Covid-19 | Governo avisa que ocultar passagem por Gongbei pode dar prisão

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O Centro de Coordenação de Contingência lembrou ontem que mentir ou ocultar dados na prevenção à pandemia pode resultar em seis meses de prisão. O aviso foi feito em relação à necessidade de reportar a passagem pelo centro comercial de Gongbei. Ontem, foram reportadas duas infecções de residentes de Zhuhai que trabalham em Macau

 

“O Centro de Coordenação reitera que quem prestar falsas declarações é punido com pena de prisão até 6 meses ou com pena de multa até 60 dias.” É desta forma que termina um comunicado emitido ontem pelas autoridades de saúde a apelar a quem tenha passado no centro comercial subterrâneo do posto fronteiriço de Gongbei para declarar “fielmente as informações e cumprir as respectivas medidas de prevenção antiepidémicas”.

As autoridades de saúde locais anunciaram ontem que, para entrar em Macau, quem tenha passado pelo piso -1 e -2 do centro comercial de Gongbei terá de cumprir quarentena em hotel designado até ao quinto dia seguinte a ter passado pela zona de risco. A quarentena não pode ser inferior a dois dias e, de seguida, seguem-se três dias de isolamento domiciliário com código vermelho

Quem já tiver entrado, deve fazer autogestão de saúde até ao quinto dia depois de ter passado pelas zonas mencionadas de Gongbei, ficando com código de saúde amarelo e submetendo-se a quatro testes sucessivos de ácido nucleico.

O par do dia

As autoridades de Zhuhai anunciaram ontem a descoberta de dois casos positivos referentes a pessoas que trabalham em Macau. A primeira a ser reportada foi uma mulher de 22 anos, residente no Interior da China, que trabalha no Music Cracker Education Centre”, no Fai Chi Kei, que testou positivo na manhã de ontem.

O centro de coordenação de contingência indicou que, como tem sido habitual, a jovem passou pela área de correios expressos do centro comercial do posto fronteiriço de Gongbei no passado domingo.

Por volta do meio-dia de ontem, foi reportado pelas autoridades de Zhuhai mais um caso positivo, referente a uma residente do Interior da China, de 36 anos, que mora em Zhuhai e permanece a maioria do tempo na Farmácia “Hui Hong”, explorada pelo marido, na Rua 1 do Bairro Vá Tai, nas Portas do Cerco.

A mulher passou na terça-feira no balcão dos Serviços de Finanças do Centro de Serviços da RAEM da Areia Preta, o que levou ontem à tarde ao encerramento do edifício durante uma hora e meia para desinfecção das instalações.
As autoridades indicaram ainda que na quarta-feira a mulher foi ao Edifício de Administração Pública, na Rua do Campo. Até ao fecho da edição, as autoridades de saúde não haviam decretado mais zonas vermelhas.

Burla | Residente desfalcado em 1,4 milhões de patacas

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Um residente de 31 anos foi burlado em 1,4 milhões de patacas, após ter confiado os dados da conta bancária a um burlão que se fez passar por representante das autoridades de saúde de Hong Kong e da polícia do Interior. O caso foi revelado ontem pela Polícia Judiciária e relatado pelo Jornal Ou Mun.

Segundo o queixoso, a 7 de Novembro recebeu uma chamada telefónica, de alguém que se fez passar pelas autoridades de Saúde de Hong Kong. Após ter sido informado de que tinha estado em contacto com um caso positivo de covid-19 em Hong Kong e numa zona de surto, o residente local protestou ao telefone e afirmou não ter saído do território nos últimos tempos.

A resposta não demoveu o burlão, e, ao telefone, informou a vítima de que iria transmitir a chamada para a Polícia do Interior, uma vez que o residente também era suspeito de ter cometido crimes financeiros no outro lado da fronteira.

Sem desconfiar da identidade da pessoa do outro lado da linha, o residente forneceu todos os dados da conta bancária para que as “autoridades” pudessem proceder às averiguações necessárias. Com a informação nas mãos, o burlão, que se fez passar pela polícia do Interior, limitou-se a contar à vítima que esta tinha sido ilibada de qualquer suspeita. Porém, passado uns dias o homem desconfiou do sucedido e quando verificou o saldo da conta apercebeu-se que tinha sido desfalcado em 1,4 milhões de patacas, pelo que apresentou queixa.

Habitação | Outubro foi o mês do ano com mais transacções

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O registo das vendas no projecto Praia Park, em Seac Pai Van, fez disparar o número de transacções imobiliárias durante o mês de Outubro. Em comparação com o ano passado, o número caiu para metade

Com um total de 417 transacções de habitação, Outubro foi o melhor mês do ano a nível do mercado imobiliário. Os números foram impulsionados pelo aumento das vendas em Coloane, onde se registaram 184 transacções, devido ao projecto Praia Park.
Segundo os dados da Direcção de Serviços de Finanças (DSF), no décimo mês do ano registaram-se 417 transacções a um preço médio de 111.397 patacas por metro quadrado. Estes dados contrastam com o mês de Março que tinha sido o melhor mês do ano até Outubro, quando ocorreram 350 transacções, a um preço médio de 93.641 patacas por metro quadrado.
Coloane foi a área onde se registaram mais transacções, 184 a um preço médio de 133.103 patacas por metro quadrado. As fracções vendidas tinham em média cerca de 78 metros quadrados.
Estes números foram impulsionados pelo projecto Praia Park, em Seac Pai Van, onde na segunda quinzena de Outubro se registaram 176 das 184 vendas em Coloane. Tendo em conta a média do preço e da área, as casas nesta zona são vendidas por cerca de 11 milhões de patacas.
Em contraste com Outubro do ano passado, este ano houve mais 168 transacções em Coloane, visto que em Outubro de 2021 o número não tinha ido além das 16 transacções. Também no ano passado, o preço médio tinha sido de 91.711 patacas.
As restantes vendas aconteceram na Península de Macau, com 179 transacções, e Taipa, com 54 casas. Os preços médios de venda foram 90.497 patacas por metro quadrado e 88.322 patacas por metro quadrado, respectivamente.

Quebra de 50 por cento
Apesar dos sinais de recuperação em Outubro, segundo os dados da Direcção de Serviços Financeiros, nos primeiros 10 meses do ano o número de transacções teve uma quebra de 50 por cento.
Até Outubro deste ano, houve 2.582 transacções, e o último mês foi o único em que as vendas ficaram acima das 400 unidades. No ano passado, também até Outubro tinha havido um total de 5.102 transacções.
Os dados indicam também que em 2021 o mercado tinha outra vitalidade, uma vez que apenas em Fevereiro e Outubro o número de transacções ficou abaixo das 400 unidades.
O número de transacções está a descer ao mesmo tempo que sobe o número de fracções desocupadas. Segundo os dados da Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC), em Junho de 2021 havia 21.000 casas inabitadas em Macau. O número subiu para 22.222 em Junho deste ano.

Caso Suncity | Arguido terá sido “mentalmente torturado”, afirma namorada

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Au Wang Tong, arguido do caso Suncity, terá sido “mentalmente torturado” aquando da sua detenção na China, ao ponto de ter tentado o suicídio. A denúncia chegou ontem pela voz da namorada de Au em mais uma sessão de julgamento do caso, que decorre no Tribunal Judicial de Base.

Segundo o portal Macau News Agency, Au Wang Tong foi detido na fronteira de Macau com Zhuhai em Dezembro de 2020, na companhia da namorada, quando o casal voltava a casa depois de uma viagem ao continente. “Não sabia o que estava a acontecer. Os polícias da Alfândega [da China] apenas me disseram para ir embora enquanto levavam o meu namorado.”

A rapariga afirma que só teve notícias do namorado três meses depois e após contacto com um advogado, que também só pôde contactar com o seu cliente muito tempo depois. “Ele disse ao advogado [na reunião] que ficou preso numa pequena divisão sem permissão para tomar banho. Foi mentalmente torturado… e teve uma quebra emocional. Ele mudou completamente. Perdeu imenso peso e parecia completamente esgotado. Também tinha marcas nos pulsos”, contou.

“Ele disse-me que estava preso num quarto pequeno e que só pensava em diferentes formas de se matar, todos os dias. Disse que nunca imaginou que a sua vida poderia terminar desta forma”, acrescentou a namorada de Au, de apelido Lao, na sessão de ontem do julgamento do caso Suncity.

Au Wang Tong é um dos 21 arguidos do caso, juntamente com Alvin Chau, sendo acusados de promover e desenvolver actividades de jogo ilegal e lavagem de dinheiro, entre outros crimes. Au era um trabalhador da linha da frente, na área do desenvolvimento de mercado, da Suncity. A acusação diz que ele terá ajudado a criar centenas de contas ilegais nas salas VIP, além de promover actividades de jogo na China.

Turismo | Despesas de visitantes do Interior subiram 22,6 %

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Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), relativos ao terceiro trimestre deste ano, revelam que a despesa per capita dos visitantes oriundos do Interior da China subiu 22,6 por cento, em termos anuais, enquanto a despesa per capita dos visitantes da mesma região, mas com visto individual, foi de 6.145 patacas, uma subida de 3,9 por cento.

Em termos globais, no mesmo trimestre, a despesa per capita dos visitantes em Macau foi de 3.222 patacas, mais 22,7 por cento em termos anuais. Por sua vez, a despesa per capita dos turistas (5.717 patacas) e a dos excursionistas (601 patacas) registaram aumentos homólogos de 14,5 e 1,8 por cento, respectivamente.

Grande parte da despesa, 64,7 por cento, foi feita em compras, seguindo-se os gastos com alojamento, que representa 17,9 por cento, e em alimentação, 11,9 por cento. A despesa per capita dos visitantes em compras cifrou-se em 2.084 patacas, mais 30 por cento em termos anuais.

Ainda relativamente ao terceiro trimestre, a despesa total dos visitantes, com a exclusão das despesas feitas no jogo, cifrou-se nas 2,90 mil milhões de patacas, menos 39,7 por cento em termos anuais.

A DSEC diz que esta quebra se deve “principalmente à diminuição homóloga de 50 por cento do número de visitantes entrados em Macau, causada pelo impacto da pandemia”. As despesas totais dos turistas, de 2,63 mil milhões de patacas, e dos excursionistas, de 264 milhões de patacas, registaram uma quebra de 37,6 e 54,6 por cento, respectivamente. Nos três primeiros trimestres deste ano a despesa total dos visitantes atingiu 13,34 mil milhões de patacas, correspondendo a um decréscimo de 26,5 por cento face ao mesmo período de 2021.

Jogo | Singapura e Filipinas ultrapassaram Macau

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Da indiscutível medalha de ouro, para o bronze. Macau caiu para o terceiro lugar no pódio das receitas brutas do jogo em termos regionais durante o terceiro trimestre do ano. Os casinos de Singapura e Filipinas conseguiram melhores resultados num trimestre em que os casinos de Macau fecharam durante 12 dias

 

Há uns anos seria impensável ver a capital mundial do jogo destronada regionalmente do lugar cimeiro em termos de receitas brutas apuradas. Pois foi isso mesmo que aconteceu durante o terceiro trimestre deste ano, quando Singapura e Filipinas ultrapassaram os resultados dos casinos locais, relegando Macau para o terceiro lugar em termos regionais.

A indústria do jogo das Filipinas amealhou no terceiro trimestre deste ano cerca de 860,7 milhões de dólares, quantia que representou uma subida de 7,6 por cento em relação ao trimestre anterior, segundo dados compilados pelo portal GGR Asia.

No pódio regional, Singapura ficou em segundo lugar. No terceiro trimestre do ano, os dois casinos da cidade estado apuraram 788 milhões de dólares, divididos entre o Marina Bay Sands, que pertence à Las Vegas Sands Corp, e o Resort World Sentosa, gerido pela Genting Singapore Ltd. No cômputo dos resultados de Singapura, o Marina Bay conseguiu 510 milhões de dólares, superando em 2 por cento as receitas brutas do trimestre anterior.

Não cai do céu

O terceiro trimestre deste ano foi sinónimo de um dos piores resultados dos casinos locais desde que o jogo foi liberalizado em Macau, apurando receitas brutas na ordem dos 688,4 milhões de dólares. Valor que representou uma quebra de 34,7 por cento em relação ao já muito negativo trimestre anterior, e que ficou quase 100 milhões de dólares abaixo dos resultados obtidos apenas por dois casinos em Singapura.

Importa recordar que durante o período em análise, Macau enfrentou o mais grave surto de covid-19 desde o início da pandemia, levando ao confinamento parcial da população, a múltiplas rondas de testes em massa, e ao encerramento dos casinos durante 12 dias.

Em termos anuais, os meses entre Julho e Setembro registaram quebras de resultados de mais de 70 por cento em relação ao período homólogo de 2021, representando apenas 7,8 por cento das receitas brutas registadas no terceiro trimestre de 2019.

Os dados compilados pelo portal GGR Asia espelham a diferença entre a política de zero casos implementada no Interior da China, e por arrasto a Macau, e o levantamento de restrições que se faz sentir na região asiática.

Lei Wai Nong diz que reality show vai mostrar sucesso de “Um País, Dois Sistemas”

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Um reality show que recorre a celebridades para mostrar ao Interior o sucesso do princípio “Um País, Dois Sistemas” em Macau. Foi desta forma que o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, comentou o novo programa televisivo do grupo China Media Group intitulado “Viagem de duas vias em Macau”.

“A partir de diferentes ângulos, o programa demonstra a história de sucesso de Macau sob ‘Um País, Dois Sistemas’, mostrando de forma global e multifacetada Macau como um Centro Mundial de Turismo e Lazer, para que o público possa ver uma Macau colorida e diversificada, tendo um conhecimento mais completo e renovado da cidade”, afirmou Lei Wai Nong.

A cerimónia de lançamento do novo programa decorreu ontem, no Auditório do Edifício Chi Un da Universidade Politécnica de Macau, e o governante associou o princípio político ao facto de se permitir em Macau a fusão de várias culturas.

Na visão do secretário para a Economia e Finanças, o novo programa tem um formato “muito popular entre os espectadores do Interior da China” e vai contar com “apresentadores famosos e estrelas do mundo do entretenimento”. O objectivo será mostrar às celebridades do Interior a “fusão das diversas culturas de Macau, o seu rosto singular e contornos urbanos, bem como a abundância de eventos inovadores, lazer e entretenimento, história e cultura”, através de duas vias: “rituais de vida” e celebrações”.

Agora é que vai ser

Apesar do aumento de casos de covid-19 no Interior da China e das restrições à circulação de pessoas, Lei Wai Nong aproveitou para destacar o fim da suspensão das excursões a Macau e agradecer ao Governo Central.

“A retoma do sistema de vistos electrónicos para viagens turísticas do Interior da China a Macau e de excursões de ‘quatro províncias e uma cidade’, entre outras medidas favoráveis reflectem plenamente o amor do Governo Popular Central por Macau”, afirmou. A declaração foi proferida apesar de até ontem ainda não ter chegado a Macau qualquer excursão ao abrigo do programa mencionado.

A oportunidade serviu também para Lei deixar um sinal de confiança para o futuro. “Com a estabilidade da situação epidémica no Interior da China e em Macau, prevê-se que o número de visitantes irá voltar a apresentar uma tendência de subida significativa, o que impulsionará grandemente a recuperação do turismo, e dinamizará a vida da população e a economia de Macau”, anteviu o governante.

LAG | Académicos consideram relatório concreto e pragmático

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Os académicos Lei Chun Kwok e Matthew Liu Ting Chi entendem que o relatório das Linhas de Acção Governativa, apresentado esta semana, é mais concreto e pragmático em relação à política de diversificação económica. Porém, apontam que os efeitos só se vão sentir a longo prazo

 

Há muito que o Governo de Macau fala da necessidade de diversificar a economia além do jogo. No entanto, só com o relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano foi possível ser mais pragmático, graças à apresentação da política “1+4”. É o que consideram dois académicos da Universidade de Macau (UM), Lei Chun Kwok e Matthew Liu Ting Chi, em declarações ao programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau.

Considerando que os objectivos traçados no relatório correspondem à situação concreta de Macau, os dois académicos entendem, no entanto, que as metas traçadas no documento não serão concretizadas a curto prazo.

Lei Chun Kwok, também vice-presidente da Associação Económica de Macau, disse que o relatório apresenta de forma mais pragmática a situação macroeconómica do território. “O Governo já propõe o objectivo da diversificação económica há muitos anos, mas desta vez vi um objetivo mais clarificado em relação ao passado, que é a estratégia ‘1+4’”, disse.

A estratégia assenta na integração do turismo e do lazer numa só indústria de excelência, enquanto o número quatro diz respeito ao fomento de quatro sectores que o Governo encara como prioritários na economia, que são as áreas de big health, finanças, tecnologia de ponta, convenções e exposições, comércio, cultura e desporto. A ideia é que estas quatro indústrias ganhem cada vez maior relevo na economia em relação ao jogo.

No entanto, no programa de rádio, Lei Chun Kwok alertou para a impossibilidade desta mudança na economia se fazer em poucos anos, apontando que vai demorar pelo menos dez anos até que o jogo deixe de ser o principal sector económico e estas quatro indústrias tenham maior relevância.

Por sua vez, Matthew Liu Ting Chi, docente da Faculdade de Gestão de Empresas da UM, disse que a política vai necessitar de tempo para ser uma realidade e recordou o título do relatório das LAG: “Conjugação de esforços; Avanço com estabilidade”, o que significa, na sua visão, avançar com as propostas calmamente com o consenso da população.

Face à estratégia “1+4”, o académico entende que é exigido ao sector do jogo o fomento das quatro novas indústrias. “Por isso é uma estratégia que afasta preocupações da população em relação à possível destruição do sector do jogo”, disse.

Desemprego e afins

Na sua intervenção, o académico e vice-presidente da Associação Económica de Macau lembrou que o relatório das LAG, apresentado esta semana por Ho Iat Seng “deu destaque ao aceleramento da recuperação económica” tendo em conta a crise que se vive devido à pandemia.

“A taxa de desemprego tem aumentado nos últimos anos e o sector do jogo está neste momento num período de ajuste”, disse. O responsável lembrou ainda o facto de o relatório prever o restabelecimento da emissão do visto electrónico para os turistas chineses e o regresso das excursões a Macau.

À semelhança do que disse o Chefe do Executivo, Lei Chun Kwok também defende a ideia que defende a impossibilidade de estabelecer uma proporção de empregos para residentes e trabalhadores não-residentes (TNR).

“Devemos substituir os TNR consoante a taxa de desemprego. Se a situação continuar má, o Governo deve reforçar essa substituição de trabalhadores. É mais flexível desta forma do que elaborar uma proporção de TNR que podem ocupar certas vagas.”

Na visão de Matthew Liu, o desemprego não está apenas relacionado com os TNR, mas é uma consequência de toda a conjuntura económica e da enorme dependência da economia em relação ao jogo. Por essa razão, o professor defende que as quatro novas indústrias da estratégia “1+4” podem ter maior espaço de desenvolvimento, proporcionado mais empregos.

Rota Marítima da Seda | Maria José de Freitas fala do potencial da candidatura

Sofia Margarida Mota
Maria José de Freitas defende que Macau não se deve envergonhar do seu passado como entreposto comercial entre a China e o Ocidente nem dos laços com a rota comercial criada pelos portugueses que lhe deu o estatuto de cidade portuária. A arquitecta apela à divulgação, por parte do Governo, dos relatórios sobre a análise do impacto no património, que, diz, deveriam ser públicos

 

Maria José de Freitas entende que Macau não se deve envergonhar do seu passado como cidade portuária e um importante elo de ligação na relação comercial marítima que uniu a China e Portugal a partir do século XVI. Em declarações ao HM, a propósito da proposta de candidatura da Rota Marítima da Seda a património mundial da UNESCO, a arquitecta e estudiosa do património de Macau entende que há um lado da moeda afastado do discurso oficial.

“Macau não tem de ter vergonha do seu passado ou da sua origem, porque é diferente enquanto cidade que integra a Grande Baía precisamente pela sua história, que tem também um valor universal reconhecido pela UNESCO.”

Os critérios de classificação da UNESCO prendem-se, precisamente, com o facto de Macau ser “uma cidade portuária” e que apontam para a “miscigenação” do território.

Maria José de Freitas entende que há uma ocultação desse passado e que este “não é valorizado como deveria”. “Muitas vezes, até na informação divulgada pelo Instituto Cultural (IC), fala-se do encontro cultural que existe na cidade, mas não se mencionam esses critérios, muito vinculados ao facto de Macau ter sido uma cidade portuária. Isso não surgiu do nada, mas sim da relação com o Ocidente.”

Não se integra, portanto, “na divulgação do património de Macau todos os valores e situações, como é o caso dos portugueses e do comércio marítimo até chegar a Macau, no contexto de rede comercial vinda de África, Índia, Colombo e até chegar ao Japão, ou relacionado com as próprias missões ligadas à religião católica.”

“É como se só ouvíssemos um lado, mas o outro lado existe e tem vestígios. Temos, por exemplo, as Chapas Sínicas, que são reveladoras de um contexto que deve ser valorizado e integrado nesta Rota”, acrescentou.

Todo o sentido

Maria José de Freitas foi uma das oradoras do Fórum Cultural Internacional sobre a Rota Marítima da Seda que terminou ontem, com o painel “A Rota Marítima da Seda – O papel de Macau nas rotas passadas e futuras”. Durante dois dias, este fórum abordou a candidatura da Rota Marítima da Seda a património mundial da UNESCO, um projecto preparado por 28 países. Na visão da arquitecta, “faz todo o sentido que nesta candidatura Macau esteja incluído. Há perspectivas que se abrem para o futuro no âmbito da Grande Baía e também do projecto ‘uma faixa, uma rota’”.

Isto porque “os portugueses, antes de chegarem a Macau, estiveram noutras ilhas da Ásia e estabeleceram uma rede comercial e de troca de produtos, pelo que a localização de Macau era, assim, muito favorável”. “No retorno à China o facto de Macau se tornar parte desta Grande Baía é também um retorno às origens”, adiantou Maria José de Freitas.
Falamos de um período próspero, que vai do século XVI ao século XVII, quando Macau tem uma grande importância como cidade portuária, sendo um elo de ligação fundamental no comércio entre a China, Portugal e o resto do mundo.

“Macau era um parceiro fiável para a China naquela época e podia assegurar um percurso fluvial até Cantão, a fim de escoar os produtos chineses. No percurso para o Japão traziam as especiarias que vinham da Índia. Havia benefícios que os chineses aproveitaram e Macau estabeleceu-se então como um entreposto comercial muito forte que durou até ao século XVII. Só perde importância a partir do momento em que surgem as grandes companhias, holandesa, francesa e espanhola. O reflexo no urbanismo e na arquitectura é evidente, ainda hoje”, disse a arquitecta.

Onde estão os relatórios?

Questionada sobre a criação do Centro de Monitorização do Património Mundial de Macau, Maria José de Freitas entende ser um passo importante. “Quando trabalho com a UNESCO é habitual fazer-se o relatório periódico da avaliação dos bens, porque estão sujeitos a inúmeras pressões, de toda a espécie. No caso de Macau relacionam-se com a envolvente e que pode afectar os valores universais. Há ainda que garantir as condições de estabilidade e segurança dos próprios edifícios, perceber se são antigos, se podem ter problemas estruturais. Há também outras situações que podem ocorrer devido às alterações climáticas extremas, como os tufões e a poluição.”

Outro dos factores que pode afectar os monumentos, é o elevado número de turistas, actualmente em quebra devido à pandemia. “Podem aparecer de novo as multidões de turistas e já sentíamos em Macau que essa situação deveria ser monitorizada, portanto, há uma série de parâmetros que essa monitorização deve assegurar. Faz sentido que exista um organismo que faça tudo isso. O património só tem a ganhar.”

A arquitecta deixa ainda um alerta para que o IC divulgue os relatórios do “Heritage Impact Assessment” [Avaliação do Impacto no Património], que servem para “aferir qual a situação dos bens patrimoniais”.

“No caso de Macau não tenho visto isso feito, apesar de ser uma recomendação da UNESCO. Não há notícias públicas sobre esses relatórios. Em vários casos fazem todo o sentido, como o Farol da Guia ou a zona da Igreja da Penha. Os relatórios devem ser públicos e bilingues. O IC diz que essa análise foi realizada, mas ninguém conhece os conteúdos. O IC deverá ter esses documentos, mas a população, as associações de defesa do património e os académicos não têm. Estas coisas têm de ser transparentes e conhecidas”, rematou.

Macau Roadsport Challenge | De olho no pódio, Badaraco espera que esta não seja a última

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Num ano em que as duas categorias locais de carros de Turismo – 1950cc e Acima e 1600cc Turbo – se voltam a encontrar, mas agora na corrida Macau Roadsport Challenge, Jerónimo Badaraco quer regressar a um pódio que visitou pela primeira vez em 1999, quando triunfou na derradeira edição da Taça ACP.

O piloto macaense vai conduzir novamente o imponente Mitsubishi Evo9 da Son Veng Racing Team, um carro mecanicamente levado ao extremo e que prima pela espectacularidade, mas cuja fiabilidade é o seu “calcanhar de Aquiles”. Tal como à maior parte dos pilotos do território, a pandemia trocou os planos a Jerónimo Badaraco e a preparação para a corrida mais importante do ano não foi aquela que o piloto e a sua equipa certamente pretendiam.

“Este ano vai ser outra vez muito especial, porque por causa da pandemia não pudemos testar o carro como queríamos, mas eu e toda a equipa esperamos que o carro consiga corresponder às nossas expectativas e que corra tudo bem ao nível de mecânica e electrónica”, relatou ao HM o piloto que conta com mais de duas dezenas de participações no Grande Prémio de Macau.

Se não acontecerem imprevistos técnicos, “Noni” não esconde a vontade que tem em “voltar a subir ao pódio, celebrar uma vitória e acima de tudo, voltar a sentir a emoção desta competição automóvel tão importante em Macau.”

Rumores do paddock dizem que esta será a última edição em que iremos ver os muito acarinhados carros de Turismo das classes 1950cc e Acima e 1600cc Turbo em acção no Circuito da Guia. Tendo estes carros já atingido o seu pico de evolução e completado o seu ciclo de vida, a pandemia acabou por prolongar o seu “prazo útil de vida”, poupando os pilotos locais de elevados investimentos em carros e material novo.

Porém, Jerónimo Badaraco acredita que será um erro terminar com esta popular corrida: “Há a possibilidade deste ano ser a última prova de Roadsport Challenge e por isso aproveito esta oportunidade no Hoje Macau para expressar o meu desejo de que esta prova se mantenha, pois é uma competição com vários pilotos com carros tão diferentes e que os espectadores gostam.”

Taça de Carros de Turismo de Macau | Ávila chega a Macau após duas vitórias no TCR Ásia

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O piloto da MG XPower Racing vai participar pela 15.ª vez no Grande Prémio de Macau e vai ser o único representante local na Taça de Carros de Turismo de Macau, que este ano é pontuável para o campeonato TCR Ásia e para o Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC)

 

Após um ano de ausência, Rodolfo Ávila está de regresso ao Circuito da Guia. Naquela que é a sua 15.ª participação no Grande Prémio de Macau. O piloto português vai alinhar pela primeira vez na corrida da Taça de Carros de Turismo de Macau, sendo o único concorrente da RAEM nesta corrida que este ano será pontuável para o campeonato TCR Ásia e para o Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC).

Numa temporada em que apenas foi possível realizar duas corridas, o campeão da última edição do TCR China sabe que não terá a vida fácil neste seu retorno ao palco onde se estreou no automobilismo há precisamente duas décadas, na altura, na corrida do asiático de Fórmula Renault.

“Claro que vamos tentar andar o melhor possível”, afirmou Rodolfo Ávila ao HM. “Este ano acabamos por não ter tantas oportunidades para desenvolver o novo MG5 como gostaríamos, por isso este fim-de-semana vamos continuar a desenvolver o carro e espero que tenhamos andamento para andar na frente.”

Apesar das duas vitórias conquistadas esta temporada – uma em Zhuzhou e outra em Zhejiang – o novo MG5 XPower TCR ainda continua numa fase muito primária de desenvolvimento, devido aos atrasos provocados pela pandemia, estando ainda longe do nível dos melhores carros da categoria TCR, tendo acusado por diversas vezes problemas de fiabilidade que levantam várias interrogações antes do debute do carro da marca sino-britânica num circuito citadino.

“Fazer um bom resultado em Macau contra os Lynk & Co sei que não vai ser fácil. Mas claro que quero continuar a ser o melhor piloto da MG, no entanto, para isso é preciso pontuar nas duas corridas”, refere o piloto do território. “Tive problemas de travões nas duas provas que disputamos este ano e o Circuito da Guia não tem escapatórias. Aqui se ficarmos sem travões, as consequências são mais graves.”

A equipa da Lynk & Co, que tem os seus três pilotos nas três primeiras posições no TCR Ásia, irá ser liderada por Jason Zhang Zhi Qiang, vencedor da Corrida da Guia nos dois últimos anos, escudado pelos experientes David Zhu e Sunny Wong. A MG XPower Racing reforçou-se para esta corrida com o ex-campeão do mundo Rob Huff. O inglês trará o seu vasto conhecimento e experiência ao volante de viaturas da classe TCR para a equipa de Xangai.

“Vamos ver como ele se vai adaptar ao carro. Ele apenas teve um breve contacto com o MG5 na pista Tianma, mas é sempre muito forte aqui em Macau. De certeza que ele vai ajudar a puxar pela equipa para cima e a melhorar alguns processos”, explica Rodolfo Ávila que já foi por várias vezes companheiro de equipa do inglês que soma nove triunfos nas ruas da cidade.

A Taça de Carros de Turismo de Macau terás duas corridas de nove voltas, sendo que ambas valem os mesmos pontos.

Circuito da Guia | Programa promete muita acção ao longo dos quatro dias de prova

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A 69.ª Edição do Grande Prémio de Macau arranca esta manhã e com um programa muito composto e corridas para quase todos os gostos. No papel, a prova de Fórmula 4 volta a ser a principal, mas todas as atenções vão estar viradas para a Taça GT Macau com o duelo entre Maro Engel (Mercedes) e Edoardo Mortara (Audi) e para o regresso do Grande Prémio de Motos

 

Grande Prémio de Macau de Fórmula 4 – Sands China

A corrida principal do programa volta a ser disputada com os desactualizados monolugares Mygale M14-Geely do Campeonato Chinês de Fórmula 4. Com o objectivo de vencer pela terceira vez consecutiva esta corrida, feito inédito na história do Grande Prémio, Charles Leong Hon Chio lidera uma lista de inscritos híbrida, com alguns jovens pilotos como Gerrard Xie, líder do campeonato, e alguns “dinossauros” do Circuito da Guia, como Henry Lee de Hong Kong ou Lam Kam San de Macau. A maior oposição ao domínio de Charles Leong poderá vir da frágil fiabilidade destes monolugares e da vontade de vencer do compatriota Andy Chang, o segundo classificado nas duas últimas edições da corrida. A RAEM terá um quarto piloto na prova, o experiente piloto de karting Cheong Chi Hou.

54º Grande Prémio de Motos de Macau

Sem nenhum dos nomes sonantes das provas de estrada, ainda assim, esta será certamente uma das provas que merece mais atenção. Robert Hodson, o piloto que deu origem à carambola da corrida de 2019, o nórdico Erno Kostamo, o polícia espanhol Raul Torras ou o experiente português André Pires partem com a vantagem de conhecer o Circuito da Guia e por isso podem almejar um feito que provavelmente não conseguiriam em “condições normais”. Destaque para a estreia de Sheridan Morais, conhecido pelas suas participações nos campeonatos do mundo de Resistência, Supersport ou Moto2, agora naturalizado português e residente na cidade algarvia de Lagos, vai conduzir uma Honda CBR1000 da sempre competitiva Penz13. Julian Trummer (Yamaha R1) e Joey Thompson (BMW S1000RR) são os estreantes melhores cotados pela imprensa internacional. Contudo, as atenções da corrida vão certamente recair na holandesa Nadieh Schoots, a primeira senhora a participar no Grande Prémio de Motos de Macau.

Corrida da Guia – TCR Asia Challenge – Wynn

Quando se celebram 50 anos da Corrida da Guia, a corrida de carros de Turismo do continente asiático merecia outro desígnio. Os concorrentes do TCR Ásia e do Campeonato de Carros de Turismo de Macau foram colocados na Taça de Carros de Turismo de Macau, deixando os pilotos de Hong Kong, de Macau e alguns do Interior da China na Corrida da Guia. O vencedor da corrida receberá o título de primeiro vencedor do TCR Asia Challenge, mas é um título que saberá a muito pouco. Mesmo contrariados por lhes ter sido retirada uma boa parte da concorrência, Filipe Souza (Audi RS3 TCR), Cheung Chi On (Audi RS3 TCR), Billy Lo (Audi RS3 TCR), Eurico de Jesus (Honda Civic), ou qualquer outro piloto de Macau, têm a oportunidade única de subirem ao pódio da Corrida da Guia, algo que os pilotos da casa nunca conseguiram em cinquenta anos. Andy Yan (Honda Civic), Lo Sze Ho (Hyundai i30 N TCR) e Samuel Hsieh (Lynk & Co 03 TCR ex-equipa oficial do WTCR) lideram a representação da RAE vizinha e também eles querem vencer.

Taça GT Macau – Galaxy Entertainment

Aquela que será provavelmente a mais apelativa das corridas de automóveis do programa tem sabores de outros tempos, com três dos cincos vencedores da Taça do Mundo de GT da FIA. A Audi e a Mercedes-AMG não se pouparam a esforços para vencer esta popular corrida e com isso a prova ganha projecção internacional. A Audi conseguiu convencer o seu piloto de maior sucesso em Macau, Edoardo Mortara, e ainda irá colocar um carro, em parceria com a FAW, para o chinês Franky Cheng Congfu, ex-piloto do DTM e antigo protegido da McLaren F1. A Mercedes-AMG, que venceu quatro vezes a Taça GT Macau nos últimos cinco anos, foi ainda mais longe e persuadiu Maro Engel e Raffaele Marciello. A marca de Estugarda tem ainda do seu lado Darryl O’Young, o vencedor da dramática corrida do ano passado. A Porsche, que também costuma ter uma palavra a dizer sobre a hegemonia da categoria FIA GT3 na Ásia, confia no suíço Alexandre Imperatori para ombrear com as suas rivais, um piloto residente em Xangai que já subiu ao pódio nesta corrida. Entre os privados, há também pilotos capazes como Adderly Fong (Audi R8 LMS GT3), David Chen (Ferrari 488 GT3) ou Ling Kang (Lamborghini Huracán GT3). O único piloto do território é o experiente Leong Ian Veng, que contra si tem a falta de fiabilidade do “velhinho” BMW M6 GT3.

Taça GT Grande Baía – Melco

A Taça GT Grande Baía estava a afirmar-se saudavelmente como a prova da categoria GT4 do programa do Grande Prémio. Quis o “destino” que este ano a corrida fosse também aberta aos carros GTC (carros de GT provenientes de troféus monomarca). Quer isto dizer que de um momento para o outro, quem investiu na estável e acessível categoria GT4 arrisca-se a “ver passar navios”. Sendo assim, os Lamborghini Huracán de Brian Lai e Alex Liang e os Audi R8 LMS Cup dos locais Delfim Mendonça Choi e Hoi Wai Chong são definitivamente os carros mais rápidos no papel. Com armas desiguais, Luo Kai Luo (Mercedes-Benz AMG GT4), Chris Chia (Audi R8 GT4) ou Evan Mak (BMW M4 GT4) vão pelo menos lutar pela vitória na classe. Com quinze pilotos de Macau à partida, há nomes que já se confundem com o próprio GP, como os eternos Lei Kit Meng (Ginetta G55), Mak Ka Lok (Lotus Exige) ou Liu Lic Ka (Mercedes-Benz AMG GT4).

Taça de Carros de Turismo de Macau – China Touring Car Championship – MGM

Num Grande Prémio de consumo interno, o duelo das equipas de fábrica dos construtores de automóveis chineses Lynk & Co e MG deveria ter certamente outro palco que não uma corrida classificada de suporte. A Lynk & Co que venceu as duas últimas edições da Corrida da Guia traz o vencedor das mesmas, Zhang Zhi Qiang, mais David Zhu, que veio ocupar o lugar de Ma Qing Hua, e o fiel escudeiro Sunny Wong. Os novos MG5 serão entregues ao campeão chinês de TCR, Rodolfo Ávila, o único piloto de Macau nesta corrida, a Martin Cao, ex-campeão britânico de F3, a Zhang Zhen Dong, múltiplo campeão chinês de carros de Turismo, e ao super-reforço Rob Huff que dispensa apresentações. A MG tem um melhor grupo de pilotos, mas o Lynk & Co 03 TCR é um carro muito superior, como muito mais competente também é a equipa que lhes dá assistência. Numa corrida que aceita também os carros “made in China” do CTCC, existem quatro novos VW Lamando oficiais da Volkswagen SAIC que por força do regulamento podem imiscuir na luta “Lynk & Co v MG”.

Macau Roadsport Challenge – SJM

Esta junção que assistimos agora entre as duas categorias de carros de Turismo de Macau – 1950cc e Acima e 1600cc Turbo – já nós vimos entre 2017 e 2020, mas na Taça de Carros de Turismo. A categoria para viaturas com motorizações 1950cc e Acima, mais conhecida por Roadsport, deverão ser os mais rápidos em pista, mas a sua fragilidade, fruto de um desenvolvimento por vezes levado para além do limite, poderá oferecer-nos boas corridas. Wong Wan Long (Mitsubishi Evo10) é o favorito, mas resta saber o valor da oposição que tem nomes portugueses que primam por andar depressa – Luciano Lameiras (Mitsubishi Evo9), Jerónimo Badaraco (Mitsubishi Evo9) ou o estreante na categoria Sabino Osório (Mitsubishi Evo9). Entre os 1600cc, Célio Alves Dias (Mini Cooper S), que teve um domínio retumbante no ano passado até ao acidente que terminou a corrida, vai tentar repetir a vitória, ao passo que Rui Valente (Mini Cooper S) parte confiante para um possível regresso ao pódio. Na sua segunda participação no Grande Prémio, Júnio Pereira (Ford Fiesta) certamente que quererá melhorar a sua prestação depois de ter mostrado que é capaz de ombrear com uma concorrência muito mais experiente.

Programa de Hoje

06:00 Fecho do Circuito
06:30-07:00 Inspecção do Circuito
07:30-08:15 Grande Prémio de Motos de Macau – Treinos Livres
08:30-08:55 Macau Roadsport Challenge SJM – Treinos Livres 1
09:10-09:35 Taça GT Grande Baía Melco – Treinos Livres 1
09:55-10:20 Grande Prémio de Macau de Fórmula 4 – Sands China – Treinos Livres 1
10:35-11:00 Taça de Carros de Turismo de Macau MGM – Treinos Livres 1
11:30-11:55 Corrida da Guia Macau Wynn – Treinos Livres 1
12:10-12:35 Taça GT Macau Galaxy Entertainment – Treinos Livres 1
12:50- 13:15 Macau Roadsport Challenge SJM – Treinos Livres 2
13:30-13:55 Taça GT Grande Baía Melco – Treinos Livres 2
14:15-14:40 Grande Prémio de Macau de Fórmula 4 – Sands China – Treinos Livres 2
14:55-15:20 Taça de Carros de Turismo de Macau MGM – Treinos Livres 2
15:35-16:00 Corrida da Guia Macau Wynn – Treinos Livres 2
16:15-16:40 Taça GT Macau Galaxy Entertainment – Treinos Livres 2
18:00 Abertura do Circuito

Beat: mais do que um dizer

DR

Há uma passagem em “Pela Estrada Fora”, do Kerouac, em que os dois compinchas que estão à boleia, O Dean e o Sal, decidem que a partir desse troço mudarão não só de tópico como de estilo de conversa de cada vez que cruzarem um candeeiro, deixando «a mente saltar ao acaso do galho ao pássaro» (Kerouac).

Este método de exercitar a imaginação sempre me fascinou e vim reencontrá-lo aqui, nestes escritos poéticos cheios de surpresas e de curto-circuitos; este testemunho/testamento em forma de cântico devolve-nos essa “indeterminação quântica”, que julgávamos dissipada no horizonte da poesia. Aliás, espanta no livro a energia que sustenta um fôlego pouco habitual e se aguenta na maior parte destas trezentas e sessenta páginas.

Entretanto, uma das razões porque sempre nos demos bem, às tantas o Luís Filipe Sarmento, motivado pela alegria que lhe é inerente, vaticina: «Deixo os Apocalipses para os apóstolos da Derrota», o que é corroborado na página 251, onde se grafa: «A alegria é um repelente contra as ditaduras».

Para quem julgue que isto não passa de uma boutade, de um slogan poético, refira-se, está documentado pela neuro-ciência como o sentimento da alegria abre o espaço. Falamos de uma mutação da percepção, evidentemente. E quando se abre o espaço as coisas que nele estão contidas não se organizam de uma maneira diferente, REORGANIMAM-SE, para usar um dito do pintor Roberto Matta, significando que a alteração que se introduziu aí na relação entre o espaço e as figuras não é apenas de nível sintáctico e antes supõe uma translacção simbiótica ou uma plasticidade metamórfica: «E ao espelho vi Kafka no berço de Dante».

Daí que poucas páginas depois de nos ter falado da alegria, defenda o Sarmento: «O caos é a fonte poética da sublevação». Sim, o caos REORGANIMADO pela alegria que lhe dá a chave, uma pauta.

Este livro, escrito aos 64, 65 anos, na leitura mais linear que dele se tenha, tece uma homenagem aos ícones literários de uma geração – o Ginsberg, o Kerouac, o Ferlinghetti, a Diana de Prima, o Gregory Corso, o William Carlos Williams e o Jack Hirschman (com quem o Luís Filipe privou), sendo cada um deles o motor dos diferentes capítulos – , os quais, mais do que remeterem para as descobertas da sua juvenília aparecem como expoentes de uma linhagem que, muito para além do seu modismo epocal, imprimiram certas práticas de escrita e de vida que continuam a ser pregnantes para tantos.

Contudo, a densidade de “Beat”, com os vários estratos discursivos que se alternam e dialogam, polifonicamente, permite dilucidar outra leitura que é a do livro ser igualmente, como quem não quer a coisa, um ensaio sobre o tempo e a tensão que nasce das suas polarizações: «Tudo o que nos separa do dia seguinte é composto de ilusão e de desconfiança, de crença e luta infinita. Recuso as leis do manicómio. E o dia seguinte chega com diferentes repetições de expectativa» (pág.151)

Neste livro celebra-se a escrita, precisamente como um acto de luta contra a matéria temporal, colocando-a em contramão e obrigando o Tempo a situar-se fora de si, em novas transparências que originam poros no seu tecido; a pulsão poética instaura no Tempo esse gesto detonador que traz «a surpresa do minuto seguinte».

Levar o Tempo a surpreender-se a si mesmo é, em LFS, a luta contra o destino, o que gera inclusive o fantástico paradoxo descrito na pág. 198: «Escrever é ter o instinto do infinito, do inacabável (…) é o que nunca acaba (…) Quando se acaba continua-se a escrever na imaginação dos outros».
Bela vingança ontológica que subtrai ao Tempo os seus trunfos.

Creio surpreender outro motivo para que este “Beat” nos gratifique: tudo o que a geração beat nos ensinou – a imaginação que se gemina com a responsabilidade (numa perspectiva salvífica), os valores da dignidade do inaparente; a consonância entre a vida e a arte, num acordo entre a ética e a estética – isso que hoje se ensombra, em risco de dissipar-se, realça-se neste “Beat” com um inescapável furor político, o que o torna, além de contingente, necessário.

É um livro híbrido, como diz o autor, e de tal modo que a sua prefaciadora, Graça Capinha, o lê como “uma autobiografia-poema-ensaio-testemunho-panfleto” e contém, nos seus cerca de 500 fragmentos de prosa poética, o pulsar de uma geração; a que apanhou de chofre o 25 de Abril à saída da adolescência ou nas primícias de ser adulto, e que mergulhou nessa latejante simbiose (a que conjugava os surrealistas, os poetas beats, a pop arte e o pensamento libertário).

Uma geração de excessos, embora, uma das coisas que me agrada no livro, Sarmento não faça disso heroicidade, navegando pelo contrário numa margem ambivalente, que tanto sagra as euforias conquistadas (ao amorfo país que saía do fascismo) como critica algumas toxidades.

Este livro alegra-nos, além disso, por motivos pessoais. Diz o Luís Filipe: «A chegar aos sessenta e cinco anos de idade e ainda estou convencido de que só agora percorri metade do meu caminho», o que é muito animador.

Refira-se ainda um último aspecto do livro, as golfadas de humor que às vezes surpreendem o leitor e que o agarram. Demos dois exemplos: «Quando estou vestido questiono o espírito. Quando estou nu não há uma única oração que me eleve»; «O que resta é esse sentido abissal e cortante do humor, ferindo a paisagem repleta de homens de joelhos, em busca de uma eternidade ajardinada».

O resto é o amor que também ganha cidadania no livro: «Ganhámos a pele e friccionámo-la até o labor do fogo».

Poesia | Yao Jingming volta a traduzir Nuno Júdice em “O Peso do Mundo”

Yao Jingming, poeta, tradutor e académico, é o autor da segunda antologia de poemas de Nuno Júdice traduzida para chinês, intitulada “O Peso do Mundo”. O poeta português confessa-se emocionado por mais um projecto literário desta envergadura que prestigia não só a sua carreira como todo o universo da língua portuguesa

 

Do leque variado de autores portugueses traduzidos para mandarim, muitos deles clássicos, mas também contemporâneos, Nuno Júdice é o mais recente. Após a tradução para chinês de uma primeira antologia de poemas, em 2018, surge agora, também pela mão de Yao Jingming, poeta, tradutor e académico, uma segunda antologia, intitulada “O Peso do Mundo”. Este projecto literário nasce do 1573 – Prémio Internacional de Poesia atribuído em Sichuan a Nuno Júdice, tendo sido também patrocinada a edição do livro.

Em “O Peso do Mundo”, Nuno Júdice explicou ao HM que é feita “a perspectiva de toda a minha poesia”. “Tem poemas que vêm dos meus primeiros livros até aos mais recentes. Tentei que desse uma visão do meu universo poético nas suas várias fases, mas pondo um acento numa fase mais recente. A intenção foi que o leitor chinês me compreendesse como poeta na totalidade”, adiantou.

Confessando sentir muita emoção por ver mais uma obra sua editada com poemas traduzidos para mandarim, que traz consigo “um mundo cultural completamente diferente” do português, Nuno Júdice sente que este é também um passo importante numa carreira que começou em 1972, com “A Noção do Poema”.

“A China tem uma longa tradição poética e há uma curiosidade e interesse pela poesia do mundo. Neste momento calhou-me a mim ter este prémio, o que dá mais relevo à minha carreira, sendo também prestigiante para a mim e para toda a poesia portuguesa. Portugal tem uma longuíssima relação com a China, e tendo em conta que estamos afastados, ter esta difusão da nossa literatura volta a formar o interesse na relação entre Portugal e a China.”

O nome do livro foi uma decisão do autor e do tradutor e é também o título de um dos poemas, um dos preferidos de Nuno Júdice. “Foi escolhido devido à situação do mundo actual, em que sentimos o peso das coisas que estão a acontecer.”

O poeta-tradutor

Yao Jingming não respondeu em tempo útil às nossas questões sobre este trabalho de tradução, mas Nuno Júdice fala de uma relação cúmplice na hora de transformar palavras em caracteres chineses. “Há poemas [no livro] que são da primeira fase [da minha carreira], com imagens e uma linguagem mais complexa, mas sempre estabelecemos um diálogo para resolver todas as dúvidas. Tenho absoluta confiança no meu tradutor, que ainda por cima é poeta, e um poeta, ao traduzir poesia, tem uma maior sensibilidade para o entendimento da nossa língua e da musicalidade do português.”

O poeta português diz que “há também tradutores que não são poetas que conseguem ter essa sensibilidade, mas um tradutor ‘normal’, muitas vezes, tem mais dificuldades, sobretudo em fazer passar aquilo que é a música da nossa língua”. “É preciso que o poema chinês também tenha um ritmo que permita ver e ouvir o poema original”, confessou.

Assumindo que Bei Dao é um dos seus poetas favoritos, além de já ter feito algumas traduções de poesia chinesa para português, partindo da versão inglesa, Nuno Júdice continua também a publicar novos textos.
“Este ano saiu em Portugal uma antologia chamada ‘50 anos de Poesia’, em que escolho poemas que foram publicados em vários livros, e terminei também um livro de poesia que vai sair em Março, ‘Uma Colheita de Silêncios’”.

Este é um livro “com um certo lado de memória, sobretudo de poetas que conheci”, existindo, assim, uma “homenagem a alguns deles, como é o caso de Ruy Belo e Pedro Tamen”. “Há também uma lembrança desses anos 60 e 70 que eu vivi, mas depois há também uma série de poemas sobre a natureza, a pintura na natureza, a partir de quadros que trabalhei numa secção do livro. É uma obra ampla e várias temáticas, incluindo a do amor”, concluiu.

Pequim | Universidade sob confinamento após diagnosticar um caso

DR

As autoridades chinesas colocaram ontem uma das maiores universidades de Pequim sob confinamento, depois de diagnosticarem um caso de covid-19, ilustrando a insistência na estratégia de ‘zero casos’, apesar do crescente descontentamento popular.

Alunos e professores da Universidade de Pequim foram proibidos de sair do ‘campus’ e as aulas passaram a ser dadas via ‘online’, de acordo com um aviso emitido pela instituição. A universidade tem quase 50.000 estudantes, segundo o seu portal oficial.

A China diagnosticou cerca de 20.000 casos, entre segunda e terça-feira, dos quais 350 foram registados em Pequim que, embora represente uma pequena fracção da sua população de 21 milhões, foi suficiente para desencadear bloqueios e quarentenas localizadas, no âmbito da estratégia de ‘zero casos’ de covid-19.

As autoridades querem evitar bloqueios em toda a cidade, para tentar minimizar o impacto na actividade económica, mas sem abdicar da estratégia que visa eliminar surtos do novo coronavírus. Na Primavera passada, um bloqueio total de dois meses de Xangai, a “capital” económica da China, interrompeu as cadeias de fornecimento e o comércio, afectando a economia chinesa.

Directrizes nacionais publicadas na semana passada pediram aos governos locais que sigam uma abordagem científica e direccionada e que evitem medidas desnecessárias.

Xi Jinping diz para não se sobrevalorizar influência chinesa sobre Putin

DR

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, pediu ontem ao Presidente da China, Xi Jinping, para convencer a Rússia a acabar com a guerra na Ucrânia, mas o líder chinês respondeu que o seu papel não deve ser sobrevalorizado.

Num encontro bilateral na Indonésia, à margem da cimeira do G20 (grupo das economias mais desenvolvidas e emergentes), Sánchez, como fizeram outros líderes nos últimos dias nas reuniões em Bali, “pediu para a China usar a sua influência para persuadir a Rússia a pôr fim à guerra”, lê-se num comunicado do Governo de Espanha, que não revela a resposta de Xi Jinping.

Segundo fontes da comitiva espanhola que está na Indonésia citadas pela agência de notícias EFE, o Presidente da República Popular da China reconheceu que tem uma boa relação com o líder da Rússia, Vladimir Putin, e destacou que são países vizinhos, mas afirmou que não deve ser sobrevalorizado o papel que Pequim pode ter nesta questão.

Assim, segundo as mesmas “fontes oficiais” citadas pela EFE, Xi Jinping sublinhou que a China não é um dos actores nesta guerra, iniciada com uma ofensiva militar russa no final de Fevereiro, e não quer alimentar a tensão no conflito.

Xi defendeu, ainda assim, segundo as fontes da EFE, que as sanções à Rússia ou as ameaças com julgamentos internacionais não contribuem para alcançar uma solução.

Bons negócios

No comunicado divulgado ontem, o Governo espanhol diz que Sánchez argumentou, perante Xi, que “a agressão da Rússia contra a Ucrânia é uma ameaça à paz e à estabilidade mundial que subverte os princípios de soberania e a integridade territorial que a China sempre defendeu”.

Segundo o mesmo comunicado, neste encontro, que decorreu em Bali, Sánchez e Xi abordaram também a presidência espanhola da União Europeia (UE), no segundo semestre de 2023.

“Sánchez destacou o desejo de seguir a impulsionar a cooperação entre a UE e a China em matéria comercial e de investimento”, lê-se no texto.

Ucrânia | Pequim pede contenção após míssil ter atingido a Polónia

O míssil de fabrico russo que atingiu ontem território polaco parece afinal ter sido disparado pela Ucrânia. Pequim pede tranquilidade a todas as partes envolvidas

 

A China pediu ontem “calma” a todas as partes na sequência das informações sobre o míssil de fabrico russo que atingiram a Polónia e que colocaram o exército polaco em estado de alerta.

“Na situação actual, todas as partes envolvidas devem manter a calma e a contenção para que seja evitada uma escalada”, disse Mao Ning, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, em Pequim.

Da mesma forma, o secretário-geral ONU defendeu na terça-feira à noite que é “absolutamente essencial” evitar o agravamento da guerra na Ucrânia, mostrando-se “profundamente preocupado” com a queda de um míssil de fabrico russo na Polónia.

Numa breve declaração transmitida pelo porta-voz da ONU, António Guterres apelou a uma “investigação exaustiva” sobre a queda do míssil que matou duas pessoas na Polónia.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Polónia confirmou na noite de terça-feira que um “projéctil de fabrico russo” atingiu o território deste país da Nato junto à fronteira com a Ucrânia, causando a morte a duas pessoas.

“Na vila de Przewodów (…), um projéctil de fabrico russo caiu, matando dois cidadãos da República da Polónia”, salienta-se num comunicado do porta-voz do ministério, Lukasz Jasina.

Na mesma nota, acrescenta-se que o embaixador russo na Polónia foi convocado para prestar “explicações detalhadas”.

Entretanto, o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse que é improvável que o míssil que atingiu a Polónia e matou duas pessoas tenha sido disparado a partir da Rússia.

“Há informações preliminares que contestam isso”, disse Biden aos jornalistas quando questionado se o míssil foi disparado da Rússia.

“É improvável nas linhas da trajectória que tenha sido disparado da Rússia, mas veremos”, acrescentou.
Por outro lado, os líderes do G7 e da Nato (Organização do Tratado do Atlântico Norte) decidiram apoiar uma investigação sobre a queda do míssil de fabrico russo, disse o Presidente dos EUA.

Céu vigiado

Ontem, a estação de televisão norte-americana CNN noticiou que um avião da Nato, que sobrevoava o espaço aéreo da Polónia, rastreou o míssil que explodiu no país na terça-feira e matou duas pessoas.

“A informação com pistas de radar [do míssil] foi fornecida à Nato e à Polónia”, acrescentou a mesma fonte, que não foi identificada.

Os aviões da Nato têm realizado vigilância regular em torno da Ucrânia desde o início da invasão russa, a 24 de Fevereiro.

Mais tarde, o secretário-geral, Jens Stoltenberg, disse que a explosão que matou duas pessoas na Polónia “foi provavelmente causada” por um míssil ucraniano.

Covid-19 | Mais uma infecção e teste de 24 horas para passar fronteira

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Ontem foi anunciado mais um caso positivo de covid-19 cuja origem da infecção será o centro comercial subterrâneo de Gongbei. O indivíduo em causa é segurança no edifício dos Serviços de Solos e Construção Urbana. Elsie Ao Ieong U afirmou que o risco de surto é baixo, mas as autoridades reduziram para 24 horas a validade do teste para atravessar a fronteira

 

Durante a madrugada de ontem foi detectada mais uma infecção de covid-19. O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus anunciou que um residente do Interior da China testou positivo no teste de ácido nucleico. O indivíduo de 40 anos trabalha como agente de segurança no edifício da Direcção Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU) no nº33 da Estrada de D. Maria II, é reside na Vila de Tanzhou em Zhongshan.

As autoridades de saúde adiantaram que o homem não apresenta sintomas e que foi encaminhado para o Centro Clínico de Saúde Pública no Alto Coloane.

Ao contrário do que vem sendo habitual, o edifício onde estão alojados múltiplos serviços públicos não foi decretado zona vermelha, mas a DSSCU ordenou a “desinfecção de todos os pisos das instalações da DSSCU, incluindo dos acessos públicos e elevadores” e suspendeu ontem os serviços públicos. A médica Leong Iek Hou defendeu que a prática é consistente com as orientações das autoridades de saúde, uma vez que o sujeito não reside no edifício onde também se situam a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego e a Direcção dos Serviços de Obras Públicas.

Além disso, os funcionários dos serviços foram instruídos a ficar em casa durante a parte da manhã de ontem e a fazerem testes rápidos antigénio diários e testes de ácido nucleico durante três dias consecutivos.

Depois do anúncio das medidas, a chefe da Divisão de Prevenção e Controlo de Doenças Transmissíveis, Leong Iek Hou, acrescentou que o indivíduo infectado é chefe de equipa de segurança, e que os funcionários e pessoas que passaram pelos mesmos pisos onde esteve o segurança terão o código de saúde convertido em amarelo. Além disso, terão de fazer quatro testes de ácido nucleico em cinco dias, assim como os respectivos testes rápidos, e assim sendo podem voltar ao trabalho.

Sem teste não passa

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, afirmou que como é conhecida a fonte de contágio “o risco para a comunidade é baixo”. Em declarações citadas pelo canal chinês da Rádio Macau, a secretária mencionou que o itinerário em Macau da pessoa em questão é relativamente simples, não obrigando ao aperto de medidas de prevenção, nomeadamente na organização de eventos de grande envergadura como o Grande Prémio de Macau e o Festival de Gastronomia.

Desde ontem à tarde, até ao dia 23 de Novembro, quem atravessar a fronteira, nos dois sentidos, entre Macau e Zhuhai, tem de apresentar o certificado de teste de ácido nucleico com resultado negativo emitido nas últimas 24 horas.

Do outro lado da fronteira, as autoridades de Zhuhai anunciaram ontem que na terça-feira foram detectados cinco novos casos positivos de covid-19.

O centro de coordenação e contingência revelou que desde ontem as pessoas com “itinerários de risco” vão continuar com o código de saúde verde, mas têm de realizar dois testes de ácido nucleico. Se não foram testadas passam a amarelo. A medida foi justificada com a necessidade de “manter a consistência das medidas antiepidémicas e reduzir as inconveniências para a vida diária de residentes”.

Grande Prémio | Pilotos de motos lamentam ausência, mas consideram quarentena proibitiva

DR

O piloto Lee Johnston considera que a edição de 2022 do Grande Prémio de Motos de Macau vai ficar marcada como “o ano em que ninguém foi”. Apesar de lamentar não estar presente, foi desta forma que o norte-irlandês comentou, à emissora a BBC, a prova que começa esta manhã.

“Só se pode superar os pilotos que estão em prova, mas, e sem querer faltar ao respeito aos participantes, é claro que mesmo que se ganhe, esta edição vai ser sempre lembrada como aquele ano em que ninguém foi”, afirmou Johnston.

O norte-irlandês correu vários anos em Macau e tem como melhor resultado os quintos lugares alcançados nos anos de 2014 e 2019. No currículo conta ainda com uma vitória na prova TT Ilha de Man, no ano de 2019.

Sobre as razões para a ausência, Johnston apontou a exigência de quarenta de sete dias e os custos associados. “Não é viável estar longe tantos dias”, afirmou o competidor de 33 anos. “Temos de pagar a todo o staff da nossa equipa, e pagar-lhes para que estejam sete dias num hotel sem fazer nada, ainda antes do evento começar, não faz qualquer sentido”, justificou.

“Adoro aquele lugar”

Outra das ausências mais notadas do Circuito da Guia vai ser a de Michael Rutter, recordista em vitórias, com nove triunfos na prova. A última vez que Rutter venceu foi em 2019, aquando a realização do último Grande Prémio de Motos, numa prova marcada por muitos acidentes e polémica, uma vez que a classificação foi feita com base numa única volta.

À BBC, Rutter justificou que a quarentena de sete dias tornou a participação proibitiva, apesar de admitir adorar Macau. “Eu adoro aquele lugar e desejava estar lá. Mas, não conseguia estar sentado durante sete dias num quarto. Foi uma decisão razoavelmente simples”, afirmou o piloto. “Espero regressar no próximo ano”, desejou.

A edição deste ano do Grande Prémio conta com a participação de 15 pilotos, num formato com duas corridas, cada uma com oito voltas, que são realizadas no sábado, às 10h35 e às 16h10.

Grande Prémio | Pun Weng Kun admite que organização enfrentou o “ano mais difícil”

Sofia Margarida Mota
O coordenador da Organização do Grande Prémio de Macau admite que foi difícil criar condições para a participação de pilotos internacionais na competição. Vários potenciais participantes desistiram devido à obrigação de cumprir quarentena de sete dias

 

“Foi o ano mais difícil”. Foi desta forma que o coordenador da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau, Pun Weng Kun, caracterizou a preparação do evento que começa hoje e se prolonga até domingo.

Em entrevista ao Jornal do Cidadão, Pun explicou que este ano a organização teve de lidar com vários obstáculos, até porque houve sempre a intenção de trazer pilotos internacionais para participar no evento desportivo.

De acordo com o líder da organização da prova, para os potenciais participantes internacionais é incompreensível que se possa entrar em Hong Kong sem necessidade de quarentena, mas que ao mesmo tempo em Macau seja pedido um período que consideram excessivo. Este aspecto terá levado a que pilotos que numa primeira fase se tinham mostrado interessados em correr na Guia optassem por cancelar a participação.

Ainda assim Pun Weng Kun mostrou compreensão face aos pilotos que abdicaram da participação. “Não é fácil para os pilotos internacionais virem para Macau, porque além de terem de entrar num avião em que lhes é exigido um teste de ácido nucleico com resultado negativo, ainda têm de atravessar a quarentena e não podem testar positivo”, admitiu. “Só depois deste período podem, finalmente, competir”, acrescentou.

Apesar dos convites recusados, Pun destacou que 15 pilotos internacionais se mostraram disponíveis para competir no circuito da Guia.

Medidas de prevenção

Até ontem, as pessoas envolvidas no Grande Prémio precisaram de ser testadas a cada dois dias. No entanto, no caso de haver um surto local, a organização não afasta a possibilidade de o período ser encurtado, com a obrigação de ser feito um teste a cada 24 horas.

Em relação às medidas de prevenção e a eventuais surtos, que poderão afectar a prova, Pun Weng Kun revelou, ao Jornal do Cidadão, que foram preparados vários planos alternativos, com diferentes condições, para garantir que a prova vai ser realizada.

Apesar das dificuldades, o também presidente do Instituto de Desporto deixou um voto de confiança e considerou que, apesar das adversidades, o Grande Prémio de Macau vai continuar a ser o maior evento local.

DSEC | Restauração e vendas a retalho com quebras

DR

Em Setembro, o volume de negócios dos restaurantes entrevistados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) desceu 4,1 por cento, face a Setembro de 2021. A informação foi revelada ontem com a publicação dos resultados do Inquérito de conjuntura à restauração e ao comércio a retalho referente a Setembro de 2022.

Os volumes de negócios dos proprietários entrevistados de todos os tipos de restauração desceram em termos anuais, salientando-se que o negócio dos restaurantes chineses diminuiu 6,8 por cento.

Quanto ao comércio a retalho, observou-se que o volume de negócios dos retalhistas entrevistados desceu 11,3 por cento, em termos anuais. Os negócios das mercadorias de armazéns e quinquilharias, do vestuário para adultos, bem como dos produtos cosméticos e de higiene diminuíram 34,0 por cento, 18,7 por cento e 10,8 por cento, respectivamente. Contudo, o volume de negócios dos automóveis aumentou 13,3 por cento.

Banco da China lança nova subsidiária em Macau

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A partir de segunda-feira surge uma nova subsidiária do Banco da China, a pensar nos clientes território. Ontem o banco realizou uma conferência de imprensa para apresentar as mudanças

 

Um projecto que foca a diversificação das necessidades financeiras dos residentes e o desenvolvimento do sector financeiro do território. Foi desta forma que Chan Hio Peng, presidente da futura subsidiária em Macau do Banco da China, apresentou a instituição que vai começa a funcionar na próxima segunda-feira.

Actualmente, o Banco da China está presente em Macau através de uma representação, o que significa que a sede da instituição está no Interior. Contudo, com a inauguração da subsidiária, que vai ter como nome Banco da China (Macau) S.A., é aberta uma nova instituição, controlada a 100 por cento pelo Banco da China, mas com sede em Macau.

A entidade bancária realizou ontem uma conferência de imprensa para apresentar a nova instituição e explicar os objectivos da mudança. Segundo Chan Hio Peng, uma das grandes apostas vai ser o mercado de obrigações, visto pelo Governo da RAEM como um dos motores da diversificação da economia local. “Vamos focar-nos, muito concretamente, no mercado de obrigações, na gestão financeira, compensação de renminbis, fundos de oferta privada, e ainda nas finanças verdes, uma área a que a RAEM presta atenção”, explicou.

A alterações não vão ditar o fim da representação de Macau do Banco da China que se encontra em funcionamento e que vai servir empresas. Ao mesmo tempo, a nova subsidiária, vai estar virada para os clientes individuais.

Actualizações e promoções

Por sua vez, Yu Jian, director-geral da nova subsidiária, explicou que antes de ser feita a transição é necessário actualizar o sistema informático e suspender alguns serviços que actualmente são prestados. Entre os serviços afectados estão a aplicação móvel do banco, os pagamentos por código QR e a página com os serviços online.

“Para minimizar o impacto da suspensão dos nossos serviços, o Banco da China reduziu ao máximo o tempo necessário para as mudanças e fizemos todos os esforços para anunciar junto dos nossos clientes que a suspensão vai decorrer apenas na manhã de sábado e tarde de domingo”, afirmou Yu Jian.

Como forma de celebrar as alterações, entre 21 a 25 de Novembro, o Banco da China vai lançar um programa de descontos para os utilizadores da aplicação. Já Leong Sio Hong, director-geral do banco, apontou que as cadernetas bancárias actuais vão ser substituídas por outras com a nova marca do Banco da China (Macau), quando chegarem ao fim da validade. Também os recibos comprovativos de transacções e contratos vão ter o novo logótipo.

Académicos do Centro de Estudos da Universidade de Macau elogiam LAG

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O Centro de Estudos de Macau da Universidade de Macau realizou ontem um seminário de análise à apresentação do relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para o ano financeiro de 2023, com vários académicos e especialistas a demonstrarem apoio em relação aos planos traçados por Ho Iat Seng, em particular em termos económicos. O seminário foi conduzido pela directora do centro, a ex-deputada Agnes Lam.

Num comunicado, a instituição declara que o Governo “está a fazer um grande esforço para melhorar a vida das pessoas e para promover a recuperação económica durante os difíceis tempos de pandemia”. Ainda assim, foi indicado que o Executivo deveria implementar mais políticas viradas para o futuro e para reforçar a consolidação do desenvolvimento de Macau na era pós-pandémica.

Uma das personalidades que participou no evento foi o também ex-deputado Gabriel Tong, que preside ao Instituto de Gestão de Macau. O académico destacou a política económica “1+4”, que tem como objectivo diversificar o sector do turismo e lazer e promover as quatro indústrias de desenvolvimento prioritário: big health, indústria financeira moderna, convenções, exposições e comércio, e cultura e desporto. “A política ‘1+4’ é uma solução prática e apropriada aos problemas que Macau enfrenta nesta altura. Está alinhada com o desenvolvimento do turismo integrado e pode estimular a economia, criar emprego e melhorar a qualidade de vida da população.

Já o professor assistente da Faculdade de Ciência Sociais, Kwan Fung, enalteceu o facto de na apresentação das LAG Hot Iat Seng não ter feito grandiosas promessas, porque a situação pandémica não está totalmente controlada, mas antes ter procurado passar um sentido de estabilidade que abre lugar para a recuperação.

Feridas por sarar

Ao mesmo tempo que elogiou o equilíbrio das políticas anunciadas, o académico Ngo Tak Wing destacou a necessidade de estudar e dar resposta aos efeitos de longo-prazo do impacto da transformação económica em curso em Macau, assim como os diversos desafios que a população enfrenta em resultado da pandemia.

“A política ‘1+4’ exige quadros qualificados que o mercado de trabalho local pode não ter, sendo incapaz e absorver o desemprego gerado pela transformação das prioridades económicas. Isto pode levar à subida a curto-prazo do desemprego estrutural”, afirmou o académico.

A intervenção do professor Xu Jianhua foi mais focada nas sequelas de saúde mental resultantes da recessão económica. O docente sugeriu ao Executivo de Ho Iat Seng que tenha atenção à possível subida da criminalidade e à mudança de alvos preferenciais do crime organizado. A subida da taxa de suicídio foi outro dos pontos focado como prioritário e a merecer resposta urgente. Nesse sentido, o académico sugeriu que o Governo crie um mecanismo de resposta a problemas relacionados com doenças mentais em estudantes e professores.

UNESCO | Cooperação para elevar Rota da Seda a património cultural

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As autoridades nacionais e o Governo da RAEM querem aprofundar a colaboração internacional para a candidatura da Rota Marítima da Seda a património cultural da UNESCO. O compromisso foi ontem sublinhado no Fórum Cultural Internacional sobre a Rota Marítima da Seda

 

A China vai “intensificar a cooperação com outros países” para promover a candidatura da Rota Marítima da Seda a património cultural mundial das Nações Unidas, garantiu ontem um dirigente chinês no Fórum Cultural Internacional sobre a Rota Marítima da Seda.

O administrador adjunto da Administração Nacional do Património Cultural da China, Guan Qiang, disse esperar que cidades de outros países possam integrar uma aliança para preparar a nomeação da Rota Marítima da Seda para a lista do património mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Actualmente, a aliança conta com 28 cidades, incluindo Macau.

Na apresentação feita no fórum, Guan Qiang apontou como exemplos o estado de Malaca, na Malásia, onde existe ainda uma comunidade lusodescendente, e a cidade de Sofala, em Moçambique.

A posição de Macau

No mesmo fórum, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau, Elsie Ao Ieong U, disse que os trabalhos de protecção do património cultural e candidatura da Rota Marítima da Seda a património mundial “estão numa fase crucial”.

A governante sublinhou que a candidatura será um esforço “conjunto” das cidades membro da aliança e realçou a confiança dada pelas autoridades chinesas relativamente ao “posicionamento de Macau como ‘base de intercâmbio e cooperação que promova a coexistência de diversas culturas, sendo a cultura chinesa a predominante’”. Neste aspecto, a protecção da Rota Marítima da Seda e a sua candidatura para a “inscrição na Lista do Património Cultural da UNESCO constitui uma missão cultural importante”, indicou a secretária.

Também uma assessora para o património mundial do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS), Susan Denyer, defendeu que os países envolvidos na Rota Marítima da Seda devem “estabelecer um mecanismo de coordenação” para preparar a nomeação.

Já em 2019 o então administrador adjunto da administração estatal do património cultural da China, Gu Yucai, tinha dito esperar que “cidades de outros países possam também integrar” a nomeação da Rota Marítima da Seda. O Fórum Cultural Internacional sobre a Rota Marítima da Seda termina hoje no Centro de Convenções do Centro de Ciência de Macau.