Turismo | Deputado pede maior supervisão face a escalada de preços

Com o fim da política de zero casos de covid-19 no Interior e a celebração do Ano Novo Lunar, os preços dos hotéis dispararam. No entanto, o deputado Leong Sun Iok está preocupado e avisa que preços irrazoáveis podem afastar os turistas de Macau

 

O deputado Leong Sun Iok está preocupado com a escalada “violenta” dos preços dos quartos de hotel, principalmente durante o período do Ano Novo Lunar. A questão foi mesmo alvo de uma interpelação escrita, em que o legislador pede ao Governo que tome medidas para proteger os consumidores.

De acordo com o documento escrito, com os preços por quarto a dispararem para valores que ultrapassaram a cifra das 10 mil patacas, o deputado defendeu a necessidade de serem tomadas medidas e contactou a Direcção de Serviços de Turismo (DST).

Segundo as inspecções feitas pela DST, e mencionadas por Leong, o Governo concluiu que os grandes aumentos se ficaram a dever, principalmente, aos portais online que permitem fazer as reservas de quartos.

Porém, o legislador quer saber o que se pode fazer, para evitar estas situações. “Para prevenir que os preços sejam extremamente caros, como é que as autoridades vão intensificar as inspecções, sobretudo para incentivarem os hotéis a prestarem mais atenção aos preços de quartos apresentados nas plataformas online para reservar hotel […] com o objectivo de evitar a prática de preços abusivos?”, questiona.

Outras dúvidas

Leong Sun Iok salientou igualmente que a situação pode prejudicar a imagem de Macau, fazendo com que os turistas não queiram vir para o território, o que é visto como muito prejudicial, principalmente quando se “está numa fase de recuperação económica”.

As conclusões apresentadas pela DST, que atirou responsabilidades pelo aumento dos preços para as plataformas de reservas online, também não convenceram o deputado da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

Outro dos assuntos abordados tem que ver com os portais da DST, do sector do turismo e com a apresentação de preços de referências para os turistas. Sobre este aspecto, Leong apontou que os preços apresentados não são muito diferentes daqueles que constam nas plataformas online, pelo que alertou que esta pode ser uma referência enganadora.

Neste sentido, Leong Sun Iok quer saber que medidas vão ser tomadas pelo Governo, para garantir que as informações são mais aproximadas da realidade.

Myanmar | Produção de ópio aumenta quase 90% em 2022

A produção de ópio em Myanmar (antiga Birmânia) cresceu 88 por cento em 2022, um aumento recorde explicado pela crise económica desde o golpe de Estado da junta militar em 2021, segundo um relatório das Nações Unidas.

Os autores do estudo divulgado ontem estimam que a produção de ópio atingiu 790 toneladas no ano passado, contra as 420 toneladas de 2021 e quase o dobro da produção em 2020, quando atingiu o valor mais baixo desde que os relatórios começaram a ser realizados, com apenas 400 toneladas.

“Agricultores em áreas remotas e propensas ao conflito tiveram pouca escolha senão voltar ao ópio. (…) Os agricultores vêem o ópio como uma garantia de rendimento sobre outras culturas”, disse Jeremy Douglas, representante do Sudeste Asiático e do Pacífico do Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime, durante uma apresentação em Banguecoque, na Tailândia.

“O ópio representa uma oportunidade de emprego”, acrescentou Douglas, que associou o aumento da produção à queda do investimento estrangeiro desde o golpe de Estado e à crise económica, reforçada pela pandemia de covid-19 e pela elevada inflação no país.

Os esforços para erradicar as plantações também parecem ter diminuído, com as autoridades a eliminarem menos 70 por cento a colheita do que no ano anterior. Douglas reconheceu que a corrupção das autoridades “aumenta as rodas do comércio do ópio”, mas evitou críticas directas à junta militar, dizendo que o comércio ocorre em territórios controlados pela junta ou por diferentes grupos étnicos e que “todos ganham dinheiro” com o negócio.

O representante da ONU indicou que estes dados são preocupantes para a região porque significam um aumento na oferta de heroína. “Se a tendência continuar, terá um impacto significativo nas sociedades”, alertou.

Assinada parceria com Angola na área das startups

A plataforma de empreendedorismo 928 Challenge, que todos os anos organiza uma competição entre startups e empresas da China, Macau e países lusófonos, co-gerida por Marco Duarte Rizzolio, acaba de assinar um acordo de cooperação com o Angola Innovation Summit, tido como o maior evento cem por cento digital sobre inovação e tecnologia no universo dos países de língua portuguesa.

Citado por um comunicado, Marco Duarte Rizzolio disse que “é com grande satisfação” que assinou este acordo. “Uma das principais missões do ‘928 Challenge’ é incentivar o desenvolvimento de startups lusófonas não apenas com Portugal e o Brasil, mas também com países africanos de língua portuguesa. Não podemos esquecer que dois terços dos países lusófonos estão em África”, explicou.

Com este acordo, Marco Duarte Rizzolio espera “trazer mais visibilidade para o mundo das startups lusófonas como um todo e fazer uma maior conexão com a China, que representa o segundo mercado de capital de risco do mundo, depois dos EUA”.

Marco Duarte Rizzolio recorda que, na área empresarial, “enquanto o financiamento de capital de risco caiu 35 por cento globalmente em 2022, o financiamento para o sector africano cresceu oito por cento”. “Apesar do aumento no financiamento de capital de risco em África, os países africanos de língua portuguesa estão ainda muito atrás dos mercados anglófonos, como o Quénia, África do Sul e Nigéria. No entanto, isto não acontece por falta de qualidade, mas pelo facto de os investidores que promovem mais desenvolvimento serem principalmente falantes de inglês, baseados no Reino Unido ou EUA”, explicou.

Objectivos comuns

Dentro deste acordo com o Angola Innovation Summit, está ainda contemplado o “Innovation Awards” [Prémios de Inovação], lançado no ano passado e que visa “reconhecer e distinguir, em seis categorias, as mais brilhantes iniciativas promovidas com recurso à inovação e à tecnologia por organizações e startups que operam na região dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), e que contribuem para o desenvolvimento económico e social, bem como para a modernização do mercado”

José Bucassa, dirigente da Angola Innovation Summit, disse que o acordo feito com a plataforma 928 Challenge “permite obter sinergias, pois ambas as iniciativas têm o mesmo objectivo, que é promover os ecossistemas de empreendedorismo e startups da lusofonia, particularmente a lusofonia africana”.

Com esta parceria, as startups angolanas vencedoras dos Prémios de Inovação terão a oportunidade de uma entrada directa para o grupo de oito equipas do “928 Challenge”. Esta é, portanto, “uma oportunidade para que as startups angolanas estejam expostas e mais próximas dos outros mercados, nos quais podem identificar e estabelecer parcerias e, quiçá, captar investimentos”.

É obra!

AGORA que o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros revelou a sua ternura pelos beligerantes ucranianos e até acha muito boa a generosa política de beneficência da NATO na guerra da Ucrânia, mesmo que isso resulte em mais tempo para morrerem ucranianos, russos e outros infelizes de duvidosa proveniência (mercenários internacionais, polacos e letões com dupla nacionalidade arranjada à pressa), a CNN, que nem sequer esconde as suas simpatias e as dos seus donos por Zelensky, atreve-se a informar que João Gomes Cravinho participa no capital de uma empresa imobiliária juntamente com um sócio condenado por fraude fiscal. Francamente…

A empresa em causa, de nome Eurolocarno, tem como sócio um tal Marcos Lagoa, condenado no processo que lesou os CTT, através da venda de imóveis e já teve também como sócio António Barão, que participou num negócio que lesou o Novo Banco em 270 de euros, deixando-nos a nós a pagar.

Eu acredito piamente na sinceridade do ministro quando revelou à CNN que não tinha conhecimento dos problemas judiciais dos sócios. Então não é comovente a candura de uma alma que entra numa sociedade empresarial com tão notórios desconhecidos? Então isto não é tudo boa gente?

E não bastava sabermos que o ministro João Gomes Cravinho, enquanto pôde, fingiu não saber que a derrapagem do Hospital Militar de Belém triplicou os custos, quando ele era ministro da Defesa? Despesa que foi orçamentada, recorde-se, como de 750 mil euros e passou rapidamente para mais de 3 milhões. Que nós todos tivemos de pagar, como não podia deixar de ser, até porque num estado de direito é assim mesmo que se procede.

E não temos de lhe agradecer a sua imensa e magnânima influência nas decisões estratégicas da NATO que, sentindo que a credibilidade da Aliança Atlântica estava a entrar em défice, ordenou a Zelensky uma lavagem profunda na sujeira governamental de Kiev, dadas as personalidades que rodeiam o excelso Presidente?
Vejamos os primeiros resultados:

Em menos de 24 horas, segundo o britânico “The Guardian”, “contabilizam-se já 11 saídas do poder em Kiev. E nos últimos 4 dias, são já 12. A lista prossegue com a demissão de 5 governadores regionais: Valentina Reznichenko, da região de Dnipropetrovsk, Oleksandra Starukha, da região de Zaporíjia, Oleksiy Kuleba, governador de Kiev, Dymtro Zhivytskyi, da região de Sumy, e, por fim, Yaroslav Yanushevich, governador da região de Kherson. Por fim, para já, Oleg Nemchinov, secretário do gabinete da presidência, confirmou também a saída de Vitaliy Muzychenko, vice-ministro da Política Social.”

Vyacheslav Negoda, ministro-adjunto do Desenvolvimento dos Territórios da Ucrânia, demitiu-se do cargo. Também Ivan Lukerya, ministro-adjunto das Comunidades, assim como o ministro adjunto da Defesa, Vyacheslav Shapovalov, apresentaram a demissão. O procurador-geral-adjunto da Ucrânia, Oleksiy Symonenko, foi ontem corrido do cargo, durante uma reunião de altos funcionários.

Então, não seria de ter mais compreensão pelo nosso ministro dos Negócios Estrangeiros, pelo nosso Primeiro-Ministro e pelo nosso Presidente da República?

À tarde

ATÉ no Vaticano a guerra está muito acesa, embora se desenrole sobre as alcatifas e à meia luz na Cúria, ora rastejando, ora trepando pelas paredes carregadas de santos e beatificados, clérigos e não tonsurados.

Ao que consta, uma carta com remetente do Vaticano deixou os bispos alemães em estado de choque e de candeias à avessas com o Papa Francisco e a sua governança da Igreja Católica, porque se diz na incendiária missiva que os bispos germânicos não podem de maneira alguma criar um órgão de governo independente para gerir a igreja no seu país.

Tal órgão foi aprovado em Setembro, em Frankfurt, por bispos e leigos seus cúmplices, no sentido se superar “a estrutura rígida, fechada, opaca que terá contribuído para manter impunes, durante muitos anos, os casos de abusos sexuais no seu interior”. Muitos dos quais, ao que também constava, eram virilmente praticados por clérigos alemães.

“Desejamos deixar claro que nem o caminho sinodal, nem nenhum organismo por ele estabelecido, nem nenhuma conferência episcopal tem competências para estabelecer um conselho sinodal a nível nacional, diocesano ou paroquial”, diz a tal carta datada de 16 de Janeiro.

Quem fala assim não é gago. O Papa Francisco, que está perfeitamente de acordo, vem a Lisboa encontrar-se com a juventude mundial e já prometeu resignar a seguir. Encontra-se em adiantado estado de preparação um palco à beira do Trancão que vai custar mais de 6 milhões de euros. É obra!

Viva a comissão fabriqueira!

No final, os custos da vinda do Papa a Lisboa poderão ultrapassar os 80 milhões. Para isso e muito mais é que existem os contribuintes e os impostos, graças a Deus.
Viva a Pátria que é uma nação valente!
Vivam os heróis do mar e o nobre povo!

Hold On to Hope | Fotografias de Gonçalo Lobo Pinheiro expostas de 5 a 26 de Fevereiro

Mostrar a Macau antiga, mesclada com lugares do presente, é o mote da mostra de fotografia “O que foi não volta a ser”, do fotojornalista Gonçalo Lobo Pinheiro. Depois da exposição inaugural na Fundação Rui Cunha, as imagens regressam à galeria Hold On to Hope, na antiga leprosaria de Ka-Hó a convite da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau

 

“O que foi não volta a ser…”, exposição de fotografia de Gonçalo Lobo Pinheiro, poderá ser vista novamente na galeria Hold On to Hope, nas casas amarelas da antiga leprosaria de Ka-Hó, a convite da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM), entre os dias 5 e 26 de Fevereiro. A inauguração acontece dia 5 de Fevereiro às 16h. De frisar que 50 por cento da venda das fotografias reverte para a ARTM.

Esta exposição resulta de um trabalho desenvolvido pelo jornalista e fotojornalista durante mais de um ano, em que se estabelece um contraste entre o passado de várias zonas icónicas de Macau e o presente. Em cada imagem, surge uma fotografia antiga da mesma zona fotografada, podendo ver-se as alterações que o tempo e as transformações sócio-económicas ocorridas no território provocaram em cada local. Além da mostra, foi também editado um livro com o mesmo nome.

O autor pretende, com este projecto mostrar as mudanças sofridas por Macau nos últimos 50 anos. Esta exposição, conforme disse Gonçalo Lobo Pinheiro, aquando da primeira inauguração na Fundação Rui Cunha, no final do ano passado, representa “um encontro entre o passado e o presente”.

Sobre o regresso da mostra, Gonçalo Lobo Pinheiro disse ao HM que sempre teve o objectivo de tornar esta exposição itinerante, além de abraçar um projecto solidário.

“Não vai ser possível colocar toda a exposição em Ka-Hó porque as molduras são muito grandes, mas uma grande parte estará exposta. É com muito orgulho que, uma vez mais, me junto à ARTM com um carácter solidário. O meu livro também estará à venda no local.” O fotojornalista adiantou ainda que está na fase de negociação para levar a mostra a Hong Kong e Portugal.

Uma adaptação

“A ideia, que não é pioneira no mundo, acaba por ser em Macau. E o entusiasmo começou por aí. Durante pouco mais de um ano fui recolhendo imagens antigas do território, captadas entre os anos de 1930 e 1990, a preto e branco, com diferentes formatos. Adquiri em leilões, na Internet, a particulares, em lojas e até em Portugal”, explicou.

O fotojornalista diz ter sido “ambicioso nos primeiros meses de execução do projecto”. “Idealizei um trabalho final que contemplasse, pelo menos, 100 fotografias. Não consegui, assumo. Ou melhor. Consegui ter em minha posse cerca de 100 imagens, mas, dessas, apenas optei por editar e publicar 40, expondo 20”. E o autor explica que, se há cenários que ainda são reconhecíveis, outros simplesmente já não existem. “Tudo mudou. Por isso, na maioria dos casos, o que foi não volta a ser…”.

Gonçalo Lobo Pinheiro é um fotojornalista português, nascido a 4 de Abril de 1979 e radicado em Macau há mais de 12 anos. Começou por estudar Engenharia Geológica, mas formou-se em Ciências da Comunicação, variante Jornalismo, na Universidade Autónoma de Lisboa. Passou por várias publicações portuguesas e estrangeiras como colaborador, incluindo A Bola, o I, o Público, Correio da Manhã, O Comércio do Porto, Expresso, Washington Post, BBC, The Guardian, entre outros. Em Macau ingressou no jornal Hoje Macau, onde trabalhou como redactor, fotojornalista e editor entre 2010 e 2014. Vencedor de vários prémios ao longo da sua carreira, publicou também diversos livros de fotografia. Actualmente faz parte da redacção do jornal Ponto Final e tem uma colaboração com a agência noticiosa portuguesa Lusa.

Hong Kong | Julgamento de português acusado de sedição adiado

A primeira sessão do julgamento de um cidadão português de 40 anos, acusado do crime de sedição em Hong Kong, foi ontem adiada para 9 de Março, avançou a imprensa da região administrativa especial chinesa.

Segundo o Immedia HK, um juiz do tribunal do distrito de West Kowloon, Peter Law Tak-chuen, concordou com o Ministério Público, que pediu mais tempo para transferir o caso para um outro tribunal de Hong Kong.

O suspeito, detido desde o final de Outubro, voltou a não pedir fiança e irá continuar a aguardar julgamento na prisão, avançou o portal de notícias de língua chinesa. O homem, professor no Royal College of Music no Reino Unido, já tinha visto o mesmo tribunal negar-lhe fiança por duas vezes, primeiro a 4 de Novembro e depois a 11 de Novembro.

Segundo a imprensa da região chinesa, o português não esteve presente na sessão de 11 de Novembro, dispensou o advogado de defesa e disse ao tribunal não precisar de um advogado oficioso.

O juiz Peter Law é um dos juízes nomeados pelo governo de Hong Kong para lidar com casos ligados à lei de segurança nacional promulgada em 2020. No entanto, o cidadão português foi acusado ao abrigo de uma outra lei, da era colonial britânica.

As autoridades de Hong Kong acusam o homem de “trazer ódio e desprezo” e “estimular o descontentamento” contra o governo, promover a “desobediência” civil e “incitar à violência” através de publicações em redes sociais feitas entre 9 de Outubro e 1 de Novembro.

Em resposta enviada à Lusa a 04 de Novembro, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português disse ter “conhecimento da detenção de um cidadão portador de passaporte português em Hong Kong”.

“De momento, o MNE, através do consulado-geral de Portugal em Macau, está a diligenciar junto das autoridades de Hong Kong para apurar mais elementos sobre este caso, bem como informar em conformidade a família, da qual foi recebido contacto”, referiram as autoridades portuguesas.

Espaço | Novas fotos do rover lunar divulgadas com bênçãos de Ano Novo

A Administração Espacial Nacional da China (CNSA, sigla em inglês) divulgou no passado sábado um grupo de novas fotos do rover lunar do país, o Yutu-2, juntamente com os seus bons votos para todo o povo chinês antes do Ano Novo Chinês, o Ano do Coelho.

As fotos mostraram a marca da roda deixada pelo rover, algumas rochas e uma pequena cratera de impacto na superfície lunar, indica o Diário do Povo.

Yutu, ou Coelho de Jade, é conhecido como o animal de estimação da Deusa Lunar Chang’e na mitologia chinesa. A ligação comum do coelho com o único satélite natural da Terra levou a China a nomear seu primeiro rover lunar como “Yutu”.

Em 2019, a China enviou outro visitante coelho para a Lua. O rover Yutu-2 e o pousador Chang’e-4, ambos parte da sonda Chang’e-4, pousaram suavemente no lado escuro da Lua pela primeira vez na história da humanidade.

O rover Yutu-2 e o pousador Chang’e-4 acordaram do seu modo dormente a 15 de Janeiro e 16 de Janeiro, respectivamente, inaugurando seu 51.º dia lunar de trabalho.

Um dia lunar é igual a 14 dias na Terra, e uma noite lunar tem a mesma duração. A sonda lunar muda para o modo dormente durante a noite lunar devido à falta de energia solar.

Até agora, o Yutu-2 já trabalhou mais de quatro anos, percorreu quase 1,5 mil metros no total e enviou mais de 940,1 gigabytes (GB) de dados científicos.

Lula da Silva quer acelerar acordos com UE e China

O Presidente do Brasil disse quarta-feira que a conclusão da negociação do acordo entre União Europeia (UE) e Mercosul é uma prioridade e sinalizou disponibilidade do bloco em debater e firmar um eventual acordo de livre comércio com a China.

“É urgente e necessário que o Mercosul [bloco formado pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai] faça um acordo final com a União Europeia. Vamos intensificar nossas discussões com a União Europeia para assinar esse acordo e para que possamos discutir imediatamente um possível acordo entre a China e o Mercosul”, disse Lula da Silva durante uma visita ao Uruguai.

O chefe de Estado brasileiro disse que o seu país estaria disposto a conversar com o país asiático sobre essa iniciativa promovida pelo Uruguai, e que tem gerado posições divergentes entre os países do Mercosul com clara oposição da Argentina.

Em declarações ao lado do Presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, o Presidente brasileiro defendeu a posição do Uruguai em promover esse possível acordo com os chineses e disse que é uma reivindicação mais que justa a intenção uruguaia de defender a sua economia e seu povo.

“Os pleitos do Presidente Lacalle são mais do que justos. Primeiro porque o papel de um Presidente é defender os interesses do seu país. Segundo, que é justo querer produzir e vender mais”, afirmou Luiz Inácio Lula da Silva.

União latina

O Presidente brasileiro destacou que o seu país concorda com as ideias de inovação e abertura do Mercosul apresentadas pelo governante uruguaio, razão pela qual também se referiu ao Acordo de Livre Comércio entre a UE e aquele bloco, pois, na sua opinião, “é necessário renovar o que precisa ser renovado”.

Já o Presidente uruguaio expressou na mesma conferência de imprensa a sua satisfação com o apoio do Brasil à melhoria do Mercosul e insistiu na necessidade do seu país se abrir ao mundo.

“Tentar fazer com todo o Mercosul, basicamente. Acho que entendo perfeitamente que o Uruguai está com as suas negociações e não tem nenhum impedimento em informar o que vem fazendo e negociando”, afirmou Lacalle Pou.

Os chefes de Estado informaram que Brasil e Uruguai vão criar equipas técnicas para ver o que querem e precisam na relação com a China.

Além do Mercosul, os dois líderes discutiram questões de infraestrutura como a hidrovia Laguna Merín e Los Patos localizada entre a região do sul do Brasil e o nordeste do Uruguai, além da ponte binacional na cidade de Rio Branco e um aeroporto binacional em Rivera.

CELAC | Xi Jinping discursa por vídeo na Cimeira de Estados Latino-Americanos e Caribenhos

Num discurso por vídeo-conferência, o Presidente chinês reiterou a posição da China de cooperação com os países Latino-Americanos e Caribenhos na construção de uma nova era com mais inovação, abertura e benefícios para o povo

 

A 7.ª Cimeira da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) foi realizada esta terça-feira na capital da Argentina, Buenos Aires. A convite do Presidente Alberto Fernández, da Argentina, e também presidente rotativo da CELAC, o Presidente chinês, Xi Jinping, fez um discurso via vídeo.

O Presidente Xi observou que os países da América Latina e Caribe (ALC) são membros importantes do mundo em desenvolvimento e tomam parte activa na governação global, com contribuições importantes. A CELAC transformou-se numa força motriz indispensável por detrás da cooperação global Sul-Sul. A CELAC tem desempenhado um papel importante na salvaguarda da paz regional, na promoção do desenvolvimento comum e no avanço da integração regional.

Xi, citado pelo Diário do Povo, enfatizou que a China sempre apoiou o processo de integração regional da América Latina e do Caribe.

“Valorizamos muito nossas relações com a CELAC e tomamos a CELAC como nosso parceiro-chave para reforçar a solidariedade entre os países em desenvolvimento e promover a cooperação Sul-Sul. É por isso que a China tem trabalhado com os países da ALC para fortalecer firmemente o Fórum China-CELAC e levar o relacionamento China-LAC a uma nova era caracterizada pela igualdade, benefício mútuo, inovação, abertura e benefícios para o povo”, indicou.

Novos desafios

Xi apontou que cada vez mais países da região se têm engajado na cooperação de alta qualidade com a China no âmbito da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, apoiado e participado da Iniciativa de Desenvolvimento Global e da Iniciativa de Segurança Global, e estão a trabalhar com a China na construção de uma comunidade China-CELAC com um futuro compartilhado.

O líder chinês enfatizou que o mundo atravessa um novo período de turbulência e transformação. “Só podemos enfrentar os desafios e superar este período difícil através de uma maior solidariedade e de uma cooperação mais estreita”, manifestou.

Xi acrescentou que a China está pronta para continuar a trabalhar com os países da ALC para se ajudarem mutuamente e fazer progressos conjuntos e defender “a paz, o desenvolvimento, a equidade, a justiça, a democracia e a liberdade” – os valores comuns da humanidade.

A China está pronta para dar as mãos aos países da ALC para promover a paz e o desenvolvimento do mundo, construir uma comunidade com um futuro comum para a humanidade e abrir um futuro ainda mais brilhante para o mundo, anunciou Xi.

Previsões para o mundo em 2023

O ano de 2023 faz de fronteira entre o fim do 8º período (yun) de 20 anos, que começou a 4 de Fevereiro de 2004 às 19h56m e finalizará às 16h28m de 4 de Fevereiro de 2024, quando abre o 9º período. O Grande Ciclo de 540 anos, Da Yuan (大元) é dividido em três Zheng Yuan (正元), com 180 anos cada e dentro de cada um existe San Yuan Jiu Yun (三元九运), três ciclos de 60 anos: o ciclo alto (shang yuan 上元) contém os períodos (运, yun) 1, 2, 3 de vinte anos cada um; o ciclo médio (zhong yuan中元) inclui os períodos (yun) 4, 5 e 6; e o ciclo baixo (xia yuan下元) inclui o período 7 (1984-2004), o período 8 (2004-2024) e o período 9 (2024-2044). Encontradas no quadrado mágico Luo Shu as direcções do posicionamento das nove Estrelas Voadoras para 2023, deixamos aqui as previsões por nós entendidas das feitas por Lei Koi Meng (Edward Li), sobre o que ocorrerá no mundo.

Na direcção Centro (com o Elemento Terra), onde se encontra a China, este ano está dominada pela benéfica estrela voadora 4 Verde (Si Lü) (Madeira), com aspectos positivos e negativos no actual período 8, representa refinamento e educação. Para a China é um ano de muitos desafios pois a política de combate à pandemia colocou o país nos últimos três anos com a economia estagnada e os efeitos negativos aparecerão totalmente este ano. Já quanto ao mercado imobiliário haverá fortes mudanças e o choque dessa grande onda trará um impacto negativo a envolver todos os sectores da sociedade, sobretudo industriais e comerciais. Prevê-se a ocorrência de um tremor de terra de grande amplitude.

Na direcção Norte (com o Elemento Água), correspondente a Beijing [capital da República Popular da China] e à Federação Russa, estará a benéfica estrela voadora 9 Púrpura/Roxo (Jiu Zi) (Fogo). Representar harmonia e paz, cooperação e o visionar do advir, é uma Estrela Ampliadora dos efeitos das outras estrelas, pelo bem, assim como no mal. É também a secundária Estrela da Riqueza pois 2023 é um ano de mudança e no ano 2024 inicia-se o Período 9 que faz dela a Estrela da Riqueza do Futuro e Estrela da Felicidade.

Nas relações exteriores, a China terá relações mais activas e profundas com os países do Sudeste asiáticos e haverá maior cooperação com a Federação Russa e Médio Oriente. A Rússia este ano economicamente estará melhor e a imagem que dela é transmitida irá mudar. Como em 2022, na altura em que a guerra na Ucrânia começou, o Fogo era forte, pois a Madeira estava sob Madeira, e este ano em Agosto o Fogo encontrar-se-á já muito fraco, espera-se daí poder ser um sinal para a guerra parar.

Na direcção Sul (Fogo), que compreende a Grande Baía, Macau, Hong Kong e países da Oceânia, está a benéfica estrela voadora 8 Branco (Ba Bai) (Terra), Estrela da Prosperidade e Saúde, a melhor e de mais sorte entre todas as nove estrelas voadoras. Com o início da política de abertura, este ano na Grande Baía imediatamente os frutos aparecem, levando a rápidos ganhos e grandes proveitos económicos e sociais, sendo na China a zona que mais rapidamente chega à normalidade. Para o Feng Shui, a zona da Grande Baía no ano de 2025 será a mais bafejada de toda a China e este ano, contará com novos investimentos provenientes da Bolsa de Hong Kong, incluindo dinheiro do Médio Oriente e Coreia do Norte. Já a Austrália e Nova Zelândia mudarão a política com a China, resultando daí boas notícias para as suas economias.

Na direcção Oeste (Metal), onde a Europa Ocidental e Grã-Bretanha se situam, está a benéfica estrela voadora 6 Branco (Liu Bai) (Metal), Estrela da Bênção Celeste com potencial de inesperadas vantagens e riquezas, mas enfraquecida no período 8 do ciclo do Feng Shui. A morte da Rainha, que representava o poder da Grã-Bretanha no mundo, levou à perda de influência nos restantes países normalmente seus aliados e assim, o seu foco vira-se para reparar a relação com a União Europeia. Ano em que espera para ver o que ocorrerá. A Europa economicamente fraca, com grande inflação, contará com constantes e variadas manifestações de protesto nas ruas. Havendo diferentes argumentos como resolver a situação, ocorrem nas discussões grandes divergências entre os países europeus, perdendo-se a unidade. França e Alemanha unir-se-ão e abrirão a comunicação com a China para uma cooperação económica. As relações com os EUA ficarão complicadas.

Na direcção Leste (Madeira), EUA, Japão e Taiwan encontram-se sob a influência da maligna estrela voadora 2 Preto (Er Hei) (Terra), Estrela da Doença que traz longas e incuráveis enfermidades. Nos EUA será um dos anos mais perigosos para a economia e mesmo na política haverá grandes confrontações entre os dois partidos, tendo de enfrentar muitas manifestações contra a inflação e desemprego. Ao mesmo tempo terá de lidar com a pandemia e diversas catástrofes naturais. Nas relações exteriores enfrenta uma grande competição e para proteger o poder do dólar as suas finanças irão cair num buraco negro, puxando o mundo para esse redemoinho. Já o Japão escolhe não seguir as medidas para combater a inflação, usadas nas políticas do sistema financeiro mundial, levando a sua economia a ficar em maus lençóis. Nas relações com os países vizinhos envereda por uma política de confrontação, o que trará grandes trabalhos ao governo. Outros graves problemas que terá pela frente estão ligados aos desastres naturais devido à influência da estrela Er Hei. Taiwan continuará a criar pequeno ruído e a imagem clara aparecerá em 2024.

Na direcção Sudoeste (Terra), que corresponde ao Médio Oriente e Índia, encontra-se a benéfica estrela voadora 1 Branco (Yi Bai) (Água), Estrela da Prosperidade para o que vem, traz sucesso pelo posicionamento político e boas relações de amizade. Para estes países este ano como há a cooperação com novos parceiros no plano económico ocorrerão mudanças, trazendo novas oportunidades e a conquista de novos espaços de actuação e investimento. Mas por outro lado, a instabilidade política causará problemas. A Índia estará muito ocupada a tratar dos desastres naturais e na economia terá uma nova política a alavancar um novo desenvolvimento.

Na direcção Sudeste (Madeira), onde se posicionam os nove países do Sudeste da Ásia, estará a maligna estrela voadora 3 Jade (San Bi), (Madeira), Estrela de Conflito Beligerante, a trazer disputas e caos. Nas questões políticas os países como a Malásia, Myanmar, Camboja, Tailândia, Laos, têm os governos instáveis, com muitos problemas a ocorre, havendo constantes conflitos bélicos entre as diferentes facções em cada país, a não lhes dar estabilidade. A Indonésia, com a quarta maior população do mundo, após a reunião do G20 mostrou as suas qualificações conseguindo fazer o equilíbrio entre Ocidente e Oriente, criando aí uma base sustentável para o mundo, e colocou o país numa importante posição nas relações internacionais. Singapura, ao abrir mais cedo do que os restantes países, colocou-se um passo à frente, conseguindo assim na região ganhar mais espaço de actuação política e económica.

Na direcção Noroeste (Metal), onde se situam os países da Escandinávia, está a maligna estrela voadora 5 Amarelo (Wu Huang), (Terra), Estrela da Fatalidade e da Ruína de forte pendor negativo. Traz má sorte, instabilidade e é causadora de obstáculos e problemas de maligna influência. Os cinco países do Norte da Europa continuarão como no ano anterior com relações externas tensas e mesmo mais agravadas, logo a situação piorará.

Na direcção Nordeste (Terra), nas Coreias, encontra-se a maligna estrela voadora 7 Vermelho (Qi Chi) (Metal), estrela de energia violenta, a trazer injúrias, muitas disputas e perdas financeiras. O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un tem aparecido acompanhado pela filha e como para o bazi a filha representa o poder do pai (zhengguan) tal indica para este ano o país apresentar uma abertura ao mundo com uma nova imagem e daí o estar focado num novo desenvolvimento económico. Na Coreia do Sul politicamente o governo não está estável, levando a complicar as relações com o Norte, podendo originar atritos, mas sem graves problemas.

A nível mundial, este ano será muito seco devido à falta de água, colocando problemas à agricultura e haverá devastadoras pragas de gafanhotos. Logo a comida, tal como a água irá rarear. Os problemas de saúde estarão também em primeiro plano por todo o mundo.

Venda de pivetes no Ano Novo desilude

O dono de uma banca de venda de pivetes e outros artigos alusivos ao Ano Novo Chinês afirmou que, apesar da maior vinda de turistas, o negócio está muito difícil. As declarações foram prestadas pelo comerciante de apelido Ho, que detém uma banca junto ao Templo de A-Má, ao jornal Ou Mun.

De acordo com o dono da banca, a maior entrada de turistas não se traduziu no aumento do comércio de alguns artigos como pivetes para queimar nos templos ou ventoinhas de papel que atraem fortuna. Segundo Ho, o cenário foi mesmo tão mau, que teve de começar a vender o material encomendado a preço de saldos, para pelo menos garantir que não perde dinheiro durante esta época festiva.

Quando questionado sobre os motivos para as fracas vendas, Ho explicou que este tipo de comércio depende muito dos residentes locais. Como as fronteiras voltaram a abrir, muitos optaram por deixar o território, o que teve um impacto directo no nível das vendas.

Ainda assim, o comerciante admitiu que vai chegar ao final da época sem registar perdas, porque o volume de vendas, na ordem de poucos milhares de patacas por dia, permite cobrir as despesas.

Críticas ao IAM

Ho criticou ainda o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), devido às novas exigências relacionadas com as vendas nas bancas. Apesar de elogiar o crescimento do espaço, o comerciante considerou que o facto de todos os produtos terem de estar expostos no interior das bancas é prejudicial para o negócio.

Segundo o comerciante, as bancas metálicas são locais com pouca iluminação e espaço, que acabam por afastar os clientes, que se sentem pouco confortáveis para entrar e comprar, ou que muitas vezes nem conseguem ver todos os produtos.

Por outro lado, o Ho queixou-se da desigualdade nos produtos à venda. O empresário recordou que no concurso público foi definido que os amuletos da sorte e ornamentos pendurados não podiam ser vendidos. Contudo, muitas bancas continuaram a vendê-los. Apesar de ter feito queixa ao IAM, recebeu como resposta que “os produtos da queixa estão relacionados com as festividades, pelo que podem ser vendidos”.

CPCP | Ausência de resposta do PS obriga a envio de carta

Foi no ano passado que o Partido Socialista prometeu aos membros do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas avançar com uma proposta de revisão da lei que define as competências e funcionamento do Conselho das Comunidades Portuguesas. O silêncio do partido político português obrigou os conselheiros a enviar nova carta a Eurico Brilhante Dias, deputado e líder parlamentar

 

Os membros do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas (CPCP) querem melhores condições de trabalho, mas, até à data, mantém-se o silêncio da parte do Partido Socialista (PS), actualmente com maioria absoluta no Parlamento português, sobre uma revisão da lei de 2007, que define as competências, o modo de organização e funcionamento do CPCP, e que ficou prometida para final do ano passado.

Assim sendo, 14 conselheiros que representam as comunidades de emigrantes portugueses de todo o mundo, onde se inclui Rita Santos, em representação de Macau, China e Hong Kong, decidiram enviar uma nova carta a Eurico Brilhante Dias, deputado e líder do grupo parlamentar do PS a questionar por que razão o PS não apresentou a proposta de revisão do diploma até Dezembro conforme prometeu.

“Não podemos deixar de registar o estranhamento a essa situação vinda do partido que tem a maioria absoluta no Parlamento e tem dado norte às políticas do Governo para as comunidades há mais de sete anos”, aponta a carta, a que o HM teve acesso. “Relembramos que há um consenso geral na Assembleia da República quanto à necessidade de se aprovar urgentemente alterações à regulamentação do CPCP, preferencialmente até final deste semestre, de modo que o secretariado do CPCP possa ter as condições ideais para avançar com a convocatória da eleição ao CPCP no segundo semestre deste ano. A palavra e a acção estão com esse grupo parlamentar”, apontam ainda os conselheiros.

Apoios, precisam-se

Rita Santos reitera ao HM as necessidades primordiais de uma entidade cujos membros são voluntários e não conseguem chegar a todos os emigrantes no apoio à resolução dos vários problemas sentidos pelas comunidades. Em Julho do ano passado, os conselheiros reuniram, em Lisboa, com deputados do PS, tendo sido feita a promessa de apresentação de uma proposta de revisão do diploma para Dezembro. Em Novembro, houve novas reuniões.

“Pedimos aí uma alteração ao estatuto do CPCP, pois gostaríamos que pudéssemos ter um maior apoio logístico com pessoal para quando fizermos os nossos pareceres e documentos aquando das consultas. Precisamos de mais apoio, pois todos nós trabalhamos de forma voluntária.”

Além disso, com o aumento do número de eleitores e recenseados, torna-se importante aumentar o número de conselheiros, disse Rita Santos. Havia também o desejo de implementar o voto electrónico, com um programa piloto, nas eleições para os conselheiros do CPCP, mas um técnico do Ministério da Administração Interna afastou essa possibilidade. “A marcação de uma data para a eleição dos conselheiros é um assunto precedente à alteração da lei, e até agora não foi marcada qualquer data. Decidimos então, por unanimidade, enviar esta carta a Brilhante Dias”, concluiu Rita Santos.

Reserva financeira regista primeira subida em 10 meses

A reserva financeira registou uma subida de 3,87 mil milhões de patacas em Novembro, o primeiro aumento após 10 meses consecutivos a perder valor, indicam dados divulgados ontem. A reserva financeira da RAEM cifrou-se em 562,7 mil milhões de patacas no final de Novembro, de acordo com a informação publicada no Boletim Oficial pela Autoridade Monetária de Macau.

Apesar da subida, o valor da reserva financeira continua a ser inferior em 107 mil milhões de patacas ao recorde atingido de 669,7 mil milhões de patacas em Fevereiro de 2021.

Na primeira metade deste ano, a reserva financeira perdeu 17 mil milhões de patacas só em investimentos, devido a oscilações no mercado internacional, de acordo com o Governo.

O valor da reserva extraordinária no final de Novembro era de 398,1 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau para 2022, era de 185,1 mil milhões de patacas.

Gastos em alta

A reserva financeira de Macau é maioritariamente composta por depósitos e contas correntes no valor de 272,5 mil milhões de patacas, títulos de crédito no montante de 120,1 mil milhões de patacas e até 162,2 mil milhões de patacas em investimentos subcontratados.

Mesmo no cenário de crise económica criada pela pandemia, a reserva financeira de Macau tinha crescido em 2020 e 2021, apesar do Governo ter injectado mais de 90 mil milhões de patacas no orçamento.

O Governo gastou 5,92 mil milhões de patacas para dar a cada residente oito mil patacas, montante que pode ser usado para efectuar pagamentos, sobretudo no comércio local, desde 28 de Outubro. A Assembleia Legislativa de Macau aprovou em Novembro o orçamento da região para 2023, prevendo voltar a recorrer à reserva financeira em 35,6 mil milhões de patacas.

Sands China | Anunciadas perdas de 12,68 mil milhões de patacas

Apesar de ter voltado a acumular prejuízos, o director executivo da Sands China, Robert G. Goldstein, mostrou-se confiante no futuro e aponta que o Ano Novo Lunar, e o fim da política de zero casos de covid-19, trouxeram à indústria novos motivos para sorrir

 

A concessionária Sands China anunciou ontem um prejuízo de 12,68 mil milhões de patacas (1,58 mil milhões de dólares americanos) durante o ano passado, mais 56,4 por cento do que em 2021.

Num comunicado enviado à bolsa de valores de Hong Kong, a Sands China revelou igualmente ter registado um prejuízo de 2,79 mil milhões de patacas no último trimestre de 2022. O resultado é melhor do que o registado no trimestre anterior (3,79 mil milhões de patacas), mas pior do que no mesmo período de 2021 (1,97 mil milhões de patacas).

As receitas também caíram significativamente no último trimestre de 2022, com a Sands China a arrecadar 3,52 mil milhões de patacas, menos 31,7 por cento do que no mesmo período de 2021. No comunicado, o director executivo da Sands China, Robert G. Goldstein, admitiu que “as restrições às viagens e a descida dos visitantes continuaram a afectar” o desempenho da operadora.

No último trimestre, Macau recebeu quase 900 mil visitantes, menos 50,8 por cento em relação ao mesmo período de 2021, devido às restrições fronteiriças e à vaga de casos de covid-19 que atingiu a China continental, de onde chega a esmagadora maioria dos visitantes.

Sempre a perder

Desde o início da pandemia, as operadoras têm acumulado prejuízos sem precedentes em Macau, que seguiu até meados de Dezembro a política chinesa de ‘zero covid’, com a imposição de quarentenas, confinamentos e testagem massiva.

Ainda assim, Goldstein disse no comunicado de ontem que a Sands China “continua confiante numa recuperação robusta dos gastos em viagens e turismo” e considera Macau “um mercado ideal para investimento adicional”.
A Venetian Macau, uma subsidiária da Sands, anunciou a 17 de Dezembro que irá gastar 30,2 mil milhões de patacas, incluindo 27,8 mil milhões em investimentos em elementos não jogo.

Esta aposta foi uma das exigências das autoridades de Macau para a renovação por 10 anos das licenças das seis concessionárias a operar no território, que entraram em vigor a 1 de Janeiro.

Cenário mais positivo

Com o fim da política de “covid zero”, o volume de visitantes atingiu 90.391 visitantes na terça-feira, um novo recorde diário desde o início de 2020, mas ainda assim quase menos metade do que no período equivalente antes da pandemia.

“As primeiras indicações são todas positivas, pois observamos uma melhoria significativa nas visitas às nossas propriedades, volume de apostas, vendas a retalho e ocupação hoteleira”, disse Goldstein. A taxa de ocupação hoteleira, durante os feriados do Ano Novo Lunar, entre 22 e 25 de Janeiro, “atingiu 100 por cento”, segundo responsáveis das seis operadoras, citados num comunicado divulgado na quarta-feira pelo Governo.

Numa sessão de perguntas e respostas com investidores, Goldstein revelou que a Sands China tem registado lucros no período do Ano Novo Lunar, após três anos consecutivos de prejuízos.

Covid-19 | Família impedida de se despedir de ente falecido

Uma família está a ser impedida de dizer o último adeus a um ente, devido à implementação das medidas de segurança por mortes causadas pela covid-19. Porém, o relatório da autópsia não menciona o vírus como causa de morte

 

Uma família está a ser impedida de se despedir do ente falecido em câmara ardente, uma vez que a morte do idoso, cuja idade não foi revelada, foi causada pela covid-19. No entanto, o relatório da autópsia nunca menciona a covid-19 e aponta antes uma “pneumonia” como causa da morte.

A situação foi revelada ontem pelo jornal All About Macau, que recebeu uma denúncia da família frustrada com toda a situação e com os impedimentos, que considera não fazerem sentido, uma vez que a causa oficial de morte não foi a covid-19.

De acordo com informação recebida pelos familiares, os protocolos em vigor definem que corpos das vítimas de covid-19 não podem ficar em câmara ardente antes do funeral e têm de permanecer selados dentro da mortalha. Também o funeral não pode ser feito através da tradicional cremação, optando-se pelo enterro, com o corpo a ser selado com cimento dentro da cova.

Estas medidas foram definidas numa altura em que o território adoptava a política de zero casos. A mudança da política para a convivência com o vírus ainda não alterou esta situação.

Confusão da autópsia

No entanto, a família, que tem o funeral planeado para o próximo mês, contesta a situação e levanta dúvidas sobre todo o procedimento porque a covid-19 não é mencionada no relatório da autópsia.

“O certificado de óbito que recebemos descreve a causa de morte como pneumonia, e não como covid-19. Então porque é que é adoptado este tratamento?”, questionou o denunciante, em declarações ao All About Macau. “Quando recebi o certificado de óbito, a causa da morte apontada é uma pneumonia em vez da covid-19”, reiterou.

Desde que o território começou a conviver com o vírus que o Governo alterou os critérios da definição de mortes por covid-19.

Porém, no hospital, a situação foi diferente. O idoso foi infectado com covid-19 em Dezembro. Numa questão de horas, a situação agravou-se, os sintomas pioraram, e o homem teve de ser transportado em estado crítico para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, onde veio a falecer, dias depois.

Na altura da morte, o denunciante conseguiu ver o familiar pela última vez, antes do corpo ser levado para a morgue.
Após a primeira vaga de infecções por covid-19, em Dezembro, as morgues locais ficaram rapidamente com falta de espaço. Chegaram inclusive a surgir rumores, negados pelos Serviços de Saúde, sobre a perda de cadáveres.

Tempos de frustração

Depois da morte, mais nenhum familiar conseguiu ver o ente falecido, e também os pedidos feitos para entrar na morgue foram recusados. Por sua vez, um agente da funerária informou a família que os mortos por covid-19 têm sempre de ficar fechados dentro de um saco especial até à altura em que são enterrados. Esta exigência, faz com que não possa haver a tradicional despedida com o corpo em câmara ardente.

Impedida de cumprir com a tradição, mesmo podendo recorrer à cremação, ao contrário do que acontece com as vítimas de covid-19, a família do idoso considera que está a ser impossibilitada de organizar uma cerimónia de despedida condigna.

Segundo o denunciante ouvido pela publicação local, a família considera ainda incompreensível que as medidas que impedem o último adeus estejam em vigor, até porque o Governo definiu que a covid-19 se tornou endémica.

Pandemia | Mais duas mortes quarta-feira

Na quarta-feira morreram mais duas pessoas vítimas de covid-19, de acordo com a informação divulgada ontem pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus. As vítimas são do sexo feminino e tinham 60 anos e 95 anos, estando ambas vacinadas contra o vírus. Tinham antecedentes de doenças crónicas.

Desde o surgimento da pandemia, em 2019, os números oficiais apontam para a morte de 120 pessoas por covid-19. Os critérios para definir uma morte por covid-19 foram alterados antes do território começar a conviver com o vírus. Ainda de acordo com as informações oficiais, na quarta-feira foram também confirmados mais três casos de covid-19, que foram encaminhados para as instalações de isolamento e tratamento dos Serviços de Saúde.

Salário mínimo | Lam Lon Wai pede aumento e quer comissão especializada

O legislador ligado aos Operários considera necessário copiar o mecanismo de revisão do salário mínimo de Hong Kong, depois da RAEHK ter anunciado, há dias, o aumento do salário mínimo. Em Macau, o valor está congelado desde 2019

 

O deputado Lam Lon Wai, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), defende a criação de uma comissão especializada para avaliar o aumento do ordenado mínimo. A ideia foi defendida numa interpelação, em que Lam pede que se siga o exemplo de Hong Kong.

Desde que a lei do salário mínimo entrou em vigor, em Novembro de 2020, o Governo ficou obrigado a fazer uma revisão do montante a cada dois anos, “de acordo com a situação do desenvolvimento económico”. A decisão pode sempre passar por manter tudo igual, como aconteceu na primeira vez em que foi realizada uma avaliação sobre a revisão.

No entanto, Lam Lon Wai deixou críticas ao mecanismo interno para aumentar o ordenado mínimo, por considerar que os procedimentos não são conhecidos pela população, ou mesmo pelos deputados, nem tão pouco são claros.

Neste sentido, o legislador pediu ao Governo que esclareça como são conduzidos internamente os trabalhos de avaliação do salário mínimo da RAEM, e que avance com uma estimativa sobre a duração de todo o processo.

A demora do procedimento de proposta de aumento mínimo é um tema que preocupa Lam. O deputado pró-trabalhadores explicou que o facto de o assunto ter de ser discutido na Concertação Social e na Assembleia Legislativa, onde se espera sempre muita oposição a qualquer aumento, vai contribuir para atrasar o processo.

Período de estagnação

Em relação ao mecanismo em vigor, Lam Lon Wai deixou igualmente críticas, por considerar que não é eficaz para aumentar os vencimentos mais baixos. E para sustentar a opinião, o deputado fez uma comparação com Hong Kong.
Segundo Lam, há dias que o Governo da RAEHK, através da comissão especializada sobre o assunto, definiu que o salário mínimo vai ser aumentado do valor de 37,5 dólares de Hong Kong por hora para 40 dólares por hora.

Além disso, o legislador apontou também que na RAEHK, desde que a legislação em vigor foi aprovada, em 2011, houve seis aumentos. Mesmo em 2019, com a pandemia à porta, houve aumentos do salário, embora outros benefícios tivessem ficado congelados.

Ao mesmo tempo, em Macau, Lam argumenta que desde 2019 o valor do salário é mantido em 32 patacas por hora. Como também não espera que até ao final do ano aconteça um novo aumento, visto que o processo é demorado, o deputado considera que o mecanismo peca por falta de eficácia.

Neste cenário, Lam Lon Wai questiona se o Governo vai criar uma comissão especializada para avaliar o aumento dos ordenados e se pondera mudar o mecanismo em vigor, para o tornar mais eficaz.

Macaenses | Miguel de Senna Fernandes fala de “apelo” da comunidade face a Administração chinesa

Foi no colóquio “Mobilidade em Macau: vertentes do fenómeno migratório”, que decorreu quarta-feira em Lisboa, que Miguel de Senna Fernandes defendeu que hoje, mais do que nunca, os macaenses têm de “fazer um apelo” e afirmarem-se como tal perante a Administração chinesa, uma vez que estão em minoria. O colóquio abordou o fenómeno migratório dos macaenses, tido como intrínseco à comunidade desde a fundação de Hong Kong

 

Debater a comunidade macaense e as fases de emigração que ocorreram ao longo dos tempos foi o objectivo principal do colóquio “Mobilidade em Macau: vertentes do fenómeno migratório”, que teve lugar esta quarta-feira na Sociedade de Geografia de Lisboa. Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses (ADM), falou da “Mobilidade em Macau: vertentes do fenómeno migratório”, onde defendeu que a comunidade macaense tem hoje de se afirmar como tal num território sob Administração chinesa desde 1999.

“Temos uma identidade e mais nada do que isso. Mesmo em Macau, e agora que a Administração é chinesa, temos de fazer um apelo e dizer que somos macaenses, porque esta terra não é nossa. Antes, na Administração portuguesa, não tínhamos de o fazer, mas hoje em dia sim. Temos de explicar.”

Nesse contexto, o também advogado adiantou que, ao contrário dos cidadãos de outros países, o macaense não tem uma entidade oficial que o represente. “Não temos embaixadas, não há uma nacionalidade macaense, não há consulados. Invocamos sempre uma nacionalidade emprestada. Temos sempre de invocar algo que não é necessariamente nosso. Apenas temos as Casas de Macau, que são organizações culturais e sociais dos macaenses.

Fora isso, não temos mais nada. Isso tem a ver com a emigração, porque é através dessas Casas de Macau que se devem reforçar esses dois pólos, sendo o chão comum dos macaenses, a cultura e a identidade”, adiantou.

Ainda sobre o fenómeno da emigração, Miguel de Senna Fernandes deixou um alerta sobre o risco da perda progressiva de identidade. “A emigração pode ter um impacto na cultura dos emigrantes, e no caso específico da comunidade macaense. Mas é fundamental que tenhamos a consciência da nossa pertença, para que não haja o prejuízo da perda de identidade.”

Miguel de Senna Fernandes denotou que “em todos os fenómenos migratórios as pessoas levam consigo as suas culturas”, mas que, no caso da emigração dos macaenses, “muitos tiveram de sacrificar as suas tradições para sobreviver socialmente”. Para trás ficaram a manutenção de alguns hábitos gastronómicos, familiares ou a própria aprendizagem do português.

“Despiram-se de muitas das suas tradições. Muitos deles não falam português porque é complicado falar a língua nos países anglo-saxónicos, por exemplo. A maior parte da comunidade macaense da Diáspora, à excepção de Portugal e Brasil, não fala português. Vemos interferências das culturas de acolhimento à cultura do macaense. Aí encontramos o primeiro grande impacto na cultura [da emigração]”, frisou.

O responsável e dirigente associativo diz mesmo que esse “abandono” das tradições macaenses se nota na realização dos encontros anuais da comunidade macaense, onde se “podem ver grandes diferenças de entendimento do que é ser macaense e da própria cultura”. “Temos várias comunidades macaenses”, acrescentou.

Desde a origem

Se Miguel de Senna Fernandes apontou Portugal como fazendo parte da Diáspora macaense, o antropólogo Carlos Piteira discordou. “O macaense deixou de estar só fechado em Macau, espalhou-se pelo mundo, tendo aqui uma forte componente migratória. Mas tenho a dizer que os macaenses em Portugal não pertencem à Diáspora, ao contrário dos restantes espalhados pelo mundo, sendo uma extensão dos macaenses de Macau, parte integrante da comunidade macaense na sua génese. Virem para Portugal era virem para a sua terra.”

Carlos Piteira, que fez a apresentação “Macau, terra de migrações: Uma narrativa singular”, falou do território como sendo uma “terra de emigrações na sua origem”, por ser “um pedaço de terra com emigrações continentais, com os próprios chineses de Cantão que começaram a emigrar, os chamados agricultores do Sul”. “A origem da população de Macau é, logo à partida, baseada na emigração”, descreveu, falando da mestiçagem como uma característica muito própria do macaense e, portanto, aquela que lhe garante uma “característica de diferenciação”.

“Logo no início de Macau os macaenses afirmam-se como os mestiços, intérpretes, tradutores, e designam-se como macaenses. Quanto à emigração, este ponto é fundamental, o surgimento de macaenses na Ásia que depois se situam em Macau, juntando-se à população chinesa que não era significativa na altura [século XVI]. Isso permitiu que os mestiços macaenses se consolidassem no território. A importância dos macaenses em Macau tem a ver com esse fenómeno migratório e a forma como ele se conflui e estabiliza, e só mais tarde é que começa a haver uma estratégia de ampliação”, acrescentou Carlos Piteira.

Adaptação constante

Ao longo dos séculos, e entre diversos fenómenos de emigração, os macaenses conseguiram sempre adaptar-se às diversas realidades. “Só quando os macaenses se vêem ameaçados pelos chineses e pela presença portuguesa, e sentem que vão estando, aos poucos, em minoria, adoptam uma estratégia de abertura a grupos de acolhimento.

Começam a aceitar os oriundos das famílias tradicionais e ampliam esta configuração para aquilo que são casamentos mestiços com chineses, algo mais recente, pois haveria alguma inconveniência da parte das chinesas em casar com portugueses.”

Na formação da sociedade de Macau existe, portanto, um triângulo composto por macaenses, chineses e portugueses. “Macau tem a génese populacional nos macaenses. Somos o início da população de Macau em termos da sua composição alargada além dos chineses e portugueses. Depois, os macaenses tiveram importância na governação do território através da representatividade no Leal Senado. Na Administração portuguesa, vemos a deambulação entre portugueses, chineses e macaenses. É esse triângulo que dá o aspecto de singularidade a Macau”, rematou.

Desde a primeira Guerra do Ópio que o macaense emigra, tendo-se espalhado pelo mundo. No entanto, Miguel de Senna Fernandes denota que persiste sempre um sentimento de pertença à terra onde quer que o macaense esteja emigrado.

“Não há macaense que não tenha um forte sentido de pertença à sua terra. Pode ter nascido em Macau ou ser descendente de alguém nascido em Macau. Existe uma ligação quase umbilical com a sua terra. Não interessa a língua que o macaense fala, existe entre nós algo que nos faz ligar a um espaço cultural mais amplo. Portugal tem um papel importantíssimo. Há um espaço cultural no qual Portugal tem um papel de referência”, rematou.

O colóquio durou apenas um dia e teve ainda outras intervenções, nomeadamente da parte de Maria Antónia Espadinha, que falou da “Migração estudantil, outras percepções de quem aprende em outras geografias”, e da escritora Maria Helena do Carmo, que falou de “Odisseias: memórias de uma viajante no Oriente”. As duas últimas apresentações do colóquio foram dedicadas ao patuá, com as intervenções de Raul Leal Gaião, “Patuá: Códigos do falar” e Álvaro Augusto Rosa, “O linguajar do português de Macau”.

A organização do evento esteve a cargo de Joaquim Ng Pereira, membro da Sociedade de Geografia de Lisboa e dirigente associativo, ligado à comunidade macaense em Lisboa.

A visibilidade trans

As mulheres trans são continuamente excluídas e discriminadas. A probabilidade de um adolescente trans desenvolver ideação suicida, ou tentar o suicídio, é de 5 a 7 vezes maior ao de um adolescente heterossexual e cisgénero, isto é, que se identifica com o género designado à nascença. A discriminação está no acesso ao trabalho, na educação ou na saúde. Uma discriminação estrutural que retira espaço ao direito de se ser trans.

No dia 19 de Janeiro, no Teatro São Luiz em Lisboa, uma mulher trans assaltou o palco. Em cena estava uma peça com duas personagens trans em que uma era representada por uma actriz trans, e a outra, a personagem principal, por um actor cis. A Keyla Brasil num acto de coragem saltou para o palco e conseguiu trazer ao holofote teatral uma tendência discriminatória e de exclusão, que ainda não tinha entrado no debate público: as histórias e narrativas trans precisam de ser contadas pelos corpos trans, até nas artes performativas. A produção da peça vai agora contratar uma actriz trans para ser a personagem principal.

Uns aplaudiram a coragem. Foi uma batalha vencida pela representatividade e visibilidade que não descura a reforma necessária no processo de selecção de artistas. Outros mostraram indignação pela forma como esta batalha foi ganha. A Keyla apareceu no palco semi-nua, expondo toda a violência a que é diariamente submetida. Falou do sexo oral que faz em troco de dinheiro, pelas poucas oportunidades no mundo do trabalho, falou da arma que lhe apontaram à cabeça, falou dos assassinatos constantes, violentos, nas tentativas de apagamento que ela, e muitas outras, estão sujeitas. Apontou o dedo ao homem que foi escolhido para o papel e quis responsabilizá-lo pelo apagamento das vivências e narrativas trans.

A forma poderosa como esta batalha foi ganha, ainda que falte travar uma guerra, foi alvo de intenso escrutínio público. Muitos queixaram-se que foi um método “violento”, apesar de concordarem com a premissa de base: se não é com a história de uma mulher trans que o corpo e a alma trans têm visibilidade, então quando? Muitas activistas trans já tinham contactado a companhia de teatro exigindo respostas e mudança. Sugeriram boicotes e nada aconteceu.

A mudança só veio depois, com a acção “violenta” da Keyla, carregada de tensão, antagonismo e conflito daquele que provoca desconforto. Mas esta “violência” é só um sintoma, uma resposta à violência que é vivida. De um lugar onde a outra realidade mundana nada se assemelha porque se vive distante. A “violência” de ver uma peça de teatro abruptamente terminada é que parece mais importante para os proponentes desta discussão.

Quando os actores cisgénero recebem papéis trans, eles encaram-nos como o desafio da sua carreira. Jared Leto ganhou um Óscar ao fazê-lo. Mas esta não é uma condição de desafio que possa ser apropriada pela indústria criativa sem uma reflexão profunda sobre o seu papel na contínua exclusão de artistas trans nos seus projectos. A condição trans não é um adereço, como activistas reclamam, para catapultar carreiras.

Muitas vezes produtores optam por homens e vestem-nos de mulheres, porque as actrizes trans não reflectem os seus próprios estereótipos ou ideias pré-concebidas. A máquina de exclusão está oleada e em funcionamento, não é a responsabilidade de uma pessoa transfóbica. Desde os produtores, ao encenador e até ao actor que aceita fazer o papel, todos contribuem para isso.

Recentemente Hale Berry e a Scarlet Johanson recusaram papeis de homens trans porque foram confrontadas com a pouca representatividade trans em diálogo com as pessoas que mais são afectadas por estas escolhas.

Mas a minha voz não é a que mais interessa neste debate, ouçam as pessoas trans que tentam consciencializar sobre as muitas formas de como estão a ser invisibilizadas. Elas lutam de muitas outras formas também, fazem-no na discussão de ideias, na academia, nas manifestações na rua e no seu dia-a-dia. O confronto ou a violência é tão parte desta luta como a diplomacia. Neste caso, a suposta “violência” foi o resultado de uma não-escuta. Do outro lado onde nos situamos, pede-se reflexão. Se vos chocou, confrontem o desconforto e interroguem-se de onde vem.

Reflictam sobre as oportunidades perdidas de fazer de forma diferente, e de dar espaço a outras pessoas ou realidades. Nós não vemos pessoas trans em posições de destaque, protagonizando séries, a serem pivots de telejornal ou a contracenarem em peças de teatro. Com os níveis de saúde mental desta minoria sexual absolutamente desastrosos (e vergonhosos nos olhos de qualquer profissional de saúde), as pessoas trans precisam de saber que o mundo deve ter – e tem – espaço para todas.

Filme português nomeado para os Óscares

Pela primeira vez, há um filme de produção portuguesa a integrar os nomeados para os Óscares, com “Ice Merchants”, realizado por João Gonzalez, candidato ao prémio de melhor curta-metragem de animação. “Ice Merchants” é o terceiro filme de João Gonzalez, tem produção portuguesa de Bruno Caetano, pela Cola Animation, e coprodução com França e Reino Unido.

O filme, sem diálogos, tem como ponto de partida a imagem de uma casa numa montanha, debruçada num precipício. A partir daí, o realizador desenvolveu a história de um pai e um filho, que produzem gelo na casa inóspita onde vivem, e de onde saltam todos os dias de paraquedas para o vender na aldeia, no sopé da montanha.

João Gonzalez assina a realização e a banda sonora do filme e divide a animação, em 2D, com a polaca Ala Nunu. Antes de chegar às nomeações dos Óscares, “Ice Merchants” teve uma estreia premiada em 2022 na Semana da Crítica no Festival de Cinema de Cannes, em França.

Spielberg e companhia

A lista dos nomeados para 95.º edição dos Óscares, um dos mais importantes prémios do cinema, foi conhecida esta terça-feira. O filme “Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo”, de Daniel Kwan e Daniel Scheinert, lidera a corrida aos Óscares, com 11 nomeações.

“Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo”, uma produção independente de ficção científica sobre universos paralelos, está indicada para os Óscares de Melhor Filme ou Realização e também nas categorias de representação, nomeadamente para Michelle Yeoh, Jamie Lee Curtis, Stephanie Hsu e Ke Huy Quan, o actor que em criança entrou em “Indiana Jones e o Templo Perdido” (1984).

Para o Óscar de Melhor Filme, estão também nomeados “Os Espíritos de Inisherin” (Martin McDonagh), “Os Fablemans” (Steven Spielberg), “Tár” (Todd Field), “A Oeste Nada de Novo” (Edward Berger), “Top Gun: Maverick” (Joseph Kosinski), “Elvis” (Baz Luhrmann), “Avatar: O Caminho da Água” (James Cameron), “A Voz das Mulheres” (Sarah Polley) e “Triângulo da Tristeza” (Ruben Ostlund).

Para o Óscar de Melhor Realização competem Martin McDonagh, Daniel Kwan e Daniel Scheinert, Steven Spielberg, Todd Field e Ruben Ostlund. O ‘biopic” de Baz Luhrmann sobre Elvis Presley soma oito nomeações, nomeadamente para Austin Butler como Melhor Actor, e “Os Fablemans”, o filme semibiográfico de Steven Spielberg segue com sete nomeações, entre as quais para Melhor Banda Sonora, de John Williams. A cerimónia dos Óscares está marcada para 12 de Março, com apresentação de Jimmy Kimmel.

Berlim | Antropólogo de Macau exibe filmes locais em nova exposição

Cheong Kin Man, antropólogo natural de Macau e residente em Berlim há vários anos, promove amanhã a exposição intitulada “As Intervenções Utópicas nas Paisagens de Berlim”, que será acompanhada pela projecção de filmes de Macau, entre outros com origens diversas. Trabalhos de realizadores como Tracy Choi, Nancy Io ou Lei Cheok Mei serão dados a conhecer ao público berlinense

 

Habituado a dar a conhecer lá fora o nome de Macau e algumas das coisas feitas na área das artes, Cheong Kin Man, antropólogo, residente de Macau, volta a fazê-lo num novo projecto na capital alemã. Amanhã será apresentada, no Fórum da Sociedade Cooperativa de Berlim, a exposição “As Intervenções Utópicas nas Paisagens de Berlim”, uma mostra que nasce de um colectivo de artistas onde se inclui o próprio Cheong Kin Man. A acompanhar esta iniciativa será feita uma projecção de filmes de Macau e também outros internacionais.

Na lista de filmes inclui-se o documentário “Os Meus Dias num Apartamento”, de Lei Cheok Mei, que, para Cheong Kin Man, é de “excelente qualidade”. “Espero que o filme possa ser apresentado noutras exposições de artes na Alemanha e Polónia que vamos organizar”, adiantou o antropólogo. Destaque ainda para a exibição do filme “O Jogador que Perdeu o Sentido da Vida”, da aclamada realizadora Tracy Choi, que realizou este trabalho a convite do Centro de Aconselhamento sobre o Jogo e de Apoio à Família de Sheng Kung Hui. Este filme estreou em Macau em 2015 nos cinemas UA Galaxy.

Será também exibida a curta-metragem “Ma Ma”, de Nancy Io. Este é o resultado de um projecto desenvolvido pela realizadora no âmbito do mestrado em cinema que concluiu na Universidade Nacional de Artes de Taiwan.

O filme foi apresentado na edição de 2020 do Festival Internacional de Cinema de Macau, além de ter sido recentemente nomeado para um dos “Golden Harvest Awards”, em Taiwan. Serão ainda projectados dois filmes da autoria de Noah Ng, curador principal do Armazém do Boi, “Critical Moment and Participant” e “Ferriage”.

O cartaz encerra com a exibição de “Uma Ficção Inútil”, a etnografia viusal experimental de Cheong Kin Man que já correu o mundo, bem como filmes e vídeos de Deborah Uhde (Alemanha), Hengame Hosseini (Irão), James Bascara (EUA), Low Pey Sien (Malásia) ou Rusnė Dragūnevičiūtė (Lituânia).

Esta é a primeira vez que os trabalhos de Tracy Choi, Nancy Io, Noah Ng e Lei Cheok Mei são exibidos na Alemanha, sendo que todo o cartaz de exibições contará com comentários da cineasta alemã Deborah Uhde e da filósofa alemã Lisa Schmidt-Herzog.

Vídeos e companhia

Relativamente à mostra “As Intervenções Utópicas nas Paisagens de Berlim”, nasce de um colectivo de artistas berlinenses intitulado “Arbeitspause”, que em português significa “pausa no trabalho”, do qual faz parte Cheong Kin Man. Neste projecto, o antropólogo voltou a trabalhar com a artista polaca Marta Stanisława Sala, com quem já desenvolveu outras iniciativas artísticas, bem como com Johanna Reichhart, da Alemanha, e Marcos García Pérez, de Espanha.

O evento exibe 30 trabalhos de autores internacionais como colagens, desenhos, fotografias, instalações, trajectórias e vídeos. Uma fotografia do fotógrafo português Jorge Veiga Alves estará em exibição em conjunto com outros trabalhos das fotógrafas japonesas e americanas, Hoshino Saki e Jennifer Liu.

Inclui-se ainda, nesta mostra, uma colagem de Cheong Kin Man e Marta Sala, com o nome “Os Signos Utópicos”, que não é mais do que uma publicação com cerca de uma centena de ideogramas fictícios com uma linguagem “utópica”.
Esta mostra, bem como a exibição dos filmes de Macau, contam com o apoio do Fórum da Sociedade Cooperativa de Berlim, criada entre 1993 e 1994 e que reúne 49 cooperativas de habitação de Berlim e de Brandemburgo.

GP | FIA decide em Fevereiro sobre a Taça do Mundo de F3

Oficialmente, o Grande Prémio de Macau de 2023 ainda não consta do calendário internacional da Federação Internacional do Automóvel (FIA). Contudo, Gian Carlo Minardi, o presidente da Comissão de Monolugares da FIA, afirma que a reputação do Grande Prémio de Macau continua intacta e a confirmação do regresso da Taça do Mundo de Fórmula 3 da FIA ao Circuito da Guia deverá acontecer no próximo mês

 

“Existe actualmente o Campeonato de Fórmula 3 na pirâmide da FIA [cujo calendário já é conhecido], mas a Taça do Mundo está sujeita a confirmação na reunião da Comissão de Monolugares da FIA de 7 de Fevereiro”, esclareceu ao HM o presidente da Comissão de Monolugares da FIA, uma posição que no passado foi ocupada por Barry Bland, Gerhard Berger ou Michael Masi.

No paddock do Campeonato de Fórmula 3 da FIA, as equipas aguardam um anúncio para breve sobre o muito ansiado regresso do Circuito da Guia no mês de Novembro. Apesar da RAEM ter ficado afastada da rota das principais competições automóveis mundiais por três anos consecutivos, o apelo do seu evento não parece ter esmorecido.

“Não creio que três anos de inactividade tenham diminuído o prestígio do Grande Prémio de Macau, que foi sempre como uma final mundial da categoria”, esclarece o influente Gian Carlo Minardi, fundador da extinta Minardi, uma equipa que entrou no campeonato mundial de F1 em 1985 e que hoje, após duas trocas de proprietário, se chama Scuderia AlphaTauri.

Apesar do optimismo no retorno da Taça do Mundo, Gian Carlo Minardi voltou a tocar num ponto muito importante e que em 2019 foi motivo de várias discussões, a segurança do Circuito da Guia. “Talvez o foco devesse ser a segurança e se os actuais monolugares de F3 estão ou não sobredimensionados para estes circuitos urbanos, mas isso também depende de avaliações a serem abordadas pela Comissão de Segurança de Circuitos da FIA”, referiu o italiano.

Recorde-se que a introdução destes carros mais potentes na 4.ª edição da mais recente iteração da Taça do Mundo de F3 da FIA foi tudo menos consensual. Várias questões de segurança foram levantadas devido às elevadas velocidades que estes monolugares construídos pela Dallara atingem. Felizmente, a edição de 2019 correu dentro da normalidade, mas para ser aprovado, o Circuito da Guia teve que receber uma nova homologação da FIA, passando de Grau 3 para Grau 2 após algumas alterações pontuais no circuito.

F4 é para os nacionais

Nos últimos três anos a prova principal do Grande Prémio ficou entregue aos monolugares de Fórmula 4 do campeonato nacional chinês, mas a categoria introdutória para os jovens pilotos provenientes do karting não deverá ganhar um protagonismo muito maior no futuro. Em Outubro de 2016, a FIA registou na Direcção dos Serviços de Economia de Macau a marca “F4 World Final”, mas a visão de hoje da FIA para esta categoria de promoção é que esta esteja confinada a campeonatos nacionais ou regionais.

“Hoje, a F4 é a fórmula mais propedêutica do mundo, mas penso que neste momento deve permanecer em campeonatos nacionais e não se tornar num Campeonato Mundial ou combiná-la com a Fórmula 1 [como a Fórmula 3 e Fórmula 2]. Temos a tarefa de salvaguardar, não só a segurança, mas também os custos e permitir que o maior número possível de pilotos se aproxime do nosso desporto”, concluiu Gian Carlo Minardi.

CELAC | Xi Jinping apoia a integração da América Latina na cimeira

O Presidente chinês expressou ontem o apoio do país à integração regional da América Latina e do Caribe, no âmbito da VII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CELAC, realizada em Buenos Aires.

“A China atribui grande importância ao desenvolvimento das relações com a CELAC [Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos], que considera um parceiro importante para consolidar a unidade entre os países em desenvolvimento e promover a cooperação Sul – Sul”, afirmou Xi Jinping, numa mensagem gravada dirigida aos países membros.

O líder chinês observou que a China trabalhou activamente com a região para promover uma “nova era” nas relações entre os dois lados, caracterizada por “igualdade, benefício mútuo, inovação, abertura e bem-estar dos povos”.

“Um número crescente de países da América Latina e Caribe (ALC) estabeleceu ou restabeleceu relações diplomáticas com a China e está a trabalhar em conjunto com a China na construção da comunidade China – ALC com um futuro partilhado”, afirmou Xi Jinping.

O Presidente chinês também saudou a “construção conjunta” da iniciativa ‘uma faixa, uma rota’, o projecto internacional de infra-estruturas lançado por Pequim, e a participação da região na Iniciativa de Desenvolvimento Global e na Iniciativa para a Segurança Global, ambos promovidos pelo governo chinês.

Os países latino-americanos e caribenhos “são uma parte importante do mundo em desenvolvimento” e são “participantes activos na governação dos assuntos globais”, algo necessário num mundo que entrou num “novo período de turbulências e transformações”, apontou Xi.

“Estamos dispostos a manter a solidariedade com os países da região e a avançar juntos, valorizando os valores comuns da humanidade de paz, desenvolvimento, equidade, justiça, democracia e liberdade, e promover o desenvolvimento dos mercados mundiais”, afirmou.

Zâmbia | FMI confiante que credores internacionais cheguem a acordo

A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, disse na terça-feira em Lusaca estar “confiante” que possa ser alcançado um acordo entre a Zâmbia e os seus credores, incluindo a China.

Em 2020, a Zâmbia, um dos maiores produtores mundiais de cobre, foi o primeiro país africano a entrar em incumprimento no pagamento da sua dívida externa – estimada em 17,3 mil milhões de dólares – desde o início da pandemia de covid-19.

“Estou confiante de que os credores chegarão a um acordo” com o país, disse Georgieva numa conferência de imprensa em Lusaca, no decorrer de uma visita à Zâmbia. “Ficou claro para mim durante esta visita que a Zâmbia está a fazer o que deve, por isso encorajo fortemente os credores a seguir em frente”, acrescentou.

Washington fez pressões para obter da parte dos credores, particularmente da China, “a redução da dívida da Zâmbia”, disse na segunda-feira a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, também em Lusaca no decurso da visita que está a efetuar a vários países africanos.

A Zâmbia melhorou as relações com os seus credores internacionais desde a eleição em 2021 do Presidente Hakainde Hichilema, um antigo empresário, que prometeu erradicar a corrupção e ressuscitar a economia.

A dívida explodiu sob a Presidência de Edgar Lungu, que fez empréstimos maciços para financiar uma série de projectos de infraestrutura durante os seus seis anos na chefia do Estado.

Nigéria | Investimento de 1,3 mil milhões em porto financiado pela China

O investimento chinês no continente africano continua em alta com apoios financeiros em projectos de desenvolvimento de infra-estruturas

 

O Presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, anunciou na terça-feira a abertura de um porto marítimo em Lagos, um investimento de 1,5 mil milhões de dólares, financiado pela China, que ajudará ao crescimento da economia do país.

O Porto Lekki Deep Sea é um dos maiores da África Ocidental e criará centenas de milhares de empregos, além de aliviar o congestionamento de cargas que custa milhares de milhões de dólares em receitas anuais ao país, disse o governador de Lagos, Babajide Sanwo-Olu, na segunda-feira.

O porto, cujo terminal de contentores terá capacidade para movimentar pelo menos 2,5 milhões de unidades padrão de 20 pés por ano, será operado e gerido por uma ‘joint-venture’ (sociedade em parceria) criada entre o Governo nigeriano, o estado de Lagos, o Tolaram Group, com sede em Singapura, e a estatal China Harbor Engineering Company, em que as duas empresas estrangeiras têm uma participação maioritária de 75 por cento.

A Nigéria é a maior economia da África, mas o crescimento está estagnado há muitos anos por causa de infraestruturas precárias e má gestão. Embora tenha seis grandes portos marítimos, mais de 80 por cento das importações do país são movimentadas por apenas dois dos portos de Lagos, onde o congestionamento levou a uma enorme perda de receitas, já que as cargas são muitas vezes desviadas para outras nações da África Ocidental.

As autoridades do país dizem que o novo porto marítimo profundo na zona leste de Lagos desviará o tráfego dos portos congestionados e aumentará os ganhos, com benefícios económicos esperados de mais de 360 mil milhões de dólares para a economia nigeriana.

Mas alguns especialistas argumentam que trará uma “diferença mínima” se os obstáculos existentes não forem ultrapassados, incluindo a garantia de conexões entre portos e áreas interiores.

“Há uma rede ferroviária pobre e com pouco investimento e as estradas não estão em boas condições”, afirmou Ayotunde Abiodun, analista económico da empresa SBM Intelligence, com sede em Lagos.

Catapulta económica

O porto começa a operar com a chegada do primeiro navio comercial, no domingo, e o governador de Lagos disse que os barcos que atracam no porto “podem ter até quatro vezes o tamanho dos navios que actualmente atracam nos portos de Tin Can e Apapa”, os outros dois portos em Lagos.

O projecto impulsionará o desenvolvimento económico não apenas de Lagos, mas de todo o país, de acordo com Cui Jianchun, embaixador chinês na Nigéria.

“Este é (o) motor da economia não apenas para (o) governo de Lagos, mas também para a República Federal da Nigéria”, disse Jianchun. “Isso é capital de investimento. Não é um empréstimo”, frisou o diplomata. O porto tem um “potencial imenso” para a economia da Nigéria, que luta contra uma taxa de desemprego de 33 por cento e uma economia em crise, disse Abiodun.