Eleições | Porque concorrem Angela Leong e Ho Ion Sang pela via indirecta Andreia Sofia Silva - 6 Jul 2021 Angela Leong e Ho Ion Sang concorrem pela primeira vez este ano às legislativas pela via indirecta, depois de terem apresentado sempre candidaturas a sufrágio directo e de terem obtido as mais baixas votações em 2017. No caso de Angela Leong, há quem defenda que a opção pela via indirecta pode ser sinal de perda de poder dentro da SJM A candidatura dos deputados Angela Leong e Ho Ion Sang pela via indirecta, nas eleições legislativas de 12 de Setembro, pode representar a vontade de darem lugar a novos rostos na política. Importa recordar que a deputada e dirigente da Sociedade de Jogos de Macau concorreu sempre pela via directa, desde 2005 e no último sufrágio conseguiu o menor número de votos, com um total de 10.447. Já Ho Ion Sang foi candidato às directas nas eleições desde 2009 e também conseguiu o mais baixo número de votos em 2017, com 12.333 eleitores a votarem no representante dos Kaifong. No caso de Angela Leong, a viragem para a eleição indirecta pode também ser um sinal de menor poder dentro da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), ou de ter perdido força na representação do sector do jogo. São estas as ideias deixadas por vários analistas contactados pelo HM. “Ho Ion Sang é um dos membros mais antigos dos Kaifong [União Geral das Associações de Moradores de Macau], e se se mantivesse no sufrágio directo provavelmente seria reeleito, mas claro que o número dois [da lista pela via directa], se passar a número um, é eleito. Com a mudança para o sufrágio indirecto, os Kaifong vão manter dois deputados na AL”, começou por dizer Larry So. “No caso de Angela Leong, a situação é semelhante”, frisou. “Ela tem sido muito pró-activa no apoio às gerações mais jovens, penso que esse é o seu objectivo. Além disso, tanto Ho Ion Sang como Angela Leong são deputados próximos do Governo Central, então é por isso que preferem seguir para o sufrágio indirecto, para que as suas posições possam ser mantidas nos próximos anos e para que as gerações mais jovens tenham a oportunidade de chegar a deputados.” Também Leung Kai Yin, analista político e docente do Instituto Politécnico de Macau (IPM), acredita que o foco é dar oportunidades aos jovens de serem eleitos. “Ho Ion Sang e a sua associação querem ter uma nova geração de deputados na AL, através de sufrágio directo. Ho Ion Sang pensa que será fácil obter um assento pela via indirecta. Quanto a Angela Leong, seria difícil obter um assento pela via directa, então o facto de Cheung Lap Kwan, que tem ocupado um assento no sector cultural e desportivo, querer reformar-se, constitui uma boa oportunidade.” Ho Ion Sang concorre pelo sufrágio indirecto substituindo Chan Hong no sector dos serviços sociais e educacional. No sufrágio directo, os Kaifong fazem-se representar com a lista União Promotora para o Progresso, liderada por Leong Hong Sai. No caso de Angela Leong, concorre ao lado de Chan Chak Mo, um veterano no sector cultural e desportivo. O risco de Angela O jurista e professor universitário António Katchi tem outra visão da candidatura de Angela Leong: se esta concorresse pela via do sufrágio directo, corria o risco de não ser eleita. “A decisão de Angela Leong é uma manobra destinada a garantir a sua eleição, relevando o empenho dos capitalistas do sector do jogo em manter a sua máxima representação possível na AL, e não uma perda de interesses em tal representação. Pela via do sufrágio directo, Angela Leong correria um sério risco de não ser reeleita, ao passo que pelo sufrágio indirecto tem a eleição praticamente garantida.” Segundo o jurista, Leong corre o risco de ficar de fora do próximo elenco no hemiciclo “porque cada vez menos poderá contar com o voto dos trabalhadores do sector do jogo”. “Este sector representa um campo onde se digladiam interesses antagónicos dos capitalistas e dos trabalhadores. À medida que estes se vão consciencializando desse antagonismo e projectam essa consciência em lutas laborais, vão abandonando, no terreno eleitoral, as candidaturas identificadas com os interesses dos patrões do jogo, promovendo ou apoiando candidaturas mais conotadas com os seus próprios interesses.” Neste sentido, “é neste quadro que surge a lista encabeçada por Cloee Chao, que deverá absorver o voto de uma parte cada vez maior dos trabalhadores do sector do jogo”, aponta António Katchi. Mas além de Cloee Chao, que este ano se estreia como candidata liderando a lista “Novos Jogos de Macau”, também Sulu Sou e José Pereira Coutinho podem captar votos, uma vez que são “forças políticas que têm mantido um razoável grau de proximidade com as classes trabalhadoras”. Estes factores “vão, naturalmente, provocando erosão do eleitorado de Angela Leong”. Na visão do jurista, “esta tendência já se observou nas eleições de 2017, com a derrota de Melinda Chan”, hoje directora-executiva da Doca dos Pescadores. “À medida que se desenvolve a luta de classes, o lógico será que os capitalistas fujam ainda mais do sufrágio director e prefiram ‘aconchegar-se’ no sufrágio indirecto, que está quase inteiramente nas suas mãos.” Para Larry So, o facto de Angela Leong concorrer pelo sufrágio indirecto é também sinal de perda de poder dentro da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), onde desempenha o cargo de directora-executiva e co-presidente. “Ela já não está numa posição de representatividade do sector do jogo, e esta mudança pode ser uma mensagem de que está mais ligada aos sectores cultural e desportivo, que é uma das suas áreas, uma vez que foi bailarina.” Para Leung Kai Yin, Angela Leong perdeu poder, mas quer continuar no hemiciclo “para manter alguma influência em Macau, não apenas para ela, mas também para os seus filhos”. “O seu filho e filha também desenvolveram a sua carreira em Macau e é muito fácil protegê-los e ajudá-los a desenvolver a carreira, mesmo que ela já não tenha uma posição importante na SJM.” Uma questão de lobbying Com a mudança de Angela Leong para a via indirecta, para um sector que não está ligado a interesses empresariais ou do jogo, como fica a representatividade dos casinos no hemiciclo? Além disso, não é certo se Davis Fong Ka Chio, académico da Universidade de Macau ligado a esta área, será novamente nomeado deputado pelo Chefe do Executivo. Larry So confessa não estar preocupado com a eventual falta de representatividade dos casinos, até porque estes já fazem lobby junto do Governo. “A maior parte dos deputados, sobretudo os que concorrem pelo sufrágio indirecto, estão de certa forma ligados a este sector. Esta é a indústria mais importante de Macau e penso que os seus interesses já estão muito representados na AL, não ficaria preocupado com isso.” “O facto de estarmos numa fase de revisão das licenças de jogo faz com que as concessionárias sejam muito activas e façam lobby junto do Governo. [Estas] trabalham de forma muito próxima com o Governo para defender os seus interesses, portanto, ter alguém na AL que as defeda não é o mais importante. Mesmo um deputado na AL não consegue representar todas estas empresas e os seus interesses”, acrescentou Larry So. Leung Kai Yin não tem dúvidas de que “não há grande interesse na questão da representatividade política, porque, depois da situação em Hong Kong, [as operadoras] sentem que o Governo é forte, sobretudo desde que Ho Iat Seng foi eleito Chefe do Executivo. Há coisas que não passam pela AL”, frisou.
Wynn | Festival de Cerveja e Cultura une Macau e Qingdao Hoje Macau - 5 Jul 2021 Entre 16 de Julho e 8 de Agosto realiza-se o primeiro Festival de Cerveja e Cultura de Macau e Qingdao, no relvado da entrada sul do Wynn Palace, no Cotai. Ao longo de 24 dias, entre brindes com Tsingtao e Macau Beer, serão organizadas exposições, eventos de promoção turística, performances musicais e gastronomia Mais de 1600 quilómetros separam Macau da cidade de Qingdao, na província de Shandong, mas esta distância será encurtada pelo primeiro Festival de Cerveja e Cultura de Macau e Qingdao, que se realiza entre 16 de Julho e 8 de Agosto no relvado da entrada sul do Wynn Palace, no Cotai. Durante 24 dias de festa, entre as 18h e a meia-noite, não vão faltar razões para múltiplos brindes com cervejas das marcas Tsingtao e Macau Beer, unindo a grande cervejeira nacional e a empresa local. Além do ambiente de cervejaria ao ar-livre, os visitantes terão ao dispor iguarias das duas regiões, banquinhas com gastronomia gourmet e comidas para todos os gostos a forrar o estômago. O espaço será também animado por concertos e performances artísticas, exposições e acções de promoção turística. Organizado em parte pela Wynn Macau, o festival marcará um encontro entre os dois territórios. A “Zona Criativa e Cultural das Duas Cidades” servirá de plataforma de apresentação dos principais trunfos de Macau e Qingdao enquanto cidades com culturas vibrantes, Aproveitando o sentimento de união proporcionado por brindes e rodadas de cerveja, será apresentado um conjunto de actividades como a “Conferência de Promoção Turística Qingdao – Macau”, e o “Evento de Fotografia de Casamento Qingdao – Macau”, para promover os recursos turísticos de ambas as cidades. A ideia será explorar sinergias entre as duas regiões com colaborações ao nível da indústria do turismo que tragam novas oportunidades de negócio, e que abram portas para aprofundar a cooperação entre a Grande Baía Guangdong – Hong Kong – Macau e o Grupo da Baía de Bohai. Para durar Durante a apresentação do evento, na sexta-feira, a directora executiva da Wynn Macau, Linda Chen, demonstrou esperança de que “as duas cidades aproveitem o momento para manter uma próxima e longa relação”. A responsável da operadora afirmou que tendo em conta as tendências de recuperação económica entre o Interior da China e Macau, é essencial este tipo de cooperação, como o estabelecimento das cidades-irmãs Qingdao – Macau, para promover a política económica nacional de “dupla circulação”. O director da entidade organizadora, Wong Fai, disse que “as duas cidades não só partilham características turísticas e geográficas semelhantes, mas ambas foram importantes portos históricos da Rota da Seda”. Parte da baía da costa sul de Shandong foi, no final do século XIX, concessionada ao império germânico. Menos de uma década depois do estabelecimento de alemães em Qingdao nasceu a cervejaria Tsingtao, para responder à sede dos novos residentes da região. Desde 1991, a cidade é todos os anos palco do Festival Internacional da Cerveja de Qingdao.
Censos decenais arrancam entre 7 e 21 de Agosto Hoje Macau - 5 Jul 2021 A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) anunciou que vai realizar os Censos decenais entre 7 e 21 de Agosto, “para recolher dados actualizados sobre a população e a habitação de Macau”. De acordo a informação disponibilizada os censos vão abranger “todas as unidades habitacionais, comerciais e com outras finalidades de Macau, bem como os indivíduos que nelas habitam/permanecem”. Os questionários dos Censos 2021 têm dois tipos: curto e longo. A DSEC selecciona, por amostragem científica, 1/7 dos agregados familiares das unidades inquiridas de Macau para responderem ao questionário longo e os agregados das restantes unidades responderão ao curto. O questionário curto recolhe os dados básicos, tais como: número de pessoas; sexo; local de nascimento; ano e mês de nascimento; entre outros. O questionário longo recolhe dados com características socioeconómicas, tais como: nacionalidade, estado civil; nível de escolaridade e situação de emprego, para além da recolha dos dados básicos. As pessoas podem optar pelo preenchimento do questionário on-line no telemóvel ou computador, ou em alternativa, podem aguardar pela visita dos agentes de censos que recolhem informações.
O melhor e o pior de um país André Namora - 5 Jul 2021 Um amigo meu na companhia da esposa e de outro casal percorreu o centro e o norte do país. Ele regressou e quis descrever-me o que viu, apesar de há uns anos ter passado por alguns dos mesmos locais. Só que desta vez ficou atónito com a diferença que encontrou pelas mais diversas aldeias, vilas e cidades. Ficou maravilhado, diz que tem sido feito muito trabalho autárquico apesar de alguns responsáveis terem sido acusados nos últimos anos de corrupção. A verdade, disse-me ele, é que o país está lindo na Soalheira, em Viseu, na Guarda, na Régua, em Bragança, em Vila Real e nas margens do rio Douro. Houve muito progresso, muitos jardins, parques infantis, praias fluviais, piscinas, igrejas, tudo muito bem tratado, restaurado e de uma higiene tal, que o meu amigo chegou a dizer durante a viagem que a limpeza das localidades lhe fazia lembrar Singapura. Neste particular, salientou que os autarcas mantêm as ruas, os largos, as praças num brilho. Que não se vê um papel no chão e muito menos uma beata de cigarro. Isto, pelo país fora. É um regozijo ouvir dizer bem do nosso país, quando o quotidiano político, por exemplo, não passa de uma panóplia de fraudes, roubos, concursos públicos adjudicados directamente a empresas de amigos, informações confidenciais enviadas para governos estrangeiros, carros de ministros que rolam a mais de 200 kms/hora e que não têm seguro e matam trabalhadores na estrada. São os actos mais vergonhosos que podem suceder a uma sociedade, tal como um ex-juiz que entregava processos de um tribunal superior a uma amiga estagiária para advogada. A situação na governação é discutida diariamente de uns políticos contra outros, com o povo a assistir sempre à mesma “pandemia” que vigora no interior dos partidos políticos e no Parlamento com os deputados a rejeitarem uma proposta que criminalizasse o enriquecimento ilícito. Esse país político já enerva qualquer habitante do Portugal real. É totalmente merecedor dos maiores encómios que salientemos que a parte urbana do país, incluindo o bom estado das estradas, apresenta ao visitante nacional ou estrangeiro uma dignidade extraordinária e onde os monumentos estão conservados e mantendo a sua estrutura arquitectónica devido ao trabalho incessante de quem é responsável pelas aldeias, vilas e cidades. E a viagem do meu amigo com os seus companheiros foi ainda contemplada com uma culinária tradicional das Beiras, Trás-os-Montes e Minho que pode ser considerada uma das melhores do mundo, quando se ingere a carne barrosã, única no país. Uma culinária de excelência acompanhada por vinhos de um nível tão elevado que Portugal tem conquistado prémios de renome internacional. Os amigos leitores que possam este ano deslocar-se a Portugal de férias, não deixem de optar por visitar o interior do país para se sentirem honrados com a modificação positiva que Portugal tem sido alvo. Venham, mas não comprem jornais. Caso contrário ficam logo tristes com o vosso Portugal, onde apenas lêem em manchetes a vergonhosa acção de certos “tubarões” que há anos gozam com todo um povo modesto e trabalhador. Na semana passada aquele grupelho chefiado pelo fora-de-lei Joe Berardo, o tal amigo de José Sócrates e que ninguém sabe onde foi buscar tanto dinheiro na África do Sul para depois chegar a Portugal e começar a tirar milhões de vários bancos e a abrir portas de museus com obras caríssimas que nem os especialistas em arte sabem explicar onde foi o figurante arranjar tanto dinheiro para obter obras de arte tão valiosas. Acabou-se o gozo de fazer dos deputados parvos quando foi ouvido na Assembleia da República e teve um comportamento abaixo de ignóbil. O homem foi detido, bem como o seu advogado de sempre e foi declarada arguida mais uma pandilha que com Berardo realizou as mais diversas fraudes ficais, lavagens de dinheiro e burlas qualificadas nos mais diversos bancos. A maior vergonha prendeu-se com as centenas de milhões de euros que lhe facilitaram na Caixa Geral de Depósitos (CGD), o banco público, para o meliante ir comprar acções no banco BCP Millennium. O caso está a ultrapassar a perplexidade dos investigadores. Berardo depositou milhares de milhões em offshores e é este fulano que teve o desplante de afirmar no Parlamento que apenas tinha uma garagem… Esperemos que se faça justiça rapidamente sobre este caso que envolveu quase duas centenas de investigadores, procuradores e juízes de instrução criminal numa operação sem precedentes que os levou a actuar em Lisboa, Funchal e Sesimbra com dezenas de buscas domiciliárias e não domiciliárias. A operação da Polícia Judiciária e dos magistrados incidiu sobretudo num grupo económico, que entre 2006 e 2009, contratou quatro operações de financiamentos com a CGD, no valor de cerca de 439 milhões de euros. Este grupo económico tem incumprido com os contratos e recorrido aos mecanismos de renegociação e reestruturação de dívida para não a amortizar e causou um prejuízo de quase mil milhões de euros à CGD, ao Novo Banco e ao BCP Millennium, tendo sido identificados actos passíveis de responsabilidade criminal e de dissipação de património. Mesmo assim, o juiz deixou Berardo ir gozar a liberdade em troca de uma caução de cinco milhões de euros, o que para Berardo são amendoins… Que país é este que tem do melhor e do pior? *Texto escrito com a antiga grafia
O sino como sinal de aviso José Simões Morais - 5 Jul 2021 O Governador Izidoro Francisco Guimarães (1851-1863), que em três anos reverteu o enorme défice das finanças de Macau sem impor nenhum tributo, apenas fiscalizando com rigor os existentes e em severa economia conseguiu depois aumentar as despesas anuais com as obras públicas. Efectuou ainda durante a sua governação a reconstrução do Bazar, destruído por os incêndios de 1856 e de Dezembro de 1862, aproveitando com aterros sobre o rio torná-lo maior e melhor arranjado. Mas já no ano seguinte Marques Pereira referia, “No Bazar, há uma acumulação de casas e habitantes, muito e muito além do que o local permite.” Era então Inspector dos Incêndios o macaense Bernardino de Senna Fernandes (1815-1893), organizador da Polícia e promovido a Major Comandante do Corpo de Polícia de Macao, quando este foi criado por Portaria de 11 de Outubro de 1861 pelo Governador Guimarães, que determinou a formação dessa Força da Polícia, proveniente do Corpo de Polícia do Bazar e inicialmente formado em 1857 com 50 portugueses por o chinês Aiong-Pong. Sobre o assunto, o padre Manuel Teixeira prova com um documento de 25 de Agosto de 1862: . A 30 de Agosto, o Conselho do Governo declarou ser isso verdade. Daqui se vê que, já antes de 1862, Senna Fernandes era Inspector de Incêndios, tendo reorganizado esse serviço, exercendo o cargo gratuitamente. Num dos seus relatórios dizia: . Aqui temos um corpo de bombeiros já organizado. Sino em vez de canhão O coronel de Engenharia José Rodrigues Coelho do Amaral (1808-1873), como Governador tomou posse a 22/6/1863, quando Macau, após 19 anos fora do domínio do Estado da Índia, voltou a ficar a ele subordinada. Iniciava-se a modernização com a iluminação da cidade, dando nome às ruas e números às casas, havendo em 1864 uma regulamentação urbanística com o cadastro de todas as ruas divididas pelas zonas da cidade, freguesias da Sé, S. Lourenço e Sto. António e o Bazar, assim como das povoações da península, mas fora da muralha da cidade. Na altura, as muralhas começaram a ser desmanteladas para permitir rasgar novas ruas e colocar canos de esgoto. O Governador Coelho do Amaral convenceu-se ser o sinal de incêndio por meio de tiros na Fortaleza do Monte inconveniente e alarmante e fez adaptar o sistema usado em Portugal, com o sinal por meio de badaladas nos sinos das freguesias; porém, não deu bom resultado, pois os chineses revoltados por não ter a cidade aviso e não se prestar grande atenção ao referido sinal, cortavam as cordas que prendiam os badalos dos sinos, a manifestar o seu desagrado. Os pedidos dos chineses eram constantes para se restabelecer o antigo sinal de incêndio por meio de tiros no Monte. No Boletim Oficial de 23 de Maio de 1870 apresentava-se a solução encontrada para proteger as cordas dos sinos, que passaram a estar fechadas por uma caixa, sendo a chave guardada na Estação de Polícia de cada zona e estipulado o número de badaladas correspondentes a cada uma onde ocorria o incêndio. Assim, se o incêndio fosse na freguesia da Sé, a chave encontrava-se no Quartel de S. Domingos e davam-se 12 toques no sino. Na zona de S. Lázaro badalava-se por 13 vezes, estando a chave na Estação de S. Lázaro. Para as freguesias de Santo António, tocava-se 14 vezes e 15 na de S. Lourenço, estando a chave na Guarda do Hospital. Já o Bazar, dividido para Norte, entre rua dos Coulaus e Patane, era preciso ir à Estação de Santo António ou à de S. Lázaro para ter a chave e badalava-se 16 vezes, enquanto no Bazar Sul, entre a Rua dos Coulaus e a Ponte da Rede (Estrada Marginal), ia-se à estação mais próxima das acima indicadas e tocava-se por 17 vezes. O Capitão comandante F. J. de Souza Alvim do Quartel da Polícia de Macau no Bazar, no Boletim do Governo de Macau de 24 de Dezembro de 1866 fez saber pela Repartição dos Incêndios, . Serviço de incêndios oficializado O Governador José Maria da Ponte e Horta (1866-1868) tomou posse a 26 de Outubro de 1866 e três meses depois tornava oficial o serviço de Inspector de Incêndios. Era este já antes de 1862 realizado de forma particular por Bernardino de Senna Fernandes e o Governador por Portaria n.º 45, de 27 de Dezembro de 1866 nomeou-o para o lugar de inspector dos incêndios como Major Honorário com a gratificação de 30 mil réis. Aceitou o cargo, mas não a gratificação, segundo o padre Manuel Teixeira, que refere, entre os seus colaboradores, cita [num relatório de 19/2/1868] Fermino Machado, e o tenente Frederico G. Freire Corte Real, ajudante do Corpo da Polícia, têm acudido a todos os incêndios e além deles, os voluntários António Romero e Manuel Martins do Rego, tendo este último corrido grave risco de vida pelo abatimento dum muro que teve lugar durante o sinistro. Ainda no Boletim do Governo de 31 de Dezembro de 1866, por Portaria N.º 46 o Governador determina, que o mesmo Sr. inspector dos fogos compenetrando-se bem da valiosa significação e séria importância do seu lugar, haja de me propor todas quantas medidas julgar necessárias e oportunas, assim como o for entendendo e experimentando no desempenho sucessivo da sua importante comissão. O Major Honorário Bernardino de Senna Fernandes, por motivos de saúde pediu a sua exoneração de inspector dos fogos a 11 de Março de 1872, aceite no dia seguinte pelo Governador António Sérgio de Sousa (1868-1872), que exarou a Portaria n.º 11, onde refere ter ficado muito satisfeito pelo modo desinteressado como exerceu semelhante lugar por espaço de cinco anos. Na mesma data, o Governador nomeou interinamente inspector dos fogos o capitão Frederico Guilherme Freire Corte Real, sem vencimento enquanto exercer as funções de capitão fiscal do Corpo de Polícia. Assim, a fundação oficial da Repartição do serviço de incêndios e a nomeação oficial do seu primeiro inspector data de 27 de Dezembro de 1866.
Euro 2020 | Itália e Espanha defrontam-se nas meias de final Hoje Macau - 5 Jul 20215 Jul 2021 Se transalpinos e espanhóis vencessem os jogos dos quartos de final do Euro, defrontar-se-iam na próxima ronda. Com a Bélgica e a surpreendente Suíça pela frente, respectivamente, ambas as equipas procuraram manter o rótulo inicial de favoritos a vencer o torneio e foi exactamente isso que fizeram dentro de campo Por Martim Silva Defrontando a melhor geração belga de sempre, a equipa de Roberto Mancini não viu um desafio assim tão difícil pela frente porque, quer a defender quer a atacar, os italianos são das equipas mais completas do Euro, a selecção de Luis Enrique é a outra. As limitações que a Bélgica sentiu no jogo contra Portugal com posse de bola, continuaram durante o torneio e mostraram-se mais a cores contra a Itália. Os belgas com bola não causavam perigo e eram os italianos, e aquela sua identidade histórica defensiva, quem ia comandando o jogo e ditando o seu destino. Com Giorgio Chiellini recuperado de lesão e de novo ao lado de Leonardo Bonucci no centro da defesa, os azzurri organizavam-se ofensivamente com uma primeira linha de três, com Jorginho à frente e os dois médios Marco Verratti e Nicòlo Barella bem esticados nos flancos para atrair os homólogos belgas Youri Tielemans e Axel Witsel da sua posição central. De maneira a criar situações de vantagem no meio, Lorenzo Insigne colocava-se, por vezes, atrás de Ciro Immobile Em situações de desvantagem nas alas, devido à linha de 5 dos flamengos, os italianos não tiveram tanta criatividade nesta zona, onde Leonardo Spinazzola tem brilhado e sido um dos melhores jogadores da competição. Por outro lado, a geração talentosa de Martínez foi competente a defender a entrada da grande área, não dando grande liberdade a Immobile para tabelar ao mesmo tempo que controlava a profundidade e o remate de longe. Mas cedo se percebeu, e muito devido aos contra-ataques, de parte a parte, que o jogo ia ser aberto e mais ofensivo do que se esperava. Com a já conhecida pressão italiana após a perda da posse da bola, os belgas conseguiram em algumas situações explorar o contra-ataque após a recuperação falhada dos italianos. Mas com o perigo de ter Lukaku, Jeremy Doku e Kevin De Bruyne a atacar a linha defensiva livremente, as tropas de Mancini conseguiram recuperar a bola mesmo na entrada da grande área belga após um passe errado de Jan Vertonghen. Verratti recuperou a bola e assistiu Barella, que tirou três adversários do caminho e rematou para o fundo da baliza da Bélgica ao minuto 31. O perigo italiano continuava e após sucessivas ameaças de remate de Lorenzo Insigne, aos 44 minutos a resistência da Bélgica cedeu novamente com um golão do extremo do Nápoles. Ainda antes das equipas irem para intervalo, Doku é derrubado na grande área por Di Lorenzo e Lukaku converte a grande penalidade aos 45+2 minutos, dando alguma esperança aos belgas. Na segunda parte pouco se viu e apenas Lukaku desperdiçou de baliza aberta, mas o resultado acabou por se manter inalterado até ao apito final. Sobre o triunfo, Mancini mostrou-se orgulhoso com os seus pupilos. “Merecemos vencer. Os jogadores tiveram um excelente desempenho e só sofremos nos últimos 10 minutos porque estávamos muito cansados e já tínhamos dado muito. Mesmo assim podíamos ter marcado mais golos. Ainda há dois jogos pela frente e veremos o que acontece.”. Durante a partida, Spinazzola rompeu o tendão de Aquiles e não jogará mais neste Euro. Com penáltis se paga No outro jogo dos quartos de final do Euro, Espanha e Suíça mostraram mais do mesmo. Os helvéticos, com a excepção do jogo contra a França, não começaram a ter ideias ofensivas até à segunda parte, quando o jogo estava mais partido e dividido. A pressão espanhola era constante e em muitas instâncias a alternativa era o jogo mais directo. Os espanhóis chegaram cedo à vantagem através de um autogolo de Denis Zakaria aos 8 minutos. A Espanha no seu 4-3-3 criou várias vantagens numéricas no corredor central dos suíços, que defendiam em 4-4-2, mas não era capaz de trocar a bola de um lado para outro com a eficácia de outros jogos. Na segunda parte, aos 68 minutos, Xherdan Shaqiri restabeleceu a igualdade depois de um erro da defesa espanhola. A linha defensiva suíça foi excepcional durante os 120 minutos da partida, mesmo a jogar com 10 desde os 77 minutos quando Remo Freuler viu o cartão vermelho directo. O jogo acabou por ir a prolongamento e a penáltis. Os espanhóis levaram a melhor e defrontam agora os italianos nas meias de final do Euro. Sobre o triunfo, através de penáltis, Luis Enrique sentiu-se calmo e confiante na capacidade dos seus jogadores. “Foram as grandes penalidades mais tranquilas porque tínhamos feito o nosso trabalho de casa e praticado e não havia mais nada que pudéssemos fazer. Tínhamos muita fé no Unai (Simón) e naquela altura só podíamos ver e aceitar o resultado. Mesmo contra dez merecíamos a vitória”. Inglaterra goleou Ucrânia por 4-0 Após a vitória contra os alemães, por 2-0, não ter mostrado uma equipa capaz de causar medo a outras equipas, a Inglaterra disse, finalmente, presente. Em jogo dos quartos de final do Euro 2020, a equipa de Gareth Southgate pôs fim à caminhada da Ucrânia de Andriy Shevchenko após goleada por 4-0 e uma exibição convincente. Os ucranianos, com alguma dificuldade em impor o seu jogo nos instantes iniciais, até tiveram uma boa organização ofensiva capaz de colocar sucessivos problemas aos jogadores ingleses. Novamente com três centrais em campo, estratégia abortada em detrimento de um 4-3-3 após lesão do central Serhiy Kryvtsov aos 35 minutos, a equipa da Ucrânia conseguiu colocar a bola entre os dois médios ingleses, Kalvin Phillips e Declan Rice, por força de marcarem o meio-campo ucraniano, deixando espaço para Roman Yaremchuk aparecer nesta zona intermédia e servir como elo de ligação para a progressão da posse ucraniana. Apesar de alguns ataques promissores, a Inglaterra quando tinha bola criava mais perigo à última linha dos ucranianos. Logo aos 4 minutos, Harry Kane marcou o seu segundo golo da competição após um passe de Raheem Sterling. O jogo continuava bem disputado com a Inglaterra a tentar que a Ucrânia não estivesse com a bola tanto tempo na sua posse, ao mesmo tempo que tentava explorar o seu talento individual quando tinha o esférico sob controlo. Após o intervalo e aos 46 minutos, Harry Maguire marcou, novamente, para Inglaterra e dilatou o marcador. Minutos depois, aos 50 minutos, Kane marcou outra vez. Aos 63 minutos e após novo canto, Jordan Henderson marcou de cabeça e acabou com a partida. Luke Shaw acabou o jogo com duas assistências, tendo feito uma grande exibição. Após o jogo, Southgate mostrou-se contente com o resultado alcançado. “É fabuloso para o nosso país, uma meia-final em Wembley. Está tudo à espera do momento, é brilhante. Queremos ir mais dois passos para a frente.”, sentenciou o treinador vitorioso. Patrik Schick alcançou CR7 nos melhores marcadores As constantes vitórias da Dinamarca no Euro 2020 fazem até os menos crentes acreditar na história feliz de um não favorito poder alcançar a final do torneio. E com novo triunfo perante a República Checa por 2-1 nos quartos de final, os nórdicos fazem agora parte das quatro melhores selecções da Europa e vão defrontar a Inglaterra do dia 7 para 8 de Julho às 3h de Macau. Não obstante, o jogo de ontem vincou a qualidade que a equipa de Kasper Hjulmand tem demonstrado nos últimos jogos, apesar de alguns soluços dinamarqueses na parte final do encontro. O jogo começou com a habitual construção a três da Dinamarca, e com a tentativa de fazer progredir a bola até à área da República Checa. A equipa de Jaroslav Šilhavý, com o seu 4-4-2 a defender, encontrava dificuldades quando a Dinamarca atraía o jogo para um lado e depois rodava a bola imediatamente para o outro. Com esta contínua procura do espaço livre, especialmente, nas alas, os nórdicos conseguiram impor o seu jogo. Mas logo aos cinco minutos de jogo, e após um canto, a Dinamarca inaugura o marcador através de Thomas Delaney. O médio do Borussia Dortmund aparece sem marcação na grande área e marcou o seu primeiro golo da competição. Os pupilos de Hjulmand continuavam a mandar na partida e a procurar mais golo e com o habitual movimento de atrair a um lado para depois explorar o outro, surgiu o segundo tento dinamarquês. Após passe de Jannik Vestergaard a isolar Joakim Mæhle na ala, este faz um cruzamento de trivela para a finalização de Kasper Dolberg. Patrik Schick ainda reduziu a desvantagem, mas a Dinamarca segurou o resultado apesar de uma forte pressão checa nos últimos minutos. Sobre o sonho nórdico continuar vivo, Hjulmand mostrou-se confiante. “É mágico! A primeira coisa que mostrei aos rapazes quando nos juntámos foi uma foto de Wembley de quando lá estivemos no Outono. Disse-lhes que íamos voltar. Parecia que estávamos a jogar novamente num estádio dinamarquês devido ao apoio dos nossos adeptos. Estamos profundamente gratos.”
Óbito | Nuno Prata da Cruz, dirigente macaense nos EUA, morre de doença prolongada Andreia Sofia Silva - 5 Jul 2021 Morreu, na última sexta-feira, Nuno Prata da Cruz, dirigente do Clube Lusitano da Califórnia, nos EUA. Miguel de Senna Fernandes recorda-o como uma pessoa “muito respeitada” que nunca faltou a um Encontro das Comunidades Macaenses, enquanto que José Sales Marques destaca o facto de Nuno Prata da Cruz ter sido “um ilustre filho de Macau que singrou nos EUA” “É com profunda tristeza e coração pesado que anunciamos o falecimento de não apenas um dos fundadores do Clube Lusitano da Califórnia como também um amigo muito especial.” Foi desta forma que os dirigentes desta associação da comunidade macaense nos EUA anunciaram o falecimento de Nuno Prata da Cruz, a 2 de Julho, em Oakland, vítima de cancro. Nuno Prata da Cruz foi um dos fundadores do Clube Lusitano da Califórnia e um dedicado dirigente macaense na diáspora. Na nota publicada na rede social Facebook, o Clube destaca o facto de Nuno Prata da Cruz ter sido “um importante e influente membro do Clube Lusitano da Califórnia e da comunidade macaense a nível global”. “Ele era muito orgulhoso da sua herança portuguesa e queria sempre garantir e preservar a nossa cultura, comida, música e história. Foi um privilégio conhecê-lo e trabalhar com ele”, acrescenta ainda a mesma nota. Roy Eric Xavier, académico macaense da Universidade de Berkeley, também escreveu na rede social Facebook sobre o falecimento deste dirigente da diáspora. “Ele era um brilhante porta-voz e um grande amigo. A comunidade macaense a nível mundial está de luto e recorda os seus muitos feitos”, escreveu. Sempre presente Contactado pelo HM, Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses (ADM), recorda o lado “afável” de Nuno Prata da Cruz, que conheceu em 1993, aquando da primeira edição do Encontro das Comunidades Macaenses. “Sempre nos demos bem e ele nunca faltou a nenhum Encontro. Era uma pessoa muito respeitada e é uma pena, não contava com este falecimento.” Há muito que Nuno Prata da Cruz estava doente, conforme recorda Miguel de Senna Fernandes. “Em 2015 estive nos EUA e fiz uma visita às casas macaenses, e fui à Califórnia. Ele e a Maria Roriz [actual dirigente do Clube Lusitano da Califórnia] foram os cicerones e foi fantástico. Nessa altura ele já estava doente, mas depois recuperou muito bem. Mas nas últimas duas a três semanas teve uma recaída.” José Sales Marques, presidente do Conselho das Comunidades Macaenses (CCM), recorda “o ilustre filho de Macau que singrou nos EUA” e que se tornou “num dirigente histórico do Clube Lusitano da Califórnia”. “Conheço-o desde há muito tempo e trabalhamos juntos durante mais de duas décadas a favor da causa Macaense e em prol das comunidades macaenses espalhadas pelo mundo. Esteve na fundação do CCM e tenho por ele grande estima. Lamento profundamente, em meu nome e no do CCM, o seu passamento e dou os meus sentidos pêsames à família, ao Clube Lusitano da Califórnia e a todos os seus amigos”, disse ao HM. Quanto ao futuro do Clube Lusitano da Califórnia, Miguel de Senna Fernandes assegura que “está muito bem entregue à Maria Roriz”, uma vez que esta tem sido “uma grande dirigente e dinamizadora”. “O Clube Lusitano da Califórnia tem muitos sócios e é a maior casa macaense nos EUA. Têm cerca de 900 sócios, mas claro que nem todos são macaenses. A grande parte pertence à comunidade portuguesa, sobretudo oriunda dos Açores. O clube abriu a porta a esses sócios e fez bem, e preza-se muito pela divulgação da cultura portuguesa. O Nuno era um grande entusiasta na divulgação da língua portuguesa e de todas essas coisas, até porque a sua esposa é portuguesa”, rematou.
Apple Daily | Divergências sobre impacto em Macau Hoje Macau - 5 Jul 2021 O deputado Au Kam San defendeu, segundo o jornal All About Macau, que o encerramento do jornal Apple Daily, em Hong Kong, não teve um grande impacto em Macau, uma vez que o Governo local já está a reduzir o espaço destinado a actividades sociais. O deputado lembrou que a participação cívica da sociedade local nunca teve influência dos media de Hong Kong, à excepção do protesto sobre o regime de garantias, em 2014. Com a alteração da lei em 2018, Au Kam San destaca que muitas actividades deixaram de poder realizar-se, uma vez que tem de ser feito um aviso prévio ao Corpo de Polícia de Segurança Pública. Visão contrária tem Jason Chao, activista, que defendeu que o fecho do Apple Daily constituiu um golpe para a sociedade de Macau, uma vez que a força de supervisão do Governo é cada vez maior. O ex-dirigente da Associação Novo Macau lembrou que muitos assuntos importantes e actividades dependiam das reportagens de Hong Kong. Com a lei de segurança nacional implementada na região vizinha, Jason Chao acredita que a luta por causas sociais e políticas em Macau está cada vez mais difícil.
Tráfico Humano | Executivo reage com “indignação” a relatório dos EUA Hoje Macau - 5 Jul 2021 O Governo reagiu com “forte indignação” ao relatório dos Estados Unidos sobre tráfico humano, considerando que a administração norte-americana distorce intencionalmente dados e resultados das medidas de prevenção e combate ao fenómeno “O relatório apresentado por parte dos EUA referente a este ano, persiste em ignorar, mais uma vez, factos objectivos, usando de desprezo e preconceito pela legislação e pelo sistema judicial independente de Macau, distorcendo intencionalmente os efeitos das medidas de prevenção e combate, levadas a cabo ao longo dos anos” pelo território. Foi desta forma que o Governo de Ho Iat Seng respondeu ao relatório sobre Tráfico Humano de 2021, elaborado pelo Departamento de Estado norte-americano, apresentado na quinta-feira em Washington onde se afirma que a RAEM “não cumpre integralmente os padrões mínimos para a eliminação do tráfico, mas está a empenhar esforços significativos para o fazer”. O Governo da RAEM acrescenta ainda que o documento emitido por Washington tem “conclusões eivadas de juízos subjectivos, tendenciosos e arbitrários, contendo alegações infundadas, por forma a provocar confusão na sociedade internacional e postergar os esforços desde sempre envidados”. Assim sendo, “as autoridades de segurança opõem-se a este relatório, manifestando não só a sua discordância, como também uma forte indignação”, lê-se na resposta do gabinete de Wong Sio Chak, secretário para a Segurança. As autoridades de Macau sublinharam ainda que as forças de segurança “prosseguirão a cooperação activa com os órgãos judiciais para realizar o trabalho de aplicação da lei, bem como o fortalecimento dos intercâmbios e acções de cooperação internacional e inter-regional, explorando em conjunto estratégias de prevenção e combate”. Elogios perdidos No entanto, acrescenta o Departamento de Estado norte-americano, os esforços de protecção, avaliados em 1,74 milhões de patacas, não aumentaram comparativamente ao período analisado no ano passado. Segundo o relatório norte-americano, o Governo da RAEM prestou “fracos esforços de protecção e, pelo segundo ano consecutivo, as autoridades não identificaram ou prestaram serviços às vítimas”. Por essas razões e pelo facto de o Governo nunca ter identificado nenhuma vítima de trabalho forçado, Macau permanece, pelo segundo ano consecutivo, incluído no “escalão 2” (segunda classificação mais alta de quatro) de conformidade com a Lei de Protecção às Vítimas de Tráfico de 2000 (TVPA, na sigla em inglês). A nível da prevenção do tráfico humano, os EUA reconhecem também diversos esforços positivos e indicam que o Governo de Macau destinou 3,44 milhões de patacas à comissão de actividades de combate ao tráfico em 2020, um valor ligeiramente maior do que em 2019. Entre as principais recomendações a Macau, incluem-se uma maior identificação de vítimas, “especialmente entre as populações vulneráveis, como trabalhadores migrantes e trabalhadores do sexo”. Em todo o mundo, mais de 109 mil vítimas de tráfico humano foram identificadas no ano passado, das quais mais de 14 mil eram vítimas de trabalho escravo, segundo o relatório. Na região de Ásia oriental e Pacífico, onde Macau se localiza, o número de vítimas identificadas em 2020 diminuiu consideravelmente, para 2.884 pessoas, uma diferença de 12 mil pessoas desde 2019.
Eleições | Paul Chan Wai Chi concorre por “necessidade social” Hoje Macau - 5 Jul 2021 O ex-deputado e democrata Paul Chan Wai Chi vai liderar a lista Associação do Progresso de Novo Macau no acto eleitoral de Setembro. A decisão foi formalizada na semana passada, com a entrega da lista com cinco nomes à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa. Chan explicou entrou na corrida devido à “necessidade social”. Sobre o aumento do número de listas democratas, face a 2017, Paul Chan Wai Chi considerou que é um fenómeno “saudável” e que mostra o desenvolvimento da cultura eleitoral local. Sobre os principais destaques do programa político, indicou a necessidade de melhorar a qualidade de vida da população. Wong Wai Man fora das eleições Wong Wai Man, candidato que em 2017 se destacou nas eleições por se vestir de soldado comunista, está fora do acto eleitoral de Setembro. A decisão da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) foi confirmada pelo Tribunal de Última Instância (TUI), na sexta-feira. Wong tinha apresentado uma comissão de candidatura para a lista “Ajuda Mútua Grassrots”, no entanto, a CAEAL apenas validou 190 assinaturas das 300 exigidas. Segundo o órgão que organiza o acto, 158 assinaturas foram recusadas por terem informações incorrectas, 79 por não serem eleitores qualificados, ou sejam residentes permanentes, e oito por estarem repetidas. Em 2017, a lista de Wong Wai Man recolheu 1.350 votos. Wong Kit Cheng lidera Aliança de Bom Lar A deputada Wong Kit Cheng vai liderar a Lista Aliança de Bom Lar, que tem ligações à Associação Geral da Mulheres de Macau. As prioridades da campanha passam pela defesa dos direitos das mulheres e crianças, ao mesmo tempo que promete lutar por “políticas favoráveis às famílias”, como o aumento da licença de maternidade para 90 dias e o subsídio de nascimento a subir para as 15 mil patacas. Além disso, Wong Kit Cheng assumiu o compromisso com o melhoramento dos serviços prestados a idosos e ainda com o aumento da qualidade educativa na RAEM. Wong é deputada desde 2013, sempre eleita na primeira vez pela lista União Promotora para o Progresso. Em 2017 voltou a ser eleita, mas pela lista Aliança de Bom Lar com 9.496 votos.
Eleições | Lee critica Governo e deputados por não ouvirem a população João Santos Filipe e Nunu Wu - 5 Jul 2021 O nome principal da Lista Ou Mun Kong I exigiu ao Governo mais um cheque pecuniário ainda este ano e apoios financeiros complementares a jovens e idosos. Lee Sio Kuan apelou a Ho Iat Seng para que oiça mais a população Um candidato que quer representar a opinião popular na Assembleia Legislativa. Foi desta forma que Lee Sio Kuan definiu a sua prioridade enquanto cabeça de lista da candidatura Ou Mun Kong I, e com a qual espera conquistar um lugar no hemiciclo. Lee Sio Kuan entregou a lista à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) na quinta-feira e disse, de acordo com o jornal All About Macau, que participa no acto eleitoral para mudar a cultura da AL, para onde espera levar as vozes mais populares. O candidato a deputado deixou ainda críticas ao Chefe do Executivo por considerar que, nesta fase da pandemia, os apoios não são suficientes para a maior parte da população. Por isso, prometeu, caso seja eleito, trabalhar para que o Governo distribua mais 10 mil patacas aos residentes, além de ter exigido para que seja aumentada a pensão para os idosos, assim como os apoios para os mais jovens, para que possam comprar casa. No que diz respeito à actuação do Executivo, Lee Sio Kuan mostrou-se preocupado por considerar que as respostas às dúvidas da população são cada vez mais “superficiais”, e pediu para o desemprego e os interesses da população sejam levados a sério. Sobre o processo eleitoral, o líder da Lista Ou Mun Kong I apelou à CAEAL que investigue casos de alegadas ilegalidades eleitorais, como a situação com a Associação dos Conterrâneos de Jiangmen que distribuiu cupões para supermercados. A associação tem ligações com a lista União de Macau-Guangdong. No momento em que o candidato apresentou esta questão aos jornalistas, ajoelhou-se, assim como o número dois da lista, Kuong Kai Nang. No dia seguinte, os dois membros foram igualmente ao hemiciclo falar com o deputado responsável pelo atendimento ao público, que, segundo o calendário da AL, era Zheng Anting, ou seja da associação criticada. À saída os candidatos criticaram a actuação dos deputados por não ouvirem a população, recordaram várias promessas deixadas por cumprir e avaliaram a prestação do hemiciclo em 5 pontos, numa escala de 0 a 10 pontos. Kot com 12 candidatos Com o prazo para a apresentação das listas à CAEAL decorrer até hoje, também Nelson Kot, cabeça da “Poderes do Pensamento Político” procedeu à formalidade de entrega da papelada. A lista conta com 12 candidatos e Kot apelou ao Executivo para informar a população sobre as intenções do concurso de atribuição das novas licenças de jogo. As actuais seis licenças terminam dentro de um prazo inferior a um ano. Segundo Kot, a falta de informação afecta a confiança das empresas em Macau e também deixa os trabalhadores num clima de incerteza. Também a Força do Diálogo, liderada a Choi Man Cheng, presidente da Federação de Juventude de Macau, apresentou a lista à CAEAL. Na altura da entrega, Choi reconheceu ser um “estreante” na política, ao contrário das associações tradicionais e dos candidatos mais experientes, mas destacou o entusiasmo da equipa. Sobre os aspectos que vão ser focados ao longo da campanha, o cabeça-da-lista apontou a recuperação económica, redução do custo de vida, criação de mais espaços para a população e melhoramento do ambiente da cidade.
Ensino | Elsie Ao diz que USJ “contribui para a internacionalização” Hoje Macau - 5 Jul 2021 A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, disse que a Universidade de São José (USJ) “contribui para a promoção da internacionalização do ensino superior de Macau” devido “à diversidade cultural vivida no campus”, o que permite “um intercâmbio humanista mais aprofundado”. A secretária discursou no sábado durante a cerimónia de graduação do ano lectivo 2020/2021 da universidade privada. Elsie Ao Ieong U referiu também que a USJ “destaca-se pelas suas características muito próprias”, com “um alto nível de internacionalização”. A secretária declarou que é objectivo do Governo criar mais “competitividade regional” e “disciplinas de marca com características”, sem esquecer o estabelecimento “das bases de formação de quadros qualificados bilingues em chinês e português e de formação da educação turística da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau nos próximos dez anos”. Desta forma fica a promessa de que o Executivo “irá investir mais recursos, alargar a escala de estudantes e promover o desenvolvimento da integração da indústria, da academia e da investigação”.
André Cheong elogia trabalho da Imprensa Oficial João Santos Filipe - 5 Jul 2021 O secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, elogiou o trabalho da Imprensa Oficial por ter permitido publicar atempadamente as medidas do Governo contra a pandemia. Os elogios foram deixados na sexta-feira, durante a cerimónia de tomada de posse da Administradora da Imprensa Oficial (IO), Leong Pou Ieng, e do Administrador-Adjunto, Chan Iat Hong. Na ocasião, André Cheong sublinhou também que “os esforços nos trabalhos diários da Imprensa Oficial, embora não sejam conhecidos do público em geral, consistem principalmente na publicação e divulgação do Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, na impressão das Linhas de Acção Governativa, do papel timbrado exclusivo dos Serviços Públicos”. Por sua vez, de acordo com o comunicado oficial, a recém-empossada Leong Pou Ieng referiu que ao longo de 30 anos de carreira na função pública tem tido como lema “esforçar-se com empenho, zelo e responsabilidade”, assim como “ser sensata, racional e cumprindo a lei. Por isso, Leong prometeu continuar a seguir os lemas além de indicar que vai incentivar todo o pessoal da IO a promover os serviços electrónicos dos Serviços Públicos, com vista à prestação de serviços de melhor qualidade à RAEM.
Discurso | Chefe do Executivo avisa contra desafios ao Partido Comunista João Santos Filipe - 5 Jul 2021 O líder do Governo de Macau analisou o discurso de Xi Jinping na comemoração dos 100 anos do PCC e traçou linhas vermelhas para quem questionar o Partido e as “influências externas” que levantam dúvidas sobre a concretização do princípio “Um País, Dois Sistemas” Nada contra o Partido. O Governo da RAEM não vai admitir qualquer questão sobre a legitimidade do Partido Comunista da China e muito menos desafios. As linhas vermelhas foram traçadas por Ho Iat Seng na sexta-feira, num evento em que apresentou a sua análise ao discurso de Xi Jinping no 100.º Aniversário do Partido Comunista da China. “A RAEM permanecerá sempre inabalável na defesa da liderança do Partido Comunista da China. Qualquer actividade que desafie o poder do Governo Central e a autoridade da Constituição Nacional e da Lei Básica é absolutamente inadmissível”, avisou Ho Iat Seng. O Chefe do Executivo prometeu também “unir” todos os sectores da sociedade na aprendizagem das posições tomadas pelo presidente da República Popular da China. “O Governo da RAEM irá unir e liderar os diversos sectores da sociedade na aprendizagem e implementação do espírito dos importantes discursos do Secretário-Geral Xi, proferidos na cerimónia de celebração do 100.º Aniversário do Partido Comunista da China e durante a sua visita a Macau, e promover o desenvolvimento estável da prática ‘Um País, Dois Sistemas’ com características de Macau, acompanhando a pátria no desenvolvimento e na prosperidade”, afirmou. O discurso de sexta-feira focou três conclusões sobre as quais Ho Iat Seng diz ter ficado “profundamente ciente”. Na primeira conclusão do Chefe do Executivo, “a gloriosa jornada de cem anos do Partido Comunista da China […] comprova totalmente que sem o Partido Comunista a Nova China as promissoras perspectivas da grande revitalização na nação chinesa não existiriam”. Na segunda conclusão, o Ho Iat Seng argumentou que sem o partido não teria havido prosperidade. “O Partido Comunista da China é o fundador, o líder e o defesa da grandiosa causa ‘Um País, Dois Sistemas’. Sem o Partido Comunista, Macau não usufruiria da prosperidade e da estabilidade sob a égide do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”. Aviso às “forças externas” Quando falou do partido como basilar para o princípio “Um País, Dois Sistemas”, Ho aproveitou para deixar um recado “às forças externas”. “Perante das dúvidas e acusações infundadas de algumas forças externas, a firmeza do Governo Central na salvaguarda da soberania, da segurança e dos interesses do desenvolvimento do país é inabalável”, frisou. No último aspecto, Ho Iat Seng avisou contra os desafios e apontou que as pessoas na RAEM têm como dever “respeitar e salvaguardar a liderança do Partido Comunista da China e promover a prática bem-sucedida e estável de ‘Um País, Dois Sistemas’ com características de Macau’”. Além dos três eixos do discurso, Ho prometeu igualmente “em prol dos interesses dos residentes […] agarrar as oportunidades, impulsionar activamente o desenvolvimento dos vários empreendimentos da Região, incentivar a construção da zona de cooperação aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, acelerar o desenvolvimento adequado e diversificado da economia, participar activamente nas grandes estratégias nacionais e aprofundar a integração de Macau na conjuntura do desenvolvimento nacional”.
Violação de quarentena | Rejeitado recurso do Ministério Público Andreia Sofia Silva - 5 Jul 2021 O Tribunal de Segunda Instância (TSI) rejeitou um recurso interposto pelo Ministério Público (MP) relativo ao caso de um homem que não cumpriu o período de quarentena em casa e que foi absolvido do crime de infracção de medida sanitária preventiva. O caso remonta a 27 de Setembro do ano passado, quando o indivíduo entrou em Macau e foi submetido a um teste de ácido nucleico no hospital público. Aí assinou uma “declaração de aceitação de observação médica”. No entanto, o homem “não cumpriu a medida de isolamento”, pois a 28 de Setembro, pelas 00h10, “foi entregue no Posto de Migração do CPSP pelos funcionários dos Serviços de Saúde no átrio de saída do Edifício do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco”. O TSI entendeu que o ofício dos Serviços de Saúde “não foi acompanhado de decisão administrativa que mostrasse se a Autoridade Administrativa tinha ordenado, de forma escrita, a aplicação da medida de observação médica” ao homem.
Covid-19 | Registado novo caso importado em Macau Hoje Macau - 5 Jul 2021 Dois residentes acusaram positivo para a covid-19 à chegada a Macau no sábado. Uma residente de 22 anos proveniente do Reino Unido foi classificada como o 55º caso confirmado de covid-19 em Macau, ao passo que um residente de 24 anos proveniente da Suíça foi temporariamente classificado como um caso de recaída. De acordo com o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, a mulher proveniente do Reino Unido declarou nunca ter sido diagnosticada com a doença, nem ter sido inoculada com qualquer uma das vacinas disponíveis contra a covid-19. Na passada quinta-feira, o resultado de teste de ácido nucleico para a covid-19 realizado no Reino Unido foi negativo, tendo a residente partido, no dia seguinte, rumo a Singapura, onde fez escala. A mulher acabaria por chegar a Macau no sábado através de um voo da Scoot (TR904), tendo viajado no assento 26D. Sobre o caso de recaída, o centro de coordenação adiantou tratar-se de um residente que estuda na Suíça e que já tinha sido diagnosticado com covid-19 no passado mês de Janeiro. Na passada quinta-feira, o paciente testou negativo para a doença após um teste realizado na Suíça, de onde partiu no dia seguinte em direcção a Singapura, onde fez escala. No sábado, o residente chegou a Macau através de um voo da Scoot (TR904), tendo viajado no assento 8D. A situação clínica dos dois doentes é considerada “normal”. Turista em quarentena Também no sábado, o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus anunciou que um turista de 41 anos foi submetido a quarentena, após ter estado em contacto com uma pessoa de contacto próximo de um caso confirmado de covid-19 na Cidade de Nanchang, província de Jiangxi. O turista chegou a Macau na passada quinta-feira pelas Portas do Cerco, tendo ficado alojado sozinho no hotel Galaxy, “onde permaneceu durante a maioria do tempo da sua estadia”. “Os Serviços de Saúde providenciaram-lhe teste de ácido nucleico e teste de anticorpos séricos na Urgência Especial do Centro Hospitalar Conde de São Januário, e os resultados foram negativos. Este turista não apresentou nenhum sintoma, tendo em consideração o seu risco de infecção, foi encaminhado ao Centro Clínico de Saúde Pública para observação médica até 14 dias”, pode ler-se no comunicado. Relativamente ao plano de vacinação, o centro de coordenação revelou na quinta-feira a ocorrência de um caso adverso após a toma de uma vacinação contra a covid-19. Em causa está a “paralisia do nervo facial” (paralisia de Bell) diagnosticada a um homem de 58 anos após a inoculação da primeira dose da vacina da Sinopharm no dia 12 de Junho. Os sintomas surgiram no dia 30 de Junho, levando o homem a recorrer à Urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário. Segundo o centro de coordenação, apesar de já terem sido notificados oito casos em Macau ao fim da inoculação de 347.396 doses de vacinas contra a covid-19, a taxa de incidência da paralisia de Bell é “baixa”. “A taxa de incidência é de 2,3 casos por 100.000 doses, um número é inferior à taxa de incidência mensal da população em geral”.
Covid-19 | De Macau para Portugal, das férias adiadas ao regresso possível em tempos de pandemia Hoje Macau - 4 Jul 2021 Reportagem de João Carreira, da agência Lusa Uma das mais longas quarentenas do mundo, obrigatória no regresso a Macau, tem ‘sequestrado’ aos poucos a esperança a Filipe Figueiredo de ainda este ano passar férias em Portugal, acompanhado da mulher e dos quatro filhos. “Ninguém vai a Portugal para estar menos de duas semanas. Duas semanas em Portugal, mais três semanas em quarentena, são cinco semanas. E ninguém tem cinco semanas de férias”, conclui o advogado. Já Margarida Galamba, também emigrante em Macau, partiu este fim de semana para Portugal. Depois de um confinamento profilático que se determinou a cumprir, os primeiros meses vão ser em regime de férias, mas somente porque decidiu, após 15 anos, ‘reformar-se’ do antigo território administrado por Portugal. Em Macau, não parecem ser os custos acrescidos ou mesmo o risco de eventuais contágios que dissuadem os emigrantes portugueses de irem de férias a Portugal. O problema, admitem, é depois o regresso a um dos territórios mais seguros do mundo em termos pandémicos, cuja quarentena obrigatória num quarto de hotel pode chegar quase a um mês se o local de origem for considerado de alto risco, sendo que, atualmente, é de 21 dias para quem volta de Portugal. O aumento do preço das passagens aéreas e do número de escalas desencoraja, mas é o risco de eventuais surtos de covid-19 poderem ‘roubar’ ligações aéreas e/ou obrigarem Macau a reforçar as medidas de prevenção fronteiriças que dissuadiu a família de Filipe Figueiredo, deixando-a pelo segundo verão consecutivo ‘em terra’. Conclusão, talvez no Natal, se não, em 2022, admite. “Apesar de dois dos meus filhos estarem em idade de serem vacinados, outros dois não estão, e, portanto, confesso que não sei como é que isto se ia processar em termos de deslocações, que testes é que podiam fazer ou não”, explica. “Mas depois outro problema que é o da quarentena”, acrescenta, sem conseguir disfarçar um riso: “uma família de seis pessoas fechada, (…) durante 21 dias, acho que não seria muito bom para ninguém (…) sobretudo com crianças pequenas”. O advogado, que é também presidente da Associação de Pais da Escola Portuguesa de Macau, destaca “uma certa instabilidade em termos mundiais” para também justificar a decisão. Afinal, se, “de um momento para o outro, há, por exemplo, um surto em Singapura que impede que os aviões (…) venham para Macau, as viagens de regresso estariam automaticamente cortadas”, assinala, lembrando um cenário com o qual foram confrontados alguns emigrantes portugueses no último Natal. “Sobretudo quando se sabe que “a política adoptada por Macau é bastante conservadora e rigorosa”, reforça. Uma visão corroborada por Margarida Galamba. Há dois anos sem férias, a ex-dirigente da Casa de Portugal admite que está “um bocadinho apreensiva” porque “o contexto [pandémico] é muito diferente” entre Macau e Portugal. “Andamos de máscara, estamos vacinados, mas não temos aquele medo de ‘ai ai que vou ser infetado’. Porque não há casos em Macau” e aqueles que chegaram à fronteira “ficaram à porta” ou foram encaminhados para o hospital ou para quarentena nos quartos de hotel. Em Portugal, o período inicial de férias de Margarida Galamba vai ser muito diferente de todos os outros anos pré-pandémicos. A cautela impera. Vai para casa dos pais, já idosos, cumprir o tal confinamento profilático, apesar de estar vacinada, assim como eles. Não contava sair num cenário de pandemia, mas o contexto familiar pesou, ainda que agora a viagem custe o dobro e que falte na bagagem o certificado digital covid da União Europeia, algo que “foi impossível tratar”, à falta de informação consular, e que deve afetar “milhares de portugueses fora de Portugal (…) que não estão inseridos no programa de vacinação” do Serviço Nacional de Saúde”, sublinha. Macau registou pouco mais de meia centena de casos, nenhuma morte associada à covid-19. No território não foi identificado qualquer surto comunitário e nenhum dos profissionais de saúde foi infectado.
Várias pessoas resgatadas de avião militar que se despenhou nas Filipinas Hoje Macau - 4 Jul 2021 Um avião militar com pelo menos 85 pessoas a bordo despenhou-se hoje no sul das Filipinas, anunciou o chefe das Forças Armadas do país. Até ao momento, 15 pessoas foram resgatadas do aparelho em chamas, um C-130 que se despenhou quando tentava aterrar na ilha de Jolo, na província de Sulu, disse à agência de notícias France-Presse, o general Cirilito Sobejana. “As equipas de socorro estão no local, rezamos para que seja possível salvar outras vidas”, acrescentou o chefe do Estado-Maior filipino. De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), que também citou Sobejana, pelo menos 40 pessoas foram já resgatadas do aparelho em chamas. “O avião falhou a pista e estava a tentar ganhar altura, mas não conseguiu e despenhou-se”, indicou Sobejana. O C-130 transportava vários militares destacados para uma força operacional conjunta de luta contra o terrorismo na ilha, de maioria muçulmana. O exército filipino mantém uma forte presença no sul do país, onde atuam os fundamentalistas islâmicos da rede Abu Sayyaf, considerada uma organização terrorista por Manila e Washington. Vários atentados terroristas e raptos de turistas estrangeiros e missionários cristãos foram atribuídos e reivindicados pelos militantes da Abu Sayyaf.
Global Times: Ocidente não pode impedir a China de se tornar um grande país socialista moderno Hoje Macau - 4 Jul 20214 Jul 2021 Um jornal do Partido Comunista Chinês (PCC) afirmou na sexta-feira que o Ocidente “não pode impedir” a China de atingir o objectivo de se tornar um “grande país socialista moderno”, numa altura de crescentes tensões. “Os chineses sentem-se agora muito confiantes em (…) construir um grande país socialista moderno”, aponta o Global Times, jornal em língua inglesa do grupo do Diário do Povo, o órgão central do PCC. O único partido do poder na China celebrou na quinta-feira, 1 de Julho, cem anos desde a sua fundação, com uma cerimónia na Praça Tiananmen, em Pequim, e avisos de que a China não se deixará intimidar. Quem tentar parar o país vai acabar com a “cabeça partida e o sangue derramado perante a Grande Muralha de ferro constituída por 1,4 mil milhões de chineses”, avisou o Presidente chinês, Xi Jinping. A data coincide com um período de crescentes tensões com o Ocidente, em torno do comércio, tecnologia, a soberania do Mar do Sul da China ou o estatuto de Taiwan e Hong Kong. Em editorial, o Global Times escreve que as “conquistas do povo chinês sob a liderança do Partido e a bela visão do desenvolvimento futuro da China estão a aumentar o sentido de crise entre algumas elites ocidentais”. “Enquanto falam mal da China, eles estão preocupados porque sentem que o desenvolvimento da China continuará a ser imparável”, realça. Placas e actividades comemorativas vincaram o papel do Partido na ascensão da China, desde a fundação da República Popular, em 1949, até às reformas económicas que permitiram ao país converter-se na segunda maior economia mundial. As políticas desastrosas que marcaram o maoismo, como o “Grande Salto em Frente”, a campanha de coletivização e industrialização lançada em 1958 que causou milhões de mortos, ou a Revolução Cultural, que mergulhou o país numa década de caos e isolamento, foram omitidas, assim como outros episódios suscetíveis de abalar a legitimidade do PCC. Até ao centenário da fundação da República Popular, em 1949, o PCC estipulou como meta a ascensão do país a nível militar, tecnológico e na influência na governação das questões internacionais. Para o Global Times, no entanto, o “sucesso” da governação comunista é um sinal de que a “abordagem ocidental não é universal”. “Percebemos que podemos estar a criar uma nova forma de civilização. Agora, é o Ocidente que mostra a sua falta de confiança no seu caminho, enquanto a China está gradualmente começar a ganhar vantagem na batalha pela confiança”, sublinha. O jornal considera que com “muitos factores favoráveis sob o [seu] controlo, a China pode prever o futuro com segurança”. “A China será a vencedora final”, conclui.
Bill Gates e a crise climática Olavo Rasquinho - 2 Jul 2021 A luta contra as alterações climáticas tem vindo a ser liderada pela Organização das Nações Unidas através de algumas das suas agências especializadas e programas, nomeadamente a Organização Meteorológica Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Ambiente. Foi sob os auspícios destas duas entidades que surgiu o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), que é o órgão das Nações Unidas para monitorizar as alterações climáticas, reunir estudos de numerosos cientistas e apresentar relatórios periódicos sobre o estado do clima. Além da ONU, muitas outras entidades desenvolvem atividades na luta contra a crise climática, nomeadamente organizações intergovernamentais, universidades, ONGs e outras instituições privadas. É na área da iniciativa privada que Bill Gates, conhecido mundialmente por ter sido cofundador da Microsoft, tem vindo a desempenhar um papel de grande relevância. Não se limita a contribuir financeiramente com milhões de dólares para um mundo mais sustentável, mas também a desenvolver grande atividade, informando-se junto de cientistas sobre as implicações das alterações climáticas, participando ativamente em reuniões de caráter científico e em encontros promovidos pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC) e outras entidades. Bill Gates tem transmitido os conhecimentos adquiridos a governantes e público interessado, através de entrevistas, intervenções em diferentes meios de comunicação e redes sociais e, mais recentemente, através do livro “Como Evitar um Desastre Climático – As soluções que temos e as inovações necessárias”. Em 2015, durante a COP21 na capital francesa, Gates foi um dos que colaborou na redação do Acordo de Paris, tendo apresentado uma tese em que se realça que só será possível alcançar a neutralidade carbónica caso se recorra a forte investimento em inovação tecnológica, enfatizando que essa tarefa compete não só aos governos, mas também aos privados. Anunciou, nesta conferência, a criação de um grupo de investidores de vários países que se comprometeram com a iniciativa Breakthrough Energy, através da qual se pretende investir na inovação tecnológica no sentido de um melhor aproveitamento das energias renováveis tendo em vista o alcance da neutralidade carbónica. Foi também anunciada por Bill Gates a iniciativa complementar “Mission Innovation: Accelerating the Clean Energy Revolution”. Os seus investimentos, tendo em vista a sustentabilidade do planeta, incidem sobre várias áreas, entre as quais a fissão nuclear com recurso a reatores nucleares avançados, investigação sobre reatores de fusão nuclear, baterias de grande capacidade de armazenamento e biocombustíveis. Segundo ele, sem inovação tecnológica será impossível atingir o preconizado no Acordo de Paris, ou seja, que o aumento da temperatura média global do ar seja inferior a 2 graus Celsius no final do século XXI e, tanto quanto possível, inferior a 1,5 graus, tendo como referência os níveis pré-industriais. Ainda de acordo com a opinião de Gates, com o conhecimento tecnológico atual não haverá condições para que a energia verde fique mais barata do que a energia obtida a partir de combustíveis fósseis. Aponta, por exemplo, a dificuldade em armazenar energia elétrica produzida a partir do vento e do sol, devido à sua intermitência, o que a torna menos eficaz do que a produzida com recurso aos combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral). As baterias atualmente existentes não têm grande capacidade, sendo necessárias quantidades enormes de baterias para um armazenamento eficaz. Além da energia eólica e solar, Bill Gates também se refere a outros tipos de energia limpa em que considera necessário investir, como a geotérmica, das ondas e hidrogénio. O recurso ao hidrogénio como combustível seria uma boa solução para evitar o inconveniente da intermitência da produção das energias eólica e solar, mas para produzir este gás é necessário recorrer a energia elétrica, e o processo só poderá ser considerado limpo se esta energia não for produzida por combustíveis fósseis. Por enquanto a produção de energia com recurso ao hidrogénio é ainda altamente controverso. Veja-se, por exemplo, a celeuma que se está a levantar em Portugal sobre os planos para a produção de hidrogénio em Sines. O conhecimento atual nesta área é ainda insuficiente para se poder garantir que essa produção seja rentável. O atual governo de Portugal aposta no hidrogénio como fonte de energia, tendo prevista, no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a quantia de 186 milhões de euros para a produção de hidrogénio e outros gases de origem renovável, o que é considerado insuficiente pelos potencias investidores que pretendem ser parceiros do Estado. Apesar de ser um entusiasta das energias limpas, Gates não acredita que, só por si, elas nos poderão conduzir à tão almejada “garantia de acesso a energia acessível, confiável, sustentável e moderna para todos”, conforme preconizado no número 7 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do Programa das Nações Unidas. Assim, enquanto não existir tecnologia para a exploração de centrais de fusão nuclear, ter-se-á de recorrer à fissão nuclear, embora com reatores mais aperfeiçoados. Com base neste seu pensamento, Gates anunciou recentemente investir na construção de um reator nuclear avançado, designado por Natrium, no Estado de Wyoming, o que mais produz carvão mineral nos Estados Unidos da América. Para esse efeito, e com a colaboração do Departamento de Energia dos EUA e de outros investidores, entre eles o seu amigo Warren Buffet, pretende-se investir cerca de mil milhões de dólares. Este interesse pela energia nuclear parece ser um contrassenso por parte de Bill Gates, na medida em que esta energia, tal como é produzida atualmente, com recurso à fissão nuclear, não é na realidade energia limpa, atendendo a que é gerado lixo radioativo, tando durante a produção de eletricidade como na extração mineira do urânio. Apesar de não implicar injeção de gases de efeito de estufa (GEE) na atmosfera durante o processo de produção de energia, os governos de muitos países resolveram não recorrer à fissão nuclear, pressionados pela opinião pública e desencorajados pela possibilidade de acidentes como os que ocorreram, por exemplo, em de Three Miles Island (EUA, 1979), Chernobil (Ucrânia, 1986), Seversk (Sibéria, 1993), Tokaimura e Fukoshima (Japão, respetivamente em 1999 e 2011). As populações dos países que recorrem à fissão nuclear são por vezes sobressaltadas por notícias sobre a fuga de gases radioativos gerados aquando do processo de produção de eletricidade. Recentemente, a população de Macau foi alertada por um incidente na central nuclear de Taishan, onde foi detetado um aumento do nível de radiação num dos dois reatores, sem que tivesse havido fuga de radioatividade para o exterior. Atendendo à pouca distância, cerca de 80 km a sudoeste de Macau, e à direção predominante dos ventos de monção que sopram do quadrante sul durante a estação mais quente, Macau é suscetível de ser afetado por gases radioativos, em caso de acidente grave nesta central. A fissão nuclear, com recurso ao urânio, consiste na fragmentação das moléculas deste elemento e consequente libertação de energia que é aproveitada para o aquecimento de água, cujo vapor é utilizado para a laboração de turbinas que, por sua vez, geram eletricidade. A fusão nuclear, contrariamente à fissão nuclear, consiste numa reação nuclear em que os átomos de dois elementos leves são combinados, formando um átomo mais pesado. No caso dos átomos dos elementos leves serem de hidrogénio, forma-se um átomo de hélio e liberta-se uma quantidade gigantesca de energia. O problema reside no facto de, para se dar a fusão, é necessário aquecer gás (em geral o hidrogénio ou um isótopo seu) a temperaturas altíssimas de modo a que se transforme em plasma, que é uma espécie de quarto estado da matéria, em que as partículas que o compõem estão carregadas de eletricidade, o que faz com que tenha de ser controlado com poderosíssimos ímanes. As grandes vantagens da fusão consistem essencialmente em as fontes de hidrogénio serem praticamente inesgotáveis, os níveis de contaminação serem baixos e não existir o risco de uma reação em cadeia suscetível de provocar desastres, como no caso da fissão. A fusão nuclear, que ocorre naturalmente no Sol e nas estrelas, ainda não é utilizável industrialmente, na medida em que, com a tecnologia atual, seria necessário mais energia para desencadear o processo do que a que seria produzida. A inovação nesta área poderá fazer com que se possa produzir energia em grandes quantidades sem emissões de GEE e sem fugas de radioatividade. Atualmente está a ser construído, no sul de França, um reator experimental de fusão nuclear, designado por International Thermonuclear Experimental Reactor (ITER), cuja construção se iniciou em 2010, fruto de uma parceria de 35 membros, incluindo EUA, União Europeia, Reino Unido, China e Índia. Espera-se que, com esta iniciativa, se possa provar que a fusão nuclear é uma solução energética viável para a descarbonização do nosso planeta. É opinião de muitos dos que se debruçam sobre a problemática da produção de energia que a dicotomia energias renováveis/energia nuclear é um falso problema, na medida em que os dois tipos de energia terão de se complementar para que se atinja a neutralidade carbónica até 2050, conforme estipulado no Acordo de Paris.
Os Jogos da Vergonha João Romão - 2 Jul 2021 Tempos houve em que se faziam tréguas entre os povos para se disputarem os Jogos Olímpicos, mas isso foi na Grécia Antiga. Ao longo do século XX os Jogos foram progressivamente perdendo esse espírito olímpico segundo o qual “mais rápido, mais alto, mais forte” é um ideal de superação de limites em que se enfrentam adversários circunstanciais e não inimigos políticos ou da pátria. Na realidade, os Jogos tornaram-se mesmo um prolongamento da Guerra Fria, dentro e fora dos estádios, quer nas contagens de medalhas de cada um dos lados da Cortina de Ferro, quer na mobilização para os boicotes que haviam de assinalar tentativas de manifestar hegemonias na política global. Caído o Muro, os Jogos perderam, pelo menos provisoriamente, esse sentido de disputa das hegemonias políticas e económicas planetárias, para se integrarem no devido espírito da ideologia dominante. Aliás, tornaram-se mesmo um dos mais perfeitos exemplos do que se pode definir como a organização neo-liberal do capitalismo tardio, decrépito e degradante que nos calhou viver: gigantescas parcerias público-privadas suportadas por ostentações de vãs glórias e desígnios nacionais promovidas por governos em permanente auto-promoção mediática, promovendo investimentos de grandes empresas transnacionais, altamente protegidas de qualquer tipo de concorrência, em mega-projectos de “renovação urbana” que tendem a mercantilizar cada vez os espaços públicos e a alimentar cada vez maior especulação imobiliária para promover novos processos de gentrificação e expulsão de populações indesejadas dos espaços que as modas determinam com os mais apetecíveis das cidades. O desporto – como os parques verdes urbanos, as ciclovias ou os dispositivos “inteligentes” que monitoram e vigiam a vida urbana – oferecem o branqueamento necessário a estas mega-operações que reforçam poderes económicos já dominantes, inevitavelmente financiados pelas instituições que dominam a economia global. Em Fevereiro escrevi aqui sobre os Jogos, numa crónica com o título “O vírus olímpico”, em que descrevia o Japão como um país onde o espírito original de superação pela prática do desporto e de respeito por oponentes se mantém vivo de uma forma que não encontrei noutros lugares. Será eventualmente o país olímpico, por excelência, mas nem por isso os Jogos deixam de constituir uma mega-operação de promoção nacional e de renovação urbana alimentada por projetos megalómanos de novas construções para habitação, serviços, comércios ou renovados sistemas de transportes. Contava-se também que a promoção internacional associada aos Jogos contribuísse para atrair população estrangeira, não só turistas, mas também novos residentes, ligados a novos negócios internacionais que quisessem assumir Tóquio como uma nova centralidade para os negócios na Ásia. Essa promoção, escrevia eu em Fevereiro, estava já irremediavelmente perdida, com o adiamento dos Jogos e a sua previsível realização num formato modesto, protegido, acanhado, definitivamente afastado da habitual opulência olímpica. A duas semanas do início dos Jogos Olímpicos, o que se sente no Japão é uma vergonha profunda. Não há qualquer sinal dos Jogos nos espaços públicos. Nenhuma manifestação de orgulho nacional por organizar o maior evento desportivo do planeta. Nenhuma marca patrocinadora a usar os Jogos para se promover a ganhar notoriedade. Há Jogos mas parece não haver, não é assunto de que se fale, a não ser o mínimo: as restrições à chegada de visitantes internacionais, algumas alterações nos feriados para ainda assim evitar eventuais congestionamentos nos momentos de abertura e encerramento, enfim, pouco mais do que informação formal e burocrática. Nenhuma festa, nenhuma celebração, nenhuma promoção. O motivo é a desconfiança generalizada. O governo preferia certamente não fazer os Jogos nesta altura mas não pode tomar essa decisão unilateralmente, a não ser pagando gigantesca indemnização ao Comité Olímpico Internacional. Há eleições em Outubro e o resultado eleitoral do actual partido no governo dependerá em grande medida do impacto que os Jogos possam ter na propagação da pandemia de covid-19. Na realidade, houve outros erros anteriores que foram objecto de crítica severa, sobretudo quando se decidiu subsidiar o turismo interno para reanimar economicamente o sector e afinal se alimentou um crescimento da propagação do vírus. Depois foram os atrasos no processo de vacinação, com uma demora dificilmente compreensível na aprovação das vacinas, que só seriam aprovadas no Japão quando Europa ou Estados Unidos tinham já grande parte da população vacinada. O governo, impedido de cancelar os Jogos e inibido de os adiar, tenta proteger o evento o mais possível, fazê-lo em pequenino mas com televisão para mostrar ao mundo que afinal o Japão conseguiu lidar com o vírus e organizar o maior mega-evento desportivo do planeta. A população parece altamente crítica, ainda que as manifestações públicas de protesto sejam escassas, como é habitual. As marcas patrocinadoras, conhecedoras da desconfiança generalizada, tentam vincular-se o menos possível aos Jogos. Em vez do orgulho nacional pela organização de tão magnífico evento, vive-se com alguma vergonha a obrigação de o ter que realizar nestas circunstâncias.
Literatura de Outro Planeta – Sayaka Murata Sara F. Costa - 2 Jul 2021 O objetivo da organização social é a manutenção da paz. A manutenção da paz garante a sobrevivência da espécie humana. Qual a melhor forma de organização social? Sayaka Murata é uma autora claramente fascinada por perguntas desta natureza. A sua reflexão é contemporânea e o seu ponto de vista geográfico é o Japão. Japão, esse país com uma vasta tradição de pérolas de ficção científica sobre o conflito espiritual entre a máquina e o humano. Tópico que não se esgota na época da recuperação económica dos anos 80. Não se esgota no manga e no anime que nos rechearam a infância com visões filosoficamente proféticas de distopias tecnológicas. Na realidade, talvez ainda estejamos só a começar a explorá-lo. A autora de “Loja de conveniência” tem um posicionamento muito específico na abordagem à realidade robótica. Não a considera propriamente distópica porque não a considera irreal e, precisamente por isso, também não a considera futuro. Em “Uma Questão de Conveniência” o leitor é convidado a entrar na vida de Keiko que, aos 36 anos, não tem outro objetivo na vida que não, simplesmente, sobreviver. O seu trabalho na loja de convivência é rigorosamente sistematizado. É um procedimento colocado em prática que lhe permite executar determinadas funções durante um determinado período de tempo – que lhe permite determinado salário que é o suficiente para um apartamento minúsculo e para comer. Como uma máquina, Keiko é uma extensão do lugar onde trabalha. Amar ou procriar nada lhe dizem e, no entanto, não consegue encontrar forma de a deixarem em paz. Familiares, colegas, amigos, ninguém compreende a falta de “sentimentos humanos” de Keiko. Esta capacidade em transmitir uma simplicidade profundamente perturbadora encantou milhares de leitores e garantiu à autora um dos mais apetecíveis prémios literários do país, o Akutagawa. Em “Terráqueos”, temos uma repetição da grelha de leitura filosófica sobre a ideologia vigente do sistema de organização social. A palavra “sobreviver” é a mais repetida em todo o livro. A autora afirma a sua vontade em ser diferente num mundo de normalidades (e consequente normalização). Desta vez, vai mais longe. Desafia limites que pouca ficção desafiou. Num cenário de um Miyazaki tétrico, a personagem e a sua inocência de pensamento contam-nos uma história de abuso parental, abuso sexual, incesto juvenil e doença mental. Tudo incorporado na existência psicótica do planeta Popinpobopia. O planeta de onde é proveniente um pequeno alienígena que parece um rato fofo que vai dando instruções à pequena Natsuki. Até que essas instruções se traduzem em homicídio, isolamento social e, como cereja no topo do bolo, canibalismo. Este resumo é simultaneamente sinistro e absurdo. Observemos a capa do livro na sua versão inglesa. O tal rato alien, uma fonte quase infantil das letras e umas estrelas. A autora gere assim a fronteira entre a verosimilhança e a metáfora, o literal e a caricatural – e eu diria que aqui está um dos principais problemas que muitos leitores encontram neste livro. É uma abordagem que cairia no chavão do experimentalismo porque não se pode dizer, de forma definitiva, qual é o lugar da autora quando nos compõe a puerilidade macabra destas páginas mas estou convencida que não lhe falta um grande sentido de humor (negro, claro está). Na segunda parte do livro, quando a pequena Natsuki é agora uma mulher na casa dos trinta, vamos encontrar as mesmas problemáticas que vimos já com Keiko – torna-se esclarecedor que a autora pretende debruçar-se com maior profundidade sobre um tema e esse tema é o da procriação. Não diria que o teor da exploração da questão da procriação detivesse em si uma visão intrinsecamente feminista. Em ambos os livros, a construção de um falso casal surge como símbolo externo de normalidade e conformismo perante a vigilância apertada dos outros. Também neste livro é levantada a hipótese: e se a nossa organização em núcleos familiares for só uma construção social? E ainda que fosse mais simples resumir o livro a esta questão, a verdadeira questão parece-me outra. Para além da crítica ao capitalismo e ao conservadorismo, o livro parece sugerir que o ser humano é movido por um impulso de preservação da espécie que é inane, absurdo. Nesta etapa, o campeonato não é pensar modelos de organização social ou ideologia política, é simplesmente reconhecer que filosoficamente o ser humano é feito por “componentes” de uma “fábrica” da qual nunca será gerente. Sem forma de conhecer o seu verdadeiro propósito, continua a existir porque é tudo o que sabe e, pelos vistos, melhor seria se soubesse antes morrer. Perguntas pesadas entre uma experiência estética e sensorial que estão a chamar tanto a atenção do mundo literário. “Terráqueos” de Sayaka Murata parece um livro de outro planeta e quem não gostaria, eventualmente, de conhecer o espaço?
Delta do Rio das Pérolas retratado em conferência multidisciplinar Andreia Sofia Silva - 2 Jul 20212 Jul 2021 É já nos próximos dias 8 e 9 de Julho que se realiza a palestra online “Narrating Pearl Delta River” [Narrando o Delta do Rio das Pérolas], organizada por Mário Pinharanda Nunes, da Universidade de Macau (UM) e Rogério Miguel Puga, da Universidade Nova de Lisboa. A ideia é olhar para esta zona do sul da China não apenas de uma perspectiva literária ou histórica, trazendo também para o diálogo áreas como as artes plásticas, incluindo um ângulo de contemporaneidade. “Queríamos que a conferência tivesse uma perspectiva mais alargada”, disse ao HM Mário Pinharanda Nunes. Para o académico, o Delta do Rio das Pérolas “é um imaginário cada vez mais presente”, apesar de hoje “se mencionar mais como a Grande Baía”. “Optámos por este título porque a maioria dos trabalhos se centram em épocas passadas, como o século XIX, e temos mesmo um trabalho sobre o século XVII. Felizmente, conseguimos captar também o interesse de colegas que trabalham a contemporaneidade, nomeadamente na área da literatura.” Rogério Miguel Puga confessou que o objectivo desta conferência “não é apenas estudar Macau, Hong Kong ou Cantão de forma isolada, mas tentar também comparar os mesmos espaços na representação do Delta do Rio das Pérolas como um espaço geopolítico e também psicogeográfico do sul da China, através de uma abordagem comparatista”. “É um espaço terreno e fluvial ao mesmo tempo, que nasce do comércio e que ainda hoje se centra nessa área”, acrescentou. Para o académico, o Delta do Rio das Pérolas “continua a ter interesse e cada vez mais na vertente da actual política chinesa”. “É um espaço comercial e político da China e é único na história universal de encontros e desencontros, e interesses transaccionais. É um espaço histórico palimpsesto, que pode ser estudado por camadas e que exige ser estudado desta forma comparada, tendo sempre em mente o passado histórico e a sua importância actual”, referiu. Do passado ao presente Quais são então os autores que podem ser vistos e ouvidos neste evento que traz “uma abordagem global e interdisciplinar”? Os organizadores destacam o diálogo sobre o trabalho de Kit Kelen, onde será feita uma leitura ilustrada da sua poesia. “A ideia era alargar o evento às artes plásticas e temos a contribuição do professor Kit Kelen, já aposentado, mas que é bastante conhecido em Macau pelo trabalho que fez na década de 90 até há uns cinco anos atrás. Trabalhava muito com jovens poetas”, referiu Mário Pinharanda Nunes. Sara Augusto, académica do Instituto Politécnico de Macau, irá falar da “Poemografia, a escrita a preto e branco de António Mil-Homens”, imprimindo à conferência um tom mais contemporâneo, enquanto que Paul Van Dyke vai falar sobre casas de penhores. Será também dado destaque às obras de Maria Ondina Braga ou Rodrigo Leal de Carvalho, sem esquecer a obra de Henrique de Senna Fernandes. “Mónica Simas falará sobre ‘Os Dores’ de Henrique de Senna Fernandes, um autor macaense que também se ocupa de vários espaços do Delta do Rio das Pérolas nos seus romances, incluindo Portugal e cidades chinesas”, explicou Rogério Miguel Puga. Everton Machado, da Universidade de Lisboa, irá ainda falar do poeta Wenceslau de Moraes. Esta conferência conta também com a participação do Centro Cultural e Científico de Macau. A conferência pode ser vista aqui.
Euro 2020 | Quartos de final decididos entre favoritos Hoje Macau - 2 Jul 2021 Nos principais confrontos da 2ª. ronda a eliminar do Euro 2020, a Bélgica defronta a Itália e a Suíça recebe a Espanha. Estas quatro equipas estão dentro do top 15 do ranking FIFA de selecções, o que redobra o interesse nas partidas. Com apenas um favorito, Inglaterra, do outro lado do torneio, significa que estes dois jogos serão incrivelmente complexos de prever Por Martim Silva Dentro do habitual pós-jogo que dá início às hostilidades do próximo encontro, Roberto Martínez, treinador da Bélgica, antecipou o confronto em Munique frente à Itália admitindo possíveis mudanças na ideia de jogo. “Contra a Itália vai ser muito diferente porque eles são uma equipa que desde o primeiro segundo vai atacar e vai ser muito dinâmica. Estão muito bem estruturados e têm um verdadeiro entendimento do papel que cada jogador desempenha dentro de campo.” Após o jogo com a selecção das quinas, onde a Bélgica fez apenas um remate à baliza e teve pouca bola, Eden Hazard e Kevin De Bruyne estavam já em dúvidas para o embate contra os italianos, no entanto, e mesmo depois do guardião belga Thibaut Courtois dizer que seria um milagre se ambos não falhassem o resto do Euro, Martínez referiu que os craques belgas não irão jogar frente aos azzurri, na madrugada de sexta para sábado às 3h de Macau, mas continuarão no torneio. “É bastante positivo para nós. O Eden e o Kevin não têm dano estrutural. Vão continuar com a equipa. Não estarão totalmente aptos para sexta-feira, mas estarão para a próxima fase da competição.” Os diabos vermelhos só venceram a equipa transalpina em 4 ocasiões desde 1913, ano do primeiro confronto entre ambos. Em 22 jogos, os italianos têm 14 vitórias. O mais recente triunfo veio em 2016, quando Itália, então treinada por Antonio Conte, derrotou esta mesma geração belga por 2-0 na fase de grupos do Euro. Um dos grandes trunfos da equipa de Roberto Mancini seria o regresso do lesionado Giorgio Chiellini. O capitão da Juventus, de 36 anos, já jogou três vezes contra Romelu Lukaku, desde que este se transferiu para o Inter de Milão em 2019, tendo apenas sofrido um golo do avançado belga e de penálti. Recuperar o defesa será uma mais-valia para o conjunto de Mancini. Itália não chega às meias-finais de um Euro desde 2012, ano em que foi derrotada pela Espanha na final, mas para Martínez esta equipa não é o protótipo das selecções italianas, que se limita a defender. “Eles são diferentes, dinâmicos e modernos no seu 4-3-3 e com uma estrutura forte. São mais poderosos como um todo e não como um grupo de indivíduos.”, concluiu o treinador da Bélgica. Manter a invencibilidade Da última vez que a Suíça jogou contra a Espanha, sem contar com amigáveis e a Liga das Nações, estávamos em 2010 na fase de grupos do Mundial e os helvéticos venceram por 1-0. Nesse ano, os espanhóis acabaram por conquistar o troféu de campeões do mundo, mas a história desta vez poderá ser diferente. Os suíços já eliminaram da prova o campeão mundial de 2018 e se vencerem, novamente, a Espanha vão directamente paras as meias-finais e os jogadores da La Roja vão, simplesmente, para casa. Os espanhóis ainda não perderam neste Euro e quererão continuar assim quando defrontarem a Suíça na Rússia, às 00h, hora de Macau, de sexta-feira para sábado. Para os suíços, a derrota contra a Itália é o único marco negativo na equipa de Vladimir Petkovic. Para o seleccionador suíço, não contar com o capitão Granit Xhaka, suspenso por acumulação de cartões amarelos, é um golpe duro para as aspirações helvéticas. Porém, o espírito mostrado contra a França é um bom exemplo a seguir contra a Espanha. “O jogo contra a França foi demasiado emocionante. Todos os meus jogadores deram 120%. Foi provavelmente um dos melhores jogos de sempre da minha equipa e vamos precisar de uma exibição semelhante frente à Espanha nos quartos de final.”, rematou o treinador suíço. Com a montanha-russa que foi o 5-3 dos oitavos de final frente à Croácia, Luis Enrique não vê com bons olhos um encontro semelhante e exalta a importância de manter o esférico sob controlo. “Não vamos apostar na bola para a frente e no futebol defensivo. defenderemos tentando ter a posse da bola e jogar o nosso futebol.”, sublinhou o timoneiro espanhol. Seleccionador durou menos de um ano Frank De Boer já não é treinador dos Países Baixos e a eliminação surpreendente nos oitavos de final pelas mãos da República Checa terá sido a gota de água. Em 15 jogos como seleccionador da Laranja Mecânica perdeu apenas 3 vezes. Os adversários foram México, Turquia e os checos. Na eventualidade de apuramento dos holandeses para os quartos de final do Euro 2020, o contrato do holandês, com fim em 2022, seria automaticamente renovado. No entanto, se esta fasquia não fosse respeitada o trabalho do treinador seria reavaliado, anunciou a Federação Holandesa de Futebol em comunicado. Para De Boer, a tarefa não foi levada a bom porto e a melhor solução seria a sua retirada de cena. “Em antecipação da avaliação, eu decidi não continuar como seleccionador nacional. O objectivo não foi cumprido.”. A saída, acordada entre ambas as partes, vem na sequência da eliminação prematura da selecção dos Países Baixos do Euro e De Boer não queria que a sua presença ofuscasse o apuramento laranja para o Mundial de 2022. “A pressão só iria aumentar e isso não é uma situação saudável para mim nem para a equipa quando há jogos importantes dos Países Baixos para a qualificação do Mundial. O meu obrigado a todos, especialmente aos adeptos e jogadores.”, despediu-se assim Frank De Boer. Ronaldo, Xhaka e Coca-Cola O capitão da selecção portuguesa fez notícia no passado dia 14 de Junho, na conferência de imprensa de antevisão do jogo de Portugal frente à Hungria para a fase de grupos do Euro 2020, quando tirou da sua frente duas garrafas de Coca-Cola, ao mesmo tempo que mostrava uma garrafa de água. A preferência de Cristiano Ronaldo por H2O levou muitos outros jogadores a imitar ou a gozar com o acontecimento. No seguimento da situação caricata, houve uma quebra no preço das acções cotadas em bolsa da Coca-Cola, levando a empresa multinacional americana a perder 4 mil milhões de dólares em valor de mercado. No entanto, já no dia 11 de Junho, a Nasdaq reportava que a Coca-Cola tinha anunciado que quem comprasse acções depois do dia 14 de Junho não teria acesso aos dividendos trimestrais. Ora, segundo a Forbes, as garrafas da bebida foram removidas por Ronaldo às 9:43 da manhã (hora de leste nos E.U.A.), tendo a Coca-Cola perdido os tais 4 mil milhões de dólares 3 minutos antes. No mesmo artigo, a revista americana menciona que o mercado do dia 14 de Junho tinha estado em baixo e dá como exemplo a Ford ter perdido cerca de 2 mil milhões de dólares nesse mesmo dia. Mesmo depois da recusa de Ronaldo, os preços das acções da multinacional americana subiram e adicionaram 1.3 mil milhões de dólares ao valor da empresa. Em tom mais leviano, o capitão suíço Granit Xhaka, no jogo frente à França para os oitavos de final do Euro 2020, decidiu beber uma garrafa inteira de Coca-Cola antes da sua equipa eliminar os gauleses na marcação de grandes penalidades. A diferença entre quem bebeu o refrigerante e quem o pôs de parte está nos detalhes: Xhaka liderou a sua equipa aos quartos de final do Euro e Ronaldo foi para casa beber água.