DSAL | Formação subsidiada termina no quarto trimestre

A melhoria da economia e a redução das inscrições nos cursos de formação subsidiada ditaram o fim do programa, marcado para o quarto trimestre deste ano. Lei Lai Keng, da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, frisou que o fim do programa não representa desinvestimento na formação profissional

 

O programa de formação subsidiada, implementado nos anos difíceis da pandemia para ajudar desempregados, recém-licenciados ou profissionais liberais, termina no quarto trimestre. A garantia foi dada por Lei Lai Keng, chefe do departamento de emprego da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), no programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau.

As principais razões para o fim do programa prendem-se com a recuperação gradual da economia, desde o fim das restrições covid, e a redução do número de inscritos.

“A economia, em termos gerais, e o ambiente de emprego têm melhorado. Este ano o número de inscrições para a formação subsidiada foi de cerca de três mil, [uma redução] comparando com o ano passado, em que 6620 pessoas terminaram a formação e inscreveram-se para uma vaga de emprego”, disse.

Lei Lai Keng disse ainda que, até Agosto, foram lançados 1117 cursos de formação subsidiada, com mais de 26 mil pessoas a participarem e com 24 mil pessoas a terminar as formações. Além disso, cerca de 70 por cento dos participantes só frequentaram os cursos uma vez, sendo que menos de dez por cento o fez três vezes.

“Analisámos as razões pelas quais as pessoas voltaram a frequentar os cursos e quais as principais dificuldades sentidas na busca de emprego. Tratava-se essencialmente de antigos funcionários dos sectores da construção civil e promotores de jogo que procuravam os escassos empregos dessas áreas que existiam no mercado, porque queriam voltar às antigas funções. Outra das razões prende-se com o facto de o salário não corresponder às suas expectativas”, adiantou Lei Lai Keng.

Electricistas e afins

Lei Man Teng, chefe substituta do departamento de formação profissional da DSAL, explicou no mesmo programa de rádio que as funções de electricista, segurança e assistentes na área das convenções e exposições eram as mais procuradas nos cursos de formação subsidiada.

Lançado em Setembro de 2020, o programa inclui dois planos distintos, um destinado a desempregados e recém-licenciados, e outro focado nas pessoas que estão empregadas e nos profissionais liberais. No final do curso os formandos podem receber um subsídio de 6.656 patacas. A inscrição para a última ronda dos cursos de formação subsidiada decorre entre 11 e 15 de Dezembro.

Lei Lai Keng garantiu que a DSAL vai continuar a disponibilizar mais acções de formação tendo em conta as necessidades do mercado, em cooperação com associações locais e entidades das regiões vizinhas para oferecer cursos de formação e certificação profissionais. A ideia é também cooperar com as operadoras de jogo para que os sectores hoteleiro e da restauração possam ter funcionários com formações regulares, para que tenham mais qualificações e oportunidade de subir na carreira.

Segurança | Mandatos de Chan Meng Kam e Mak Soi Kun renovados

O Chefe do Executivo renovou os mandatos de Chan Meng Kam, Lao Ngai Leong, Mak Soi Kun e Lee Chong Cheng como membros da Comissão de Fiscalização da Disciplina das Forças e Serviços de Segurança de Macau. A notícia foi adiantada ontem através de um despacho publicado no Boletim Oficial, sendo que os dois anos dos novos mandatos começam a ser contados a partir de 13 de Novembro deste ano.

A comissão que fiscaliza as forças da polícia em Macau é presidida por Leonel Alves e conta com mais membros, nomeadamente Vong Hin Fai, Tsui Wai Kwan, Ng Siu Lai e Lau Kam Ling, cujos mandatos foram renovados por Ho Iat Seng em Dezembro do ano passado, embora apenas tivessem produzido efeitos a partir de 3 de Fevereiro deste ano.

LAG | Ho Iat Seng recebeu principais associações tradicionais

Numa altura em que o Executivo ultima as Linhas de Acção Governativa para o próximo ano, Ho Iat Seng recebeu as associações dos Operários, Moradores e Mulheres. As três associações juntas representam quase um terço do elenco da Assembleia Legislativa

 

Medidas de apoio social e alívio da condições de vida numa altura em que a economia ainda está longe dos melhores tempos. Foi este o principal pedido da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), durante o encontro de terça-feira com o Chefe do Executivo.
De acordo com o Gabinete de Comunicação Social, a comitiva liderada por Ho Sut Heng, presidente da FAOM, focou principalmente a “revitalização da economia” e a “garantia da qualidade de vida da população”.

Neste sentido, a associação deixou cinco pedidos a Ho Iat Seng para o próximo ano: foco nas medidas de apoio social e alívio da pressão na vida dos residentes, melhoria do direitos laborais, melhores condições de habitação, “reforço da capacidade de governação e impulsionamento um desenvolvimento harmonioso da sociedade”, e aceleração da integração da vida dos residentes no Interior, através da Zona de Cooperação Aprofundada.

Além destas, a FAOM terá ainda abordado a situação dos elevados preços praticados que prejudicam os consumidores, a disponibilidade de mais quotas para os carros de Macau circularem na província de Cantão, e uma maior cooperação com o Interior a nível da formação de quadros qualificados.

Na resposta, o Chefe do Executivo considerou que a inflação em Macau é reduzida, pelo que justificou haver espaço para manter algumas das medidas de apoio à população. Ho Iat Seng apontou que em relação aos preços o Governo tem feito fiscalizações aos espaços comerciais, o que considerou suficiente para controlar a situação.

Lei Wai Nong, secretário para a Economia e Finanças, defendeu o trabalho da Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais, ao indicar que tem feito várias acções para formar melhores quadros qualificados e encontrar empregos para os residentes.

Moradores querem turistas

Por sua vez, a União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM) no encontro com Ho Iat Seng teve como uma das principais preocupações a promoção do turismo. A necessidade trazer mais turistas foi o segundo ponto abordado pela presidente Ng Sio Lai, numa lista com 16 políticas, encabeçada pela “manutenção” dos actuais apoios sociais, o que significa a desistência dos pedidos do cartão de consumo electrónico.

Além de vários aspectos em que defendeu o reforço da integração dos residentes de Macau no Interior, através da Zona de Cooperação e da Grande Baía, Ng Sio Lai apelou igualmente a uma maior promoção do nacionalismo, a começar pelas escolas.

Numa altura em que a Assembleia Legislativa trabalha nas novas reformas eleitorais, em que os candidatos podem ser excluídos por motivos políticos, não havendo qualquer hipótese de recurso para os tribunais, a presidente dos Moradores defendeu que o Governo deve “unir as forças de todos os sectores da sociedade e realizar de forma activa e melhor as eleições e celebrações importantes”.

Os Moradores apontaram ainda a necessidade de aumentar a oferta de habitação para todos os residentes, sem que isso atinja o “desenvolvimento saudável” do mercado imobiliário. Face aos pedidos, o Chefe do Executivo afirmou que está “determinado a resolver os problemas de habitação, pelo que irá realizar, no corrente ano, o concurso para habitação económica, publicar posteriormente as informações sobre a ordem de classificação e arrendamento de residência para idosos, e realizar de forma ordenada os trabalhos da habitação para a classe sanduíche”.

A condição de ser Mulher

Também na terça-feira, Ho Iat Seng recebeu a Associação Geral das Mulheres de Macau, liderada por Lau Kam Ling.
A associação que apoia os deputados Wong Kit Cheng e Ma Io Fong pediu “o desenvolvimento dos assuntos relacionados com as mulheres”, “medidas favoráveis às crianças”, “apoio às famílias”, “incentivos à natalidade”, “crescimento económico” e uma maior integração da Ilha Montanha e Macau”.

Em resposta, o Chefe do Executivo defendeu as políticas de natalidade em Macau e indicou que “nos últimos anos, o Governo tem lançado várias medidas de incentivo à natalidade, as quais incluem o prolongamento da licença de maternidade, aumento do subsídio de nascimento, assim como a licença de paternidade, criando um ambiente favorável aos casais com intenção de ter filhos”.

O “ambiente favorável” mencionado por Ho Iat Seng, é constituído por uma licença de maternidade em Macau de 70 dias. A licença de paternidade é de cinco dias. A estes períodos, os casais podem juntar as férias anuais que, de acordo com a lei em vigor, são seis dias úteis por ano.

Zhuhai | Acidente de viação causa morte de menino de dez anos

Um acidente de viação no túnel de Gongbei, em Zhuhai, causou a morte de um menino de dez anos e ferimentos graves no pai, que se encontra em estado crítico. As autoridades de Guangdong prometeram apresentar um relatório sobre o acidente

Um menino de dez anos, residente de Macau, morreu num acidente de viação ocorrido na noite de segunda-feira no túnel de Gongbei, em Zhuhai, sendo que o seu pai, de 59 anos de idade, está em estado crítico num hospital de Zhuhai. O menino faleceu após ter sido transportado para o hospital. O vídeo do acidente, entretanto divulgado nas redes sociais, mostra um camião a colidir com a viatura em que seguiram os residentes.

A informação do falecimento do menor e do estado grave do pai foi confirmada pelo gabinete do secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, após terem sido contactadas as autoridades da cidade vizinha. Os dados do acidente foram divulgados ontem à tarde após uma notícia do jornal Ou Mun, publicada poucas horas depois do acidente, ter referido erradamente que do acidente não resultaram feridos nem mortes.

No programa matinal “Ou Mun Tin Toi” transmitido ontem do canal chinês da Rádio Macau, um ouvinte, que afirmou ser amigo do pai da criança, queixou-se da “imprudência” do jornal Ou Mun, que acabou por divulgar informações que não corresponderam à verdade.

“O meu amigo ligou-me a dizer que tinha uma avaria no carro e pediu-me o número de telefone do reboque. Quando lhe liguei de volta para dar o número de telefone, ouvi o som de uma explosão e ninguém me respondeu. Fiquei preocupado e pouco tempo depois começaram a ser divulgados vídeos nas redes sociais e a notícia do Ou Mun acabou por me acalmar.”

Tragédia à meia-noite

O estado de calma do indivíduo que ligou para a transmissora pública alterou-se horas mais tarde quando a esposa do sinistrado o informou da morte da criança e do estado crítico do em que se encontrava o seu marido. Nesta altura, o residente estaria num hospital da cidade vizinha a aguardar cirurgia.”A minha disposição mudou do dia para a noite. Se [o jornal] não sabia [concretamente] a situação dos feridos no acidente, não deveria ter publicado a frase ‘felizmente ninguém ficou ferido ou morreu no acidente'”, adiantou no programa de rádio. Ainda segundo o gabinete de Wong Sio Chak, as autoridades de Guangdong prometem apresentar um relatório sobre o ocorrido.

Carlos Sainz gostaria de uma corrida com os 20 pilotos da F1 em Macau

O Circuito da Guia deixa uma marca inesquecível em todos os pilotos que um dia têm a possibilidade de participar no Grande Prémio de Macau. Durante o périplo asiático do mundial de Fórmula 1, Carlos Sainz surpreendeu a imprensa ao sugerir que “devíamos todos [os pilotos de F1] correr na Fórmula 3 em Macau”.

Com as exigências do calendário da Fórmula 1 a serem cada vez maiores, com mais obrigações para os pilotos, dentro e fora da pista, Carlos Sainz foi questionado sobre qual a regra que mudaria na Fórmula 1 da actualidade. Em resposta à esta questão, o filho do ex-campeão do mundo de ralis sugeriu que todos os pilotos da disciplina rainha do automobilismo corressem no lendário Circuito da Guia, em Macau, em monolugares de Fórmula 3, uma vez por ano.

“Esta é uma pergunta difícil”, disse Carlos Sainz, citado pelo portal Planet F1. “Tenho a certeza que há uma, mas acho que uma vez por ano, todos nós deveríamos ir a Macau e correr na F3, [ter] 20 pilotos de F1 por lá.”

Depois de ter vencido a corrida da Fórmula BMW Asia, na edição de 2010, Carlos Sainz participou, por duas vezes, na corrida de Fórmula 3 no Grande Prémio de Macau, tendo obtido um sétimo lugar como o seu melhor resultado, na altura defendendo as cores da Red Bull. Apesar de nunca ter subido ao pódio, o piloto madrileno disse que gostaria de ter a oportunidade de ver os actuais vinte pilotos do mundial de Fórmula 1 a acelerarem no traçado único do Circuito da Guia.

Quando questionado sobre o quão próximos os pilotos estariam se corressem num circuito como o de Macau, Carlos Sainz indicou que a singularidade da pista da RAEM poderia levar a uma diferença um pouco maior entre o actual grupo de pilotos, pois se todos tivessem de correr com os mesmos carros numa pista tradicional do calendário da Fórmula 1, o espanhol acredita que não haveria grande diferença entre os 20 pilotos do mundial.

“Acho que em Macau é diferente. Em Macau pode haver mais diferenças [entre os pilotos]”, explicou Carlos Sainz, “[mas numa] pista normal, se formos todos amanhã a Barcelona, por exemplo, e fizermos uma volta de qualificação, em condições normais de piso seco, seis conjuntos de pneus macios e novos como temos sempre? Não creio que haja mais de meio segundo entre nós.”

Ideia que não é nova

Obviamente, por diversos motivos, a ideia de Carlos Sainz não é hoje plausível. Contudo, esta não seria a primeira vez que o Circuito da Guia acolheria numa só corrida, e em carros iguais, grandes nomes do automobilismo.

Pela mão do empresário Teddy Yip, em 1968, realizou-se a “Corrida dos Gigantes”, que reuniu ex-vencedores do mundial de Fórmula 1, das 500 milhas de Indianapolis e das 24 Horas de Le Mans. Ao volante de Ford Escort iguais, nomes sonantes do automobilismo mundial Phil Hill, Mike Stirling Moss, Jack Brabham, Denis Hulme, Jacky Ickx, Bobby Unser, ou o Príncipe Bira do Sião, mediram forças no Circuito da Guia. O belga Jacky Ickx, ex-piloto da Ferrari na F1 e multi-vencedor das 24 Horas de Le Mans, venceu a corrida categoricamente.

Em 1989, o entuasiasta Teddy Yip reeditou a ideia, desta vez usando os Mazda MX5 Miata versão troféu. Agora baptizada como “Corrida de Campeões”, a prova foi ganha pelo britânico Geoff Lees, o vencedor do Grande Prémio de Macau em 1979 e 1980.

Na edição do 60º aniversário, em 2013, a corrida “Scirocco R China Masters Challenge” voltou a trazer-nos à memória as corridas organizadas por Teddy Yip, ao reunir vários nomes grandes do Circuito da Guia numa só grelha de partida. Duncan Huisman, piloto que venceu por quatro vezes na Corrida da Guia, triunfou nesta corrida que usou os Scirocco construídos na Volkswagen Autoeuropa em Portugal.

APEC | Cooperação sim, confrontos não

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, afirmou que o Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), que se realiza em Novembro, nos Estados Unidos, deve ser um palco para promover a cooperação e não incitar confrontos. Citado pela agência noticiosa oficial Xinhua, Wang afirmou que a China, como o maior país em desenvolvimento e membro relevante da APEC, está disposta a desempenhar um “papel construtivo” no sucesso da cimeira deste ano.

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês não revelou se o Presidente do país, Xi Jinping, vai participar no encontro, que se realiza em São Francisco, entre os dias 14 e 17 de novembro. Xi esteve já ausente das cimeiras do G20 e da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

O ministro chinês disse acreditar que os EUA “estão plenamente conscientes” das suas obrigações como anfitrião e que vão demonstrar “abertura, inclusão, equanimidade e responsabilidade” para criar “condições favoráveis” para que a cimeira decorra de forma pacífica. As declarações de Wang Yi foram feitas durante a apresentação de um documento preparado pelo governo chinês e intitulado “Uma comunidade global para um futuro partilhado: as propostas e acções da China”.

“Cada país deve valorizar as preocupações legítimas de segurança dos outros”, disse Wang, que se opôs à expansão “arbitrária” das alianças militares e às pressões sobre o ambiente de segurança de outros países. O diplomata chinês sublinhou a importância de resolver disputas internacionais através do diálogo e de consultas, ao mesmo tempo que apelou à criação de um “ambiente propício à segurança universal”.

Filipinas | Juízo aconselhado no âmbito das tensões do Mar do Sul da China

Pequim aconselhou hoje as Filipinas a evitarem provocações no Mar do Sul da China, após a retirada pela guarda costeira filipina de uma barreira flutuante, instalada pela China perto de um recife disputado. Um dispositivo flutuante de 300 metros de comprimento foi descoberto na semana passada, na entrada do recife de Scarborough, cujo controlo a China assumiu em 2012, apesar de ser reivindicado pelas Filipinas. O dispositivo bloqueou o acesso ao recife em forma de atol, com águas rasas, ricas em recursos pesqueiros. A Guarda Costeira Filipina anunciou, na segunda-feira, o seu desmantelamento, “de acordo com as instruções do Presidente”.

O porta-voz da diplomacia chinesa Wang Wenbin criticou hoje o “chamado comunicado de imprensa” das Filipinas. “A China defende firmemente a sua soberania e os seus direitos e interesses na Ilha Huangyan (nome chinês para o recife de Scarborough)”, disse o porta-voz. “Aconselhamos as Filipinas a não fazerem provocações ou criarem distúrbios”, advertiu.

O recife de Scarborough fica a 240 quilómetros a oeste da ilha principal das Filipinas, Luzon, e a quase 900 quilómetros da ilha chinesa de Hainan, no extremo sul da China.

“A barreira representava um perigo para a navegação e uma clara violação do Direito internacional”, afirmou a Guarda Costeira filipina, através de um vídeo difundido na segunda-feira. No vídeo, um homem surge a romper com uma faca uma corda presa a bóias brancas. O conselheiro de Segurança Nacional das Filipinas, Eduardo Ano, disse anteriormente que Manila tomaria “todas as medidas apropriadas” para garantir a remoção da barreira.

Von der Leyen critica concorrência de empresas chinesas “fortemente subsidiadas” na UE

A Comissária Europeia criticou os subsídios estatais das empresas chinesas. Na resposta, a China chama atenção para o mesmo “pecado” em toda a Europa

 

A presidente da Comissão Europeia criticou ontem a concorrência de “actores estrangeiros fortemente subsidiados” na União Europeia (UE), numa alusão aos carros eléctricos chineses vendidos mais baratos que os europeus, prometendo acabar com “práticas desleais”. “No que respeita à concorrência desleal, as nossas empresas europeias enfrentam com demasiada frequência a concorrência de atores estrangeiros fortemente subsidiados. Pensemos na indústria automóvel. […], mas ao mesmo tempo os mercados mundiais são inundados por carros elétricos chineses baratos e o seu preço é mantido artificialmente baixo graças a enormes subsídios estatais”, declarou Ursula von der Leyen.

Intervindo na Cimeira sobre o Pacto Ecológico europeu, na capital checa, em Praga, a líder do executivo comunitário justificou que, por essa razão, a UE está a avançar com a investigação contra os subsídios aos veículos eléctricos provenientes da China, anunciada em meados deste mês. “As empresas europeias estarão sempre prontas para a verdadeira concorrência – a concorrência em termos de custo-eficácia e qualidade -, mas esta tem de ser justa e nós protegeremos as empresas europeias da concorrência desleal”, prometeu.

Estas declarações de Ursula von der Leyen surgem quando termina a viagem do vice-presidente executivo da Comissão Europeia com a pasta do Comércio, Valdis Dombrovskis, à China, ocasião na qual o responsável pediu cooperação a Pequim na investigação aberta por Bruxelas sobre subvenções chinesas, alegadamente ilegais, ao sector dos carros eléctricos, de acordo com fontes europeias.

Telhados de vidro

Sobre a investigação anti-subsídios da UE a propósito dos veículos eléctricos chineses, numa conferência de imprensa, Mao Ning, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, disse que “a China se opõe a todas as formas de protecionismo comercial e que as acções relevantes da UE não são conducentes à estabilidade da indústria automóvel global e das cadeias de abastecimento e não são do interesse de ninguém”. Mao instou a UE a criar um ambiente de mercado “justo, não discriminatório e previsível” para o desenvolvimento comum das indústrias chinesa e europeia de veículos eléctricos e a opor-se conjuntamente ao protecionismo comercial.

Cui Hongjian, professor na Beijing Foreign Studies University, salientou que, na perspectiva chinesa, a UE tomou nos últimos anos uma série de medidas de natureza proteccionista nos domínios do investimento, do comércio e das indústrias. “Todas estas questões têm de ser abordadas com urgência… a UE não pode adoptar uma atitude de culpar a China por todos os problemas”, afirmou ao Global Times.

“A investigação sobre os veículos eléctricos chineses não é a única medida proteccionista tomada pela UE. Na semana passada, entrou oficialmente em vigor a Lei Europeia dos Chips da UE, que implica subsídios maciços para reforçar a indústria de chips europeia. Em junho, a UE lançou a Estratégia Europeia de Segurança Económica, essencialmente um passo para “reduzir os riscos”, e afirmou que os fornecedores chineses de 5G, Huawei e ZTE, representam “riscos materialmente mais elevados do que outros fornecedores de 5G”. Sob esta retórica, alguns países da UE estão alegadamente a tomar medidas para excluir a Huawei e a ZTE, sendo a mais recente a Alemanha, o que provocou uma resposta dura da China e até da comunidade empresarial alemã”, concluiu Cui.

Outros observadores chineses afirmam que tais medidas, incluindo a mais recente investigação sobre os veículos eléctricos chineses, não são apenas tentativas de aumentar a influência da UE durante as conversações, mas também visam reduzir sistematicamente as chamadas “dependências” da China devido a “preconceitos geopolíticos e ideológicos”. Além disso, apesar de todas as suas medidas proteccionistas, os funcionários da UE têm afirmado repetidamente que não estão a tentar “dissociar-se” da China; no entanto, para a China, “a UE deve demonstrar a sua intenção com acções reais e não com retórica”, acrescentaram os peritos.

Problemas “não vêm da China”

Fang Dongkui, scretário-geral da Câmara de Comércio China-EU, instou ainda a UE a clarificar estas acções e a procurar consultas positivas e soluções adequadas com a parte chinesa. A UE “não deve recorrer facilmente a instrumentos comerciais e políticos que ultrapassam o conceito de segurança nacional e politizam as questões económicas e comerciais”, afirmou Fang.

“Se a UE quiser provar que está a reduzir os riscos e não a dissociar, o ónus da prova recai diretamente sobre a UE”, disse Bai Ming, investigador da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Económica, sob a alçada do MOFCOM, ao Global Times, na sexta-feira, sublinhando que o “comércio desequilibrado” se deve às políticas da UE e não às da China.

Segundo dados da Comissão Europeia, os carros elétricos chineses, que entraram recentemente na UE, já representam 8% do mercado total, sendo 20% mais baratos face à concorrência europeia. Em causa estão alegadas subvenções a empresas chinesas a investir no estrangeiro, principalmente em sectores estratégicos.

Dados da Associação de Fabricantes de Automóveis da China indicam que as exportações de veículos eléctricos pela China mais do que duplicaram (+110%), entre janeiro e agosto. No ano passado, foram vendidos na China quase seis milhões de carros elétricos – mais do que em todos os outros países do mundo juntos. A dimensão do mercado chinês e fortes apoios estatais propiciaram a ascensão de marcas locais, incluindo a BYD, NIO ou Xpeng.

Fundação Jorge Álvares | Lançado novo website

A Fundação Jorge Álvares (FJA) lançou este mês, no dia 14, um novo website, “fortalecendo, assim, a sua presença online e melhorando o acesso à informação sobre a fundação, sua missão e actividades”, além de “divulgar notícias relevantes sobre Macau e a diáspora macaense espalhada pelo mundo”.

Citada por um comunicado da FJA, Maria Celeste Hagatong, presidente da fundação, disse que o projecto resulta “de um forte investimento na política de gestão da comunicação e imagem da Fundação Jorge Alvares”. “Convidamos todos aqueles que se interessam por Macau a explorarem o nosso site e a envolverem-se nas nossas iniciativas”, acrescentou.

O novo portal inclui secções como “Mensagem da Presidente”; “Quem foi Jorge Álvares”, “A Fundação” e a “Biblioteca Digital FJA”. Ao centro, realçam-se conteúdos como “A última Newsletter do mês” e a “Colecção de Arte da FJA no Museu do CCCM”.

A FJA foi criada em 1999 com o objectivo de suscitar e promover a cooperação entre Portugal e a RAEM, mantendo vivos os laços multisseculares existentes entre Portugal e a República Popular da China, de que Macau foi a manifestação mais significativa, sublinha a direcção da entidade.

CCCM | Revista “Via do Meio” apresentada em Lisboa

Nascida das páginas do HM e já lançada em Macau, a revista “Via do Meio” teve na segunda-feira a sua apresentação em Lisboa, no Centro Científico e Cultural de Macau. Carlos Morais José, director da publicação, falou da importância de traduzir para português os textos clássicos das grandes civilizações, como a chinesa

 

Foi lançado na segunda-feira em Lisboa, no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), o primeiro número da revista “Via do Meio”, com textos sobre poesia, arte e pensamento chinês traduzidos por sinólogos e académicos dedicados à cultura chinesa. De frisar que a publicação, dirigida por Carlos Morais José, teve origem nas páginas do HM, que começou por publicar alguns textos de autores como Paulo Maia e Carmo, Ana Cristina Alves, Cláudia Ribeiro ou as traduções de Rui Cascais, entre outros, algo que se mantém nas edições diárias.

Durante a apresentação, Carlos Morais José realçou a importância de divulgar mais “uma cultura que, para nós europeus, apresenta muitas vezes aspectos difíceis de compreender”, falando dos primórdios deste projecto editorial.

“Somos um órgão de comunicação social em língua portuguesa da RAEM, e entendemos que é importante ter esse papel de transmissor da cultura chinesa. Então, desde o princípio, investimos nisso e há algum tempo que propomos a alguns autores que escrevam sobre a China e que traduzam textos clássicos chineses que ainda não estavam disponíveis em português.”

Em Macau, a “Via do Meio” já vai o seu terceiro número. Mas a transposição para o mercado português faz sentido “porque o mercado de Macau em língua portuguesa é muito limitado”, disse. “Faz sentido publicar [em Macau], mas é uma pena gastarmos tantos recursos e ficarmos apenas naquele mercado limitado. Podemos falar da Internet, mas este não é um tipo de leitura para [formato online], esta revista, se quiserem, é para coleccionar, para guardar em casa, para ir lendo.”

Traduzir é preciso

Carlos Morais José deixou ainda o repto para se continuar a traduzir os textos clássicos das grandes civilizações, como é o caso da chinesa, uma civilização milenar. “[Traduzir] é um trabalho de defesa da nossa língua. Nós temos de ter os grandes textos traduzidos em português e esse é um trabalho fundamental, nosso, dos portugueses e de todos os países que falam a língua portuguesa. Não podemos dizer que vamos ler Confúcio e lermo-lo em inglês. É preciso que os grandes textos das grandes civilizações estejam traduzidos para língua portuguesa.”

A apresentação da revista foi acompanhada de uma pequena palestra sobre confucionismo, também protagonizada por Carlos Morais José, que recordou o facto de a “via do meio” ser um caminho que se percorre constantemente, nunca finalizado. “Confúcio diz que é impossível estar constantemente na via do meio, que é difícil criá-la”, disse, referindo-se a esta ideia como uma “utopia confuciana”.

“Não perceber a importância que esta civilização já teve na história, fundamental, [não é correcto] e penso que temos de a estudar. Estamos todos juntos no mesmo planeta e há conceitos chineses interessantes para pensar exactamente o planeta em que vivemos. Por exemplo, o conceito que Xi Jinping criou de uma comunidade global partilhada é algo incontornável. Essa comunidade já existe. Mas há outros conceitos igualmente importantes”, rematou.

Ontem foi ainda apresentado o projecto pioneiro de uma nova editora de Carlos Morais José em Portugal, a “Grão-Falar”, focada na publicação de clássicos chineses em português, e que já tem pensadas edições como “As Leis da Guerra”, de Sun Bin, com tradução e notas de Rui Cascais, ou “Textos Clássicos sobre Pintura”, de Paulo Maia e Carmo.

Destaque ainda para a apresentação da mesma publicação na passada quinta-feira em Braga, na Universidade do Minho, que tem o curso de Línguas e Culturas Orientais. Nessa sessão, Carlos Morais José fez também uma breve abordagem ao panorama do jornalismo em Macau.

Trabalhos de alunos do curso de tradução a partir de hoje na USJ

Chama-se “DIVERSAS – A diversidade na tradução português-chinês” e estreia hoje no campus da Universidade de São José (USJ), sendo a primeira mostra dos trabalhos dos alunos da licenciatura em Estudos de Tradução de Português-Chinês da mesma instituição de ensino. A mostra que pode ser visitada até 20 de Outubro na galeria Kent Wong é organizada pelo departamento de línguas e cultura da Faculdade de Artes e Humanidades da USJ.

São apresentados 30 projectos desenvolvidos no âmbito das disciplinas da licenciatura, resultando “numa exibição multifacetada” que estabelece um “diálogo intercultural e linguístico entre o português e o chinês”.

Segundo um comunicado da USJ, “esta exposição é o resultado do esforço, dedicação e talento dos alunos, reflectindo a diversidade destas duas línguas tão distintas”, nomeadamente o chinês e o português. Através da arte explora-se “a tradução e interpretação de textos, abrangendo diversos géneros, temas e campos do saber”. “A diversidade dos trabalhos expostos reflecte não apenas a riqueza linguística, mas também as diferenças culturais, sociais e históricas entre os mundos sino-lusófonos”, acrescenta-se.

Significados e perspectivas

A exposição “DIVERSAS” permite aos visitantes “explorar e descobrir a pluralidade de significados e perspectivas que surgem ao longo do processo de ensino e aprendizagem das línguas”, sendo que “cada peça da exposição é o testemunho do desafio que é traduzir não somente palavras, mas também contextos, ideias e sentimentos entre culturas e tradições tão ricas”.

Segundo a USJ, este evento possibilita “não só uma oportunidade para conhecer o trabalho e a criatividade dos nossos estudantes, mas também para reflectir sobre a importância do diálogo intercultural na construção de um mundo mais inclusivo e harmonioso”. A mostra é também “um convite à reflexão sobre o papel da tradução na aproximação de mundos, na compreensão de outras culturas e na construção de pontes entre pessoas e nações”.

Estradas | Trânsito e chuva provocaram mais buracos

O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) adiantou ao canal chinês da Rádio Macau que foram descobertos este mês mais buracos nas estradas, do que é habitual, devido às chuvas fortes que caíram nas últimas semanas. Entre os dias 1 e 21 deste mês foram descobertos 290 novos buracos nas vias públicas, mais 100 face a Agosto, sendo que o IAM já realizou obras em 240.

Além das chuvas fortes, outra das causas apontadas pelo IAM para o surgimento de buracos nas estradas é o intenso fluxo automóvel e, sobretudo, a passagem de veículos pesados na Avenida da Amizade. O IAM promete reforçar a inspecção destes locais.

Addy Chan, vice-presidente da Associação de Engenheiros de Macau, explicou que os buracos são causados pela erosão do solo e colapso gradual da rede de esgotos. Além disso, o responsável acrescenta que as últimas obras nas vias foram realizadas usando técnicas e materiais que visam a maior durabilidade do pavimento, situação que agrada ao sector da construção.

Jogo | Setembro com receitas superiores a 12 mil milhões

Até 24 de Setembro, as receitas brutas do jogo atingiram o valor de 12 mil milhões de patacas. A estimativa faz parte de um relatório do banco de investimento JP Morgan Securities (Asia Pacific), citado pelo portal GGR Asia.

“Esta estimativa implica que na semana passada o ritmo das receitas cresceu aos poucos para um valor diário entre os 550 milhões de patacas e os 560 milhões de patacas. Na semana anterior, o valor situava-se entre 540 milhões de patacas e 550 milhões de patacas”, consta no relatório do banco de investimento.

Segundo a mesma fonte, nas duas primeiras semanas deste mês, as receitas diárias rondavam 430 milhões de patacas, o que foi explicado com “as condições extremas” do clima, nomeadamente o tufão Saola e um dia com inundações.

“Este valor está dentro das nossas estimativas, com as previsões a apontarem para receitas brutas mensais entre 14,5 mil milhões de patacas e 15 mil milhões de patacas (ou entre 480 milhões a 500 milhões por dia)”, é acrescentado pelos analistas DS Kim, Mufan Shi e Selina Li.

Em Agosto, as receitas brutas do jogo foram de 17,21 mil milhões de patacas, no que representou um crescimento de 3,3 por cento face a Julho. Este foi o melhor desempenho mensal da principal indústria do território desde Janeiro de 2020, o primeiro mês da pandemia e antes da campanha contra as promotoras de jogo, quando as receitas brutas alcançaram o montante de 22,13 mil milhões de patacas.

Em relação aos feriados da Semana Dourada, a JP Morgan indica que há “um clima de optimismo” entre as concessionárias, e que muitas esperam que sejam batidos os recordes de receitas pós pandemia.

Construção | Portas do Entendimento encerradas e com novos danos

Encerrado ao público praticamente desde 2018 e isolado com separadores de plástico, o monumento Portas do Entendimento apresenta novos danos, desta feita em dois vidros da vedação

 

Apesar de encerradas ao público desde 2018 e isoladas com separadores de plástico, as Portas do Entendimento voltaram a sofrer novos danos. A notícia foi avançada na edição de ontem do Jornal Cheng Pou.

Segundo o relato da publicação em língua chinesa, o monumento continua encerrado, sem poder receber visitantes, apesar das obras de renovação terem terminado. Também a gestão do espaço foi entregue ao Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). No entanto, e apesar de no local terem sido colocadas protecções com separadores de plástico, tal não impediu que a estrutura sofresse novos danos, em dois vidros que fazem parte das barreiras de protecção do acesso ao monumento.

A causa dos danos é desconhecida, podendo ter sido causada pelos fortes ventos que se fizeram sentir em Macau no início do mês, com a passagem do Tufão Saola. Em Setembro deste ano, foi anunciado que as Portas do Entendimento vão estar integradas na “segunda fase do corredor verde”, que vai ser criado na costa Sul da península, entre a Ponte Governador Nobre de Carvalho e as Portas do Entendimento.

Apesar de o projecto ainda não estar concluído, o IAM respondeu este mês a uma interpelação escrita de Ho Ion Sang revelando que no local vão ser instalados espaços de lazer, uma praça de actividades e equipamentos de manutenção física.

Obras atribuladas

As obras de renovação do monumento Portas do Entendimento estiveram envoltas em controvérsia, após os trabalhos terem sofrido um atraso. A obra foi adjudicada por 38,8 milhões de patacas ao consórcio constituído pela Companhia de Construção e Engenharia Lei Fung e Sociedade de Construção e Engenharia – Grupo de Construção de Xangai – SCG (Macau).

Apesar da promessa de completar a renovação num prazo de 515 dias, o monumento foi entregue com 59 dias de atraso, o que levou o Governo a aplicar uma multa de 2,8 milhões de patacas à adjudicatária, em Outubro do ano passado. A penalização foi ainda questionada em tribunal, mas em Maio deste ano o Tribunal de Segunda Instância, numa decisão acatada pelo consórcio, considerou que a multa aplicada era legal.

Lamentada pouca utilização

As Portas do Entendimento foram inauguradas em 1993 e têm como autor o artista plástico João Charters de Almeida e Silva. Em 2017, em declarações ao HM, o autor lamentou a pouca utilização do monumento, ao contrário do que disse ter acontecido após a inauguração.

“Lembro-me do monumento ser utilizado. Tenho fotografias do monumento cheio de pessoas, a ser visitado”, afirmou Almeida e Silva, em 2017. “Depois fez-se aquela via rápida e [o monumento] acabou por desaparecer um pouco. Mas a peça está feita para dialogar com o tecido urbano, não para ser tratada como um bibelot. Está estudada e foi congeminada para ser uma peça de integração urbana”, indicou.

“Se não há pessoas para visitar, é porque não há acessos, e isso deve competir ao Governo e a quem toma essas decisões. Lamento, pois é um trabalho público, foi feito para o espaço público, e tem uma simbologia que é de uma actualidade absoluta: entendimento, o que precisamos de hoje em dia, porque ninguém se quer entender”, acrescentou o artista plástico.

Taipa | Mais de 5.700 multas por lixo e cuspidelas

Desde o início do ano até 15 de Agosto, os fiscais do Instituto para os Assuntos Municipais multaram 5.744 pessoas por actos como deitar lixo ou cuspir no chão, junto das atracções turísticas da Taipa, principalmente na Rua do Cunha. A revelação foi feita por Hoi Io Meng, subdirector dos Serviços de Turismo, em resposta a uma interpelação do deputado Leong Hong Sai.

Nas perguntas enviadas ao Governo, Leong pretendia saber que medidas estavam a ser adoptadas para melhorar a higiene daquela zona do território. Hoi Io Meng garantiu também que foi pedido à Companhia de Sistemas de Resíduos (CSR) que aumente a frequência da limpeza das ruas, assim como a criação de mais pontos de recolha de lixos.

Por outro lado, o IAM afixou mais avisos nos espaços públicos a apelar aos residentes e turistas para que mantenham a rua limpa.
Na interpelação, Leong Hong Sai questionou ainda se no âmbito da revitalização de zonas antigas da cidade e da criação de novas zonas pedonais, como acontece com a Rua da Felicidade, se o mesmo poderia acontecer com a Rua do Cunha.

No entanto, o subdirector da DST, Hoi Io Meng, cita a informação do Instituto Cultural (IC) para indicar que, pelo menos neste momento, não existem planos para transformar a Rua do Cunha numa zona pedonal.

Terrenos | Leilões para concessão com uma única proposta

O consórcio constituído pelas empresas Top Builders Group e Iok Seng apresentou uma proposta pelo Lote BT9a, que tem um preço mínimo de licitação de 777 milhões de patacas. A represente da Top Builders promete casas com qualidade e preços controlados

 

Os dois concursos públicos para a atribuição de concessões relativas a terrenos na Taipa resultaram numa única proposta. A informação foi revelada ontem, em primeira mão, pelo Jornal Ou Mun e confirmada horas mais tarde pela Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU).

Segundo o Jornal Ou Mun, faz parte da tradição que os interessados apresentem as propostas no último dia, perto da hora de encerramento do concurso, que estava agendado para ontem. No entanto, a publicação esteve no local e apenas viu ser entregue uma proposta, do consórcio constituído pelas empresas Top Builders Group e Iok Seng Investimento Limitada.

A oferta destinada ao Lote BT9a foi entregue por uma representante que se apresentou com o apelido Lei. A mulher explicou que o Grupo Top Builders se dedica à construção e que acredita poder construir habitação de excelente qualidade, com base num desenho eficiente do edifício e com medidas de controlo de custos.

A representante do Grupo Top Builders destacou também que a empresa está confiante no mercado de habitação de Macau, apesar de reconhecer que actualmente existe um clima de desconfiança. O concurso público para a atribuição das concessões foi iniciado a 9 de Agosto e o Governo tinha a expectativa de receber pelo menos 1,91 mil milhões de patacas pela concessão dos dois terrenos.

Mínimo de 777 milhões

Em relação ao terreno pelo qual o Grupo Top Builders apresentou uma proposta, identificado como Lote BT9a, o preço mínimo de licitação era de 777 milhões de patacas. A parcela de terra fica situada entre as Rua de Chaves, Rua de San Tau e Rua de Kwai Lam e tem uma área de 3.225 metros quadrados.

O valor da proposta da concorrente só deverá ser conhecido hoje, quando for aberta a proposta. Inicialmente, o Lote BT9a fazia parte de uma parcela maior identificada como o Lote BT9. Em 2022, um despacho do Chefe do Executivo levou à separação dos dois terrenos.

O terreno BT9 foi inicialmente concessionado à Fábrica de Artigos de Vestuário Estilo Limitada, de Stanley Ho, nos anos 60. Porém, em 1999, foi transmitido para a Sociedade Fomento Predial Predific, até à declaração de caducidade da concessão.

O terreno que ficou sem propostas é o LoteBT8, situado na Avenida de Kwong Tung, que tem uma área de 3.509 metros quadrados e o preço mínimo de licitação era de 1,136 mil milhões de patacas.

O terreno BT8 foi recuperado pelo Governo, à luz da polémica Lei de Terras, num processo que ficou finalizado em 2018, depois de um longo processo judicial. Concessionado pela primeira vez em Outubro de 1964, por um prazo de 50 anos, à Fábrica de Artigos de Vestuário Estilo Limitada, em Dezembro de 1999, a concessão foi transmitida para a Sociedade Fomento Predial Socipré. Como o novo prazo de aproveitamento de 42 meses que também não foi cumprido. Em Maio de 2015, o então Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, declarou a caducidade da concessão.

Ma Chi Seng e Pang Chuan estão ligadas a associação de amizade da CCPPC

O Chefe do Executivo reuniu ontem com Ma Chi Seng e Pang Chuan, deputados que nomeou para a Assembleia Legislativa. O encontro, que decorreu na sede do Governo, serviu de apresentação formal dos órgãos sociais recém-eleitos da Associação de Amizade de Membros da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês na Instância da Província de Macau, com os deputados a encabeçarem a comitiva.

A associação agrupa pessoas de Macau que fazem, ou fizeram, parte da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, como membros escolhidos pelas províncias do Interior. Ma Chi Seng, é o presidente da Assembleia Geral da associação, enquanto Pang é presidente do conselho fiscal.

Segundo o Gabinete de Comunicação Social, Ho Iat Seng aproveitou a ocasião para elogiar as direcções anteriores da associação, devido ao “grande volume de trabalho para unir todos os sectores da sociedade de Macau e promover o sentimento de amor pela pátria e por Macau junto das gerações mais jovens”. O Chefe do Executivo considerou mesmo que os resultados da associação na promoção do nacionalismo foram “notáveis”.

Por outro lado, Ho deixou o desejo que os membros da associação apoiem o Governo e se desempenhem “de forma activa, o seu duplo papel, dando opiniões e apresentando sugestões para a diversificação adequada” da economia de Macau.

Promoção nas escolas

Por sua vez, Ma Chi Seng, membro do clã da elite local ligada ao empresário Ma Man Kei, “frisou que, desde a sua criação em 2016, a associação tem seguido e cumprido o objectivo de servir o país, a RAEM e os seus residentes”.

Ma destacou também que “para reforçar a sensibilização e educação de amor pela pátria e por Macau, a associação tem organizado actividades promocionais nas escolas para aprofundar o conhecimento dos jovens estudantes sobre o desenvolvimento nacional e elevar o seu sentimento de pertença ao país”.

Finalmente, o também empresário “prometeu que todos os membros da associação continuarão a cumprir as suas funções como membros da CCPPC e a contribuir para o país e Macau”.

Ensino | Ho Iat Seng quer cooperação com universidades de Zhejiang

Em visita a Hangzhou, o Chefe do Executivo pediu aos estudantes de Zhejiang e Macau para darem as mãos e “expandirem” a cooperação ao nível dos assuntos educativos” da Zona de Cooperação Aprofundada

 

Numa visita oficial, que terminou na segunda-feira, o Chefe do Executivo defendeu a necessidade de aumentar a cooperação entre instituições de ensino superior de Macau e as congéneres de Zhejiang, durante um encontro com o secretário do Comité Provincial de Zhejiang do Partido Comunista Chinês, Yi Lianhong.

Em visita a Hangzhou, capital da província de Zhejiang, onde assistiu à cerimónia de abertura dos Jogos Asiáticos, Ho Iat Seng teve direito a uma visita guiada à Universidade de Zhejiang, conduzida por Yi Lianhong. Segundo o Gabinete de Comunicação Social, a iniciativa teve como objectivo “reforçar a cooperação bilateral na área da formação de quadros qualificados, de ensino superior e de saúde, e contribuir para o desenvolvimento de diversificação adequada da economia de Macau”.

Na ocasião, Ho Iat Seng reconheceu “que a Universidade de Zhejiang representa uma das universidades de referência do país” e afirmou “desejar que as instituições de ensino superior de Zhejiang e de Macau continuem a aprofundar, sob os resultados obtidos, o intercâmbio académico e a cooperação tecnológica”.

Em maior cooperação com a Universidade de Zhejiang, o líder do Governo de Macau apontou a necessidade de dar um novo impulso “ao intercâmbio e aprendizagem entre os estudantes dos dois territórios nas áreas da medicina, gestão, e tecnologia informática”. Ho Iat Seng desejou ainda que os estudantes de Macau e Zhejiang possam, “de mãos dadas”, expandir a cooperação sobre “os assuntos educativos da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”.

Bons partidos

Na Universidade de Zhejiang, Ho Iat Seng foi recebido pelo secretário do Comité do Partido Comunista Chinês da Universidade, Ren Shaobo, e pelo reitor, Du Jiangfeng.

Ren afirmou que “a Universidade de Zhejiang pode reforçar a cooperação e apoiar Macau a impulsionar a formação de quadros qualificados assim como o desenvolvimento das indústrias principais, nomeadamente de big health e de tecnologia de ponta”.

A segunda paragem foi na Universidade Shuren de Zhejiang, onde o encontro de Ho Iat Seng foi com o reitor, Li Lu, e o secretário do Comité do Partido Comunista Chinês da Universidade, Zhang Qing.

Li Lu indicou que a Universidade Shuren de Zhejiang “tem mantido uma ligação académica com instituições de ensino superior de Macau, e que no futuro, ambas as partes podem vir a reforçar a cooperação” em áreas como a “medicina tradicional chinesa, ciência e tecnologia, serviços sociais, saúde, serviços domésticos e no intercâmbio de quadros qualificados jovens”.

Cooperação China-Portugal na construção da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota produz resultados abrangentes

Por Zhao Bentang, Embaixador da China em Portugal

O presidente Xi Jinping propôs a iniciativa Uma Faixa, Uma Rota em 2013, a qual foi acolhida positivamente pela comunidade internacional. Ao longo de 10 anos, a China e os demais países envolvidos coordenaram políticas, alinharam planos de desenvolvimento, implementaram projetos de conectividade, promoveram a facilitação do comércio e do investimento, e construíram uma importante plataforma de cooperação internacional.

A iniciativa chinesa tornou-se um caminho rumo ao desenvolvimento, uma via de oportunidades e uma rota de prosperidade.

Em dezembro de 2018, durante a visita de Estado do Presidente Xi Jinping a Portugal, a China e Portugal assinaram um memorando de entendimento sobre a cooperação na construção da iniciativa Cinturão e Rota. Em abril de 2019, o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, visitou a China e participou no segundo Fórum do Cinturão e Rota para Cooperação Internacional. Os líderes dos dois países realizaram visitas recíprocas em menos de meio ano, elevando a parceria estratégica abrangente China-Portugal a novos patamares.

Actualmente, a cooperação na construção da iniciativa chinesa entre a China e Portugal encontra-se em um novo ponto de partida. Ambas as partes estão comprometidas em avançar, aproveitar oportunidades, respeitar mutuamente os princípios da igualdade e continuar a melhorar a cooperação prática, enriquecendo ainda mais o conteúdo da parceria estratégica abrangente bilateral.

A cooperação China-Portugal na construção da iniciativa recorre a vantagens naturais. Portugal é uma nação antiga de navegação, o ponto de partida europeu na antiga Rota da Seda Marítima e um importante hub que conecta a Rota da Seda Terrestre e a Rota da Seda Marítima. É, por isso, um parceiro natural. Portugal é um dos membros fundadores do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, foi um dos primeiros países da Europa Ocidental a assinar um acordo de cooperação na construção da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota com a China, o primeiro país da União Europeia a estabelecer uma “parceria azul” oficial com a China e o primeiro país da zona do euro a emitir títulos denominados em renminbi.

A China é o maior parceiro comercial de Portugal na Ásia, enquanto que, por seu turno, Portugal é um dos principais destinos do investimento chinês na Europa. As excelentes condições geográficas e a sólida disponibilidade para a cooperação estabeleceram uma base para a cooperação entre a China e Portugal.

Nos últimos anos, o comércio bilateral entre a China e Portugal cresceu rapidamente, ultrapassando US$ 6 mil milhões em 2018 e atingindo mais de US$ 9 mil milhões em 2022, alcançando um novo recorde histórico. Isso é ainda mais notável, considerando os desafios da pandemia e a lentidão da recuperação econômica global. Os investimentos chineses em Portugal abrangem diversas áreas, tendo aumentando de € 9 mil milhões em 2018 para € 11,2 mil milhões em 2022. Os produtos portugueses exportados para a China têm assistido a um aumento tanto em variedade quanto em quantidade, com produtos como carne de porco preto, vinho e cerveja ganhando popularidade entre os consumidores chineses.

Mais de 40 universidades chinesas oferecem cursos de língua portuguesa, enquanto Portugal tem cinco institutos Confúcio e diversas escolas públicas e privadas oferecendo cursos de chinês. Esses resultados de cooperação beneficiam diretamente as populações de ambos países, promovendo também a troca cultural e a compreensão mútua.

Tanto a China quanto Portugal enfrentam desafios econômicos, sociais e de desenvolvimento. A China está disponível para trabalhar em conjunto com Portugal no sentido de continuar a alinhar a iniciativa Cinturão e Rota com a estratégia de desenvolvimento de Portugal, promover uma cooperação sólida nos campos da sustentabilidade, digitalização, inovação e economia do mar.

A China valoriza o papel de Portugal na União Europeia e na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e está disponível para expandir ainda mais a cooperação de mercado trilateral ou multilateral para beneficiar mais países e povos.

“Há centenas de anos, porcelanas azuis e brancas da China navegaram pelo oceano até Portugal, fundindo-se com as técnicas locais de produção de cerâmica, criando o encantador ‘azul de Portugal'”, escreveu o Presidente Xi Jinping em um artigo assinado em nome do povo chinês, nas vésperas de sua visita de Estado a Portugal, em 2018, destacando a amizade duradoura e profunda entre os dois países.

Acreditamos que, no futuro, a cooperação China-Portugal na construção da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota continuará a impulsionar o desenvolvimento contínuo da parceria estratégica abrangente China-Portugal, em benefício dos povos de ambos os países.

IC celebra centenário do nascimento de Henrique de Senna Fernandes

O Instituto Cultural (IC) irá organizar uma série de actividades, em Outubro, incluindo palestras temáticas, uma sessão de cinema e uma exposição online para celebrar o centenário do nascimento de Henrique de Senna Fernandes, descrito pelo Governo como um “famoso autor de Macau”.

Nos dias 14 e 15 de Outubro, pelas 15h, na Casa da Literatura de Macau serão realizadas duas palestras temáticas. Divididas numa sessão em cantonense e outra em português, as palestras, em torno dos temas “Eterno Feminino – Discussão sobre as figuras femininas retratadas nos romances de Henrique de Senna Fernandes” e “Macau pelos olhos de Henrique de Senna Fernandes”, contarão com a presença do filho do escritor, Miguel de Senna Fernandes, e do conceituado investigador da literatura portuguesa, Yao Jingming. Os palestrantes irão abordar “as obras literárias de Henrique de Senna Fernandes, o seu estilo de escrita e as características sociais e culturais de Macau pelos seus olhos”, indica o IC.

Para comemorar a vida e obra do autor será também organizada a exposição “Na Ponta da Caneta – Exposição Online pelo 100º Aniversário do Nascimento de Henrique de Senna Fernandes”, disponível na página electrónica da Casa da Literatura de Macau. A exposição visa apresentar a vida, as obras publicadas e excertos literários de Henrique de Senna Fernandes, bem como comentários e estudos sobre o autor, para dar a conhecer ao público a riqueza do valor literário e das realizações culturais associadas ao escritor. A data de lançamento da exposição online será anunciada posteriormente, indicou ontem o IC.

Testemunho artístico

As inscrições para as actividades organizadas pelo IC, que têm entrada gratuita, estão abertas a partir das 10h de hoje.
As obras de Henrique de Senna Fernandes são principalmente romances. Um dos seus romances, “A Trança Feiticeira”, foi adaptado ao cinema, sendo um marco importante na literatura cinematográfica de Macau. No dia do seu aniversário (15 de Outubro), o IC irá exibir o filme, às 15h, na Cinemateca Paixão.

Henrique de Senna Fernandes (1923–2010), escritor e advogado de renome de Macau com notáveis realizações literárias, tinha uma capacidade admirável para retratar as características da fusão entre as culturas chinesa e ocidental em Macau, através das suas narrativas. O IC publicou várias obras suas, incluindo “A Trança Feiticeira”, “Amor e Dedinhos de Pé”, “Os Dores”, “A Noite Desceu em Dezembro”, “NAM VAN”, “MONG-HÁ”, entre outras.

Mercado nocturno II

A semana passada, falámos dos mercados nocturnos e da sua importância para a revitalização da economia, na medida em que podem ser direccionados tanto para os habitantes locais como para os turistas. Além disso, as actividades a que se dedicam são sobretudo nocturnas. A venda de bebidas alcoólicas é disso um exemplo, porque é principalmente feita à noite.

As actividades dos mercados nocturnos, devem ser feitas de acordo com certos temas para maximizar as suas potencialidades. No calendário lunar chinês, a 15 de Agosto (no calendário ocidental, é uma data móvel do mês de Setembro) celebra-se o “Festival do Meio do Outono. A Lua cheia é o símbolo de uma família feliz e as pessoas costuma vir para a rua celebrar. Nesta altura do ano, a Lua cheia é a maior e a mais brilhante. Existirá alguma instituição disposta a emprestar um telescópio para que todos possam observar o céu nestes mercados e puderem ver a verdadeira face da Lua? Esta actividade é interessante e cientificamente significativa. As crianças ficariam felizes.

A iguaria por excelência do “Festival do Meio do Outono” é o “bolo lunar”. Se existir uma banca que venda bolos lunares à unidade, em vez de serem vendidos em caixas, todos se sentirão encorajados a comprar alguns e ainda algumas bebidas não alcoólicas. Podiam comprar, comer e beber imediatamente, o que seria simultaneamente festivo e significativo. Enquanto comiam bolos lunares, podiam observar o céu, à procura de astronautas. A seguir, também podiam ir ver o espectáculo de fogo de artificio do Dia Nacional. Não ia ser maravilhoso?

Os turistas da China continental que vêm sozinhos deixam as suas casas por um breve período de tempo para virem assistir ao Festival do Meio do Outono em Macau. Durante gerações, leram o poema de Du Fu “A Lua é Mais Brilhante na Nossa Terra Natal”. Ao olharem a Lua, sentem as saudades que o poeta tinha da sua terra e as suas preocupações com a família, e vão ter uma relação mais harmoniosa com as suas próprias famílias depois de regressarem a casa.

Os turistas da China continental que vêm a Macau com familiares e amigos ignoram os bolos lunares e procuram artigos e especialidades locais nos mercados nocturnos – egg rolls, rebuçados de amendoim, carne seca, etc. Nas suas terras, podem comer bolos lunares todos os dias. Em Macau, comem-se bolos de amêndoa, tartes portuguesas, bolos de ananás, etc. para celebrar o Festival do Meio do Outono. A gastronomia celebrativa deste Festival varia consoante o local.

Os turistas estrangeiros têm também uma oportunidade para aprender mais sobre a cultura chinesa, para entenderem a origem do Festival do Meio do Outono e compreenderem o impacto significativo da tradição dos bolos lunares na História da China. Se os turistas gostarem destes doces, podem comprar algumas unidades ou mesmo algumas caixas. Estes turistas vão ficar muito felizes quando voltarem às suas casas, porque levam consigo egg rolls, bolos de ananás e carnes secas confeccionados em Macau. Mas só os turistas que visitam Macau em Setembro podem provar bolos lunares que aqui só são feitos uma vez por ano.

Um mercado nocturno que reúna cultura, temas, actividades, entretenimento e gastronomia é do interesse dos habitantes locais e dos turistas. Com participantes de todo o mundo cria-se um ambiente feliz e harmonioso e pode incentivar-se o consumo e a estimulação da economia.

Mas existem ressalvas para qualquer actividade e os mercados notcurnos não são excepção. Para que estes mercados possam ser bem-sucedidos, a continuidade é um elemento indispensável. Durante a primeira realização, o organizador deve estar já a planear na próxima. Quando as pessoas souberem a data e a programação da seguinte, vão poder planear com antecedência a sua vinda. Os mercados nocturnos promovem actividades económicas à noite e o ruído é inevitável. Os locais onde se realizam devem ficar um pouco afastados das zonas residenciais. Devem situar-se em locais acessíveis, embora evitando incómodo para a vizinhança, e devem ficar sujeitos a controlo de tráfego. Os produtos vendidos nos mercados nocturnos também devem obedecer à regulamentação específica em vigor. Por exemplo, os alimentos devem ter prazo de validade. As leis de Macau devem ser respeitadas e os menores não poderão comprar bebidas alcoólicas. Como estamos no Outono, o tempo deve estar um pouco mais fresco e as gripes podem voltar a aparecer. Se houver muita gente nos mercados nocturnos, deve ser implementado o controlo de multidões para evitar ajuntamentos excessivos. Este controlo deve ter em conta a questão sanitária, mas também será indispensável para a manutenção da ordem social.

Se estivermos dispostos a promover os mercados nocturnos e algumas empresas quiserem introduzir inovações, poderemos estimular a economia e atrair turistas? Só depois de experimentar, poderemos saber a resposta a esta pergunta. Mas é certo que para estimular a economia, atrair turistas e beneficiar a sociedade de Macau, os mercados nocturnos são uma das muitas opções que vale a pena considerar.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Escola de Ciências de Gestão do Instituto Politéncico de Macau
Blog: http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk

Coreia do Norte | Pyongyang condena críticas de Presidente sul-coreano

A Coreia do Norte acusou ontem o Presidente sul-coreano, Yoon Suk-yeol, de “difamar maliciosamente as relações” entre Pyongyang e Moscovo, no discurso que proferiu perante a Assembleia Geral da ONU

 

“Foi simplesmente o cúmulo da ironia que o fantoche, desprovido de conhecimentos políticos elementares e de senso comum no que diz respeito às relações internacionais, se tenha comportado de forma grosseira, agindo de bom grado como um servil trompetista e altifalante dos Estados Unidos”, de acordo com um artigo divulgado pela agência noticiosa estatal KCNA.

No discurso na ONU, Yoon afirmou que um acordo de armas entre os dois países seria uma “grave provocação”. “Yoon considerou as tradicionais relações de amizade e cooperação entre a RPDC [República Popular Democrática da Coreia, nome oficial do país] e a Rússia como uma ‘provocação directa à segurança e à paz’ na região fantoche sul-coreana e como um ‘grave desafio à paz regional e mundial’, afirmando que ‘Seul e os aliados não ficariam de braços cruzados'”, acrescentou.

O artigo insistiu depois na alegada falta de experiência política do Presidente sul-coreano, que antes era procurador-geral, no agravamento do clima regional através do aumento das operações militares com Washington, na falta de clareza nos assuntos diplomáticos e por “só reconhecer as relações entre Estados como uma dicotomia entre amigo e inimigo”.

“A política externa da RPDC, que tem como objectivo estabelecer uma nova ordem mundial justa e equitativa para a causa da independência humana, não estará ligada a nada e as relações de amizade e cooperação com os vizinhos próximos vão continuar a ser reforçadas”, concluiu o texto.

Pano de fundo

O discurso de Yoon na ONU foi uma resposta à recente cimeira entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o Presidente russo, Vladimir Putin, no cosmódromo de Vostochny, na região de Amur. No final do encontro, Putin afirmou que há espaço para a cooperação militar e espacial entre os dois países.

Durante a visita de uma semana, Kim inspeccionou o cosmódromo, uma fábrica de aviões militares e civis e de navios para a frota russa do Pacífico. Dias antes, meios de comunicação social norte-americanos afirmaram que Kim estava disposto a apoiar a guerra de Moscovo na Ucrânia com milhões de mísseis antitanque e munições de artilharia.

De acordo com estas notícias, Pyongyang iria receber em troca ajuda alimentar e tecnologia de satélites e submarinos nucleares.
Seul, Tóquio e Washington alertaram que um possível acordo entre a Coreia do Norte e a Rússia iria violar as sanções do Conselho de Segurança da ONU contra Pyongyang, com consequências para os dois países.

Entretanto, a Coreia do Sul e os Estados Unidos iniciaram ontem três dias de manobras militares em resposta à recente escalada retórica e militar da Coreia do Norte. Nove navios de guerra, dois aviões de patrulha, dois submarinos sul-coreanos, o contratorpedeiro ROKS Yulgok Yi I, o contratorpedeiro USS Shoup e o cruzador USS Robert Smalls participam nestes exercícios, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

O aumento das tensões na península coreana tem sido causado tanto pelos constantes lançamentos de mísseis e ameaças de Pyongyang, como pelos exercícios militares entre Washington e Seul.

Economia | Evergrande cai 20% após anunciar que não emite novas obrigações

Após o anúncio da impossibilidade de emitir novas obrigações, o valor da gigante construtora Evergrande caiu 20 por cento na Bolsa de Valores de Hong Kong. O grupo adiou recentemente, pela terceira vez, reuniões com credores para negociar a reestruturação da dívida

 

As acções do grupo Evergrande, uma das maiores construtoras da China, afundaram-se ontem 20 por cento, depois de a empresa ter anunciado que não pode emitir mais dívida.

O valor das acções da empresa – que voltaram a ser cotadas na Bolsa de Valores de Hong Kong no final de Agosto depois de terem estado suspensas durante quase um ano e meio – registava uma queda de 20 por cento a meio da sessão de ontem. A Evergrande já tinha perdido mais de 90 por cento do seu valor de mercado quando suspendeu a negociação das suas ações, em Março do ano passado. Após retomar as negociações em bolsa, a empresa voltou a afundar-se 80 por cento.

O subíndice Imobiliário do índice de referência da Bolsa de Valores de Hong Kong, o Hang Seng, registava uma queda de 2,58 por cento, a meio da sessão de ontem em Hong Kong.

A Evergrande anunciou em comunicado que não consegue cumprir os requisitos para a emissão de novos títulos de dívida, uma vez que a sua subsidiária Hengda Real Estate Group está a ser investigada pela Comissão Reguladora do Mercado de Valores Mobiliários da China.

O anúncio ocorreu poucos dias depois de a Evergrande ter dito que adiou pela terceira vez reuniões com os seus credores para discutir a reestruturação da dívida do grupo.

Efeito dominó

Em meados do mês, a polícia da cidade de Shenzhen, no sudeste da China, informou sobre a detenção de funcionários da subsidiária de gestão de fortunas Evergrande Wealth, embora o grupo tenha garantido que as detenções “não afectariam” as suas operações. Em Agosto passado, a Evergrande pediu falência nos Estados Unidos para proteger os seus activos dos credores enquanto continua a negociar uma reestruturação da sua dívida.

A posição financeira de muitas empresas imobiliárias chinesas piorou depois de, em Agosto de 2020, Pequim ter anunciado restrições no acesso das construtoras ao crédito, após anos de forte crescimento assente em políticas agressivas de alavancagem.

Tailândia concede isenção de visto a chineses

A Tailândia começou hoje a aplicar a isenção de visto para viajantes da China, uma medida em vigor pelo menos até 29 de fevereiro, para reavivar o turismo, afectado pela pandemia da covid-19. O primeiro-ministro tailandês, Srettha Thavisin, recebeu no Aeroporto Internacional de Suvarnabhumi, em Banguecoque, o primeiro grupo de turistas chineses isentos de visto.

Os viajantes chineses representaram quase um terço dos quase 40 milhões de turistas estrangeiros que a Tailândia recebeu em 2019, mas os números caíram devido à pandemia e não recuperaram como esperado após o fim das restrições às viagens. A Tailândia, fortemente dependente do turismo, viu o número de viajantes estrangeiros cair para 428 mil em 2021, embora tenham recuperado para 11,2 milhões no ano passado, de acordo com dados oficiais do Ministério do Turismo e Desporto tailandês.

No entanto, com a China ainda a impor um período de quarentena de até três semanas em instalações designadas a quem chegava ao país, apenas 273.567 turistas chineses chegaram à Tailândia em 2022, em comparação com 11,1 milhões em 2019. A isenção temporária de vistos para chineses faz parte do plano do novo Governo tailandês, formado a 05 de setembro, para recuperar a economia do país, em recessão entre 2020 e 2021 devido ao impacto da pandemia.

A economia da Tailândia começou a recuperar em 2022, embora a um ritmo mais lento do que o previsto pelas autoridades. O regresso em força do turismo e a recuperação do consumo, dos investimentos e das exportações são algumas das prioridades estabelecidas pelo novo Executivo, que assumiu o poder depois de quase quatro meses de impasse político no parlamento para a eleição do primeiro-ministro.

No início de fevereiro, Pequim voltou a permitir o turismo em grupo para cerca de 20 países, incluindo destinos como Tailândia ou Indonésia.

Portugal foi incluído no segundo lote, aprovado no mês seguinte, assim como Brasil, França ou Espanha, enquanto em agosto foi a vez da Guiné Equatorial, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe. A China era o maior emissor de turistas do mundo até ao início da pandemia da covid-19.