Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteCoronel Mesquita | Estátua saiu da Barra para Portugal em “discreta” operação nocturna A estátua do Coronel Mesquita entrou na história de Macau por ter sido retirada à força durante o “1,2,3”. Porém, acabou por ir para Portugal em 1986, com o aval do Governador Almeida e Costa, numa operação nocturna nas Oficinas Navais, entre rumores de que teria sido atirada ao rio. Hoje, repousa em Paço de Arcos, à guarda da Associação de Comandos No século XIX a morte do então Governador Ferreira do Amaral e o episódio do Passaleão, protagonizado pelo Coronel Vicente Nicolau de Mesquita, consta como um dos momentos de tensão na relação entre chineses e portugueses em Macau. Tal episódio iria servir de combate e argumento contra os portugueses na expressão da Revolução Cultural em Macau, no movimento “1,2,3”, que decorreu entre Novembro de 1966 e Fevereiro de 1967. Nos tensos dias do início de Dezembro de 1966, a estátua de Vicente Nicolau de Mesquita foi derrubada e escondida até ser encontrada, em 1986, por José Lobo do Amaral, presidente da Associação de Comandos. Até então julgava-se que a estátua tinha sido destruída e atirada ao rio, a mando de Nobre de Carvalho, Governador que, quando tomou posse, apanhou o “1,2,3” no seu auge. Ao HM, José Lobo do Amaral recorda o momento em que percebeu o que estava à frente dos seus olhos. “A estátua foi apeada por altura do ‘1,2,3’ e estava recolhida, mas não sei onde. Onde a encontrei foi nas Oficinas Navais. Estava a um canto, tapada, levantei a lona e lá estava. A história é esta.” Estávamos em 1985 e era Governador Almeida e Costa. Foi aí que José Lobo do Amaral percebeu que o boato de que a estátua estava destruída não passava disso mesmo. “O que constou é que Nobre de Carvalho teria dado ordens para destruir a estátua e atirá-la ao mar. Era o que toda a gente dizia. Agora, se uns sabiam que não tinha ido…calavam-se. Nunca ouvi outra versão da história, e até se dava ao nome da pessoa que a tinha destruído. E a história da estátua morreu ali. Causou grande surpresa quando levantei a lona e a vi.” “A estátua estava no Leal Senado [quando foi retirada durante os tumultos] e nunca foi reposta. Disse ao Jorge Rangel: fala lá ao Governador, para ver se ele nos dá aquilo para levarmos para Lisboa. A ideia era colocar a estátua no Castelo do Queijo, no Porto, onde é a sede da nossa delegação. Aí ele [Governador] disse: ‘levem-na, discretamente'”. Cobertos pelo breu A discrição que a missão exigia originou a operação nocturna para levar a estátua para Lisboa, sem grande alarido. Este episódio foi recentemente recordado por Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau, numa sessão na Casa de Macau em Lisboa a propósito de Luiz Gonzaga Gomes. A operação envolveu 12 pessoas que tinham estado ligadas aos comandos e alguns contactos prévios, bem como a combinação de uma espécie de código entre Jorge Rangel e José Lobo do Amaral para desviar as atenções do guarda das Oficinas Navais. “Disse-lhe que só nós os dois podíamos saber o que tinha de acontecer. Do lado das Oficinas Navais ficaram só à espera da indicação da data [para retirar a estátua]”, referiu Jorge Rangel. Contratou-se “uma empresa de confiança” para transportar a estátua para a Europa. “Nessa noite, esses antigos 12 comandos foram de camioneta, até à porta, fazer um primeiro reconhecimento, para ver se o guarda estava ou não. O portão estava aberto, era só puxar, e foi aí que a estátua foi transportada para o cais do Porto Interior, e depois para Hong Kong.” A estátua do Coronel Vicente Nicolau de Mesquita chegou então a Portugal, ficando primeiro no Porto de Leixões antes de fazer o seu percurso até Paço de Arcos. Exposta em Valadares José Lobo do Amaral não gosta que se use o termo “às escondidas” para classificar a manobra. “Foi usado o termo discretamente [para a retirada]. Às escondidas era se tivéssemos ido pela calada da noite, encapuzados. Foi tudo feito normalmente. Contratou-se uma empresa de navegação, fizeram o contentor, puseram-na lá dentro, e transportaram-na para o Porto.” Com apoios do Instituto Cultural (IC) lá foi a estátua de bronze para o Castelo do Queijo, mas as contas das dimensões foram malfeitas – não conseguia passar da porta. A estátua do coronel macaense acabou por ir parar a uma fábrica de Valadares, também no Norte de Portugal. Enquanto se esperava pela remodelação da Bataria da Lage, em Paço de Arcos, ficou ali e até teve o seu momento provisório de exibição. “A fábrica era de um comando. Como a estátua estava deitada no chão, resolveu fazer um pedestal e pô-la lá, e quem andasse ali de passagem podia vê-la, mas não era a colocação definitiva. Pôs no letreiro a dizer o que era, e depois quando arranjámos este espaço fomos buscá-la.” Quem passar pela Bataria da Lage, junto à estrada marginal, vai encontrar a estátua do Coronel Mesquita qual como quando saiu de Macau. “Tem a bota partida, nunca quisemos restaurá-la para que ficasse assim.” Está virada para Macau, lendo-se na placa que está a pouco mais de 110 mil quilómetros de distância do território. Hoje continua a receber visitas. “Vem aí muita gente da terra para ver a estátua e tirar fotografias. Pessoas que estiveram em Macau, e outras que vêm aí e a quem digo para a visitarem.” João Lobo do Amaral recorda como “o Governo de Macau sempre se fez de recados”, nomeadamente entre o Oriente e Portugal. “O Macau moderno que conhecemos é do Ferreira do Amaral, porque até ali era o Governo do Leal Senado. Só a partir dele há uma fronteira [das Portas do Cerco]. Havia o mandarim que cobrava imposto do Porto. As coisas rolavam. As comunidades [coexistiam]. É o segredo dos 500 anos [de presença portuguesa]. Tudo se fazia por consenso, uma palavra que nem gosto pessoalmente, porque acho que o consenso é cinzento.” No caso de Ferreira do Amaral, “não teve senso, não sabia ou não lhe explicaram” esse modo de coexistência de comunidades, “e aconteceu o que aconteceu”. “Dá-se o Passaleão e a reacção à morte dele”, recorda. Junto à estátua está uma placa onde se explica não só o episódio histórico que ela acarreta como a sua autoria, do escultor Maximino Alves. A estátua do militar macaense foi inaugurada em Macau a 24 de Junho de 1940, com a inscrição na base de pedra a assinalar “Homenagem da Colónia ao Herói Macaense Coronel Vicente Nicolau de Mesquita, 25 de Agosto de 1849.” Mais abaixo, podia ler-se: “Monumento erguido por subscrição pública e auxílio do Governo da Colónia. Foi inaugurado por ocasião das festas comemorativas do duplo centenário da Fundação e Restauração de Portugal. 24 de Junho de 1940 – Oferta do Leal Senado.” Todas as mudanças da estátua até à sua exibição permanente foram apoiadas pela Fundação Jorge Álvares e Fundação Casa de Macau. Segundo o website Memória de Macau, a Batalha do Passaleão, a 25 de Agosto de 1849, “é o único confronto significativo entre a China do Sul e Macau durante mais de quatro séculos de vizinhança”, e ocorreu “após o assassinato do Governador Ferreira do Amaral”. O episódio consistiu na “tomada de um forte chinês que atacava Macau com a força dos seus obuses a cerca de meia milha das Portas do Cerco”, sendo que “Vicente Nicolau de Mesquita avançou pelo território inimigo, sem ordem superior e apenas com o pelotão de 32 homens sob seu comando, neutralizando com uma carga de explosivos o forte que oprimia Macau”. Foi apoiado, nessa acção, por “duas peças de artilharia de campanha, um obuz de montanha e dois canhões da barca canhoeira e da lorcha de António Ferreira Batalha”. Vicente Nicolau de Mesquita está sepultado no Cemitério de S. Miguel Arcanjo.
Hoje Macau SociedadeSeac Pai Van | Estátuas e placas restauradas O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) anunciou a restauração e instalação da Estátua de Nossa Senhora, Estátua do Senhor dos Passos e placas de Via-Sacra na Rotunda de Seac Pai Van, em Coloane. A informação foi disponibilizada através de um comunicado, tendo os representes do IAM, em conjunto com o pessoal da Diocese, ido ao local para realizar uma inspecção na passada quinta-feira. “O IAM, sob a orientação da Diocese de Macau, colocou a Estátua de Nossa Senhora, Estátua do Senhor dos Passos e placas de Via-Sacra no lugar original, conforme o layout anterior”, foi garantido. As estátuas e as placas da via-sacra estiveram no centro da polémica em Julho, por inicialmente terem sido removidas, sem que se soubesse do seu paradeiro. O assunto levou à intervenção de alguns deputados como Lo Choi In e José Pereira Coutinho, numa altura em que se pensava que as estátuas tinham simplesmente sido removidas e que não voltariam àquele local. No entanto, horas mais tarde o IAM esclareceu que tinha havido um concurso público para restaurar as estátuas, cujo desgaste e os danos foram explicados com a passagem de tufões. Os trabalhos de restauro foram adjudicados, a 17 de Março, ao “Construtor Civil Lee Fat Kun” que se comprometeu a terminar o serviço dentro de 150 dias, por um montante de 645 mil patacas. Segundo IAM, esta empresa tem “experiência e domínio das técnicas na área do restauro”.
João Santos Filipe Manchete SociedadeColoane | Estátua de Nossa Senhora e placas da Via-Sacra estão a ser restauradas O desaparecimento da estátua da Rotunda de Seac Pai Van, em Coloane, gerou grande contestação online e houve mesmo quem pedisse ao Governo para que fizesse Macau “regressar à normalidade”. Por sua vez, Lo Choi In apelou a uma resolução rápida da situação A Estátua de Nossa Senhora e as placas da Via-Sacra que estavam instaladas na Rotunda de Seac Pai Van, em Coloane, desapareceram com as várias obras que decorrem no local. A questão gerou grande polémica nas redes sociais, levando inclusive a deputada Lo Choi In a questionar o desaparecimento. No entanto, de acordo com o portal do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), a retirada de um dos elementos mais característicos de Coloane deve-se à realização de trabalhos de recuperação. O portal do organismo liderado por José Tavares indica que no início do ano foi realizado um concurso público para a prestação do “serviço de recuperação das placas alusivas a via crucis e da estátua existentes na Rotunda de Seac Pai Van, Coloane”. Neste concurso público foram apresentadas, num primeiro momento, 11 propostas, das quais cinco foram excluídas, devido a desistências, falta de documentos, não cumprimento dos requisitos mínimos, entre outros motivos. Os trabalhos acabaram adjudicados, a 17 de Março, ao “Construtor Civil Lee Fat Kun” que se comprometeu a terminar o serviço dentro de 150 dias, por um montante de 645 mil patacas. Esta foi uma proposta com um preço muito mais baixo do que as restantes. A que mais se aproximou, a nível do valor, foi a proposta da empresa Jun Lei, que cobrava 1,17 milhões de patacas para realizar os trabalhos em 135 dias. Confusão online Apesar da informação constar no portal do IAM, a questão não deixou de levantar polémica, o que levou inclusive o tema a ser comentado por Lo Choi In, deputada ligada a Jiangmen, na página pessoal da rede social Facebook. “Cortarem árvores, removerem o património cultural ou reduzirem o número de lugares de estacionamento, todas estas acções são aceitáveis. Mas, a estátua da Nossa Senhora em Coloane está ligada a muitos sentimentos e memórias da população”, afirmou a deputada. “Apelo às autoridades que devolvam a estátua ao seu local original o mais depressa possível!”, acrescentou. A reacção da deputada é bastante moderada face a inúmeros comentários que surgiram num grupo de discussão sobre Macau na rede social facebook. Várias pessoas exigem ao Governo a devolução da estátua e acusam as autoridades de querer apagar a história e a memória colectiva do território. “Este Governo está a viver num mundo paralelo. Será que podem fazer Macau regressar à normalidade e devolver Macau às pessoas de Macau?”, questiona uma internauta. “Não basta estarem sempre a cavar a estrada, fazerem desaparecer monumentos históricos, cortarem as árvores antigas uma a uma, será que também vão desfazer Macau?”, acrescenta. Por outro lado, há quem tenha optado por partilhar as memórias ligadas à estátua. Uma internauta apontou que a estátua de Nossa Senhora foi instalada em Coloane, no ano de 1986, depois de terem ocorrido vários acidentes mortais naquela estrada. As reacções ao desaparecimento da estátua e placas da via-sacra voltam a colocar o IAM debaixo por falhas de comunicação. Na semana passada, o secretário para a Administração e Justiça pediu desculpa à população por várias árvores no Fai Chi Kei terem sido arrancadas, sem as devidas explicações.
Carlos Morais José A outra face VozesEstátuas há muitas [dropcap]U[/dropcap]m dos últimos governadores alemães de Qindao, na China, foi preso pelos seus por ter gasto em demasia na edificação de um palácio solitário, em frente ao mar, na arriba de uma praia do Mar Amarelo. Hoje esse palácio é um museu. No seu jardim, em 2002, acumulavam-se por ali, de forma desordenada, estátuas alusivas à Revolução Cultural. Por lá passeei em tarde fria, hipnotizado pelas intenções de pedra, pela energia condensada das palavras de ordem, agora exiladas das praças, das ruas, das rotundas. Uma outra era surgira e impusera outra linguagem. Era já antigo o que há tão pouco tempo fora erguido para ser radicalmente novo. O que antes tanto inspirara, horrorizava agora os olhares recentes da China mercantilista. No templo de Confúcio, em Qufu, os Guardas Vermelhos destruíram uma estátua do Mestre, datada da dinastia Ming. Nunca dela vi qualquer fotografia. Era, ao que dizem, magnífica. Um guia lamentava a sanha dos revolucionários maoístas e mostrava-me uma frase, por eles escrita a negro numa parede, nesses tempos avermelhados. Não a quis traduzir. “Por que não a apagam?”, perguntei. “Sabe”, respondeu-me com meio sorriso, “a caligrafia de quem a escreveu é excelente”. E afastou-se do lugar. Mais adiante, nesse mesmo templo, existe a parede de Lu, onde os escritos confucionistas foram escondidos durante a dinastia Qin (221-207 a.E.C.) e depois mais tarde recuperados para se transformarem na base fundamental das culturas chinesa, japonesa e coreana, entre outras. O imperador, que pela primeira vez unificara a China, ordenara a sua destruição total. Livros foram queimados e letrados sepultados vivos. Em Angkor Wat, no Cambodja, os budistas cortaram a cabeça a inúmeras de estátuas de deuses hindus que, certamente, perturbavam as suas meditações moralistas. Contudo, fizeram um considerável Buda e ele para ali ficou sossegado até o monumento, engolido pela floresta e o desprezo dos homens, voltar a emergir e a despertar tanto interesse que hoje se inscreve na bandeira do país. Quando os Khmers Vermelhos lá chegaram e com ela se depararam, animados de um estranho monoteísmo, resolveram também destruí-la. Contudo, um monge ventríloquo fez a estátua murmurar umas palavras e os jovens revolucionários fugiram apavorados dos espíritos em que não acreditavam. Hoje, uma parte importante da estatuária de Angkor Wat, talvez a mais bela, mora em museus franceses e outra em museus vietnamitas, consequência da “libertação” do país do mando de Pol Pot. Por todo o Paris, existem estátuas de tipos que não se davam nada bem. Parecem, no entanto, conviver hoje pacificamente por muito que uns tenham guilhotinado os outros. Na verdade, ignoram-se, porque são estátuas: a pedra e o metal ainda não pensam, não sentem desejos, nem exprimem ambições. Em Roma, o Vaticano prendeu, torturou e queimou Giordano Bruno, um dos mais brilhantes pensadores da sua época. Séculos mais tarde, aproveitando um momento em que o poder da Igreja se esvanecera, um grupo de jovens admiradores do sábio mandou fundir rapidamente uma estátua e colocou-a no preciso lugar onde ele fora barbaramente executado. Ainda preside, escura e sinistra, ao mercado diário que ali se desenrola no Campo dei Fiori. Alguém discretamente a seus pés deposita, de quando em quando, uma rosa. Na Cidade Eterna, são muitas as estátuas emasculadas porque era desconfortável a um Papa a visão de sexos masculinos, ainda que engelhados e em estado de repouso. O Porto edificou uma estátua à humilhação francesa às mãos dos ingleses, enquanto os primeiros nos traziam as Luzes e os segundos nos limitavam a independência e transformavam numa espécie de protectorado. Em Lisboa, a estátua de D. Pedro V no Rossio é, na realidade, uma representação do imperador Maximiliano do México, que incarnou um dos últimos sonhos, magnificamente disparatado, do colonialismo europeu. As valsas vienenses só brevemente soaram nos palácios mexicanos. A estátua de Maximiliano não passou de Lisboa. Tanto faz. A arte pública tem sempre o duplo condão de elogiar e ofender. Nada a fazer. Os iconoclastas são globais e, em geral, surgem sempre possuídos por uma “verdade” qualquer, na qual piamente acreditam e pela qual estão dispostos à barbárie. Nem a dúvida os trava, nem o ridículo os faz parar. Por mim, também tenho ganas de derrubar algumas coisas: sobretudo, qualquer teoria que nos queira fazer acreditar num mundo verdadeiro.
Hoje Macau China / ÁsiaReligião | Pequim restringe construção de estátuas religiosas ao ar livre [dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] Partido Comunista da China mandou os Governos locais regulamentarem melhor a construção de grandes estátuas religiosas ao ar livre, numa altura de crescentes restrições à expressão religiosa de todos os tipos no país. A orientação do Departamento de Trabalho da Frente Unida, divulgada no site do partido, parece direccionada principalmente aos seguidores do budismo e do taoismo, duas das cinco religiões oficialmente reconhecidas da China. “Todas as localidades devem adoptar a regulamentação da construção de grandes estátuas religiosas ao ar livre como principal prioridade na prevenção da comercialização adicional do budismo e do taoismo”, afirma a orientação do departamento. Milhares de templos e santuários budistas e taoistas, juntamente com mesquitas e igrejas, foram danificados ou destruídos nos tempos do comunismo, especialmente durante a violenta Revolução Cultural de 1966-1976. Embora muitos tenham sido restaurados e reabertos desde então, novas regulamentações e uma revisão burocrática no início deste ano colocaram a gestão do dia-a-dia dos assuntos religiosos directamente sob a tutela do partido oficialmente ateu. Esta gestão tem sido acompanhada por uma campanha renovada para promover o ateísmo e a lealdade ao partido, juntamente com um esforço para estudar as obras de um dos fundadores do comunismo, Karl Marx, que escreveu que a religião “é o ópio do povo”. A campanha anti-religião ocorre juntamente com campanhas para promover o patriotismo e a lealdade partidária, a oposição ao separatismo entre as minorias étnicas e a luta contra os valores liberais ocidentais. Estas campanhas têm complicado os esforços de reconciliação com o Vaticano e levado milhares de muçulmanos a serem submetidos à doutrinação anti-islâmica em campos de reeducação, à demolição de igrejas e a retirada de estudantes e monges de um famoso seminário budista tibetano.