Espaço | Pequim quer expandir estação e capacidade científica

A China prevê iniciar uma nova fase de expansão da sua estação espacial Tiangong, transformando a actual configuração em forma de “T” numa estrutura em cruz, para aumentar a capacidade científica e logística, informou a televisão estatal chinesa CCTV.

Segundo a CCTV, a ampliação integra o planeamento do programa espacial tripulado chinês e responde ao aumento do número de experiências, cargas científicas e necessidades operacionais acumuladas desde a entrada em funcionamento da estação.

A Tiangong, actualmente composta pelo módulo central Tianhe e pelos laboratórios Wentian e Mengtian, acolheu ou executou até agora 267 projectos científicos e de aplicação, acrescentou a CCTV.

No ano passado, a estação recebeu 86 novas experiências em órbita, cerca de 1.179 quilos de material científico, devolveu aproximadamente 105 quilos de amostras à Terra e gerou mais de 150 terabytes de dados.

Numa primeira fase, o plano prevê acrescentar um novo módulo multifuncional, que permitirá aumentar os pontos de acoplagem, facilitar a presença simultânea de várias naves e ampliar as áreas destinadas a experiências, armazenamento e actividades no exterior.

Especialistas citados pela CCTV indicaram que o crescimento da actividade científica tem conduzido a uma saturação gradual dos espaços e equipamentos disponíveis, ao mesmo tempo que o aumento das missões de abastecimento e da rotação de tripulações exige maior margem operacional e capacidade de resposta a contingências.

A expansão pretende também tornar as condições de vida e trabalho dos astronautas “mais confortáveis”, numa altura em que a China avança para permanências mais prolongadas em órbita e prepara missões com maior presença humana.

24 Jun 2026

Lai Ka-ying – a caminho das estrelas

Na vastidão do espaço e no âmbito da expansão do programa espacial nacional, um nome brilha intensamente: Lai Ka-ying, a primeira astronauta de Hong Kong.

Lai Ka-ying fez a licenciatura, o mestrado e o doutoramento na Universidade de Hong Kong. A sua tese de doutoramento focou-se no cibercrime e na informática forense. Depois de terminar os estudos universitários, Lai ingressou em 2012 na Unidade de Apoio Técnico (TSD sigla em inglês) do Gabinete de Informação Criminal da Polícia de Hong Kong na qualidade de técnica especializada tendo ascendido depois ao posto de superintendente.

A jornada espacial de Lai começou com a oportunidade histórica apresentada pela primeira selecção nacional de especialistas de Hong Kong e Macau em carga útil. Enfrentando critérios de selecção extremamente rigorosos, destacou-se entre centenas de candidatos excepcionais.

Este processo de selecção não analisava apenas os conhecimentos académicos, era também o derradeiro teste à adaptabilidade psicológica, à tolerância ao stress e à resistência física. Depois de várias rondas eliminatórias, que incluíram uma selecção preliminar, uma semi-final e uma selecção final, Lai, com o seu vasto conhecimento, resistência mental impecável, e físico excepcional, aprimorado depois de um treino intensivo, acabou por passar o rigoroso processo de selecção nacional e passou a fazer parte do quarto grupo de astronautas na reserva. Foi seleccionada para a missão espacial tripulada Shenzhou-23, tornando-se oficialmente a primeira astronauta de Hong Kong.

Até atingir este magnífico estrelato teve de percorrer um caminho cheio de escolhas e sacrifícios e o marido, Anson Ho, foi o seu maior apoio ao longo desta jornada. Anson, também ele com um excelente percurso profissional, é o pilar da família.

Quando soube que a mulher tinha sido seleccionada como astronauta e teria de se submeter a um treino à porta fechada, demorado e intensivo, em Pequim, não hesitou nem por um momento e tomou a decisão de desistir da sua carreira profissional em ascensão em Hong Kong. Para realizar o sonho da esposa de viajar pelo espaço, Anson tomou a responsabilidade de realojar a família em Pequim. Num ambiente completamente estranho, Anson organizou incansavelmente toda a logística complicada de instalar a família numa nova cidade, construindo um refúgio seguro para a mulher e os seus três filhos.

Esta não foi a primeira vez que Anson apoiou os sonhos de Lai. Ao longo do casamento, foi repetidas vezes o herói anónimo da jornada de Lai. No início do casamento, quando Lai escrevia até altas horas da noite a sua tese de doutoramento, Anson estava sempre presente, apoiando-a discretamente e partilhando todas as tarefas domésticas.

Desde essa altura, até aos dias de hoje, Anson esteve sempre presente para apoiar os seus sonhos. Em 2011, Lai manifestou publicamente o seu grande afecto pelo marido, durante a apresentação da tese de doutoramento, afirmando que ele “se dedicou totalmente e que a acompanhou no período mais difícil da sua vida,” acrescentando que “sem o meu marido, teria sido impossível terminar a tese.” Pode dizer-se que cada progressão na carreira de Lai, cada distinção que recebeu, são um testemunho dos incontáveis dias e noites de dedicação silenciosa do marido.

O sucesso de Lai assenta certamente nos seus extraordinários feitos académicos, nas suas capacidades excepcionais e na sua robustez física, mas o amor incondicional do marido e o seu apoio são-lhe indispensáveis. Em 2024, Lai foi oficialmente seleccionada como parte do grupo de astronautas da China, exigindo que fosse submetida a um treino intensivo em Pequim. Para permitir que a esposa embarcasse nesta aventura, Anson, no auge da sua carreira, demitiu-se da sua posição no Departamento de Autoestradas de Hong Kong.

Mudou-se para Pequim com os gémeos de 11 anos e a filha de 9, para cuidar da família. Este apoio transcende o amor romântico; é uma força poderosa, entrelaçada com profundo afecto e fortes laços familiares. É fácil imaginar as dificuldades que Anson enfrentou para cuidar de uma família numerosa ao mesmo tempo que apoiava a carreira espacial da mulher em Pequim. Um antigo provérbio chinês diz o seguinte,

“Os pais que amam os filhos planeiam o seu futuro; os casais que se amam criam um paraíso um para o outro.”

O poeta britânico Browning disse certa vez, “Ele subiu em direcção ao sol, e ela seguia-o de perto.”

Mas neste caso “Lai vai em direcção às estrelas, enquanto Anson guarda a família.” É o amor em estado puro que mantem a família unida, permitindo que as três crianças aprendam o que é a compreensão e a dedicação, ao mesmo tempo que aquece o coração de Lai mesmo quando ela tem de se confrontar com o tédio e as dificuldades dos treinos de adaptação às condições do espaço. Não admira que na entrevista que deu antes do lançamento da missão Shenzhou-23, Lai tenha agradecido ao marido pela sua dedicação e por desempenhar o papel de pai e de mãe, e por confortar a filha mais nova que lhe é chegada, quando lhe diz, “O Papá toma conta da nossa família, e a Mamã trabalha para o bem de todos.”

Em última análise, a família de Lai é uma pequena comunidade que prospera graças ao amor. Neste lar, o amor não se desgasta com a rotina diária. Pelo contrário, é temperado e fortalecido. Os laços familiares não enfraqueceram devido à distância geográfica; em vez disso, ainda se enraizaram mais. É precisamente por causa deste constante cuidado com o amor que esta família é saudável, feliz e resistente.

A jornada de Lai ao espaço é um “hino ao amor” composto pelo mais forte laço entre um casal e pela conjugação de esforços da família. A nação acolheu a primeira astronauta de Hong Kong, mas também acolheu esta família cheia de amor e carinho. A astronauta de Hong Kong e o seu marido encorajam-se e apoiam-se mutuamente, contribuindo para a felicidade da sua família. Por detrás desta grande astronauta está o lar mais caloroso e perfeito com que podemos sonhar.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
cbchan@mpu.edu.mo

9 Jun 2026

Shenzhou23 | Lançada nave com um dos três astronautas que ficará um ano no espaço

A missão, que leva agora três homens para o espaço, faz parte do projecto de enviar astronautas para a Lua até 2030

A China lançou domingo a nave Shenzhou 23 em direcção à estação espacial Tiangong, com três astronautas, incluindo um que permanecerá no espaço durante um ano, passo crucial na ambição de Pequim de enviar seres humanos à Lua até 2030. A nave espacial descolou domingo do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no noroeste da China, às 23:08 locais.

Este lançamento surge num momento em que a China se prepara para a sua primeira viagem tripulada à Lua até 2030 e acontece num cenário em que a China intensifica o seu programa espacial. A missão marca também o primeiro voo espacial realizado por um astronauta originário de Hong Kong.

Os astronautas da missão são o comandante Zhu Yangzhu, de 39 anos, engenheiro espacial, Zhang Zhiyuan, também de 39 anos, antigo piloto da Força Aérea, e Li Jiaying, de 43 anos, que trabalhava anteriormente para a polícia de Hong Kong.

A tripulação deverá realizar dezenas de projectos científicos e de aplicação, informou a comunicação social estatal.

Espera-se também que completem uma rotação em órbita com a tripulação da Shenzhou 21, que se encontra na estação espacial Tiangong há mais de 200 dias. Mas a principal particularidade da Shenzhou-23 reside na realização de uma estadia orbital de um ano inteiro por um dos três membros da tripulação.

Esta experiência permitirá, nomeadamente, estudar os efeitos de uma longa estadia em microgravidade. Trata-se de uma capacidade indispensável para a preparação de futuras missões lunares, ou mesmo marcianas.

O astronauta que será seleccionado para esta estadia de um ano será designado posteriormente, em função da evolução da missão Shenzhou-23, indicou no sábado um responsável da Agência Espacial de Missões Tripuladas da China (CMSA, na sigla em inglês). Até agora, as tripulações a bordo da Tiangong permaneceram, em geral, seis meses em órbita, antes de serem substituídas.

Na corrida

A missão Shenzhou-23 insere-se no objectivo chinês de colocar astronautas na Lua antes de 2030, uma corrida que os Estados Unidos também lideram com o seu programa Artemis.

Os equipamentos necessários para esta ambição encontram-se actualmente em fase de testes. A China deverá assim realizar, em 2026, o voo de teste em órbita da sua nova nave Mengzhou (“Nave dos Sonhos”), que deverá transportar os astronautas até à Lua.

Pequim espera construir, até 2035, a primeira fase de uma base científica habitada, denominada Estação Internacional de Investigação Lunar (ILRS, na sigla em inglês) e prevê, também, até ao final de 2026, receber a bordo da estação Tiangong o seu primeiro astronauta estrangeiro, que será paquistanês.

O gigante asiático desenvolveu consideravelmente os seus programas espaciais nos últimos 30 anos, para tentar alcançar o nível dos EUA, da Rússia ou da Europa. Os seus progressos são particularmente visíveis desde há uma década.

Em 2019, a China colocou uma sonda espacial (a Chang’e-4) na face oculta da Lua, uma estreia mundial, e, em 2021, fez chegar um pequeno robô a Marte. Os EUA são considerados o principal rival espacial da China, com a NASA a ter como objectivo levar astronautas à superfície lunar em 2028.

A estação espacial chinesa Tiangong, que se traduz como “Palácio Celestial”, acolheu pela primeira vez a tripulação do país em 2021. No ano passado, uma missão de emergência no âmbito do programa Shenzhou, que significa “Nave Divina”, resgatou uma equipa de astronautas que ficou retida na estação espacial devido a uma nave danificada.

26 Mai 2026

Espaço | Chang’e-6 oferece novas pistas sobre a dicotomia lunar

A investigação chinesa avança com novas provas sobre as possíveis causas que estiveram na origem da constituição do manto lunar

A missão chinesa Chang’e-6 trouxe novas provas sobre a origem da dicotomia entre as duas faces da Lua, ao revelar que um impacto gigantesco alterou a composição do manto lunar, segundo um estudo publicado ontem.

A investigação, liderada por cientistas do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências, baseia-se na análise isotópica de alta precisão de basaltos recolhidos pela Chang’e-6 na bacia Aitken do Polo Sul, a maior e mais antiga cratera de impacto do satélite, e foi divulgada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Os investigadores detectaram que as amostras provenientes da face oculta apresentam proporções significativamente mais elevadas do isótopo pesado do potássio em comparação com as rochas lunares recolhidas nas missões Apolo na face visível.

Depois de excluírem outros factores, como a irradiação por raios cósmicos ou processos magmáticos posteriores, a equipa concluiu que um grande impacto primordial, ocorrido há mais de 4.200 milhões de anos, provocou a perda de elementos moderadamente voláteis no manto lunar.

Segundo o estudo, as condições extremas de temperatura e pressão geradas durante esse evento favoreceram a evaporação dos isótopos mais leves, alterando de forma duradoura a química interna do satélite.

Essa perda de voláteis terá dificultado a geração de magma na face oculta, o que ajuda a explicar a sua menor actividade vulcânica e o seu relevo mais acidentado, em contraste com as vastas planícies basálticas do hemisfério visível a partir da Terra.

Novas missões na calha

Os cientistas sublinham que esta descoberta fornece novas pistas para compreender como os grandes impactos influenciaram não apenas a superfície, mas também a evolução interna da Lua nas suas fases iniciais. A missão Chang’e-6, lançada em maio de 2024, foi a primeira a recolher amostras da face oculta do nosso satélite natural.

A China prepara novas missões lunares não tripuladas, como a Chang’e-7, prevista para 2026 e com destino ao polo sul da Lua, e a Chang’e-8, programada para 2029 com a participação de 11 países, que estabelecerá as bases para futuras missões tripuladas.

O país asiático tem investido fortemente no seu programa espacial, com feitos como a primeira alunagem na face oculta da Lua, realizada pela Chang’e-4, e o envio da missão Tianwen-1 a Marte, que fez da China a terceira nação a alcançar o planeta vermelho, depois dos Estados Unidos e da extinta União Soviética.

14 Jan 2026

Espaço | Realizados 92 lançamentos espaciais em 2025

Os avanços científicos da China na exploração do espaço atingiram metas significativas em 2025. Além do lançamento de mais de 300 satélites, a missão Shenzhou-20 bateu recordes ao manter-se em órbita durante 204 dias

A China realizou, no total, 92 lançamentos espaciais ao longo de 2025, ano em que o programa aeroespacial chinês abrangeu missões tripuladas, a exploração do espaço profundo e o lançamento de satélites para fins comerciais.

De acordo com dados da Administração Espacial Nacional da China, citados sábado pela emissora estatal chinesa CCTV, mais de 300 satélites foram colocados nas órbitas planeadas durante o ano. Entre as conquistas técnicas de 2025, a missão Shenzhou-20 esteve em órbita durante 204 dias, o período mais longo até à data na histórica do programa espacial tripulado chinês.

A China realizou também o primeiro lançamento de emergência de sempre, em apenas 16 dias, com a missão não tripulada Shenzhou-22, após a detecção de fissuras na nave inicialmente prevista para o regresso, algo que colocou à prova a resposta rápida do sistema de voo tripulado.

A Shenzhou-21 estabeleceu um novo marco operacional ao completar uma acoplagem rápida em aproximadamente três horas e meia, reduzindo significativamente o tempo habitual para este tipo de missões. No campo da exploração científica, a sonda Tianwen-2 lançou a primeira missão da China para explorar um asteroide e trazer amostras de volta para a Terra, alargando o âmbito dos projectos espaciais do país.

O ano passado foi marcado também por avanços e testes em veículos de lançamento reutilizáveis, com voos de teste de novos foguetões, tanto do programa estatal como de empresas privadas, que colocaram com sucesso cargas úteis em órbita, embora não tenham ainda conseguido recuperar os propulsores. Testes que reflectem o ímpeto do sector espacial comercial chinês e os desafios técnicos que enfrenta no objectivo de reduzir custos e aumentar a frequência dos lançamentos, através da reutilização parcial de foguetões.

Salto em altura

Zhu Haiyang, executivo do grupo estatal Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China, defendeu que o “aumento tanto no número de lançamentos como no de satélites implantados” reflecte um “salto qualitativo” nas capacidades operacionais do sector.

Olhando para o futuro, a China planeia continuar os testes relacionados com o programa de pouso lunar tripulado, inicialmente previsto para 2030, lançar novas sondas lunares e apresentar novos modelos de foguetões. A China tem reforçado o seu programa espacial com missões ambiciosas como colocar a sonda Chang’e 4 no lado oculto da Lua e enviar a sonda Tianwen-1 a Marte, além de planos para construir, com outros países, uma base científica no polo sul lunar.

A chinesa Tiangong (Palácio Celestial, em chinês), projectada para operar durante pelo menos dez anos, poderá tornar-se a única estação espacial habitada no mundo quando a Estação Espacial Internacional for desactivada, previsto para o final da década.

5 Jan 2026

Tianwen-2 | Captadas novas imagens da Terra e Lua a 590.000 quilómetros

A operação da Tianwen-2 deverá durar mais de uma década e destina-se a trazer amostras de um asteroide para a Terra, além da exploração de um cometa, situado entre Marte e Júpiter

 

A Administração Nacional do Espaço da China (CNSA) divulgou ontem novas imagens da Terra e da Lua captadas pela sonda Tianwen-2, incluindo fotografias tiradas a 590.000 quilómetros de distância. “Depois de transmitidas para a Terra, as imagens foram processadas e produzidas por investigadores científicos”, anunciou a agência espacial chinesa no seu portal oficial.

A Tianwen-2, encontra-se há 32 dias em órbita, estando agora a mais de 12 milhões de quilómetros da Terra, com todos os sistemas a funcionar normalmente. Esta missão representa um marco importante para o programa espacial chinês, sendo a primeira destinada a recolher amostras de um asteroide e trazê-las para a Terra.

A ambiciosa operação, com duração prevista de mais de uma década, incluirá também a exploração do cometa 311P, situado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. A primeira fase da missão concentrar-se-á no asteroide 2016HO3, conhecido como 469219 Kamo’oalewa, considerado um quase – satélite terrestre devido à sua órbita próxima da Terra e em torno do Sol.

Plano de viagem

Segundo o plano estabelecido, a sonda deverá demorar cerca de um ano a alcançar o seu primeiro destino. Após a chegada, realizará manobras de aproximação e permanecerá em órbita do asteroide para identificar a zona mais adequada para recolha de amostras. Uma vez concluída esta operação, a nave regressará às proximidades da Terra, onde uma cápsula separada deverá trazer as amostras para estudo no final de 2027, antes de a sonda prosseguir viagem em direcção ao cometa 311P, localizado a cerca de 300 milhões de quilómetros do nosso planeta.

Este projecto enquadra-se no ambicioso programa espacial chinês, que já alcançou feitos notáveis como o pouso da sonda Chang’e 4 na face oculta da Lua – uma primazia mundial – e a chegada a Marte, tornando a China no terceiro país a conseguir esta proeza, após a antiga União Soviética e os Estados Unidos.

1 Jul 2025

Shenzhou-20 | Astronautas chineses completam segunda caminhada espacial

Os astronautas da missão chinesa Shenzhou-20 realizaram na quinta-feira a sua segunda actividade fora da estação espacial Tiangong, informou sexta-feira a Agência de Voo Espacial Tripulado da China.

Chen Dong e Chen Zhongrui saíram para o exterior a partir do módulo central da estação, onde permaneceram cerca de seis horas e meia, enquanto o terceiro membro da tripulação Wang Jie colaborou a partir do interior.

A operação contou com o apoio do braço robótico da Tiangong e da equipa de controlo terrestre, indicou a mesma fonte. A missão Shenzhou-20 foi lançada em Abril a partir da base de Jiuquan, no noroeste da China, e a tripulação permanecerá em órbita durante aproximadamente seis meses.

Durante esse período, os três astronautas vão conduzir experiências científicas, testes técnicos e novas actividades extra veiculares. A estação espacial Tiangong orbita a cerca de 400 quilómetros da Terra e foi concebida para operar durante, pelo menos, uma década.

Com o previsto fim da Estação Espacial Internacional, liderada pelos Estados Unidos e da qual a China foi excluída, a Tiangong poderá tornar-se brevemente na única estação espacial em funcionamento.

A China investiu fortemente no programa espacial nos últimos anos, tendo já conseguido aterrar a sonda Chang’e 4 no lado oculto da Lua – uma estreia mundial – e enviar uma missão a Marte, tornando-se o terceiro país, depois dos Estados Unidos e da antiga União Soviética, a conseguir aterrar no planeta vermelho.

O país asiático planeia ainda construir, em colaboração com a Rússia e outros parceiros, uma base científica no polo sul da Lua.

30 Jun 2025

Espaço | Missão de recolha de amostras de asteroide este mês

A sonda não tripulada Tianwen 2, concebida para realizar a primeira missão da China para recolher e trazer amostras de um asteroide, será lançada este mês, de acordo com a Administração Espacial Nacional chinesa.

O dispositivo foi transportado no domingo para a área de preparação de lançamento no centro espacial de Xichang, na província de Sichuan, onde serão realizadas verificações funcionais antes da descolagem, informou o jornal estatal China Daily.

A agência espacial chinesa disse que o lançamento vai ocorrer antes do final de Maio, sem adiantar mais detalhes. O Tianwen 2, composto por um orbitador e um módulo de reentrada, foi transportado para a instalação de Xichang no final de Fevereiro, e a equipa técnica concluiu o abastecimento e várias inspeções desde então.

A missão terá como alvo o 2016 HO3, também conhecido como 469219 Kamo’oalewa, que, embora orbite em torno do Sol e não da Terra, é o asteroide mais pequeno e mais próximo do planeta que foi identificado até ao momento.

O plano prevê que a sonda entre em órbita em torno do asteroide, onde permanecerá durante vários meses, após o que se aproximará o suficiente para utilizar um braço mecânico para recolher amostras da superfície.

Mistérios da evolução

Após esta fase, a sonda regressará à órbita da Terra e libertará o módulo de reentrada, que levará as amostras para a superfície do planeta. O asteróide 2016 HO3 foi detectado pela primeira vez em 2016 por um telescópio de observação de asteroides no Observatório de Alta Altitude de Haleakala, no Havai, Estados Unidos.

Os investigadores acreditam que pode conter informações importantes sobre as primeiras fases do sistema solar, incluindo aspectos da sua composição e evolução originais. A China investiu fortemente no programa espacial e pousou com sucesso a sonda Chang’e 4 no lado oculto da Lua — a primeira vez que tal foi conseguido — e tornou-se o terceiro país — depois da antiga União Soviética e dos Estados Unidos — a chegar a Marte.

Além disso, a China opera a sua própria estação espacial, Tiangong, que funcionará durante cerca de 10 anos e poderá tornar-se a única plataforma orbital em operação. A Estação Espacial Internacional — uma iniciativa liderada pelos Estados Unidos à qual a China está proibida de aceder devido aos laços militares com o seu programa espacial — deverá ser abandonada em 2030.

20 Mai 2025

Espaço | Adiado regresso de astronautas devido às condições climatéricas

A China adiou o regresso à Terra de três astronautas chineses que permanecem há seis meses na estação espacial devido às condições climatéricas, avançou ontem a imprensa local.

Os astronautas, Cai Xuzhe, Song Lingdong e Wang Haoze, deveriam ter aterrado ontem em Dongfeng, na região da Mongólia Interior, no norte da China, depois de terem estado meio ano no espaço. A aterragem foi adiada para “garantir a saúde e a segurança dos astronautas” porque as condições meteorológicas não eram as melhores, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua.

Os três foram enviados para a estação espacial chinesa Tiangong em Outubro do ano passado, e uma nova tripulação de astronautas chegou recentemente para os substituir.

Durante o seu tempo a bordo, os três astronautas chineses realizaram experiências e melhorias na estação espacial. Dois dos astronautas, Cai e Song, efectuaram uma caminhada espacial de nove horas, a mais longa de sempre, durante a sua missão, informou a agência responsável pelas missões espaciais tripuladas da China.

O país asiático construiu a sua própria estação espacial depois de ter sido excluída da Estação Espacial Internacional por preocupações com a segurança nacional dos Estados Unidos.

O programa espacial chinês tem crescido rapidamente nos últimos anos. A agência espacial chinesa já fez pousar um explorador em Marte e um robô do outro lado da lua. O seu objectivo é colocar uma pessoa na Lua antes de 2030.

No ano passado, dois astronautas norte-americanos acabaram por ficar presos no espaço durante nove meses depois de um voo de teste com a Boeing ter tido problemas e de a NASA ter determinado que era demasiado arriscado para os astronautas regressarem à Terra na mesma cápsula.

30 Abr 2025

Tiangong | Enviados três astronautas para substituir tripulação de estação espacial

A China enviou ontem três astronautas para substituir a tripulação da estação espacial chinesa Tiangong, prosseguindo assim o objectivo de enviar astronautas à Lua e ali construir uma base nos próximos anos.

Cercada por chamas e fumo, a nave espacial Shenzhou 20 descolou, como planeado, no foguetão Longa Marcha 2F, do centro de lançamento em Jiuquan, na orla do deserto de Gobi, no noroeste da China, às 17:17 horas para chegar à estação espacial cerca de 6,5 horas mais tarde.

A missão pretende contribuir para o ambicioso objectivo da China de colocar astronautas na Lua até 2030, seguido da construção de uma base lunar. Os astronautas da missão Shenzhou 20 são Chen Dong, Chen Zhongrui e Wang Jie e vão substituir três astronautas que se encontram actualmente na estação espacial chinesa.

Chen Dong, que já participou nas missões Shenzhou 11 e Shenzhou 14, é o líder do grupo, enquanto os seus dois companheiros de tripulação farão as primeiras viagens ao espaço. Chen Zhongrui era piloto da força aérea e Wang Jie trabalha como engenheiro da Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China. Chen Dong liderou a construção da estação espacial durante a missão Shenzhou 14.

Durante a permanência no espaço, os astronautas efectuarão experiências no domínio da medicina e da tecnologia espacial, realizarão missões na parte exterior e introduzirão melhorias na estação espacial. A China construiu a própria estação espacial depois de ter sido excluída da Estação Espacial Internacional devido a preocupações de segurança nacional dos Estados Unidos.

O programa espacial da China tem crescido rapidamente nos últimos anos. A agência espacial chinesa já fez pousar um robô explorador em Marte e um veículo espacial no lado oposto da Lua. A aterragem dos astronautas que regressam da estação espacial está prevista para 29 de Abril.

25 Abr 2025

Espaço | Astronauta local pode ter primeira missão em 2026

Os astronautas de Macau e Hong podem fazer a primeira viagem espacial no próximo ano. Depois de terem sido seleccionados em Julho do ano passado, a Agência Espacial Tripulada da China afirma que os astronautas se integraram rapidamente na equipa e trabalharam com afinco

 

Na véspera do lançamento da nave espacial Shenzhou-20, que irá transportar três astronautas para a Lua, o porta-voz da Agência Espacial Tripulada da China, Lin Xiqiang, confirmou que dois astronautas de Macau e Hong Kong estão em vias de fazer o seu primeiro voo espacial já no próximo ano. A missão irá marcar a estreia de residentes das duas regiões no espaço.

O porta-voz da agência disse no Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no deserto de Gobi, no nordeste do país, que os astronautas das regiões administrativas especiais (RAE) realizaram uma série de estudos e treinos físicos e psicológicos de acordo com os planos.

“Desde que se juntaram ao grupo, os astronautas de Hong Kong e Macau adaptaram-se rapidamente ao ambiente de trabalho e de vida, integraram-se rapidamente na equipa de astronautas, treinaram arduamente e todo o seu progresso de trabalho tem sido tranquilo”, disse, citado pela agência Xinhua.

“Actualmente, estão a realizar estudos e formação em tecnologia aeroespacial profissional. Como especialistas em carga útil, espera-se que os astronautas de Hong Kong e Macau realizem a sua primeira missão de voo em 2026, na melhor das hipóteses”, acrescentou Lin Xiqiang.

Viagem ao fim da noite

Os residentes de Macau e Hong Kong foram seleccionados no quarto lote de astronautas, uma equipa de 10 elementos, oito deles pilotos espaciais e os dois especialistas de carga útil.

Num processo que começou há quase um ano, os primeiros residentes das RAE que irão além da orbita terrestre foram escolhidos em Julho do ano passado para integrarem a equipa do quarto lote. Porém, as inscrições arrancaram em Outubro de 2022. Lin referiu ontem que os 10 astronautas vão continuar a receber formação no Centro de Treino e Pesquisa Espacial e que, após completarem a instrução, vão ficar aptos a integrar tripulações de voo.

Os especialistas em carga útil são investigadores científicos profissionais responsáveis pela realização de experiências e investigação científica. As suas tarefas incluem também a supervisão de operações diárias nas estações espaciais com outros astronautas.

24 Abr 2025

Espaço | Pequim quer plataforma de lançamento de foguetões electromagnéticos até 2028

O ambicioso plano de expansão espacial chinês procura diminuir despesas e promover um acesso ao espaço cada vez mais frequente

 

A China planeia desenvolver a primeira plataforma de lançamento de foguetões electromagnéticos do mundo até 2028, num projecto que procura reduzir custos e aumentar a frequência de acesso ao espaço.

O sistema, desenvolvido pela empresa privada Galactic Energy em colaboração com institutos de investigação estatais, o governo municipal de Ziyang e a China Aerospace Science and Industry Corporation (CASIC), utilizará ímanes supercondutores para acelerar os foguetões a velocidades supersónicas antes da ignição, numa estrutura semelhante a um comboio maglev, mas orientada verticalmente.

De acordo com os seus criadores, esta tecnologia duplicaria a capacidade de carga, reduziria significativamente os custos operacionais e facilitaria lançamentos mais frequentes com menos manutenção, adiantou na terça-feira o jornal de Hong Kong South China Morning Post.

O objectivo a longo prazo é tornar os lançamentos de foguetões tão frequentes, previsíveis e eficientes como as viagens diárias de comboio de alta velocidade, integrando-os numa infraestrutura tecnológica utilizada regularmente.

No entanto, os especialistas alertaram que ainda existem obstáculos técnicos, como a precisão de voo e a resistência térmica durante a subida inicial.

A plataforma de verificação está a ser construída pela CASIC e pelo governo de Ziyang. Em Setembro de 2023, um teste de levitação magnética utilizando supercondutores de alta temperatura atingiu uma velocidade de 234 quilómetros por hora numa pista de 380 metros, como parte das verificações técnicas iniciais do projecto.

Por explorar

Fundada em 2018, a Galactic Energy realizou 18 lançamentos bem-sucedidos do seu foguetão Ceres-1, com um total de 77 satélites colocados em órbita. O mais recente, a 21 de Março, colocou seis satélites meteorológicos numa órbita heliossíncrona.

A empresa está também a trabalhar no desenvolvimento do Ceres-2, com uma capacidade de carga útil até 3,5 toneladas, em comparação com os 400 quilogramas do modelo anterior. Em Setembro de 2023, no entanto, um dos seus lançamentos falhou devido a “desempenho anormal em voo”, de acordo com a empresa.

Poucos dias antes, a Galactic Energy tinha-se tornado a primeira empresa privada chinesa a realizar um lançamento bem-sucedido do mar.

Cientistas chineses já começaram a investigar sistemas semelhantes para o ambiente lunar, com o objectivo de transportar materiais como o hélio-3 da superfície do satélite terrestre utilizando catapultas eletromagnéticas, eliminando assim a necessidade de grandes quantidades de combustível.

Embora o plano ainda esteja numa fase preliminar, a iniciativa faz parte da estratégia do governo chinês para consolidar a sua indústria aeroespacial comercial.

A China tem investido fortemente no seu programa espacial nos últimos anos, alcançando marcos como o pouso da sonda Chang’e 4 no lado oculto da Lua, a chegada a Marte e a construção da estação espacial Tiangong, que irá operar durante cerca de dez anos.

27 Mar 2025

Espaço | Criada equipa de defesa planetária face a possível embate de asteroide

A China começou a reunir uma equipa de defesa planetária, na sequência da descoberta de um grande asteroide que poderá atingir a Terra dentro de sete anos, avançou ontem a imprensa local.

De acordo com o jornal South China Morning Post, a Administração Estatal de Ciência, Tecnologia e Indústria para a Defesa Nacional da China está à procura de profissionais com experiência em monitorização de asteroides e sistemas de alerta precoce. A iniciativa está em linha com a estratégia de defesa planetária mais alargada do país asiático, que inclui uma missão de desvio de asteroides planeada para 2027.

A China tem estado a trabalhar no desenvolvimento de tecnologias para seguir, analisar e potencialmente alterar a trajectória de objectos próximos da Terra. A NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA) tiveram programas semelhantes no passado. Na sexta-feira, a ESA actualizou para 2,2 por cento a probabilidade de o asteroide 2024 YR4 atingir a Terra em 2032, colocando-o no topo da lista de risco da agência.

O asteroide, com uma largura estimada entre 40 e 90 metros, foi descoberto pelo Instituto de Astronomia da Universidade do Havai no final de Dezembro. A descoberta activou mecanismos globais de resposta a asteroides, depois de as probabilidades de impacto com a Terra terem ultrapassado um limiar de monitorização internacional.

Defesa a três

O anúncio da Administração Estatal de Ciência, Tecnologia e Indústria para a Defesa Nacional da China visa o recrutamento de três profissionais para um “posto de defesa planetária”.

O centro, que é responsável pela investigação e implementação de engenharia aeroespacial e pela observação da Terra, está a recrutar licenciados para estudar a monitorização de asteroides e criar métodos de alerta precoce, de acordo com o anúncio, publicado na conta WeChat da revista China Space Science and Technology.

Existem vários métodos que podem ser utilizados para tentar impedir que um asteroide atinja a Terra. No primeiro teste de defesa planetária bem-sucedido do mundo, em 2022, a agência espacial norte-americana Nasa alterou a trajectória de um asteroide ao provocar um embate contra uma nave.

Os cientistas poderão seguir o 2024 YR4 até Abril de 2025, com a próxima oportunidade de observação a chegar em 2028. No início de Fevereiro de 2025, a NASA colocou o asteroide no nível 3 da Escala de Perigo de Impacto de Torino, uma classificação que indica uma situação que merece atenção, mas não preocupação imediata.

12 Fev 2025

China | Peixes-zebra sobrevivem 43 dias em estação espacial

Os peixes-zebra que acompanharam os astronautas na missão Shenzhou-18 na estação espacial da China, no ano passado, estabeleceram um recorde depois de sobreviverem 43 dias no espaço.

Sun Yonghua, investigador do Instituto de Hidrobiologia da Academia Chinesa de Ciências, na cidade de Wuhan, no centro do país, afirmou que a longevidade dos peixes no espaço “representa um avanço significativo no cultivo de vertebrados e plantas aquáticas no espaço”, avançou ontem o jornal oficial China Daily.

Em Abril, dois peixes-zebra machos e duas fêmeas, juntamente com plantas aquáticas do instituto, foram enviados na missão espacial tripulada Shenzhou-18 para a estação espacial chinesa Tiangong. Na estação, os astronautas recolheram amostras de água e alimentaram os peixes-zebra, observando “comportamentos anómalos”, como nadar de cabeça para baixo ou rodar e girar no ambiente de microgravidade, disse Sun.

Os cientistas e investigadores do instituto têm estado a utilizar amostras de água recuperadas e outras amostras de ecossistemas aquáticos fechados para analisar o impacto do ambiente espacial no crescimento, desenvolvimento e comportamento dos vertebrados.

A semelhança do genoma entre o peixe-zebra e o ser humano é de 80 por cento, o que o torna uma espécie importante para a investigação de doenças humanas. Segundo Sun, mais de 500 laboratórios em todo o país estão a realizar investigações e estudos sobre os peixes-zebra e outras espécies relacionadas.

O especialista Wang Gaohong, também investigador do instituto, salientou que, tal como os seres humanos, os peixes também enfrentam problemas de adaptabilidade quando sobrevivem num ambiente espacial.

“Os investigadores trabalharam para criar um ecossistema em que as plantas aquáticas produzem oxigénio através da fotossíntese para fornecer respiração aos peixes, e os excrementos dos peixes fornecem nutrientes às plantas aquáticas”, acrescentou.

Sun explicou que a comida dos peixes no espaço “é como pasta de dentes. Espreme-se um pouco na água para os peixes-zebra comerem, tentando não lhes dar demasiado, pois pode piorar a qualidade da água”.

Foco espacial

O peixe-zebra, também conhecido por ‘zebra danio’, é um tipo de peixe de água doce alongado, aparentado com a carpa e o barbo.

Até à data, foram implementados 181 projectos científicos e tecnológicos na Tiangong, que vão desde experiências biológicas ao desenvolvimento de novas tecnologias, informaram recentemente as autoridades do programa espacial chinês.

A Tiangong, que funcionará durante cerca de dez anos, poderá em breve tornar-se a única estação espacial do mundo se a Estação Espacial Internacional, uma iniciativa liderada pelos Estados Unidos à qual a China está impedida de aceder devido aos laços militares do seu programa espacial, for retirada em breve, como planeado.

A China investiu fortemente no seu programa espacial e conseguiu aterrar com sucesso a sonda Chang’e 4 no lado mais distante da lua – feito inédito – e outra sonda em Marte, tornando-se o terceiro país – depois dos Estados Unidos e da antiga União Soviética – a fazê-lo.

9 Jan 2025

China | Astronautas fazem passeio mais longo de que há registo no país

Dois astronautas da estação espacial da China realizaram o mais longo passeio espacial na história do programa aeroespacial do país, anunciou ontem a Agência de Missões Espaciais Tripuladas chinesa. Os astronautas Cai Xuzhe e Song Lingdong trabalharam no exterior da estação espacial na terça-feira sob a supervisão do parceiro, Wang Haoshe, que permaneceu no interior da nave espacial.

Cai e Song estiveram fora da estação durante cerca de nove horas, durante as quais instalaram dispositivos de protecção contra detritos espaciais e realizaram trabalhos de inspecção do equipamento, assistidos pelo braço robótico da estação e por uma equipa de controlo na Terra.

Esta foi a primeira missão exterior da actual tripulação da estação espacial Tiangong, cujo nome significa Palácio celestial, em mandarim. No entanto, foi a segunda caminhada espacial de Cai, que já integrou a tripulação da estação durante o segundo semestre de 2022. Song, de 34 anos, tornou-se o primeiro astronauta chinês nascido nos anos de 1990 a efectuar um passeio espacial.

Os três astronautas, que chegaram à estação espacial em Outubro a bordo da nave espacial Shenzhou-19, vão realizar uma série de experiências científicas e testes técnicos no espaço durante a missão de seis meses. A tripulação deverá também efectuar outros trabalhos no exterior da estação durante a estada, acrescentou a agência.

A única sobrevivente

A Shenzhou-19 é a décima nave espacial a visitar a Tiangong, que vai funcionar durante cerca de dez anos e possivelmente a única estação espacial do mundo a partir de 2024, se a Estação Espacial Internacional, uma iniciativa liderada pelos EUA à qual a China está impedida de aceder devido a laços militares do programa espacial, for retirada este ano, como planeado.

A China investiu fortemente no programa espacial e alcançou êxitos como a aterragem da sonda Chang’e 4 no lado mais distante da Lua – a primeira vez que tal foi conseguido – e a colocação de uma sonda em Marte, tornando-se o terceiro país – depois dos Estados Unidos e da antiga União Soviética – a fazê-lo.

19 Dez 2024

China | Tripulação da estação espacial volta a casa após seis meses no espaço

Três astronautas chineses regressaram ontem à Terra após uma estadia de seis meses na estação espacial Tiangong, no âmbito dos esforços da China para liderar a próxima era de exploração espacial. Um paraquedas aparou a descida da cápsula até uma zona de aterragem remota na região autónoma da Mongólia Interior. A tripulação emergiu depois de aterrar à 01:24 da manhã.

Nos últimos anos, o programa espacial do país trouxe de volta rochas da Lua e colocou uma sonda em Marte. O próximo objectivo é pôr uma pessoa na Lua até 2030, o que faria da China a segunda nação a fazê-lo, depois dos Estados Unidos.

Os astronautas da estação espacial regressaram após terem recebido na semana passada uma nova equipa de três pessoas para a última missão de seis meses. A nova equipa, composta por uma mulher e dois homens, vai realizar experiências, fazer caminhadas espaciais e instalar equipamento para proteger a estação de detritos espaciais.

Um funcionário da agência espacial disse em Abril que a Tiangong teve que realizar várias manobras para evitar detritos e perdeu parcialmente a energia quando os cabos de energia da asa solar foram atingidos por detritos, de acordo com a agência noticiosa oficial Xinhua.

A estação espacial Tiangong, que significa Palácio Celestial, foi concluída há dois anos e orbita a Terra.

Programa exclusivo

Até agora, apenas astronautas chineses foram para a estação espacial, mas um porta-voz da agência espacial disse na semana passada que a China está em discussões para seleccionar e treinar astronautas de outras nações para se juntarem às missões, informou a Xinhua.

Astronautas de várias nações já viajaram para a Estação Espacial Internacional, mas a China está impedida de participar nesse programa, principalmente por causa das preocupações dos EUA sobre o envolvimento do Exército chinês no programa espacial do país.

No mês passado, a China apresentou um plano ambicioso para se tornar líder na investigação científica espacial até 2050, em conjunto com os seus avanços na exploração espacial.

5 Nov 2024

Shenzhou-19 | Nave espacial tripulada acopla-se à estação espacial chinesa

A nave espacial chinesa Shenzhou-19, com três astronautas a bordo, acoplou-se ontem com sucesso ao módulo central Tianhe, da estação espacial Tiangong, anunciou a Agência Espacial de Missões Tripuladas da China.

A acoplagem foi concluída às 11:00, após um processo que demorou cerca de seis horas e meia, desde o lançamento da nave a partir da base de Jiuquan, no deserto do norte do país.

A tripulação da Shenzhou-19 é liderada por Cai Xuzhe, um veterano da missão Shenzhou-14, realizada em 2022. O astronauta é acompanhado por dois estreantes: Song Lingdong, antigo piloto da força aérea, e Wang Haoze, engenheira da Academia de Tecnologia de Propulsão Aeroespacial.

Os três astronautas vão entrar no módulo Tianhe, onde conviverão com a tripulação da Shenzhou-18, composta por Ye Guangfu, Li Cong e Li Guangsu, que se encontram na Tiangong desde Abril. As duas tripulações permanecerão juntas nos próximos dias até que os tripulantes da Shenzhou-18 iniciem a sua viagem de regresso à Terra.

Durante uma estadia de seis meses na estação, os astronautas da Shenzhou-19 vão efectuar investigação científica, incluindo testes para a construção de habitats lunares utilizando tijolos feitos de material simulado do solo lunar.

Esta é a oitava missão tripulada a visitar Tiangong, que funcionará durante cerca de dez anos e deverá tornar-se a única estação espacial do mundo a partir de 2024, se a Estação Espacial Internacional, uma iniciativa liderada pelos Estados Unidos, for retirada como planeado este ano.

Pequim reforçou o seu programa espacial com investimentos estratégicos, alcançando marcos importantes como a alunagem no lado mais distante da Lua com a sonda Chang’e 4 e a chegada a Marte, sendo o terceiro país a fazê-lo, depois dos Estados Unidos e da antiga União Soviética.

31 Out 2024

Shenzhou-19 | Pequim apresenta nova tripulação

A China revelou ontem as identidades dos membros da tripulação da missão Shenzhou-19, que parte amanhã para a estação espacial chinesa com a terceira mulher astronauta a bordo.

Os três astronautas são Cai Xuzhe, Song Lingdong e Wang Haoze. Cai será o comandante, anunciou a Agência Espacial Chinesa para Missões Tripuladas, numa conferência de imprensa organizada no Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no noroeste do país.

Cai já participou na missão Shenzhou-14, em 2022. Para Song e Wang, ambos nascidos na década de 1990, vai ser uma estreia no espaço. Antes de ser seleccionado como astronauta, Song serviu como piloto na força aérea, enquanto Wang foi engenheira na Academia de Tecnologia de Propulsão Aeroespacial, de acordo com a agência.

Wang seguirá os passos de Liu Yang, que se tornou a primeira astronauta chinesa a ir para o espaço em 2012, e Wang Yaping, que se tornou a segunda a fazê-lo, em 2013. A Shenzhou-19 vai descolar às 04:27 de amanhã, informou a agência.

A nave espacial transportará os astronautas para a estação espacial Tiangong, onde realizarão experiências, incluindo investigação sobre a construção de habitats lunares utilizando tijolos feitos de material simulado do solo lunar.

Cabeça na lua

A China, até agora o único país a ter pousado no lado mais distante da Lua, planeia construir uma base de exploração científica juntamente com a Rússia e outros países no polo sul do satélite natural.

Os membros da tripulação ontem revelados substituirão os três astronautas que chegaram à estação espacial chinesa a bordo da missão anterior, a Shenzhou-18, em Abril.

A Tiangong funcionará durante cerca de dez anos e tornar-se-á a única estação espacial do mundo a partir de 2024, se a Estação Espacial Internacional, uma iniciativa liderada pelos Estados Unidos à qual a China está impedida de aceder devido aos laços militares do seu programa espacial, for retirada este ano, como previsto.

A China investiu fortemente no seu programa espacial e conseguiu aterrar com sucesso a sonda Chang’e 4 no lado mais distante da Lua e chegar a Marte pela primeira vez, tornando-se o terceiro país – depois dos Estados Unidos e da antiga União Soviética – a consegui-lo.

30 Out 2024

Astronomia | Pequim revela plano para se tornar líder mundial em ciências espaciais até 2050

Os passos dados nos últimos anos, e o plano em marcha no domínio da ciência espacial, visam transportar o país para a liderança internacional no estudo do universo

 

A China revelou ontem um plano para se tornar líder mundial em ciências espaciais até 2050, aproveitando o seu progresso na exploração do espaço, que inclui já a construção de uma estação espacial e trazer rochas da lua.

“A investigação em ciências espaciais do nosso país está ainda numa fase inicial”, afirmou Ding Chibiao, vice-presidente da Academia Chinesa de Ciências, o principal instituto científico do país, em conferência de imprensa.

O plano, publicado conjuntamente com a Administração Espacial Nacional da China e o Gabinete de Engenharia Espacial Tripulada da China, visa realizar feitos marcantes “com uma influência internacional significativa”, que impulsionem avanços na inovação e transformem a China numa potência no estudo do espaço.

O Plano Nacional de Médio e Longo Prazo para o Desenvolvimento das Ciências Espaciais (2024-2050), dividido em três fases, prevê que a China realize entre cinco e oito missões científicas até 2027, com o objectivo de fazer descobertas significativas no domínio da astronomia de alta energia e da exploração de Marte e da Lua.

Entre 2028 e 2035, vão ser efectuadas 15 missões, incluindo algumas de especial relevância, na procura de planetas habitáveis e no estudo das ondas gravitacionais.

Na fase 2036-2050, o país aspira a realizar mais de 30 missões espaciais, com o objectivo de fazer progressos em domínios como a origem do universo e a exploração tripulada.

Entre as áreas prioritárias do plano está a investigação sobre a origem e a evolução do cosmos, o estudo das ondas gravitacionais para explorar fenómenos como a formação de buracos negros e a natureza do espaço-tempo e a ligação Sol-Terra, centrada na análise do impacto da actividade solar no clima espacial e na tecnologia da Terra.

Será dada ainda prioridade à procura de planetas habitáveis dentro e fora do sistema solar, investigando o seu potencial para albergar vida.

Rivais “extraterrestres”

Além de colocar em órbita uma estação espacial, a China já aterrou uma sonda em Marte. O seu objectivo é colocar uma pessoa na Lua antes de 2030, o que faria da China a segunda nação a fazê-lo, depois dos Estados Unidos. O país também planeia construir uma estação de investigação na Lua.

O programa lunar faz parte de uma rivalidade crescente com os Estados Unidos – ainda líder na exploração espacial – e outros países, incluindo o Japão e a Índia. Os Estados Unidos estão a planear colocar astronautas na Lua pela primeira vez em mais de 50 anos, embora a NASA tenha adiado a data prevista para 2026, no início deste ano.

Os EUA lançaram esta semana uma nave espacial numa viagem de cinco anos e meio com destino a Júpiter, onde tentará estudar uma das luas do planeta para ver se o seu vasto oceano oculto contém vida.

16 Out 2024

Espaço | Nova tripulação chega à estação espacial este mês

A China lançará a nave espacial tripulada Shenzhou-19 e receberá os taikonautas da Shenzhou-18 de regresso à Terra no final de Outubro, de acordo com a Agência Espacial Tripulada da China.

Segundo o plano de missão de Outubro da agência divulgado esta semana, a tripulação da Shenzhou-18, que está a bordo da estação espacial chinesa Tiangong, em órbita, concluirá este mês a missão espacial de seis meses e embarcará na viagem de volta à Terra, indica o Diário do Povo.

A tripulação da Shenzhou-18 é composta por três taikonautas do sexo masculino: Ye Guangfu, Li Cong e Li Guangsu. A tripulação foi lançada no espaço no dia 25 de Abril.

Durante o feriado do Dia Nacional, que dura uma semana, a tripulação da Shenzhou-18 está a esforçar-se para manter um equilíbrio regular e entre trabalho e vida pessoal. No entanto, o tempo é ocupado principalmente por uma carga de trabalho pesada, incluindo experiências científicas, recolha de dados e preparação para a chegada da nova tripulação e trabalhos de transferência.

De acordo com imagens recentes divulgadas pelo China Media Group, os três taikonautas da Shenzhou-18 expressaram a sua emoção com a iminente “reunião” na estação espacial, acrescenta a publicação estatal. Disseram que vão limpar os “quartos”, preparar “refeições de reunião” e garantir que os recém-chegados “se sintam em casa”.

8 Out 2024

Espaço | Pequim e Paris lançam satélite para seguir e analisar explosões de raios gama

A missão, que junta Ocidente e Oriente, tem como objectivo trazer mais alguma luz sobre as origens e evolução do Universo

 

A China e a França lançaram no sábado um satélite com a missão de seguir as “explosões de raios gama”, fósseis luminosos que deverão fornecer mais informações sobre a história do Universo.

Desenvolvida por engenheiros dos dois países, a missão denominada ‘Svom’ (Space-based multi-band astronomical Variable Objects Monitor), uma notável colaboração sino-ocidental no espaço, visa detectar e localizar estes fenómenos cósmicos muito distantes, com o seu poder monumental.

O satélite de 930 quilogramas contém quatro instrumentos (dois chineses e dois franceses) e foi lançado para o espaço por volta das 15:00 locais a bordo do foguetão chinês “Longa Marcha 2-C”, a partir da base espacial de Xichang, na província de Sichuan, segundo os jornalistas da AFP.

Em termos simples, as explosões de raios gama ocorrem geralmente após a explosão de estrelas maciças (mais de 20 vezes a massa do Sol) ou com a fusão de estrelas compactas.

As explosões mais poderosas do Universo, estas rajadas de radiação colossalmente brilhantes podem libertar energia equivalente a mais de um bilião de biliões de sóis.

“Observá-las é um pouco como voltar atrás no tempo, porque a sua luz demora muito tempo a chegar à Terra – vários milhares de milhões de anos para as mais distantes”, explicou à AFP Frédéric Daigne, cientista do Instituto de Astrofísica de Paris e um dos maiores especialistas franceses em explosões de raios gama.

Ao viajar pelo espaço, a luz passa também por diferentes gases e galáxias, levando consigo as suas impressões digitais. Trata-se de uma informação preciosa para compreender a história e a evolução do Universo.

“Também estamos interessados nas explosões de raios gama por si só, porque são explosões cósmicas muito extremas que nos dão uma melhor compreensão da morte de certas estrelas”, observou Daigne, também astrofísico.

A explosão mais distante identificada até agora ocorreu apenas 630 milhões de anos após o Big Bang, ou seja, 5 por cento da idade actual do Universo. Uma vez analisadas, as informações podem também ser utilizadas para compreender melhor a composição do espaço, a dinâmica dos gases e as outras galáxias.

Luta contra o tempo

O projecto é o resultado de uma parceria entre as agências espaciais francesa (Cnes) e chinesa (CNSA), em que participam igualmente vários organismos científicos e técnicos dos dois países.

Embora não seja rara, a cooperação espacial entre a China e o Ocidente não é muito comum a este nível, sobretudo desde que Washington proibiu a NASA de colaborar com Pequim no sector espacial, em 2011.

“As preocupações dos Estados Unidos com a transferência de tecnologia contribuíram para abrandar a colaboração entre os seus aliados e os chineses. Mas a colaboração ocasional concretiza-se”, disse à AFP Jonathan McDowell, astrónomo do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, nos Estados Unidos.

Em 2018, a China e a França lançaram em conjunto o CFOSAT, um satélite oceanográfico utilizado para a meteorologia marinha. Os países europeus também estão a participar no programa chinês de exploração lunar Chang’e.

Embora não seja “único” no seu género, o projeto ‘Svom’ continua a ser “importante” no contexto da colaboração espacial sino-ocidental, sublinha McDowell. O satélite, colocado na órbita terrestre a uma altitude de 625 quilómetros, enviará os dados para observatórios na Terra.

A principal dificuldade é o facto de as explosões de raios gama terem uma duração extremamente curta, pelo que os cientistas terão de correr contra o tempo para recolher a informação. Assim que o ‘Svom’ detecta uma explosão, envia um alerta a uma equipa que está de serviço 24 horas por dia.

Em menos de cinco minutos, terão então de accionar uma rede de telescópios terrestres que serão alinhados precisamente na direcção da fonte da explosão, para observações mais pormenorizadas.

23 Jun 2024

Espaço | Governo agradece primeiro astronauta de Macau em missão

A Administração Espacial Nacional da China anunciou ontem a participação de um astronauta de Macau no projecto espacial tripulado. O Executivo de Ho Iat Seng agradeceu o apoio do Governo Central e sublinhou a escolha do especialista em carga útil de Macau como uma honra e incentivo aos jovens

 

A Administração Espacial Nacional da China anunciou ontem a inclusão de um astronauta de Macau, e outro de Hong Kong, no quarto lote de astronautas de reserva do projecto espacial tripulado da China. A notícia foi recebida com rejubilo nas duas regiões administrativas especiais. Em Macau, o Executivo de Ho Iat Seng mostrou gratidão ao Governo Central.

Num comunicado divulgado ontem pelo Gabinete de Comunicação Social, o Governo da RAEM “agradece, com sinceridade, ao Governo Central pelo seu forte apoio e carinho à participação de Macau na indústria aeroespacial nacional, e saúda calorosamente a realização bem-sucedida da selecção do quarto lote de astronautas de reserva do projecto espacial tripulado da China”.

O Executivo destaca o “avanço importante” e o simbolismo da inclusão de um residente local que marca o “nascimento do primeiro especialista em carga útil de Macau”, assim como a “elevada importância e apoio do Governo Central à inovação científica e tecnológica de Macau”. Além de permitir que a região dê um salto no domínio da tecnologia e ciência aeroespacial, o Governo realça que a escolha do primeiro astronauta de Macau constitui “uma honra para a RAEM e um forte incentivo aos jovens locais”.

Continuar o caminho

A constituição do quarto lote de astronautas de reserva é descrita como sendo indissociável do trabalho árduo e do espírito de equipa dos quadros qualificados nacionais no domínio científico e tecnológico. Como tal, o Governo da RAEM garante que “irá colaborar proactivamente com a política nacional, reforçar a cooperação com o Governo Central e os serviços relacionados de forma a aprofundar intercâmbios e a cooperação no domínio da ciência e tecnologia aeroespacial”.

Na sequência da novidade anunciada pela Administração Espacial Nacional da China, o Governo de Macau reiterou o empenho em promover os novos avanços no domínio da inovação científica e tecnológica, assim como em formar mais quadros qualificados no domínio da ciência e pesquisa.

Finalmente, o Governo manifestou ainda o desejo de, “em conjunto com o Centro de Formação em Estudo Científico de Astronautas da China, dar os seus contributos para a indústria aeroespacial do país alcançar resultados mais brilhantes”.

11 Jun 2024

Espaço | Astronautas regressam à Terra após seis meses na estação espacial

O programa espacial chinês, que tem como objectivo colocar astronautas na Lua até 2030, tem ainda programadas mais quatro missões este ano

 

Uma nave espacial chinesa regressou à Terra na terça-feira com três astronautas que terminaram uma missão de seis meses a bordo da estação espacial em órbita do país, informou ontem a imprensa local. A nave Shenzhou-17, que transportava Tang Hongbo, Tang Shengjie e Jiang Xinlin, aterrou em Dongfeng, na Região Autónoma da Mongólia Interior, no norte da China, no deserto de Gobi, pouco antes das 18:00h.

A China construiu a sua própria estação espacial depois de ter sido excluída da Estação Espacial Internacional, em grande parte devido às preocupações dos Estados Unidos com a influência do Exército chinês sobre o programa espacial do país.

Este ano, a estação chinesa tem programadas duas missões de transporte de carga e duas missões de voos espaciais tripulados. O ambicioso programa espacial chinês tem como objectivo colocar astronautas na Lua até 2030, bem como trazer de volta amostras de Marte por volta do mesmo ano e lançar três missões com sondas lunares nos próximos quatro anos.

A nova tripulação é composta pelo comandante Ye Guangfu, com 43 anos, um astronauta veterano que participou na missão Shenzhou-13 em 2021, e pelos pilotos de caça Li Cong, 34 anos, e Li Guangsu, 36 anos, que se estão a estrear em voos espaciais.

Os astronautas vão passar cerca de seis meses nos três módulos da estação espacial, a Tiangong, que pode acolher até seis astronautas de cada vez. Durante a sua estadia, realizarão testes científicos, instalarão equipamento de protecção contra detritos espaciais, efectuarão experiências com cargas úteis e transmitirão aulas de ciências a estudantes na Terra.

A China também afirmou que planeia oferecer acesso à sua estação espacial a astronautas estrangeiros e turistas espaciais. Com a Estação Espacial Internacional a aproximar-se do fim da sua vida útil, a China poderá vir a ser o único país a manter uma estação tripulada em órbita.

Chegar à lua

A China realizou a sua primeira missão espacial com tripulação em 2003, tornando-se o terceiro país, depois da antiga União Soviética e dos EUA, a colocar uma pessoa no espaço utilizando os seus próprios recursos. A Tiangong foi lançada em 2021 e concluída 18 meses depois.

Acredita-se que o programa espacial dos EUA ainda tenha uma vantagem significativa sobre o da China devido ao seu orçamento, cadeias de abastecimento e capacidades. No entanto, a China tem-se destacado em algumas áreas, trazendo amostras da superfície lunar pela primeira vez em décadas e pousando uma sonda no lado da Lua não visível a partir da Terra.

Os Estados Unidos pretendem colocar uma tripulação na superfície lunar até ao final de 2025, no âmbito de um compromisso renovado com as missões tripuladas, com a ajuda de empresas do sector privado como a SpaceX e a Blue Origin.

2 Mai 2024

Reveladas primeiras imagens do cosmos obtidas pela sonda Einstein Probe

A China divulgou ontem as primeiras imagens obtidas pela sua sonda espacial Einstein Probe, um satélite que oferece uma nova perspectiva sobre fenómenos cósmicos violentos como as colisões de estrelas de neutrões e a actividade dos buracos negros.

As primeiras imagens, divulgadas no Fórum Zhongguancun, em Pequim, mostram vários objectos celestes, incluindo a região central da Via Láctea, o buraco negro supermassivo M87 e restos de supernovas, informou ontem a emissora estatal CCTV.

Entre as onze imagens reveladas, que mostram objectos próximos do centro da Via Láctea, o buraco negro supermaciço M87 e restos de supernovas, destacam-se 17 novos transientes de raios X e 168 erupções estelares.

Lançada em Janeiro deste ano, a sonda está equipada com dois telescópios de raios X: um telescópio de campo amplo e um telescópio de rastreio. Esta combinação permite efectuar observações em grandes áreas, ao mesmo tempo que se concentra em eventos específicos de alta resolução.

“A capacidade (da sonda Einstein) de observar quase todo o céu nocturno em cerca de cinco horas com alta sensibilidade torna-a num instrumento ideal para detectar eventos transitórios imprevisíveis de raios X”, disse o cientista de projeto da ESA, Erik Kuulkers, citado pela CCTV.

Conquistas espaciais

A Einstein Probe é um projecto de colaboração internacional liderado pela Academia Chinesa de Ciências, com a participação da Agência Espacial Europeia (ESA), do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre da Alemanha e do Centro Nacional de Estudos Espaciais de França.

Este projecto vem juntar-se às recentes conquistas espaciais da China, que incluem o pouso da sonda Chang’e 4 no lado mais distante da Lua, a exploração de Marte e a construção da sua própria estação espacial, Tiangong. A ambição espacial da China continua a crescer, com a possibilidade de Tiangong se tornar na única estação espacial em funcionamento, caso a Estação Espacial Internacional, tal como previsto, seja retirada.

29 Abr 2024