5G | Secretário avisa que sem estações em edifícios privados haverá problemas

Raimundo do Rosário admite que a rede de telecomunicações pode enfrentar obstáculos ao nível da qualidade, caso não haja prédios privados onde instalar as estações que emitem o sinal de rede. O governo publica hoje um estudo sobre o impacto da radiação na saúde

 

O secretário para os Transportes e Obras Públicas reconheceu na Assembleia Legislativa que a rede de telecomunicações de 5.ª Geração (5G) poderá ter problemas no caso dos proprietários dos edifícios mais altos não permitirem a instalação de estações emissoras. O aviso foi deixado na sexta-feira no hemiciclo. O Governo vai publicar hoje um estudo sobre o impacto das radiações para a saúde dos residentes e utilizadores.

“Temos de contar com o apoio dos privados, não só para a rede de 5G, mas também para a 4G que apresenta problemas. Se as pessoas se recusam que os seus prédios sejam utilizados para instalar as estações base para a rede, então não podemos fazer nada para melhorar o sinal da rede”, afirmou Raimundo do Rosário.

O secretário explicou também que a Zona A dos Novos Aterros não vai ser um problema para a instalação da rede de 5G porque vão ser construídos vários edifícios de habitação pública, onde o Governo pode instalar as antenas. No entanto, o mesmo não acontece em outras zonas mais velhas de Macau, onde os edifícios públicos são baixos em comparação com os habitacionais, o que dificulta a qualidade da rede.

Em relação às telecomunicações, o Executivo vai publicar um estudo sobre o impacto das radiações do 5G para a saúde dos residentes. Existe a esperança que o estudo possa ajudar a desfazer alguns mitos, mas não é um dado adquirido como reconhece o secretário. “O estudo vai estar disponível a partir de 1 de Fevereiro na Internet. Agora se a população vai acreditar nos resultados do estudo… é outra questão. Mas, se não conseguirmos que haja habitações privadas para instalar as estações, então há um problema”, sustentou.

Apesar desta explicação, Raimundo do Rosário não se comprometeu com um prazo para o lançamento do 5G nem comentou eventuais planos para o sistema. “É um assunto importante, mas não tenho respostas”, admitiu.

A questão sobre este tema tinha sido levantada pelo deputado Ip Sio Kai, que indicou que a região de Macau está a ser ultrapassada nesta vertente e que deveria haver mais respostas por parte do Governo, por se tratar de um projecto que pode implicar um investimento de 3 mil milhões de patacas. “As concessionárias querem saber se vão ser elas a financiar a rede ou se vai ser o Governo a pagar”, justificou.

Por sua vez, a deputada Wong Kit Cheng mostrou-se preocupada com a falta de tecnologia 5G por poder afectar o desenvolvimento de alguns serviços prestados à população, como eventuais aplicações sobre o estado do trânsito, mas Rosário recusou o impacto nessa vertente.

“O que estamos a fazer nos transportes não exige a necessidade de 5G. Há muitas questões que resolvemos com o 4G como as aplicações móveis. Claro que nada impede que com o 5G haja mais serviços, mas o 4G permite tratá-los”, indicou. Um dos exemplos avançados pelo governante foi a utilização da aplicação móvel da Direcção de Serviços de Assuntos de Tráfego (DSAT) que permite saber onde estão os autocarros e se estão cheios. Lam Hin San, director da DSAT, revelou que a aplicação conta actualmente com cerca de 100 mil utilizadores diários.

1 Fev 2021

Zhang Ming, embaixador chinês em Bruxelas: “Portugal tem vindo a demonstrar um grande respeito pela China”

Numa entrevista a órgãos de comunicação social portugueses em Bruxelas, Zhang Ming, chefe da missão da China para a União Europeia, falou da Presidência portuguesa na UE e disse esperar “um empurrão” para o acordo de investimento que deverá estar finalizado ainda este ano. Zhang Ming destacou também a boa relação da China com Portugal

 

A China espera um “empurrão” de presidência portuguesa da União Europeia (UE) para acelerar o processo de ratificação do acordo de investimento entre Pequim e Bruxelas, considerando que irá permitir também mais investimento chinês em Portugal. “Esperamos que Portugal, enquanto assume a presidência rotativa da UE, possa dar um ‘empurrão’ ao processo e, idealmente, esperamos que na primeira metade deste ano possamos assinar estes documentos” preliminares, disse o embaixador Zhang Ming, chefe da missão da China para a UE, em entrevista à agência Lusa e outros meios de comunicação social portugueses em Bruxelas.

Questionado na ocasião sobre o acordo de princípio sobre investimentos alcançado entre Bruxelas e Pequim no final do ano passado, que tem ainda de ser ratificado, o responsável notou que, “depois da assinatura, os documentos serão submetidos aos parlamentos de ambos os blocos para ratificação”. “Num cenário ideal, o acordo estará formalmente finalizado no final deste ano ou início do próximo e aí entrará em vigor”, estimou Zhang Ming.

O representante do bloco chinês para o espaço comunitário precisa que, de momento, os dois lados estão a “tratar do escrutínio legal e da tradução”. “Não está em causa recomeçar as negociações, apenas estamos a tratar e finalizar os detalhes”, adiantou.

Frisando que “a China e Portugal são parceiros bons e próximos”, Zhang Ming disse que, “Portugal, enquanto Estado-membro, vai de certeza beneficiar com este acordo”. “O acordo vai facilitar o acesso de investidores chineses e europeus a estes mercados”, pelo que “haverá mais investimento europeu na China e também mais investimento chinês na UE, incluindo em Portugal”, conclui o responsável.

Uma relação “exemplar”

Zhang Ming elogiou ainda a relação entre a China e Portugal, falando numa ligação “exemplar” e feita de “respeito mútuo”. “Penso que podemos considerar a relação de Portugal e China como exemplar e penso que o segredo é o respeito mútuo”, afirmou. O responsável insistiu que “Portugal tem vindo a demonstrar um grande respeito pela China e a China ainda mais respeito por Portugal”. “Nunca interviemos nos assuntos internos um do outro, o que é importante, e espero que continuemos a promover a nossa cooperação em prol do interesse dos dois países e dos seus cidadãos”, vinca Zhang Ming.

Notando que “Portugal não foi dos primeiros países a estabelecer ligações diplomáticas com a China [e que] talvez tenha sido até dos últimos”, o embaixador observa que, “desde o final dos anos 1970, aquando do estabelecimento dessas ligações, a relação bilateral entre os dois países tem vindo a desenvolver-se de forma suave, rápida e amigável”. “Agora podemos ver uma cooperação bastante próxima entre os dois países”, frisou.

Questionado sobre os constantes avisos da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu para os Estados-membros porem fim a programas de autorização de residência ou de nacionalidade perante investimento, como é o caso dos ‘vistos gold’, Zhang Ming escusou-se a comentar, dizendo que esta é “uma matéria interna da UE”. Ainda assim, vincou: “Há alguns investidores de países terceiros a tentar obter autorizações ou autorizações ou vistos de residência [nalguns países da UE] através do investimento e isto não é algo incentivado pelo governo chinês”.

Em outubro passado, o Parlamento Europeu defendeu que os países da UE devem “acabar imediatamente” com os programas de vistos ‘gold’ que dão residência ou cidadania a investidores estrangeiros, criticando que esta é uma “entrada rápida para criminosos”. Depois de severos avisos do executivo comunitários, os eurodeputados tomaram nessa altura posição para exigir o fim dos designados programas de passaportes dourados, existentes em 19 Estados-membros, vincando que “a cidadania da UE não pode ser comercializada como uma mercadoria”, assinala a instituição em comunicado de imprensa.

China-EUA-UE: Cooperação contra o unilateralismo

Zhang Ming espera uma relação de “cooperação” e não de “confronto” com os Estados Unidos, e apela a que a UE prossiga o caminho para a “autonomia estratégica”. “A China felicita Joe Biden pela sua posse. Esperamos trabalhar em conjunto com a administração americana num espírito que não seja de conflito nem de confronto, mas de respeito mútuo e de cooperação mutuamente benéfica. Que nos foquemos na cooperação em vez do confronto, em gerir as diferenças entre os dois lados e trazer de volta a relação China-EUA a um nível saudável e estável”, referiu. Frisando que, numa altura em que o mundo enfrenta “desafios severos”, o regresso dos EUA ao Acordo de Paris e à Organização Mundial do Comércio (OMC) são “boas notícias”, o embaixador chinês reproduz as palavras do Presidente da China, Xi Jinping, emDavos: “um mundo dividido não pode ajudar a Humanidade a enfrentar desafios”. “O confronto irá levar a Humanidade para um beco sem saída. E, de qualquer forma, é suposto a comunidade internacional trabalhar de maneira junta, solidária, e cooperar estreitamente para um futuro partilhado”, aponta.

Algumas “dificuldades”

Zhang Ming refere assim que, nos últimos anos, tanto a relação entre os EUA e a China como a relação entre os EUA e a UE “passaram por dificuldades”, e frisa as semelhanças entre a situação chinesa e europeia. “Tanto a China como a UE são vítimas do unilateralismo e do protecionismo e acreditamos ambos no multilateralismo e na abertura do sistema internacional de comércio. (…) Somos ambos poderes para a paz internacional”, destaca.

O embaixador sublinha assim que, enquanto “parceiros estratégicos abrangentes”, a relação entre a UE e a China “resistiu ao teste das mudanças, dos desafios do tempo e da situação internacional”, e refere que tem o seu “próprio valor independente”.

“Pessoalmente, tenho total confiança no futuro do desenvolvimento das relações entre a UE e a China. (…) Espero que a UE mantenha o espírito [da autonomia estratégica] e a desenvolva, e que guie a sua relação externa com membros diversos da comunidade internacional, incluindo a China e incluindo os Estados Unidos, para o bem da estabilidade e do progresso do mundo.”

Índia | O poder emergente

Zhang Ming referiu que Pequim “respeita plenamente” o desenvolvimento de relações entre a UE e a Índia e que “fica contente” por ver “progressos” nas relações internacionais. “A União Europeia é um poder importante na comunidade internacional e respeitamos plenamente a sua política externa. Também ficamos contentes de ver mais progresso e desenvolvimentos nas relações da UE e de outros membros da comunidade internacional, incluindo na relação UE-Índia”, sublinhou. O embaixador da China reagiu assim à prioridade identificada pela presidência portuguesa do Conselho da UE de diversificar as relações com os parceiros do Indo-Pacífico, nomeadamente com a Índia, através da organização, a 8 de Maio no Porto, de uma cimeira informal que irá juntar os líderes dos 27 ao Presidente indiano, Narendra Modi. Zhang Ming qualificou a Índia de “poder emergente” e salientou que Pequim também dá “grande importância” à “relação bilateral Índia-China”. “É por isso que advocamos por uma comunidade de futuro partilhado. Todas as pessoas, todos os países, partilham o futuro do mundo”, concluiu.

5G | Tendências “erradas”

Zhang Ming falou ainda da questão da Huawei e dos seus equipamentos 5G, que foi acusada, durante a administração Trump, de espionagem através da instalação de ‘back doors’ [portas traseiras de acesso] nos seus dispositivos, tendo a Comissão Europeia, face às acusações americanas, criado medidas para reforçar a cibersegurança no desenvolvimento das redes 5G, rejeitando sempre estar a fazê-lo contra qualquer fabricante ou país.

O embaixador chinês nota “duas tendências erradas” na questão da rede 5G, sendo a primeira a “destruição intencional de regras” por parte de “certos países”, que qualificam as empresas de “fornecedores de alto risco” em termos de segurança, sem “apresentarem qualquer prova concreta”. A segunda é “ignorar as leis que regem as operações de mercado e desenvolvimentos tecnológicos”, sublinhando que “qualquer ataque politicamente motivado para distorcer as cadeias de valor das redes 5G” é prejudicial para os “fornecedores, operadores e consumidores”.

Frisando assim que a questão do 5G não se prende com a “ascensão e os interesses de um dado país”, mas antes com a “ordem e o princípio dos mercados”, Zhang Ming pede que a UE “oiça atentivamente as vozes dos académicos e dos círculos empresários” – citando um estudo da universidade de Oxford que refere que a Huawei criou 16,4 mil milhões de euros na Europa e 224,300 empregos –, que “respeite as leis do mercado e trate com justiça outros países do mundo”.

1 Fev 2021

5G | País empenha-se na aceleração da promoção da rede em 2021

A China vai construir mais de 600.000 antenas de 5G em 2021, à medida que o país acelera a promoção da tecnologia sem fios, segundo os últimos dados do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação.

Até meados de Dezembro, a China já construiu mais de 718.000 torres de 5G e já possuiu sinais de 5G disponíveis em mais de 300 cidades.

“O país vai promover a construção e aplicação da rede 5G de maneira ordenada, acelerará a cobertura 5G nas cidades principais e avançará na construção cooperativa e no compartilhamento de torres 5G entre as operadoras de telecomunicações”, disse Xiao Yaqing, ministro da indústria e tecnologia da informação, numa conferência de imprensa na segunda-feira passada.

“Mais esforços serão realizados para desenvolver projectos-pilotos da rede 5G industrial, concentrando-se em 10 indústrias-chave e formando 20 cenários de aplicação industrial típicos”, disse ainda Xiao, sem dar detalhes.

O plano da promoção do 5G para o próximo ano estabelecerá uma infraestrutura de telecomunicações sólida para uma integração mais profunda das economias digital e real, ajudará a estabilizar o investimento e acelerará as actualizações industriais, comentaram os especialistas.

Xiang Ligang, director geral da Aliança de Consumo de Informação, uma associação da indústria de telecomunicações, disse que a China já construiu a maior rede 5G comercial e que a internet industrial e de consumo do país também entraram em modo de rápida aplicação.

“A maior ênfase na rede 5G privada industrial no próximo ano acelerará a aplicação de tecnologias digitais em sectores tradicionais e ajudará a nação a procurar o desenvolvimento da manufactura de alta qualidade”, disse Xiang.

Mais de 1.100 projectos que se concentram na implementação da integração do 5G e a Internet industrial estavam a ser construídos na China em Novembro, indicou o ministério.

Cobertura assegurada

A Industrial Securities, uma empresa de segurança, informou em nota de investigação que o plano de construção da rede 5G para 2021 está praticamente alinhado com as expectativas do mercado. Com a ascensão das empresas chinesas na cadeia industrial de telecomunicações na era do 5G, a lucratividade das operadoras de telecomunicações chinesas e dos fornecedores de equipamentos de telecomunicações deverá crescer.

Yang Jie, presidente da China Mobile, a maior operadora de telecomunicações do país asiático, disse que a empresa planeia alcançar uma cobertura 5G completa nas cidades, condados e principais vilas no próximo ano.

Liu Duo, chefe da Academia Chinesa de Tecnologia da Informação e Comunicação, afirmou que cerca de 20 por cento das aplicações 5G serão orientadas pelo consumidor, e 80 por cento do seu potencial comercial reside no seu uso em sectores tradicionais. Como resultado, a combinação de 5G com a Internet industrial será de maior importância para o impulso da China nas actualizações industriais em grande escala.

4 Jan 2021

Secretário diz “não conseguir dar detalhes” sobre rede 5G

O secretário para os Transportes e Obras Públicas Raimundo do Rosário lamentou não ter mais informações para adiantar acerca processo de implementação da rede 5G em Macau.

Em resposta a Joye Lao, que procurou saber porque é que as Linhas de Acção Governativa (LAG) da tutela são omissas sobre o tema, Raimundo do Rosário afirmou ter “pena” por não conseguir adiantar mais detalhes, apontando, contudo, que o Governo não pretende, para já, fazer “um grande investimento”, na implementação de uma tecnologia que é, já de si, dispendiosa. “Vamos ver como é que conseguimos evitar que o menor investimento do Governo tenha um impacto negativo”, acrescentou.

Raimundo do Rosário sublinhou ainda que o contrato com a CTM vai terminar no final de 2021, aspecto referido durante as intervenções de Wong Kit Cheng, Ma Chi Seng, Agnes Lam e Chan Hong. Entre as preocupações dos deputados estavam eventuais perigos relacionados com radiações devido à construção de estações em edifícios residenciais e a manutenção do monopólio da CTM quanto ao aluguer das estações.

Na resposta, Derbie Lau, directora dos Serviços de Correios e Telecomunicações, afirmou esperar que os activos da CTM “sejam libertados para a utilização de outras operadoras” e que a posição será de “abertura”.

Sobre a questão da radiação, Derbie Lau afirmou que “se todos os moradores aceitarem a instalação de estações”, várias entidades académicas estarão incumbidas de “proceder a estudos”.

“Se podemos instalar [as estações] em edifícios do Governo porque não podemos instalar também em edifícios residenciais? O 5G depende da construção de muitas estações em muitos edifícios e a grande altura para garantir a cobertura da rede”, acrescentou Raimundo do Rosário.

7 Dez 2020

LAG 2021 | Rede 5G pode custar 3 mil milhões

A instalação da rede 5G em Macau pode custar 3 mil milhões de patacas, segundo Ho Iat Seng. O Chefe do Executivo foi questionado sobre o andamento dos trabalhos e explicou que os postos de transmissão da tecnologia 5G têm um cobertura muito inferior ao postos das gerações anteriores, o que faz com seja necessário instalar em maior número, com custos maiores.

Face a este cenário, Ho colocou mesmo em cima da mesa a possibilidade criar uma empresa com capitais públicos para desenvolver os trabalhos. No entanto, antes será necessário actualizar a legislação.

17 Nov 2020

A cultura do lobo

“There’s no way United States.The US can crush us, the world needs Huawei because we are more advanced.”
Ren Zhengfei

 

Há muito tempo, quando as pessoas tinham de pensar no futuro, referiam-se na sua maioria aos Estados Unidos. Hoje, a nossa atenção vai sem dúvida para o outro lado do mundo, para a China.

Pensemos apenas na indústria cultural pois até há pouco tempo, o cinema de ficção científica e a literatura imaginavam mundos mesmo muito distantes em que os americanos apareciam como salvadores do destino do nosso planeta, ou onde os extraterrestres ou a exploração de mundos distantes tiveram em qualquer caso a ver com os Estados Unidos. Nos últimos anos, o filme de ficção científica mais importante é “The Wandering Earth”, produzido pela China, com actores chineses e pessoas chinesas a salvar o mundo.

Lançado em todas as salas de cinema do mundo e também distribuído pela Netflix, com mais de setecentos milhões de dólares em receitas, é o segundo filme de maior sucesso económico na história do cinema de produção não americana depois de “Wolf Warrior 2”, lançado em 2017. Não apenas cinema, porque actualmente o escritor de ficção científica mais famoso do mundo chama-se Liu Cixin e é chinês. Sendo bem conhecido no seu país, também voou para o mercado internacional após uma cópia do seu livro mais famoso, “The Three Bodies Problem”, ter aparecido numa fotografia nas mãos do antigo presidente dos Estados Unidos Barack Obama. A indústria cultural indica tendências actuais e futuras no mundo económico. E a este respeito, dizer futuro significa mencionar 5G.

Todos os peritos concordam que o 5G irá mudar a nossa vida quotidiana e como a China é, juntamente com a Coreia do Sul o país mais avançado em experimentação e aquele que presumivelmente o comercializará primeiro, a influência que terá no resto do mundo será enorme. Para “Wired” o 5G será mais rápido que o 4G mas “menos rápido que o teletransporte”. Uma revolução com tons ainda mais brilhantes do que quando foi mudada para o 4G, porque será principalmente utilizada pela “Inteligência Artificial (IA)” e consequentemente não só pela governação, mas também pelo fabrico (pense na velocidade de processamento de artefactos informáticos muito potentes e muito rápidos e capazes de operar máquinas muito mais velozmente e eficientemente do que os trabalhadores), fazendo com que o 5G tenha um impacto significativo no PIB dos Estados.

Apenas existem dois problemas sendo o primeiro que está em curso, e tem a ver com um choque geopolítico silencioso entre a China e os Estados Unidos. Em jogo está a primazia de tornar o 5G útil para a vida quotidiana. E quem ganhar esta corrida desfrutará de todas as vantagens do caso. O segundo problema virá mais tarde, quando a velocidade de processamento de dados puder permitir aos governos nacionais um controlo social ainda maior do que o que está em curso. Os peritos esperam que o 5G tenha uma velocidade máxima de descarga de até 20 gigabits por segundo, suficientemente rápido para descarregar um filme hd completo em segundos. Terá menos latência e mais conectividade, o que significa menos tempo de espera no envio de dados e mais dispositivos capazes de se ligarem à rede ao mesmo tempo. Será necessário um melhoramento nestas áreas, diz-se, para inaugurar a IdC com carros que se conduzem sozinhos, sensores, cidades inteligentes, realidade virtual e mesmo cirurgia remota.

O primeiro país que irá distribuir e comercializar as redes móveis ultra-rápidas de 5G terá uma enorme vantagem económica, pois estima-se que orçamente mais de quinhentos mil milhões em termos de PIB e crie milhões de empregos (estimados em três milhões nos Estados Unidos, por exemplo). A China não tem falta de planeamento e o seu plano quinquenal visa um amplo lançamento comercial 5G até ao final de 2020 e todos os principais fornecedores de serviços sem fios (como a Huawei e a Zte) realizaram numerosos estudos 5G. A China será talvez o maior mercado para 5G até 2022. Tal é algo muito importante, considerando que a própria velocidade de propagação do 5G chinês está no centro de importantes parcelas geopolíticas.

As tarifas do presidente Trump não são mais do que uma tentativa de abrandar a corrida, bem como a vontade americana de colocar um obstáculo nas rodas da Huawei, a empresa líder em infra-estruturas de rede, e que não é mais do que um aspecto de uma batalha mais vasta. Considerando os benefícios da tecnologia 5G, de facto, a Europa está também a tentar pôr a “cobertura” a funcionar no final de 2020, não sem problemas. E no Velho Continente depois da Suíça, a Itália mau grado o devastador efeito da Covid-19, que em Março de 2019 tinha activado a experimentação em mais de duzentas cidades, parecia ser um dos países mais bem colocados. Depois da China (e da Coreia do Sul e provavelmente dos Estados Unidos), mas antes de muitos outros países europeus, considerando o impulso que o 5G poderia dar às economias nacionais, seria um bom resultado e com o 5G, de facto, acredita-se que os empregos irão aumentar. Mas que tipo de empregos e de trabalhos?

E os robôs que a 5G permitirá desempenharem funções humanas ainda mais rapidamente, não será um problema para milhões de trabalhadores? O futuro é cada vez mais uma transfiguração hipertecnológica de situações que vivemos e conhecemos, basta pensar na revolução industrial. Mas o futuro que o 5G nos pode trazer, para além das cidades inteligentes, prevê também dois novos actores sociais que são os trabalhadores que alimentam as máquinas e aqueles que se arriscam a não trabalhar mais por causa das máquinas. Em 2018, um dos cruzamentos mais famosos de Zhongguangcun, o Vale do Silício de Pequim, foi inundado devido às incessantes chuvas sobre a cidade. As ruas da área tornaram-se rios inundados; vídeos e fotos da área publicados online e nos meios de comunicação chineses mostraram um canto da cidade completamente afundado pela água. Dentro desta secção transversal metropolitana, a certa altura, na rede chinesa começou a aparecer uma fotografia que parecia a todos ser capaz de imortalizar as condições de vida dos muitos trabalhadores da área.

A imagem retratava um jovem, provavelmente um dos muitos trabalhadores pendulares a trabalhar nas entradas da área, ocupado a verificar o seu smartphone, sentado em cima de um caixote do lixo e estava provavelmente à procura de informação online para descobrir como sair desse impasse; ou talvez estivesse a verificar as suas mensagens no WeChat ou ainda estivesse a pedir ajuda a alguns dos seus amigos. Mas para a maioria dos trabalhadores chineses de alta tecnologia era claro quem era; um dos muitos empregados das empresas mais avançadas e mais empenhado no esforço de inovação exigido pelo governo central. Para os seus pares e colegas, era uma daquelas pessoas a quem se aplica o lema “sem sono, sem sexo e sem vida”.

De facto, de acordo com muitos relatos nos meios de comunicação chineses e internacionais, quase todos os envolvidos nos principais sectores da indústria de alta tecnologia da China dizem que apenas trabalham. O “lema” toma a sua deixa de outro episódio que se tornou bastante conhecido na rede chinesa. É uma entrevista dada por um jovem casal a um jornal nacional. O casal admitiu que não podiam ter um filho porque quando chegavam a casa do trabalho estavam demasiado cansados para terem relações sexuais. Como casal ou sozinhos, os novos trabalhadores chineses já não partilham como os seus avós e pais as dificuldades das minas ou fábricas onde costumavam produzir que tornou a China grande, mas estão sujeitos a stress e ritmos de trabalho igualmente cansativos, embora em frente das suas secretárias, e não no coração da terra ou numa linha de produção.

As suas condições de vida e de trabalho são certamente melhores, tal como o seu salário, mas o esforço que lhes é exigido é idêntico, pois têm de sacrificar a sua existência pela riqueza da nação chinesa. No entanto, em comparação com os seus pais, esta nova geração de trabalhadores chineses tem os meios para se expressar e exigir os seus direitos e muito mais. Além disso, o poder renovado da China acabou por influenciar também os estados ocidentais A velocidade com que China avança nos campos da robótica e da IA levou o resto do planeta a adoptar ritmos de trabalho semelhantes aos da China, levando os trabalhadores de todo o mundo que produzem as ferramentas tecnológicas com que enfrentamos os nossos dias a partilhar as mesmas tristezas e a mostrarem-se solidários uns com os outros.

Esta questão é central para o nosso futuro, porque mesmo desta vez o que aconteceu no passado podia acontecer dado que nos anos da “fábrica do mundo”, em vez de trazer direitos laborais à China, as multinacionais e empresas de todo o mundo decidiram tirar partido dos baixos salários e dos poucos direitos dos trabalhadores chineses para aumentar os seus lucros. Assim, operaram um dumping global, que levou ao encerramento de milhares de fábricas em todo o mundo; o que, por sua vez, teve um efeito político e social ainda mais prejudicial, levando a maioria das pessoas que sofreram a crise económica a votar em partidos com um perfil soberano, marcadamente identitário, quando não explicitamente racista. Afinal, em 2018, Mike Moritz, um capitalista de risco da Sequoia Capital (a empresa que financiou o porta-estandarte da indústria tecnológica americana como a Apple, Cisco, Paypal, YouTube), escreveu um editorial no “Financial Times” intitulado “Vale do Sílicio faria bem em seguir o exemplo da China?”, no qual argumentava que o Vale do Silício está obcecado com as discussões sobre desigualdade.

Uma questão que não parece ser de grande interesse para Moritz, uma vez que no seu discurso afirma explicitamente que na prática enquanto nos Estados Unidos há uma discussão sobre questões desnecessárias, a China, onde os empregados trabalham catorze horas, seis ou sete dias por semana, deve ser tomada como exemplo porque, à luz destas considerações, fazer negócios na China é mais fácil do que fazer negócios na Califórnia. Uma vez mais as “características chinesas” envolvem o mundo dos empresários ocidentais, atraídos pela dedicação e liberdade que a China concede aos empregadores. O eixo mundial deslocou-se agora cada vez mais para leste, como vimos com a ficção científica, até a produção digital que enxergou a sua primeira fase de vida ser dominada pelos Estados Unidos e pelo Ocidente, pensemos na mesma rede, a World Wide Web, nascida no âmbito de projectos de investigação geridos pelo exército americano, enquanto hoje é um campo dominado pela China.

Mas não só, pois o equilíbrio global tradicional do poder económico está também a mudar. Em 2050, de facto, quatro dos cinco países com os rendimentos mais elevados serão asiáticas. Em primeiro lugar está a China. Os Estados Unidos são o terceiro. A Europa, se a considerássemos como um único país, seria apenas o quinto. No entanto, quando se trata de trabalhar, o quadro parece permanecer o mesmo. O mundo mudou, mas não a exploração. Tal como diz o escritor chinês Liu Cixin, em que a significação da indústria digital global em cada época impõe cadeias invisíveis àqueles que a experimentaram. A única hipótese que nos resta é dançar entre as nossas correntes. Peng Simeng é uma jovem escritora de ficção científica que foi trabalhadora na Tencent, a empresa que criou o WeChat.

Em 2016 era uma das muitas gestoras de produtos da empresa e todos os dias o trabalho era muito pesado e durante as noites tinha de fazer horas extraordinárias, mas ao mesmo tempo, poderia ter um salário decente, uma boa posição social e, em suma, boas perspectivas para o futuro. Mas após um longo período durante o qual trabalhou quase como uma máquina, no que se poderia designar por “cultura do lobo”, ela começou a perceber algumas emoções no seu coração que não eram claras no início, mas que gradualmente cresceram.

A sua vida movia-se por caminhos cada vez mais básicos como comer, beber, e fazer compras. Nessa altura, decidiu sair desta vida e descobriu a existência de um concurso literário na Internet e participou, escolhendo a ficção científica como a sua área. Um novo mundo se abriu, no qual foi capaz de transfigurar a sua vida passada através da literatura.

Há bastantes escritores de ficção científica que vêm de uma formação científica e trabalharam durante muito tempo na nova xadrez chinês, um novo modelo de fábrica, aparentemente mais asséptico e menos cansativo.

Segundo os chineses, os ritmos de trabalho que são impostos nos muitos Vales do Silício espalhados pelo país nascem e formam-se dentro de uma cultura de trabalho que tem raízes antigas e está arraigada no desejo de servir a sua nação. Em 2019 a Netflix produziu um documentário intitulado “American Factory”, um projecto financiado pelo Obama. No filme, uma fábrica histórica da General Motors nos Estados Unidos, em Dayton, é adquirida por uma empresa chinesa que produz vidro para o sector automóvel. Uma das muitas chaves para compreender o documentário é o choque cultural produzido pelos protagonistas em relação aos seus ritmos de trabalho e dedicação aos seus negócios. De acordo com os chineses, na prática, os americanos não têm muita vontade de trabalhar.

Num diálogo surreal entre um trabalhador chinês e um supervisor americano, os chineses ficam impressionados quando aprendem que os americanos trabalham oito horas e têm dois dias de descanso semanal, enquanto um chinês tem um dia de descanso por mês e, como vive longe da sua cidade natal, só vê o filho no Ano Novo Chinês, quando tem uma semana de férias seguidas. O seu filho tem seis anos de idade, e só viu o pai seis vezes. Mas isso não é tudo, porque quando o chefe chinês se queixa aos seus compatriotas de não ter atingido os seus objectivos, lembra-se de que cada chinês não trabalha para si, mas para o país. E nesse caso os chineses trabalham para mostrar aos americanos que podem confiar nos chineses, que são capazes de lidar com situações complexas, e fazer com que os trabalhadores estrangeiros trabalhem mais, e basicamente que no trabalho são os melhores de todos.

É importante conhecer a cultura de trabalho que domina as grandes empresas chinesas; em primeiro lugar porque a China está em todo o lado, tem empresas em todo o mundo, muitas delas no Ocidente, e a atitude chinesa em relação ao trabalho influencia a vida de muitos ocidentais que trabalham para um executivo chinês ou por vezes mesmo directamente para o Estado. Em segundo lugar, porque essa abordagem ao trabalho não é apenas exigida nas fábricas, mas também no trabalho aparentemente imaterial. Mesmo na produção digital, esta atitude acabará por favorecer a China no futuro do ponto de vista da produtividade e da inovação. Há uma empresa chinesa que representa tudo isto muito bem e o seu nome é Huawei. Um líder mundial em infra-estruturas de rede e o segundo maior fabricante mundial de smartphones que só em 2019 ultrapassou a Apple e Abril de 2020 a Samsung.

A Huawei é também uma das empresas mais importantes do mundo em termos de 5G, pois apesar de ser privada, é suspeita de ser muito próxima do governo, tendo sido criada por um militar, e Donald Trump usou esta desculpa para iniciar uma guerra contra a Huawei com a intenção de, se não a destruir, pelo menos retardá-la no desenvolvimento do 5G. A Huawei interessa por outra razão. Foi o fundador da empresa, Ren Zhengfei, que primeiro aproximou o nome Huawei do conceito de “espírito do lobo”. Era o início dos anos de 1990 e, comparando as multinacionais da época com os elefantes, Ren Zhengfei disse que a Huawei deveria, antes, desenvolver “o espírito do lobo”, um grande sentido de olfacto, um instinto competitivo e um bafo de sacrifício e cooperação. Quase vinte anos mais tarde, em 2011, o mega complexo Huawei em Shenzhen, onde, só para compreender o peso nacional que a empresa tinha na altura, a saída da auto-estrada perto da sede é chamada de Huawei. Em 2011, na Europa, a opinião sobre Huawei, se soubesse da sua existência, era sobretudo negativa. E de facto, os seus smartphones tinham aspecto e eram de baixa qualidade.

Mas a Huawei estava simplesmente a estudar tanto os seus mercados como os seus produtos, bem como a sua cadeia de produção, que é tão ramificada sendo complicado até para Trump cortar o ângulo vital da sua força. Se o mercado das TI se desenvolver mudando a forma de conceber soluções e a relação com a tecnologia, há necessidade de actores completamente novos em comparação com o passado, e esse foi o pensamento da Huawei nesse tempo ao considerar-se como sendo “sangue novo”, referindo-se à vontade da empresa de se tornar um actor principal nesta nova fase. Entre outras, naqueles mesmos dias o então presidente da agência governamental norte-americana Us-Export-Import Bank, tinha acusado a Huawei de utilizar um crédito de trinta mil milhões de dólares fornecido directamente pelo banco chinês para o desenvolvimento, com uma vantagem não insignificante sobre os seus concorrentes, reiterando outra das acusações dos Estados Unidos contra empresas chinesas, a de serem financiadas por subsídios estatais. A Huawei é uma empresa sui generis, com rigorosa disciplina e organização hierárquica na qual, no entanto, a base accionista é gerida por milhares de empregados.

O fundador, Ren Zhengfei, detém apenas 1,42 por cento das acções. Vários gestores da empresa, incluindo os localizados em muitos escritórios internacionais confirmam a história da chamada “cultura do colchão”, segundo a qual nos escritórios da Huawei também havia colchões, em caso de horas extraordinárias excessivas. É um clássico nos escritórios chineses dormir a sesta após uma pausa para almoço, muitas vezes comido em frente ao monitor, onde predomina o arroz, legumes e carne de uma lancheira que muitas vezes não custa mais do que dez yuans. Depois do almoço, os chineses põem os braços e a cabeça em cima da mesa e fazem uma sesta completa de meia hora. Segundo os executivos da Huawei, o colchão debaixo da secretária facilita este hábito, tornando-o mais humano e agradável.

11 Nov 2020

O modelo de Xiong’an

“A smart city is an intelligent town that provides enormous possibilities for human growth through art, culture, social, architectural, economic, political, environmental, and scientific flowering with the optimal mix of nature, technology, humanity, and arts.”
Amit Ray
Peace Bliss Beauty and Truth: Living with Positivity

 

A entrada dos escritórios da Terminus, em Pequim é feita com reconhecimento facial. O átrio é completamente branco, assim como as cortinas, as janelas, balcões de recepção e duas poltronas de forma futurista. O corte em ziguezague das portas que permitem as entradas em espaços abertos é o que recordamos nos filmes de ficção científica e nas populares séries da Guerra das Estrelas. A ideia a transmitir é a de “futuro” mais ou menos imaginado e conhecido, porque a Terminus, fundada em 2015, é uma das muitas das estrelas chinesas que rapidamente se tornaram notadas para além dos mil milhões de dólares do seu valor e o futuro está a manipulá-la para a tornar extremamente “presente”.

O seu objectivo é, de facto, fornecer em nome do governo a gestão “inteligente” de compostos e bairros inteiros, reunindo tanto como o actual menu em Inteligência artificial e Internet das Coisas (IoT) permite. Os distritos da cidade conseguiram pela Terminus fornecer todo o tipo de informações sobre os residentes e transeuntes e todos os dados que provêm do silêncio e incessante trabalho de câmaras inteligentes, através de sistemas de reconhecimento de impressões faciais, geolocalização e de voz, impressões digitais de áudio em que a união de toda esta informação flui em frente de ecrãs controlados. A China está a projectar e aperfeiçoar a vida das cidades inteligentes que estão em construção. Este é um mercado próspero. A Terminus já teria completado cerca de sete mil projectos de cidades inteligentes na China.

As suas soluções cobririam uma área total de quinhentos e cinquenta milhões de metros quadrados para uma população de mais de oito milhões de pessoas. O esforço explicado nos escritórios da Terminus é o de poder aplicar conceitos “inteligentes” aos edifícios residenciais. Mas o que é uma cidade inteligente? Existe uma extensa literatura sobre o assunto, bem como exemplos de cidades inteligentes, ou distritos “inteligentes”, também na Europa. A “cidade inteligente” é a “expressão actualmente utilizada para estratégias de planeamento urbano relacionadas com a inovação e em particular com as oportunidades oferecidas pelas novas tecnologias de comunicação para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos”. Na China pode-se observar alguns projectos de cidades inteligentes. Olhando para slides e renderings, vêm-se lugares de clareza tranquilizadora.

Os projectos descrevem territórios com ruas limpas, pontes estilizadas sobre cursos de água, árvores por todo o lado e imensos espaços verdes, dentro dos quais os complexos residenciais parecem ser muito eficientes. Olhando para os desenhos dos projectos, é de imaginar os carros eléctricos a percorrer as ruas sem a sombra de buracos, e que há uma pessoa dentro dos veículos, porque os carros são semi-autónomos.

Ainda é necessário um ser humano dentro do veículo para lidar com situações onde o bom senso é necessário, um elemento que emergiu de um mapa mental humano que os carros são actualmente incapazes de processar. Observando os projectos é de imaginar cidades silenciosas, ritmadas pelo zumbido dos motores eléctricos, sulcadas por edifícios precisos e serviços do mais alto nível, escolas, hospitais e serviços públicos. Todos os projectos de cidades inteligentes são eco-sustentáveis onde não se encontrará sequer o mais pequeno vestígio de carvão, nem mesmo no canto mais remoto de um edifício.

As cidades inteligentes representam a ideia de um mundo eficiente, belo e sustentável. Mas quantas pessoas poderão desfrutar destes paraísos terrestres ultra-tecnológicos? E quais serão os parâmetros que lhes permitirão viver nesses locais? Quem poderá viver ali e quem não o poderá fazer? Para além dos tecno-entusiastas ou governantes fascinados pela possibilidade de ter cidades totalmente “sob controlo”, as cidades inteligentes correm o risco de se tornarem um dispositivo de desigualdade. Na China, estão a imaginar cidades de 2,5 milhões de pessoas. O que irá acontecer ao resto da população? Em que tipo de cidade irão viver? No Ocidente, o número destas cidades está a diminuir. O risco é que apenas algumas pessoas possam habitar em cidades inteligentes, presumivelmente suficientemente ricas para poderem viver e utilizar recursos que não estarão disponíveis a todos.

A série de televisão brasileira “3%” dá-nos um exemplo perturbador do que uma cidade inteligente pode vir a ser. Nos seus episódios são-nos apresentados dois lugares; um chama-se Maralto, o outro chama-se Entroterra. O primeiro é uma espécie de lugar perfeito com natureza e espaços verdes por todo o lado, tecnologia eficiente e de alto nível, uma perspectiva vertiginosamente elevada da vida, a possibilidade de cura de possíveis doenças com tratamentos futuristas. No segundo vivem os marginais, que estão completamente atrasados em termos de tecnologia e recursos. Todos os anos o Maralto organiza o Proceso, uma espécie de grande exame que permite aos jovens de vinte anos do interior serem seleccionados, pelos seus méritos, para viverem no Maralto.

Apenas “3%” poderão “merecê-lo”. E uma vez no paraíso, os mais merecedores terão de se esterilizar. No Maralto não há lugar para todos e acima de tudo o paraíso não pode ser herdado, deve ser merecido. Para além da crítica que a série também coloca ao conceito de meritocracia, o Maralto é uma transfiguração distópica do que poderia tornar-se as nossas cidades futuras, ou melhor, as cidades inteligentes para aqueles que as podem pagar. Maralto, de facto, é, para todos os efeitos, o que entendemos por cidades inteligentes. Para além dos aspectos mais distópicos, ou talvez simplesmente mais pessimistas, existem duas ordens de raciocínio que mantêm unidos os fios invisíveis que ligam os projectos de cidades inteligentes chinesas aos ocidentais; a escassez de recursos que permitirão a vida nas cidades inteligentes e a conveniência nos mercados mundiais de todas aquelas ferramentas tecnológicas que permitirão a sua realização.

Em ambos os casos, a China é favorecida; em primeiro lugar porque os recursos necessários para desenvolver cidades inteligentes estão principalmente em território chinês; em segundo lugar porque toda a tecnologia que fará funcionar as cidades inteligentes, mesmo na Europa e nos Estados Unidos, já existe na China, está testada e é competitiva nos mercados mundiais. Os projectos de cidades inteligentes ocidentais, todos baseados num futuro eco-sustentável, dependerão cada vez mais da utilização e eficiência de certos elementos. Por exemplo, as baterias bem como a maioria dos bens tecnológicos necessários para gerir uma cidade inteligente, precisam das chamadas “terras raras” para serem construídas e que país tem mais recursos para as terras raras? A China tem quase o monopólio de todos aqueles metais raros essenciais para a energia com baixo teor de carbono e tudo o que está relacionado com o digital.

A chamada “guerra dos metais” ou a corrida para encontrar estas terras raras dá-se sempre que possível, basta pensar na nova corrida à Gronelândia que se desenvolveu na última década e que mostra como o destino das tecnologias verdes e digitais do Ocidente está nas mãos de um único país, a China. Além disso, os metais raros são essenciais para a criação das nossas cidades do futuro, verdes e sustentáveis, mas a extracção destes metais, incrustados na rocha, é um processo complicado. E não é um processo “limpo”, pelo contrário, porque a refinação, como os peritos salientam, requer a trituração de pedras e depois a utilização de uma série de reagentes químicos, tais como ácido sulfúrico e nítrico, para não mencionar que para purificar cada tonelada de terras raras são necessários pelo menos duzentos metros cúbicos de água.

Além disso, a água é poluída pela presença de ácidos e metais pesados. Uma minoria viverá em cidades sustentáveis, a grande maioria em locais poluídos.

O segundo ponto que liga as cidades inteligentes da China ao nosso mundo diz respeito ao desenvolvimento de cidades inteligentes na China, pois desenvolveu tantos projectos de cidades inteligentes e tão à frente do Ocidente que tem a possibilidade de vender os produtos tecnológicos necessários para criar cidades inteligentes a preços competitivos nos mercados internacionais, incluindo os mercados ocidentais. A este respeito, deve recordar-se que as origens do projecto chinês datam de meados da década de 1990. Nessa altura, foi lançado um mega plano urbano; depois, em 2011, as iniciativas da cidade inteligente foram incluídas no então décimo segundo plano quinquenal. Em 2018, a China desenvolveu cerca de quinhentas experiências e tudo isto é mais do que todos os outros países juntos.

Um elemento do passado, o desenvolvimento económico e a poluição que originou, e um do futuro, a corrida tecnológica que dura há anos, obrigaram basicamente a China a repensar o seu desenvolvimento urbano, perseguindo o modelo de cidade inteligente, capaz de desenvolver ao máximo a IoT e permitir qualquer tipo de controlo. O objectivo do governo chinês é entregar cidades seguras à sua população de dois pontos de vista que são a sustentabilidade ambiental, em nome do novo mantra da “civilização ecológica”, e segurança pessoal. O documento sobre o plano de construção da cidade inteligente de Xangai 2011-2013 afirma que o desenvolvimento inovador e transformador requer um sistema de infra-estruturas de informação avançado internacionalmente, um sistema de informação e inteligência eficaz, uma indústria de TI de próxima geração e um sistema de segurança de informação regional fiável.

Para desempenhar plenamente o papel do mercado, e seguindo a orientação do governo, uma cidade inteligente deve ter as características chave da digitalização, do trabalho em rede e da inteligência para elevar o nível de modernização global da cidade e permitir aos cidadãos partilhar os benefícios. Esta abordagem, também confirmada por vários documentos governamentais produzidos a partir de 2014, visa, portanto, a construção de cidades de média dimensão, hiperligadas e capazes de tirar partido das novas tecnologias para controlar questões ambientais, de tráfego e populacionais, justificadas pela necessidade de erradicar a criminalidade nas cidades chinesas. Este último elemento é amplamente tido em conta pela população, por exemplo, em Longgang, um distrito de Shenzhen bastante famoso em todo o país pelas suas elevadas taxas de criminalidade, casos de roubo e furto que caíram mais de metade graças a sete mil novas câmaras de alta definição, equipadas com inteligência artificial, em todo o distrito.

Mas entre estes pressupostos benéficos, surge uma preocupação de como podem os cidadãos proteger a sua privacidade quando os sensores recolhem dados sobre tudo o que os rodeia? Claro que tudo isto tem um impacto e terá também nas nossas futuras cidades inteligentes em questões relacionadas com os dados pessoais dos cidadãos. E alguns casos também deveriam ser um aviso para o Ocidente. Em Março de 2019, a declaração de Robin Li, CEO da Baidu, o mais importante motor de busca chinês, sobre a protecção de dados e privacidade dos cidadãos chineses lançou um alarme de que os chineses são relativamente mais abertos e menos sensíveis à utilização de dados pessoais. Se tiverem a capacidade de trocar privacidade por segurança, conveniência ou eficiência, em muitos casos estão dispostos a fazê-lo.

A lei de 2017 sobre cibersegurança chinesa também tem a sua importância, que anuncia que quer proteger os dados dos cidadãos. É preciso esclarecer qual o papel dos governos ou o que acontece aos dados recolhidos pelo cruzamento de diferentes tecnologias. A questão da privacidade colocada pela recolha e processamento dos dados dos cidadãos extraídos em cidades inteligentes parece estar a anos-luz da Europa. Mas em breve se tornará muito actual, especialmente se pensarmos que a China já está a finalizar o que deveria ser o “projecto dos projectos”. O Presidente Xi Jinping indicou o local e a hora para fazer de Xiong’an, a cerca de cem quilómetros de Pequim, o modelo global de cidade inteligente em que existirão dois milhões e meio de habitantes para uma área que deveria tornar-se o farol, guia, exemplo para todo o planeta, do que se entende por cidade inteligente.

Tudo começou em 2017, quando chegou o primeiro anúncio apresentando Xiong’an como uma nova cidade, o fulcro da “estratégia para um novo milénio”, uma área capaz de demonstrar um modelo urbano sustentável, moderno e inovador não só à China, mas a toda a Ásia (que hoje é o continente mais avançado e em breve aquele onde será produzida a maior riqueza do mundo). Em Junho de 2017, o Presidente Xi Jinping presidiu a uma reunião do Partido Comunista sobre planeamento urbano em Pequim, na qual afirmou que enquanto a capital deveria permanecer o centro da política nacional, cultural, intercâmbios internacionais e inovação científica, todas as outras funções deveriam ser transferidas para outros lugares, como Xiong’an. Entretanto, o presidente Xi promoveu uma série de funcionários experientes para este desiderato, em particular, o presidente da Câmara Municipal de Shenzhen de 2010 a 2017, que foi nomeado governador de Hebei, a região que irá acolher a nova cidade.

O tecnocrata, Chen Gang, que supervisionou as indústrias de alta tecnologia de Pequim, tornou-se o primeiro líder da Nova Área de Xiong’an. Então, como será Xiong’an? Será arrumada, limpa, terá mobilidade sob controlo constante em termos de transporte público eléctrico e algoritmos prontos para organizar melhor o tráfego, que será escasso. Será uma cidade hiper-controlada. Além disso, e isto é de grande interesse, não será apenas o resultado da investigação chinesa pois os países europeus e a própria União Europeia também participarão no projecto “cidade inteligente das cidades inteligentes”. Na China, de facto, está-se a trabalhar para construir uma cidade ideal, para ser adaptada também às características ocidentais.

Uma cidade que custa, mas a China não pretende poupar esforços pois estima-se que serão necessários quinhentos e oitenta mil milhões de dólares para construir a nova cidade, enquanto outros noventa e um mil milhões de dólares serão gastos para criar a imensa quantidade de infra-estruturas necessárias para o transporte (dentro e fora da cidade). O objectivo é transformar Xiong’an num novo pólo tecnológico financeiro em que 80 por cento do crescimento económico na nova área dependerá em grande parte das indústrias de ponta, com prioridade dada ao investimento em biotecnologia e ao estudo de novos materiais.

Não serão perdidos os mais importantes gigantes chineses de alta tecnologia, tais como o Baidu, Alibaba e Tencent, que anunciaram a sua intenção de estabelecer ali as suas filiais. Da mesma forma, as principais empresas chinesas de telecomunicações, incluindo a China Mobile, Unicom e Telecom, irão testar as novas redes sem fios 5G em Xiong’an.

A cidade de Xiong’an será “verde e inteligente” e estará concluída em 2035. Mas há também alguns problemas relacionados com tecnologia e controlo, segurança e mobilidade. O que é que falta? A arte, a cultura, o sonho, a experiência. Xiong’an, como muitas outras “novas” cidades chinesas, arrisca o seu destino habitual, ter necessário espaço, limpo, organizado mas desabitado. Ou, se for habitado, como será o projecto se alguma vez se tornar realidade? A ideia é animar a futura cidade inteligente com inserções, hotspots de natureza artística, capazes de transmitir interacção e informação, e para prenunciar uma ligação com o resto do país e do mundo através daquilo que hoje, na China, parece por vezes um fetiche que é a herança cultural.

22 Out 2020

China condena pressão exercida pelos Estados Unidos sobre Portugal

A China condenou hoje a pressão exercida pelos Estados Unidos para Portugal banir o grupo de telecomunicações chinês Huawei da infra-estrutura de redes 5G, defendendo que nenhum país com “espírito independente” cederá a Washington.

“Coagir outros países para que obedeçam à sua vontade não é apenas um acto flagrante de assédio, mas também uma evidente rejeição dos princípios de economia de mercado defendidos pelos Estados Unidos”, apontou à agência Lusa o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

“Nenhuma nação com um espírito independente se associará a esta campanha” de Washington, acrescentou o Ministério, em comunicado. Durante uma visita a Lisboa, na semana passada, o subsecretário de Estado norte-americano Keith Krach frisou a importância de excluir a Huawei das redes de quinta geração (5G), a Internet do futuro.

A visita de Krach ocorreu poucos dias depois de, numa entrevista ao Expresso, o embaixador norte-americano em Lisboa, George Glass, ter considerado que os portugueses “têm de fazer uma escolha agora” entre “trabalhar com os parceiros de segurança, os aliados, ou trabalhar com os parceiros económicos, os chineses”.

Glass admitiu que “Portugal acaba inevitavelmente por ser parte do campo de batalha na Europa entre os Estados Unidos e a China” e alegou que o país asiático tem “planos de longo prazo para acumular influência maligna através da economia, política ou outros meios”.

As palavras do diplomata foram criticadas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que lembrou que “em Portugal, quem decide acerca dos seus destinos são os representantes escolhidos pelos portugueses”.

Na mesma nota, enviada à Lusa, a China acusou os Estados Unidos de “infringirem as regras do comércio internacional” e “danificarem os interesses dos consumidores e negócios”.

“Acreditamos que todos os países vão manter uma posição justa e objetiva e fazer escolhas independentes, de acordo com os seus interesses, os interesses em comum com outros países e a tendência do desenvolvimento da humanidade”, lê-se no comunicado. O Governo chinês lembrou ainda que Portugal e a China mantêm uma parceira estratégica global.

A Parceria Estratégica Global entre Portugal e a China foi assinada em outubro de 2010, durante a visita de Estado a Lisboa do então Presidente chinês, Hu Jintao, a que se seguiram importantes investimentos chineses na economia portuguesa.

A relação entre a China e os Estados Unidos deteriorou-se rapidamente nos últimos dois anos, com várias disputas simultâneas entre as duas maiores economias do mundo. Em Pequim e em Washington, referências a uma nova Guerra Fria são agora comuns.

Para além do boicote à Huawei, a administração de Donald Trump colocou outras 70 empresas chinesas na Lista de Entidades do Departamento de Comércio, limitando o seu acesso a tecnologia norte-americana.

No Mar do Sul da China, uma faixa de navegação vital na região Ásia-Pacífico, navios de guerra norte-americanos e chineses disputam agora constantemente posições, enquanto Washington passou a realizar visitas de alto nível a Taiwan, uma afronta a Pequim, que considera a ilha parte do seu território.

Uma prolongada guerra comercial subsiste também entre os dois países, apesar de um acordo de Fase 1, que não conheceu novos desenvolvimentos desde o final do ano passado.

Os dois lados mantêm taxas alfandegárias punitivas sobre centenas de milhares de milhões de dólares das exportações de cada um.

12 Out 2020

Altice junta-se à Huawei para desenvolver rede 5G em Portugal

A Altice Portugal vai participar numa iniciativa da gigante tecnológica chinesa Huawei para desenvolver a quinta geração móvel (5G), informou o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os países lusófonos.

A informação foi divulgada pelo Fórum de Macau na quinta-feira no seu ‘site’, citando um comunicado da Huawei datado de terça-feira, no qual o director tecnológico da Altice Portugal sublinha a importância do projecto. “Alargar a cobertura da Internet de banda larga pode estimular a criação de novos serviços que beneficiem os cidadãos, as empresas e os países”, salientou Luís Alveirinho, citado na nota.

A iniciativa Quinta Geração de Telecomunicações Fixas pela Huawei lançada na terça-feira conta com a participação, para além da empresa de telecomunicações portuguesa, do Instituto Europeu de Normas de Telecomunicações e da Aliança Chinesa para o Desenvolvimento de Banda Larga.

A Huawei “defendeu que é necessária uma colaboração alargada no seio da indústria mundial de telecomunicações fixas para promover o desenvolvimento da economia digital e da Internet das Coisas”, indica-se na informação divulgada pelo Fórum Macau e na qual se frisou o facto do instituto europeu ter lançado em Fevereiro “um grupo para a criação de normas para o 5G em redes fixas, com o objetivo de promover as ligações por fibra ótica, a Internet de banda larga e um serviço mais estável”.

O Instituto Europeu de Normas de Telecomunicações é uma organização europeia de normalização, que tem por missão a produção de normas europeias nas telecomunicações.

A chinesa Huawei é, juntamente com a sueca Ericsson e a finlandesa Nokia, líder em redes de quinta geração (5G), destinada a conectar carros autónomos, fábricas automatizadas, equipamento médico e centrais eléctricas. Os Estados Unidos têm pressionado vários países, incluindo Portugal, a excluírem a Huawei da construção de infra-estruturas para redes de 5G.

Austrália, Nova Zelândia e Japão aderiram já aos apelos de Washington e restringiram a participação da Huawei. Em contrapartida, a marca, que diz pertencer a 104.572 de um total de 194 mil funcionários, todos cidadãos chineses, nega estar sob controlo do Partido Comunista Chinês, ou cooperar com os serviços de inteligência chineses.

22 Mai 2020

Telecomunicações | Grupo do sector cria associação para pensar o futuro

Com Macau a entrar na fase da 5.ª Geração das telecomunicações e com os desafios do triple-play, a Associação de Desenvolvimento de Comunicações de Macau espera afirmar-se como um think tank local do sector

 

Criada no ano passado por um grupo de ex-trabalhadores das telecomunicações, a Associação de Desenvolvimento de Comunicações de Macau é o primeiro movimento associativo formado no território para pensar o sector. Numa altura em que o Governo insiste na transformação de Macau numa “Cidade Inteligente”, a associação espera lançar o debate sobre o caminho do sector para o futuro.

Os objectivos foram explicados pelos fundadores, entre eles Roger Kuong Kuok Fu, presidente da assembleia-geral, em declarações ao HM. “Nos próximos anos, o sector vai enfrentar questões muito importantes, que vão implicar escolhas. Vai haver o lançamento dos serviços de 5.ª Geração (5G) e convergência das telecomunicações, conhecida como triple-play. Por isso, esta é uma boa altura para nos juntarmos e debatermos de forma mais activa o futuro da indústria”, explicou Kuong.

“Somos um grupo de pessoas com um conhecimento especializado no sector, todos com 30 a 40 anos de experiência, e sentimos que podemos contribuir para que o desenvolvimento das telecomunicações possa ser feito a pensar no longo prazo”, acrescentou.

Por sua vez, Windus Lam, presidente da direcção, sublinha a importância do sector, principalmente quando o Governo está comprometido com o objectivo de transformar Macau numa “Cidade Inteligente”, ou seja, de uma cidade que recorre a uma rede de sensores e colecção de dados para gerir os assuntos do dia-a-dia de forma mais eficaz.

“Para nós foi muito positivo ver o Chefe do Executivo nas Linhas de Acção Governativa apontar que Macau tem de fechar a distância em termos da Cidade Inteligente face às regiões vizinhas”, começou por apontar Windus. “Se olharmos para a Grande Baía, espera-se que Guangzhou, Shenzhen, Hong Kong e Macau formem um corredor tecnológico, por isso é importante que o Governo esteja ciente das suas responsabilidades. Nós queremos contribuir para esse objectivo com uma maior aposta no desenvolvimento”, apontou.

Seminários e talentos

Os fundadores da associação têm em comum o facto de terem trabalhado na Companhia de Telecomunicações de Macau. Após essa experiência, os caminhos profissionais passaram por outras empresas. No entanto, e embora os fundadores queiram que a associação conte com o apoio de todas as empresas do sector, o objectivo passa mesmo por conseguir reunir o máximo de profissionais da indústria, em nome individual.

“Claro que para nós é importante que as empresas do sector se envolvam na associação. Mas, queremos que as pessoas participem em nome individual e que todos se sintam bem-vindos”, explicou Xeque Hamja, vice-presidente.

Na mesma linha, Carlos Rui Marcelo, também vice-presidente, frisa a independência dos órgãos sociais. “A nossa visão não está ligada a qualquer empresa, o nosso objectivo é apoiar com conhecimento especializado o desenvolvimento tecnológico de Macau e beneficiar o território”, apontou.

Em termos de actividades, e apesar da pandemia da covid-19, a Associação de Desenvolvimento de Comunicações de Macau espera realizar seminários dedicados ao sector e promover uma plataforma para transmitir conhecimentos aos mais novos, de forma a aumentar o interesse pelas telecomunicações.

“Estamos a falar de um sector que exige conhecimento muito especializado e os recursos humanos são um verdadeiro problema. Há um certo ciclo vicioso em que as pessoas seguem outras áreas e isso faz com que haja cada vez menos interesse”, sustentou Rui Carlos Marcelo. “Só que sabemos que uma Cidade Inteligente não se faz sem talento e uma massa conhecedora. Ao fazermos seminários e debates esperamos que seja possível aumentar o interesse nesta área”, acrescentou.

Windus Lam defendeu que Macau pode constituir uma massa crítica local, apesar de haver tendência para os empregos serem concentrados na indústria do jogo. “Os residentes que estudam fora de Macau muitas vezes não querem regressar porque não estão interessados no jogo. Mas, se houver um ambiente nas telecomunicações com incentivos permanentes ao desenvolvimento, os alunos vão encarar a área de outra forma e vão querer voltar, porque sentem que podem crescer profissionalmente”, apontou. “É possível criar essas condições e contribuir para que se crie uma massa crítica para concretizar a Cidade Inteligente e fazê-la crescer e avançar”, apontou.

20 Mai 2020

Rede 5G | Secretário prevê falta de espaço para instalação de aparelhos

O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, anteviu ontem alguns problemas com o processo de implementação da rede 5G em Macau no debate das Linhas de Acção Governativa para a sua tutela.

“Quanto à rede 5G, temos de avançar com a convergência, mas no futuro vai ocorrer um problema. Há falta de velocidade [de internet], as ligações não são boas, e para que tudo corra sem sobressaltos precisamos de cerca de 4500 estações. Onde vamos colocar esses aparelhos? Haverá pessoas que se queixam logo de não colocarmos aparelhos nos seus edifícios. Alguns aparelhos vão ser instalados nos postes de iluminação”, explicou Raimundo do Rosário aos deputados.

Mesmo com as dificuldades anunciadas pelo secretário, a verdade é que há existe um plano em marcha para a instalação da rede 5G no território. Em Março do ano passado, a Companhia de Telecomunicações (CTM) assinou um protocolo com Universidade de Macau para desenvolver a tecnologia 5G no território. A ideia é que haja uma colaboração ao nível da investigação e desenvolvimento da rede 5G, que pretende ser a grande aposta da CTM.

Internet mais rápida

Derbie Lau, directora da Direção dos Serviços de Correios e Telecomunicações, disse ainda que há uma capacidade de 300 gigabites no serviço de internet, o que corresponde a um aumento na velocidade na ordem dos 44 por cento. “Em Março estávamos em oitavo lugar no ranking. Há quatro empresas que não têm a sua própria rede e têm de adquirir esse serviço, pelo que há que ter em conta as práticas e as suas instalações”, explicou a responsável quanto à velocidade do fornecimento de internet no território.

6 Mai 2020

5G | Teoria que liga tecnologia à pandemia cresce online

À margem do que a ciência decifra quanto à origem e características do novo coronavírus, no mundo virtual as conspirações à volta da tecnologia 5G proliferam quase ao ritmo da pandemia. Desde servir como arma das “elites” para exterminar grande parte da população, ou meio de fragilizar o sistema imunitário, as conspirações convencem cada vez mais pessoas, enquanto as redes sociais tentam parar a disseminação de conteúdos falsos

 

A desinformação sobre a covid-19 está a ser quase tão difícil de conter como a própria pandemia. Uma das teorias de conspiração mais partilhadas, e que também tem sofrido inúmeras mutações, aponta a tecnologia 5G como a fonte, ou meio de propagação, da pandemia que percorre o mundo inteiro.

Sem qualquer base científica, ou sequer correlação, as primeiras afirmações que ligaram a tecnologia de rede wireless de nova geração e o novo tipo de coronavírus começaram a circular nas margens da internet entre os adeptos mais aguerridos do New Age e os seguidores do QAnon (uma rede de conspirações ligada à extrema-direita que protege Donald Trump e, entre muitas outras teorias, liga políticos da ala democrata a redes de tráfico sexual de crianças). A infância da teoria começou com a vaga asserção de que as elites globais, normalmente associadas a milionários judeus, estariam a usar o 5G para espalhar o novo coronavírus.

A disseminação seria o segundo passo, com a partilha de vídeos e o empurrão de algoritmos que ampliam teorias que nasceram nos cantos mais recônditos da Internet até aos média tradicionais.

Pelo caminho, a “viralidade” contou com o empurrão de celebridades como os actores Woddy Harrelson e John Cusack e a cantora M.I.A., que partilharam as tais teorias entre os milhões que os seguem nas redes sociais.
Depois das teorias que ligam a radiação provocada pelo 5G às doenças oncológicas, o surgimento do novo coronavírus uniu os dois bichos-papões. Uma das teses alega que as redes 5G provocam, do nada, infecção ou os sintomas da infecção. Uma teoria mais moderada refere que a tecnologia emite radiações que enfraquecem o sistema imunológico, tornando as pessoas mais susceptíveis à infecção.

Inúmeras investigações, que passaram o crivo do método científico, demonstraram que as ondas de radiofrequência emitidas por telemóveis não têm energia suficiente para danificar o ADN de uma pessoa ou provocar aquecimento de tecidos. Aliás, os níveis de energia emitidos por telemóveis são menores que os emitidos por fornos micro-ondas e televisões.

Outro factor descurado pelos teóricos de conspirações é a menor capacidade dos sinais de 5G, em comparação com o 4G, para penetrar objectos.

Tempestade perfeita

Esta não é a primeira vez que a Internet é inundada com teorias sem base científica sobre a covid-19. Das teses que argumentam que o novo tipo de coronavírus é uma arma biológica criada em laboratório, passando pela alegação de que é um esquema do antigo CEO da Microsoft, Bill Gates, para despovoar o planeta, a covid-19 tem sido usada para criar múltiplos bodes expiatórios que afastam a atenção do público para a forma como os governos lidam com a pandemia.

Ainda no reino das teses, uma das mais bizarras indica que o novo coronavírus teve origem num culto composto por celebridades que usou um lote estragado de sangue de criança para tratamentos de rejuvenescimento.
Não é a primeira vez que a actualização de infra-estruturas wireless inspiram ligações a problemas de saúde, o mesmo aconteceu quando começaram a ser montadas as primeiras antenas de 4G.

Ainda antes do início da pandemia, já a tecnologia 5G era apontada, sem suporte científico, como causa de uma série de maleitas, mas o surgimento da covid-19 deu uma nova vida às conspirações e mesmo a actos de vandalismo, com particular incidência no Reino Unido.

De acordo com a BBC, antenas de redes móveis 5G têm sido incendiadas no Reino Unido, depois da ignição inicial da partilha de teorias de conspiração na Internet que ligam as infra-estruturas à propagação da pandemia. No início do mês, pelo menos três antenas arderam completamente, sendo necessária intervenção dos bombeiros e da polícia.

Em declarações ao portal noticioso The Verge, um porta-voz da Vodafone UK confirmou que num espaço de 24 horas quatro antenas haviam sido incendiadas, o que levou à abertura de investigações policiais. Pelo menos uma antena, que não serve a rede 5G foi igualmente danificada em Birmingham.

“Os nossos engenheiros estão a apurar as causas do fogo numa das nossas torres em Birmingham. A confirmar-se o fogo-posto, que parece plausível, vamos colaborar com a polícia de West Midlands para encontrar o responsável pelo crime”, referiu ao portal de notícias um porta-voz da EE, outra operadora de redes móveis.

“Esta infra-estrutura servia milhares de pessoas na área de Birmingham, providenciando conexão 2G, 3G e 4G, ao longo de muitos anos. Vamos tentar restaurar o serviço o mais rapidamente possível, mas os estragos causados pelo fogo são significativos”, completou.

Liberdade vs Verdade

A Comissão Internacional de Protecção contra Radiação Não Ionizante, instituição de peritos científicos que analisam a forma como a exposição a campos electromagnéticos usados em telemóveis, e outros objectos, afecta a saúde, afastou qualquer tipo de ligação entre o 5G e o coronavírus.

“A teoria que afirma que o 5G tem impacto no sistema imunitário e que, por isso, faz as pessoas adoecerem, não tem qualquer base”, afirmou Eric van Rongen, presidente da instituição, à CNN. O cientista que refere que se existisse impacto deste tipo de radiação em doenças infeciosas “já teria sido detectado há décadas”.
Enquanto não existe uma vacina para a covid-19, a cura da disseminação de informação falsa também é difícil de remediar.

Ainda assim, plataformas de Internet e redes sociais começaram a dar os primeiros passos para limitar a propagação de desinformação sobre o novo tipo de coronavírus, apesar de tardiamente.
Na semana passada, o YouTube baniu vídeos que ligam as redes 5G à covid-19, depois de inicialmente terem lavado as mãos da responsabilidade com a justificação de que o conteúdo não violava as políticas de publicação. Alguns destes vídeos tinham acumuladas centenas de milhares de visualizações.

Também o Twitter reagiu, prometendo melhorar o algoritmo para identificar e banir a distribuição de informação falsa. “Vamos continuar a agir contra contas que violem as nossas regras, incluindo publicações de conteúdo que contenha alegações que carecem de verificação científica e que incitem a desarmonia social, pânico generalizado, ou caos de larga escala”, referiu um porta-voz da empresa à CNN.

Actualmente, uma busca no Facebook que contenha as entradas 5G e coronavírus apresenta, na maioria, fontes e informação credíveis, apesar de ainda se poder encontrar algumas teorias de conspiração. A empresa de Mark Zuckerberg prometeu agir agressivamente para combater a disseminação de informações falsas, em particular as que possam inspirar actos de vandalismo, como os de incendiar antenas.

15 Abr 2020

Huawei volta a refutar acusações de espionagem dos EUA

A Huawei declarou ontem que as acusações dos EUA de que o Governo chinês terá acesso a uma “porta traseira” dos seus telemóveis não passam de uma “cortina de fumo”, garantindo que nunca acedeu secretamente a redes de telecomunicações.

“As acusações dos EUA sobre a Huawei usando intercepção legal não passam de uma cortina de fumo e não se inserem em nenhuma lógica no domínio da segurança cibernética. A Huawei nunca acedeu secretamente às redes de telecomunicações, nem temos a capacidade de fazê-lo. O Wall Street Journal está claramente ciente de que o Governo dos EUA não pode fornecer nenhuma evidência para apoiar suas acusações e ainda assim optou por espalhar as mentiras ditas por funcionários dos EUA”, refere a fabricante chinesa em comunicado.

De acordo com funcionários norte-americanos citados pelo jornal The Wall Street Journal na quarta-feira, os produtos da empresa chinesa representam um risco para a segurança, considerando que a fabricante tem vínculos muito estreitos com o Governo chinês.

“A Huawei é apenas um fornecedor de equipamentos. Nessa função, ter acesso a redes de clientes sem a sua autorização e visibilidade seria impossível. Não temos a capacidade de contornar as operadoras, controlar o acesso e tirar dados das suas redes sem ser detectado por todos os ‘firewalls’ normais ou sistemas de segurança”, disse ainda.

A fabricante chinesa reitera assim que a segurança cibernética e a protecção de privacidade do utilizador são as suas principais prioridades e que as observações feitas por funcionários dos EUA ignoram completamente o enorme investimento e as melhores práticas da Huawei e das operadoras.

“Estamos muito indignados com o facto de o Governo dos EUA não terem poupado esforços para estigmatizar a Huawei usando questões de segurança cibernética. Se os EUA descobrirem as violações da Huawei, pedimos novamente solenemente que divulguem evidências específicas em vez de usar os media para espalhar rumores”, refere.

Porta dos fundos

Segundo o The Wall Street Journal, citado pela AP, funcionários norte-americanos afirmam que a Huawei Technologies pode aceder secretamente às redes de telemóveis em todo o mundo através de “portas traseiras” desenhadas para serem utilizadas pelas forças de ordem pública.

Os serviços de inteligência norte-americanos apontam que a Huawei teria tido essa capacidade secreta durante mais de uma década, disseram funcionários dos Estados Unidos, enquanto a Huawei rejeita essas acusações.

14 Fev 2020

Rede 5G | Vietname contorna Huawei e desenvolve tecnologia própria

O maior grupo de telecomunicações do Vietname vai implementar este ano o 5G com recurso à sua própria tecnologia, contornando os chineses da Huawei, num sinal das implicações geopolíticas da rede de quinta geração.
A empresa estatal vietnamita Viettel, que é operada pelo ministério da Defesa do Vietname, vai começar a instalar a próxima geração de rede móvel a partir de Junho e concluirá a implementação em todo o país no espaço de um ano, segundo o plano anunciado esta semana e citado pela imprensa local.
A empresa realizou na sexta-feira o seu primeiro teste com tecnologia 5G, concluindo um trabalho de seis meses desenvolvido pelo seu braço de pesquisa e desenvolvimento, a Viettel High Technology, que desenvolveu o seu próprio hardware e o software para executar a ligação.
Poucas empresas desenvolveram com sucesso tecnologia 5G. A Viettel tornou-se assim a sexta, depois da Ericsson, Nokia, Huawei, Samsung Electronics e ZTE. A Viettel possui mais de 110 milhões de clientes em 11 países, incluindo no Camboja, Haiti ou Peru.
No Vietname, a empresa também excluiu equipamentos da Huawei da rede 4G, actualmente em uso, apesar de recorrer a tecnologia chinesa em alguns dos outros países onde as suas subsidiárias locais fornecem serviços de quarta geração, incluindo no Laos ou Camboja.

Fricções marítimas

A decisão de Hanói ilustra as sensibilidades geopolíticas daquele tipo de tecnologia. A Austrália e a Nova Zelândia baniram já as redes 5G da Huawei, por motivos de segurança nacional, após os Estados Unidos e Taiwan, que mantém restrições mais amplas à empresa, terem adoptado a mesma medida.
Também o Japão, cuja agência para a segurança no ciberespaço classificou a firma chinesa como de “alto risco”, baniu as compras à Huawei por departamentos governamentais.
O Vietname é, tal como a China, um regime comunista, mas Hanói mantém-se apreensivo face ao país vizinho, com quem travou várias guerras ao longo da História.
Nos últimos anos, Hanói passou a denunciar de forma mais assertiva as movimentações chinesas no Mar do Sul da China, e tem-se vindo a aproximar dos Estados Unidos.
Embarcações vietnamitas e chinesas enfrentaram-se ao longo de mais de três meses, no ano passado. As hostilidades ocorreram depois de Pequim enviar um navio de pesquisa sísmica e navios da guarda costeira para águas territoriais do Vietname, especialmente ricas em óleo e gás, para realizar atividades de prospecção. A China reivindica a quase totalidade do mar do Sul da China, apesar dos protestos dos países vizinhos.

21 Jan 2020

Rede 5G | Vietname contorna Huawei e desenvolve tecnologia própria

O maior grupo de telecomunicações do Vietname vai implementar este ano o 5G com recurso à sua própria tecnologia, contornando os chineses da Huawei, num sinal das implicações geopolíticas da rede de quinta geração.

A empresa estatal vietnamita Viettel, que é operada pelo ministério da Defesa do Vietname, vai começar a instalar a próxima geração de rede móvel a partir de Junho e concluirá a implementação em todo o país no espaço de um ano, segundo o plano anunciado esta semana e citado pela imprensa local.

A empresa realizou na sexta-feira o seu primeiro teste com tecnologia 5G, concluindo um trabalho de seis meses desenvolvido pelo seu braço de pesquisa e desenvolvimento, a Viettel High Technology, que desenvolveu o seu próprio hardware e o software para executar a ligação.

Poucas empresas desenvolveram com sucesso tecnologia 5G. A Viettel tornou-se assim a sexta, depois da Ericsson, Nokia, Huawei, Samsung Electronics e ZTE. A Viettel possui mais de 110 milhões de clientes em 11 países, incluindo no Camboja, Haiti ou Peru.

No Vietname, a empresa também excluiu equipamentos da Huawei da rede 4G, actualmente em uso, apesar de recorrer a tecnologia chinesa em alguns dos outros países onde as suas subsidiárias locais fornecem serviços de quarta geração, incluindo no Laos ou Camboja.

Fricções marítimas

A decisão de Hanói ilustra as sensibilidades geopolíticas daquele tipo de tecnologia. A Austrália e a Nova Zelândia baniram já as redes 5G da Huawei, por motivos de segurança nacional, após os Estados Unidos e Taiwan, que mantém restrições mais amplas à empresa, terem adoptado a mesma medida.
Também o Japão, cuja agência para a segurança no ciberespaço classificou a firma chinesa como de “alto risco”, baniu as compras à Huawei por departamentos governamentais.

O Vietname é, tal como a China, um regime comunista, mas Hanói mantém-se apreensivo face ao país vizinho, com quem travou várias guerras ao longo da História.

Nos últimos anos, Hanói passou a denunciar de forma mais assertiva as movimentações chinesas no Mar do Sul da China, e tem-se vindo a aproximar dos Estados Unidos.

Embarcações vietnamitas e chinesas enfrentaram-se ao longo de mais de três meses, no ano passado. As hostilidades ocorreram depois de Pequim enviar um navio de pesquisa sísmica e navios da guarda costeira para águas territoriais do Vietname, especialmente ricas em óleo e gás, para realizar atividades de prospecção. A China reivindica a quase totalidade do mar do Sul da China, apesar dos protestos dos países vizinhos.

21 Jan 2020

Rede 5G | EUA pressionam Reino Unido para que não utilize tecnologia da Huawei

Funcionários dos Estados Unidos apresentaram ao Governo britânico informação para demonstrar o alegado risco resultante da adopção da tecnologia da chinesa Huawei para desenvolver a rede 5G no Reino Unido, noticiou ontem o Financial Times.
O jornal adianta que uma delegação norte-americana, incluindo representantes do departamento de segurança, apresentou um dossiê técnico aos seus homólogos britânicos numa reunião realizada na segunda-feira em Londres, numa última tentativa de persuadir o fecho de um acordo com a Huawei.
O Financial Times sublinha que é esperado que ainda este mês o primeiro-ministro britânico, o conservador Boris Johnson, autorize o uso de equipamento da Huawei em partes “não chave” da rede de telecomunicações do país.
A delegação, que incluiu Matt Pottinger, Christopher e Robert Blair, entre outros, argumentou que permitir a entrada da Huawei representaria uma ameaça à segurança nacional e seria “uma loucura”, adianta o Financial Times, citado pela Efe.
O chefe dos serviços de inteligência britânicos MI5, Andrew Parker, afirmou na segunda-feira que “não há motivos para pensar” que a cooperação de segurança entre o Reino Unido e os Estados Unidos possa ser afetada se o operador chinês aceder a partes periféricas da rede de telecomunicações britânica, refere o diário.
Os Estados Unidos receiam a influência do governo da China nas empresas do país, como é o caso da Huawei, considerando que há um risco de espionagem, advertindo que tal poderá comprometer a colaboração com o Reino Unido.

15 Jan 2020

Rede 5G | EUA pressionam Reino Unido para que não utilize tecnologia da Huawei

Funcionários dos Estados Unidos apresentaram ao Governo britânico informação para demonstrar o alegado risco resultante da adopção da tecnologia da chinesa Huawei para desenvolver a rede 5G no Reino Unido, noticiou ontem o Financial Times.

O jornal adianta que uma delegação norte-americana, incluindo representantes do departamento de segurança, apresentou um dossiê técnico aos seus homólogos britânicos numa reunião realizada na segunda-feira em Londres, numa última tentativa de persuadir o fecho de um acordo com a Huawei.

O Financial Times sublinha que é esperado que ainda este mês o primeiro-ministro britânico, o conservador Boris Johnson, autorize o uso de equipamento da Huawei em partes “não chave” da rede de telecomunicações do país.

A delegação, que incluiu Matt Pottinger, Christopher e Robert Blair, entre outros, argumentou que permitir a entrada da Huawei representaria uma ameaça à segurança nacional e seria “uma loucura”, adianta o Financial Times, citado pela Efe.

O chefe dos serviços de inteligência britânicos MI5, Andrew Parker, afirmou na segunda-feira que “não há motivos para pensar” que a cooperação de segurança entre o Reino Unido e os Estados Unidos possa ser afetada se o operador chinês aceder a partes periféricas da rede de telecomunicações britânica, refere o diário.

Os Estados Unidos receiam a influência do governo da China nas empresas do país, como é o caso da Huawei, considerando que há um risco de espionagem, advertindo que tal poderá comprometer a colaboração com o Reino Unido.

15 Jan 2020

Huawei arranja fornecedores para 5G fora dos EUA

A chinesa Huawei encontrou no Japão, Coreia do Sul e Europa fornecedores alternativos para as componentes tecnológicas que comprava aos Estados Unidos para equipamentos de quinta geração (5G), após ter sido colocada numa ‘lista negra’ pela administração norte-americana.

“Em meados de Maio, os Estados Unidos puseram a Huawei numa ‘lista negra’. Isso teve um impacto enorme para nós e para o nosso negócio porque tivemos de repensar toda a estrutura que incluía os fornecedores norte-americanos no plano A, para uma versão B, sem fabricantes norte-americanos”, declarou o vice-presidente do departamento de comunicação corporativa da tecnológica, Karl Song Kai.

Falando durante uma visita de um grupo de jornalistas internacionais à sede da empresa, em Shenzhen, na China, o responsável destacou que “a Huawei está a trabalhar há vários meses e a mobilizar uma grande equipa de investigação […] para responder a este desastre natural e para criar um plano B”.

Assim, até ao momento, “a Huawei já conseguiu fechar 93% dos 4.000 buracos deixados” pelo fim dos negócios com os Estados Unidos, precisou Karl Song Kai, garantindo que, por isso, “não haverá um grande impacto” para a empresa com a entrada em vigor das limitações norte-americanas.

De acordo com o responsável, em causa estão produtos de inovação para 5G e transmissores de fibra óptica, para os quais a companhia encontrou fornecedores alternativos, principalmente no Japão, Coreia do Sul e países europeus, entre outros. “Já temos as nossas soluções sem componentes norte-americanos”, realçou.

“Paranóia” americana

Os Estados Unidos têm vindo a acusar a chinesa Huawei de ser uma ameaça à segurança nacional, alegando que utiliza equipamentos para espionagem, o que a tecnológica rejeita. Em Maio deste ano, decidiram banir a Huawei do mercado norte-americano, colocando-a numa ‘lista negra’ que limita os seus negócios no país.

A administração norte-americana criou, também nessa altura, isenções temporárias para determinadas empresas norte-americanas que negoceiam com o grupo chinês, permitindo-lhes vender alguns produtos ou mudar de fornecedores durante esse período.

Estas isenções têm vindo a ser prorrogadas, estando agora prevista para meados de Fevereiro uma decisão final sobre a entrada em vigor das limitações.

Instando pela Lusa a classificar estas medidas, Karl Song Kai falou numa “abordagem irracional” do Presidente dos EUA, Donald Trump. “Nunca sabem de que tipo de equipamentos estão a falar. Fui presidente executivo nos Estados Unidos [até ao início deste ano] e, por vezes, questionava se a administração, os senadores ou os congressistas sabiam a cor dos nossos equipamentos 5G, se são pretos, brancos ou verdes”, indicou o responsável.

E insistiu: “Nem sequer sabem as cores, mas pensam que tudo o que vem da China é mau”.
Em causa está “uma paranoia”, segundo Karl Song Kai.

Já questionado sobre a disponibilidade da administração norte-americana para reuniões com representantes da tecnológica, o responsável indicou ser “muito difícil conseguir este tipo de encontros”.

“No ano passado, tentámos fazer algumas propostas e tentámos entrar em contacto com eles em Washington, mas foi sempre muito difícil, mesmo quando queríamos convidá-los a visitarem na nossa sede [na China]”, referiu Karl Song Kai.

Criada em 1987, a Huawei é uma das maiores fornecedoras de equipamentos para telecomunicações do mundo, estando presente em 170 países e regiões com um total de 194 mil funcionários, quase metade engenheiros, e cerca de três mil milhões de clientes. Em 2018, registou vendas de 721,2 mil milhões de yuan.

16 Dez 2019

Telecomunicações | Lei relativa à rede de convergência chega à AL em 2020 



O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, anunciou ontem na Assembleia Legislativa (AL) que a proposta de lei relativa à rede de convergência, que traz a rede 5G para o território e que irá permitir a chegada ao mercado de quatro operadoras, deverá chegar à Assembleia Legislativa no final de 2020.

No que diz respeito aos actuais contratos de concessão nesta área, Raimundo do Rosário assegurou que essa é matéria para o próximo Governo, mesmo que o seu nome esteja a ser falado para continuar a assumir funções no Executivo de Ho Iat Seng.

“Os contratos terminam a 30 de Outubro de 2021, ainda têm a duração de dois anos e portanto caem no âmbito do próximo Governo. Vamos verificar quais os activos [das concessionárias] que serão tratados”, adiantou.

Para já, uma coisa é certa: a nova proposta de lei relativa à rede de convergência vai permitir uma partilha de activos entre operadoras, garantiu um responsável do Governo. “Esperamos que as empresas de telecomunicações possam partilhar os seus equipamentos, como cabos e redes, com vista a diminuir os seus custos, e também para afectar o menos possível a população. No regime de convergência vamos regular toda essa matéria.”

28 Nov 2019

Telecomunicações | Operadoras chinesas lançam hoje serviços 5G

As três principais operadoras de telecomunicações na China vão começar hoje a comercializar serviços de internet de quinta geração (5G), num momento em que o país procura expandir a sua tecnologia globalmente, num cenário de rivalidade com Washington.
A China Mobile, a maior operadora do mundo em termos de número de assinantes, disse que a quinta geração de internet móvel estará disponível a partir de hoje e cobrirá 50 cidades em todo o país, incluindo Pequim e Xangai. As concorrentes China Telecom e China Unicom também oferecem serviços 5G nas principais cidades, segundo os seus portais.
A internet 5G, que é 100 vezes mais rápida do que as redes 4G existentes, poderá transmitir grandes quantidades de dados a grande velocidade – transferir um filme levará apenas alguns segundos.
As redes sem fio 5G destinam-se a conectar carros autónomos, fábricas automatizadas, equipamento médico e centrais eléctricas, pelo que vários governos passaram a olhar para as redes de telecomunicações como activos estratégicos para a segurança nacional.
Austrália e Nova Zelândia baniram as redes 5G da Huawei, por motivos de segurança nacional, após os Estados Unidos e Taiwan, que mantém restrições mais amplas à empresa, terem adoptado a mesma medida.
Também o Japão, cuja agência de cibersegurança classificou a firma como sendo de “alto risco”, baniu as compras à Huawei por departamentos governamentais.
A gigante das telecomunicações disse em Outubro que assinou cerca de 60 contratos em todo o mundo com operadoras para implantar a sua tecnologia 5G.

1 Nov 2019

Telecomunicações | Operadoras chinesas lançam hoje serviços 5G

As três principais operadoras de telecomunicações na China vão começar hoje a comercializar serviços de internet de quinta geração (5G), num momento em que o país procura expandir a sua tecnologia globalmente, num cenário de rivalidade com Washington.

A China Mobile, a maior operadora do mundo em termos de número de assinantes, disse que a quinta geração de internet móvel estará disponível a partir de hoje e cobrirá 50 cidades em todo o país, incluindo Pequim e Xangai. As concorrentes China Telecom e China Unicom também oferecem serviços 5G nas principais cidades, segundo os seus portais.

A internet 5G, que é 100 vezes mais rápida do que as redes 4G existentes, poderá transmitir grandes quantidades de dados a grande velocidade – transferir um filme levará apenas alguns segundos.

As redes sem fio 5G destinam-se a conectar carros autónomos, fábricas automatizadas, equipamento médico e centrais eléctricas, pelo que vários governos passaram a olhar para as redes de telecomunicações como activos estratégicos para a segurança nacional.

Austrália e Nova Zelândia baniram as redes 5G da Huawei, por motivos de segurança nacional, após os Estados Unidos e Taiwan, que mantém restrições mais amplas à empresa, terem adoptado a mesma medida.

Também o Japão, cuja agência de cibersegurança classificou a firma como sendo de “alto risco”, baniu as compras à Huawei por departamentos governamentais.

A gigante das telecomunicações disse em Outubro que assinou cerca de 60 contratos em todo o mundo com operadoras para implantar a sua tecnologia 5G.

1 Nov 2019

5G | Huawei nega ter “instruções” do Estado para espionagem

A rede 5G e a Huawei estiveram em debate no Parlamento Europeu esta quarta-feira. A gigante tecnológica chinesa voltou a rejeitar as acusações de espionagem lançadas pelos Estados Unidos, afirmando que se o fizesse estaria a cometer suicídio

 
A companhia tecnológica Huawei negou quarta-feira, num debate no Parlamento Europeu, ter “instruções” do Estado chinês para instalar ‘backdoors’ (portas de acesso) em dispositivos móveis de quinta geração (5G), notando que isso seria “um suicídio” para a empresa.
“As pessoas perguntam sempre qual é a relação entre a Huawei e o Estado chinês. É a mesma relação que têm outras empresas privadas ou internacionais que operam na China, como a Siemens ou a Nokia: temos de pagar os nossos impostos e respeitar as leis”, afirmou o representante chefe da Huawei para as instituições europeias, Abraham Liu.
O responsável respondia a uma questão relacionada com acusações de espionagem que têm recaído sobre a tecnológica chinesa, nomeadamente sobre a alegada instalação de ‘backdoors’ em equipamentos 5G, num debate público promovido pelo Parlamento Europeu, em Bruxelas.
“Nunca recebemos qualquer instrução para instalar ‘backdoors’ nos nossos equipamentos 5G”, vincou Abraham Liu, afastando, assim, “qualquer obrigação legal” para o fazer.
E reforçou: “Como empresa privada […], não temos qualquer motivação para fazer algo desse género porque se o fizéssemos isso seria cometer suicídio”.
“Nunca faríamos algo que pudesse pôr os dados pessoais dos nossos clientes em perigo”, salientou Abraham Liu.
Na sua intervenção inicial, o responsável observou que “a Huawei tem sido um parceiro de confiança da Europa durante 20 anos”.
“Temos crescido juntos, mas sabemos que ainda têm dúvidas sobre nós e, por isso, viemos ao Parlamento Europeu responder a todas as vossas questões”, adiantou Abraham Liu.

Europa aberta

O debate de quarta-feira foi organizado pelos eurodeputados Maria Grapini (dos socialistas europeus), Franc Bogovic (do Partido Popular Europeu), Bill Newton Dunn (do partido Renovar a Europa) e Jan Zahradil (dos conservadores e reformistas), em parceria com a tecnológica chinesa, e foi subordinado ao tema “Manter um ecossistema global aberto com a Huawei: uma perspectiva europeia”.
Assumida como uma prioridade europeia desde 2016, a aposta no 5G já motivou também preocupações com a cibersegurança, tendo levado a Comissão Europeia, em Março deste ano, a fazer recomendações de actuação aos Estados-membros, permitindo-lhes desde logo excluir empresas ‘arriscadas’ dos seus mercados.
Bruxelas pediu, também nessa altura, que cada país analisasse os riscos nacionais com o 5G, o que aconteceu até Junho passado, seguindo-se depois uma avaliação geral em toda a UE e a adopção de medidas comuns para mitigar estas ameaças, isto até final do ano.
Nessa análise feita aos riscos nacionais, os Estados-membros detectaram a possibilidade de ocorrência de casos de espionagem ou de ciberataques vindos, nomeadamente, de países terceiros, segundo um relatório divulgado na semana passada.
Apesar de Bruxelas rejeitar incidir no documento sobre uma determinada empresa ou sobre um determinado país, certo é que a tecnológica chinesa Huawei tem vindo a ser acusada, principalmente pelos Estados Unidos, de espionagem através das redes 5G.
A Europa é o maior mercado da Huawei fora da China. De um total de 50 licenças que a empresa detém para o 5G, 28 são para operadoras europeias.

18 Out 2019

5G | Huawei nega ter “instruções” do Estado para espionagem

A rede 5G e a Huawei estiveram em debate no Parlamento Europeu esta quarta-feira. A gigante tecnológica chinesa voltou a rejeitar as acusações de espionagem lançadas pelos Estados Unidos, afirmando que se o fizesse estaria a cometer suicídio

 

A companhia tecnológica Huawei negou quarta-feira, num debate no Parlamento Europeu, ter “instruções” do Estado chinês para instalar ‘backdoors’ (portas de acesso) em dispositivos móveis de quinta geração (5G), notando que isso seria “um suicídio” para a empresa.

“As pessoas perguntam sempre qual é a relação entre a Huawei e o Estado chinês. É a mesma relação que têm outras empresas privadas ou internacionais que operam na China, como a Siemens ou a Nokia: temos de pagar os nossos impostos e respeitar as leis”, afirmou o representante chefe da Huawei para as instituições europeias, Abraham Liu.

O responsável respondia a uma questão relacionada com acusações de espionagem que têm recaído sobre a tecnológica chinesa, nomeadamente sobre a alegada instalação de ‘backdoors’ em equipamentos 5G, num debate público promovido pelo Parlamento Europeu, em Bruxelas.

“Nunca recebemos qualquer instrução para instalar ‘backdoors’ nos nossos equipamentos 5G”, vincou Abraham Liu, afastando, assim, “qualquer obrigação legal” para o fazer.

E reforçou: “Como empresa privada […], não temos qualquer motivação para fazer algo desse género porque se o fizéssemos isso seria cometer suicídio”.

“Nunca faríamos algo que pudesse pôr os dados pessoais dos nossos clientes em perigo”, salientou Abraham Liu.

Na sua intervenção inicial, o responsável observou que “a Huawei tem sido um parceiro de confiança da Europa durante 20 anos”.

“Temos crescido juntos, mas sabemos que ainda têm dúvidas sobre nós e, por isso, viemos ao Parlamento Europeu responder a todas as vossas questões”, adiantou Abraham Liu.

Europa aberta

O debate de quarta-feira foi organizado pelos eurodeputados Maria Grapini (dos socialistas europeus), Franc Bogovic (do Partido Popular Europeu), Bill Newton Dunn (do partido Renovar a Europa) e Jan Zahradil (dos conservadores e reformistas), em parceria com a tecnológica chinesa, e foi subordinado ao tema “Manter um ecossistema global aberto com a Huawei: uma perspectiva europeia”.

Assumida como uma prioridade europeia desde 2016, a aposta no 5G já motivou também preocupações com a cibersegurança, tendo levado a Comissão Europeia, em Março deste ano, a fazer recomendações de actuação aos Estados-membros, permitindo-lhes desde logo excluir empresas ‘arriscadas’ dos seus mercados.

Bruxelas pediu, também nessa altura, que cada país analisasse os riscos nacionais com o 5G, o que aconteceu até Junho passado, seguindo-se depois uma avaliação geral em toda a UE e a adopção de medidas comuns para mitigar estas ameaças, isto até final do ano.

Nessa análise feita aos riscos nacionais, os Estados-membros detectaram a possibilidade de ocorrência de casos de espionagem ou de ciberataques vindos, nomeadamente, de países terceiros, segundo um relatório divulgado na semana passada.

Apesar de Bruxelas rejeitar incidir no documento sobre uma determinada empresa ou sobre um determinado país, certo é que a tecnológica chinesa Huawei tem vindo a ser acusada, principalmente pelos Estados Unidos, de espionagem através das redes 5G.

A Europa é o maior mercado da Huawei fora da China. De um total de 50 licenças que a empresa detém para o 5G, 28 são para operadoras europeias.

18 Out 2019

Huawei | Satisfação por UE avaliar riscos sem visar “países ou empresas específicas”

A tecnológica chinesa Huawei mostrou-se “satisfeita” com a avaliação ontem divulgada sobre riscos nas redes móveis de quinta geração (5G) na União Europeia (UE), por não visar “países ou empresas específicas”, pedindo que Bruxelas se “guie por factos”.
“É com satisfação que observamos que a UE cumpriu o seu compromisso de adoptar uma abordagem baseada em evidências, analisando minuciosamente os riscos, em vez de visar específicos países ou actores”, refere a Huawei Europa numa declaração enviada à agência Lusa.
A reacção da companhia surge depois da divulgação de um relatório da Comissão Europeia, que revela que os Estados-membros da UE detectaram, numa análise feita aos riscos nacionais relativos às redes móveis 5G, ameaças de espionagem ou de ciberataques vindas, nomeadamente, de países terceiros.
“Somos uma empresa 100% privada, detida pelos seus funcionários, e a cibersegurança é uma das nossas principais prioridades: o nosso sistema completo de garantia de cibersegurança abrange todas as áreas do processo e nosso sólido histórico comprova que isso funciona”, argumenta a Huawei.
A companhia adianta esperar, “à medida que a UE passa da identificação dos riscos [com o 5G] para a criação de um necessário quadro de segurança comum para gerir e mitigar esses riscos”, que “este trabalho continue a ser guiado pela mesma abordagem baseada nos factos”.

Licença para operar

A Europa é o maior mercado da Huawei fora da China. De um total de 50 licenças que a empresa detém para o 5G, 28 são para operadoras europeias.
Assumida como uma prioridade desde 2016, a aposta no 5G já motivou também preocupações com a cibersegurança, tendo levado a Comissão Europeia, em Março deste ano, a fazer recomendações de actuação aos Estados-membros, permitindo-lhes desde logo excluir empresas ‘arriscadas’ dos seus mercados.
Bruxelas pediu, também nessa altura, que cada país analisasse os riscos nacionais com o 5G, o que aconteceu até Junho passado, seguindo-se depois uma avaliação geral em toda a UE, ontem divulgada.
O relatório ontem publicado por Bruxelas reúne as conclusões a que os países da UE chegaram nessas avaliações nacionais, indicando que “a introdução das redes 5G ocorre no âmbito de um complexo cenário global de ameaças à segurança cibernética”.
“No geral, as ameaças consideradas mais relevantes” e apontadas no relatório estão “relacionadas com o comprometimento da confidencialidade, da disponibilidade e da integridade” dos dados nestes países, indica o executivo comunitário no documento, precisando que um desses riscos se refere à “espionagem de tráfego ou de dados através da infraestrutura das redes 5G”.
A Comissão nota, no relatório, que “em particular os países terceiros mais hostis podem exercer pressão sobre os fornecedores de 5G a fim de concretizarem ciberataques para atenderem aos seus interesses nacionais”.
Isto porque estes países de fora da UE têm “capacidades – intenção e recursos – para realizar ataques contra redes de telecomunicações dos Estados-membros da UE”, acrescenta.
Segundo Bruxelas, “as mudanças tecnológicas introduzidas com o 5G irão aumentar a dimensão de um [possível] ataque e o número de pontos de entrada com potencial para os invasores”.
Até final do ano, os Estados-membros da UE vão, então, encontrar medidas comuns para mitigar estas ameaças.

10 Out 2019