ucrânia e no Médio Oriente. Em 06 de agosto de 1945, às 08:15, os Estados Unidos lançaram uma bomba atómica sobre a cidade de Hiroshima, matando cerca de 140.000 pessoas. Três dias depois, uma bomba idêntica atingiu Nagasaki e matou mais 74.000 pessoas, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP). Os dois ataques, que precipitaram o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), são os únicos casos na História em que foram utilizadas armas nucleares em tempo de guerra. Representantes de 120 países e regiões, bem como da União Europeia, deverão assistir à cerimónia em Hiroshima amanhã, um número recorde, de acordo com as autoridades da cidade do sudoeste do Japão. Os principais Estados com armas nucleares, como a Rússia, a China e o Paquistão, não estarão presentes, enquanto o Irão, acusado de tentar adquirir a bomba, estará representado. Contrariamente à prática habitual, o Japão disse que não escolheu os convidados para a cerimónia, mas que notificou todos os países e regiões do evento. “A existência de líderes [políticos] que querem reforçar o poder militar para resolver conflitos, incluindo a posse de armas atómicas, torna difícil o estabelecimento da paz mundial”, afirmou na semana passada o presidente da câmara de Hiroshima, Kazumi Matsui, referindo-se às guerras na Ucrânia e no Médio Oriente. Matsui convidou no mês passado o Presidente dos Estados Unidos a visitar Hiroshima, quando Donald Trump comparou os recentes ataques aéreos contra o Irão aos bombardeamentos atómicos de 1945. “Parece-me que ele [Trump] não compreende bem a realidade dos bombardeamentos atómicos, que, se utilizados, custam a vida a muitos cidadãos inocentes, amigos ou inimigos, e ameaçam a sobrevivência da humanidade”, afirmou na altura. A guerra continua Hiroshima é actualmente uma metrópole próspera com 1,2 milhões de habitantes, mas as ruínas de um edifício encimado pelo esqueleto metálico de uma cúpula permanecem no centro da cidade como uma recordação do horror do ataque. “É importante que muitas pessoas se reúnam nesta cidade atingida pela bomba atómica, porque as guerras continuam” no mundo, disse Toshiyuki Mimaki, copresidente da organização Nihon Hidankyo, formada por sobreviventes da bomba e vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2024. A Nihon Hidankyo quer que os governos tomem medidas para eliminar as armas nucleares, com base nos testemunhos dos sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki, conhecidos como ‘hibakusha’. “Quero que os representantes estrangeiros visitem o Museu Memorial da Paz e compreendam o que aconteceu” sob a nuvem atómica em forma de cogumelo, disse Mimaki. “Acredito que a tendência global para um mundo sem armas nucleares vai continuar. A geração mais jovem está a trabalhar arduamente para o conseguir”, disse Kunihiko Sakuma, de 80 anos, que tinha 9 meses de idade em 1945 e estava a três quilómetros do ponto de impacto. Sakuma, que deverá encontrar-se com o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, depois da cerimónia, tenciona apelar a Tóquio para que adira ao tratado da ONU sobre a proibição de armas nucleares, assinado em 2017. Tóquio recusou-se a assinar o tratado, alegando que o objectivo é inatingível sem a ajuda dos Estados com armas nucleares.
Dirks Theatre | Teatro não verbal com ligações a Saramago Hoje Macau - 6 Ago 2025 Chama-se “Echoes in Dreams” (Exiling Thoughts Edition) e é a nova peça de teatro não verbal da companhia local Dirks Theatre. Agendado para Setembro, este espectáculo mistura as composições do argentino José Luís Merlin, com performances corporais inspiradas na psicologia e no conto “O Centauro”, de José Saramago A companhia teatral de Macau Dirks Theatre apresenta, entre os dias 19 e 21 de Setembro, o espectáculo “Echoes in Dreams” (Exiling Thoughts Edition), que constitui uma performance em que corpos deambulam ao som da guitarra clássica, com sonoridades do argentino José Luís Merlin, e expressões de teatro não verbal. A peça apresenta-se na zona norte da península, nomeadamente no espaço “Hiukok Laboratory, no número 408 da Rua dos Pescadores, mais concretamente no edifício industrial Nam Fong. Segundo informações disponibilizadas pela companhia, mistura uma “guitarra clássica, seis cordas, e três almas e corpos”, sendo um espectáculo que “levará o público a observar o comportamento humano a partir de uma perspectiva na terceira pessoa, mergulhando em temas como o conflito físico-mental e o subconsciente, explorando a própria compreensão de ‘identidade'”. Nesta peça não faltam também influências da literatura portuguesa, nomeadamente do Nobel da Literatura José Saramago, com o conto “O Centauro”. Trata-se de um texto que começa desta forma: “O cavalo parou. Os cascos sem ferraduras firmaram-se nas pedras redondas e resvaladiças que cobriam o fundo quase seco do rio. O homem afastou com as mãos, cautelosamente, os ramos espinhosos que lhe tapavam a visão para o lado da planície. Amanhecia já.” “O Centauro, uma criatura pré-histórica imortal, metade homem, metade cavalo, sente culpa pelo facto de a sua raça ter sido aniquilada pelos humanos enquanto ele nada pôde fazer para o impedir. Esta criatura híbrida tem vagueado pelo mundo desde então, transformando-se numa figura nocturna apenas para se manter afastado de toda a espécie humana. O ‘lar’ tornou-se algo tão distante que agora só existe dentro de si. Nem sequer se vê capaz de lá voltar, nem que seja uma última vez. À medida que vê outras espécies antigas desaparecerem gradualmente à sua volta, lida com um conflito interno profundo, dividido entre ser ‘homem’ e ‘cavalo'”, descreve a companhia sobre o espectáculo. Jung marca presença Além da referência a Saramago, “Echoes in Dreams” vai também buscar inspiração à psicologia, nomeadamente à obra “Memórias, Sonhos, Reflexões” do psicólogo suíço Carl Gustav Jung. Em palco, o guitarrista de Macau Bruce Chi Man Pun interpreta as composições de José Luís Merlin, ao mesmo tempo que o actor Ka Man Ip e a bailarina Chloe Wong “apresentam uma performance visual e emocionalmente evocativa”. “Echoes in Dreams” é sobre conceitos como “nostalgia”, “contraste”, “exílio” e “felicidade”, narrando-se o mundo interior de “alguém que vive numa certa cidade”. Faz-se também, na peça, uma reflexão sobre os temas de “exílio” e “pertença” no contexto global contemporâneo. Os bilhetes estão à venda na plataforma DART Ticketing e custam 240 patacas, com descontos para quem comprar o ingresso antecipadamente e também para estudantes e reformados. “Echoes in Dreams” já subiu aos palcos uma vez, com outro formato. Segundo a companhia, o que o público irá ver em Setembro trata-se de uma “pequena retrospectiva da primeira corrida de ‘Echoes in Dreams'”. “Não será igual ao que fizemos em 2023. O mundo mudou e todos nós nos movemos. Vamos dançar uma vez mais”, é referido.
Hong Kong | Proibido apoio financeiro a 16 activistas estrangeiros Hoje Macau - 6 Ago 2025 Dezasseis activistas de Hong Kong, residentes no estrangeiro, foram ontem alvo de sanções de autoridades de Hong Kong, incluindo o cancelamento de passaportes e a proibição de acesso a apoio financeiro, por suspeita de ameaça à segurança nacional. Os activistas ontem visados fazem parte de um grupo de 19 pessoas, alvo de mandados de captura em Julho, noticiou a agência de notícias Associated Press. O secretário de segurança de Hong Kong, na China, Chris Tang, proibiu o fornecimento de fundos ou recursos económicos aos 16 activistas, incluindo Victor Ho, Keung Ka-wai, o aluno australiano Chongyi Feng e o cidadão norte-americano Gong Sasha, de acordo com o comunicado do governo de Hong Kong. Os documentos de viagem foram cancelados a 12 dos 16 titulares de passaportes de Hong Kong. O governo de Hong Kong proibiu também o acesso ao arrendamento aos 16 indiciados, assim como à actividade comercial ou empresarial, sublinhando que qualquer violação às ordens fica sujeita a uma pena de até sete anos de prisão. Os 16 activistas estão fora de Hong Kong, e são acusados de continuarem envolvidos em actividades que põem em risco a segurança nacional. A acusação abrange ainda incitamento ao ódio contra Pequim e Hong Kong, sob a alegação de difamação e calúnia. As medidas agora adoptadas, segundo o comunicado das autoridades de Hong Kong, foram tomadas “para causar um impacto significativo”.
China exige maior controlo das tecnológicas no treino de modelos com algoritmos de IA Hoje Macau - 6 Ago 2025 As autoridades chinesas alertaram ontem para os riscos associados à chamada “contaminação de dados” em sistemas de inteligência artificial (IA) e instaram as empresas tecnológicas a reforçarem o controlo da informação utilizada no treino dos seus modelos. Num comunicado publicado na rede social WeChat, o Ministério da Segurança do Estado advertiu que a proliferação de textos, imagens e vídeos gerados por IA está a aumentar a probabilidade de conteúdos “falsificados, enviesados ou repetitivos” integrarem novos conjuntos de dados de treino, o que pode resultar em erros de julgamento, “decisões automáticas equivocadas” ou “manipulação da opinião pública”. As autoridades citam estudos segundo os quais bastaria que uma em cada 10.000 amostras fosse falsa para que o número de respostas prejudiciais de um modelo aumentasse de forma sensível. Este “efeito em cascata”, em que conteúdos gerados artificialmente alimentam novos sistemas, é motivo de preocupação para sectores sensíveis como a saúde, as finanças ou a segurança pública, onde decisões baseadas em dados imprecisos teriam impacto directo sobre a população. Para mitigar estes riscos, o ministério recordou que está em vigor, desde Janeiro, um regulamento que obriga as plataformas de IA generativa a realizarem auditorias de segurança, a identificar claramente os conteúdos produzidos por inteligência artificial e a eliminar periodicamente dados que violem as normas em vigor. O organismo já tinha alertado, em Julho, que o uso da IA pode representar uma ameaça à “estabilidade social”, à protecção de dados sensíveis e à segurança nacional, caso a tecnologia caia nas mãos de “forças hostis à China”. Desconfiança geral Desde 2023, os serviços de IA no país estão obrigados a seguir os “valores socialistas fundamentais” e proibidos de “gerar conteúdos que atentem contra a segurança nacional, a unidade territorial e a estabilidade social”. Apesar do lançamento de ‘chatbots’ por grandes grupos tecnológicos chineses como Alibaba, DeepSeek, Tencent ou ByteDance, persistem dúvidas sobre o desenvolvimento da IA. Desde 2023, o Ministério da Segurança do Estado publica regularmente na sua conta oficial na WeChat casos de alegada espionagem e recomenda à população que desconfie de ofertas de trabalho ou pedidos de informação oriundos do estrangeiro. Paralelamente, o ministério apela a uma “mobilização de toda a sociedade” para “prevenir e combater a espionagem” e “reforçar a defesa nacional”, alertando para os riscos do envio de dados sensíveis através da internet.
Tarifas | Pequim abre mercado a café brasileiro em resposta a taxas dos EUA Hoje Macau - 6 Ago 2025 A guerra das tarifas imposta pela administração norte-americana continua a levar à adopção de contra medidas. Face à imposição de tarifas de 50% ao Brasil por motivos políticos, a China abre as portas ao café brasileiro A China autorizou 183 empresas brasileiras a exportar café para o seu mercado interno, avançou ontem a imprensa local, dias após os Estados Unidos imporem tarifas de 50 por cento sobre o café proveniente do Brasil. A medida, válida por cinco anos, foi divulgada poucos dias depois do anúncio da nova tarifa norte-americana, que entra em vigor amanhã, e provocou alarme entre produtores e exportadores brasileiros, agora forçados a procurar mercados alternativos. Segundo dados da indústria, cerca de 85 por cento da produção brasileira de arábica em 2025 – a variedade mais exportada para os EUA – já foi colhida. Este tipo de café desempenha um papel central no mercado norte-americano, onde é frequentemente misturado com grãos mais suaves de outros produtores latino-americanos para se adequar ao gosto local. O Brasil é responsável por 44 por cento da produção mundial de arábica, o que faz do país um fornecedor difícil de substituir a curto prazo. Os Estados Unidos são o maior consumidor mundial de café e importaram 3,3 milhões de sacas de café brasileiro no primeiro semestre do ano, quase 23 por cento do total exportado pelo Brasil nesse período. Já a China importou 530 mil sacas no mesmo intervalo. Embora o mercado chinês seja ainda menor, tem vindo a ganhar importância à medida que o acesso brasileiro ao mercado norte-americano enfrenta novas barreiras. Em Novembro passado, a ApexBrasil, a agência brasileira de promoção de exportações, assinou um acordo com a Luckin Coffee, maior cadeia de cafetarias da China, para o fornecimento de 240 mil toneladas de café brasileiro entre 2025 e 2029. O contrato está avaliado em 2,5 mil milhões de dólares e sucede a um acordo anterior, de meados de 2024, no valor de 500 milhões de dólares, para o fornecimento de 120 mil toneladas. Em crescimento Fundada em 2017, a Luckin Coffee opera actualmente mais de 22 mil lojas em todo o território chinês e serve mais de 300 milhões de clientes. Embora o chá continue a ser a bebida tradicional dominante, o consumo de café tem vindo a crescer rapidamente no país asiático, sobretudo entre os jovens profissionais urbanos. O consumo ‘per capita’ duplicou em cinco anos, passando de oito para 16 chávenas por ano – ainda muito abaixo da média global de 240 chávenas e das mais de 400 registadas nos EUA. Na altura do acordo, o director executivo da Luckin Coffee, Jinyi Guo, elogiou o café brasileiro e descreveu o contrato como “apenas o início” de uma colaboração a longo prazo. “No futuro, queremos expandir ainda mais esta parceria”, disse. Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil, com o comércio bilateral a passar de nove mil milhões de dólares, em 2004, para 188 mil milhões, em 2024. O Brasil desempenha, em particular, um papel importante na segurança alimentar da China, compondo mais de 20 por cento das importações agrícolas e pecuárias do país asiático. A segunda maior economia mundial alimenta quase 19 por cento da humanidade com apenas 8,5 por cento das terras aráveis do planeta. Em comparação, o país latino-americano tem quase 7 por cento das terras aráveis para 2,7 por cento da população mundial.
O escravo Kunlun Hoje Macau - 6 Ago 2025 Lembrai-vos: os aposentos das mulheres são bem guardados; e terríveis as ordens do rei. — Se isso te impede, mortal tímido, Indra saberá introduzir-te no gineceu. Stéphane Mallarmé, “Nala e Damaiantî”, Contos Indianos. A visita ao Príncipe Durante a Era da Grande-Passagem, a terceira estabelecida pelo Imperador Daizong, um dos magistrados mantinha relações de amizade com o mais ilustre dos servidores do Estado daquele tempo, um Príncipe que ocupava o cargo de Ministro Emérito de Primeira Patente. Este homem de guerra, entre outros feitos, era celebrado por ter reconquistado duas cidades caídas às mãos dos rebeldes capitaneados por An Lushan. O magistrado, que admirava o Príncipe, tinha um filho, um mancebo de nome Gui, acabado de nomear oficial na Guarda Imperial das Lâminas Cortantes, ala que recrutava jovens da alta aristocracia. Um dia o pai enviou-o a casa do prestigiado ministro, com o intuito de indagar sobre o seu estado de saúde; e talvez também com a esperança de dar a conhecer o talento do filho ao ilustre amigo. Gui era um belo moço, de rosto puro como o jade, de modos calmos mas decididos, cujo discurso claro e elegante secundava uma natural simpatia e segurança. Recebido pelo Ministro, este ordenou a uma das suas cantoras que levantasse os estores, e fê-lo entrar nos seus aposentos. O jovem saudou-o com respeitosa vénia, e transmitiu a mensagem do pai. Muito agradado pela presença do visitante, o ilustre Príncipe fê-lo sentar, e logo iniciaram uma interessante conversa. Uma taça de pêssegos e um enigma Em frente deles, três favoritas de grande beleza, em volta de uma minúscula mesa, dedicavam-se com extremo cuidado a cortar pêssegos vermelhos em finas fatias, deitá-las em taças de ouro, e regá-las com creme. O ministro ordenou então a uma delas, a que vestia de musselina vermelha, que apresentasse uma das taças ao hóspede. Gui, tão jovem que não sabia como se comportar diante das belas cortesãs, corou embaraçado, não ousando começar a comer. Notando isso, o ministro disse à jovem vestida de vermelho que o servisse com a colher, o que ela fez de imediato, enquanto o olhava com um sorriso malicioso. Até que chegou o momento de Gui se retirar. Na despedida, ao saudar o ministro, este disse-lhe: “meu jovem amigo, vem visitar-me sempre que tenhas tempo livre; não faças cerimónia com esta idosa pessoa.” E com um gesto, ordenou à favorita de vermelho que o acompanhasse até à saída do pátio. No portal, quando Gui se virou para se despedir, viu que ela levantava três dedos, e depois virava três vezes a palma da mão. Em seguida, tirando do corpete um pequeno espelho redondo, mostrou-lho, repetindo: “ Repara bem! Repara bem!” E logo se retirou para o interior da mansão, sem dizer nem mais uma palavra. De regresso a casa, o moço contou ao pai como se passara a visita, repetiu os cumprimentos do ministro, e recolheu ao seu gabinete de estudo. Aí se manteve perdido em sonhos, sem dar pelo tempo passar, de espírito ausente, num vazio na alma. Ninguém em casa compreendia o que se passara para ele ter mudado assim. Sem pensar em comer, não fazia mais nada a não ser cantarolar o seguinte poema: No Monte dos Imortais vi uma deusa sorrindo com o olhar, estrela cintilante A lua deslizando pelo portal vermelho a beleza de neve iluminava tristemente Durante a dinastia Tang, não raramente famílias abastadas tinham servos oriundos dos Mares do Sul, vulgarmente chamados Escravos Kunlun, em referência aos montes desse nome. Também em casa do pai de Gui havia um escravo Kunlun, de nome Mole, muito devotado ao seu jovem senhor. Nesta ocasião, fitando-o, perguntou: “que tendes no coração que justifique esse ar desalentado? Porque não confias no teu fiel servo?” Ao que Gui respondeu: “Que sabem vocês, para não pararem de me questionar sobre um assunto que diz respeito apenas à intimidade do meu coração? ” “Quero saber. Tenho fé que conseguirei encontrar uma solução”, retorquiu o servo. Instigado pela inabalável confiança com que o outro argumentava, o jovem oficial contou-lhe o sucedido em casa do ministro, ao despedir-se da bela cortesã vestida de cassa vermelha. “Só isso? ” comentou Mole “nada de mais! Porque não me contastes logo, em vez de ficar a remorder inquietações?” E de imediato Mole desvendou o mistério da linguagem gestual: “qual a dificuldade de entender a mensagem da bela? Se levantou três dedos, é porque na residência do ministro moram dez cortesãs, cada uma em seu pátio, e ela habita na moradia número três. Virar a palma da mão para cima três vezes, indica quinze dedos, o que aponta para o número quinze, obviamente. Quando ao pequeno espelho redondo que ela mostrou, significa que na noite de quinze, a lua será redonda como aquele espelho.” Feliz por ver enfim desvendado o mistério dos enigmáticos sinais, Gui perguntou a Mole como poderiam fazer para corresponder ao pedido da jovem. Mole explicou, rindo: “a noite de quinze é amanhã. Preciso de dois cortes de seda azul-escuro, para vos mandar fazer um fato justo. Como na mansão do ministro um cão feroz guarda a entrada do pátio das cantoras, nenhum desconhecido consegue passar. A besta não hesitaria em devorá-lo pois é vigilante como Argos e feroz como um tigre. Trata-se de um animal da raça Menghai de Haizhou; ninguém no mundo, a não ser este vosso servo seria capaz de o dominar. Esta noite vou desancá-lo para vos servir.” À meia-noite Mole partiu armado de um malhete de correntes. Ao regressar afirmou que o cão estava morto, e que não havia obstáculos à execução do plano. Na noite seguinte Gui gratificou o servo com um excelente repasto de carnes e vinhos finos. À terceira hora, meteram-se a caminho. Gui ia quase invisível, vestido com um fato justo ao corpo, em seda azul-noite. Voando sobre as muralhas Ao chegar à muralha da casa do ministro, Mole, carregando o amo às costas, saltou uma dezena de cercas até penetrar no pátio das cantoras e parar em frente da terceira porta. A barra de madeira da fechadura não tinha sido colocada atravessada nos batentes esculpidos em cruzamentos entrelaçados; uma lanterna dourada brilhava suavemente no interior. Os intrusos ouviram os suspiros da jovem, sentada junto da porta, como se esperasse alguém. Tinha retirado os brincos de esmeralda e a pintura carmim do belo rosto. Com a voz repassada de tristeza, também ela sussurrava uma cantilena, afinal tão enigmática como a linguagem das mãos: Saudoso do seu amor, o rouxinol em pranto furtivo lhe arrebatou as jóias sob as flores O azul ainda deserto, a espera sempre vã em vão a flauta de jade suspira o seu desgosto. Àquela hora estavam os guardas todos adormecidos. O silêncio da noite pairava sobre o pátio. O moço afastou o cortinado e entrou. Durante um instante, ela ficou sem palavras. Depois acercou-se dele, tomou-lhe as mãos, como para se assegurar que era a pessoa que esperava, e disse: “ Eu sabia que só um jovem Senhor tão inteligente como tu seria capaz de entender a minha mensagem sem palavras! Mas pergunto a mim mesma de que poderes mágicos dispôs para conseguir chegar até aqui sem entraves.” Gui confessou então que fora Mole a engendrar o plano e pô-lo em prática. Ela riu do fato azul-escuro que moldavas formas do rapaz, e dos saltos sobre as cercas e muralhas, e perguntou: “Onde está esse vosso fiel servo?” Gui apontou o biombo atrás do qual o escravo esperava. A jovem convidou Mole a entrar e serviu-lhe uma taça de vinho. Então narrou a Gui a história da sua curta existência: “Nasci numa abastada família perto da fronteira do norte. O meu senhor actual, que na altura comandava ali a armada da guarnição, de força me tomou como concubina. Não tive forças para me dar a morte, pelo que vergonhosamente sobrevivi. Agora o pó branco e o carmim da pintura do rosto disfarça o meu coração atribulado de desgosto. Os manjares servidos com pauzinhos de jade, os incensários de ouro onde ardem os mais dispendiosos perfumes, os corta-ventos com incrustações de nácar, as pérolas e as esmeraldas adornando as belas adormecidas sob cobertas bordadas, nada apaga o opróbrio da servidão. Sinto-me em cativeiro. Já que o teu bom servo dispõe de poder sobrenatural, poderá ele libertar-me desta prisão? Dou-vos tudo o que tenho, e se for preciso morrerei sem lamentos; mas seria feliz se pudesse servir-vos como escrava. Diga-me o Senhor o que pode fazer por mim.” Gui, muito pálido, continuava em silêncio. Mole falou por ele: “Já que está decidida, Senhora, não haverá dificuldades. Vá preparar a sua bagagem, tão rapidamente como possível.” Em grande júbilo ela fez três idas e vindas, empacotando o seu enxoval. Mole avisou: “Vai nascer o sol, apressemo-nos.” Levantou os dois jovens, colocou-os nas suas costas, e voltou a sobrevoar as altas muralhas sem que um só ruído alertasse quem ainda dormia. Já em casa, deixou os dois jovens no gabinete de estudos de Gui, onde este escondeu a moça. Na mansão do ministro só durante a manhã deram pelo desaparecimento da bela concubina em musselina vermelha, logo depois de terem descoberto o cadáver do cão. “Os nossos muros são altos e vigiados dia e noite, e os portões são fortemente aferrolhados” pensou o príncipe, alarmado. “Não deixaram pistas, como se tivessem voado! Deve ter sido um desses perigosos Justiceiros, aliados dos rebeldes. O melhor é não deixar propalar o sucedido, só serviria para revelar fragilidades da minha casa e atrair inimigos.” Fuga na primavera A jovem cortesã ficou escondida nos aposentos de Gui durante dois anos, até que um dia de Primavera, quando estavam em flor as balsaminas, tomou um palanquim e foi passear no Parque dos Meandros do Rio, em Quijiang. Um homem do ministro reconheceu-a de relance e correu a adverti-lo. O ministro, surpreendido, convocou Gui, que não sendo de carácter dissimulado, resolveu não mentir. Contudo, explicou que nada teria sido possível sem a ajuda de Mole. “A culpa é sem dúvida da rapariga” concluiu o ministro. “Mas como ela se manteve ao vosso serviço durante dois anos, não seria decente retomá-la em minha casa. Contudo, é meu dever punir Mole, pois ele pode constituir um perigo público.” De imediato ordenou a cinquenta dos seus guardas, armados até aos dentes, que fizessem um apertado à casa de Gui para capturar o escravo Kunlun. Durante essa espectacular diligência houve quem visse o servo Kunlun voar sobre as altas muralhas, de adaga em punho, como se tivesse asas, rápido como um gavião. Debaixo de uma chuva de flechas, sem uma só o ter atingido, desapareceu num abrir e fechar de olhos. Em que direcção e com que destino, ninguém viu. Durante mais de um ano, o ministro, em pânico, rodeou-se de uma guarda especial de soldados armados de sabres e alabardas. Uma dúzia de anos mais tarde, alguém da família de Gui viu Mole numa tenda do mercado de Luoyang, vendendo drogas, elixires e ervas medicinais. Tinha um ar fresco e folgazão, e o seu rosto estava como sempre fora, inalterado. Faro, 14-7-2025, Fernanda Dias, reconto
Acidente | Jogador da selecção de futebol entre as vítimas mortais Hoje Macau - 6 Ago 2025 O extremo direito da selecção de futebol de Macau, Leon Ng Lai Teng, com apenas 20 anos, morreu na segunda-feira num acidente de automóvel, de acordo com o clube em que jogava, Cheng Fung, que expressou pesar e condolências. Leong foi a quarta vítima mortal a ser confirmada pelas autoridades. “Em nome de todos os jogadores e funcionários [no Cheng Fung], gostaríamos de expressar as nossas mais sinceras condolências à família de Leon Ng Lai Teng”, avançou o clube no Facebook, manifestando-se disponível para fazer o “melhor para prestar toda a assistência e apoio necessários à família”. O acidente ocorreu por volta das 06h da manhã de segunda-feira, quando um veículo de cinco passageiros transportando sete pessoas, conduzido por uma jovem com 20 anos, se despistou e embateu contra barreiras de betão na margem da estrada. Os três dos ocupantes que sobreviveram ao trágico acidente continuavam ontem hospitalizados, de acordo com a polícia. “Ao tomarmos conhecimento desta trágica notícia, todos no clube ficaram tomados por uma tristeza infinita e um profundo pesar”, revelou o Cheng Fung nas redes sociais.
SMG | Chuva vai prolongar-se durante o dia de hoje João Santos Filipe - 6 Ago 2025 Pela primeira vez, este ano, foi emitido o sinal preto de chuva intensa e está previsto que a precipitação continue a não dar tréguas durante o dia de hoje. Ontem, as chuvadas mais intensas registaram-se no Parque Municipal Dr. Sun Yat Sen e na Vila de Coloane Trovoadas, aguaceiros e tempo instável. Foi esta a previsão deixada pela Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) para o dia de hoje, depois de uma manhã com aguaceiros intensos e bastante trovoada, que levou à emissão do primeiro sinal preto de chuva intensa do ano. “Devido à influência combinada de uma corrente de ar do sudoeste e de perturbações em alta altitude, prevê-se que o tempo seja instável entre terça e o início de quarta-feira (5 a 6 de Agosto), com aguaceiros frequentes, por vezes intensos, acompanhados de trovoadas”, foi explicado no portal dos SMG. “Apela-se à população que preste atenção às informações e avisos meteorológicos, ajuste as suas deslocações de forma adequada e preste atenção à possibilidade de inundações em zonas baixas durante a chuva intensa num curto espaço de tempo”, foi acrescentado. O dia de ontem ficou marcado pela chuva mais intensa do ano, que se fez sentir principalmente durante a manhã. Em algumas zonas do território, as maiores cargas de água sentiram-se entre as 5h e 6h da madrugada, principalmente na Zona Norte da cidade, como a Areia Preta, mas a chuva prolongou-se praticamente ao longo de todo o dia. Como consequência do mau tempo, e da acumulação de água, o sinal de chuva intensa preto, o mais alto da escala, foi içado por volta das 8h18, com a previsão de cheias nas zonas baixas do território. Este sinal é emitido quando se prevê que no período de uma hora a precipitação atinja 80 milímetros de chuva, ou seja, o equivalente a 80 litros de água por metro quadrado. Aulas suspensas O alerta de chuva intensa levou a que eventuais aulas do ensino secundário ficassem suspensas na parte da manhã, de acordo com um comunicado da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). No mesmo sentido, as aulas dos ensinos infantil, primário e especial foram suspensas durante todo o dia. O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) revelou que durante o período de chuva mais intensa houve necessidade de auxiliar um condutor cuja viatura sofreu uma avaria na Ponte Macau. Por volta do meio-dia e meia, e numa altura em que os sinais de chuva tinham sido levantados, a área a registar a maior acumulação de precipitação era a Vila de Coloane, com 118,6 milímetros de chuva, desde a meia-noite. Esta zona registou as maiores chuvadas por volta das 8h, altura em que acumulou praticamente 60 milímetros de chuva. De acordo com os dados dos SMG, o Parque Municipal Dr. Sun Yat Sen, perto das Portas do Cerco, foi outro dos locais mais afectados com 118,2 milímetros de chuva. Neste local, a chuva mais intensa ocorreu às 6h. A Fortaleza do Monte (109,2mm), a Areia Preta (104,4mm) e Ka-Hó (104,4mm) foram outras zonas onde em 12 horas a chuva acumulada ultrapassou os 100 milímetros.