Moçambique | PR quer “nova página” na cooperação com a China Hoje Macau - 22 Abr 2026 Daniel Chapo, de visita à China, quer dar mais um impulso às relações económicas e comerciais entre os dois países O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, manifestou a intenção de abrir uma nova página para a cooperação económica e comercial com a China, visando uma transformação económica “real, tangível e mensurável” nos dois países. “Moçambique está, neste momento, num momento de viragem. Cinquenta anos depois da independência, 50 anos de cooperação China-Moçambique, as nossas relações políticas e diplomáticas são excelentes, agora queremos abrir uma nova página para a cooperação económica e comercial”, declarou Daniel Chapo, durante uma mesa redonda na China, indica informação enviada ontem pela Presidência de Moçambique. Durante a mesa redonda, na segunda-feira, sobre desenvolvimento e investimento Moçambique-China, na província chinesa de Qinghai, o chefe de Estado moçambicano disse que os dois países estão ligados por uma história que atravessa séculos e geografias, numa relação forjada na solidariedade, confiança e respeito mútuo. É na continuidade dessa cooperação que o estadista africano espera transformar, junto do país asiático, “oportunidades em decisões, intenções em compromisso”, com a assinatura de compromissos em investimentos concretos em Moçambique. “Estamos aqui para falar de projectos, parcerias e resultados. Mais do que isso, estamos aqui para transformar confiança em investimentos, investimento em transformação económica real, tangível e mensurável para o bem do povo moçambicano e o bem do nosso povo irmão da China e, em particular, desta província de Qinghai”, acrescentou o Presidente de Moçambique. Riquezas por explorar Segundo Chapo, Moçambique oferece, entre outros, oportunidades nas áreas da agricultura, tecnologia, mineração, exploração de gás, petróleo e também na exploração de todos os tipos de minerais que existem no país. “É um país rico em minerais, um país rico em agricultura, um país rico em turismo, um país que está neste momento a conceber as zonas económicas especiais para criar incentivos, abrir as portas para investimentos dos nossos irmãos da China e em particular daqui de Qinghai”, assinalou o dirigente. O chefe do Estado moçambicano afirmou que investidores chineses podem encontrar em Moçambique um ambiente propício para investir e estabelecer parcerias, aproveitando as oportunidades existentes no país e o enquadramento criado pela iniciativa de tarifa zero anunciada pelo Presidente Xi Jinping, que pode impulsionar as exportações moçambicanas para a China, promover o crescimento conjunto e gerar valor acrescentado para ambas as economias. “Estamos a fazer muitas reformas no Estado para abrir o país ao negócio e, em especial, aos nossos irmãos da China e, muito em especial, de Qinghai, que demonstra que é possível crescermos juntos, reduzirmos a pobreza juntos e construirmos uma economia sustentável baseada em energia limpa e inovação”, concluiu o Presidente. Daniel Chapo encontra-se em Pequim desde a semana passada para uma visita de Estado, num contexto em que Moçambique e a China assinalam 50 anos de relações diplomáticas e procuram aprofundar a cooperação estratégica.
Fotografia | “À distância de um braço” para ver na Galeria Lumina Andreia Sofia Silva - 22 Abr 2026 A título pessoal João Miguel Barros, advogado que se tem dedicado bastante à fotografia e curadoria nos últimos anos, tem também uma nova exposição. “À distância de um braço” pode ser vista na galeria Lumina, em Lisboa, sendo a terceira mostra que João Miguel Barros realiza em Portugal. “Esta exposição tem um conjunto de ‘short-stories’ retiradas maioritariamente do projecto ‘Zine Photo’, mas inclui também quadro imagens grandes retiradas do livro ‘The Incidental Moments’, o meu último livro de fotografia”, contou ao HM. A curadoria é do próprio João Miguel Barros, que sobre esta mostra descreve, no texto curatorial, que “quem percorre a exposição confronta-se com imagens que solicitam aproximação, pedem tempo e atenção demorada, mas resistem à apropriação imediata”. Desta forma, em “À distância de um braço”, a obra “está próxima, acessível ao olhar, porém nunca totalmente disponível, e é precisamente essa incompletude que a mantém viva, que preserva a possibilidade do regresso”. A mostra “propõe uma desaceleração” de tempos e modos de ver imagens, isto “num tempo em que estas circulam à velocidade do gesto que desliza sobre um ecrã”. Essa “desaceleração” surge “não como nostalgia, mas como método”, no sentido em que “demorar o olhar é uma forma de restituir à imagem a sua espessura, de a devolver ao corpo e ao tempo que a produziram”. Num texto intitulado “A memória da luz”, Manuel Falcão escreveu que “da prática de advogado, entre Lisboa e Macau, [João Miguel Barros] trouxe para a sua forma de fotografar o estudo, a preparação e a preocupação em analisar um caso, encontrar uma argumentação (visual, neste caso) e tomar uma posição”. Assim, “em cada uma das séries desta exposição, as fotografias são como que fotogramas de cenas de vários filmes que se vão desenrolando, fragmentos de histórias que se vão ligando umas às outras”, remata Manuel Falcão.
CCCM | Livro de João Miguel Barros apresentado hoje em Lisboa Andreia Sofia Silva - 22 Abr 2026 O Centro Científico e Cultural de Macau acolhe o lançamento, hoje, do livro “Impossible Truth”, da autoria de João Miguel Barros, sobre um dos mais conhecidos projectos artísticos da arte chinesa contemporânea, intitulado “To Add One Meter to the Anonymous Mountain”. Há também planos para apresentar a obra na Photo Shangai no próximo mês João Miguel Barros, fotógrafo e curador, apresenta hoje, dia 22, a partir das 17h30, o livro “The Impossible Truth”, sobre a performance artística “To Add One Meter to an Anonymous Mountain”, realizada por um grupo de dez artistas chineses em Maio de 1995, nos arredores de Pequim. O que se fez na altura foi um “gesto radical de empilhar corpos nus para alterar a paisagem”, algo que se transformou “num símbolo da vanguarda chinesa e um marco na arte performativa”, descreve a galeria Ochre Space no seu website. A exposição sobre esta performance aconteceu na Ochre Space, em Lisboa, entre Maio e Junho do ano passado, e foi nesse contexto que nasceu a publicação “The Impossible Truth”. João Miguel Barros, fundador da Ochre Space, foi o grande impulsionador desta iniciativa. Ao HM, o autor admitiu, “sem falsas modéstias”, tratar-se de um livro “importante no contexto da temática que aborda”, por se tratar de uma “famosa performance” sobre “o percurso de vários artistas que a fizeram durante a quase totalidade da década de 1990”. “Considero que o livro é importante porque reúne um conjunto alargado de depoimento de artistas, curadores e professores que abordam a arte chinesa daquela época, e está muito documentado com elementos recolhidos nos Arquivos da Bienal de Veneza que documentam as grandes tensões existentes entre os artistas durante o período que antecedeu e culminou com a realização da Bienal de Veneza de 1999”, descreveu ainda. Na sessão do CCCM estará Cláudia Ribeiro, autora e investigadora sobre cultura chinesa, e Filipe Figueiredo, professor no IADE – Universidade Europeia. João Miguel Barros disse ainda que “The Impossible Truth” tem tido “grande impacto em certos meios artísticos na China”, tratando-se de uma obra bilingue, em chinês e inglês. Na calha, está também a apresentação da obra na Photo Shangai, entre os dias 7 e 10 de Maio. Celebrar o Ano do Cavalo Entretanto, a galeria Ochre Space prepara-se para receber, este ano, novas mostras que celebram o Ano do Cavalo. Uma das exposições é “Mongolian Horse in North Wind”, com imagens de Wang Zhengping, um dos mais importantes fotógrafos chineses contemporâneos, conhecido pelo trabalho que faz a retratar os cavalos da Mongólia. A inauguração desta exposição está agendada para 16 de Junho. Para Julho, está programada “40ºC”, de A Yin, seguindo-se “Kamaitachi”, nome do conhecido livro do fotógrafo Hosoe Eikoh, entre os dias 15 de Setembro e 10 de Outubro; e ainda “Appearance and Abstraction”, de Li Gang, agendada para os dias 20 de Outubro a 14 de Novembro. “O Ano Novo Chinês do Cavalo é um bom motivo para mostrar a arte de grandes mestres chineses que têm dedicado a vida a registar a vida e os ciclos dos cavalos na China. As duas primeiras exposições – de Wang Zhengping e A Yin – focam-se no cavalo da Mongólia. E [a mostra de] Li Gang foca-se no cavalo de Henan. As exposições são de algum modo complementares, porque mostram abordagens distintas do cavalo. Mas são de um rigor estético e de uma beleza documental únicas, que só os grandes mestres conseguem mostrar”, descreve João Miguel Barros. A Ochre Space, com menos de dois anos de actividade, já faz parte da Rede Portuguesa de Arte Contemporânea da DGArtes [Direcção-geral das Artes] do Governo português, planeando agora actividades de extensão, ou de uma “internacionalização dentro de portas”. “A Ochre é um projecto multidisciplinar”, assume João Miguel Barros, que quer agora apostar “numa maior divulgação das suas actividades através dos canais da DGArtes”, além de procurar ter “um potencial de colaboração com outras entidades para projectos comuns”. O plano inclui também a iniciativa “Ochre Kids, um projecto educacional que funciona desde Novembro de 2024 na Escola Básica Alexandre Herculano, na zona da Ajuda, em Lisboa. Neste contexto de uma maior interligação da galeria com outras entidades, João Miguel Barros diz desejar “estabelecer parcerias para a extensão das exposições”, sendo que “a próxima exposição do Wang Zhengping será um bom exemplo disso”.
Saúde | Gripe dominou casos em Março Hoje Macau - 22 Abr 2026 A gripe foi a doença mais comum, em Março deste ano, na lista das 45 doenças de declaração obrigatória registada pelos Serviços de Saúde (SS). Segundo dados ontem divulgados, em Março registaram-se 1.998 casos de doenças com registo obrigatório em Macau, sendo que os casos de gripe foram 1.785, um aumento de 1,9 por cento face a Fevereiro deste ano, quando houve apenas 618 casos. Em segundo lugar, surgem as infecções por norovírus, com 61 casos, menos 63,3 por cento em termos mensais, e depois 50 casos de infecção por enterovírus, um aumento mensal de 1,6 por cento. Os 1.785 casos de gripe registados em Março correspondem ainda “a um aumento de cerca de 4,6 vezes em relação aos 320 casos registados no mês homólogo do ano anterior”, ou seja, 2025. No que diz respeito à febre da dengue, não foi registado nenhum caso em Março, tendo os SS registado apenas um caso importado de febre chikungunya.
Imobiliário | Vendas com aumento anual de 39 por cento João Santos Filipe - 22 Abr 2026 O número de compras e vendas de habitação subiu para 328 durante o mês de Março, um crescimento anual. Apesar do aumento de transacções, o preço do metro quadrado continua a apresentar quebras Em Março, o número de vendas de imobiliário registou um aumento anual de 39 por cento, de acordo com os dados mais recentes da Direcção de Serviços de Finanças (DSF). As compras e vendas totalizaram assim 328 transacções no último mês, quando no período homólogo tinham sido 236. No mês mais recente, o mercado mais activo foi o da Península, com um total de 260 transacções, mais 79 do que no período homólogo, quando houve 181 compras e vendas neste mercado. Também na Taipa e em Coloane, o número de transacções cresceu, para 54 e 14, respectivamente, quando há um ano não tinha ido além das 50 e 5 compras e vendas. Apesar de haver mais transacções, os preços apresentam uma redução. No último mês, o preço médio do metro quadrado foi de 69.625 patacas, quando há um ano tinha sido de 74.041 patacas, uma diferença de 6 por cento. Recentemente, os preços mais altos foram praticados no mercado da Península, com o metro quadrado a ser comercializado por 71.403 patacas. Há um ano, o preço era de 73.988 patacas por metro quadrado, pelo que se registou uma redução de 3,5 por cento. Na Taipa, o preço mais recente do metro quadrado foi de 63.278, a redução mais acentuada no território, dado que em Março de 2025 o preço médio atingia 74.678 patacas, uma diferença de 15 por cento. A excepção à redução aconteceu em Coloane, onde o preço do metro quadrado aumentou de 68.606 patacas para 70.967 patacas, uma subida anual de 3,4 por cento. Redução mensal Em termos mensais, as variações são menos positivas para o mercado, uma vez que houve reduções ao nível das transacções e do preço. No segundo mês do ano, o número de transacções tinha atingido 494 compras e vendas, o número mais elevado desde Agosto de 2021, quando houve um total de 545 transacções. A diferença é que em 2021 o preço médio do metro quadrado atingia 103.337 patacas, e no mês de Fevereiro de 2026 não foi além de 77.713 patacas. Quando comparação é feita entre Fevereiro de Março deste ano, a redução do número de transacções foi de 10 por cento, das 494 compras e vendas para 328. A maior quebra acontece na Península, de 411 transacções para 260. Na Taipa, as 65 compras e vendas caíram para 54, e em Coloane a redução foi de 18 para 14. Em termos dos preços, na Península o metro quadrado caiu de 80.672 patacas para 71.403 e na Taipa de 67.970 patacas. A excepção aconteceu em Coloane, com o preço a apresentar um aumento de 66.747 patacas para 70.976 patacas.
Jogo | Citi destaca performance da Wynn Macau Hoje Macau - 22 Abr 2026 A concessionária Wynn Macau registou as três apostas mais altas do segmento de massas premium ao longo deste mês, de acordo com o relatório do banco de investimento Citi. Segundo as observações dos analistas George Choi e Timothy Chau, citadas pelo portal GGRAsia, três clientes da operadora apostaram em jogadas individuais 400 mil dólares de Hong Kong, 330 mil dólares de Hong Kong e 300 mil dólares de Hong Kong. Os analistas explicam que este sucesso da operadora norte-americana se deve à renovação e expansão do espaço de jogo Chariman’s Club. O valor total das apostas registado nas observações Abril de 2026 superou 13 milhões dólares de Hong Kong, o que, segundo a instituição, representou um aumento de 17 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. O número de jogadores no segmento de massa premium observado ascendeu a 644, o que representa um aumento de 5 por cento em relação a Abril de 2025, de acordo com o relatório.
Turismo | Macau pode beneficiar com aumento dos combustíveis João Santos Filipe e Nunu Wu - 22 Abr 2026 Com os preços das viagens para o estrangeiro a ficarem mais caras, Macau pode tornar-se o destino de eleição durante a Semana Dourada para os turistas do Interior Duas associações locais ligadas ao turismo acreditam que Macau pode beneficiar com o aumento dos preços dos combustíveis durante a Semana Dourada, uma vez que os turistas do Interior podem abdicar de realizar férias no estrangeiro, para poupar dinheiro, e virar as atenções para a RAEM. Segundo o presidente da Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau, Paul Wong, durante a Semana Dourada o turismo local vive essencialmente dos turistas do Interior, com os feriados este ano a decorrer entre 1 e 5 de Maio. Por isso, explicou Paul Wong, como os preços das viagens estão mais caros, e também várias ligações aéreas estão a ser canceladas, é expectável que os turistas optem por deslocações maus curtas, para controlarem os gastos e evitar cancelamentos de ligações. Nesta lógica, o dirigente associativo considera que Macau se torna um destino mais atractivo. Por sua vez, o presidente da Associação dos Hoteleiros de Macau e deputado, Cheung Kin Chung, admitiu que a indústria está a sofrer as pressões do aumento dos preços, mas que vai tentar manter o montante cobrado aos clientes, o que pode tornar Macau mais atractivo. Cheung Kin Chung revelou também que para lidar com os aumentos dos preços dos combustíveis, o sector do turismo está focado em explorar as ligações a Macau através do comboio da alta velocidade no Interior. Por esta razão, e apesar de o sector desejar explorar mais o mercado dos turistas internacionais, o deputado admitiu que o tipo de turistas vai ser afectado, com um maior foco nos visitantes da Grande Baía. Reservas a subir Em relação às reservas de hotéis, Paul Wong ainda não adiantou qualquer tipo de número, mas reconheceu que estão a subir de forma gradual, como esperado. Segundo este dirigente associativo, uma vez que as reservas são feitas por turistas com vistos individuais, as escolhas são feitas mais perto da data de viagem, ao contrário do que acontece com as excursões. Wong indicou também que os hotéis do Cotai estão a garantir que haverá o maior número possível de hotéis no mercado. Sobre a Semana Dourada, Paul Wong destacou os planos do Governo, que fazem com que as concessionárias disponibilizem shuttles para os turistas visitarem os bairros residenciais, onde se espera que possam consumir mais. Sobre este plano, o presidente da Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau afirmou que uma implementação bem-sucedida por levar a que a iniciativa se repita aos fins-de-semana. Contudo, Wong alertou que para que os bairros comunitários sejam mais atractivos para os turistas talvez seja necessário distribuir vales de consumo aos visitantes.
FP | Pereira Coutinho pede respeito por turnos de trabalhadores Hoje Macau - 22 Abr 2026 Os funcionários públicos de vários serviços estão a encontrar obstáculos para participar em actividades da vida privada, como festas de aniversários dos filhos, cerimónias de formação, acompanhar familiares ao hospitalar, participar em exames de condução e em funerais de parentes. A acusação é feita por José Pereira Coutinho, deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), através de uma interpelação escrita. Segundo o documento partilhado pelo legislador através das redes sociais, a acusação tem por base os “pedidos de apoio por parte de trabalhadores da função pública”, que Coutinho indica serem cada vez mais frequentes. No mesmo sentido, o deputado explica que o problema está relacionado com a forma como alguns serviços públicos elaboram as escalas mensais de serviço por turnos, não tendo em consideração as actividades familiares. O único serviço visado directamente é a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos. Face a este problema, o deputado questiona o Executivo sobre se existem planos para “eliminar a actual e recente rigidez da organização das escalas” e para adoptar um regime “mais flexível, humano e digno”. José Pereira Coutinho pede também o regresso aos mecanismos que permitiam aos trabalhadores trocarem os turnos entre si. Segundo o mesmo relato, estas trocas costumavam ser autorizadas pelas chefias, o que não acontece agora. Além disso, o legislador pede ao Executivo mais dinheiro para os funcionários públicos, com a actualização dos subsídios de turnos, de acordo com o que diz ser a inflação acumulada e o “acréscimo do volume de trabalho pela não substituição dos trabalhadores aposentados ou desligados da função pública”.
UTM | Filha de Ho Iat Seng convidada para palestra Hoje Macau - 22 Abr 2026 A filha de Ho Iat Seng, Ho Hoi Kei, foi convidada para dar uma palestra na Universidade de Turismo de Macau sobre o espírito das duas sessões, o desenvolvimento do turismo e dos jovens. A informação sobre a palestra foi divulgada pela instituição de ensino, através das plataformas do Governo. Nos últimos anos, Ho Hoi Kei passou a assumir vários cargos políticos e integra actualmente a 14.ª sessão do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC). Segundo o comunicado, a oradora encorajou os mais jovens a “alargarem a horizontes” e a participarem no “desenvolvimento nacional”. Ho Hoi Kei considerou ainda que Macau se encontra numa posição única a nível do turismo, por combinar elementos culturais chineses e ocidentais. A filha do antigo Chefe do Executivo afirmou também, dirigindo-se aos jovens, que há muitas vagas no mercado à espera deles.
Combustíveis | Aumentos nos ferries e em veículos pesados João Santos Filipe e Nunu Wu - 22 Abr 202622 Abr 2026 Após o aumento dos preços na aviação, TurboJET e Cotai Water Jet receberam autorizações do Governo para seguir o mesmo caminho, nas ligações entre Macau, Hong Kong e o Interior As operadoras de ferries TurboJET e Cotai Water Jet anunciaram um aumento de 10 por cento no preço dos bilhetes entre Macau e Hong Kong. O transporte de cargas com veículos pesados vai seguir o mesmo caminho. Os novos preços começam a ser praticados a partir de sábado, e foram justificados com os aumentos internacionais do custo dos combustíveis. “A Shun Tak-China Travel Shipping Management Limited foi autorizada pelo Governo de Macau para ajustar as tarifas das rotas da TurboJET entre Hong Kong e Macau, da rota entre Macau e o Terminal de Ferry do Aeroporto de Shenzhen e do Passeio Aquático em Macau,” pode ler-se num comunicado da TurboJET, divulgado na Segunda-Feira. A TurboJET acrescentou que o aumento de cerca de 10 por cento serve para aliviar “ligeiramente” a pressão do aumento dos custos. Actualmente, o preço de ferry da classe económica entre Hong Kong e Macau em durante os dias úteis está fixado nos 175 dólares de Hong Kong. A partir de sábado, sobe para 194 dólares de Hong Kong. Aos fins-de-semana, o preço da classe económica é de 190 dólares de Hong Kong e o preço nocturno da classe económica é de 220 dólares de Hong Kong. Com a nova tabela de preços, a viagem vai passar a custar 212 dólares de Hong Kong, no horário diurno, e 242 dólares de Hong Kong à noite. O preço de ferry da classe económica entre Macau e o Terminal de Ferry do Aeroporto de Shenzhen será aumentado para 259 dólares de Hong Kong, de 235 dólares de Hong Kong. Quanto ao Passeio Aquático em Macau, o preço vai subir para 88 patacas, face às 80 patacas actuais. Por sua vez, no comunicado a anunciar os aumentos, a Cotai Water Jet não indicou as razões. Porém, a empresa esclareceu que vai aumentar o preço de ferry na classe económica de 175 dólares de Hong Kong para 192 dólares de Hong Kong, enquanto o preço nocturno da classe económica vai passar para 242 dólares de Hong Kong, quando agora é de 220 dólares de Hong Kong. Pesados acompanham Em relação aos transportes em veículos pesados, a Associação de Motoristas de Veículos Pesados de Macau anunciou ontem no jornal Ou Mun que os preços vão aumentar 20 por cento. A escalada entra em vigor a partir de hoje, e a medida foi justificada com o aumento internacional do preço dos combustíveis. “Devido ao impacto grave da tensão no Médio Oriente, os preços de combustíveis em Macau continuam a subir e a bater recordes, provocando o aumento dos custos. O sector enfrenta uma pressão operativa como nunca aconteceu”, lê-se na publicação. Na semana passada, a associação defendeu que o Governo subsidiasse os preços de combustíveis, seguindo o exemplo de Hong Kong. Estes não são os primeiros aumentos a nível dos transportes. Anteriormente, a Air Macau anunciou o aumento da sobretaxa de combustível, pelos mesmos motivos. A transportadora de Macau tem também optado por cancelar vários voos, para não perder dinheiro. Até Junho, espera-se o cancelamento de pelo menos 400 voos.
Sam Hou Fai reuniu com empresas chinesas em Portugal Andreia Sofia Silva - 22 Abr 2026 Num encontro não divulgado previamente aos jornalistas, Sam Hou Fai reuniu esta segunda-feira com membros da Associação de Sociedades Chinesas em Portugal, entidade criada em 2016. Segundo uma nota oficial divulgada posteriormente, esta associação destacou que trabalha “nos sectores da energia, finanças, seguros, saúde e telecomunicações”, prestando “serviços a mais de 90 por cento da população portuguesa”. Desta forma, o representante desta associação entende que têm sido feitas “contribuições para o desenvolvimento sócio-económico” de Portugal por parte das empresas chinesas, bem como “enormes trabalhos no apoio à expansão das empresas de capital chinês em Portugal e na promoção da cooperação económica e comercial entre a China e Portugal”. Sam Hou Fai fez-se acompanhar neste encontro pela delegação de empresários locais e da China que viajaram consigo até Lisboa e Madrid. O responsável pela Associação de Sociedades Chinesas em Portugal prometeu “alinhar-se e articular-se com a estratégia nacional da China, criando bases nas funções específicas de plataforma de Macau”. Ficou ainda a promessa do reforço da “colaboração com o Governo da RAEM” e no aproveitamento da relação com as empresas de Macau, a fim de “impulsionar a complementaridade de vantagens e a interligação de recursos”. Aprofundar cooperação No âmbito do mesmo encontro, Sam Hou Fai “incentivou as empresas de capital chinês e de Macau em Portugal a consolidarem a confiança de desenvolvimento”, nomeadamente a aproveitarem “as oportunidades produzidas pela Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, assim como as vantagens de diversificação de Macau”. Os empresários das empresas locais presentes “referiram que, com o forte impulso do Governo da RAEM, as empresas de Macau introduzem os produtos agrícolas de alta qualidade e vinhos portugueses nos mercados de Macau, Hong Kong, Interior da China e do Sudeste da Ásia, ao mesmo tempo, que promovem a influência internacional das marcas de Macau”.
Sam Hou Fai em Lisboa | Macau é “ponte eficaz” para negócios, diz ministro Andreia Sofia Silva - 22 Abr 2026 A agenda do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, por Lisboa incluiu encontros com os ministros portugueses da Economia e da Justiça. Manuel Castro Almeida destacou Macau como “ponte eficaz, segura e facilitada” para negócios entre Portugal e China. Já Rita Júdice, foi convidada para visitar Macau A semana começou recheada de encontros para Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, que em Lisboa reuniu com alguns ministros do Governo português, nomeadamente com Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial, e Rita Alarcão Júdice, ministra da Justiça. Ambos os encontros apenas tiveram direito a recolha de imagens, sem lugar a declarações aos jornalistas. Citado por uma nota oficial divulgada após o encontro, o ministro português declarou que “Macau também constitui uma ponte eficaz, segura e facilitada para as empresas chinesas entrarem nos países de língua portuguesa”, destacando que existem apoios “para profissionais de diversas áreas de Portugal se deslocarem a Macau”, a fim de procurarem e aproveitarem “as oportunidades de desenvolvimento”. Manuel Castro Almeida referiu também a “estabilidade social e prosperidade económica” de Macau graças ao princípio “Um país, dois sistemas”. O ministro entende que “graças a relações únicas e insubstituíveis entre Portugal e Macau a região dispõe de um vasto leque de quadros qualificados nas áreas jurídica e linguística, o que lhe permite manter uma ligação estreita com os países de língua portuguesa”. Destaque para o facto de o ministro da Economia ter frisado que “Portugal valoriza as relações amigáveis com a China” e que “já tinha defendido o ensino do chinês nas escolas primárias locais, a fim de aproveitar as oportunidades de desenvolvimento da China”. Ajuda lusa Por sua vez, Sam Hou Fai referiu as vantagens de Macau por estar cada vez mais integrado na região da Grande Baía, sobretudo devido à existência da Zona de Cooperação Guangdong-Macau em Hengqin. O Chefe do Executivo “agradeceu a Portugal o apoio constante ao desenvolvimento económico da RAEM”, tendo sublinhado que o território, “com as suas vantagens únicas”, nomeadamente “o bilinguismo (chinês e português) e o sistema jurídico continental europeu tornou-se uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa para a cooperação económica e comercial”. Sam Hou Fai lembrou que o Executivo “está a acelerar o desenvolvimento da diversificação adequada da economia, promovendo de forma ordenada quatro projectos-chave”. Nestes projectos Portugal pode ajudar, pois possui “vantagens em sectores da inovação científica, educação, turismo, e convenções e exposições”. O governante máximo da RAEM espera, portanto, poder “reforçar o intercâmbio e a cooperação bilaterais nessas áreas” com Portugal. Sistema impecável No encontro com a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice deu os parabéns à RAEM, fazendo “um enorme elogio à implementação bem-sucedida do princípio ‘um país, dois sistemas’ em Macau”, ficando a promessa de, no futuro, se dar “impulso à cooperação judiciária com Macau”. Rita Júdice “elogiou ainda o Governo da RAEM pelo seu empenho na protecção da multiculturalidade, sublinhando que a língua portuguesa e a cultura portuguesa têm sido bem preservadas em Macau”, segundo a mesma nota oficial. Sam Hou Fai deixou o repto a Rita Júdice para visitar Macau. O governante “manifestou que será bem-vinda uma futura visita da ministra Rita Alarcão Júdice a Macau, para reforçar ainda mais os laços com o Governo da RAEM, em particular com o secretário para a Administração e Justiça”.
Cooperação | Da Inteligência Artificial em Direito ao turismo Andreia Sofia Silva - 22 Abr 2026 Esta segunda-feira, foi um dia profícuo na elaboração de acordos, não apenas entre o Governo da RAEM e entidades do ensino superior e económicas, como com entidades públicas portuguesas. Só no período da tarde foram assinados 18 acordos de cooperação, nomeadamente entre a Universidade de Macau e a Universidade de Coimbra para a “Criação do Centro Conjunto de Direito e Inteligência Artificial”. Segundo a apresentação, este memorando faz com que as duas instituições de ensino se coloquem “na vanguarda do ensino e investigação na área interdisciplinar do Direito”, sendo que “as duas partes irão estabelecer um centro conjunto para a formação de pessoal qualificado na organização de competências internacionais e na investigação científica, entre outras vertentes”. Outro acordo assinado, aqconteceu entre a Direcção dos Serviços de Turismo e a EGEAC Lisboa, empresa pública que gere os eventos culturais da Câmara Municipal de Lisboa, e ainda a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT). Este acordo quer proporcionar “assistência na organização de visitas promocionais de operadores e agentes de viagens” de forma recíproca, além de designar Macau como “Destino Preferido da APAVT 2026. Pretende-se ainda a continuação da presença de Macau nas tradicionais Festas de Santo António, “promovendo as tradições lisboetas em países estrangeiros, em particular com laços culturais relacionados com Portugal”, através da presença da RAEM nas Marchas Populares de Lisboa vencedoras em eventos relacionados ao Ano Novo Chinês em Macau.
Sam Hou Fai em Lisboa: AICEP pede investimento em “projectos concretos” Andreia Sofia Silva - 22 Abr 202622 Abr 2026 Foi numa sala do MEO Arena, em Lisboa, que se assinaram dezenas de acordos de cooperação entre empresas portuguesas e chinesas e se apresentaram, esta segunda-feira, as vantagens económicas de Macau e Hengqin. Uma empresa chinesa, a Tenways, vai produzir bicicletas eléctricas em Aveiro. A AICEP pede investimento com impacto real Imagine-se que investir na RAEM é como aceder a um menu gastronómico, neste caso no tipicamente português Tromba Rija, em Macau. Há de tudo, desde novas tecnologias de ponta à medicina ou outras áreas da saúde, e não faltam robots a anunciar as vantagens de uma economia com baixos impostos e flexibilidade na criação de empresas. Este foi o conteúdo do vídeo visionado esta segunda-feira no MEO Arena, em Lisboa, na “Sessão de Promoção da Cooperação Económica e Comercial Macau-Portugal”, que acolheu dezenas de empresários de Portugal, Macau e China em sessões de negócio e assinatura de protocolos de cooperação. No período da manhã, foram assinados 20 acordos, à tarde 18 (ver texto secundário). Incluem-se nas parcerias e bolsas de contactos empresas como os grupos Nam Kwong e Bai Li, a OWLPlaces AI, a Teixeira Duarte ou o município de Sintra, sem esquecer associações e câmaras de comércio. No eclodir da manhã foram-se sentando alguns empresários nas mesas, seguindo-se apresentações sobre aquilo que Macau tem para oferecer em conjugação com Hengqin e o interior da China, e o que Portugal pode dar: entre a vontade de diversificar e o panorama de negócios em língua portuguesa, ficou a promessa de muitas vantagens que podem ser aproveitadas. À margem do evento, falou António Martins da Cruz, antigo embaixador que preside à Oeiras Valley Investment Agency (OVIA), uma entidade de captação de investimento para o município de Oeiras. Um dos projectos destacado por Martins da Cruz é a construção de um parque empresarial em Oeiras, anunciado em 2024 com um investimento de 400 milhões de euros. “Temos vários acordos assinados quer com instituições de Macau, quer de Hengqin. Dois dos nossos associados, a China State Construction Engineering, através da sociedade que está em Macau, e o grupo Teixeira Duarte, que é uma das grandes empresas de construção em Portugal, vão começar a construir, penso que no mês que vem, um enorme parque empresarial e habitacional em Oeiras. Entendemos que, quando estiver pronto, é o local ideal para as empresas chinesas que estão em Portugal ou que querem instalar-se em Portugal, incluindo as de Macau, Hengqin e Grande Baía. Uma das razões para a nossa ida para Macau é esta”, salientou. Sobre a visita de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, a Portugal e Espanha, na qual se integrou a sessão de contactos empresariais, o presidente da OVIA destacou que “é muito importante para Macau e Portugal”, já que, actualmente, e além da ligação histórica existente, “Macau é a plataforma ideal para as relações políticas, económicas e culturais não apenas entre Portugal e a China, mas entre a China e os países de língua portuguesa”. Estabilidade no país Madalena Oliveira e Silva, presidente do conselho de administração da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), disse que Portugal tem hoje um “ambiente estável e previsível” em termos económicos, sendo importante que, no tocante ao papel de Macau como plataforma, haja “benefícios concretos para as empresas, em particular as portuguesas”. Isto porque, no seu entender, “continua a ser essencial facilitar o acesso ao mercado da China, nomeadamente através de soluções que permitam uma maior eficiência, previsibilidade e redução de custos no acesso a este mercado”. Para Madalena Oliveira e Silva, este “é um momento particularmente relevante para o aprofundamento da relação económica entre Portugal e a República Popular da China”, sendo que Portugal “reafirma a sua total disponibilidade para continuar a aprofundar a cooperação económica com Macau, reforçando os fluxos domésticos, de investimento e cooperação empresarial”. Neste contexto, “Portugal está plenamente aberto ao investimento da China, incluindo a agentes económicos sediados em Macau”, mas o que se procura é “investimento com impacto real, projectos produtivos e tecnológicos que sejam geradores de emprego qualificado e que contribuam para a transformação da nossa base económica” e ainda “valor a longo prazo”. A responsável da AICEP acrescentou no seu discurso que “Portugal posiciona-se como uma porta inteligente para a entrada na Europa”, sendo uma “base estratégica que permite a empresas aceder a um espaço económico de cerca de 450 milhões de consumidores no quadro da União Europeia”. Bicicletas em Aveiro Shawn Liang, fundador e director-geral da Tenways, empresa chinesa dedicada a meios de mobilidade amigos do ambiente, como é o caso das bicicletas eléctricas, anunciou no evento desta segunda-feira um investimento superior a mil milhões de renminbis numa fábrica em Aveiro. A produção será, essencialmente, de bicicletas eléctricas. “A minha empresa vai investir numa fábrica em Aveiro, com um investimento que ultrapassa os mil milhões [de renminbis] e depois a empresa vai fornecer produtos a toda a Europa. Estou confiante neste projecto.” Na visão deste empresário, “Portugal pode oferecer muitos recursos empresariais e governamentais”, referindo que persistem entraves de ordem prática. “A minha empresa já investiu em Portugal, mas o processo de estabelecimento da confiança entre empresas da China e Portugal é muito lento. Este evento pode ajudar a acelerar o processo para a criação de confiança entre duas empresas”, rematou.
Secretário de Estado destaca papel da comunidade portuguesa de Macau Andreia Sofia Silva - 22 Abr 2026 Emídio Sousa, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, destacou esta segunda-feira, em Lisboa, a importância da existência de uma comunidade lusa em Macau no contexto do relacionamento entre a região e Portugal. “A amizade entre Portugal e Macau traduz-se, antes de mais, nas pessoas. A importante comunidade portuguesa residente em Macau constitui um dos pilares fundamentais desta relação, sendo um elo vivo e permanente entre as nossas sociedades”, discursou no contexto da inauguração da mostra “Macau – Êxitos de ‘Um país, dois sistemas’ – Transmitir o legado de tradição da amizade sino-portuguesa e escrever um novo capítulo do princípio ‘Um país, dois sistemas'”, patente no MEO Arena até Junho. Na inauguração, não faltaram membros da comunidade macaense em Lisboa e dirigentes associativos. Emídio Sousa destacou também o facto de Sam Hou Fai ter escolhido Portugal para primeira paragem na sua viagem à Europa, que inclui passagens em Madrid, Bruxelas e Genebra. “Trata-se de uma escolha que honra o nosso país e reforça a natureza especial do nosso relacionamento.” O secretário de Estado disse esperar que a visita possa “ser concreta e orientada para o futuro, abrindo novas oportunidades de cooperação entre Portugal e Macau”. Na visão do governante, existem “áreas com elevado potencial de desenvolvimento conjunto onde podemos aprofundar parcerias, promover investimentos, incentivar a inovação e reforçar os contactos entre instituições, empresas e cidadãos”. Neste contexto, o “Governo de Portugal está fortemente empenhado em promover e desenvolver essas novas oportunidades de cooperação com Macau”, frisou. Fluxos acompanhados José Cesário, que ocupou durante vários anos o cargo agora detido por Emídio Sousa, esteve no evento na qualidade de presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas da Assembleia da República. E destacou “as especificidades e a relevância das comunidades portuguesas em Macau e na China”, sem esquecer “as comunidades de macaenses e chineses em Portugal”. Estas são, no seu entender, “questões que requerem um acompanhamento permanente, sendo essencial darmos passos no sentido de facilitarmos ainda mais o fluxo humano entre os nossos países e os nossos territórios”. Desta forma, adiantou Cesário, “a excelência da nossa relação com a China e com Macau sairá ainda mais reforçada dentro desta visita”.
Exposição | Sam Hou Fai diz que direitos dos macaenses estão protegidos Andreia Sofia Silva - 22 Abr 2026 Na tarde desta segunda-feira foi inaugurada, numa sala do MEO Arena, uma exposição que conta o percurso da RAEM desde a transferência de administração portuguesa de Macau para a China. “Macau – Êxitos de ‘Um país, dois sistemas’ – Transmitir o legado de tradição da amizade sino-portuguesa e escrever um novo capítulo do princípio ‘Um país, dois sistemas'” é o nome dado à mostra que conta como o território foi evoluindo em termos económicos e sociais e onde não falta destaque às comunidades portuguesa e macaense. Nesse sentido, Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, frisou que “todos os direitos dos residentes de Macau, incluindo os macaenses de origem portuguesa, são efectivamente salvaguardados nos termos da lei”. De resto, o governante destacou feitos económicos, referindo que a economia local “apresenta uma tendência positiva de recuperação e desenvolvimento”. Isto porque, no ano passado, o Produto Interno Bruto foi de 418 mil milhões de patacas, “um crescimento real anual de 4,7 por cento”, enquanto “o número de visitantes atingiu 40,07 milhões, um recorde histórico”, destacou. Sam Hou Fai lembrou que, desta fatia, “2,76 milhões foram turistas internacionais, representando 6,9 por cento do total”. No que diz respeito à relação de Macau com Hengqin, “o potencial é ilimitado”, dando o Governo prioridade a “grandes projectos de infra-estrutura”, tais como a Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin ou a Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau, entre outros. O governante disse ainda que está a ser “acelerada a criação do Fundo de Orientação Governamental e a promover o agrupamento e desenvolvimento de indústrias com características distintivas”. Sam Hou Fai acredita que, com todos estes ingredientes, “o desenvolvimento económico e social de Macau está gradualmente a entrar numa nova fase de crescimento de alta qualidade”.
IA | Universidade de Évora desenvolve modelo português de baixo custo Hoje Macau - 21 Abr 202621 Abr 2026 A Universidade de Évora (UÉ) conseguiu desenvolver modelos de linguagem de Inteligência Artificial (IA) em português, que atingem níveis de desempenho comparáveis aos das grandes tecnológicas globais, indicou ontem à Lusa o Professor Catedrático Paulo Quaresma. O investigador, que se encontra em Macau para um seminário na Universidade de São José (USJ), explicou que a estratégia da instituição alentejana passa pela criação de modelos mais pequenos e eficientes, focados especificamente na língua portuguesa e nas suas variantes. Um modelo de linguagem é um sistema de inteligência artificial treinado para entender, processar e gerar linguagem humana. “Temos conseguido mostrar que modelos bem mais pequenos do que os das grandes empresas norte-americanas, que têm custos enormes para serem produzidos, conseguem obter resultados ao mesmo nível em determinadas tarefas”, afirmou Paulo Quaresma à Lusa. Segundo o docente do Departamento de Informática da UÉ, os resultados desta investigação são disponibilizados em modelos abertos, podendo ser utilizados por outras universidades e empresas. Relativamente aos desafios técnicos, o especialista apontou a curadoria de dados como o principal obstáculo. Para o investigador, não basta recolher grandes volumes de texto da internet; é imperativo filtrar e garantir a qualidade linguística e a correção dos conteúdos que servem de base ao treino dos modelos. A presença de Paulo Quaresma em Macau visa também o reforço da cooperação académica com a USJ, instituição com a qual a Universidade de Évora já mantém protocolos de colaboração. O docente adiantou que o objectivo passa por estender esta parceria à área dos modelos de linguagem e à captação de alunos de doutoramento para projetos de investigação conjunta entre Portugal e a Região Administrativa Especial chinesa. “Temos já uma cooperação na orientação de alunos de doutoramento com a USJ, mas esta é uma oportunidade para estender o trabalho à área dos modelos de linguagem e captar novos investigadores que queiram trabalhar connosco”, destacou.
Japão | Onda de tsunami após sismo de magnitude 7,7 Hoje Macau - 21 Abr 2026 Uma onda de tsunami de 80 centímetros atingiu ontem um porto no norte do Japão, após um sismo de magnitude 7,7 ter abalado o norte do país, anunciou a Agência Meteorológica Japonesa (JMA). A onda foi observada às 17:34 no porto de Kuji, na prefeitura de Iwate, dois minutos após uma primeira vaga de 70 centímetros e 41 minutos depois do sismo, precisou a JMA. “Por favor, saiam imediatamente das zonas” assinaladas, pediu a primeira-ministra, Sanae Takaichi, numa mensagem em vídeo divulgada pela televisão NHK. O sismo ocorreu nas águas do Pacífico, ao largo da costa norte da prefeitura de Iwate, a cerca de 100 quilómetros do porto de Kuji, na costa de Sanriku, a uma profundidade de 10 quilómetros, segundo dados preliminares. A JMA emitiu alertas de tsunami para as zonas costeiras desde Hokkaido até à prefeitura de Fukushima, com ondas que poderiam atingir os três metros. Takaichi informou em declarações à imprensa que o seu gabinete estava a “confirmar a extensão dos danos humanos e materiais”. A JMA alertou que eram de esperar danos causados pelas ondas do tsunami. “Abandonem imediatamente as regiões costeiras e as zonas ribeirinhas para um local mais seguro, como um terreno elevado ou um edifício de evacuação”, declarou a agência. “Prevê-se que as ondas do maremoto atinjam a costa repetidamente. Não abandonem os locais seguros enquanto o alerta não for levantado”, acrescentou. A NHK, que interrompeu de imediato a programação normal para dar informações sobre o sismo e o tsunami, divulgou imagens da zona afectada, sem que se vissem estragos significativos. “Vão para locais seguros, não arrisquem a vida”, pediu diversas vezes uma locutora de serviço de acordo com o serviço em inglês da NHK, enquanto se viam imagens em directo das ondas de tsunami em zonas portuárias. Outros perigos As autoridades alertaram que ondas superiores às já observadas poderão atingir a costa japonesa. O centro de avisos de Honolulu alertou para a possibilidade de ondas de tsunami atingirem países e territórios como Rússia, Coreia do Norte, Guam, Ilhas Marshall, Marinas do Norte e Filipinas. O diretor da Divisão de Observação de Terremotos e Tsunamis da JMA, Shinji Kiyomoto, alertou para a possibilidade de ocorrerem sismos de escala semelhante na mesma zona nos próximos dias, como aconteceu em ocasiões anteriores. Os operadores nucleares não detectaram anomalias nem níveis invulgares de radioactividade em torno das centrais nucleares, noticiou a NHK, citada pela agência de notícias espanhola EFE. A empresa de energia TEPCO anunciou que “não foi confirmado qualquer impacto” nas instalações nem na infraestrutura das suas centrais nucleares, mas confirmou que ordenou a saída dos trabalhadores em Fukushima Daiichi e Fukushima Daini. Devido aos cortes de electricidade e à activação do sistema de prevenção, o serviço de comboios, incluindo o comboio de alta velocidade, foi suspenso em vários pontos do país, como no trajecto entre Tóquio e Shizuoka. No início de dezembro de 2025, um sismo de 7,5 ao largo da costa da prefeitura de Aomori causou mais de trinta feridos e provocou ondas de até 70 centímetros, mas não foram reportados danos maiores. O Japão situa-se sobre o chamado Anel de Fogo, uma das zonas sísmicas mais activas do mundo, e sofre sismos com relativa frequência, pelo que as infraestruturas do país estão especialmente desenhadas para resistir aos abalos. Possibilidades catastróficas O Japão emitiu um alerta de um sismo de magnitude superior a 8,0, depois de um violento abalo ter atingido o norte do arquipélago e desencadeado um aviso de tsunami. “Embora não seja certo que um sismo de grandes proporções venha efectivamente a ocorrer, pedimos que tomem medidas de preparação para catástrofes”, declarou um representante do Governo perante a imprensa. O abalo ocorrido ontem foi reavaliado para 7,7, depois de inicialmente ter sido avaliado com uma magnitude 7,4. Os abalos foram tão violentos que fizeram tremer, durante mais de um minuto, grandes edifícios até Tóquio, a várias centenas de quilómetros de distância.
De volta ao Titanic (II) David Chan - 21 Abr 2026 A semana passada mencionámos que The History Press, uma editora britânica, tinha publicado a 26 de Março o livro “The Aristocrat and the Able Seaman” (A Aristocrata e o Marinheiro). A protagonista é Noël, Condessa de Rothes, e a autora é a sua bisneta, Angela Young. Quando arrumava os pertences da bisavó, Angela descobriu inesperadamente muitos documentos relacionados com o Titanic, incluindo o testemunho juramentado de Noël em Los Angeles, provas suficientes de ela ter sido uma das sobreviventes do naufrágio. A sua correspondência de décadas com o marinheiro Thomas Jones revelou detalhes desconhecidos e factos sobre os botes salva-vidas durante a noite da tragédia. Thomas, então com 34 anos, tinha sido destacado pelo Capitão Smith para pilotar o salva-vidas nº 8. Devido à falta de experiência e de força das pessoas a bordo (quase todas mulheres e crianças), não conseguiam remar eficazmente. Noël, a sua parente Gladys Cherry e a criada Roberta Maioni, pegaram nos remos. Noel ficou ao leme, porque estava familiarizada com a condução de barcos. No mar frio e escuro, Noël confortou calma e gentilmente as mulheres e crianças aterrorizadas, demonstrando uma coragem notável e uma mente forte. Depois do Titanic ter afundado, Thomas e Noël foram dos poucos a bordo do salva-vidas que quiseram voltar atrás para salvar pessoas caídas na água. No entanto, a maioria dos passageiros estava aterrorizada, temendo que as pessoas que se estavam a afogar virassem o bote ou que este fosse ao fundo devido à sucção provocada pelo afundamento do Titanic e opuseram-se ao regresso. Por fim, os dois ouviram impotentes os pedidos de socorro desvanecidos na escuridão, um arrependimento que Thomas e Noël nunca conseguiram ultrapassar para o resto das suas vidas. Inicialmente, Angela pretendia escrever um romance com este material, mas a sua pesquisa aprofundou-se e ela sentiu que a história da sobrevivência de Noël e de Thomas, e da amizade entre duas pessoas de classes tão diferentes que aí se forjou, não deveria ser ficcionada. A autora espera usar estes relatos para reconstruir a verdade sobre o naufrágio do Titanic e aumentar a segurança marítima e as normas relativas aos botes salva-vidas. Deseja demonstrar como dois sobreviventes oriundos de meios completamente diferentes, colocaram em segurança pessoas aterrorizadas, com a sua coragem e cooperação. Além disso, quer celebrar a amizade de 44 anos entre a bisavó e Thomas, uma amizade que ultrapassou as barreiras de classe. Na sua opinião, esta nobreza de espírito que desabrochou face a uma catástrofe merece ser registada e divulgada. O encontro entre Noël e Thomas é em si mesmo lendário. Na Grã-Bretanha Eduardina de 1912, o sistema de classes era rígido e difícil de ser quebrado. Noël uma aristocrata e Thomas um marinheiro com apenas 1,55 m, nunca se teriam cruzado em circunstâncias normais. No entanto, uma catástrofe juntou-os, fazendo nascer uma amizade e um laço profundo. O destino ligou estas duas almas muito diferentes. Numa época em que se defendia o salvamento de mulheres e crianças em primeiro lugar, via-se frequentemente as mulheres como seres vulneráveis que precisavam de protecção. No entanto, Noël tomou a iniciativa de ir ao leme e de remar com vigor, demonstrando uma independência e uma responsabilidade que transcendiam o seu tempo. Thomas salientou que ela era “muito mais homem do qualquer um dos outros a bordo,” precisamente porque numa situação de vida ou morte, o que verdadeiramente importa não é o género ou o estatuto, mas uma mente calma, vontade inabalável e coragem para assumir essa responsabilidade. A nobreza de Noël não residia no seu título de Condessa, mas na sua determinação de esquecer esta condição e remar durante horas ao lado dos marinheiros plebeus, carregando a responsabilidade com a sua força física e com o poder da sua vontade. Esta é a verdadeira demonstração de que “uma posição alta implica uma grande responsabilidade” face ao infortúnio, a responsabilidade supera sempre o privilégio. Nasceu desta responsabilidade uma amizade profunda que transcendeu a vida. O aspecto mais comovente da relação de Noël e de Thomas foi o contacto nunca se ter perdido ao longo da vida e ter durado 44 anos. A placa de bronze com o número “8” gravado, oferecida por Thomas a Noel e o relógio de bolso em prata que ela lhe deu são símbolos da ligação forjada no oceano gelado. A correspondência que trocaram durante anos não se limitava a formalidades, era sim uma fonte de apoio emocional. Eram dos poucos que podiam compreender os arrependimentos e os traumas um do outro, nascidos naquela noite. Esta amizade transcendeu as barreiras da fortuna, de classe e do estatuto, erguida a partir de um respeito mútuo profundo. No filme “Titanic”, o rico homem de negócios Caledon Hockley e o seu assistente Spicer Lovejoy escondem o colar “Heart of the Ocean” no bolso de Jack, com intenção de o incriminar. Então a tripulação prende Jack num convés inferior, quase provocando o seu afogamento. Rose arrisca a vida para o salvar, mas os dois são perseguidos por Spicer, envolvendo-se numa perseguição feroz no convés inclinado. Se Jack, Rose, Caledon e Spicer tivessem estado mesmo no Titanic, e se a incriminação, a traição e a perseguição mostradas no filme tivessem realmente acontecido, Thomas e Noël tê-los-iam salvado? Isto é apenas um cenário hipotético e, naturalmente, não existe uma resposta. No entanto, temos razões para crer que Thomas e Noël não teriam hesitado em ajudá-los. Não conseguiram voltar atrás para salvar vidas devido à oposição dos outros passageiros, um arrependimento que carregaram toda a vida porque sentiam essa obrigação – a forma mais verdadeira do amor. Não ficariam de braços cruzados por causa das acções de Caledon e Spicer, e isto porque o amor não conhece fronteiras e todo aquele que é amado acaba vir a suportar as consequências das suas acções. O amor é universal, sem preconceitos, género, idade ou rancores – assim é o amor verdadeiro. Thomas e Noël são respeitados devido ao seu enorme amor aos outros. Que este grande amor continue a espalhar-se pelo mundo, trazendo calor e conforto a todos. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau cbchan@mpu.edu.mo
As guerras que não são nossas – Uma vez mais (2.0) Hoje Macau - 21 Abr 2026 Por Manuel Silvério Há conflitos que nascem de grandes ideias. Outros, de grandes egos. E há ainda os mais inquietantes: os que nascem de pequenos desencontros e crescem, por falta de forma, até parecer inevitáveis. Nas comunidades, como na vida, é verdade que ninguém trabalha “para aquecer”. Todos têm objetivos, ambições e visões. Ainda assim, convém não generalizar. Há quem trabalhe com horizontes mais abrangentes, a pensar no todo, e não apenas no imediato ou no espaço que ocupa. O problema nunca foi a ambição. O problema começa quando diferentes legitimidades — umas construídas no terreno, outras afirmadas nas instituições — deixam de ser complementares e passam a disputar o mesmo espaço. Durante muito tempo, esse equilíbrio existe. Funciona até bem. Uns agregam, outros estruturam. Uns falam com muitos, outros pensam para muitos. E, enquanto cada um permanece no seu lugar, tudo parece natural. Até deixar de ser. O que era entendimento passa a expectativa. O que era expectativa passa a direito. E o que nunca chegou a ser formal passa a ser lembrado como se tivesse sido. É nesse momento que o informal colide com o institucional. E, curiosamente, é também nesse momento que todos descobrem — um pouco tarde — que os estatutos existem. Depois vem a fase mais moderna do conflito: a sua versão pública. Com textos, metáforas, leituras profundas sobre a natureza humana, a fragilidade da vida e a injustiça do mundo. Tudo muito legítimo. Tudo muito bem escrito, mas raramente suficiente para resolver o essencial. E, do outro lado, instala-se também a reação — por vezes em tom semi-público, entre insinuações, sinais de ressentimento e até acusações de traição, alimentando um galhardete aéreo que, curiosamente, dispensa o confronto direto e se sustenta à distância. Pelo meio, não faltou sequer quem apontasse a via mais elementar e mais digna: um encontro franco, direto e sem plateia, capaz de pôr termo a uma guerra aberta que há muito deixou de honrar quem nela persiste. Porque, no fim, os conflitos reais não se resolvem em parábolas — nem em campanhas verbais. Resolvem-se com clareza, com responsabilidade e, sobretudo, com a capacidade — hoje cada vez mais rara — de conversar diretamente sem plateia. Talvez o maior equívoco destes episódios seja a necessidade de transformar desacordos em narrativas épicas, como se cada decisão tivesse de carregar um simbolismo maior do que a própria realidade, como se tudo tivesse de ser uma travessia, uma luta ou uma metáfora. Nem tudo precisa de ser tão grande. Às vezes, trata-se apenas de reconhecer que houve caminhos que divergiram, decisões que alteraram equilíbrios e expectativas que não foram acauteladas. Um lê o lugar como continuidade do que foi construído; o outro, como exercício legítimo do cargo que assumiu. E quando estes dois planos não coincidem, o conflito torna-se quase inevitável. Mas inevitável não é o mesmo que interminável. Talvez ainda vá a tempo de prevalecer o bom senso sobre o ruído, a contenção sobre o impulso e a responsabilidade sobre a vaidade. Nenhum estatuto se dignifica no desgaste público, nenhuma causa se fortalece na troca de acusações, e nenhuma comunidade ganha quando os seus acabam por se consumir uns aos outros. Há momentos em que insistir deixa de ser firmeza e passa apenas a prolongar o erro. E há silêncios, recuos e conversas francas que valem mais do que muitas proclamações. Há guerras que mobilizam. Outras apenas desgastam. Há conflitos que pertencem a quem os vive. E há outros que, mesmo quando expostos, pouco acrescentam ao que verdadeiramente importa à nossa terra. E depois há aquelas que, vistas com alguma distância, nunca chegaram verdadeiramente a ser nossas — embora, de ambos os lados, haja sempre quem procure recrutar participantes. Nessas, talvez a maior prova de maturidade não seja escolher um lado. É, simplesmente, não entrar. E, quando já se entrou, saber sair a tempo.
Air China | Retomada rota directa entre Pequim e Nova Deli após seis anos Hoje Macau - 21 Abr 2026 A Air China retoma na terça-feira a rota directa entre Pequim e Nova Deli, reforçando a recuperação das ligações aéreas entre China e Índia, interrompidas durante anos por tensões bilaterais e pela pandemia da covid-19. A ligação, que volta a unir directamente as capitais dos dois países mais populosos do mundo, será operada três vezes por semana – às terças, sextas e domingos – com aviões Airbus A330, informou o jornal oficial Global Times. A retoma desta rota insere-se no restabelecimento dos voos directos entre os dois países, retomados em Outubro de 2025 após cinco anos de suspensão, na sequência da crise bilateral desencadeada pelo confronto militar de 2020 no vale de Galwan e pela pandemia. O restabelecimento da conectividade aérea marcou um dos principais sinais de distensão entre Pequim e Nova Deli, traduzido nos meses seguintes na reabertura do comércio fronteiriço, na retoma da emissão de vistos e na reactivação de contactos diplomáticos e militares. Até agora, esta normalização tem avançado com outras rotas, como a retomada no sábado pela China Eastern Airlines entre Kunming, capital da província chinesa de Yunnan, e a cidade indiana de Calcutá.
Hong Kong | Sobreviventes voltam a casas destruídas após incêndio Hoje Macau - 21 Abr 2026 Os habitantes do complexo em Tai Po começaram a regressar aos antigos apartamentos na esperança de recuperar alguns dos bens que ficaram para trás Milhares de habitantes de Hong Kong que perderam as suas casas num gigantesco incêndio no ano passado começaram ontem a regressar ao local, pela primeira vez, para recuperar o que resta dos seus pertences. O incêndio, que deflagrou em Novembro no complexo residencial Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, fez 168 mortos e afectou sete dos oito edifícios, obrigando milhares de pessoas a abandonar as suas casas. Cerca de seis mil residentes vão poder entrar nas habitações em períodos de até três horas, com o processo a prolongar-se até ao início de Maio, enquanto as autoridades procuram avaliar cerca de 1.700 apartamentos. Imagens divulgadas pelas autoridades mostram tectos e paredes colapsados ou enegrecidos pelas chamas, com interiores cobertos de destroços, após um incêndio que danificou mais de 920 apartamentos, alguns completamente destruídos. As zonas mais afectadas foram classificadas como “áreas perigosas”, tendo sido realizados trabalhos de reforço estrutural em edifícios fragilizados. Entre os residentes, o regresso é marcado por sentimentos contraditórios. “Penso que há na realidade muitas pessoas que não querem aceitar [a proposta do Governo], mas não têm outra escolha. Foram forçadas a aceitá-la”, disse Harry Leung, citado pela agência de notícias France Presse, referindo-se à oferta das autoridades para compra dos apartamentos a preços próximos do valor de mercado anterior ao incêndio. “Se tivesse escolha, não queria mesmo sair” do complexo, acrescentou. Betty Ho, que viveu mais de 30 anos no local, disse à AFP que espera recuperar sobretudo álbuns de fotografias de infância, sublinhando que os “bens de toda uma vida” da família ficaram no apartamento. Após o incêndio, Ho foi realojada em habitação temporária, onde poderá permanecer até ao final do ano, mas confessou sentir-se “ansiosa” face à incerteza sobre o futuro: “Seremos expulsos? Onde vou encontrar um lugar para viver?”, questionou. Outros residentes antecipam um impacto emocional significativo ao regressar. “Tenho o coração pesado, estou muito desapontado. Não esperava que o primeiro andar tivesse ficado assim”, disse Keung Mak, de 78 anos, citado pela agência de notícias Associated Press (AP), após ver imagens do apartamento onde viveu mais de 40 anos. Segundo a AP, o tecto da habitação ficou tão danificado que deixou visível a estrutura metálica, enquanto o chão está coberto de detritos e partes do edifício necessitam de reforço para evitar colapso. A mulher de Mak, Kit Chan, afirmou à AP que “muitas coisas com valor comemorativo desapareceram”, acrescentando: “Nem uma única folha de papel terá ficado”. Dificuldades acrescidas Entre os residentes mais idosos, que representavam mais de um terço dos cerca de 4.600 habitantes do complexo, o regresso é particularmente exigente, com alguns a prepararem-se fisicamente para subir escadas até aos 31 andares, devido à inoperacionalidade dos elevadores. As autoridades indicaram que mais de 1.400 pessoas com 65 ou mais anos se registaram para regressar aos edifícios. Enquanto decorre a investigação às causas do incêndio, sobreviventes continuam dispersos pela cidade, muitos em alojamento temporário. O Governo de Hong Kong considerou inviável reconstruir o complexo no mesmo local e propôs a recompra dos direitos de propriedade, embora alguns residentes contestem a decisão, defendendo que parte dos edifícios poderia ser recuperada. “Sabemos que há questões suspeitas por detrás disto. Espero que possamos realmente encontrar a verdade”, disse Cyrus Ng à AP, referindo-se à investigação em curso. Segundo um advogado envolvido no inquérito, citado pela AP, quase todos os sistemas de segurança contra incêndios falharam no dia da tragédia devido a erro humano.
Médio Oriente | Pequim critica “intercepção forçada” de navios pelos EUA Hoje Macau - 21 Abr 2026 O ataque norte-americano a um navio iraniano põe em causa o cessar-fogo em vigor O Governo chinês criticou ontem a “intercepção forçada” de navios pelos Estados Unidos, após um ataque a um porta-contentores iraniano perto do Estreito de Ormuz, e apelou ao respeito pelo cessar-fogo. Em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou que a situação no Estreito de Ormuz é “sensível e complexa” e instou as partes envolvidas a “criar as condições necessárias para que o trânsito volte à normalidade”. Segundo o responsável, a região encontra-se numa “fase crítica” de transição entre a guerra e a paz, sendo necessário estabelecer as bases para pôr fim ao conflito o mais rapidamente possível. Guo reiterou ainda a importância do Estreito de Ormuz como via internacional de transporte, sublinhando que garantir a livre circulação “corresponde aos interesses comuns dos países da região e da comunidade internacional”. “A China continuará a promover a distensão da situação e a desempenhar um papel construtivo para alcançar uma paz duradoura e a estabilidade no Médio Oriente”, acrescentou. Ataques e violações O incidente surge depois de o Exército iraniano ter denunciado um ataque dos Estados Unidos a um navio iraniano nas proximidades do estreito, um porta-contentores que seguia da China para o Irão, classificando-o como uma violação do cessar-fogo acordado entre Teerão e Washington. O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20 por cento do petróleo mundial, continua sujeito a bloqueios intermitentes no contexto do conflito, tanto por parte do Irão, que mantém um “controlo rigoroso” da passagem, como dos Estados Unidos, que impuseram um cerco naval para limitar as exportações e importações iranianas. O episódio ocorre à porta de uma segunda ronda de negociações de paz entre Washington e Teerão, nas quais o Irão se tem recusado a participar enquanto os Estados Unidos não levantarem o bloqueio marítimo. Pequim tem condenado repetidamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que sublinha a necessidade de “respeitar a soberania” dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas, comerciais e energéticas e que têm sido alvo de represálias iranianas.
Taiwan | Líder da oposição planeia visitar os Estados Unidos em junho Hoje Macau - 21 Abr 2026 A líder da oposição de Taiwan, Cheng Li-wun, anunciou ontem que planeia visitar os Estados Unidos em Junho, dois meses após o encontro com o Presidente chinês, Xi Jinping, e antes de uma cimeira prevista entre este e Donald Trump. Citada pela agência Central News Agency, a presidente do Kuomintang (KMT), principal partido da oposição em Taiwan, afirmou que Junho é a “opção mais viável” para a deslocação, embora reconheça ser ainda necessário organizar bem o itinerário. A responsável indicou que pretende reunir-se com autoridades norte-americanas e que fará “tudo o possível” para encontrar dirigentes do mais alto nível, incluindo “influentes congressistas” que já manifestaram interesse na visita. Cheng acrescentou que irá transmitir a mensagem de que o mundo “não deve regressar à Guerra Fria, mas apostar na reconciliação e no intercâmbio, respeitar e valorizar as diferentes civilizações e coexistir”, em vez de encarar as relações internacionais como um “jogo de tudo ou nada”. As declarações surgem cerca de uma semana e meia após o encontro entre Cheng e Xi Jinping em Pequim, o primeiro entre líderes do KMT e do Partido Comunista Chinês em quase uma década. A dirigente opositora tem-se destacado como uma das vozes críticas de um aumento excessivo da despesa em Defesa em Taiwan, defendendo que o diálogo, e não a dissuasão militar, é a via para evitar um conflito no estreito.