História | Alfredo Gomes Dias lança livro “Macau entre Repúblicas” Andreia Sofia Silva - 24 Jun 202224 Jun 2022 DR O Centro Científico e Cultural de Macau acolhe, na próxima segunda-feira, a apresentação do novo livro do académico Alfredo Gomes Dias, que se dedica ao estudo da história de Macau. “Macau entre Repúblicas” será apresentado pela historiadora Célia Reis Alfredo Gomes Dias, académico do Instituto Politécnico de Lisboa (IPL) e autor de várias obras sobre a história de Macau, incluindo uma tese de doutoramento, está de regresso aos estudos sobre a história do território. “Macau entre Repúblicas” será lançado na próxima segunda-feira em Lisboa, no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM). A apresentação estará a cargo da historiadora Célia Reis, também autora de vários trabalhos sobre a história de Macau. Actualmente, Célia Reis é investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. O livro aborda o período em que Macau viveu entre duas revoluções, em dois lados do mundo: por um lado, a implementação da República em Portugal a 5 de Outubro de 1910, e a queda da Monarquia; e, por outro lado, o fim da China imperial e o início da República da China em 1911. Trata-se de um movimento onde se destacou a figura de Sun Yat-sen, que viveu em Macau. A obra conta com prefácio de Luís Cunha e a colaboração de Vincent Ho. Juntamente com Joana Barroso Hortas, Alfredo Gomes Dias fez um estudo sobre a forma como a imprensa portuguesa olhou para a implantação da República na China, através da análise dos jornais daquele período. Macaenses de Xangai Alfredo Gomes Dias é, além de professor adjunto da Escola Superior de Educação do IPL, investigador do Centro de Estudos Geográficos do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa. Como académico, as suas áreas de interesse centram-se em migrações, história política, social e colonialismo. Em 2012, defendeu a tese de doutoramento intitulada “A Diáspora Macaense. Macau, Hong Kong, Xangai (1850-1952)”. Neste trabalho, analisou a emigração macaense entre os anos de 1840 e 1950, com destino a dois lugares principais: Hong Kong e Xangai. A I Guerra do Ópio, entre os anos de 1839 e 1842, “conduziu a profundas mudanças políticas, económicas e sociais em toda a Ásia Oriental e, em particular na China imperial”, tendo levado também a uma onda de emigração por parte da comunidade macaense. “A saída das principais casas de comércio teve um forte impacto social”, lê-se no resumo da tese. Xangai, uma cidade sofisticada e cosmopolita, acabou por se tornar no local de destino de muitos dos emigrantes macaenses que aí se voltaram a estabelecer como comerciantes, mas não só. A investigação de Alfredo Gomes Dias, neste campo, analisa os “portugueses de Xangai”, ou seja, a comunidade que se formou com esse circuito migratório. Na cidade chinesa, acompanharam “o processo de formação, desenvolvimento e extinção das concessões estrangeiras, revelando estratégias que favoreceram a sua integração na sociedade que os acolheu, sem, todavia, perderem os laços com Macau, o seu território de origem”. O rumo da história mudaria novamente em 1949, com a implantação da República Popular da China, precedida por uma guerra civil, o que levou a comunidade a sair e a espalhar-se pelo mundo. Além deste trabalho, Alfredo Gomes Dias é também autor de obras como “Macau e a I Guerra do Ópio”, “Sob o signo da transição – Macau no século XIX” e ainda o livro que nasce da tese de doutoramento, “Diáspora Macaense: Macau, Hong Kong, Xangai (1850-1952)”.
Surto | Ho Iat Seng desvaloriza origem no Interior e aponta aos EUA e Reino Unido João Santos Filipe - 24 Jun 2022 DR O Governo afirma que os indícios apontam para que o novo surto tenha origem em produtos importados ou em residentes que vieram do exterior. No entanto, Ho Iat Seng mostra-se confiante na resolução do problema, devido ao apoio de peritos e das cidades e províncias amigas do Interior O Chefe do Executivo desvalorizou a possibilidade de o novo surto local ter origem no Interior. Numa conferência de imprensa agendada para a manhã de ontem, e realizada à tarde, Ho Iat Seng afirmou que a estirpe activa no território é “mais vulgar” nos Estados Unidos e no Reino Unido, do que no Interior. “Em Macau a estirpe que está activa é a BA5.1. da Ómicron. Não é uma estirpe vulgar na China, mas mais vulgar nos Estados Unidos e no Reino Unido, pelo que é mais difícil detectar a fonte do surto”, declarou Ho Iat Seng, por sua iniciativa, sem que ainda tivesse sido questionado pelos jornalistas. “Não estamos de braços cruzados, estamos a tentar o mais rapidamente possível detectar a origem do surto. Equacionamos todos os indícios. Será que veio da cadeia do frio? Temos de ver… Mas, sabemos que não é muito provável que tenha vindo do Interior, porque não é uma estirpe comum”, frisou. O surto foi identificado em Macau a 18 de Junho, poucos dias depois de as autoridades permitirem a entrada de pessoas vindas do Interior com um teste de ácido nucleico com a validade de sete dias. Antes de 15 de Junho era exigido que quem circulasse entre Macau e o Interior apresentasse um teste com a validade de 48 horas. Ainda assim, Ho Iat Seng acredita que os indícios mais fortes apontam para que o vírus tenha vindo do exterior. “Não podemos deixar de investigar todas as hipóteses, todos os indícios que conduziram a este surto que estamos a enfrentar. Temos as cadeias de frio e entra carne congelada em Macau”, referiu. “Também temos muitos produtos a entrar e não podemos testar todas as embalagens importadas. Os testes são feitos com amostras, por isso, não podemos confirmar, nem afastar, que o surto tenha começado através de um produto importado”, destacou. Ho Iat Seng afirmou ainda que o surto pode ter origem nos residentes que foram ao exterior, que vieram da Europa e que trouxeram o vírus consigo, em bagagens mal desinfectadas, apesar de terem cumprido quarentenas de 14 ou 10 dias. Obrigado Interior A conferência de imprensa serviu também para Ho Iat Seng agradecer ao Interior, explicar que o controlo do surto tem sido “apoiado pelos peritos” e que o abastecimento de alimentos à cidade vai ser garantido pelas “províncias e cidades amigas” do outro lado da fronteira. “A população pode ficar descansada com a evolução do surto porque temos uma equipa montada, com muita experiência, que tem lidado com a covid-19 desde o primeiro dia até agora”, atirou. “E quero salientar que esta equipa não é composta apenas por pessoas de Macau, também temos os peritos das autoridades nacionais. Por isso, se conseguirmos adoptar as medidas de controlo, creio que este surto não vai durar muito tempo”, vincou. Entre os peritos do Interior, Ho Iat Seng destacou o epidemiologista Zhong Nanshan, que disse poder fazer uma previsão muito precisa sobre o fim deste surto, assim que for reunida mais informação sobre os infectados, nos próximos dias. Ainda segundo as indicações de Zhong, Ho apontou que as quarentenas para as áreas vermelhas e amarelas podem ser apenas de sete ou 10 dias, se não existirem mais casos confirmados nos edifícios bloqueados. Apelo à calma Apesar de ontem ter decretado o encerramento de todos os espaços de diversão em Macau, à excepção dos casinos (o que foi explicado pela importância económica), e de ter sido declarado o encerramento dos restaurantes, que apenas estão autorizados a vender comida para fora, Ho Iat Seng apelou à calma. O pedido foi justificado com o baixo risco de mortalidade. “Peço-vos que fiquem descansados. Entre os 110 infectados, apenas 24 apresentam sintomas e 47 estão assintomáticos. E houve 38 recém-descobertos, pelo que não se trata de uma doença grave em que as pessoas precisem de oxigénio, de serem ligadas ao ventilador ou de serem internadas nos cuidados intensivos”, argumentou o Chefe do Executivo. “A doença não se trata de uma questão fatal”, acrescentou. Sem grandes riscos para a saúde física, Ho Iat Seng admitiu estar preocupado com o componente mental dos residentes. Porém, não apresentou qualquer solução: “Nos últimos tempos estou muito preocupado com a saúde mental, não só por causa da economia, mas porque a população está sempre em Macau, fechada, e não consegue ir para fora”, reconheceu. “Nestas condições há sempre stress, depressões, mas também sabemos que se não vencermos este surto, a população não vai poder entrar em nenhum lugar do mundo”, declarou. Ligações determinantes Ho confessou também que a política de zero casos não vai ser modificada, porque Macau está totalmente dependente do mercado do Interior. O Chefe do Executivo deu igualmente a entender que se a RAEM abandonar a política de zero casos, as portas com o Interior fecham-se. “Se não mantivermos a política de zero casos, não sei se vamos ter as fronteiras abertas”, disse Ho, após ser questionado sobre se acredita que a política tem o apoio da população. “Aliás, se fosse tudo tão simples, não precisava de ter esta conferência para vos explicar o que estamos a fazer”, desabafou. Contudo, o líder do Governo foi mais longe, e reconheceu que é uma escolha por razões económicas. “Se não tivermos a política de zero casos, não vamos ter as fronteiras abertas, não vamos ter os nossos turistas, não vamos ter a nossa economia”, argumentou. “E se abandonarmos o mercado chinês, qual é o mercado que podemos assegurar para que a economia se mantenha? Sem o mercado chinês não sei como vai ser o nosso futuro”, frisou. Jantares no Grande Lisboa Palace Segundo Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, houve dois jantares no dia 18 de Junho no Hotel Grande Palace Lisboa, um dos quais contou com a participação de membros do Governo. Desde o início do surto que um dos jantares de casamento está envolto em polémica por haver suspeitas de ter tido mais de 400 participantes, as informações serem escassas, contar com a participação de membros do Governo e ter quatro casos de infectados. Contudo, ontem, Wong revelou que afinal houve dois jantares, e que os membros do Executivo só participaram no segundo jantar, que não tem casos. Apesar disso, o Grande Lisboa Palace foi classificado como zona vermelha.
Covid-19 | Encerrados espaços de lazer. Estirpe BA5.1 na origem de todos os casos Pedro Arede - 24 Jun 202224 Jun 2022 Rómulo Santos Por decreto do Governo, desde as 17h00 de ontem que todos os espaços de diversão e lazer estão encerrados ao público e os restaurantes só estão autorizados a servir refeições para fora. A totalidade dos 110 casos confirmados foram infectados com a estirpe da variante Ómicron BA5.1. Definição de zonas vermelhas só a partir da detecção de dois casos positivos. Novo teste em massa decidido após resultados da actual ronda O Chefe do Executivo decretou ontem, através de um despacho publicado em Boletim Oficial, o encerramento de todos os espaços de lazer, diversão e outros serviços e a imposição aos restaurantes de apenas servirem refeições para fora. A medida entrou em vigor às 17h00 de ontem. Assim, segundo o despacho, enquanto a actual situação epidémica vigorar, cinemas, teatros, parques de diversão, salões de jogos, cibercafés, salas de bilhar e bowling, saunas e locais de massagens, salões de beleza, ginásios, health clubs e karaokes, bares, discotecas, salas de dança, barbearias e piscinas estarão de portas fechadas. Quanto aos restaurantes, estão também desde ontem proibidos de servir refeições e vender outros produtos para consumo “no interior dos respectivos espaços, sem prejuízo da prestação dos serviços de takeaway”. Questionado sobre se as empresas privadas deveriam seguir o exemplo e também elas fechar portas, Ho Iat Seng respondeu afirmativamente e reiterou que, à luz do actual surto, é fundamental travar a transmissão da covid-19 em Macau, através da redução da circulação de pessoas, concentrações e saídas desnecessárias. “O Governo já suspendeu os serviços públicos e, por isso, as empresas do sector privado também podem seguir esse exemplo. Isto, com o objectivo de evitar aglomerações e saídas desnecessárias, como também aconteceu com as escolas. Não se trata de um problema de casos confirmados, mas o objectivo (…) é reduzir, tanto quanto possível, a transmissão”, disse o Chefe do Executivo durante uma conferência ao início da tarde de ontem. Estirpe mistério Mais tarde, o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo Iek Long anunciou que o número de casos confirmados em Macau aumentou para 110 até às 15h00 e confirmou que todos os pacientes foram infectados com a estirpe da variante Ómicron BA5, que nunca antes tinha entrado em Macau. “De onde vem este surto epidémico? Não podemos afastar qualquer possibilidade. Pode ter sido através dos bens alimentares congelados que são importados do exterior para Macau. Agora, no Interior da China não existe a estirpe BA5. Uma vez que existe a possibilidade de contaminação através dos produtos, muitas vezes, não conseguimos encontrar a fonte, mas agora (…) temos que saber como é que, a curto prazo, vamos controlar a situação. Em Macau, em mais de 200 dias nunca houve um caso confirmado com esta estirpe”, disse Alvis Lo. Sobre os infectados, o responsável detalhou que o seu estado de saúde é “estável” e que foram divididos em cinco grupos, envolvendo o Edifício Yim Lai (55 pessoas), Edifício Tat Cheong (38 pessoas), uma lavandaria (4 pessoas), um ginásio (3 pessoas) e o Centro Internacional de Macau (2 pessoas). Entre os infectados, foi ainda revelado, está pela primeira vez um profissional de saúde. Do total de pacientes, apenas 32 apresentam sintomas. Questionado sobre a possibilidade de o Governo avançar para uma terceira ronda de testagem em massa da população, Alvis Lo referiu que, primeiro, é necessário analisar os resultados da ronda que termina hoje e que, só depois, será decidida uma nova testagem nesses moldes ou através da utilização de testes rápidos. Sobre a utilização do hospital de campanha, o responsável referiu que as instalações podem ser activadas “em qualquer momento”. No entanto, dado que a maioria dos casos são assintomáticos e os pacientes com sintomas têm manifestações leves, os casos detectados estão a ser colocados em hotéis. Nota ainda para o facto de o pavilhão C do Macau Dome estar disponível desde hoje como posto de testagem, no lugar do posto do Pac On. A medida foi justificada com a possibilidade de o novo espaço poder acolher mais pessoas. Padrões alterados Também ontem, foi anunciada a revisão dos critérios de classificação das zonas vermelhas e amarelas, com as primeiras a ser seladas, a partir do momento em que há dois casos confirmados. Nas situações em que é detectado apenas um caso de covid-19, essa área será definida como zona amarela. Isso mesmo explicou a médica Leong Iek Hou, vincando que ao final de cinco dias as zonas vermelhas podem passar a amarelas, caso sejam cumpridos determinados critérios. “Quando, nos edifícios, surgirem mais de dois casos positivos, estes são considerados como zonas seladas e o código de saúde das pessoas que lá moram passa a vermelho. Esta zona vai ficar selada, pelo menos cinco dias e no 1º e 5º dias, vão ter que fazer teste de ácido nucleico e no 2º 3º e 4º dia têm de fazer testes antigénio”, começou por explicar Leong Iek Hou. “Se não houver mais transmissão, no quinto dia, após saírem os resultados do teste de ácido nucleico, essas zonas vão voltar a abrir, no 6.º e 7.º dia o código passa a amarelo e no 7.º dia essas pessoas têm de ser sujeitas a teste de ácido nucleico”, acrescentou. Zonas Vermelhas – Controlo Selado Edifício YIM LAI: Rua de Manuel de Arriaga n.º 60-66C; PADRE Modern Cuisine: Avenida da Praia Grande, n.º 251, Edifício. TAK FUNG, R/C B e C); Edifício TAT CHEONG: Rua de Afonso de Alburquerque n.º 33-35G; Centro CHIU FOK: Rua de Pedro Coutinho n.º 23); CENTRO INTERNACIONAL DE MACAU (TORRE VI) : Rua de Malaca 124 Rua do Terminal Marítimo 93-103 Travessa da Amizade 82; EDF. MAN LEI (BLOCOS S,T) : Rua Três do Bairro da Areia Preta6; HOTEL FORTUNA: Rua de Cantão 49-63, Rua de Foshan 48A-78, Praça de D. Afonso Henriques 76-90 (Obs.:O Auto-Silo Pak Tou e reaberto.); YO HO CITY CENTER: Avenida Marginal do Patane 331-339, Rua Marginal do Lam Mau 330-342, Travessa Marginal do Lam Mau 15-31; FLOWER CITY (EDF. LEI SENG): Rua de Nam Keng 73; EDF. PAK WAI (BLOCO 3): Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida 128; EDF. U WA (BLOCO 6): Rua do Canal Novo 263; TRUST LEGEND (TOWER II): Rua do Padre Eugénio Taverna 86; EDF. FEI CHOI KONG CHEONG: Rua Direita do Hipódromo 77-115,Rua da Tribuna 303-315,Avenida do Hipódromo 332-388,Alameda da Tranquilidade 8-42. Zona Amarela – Zona de Prevenção Edifício SON LEI: Rua de Manuel de Arriaga n.º 64-64B; Edifício. CHUN FONG: Rua de Afonso de Albuquerque n.º 38-40A; Edifício. TAK FONG: Avenida da Praia Grande n.º 241-253; Edifício TAK WENG: Rua de Afonso de Alburquerque n.º 37-45; Edifício MAN HENG: Rua de Afonso de Alburquerque n.º 31C-31G; Edifício PARKWAY MANSION, Bloco 2: Rua do Almirante Costa Cabral n.º 146; FLOWER CITY – LEI POU KOK: Avenida Olímpica n.º 177-259, Rua de Évora n.º 10-72; LAKE VIEW GARDEN: Praça de Lobo de Ávila 16-18; Carnes Assadas Lam Kei: Rua da Emenda 40 ; EDF. JARDIN IAT LAI (BLOCO 6) : Rua central de T’oi Sàn 302 . Congelados | Suspensa importação de produtos da Índia O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) decidiu suspender a importação de produtos aquáticos congelados de uma empresa oriunda da Índia. Segundo uma nota de imprensa, a medida surge depois de a Administração Geral das Alfândegas da China ter anunciado ontem que uma amostra de produtos importados da referida empresa testou positivo à covid-19. O IAM exigiu ainda “aos comerciantes locais que selassem esses produtos”, tendo sido realizadas novos testes, sem detecção de anomalias. A mesma nota dá conta que, desde Julho de 2020, o IAM tem realizados vários testes às amostras recolhidas dos produtos aquáticos congelados importados da Índia e das suas embalagens, quer interiores quer exteriores, “mas nunca havia detectado o novo tipo de coronavírus”. Nos últimos três meses, o IAM “tem procedido a desinfecção e a testes aleatórios em relação aos produtos provenientes do referido país, cuja entrada é apenas permitida após a aprovação nas respectivas inspecções”. Encomendas | Produtos vindos do Interior mais caros Com o surto recente e os limites à circulação de pessoas entre Macau e Zhuhai, as encomendas vindas do Interior e entregues nas lojas locais estão mais caras. Segundo o Jornal Ou Mun, um responsável de uma loja explicou que o facto de todos os camiões transfronteiriços terem sido desviados e haver um aumento no preço dos combustíveis fez com os preços tivessem praticamente duplicado. Só nas encomendas mais pequenas, o lojista afirmou que o aumento foi de 2 patacas por unidade, mas prometeu baixar para o normal, mal termine o surto. Outra pessoa ouvida, também responsável por um negócio semelhante, mostrou-se a favor dos aumentos e explicou a posição com a falta de condutores de camiões, além do custo da desinfecção dos produtos, que disse reflectir-se num aumento de 20 por cento sobre o preço final. Ilha Verde | Abrigo de Verão volta a abrir O Instituto de Acção Social (IAS) anunciou ontem a abertura do Abrigo de Verão localizado na Ilha Verde. A decisão foi tomada no seguimento de a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) ter emitido alerta amarelo de temperaturas altas. Segundo uma nota divulgada ontem, o abrigo ficará de portas abertas “até que a temperatura volte a baixar” e os utilizadores que pretenderem aceder ao espaço terão de realizar, no local, um teste rápido. De acordo com os SMG, as temperaturas para os próximos dias irão variar entre os 27 e os 33 graus Celsius. O pico das temperaturas deverá ser atingido entre as 12h00 e as 14h00. O IAS apela ainda à população para estar atenta “à situação física dos idosos em casa e dos que vivem sozinhos, doentes crónicos bem como dos indivíduos débeis” para evitar os efeitos provocados pelas altas temperaturas nos próximos dias.
Surto | Receio de quarentena ou isolamento causa desespero a quem tem voos marcados Andreia Sofia Silva - 24 Jun 2022 DR A possibilidade de, pela primeira vez em três anos, sair de Macau durante um surto comunitário tornou-se para muitos portugueses um autêntico teste aos nervos. Alguns residentes com viagem marcada tentaram antecipar a partida, sem sucesso devido à lotação esgotada dos poucos voos disponíveis. A maioria teme o confinamento total das zonas de residência ou ser enviado para quarentena As férias de Verão de muitos portugueses e daqueles que procuram sair de Macau neste período para ver a família ou tratar de assuntos urgentes parecem estar assombradas com a ocorrência do mais recente surto em Macau. O facto de as autoridades não permitirem a saída de quem reside em zonas vermelhas, mesmo com teste negativo à covid-19, está a causar desespero a muitos, que tentam antecipar viagens. No entanto, o HM sabe que, pelo menos até às primeiras semanas de Julho, os voos estão completamente cheios, o que faz com muitos residentes temam ficar retidos no território. “Por mim, voava já hoje”, disse uma residente, que não quis ser identificada. “Não sabemos o dia de amanhã e queremos sair o mais rapidamente possível porque são viagens muito complicadas. Esta viagem não é um capricho, é uma coisa séria, falo de questões de saúde e familiares. Tenho tido uma vida recatada e sou praticamente risco zero. Se alguém ao lado fica infectado muda a nossa vida por completo, além de perdermos 20 mil patacas, só porque sim.” “Estão a ser cancelados voos de pessoas que vivem em zonas vermelhas e que tentam marcar as viagens noutras datas. Mas não temos sequer acesso aos voos que estão a ser cancelados para poder marcar os nossos. Estamos um pouco desesperados para sair daqui e não vamos contagiar ninguém, porque o mundo já vive com o covid-19”, declarou. A afirmação da residente é uma referência a uma declaração proferida por Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde (SSM), que, numa conferência de imprensa sobre o surto, declarou ser totalmente proibida a saída de pessoas de zonas vermelhas, por existir o risco de contágio de covid-19 fora do território. A única constante O HM contactou uma agência de viagens que confirmou a impossibilidade de antecipar partidas devido à falta de lugares. Porém, a fonte confirmou ter alterado datas de partida de “poucas pessoas” que ficaram confinadas em casa. “A situação muda a cada dia. Neste momento, temos lugares para o voo que parte no dia 11 de Julho, que é bastante dispendioso. Tivemos pedidos para alterar voos até ao final deste mês, início do próximo, mas não temos qualquer hipótese de concretizar esses pedidos”, contou a fonte que trabalha numa agência de viagem. O empresário Gonçalo Martins tem a vida um pouco mais dificultada. Há muito que a possibilidade de umas férias de Verão no seu país é contada como um conto de fadas aos filhos pequenos. A mulher já saiu de Macau, mas a família teme não se poder encontrar como desejou. “Temos viagem marcada para dia 2 de Julho, começamos a ver toda esta situação a avançar e pensámos em alterar o voo. Mas não é possível antecipar. Há três anos que não vamos ao nosso país, estamos longe da nossa família e amigos, e tem sido desesperante. Andamos felizes e todos os dias conto histórias aos meus filhos, que vão conhecer a terra dos avós. De repente, acontece isto e é como se tudo desmoronasse.” O empresário português assume que tem vivido “dias de algum desespero e apreensão”. “Não sabemos o que vai acontecer. Podemos estar bem, e de repente alguém do prédio apanha covid-19 e ele transforma-se numa zona vermelha ou amarela. Isso iria estragar os nossos planos completamente”, acrescentou. Apesar de dizer que não pode fazer nada contra as decisões adoptadas pelas autoridades, Gonçalo Martins defende uma nova abordagem à pandemia que não passe pela política de casos zero. “Fico, de facto, aborrecido com tudo isto. Por um lado, compreendo certas situações, por outro penso que, passados três anos, parece que estamos a reagir ao vírus como se fosse uma coisa nova. Dever-se-ia fazer uma certa abordagem, mas é a China que decide. Não concordo com esta abordagem, mas a minha vida está aqui e posso demonstrar o meu desagrado no dia-a-dia, com conversas e redes sociais, estou de pés e mãos atadas. É desesperante.” Nova situação Outra residente, que também não quis ser identificada, viaja na próxima quarta-feira e faz figas para que não haja mais casos e definição de novas zonas vermelhas que a obriguem a mudar todos os planos. Desde 2020 que não vai a Portugal. “Finalmente, consegui negociar uma licença sem vencimento para ir, e se as coisas morrerem na praia por causa disto…imagine a aflição. Tenho um colega de trabalho que viaja no sábado que tentou mudar a viagem e disseram-lhe que os voos estão completamente cheios.” A residente entende que a situação pandémica “está pior”, pois “há mais casos e as medidas de confinamento não se cingem à quarentena, mas o prédio fica em confinamento, mesmo sem muitos casos positivos”. Porém, a residente tem conhecimento de casos mais extremos. “Tenho amigos que vivem ao lado de um prédio confinado e não podem sequer utilizar a garagem comum. Depois não circunscrevem as zonas de uma só vez, o que cria esta angústia. A todo o momento encontram uma ligação a um caso positivo e levam toda a gente para confinamento.” Ir de vez Pedro Benjamim, radialista, viaja por Hong Kong daqui a uns dias e deixa o território de vez. Tentou antecipar a viagem para escapar à situação actual, mas percebeu que o estado das coisas seria sempre imprevisível. “Vou por Hong Kong, e não por Singapura, o que me traz um nível extra de dificuldade. Se essa ligação é cancelada, ou o sistema de isenção de quarentena é interrompido, ou há mudanças nos autocarros [dourados], deixo de poder ter a viagem e tenho de procurar alternativa por Singapura. Esta fase é muito complicada porque os voos estão cheios e não sei se haverá vagas.” O radialista teme que, “de repente, o prédio fique numa zona vermelha e seja praticamente impossível viajar”. “Mesmo ao meu lado tenho um prédio que está numa zona vermelha, moro nesta zona que foi delimitada como teste alvo, mas sinto que é tudo muito imprevisível. Tento estar mais por casa, não passar por muitos sítios, para não correr o risco de ir para quarentena ou que o meu prédio passe a ficar na zona vermelha. Acredito que as coisas podem mudar de um dia para o outro. Ao mesmo tempo, tenho algum optimismo que a ligação com Hong Kong não feche de repente.” Em relação à actuação das autoridades, Pedro Benjamim entende que as deveriam permitir os voos de pessoas que testem negativo à covid-19. No entanto, considera que “seja difícil criar excepções”. Quem também sai de vez do território, ao fim de 28 anos, é Isabel Carvalho. Viaja com animais, o que dificulta ainda mais o processo já de si difícil. “Tenho medo que passe a haver quarentenas em Hong Kong, o que torna tudo mais difícil. Acabo de trabalhar no dia 30 e depois tenho dez dias para me organizar. Tenho esperança que as coisas estabilizem até lá. Todos apanham covid-19 e para mim a política de zero casos é anacrónica.” Assumindo-se infeliz em Macau e sem conseguir estar longe da mãe idosa e das filhas, Isabel Carvalho já não tem esperanças de que o território se transforme “num sítio aberto”. “A minha questão premente, neste momento, é o [possível] isolamento do prédio onde estou a viver e as dificuldades para ir para Hong Kong. Viajo com três animais e já foi difícil arranjar um voo. Se tiver de mudar o dia vai ser complicado, porque em Hong Kong os animais só têm 24 horas para estar em trânsito. Se quiser mudar, já estará esgotado na semana seguinte, por exemplo”, rematou.
Casinos | Autoridades voltam a afastar encerramento Hoje Macau - 23 Jun 2022 DR Apesar de terem sido detectados casos positivos de covid-19 no seio dos trabalhadores dos casinos, afasta-se, para já, o encerramento dos espaços de jogo. A confirmação chegou hoje através de uma nota de imprensa, uma vez que “após a realização de uma investigação epidemiológica, não se relacionou os itinerários dos trabalhadores em causa com os casinos onde trabalham”. Além disso, “de entre os referidos trabalhadores, dois encontram-se a gozar férias, pelo que se conclui que não há necessidade de proceder ao encerramento de tais casinos”.
Maior aplicação para encomenda de ‘takeaway’ regista aumento de 20% Hoje Macau - 23 Jun 2022 DR A empresa de entrega de comida mFood, de Macau, registou um aumento médio de encomendas diárias entre 15% e 20% desde domingo, devido ao surto de covid-19 no território, disse à Lusa uma responsável. No domingo, o Governo decretou o estado de prevenção imediata, depois de ter detetado 12 casos de covid-19, tendo pedido aos residentes para ficarem em casa e aos estabelecimentos comerciais para fecharem portas, à exceção de supermercados, mercados e restaurantes. A estes últimos pediu que servissem apenas refeições para fora (‘takeaway’), como forma de evitar contágios. Desde domingo, “a média de encomendas diárias de ‘takeaway’ aumentou cerca de 15-20%”, sublinhou a diretora de operações da aplicação mFood, Bonnie Cheng. Lançada em outubro de 2020, a aplicação mFood, ligada ao grupo Macau Pass, atingiu já uma quota de mercado superior a 50%, acrescentou a responsável, que se escusou a adiantar o volume de negócios no ano passado. Bonnie Cheng indicou que a aplicação “em breve irá expandir-se para diferentes segmentos de negócio para aumentar ainda mais a quota de mercado”. De acordo com o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), o território conta com 2.910 estabelecimentos de ‘takeaway’.
Presidente da China critica alargamento de alianças militares Hoje Macau - 23 Jun 2022 DR O Presidente da China, Xi Jinping, criticou ontem o “alargamento de alianças militares”, o fator responsável, segundo defendeu o governante, pela atual crise na Ucrânia. O chefe de Estado chinês falava na cerimónia de abertura do Fórum Empresarial das grandes economias emergentes BRICS, evento que acontece antes da cimeira virtual do bloco (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) que vai decorrer na quinta-feira a partir de Pequim. Este grupo de economias emergentes representa mais de 40% da população mundial e quase um quarto da riqueza produzida no planeta, sendo que três dos seus membros – China, Índia e África do Sul – abstiveram-se de votar uma resolução da ONU a condenar a invasão da Ucrânia pela Rússia. Pequim e Nova Deli têm laços militares estreitos com Moscovo e estão a comprar quantidades crescentes de petróleo. “A humanidade conheceu a devastação de duas guerras mundiais e a névoa escura do confronto da Guerra Fria”, disse Xi Jinping, segundo a agência de notícias estatal Xinhua. “Essa dolorosa história mostrou que o confronto entre blocos hegemónicos (…) não traz paz nem segurança, mas apenas guerra e conflitos”, sublinhou, adiantando que “a crise na Ucrânia é mais um alerta para o mundo”. “A fé cega nas posições de força, o alargamento de alianças militares e a procura da própria segurança em detrimento da segurança de outros países conduzem inevitavelmente a um impasse de segurança”, defendeu Xi Jinping, numa aparente referência à NATO e aos Estados Unidos. Durante uma conversa telefónica realizada na semana passada, o Presidente chinês assegurou ao seu homólogo russo, Vladimir Putin, que Pequim continuará a apoiar Moscovo em questões de “soberania e segurança”. A posição foi criticada pelos Estados Unidos, que pediram à China para evitar colocar-se “do lado errado da História”. A guerra na Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro com uma invasão das forças militares russas, levou dois países nórdicos historicamente neutros – a Suécia e a Finlândia – a pedir a adesão à NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), tendo a Aliança Atlântica iniciado já negociações para a sua concretização. A cimeira dos BRICS acontece numa altura em que a China e a Rússia – que defendem abertamente a construção de uma nova ordem mundial – estão a tentar alargar o grupo, visando aumentar a sua influência política.
Xi Jinping diz que uso de sanções vai acabar por afectar o mundo inteiro Hoje Macau - 23 Jun 2022 DR O Presidente chinês assegurou ontem, na cerimónia de abertura do Fórum Empresarial do bloco BRICS, que aqueles que se aproveitam da sua posição para “impor sanções” vão acabar por afetar “pessoas em todo o mundo”. Xi Jinping enfatizou que a guerra na Ucrânia “suou o alarme da humanidade”, e que está preocupado com os danos que os restantes países podem sofrer, “à custa dos outros”. “Perante a turbulência e instabilidade no mundo, devemos ter firmemente em mente a aspiração original da Carta da ONU, bem como a nossa missão de promover a paz”, disse o governante chinês, pedindo esforços conjuntos para salvaguardar a paz. Xi Jinping reiterou que “confrontos entre blocos” vão contra a paz e trazem “guerras e conflitos”, numa altura em que os Estados Unidos tentam construir alianças para contrapor a ascensão da China na região da Ásia–Pacífico. O chefe de Estado chinês também sustentou que o desenvolvimento global deve ser orientado para uma “nova era”, especificando que as “aspirações dos povos e os interesses da comunidade internacional” devem ser aqueles que orientam todos os países. Como em discursos anteriores, o líder chinês ressaltou a necessidade de o mundo inteiro se unir perante as dificuldades e defender os “benefícios mútuos”. Perante as interrupções nas cadeias de fornecimento industrial, o aumento dos preços das matérias-primas e energia, Xi Jinping pediu a “remoção de todas as barreiras que impedem o desenvolvimento das forças produtivas, para promover o desenvolvimento sólido da globalização”. “Toda a gente teme que a economia mundial se afunde num pântano de crises”, disse o governante, acrescentando que, neste “momento crucial, somente unidos em solidariedade e cooperação, podemos superar as crises económicas”. O Presidente da China exortou a que se façam “esforços” para melhorar a governação económica global, dando “voz e representação aos mercados emergentes e países em desenvolvimento”. O líder chinês apelou ao respeito pelas regras da Organização Mundial do Comércio e pediu que se defenda o sistema multilateral de comércio, em busca de uma economia mundial aberta. O bloco BRICS, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, ganhou expressão, pela primeira vez, em 2001, quando o economista Jim O’Neill, da Goldman Sachs, publicou um estudo intitulado “Building Better Global Economic BRICs”, sobre as grandes economias emergentes. O grupo reuniu-se pela primeira vez em 2009 e logo estabeleceu uma agenda focada na reforma da ordem internacional, visando maior protagonismo dos países emergentes em organizações como as Nações Unidas, o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional. O bloco passou a incluir a África do Sul no ano seguinte. Segundo a visão de Pequim e Moscovo, a ascensão dos BRICS ilustra a emergência de “um mundo multipolar”, expressão que concentra a persistente oposição dos dois países ao “hegemonismo” ocidental, e em particular dos Estados Unidos. A invasão russa da Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro, foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.
Mais de 200 trabalhadores não-residentes protestam contra pagamento de quarentena Hoje Macau - 23 Jun 2022 DR / Macau Business Mais de 200 trabalhadores chineses não-residentes manifestaram-se hoje à noite perto do Gabinete de Ligação, em Macau, contra o pagamento da quarentena no regresso a casa, apontou um comunicado da Direção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). “A DSAL está preocupada e enviou pessoal para o local, após tomar conhecimento do incidente. Entende-se que os trabalhadores exigem ao empregador o pagamento dos custos de quarentena na China continental”, lê-se na nota. “De acordo com a lei da contratação de trabalhadores não-residentes, o acerto dos custos da quarentena não é uma obrigação dos empregadores”, acrescenta. Macau decretou no domingo o estado de prevenção imediata, na sequência de um novo surto que já detetou 71 novos casos. Em resposta, a cidade vizinha Zhuhai impôs novas restrições a quem chega da região administrativa especial, nomeadamente a realização de uma quarentena de sete dias num hotel designado pelas autoridades. “A DSAL pede aos trabalhadores que expressem as suas exigências racionalmente”, escreveu ainda o departamento laboral. “Devido à situação epidémica atual, as pessoas devem evitar reuniões para prevenir a transmissão do vírus”, completou.
Perante o teu rosto 1 António Cabrita - 23 Jun 2022 DR De Hong Sang-Soo e da sua trintena de filmes só me calhou ver cinco filmes e felizmente que um deles é o Perante o Teu Rosto, a muitas milhas dos outros, e definitivamente uma obra-prima, no seio do “sistema” Hong Sang-Soo, e fora dele. Podia o cineasta não fazer mais nada, mereceria sempre a nossa gratidão. Para explicar porquê, vou começar por falar de um conto breve de Dalton Trevisan, A Sopa, e lembrar uma verdade de La Palice: o crédito dado a uma narrativa não falece enquanto se mantiver um clima no qual os personagens estão predispostos a aguentar um máximo de tensão. O que falta a demasiadas fitas que vemos e esquecemos no dia seguinte. Porque a tensão não nasce de uma montagem rápida ou de um suspense tecnicamente logrado, mas de um fluxo onde colidam expectativas emocionais e valores morais traduzíveis em atritos ou nas expectativas reflectidas numa conduta. O brevíssimo conto de Dalton Trevisan –do livro Histórias Nada Exemplares –, onde, à roda de uma mesa de cozinha, se mostra a fugaz discussão entre pai, mãe e filho, oferece mais conflito, intensidade e aceleração emocionais que muitas perseguições de carro em filmes medíocres. É assim que começa: «Subiu lentamente a escada, arrastando os pés. Estacou para respirar apenas uma vez, no meio dos trinta degraus: ainda era um homem. Entrou na cozinha e, sem olhar para a mulher, sem lavar as mãos, sentou-se à mesa. Ela encheu o prato de sopa, colocou-o diante do marido. Olho vermelho de dorminhoco, o filho saiu do quarto e atravessou a cozinha. O homem batia as pálpebras, embevecido com os vapores capitosos. — Aonde é que vai? O filho abriu a torneira do banheiro: — Fazer a barba. — Hora da janta. Vem comer. Demorava-se o rapaz, torneira fechada. Com a toalha no pescoço, não olhou o pai. — Não quero jantar. Sem fome. O homem suspendeu a colher: — Não quer jantar, mas vem para a mesa. Todas as noites, esfomeado. Enchia a colher, aspirava o caldo de feijão e, fazendo bico nos lábios; grossos, tragava-o com delícia. O filho desenhava com o garfo na toalha de flores estampadas. A mulher, essa, contemplava o fogo, mão no queixo. — Dar uma volta. O homem sugava ruidosamente e, a cada chupão, o filho revolvia a ponta do garfo no coração das margaridas.» A concisão desta escrita é como uma pirâmide que esconde em sombra outra invertida; a sua rede de imagens subsume um feixe de interacções emocionais que, de um modo posicional, motiva cada palavra e contribui para esticar a tensão entre as personagens. Em dezanove linhas apresentam-se quatro conflitos: a do pai com a sua condição física e com a sua imagem de poderoso pater familias (“ainda era um homem”; “sem olhar para a mulher, sem lavar as mãos, sentou-se à mesa”), conflito com o filho, condensado em acções mudas (“Demorava-se o rapaz, torneira fechada”; “a cada chupão, o filho revolvia a ponta do garfo no coração das margaridas”), conflito não declarado da mulher com ele (“A mulher, essa, contemplava o fogo, mão no queixo”), enquanto ela mira a chama que, inconsumível, crepita no seu íntimo, até à explosão final. Cada palavra em Dalton Trevisan leva o sangue à guelra do peixe. Veja-se o oposto disso. Se alguém escreve: “Adalberto viu Rita pela primeira vez na esplanada” e assim continua, sei-me diante de um burocrata do aparo com hábitos de voyeurismo. Nada se implica na frase, nem o narrador, nem as personagens entre si; nada se desencadeia: a descrição é um arabesco na congelada pista dum mundo reificado. Se, ao invés, o relato se iniciasse assim:”Os seios dela olharam argutamente para mim”, o escritor situava-nos face a uma relação, algo se pôs em movimento e envolve ambas as personagens, sem a intermediação distanciada do narrador. E a frase imprimiria uma aceleração narrativa: a primeira hipótese exige mais dez linhas antes de se chegar ao ponto (o telos), nesta hipótese parte-se do ponto. A primeira frase nada comunica e a sua famigerada mensagem é tão vaga como a abstenção do narrador, que aí não mete prego ou estopa. Encontraram-se na esplanada e so what? Que se passa em seguida, quais as motivações das personagens, que as vai unir ou separar, etc? Foi tudo adiado, a mensagem patina no vazio, ou antes, processa uma procrastinação. Já na segunda hipótese presenciamos um acto de economia narrativa: as motivações das personagens imbricam-se na forma da frase, tornam essa expressão a única possível e, inclusive, de forma implícita, a frase comunica-nos a temporalidade da acção: se fosse inverno os escultóricos peitos da rapariga estariam tapados por sobretudos e cachecóis e não teriam o efeito devastador que aí se adivinham, provocando mudanças na vida das personagens. Adoptando a sinédoque, tomando a parte (os seios) pelo todo (a Gisela, para lhe dar um nome), numa frase menos vulgar, comunicamos afinal muitíssimo mais, em intensidade e de chofre. Afinal, não estávamos a falar de seios – ainda que seja exaltante a sugestão de Alexandre O´Neil de que pela manhã nos deveriam servir seios em vez de pãezinhos quentes – mas de procedimentos narrativos. E se a narrativa de Trevisan parece jogar-se num tabuleiro realista, num registo refém da objectividade, é apenas um engano: não há uma única frase no conto que não esteja prenhe da emocionalidade referente a cada personagem – é esse o génio do narrador. Como na fita de Moebius, o que é dado a ver como morfologia das acções objectivas, exteriores, só incarna afinal o não-dito das interacções humana, o seu subtexto, uma inconfessada intencionalidade vertida num “estilo indirecto livre”. Este mecanismo engendra uma tensão interna à narrativa e imprime-lhe um ritmo. O mesmo se passa num filme e este pode até passar-se à mesa que o seu ritmo interno funciona como um acelerador na percepção do espectador.
Diálogo com China e Coreia do Sul é chave para estabilidade, diz PM japonês Hoje Macau - 23 Jun 2022 DR O primeiro-ministro japonês defendeu esta terça-feira que conversações com o líder chinês são fundamentais para a paz e a estabilidade regionais e internacionais, quando aumentam as tensões relacionadas com disputas territoriais e a actividade militar em torno do Japão. “É importante manter relações estáveis e construtivas” entre o Japão e a China, declarou Fumio Kishida num debate de líderes partidários em Tóquio, antes das eleições legislativas de 10 de Julho. Questionado sobre uma possível cimeira com o Presidente chinês, Xi Jinping, quando se assinalar o 50.º aniversário das relações diplomáticas entre os dois países, em Setembro, Kishida disse que nada foi decidido, acrescentando: “O diálogo é importante – em termos concretos”. Segundo Kishida, tendo em conta o agravamento da situação da segurança na região, é igualmente importante o diálogo com a Coreia do Sul, apesar das relações conturbadas decorrentes das acções do Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Inquirido sobre uma eventual reunião com o novo Presidente sul-coreano, Yoon Suk Yeol, quando os dois líderes se deslocarem a Madrid, a 29 e 30 de Junho, para participar na cimeira da NATO, Kishida voltou a dizer que não há nada decidido, “mas o diálogo é importante”. O Chefe do Executivo japonês sustentou que relações estáveis entre as duas partes dependem de esforços de Seul para solucionar as suas disputas, incluindo uma sobre decisões judiciais sul-coreanas sobre indemnizações a trabalhadores coreanos em fábricas japonesas em tempo de guerra. Kishida disse ainda que dará prioridade a políticas para aliviar o aumento dos preços da energia e dos produtos alimentares desencadeado pela invasão russa da Ucrânia, a 24 de Fevereiro. Em campanha A campanha oficial para a eleição de cerca de metade da câmara alta do parlamento japonês, a que tem menos poderes das suas duas câmaras, iniciou-se ontem. O Partido Democrático Liberal de Kishida, no poder, incluiu um acentuado aumento da capacidade e da despesa militares no seu programa eleitoral. “Protegerei as vidas e os meios de subsistência das pessoas”, sublinhou Kishida que, com um índice de apoio popular de cerca de 60 por cento, se espera obtenha a vitória eleitoral para o seu partido, o que poderá permitir-lhe manter-se ininterruptamente no poder por mais três anos. Segundo os analistas, Fumio Kishida manteve a sua popularidade em grande parte evitando políticas polémicas, enquanto contava com a ajuda da desaceleração do número de infecções de covid-19 e do aumento das preocupações com a segurança, após a invasão russa da Ucrânia.
Covid-19 | Bloqueios localizados tornam vida numa versão do jogo “Campo Minado” Hoje Macau - 23 Jun 2022 DR A China está a substituir bloqueios totais com confinamentos localizados e testes em massa diários à covid-19, que transformaram a vida nas cidades chinesas numa espécie de versão real do popular jogo de computador “Campo Minado”. Reduzir o impacto económico das medidas de prevenção epidémica é o objectivo desta abordagem agora adoptada pelas autoridades. Praticamente vazias ao longo de um bloqueio de dois meses, que terminou no início deste mês, as ruas de Xangai, a “capital” económica da China, voltaram a ficar entupidas de automóveis nas últimas semanas. No entanto, quarteirões inteiros continuam a ser encerrados, sempre que é detectado um caso positivo, ou apenas um contacto próximo nas suas imediações. Os moradores continuam também a ser levados para instalações designadas pelo Governo, para cumprirem até três semanas de isolamento, caso habitem no mesmo prédio de alguém infectado. Para aceder a supermercados, restaurantes ou transportes públicos é necessário ter um teste negativo para o vírus, realizado nas 48 horas anteriores. Esta é a nova versão da estratégia de “zero casos” da China: bloqueios localizados, isolamento de infectados e contactos próximos, e testes em massa. Isto é possível devido à obrigatoriedade do uso de uma aplicação para aceder a locais públicos ou residenciais. O utilizador deve primeiro digitalizar o código QR, uma versão bidimensional do código de barras, colocado na entrada de todos os edifícios, assim como nos transportes públicos ou táxis. Sempre que um caso é diagnosticado, as autoridades acedem aos seus movimentos nos dias anteriores, identificando as pessoas com quem potencialmente teve contacto. A ida ao mesmo local onde esteve alguém que mais tarde testou positivo para o novo coronavírus resulta no isolamento num centro de quarentena. “É como jogar ao ‘Campo Minado’”, ironiza um europeu radicado em Pequim ouvido pela Lusa, numa referência ao jogo de computador “Minesweeper”, que se tornou popular nos anos 1990 devido à sua distribuição juntamente com o sistema operacional Microsoft Windows. A área de jogo consiste num campo de quadrados retangular. Cada quadrado pode ser revelado com um clique. Se o quadrado contiver uma mina, o jogador perde. A dobrar Foi o que aconteceu, por duas vezes, a um consultor português instalado em Pequim, que prefere não ser identificado. Na semana passada, o seu bairro foi bloqueado, pela segunda vez em menos de um mês, após alguns moradores terem sido considerados contactos directos de casos de covid-19 confirmados. O condomínio, situado na zona oeste de Pequim, é composto por 12 prédios e abriga mais de cinco mil pessoas. Vídeos partilhados com a agência Lusa mostram um grupo de moradores a pedir explicações às autoridades, que se limitaram a explicar que há muitos jovens no condomínio que frequentam um bar de Pequim associado ao mais recente surto na cidade, registado no início da semana passada. Centenas de casos foram vinculados ao bar Heaven Supermarket, próximo do Estádio dos Trabalhadores, onde está concentrada a vida nocturna na cidade, depois de uma pessoa infetada ter visitado o local. As autoridades locais tinham acabado de declarar o fim do último surto. Firmes e hirtos A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou já que a política de “zero casos” da China é “insustentável”, mas o país não dá sinais de desistência. Pelo contrário: as principais cidades chinesas estão a construir centenas de milhares de centros permanentes de testagem à doença covid-19 e a expandir as instalações de quarentena. As principais cidades chinesas devem agora ter locais de teste disponíveis a não mais de 15 minutos a pé das casas dos moradores, segundo as directrizes emitidas pelo Governo central. As 31 províncias e regiões do país também estão a seguir ordens de Pequim para preparar novos hospitais e instalações de quarentena, para o caso de ocorrer um surto de grandes dimensões, como aquele que atingiu Xangai. Yanzhong Huang, especialista em políticas de saúde pública do Conselho de Relações Externas, um centro de reflexão com sede em Nova Iorque, diz que as medidas demonstram o compromisso de Pequim com a estratégia de “zero casos”, “apesar do crescente custo social e económico associado a esta abordagem”. “O Governo acredita que pode superar o vírus”, aponta o especialista. “Mas sabemos que isto não é realista para a variante Ómicron. E, para uma variante ainda mais transmissível, isto tornar-se-á ainda menos viável”, conclui.
Estudo | Mangais diminuíram para um terço nos últimos 30 anos Hoje Macau - 23 Jun 202223 Jun 2022 DR Florestas de mangues que depuram água de Macau caem para um terço em três décadas. No que diz respeito à poluição marítima, Macau está entre territórios do mundo com maior índice de contaminação de plástico no oceano A extensão de florestas de mangues em Macau, que têm a capacidade de depurar as águas do território, foram reduzidas para um terço nas últimas três décadas, disse à Lusa uma investigadora universitária. “Havia 60 hectares nos anos 90 e agora são cerca de 19, mais centradas em partes da Taipa, Cotai e Coloane. Foram-se destruindo pela pressão da urbanização, mas há agora um esforço muito grande das autoridades para reflorestar estas zonas com a colaboração da Universidade de São José”, explicou a engenheira do ambiente Cristina Calheiros, docente da instituição. “A floresta de mangues é como uma estação de tratamento de águas natural, são ecossistemas habituados à salinidade e ajudam a depurar a água, a remover poluentes, metais pesados, servindo de apoio à descontaminação das águas”, contextualizou a académica, doutorada em biotecnologia. Cristina Calheiros frisou que os mangais são um contributo ambiental importante com benefícios que passam pela fitorremediação, por se tratarem de sequestradores de carbono e locais de nidificação, mas também a nível económico, porque estas florestas “são maternidades para peixes, caranguejos, bivalves e outros animais marinhos”. Ou seja, concluiu, “é um exemplo como Macau deve adoptar soluções baseadas na natureza”. Para além da conservação de zonas húmidas, das florestas de mangues, outras respostas devem ser dadas em Macau, sustentou, onde as autoridades podem liderar pelo exemplo. Soluções que passam também por acções até nos edifícios, como a criação de jardins verticais e coberturas ou telhados verdes, porque, salientou aquela que é também vice-presidente da Associação Nacional de Coberturas Verdes, “o que se fizer ao nível do edificado e em terra tem impacto directo no mar”, dando o exemplo a gestão e políticas relativas ao plástico, um dos grandes poluentes dos oceanos. O que vem de cima Macau, um dos territórios com maior densidade populacional a nível mundial, tem sido confrontado com “o tipo de pressões que se vê um pouco por todo o mundo”, de “crescente urbanização, impermeabilização da superfície, degradação das zonas costeiras, da qualidade do ar e da água, e de carência de espaços verdes”. Com o problema acrescido das alterações climáticas, as condições mais extremas e mais eventos de súbita precipitação, as escorrências urbanas que vão para o mar afectam a qualidade da água, sendo necessário investimento ao nível do saneamento e da drenagem, num território que tem igualmente de contar com o factor potenciador de poluição a partir de regiões vizinhas. A Universidade de São José tem também promovido acções de sensibilização/educação ambiental, para dar resposta à necessidade de envolver todos na mesma missão, em sintonia com a convicção de que é preciso ter “uma visão holística do problema”, insistiu. Afinal, concluiu, “é preciso apostar na literacia ambiental”. E “dar o exemplo”, acrescentou. Mar de plástico O director do Instituto de Ciência e Ambiente da Universidade de São José disse à Lusa que o território regista a nível mundial um dos maiores índices de contaminação de plástico no oceano e que este é um dos grandes desafios ambientais na região. David Gonçalves deu como exemplo o Rio das Pérolas, no sul da China, que está entre os dez que mais contribui ao nível da contaminação oceânica com plásticos, microplásticos e nanoplásticos. Macau, a oeste da foz do rio, que atravessa várias províncias chinesas, tem dados de “um estudo feito há já algum tempo que revela que os índices de contaminação nas praias e zonas costeiras, que afecta plantas e animais, são dos mais elevados do mundo”, explicou David Gonçalves. “Por um litro de areia, de sedimento, foram encontradas mais de duas mil partículas de microplástico, (…) o que se situa no extremo elevado do que é reportado na literatura, quando nos casos mais baixos se aponta para poucas dezenas ou menos até”, exemplificou o biólogo, especializado na área do comportamento animal e ciências ambientais. Agora, avançou, está a ser conduzido um estudo que envolve a instituição de Macau e a Universidade do Algarve, em parceria com o Instituto de Oceanologia da Academia Chinesa de Ciência dedicado à quantificação da poluição de nanoplásticos na água em sedimentos e organismos, que irá permitir fazer uma análise comparativa. “E Macau é um bom caso de estudo, neste caso mau, ao nível da contaminação de plástico em geral”, sendo que a investigação vai ser desafiante ao nível da técnica, baseada em análises físico-químicas que permitam a quantificação dos nanoplásticos, diferente daquela que permite obter os índices de contaminação dos microplásticos. Para além disso, explicou, “a investigação vai procurar perceber o impacto destas nanopartículas nas células, nos organismos, e de que forma podem causar interferência na fisiologia e comportamento normal dos animais”. Solução de aquacultura Também devido à sua localização geográfica, em Macau não faltam desafios ambientais: a resposta a uma gestão ineficiente dos resíduos sólidos é um deles. E qualquer acção nesta área deve passar por reduzir a proporção de resíduos sólidos e em melhorar a qualidade de gestão dos mesmos, sustentou o académico. Outro dos elementos de pressão para Macau, com impacto directo no mar, tem a ver com as alterações climáticas, frisou, associando as emissões de carbono na atmosfera, absorvido em parte pelo mar, cuja temperatura aumenta, enquanto, em sentido contrário, o oxigénio diminui, com impacto nas espécies marinhas. Um factor a ter em conta, sobretudo quando é associado à sobre-exploração de recursos, como a pesca, especialmente numa zona como aquela em que a região de Macau está inserida, “onde há fraca regulamentação”, salientou. Um sinal de esperança está no facto de se ter assistido recentemente à “transição das quantidades de captura no mar para a aquacultura “, até porque “a China é o produtor ‘número um’ de aquacultura”, lembrou, para concluir: “é um caminho que a meu ver tem de ser feito para aliviar a pressão”. Uma pressão que é visível na degradação dos ecossistemas costeiros. E que se traduz na degradação das florestas de mangais, ainda que se assista a uma recuperação nos últimos anos, mas ainda longe da cobertura anterior, notou. Também aqui, a integração na Grande Baía pode ser benéfica para o território, “desde que os planos de integração ambientais passem do papel à prática”, ressalvou. “Ao nível de Macau acho que temos feito relativamente pouco no sector energético e nos transportes, com a energia a ser praticamente toda importada – e de fontes maioritariamente de origem fóssil -, com Macau a registar um desempenho fraco, considerando até os objectivos da própria China de descarbonização”. Ou seja, Macau tem de fazer mais para se alinhar com esses objectivos”, concluiu.
Operadoras e associações saúdam aprovação da nova lei do jogo Hoje Macau - 23 Jun 2022 DR As concessionárias e uma subconcessionária de casinos em Macau consideraram a revisão da lei do jogo, aprovada na terça-feira, essencial para o desenvolvimento do território. A concessionária Sociedade de Jogos de Macau Resorts (SJM), fundada por Stanley Ho, afirmou confiar na “contínua futura presença em Macau” e estar a preparar a proposta para o novo concurso, uma vez que as actuais licenças de jogo terminam em 31 de Dezembro e o Governo quer avançar com um concurso público para atribuir novas concessões, de acordo com um comunicado. Também a concessionária Galaxy Entertainment Group (GEG) indicou, numa nota, que, “encorajada pela aprovação da proposta”, vai apoiar o Governo de Macau e o desenvolvimento sustentável da indústria do jogo, ao mesmo tempo que se prepara para “o concurso de atribuição de novas concessões”. A Melco Resorts, subconcessionária liderada por Lawrence Ho, filho de Stanley Ho, salientou, em comunicado, a importância o novo diploma que “promove a sustentabilidade e desenvolvimento saudável da indústria do jogo em Macau para benefício da comunidade” local. Na terça-feira, a concessionária Wynn e as subconcessionárias Sands China e MGM China tinham destacado o processo legislativo eficiente e bem-sucedido, ferramenta necessária para “o desenvolvimento saudável e sustentável” da indústria do jogo no território, de acordo com comunicados das três empresas enviados à Lusa. O jogo representa cerca de 80 por cento das receitas do Governo e 55,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) de Macau, numa indústria que dá trabalho a mais de 80 mil pessoas, ou seja, a 17,23 por cento da população empregada. Associações também aplaudem A aprovação da nova lei do jogo é vista com bons olhos por várias associações de Macau, que acreditam que o sector pode agora seguir o rumo certo em termos de desenvolvimento e exploração de mercado. No entanto, o futuro das salas VIP e a protecção do emprego dos funcionários dos casinos são temas que suscitam preocupação. Para o presidente da União Geral das Associações dos Moradores, Chan Ka Leong, a nova lei encoraja as operadoras a apostar no mercado de massas e a explorar novos clientes em mercados estrangeiros. Também o director do Centro Pedagógico e Científico nas Áreas do Jogo e do Turismo, Wang Chang bin, considerou que a alteração irá trazer um “desenvolvimento estável” ao sector. Contudo, alerta para o impacto “muito negativo” que a nova lei vai trazer às salas VIP. Por seu turno, Kou Ngon Fong, da Associação Choi In Tong Sam apontou que, apesar de a nova lei prever a defesa dos direitos laborais dos funcionários dos casinos, espera que sejam produzidos regulamentos complementares específicos para garantir o emprego e a ascensão profissional dos trabalhadores locais do sector.
Casinos | Concurso pode arrancar no fim de Julho ou Agosto, diz a JP Morgan Pedro Arede - 23 Jun 2022 DR Os analistas da JP Morgan acreditam que o concurso para atribuir novas licenças pode começar no final de Julho ou em Agosto, prevendo-se que os resultados sejam anunciados “no início de Novembro”. A corretora avança ainda que a SJM é a operadora de Macau que mais está a sofrer com as restrições anti-epidémicas e, sem receitas, terá liquidez financeira para sustentar operações até Março de 2023 O concurso público para a atribuição das novas licenças de jogo poderá arrancar já no final do próximo mês ou no decorrer de Agosto. A previsão foi avançada na terça-feira pela JP Morgan Securities (Asia Pacific) em comunicado, no seguimento de a nova lei do jogo ter sido aprovada pela Assembleia Legislativa. Além disso, citados pelo portal GGR Asia, os analistas DS Kim e Livy Lyu baseiam-se no primeiro concurso público de atribuição de licenças de jogo em Macau, para apontar o “início de Novembro” como data para o anúncio dos resultados da nova licitação. “A nova lei do jogo fornece agora uma base para o Governo [de Macau] preparar o concurso público para as próximas concessões de jogo (2023-2032)”, pode ler-se na nota citada pelo GGR Asia. “Lembramos que, no caso das concessões atribuídas há 20 anos, o concurso público teve início cerca de 40 dias após a aprovação da lei de jogo [original] e durou cerca de três meses. Com base nestes dados, esperamos que o concurso comece em Agosto, ou no final de Julho, e os resultados finais possam ser anunciados no início de Novembro”, acrescentam os analistas. Os especialistas avançam ainda esperar que “todas as seis concessionárias possam ver as suas licenças renovadas”, com aquilo que consideram ser uma “quantidade razoável” ou” modesta” de condições adicionais de investimento em actividades não relacionadas com o jogo. Recorde-se que, depois de estendidas além de 26 de Junho, as actuais licenças de jogo terminam a 31 de Dezembro. A nova lei do jogo aprovada na terça-feira, limita o prazo de concessão a dez anos, metade do actualmente vigente, a um total máximo de seis concessionarias de jogo e proíbe as subconcessões. O diploma estabelece ainda uma subida de 1,6 para 2 por cento do actual imposto sobre as receitas do jogo, entregue à Fundação Macau para fins culturais, educacionais, científicos, académicos e filantrópicos, bem como um aumento de 2,4 para 3 por cento do imposto destinado ao Fundo de Segurança Social de Macau e ao desenvolvimento urbano e turístico. O imposto directo sobre as receitas de jogo mantém-se nos 35 por cento. Sem espaço de manobra Numa outra nota divulgada no domingo, a JP Morgan volta a alertar para a situação financeira da SJM Holdings, apontando que a empresa que controla a concessionária Sociedade de Jogos de Macau é, entre as operadoras de jogo de Macau, a que mais está a sofrer com a implementação da estratégia “zero covid” no território. Nesse contexto, no comunicado citado pela edição online do Financial Times, é indicado que, num cenário de ausência total de receitas, a SJM teria apenas a liquidez financeira necessária para continuar as suas operações até Março de 2023, o período mais curto entre as concessionárias. Segundo os analistas, a SJM terá actualmente uma liquidez financeira de cerca 710 milhões de dólares americanos o que, estimando custos fixos mensais de 80 milhões, permitiria sustentar as operações por mais nove meses. Por seu turno, a JP Morgan estima que a liquidez financeira da Sands China seja de cerca de 1.6 mil milhões de dólares e que outras operadoras como a Wynn, MGM e Melco tenham liquidez financeira para suportar operações, sem qualquer receita, até meados de 2024.
Ella Lei quer mais apoios económicos face ao novo surto João Santos Filipe - 23 Jun 2022 Rómulo Santos A legisladora da Federação das Associações dos Operários de Macau defende que o Executivo tem de ajudar os trabalhadores em layoff e os desempregados com pelo menos um novo cheque de 10 mil patacas A deputada Ella Lei apelou ao Governo que para fazer face ao impacto económico do surto mais recente no território que lance urgentemente um subsídio para trabalhadores, profissionais e operadores de estabelecimentos comerciais. O pedido foi feito através de uma interpelação escrita, divulgada ontem, pelo escritório da legisladora. “A pandemia está entre nós, e está a afectar todos os aspectos das nossas vidas. Com a descoberta de mais casos confirmados na comunidade no dia 19 de Junho, e uma vez que a fonte da infecção ainda não é conhecida, muitos residentes têm de ficar de quarentena. E outros têm de evitar sair de casa”, começou por admitir a deputada. “No entanto, para fazer face às medidas de resposta aos casos comunitários, muitos negócios tiverem de suspender o seu funcionamento e os empregados ficaram sem trabalhar novamente”, alertou. Num cenário em que os rendimentos são cada vez mais reduzidos e em que as medidas do Governo de combate à pandemia impedem o funcionamento da economia, Ella Lei aponta que há que “aliviar o fardo carregado pelas empresas e residentes”. A deputada pede assim um novo “plano de apoio pecuniário aos trabalhadores, aos profissionais liberais e aos operadores de estabelecimentos comerciais”, ou seja, a medida de distribuição de 10 mil patacas a cada trabalhador, em 2020, e que no ano passado ofereceu 10 mil patacas às pessoas com um rendimento anual inferior a 144 mil patacas. “Devido ao impacto profundo da pandemia, muitas empresas e os rendimentos dos trabalhadores estão suspensos, além disso a duração da suspensão é incerta. Será que o Governo já ponderou em que moldes vai lançar o plano de apoio pecuniário aos trabalhadores, aos profissionais liberais e aos operadores de estabelecimentos comerciais”, perguntou. “E será que este ano pode baixar as exigências para a distribuição do apoio aos residentes, para incluir mais pessoas que foram obrigados a ficar de layoff, ou que viram os salários reduzidos?”, questionou. Desempregados crónicos Além da ajuda aos empregados em layoff, Ella Lei indica que há cerca de 2.500 pessoas desempregadas há mais de setes meses, apesar de procurarem activamente trabalho. A estes, juntam-se ainda 1.500 pessoas que estão no desemprego há mais de um ano. A legisladora quer saber se estas pessoas vão ter apoios especiais. “A pressão económica entre os desempregados e as famílias está a tornar-se enorme. Será que o Governo pode reforçar as medidas de apoio para estes desempregados?”, perguntou. “E em que moldes vão criar os novos apoios para estes grupos?”, questionou. Actualmente, quem estiver desempregado pode pedir um subsídio de 150 patacas por dia, com um limite máximo de 90 dias, o que resulta em 13.500 patacas. Recebido esse montante, tem de esperar até ao próximo ano para poder voltar a receber o subsídio.
CPSP | Idoso expulso de autocarro por não mostrar código de saúde Hoje Macau - 23 Jun 2022 Tiago Alcântara Um homem de 70 anos que se recusou a apresentar o código de saúde ao entrar num autocarro foi forçado a sair do veículo e levado para a esquadra por três agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). De acordo com uma nota oficial, o incidente aconteceu pelas 9h00 de ontem na paragem situada em frente do Edifício Riviera, na Avenida Almirante Sérgio. Após o homem se ter recusado a apresentar o código de saúde, o motorista decidiu chamar as autoridades. No entanto, “apesar dos repetidos conselhos e avisos dos agentes”, o homem recusou-se a cooperar, tendo sido levado à força para fora do autocarro. Segundo o CPSP, o código de saúde foi mais tarde confirmado ser de cor verde e o homem, que ficou em liberdade, “levou uma forte reprimenda por parte dos agentes”. Recorde-se que desde segunda-feira, a apresentação do código de saúde de cor verde passou a ser obrigatória para utilizar autocarros, táxis e o Metro Ligeiro.
Teste em massa | Governo anuncia nova que ronda começa esta manhã João Santos Filipe - 23 Jun 202223 Jun 2022 DR A partir das 9h de hoje, os residentes têm de realizar mais um teste de ácido nucleico. Ontem, os casos confirmados subiram para 71, com 11 ocorrências detectadas durante os testes de antigénio As autoridades anunciaram a realização de mais um teste em massa a toda a população, que começa esta manhã e se prolonga até à meia-noite do dia 25, ou seja, depois das 23h59 de amanhã. O anúncio foi feito na tarde de ontem, na habitual conferência sobre a evolução da pandemia e, até ao fecho desta edição do HM, existiam 71 casos confirmados. Entre os casos identificados ontem, alguns foram detectados durante a realização dos testes antigénio, ou seja, os testes rápidos. Segundo Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde, até às 16h, cerca de 373 mil pessoas tinham feito o teste e declarado os resultados. Entre estas, houve 31 declarações com resultados positivos, mas apenas 11 casos foram confirmados. Isto porque 18 se enganaram a declarar o resultado, e dois infectados fizeram uma declaração positiva que foi contabilizada duas vezes. “Vamos iniciar uma ronda de testes em massa no dia 23 de Junho, que começa às 9h e que vai durar até à meia-noite de 25 de Junho, o que significa que vai ter a duração de 39 horas”, anunciou Alvis Lo. “Vamos tentar que até às 9h de sábado tenhamos todos os resultados”, acrescentou. A necessidade de realizar mais de dois testes por semana, quando também contabilizado o teste rápido caseiro, foi justificada como um “contra-relógio” das autoridades. Segundo esta explicação, quanto mais testes forem feitos, maior a probabilidade de se detectarem os casos na comunidade. Além disso, explicou o director dos Serviços de Saúde, o teste rápido evita que pessoas contaminadas circulem pelas ruas. O novo teste foi anunciado numa altura em que ainda decorria a realização de um outro teste para a população da “zona alvo”, ou seja, os habitantes do interior da zona delineada pelas artérias: Avenida Horta e Costa, Rua do Almirante Costa Cabral, Estrada do Repouso e Avenida do Almirante Lacerda. Para estas, o teste de ácido nucleico de ontem não foi cancelado. Porém, os Serviços de Saúde solicitaram que apenas agendem o novo teste para sexta-feira. Seguem-se rápidos Com a realização do teste em massa, vão ser distribuídos mais dois kits de testes rápidos, para serem utilizados mais tarde. Outra novidade para a segunda ronda de testes em massa deste mês, passa pelo facto de os postos onde se pagava, como acontecia, por exemplo, no Hotel Grande Lisboa, passarem a estar disponíveis testes de forma gratuita. Também ontem, foi anunciado que o Hotel England Marina Club, perto do hotel Pousada Marina Infante, no Cotai, vai começar a ser utilizado para quarentena. Até ontem, havia 2.246 pessoas nos hotéis designados em observação. A administração do Hotel Lisboeta anunciou igualmente que o espaço também vai passar a ser utilizado para a realização de quarentena. Mais longe, está a utilização do Hospital de Campanha, na Nave dos Jogos da Ásia Oriental. Segundo Alvis Lo, o hospital temporário está preparado para receber casos graves da doença, e vai continuar a ser essa a sua finalidade. Jantar da preocupação Outra das informações do dia de ontem, foi o apelo geral das autoridades para que quem participou num jantar de casamento, no dia 18 de Junho, no Hotel Grand Lisboa Palace, entre em contacto com os Serviços de Saúde. O evento tem estado rodeado de polémica, uma vez que a informação disponibilizada pelas autoridades tem sido escassa, o que contrasta com a informação apresentada sobre os trabalhadores não-residentes do Myanmar. Há três dias, foi mesmo colocada a pergunta sobre se a informação estava a ser guardada por ter participado no jantar um ou mais membros do Governo. A ideia foi recusada por Leong Iek Hou, que afirmou não olhar a nomes. Contudo, ontem surgiu um apelo para que todos os convidados do evento se identificassem. O jantar é encarado como um “veículo de transmissão”, conta com quatro casos positivos, espalhados por mais de uma mesa. Além disso, o Governo não consegue aceder à lista de todos os convidados, porque não há registo, e não se conhece o número total de participantes. A possibilidade de o banquete ter ultrapassado o limite de 400 pessoas, contando com os trabalhadores a prestarem serviço, também não foi afastada, o que implicaria uma violação das medidas de prevenção pandémica. Se o limite fosse ultrapassado, era exigido aos participantes que apresentassem um teste de ácido nucleico com resultado negativo para poderem entrar no evento. Fim do ano lectivo Devido ao surto mais recente e à impossibilidade de realização aulas presenciais, a Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude anunciou o fim antecipado do ano lectivo. Segundo o representante da DSEDJ, Kong Chi Meng, as escolas do ensino não-superior têm elementos suficientes para fazer a avaliação dos alunos e terminar o ano lectivo, sem necessidade de recorrerem a um exame final. Ainda de acordo com o responsável a decisão foi tomada depois de ouvir as escolas. Covid-19 | Mulher queixa-se de longa espera até isolamento Uma mulher, cujo teste está integrado no conjunto das amostras com resultados preliminares positivos, queixou-se num grupo na rede social Facebook de um longo período de espera até chegar ao hotel para cumprir uma quarentena de dez dias. Esta residente descreve que, na noite de terça-feira, as autoridades informaram-na de que seria transferida de casa para o Centro Hospitalar Conde de São Januário para a realização da quarentena. No entanto, esperou toda a noite, desde as 2h da manhã, por um autocarro, que só chegaria às 9h desta quarta-feira. A residente descreve também que, no hospital, havia um grande aglomerado de pessoas que esperavam há mais de dez horas pelo transporte para o hotel, além de que o local não era suficientemente arejado. A publicação no Facebook, que é acompanhada por um vídeo, pede que as autoridades revejam a forma como estão a transportar pessoas para quarentena, alertando ainda para o risco, em matéria de saúde pública, de reunir muita gente num só espaço sem suficiente circulação de ar.
Covid-19 | Novas restrições preocupam hotéis, restaurantes e sector das convenções Hoje Macau - 23 Jun 202223 Jun 2022 DR Associações ligadas ao turismo temem que o novo surto possa piorar ainda mais a frágil situação de Macau. Sector hoteleiro diz que as novas restrições vão deitar por terra a recuperação que se esperava no Verão. Chan Chak Mo espera mais apoios para a restauração e uma análise ampla das autoridades. O sector das convenções espera que o Governo siga os exemplos de Singapura e Tailândia e abra fronteiras, mediante condições Na sequência do novo surto de covid-19 detectado em Macau, associações ligadas ao turismo temem que as restrições impostas pelas autoridades, venham a agravar a situação já de si precária do sector. “Penso que os turistas do interior da China começaram a perder a confiança em termos de quando podem vir a Macau, porque estão preocupados, claramente, em ficar aqui presos”, disse à Lusa o vice-presidente da Associação de Hotéis de Macau, Rutger Verschuren. Recorde-se que na madrugada de domingo, as autoridades decretaram o estado de prevenção imediata, depois de terem sido detectados 12 casos de covid-19, tendo sido decidida a realização de uma testagem geral da população num período de 48 horas, medida que vai ser repetida hoje e amanhã. Além de aplicarem medidas de isolamento em várias zonas da cidade, as autoridades avançaram com novas restrições à entrada de turistas do Interior da China. Aqueles que atravessam as fronteiras têm de apresentar agora um certificado de teste de ácido nucleico com resultado negativo feito nas 48 horas anteriores, em vez de num período de sete dias. A Associação de Hotéis de Macau, que representa 59 estabelecimentos da região, de quatro e cinco estrelas, admitiu que, por questões de saúde pública, apoia a política de prevenção do Governo. Já no que diz respeito ao negócio, o organismo considerou que as medidas “extremamente stressantes” vieram deitar por terra os planos de recuperação para o Verão. “Perante a situação actual, podemos dizer adeus a Junho e pelo menos a metade de Julho, mas temos alguma esperança em Agosto”, notou Vershuren, apontando que “com um surto destes leva, pelo menos, dois meses para [o sector começar a] recuperar”. A pão e água Também o presidente da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restaurantes e Bebidas de Macau, Chan Chak Mo, notou que o mais recente surto e programa de resposta das autoridades “vão ter um impacto imediato” no negócio. “Mas depende de como o Governo consegue controlar a transmissão do vírus. Se tudo correr bem, prevejo que para a semana volte tudo ao normal”, disse Chan Chak Mo, realçando esperar que as autoridades criem, “mais tarde, se possível, um plano de auxílio económico”. De referir que, na sequência do mais recente surto, Governo anunciou no domingo sete medidas de apoio a empresas e residentes de Macau, no valor total de dez mil milhões de patacas, sustentadas pela reserva financeira, que vão desde benefícios fiscais a uma moratória por um ano do pagamento de empréstimos bonificados. “Para já, são boas medidas, mas tudo depende do avançar da pandemia. Se persistir e [os turistas] não puderem entrar em Macau, isso pode indicar um problema iminente e recorrente e penso que o Governo deve olhar para a situação”, constatou o também deputado da Assembleia Legislativa. Pouco convencionais Synthia Chan, representante da área das convenções e exposições (MICE, na sigla inglesa), um sector “continuamente afectado” pela pandemia, mostrou-se mais céptica quanto ao apoio económico anunciado pelo Executivo. “Não ajuda a indústria, pelo que entendi”, salientou a presidente da Associação de Comércio e Exposições de Macau. “O sector MICE depende muito dos turistas da China ou de fora para que os eventos tenham sucesso”, disse, frisando que “Macau é um destino muito turístico” e os viajantes MICE são “o topo dos turistas” e aqueles “que estão dispostos a gastar dinheiro”. “Este surto agora, com as restrições fronteiriças – que nós entendemos – não vão possibilitar a recuperação da economia”, completou. As medidas de restrição e controlo contra a covid-19 levaram Macau, que em 2019 contabilizou quase 40 milhões de visitantes, a fechar a fronteira a estrangeiros e a impor uma quarentena obrigatória a quem chega de fora, à excepção do Interior da China. Só no mês passado, o número de visitantes caiu 30,6 por cento em termos anuais, de acordo com dados divulgados na segunda-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Para fazer frente à baixa turística, aponta o vice-presidente da Associação de Hotéis de Macau, várias unidades hoteleiras têm “criado programas para reduzir custos e obter receitas”. “Muitos trabalhadores viajam entre Zhuhai [cidade fronteiriça] e Macau, e não o podendo fazer, têm de ficar em algum lado. Como não têm um apartamento, podem reservar um hotel, mas claro, [agora] não podem utilizar as instalações, porque não está nada aberto”, notou. No que diz respeito aos próximos passos, Synthia Chan sugeriu que Macau observe as regiões vizinhas e “entenda como se adaptar” a esta nova realidade. “Em Singapura ou na Tailândia, eles abriram [as fronteiras], mas com requisitos de entrada: precisa-se de pelo menos duas vacinas à covid-19 e testes feitos 24 ou 48 horas antes. Lembro-me de ir a uma exposição na China e antes de entrar no evento tive de fazer um teste no local”, contou.
Orçamento | Quase menos 2 mil milhões em apoios até Abril Hoje Macau - 23 Jun 2022 DR Até ao final de Abril, o Governo gastou menos 1,83 mil milhões de patacas em “transferências, apoios e abonos” em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com a Execução Orçamental. Segundo os dados disponíveis no portal da Direcção de Serviços de Finanças, no ano passado, até ao final de Abril, a despesa com “transferências, apoios e abonos” tinha sido de 17,61 mil milhões de patacas. No entanto, até ao final de Abril do corrente ano, o valor não foi além dos 15,78 mil milhões de patacas, o que representa uma diminuição de 1,83 mil milhões de patacas, ou seja, 10,4 por cento. O valor gasto em “transferências, apoios e abonos” representa uma taxa de execução de 28,2 por cento do montante orçamentado até ao mês de Abril para esta rubrica, que é de 55,96 mil milhões de patacas. O valor relatado ainda não tem em conta o valor distribuído com o cheque pecuniário que só deve ser contabilizado nos próximos meses. Apesar do corte de quase 2 mil milhões de patacas, numa altura em que a economia atravessa um período mais complicado do que no ano passado, e com um novo surto, os apoios são muito superiores aos montantes de 2019, antes do surgimento da pandemia. Em 2019, quando Fernando Chui Sai On ainda era o Chefe do Executivo, o Governo tinha gasto 9,43 mil milhões de patacas em “transferências, apoios e abonos”, o que significa uma diferença de 6,35 mil milhões de patacas face aos valores deste ano.
Aviação | Air Macau com prejuízo de 771 milhões Pedro Arede - 23 Jun 2022 DR A Air Macau registou receitas operacionais de 1.203 milhões de patacas em 2021, uma subida de 42 por cento em comparação com o ano anterior, registando-se um prejuízo líquido de 771 milhões de patacas. De acordo com os resultados da companhia, divulgados ontem em Boletim Oficial (BO), o registo traduz uma redução de 269 milhões de patacas em termos de prejuízos, relativamente a 2020. “Em 2021, a situação da covid-19 manteve-se inconstante, mas melhorou em comparação com 2020”, pode ler-se no relatório. “Este foi o resultado principal da recuperação do mercado turístico de Macau, do reforço da gestão em eficiência de voo e controlo de custos da Companhia”, é acrescentado. A Air Macau revela ainda que, em 2021, registou um total de 23.264 horas de “voo seguro”, um aumento de 41 por cento em relação a 2020, “sem sinais de acidente de transporte aéreo nem erros graves”. A companhia dá também nota de que no ano passado “abraçou activamente a procura doméstica”, tendo sido adicionadas duas novas rotas para Yiwu e Nantong. Além disso, a Air Macau revelou que a idade média de toda a frota “foi reduzida de 6,52 anos no final de 2020 para 5,54 anos no final de 2021”.
Covid-19 | Casos positivos passam a 65. Um total de 41 são assintomáticos Andreia Sofia Silva - 22 Jun 2022 DR Concluída a testagem em massa à população esta terça-feira, os dados divulgados esta manhã revelam que o número de casos positivos passam de 49 a 65, estando confirmados 24. Um total de 41 casos são assintomáticos. Os dados divulgados pelo Centro de Coordenação e de Contingência do novo tipo de coronavírus mostram ainda que há 45 mulheres a testar positivo contra 20 homens, sendo que o paciente mais novo tem apenas oito meses e o mais velho tem 89 anos. As autoridades estão a fazer o acompanhamento de 2.965 pessoas, sendo que 437 são consideradas de contacto próximo com casos positivos, enquanto que 1.655 fizeram o mesmo itinerário. Há ainda 261 pessoas que são contactos próximos por via secundária e 61 contactos gerais. Há 486 pessoas classificadas como acompanhantes. Recorde-se que as autoridades aconselham a população a realizar hoje um auto-teste, cujos dados devem ser inseridos nesta plataforma: https://eservice.ssm.gov.mo/generalrat. Além disso, quem vive nas zonas da Avenida de Horta e Costa, Rua do Almirante Costa Cabral; Estrada do Repouso e Avenida do Almirante Lacerda terá de fazer novamente um teste de ácido nucleico hoje.
Celebrações do 24 de Junho adiadas Andreia Sofia Silva - 22 Jun 202222 Jun 2022 DR As comemorações do quarto centenário da Batalha de Macau contra a invasão dos holandeses e o Dia de S. João, que deveriam arrancar amanhã, serão adiadas sem que haja uma nova data prevista para a sua realização. A garantia foi dada por fonte próxima do Instituto Internacional de Macau (IIM) ao HM. Para amanhã, estava agendada uma sessão na Fundação Rui Cunha (FRC) com a presença da historiadora Beatriz Basto da Silva, numa parceria com a Associação dos Antigos Alunos da Escola Comercial. Este evento foi adiado para Julho, confirmou o HM junto da FRC. A missa de Acção de Graças, salvo informação em contrário, deverá acontecer sexta-feira, às 18h, contando com a actuação do Coro de São Tomás, em colaboração com a Associação dos Antigos Alunos do Seminário de S. José de Macau. Para sábado, 25, o IIM iria acolher uma sessão, entretanto, também adiadas, onde se falaria sobre a importância de recordar o 24 de Junho, acompanhada de um sarau musical com o grupo “Macau no Coração”, que iria apresentar danças folclóricas portuguesas, canções em patuá com Gabriel e John Ho e ainda uma actuação de Giulio Acconci. Até final do ano O programa das celebrações, que conta com a participação de diversas associações ligadas à comunidade macaense e que tem o patrocínio da Fundação Macau, decorre até ao final do ano. Para o dia 3 de Julho, irá decorrer a palestra com Flora Chan, da Associação Diocesana das Artes Performativas e Culturais de Macau, sobre “A importância do Dia de São João Baptista em Macau e a vitória de Macau contra a tentativa de invasão dos holandeses”. Esta sessão, que não está, para já, adiadas, decorre apenas em chinês, no Centro de Cultura e Artes Performativas Cardeal Newman de Macau. Até ao final do ano serão realizadas palestras junto de escolas secundárias e universidades sobre o significado do dia de S. João de Macau.
O orgulho é a solução Tânia dos Santos - 22 Jun 2022 DR Nas primeiras horas de 28 de Junho de 1969 em Greenwich Village, na cidade de Nova Iorque, a polícia fez uma incursão ao bar gay Stonewall Inn. A polícia, ao contrário de outras vezes, encontrou resistência. Esta durou vários dias. O bairro mais gay da cidade de Nova Iorque estava farto que os tentassem invisibilizar. Os seus moradores não aceitavam as incursões de uma suposta polícia ‘da moralidade’ ou que lhes dissessem que não podiam ser como se sentiam ser. A série de eventos desse dia ajudou a impulsionar a luta dos direitos LGBTQI+ como a conhecemos hoje. No primeiro aniversário dos eventos de Stonewall em 1970 protagonizou-se uma marcha em várias cidades dos Estados Unidos, que em 1972 foi transportada para Londres. Anos mais tarde estenderam esta causa a todo o mês de Junho. Junho dedica-se ao tema do orgulho, dos direitos e das constantes lutas da comunidade LGBTQI+. É celebrado em tantos pontos do globo que nem eu, nem a internet, conseguimos precisar quantos. Tive a sorte de estar em Nova Iorque neste mês tão especial para a cidade – ainda que desolada por não ficar para a marcha. As conquistas eram visíveis. Por entre algumas casas de banho que não tinham uma categorização binária de género para maior inclusão, e por entre tantas pessoas que se sentiam verdadeiramente à vontade de serem elas próprias, vi bandeiras de orgulho LGBTQI+ por todo lado, na loja de instrumentos musicais e na loja de donuts. Também as vi pespegadas nas fachadas de igrejas de várias congregações, que tanto me surpreendeu. Poucos dias de observação fizeram-me crer que a aceitação, ali, podia ser sustentada e partilhada. Não me senti testemunha de ‘tolerância’ como muitos acreditam ser a única solução. Pareceu-me testemunhar a solidariedade que só pode vir do reconhecimento que a diversidade sexual e de género são parte integral da experiência humana. Neste caso, e não esquecendo esta particularidade, reconhecendo também que faz parte da história e experiência daquela cidade. Claro que também vi muitas empresas a apoiar a causa, desde a Google, à Starbucks ou a Levi’s. A bandeira do orgulho estava por todo o lado ainda que as políticas empresariais de certas marcas não reflictam os valores ou as preocupações do mês. Se tive a oportunidade de ver igrejas católicas a apoiar a causa, também pude testemunhar o mês de orgulho como parte de um repertório mercantil, circunscrito no tempo. Afinal, onde está a representatividade no resto do ano, nas empresas e nos seus anúncios? Há mais de 50 anos que o orgulho continua a importar. Estamos muito longe de conseguir criar sociedades que consigam resolver a violência sistémica e sucessiva pela qual a comunidade LGBTQI+ ainda passa. Uma em cada cinco pessoas transgénero já se viu sem abrigo nos Estados Unidos. A taxa de suicídio na comunidade LGBTQI+ é três vezes maior à dos heterossexuais. São muitos os dados que confirmam que é preciso marchar nas ruas e revindicar o direito de se estar alinhado com a natureza, desejo e fantasias de cada um. Mas ainda assim, em Nova Iorque há liberdade. Pelos corpos e vozes dos dissidentes que que se revoltaram contra a opressão numa madrugada de Junho de 1969, e de tudo o que veio a seguir, ganhou-se espaço e visibilidade. A história revela-se bem mais complexa e longa, mas na sua génese e sustento está o orgulho, que desafiando tudo e todos, consegue mudar pequenos mundos.