PIB | Descida de 33,4% no 3.º trimestre empurrado por quebras no jogo

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O Produto Interno Bruto de Macau voltou a cair, desta vez com uma descida de 33,4 por cento no terceiro trimestre, em comparação com os mesmos três meses de 2021. As restrições impostas na sequência do surto que começou em Junho resultaram no agravamento da situação económica do território

 

Depois da contracção de 39,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em termos anuais no segundo trimestre deste ano, o indicador da economia local voltou a registar resultados negativos. Na sexta-feira, a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) anunciou mais uma descida acentuada do PIB no terceiro trimestre deste ano, registando “uma descida anual de 33,4 por cento, em termos reais, devido ao surto pandémico de 18 de Junho”.

A DSEC traça o contexto para a referindo a descida de 50,8 por cento do número de visitantes que entraram em Macau no trimestre em análise e da subsequente quebra de 46,7 por cento em termos anuais. Porém, o maior fardo para a economia local verificou-se nos “decréscimos de 72,5 por cento nas exportações de serviços do jogo e de 45,9 por cento nas exportações de outros serviços turísticos”.

Também a procura interna registou um alargamento da “amplitude descendente”, “com uma queda anual de 14,4 por cento, arrastada pela descida da formação bruta de capital fixo e do consumo privado”.

O “estado relativamente estático” e as medidas de prevenção pandémicas implementadas em Julho “reflectiram-se nas actividades económicas locais, com impactos na despesa de consumo final das famílias no mercado local, que decresceu 13,3 por cento e na despesa de consumo final das famílias no exterior, que caiu 12,2 por cento”. No cômputo geral, a despesa de consumo privado caiu, em termos anuais, 13,3 por cento nos meses entre Julho e Setembro.

Abrir cordões à bolsa

No pólo oposto, a despesa de consumo final do Governo subiu 5,7 por cento em termos anuais, devido ao aumento das despesas efectuadas pelo Governo no programa de comparticipação nos cuidados de saúde e no combate à pandemia. Neste capítulo, apesar de as compras líquidas de bens e serviços terem aumentado 10,2 por cento, as despesas com remuneração caíram 0,1 por cento.

Também a “formação bruta de capital fixo registou um decréscimo anual de 34,3 por cento, realçando-se as descidas de 38,2 por cento no investimento em construção e de 18,8 por cento no investimento em equipamento.
Mais uma vez, o sector público inverteu a tendência através do investimento em obras públicas, que cresceu 19,6 por cento em termos anuais. A subida foi empurrada com as “obras relacionadas com a habitação pública, a Quarta Ponte Macau-Taipa e o Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas”.

Quanto ao sector privado, o investimento em construção privada registou uma quebra anual de 56,4 por cento, em virtude do decréscimo do investimento das concessionárias de jogo.

O impacto da pandemia também se fez sentir nas trocas comerciais de mercadorias, que registaram descidas anuais de 27,9 por cento nas importações de bens e de 43 por cento nas exportações de bens.

Em termos acumulados, durante os primeiros nove meses do ano, o PIB de Macau caiu 27,8 por cento. A DSEC destaca entre os principais componentes do PIB a “despesa de consumo privado, a despesa de consumo final do governo e a formação bruta de capital fixo”, que “desceram 7,8 por cento, 1,1 por cento e 19,7 por cento, respectivamente”.

Outro dado revelador registado nos primeiros três trimestres de 2022, foi a quebra de 54,5 por cento nas exportações de serviços do jogo.

AMCM | Governo destaca resultados do sector financeiro e banca

Apesar do contínuo declínio do Produto Interno Bruto (PIB), o Governo da RAEM destaca os resultados obtidos pelo sector financeiro que, segundo a Autoridade Monetária de Macau (AMCM), se tornou na segunda maior indústria da RAEM, materializando o objectivo de “diversificação adequada da economia”. O sector financeiro passou a representar 15,4 por cento do PIB.

Olhando de forma mais detalhada, o valor agregado total da indústria em geral subiu 8,5 pontos percentuais, passando de 6,9 por cento em 2019 para 15,4 por cento em 2021. A AMCM salienta o esforço do Executivo ao “dar prioridade aos trabalhos relativos ao estabelecimento de novas áreas e domínios do mercado de obrigações e da gestão de fortunas”.

Assim sendo, o regulador indica que até ao final do terceiro trimestre do ano, “o valor total dos activos da indústria financeira cifrou-se em cerca de 2700 mil milhões de patacas, equivalente a 19 vezes o valor registado no ano do Regresso de Macau à Mãe Pátria”.

Covid-19 | Turista que testou positivo obriga a testes nas zonas por onde passou

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A descoberta de um caso positivo relativo a uma turista levou a obrigatoriedade de fazer quatro testes até quarta-feira em várias zonas da cidade. Passou a ser exigido teste rápido antigénio para entrar em hospitais, centros de saúde, lares de idosos e de reabilitação

 

O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus está a desdobrar-se em esforços para tentar encontrar possíveis infecções ligadas a um caso positivo de uma turista chinesa que, até testar positivo, passeou por várias zonas da península.

Desde sábado até quarta-feira, quem resida, trabalhe ou tenha passado por mais de 30 minutos numa lista larga de locais tem de fazer quatro testes de ácido nucleico até à próxima quarta-feira, com intervalo de pelo menos 12 horas entre cada um.

Os primeiros locais dizem respeito à zona onde a turista de 60 anos ficou hospedada. Assim sendo, quem tenha estado na “Doca dos Pescadores de Macau entre 15 e 18 de Novembro, nomeadamente hóspedes e trabalhadores do Hotel Harbourview ou indivíduos que tenham permanecido naquela área por um período de tempo superior a 30 minutos”, tem de se submeter à bateria de testes consecutivos.

O mesmo acontece a quem tenha ficado hospedado, trabalhe ou tenha passado por mais de meia hora no Hotel Sands na sexta-feira.

As autoridades relevaram uma vasta lista de locais visitados pela turista na sexta-feira, que obrigam à testagem, que inclui a Rua de Dom Belchior Carneiro, Rua dos Artilheiros, Caminho dos Artilheiros, Calçada do Monte, Calçada das Verdades, Travessa do Penedo, Calçada da Rocha, Rua do Monte, Rua da Palha, Rua das Estalagens, Rua de Nossa Senhora do Amparo, Calçada do Amparo, Rua de S. Paulo, Calçada de S. Francisco Xavier.

O centro de coordenação de contingência obriga também a quatro testes em cinco dias quem resida, trabalhe ou tenham permanecido mais de meia hora na sexta-feira passada na “Rua do Almirante Sérgio, Pátio da Papaia, Rua do Barão, Rua de Inácio Baptista, Rua de S. José, Rua da Prata, Largo de Santo Agostinho, Rua da Imprensa Nacional, Travessa do Paiva, Rua de S. Lourenço, Travessa do Padre Narciso, Rua de Álvaro de Melo Machado, Rua da Penha, Rua do Lilau, Travessa da Penha, Rampa da Barra, Rua de S. Tiago da Barra, Beco do Marinheiro, Travessa do Petróleo e Largo do Pagode da Barra”.

As autoridades de saúde alertam que se “o teste de ácido nucleico não for efectuado de acordo com os regulamentos, o Código de Saúde de Macau irá ser convertido para a cor amarela no dia seguinte”. A situação só se resolve, regressando a código de saúde verde, após resultado negativo no teste.

“De acordo com as respectivas disposições, pode ser-lhes recusada a entrada em estabelecimentos públicos, a utilização de transportes públicos, bem como a saída da RAEM” a portadores de código de saúde amarelo, recordam as autoridades.

Grande galo

A turista que testou positivo no sábado, estava em Macau desde a passada segunda-feira, dia 14, à noite. Nesse dia, 14 de Novembro, as autoridades nacionais anunciaram que a província de Jiangsu registara 52 novos casos assintomáticos, 24 casos locais e um caso importado. Importa referir que a província de Jiangsu tem uma população de quase 85 milhões de pessoas.

Nos dias 13 e 14 deste mês, a turista de 60 anos testou negativo à covid-19, antes de embarcar num voo, na companhia de dois familiares, no aeroporto de Suzhou com destino a Zhuhai. Nessa noite, a família entrou em Macau através do posto fronteiriço das Portas do Cerco e deu entrada no Hotel Harbourview, que viria a ser encerrado na sequência do teste positivo, tendo os hóspedes e funcionários sido sujeitos a testes de ácido nucleico e observação médica no hotel.

Segundo as autoridades locais, na manhã da passada terça-feira, a paciente começou a tossir e na quarta-feira sentiu-se fatigada e ficou com febre.

Ainda assim, entre terça-feira e sábado, quando foi detectada a infecção, a turista visitou várias zonas de Macau, como seria expectável, até acusar positivo num teste feito no posto da Sands.

Os Serviços de Saúde entraram em contacto com a turista, que foi encaminhada para o Centro Clínico de Saúde Pública do Alto de Coloane para tratamento e isolamento, e os seus dois familiares foram submetidos em observação médica em isolamento. Importa referir que os testes realizados no sábado aos familiares da paciente deram negativo.

Uma fonte passada

Na madrugada de sexta-feira, as autoridades de saúde decretaram mais uma zona vermelha referente ao edifício The Residencia Macau (Torre 3), na Avenida da Ponte da Amizade no norte da península de Macau. A área foi delimitada devido à descoberta de um caso positivo que envolve uma residente de 25 anos de idade. Segundo o centro de coordenação de contingência, a infectada tomou refeições no restaurante VISTA38 do Grande Suítes do Four Seasons, nos dias 12 e 13 de Novembro”. Porém, como “não estava sob controlo” o seu “nome não consta da lista fornecida pelo hotel sobre pessoas” que comeram no restaurante onde trabalha uma jovem que havia acusado positivo na semana passada.

As autoridades indicaram ainda que nos dias 16 e 17 de Novembro a residente só saiu de casa para fazer testes de ácido nucleico na noite de 16. Como é habitual, a residente em questão foi enviada para o Centro Clínico de Saúde Pública do Alto de Coloane.

Teste à porta

Passou a ser obrigatório para utentes e visitantes apresentar resultado negativo do teste rápido do antigénio realizado no próprio dia à entrada do “Centro Hospitalar Conde de São Januário e Centros de Saúde subordinados aos Serviços de Saúde”. O Hospital Kiang Wu aplicou a mesma medida. Caso não apresente o carregamento de resultado de teste rápido no código de saúde, a testagem pode ser feita no local.

O Instituto de Acção Social (IAS) implementou a mesma medida para a entrada de visitantes, trabalhadores e outras pessoas em lares de idosos e de reabilitação. A obrigação foi justificada “tendo em conta a evolução epidémica em Macau” e com a necessidade de “reforçar a protecção de saúde e segurança das pessoas idosas e deficientes em lares”.

Os utentes que tenham estado fora de lares e regressado no mesmo dia, são obrigados a submeter-se a testes rápidos de antigénio por cinco dias consecutivos. Já os utentes que estiveram fora das instalações por mais de um dia são obrigados a mostrar teste de ácido nucleico realizado no prazo de 24 horas e submeter-se a testes rápidos de antigénio por cinco dias seguidos.

Zhuhai | 13 casos no sábado e testes mais baratos

O Departamento de Saúde de Zhuhai anunciou ontem ter detectado no sábado 13 casos positivos de covid-19, 11 destes assintomáticos. De acordo com as autoridades da cidade vizinha, a maioria dos infectados são moradores dos distritos de Doumen e Gaoxin e os seus percursos nos últimos quatro dias incluíram o piso -1 do Posto Fronteiriço de Qingmao. Entretanto, os preços de teste de ácido nucleico baixaram em Zhuhai. Um teste singular, num único tubo e de recolha de amostra, passou a custar 13,5 renminbis, enquanto um teste num tubo de ensaio que recebe várias amostras passou para 2,8 renmenbis.

Justiça | Testes rápidos para entrar nos tribunais

Entre hoje e sábado, para entrar nas instalações dos tribunais das três instâncias é preciso um teste rápido de antigénio e carregar o resultado no código de saúde. A medida anunciada ontem pelo gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância foi justificada pelos sucessivos novos casos positivos detectados em Macau nos últimos dias e para “assegurar o normal funcionamento dos tribunais das várias instâncias e a realização ordenada das audiências de julgamento”. Quem não apresentar resultado de teste pode fazê-lo à entrada dos tribunais. Além disso, é obrigatório fazer código de local, medir temperatura corporal e usar máscara.

IC | Pontos turísticos encerrados para desinfecção

Tendo em conta as visitas feitas pela turista que testou positivo à covid-19, o Instituto Cultural (IC) encerrou ontem a Casa do Mandarim, o Teatro Dom Pedro V e o Tesouro de Arte Sacra do Seminário de S. José. As instalações foram sujeitas a limpeza e desinfecção. O mesmo ocorreu no sábado, quando o IC encerrou pelos mesmos motivos o Museu de Macau e a Biblioteca Sir Robert Ho Tung, que reabriram ontem ao público.

Massa pode esperar

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura afastou ontem possibilidade de ser realizada mais uma ronda de testes a toda a população de Macau. Em declarações prestadas à margem do Grande Prémio de Macau, Elsie Ao Ieong U, afastou a hipótese a não ser que o número de infecções suba, principalmente em resultado dos testes feitos em zonas-chave por onde passou a turista infectada. Para já, as cadeias de transmissão seguidas pelas autoridades são claras, sem casos ocultos, apesar da importação recente de alguns casos. Para já, a governante entende que o risco de surto comunitário é relativamente baixo. “Espero que a população persista na sua colaboração com as autoridades mais uns dias, para alcançar o resultado desejado pela política dinâmica de zero casos”, indicou.

95 mil testes negativos

No sábado foram testadas 95.447 pessoas em zonas-chave coincidentes com o itinerário da turista infectada por covid-19. As autoridades de saúde anunciaram ontem que todos os testes realizados deram negativo, no primeiro de quatro testes que todas estas pessoas têm de fazer até à quarta-feira. Depois de ter sido anunciada a necessidade de fazer testes, longas filas formaram-se nos postos de recolha de amostras. As autoridades indicaram ontem que é necessário marcar o teste e esperar no local para evitar ajuntamentos.

IAM | Destruídos 126 quilos de peixe congelado vindo do Vietname

O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) destruiu 126 quilogramas de peixe congelado importado, depois de encontrar vestígios do novo coronavírus responsável pela covid-19 no interior de uma embalagem, foi anunciado na sexta-feira.

A testagem do peixe foi realizada na noite de quinta-feira, durante uma inspecção regular de importação de alimentos, que não detectou o SARS-CoV-2 nos invólucros de plástico exteriores e interiores, acrescentou o IAM.

O IAM “lançou imediatamente um plano de emergência, selando e destruindo todas as 20 caixas” de peixe congelado, que “não chegaram ao mercado”, de acordo com um comunicado.

O instituto desinfectou “de forma minuciosa” o local onde o peixe estava armazenado e suspendeu temporariamente a licença de importação da empresa envolvida.

Todos os trabalhadores do sector alimentar da cadeia de frio que tiveram contacto com as caixas de peixe serão acompanhados pelos Serviços de Saúde (SSM), acrescentou.

Em Agosto, o director dos SSM, Alvis Lo Iek Long, tinha dito que o pior surto de covid-19 a atingir Macau desde o início da pandemia foi causado por “objectos ou produtos vindos do estrangeiro”.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) sublinhou “não existirem provas até ao momento de vírus que causam doenças respiratórias serem transmitidos através de comida ou embalagens de comida”. “Os coronavírus não conseguem multiplicar-se em comida; precisam de um hospedeiro animal ou humano para se multiplicar”, referiu a OMS, na página online.

Zheng Guanying | Espectáculo na Casa do Mandarim em Dezembro

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A Casa do Mandarim acolhe, nos dias 3 e 4 de Dezembro, às 19h e 20h30, respectivamente, quatro sessões do espectáculo de dança e teatro ambiental “Noite de Espectáculo”, uma iniciativa que visa comemorar o 180º aniversário de Zheng Guanying. Os bilhetes estão à venda desde ontem e custam 200 patacas.

O espectáculo tem como conceito a Casa do Mandarim e o conhecido intelectual e industrial da China moderna, Zheng Guanying, que também deu o nome a uma escola em Macau. Será feita uma interpretação da sua história e preocupação com o país depois de desistir do cargo e de regressar de Xangai à Casa do Mandarim, uma casa construída em Macau pelo seu pai Zheng Wenrui. A peça retrata diversos momentos da sua vida, tal como o momento em que “numa noite cheia de estrelas, uma escola privada na Casa do Mandarim desperta com o claro e alto som da leitura, um cenário que lhe traz de volta as memórias de uma infância marcada pelo cumprimento dedicado dos valores familiares e pelas visitas regulares entre familiares”.

Quantas foram as noites silenciosas em que Zheng Guanying, com o desejo de “não deixar ficar desonrado por outrem”, se debruçou sobre a redacção de “Advertências em Tempos de Prosperidade” na Casa do Mandarim, uma obra de grande influência na revolução da história moderna da China.

Liu protagoniza

Neste espectáculo, “o público irá apreciar esta história através da dança, pela qual se demonstram actos de amor, bondade, prosperidade e decadência”. As actuações de dança prometem combinar-se com o cenário real, “levando o público aos cenários históricos e a apreciar a beleza dos edifícios do património mundial”.

O personagem de Zheng Guanying é interpretado pelo actor Liu Ying Hong e por vários dançarinos, num evento que promete trazer uma “combinação de iluminação moderna e tecnologia de projecção”, que promete criar “efeitos visuais requintados”.

Desta forma, o público poderá “assistir ao desenvolvimento de Macau através da perspectiva do património histórico e sentir o encanto cultural do território enquanto desfruta do espectáculo de dança-teatro ambiental”. A ideia desta iniciativa, segundo o Instituto Cultural, é “enriquecer a experiência do turismo cultural e promover a imagem cultural de Macau”.

Grande Prémio de Macau | Programa até domingo

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Hoje

06:00 Fecho do Circuito
06:30-07:00 Inspecção do Circuito
07:30-08:00 54.º Grande Prémio de Motos de Macau – Qualificação 1
08:20-08:45 Macau Roadsport Challenge SJM – Qualificação 1
09:05-09:30 Taça GT Grande Baía Melco – Qualificação 1
09:50-10:15 Grande Prémio de Macau de Fórmula 4 Sands China – Qualificação 1
10:35-11:00 Taça GT Macau Galaxy Entertainment – Qualificação 1
11:30-11:50 Taça de Carros de Turismo de Macau MGM – Qualificação 1
12:00-12:10 Taça de Carros de Turismo de Macau MGM – Qualificação 2
12:30-13:00 54.º Grande Prémio de Motos de Macau – Qualificação 2
13:20-13:40 Corrida da Guia Macau Wynn – Qualificação 1
13:50-14:00 Corrida da Guia Macau Wynn – Qualificação 2
14:15-14:40 Grande Prémio de Macau de Fórmula 4 Sands China – Qualificação 2
15:00-15:25 Macau Roadsport Challenge SJM – Qualificação 2
15:45-16:10 Taça GT Grande Baía Melco – Qualificação 2
16:30-16:55 Taça GT Macau Galaxy Entertainment – Qualificação 2
18:00 Abertura do Circuito

Amanhã

06:00 Fecho do Circuito
06:30-07:00 Inspecção do Circuito
07:30-07:50 54.º Grande Prémio de Motos de Macau – Aquecimento
08:25-08:55 Macau Roadsport Challenge SJM – 1.ª Corrida (8 voltas)
09:30-10:00 Taça GT Grande Baía Melco – 1.ª Corrida (8 voltas)
10:35-11:05 54.º Grande Prémio de Motos de Macau – 1.ª Corrida (8 voltas)
11:45-12:20 Taça de Carros de Turismo de Macau MGM – 1.ª Corrida (9 voltas)
12:55-13:30 Corrida da Guia Macau Wynn – 1.ª Corrida (9 voltas)
14:05-14:35 Grande Prémio de Macau de Fórmula 4 Sands China – 1.ª Corrida (8 voltas)
15:10-15:40 Taça GT Macau Galaxy Entertainment – 1.ª Corrida (8 voltas)
16:10-16:40 54.º Grande Prémio de Motos de Macau – 2.ª Corrida (8 voltas)
18:00 Abertura do Circuito

06:00 Fecho do Circuito

06:30-07:00 Inspecção do Circuito
08:00-08:45 Macau Roadsport Challenge SJM – 2.ª Corrida (12 voltas)
09:15-10:00 Taça GT Grande Baía Melco – 2.ª Corrida (12 voltas)
10:30-11:05 Taça de Carros de Turismo de Macau MGM – 2.ª Corrida (9 voltas)
11:55-12:30 Corrida da Guia Macau Wynn – 2.ª Corrida (9 voltas)
13:05-13:50 Taça GT Macau Galaxy Entertainment – 2.ª Corrida (12 voltas)
14:00-14:45 Evento Especial
15:15-15:20 Dança do Leão
15:30-16:10 Grande Prémio de Macau de Fórmula 4 Sands China – 2.ª Corrida (12 voltas)
18:00 Abertura do Circuito

Souza espera quebrar um enguiço com meio século

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A Corrida da Guia vai ter um formato diferente dos dois anos anteriores, não pontuando para o TCR Ásia. Este pequeno grande detalhe significa que os pilotos do campeonato e as poderosas equipas de fábrica dos construtores de automóveis da República Popular da China não farão parte da Corrida da Guia este ano, deixando escancarada a porta para o sucesso aos pilotos do território. É que nunca em cinquenta anos um piloto de Macau conseguiu ir ao pódio nesta corrida.

A pandemia e as constantes restrições nas viagens impediram que Filipe Souza concretizasse o plano de participar em 2022 na temporada do TCR Ásia. Com menos ritmo que em anos anteriores, Souza mantém-se realista, mas os seus objectivos para a edição deste ano do Grande Prémio não foram abalados. “Este ano o meu objectivo é igual ao dos dois últimos anos. Só olho para o pódio com a máxima concentração”, afirmou o piloto macaense ao HM.

Este foi um ano particularmente difícil para o experiente piloto, pois apenas realizou uma corrida nos últimos doze meses. “Claro que é prejudicial ter disputado menos corridas este ano, principalmente pelos reflexos que isso tem no ritmo de condução e também fisicamente. Quanto mais conduzes, mais aprendes”, reconhece o piloto que vai para a sua vigésima primeira participação na prova. “Fiz alguns testes com o meu novo carro e também fiz testes de Fórmula Renault na China, que é o meu hábito de todos os anos antes do Grande Prémio de Macau”.

A maior novidade de Filipe Souza este ano é contar com um carro novo Audi RS 3 LMS TCR da segunda geração. “Este novo carro tem potencial para vencer e anda muito bem em recta”, explica o piloto de 46 anos. “A aerodinâmica do carro é uma grande melhoria em relação ao modelo anterior e, em termos de afinações, o novo carro está muito mais fácil de trabalhar. Pelos testes que realizei, também sinto que posso ser mais agressivo nas curvas e por isso tenho uma grande confiança no novo carro”.

Quanto a quem será o seu grande adversário na corrida, Filipe Souza aponta para “o piloto de Hong Kong Andy Yan. Ele tem muita experiência e é um muito bom piloto”.

Macau Roadsport Challenge | Novos desafios para Junio Pereira e Sabino Osório

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Depois da estreia no ano passado no Circuito da Guia numa atípica corrida da Taça de Carros de Turismo de Macau, Junio Pereira vai tentar aplicar o que aprendeu no ano passado, mas agora numa corrida diferente fruto das circunstâncias.

O piloto macaense, que vai guiar um Ford Fiesta diferente do utilizado em 2021, vai alinhar na categoria 1600cc Turbo na corrida Macau Roadsport Challenge, onde estarão outras caras conhecidas do automobilismo do território como são Rui Valente e Célio Alves Dias.

“Vou dar o meu melhor e espero conseguir melhores resultados este ano em Macau”, afirmou o piloto da equipa SLM Racing Team ao HM. “Este Fiesta, que é um carro diferente daquele que usei no ano passado, também deverá ter um melhor desempenho.”

Correr no meio de um pelotão com diferentes andamentos e estilos de condução, certamente irá representar um novo desafio para um piloto que ainda está a dar os primeiros passos no automobilismo. “Eu nunca corri numa das corridas com mistura de categorias”, reconhece Junio Pereira, que admite existir um factor de risco nestas corridas multi-classe, pois “os pontos de travagem são diferentes entre estes dois tipos de carros. Por outro lado, é um pouco injusto corrermos com eles, pois vamos perder exposição mediática. O andamento entre as duas categorias é muito diferente e o melhor dos 1600cc Turbo dificilmente entra no Top-5 da geral”.

Sabino Osório sobe de categoria

Segundo classificado na Taça de Carros de Turismo de Macau de 2021, ao volante de um carro da categoria 1600cc Turbo, Sabino Osório Lei vai este ano alinhar na Macau Roadsport Challenge, mas aos comandos de um Mitsubishi Evo9, preparado pela equipa SLM Racing Team, a categoria 1950cc e Acima.

“Este ano vou tentar algo novo. A razão pela qual escolhi fazer algo diferente é porque ouvi que este ano possivelmente será o último desta categoria e queria fazer algo novo”, explicou ao HM. O Mitsubishi é um carro que foi conduzido no passado por Ng Kin Veng, que estava parado há dois anos e que foi equipado com um motor novo, de menos potência para resistir às agruras da semana do Grande Prémio.

Sem colocar um objectivo para esta sua participação, Sabino sabe o que lhe espera: “Será a minha primeira corrida num carro destes. Tem mais potência e é mais desafiante, mas mais divertido de conduzir”.

Treinos Livres | Alexandre Imperatori foi o mais rápido no primeiro dia de prova

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O senhor Macau está de regresso e em grande nível, mas Alexandre Imperatori foi o mais rápido no dia em que os principais concorrentes dos GTs estiveram a esconder o jogo. Na F4, Bei Siling proporcionou o acidente do dia

 

Edoardo Mortara (Audi R8 LMS) regressou a Macau em grande ritmo, foi o mais rápido na primeira sessão de treinos livres e dominou grande parte da segunda sessão. No entanto, quando tudo apontava para que ficasse no topo da tabela dos tempos, acabou por ser suplantado pelo compatriota Alexandre Imperatori (Porsche 911 GT3 R), que corre com uma licença de Hong Kong.

Em todas as categorias, o dia serviu principalmente para tirar as medidas ao traçado e tratar das afinações dos carros e motos, a pensar nas qualificações, agendadas para o dia de hoje.

A Taça GT, que promete as corridas mais interessantes do fim-de-semana, não foi excepção e os pilotos até conseguiram rodar durante longos períodos, sem interrupções. No duelo entre os construtores germânicos, Mortara com um tempo de 2:19.841 foi o mais rápido na parte da manhã. À tarde o cenário aparentava repetir-se, mas Alexandre Imperatori (Mercedes AMG GT3) fez uma volta com o tempo de 2:18.760 e bateu Mortara por 31 centésimos.

No entanto, o primeiro dia também mostrou que tanto Maro Engel (Mercedes AMG GT3) como Raffaele Marciello (Mercedes AMG GT3) estão a rodar perto do tempo dos pilotos da frente.

Os resultados devem ser encarados com cautela, uma vez que os pilotos tendem a esconder o jogo, para evitar serem prejudicados pelo BoP (Balance of Performance), ou seja, as restrições aplicadas para a organização para nivelar os diferentes carros.

Acidente do dia

Sem a emoção das outras provas, a Fórmula 4 destacou-se pelo acidente do dia, ainda na parte da manhã. Numa primeira sessão de treinos livres marcada pelo facto de a maioria dos pilotos não terem conseguido realizar uma volta rápida, o protagonista foi Bei Siling.

Logo na primeira volta rápida, o chinês perdeu o controlo do Mygale SARL M14-F4, na curva do Mandarim, e embateu forte no muro. O piloto saiu ileso do impacto, mas o carro ficou muito danificado, pelo que não é certo que seja possível repará-lo a tempo de participar no restante fim-de-semana.

Na parte da tarde, o local Andy Chang foi o mais rápido, ao rodar em 2:30.188, com Charles Leong, que tenta chegar à terceira vitória nesta categoria, a quedar-se pelo terceiro lugar com um tempo de 2:30.338.

Huff a melhorar

Em relação à Taça de Carros de Turismo, a grande estrela presente é Rob Huff (MG5 XPower TCR) e o britânico fez um dia em crescendo. Depois de uma primeira sessão em que não conseguiu fazer uma volta lançada, na parte da tarde subiu para segundo, a 97 centésimos de Zhang Zhi Qiang (Lynk & Co 03 TCR), piloto que dominou o dia e fez o tempo de 2:35.822.

Por sua vez, Rodolfo Ávila (MG5 XPower TCR) fez o sexto melhor tempo na parte da manhã e apesar de ter melhorado em quase dois segundos o registo na parte da tarde, não conseguiu melhor do que o 10.º posto, a quase três segundos da frente. Ontem, os pilotos da MG depararam-se com problemas na direcção assistida, que tem falhado.

Kostamo foi o mais rápido nas motas

Erno Kostamo (BMW S1000RR) foi ontem o piloto mais rápido na única sessão do dia do Grande Prémio de Motos, com um tempo de 2:31.069. Numa sessão em que os pilotos puderam realizar várias voltas, o finlandês ficou à frente de Robert Hodson (Kawasaki ZX10RR), com uma diferença de 3,529 segundos, e de David Datzer (BMW S1000RR), com uma vantagem de 5,504 segundos.

Numa sessão que ficou marcada pelo facto de não haver acidentes, o português André Pires (Honda CBR 1000 RR SP) conseguiu o sexto melhor tempo, ainda assim a quase 7 segundos do mais rápido. Hoje, as motos são a primeira categoria a sair para a pista, com a primeira sessão de qualificação agendada para as 7h30. A segunda sessão está agendada para as 12h30.

Testes todos os dias para equipas e pilotos

Desde ontem, com o surgimento de mais casos em Zhuhai, que os pilotos e as equipas que participam o Grande Prémio estão obrigadas a fazer um teste diário de covid-19. A informação foi revelada às 9h ontem pelos organizadores às equipas, e implica uma redução da validade do resultado dos testes de 48 horas para 24 horas. No entanto, ao contrário de outras pessoas envolvidas no evento, os pilotos e as equipas têm um centro de testes que podem utilizar.

O centro está localizado no segundo andar do Terminal Marítimo do Porto Exterior, funciona até sábado e abre às 5h da manhã. Na parte da manhã, o horário de funcionamento prolonga-se até às 10h. Depois da pausa de almoço, o centro funciona entre as 15h e as 20h. Os pilotos e as equipas não precisam de pagar os testes, ao contrário dos cidadãos normais fora dos grupos chave, que pagam até 45 patacas.

Myanmar | Libertados cerca de seis mil presos, quatro deles estrangeiros

Myanmar (antiga Birmânia) anunciou ontem que vai libertar 5.774 presos, entre eles quatro estrangeiros detidos no país, como parte de uma amnistia para assinalar o Dia Nacional da Vitória. Informações divulgadas inicialmente pela agência de notícias France-Presse (AFP) davam conta da libertação de 700 presos, embora, mais tarde, agências noticiosas internacionais, incluindo a Associated Press (AP), que cita a emissora oficial birmanesa MRTV, tenham indicado um total de 5.774 pessoas amnistiadas.

O professor australiano Sean Turnell, o realizador japonês Toru Kubota, a diplomata Vicky Bowman e o botânico norte-americano Kyaw Htay vão também ser libertados, de acordo com a agência de notícias Myanmar Now.

Vidas interrompidas

Turnell, de 58 anos, é professor associado de Economia na Universidade Macquarie de Sidney, e foi detido pelas forças de segurança birmanesas num hotel, na cidade de Rangum, tendo sido condenado em Setembro a três anos de prisão por violar a lei dos segredos oficiais e a lei de imigração do país.

Já Kubota, realizador documental de 26 anos, foi detido em 30 de Julho por polícias à paisana, também em Rangum, depois de, no ano passado, fazer imagens e vídeos de um protesto contra o golpe militar. Em Outubro, foi condenado pelo tribunal prisional a dez anos de prisão por incitar à dissidência contra os militares e violar as leis de telecomunicações do país.

Vicky Bowman tem 56 anos e foi embaixadora do Reino Unido em Myanmar, tendo sido detida em Agosto juntamente com o marido, um cidadão birmanês, que também será libertado agora, de acordo com a AFP. A diplomata foi condenada a um ano de prisão por crimes de imigração.

Kyaw, botânico dos EUA, de origem birmanesa, foi acusado de terrorismo e condenado a sete anos de prisão por alegados crimes contra o Estado. O ministério dos Negócios Estrangeiros nipónico já confirmou ter sido informado da libertação de Kubota, mas não adiantou pormenores. A embaixada britânica em Rangum, por seu lado, disse que Bowman ainda não saiu em liberdade.

Wrong speech, pá

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Assim se pronunciou o secretário-geral da ONU quando iniciava o seu discurso durante a COP 27, a conferência promovida pelas Nações Unidas para definir políticas de combate às alterações climáticas em implacável curso. Lá estavam as câmaras a captar o caricato momento de hesitação perante as palavras que algum serviço de assessoria mais distraído entregou erradamente para aquela delicada circunstância, com a situação resolvida com um espontâneo e gracioso “I think that I was given the wrong speech, pá”.

O momento que parece ter sido de graça, tendo em conta o agrado abertamente manifestado por convivas presentes, que riram com gosto neste grotesco espectáculo que também inclui arriscados números de ilusionismo estatístico e contorcionismo retórico.

Foi a 27.ª vez que se organizou esta “Conference of Parties”, ou COP, o que talvez se possa traduzir para português como “Conferência das Partes”, o que não soaria grande coisa se se tratasse de algo que se pudesse levar a sério, mas que talvez se adeque (porque não, pá?) a esta comédia com que as partes se entretêm e divertem.

Afinal, mais um discurso errado faz pouca diferença: com ou sem Guterres na liderança, já são quase três décadas de discursos errados, feitos de palavras tão eloquentes como ocas e inconsequentes, desde que as ditas partes se começaram a reunir, sob a égide da ONU, em Berlim, em 1995.

Ficaram famosas algumas destas reuniões, ou os documentos que se fizeram aprovar para alimentar a fé da humanidade num mundo melhor, ou pelo menos mais viável. Desde logo o famoso Protocolo de Kyoto, acordado na Conferência de 1997 e em vigor desde 1998, que havia de tornar a antiga capital japonesa numa das maiores atracções turísticas do país e hoje a única urbe do Japão onde se observam com clareza os problemas do excesso de turismo e a sua decorrente insustentabilidade. Foi a primeira vez que as Partes – os países envolvidos, entre os quais Portugal – se comprometeram a implementar limitações e atingir reduções concretas nas emissões de gases tóxicos, devidamente quantificadas.

Valerá pouco a pena contar esta triste história de empolgados discursos e generosas intenções ditadas pela pompa e circunstância dos magníficos salões onde decorrem estas celebrações anuais de animado convívio entre as Partes. A esta pompa corresponde sempre e implacavelmente uma realidade que não há como distorcer no dia a dia do planeta a seguir a cada um destes momentos: mesmo quando finalmente se acordou, em Paris, 2015, definir um conjunto quantificado de metas para se atingirem objectivos específicos no controle do aquecimento global, o certo é que se continuou a falhar contínua e rotundamente até hoje. Na realidade, com a breve excepção registada em 2020, com uma ligeira quebra motivada pela inevitável reclusão imposta pelo Covid-19, as emissões de gases tóxicos continuaram sempre a aumentar.

É por isso que há quem não se ria desta farsa sistemática e permanente, por mui graciosas que se achem as Partes. É a juventude do mundo, essas pessoas que pressentem um futuro curto, que temem pelo desaparecimento do habitat onde era suposto alimentarem sonhos de futuros felizes, e onde afinal vão descobrindo preocupações crescentes, antecipando problemas cada vez mais graves, enquanto observam como se sucedem políticas vazias de resultados envoltas em discursos de reiterada demagogia, que vão afinal alimentando as mesmas relações de poder e a mesma predação sistemática e implacável de recursos que um sistema económico profundamente injusto, desigual e irracional vai impondo dia após dia, após ano, garantindo a riqueza exorbitante de uma pequeníssima minoria e a decorrente miséria de grande parte das 8 mil milhões de pessoas que habitam este cada vez mais precário planeta.

Por isso protestam, com formas determinadas mas pacíficas, pelo menos até ver. São adolescentes e estudantes, na sua larga maioria, com informação, esclarecimento, organização, pacifismo, determinação. Estão em muitos sítios do planeta, sobretudo nos países mais desenvolvidos, os que mais beneficiam do gigantesco problema que têm vindo a criar década atrás de década, num processo contínuo de crescimento de consumo e produção que despreza os limites dos recursos e do planeta. Estão quase sós estas pessoas, no entanto: pelos vistos o futuro conta pouco para quem já só olha para curtos prazos de vida e reformas antecipadas.

Além de um planeta em acelerada destruição, o que esta sociedade tem para oferecer a esta juventude em desespero de causa é a pancadaria que for necessária para a manter na quietude do seu silêncio. Com a brutalidade que for precisa e os tribunais que forem necessários, quem participar nestas ocupações pacíficas de espaços públicos já sabe que vai ter dos poderes dominantes a mesma resposta repressiva, em Lisboa como noutros lugares. Até à cadeia, se for preciso.

Na realidade, a repressão que se abateu rapidamente e em força sobre quem se manifestou em Lisboa durante estes dias em que o secretário-geral da ONU cumpria o ritual de ler discursos errados, pá, já era conhecida de outros momentos e lugares, até relativamente próximos. Também eram adolescentes as pessoas que a polícia retirou com brutalidade de manifestações pelo clima em praças de Londres, poucas horas depois de se sentarem pacificamente.

Não gerou esta violência nenhuma onda crítica ou solidariedade massiva, mas, nos mesmos dias, criticava-se internacionalmente, na ex-colónia britânica de Hong Kong, a utilização da força pela polícia chinesa para dispersar manifestações que duravam há um mês, bloqueando diariamente o trânsito de dois milhões de pessoas e envolvendo a destruição violenta de várias estações de metropolitano.

Nas alegadas democracias ocidentais, conhecem-se afinal muito facilmente os limites da liberdade de expressão e manifestação quando se confrontam os poderes com o vazio das suas propostas e a inevitabilidade do seu fracasso.

Não é necessária violência nem destruição: basta ocupar pacificamente espaços públicos e perturbar vagamente a ordem quotidiana. É certo que esta juventude vai continuar a fazê-lo, até porque não tem alternativa: quem se manifesta nestes dias contra a inacção das instituições perante o colapso do planeta tem a determinação infinita que lhe vem da tristeza de saber que tem razão.

Albergue SCM | Arquitectura moderna e bambu em discussão amanhã

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O Albergue SCM acolhe amanhã uma discussão sobre a aplicação do bambu na arquitectura moderna e as questões identitárias colocadas por um contexto de globalização. Conduzida pelo arquitecto e médico austríaco Markus Roselieb, a palestra irá incidir sobre o papel da arquitectura na preservação da natureza e na promoção da sustentabilidade

 

Amanhã, a partir das 14h30, o Hall D1 do Albergue SCM acolhe a palestra “Que Identidade? Num mundo globalizado, que papel tem a identidade numa cultura arquitectónica específica? Aplicação do bambu na arquitectura moderna”, evento patrocinado pelo Fundo de Desenvolvimento da Cultura.

Conduzida em inglês pelo arquitecto austríaco Markus Roselieb, a palestra propõe a dissecação do uso do bambu enquanto material de construção natural aplicado a uma perspectiva contemporânea de arquitectura e design.

A organização do evento, que cabe ao Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, escreve em comunicado que o bambu é material natural, “um tubo reforçado e altamente funcional quando usado correctamente”. “Pode ser usado em estruturas de grande dimensão, num sistema de vigas cruzadas em áreas vastas, ou para criar tectos com formas orgânicas que permitem ventilação natural. Tem elevada durabilidade e é agradável aos sentidos, gerando um ambiente acolhedor”, é acrescentado.

Radicado na Tailândia, Markus Roselieb é fundador da Chiangmai Life Architects and Chiangmai Life Construction, que aposta na “arquitectura como via para colocar as pessoas em contacto consigo próprias e com o ambiente contruído”, missão para a qual o bambu é uma ferramenta de conexão.

O arquitecto defende que o bambu tem características que lhe conferem a capacidade de substituir o aço em muitas aplicações estruturais, tendo em conta a maior elasticidade e resistência à tração, ao mesmo tempo que é muito mais leve que o aço.

“A nossa identidade visual é moldada pelas formas que podemos observar na natureza, por longas e fluídas curvas e arcos. Conexão e combinação são conceitos importantes. Ligar uma pessoa a um lugar, ao planeta, mas também ligar a natureza à modernidade”, refere Markus Roselieb em comunicado, lançando premissas para a palestras de amanhã.

Do corpo à casa

Formado em medicina na Universidade de Viena, na Áustria, Markus Roselieb é um arquitecto autoditacta, que aprendeu através da observação de micro-estruturas, como o esqueleto humano, mas também pela via empírica, com experiências registadas desde os tempos de estudante na construção de estruturas. Roselieb viria a especializar-se em arquitectura sustentável e com sensibilidades ecológicas, focando-se também em projectos arquitectónicos virados para a educação, comércio e habitação de luxo.

O arquitecto ajudou também a fundar a Panyaden International School, em Chiang Mai no norte da Tailândia, que promove uma nova abordagem educativa focada na criatividade, proximidade com a natureza e ciências ambientais.

A entrada para a palestra é livre, mas requer inscrição prévia. Os interessados têm até hoje às 13h para se inscreverem através do site https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdGKQAU86lDk9ftqMhobPeBsUOfk-A-Z2EQtLExP0tF7cZFVg/viewform. Não há lugares marcados e a organização vinca que os lugares sentados são limitados.

Quarentenas | Morte de segunda criança renova críticas à estratégia zero casos

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A morte de uma segunda criança na China, devido ao excesso de zelo na aplicação das medidas de prevenção epidémica, renovou descontentamento popular no país com a estratégia ‘zero casos’ de covid-19. Uma menina de 4 meses morreu após sofrer vómitos e diarreia, quando cumpria quarentena num hotel na cidade de Zhengzhou, centro da China, de acordo com informação difundida pela imprensa local e publicações nas redes sociais.

O pai da criança levou 11 horas até conseguir ajuda, depois de os serviços de emergência terem recusado atender a criança, que foi finalmente enviada para um hospital a 100 quilómetros de distância do local onde cumpria quarentena.

A morte ocorreu depois de o Partido Comunista Chinês (PCC) ter prometido, na semana passada, que pessoas em quarentena não seriam impedidas de ter acesso aos serviços de emergência, na sequência da morte de um menino de três anos, por envenenamento causado por uma fuga de monóxido de carbono em casa, no noroeste do país.

O seu pai culpou os profissionais de saúde da cidade de Lanzhou, que, segundo ele, tentaram impedi-lo de levar o filho para o hospital. A menina de 4 meses e o seu pai foram colocados em quarentena no sábado.

Uma conta na rede social Weibo de um utilizador que se identifica como sendo o pai da criança, Li Baoliang, disse que começou a ligar para a linha directa de emergência ao meio-dia de segunda-feira, depois de a menina ter sofrido vómitos e diarreia. A linha directa respondeu que a menina não estava suficientemente doente para precisar de atendimento de emergência.

Os profissionais de saúde no local da quarentena chamaram uma ambulância, mas a equipa recusou-se a lidar com o caso porque o pai testou positivo para o novo coronavírus. A menina finalmente chegou ao hospital às 23:00, mas acabou por morrer, apesar dos esforços para reanimá-la. O governo da cidade de Zhengzhou disse que o incidente está sob investigação, de acordo com a imprensa.

G20 | Xi Jinping faz repreensão pública Justin Trudeau

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Sem contemplações, e num gesto pouco vulgar, o Presidente chinês confrontou publicamente o primeiro-ministro canadiano, acusando-o de divulgar e deturpar conversas privadas

 

O Presidente chinês, Xi Jinping, repreendeu na quarta-feira o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, em frente às câmaras, na cimeira do G20, numa contenda pública incomum, que pode complicar ainda mais as relações bilaterais.

“Ir contar aos jornais sobre aquilo que falamos não é apropriado”, disse Xi a Justin Trudeau, de acordo com um vídeo registado pelos jornalistas em Bali, na Indonésia.

Xi referia-se a informações difundidas pela imprensa, sobre uma conversa entre os dois. Órgãos de comunicação canadianos e internacionais, que citaram pessoas familiarizadas com o encontro, relataram que o primeiro-ministro canadiano expressou preocupações com a alegada interferência chinesa nas eleições do seu país.

“Além disso, não foi assim que a conversa se realizou”, acrescentou Xi, acusando Trudeau de falta de sinceridade.
As observações de Xi foram traduzidas para o inglês por um intérprete. “Se houver sinceridade [da sua parte], então devemos ter uma discussão baseada no respeito mútuo. Se não houver, é difícil esperar mais”, afirmou o líder chinês.

O Presidente chinês aparentemente tenta despedir-se do primeiro-ministro canadiano, mas este responde. “No Canadá, acreditamos no diálogo livre, aberto e franco, e é isso que continuaremos a fazer”, disse Justin Trudeau, em inglês. “Vamos continuar a procurar trabalhar juntos de forma construtiva, mas vão haver coisas sobre as quais não concordamos”, acrescentou.

Xi Jinping pôs então fim à conversa, afirmando por duas vezes: “Cabe a si criar as condições [necessárias para melhorar as relações]”. Questionada ontem sobre o incidente, a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Mao Ning minimizou o caso.

“O vídeo (…) contém uma breve conversa entre os líderes dos dois países, durante a cimeira do G20. Isso é algo normal”, apontou. “Não acho que deva ser interpretado como uma crítica ou repreensão a alguém por parte do Presidente Xi”, acrescentou.

Encontro amargo

A reunião de terça-feira entre Xi Jinping e Justin Trudeau foi o primeiro diálogo cara a cara entre os dois líderes desde 2019.

A polícia federal canadiana indicou, na quinta-feira passada, que estava a investigar a alegada criação ilegal de “esquadras” pela China no Canadá, para controlar em particular chineses exilados ou a residir no país.

Justin Turdeau também disse, na semana passada, que a China estava a conduzir “jogos agressivos”, depois de a emissora canadiana Global News ter avançado informações sobre a interferência chinesa no processo eleitoral do Canadá.

As relações entre Pequim e Otava deterioraram-se acentuadamente nos últimos anos, sobretudo depois da detenção, em 2018, pelo Canadá, a pedido dos Estados Unidos, da directora financeira do grupo chinês das telecomunicações Huawei.

Covid-19 | Governo avisa que ocultar passagem por Gongbei pode dar prisão

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O Centro de Coordenação de Contingência lembrou ontem que mentir ou ocultar dados na prevenção à pandemia pode resultar em seis meses de prisão. O aviso foi feito em relação à necessidade de reportar a passagem pelo centro comercial de Gongbei. Ontem, foram reportadas duas infecções de residentes de Zhuhai que trabalham em Macau

 

“O Centro de Coordenação reitera que quem prestar falsas declarações é punido com pena de prisão até 6 meses ou com pena de multa até 60 dias.” É desta forma que termina um comunicado emitido ontem pelas autoridades de saúde a apelar a quem tenha passado no centro comercial subterrâneo do posto fronteiriço de Gongbei para declarar “fielmente as informações e cumprir as respectivas medidas de prevenção antiepidémicas”.

As autoridades de saúde locais anunciaram ontem que, para entrar em Macau, quem tenha passado pelo piso -1 e -2 do centro comercial de Gongbei terá de cumprir quarentena em hotel designado até ao quinto dia seguinte a ter passado pela zona de risco. A quarentena não pode ser inferior a dois dias e, de seguida, seguem-se três dias de isolamento domiciliário com código vermelho

Quem já tiver entrado, deve fazer autogestão de saúde até ao quinto dia depois de ter passado pelas zonas mencionadas de Gongbei, ficando com código de saúde amarelo e submetendo-se a quatro testes sucessivos de ácido nucleico.

O par do dia

As autoridades de Zhuhai anunciaram ontem a descoberta de dois casos positivos referentes a pessoas que trabalham em Macau. A primeira a ser reportada foi uma mulher de 22 anos, residente no Interior da China, que trabalha no Music Cracker Education Centre”, no Fai Chi Kei, que testou positivo na manhã de ontem.

O centro de coordenação de contingência indicou que, como tem sido habitual, a jovem passou pela área de correios expressos do centro comercial do posto fronteiriço de Gongbei no passado domingo.

Por volta do meio-dia de ontem, foi reportado pelas autoridades de Zhuhai mais um caso positivo, referente a uma residente do Interior da China, de 36 anos, que mora em Zhuhai e permanece a maioria do tempo na Farmácia “Hui Hong”, explorada pelo marido, na Rua 1 do Bairro Vá Tai, nas Portas do Cerco.

A mulher passou na terça-feira no balcão dos Serviços de Finanças do Centro de Serviços da RAEM da Areia Preta, o que levou ontem à tarde ao encerramento do edifício durante uma hora e meia para desinfecção das instalações.
As autoridades indicaram ainda que na quarta-feira a mulher foi ao Edifício de Administração Pública, na Rua do Campo. Até ao fecho da edição, as autoridades de saúde não haviam decretado mais zonas vermelhas.

Burla | Residente desfalcado em 1,4 milhões de patacas

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Um residente de 31 anos foi burlado em 1,4 milhões de patacas, após ter confiado os dados da conta bancária a um burlão que se fez passar por representante das autoridades de saúde de Hong Kong e da polícia do Interior. O caso foi revelado ontem pela Polícia Judiciária e relatado pelo Jornal Ou Mun.

Segundo o queixoso, a 7 de Novembro recebeu uma chamada telefónica, de alguém que se fez passar pelas autoridades de Saúde de Hong Kong. Após ter sido informado de que tinha estado em contacto com um caso positivo de covid-19 em Hong Kong e numa zona de surto, o residente local protestou ao telefone e afirmou não ter saído do território nos últimos tempos.

A resposta não demoveu o burlão, e, ao telefone, informou a vítima de que iria transmitir a chamada para a Polícia do Interior, uma vez que o residente também era suspeito de ter cometido crimes financeiros no outro lado da fronteira.

Sem desconfiar da identidade da pessoa do outro lado da linha, o residente forneceu todos os dados da conta bancária para que as “autoridades” pudessem proceder às averiguações necessárias. Com a informação nas mãos, o burlão, que se fez passar pela polícia do Interior, limitou-se a contar à vítima que esta tinha sido ilibada de qualquer suspeita. Porém, passado uns dias o homem desconfiou do sucedido e quando verificou o saldo da conta apercebeu-se que tinha sido desfalcado em 1,4 milhões de patacas, pelo que apresentou queixa.

Habitação | Outubro foi o mês do ano com mais transacções

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O registo das vendas no projecto Praia Park, em Seac Pai Van, fez disparar o número de transacções imobiliárias durante o mês de Outubro. Em comparação com o ano passado, o número caiu para metade

Com um total de 417 transacções de habitação, Outubro foi o melhor mês do ano a nível do mercado imobiliário. Os números foram impulsionados pelo aumento das vendas em Coloane, onde se registaram 184 transacções, devido ao projecto Praia Park.
Segundo os dados da Direcção de Serviços de Finanças (DSF), no décimo mês do ano registaram-se 417 transacções a um preço médio de 111.397 patacas por metro quadrado. Estes dados contrastam com o mês de Março que tinha sido o melhor mês do ano até Outubro, quando ocorreram 350 transacções, a um preço médio de 93.641 patacas por metro quadrado.
Coloane foi a área onde se registaram mais transacções, 184 a um preço médio de 133.103 patacas por metro quadrado. As fracções vendidas tinham em média cerca de 78 metros quadrados.
Estes números foram impulsionados pelo projecto Praia Park, em Seac Pai Van, onde na segunda quinzena de Outubro se registaram 176 das 184 vendas em Coloane. Tendo em conta a média do preço e da área, as casas nesta zona são vendidas por cerca de 11 milhões de patacas.
Em contraste com Outubro do ano passado, este ano houve mais 168 transacções em Coloane, visto que em Outubro de 2021 o número não tinha ido além das 16 transacções. Também no ano passado, o preço médio tinha sido de 91.711 patacas.
As restantes vendas aconteceram na Península de Macau, com 179 transacções, e Taipa, com 54 casas. Os preços médios de venda foram 90.497 patacas por metro quadrado e 88.322 patacas por metro quadrado, respectivamente.

Quebra de 50 por cento
Apesar dos sinais de recuperação em Outubro, segundo os dados da Direcção de Serviços Financeiros, nos primeiros 10 meses do ano o número de transacções teve uma quebra de 50 por cento.
Até Outubro deste ano, houve 2.582 transacções, e o último mês foi o único em que as vendas ficaram acima das 400 unidades. No ano passado, também até Outubro tinha havido um total de 5.102 transacções.
Os dados indicam também que em 2021 o mercado tinha outra vitalidade, uma vez que apenas em Fevereiro e Outubro o número de transacções ficou abaixo das 400 unidades.
O número de transacções está a descer ao mesmo tempo que sobe o número de fracções desocupadas. Segundo os dados da Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC), em Junho de 2021 havia 21.000 casas inabitadas em Macau. O número subiu para 22.222 em Junho deste ano.

Caso Suncity | Arguido terá sido “mentalmente torturado”, afirma namorada

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Au Wang Tong, arguido do caso Suncity, terá sido “mentalmente torturado” aquando da sua detenção na China, ao ponto de ter tentado o suicídio. A denúncia chegou ontem pela voz da namorada de Au em mais uma sessão de julgamento do caso, que decorre no Tribunal Judicial de Base.

Segundo o portal Macau News Agency, Au Wang Tong foi detido na fronteira de Macau com Zhuhai em Dezembro de 2020, na companhia da namorada, quando o casal voltava a casa depois de uma viagem ao continente. “Não sabia o que estava a acontecer. Os polícias da Alfândega [da China] apenas me disseram para ir embora enquanto levavam o meu namorado.”

A rapariga afirma que só teve notícias do namorado três meses depois e após contacto com um advogado, que também só pôde contactar com o seu cliente muito tempo depois. “Ele disse ao advogado [na reunião] que ficou preso numa pequena divisão sem permissão para tomar banho. Foi mentalmente torturado… e teve uma quebra emocional. Ele mudou completamente. Perdeu imenso peso e parecia completamente esgotado. Também tinha marcas nos pulsos”, contou.

“Ele disse-me que estava preso num quarto pequeno e que só pensava em diferentes formas de se matar, todos os dias. Disse que nunca imaginou que a sua vida poderia terminar desta forma”, acrescentou a namorada de Au, de apelido Lao, na sessão de ontem do julgamento do caso Suncity.

Au Wang Tong é um dos 21 arguidos do caso, juntamente com Alvin Chau, sendo acusados de promover e desenvolver actividades de jogo ilegal e lavagem de dinheiro, entre outros crimes. Au era um trabalhador da linha da frente, na área do desenvolvimento de mercado, da Suncity. A acusação diz que ele terá ajudado a criar centenas de contas ilegais nas salas VIP, além de promover actividades de jogo na China.

Turismo | Despesas de visitantes do Interior subiram 22,6 %

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Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), relativos ao terceiro trimestre deste ano, revelam que a despesa per capita dos visitantes oriundos do Interior da China subiu 22,6 por cento, em termos anuais, enquanto a despesa per capita dos visitantes da mesma região, mas com visto individual, foi de 6.145 patacas, uma subida de 3,9 por cento.

Em termos globais, no mesmo trimestre, a despesa per capita dos visitantes em Macau foi de 3.222 patacas, mais 22,7 por cento em termos anuais. Por sua vez, a despesa per capita dos turistas (5.717 patacas) e a dos excursionistas (601 patacas) registaram aumentos homólogos de 14,5 e 1,8 por cento, respectivamente.

Grande parte da despesa, 64,7 por cento, foi feita em compras, seguindo-se os gastos com alojamento, que representa 17,9 por cento, e em alimentação, 11,9 por cento. A despesa per capita dos visitantes em compras cifrou-se em 2.084 patacas, mais 30 por cento em termos anuais.

Ainda relativamente ao terceiro trimestre, a despesa total dos visitantes, com a exclusão das despesas feitas no jogo, cifrou-se nas 2,90 mil milhões de patacas, menos 39,7 por cento em termos anuais.

A DSEC diz que esta quebra se deve “principalmente à diminuição homóloga de 50 por cento do número de visitantes entrados em Macau, causada pelo impacto da pandemia”. As despesas totais dos turistas, de 2,63 mil milhões de patacas, e dos excursionistas, de 264 milhões de patacas, registaram uma quebra de 37,6 e 54,6 por cento, respectivamente. Nos três primeiros trimestres deste ano a despesa total dos visitantes atingiu 13,34 mil milhões de patacas, correspondendo a um decréscimo de 26,5 por cento face ao mesmo período de 2021.

Jogo | Singapura e Filipinas ultrapassaram Macau

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Da indiscutível medalha de ouro, para o bronze. Macau caiu para o terceiro lugar no pódio das receitas brutas do jogo em termos regionais durante o terceiro trimestre do ano. Os casinos de Singapura e Filipinas conseguiram melhores resultados num trimestre em que os casinos de Macau fecharam durante 12 dias

 

Há uns anos seria impensável ver a capital mundial do jogo destronada regionalmente do lugar cimeiro em termos de receitas brutas apuradas. Pois foi isso mesmo que aconteceu durante o terceiro trimestre deste ano, quando Singapura e Filipinas ultrapassaram os resultados dos casinos locais, relegando Macau para o terceiro lugar em termos regionais.

A indústria do jogo das Filipinas amealhou no terceiro trimestre deste ano cerca de 860,7 milhões de dólares, quantia que representou uma subida de 7,6 por cento em relação ao trimestre anterior, segundo dados compilados pelo portal GGR Asia.

No pódio regional, Singapura ficou em segundo lugar. No terceiro trimestre do ano, os dois casinos da cidade estado apuraram 788 milhões de dólares, divididos entre o Marina Bay Sands, que pertence à Las Vegas Sands Corp, e o Resort World Sentosa, gerido pela Genting Singapore Ltd. No cômputo dos resultados de Singapura, o Marina Bay conseguiu 510 milhões de dólares, superando em 2 por cento as receitas brutas do trimestre anterior.

Não cai do céu

O terceiro trimestre deste ano foi sinónimo de um dos piores resultados dos casinos locais desde que o jogo foi liberalizado em Macau, apurando receitas brutas na ordem dos 688,4 milhões de dólares. Valor que representou uma quebra de 34,7 por cento em relação ao já muito negativo trimestre anterior, e que ficou quase 100 milhões de dólares abaixo dos resultados obtidos apenas por dois casinos em Singapura.

Importa recordar que durante o período em análise, Macau enfrentou o mais grave surto de covid-19 desde o início da pandemia, levando ao confinamento parcial da população, a múltiplas rondas de testes em massa, e ao encerramento dos casinos durante 12 dias.

Em termos anuais, os meses entre Julho e Setembro registaram quebras de resultados de mais de 70 por cento em relação ao período homólogo de 2021, representando apenas 7,8 por cento das receitas brutas registadas no terceiro trimestre de 2019.

Os dados compilados pelo portal GGR Asia espelham a diferença entre a política de zero casos implementada no Interior da China, e por arrasto a Macau, e o levantamento de restrições que se faz sentir na região asiática.

Lei Wai Nong diz que reality show vai mostrar sucesso de “Um País, Dois Sistemas”

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Um reality show que recorre a celebridades para mostrar ao Interior o sucesso do princípio “Um País, Dois Sistemas” em Macau. Foi desta forma que o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, comentou o novo programa televisivo do grupo China Media Group intitulado “Viagem de duas vias em Macau”.

“A partir de diferentes ângulos, o programa demonstra a história de sucesso de Macau sob ‘Um País, Dois Sistemas’, mostrando de forma global e multifacetada Macau como um Centro Mundial de Turismo e Lazer, para que o público possa ver uma Macau colorida e diversificada, tendo um conhecimento mais completo e renovado da cidade”, afirmou Lei Wai Nong.

A cerimónia de lançamento do novo programa decorreu ontem, no Auditório do Edifício Chi Un da Universidade Politécnica de Macau, e o governante associou o princípio político ao facto de se permitir em Macau a fusão de várias culturas.

Na visão do secretário para a Economia e Finanças, o novo programa tem um formato “muito popular entre os espectadores do Interior da China” e vai contar com “apresentadores famosos e estrelas do mundo do entretenimento”. O objectivo será mostrar às celebridades do Interior a “fusão das diversas culturas de Macau, o seu rosto singular e contornos urbanos, bem como a abundância de eventos inovadores, lazer e entretenimento, história e cultura”, através de duas vias: “rituais de vida” e celebrações”.

Agora é que vai ser

Apesar do aumento de casos de covid-19 no Interior da China e das restrições à circulação de pessoas, Lei Wai Nong aproveitou para destacar o fim da suspensão das excursões a Macau e agradecer ao Governo Central.

“A retoma do sistema de vistos electrónicos para viagens turísticas do Interior da China a Macau e de excursões de ‘quatro províncias e uma cidade’, entre outras medidas favoráveis reflectem plenamente o amor do Governo Popular Central por Macau”, afirmou. A declaração foi proferida apesar de até ontem ainda não ter chegado a Macau qualquer excursão ao abrigo do programa mencionado.

A oportunidade serviu também para Lei deixar um sinal de confiança para o futuro. “Com a estabilidade da situação epidémica no Interior da China e em Macau, prevê-se que o número de visitantes irá voltar a apresentar uma tendência de subida significativa, o que impulsionará grandemente a recuperação do turismo, e dinamizará a vida da população e a economia de Macau”, anteviu o governante.

LAG | Académicos consideram relatório concreto e pragmático

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Os académicos Lei Chun Kwok e Matthew Liu Ting Chi entendem que o relatório das Linhas de Acção Governativa, apresentado esta semana, é mais concreto e pragmático em relação à política de diversificação económica. Porém, apontam que os efeitos só se vão sentir a longo prazo

 

Há muito que o Governo de Macau fala da necessidade de diversificar a economia além do jogo. No entanto, só com o relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano foi possível ser mais pragmático, graças à apresentação da política “1+4”. É o que consideram dois académicos da Universidade de Macau (UM), Lei Chun Kwok e Matthew Liu Ting Chi, em declarações ao programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau.

Considerando que os objectivos traçados no relatório correspondem à situação concreta de Macau, os dois académicos entendem, no entanto, que as metas traçadas no documento não serão concretizadas a curto prazo.

Lei Chun Kwok, também vice-presidente da Associação Económica de Macau, disse que o relatório apresenta de forma mais pragmática a situação macroeconómica do território. “O Governo já propõe o objectivo da diversificação económica há muitos anos, mas desta vez vi um objetivo mais clarificado em relação ao passado, que é a estratégia ‘1+4’”, disse.

A estratégia assenta na integração do turismo e do lazer numa só indústria de excelência, enquanto o número quatro diz respeito ao fomento de quatro sectores que o Governo encara como prioritários na economia, que são as áreas de big health, finanças, tecnologia de ponta, convenções e exposições, comércio, cultura e desporto. A ideia é que estas quatro indústrias ganhem cada vez maior relevo na economia em relação ao jogo.

No entanto, no programa de rádio, Lei Chun Kwok alertou para a impossibilidade desta mudança na economia se fazer em poucos anos, apontando que vai demorar pelo menos dez anos até que o jogo deixe de ser o principal sector económico e estas quatro indústrias tenham maior relevância.

Por sua vez, Matthew Liu Ting Chi, docente da Faculdade de Gestão de Empresas da UM, disse que a política vai necessitar de tempo para ser uma realidade e recordou o título do relatório das LAG: “Conjugação de esforços; Avanço com estabilidade”, o que significa, na sua visão, avançar com as propostas calmamente com o consenso da população.

Face à estratégia “1+4”, o académico entende que é exigido ao sector do jogo o fomento das quatro novas indústrias. “Por isso é uma estratégia que afasta preocupações da população em relação à possível destruição do sector do jogo”, disse.

Desemprego e afins

Na sua intervenção, o académico e vice-presidente da Associação Económica de Macau lembrou que o relatório das LAG, apresentado esta semana por Ho Iat Seng “deu destaque ao aceleramento da recuperação económica” tendo em conta a crise que se vive devido à pandemia.

“A taxa de desemprego tem aumentado nos últimos anos e o sector do jogo está neste momento num período de ajuste”, disse. O responsável lembrou ainda o facto de o relatório prever o restabelecimento da emissão do visto electrónico para os turistas chineses e o regresso das excursões a Macau.

À semelhança do que disse o Chefe do Executivo, Lei Chun Kwok também defende a ideia que defende a impossibilidade de estabelecer uma proporção de empregos para residentes e trabalhadores não-residentes (TNR).

“Devemos substituir os TNR consoante a taxa de desemprego. Se a situação continuar má, o Governo deve reforçar essa substituição de trabalhadores. É mais flexível desta forma do que elaborar uma proporção de TNR que podem ocupar certas vagas.”

Na visão de Matthew Liu, o desemprego não está apenas relacionado com os TNR, mas é uma consequência de toda a conjuntura económica e da enorme dependência da economia em relação ao jogo. Por essa razão, o professor defende que as quatro novas indústrias da estratégia “1+4” podem ter maior espaço de desenvolvimento, proporcionado mais empregos.

Rota Marítima da Seda | Maria José de Freitas fala do potencial da candidatura

Sofia Margarida Mota
Maria José de Freitas defende que Macau não se deve envergonhar do seu passado como entreposto comercial entre a China e o Ocidente nem dos laços com a rota comercial criada pelos portugueses que lhe deu o estatuto de cidade portuária. A arquitecta apela à divulgação, por parte do Governo, dos relatórios sobre a análise do impacto no património, que, diz, deveriam ser públicos

 

Maria José de Freitas entende que Macau não se deve envergonhar do seu passado como cidade portuária e um importante elo de ligação na relação comercial marítima que uniu a China e Portugal a partir do século XVI. Em declarações ao HM, a propósito da proposta de candidatura da Rota Marítima da Seda a património mundial da UNESCO, a arquitecta e estudiosa do património de Macau entende que há um lado da moeda afastado do discurso oficial.

“Macau não tem de ter vergonha do seu passado ou da sua origem, porque é diferente enquanto cidade que integra a Grande Baía precisamente pela sua história, que tem também um valor universal reconhecido pela UNESCO.”

Os critérios de classificação da UNESCO prendem-se, precisamente, com o facto de Macau ser “uma cidade portuária” e que apontam para a “miscigenação” do território.

Maria José de Freitas entende que há uma ocultação desse passado e que este “não é valorizado como deveria”. “Muitas vezes, até na informação divulgada pelo Instituto Cultural (IC), fala-se do encontro cultural que existe na cidade, mas não se mencionam esses critérios, muito vinculados ao facto de Macau ter sido uma cidade portuária. Isso não surgiu do nada, mas sim da relação com o Ocidente.”

Não se integra, portanto, “na divulgação do património de Macau todos os valores e situações, como é o caso dos portugueses e do comércio marítimo até chegar a Macau, no contexto de rede comercial vinda de África, Índia, Colombo e até chegar ao Japão, ou relacionado com as próprias missões ligadas à religião católica.”

“É como se só ouvíssemos um lado, mas o outro lado existe e tem vestígios. Temos, por exemplo, as Chapas Sínicas, que são reveladoras de um contexto que deve ser valorizado e integrado nesta Rota”, acrescentou.

Todo o sentido

Maria José de Freitas foi uma das oradoras do Fórum Cultural Internacional sobre a Rota Marítima da Seda que terminou ontem, com o painel “A Rota Marítima da Seda – O papel de Macau nas rotas passadas e futuras”. Durante dois dias, este fórum abordou a candidatura da Rota Marítima da Seda a património mundial da UNESCO, um projecto preparado por 28 países. Na visão da arquitecta, “faz todo o sentido que nesta candidatura Macau esteja incluído. Há perspectivas que se abrem para o futuro no âmbito da Grande Baía e também do projecto ‘uma faixa, uma rota’”.

Isto porque “os portugueses, antes de chegarem a Macau, estiveram noutras ilhas da Ásia e estabeleceram uma rede comercial e de troca de produtos, pelo que a localização de Macau era, assim, muito favorável”. “No retorno à China o facto de Macau se tornar parte desta Grande Baía é também um retorno às origens”, adiantou Maria José de Freitas.
Falamos de um período próspero, que vai do século XVI ao século XVII, quando Macau tem uma grande importância como cidade portuária, sendo um elo de ligação fundamental no comércio entre a China, Portugal e o resto do mundo.

“Macau era um parceiro fiável para a China naquela época e podia assegurar um percurso fluvial até Cantão, a fim de escoar os produtos chineses. No percurso para o Japão traziam as especiarias que vinham da Índia. Havia benefícios que os chineses aproveitaram e Macau estabeleceu-se então como um entreposto comercial muito forte que durou até ao século XVII. Só perde importância a partir do momento em que surgem as grandes companhias, holandesa, francesa e espanhola. O reflexo no urbanismo e na arquitectura é evidente, ainda hoje”, disse a arquitecta.

Onde estão os relatórios?

Questionada sobre a criação do Centro de Monitorização do Património Mundial de Macau, Maria José de Freitas entende ser um passo importante. “Quando trabalho com a UNESCO é habitual fazer-se o relatório periódico da avaliação dos bens, porque estão sujeitos a inúmeras pressões, de toda a espécie. No caso de Macau relacionam-se com a envolvente e que pode afectar os valores universais. Há ainda que garantir as condições de estabilidade e segurança dos próprios edifícios, perceber se são antigos, se podem ter problemas estruturais. Há também outras situações que podem ocorrer devido às alterações climáticas extremas, como os tufões e a poluição.”

Outro dos factores que pode afectar os monumentos, é o elevado número de turistas, actualmente em quebra devido à pandemia. “Podem aparecer de novo as multidões de turistas e já sentíamos em Macau que essa situação deveria ser monitorizada, portanto, há uma série de parâmetros que essa monitorização deve assegurar. Faz sentido que exista um organismo que faça tudo isso. O património só tem a ganhar.”

A arquitecta deixa ainda um alerta para que o IC divulgue os relatórios do “Heritage Impact Assessment” [Avaliação do Impacto no Património], que servem para “aferir qual a situação dos bens patrimoniais”.

“No caso de Macau não tenho visto isso feito, apesar de ser uma recomendação da UNESCO. Não há notícias públicas sobre esses relatórios. Em vários casos fazem todo o sentido, como o Farol da Guia ou a zona da Igreja da Penha. Os relatórios devem ser públicos e bilingues. O IC diz que essa análise foi realizada, mas ninguém conhece os conteúdos. O IC deverá ter esses documentos, mas a população, as associações de defesa do património e os académicos não têm. Estas coisas têm de ser transparentes e conhecidas”, rematou.

Macau Roadsport Challenge | De olho no pódio, Badaraco espera que esta não seja a última

DR

Num ano em que as duas categorias locais de carros de Turismo – 1950cc e Acima e 1600cc Turbo – se voltam a encontrar, mas agora na corrida Macau Roadsport Challenge, Jerónimo Badaraco quer regressar a um pódio que visitou pela primeira vez em 1999, quando triunfou na derradeira edição da Taça ACP.

O piloto macaense vai conduzir novamente o imponente Mitsubishi Evo9 da Son Veng Racing Team, um carro mecanicamente levado ao extremo e que prima pela espectacularidade, mas cuja fiabilidade é o seu “calcanhar de Aquiles”. Tal como à maior parte dos pilotos do território, a pandemia trocou os planos a Jerónimo Badaraco e a preparação para a corrida mais importante do ano não foi aquela que o piloto e a sua equipa certamente pretendiam.

“Este ano vai ser outra vez muito especial, porque por causa da pandemia não pudemos testar o carro como queríamos, mas eu e toda a equipa esperamos que o carro consiga corresponder às nossas expectativas e que corra tudo bem ao nível de mecânica e electrónica”, relatou ao HM o piloto que conta com mais de duas dezenas de participações no Grande Prémio de Macau.

Se não acontecerem imprevistos técnicos, “Noni” não esconde a vontade que tem em “voltar a subir ao pódio, celebrar uma vitória e acima de tudo, voltar a sentir a emoção desta competição automóvel tão importante em Macau.”

Rumores do paddock dizem que esta será a última edição em que iremos ver os muito acarinhados carros de Turismo das classes 1950cc e Acima e 1600cc Turbo em acção no Circuito da Guia. Tendo estes carros já atingido o seu pico de evolução e completado o seu ciclo de vida, a pandemia acabou por prolongar o seu “prazo útil de vida”, poupando os pilotos locais de elevados investimentos em carros e material novo.

Porém, Jerónimo Badaraco acredita que será um erro terminar com esta popular corrida: “Há a possibilidade deste ano ser a última prova de Roadsport Challenge e por isso aproveito esta oportunidade no Hoje Macau para expressar o meu desejo de que esta prova se mantenha, pois é uma competição com vários pilotos com carros tão diferentes e que os espectadores gostam.”

Taça de Carros de Turismo de Macau | Ávila chega a Macau após duas vitórias no TCR Ásia

DR
O piloto da MG XPower Racing vai participar pela 15.ª vez no Grande Prémio de Macau e vai ser o único representante local na Taça de Carros de Turismo de Macau, que este ano é pontuável para o campeonato TCR Ásia e para o Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC)

 

Após um ano de ausência, Rodolfo Ávila está de regresso ao Circuito da Guia. Naquela que é a sua 15.ª participação no Grande Prémio de Macau. O piloto português vai alinhar pela primeira vez na corrida da Taça de Carros de Turismo de Macau, sendo o único concorrente da RAEM nesta corrida que este ano será pontuável para o campeonato TCR Ásia e para o Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC).

Numa temporada em que apenas foi possível realizar duas corridas, o campeão da última edição do TCR China sabe que não terá a vida fácil neste seu retorno ao palco onde se estreou no automobilismo há precisamente duas décadas, na altura, na corrida do asiático de Fórmula Renault.

“Claro que vamos tentar andar o melhor possível”, afirmou Rodolfo Ávila ao HM. “Este ano acabamos por não ter tantas oportunidades para desenvolver o novo MG5 como gostaríamos, por isso este fim-de-semana vamos continuar a desenvolver o carro e espero que tenhamos andamento para andar na frente.”

Apesar das duas vitórias conquistadas esta temporada – uma em Zhuzhou e outra em Zhejiang – o novo MG5 XPower TCR ainda continua numa fase muito primária de desenvolvimento, devido aos atrasos provocados pela pandemia, estando ainda longe do nível dos melhores carros da categoria TCR, tendo acusado por diversas vezes problemas de fiabilidade que levantam várias interrogações antes do debute do carro da marca sino-britânica num circuito citadino.

“Fazer um bom resultado em Macau contra os Lynk & Co sei que não vai ser fácil. Mas claro que quero continuar a ser o melhor piloto da MG, no entanto, para isso é preciso pontuar nas duas corridas”, refere o piloto do território. “Tive problemas de travões nas duas provas que disputamos este ano e o Circuito da Guia não tem escapatórias. Aqui se ficarmos sem travões, as consequências são mais graves.”

A equipa da Lynk & Co, que tem os seus três pilotos nas três primeiras posições no TCR Ásia, irá ser liderada por Jason Zhang Zhi Qiang, vencedor da Corrida da Guia nos dois últimos anos, escudado pelos experientes David Zhu e Sunny Wong. A MG XPower Racing reforçou-se para esta corrida com o ex-campeão do mundo Rob Huff. O inglês trará o seu vasto conhecimento e experiência ao volante de viaturas da classe TCR para a equipa de Xangai.

“Vamos ver como ele se vai adaptar ao carro. Ele apenas teve um breve contacto com o MG5 na pista Tianma, mas é sempre muito forte aqui em Macau. De certeza que ele vai ajudar a puxar pela equipa para cima e a melhorar alguns processos”, explica Rodolfo Ávila que já foi por várias vezes companheiro de equipa do inglês que soma nove triunfos nas ruas da cidade.

A Taça de Carros de Turismo de Macau terás duas corridas de nove voltas, sendo que ambas valem os mesmos pontos.

Circuito da Guia | Programa promete muita acção ao longo dos quatro dias de prova

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A 69.ª Edição do Grande Prémio de Macau arranca esta manhã e com um programa muito composto e corridas para quase todos os gostos. No papel, a prova de Fórmula 4 volta a ser a principal, mas todas as atenções vão estar viradas para a Taça GT Macau com o duelo entre Maro Engel (Mercedes) e Edoardo Mortara (Audi) e para o regresso do Grande Prémio de Motos

 

Grande Prémio de Macau de Fórmula 4 – Sands China

A corrida principal do programa volta a ser disputada com os desactualizados monolugares Mygale M14-Geely do Campeonato Chinês de Fórmula 4. Com o objectivo de vencer pela terceira vez consecutiva esta corrida, feito inédito na história do Grande Prémio, Charles Leong Hon Chio lidera uma lista de inscritos híbrida, com alguns jovens pilotos como Gerrard Xie, líder do campeonato, e alguns “dinossauros” do Circuito da Guia, como Henry Lee de Hong Kong ou Lam Kam San de Macau. A maior oposição ao domínio de Charles Leong poderá vir da frágil fiabilidade destes monolugares e da vontade de vencer do compatriota Andy Chang, o segundo classificado nas duas últimas edições da corrida. A RAEM terá um quarto piloto na prova, o experiente piloto de karting Cheong Chi Hou.

54º Grande Prémio de Motos de Macau

Sem nenhum dos nomes sonantes das provas de estrada, ainda assim, esta será certamente uma das provas que merece mais atenção. Robert Hodson, o piloto que deu origem à carambola da corrida de 2019, o nórdico Erno Kostamo, o polícia espanhol Raul Torras ou o experiente português André Pires partem com a vantagem de conhecer o Circuito da Guia e por isso podem almejar um feito que provavelmente não conseguiriam em “condições normais”. Destaque para a estreia de Sheridan Morais, conhecido pelas suas participações nos campeonatos do mundo de Resistência, Supersport ou Moto2, agora naturalizado português e residente na cidade algarvia de Lagos, vai conduzir uma Honda CBR1000 da sempre competitiva Penz13. Julian Trummer (Yamaha R1) e Joey Thompson (BMW S1000RR) são os estreantes melhores cotados pela imprensa internacional. Contudo, as atenções da corrida vão certamente recair na holandesa Nadieh Schoots, a primeira senhora a participar no Grande Prémio de Motos de Macau.

Corrida da Guia – TCR Asia Challenge – Wynn

Quando se celebram 50 anos da Corrida da Guia, a corrida de carros de Turismo do continente asiático merecia outro desígnio. Os concorrentes do TCR Ásia e do Campeonato de Carros de Turismo de Macau foram colocados na Taça de Carros de Turismo de Macau, deixando os pilotos de Hong Kong, de Macau e alguns do Interior da China na Corrida da Guia. O vencedor da corrida receberá o título de primeiro vencedor do TCR Asia Challenge, mas é um título que saberá a muito pouco. Mesmo contrariados por lhes ter sido retirada uma boa parte da concorrência, Filipe Souza (Audi RS3 TCR), Cheung Chi On (Audi RS3 TCR), Billy Lo (Audi RS3 TCR), Eurico de Jesus (Honda Civic), ou qualquer outro piloto de Macau, têm a oportunidade única de subirem ao pódio da Corrida da Guia, algo que os pilotos da casa nunca conseguiram em cinquenta anos. Andy Yan (Honda Civic), Lo Sze Ho (Hyundai i30 N TCR) e Samuel Hsieh (Lynk & Co 03 TCR ex-equipa oficial do WTCR) lideram a representação da RAE vizinha e também eles querem vencer.

Taça GT Macau – Galaxy Entertainment

Aquela que será provavelmente a mais apelativa das corridas de automóveis do programa tem sabores de outros tempos, com três dos cincos vencedores da Taça do Mundo de GT da FIA. A Audi e a Mercedes-AMG não se pouparam a esforços para vencer esta popular corrida e com isso a prova ganha projecção internacional. A Audi conseguiu convencer o seu piloto de maior sucesso em Macau, Edoardo Mortara, e ainda irá colocar um carro, em parceria com a FAW, para o chinês Franky Cheng Congfu, ex-piloto do DTM e antigo protegido da McLaren F1. A Mercedes-AMG, que venceu quatro vezes a Taça GT Macau nos últimos cinco anos, foi ainda mais longe e persuadiu Maro Engel e Raffaele Marciello. A marca de Estugarda tem ainda do seu lado Darryl O’Young, o vencedor da dramática corrida do ano passado. A Porsche, que também costuma ter uma palavra a dizer sobre a hegemonia da categoria FIA GT3 na Ásia, confia no suíço Alexandre Imperatori para ombrear com as suas rivais, um piloto residente em Xangai que já subiu ao pódio nesta corrida. Entre os privados, há também pilotos capazes como Adderly Fong (Audi R8 LMS GT3), David Chen (Ferrari 488 GT3) ou Ling Kang (Lamborghini Huracán GT3). O único piloto do território é o experiente Leong Ian Veng, que contra si tem a falta de fiabilidade do “velhinho” BMW M6 GT3.

Taça GT Grande Baía – Melco

A Taça GT Grande Baía estava a afirmar-se saudavelmente como a prova da categoria GT4 do programa do Grande Prémio. Quis o “destino” que este ano a corrida fosse também aberta aos carros GTC (carros de GT provenientes de troféus monomarca). Quer isto dizer que de um momento para o outro, quem investiu na estável e acessível categoria GT4 arrisca-se a “ver passar navios”. Sendo assim, os Lamborghini Huracán de Brian Lai e Alex Liang e os Audi R8 LMS Cup dos locais Delfim Mendonça Choi e Hoi Wai Chong são definitivamente os carros mais rápidos no papel. Com armas desiguais, Luo Kai Luo (Mercedes-Benz AMG GT4), Chris Chia (Audi R8 GT4) ou Evan Mak (BMW M4 GT4) vão pelo menos lutar pela vitória na classe. Com quinze pilotos de Macau à partida, há nomes que já se confundem com o próprio GP, como os eternos Lei Kit Meng (Ginetta G55), Mak Ka Lok (Lotus Exige) ou Liu Lic Ka (Mercedes-Benz AMG GT4).

Taça de Carros de Turismo de Macau – China Touring Car Championship – MGM

Num Grande Prémio de consumo interno, o duelo das equipas de fábrica dos construtores de automóveis chineses Lynk & Co e MG deveria ter certamente outro palco que não uma corrida classificada de suporte. A Lynk & Co que venceu as duas últimas edições da Corrida da Guia traz o vencedor das mesmas, Zhang Zhi Qiang, mais David Zhu, que veio ocupar o lugar de Ma Qing Hua, e o fiel escudeiro Sunny Wong. Os novos MG5 serão entregues ao campeão chinês de TCR, Rodolfo Ávila, o único piloto de Macau nesta corrida, a Martin Cao, ex-campeão britânico de F3, a Zhang Zhen Dong, múltiplo campeão chinês de carros de Turismo, e ao super-reforço Rob Huff que dispensa apresentações. A MG tem um melhor grupo de pilotos, mas o Lynk & Co 03 TCR é um carro muito superior, como muito mais competente também é a equipa que lhes dá assistência. Numa corrida que aceita também os carros “made in China” do CTCC, existem quatro novos VW Lamando oficiais da Volkswagen SAIC que por força do regulamento podem imiscuir na luta “Lynk & Co v MG”.

Macau Roadsport Challenge – SJM

Esta junção que assistimos agora entre as duas categorias de carros de Turismo de Macau – 1950cc e Acima e 1600cc Turbo – já nós vimos entre 2017 e 2020, mas na Taça de Carros de Turismo. A categoria para viaturas com motorizações 1950cc e Acima, mais conhecida por Roadsport, deverão ser os mais rápidos em pista, mas a sua fragilidade, fruto de um desenvolvimento por vezes levado para além do limite, poderá oferecer-nos boas corridas. Wong Wan Long (Mitsubishi Evo10) é o favorito, mas resta saber o valor da oposição que tem nomes portugueses que primam por andar depressa – Luciano Lameiras (Mitsubishi Evo9), Jerónimo Badaraco (Mitsubishi Evo9) ou o estreante na categoria Sabino Osório (Mitsubishi Evo9). Entre os 1600cc, Célio Alves Dias (Mini Cooper S), que teve um domínio retumbante no ano passado até ao acidente que terminou a corrida, vai tentar repetir a vitória, ao passo que Rui Valente (Mini Cooper S) parte confiante para um possível regresso ao pódio. Na sua segunda participação no Grande Prémio, Júnio Pereira (Ford Fiesta) certamente que quererá melhorar a sua prestação depois de ter mostrado que é capaz de ombrear com uma concorrência muito mais experiente.

Programa de Hoje

06:00 Fecho do Circuito
06:30-07:00 Inspecção do Circuito
07:30-08:15 Grande Prémio de Motos de Macau – Treinos Livres
08:30-08:55 Macau Roadsport Challenge SJM – Treinos Livres 1
09:10-09:35 Taça GT Grande Baía Melco – Treinos Livres 1
09:55-10:20 Grande Prémio de Macau de Fórmula 4 – Sands China – Treinos Livres 1
10:35-11:00 Taça de Carros de Turismo de Macau MGM – Treinos Livres 1
11:30-11:55 Corrida da Guia Macau Wynn – Treinos Livres 1
12:10-12:35 Taça GT Macau Galaxy Entertainment – Treinos Livres 1
12:50- 13:15 Macau Roadsport Challenge SJM – Treinos Livres 2
13:30-13:55 Taça GT Grande Baía Melco – Treinos Livres 2
14:15-14:40 Grande Prémio de Macau de Fórmula 4 – Sands China – Treinos Livres 2
14:55-15:20 Taça de Carros de Turismo de Macau MGM – Treinos Livres 2
15:35-16:00 Corrida da Guia Macau Wynn – Treinos Livres 2
16:15-16:40 Taça GT Macau Galaxy Entertainment – Treinos Livres 2
18:00 Abertura do Circuito