Chineses Ultramarinos | O Lam pede continuidade na promoção de Macau

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, defendeu a continuidade, por parte da Associação Geral dos Chineses Ultramarinos de Macau, do trabalho de promoção do território, isto numa altura em que a entidade celebrou, na quarta-feira, 57 anos de existência.

Segundo um comunicado, O Lam referiu, num discurso, que a associação deve promover as vantagens específicas de Macau como plataforma sino-lusófona além de assumir a ponte entre a China, Portugal e os países de língua portuguesa, bem como países de língua espanhola.

O Lam espera também que a associação continue a dar apoio a empresas locais e do Interior da China no acesso a mercados internacionais, além de apoiar a importação de determinados projectos internacionais para a China. Isto para que Macau possa explorar o “círculo de amigos” e parceiros a nível internacional, apoiando o desenvolvimento do país na abertura ao exterior.

Jogos Nacionais | Sam Hou Fai participa em cerimónia

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, deslocou-se ontem a Nansha da Cidade de Cantão para assistir à cerimónia de acender da chama da 15.ª edição dos Jogos Nacionais e da 12.ª edição dos Jogos Nacionais para Pessoas Portadoras de Deficiência e 9.ª edição dos Jogos Olímpicos Especiais Nacionais.

De acordo com o Gabinete de Comunicação Social estava previsto que a chama dos Jogos Nacionais fosse acesa por dirigentes da Administração Geral do Desporto na China, da Federação de Deficientes da China, da Província de Guangdong, de Hong Kong e de Macau.

Esta é a primeira edição organizada conjuntamente por estas regiões. Na cerimónia estava também prevista a presença da secretária O Lam, na condição de presidente da Comissão Organizadora da Zona de Competição de Macau, e de Pun Weng Kun, como coordenador do Gabinete Preparatório para a Organização da Zona de Competição de Macau.

Biblioteca Central | Recebidas 30 propostas para criação de superestrutura

Terminada a construção das fundações e caves do projecto desenhado pelo atelier Mecanoo, a edificação da superestrutura da Nova Biblioteca Central de Macau deve acontecer até ao final do ano

 

O concurso público de atribuição das obras da superestrutura da Nova Biblioteca Central de Macau resultou na apresentação de 30 propostas. A abertura dos documentos apresentados ontem pelos candidatos foi realizada ontem, na sede da Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP).

O concurso público foi lançado a 21 de Agosto e define 620 dias como o período máximo para a construção desta fase do projecto localizado no Tap Seac. As obras da superestrutura deverão também arrancar até ao final do ano, depois de ficar concluída a construção das fundações e caves.

De acordo com o Governo, o novo projecto vai permitir “resolver” o “problema da falta de espaço da actual biblioteca central”, além de cumprir a “missão de promover a leitura para toda a população, o intercâmbio cultural e mostrar as características locais”.

As propostas vão ser avaliadas com base no preço (um critério com um peso de 50 por cento na decisão, prazo de execução (15 por cento), experiência e qualidade em obras (20 por cento), programa de execução (10 porcento) e ainda tendo em conta o plano do programa dos recursos humanos e proporção de trabalhadores residentes em cargos de gestão (5 por cento).

A futura biblioteca vai ocupar uma área de cerca de 2.960 metros quadrados e o projecto prevê a construção de quatro pisos de altura e cave, com uma área bruta de construção de cerca de 13.800 metros quadrados. De acordo com os dados oficiais, esta área de construção é “dez vezes superior à da antiga biblioteca central”, localizada no lado oposto da Praça do Tap Seac.

O rés-do-chão e os pisos superiores da construção vão receber instalações como auditórios, zona de leitura de jornais e revistas, bibliotecas para adultos e crianças, salas de reuniões e espaços multimédia dedicados ao ensino.

Projecto atribulado

A construção da nova biblioteca de Macau está pensada há mais de 10 anos com os processos da escolha do local e da elaboração do projecto a ficarem marcados por várias polémicas.

Inicialmente, durante o segundo mandato de Fernando Chui Sai On como Chefe do Executivo, foi revelado um convite ao arquitecto português Álvaro Siza Vieira para desenhar a futura biblioteca. Contudo, devido à pressão de grupos de interesses locais, o convite ao arquitecto português foi retirado, o que levou à realização de um concurso público.

No âmbito do primeiro concurso, foi escolhido um projecto do atelier do arquitecto Carlos Marreiros, com um preço de 18,68 milhões de patacas. A biblioteca estava planeada para o antigo tribunal. No entanto, as obras nunca chegaram a arrancar, porque face às críticas sobre a localização planeada, o Executivo optou por escolher um novo local, o actual, localizado na Praça do Tap Seac e que implicou a demolição do antigo Hotel Estoril.

As mudanças levaram à realização de mais um concurso público, desta feita internacional que terminou com a escolha do atelier holandês Mecanoo. É este projecto que está a ser agora construído.

Estudo | Jogo é factor de estabilidade

O trabalho publicado no início do mês destaca a importância do jogo para a economia local e alerta contra aventuras de diversificação económica que possam colocar em causa a estabilidade local

 

Uma indústria susceptível de ser afectada por incertezas políticas e económicas regionais e globais, mas também altamente resistente e que deve ser encarada como um factor de estabilidade no território. São estas algumas conclusões do estudo com o título “Incerteza Regional e Global e os Impactos na Indústria do Turismo e do Jogo de Macau”, publicado na revista Cogent Economics & Finance da autoria do académico Tang Chi Chong.

Na investigação, publicada a 3 de Outubro, é reconhecido que as incertezas regionais e globais “podem influenciar as receitas de jogo” em Macau, e alterações nos ambientes económico e político terão impacto nas receitas de jogo. Este impacto é esperado ao nível das apostas nos casinos, principalmente se as incertezas acontecerem em locais como o Interior, Hong Kong, Taiwan ou Coreia do Sul, os principais mercados de turistas da RAEM. “A indústria do jogo de Macau não está isolada do mundo exterior”, é reconhecido.

Todavia, o estudo também conclui que o turismo de Macau apresenta uma grande resistência face a impactos negativos em comparação com os mercados tradicionais de turismo, onde o jogo tem menos importância. “O sector hoteleiro de Macau é menos sensível aos riscos e incertezas globais em comparação com os sectores hoteleiros tradicionais, em grande parte devido à presença da indústria do jogo”, é justificado. “No entanto, os impactos da incerteza regional e global não são significativos para a indústria pilar de Macau. O sector do jogo da cidade demonstra uma forte resiliência face à instabilidade económica e política, tanto a nível regional como global”, foi acrescentado.

Proteger a galinha

Face a estas conclusões, o estudo defende que a indústria do jogo deve ser protegida, mesmo num ambiente em que se tenta diversificar a economia de Macau.

“É evidente que a integração da indústria do jogo no sector do turismo de Macau aumenta a resistência geral da indústria do turismo e da hotelaria da cidade. A diversificação económica tem sido uma política fundamental do governo de Macau. No entanto, deve ser dada uma atenção especial à sensibilidade das diferentes indústrias em comparação com o sector do jogo”, foi avisado. “Se a indústria do jogo demonstrar uma elevada resiliência à incerteza, mantê-la poderá ser uma estratégia viável para estabilizar a economia. Além disso, a resiliência à incerteza pode servir como um critério fundamental para o governo na selecção de indústrias para desenvolvimento, uma vez que contribui para a estabilidade económica num contexto de crescente incerteza económica e política global”, foi acrescentado.

Tang Chi Chong está ligado à Universidade Politécnica de Macau, Universidade de Turismo de Macau e à Universidade Politécnica de Hong Kong.

Videovigilância | IAS à espera de pedidos das creches

Um representante do Instituto de Acção Social (IAS) confirmou, segundo o jornal Ou Mun, que não recebeu ainda nenhum pedido para a instalação de câmaras de videovigilância por parte de creches. A confirmação foi feita no âmbito da reunião do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central, onde o mesmo representante falou do plano de acção para a instalação de câmaras.

Foi referido, por parte do IAS, que algumas creches estarão ainda a preparar a documentação para fazer o pedido, existindo também a possibilidade de algumas creches necessitarem de conhecer mais dados sobre o plano, pelo que o IAS pretende realizar sessões de explicações com as entidades gestoras das creches e os pais.

Por sua vez, a coordenadora-adjunta do Conselho, Wu Hang San, citou as palavras do representante do IAS quando este referiu que existem mecanismos rigorosos na hora de aceder às imagens capturadas pelas câmaras de videovigilância, sendo que tanto os pais como os gestores das creches podem preencher um formulário e entregar ao IAS para pedir a visualização das imagens no prazo de 14 dias após a ocorrência de um incidente ou episódio concreto. A decisão final de transmitir as imagens cabe ao IAS, sendo que, se o caso estiver nas mãos da polícia, só essas autoridades podem visualizar as imagens capturadas.

UnionPay | Aberta primeira filial em Macau

Macau já tem uma filial da UnionPay International, subsidiária da China UnionPay, noticiou o portal Macau News Agency. Trata-se da primeira organização de cartões bancários a fazer essa aposta, sendo que o objectivo da abertura da filial é expandir os negócios internacionais.

Macau tornou-se na “segunda região no exterior” a aceitar transacções com cartões da UnionPay desde que a empresa fez o lançamento deste serviço em 2004 no território. No tocante aos pagamentos digitais, a aposta da UnionPay realizou-se em 2018 nos territórios de Macau e Hong Kong, tendo sido lançada a aplicação “QuickPass” e um código QR compatível com EMV em Macau, ou seja, “Europay, Mastercard e Visa”, que são as três empresas por trás do padrão global para pagamentos seguros com cartão. Em 2019, o Apple Pay foi lançado em Macau com o apoio tecnológico da UnionPay.

Comércio | Semana Dourada aquém das expectativas

Apesar de o número de turistas ter aumentado 15,3 por cento em comparação com o ano passado, na hora de abrir a carteira as pessoas revelaram-se mais cuidadosas. O clima de desilusão foi descrito pelo presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau Centro e Sul Distritos

 

Uma Semana Dourada longe de ser satisfatória. Foi desta forma que Lei Cheok Kuan, presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau Centro e Sul Distritos, definiu os mais recentes feriados. O balanço dos dias que se prolongaram entre 1 de Outubro e quarta-feira foi feito pelo responsável em declarações ao jornal Exmoo.

Segundo Lei Cheok Kuan o impacto nos negócios locais foi “desapontante”, porque apesar do território ter recebido cerca de 1,14 milhões de turistas, o número não se traduziu num aumento das receitas para o comércio local. O dirigente associativo reconheceu que a realidade ficou aquém das expectativas, porque os ganhos das bolsas chinesas desde o início do ano deixavam antever um maior poder de consumo dos visitantes.

“Não foi só na minha ourivesaria [que o negócio foi pior], os comerciantes que conheço na restauração e na venda a retalho, incluindo os da zona da Rua dos Ervanários, também viram os negócios terem pior desempenho do que no passado”, lamentou o presidente da associação.

Lei Cheok Kuan apontou que o fluxo de turistas nas Ruínas de São Paulo foi elevado, mas que mais turistas não gerou mais consumo. O responsável admitiu que os gastos ficaram abaixo do que tinha acontecido em Maio, durante os feriados nacionais por altura do Dia do Trabalhador.

Como motivos para um consumo mais fraco, o presidente da associação avançou como hipóteses o impacto do abrandamento da economia no interior, que torna os consumidores menos gastadores. Além disso, o presidente apontou que o modelo de consumo da geração Z mudou, sendo mais exigente, o que pode fazer com que não encontrem o que procuram em Macau.

Zona pedonal desiludiu

Sobre a nova zona pedonal temporária na Rua de Nossa Senhora do Amparo, Lei Cheok Kuan confessou que tinha muitas esperanças. A expectativa passava por uma grande concentração de turistas no local e um maior consumo.

No entanto, a realidade foi diferente do esperado. Lei Cheok Kuan apontou que foram poucos os comerciantes a sentirem os resultados a iniciativa. Por isso, o responsável concluiu que apesar de o Governo tentar encontrar novos métodos para apoiar às pequenas e médias empresas, os consumidores mudam cada vez mais de hábitos de consumo, o que dificulta a tarefa.

Todavia, Lei Cheok Kuan defendeu a necessidade dos comerciantes se adaptarem e compreenderem melhor a forma como os jovens gostam de gastar dinheiro.

Nos oito dias da Semana Dourada o território recebeu 1,14 milhões de turistas, o que representou um aumento de 15,3 por cento em comparação com o ano passado. Em média visitaram a RAEM 143,1 mil pessoas por dia, um aumento de aproximadamente 1 por cento, face ao ano passado.

Contas feitas

Macau recebeu mais de 1,1 milhões de visitantes na primeira semana de Outubro, nos feriados comemorativos do dia nacional da China, anunciou ontem a Direcção dos Serviços de Turismo (DST). O número total de visitantes durante a Semana Dourada, de 1 a 8 de Outubro, foi de 1.144.351, mais 16,5 por cento em relação aos 982.542 do ano passado, que contou com menos um dia (1 a 7 de Outubro), de acordo com dados publicados no site da DST.

Este ano, foi a 4 de Outubro que Macau registou o maior número de visitantes, com 191.132 turistas a entrarem no território. Já o menor número de visitantes na “Semana Dourada”, foi verificado no oitavo dia, 8 de Outubro, com 88.943 entradas, segundo aquela direcção. Este ano, celebraram-se os 76 anos da fundação da República Popular da China.

Educação | UM considerada a 145.ª melhor do mundo

Em pouco mais de 10 anos, a maior instituição pública de ensino de Macau conseguiu subir ao topo das melhores universidades a nível mundial. Num ranking liderado pelas instituições mais famosas surgem também a MUST e a Cidade Universidade de Macau

 

A Universidade de Macau (UM) foi ontem considerada a 145.ª melhor do mundo, de acordo com o ranking da revista Times Higher Education 2026. No espaço de 11 anos, a instituição pública de ensino subiu do 500.º lugar para a 145º posição do ranking.

Numa escala de 0 a 100 pontos, a UM foi avaliada pela Times Higher Education com um total de 62 pontos, quando no ano anterior tinha conseguido 59,7 pontos. A área em que a instituição conseguiu a melhor pontuação foi no índice “qualidade de investigação” com 92,9 pontos, seguido pelas “perspectivas internacionais”, em que obteve 92,5 pontos. De acordo a informação do ranking, mais de 51 por cento dos alunos da instituição são classificados como estudantes internacionais. Apesar disso, as perspectivas internacionais até foi a única área em que a universidade apresentou um desempenho pior do que no ano anterior.

Outro aspecto em que a instituição se destacou foi no índice sobre a indústria, que mede o financiamento pelas as empresas à instituição, com 87 pontos.

As áreas em que a Universidade de Macau apresentou uma prestação com menor qualidade foi no ensino (40,2 pontos) e ainda no ambiente de investigação (40,9 pontos).

MUST e Cidade

Em termos das universidades de Macau presentes no ranking de 2026, a segunda melhor classificada é a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, em inglês) que surge entre os lugares 251 e 300 do ranking. A partir da 201.ª posição o ranking deixa de especificar a posição concreta das instituições e coloca-as em grupos de 50 universidades, de 100 universidades ou 200 universidades.

A MUST obteve uma pontuação geral entre 54,3 e 56,3 pontos, mantendo a mesma posição desde o ranking de 2024. Ainda assim, está abaixo do nível alcançado em 2023 quando conseguiu entrar no grupo das instituições nas posições 201 a 250. A instituição privada obteve 93,2 pontos nas perspectivas internacionais, 84,4 pontos a nível da indústria, 81,1 pontos na qualidade de investigação, 38,8 pontos no ambiente de investigação e 34,2 pontos a nível do ensino.

A Cidade Universidade de Macau fez a estreia no ranking este ano, ao entrar para o grupo das instituições a ocupar entre o 601.º e o 800.º lugares. A instituição registou uma pontuação entre 39 e 43,5 pontos. O aspecto em que melhor se destacou foi nas perspectivas internacionais com 93,5 pontos, seguido pela qualidade de investigação com 59,7 pontos. O ensino conseguiu 30,8 pontos, enquanto na indústria somou 18,9 pontos e 17,1 pontos no ambiente de investigação.

Este ano o ranking voltou a ser liderada pelo Universidade de Oxford, com uma pontuação global de 98,2 pontos. A melhor universidade do Interior é a Universidade de Tsinghua no 12.º lugar do ranking, com 93 pontos. A Universidade de Hong Kong surge na 33.ª posição, com 80,5 pontos.

As melhores instituições portuguesas são Universidade de Coimbra, Universidade de Lisboa e Universidade do Porto, todas incluídas no grupo classificado entre as posições 401 e 500.

Cinema | Casa de Macau em Lisboa exibe “Heritople”

Decorre na próxima quarta-feira, 15 de Outubro, a partir das 16h30, a sessão “CineMacau – Ciclo de Cinema Documental de Macau” na Casa de Macau em Lisboa. Será exibido o filme “Heritople”, de António Salas Sanmarful, realizado no ano passado, seguindo-se uma conversa com o próprio realizador que poderá estar presente por videoconferência.

As sessões de cinema na Casa de Macau têm a organização e curadoria de Ruka Borges, realizador ligado a Macau, e Gonçalo Magalhães, membro da direcção da Casa, que asseguram o enquadramento temático dos filmes.

O documentário em causa foi recentemente produzido por António Monteiro (IIM) e realizado por António Salas Sanmarful com apoio do Instituto Internacional de Macau, tendo ganho notoriedade na divulgação de Macau como cidade e/ou território de cultura híbrida única, embebida na sua herança e legado da relação Oriente Ocidente onde se assinala também o contributo dos macaenses nesta odisseia, descreve a organização do evento.

Assim, “Heritople” acaba por recolocar “a importância de Macau como património tangível e intangível do mundo dada as suas particularidades únicas e singulares por ocasião da efeméride dos 25 anos da edificação da RAEM como realidade no contexto da República Popular da China”.

“Hush!” | Quatro dezenas de bandas em dois dias de plena festa

Já é conhecido o cartaz da próxima edição do “Hush! Concertos na Praia x Festival do Bem-Estar Desportivo Urbano”, a acontecer entre os dias 18 e 19 deste mês na praia de Hac-Sá, Coloane. Este domingo, dia 12, terá lugar uma pré-apresentação nas Oficinas Navais nº 1, com Lobo e Shing02. Não faltam as habituais actividades culturais e de conexão ao bem-estar

Seis palcos, 40 bandas e cantores locais, dois dias. Estes são os números da próxima edição do “Hush! Concertos na Praia x Festival do Bem-Estar Desportivo Urbano”, agendada para os dias 18 e 19 de Outubro na praia de Hac-Sá. Porém, este fim-de-semana, nomeadamente domingo, o público em geral e os amantes de música em particular poderão desfrutar um pouco daquilo que virá depois, com a actuação de Lobo e o rapper Shing02 nas Oficinas Navais nº1.

Lobo vai apresentar um “dj set”, mostrando as sonoridades que tem misturado e criado nos últimos anos. Radialista nos anos 90, nomeadamente na TDM Rádio Macau e a antiga Rádio Vilaverde, Lobo fundou, em 2000, a editora independente “4daz-le”, “que continua a ser a única do género até à data”, descreve a organização do “Hush!”.

Também este fim-de-semana, mas sábado, decorre o chamado “Prelúdio Festivo” nos bairros comunitários, com diversos espectáculos nas comunidades, concertos e a realização de workshops musicais.

Naquela que promete ser uma “maratona” de concertos mostra-se “a singularidade cultural da Ásia Oriental” em seis palcos, nomeadamente “Hot Wave”, “Music Chill”, “Hush! Kids – Parque Desportivo Infantil”, “Palco Wellfest”, “Jardim Desportivo” e “Desafio Fitness”. Assim, além da música, haverá actividades paralelas como “SUP Yoga”, o “Music Glow Run”, descrito como um “desfile musical para pais e filhos”; tendas de gastronomia e diversos workshops.

Pretende-se, com esta diversidade de oferta, dar a “conhecer ao público a singularidade da fusão cultural entre Oriente e Ocidente em Macau e “construir o papel” do território “como uma importante janela para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental”.

Areal animado

O grande destaque do festival vai, porém, para o “Hush! Concertos na Praia”, com 40 bandas e músicos de Macau a subir ao palco, além de dez grupos internacionais, nomeadamente SUMMERWARZ, do interior da China; os Balming Tiger, da Coreia do Sul; o baixista H.J. Freaks e ainda os Muque, grupo rock oriundo do Japão. Inclui-se ainda a actuação da jovem ukulelista Feng E e a banda feminina de metal MakeMake, ambos de Taiwan.

Outros nomes que pisam os palcos de Hac-Sá são os Concrete/Lotus, Blademark, Roberto Madan, No Rison, WhyOceans, IRIS MONDO, Ying May Supermarket, Cancer Game e Chong River Fusion, entre outros.

Tendo em conta a celebração do 20.º aniversário do “Hush! Concertos na Praia”, a organização decidiu convidar os organizadores de outros festivais na Ásia, nomeadamente o conhecido Clockenflap Music & Arts Festival de Hong Kong, do Strawberry Music Festival e do Midi Festival do Interior da China, entre outros. A ideia é que se possa estabelecer “uma plataforma regional de intercâmbio e proporcionar contactos de apresentação para bandas locais”.

Na parte desportiva, o “Festival do Bem-Estar Desportivo Urbano” traz a Coloane mais de 30 instrutores profissionais de fitness e ioga da Ásia, tal como o artista e instrutor de dança de Hong Kong, Fatboy@ERROR, o campeão de “Physical: 100 2ª Temporada” e a “superestrela” de CrossFit da Coreia do Sul, Amotti, bem como o formador de dança tailandês, Gun Gun. No total, haverá mais de 40 aulas de ginástica e dança em dois dias, pensadas para principiantes ou praticantes.

A organização do festival, que conta com o apoio de entidades como o Instituto Cultural ou o Instituto para os Assuntos Municipais, preparou transporte de autocarro gratuito para Coloane, com circulação entre a Praia de Hac Sá e Iao Hon, Fai Chi Kei, Taipa. O público pode ainda apanhar o autocarro gratuito do MGM Cotai em qualquer porto de Macau, com a excepção do Porto Qingmao, até ao Terminal B1 de Autocarros do MGM Cotai, podendo depois usar o serviço de autocarro gratuito do evento para se deslocar à Praia de Hac Sá. Os concertos do “Hush!” têm entrada gratuita, devendo ser adquiridos bilhetes para o “Festival do Bem-Estar Desportivo Urbano”.

A Filosofia dos Novos Tempos

As interrogações filosóficas que surgirão ao longo deste texto baseiam-se em dados concretos, não são invenções e dependem de notícias de jornal, mas com toda a certeza não são fake news, apenas reportam o que tem vindo a acontecer na segunda década do século XXI na República Popular da China.

A China é líder no mercado da tecnologia robótica, incluindo da robótica humanoide. Agigantam-se os shoppings de robótica em Beijing, um de 4 andares, inaugurado a 7 de agosto de 2025, outro de 6 andares em Shenzhen. Neste grande shopping, encontram-se robôs para todos os gostos e utilizações na assistência à medicina, à indústria e às atividades quotidianas. Eles podem ser biónicos, com formas e movimentos inspirados na biologia, ou humanoides, atingindo graus de sofisticação como os que podem ser vistos num jogador de xadrez de nome Wukong. Encontramo-los, ainda, ligados ao desporto, uns jogam boxe, outros futebol, outros ensaiam-se nas corridas, há-os artistas, por exemplo, pintores, músicos e dançarinos, há-os assistentes de medicina, massagistas, técnicos de enfermagem e assistentes laboratoriais, e/ou dedicados à medicina tradicional chinesa, há-os empenhados nas tarefas quotidianas, dando ótimos empregados de mesa e cozinheiros, que atentamente viram panquecas e preparam churrascos, mas também empregados de balcão, há-os, além disso, transportadores humanoides e drones.

E se os há bons, leia-se, empregues para auxiliar e construir, obviamente que os poderá haver maus, para atrapalhar e destruir. Mas essa é uma conversa que fica para mais adiante.

Na Conferência Mundial de Robótica de agosto de 2025, ocorrida em Beijing, foi realizado um balanço de vendas para o ano de 2024 relativo aos robôs industriais, estes ultrapassaram as 300 mil unidades, mantendo a China no lugar cimeiro de vendas deste tipo de robôs pelo décimo segundo ano consecutivo. Num balanço feito pelo Presidente do Instituto Chinês de Robótica, Xu Xiaolan (徐晓兰), fica-se a saber o país é o maior produtor mundial de robótica, tendo a venda de robôs industriais aumentado de 33 mil em 2015 para 556 mil unidades em 2024. Cresceu ainda a produção de robôs de serviço (serviços domésticos, armazenamento e logística, comerciais, apoio a idosos, a deficientes e na reabilitação médica) para mais de 10 milhões de unidades. Em termos estatísticos, e de acordo com os dados da International Data Corporation (IDC) relativos a 2024, os fabricantes chineses ocupam 84,7% no que respeita ao mercado global de robôs de serviços comerciais.

A China Lidera o mercado mundial de robótica, através da sua ativa indústria criativa, como já o tinha feito em relação, por exemplo, aos brinquedos. O país é responsável por cerca de 80% a 90% dos brinquedos vendidos globalmente, sejam os antigos de madeira, ou os de pelúcia, ou os insufláveis, ou os eletrónicos, tendo como principais bases de compra de brinquedos Guangdong, Jiangsu e Shandong, sendo ainda fortes nesta área os centros de Fujian, Zhejiang e Xangai. Centros que também encontramos ligados à robótica, pelo menos no caso de Xangai e Shenzhen.

Será que se pode estabelecer uma relação entre os brinquedos e a robótica para o caso da China?

Os brinquedos são uma forte aposta da geração Z, abreviatura para zoomers, (a da segunda metade da década de 90 até 2010), a que receia um futuro sombrio e investe muito nos gastos emocionais. Esta geração do World Wide Web, acompanha o crescimento dos aparelhos tecnológicos, sendo considerada nativa digital.

Segundo creio, o caminho para o aparecimento dos robôs na China foi traçado muito antes da geração Z ter surgido à face da terra. Os chineses sempre gostaram de brinquedos, veja-se o amor que têm aos peluches, às lanternas, aos antigos brinquedos de madeira e, mais recentemente, a todo o tipo de brinquedos eletrónicos.

Ora os robôs, embora sejam muito mais do que diversões, têm a aparência de brinquedos, com a vantagem acrescida de poderem receber um forte investimento emocional, aliado a uma enorme utilidade prática. Estas “latinhas”, feitas à base de alumínio, aço e titânio, e de plásticos, como o polipropileno, ABS e policarbonato, borrachas e elastômetros, para além de inúmeros componentes eletrónicos, como microprocessadores, sensores, motores e cablagens, são grandes companheiros dos humanos, amigos fiéis e de uma obediência apenas limitada ao seu fabrico.

Aparecem pois para cumprir vários funções e o seu surgimento só foi possível devido a uma estreita aliança entre a ciência e a técnica, ou seja, devido ao desenvolvimento da tecnologia, esse que foi tematizado por grandes escritores e filósofos contemporâneos no Ocidente, e pense-se em Aldous Huxley (1894-1963) e na sua distopia futurista, intitulada Admirável Mundo Novo (Brave New World de 1932), na qual uma sociedade dominada pela engenharia genética é condicionada psicologicamente, inclusive por drogas (o soma), a fim de garantir o bem-estar social e suprimir a liberdade e o pensamento crítico.

Pense-se, ainda, em obras como a de Oswald Spengler (1880-1936), O Homem e a Técnica de 1931, que explora a relação do ser humano com a tecnologia, conduzindo, em última análise, à autodestruição por dissolução da cultura ocidental. Mas se a cultura ocidental se pode sentir, parafraseando Spengler, “nauseada com as máquinas”, outros há como o filósofo Martin Heidegger (1889-1976), que em A Questão da Técnica (1954) perspetiva a técnica como o sentido de uma nova época para o ser humano. Porém, para tal é preciso saber questionar a técnica e não apenas aceitá-la de um modo instrumental ao serviço de propósitos antropológicos, quando o humanismo para o filósofo de A Carta ao Humanismo (1946) tem consequências desastrosas, porque afasta o verdadeiro homem da sua essência e do Ser, que assim é ocultado e não desvelado.

Nenhuma destas vias do pensamento ocidental tem vindo a ser seguida pelos chineses dos nossos tempos, fortemente empenhados no aproveitamento utilitário da tecnologia. A instrumentalização da mesmo ao serviço da humanidade, ou melhor, da China não lhes suscita dúvidas existenciais, como o atestam os grandes shoppings de robótica hoje à disposição em Beijing ou em Shenzhen de um público ávido de novidades tecnológicas.

Os robôs chineses servem para todo o tipo de funções; industriais, comerciais, científicas, recreativas, caseiras e de assistência afetiva. A relativa falta de liberdade, ou a limitação dos graus de liberdade (Degrees of Freedom, DOF) também não lhes parece preocupante, pelo menos a ponto de suscitarem a interrogações filosóficas sobre um futuro distópico, viável através do cruzamento genético da inteligência artificial com os animais, incluindo os humanos ditos racionais.

Procuram apenas aperfeiçoar os graus de liberdade dos robôs definidos como o número de movimentos independentes das suas juntas e componentes, executado tanto no sentido rotativo como translativo, sendo estes graus no artigo da Tecnologia Robótica Humanoide, publicado em maio de 2025, variáveis de acordo com o aperfeiçoamento técnico de cada máquina: o grau maior de liberdade é apresentado pelo Robot Era- Star 1.

Não se esperem por isso grandes e inusitadas novidades relativas ao grau de liberdade dos robôs, estão serão, até ver, limitados e submissos aos seus criadores, de um bom criador surgirá um robô positivo, de um mau criador, um negativo.

Um amigo com o qual abordei o tema, mostrou-se muito espantado pelo facto de um dos países mais populosos do mundo estar na linha da frente do desenvolvimento robótico, porque para ele seria mais importante dar emprego a uma imensa população, do que procurá-la substituir em quase todas as tarefas, das científicas às mais rotineiras, como seja o transporte e entrega de mercadorias.

Para compreender o porquê desta adesão total à maquinaria inteligente, ou tão inteligente quanto a sua limitada liberdade o permite, há que recuar na história da China. Proponho uma viagem até aos tempos do surgimento e desenvolvimento do uso da pólvora. O aparecimento da pólvora está associado à Alquimia e aos mestres taoistas, que realizaram as primeiras experiências científicas em busca do elixir da longevidade, já no Período dos Estados Combatentes (战国 Zhàn Guó, 475-221 a.C), sendo uma das quatro grandes invenções da China Antiga (四大发明Sì dà fāmíng). O primeiro tipo de pólvora a surgir foi a negra (黑火药Hēi huǒyào), as experiências dos alquimistas foram muito bem recebidas e incentivadas pelo poder dominante, logo as experiências prosseguiram durante a dinastia Han do Leste (东汉Dōng Hàn, 25-220), sendo famoso o tratado de de Wei Boyang (魏伯阳), intitulado Zhouyi Cantongqi (《周易参同契》) , e traduzido como A Concordância dos Três , ou o da dinastia Jin (晋代Jìn dài, 266-420) do grande alquimista Ge Hong (葛洪), cujo título é Baopuzi, em português, O Mestre que Abraça a Simplicidade (《抱朴子·仙药篇》), especialmente o seu capítulo dedicado ao fabrico da pílula da imortalidade.

Talvez no recurso aos métodos de combustão para criar a pílula tenham descoberto os alquimistas por acaso a pólvora ao misturar o enxofre, o salitre e o carvão vegetal, certo é que a explosão se deu e estava descoberto o perigoso, inflamável e detonante elemento, mas não menos certo foi que os mestres não seguiram por essa via, que consideravam improdutiva para o objetivo almejado. Então só muito mais tarde durante a dinastia Song (宋代Sòng dài, 960-1279) há conhecimento de que alguns artesãos estabeleceram oficinas de fogos-de-artifício em Kaifeng para a produção de foguetes e fogo-de-artifício indispensável a todos os grandes momentos de celebração na China.

O uso da pólvora seguiu depois dois caminhos muito diferentes, um pirotécnico para efeitos recreativos do poder imperial e casas senhoriais associadas, outro para uso militar.

Por que razão se traz aqui a história da descoberta da pólvora? Porque esta talvez possa conter as três dimensões que podemos encontrar na criação e interesse pelos robôs na China. A sua criação revela um enorme interesse científico associado: por um lado, a práticas filosóficas com vista ao desenvolvimento da vida até aos seus limites e quem sabe até mesmo à ausência deles, que seria concretizada pela imortalidade; por outro, expressa uma imensa vontade recreativa com profundo investimento afetivo, e, por outro ainda, uma utilidade prática, que coloca a robótica na linha da frente, tanto em termos científicos, como militares e civis.

A nova filosofia chinesa, como a mais antiga genuinamente autóctone, surge em íntima ligação à ciência e a técnicas com misteriosas conexões ao mundo da magia para os mestres taoistas de ontem, aos quais sucedem os grandes médicos, incluindo os da medicina tradicional chinesa, que encontram hoje preciosos assistentes laboratoriais a executar um trabalho de grande precisão e falhas mínimas, já que os robôs não se cansam, nem incomodam, fazem o que lhes pedem sem qualquer exigência salarial.

Além disso, em termos militares este arsenal de maquinaria é uma excelente alternativa, pois permite poupar vidas, por ter complexidade e autonomia suficiente para tal.

Como é óbvio, das muitas questões éticas associadas a este desenvolvimento exponencial do novo mundo da robótica e da inteligência artificial, uma parece essencial, sobretudo e, por enquanto, em termos de experimentação biotécnica e investigação científica ligada, que será colocada abaixo. Primeiro o exemplo, retirado do desenvolvimento de elétrodos dinâmicos para interface cérebro-computador, tal como sucede no Instituto de Tecnologia Avançada de Shenzhen da Academia de Ciências Chinesa. Nos sistemas de interface cérebro-computador, há que conectar elétrodos de dispositivos eletrónicos ao cérebro para a aquisição de sinais eletroencefalográficos. Estes elétrodos são de fibra flexível, semelhantes a uma minhoca, possuindo um sensor magnético incorporado na cabeça da “minhoca”, a manipular sobre a orientação de campos magnéticos externos. Estes elétrodos de fibra flexível foram introduzidos nos cérebros de coelhos e também em ratos, tendo como objetivo servir posteriormente necessidades clínicas de humanos, tais como o controle inteligente de próteses, localização de lesões epiléticas e tratamento de distúrbios neurológicos crónicos.

Do ponto de vista ético, a questão não pode deixar de ser colocada: por que motivo as vidas humanas são mais importantes do que todas as outras do nosso planeta? Os seres humanos continuam os reis da criação, mesmo no âmbito de filosofias como a chinesa, cuja tradição não humanista, à maneira dessa referida na Carta ao Humanismo de Heidegger, é bem conhecida.

Seremos nós humanos assim tão valiosos? A ciência tem de continuar o seu caminho, que na China será sempre seguido numa perspetiva pragmática e utilitarista para benefício dos chineses e da nação chinesa. Mas não se pense que a robótica está aí apenas para servir a sociedade chinesa sem troca de favores, já que não se pode olvidar o enorme investimento emocional que a população que descende de Dragões realiza nestes novos seres, uns mais biónicos do que os outros, que adquirem o estatuto de companheiros e amigos e, nessa qualidade, têm todos os mimos devidos outrora aos humanos e animais que escolhiam para estimar.

A nova filosofia chinesa é utilitária, prática e conta com novos entes no seu mundo de saber, são eles os humanoides, os robôs biónicos e os brinquedos da área da robótica. Eles aí estão muito estimados e a abrir o caminho para uma nova era, a dos ciborgues ou melhor dizendo, a humanidade miscigenada de amanhã, a que terá as maiores hipóteses de viver longamente e, quem sabe, se imortalizar.

Referências Bibliográficas

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陈宇轩 (Chen Yuxuan) .2025. “让传感器动起来 我国科研团队研发出脑机接口动态电极” (Colocar sensores em movimento: Uma equipa de investigação chinesa desenvolveu elétrodos dinâmicos para interfaces cérebro-computador), 新华网 Xinhua,18 de setembro de 2025. Disponível em: http://www.news.cn/20250918/d47375c582dd4cd7a632cb099d92822d/c.html, acedido a 24 de setembro de 2025.

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Huxley, Aldous. 2013. Admirável Mundo Novo. Lisboa: Bertrand.

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Spengler, Oswald. 1993. O Homem e a Técnica. Lisboa: Guimarães: Editores.

Líderes mundiais aplaudem acordo de paz entre Israel e Hamas

Vários líderes mundiais saudaram o acordo de paz entre Israel e o Hamas anunciado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, elogiando o fim iminente da guerra em Gaza e a libertação de reféns após dois anos de conflito.

Trump anunciou na quarta-feira que Israel e o movimento islamita aceitaram a “primeira fase” do seu plano de paz, que prevê a retirada parcial das tropas israelitas da Faixa de Gaza e a libertação de 20 reféns ainda vivos em troca de prisioneiros palestinianos.

“Todos os reféns serão libertados muito em breve e Israel retirará as suas tropas para uma linha acordada como primeiros passos para uma paz forte, duradoura e eterna”, escreveu Trump na rede Truth Social.

A notícia foi recebida com entusiasmo por líderes de vários países. O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, felicitou Trump pela “liderança essencial” e expressou alívio pela iminente libertação dos reféns. “A paz finalmente parece possível. Instamos todas as partes a aplicarem rapidamente os termos do acordo”, afirmou. Também o Japão saudou o entendimento, que o porta-voz governamental Yoshimasa Hayashi classificou como “um passo importante para acalmar a situação”, agradecendo aos Estados Unidos, ao Egipto e ao Qatar pelos esforços de mediação.

De Camberra, o primeiro-ministro, Anthony Albanese, e a ministra dos Negócios Estrangeiros, Penny Wong, destacaram tratar-se de “um passo muito necessário para a paz” e defenderam uma solução de dois Estados, sublinhando que o plano exclui o Hamas de qualquer papel na administração futura de Gaza.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, descreveu o acordo como “um avanço desesperadamente necessário” e apelou para a sua plena implementação, sublinhando que “é uma oportunidade para reconhecer o direito à autodeterminação do povo palestiniano e avançar para uma solução de dois Estados”.

O Hamas confirmou o entendimento, garantindo que “assegura o fim da guerra, a retirada do exército israelita e a entrada de ajuda humanitária”, e apelou para que Israel cumpra os compromissos “sem atrasos ou alterações”. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, classificou o acordo como uma “realização histórica” e agradeceu a Trump pela “liderança determinada e pelos esforços globais”, afirmando: “Com a ajuda de Deus, traremos todos para casa”.

Euforia e alívio

Segundo fontes oficiais, a libertação dos reféns deverá começar na segunda-feira, após a aprovação do acordo pelo Governo israelita, e a retirada militar cobrirá cerca de 70 por cento do território de Gaza.

“Isto é mais do que Gaza, é o início da paz no Médio Oriente”, afirmou Trump numa entrevista à Fox News, assegurando que os Estados Unidos e países vizinhos vão apoiar a reconstrução do enclave. E acrescentou: “Outros países da região ajudarão porque têm imensa riqueza. Nós estaremos envolvidos para garantir que Gaza seja bem-sucedida e pacífica.”

Em Telavive, famílias dos reféns reuniram-se em euforia na praça dos Reféns, entre lágrimas e cânticos de “Nobel para Trump”. “Quero cheirar o meu filho”, disse, emocionada, Einav Zangauker, mãe de um dos reféns. Em Gaza, onde o cessar-fogo foi recebido com uma mistura de alívio e desconfiança, deslocados e habitantes manifestaram a esperança de poder regressar às suas casas.

“Queremos voltar, mesmo que não haja mais casas”, afirmou Alaa Abd Rabbo, deslocado do norte da Faixa. O acordo mediado pelos Estados Unidos, Qatar, Egipto e Turquia marca a tentativa mais significativa de pôr fim à guerra desde o início do conflito, em Outubro de 2023.

NBA | China e Alibaba Cloud assinam parceria

A NBA China, a liga desportiva profissional com maior popularidade nas redes sociais chinesas, com 425 milhões de seguidores, acaba de assinar uma parceria com a Alibaba Cloud, outro grupo chinês fundado por Jack Ma, para melhorar a interactividade dos fãs de basquetebol com os jogos transmitidos, nomeadamente o “NBA All-Star”, os playoffs da NBA e as finais, isto com recurso à inteligência artificial e ao sistema de computação em nuvem.

O anúncio foi feito por Joe Tsai, co-fundador e vice-presidente executivo do grupo Alibaba e dono da equipa Brooklyn Nets, de Nova Iorque; e por Mark Tatum, vice-comissário e director de operações da NBA [National Basketball Association], principal liga desportiva de basquetebol nos EUA e uma das mais importantes a nível mundial.

Em termos concretos, a NBA China “irá utilizar os serviços de IA e computação em nuvem da Alibaba Cloud para apoiar uma ampla gama de iniciativas digitais de envolvimento dos fãs”, tendo sido desenvolvido “um modelo de IA proprietários para a NBA China com base na série de modelos ‘Qwen’ da Alibaba”.

Assim, “o modelo de IA proprietário, ajustado à gama de activos digitais da liga, fornecerá aos utilizadores da aplicação NBA China conteúdos envolventes, incluindo destaques dos jogos em tempo real, dados históricos do basquetebol, informações sobre os jogadores e discussões interactivas sobre temas actuais do basquetebol”.

Destaque ainda para o facto de decorrerem hoje e domingo jogos de pré-temporada entre as equipas Nets e Phoenix Suns da NBA China 2025. A apresentação cabe à “Taobao 88VIP”, sendo que os jogos decorrem hoje às 20h na Venetian Arena, e depois no domingo às 19h, no mesmo local.

Calmaria no coração da tempestade

No passado dia 23 de Setembro, ao fim da tarde, o Super Tufão “Ragasa” aproximou-se de Macau e a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos emitiu um sinal de tufão nº 8, no entanto, por toda a parte reinava a calmaria. Talvez este tenha sido um fenómeno único que antecedeu a tempestade, porque o que se seguiu iria testar a tenacidade do povo de Macau.

Nas eleições directas para a Assembleia Legislativa, que tiveram lugar a 14 de Setembro, graças ao forte apelo do Chefe do Executivo e aos esforços constantes dos chefes dos departamentos governamentais, a maioria dos funcionários públicos respondeu à chamada e cumpriu o seu “dever” de voto.

Com a cooperação activa dos maiores operadores da indústria do jogo e o vigoroso alcance das equipas de campanha das listas de candidaturas, os votos combinados das seis listas de candidaturas que concorriam às eleições directas à Assembleia Legislativa excederam largamente, desta vez, os votos obtidos pelas 14 listas de candidaturas em 2021, resultando numa maior afluência às urnas em 2025 do que nas eleições anteriores. Além disso, houve resultados surpreendentes: o deputado em exercício José Pereira Coutinho conseguiu ser reeleito e a sua lista ficou à frente com 43.367 votos. Ao mesmo tempo, nestas eleições foram registados 5.987 votos em branco e 7.053 votos nulos, estabelecendo um recorde de votos em branco e de votos nulos desde o regresso de Macau à soberania chinesa.

Quando analisamos os resultados das eleições directas devemos optar por uma abordagem pragmática. Por exemplo, o cálculo da afluência às urnas não pode basear-se apenas no número de votantes. Em 2001, estavam registados 159.813 eleitores e a afluência às urnas foi de 52.34 por cento. Em 2025, já estavam registados 328.506 eleitores e a afluência às urnas ficou nos 53.35por cento.

Comparando com a afluência às urnas de 58.39 por cento em 2005, 59.91 por cento em 2009, 55.02 por cento em 2013 e 57.22 por cento em 2017, o resultado de 2025 foi o terceiro mais baixo, mas ainda assim significativamente mais alto do que os 42.38 por cento que se seguiram ao primeiro incidente de desqualificação de candidatos às eleições directas à Assembleia Legislativa em 2021.

Os 7.053 votos nulos representaram uma percentagem de 4.02 por cento e, embora em termos percentuais seja inferior à registada em 2009, onde 6.498 votos nulos corresponderam a 4.36 por cento da votação, é a mais alta de sempre em termos absolutos. Com apenas seis listas de candidaturas em 2025, a hipótese de os eleitores preencherem mal o boletim não é maior do que em 2009, quando havia 16 listas de candidaturas. Infelizmente, os votos nulos em 2025 não foram divulgados publicamente como em eleições anteriores, deixando a população incapaz de perceber porque é que esses votos foram considerados nulos.

De acordo como o Artigo 26 da Lei Básica da RAEM, “os residentes permanentes da Região Administrativa Especial de Macau têm o direito de eleger e de ser eleitos, nos termos da lei”. Enquanto o Artigo 95 da “Lei Eleitoral para a Assembleia Legislativa da RAEM” estipula que “o sufrágio constitui um direito e um dever cívico”, mas não específica como é que esse dever cívico deve ser cumprido. O recentemente adicionado Artigo 167.º-A estipula que “quem, publicamente, incitar os eleitores a não votar, votar em branco ou nulo, é punido com pena de prisão até 3 anos”. Em Macau o voto não é obrigatório como na Austrália e na Argentina. O presidente da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa, Sr. Seng Ioi Man, afirmou publicamente depois de consultar a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública, – se um funcionário público não votar por qualquer motivo, não se moverá contra ele qualquer acção disciplinar, de acordo com o Regime Jurídico da Função Pública da RAEM.

O voto é um direito cívico, que é logicamente diferente do conceito de “dever”. Um direito pressupõe a liberdade de escolha, enquanto o “dever” implica uma obrigação moral e legal. E como em Macau os funcionários públicos não são obrigados a votar, o seu voto é uma escolha inteiramente pessoal. Tal como a Lei Básica de Macau garante aos residentes o direito de greve, isso não implica que sejam obrigados a participar em greves. O elevado número de votos que obteve a Lista 2 – NOVA ESPERANÇA pode certamente ser atribuído à resposta de muitos funcionários públicos ao apelo do Governo ao “cumprimento do dever cívico”.

Independentemente da intensidade do tufão, espera-se que a vida das pessoas regresse brevemente à normalidade, com os esforços conjugados do Governo da RAEM e da população. Contudo, depois de outro incidente de desqualificação de candidatos às eleições directas de 2025 à Assembleia Legislativa, quantas escolhas terão os eleitores nas eleições directas à Assembleia Legislativa em 2029? Além disso, ocorreu em Macau a primeira prisão relacionada com a salvaguarda da segurança nacional, o apelido do detido é Au e virá a ser julgado. Como desfrutar da paz no coração da tempestade é um profundo exercício de filosofia política.

GP Macau: Primeiros nomes e primeiras dúvidas

Outubro é habitualmente o mês de preparativos para o Grande Prémio de Macau. Com os campeonatos a chegarem ao fim um pouco por todo o mundo, as atenções viram-se para o grande evento da RAEM, que este ano decorrerá de 13 a 16 de Novembro

 

Depois de Marcos Cheong e Vernice Lau terem corrido na prova do Campeonato da China de Fórmula 4, este fim-de-semana é a vez de Tiago Rodrigues voltar a pegar no capacete para disputar a prova de encerramento da temporada da competição chinesa, no circuito da cidade vizinha de Zhuhai. O ex-campeão chinês da disciplina tem estado afastado das corridas de monolugares desde que participou no Campeonato de Fórmula 4 do Médio Oriente, no início do ano, mas a sua experiência poderá revelar-se uma mais-valia na defesa das cores do território no Circuito da Guia.

Vinte dos monolugares Mygale M21-F4 do campeonato chinês serão revistos após esta prova no Circuito Internacional de Zhuhai e entregues a técnicos nomeados pela Federação Francesa do Desporto Automóvel (FFSA), que os colocarão em pista na primeira edição da Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA, em Macau. Trata-se do mesmo modelo utilizado no Campeonato de França de Fórmula 4.

Alguns nomes das motos

A ausência de Michael Rutter da lista de inscritos da edição deste ano do Grande Prémio de Motos de Macau é já uma certeza. No entanto, começam a ser conhecidos, através da imprensa especializada, os primeiros nomes que darão corpo à única prova de estrada do continente asiático.

Praticamente confirmadas estão as presenças de Davey Todd, vencedor da edição do ano passado, e de Peter Hickman, o motociclista que persegue o recorde de vitórias de Rutter e que deverá estar praticamente recuperado das lesões sofridas no acidente da Ilha de Man. Ambos irão pilotar as competitivas BMW M1000RR oficiais da 8TEN Racing. Rob Hodson, piloto da SMT Racing, também tem garantido a sua presença na RAEM, sendo habitualmente um dos fortes candidatos ao Top 5 da corrida.

Mas nem só de nomes consagrados se faz a prova. Entre os estreantes já confirmados está o piloto de rampas Maurizio Bottalico. O piloto de São Marino, que subiu ao pódio no Manx Grand Prix, segue os passos de outros grandes nomes italianos das corridas de estrada do século XXI — como Stefano Bonetti, Luca Gottardi ou Alex Polita — ao enfrentar a mais célebre e temida corrida do Oriente.

Segundo o portal Road Racing News, haverá mais estreantes no Circuito da Guia este ano, como Mitch Rees, piloto com vários títulos na Nova Zelândia, Ryan Whitehall, um piloto oriundo da Ilha de Wight, e o novo detentor do recorde da volta em Frohburger Dreieck na categoria Supersport, Paul Jordan.

Dúvidas nos GT

Stéphane Ratel, fundador e CEO do SRO Motorsports Group — a empresa que co-organiza a Taça do Mundo de GT da FIA do Grande Prémio de Macau — tem sido uma das vozes mais críticas em relação à introdução dos sensores de binário nas provas de GT3. Contudo, a FIA decidiu a favor da sua utilização na Taça do Mundo do Circuito da Guia, e o empresário francês falou pela primeira vez sobre o assunto.

“As equipas que competem em Macau são maioritariamente da Ásia, onde os sensores de binário nunca foram utilizados. A falta de experiência poderá afectar o equilíbrio desportivo, e foi por isso que me opus à sua utilização”, referiu Stéphane Ratel à revista alemã Motorsport Aktuell, acrescentando que não acredita que este seja o caminho a seguir.

Apesar de o SRO Motorsports Group ser co-organizador da prova e de dispor de um Balance of Performance (BoP) reconhecido a nível mundial, nos dois últimos anos o BoP de Macau foi determinado pela própria FIA. No ano passado, o BoP da FIA valeu uma série de críticas, com equipas e pilotos – particularmente da Audi, Porsche e Lamborghini, os principais prejudicados – a manifestarem publicamente o seu desagrado face às diferenças de andamento. Por essa razão, a FIA decidiu introduzir estes dispendiosos sensores, instalados nos veios de transmissão dos carros, que representam a ferramenta mais precisa para medir a potência transmitida às rodas.

“Alguns construtores apoiaram a ideia, mas outros, como a Mercedes, foram contra”, afirmou Stéphane Ratel. “Como resultado, perdemos alguns carros da lista de inscritos. Para ser claro: encaro esta questão de forma pragmática, não dogmática. No ano passado, em Macau, três ou quatro construtores poderiam ter vencido sem estes sensores de binário. Em 2025 veremos se esta tecnologia é realmente útil”, concluiu.

Japão | Softbank compra negócio da ABB por 4.610 ME

A revolução tecnológica conhece mais um capítulo com a passagem da multinacional suíça para mãos nipónicas

 

O grupo japonês Softbank anunciou ontem ter chegado a acordo com a multinacional suíça de tecnologia ABB para adquirir o seu negócio de robótica por 5.375 milhões de dólares, informou em comunicado.

A aquisição conta com a aprovação do Conselho de Administração do conglomerado japonês e está pendente de aprovações regulatórias na União Europeia, China e Estados Unidos, com previsão de conclusão no segundo semestre de 2026. A Softbank espera que a aquisição da ABB “fortaleça significativamente” o seu negócio de robótica ligado à inteligência artificial (IA), um campo no qual tem investido.

“Após a aquisição, a plataforma robótica, a experiência e a presença local existente serão complementadas com as bases tecnológicas dos investimentos existentes do grupo Softbank relacionados com a robótica (…) para acelerar a inovação em robótica de IA e impulsionar o progresso e o crescimento rumo à realização da super-inteligência artificial (SIA)», afirmou a Softbank.

Esses investimentos referem-se à SoftBank Robotics, Berkshire Grey, AutoStore Holdings2, Agile Robots e Skild AI. O acordo significa que a ABB abandonou o seu plano original de abrir o capital separadamente do seu negócio de automação industrial, que concorre com outras empresas como as japonesas Fanuc, Yaskawa e a alemã Kuka no fabrico de robôs industriais.

Revolução à vista

De acordo com os detalhes revelados pela Softbank, a ABB seguirá em frente com a cisão do seu negócio de robótica numa ‘holding’ recém-criada para que o grupo japonês, através de uma subsidiária, adquira a totalidade das ações da nova empresa.

“A próxima fronteira da Softbank é a IA física, juntamente com a ABB Robotics, reuniremos tecnologia e talento de primeira linha sob a nossa visão comum de fundir a super-inteligência artificial e a robótica, impulsionando uma evolução revolucionária”, afirmou o presidente executivo da Softbank, Masayoshi Son, em comunicado.

O presidente executivo da ABB, Morten Wierod, disse, por sua vez, que a operação “permitirá ao negócio fortalecer e expandir a sua posição como líder tecnológico no sector”.

Nissan | Em clima de restruturação lançado novo eléctrico Leaf

A Nissan, em processo de restruturação e a lidar com dificuldades financeiras, lançará na próxima semana no Japão uma nova versão do veículo elétrico Leaf para o mercado nacional japonês. Será o primeiro lançamento da empresa desde a elaboração do seu plano de reestruturação.

A Nissan diz que o carro terá uma bateria maior do que a instalada em Leaf anteriores e autonomia de 702 quilómetros com uma única recarga. Destaca ainda que o ruído e a vibração do motor foram reduzidos para tornar mais silencioso o seu desempenho.

Sugimoto Akira, executivo de marketing e vendas da Nissan no Japão, diz saudar o que chama de revigoramento do mercado de veículos eléctricos no país e prevê que, deste modo, a fabricante voltará a ter destaque. O responsável afirma que a empresa quer que as pessoas digam: “A Nissan está de volta com este carro.”

Anunciado em Maio, o plano de reestruturação global da fabricante prevê o encerramento de sete fábricas e a eliminação de 20 mil postos de trabalho. Foi anunciado depois que, no exercício encerrado em Março, a Nissan registrou prejuízo líquido superior a 670 mil milhões de ienes — quase 4,4 mil milhões de dólares.

Terras raras | Novas regras sobre exportação de tecnologias

A China anunciou ontem a imposição imediata de controlos sobre as exportações de tecnologias ligadas às terras raras, reforçando a regulação num sector central nas tensões comerciais com os Estados Unidos.

O país asiático é o maior produtor mundial destes minerais essenciais para as indústrias digital, automóvel, energética e de defesa. As terras raras têm sido um ponto de fricção nas recentes negociações comerciais sino-americanas, com Washington a acusar Pequim de atrasar deliberadamente a aprovação de licenças de exportação.

Segundo um comunicado do Ministério do Comércio chinês, os novos controlos exigem autorização prévia para exportar tecnologias usadas na extração e fundição de terras raras, incluindo processos de montagem, afinação, manutenção, reparação e modernização de linhas de produção.

Em nota separada, o ministério indicou que vão ser também impostas restrições adicionais a entidades estrangeiras que exportem produtos fabricados com terras raras ou tecnologias relacionadas provenientes da China. “Algumas organizações e indivíduos estrangeiros têm transferido ou fornecido produtos controlados com origem em terras raras chinesas, directa ou indirectamente, para uso em sectores sensíveis como o militar”, justificou um porta-voz.

Essa prática, acrescentou, “prejudica gravemente ou representa uma potencial ameaça à segurança nacional da China” e teve “um impacto negativo na paz e estabilidade internacionais”. O domínio chinês na extração e refinação destes minerais confere a Pequim uma vantagem estratégica num contexto de crescente rivalidade comercial com os EUA.

Semana Dourada | Atingido recorde de mais de 2.430 milhões de viagens

A China registou mais de 2.430 milhões de viagens domésticas durante os oito dias de férias da recente “Semana Dourada”, um novo recorde para este período festivo, segundo dados oficiais divulgados ontem.

Entre 01 e 08 de Outubro, foram contabilizadas em média 304 milhões de deslocações diárias, um aumento de 6,3 por cento face ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o Ministério dos Transportes, citado pela agência noticiosa oficial Xinhua. Durante as férias, o país somou cerca de 888 milhões de viagens turísticas, mais 123 milhões do que nos sete dias de folga da “Semana Dourada” de 2024, segundo o Ministério da Cultura e Turismo.

O gasto turístico interno atingiu 809 mil milhões de yuan, o que representa um crescimento homólogo de 15,4 por cento. A Administração Nacional de Imigração informou que foram realizados 16,34 milhões de viagens transfronteiriças durante o feriado, mais 11,5 por cento do que no ano passado.

As viagens internacionais de estrangeiros aumentaram 21,6 por cento, para 1,43 milhões, e dos 751 mil estrangeiros que entraram na China, 535 mil beneficiaram da política de isenção de visto – subidas de 19,8 por cento e 46,8 por cento, respectivamente, em termos homólogos.

As férias começaram em 1 de Outubro, data que assinala o aniversário da fundação da República Popular da China, e prolongaram-se até quarta-feira, um dia mais do que o habitual, devido à coincidência com o Festival do Meio Outono, celebrado este ano a 6 de Outubro. A “Semana Dourada” é um dos principais períodos de férias na China e constitui um importante motor para o turismo e o consumo interno.

Comércio | 14 organizações estrangeiras declaradas entidades não confiáveis

A maioria das novas empresas incluídas na lista de não confiáveis têm sede nos Estados Unidos e estão ligadas a actividades militares

 

A China incluiu ontem catorze organizações estrangeiras, a maioria com sede nos Estados Unidos e ligadas ao sector da defesa, na sua “lista de entidades não confiáveis”, num novo episódio das crescentes fricções comerciais e tecnológicas com Washington. Num comunicado, o Ministério do Comércio justificou a decisão com a necessidade de “salvaguardar a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento nacional” do país.

Entre as empresas visadas estão Dedrone by Axon, AeroVironment, BAE Systems, TechInsights e as suas filiais, bem como o Fórum Internacional de Segurança de Halifax (Canadá), no qual participou no final do ano passado a ex-líder de Taiwan Tsai Ing-wen (2016-2024).

A lista inclui ainda a subsidiária norte-americana da israelita Elbit, além das companhias DZYNE Technologies, Epirus, Exelis e VSE Corporation, entre outras. De acordo com o ministério, as entidades sancionadas ficam proibidas de realizar actividades de importação e exportação relacionadas com a China, bem como de efectuar novos investimentos no país.

O comunicado acrescenta que organizações e pessoas dentro da China não poderão manter transacções, cooperação ou qualquer tipo de relação comercial com essas empresas, especialmente no que se refere à “transmissão de dados ou fornecimento de informação sensível”.

Malícia e segurança

Em nota separada, o ministério afirmou que várias das empresas agora incluídas “mantiveram cooperação tecnológica militar com Taiwan, divulgaram declarações maliciosas sobre a China e ajudaram governos estrangeiros a reprimir empresas chinesas”.

“Tais acções prejudicaram gravemente a soberania nacional, a segurança e os interesses de desenvolvimento da China”, acrescentou o Ministério do Comércio, sublinhando que Pequim apenas adicionou “um número muito reduzido de entidades estrangeiras” que “colocam em risco” a segurança nacional.

“As empresas estrangeiras que actuam com integridade e cumprem a lei não têm motivo de preocupação. O Governo chinês, como sempre, dá as boas-vindas às empresas de todo o mundo para investirem e desenvolverem actividades no país, comprometendo-se a oferecer um ambiente de negócios estável, justo e previsível”, conclui o comunicado.

A decisão surge poucas horas depois de Pequim ter anunciado um novo pacote de restrições à exportação de terras raras, num contexto de crescente disputa tecnológica e comercial entre a China e os Estados Unidos

Química | Nobel para o desenvolvimento de estruturas metalorgânicas

O Prémio Nobel da Química foi atribuído a Susumu Kitagawa, da Universidade de Quioto, Richard Robson, da Universidade de Melbourne, e Omar M. Yaghi, da Universidade da Califórnia, “pelo desenvolvimento de estruturas metalorgânicas”, anunciou ontem a Real Academia Sueca de Ciências.

Susumu Kitagawa, Richard Robson e Omar Yaghi desenvolveram uma nova forma de arquitectura molecular – estruturas metalorgânicas – que pode ser usada para colectar água do ar do deserto, capturar dióxido de carbono, armazenar gases tóxicos ou catalisar reacções químicas.

Os três laureados criaram construções moleculares com grandes espaços através dos quais gases e outros produtos químicos podem fluir. O presidente do Comité Nobel de Química, Heiner Linque, salientou precisamente o facto de estas “estruturas metalorgânicas terem um enorme potencial, trazendo oportunidades antes imprevistas para materiais personalizados com novas funções”.

A investigação que levou à descoberta desta nova forma de arquitectura molecular começou há cerca de quatro décadas, em 1989, quando Richard Robson testou a utilização das propriedades inerentes dos átomos, combinando iões de cobre com carga positiva com uma molécula de quatro braços.

Quando combinados, eles ligaram-se “para formar um cristal espaçoso e bem ordenado. Era como um diamante cheio de inúmeras cavidades”, explica a academia. Robson percebeu imediatamente o potencial da sua construção molecular, mas ela era ainda instável e desmoronava facilmente. Foram os químicos Susumu Kitagawa e Omar Yaghi que conseguiram fornecer uma base sólida para esse método de construção.

Aplicações notáveis

Após as descobertas dos três laureados, os químicos construíram dezenas de milhares de diferentes MOF. Alguns deles podem contribuir para resolver alguns dos maiores desafios da humanidade, com aplicações que incluem a decomposição de vestígios de produtos farmacêuticos no ambiente, a captura de dióxido de carbono ou a recolha de água do ar do deserto.

A descoberta permite ainda a separação de substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS) da água. As PFAS são um grupo de compostos químicos sintéticos conhecidos como “químicos eternos” devido à sua extrema persistência no ambiente e no corpo humano.

As PFAS são utilizadas numa vasta gama de produtos industriais e domésticos, como têxteis resistentes a manchas e água, embalagens de alimentos, panelas antiaderentes e espumas de combate a incêndios. A sua acumulação no ambiente e os potenciais riscos para a saúde, incluindo danos no fígado e outros problemas, têm levado a preocupações e à procura por alternativas mais seguras.

Estudo | Trump foi principal disseminador de desinformação nos EUA em 2024

O Presidente norte-americano, Donald Trump, foi o principal disseminador de desinformação nos Estados Unidos da América (EUA), em 2024, concluiu um estudo do International Center for Jounalists (ICFJ). “O Presidente dos EUA, Donald Trump, foi a fonte dominante e distribuidora de desinformação” em 2024, afirmam os autores do estudo “Desarmando a Desinformação: Estados Unidos”.

O estudo destaca que Trump recorreu a funções das forças políticas domésticas, em vez de actores estatais estrangeiros, como a principal fonte de narrativas de desinformação no discurso político dos EUA. Além disso, a existência de grupos de WhatsApp e outros espaços digitais fechados muitas vezes actuam como “casulos de informação” que fomentam rumores e outras formas de desinformação.

Desta forma, “a disseminação viral de desinformação e o ataque estratégico a jornalistas surgiram como ameaças interligadas à democracia. Numa era de crescente autoritarismo e retrocesso democrático, as falsidades são frequentemente utilizadas como arma por actores estatais para influenciar a opinião pública, minar o jornalismo e intimidar jornalistas”.

Os autores do estudo afirmam que estes factores são cada vez mais a realidade norte-americana, com Donald Trump a “promulgar narrativas manifestamente falsas” nos últimos anos.

“Os media americanos enfrentam uma profunda crise de informação, num tempo de repressão à liberdade de expressão”, lê-se no estudo. Neste sentido, a confiança na grande imprensa continua a diminuir num clima de crescentes ataques aos media, por parte do Governo Trump.

O estudo publicado pelo International Center for Jounalists (ICFJ) teve como base a análise de 10.000 notícias e publicações em meios de comunicação durante 2024, bem como um inquérito a 1.020 americanos.

Paz para a Ucrânia

“The test of policy is how it ends, not how it begins. Peace must reflect reality, not illusion.”

Henry Kissinger

A Ucrânia, como país candidato à União Europeia (UE), representa um dos maiores desafios e oportunidades da história recente do projecto europeu. A guerra entre a Rússia e a Ucrânia, iniciada em 2022, representa um dos mais graves conflitos armados em solo europeu desde a II Guerra Mundial. As suas consequências são devastadoras com milhares de mortos, milhões de deslocados, cidades destruídas, economias colapsadas e uma profunda fractura geopolítica entre o Leste e o Ocidente. A paz, embora desejada por muitos, continua a parecer um horizonte distante. No entanto, a história ensina que mesmo os conflitos mais prolongados e violentos podem encontrar resolução, desde que haja vontade política, mediação eficaz e uma arquitectura diplomática sólida. Para compreender as possibilidades de paz, é necessário revisitar as causas profundas do conflito.

A guerra não começou em 2022, mas tem raízes históricas, identitárias e geopolíticas que remontam à dissolução da União Soviética. A Ucrânia, ao afirmar a sua soberania e ao aproximar-se das estruturas euro-atlânticas, tornou-se, aos olhos de Moscovo, um território estratégico em disputa. A anexação da Crimeia em 2014 e o apoio russo às repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk foram os primeiros sinais de uma escalada que culminaria na invasão total. A Rússia justifica a sua acção com argumentos de segurança, protecção das populações russófonas e resistência à expansão da OTAN. A Ucrânia, por sua vez, defende o seu direito à autodeterminação, à integridade territorial e à escolha dos seus aliados.

Este antagonismo é alimentado por narrativas históricas divergentes, por interesses estratégicos e por uma profunda desconfiança mútua. Qualquer processo de paz terá de enfrentar estas raízes, reconhecê-las e encontrar formas de as ultrapassar sem negar a soberania de cada Estado. A paz entre a Rússia e a Ucrânia enfrenta obstáculos de várias ordens em primeiro, a ocupação territorial pois a presença militar russa em território ucraniano, incluindo a Crimeia e partes do Donbass, é um dos principais entraves. A Ucrânia exige a retirada total das forças ocupantes como condição para qualquer acordo. A Rússia, por sua vez, considera a Crimeia parte integrante do seu território e vê o Donbass como uma zona de influência legítima.

Em segundo, o reconhecimento internacional, pois a comunidade internacional, em particular os países ocidentais, apoiam a Ucrânia e impõe sanções à Rússia. Esta polarização dificulta a mediação e reforça a lógica de bloco. A paz exige um espaço diplomático neutro, onde ambas as partes possam negociar sem pressões externas excessivas. Em terceiro, as perdas humanas e traumas colectivos pois a guerra gerou feridas profundas na sociedade ucraniana. A destruição de cidades, os massacres, os bombardeamentos e os deslocamentos forçados criaram um sentimento de dor e revolta que não pode ser ignorado. A reconciliação exige justiça, memória e reparação. Em quarto, as lideranças políticas e narrativas internas, pois tanto na Rússia como na Ucrânia, os líderes políticos construíram narrativas que dificultam o compromisso.

A paz pode ser vista como fraqueza, como traição ou como capitulação. É necessário criar condições para que os líderes possam negociar sem perder legitimidade interna. Apesar dos obstáculos, existem factores que podem favorecer a construção de um processo de paz sendo primeiro, a fadiga da guerra pois o prolongar do conflito gera desgaste económico, social e político. A Rússia enfrenta sanções, isolamento e dificuldades internas. A Ucrânia vive em estado de emergência permanente. A fadiga pode abrir espaço para soluções negociadas. Segundo, a pressão internacional, pois Organizações como as Nações Unidas, a OSCE e países neutros podem desempenhar um papel de mediação.

A diplomacia multilateral, quando bem estruturada, pode criar pontes e facilitar compromissos. Terceiro, as experiências históricas pois a Europa tem exemplos de reconciliação após conflitos intensos como a Alemanha e a França após a II Guerra Mundial, os acordos de paz na Irlanda do Norte e a reunificação alemã. Estes modelos mostram que a paz é possível, mesmo entre inimigos históricos. Quarto, a sociedade civil e cultura pois estas conjuntamente com a educação podem ser motores de aproximação. Projectos de diálogo, intercâmbio e reconstrução simbólica podem preparar o terreno para a paz política. A paz entre a Rússia e a Ucrânia pode assumir diferentes formas, dependendo da evolução do conflito e das negociações.

Assim há a considerar primeiro, a paz condicional com um cessar-fogo acompanhado de negociações sobre territórios, segurança e garantias internacionais. Este modelo exige compromissos mútuos e pode incluir zonas desmilitarizadas, missões de observação e acordos de não agressão. Segundo, a paz com reconhecimento parcial com um acordo em que a Ucrânia reconhece a perda de certos territórios em troca de garantias de segurança e apoio à reconstrução. Este modelo é controverso e pode gerar divisões internas, mas foi aplicado noutros contextos. Terceiro, a paz como mediação internacional, em que a criação de uma conferência internacional de paz, com participação de países neutros, organizações multilaterais e representantes da sociedade civil. Este modelo permite uma abordagem mais abrangente e menos polarizada.

Quarto, a paz por etapas com um processo gradual, com fases de desescalada, reconstrução, justiça transicional e integração regional. Este modelo exige tempo, paciência e compromisso de longo prazo. Para que a paz seja duradoura, é necessário cumprir certas condições como primeiro, o respeito pela soberania, pois a Ucrânia deve manter o direito de decidir o seu futuro, os seus aliados e o seu modelo político. A Rússia deve reconhecer esse direito e comprometer-se com a não interferência. Segundo, justiça e reparação dado que os crimes cometidos durante a guerra devem ser investigados e punidos. As vítimas devem ser reconhecidas e compensadas. A justiça é essencial para a reconciliação. Terceiro, a paz deve incluir garantias de segurança para ambos os países, com mecanismos de verificação, diálogo militar e cooperação em áreas como o controlo de armas. Quarto, a Ucrânia precisa de apoio financeiro, técnico e institucional para reconstruir o país.

A Rússia, por sua vez, deve encontrar formas de reintegrar-se na economia global, desde que respeite os princípios do direito internacional. Quinto, a educação para a paz dado que esta não se constrói apenas com tratados. É necessário investir na educação, na cultura e na memória, para que as novas gerações compreendam o valor do diálogo e da coexistência. A UE, os Estados Unidos, a China e outras potências têm responsabilidades na promoção da paz. A Europa, em particular, deve assumir um papel activo, não apenas como aliada da Ucrânia, mas como mediadora e promotora de soluções duradouras. A paz não pode ser imposta mas deve ser construída com base no respeito mútuo, na justiça e na cooperação. A comunidade internacional deve evitar a tentação de transformar a Ucrânia num campo de batalha prolongado entre blocos.

O objectivo deve ser a reconstrução, a estabilidade e a dignidade dos povos. Assim, a paz entre a Rússia e a Ucrânia é possível, mas exige coragem, visão e compromisso. Não será um processo rápido nem simples. As feridas são profundas, os interesses são complexos e as emoções são intensas. A alternativa é aceitável à perpetuação da guerra. A história mostra que mesmo os conflitos mais violentos podem encontrar resolução. A Europa, que foi palco de tantas guerras, pode ser também o espaço da reconciliação. A paz não é apenas um acordo mas uma construção colectiva, feita de gestos, palavras, políticas e memórias. A Ucrânia e a Rússia têm o direito de existir, de prosperar e de viver em segurança. A paz entre elas será um sinal de maturidade política, de respeito pela vida e de esperança para o futuro. Cabe aos líderes, às sociedades e à comunidade internacional transformar esse horizonte em realidade.

Timor-Leste | UE apoia sociedade civil com mais de dois milhões de euros

A União Europeia (UE), em parceria com várias organizações não-governamentais timorenses, lançou ontem três projectos para reforçar a capacidade da sociedade civil para apoiar comunidades vulneráveis e monitorizar a implementação de políticas públicas.

“A UE e Timor-Leste partilham o compromisso de garantir um espaço cívico livre, porque a monitorização e a advocacia feitas pelas organizações da sociedade civil são essenciais para uma sociedade livre como a nossa. Estamos satisfeitos por fazer parcerias com esta coligação para melhorar o desempenho do desenvolvimento e da responsabilização”, afirmou o embaixador da União Europeia em Timor-Leste, Thorsten Bargfrede.

As organizações da sociedade civil parceiras da União Europeia incluem a CARE, Oxfam, PLAN International, A-HAK, Caucus, Fórum de Comunicação para as Mulheres de Timor-Leste (FOKUPERS), Fórum das Organizações Não Governamentais de Timor-Leste (FONGTIL), Instituto Kdadalak Sulimutu (KSI) e Instituto Mata Dalan (MDI).

O apoio da União Europeia, no valor de 2,2 milhões de euros, será distribuído por três projectos. :“Reforçar as Organizações da Sociedade Civil Locais para uma Governação Responsiva e Responsável nos Direitos Humanos e Igualdade de Género”, “Reforçar a Sociedade Civil para Promover uma Boa Governação” e “Fortalecer a Sociedade Civil para a Diversidade: Reforçar a Liderança da Sociedade Civil para Melhorar a Governação e o Desenvolvimento Sustentável”.