Coloane | Estátua de Nossa Senhora e placas da Via-Sacra estão a ser restauradas

O desaparecimento da estátua da Rotunda de Seac Pai Van, em Coloane, gerou grande contestação online e houve mesmo quem pedisse ao Governo para que fizesse Macau “regressar à normalidade”. Por sua vez, Lo Choi In apelou a uma resolução rápida da situação

 

A Estátua de Nossa Senhora e as placas da Via-Sacra que estavam instaladas na Rotunda de Seac Pai Van, em Coloane, desapareceram com as várias obras que decorrem no local. A questão gerou grande polémica nas redes sociais, levando inclusive a deputada Lo Choi In a questionar o desaparecimento.

No entanto, de acordo com o portal do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), a retirada de um dos elementos mais característicos de Coloane deve-se à realização de trabalhos de recuperação.

O portal do organismo liderado por José Tavares indica que no início do ano foi realizado um concurso público para a prestação do “serviço de recuperação das placas alusivas a via crucis e da estátua existentes na Rotunda de Seac Pai Van, Coloane”.

Neste concurso público foram apresentadas, num primeiro momento, 11 propostas, das quais cinco foram excluídas, devido a desistências, falta de documentos, não cumprimento dos requisitos mínimos, entre outros motivos.

Os trabalhos acabaram adjudicados, a 17 de Março, ao “Construtor Civil Lee Fat Kun” que se comprometeu a terminar o serviço dentro de 150 dias, por um montante de 645 mil patacas. Esta foi uma proposta com um preço muito mais baixo do que as restantes. A que mais se aproximou, a nível do valor, foi a proposta da empresa Jun Lei, que cobrava 1,17 milhões de patacas para realizar os trabalhos em 135 dias.

Confusão online

Apesar da informação constar no portal do IAM, a questão não deixou de levantar polémica, o que levou inclusive o tema a ser comentado por Lo Choi In, deputada ligada a Jiangmen, na página pessoal da rede social Facebook.

“Cortarem árvores, removerem o património cultural ou reduzirem o número de lugares de estacionamento, todas estas acções são aceitáveis. Mas, a estátua da Nossa Senhora em Coloane está ligada a muitos sentimentos e memórias da população”, afirmou a deputada. “Apelo às autoridades que devolvam a estátua ao seu local original o mais depressa possível!”, acrescentou.

A reacção da deputada é bastante moderada face a inúmeros comentários que surgiram num grupo de discussão sobre Macau na rede social facebook. Várias pessoas exigem ao Governo a devolução da estátua e acusam as autoridades de querer apagar a história e a memória colectiva do território.

“Este Governo está a viver num mundo paralelo. Será que podem fazer Macau regressar à normalidade e devolver Macau às pessoas de Macau?”, questiona uma internauta. “Não basta estarem sempre a cavar a estrada, fazerem desaparecer monumentos históricos, cortarem as árvores antigas uma a uma, será que também vão desfazer Macau?”, acrescenta.

Por outro lado, há quem tenha optado por partilhar as memórias ligadas à estátua. Uma internauta apontou que a estátua de Nossa Senhora foi instalada em Coloane, no ano de 1986, depois de terem ocorrido vários acidentes mortais naquela estrada.

As reacções ao desaparecimento da estátua e placas da via-sacra voltam a colocar o IAM debaixo por falhas de comunicação. Na semana passada, o secretário para a Administração e Justiça pediu desculpa à população por várias árvores no Fai Chi Kei terem sido arrancadas, sem as devidas explicações.

Tufão | Aparato de protecção civil nas ruas para minimizar impacto do “Talim”

Um dia inteiro com sinal 8 de tufão paralisou Macau, com equipas da Protecção Civil e IAM no terreno a limpar destroços provocados pelo “Talim”. O Porto Interior voltou a inundar, alguns pontos da cidade foram atingidos pelo caos no fluxo de trânsito e cerca de uma centena de voos foram cancelados. Às 20h, o “Talim” voltou ao sinal 3, antes de “aterrar” perto da cidade costeira de Zhanjiang

Macau esteve ontem o dia inteiro em estado de prevenção imediata, estabelecido através de despacho assinado por Ho Iat Seng depois de ter sido içado, às 05h30, o sinal 8 devido à aproximação do tufão “Talim” do território, o primeiro deste ano.

Como é habitual, as zonas baixas da cidade foram as mais fustigadas, em particular o Porto Interior, com a Rua do Doutor Lourenço Pereira Marques, paralela junto ao rio da Rua do Almirante Sérgio, a registar pela manhã a subida das águas até à altura do tornozelo. Por volta das 11h da manhã, o panorama era de lixo a flutuar na rua, apesar do nível da água estar a baixar, situação que obrigou as autoridades a interromperem a circulação rodoviária.

Um comerciante ouvido pelo canal chinês da Rádio Macau confessou não ter instalado comportas para evitar inundação, o que levou a água a subir ao nível do joelho.

Além das chuvadas intensas trazidas pelo “Talim”, a coincidência de marés astronómicas levou à entrada de água do mar na zona do Porto Interior. O Instituto dos Assuntos Municipais (IAM) destacou pessoal para monitorizar as operações de drenagem na box culvert na zona norte do Porto Interior, assim como na estação elevatória.

Em vários pontos de Macau, o IAM destacou equipas de funcionários, ao abrigo do mecanismo de resposta a emergências, para limpar o lixo e detritos acumulados nas sarjetas para facilitar o escoamento da água e atenuar inundações. O trabalho de remoção de destroços de árvores e objectos vários também ocupou as equipas do IAM ao longo do dia.

Resposta e pandemónio

Pela manhã, Ho Iat Seng “deu instruções para que todos os membros da estrutura de protecção civil empenhem todos os esforços, em conjunto, para prevenir o impacto do tufão e inundações, garantir a segurança da vida e dos bens dos residentes de Macau”.

Os primeiros efeitos do tufão inaugural de 2023 foi a suspensão da vida em Macau. As aulas dos vários níveis de ensino foram suspensas durante o dia inteiro, do ensino infantil, primário, secundário, até ao ensino especial.

Os serviços de autocarros foram também suspensos, assim como as ligações marítimas a Hong Kong, depois de na madrugada ter sido cortado o trânsito rodoviário na Ponte do Delta.

Uma das consequências mais visíveis do “Talim” foi o pandemónio no trânsito. Com as ligações entre a península e a Taipa reduzidas ao tabuleiro inferior da Ponte Sai Van, o engarrafamento originou longas filas de veículos nos dois sentidos.

Também nas Portas do Cerco, sem os autocarros públicos a operar, as filas para conseguir apanhar um táxi chegaram a acumular esperas de três horas.

No Aeroporto Internacional de Macau, ao final da tarde, 98 voos tinham sido cancelados e 36 ligações sofreram alterações de horário.

Às 18h, quando já se sabia que seria içado o sinal 3 de tufão às 20h, as autoridades de Protecção Civil contavam um total de 11 pessoas que tiveram de recorrer aos centros de acolhimento de emergência.

Ao final da tarde, o Centro de Operações de Protecção Civil registou 24 ocorrências. Seis casos de remoção de construção/candeeiro/árvore com risco de queda ou derrube, 16 incidentes de remoção de reboco, reclamo, janela, toldo ou outros objectos e um caso em que as autoridades foram chamadas a remover “andaime ou outras instalações em estaleiros de obras.

Farmácia | Governo explica vantagens de abrir negócio em Hengqin

O Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica (ISAF) e a Direcção dos Serviços de Assuntos Comerciais da Zona de Cooperação Aprofundada organizaram no domingo uma sessão de esclarecimento para profissionais farmacêuticos sobre os pormenores do exercício da profissão na Zona de Cooperação Aprofundada de Hengqin.

O presidente do ISAF, Choi Peng Cheong, começou por recordar que os regulamentos que vão balizar o exercício da profissão na Ilha da Montanha entram em vigor em Agosto e que os profissionais “podem ser contratados em farmácias comunitárias ou abrir farmácia por si próprios”.

O responsável acrescentou que “com a conclusão do Novo Bairro de Macau em Hengqin até ao final deste ano, acredita-se que as expectativas e exigências dos residentes em relação à extensão dos serviços profissionais farmacêuticos de Macau à Zona de Cooperação Aprofundada aumentarão”.

Além disso, os governos dos dois lados prometem implementar medidas que facilitem o exercício da profissão a farmacêuticos de Macau, permitindo-lhes planear e orientar a carreira profissional e desenvolver negócios.

Actualmente, existem 805 farmacêuticos, 22 farmacêuticos de medicina tradicional chinesa, 581 médicos de medicina tradicional chinesa e 336 ajudantes técnicos de farmácia registados em Macau.

Choi In Tong Sam | Leong Sun Iok toma posse como presidente

Uma associação virada para “os novos tempos” e focada nos “desafio sociais”. Foi esta a promessa feita por Leong Sun Iok, que tomou posse como presidente da Associação Choi In Tong Sam.

No discurso da cerimónia de tomada de posse, feita diante membros do Gabinete de Ligação do Governo Central, o deputado prometeu que a associação vai incentivar os mais jovens a estarem em sintonia com os órgãos de poder, a alargarem os horizontes e disponibilizarem-se para consolidar o “desenvolvimento sustentável de Macau”

O recém-nomeado presidente afirmou também que a associação vai conduzir os mais novos a “participar na estratégia de desenvolvimento nacional do país” e de construção de Macau. “Temos de levar os jovens a serem construtores, participantes e defensores, para que injectem um nova dinâmica no desenvolvimento do país e de Macau”, afirmou.

O também membro da Federação das Associações dos Operárias de Macau destacou ainda que o país “embarcou numa viagem de construção de um estado socialista com características modernas” e que Macau precisa contribuir para o esforço com “uma nova era de desenvolvimento económico”.

Neste sentido, Leong Sun Iok defendeu que Macau tem de participar activamente da Zona de Cooperação Aprofundada com Guangdong, na Ilha da Montanha, e fazer todas as reformas legais e de infra-estruturas necessárias. Como parte deste esforço, o deputado defendeu a necessidade de atrair mais investimento para Hengqin e diversificar a economia do território.

Esgotos | Associação das Mulheres pede medidas contra entupimentos

O entupimento da rede pública dos esgotos durante a época das chuvas e dos tufões é uma das preocupações de Hoi Lok Man, directora executiva da Associação das Mulheres, que pede medidas de prevenção e mais inspecções

Com o território em plena época de chuvas e tufões a Associação Geral das Mulheres apelou ao Instituto dos Assuntos Municipais (IAM) para reforçar o desentupimento e manutenção da rede de esgotos. O pedido foi feito por Hoi Lok Man, directora executiva, através de um texto publicado no portal da associação.

De acordo com Hoi, recentemente o IAM desentupiu várias zonas baixas da cidade e removeu cerca de 200 toneladas de lixo dos esgotos públicos. Esta operação é encarada como “positiva” para assegurar a desobstrução da rede de esgotos, mas a dirigente associativa considera que o IAM tem de insistir nos trabalhos de desentupimento e manutenção da rede.

A tomada de posição foi justificada com o facto de a associação considerar que o entupimento dos esgotos é um problema muito comum, que se repete todos os anos, quando o território entra na época de chuvas e tufões.

A associação exige assim ao IAM que aumente a frequência das acções de desentupimento dos esgotos nas zonas com alta densidade populacional, nas zonas comerciais e industriais mais desenvolvidas, bem como nas zonas baixas da cidade.

Outro problema abordado pela responsável ligada à Associação das Mulheres são as descargas ilegais, contra as quais é pedida mão mais pesada e campanhas de prevenção mais eficazes.

Como solução para o problema dos entupimentos, Hoi Lok Man aponta também que se devem instalar sensores ao longo da rede, para se controlar e detectar problemas em tempo real, aumentando a eficácia e rapidez na resposta, minimizando situações problemáticas.

Controlar árvores e taludes

Como medida de prevenção face ao mau tempo, a responsável defendeu ainda mais acções de inspecção a árvores e taludes, para prevenir eventuais derrocadas, como aconteceu no passado. Neste sentido, Hoi Lok Man sugeriu que as autoridades cortem e fortaleçam as árvores para eliminar os riscos de queda de troncos e galhos.

Hoi Lok Man focou igualmente o reforço de supervisão para as encostas, pedindo medidas oportunas de manutenção e apelou aos proprietários de encostas privadas para que assumam a responsabilidade da manutenção das mesmas, garantindo condições de segurança.

João Marcelo Martins, académico: “Os mitos ainda estão vivos na China”

Em “A Gramática Universal do Mito: Análise Comparativa e Contrastiva dos Mitos Chineses de Origem”, João Marcelo Martins analisou os cinco principais mitos chineses e compara-os com a mitologia ocidental, nomeadamente quanto à origem do universo e dos seres humanos. Embora as diferenças culturais sejam marcantes, o académico da Universidade de Minho encontrou semelhanças na forma de actuação dos deuses

 

A cultura clássica ocidental distingue-se da cultura clássica chinesa. Em que consiste o mito chinês e até que ponto é diferente da mitologia clássica grega e romana?

Analisando as duas mitologias, e quando falo da mitologia ocidental refiro-me mais à greco-romana, que é talvez a que está mais próxima de nós, a primeira grande diferença que conseguimos identificar é que enquanto na cultura ocidental a assunção original do mito é a história e a narrativa contadas para ajudar os seres humanos a melhorarem o seu lugar no mundo e a entenderem como as coisas funcionam, por exemplos os fenómenos meteorológicos, e com o desenvolvimento da ciência o mito está morto, na tradição chinesa, o mito, embora tenha as mesmas funções, tem sofrido recentemente uma readaptação em termos da narrativa, não na sua ideia original, e que serve para partilhar a cultura chinesa e ajudar os mais novos a entender como surgiu o país, os seres humanos e o universo. Atenção que não podemos apenas falar, na cultura ocidental, dos mitos greco-romanos, embora estes sejam os mais próximos da nossa realidade. A diferença está aí, no Ocidente encaram-se os mitos como histórias irreais, como coisas que podem ser contadas da perspectiva do entretenimento, e a China reconhece que os mitos estão ainda vivos e podem servir para mais do que entreter, ajudando ainda as pessoas a viver uma realidade diferente e especial face à que vivem.

A mitologia chinesa é usada pelo poder político para criar novas maneiras de ver o Governo e a própria sociedade?

Parcialmente. Quando foi criada a República Popular da China (RPC), Mao Tsé-tung disse algo como: “A criação da RPC é um feito tão grande como a criação por Pangu”, usando um termo que, em chinês, vem precisamente do mito da criação do mundo, quando o gigante Pangu fez a separação entre o céu e a terra e, com a sua própria morte, conseguiu criar elementos do mundo como as árvores, os rios, as estrelas, o vento, a água. Mas o próprio Mao Tsé-tung tinha uma relação relativamente ambígua com o mito. Por um lado, era a favor, por ser algo muito tradicional, que correspondia à verdadeira China. Por outro lado, o mito inclina-se para a veneração de deuses, o que seria algo contra a ideologia do próprio partido e o que é a actual RPC. Neste momento, o mito até poder ser usado, de algum modo, na parte política, mas está a ser mais utilizado na literatura, filosofia, poesia. O mito está a ser usado mais como forma de arte do que propriamente como forma de apoio ao regime político.

Quais os mitos analisados nesta tese e s principais conclusões que surgem deste exercício comparativo?

Dediquei-me a analisar cinco grandes mitos. Comecei pelo mito da criação do mundo, de Pangu, passando pela criação da humanidade, de Nüwa; do dilúvio, com a história de Yu, o Grande; a invenção da agricultura com Shennong e, por fim, o dilúvio solar, ou seja, a destruição do mundo pelo fogo, de Houyi, o arqueiro. Tive dois grandes objectivos: por um lado, através da consulta de diversas fontes, fossem elas em chinês moderno ou clássico, ou inglês, reunir um conjunto muito concreto e conciso do que seria a principal versão de cada um destes mitos. A China é composta por 56 etnias diferentes e, analisando os documentos, não digo que todas essas etnias têm histórias diferentes, mas há de facto uma multiplicidade de narrativas em que, embora alguns detalhes sejam alterados, a linha de pensamento encontra-se presente em todas. Quis, assim, identificar uma linha de pensamento mais comum e, a partir daí, em cada um dos mitos, fazer uma análise comparativa com o que conhecemos no Ocidente.

Pode dar exemplos concretos?

Por exemplo, no que diz respeito ao mito da criação do mundo, é dito na história que Pangu faz a separação entre o céu e a terra, fica durante muito tempo como uma espécie de pilar para garantir que o céu está lá no alto e que a terra está cá em baixo e que não há nenhuma tentativa por parte destas duas entidades de se reunirem novamente. Depois deste grande período, que na narrativa chinesa é de 18 mil anos, mas que na realidade não foi assim, sendo essa uma expressão que se usa como referência a um longo período de tempo, Pangu acaba por morrer. Como a sua missão estava concluída, decide dedicar o seu corpo à criação das estrelas, do sol, da lua, dos rios e dos mares. Se pegarmos nesta história, conseguimos ver que há aqui um sacrifício por parte de Pangu relativamente à sua própria criação. Analisando a tradição ocidental, temos, por exemplo, a narrativa de Jesus Cristo que também se sacrifica para que os seres humanos sejam salvos dos seus pecados. Temos aqui uma ponte que nos permite ver que há, de facto, um sacrifício de ambas as partes e que estes são a favor de algo maior, da manutenção daquilo que conhecemos como o Cosmos, a organização do universo. Outro exemplo é o caso de Nüwa, quando cria os seres humanos, ela fá-lo através da terra amarela, daí se dizer que chineses são um povo amarelo, literalmente “povo de cor amarela”.

Há inclusivamente o termo civilização amarela, ou do Rio Amarelo, para designar a civilização chinesa.

Exactamente. Essa terra usada por Nüwa vem das margens do Rio Amarelo para criar os seres humanos, elemento também presente na tradição cristã, do Génesis, relativamente à criação dos seres humanos por Deus [a formação dos homens com o pó da terra e o sopro, das narinas, do fôlego da vida]. Novamente em ambas as culturas temos a utilização da terra para explicar a criação do ser humano. Claro que depois há outros detalhes que são diferentes. Por exemplo, Nüwa não distingue entre homens e mulheres, e, conforme cria, vai criando homens e mulheres, longe da história da Eva criada a partir de uma costela de Adão. Estes dois exemplos levam-nos a compreender que há, de facto, uma correlação com a qual ambos os povos se podem identificar. Foi isso que pretendi fazer, identificar em povos que são tão distantes geograficamente uma tentativa inicial de entender as origens, que, apesar de estarmos em pensamentos ou zonas diferentes, temos a mesma mentalidade ou consciência do mundo.

A civilização chinesa é uma das mais antigas do mundo. A sua mitologia influenciou outras, ao longo dos anos? Através do comércio ou da deslocação de povoações acabou por se verificar essa influência?

Diria que a influência chinesa, ao nível da mitologia, se verificou mais em territórios geograficamente mais próximos do que é hoje a RPC. Há mitólogos que defendem que existência de Pangu, o criador do mundo, não terá tido origem chinesa, mas sim indiana, uma vez que ao longo da antiga Rota da Seda os comerciantes chineses terão trocado impressões com outros comerciantes, de outros povos, e na sua viagem de regresso terão eventualmente passado essa mensagem. Terá sido por aí que Pangu surgiu. Trabalhos mais recentes mostram que talvez não tenha sido bem assim, mas é uma ideia ainda muito vigente na mitologia chinesa. A própria relação da China com a península da Coreia… não podemos falar com toda a certeza, mas alguma da mitologia presente na Coreia do Sul tem alguma influência na mitologia chinesa, e a própria mitologia japonesa apresenta algumas correlações com a mitologia chinesa, pois durante vários séculos as dinastias chinesas exerceram uma influência muito grande nos países à sua volta. Não diria que esta influência tenha chegado à Grécia Antiga, Egipto ou mesmo a Mesopotâmia. Poderá ter havido alguns contactos, e aqui não posso falar com tanto detalhe, mas diria que a própria mitologia grega não terá sido influenciada pela mitologia chinesa.

A publicação da sua tese faz com que o leitor comum compreenda melhor este universo, que, por vezes, pode ser um pouco complexo?

Sim. A publicação deste tipo de obras, não apenas nesta área, é de facto muito importante. Apesar de termos um contacto muito próprio com Macau, a China acaba por estar ainda envolta numa espécie de redoma mística. As pessoas ainda olham para a China como se fosse algo exótico, completamente diferente e há coisas, relacionadas com a cultura, filosofia, maneira de estar, que são diferentes entre os dois países. É importante que consigamos ter uma relação mais próxima com o leitor comum e, com um discurso simples e escrita clara, apresentar o que é supostamente exótico aos leitores portugueses, e tornar a China cada vez menos incompreendida.

Diferenças e semelhanças

Lançado em Maio, o livro “Mitos chineses de origem: envolvências filosóficas e perspetivas contrastivas” resulta da tese de doutoramento defendida pelo académico na Universidade do Minho em 2021. Este é, aliás, o mais recente lançamento fruto da parceria estabelecida entre o Centro Científico e Cultural de Macau e a Universidade de Macau. João Marcelo Martins estabeleceu um quadro geral dos principais cinco mitos chineses, nomeadamente a origem do mundo, a criação do ser humano, a destruição do mundo pelo dilúvio, a fundação da agricultura e destruição do mundo pelo sol, estabelecendo comparações com a chamada mitologia ocidental, nascida nas civilizações grega ou romana, por exemplo.

Líder das Salomão rebate críticas sobre laços de segurança com a China

O líder das Ilhas Salomão rebateu hoje as críticas ao aprofundamento dos laços de segurança do seu país com a China e afirmou que os Estados Unidos e a Austrália não têm nada a temer.

Em conferência de imprensa, após regressar de uma visita à China, o primeiro-ministro Manasseh Sogavare disse que assinou em Pequim nove acordos e memorandos, incluindo um plano de cooperação policial.

Sogavare disse que o acordo visa “aumentar a cooperação em questões de aplicação da lei e segurança com o compromisso da China de fornecer apoio conforme necessário”, no sentido de reforçar a capacidade de aplicação da lei no país do Pacífico.

Os novos acordos surgem após as Ilhas Salomão terem assinado um pacto de segurança com a China, no ano passado, suscitando receios sobre uma escalada militar na região. Os EUA reagiram com a abertura de uma embaixada nas Ilhas Salomão.

As Ilhas Salomão romperam laços com Taiwan e passaram a reconhecer Pequim como o único governo legítimo de toda a China em 2019, abalando os laços estreitos que mantêm com Washington desde a Segunda Guerra Mundial. EUA e Austrália levantaram preocupações sobre o sigilo do novo plano policial.

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Austrália, Penny Wong, disse ter abordado o plano junto do principal diplomata da China, Wang Yi, durante um encontro em Jacarta, na semana passada.

Wong disse que a Austrália quer mais transparência e considera que a “segurança fica mais garantida dentro da família do Pacífico”.

Sogavare acusou os EUA e a Austrália de serem “maus vizinhos” ao criticar o acordo com Pequim. “Isto nada mais é do que interferência de estados estrangeiros nos assuntos internos das Ilhas Salomão”, disse.

Ele afirmou que o plano da China para ajudar a polícia do seu país complementa os acordos existentes com a Austrália e Nova Zelândia.

“A Austrália e os Estados Unidos não devem temer o apoio policial prestado pela China às Ilhas Salomão”, disse Sogavare.

Com 700.000 habitantes e situada a cerca de 2.000 quilómetros a nordeste da Austrália, as Ilhas Salomão representam um dos maiores sucessos da China na sua campanha para expandir a presença no Pacífico Sul.

O ministério dos Negócios Estrangeiros da China tinha dito que a visita de Sogavare a Pequim “injetaria um novo impulso” nas relações e “aprofundaria a confiança política mútua”.

Swatch apresenta queixa contra apreensão de relógios com bandeira LGBTI na Malásia

A fabricante suíça de relógios Swatch apresentou uma queixa nos tribunais da Malásia contra as autoridades pela apreensão, em maio passado, em várias lojas, de uma coleção decorada com a bandeira do arco-íris LGTBI.

A multinacional suíça apresentou a queixa a 24 de junho, a pedir uma indemnização e a entrega dos 172 relógios apreendidos, mas o caso apenas foi conhecido hoje, na sequência de um artigo no Malay Mail.

No passado mês de maio, a polícia apreendeu relógios de várias lojas do país devido à exibição da bandeira LGTBI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgénero e Intersexo), uma iniciativa criticada por grupos de direitos humanos pois entendem-na como um ataque a esta comunidade.

De acordo com a denúncia citada pelo Malay Mail, a Swatch alega que as apreensões foram “irracionais” e que os relógios não representavam nenhum risco para a ordem pública, a moral ou qualquer outra lei.

Num e-mail enviado à EFE, a empresa suíça indicou que, por princípio, não comenta processos judiciais em andamento. Qualquer tipo de expressão da comunidade LGTBI é controverso na Malásia, onde mais de 60 por cento dos 34 milhões de habitantes são muçulmanos.

O atual primeiro-ministro, Anwar Ibrahim, passou quase uma década na prisão por acusações de sodomia e corrupção, que nega, mas ao chegar ao poder frisou que o seu governo não vai dar mais direitos à comunidade.

Em setembro passado, a empresária transgénero Nur Sajat, dona de uma marca de cosméticos, fugiu da Malásia após ser acusada de violar a lei islâmica e, depois de ter sido detida temporariamente na Tailândia, foi finalmente acolhida na Austrália.

Os filmes “Beauty and the Beast” (Beauty and the Beast, 2017) e “Thor: Love and Thunder” (2022) foram retirados da Malásia por terem cenas com referências à comunidade LGTBI.

Tailandeses protestam contra Senado não eleito

Manifestantes e activistas na Tailândia protestaram ontem nas ruas e na Internet contra os senadores escolhidos a dedo pela antiga junta militar por bloquearem a nomeação do vencedor das eleições como primeiro-ministro.

Em Banguecoque, centenas de pessoas desfilaram em carros para manifestar a rejeição do bloqueio dos senadores, enquanto outras expressaram o descontentamento nas redes sociais, relata o jornal Bangkok Post.

Alguns senadores acusaram os apoiantes do partido Move Forward (Avançar) de lançarem uma “caça às bruxas”, depois de o líder do partido, Pita Limjaroenrat, não ter conseguido chegar à chefia do Governo na passada quinta-feira devido à rejeição imposta pela maioria dos membros do Senado e Parlamento.

A coligação liderada por Limjaroenrat, que inclui também o Pheu Thai, tem uma ampla maioria de 312 dos 500 deputados da Câmara dos Representantes, mas a eleição do primeiro-ministro envolve também 249 senadores (um demitiu-se na quarta-feira) nomeados pela antiga junta militar (2014-2019).

O candidato tem de obter uma maioria absoluta entre a soma das duas câmaras, mas Limjaroenrat só conseguiu obter 324 votos, menos 51 do que o número necessário para ser nomeado primeiro-ministro.

Limjaroenrat foi apoiado por apenas 13 senadores, enquanto 34 se abstiveram, 159 votaram contra e 43 estiveram ausentes.

O maior obstáculo é a promessa eleitoral do Avançar em alterar a lei de lesa-majestade, que prevê penas de prisão até 15 anos para quem criticar a família real.

Mais de metade dos senadores, na sua maioria militares e políticos de tendência conservadora, opõe-se veementemente à alteração.

Ou vai ou racha

O Senado da Tailândia foi criado e eleito inteiramente pela junta militar, que tomou o poder num golpe de Estado em 2014 e foi dissolvido após as eleições de 2019.

A actual Constituição, redigida pelos militares durante o regime ditatorial, estipula um mandato de cinco anos para os senadores, que terminam a legislatura em 2024.

Limjaroenrat indicou que vai voltar a apresentar a sua candidatura a 19 deste mês e que o seu partido vai também tentar abolir o artigo que dá aos senadores o poder de participar na eleição do primeiro-ministro.

No entanto, o candidato progressista deu a entender que passará o testemunho a outro dirigente da coligação se não conseguir ser eleito primeiro-ministro na votação da próxima quarta-feira no Parlamento.

O partido Avançar, com uma agenda reformista de longo prazo, tem um forte apoio entre os jovens eleitores e os manifestantes que saíram à rua em 2020 e 2021 para exigir mudanças radicais no país, incluindo a reforma da lei de lesa-majestade.

A segunda maior economia do Sudeste Asiático, mergulhada num ciclo de violência política há mais de 20 anos, está a viver uma nova onda de tensão entre as elites militares conservadoras no poder e as gerações mais jovens, desejosas de mudança.

Rui Rio regressou na varanda

A história da separação do poder político e o poder judicial é uma treta. O director da Polícia Judiciária (PJ) depende directamente da ministra da Justiça e, por sua vez, é da total confiança do primeiro-ministro. Os inspectores da PJ no decurso do seu trabalho analisam queixas, mesmo anónimas, escutam telefones e têm uma panóplia de trabalhos de investigação infinita. Na semana passada assistimos ao décimo quarto membro do Governo que se demitiu ou foi demitido.

O secretário de Estado da Defesa, Capitão Ferreira, há muito que andava metido em cambalachos e a PJ ao investigar os milhões de euros gastos a mais nas obras do hospital militar descobriu uma data de jogos sujos que levaram à suspeita de corrupção.

O governante demitiu-se logo assim que o Ministério Público (MP) o decretou como arguido num caso de bradar aos céus. O senhor fingiu que contratou um assessor para determinado trabalho, ele próprio efectuou o processo e recebeu por dia a “módica” quantia de 12 mil euros, num total de 61 mil em apenas cinco dias e as ilegalidades não cessam, inclusivamente milhões gastos na manutenção de helicópteros sem passar pelo Tribunal de Contas.

Obviamente, que o falatório pelo país foi generalizado. Simultaneamente o ministro da Cultura, Adão e Silva (nome sonante de outros mundos), criticou em entrevista os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito à TAP (CPI) e os seus membros ficaram na corda bamba através das palavras do socialista governante. Caiu o Carmo e a Trindade.

O presidente da CPI, o igualmente socialista e conceituado deputado e ex-membro do Governo, António Lacerda Sales, respondeu a Adão e Silva de uma forma contundente e salientou que o governante deveria pedir desculpas à Assembleia da República. E mais, Lacerda Sales relembrou o ministro que é o Parlamente que visiona o Governo e não o contrário. Seguiram-se outros socialistas e demais deputados de outros partidos a criticarem Adão e Silva, um dos mais protegidos do primeiro-ministro, António Costa.

Ora bem, quando o mundo político estava com o Partido Socialista e o Governo na corda bamba, de que se lembrou a PJ, a instituição que depende directamente do Governo? De virar o disco e terminar com as “guerrinhas” no seio dos socialistas e na má imagem criada com a demissão do tal secretário de Estado da Defesa. E de que maneira?

Arranjou um modo simples de fazer rebentar uma bomba entre os social-democratas e a generalização de todas as bancadas parlamentares, indo aos magotes, inusitadamente mais de 100 agentes por todo o lado, sem que antes vergonhosamente avisasse a TVI para o espectáculo, particularmente a casa do ex-presidente do PSD, Rui Rio, e às sedes desse partido no Porto e em Lisboa, de onde levaram os telemóveis e computadores após lá estarem 19 horas, alegando que Rui Rio teria gasto dinheiro público em pagamentos a funcionários ou a colaboradores do partido.

Mas, isso é o que todos os partidos fazem. O dinheiro, segundo a lei, não é público, é concedido pela Assembleia da República aos partidos com assento parlamentar, a fim de ser utilizado nas suas despesas, incluindo na contratação de colaboradores para a efectivação do trabalho parlamentar. E esses colaboradores não são obrigados a trabalhar no Palácio de S. Bento.

Por exemplo, se um fotógrafo é contratado por um partido para efectuar a cobertura da actividade dos deputados nas mais diversas acções no exterior do parlamente, esse fotógrafo tem de ser pago pelo seu trabalho. Ou seja, a PJ pariu um rato e até obrigou Rui Rio a vir à varanda, imagine-se, para explicar aos jornalistas o seu ponto de vista irónico sobre o que se estava a passar. Esta actuação da PJ até mereceu um comunicado da Procuradoria-Geral da República salientando que ninguém foi anunciado como arguido, mas o PSD enviou uma carta de protesto à procuradora-geral protestando contra o circo levado a efeito pelo MP.

A jogada dos inspectores deixou a maioria a pensar que todos seríamos atrasados mentais, porque viu-se de imediato que a estratégia judicial era abafar as críticas diárias ao secretário de Estado da Defesa e ao ministro da Cultura, mudando a agulha do remoque aos socialistas e ao Governo e passar a bola para um assunto que não é assunto, mas que deu impacto mediático em todos os órgãos de comunicação social.

Não, o MP não esteve bem, mais a mais, porque se tratou de uma denúncia vingativa de alguém no interior do PSD que se sentiu prejudicado no reinado de Rui Rio quando este tentou limpar a casa e diminuir as despesas no seio do seu partido.

Agora, fica-se na perspectiva de saber se o MP irá dirigir-se às sedes de todos os partidos políticos presentes na Assembleia da República e se as suspeitas irão recair igualmente em Mariana Mortágua (BE), Paulo Raimundo (PCP), António Costa (PS), Rui Rocha (IL) e André Ventura (Chega). O mais espantoso é que o crime organizado tem aumentado em Portugal de uma maneira assustadora e a PJ não anuncia a detenção dos vários cabecilhas que se passeiam em carros topo de gama por esse país fora controlando todas as redes de tráfico de droga e de prostitutas/tos brasileiros…

Panteão Nacional | Restos mortais de Eça de Queiroz trasladados a 27 de Setembro

Os restos mortais de Eça de Queiroz serão trasladados para o Panteão Nacional, em Lisboa, a 27 de Setembro, confirmou sexta-feira à Lusa o deputado Pedro Delgado Alves, do grupo de trabalho criado pela Assembleia da República para definir a data e o programa da cerimónia.

Há cerca de três semanas, Pedro Delgado Alves apontara a data de 27 de Setembro como a prevista, acrescentando, todavia, que esta tinha de ser viabilizada pelo grupo. Agora está confirmado que a trasladação ocorrerá a 27 de Setembro, mas o “anúncio formal” só ocorrerá na “próxima semana”.

A Assembleia da República aprovou por unanimidade, em Janeiro de 2021, um projecto de resolução do PS para “conceder honras de Panteão Nacional aos restos mortais de José Maria Eça de Queiroz, em reconhecimento e homenagem pela obra literária ímpar e determinante na história da literatura portuguesa”.

Ficou também decidido na altura, através da mesma resolução, “constituir um grupo de trabalho composto por representantes de cada grupo parlamentar com a incumbência de determinar a data e de definir e orientar o programa de trasladação, em articulação com as demais entidades públicas envolvidas, bem como um representante da Fundação Eça de Queiroz”.

Eça de Queiroz morreu em 16 de Agosto de 1900 e foi sepultado em Lisboa. Em Setembro de 1989, os seus restos mortais foram transportados do Cemitério do Alto de São João, na capital, para um jazigo de família, no cemitério de Santa Cruz do Douro, em Baião.

A resolução aprovada em 2021 surgiu em resposta a um repto lançado pela Fundação Eça de Queiroz, nos termos da lei que define e regula as honras de Panteão Nacional, destinadas a “homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao país, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade”.

Arte Macau 2023 | Quatro propostas exibidas em Setembro

Já são conhecidos os quatro projectos artísticos que fazem parte da edição deste ano da “Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau 2023”, evento que acontece este Verão. Assim, a equipa de curadoria seleccionou “The Revelations for X”, um projecto, ainda com título provisório, da autoria de MyLand Culture; “O Tufão do Destino”, da autoria de ARTE YIIMA; “Sincronicidade — Topologia da Mente”, da autoria da Alice Kok; e “O Segredo da Flor de Ouro”, da autoria da Chang Chan.

Após a realização da Arte Macau 2023, estes projectos “repletos de imaginação e fantasia”, conforme descreve o Instituto Cultural (IC), estarão expostos em quatro mostras por um período não inferior a oito semanas entre os meses de Setembro e Novembro.

A ideia desta iniciativa visa, entre outros objectivos, “estimular a inovação e promover o desenvolvimento da arte contemporânea”, sendo que, para esta edição da Arte Macau 2023, o tema é “A Estatística da Fortuna”. Foram apresentadas 28 propostas, com a avaliação inicial dos curadores a ser realizada a 31 de Maio por nomes como Susanna Un, directora do Museu de Arte de Macau e Qiu Zhujie, curador principal da Arte Macau 2023 e vice-director da Academia Central de Belas Artes, entre outras figuras da arte local, onde se inclui o artista James Wong.

A 17 de Junho foram seleccionadas as quatro propostas agora divulgadas.

K-Pop | BamBam estreia-se a solo numa digressão que passa por Macau

BamBam, membro da popular boys band sul-coreana GOT7, vai passar por Macau para um concerto no Lisboeta no próximo dia 30 de Setembro. A actuação no Cotai está integrada na primeira tournée mundial a solo do artista de origem tailandesa. Na bagagem traz um disco a solo, “Sour & Sweet”, um registo autobiográfico

 

Após várias partilhas nas redes sociais de imagens que evocam atmosferas alienígenas, o mistério em torno do futuro próximo da carreira de BamBam dissipou-se com o anúncio da tournée “Area 52”. Esta será a primeira vez que o membro da boys band sul-coreana GOT7 se aventura em palco sem os companheiros de grupo em concertos que o vão levar aos quatro cantos do mundo. Porém, para já, entre as escassas cinco datas anunciadas desponta Macau, com um concerto marcado para o Lisboeta no dia 30 de Setembro, um sábado.

Os bilhetes ainda não estão à venda e a única coisa que se sabe sobre a tournée “Area 52” é que, antes de Macau, BamBam irá actuar no Olympic Hall em Seul, no dia 16 de Setembro, e no Smart Araneta Coliseum em Manila, no dia 22 de Setembro. Após a passagem pela sala do Cotai, BamBam leva o seu espectáculo ao vivo ao palco da Mega Star Arena em Kuala Lumpur, no dia 15 de Outubro, e ao Thunderdome Stadium em Banguecoque, no dia 28 de Outubro. Até agora, estas são únicas datas conhecidas da primeira tournée mundial do jovem artista.

Em termos musicais, o K-Pop tem sido o habitat natural de BamBam em toda a sua carreira, que agora se lança num projecto a solo, seguindo as pisadas dos seus colegas dos GOT7 (Jinyoung, Jackson Wang, Mark Tuan, Jay B, Kim Yugyeon e Choi Young-jae). A incursão pela carreira a solo compreende-se também pelo período de inactividade em que estão os GOT7 nos últimos anos.

Importação tailandesa

Nascido em Banguecoque, em 1997, BamBam começou muito cedo a interessar-se pelo pop produzida na Coreia do Sul, com particular fascínio por Rain, um músico, bailarino, actor sul-coreano, de quem é fã deste tenra idade.

Depois de assistir a vários concertos do ídolo, BamBam, nascido Kunpimook Bhuwakul, começou aos 10 anos de idade a dar os primeiros passos para aprender a dançar e cantar. A evolução técnica levou-o a integrar o colectivo de dança We Zaa Cool, que trabalhou com artistas como Lisa da popular banda Blackpink.

O destino da Coreia do Sul estava traçado no seu GPS pessoal, principalmente após se destacar como vencedor do prémio de dança Thailand Rain Cover Dance Competition em 2007. Três anos depois estaria a viver na Coreia do Sul e a assinar um contrato com o grande conglomerado de entretenimento JYP Entertainment, uma autêntica máquina de produção de grupos e artistas de K-pop, com tentáculos a estenderem-se à China e Japão. No início de 2014, BamBam seria um dos rostos selecionados para formar os GOT7.

A vida num disco

No passado mês de Março, o artista lançou o primeiro disco a solo, “Sour & Sweet”, que apresenta ao público um olhar mais íntimo sobre a vida do jovem tailandês. A faixa de abertura do disco, “Feather”, tem como fio condutor a explosão emocional da chegada de BamBam ao aeroporto de Incheon quando se mudou para a Coreia do Sul, e a última música, “Wings”, desenha um retrato da sua vida actual, que “ganhou asas” com a popularidade dos GOT7.

De uma pena que atravessa a distância entre Banguecoque e Incheon, até um par de asas que permite a BamBam voar pela primeira vez a solo numa tournée mundial, “Sour & Sweet” será por certo o ponto fulcral das actuações do rapper tailandês.

Livre Comércio | Pequim e Manágua querem finalizar acordo este mês

China e Nicarágua esperam concluir as negociações de um Acordo de Livre Comércio, no final de Julho, após um ano e meio de negociações, informou o ministério do Comércio do país asiático, na sexta-feira.

A porta-voz do ministério, Shu Jueting, disse em conferência de imprensa que as duas nações têm “forte complementaridade económica, com grande potencial para o comércio e investimento”, de acordo com o jornal oficial Global Times.

“O Acordo de Livre Comércio entre a China e a Nicarágua vai facilitar e aprofundar a cooperação empresarial e comercial, estabelecendo as bases para um maior desenvolvimento das relações”, disse a porta-voz.

A quarta ronda de negociações do acordo foi realizada no início deste mês em Manágua liderada pelo vice-ministro do Comércio chinês, Wang Shouwen, e pelo chefe do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do país centro-americano, Jesús Bermúdez.

Entre os assuntos discutidos, está a emissão de vistos temporários para empresários e o comércio bilateral em geral e serviços financeiros, além do comércio de matérias-primas.

Segundo dados oficiais, as trocas entre a China e a Nicarágua no ano passado totalizaram 760 milhões de dólares.

O país asiático exportou principalmente produtos têxteis e equipamento de informática e comunicação para a Nicarágua, e importou produtos agrícolas, açúcar, couro e madeira.

China e Nicarágua retomaram as relações diplomáticas em Dezembro de 2021, depois de o país centro-americano ter rompido os seus laços oficiais com Taiwan.

Automóveis | Exportação cresce 75,7% até Junho

A exportação de automóveis da China para o resto do mundo aumentou 75,7 por cento no primeiro semestre deste ano, de acordo com dados da associação patronal da indústria automóvel citados ontem pela agência de notícias estatal Xinhua.

Os números da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis mostram que, entre Janeiro e Junho, a China exportou um total de 2,14 milhões de veículos.

Desse número, cerca de 534 mil unidades eram carros eléctricos, cujas vendas para o exterior aumentaram 160 por cento em relação ao mesmo período de 2022.

Os dados da Administração Geral das Alfândegas mostram que, no primeiro trimestre, a China tornou-se o maior exportador mundial de automóveis, ultrapassando o Japão.

“Os automóveis fabricados na China tornaram-se cada vez mais competitivos no mercado mundial graças a um controlo de qualidade rigoroso, a uma cadeia industrial sofisticada e a serviços de manutenção avançados”, afirmou o engenheiro geral adjunto da associação de fabricantes chinesa, Xu Haidong, citado pelo jornal oficial Global Times.

De acordo com um relatório recente da associação patronal, divulgado pela imprensa local, os principais destinos internacionais dos veículos chineses são a Rússia, o México e a Bélgica. No caso dos veículos eléctricos, os três primeiros são a Bélgica, o Reino Unido e a Tailândia.

Justiça | Executada educadora de infância que envenenou alunos

A justiça chinesa executou uma professora de jardim de infância que envenenou 25 crianças e matou uma delas, anunciou um tribunal no centro do país, na passada sexta-feira.

O Tribunal Intermédio nº 1 da cidade de Jiaozuo, na província de Henan, divulgou que a sentença de Wang Yun foi executada na quinta-feira.

Wang, de 40 anos, foi condenada por colocar nitrito de sódio tóxico em papa servida às crianças no jardim de infância Mengmeng, no dia 27 de Março de 2019, após discutir com um colega, identificado apenas pelo sobrenome Sun, sobre a “gestão dos alunos”.

Enquanto outros alunos recuperaram rapidamente, uma criança, identificada apenas pelo sobrenome Wang, morreu ao fim de 10 meses de tratamento com falência múltipla de órgãos, de acordo com o aviso do tribunal.

Wang já tinha anteriormente envenenado o marido com a mesma substância, adquirida via ‘online’ dois anos antes. O marido sobreviveu.

Não ficou claro se pretendia matar ou fazer com que adoecessem. Wang foi inicialmente condenada a nove meses de prisão, mas a sentença foi posteriormente convertida em pena de morte. O recurso de Wang foi rejeitado pelo tribunal e foi levada para um campo de execução.

Pedido à UE clarificação de posição sobre relação com Pequim

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, instou a União Europeia a esclarecer a sua posição sobre as relações com a China, numa reunião com o responsável da política externa da UE.

“A UE deve (…) esclarecer a sua posição na parceria estratégica entre ambos os lados e incentivar as relações China-UE para que avancem”, disse Wang a Josep Borrell num encontro à margem da reunião dos países do Sudeste Asiático, realizada em Jacarta, na sexta-feira, segundo um comunicado da diplomacia chinesa divulgado no sábado.

E prosseguiu: “Não se deve hesitar e muito menos encorajar palavras e acções para voltar atrás”.

“Não há conflito de interesses fundamentais entre a China e a UE”, acrescentou Wang, a principal autoridade de relações externas do Partido Comunista Chinês, um cargo que é mais importante do que o de ministro dos Negócios Estrangeiros.

Estas declarações por parte da China surgem depois de Berlim ter revelado na quinta-feira a sua nova estratégia de emancipação em relação à China, com o objectivo de “atenuar os riscos, sem cortar os laços” com Pequim.

A China advertiu imediatamente a Alemanha contra qualquer atitude susceptível de “prejudicar a cooperação e a confiança mútua”.

Em busca do equilíbrio

Esta nova estratégia alemã surge num contexto de preocupações crescentes na Europa e nos Estados Unidos sobre as ambições da China.

Mas, enquanto alguns Estados-membros da UE temem hostilizar Pequim e desencadear uma guerra comercial, outros defendem uma maior protecção.

Bruxelas quer definir a sua própria abordagem em relação a Pequim, para encontrar um equilíbrio entre o receio de uma dependência excessiva e o desejo de manter laços fortes com a segunda maior economia do mundo.

A 4 de Julho, a China cancelou uma visita do chefe da diplomacia europeia a Pequim, prevista para a semana seguinte.

Um dos assuntos que causa maior tensão com Pequim tem a ver com a ambiguidade da posição da China em relação à invasão da Ucrânia pela Rússia.

Para reduzir a dependência económica da União Europeia em relação a Pequim, a Comissão Europeia apresentou no final de Junho uma estratégia para responder com mais firmeza aos riscos para a segurança económica europeia.

EUA | John Kerry em Pequim para retomar as conversações sobre o clima

Enquanto os efeitos desastrosos das alterações climáticas se fazem sentir de uma forma cada vez mais dramática por todo o mundo, o enviado norte-americano para as questões do clima chega a Pequim com vista a encontrar pontos de convergência para a diminuição de poluição gerada pelos dois países

 

O enviado dos Estados Unidos para o Clima, John Kerry, chegou ontem a Pequim com a ambição de retomar o diálogo sobre as alterações climáticas, uma questão crucial para os dois principais poluidores do mundo.

Kerry, que faz a sua terceira viagem à China desde que assumiu o cargo em 2021, chega numa altura em que o impacto das alterações climáticas se faz sentir particularmente em todo o mundo, com ondas de calor em muitas partes do globo.

A China não é excepção e a capital, Pequim, tem registado temperaturas de cerca de 40 graus Celsius desde há semanas. John Kerry, que estará na China até quarta-feira, deverá encontrar-se com o homólogo Xie Zhenhua.

A partir de segunda-feira, “a China e os Estados Unidos terão uma troca de pontos de vista aprofundada” sobre questões climáticas, noticiou a televisão estatal chinesa CCTV após a chegada de Kerry a Pequim, mas sem adiantar pormenores.

Nos últimos meses, tem havido um número crescente de visitas de Washington para melhorar as relações diplomáticas: o secretário de Estado, Antony Blinken, visitou o país em Junho, seguido pela secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, no início deste mês.

Os dois maiores poluidores do mundo não discutem as alterações climáticas há quase um ano, depois de, em Agosto de 2022, Pequim ter suspendido as conversações sobre este assunto em protesto contra a visita a Taiwan de Nancy Pelosi, então Presidente da Câmara dos Representantes dos EUA.

As discussões sobre o clima parecem agora ser retomadas após meses de tensão, sobretudo porque Kerry, antigo secretário de Estado norte-americano, tem uma relação bastante cordial e ininterrupta com a China e ocupa agora uma posição-chave, tendo em pano de fundo a ideia de que a administração de Joe Biden considera que as alterações climáticas são um dos domínios em que as duas potências, ferozmente competitivas, podem cooperar.

Mau tempo, pouco tempo

O tempo está a esgotar-se: globalmente, Junho foi o mês mais quente de que há registo, segundo a agência europeia Copernicus e as norte-americanas NASA e NOAA.

A primeira semana completa de Julho foi, por sua vez, a mais quente de que há registo, segundo dados preliminares da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Uma nota do Departamento de Estado norte-americano refere que o objectivo de Kerry é “encetar um diálogo” com a China “sobre a resolução da crise climática”, como o aumento da ambição e da implementação” dos regulamentos sobre o clima e “a promoção de uma COP28 bem-sucedida”. A conferência da ONU sobre alterações climáticas (COP28) está marcada para o Dubai no final do ano.

A China é o maior emissor mundial de gases com efeito de estufa, responsáveis pelas alterações climáticas, e prometeu atingir o seu pico de emissões de dióxido de carbono (CO2) até 2030 e atingir a neutralidade carbónica até 2060. O Presidente Xi Jinping também prometeu que o seu país reduzirá a utilização de carvão a partir de 2026.

DST promove o destino turístico Macau ao mercado sul-coreano

Termina hoje a promoção de rua “Sentir Macau Sem Limites”, que começou na passada sexta-feira. Durante quatro dias, a iniciativa mostrou ao público de Seul, na Coreia do Sul, “os ricos elementos de “turismo + de Macau”, indicou na sexta-feira a Direcção dos Serviços de Turismo (DST).

A aposta do Governo da RAEM tem como objectivo atrair visitantes internacionais para as férias de Verão. A DST recorda que em 2019, Macau recebeu mais de 740 mil visitantes da Coreia do Sul, volume de turistas que destacou o país como o primeiro mercado internacional de visitantes.

A cerimónia de abertura da promoção de rua teve lugar no complexo comercial Times Square, em Seul, e contou com a presença da directora da DST, Helena de Senna Fernandes, o presidente da Associação de Agentes de Viagem da Coreia, Henry Oh, assim como representantes dos sectores da aviação e turismo da Coreia do Sul. Além de membros do Governo, viajaram de Macau “representantes da indústria turística e das seis grandes empresas integradas de turismo e lazer”, indicou na sexta-feira a DST.

Na cerimónia de abertura, Helena de Senna Fernandes, referiu que o número de voos entre Macau e a Coreia do Sul tem aumentado nos últimos meses e que o objectivo da acção de promoção seria mostrar as últimas novidades do menu de novos elementos turísticos de Macau.

Prémios e influências

Como não poderia deixar de ser no actual paradigma de marketing, a DST procurou atrair a colaboração e influência digital de uma grande plataforma sul-coreana. Portanto, “além da promoção contínua nas redes sociais, a representação da DST na Coreia do Sul convidou vários influenciadores digitais sul-coreanos para apoiarem a promoção.

Uma das iniciativas foi realizada em parceria com a plataforma de viagem no Instagram Yeomi.travel, que tem mais de 1,2 milhões de seguidores, através de um sorteio, intitulado “Teleport to Macao”. Quem apareceu na abertura na Times Square, munido de passaporte, habilitou-se a ser um dos quatro felizardos que ganharam bilhetes de avião e pacotes de estadia gratuitos, com partida imediata.

Além disso, o Governo promoveu encontros entre operadores turísticos de ambos os territórios, e lançou uma campanha publicitária para atrair turistas sul-coreanos.

Aviação | Aeroporto de Macau com mais 23% de voos em Julho

Durante este mês, o Aeroporto de Macau pode vir a registar quase 4.500 voos, entre chegadas e partidas. O volume de movimentos pode representar uma subida em 23,1 por cento em termos mensais, e quase 66 por cento do nível verificado antes da pandemia

O presente mês de Julho poderá significar um aumento considerável de movimentos de aeronaves no Aeroporto Internacional de Macau. A Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau (CAM), empresa que gera a infra-estrutura, prevê que ao longo deste mês Macau registe um movimento de cerca de 4.480 movimentos de aeronaves, entre chegadas e partidas, o que representa um aumento de 23,1 por cento face aos 3.638 movimentos registados no passado mês de Junho.

Segundo a notícia avançada pelo portal GGR Asia, a estimativa para este mês poderá atingir 65,8 por cento do nível verificado em Julho de 2019, antes da pandemia colocar um travão ao transporte aéreo, mês em que se registaram 6.809 movimentos. Aliás, em Agosto de 2019, o Aeroporto Internacional de Macau bateu o recorde mensal de voos, com um total de 7.016 partidas e chegadas, desde o início das suas operações em 1995.

Cerca de dois terços dos voos estimados para este mês dizem respeito a ligações a cidades do Interior da China e Taiwan, acrescenta a mesma fonte citando a CAM.

Ásia Maior

Além das ligações ao Interior da China e a Taiwan, o aeroporto de Macau tem também voos directos para Banguecoque e Chiang Mai, na Tailândia; Da Nang, Hanói e Cam Ranh no Vietname, Phnom Penh no Camboja; Manila, Cebu e Clark nas Filipinas; Seul e Busan, na Coreia do Sul; Tóquio e Osaka, no Japão, assim como Koror em Palau, Kota Kinabalu e Kuala Lumpur na Malásia e Singapura.

A lista de destinos a partir de Macau pode vir a aumentar nas próximas semanas. “A Tiger Air Taiwan voltou a operar voos entre Macau, Taipé, Taichung e Kaohsiung no início de Julho. No final deste mês, a Air Macau irá reactivar a ligação a Guiyang (província de Guizhou), enquanto a Jeju Air voltará a voar entre Macau e Seul e Air Busan entre Macau e Busan”, indicou a CAM.

A empresa que gere o aeroporto adiantou num comunicado no final da semana passada que serão anunciadas outras novidades para o mercado sul-coreano nos próximos meses, isto depois de ter participado em várias reuniões com companhias aéreas de baixo custo em eventos organizados em Seul pela Direcção dos Serviços de Turismo da RAEM.

Para já, sabe-se que a Jeju Air deverá disponibilizar dois voos semanais entre Jeju e Macau a partir de Agosto, enquanto a rota para Seul deverá ter um voo semanal em Setembro. As ligações a Jeju poderão contar com a operação de mais uma companhia low-cost, a Aero K Airlines, no final do ano.

As ligações à capital sul-coreana serão reforçadas pela Jin Air, que tem uma ligação diária entre Macau e Seul, que deverá passar a duas por dia no último trimestre deste ano.

Por outro lado, a CAM indica que a Nok Air e a Lion Air estão a planear lançar novas aéreas entre Macau e a Tailândia no final de Julho e início de Agosto.

IAM | Bloqueio a importações de alimentos do Japão na forja

Uma posição comum, depois do Interior e de Hong Kong, também Macau se prepara para suspender as importações de produtos de várias regiões do país do sol nascente. Em causa, está a possível descarga de águas de Fukushima no oceano

 

A descarga para o oceano das águas residuais nucleares da Central de Fukushima, no Japão, vai levar o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) a suspender as importações de alimentos de diversas áreas do Japão. O cenário foi confirmado por José Tavares, presidente do IAM, em declarações enviada à Rádio Macau.

De acordo com o responsável, caso se confirme a descarga, o IAM vai “alargar imediatamente a área de suspensão de pedidos de importação de produtos alimentares para dez distritos”. Actualmente, está em vigor um bloqueio das importações de alimentos de Fukushima.

No entanto, com a descarga a efectuar-se, o bloqueio às importações vai abranger mais nove distritos, nomeadamente Chiba, Tochigi, Ibaraki, Gunma, Miyagi, Niigata, Nagano, Saitama e Tóquio.

O responsável do IAM explicou ainda que não está “está descartada a imposição da exigência de certificado de teste de radiação dos produtos alimentares frescos e vivos importados dos outros distritos”.

Em relação ao impacto no mercado de alimentos locais, Tavares desvalorizou esse aspecto e indicou que as principais importações de “produtos marinhos” do Japão são provenientes das regiões de Hokkaido, Kagoshima, Fukuoka, Nagasaki e Ehime.

À Rádio Macau, o responsável explicou também que o IACM actualmente realiza análises regulares aos produtos vindos do Japão e que até agora “não se detectou nenhuma anomalia”.

Tema polémico

A polémica em torno dos resíduos nucleares surgiu depois de o Governo do Japão ter anunciado a intenção de, no próximo mês fazer, uma descarga para o mar das águas residuais da Central de Fukushima, onde aconteceu um dos maiores incidentes nucleares da História em 2011.

Apesar de a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), organização criada no seio das Organização das Nações Unidas (ONU), considerar que a descarga é segura, o plano tem encontrado oposição em vários países. Além da China, que em conjunto com as regiões de Hong Kong e Macau se prepara para fazer um bloqueio para os produtos do Japão, também a oposição da Coreia do Sul, ao contrário do Governo, tem sido muito vocal nesta matéria.

Vários grupos de cientistas alertaram também para os perigos da descarga, como foi o caso de Robert H. Richmond, director do Laboratório Marinho Kewalo da Universidade do Havai em Manoa, nos Estados Unidos.

GIF vai ser integrado nos Serviços de Polícia Unitárias

O Gabinete de Informação Financeira (GIF) vai ser integrado nos Serviços de Polícia Unitárias (SPU), de acordo com a proposta do Governo de alterar a actual lei dos Serviços de Polícia Unitários, que data de 2001. A proposta, que ainda tem de ser votada na Assembleia Legislativa, onde não se espera qualquer oposição, foi apresentada na sexta-feira, no final de uma reunião do Conselho Executivo.

De acordo com as explicações do porta-voz do Conselho Executivo, André Cheong, esta alteração estava prevista nas Linhas de Acção Governativa para este ano e pretende aumentar a “racionalização dos quadros e simplificação administrativa”, unindo “Gabinete de Informação Financeira e a Polícia, com vista a fortalecer a prevenção e combate à criminalidade”.

Na apresentação genérica do diploma, que só será conhecido em detalhe depois de ser disponibilizado no portal da Assembleia Legislativa, foi explicado que os SPU passam a ser dotados da “atribuição e competência de participar na prevenção e no combate a actividades criminosas relativas ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e financiamento à proliferação de armas de destruição maciça”.

Da dependência

Além disso, passa a ser previsto na orgânica dos SPU “um organismo dependente, dotado de independência técnica e funcional para a prossecução das novas atribuições”.

Contudo, as alterações vão fazer com que sejam igualmente actualizados os diplomas de colocação de pessoal, nomeadamente o Estatuto dos agentes das Forças e Serviços de Segurança e a Alteração ao Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau e diplomas conexos.

De acordo com a apresentação de sexta-feira, a alteração legislativa vai ser igualmente aproveitada para integrar os conteúdos da lei que define a Autoridade de Polícia Criminal no âmbito dos Serviços de Polícia Unitários na lei dos Serviços de Polícia Unitários.

Actualmente, o Gabinete de Informação Financeira está sob a tutela do secretário da Segurança, pelo que este aspecto não vai sofrer alterações, e tem como coordenadora Chu Un I. Este gabinete foi criado em 2006, durante o Governo de Edmundo Ho, e nessa altura funcionava “na dependência e sob a orientação do Secretário para a Economia e Finanças”.

Fai Chi Kei | Remoção de árvores leva Governo a desculpar-se

O secretário para a Administração e Justiça reconheceu a existência de falhas na retirada de várias árvores da Zona do Fai Chi Kei, onde vai ser construída uma caixa de retenção de água para evitar as cheias

 

A remoção de várias árvores na Rua do Comandante João Belo, no Fai Chi Kei, gerou várias críticas e o Governo reconheceu ter falhado na altura de comunicar com a população. Na sexta-feira, numa conferência de imprensa do Conselho Executivo, o secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, fez um ponto de situação dos trabalhos de retirada das árvores para a instalação da caixa de retenção de água (box-culvert) e pediu desculpas à população.

“Tenho de pedir desculpas a todos [devido ao corte das árvores], porque houve realmente um vício nas operações. Não houve uma comunicação, nem um esclarecimento atempado junto da população”, afirmou André Cheong, que é igualmente porta-voz do Conselho Executivo.

Em relação ao futuro, o governante reconheceu existir a necessidade de fazer uma revisão do “vício nos procedimentos operacionais”.

Morrer de pé

O secretário justificou depois a opção de cortar as árvores. Segundo o esclarecimento, o “Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) está a construir, de forma faseada, a estação elevatória e box-culverts na baía norte do bairro Fai Chi Kei”. A reboque destes trabalhos, também está a ser alargada a “via de trânsito junto da Rua do Comandante João Belo, a fim de aperfeiçoar as condições de trânsito na zona”.

Durante os trabalhos foi feita uma “avaliação técnica” que levou a que apenas duas árvores fossem aproveitadas. “Após uma avaliação técnica, apenas duas [árvores] foram consideradas com valor de transplantação sendo que as outras casuarinas remanescentes foram retiradas porque já entraram em estágio de declínio, assim como pela redução das suas funções de protecção solar”, apontou André Cheong. “Fizemos uma avaliação das árvores e em termos de arborização não merecem ser removidas para outro local, por isso foram cortadas”, foi frisado.

No entanto, quando os trabalhos forem concluídos, o responsável prometeu que “os serviços competentes irão plantar árvores mais adequadas ao ambiente da zona, com melhor função de protecção solar”.

Canídromo esta semana

O projecto para o terreno do Canídromo e do Centro Desportivo Lin Fong vai ser apresentado esta semana. O anúncio foi feito por André Cheong, que não revelou mais detalhes. No passado, foram vários os pedidos de construção de espaços para escolas no local. Além disso, também nesta semana vai ser apresentado o projecto para a construção de um campo de actividades juvenis em Hac-Sá e o plano de melhoria das instalações da Barragem de Hac-Sá.

Tabagismo | Gabinete de Prevenção e Controlo passa a departamento

O Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo vai passar a ser um departamento, ficando também incumbido de tratar dos assuntos relacionados com o consumo de bebidas alcoólicas. A novidade foi anunciada na sexta-feira, pelo secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, na sequência da apresentação do projecto de regulamento administrativo que regula a matéria, terminada a discussão no Conselho Executivo.

A passagem de gabinete a departamento foi justificada pelo governante e porta-voz do Conselho Executivo com “o aumento da função de controlo de bebidas alcoólicas”. O novo organismo terá como funções “estudar e elaborar medidas de prevenção e controlo do tabagismo e do consumo de bebidas alcoólicas, promover campanhas de informação e educação para a saúde, fiscalizar o cumprimento da legislação e assegurar os procedimentos sancionatórios”.

Além disso, foram criadas a “Divisão de Desenvolvimento de Sistemas Informáticos” e a “Divisão de Reparação”, responsáveis pelo desenvolvimento da medicina inteligente e da aplicação de megadados, manutenção e reparação das instalações e equipamentos dos Serviços de Saúde.

Foi também criada a Divisão de Licenciamento para o Exercício de Actividades de Saúde, em substituição da Unidade Técnica de Licenciamento das Actividades e Profissões Privadas de Prestação de Cuidados de Saúde (UTLAP), com vista a promover o desenvolvimento diversificado do mercado de saúde privado e aperfeiçoar as medidas de supervisão.