Função Pública | Recusados aumentos dos subsídios de turnos Hoje Macau - 24 Abr 2026 A directora dos Serviços de Administração e Função Pública, Leong Weng In, recusa a possibilidade de haver aumento do subsídio de turno, ao contrário do pedido pelo deputado José Pereira Coutinho, ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). Segundo Leong Weng In, em 2018 houve uma revisão com a atribuição de diferentes montantes e sempre que os salários dos trabalhadores da função pública são actualizados o valor do subsídio também é. Sobre as críticas à Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), devido a uma alegada inflexibilidade na troca dos turnos entre os trabalhadores, foi explicado que foi introduzido “um sistema electrónico de gestão de escalas” e criado “um mecanismo de troca de turnos, permitindo uma organização mais justa e equitativa do trabalho do pessoal”. Justiça | Acordo com o Vietname mais perto O Acordo de Auxílio Judiciário Mútuo em Matéria Penal entre Macau e o Vietname ficou mais perto de ser formalizado, depois de uma delegação da RAEM se ter deslocado ao país do Sudeste Asiático, de acordo com um comunicado da Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ). “Os representantes de ambas as partes procederam a um intercâmbio profundo sobre o projecto do Acordo, discutiram, de forma pormenorizada e aprofundada, cada articulado, tendo chegado, com sucesso, a um consenso sobre todos os conteúdos constantes do projecto de acordo”, foi comunicado. “Na sequência da reunião, ambas as partes assinaram a acta de reunião e comprometeram-se a adoptar as diligências necessárias com vista a agilizar os procedimentos internos, em prol da assinatura formal do acordo, com maior brevidade possível”, foi destacado.
Lei sindical | Três sindicatos aprovados no primeiro ano João Santos Filipe - 24 Abr 2026 Dois, dos três sindicatos registados, estão ligados à Federação das Associações dos Operários de Macau e têm como principal objectivo, antes da defesa dos interesses dos trabalhadores, a promoção do patriotismo Em pouco mais de um ano, três sindicatos conseguiram registar-se junto da Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). Os dados foram adiantados ao HM pela própria entidade, depois da lei sindical ter entrado em vigor a 31 de Março de 2025 “Até 31 de Março de 2026, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais recebeu um total de cinco pedidos de registo de sindicatos, dos quais três foram aprovados, um foi indeferido e um está em fase de análise”, foi comunicado. “Os três sindicatos acima referidos, cujo registo foi aprovado, foram registados em 2025”, foi acrescentado. Sobre os pedidos aprovados, a informação pública mostra que dois dos três sindicados estão ligados à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). Em ambos os casos, não apresentam denominação em português nem em inglês. O motivo da recusa do registo revelado não foi indicado. O primeiro sindicato reconhecido da RAEM foi registado 21 de Outubro de 2025. O nome em chinês corresponde a União dos Trabalhadores da Indústria de Transportes de Macau. Nos estatutos publicados no Boletim Oficial, o sindicato apresenta-se como “parte integrante da causa sindical patriótica” e define como principal objectivo “promover o patriotismo e o amor por Macau entre os trabalhadores da indústria de transportes” e “a solidariedade e a ajuda mútua”, aos quais acrescenta a “preocupação com a sociedade e a participação nos assuntos sociais”, “fortalecimento da força sindical”, “desenvolvimento do intercâmbio técnico e a formação” e organização diversas actividades culturais, recreativas e de lazer”. Segundo a descrição, as actividades vão ser realizadas para “defender e promover os direitos laborais dos trabalhadores, e representar os membros na resolução e negociação de litígios ou diferendos laborais de natureza individual”. FAOM vezes dois Também o segundo sindicato a ser registado está ligado à FAOM, com a denominação em chinês a poder ser lida como Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Transformadora de Macau. No entanto, os estatutos apresentam algumas diferenças, uma vez que o primeiro objectivo é a união dos trabalhadores da indústria, e só depois surge a promoção do patriotismo e do amor por Macau. Apesar disso, este sindicato também se apresenta como “parte integrante da causa sindical patriótica”. Contudo, tem objectivos mais focados nos trabalhadores, como a “formação profissional” a “melhoria da qualificação dos trabalhadores” e a “promoção actividade do emprego”. Na lista de objectivos, consta ainda a intenção de “defender e promover os direitos laborais dos trabalhadores, e representar os membros na resolução e negociação de litígios ou diferendos laborais de natureza individual”. Das Telecomunicações O terceiro sindicado registado, apresenta como nome em português União da Indústria de Tecnologia da Informação de Macau. Na apresentação, este sindicato indica pautar-se pelo “espírito patriótico e de amor a Macau” e apoiar “activamente” a integração da RAEM no “panorama geral do desenvolvimento nacional”. No entanto, apresenta como primeiro objectivo a “defesa dos direitos dos membros” a nível da segurança e saúde no trabalho, assim como uma entidade de auxílio aos membros da resolução de “litígios ou controvérsias laborais, prestando serviços de aconselhamento jurídico e apoio”. Esta sindicato aponta ainda como objectivos a melhoria das competências profissionais dos membros, a promoção da inovação tecnológica, cooperação entre indústria, academia e investigação e elevação dos padrões do sector. Apesar de ser uma exigência da Lei Básica, que foi aprovada em 1993, entrando em vigor em 1999, apenas em 2025 Macau assegurou a primeira lei sindical.
RAEM firma cinco acordos comerciais em Espanha Andreia Sofia Silva - 24 Abr 2026 Na viagem relâmpago da delegação da RAEM à capital espanhola saíram cinco acordos assinados. Um deles nasceu da parceria entre o IPIM – Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau com a Federación de Comercio, Industria y Servicios China en Espana, e tem por objectivo “aproveitar plenamente as amplas redes empresariais e as vantagens de recursos de ambas as partes” e ainda “ampliar os âmbitos de colaboração e estabelecer os canais de comunicação”, entre outros. Também a Associação Comercial de Macau, assinou um protocolo com a Câmara de Comércio Hispano-Chinesa, pretendendo-se “fomentar os intercâmbios amistosos e a cooperação económica”, além de se “ampliar os âmbitos de colaboração” entre a RAEM e Espanha. Destaque ainda para a assinatura do “Acordo-Quadro de Cooperação em Áreas como Expansão de Mercado nos Países de Língua Portuguesa e Espanhola, entre outras”, entre o centro de serviços em Hengqin e a Kingfa Environmental Sci&Tech Spain SL. Foi também assinado mais um “Acordo-Quadro de Cooperação Estratégica” entre a empresa Panchira Times, cujo CEO é Ho Kuok Tou, e a Guangdong Hengqin Centro de Comércio e Economia China-Países de Língua Portuguesa e Espanhola Operação e Gestão Co., Ltd. O objectivo é dar apoio à empresa “nas áreas de expansão de mercado, financiamento e consultoria jurídica em países de língua portuguesa e espanhola”, descreve a informação oficial. Pretende-se ainda atribuir “financiamento através do fundo China-Países de Língua Portuguesa e combinação de capital-dívida”, bem como ajuda na “formação de talentos internacionais”, entre outras valências. Juntem-se à festa Dos encontros que Sam Hou Fai manteve em Madrid, José Manuel Albares Bueno, ministro dos Negócios Estrangeiros, da União Europeia e da Cooperação de Espanha, destacou o facto de a RAEM se poder agora associar a parcerias já existentes. Citado por uma nota oficial, Bueno “salientou que Espanha mantém laços estreitos e intercâmbios frequentes com Portugal e o Brasil”, tendo-se “congratulado com a participação activa de Macau nestas relações, a fim de explorar e promover em conjunto novas áreas de cooperação”. O governante destacou que, no futuro, “Espanha pode reforçar a cooperação económica, comercial e turística com Macau”, tendo o ministro demonstrado “desejo de maior participação em diversos eventos internacionais nas áreas económica e comercial em Macau, a fim de aumentar constantemente a sua participação e influência no palco internacional”.
Sam Hou Fai em Espanha | Governo quer expandir delegação de Lisboa Andreia Sofia Silva - 24 Abr 2026 Terminou ontem a visita de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, a Espanha. Aos jornalistas, o governante máximo da RAEM demonstrou vontade de alargar as funções da Delegação Económica e Comercial de Macau de Lisboa até Madrid, com maiores ligações a Bruxelas e Genebra e ao respectivo tecido empresarial As autoridades de Macau querem expandir as funcionalidades da Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa para que haja uma aproximação nas relações comerciais com Espanha. A ideia foi deixada pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, na conferência de imprensa de balanço da visita oficial da RAEM a Espanha, que terminou esta quinta-feira. O “plano” de aproximação a Espanha, em sectores como a cultura ou turismo, será entre o Governo e “as operadoras de lazer e entretenimento de Macau”, disse Sam Hou Fai, mas este quis deixar “outra ideia”. “Espanha está ao lado de Portugal e queremos aproveitar a delegação para promover as relações. Será possível que o Governo possa estender e alargar o papel da delegação de Macau em Lisboa para abrir ao mercado de Espanha? Falei com a chefe da delegação, a doutora Lúcia [Lúcia Abrantes dos Santos], sobre a possibilidade de aplicar este plano. Queremos estender os serviços até Espanha.” O Chefe do Executivo disse também que Macau possui delegações em Genebra e Bruxelas, podendo ser estabelecida uma maior conexão entre serviços. “Gostaríamos de aproveitar essa delegação [de Lisboa] para estender [os serviços] e apoiar as empresas de Macau e da China”, disse. Em Madrid, foram muitas as personalidades políticas com quem Sam Hou Fai reuniu, nomeadamente Concha Andreu Rodríguez, segunda vice-presidente do Senado de Espanha, e também com José Manuel Albares Bueno, ministro dos Negócios Estrangeiros, da União Europeia e da Cooperação de Espanha. Na capital espanhola não faltou também uma reunião com Shaikha Al Nuwais, secretária-geral da Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas. Sobre o encontro com Concha Rodríguez, Sam Hou Fai disse que esta “conhece as potencialidades de Macau na área do turismo”, embora ainda não tenha visitado o território. “Espero que se possa [entre as autoridades espanholas], e juntamente com os nossos serviços de turismo, o IPIM e as operadoras de jogo, desenvolver [mais acordos de cooperação e projectos] também através das agências de viagens”. Semelhanças e diferenças E por falar em turismo, Sam Hou Fai saiu de Madrid a pensar que, afinal de contas, até existem semelhanças com Macau, sobretudo no que diz respeito à existência de um centro histórico e da sua preservação. “Apesar de haver uma distância muito grande, Espanha e Macau têm uma história muito profunda. Macau é um centro de lazer e de entretenimento, tem uma história profunda a nível de cultura, e Espanha tem uma história de longa data, e ambas as partes podem fazer a promoção a nível de turismo.” Sam Hou Fai destacou também, aos jornalistas, que o caminho a traçar é aumentar o número de visitantes internacionais e levar mais espanhóis a Macau. “A Direcção dos Serviços de Turismo, em conjunto com as autoridades turísticas de Espanha, analisou como podem ser levados os turistas de Espanha a Macau. A conjuntura internacional é complicada e há a possibilidade de alterações, sobretudo devido às carreiras aéreas que foram afectadas. Mas, segundo a nossa avaliação, achamos que o desenvolvimento de Macau na área de turismo ainda está em progresso.” O governante disse que, até 21 de Março, o território já registou dez milhões de turistas, pelo que este ano, a nível de visitantes internacionais, no primeiro trimestre, contabilizaram-se 750 mil entradas em Macau, “registando-se um aumento de dez por cento”. “Em relação aos turistas e ao seu aumento, mantemos uma posição cautelosa, mas estamos a obter pistas”, acrescentou o Chefe do Executivo.
UM | IA afasta alunos da área da tradução para português Hoje Macau - 23 Abr 2026 O director do departamento de Português da Universidade de Macau (UM) afirmou ontem que a inteligência artificial (IA) está a ser vista “como uma espécie de papão” e a afastar estudantes da área da tradução. “Há uma espécie de entendimento comum de que a inteligência artificial irá acabar com a tradução. Para as pessoas que trabalham na área do português, da linguística, da tradução, essa relação de causa e efeito (…) não faz sentido”, disse João Veloso aos jornalistas, em declarações à margem de um concurso de língua portuguesa, na UM. Existe uma “certa histeria à volta da questão da inteligência artificial”, completou. Veloso reconheceu que, até há alguns anos, a tradução era a área mais procurada dentro dos estudos de pós-graduação, com mais candidatos do que vagas. “Temos vindo a reparar que nos últimos anos não é bem essa a situação com que somos confrontados”, afirmou, sublinhando que há um decréscimo na procura. O director indicou que, em conversas com alunos de licenciatura, estes afirmam não pretender seguir tradução nos estudos pós-graduados “por causa da tradução automática e da inteligência artificial”. Receio que Veloso diz ser alimentado por “algum discurso público” de “algumas instituições”, publicações e intervenções de pessoas com responsabilidades. Sem fundamento O responsável defendeu que a ideia de que a IA vai acabar com o trabalho dos tradutores “não tem grande fundamento” e que tanto inteligência artificial como tradução automática têm “muitas vantagens” se forem usadas como ferramenta auxiliar de trabalho. “No departamento do português trabalhamos muito com a tradução literária – também contemplamos a tradução técnica, jurídica, comercial, etc. Na tradução literária, a inteligência artificial ainda – ou eu pessoalmente diria nunca – atingirá o nível de um tradutor humano”, reforçou. Segundo João Veloso, os cursos do departamento de Português da Universidade de Macau chegam a mais de mil alunos, entre estudantes de licenciatura, mestrados e doutoramentos deste departamento da faculdade de Artes e Humanidades, alunos da faculdade de Direito e outros que frequentam as disciplinas de língua oferecidas transversalmente em todos os cursos da instituição de ensino superior. Nove alunos de várias universidades de Macau participaram ontem de manhã na 22.ª edição do concurso de eloquência em língua portuguesa, que este ano assinalou os 100 anos da morte de Camilo Pessanha, poeta que viveu e morreu no território. “Esta tradição dos chamados concursos de eloquência é muito popular na Ásia. E neste contexto faz o maior sentido e tem vindo a ser um sucesso”, referiu ainda João Veloso. Apesar de poucos alunos presentes e de algumas edições canceladas nos últimos anos, o director notou tratar-se de uma iniciativa “muito importante”, porque “alimenta a visibilidade e o interesse do português e do estudo português”.
Ensino superior | Macau no top 30 regional Hoje Macau - 23 Abr 2026 Macau tem pela primeira vez um representante no top 30 do ranking do ensino superior na Ásia Times Higher Education Asia University Rankings (THE). De acordo com o ranking, divulgado na terça-feira, a Universidade de Macau subiu seis posições para o 28.º lugar. O território conta ainda com mais duas instituições classificadas: a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST na sigla inglesa), em 52.º lugar conjunto, e a Universidade Cidade de Macau, que se estreia na faixa 201–250. O ranking asiático da THE baseia-se em métricas como “citações, excelência em investigação, patentes, internacionalização e ambiente de ensino”, oferecendo o que a organização descreve como a avaliação mais abrangente das universidades da região. A edição de 2026 confirma a liderança da China, com a Universidade de Tsinghua a manter o primeiro lugar pelo oitavo ano consecutivo e a Universidade de Pequim em segundo. O director de assuntos globais da THE, Phil Baty, afirmou num comunicado que os resultados demonstram “o desempenho extraordinário da China no ensino superior e na investigação”, destacando também a crescente influência do Sudeste Asiático, com a Malásia a emergir como “um importante protagonista no ensino superior, não apenas no continente, mas no mundo”. Cinco das dez primeiras posições são ocupadas por instituições chinesas, acompanhadas por duas universidades de Singapura, duas de Hong Kong e uma do Japão. A Universidade de Tóquio subiu para o quarto lugar conjunto, a melhor posição em uma década.
Índia | Emitido alerta devido a onda de calor com temperaturas até 45°C Hoje Macau - 23 Abr 2026 O Serviço Meteorológico da Índia (IMD) emitiu um alerta devido a uma intensa onda de calor e avisou que nos próximos três dias, as temperaturas podem atingir valores entre os 40 e os 45 graus. De acordo com o último relatório do IMD, os termómetros já registaram “valores entre 40°C e 45°C em grande parte do centro e do norte do país, afectando especialmente regiões como Vidarbha, Marathwada e Madhya Pradesh, além de zonas de Uttar Pradesh”. A temperatura mais elevada do país foi registada na cidade de Allahabad, que chegou aos 44,4 °C. O IMD informou que esta onda de calor teve início a 18 de Abril no estado de Haryana e já afecta a capital, Nova Deli, para onde se tem deslocado progressivamente. Segundo o organismo, a expansão do fenómeno não se limita à zona metropolitana e continua a avançar para o leste e o centro do subcontinente. Esta trajectória colocou em alerta as autoridades da capital e dos estados vizinhos, que prevêem que o ambiente sufocante na região de Nova Deli e arredores se mantenha de forma persistente pelo menos até ao próximo dia 24 de Abril. Nos últimos anos, a Índia tem enfrentado verões cada vez mais intensos e prolongados, com ondas de calor que têm causado graves problemas de saúde pública e um aumento significativo da mortalidade. O Centro Nacional de Controlo de Doenças (NCDC) registou 3.812 mortes devido ao calor entre 2015 e 2022, enquanto o Gabinete Nacional de Registos Criminais (NCRB) contabilizou 8.171 no mesmo período e o Serviço Meteorológico (IMD) calculou 3.436.
A diáspora iraniana e o futuro Jorge Rodrigues Simão - 23 Abr 2026 “Exile does not silence a nation; it merely relocates the battlefield of its future.” – Marcellus Dorian A diáspora iraniana constitui um dos espaços políticos mais fragmentados e, simultaneamente, mais influentes na disputa pelo futuro do Irão. A sua heterogeneidade não é apenas sociológica ou geográfica; é sobretudo histórica, emocional e identitária. Cada vaga migratória transportou consigo memórias específicas, expectativas divergentes e narrativas concorrentes sobre a nação, o Estado e a legitimidade política. A oposição em exílio, frequentemente descrita como um arquipélago de sensibilidades, tornou-se um campo de batalha simbólico onde se confrontam leituras antagónicas da história contemporânea iraniana. Neste espaço, a hegemonia discursiva do movimento monárquico pró-Pahlavi, amplificada por redes mediáticas transnacionais, procura impor-se como alternativa credível à República Islâmica, apostando numa articulação estratégica com os Estados Unidos e Israel para promover um cenário de mudança de regime. Contudo, esta hegemonia é contestada por outras correntes que reivindicam diferentes modelos de futuro, desde o republicanismo laico até às formas renovadas de islamismo reformista. Para compreender a complexidade deste universo político disperso, é indispensável regressar ao momento que marca a cisão fundamental entre o Irão e a sua diáspora que foi a Revolução de 1979. Este acontecimento não apenas derrubou a monarquia Pahlavi, como também redefiniu a relação entre Estado, sociedade e modernidade. A revolução produziu uma ruptura profunda que reorganizou as lealdades políticas e desencadeou um processo migratório sem precedentes. Antes de 1979, a presença iraniana no exterior era sobretudo composta por estudantes e profissionais qualificados que procuravam formação ou oportunidades económicas. A industrialização acelerada dos anos 1960 e 1970, promovida pela monarquia, gerou uma procura crescente de quadros técnicos que o sistema universitário interno não conseguia suprir. Assim, dezenas de milhares de jovens procuraram formação no estrangeiro, sobretudo na Europa Ocidental e na América do Norte. Às vésperas da revolução, o número de estudantes iranianos matriculados fora do país era expressivo, revelando uma sociedade em rápida transformação e profundamente integrada em circuitos internacionais de mobilidade académica. A queda do xá e a instauração da República Islâmica alteraram radicalmente este panorama. A primeira vaga de exilados após 1979 foi marcada por uma forte componente política como antigos membros da elite monárquica, empresários ligados ao regime deposto, intelectuais liberais, militantes de organizações de esquerda e minorias religiosas que se sentiram ameaçadas pelo novo poder. Esta geração transportava consigo uma memória traumática da revolução e uma visão nostálgica do período Pahlavi, frequentemente idealizado como uma era de modernização, estabilidade e abertura ao Ocidente. Esta nostalgia, embora selectiva, tornou-se um elemento estruturante da identidade política de parte significativa da diáspora, alimentando a construção de um imaginário restauracionista que continua a influenciar o debate contemporâneo. Nos anos seguintes, novas vagas migratórias ampliaram a diversidade interna da diáspora. A guerra Irão-Iraque, a repressão política, as dificuldades económicas e as restrições sociais impostas pelo regime islâmico levaram muitos iranianos a procurar refúgio no exterior. Ao contrário da primeira geração, marcada por elites políticas e económicas, estas vagas incluíam estudantes, profissionais qualificados, famílias de classe média e jovens em busca de liberdade pessoal. A pluralidade de experiências e expectativas produziu um mosaico identitário complexo, no qual coexistem memórias contraditórias e projectos políticos divergentes. Para alguns, a República Islâmica representa uma usurpação histórica que deve ser revertida; para outros, constitui um sistema reformável que pode evoluir gradualmente; para outros ainda, o futuro do Irão deve ser construído a partir de modelos democráticos que rompam tanto com o autoritarismo monárquico quanto com o teocrático. É neste contexto que a oposição em exílio se tornou um espaço de disputa simbólica. A hegemonia mediática do movimento pró-Pahlavi, reforçada pela figura carismática de Reza Pahlavi, assenta numa narrativa que apresenta a monarquia como a única alternativa capaz de restaurar a unidade nacional e reintegrar o Irão no sistema internacional. Esta narrativa é amplificada por canais televisivos sediados no estrangeiro, plataformas digitais e redes de activistas que procuram mobilizar a diáspora e influenciar a opinião pública interna. A aposta num alinhamento estratégico com os Estados Unidos e Israel revela uma visão geopolítica que interpreta a mudança de regime como um processo dependente de pressões externas, sanções económicas e isolamento diplomático da República Islâmica. Contudo, esta visão não é consensual. Muitos sectores da diáspora rejeitam a instrumentalização geopolítica da causa iraniana e criticam a dependência de potências estrangeiras, argumentando que tal estratégia compromete a soberania nacional e reforça a narrativa do regime, que se apresenta como vítima de ingerências externas. Para estes grupos, a mudança política deve emergir de dinâmicas internas, sustentadas por movimentos sociais, redes de solidariedade e formas de resistência civil. A memória das intervenções estrangeiras no Irão, desde o golpe de 1953 até às pressões contemporâneas, alimenta uma sensibilidade nacionalista que atravessa diferentes correntes políticas e que desconfia de soluções impostas de fora. A diáspora é também um espaço de produção cultural e intelectual que influencia a forma como o Irão é percebido no exterior. Escritores, cineastas, académicos e artistas iranianos no exílio desempenham um papel crucial na construção de narrativas alternativas sobre a sociedade iraniana, desafiando estereótipos orientalistas e denunciando as simplificações que frequentemente dominam o discurso mediático ocidental. Esta produção cultural contribui para uma compreensão mais complexa do Irão contemporâneo, revelando as tensões entre tradição e modernidade, religião e secularismo, identidade nacional e pertença global. Ao mesmo tempo, esta dimensão cultural reforça a consciência política da diáspora, oferecendo ferramentas simbólicas para a crítica do regime e para a imaginação de futuros possíveis. A fragmentação interna da diáspora não deve ser interpretada como sinal de fraqueza, mas como expressão da diversidade histórica e social do Irão. Esta pluralidade pode constituir uma força, desde que seja acompanhada por mecanismos de diálogo e cooperação que permitam articular objectivos comuns. No entanto, a competição entre diferentes correntes políticas, a disputa pela legitimidade representativa e a influência de agendas externas dificultam a construção de uma frente unificada. A ausência de consenso sobre o modelo de Estado, o papel da religião, a relação com o Ocidente e as estratégias de mudança política revela a profundidade das clivagens internas. A República Islâmica, por sua vez, observa atentamente os movimentos da diáspora. O regime reconhece o potencial mobilizador das comunidades no exterior e procura neutralizar a sua influência através de campanhas de desinformação, infiltração de redes e manipulação de narrativas. Ao mesmo tempo, utiliza a fragmentação da oposição como prova da sua incapacidade de oferecer uma alternativa coerente. A relação entre o Estado iraniano e a diáspora é, assim, marcada por uma tensão permanente; por um lado, o regime teme a sua capacidade de mobilização; por outro, explora as suas divisões para reforçar a própria legitimidade. A disputa pelo futuro do Irão desenrola-se, portanto, em múltiplos planos; no interior do país, onde movimentos sociais desafiam periodicamente o regime; no plano internacional, onde potências regionais e globais procuram influenciar o destino iraniano; e no seio da diáspora, onde se confrontam memórias, identidades e projectos políticos. A diáspora não é apenas um observador distante, mas um actor activo que intervém no debate público, mobiliza recursos, produz conhecimento e constrói redes transnacionais de solidariedade. A questão central reside em saber se esta pluralidade pode transformar-se numa força política capaz de influenciar de forma decisiva o futuro do Irão. A resposta depende da capacidade da diáspora de superar rivalidades históricas, construir plataformas inclusivas e articular uma visão de futuro que seja simultaneamente democrática, soberana e sensível às complexidades internas da sociedade iraniana. A hegemonia pró-Pahlavi, embora influente, não representa a totalidade da diáspora; a sua força deriva tanto da nostalgia de uma parte da comunidade como da capacidade de mobilizar recursos mediáticos. No entanto, a diversidade de vozes no exílio revela que o futuro do Irão não pode ser reduzido a uma única narrativa. A diáspora iraniana encontra-se, assim, num momento decisivo. A sua capacidade de influenciar o destino do país dependerá da forma como conseguir transformar a sua heterogeneidade numa plataforma de acção política coerente. A disputa com a República Islâmica não é apenas uma luta pelo poder, mas uma batalha pela definição da identidade nacional, memória histórica e imaginação do futuro. Neste confronto, a diáspora desempenha um papel central, não como substituto da sociedade iraniana, mas como extensão crítica das suas aspirações, contradições e esperanças.
GP | Provas de apuramento com 70 participantes Sérgio Fonseca - 23 Abr 2026 A Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) publicou as listas de inscritos das suas duas competições, Macau Roadsport Challenge e GT4, que este ano regressam a Zhuhai para as tradicionais corridas de apuramento para o Grande Prémio de Macau. Apenas quinze pilotos de Macau estarão presentes A Macau Roadsport Challenge, cuja grelha de partida se divide entre os Toyota GR86 (ZN8) e os Subaru BRZ (ZD8), volta a reunir mais de meia centena de pilotos, sendo que, dos 57 carros inscritos, apenas 10 são tripulados por desportistas da RAEM. Um dos presentes será o experiente Jerónimo Badaraco, que regressa à aguerrida competição de carros de Turismo para tripular um Toyota GR86 da equipa Flexible Speed. A lista de inscritos revela um claro ascendente de pilotos de Hong Kong, com 31 participantes, representando mais de metade do total, o que evidencia a forte presença e tradição deste território no desporto automóvel na Grande Baía. Segue-se o Interior da China, com 14 pilotos, consolidando igualmente a sua influência crescente. Macau, anfitrião do evento, contará com 10 representantes. Com apenas trinta e seis vagas para o grande evento do Circuito da Guia, no mês de Novembro, antecipam-se quatro corridas particularmente animadas. O Circuito Internacional de Zhuhai regressa este ano ao calendário, acolhendo duas jornadas duplas pontuáveis de importância decisiva, algo que sucede pela primeira vez desde 2018. A primeira está agendada para o fim-de-semana de 8 a 10 de Maio, enquanto a segunda decorrerá entre 28 e 31 de Maio de 2026. As corridas da Macau Roadsport Challenge determinarão os apurados para a prova homónima do Grande Prémio de Macau. Manhão na GT4 A maior surpresa da lista de inscritos da GT4 é a presença de Maximiano Manhão. O jovem macaense, que traz consigo um apelido com tradição no automobilismo local, irá conduzir um dos dois McLaren 570S GT4 da equipa LW World Racing Team, fazendo dupla com Wong Cheng Tou. Recorde-se que Maximiano Manhão, que desenvolveu grande parte do seu percurso desportivo nas provas organizadas pela AAMC no Kartódromo de Coloane, participou na Macau Roadsport Challenge na temporada passada, mas não conseguiu apurar-se para o Grande Prémio. Esta será a sua primeira experiência em carros de GT. A lista de inscritos conta com treze participantes, dos quais apenas cinco são de Macau, incluindo também os experientes Kelvin Leong Ian Veng e Billy Lo, sendo os restantes provenientes de Hong Kong. Destaque ainda para a presença de Kevin Tse, terceiro classificado na temporada passada do Campeonato Britânico de GT (GT3), e do regressado Matt Solomon, piloto que competiu na Fórmula 3 contra Charles Leclerc ou George Russell. A competição reservada às viaturas GT4 apurará os participantes para a Taça GT – Corrida da Grande Baía. Ausências de peso Nas duas listas de inscritos agora divulgadas sobressaem duas ausências de relevo no automobilismo macaense: Célio Alves Dias e Rui Valente. O primeiro já tinha explicado ao HM que este ano iria fazer uma pausa sabática das corridas, por motivos de ordem pessoal, após dois anos consecutivos a competir na Macau Roadsport Challenge. Ainda assim, o piloto do território não pretende abandonar a competição, apontando a um regresso na categoria GT4 já em 2027. Insatisfeito com o rumo que a competição de carros de Turismo de Macau tem vindo a seguir nos últimos anos, Rui Valente ponderou a possibilidade de competir na categoria GT4. Contudo, o piloto da RAEM com mais participações no Grande Prémio de Macau não concretizou essa opção. Segundo apurou o HM, Rui Valente não tem planos para pousar já o capacete e encontra-se em conversações para continuar a competir no automobilismo e, possivelmente, regressar ao Circuito da Guia no próximo mês de Novembro.
Comércio | Aplicadas tarifas zero aos países africanos Hoje Macau - 23 Abr 2026 A visita do Presidente moçambicano à China terminou com acordos de cooperação entre os dois países reforçados e a manifestação de solidariedade das autoridades chinesas para com o continente africano, face à turbulência internacional A China vai aplicar, a partir de 1 de Maio, tarifas zero aos países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, para ampliar o acesso dos produtos africanos ao mercado chinês, anunciou Pequim. A medida consta de um comunicado oficial divulgado ontem no final da visita do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, a Pequim, durante a qual o Presidente da China, Xi Jinping, defendeu o reforço da cooperação com Moçambique e o aprofundamento da coordenação entre os países em desenvolvimento, durante um encontro com o homólogo moçambicano. Citado no comunicado oficial enviado à agência Lusa, Xi afirmou que o aprofundamento da cooperação entre Pequim e Maputo responde às expectativas dos dois povos e acompanha a tendência de maior coordenação entre os países do Sul Global face a desafios comuns. “O reforço da solidariedade e da cooperação é essencial num contexto internacional em mudança”, afirmou Xi, citado na nota. O Presidente chinês defendeu o reforço do apoio mútuo em questões de interesse central e a intensificação dos contactos entre governos, partidos e instituições, bem como a troca de experiências de governação. Xi destacou ainda a “forte complementaridade económica” entre os dois países e apontou para novas oportunidades de cooperação em áreas como infraestruturas, energia, mineração, agricultura, economia digital e inteligência artificial. Pequim está disponível para alinhar estratégias de desenvolvimento com Moçambique, explorar novos modelos de cooperação e promover um crescimento “de alta qualidade e sustentável”, acrescentou. Num contexto internacional descrito como “turbulento”, o líder chinês apelou ao reforço da coordenação em organismos multilaterais, incluindo as Nações Unidas, defendendo um mundo “multipolar”, uma globalização económica “inclusiva” e a salvaguarda da “equidade e justiça internacionais”. Xi sublinhou também que China e África, juntamente com outros países do Sul Global, constituem “uma força de justiça” no atual cenário internacional. Apelos e acordos Sobre a situação no Médio Oriente, o Presidente chinês manifestou preocupação com o impacto do conflito na região africana e apelou ao cessar das hostilidades e à resolução de divergências através do diálogo. O líder chinês defendeu ainda o respeito pelos princípios da Carta das Nações Unidas e apelou à prática de um “verdadeiro multilateralismo”. No plano económico, anunciou que a China vai aplicar, a partir de 1 de Maio, tarifas zero a todos os países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, como forma de ampliar o acesso dos produtos africanos ao mercado chinês. Durante o encontro, os dois chefes de Estado acordaram elevar as relações bilaterais a uma “comunidade de futuro partilhado na nova era”. Daniel Chapo destacou o papel da China como “verdadeiro amigo” de Moçambique e reiterou o apoio ao princípio de “uma só China”, manifestando disponibilidade para reforçar a cooperação bilateral. Após as conversações, os dois líderes assistiram à assinatura de mais de 20 acordos de cooperação em áreas como comércio, segurança, saúde e intercâmbio cultural.
Carros chineses lideram inovação e invertem papéis face à Europa Hoje Macau - 23 Abr 2026 À imagem da BYD, que alugou a Opéra de Paris para um espectáculo de grande dimensão, as marcas automóveis chinesas estão a entrar sem complexos na Europa, apoiadas em tecnologia que os europeus tentam replicar, numa inversão de papéis. Em grande parte desconhecidas na Europa há três anos, marcas como BYD, MG, Chery, Geely, Leapmotor, Jaecoo e Xpeng atingiram em conjunto 9 por cento das vendas na Europa em março, e mesmo 14 por cento no segmento dos veículos eléctricos, segundo a consultora Dataforce – o dobro face ao ano anterior. Alguns modelos já figuram entre os mais vendidos em países como Itália, Espanha ou Reino Unido. O seu sucesso está a abalar construtores europeus fragilizados por um mercado interno em queda desde 2019, e surpreendidos pelo plano da União Europeia para atingir 90 por cento de carros elcétricos até 2035. Em contrapartida, a política europeia acabou por beneficiar os fabricantes chineses, muito mais avançados no sector eléctrico e apoiados pelo Estado nos seus mercados de origem. “A Europa, um dos poucos grandes mercados mundiais, é um destino natural para os construtores chineses. O plano da UE para o carro eléctrico foi praticamente feito para eles, abrindo-lhes o mercado europeu em muito pouco tempo”, resumiu Jamel Taganza, responsável da consultora Inovev, citado pela agência France Presse. A exportação é ainda mais necessária para estes fabricantes do que para os europeus, dado o excesso de capacidade: as fábricas chinesas operam a cerca de 50 por cento do seu potencial, face a cerca de 60 por cento na Europa, sublinhou Alexandre Marian, analista da AlixPartners, citado pela AFP. “Os pontos fortes dos construtores chineses não se limitam aos custos laborais, passam também pela inovação”, disse Michael Foundoukidis, analista automóvel da Oddo. “Na China, oferecem hoje veículos duas vezes mais eficientes por metade do preço” face aos europeus, explicou. O próximo passo é produzir localmente. “Todos os construtores consideram que, para se implantarem num mercado, é mais simples produzir no local, evitando tarifas aduaneiras e problemas logísticos”, afirmou Lionel French Keogh, diretor comercial da Chery em França, que pretende fabricar na Europa um pequeno veículo elétrico urbano. “Se quiserem ultrapassar de forma sustentável os 10 por cento de quota de mercado na Europa, não terão outra escolha senão montar veículos no continente”, acrescentou o analista da Oddo. Em expansão As barreiras aduaneiras impostas pela União Europeia em 2024 aos veículos eléctricos importados reforçam esta tendência. A BYD vai abrir uma fábrica na Hungria. A Leapmotor, parceira da Stellantis, prevê produzir dois modelos numa fábrica do grupo em Saragoça, Espanha. Segundo a imprensa, a Stellantis equaciona também produzir modelos Leapmotor sob a marca Opel em Espanha. Já a Xpeng monta veículos na Áustria. Para responder, os construtores europeus estão a adoptar a estratégia chinesa dos anos 2000: aprender com o concorrente através de parcerias. Exemplos incluem a Stellantis com a Leapmotor e a Volkswagen com a Xpeng, que lançaram um primeiro modelo eléctrico conjunto para o mercado chinês. Outro caso é a Renault, que se aliou à Geely no desenvolvimento de motores térmicos e híbridos.
Guerra da Coreia | Recebidos restos mortais de 12 soldados chineses mortos no conflito Hoje Macau - 23 Abr 2026 A China repatriou ontem os restos mortais de 12 soldados mortos na Guerra da Coreia, transportados num avião militar desde a Coreia do Sul, no âmbito de um acordo bilateral entre os dois países. Um avião militar Xian Y-20B aterrou na cidade de Shenyang, no nordeste do país, com os restos mortais e 146 objetos pessoais, segundo órgãos de comunicação estatais chineses. Trata-se da 13.ª repatriação conjunta desde 2014, elevando para 1.023 o número total de restos recuperados ao abrigo do acordo entre Pequim e Seul. A cerimónia de entrega decorreu no aeroporto internacional de Incheon, na Coreia do Sul, onde os caixões foram cobertos com a bandeira chinesa e escoltados com honras militares. Após a entrada no espaço aéreo chinês, o avião foi acompanhado por quatro caças Chengdu J-20, numa escolta simbólica. Os restos mortais serão agora trasladados para um cemitério de mártires em Shenyang, construído em 1952 para acolher soldados chineses mortos no conflito. Mais de dois milhões de combatentes chineses participaram na guerra em apoio à Coreia do Norte, segundo dados oficiais, com cerca de 197.600 mortos, embora estimativas ocidentais apontem para números mais elevados. A maioria dos soldados chineses que morreram na guerra permanece enterrada em território norte-coreano. O conflito, conhecido na China como “Guerra para Resistir à Agressão dos Estados Unidos e Ajudar a Coreia”, tem ganho nova visibilidade nos últimos anos, num contexto de tensões com Washington e através de produções como o filme ‘The Battle at Lake Changjin’, um dos maiores êxitos de bilheteira no país.
Tradução de poesia de Lu Xun – 20 Sara F. Costa - 23 Abr 2026 #20 哀范君三章·其二 āi fàn jūn sān zhāng · qí èr 海草國門碧 hǎi cǎo guó mén bì 多年老異鄉 duō nián lǎo yì xiāng 狐狸方去穴 hú lí fāng qù xué 桃偶已登場 táo ǒu yǐ dēng chǎng 故里彤雲惡 gù lǐ tóng yún è 炎天凜夜長 yán tiān lǐn yè cháng 獨沉清澈水 dú chén qīng chè shuǐ 能否滌愁腸 néng fǒu dí chóu cháng Elegia a Fan II Junto ao mar, verdeiam as portas da pátria longos anos a envelhecer em terra alheia mal a raposa abandona a toca já a marioneta sobe ao palco na terra natal, vejo as nuvens vermelhas e o calor pesa, e a noite alonga-se fria mergulho solitário na água límpida poderá ela lavar a dor que entranha? Notas A imagem “Junto ao mar, verdeiam as portas da pátria” retoma uma alusão a Li Bai, onde o reverdecer das plantas junto ao litoral indica a passagem do tempo e o afastamento do sujeito poético da terra onde nasceu. A expressão guó mén (國門) sugere fronteira e pertença, sendo reinterpretada para indicar a permanência prolongada fora da pátria. A referência a “envelhecer em terra alheia” corresponde à experiência de exílio prolongado de Fan Ainong no Japão, onde a distância física se associa a um desgaste temporal e afetivo. O termo 狐狸 (hú lí), “raposa”, é frequentemente interpretado como alusão à imperatriz Cixi. A imagem da raposa que abandona a toca remete para a queda do poder imperial. A sequência seguinte introduz “a marioneta sobe ao palco”, táo ǒu (桃偶) expressão que se relaciona com o ato de manipular alguém. A justaposição destas imagens traduz a instabilidade política após a queda dos Qing, marcada pela substituição de um poder por outro igualmente precário. Para além disso, as marionetas de madeira possuem uma função exorcística na tradição chinesa, o que acrescenta uma dimensão simbólica à imagem. 彤雲 (tóng yún), “nuvens vermelhas”, surge como metáfora de uma atmosfera política opressiva. A cor intensifica a perceção de ameaça e densidade. A oposição entre 炎天 (yán tiān), “calor intenso” ou “calor que pesa”, e lǐn yè 凜夜, “noite glacial” ou “noite que se alonga fria”, constrói uma tensão térmica que traduz a experiência de um tempo hostil. A extensão da noite reforça a ideia de duração e dificuldade. 滌愁腸 (dí chóu cháng), “lavar a dor que entranha”, articula um gesto de purificação com a impossibilidade de dissolver plenamente o sofrimento. Comentário O poema organiza-se em torno de uma progressão que articula deslocação geográfica, transformação política e intensificação afetiva. A abertura, marcada pela imagem das “portas da pátria”, estabelece uma relação entre espaço e memória, situando o sujeito poético numa condição de afastamento prolongado. Esta dimensão espacial prolonga-se no verso “longos anos a envelhecer em terra alheia”, onde o tempo se inscreve diretamente no corpo. A sequência central introduz imagens de natureza alegórica que traduzem uma mudança de regime. A “raposa” (狐狸) e a “marioneta” (桃偶) configuram uma leitura crítica da transição política, sugerindo substituição e continuidade de mecanismos de poder. A tradução preserva estas figuras sem substituição cultural, garantindo a manutenção da densidade simbólica e permitindo a sua explicitação no aparato crítico. A imagem “e o calor pesa, e a noite alonga-se fria” traduz a tensão entre extremos climáticos, convertendo-a em expressão da experiência histórica. A escolha lexical privilegia concisão e intensidade, assegurando continuidade com a economia expressiva da poesia portuguesa. A imagem final concentra o movimento do poema num gesto individual. O verso “mergulho solitário na água límpida” mantém a estrutura do original, onde a ação de mergulho sugere simultaneamente isolamento e tentativa de purificação. A formulação “poderá ela lavar a dor que entranha?” traduz diretamente preserva a dimensão corporal da dor. A estratégia tradutória deste poema assenta, assim, na manutenção da parataxe, permitindo que as imagens se articulem por justaposição.
FRC acolhe mostra de Tam Keng Hoje Macau - 23 Abr 2026 A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe até ao dia 2 de Maio a mostra “Galopando”, da autoria de Tam Keng, que “presta homenagem ao Ano Lunar do Cavalo” e que reúne 26 imagens capturadas em diversas deslocações à Mongolia Interior, entre 2013 e 2019, em diferentes paisagens e épocas do ano. Segundo uma nota da FRC, a exposição conta com organização da Associação de Fotógrafos Chineses no Estrangeiro (Macau) China e evoca o signo auspicioso do zodíaco chinês em 2026, no sentido em que o cavalo representa “a boa sorte e o progresso”, personificando o “significado de ‘sucesso imediato'”. Nesta mostra, o artista “revela uma profunda perícia fotográfica, utilizando uma lente sensível para captar o espírito nobre e o carácter do cavalo”, revela o prefácio do projecto. O fotógrafo realizou, ao longo dos anos, “campanhas nos desertos e estepes da Região Autónoma da China, com a participação de figurantes da minoria étnica mongol, cavalos militares”, que actualmente são usados “apenas para demonstrações culturais”, capturando também imagens de “manadas de cavalos selvagens avistados depois de alguma perseverança e sorte”, segundo explicou Tam Keng. Tam Keng já expôs na FRC e, na anterior mostra, descreveu como, em cada trabalho da sua autoria, espera sempre “contar uma história e criar uma ligação afectiva”. “Mesmo que eu o reveja depois de muito tempo, será sempre um momento tocante para mim”, adiantou. Tam Keng nasceu em Xangai, na China, tendo-se mudado para Macau no início dos anos 80. Em 1988 fundou a “Art House”, inicialmente focada em design publicitário. Em 2000 começou a publicar postais e livros de arte, a partir das suas pinturas e fotografias “Monumentos de Macau”. Por sua vez, em 2016 apresentou a exposição individual “Fotografia”, patrocinada pelo Programa de Promoção de Artistas de Macau, enquanto que em 2018, expôs “História da Antiga Casa de Chá”, projecto individual organizado pela Sociedade de Fotografia Digital de Macau. Os seus trabalhos fotográficos ganharam medalhas de ouro da Photographic Society of America (PSA), da Photographic Society of Great Britain (RPS), da International Federation of Photographic Art (FIAP) e de outras instituições de referência em diversos países. Tam Keng é ainda presidente da Associação de Fotógrafos Chineses no Estrangeiro (Macau) China, presidindo à Associação de Fotografia Aérea de Macau; Presidente Honorário da União dos Fotógrafos de Macau, estando ligado também a mais entidades relacionadas com a fotografia.
MAM | Exposição revela paisagens do período das dinastias Ming e Qing Hoje Macau - 23 Abr 2026 Chama-se “Duetos da Natureza: Pinturas de Paisagem das Dinastias Ming e Qing do Museu Nacional da China” e é a nova exposição patente no Museu de Arte de Macau a partir desta sexta-feira. Eis a oportunidade para ver pintura chinesa clássica que nos revela um pouco da história artística do país O Museu de Arte de Macau (MAM) acolhe a partir de amanhã, sexta-feira 24, e até ao dia 26 de Julho, a exposição “Duetos da Natureza: Pinturas de Paisagens das Dinastias Ming e Qing do Museu Nacional da China”, apresentando 65 obras ou conjuntos de pinturas de paisagens criadas entre os séculos XV e XIX, e que pertencem à colecção do Museu Nacional da China. O MAM apresenta ainda três projectos digitais que, segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), demonstram “o auge artístico da pintura de paisagem dos literatos das dinastias Ming e Qing” e oferecem “uma viagem imersiva pela natureza e uma experiência estética envolvente”. O IC explica que as pinturas de paisagem das dinastias Ming e Qing, sobretudo as que foram “criadas pelos literatos, representam o ponto alto da pintura tradicional chinesa”. Destacam-se algumas obras-primas nesta mostra, como “Oito Visões de Pequim” de Wang Fu ou “Pico de Feilai” de Shen Zhou. Estão também expostas obras de outros mestres notáveis como Tang Yin, Shitao, Wang Yuanqi e Wu Li. Trata-se de obras que “retratam a natureza e reflectem as ideias filosóficas e a busca estética dos artistas através das imagens e da ambiência”, descreve o IC. RV e palestras O público pode desfrutar desta mostra com recurso à realidade virtual, nomeadamente através da “Experiência RV de ‘Oito Visões de Pequim'”, que inclui um painel digital do longo rolo horizontal “Viagem Meridional do Imperador Qianlong”, e ainda um segundo painel digital intitulado “Paisagens, ao estilo dos antigos mestres”. Através desta experiência digital pretende-se mostrar aos participantes “o encanto de pinturas famosas, destacando-se a beleza da pintura tradicional sob uma nova perspectiva”. No sábado, 25 de Abril, acontece no MAM a palestra temática “Sobre Pintura ‘Viagem Meridional do Imperador Qianlong’” apresentada por Chen Qingqing, curadora e investigadora associada do Museu Nacional da China. Nesta sessão, e com recurso às obras de arte, serão interpretados “os cenários político, económico e sociocultural da China de meados do século XVIII”. Decorre ainda, no mesmo dia, a actividade dos Amigos do MAM, “Explorar Paisagens com Antigos Pintores – Oficina para Pais e Filhos”, conduzida por Mei Songsong, directora adjunta e investigadora associada do Departamento de Educação Social do Museu Nacional da China. No dia 3 de Maio decorre o concerto “Música no Museu de Arte de Macau” com uma actuação da Orquestra Chinesa de Macau. Por sua vez, a 17 de Maio tem lugar o workshop pensado para pais e filhos “Duetos da Natureza”, na Praça dos Lótus, Bairro da Ilha Verde.
TDM | Emissora apresenta lucro de 16,7 milhões Hoje Macau - 23 Abr 202623 Abr 2026 No ano passado a Teledifusão de Macau (TDM) apresentou um lucro de 16,7 milhões de patacas, um aumento face ao lucro de 2024, que se situou em 13,2 milhões de patacas. No entanto, tanto o resultado positivo, como o aumento do lucro só foi possível porque o Executivo aumento os subsídios entregues à emissora. Em 2024 o subsídio tinha sido de 335,7 milhões, entre o subsídio de exploração (315,7 milhões) e o subsídio para investimento (20,0 milhões de patacas). No ano passado, o total de subsídios aumentou 5,5 por cento, o que representou 18,7 milhões de patacas, para 354,4 milhões de patacas. Em 2025 a TDM recebeu 339,3 milhões de patacas como subsídio de exploração e 15,1 milhões como subsídio para investimento. Sem estes apoios do Governo da RAEM, a empresa com capitais públicos teria tido, no ano passado, um resultado negativo de 337,7 milhões de patacas.
Renovação Urbana | Registado lucro de 787,9 milhões de patacas João Santos Filipe - 23 Abr 2026 No espaço de um ano, os lucros da Macau Renovação Urbana caíram para mais de metade, o que pode ser explicado com o menor volume de vendas no Novo Bairro de Macau A Macau Renovação Urbana apresentou um lucro de 787,9 milhões de patacas no ano passado. Os resultados foram apresentados ontem através do portal da Direcção Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). Em termos anuais, o lucro de 787,9 milhões de patacas representa uma quebra dos ganhos superior 50 por cento, dado que em 2024 os lucros tinham sido de 1.791 milhões de patacas. A principal diferença aconteceu ao nível das receitas, com os lucros operacionais a caírem para 2.040 milhões de patacas em 2025, quando no ano anterior tinham atingido 3.694 milhões de patacas. Esta é uma diferença que pode ser justificada com o facto de a procura por habitações em projectos como o Novo Bairro de Macau, na Ilha da Montanha, ter abrandado. Entre os 2.040 milhões de patacas em receitas, o relatório indica que se devem à venda de habitações, enquanto 14 milhões de patacas foram gerados através do arrendamento de espaços. As actividades de arrendamento da empresa, embora com um peso muito limitado nos resultados finais, mostram uma melhoria, significativa, dado que em 2024 este tipo de receitas era de 4 milhões de patacas. Quanto às outras receitas, a empresa apresentou ganhos de 5,1 milhões de patacas, também uma diminuição face ao ano anterior, em que o montante tinha sido de 15,8 milhões de patacas. A redução das receitas foi acompanhada por uma redução dos custos de exploração. Em 2025, os custos da empresa foram de 1.344 milhões de patacas, quando em 2024 tinham sido de 2.699 milhões, uma redução de 50 por cento. Foco no Iao Hon Em relação ao corrente ano, a Macau Renovação Urbana está focada em continuar a promover a renovação dos edifícios do território, com especial foco no Bairro do Iao Hon. Além disso, consta no documento partilhado ontem que vão ser estudadas alterações, não especificadas, aos moldes como são utilizadas as habitações de substituição. Estas habitações foram construídas na Areia Preta com o objectivo de alojarem os moradores de edifícios que sejam alvo de obras de renovação ou reconstrução. A Macau Renovação Urbana foi criada em 2019 com capitais públicos, sendo controlada a 96 por cento pela RAEM, a 3 por cento pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização e a 1 por cento pelo Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia.
CPSP | Recusada entrada de cerca de 2500 pessoas João Santos Filipe - 23 Abr 202623 Abr 2026 Para combater a situação do abuso da medida de trânsito, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) recusou, entre Janeiro e 20 de Abril, a entrada de cerca de 2500 cidadãos chineses. Num comunicado do CPSP, a entidade explicou que através da triagem de dados e de inspecções de entrada reforçadas, foram identificados vários indivíduos que não corresponderam aos requisitos de admissão. Estes 2.500 portadores do passaporte chinês não conseguiram mostrar documentos válidos para apanhar um transporte para fora de Macau, ou não deixaram Macau segundo as exigências do visto obtido, ou entraram e saíram frequentemente de Macau, como tentativa de permanecerem no território. O CPSP também avisou que os turistas não devem acreditar nas instruções das redes sociais sobre como evitar os regulamentos para permanecer na RAEM. Actualmente, os portadores de passaporte chinês podem entrar em Macau e permanecer o máximo de sete dias, se tiverem viagem marcada para o exterior. Hengqin | Defendida circulação progressiva de carros O membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês da Província de Guangdong, Lao Chi Long, e o membro de Macau à Assembleia Popular Nacional, Dominic Sio Chi Wai, defendem que o programa que vai permitir aos carros de Macau que circulam em Hengqin entrarem em toda a província de Cantão deve ser implementado de forma progressiva. Lao Chi Long explicou que se agora fossem aceites na província de Cantão todos os carros com matrícula de Macau os canais na fronteira não iriam ter capacidade suficiente para escoar o trânsito. Por sua vez, Dominic Sio Chi Wai, prevê que na fase inicial a política da circulação de carros de Macau em Hengqin para a circulação em Guangdong só vai ser aplicada a quem mora e trabalha em Hengqin. Após a fase posterior, o ex-deputado indica que progressivamente mais carros vão ser autorizados a circular na província do Interior.
Feriados | Anunciados nove fins-de-semana prolongados em 2027 João Santos Filipe - 23 Abr 2026 Cinco meses, cinco fins-de-semana prolongados. Entre Janeiro e Maio, os trabalhadores da Função Pública vão ter um período de descanso prolongado todos os meses. Outubro e Dezembro também contam com paragens prolongadas Os trabalhadores da Administração Pública vão gozar de nove fins-de-semana prolongados no próximo ano. O calendário foi publicado ontem, no Boletim Oficial, através de despacho assinado por Leong Weng In, directora dos Serviços de Administração e Função Pública. De acordo com os dados apresentados, em 2027 os funcionários públicos vão gozar de 20 feriados, aos quais se juntam seis dias de descanso compensatório e ainda duas tolerâncias de ponto para os períodos da tarde. O primeiro fim-de-semana prolongado acontece logo com o arranque de 2027, dado que 1 de Janeiro, uma sexta-feira, é feriado para assinalar o dia da Fraternidade Universal. Os trabalhadores gozam assim de três dias de descanso ininterruptos. O segundo fim-de-semana continuado, decorre em Fevereiro, com as celebrações do Ano Novo Lunar. Logo na sexta-feira, 5 de Fevereiro, há tolerância de ponto na parte da tarde. Entre feriados e dias compensatórios de descanso, os funcionários públicos só têm de regressar ao trabalho a 11 de Fevereiro, uma quinta-feira, num total de cinco dias de descanso, antecedidos de uma sexta-feira com tolerância de ponto na parte da tarde. Mais um mês, mais um fim-de-semana prolongado, e vai ser assim até Maio. No que diz respeito a Março, o fim-de-semana prolongado decorre entre o dia 26, que assinala a Morte de Cristo, e 29 de Março, uma segunda-feira, que é utilizada para compensar o facto do feriado da Páscoa ser assinalado ao domingo, como acontece sempre. Terminada a Páscoa, os trabalhadores começam uma nova semana de quatro dias trabalho e depois têm logo outro fim-de-semana prolongado. Este deve-se ao Dia do Cheng Ming, que coincide com 5 de Abril, uma segunda-feira. Em Maio, o Dia de Trabalhador acontece a um sábado, pelo que dia 3, segunda-feira, foi decretado dia de descanso compensatório. Ainda neste mês, celebra-se o Dia do Buda, que coincide com uma quinta-feira, no dia 13. Ritmo mais lento Na segunda metade do ano, o ritmo dos feriados abranda, com quatro fins-de-semana alargados, divididos por Outubro e Dezembro. O segundo semestre arranca com um feriado a 9 de Junho, para celebrar os Barcos-dragão, seguindo-se Julho e Agosto, meses em que não há qualquer feriado. Em Setembro, o dia 16 vai ser feriado devido ao dia seguinte ao Bolo Lunar. Com o início de Outubro, e as celebrações do estabelecimento da República Popular da China, regressam os períodos prolongados de descanso. A primeira paragem decorre entre 1 de Outubro, uma sexta-feira e segunda-feira, devido a um dia compensatório. Também o fim-de-semana seguinte é alargado, com as celebrações do Culto do Antepassados (Chong Yeong), na sexta-feira, dia 8. Os feriados prolongados regressam com as celebrações da transferência de soberania, o 20 e Dezembro, que calha a uma segunda-feira. Também a véspera de Natal é feriado, dia 24, sexta-feira, e dado que haverá compensação de descanso no dia 27, segunda-feira, há uma paragem de quatro dias. Aos fins-de-semana prolongados do segundo semestre juntam-se os feriados 2 de Novembro, terça-feira, 8 de Dezembro, quarta-feira e 22 de Dezembro, quarta-feira. Também a 31 de Dezembro, há tolerância de ponto, na parte da tarde.
Português | Sam Hou Fai diz que língua “não merece preocupação” Andreia Sofia Silva - 23 Abr 202623 Abr 2026 Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, partiu de Lisboa para Madrid esta terça-feira referindo que as ligações do território com Portugal estão cada vez mais estreitas e que o caminho da cooperação está traçado. Em encontros com ministros, destacou que “a língua [portuguesa] não é questão que mereça preocupação”, quer ao nível do ensino, quer no uso pelos tribunais “Posso garantir que a língua não é questão que mereça preocupação.” Foi desta forma que o Chefe do Executivo da RAEM, Sam Hou Fai, se referiu ao panorama do ensino e uso da língua portuguesa no território em reuniões com ministros portugueses. Na conferência de imprensa de balanço da visita da delegação da RAEM a Lisboa, que decorreu entre sábado e esta terça-feira, Sam Hou Fai destacou alguns pontos abordados na intensa agenda que teve na capital portuguesa. Tanto nos encontros com o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, ou com a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, o uso do português foi abordado. “Eles mostraram interesse sobre a formação em língua portuguesa”, disse Sam Hou Fai. “Após o retorno de Macau à China, Macau fez muito pela formação e nunca houve uma formação tão abrangente. Nunca houve tantas escolas [a ensinar a língua] e, na história de Macau, nunca houve tantos estudantes a aprender português. Eles [ministros] sabem que, actualmente, há mais chineses a aprender português em Macau do que as pessoas de Portugal a aprender português. Sabem que damos importância à utilização do português, sobretudo no sistema judicial”, destacou. Sam Hou Fai lembrou que a ministra da Justiça e a sua equipa tem conhecimento de que no Tribunal de Última Instância (TUI) “a maioria das sentenças, sobretudo a nível civil, continuam a ser em língua portuguesa”. “Eles têm conhecimento da utilização da língua portuguesa em Macau, qual a situação e que continuamos a apostar na forte formação da língua portuguesa. Eles ficaram satisfeitos com a minha resposta”, adiantou. O governante não deixou de lembrar que esta foi a primeira vez, em quase 27 anos, que um líder da RAEM foi recebido pelos “quatro líderes nacionais dos poderes executivo, legislativo e judicial”. Sam Hou Fai disse ainda que desenvolveu “um programa destinado a aprofundar a amizade e a promover a cooperação, obtendo resultados positivos e atingindo os objectivos previstos”. Salários mais altos No contexto da necessidade de mais quadros qualificados em Macau, Sam Hou Fai disse ter feito “uma apresentação muito pormenorizada sobre a força laboral de Macau” no encontro com o ministro português da Economia, sem que tenha havido espaço para questionar, concretamente, a questão da atribuição de residência a portugueses. “Temos cerca de 180 mil trabalhadores não residentes em Macau. Não tenho aqui o número exacto, mas muitos deles são de países de língua portuguesa. No âmbito da terceira fase de importação de quadros qualificados do Governo da RAEM, expliquei que às pessoas que dominam a língua portuguesa, nomeadamente de universidades de excelência de Portugal, pode dar-se um valor [salarial] mais elevado para que possam ser atraídas a ir para Macau.” Sam Hou Fai referiu-se concretamente às pessoas oriundas dos países de língua portuguesa, “incluindo Portugal”, para que tenham condições laborais mais atractivas. Tudo para que haja uma maior atracção de “quadros qualificados [para participar] no desenvolvimento de Macau”. Mercado em projecção Foi um corre-corre de encontros e visitas desde sábado, e que só terminou na tarde de terça-feira, dia em que se deu a partida da comitiva da RAEM para Madrid. O líder do Governo de Macau reuniu também com o Presidente da República, António José Seguro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano. Nestes encontros, Sam Hou Fai foi destacando o papel de Macau enquanto ponte nas relações sino-portuguesas. “Os principais líderes da República Portuguesa reconheceram que Macau desempenha um papel importante como plataforma nas relações estratégicas e de cooperação entre a China e Portugal, e manifestaram o desejo de aproveitar ainda mais as funções e vantagens únicas desta plataforma”, afirmou. De acordo com Sam Hou Fai, o Governo português manifestou particular interesse em potenciar uma plataforma para permitir que empresas chinesas e de Macau utilizem e aproveitem as vantagens de Portugal como uma porta de entrada para novos mercados em África, Europa e América Latina. Em contrapartida, foi explorada “a possibilidade de promover a colaboração entre empresas de Macau e de Portugal para explorar os mercados dos países da Península Ibérica”. “A cooperação entre a China e Portugal está voltada para o futuro e irá criar melhores oportunidades de desenvolvimento”, afirmou. Sam Hou Fai adiantou que vai exigir ao IPIM – Instituto de Promoção do Comércio e Investimento que “promova esses projectos, ao nível da cultura, educação, assuntos sociais e também da economia, para que possam ter acompanhamento e avançar”. Citado por uma nota oficial, Luís Montenegro, primeiro-ministro português, “afirmou que Portugal está empenhado em aprofundar a cooperação amigável luso-chinesa, esperando continuar, através da estreita ligação e cooperação pragmática com Macau, a consolidar ainda mais e até elevar ininterruptamente a amizade tradicional”. Montenegro disse que “Macau é uma janela importante para o sector português entrar no mercado chinês”, e que Portugal “poderá igualmente ser uma plataforma de cooperação económica e comercial para as empresas do Interior da China e de Macau entrarem no mercado europeu”. Por essa razão, deve ser reforçada “a articulação e cooperação”, a fim de se chegar, por parte dos dois territórios, “a um maior mercado”. O governante português afirmou que o país “espera ter mais empresas chinesas e de Macau a investir em Portugal”, apostando-se na cooperação nas áreas “judiciária, cultura e turismo, promoção da língua portuguesa e quadros qualificados de alto nível”. Mais justiça Dada a experiência que Sam Hou Fai tem na área da justiça, uma vez que presidiu ao TUI durante décadas antes de ser Chefe do Executivo, esta foi uma área relevante na agenda. No âmbito da reunião com João Cura Mariano, ficou a promessa de Macau participar, no Outono, num evento que irá decorrer em Lisboa que analisa a relação entre a tecnologia, o Direito e as instituições judiciais, realizado pela União Europeia. “Vou falar com a presidente do TUI de Macau [Song Man Lei] para que Macau possa enviar uma delegação para participar nesse evento. Queremos ajudar os representantes dos tribunais da China na participação, e esse é um trabalho que vou acompanhar quando regressar [a Macau]. Vamos activar também essa formação de quadros” na área judicial. Segundo um comunicado oficial, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça sublinhou que “a RAEM é um espaço onde coexistem o sistema jurídico europeu e o direito da China, bem como a continuidade do sistema jurídico tradicional e da língua portuguesa”, tendo reconhecido ainda que “Portugal e Macau partilham um vasto espaço de cooperação no âmbito judicial, que poderá ser reforçado no futuro”. Além disso, João Cura Mariano adiantou que existe a “expectativa de que os sectores judiciais das duas partes reforcem ainda mais a ligação e a cooperação, promovendo visitas mútuas de juízes, para que estes possam adquirir e acumular experiências práticas mais ricas através dos intercâmbios”. Comissão Mista ainda sem data Questionado sobre uma eventual data para a realização da próxima Comissão Mista Macau-Portugal, Sam Hou Fai disse que dos encontros com as autoridades portuguesas ainda não saiu uma data. Destaca-se que a última vez que esta reunião aconteceu foi em Maio de 2019. A Comissão Mista é um organismo existente para discutir a cooperação bilateral entre a RAEM e Portugal no contexto da assinatura da Declaração Conjunta e transferência de administração. Luís Montenegro referiu apenas “ter a expectativa de que ambas as partes possam negociar activamente para se convocar, o mais breve possível, uma outra reunião da Comissão Mista Macau-Portugal, e promover, de forma sólida, a cooperação bilateral pragmática em diversas áreas”. Sam Hou Fai disse apenas na conferência de imprensa de balanço que Portugal e a RAEM “têm mantido contactos desde sempre”, mas falta ainda definir um calendário para aquela que será a sétima reunião. “Não tenho um calendário porque há interesses das duas partes para por na agenda”, rematou.
AI | UE e líderes mundiais acusados de serem submissos Hoje Macau - 22 Abr 2026 A Amnistia Internacional acusou a União Europeia e os líderes mundiais de serem submissos e mostrarem relutância em denunciar actos predatórios dos EUA, da Rússia, de Israel ou da China relativamente aos direitos humanos. “A União Europeia e a maioria dos Estados europeus apaziguaram os ataques dos EUA ao direito internacional e aos mecanismos multilaterais”, criticou a organização de defesa dos direitos humanos no seu relatório anual, ontem publicado. Segundo a organização, nem a União Europeia nem a maioria dos Estados tomaram “medidas significativas para travar o genocídio de Israel ou pôr fim às transferências irresponsáveis de armas e tecnologia que alimentam crimes ao abrigo do direito internacional em todo o mundo”. “Os líderes mundiais têm sido demasiado submissos face aos ataques ao direito internacional e ao sistema multilateral. O seu silêncio e inação são imperdoáveis”, acusou a secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard, que apresentou o relatório aos jornalistas na segunda-feira. O comportamento mostra “uma falência moral e não trará nada mais do que recuo, derrota e o apagamento de décadas de conquistas de direitos humanos duramente alcançadas”, avisou. Para a responsável da organização, “apaziguar os agressores é deitar gasolina no fogo que nos queimará a todos e devastará o futuro das gerações vindouras”. “Alguns podem sentir-se tentados a descartar o sistema construído ao longo dos últimos 80 anos”, mas isso significa “ignorar conquistas duramente alcançadas no sentido do reconhecimento dos direitos universais “que protegem contra a discriminação racial e a violência contra as mulheres, consagrando os direitos dos trabalhadores e dos sindicatos e reconhecendo os direitos dos povos indígenas”, defendeu Agnès Callamard. “Os predadores políticos e económicos, e aqueles que lhes dão apoio, estão a declarar o sistema multilateral morto, não porque seja ineficiente, mas porque não serve a sua hegemonia e controlo, disse.
Encontro | Seguro recebe Sam Hou Fai em Belém Hoje Macau - 22 Abr 2026 Encontro | Seguro recebe Sam Hou Fai em Belém O Presidente da República, António José Seguro, recebeu ontem o chefe do Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), Sam Hou Fai, numa audiência para “reforçar a relação” com a China e Macau, anunciou a Presidência portuguesa. “Esta reunião serviu para reforçar a relação de confiança e aprofundar o relacionamento com a China e com a RAE Macau”, lê-se na nota divulgada no sítio de Internet da Presidência. António José Seguro valorizou o respeito pela identidade de Macau, reconhecendo o papel do território asiático na promoção da cultura e do património da região macaense.Também referiu a importância da Escola Portuguesa de Macau e da promoção da língua portuguesa enquanto uma das línguas oficiais de Macau. Segundo a nota, o chefe de Estado português considerou ser “essencial que continue a haver cumprimento pleno do quadro jurídico decorrente do processo de transferência da administração de Macau e que assegure a harmonia desta com as disposições jurídicas de Macau, nomeadamente no que toca ao respeito e proteção dos direitos, liberdades e garantias”. O líder do Governo de Macau está desde sábado em Portugal para uma visita oficial, tendo-se reunido ainda com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e diversos ministros.
Guangdong | Inaugurada nova central nuclear em Huizhou Hoje Macau - 22 Abr 202622 Abr 2026 Uma nova central nuclear com capacidade de produzir mais de nove mil milhões de quilowatt-hora (kWh) por ano foi inaugurada na província chinesa de Guangdong. Segundo meios de comunicação chineses, uma unidade nuclear Hualong One desenvolvida pelo Grupo Nuclear Geral da China (CGN, na sigla em inglês), o maior operador nuclear do país, entrou oficialmente em operação comercial na segunda-feira em Huizhou, uma cidade a cerca de 150 quilómetros de Macau e Hong Kong. Esta unidade tem capacidade para produzir mais de nove mil milhões de quilowatt-hora por ano, suficiente para abastecer milhões de residentes da região. Segundo o jornal estatal China Daily, o Hualong One é a primeira tecnologia nuclear de terceira geração desenvolvida de forma independente pela China e já está em operação em várias províncias, incluindo Fujian e Zhejiang. O presidente da CGN Huizhou Nuclear Power, Zhang Guoqiang, indicou ao jornal Global Times, a unidade passou por todos os testes de desempenho e funcionou durante 168 horas consecutivas em carga máxima, apresentando resultados “estáveis e seguros”. Ao mesmo jornal, o director do Instituto Sino-Francês de Tecnologia Nuclear da Universidade Sun Yat-sen, Wang Wei, considerou que a unidade nuclear será uma fonte de energia estável para apoiar o desenvolvimento económico de alta qualidade na Grande Baía. A Grande Baía é um projecto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, com cerca de 86 milhões de habitantes e com uma economia superior a um bilião de euros. Segundo o jornal, a procura por energia limpa e estável na região tem vindo a aumentar, com o consumo total de electricidade da província de Guangdong a atingir 958,97 mil milhões de kWh em 2025, um crescimento de 4,93 por cento em relação ao ano anterior, colocando a província no topo do consumo energético nacional. A província de Guangdong já é um importante polo de energia nuclear na China, e detém várias centrais nucleares de grande dimensão, incluindo Daya Bay, Yangjiang e Taishan. O projecto Taipingling, entretanto, prevê a construção de seis unidades Hualong One em três fases. Quando concluído, espera-se que produza mais de 55 mil milhões de kWh por ano, o que permitirá poupar cerca de 16,65 milhões de toneladas de carvão padrão e reduzir aproximadamente 50,82 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono. Base energética Com a entrada em funcionamento da Unidade 1, a CGN passa a operar 29 unidades nucleares com uma capacidade total de 33,04 milhões de quilowatts. A empresa tem ainda 19 unidades em construção, das quais 17 utilizam a tecnologia Hualong One, consolidando a tecnologia como uma “pedra basilar da futura matriz energética da China”. O China Daily acrescentou que o Hualong One já está em operação em outras províncias, como Fujian e Zhejiang, e que a CGN está a investir fortemente em digitalização e inteligência artificial para melhorar a segurança e eficiência das centrais nucleares. Estes esforços fazem parte da estratégia nacional para atingir a neutralidade carbónica até 2060, na qual a energia nuclear foi incluída como “pilar essencial”.
Desemprego jovem na China sobe para 16,9% Hoje Macau - 22 Abr 2026 A taxa de desemprego jovem na China, um dos principais desafios sociais do país, subiu em Março de 16,1 por cento para 16,9 por cento, após seis meses de descidas, num contexto de número recorde de licenciados. Dados divulgados ontem pelo Gabinete Nacional de Estatística da China mostram que este indicador, que mede o desemprego entre jovens com idades compreendidas entre os 16 e os 24 anos nas zonas urbanas, regressou ao nível de Novembro e atingiu o valor mais elevado desde Outubro. Em Agosto, o desemprego jovem tinha voltado a máximos (18,9 por cento) desde que, em 2023, as autoridades suspenderam temporariamente a divulgação destes dados após um pico histórico de 21,3 por cento. A publicação foi retomada com um novo método, que exclui estudantes do cálculo para “reflectir de forma mais precisa” que a procura de emprego “não era uma prioridade” para este grupo. Segundo dados oficiais publicados na semana passada, a taxa de desemprego urbano a nível nacional – excluindo zonas rurais – passou de 5,3 por cento para 5,4 por cento. A redução gradual do desemprego jovem nos últimos meses foi atribuída, segundo órgãos locais, à absorção progressiva pelo mercado de trabalho de um número recorde de 12,2 milhões de licenciados, cuja limitada experiência profissional constitui um obstáculo num mercado afectado por riscos de deflação e incertezas externas. Perante a dificuldade em encontrar empregos adequados à sua formação, muitos jovens optam por prolongar os estudos com pós-graduações, enquanto outros acabam por aceitar empregos de menor qualificação, como o de estafeta. As autoridades chinesas colocaram o emprego jovem entre as principais prioridades, devido ao impacto potencial no consumo e aos riscos para a estabilidade social, considerada essencial por Pequim.