Audiovisual | Produção de microdramas para exportar Hoje Macau - 30 Mar 2026 Reportagem de Vítor Quintã, agência Lusa Na zona económica especial junto a Macau, dezenas de estúdios filmam microdramas para exportar – incluindo em português, tendo o Brasil como alvo – sobre amor proibido, vingança e outros temas. Uma equipa totalmente chinesa está a preparar, numa réplica de uma igreja católica, uma cena de um dos quatro microdramas em rodagem no Estúdio Internacional de Cinema e Televisão de Hengqin (HIFS, na sigla em inglês). Segundo o mais recente Relatório Anual sobre o Desenvolvimento dos Serviços Audiovisuais na Internet, no final de 2024, perto de 1,1 mil milhões de chineses tinham acesso a vídeos curtos, sendo que 98,4 por cento eram utilizadores activos. “A dimensão da indústria superou os 1,22 biliões de yuan, impulsionada pelo consumo de vídeos curtos e ‘live streaming’”, revelou o relatório, publicado pelas autoridades chinesas. Mas, nos bastidores de um dos 11 edifícios do complexo da empresa COL em Hengqin (ilha da Montanha), que só começou a operar em 9 de Janeiro, todos os actores são estrangeiros. A maioria do conteúdo continua a ter como destino a China continental, mas a aposta no estrangeiro começou há uma década, disse à Lusa o director-geral adjunto da HIFS. “Começámos em 2016 com a internacionalização dos microdramas”, disse Leo Li Meng, à margem de uma visita de jornalistas de Macau à zona económica especial, no município de Zhuhai. Criações de raiz Mas se, no início, as produções originais em chinês eram apenas legendadas ou dobradas em inglês, o passo seguinte foi criar microdramas de raiz para os mercados estrangeiros, incluindo o Brasil, explicou o executivo. Afinal, em 2024, perto de 90 por cento dos mais de 213 milhões de brasileiros consumia vídeos curtos, sublinha a legenda de um enorme mapa colocado logo à entrada do HIFS. E para esse objectivo “fica mais barato filmar em Hengqin”, sublinhou Li, graças às “vantagens dos vistos”. As empresas sediadas na zona económica especial podem obter vistos de 90 dias para estrangeiros envolvidos em filmagens. O resultado são microdramas, com uma duração entre um e dois minutos, vendidos a poucos euros em aplicações para telemóveis com nomes sugestivos, como “Criando o Filho da Amante” ou “Quadrigémeos do Tio do Meu Ex”. Relações extraconjugais, filhos fora do matrimónio, amores proibidos, vingança e violência estão entre os temas dos microdramas, com títulos que muito provavelmente acabariam banidos na China continental. No final de Novembro, Xi Jinping prometeu reforçar a governança da Internet, combater “o conteúdo prejudicial”, que, defendeu o líder chinês, “polui a moral social e prejudica os interesses do público”. No início de Janeiro, o regulador chinês da Internet divulgou uma lista de conteúdo proibido nas redes sociais, incluindo “expressões obscenas e material sexualmente sugestivo”.
Spinumviva é “Operação Freguês” André Namora - 30 Mar 2026 Um dia, entrámos numa mercearia onde estavam diversos clientes para serem atendidos. Entrou um indivíduo e o patrão largou tudo para o atender e deixou os restantes pagantes a olhar para o tecto. Era um freguês especial. Pessoa importante na política e que mandava peso nas directrizes da edilidade local. Este episódio fez-nos lembrar o que se passa com Luís Montenegro e o seu caso misterioso Spinumviva. Qualquer advogado tem direito a ter os seus clientes e os respectivos a apresentarem-lhes os seus negócios para serem aconselhados da melhor forma. Aconteceu que Luís Montenegro, com todo o direito, decidiu criar uma empresa familiar e os seus escritórios tratavam da gestão e consultoria dos seus clientes. No entanto, Montenegro já era político, líder parlamentar do PSD e superiormente consciente de todas as regras do jogo político, comercial e financeiro. Sabia perfeitamente que se a sua empresa familiar começasse a ganhar muito dinheiro legalmente, que também como político ou governante tinha regras a declarar sobre os seus rendimentos. A empresa familiar de Montenegro teve a sorte que muitas não têm. Clientes dos bons e de grande riqueza não faltaram a entregar à empresa do causídico e político Montenegro a gestão e consultoria das suas fortunas. Tudo nos conformes, mesmo que se tratasse de uma concessionária do jogo como a Solverde, com concurso público à porta. Montenegro passou a ser o líder do PSD e ganhou as eleições legislativas. Foi empossado como primeiro-ministro de Portugal e, a partir daí, os jornalistas, esses grandes malandros “terroristas” que tudo vasculham, vieram a saber que Montenegro não tinha declarado ao Estado todo o seu património material, muito menos a lista de grandes clientes que tinha no escritório a subsidiar a tal empresa familiar, a chamada e badalada Spinumviva. A partir daqui, nunca mais a confiança no primeiro-ministro foi a mesma e as últimas sondagens apresentam mesmo uma grande descida do apoio popular a este Governo. O caso passou para o Ministério Público de uma forma muito subtil e com Amadeu Guerra, amigo de Montenegro, nas funções de procurador-geral da República a não dar quaisquer esclarecimentos sobre a investigação à Spinumviva. No entretanto, assistiu-se a algo feio, em termos políticos. Se Montenegro não tinha nada a esconder por que razão proibiu a publicação da lista dos seus clientes e por que passou a empresa familiar apenas para o nome da sua mulher e filhos? Ultimamente, o caso voltou à baila e com um pouco de estrondo. A Spinumviva está envolta em vários “mistérios”, os quais poderiam levar à demissão do primeiro-ministro. Na sequência das notícias recentes, e para “evitar mais desinformação sobre o tema”, o gabinete do primeiro-ministro enviou na passada quinta-feira, mais um esclarecimento sobre o caso Spinumviva. Luís Montenegro informa que a 29 de Abril do ano passado “entregou à Entidade para a Transparência (EpT)”, a lista de clientes da empresa que “fundou e onde trabalhou, nos termos em que lhe foi solicitado”. À data, recorda, solicitou que a mesma não fosse divulgada “por razões de natureza jurídica”. No entanto, a EpT suscitou um recurso para o Tribunal Constitucional e nove meses depois, o Tribunal Constitucional rejeitou em definitivo os recursos apresentados por Luís Montenegro. Neste sentido, algo ficou muito preto para o lado de Montenegro. Algo de estranho e que não é lógico foi a atitude de Montenegro antecipar-se à EpT e ter divulgado a lista de clientes, onde fazem parte potenciais empresários com ligações económicas ao Governo, nomeadamente a Solverde-casinos; Beetsteel; Cofina; ITAU; Produtos Farmacêuticos Lda e Radio Popular, entre outros. O que seria muito grave, se um dia os tais jornalistas “terroristas” viessem a descobrir que o Governo de Montenegro facilitou, governamentalmente, a vida aos potencias clientes da sua empresa familiar. Tudo isto, nos recorda a “Operação Marquês” de José Sócrates que já vai em investigação há 13 anos. No caso da Spinumviva nada nos admiraria que pelo facto do freguês em causa ser pessoa de muita importância, que daqui a muito anos, alguém venha a escrever sobre uma “Operação Freguês”…
A Comissão da Defesa da Segurança do Estado tem competência para avaliar os assuntos relativos aos interesses da segurança do Estado Hoje Macau - 30 Mar 2026 Por Professor Doutor Leng Tiexun, coordenador do Centro de Estudos “Um País, Dois Sistemas” da Universidade Politécnica de Macau A proposta de “Lei da Comissão da Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau” (adiante designada por Lei da CDSE) foi aprovada, por unanimidade, em 19 de Março, após debate e votação na especialidade, pela Assembleia Legislativa. Em comparação com o texto da proposta apresentada em 10 de Fevereiro para a apreciação na generalidade, a alteração significativa consiste em introduzir a disposição segundo a qual compete à Comissão da Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau (adiante designada por CDSE) confirmar se a publicidade de certos actos processuais pode causar prejuízo aos interesses da segurança do Estado, bem como decidir se existe a necessidade de proteger esses mesmos interesses no decurso do processo. A análise da intenção legislativa subjacente reveste-se de grande importância para uma compreensão completa e precisa do sistema e mecanismos da defesa da segurança nacional em Macau. 1. A CDSE é estrutura legalmente competente para avaliar os assuntos relativos aos interesses de segurança nacional A segurança é o pressuposto para a sobrevivência e para o desenvolvimento de um Estado, sendo a segurança nacional uma componente essencial dos seus interesses fundamentais. No que respeita à defesa dos interesses de segurança nacional, qualquer governo assume uma postura firme, inquestionável, intransigente e imune a interferências externas. Tendo em conta que os interesses de segurança nacional são altamente políticos, complexos e dinâmicos, abrangendo múltiplos domínios como o político, económico, militar e tecnológico, por isso, na prática judicial, a avaliação para saber se um determinado caso ou acto processual envolve ou não interesses de segurança nacional, ultrapassa naturalmente o âmbito tradicional do apuramento de factos jurídicos. Tal exige uma avaliação integrada da situação macroscópica interna e externa, de informações altamente confidenciais e da estratégia global de segurança do país — capacidade que os órgãos judiciais comuns dificilmente conseguem exercer autonomamente, quer pela limitação no acesso à informação, quer pela insuficiência de competência técnica especializada. Assim sendo, a intenção legislativa da Lei da CDSE fica bastante clara: a avaliação de questões que envolvem os interesses de segurança nacional deve apenas ser efetuada pela CDSE. Enquanto estrutura de topo do sistema de defesa da segurança do Estado na RAEM, a CDSE detém as informações de segurança mais completas e essenciais, é uma unidade de autoridade mais bem-dotada das condições e capacidades necessárias para determinar se uma questão envolve os interesses de segurança nacional. A lei da CDSE estipula que este é um órgão especializado com competências legais específicas para avaliar questões relacionadas com os interesses de segurança nacional, o que é absolutamente necessário e razoável. A Lei, através de uma alteração que introduz na Lei de Bases da Organização Judiciária de Macau, estabelece expressamente que, quando o juiz decidir não tornar públicos determinados actos processuais por considerar que a sua publicidade possa prejudicar os interesses de segurança nacional, deve obter a confirmação da CDSE. Além disso, no que respeita à concessão de autorização especial aos mandatários judiciais para intervirem em acto processual que toca os interesses de segurança nacional, o juiz deve comunicar à CDSE as informações do processo, “para esta decidir sobre a existência da necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado”. Isto atribui à CDSE, estrutura dotada da máxima autoridade e especialização, o poder de avaliação substantiva sobre o conceito de “interesses de segurança do Estado”, assegurando a precisão da verificação em matéria de segurança nacional e evitando eficazmente eventuais riscos decorrentes das limitações de entendimento por parte das autoridades judiciais. 2. Articulação rigorosa das disposições e congruência do sistema O n.º 2 do artigo 3.º da Lei da CDSE estabelece de forma clara e inequívoca a competência fundamental da CDSE: “À CDSE compete avaliar se determinados assuntos são do interesse da segurança do Estado e proferir decisões com força executória”. Na ausência de disposições em termos de tramitação concreta que assegurem a sua aplicação prática, esta competência essencial poderá gerar ambiguidades na sua aplicação em processos judiciais concretos. Na proposta inicial submetida à apreciação na generalidade da Assembleia Legislativa, as alterações propostas à Lei de Bases da Organização judiciária baseavam-se principalmente na avaliação autónoma de “juiz competente” ou de “autoridade judiciária competente” quanto à existência de necessidade de proteger os interesses de segurança nacional. Esta formulação poderia gerar uma contradição lógica com o disposto no n.º 2 do artigo 3.º: se a CDSE detém a competência exclusiva para apreciar os assuntos relativos aos interesses de segurança nacional, por que razão, então, em procedimentos judiciais, seria apenas ao juiz que caberia realizar uma avaliação substantiva? A proposta revista responde com precisão a esta questão. Ao alterar à Lei de Bases da Organização Judiciária e introduzir a “confirmação” e a “decisão” da CDSE, garante-se que a sua competência de apreciação dos interesses de segurança nacional seja plena e sistematicamente implementada em todas as circunstâncias. 3. A concepção deste regime não afecta a qualificação profissional dos advogados nem o direito de defesa dos interessados As disposições da Lei da CDSE relativas à avaliação efectuada pela CDSE sobre os interesses de segurança nacional e relativas à criação de um procedimento de autorização especial para os mandatários judiciais não constituem uma privação dos direitos e interesses legítimos dos interessados, muito menos afectam a qualificação profissional dos advogados. Em primeiro lugar, o facto de um mandatário judicial, após avaliação efectuada pela CDSE, não obter autorização especial decidida pelo tribunal significa apenas que esse advogado não poderá participar nesse caso concreto, sem que tal afecte de forma alguma a sua qualificação profissional legal para exercer a advocacia na RAEM. Em segundo lugar, o direito dos interessados a um julgamento justo continua estritamente protegido por lei. Nos crimes relacionados com a segurança nacional, os arguidos continuam plenamente protegidos pelos princípios da presunção de inocência, da igualdade de oportunidades em acusação e defesa, pelo princípio da investigação, bem como por outros princípios processuais penais. Os arguidos mantêm o direito de se defenderem pessoalmente, bem como o direito de contratar um advogado para a sua defesa. Mesmo que o advogado por si contratado não obtenha a autorização especial, ou se não conseguirem contratar um advogado, o tribunal nomeará ou designará, nos termos da lei, um advogado qualificado para os defender, assegurando assim que o seu direito a um julgamento justo não é de modo algum prejudicado.
Tailândia diz ter chegado a acordo com Irão sobre estreito de Ormuz Hoje Macau - 30 Mar 2026 Banguecoque declarou sábado ter chegado a um acordo com Teerão para permitir a passagem dos petroleiros tailandeses pelo estreito de Ormuz, praticamente paralisado desde o início da guerra lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irão. “Foi agora celebrado um acordo para permitir que os petroleiros tailandeses transitem em segurança pelo estreito de Ormuz, contribuindo assim para acalmar as preocupações relativas ao transporte de combustível para a Tailândia”, declarou o primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, em conferência de imprensa. “Com este acordo, estamos confiantes de que não teremos de enfrentar mais perturbações como as observadas no início de Março”, acrescentou. Os países do Sudeste Asiático estão a sofrer as consequências das dificuldades de abastecimento de combustível provocadas pela guerra do Irão. Depois de ter sido inicialmente limitado a 30 bahts (0,79 euros) por litro pelo Governo, o preço do gasóleo aumentou a semana passada seis bahts por litro. A escassez e as filas de espera são cada vez mais frequentes nas estações de serviço. Batalhas navais Um navio mercante tailandês foi atacado em 11 de Março quando navegava no estreito de Ormuz. Três dos tripulantes continuam desaparecidos. A Guarda Revolucionária iraniana anunciou na sexta-feira ter obrigado três porta-contentores a voltarem para trás no estreito de Ormuz, precisando que esta rota estratégica estava fechada a navios provenientes ou com destino a portos ligados “ao inimigo”. O tráfego no estreito de Ormuz, por onde normalmente transita 20 por cento do petróleo bruto mundial, caiu 95 por cento em relação ao normal entre 01 e 26 de Março, de acordo com a plataforma de monitorização marítima Kpler. Desde 01 de Março de 2026, 24 navios comerciais, incluindo 11 petroleiros, foram atacados ou relataram incidentes no Golfo, no estreito de Ormuz ou no golfo de Omã, de acordo com a agência britânica de segurança marítima UKMTO.
Cooperação | RDCongo e China assinam acordo no sector mineiro Hoje Macau - 30 Mar 2026 Os minerais africanos ganham cada vez mais relevância no desenvolvimento das novas tecnologias A República Democrática do Congo (RDCongo) e a China assinaram um memorando de entendimento para reforçar a sua cooperação no sector mineiro, numa época marcada pela concorrência global pelo acesso aos minerais estratégicos africanos. O acordo estabelece um “quadro de cooperação estruturado baseado na consulta contínua, no respeito pelo quadro jurídico e normativo congolês, na protecção dos investimentos e na promoção do processamento local dos recursos naturais”, afirmou o Governo deste país africano num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). “As partes acordaram também estabelecer um mecanismo de diálogo e acompanhamento para acompanhar a execução dos projectos, em particular no que diz respeito ao cumprimento normativo, num ambiente de investimento estável, transparente e seguro”, acrescenta-se ainda no documento. O acordo foi assinado na quinta-feira em Pequim pelo ministro das Minas da RDCongo, Louis Watum Kabamba, e pelo ministro dos Recursos Naturais do gigante asiático, Guan Zhi’ou, cujo país já detém um amplo controlo do sector mineiro congolês. Com este documento, afirmou o Executivo congolês, a RDCongo “reafirma o seu compromisso de construir um sector mineiro moderno, responsável e gerador de valor, plenamente integrado nas dinâmicas económicas mundiais, ao serviço da sua industrialização, da sua soberania económica e do bem-estar sustentável da sua população”. Concorrência global O acordo foi assinado num contexto de tensão geopolítica e de concorrência global pelo acesso aos minerais africanos, especialmente congoleses, como o cobalto, fundamental para a indústria tecnológica de fabrico de telemóveis. Em Dezembro, os Estados Unidos patrocinaram a assinatura, em Washington, de um acordo de paz entre a RDCongo e o vizinho Ruanda, país que apoia o poderoso grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23) nos seus combates no leste congolês. Este acordo de paz inclui também uma componente económica, ao conceder aos EUA acesso preferencial a minerais estratégicos da região. Outro exemplo da competição entre os EUA e a China em África é o Corredor do Lobito, uma ferrovia que ligará o Atlântico às minas da RDCongo e da Zâmbia através de Angola e com a qual o Ocidente procura ganhar terreno a Pequim no abastecimento de minerais africanos. A China, no entanto, tem apoiado a construção de numerosas infraestruturas através da Nova Rota da Seda, uma iniciativa adoptada em 2013 como projecto emblemático da política externa do Presidente chinês, Xi Jinping, para além de ser um dos principais credores do continente.
Comércio | Anunciadas investigações contra “barreiras comerciais” dos EUA Hoje Macau - 30 Mar 2026 A China anunciou sexta-feira o início de uma investigação sobre “barreiras comerciais” impostas pelos Estados Unidos a várias economias, como a chinesa, com base no excesso de capacidade de produção e em alegações de trabalho forçado. Em comunicado, um porta-voz do ministério do Comércio chinês explicou que, em resposta às investigações iniciadas pelos Estados Unidos em meados deste mês, a China lança, “de forma recíproca”, duas investigações sobre as barreiras comerciais impostas por Washington. A primeira deve-se às práticas e medidas dos EUA que, segundo Pequim, “prejudicam as cadeias globais de produção e abastecimento”; e a segunda visa as acções de Washington que “obstruem o comércio de produtos ecológicos”, de acordo com o comunicado. O ministério do Comércio da China avançará nestas investigações de acordo com a Lei do Comércio Externo e as normas de investigação sobre barreiras ao comércio externo, e “adoptará as medidas correspondentes em função dos resultados, com o objectivo de salvaguardar firmemente os seus direitos e interesses legítimos”, indicou o porta-voz. Estas investigações são anunciadas um dia após a reunião realizada nos Camarões entre o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, na véspera da cimeira prevista para meados de Maio em Pequim entre os presidentes de ambos os países. Durante o encontro, Wang expressou a “firme preocupação” de Pequim com as investigações lançadas pelos EUA ao abrigo da Secção 301 contra várias economias, incluindo a China, com base em acusações de “excesso de capacidade” e alegado uso de trabalho forçado. O ministro chinês instou também o responsável norte-americano a “evitar uma concorrência prejudicial” entre ambos os países, a “manter uma comunicação estreita” e a avançar em conjunto “olhando para o futuro” para impulsionar “um desenvolvimento saudável, estável e sustentável” das relações bilaterais.
BYD | Lucros caem 19% para 4.086 ME em 2025 Hoje Macau - 30 Mar 2026 Os lucros do grupo automóvel chinês BYD desceram 19 por cento em 2025 para 32.619 milhões de yuans devido ao crescimento da concorrência na China. Nos documentos financeiros enviados sexta-feira à Bolsa de Hong Kong, onde a empresa está cotada, o fabricante de carros eléctricos indicou que a sua facturação, que no ano passado tinha ultrapassado a da norte-americana Tesla, cresceu 3,46 por cento em comparação com 2024, atingindo 803.965 milhões de yuans. “Perante ventos contrários a nível macroeconómico e uma concorrência cada vez mais intensa, a marca BYD reforçou continuamente a sua competitividade, apostando na integração de tecnologias-chave, consolidando a sua liderança no mercado nacional e registando um desempenho excecional no estrangeiro”, lê-se no documento. No ano passado, o volume de negócios no estrangeiro passou de 28,55 por cento do total para 38,65 por cento, após um crescimento de 40,05 por cento ao longo de 2025, enquanto aquele registado na China, o seu principal mercado, diminuiu 11,17 por cento. “Reconhecemos que a concorrência no sector chinês dos veículos eléctricos atingiu um ponto culminante e encontra-se actualmente numa fase eliminatória” indicou o fundador e presidente da BYD, Wang Chuanfu. O sector, de acordo com o documento, enfrentou em 2025 problemas a nível internacional, como “o proteccionismo comercial e a reestruturação das cadeias de abastecimento”. Ao longo do exercício, a BYD vendeu um total de 4,6 milhões de veículos, dos quais 1,05 milhões se destinaram a outros mercados, o que representa um crescimento de 140 por cento em relação ao ano anterior. Concretamente, Wang classificou a América Latina como o “pilar principal” do crescimento da sua empresa no estrangeiro. “A BYD manteve um crescimento sustentado em 2025, mantendo a sua posição como maior vendedor mundial de veículos eléctricos pelo quarto ano consecutivo, situando-se entre os 10 principais grupos automóveis em vendas pelo terceiro ano consecutivo e subindo para o quinto lugar em vendas entre os grupos automóveis globais, uma posição acima do ano anterior”, afirmou o fundador.
O Cavaleiro Estrangeiro a Galope de Chen Juzhong Paulo Maia e Carmo - 30 Mar 2026 Zhu Gang, o princípe Gong, o «reverente», de Jin (1358-1398), o terceiro filho de Hongwu, o fundador da dinastia Ming, seria recordado nos memoriais históricos pelas suas qualidades de guerreiro e líder da fronteira e pela sua quase excessiva energia de líder político. Mas da esmerada educação que o pai de origem camponesa lhe proporcionou haveria de resultar uma verdadeira vocação de princípe, apoiando mosteiros da religião budista na região onde governou e claramente visível no faustoso palácio que mandou erigir em Taiyuan, na actual Província de Shanxi. Hoje esse palácio já não existe mas na altura albergou uma rara colecção de pinturas e caligrafias, de que é testemunho o seu carimbo aposto nalgumas pinturas resgatadas da sua destruição. Como é o caso de uma folha de álbum, na altura já antiga, que está no Museu Britânico (tinta e cor sobre seda, 24,8 x 26,3 cm) que mostra a figura de um cavalo e um homem que segura na mão direita um falcão. Olhando o semblante da estranha figura de pé vestido de verde, percebe-se que é uma pessoa da fronteira, um homem da etnia khitan (qidan), da dinastia Liao (915-1125) ou talvez jurchen. Atrás dele, uma chibata presa no cinto qualifica-o como um cavaleiro. Entre os dois, cavalo e cavaleiro, parece estabelecer-se através do olhar fixo uma intensa cumplicidade, como se a separação entre os dois fosse coisa de momento, mal esperando a hora em que juntos partiriam a galope. Sabe-se que a cada Primavera o princípe de Jin soltava águias e falcões para caçar cisnes e patos selvagens em voo para o Sul, o que fazia da velha pintura a ilustração do cumprimento actual de uma augusta tradição. Na pintura está a assinatura, possivelmente falsa, do seu suposto autor, um pintor da academia de pintura da corte do imperador Ningzong (1168-1224) que reinou entre 1195 e 1224 na dinastia Song, chamado Chen Juzhong com actividade conhecida entre cerca de 1201-30. A ele são atribuídas outras pinturas que aludem à vida estranha das estepes da fronteira Nordeste. Chen Juzhong é, por exemplo, autor de uma pintura (rolo vertical, tinta e cor sobre seda, 147,4 x 107,7 cm, no Museu do Palácio Nacional em Taipé) que mostra um momento da história de Cai Wenji (162-229), uma talentosa poetisa e música que foi raptada pelos nómadas Xiongnu, a quem é atribuído o poema Canções de uma flauta nómada. Nesse melancólico relato percebe-se como após doze anos sofrendo no exílio, lá criou dois filhos que, ao ser resgatada pelo chefe guerreiro Cao Cao, teve de deixar para trás, tornando infindável o seu sofrimento. Noutra pintura que está no mesmo Museu (tinta e cor sobre seda, 36,8 x 54,9 cm) mostra um cavaleiro caçador com o torso voltado para trás montado no seu cavalo, as patas todas no ar, em alta velocidade mostrando como eram vistos aqueles intrigantes estrangeiros. Nota No distante ano 1990, em Pequim, o meu irmão Luís mostrou-me uma pintura de um cavaleiro montado no seu cavalo correndo a toda a brida, as patas todas no ar, sem qualquer referência ao lugar onde. Para meu espanto, ele disse-me que o pintor que a fizera lhe disse que era o seu retrato. Vivi com ele as alegrias da infância em Luanda e a juventude em Lisboa mas depois de uma breve estada em Macau foi viver para Pequim onde durante quase quarenta anos trabalhando na embaixada de Portugal viveu como um estrangeiro. Poderia dizer que foi por causa dele que criei uma proximidade afectiva com a nação que o acolheu e me faz estar sempre a escrever sobre ela mas seria dizer pouco. Para nós os seus seis irmãos, foi o mais límpido exemplo de coragem e generosidade que fez com que a nossa vida fosse mais vida. Está ser dificíl aceitar que desde esta segunda-feira, 23 de Março, já não seja possível ligar o Wechat e conversar com o nosso querido irmão Luís.
Concerto | Wu Bai & China Blue, banda de Taiwan na Galaxy Arena em Junho Andreia Sofia Silva - 30 Mar 2026 São chamados os reis do rock em chinês e a sua longa experiência nos palcos, desde 1992, parece comprovar isso mesmo. Os Wu Bai & China Blue actuam em Macau nos dias 6 e 7 de Junho no âmbito da digressão “Rock Star 2 World Tour”, na Galaxy Arena. Oportunidade para voltar a ouvir clássicos, ou então descobri-los pela primeira vez Macau prepara-se para receber um dos maiores grupos de rock chinês criado nos anos 90. Trata-se dos Wu Bai & China Blue, banda de Taiwan liderada por Wu Bai, nome artístico de Wu Chun-lin, e formada pelos músicos Dean Zavolta na bateria, Yu Ta-hao nos teclados e Chu Chien-hui no baixo. Estes três elementos compõem os China Blue. Com preços que variam entre as 480 e 1.580 patacas, os bilhetes já estão à venda para os dois espectáculos na Galaxy Arena, no Cotai. Wu Bai é considerado o “Rei dos Espectáculos ao Vivo”, ou do rock chinês. Segundo informação disponibilizada pela Galaxy, “Wu Bai e a sua banda, formada em 1992, são celebrados pelo seu estilo rock distinto, letras cheias de paixão e performances com muita energia”. Os dois concertos de Junho marcam o regresso de Wu Bai a Macau depois “de um hiato de dois anos”, destaca a organização. O público pode “testemunhar a sua influência intemporal e a energia incomparável dos espectáculos ao vivo”, da banda. De destacar que a digressão mundial “Rock Star 2 World Tour”, onde se integram estes dois espectáculos, já passou por vários palcos, “recebendo aclamação generalizada e esgotando salas”, é descrito. Nome marcante Segundo o website oficial da banda, “Wu Bai é uma das maiores estrelas de rock do universo da música em mandarim”, sendo que esta aventura pelos palcos começou nos idos anos 90. Além de criar a sua própria música, também compõe para outros artistas, como é o caso de Andy Lau ou Jacky Cheung, só para enumerar alguns. As primeiras músicas de Wu Bai chegaram ao mercado em 1990, com o álbum de compilação “Totally Untuned”, e depois com “Feast”, editado em 1991. “A cena musical taiwanesa notou imediatamente este cantor-compositor único”, lê-se no mesmo website. O público depressa percebeu que Wu Bai “conseguia escrever música e letras tanto em mandarim como no dialecto taiwanês, além de produzir e arranjar a sua própria música”, o que era “algo inédito para um artista taiwanês na época”. Destacavam-se ainda “a habilidade com a guitarra e sonoridades blues e rock, o que impressionou críticos e o público em toda a região”. O primeiro álbum a solo surgiu em 1992, com “To Love Somebody is the Happiest Thing”, sendo que, nesse ano, o China Times Express considerou o disco “o álbum mais inovador do ano”. Depressa percebeu que não podia continuar sozinho em palco e formou os China Blue, “fazendo digressões por várias cidades de Taiwan e trabalhando em bandas sonoras”. Depois, surgiu, em 1994, o segundo álbum, “Wanderer’s Love Song”, com mais de 600 mil cópias vendidas até aos dias de hoje não só em Taiwan como também em Hong Kong, Singapura ou Malásia. Desde 2011, até hoje, Wu Bai continua a subir aos palcos com a mesma energia de sempre e acompanhado pelos China Blue. Os 20 anos de carreira foram celebrados com a digressão “Big Thanks”, enquanto que os 25 anos foram marcados com “South Wind”. Em 2018, chegou a digressão “Rock Star”. Em 2023, Wu Bai lançou um novo disco, que em inglês se pode chamar “The Pure White Starting Point”, não se tratando de um “novo Wu Bai, mas sim de um novo começo”, na vida e como artista. No ano seguinte seria lançada uma colectânea de dois discos intitulada “How To Be a Rock Star – Wu Bai and China Blue”, com canções gravadas ao vivo.
Burla | Detido por enganar empresa em 30 milhões Hoje Macau - 30 Mar 2026 Um cidadão da China foi detido por burlar a empresa onde trabalha em 30 milhões de renminbis, ou seja, cerca de 35 milhões de patacas. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, o suspeito aproveitou-se do cargo que detinha, o de director financeiro da empresa, que opera na área alimentar, para autorizar a mobilização de fundos. O caso foi denunciado pelo representante da empresa em Macau. O homem fingiu ser dono da empresa através da sua conta na rede social WeChat, falsificando conversas na tentativa de enganar os funcionários do departamento financeiro, levando-os a transferir dinheiro para contas designadas. Por volta de Fevereiro deste ano, os funcionários perceberam que o suspeito estava a pedir, por demasiadas vezes, para não ir trabalhar sob pretexto de ficar em Macau, e aí informaram o dono da empresa. Depois de detido, o homem revelou à Polícia Judiciária (PJ) que o dinheiro foi trocado por dólares de Hong Kong com recurso ao câmbio ilegal e que já tinha perdido a maioria no jogo. O caso foi agora encaminhado ao Ministério Público, estando o homem suspeito dos crimes de prática de burla de valor elevado e falsificação informática. A PJ instaurou também processos para acompanhar o paradeiro das pessoas envolvidas no câmbio ilegal de moeda.
Crime | Psicoterapeuta detido por suspeitas de assédio e abuso sexual João Santos Filipe e Nunu Wu - 30 Mar 2026 As alegadas vítimas do profissional de saúde mental, são uma paciente, que durante vários anos se manteve em silêncio por temer que a informação emocional partilhada nas consultas fosse utilizada contra si, e ainda quatro estagiárias, orientadas pelo detido Um psicoterapeuta, com 47 anos, foi detido, por suspeitas de assédio e abusos sexuais, com as vítimas a serem uma paciente e quatro estagiárias. O caso foi divulgado pela Polícia Judiciária (PJ), na sexta-feira, e envolve um residente local. O homem trabalhava numa clínica de terapia há mais de 10 anos e todas as vítimas são residentes locais. No caso das estagiárias, os crimes foram alegadamente cometidos no último ano. O detido, além de psicoterapeuta, era o supervisor dos estágios das vítimas. No caso da paciente, de acordo com o relato da PJ, os alegados crimes terão começado em 2021, quando a vítima procurou ajuda para ultrapassar problemas emocionais. Com a desculpa de que pretendia aliviar o stress da vítima, o psicoterapeuta começou por aplicar uma massagem corporal à paciente, em que colocou as mãos dentro da roupa interior ao nível do peito e na cintura. Apesar do incidente, a vítima não apresentou queixa imediatamente, e afirmou temer que a informação pessoal e emocional recolhida pelo detido fosse utilizada contra si. No entanto, como com o passar dos anos nunca conseguiu ultrapassar a raiva do sucedido, e acabou mesmo por apresentar queixa criminal. Em relação às estagiárias, o orientador é acusado de lhes tocar repetidamente na cintura, ancas e braços, como a desculpa de que as estava a orientar. As estagiárias não apresentaram queixa imediatamente, por temerem represálias ao nível da avaliação. Contudo, depois de comentarem entre si o sucedido, decidiram em conjunto apresentar uma queixa criminal. Instituição protegida Durante a conferência de imprensa, a PJ recusou libertar qualquer tipo de informação relacionada com a clínica, segundo o jornal Ou Mun, utilizando como desculpa o segredo de justiça. A PJ recusou também divulgar se a instituição onde o psicoterapeuta exercia a profissão era pública ou privada, o que foi justificado com o facto de a investigação ainda estar em curso. O homem foi detido no local de trabalho e está indiciado dos crimes de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência, que tem uma pena mínima de um ano e máxima de 10 anos, e de importunação sexual, que prevê uma pena que pode chegar a um ano de prisão. O caso foi encaminhado para o Ministério Público. Associação expressa “raiva” A Associação Geral das Mulheres de Macau afirmou sentir “raiva”, depois do caso ter sido divulgado pelas autoridades. Em comunicado, a associação, através da vice-administradora executiva Chu Oi Lei sublinhou que as vítimas sentiram medo de sofrer retaliações, no momento de apresentarem queixa criminal. Por isso, Chu apelou às vítimas deste tipo de crimes que confiem na capacidade da polícia e não se deixem intimidar, para evitar que os infractores façam mais vítimas. A responsável defendeu também que o Governo se deve coordenar com a população para criar um mecanismo de apoio para dar aconselhamento psicológico e assistência às vítimas destes crimes.
Hotelaria | Taxa de ocupação rondou 95 por cento em Fevereiro Hoje Macau - 30 Mar 2026 A taxa de ocupação média dos hotéis e pensões de Macau fixou-se em 94,6 por cento em Fevereiro, um aumento homólogo de quatro pontos percentuais, indicam dados oficiais. De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o desempenho de Fevereiro superou os 91,6 por cento registados em Janeiro, consolidando a trajectória de recuperação após o sector ter fechado o ano de 2025 com uma ocupação média de 89,4 por cento. Nos dois primeiros meses de 2026, a ocupação média acumulada situa-se nos 93,1 por cento, mais 2,4 pontos percentuais do que em igual período de 2025, com o número total de hóspedes nos dois meses a fixar-se nos 2,47 milhões. Apesar da elevada ocupação, o sector das excursões organizadas apresentou sinais de abrandamento em Fevereiro, com uma queda de 8,6 por cento para 134 mil visitantes. Ao contrário do que aconteceu no primeiro mês do ano, os estabelecimentos hoteleiros registaram uma subida efectiva no número de hóspedes, recebendo 1,22 milhões de pessoas, mais 10,1 por cento em termos anuais. Macau recebeu 4,17 milhões de visitantes em Fevereiro, mais 32,6 por cento do que no mesmo mês de 2025, impulsionados pelos feriados do Ano Novo Lunar, um período alargado de feriados na China continental e um pico turístico para o território, e que teve lugar no final de Fevereiro deste ano.
Expo Turismo | Treze expositores portugueses presentes Hoje Macau - 30 Mar 2026 Treze expositores de Portugal vão marcar presença na 14.ª Expo Internacional de Turismo (Indústria) de Macau, entre 10 e 12 de Abril, anunciaram os organizadores. “A edição deste ano da feira irá reforçar ainda mais a cooperação com os países de língua portuguesa e aproveitar ao máximo o papel de Macau como elo de ligação”, afirmou a directora da Direcção dos Serviços de Turismo de Macau (DST), Maria Helena de Senna Fernandes, durante a conferência de imprensa de apresentação. Em declarações à Lusa após a conferência, a DST confirmou que 13 expositores de Portugal, organizados pela Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), estarão presentes na feira. “Continuamos este ano a nossa parceria com a APAVT e com o Turismo de Portugal. Eles vão realizar eventos promocionais durante este período e, claro, também se reunirão com outros compradores”, afirmou Senna Fernandes. O evento, com duração de três dias e realizado sob o tema “Convergência Global, Horizontes do Futuro”, inclui mais de 130 actividades, entre sessões de promoção turística, fóruns do sector, workshops e espectáculos. De acordo com a DST, os sectores abrangidos pelo evento vão desde a hotelaria e atracções, até transportes, e empresas culturais e criativas, bem como áreas relacionadas com a estratégia de diversificação económica “1+4” do Governo. A estratégia “1+4” é o plano de diversificação económica de Macau que visa reduzir a dependência da indústria do jogo. Envolve o reforço do sector principal do turismo e lazer, ao mesmo tempo que promove quatro indústrias-chave: saúde de precisão, finanças modernas, alta tecnologia e convenções, exposições, comércio e desporto.
Natalidade | Novo recorde negativo atingido em 2025 Hoje Macau - 30 Mar 2026 No ano passado, registaram-se 0,47 nascimentos por cada mulher com idades compreendidas entre 15 e 49 anos, menos 0,11 do que em 2024. O valor necessário para a substituição de gerações é de 2,1. De acordo com os dados da DSEC, a taxa de fecundidade está a cair há 11 anos consecutivos A taxa de fecundidade em Macau voltou a cair em 2025, para um novo mínimo histórico, foi anunciado na sexta-feira, depois da região ter registado em 2024 a taxa mais baixa do mundo. De acordo com dados oficiais divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), Macau terminou o ano passado com 0,47 nascimentos por cada mulher com idades entre 15 e 49 anos, menos 0,11 do que em 2024. A fecundidade no território tem vindo a cair há 11 anos seguidos, para o valor mais baixo desde que a DSEC começou a calcular esta taxa, em 2001, e muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1). Além da queda da fecundidade, um indicador importante para prever a evolução da população, Macau também registou no ano passado 2.871 recém-nascidos, o menor número de nascimentos em quase 50 anos. De acordo com estimativas do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, a região terá tido em 2024 a mais baixa taxa de fecundidade do mundo, seguida de Singapura, com 0,95 nascimentos por mulher. As autoridades de Macau introduziram medidas para incentivar a natalidade, incluindo, em 2025, um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para crianças até aos três anos. Sem efeito O líder do Governo, Sam Hou Fai, aumentou também o subsídio de nascimento, de 5.418 patacas para 6.500 patacas, e o subsídio de casamento, de 2.122 patacas para 2.220 patacas. O Executivo prometeu ainda oferecer gratuitamente mais e melhores creches e lançou uma consulta pública, que terminou em 16 de Março, sobre o aumento no sector privado da licença de maternidade, de 70 para 90 dias. Com menos nascimentos, os idosos de Macau, com 65 ou mais anos – cerca de 105.200 em 2025 – representavam 15,3 por cento da população, mais 0,7 pontos percentuais do que no ano anterior. A população da cidade atingiu 688.900 pessoas no final de 2025, um aumento ligeiro de 0,1 por cento face ao ano anterior, sendo que 80.300 eram jovens até aos 14 anos (11,7 por cento). A população idosa ultrapassou pela primeira vez a dos jovens em 2023, com o Governo de Macau a prever uma “superbaixa taxa de natalidade” ainda esta década e perto de um quarto da população idosa até 2041.
Desemprego | Taxa de residentes mantém-se em 2,2% Hoje Macau - 30 Mar 2026 Entre Dezembro de 2025, e Fevereiro de 2026, a taxa de desemprego dos residentes manteve-se em 2,2 por cento, como tinha acontecido no período anterior, de Novembro de 2025 a Janeiro de 2026. Os dados foram revelados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), na sexta-feira. Em relação à taxa de desemprego dos residentes, há um ano, entre Dezembro de 2024 e Fevereiro de 2025, o valor era de 2,3 por cento. Segundo os dados mais recentes, a taxa global era de 1,7 por cento, igual à do período entre Novembro de 2025 a Janeiro de 2026. Há um ano, a taxa global era superior de 1,8 por cento.
IA | Leong Hong Sai pede mais regulação Hoje Macau - 30 Mar 2026 O deputado Leong Hong Sai defende que é necessário criar legislação específica sobre a Inteligência Artificial, para melhorar a gestão de dados e a protecção dos direitos de autor. O deputado dos Moradores considera que o recente caso de um robô humanóide telecomandado é um dos exemplos de que as actuais leis têm lacunas. Além disso, Leong Hong Sai quer saber como o Governo vai reforçar a supervisão da IA para que o desenvolvimento corresponda aos direitos humanos previstos pela Lei Básica e se evite a divulgação de informações falsas. Quanto à protecção de dados, Leong Hong Sai questionou o Governo como vai garantir que as empresas cumprem a Lei da Protecção de Dados Pessoais.
EPM | IL defende novos horários para exames de acesso ao superior Hoje Macau - 30 Mar 2026 O partido Iniciativa Liberal (IL) apresentou um projecto de resolução que recomenda ao Governo de Portugal a adaptação do regime de exames finais nacionais nas Escolas Portuguesas no Estrangeiro (EPE), para os alunos não serem prejudicados pelo fuso horário. A medida leva em conta que os exames finais nacionais se realizam no mesmo dia e à mesma hora oficial de Portugal continental, incluindo nas EPE. “Esta regra de simultaneidade absoluta cria uma desigualdade para os alunos localizados em fusos horários muito afastados, nomeadamente na Escola Portuguesa de Macau, onde a diferença horária é de mais oito horas face a Portugal continental, e na Escola Portuguesa de Díli, em Timor-Leste, onde a diferença horária é de mais nove horas”, lê-se na exposição de motivos dos Liberais. “A realização de provas de elevada exigência cognitiva em horários desfasados dos ritmos biológicos normais dos alunos pode afectar as condições de desempenho e levanta uma questão de equidade, uma vez que os alunos que realizam o exame nacional o fazem em momentos do dia significativamente diferentes”, prossegue o projecto de resolução. A IL recomenda ao Governo que, no âmbito da organização dos exames finais nacionais do ensino secundário, estude a criação de zonas de exame no estrangeiro, designadamente uma Zona Ásia-Pacífico, abrangendo a Escola Portuguesa de Macau e a Escola Portuguesa de Díli, bem como outros centros com diferença horária igual ou superior a seis horas em relação a Lisboa, definindo calendários e horários adaptados à hora local oficial de cada centro de exame”. O objectivo é que as provas se realizem a partir das 8h e até às 18h.
Comunidades | Anunciadas reuniões quinzenais com a diáspora Hoje Macau - 30 Mar 2026 O Conselho Regional da Ásia e Oceânia (CRAO) promete realizar reuniões a cada 15 dias com a comunidade para “ligar os luso-descendentes da diáspora”. Os moldes dos encontros ainda não foram revelados O Conselho Regional da Ásia e Oceânia (CRAO) do Conselho das Comunidades Portuguesas vai passar a realizar “reuniões quinzenais” com a comunidade e desenvolver “uma ferramenta digital” para “ligar os luso-descendentes da diáspora”, foi anunciado em Macau. O CRAO, que concluiu a primeira reunião presencial do ano, anunciou ainda a eleição de Sara Fernandes, conselheira eleita pelo Círculo da Austrália, para a presidência do conselho regional para o período 2026-2027, mandato que iniciará em 8 de Outubro próximo. O conselho não explicou como vai efectivar as reuniões quinzenais nos vários círculos regionais, nomeadamente China, Austrália e Timor-Leste, remetendo novas informações para “um comunicado”, cuja data de divulgação também não foi anunciada. Em declarações aos jornalistas no final da reunião de dois dias em Macau, o presidente do CRAO, Rui Marcelo, sublinhou o reconhecimento pelo conselho da “diversidade e riqueza” das comunidades regionais, “desde Macau, Hong Kong e China continental, até a Austrália e Timor-Leste”. “Assumimos como missão garantir que as suas vozes sejam ouvidas junto das entidades consulares e das instituições da República”, afirmou. Instado, porém, a explicar se, no âmbito da visita prevista do chefe do Executivo do Governo de Macau, Sam Hou Fai, a Portugal, Espanha e Bruxelas em Abril, o CRAO tinha feito chegar ao Executivo português alguma preocupação da diáspora portuguesa ou dos luso-descendentes em Macau, nomeadamente sobre a questão das restrições de residência impostas aos portugueses desde 2023, Rui Marcelo declinou responder, sob o argumento de que estas questões “são canalizadas” através dos consulados e embaixadas ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. “A comunidade fez-nos chegar essas preocupações, é algo que está no âmbito do diálogo que tem havido e que está sob a responsabilidade do senhor cônsul-geral de Portugal em Macau e é ele o interlocutor para estas questões”, disse. “Nós, enquanto conselheiros, poderemos dar algumas sugestões, poderemos veicular algumas preocupações, mas relativamente a essa questão não nos podemos sobrepor”, acrescentou. “Somos um órgão consultivo e, como tal, actuamos neste sentido”, disse ainda Rui Marcelo. Problemas identificados Um relatório produzido pela Comissão dos Negócios Estrangeiros do Parlamento português, após uma visita a Macau, Hong Kong e Timor-Leste no final de 2025 e divulgado em Janeiro último, deu conta das dificuldades levantadas pelas alterações – desde 2023 – do regime de atribuição do Bilhete de Identidade de Residente (BIR) pela Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), criando obstáculos acrescidos ao recrutamento de trabalhadores portugueses. O relatório assinalou ainda atrasos significativos nos processos de atribuição da nacionalidade portuguesa em Macau e na emissão de passaportes pelo Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) local, com casos que podem demorar entre um e cinco anos. A substituição de magistrados, professores e médicos que regressam a Portugal foi igualmente identificada pela comissão parlamentar como um problema com impacto directo na comunidade portuguesa em Macau. Estas questões deverão ser objecto de análise pela sétima reunião da Comissão Mista Portugal-Macau, a primeira desde 2019, antes da pandemia de covid-19, prevista para Abril em Lisboa.
Hengqin | Sam Hou fai quer ver espírito das duas sessões Hoje Macau - 30 Mar 2026 O Chefe do Executivo exigiu que o espírito das “duas sessões”, as reuniões da Assembleia Popular Nacional e do Conselho Consultivo Político do Povo Chinês, seja implementado na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. A exigência foi deixada durante uma reunião da Comissão de Gestão da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. “As ‘Duas Sessões’ e o 15.º Plano Quinquenal Nacional incluíram a Zona de Cooperação Aprofundada, concretizando os discursos e instruções importantes do Presidente Xi Jinping sobre a exploração de Hengqin e o desenvolvimento de Hengqin e Macau em plano de acção de nível nacional, dando orientações claras e maiores oportunidades para uma cooperação de nível elevado entre Guangdong e Macau e de um desenvolvimento de alta qualidade entre Hengqin e Macau”, indicou Sam. Moradores | CE pede mais patriotismo O Chefe do Executivo pediu aos Moradores que insistam no espírito do patriotismo e deixou a esperança de que a associação contribua para “salvaguardar com firmeza os valores essenciais do amor pela Pátria e por Macau, demonstrando sempre uma boa postura”. “Deve transmitir e promover a tradição de excelência do amor pela Pátria e por Macau, potenciando melhor o seu papel orientador dos valores sociais”, afirmou Sam Hou Fai, durante o discurso de celebração do 42.º aniversário e festa da primavera da União Geral das Associações dos Moradores de Macau. Tendo o patriotismo como objectivo primeiro, Sam indicou que a associação também deve “cuidar de forma atenciosa os grupos mais vulneráveis, refinar e aprofundar os serviços em prol do bem-estar da população”, em colaboração com o Governo.
Combustíveis | Governo pede estabilização dos preços após aumentos Hoje Macau - 30 Mar 2026 O Governo apelou ao sector petrolífero do território que estabilize os preços dos combustíveis, na sequência de aumentos entre os 7,3 e 9,2 por cento, motivados em parte por tensões geopolíticas no Médio Oriente. Em comunicado emitido na noite de quinta-feira, o Grupo de Trabalho para a Fiscalização dos Combustíveis da cidade informou ter realizado uma reunião com representantes do sector em que explicaram que os preços do petróleo bruto a nível internacional têm “registado grandes flutuações” e que “o preço de venda a retalho dos combustíveis em Macau tem sido ajustado em consequência do aumento dos preços internacionais”. De acordo com o mais recente relatório do Conselho de Consumidores sobre os preços dos combustíveis publicado na quinta-feira, é indicado que a gasolina premium numa estação de serviço Esso registou um aumento de 7,3 por cento, sendo agora vendida a 19 patacas por litro, contra 17,7 patacas na actualização anterior. Numa gasolineira da Shell, o preço subiu 9,2 por cento, para 18,94 patacas por litro, face às 17,34 patacas anteriores. As autoridades sublinharam na reunião a expectativa de que o sector continue a assumir a sua responsabilidade social, colaborando para estabilizar os preços dos produtos petrolíferos, de forma a aliviar os encargos dos cidadãos, e ofereça diversos tipos de benefícios aos consumidores. Entretanto, o sector petrolífero afirmou que os stocks e o abastecimento de combustíveis em Macau estão estáveis e “garantem um abastecimento suficiente.
Consumo | Anunciada nova ronda do Grande Prémio João Santos Filipe - 30 Mar 2026 O novo programa anunciado pelo Governo prevê a distribuição de 400 milhões de patacas, em cupões com valores que podem chegar até às 200 patacas. O sorteio dos cupões é realizado entre sexta-feira e domingo, e os descontos podem ser utilizados entre segunda e quinta-feira O Governo anunciou o lançamento de uma nova ronda do Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias, que tem como principal novidade o facto de os cupões para gastar no comércio local passarem a ser atribuídos aos fim-de-semana e serem utilizados durante os dias úteis. O anúncio foi feito na sexta-feira, em conferência de imprensa, e a iniciativa tem como objectivo “dinamizar o ambiente de consumo nas zonas comunitárias” e ao mesmo tempo estimular “a confiança no mercado”. A nova ronda do programa de consumo vai decorrer entre 10 de Abril e 18 de Junho, ao longo de 10 semanas, e vai distribuir um total de 400 milhões de patacas em cupões de consumo. Segundo Cheang Hio Man, directora substituta da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) as regras foram ajustadas para incentivar “os residentes a permanecer e consumir em Macau durante os fins-de-semana para obter benefícios”. O Governo tenta assim evitar as deslocações da população para o Interior, onde os serviços oferecem preços mais baratos. Cheang Hio Man explicou que com o novo modelo espera-se que “os benefícios cheguem a um maior número de diferentes PME” para reforçar “o efeito impulsionador global, o que contribui para estimular ainda mais o ambiente de consumo local, bem como promover a circulação económica interna local”. Sorteios ao fim-de-semana Segundo o modelo apresentado, quando, entre sexta-feira e domingo, os consumidores utilizam meio de pagamento electrónicos para pagamentos superior a 50 patacas ficam habilitados a três sorteios imediatos de atribuição de vales de consumo com descontos. No entanto, as carteiras virtuais nas aplicações electrónicas de pagamentos têm de estar registadas com o nome real. No caso de receberem cupões com os três sorteios, os consumidores vão poder utilizar os descontos entre segunda-feira e quinta-feira. Além desta alteração, os titulares do Cartão de Registo de Avaliação da Deficiência passam a obter o desconto imediato adicional, no valor de 500 patacas, através do Cartão Macau Pass para Deficientes. Com esta alteração deixam de precisar de levantar o Cartão de Cuidados Sociais. Os cupões têm valores de 10 patacas, 20 patacas, 50 patacas, 100 patacas e 200 patacas e podem ser utilizados em mais de 20 mil lojas. Para utilizarem os cupões, os residentes têm de fazer compras com um valor igual ou superior ao triplo do valor nominal do cupão, ou seja, se quiserem gastar um cupão de 10 patacas têm de fazer compras de pelo menos 30 patacas. Todos os cupões de desconto expiram à meia-noite da 6.ª feira imediatamente a seguir da semana da obtenção.
“Cão-robô” testado pela CEM na rede energética de Macau Hoje Macau - 27 Mar 2026 A companhia responsável pelo fornecimento de energia em Macau indicou ontem à Lusa ter começado a testar o uso de robôs para garantir a segurança da rede do território. Segundo Sou Kit Hou, um representante da Companhia de Electricidade de Macau (CEM), a empresa adquiriu um robô quadrúpede, ou “cão-robô”, de fabrico chinês que tem sido testado nos últimos seis meses. Este “cão-robô” está equipado com imagens térmicas de infravermelhos e câmaras de alta-definição que permitem a detecção de falhas nos equipamentos e a emissão de alertas em tempo real. “O robô foi colocado numa sub-estação, através de uma câmara instalada nele podemos controlar a temperatura dos geradores à distância e se estão a sobreaquecer. Podemos também fazer o controlo das pessoas que lá estão, se estão autorizadas”, contou Sou à Lusa durante o Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau 2026 (MIECF na sigla inglesa). “Desse modo, podemos controlar a segurança da rede de energia, e ele trabalha 24 horas sem parar. Por agora só temos um, mas se os testes forem bons vamos adquirir mais”. Planos futuros A rede de transporte de energia eléctrica de Macau tem 29 subestações de alta tensão, onde têm sido realizados os testes com o novo “cão-robô”, adquirido através de um acordo com uma subsidiária de Guangzhou da companhia de energia estatal China Southern Power Grid International. “De futuro poderemos utilizá-los na central de energia ou até na rua. No interior da China já é comum utilizar robôs para estas funções, os seus usos são quase ilimitados”, apontou Sou. A China tornou-se o pioneiro mundial em inovação e comercialização de drones e robôs, bípedes e quadrúpedes, com a indústria a receber forte apoio estatal. Robôs quadrúpedes chineses, desenvolvidos por empresas como a Unitree Robotics e a DEEP Robotics, começaram a ser amplamente utilizados em inspeções industriais, patrulhas de segurança, resgates de emergência e aplicações militares. A Unitree ganhou proeminência depois dos seus robôs humanoides aparecerem na gala do ano novo lunar da televisão estatal CCTV, o maior evento televisionado do país, a realizar movimentos complexos e de artes marciais. Em Agosto do ano passado, um robô quadrúpede da Universidade de Zhejiang, no leste da China, completou uma corrida de 100 metros em 16,33 segundos, um novo recorde mundial do Guinness. Só as vendas de robôs humanoides chineses devem ultrapassar 23 milhões de unidades até 2040, um aumento considerável para as 28.000 unidades previstas para este ano, segundo analistas do Morgan Stanley em Janeiro.
Brasil | Centro sino-lusófono abre gabinete em Junho Hoje Macau - 27 Mar 2026 Um novo centro de serviços económicos entre a China e os países lusófonos e hispânicos vai abrir em Junho um gabinete no Brasil, com outra delegação planeada para Portugal, disse ontem à Lusa uma dirigente. A vice-coordenadora do Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola, conhecido como CECP, anunciou que o gabinete no Brasil já foi registado. Ng In Cheong acrescentou que outra delegação deverá abrir no México “no Outono”, enquanto os trabalhos para abrir um gabinete em Portugal – que também cubra a vizinha Espanha – “estão a progredir”. A dirigente falava à margem de uma visita de jornalistas de Macau ao CECP, que foi criado em Dezembro, na vizinha zona económica especial de Hengqin (ilha de Montanha), no município de Zhuhai. Nesse mesmo mês, o líder do Governo de Macau, Sam Hou Fai, revelou que o novo centro já estava a operar, disponibilizando serviços “a nível jurídico e contabilístico” a empresas estrangeiras. O centro trabalha ainda com o Fundo de Orientação Industrial para atrair empresas para Hengqin. O valor do fundo foi em Janeiro reforçado de 10 para 30 mil milhões de yuan, disse Ng In Cheong. Visita a Portugal Sam Hou Fai, o primeiro Chefe do Executivo da região chinesa a dominar a língua portuguesa, irá visitar Portugal e Espanha entre 17 e 23 de Abril, na primeira deslocação internacional desde que tomou posse, no final de 2024. Ng In Cheong disse que o líder de Macau irá ser acompanhado por “mais de uma dúzia” de companhias locais e da China continental, incluindo perto de uma dezena já com operações em Hengqin. O objectivo, explicou a dirigente, é ajudar os grupos chineses a “compreender o mercado local, realizar inspecções no terreno [e] entrarem em contacto com as autoridades e as empresas locais”. Ng deu como exemplo uma empresa de Pequim que produz “instrumentos oftalmológicos de alta precisão”, já usados para cirurgias no Hospital Kiang Wu, em Macau. A companhia “quer mesmo expandir-se para o mercado português e abrir uma fábrica em Portugal”, sublinhou a directora-adjunta da Direção de Assuntos Jurídicos da zona económica especial. Durante a visita de Abril, o CECP pode ajudar a encontrar terrenos para a fábrica, identificar potenciais parceiros, recrutar pessoal, registar uma sucursal e contratar “advogados de confiança”, disse Ng. A dirigente disse que Portugal é, para as empresas chinesas, “um ótimo ponto de partida para a expansão no mercado europeu”, porque os custos são mais baixos, mas os portugueses são “altamente qualificados”. Reportagem de Vítor Quintã, agência Lusa, que viajou a convite da Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin
As acções valem mais do que as palavras Paul Chan Wai Chi - 27 Mar 2026 O Festival Anual das Flores de Hong Kong é um evento que aguardo sempre com ansiedade. Este ano, o número de expositores é sensivelmente o mesmo dos anos anteriores. No entanto, o clima que se vive no Festival de 2026 parece ser menos vibrante e menos animado do que nos anteriores. Por exemplo, a zona dos canteiros de tulipas, que costuma ser a maior atracção para visitantes e fotógrafos, diminuiu de tamanho em cerca de 25 por cento e a variedade de cores também é menor do que a do ano passado. A disposição geral da exposição tende a seguir um desenho mais convencional, com uma escassez da presença das grandes peças de design floral que eram comuns nas edições anteriores. O evento realizado no Victoria Park é o melhor testemunho para “contar boas histórias sobre Hong Kong”. A frase “passar da estabilidade à prosperidade” não pode ser apenas uma sucessão de palavras ou de ideias, é preciso que se torne real através de acções concretas para que seja verdadeiramente inspiradora. Em 2027 comemorar-se-á o 30.º aniversário do regresso de Hong Kong à soberania chinesa. Espero que o próximo Festival de Flores nos traga uma surpresa agradável, que demonstre a implementação bem-sucedida do princípio “Um País, Dois Sistemas” através de resultados factuais. A proposta de lei intitulada “Comissão de Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau” (adiante Lei da CDSE) foi apreciada na especialidade e aprovada por unanimidade pela Assembleia Legislativa em 19 de Março de 2026, e foi promulgada através de publicação no Boletim Oficial, tendo entrado em vigor a 24 de Março de 2026. Além disso, o Regulamento Administrativo complementar n.º 7/2026 “Organização e Funcionamento do Secretariado da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau” também entrou em vigor a 24 de Março de 2026. A aprovação por unanimidade da Lei da CDSE na Assembleia Legislativa durante a apreciação e votação na especialidade, com “zero objecções” nos princípios fundamentais e nos pormenores técnicos, é extremamente rara na história legislativa de Macau. Alguns jornalistas acreditam que esta fenomenal apreciação e votação na especialidade reflecte a eficácia da aplicação do conceito “Macau governada por patriotas” às eleições para a Assembleia Legislativa. Este princípio serve para determinar a legalidade, necessidade e legitimidade daqueles que se registam para concorrer às eleições para a Assembleia Legislativa, por isso quem “não defenda a Lei Básica ou não seja fiel à RAE de Macau da República Popular da China” será desqualificado para concorrer a estas eleições. “Zero objecções” é certamente bom e representa a total cooperação entre os poderes executivo e legislativo. No entanto, a ausência de pessoas que colocam questões não significa a ausência dos problemas. A investigação sobre o desastroso incêndio em Wang Fuk Court, um arranha-céus no distrito de Tai Po, Hong Kong, levada a cabo pelo “Comité Independente para a investigação do fogo no Wang Fuk Court em Tai Po”, está em curso. Até ao momento, foi apurado que a falta de supervisão adequada pode ter tido consequências desastrosas. O alarme de incêndio estava desligado e o sistema de mangueiras do edifício não tinha água! Em 2025, os Serviços de Saúde sob a alçada da Secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura só publicaram os dados estatísticos dos suicídios em Macau referentes aos dois primeiros trimestres. No primeiro trimestre foram registados 18 casos de morte por suicídio, menos quatro do que em igual período de 2024; no segundo trimestre registaram-se 22 casos, menos dois do que em igual período de 2024, o que perfaz um total de 40 casos de morte por suicídio na primeira metade de 2025. No entanto, se a situação na segunda metade de 2025 “continuou” a “melhorar” permanece um mistério devido à falta de dados. Por outro lado, nos dados estatísticos publicados pelo Secretário para a Segurança referentes à segunda metade de 2025, não são referidos os casos de morte por suicídio e os casos de tentativa de suicídio. Será que a ausência de dados oficiais sobre os casos de morte por suicídio significa que Macau entrou na era de “Macau Feliz”? Nenhum deputado fez qualquer interpelação oral ou escrita relativa a estes “números desaparecidos”! Para garantir que a população de Macau possa viver feliz, é necessário procurar formas de melhorar as suas condições de vida. Em vez de apenas “contar boas histórias sobre Macau”, é preciso enfrentar a insuficiência olhos nos olhos e proceder sempre correctamente.