Estudo | Poluição é primeira ameaça mundial para saúde humana Hoje Macau - 30 Ago 2023 Um estudo ontem publicado indica que a poluição atmosférica representa um risco maior para a saúde global do que o tabagismo ou o consumo de álcool, perigo exacerbado em regiões como Ásia e África. De acordo com este relatório do Instituto de Política Energética da Universidade de Chicago (EPIC) sobre a qualidade do ar a nível mundial, a poluição por partículas finas, emitidas pelos veículos a motor, pela indústria e pelos incêndios, representa “a maior ameaça externa à saúde pública” a nível mundial. Mas, apesar disso, os fundos para a luta contra a poluição atmosférica representam apenas uma fracção ínfima dos fundos consagrados às doenças infecciosas, por exemplo, sublinhou o relatório. A poluição por partículas finas aumenta o risco de doenças pulmonares e cardíacas, de acidentes vasculares cerebrais e de cancro. O EPIC estimou que, se o limiar da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a exposição a partículas finas fosse respeitado em todas as circunstâncias, a esperança de vida global aumentaria 2,3 anos, com base nos dados recolhidos em 2021. Em comparação, o consumo de tabaco reduz a esperança de vida global numa média de 2,2 anos e a subnutrição infantil e materna em 1,6 anos. No Sul da Ásia, a região do mundo mais afectada pela poluição atmosférica, os efeitos na saúde pública são muito pronunciados. De acordo com os modelos criados pelo EPIC, os habitantes do Bangladesh poderiam ganhar 6,8 anos de esperança de vida se o limiar de poluição fosse reduzido para o nível recomendado pela OMS. O ar do mundo A capital da Índia, Nova Deli, é a “megalópole mais poluída do mundo”, enquanto a China “fez progressos notáveis na luta contra a poluição atmosférica” iniciada em 2014, disse a directora dos programas de qualidade do ar do EPIC, Christa Hasenkopf. A poluição média do ar no país diminuiu 42,3 por cento entre 2013 e 2021, mas continua a ser seis vezes superior ao limiar recomendado pela OMS. Se este progresso se mantiver ao longo do tempo, a população chinesa deverá ganhar uma média de 2,2 anos de esperança de vida, referiu o estudo. Mas, de um modo geral, as regiões do mundo mais expostas à poluição atmosférica são as que recebem menos recursos para combater este risco, observou o relatório. “Existe uma profunda discrepância entre os locais onde o ar é mais poluído e aqueles onde são mobilizados mais recursos colectivos e globais para resolver este problema”, explicou Hasenkopf. Embora existam mecanismos internacionais de luta contra o VIH, a malária e a tuberculose, não há equivalente para a poluição atmosférica. “E, no entanto, a poluição atmosférica reduz a esperança média de vida de uma pessoa na República Democrática do Congo e nos Camarões mais do que o VIH, a malária e outras doenças”, salientou o relatório. Nos Estados Unidos, o programa federal “Clean Air Act” contribuiu para reduzir a poluição atmosférica em 64,9 por cento desde 1970, aumentando a esperança média de vida dos norte-americanos em 1,4 anos. Na Europa, a melhoria da qualidade do ar ao longo das últimas décadas seguiu a mesma tendência que nos EUA, mas continuam a existir grandes disparidades entre o leste e o oeste do continente. Todos estes esforços estão ameaçados, entre outros factores, pelo aumento do número de incêndios florestais em todo o mundo, causado pelo aumento das temperaturas e por secas mais frequentes, associadas às alterações climáticas, provocando picos de poluição atmosférica.
Trabalhar depois da reforma David Chan - 30 Ago 2023 A semana passada, os jornais de Hong Kong assinalaram que alguns deputados do Conselho Legislativo defendem que o Fundo de Previdência Obrigatório (MPF sigla em inglês) deve ser abolido devido ao fracasso do esquema de investimento. Nas primeiras três semanas deste mês, as perdas no investimento do MPF atingiram os 5,31 por cento. O Fundo de Previdência Obrigatório começou a operar a 1 de Dezembro de 2000. Desde então, existiram apenas 13 ocorrências de perdas que excederam os 5 por cento. Esta perda eliminou 80 por cento do rendimento do investimento nos primeiros sete meses de 2023. As perdas no investimento no MFP afectam o rendimento dos reformados. E porque é que este problema é tão grave? De acordo com os dados publicados pelo Hong Kong Census and Statistics Department (Departamento de Estatística e Censo de Hong Kong), em 2022, Hong Kong tinha 7,29 milhões de habitantes, sendo que 1,52 milhões ultrapassaram os 65 anos, o que significa que 20.9 por cento, ou 1/5, da população é idosa. O Census and Statistics Department prevê que em 2037, os idosos representem 30 por cento do total da população de Hong Kong. No ano financeiro de 2022-23, a despesa estimada do Governo de Hong Kong com serviços de apoio aos idosos é de cerca de 15 mil milhões de dólares de Hong Kong (HKD), um aumento de cerca de 74 por cento em relação aos cerca de 8,6 mil milhões do ano financeiro de 2018-19. Embora os serviços de apoio aos idosos impliquem vários tipos de despesas, a pensão de velhice dada pelo Governo local às pessoas com mais de 70 anos, é de apenas 1,475 HKD mensais. Obviamente, esta quantia não é suficiente para cobrir as despesas de sobrevivência. De acordo com os regulamentos das Nações Unidas sobre esta matéria, quando a percentagem de idosos se situa entre os 14 por cento e os 20 por cento do total da população, estamos perante uma “sociedade envelhecida”; mais de 20 por cento significa uma “sociedade super-envelhecida”. O envelhecimento da população implica que o ónus dos cuidados dos idosos, que recai sobre os filhos, vai aumentar. Em 2019, em Hong Kong, 3,3 pessoas no activo tinham a seu cargo 1 idoso. Prevê-se que em 2031, este rácio seja de 2 pessoas no activo por cada idoso. Em 2037, apenas 1,7 pessoas no activo vão ter a ser cargo 1 idoso, e em 2069, a relação será de 1,4 para 1. Segundo um inquérito realizado este ano em Hong Kong, sobre as despesas que os filhos têm com o apoio a pais idosos, 43 por cento dos inquiridos dá 3.000 e 6,000 HKD por mês aos pais para que eles possam sobreviver, 24 por cento dá entre 6.000 e 10.000 HKD; 15 por cento dá 10.000. O inquérito também mostra o índice de satisfação dos pais com o apoio que recebem dos filhos. De um total de 10 pontos, a média do nível de satisfação dos pais foi de 6,9, o que reflecte que no geral estão satisfeitos com o apoio financeiro que recebem dos filhos. A partir daqui, sabemos que a pensão de velhice paga pelo Governo, mais as mensalidades do MPF, juntamente com o apoio prestado pelos filhos, não garantem protecção suficiente aos idosos. Então, o que devem os idosos de Hong Kong fazer depois da reforma? Singapura anunciou recentemente um “Programa de Encorajamento ao Emprego de Pessoas de Meia-Idade”, com um orçamento de mais de 40 mil milhões de HKD. O objectivo é encorajar as pessoas que têm entre 50 e 60 anos a continuar a trabalhar depois da reforma. Embora as notícias não especifiquem em detalhe os conteúdos do programa, o seu objectivo é louvável. Como a população idosa de Hong Kong continua a aumentar, os apoios sociais também terão de aumentar. A taxa de natalidade em Hong Kong é baixa, com tendência a diminuir, o número de filhos por casal é cada vez menor, e as despesas que cada pessoa terá para poder sustentar os pais na velhice vão aumentar. Este problema não é apenas do Governo de Hong Kong, mas também um problema dos idosos e dos seus filhos. Macau vai passar a ser uma sociedade envelhecida em 2026, quando a população com mais de 65 anos atingir os 14 por cento. O Governo de Macau paga Pensões de Velhice e o Subsídio para Idosos, que no total excedem largamente o valor pago em Hong Kong, mas com o aumento da população idosa, esta despesa vai também aumentar. Macau espera implementar o “Regime de Previdência Central Obrigatório” em 2026, quando o Fundo criado para o efeito tiver poupanças suficientes. Embora existam diferenças entre as taxas de natalidade de Macau e de Hong Kong, em Macau esta taxa também está a diminuir, e o encargo financeiro dos filhos que apoiam os pais aumentou. Talvez possamos considerar o programa de Singapura ” Encorajamento ao Emprego de Pessoas de Meia-Idade ” para solucionar os problemas financeiros dos idosos, estimulando a manutenção do trabalho depois da reforma. Embora não exista qualquer disposição na Lei das Relações de Trabalho que estipule a idade da reforma aos 65 anos, este conceito está profundamente enraizado na mente das pessoas. Talvez se possa considerar uma alteração da lei para que os empregadores venham a negociar com os empregados quando eles atingem os 65 anos: se os últimos assim o desejarem, reformam-se, se não, poderá haver uma extensão do contrato de trabalho possivelmente em regime part-time. Até certo ponto, isto iria reduzir os encargos económicos do Governo e os idosos poderiam fazer as suas próprias escolhas. Além disso, o encargo financeiro que recai sobre os filhos não seria tão pesado. Esta medida beneficiaria a sociedade, os idosos e os seus filhos. Este modelo poderá aplicar-se a Hong Kong em moldes basicamente semelhantes. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Escola de Ciências de Gestão do Instituto Politécnico de Macau Blog: http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk
GPM | Sudeste Asiático confirma presença em Macau Sérgio Fonseca - 30 Ago 202330 Ago 2023 Logo após o Campeonato da China de Fórmula 4 ter concluído a sua segunda visita ao circuito urbano de Pingtan, o organizador do revitalizado Campeonato do Sudeste Asiático de Fórmula 4 confirmou a presença no primeiro fim de semana do 70.º Grande Prémio de Macau Depois de três anos em que o campeonato chinês de F4 foi presença assídua no Circuito da Guia, no fim de semana de 10 e 11 de Novembro, será o pelotão do campeonato agora promovido pela empresa Top Speed Shanghai a visitar a RAEM num evento extra-campeonato que irá contar com vários pilotos internacionais. Será igualmente a estreia dos monolugares da última geração de F4 entre nós. Tatuus F4 T421 GEN2 com motor Fiat Abarth 1400cc preparado pela Autotecnica Motori, e com o seu equipamento de segurança Halo homologado pela FIA. O Grande Prémio de Macau começa com os treinos livres e as sessões de qualificação no sábado, 10 de Novembro, seguidos de uma corrida de qualificação de oito voltas e de uma corrida principal de 12 voltas no domingo, proporcionando aos pilotos uma experiência inestimável de início de carreira na pista que recebe o Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 – Taça do Mundo FIA de F3. Antes de Macau, o campeonato do Sudeste Asiático realiza a sua corrida de abertura em Outubro, no circuito permanente da cidade Zhuhai, para depois da passagem pelo território viajar até ao Circuito Internacional de Sepang, a antiga casa do Grande Prémio da Malásia, para as rondas três e quatro. Para participarem, os pilotos devem ter pelo menos 15 anos e possuir uma licença FIA Internacional C ou Nacional emitida pela respectiva associação nacional de desportos motorizados. Rumo à liderança No remodelado e agora mais curto circuito citadino da Ilha de Pingtan, o Campeonato da China de Fórmula 4, que perdeu a sua prova no Grande Prémio de Macau, realizou a sua terceira jornada da temporada de 2023. Entre os dezasseis concorrentes presentes para disputar as quatro corridas do fim de semana estiveram dois pilotos de Macau: Tiago Rodrigues e Marcus Cheong Man Hei. Na sua temporada de estreia em provas de monolugares, Tiago Rodrigues voltou a estar em plena evidência ao terminar as quatro corridas em posições do pódio, tendo inclusive vencido a segunda corrida disputada na tarde de sábado. “Eu acredito que posso vencer este campeonato”, disse o jovem piloto na conferência de imprensa da tarde de sábado, citado pela assessoria de imprensa do campeonato. À vitória e ao segundo lugar obtido na primeira corrida de sábado, o piloto treinado por Charles Leong ainda juntou dois valiosos terceiros lugares no domingo. Esta série de óptimos resultados conquistados numa pista que não conhecia, colocam Tiago Rodrigues isolado na primeira posição do campeonato chinês. Já Marcus Cheong, a realizar a sua segunda prova de monolugares, conseguiu um quinto lugar à geral como melhor resultado. O novo circuito de Chengdu Tianfu, ainda por estrear, irá receber a prova seguinte do campeonato no próximo mês. A organização do campeonato, a cargo da empresa Mitime, uma subsidiária do gigante automóvel chinês Geely, ainda não confirmou que circuito irá substituir Macau no calendário.
Japão | Pequim garante segurança de estrangeiros no país Hoje Macau - 30 Ago 2023 A China garantiu ontem a segurança dos estrangeiros no país após actos de assédio ocorridos nas proximidades das instalações da embaixada do Japão e por telefone, desde o início da descarga de água contaminada de Fukushima. “A China sempre protegeu a segurança, os direitos e interesses legítimos dos estrangeiros, de acordo com a Lei”, disse o porta-voz da diplomacia chinesa Wang Wenbin, em conferência de imprensa. A Embaixada japonesa em Pequim disse ontem estar “extremamente preocupada” com actos assédio nas proximidades das suas instalações e por via telefónica, desde o início da descarga de água contaminada da central nuclear de Fukushima. “É claro que lamentamos [o assédio] e estamos extremamente preocupados”, disse um porta-voz da embaixada, citado pela agência France Presse. “Apelamos ao Governo chinês, de acordo com o Direito internacional, para que forneça segurança às embaixadas e consulados na China, incluindo algumas instalações relacionadas com o Japão e cidadãos japoneses”, afirmou. Internautas chineses partilharam o número de telefone da embaixada nas redes sociais nos últimos dias, gerando uma onda de chamadas para reclamar do início da descarga de água da central de Fukushima. Isto não foi condenado pelo Governo chinês, que se opõe às descargas no Oceano Pacífico, aprovadas pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA). O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, condenou na segunda-feira o lançamento de pedras contra a embaixada japonesa e escolas japonesas na China desde o início da descarga. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Yoshimasa Hayashi, referiu que foi atirado um tijolo à embaixada. A embaixada japonesa pediu, este fim de semana, aos seus cidadãos que evitem falar alto em japonês e reforçou as medidas de segurança nas proximidades das escolas japonesas e das missões diplomáticas no país.
BYD | Lucro da fabricante de eléctricos aumenta 205% Hoje Macau - 30 Ago 2023 A fabricante de veículos eléctricos chinesa BYD obteve lucros líquidos de 10.954 milhões de yuan, no primeiro semestre do ano, um aumento de 205 por cento, em termos homólogos, segundo resultados ontem publicados. Na demonstração dos resultados, enviada à Bolsa de Valores de Hong Kong – onde está cotada -, a empresa informou que o volume de negócios aumentou 72,7 por cento, para 260.124 milhões de yuan. “O grupo alcançou um desenvolvimento substancial dos seus negócios apesar da concorrência cada vez mais acirrada”, afirmou a BYD, ao analisar o desempenho nos sectores automóvel e produção de baterias. A empresa destacou que a sua quota no mercado dos veículos eléctricos aumentou 6,5 por cento, para 33,5 por cento, mantendo a posição de liderança a nível global. A subsidiária de fabrico de componentes e montagem de telemóveis e outros dispositivos do grupo, a BYD Electronics, anunciou também ontem um acordo para comprar, por cerca de 15.800 milhões de yuan, duas fábricas na China da empresa norte-americana do segmento da indústria transformadora Jabil. As instalações incluídas no acordo são as fábricas de peças para telemóveis da Jabil nas cidades de Chengdu e Wuxi, que vão servir para fortalecer a presença da BYD Electronics naquele sector e melhorar a sua estrutura de clientes e produtos, disse a empresa. De acordo com o portal de notícias económicas Yicai, a Jabil é o quarto maior fornecedor de serviços para fabrico de produtos electrónicos, enquanto a BYD Electronics ocupa o sexto lugar, sendo a única empresa chinesa no ‘top 10’. No ano passado, foram vendidos na China quase seis milhões de carros eléctricos, mais do que em todos os outros países do mundo juntos.
Grã-Bretanha | MNE vai a Pequim pela primeira vez em cinco anos Hoje Macau - 30 Ago 2023 O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, James Cleverly, vai estar hoje em Pequim para conversações de alto nível com o Governo chinês, as primeiras em cinco anos James Cleverly, de acordo com o Executivo britânico, leva na agenda a discussão sobre questões como a segurança cibernética, a segurança internacional e os direitos humanos, bem como a cooperação em problemas globais como as alterações climáticas. Cleverly terá reuniões bilaterais com o homólogo, Wang Yi, e com o Vice-Presidente, Han Zheng. O chefe da diplomacia britânica tem defendido um aprofundamento do diálogo com Pequim devido à importância da China em questões ambientais ou geopolíticas. O ministro pretende sensibilizar os dirigentes chineses para pressionarem a Rússia a pôr fim à invasão da Ucrânia, dissiparem as tensões no Mar da China Oriental e acabarem com ações maliciosas no ciberespaço. Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, Cleverly também pretende abordar questões como os direitos humanos em Xinjiang e no Tibete, a Lei de Segurança Nacional em Hong Kong e as sanções impostas aos deputados britânicos. “É importante gerirmos as nossas relações com a China numa série de questões”, argumentou o ministro, vincando que “nenhum problema global significativo, das alterações climáticas à prevenção de pandemias, da instabilidade económica à proliferação nuclear, pode ser resolvido sem a China”. A aproximação de Londres a Pequim tem sido criticada por deputados mais à direita do Partido Conservador, mas Cleverly defendeu a necessidade de um diálogo directo para estabilizar as relações bilaterais. “A dimensão, a história e a importância global da China significam que não podem ser ignoradas”, salientou Cleverly. Interesses comuns A visita do ministro britânico dos Negócios Estrangeiros britânico a Pequim, a primeira desde a de Jeremy Hunt em 2018, foi revelada primeiro pelo porta-voz da diplomacia chinesa, Wang Wenbin. “As duas partes terão discussões aprofundadas sobre as relações entre a China e o Reino Unido e sobre questões internacionais e regionais de interesse comum”, adiantou. No mês passado, a China criticou a protecção oferecida pelo Reino Unido aos activistas pró-democracia de Hong Kong no exílio, que considera serem fugitivos e pelos quais é prometida uma recompensa por informações que levem à detenção. Pequim e Londres também estão em desacordo quanto ao estatuto da minoria muçulmana uigur e às suspeitas de espionagem sobre o fabricante chinês de equipamentos de telecomunicações Huawei. A deslocação segue-se a uma visita ontem às Filipinas para encontros com o Presidente, Ferdinand Marcos Jr., e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Enrique Manalo. Filipinas, Vietname e Malásia são alguns dos países com relações tensas com a China devido às reivindicações de Pequim sobre praticamente todo o Mar da China Oriental.
Armazém do Boi | Mostra de Peng Hung-Chih para ver até Setembro Andreia Sofia Silva - 30 Ago 2023 “Double Skins” é o nome da exposição de Peng Hung-Chih que resulta de uma residência artística no Armazém do Boi. Até ao dia 24 de Setembro será possível ver trabalhos que remetem para o contraste entre o desenvolvimento urbano de Macau e a permanência da povoação Hakka que, outrora, emigrou para a vila de Ka-Hó, em Coloane Peng Hung-Chih é o artista em destaque na mais recente exposição proposta pelo Armazém do Boi. “Double Skins”, inaugurada na última sexta-feira, 25 de Agosto, e patente até ao dia 24 de Setembro no espaço 川·Twist Art Space, na Travessa da União, é o resultado de uma residência artística realizada em Macau sobre o desenvolvimento social e urbanístico do território, nomeadamente em Coloane, e as memórias dos tempos em que parte da comunidade chinesa Hakka emigrou, estabelecendo-se na povoação de Ka-Hó, conhecida por ter tido uma indústria viva de construção naval. Destaque para o facto de a comunidade Hakka ser oriunda de zonas do sul da China como é o caso das províncias de Guangdong, Fujian, Jiangxi, Sichuan ou Zhejiang, entre outras. Com curadoria de Cai Guojie, esta é uma mostra que “gira em torno de espaços representados por duas extremidades de um pólo: uma delas regida pelo capitalismo e outra guiada pela povoação Hakka, que evoluiu organicamente ao longo desse desenvolvimento histórico” Segundo uma nota do Armazém do Boi, “com o desenvolvimento urbano de Macau as aldeias das ilhas periféricas da cidade foram sendo gradualmente esquecidas”, sendo exemplo dessa realidade a povoação de Ka-Hó que, nos últimos 200 anos, “preservou o seu modo de vida e a língua Hakka”. Desta forma, “pode dizer-se que a povoação de Ka-Hó tornou-se um refúgio para a preservação deste dialecto”, mediante uma série de factores sociais “coincidentes”, tal como a distância em relação ao centro da península. Os tempos mudaram e, com eles, verificou-se que “a geração mais nova mudou-se para o centro da cidade em busca de emprego e de maiores oportunidades de desenvolvimento”. Além disso, alguns terrenos ficaram desaproveitados, com destaque para o progressivo abandono dos estaleiros de construção de juncos de madeira, “o que teve um impacto negativo no ambiente ecológico da zona, marginalizando ainda mais a povoação”. O “aqui e agora” Pang Hung Chih pega em todos estes elementos para explorar, de forma artística, a história desta comunidade estreitamente ligada com a história da própria povoação, cujos estaleiros se tornaram numa peça central de atracção e de necessidade de preservação. O artista optou por desenvolver os conceitos do “aqui e agora”, com referências ao passado, assumindo o papel de “flaneur”, que significa alguém que passeia, de forma errante, por um lugar, absorvendo vivências e observando pedaços das memórias que perduram. Nascido em 1969, Peng Hung-Chih é natural de Taiwan, onde ainda vive e trabalha. O seu trabalho varia entre a instalação, vídeo, pintura e escultura, incorporando diversos elementos relacionados com a arte, religião e humanidade como formas de explorar a cultura contemporânea ligada à história dos lugares.
Saola | Tufão deverá passar perto de Macau Hoje Macau - 30 Ago 2023 A nova previsão dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) aponta para que o tufão Saola possa passar a menos de 200 quilómetros de Macau, entre sábado e domingo. No entanto, os efeitos deverão começar a fazer-se sentir já hoje. “Prevê-se que a tempestade tropical Saola, próxima das Filipinas, se desloque para a zona a sul de Taiwan nos próximos dias e entre no raio de 800 quilómetros de Macau, esta quarta-feira à noite”, podia ler-se no portal dos SMG. O tufão Saola está actualmente classificado como tufão severo, mas com o aproximar de Macau vai transformar-se em super-tufão, antes de voltar a perder intensidade para ciclone tropical, altura em que chega a Macau. No entanto, nesta altura ainda existem algumas incertezas face ao trajecto, devido a um outro tufão, o Haikui, que se está a deslocar para o Mar da China Meridional.
Covid-19 | Eliminada última restrição pandémica Hoje Macau - 30 Ago 2023 Quem vinha do estrangeiro e queria entrar na China a partir de Macau estava obrigado a realizar um teste à covid-19. O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus anunciou ontem o fim da medida Macau vai por fim à última medida em vigor no território devido à pandemia de covid-19, um teste obrigatório para pessoas vindas do estrangeiro que pretendessem entrar na China. O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus afirmou que a medida foi suspensa desde a meia-noite de hoje, de acordo com um comunicado divulgado na segunda-feira. O centro, que está sob a tutela dos Serviços de Saúde, referiu que a decisão foi tomada “em resposta ao ajustamento das medidas de quarentena à entrada” no Interior da China. Na mesma nota, as autoridades sublinharam que deixará de ser necessário apresentar um resultado negativo de teste ao novo coronavírus para poder viajar na China e que, como tal, Macau irá também eliminar o processo manual na passagem de fronteira. Horas antes do anúncio em Macau, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês tinha anunciado que o país vai deixar de exigir, a partir de hoje, um teste negativo para a covid-19 aos viajantes que chegam do exterior. A medida inclui ambos os testes antígeno e de ácido nucleico, esclareceu Wang Wenbin. Longa caminhada Macau, que à semelhança da China seguia a política ‘zero covid’, anunciou em Dezembro o cancelamento da maioria das medidas de prevenção e contenção, depois de quase três anos de rigorosas restrições. No início de Janeiro, as autoridades de Macau anunciaram a reabertura das fronteiras a estrangeiros sem estatuto de residente, pondo fim a uma medida implementada em Março de 2020, no início da pandemia. Na semana de 18 a 24 de Agosto, as autoridades anunciaram 615 novos casos de covid-19, com dois internamentos e sem qualquer vítima mortal. A informação consta do portal “Página Electrónica Especial Contra Epidemias”, na secção com o nome gramaticalmente questionável: “novo caso de infecção pela covid-19”. Desde o início da pandemia, em Janeiro de 2020, até 27 de Março deste ano, as autoridades apenas confirmaram a existência de 121 mortes por covid-19. Durante a transição da política de zero casos de covid para a convivência com o vírus, as autoridades lideradas por Alvis Lo alteraram o método de cálculo de mortes por covid-19, uma medida que inclusive levantou questões entre os deputados ligados ao campo tradicional, como Ngan Iek Hang, dos Moradores. Ainda assim, no mês da transição, Dezembro de 2022, houve um pico de 773 mortes, um recorde absoluto para a realidade de Macau. Até essa altura, o máximo de mortes por mês tinha sido atingido em Janeiro de 2016, com 250 óbitos.
Hotelaria | Taxa de ocupação média de 89% em Julho Hoje Macau - 30 Ago 2023 A taxa de ocupação média dos hotéis de Macau durante o passado mês de Julho fixou-se em 89 por cento, mais 50,2 por cento em termos anuais, informaram ontem os Serviços de Estatística e Censos (DSEC). O resultado foi alavancado pela performance dos hotéis de 2 estrelas, que registaram 93,1 de taxa de ocupação e dos hotéis de 5 estrelas com 92,1 por cento, taxas que representam subidas anuais de 6,8 e 71,1 por cento, respectivamente, indica a DSEC. Tendo em conta o período entre Janeiro e Julho deste ano, a taxa de ocupação média dos quartos de hóspedes dos estabelecimentos hoteleiros foi de 79,6 por cento, mais 41,8 pontos percentuais, relativamente ao mesmo período do ano anterior”. Nos primeiros sete meses do ano os hotéis de Macau hospedaram cerca de 7,3 milhões de pessoas, volume de clientes que representou uma subida de 150,6 por cento face ao mesmo período de 2022. A DSEC informa que durante entre Janeiro e Julho, o período médio de permanência dos hóspedes correspondeu a 1,7 noites, menos 0,2 noites em termos anuais. Em Julho, existiam em Macau 132 estabelecimentos hoteleiros que prestaram serviços de alojamento ao público, mais 17 em relação ao mês homólogo de 2022, disponibilizando um total de 43.000 quartos de hóspedes, mais 37,3 por cento face a Julho do ano passado.
Edifícios históricos | Lançado plano de apoio financeiro Hoje Macau - 30 Ago 2023 O Instituto Cultural (IC) vai lançar um apoio financeiro, que conta com um orçamento de 20 milhões de patacas, para apoiar os proprietários na revitalização de edifícios históricos. Segundo a TDM Rádio Macau, a informação foi avançada pela própria presidente do IC, Leong Wai Man, no âmbito de uma reunião do Conselho do Património Cultural. Haverá no território cerca de 600 prédios com valor histórico e, segundo Chan Ka Io, administrador do Fundo de Desenvolvimento da Cultura, o apoio aos projectos de recuperação não pode ser superior à metade do custo total das obras. Na reunião de ontem, foi também dado apoio à proposta de revitalização da Casa da Família Chio, situada na avenida de Almeida Ribeiro. Leong Wai Man afirmou que parte do edifício já foi adquirida pelo Executivo por oito milhões de patacas, enquanto a outra parte do prédio, por estar num terreno público, reverteu para a Administração. O grande objectivo a atingir com a revitalização da Casa da Família Chio é dar mais destaque cultural e turístico junto à avenida Almeida Ribeiro.
Metro | Acessos a estação impraticáveis por falhas de concepção João Santos Filipe e Nunu Wu - 30 Ago 2023 A Sociedade do Metro Ligeiro de Macau foi confrontada com a existência de um defeito de construção na obra milionária, mas fechou-se em copas. Admite a realização de obras de “optimização”, mas não explica se a RAEM foi lesada, nem se vai procurar obter uma compensação Construídos em 2019, parte dos acessos à Estação do Jockey Club do Metro Ligeiro estão vedados e não podem ser utilizados por serem considerados um risco para a segurança dos utilizadores. A informação foi divulgada pelo Jornal All About Macau, com a falha a ter origem no projecto original de concepção, que terá sido mal desenhado, de acordo com a denúncia feita alegadamente por um ex-trabalhador da Sociedade do Metro Ligeiro de Macau (MLM), que explora este meio de transporte. Após a publicação ter escrito um artigo sobre o facto de vários acessos à Estação do Jockey Club estarem vedados há vários anos, ao ponto de terem crescido ervas de daninhas no local, o jornal recebeu uma carta anónima assinada por uma pessoa que se apresentou como “ex-funcionário da MLM e da MTR Operações Ferroviárias (Macau)”. Na carta, é indicado que os acessos estão vedados há vários anos porque foram mal desenhados e são considerados perigosos. “A escada rolante que dá acesso à Estação do Jockey Clube foi suspensa porque tem uma grande fenda na ligação com a plataforma do primeiro andar”, é explicado. “A fenda tem largura suficiente para uma pessoa possa cair. Também o elevador foi colocado demasiado perto da escada, por isso, nas horas de ponta, com o fluxo dos visitantes a aumentar, pode haver uma concentração excessiva de passageiros, pelo que os acesos foram vedados com barreiras com água e ainda lonas”, foi acrescentado. O ex-funcionário apontou ainda as responsabilidades ao antigo Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT), por não ter evitado os problemas antes destes surgirem. “Como é que não encontraram estes problemas logo na fase de desenho ou quando começaram as obras? E depois da inspecção, quando aceitaram a obra, não viram que algo estava errado?”, questiona o ex-funcionário da MLM. “Isto mostra a negligência do antigo Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes, ou seja, a actual MLM”, é igualmente considerado na missiva. O silêncio dos culpados Após ter recebido a informação sobre as causas da vedação, o jornal All About Macau contactou a MLM. A resposta chegou através de um comunicado da empresa, em que apontou ir fazer “obras de optimização” na Estação do Jockey Clube e no Centro Modal de Transportes da Estrada Governador Albano de Oliveira. O comunicado, com data de segunda-feira, aponta ainda que com as novas obras vai haver mais espaço nas infra-estruturas, o que é tido como a “optimização”. Por outro lado, foi reconhecido que os acessos estão vedados “temporariamente” e não “são zonas de livre acesso”. A empresa indicou também que tem “agentes de segurança no local para inspeccionar e limpar periodicamente a plataforma”. Segundo o jornal All About Macau, apesar de a empresa ter sido questionada directamente sobre as causas da vedação, a MLM nunca deu qualquer justificação. A MLM também não indicou se em caso de defeito deveria haver uma compensação monetária, nem se vai procurar obter essa compensação.
DSAMA | Retomado ferry entre Barra e Coloane Hoje Macau - 30 Ago 2023 As ligações marítimas entre a Barra e Coloane vão ser retomadas a partir deste fim-de-semana de acordo com um comunicado da Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA). O serviço turístico adjudicado à Shun Tak, fundada por Stanley Ho e controlada por Pansy Ho, estava suspenso, decisão justificada com a falta de procura devido à pandemia. Com a retoma, o serviço de transporte marítimo vai operar às sextas, sábados e domingos, com partida da Barra às 14h e de Coloane às 16h, e cada viagem tem um preço de 60 patacas. Além disso, a Shun Tak apontou que vai lançar cruzeiros especiais que vão permitir assistir ao Festival Internacional de Fogo de Artifício, mas os detalhes só vão ser conhecidos mais tarde.
Autocarros | Ligação para aeroporto de Hong Kong começa hoje Hoje Macau - 30 Ago 2023 Começam hoje as ligações de autocarro entre Macau e o aeroporto de Hong Kong, que inclui procedimentos de embarque e de check-in de bagagem, avançou ontem o canal chinês da Rádio Macau, que acrescenta que o balcão de check-in vai funcionar no posto fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. A mesma fonte confirma que os autocarros vão circular diariamente entre as 7h30 e as 19h30 com partidas nos dois sentidos de hora a hora. O preço dos bilhetes será de 252 patacas nos primeiros dois meses de operação. Na semana passada, o responsável da companhia que irá disponibilizar o serviço, a Empresa de Serviços de Transporte de Passageiros do Aeroporto de Hong Kong (Macau), indicou que o objectivo é operar 24 horas por dia e que durante o período de maior intensidade de frequências terá partidas de 15 em 15 minutos. Todos os autocarros serão eléctricos com capacidade para 36 passageiros.
Táxis | Ella Lei quer aplicações móveis com preços controlados João Santos Filipe - 30 Ago 2023 Com a Associação Geral de Condutores de Táxi de Macau a testar o lançamento de uma aplicação móvel para chamar táxis, a deputada Ella Lei veio a público defender a vantagem de imitar o modelo do Interior da China Ella Lei defendeu ontem que o Governo deve seguir o desejo da população e promover o lançamento de aplicações móveis para chamar táxis. O pedido da deputada da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) foi feito em declarações ao Jornal do Cidadão. Segundo a legisladora, com o fim das restrições ligadas à pandemia e o regresso dos turistas é cada vez mais difícil apanhar um táxi no território. A agravar a situação, indica a deputada, houve também 800 licenças de táxis que expiraram desde o início da pandemia, não tendo sido ainda atribuídas novas licenças. Neste sentido, Ella Lei sugere que a alternativa para melhorar o serviço passa não só por autorizar mais licenças, o que deve ser feito o mais depressa possível, mas também por criar uma aplicação móvel que permite aos passageiros chamarem um táxi. Segundo a deputada, a aplicação móvel a lançar tem de ter “preços controlados” para que seja “conveniente para os residentes e turistas”. No entanto, ao contrário do que acontece em quase todo o mundo, em Macau as aplicações devem funcionar com base nos táxis existentes e não noutros veículos, como acontece com as aplicações Uber e Grab. A Uber deixou de operar em Macau em 2017, depois de uma agressiva campanha das autoridades contra os motoristas, que eram multados por transportarem passageiros sem licença. A membro da Assembleia Legislativa também apontou que Macau deve seguir o modelo de transportes de táxis seguido no Interior da China, onde as aplicações para chamar veículos de transportes de passageiros, como a DiDi, são bastante populares. Sem comissão Anteriormente, o lançamento de uma aplicação para chamar táxis foi comentado por Lam Hin San, director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), que considerou a possibilidade viável, desde que não seja imposta uma comissão e os taxistas cobrem os preços de acordo com o valor indicado no taxímetro. Por sua vez, Tony Kuok Leong Son, presidente da Associação Geral de Condutores de Táxi de Macau, revelou que a associação está a fazer testes com uma futura aplicação há dois meses, e que os táxis pretos (por oposição aos vermelhos e azuis chamados por telefone) que se juntarem à aplicação não podem cobrar uma comissão extra. Segundo o dirigente associativo, no início não haverá mesmo qualquer comissão, porque o objectivo vai passar por promover a aplicação. Porém, no futuro, não está excluída a possibilidade de haver “um custo administrativo” para os utilizadores, que ainda não está decidido. Esta aplicação vai permitir aos utilizadores chamarem táxis, avaliar condutores e receber a informação sobre a viatura. O taxista liga depois ao cliente a confirmar a chamada. No entanto, o pagamento electrónico ainda não está previsto no modelo alternativo.
Macau promove produtos dos países de língua portuguesa na China Hoje Macau - 30 Ago 2023 As autoridades de Macau anunciaram ontem que vão levar 28 empresas locais, incluindo várias que vendem produtos dos países de língua portuguesa, a uma actividade de promoção no norte da China que começa amanhã. O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) disse, em comunicado, que a Semana de Macau em Tianjin vai decorrer entre 31 de Agosto e 4 de Setembro, numa popular rua pedonal da cidade situada próximo de Pequim. A actividade vai incluir uma área de exposição e vendas, com produtos provenientes dos nove países de língua portuguesa, entre os quais bebidas alcoólicas, café, produtos de saúde e de higiene pessoal, referiu o IPIM. Além de poderem adquirir produtos lusófonos, os visitantes poderão participar em jogos cujos prémios incluem “guloseimas dos países de língua portuguesa e presentes de estilo português”, acrescentou na mesma nota. Durante a Semana de Macau em Tianjin vão decorrer ainda sessões de transmissão ao vivo, nas redes sociais, com celebridades chinesas da Internet, durante as quais os cibernautas poderão encomendar produtos lusófonos, adiantou o IPIM. Comes e bebes O instituto vai montar também um espaço para promover “o papel de Macau como plataforma de serviços para a cooperação empresarial entre a China e os países de língua portuguesa”. Em 1 de Setembro, o IPIM vai realizar uma sessão de bolsa de negócios que irá reunir empresários de Tianjin e de Macau, incluindo uma mostra de produtos dos países lusófonos e degustação de comida e bebida. Há vários anos que o Governo de Macau tem defendido a necessidade de apostar na prestação de serviços financeiros entre a China e o bloco lusófono, para diversificar a economia da região administrativa especial chinesa, muito dependente do turismo. Também a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) vai realizar uma semana de promoção de Macau em Tianjin, com um festival gastronómico, entre 31 de Agosto a 10 de Setembro, num hotel da cidade chinesa. Dois chefes de cozinha do território prepararam vários pratos portugueses e macaenses, disse a DST, referindo-se à gastronomia, considerada a primeira cozinha de fusão do mundo, da comunidade euro-asiática, com muitos lusodescendentes e raízes em Macau.
FSS | Anunciado lucro de investimentos de 4,5 mil milhões no 1.º semestre João Luz - 30 Ago 2023 Um dia depois de ter sido noticiado que em 2022 o Fundo de Segurança Social perdeu 7,7 mil milhões em investimentos, o organismo público anunciou o regresso aos lucros, com 4,5 mil milhões amealhados em investimentos financeiros no primeiro semestre de 2023 O Fundo de Segurança Social (FSS) emitiu ontem um comunicado a afirmar que “foi registado um retorno dos investimentos de cerca de 4,5 mil milhões de patacas no primeiro semestre deste ano”, invertendo a tendência negativa verificada em 2022 em virtude da recuperação da economia global e a melhoria do ambiente de investimentos. O anúncio da FSS surgiu no dia seguinte às notícias que avançaram perdas de 7,7 mil milhões de patacas em investimentos financeiros em 2022, de acordo com o relatório anual da instituição. Com as perdas em investimentos financeiros, as despesas totais do FSS chegaram quase aos 14 mil milhões de patacas no ano passado, resultado agravados pela queda das receitas. Feitas as contas o FSS registou em 2022 um défice de 11,1 mil milhões de patacas, o pior resultado desde a transição de administração de Macau, de Portugal para a China, em 1999. No comunicado que apresenta os retornos registados no primeiro semestre de 2023, o FSS volta a justificar os maus resultados do ano passado. “Em 2022, verificou-se, no mundo, uma série de factores desfavoráveis tais como a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e a epidemia de covid-19, etc., assim, a macroeconomia ficou instável e complexa, os mercados de acções e obrigações globais sofreram do impacto severo e caíram”. Disco virado O organismo acrescenta que, no entanto, “em 2023, com a recuperação da confiança dos mercados financeiros e a recuperação dos mercados de acções e obrigações globais, o FSS já registou um retorno de investimento global de cerca de 4,5 mil milhões de patacas no primeiro semestre do ano”. No cômputo dos últimos cinco anos, o FSS regista um retorno de investimento global acumulado de cerca de 15,6 mil milhões de patacas. Até ao primeiro semestre de 2023, os activos totais do FSS são de aproximadamente 90 mil milhões de patacas, montante que representa um aumento em relação ao valor de cerca de 86,6 mil milhões de patacas no final de 2022. Face às oscilações profundas nos resultados, o FSS garante que “vai acompanhar de perto as mudanças económicas e optimizar continuamente a carteira de investimentos de acordo com as receitas e despesas, lutando por um retorno razoável e estável a longo prazo, de modo a garantir a firmeza financeira e permitir o seu desenvolvimento sustentável a longo prazo”.
Tecnologia | Trabalho remoto mantém-se em algumas empresas locais Andreia Sofia Silva - 30 Ago 20234 Set 2023 Num mercado laboral dominado pelo jogo, imobiliário e funcionalismo público, que lugar tem o teletrabalho em Macau no período pós-pandemia? O HM tentou apurar até que ponto um regime de trabalho mais flexível se adequa às características da economia local Durante a pandemia, em que os contactos próximos tinham de ser evitados ao máximo, o teletrabalho foi a salvação para muitas empresas e trabalhadores. Se no mundo cada vez mais empresas se vêm obrigadas a incluir o teletrabalho ou regimes híbridos para poderem contratar, no período pós-pandemia, como é o caso em Macau, com um mercado laboral dominado, essencialmente, por actividades que não podem ser exercidas remotamente, como o jogo e o turismo? O HM foi conhecer o caso de algumas empresas do sector privado, de várias áreas, que mantém o teletrabalho mesmo depois do regresso à normalidade. Bruno Simões, director da SmallWorldExperience, empresa ligada à produção de eventos e conferências, adiantou que, durante a pandemia, o teletrabalho foi adoptado “desde o início” e que agora a flexibilidade é a regra. “Actualmente, temos um sistema híbrido, mas não temos um horário fixo. Todos os trabalhadores podem agora trabalhar em casa sempre que necessitem. Tal acontece muitas vezes sempre que há mau tempo, muito trânsito, ou quando estamos a preparar eventos”, acrescentou. Suzanne Watkinson, directora-geral da agência imobiliária Ambiente Properties, também manteve a sua empresa a funcionar em teletrabalho durante a pandemia, “à excepção de algumas semanas quando o Governo decretou o encerramento dos escritórios”. “Até certo ponto, o facto de estarmos no negócio do imobiliário faz com que os nossos dias e horas sejam ajustadas às necessidades dos clientes. Então, quando tudo estava mais parado, focámo-nos nas questões administrativas, como a criação do nosso website e questões dessa natureza. Assim, em termos gerais, continuámos a ir ao escritório algumas vezes”, frisou. Actualmente, a empresa optou por trabalhar com um sistema híbrido. “Alguns membros da Ambiente Properties trabalham num horário flexível, o que significa que o trabalho é feito em casa durante uma parte do dia e, depois, no escritório. Contudo, na nossa empresa continuamos a defender a importância da interacção presencial e as conversações casuais na equipa são a ‘cola’ que precisamos para nos mantermos unidos”, disse. Suzanne Watkinson acredita que continua a ser fundamental ter reuniões presenciais e partilhar conhecimentos e dados sobre o mercado imobiliário de uma forma mais próxima. No caso da empresa de comunicação social Project Asia Corp., que detém o portal Macau News Agency e a revista Macau Business, entre outras publicações, o teletrabalho é também usado de forma flexível. “Durante a pandemia a nossa empresa continuou sempre em actividade e com o escritório aberto, sendo que a equipa trabalhou a partir de casa nos períodos de confinamento. Adoptámos também em determinados períodos – seguindo o que as autoridades indicavam – um sistema rotativo, em que metade da equipa trabalhava no escritório e a outra metade a partir de casa. Durante a maior parte desses três anos, tivemos toda a equipa – os que estão em regime de tempo inteiro – a trabalhar presencialmente no escritório, seguindo normas de higiene e cuidados. Além disso, ao longo desses três anos, os trabalhadores que estivessem com sintomas costumavam trabalhar a partir de casa. Hoje em dia trabalhamos essencialmente em modo presencial, sendo que – tal como já acontecia antes da pandemia – colaboradores em regime de part-time, que executam tarefas que não requerem presença no escritório (cujo trabalho pode ser executado e acompanhado on-line) podem fazê-lo a partir de casa.” Um mercado conservador O debate a nível mundial sobre a permanência do teletrabalho no mercado laboral após a pandemia tem sido constante. Um dos exemplos mais falados foi o de Elon Musk, patrão da Tesla que defendeu, no ano passado, que “o trabalho remoto já não é aceitável”, tendo alertado os seus trabalhadores que “quem quiser trabalhar à distância deve estar no escritório por um mínimo de 40 horas por semana ou sair da Tesla”. “Isto é menos do que pedimos aos trabalhadores da fábrica”, terá acrescentado, segundo a Bloomberg. Suzanne Watkinson recorda que “empresas como a JP Morgan, Amazon, Apple ou Disney, que foram grandes defensores de um regime híbrido e do trabalho a partir de casa nos últimos anos, estão agora a exigir aos seus trabalhadores para regressarem aos escritórios, acreditando que a produtividade aumenta quando a equipa está junta “, adiantou. Importa olhar para as especificidades do mercado laboral local, ainda dominado pelo jogo e pela indústria turística e de serviços, ou seja, trabalhos que não podem ser feitos a partir de casa e com recurso a um computador. “Olhemos para o mercado local: dos 363 mil trabalhadores no sector do jogo, qual é a percentagem dos que ocupam posições nas linhas da frente [com contacto com jogadores, como os croupiers]. Estes trabalhos não podem ser feitos à distância. No imobiliário, e até certo ponto, este cenário já acontece devido ao abrandamento do mercado e a natureza do trabalho. O trabalho no Governo pode ser feito remotamente, a não ser nos serviços que não o permitam. Restam algumas pequenas e médias empresas. Desta forma, não sei se o teletrabalho é, de facto, uma questão em Macau.” Bruno Simões, por sua vez, entende que “Macau é bastante conservador em termos laborais”, onde “o relógio de ponto é ainda a norma e o teletrabalho é uma excepção”. “As reuniões virtuais são mais aceites”, apontou. Para o economista José Sales Marques, “os regimes híbridos são mais aceitáveis, excepto para certas profissões muito específicas”. “Em termos gerais, o mercado de trabalho em Macau oferece empregos na área de serviços, onde existe necessidade de trabalho presencial e contacto intenso com clientes, como quase tudo o que está relacionado com a hotelaria, a restauração, o jogo e o turismo”, acrescentou. O lado bom e mau “Working from Home Around the Globe” é o nome do relatório, lançado em Junho deste ano, sobre o panorama do teletrabalho em todo o mundo, da autoria de Cevat Giray Aksoy, Jose Maria Barrero, Nicholas Bloom, Steven J. Davis, Mathias Dolls e Pablo Zarate. Uma das conclusões do documento prende-se com o facto de os trabalhadores com um trabalho a tempo inteiro terem estado, entre os meses de Abril e Maio deste ano, a trabalhar a partir de casa 0,9 dias por semana, em média. Diz o relatório que “os níveis de trabalho a partir de casa são mais elevados nos países de língua inglesa” e que “os trabalhadores a tempo inteiro trabalharam em média 1,4 dias completos pagos por semana a partir de casa na Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido e EUA”. Em comparação, “os níveis médios de trabalho a partir de casa foram de apenas 0,7 dias por semana em sete países asiáticos, 0,8 nos países europeus e 0,9 em quatro países da América Latina e na África do Sul”. Além disso, “67 por cento dos empregados a tempo inteiro trabalham [actualmente] cinco dias por semana nas instalações da empresa”, enquanto 26 por cento têm um regime híbrido. Apenas “oito por cento dos empregados a tempo inteiro trabalham inteiramente a partir de casa”, descreve o relatório. Alvo de muitas desconfianças, o teletrabalho continua a não ser adoptado totalmente em muitos países. Bruno Simões acredita que “um dos aspectos mais positivos da pandemia foi tornar o teletrabalho uma realidade”, pois “até então as reuniões virtuais e o trabalho a partir de casa não eram aceites”. Trabalhar a partir de casa pode ajudar a poupar tempo e dinheiro gastos nas deslocações, mas, para Bruno Simões, há o problema “da falta de formação dos jovens”. “Aprende-se muito mais quando estamos fisicamente no mesmo local”, disse. Para Suzanne Watkinson, os aspectos positivos do teletrabalho prendem-se com a poupança de tempo e dinheiro, enquanto, no que diz respeito aos pontos negativos, exige “um grande nível de confiança entre gestores e empregados para ser um sucesso”, pois “a produtividade pode ser mais baixa se os empregados tirarem vantagens de trabalharem em casa”. Podem ainda ocorrer problemas na comunicação por telefone ou email. “Nada bate a comunicação cara a cara para que as coisas sejam feitas”, frisou. Se Elon Musk acredita que, em casa, os seus funcionários podem tornar-se mais preguiçosos, a verdade é que trabalhar em casa pode significar precisamente o contrário: dias de trabalho mais longos e menos pausas. Um estudo desenvolvido pelo centro de investigação norte-americano National Bureau of Economic Research em plena pandemia, em 2020, concluiu, segundo o jornal Público, que os dias de trabalho estavam, à data, mais longos, segundo informações disponibilizadas por 3,1 mil trabalhadores. Em média, o dia de trabalho passou a ter mais 48,5 minutos logo nas semanas a seguir aos primeiros confinamentos, enquanto o número de reuniões aumentou 13 por cento.
Evergrande | Acções afundam quase 80% após retomarem negociação Hoje Macau - 28 Ago 2023 As acções da construtora chinesa Evergrande caíram 78 por cento, após voltarem a negociar na Bolsa de Valores de Hong Kong, ao fim de 17 meses de suspensão. A cotação de cada título encerrou em 0,35 dólar de Hong Kong, no fecho da sessão de ontem. A Evergrande, que já tinha perdido mais de 90 por cento do seu valor de mercado quando suspendeu a negociação das suas acções, em Março do ano passado, poderia ter sido excluída da bolsa, caso a suspensão das negociações superasse os 18 meses. No último dia de negociações anterior à suspensão, as acções da empresa fixaram-se em 1,65 dólar de Hong Kong, longe do pico de 31,55 dólares de Hong Kong, registado em Outubro de 2017. A evolução registada na sessão de ontem deixa aquela que foi outrora a maior construtora da China com uma capitalização de mercado de cerca de 4.620 milhões de dólares de Hong Kong. O conglomerado apresentou no domingo os seus resultados do primeiro semestre, que reflectiram uma queda homóloga de 50 por cento no prejuízo líquido para cerca de 33.012 milhões de yuan e um passivo total de 2,39 biliões de yuan. A divulgação das suas contas em Julho, que já tinha revelado perdas equivalentes a quase 74 mil milhões de euros, entre 2021 e 2022, foi uma das exigências que a Bolsa de Valores de Hong Kong impôs para retomar a cotação. Na noite de sexta-feira, a empresa afirmou ter cumprido todos os requisitos e confirmou que solicitou a retoma das negociações a partir de ontem, iniciativa que as suas subsidiárias de veículos eléctricos e de gestão imobiliária já tinham tomado este mês. Estes anúncios surgiram poucos dias depois de a Evergrande ter pedido falência nos Estados Unidos para proteger os seus activos dos credores enquanto continua a negociar a reestruturação da dívida.
Taiwan | Fundador da Foxconn candidato à presidência Hoje Macau - 28 Ago 2023 O fundador da Foxconn, Terry Gou, anunciou ontem a candidatura oficial às eleições presidenciais de Taiwan, previstas em Janeiro do próximo ano, como independente. “Decidi participar nas eleições presidenciais de 2024 e apresentar a minha candidatura”, afirmou o bilionário, numa conferência de imprensa. No início do ano, Gou tinha afirmado que estava a tentar ser nomeado como candidato às presidenciais pelo Kuomintang (KMT), principal partido da oposição de Taiwan. Mas o KMT preferiu um antigo chefe da polícia e actual presidente da Câmara da cidade de Nova Taipé, Hou Yu-ih, apesar dos maus resultados nas últimas semanas. No entanto, o patrão da Foxconn, que se candidata como independente, precisa ainda de recolher 290 mil assinaturas para ser elegível. Nos últimos meses, Gou, que há muito declarou ambições presidenciais, organizou vários eventos em Taiwan que se assemelharam a campanhas eleitorais. A Foxconn, também conhecida pelo nome oficial de Hon Hai Precision Industry, é o maior fabricante mundial de produtos electrónicos e monta dispositivos para muitas empresas, incluindo a Apple. O vice-Presidente taiwanês, Lai Ching-te, membro do Partido Democrático Progressista da actual líder de Taiwan, Tsai Ing-wen, é o actual favorito.
BRICS: ideias absurdas? Roderick Ptak - 28 Ago 2023 A reunião do BRICS na África do Sul foi alvo de grande atenção internacional. Quatro dos actuais membros do BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul– pertencem à antiga rota que partia de Lisboa até ao Extremo Oriente. Nos séculos XVI e XVII, os navios que saíam de Portugal para a Ásia, iam muitas vezes primeiro até à costa do Brasil, e só depois atravessavam o sul do Atlântico, em direcção à África do Sul. Daí continuavam até à Índia e da Índia navegavam até Macau. Voilà, para colocar a questão em termos idealísticos: a velha Carreira da Índia e a Carreira de Macau “prefiguraram” a liga BRICS ou, com ela, tiveram alguns pontos em comum. Por isso, se as cidades portuárias puderem de per se candidatar-se a um estatuto especial no seio da aliança BRICS, Macau estará certamente qualificado para se tornar um membro especial deste sistema, como observador, colaborador com experiências culturais históricas multifacetadas e portador de uma vasta experiência no sector financeiro. O passado de Macau leva-nos até Portugal e à Europa. A UE tinha e continua a ter bastante abertura de espírito, mas ainda pode ir mais longe. Em teoria, vários países da UE, como a Alemanha, também podem candidatar-se a integrar o BRICS. E porque não? Seria isso um absurdo? Sem dúvida que seria uma provocação. No entanto, pode não ser totalmente despropositado. Pensemos nessa opção. As actividades coloniais alemãs, no período que precedeu a I Guerra Mundial, foram de curta duração, Berlim já pagou muito pelas suas dívidas. Mas também, à semelhança de muitos membros da UE, tem tentado encontrar um equilíbrio entre os extremos políticos. Países mais pequenos como a Áustria também seguem essa linha; caminham cuidadosamente no “trilho intermédio”, uma espécie de zhongyong zhi dao 中庸之道. Sem dúvida que, por vezes, a UE parece ter as mãos atadas, a maior parte dos países que a integram são membros da NATO / OTAN e podem ser um obstáculo à ideia da candidatura de qualquer um dos seus parceiros ao BRICS. No entanto, qualquer estado é livre de aderir a ligas e organizações diferentes, bem como de as abandonar. Assim sendo, integrar o BRICS, enquanto membro da UE (e da NATO / OTAN) deve ser possível… É evidente que os “Vikings” Protestantes e os “Normandos” têm pontos de vista diferentes sobre o assunto. No entanto, eles próprios têm muitas contas para ajustar. Não há melhorias à vista. Londres abandonou a UE e subordinou-se aos Estados Unidos. Quer Londres quer Washington têm muitas dívidas morais e de outros géneros, mas não têm vontade de as saldar e não querem corrigir os seus actos. Para eles, a velha fórmula “O Ocidente e o resto do mundo” continua a ser válida. Por isso mesmo, desvalorizam a importância do BRICS, mas temem esta estrutura imensa. Além disso, começaram já a tomar “medidas preventivas”, por exemplo, através da criação da aliança militar AUKUS. Para eles, a gestão dos órgãos de comunicação social e da opinião pública é muito importante porque procuram incansavelmente impor o seu pensamento e preocupações aos outros. Como é evidente, o “Ocidente” não existe. A ideia de valores partilhados entre os belicosos anglófonos e a UE faz pouco sentido. Muitos europeus são diferentes: identificam-se com o universo mediterrânico, interessam-se pela “Rota da Seda”, e desejam cooperar com o “Sul”. Por conseguinte, o conceito de “Ocidente” – enquanto entidade que deve resistir teimosamente ao BRICS – não é mais do que uma ferramenta retórica instrumentalizada pelos anglófonos; é usada para unir artificialmente todos os que supostamente seguem Washington. No entanto, a realidade não é assim. De forma alguma. No que diz respeito a Portugal, Lisboa deseja estar de boas relações com a China. A Itália já é outro caso. É certo que algumas notícias causam uma certa preocupação, mas, no actual estado de coisas, as relações entre Pequim e Roma são aceitáveis. Sim, frequentemente os políticos da UE encontram-se divididos entre opiniões diferentes. Provavelmente o mundo não teria de ser assim se eles se conseguissem libertar da influência anglófona. Podemos perguntar o que aconteceria, se Bruxelas não fosse ofuscada pelos seus próprios órgãos de comunicação, nem pela estranha propaganda sistematicamente distribuída pelos “espartilhos de pensamento” de Washington e de Londres, fundações, imprensa académica, serviços secretos e outros canais? Há quem diga que os estados que integram o BRICS sonham com uma nova moeda. Tudo bem, o BRICS crescerá; já foi decidida a aceitação de novos membros e a ideia de introduzir uma moeda comum é uma visão interessante para o futuro. É claro que ninguém sabe se esta ideia se chegará a materializar. Mas, na verdade, talvez um dia as coisas avancem, rapidamente e com muito entusiasmo. Poderemos chegar a uma fórmula aceitável de co-existência lucrativa entre duas moedas “supra-nacionais”, o novo “dinheiro” dos BRICS, seja qual for o seu nome e o seu conceito financeiro, e o Euro europeu. O Euro não é a moeda do “Ocidente”, não é um apêndice do dólar americano, não é algo controlado pelos anglófonos. É uma “entidade” com vida própria. Acima de tudo, é um símbolo da união entre diferentes nações e etnias, um símbolo que vai ajudar os europeus a construir pontes entre si, para ultrapassarem as dissidências. – Não dizemos sempre que a cooperação é uma coisa boa? De facto, construir organizações supra-nacionais, quer sejam políticas, económicas ou outras, é algo de formidável, desde que essas organizações defendam causas justas e que se prestem a ajudar a reduzir as tensões desnecessárias entre regiões rivais e, como é óbvio, desde que não se transformem em instrumentos de exploração dos mais fracos. Quem promove a competição argumenta de outra forma; afirma que a competição é justa, que tem sempre de haver vencedores e vencidos. Os macacos mais inteligentes e mais fortes ganham sempre. Estes pontos de vista, que são claramente ensinados por economistas do mundo inteiro, são parcialmente incompatíveis com o conceito de direitos humanos. Só servem os macacos musculosos. Os princípios económicos, a maximização dos lucros, a competição “de faca apontada ao peito” do “American Style” – tudo isso em conjunto, leva os anglófonos a roubar as bananas e a dominar os outros. O BRICS procura a equidade. Embora os seus membros sejam muito diferentes uns dos outros, partilham uma visão comum e essa visão pode estar muito mais próxima da esfera das expectativas humanas do que aquilo que pensamos. Não será esta uma boa razão para alguns países da UE considerarem uma candidatura ao grupo BRICS? Será que estou a levar as coisas longe demais? – O velho princípio mediante o qual devemos respeitar todas as nações, todas as etnias, ou seja, “todos debaixo do mesmo céu” (tianxia 天下), é uma opção aceitável. Um sonho versátil, uma aspiração maravilhosa. Pode aplicar-se a indivíduos, grupos e estados. É uma questão do passado e uma questão actual. O que o BRICS pretende é apenas isto; respeito mútuo e a tolerância. O BRICS defende a não interferência nos assuntos internos de cada um. No que diz respeito à alegada competição entre a Índia e a China, enormemente inflacionada no chamado “Ocidente” – existem razões para suspeitar que muita da propaganda é intencionalmente distribuída pelo anglófonos, que continuam a espalhar esta narrativa ao longo do mundo “livre”, mas não é algo que possa destruir o grupo BRICS. Anteriormente mencionámos o pequeno Macau. Macau parece ter incorporado, em miniatura, algumas das ideias inerentemente presentes no sonho BRICS. Por outras palavras, Macau é como uma mini-versão de um conjunto complexo, ou uma multi-facetada composição, mas que não deixa de ser harmoniosa. Talvez tenha sido sempre assim ao longo da sua História. Vamos supor que sim. Por isso, não seria também maravilhoso se agora, num período tão perigoso em termos de política mundial, dois ou três países da UE, encorajados pelos exemplos da História, decidissem abrir as suas portas de par e par?
Mercados | Praças financeiras sobem após Pequim anunciar medidas de apoio Hoje Macau - 28 Ago 2023 As praças financeiras da China abriram ontem com fortes subidas, depois de Pequim ter anunciado medidas de apoio aos mercados, incluindo a redução do imposto sobre transações ou da margem de solvência exigida. O índice de referência da bolsa de Xangai, o Shanghai Composite, subiu 5,06 por cento, na abertura da sessão, enquanto Shenzhen, que concentra as empresas tecnológicas do país, disparou 5,77 por cento. O Hang Seng, índice de referência da bolsa de valores de Hong Kong, subiu 3,13 por cento no início da sessão. A euforia inicial esmoreceu com o passar dos minutos e, depois de as 10:30, os índices registavam subidas em torno de 2,5 por cento. O Ministério das Finanças e a Administração Tributária da China anunciaram no domingo a redução para metade do imposto de selo, cobrado nas transações de compra e venda de ações, para “dinamizar o mercado de capitais e fortalecer a confiança dos investidores”. De acordo com o jornal de Hong Kong South China Morning Post, trata-se da primeira vez que a China reduz essa taxa desde a crise financeira global de 2008. Numa mensagem difundida através da rede social Weibo, o analista Jiang Yifan, da Guotan Junan Securities, estimou que a medida pode proporcionar anualmente entre 16.600 e 18.000 milhões de dólares em lucros às praças financeiras da China continental. O regulador do mercado de acções chinês anunciou ainda a redução de 100 por cento para 80 por cento da margem de solvência exigida para a compra de acções pelos investidores, a partir de 8 de Setembro. A instituição vai “fortalecer a celeridade das entradas em bolsa por etapas”, acrescentou.
Indústria | Lucros das principais empresas caem 15,5% até Julho Hoje Macau - 28 Ago 2023 Os lucros das principais empresas industriais da China contraíram 15,5 por cento, em termos homólogos, entre Janeiro e Julho, para 3,94 biliões de yuan, indicam dados divulgados ontem pelo Gabinete Nacional de Estatística chinês. Embora continue a registar quedas homólogas de dois dígitos, este indicador apresenta tendência de moderação, após ter contraído 16,8 por cento, no primeiro semestre. Os lucros das empresas industriais chinesas caíram 6,7 por cento, em termos homólogos, em Julho, após uma contração de 8,3 por cento, no mês anterior, disse um estatístico do Gabinete Nacional de Estatística chinês. “Os preços das matérias-primas caíram, a pressão sobre os custos das matérias-primas nas indústrias intermediárias e de refinação e distribuição do petróleo e gás diminuiu. O custo unitário das empresas industriais melhorou, no geral”, acrescentou Sun Xiao. Na elaboração desta estatística, o gabinete apenas teve em conta as empresas industriais com um volume de negócios anual superior a 20 milhões de yuan. Os lucros das empresas estatais caíram 20,3 por cento, nos primeiros sete meses do ano, face ao mesmo período do ano anterior. Os lucros das empresas estrangeiras registaram um declínio de 12,4 por cento, enquanto as empresas chinesas do sector privado registaram uma queda de 10,7 por cento, de acordo com os dados do Gabinete Nacional de Estatística. Os lucros caíram em 28 dos 41 principais sectores industriais durante o mesmo período, com a indústria de fundição de metais ferrosos e processamento de laminação a relatar a maior queda, de 90,5 por cento. A recuperação da economia perdeu força no segundo trimestre do ano, face à queda das vendas no sector imobiliário, contração das exportações e enfraquecimento do consumo interno. A débil procura resultou em deflação, enquanto a queda dos preços no produtor acelerou.
EUA | Secretária do Comércio defende em Pequim relação estável Hoje Macau - 28 Ago 2023 A secretária do Comércio dos Estados Unidos, Gina Raimondo, considerou em Pequim “extremamente importante” que Estados Unidos e China tenham relações comerciais estáveis, numa altura em que as duas maiores economias do mundo tentam reduzir tensões A responsável norte-americana, Gina Raimondo é a quarta funcionária do governo de Joe Biden a visitar a China este ano, num sinal de retoma do diálogo de alto nível entre os dois países. As relações entre Pequim e Washington deterioraram-se, nos últimos anos, devido a uma guerra comercial e tecnológica, diferendos em questões de direitos humanos, o estatuto de Hong Kong e Taiwan ou a soberania do mar do Sul da China. “Bem-vinda. É um grande prazer iniciar este diálogo convosco, visando coordenar questões económicas e comerciais”, disse o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, no início do encontro com Gina Raimondo. Os dois funcionários sentaram-se cara a cara, numa mesa preenchida pelas respectivas delegações, segundo imagens difundidas pela televisão estatal CCTV. “As nossas trocas comerciais ascendem a 700 mil milhões de dólares. É extremamente importante que tenhamos relações económicas estáveis”, indicou Gina Raimondo ao seu interlocutor. “É um relacionamento complicado, um relacionamento difícil”, admitiu. “É claro que discordaremos em algumas questões, mas penso que podemos avançar se formos directos, abertos e pragmáticos”, assegurou Raimondo. O ministério do Comércio chinês disse na semana passada esperar que a reunião produza “discussões aprofundadas” sobre a “resolução de disputas económicas e comerciais”. Entre as principais divergências estão as restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de determinados produtos norte-americanos, em especial de alta tecnologia, para a China. Washington considera esta medida crucial para preservar a sua segurança nacional. Mas Pequim acredita que o objectivo principal é limitar o seu crescimento económico e desenvolvimento. “Consideramos que uma economia chinesa forte é bom”, disse Gina Raimondo, que também viajará esta semana para Xangai, a “capital” económica da China. Outras vistas Durante uma visita a Pequim, no mês passado, a Secretária de Estado do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, tentou tranquilizar as autoridades chinesas sobre as múltiplas restrições impostas pela Casa Branca. O enviado dos EUA para o clima, John Kerry, visitou a China em Julho. Também o chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, visitou Pequim no mês anterior, na visita de mais alto nível por um responsável norte-americano desde 2018. Apesar de funcionários de ambos os lados expressarem optimismo, não houve nenhum anúncio sobre progressos nos diferendos que puxaram as relações para o nível mais baixo em décadas. O Governo chinês deseja reavivar o interesse dos investidores estrangeiros na China, à medida que tenta reverter o abrandamento da economia do país. A China está pronta para trabalhar em conjunto para “promover um ambiente político mais favorável” e “reforçar o comércio e o investimento bilateral”, disse Wang Wentao, sem dar detalhes sobre possíveis iniciativas. Raimondo disse que os dois lados estão a trabalhar no estabelecimento de “novas trocas de informações”, visando um “compromisso mais consistente”. “Acredito que podemos progredir se formos directos, abertos e práticos”, disse. Pequim interrompeu o diálogo com Washington sobre questões militares, climáticas e em outros âmbitos, em Agosto de 2022, em retaliação contra a visita a Taiwan da então presidente da Câmara dos Representantes do Congresso dos EUA, Nancy Pelosi. Passos em volta Antes de deixar Washington, Raimondo disse que estava à procura de “medidas concretas e viáveis” para avançar nas relações comerciais, mas não deu mais detalhes, reconhecendo apenas que os desafios são significativos. Uma das principais queixas de Pequim envolve os limites no acesso a ‘chips’ semicondutores e outras tecnologias dos EUA, que ameaçam dificultar o desenvolvimento de telemóveis, sistemas de inteligência artificial e outras indústrias cruciais nos planos de modernização industrial do Partido Comunista. “Em questões de segurança nacional, não há espaço para compromissos”, mas a maior parte do comércio entre EUA e China “não envolve preocupações sobre segurança nacional”, disse Raimondo a Wang. “Estou empenhada em promover o comércio e o investimento nas áreas que são do nosso interesse mútuo”, assegurou. Raimondo defendeu a estratégia da administração Biden de tentar “reduzir riscos”, através do aumento da produção doméstica de semicondutores e outros bens de alta tecnologia nos EUA, e criar fontes adicionais de abastecimento, para reduzir as chances de interrupção nas cadeias de produção. Pequim considerou que aquela política visa isolar a China e dificultar o seu desenvolvimento. “Não se destina a impedir o progresso económico da China”, disse Raimondo a Wang. “Buscamos uma concorrência saudável com a China. Uma economia chinesa em crescimento que cumpra as regras é do interesse de ambos”.