Canídromo | Pedido ponto de situação sobre conversão

O deputado da FAOM, Leong Sun Iok, está preocupado com a falta de instalações desportivas nas zonas mais povoadas do território e pediu um ponto de situação sobre a conversão do Canídromo Yat Yuen. Leong Sun Iok sugere também a construção de uma via verde ao longo da orla costeira

 

Tirando o Centro Desportivo de Mong-Há, as zonas centro e norte da península de Macau estão mal servidas em termos de instalações para a prática do desporto. A distribuição pouco equilibrada de espaços desportivos nas zonas mais povoadas, é um dos principais pontos de partida da interpelação escrita de Leong Sun Iok, divulgada ontem.

“De acordo com os Censos 2021, as zonas mais densamente povoadas de Macau eram as zonas da Areia Preta, de Iao Hon, da Doca do Lam Mau e de San Kio, contudo, nas imediações, há apenas um único complexo desportivo – Centro Desportivo Mong Há – para uso público. Desde a apresentação da proposta respeitante à transformação do Canídromo num parque desportivo, nada se viu até ao momento”, argumenta o deputado.

O Canídromo Yat Yuen é visto pelo legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) como um projecto essencial para uma das áreas com mais concentração de pessoas. Como tal, aponta que ainda não existe um plano de pormenor para a construção do prometido parque cívico de desporto e que os trabalhos não avançam.

Para já, “a Direcção dos Serviços de Obras Públicas está apenas a proceder à abertura do concurso para a concepção preliminar desse parque, e o projecto pormenorizado de concepção, o modo de funcionamento e o calendário da conclusão das obras ainda não foram finalizados”, aponta Leong Sun Iok.

Recorde-se que no ano passado, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, indicou que seriam construídos no antigo Canídromo “um campo de futebol e de pista de atletismo oficial, um centro desportivo de vários pisos equipado com piscina coberta oficial de 50 metros com água aquecida, campo de futsal, campo de basquetebol, campo de badminton, mesas de ténis-de-mesa e sala multifuncional”.

Porém, perante a falta de dinâmica no projecto, Leong Sun Iok pede ao Governo um ponto de situação, sugerindo a construção de instalações de “desportos que estão na moda”, como escalada e skate.

Volta a Macau em bicicleta

Outro dos projectos em que o deputado da FAOM gostaria de ver avanços é a ligação através de uma ponte da Zona de Lazer da Marginal da Taipa (Pista de Bicicletas) à Pista de Bicicletas “Flor de Lótus”. O Instituto para os Assuntos Municipais afirmou no ano passado que iria auscultar as opiniões dos serviços competentes sobre a concepção da ligação. Ora, Leong Sun Iok quer também saber em que ponto está este projecto e se existe um calendário para a sua concretização.

Neste capítulo, o deputado sublinha que “falta um plano de pormenor dos terrenos que se destinam à construção do ‘Ocean World’”, propondo um estudo de viabilidade à construção de “uma via verde da orla costeira” para ligar as suas ciclovias à pista de bicicletas de Coloane.

Em relação ao atletismo, o deputado da FAOM refere que a pista de atletismo do Centro Desportivo Olímpico – Estádio só está aberta ao público das 06h às 08h e pergunta se este horário pode ser alargado.

IAS | Optimização de empresas sociais em estudo

Hoi Va Pou, presidente substituta do Instituto de Acção Social (IAS), garantiu, em resposta a uma interpelação do deputado Ma Io Fong, que será estudada a optimização das empresas sociais, no que diz respeito ao financiamento concedido para a contratação de idosos e portadores de deficiência.

“Com a pandemia as empresas sociais têm vindo a encarar novos desafios, pelo que as partes envolvidas necessitam de ponderar, de forma séria, estratégias e modelos de gestão. O IAS irá continuar a observar a situação de funcionamento das existentes duas empresas sociais para idosos subsidiadas, estudando futuros planos de aperfeiçoamento e formas viáveis de promoção do desenvolvimento das empresas sociais.”

Assim, o IAS “terá em atenção a contribuição dos equipamentos sociais e das empresas privadas, permitindo a cooperação conjunta no pedido de apoio financeiro para a criação de projectos, combinando as vantagens do sector social e privado”.

Até à data foram lançados três planos de financiamento para uma maior empregabilidade de portadores de deficiência e idosos com capacidade activa, os quais definem condições de recrutamento e percentagem de trabalhadores com estas características específicas.

Zona A | Consulta pública focada nos transportes e habitação

Está concluída a consulta pública relativa à Unidade Operativa de Planeamento e Gestão Este – 2, da zona A dos Novos Aterros e zona leste da península. Em termos gerais, mais de 50 por cento dos participantes concordou com o conteúdo proposto pelo Executivo, sendo que matérias como transportes, mobilidade e condições de habitabilidade receberam mais atenção da parte dos residentes

 

Grande parte dos residentes que participaram na consulta pública relativa ao plano de pormenor da UOPG Este – 2 [Unidade Operativa de Planeamento e Gestão], ou seja, sobre o desenvolvimento urbanístico da zona A dos Novos Aterros e zona leste da península, concordam com os pontos propostos pelo Executivo.

Os resultados divulgados ontem revelam que mais de 50 por cento dos participantes diz concordar com 18 dos 20 pontos apresentados, enquanto 40 por cento teve uma posição neutra. Apenas dez por cento mostrou discordância face a algumas ideias propostas pelas autoridades.

Acima de tudo, os participantes revelaram estar mais preocupados com a forma como será proporcionada a mobilidade e como irá operar o sistema de transportes nesta zona que terá, além de habitações, escolas e muitos equipamentos sociais.

Uma nota da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana revela que as opiniões “mais importantes incidem sobre o planeamento de transportes, as instalações públicas, o lazer, o passeio ecológico, os espaços subterrâneos, a gestão dos espaços comerciais e o arrendamento das habitações públicas”.

Em primeiro lugar, com 368 opiniões favoráveis, surge a proposta de criar o Metro Ligeiro como linha de eixo central e uma rede viária com duas faixas viárias transversais e duas faixas viárias longitudinais. Tudo para “criar um sistema de transportes diversificado, através da interligação do sistema de mobilidade suave” nesta zona.

Outra ideia, que reuniu 346 opiniões, passa por “apetrechar as instalações públicas necessárias”, tal como “os equipamentos culturais, recreativos e desportivos, educativos e de saúde”, a fim de “promover a complementaridade com os bairros existentes em termos de instalações públicas”.

Com 302 opiniões, surge ainda a defesa de construção de uma “nova zona com boas condições de habitabilidade, uma zona comercial na entrada da cidade e edificações costeiras simbólicas”, sendo importante “apresentar várias estratégias de desenvolvimento” neste sentido.

Análise e lei

A consulta pública em questão foi realizada entre os dias 7 de Outubro e 5 de Dezembro do ano passado, tendo sido recebidas da parte dos residentes, por sua iniciativa, 385 opiniões, num total de 6170 posições apresentadas.

Caberá agora ao Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) pronunciar-se sobre o projecto do plano de pormenor no prazo de 60 dias, sendo que, no prazo de 90 dias a contar da data de recepção do parecer do CPU, a DSSOP procede à análise global das opiniões e sugestões apresentadas pelo público e pelo CPU, elaborando o relatório final submetido posteriormente ao Chefe do Executivo, para que seja iniciado o processo legislativo.

UnionPay ultrapassa Visa em percentagem de transações globais com cartão de débito

A UnionPay, a maior empresa de cartões de pagamento da China, ultrapassou o Visa pela primeira vez, em 2022, assegurando 40,03% das transações globais com cartões de débito.

Os cartões de débito da UnionPay somaram uma participação de mercado de 40,03%, ultrapassando o sistema de pagamentos Visa, que se fixou em 38,78%, de acordo com um relatório do Nilson Report, citado pelo jornal oficial chinês Global Times.

As transações com cartões de débito representaram 63,88% de todas as transações de compra realizadas em 2022, refletindo a crescente preferência dos consumidores por essa forma de pagamento.

A UnionPay, cujos cartões em Portugal são emitidos pelo banco Millennium BCP, manteve a sua posição como líder em gastos com bens e serviços por meio de cartões de débito por dez anos consecutivos.

A participação de mercado do Visa em transações com cartões de débito tem diminuído constantemente, caindo de 80%, em 2011, para 39,53%, em 2021, de acordo com os dados do relatório, em contraste com o aumento de quase zero para 38,68% da UnionPay, no mesmo período de tempo.

A subsidiária da UnionPay, a UnionPay International, estabeleceu parcerias estratégicas com mais de 2.500 instituições financeiras em todo o mundo, permitindo que a empresa expandisse a utilização dos seus cartões em 181 países e regiões.

A moeda chinesa, o yuan, passou também por um processo gradual de internacionalização, tornando-se a quinta moeda de pagamento mais utilizada, a terceira mais usada em liquidações comerciais e a quinta maior moeda de reserva.

No mês passado, o yuan superou o dólar norte-americano nas transações transfronteiriças da China pela primeira vez, atingindo a sua maior participação histórica, de 48%, enquanto o uso do dólar caiu para 47%.

Em 2010, a China dependia quase exclusivamente do dólar para esse tipo de operação, com um uso de 83%.

A China quer aumentar o uso do yuan em transações transfronteiriças e estabeleceu acordos com Brasil, Chile, Argentina, Arábia Saudita e Rússia para promover a participação da sua moeda no comércio mundial, que atualmente está em 2,3%, de acordo com o sistema Swift.

Primeiro carregamento de lítio brasileiro chega à China

O primeiro carregamento de lítio vindo do Brasil, um metal raro vital para o fabrico de baterias para automóveis elétricos, chegou à China, anunciou hoje a imprensa chinesa.

A primeira remessa, com 55 mil toneladas de carbonato de lítio, chegou ao porto de Quanzhou, na província de Fujian, no sudeste da China, avançou o Quanzhou Business News.

O jornal financeiro sublinhou que dada a escassez de lítio, a alfândega de Quanzhou “permitiu de imediato” o desalfandegamento do minério, “para garantir que pode ser colocada em produção o mais depressa possível”.

“A abertura deste canal internacional de comércio criou uma sólida base para a chegada futura de mais matérias-primas, incluindo carbonato de lítio, em Quanzhou”, disse um porta-voz do armador chinês que transportou o minério do Brasil.

Este que foi também o primeiro carregamento de lítio importado pela China este ano chegou a Quanzhou a 15 de maio após mais um mês de viagem, disse o chefe da alfândega do porto chinês, He Jiaqing.

Em fevereiro, o jornal brasileiro Globo avançou que a primeira remessa de carbonato de lítio brasileiro, estimada em 15 mil toneladas, deveria partir de Ilhéus, no estado da Bahia, no nordeste do Brasil, com destino à China em abril.

O lítio foi extraído pela empresa Sigma Lithium nas áreas de Araçuaí e Itinga, na região do Vale do rio Jequitinhonha, uma das regiões mais pobres do Brasil, situado no estado de Minas Gerais, no sudeste do país.

A Sigma pretende extrair 766 mil toneladas de lítio por ano na região, onde se encontram as maiores reservas minerais de lítio do Brasil.

Minerais como o lítio são considerados essenciais para a concretização da designada “transição energética” das economias mundiais dependentes de combustíveis fósseis para sistemas de produção e de consumo menos poluentes e baseados em fontes renováveis.

No ano passado, foram vendidos na China quase seis milhões de carros elétricos, mais do que em todos os outros países do mundo juntos.

A dimensão do mercado chinês propiciou a ascensão de marcas locais, incluindo a BYD, NIO ou Xpeng, que ameaçam agora o ‘status quo’ de uma indústria dominada há décadas pelas construtoras alemãs, japonesas e norte-americanas.

Em 2014, o líder chinês, Xi Jinping, afirmou que o desenvolvimento de carros elétricos era a única forma de a China se converter numa “potência do setor automóvel”.

O país estabeleceu então como meta que os carros elétricos deviam representar 20% do total das vendas até 2025. Esse valor foi ultrapassado no ano passado, quando um em cada quatro veículos vendidos na China era elétrico.

Milhares de pessoas retiradas de localidades nas Filipinas devido à aproximação do tufão Mawar

As autoridades filipinas começaram hoje a evacuar localidades, com a retirada de milhares de pessoas, a encerrar escolas e escritórios e a proibir a navegação devido à aproximação do tufão Mawar às províncias do norte do país.

De acordo com as autoridades, o tufão está com ventos de 155 quilómetros por hora e rajadas até 190 quilómetros por hora, mas os dados apontam para que a região montanhosa seja poupada de um “impacto direto”.

As projeções atuais mostram que o tufão está a dirigir-se para nordeste, em direção a Taiwan ou ao sul do Japão.

Embora se espere uma desaceleração considerável, as autoridades filipinas alertaram para as perigosas marés, inundações repentinas e deslizamentos de terra à passagem do tufão pela província de Batanes, no extremo norte, de terça a quarta-feira, refere a agência noticiosa Associated Press.

Exército, polícias, bombeiros e grupos de voluntários estão de prontidão para operações de busca e resgate nas províncias do norte e mais de um milhão de pacotes de alimentos foram preparados para qualquer contingência, segundo as autoridades.

Mais de 4.800 pessoas foram retiradas para abrigos de emergência em Cagayan, Batanes e outras províncias.

O Mawar, localmente denominado de Betty, aproximou-se no sábado da costa filipina, com o Governo a prever chuvas fortes, inundações e deslizamentos de terra no norte do arquipélago.

Perante estas previsões meteorológicas, a Unicef preposicionou material e equipamentos de emergência para quase 10.000 famílias, destinados a responder às necessidades das pessoas afetadas por estragos com impacto em água potável, saneamento, higiene, nutrição, educação e proteção infantil.

Este é o segundo ciclone tropical na zona das Filipinas em 2023 e o primeiro supertufão, com o arquipélago a esperar até dez fenómenos do género este ano, devido ao El Niño, que aquece as águas do Pacífico e provoca a formação de mais ciclones.

A tempestade atingiu, na noite de quarta-feira, a ilha de Guam, território norte-americano não incorporado na Micronésia, onde deixou um rasto de destruição, embora não tenham sido registadas vítimas mortais ou feridos graves.

Turquia/Eleições: Pequim felicita Erdogan pela sua reeleição

A China felicitou hoje Recep Tayyip Erdogan pela vitória na eleição presidencial da Turquia, no domingo, e o seu novo mandato de cinco anos como chefe de Estado do país.

“A China felicita o presidente Erdogan pela sua reeleição”, disse a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning.

“Encorajamos a Turquia a seguir o caminho de desenvolvimento que se adapte às suas circunstâncias nacionais e esperamos que a Turquia continue a avançar no seu desenvolvimento sob a liderança do presidente Erdogan”, acrescentou a porta-voz.

Mao Ning acrescentou que Pequim “atribui grande importância às suas relações com a Turquia”. “Nos últimos anos, sob a liderança dos dois chefes de Estado, os dois países desenvolveram uma cooperação que tem dado frutos em várias áreas, em benefício dos nossos dois povos”, continuou.

“A China está disposta a trabalhar com a Turquia para elevar o relacionamento estratégico para novos patamares”, acrescentou o porta-voz.

Xangai registou dia de Maio mais quente em 100 anos

Xangai registou hoje a temperatura mais alta atingida durante o mês de Maio, no espaço de cem anos, anunciou hoje o departamento meteorológico da cidade, situada no leste da China.

“Às 13:09, a temperatura na estação Xujiahui atingiu os 36,1 graus, quebrando um recorde de 100 anos para a temperatura mais alta registada em maio”, informou o serviço meteorológico oficial.

Algumas horas depois, a estação meteorológica no centro de Xangai atingiu 36,7°C, segundo a mesma fonte. A temperatura bateu assim em um grau o recorde anterior que tinha sido registado quatro vezes, em 1876, 1903, 1915 e 2018.

Em meados de Maio, a ONU alertou que o período 2023-2027 será quase certamente o mais quente de sempre registado na Terra, sob o efeito combinado dos gases de efeito estufa e do fenómeno climático El Niño.

Espera-se que as temperaturas globais ultrapassem em breve a meta mais ambiciosa dos acordos climáticos de Paris, alertou a Organização Meteorológica Mundial.

Inteligência artificial será tecnologia omnipresente dentro de dez anos, diz cientista

O cientista português Tiago Ramalho, antigo engenheiro na Google DeepMind Technologies, disse numa entrevista à Lusa que “daqui a dez anos” a população mundial já não vai “imaginar o que é a vida sem inteligência artificial”.

O diretor executivo e co-fundador da Recursive, uma startup com sede no Japão, acredita que, como “o campo está a mover-se tão rapidamente”, dentro de cinco anos, a inteligência artificial estará “incluída na maioria dos produtos e serviços”.

Dentro de uma década, a inteligência artificial tornar-se-á “uma tecnologia ubíqua”, disse Ramalho, a começar pelo processamento de linguagem natural, incluindo o ChatGPT e outros modelos capazes de gerar textos complexos.

O português defendeu que, nos últimos dois anos, a tecnologia chegou a um ponto em que “até funciona bastante bem” e a evolução tornou-se “um problema de engenharia”.

Ou seja, explicou Ramalho, o desafio será como aumentar o número e qualidade das bases de dados, reduzir os custos para obter uma resposta e adaptar os modelos “se calhar até para os telemóveis”.

De acordo com um estudo publicado em março por investigadores da Microsoft, a popularização da inteligência artificial vai afetar profissões sobretudo nas áreas de telemarketing, contabilidade, tradução, ensino e programação.

“Quando há uma transição tecnológica, há sempre pessoas que vão ficar prejudicadas e outras que vão beneficiar”, admitiu Tiago Ramalho, que acredita que “o resultado final tende sempre a ser positivo”.

Alguns cientistas acreditam que uma inteligência artificial com consciência poderá ser outro perigo. Um deles, o engenheiro da Google Blake Lemoine, disse em junho de 2022 que o modelo linguístico LaMDA da gigante tecnológica estava “vivo”.

A Google rejeitou as alegações de Lemoine e também Tiago Ramalho acredita que o LaMDA está simplesmente a “responder seguindo o contexto que está a receber” e a “fazer um bocadinho de encenação”.

“Se lhe perguntarmos ‘estás a sofrer fechado neste quadro de dados’, irá responder como numa história do Isaac Asimov (1920-1992)”, disse o português, referindo-se ao escritor de ficção científica.

“Ainda falta muito tempo” até à criação de uma inteligência artificial com “um diálogo interno, com preferências e valores e que não dependem das interações com seres humanos”, defendeu Ramalho.

O cientista considera que “o mais realista é os humanos co-evoluírem com a tecnologia”, construindo uma sociedade com os benefícios de “uma simbiose entre agentes inteligentes de silicone” e humanos.

Ramalho dá como exemplo a tecnologia AlphaFold, da Google DeepMind, que “permite perceber a estrutura de uma proteína baseada no código genético”. “Isso é um problema que um humano simplesmente não consegue resolver”, sublinhou.

A Recursive, atualmente com cerca de 40 trabalhadores, está também a usar inteligência artificial para ajudar as empresas japonesas a criarem modelos de negócios sustentáveis, explicou o português.

A startup está, por exemplo, a otimizar as entregas ao domicílio de um grupo e a prever as necessidades de irrigação das florestas comerciais geridas na Indonésia pelo conglomerado nipónico Sumitomo.

“Nós tentamos sempre encontrar essa sinergia entre o que é bom para o ambiente e também bom para a empresa, porque às vezes é difícil vender a ideia de sustentabilidade”, explicou Ramalho.

Benfica | Rui Costa e Roger Schmidt agradecem o apoio continuado dos adeptos

O Presidente do Benfica, Rui Costa, e o treinador Roger Schmidt agradeceram ontem o apoio que receberam ao longo da temporada e que conduziu a equipa à conquista do 38.º título de campeão português de futebol.

Com o ambiente ao rubro, a equipa do Benfica chegou ao Marquês de Pombal já perto da uma e meia da manhã, com a multidão a abrir alas ao autocarro panorâmico que desceu pela avenida Fontes Pereira de Melo e foi recebido em uníssono com o cântico: “o campeão voltou”.

Os jogadores do Benfica, em euforia, aos saltos no autocarro desceram até ao palco montado mesmo em frente ao Parque Eduardo VII e de frente para a estátua do Marquês de Pombal.

Gonçalo Guedes, João Mário, Morato, Chiquinho e João Neves foram dos primeiros a subir para o palco, sendo que a taça de campeão foi passando de mão em mão.

Todos eles envergavam a camisola do Benfica com o número 38 nas costas, que confirmava o número de títulos nacionais dos ‘encarnados’ e com forte animação sintonizaram-se nos festejos.

O capitão Otamendi, que está em final de contrato, foi o primeiro a usar da palavra, mas não disse aquilo que os adeptos queriam ouvir, que iria permanecer no Benfica, apesar dos pedidos que se fizeram ouvir.

“Era o título que mais desejava desde que cheguei ao Benfica. Conseguimos dar o 38.º título nacional ao Benfica, que todos vocês mereceram. Quero agradecer-vos pelo apoio”, disse.

Na mesma linha, João Mário prometeu desfrutar da conquista do título e prometeu lutar pela renovação na próxima temporada.

Por sua vez o treinador Roger Schmidt relembrou o que disse há cerca de um ano quando foi apresentado como treinador dos ‘encarnados’: “quem gosta de futebol tem de gostar do Benfica”.

“Um ano depois isso verificou-se. Agradeço-vos todo o apoio. Estou muito orgulhoso da minha equipa. Este ambiente é inacreditável. O Benfica é campeão! Merecemos ser campeões, jogámos o melhor futebol e sempre com a filosofia do Benfica. Muito obrigado benfiquistas”, afirmou.

O presidente, Rui Costa, encerrou a roda dos discursos e salientou que a conquista deste campeonato representa a união de todos os adeptos do Benfica.

“Somos campeões nacionais, chega de pedir o 38. Já cá está. Agradeço a todos este excelente grupo de trabalho e a todos vocês, que acreditaram desde o primeiro dia que chegaríamos a campeões nacionais. Um título que é da nossa união e que é do Benfica”, concluiu.

Noite de festa

O emblemático recinto lisboeta, que recebe sempre a equipa do Benfica nos festejos dos títulos nacionais, tornou-se demasiado pequena para acolher dos milhares de adeptos que para ali rumaram.

Aos poucos foi enchendo até as pessoas ficarem como se estivessem numa lata de sardinhas. Era uma autêntica discoteca ao ar livre. Os adeptos espalhavam-se como podiam, alguns sentaram-se em cima dos semáforos e da sinalização vertical.

O vermelho era a cor que predominava, embora se vissem várias camisolas pretas e amarelas, dos equipamentos alternativos. Os cachecóis era parte da indumentária dos adeptos e viam-se balões com o número 38, fazendo referência ao título conquistado este sábado, e também um adepto, mesmo em frente ao palco com uma taça de campeão nacional em papelão.

A noite foi arrefecendo, mas o ambiente esteve longe de o estar. Sempre a saltarem e a cantarem as canções que habitualmente passam no reduto ‘encarnado’, tanto no Estádio da Luz como nos dois pavilhões, os adeptos foram mantendo o ânimo pela noite dentro e… o calor humano.

Pouco antes da meia-noite o speaker do Benfica, com Deejay Kamala, subiu ao palco no Marquês de Pombal para animar ainda mais o ambiente. Os irmãos Nelson e Sérgio Rosado, do duo Anjos, e António Manuel Ribeiro, vocalista dos UHF, também aqueceram o ambiente numa altura em que a equipa do Benfica já tinha saído do estádio da Luz.

Tendo os festejos culminado com fogo de artifício depois dos discursos de Otamendi, João Mário, Roger Schmidt e Rui Costa.

Jogadores e observadores

Existem dois famosos versos do poeta chinês Bian Zhilin que dizem o seguinte: “Tu estás na ponte a observar a paisagem, quem mais acima a admira, observa-te também a ti.”

Estejamos onde estivermos, nunca se sabe quem nos observa. Também existe um provérbio chinês que diz, “O observador vê melhor o jogo do que os jogadores”, o que, aplicado aos versos de Bian Zhilin, sugere que é difícil distinguir entre jogadores e observadores.

A 22 de Setembro de 2015, o Presidente chinês Xi Jinping declarou num discurso de boas-vindas em Seattle, a “Armadilha de Tucídides” (tendência inexorável para a guerra quando uma potência emergente ameaça substituir uma potência hegemónica), não é um dado adquirido, mas repetidos erros de cálculo estratégico entre grandes potências podem levá-las a criar este problema pelas suas próprias mãos.

Apesar das declarações do Presidente Xi, a luta de poder entre a China e os Estados Unidos é inevitável. Após quase quarenta anos de reformas e de abertura, a economia chinesa passou a ser a segunda maior do mundo e, em 2025, “Made in China” deixará de ser um mito. Perante a competitiva China, a relação entre os dois países começou a mudar. “Armadilha de Tucídides” é uma expressão criada pelo politólogo americano Graham Allison e, naturalmente, o círculo político americano compreende as suas implicações. Portanto, a questão é se alguém vai cair na armadilhada.

Infelizmente, durante a governação de Leung Chun-ying e de Carrie Lam, a Região Administrativa Especial de Hong Kong defrontou-se com o Movimento dos Chapéus de Chuva e com o Movimento Anti Lei de Extradição. A forma como estes dois movimentos foram conduzidos criou muitas oportunidades vantajosas aos opositores e também veio a influenciar o resultado das Eleições Gerais em Taiwan. Dado que as consequências destes dois Movimentos excederam a capacidade do Governo da RAE de Hong Kong para lidar com a situação, o Governo Central da China promulgou a “Lei da República Popular da China para a Salvaguarda da Segurança Nacional na Região Administrativa Especial de Hong Kong” a 1 de Julho de 2020. A esta lei, seguiu-se a melhoria do sistema eleitoral de Hong Kong e, recentemente, o aperfeiçoamento da governação a nível distrital. Tudo isso inaugurou uma nova era que visa embarcar numa expedição para consolidar o princípio “Um país, dois sistemas” e também o princípio “Hong Kong administrado pelas suas gentes”. Critérios semelhantes foram aplicados em 2021 às Eleições para a Assembleia Legislativa de Macau.

Concordo que um líder deve amar o seu país, mas o que verdadeiramente importa é que o patriotismo não pode ser reduzido a palavras de ordem ou mentiras cridas por quem procura ganhos pessoais. Um patriota tem de colocar os interesses do seu país em primeiro lugar. Desde que o seu objectivo seja a estabilidade a longo prazo do país, mesmo que discorde dos métodos usados pelo Governo para a alcançar, o seu desagrado deve ser encarado como uma expressão de patriotismo. Esta abordagem é muito mais correcta do que transformar o patriotismo numa ferramenta de supressão das vozes dissidentes.

No seu livro “Decifrar o Pensamento de Pequim”, o falecido Huang Wenfang citou um conselho de Liao Chengzhi, que foi responsável pelos assuntos de Hong Kong e de Macau, relativo ao termo “patriotismo”: “O termo não é usado correctamente. Se dissermos que o nosso jornal é um jornal patriótico, isso implica que os outros jornais não o são; se dissermos que a nossa escola é uma escola patriótica, isso implica que as outras escolas não o são… Como tal, o patriotismo passa a ser exclusivamente nosso; o patriotismo passa a ser algo que exclui os outros, o que lhes irá provocar renitências”.

O Presidente Xi Jinping disse certa vez, “O grafismo do caracter chinês “人” (povo), revela o apoio que damos uns aos outros”. Excluir os outros e criar conflitos leva sem qualquer dúvida à perda de apoio. Por isso, quer sejamos jogadores ou observadores, é indispensável que nos apoiemos uns aos outros para evitar cairmos na armadilha ou para nos libertarmos dela.

A igreja quer esconder os abusos sexuais

Na semana passada Portugal assisti a um acontecimento histórico que decorreu pela primeira vez através da estação televisiva SIC. Em toda a nossa história contemporânea nunca tínhamos visto a imensa coragem que três vítimas de abusos sexuais, por parte de sacerdotes católicos ou freiras, darem a cara publicamente e contar os pormenores dos abusos sexuais de que foram alvo em criança.

É do conhecimento popular, onde me incluo como testemunha, que há muitas décadas que existem abusos sexuais em seminários, em sacristias de igrejas, em casas paroquiais, em confessionários, em colégios internos dirigidos por clérigos, em instituições de acolhimento de menores e em casas alugadas ou da propriedade da Igreja Católica portuguesa. Foram milhares de crianças e jovens que sofreram os maiores desmandos sexuais e que ficaram traumatizados para toda a vida. Em alguns casos, o trauma foi de tão elevada dimensão que levou as vítimas ao suicídio.

As vítimas que vieram dar o seu testemunho sem máscara são hoje adultos. Contaram aos portugueses que os abusos de padres e freiras ultrapassaram o inimaginável. No seminário de Santarém, uma das vítimas com apenas 12 anos era abusada por um sacerdote todas as noites. A este propósito, a Igreja deu luz verde à criação de uma comissão “independente” que apresentou um relatório que brada aos céus e onde mais de 400 vítimas de abusos sexuais prestaram os seus depoimentos. Esse relatório final foi entregue à Conferência Episcopal, presidida pelo bispo José Ornelas, o qual tal como o patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, diminuíram a importância de tudo o que foi descrito pelos amargurados que sofreram e sofrem os males que lhes foram feitos. Chegaram mesmo a afirmar que a justiça trataria de investigar e que os responsáveis pela Igreja portuguesa nada podiam fazer sem provas. Mas, quereriam esses senhores mais provas do que foi dado a conhecer por parte das vítimas? Quereriam filmes, fotografias ou as feridas com que tantas mulheres ficaram? Esses responsáveis sabem bem tudo sobre as queixas que inúmeras vítimas realizaram ao longo de anos junto dos chefes das dioceses onde tinham acontecido os abusos e nem respostas obtiveram. Soube-se apenas que mudaram os sacerdotes abusadores para outra paróquia e nunca foram expulsos da sua função sacerdotal ou presos por decisão de tribunais. O testemunho na televisão deixou os portugueses de lágrimas nos olhos. Uma das declarantes afirmou que não optou por ter um filho com receio que esse nado viesse a sofrer o que ela sofreu. Algumas das vítimas gastaram ao longo da vida rios de dinheiro em medicamentos, psiquiatras e psicólogos. E mesmo assim, quando se abordou o tema de as vítimas serem indemnizadas, a resposta que nos foi dada a conhecer por parte da Igreja é que não teriam o dinheiro suficiente para tal. Acontece que em Portugal nem se cumpre a palavra contundente do Papa Francisco que tem demonstrado a sua repulsa pelos abusadores e tem manifestado que todos têm de ser afastados da Igreja Católica. O Papa Francisco tem apoiado também a ideia de que as vítimas têm de ser ressarcidas do sofrimento que as atingiu. Em vários países já foram pagas às vítimas de abusos sexuais quantias avultadas e até já se verificou que em alguns países a Igreja vendeu património para poder pagar às vítimas.

A Igreja portuguesa não tem dinheiro? Como é possível defender essa tese se a Igreja portuguesa é possuidora de uma riqueza incalculável, é proprietária de um vasto património de quintas e de imóveis. Tem em Fátima um recipiente na Capela das Aparições que enche diariamente de ouro e notas incontáveis. Fátima proporciona uma riqueza anual de milhares de milhões de euros à Igreja portuguesa. Sabemos de centenas de idosas e idosos que deixam em testemunho todo o seu riquíssimo espólio de propriedades e de dinheiro em contas bancárias à ordem da Igreja. Como é que se atrevem a afirmar que não têm dinheiro se, mesmo ao pé da rua onde resido existe uma vivenda enorme de luxo com um jardim de grande dimensão e onde as freiras que lá residem possuem automóvel topo de gama e ainda alugam quartos a estudantes? E este facto acontece por todo o país.

A Igreja portuguesa perde mensalmente fiéis, crentes que deixam de frequentar as igrejas desde que vieram a lume as notícias de factos concretos de abusos sexuais por parte de sacerdotes ou freiras. As vítimas são o cerne da questão. São hoje mulheres e homens cujo sono não existe no seu organismo. Choram sempre que recordam o que lhes foi feito e alguns vivem com as maiores dificuldades ou estão desempregados com reformas de miséria. E nesta situação a Igreja portuguesa ainda põe em causa se vai ou não contemplar as vítimas com as indemnizações que viessem a ser declaradas como justas?

Infelizmente, os abusos sexuais a crianças e jovens continuam no nosso país e recordemos que o caso Casa Pia foi de uma gravidade extrema, mas apenas dois ou três dos muitos meliantes foram justiçados. Casos como o da Casa Pia de Lisboa aconteceram por várias cidades, incluindo na Casa Pia de Évora e os dirigentes da Igreja continuam a tentar esconder o óbvio. Para vergonha máxima da Igreja foi criada recentemente uma comissão com elementos escolhidos pelos responsáveis da Igreja, cuja comissão teve o desplante de dizer que a mesma se destinava a apoiar as vítimas e os abusadores. Os abusadores? Total surrealismo e revolta absoluta de quem não pode ouvir tal desiderato vergonhoso.

Karting | Provas internacionais voltam ao Kartódromo de Coloane

As provas internacionais de karting vão regressar este ano ao Kartódromo de Coloane após três anos de ausência. O Campeonato Open Asiático de Karting (AKOC, na sigla inglesa) tem duas provas calendarizadas para a temporada de 2023 no território

 

A organização do AKOC anunciou, nas redes sociais, a abertura das inscrições para a primeira prova, agendada para a RAEM no fim de semana de 1 e 2 de Julho. A prova estará aberta às categorias 125 Open Junior, 125 Open Master, 125 Open Sénior, 125 Open Veteranos, Cadete e Mini ROK. Em 2022, esta mesma organização tentou colocar de pé uma prova internacional de karting em Macau, mas esta acabou cancelada devido à pandemia.

Após três anos sem conseguir organizar eventos devido às restrições de viagens, aquela que foi a maior competição de karting do sudeste asiático, cuja organização tem sede na República das Filipinas, quer dar os primeiros passos rumo à reconstrução do campeonato. Por isso, para limitar os custos, o calendário neste primeiro ano “pós-COVID” vai cingir-se a apenas três eventos, dois em Macau e um na República das Filipinas, este último em data a determinar. Nenhuma das provas planeadas para Macau coincide com o calendário do Campeonato de Karting da AAMC, que este ano se está a disputar novamente no formato de seis provas.

Para o preparador e ex-piloto malaio Ryan Tan, “o apetite pelo karting em toda a Ásia não esmoreceu com a pandemia. Houve um abrandamento, mas não parou”. Os campeonatos nacionais das Filipinas, Indonésia, Malásia, Singapura ou Tailândia já recuperaram, portanto, “todos os agentes da modalidade, preparadores, equipas, importadores, querem corridas internacionais, até porque os pilotos começam a pedir mais. Se a economia ajudar estou em crer que vamos atingir os números do passado”, explicou ao HM.

Segunda data é em Dezembro

Antes da pandemia, o Kartódromo de Coloane era um dos palcos favoritos para acolher eventos do campeonato asiático da especialidade. Inaugurada no dia 17 de Outubro de 1996, a infra-estrutura continua a ser uma das melhores equipadas no continente asiático. Para além das competições de Macau, o kartódromo desenhado pelo arquitecto Carlos Couto recebia duas provas do AKOC, a ronda de abertura e a de encerramento, sendo que esta última costumava coincidir com o Grande Prémio Internacional de Karting.

Apesar do apetite de Macau por realizar grandes eventos internacionais, o futuro do Grande Prémio Internacional de Karting de Macau é uma incógnita. Aquele que já foi o maior evento de karting da região, não consta, por agora, do calendário internacional da Comissão Internacional de Karting da FIA. Porém, a segunda prova do AKOC está agendada para Macau no fim de semana de 9 e 10 de Dezembro, data que habitualmente acomodava o evento co-organizado pela Associação Geral-Automóvel Macau-China (AAMC), Instituto do Desporto (ID) e Direcção dos Serviços de Turismo (DST). O finlandês Simo Puhakka, da TonyKart, venceu o último Grande Prémio Internacional de Karting, disputado em 2019.

Juventude na China abraça frugalidade face a desemprego

Uma taxa de desemprego jovem com máximos históricos e a recusa de muitos recém-licenciados de aceitar empregos abaixo das suas qualificações está a popularizar a ideia de viver com pouco dinheiro entre jovens chineses

Reportagem de João Pimenta, agência Lusa 

Nas redes sociais, os ‘influenciadores’ mais populares do país, outrora incitadores do consumo, passaram a cultivar um estilo de vida minimalista: como preparar uma refeição por menos de 10 yuan ou sobreviver nas grandes cidades do país com salários baixos.

Lajiang, de 20 anos e residente em Hangzhou, na costa leste da China, somou centenas de milhares de seguidores na rede social Xiaohongshu, após difundir dezenas de vídeos, nos quais ensina a preparar jantares com apenas 10 yuans. Num dos vídeos, com quase 400.000 visualizações, ela frita um prato composto por um filé de peixe-gato de 4 yuans, 5 yuans de camarão congelado e 2 yuans de vegetais.

Noutros casos, os internautas lançam desafios como “viver com 1.600 yuan por mês” em Xangai, uma das cidades mais caras da China.

Este interesse recente pela frugalidade reflecte o aumento da taxa oficial de desemprego jovem (entre os 16 e 24 anos), para um novo máximo histórico. Segundo dados divulgados pelo Gabinete Nacional de Estatística (GNE) da China, aquele indicador fixou-se em Abril passado nos 20,4 por cento, muito acima do valor de 13 por cento registado em 2019, antes da pandemia.

“Tive que aprender a apreciar outras coisas na vida”, disse Alice Li, natural de Chengdu, à agência Lusa, depois de as restrições impostas na China durante o ano passado, no âmbito da estratégia ‘zero covid’, terem resultado na falência da sua empresa.

Continua a guiar um Porsche descapotável, oferecido pelo pai, mas os tempos em que “procurava conforto” no consumo de marcas de luxo acabaram, indicou.

Natural de Jilin, província do nordeste da China, Zhang Lifei, de 24 anos, contou à Lusa que em 2019 terminou uma licenciatura em língua inglesa e encontrou logo emprego numa das maiores firmas do país, o grupo Wanda. Agora, quase um ano após concluir mestrado, continua à procura de trabalho.

“Antes, era só enviar o CV [‘curriculum vitae’] e recebia logo uma chamada”, descreveu. “Agora, ando há meses a enviar CV e não obtenho resposta”.

Vários chineses na casa dos 20 anos ouvidos pela Lusa contam histórias semelhantes: após anos de ‘boom’ económico e mobilidade social ascendente, que geraram expectativas renovadas, a economia chinesa passou a crescer ao ritmo mais lento desde a década de 70.

Em 2022, o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto chinês caiu para o segundo nível mais baixo em pelo menos quatro décadas, reflectindo o impacto da política de ‘zero covid’ e uma crise no sector imobiliário.

Entretanto, a concorrência continua a aumentar: 11,58 milhões de novos licenciados vão ingressar no mercado de trabalho da China este Verão, um valor recorde e um acréscimo de 820 mil face ao ano passado.

“A alta taxa de desemprego jovem da China não é transitória, mas estrutural”, apontou num relatório o economista para a China do banco Credit Suisse, David Wang. “Existe uma incompatibilidade entre as qualificações que os jovens têm e as qualificações exigidas pelos empregos existentes disponíveis”, explicou.

Contrato ameaçado

Para o Partido Comunista Chinês, o novo paradigma ameaça uma das suas principais fontes de legitimidade.

O contrato social selado com o povo chinês é claro: o partido mantém uma autoridade indisputada e os privilégios da elite dominante e, em troca, assegura uma melhoria dos padrões de vida e estabilidade social.

As altas taxas de desemprego jovem comprometem também os objectivos de Pequim de construir um modelo económico assente no consumo interno.

As autoridades chinesas estão a experimentar diferentes medidas para resolver o problema, incluindo exigir que as empresas estatais contratem mais licenciados, ao mesmo tempo em que incentivam os jovens a trabalhar como operários ou a mudarem-se para o interior do país.

Reportagens recentes difundidas pela imprensa estatal invocaram as lições de um personagem de um romance chinês do início do século XX que era um intelectual pobre, orgulhoso demais para assumir um trabalho manual.

Muitos jovens, no entanto, recusam aquela possibilidade. “Quando era adolescente, a mensagem oficial era que tínhamos que estudar, estudar, estudar, para permitir a modernização da China”, contou Yang Zifei, de 23 anos. “Passados dez anos, dizem que afinal não era preciso, que o mercado requer baixas qualificações”.

O porta-voz do GNE, Fu Linghui, prometeu “medidas concretas e específicas” para aumentar as taxas de emprego jovem, e adiantou que os números vão melhorar “gradualmente”, à medida que a economia continua a recuperar, após o país ter desmantelado a política de ‘zero casos’ de covid-19.

No caso de Zhang, as poupanças que fez nos últimos anos estão a evaporar-se, consumidas pelas rendas exorbitantes e crescente custo de vida no país. Mas Alice está pior: a falência da sua empresa deixou-a com uma dívida de 500 mil yuan.

Lin Tinggui e os Habitantes da Tinta Preta

Li Houzhu (c.937-78) que reinaria como Li Yi, o terceiro imperador dos Tang do Sul, ter-se-á agradado tanto da qualidade de uma barra de tinta que chamou o seu criador Xi Chao e o seu filho Xi Tinggui e atribuiu-lhes o seu próprio nome com que ficariam conhecidos: Li Chao e Li Tinggui. Eles que tinham vindo de Henan, no Norte, para a localidade de Shezhou, cujo nome o imperador Song Huizong mudaria para Huizhou e, sendo honrados com o posto de Guardiões da tinta, o seu produto seria celebrizado como «tinta de Huizhou».

O apreço dos letrados pela qualidade da tinta, essencial veículo de expressão acompanharia a sua sofisticação. Na dinastia Ming, o influente teórico e pintor Dong Qichang (1555-1636) escreveu sobre outro produtor de tinta de Shexian (Anhui): «Daqui a cem anos já não viverá Cheng Junfang (1541-c.1620) mas a sua tinta persistirá; daqui a mil anos já não existirá a sua tinta mas o seu nome permanecerá.»

Outro célebre criador da tinta preta feita com madeira queimada dos pinheiros, a árvore leal que identifica os letrados ao longo da história da pintura, que viveu na dinastia Qing chamado Hu Tianzhu, mudaria o seu nome para Hu Tiankaiwen, ou apenas Hu Kaiwen, para que se pudesse ler nos caracteres do seu nome a expressão «o céu abre o mundo da cultura». O carácter ao mesmo tempo expressivo, nas suas ténues modulações, mas contido da tinta preta não excluiria o uso da cor. Como escreveu Shen Hao na dinastia Qing: «Wang Wei disse que a «tinta esvoaçante» (fengmo) é suprema e está certo.

Não se deve iniciar a pintura misturando a fluente tinta preta com as cores. Deve ser alcançada a hamonia da tinta até finalizar o esboço, e então não há objecção a que se pinte com cores.» Um pintor que viveu na cidade portuária que o viajante que atravessou países, Fernão Mendes Pinto, chamou Liampó (Ningbo, Zhejiang) na altura um lugar priviligiado do encontro de culturas, aproveitaria as várias conotações expressivas das cores e da tinta preta para uma estranha representação onde o imanente e o transcendente conviveram.

Lin Tinggui (activo c. 1174-89) que partilhava o nome, não a família, com o fabricante de tinta dos Tang do Sul fazia parte do grupo de pintores que em Ningbo pintava temas budistas, trabalhando notoriamente com Zhou Jichang na pintura de cem rolos mostrando Quinhentos luohans (wubai luohan) a pedido do abade do templo Huianyuan. Numa delas, que assinou de modo discreto e a tinta dourada, representou Cinco luohans lavando a roupa (rolo vertical, tinta e cor sobre seda, 111,8 x 53,1 cm, no Smithonian).

Só esses primitivos apóstolos que mereceram livrar-se do ciclo da reincarnação, de feições bizarras, um seu grotesco criado e as suas roupas possuem cores; o espaço onde eles se movem, que inclui um majestoso pinheiro, águas correntes e rochas são pintados a tinta preta.

Cannes | “A Flor do Buriti” de Renée Nader Messora e João Salaviza premiado

O filme “A Flor do Buriti”, da realizadora brasileira Renée Nader Messora e do português João Salaviza, foi sexta-feira distinguido na secção “Un Certain Regard” do Festival de Cinema de Cannes, anunciou a organização.

O júri atribuiu o prémio de Melhor Equipa ao filme “A Flor do Buriti”, distinguindo assim ambos os realizadores e também o povo Krahô, do Brasil, que protagoniza a obra.

Os dois realizadores são distinguidos na mesma secção onde, em 2018, receberam o prémio especial do júri com o filme “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos”.

“A Flor do Buriti” foi rodado com o povo Krahô, do Brasil, na terra indígena Kraholândia, onde já tinham feito “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos”.

Em nota de imprensa, os realizadores lembraram que, “em 1969, durante a Ditadura Militar, o Estado Brasileiro incita muitos dos sobreviventes a integrarem uma unidade militar. Hoje, diante de velhas e novas ameaças, os Krahô seguem caminhando sobre a sua ‘terra sangrada’, reinventando diariamente as infinitas formas de resistências”.

Para o Festival de Cannes, o filme presta um “extraordinário tributo à capacidade de resiliência daquele povo indígena e à luta pela liberdade”, enquanto o jornal Le Monde destacou a “grande magia poética”.

O nome do filme faz referência à flor do buriti, um tipo de palmeira selvagem que cresce no Brasil, e que se encontra no meio da comunidade Krahô.

Por ocasião da estreia mundial do filme em Cannes, indígenas brasileiros e membros da equipa do filme manifestaram-se, na passadeira vermelha, pelo direito à terra dos povos nativos do Brasil.

Outros prémios

Em 2018, aquando da estreia de “Chuva é cantoria na aldeia dos mortos”, João Salaviza e Renée Nader Messora, com a sua equipa, também alertaram para “o genocídio dos povos indígenas” no Brasil.

Para o realizador português João Salaviza, esta é a terceira vez que é premiado em Cannes. Em 2009 recebeu a Palma de Ouro de melhor curta-metragem com o filme “Arena”. “A Flor do Buriti” terá estreia comercial em Portugal a 14 de março de 2024.

O Prémio “Un Certain Regard” foi para “How to Have Sex”, da realizadora baseada em Londres Molly Manning Walker.

O Prémio Especial do Júri, presidido pelo actor norte-americano John C. Reilly, foi para “Les Meutes”, do realizador marroquino Kamal Lazraq, e o de Melhor Realização, para a sua compatriota Asmae El Moudir, por “La Mère de tous les Mensonges”.

“Goodbye Julia”, do sudanês Mohamed Kordofani, recebeu o Prémio Liberdade. O Prémio Nova Voz, de revelação, foi para “Augure”, do artista de origem congolesa Baloji.

Fotografia | Imagens de Macau no Grémio-Clube Sesimbrense

Inaugurou, no último sábado, uma nova exposição de imagens de Macau da autoria de Jorge Veiga Alves, antigo residente no território. Ao todo são 30 imagens que mostram a Macau do antigamente e que podem ser vistas no Grémio-Clube Sesimbrense

 

Chama-se “À Procura de Macau” e é o nome da nova exposição de fotografia da autoria de Jorge Veiga Alves, economista reformado e fotógrafo amador que viveu no território nos anos 80 e 90. Inaugurada no sábado, no Grémio-Clube Sesimbrense, entidade sócio-cultural em Sesimbra, onde vive actualmente Jorge Veiga Alves, a mostra apresenta um total de 30 imagens que, muitas das vezes, revelam elementos sociais e urbanos que já desapareceram do dia-a-dia da cidade. A exposição pode ser visitada até 22 de Junho.

“À Procura de Macau” já esteve patente no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) em Lisboa, sendo que grande parte das imagens estão incluídas em duas exposições digitais permanentes do CCCM e Fundação Macau, com o mesmo nome. De frisar, que a mostra digital do CCCM conta com fotografias mais actuais, capturadas por Jorge Veiga Alves em Macau nos anos de 2005 e 2016, quando o fotógrafo visitou o território.

O HM conversou, em Dezembro do ano passado, com Jorge Veiga Alves sobre as imagens que capturou ao longo dos anos, tendo este declarado que, acima de tudo, este espólio fotográfico constitui um exercício de memória da Macau antiga.

“Tenho fotografias do que todos os portugueses fotografavam, como as danças do leão e do dragão. Mas andava na rua com a minha máquina fotográfica, nas horas vagas, e também fotografei outros temas e situações da realidade de Macau. Comecei a perceber que, independentemente da qualidade fotográfica, algumas imagens remetem para locais que já não existem ou que mudaram muito.”

Captar vivências

Profissionalmente, Jorge Veiga Alves foi director de um departamento da Autoridade Monetária e Cambial de Macau entre 1986 e 1994, sendo que, nesse período, se dedicou a fotografar as ruas de Macau e as suas vivências nas horas vagas. A pandemia trouxe-lhe a oportunidade de trabalhar no restauro e digitalização das suas fotografias e filmes analógicos.

Um dos exemplos da Macau antiga que pode ser encontrada nas imagens de Jorge Veiga Alves é os estaleiros navais de Lai Chi Vun, em Coloane, espaço actualmente em fase de recuperação por parte das autoridades. “Tenho muitas imagens sobre a construção naval nos estaleiros, e essa é uma actividade que já não existe”, adiantou o fotógrafo.

Em relação ao espaço de exposição, o Grémio-Clube Sesimbrense existe em Portugal há 170 anos, tendo sido fundado em 1853 com o nome “Sociedade Philarmónica” e, depois, “Grémio Philarmónico Cesimbrense”. Neste espaço, a população podia assistir a concertos, peças de teatro, bailes, palestras e conferências. Actualmente o Grémio dedica-se a promover actividades de cariz sócio-cultural.

Imigração ilegal | Operação conjunta desmantela rede

A Polícia Judiciária (PJ), em cooperação com a polícia de Guangdong, os Serviços de Alfândega (SA) e o Corpo de Polícia de Segurança Pública, desmantelou na sexta-feira uma rede de auxílio à imigração ilegal.

Segundo um comunicado da PJ, o caso começou a ser deslindado quando os SA informaram as autoridades policiais de que um barco teria atracado ao largo da praia de Hac Sá, no passado dia 20 de Maio.

A bordo viriam seis pessoas, quatro imigrantes ilegais e dois suspeitos de pertencerem à rede de auxílio à imigração ilegal. Face ao alerta das autoridades, dois dos passageiros foram logo interceptados pelos agentes dos SA na praia. Os outros quatro indivíduos colocarem-se em fuga, mas viriam todos a ser detidos mais tarde após uma perseguição automóvel digna de um filme policial.

UM | Curso de Verão de língua portuguesa em Julho

A Universidade de Macau (UM) irá acolher, entre os dias 10 e 28 de Julho, a 37.ª edição do Curso de Verão em língua portuguesa organizado pelo departamento de português da Faculdade de Letras da UM. As inscrições decorrem até ao dia 18 de Junho, devendo ser feitas online no website do departamento.

O Curso de Verão inclui cursos de língua portuguesa, cursos temáticos e clubes dedicados a várias expressões artísticas. As aulas realizam-se entre as 8h45 e as 13h. Todos os cursos contribuem para o desenvolvimento das competências linguística, sociolinguística, pragmática e sociocultural e da consciência intercultural dos participantes.

Os cursos de língua estão organizados em quatro níveis diferentes, correspondendo, em linhas gerais, aos níveis do Quadro Europeu Comum de Referência: básico (A1), elementar (A2), intermédio (B1 e B2), avançado (nível C). Os participantes são colocados na turma que melhor corresponder ao seu perfil linguístico, traçado a partir das respostas ao teste de colocação. As aulas de língua dos cursos A1 e A2 realizam-se entre as 9 e as 13h, no total de 60 horas lectivas. Os cursos de língua podem ser complementados por 15 horas de estudo autónomo, orientado pelos professores.

Além do desenvolvimento das competências receptivas e produtivas, escritas e orais, os cursos de língua incluem sessões dedicadas a questões de gramática, de vocabulário e a outras características específicas de cada nível e relevantes para os estudantes. A oferta de cursos temáticos inclui literatura, história, relações internacionais, tradução e tópicos de várias áreas sobre os países de língua portuguesa. Os estudantes podem ainda participar nos clubes dedicados a várias expressões artísticas associadas aos países de língua portuguesa. Estão previstos clubes de dança, música, poesia e linguagem cinética, bem como gastronomia e enologia.

DST | Turistas atingem metade do volume antes da pandemia

Na sexta-feira e no sábado entraram em Macau quase 190 mil visitantes, com o número turistas a atingir a média de 60 mil em dias úteis. Helena de Senna Fernandes estima que o volume de turistas esteja nesta altura em cerca de 50 por cento dos registos antes da pandemia

O feriado do Dia do Buda, que se celebrou na passada sexta-feira, e o dia seguinte marcaram mais um teste à resiliência da retoma do turismo de Macau. Apesar de não ser feriado no Interior da China, durantes os dois dias entraram em Macau mais de 90 mil visitantes diariamente, em grande parte graças ao volume de turistas oriundos de Hong Kong, que aproveitaram o fim-de-semana prolongado para visitar Macau.

Na sexta-feira, entraram em Macau cerca de 91 mil turistas, enquanto que no sábado cerca de 95 mil pessoas entraram no território, com as autoridades a realçar o elevado número de visitantes que atravessaram a fronteira na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau.

Face aos números alcançados, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) anunciou que o volume de turistas já recuperou para cerca de 50 por cento do verificado no período antes da pandemia.

Em declarações citadas pelo canal chinês da Rádio Macau, a directora da DST, Helena de Senna Fernandes, sublinhou que o volume de turistas que escolhem Macau tem recuperado de forma só pode trazer optimismo ao sector.

Esquecendo os períodos de feriados e as tradicionais épocas altas, Helena de Senna Fernandes realçou que, actualmente, o volume de turistas que entra em Macau nos dias úteis atingiu uma média diária de cerca de 60 mil entradas.

Chega de borlas

Nos próximos tempos, as políticas de gestão do turismo vão mudar. Foi o que deu a entender a directora da DST. Depois de um período marcado por medidas de incentivo para atrair turistas, chegou a altura de o mercado local se tornar autossuficiente, atraindo visitantes através do “charme próprio” do território.

“As ofertas de viagens para visitantes vindos de Hong Kong vão serem suspensas a 30 de Junho. Depois disso, vamos analisar se será preciso relançar este tipo de incentivos e em que moldes. Achamos que, a longo prazo, Macau deve apostar no seu poder de atracção e não depender de ofertas para seduzir os turistas”, avançou a directora da DST.

Ainda assim, o Governo continuará a organizar operações de charme em cidades do Interior da China para atrair turistas. Porém, Helena de Senna Fernandes adiantou que serão organizadas itinerantes na Tailândia, Singapura e Coreia do Sul.

Desemprego | Taxa cai para 2,8% entre Fevereiro e Abril

Entre Fevereiro e Abril deste ano, a taxa de desemprego atingiu 2,8 por cento e a taxa de desemprego de residentes foi de 3,6 por cento, decrescendo ambas 0,3 pontos percentuais, face ao período anterior (entre Janeiro a Março de 2023), revelou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

A taxa de subemprego registou uma melhoria mais tímida entre Fevereiro e Abril, situando-se em 2,1 por cento, menos 0,1 por cento em relação ao período anterior. A DSEC indica que no período em análise “a população activa que vivia em Macau totalizou 371.200 pessoas e a taxa de actividade foi de 67,8 por cento”.

A população empregada fixou-se em 360.700 pessoas, 282.200 deles residentes, totais que representam aumentos de 1.400 e 1.000 pessoas, respectivamente, em comparação com o período precedente. Os sectores de actividade que mais absorveram mão-de-obra foram o jogo, hotelaria e restauração.

Acidentes de trabalho | Mais de quatro mil casos em 2022

As autoridades registaram, no ano passado, um total de 4274 casos de acidentes de trabalho, sendo que 23,2 por cento diz respeito a quedas de pessoas, 18,4 por cento reportam-se a lesões como entalamento, perfuração ou corte e 15,6 por cento dos casos têm a ver com lesões causadas por esforço excessivo ou distorção do trabalhador.

Dos mais de quatro mil acidentes de trabalho resultaram nove mortes, com uma delas a levar à suspeita de infracção das disposições legais de segurança e saúde ocupacional.

Os dados divulgados pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais mostram que, no ano passado, foram sancionadas duas pessoas sobre dois casos, tendo-se verificado a existência de “deficiências no local de trabalho” que geraram os acidentes. Há ainda a registar 29 casos de sanção em processamento que envolvem 170 trabalhadores por violação do regime jurídico da reparação por danos emergentes de acidentes de trabalho e doenças profissionais.

Economia | PIB de Macau cresceu quase 40% no primeiro trimestre

Nos primeiros três meses do ano, o Produto Interno Bruto de Macau cresceu 38,8 por cento em termos anuais. O resultado é atribuído à abertura do território com o fim da política de zero casos de covid-19 e ao aumento da despesa pública. A DSEC aponta que a economia da RAEM atingiu 66,4 por cento dos níveis verificados no primeiro trimestre de 2019

 

No primeiro trimestre de 2023, “o Produto Interno Bruto (PIB) registou um acréscimo anual de 38,8 por cento, em termos reais, devido ao alívio das restrições de entrada em Macau, à plena retoma das deslocações entre Hong Kong e Macau e ao recomeço das viagens em grupo do Interior da China para Macau”, indicou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

A retoma das receitas brutas apuradas pelos casinos e do turismo como principais impulsionadores do crescimento do PIB, como indica a DSEC.

As exportações de serviços aumentaram 71,5 por cento em termos anuais, “salientando-se os aumentos de 100 por cento nas exportações de serviços do jogo e de 72,9 por cento nas exportações de outros serviços turísticos, enquanto decresceram 40,6 por cento as exportações de bens”.

Impulsionada “principalmente pela despesa de consumo final do Governo”, a procura interna também registou uma subida de 1,6 por cento em termos anuais nos primeiros três meses de 2023.

A DSEC salienta que “relativamente ao primeiro trimestre de 2019, a recuperação de Macau equivaleu a 66,4 por cento do volume económico desse período”.

Empurrão público

A DSEC indica que “a economia recuperou de forma estável, apesar de uma parte das despesas de consumo privado ter sido transferida para as despesas do Governo através do subsídio de vida”. Os apoios sociais distribuídos pelo Executivo, em conjunto com factores como a queda da população e a retoma das viagens dos residentes para o exterior após a pandemia, acarretou uma diminuição de 12,1 por cento da despesa de consumo final das famílias no mercado local, em termos anuais.

Entretanto, a despesa de consumo final das famílias no exterior subiu 53,5 por cento. Feitas as contas, a DSEC conclui que, em termos anuais, a despesa de consumo privado desceu 7,5 por cento.

O reverso da medalha verificou-se na despesa de consumo final do Governo, que cresceu 30,1 por cento em termos anuais, “em virtude do acréscimo homólogo das despesas com as medidas de apoio económico, tais como o subsídio de vida e a subvenção do pagamento das tarifas de energia eléctrica”. Os apoios distribuídos pelo Governo resultaram no aumento de 80,5 por cento nas compras líquidas de bens e serviços, mas apenas de 0,2 por cento nas remunerações dos empregados.

No capítulo do investimento em construção, o contraste entre público e privado volta a ser uma evidência.

O investimento em obras públicas subiu 28,2 por cento em termos anuais, “devido essencialmente ao aumento do investimento em obras de grande envergadura relacionadas com a habitação pública e a Quarta Ponte Macau-Taipa”. No polo oposto, o investimento em construção privada caiu 17,5 por cento, em virtude do decréscimo do investimento em casinos.

Discriminação | Lei Chan U questiona casos devido a idade

O deputado Lei Chan U questionou o Governo sobre os casos de discriminação laboral devido à idade, matéria que irá ser respondida no hemiciclo por membros do Executivo.

Lembrando que 15,7 por cento da população tem hoje 65 ou mais anos, o deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau pretende saber se o Governo já recebeu queixas sobre casos de discriminação devido à idade “durante um pedido de emprego ou no local de trabalho” ou se houve “algum empregador ou empresa sancionados pelo Governo” pelo mesmo motivo.

Lei Chan U entende também que as autoridades deveriam realizar “periodicamente investigações e estudos sobre discriminação em razão da idade no mercado de trabalho, com vista a estar a par da situação”, questionando quais as políticas e medidas de que dispõe o Governo “para erradicar a discriminação em razão da idade dos locais de trabalho”.