China / ÁsiaJustiça | Auditoria oficial detecta evasão fiscal em bancos estatais Hoje Macau - 26 Jun 2026 Uma auditoria oficial chinesa acusou dois dos maiores bancos estatais do país de evasão fiscal e concessão irregular de empréstimos, envolvendo milhares de milhões de yuan, segundo um relatório divulgado ontem pelo Tribunal Nacional de Contas. De acordo com o relatório anual do organismo, o Bank of China evitou o pagamento de 2,4 mil milhões de yuan em impostos entre abril de 2023 e agosto de 2025. Segundo os auditores, o banco pediu aos seus trabalhadores que investissem entre um e 100 yuan em 11 fundos de capital privado, de forma a que estes pudessem ser apresentados como fundos públicos e beneficiar de isenções fiscais. O relatório acusa ainda o Agricultural Bank of China de conceder ilegalmente 11 mil milhões de yuan em empréstimos destinados a projectos agrícolas entre Dezembro de 2021 e Agosto de 2025. Parte desse financiamento foi desviada para a compra de produtos de gestão de património e para o reembolso de dívidas, segundo o documento. Citado pela imprensa chinesa, o Agricultural Bank of China afirmou que “aceita sinceramente a supervisão” da auditoria e prometeu reforçar os mecanismos internos de conformidade. O relatório identifica igualmente falhas de gestão no China Everbright Group, outro conglomerado financeiro estatal. Segundo os auditores, o grupo deixou de exercer controlo sobre várias subsidiárias até Agosto de 2025 e algumas empresas utilizavam indevidamente a marca Everbright. A divulgação da auditoria gerou reacções nas redes sociais chinesas, onde vários utilizadores questionaram como um banco controlado pelo Estado conseguiu evitar o pagamento de impostos. “Para que bolsos foram os impostos desviados?”, escreveu um utilizador, enquanto outros defenderam a aplicação de multas e a recuperação dos montantes em causa.