“Verdes Anos” exibido hoje na Cinemateca Andreia Sofia Silva - 27 Mar 2026 A programação da Cinemateca Paixão passa hoje pelo cinema português, exibindo um clássico a preto e branco. Trata-se de “Verdes Anos”, de Paulo Rocha, 91 minutos filmado em 1963 e um dos exemplos do chamado “Cinema Novo” feito em Portugal. O filme, exibido a partir das 19h30, conta as histórias de Júlio e Ilda, dois jovens da classe operária a tentar vingar em Lisboa, capital portuguesa onde a vida pode ser desafiante. Ele tem 19 anos e procura emprego, e um acidente leva-o a conhecer Ilda, que trabalha como empregada doméstica. Na cidade, a sua relação será marcada pela tragédia. Destaque para o facto de a banda sonora do filme ter sido composta por Carlos Paredes, grande mestre de guitarra portuguesa. “Verdes Anos” tornou-se uma das suas composições mais conhecidas. A exibição de “Verdes Anos” acontece no contexto da secção especial da Cinemateca “Amor, Amor, Amor: Uma série de romance apaixonado”, que pretende revelar diferentes histórias de paixão no cinema. Amanhã exibe-se, por exemplo, outro clássico do cinema alemão, “O medo come a alma”, de Rainer Werner Fassbinder, onde o preconceito se junta ao amor. Nesta história revela-se a história de Emmi, uma mulher viúva e solitária de 60 anos, que trabalha como empregada de limpeza, que um dia decide combater a solidão e entrar num bar essencialmente frequentado por emigrantes. Lá conhece Ali, que ousa convidá-la para dançar. Depressa a relação entre eles se torna incómoda aos olhos da sociedade. “O medo come a alma” pode ser visto a partir das 21h30 deste sábado, 28. Prata da casa Também amanhã, pode ser revisto o novo filme de Tracy Choi, “Girlfriends”, que teve a sua estreia mundial na secção “Vision Asia” do Festival Internacional de Cinema de Busan, na Coreia do Sul. Também amanhã se exibe, a partir das 16h30, “Iniciantes”, de Mike Mills, revelando-se a história de Oliver, um designer gráfico que se sente atraído por Anna, uma mulher livre e imprevisível. Só as recordações do pai vão dar espaço a Oliver para se permitir estar numa relação longa e com um compromisso sério. Este domingo exibe-se outro clássico do cinema, mas desta vez francês, “Jules e Jim”, já com sessão esgotada. Também a sessão “Os Encontros em Paris”, de 1995, agendada para este domingo, já está esgotada.
Ka-Hó | Botânica e expressões artísticas pelas mãos de Kris Wong Andreia Sofia Silva - 27 Mar 2026 A Galeria H2H (Hold On To Hope), da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau, acolhe a partir da próxima semana, 4 de Abril, uma nova exposição. Trata-se de “Botanique Cabinet: Life, Memory and Meaning”, de Kris Wong, onde a artista revela a conjugação da botânica com a expressão artística Há uma nova mostra para ver, a partir do próximo dia 4 de Abril na pacata vila de Ka-Hó, Coloane. E se a natureza abunda na ilha, também é de natureza que se faz a nova exposição patente na Galeria H2H (Hold On To Hope), um projecto da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM) que visa conjugar a recuperação de comportamentos aditivos com expressões artísticas e realização de projectos pessoais. A galeria tem dado palco a diversas iniciativas de apoio à ARTM ou de divulgação de artistas locais, e desta vez é Kris Wong que apresenta o seu trabalho, na mostra “Botanique Cabinet: Life, Memory and Meaning”. Aqui, a artista procura conjugar o universo da botânica e da preservação de plantas com o mundo da arte. Nesta exposição em nome próprio, Kris Wong “justapõe espécies de plantas preservadas e arte botânica”, a fim de “interrogar a dupla natureza do meio”. Isto porque, segundo descreve a nota sobre a exposição, “embora as flores mantenham a sua identidade orgânica original, a sua reorganização em objectos estruturados e funcionais cria uma tensão deliberada entre o vivo e o inerte”. Desta forma, neste projecto o que Kris Wong procura fazer é “examinar a interacção entre a forma orgânica e a construção artificial, utilizando materiais botânicos preservados para explorar os limites do mundo natural”. O que se faz é uma revelação das plantas “como artefactos bioculturais que ligam a diversidade biológica à identidade cultural e actuam como testemunhas materiais de histórias pessoais e colectivas”. Exploram-se, nesta mostra, ideias ou conceitos como a etnobotânica, convidando-se o público a reflectir também sobre os estudos críticos sobre plantas e a forma como estas “moldam e são moldadas pela experiência humana, actuando como pontes entre a natureza, a cultura e o significado”. Segundo a ARTM, “cada espécime e obra de arte oferece uma perspectiva única sobre a resiliência, a perda e o significado duradouro da vida vegetal na definição de quem somos”. “Esta exposição questiona como preservamos a memória e a identidade através de objectos naturais, e como as plantas moldam – e são moldadas por – as emoções, a cultura e o significado humanos”, descreve a organização. Arte e ensino Kris Wong não só é artista como também tem desenvolvido um intenso trabalho em torno do universo das plantas e da sua preservação. É também educadora, trabalhando, portanto, “na intersecção entre a preservação de espécimes vegetais, a colagem de flores prensadas e a arte botânica em técnica mista”. É formada em preparação e conservação de espécimes, com o curso feito no Reino Unido, e pertence também à World Press Flower Guild, tendo seis anos de experiência na criação de espécimes botânicos e zoológicos. No território, ministra workshops e cursos “que ensinam todo o fluxo de trabalho — desde a secagem e prensagem até ao tingimento, montagem e emolduramento a vácuo —, orientando os alunos a transformar espécimes feitos por eles próprios em designs que tratam as plantas tanto como objectos científicos quanto como linguagem visual táctil”, explica a ARTM. Desta forma, Kris Wong procura sempre fazer uma ponte “entre a criação de espécimes e a investigação psicológica sobre memória, stress e resiliência”, tratando as plantas como um “património biocultural”. Para ela, são “testemunhas materiais de histórias pessoais e colectivas que transportam significados através de rituais, festivais e da vida quotidiana”.
Irão | MNE apela aos países do Médio Oriente para “manter a calma” Hoje Macau - 27 Mar 2026 A China mantém a luta contra escalada do conflito no Médio Oriente através de conversas com os responsáveis da diplomacia da região O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, exortou os países do Médio Oriente a “responderem com racionalidade” à situação causada pela guerra do Irão, durante duas chamadas telefónicas realizadas com os homólogos do Egipto e da Turquia. Durante a conversa com o ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Badr Abdelatty, Wang reiterou que “a comunidade internacional deve promover activamente o diálogo entre as partes em conflito” e sublinhou o papel do Conselho de Segurança da ONU neste sentido, segundo um comunicado da diplomacia chinesa. As acções deste organismo “devem contribuir para aliviar as tensões e promover o diálogo, ajudando a prevenir a escalada do conflito, e não devem dar cobertura ao uso da força”, apontou. Wang manifestou ainda apoio ao papel mediador do Egipto com vista à retoma das conversações de paz e declarou que a China “está disposta a continuar a desenvolver esforços construtivos nesse sentido”. À beira do caos O responsável egípcio, por sua vez, expressou “profunda preocupação” do seu país com a situação, “em particular com o potencial de ataques contra infraestruturas energéticas, que poderão gerar caos em toda a região”, e mostrou-se disponível para “manter uma estreita coordenação com a China” na tentativa de reduzir as tensões regionais. Na conversa com o homólogo turco, Hakan Fidan, o chefe da diplomacia chinesa considerou que “os acertos e erros” do conflito são claros, ao mesmo tempo que insistiu que, dada a rapidez com que a crise se está a propagar na região, a prioridade deve ser “promover o diálogo de paz e trabalhar para alcançar uma redução das tensões”. Esta é a segunda ronda de conversações que Wang mantém com os seus homólogos do Médio Oriente, com quem já tinha falado quando o conflito começou, no final de Fevereiro, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, aos quais Teerão respondeu com vagas de mísseis e veículos aéreos não tripulados (‘drones’) contra Israel e alvos estratégicos no Golfo, além de manter bloqueado o estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo. Perante a crise, Pequim enviou o seu enviado especial para o Médio Oriente, Zhai Jun, num périplo por vários países da região, onde manteve contactos com representantes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Qatar e Egito, bem como com o Conselho de Cooperação do Golfo e a Liga Árabe.
Tecnologia chinesa pode ajudar Portugal em compromissos climáticos Hoje Macau - 27 Mar 2026 O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) indicou ontem que o compromisso da China com a sustentabilidade energética é visto como um exemplo para Portugal em áreas específicas. Em declarações à Lusa, em Macau, José Pimenta Machado, sublinhou a necessidade urgente de adaptação e de olhar para a tecnologia chinesa como aliada, depois de os primeiros meses de 2026 terem sido marcados por fenómenos meteorológicos “ímpares” que colocaram todo o território nacional em estado de prontidão. Janeiro e Fevereiro de 2026 bateram o recorde de chuva dos últimos 47 anos na Península Ibérica, segundo a Agência Estatal de Meteorologia espanhola. “Eu acho que nunca vi e nunca conheci uma situação como aconteceu este ano, em que todo o país estava em alerta de cheias”, afirmou Pimenta Machado, destacando que, ao contrário de anos anteriores, os eventos deixaram de ser localizados para afectarem Portugal “desde o norte a sul, até ao leste”. Também a ministra do Ambiente alertou na quarta-feira que a adaptação às alterações climáticas é “a maior questão” do país e que as crises resultantes da mudança do clima mostram a importância dos sistemas de alerta. Reiterando a posição da ministra, deu como exemplos de medidas a tomar: “Não autorizar novas construções em áreas de risco”, lembrando que mais de 100 mil pessoas em Portugal vivem actualmente em zonas com risco de cheias, ocupando “um espaço que é do rio”. Além da gestão fluvial, a faixa costeira — que se estende por cerca de 1000 quilómetros entre Caminha e Vila Real de Santo António — surge como uma das maiores preocupações, com 20 por cento da sua extensão fustigada pela erosão. “Adaptar não é opção, é mesmo uma obrigação”, reforçou Pimenta Machado, apontando a monitorização e os sistemas de alerta precoce como fundamentais para “minimizar o impacto” e proteger as populações. Exemplos renováveis Presente em Macau para participar na Fórum e Exposição Internacional de Coopeação Ambiental de Macau 2026 (MIECF na sigla inglesa), o presidente da APA identificou na China um parceiro estratégico na descarbonização. Apesar de ser o segundo maior emissor global de gases que contribuem para o efeito estufa, o compromisso chinês com a sustentabilidade é visto pelo dirigente como um exemplo em áreas específicas. “Há um caminho muito claro de aposta na área das energias renováveis, China, nas energias eólica, no solar, e no da redução dos gases com efeito estufa”, observou Machado, destacando também a indústria de veículos eléctricos, que apresenta “preços muito competitivos do ponto de vista da tecnologia” e que poderá ser crucial para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em solo português. A fabricante chinesa de veículos movidos a novas energias BYD, por exemplo, matriculou 6.059 automóveis ligeiros de passageiros em 2025, um aumento de 94,1 por cento face a 2024, o primeiro ano completo da marca em Portugal, encerrando o ano com uma quota de mercado de 2,7 por cento. As autoridades chinesas têm alertado que o país é extremamente vulnerável ao impacto das alterações climáticas, registando níveis recorde de aquecimento e subida do mar, com temperaturas médias anuais e o nível costeiro a atingirem máximos em 2024. A China mantém como metas a atingir o pico das emissões de dióxido de carbono antes de 2030 e a neutralidade carbónica antes de 2060. O novo plano quinquenal (2026-2030), aprovado este mês, aposta em “impulsionar o desenvolvimento verde e de baixo carbono” e em “promover a transição energética”.
Suínos | Preços do porco caem para mínimos de 16 anos Hoje Macau - 27 Mar 2026 Os preços do porco na China estão a aproximar-se de níveis mínimos não registados desde 2010, num contexto de excesso de produção no maior mercado mundial desta carne, agravando as pressões deflacionistas na economia do país. Os preços dos suínos vivos prontos para abate atingiram ontem um novo mínimo de 9,59 yuan (cerca de 1,2 euro) por quilograma, segundo dados da consultora Shanghai JC Intelligence, situando-se abaixo dos custos de produção e no nível mais baixo dos últimos 16 anos. Também os preços da carne de porco, um dos principais produtos da dieta chinesa, caíram para cerca de 22 yuan por quilograma, o valor mais baixo desde Outubro de 2021, de acordo com dados oficiais divulgados esta semana. A carne de porco é um produto essencial na China, tendo um peso significativo no índice de preços no consumidor, sendo por isso um indicador relevante numa economia onde o Presidente Xi Jinping tem sublinhado a necessidade de reforçar a autossuficiência alimentar. Após anos de incentivos governamentais para aumentar a produção, que levaram à expansão do sector e à construção de grandes explorações, incluindo unidades de vários andares, as autoridades enfrentam agora excesso de oferta. Apesar de alertas recentes do ministério da Agricultura e da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, que classificaram os preços como estando numa “zona de alerta” e anunciaram a compra de carne para as reservas estatais, os preços continuam a cair. O Governo chinês intensificou, entretanto, os esforços para conter a produção, numa estratégia que acompanha medidas mais amplas para combater a deflação, num contexto de procura interna fraca e forte concorrência de preços em vários sectores.
Meng Haoran (689–740) – (Pentâmetros ao Estilo Antigo) Hoje Macau - 27 Mar 2026 孟浩然 (689-740) (五言古體詩) 書懷貽京邑故人 惟先自鄒魯 家世重儒風 詩禮襲遺訓 趨庭紹末躬 晝夜常自強 詞翰頗亦工 三十既成立 嗟吁命不通 慈親向羸老 喜懼在深衷 甘脆朝不足 簞瓢夕屢空 執鞭慕夫子 捀檄懷毛公 感激遂彈冠 安能守固窮 當塗訴知己 投刺匪求蒙 秦楚邈離異 翻飛何日同 MENG HAORAN (689–740) (Pentâmetros ao Estilo Antigo) Ao Escrever os Meus Pensamentos; Para Um Velho Amigo no Distrito da Capital Sim, os meus percursores vêm de Zou e Lu, De uma casa que prezou o modo de Ru por gerações. 1 Os Poemas e Ritos eram legado inato, “Apressar-se no pátio” estendia-se à minha modesta pessoa. 2 Dia e noite tentava “fortificar-me,” 3 E era muito hábil de frase e pena. Aos trinta anos, tinha já uma firme fundação, 4 Mas o meu destino era falhar. Minha mãe está fraca e velha, E eu estou cheio de alegria e temor. 5 As comidas “doces e frescas” não lhe bastam às manhãs, “ Mas o “cesto de arroz e a cabaça de bebida” estão vazias ao serão. 6 De chibata de domador na mão emularia o Grande Mestre, Mas chamado ao gabinete, teria no coração a Mao. 7 Grato, deveria então “sacudir o capote,” 8 Ou conseguiria manter “perseverança na inquietação”? A quem anda na alta estrada, digo como ao mais querido amigo: Não és tu quem “procura o imaturo.”9 Qin e Chu são tão diferentes e distantes; Em que dia vogaremos juntos? 10 Meng Haoran diz que Mencius, originário de Zou, também partilha o seu apelido, e Confúcio, originário de Lu, são os seus antepassados espirituais e que a sua família tem uma tradição de estudar os ensinamentos de Ru [Confúcio]. Quando o filho de Confúcio passava por ele no pátio a correr, Confúcio perguntava-lhe como iam os estudos e dava-lhe conselho. Lê-se no Yijing, “O homem de carácter nobre fortificar-se-á incessantemente.” Confúcio disse que aos trinta já tinha uma forte fundação; isto tornar-se-ia um objectivo padrão. Confúcio disse que relativamente à idade dos pais era impossível não estar ciente da sua morte, sentindo alegria pela sua longa vida e temor pela sua partida iminente. Citando da “Biografia do Senhor Cinco Salgueiros”, de Tao Qian, que alude indirectamente a um comentário aprovador de Confúcio sobre o estilo de vida frugal do seu estudante favorito Yan Hui. Confúcio disse que se fosse certo enriquecer estaria disposto a usar o chicote (como um domador) para o alcançar. Caso contrário seguiria aquilo de que gostava. Mao Yi (meados do século I d.C.), era um exemplo de filialidade, tendo aceite uma nomeação baixa de modo a sustentar a mãe Wang Ji e Gong Yu, da dinastia Han do Oeste, eram de tal forma amigos que, quando Yu foi oficial, Ji “sacudia-lhe o capote”, sabendo que o amigo o promoveria. Confúcio aconselhava o homem de carácter nobre a perseverar mesmo se inquieto. A análise do hexagrama 4 do Yijing (“Imaturidade”) diz, “Não sou eu que busco o imaturo; é o imaturo que me busca.’ Qin, onde a capital Chang’an e o destinatário se encontravam; e Chu, onde Xiangyang e o poeta se encontram.
Contrabando | HK apreende produtos com destino a Macau Hoje Macau - 27 Mar 2026 As autoridades de Hong Kong anunciaram um caso suspeito de contrabando de produtos farmacêuticos avaliados em 71 milhões de dólares de Hong Kong, que tinham como destino Macau. A informação foi divulgada pelo Governo de Hong Kong, através do portal oficial. “Através da análise de informações e da avaliação de riscos, a embarcação de comércio fluvial que partiu de Hong Kong com destino a Macau foi seleccionada para inspecção”, foi justificado. “Após a inspecção, os funcionários aduaneiros a bordo da embarcação encontraram um grande lote de mercadorias suspeitas de contrabando, incluindo produtos farmacêuticos, material para injecções cosméticas, charutos, telemóveis e peças electrónicas. As investigações estão em curso. Não se exclui a possibilidade de detenções”, foi acrescentado. Segundo a legislação em vigor, a pessoal responsável por contrabando de mercadorias não declaradas pode ser punida com uma multa de 2 milhões de dólares de Hong Kong ou uma pena de prisão que pode chegar a sete anos. PJ | Investigado fogo posto em universidade A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar um incêndio que aconteceu numa instituição de ensino superior, na Avenida da Universidade, na Taipa. O caso, citado pelo jornal Ou Mun, aconteceu na noite de quarta-feira, por volta das 21h20. Segundo os contornos apresentados, o incêndio foi detectado pelos seguranças, numa divisão da instituição, em dois aparelhos de ar-condicionado. Os seguranças apagaram as chamas com extintores e chamaram os bombeiros e a polícia ao local. Os aparelhos de ar-condicionado ficaram danificados e não podem voltar a ser utilizados. No entanto, não foram registados feridos, nem vítimas mortais. O caso foi classificado como fogo posto, devido às condições suspeitas, pelo que a Polícia Judiciária foi chamada ao local e está a investigar.
Porto Interior | Homem morre em acidente de trabalho Hoje Macau - 27 Mar 2026 Um homem com 70 anos morreu ontem, depois de sofrer um acidente enquanto trabalhava, no Porto Interior. O caso foi relatado pelo Corpo de Bombeiros, e citado pelo canal chinês da Rádio Macau. O acidente aconteceu por volta das 11h. O trabalhador foi transportado para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, de urgência, onde chegou sem sinais vitais. Os esforços de reanimação ao longo do caminho e na unidade hospitalar mostraram-se insuficientes para salvar a vítima. Segundo as autoridades, o acidente aconteceu quando o homem foi atingido por um contentor que estava a ser descarregado de uma embarcação, e que lhe acertou na cabeça, causando lesões fatais. Após o acidente, a Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) emitiu um comunicado a mostrar-se “muito preocupada” com o acidente, e dizendo que enviou pessoal para o local, logo depois de ter conhecimento da ocorrência. A mesma fonte divulgou que os trabalhos no local onde aconteceu o acidente foram suspensos até que se concluam as investigações e se apliquem as melhorias de funcionamento exigidas. Na mensagem, a DSAL deixou ainda as condolências para a família enlutada do trabalhador e apelou aos empregadores para adoptarem medidas de segurança adequadas no trabalho. De acordo com a DSAL, no ano passado houve um total de 9 mortes por acidentes de trabalho.
AMCM | Central de Depósito e Liquidação com prejuízo de 8,97 milhões João Santos Filipe - 27 Mar 2026 A empresa da AMCM, tida como uma aposta para diversificar a economia na área financeira, acumulou novos prejuízos. Exceptuando o ano da fundação, em 2021, os resultados têm sido sempre negativos e cada vez se agravam mais A Central de Depósito e Liquidação de Valores Mobiliários de Macau (MCSD, na sigla em inglês), terminou o ano passado com um prejuízo de 8,97 milhões de patacas, o quarto ano consecutivo com perdas. A empresa é controlada a 100 por cento pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), e foi criada em 2021 para diversificar a economia na área das finanças, tendo como funções a exploração das infra-estruturas financeiras, de serviços de registo central, compensação, liquidação e de depósito de valores mobiliários. Além de continuar a acumular prejuízos, a empresa tem visto o valor dos prejuízos crescerem de forma contínua. Em 2024, a empresa apresentou perdas de 7,18 milhões de patacas, que cresceram para 8,97 milhões de patacas, um aumento de 25,97 por cento. No relatório de actividades, a MCSD justificou as despesas totais de 13,60 milhões de patacas “com o grande investimento necessário durante as fases iniciais do desenvolvimento do negócio” e “a necessidade de fazer investimentos com o pessoal e nos sistemas” da empresa. Apesar das perdas maiores, as receitas da empresa mostraram melhorias. Os contratos com clientes valeram à MCSD 3,95 milhões de patacas, quando no ano anterior o valor tinha ficado nos 2,92 milhões de patacas. A actividade que gerou maiores receitas, foi a que diz respeito aos serviços de custódia, ou seja, de guarda, administração de activos financeiros, como acções, títulos ou fundos, que geraram 3,62 milhões de patacas. No ano anterior, as receitas tinham sido de 2,78 milhões de patacas. Os serviços de registo registaram receitas de 292 mil patacas e de liquidação de 36 mil patacas. Ao mesmo tempo, os juros do capital da empresa geraram 563 mil patacas, uma redução face ao milhão gerado no ano anterior. Maiores despesas Ao mesmo tempo, as despesas cresceram para um novo recorde de 13,60 milhões de patacas, quando no ano anterior tinham ficado nos 11,21 milhões de patacas. O principal gasto da empresa da AMCM, prende-se com o pessoal, com a despesa a atingir 5,31 milhões de patacas. No ano anterior, tinha sido de 4,93 milhões de patacas. Os salários contribuíram em 2025 para 4,82 milhões do total dessas despesas. No final de 2025, a empresa registava um total de 18 trabalhadores, incluindo dois que integram a autoridade monetária e 16 contratados a tempo inteiro. Os segundos maiores gastos relacionaram-se com os serviços de telecomunicação e correio, ao totalizarem 3,22 milhões de patacas, um valor que apresentou uma ligeira redução no espaço de um ano.
TurboJET | Mais uma embarcação desmantelada Hoje Macau - 27 Mar 2026 O jacto-planador Horta, que fazia a ligação marítima entre Macau e Hong Kong para a TurboJET, foi desmantelado este mês, depois da embarcação Madeira ter seguido o mesmo rumo no início do ano, tornando-se o quarto a ser desmantelado. Segundo uma publicação da empresa, do grupo Shun Tak, nas redes sociais, o Horta foi construído em 1980 pela Boeing para fazer ligações entre Londres e a cidade belga de Oostende, uma rota que viria a encerrar pouco tempo depois. Em 1982, a embarcação foi vendida ao Hong Kong’s Far East Hydrofoil, em conjunto com o barco que viria a ser baptizado como Funchal. O Horta tem no seu historial um acidente, em Outubro de 2015, quando colidiu com um “objecto não identificado”, que resultou em 130 feridos. Actualmente, além do Terceira, o único jacto-planador de Hong Kong-Macau ao serviço após o confinamento até Novembro de 2025, o Cacilhas continua num estaleiro, juntamente com o Flores, já retirado de serviço, o primeiro jacto-planador de sempre no mundo.
Combustíveis | Actualizações mostram aumentos a rondar 8% João Santos Filipe - 27 Mar 2026 Está cada vez mais caro viajar de transporte individual no território, e, de acordo com a informação do Conselho de Consumidores, na última semana, o litro dos diferentes combustíveis ficou mais caro entre 1,22 patacas e 1,40 patacas por litro As actualizações mais recentes do Conselho de Consumidores (CC) mostram que os preços dos combustíveis continuam a subir, agora a um ritmo generalizado que se aproxima de 8 por cento. Este aumento é sentido em todos os tipos de combustíveis, e é causado pela crise do transporte de petróleo no Estreito de Ormuz, no seguimento dos bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão. No que diz respeito à gasolina sem chumbo, o tipo de combustíveis mais barato do mercado, as actualizações do CC indicam que os preços ficaram mais caros entre entre 7,8 por cento e 8,3 por cento, ou 1,22 patacas e 1,30 patacas. O menor preço era disponibilizado pela Caltex, no posto de combustível da Estrada Marques Esparteiro, onde o litro de gasolina custava 16,17 patacas, ontem. No entanto, este valor representa uma subida de 8,2 por cento do preço, em comparação com 19 de Março, a actualização anterior do CC, quando o litro custava 14.95 patacas. Nos restantes postos de combustíveis da marca, o litro de gasolina custava, ontem, 17,34 patacas, um alargamento de 1,22 patacas, ou 8,2 por cento, em comparação com o preço de 19 de Março, de 16.09 patacas por litro. No pólo oposto, o maior aumento do preço da gasolina foi apresentado pela Nam Kwong, comercializada com a marca NKoil, com uma diferença de 8,3 por cento. A 11 de Março, o preço por litro de gasolina era de 15.09 patacas, mas subiu para 16,34 patacas, na quarta-feira. Excluindo o posto da Caltex, a empresa chinesa disponibiliza o preço mais baixo do mercado. Em relação às outras gasolineiras, na Shell e na Total os preços cresceram 7,8 por cento, em ambos os casos. Na Shell, na quarta-feira, a gasolina era comercializada a 17,34 patacas, quando na actualização anterior, a 11 de Março, o preço era de 16.09 patacas. Na Total, o preço de ontem era de 17,24 patacas, quando a 12 de Março era de 15,99 patacas. Em relação à Esso, a gasolina ficou mais cara 8,1 por cento, ou 1,30 patacas, dado que era comercializada por 16,10 patacas por litro a 13 de Março, mas ontem só era vendida por 17,40 patacas. Em termos da gasolina premium, os preços apresentam seguiram a tendência. Na Esso, a escalada foi de 7,3 por cento, de 17.70 patacas, a 18 de Março, para 19.00 patacas, no dia de ontem, uma diferença de 1,30 patacas. Na Shell, o aumento foi de 7,1 por cento, de 17,69 patacas por litro, a 19 de Março, para 18.94 patacas, no dia de ontem, um crescimento do preço por litro de 1,25 patacas. Diesel segue a tendência Em termos da comercialização de diesel, a realidade não é diferente, embora o preço tenha tendência a ser mais caro. Este tipo de combustíveis ficou mais caro entre 7 por cento e 8,1 por cento, o que representou custos entre 1,26 patacas e 1,40 patacas por litro O maior aumento aconteceu com a Catltex, um crescimento de 8,1 por cento, no posto na Estrada Marques Esparteiro, em que o valor do litro subiu de 16,58 patacas para 17,93 patacas, um crescimento de 1,35 patacas. Nos restantes postos desta marca, as subidas foram de 7,5 por cento, de 17,89 patacas, a 13 de Março, para 19,24 patacas. Os dados do CC mostram que o preço mais reduzido é praticado pela Nam Kwong, onde o diesel ficou 8 por cento mais caro, ou 1,35 patacas, crescendo de 16,94 patacas, a 11 de Março, para 18,29 patacas, na quarta-feira. Os preços do diesel tiveram um aumento menor na Shell, com 7 por cento, de 17,98 patacas por litro, a 11 de Março, para 19,24 pataca, na quarta-feira, uma diferença 1,26 patacas. Na Esso a subida foi de 7,8 por cento ou 1,4 patacas, de 17,90 patacas para 19,30 patacas, enquanto na Total foi de 7,6 por cento, de 17,40 patacas para 18,75 patacas por litro.
Economia | Mulheres pedem ronda do Grande Prémio para o Consumo João Santos Filipe e Nunu Wu - 27 Mar 2026 Face ao reduzido impacto nas zonas residenciais do número recorde de turistas, a Associação das Mulheres pede mais iniciativas para beneficiar estas zonas e promover a recuperação económica. Entretanto, Governo anuncia hoje novo grande prémio de consumo A Associação Geral das Mulheres de Macau defende que é necessário o Governo lançar uma nova ronda do Grande Prémio para o Consumo e melhorar os moldes do programa de promoção do consumo interno. A ideia consta num comunicado da associação, em que é indicado que apesar de o número de turistas ter sido superior a 10 milhões até 21 de Março, a economia comunitária continua a sofrer com a queda do consumo. Segundo o comunicado, os membros do Gabinete de Estudo das Políticas da associação, Ip Weng Hong e Chan Hio Teng, justificaram que actualmente o ambiente de consumo nos bairros comunitários é pouco dinâmico. Como tal, será necessário repetir as iniciativas do passado, com a atribuição de cupões para consumir e organizar mais festas nos bairros residenciais. Ip e Chan também indicaram que recentemente a associação realizou um inquérito junto de comerciantes e residentes, que pediram ao Governo que pondere os modelos do Grande Prémio para o Consumo com a adopção de novos formatos. Como parte das sugestões para o novo formato, os inquiridos pediram cupões com um prazo mais prolongado e ainda a possibilidade de fazer o sorteio dos descontos durante o fim-de-semana. Uma vez que os cupões são distribuídos através de sorteios nas aplicações móveis, os inquiridos defenderam ainda a implementação de maiores probabilidades de ser premiado no sorteio. Tendo em conta as sugestões de comerciantes e residentes, Ip Weng Hong e Chan Hio Teng defenderam que os sorteios de sejam realizados aos sábados e domingos, para o consumo acontecer durante os dias úteis e criar um “ciclo de consumo que se prolonga toda a semana”. Vida mais cara Entretanto, e já depois da divulgação desta nota, o Governo anunciou a criação de uma nova ronda do “Grande Prémio para consumo nas zonas comunitárias 2026”, cujos detalhes serão anunciados hoje em conferência de imprensa. Entre os motivos que levam a Associação das Mulheres de pedirem mais incentivos ao consumo, consta também o facto de a organização se mostrar preocupada com a subida dos preços, que tem atingido principalmente os grupos vulneráreis, como os idosos. Em relação aos mais velhos, Ip e Chan defenderam também um novo modelo. Em vez dos idosos terem de carregar o cartão de consumo, para poderem obter descontos, como aconteceu nas versões mais recentes, a associação quer que os carregamentos deixem de ser obrigatórios. Segundo esta fórmula, os idosos receberiam um subsídio para gastar. Ao mesmo tempo, a associação defende que o Executivo deve alargar a rede de benefícios do actual Cartão de Benefícios Especiais para Idosos, criada pelo Instituto de Acção Social. Com este esforço foram também pedidos mais apoios de divulgação e redução de custos e impostos a comerciantes, para gerar descontos permanentes para os idosos.
Metro Ligeiro | Contrato de manutenção custa 35,8 milhões Hoje Macau - 27 Mar 2026 A Sociedade do Metro Ligeiro assinou um contrato para a manutenção dos equipamentos do sistema de distribuição de electricidade das estações e do parque de materiais e oficina avaliado em 35,8 milhões de patacas. A informação foi divulgada ontem no portal da Direcção dos Serviços de Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP), e o vínculo prolonga-se até 2028. O serviço vai ser prestado pela Companhia de Electricidade de Macau (CEM) e o contrato foi atribuído por adjudicação directa. O contrato revelado ontem vem substituir outros dois contratos com a CEM, que terminam no final deste mês. Uma das adjudicações directas visa a manutenção da energia eléctrica de alta, média e baixa tensão para o sistema de distribuição de electricidade da Linha da Taipa, Estação da Barra, Parque de Materiais e Oficina e partes laterais do trilho do Metro Ligeiro e estava avaliada em 29,04 milhões de patacas. A outra adjudicação previa os serviços de manutenção da electricidade de alta, média e baixa tensão do sistema de distribuição de electricidade a instalar nos carris das linhas e tinha um valor de 5,64 milhões de patacas.
MIECF | Secretário afirma que Macau tem plano de redução de carbono Andreia Sofia Silva - 27 Mar 2026 Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, disse ontem no Fórum de Desenvolvimento do Mercado Global de Crédito de Carbono que o Executivo tem “como plano orientador a estratégia de redução de carbono a longo prazo em Macau”. No evento, inserido no Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (na sigla inglesa, MIECF), que termina no domingo, o secretário destacou que “Macau tem considerado o desenvolvimento de baixo carbono como uma via fundamental para equilibrar o desenvolvimento social, económico e a protecção ecológica”, em conjugação com “a realização nacional da ‘Dupla Meta de Carbono'”. O governante destacou que o Governo tem realizado “uma variedade de trabalhos” em prol do ambiente, nomeadamente “a conservação energética e redução de emissões, a gestão de resíduos, a melhoria da qualidade do ar e a optimização das infra-estruturas relativas à protecção ambiental”. Ficou ainda a promessa, no mesmo discurso, de “continuar a aperfeiçoar políticas de apoio ao mercado de carbono, incentivar as instituições locais a nele participar e reforçar a comunicação com intenção de cooperação com os mercados internacionais”.
Hainão | Cooperação vai entrar numa fase “sem precedentes” João Luz - 27 Mar 2026 À margem da Conferência Anual do Fórum Boao, Sam Hou Fai encontrou-se com governantes de Hainão e realçou as “oportunidades de desenvolvimento sem precedentes” para a cooperação entre as duas regiões. O Chefe do Executivo destacou também o papel que partilham na abertura da China ao exterior O tempo para agir é agora. Esta foi a toada dos argumentos defendidos pelo Chefe do Executivo nas reuniões que manteve com governantes da província de Hainão, onde esteve nos últimos dois dias para participar na na Conferência Anual do Fórum Boao para a Ásia 2026. Na noite de quarta-feira, Sam Hou Fai reuniu com o secretário do Comité Provincial de Hainão do Partido Comunista Chinês (PCC) e presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Provincial, Feng Fei, e o governador da província de Hainão, Liu Xiaoming. Segundo o Gabinete de Comunicação Social, o Chefe do Executivo apontou dois factores determinantes para o futuro da cooperação entre Macau e Hainão: o Porto de Livre Comércio de Hainão, que iniciou no final do ano passado, operações de encerramento alfandegário em toda a ilha; e a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin que entrou na segunda fase. Além disso, Sam Hou Fai vincou a importância das políticas do 15.º plano quinquenal nacional que vão “certamente”, proporcionar “oportunidades de desenvolvimento sem precedentes”. O espírito das duas sessões deste ano também foi enumerado pelo Chefe do Executivo como uma “bússola” para “uma cooperação abrangente de benefícios mútuos para servir em conjunto à conjuntura do desenvolvimento nacional”. Abertura ao exterior Sam Hou Fai indicou também que “Macau e Hainão são janelas importantes na abertura do país ao exterior”. “O sistema do Porto de Livre Comércio de Hainão é inovador, com resultados notórios do ambiente comércio e do desenvolvimento internacionalizado. Enquanto que Macau irá também potenciar as suas vantagens do princípio ‘um país, dois sistemas’, e empenhar-se em criar uma ligação relevante de alto nível na abertura do país ao exterior”. O Chefe do Executivo indicou ainda que Macau está empenhado em “criar um novo padrão de desenvolvimento regional com forte conectividade interna e externa, e desempenhar bem o papel de ‘elo de ligação infalível’ entre a China, os países de língua portuguesa e os países de língua espanhola, apoiando, deste modo, mais empresas do Interior da China a expandir para o exterior”. O Chefe do Executivo assistiu ontem à sessão plenária da Conferência Anual do Fórum Boao, e ao discurso do membro do Comité Permanente do Politburo do Comité Central do PCC e presidente da Comissão Permanente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji.
IA | Frederico Luz cria plataforma que ajuda a comunicar em mandarim Andreia Sofia Silva - 27 Mar 2026 Aluno de mandarim, programador e estudante na área da inteligência artificial, Frederico Luz criou uma plataforma que permite comunicar em mandarim, indo além da tradução ou do reconhecimento de caracteres. O projecto foi apresentado no Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, e faz parte de um programa piloto do Instituto Confúcio Foi com a apresentação “Interação Sintética: Concepção e Avaliação de um Interlocutor ‘Large Language Model’ para Aprendentes de Mandarim” que Frederico Luz apresentou a plataforma de inteligência artificial (IA) que pretende facilitar a comunicação em chinês. A sessão decorreu em Lisboa no âmbito das Conferências da Primavera do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) e, ao HM, Frederico Luz explicou o que está por detrás de um projecto que “dá ao utilizador vários cenários, ou missões, como pedir uma refeição num restaurante, comprar bilhetes de comboio, ou marcar planos com um amigo”. Na prática, “o aluno fala em mandarim e o sistema avalia o desempenho em tempo real”, ao nível da “pronúncia, gramática, vocabulário”, descreve Frederico Luz, que começou a estudar mandarim com 18 anos e que, actualmente, faz programação e estudos na área da IA no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. “A grande diferença em relação a um tutor humano é a fluidez. Quando estamos a falar com um professor e erramos, o professor tem de parar a conversa, explicar o erro, e depois retomar. Com a plataforma, as correções acontecem em paralelo e a conversa não para. Cada tipo de correção, na gramática, pronúncia ou vocabulário, é tratada separadamente e aparece sem interromper o diálogo. Além disso, quando através da conversa aprendemos uma palavra nova, podemos guardá-la directamente nos ‘flashcards’ [cartões de memória] e ela entra logo na nossa rotina de estudo”, explicou. Frederico Luz acredita que a plataforma que está a desenvolver “pode ajudar tangencialmente na tradução, por exemplo, na verificação de gramática”, embora o objectivo fulcral seja “ajudar as pessoas a aprender, para não precisarem da tradução”. “Da mesma forma que o Pleco [software de cartões de memória e dicionário para alunos de chinês] e o Anki [software de cartões de memória para aprendizagem de língua] mudaram a aprendizagem de chinês para milhões de pessoas, acho que ferramentas como esta podem tornar o mundo um bocadinho mais pequeno. Se mais portugueses conseguirem ter conversas reais em mandarim, sem depender de intermediários, isso muda a relação entre as duas comunidades de forma muito mais profunda do que qualquer tradutor automático”, descreveu. Na sessão apresentada no CCCM, Frederico Luz descreveu três componentes que permitem uma melhor comunicação na língua chinesa. O reconhecimento da fala, em que “o aprendente fala livremente em mandarim e o sistema transcreve e segmenta por carácter”, bem como a “avaliação tonal por carácter”, onde cada carácter “é avaliado individualmente”. O que o sistema criado por Frederico Luz vai fazer é “identificar o tom produzido e comparar com o tom esperado”. Uma terceira componente é a “interacção conversacional adaptativa”, já que o modelo de linguagem criado pelo programador “gera respostas contextuais adaptadas ao nível do aprendente, mantendo uma conversa natural”. Além da memória Frederico Luz conta que está a desenvolver “um sistema que vai além dos flashcards [cartões de memória] tradicionais, onde simplesmente reconhecemos um carácter e dizemos sim ou não”. “O que estou a construir pede ao aprendente para realmente ler os caracteres com base nos componentes que os constituem”, acrescenta, lembrando que nos Estados Unidos “houve uma grande controvérsia quando as escolas mudaram de um sistema de fónica (ler todas as sílabas) para um sistema de memorização da palavra inteira”, com “resultados desastrosos”. Segundo Frederico Luz, “a forma como a maioria das pessoas aprende caracteres chineses é exactamente essa memorização da palavra inteira”, pelo que esta nova plataforma de IA “é o equivalente da fónica para o chinês: decompor cada carácter nos seus componentes e realmente lê-lo, em vez de apenas reconhecê-lo como uma imagem”. O aluno de mandarim confessa que a plataforma o ajuda nos estudos, procurando, por exemplo, melhorar o reconhecimento da pronúncia “para aprendentes de nível mais baixo”, sendo uma das ferramentas onde está a trabalhar actualmente. O projecto piloto Frederico Luz começou a desenvolver esta plataforma para si próprio, mas a verdade é que está em curso a sua aplicação, em formato de programa piloto, com o Instituto Confúcio da Universidade de Lisboa. “Curiosamente, o director Wang do Instituto Confúcio de Lisboa, tinha tido uma ideia muito semelhante há algum tempo e tentou desenvolvê-la com outro programador, mas o projecto não avançou. Quando propus a ferramenta e o programa piloto ao instituto, não estava a tentar convencê-los em acreditar numa coisa nova: estava simplesmente a dizer que já tinha feito o que eles queriam, sem sequer terem pedido”, salientou. Este programa piloto, assegura, vai permitir ter dados reais quanto ao lado prático desta plataforma. “Construí esta ferramenta primeiro para mim, mas não vou privar as pessoas de a utilizar só para poder aprender chinês melhor do que elas. Se virmos que a ferramenta é útil não vejo razão para não a comercializar. É por isso que o programa piloto no Instituto Confúcio é tão importante: vamos ter dados reais.” O próximo mundo Frederico Luz acredita que os riscos do uso da IA nesta área são mais visíveis “do lado da tradução automática”, pois existe “uma dependência excessiva de ferramentas que nos impede de realmente desenvolver competências”. “Tenho dificuldade em pensar numa forma em que a IA seja mal utilizada para aprender línguas”, assegura. “Há pessoas que me perguntam porque estou a aprender chinês se daqui a uns anos vai haver um tradutor universal. Acho que essa tecnologia vai existir em breve, sem questão nenhuma. Estamos no início da singularidade tecnológica e os avanços vão ser verdadeiramente espantosos. Mas aprender uma língua não é só sobre conseguir comunicar. Para mim, e para milhões de outros aprendentes, é uma questão de crescimento pessoal. Quando a IA torna tudo fácil, acho que é importante para o espírito humano conseguir fazer coisas difíceis”, descreveu. A “relevância crescente” da China A relação de Frederico Luz com o mandarim começou cedo, sendo actualmente aluno no Instituto Confúcio da Universidade de Lisboa. A programação “surgiu mais recentemente”, começando “a programar a sério há cerca de um ano, quando a IA, no caso do ‘Claude’ [modelos de linguagem] da Anthropic tornaram possível construir coisas reais”. Criar uma nova plataforma para ajudar a comunicar em mandarim “surgiu da forma mais natural possível”, já que o aluno “já estava a usar a IA para praticar chinês”, nomeadamente ao nível da correcção de gramática e ao nível das conversações. “Pensei que seria muito melhor se houvesse uma aplicação com uma interface dedicada a este uso, com avaliação de pronúncia e correcção em tempo real. Como esta aplicação não existia, criei-a. Foi uma ferramenta que construí primeiro para mim, porque precisava dela para aprender”, descreve. Frederico Luz estuda mandarim dada “a relevância crescente da China”, destacando que, num futuro próximo, “falar chinês vai ser tão importante como falar inglês”. “Trabalho em IA e os chineses estão muito à frente, não apenas no desenvolvimento técnico, mas sobretudo na aplicação real: estão a usar IA em hospitais, em escolas, administração pública, coisas que no Ocidente simplesmente não se vê”, remata.
Irão | AIE pronta para libertar mais reservas após pedido japonês Hoje Macau - 26 Mar 2026 O director da Agência Internacional de Energia (AIE) disse ontem estar pronto para libertar mais reservas de petróleo “se e quando for necessário”, no 26.º dia da guerra do Irão, que fez disparar os preços dos hidrocarbonetos. As declarações de Fatih Birol foram feitas em resposta a um pedido da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, para que se “preparasse para implementar” uma operação coordenada deste tipo, durante um encontro entre os dois em Tóquio. A AIE anunciou no início do mês que os países membros iriam libertar 400 milhões de barris de petróleo das reservas para atenuar o impacto da guerra, na maior operação de sempre realizada pela instituição. No entanto, “ainda há uma quantidade significativa” de petróleo nas reservas”, afirmou Birol. “Oitenta por cento das nossas reservas ainda estão lá. Esses 400 milhões de barris representavam apenas 20 por cento das nossas reservas”, declarou. “Se e quando for necessário, estamos prontos (…) mas espero sinceramente que não seja necessário”, reforçou. Notando que “o mundo enfrenta uma grave ameaça à segurança energética”, o responsável disse que a AIE “está pronta para desempenhar o papel essencial de guardiã da segurança energética mundial”, acrescentou.
San Wa Ou | Lusodescendentes são “membros importantes” do país Hoje Macau - 26 Mar 2026 Um jornal de Macau declarou num editorial sobre a nova lei de “unidade étnica” que os lusodescendentes do território vão continuar a ser “membros importantes da família diversa e unificada da nação chinesa”. A Lei de Promoção da Unidade e do Progresso Étnicos foi aprovada este mês em Pequim pela Assembleia Popular Nacional, principal órgão legislativo chinês, e visa promover “um sentido mais forte de comunidade entre todos os grupos étnicos da nação chinesa”, refere-se na publicação do jornal em língua chinesa San Wa Ou. A legislação estabelece que a unidade étnica deve ser promovida por todos os órgãos governamentais e empresas privadas, incluindo governos locais e organizações afiliadas ao Estado. O país tem 56 grupos étnicos, mas a maioria da população é de etnia ‘han’, com as restantes minorias a representar cerca de 8,9 por cento da população. Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. Papel de relevo No editorial publicado ontem, o San Wa Ou de Macau sublinha o papel dos residentes lusodescendentes – comummente chamados de macaenses – na aplicação da legislação e na integração plena na comunidade nacional chinesa. “Os lusodescendentes representam cerca de 2,5 por cento da população de Macau, sendo descendentes de casamentos entre portugueses e chineses ou famílias portuguesas radicadas há gerações no território”, aponta-se no editorial assinado pelo director e editor do jornal, Lam Chong. Segundo Lam, após a transferência de soberania, em 1999, a Lei Básica da RAEM consagrou a proteção dos interesses, costumes e tradições culturais dos lusodescendentes, reconhecendo-os como parte integrante da sociedade local. “Embora não sejam formalmente classificados entre as 56 etnias da China, a nova lei enquadra-os no princípio da ‘diversidade na unidade’, valorizando o seu papel histórico como ponte entre culturas e a sua contribuição para a prosperidade e estabilidade de Macau”, descreveu. No editorial citam-se exemplos de participação política, como o advogado e antigo deputado Leonel Alves, que, após adquirir cidadania chinesa, se tornou “o primeiro macaense de origem portuguesa a integrar o Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC)”, contribuindo com propostas para o desenvolvimento nacional e de Macau. Na vertente cultural, destaca-se no editorial a acção de Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, que “tem promovido activamente o intercâmbio cultural entre Macau e os países de língua portuguesa”, reforçando o papel da cultura macaense como elo de ligação entre a China e o espaço lusófono. Vantagens de cá No jornal sublinha-se ainda que o Governo local “aproveita as vantagens únicas dos residentes lusodescendentes, oferecendo-lhes amplas oportunidades de desenvolvimento e permitindo que partilhem os frutos do progresso de Macau e do país”. No plano económico, o editorial incentiva a usar “a vantagem bilingue e o conhecimento dos países de língua portuguesa” através de entidades comerciais e políticas, ajudando Macau a afirmar-se como “super elo de ligação” na cooperação entre a China e lusofonia. Conclui-se ainda que, sob a orientação da nova lei étnica, os lusodescendentes de Macau “continuarão a ser membros importantes da família diversa e unificada da nação chinesa, trabalhando em conjunto com todos os cidadãos chineses para escrever um novo capítulo de unidade e progresso nacional e contribuir para a grande revitalização da nação chinesa”.
A Europa e a Entropia da Ordem Internacional Jorge Rodrigues Simão - 26 Mar 2026 “In a world where order decays faster than it forms, survival demands not symmetry, but adaptability.” – Zygmunt Bauman A ordem internacional contemporânea caracteriza-se por uma complexidade sem precedentes, marcada por dinâmicas simultaneamente aceleradas e imprevisíveis. A tentação de recorrer a analogias históricas para compreender o presente é recorrente, mas frequentemente enganadora. Entre essas analogias, a evocação de um novo “Congresso de Viena” surge como expressão nostálgica de uma época em que a diplomacia parecia capaz de restaurar equilíbrios duradouros. Contudo, a realidade actual revela um ambiente profundamente entrópico, resistente a qualquer tentativa de ordenação estável. A Europa, enquanto entidade política, cultural e geoestratégica, encontrase no centro desta turbulência, confrontada com a expansão de conflitos, a erosão da sua capacidade de projecção e a necessidade urgente de redefinir o seu papel num mundo em transformação. Existe a necessidade de analisar criticamente a inadequação dos modelos diplomáticos clássicos face ao contexto contemporâneo, explorar as fragilidades estruturais da Europa perante a nova realidade da guerra e reflectir sobre a necessidade de uma cultura estratégica adaptada à imprevisibilidade global. A partir destas ideias é de afirmar que a sobrevivência política da Europa depende da sua capacidade de aceitar limites, assumir responsabilidades e desenvolver formas de negociação permanentes, flexíveis e não codificáveis em tratados definitivos. A entropia do sistema internacional exige paciência, resiliência e uma compreensão lúcida das próprias vulnerabilidades. O mundo actual distinguese de qualquer configuração histórica anterior. A globalização, longe de produzir uma ordem integrada, gerou um espaço fragmentado, onde actores estatais e não estatais competem, interferem e se sobrepõem. A proliferação de conflitos regionais, a interdependência económica assimétrica, a aceleração tecnológica e a circulação instantânea de informação criaram um ambiente onde a previsibilidade é mínima e a estabilidade, quando existe, é efémera. A entropia, enquanto metáfora, descreve adequadamente esta realidade pois tratase de um sistema em que a tendência natural é a desordem, e onde qualquer tentativa de impor uma estrutura rígida está condenada ao fracasso. A diplomacia tradicional, assente em equilíbrios de poder relativamente estáveis, fronteiras claras e actores bem definidos, revelase insuficiente. O mundo contemporâneo não admite geometrias de políticas fixas nem estratégias lineares. A multiplicidade de variáveis, a volatilidade das alianças e a rapidez das transformações exigem uma abordagem adaptativa, quase orgânica, em que a negociação é permanente e nunca conclusiva. Neste contexto, a ideia de replicar modelos históricos como o “Congresso de Viena” é anacrónica. Aquele encontro, realizado num período em que as potências europeias partilhavam uma visão relativamente homogénea da ordem e possuíam meios comparáveis, não encontra paralelo no presente. Hoje, a assimetria entre actores, a diversidade de interesses e a ausência de consensos mínimos tornam impossível qualquer tentativa de restaurar uma ordem estável através de um acordo diplomático abrangente. A evocação de um novo “Congresso de Viena” revela, mais do que uma proposta concreta, uma nostalgia por um passado idealizado. A crença de que um conjunto de líderes esclarecidos poderia redesenhar o mapa político global ignora a natureza profundamente distinta do mundo contemporâneo. Se figuras históricas como Castlereagh, Metternich ou Talleyrand vivessem hoje, dificilmente encontrariam espaço para aplicar os seus métodos. O sistema internacional não é um palco onde algumas potências determinam o destino do mundo; é um mosaico de actores interdependentes, frequentemente em conflito, e onde a autoridade é difusa. A própria noção de soberania, que sustentava a diplomacia clássica, encontrase fragmentada. Organizações internacionais, empresas tecnológicas, grupos armados, redes transnacionais e movimentos ideológicos disputam influência com os Estados. A ordem internacional não é apenas multipolar; é multidimensional. A tentativa de impor uma arquitectura estável num ambiente tão fluido é ilusória. A Europa, ao insistir em analogias históricas, revela uma dificuldade em compreender a natureza do presente. A sua tradição diplomática, embora rica, assenta em pressupostos que não se aplicam. A crença na possibilidade de uma paz duradoura, alcançada através de tratados definitivos, ignora que a estabilidade contemporânea depende mais da gestão contínua de tensões do que da sua resolução final. A negociação permanente, flexível e pragmática tornase, assim, a única estratégia viável. A expansão dos conflitos contemporâneos desde a guerra na Ucrânia às tensões no Médio Oriente expõe as fragilidades estruturais da Europa. Apesar de possuir uma longa tradição diplomática e um peso económico significativo, o continente revela uma dificuldade persistente em reconhecer a natureza da guerra moderna e em assumir as responsabilidades que dela decorrem. A retórica europeia, frequentemente inclinada para um moralismo abstracto, contrasta com a sua incapacidade material de sustentar posições firmes. Expressões como “paz justa” tornamse paradoxais quando não são acompanhadas de meios militares, estratégicos ou logísticos que permitam influenciar o curso dos acontecimentos. A Europa, envelhecida demograficamente, habituada a décadas de prosperidade e protegida por alianças externas, desenvolveu uma cultura política que privilegia o conforto e a estabilidade interna, relegando a defesa para um plano secundário. Esta atitude reflecte uma ilusão profundamente enraizada; a crença de que a paz é o estado natural das relações internacionais. Durante décadas, o continente viveu sob a protecção de estruturas de segurança que lhe permitiram desinvestir na defesa e concentrarse no bemestar social. A ideia de que a guerra poderia regressar ao continente europeu parecia inconcebível. Contudo, a realidade mostrouse implacável. A guerra não desapareceu; apenas se deslocou, transformou e regressou sob novas formas. A dificuldade europeia em lidar com a nova realidade da guerra está intimamente ligada a factores demográficos e culturais. A Europa é um continente envelhecido, com populações habituadas a elevados padrões de vida e pouco dispostas a aceitar sacrifícios. A defesa, enquanto responsabilidade colectiva, perdeu centralidade no imaginário político. As Forças Armadas são frequentemente tratadas como instituições isoladas, com funções que vão desde a protecção civil até à participação em missões humanitárias, mas raramente como instrumentos de guerra efectiva. Esta dissociação entre sociedade civil e defesa cria um paradoxo pois a Europa exige segurança, mas hesita em assumir os custos associados. A cultura política dominante valoriza o indivíduo acima da comunidade, o bemestar acima do dever e a estabilidade acima da preparação para o conflito. Esta mentalidade, embora compreensível num continente marcado por duas guerras devastadoras no século XX, revelase inadequada num mundo onde a força continua a desempenhar um papel central. A crise estratégica europeia não é apenas militar; é cultural. A incapacidade de reconhecer a guerra como possibilidade real impede a formulação de políticas coerentes. A Europa encontrase, assim, num estado de vulnerabilidade estrutural pois possui interesses globais, mas carece de meios para os defender; proclama valores universais, mas não dispõe de instrumentos para os projectar; deseja estabilidade, mas não controla os factores que a ameaçam. A quase fusão entre a guerra na Ucrânia e os conflitos no Médio Oriente ilustra a interdependência dos sistemas regionais contemporâneos. O que antes eram teatros de guerra relativamente autónomos tornouse parte de uma dinâmica global, onde decisões tomadas num ponto do globo repercutem noutros. Esta interligação revela não apenas a complexidade do sistema internacional, mas também a incapacidade das grandes potências incluindo os Estados Unidos de controlar plenamente os acontecimentos. A hegemonia americana, embora ainda significativa, encontrase sob pressão. A multiplicidade de crises simultâneas, a ascensão de novas potências e a fragmentação interna dos próprios Estados Unidos limitam a sua capacidade de intervenção eficaz. Para a Europa, esta realidade é particularmente preocupante. Durante décadas, o continente confiou na protecção americana como garantia última da sua segurança. Hoje, essa dependência revelase arriscada. A incapacidade das grandes potências de delimitar os seus próprios envolvimentos militares cria um ambiente de incerteza permanente. A Europa, situada geograficamente entre múltiplos focos de tensão, tornase especialmente vulnerável. A ausência de uma estratégia autónoma, combinada com a dependência de aliados externos, coloca o continente numa posição de fragilidade que contrasta com a sua ambição de relevância global. Face a este cenário, a Europa necessita de desenvolver uma nova cultura estratégica, capaz de responder à entropia do sistema internacional. Esta cultura deve assentar em três pilares fundamentais que são a lucidez, responsabilidade e adaptação. A lucidez implica reconhecer a realidade tal como ela é, e não como se deseja que seja. A guerra, longe de ser uma anomalia, continua a ser um instrumento político utilizado por múltiplos actores. Ignorar esta evidência é condenarse à irrelevância. A Europa deve aceitar que a defesa é uma componente essencial da sua existência política e que a paz exige preparação, não apenas desejo. A responsabilidade exige que o continente assuma o seu papel no sistema internacional. Não basta proclamar valores; é necessário defendêlos. A Europa deve investir na sua capacidade militar, reforçar a coordenação entre Estadosmembros e desenvolver mecanismos de resposta rápida que lhe permitam agir de forma autónoma quando necessário. A dependência excessiva de aliados externos é incompatível com a ambição de autonomia estratégica. A adaptação implica desenvolver formas de negociação permanentes, flexíveis e pragmáticas. Num mundo entrópico, a estabilidade não é alcançada através de tratados definitivos, mas através da gestão contínua de tensões. A Europa deve abandonar a ilusão de que é possível restaurar uma ordem estável semelhante à do passado e aceitar que a sua sobrevivência depende da capacidade de navegar a incerteza. Assim, a ordem internacional contemporânea caracterizase por uma entropia estrutural que desafia os modelos diplomáticos clássicos e exige novas formas de pensamento estratégico. A Europa, confrontada com a expansão dos conflitos, a crise demográfica e cultural e a incapacidade das grandes potências de controlar plenamente os acontecimentos, encontrase num momento decisivo. A nostalgia por um novo “Congresso de Viena” revela uma incompreensão profunda da natureza do presente. O mundo actual não admite soluções definitivas nem arquitecturas estáveis; exige negociação permanente, paciência estratégica e uma aceitação lúcida dos próprios limites. A sobrevivência política da Europa depende da sua capacidade de desenvolver uma nova cultura estratégica, assente na lucidez, responsabilidade e adaptação. O continente deve reconhecer que a paz não é um dado adquirido, mas um equilíbrio frágil que exige preparação, investimento e compromisso. A entropia do sistema internacional não pode ser eliminada, mas pode ser gerida. E é nessa gestão paciente, pragmática e contínua que reside o futuro da Europa.
Timor- Leste | Governo define limites máximos para preço dos combustíveis Hoje Macau - 26 Mar 2026 O Governo timorense aprovou ontem um diploma que estabelece limites máximos para o preço dos combustíveis no país devido ao impacto do conflito no Médio Oriente. “O diploma define limites máximos para o preço de venda ao consumidor, fixando o valor da gasolina em 1,50 dólares por litro, do gasóleo em 1,65 dólares por litro, do combustível de aviação em 2,50 dólares por litro e do gás de petróleo liquefeito (GPL) em 4,2 dólares por quilograma”, pode ler-se num comunicado divulgado à imprensa. O decreto-lei, aprovado na reunião de hoje do Conselho de Ministros, foi apresentado pelo ministro do Petróleo e Recursos Naturais, Francisco Monteiro, que tinha já avançado a semana passada a possibilidade de intervenção do Governo face ao aumento dos preços dos combustíveis, provocado pelo conflito no Irão. “O diploma visa mitigar o impacto da actual instabilidade internacional no setor energético, proteger o poder de compra das famílias, reduzir o efeito de eventuais aumentos de preços na economia e assegurar o funcionamento regular das actividades económicas, garantindo simultaneamente a disponibilidade de combustíveis no território nacional”, salienta o executivo timorense. Segundo o Governo, as importadoras vão também apresentar os custos reais de importação para “cálculo do subsídio a atribuir pelo Estado, financiado através do Orçamento Geral do Estado”. O diploma reforça também a actuação das entidades competentes para prevenir os desvios de combustíveis subsidiados para fora do território nacional. As medidas vão estar em vigor até ao final do ano e podem ser revistas, prorrogadas ou finalizadas em função da evolução do mercado internacional.
Pyongyang | Kim Jong-un expressa “vontade inabalável” em apoiar Rússia Hoje Macau - 26 Mar 2026 O líder norte-coreano, Kim Jong-un, demonstrou a “vontade inabalável” de apoiar a Rússia, numa carta de agradecimento dirigida ao homólogo russo, Vladimir Putin, informou ontem a agência de notícias oficial da Coreia do Norte. “Pyongyang estará sempre ao lado de Moscovo. É a nossa escolha e a nossa vontade inabalável”, declarou Kim, na carta enviada na terça-feira ao chefe de Estado russo, citada pela agência oficial KCNA. Os dois países celebraram em 2024 um acordo de defesa mútua, após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, e Pyongyang enviou tropas terrestres e sistemas de armas para apoiar Moscovo. O país isolado, empobrecido e muito vulnerável a catástrofes naturais, recebe em troca ajuda financeira, alimentos e energia, além de tecnologias militares, de acordo com analistas. “Actualmente, a RPDC [República Popular Democrática da Coreia] e a Rússia cooperam estreitamente para defender a soberania de ambos os países”, salientou Kim, referindo-se à Coreia do Norte pelo nome oficial do país. Os serviços de inteligência sul-coreanos e ocidentais estimam que a Coreia do Norte enviou milhares de soldados para a Rússia, principalmente para a região de Kursk, bem como granadas, mísseis e sistemas de foguetes de longo alcance. De acordo com Seul, pelo menos dois mil soldados norte-coreanos foram mortos e milhares de outros ficaram feridos durante este conflito. Na carta, Kim Jong-un agradeceu ainda ao Kremlin que o felicitou pela reeleição, no domingo, para a presidência dos Assuntos de Estado, o cargo mais alto do poder na Coreia do Norte. “Expresso os meus sinceros agradecimentos por me terem enviado as vossas calorosas e sinceras felicitações por ocasião da minha retoma das pesadas responsabilidades de presidente dos Assuntos de Estado”, declarou. Lukashenko de visita Na terça-feira, meios de comunicação estatais em Minsk afirmaram que o Presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, se deslocaria à Coreia do Norte para uma viagem de dois dias “com o objectivo de reforçar a cooperação bilateral”. A KCNA confirmou que Lukashenko realizaria “uma visita oficial a convite de Kim Jong-un”, mas sem especificar a data. Tal como a Coreia do Norte, a Bielorrússia é um aliado próximo da Rússia na guerra contra a Ucrânia.
Pena de morte suspensa para ex-dirigente de empresa aeroespacial Hoje Macau - 26 Mar 2026 Um tribunal chinês condenou ontem Tan Ruisong, ex-presidente da Corporação da Indústria de Aviação da China (AVIC), a pena de morte com suspensão por dois anos, por receber o equivalente a mais de 69 milhões de euros em subornos. O Tribunal Popular Intermédio de Dalian, no nordeste da China, aplicou igualmente uma pena de 15 anos de prisão e uma multa de 5 milhões de yuan por desvio de fundos, além de mais seis anos de cadeia por uso de informação privilegiada e divulgação de informação confidencial, informou a televisão estatal CCTV. A pena de morte fica suspensa por um período de dois anos, durante o qual, caso Tan não cometa novos crimes e mantenha bom comportamento, a sentença será comutada para prisão perpétua, uma prática comum em casos de corrupção na China. Segundo a sentença, Tan aceitou subornos no valor superior a 613 milhões de yuan, além de se ter apropriado ilegalmente de aproximadamente 90 milhões de yuan em fundos públicos durante o período em que trabalhou em várias empresas do sector aeronáutico estatal. O tribunal concluiu que o ex-dirigente utilizou os cargos que ocupou em várias subsidiárias da AVIC para favorecer terceiros em operações empresariais e na adjudicação de projectos, em troca de pagamentos ilegais. A decisão considera ainda provado que, entre 2012 e 2023, Tan realizou operações bolsistas com base em informação privilegiada e divulgou dados confidenciais a terceiros em diversas ocasiões, num comportamento classificado como de “circunstâncias particularmente graves”. O tribunal indicou que os crimes de suborno e desvio de fundos causaram “graves prejuízos” aos interesses do Estado e da população, e que o montante dos subornos foi “especialmente elevado”, justificando uma punição severa. Campanha em curso Ainda assim, o tribunal teve em conta circunstâncias atenuantes, como a confissão dos factos, a colaboração com as autoridades e a devolução dos bens obtidos ilegalmente, o que permitiu suspender a execução imediata da pena capital. O caso de Tan insere-se numa série de investigações recentes em sectores estratégicos como o aeroespacial e o da defesa, onde as autoridades intensificaram o escrutínio sobre altos responsáveis de empresas estatais e organismos ligados à indústria militar. Desde que chegou ao poder em 2012, o Presidente chinês e secretário-geral do Partido Comunista da China, Xi Jinping, tem impulsionado uma campanha anticorrupção que abrange funcionários de todos os níveis, desde quadros locais até altos dirigentes e executivos de conglomerados estatais.
Irão | Pequim apoia todas as iniciativas que contribuam para reduzir as tensões Hoje Macau - 26 Mar 2026 A China indicou ontem que “é sempre melhor negociar do que intensificar os combates”, apelando à resolução do conflito no Médio Oriente, e afirmou apoiar “todas as iniciativas que contribuam para reduzir tensões”. As declarações, feitas em conferência de imprensa pelo porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian, surgem após fontes governamentais do Paquistão terem assegurado que o país lidera uma iniciativa de mediação com a Turquia e o Egipto para pôr fim à guerra entre o Irão, os Estados Unidos e Israel. Trump afirmou na segunda-feira ter mantido conversações “ótimas e produtivas” com Teerão para alcançar o fim das hostilidades e garantiu que os contactos vão continuar ao longo da semana, embora o Exército do Irão tenha negado ontem a existência de negociações com Washington. Lin afirmou ainda que “a China espera que todas as partes aproveitem qualquer oportunidade e janela para a paz e iniciem, o mais rapidamente possível, um processo de diálogo”. Acrescentou também que a situação está a afectar a segurança energética global, o funcionamento das cadeias de abastecimento e produção, bem como a ordem do comércio internacional, sublinhando que a China “está disposta a reforçar a coordenação e cooperação com a comunidade internacional para enfrentar conjuntamente os desafios em matéria de segurança energética”. Na véspera, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, manteve uma chamada telefónica com o seu homólogo iraniano, na qual apelou ao regresso à via do diálogo para pôr fim à guerra do Irão e iniciar negociações de paz “o mais cedo possível”. Wang insistiu que todas as questões sensíveis devem ser resolvidas através do diálogo e da negociação, e não pelo recurso à força. A guerra no Médio Oriente entra na sua quarta semana, após a escalada iniciada a 28 de Fevereiro com ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel em território iraniano.
Médio Oriente | Cosco retoma envios de contentores Hoje Macau - 26 Mar 2026 A transportadora marítima chinesa COSCO Shipping voltou ontem a aceitar novas reservas de contentores convencionais com destino a vários países do Médio Oriente, segundo um aviso a clientes citado por órgãos de comunicação chineses. A empresa indicou que, apesar da reactivação deste serviço, os custos, programação de envio e condições de transporte permanecem “sujeitos a alterações”, uma vez que a situação na região continua marcada pela volatilidade. O anúncio surge num contexto de incerteza no tráfego marítimo internacional, afectado pela guerra entre o Irão, os Estados Unidos e Israel, bem como pelas tensões em torno do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas mundiais e por onde transita cerca de 45 por cento das importações chinesas de gás e petróleo. Nas últimas semanas, os ataques e ameaças na zona têm perturbado a navegação comercial e aumentado os custos logísticos, o que provocou uma subida do preço do petróleo nos mercados internacionais, com impacto também na China. No país asiático, os preços dos combustíveis registaram uma das maiores subidas recentes, o que levou a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (principal órgão de planeamento económico) a intervir esta semana de forma excepcional com medidas temporárias de controlo de preços – a primeira acção deste tipo desde a introdução do actual mecanismo em 2013 – para conter o impacto sobre consumidores e empresas. O anúncio da transportadora surge pouco depois do regresso à China do seu enviado especial para o Médio Oriente, Zhai Jun, após um périplo por vários países da região, onde manteve contactos com representantes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Barém, Kuwait, Catar e Egipto, bem como com o Conselho de Cooperação do Golfo e a Liga Árabe.