Autocarros | Avaliação trimestral em Abril

A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) realiza no próximo mês de Abril mais um inquérito trimestral de avaliação do serviço de autocarros públicos, e que se refere ao primeiro trimestre deste ano. A população poderá comentar, em diversas plataformas digitais, indicadores como “serviço e gestão”, meios e equipamentos de transporte e segurança” ou ainda “grau de satisfação dos passageiros”.

A DSAT explica, em comunicado, que no “grau de satisfação dos passageiros” haverá “seis meios para a recolha de opiniões”, representando esta parte “40 por cento da pontuação total da avaliação”.

Emprego | Novo programa tem 12 vagas

Começam hoje as candidaturas para mais um programa de formação profissional e emprego levado a cabo pelo Governo, nomeadamente a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), em parceria com a Sands China. Destinado apenas a residentes, o programa disponibiliza 12 vagas de emprego, recebendo os candidatos primeiro a formação durante 15 meses, ficando depois com o emprego. Há lugares para posições como “Supervisor específico em serviços de mordomo” ou gestor de clientes, entre outras.

Haverá ainda a hipótese de fazer um intercâmbio no Marina Bay Sands, em Singapura, propriedade da Sands China, a fim de “alargar a visão internacional e experiência prática” dos candidatos, destaca um comunicado da DSAL. O processo de candidaturas pode ser feito até ao dia 13 de Abril. Haverá, no dia 23 de Abril, uma palestra para esclarecimento dos candidatos.

Deficiência | Pedidos para subsídio a partir de quarta-feira

Começa esta quarta-feira, 1 de Abril, o prazo para a apresentação de pedidos para o subsídio complementar aos rendimentos do trabalho para trabalhadores portadores de deficiência, relativamente ao primeiro trimestre deste ano.

Segundo uma nota da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), os pedidos podem ser submetidos até 30 de Abril, estando abrangidos os trabalhadores portadores do cartão de registo de avaliação da deficiência válido emitido pelo Instituto de Acção Social (IAS), devendo estes ter um número total de horas de trabalho mensal inferior a 128.

Outro critério para atribuição de apoio, é ter um rendimento de trabalho mensal inferior a 35 patacas por hora, ou quando o número de horas de trabalho seja igual ou superior a 128 horas. Outro critério ainda a considerar, é o rendimento de trabalho mensal ser inferior a 7280 patacas.

Saúde mental | Governo anuncia plano concertado

Foi apresentado ontem, através de diversos organismos públicos, um novo plano de acção conjunta pensado para a área da saúde mental, que visa juntar a parte educativa com a cultura, sem esquecer os idosos. O referido plano intitula-se “Construir uma rede de resiliência psicológica: da cognição à acção”, e, segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, consiste numa plataforma operada entre os Serviços de Saúde (SS), Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e Instituto de Acção Social (IAS), bem como o Instituto do Desporto (ID).

Na conferência de imprensa de ontem, o director interino do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Tai Wa Hou, disse que será estabelecido “um mecanismo interdepartamental” entre estes serviços, com a promessa de uma “cooperação estreita e sem barreiras, promovendo-se a articulação de recursos e partilha de casos”.

O objectivo é também “formar uma rede de apoio que abranja todas as faixas etárias”, sendo que os SS já dispõem “de um mecanismo de intervenção por fases para problemas de saúde mental”, apontou. Este passa pela “prevenção precoce, apoio ao nível comunitário, psicoterapia ao nível dos centros de saúde, e, ao nível especializado, tratamento medicamentoso e internamento”, sem esquecer a ajuda “na reintegração social dos pacientes em recuperação”.

Numa nota oficial divulgada em língua portuguesa depois do fecho da edição, foi referido que, “no apoio a grávidas e puérperas”, os SS e o IAS adoptam o modelo de “cooperação médico-social”, sendo que, desde Novembro do ano passado, trabalharam com 12 centros de saúde e 13 centros de serviços integrados familiares “para prestar serviços de encaminhamento e globais, promovendo actividades de aprendizagem de ciclo completo e planos de incentivo”. Foram ainda criadas seis “creches de capacitação” para “reforçar o apoio na criação dos filhos”. No que se refere aos serviços de apoio a pessoas em reabilitação psicossocial e famílias, o Governo disse que “são facultadas cerca de 1.600 vagas em 11 instalações de reabilitação, que incluem alojamento e reabilitação diurna”.

Citada pela Lusa, Choi Ka Man, assessora principal de psicoterapia dos SS, disse que se alguém “se sentir em baixo há mais de duas semanas e não conseguir comer ou dormir, deve procurar ajuda”.

Tai Wa Hou explicou também que muitos residentes ainda receiam procurar cuidados psiquiátricos com medo de “ser estigmatizados”, enquanto outros desconhecem que condições como “ansiedade, insónia ou humor persistentemente baixo” podem melhorar com intervenção profissional.

“Estes conceitos errados criam barreiras invisíveis que impedem as pessoas de procurar ajuda”, sublinhou Tam, na mesma conferência. “É importante compreender que os problemas de saúde mental não são defeitos de carácter nem um sinal de fraqueza”, disse. Segundo Tai Wa Hou, existem em Macau nove centros de saúde e três organizações comunitárias que oferecem serviços de aconselhamento psicológico e cuidados de saúde aos residentes.

Mais livros e informações

Choi Man Chi, chefe do Departamento de Educação Não Superior da DSEDJ, apresentou o que já foi feito nesta área, nomeadamente a publicação de “materiais didácticos de educação para a saúde mental” e “recursos educativos sobre saúde mental dos jovens”, que já estão a ser aplicados nas escolas do ensino pré-escolar, primário e no ensino secundário inferior.

O responsável indicou que no segundo trimestre deste ano “serão lançados materiais também para o ensino secundário superior”, e referiu que serão formados professores “para a utilização destes materiais”, além de se “promover a realização regular de aulas de educação para a saúde mental nas escolas”.

No que diz respeito à preservação da saúde mental ao nível dos idosos, Iu Ka Wai, do IAS, afirmou que “está em curso a coordenação de avaliações domiciliárias e acompanhamento de casos identificados como sendo de risco”, tendo por base o inquérito realizado a idosos que vivem sozinhos, ou em famílias pequenas. Segundo noticiou a rádio, está também a ser preparado o “Pacote Informativo de Serviços de Cuidados a Idosos”.

Apesar de questionados pela Lusa, os SS não deram números concretos de quantos residentes receberam ou procuraram tratamento psicológico ou psiquiátrico. Em 2025, foram registados 91 casos de suicídio no território, que conta com apenas 689 mil habitantes, segundo dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), um dos números mais elevados de sempre na cidade. Com Lusa

As mil maneiras de celebrar o amor (II)

A semana passada, falámos sobre as origens do Dia Branco de São Valentim no Japão. Ninguém estava à espera que a promoção de uma confeitaria, incentivando os homens a oferecerem no dia 14 de Março algodão doce às suas amadas — como forma de retribuir os chocolates que receberam no Dia de São Valentim (14 de Fevereiro) — se viesse a tornar o “Dia do Algodão Doce” e posteriormente o “Dia Branco de São Valentim”, que presentemente continua a trazer doçura e afecto aos namorados.

Gostaria agora de partilhar com os nossos leitores quatro histórias relacionadas com o Dia Branco de São Valentim. A primeira vem do Texas, EUA. Uma jovem de 21 anos soube que o namorado, que estava numa missão militar, ia fazer uma escala de meia hora no Aeroporto de Dalas e que não podia sair da área restrita. Gastou 70 dólares americanos (cerca de 560 patacas) em transportes e passou pela segurança, só para estarem juntos por 30 minutos antes de ele partir. Este acto é uma demonstração da devoção mais sincera numa relação apaixonada —nem o tempo nem a distância são mais fortes que o amor.

A segunda passou-se em Taiwan, na China. No Dia Branco de São Valentim, o músico Koo Chun-yeop disse que amor é cozinhar para a pessoa que se ama. Recentemente, quando a sua mulher Barbie Hsu (Da S) esteve adoentada, ficou em casa para tratar dela. Para ele, o significado mais profundo deste dia é celebrar quem nos dá abrigo durante as tempestades da vida, certificando-se que comemos e dormimos bem. Uma simples refeição caseira, um terno momento de companheirismo—são estas as mais raras formas de romance do mundo inteiro.

A terceira história de amor vem de Taiwan, na China. Este ano, no Dia Branco de São Valentim, 36 casais que celebraram as bodas de ouro e de diamante, partilharam os segredos das suas relações. Aos seus olhos, o amor duradouro não vive de grandes gestos, mas sim de compreensão mútua e de tolerância no dia a dia, criar pequenas surpresas para o outro é a chave de uma relação que resiste ao teste do tempo.

A quarta história de amor é ainda mais merecedora de ser partilhada. Linda, de 78 anos, e Michael, de 77, estão casados há 39 anos. No passado dia 10 de Janeiro, realizaram uma segunda cerimónia de casamento, celebrada pela filha de Michael. O motivo da confirmação da união é profundamente comovedor: Michael, que sofre de Alzheimer, foi gradualmente esquecendo-se de muitas pessoas e de muitas coisas, chegando a não reconhecer a esposa. No entanto, certo dia, pegou-lhe ternamente na mão e voltou a fazer a mesma pergunta de há trinta e muitos anos: “Casas comigo?”

Linda respondeu sem hesitar, “Sim.”

Linda e Michael casaram-se em 1987. Tendo ambos sido anteriormente casados, ainda prezaram mais esta união. Há sete anos, a doença de Michael piorou, deixando-o incapaz de tomar conta de si próprio e com a memória muito afectada. Apesar disso, continuava a abraçar e a beijar Linda, dizendo-lhe frequentemente, “Amo-te.”

A confirmação do casamento trouxe uma breve alegria e emoção. Michael foi levado de volta para o quarto pelos seus cuidadores, enquanto Linda chorava de tristeza. A realidade pode ser cruel, as memórias vão-se apagando, mas o amor profundamente enraizado nos seus corações nunca foi eliminado pela doença. Michael esqueceu-se de tudo, mas ainda se lembra de amar Linda. Esta é a expressão mais comovedora de “És o meu coração, tenho saudades tuas.”

Desde o encontro fugaz e apaixonado no aeroporto até à valorização da ternura e do companheirismo no dia a dia; desde a compreensão mútua ao longo de meio século até ao profundo afecto que permanece mesmo depois de tudo ser esquecido, o significado do Dia Branco de São Valentim há muito que transcendeu o lado comercial, tendo-se tornado uma oportunidade para repensarmos o amor.

O amor não é imutável: na juventude, é imprudência e inquietação; na meia idade, é abrigo e protecção; com a passagem dos anos, torna-se tolerância e preocupação; e, face à doença, a promessa de devoção inabalável. Agora, vou pedir emprestada ao cantor de Hong Kong, Sammi Cheng, uma parte da letra na canção “Tacit Understanding” para finalizar estes momentos emocionantes:

“Desde o início até ao fim, só tu e o teu insubstituível e meticuloso amor. Olhando os teus olhos em silêncio, sinto-me reconfortado. Como podemos prever o amanhã? Contigo, há compreensão e amor para a vida. Tornas tudo perfeito; Quem se pode comparar a ti? És tudo para mim.” O verdadeiro amor não vive de dias especiais, nem de doces ou bolinhos, mas do entendimento tácito das refeições partilhadas e da devoção inabalável.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macaue a ir
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
cbchan@mpu.edu.mo

Ténis de mesa | Fu Yu perde jogo inaugural da Taça do Mundo

A atleta luso-chinesa, Fu Yu, perdeu ontem o seu encontro inaugural da Taça do Mundo de ténis de mesa, organizado em Macau, contra a chinesa Wang Manyu, segunda do ranking mundial. A mesa-tenista de 47 anos e atual 48.º no ranking mundial feminino, perdeu os três sets contra Wang por 11-5, 11-4, e 11-6. A única representante de Portugal joga na quarta o segundo e último jogo do seu grupo contra a indiana Sreeja Akula.

O torneio inclui 16 grupos de três jogadores no escalão feminino, e apenas os primeiros de cada grupo passam à próxima fase. Nascida na província chinesa de Hubei em 1978, Fu foi jogar para Portugal em 2001, naturalizando-se em 2013 quando começou a competir pelo país.

Conquistou a medalha de ouro no torneio individual feminino dos Jogos Europeus de 2019, em Minsk, a primeira de Portugal na modalidade, e esteve presente nas olimpíadas no Rio 2016, Tóquio 2020, e Paris 2026. Em Fevereiro deste ano foi eliminada na segunda ronda do Smash de Singapura, depois de perder com a alemã Sabine Winter.

A Taça do Mundo organizada na Galaxy Arena vai decorrer até 05 de Abril pelo terceiro ano consecutivo, depois de uma pausa de quatro anos devido à pandemia de covid-19. O torneio irá distribuir prémios totais no valor de um milhão de dólares.

A competição reúne 48 dos melhores atletas masculinos e femininos da modalidade, incluindo o chinês Wang Chuqin, actual líder do ranking, o brasileiro Hugo Calderano que em 2025 se tornou o primeiro não asiático ou europeu a vencer a Copa do Mundo, e a chinesa Sun Yingsha, também a defender o seu título na edição deste ano. A atleta de Macau, Leong On Na, perdeu o seu jogo inaugural contra a mesa-tenista taiwanesa, Cheng I-ching, por 3-1.

Futebol | Selecção de Macau sofre 14.ª derrota seguida

A sequência negativa da selecção local mantém-se após a derrota pesada de 6-0 sofrida contra a Tanzânia

A selecção de futebol masculina de Macau perdeu com a Tanzânia, por 6-0, para a segunda edição da FIFA Series, e continua sem vencer em jogos oficiais há quase sete anos. Num jogo disputado no domingo à noite, na capital do Ruanda, a equipa africana marcou logo aos 16 minutos, num autogolo de Amâncio Goitia, jogador do Benfica de Macau.

Kigali está a acolher duas séries da FIFA Series, uma competição amigável para selecções. No Estádio Amahoro, a Tanzânia voltou a marcar aos 26 minutos, pelo defesa Bakari Nondo Mwamnyeto, com o médio Mudathir Yahya a apontar o terceiro golo mesmo em cima do intervalo.

A toada manteve-se na segunda parte, com o avançado Paul Peter a bater o guarda-redes de Macau Lei Wa Si pela quarta vez, aos 56 minutos, antes do médio Novatus Miroshi marcar aos 74 minutos. A selecção africana – no 112.º lugar do ranking da FIFA – fechou o marcador em 6-0 a três minutos do final do tempo regulamentar, através do avançado Tarryn Allarakhia.

Não sou o último

Macau está na 193.ª posição do ranking mundial da FIFA, composto por 210 equipas. Entre os países ou regiões de língua oficial portuguesa, apenas Timor-Leste se encontra atrás do território chinês, em 198.º.

Macau contou no onze titular com Nuno Pereira, jogador do Portimonense, da II Liga, que foi o único futebolista a actuar no estrangeiro entre os 25 jogadores convocados. Este foi o 14.º jogo oficial sem vencer para Macau, desde Junho de 2019, quando Filipe Duarte, formado no Benfica, garantiu a primeira vitória da selecção em qualificações para campeonatos do mundo, ao bater o Sri Lanka por 1-0, em casa.

Mas a equipa acabou desqualificada, uma vez que a Associação de Futebol de Macau decidiu não disputar a segunda mão no Sri Lanka, após mais de 250 pessoas terem morrido em ataques bombistas, em Abril de 2019. Depois da pandemia, Macau foi das últimas selecções a regressar aos jogos, em Março de 2023, após uma pausa de quase quatro anos imposta pela política de ‘zero covid’, que incluía a restrição das entradas e quarentenas que chegaram a ser de 28 dias.

O treinador luso-angolano Lázaro Oliveira deixou a equipa em Setembro de 2024, após duas derrotas contra Brunei, que eliminou Macau da qualificação para a Taça Asiática de 2027. Desde Agosto de 2024 que a FIFA proibiu jogadores sem o passaporte de Macau – apenas atribuído a cidadãos chineses com estatuto de residente permanente – de representarem a região semiautónoma.

A decisão impediu pelo menos cinco portugueses de continuarem a jogar por Macau, incluindo o capitão da seleção, o luso-sul-africano Nicholas Torrão, e Filipe Duarte, formado no Benfica e antigo internacional jovem por Portugal. Na altura, uma porta-voz da Associação de Futebol de Macau disse à Lusa que iria “de certeza voltar a tentar” reverter a decisão, mas excluiu a possibilidade de levar o caso ao Tribunal Arbitral do Desporto, na Suíça.

Timor-Leste | Grupo empresarial lança construção de parque industrial

A empresa Esperança Timor Oan (ETO) iniciou ontem em Manatuto, a leste de Díli, a construção de um parque industrial para promover o desenvolvimento da indústria em Timor-Leste e reduzir a dependência das importações.

“A intenção deste investimento não é apenas realizar actividade empresarial, mas reflecte um forte compromisso da ETO em contribuir para a diversificação da economia de Timor-Leste, alinhado com a visão estratégica do Governo para o desenvolvimento económico e o Plano Estratégico de Desenvolvimento Nacional”, afirmou o director-executivo da ETO, Nilton Gusmão.

Nilton Gusmão, que falava na cerimónia de lançamento da primeira pedra do Parque Industrial ETO, afirmou que o projecto pretende diversificar a economia ao apostar em sectores produtivos que vão criar empregos para os timorenses.

“Acreditamos que, através de investimentos contínuos e estratégicos, é possível construir uma economia mais forte, diversificada e sustentável”, disse o director-executivo da ETO. O grupo vai investir entre 13 e 15 milhões de dólares na construção de cinco unidades industriais, que deverão criar directamente cerca de 700 postos de trabalho e 1.300 empregos indiretos.

O parque industrial vai incluir uma fábrica de produção de caixas, uma fábrica de estruturas metálicas do tipo ‘H-Beam’ (em forma da letra H), uma fábrica de sardinha enlatada, um matadouro moderno com unidade de processamento de carne e uma unidade industrial para processamento de arroz. A construção deverá estar concluída em agosto de 2027.

Japão pondera “medidas decisivas” com iene no nível mais baixo desde 2024

Tóquio informou ontem que considera tomar “medidas decisivas” face à desvalorização do iene, que caiu para 160 unidades por dólar, o nível mais baixo em mais de 18 meses, devido à subida dos preços do petróleo.

“Estamos a constatar que a especulação está a aumentar no mercado cambial, para além do mercado de futuros do petróleo. Se esta situação persistir, em breve serão necessárias medidas decisivas”, declarou o vice-ministro das Finanças para Assuntos Internacionais do Japão, Atsushi Mimura, citado pelo jornal económico Nikkei.

O principal diplomata japonês em matéria de divisas utilizou, pela primeira vez desde que assumiu o cargo em Julho de 2024, o termo “decisivo”, uma expressão que os operadores costumam interpretar como um sinal de que as autoridades estão dispostas a intervir.

As declarações de Mimura, que constituem o aviso mais enérgico até ao momento sobre uma possível intervenção, surgem depois de o iene ter atingido na sexta-feira, em Nova Iorque, o nível mais baixo desde Julho de 2024, altura em que as autoridades japonesas intervieram pela última vez.

Efeitos da guerra

O governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, afirmou na comissão de Orçamento da Câmara dos Representantes que o banco central continuará a “acompanhar de perto” as tendências no mercado cambial, mas que, em comparação com 2025, as empresas estão a ser mais proactivas no que diz respeito ao aumento dos salários, o que faz com que as flutuações da taxa de câmbio influenciem as tendências dos preços.

Neste contexto, a Bolsa de Tóquio abriu ontem em forte queda, a perder mais de 4,5 por cento devido a preocupações com uma escalada da guerra no Médio Oriente e eventuais repercussões no abastecimento energético, numa altura em que os rebeldes Huthis do Iémen se juntaram ao conflito e há relatos que apontam para uma possível incursão terrestre dos Estados Unidos no Irão.

Hong Kong | Detidas 42 pessoas em operação contra máfias na construção imobiliária

A autoridade anticorrupção e a polícia de Hong Kong anunciaram ontem a detenção de 42 pessoas por suspeita de infiltração de organizações criminosas em projectos de manutenção de edifícios residenciais.

A operação decorreu em 26 e 27 de Março, na sequência de uma investigação iniciada a partir de denúncias de cidadãos, recebidas desde meados de 2025, que apontavam uma empresa de consultoria de projectos por facilitar adjudicações através de subornos, segundo um comunicado da Comissão Independente contra a Corrupção (ICAC, na sigla em inglês).

As investigações revelaram que a consultora teria obtido contratos de consultoria com honorários “irrazoavelmente baixos” e, posteriormente, teria recorrido a intermediários ligados a grupos da máfia chinesa, conhecidos como tríades, para manipular os processos de concurso por meios corruptos. As tríades surgiram entre 1842 e 1930, quando membros de sociedades secretas da China emigraram para Hong Kong e formaram organizações de ajuda mútua.

Um dos casos centra-se num grande projecto de renovação de um empreendimento nos Novos Territórios, com um valor estimado em mais de 160 milhões de dólares de Hong Kong. A consultora conseguiu o contrato de consultoria por um preço “muito abaixo” do razoável, estimado pela ICAC em 0,5 por cento do total.

“Embora o concurso em questão ainda se encontre na fase preparatória, acredita-se que a intervenção precoce da ICAC tenha impedido que as práticas corruptas se concretizassem e tenha impedido a infiltração da tríade no grande projecto de renovação do bairro”, segundo o comunicado da ICAC.

Projectos duvidosos

Num outro processo consta que a consultora obteve, em 2022, o contrato de consultoria para a renovação integral de outro edifício na ilha. O projecto foi posteriormente adjudicado por 20 milhões de dólares de Hong Kong a um empreiteiro, com vários milhões classificados como despesas duvidosas.

As autoridades detiveram 10 homens, entre os quais o proprietário e um inspector registado da consultora, bem como intermediários com antecedentes de ligações às tríades. Além disso, foram detidas outras 32 pessoas em rusgas paralelas. A intervenção ocorre no auge de uma investigação aberta na sequência do devastador incêndio em 26 de Novembro no complexo residencial Wang Fuk Court, que custou a vida a 168 pessoas.

A polícia deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude, todas ligadas ao incêndio. O ICAC deteve ainda outras 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos do complexo, por suspeitas de homicídio involuntário, negligência grave e corrupção, incluindo possíveis manipulações nas propostas e utilização de materiais não ignífugos.

A tragédia desencadeou um intenso escrutínio sobre as práticas no sector da manutenção de edifícios, onde se têm acumulado queixas sobre concursos opacos, custos excessivos e riscos para a segurança dos vizinhos.

Hailin | Colapso parcial de edifício faz pelo menos sete mortos

Pelo menos sete pessoas morreram na sequência do colapso parcial de um edifício ocorrido domingo na cidade de Hailin, na província chinesa de Heilongjiang, no nordeste do país. O incidente ocorreu por volta da meia-noite de sábado para domingo, quando um imóvel sofreu um desabamento parcial por causas ainda por apurar, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua.

As operações de busca e resgate foram concluídas cerca do meio-dia de ontem, após terem sido localizadas nove pessoas que ficaram presas sob os escombros. Destas, sete morreram, enquanto outras duas foram transportadas para unidades hospitalares, encontrando-se fora de perigo.

As autoridades locais abriram uma investigação para apurar as causas do colapso, não tendo sido, até ao momento, divulgados detalhes sobre a origem do incidente nem sobre eventuais responsabilidades. Em Julho de 2023, 11 pessoas morreram após o desabamento do teto de um centro desportivo escolar na cidade de Qiqihar, na mesma província.

Nesse mesmo ano, em Novembro, três pessoas morreram na sequência do colapso do tecto de outro centro desportivo na cidade de Jiamusi, também em Heilongjiang.

MNE | Sancionado deputado japonês por “cooperar com forças separatistas” de Taiwan

A China anunciou ontem sanções contra o deputado japonês Keiji Furuya, a quem acusa de ter visitado repetidamente Taiwan “apesar da oposição” de Pequim e de “cooperar com forças separatistas” da ilha.

Em comunicado, o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que este comportamento “viola gravemente o princípio de uma só China”, “interfere de forma flagrante” nos seus assuntos internos e “compromete seriamente a sua soberania e integridade territorial”.

Ao abrigo da Lei contra Sanções Estrangeiras, Pequim pode congelar os bens móveis, imóveis e outros activos de Furuya em território chinês, além de recusar-lhe vistos e impedir a sua entrada na China continental, em Hong Kong e em Macau. Organizações e indivíduos chineses ficam também proibidos de realizar qualquer tipo de transação, cooperação ou outras actividades com o deputado japonês.

Durante uma visita a Taipé, a 17 de Março, Furuya, deputado do Partido Liberal Democrático, actualmente no poder no Japão, reuniu-se com o líder taiwanês, William Lai Ching-te. A agência de notícias pública taiwanesa CNA indicou que, durante a visita, entre outras actividades, o político japonês propôs “estabelecer intercâmbios entre as bandas militares do Japão, dos Estados Unidos e de Taiwan”.

Pequim e Tóquio atravessam uma crise diplomática, depois de, no final de 2025, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter admitido a possibilidade de uma intervenção militar em Taiwan em caso de conflito na ilha, por considerar que tal poderia representar uma “ameaça à sobrevivência” do Japão.

Taiwan | Líder da oposição confia que visita à China reduza tensões militares

A presidente do Kuomintang (KMT), principal partido da oposição em Taiwan, Cheng Li-wun, manifestou ontem a esperança de que a sua visita à China, prevista para entre 07 e 12 de Abril, contribua para reduzir tensões militares.

A deslocação à China “mostrará ao povo de Taiwan e ao mundo uma coisa: que os dois lados do estreito não estão destinados à guerra, nem precisam de permanecer à beira de um conflito militar”, afirmou Cheng numa conferência de imprensa na sede do partido, em Taipé, citada pela agência noticiosa CNA.

O Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) e o seu secretário-geral, Xi Jinping, convidaram Cheng a liderar uma delegação do KMT numa visita a Jiangsu, Xangai e Pequim entre 07 e 12 de Abril, anunciou ontem o director do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (Executivo chinês), Song Tao.

A viagem será a primeira de um líder do partido da oposição à China desde que a então presidente do KMT, Hung Hsiu-chu, realizou uma visita semelhante em Novembro de 2016. Durante a sua intervenção, Cheng Li-wun afirmou que qualquer esforço para melhorar as relações entre Taipé e Pequim deverá basear-se nos termos do “Consenso de 1992” e na oposição à independência de Taiwan.

Esse consenso corresponde a um alegado entendimento entre o PCC e o então Governo taiwanês, liderado pelo Kuomintang (Partido Nacionalista Chinês), segundo o qual ambas as partes reconhecem a existência de “uma só China”, embora com interpretações distintas. No entanto, o Partido Democrático Progressista (PDP), de orientação soberanista e no poder em Taiwan desde 2016, nunca reconheceu essa interpretação, por considerar que implicaria legitimar a reivindicação chinesa sobre a ilha.

Cultura | Macau participa no programa “Saracoteio – Dança no Ecrã”

Macau, Portugal e Cabo Verde unem-se num programa que celebra a dança em conjunto. O SARACOTEIO – Dança no Ecrã acontece em Macau em Dezembro, no ROLLOUT Dance Film Biennale 2026, com apresentações prévias em Cabo Verde e Portugal nos meses de Setembro e Outubro. Nesta fase, decorrem as convocatórias de artistas

Acontece este ano um programa que celebra a dança e visa também a união entre países e territórios de língua portuguesa. O SARACOTEIO – Dança no Ecrã, reúne dança e vídeo num só evento, estando nesta fase a decorrer a selecção das participações de artistas e grupos não apenas de Portugal, mas também de Macau e Cabo Verde. As parcerias fizeram-se com o Festival Uabá de Cabo Verde e o ROLLOUT Dance Film Biennale 2026-2027 de Macau.

Segundo uma nota oficial da organização, o SARACOTEIO visa “promover a videodança e o filme dedicado ao corpo performático na comunidade de países de língua oficial portuguesa”, sendo que os projectos seleccionados serão apresentados na RAEM em Dezembro, no ROLLOUT Dance Film Biennale 2026-2027.

Mas antes, decorrem apresentações no Festival Uabá, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, entre os dias 21 e 25 de Setembro; e depois na 34.ª Quinzena de Dança de Almada – International Dance Festival, em Portugal, entre os dias 25 de Setembro e 11 de Outubro.

A convocatória pede “autores e produtores de filme e vídeo de dança”, que sejam naturais ou residentes de Portugal, Macau e Cabo Verde, e que têm até ao dia 30 de Abril para submeter os projectos. No caso de Macau, os projectos podem ser submetidos à organização do festival ROLLOUT.

Uma das regras para a submissão de propostas é que estas devem ser “apresentadas por realizadores, coreógrafos, companhias de dança ou outras instituições afins que detenham direitos de apresentação de som e imagem”. Serão tidos em conta elementos como a “qualidade técnica e artística do vídeo”, o “desenvolvimento do conceito” e a “qualidade performativa apresentada”.

Eventos de celebração

No caso do festival ROLLOUT, nasceu em Macau e teve a sua primeira edição há exactamente dez anos, descrevendo-se como “um festival bienal de cinema de dança”. A programação inclui, habitualmente, concursos internacionais, exibições de filmes seleccionados, partilhas de artistas, workshops, digressões de exibição e produções encomendadas, entre outras actividades.

O objectivo é, segundo o website do festival, “construir uma plataforma de cinema de dança em Macau que promova possibilidades criativas multifacetadas e redes de intercâmbio”.

Por sua vez, a Quinzena de Dança de Almada – International Dance Festival realiza-se todos os anos e oferece “ao público um conjunto de actividades bem representativas da dança nacional e internacional”. Constitui-se, segundo a organização, como “um espaço de partilha, dedicado à apresentação e promoção da Dança Contemporânea”.

O festival foi criado em 1992 pela Companhia de Dança de Almada, e oferece, além de espectáculos de dança, actividades como workshops, encontros, acções de formação e partilha, exposições, performances digitais ou videodança. O evento tem ainda ligação à Plataforma Coreográfica Internacional, permitindo-se a participação de companhias e criadores independentes de Dança Contemporânea de todo o mundo.

Casa de Portugal conquista “Prémio de Melhor Criatividade” em Desfile

A Casa de Portugal em Macau (CPM) sagrou-se vencedora do “Prémio Melhor Criatividade” atribuído no contexto da participação no Desfile Internacional de Macau 2026. A Associação Casa do Brasil recebeu o “Prémio de Melhor Actuação”, tendo sido ainda distinguidas outras associações locais.

O desfile decorreu este domingo pelas ruas do centro histórico e visou “transmitir a cultura da Rota Marítima da Seda”, tendo sido apresentadas “diversas actuações artísticas na construção da imagem de uma Macau Cultural vibrante”, destaca uma nota do Instituto Cultural (IC).

A parada, que contou com apoios de diversas operadoras de jogo, terminou na Praça do Lago Sai Van e teve como tema “A Rota Marítima da Seda como uma ponte para o intercâmbio cultural”.

No desfile estiveram presentes elementos da cultura chinesa como as folhas de chá, a porcelana e a seda, apresentando-se o “VIVA”, a mascote que, “através de sonhos e viagens”, foi demonstrando aos presentes algumas das características da cultura chinesa e da Rota Marítima da Seda.

História nas ruas

Segundo a mesma nota, “a história [contada através do desfile] começou numa misteriosa noite em que VIVA recebeu uma revelação do Deus do Mar”, e a mascote descobriu depois que tinha de “empreender uma missão de transmissão cultural com três embaixadores culturais, em representação do chá, da porcelana e da seda”.

Desta forma, o público e os grupos artísticos participantes “foram levados numa viagem imersiva” em que “paisagens e arte se fundiram e a antiguidade e modernidade coexistiram”. Pelas ruas de Macau o VIVA e seus “amigos embaixadores” encontraram uma exploração de “Jóias do Oceano”, “Cerimónia do Chá Aromática”, “Cavalgando as Ondas”, “Paisagem da Europa Continental” e “Galáxias Entrelaçadas”, e que “cumpriram finalmente a sua missão”.

Depois, na Praça do Lago Sai Van, aconteceu o espectáculo final “apresentado por grupos artísticos estrangeiros e locais”, onde se exibiu “uma diversidade de formas de artes, incluindo dança, acrobacia, andas, actuações em monociclos, instalações gigantescas de balões e percussão”.

Para o IC, “este espectáculo exibiu o encanto único de Macau como um importante nó na Rota Marítima da Seda através de diversas actuações culturais e artísticas”. Mas o Desfile continua com mais actividades de extensão, nomeadamente três actuações agendadas para o dia 4 de Abril e que se integram na iniciativa “Onde a cultura floresce, a felicidade acontece”.

Estas são apresentadas na Área de Lazer do Edifício Lok Yeung Fa Yuen, no bairro do Fai Chi Kei e no Jardim do Mercado do Iao Hon. Participam diversos grupos artísticos, incluindo a Associação Cultural Indiana e Saúde de Macau, a Associação do Santo Ninõ de Cebu em Macau, a Associação Bisdak de Macau, a Associação Internacional de Dança Oriental de Macau e a Macau Youth Street Dance Association.

Desta forma, fica demonstrado, segundo o IC, “as culturas da Índia, Filipinas e a dança de rua de Macau, trazendo-se vibrações multiculturais à comunidade”.

Contrabando | Apreendidos 48 quilos de grãos de prata

Os Serviços de Alfândega (SA) anunciaram ter descoberto, entre os dias 22 e 26 deste mês, 22 casos de contrabando que envolvem 48 quilos de grãos de prata, com o valor de 850 mil patacas. Segundo um comunicado divulgado por esta entidade, os casos ocorreram no Posto Fronteiriço das Portas do Cerco e Posto Fronteiriço de Hengqin.

Os SA explicaram que os casos foram descobertos nas zonas de inspecção, tendo os agentes alfandegários detectado dez contrabandistas suspeitos naturais do interior da China. Outro dos casos descobertos, diz respeito a um condutor, residente de Macau, que viajava num veículo transfronteiriço tentando transportar para a China cinco quilos deste material na própria roupa através do Posto Fronteiriço de Hengqin. Um dos contrabandistas é estudante, tendo os SA informado a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude para acompanhamento do caso.

Gongbei | Interceptada com 59 caranguejos vivos

Uma mulher foi interceptada ao tentar entrar em Gongbei, vinda de Macau, por carregar na mochila 59 caranguejos-ermitas vivos. O caso foi divulgado pelas autoridades do Interior, onde a mulher é residente.

Segundo os dados divulgados, o caso aconteceu a 4 de Março, quando a mulher tentou voltar a casa, por volta das 21h, utilizando o canal verde da fronteira, para quem não tem nada a declarar. No entanto, os agentes suspeitaram da mulher pelo facto de se apresentar nervosa e em passo apressado, pelo decidiram revistá-la.

Quando abriu a mala, os agentes viram imediatamente os animais. Os crustáceos foram enviados para o Centro Técnico da Fronteira de Gongbei, que confirmou tratar-se de caranguejos-ermitas. A entrada no Interior com este tipo de animais está sujeita uma aprovação prévia.

Taiwan | Estudante de Macau atropelado por autocarro

O jovem de 20 anos foi atingido quando atravessava uma passadeira no campus da Universidade de Chang Gung, em Taoyuan, e teve de ser hospitalizado em estado grave. A empresa assumiu as culpas e garante ir assumir todas as despesas

Foto: Guishan Precinct /FocusTaiwan

Na quinta-feira da semana passada, um estudante de Macau foi atropelado na cidade de Taoyuan, em Taiwan, no campus da Universidade de Chang Gung. A informação de que o aluno foi atropelado ao atravessar na passadeira foi relatada pelos meios de comunicação social da antiga Ilha Formosa. O estudante, com o apelido Wong, ficou numa situação considerada grave, mas manteve-se consciente depois do atropelamento, apesar de ter sofrido fracturas na zona abdominal e pélvica, lacerações perineais e múltiplas escoriações nos membros inferiores.

Os bombeiros chegaram ao local para estancar a hemorragia, tratando depois do transporte para a urgência do hospital. Posteramente, o aluno com 20 anos foi encaminhado para as urgências, estando agora na unidade de cuidados intensivos.

Após o sucedido, as investigações das autoridades de Taiwan concluíram que o acidente aconteceu por volta das 22h, quando o motorista atropelou Wong, que se encontrava a atravessar na passadeira. O aluno foi atingido pela roda dianteira esquerda. Só nessa altura o condutor se apercebeu do atropelamento.

O motorista alegou que quando virou à esquerda, não viu ninguém. Depois de verificar a videovigilância, a polícia concluiu que o atropelamento aconteceu quando o estudante local se encontrava num ângulo morto, e por não ter sido cedida a passagem numa passadeira. O caso foi encaminhado ao Ministério Público, e o condutor está indiciado dos crimes de ofensa à integridade física por negligência.

Limites para cumprir

Em reacção ao acidente, a Universidade de Chang Gung afirmou que o limite de velocidade no campus é de 30 quilómetros por hora, e que no campus foram instalados radares de velocidade e lombas de redução de velocidade. Além disso, a instituição indicou que pediu às companhias de autocarros e a outros veículos que cumpram as regras impostas e que conduzam de forma defensiva, ao cederem a passagem nas passadeiras ou quando mudam de direcção.

A universidade garantiu ainda que contactou imediatamente com a família do Wong, para explicar o sucedido, apresentar à família o plano de realojamento do estudante, quando tiver alta, para a continuar a recuperação, além de prestar medidas de apoio. A instituição afirmou ainda ter começado a tratar dos procedimentos para accionar o seguro.

Por sua vez, a companhia de autocarros, a San Chung Bus, afirmou que pede sempre aos motoristas para cumprirem as regras de trânsito. A SanChung Bus revelou ainda que o motorista trabalha há mais de 12 anos na empresa que o seu desempenho foi sempre considerado “bom”.

Apesar disso, enquanto prosseguem as investigações, o condutor foi suspenso. A empresa afirmou ainda ter pedido desculpas à família de Wong e à universidade, indicando que vai assumir o pagamento da indemnização pelo acidente, assim como as despesas médicas. Ao canal chinês da Rádio Macau, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) indicaram ter comunicado com a família do Wong para acompanhar o caso.

Ambulâncias | Pacientes em HK com transporte para Macau

O plano experimental Transporte Transfronteiriço em Ambulância entre Hong Kong e Macau vai ser prolongado até dia 29 de Novembro deste ano. A informação foi divulgada pelos Serviços de Polícia Unitários (SPU), um comunicado publicado em português, com três dias de atraso.

Também segundo a informação, traduzida ontem, desde 27 de Março que passou a ser disponibilizado o transporte com partida de Macau para Hong Kong para transferir os pacientes que estão em Hong Kong e necessitam de receber tratamento em Macau.

“Esta medida marca o início de uma nova fase do serviço de transporte transfronteiriço em ambulância entre as duas regiões. Ao abrigo do mecanismo de transporte transfronteiriço em ambulância vigente, os pacientes de hospitais determinados de Macau são transferidos directamente para hospitais públicos determinados em Hong Kong”, foi explicado. As ambulâncias de Macau, além de manterem o serviço de transporte de pacientes para Hong Kong, passam igualmente a transportar de Hong Kong os pacientes que necessitam de receber tratamento em Macau.

Macau-Shenzhen | Ligações por mar afectadas

Algumas ligações marítimas entre Macau e Shenzhen Shekou e entre Macau e o Aeroporto de Shenzhen foram canceladas, na manhã de ontem, devido ao mau-tempo e às fortes correntes que se fizeram sentir. A informação foi divulgada pela Direcção de Serviços de Água e Assuntos Marítimos (DSAMA), e citada pelo jornal Ou Mun, e os cancelamentos foram justificados com a necessidade de garantir a segurança dos passageiros e das embarcações.

No comunicado, a DSAMA aconselhou a população a consultar as aplicações móveis, antes de se deslocar para os terminais marítimos, para perceber se as ligações foram canceladas ou afectadas pelo mau tempo.

Aeroporto | Lucros caem um terço face a 2024

A CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau anunciou esta segunda-feira receitas totais de 1,35 mil milhões de patacas em 2025 e lucros de 229 milhões de patacas, o que representa menos um terço face aos lucros antes de impostos registados em 2024

A companhia responsável pelo aeroporto de Macau anunciou ontem uma receita total para 2025 de 1,35 mil milhões de patacas, uma diminuição de 8,7 por cento face ao ano anterior. O lucro antes de impostos da CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau fixou-se em 229 milhões de patacas, menos um terço que o reportado no ano anterior.

A empresa sublinhou que irá manter uma “política de gestão financeira prudente”, com planos para reforçar o “controlo de custos e a eficiência operacional” de modo a assegurar o desenvolvimento sustentável das operações do Aeroporto Internacional de Macau em 2026. Em 2025, os accionistas subscreveram um aumento de capital de 530 milhões de patacas, destinado a financiar o projecto de expansão e aterro do Aeroporto Internacional de Macau.

A expansão do aeroporto, que envolve um investimento de 3,99 mil milhões de patacas, arrancou em 2024 e prevê aumentar a capacidade para 13 milhões de passageiros por ano até 2030.

Tráfego em queda

Em 2024, a CAM já tinha anunciado um aumento do capital da empresa, no valor de 850 milhões de patacas para ajudar a financiar a expansão.

O Governo de Macau detém 67,6 por cento da concessionária do aeroporto, seguido pela companhia de jogo e turismo Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) com 28,32 por cento, sendo o restante dividido por investidores do interior da China, Hong Kong e locais.

O aeroporto registou em 2025 um tráfego de 7,52 milhões de passageiros e 58 mil movimentos de aeronaves, correspondendo a quedas de 1,6 e 2,9 por cento, respectivamente. O volume de carga atingiu 109 mil toneladas, um acréscimo de 1,1 por cento relativamente a 2024.

Para os próximos anos, a concessionária anunciou que continuará a atrair novas companhias aéreas para lançar rotas internacionais e a incentivar as existentes a aumentar frequências para destinos já operados. O aeroporto anunciou em Fevereiro que prevê um aumento de 8 por cento dos passageiros e de 10 por cento das aterragens e descolagens este ano, quando se prepara para lançar novas rotas para a China continental, Filipinas e Vietname.

Actualmente, o aeroporto opera principalmente rotas para o Sudeste Asiático, Ásia Oriental e China Continental, com voos para múltiplas cidades no Interior da China, outros para Taipé, Xangai, Banguecoque, Seul, Manila, Hanói e Kuala Lumpur.

Entre os projectos em curso, destacam-se a expansão e reparação da pista, a construção de um terminal de carga na vizinha Hengqin – que deverá atingir a fase de cobertura no terceiro trimestre e concluir a estrutura até ao final do ano – e a implementação de serviços multimodais para reforçar a conectividade regional.

Está igualmente prevista a expansão do serviço “Check’n Fly”, que permitirá aos passageiros efetuar o check-in e a entrega de bagagem diretamente a partir do hotel, e a abertura de novos espaços de restauração na área restrita do terminal.

Portas do Cerco | Chan Lai Kei pede melhorias no trânsito

O deputado Chan Lai Kei defende, numa interpelação escrita, que o trânsito junto ao Posto Fronteiriço das Portas do Cerco deve ser melhorado através de um novo planeamento das faixas das vias circundantes da praça das Portas do Cerco. Segundo a interpelação entregue ao Executivo, as alterações são necessáras por questões de segurança, no que diz respeito ao cruzamento entre veículos ligeiros e pesados.

O deputado ligado à comunidade de Fujian quer ainda que o Governo analise a possibilidade de abrir todos os balcões de inspecção durante o pico de movimento de pessoas e crie mais faixas para a inspecção de veículos, com vista a aumentar a eficácia do funcionamento do posto fronteiriço.

No que diz respeito ao plano futuro de renovação urbana do local, o deputado defendeu que quando o Governo planear a zona Este-2 e o reordenamento do Terminal Portas do Certo, deve incluir a concepção das faixas de entrada e saída, separando, assim, as faixas de veículos privados e de passageiros.

Doenças crónicas | Song Pek Kei pede mais médicos privados

A deputada Song Pek Kei defendeu, numa interpelação escrita entregue ao Governo, que devem existir mais médicos privados no programa de rastreio de doenças crónicas, questionando se o Governo pode impulsionar esta questão. A deputada afirmou que, no ano passado, 90 médicos privados acabaram a formação e receberam acreditação fornecida pelos Serviços de Saúde (SS).

Na mesma interpelação, recordou também que o Governo prometeu prever a procura de docentes de medicina no futuro, tendo os SS e Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados referido o lançamento de um estudo sobre o planeamento dos recursos humanos do sector médico. Assim, Song Pek Kei deseja saber qual o progresso actual deste estudo e quando pode o Governo lançar uma consulta pública sobre este tema. A deputada quer também saber os detalhes dos serviços piloto de lares transfronteiriços em Zhuhai e Zhongshan mencionados no Relatório das Linhas de Acção Governativa para este ano.

Eléctricos | Pedida melhorias na rede de carregamentos

O deputado ligado à comunidade de Jiangmen, Lee Koi Ian, pede medidas que facilitem a instalação de postos de carregamento nos edifícios e evitem o estacionamento de veículos a combustão nos locais de carregamento de veículos eléctricos

O deputado Lee Koi Ian defende a necessidade de aumentar a área dos lugares de estacionamento nos bairros antigos, para permitir a instalação de mais postos de carregamento para veículos eléctricos. O assunto foi apresentado pelo legislador ligado à comunidade de Jiangmen, através de uma interpelação escrita.

No texto do documento, Lee considera que a promoção da protecção ambiental e das “deslocações ecológicas” contribuem para “concretizar o objectivo nacional da ‘dupla meta de carbono’ e construir uma cidade verde e de baixo carbono”.

Lee Koi Ian cita ainda os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) para indicar que no ano passado entre os 11.117 veículos com novas matrículas, 4.204 eram eléctricos (37,8 por cento do total), o que representa um aumento de 6,4 pontos percentuais em relação ao ano de 2024.

No entanto, o legislador alerta que a rede de carregamentos precisa de ser melhorada: “devido às limitações de espaço e de instalações eléctricas, alguns parques de estacionamento ainda não dispõem de instalações de carregamento suficientes, o que origina conflitos entre a oferta e a procura de veículos eléctricos por parte dos residentes”, aponta.

Lee destaca igualmente que este é um problema muito sentido nos bairros mais antigos, pelo que pretende saber se vão ser implementadas alterações. “A largura dos lugares de estacionamento nos bairros antigos de Macau é insuficiente, o que causa não só incómodos à vida dos residentes no estacionamento dos seus veículos nos referidos lugares, mas também limita a disposição e a eficiência das instalações de carregamento de veículos eléctricos”, indica, “As autoridades vão proceder a um novo planeamento e ajustamento da largura dos lugares de estacionamento nos bairros antigos, que reúnam condições para tal, com vista a dar resposta às necessidades quotidianas dos residentes em relação ao estacionamento e ao carregamento dos seus veículos eléctricos?”, questiona.

Problemas nos edifícios

Lee Koi Ian alerta ainda para o facto de que em muitos casos os edifícios encontram dificuldades para instalarem as próprias redes de carregamentos por falta de conhecimentos técnicos e legais. O legislador pede uma resposta para estas questões: “A instalação de equipamentos de carregamento de veículos eléctricos em edifícios habitacionais privados enfrenta dificuldades cuja resolução depende essencialmente da definição clara das respectivas instruções práticas, da divisão clara das competências e responsabilidades, do domínio exacto das respectivas normas de regulamentação por parte das comissões de proprietários de edifícios e da Administração de edifícios”, apontou. “Com vista a garantir a segurança no carregamento, as autoridades vão elaborar instruções práticas pormenorizadas que abranjam todo o processo de instalação?”, pergunta.

Na interpelação, o deputado pede ainda soluções para o problema da ocupação excessiva dos lugares de carregamento eléctrico, muito além das necessidades, assim como o estacionamento nestes lugares por parte de veículos a combustão.

TNR | Recusadas facilidades na contratação

O Governo vai manter o mecanismo de contratação de trabalhadores não-residentes. A posição foi tomada através da resposta da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), assinada pelo director Chan Un Tong, ao deputado Ip Si Kai.

O legislador pretendia um novo mecanismo de contratação de trabalhadores não residentes para as empresas que participam em concursos públicos.

A sugestão passava por autorizar as contratações, ainda antes do resultado do concurso ser conhecido, ao contrário do que acontece agora. No entanto, a DSAL não está a ponderar alterar os procedimentos actuais e destaca que a prioridade passa por garantir o emprego dos residentes. Ip Sio Kai queria igualmente que as autorizações de contratação de não residentes deixassem de caducar, quando ficam vagas durante seis meses. Também nesta área, o Governo não está a ponderar implementar mudanças.

Governo quer zonas marítimas exploradas por privados

O Governo apresentou ontem uma nova proposta de lei que irá permitir a privados a exploração, através de concessão, de parte da área marítima da região chinesa.

Segundo indicou ontem a directora dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA), Susana Wong Soi Man, apenas cerca de um terço da área marítima do território está actualmente em utilização, com a proposta a procurar uma maior “exploração racional” e aproveitamento sustentável dessa área.

O território marítimo sob jurisdição de Macau só foi oficialmente definido em 2015, quando o Governo Central da China estabeleceu uma área de 85 quilómetros que passou a estar sob gestão das autoridades locais. Em 2018 uma nova lei definiu a utilização das áreas por navegação, turismo, ou uso portuária em coordenação com o Plano Director da cidade, com outro regulamento em 2024 a organizar a área marítima em diferentes tipos de zonas funcionais, incluindo sectores para construção urbana, canais de navegação, e conservação ecológica.

Se for aprovada na Assembleia Legislativa, a nova lei vai estabelecer um regime de licenças de utilização dividas em propostas de uso temporário, ou concursos públicos para concessões mais longas no caso de projectos que envolvam investimentos e durações consideráveis. Actividades de recreação com usos de tempo reduzido, como cruzeiros ou competições de vela, continuam a necessitar apenas de uma licença de uso temporário.

Protecção ecológica

Wong indicou que será avaliado será necessário um parecer do departamento de protecção ecológica, sendo previstas infracções no caso das suas obrigações não serem cumpridas. Os titulares do direito de uso das áreas marítimas terão de pagar uma taxa de uso, com disposições criadas para eventuais indemnizações, e para remoção de infra-estruturas ou instalações temporárias.

A geografia da cidade foi alterada significativamente ao longo da sua história por projectos de aterros, com a sua área de solo total aumentada gradualmente para os actuais cerca de 36 quilómetros quadrados. Grande parte da península de Macau e das ilhas da Taipa e Coloane – incluindo o Cotai, onde se situam os maiores casinos da capital mundial do jogo – assentam em terrenos reclamados ao mar.

Em 2024, uma proposta do Governo para a construção de uma zona de aterro para materiais de construção em Coloane, na zona sul do território, causou polémica devido ao seu possível impacto ambiental no habitat natural de uma espécie do golfinho branco chinês em vias de extinção. Uma petição de oposição ao projecto com mais de 1.600 assinaturas foi entregue às autoridades, mas o plano para o aterro continua em avaliação.

Juventude | Sam Hou Fai pede mais ambição e determinação

O Chefe do Executivo prometeu que o futuro de Macau vai ter “oportunidades sem precedentes”, e pediu “ambições elevadas e ideais” aos jovens, mas tendo em mente “os assuntos de importância nacional e do povo”

O Chefe do Executivo pediu à Federação de Juventude de Macau que tenha “ambições elevadas e ideais”, mas sempre com “os assuntos de importância nacional e do povo” em mente. As declarações de Sam Hou Fai foram proferidas pelo líder do Governo, durante a cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos dirigentes da associação, que passa a ter a deputada Wont Kit Cheng como presidente.

De acordo com o conteúdo do discurso divulgado pelo Gabinete de Comunicação Social, o líder do Executivo começou por indicar que “o crescimento e o progresso da juventude exigem (…) determinação própria e esforços persistentes”. Depois, pediu ambição: “É necessário cultivar ambições elevadas e ideais, acompanhem o pulso da conjuntura e possuam grandes aspirações, que tenham sempre em mente os assuntos de importância nacional e do povo, e que liguem estreitamente os desígnios pessoais ao desenvolvimento nacional e à prosperidade de Macau”, apelou.

Ainda entre as esperanças deixadas para a juventude, Sam Hou Fai pediu mais dinâmica para esta nova era de Macau. “É essencial agir com pragmatismo e diligência, com firmeza e constância, deixando esperança que se dediquem ao estudo, sem recear as dificuldades e enfrentem os desafios com a ousadia, e através de esforços continuados e de medidas concretas, transformem ideais em realidade, e demonstrem com vigor e optimismo o carácter dinâmico da juventude de Macau na nova era”, apontou.

Sempre a crescer

Por último, o Chefe do Executivo prometeu que a RAEM vai ter “oportunidades de desenvolvimento sem precedentes em múltiplas áreas”, pelo que considerou “imperioso” que os jovens sejam “audazes na inovação” e assumam “responsabilidades com coragem”. “Por isso, espera-se que os jovens ousem explorar e experimentar, assumindo o papel de pioneiros, abrindo caminho a avanços com mentalidade renovada, acolhendo as transformações que se anunciam, com sentido de responsabilidade e injectando na sociedade uma vitalidade inesgotável, ampliando, por conseguinte, as possibilidades para o nosso tempo”, atirou.

A Federação de Juventude de Macau vai ter como nova presidente Wong Kit Cheng, que tem 44 anos, completa 45 em Outubro, e é deputada desde 2013. Foi sempre eleita pela lista apoiada pela Associação das Mulheres, onde actualmente é vice-presidente. Wong integra também o Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Além disso, é uma das vice-presidentes da Federação da Juventude da China, associação para os jovens liderada pela Liga da Juventude Comunista da China.

Identidade de Género | Residentes relatam existência de exclusão e barreiras

Reportagem de Catarina Domingues, da agência Lusa

O facto de a identidade de género não estar legislada cria obstáculos a quem não se identifica com o género de nascimento. Quatro residentes partilharam as suas experiências

Quatro pessoas transgénero em Macau, onde a identidade de género não está legislada, narram um trajecto de exclusão, com barreiras no acesso a cuidados médicos, emprego e ensino, em que a nacionalidade portuguesa pode ser “uma espécie de afirmação”.

A-wai só se sente bem em casa. Precisou de semanas para aceder a dar esta entrevista e pede que, depois de publicada, os áudios sejam apagados. Não quer fotos, certifica-se ainda, nem referência ao nome de baptismo que, por enquanto, se conserva gravado no documento de identidade.

Tem transtorno de ansiedade social, diz. A primeira pergunta que faz ao chegar ao lugar marcado é se parece uma mulher. Mais tarde, vai querer saber também se tem uma voz feminina.

Nasceu nos anos 80, mas só recentemente avançou para a redesignação sexual, um desejo que retardou pela família. “Nem todos iam para a universidade em 2005, era uma honra para mim e para a minha família fazê-lo, então desisti de mim, tentei viver como os outros desejavam”, conta à Lusa.

Sem a possibilidade de avançar, num primeiro momento, com a terapia de reposição hormonal (HRT) em Macau – um dos passos iniciais da transição – começou por tomar hormonas ilegalmente na Tailândia. Prática comum entre a comunidade trans local, incluindo menores, que recorrem ao mercado negro.

“Preocupa e não queremos que o façam”, reage Kelvin Lei, membro da Associação GDC (Gender-Diverse Community). “Tivemos conhecimento, finalmente, que um ou dois médicos em Macau prescrevem HRT (…). Tem de se estabelecer um mecanismo médico formal para que se possa receber tratamento”, diz.

Para a cirurgia de redesignação sexual, A-wai voltou à Tailândia. Na aparência, materializou-se a mudança. No papel não. Em Macau não existe uma lei de identidade de género e não é permitido mudar o sexo nos documentos oficiais.

Muro de silêncio

A-wai escreveu ao Governo e ao parlamento. Silêncio. A ansiedade acabou por comprometer os cuidados do pós-operatório, a vagina começou a atrofiar. “A minha prioridade é o bilhete de identidade”, diz a jovem desempregada.

À Lusa, a Direcção dos Serviços de Identificação disse ter recebido até finais de Janeiro oito pedidos escritos para a alteração do sexo no documento de identificação, todos “indeferidos, conforme a lei”. “Uma vez que ainda não existe um consenso geral na sociedade, o Governo (…) não tem planos para alterar o regime jurídico vigente”, lê-se na resposta.

A rejeição tem outros rostos: da família, A-wai não recebeu apoio, em entrevistas de emprego foi várias vezes rejeitada e no hospital encaminhada para a ala masculina. O escrutínio é permanente e A-wai admite que pensou no suicídio. “Um dia, um assistente social perguntou-me: por que não é bom ser homem? Não é bom para encontrar emprego?”

Vitórias simbólicas

Bryson (nome fictício), homem trans de 20 anos, tem o amparo da família, mas o futuro adiado. Abandonou a universidade depois da instituição de ensino – onde no primeiro ano é obrigatório viver no campus – não ter permitido que ficasse no dormitório masculino. “A solução proposta não me respeitava”, diz.

Nas mais antigas lembranças, Bryson já sinalizava a angústia de ser menina. Relata um percurso de rejeição – como quando um médico perguntou se tinha sido assediado sexualmente por “pensar desta forma” -, mas marcado por momentos de esperança – foi-lhe permitido usar na escola o uniforme de desporto em vez do feminino.

Com 15 anos, foi encaminhado pela psicóloga escolar, a quem confidenciou que se tentara matar, para um psiquiatra no hospital, onde começou a tomar medicação para “controlar as emoções”. “O médico recusou-se a escrever disforia de género nos ficheiros.”

Também Bryson tomou HRT ainda menor e sem supervisão clínica, até começar a ser acompanhado por um médico em Hong Kong e depois Macau.

No caso do jovem, que realizou uma mastectomia em Xangai, existe a possibilidade de adquirir passaporte português, através do pai, e ver, por fim, um M num documento. “Significa que há um lugar que aceita a minha situação e um documento que atesta que sou um homem”, nota. Mas o entusiasmo é moderado. Uma vitória simbólica, com pouca funcionalidade no dia-a-dia.

“Situações residuais”

A Lusa perguntou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Portugal quantos naturais de Macau alteraram o sexo no cartão de cidadão, mas “a rede consular portuguesa não dispõe de dados desagregados sobre os pedidos” em postos consulares. “Estas situações serão ainda muito residuais”, indicou o MNE.

Jonathan Lai, homem trans, 26 anos, tem passaporte português. Foi com este documento que se casou nos Estados Unidos com o marido, também de Macau, algo que poderia ter acontecido no território chinês. Apesar de estar proibido o casamento homossexual, no bilhete de identidade de Macau ainda é mulher.

Com 23 anos, Jonathan fez uma mastectomia na Tailândia e com 24 removeu os órgãos femininos em Taiwan, onde deverá realizar este ano uma faloplastia (construção de um pénis). Também aqui, o início desta história se repete: depressão, tentativa de suicídio, primeiro contacto com HRT ilegal: “Uma injecção custava 91 yuan [11 euros] na China”.

A Lusa questionou os Serviços de Saúde de Macau sobre se estão a par desta realidade, mas não obteve resposta. Na “suspeita de que um doente possa manifestar disforia de género, é iniciado um processo de avaliação clínica e é fornecido tratamento sintomático”. Caso a “avaliação indique a necessidade de tratamento especializado, o doente será encaminhado para um especialista”, foi a resposta.

Nos casos “que envolvam questões multidisciplinares ou condições mais complexas”, o hospital público “avaliará a eficácia do tratamento sob múltiplas perspectivas, ajustando os planos de tratamento conforme necessário”, completaram os serviços.

No meio de nós

“O residente comum de Macau tem de saber que há pessoas trans entre os humanos e que não somos monstros”. As palavras são de Clio, mulher trans, quase nos 40. Veste-se de mulher – “a minha identidade” – para a entrevista, mas não o faz quando trabalha. Chama-se “técnica de sobrevivência”, diz.

Um dia, vestida de mulher, cruzou-se na rua com familiares, que agiram como se não se conhecessem. Nunca falaram sobre isso. “Se disser abertamente que sou trans, isso vai afectar a vida deles. Vão sentir-se envergonhados ou perder a face”, nota a fundadora do grupo Comunidade de Apoio Mútuo Transgénero de Macau (numa tradução livre), que também pede para ocultar a identidade.

A Clio foi diagnosticada disforia de género pelo hospital público. “Algum tempo depois, voltei ao médico e pedi HRT e ele, com relutância, prescreveu”, conta. “Quantas mais pessoas forem diagnosticadas, mais atenção é dada ao tema.” Também para esta mulher há uma janela que em breve se abre. Vai esta semana tratar do cartão de cidadão português. “É uma espécie de afirmação, uma prova”, explica.

Barra | Mais facilidades de estacionamento no Centro Modal

A partir desta quarta-feira, 1 de Abril, o parque de estacionamento do Centro Modal de Transportes da Barra oferecerá benefícios aos utilizadores em relação ao limite máximo de tarifas, deixando de se cobrar tarifas adicionais. Esta medida irá vigorar até ao final do ano, foi anunciado no sábado pela Direcção dos Serviço para os Assuntos de Tráfego e Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, S.A.

O objectivo é “facilitar a vida aos condutores e aproveitar bem os recursos do parque de estacionamento”, sendo que o limite máximo de tarifas, por cada 24 horas consecutivas, é de 60 patacas para automóveis ligeiros e de 15 patacas para motociclos e ciclomotores. Segundo uma nota oficial, “quando o valor acumulado das tarifas atingir este limite, o sistema deixará de cobrar taxas adicionais”, e se o carro continuar estacionado por mais 24 horas, “o sistema reiniciará automaticamente o cálculo das tarifas”.

Trata-se de um benefício “que pode ser usufruído de forma consecutiva” por um período de apenas oito dias, sendo que, se a viatura continuar estacionada no mesmo local no nono dia, começa a ser utilizado o sistema de cobrança actual, com a cobrança dupla da tarifa de estacionamento por cada meia hora ou fracção.

Entretanto, o Governo anunciou também mudanças no trânsito na zona Norte devido à construção da travessia pedonal ao longo da Avenida do Nordeste. Assim, entre hoje e o dia 18 de Maio, irá decorrer a primeira fase de elevação e montagem, sendo encerrado o trânsito no troço da Avenida do Nordeste, entre a Rua Nova da Areia Preta e a Rua Central da Areia Preta.

Este novo troço pedonal parte da Residência para Idosos em direcção à Avenida de Venceslau de Morais, sendo que a previsão de conclusão das obras está marcada para Outubro deste ano.