Demografia | Ho Ion Sang pede explicações sobre natalidade Hoje Macau - 28 Ago 2023 Face ao envelhecimento da população, o deputado Ho Ion Sang perguntou ao Governo se tem planos para reformular as políticas de natalidade. A pergunta faz parte de uma interpelação escrita, em que o legislador dos Moradores se mostra preocupado com o envelhecimento e a redução da taxa de natalidade no território. Neste sentido, questiona se o Governo planeia voltar a estudar as questões mais importantes para “a população e a família” e lançar medidas de encorajamento à natalidade, com melhores serviços para bebés e menores, para ajudar os pais. Porém, no que diz respeito à população, o deputado mostra-se igualmente preocupado com o impacto da robotização e da inteligência artificial no mercado do trabalho, e uma eventual redução do número de empregos para residentes. Em relação a este aspecto, o legislador pergunta se o Governo vai estudar a situação futura, para garantir que o mercado mantem a capacidade de absorver a mão-de-obra local.
Laboral | Lei Chan U quer direitos ensinados nas escolas Hoje Macau - 28 Ago 2023 O deputado Lei Chan U considera que o Governo deve promover o ensino dos direitos laborais nas escolas. A opinião foi divulgada pelo legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) na sexta-feira. A tomada de posição surge em reacção a um inquérito recente da FAOM em que vários inquiridos admitiram falta de conhecimento sobre os seus direitos na relação laboral. Segundo o deputado, uma maior promoção dos direitos laborais devia passar pelo ensino de várias questões como o ordenado mínimo, o regime de autorização e contratação de trabalhadores não-residentes e a Lei das Relações de Trabalho. Outra das questões consideradas pertinentes por Lei Chan U é a formação ao nível dos direitos dos trabalhadores que sofrem acidentes de trabalho. “Espera-se que as autoridades reforcem a educação sobre os direitos laborais nas escolas e cultivem os hábitos e os conceitos dos alunos nesta área, além dos orientarem”, apelou o deputado.
Medicina Tradicional | Leong Sun Iok pede avaliação a parque industrial João Santos Filipe - 28 Ago 2023 O deputado da FAOM queixa-se da falta de informação sobre o projecto na Ilha da Montanha e sobre o hotel Angsana, por se tratar de um acordo com uma entidade privada que não foi explicado publicamente Leong Sun Iok pede ao Governo que disponibilize dados para avaliar o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação entre Guangdong-Macau. A solicitação do deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) faz parte de uma interpelação escrita divulgada na sexta-feira. O Parque de Medicina Tradicional Chinesa é um investimento feito com capitais de Macau na Ilha da Montanha, que foi apresentado como tendo o objectivo de desenvolver a indústria do sector. O investimento ficou a cargo da empresa de capitais públicos Macau Investimento e Desenvolvimento, que detém 70 por cento do parque, enquanto os restantes 30 por cento são detidos pela empresa Grupo Zhuhai Da Heng Qin, do Interior da China. No entanto, o projecto tem estado envolvido em algumas polémicas, como a falta de viabilidade económica, reduzida participação de trabalhadores de Macau no projecto ou a falta de formação de quadros qualificados locais. O tema volta agora a ser focado pelo deputado da FAOM, que pede indicadores para avaliar os resultados dos montantes gastos. “Desde que o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação entre Guangdong-Macau foi fundado, apenas tivemos acesso a informação muito geral. Faltam dados concretos, o que dificulta a compreensão da população sobre a situação actual do parque”, apontou Leong Sun Iok. “Qual a situação das operações do parque?”, questionou. “Quais as metas que se esperam cumprir a médio e longo prazo?”, acrescentou. Na interpelação escrita, o deputado da FAOM volta igualmente a uma questão antiga que se prende com as finanças do parque e o contínuo investimento da RAEM, que até 2019 seria superior a 6,5 mil milhões de yuan. “Quando irá acabar o investimento público no parque e quando se tornará auto-suficiente?”, interrogou. E o hotel? O investimento no Parque de Medicina Tradicional envolve também a construção de um hotel com serviços na área da medicina tradicional, que no início foi designado como Resort Ruilian. Contudo, desde que abriu em Agosto deste ano, o hotel está a operar sob a marca Angsana, que pertence ao grupo de Singapura Banyan Tree, responsável pelo hotel de cinco estrelas com o mesmo nome no resort integrado da Galaxy no Cotai. Todavia, Leong Sun Iok sublinha que os pormenores sobre a gestão do espaço não são do conhecimento da população: “Parece que o espaço do hotel foi arrendado a uma empresa particular, e que o hotel é gerido de acordo com os princípios de mercado”, vincou. “Mas, a sociedade sabe muito pouco sobre a operação e os acordos feitos em relação ao hotel”, criticou. “Qual o modelo de cooperação, operação, prazo do acordo e lucros esperados para este hotel?”, questionou.
Óbito | Ng Sio Ngai, veterana jornalista, morre de doença prolongada Andreia Sofia Silva - 28 Ago 202328 Ago 2023 Ng Sio Ngai faleceu na madrugada de sexta-feira vítima de doença oncológica. Natural de Zhongshan, a jornalista dedicou-se por inteiro à profissão, e ajudou a criar a Associação de Jornalistas de Macau e o órgão de comunicação social “All About Macau”. É recordada por colegas e membros da comunidade chinesa pelo heroísmo e espírito livre A classe jornalística, seja de língua chinesa, portuguesa ou inglesa, conhecia-lhe o jeito peculiar de colocar perguntas: pertinentes, incisivas, mas longas e sempre com alguma opinião pelo meio, algo que os manuais de jornalismo não recomendam. Era um estilo próprio de inquirir os poderes dirigentes que, desde os anos 1980, existia na jornalista que passa agora a fazer parte da história do jornalismo em Macau: Ng Sio Ngai faleceu na madrugada de sexta-feira, 25, vítima de doença oncológica. A notícia foi avançada pelo jornal online “All About Macau”, que ajudou a fundar e de que era dirigente. “É com profunda tristeza que anunciamos o falecimento de Ng Sio Ngai, presidente do ‘All About Macau’, na madrugada de 25 de Agosto, após doença prolongada. O seu falecimento constitui uma grande perda e uma grande tristeza para nós.” O obituário descreve ainda que a jornalista iniciou a carreira no período em que Macau estava ainda sob administração portuguesa, “cobrindo notícias e escrevendo crónicas de opinião para vários órgãos de comunicação social”. O “All About Macau” descreve ainda que Ng Sio Ngai “foi uma das principais jornalistas da linha da frente de Macau, testemunhando momentos importantes como as negociações sino-portuguesas [sobre a questão de Macau], a transferência de soberania e as eleições para o Chefe do Executivo, além de ter feito uma cobertura aprofundada de acontecimentos importantes que preocupam a comunidade de Macau, nunca desistindo”. Ainda sobre o “All About Macau”, fundado em 2012, o jornal recorda que a jornalista, juntamente com outro grupo de repórteres, decidiu criar este meio de comunicação online em língua chinesa “dedicado a mostrar uma pluralidade de vozes junto da sociedade e a construir uma sociedade civil juntamente com o público”. No trabalho feito com a Associação de Jornalistas de Macau, da qual foi co-fundadora, em 1998, Ng Sio Ngai “foi uma voz activa na defesa da liberdade de imprensa em Macau”. “Durante a sua doença, a presidente sempre continuou a prestar atenção à dinâmica da sociedade. Apesar de estar doente, continuou sempre a prestar atenção à dinâmica da sociedade e a persistir no seu amor pelo jornalismo, demonstrando um amor e sentido de responsabilidade sem paralelo pela profissão”, lê-se no obituário. O jornal destaca ainda que a liderança “extraordinária” da repórter “permitiu que os meios de comunicação social avançassem apesar das dificuldades, transformando-os gradualmente numa plataforma influente com uma diversidade de vozes junto da comunidade”. Aquilo que é essencial Carol Law, também jornalista e amiga de Ng Sio Ngai, recorda ao HM que esta fez muito trabalho “por Macau e pelos meios de comunicação social locais, especialmente para os jovens e as novas gerações de jornalistas”. “Como jornalista cumpriu sempre a sua missão de forma diligente. No período da transição, ainda antes da transferência de soberania, ela procurou, de forma activa, entrevistar responsáveis chineses para saber mais sobre questões como a localização dos quadros [na Administração pública], que era uma das maiores preocupações da sociedade na altura.” Além disso, recorda Carol Law, quando foi anunciada a construção da nova ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, “ela procurou escrever vários artigos que esclarecessem os leitores sobre os custos da obra e os benefícios que poderia trazer para Macau”. Acima de tudo, Ng Sio Ngai dedicou-se, ao longo da sua carreira, a “acompanhar a execução da Lei Básica, bem como a facilitar o debate social, reflectindo [no seu trabalho] todas as vozes das pessoas em termos de desenvolvimento sustentável da cidade, igualdade e liberdade”. Carol Law destaca ainda a defesa firme “da liberdade de expressão e de imprensa”, pois como co-fundadora da Associação de Jornalistas de Macau, “sempre manifestou directamente as suas preocupações, nomeadamente durante as alterações à lei de imprensa e lei de segurança nacional”. A Associação de Jornalistas de Macau, numa nota de pesar sobre o falecimento da jornalista, recordou que esta nasceu em Zhongshan e que se mudou para Macau com 18 anos “em busca dos seus sonhos”, com um grande interesse pela leitura e pelo taoísmo. Ng Sio Ngai foi “uma pessoa verdadeira e honesta”, que “nunca esqueceu a sua vocação de jornalista, mantendo uma atitude independente e crítica em relação ao Governo”. Uma figura “heroica” Johnson Ian, ex-jornalista do jornal Ou Mun, recordou nas redes sociais os dias em que, com Ng Sio Ngai, “andava atrás das notícias, agarrava o microfone e fazia viagens de trabalho”. “Tu eras sempre a primeira ir, sempre a olhar para a frente. Lembro-me das nossas alegrias e tristezas quando fazíamos a cobertura da Assembleia Popular Nacional e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, das gargalhadas que dávamos quando comíamos snacks a altas horas da noite e bebíamos café juntos. Foi óptimo ter-te como jornalista sénior, uma colega de armas, uma velha e boa amiga. Ter-te foi a sorte dos jornalistas da minha geração e também de Macau”, escreveu ainda. Mas Ng Sio Ngai é também uma personalidade recordada por figuras fora da comunidade jornalística, nomeadamente Scott Chiang, antigo dirigente da Associação Novo Macau e ex-candidato a deputado. Ao HM disse que a jornalista falecida foi “uma figura omnipresente da sociedade civil de Macau” “Em primeiro lugar, ficávamos surpreendidos pela idade dela, pois era quase sempre a jornalista mais velha da redacção, muitas vezes a fazer trabalho comum junto de um grupo de colegas com um terço da sua idade. Muitos foram deixando a profissão ao longo dos anos, mas Ng Sio Ngai manteve-se sempre a trabalhar. Era, sem dúvida, uma autoridade relativamente ao seu profissionalismo e experiência, embora estivesse longe de ser autoritária. Não podemos, contudo, misturar bondade com fraqueza.” Para Scott Chiang, Ng Sio Ngai “era uma jornalista muito feroz quando era necessário, especialmente quando a pessoa do outro lado do microfone tentava uma forma fácil de fugir às questões”. “Pessoas como ela deixam-nos um testemunho de devoção e resistência. Lembram-nos que, num mundo de loucura total, é possível manter uma busca pura de ideais”, declarou. O cineasta local Vincent Hoi também juntou a sua voz a um vasto e heterogéneo grupo de pessoas que recordaram a jornalista nas redes sociais. Ao HM, disse que a sua morte “é uma grande perda para o jornalismo de Macau, sobretudo para os media chineses”. “Ela tinha um grande sentido de justiça e sempre lutou pela liberdade no jornalismo. O que ela noticiava não era aquilo que o Governo queria, mas era o que os residentes queriam saber.” Sobre o jornal que ajudou a fundar, Vincent Hoi aponta que “mudou o ambiente do jornalismo em língua chinesa”, num cenário em que “os media chineses, como a TDM e o jornal Ou Mun, são muito conservadores e reportam as notícias que o Governo quer”. Em termos pessoais, Vincent Hoi recorda alguém que tinha amigos de todas as idades, “muito heroica”, que vai deixar saudades.
MAM | Calígrafias de Yun Shouping para ver a partir de sexta-feira Hoje Macau - 27 Ago 202327 Ago 2023 Será inaugurada na próxima sexta-feira, dia 1, pelas 18h30, a exposição “Yun Shouping: Pinturas e Caligrafia do Museu do Palácio e do Museu de Xangai” será inaugurada no dia 1 de Setembro, que pode ser vista no Museu de Arte de Macau (MAM). Segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC) apresentam-se mais de 180 pinturas paisagísticas, pinturas de pássaros-e-flores e obras caligráficas da autoria do pintor Yun Shouping, bem como dos seus discípulos e artistas companheiros. Yun Shouping foi um conceituado pintor da dinastia Qing, sendo aclamado como um dos “Seis Mestres do Início do Período Qing”, juntamente com Wang Shimin, Wang Jian, Wang Hui, Wang Yuanqi e Wu Li. Além disso, é conhecido por ter desenvolvido uma técnica de pintura singular de flores conhecidas como “sem ossos”, ou através do termo “mogu”. A técnica caracteriza-se pela representação de imagens com pinceladas livres de tinta colorida, procurando a semelhança em termos de forma, mas pretendendo, por outro lado, transcender as formas naturalistas e capturar o humor e o estilo da pintura característica dos eruditos. Mostra tripartida Dividindo-se em três secções, nomeadamente “Obras-primas”, “Discípulos e Sucessores” e “Artistas Companheiros”, esta exposição apresenta obras representativas de Yun em diferentes períodos, bem como obras da autoria de familiares e discípulos do artista e peças conhecidas da autoria de vários amigos, incluindo os ilustres artistas Wang Shimin, Wang Hui e Zha Shibiao. Para dar a conhecer melhor os feitos artísticos de Yun Shouping aos visitantes, o MAM irá organizar a palestra “Natureza Maravilhosa – Os Pássaros, Flores e Crustáceos de Yun Shouping” no próximo dia 30 de Agosto, com vista a analisar os temas e as técnicas das obras de pintura de pássaros e flores do artista. Um simpósio sobre a exposição “Yun Shouping: Pinturas e Caligrafia do Museu do Palácio e do Museu de Xangai” terá também lugar no MAM, no sábado, contando com a participação de uma série de especialistas e académicos do Interior da China, de Hong Kong e Macau, os quais elaborarão discursos e desenvolverão debates sobre o estilo artístico e a influência de Yun Shouping. A exposição “Yun Shouping: Pinturas e Caligrafia do Museu do Palácio e do Museu de Xangai” está patente até 12 de Novembro do corrente ano, sendo organizadas visitas guiadas em cantonense aos sábados, domingos e feriados, pelas 15h00, a partir de 9 de Setembro.
Orquestra de Macau | Nova temporada arranca dia 2 de Setembro Hoje Macau - 25 Ago 2023 A nova temporada de concertos da Orquestra de Macau (OM) arranca já a 2 de Setembro com o concerto “Lio Kuokman e a Orquestra de Macau”, que terá lugar no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) pelas 20h. O concerto inaugural terá como convidado o célebre pianista coreano Yekwon Sunwoo, sob a batuta do director da OM, Lio Kuokman. Este irá dirigir a nova temporada de concertos pautada pelo tema “150.º Aniversário do Nascimento de Sergei Rachmaninoff”, célebre compositor russo. Yekwon Sunwoo, por sua vez, foi vencedor de uma medalha de ouro no 15.º Concurso Internacional de Piano Van Cliburn, um dos mais prestigiados concursos de música a nível mundial. Na sua primeira colaboração com a OM, Sunwoo interpretará o Concerto para Piano N.º 2, tida como uma das obras de referência de Rachmaninoff e sendo uma “peça notável pelo seu romantismo e rica variedade de melodias e técnicas”, descreve o Instituto Cultural. Além disso, o maestro Lio dirigirá a orquestra numa interpretação da Abertura Festiva de Dimitri Shostakovich, o tema instrumental Vocalise de Sergei Rachmaninoff e a suite Der Rosenkavalier de Richard Strauss. Os bilhetes para este espectáculo já se encontram à venda e custam entre 180 a 400 patacas.
Rota das Letras | Festival regressa com convidados internacionais João Luz - 25 Ago 2023 A 12ª edição do festival literário Rota das Letras regressa com uma programação que volta a incluir convidados internacionais. Francisco José Viegas, Valério Romão e Yara Monteiro são alguns dos convidados do evento que se realiza entre 6 e 15 de Outubro. No plano musical, destaque para “Samba de Guerrilha”, a obra de Luca Argel que ilustra a história do Brasil A 12.ª edição do festival literário Rota das Letras já mexe, com a divulgação dos primeiros convidados do evento que marca o regresso de escritores e artistas internacionais. O festival, que se realiza entre 6 e 15 de Outubro, será o primeiro desde 2019 a contar com a presença de convidados internacionais, depois das edições anteriores marcadas pelas restrições impostas pelo combate à pandemia. Entre os primeiros nomes anunciados pela organização do festival, destaque para Francisco José Viegas, Valério Romão e Yara Monteiro. Francisco José Viegas, convidado recorrente nos cartazes do Rota das Letras, regressa a Macau um ano depois do lançamento do romance policial “Melancholia”. A obra marca o retorno de um personagem que o escritor criou há mais de 30 anos, o inspector Jaime Ramos, curiosamente a braços com a investigação da morte de uma escritora num festival literário (o Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim). “Melancholia” segue-se ao aclamado e premiado romance “A Luz de Pequim”, e é a última obra da prolífera carreira do escritor dos sete ofícios, que foi professor, cronista no Jornal de Letras, Expresso, Semanário, O Liberal, O Jornal, Se7e, Diário de Notícias, O Independente, Record, Visão, Notícias Magazine, Elle, Volta ao Mundo e Oceanos. Além disso, foi director das revistas Ler e Grande Reportagem, bem como da Gazeta dos Desportos e dirigiu, entre 2006 e 2008, a Casa Fernando Pessoa. Foi Secretário de Estado da Cultura do Governo de Passos Coelho, cargo que acabaria por ocupar durante apenas um ano depois de se demitir. Valério Romão é outro dos destaques entre os primeiros nomes anunciados da programação deste ano do Rota das Letras. Com uma carreira literária dispersa entre vários géneros e formas de expressão, mas quase sempre com os pés assentes em terrenos literários, Valério Romão escreve de tudo um pouco. Conto, romance, teatro, crónica, fez traduções de clássicos, e aventurou-se em expedições conceptuais entre música e literatura, como o projecto MAO MAO que junta spoken word e a experimentação musical (com José Anjos ao leme). O seu último livro, “Cair para Dentro”, é um roteiro de vida e das relações complicadas de um duo constituído por mãe e filha. A posição de absoluto domínio maternal começa a ser colocada em causa a partir do momento que a começa a demonstrar os primeiros sintomas de demência. A 12.ª edição do Rota das Letras conta também com a presença de Yara Monteiro, a escritora portuguesa nascida em Angola que se estreou em 2018 na vida literária com a publicação do seu primeiro romance “Essa Dama Bate Bué!”. No ano passado, a autora venceu o Prémio Literário Glória de Sant’Anna, com a obra ‘Memórias Aparições Arritmias’. Sobre a obra de poesia, um dos jurados do prémio literário, a escritora brasileira Jane Tutikian, referiu: “Não se pense em rodeios estilísticos, em jogos de figuras de linguagem, em complexidade. Ao contrário, os poemas são construídos numa linguagem simples, objectiva, libertando, assim, a subjectividade e cocriação imagética do leitor”. Samba e clássicos Com os eventos a terem como principais epicentros a Casa Garden e a Livraria Portuguesa, a organização do festival literário revelou ontem que a edição deste ano irá celebrar a obra e os 500 anos do nascimento de Luís de Camões, assim como o nascimento de Henrique de Senna Fernandes, que faria 100 anos no último dia do Rota das Letras (15 de Outubro). A programação do festival irá apresentar também aos amantes das letras sessões que irão incidir sobre autores como Pablo Neruda, W’H Auden e J.R.R. Tolkien, três vultos literários que faleceram há 50 anos. Além disso, a organização do festival promete a publicação de novos livros de autores locais, exibição de filmes e exposições. Com a revelação dos primeiros detalhes do festival literário foi também anunciada a apresentação de “Samba de Guerrilha”, um espectáculo operático que alia música e literatura em três actos. O espectáculo criado por Luca Argel, artista carioca radicado no Porto, terá lugar no Teatro Broadway no dia 14 de Outubro, às 20h30. Os bilhetes para o espectáculo já estão à venda. Segundo Luca Argel, “Samba de Guerrilha” foi pensado como “uma ópera samba” dividida em três actos, através da qual se conta a História do Brasil. Composto por arrojadas versões de clássicos do samba, que se revelam um “interessante instrumento de pesquisa histórica”, o disco parte da premissa de demonstrar como as velhas questões dos tempos coloniais e dos primeiros anos do Brasil enquanto nação, em especial a escravatura, continuam, ainda hoje, a condicionar a vida de milhões de pessoas, sob a forma de racismo, pobreza e todo o tipo de discriminação social. O primeiro acto começa ao som de Samba do Operário, tema escrito pelo mítico Cartola em parceria com um português de Alfama, chamado Alfredo, que se estabeleceu no morro da Mangueira em fuga à ditadura de Salazar. As faixas são antecedidas por uma narração que contextualiza histórica e socialmente cada momento – na voz da rapper luso-angolana Telma Tvon.
Coreia do Norte | Assumido erro no lançamento de satélite espião Hoje Macau - 25 Ago 2023 A Coreia do Norte anunciou na quarta-feira, através dos meios de comunicação estatais, que o lançamento de um veículo espacial para tentar colocar em órbita um satélite espião falhou, informou a agência sul-coreana Yonhap. O lançamento do veículo espacial, identificado pelo Japão como “presumível míssil balístico” e pela Coreia do Sul como um foguetão de longo alcance, falhou devido a um erro na terceira fase, segundo a agência norte-coreana KCNA. A agência espacial de Pyongyang anunciou ainda uma nova tentativa de colocar o satélite em órbita para o mês de Outubro. A Coreia do Norte explicou que o seu satélite espião Malligyong-1 foi lançado a bordo de um novo tipo de foguetão espacial, denominado Chollima-1, e que embora a primeira e segunda fases tenham decorrido “normalmente”, na terceira ocorreu um “erro no sistema de propulsão de emergência”. A Agência Espacial de Desenvolvimento Espacial da Coreia do Norte acrescentou que “a causa do acidente não é um grande problema em termos de fiabilidade do motor” e que irá realizar o novo lançamento “depois de investigar exaustivamente as causas”, segundo informações da KCNA, citadas pela Yonhap. Na terça-feira, a Coreia do Norte informou o Japão da intenção de lançar um satélite nos próximos dias, após um teste anterior, realizado há três meses, ter fracassado. A 31 de Maio, um foguetão apresentado por Pyongyang como de lançamento de um satélite de observação militar despenhou-se no mar Amarelo pouco depois da descolagem, com as autoridades norte-coreanas a invocarem um problema técnico. Pyongyang explicou que pretendia “confrontar as perigosas acções militares dos Estados Unidos e dos seus vassalos”.
Taiwan | Pequim pede a EUA que cancelem plano de venda de armas à ilha Hoje Macau - 25 Ago 2023 A China pediu ontem aos Estados Unidos da América (EUA) que “cancelem imediatamente” o seu mais recente plano de venda de caças F-16 e sistemas de rastreamento infravermelho a Taiwan, avaliado em cerca de 500 milhões de dólares. “A China insta os EUA a cancelarem imediatamente o seu mais recente plano de venda de armas a Taiwan e a abandonarem o caminho perigoso de armar o território”, disse o porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Wenbin, em conferência de imprensa. O porta-voz acrescentou que a “China vai adoptar medidas fortes, para salvaguardar a sua soberania e integridade territorial”. O Governo norte-americano aprovou na quarta-feira o plano de venda avaliado em cerca de 500 milhões de dólares. O Gabinete do Representante Cultural e Económico de Taiwan nos EUA pediu ao executivo norte-americano autorização para realizar a compra à fabricante de armamento Lockheed Martin, segundo um comunicado do Departamento de Estado. O pedido formal do comprador é o primeiro passo no processo de venda de armas militares dos EUA ao exterior. Em seguida, o Departamento de Estado autoriza a venda, que depois passa pelo Congresso, que toma a decisão final. O pedido de Taipé inclui material de apoio para os caças F-16, munições, programas de computador e equipamento para treino militar.
Wagner | Prigozhin entre passageiros de desastre aéreo Hoje Macau - 25 Ago 202325 Ago 2023 A Agência Federal de Transporte Aéreo da Rússia (Rosaviatsiya) indicou que Yevgeny Prigozhin, líder do grupo mercenário russo Wagner, era um dos passageiros do jacto privado que se despenhou na quarta-feira a norte de Moscovo, em que todos os ocupantes morreram. Segundo a mesma fonte, estava também entre os passageiros Dmitry Utkin, um dos fundadores do grupo Wagner e ex-oficial das forças especiais russas. “De acordo com a companhia aérea, os seguintes passageiros estavam a bordo do avião Embraer – 135”, disse Rosaviatsiya, citando os nomes de Prigozhin e Utkin. Um canal na rede social Telegram próximo do grupo, Grey Zone, publicou que Prigozhin e Utkin morreram “como resultado das acções de traidores da Rússia”. A Rosaviatsiya já havia indicado que na lista de ocupantes do jato estava o nome de Prigozhin e que havia iniciado uma investigação sobre a queda do avião da Embraer, ocorrida na região de Tver. Sem surpresa O Presidente dos Estados Unidos Joe Biden referiu ontem que não ficou surpreendido com a possível morte do chefe do grupo mercenário. “Ainda não sei bem o que aconteceu, mas não estou surpreendido. Poucas coisas acontecem na Rússia sem que Putin tenha algo a ver com isso”, frisou o chefe de Estado norte-americano, em declarações durante as suas férias que decorrem em Lake Tahoe, localizado entre Nevada e Califórnia. Até agora, o Departamento de Estado e o Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, responsável pela política externa, evitaram tomar posição sobre as implicações do incidente. No entanto, a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Adrienne Watson, frisou, através da rede social X (antigo Twitter), que a equipa de Biden tinha visto as publicações nos ‘media’ sobre o sucedido. “Se for confirmado, ninguém deve ficar surpreendido”, sublinhou Watson. “A guerra desastrosa na Ucrânia levou um exército privado a marchar sobre Moscovo e agora – ao que parece – a isto”, acrescentou. Veterano militar Os serviços de emergência russos já resgataram oito corpos no local do incidente, mas por enquanto a identidade das vítimas não foi confirmada, segundo a agência oficial RIA Nóvosti. O avião terá caído na região de Tver, mais de 100 quilómetros ao norte da capital russa, onde não há aeródromos próximos. O líder dos mercenários Wagner, de 62 anos, lutou ao lado do exército regular russo na Ucrânia e protagonizou há dois meses uma rebelião militar fracassada contra as chefias militares russas, na qual chegou a tomar uma das cidades mais importantes do sul da Rússia, Rostov-no-Don. Após a mediação do Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, Prigozhin concordou em retirar os seus mercenários e transferir a sua base para o território daquela antiga república soviética. Depois de acusá-lo de traição, o Presidente russo, Vladimir Putin, recebeu-o no Kremlin, após o que Prigozhin anunciou o reinício das operações do Grupo Wagner em África.
Deus ex machina Anabela Canas - 25 Ago 2023 2 – Rezar a deus em tempos de GPT Não tinha chegado à ideia de Deus, ou da IA, na crónica anterior. Nem vou chegar. Espreito, talvez, emboscada por debaixo de uma intuição, esse cruzamento de caminhos virtuais no ponto inexacto da encruzilhada em que imaginei que uma coisa e outra se encontravam. A essa ideia de Deus, quero dizer, cruzada com a ideia de Natureza. E do que é natural imaginar. E a IA, a derradeira utopia. Imaginada, passará a imaginar por nós. Penso na expressão de Francisco d’Holanda: “Do tirar polo natural”, centrar a aprendizagem do ver o mundo, na experiência directa do olhar e do sujeito contemplado – é assim que caracteriza “o natural” – e não no que já foi visto, registado e processado por algo ou alguém. Tão actual se pensarmos que hoje cada vez mais se substitui essa experiência directa pela busca virtual. E depois questiono sobre o grau de naturalidade da inteligência, do pensamento e de qualquer outro produto do cérebro. As alucinações, sonhos, e as outras, criadas ou corrigidas com medicamentos ou drogas. E Deus, criado à medida dos humanos. Que, de acordo com Zizec, retirou Cristo do convívio (natural?) com os mortais (como aquele feiticeiro mau, de uma história de encantar, retirou o mar durante a noite, enrolando-o como a um tapete). Por ineficácia. Demasiado humano para os humanos, sem o que os transcende e não identificam num igual. Etéreo, mantém a expectativa da salvação. Há por aqui uma humanidade exausta a trabalhar para se tornar inútil no que a distingue. Na necessidade de uma ideia de Deus, inventa-a e depois uma inteligência à sua semelhança, mas maior, megalomania de poder e domínio do saber, mas que pela rapidez – que não vai ser possível acompanhar – por lhe ser possível criar novas ideias e por poder tomar decisões, gerará seguramente uma independência relativamente aos humanos, sobrenatural. Como um novo deus, criado, com infinitas possibilidades de manipular, intervir e castrar. Seduzir e substituir. Rezar. Baixinho ou inaudivelmente, na obscuridade magica de uma capela, ou por dentro da cabeça. Preces dirigidas ao alto, nas nossas melhores palavras. Sem reparar, nas aflições, se as concordâncias estão impecáveis, a ortografia. Mas reza-se, hoje, em redes virtuais, colocando ao mesmo nível conhecidos e desconhecidos e Deus. Um atalho novo. Mas nunca encontramos “essa” página. Por escrito, sobram visíveis as imperfeições do humano quando se expressa. Como será apetecível, embarcar sem retorno nesta modernidade tecnológica e mandar produzir preces, por medida. Como as cartas escritas por encomenda, daquelas de antigamente, quando se escreviam cartas e cartas de amor. E alguém generoso ou por dinheiro as alindava, para as enviar quem não as sabia escrever. Ditadas, explicadas no sentido ou confiadas cegamente à imaginação de quem escrevia. Um pequeno escriba de bairro, uma vizinha, uma neta miúda. Também o fiz, há muito tempo para alguém que não tinha aprendido a escrever e a ler. Ela ditava e eu estendia um pouco o assunto. Era a voz dela, corrigida na sintaxe, mas nunca no sentido. Já não se usam cartas. Aqueles textos longos, suados e esperados, descritivos. E não é porque, tendo meios mais imediatos, não vá a alma esmorecer na espera. É porque se diz menos, muito menos, ou nada. A pensar que, assim como se pode recorrer ao chatGPT para uma prece, um artigo de opinião ou um poema, também podemos recorrer às virtualidades chatbot para perguntar e obter respostas. Deus já disse o que tinha a dizer por interpostas pessoas que estão nas bases de dados e assim dispõe a IA de tudo o que é necessário para nos colocar em diálogo com ele. Com a sua voz, que nunca mais ninguém ouviu. Mas se é a mente que nos substitui o voo das asas que nem temos e precisa de alimento e ginástica, com o filtro sensível que opera sínteses a partir de memórias – mas não em gigabytes – que atrofia, nos espera, para além da preguiça da memória que progressivamente cultivamos menos, apoiados em mecanismos de busca, ou em aplicações de orientação espacial que nos indicam o caminho passo a passo sem ver no todo um mapa. Esquecendo o encantamento de saber o mapa de uma cidade conhecida ou desconhecida. Não porque não esteja lá, mas porque nos passou a interessar somente a pedra mais imediata do caminho. É curioso, no fundo são escolhas que fazemos. Seguir às cegas. E não quem ainda nos explique um caminho. Dizem-nos: liga o gps. Como se tornará progressivamente inútil, a mente, se uma aplicação de IA produz discursos articulados, detalhados e criativos, ou imagens, se pode substituir, com qualidade, as lacunas de saber e saber fazer, de um utilizador. Que opte por usá-la como ferramenta, mas imperceptivelmente se faz substituir por ela. Quanto de desonestidade está ao alcance da vontade de sermos ou não sermos honestos. Deixar de memorizar caminhos, números, nomes, datas, factos e acontecimentos. Poderia ter sido bom, se pensássemos que o espaço ocupado por essas informações, ficando disponível, nos libertaria para outras operações formais, outras realizações, mas não parece que tenhamos aplicado essa disponibilidade extra de forma significativa. E quando também já não precisamos de articular uma opinião, uma resposta e isso é válido para namoros, testes e teses, e a tentação é enorme, á agilidade do cérebro e à sua originalidade individual, está reservado ser mais pobre. Neste hipotecar da dinâmica psíquica a uma aplicação artificial a que se chama inteligência, num tempo que cada vez mais nos divide de nós próprios, na ilusão de que podemos escolher, imagino, cada vez mais, um nicho defensivo. Para reagir à alienação. Para que servirá esta réstia de humanidade no futuro, quando tiver preguiça de pensar por si, de falar por si e perder o que tem de distinto, numa miríade de aplicações. A estas só lhes faltará viver por nós. Mas vai parecer que não. Humanidade diletante a inventar tiros no pé, com tantos problemas de fundo a solucionar. Quando cada novo avanço, científico ou tecnológico, tem em si possibilidades de ser mal utilizado e prejudicial, talvez se verifique ou o princípio de Peter ou a lei de Murphy. Ou ambos. Fico indecisa. A lembrar o velho do Restelo. Mas, na verdade, sou como o arqueiro de Khalil Gibran: “assim como ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável.”. Somente, sem esperança nem alegria, acabo por preferir o arco, porque a flecha é a que fere o pé. Ou, como disse Herberto Helder no seu “: Lugar último”: “Contra mim, contra minha divagação. Penso: a flecha ama a onça. A morte ama o que morre. “ Ama? Maria e Maria Madalena foram ungir o corpo com os óleos da intimidade. Foram. Mas sobre a pedra, nada. Do corpo, só pedra em vez de coração. Depois disso, roldanas cénicas a descer os deuses que os deuses deixam, como penas deixadas para trás. Ou, simplesmente fazer download.
Esclarecimento pastoral e agradecimento à Comunidade de Língua Portuguesa Hoje Macau - 25 Ago 2023 Por P. Daniel Antonio de Carvalho Ribeiro, scj Aproveitando a proximidade da festa da Natividade da Virgem Santa Maria, padroeira da paróquia da Sé Catedral, e o questionamento de alguns fiéis sobre o momento actual da comunidade Católica de língua portuguesa, gostaria, na qualidade de Vigário Paroquial da Sé Catedral, de dar o meu testemunho sobre a caminhada pastoral da nossa comunidade e agradecer ao Bispo Dom Stephen Lee pelo apoio que nos tem dado nos últimos anos. Consciente da importância histórica da comunidade de língua portuguesa local, a Diocese de Macau tem procurado dar resposta às nossas necessidades, tendo em conta o número dos fiéis e de sacerdotes na Diocese. Neste momento contamos com pelo menos 10 missas semanais em língua portuguesa: seis na Sé Catedral, uma ou duas missas semanais na igreja de São Domingos (todos os dias 13 e 25 de cada mês e missas antecipadas), uma na igreja de Nossa Senhora do Carmo, na igreja de São Lázaro e ainda na igreja de Santo António. Na Sé Catedral, com a graça de Deus, celebramos missas diárias em português, de segunda a sexta, às 18h00, missa antecipada, aos sábados, às 17h30 (na igreja de São Domingos) e missa dominical às 11h00. Em poucas palavras, os horários e a quantidade das missas em português mostram, por si só, a importância da nossa comunidade, no seio da comunidade católica local. O Bispo Dom Stephen Lee tem feito questão de presidir, apenas em português, às celebrações mais importantes do ano, como a Sexta-feira da Paixão, Domingo de Páscoa, Natal e Pentecostes, sendo que as outras celebrações importantes do ano são realizadas em cantonês e português. Temos desenvolvido várias pastorais e, no meio da pandemia que abalou Macau, merece destaque a pastoral da comunicação que tem sido de grande valor para os nossos enfermos, familiares e amigos que não podem vir à igreja e desejam acompanhar as nossas celebrações. Para além das missas em português aos domingos, o canal da Diocese transmite várias outras celebrações ao longo do ano litúrgico e ainda momentos de formação e adoração eucarística mensais. Posso afirmar que sempre fomos atendidos em todas as celebrações que pedimos para serem transmitidas online. Aliás, não me recordo de algo que tenha sido pedido e não nos foi atendido. Além do serviço exemplar dos padres Luís Sequeira e Andrzej Blazkiewicz (André), merece destaque a designação e trabalho do padre Eduardo Emílio Agüero, scj, na igreja de Nossa Senhora do Carmo, pelo apoio e serviço prestado à comunidade portuguesa. Nas últimas décadas, possivelmente, esta é a primeira vez que temos dois padres designados oficialmente como vigários paroquiais para a comunidade católica de língua portuguesa. Em resposta ao apelo de Dom Stephen Lee, temos também procurado manter um papel mais activo junto dos jovens de forma a manter viva a comunidade de língua portuguesa, no futuro. Na catequese, por exemplo, contando apenas com a Paróquia da Sé Catedral, existem 11 turmas de catequese, com cerca de 20 catequistas, 80 catequisandos, dos quais 18 foram crismados este ano. Contando com a paróquia de Nossa Senhora do Carmo, temos mais de 150 pessoas envolvidas na catequese. Para além do Colégio Diocesano de São José, a Diocese disponibilizou ainda um centro pastoral localizado na Rua Formosa, que tem sido frequentado com muita assiduidade pelos jovens da comunidade portuguesa e apoiou a participação de 30 pessoas, na sua maioria jovens, na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) deste ano, um número nunca antes visto de jovens portugueses de Macau a representarem a cidade numa JMJ. Depois do fim da pandemia, estamos também a reavivar os projectos pastorais e contamos colocar em prática, ainda este ano, muitas outras iniciativas, nomeadamente a nível da pastoral dos jovens, social e das famílias, actividades que vão ser desenvolvidas por ocasião do Ano Diocesano das vocações, que procura fomentar a cultural vocacional junto da comunidade e das famílias. Contudo, para servirmos melhor, precisamos de mais voluntários envolvidos nas actividades da Paróquia. A exemplo de outras dioceses espalhadas pelo mundo, Macau também participou activamente no período local de preparação para o Sínodo convocado pelo Papa Francisco, onde se recolheram com todo o cuidado e respeito as críticas e sugestões da comunidade e da sociedade em geral, onde todos, que desejaram, inclusive pessoas não católicas, tiveram oportunidade de se expressar, por um período superior a um mês. Como Vigário paroquial da Sé Catedral, responsável pela comunidade Católica de língua portuguesa, tenho a agradecer todo o apoio prestado pela comunidade que tem participado activamente em todas as iniciativas que temos desenvolvido, bem assim o apoio e incentivo do Sr. Bispo Stephen Lee e da Diocese local em todos os projectos que temos apresentado, contando com a incansável ajuda de dois dos cinco seminaristas diocesanos. Justiça seja feita, o número de dois diáconos e dois seminaristas servindo a comunidade portuguesa é algo que não se vê há décadas em Macau. A Diocese de Macau tem-se mostrado sempre aberta para acolher novas congregações religiosas e movimentos. Exemplo disso foi a acolhida do movimento Neocatecumenato que estabeleceu em Macau um seminário internacional para o continente asiático (Redeptoris Mater) de formação dos seus próprios candidatos ao sacerdócio, que, depois de ordenados, poderão ser enviados para outros países na Ásia. A Diocese local tem apoiado o referido seminário cedendo uma das suas propriedades, por um simbólico valor mensal. De acordo com a prática interna da Diocese, e de modo a ser coerente com as outras congregações e movimentos presentes em Macau, as reformas internas do referido seminário serão da responsabilidade do movimento Neocatecumenato. Contudo, a Diocese permitiu ao referido movimento promover junto da comunidade, através das paróquias locais, campanhas de arrecadação para custear as reformas necessárias. Como sinal do recíproco apoio e bom relacionamento entre a Diocese e o movimento Neocatecumenato, dois Diáconos do movimento serão ordenados sacerdotes em Macau, no próximo mês de Outubro e, com a graça de Deus, serão uma mais valia para a comunidade portuguesa. Como sacerdote expresso a minha gratidão e alegria em ver a comunidade, sob a orientação de Dom Stephen Lee, a unir esforços para servirmos os nossos fiéis em unidade com a igreja local. Naturalmente, existem muitas coisas para serem melhoradas. Para isso, contamos com a ajuda e comprometimento de todos.
BRICS | Lula diz que novos membros atestam relevância do grupo Hoje Macau - 25 Ago 2023 A cimeira dos BRICS terminou ontem na África do Sul com a adesão de seis novos membros, Arábia Saudita, Argentina, Egipto, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irão. O bloco de emergentes passa a representar seis dos nove maiores produtores de petróleo do mundo O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou ontem que a entrada de seis novos países no grupo BRICS, como a Argentina, a quem enviou uma “mensagem especial”, atesta a relevância do bloco das economias emergentes. “A relevância dos BRICS é confirmada pelo interesse crescente que outros países demonstram na adesão ao agrupamento”, afirmou Lula no encerramento da 15.ª cimeira do grupo formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que decorreu ontem em Joanesburgo, África do Sul. Lula afirmou que “é com satisfação que o Brasil dá as boas-vindas aos BRICS à Arábia Saudita, Argentina, Egipto, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irão”, que passarão a integrar formalmente o grupo a partir de 01 de Janeiro de 2024. “Agora, o PIB do BRICS eleva-se para 36 por cento do PIB [produto interno bruto] global em paridade de poder de compra e 46 por cento da população mundial”, sublinhou. Actualmente, o bloco representa mais de 42 por cento da população mundial e 30 por cento do território do planeta, além de 23 por cento do PIB global e 18 por cento do comércio mundial, sendo os maiores parceiros comerciais de África, segundo o Governo sul-africano. Com a entrada da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irão, anunciada ontem, o bloco de economias emergentes passa também a representar seis dos nove maiores produtores de petróleo do mundo, juntamente com a Rússia, China e Brasil. O líder sul-americano, ex-dirigente sindical tal como o seu anfitrião sul-africano Cyril Ramaphosa, avançou que o bloco “continuará aberto a novos candidatos” e, para tal, foram aprovados também “critérios e procedimentos para futuras adesões”. Moeda na calha Na sua intervenção, o Presidente do Brasil declarou também que os BRICS aprovaram ainda a criação de um grupo de trabalho para estudar a adopção de uma “moeda de referência” do BRICS. “Essa medida poderá aumentar as nossas opções de pagamento e reduzir as nossas vulnerabilidades”, adiantou. O chefe de Estado brasileiro destacou também a decisão relacionada com reforma da governança global, especialmente em relação ao Conselho de de Segurança das Nações Unidas. Apelos de Xi O Presidente chinês no seu discurso na abertura da Cimeira naÁfrica do Sul afirmou “que o mundo está a passar por grandes mudanças, divisões e reagrupamentos, e em que entrou num novo período de turbulência e transformação”. “A mentalidade da Guerra Fria ainda assombra o nosso mundo e a situação geopolítica está a tornar-se tensa. Os países BRICS devem defender a direcção do desenvolvimento pacífico e consolidar a parceria estratégica dos BRICS”, afirmou. Xi Jinping considerou que o grupo dos países emergentes “devem ter sempre em conta o propósito da nossa fundação, de reforçar a unidade, de agir com forte sentido de responsabilidade, reforçando a cooperação a todos os níveis, e promover um desenvolvimento de alta qualidade, para que haja maior estabilidade, certeza e energia positiva no mundo”. “O desenvolvimento não é um privilégio de apenas alguns países”, frisou. O líder chinês também observou a necessidade de defender a “equidade e a justiça, e melhorar a governação global”. “O reforço da governação global é a escolha certa se a comunidade internacional pretende partilhar oportunidades de desenvolvimento e enfrentar os desafios urbanos”, considerou o líder chinês. Cerca de 40 países manifestaram o desejo de aderir ao bloco, segundo o Governo sul-africano, que este ano ocupa a presidência rotativa dos BRICS. O bloco recebeu “manifestações formais de interesse” de 23 países, incluindo também Bolívia, Cuba, Honduras, Venezuela e Indonésia, que terá solicitado “mais tempo” para considerar o convite de adesão ao grupo, segundo fonte governamental nas negociações. A China apoiou especialmente a expansão dos BRICS, que procuram obter maior protagonismo nas instituições internacionais, até agora dominadas pelos Estados Unidos e pela Europa. Brasil, Índia e África do Sul estiveram representados pelos respectivos chefes de Estado e de Governo na cimeira dos BRICS, que decorreu entre terça-feira e ontem.
Dos quatro entendimentos e dos três tipos de coragem – Xunzi Rui Cascais - 25 Ago 2023 Tradução Rui Cascais Yao perguntou a Shun: “Como são as disposições inatas das pessoas?” Shun respondeu: “As disposições inatas das pessoas são verdadeiramente detestáveis! Por que razão perguntas acerca delas? Quando se tem esposa e filhos, a piedade filial para com os nossos pais diminui. Quando os nossos apetites e desejos são satisfeitos, a nossa fidelidade para com os amigos diminui. Quando o nosso estatuto e salário sobem, a lealdade para com o nosso senhor diminui. As disposições inatas das pessoas? As disposições inatas das pessoas? As disposições inatas das pessoas são detestáveis. Porquê perguntares acerca delas? Só a pessoa meritória não é assim”. Existe o entendimento do sábio, existe o entendimento da pessoa bem-criada e da pessoa exemplar, existe o entendimento da pessoa mesquinha e existe o entendimento da pessoa servil. Algumas pessoas, mesmo quando falam muito, demonstram a forma apropriada e conformam-se à categoria apropriada das coisas; são capazes de passar todo um dia argumentando as suas posições e, através de numerosas reviravoltas e uma miríade de mudanças as suas categorias orientadoras continuam inalteradas – esse é o entendimento do sábio. Algumas pessoas, mesmo quando falam pouco, são directas ainda que reservadas no seu uso das palavras. Quando argumentam, conformam-se ao modelo apropriado como se fossem reguladas com exactidão pela linha de tinta do carpinteiro – esse é o entendimento da pessoa bem-criada e da pessoa exemplar. Algumas pessoas têm um discurso descuidado e uma conduta desordeira. Na sua forma de lidarem com as coisas muito há que pode conduzir ao arrependimento – esse é o entendimento da pessoa mesquinha. Algumas pessoas são precipitadas e imprudentes e não seguem as categorias apropriadas. Dispõem de várias competências e vasta experiência, mas não lhes dão bom uso. São rápidas na análise e de discurso refinado e fácil, mas não se preocupam com aquilo que dizem. Não se preocupam com o que é certo e com o que é errado e não separam aquilo que é direito daquilo que é torto. Por sua intenção, têm apenas colocar-se ao lado daqueles que desejam destroçar os outros – esse é o entendimento da pessoa servil. Da coragem Há o mais alto tipo de coragem, há o tipo de coragem médio e há o mais baixo tipo de coragem. Há alguns para quem existe um padrão central para todo o mundo, segundo o qual ousam estabelecer-se. Os antigos reis seguiam um certo modo de fazer as coisas e aqueles ousam aplicar o seu entendimento dele. Em cima, não seguem os senhores de uma idade caótica. Em baixo, não se conformam às gentes de uma idade caótica. Não se inquietam com o empobrecimento ou dificuldades que possam advir das coisas que envolvem ren [humanidade]. Não consideram riqueza e honra que possam de advir das coisas privadas de ren. Se o mundo os reconhece, deseja partilhar as dores e alegrias do mundo. Se o mundo não os reconhece, permanecem com independência e sós entre o Céu e a Terra e nada temem. Este é o mais alto tipo de coragem. Há alguns que praticam os rituais com reverência e cujos pensamentos são contidos. Prezam, seguem e são fiéis a isso e dão pouca atenção aos bens materiais e à riqueza. Ousam promover e elevar aqueles que são meritórios. Ousam apontar e desvalorizar aqueles que não são meritórios. Este é o tipo de coragem médio. Há alguns que dão pouca atenção ao seu carácter, mas muita importância aos bens materiais. Encontram consolo naquilo que conduz ao desastre e depois procuram libertar-se e escapar irresponsavelmente às consequências. Não se preocupam com a verdadeira disposição do que é certo e errado. Por sua intenção, têm apenas colocar-se ao lado daqueles que desejam destroçar os outros. Esse é o tipo mais baixo de coragem. Fanruo e Jushi são nomes de grandes arcos dos tempos antigos. Contudo, se não tivessem sido formados pelo torno do criador de arcos não se teriam feito certeiros por si próprios. A espada Cong, que foi do Duque Huan, a espada Jue, que foi do Grão-Duque, a espada Lu, que foi do Rei Wen, a espada Hu, que foi do Lorde Huang, as espadas Ganjiang e Moye, que foram de Helü, assim como as espadas Jujue e Pilü, foram todas grandes lâminas dos tempos antigos. Contudo, se ninguém as tivesse amolado nunca se teriam tornado afiadas. Se ninguém as tivesse empunhado, nada poderiam ter cortado. Hua Liu, Qi Ji, Xian Li e Lü’er foram grandes cavalos dos tempos antigos. Contudo, sem controlo de freio e rédea à frente e sem a ameaça do chicote e da vergasta atrás, para não falar da perícia de Zao Fu na sela, não conseguiriam percorrer mil léguas num só dia. Quanto às pessoas, mesmo que tivessem uma natureza inata excelente e os seus corações fossem sábios e capazes de discernir com argúcia, ainda teriam de buscar mestres meritórios a quem servir e escolher amigos meritórios com quem fazer amizade. Obtendo-se um mestre meritório para servir, tudo o que ouviremos são as instruções de Yao, Shun, Yu e Tang. Obtendo-se um amigo meritório, tudo o que veremos é uma conduta leal, fiável, respeitosa e deferente. E então se fará progresso diário na direcção de ren e de yi[justiça] sem sequer nos darmos conta. Isso deve-se àquilo com o qual convivemos. Mas se vivermos ao lado de pessoas que não são boas, tudo o que ouviremos será trapaça, engano, desonestidade e fraude. Tudo o que veremos será uma conduta suja, arrogante, perversa, desviante e gananciosa. Além disso, sofreremos castigo e execução sem sequer nos apercebermos da sua iminência. Isso deve-se àquilo com o qual convivemos. Há um ditado segundo o qual “Se não conheceres o teu filho, observa os seus amigos. Se não conheceres o teu senhor, observa os seus companheiros.” Tudo depende daquilo com o qual convivemos. Tudo depende daquilo com o qual convivemos.
Teatro | Directora de grupo detida por suspeita de fraude João Santos Filipe - 25 Ago 2023 Em causa, está um apoio de 269 mil patacas do Fundo do Desenvolvimento Cultural que terá sido utilizado para apoiar um projecto realizado com conteúdos de uma peça de teatro já anteriormente subsidiada Uma directora de um grupo local de teatro foi detida por suspeitas de fraude no valor de 269 mil patacas, nos pedidos de apoios junto do Fundo do Desenvolvimento Cultural (FDC). O caso foi relatado ontem pelo Jornal Ou Mun e em causa está o aproveitamento de conteúdos de uma peça subsidiada para pedir um novo apoio. Segundo a informação das autoridades, citada pelo jornal, a investigação para o caso foi iniciada pelo Ministério Pública (MP), que pediu a assistência das autoridades policiais. De acordo com as suspeitas, a directora da companhia de teatro tinha apresentado uma candidatura para receber um apoio do FDC no valor de 269 mil patacas. O projecto incluia uma peça de teatro que tinha estado no palco em 2020 e que mais tarde, no final de 2021, começou a ser transmitida online. Com o financiamento aprovado, em Maio de 2022, a companhia apresentou o relatório das actividades e os resultados do apoio do FDC. No entanto, a análise ao relatório levantou suspeitas, uma vez que foi considerado que o conteúdo da peça de teatro era igual ao conteúdo de uma outra peça de teatro da companhia, que em 2019 tinha sido apoiada, também pelo FDC, com um subsídio de 300 mil patacas. Esta coincidência levou o MP a actuar e de acordo com o Ou Mun depois das primeiras investigações, “alguém” próximo da companhia terá admitido que houve um reaproveitamento de material antigo com “o vinho velho a ser colocado numa garrafa nova”. Sem colaboração Por sua vez, segundo o Jornal Ou Mun, as autoridades apontaram que a directora da companhia de teatro é uma residente local com 50 anos e que ao longo das investigações não se mostrou cooperativa, apesar de ter admitido que a utilização de conteúdos antigos é uma prática normal na área. O jornal também não adianta pormenores sobre o grupo de teatro, além de apontar que este não tem fins lucrativos. De acordo com a polícia, a suspeita foi identificada no dia 22 de Agosto, depois da investigação ter sido iniciada em Fevereiro, A mulher foi detida na sua habitação, em Coloane. Às autoridades, a equipa de produção e os actores do grupo de trabalho terão todos afirmado que não estiveram envolvidos na produção ou na representação da peça de teatro que está a ser alvo da investigação. Ainda de acordo com a informação oficial, o caso envolve a falsificação de vários documentos.
Autocarros | Ligação a aeroporto de Hong Kong para breve João Luz - 25 Ago 202325 Ago 2023 Está para breve o lançamento de uma linha de autocarros entre Macau e o aeroporto de Hong Kong que irá incluir procedimentos de embarque e de check-in de bagagem. A novidade foi revelada por Chan Man Iok, da Empresa de Serviços de Transporte de Passageiros do Aeroporto de Hong Kong (Macau), que participou ontem no programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau. O responsável adiantou que, no início da operação, as partidas dos autocarros serão de hora a hora, nos dois sentidos, entre Posto Fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e o Aeroporto do Hong Kong, com horários entre as 07h30 e as 19h30. Durante os primeiros dois meses do serviço, o preço das viagens será de 250 patacas e depois passará para 280 patacas. A empresa prevê que a frequência das viagens será alargada para horários de madrugada por altura do Natal. O objectivo passa por facultar um serviço que opera 24 horas por dia, com o período do dia de maior intensidade de frequências a registar partidas de 15 em 15 minutos. Chan Man Iok acrescentou ainda que todos os autocarros serão eléctricos e terão capacidade para 36 passageiros.
Transportes | Sabedoria Colectiva denuncia sobrelotação João Santos Filipe - 25 Ago 202325 Ago 2023 Com o aumento dos turistas e o início do ano novo lectivo a aproximar-se, o Centro da Política da Sabedoria Colectiva apela ao Executivo para aumentar a capacidade da rede de autocarros públicos O regresso dos turistas e o facto dos autocarros estarem cada vez mais cheios levou o Centro da Política da Sabedoria Colectiva a pedir ao Governo que tome medidas para resolver a situação. A tomada de posição surgiu por parte de Choi Seng Hong, vice-presidente do centro que tem ligações à Associação de Moradores de Macau. Segundo Choi, o problema surgiu porque no Verão chegaram muitos turistas ao território sem que haja capacidade suficiente nos autocarros para responder ao aumento repentino. Esta nova realidade, indica o dirigente associativo, faz com que vários percursos estejam sempre sobrelotados, como acontece com os autocarros número 30, 34, 26A, 51, 51A, assim como outros que viajam entre Macau e as Ilhas, onde as horas de ponta são particularmente complicadas. Com o ano lectivo a começar em Setembro, Choi Seng Hong apelou ao Governo para tomar várias medidas interdepartamentais e garantir que os residentes vão poder levar os filhos às escolas em “condições aceitáveis”. “Com um grande número de pessoas a utilizarem os transportes públicos, muitas vezes é difícil conseguir entrar nos autocarros, e quando se entra as viaturas têm muita gente, o que faz com que a viagem seja sempre uma experiência desagradável”, indica Choi Seng Hong. “Espera-se que as autoridades façam uma avaliação sobre o número de turistas, com base nos dados recolhidos, e que aumentem a frequência da partida de autocarros. Podem também criar mais autocarros expresso e guias para os passageiros, nas principais paragens”, acrescentou. Noites difíceis Com base nas queixas recebidas de moradores, Choi Seng Hong indica que ao contrário do que poderia ser expectável, a situação dos autocarros não deixa de ser caótica à noite. Segundo o dirigente, como Macau é uma cidade com muitos trabalhadores por turnos existe uma grande procura pelos meios de transporte, mesmo em horas em que não seria expectável. Também neste aspecto, Choi apela ao Governo para recorrer aos vários dados com recurso às novas tecnologias para conseguir reagir rapidamente às mudanças, melhorar o serviço e autorizar a partida de novos autocarros, quando as linhas estão congestionadas, de forma mais agilizada. Por último, Choi Seng Hong apelou ao Executivo para acelerar os trabalhos da construção da Linha Leste do Metro, que vai fazer a ligação entre as Portas do Cerco e as Ilhas. Segundo o vice-presidente do centro, o metro é uma boa solução para fazer com que haja menos procura pelos autocarros. Carreiras ajustadas A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) resolveu ajustar alguns percursos de autocarro, aditando ou eliminando paragens, a fim de dar resposta ao elevado número de passageiros e assegurar a fluidez das deslocações. Assim, serão ajustados diversos horários na carreira 101X, “tendo em conta o fluxo de passageiros”, sobretudo nas horas de ponta e feriados, bem como a frequência da carreira 102X em todos os horários. “A fim de facilitar as deslocações e correspondência entre carreiras” o autocarro 35 fará escala nas paragens “Jardim do Lago”, “Instituto de Enfermagem Kiang Wu Macau” e “Rua da Patinagem / Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental”. Enquanto isso, o autocarro 51 fará escala nas paragens “Estrada Flor de Lótus / Avenida da Nave Desportiva” e “Estrada Flor de Lótus / Rotunda Flor de Lótus 1”. A partir de sábado, e desde a primeira partida da manhã, serão ainda ajustadas as carreiras N5, 26, 36, 51A, AP1 e AP1X, bem como a carreira especial 73, sendo aditadas paragens e canceladas outras. Como exemplo, o autocarro 73 deixa de parar no “Edifício dos Serviços de Migração / Pac On”, enquanto a carreira 51X fará uma paragem na “Estrada do Pac On / Novos Aterros”. A DSAT vai ainda ajustar a carreira H3, que fará paragens junto à Pousada Marina Infante e Avenida M. Flor de Lótus / Galaxy1, a fim de “fazer face ao aumento do fluxo de passageiros na zona e facilitar as deslocações dos cidadãos”. Quanto ao autocarro M5, e “para aumentar a eficiência da carreira”, também será alterado o seu percurso, passando este autocarro pela Rua Cidade do Porto para regressar à Alameda Dr. Carlos D ‘Assumpção sem alterar as paragens de escala.
Pedidas penas mais pesadas para abandonos de animais João Santos Filipe - 25 Ago 2023 Ron Lam pede ao Governo que faça uma proposta para alterar o valor da multa para quem abandona animais. O aumento do número de abandonos de animais é abordado numa interpretação escrita divulgada ontem pelo deputado. Segundo os dados citados por Ron Lam, até Julho deste ano o número de animais entregues ao Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) pelos donos foi de 63, o que representa um crescimento de 90 por cento face ao ano passado. Além dos animais entregues pelos donos, o IAM capturou 492 cães e gatos até ao sétimo mês do ano, no que representou um crescimento de 75 por cento em comparação com todo o ano passado. “Quais são as medidas que o Governo vai adoptar para lidar com o agravamento do problema do número de animais abandonados? Como é que vão reduzir o problema do abandono na fonte?”, pergunta Ron. “Será que vão mandar instalar chips em todos os animais, inclusive os que são vendidos nas lojas? Será que vão fazer com que os veterinários sejam obrigados a instalar os microchips nos animais quando detectam que estes não têm um chip?”, acrescentou. Novos abandonos Por outro lado, o deputado considera que há dois problemas, o facto de as multas por abandono de animais serem demasiado reduzidas, assim como o montante que os cidadãos têm de pagar ao IAM, quando entregam os animais. Actualmente, se o dono considerar que não tem condições para ficar com o animal, pode entregá-lo no Canil Municipal, pagando 1.000 patacas, para o preço dos alimentos e de alojamento. Contudo, Ron Lam considera que o valor é baixo, porque os animais muitas vezes não encontram um novo lar. O deputado diz ainda que a entrega devia ser classificada com abandono. “Quando é que o Governo faz uma proposta de revisão para mudar a Lei de Protecção de Animais e aumentar as multas que actualmente variam entre as 20 mil e 100 mil patacas?”, questionou. “E porque é que a entrega dos animais não é classificada como abandono?”, perguntou. Por último, Ron Lam interroga o Governo sobre os planos para relançar o programa de esterilização dos animais capturados, em vez do recurso aos abates.
Comércio | Retalhistas pessimistas face a terceiro trimestre Andreia Sofia Silva - 25 Ago 2023 Comerciantes do sector do retalho não estão confiantes num bom volume de negócios para o terceiro trimestre deste ano. Dados da Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC) mostram que 48,2 por cento dos retalhistas prevêem a diminuição do volume de vendas em termos anuais, enquanto 38,4 por cento antecipam uma estabilização. Por sua vez, 13,4 por cento projectam um aumento do volume de negócios. Ainda para os últimos três meses do ano a previsão de cerca de 47,4 por cento dos retalhistas é de que a situação de exploração dos estabelecimentos seja insatisfatória. A DSEC revela ainda que 42 por cento dos retalhistas acreditam “numa situação estável de exploração”, enquanto 10,6 por cento “prevêem uma situação de exploração satisfatória”. Por sua vez, 78,7 por cento dos retalhistas prevêem a estabilização dos preços de vendas em termos anuais, 12,1 por cento antevêem uma diminuição e 9,2 por cento projectam o aumento. No segundo trimestre do ano o volume de negócios foi de 21,58 mil milhões de patacas, um aumento anual de 59,3 por cento com a eliminação de factores que influenciam os preços. Contudo, no segundo trimestre o volume de negócios caiu 10,2 por cento em relação ao primeiro trimestre do ano. De destacar que o índice do volume de vendas diminuiu 14,3 por cento em termos trimestrais.
TNR | Poder do Povo pede que Governo siga medidas de Hong Kong Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 25 Ago 2023 A associação Poder do Povo pede que as autoridades locais sigam as mesmas medidas implementadas em Hong Kong sobre a contratação de trabalhadores não residentes para os sectores dos transportes e construção civil, nomeadamente com controlo salarial. Numa carta entregue ao Governo, a associação exige também que o salário mínimo não seja inferior a 36 patacas por hora A associação Poder do Povo entregou ontem uma carta junto da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) a exigir que Macau siga as mesmas regras que Hong Kong no que diz respeito ao processo de contratação de trabalhadores não residentes (TNR) para os sectores da construção civil e transportes, nomeadamente as quotas de trabalhadores permitidas por sector, os salários pagos e a proporção residente-TNR por área laboral. A missiva, também dirigida ao secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, pede ainda que o salário mínimo não seja inferior a 36 patacas por hora, tendo em conta que o ajustamento do valor está actualmente em discussão em sede de Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS). Quanto aos TNR, a Poder do Povo defende que os TNR recebam o mesmo que a média salarial em vigor por sector laboral, para garantir um equilíbrio com os ordenados pagos aos residentes. Lam Weng Ioi, secretário-geral da associação, disse que “uma das políticas adoptadas em Hong Kong é a regulação [da contratação] de TNR com salários nunca inferiores ao salário médio pago nos sectores, o que pode evitar que a importação de TNR venha a afectar os montantes salariais dos locais”. “Uma vez que a qualidade de vida e os salários dos residentes locais e dos nacionais do Interior da China são diferentes, os TNR podem aceitar receber valores mais baixos”, adiantou. Mais transparência Lam Weng Ioi afirmou ainda que o Governo deve ser mais transparente nos critérios de aprovação de quotas para os TNR, devendo regular melhor a proporção entre estrangeiros e locais. “Algumas empresas apresentam pedidos [de contratação] justificando a necessidade de TNR, mas não sabemos quais foram os critérios de aprovação [da parte da DSAL]. Precisamos que esses critérios sejam divulgados”, frisou. Uma vez que não há limites definidos para o total de quotas de TNR, o responsável considera que estes devem ser estabelecidos, para que a aprovação de quotas de TNR seja feita de forma prudente, garantindo que não há uma disponibilidade de trabalhadores estrangeiros superior à procura por parte das empresas. Ainda sobre o salário mínimo, Lam Weng Ioi lembrou que, com o aumento da inflação nos últimos anos, que ronda os cinco por cento, o salário mínimo deve acompanhar também essa tendência. “Se os preços aumentarem e o montante do salário mínimo permanecer igual, isso vai desiludir os grupos sociais mais vulneráveis”, acrescentou. Em finais de Julho o Governo propôs que o salário mínimo, que é actualmente 32 patacas por hora, passe a 34 ou 36 patacas por hora de trabalho.
Convenções | Eventos geram 12 milhões de prejuízo no 2º trimestre João Luz - 25 Ago 2023 As exposições e convenções realizadas no território no segundo trimestre deste ano resultaram, de modo geral, em prejuízos para as entidades organizadoras, apesar de subsidiadas pelo Governo da RAEM. Segundo dados apresentados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), depois de subtraídas as despesas das receitas das exposições organizadas por entidades não governamentais, registou-se o prejuízo de 7,45 milhões de patacas, perdas que sobem para 11,95 milhões de patacas se forem excluídos os subsídios concedidos pelo Governo/instituições públicas. Durante o segundo trimestre deste ano realizaram-se 263 reuniões, conferências, exposições e eventos de incentivo, volume que representa um aumento de 185,9 por cento face ao mesmo período do ano passado, quando a pandemia ainda paralisava o território. O número de participantes e visitantes fixou-se em cerca 509 mil, aumentando significativamente (66,4 por cento) em termos anuais, devido ao número de exposições de grande envergadura ter crescido, informou ontem a DSEC. Durante o trimestre em análise efectuaram-se 245 reuniões e conferências, mais 163, face ao segundo trimestre do ano passado e o número de participantes (45.000) subiu notavelmente 299 por cento. A duração média das reuniões e conferências foi de 1,1 dias, mais 0,3 dias, em termos anuais e a área utilizada total correspondeu a 157.000 metros quadrados, o aumento de 218,3 por cento.
Álcool | Associação concorda com controlo, mas levanta questões Hoje Macau - 25 Ago 2023 A União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau, presidida pelo empresário e deputado Chan Chak Mo, concorda com a nova lei de controlo de bebidas alcoólicas, que entra em vigor a 5 de Novembro e que limita a venda, disponibilização e consumo de bebidas com concentração de álcool superior a 1,2 por cento em locais de venda. Na terça-feira, responsáveis dos Serviços de Saúde reuniram com dirigentes da União para debater o diploma, tendo os dirigentes associativos declarado que a nova lei pode “ajudar a evitar o contacto dos jovens com as bebidas alcoólicas”. No entanto, mostraram-se preocupados quanto “às formas de venda de bebidas alcoólicas nos estabelecimentos de restauração, a afixação de dísticos de modelo legal, as máquinas de venda automática e as restrições à venda de bebidas alcoólicas nas plataformas de entrega”. Os representantes do sector defenderam ainda a importância executar bem a lei “sobre o controlo de bebidas alcoólicas” bem como a “imputação de sanções”.
Economia | Secretário reconhece falta de voos internacionais João Santos Filipe - 25 Ago 2023 Lei Wai Nong defende a necessidade de aumentar as ligações aéreas entre Macau e destinos no estrangeiro para captar mercados turísticos externos. O governante anunciou que a partir de Outubro as ligações para a Indonésia serão retomadas O secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, reconheceu que faltam ligações aéreas entre Macau e o resto do mundo. A confissão foi feita na quarta-feira durante uma sessão da consulta pública sobre o Plano de Desenvolvimento da Diversificação Adequada da Economia (2024 – 2028). Numa altura em que abordava a necessidade do território desenvolver de melhor forma as “indústrias do turismo e da cultura”, Lei Wai Nong admitiu que depois da pandemia o território continua a sofrer, por não ter ligações aéreas suficientes. “Actualmente, 85 por cento dos turistas chegam por terra, e alguns vêm pelo mar, porque há falta de recursos aéreos”, afirmou o governante, citado pelo jornal Ou Mun. A Air Macau, empresa controlada pela companhia aérea estatal Air China, detém o monopólio da aviação civil em Macau, desde 1995, no âmbito do contrato de concessão, em regime de exclusividade, do serviço público de transporte aéreo de passageiros, bagagem, carga, correio e encomendas postais de e para Macau. No entanto, actualmente a Assembleia Legislativa está a discutir a proposta de lei da actividade de aviação civil, que partiu do Governo, e vai liberalizar o sector. Ontem, Lei Wai Nong destacou ser fundamental internacionalizar o mercado do turismo no território, com a “atracção de mais turistas do estrangeiro”. O secretário indicou também que depois do fim das restrições ligadas à pandemia o turismo está em recuperação, o que tem sido motivado pelos visitantes do Interior. Voos da Indonésia No entanto, o objectivo do Governo passa por conseguir captar, a médio prazo, um volume crescente de turistas internacionais. Nesse sentido, Lei anunciou que a partir de Outubro vão ser retomados os voos directos entre Macau e Indonésia. Os planos não ficam por aqui e o governante também indicou que a médio e longo prazo as instalações do aeroporto vão ser expandidas, “para receber mais turistas internacionais”. No âmbito desta estratégia, numa primeira fase, o Governo espera atrair turistas do Sudeste Asiático, e depois expandir as fontes do turismo para a Europa e América. Ainda assim, o secretário indicou que o trabalho de expansão das ligações áreas deve ser feito pelo sector privado “sob a orientação do Governo de Macau”. Na sessão de consulta sobre o plano económico para os anos de 2024 a 2028, o secretário para a Economia e Finanças destacou igualmente a importância do sector das exposições e convenções. Em relação a esta área deixou a esperança que com base nos recursos humanos e físicos existentes, que elogiou, o território possa atrair mais eventos de cariz internacional.
Fukushima | Descarga de águas origina protestos na Coreia do Sul Andreia Sofia Silva - 25 Ago 2023 As águas residuais da central nuclear de Fukushima começaram ontem a ser despejadas no oceano, situação que levou à proibição de importação de produtos em Macau, Hong Kong e Interior da China. A Agência Internacional de Energia Atómica supervisionou a descarga e indicou que a concentração de trítio na água está abaixo do limite esperado O operador de Fukushima Daiichi, a Tokyo Electric Power Company Holdings (TEPCO), começou ontem o lançamento para o oceano de águas residuais radioactivas tratadas e diluídas da central nuclear. Num vídeo transmitido ao vivo da sala de controlo da central, a TEPCO mostrou um membro da equipa a ligar a bomba que descarrega as águas para mar às 13h03 (hora local), três minutos após o início da etapa final, num processo que poderá prolongar-se até 2050. A bomba enviou o primeiro lote de água diluída e tratada de uma piscina de mistura para uma piscina secundária, a partir da qual a água é libertada no oceano, a um quilómetro da costa, através de um túnel submarino. O arranque aconteceu só depois da TEPCO confirmar que não havia qualquer impacto devido ao lançamento por parte da Coreia da Norte de um alegado satélite espião, que provocou a activação do alerta antimíssil no sul do arquipélago do Japão. A TEPCO tinha avisado que a central de Fukushima Daiichi poderia, no início de 2024, ficar sem espaço para armazenar cerca de 1,33 milhões de toneladas de água, proveniente de chuva, água subterrânea ou injecções necessárias para arrefecer os núcleos dos reatores nucleares. A operadora pretende libertar 31.200 toneladas de água tratada até ao final de Março de 2024, o que esvaziaria apenas 10 dos cerca de mil tanques de armazenamento, embora o ritmo de descarga deva aumentar mais tarde. A preparação tinha começado na terça-feira, após o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, ter dado o aval final numa reunião dos ministros envolvidos no plano, aprovado pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA). Ainda na terça-feira, uma tonelada de água tratada foi misturada com 1.200 toneladas de água do mar, sendo que a mistura foi mantida na piscina primária por dois dias para amostragem final para garantir a segurança, disse um executivo da TEPCO. Junichi Matsumoto tinha dito que, na primeira fase que deverá durar cerca de 17 dias, iriam ser descarregados cerca de 7.800 metros cúbicos de água contendo trítio, uma substância radioativa que só é perigosa em doses muito concentradas. “Especialistas da AIEA recolheram esta semana amostras das águas preparadas para as primeiras descargas”, afirmou num comunicado o órgão da ONU que supervisiona a operação. “A análise realizada de forma independente no local confirmou” que a concentração da substância radioactiva trítio estava “bem abaixo do limite operacional de 1.500 becquerel (Bq) por litro”. Protestos na Coreia A libertação de água começa quase 12 anos e meio após a fusão nuclear de Março de 2011, causada por um forte terramoto e tsunami. O plano levantou preocupações entre grupos de pescadores japoneses e também nos países vizinhos, provocando protestos de rua na Coreia do Sul, que levaram ontem à detenção de mais de dez pessoas que tentaram entrar na embaixada japonesa em Seul durante uma manifestação, informou a polícia local. Um pequeno grupo de manifestantes reuniu-se em frente à embaixada, segurando cartazes nos quais se podia ler: “O oceano não é a lata de lixo do Japão”. Por sua vez, a agência sul-coreana Yonhap indica que 16 pessoas, todas estudantes universitárias, foram detidas por esta tentativa de intrusão. Outros manifestantes foram dispersos e a polícia restringiu o acesso ao edifício que alberga a embaixada pouco depois deste incidente. Seul apoiou publicamente a decisão de Tóquio de descarregar água contaminada da central nuclear danificada de Fukushima, mas apelou a uma maior transparência no processo. “Apelo ao governo japonês para que publique informações sobre lançamentos de forma transparente e responsável durante os próximos 30 anos”, disse ontem o primeiro-ministro sul-coreano, Han Duck-soo. O chefe do Governo sul-coreano reconheceu que não há razões para uma “preocupação excessiva”, porque o plano aprovado pelas autoridades japonesas, que recebeu a aprovação da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), não deverá causar danos significativos. “Embora o cenário ideal fosse evitar completamente a descarga de água contaminada, os peritos de todo o mundo partilham a opinião de que não é necessária uma preocupação excessiva da população”, sustentou. Alimentos proibidos A descarga de águas residuais de Fukushima levou as autoridades de Macau e Hong Kong, bem como a própria China, a proibir a importação de determinados alimentos, tal como peixe, marisco, frutas, legumes, ovos, algas e sal marinho, de dez zonas do país, nomeadamente Fukushima, Chiba, Tochigi, Ibaraki, Gunma, Miyagi, Niigata, Nagano, Saitama e Tóquio. A suspensão de importação poderá afectar o abastecimento de restaurantes japoneses em Macau, foi noticiado esta quarta-feira, apesar de representantes do sector estimarem que o impacto será pouco significativo. Em comunicado, o Governo de Macau declarou que o Japão “ignorou as fortes dúvidas e a firme oposição da comunidade internacional, lançando forçosamente o plano de descarga de águas contaminadas da central nuclear de Fukushima no mar”, pelo que as autoridades locais estão “muito preocupadas com o incidente”, manifestando uma “forte oposição”. Há vários meses que o Instituto para os Assuntos Municipais tem vindo a realizar análises à comida importada do Japão, a fim de testar níveis de radioactividade e eventuais perigos para a saúde pública. Segundo a agência noticiosa Xinhua, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) chinês manifestou-se ontem novamente contra a decisão das autoridades japonesas, tendo solicitado ao Governo de Fumio Kishida o fim da operação. “A China opõe-se firmemente e condena [este acto] com veemência. Fizemos sérias diligências junto do Japão e pedimos-lhe que pusesse termo a este acto ilícito”, afirmou o porta-voz do MNE num comunicado. O porta-voz afirmou também que a eliminação das águas contaminadas da central nuclear de Fukushima é uma questão importante em matéria de segurança nuclear e que o seu impacto ultrapassa as fronteiras do Japão, não sendo de modo algum um assunto privado do país. O MNE chinês entende que este acto “é extremamente egoísta e irresponsável que ignora o interesse público global”, pois “o oceano pertence a toda a humanidade”. “Ao despejar a água no oceano, o Japão está a espalhar riscos para o resto do mundo e a passar uma ferida aberta para as futuras gerações”, adiantou o porta-voz. Para a China, está em causa uma infracção “dos direitos das pessoas à saúde, ao desenvolvimento e a um ambiente saudável, o que viola as responsabilidades morais e as obrigações do Japão ao abrigo do direito internacional”. O MNE entende ainda que, “a partir do momento em que o Japão iniciou a descarga, colocou-se no banco dos réus perante a comunidade internacional e está obrigado a enfrentar a condenação internacional durante muitos anos”. Impacto no turismo? Ouvidos pela rádio e televisão públicas de Hong Kong, a RTHK, dois representantes do sector do turismo comentaram a possibilidade de o sector vir a ser afectado devido à descarga das águas residuais de Fukushima. Steve Huen, director executivo da EGL Tours, especializada em viagens ao Japão, afirmou que o impacto pode ocorrer, sendo, no entanto, de curta duração. Na quarta-feira, adiantou o responsável, o número de pessoas de Hong Kong que se inscreveram para excursões no país sofreu uma redução de 20 por cento face aos dois dias anteriores. “Não creio que os efeitos sejam duradouros. É claro que toda a gente vai observar a situação, mas talvez quando virem que não há problemas, comecem a viajar para o Japão novamente. Penso que levará muito pouco tempo para os números voltarem ao normal, penso que dentro de duas a três semanas”, disse Huen. Por sua vez, Fanny Yeung, directora executiva do Conselho da Indústria de Viagens de Hong Kong, fala de um efeito negativo mais duradouro, com uma quebra de 20 por cento no número de visitantes nos próximos meses. “A comida de lá, especialmente o peixe fresco, é algo muito desejado pelos viajantes. Este incidente afecta o seu nível de confiança e a intenção de as pessoas irem de férias ao Japão”, disse à RTHK. A responsável entende que as agências de viagens terão de considerar outros destinos e mercados para as suas operações. Com agências