A riqueza e os seus deuses Ana Cristina Alves - 28 Ago 2023 Desde os tempos mais recuados houve quem na China desprezasse a riqueza. Podemos encontrar entre estes os seguidores mais fiéis das filosofias confucionista, daoísta e budista. O cavalheiro confucionista ou o sábio daoísta pouco ligam aos bens materiais. Para estas filosofias, mais importante do que a riqueza material, são os bens espirituais, que cada um vai desenvolvendo como pode: os valores morais, no caso confucionista, e os existenciais, impregnados de espiritualismo, no caso daoísta. Também aos budistas interessa, sobretudo, a libertação dos desejos materiais, a fim de escapar à terrível roda das reincarnações. Mas, o certo é que, desde os tempos mais recuados muitos, muitíssimos, mesmo, têm sido os que, entre os chineses, amam devotadamente a riqueza. Estes situam-se a um nível mais popular, são a grande maioria da população. Não obstante, neles se incluem muitos dos eruditos, capazes de suspender, no dia-a-dia, com admirável facilidade, os preceitos filosóficos que vão transmitindo nas aulas, conferências e outros momentos teóricos das suas actividades. Enfim, para a maioria, a riqueza é um bem inestimável. Há até um deus, o da riqueza, ou vários, dependendo das versões, a que as pessoas prestam culto de modo a enriquecer rápida e prolongadamente. A riqueza, na China, tem uma dimensão religiosa e, por vezes, até mística. Este povo adora com fervor religioso certos bens materiais, como o dinheiro, o ouro, e todos os metais preciosos, as pedras, também preciosas e, em suma, todos os objectos vulgarmente catalogados como tesouros materiais. A relação dos chineses com a riqueza abre-nos as portas ao estudo de uma religião materialista, onde este mundo e os seus bens são o verdadeiro modelo para um mundo sobrenatural, que só é superior na medida em que copiar, sem quaisquer alterações, a ordem estabelecida na terra. Nesta mundividência, há uma mensagem bem clara a reter: não basta actuar no mundo laico para se ser rico, é preciso ter fé e procurar o auxílio e a protecção das divindades ligadas à riqueza, caso contrário a sorte não será favorável. O deus da riqueza, Cai Shen, desdobra-se, em muitas versões, em dois: um militar, representado por Guandi, também conhecido por deus da guerra, e um civil que, não raro, aparece representado pelo ministro da antiguidade, Bi Gan. Este no livro da História é descrito como um servidor leal e justo, que sofreu martírios inenarráveis às mãos de um monarca cruel. O deus, ou os deuses da riqueza, são adorados com fervores redobrados entre os mais desfavorecidos, como é natural. São-lhes erguidos vários templos e altares, onde abundam oferendas, como vinho, frutas e bolos. As divindades são, também, muito apreciadas em zonas e cidades comerciais, como Cantão e afins. O deus civil é venerado por pessoas ligadas a profissões, carreiras e negócios que nada tenham a ver com o mundo militar. Já o deus militar é o protector de todos os indivíduos que, de algum modo, se relacionem com a guerra, como cutileiros, ferreiros, militares… Estes deuses vivem, como já se disse, segundo o modelo da existência terrestre. Têm mulher, família, riquezas sem fim e uma corte poderosa. Despertam um fervor intenso nos seus fiéis tanto eles, como os seus acólitos. Entre estes, um dos mais conhecidos é Liu Hai, habitualmente figurado por um menino com um colar de moedas à volta do pescoço. O rapaz faz-se acompanhar por uma criatura fabulosa: um sapo de três pernas, que devora moedas. Liu Hai é muito importante, do ponto de vista simbólico, pois mostra bem como, para a mentalidade chinesa, se interligam os desejos de riqueza e descendência masculina. Outros acólitos da divindade da riqueza são os gémeos da harmonia: He He Er Xian. Estes revelam mais uma característica importante da maneira de pensar dos descendentes do dragão – o espírito familiar. A verdadeira riqueza não surge com indivíduos isolados, mas em união e, especialmente, em família. A história do par de gémeos chega-nos através de uma lenda. Esta fala-nos de dois irmãos, nascidos de pais diferentes (nessa altura ainda não eram gémeos!), que deitaram mãos à obra, lançando-se ao negócio. Fizeram uma grande fortuna. Com a riqueza a aumentar, acabaram por se desavir. Separaram-se e só na oitava geração os descendentes se voltaram a unir, recuperando todos os bens de que os ancestrais tinham sido senhores. A harmonia e a união trazem a riqueza e, também, a longevidade e felicidade. Esta última é, muitas vezes, simbolizada num morcego, que congrega, por homofonia, a riqueza e a felicidade. Associada aos deuses da riqueza e seus acólitos, costuma surgir uma panela preciosa, que terá sido pescada por um homem de Nanjing, no rio Yanzi. O pescador pensou que o utensílio vindo às redes, seria útil para fazer a comida do cão, de modo que resolveu ficar com a panela. Para grande surpresa dele e da mulher, o objecto era mágico, logo tudo o que se punha lá dentro multiplicava-se indefinidamente. Assim sucedeu com a comida do cão, mas, também, com o gancho dourado da mulher, que, inadvertidamente, lhe escorregou da cabeça. Outros símbolos ligados ao culto da riqueza são: um cavalo precioso, provavelmente de origem budista, de cuja boca se escapam jade, moedas de todos os tipos e outros bens valiosos e que, além disso, transporta um taça repleta de jóias; um dragão-moeda, já que o seu corpo é formado por um longo cordão de moedas; uma carpa, que, por homofonia, representa a abundância, além de inúmeros cestos e caixas a transbordar de tesouros. Este mundo religioso da riqueza, repleto de seres e objectos sagrados, dá acesso ao crente a todo o tipo de bens preciosos: lingotes de ouro e prata, pedras preciosas, árvores mágicas, donde também saem moedas, e riquezas sem fim. Um grande número de frases auspiciosas, de inegável eficácia mágica, remata e coroa este cenário. Os possuidores das belas frases caligrafadas podem estar certos de obter o que elas indicam. Para citar algumas, “longa vida, riqueza e posição social”, ou, apenas, “riqueza e posição social, ou “a visita do Deus da Riqueza”… Na China, e um pouco à semelhança do espírito que anima certas filosofias cristãs do Norte da Europa, para se ser rico há, antes de mais, que acreditar. Em seguida, deve-se cultivar, incessantemente, as relações com os deuses, seus acólitos e nunca esquecer de ter sempre à mão a vasta gama de amuletos aqui referidos. Estes tanto produzem efeito a duas como a três dimensões.
Jogo | Dois detidos por suspeita de usura e rapto João Luz - 28 Ago 2023 Como frequentemente acontece nos crimes mais graves, os principais suspeitos encontravam-se em excesso de permanência no território. O homem e a mulher do Interior raptaram, agrediram e privaram de água e comida um jogador endividado Um homem e uma mulher foram detidos e encaminhados para o Ministério Público (MP), devido a suspeitas de terem cometido os crimes de usura e rapto. O caso aconteceu durante o fim-de-semana, implica dívidas de um jogador e foi revelado ontem pela Polícia Judiciária (PJ). Segundo o relato da polícia, citado pelos órgãos de comunicação em língua chinesa, a vítima é um jogador do Interior que se encontravam em Macau desde Julho. Foi nesse mês que pediu emprestado 468 mil yuan para jogar a um homem e uma mulher que conheceu em Macau. Em troca, o jogador comprometeu-se a pagar 5 mil dólares de Hong Kong por dia em juros. Até ao dia 14 deste mês a vítima foi capaz de pagar os juros prometidos, que totalizaram 70 mil yuan. Porém, a partir dessa data ficou sem capacidade financeira e começou a falhar os pagamentos diários. Sem receberem dinheiro nem quaisquer explicações do jogador, o homem e a mulher marcaram um encontro com o devedor para um hotel na Taipa. O encontro aconteceu na quarta-feira passada, e o duo aproveitou para levar o jogador para um quarto do hotel, onde este foi mantido em cativeiro durante quase três dias. Horas dolorosas Durante o tempo em que a vítima ficou retida no hotel, foi obrigada a ficar quase sempre de pé, sem acesso a comida ou bebida, além de ter sido agredida com vários golpes. O homem foi ainda ameaçado com uma faca contra o pescoço, ao ponto de ter revelado os dados do acesso ao cartão de crédito, além de ter entregue o telemóvel e outros documentos pessoais aos raptores. Todo o processo das agressões foi gravado pelos próprios agiotas. Na posse dos dados, os agiotas conseguiram obter mais 284 mil yuan, que transferiram para as suas contas. Contudo, devido aos trabalhos de “recuperação das dívidas”, os criminosos consideraram que a vítima tinha ficado com a obrigação de pagar mais 200 mil yuan, que se juntavam ao pagamento de juros diários de 5 mil dólares de Hong Kong e ainda ao montante inicial do empréstimo de 468 mil yuan. No dia 26 de Agosto, aproveitando uma distracção dos agressores, a vítima conseguiu contactar um empregado de hotel, que chamou as autoridades, que se deslocaram ao local e salvaram o jogador. De acordo com os dados da polícia, o suspeito tem 40 anos e é desempregado. Por sua vez, a suspeita tem 50 anos e trabalha como secretária. Ambos são provenientes do Interior e admitiram ter emprestado dinheiro “para fins comerciais”. Contudo, recusaram ter praticado qualquer tipo de extorsão ou juros usurários. Excesso de permanência Na tradicional conferência de imprensa e parada dos detidos, a PJ reconheceu que os dois suspeitos se encontravam em excesso de permanência em Macau. Nos últimos tempos alguns dos crimes mais graves têm sido praticados por pessoas que entram em Macau e ficam em excesso de permanência, inclusive durante anos. Em Maio deste ano, teve lugar um homicídio, também num quarto de hotel, cometido por um homem do Interior, com 44 anos, em excesso de permanência. Conseguiu fugir, mas foi capturado quando se encontrava em Chaozhou, a mais de 350 quilómetros de Macau, e entregue às autoridades locais, pelas congéneres do Interior. Também em Março, um residente de Hong Kong sem abrigo em Macau há quase dois anos, matou uma prostituta, num quarto de hotel, num dos crimes mais mediáticos deste ano.
Retalho | Salários e número de trabalhadores a crescer Andreia Sofia Silva - 28 Ago 2023 Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) mostram que o sector do comércio por grosso e a retalho registou um aumento de 3,2 por cento dos trabalhadores no segundo trimestre deste ano por comparação a igual período do ano passado, tendo-se registado um total de 63.934 trabalhadores. Em termos de salário médio, com a excepção de remunerações irregulares, o montante pago no segundo trimestre foi de 14.810 patacas, mais 5,9 por cento em termos anuais, “devido sobretudo à base de comparação ter sido relativamente baixa, causada pelo maior número de licenças sem vencimento que existiu durante o ano pandémico anterior”, explica a DSEC. Destaque ainda para o facto de a área do comércio a retalho ter registado, em igual período, um total de 2538 vagas de emprego, mais 1.157 em termos anuais. Relativamente a outros sectores de actividade económica, importa ainda realçar a área dos “transportes, armazenagem e comunicações” com 14.391 trabalhadores registados no segundo trimestre, mais 3,4 por cento de aumento em termos anuais. Em Junho deste ano a remuneração média dos trabalhadores a tempo completo fixou-se em 21.250 patacas, mais 5,2 por cento, em termos anuais. Em matéria de segurança, registaram-se reduções em termos salariais e de número de trabalhadores. Contabilizaram-se 12.794 trabalhadores ao serviço, menos 2,3 por cento, em termos anuais. A remuneração média dos trabalhadores a tempo completo em Junho de 2023 foi de 12.410 patacas, menos 2,7 por cento, em termos anuais.
Restauração | Macalhau abre na Taipa com petiscos de bacalhau João Santos Filipe - 28 Ago 2023 Desde a semana passada que os amantes da gastronomia lusa podem experimentar vários petiscos no novo espaço na Taipa com mão do chef português Cristiano Tavares Um espaço para dar a provar petiscos cozinhados com várias partes do bacalhau cozinhado à portuguesa. É o conceito que está na origem da nova loja de petiscos e takeaway Macalhau (bacalhau em cantonês), que abriu na Taipa, e tem como chef o português Cristiano Tavares. “A ideia é permitir aos nossos clientes provarem todos os produtos do bacalhau que se podem encontrar em Macau”, começou por explicar Cristiano Tavares, ao HM, sobre o novo conceito. “Normalmente nos restaurantes não há oportunidade para provar as partes diferentes do bacalhau, porque os pratos são feitos a partir do lombo. Eu aqui quero oferecer todas as partes, não só o lombo, mas também as ovas ou as línguas”, acrescentou. No Macalhau, os interessados têm oportunidade de provar alguns petiscos, como os bolinhos de bacalhau, desde os tradicionais, ou recheados com queijo e bacalhau confitado, ou ainda os recheados com queijo e presunto de pata negra. Além disso, uma das apostas fortes é o tradicional pastel de bacalhau. Apesar de ser essencialmente virado para os petiscos, a loja tem uma componente de takeaway, com pratos como o bacalhau à brás ou um estufado, que, segundo o chef, “leva todas as partes do bacalhau”. “Tivemos o cuidado de ter preços acessíveis e é possível comer um prato de bacalhau por cerca de 140 patacas, quando normalmente nos restaurantes fica acima de 200 patacas”, indicou Tavares. Localizado na Rua dos Mercadores n.º 34, na Taipa, e perto da Rua do Cunha, o cozinheiro admite que nesta fase o Macalhau ainda está mais virado para os turistas. Todavia, os preparativos para entrar nas plataformas electrónicas de takeaway, como a Mfood e Aomi, estão a ser feitos: “Temos essa componente de takeaway e queremos que seja parte do nosso negócio”, admitiu Tavares. Toque poveiro Com o bacalhau ser o princiopal ingrediente, não deixa de haver uma alternativa para quem gosta de carne: a Francesinha Poveira. Este é um prato que se mistura com o percurso de Cristiano Tavares, natural das Caxinas, em Vila do Conde. “É verdade que é um restaurante com bacalhau, mas não podia deixar de disponibilizar a francesinha, a grande excepção no menu, porque é um prato da minha terra”, confessa o chef. “Ao contrário de outras francesinhas, a poveira tem a particularidade de ser servido no pão utilizado para o cachorro quente”, explicou. A viver em Macau há mais de 10 anos, Cristiano Tavares tem um percurso ligado a vários restaurantes locais com comida portuguesa, mas não só. A vinda para o território, aconteceu através de um convite do chef António, com quem trabalhou cerca de cinco anos. Neste percurso somaram-se também passagens pelo restaurantes King’s Lobster, Paulaner Wirtshaus Macau, Grand Hyatt e mais recentemente MGM Rossio.
Zhuhai | Nick Lei pede melhorias no sistema de quotas Hoje Macau - 28 Ago 2023 O deputado Nick Lei apelou ao Governo para introduzir melhorias no sistema de marcação de quotas no âmbito do programa “Circulação de veículos de Macau na província de Guangdong”. Num artigo publicado ontem no Jornal do Cidadão, Lei considera que a iniciativa é um sucesso, mas que o sistema de marcações, limitado a quotas diárias de 2 mil, tem problemas inconvenientes. Com uma corrida às poucas vagas existentes e sem haver um limite rigoroso nas marcações, há vagas que não são aproveitadas, apesar de estarem reservadas. Ao mesmo tempo, estão a ser utilizados softwares que têm acesso privilegiado ao sistema online de marcações e que prejudicam o utilizador normal, sem conhecimentos avançados de informática. Face a esta realidade, muitos cidadãos aceitam pagar a “intermediários”, para conseguirem deslocar-se de carro a Cantão. Nick Lei espera que o problema seja resolvido pelas autoridades, para não haver pagamentos desnecessários. Questionada criminalização de marcação de vagas O advogado Ho Kam Meng considera que as leis actuais não permitem afirmar que a reserva de vagas no âmbito do programa “Circulação de veículos de Macau na província de Guangdong” realizadas por intermediários, que cobram comissão, ou marcações com recurso a um software de acesso privilegiado são crime. Em causa estão as queixas constantes dos cidadãos sobre as dificuldades em marcar uma vaga para ir a Cantão de carro. Para fazer face ao fenómeno dos intermediários, Ho Kam Meng sugere que as marcações tenham associadas uma matrícula e um número de telemóvel, para evitar a venda posterior da vaga, e obrigar o responsável pela reserva a utilizá-la. O também presidente da Aliança de Sustento e Economia de Macau, associação que tem como membro a deputada Lo Choi In, vincou que em caso de acidente, os procedimentos são conduzidos com a lei chinesa. Porém, defendeu que o Governo de Macau pode compilar a informação com alguns casos para os residentes terem acesso a informação.
Super Tufão | Saola pode levar a sinal de alerta a meio da semana João Luz - 28 Ago 2023 A tempestade tropical Saola intensificou-se para um super-tufão com ventos de 185 quilómetros por hora e rajadas de 230 quilómetros por hora. Depois de fustigar o norte das Filipinas, e ainda com percurso incerto, o Observatório de Hong Kong abre a possibilidade de emitir sinal de alerta entre o meio e o fim da semana O norte das Filipinas, em particular a zona costeira da província de Isabela, foi ontem fustigado pelos ventos fortes do super-tufão Saola. Apesar da imprevisibilidade da trajectória do Saola, o Observatório de Hong Kong prevê que a tempestade se situe amanhã a cerca de 800 quilómetros da região vizinha. As autoridades da RAEHK apontaram que o ciclone tropical Haikui, que se situava ontem a leste do Saola, poderia interagir com o super-tufão, acrescentando incerteza à sua trajectória. “Dependendo do tamanho da circulação do Saola e da sua distância do Estuário do Rio das Pérolas, o Observatório avaliará a necessidade de emitir sinais de aviso de ciclone tropical a meio ou no fim desta semana”, indicou ontem o Observatório de Hong Kong. Os Serviços de Meteorológicos e Geofísicos de Macau divulgaram um mapa com a previsão da trajectória da tempestade que indicava o dia 2 de Setembro, sábado, como a data da possível chegada à zona costeira de Fujian, depois de passar pelo Estreito de Luzon e pelo sul de Taiwan. Foi também previsto que no início da manhã de sexta-feira, o Saola se situe a 400 quilómetros de distância de Macau e que por essa altura a sua intensidade reduza de super-tufão para tufão severo. Terras de Próspero As autoridades meteorológicas das Filipinas afirmaram ontem que o Saola enfraqueceu ligeiramente durante meio dia “devido à passagem por águas oceânicas mais frias e a intrusão de ar seco, antes de se voltar a intensificar antes se virar noroeste”. Em antecipação, as autoridades do país temiam impacto na produção de arroz e milho nas províncias do norte. Com a previsão para ontem de chuvas intensas, as províncias de Isabela, Cagayan, Ilocos e a região montanhosa de Cordillera antecipavam riscos de cheias e deslizamentos de terras. Apesar de as autoridades meteorológicas das Filipinas terem baixado ontem o sinal de alerta, e de não estar previsto que o olho da tempestade atravesse o território, foi lançado um alerta à população do norte de Luzon e dos pequenos grupos de ilhas de Babuyan e Batanes para terem cuidado com ventos fortes hoje a amanhã.
IAM | Entidades apoiadas não podem receber outros apoios públicos João Luz - 28 Ago 2023 Foi ontem publicado o regulamento de apoio financeiro do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) que determina que as entidades “cujo funcionamento, actividades ou projectos são financiados pelo IAM ou que tenham abonos atribuídos por este não podem beneficiar cumulativamente de apoio financeiro por parte de outros serviços ou entidades públicos da RAEM”. Para a aprovação dos pedidos de financiamento, o regulamento estabelece que o Conselho de Administração para os Assuntos Municipais do IAM pode delegar competências numa comissão interna criada para o efeito. Porém, as regras, que vão entrar em vigor na próxima sexta-feira, ditam que o conselho de administração para os Assuntos Sociais elabora planos de apoio financeiro com valor orçamental não superior a um milhão e meio de patacas. Porém, se o orçamento ultrapassar os 1,5 milhões de patacas será necessária a autorização do secretário para a Administração e Justiça. Os apoios prestados pelo IAM têm de respeitar três moldes. O “subsídio de funcionamento” tem como objectivo “financiar os custos gerais de funcionamento de uma associação”. As associações que se candidatem a este apoio “têm de ser capazes de prestar auxílio ao IAM de modo a fomentar e a exercer as suas funções promovendo e mantendo o funcionamento e desenvolvimento da comunidade e prestando serviços ao público”, é descrito. Quanto ao “subsídio de actividade ou projecto” é determinado que estes “têm de contribuir para a promoção da concretização do interesse público social e para a harmonia comunitária”. Por último, foi estabelecida a modalidade de “abono”, que tem como objectivo “a prossecução das atribuições do IAM.
FSS | Mais de 7,7 mil milhões de patacas perdidas em 2022 Hoje Macau - 28 Ago 2023 As perdas de 7,7 mil milhões de patacas em investimentos contribuíram para que o Fundo de Segurança Social apresentasse um défice de 11,1 mil milhões de patacas no ano passado, o pior resultado desde a transição O Fundo de Segurança Social (FSS) de Macau perdeu 7,7 mil milhões de patacas em investimentos financeiros no ano passado, de acordo com o relatório anual da instituição. No documento, o FSS lembrou que “o mercado financeiro global foi afectado por uma série de factores desfavoráveis, incluindo a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, as sanções da Europa e dos Estados Unidos contra a Rússia [e] o aquecimento contínuo da situação geopolítica”. O fundo acrescentou que, numa “situação macroeconómica (…) instável e complicada” a nível mundial, a subida da inflação levou os bancos centrais de muitos países a subirem as taxas de juro. A Autoridade Monetária de Macau aprovou, em Maio, um aumento de 0,25 pontos percentuais da principal taxa de juro de referência, a décima subida desde Março de 2022, seguindo a Reserva Federal norte-americana. Devido às perdas em investimentos financeiros, as despesas totais do FSS ficaram perto de 14 mil milhões de patacas em 2022, mais 114,9 por cento do que no ano anterior. Também as receitas caíram 71,2 por cento em comparação com 2021, fixando-se em 2,8 mil milhões de patacas. Deste valor, 11,4 por cento veio das contribuições dos trabalhadores, actualmente fixada em 90 patacas por mês, e 13,4 por cento da taxa que as empresas pagam para contratar pessoal do exterior. Buraco milionário No final de contas, o FSS registou um défice de 11,1 mil milhões de patacas no ano passado, o pior resultado desde a transição de administração de Macau, de Portugal para a China, em 1999. Em Junho de 2019, antes da pandemia da covid-19, o Governo implementou uma lei que garante a transferência de 3 por cento do saldo do orçamento do território para o FSS, para responder à pressão do envelhecimento acelerado da população. No relatório, o fundo indicou que em 2022 quase 137.500 residentes de Macau recebiam a pensão para idosos, actualmente fixada em 3.740 patacas por mês, mais 8.200 do que no ano anterior. De acordo com uma projecção da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), divulgada em Fevereiro, o número de idosos deverá, pela primeira vez e já este ano, ser superior ao número de jovens. A DSEC prevê que os residentes com 65 anos ou mais passem de 83.200 pessoas em 2021 para 164.400 em 2041, ou seja, de 12,2 por cento para 20,9 por cento, um aumento que tornaria Macau num dos territórios mais envelhecidos do mundo.
Covid-19 | Governo afasta alarme social devido a nova subvariante Andreia Sofia Silva - 28 Ago 202328 Ago 2023 A nova subvariante da Ómicron BBX da covid-19, a Éris ou EG.5, representa já mais de 70 por cento dos novos casos da doença na China. Os Serviços de Saúde afastam a possibilidade de perigos maiores para a população, tal como o epidemiologista Manuel Carmo Gomes Com agências As fronteiras abriram, as restrições foram eliminadas e a vida voltou à normalidade no que à pandemia diz respeito. Mas a verdade é que a covid-19 continua a ser uma realidade para muitas pessoas, ainda que bastante longe do grau constrangimentos ao quotidiano dos últimos anos. Agora a subvariante da Ómicron BBX mais comum é a Éris, ou EG.5, que na China já é responsável por mais de 70 dos casos de infecção. Em Macau, os Serviços de Saúde (SS) parecem estar descansados relativamente à nova mutação. “De acordo com a última avaliação da Organização Mundial da Saúde (OMS), a subvariante EG.5 apresenta as características de maior capacidade de transmissão e de escape imunológico”, sendo que “não foram encontradas evidentes alterações significativas patogénicas”. Além disso, “não houve um aumento significativo [na nova subvariante] dos riscos globais para a saúde pública”. Desta forma, as autoridades de saúde da RAEM entendem que “com base nos dados disponíveis, o nível de risco global para a subvariante EG.5 é avaliado como de baixo risco”, sendo que os SSM prometem continuar “a monitorizar a evolução do novo coronavírus e a adoptar oportunamente diversas medidas de prevenção da epidemia”. Assim, as autoridades de saúde parecem não querer voltar ao passado recente, marcado por um uso generalizado de máscaras e mais testagem da população. A Organização Mundial da Saúde (OMS) listou a EG.5 como variante de interesse, no entanto, não indicou que represente uma ameaça maior em comparação com outras cepas do tipo de coronavírus. Quem contraiu infecção pela subvariante XBB da Ómicron, entre Abril e Junho, pode ter alguma imunidade contra a EG.5, segundo a organização. O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China adiantou na semana passada que a disseminação da subvariante EG.5 não exerceu pressão significativa sobre o sistema hospitalar do país e que é improvável que leve a surtos em massa. “Não há evidências conclusivas que sugiram que a EG.5 possa causar sintomas graves”, afirmou o CDC, citado pelo China Daily. Preparar para o frio Na sexta-feira, segundo a agência estatal Xinhua, especialistas chineses afirmaram que a China não deverá ter um novo surto de covid-19 em grande escala tão cedo, mas aconselharam que a população tome precauções devido à chegada do período frio no Outono e Inverno. Li Tongzeng, médico e chefe do Departamento de Doenças Respiratórias e Infecciosas do Hospital You’an, de Pequim, disse que a maioria dos casos de covid-19 actuais apresenta sintomas leves, existindo poucos casos graves. A imunidade pública ainda é eficaz na proteção contra a variante EG.5, disse Hu Yang, médico sénior do departamento de medicina respiratória e terapia intensiva de um hospital com sede em Xangai. Huang Senzhong, professor da Universidade Nankai, expressou opiniões semelhantes, dizendo que actualmente são registadas algumas infecções esporádicas na China, mas em número mais baixo e com um menor impacto na sociedade. Os especialistas apontaram ainda, segundo a Xinhua, a necessidade de reforçar a área da saúde a fim de dar resposta ao período de frio que se aproxima, nomeadamente um aceleramento na investigação e produção de novas vacinas para variantes futuras da covid-19. O director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou no início do mês que, embora o risco geral seja baixo, a disseminação global da EG.5 pode contribuir para um aumento de casos de covid-19 em diferentes partes do mundo. “Não há dúvida de que o risco de morte ou de casos graves é agora muito menor do que há um ano, devido à crescente imunização da população graças a vacinas e infecções, mas apesar da melhoria, a OMS continua a considerar que o vírus representa um risco alto para a saúde pública”, acrescentou. Embora a OMS tenha declarado o fim da emergência internacional em 5 de Maio, Tedros Ghebreyesus disse no início do mês que o “vírus continua a circular em todos os países e continua a matar e a sofrer mutações”. Palavra de epidemiologista Manuel Carmo Gomes, epidemiologista português, garantiu ao HM que a Éris, ou EG.5, deriva da Ómicron XBB.1.9., apresentando duas mutações “que lhe conferem uma capacidade especial para evadir os anticorpos que todos temos por termos sido vacinados, infectados ou as duas coisas”. Assim, “esta capacidade de evasão inclui mesmo os anticorpos de pessoas que foram infectadas com versões anteriores da XBB”, existindo, no entanto, alguns perigos. O epidemiologista aponta que o vírus pode continuar a evoluir “para se adaptar a uma população mundial que tem uma ‘parede imunitária’ originada pela vacinação e por três anos de infeções naturais”. “Ninguém pode prever que novas direcções vai seguir. Este perigo é conceptual, mas obriga a manter um significativo esforço de vigilância, o qual, infelizmente, decaiu muito desde que a OMS proclamou o fim da situação de emergência internacional”, frisou. O segundo perigo endereçado por Manuel Carmo Gomes prende-se com o facto de a maioria das pessoas ter “concentrações muito baixas de anticorpos em circulação no sangue porque fomos vacinados ou infectados há mais de quatro meses”. Existe, desta forma, “uma probabilidade alta de sermos infectados pela EG.5, caso tenhamos contacto com o vírus”, sendo que este cenário “deve aumentar muito no próximo Outono”. Quais são, então, os cuidados a ter? O especialista entende que “para as pessoas mais idosas e os que padecem de doenças de risco para a covid-19, como imunodeficiência, doença pulmonar, doença renal ou neoplasias, o risco de desenvolvimento de formas graves de covid é real”. Pelo contrário, “nas pessoas saudáveis, em princípio, a infecção por EG.5 pode originar sintomas leves que serão ultrapassados com o tempo”. O cenário de maior mortalidade continua afastado. “Existe evidência de poder infectar e causar doença leve com relativa facilidade, mesmo em pessoas que foram vacinadas ou infectadas no passado, mas não há evidência de que seja mais letal ou mais patogénica”, adiantou Manuel Carmo Gomes. Outubro com reforços O HM questionou Manuel Carmo Gomes sobre a eventual necessidade de reforço das vacinas com esta nova subvariante. O epidemiologista disse que “o reforço outonal que será dado a partir do início de Outubro em Portugal e no mundo, deve diminuir significativamente o risco de doença grave, de forma duradoura, e o risco de infecção, temporariamente, causada pela EG.5”. “A razão é simples: o próximo reforço é uma vacina feita com base na XBB.1.5, uma subvariante muito parecida com a XBB.1.9, a precursora da EG.5”, explicou ainda. Manuel Carmo Gomes também entende não ser necessário, para já, alterar os planos de combate à doença. “Em Portugal, pelo menos, não há evidência de que a EG.5 venha a causar uma pressão hospitalar maior do que anteriores versões do vírus. Em alguns países, como os Estados Unidos e o Reino Unido, as hospitalizações com covid estão com sinal ascendente, mas estão a partir de níveis historicamente baixos.” Desde o início da pandemia, no final de 2019, a OMS registou quase sete milhões de mortos em todo o mundo, tornando a crise sanitária uma das mais graves desde a gripe espanhola, em 1918. Em comparação com os piores momentos da pandemia, em que foram notificados mais de 20 milhões de casos semanais globalmente (no início de 2022 com a variante Ómicron), apenas cerca de 10.000 infecções foram relatadas na Europa e 20.000 nos Estados Unidos, em Julho, embora os números ainda fossem relativamente altos na região da Ásia – Pacífico (288.000 positivos). Reforço em baixa Dados fornecidos pelos Serviços de Saúde (SS) ao HM revelam que apenas “mais de 60 por cento dos adultos [vacinados] receberam o reforço” da vacina contra a covid-19 desde o início do programa, em comparação à taxa de vacinação inicial da população alvo em Macau, que ultrapassou os 90 por cento. Por sua vez, “cerca de 70 por cento” das pessoas com idades compreendidas entre seis meses e os 17 anos completaram a vacinação inicial, enquanto em relação aos adultos de 18 aos 59 anos, “mais de 90 por cento completaram a vacinação inicial”. Relativamente à população mais idosa, ou seja, com 60 ou mais anos, “mais de 80 por cento completou a vacinação inicial”, apontam os SS, que prometem continuar a apostar na campanha de vacinação contra a covid-19 “através de publicidade diversificada, incluindo vídeos promocionais, infografias, anúncios online em plataformas de redes sociais, bandeiras e placas publicitárias”.
Fogo de artifício | Concurso está de regresso com empresa portuguesa Hoje Macau - 28 Ago 2023 Macedos Pirotecnia é o nome da empresa portuguesa que, este ano, vai a concurso na primeira edição do Concurso Internacional de Fogo de Artificio de Macau após a pandemia, com actuação marcada para dia 1 de Outubro, Dia Nacional da China. A 31.ª edição do evento conta com dez apresentações de empresas de pirotecnia de todo o mundo Uma empresa portuguesa vai estar presente no regresso do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau, entre 9 de Setembro e 7 de Outubro, após uma pausa de três anos devido à pandemia, foi ontem anunciado. A 1 de Outubro, Dia Nacional da China, a Macedos Pirotecnia vai apresentar o espectáculo “Supernova”, que vai “permitir ao público estabelecer uma ligação emocional com Portugal”, afirmou a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) de Macau, em conferência de imprensa. A Macedos Pirotecnia, com sede no concelho de Felgueiras, no distrito do Porto, vai participar pela quinta vez no concurso, tendo vencido em 2000, a 12.ª edição, a primeira realizada depois da transição de administração de Macau de Portugal para a China. Além de Portugal, a 31.ª edição vai contar com 10 espectáculos, cada um com uma duração de 18 minutos, a combinar fogo de artifício e música, de companhias vindas da Austrália, da Suíça, da Áustria, da Rússia, das Filipinas, do Japão, do Reino Unido, da Alemanha e da China. A DST recomenda as melhores localizações para ver o fogo de artificio e captar fotografias, nomeadamente na Avenida Dr. Sun Yat-Sen do Centro Ecuménico Kun Iam até à Zona de Lazer Marginal da Estátua de Kun Iam, no passeio ribeirinho do Centro de Ciência de Macau, no Anim’Arte Nam Van, na Avenida de Sagres (ao lado do Hotel Mandarin Oriental, Macau) e na Avenida do Oceano, Taipa. A música de fundo dos espectáculos será transmitida, em tempo real, no canal chinês da Rádio Macau (FM100.7). Por sua vez, a TDM, Ou Mun e TDM Entretenimento irão transmitir o evento. Os espectáculos decorrem às 21h e 21h40 de cada noite. O concurso inclui ainda outras actividades, nomeadamente uma votação online “para aumentar o envolvimento dos residentes e visitantes”, e um arraial que acontece durante as cinco noites do concurso entre as 17h e as 23h junto à Torre de Macau com um programa que combina gastronomia e espectáculos. Por outro lado, pela primeira vez este ano, associações comunitárias organizam no Anim’Arte Nam Van e na Zona de Lazer da Marginal da Taipa, uma feira do festival de fogo-de-artifício, para que os residentes e visitantes possam escolher diferentes locais para apreciar cada noite de exibição de fogo de artifício, saborear petiscos, participar em jogos e assistir a espectáculos de animação. Destaque ainda para a realização de concursos de fotografia e desenho para estudantes e amantes da fotografia, organizados pela Associação Fotográfica de Macau e Associação dos Artistas de Belas-Artes de Macau. O prazo de entrega das obras decorre de 9 de Setembro a 31 de Outubro. A directora da DST, Maria Helena de Senna Fernandes, afirmou que, após a pandemia de covid-19, período em que “não havia condições para realizar o concurso”, o regresso do evento “é um símbolo do reforço das ligações entre Macau e o exterior”. Boas expectativas Em Dezembro, o território anunciou o cancelamento da maioria das medidas de prevenção e contenção, depois de quase três anos de rigorosas restrições, que incluíam a proibição da entrada de turistas vindos do estrangeiro. Com o fim das restrições, Macau recebeu 14,4 milhões de visitantes nos primeiros sete meses de 2023, quatro vez mais do que em igual período do ano passado, mas ainda longe do registado em 2019: 23,8 milhões. A 12 de Agosto, a cidade recebeu quase 140 mil turistas, o valor diário mais elevado desde o início da pandemia. À margem da conferência de imprensa, Senna Fernandes disse à Lusa esperar que Agosto termine com uma média acima de 100 mil visitantes por dia, que seria o número mais alto desde Outubro de 2019. A directora da DST previu ainda uma média diária de 90 mil visitantes para a chamada ‘semana dourada’, no início de Outubro. Antes da pandemia, Macau recebeu 140 mil turistas por dia nesse período, que concentra vários feriados, entre 1 e 7 de Outubro. Senna Fernandes disse que o número de visitantes da China continental já ultrapassou 60 por cento dos valores registados em 2019, mas admitiu que Macau tem de “continuar a lutar” para atrair mais turistas internacionais. A DST tem promovido o território sobretudo no Sudeste Asiático, em países com ligações aéreas directas a Macau. No entanto, a directora sublinhou que a cidade poderá apostar em outros países após o lançamento, em breve, de um serviço de autocarro directo do aeroporto da vizinha região de Hong Kong, um dos mais movimentados do mundo.
Gisela João no regresso dos estrangeiros ao Festival Internacional de Música Hoje Macau - 28 Ago 2023 Após um interregno de três anos devido à pandemia de covid-19, o Festival Internacional de Música de Macau (FIMM) vai voltar a receber artistas estrangeiros, incluindo a portuguesa Gisela João, foi hoje anunciado. O Centro Cultural de Macau vai acolher a 28 de Outubro Gisela João, descrita como uma “conceituada fadista” por Leong Wai Man, presidente do Instituto Cultural (IC), que organiza o festival. De acordo com o programa da 35.ª edição do FIMM, Gisela João vai apresentar uma selecção de canções do seu terceiro álbum, “AuRora”, editado em 2021, “o seu registo mais pessoal e intimista e que representa um novo capítulo na sua carreira”. “É a primeira vez que podemos convidar músicos e grupos do exterior” desde o início da pandemia, disse numa conferência de imprensa Leong Wai Man, que demonstrou esperança de que o festival possa atrair “muitos visitantes das regiões vizinhas”. “Num festival internacional, temos de ter convidados internacionais”, disse, também na conferência de imprensa, o director do programa do FIMM, o maestro Lio Kuokman. Regresso aos palcos O FIMM regressou aos palcos em 2022, após um interregno de dois anos devido à pandemia, com um programa que incluía dois espectáculos de convidados estrangeiros, mas apenas através de actuações gravadas, um dos quais do português António Zambujo. Entre os 16 programas do FIMM, Lio Kuokman destacou a primeira actuação em Macau do japonês Joe Hisaishi, conhecido por ter composto as 100 bandas sonoras para quase todos os filmes do animador japonês Hayao Miyazaki. Já Leong Wai Man referiu o concerto da “diva do jazz” norte-americana Stacey Kent, que irá apresentar clássicos e canções originais, incluindo “Tango In Macau”, uma colaboração com o marido Jim Tomlinson e com o japonês Kazuo Ishiguro, Prémio Nobel da Literatura em 2017. A presidente do IC recordou ainda o regresso da ópera, uma vez que a edição deste ano arranca a 30 de Setembro com “O Barbeiro de Sevilha”, do italiano Gioachino Rossini (1792-1868), “reinventada” pelo Teatro Real Dinamarquês. O festival encerra um mês depois, em 30 de Outubro, com “Ecos da Vida”, um espectáculo que combina um recital da pianista alemã-japonesa Alice Sara Ott e instalações de vídeo do arquitecto turco Hakan Demirel, em torno dos “24 Prelúdios” de Frédéric Chopin (1810-1849). Com o regresso dos artistas estrangeiros, o orçamento do FIMM mais que duplicou, de 13 milhões de patacas em 2022 para 33 milhões de patacas, que Leong descreveu como “um ligeiro aumento”. O FIMM decorreu pela primeira vez em 1987, ainda durante a administração portuguesa de Macau.
Promessas do “rei” dos pobres André Namora - 28 Ago 2023 Nunca entendi a razão de um Presidente da República viajar tanto para o estrangeiro. É um cargo sem decisão governamental, mas vai a todo o lado mais assemelhando-se a um primeiro-ministro. Marcelo Rebelo de Sousa viajou para a Polónia, sede da estratégia da guerra entre a Ucrânia e a Rússia. Ninguém ficou a saber o que é que Portugal ganhou com a sua ida à Polónia. De seguida viajou 10 horas de comboio para a Ucrânia. Logo à chegada, prometeu este mundo e o outro. Que Portugal apoiaria sempre económica e militarmente a Ucrânia. Isto é o absurdo total. Prometer apoio económico e militar? Isso é para os países ricos onde o capitalismo tem o maior interesse que as suas fábricas de armamento estejam sempre a facturar. E Marcelo acrescentou o absurdo, que Portugal pode ajudar a Ucrânia na investigação dos crimes de guerra, quando esse assunto já há muito que está entregue ao Tribunal Penal Internacional. Com a agravante de as investigações judiciais no seu país levam anos por decidir algo. Sobre o que disse o presidente Marcelo sobre a Crimeia, apesar de ler muito, não leu que a Crimeia é território russo desde a guerra entre a Rússia e a Turquia (1877-1878). O Presidente português prometeu este mundo e o outro, sem pensar no que tem em casa. Como é possível prometer ajuda económica se na economia portuguesa vivem-se momentos trágicos, com o povo cada vez mais pobre, sem poder comprar ou arrendar uma casa; que os agricultores não cessam de pedir ajuda e em consequência os preços dos produtos alimentares aumentam todas as semanas; que os jovens emigram às centenas por falta de trabalho; que temos reformados a receber 200 e 300 euros mensais; que os hospitais não têm médicos e enfermeiros; que o povo vai às três horas da madrugada para uma fila junto dos centros de saúde para conseguir uma senha de consulta médica; que doentes morrem em macas nos corredores dos hospitais depois de esperarem mais de seis horas por atendimento; que os sem-abrigo aumentam todos os meses pelas ruas das cidades do país, só na avenida de Roma, em Lisboa, dormem no chão todas as noites seis sem-abrigo; que os bombeiros queixam-se por falta de meios no combate aos fogos; que os novos oficiais de justiça vão vencer uns míseros 800 euros mensalmente; que mais de 20 por cento dos portugueses não puderam fazer férias e que a economia paralela que foge ao fisco prejudica o país em milhões de euros. No campo militar, o tal que o Presidente Marcelo também prometeu ajuda à Ucrânia, o senhor esqueceu-se que as Forças Armadas vivem um tempo de desânimo devido à falta de jovens que queiram ingressar nas fileiras militares; que o Exército tem material obsoleto, que a Força Aérea pensa vender alguns aviões F-16 por não haver financiamento necessário para o seu sustento e pela redução constante do número de pilotos; que a Marinha tem fragatas nos estaleiros a aguardar financiamento para restauração. Apoio militar à Ucrânia? Mas que tipo de apoio? A Ucrânia está a receber apoio militar e económico dos mais variados países, começando pelos Estados Unidos da América. E será este Portugal pequeno e pobre que vai ajudar a manter uma guerra? Por que não falou o Presidente Marcelo em paz. A paz é que tem de ser negociada o mais depressa possível. As famílias ucranianas e russas já ficaram sem milhares de filhos mortos em combate. Os ataques de uma guerra injusta matam crianças acabadas de nascer e não é a paz o mais importante que se tema de debater em todos os quadrantes políticos, especialmente quando fala um Presidente de um país que só tem dificuldades de sobrevivência? Temos de ser sérios e independentes, porque somos infimamente pequenos e pobres. Nem sequer se constroem bairros sociais, lares, creches com dignidade e vamos prometer à Ucrânia que terá todo o apoio de Portugal? É difícil compreender este tipo de política, ao fim e ao cabo, totalmente oficial, porque o Presidente Marcelo levou consigo o ministro dos Negócios Estrangeiros, dando obviamente o aval a tudo o que de absurdo foi pronunciado pelo chefe do Estado português. A Rússia invadiu a Ucrânia e a resposta foi imediata por parte dos países da NATO. Para quê? Para eternizar a guerra até ao infinito? Deixemo-nos de fanfarronices, mas apelem e tudo façam para que a paz seja uma realidade. Já chega de se ganhar milhões de dólares americanos e de euros no fabrico de armamento para enviar para a Ucrânia. Só faltou que o Presidente Marcelo tivesse dito que Portugal oferecia os seus F-16 que nunca ninguém compreendeu porque adquirimos tal tipo de aviões. Salazar foi um dos maiores fascistas do mundo político e manteve-se neutro durante a guerra e nós orgulhamo-nos de pertencer à NATO sem ter um fósforo para acender um cigarro…
MAM | Caligrafias para ver a partir de sexta-feira Hoje Macau - 28 Ago 2023 A exposição “Yun Shouping: Pinturas e Caligrafia do Museu do Palácio e do Museu de Xangai” será inaugurada na próxima sexta-feira, dia 1, pelas 18h30, no Museu de Arte de Macau (MAM). Segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC) apresentam-se mais de 180 pinturas paisagísticas, pinturas de pássaros-e-flores e obras caligráficas da autoria do pintor Yun Shouping, bem como dos seus discípulos e artistas companheiros. Yun Shouping foi um conceituado pintor da dinastia Qing, sendo aclamado como um dos “Seis Mestres do Início do Período Qing”, juntamente com Wang Shimin, Wang Jian, Wang Hui, Wang Yuanqi e Wu Li. Além disso, é conhecido por ter desenvolvido uma técnica de pintura singular de flores conhecidas como “sem ossos”, ou através do termo “mogu”. A técnica caracteriza-se pela representação de imagens com pinceladas livres de tinta colorida, procurando a semelhança em termos de forma, mas pretendendo, por outro lado, transcender as formas naturalistas e capturar o humor e o estilo da pintura característica dos eruditos. Mostra tripartida Dividindo-se em três secções, nomeadamente “Obras-primas”, “Discípulos e Sucessores” e “Artistas Companheiros”, esta exposição apresenta obras representativas de Yun em diferentes períodos, bem como trabalhos da autoria de familiares e discípulos do artista e peças conhecidas da autoria de vários amigos, incluindo os ilustres artistas Wang Shimin, Wang Hui e Zha Shibiao. Para dar a conhecer melhor os feitos artísticos de Yun Shouping aos visitantes, o MAM irá organizar a palestra “Natureza Maravilhosa – Os Pássaros, Flores e Crustáceos de Yun Shouping” no próximo dia 30 de Agosto, com vista a analisar os temas e as técnicas das obras de pintura de pássaros e flores do artista. Um simpósio sobre a exposição “Yun Shouping: Pinturas e Caligrafia do Museu do Palácio e do Museu de Xangai” terá também lugar no MAM, no sábado, contando com a participação de uma série de especialistas e académicos do Interior da China, de Hong Kong e Macau, os quais elaborarão discursos e desenvolverão debates sobre o estilo artístico e a influência de Yun Shouping. A exposição “Yun Shouping: Pinturas e Caligrafia do Museu do Palácio e do Museu de Xangai” está patente até 12 de Novembro, sendo organizadas visitas guiadas em cantonense aos sábados, domingos e feriados, pelas 15h00, a partir de 9 de Setembro.
FRC | Associação Wa Kei apresenta exposição de caligrafia e pintura Hoje Macau - 28 Ago 2023 A Fundação Rui Cunha inaugura amanhã a exposição “Obras da Associação de Caligrafia e Pintura Wa Kei 2023”, que estará aberta ao público até ao dia 9 de Setembro. Esta é a oportunidade para ver os trabalhos da associação com o nome do conhecido calígrafo e artista Mok Wa Kei Os amantes de pintura e caligrafia podem ver, a partir das 18h30 de amanhã e até ao dia 9 de Setembro, na Fundação Rui Cunha (FRC) a mostra “Obras da Associação de Caligrafia e Pintura Wa Kei 2023”, criadas pelos membros da Associação de Arte e Estudo de Caligrafia. Esta exposição, com um total de 42 obras, conta com curadoria de Mok Hei Kei, filha do renomado calígrafo e artista Mok Wa Kei, presidente da referida instituição. O público poderá ver, segundo um comunicado da FRC, uma exposição que revela “estilos bem diversificados que incluem a escrita de sinete, a escrita clerical, a escrita regular, a escrita cursiva, entre outros exemplos”. Além disso, os 41 artistas representados exercem várias profissões. Empresários, funcionários públicos, professores, escriturários, reformados e alunos do ensino básico e secundário, integram o grupo de artistas abrangendo diferentes faixas etárias, dos mais idosos até aos jovens aprendizes. Citada pelo mesmo comunicado, a curadora, Mok Hei Kei, afirmou que, com a organização desta mostra colectiva “a associação espera oferecer aos membros a oportunidade de mostrarem os seus trabalhos, incentivando as capacidades artísticas de cada um e promovendo a aprendizagem, pesquisa e criação da caligrafia e da pintura, para dinamizar a cultura e a arte tradicionais chinesas em Macau”. Trabalho permanente Desde 2018 que a associação se dedica a realizar exposições colectivas regularmente, promovendo também o ensino da calígrafia e pintura. A entidade pretende “melhorar o conhecimento e o talento dos membros, e reunir à sua volta os amantes da caligrafia e da pintura”. Também artista, a curadora Mok Hei Kei é autora de uma das obras expostas, tal como o pai, Mok Wa Kei, que preside e dá nome à associação, com duas peças assinadas. A família de artistas inclui ainda o irmão, Mok Hei Sai (Elvis Mok), já com nome no circuito artístico local, e até a mãe, Tou Ut Ieng. A Associação de Arte e Estudo de Caligrafia e Pintura Wa Kei foi criada em 2017, com o objectivo de pesquisar, desenvolver, treinar, promover e propagar a cultura e a arte da caligrafia e pintura chinesa, fornecendo uma plataforma para os entusiastas trocarem ideias e cultivarem o sentimento artístico e espiritual das próximas gerações de talentos chineses. Fundador e presidente, Mok Wa-Kei é um calígrafo sénior e educador conceituado no território. Nascido em Macau em 1950, formou-se na Universidade Normal do Sul da China com um grau de bacharel em Educação. Mais tarde, estudou Caligrafia na Universidade de Macau, no Guangdong Literary Vocational College e no Xi’an College.
Imobiliário | Country Garden tenta negociar restruturação da dívida Hoje Macau - 28 Ago 2023 A Country Garden, uma das maiores construtoras da China, está a negociar com credores a restruturação da sua dívida, visando evitar a entrada em incumprimento, o que teria consequências muito graves para a segunda maior economia mundial. O grupo, há muito considerado financeiramente sólido, não conseguiu no início do mês pagar o cupão de dois títulos obrigacionistas, correndo assim o risco de entrar oficialmente em incumprimento após um período de carência de 30 dias. Isto ocorre numa altura em que o sector imobiliário atravessa uma crise sem precedentes na China. A construtora, que está presente sobretudo em cidades de pequena e média dimensão e emprega dezenas de milhares de funcionários, tem ainda de pagar uma obrigação no valor de 3,9 mil milhões de dólares, que vence em dez dias. A Country Garden está em negociações com os credores desde quarta-feira para adiar o prazo para 2026. Os credores tiveram até às 22:00 de sexta-feira para votar ‘online’, segundo a agência de notícias Bloomberg. Um acordo permitiria que a Country Garden evitasse a entrada em incumprimento. Seria a maior dívida na China desde a da Evergrande, há dois anos. A situação da Country Garden está a causar nervosismo nos mercados porque o grupo tinha uma dívida de cerca de 176 mil milhões de euros, no final de 2022, segundo cálculos da Bloomberg. A Country Garden foi a maior construtora na China no ano passado. Tem quatro vezes mais projectos que a Evergrande, cuja paralisação das obras gerou protestos em todo o país. O grupo consta na lista das 500 maiores empresas do mundo da Forbes e a sua líder, Yang Huiyan, era até recentemente a mulher mais rica da Ásia.
Jogos Olímpicos | Ex-chefe da delegação investigado por corrupção Hoje Macau - 28 Ago 2023 A China anunciou no sábado que o antigo chefe da delegação chinesa nos Jogos Olímpicos de Inverno está a ser investigado por alegada corrupção. Ni Huizhong, que até há pouco tempo dirigia o gabinete de desportos de Inverno do país, “é suspeito de graves violações da disciplina e da lei”, declarou a Administração Geral do Desporto, utilizando uma expressão comum para se referir à acusação de corrupção. Ni, de 54 anos, foi secretário-geral da delegação chinesa aos Jogos Olímpicos de Inverno do ano passado, que se realizaram em Pequim. É um dos vários dirigentes desportivos cuja conduta tem sido alvo de escrutínio nos últimos meses, numa altura em que o Partido Comunista no poder promove uma campanha anticorrupção no desporto. O procurador-geral da China declarou este mês que o antigo selecionador nacional de futebol Li Tie foi acusado de crimes de corrupção. Li, antigo futebolista, é um dos vários dirigentes de futebol investigados por corrupção desde novembro. Em Junho, o organismo nacional de bilhar da China impôs uma proibição vitalícia a dois jogadores implicados em jogos combinados. Desde a chegada ao poder, há dez anos, o Presidente chinês, Xi Jinping, tem desenvolvido uma campanha contra a corrupção.
Fronteira | Pequim e Nova Deli intensificam esforços para reduzir tensões Hoje Macau - 28 Ago 2023 Modi e Xi encontraram-se à margem cimeira dos BRICS, em Joanesburgo, para debater a questão dos conflitos fronteiriços. Do encontro, resultaram indicações para que ambos os lados intensifiquem os esforços para evitar conflitos O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o Presidente chinês, Xi Jinping, concordaram na quinta-feira em intensificar esforços para reduzir tensões na fronteira disputada entre os dois países, que resultaram em sangrentos confrontos em 2020. Segundo o secretário para os Negócios Estrangeiros da Índia, Vinay Mohan Kwatra, Modi e Xi reuniram-se à margem da cimeira do bloco de economias emergentes BRICS, em Joanesburgo. Durante a reunião, Modi apontou a Xi Jinping as preocupações da Índia com questões fronteiriças não resolvidas. A fronteira disputada levou a um impasse de três anos entre dezenas de milhares de soldados indianos e chineses na área de Ladakh. Uma luta com paus e pedras na região resultou na morte de 20 soldados indianos e de quatro chineses. Kwatra disse que os dois líderes concordaram em intensificar esforços, mas não detalhou qual foi a resposta de Xi às preocupações expressas por Modi, nem elaborou detalhes sobre a posição do primeiro-ministro indiano. Segundo um comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros da China difundido pela embaixada chinesa em Nova Deli, Xi sublinhou que a melhoria das relações entre China e Índia serve os interesses comuns dos dois países e é relevante para a paz, estabilidade e desenvolvimento do mundo e da região. “Os dois lados devem ter atenção aos interesses gerais da relação bilateral e lidar adequadamente com a questão fronteiriça, de modo a salvaguardar conjuntamente a paz e a tranquilidade na região”, afirmou. Luta territorial Os comandantes militares indianos e chineses reuniram-se na semana passada num aparente esforço para estabilizar a situação. Uma Linha de Controlo Real separa os territórios controlados pela China e pela Índia, desde Ladakh, no oeste, até ao estado de Arunachal Pradesh, no leste da Índia, que a China reivindica na totalidade. A Índia e a China travaram uma guerra nas suas fronteiras em 1962. A China reivindica cerca de 90.000 quilómetros quadrados de território no nordeste da Índia, incluindo Arunachal Pradesh, onde a população é maioritariamente budista. A Índia diz que a China ocupa 38.000 quilómetros quadrados do seu território no planalto de Aksai Chin, que a Índia considera parte de Ladakh, onde os dois países reforçaram as suas posições militares. Índia e China retiraram tropas de algumas áreas nas margens norte e sul de Pangong Tso, Gogra e Galwan Valley, mas continuam a manter tropas extra, como parte de uma implantação de vários níveis. Em Abril, o ministro de Defesa da Índia acusou a China de corroer “toda a base” dos laços entre os dois países ao violar acordos bilaterais, durante conversas com o seu homólogo chinês, o general Li Shangfu.
O que Li Shizhuo escreveu nas suas pinturas Paulo Maia e Carmo - 28 Ago 2023 Gao Qipei (1660-1734), o alto funcionário que se notabilizou pelas suas pinturas que dispensavam o pincel e utilizava de maneira bem-humorada as mãos e a ponta de uma unha que deixava crescer para o efeito, fez parte de uma família que, se não prolongou a sua intransmissível bizarria, enriqueceria a arte do pincel. Um seu sobrinho, Li Shizhuo (1687-1770) mostraria um conhecimento invulgar da história da pintura reflectindo o gosto de sistematização e erudição característicos dos pintores ao serviço do imperador Qianlong (r. 1736-95) a quem serviu durante cerca de vinte anos. Filho de um alto funcionário terá sido no decurso de uma viagem com o pai à região de Jiangnan, que entrou em contacto com o eminente pintor Wang Hui (1632-1717) que teria um papel essencial no ressurgir de importância da pintura ortodoxa de paisagens no fim do século dezassete, com quem terá aprendido os fundamentos da arte. E na ausência de um manual de pintura seu, as inscrições que fez em pinturas constituem um corpo crítico revelador de um saber muitas vezes partilhado nos convívios dos literatos. Em Paisagem a partir de Wu Zhen (1289-1354) e Shen Zhou (1427-1509) que está no Instituto de Arte de Minneapolis (rolo vertical, tinta sobre papel, 65,2 x 32,8 cm) ele mostra um à vontade que não é isento de certo tom autobiográfico: « As pessoas gostam das pinturas de Shitian (Shen Zhou) e dizem que alcançou os mistérios ocultos de Mei Daoren (Wu Zhen). No entanto elas não percebem que na realidade isso era uma tradição familiar que recebeu do seu pai, Hengji (Shen Hengji,1409-1477). Ontem passei em Guazhou (Yangzhou, Jiangsu) e sentado numa janela à chuva virada para as águas, pintei e pus os pontos (dian) nesta pintura cuja concepção está entre Wu e Shen.» Na adopção desse «espírito dos antigos», guyi, foi consciente da síntese informada que fizera Zhao Mengfu (1254-1322) como na Paisagem no estilo desse mestre, no Smithonian (rolo vertical, tinta e cor sobre papel, 94,4 x 42 cm). Li Shizhuo ao ler o tratado Bifa Ji, «Notas sobre o método do pincel», escrito em parte como um diálogo, actualizou o que nele se defende sobre a verdade do pintor. Em Paisagem a partir de Jing Hao (c.855-915) e Guan Tong (activo a meio do século X) alude a uma célebre distinção académica sobre o uso da tinta ou o domínio do pincel: «Jing Hao chamava-se a si mesmo Hongguzi. Ele escreveu o Segredo da paisagem, e certa vez proclamou orgulhoso: “Wu Daozi poderá ser excelente com o pincel mas é deficiente com a tinta. Xiang Rong pode ser excelente com a tinta mas falta-lhe o trabalho de pincel”. E assim Honggu podia reclamar ser mestre dos dois. Como resultado Guan Tong procurou-o para seu instrutor. Ele foi realmente uma figura destacada do final da dinastia Tang. Aqui tentei mostrar o melhor de Jing Hao, escondendo os seus defeitos.»
HK | DSAT sem data para ligação com Aeroporto Hoje Macau - 28 Ago 2023 Apesar da vontade do Governo de lançar um serviço com autocarros directos de Macau para o Aeroporto Internacional de Hong Kong, ainda não há data para o início do serviço. De acordo com Lam Hin San, director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, a parte de Hong Kong (DSAT) ainda precisa de tratar de algumas formalidades. “Todos os procedimentos administrativos estão aprovados, os autocarros prontos, mas se calhar a parte de Hong Kong é que precisa de tempo para tratar das formalidades”, respondeu Lam citado pela TDM, quando questionado sobre o assunto. “De acordo com a nossa comunicação, ambas as partes estão ansiosas para avançar com este plano e de iniciar o serviço com a maior brevidade. Mas não tenho uma data definida”, respondeu. Com autocarros directos, as formalidades alfandegárias para quem voa a partir de Hong Kong vão poder ser tratadas em Macau, antes de se apanhar o autocarro para o aeroporto da RAEHK. Ainda assim, Lam Hin San indicou que o serviço pode começar a “dentro de semanas”.
Desemprego | Taxa de residentes desceu para 3,3% entre Maio e Julho Hoje Macau - 28 Ago 2023 A taxa de desemprego entre Maio e Julho caiu para um valor global de 2,6 por cento e 3,3 por cento apenas entre residentes. Os sectores que mais contribuíram para o aumento da população empregada foram o comércio a retalho e construção Os números do desemprego continuam a melhorar desde que foram eliminadas as restrições de combate à pandemia. Segundo os últimos dados revelados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), entre os passados meses de Maio e Julho, “a taxa de desemprego atingiu 2,6 por cento e a taxa de desemprego dos residentes foi de 3,3 por cento, decrescendo ambas 0,2 pontos percentuais, face ao período anterior (Abril a Junho de 2023)”. A taxa de subemprego também registou um ligeiro decréscimo (0,1 por cento) fixando-se em 1,7 por cento no período em análise. No final de Julho, a população activa que vivia em Macau totalizava cerca de 372.800 pessoas, correspondente a uma taxa de actividade de 67,6 por cento. A população activa é um indicador económico-demográfico que mede o número de habitantes de um determinado país ou região que constitui a força de trabalho e os que estão aptos a trabalhar, incluindo os desempregados. Em relação à população empregada, a DSEC releva que, entre Maio e Julho, totalizava 363 mil pessoas, destas 282.900 eram residentes, ou seja, mais 1.600 e mais 300, respectivamente, em comparação com o período precedente. Carga de trabalhos No final de Julho, a DSEC contabilizava um total de 9.800 desempregados, menos 600 do que no período anterior. Os serviços destacam que entre “os desempregados à procura de novo emprego, a maioria trabalhou anteriormente no ramo de actividade económica da construção, no ramo dos hotéis, restaurantes e similares e no ramo das lotarias, outros jogos de aposta e actividade de promoção de jogos”. Já o número de pessoas que procurou o primeiro emprego representou 8,6 por cento do total da população desempregada, aumentando 1,3 pontos percentuais, face ao período anterior. Em termos de ramos de actividade económica, o número de empregados do comércio a retalho e o de empregados da construção aumentaram face ao período anterior. Porém, os sectores dos transportes e armazenagem registaram uma evolução contrária, com o número de empregados a diminuir. A DSEC indica também que a população subempregada fixou-se em 6.400 pessoas, menos 400, em relação ao período anterior. Neste capítulo, os sectores mais significativos com mais pessoas em situação de subemprego foram os ramos da construção, transportes e armazenagem.
Macau Jockey Club | Desmentidos rumores de encerramento Hoje Macau - 28 Ago 2023 O Macau Jockey Club desmentiu os rumores que dão conta do encerramento do espaço de apostas em corridas de cavalos, na Taipa, no final do ano, com a última corrida a decorrer a 29 de Setembro. Segundo a TDM, o desmentido foi feito ao jornal Ou Mun, onde consta o calendário das provas que vão decorrer em 2024. Do lado da Direcção da Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) não houve uma resposta concreta sobre estas notícias, tendo sido explicado apenas que o Governo aprovou a prorrogação do contrato de franquia das corridas de cavalos até 31 de Agosto de 2042, em Fevereiro de 2018, tendo revisto ainda as respectivas disposições. O Macau Jockey Club, em operações há 30 anos, tem registado perdas financeiras consecutivas, sendo que nos primeiros sete meses do ano perdeu, por mês, mais de sete milhões e setecentas mil patacas. Com o novo contrato, o Macau Jockey Club, liderado por Angela Leong, está obrigado a manter-se em funcionamento até 2042 e a realizar mais de 1200 corridas por ano. A TDM Canal Macau citou várias fontes que referem que a concessionária ficou proibida de receber apostas do estrangeiro, de regiões e países como Austrália, Singapura, Malásia e Hong Kong.
Economia | PIB cresce 117,5 % no segundo trimestre Hoje Macau - 28 Ago 2023 A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos explicou o crescimento do PIB com a “contínua recuperação económica”, “impulsionada pelo desempenho” do turismo e do jogo O produto interno bruto (PIB) de Macau registou um acréscimo anual de 117,5 por cento, em termos reais, no segundo trimestre do ano, no maior crescimento desde o segundo trimestre de 2021, anunciaram as autoridades na sexta-feira. O resultado deveu-se “à contínua recuperação económica” do território, “impulsionada pelo desempenho” do turismo e do jogo, indicou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), em comunicado. As exportações de serviços aumentaram 211,9 por cento em termos anuais, com as exportações de serviços do jogo a subir 463,6 por cento e as exportações de outros serviços turísticos a crescer 157,5 por cento, adiantou. Face ao segundo trimestre de 2022, as importações de serviços cresceram 49,8 por cento e as importações de bens 0,1 por cento, enquanto as exportações de bens caíram 32,8 por cento, de acordo com a DSEC. A procura interna subiu 18,4 por cento, impulsionada principalmente pelo aumento anual de 47,8 por cento da formação bruta de capital fixo, destacou. No primeiro semestre de 2023, o PIB tinha registado uma subida anual de 71,5 por cento, em termos reais e a recuperação de Macau equivaleu a 71 por cento do volume económico do mesmo período de 2019, acrescentou. No segundo trimestre deste ano, a despesa de consumo privado aumentou 15,1 por cento, em termos anuais, “estimulado pelas melhorias na atmosfera económica e no ambiente de emprego”, referiu. Governo gasta mais A despesa de consumo final do governo cresceu 3,0 por cento em termos anuais, enquanto o investimento em obras públicas subiu 47,4 por cento em termos anuais, devido à construção de habitação pública e da quarta ponte Macau-Taipa, levando a uma subida de 70,7 por cento do investimento em equipamento. No sector privado, o investimento em construção cresceu 86,6 por cento, em termos anuais, dado o aumento significativo do investimento das concessionárias de jogo. Já o investimento em equipamento, desceu 12,9 por cento. Quanto ao comércio externo de mercadorias, observou-se um acréscimo homólogo de 22,3 por cento nas importações líquidas de bens, devido ao aumento da procura, indicou. Entre Maio e Julho, entraram em Macau 6,7 milhões de visitantes (mais 3,2 vezes, em termos anuais), representando 67,5 por cento do número de visitantes registado no trimestre homólogo de 2019.
Japão | DST ajusta de níveis de alertas de viagem Hoje Macau - 28 Ago 2023 A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) poderá vir a ajustar o nível de alerta de viagem para algumas regiões do Japão, revelou no sábado a directora do organismo, Helena de Senna Fernandes, em declarações ao canal chinês da Rádio Macau. Para já, a directora da DST referiu que o Governo irá manter a atenção aos desenvolvimentos relativos à descarga para o oceano de águas usadas para arrefecer os reatores da central nuclear de Fukushima e ter em conta as respostas do Ministério da Cultura e Turismo do Interior da China e das regiões vizinhas. Além disso, Helena de Senna Fernandes apelou aos residentes de Macau que evitem viajar para a província de Fukushima e a planear cuidadosamente as viagens ao Japão. Por outro lado, a responsável admitiu que o Japão é um importante mercado externo para o turismo de Macau e que ainda não está decidido se as actividades promocionais no país serão ajustadas, mas que a promoção online vai continuar. Fukushima | Kevin Ho e Vong Hin Fai condenam descarga Os membros da Assembleia Popular Nacional (APN) por Macau, Kevin Ho e Vong Hin Fai, criticaram a descarga de água com resíduos nucleares em Fukushima. Em comunicado, citados pelo Jornal Ou Mun, ambos indicaram que as acções das autoridades japoneses ameaçam os ecossistemas globais e que foram conduzidas apesar de haver uma “grande oposição da comunidade internacional e dos países vizinhos”. Vong e Ho afirmam também que a descarga é “um comportamento irresponsável” e “egoísta” do Japão que vai afectar todo o mundo. Por sua vez, Kevin Ho admitiu que as autoridades japonesas disponibilizaram os dados sobre os níveis de radioactividade das águas, mas atira que “a credibilidade é questionável”. Neste sentido, o empresário que é um dos proprietários dos jornais Diário de Notícias e Jornal de Notícias apontou que devia haver uma investigação independente aos números das autoridades japonesas.
Fukushima | Sal esgota em plataformas chinesas, Governo alerta para rumores João Luz - 28 Ago 2023 Depois do despejo para o oceano de água que arrefeceu os reactores da estação nuclear de Fukushima, a venda de sal marinho disparou nas plataformas online do Interior e nos supermercados. O Governo de Macau alertou para rumores e apelou à racionalidade, sem especificar porque o sal de cozinha não é eficiente para prevenir danos de radiação Após alguns meses de retórica exacerbada sobre os perigos para a saúde pública decorrentes da descarga para o oceano das águas usadas para arrefecer os reactores da central nuclear de Fukushima, voltou a corrida à compra de sal marinho, com particular incidência nas plataformas online do Interior da China. Depois de banir importações de produtos de 10 regiões japonesas e de prometer fiscalizar bens trazidos para Macau por quem visitou o Japão, o Governo da RAEM vem agora apelar “aos cidadãos para não acreditarem em rumores que provoquem o consumo irracional” de sal. No entanto, o alerta conjunto da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico e do Conselho de Consumidores não explica porque este comportamento é irracional, ou contrário da tomada de posição das autoridades de Hong Kong. Numa publicação no Facebook, o Centro de Segurança Alimentar da região vizinha afirmou na sexta-feira que “não existem provas científicas que demonstrem que comer sal pode prevenir eficazmente danos provocados por radiação. A quantidade de iodo no sal iodado (sal de cozinha) é muito pequena. Seria preciso consumir entre 2,5 e 5 quilos por dia para atingir a dosagem de um comprimido de iodo”, esclareceram as autoridades de Hong Kong. O Centro de Segurança Alimentar da região vizinha recordou que o mesmo acontecera em 2011, quando os consumidores deixaram as prateleiras dos supermercados vazias depois do acidente nuclear em Fukushima. Importa ainda esclarecer que os comprimidos de iodo não funcionam como um antídoto contra a radiação e que o seu consumo excessivo, assim como de sal, é prejudicial à saúde. Consumir este tipo de medicação apenas é aconselhável devido à exposição a radiação depois de um acidente nuclear de forma a prevenir a absorção de um tipo de iodo radioactivo. Além disso, os comprimidos de iodo apenas devem ser tomados por prescrição médica ou depois de alertas de autoridades de saúde pública. O medo online Sem esclarecer a população do ponto de vista científico, o Governo de Macau limitou-se a garantir que o fornecimento de sal é estável, assegurando que estão atentas a “práticas de aumento do preço sem justa causa e de açambarcamento de produtos”. “De acordo com os dados disponíveis, actualmente, o volume de stock de sal em Macau é superior a 190 mil quilos, o que é suficiente para 37 dias de consumo por toda a população de Macau, e os fornecedores também vão continuar a proceder à sua aquisição”, informaram. A suspensão das importações de todos os produtos aquáticos do Japão por parte da China aconteceu logo depois de, na quinta-feira, a central nuclear de Fukushima ter iniciado a descarga de águas contaminadas no oceano. O Yicai noticiou que muitos produtores de sal cotados em bolsa registaram na quinta-feira aumentos significativos nos preços das acções, em resposta ao súbito aumento da procura e que o sal marinho esgotou em muitas plataformas chinesas de comércio electrónico. O jornal estatal Global Times escreveu também que a procura de detectores de radiação, “que podem ser utilizados em alimentos e cosméticos importados”, aumentou 232 por cento esta semana e que as vendas desses dispositivos aumentaram na quinta-feira, coincidindo com o início das descargas. Nas redes sociais do Interior, foram partilhadas inúmeras publicações alarmistas, como vídeos antigos de grandes quantidades de peixes mortos a dar à costa em regiões do Japão. Com Lusa