Os Sonhos de Xu Xianqing Com a Mãe e Com Confúcio Paulo Maia e Carmo - 23 Fev 2026 Confúcio (c.551-c.479 a. C.), segundo o que está escrito nos Analectos (Lunyu), terá exclamado um dia: «Que mal tenho andado! Há quanto tempo não sonho com o duque de Zhou», o que seria apenas inicialmente entendido como um lamento sobre a perda de ideais mas mais tarde tomado à letra, dado o modo como o seu nome capturou a imaginação das gerações seguintes. Ji Dan, o duque de Zhou, ou Zhou gong Dan, o filósofo que foi regente no início da dinastia Zhou (r.1042-1035 a. C.), seria já então uma idealizada figura de um mestre de pensamento que teria contribuído na elaboração de conceitos basilares como o Mandato Celeste para justificar o poder imperial ou participado nos mais importantes textos que exprimem a singular perspectiva nacional sobre o Mundo e a correcta conduta humana nele, como o I Ching, o Clássico da poesia (Shijing) ou o livro dos Ritos de Zhou (Zhouli). O seu nome também surge como autoria inicial simbólica, para lhe conferir autoridade, ligado a um manual de interpretação de sonhos Zhougong Jiemeng, que seria no início um auxiliar para a tomada de decisões dos dirigentes mas cuja versão actual datará já da dinastia Tang (618-907) nele se agregando adivinhação, filosofia e cultura popular. Aí se encontram métodos de oneiromancia como fanmeng que faz a interpretação inversa de um sonho; se este tem um conteúdo angustiante obterá resultados favoráveis, ou chaizi, o jogo de palavras que destas deriva sentidos ocultos. Se foram muitas vezes descartados como superstição, em certos períodos os sonhos tomaram especial relevo. Durante a dinastia Ming, um alto funcionário da corte chamado Xu Xianqing (1537-1602) quis deixar para a posteridade a sua autobiografia de um modo preciso e concreto, solicitando para tal o auxílio de dois pintores conhecidos pelo seu apurado método realista de retratar edifícios, vestuários e situações e da qual constam dois sonhos. Yu Shi e Wu Yue fizeram com esse álbum de 1588 (vinte seis folhas duplas, tinta e cor sobre seda, 62 x 58,5 cm, no Museu do Palácio em Pequim) um elucidativo documento sobre a vida e os lugares por onde se movimentava um alto funcionário naquele tempo. Cada situação mostrada é acompanhada de poemas, comentários ou reflexões escritas pelo próprio biografado, que diz com exactidão a idade que tinha quando ela ocorreu. Na primeira, tinha então doze anos, morreu a sua mãe e vê-se o menino despertado ao lado do pai adormecido, sonhando com a mãe de pé junto à porta. Na décima quinta situação o título diz: «Sonhando com Confúcio e convalescendo», está o funcionário com 45 anos deitado na cama de onde sai, como um balão, outra situação onde está representado Confúcio num carro. Sonhos volitivos que falam do amor filial e da lealdade aos Ming, o objectivo afinal expresso no título Huanji, «Traços de um servidor público».
Suicídio | Linha de Apoio da Cáritas recebeu cerca de 30 chamadas por dia Hoje Macau - 23 Fev 2026 Entre 16 e 19 deste mês, os últimos três dias do ano lunar passado, a linha de apoio da Cáritas para a prevenção do suicídio intitulada Caritas LifeHope recebeu cerca de 30 chamadas diárias. O número foi indicado pela responsável da linha telefónica, Ng Lai Ieng, citada pelo jornal Ou Mun. A responsável explicou que o número de chamadas diárias foi semelhante ao dos outros dias úteis. Ng Lai Ieng revelou que sete destas chamadas foram pedidos de ajuda relacionados com suicídio, mas que felizmente não passaram de pensamentos, sem qualquer tipo de planeamento ou acção associada. Ng apontou que nestes casos as chamadas são classificadas como casos de baixo risco. Os outros pedidos de ajuda foram motivados por conflitos conjugais ou problemas de adaptação em situações de divórcio, stress, e outros casos de instabilidade mental e emocional. Todos aqueles que estejam emocionalmente angustiados ou considerem que se encontram numa situação de desespero devem ligar para a Linha Aberta “Esperança de vida da Caritas” através do telefone n.º 28525222 de forma a obter serviços de aconselhamento emocional.
Portugal | BNU e Misericórdia juntam-se a campanha solidária Hoje Macau - 23 Fev 2026 Seis entidades de matriz portuguesa em Macau e Hong Kong anunciaram uma campanha de angariação de fundos para ajudar as vítimas das tempestades em Portugal. Depois da Cáritas Macau, a onda solidária engloba o BNU, Misericórdia, Casa de Portugal, Conselho das Comunidades Portuguesas, Grupo de Escuteiros Lusófonos de Macau e o Club Lusitano Depois de a Cáritas Macau ter anunciado há cerca de duas semanas que estava a recolher fundos para ajudar as vítimas das tempestades que afectaram Portugal e Espanha nas últimas semanas, a campanha solidária em Macau e Hong Kong foi alargada a seis entidades de matriz portuguesa. Os donativos monetários podem ir para uma conta do Banco Nacional Ultramarino (BNU), que se associou à iniciativa, de acordo com um comunicado conjunto. Os fundos serão depois reencaminhados “para uma ou mais instituições de solidariedade social portuguesas com actuação no terreno, garantindo-se a transparência e a rastreabilidade de todo o processo”, acrescentaram na mesma nota. Lembrando a “melhor tradição de fraternidade e solidariedade que une os povos de língua portuguesa”, o comunicado faz “um apelo público à mobilização da comunidade lusófona em Macau e na Região da Grande Baía”. Além de contar com o apoio institucional do consulado, a campanha foi lançada pela associação Casa de Portugal em Macau, o Círculo da China do Conselho das Comunidades Portuguesas e o Grupo de Escuteiros Lusófonos de Macau. Longo desafio Em Hong Kong, a iniciativa conta com a participação do Club Lusitano, a maior instituição da comunidade lusodescendente da antiga colónia britânica, com cerca de 400 membros, fundada em 1866. Recorde-se que em 10 de Fevereiro, a organização católica Cáritas Macau lançou uma campanha de angariação de fundos, durante três meses, para os afectados pelas tempestades na Península Ibérica. Numa nota publicada nas redes sociais, a organização católica lamentou as “tempestades devastadoras” que provocaram “inundações catastróficas” e deslizamentos de terras em Portugal e Espanha, destruindo infra-estruturas e casas. “Milhares de pessoas estão desalojadas e necessitam urgentemente de água, alimentos e cuidados médicos. As equipas locais trabalham incansavelmente, mas a recuperação será longa e desafiante”, alertou a Cáritas Macau. Na quarta-feira, a União das Misericórdias Portuguesas disse ter recebido um donativo no valor de 300 mil euros da Misericórdia de Macau para apoiar as congéneres que sofreram danos significativos provocados pela depressão Kristin. Dezanove pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afectadas. A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afectados terminou a 15 de fevereiro.
Saúde | Abertas inscrições para formação em medicina clínica Hoje Macau - 23 Fev 2026 Estão abertas, até 4 de Março, as inscrições para o “curso de formação em competências básicas de medicina clínica”, indicaram os Serviços de Saúde na sexta-feira. O curso, organizado em conjunto com o Hospital das Ilhas e o Hospital Kiang Wu, tem como objectivo “a elevação do nível dos serviços de cuidados de saúde”, “promover o desenvolvimento sinérgico dos sistemas de saúde público e privado”, e “melhorar as capacidades técnicas e a competitividade dos profissionais de saúde de Macau”. O presente curso de formação será leccionado por médicos dos Serviços de Saúde, e dos hospitais das Ilhas e Kiang Wu, com um programa centrado na introdução sistemática às competências básicas de medicina clínica para generalistas e médicos residentes. Serão disponibilizadas 50 vagas para profissionais interessados em se médicos generalistas ou médicos residentes em hospitais públicos ou privados da região. As sessões de formação estão marcadas para os fins-de-semana entre 7 e 22 de Março na sala multifunções da Academia Médica de Macau, no Edifício Dynasty Plaza, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, Macau. Os cursos serão ministros em chinês.
Natalidade | Prevista subida de taxa em 4,5 por cento Hoje Macau - 23 Fev 2026 Após visitar os primeiros bebés do Ano do Cavalo, Tai Wa Hou indicou que a previsão de aumento se deve ao facto de o Governo ter lançado “serviços de alta qualidade” para promover a natalidade O líder do hospital público previu que deverá haver mais de três mil nascimentos em 2026, uma subida de pelo menos 4,5 por cento, na região com a mais baixa natalidade do mundo. De acordo com o canal em chinês da emissora pública TDM Macau, o director substituto do Centro Hospitalar Conde de São Januário disse estar confiante em que os jovens casais do território irão ter mais filhos. Após visitar os primeiros bebés nascidos no Ano Lunar do Cavalo de Fogo, que agora arrancou, Tai Wa Hou defendeu que o Governo lançou “serviços de alta qualidade” para promover a natalidade. Em Julho, o parlamento local aprovou uma revisão do orçamento para reforçar os apoios sociais, incluindo a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para as crianças até aos três anos. O Governo lançou também uma consulta pública sobre o aumento, no sector privado, da licença de maternidade, de 70 para 90 dias, e das férias anuais, de seis para 12 dias para “obter um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar”. A mãe da primeira bebé do ano, nascida às 00h11 no Conde de São Januário, de apelido Fung, disse à TDM ter planos para ter mais filhos e esperar que a recém-nascida cresça com “muitos irmãos”. A estimativa feita por Tai Wa Hou representa, ainda assim, uma queda em comparação com a previsão feita há praticamente um ano, também no primeiro dia do Ano Novo Lunar. Números negros Em 29 de Janeiro de 2025, o subdirector dos Serviços de Saúde de Macau, Kuok Cheong U, previu que o ano iria terminar com menos de 3.500 nascimentos. Em 01 de Janeiro passado, Tai Wa Hou revelou que Macau registou 2.871 recém-nascidos em 2025, o menor número em quase 50 anos, desde 1978, quando a cidade, então sob administração portuguesa, registou 2.407 recém-nascidos. No entanto, enquanto em 1978 Macau tinha menos de 249 mil habitantes, no final de Setembro de 2024 a região já tinha uma população de quase 687 mil. O número de nascimentos caiu, assim, pelo sexto ano consecutivo e está cada vez mais longe do máximo histórico de 7.913, fixado em 1988. Macau registou em 2024 apenas 0,58 nascimentos por mulher, muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1), a menor taxa de fecundidade de sempre na região e a mais baixa do mundo, de acordo com dados oficiais.
DST | Mercado português é prioritário Hoje Macau - 23 Fev 2026 A directora dos Serviços de Turismo (DST), Maria Helena de Senna Fernandes, disse que Portugal será uma das prioridades de Macau no que toca a atrair mais visitantes estrangeiros. Numa mensagem transmitida pela emissora pública TDM – Teledifusão de Macau, a propósito do Ano Lunar do Cavalo de Fogo, Senna Fernandes apontou entre os alvos para este ano “mercados europeus, como Portugal e Espanha”. A dirigente mencionou ainda o Sudeste Asiático, o Nordeste da Ásia – região que inclui o Japão, a Mongólia e o extremo oriente da Rússia – e “os mercados turísticos emergentes no Médio Oriente e na Ásia Central”. Senna Fernandes previu que Macau receba 41 milhões de visitantes em 2026, depois de ficar perto de 40,1 milhões de visitantes no ano passado, um novo máximo histórico. A maioria (90,6 por cento) dos turistas veio do Interior da China ou Hong Kong. Turismo | Pedidos planos para incentivar consumo O deputado Chan Lai Kei quer que o Governo tire ilações em relação às estatísticas do turismo e dos padrões de consumo dos visitantes para implementar medidas que potenciem o aumento da permanência dos turistas em Macau e do comércio nos bairros residenciais fora dos roteiros turísticos. Numa interpelação escrita, o deputado ligado à comunidade de Fujian indicou que durante este Ano Novo Lunar, o Governo apostou muitos recursos para organizar grandes eventos, que não conseguiram beneficiar as pequenas e médias empresas das zonas menos procuradas por turistas. Chan Lai Kei defende que o Governo deve aperfeiçoar o sistema de transportes durante os períodos de feriados nacionais, de forma a facilitar a visita aos bairros residenciais, afastados dos centros de turismo mais populares. O deputado pediu também ao Executivo de Sam Hou Fai medidas práticas que melhorem as experiências dos turistas internacionais e eliminem os obstáculos actuais, como a falta de pagamentos electrónicos internacionais e as barreiras linguísticas. Local de Espectáculos | IC vai lançar novas medidas A presidente do Instituto Cultural (IC), Deland Leong, revelou que o IC vai lançar uma plataforma online para as empresas consultarem os pedidos de aluguer do Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau. As mudanças fazem parte dos objectivos do Governo para “ampliar e reforçar as funções” do local de concertos e foram reveladas no programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau. Este objectivo tinha sido revelado anteriormente pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, durante a apresentação das Linhas de Acção Governativa, na Assembleia Legislativa. Nessa altura, a secretária apontou que no futuro o espaço pode vir a receber campos de basquetebol 3×3 ou outras instalações para actividades desportivas em família. Deland Leong reconheceu também que o Governo vai rever parte dos regulamentos e orientações para a utilização do espaço.
Fronteiras | Secretário quer segurança contra forças externas Hoje Macau - 23 Fev 2026 O secretário para a Segurança prometeu que a região irá reforçar a segurança nas fronteiras em 2026, “para evitar a interferência de forças externas”. Chan Tsz King destacou a importância da colaboração com as secretas do Interior da China e de Hong Kong O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, comprometeu-se com o reforço da segurança nos postos fronteiriços de Macau ao longo deste ano, “para evitar a interferência de forças externas”, mas sem apontar quaisquer ameaças. “Aprimoraremos ainda mais a vigilância de segurança nos portos marítimos e terrestres, para evitar a interferência de forças externas”, disse Chan à emissora pública TDM – Teledifusão de Macau. Numa mensagem a propósito do Ano Lunar do Cavalo de Fogo, que começou na semana passada, o dirigente não identificou quais as ameaças vindas do estrangeiro, mas prometeu “salvaguardar integralmente a segurança nacional”. “Continuaremos a fortalecer as nossas capacidades de recolha e análise de inteligência, especialmente através de intercâmbios de inteligência contínuos com a China continental e Hong Kong”, disse também Chan Tsz King. Em Novembro, o secretário prometeu criar, em 2026, um sistema de alerta de riscos contra a segurança nacional e alertou contra “actos de interferência e destruição” por parte de “forças externas”. Discórdia perigosa Em 31 de Julho, a polícia de Macau anunciou a detenção do ex-deputado Au Kam San, cidadão português, no primeiro caso ao abrigo da lei de segurança nacional. Em 5 de Fevereiro, o director da Polícia Judiciária garantiu aos jornalistas que havia provas suficientes para justificar a detenção de Au Kam San. “As provas são muitas e estamos a entrar no processo de julgamento, por isso não podemos divulgar os detalhes”, disse Sit Chong Meng. Três dias antes, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch disse que o caso de Au Kam San ilustra a “erosão da autonomia e das liberdades fundamentais” em Macau. Em Novembro, o chefe da Delegação da União Europeia (UE) em Hong Kong e Macau escreveu nas redes sociais que se tinha encontrado com o secretário para a Economia e Finanças de Macau, Anton Tai Kin Ip. “Também expressei preocupação com questões políticas”, acrescentou o britânico Harvey Rouse. Mas a representação da UE escusou-se a revelar à Lusa se o processo contra Au Kam San foi mencionado na reunião. Em Setembro, durante uma visita a Macau, o primeiro-ministro Luís Montenegro admitiu que não discutiu a detenção do cidadão português com o líder do território, Sam Hou Fai. “Há alguns assuntos que merecem também algum recato no tratamento e esse é um deles”, defendeu o primeiro-ministro.
Táxis | Mulheres querem que Governo controle aplicações Hoje Macau - 23 Fev 2026 A Associação das Mulheres defende que a utilização das plataformas online para chamar táxis deve estar sujeita a um mecanismo de controlo permanente pelo Governo. A opinião consta de um documento divulgado da sexta-feira, pela associação que conta com duas representantes na Assembleia Legislativa, numa altura em que a Uber, uma aplicação que não é chinesa, começou a operar na RAEM. A associação afirma que o objectivo seria permitir ao Governo saber em tempo real as necessidades de táxis no território, através da utilização de tecnologias de inteligência artificial. Com foco nas horas de pico e feriados, a abordagem permitirá a coordenação com os operadores de plataformas para alocar dinamicamente a capacidade de transporte, melhorando a cobertura entre distritos e reduzindo períodos de inactividade de táxis. A “abordagem sistémica aumentará a eficiência operacional dos táxis”, foi defendido.
Justiça | Deputado diz que julgamentos à porta fechada não violam Lei Básica Hoje Macau - 23 Fev 2026 O deputado e subdirector da Faculdade de Direito da Universidade de Macau Iau Teng Pio defendeu que a realização à porta fechada de julgamentos ligados à segurança nacional não viola a Lei Básica da RAEM. Num artigo citado pela emissora pública TDM – Teledifusão de Macau, Iau defendeu que “o princípio de exclusão da publicidade” não equivale a “um segredo absoluto” do julgamento. No artigo, publicado na sexta-feira, o deputado defendeu que a proposta “está em conformidade com o espírito” do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (PIDCP), aplicável em Macau através da Lei Básica. Iau defendeu que um julgamento à porta fechada continua a ser “um processo justo” porque os advogados mantêm “diferentes direitos processuais”, que previnem “negociações secretas”. O jurista sublinhou que países como França e Alemanha – de direito civil, semelhante ao utilizado em Portugal, que serviu de base ao sistema legal de Macau -também preveem a exclusão de publicidade em casos que envolvam “segredo de Estado”. No artigo, Iau não faz qualquer comentário sobre as restrições à nomeação de advogado em casos de segurança nacional, algo que analistas ouvidos pela Lusa consideram inconstitucional.
Ano Novo | Sam faz “votos de paz e prosperidade à grande Pátria” João Santos Filipe - 23 Fev 2026 O Chefe do Executivo entrou no ano do Cavalo de Fogo com desejos de prosperidade nacional e apontou a “novos horizontes” para Macau, sob a “firme” liderança do Presidente Xi Jinping No tradicional discurso de entrada no Ano Novo Lunar, o Chefe do Executivo deixou desejos de “paz e prosperidade à grande Pátria”. A mensagem foi transmitida num vídeo gravado, divulgado na véspera no Ano Novo Lunar. “O sino do Ano do Cavalo vai tocar. Neste momento, a Primavera sente-se em todo o seu esplendor em Macau e esta pérola brilha incessantemente na palma da mão da Pátria”, afirmou Sam Hou Fai. “Apresento votos de paz e prosperidade à grande Pátria; à RAEM, votos de estabilidade e desenvolvimento próspero; a todos os residentes de Macau, votos de felicidades e muita saúde”, acrescentou. Em relação à entrada no novo ano, o governante afirmou que o “cavalo simboliza lealdade, coragem, espírito explorador e liberdade” e que estas qualidades “devem ser promovidas” para enfrentar “o futuro”. “Perspectivando o Ano do Cavalo, devemos, com espírito de liderança, coragem e perseverança, promover da melhor maneira o desenvolvimento de Macau em todas as vertentes; devemos, com persistência e dedicação, continuar a executar adequadamente os trabalhos para melhorar a vida da população em prol do seu bem-estar”, destacou. Ficar mais fortes Na mensagem, o Chefe do Executivo destacou ainda a necessidade da RAEM e o país continuarem a fortalecerem-se para alcançar novos êxitos. “Como diz a citação chinesa: ‘O movimento do céu é vigoroso; portanto, uma pessoa nobre deve esforçar-se incansavelmente por se fortalecer’”, vincou. “A história de sucesso do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ na RAEM é escrita geração após geração pelas gentes de Macau. Estou convicto de que, sob a firme liderança do Senhor Presidente Xi Jinping e do Governo Central, contando com a grande Pátria como respaldo inabalável, desde que tenhamos coragem para a reforma e a inovação, potenciando melhor as vantagens institucionais do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’, seremos certamente capazes de alcançar êxitos, abrindo novos horizontes de desenvolvimento e criando novos êxitos esplêndidos”, apontou o líder do Governo da RAEM.
Património | Histórias das lojas da Rua Cinco de Outubro contadas em livro Andreia Sofia Silva - 23 Fev 2026 Natalie Fu acaba de lançar um livro sobre o comércio tradicional da Rua Cinco de Outubro, a convite da Associação de Estudos de Reinvenção do Património Cultural de Macau. “Macao’s Historical House Taxonomy – The Shophouses at the Rua Cinco de Outubro” conta a história secular de lojas-casa que foram o “coração da comunidade chinesa de Macau” Acaba de ser editado um livro que revela um pouco da história do comércio feito pela comunidade chinesa na Rua Cinco de Outubro, localizada no Porto Interior, palco de muitas movimentações comerciais ao longo dos séculos. A obra explica também como estas lojas, que, ao mesmo tempo, são casas, revelam detalhes sobre a história de Macau. “Macao’s Historical House Taxonomy – The Shophouses at the Rua Cinco de Outubro”, da autoria de Natalie Fu, doutoranda na Universidade de São José, surge a convite da Associação de Estudos de Reinvenção do Património Cultural de Macau, cuja edição depende também “do apoio e da assistência de muitas outras pessoas”, contou a autora ao HM. Um dos espaços de venda do livro, que não tem versão em português, é a Pin-to Livros. “A investigação começou com o amor por Macau e pelos seus edifícios antigos”, revela a autora, que começou o trabalho de investigação em torno destes prédios em 2022, em plena pandemia. “A Rua de Cinco de Outubro sempre foi uma importante zona comercial em Macau. Outrora, era o coração da comunidade chinesa de Macau. Ainda hoje, muitas lojas antigas permanecem próximas do bairro local. As lojas são edifícios de uso misto”, explica ainda a autora. Este é o palco da diversidade comercial, uma vez que a Rua Cinco de Outubro “alberga vários negócios, tais como padarias tradicionais chinesas, lojas de medicina chinesa, lojas de chá e lojas de fruta”. Segundo a apresentação da obra, feita nas redes sociais pela própria associação, este tipo de imóvel constitui “um tipo comum de edifício residencial multifuncional”, onde a “planta dos edifícios é geralmente rectangular, com dois a três pisos”. Normalmente, o piso térreo é usado para a loja ou como armazém, enquanto que os pisos superiores estão reservados para a habitação. “Este tipo de construção consegue adequar-se ao clima local, apresentando grande flexibilidade nos métodos de construção e nos materiais utilizados. Devido à diversidade dos usos quotidianos, as casas-loja foram outrora o principal tipo de edificação das ruas de Macau, possuindo importante valor histórico, social, cultural, arquitectónico e estético”, lê-se ainda. Desafios de preservação Ainda segundo a mesma nota, o livro chama a atenção para a importância de se preservar este tipo de construção e, consequentemente, um símbolo do património local. “Infelizmente, por se tratarem de edifícios de pequena escala e dispersos, e por não estarem plenamente protegidos pela Lei de Protecção do Património de Macau, têm vindo a desaparecer gradualmente com o rápido desenvolvimento da sociedade”, sendo que, actualmente, “apenas um pequeno número destas construções tem a classificação de ‘monumento’ e está protegido”. Para Natalie Fu, “a preservação das lojas de Macau enfrenta muitos desafios, um dos quais é o facto de não estarem incluídas na lista existente de edifícios antigos protegidos de Macau”, além de que, na sua visão, “as alterações nas leis de construção também dificultaram a manutenção destes edifícios antigos”. Questionada sobre o futuro desta rua icónica do Porto Interior, a autora reconhece que “o crescimento de uma cidade envolve inevitavelmente a renovação e o desaparecimento de edifícios”, pelo que “determinar quais os edifícios que devem ser preservados e como preservá-los é um desafio a longo prazo”. Natalie Fu fala mesmo da necessidade de alargar a investigação a mais ruas de Macau que também são zonas de comércio tradicional. “A investigação e documentação das lojas na Rua Cinco de Outubro e em Macau são urgentes, uma vez que o seu número está a diminuir. Além disso, são necessárias investigações académicas adicionais e discussões com a comunidade local para informar a direcção futura da área do Porto Interior.” Em relação ao panorama na Rua Cinco de Outubro, a autora descreve que se deve apostar na manutenção, mantendo os espaços comerciais abertos. “As lojas que são mantidas em utilização destacam melhor o seu valor social. Tomando como exemplo algumas lojas na Rua Cinco de Outubro, a existência de lojas centenárias enfatiza ainda mais o valor cultural e histórico da área e das lojas. Além disso, ‘mantê-las em uso’ permite a monitorização e manutenção de forma mais imediata, o que constitui a forma mais directa de proteger a arquitectura antiga.” Uma certa influência Num território que pautado pela coexistência das culturas portuguesa e chinesa, o livro de Natalie Fu mostra como estas casas sofreram influências de outras culturas. “As arquitecturas chinesa e ocidental em Macau sempre se influenciaram mutuamente ao longo do desenvolvimento histórico, sendo esta característica particularmente visível na aparência das casas-loja.” Desta forma, este livro ajuda a cimentar essa característica, “estabelecendo um sistema de classificação das casas-loja de Macau, consolidando a sua definição arquitectónica”. Este livro é, portanto, um “estudo classificativo das antigas casas-loja de Macau”, constituindo “o primeiro passo para a sua salvaguarda”, descreve, na mesma nota, a associação que apoiou o projecto editorial e investigação. “A autora realizou um registo e levantamento detalhados [das lojas], começando por realizar visitas e levantamentos de cartografia na zona do Porto Interior. Foram elaborados mapas de localização das casas-loja existentes nessa rua, fichas de análise com base em trabalho de campo, registos fotográficos e entrevistas aos comerciantes e moradores actuais, de modo a compreender a história do uso de cada edifício.” Além disso, a obra documenta sete casos em particular, “fornecendo informações sobre a sua história, evolução e utilização actual, bem como uma discussão preliminar sobre possíveis direcções de preservação”. O livro deixa ainda o registo de dois exemplos de casas-loja que já desapareceram. “Espera-se que esta obra incentive mais pessoas a descobrirem a ‘beleza de Macau’. Tendo as casas-loja como tema central, é esperada a promoção do intercâmbio e da discussão entre académicos de diferentes áreas”, aponta ainda a associação. Natalie Fu convidou “vários especialistas e académicos para partilhar as suas ideias, experiências e sugestões sobre a protecção e o futuro deste tipo de edifícios”, é descrito. Nascida e criada em Macau, Natalie Fu teve a oportunidade de visitar todo o Sudeste Asiático desde muito jovem, viagens que a levaram a “fomentar uma profunda apreciação e paixão pela arquitectura”. A autora é licenciada em Arquitectura, descrevendo-se também como uma pessoa interessada pela área da conservação do património e uma “estudiosa da arquitectura histórica formada em Macau”.
Japonês Toshikazu Yamanishi bate recorde mundial da meia maratona de marcha Hoje Macau - 16 Fev 2026 O japonês Toshikazu Yamanishi estabeleceu hoje um novo recorde mundial da meia maratona de marcha, ao completar a prova, que decorreu em Kobe, com o tempo de 01:20.30 horas. A marca conseguida hoje por Yamanishi é a primeira a ultrapassar o recorde mundial inaugural de 01:21.30 horas, aprovado pelo Conselho Mundial de Atletismo em dezembro, após o anúncio de que a meia maratona e a maratona se tornariam as distâncias oficiais de estrada para eventos de marcha. Assim, desde 01 de janeiro deste ano, que se substituiu as distâncias de 20 quilómetros e 35 quilómetros na marcha pela meia maratona (21,1 quilómetros) e maratona (42,2 quilómetros) Toshikazu Yamanishi, de 30 anos, afastou-se do grupo da frente um pouco depois dos 17 quilómetros e acabou por passar aos 20 quilómetros com o tempo de 01:16.26 horas, apenas 16 segundos mais do que o recorde mundial desta distância que o próprio estabeleceu em 2025 no mesmo circuito. Com mais uma volta adicionada, o bicampeão mundial acelerou novamente para vencer por uma margem clara, em 01:20.34, com o tempo que constitui o novo recorde a aguardar agora o processo de ratificação habitual.
Estudo alerta para impacto cognitivo de vídeos curtos nas crianças Hoje Macau - 16 Fev 2026 Duas investigadoras da Universidade de Macau concluíram que vídeos de formato curto usados nas redes sociais e vistos em “scrolling” nos telemóveis impactam negativamente o desenvolvimento cognitivo das crianças, podendo causar ansiedade social e insegurança. “O consumo compulsivo de vídeos curtos tem um impacto negativo no desenvolvimento cognitivo, podendo causar falta de concentração, ansiedade social e dúvidas sobre si próprio”, explicou em declarações à Lusa Wang Wei, académica da área da Psicologia Educacional da Universidade de Macau (UM), autora do estudo “Dependência de vídeos curtos, envolvimento escolar e inclusão social entre estudantes rurais chineses”. “Esta concepção do vídeo curto pode ser particularmente perigosa para as crianças”, alertou a investigadora. “A nossa investigação indica uma correlação directa: quanto mais os estudantes consomem vídeos curtos, menos se envolvem com a escola”, prossegiu Wang. Wang argumenta que, embora as necessidades psicológicas fundamentais das crianças devam ser satisfeitas ‘offline’, a arquitectura das plataformas de vídeos curtos, com algoritmos personalizados e funcionalidades de interação social, satisfaz directa e subtilmente essas mesmas necessidades. Esta satisfação paralela, sugere a investigação de Wang, “leva potencialmente a um uso excessivo e ao vício”. “A natureza estimulante e de ritmo acelerado dos vídeos curtos torna-os altamente divertidos para os alunos,” acrescentou ainda a investigadora. Atenção precisa-se Anise Wu Man Sze, professora de Psicologia na Faculdade de Ciências Sociais da UM e autora do estudo “A relação das componentes afectivas e cognitivas no uso problemático de vídeos curtos”, acrescenta às conclusões de Wang as questões relacionadas com a sobre-estimulação das crianças, que prejudicam ainda mais o desenvolvimento cognitivo saudável. Os vídeos curtos capturam a atenção de todos precisamente porque “estão logo ali à mão e são gratuitos”, sublinha Wu, em declarações à Lusa. As pessoas podem aceder a quantidades vastas de vídeos curtos “a qualquer hora, em qualquer lugar”. Ora, esses comportamentos de dependência têm frequentemente origem num “propósito funcional”, explicou. “Temos de aumentar a consciencialização, sobretudo se o uso começar a afectar a vida quotidiana, levando ao sacrifício do tempo em família, à negligência do sono, ou as pessoas a navegarem em momentos inadequados, como durante as aulas ou a conduzir, pondo em risco a própria pessoa ou outras”, afirmou à Lusa. Quanto a intervenções junto das crianças, segundo Wang Wei, “é muito importante” satisfazer as suas necessidades emocionais, cultivando ao mesmo tempo a literacia digital e competências de autorregulação, “em vez de nos limitarmos a tirar-lhes o telemóvel”. Até Dezembro de 2024, o número de pessoas com acesso a este tipo de vídeos na China atingiu perto de 1,1 mil milhões de indivíduos, sendo que 98,4 por cento eram utilizadores activos deste formato, de acordo com o Relatório Anual sobre o Desenvolvimento dos Serviços Audiovisuais na Internet, publicado pelas autoridades chinesas.
GP | Corridas de apuramento regressam a Zhuhai Sérgio Fonseca - 16 Fev 2026 Antes do Ano Novo Lunar, a Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) deu a conhecer o calendário da próxima temporada das suas competições de velocidade, Macau Roadsport Challenge e GT4, que voltam a servir de processo de apuramento para as corridas de suporte do 73.º Grande Prémio de Macau. À semelhança das épocas anteriores, o mini-campeonato será disputado em duas jornadas duplas. O Circuito Internacional de Zhuhai regressa assim ao programa, acolhendo estas provas pela primeira vez desde 2018. Será igualmente a estreia absoluta, neste traçado, dos modelos utilizados na Macau Roadsport Challenge, Toyota GR86 (ZN8) e Subaru BRZ (ZD8), que se confrontarão pela primeira vez fora do habitual contexto competitivo. A temporada de 2026 apresenta ainda uma novidade relevante: a realização de uma corrida de teste extra-campeonato no Circuito Internacional de Zhuzhou. O traçado permanente da província de Hunan, que no ano transacto recebeu as corridas de qualificação organizadas pela AAMC, será palco de uma prova de preparação facultativa. Recorde-se que, já em 2025, a associação promoveu uma competição extra-campeonato após a definição do apuramento, então no Circuito Internacional da Cidade do Lago Ruyi, em Pingtan. As duas jornadas pontuáveis terão lugar na cidade vizinha de Zhuhai, ambas no mês de Maio. A primeira está agendada para o fim-de-semana de 8 a 10 de Maio, enquanto a segunda decorrerá entre 28 e 31 de Maio de 2026. As corridas da Macau Roadsport Challenge determinarão os apurados para a prova homónima do Grande Prémio de Macau, ao passo que as competições reservadas às viaturas GT4 definirão os participantes da Taça GT – Corrida da Grande Baía. A competição manterá um fornecedor exclusivo de pneus, continuando a confiar na Pirelli, que assegurará a venda directa e centralizada dos compostos. Durante a corrida de teste será permitido o uso de pneus adquiridos em 2025, mas nas provas de apuramento será obrigatório recorrer a pneus novos adquiridos em 2026. Inscrições com aumento significativo A taxa de inscrição registou um aumento expressivo, passando de 15.000 para 55.000 yuans. Este valor passa a incluir não apenas as duas provas de apuramento, mas também a corrida de teste, representando um acréscimo substancial face às temporadas anteriores. Em contrapartida, a organização assegura o transporte unificado das viaturas participantes e de oito conjuntos de pneu/jante entre o Circuito Internacional de Guangdong, onde se encontra sediada uma parte significativa das equipas de Macau, e o Circuito Internacional de Zhuzhou, em ambos os sentidos. Durante o evento de preparação, cada concorrente inscrito terá igualmente direito a três noites de alojamento em Zhuzhou, em hotel de três ou quatro estrelas. Adicionalmente, cada concorrente beneficiará de um apoio em pneus oficiais da Pirelli, correspondente a um valor aproximado de 10.000 yuans.
É preciso saber governar André Namora - 16 Fev 2026 No dia em que a ministra da Administração Interna tomou posse falámos com um comandante da Guarda Nacional Republicana (GNR) que nos disse “Ai, meu caro, esta ministra Maria Lúcia Amaral vai ser um desastre… a senhora é muito boa jurista, mas não tem a mínima habilidade para lidar com homens de barba rija, nem faz a mínima ideia do que são as forças de segurança e o que é preciso mudar num panorama tão perturbado e obscuro”. O comandante tinha razão. A ministra foi uma página negra do actual Governo e acabou por se demitir em tempo de calamidade. Tinha forçosamente de se demitir. Já era “bobo da corte” no seio da PSP, GNR e Proteção Civil. A senhora deixou o país atónito quando só passados três dias da tempestade Kristin atingir Leiria e Marinha Grande é que veio a público dizer… nada! Vários políticos e comentadores de televisão há muito que se tinham pronunciado no sentido de o primeiro-ministro substituir a ministra da Administração Interna. Luís Montenegro fez ouvidos de mercador e o resultado foi igual à catástrofe que tem atingido o território nacional. Montenegro olhou ao redor para os seus amigos e não encontrou no imediato um novo ministro para uma pasta tão importante. Montenegro não tem uma visão da realidade. Por sinal, Portugal tem uma personalidade que devia ser logo convidada, caso estivesse disposta, a ocupar o cargo de ministro da Administração Interna. Saber coordenar Forças Armadas com GNR, PSP, Bombeiros e Proteção Civil somente o almirante Gouveia e Melo. E viu-se na pandemia da Covid-19. Não votámos no candidato presidencial Gouveia e Melo, mas reconhecemos a sua postura de organizador, coordenador e com seriedade para ocupar o lugar de ministro da Administração Interna em tempos difíceis para o país, que se encontra de Norte a Sul numa situação de tragédia. Na semana passada até o inimaginável aconteceu. Nunca ninguém, muito menos um governante de infraestruturas, pensou que a principal autoestrada do país, a A1 que liga Lisboa ao Porto, pudesse colapsar devido à ruptura de um dique no rio Mondego. Na zona de Coimbra os automobilistas irão estar durante meses privados de usar a autoestrada. Voltamos sempre ao mesmo: é preciso saber governar. E o Governo no início das tempestades que têm assolado o país não esteve à altura dos trágicos acontecimentos. Nem sequer inseriu no planeamento de um novo apagão ou outro tipo de catástrofe, o armazenamento de uma substancial existência de geradores. Seria o mínimo. Ainda estão mais de 20 mil portugueses sem electricidade, passadas duas semanas da primeira tempestade que derrubou postes de energia e inundou postos de abastecimento. A verdade, é que milhares de portugueses têm sido desalojados das suas casas, de lares e evacuados de aldeias cercadas por água. Na zona de Coimbra os fuzileiros navais não param um dia de transportar pessoas, alimentos e outros bens nos seus carros anfíbios. Há pessoas que ficaram sem nada. Uma vida para construir uma casa e de um dia para o outro viram-se completamente sem o que reuniram durante anos. As terras em diversos locais do país estão saturadas de água e nos próximos tempos, segundo os especialistas, essas terras vão-se abater e as moradias que estiverem no seu caminho serão destruídas. Até em Porto Brandão, ao lado da Trafaria, e na Costa de Caparica as derrocadas das arribas provocaram centenas de desalojados. E a Câmara Municipal de Almada durante anos não previu que a tragédia pudesse acontecer? Temos muitos e competentes autarcas em Portugal, mas também temos incompetentes e corruptos que só se preocupam com a construção de rotundas e de outras obras megalómanas para espanhol ver. A reconstrução desta calamidade que atingiu Portugal vai demorar anos e uma das obras mais importantes, a instalação das linhas eléctricas subterrâneas já teve o veredicto “solidário” da União Europeia: não concede apoios para tal. E é assim que os portugueses vão assistindo a um país inundado, com a agricultura destruída, com casas e fábricas que desapareceram e com uma fila infindável de camiões que transportam muito do que alimenta a população, devido a um viaduto de autoestrada que colapsou, e sabe-se lá de que forma teria sido construído… apenas esperamos que no futuro saibam governar com o objectivo de proporcionarem aos portugueses uma vida melhor e mais pacífica.
Timorense Maria do Céu Lopes protege património de ‘tais’, tecidos tradicionais Hoje Macau - 16 Fev 2026 A timorense Maria do Céu Lopes descobriu a importância cultural do ‘tais’, panos tecidos por mulheres, em Timor-Leste durante a guerra e a cooperação com a resistência e hoje protege quase 400 exemplares, enquanto espera por um museu. Apesar de durante a meninice utilizar ‘tais’ em algumas cerimónias, só mais tarde, com a sua cooperação com a resistência e com a sua curiosidade, foi descobrindo o seu profundo valor cultural. Depois surge o desafio de um colega de infância, António Coelho, especializado em tecidos, para preservar o ‘tais’. É com o colega que inicia estudos para recolher informação sobre aqueles panos associados a todos os momentos importantes da vida de um timorense, mas pelo caminho criou, em 1999, a Timor Aid, uma organização não-governamental para proteger o património cultural timorense. “A Timor Aid conseguiu fazer, temos uma coleção de quase 400 peças, umas antigas, outras cópias das antigas que vimos no livro que o António nos deu”, disse à Lusa Maria do Céu Lopes. Além da recolha de informação oral, a Timor Aid também documentou em audiovisual todo o processo tradicional de produção de um ‘tais’, incluindo como se tinge o algodão, a partir de plantas naturais, estabeleceu uma rede de tecedeiras para proteger a tradição da confeção e também uma loja em Díli. Reconhecimento da UNESCO O seu esforço, por “fé e convicção”, foi reconhecido quando o ‘tais’ foi inscrito em 2021 na Lista do Património Cultural Imaterial que Necessita de Salvaguarda Urgente da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). “O reconhecimento, o mérito, não é nosso, é das tecedeiras e dos nossos ancestrais”, afirmou. Maria do Céu Lopes explicou que aquele têxtil tem um “papel muito importante na vida doméstica timorense”, além de identificar o grupo linguístico de quem o usa e a comunidade a que pertence. “O ‘tais’ é usado desde a vida até à morte, quando uma criança nasce a primeira coisa que se faz é envolvê-la num ‘tais’ e depois por aí fora: ‘barlaques’ [uma espécide de dote], funerais, as cerimónias rituais de ‘uma lulik’ [casa sagradas]”, disse. “Uma mulher, nos tempos antigos, a sua dignidade, a sua posição social, era pelo ‘tais’ que tecia, porque hoje em dia o ‘tais’ tem valor em dinheiro, mas antigamente era em búfalos, ‘morten’, os colares tradicionais, ‘belak’ [usado nos colares] e ouro”, salientou. Questionada pela Lusa sobre se o ‘tais’ pode perder-se, Maria do Céu Lopes considerou que não. “Mas, a qualidade do ‘tais’ moderno, poucos são bons”, lamentou, salientando que é necessário fazer a certificação do produto devido aos preços e para as pessoas terem a garantia do que estão a comprar. Maria do Céu Lopes lamentou também a falta de um museu para mostrar aquele património timorense, que é visto em museus no exterior, dando o Louvre como exemplo. “Tu queres um museu, eu quero um museu porque tenho o material para pôr, não é para mim é para Timor-Leste, não temos um centro cultural decente, nem em Díli”, lamentou. “Nós aqui não fazemos nada. Eu não posso construir um museu, não tenho dinheiro”, acrescentou. Enquanto espera pelo museu, a colecção da Timor Aid vai continuar protegida e à espera de dignidade para ser vista pelos turistas, que Timor-Leste pretende atrair.
K-Pop | Mark Tuan actua no Studio City em Março Andreia Sofia Silva - 16 Fev 2026 Mark Tuan, cantor do grupo de K-Pop GOT7, actua em Macau a 28 de Março no concerto “Silhouette: The Shape of You FANCON ENCORE”, apresentando as canções do novo álbum com o mesmo nome. Os bilhetes estão à venda desde sexta-feira O Studio City Event Center acolhe, no dia 28 de Março, aquele que promete ser um grande espectáculo para os amantes de K-Pop. Trata-se da actuação de Mark Tuan, membro do famoso grupo GOT7, que vem apresentar o concerto “MARK TUAN – Silhouette: The Shape of You FANCON ENCORE”, que visa “celebrar a evolução musical de Mark, oferecendo uma visão intimista de uma jornada pessoal de crescimento” do músico no universo dos espectáculos e dos discos, descreve um comunicado do Studio City. Os bilhetes estão à venda desde sexta-feira, 13, com valores a variar entre as 899 e 2.199 patacas, sendo que todos os titulares dos ingressos podem ter acesso a uma oferta adicional, nomeadamente um poster autografado e “a oportunidade de participar numa sessão ‘Hi-Bye’, oferecendo uma experiência interactiva que vai além das expectativas”, é revelado. O espectáculo, num formato mais próximo dos fãs, mostrará como Mark Tuan tem, na qualidade de cantor e compositor, “continuado a expandir as fronteiras musicais”, desenvolvendo “um estilo distinto nos últimos anos que combina rock alternativo com influências pop”. Há muito que Mark Tuan anda com esta digressão na estrada, terminando agora em Macau. Tal espectáculo irá “enriquecer ainda mais o panorama do entretenimento ao vivo da cidade, proporcionando ao público experiências culturais de alta qualidade”, descreve o Studio City. Canções na berra Esta constitui também uma oportunidade para Mark Tuan apresentar o seu segundo miniálbum, “Silhouette”, que traz o single principal carregado de emoção, “Sunsets and Cigarettes”; e uma “terna serenata” de nome “Pretty Little Picture”. Segue-se a música “visionária” de nome “Autopilot”. Este disco é como “um diário privado”, captando “a transição [de Mark Tuan] e a transformação através da música e das imagens, oferecendo um vislumbre do caminho a seguir na sua evolução musical”. Os GOT7 nasceram na Coreia do Sul em 2014, sob alçada da JYP Entertainment, e contam com sete cantores, um deles Mark Tuan, que se tem destacado numa carreira a solo.
China pede a EUA que 2026 seja um ano de “coexistência pacífica” Hoje Macau - 16 Fev 2026 China e EUA devem fazer de 2026 um ano de convergência para “o respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação mutuamente benéfica”, afirmou o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, ao homólogo norte-americano, Marco Rubio. Wang e Rubio reuniram-se na sexta-feira à margem da Conferência de Segurança de Munique, de acordo com um comunicado publicado sábado no portal oficial na internet do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. “O diálogo é melhor do que a confrontação, a cooperação é melhor do que o conflito e o ganho mútuo é melhor do que a (mentalidade de) soma zero nas relações entre a China e os EUA”, afirmou o chanceler chinês. Wang assegurou que, desde que Washington e Pequim “respeitem os princípios de igualdade, respeito e benefício mútuo”, poderão “encontrar formas” de resolver as tensões e gerir as diferenças “de forma adequada”. “Ambas as partes devem trabalhar juntas para expandir continuamente a lista de áreas de cooperação e reduzir a de problemas, para que as relações China-EUA se situem num rumo estável, saudável e sustentável de desenvolvimento, enviando uma mensagem positiva ao mundo”, acrescentou o chefe da diplomacia chinesa. Sinais positivos De acordo com o comunicado, Wang e Rubio concluíram que o encontro foi “positivo e construtivo” e concordaram em “facilitar as interações de alto nível” e “reforçar o diálogo e a cooperação em diversas áreas”. O Departamento de Estado dos Estados Unidos não divulgou ainda quaisquer informações sobre o encontro, assim como Rubio também não o fez nas redes sociais. A reunião antecede a esperada viagem do Presidente norte-americano, Donald Trump, à China no próximo mês de Abril — as datas exactas ainda não foram confirmadas —, durante a qual, segundo a imprensa local, poderá ser assinada uma prorrogação da trégua comercial de um ano que o Presidente republicano selou em Outubro com o homólogo chinês, Xi Jinping, após meses de confronto no âmbito das tarifas. Além disso, Trump afirmou recentemente que Xi também visitará os Estados Unidos “no final deste ano”, embora também esta visita não tenha sido confirmada oficialmente. O comunicado não faz referência aos assuntos abordados pelos dois presidentes num telefonema na semana passada, como, por exemplo, Taiwan, qualificada por Xi como a “primeira linha vermelha” nas relações com os Estados Unidos, um assunto que sugeriu a Trump que abordasse “com a máxima prudência”, após a última venda de armas à ilha autogovernada. A reunião desta sexta-feira foi a segunda presencial entre Wang e Rubio — sancionado pela China, em 2020, quando era senador pela Flórida, devido aos protestos em Hong Kong e às sanções por Xinjiang —, após a reunião do mês de Julho passado, à margem de uma cimeira da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).
O Que Wei Zhike Viu Numa Viagem Saindo de Nanquim Paulo Maia e Carmo - 16 Fev 2026 Zhu Yuanzhang (1328-1398) estabeleceria a sua capital numa florescente metrópole da região do delta do rio Yangzi, uma cidade que ele conhecera pelo nome Jiqing mas que, no ano de 1356 mudara para Yingtan, «em resposta ao Céu», ainda antes de ser o imperador Hongwu (r.1368-98) o fundador da dinastia Ming (1363-1644). Nessa cidade, hoje conhecida como Nanjing, a «capital do Sul» na Província de Jiangsu, mandou erigir uma monumental muralha com cerca de quarenta e oito quilómetros que impressionava os candidatos que vinham de toda a área de Jiangnan, «ao Sul do Grande rio Changjiang», uma região onde hoje estão as três Províncias de Anhui, Jiangsu e Xangai, para o exame trienal jinshi que os habilitava a exercer funções na burocracia imperial. Ao longo da dinastia Ming a fama literária e artística da cidade foi-se expandindo dada a presença de tantos homens instruídos na milenária cultura que habitualmente na Primavera se dirigiam ao Jiangnan Gongyuan, «o Palácio dos exames» e depois vinham saber os resultados, o anúncio fangbang, a «publicação do rol». Inspirados por reminiscências do seu augusto passado, evocando figuras que lá viveram como o calígrafo Wang Xizhi ou o celebrado pintor Gu Kaizhi, a vitalidade da cidade e a sua atractividade de que também fazia parte a efervescente vida urbana ao longo do rio Qinhuai, não esmoreceu. Nos últimos anos, quando o fulgor da dinastia iluminava mais, um letrado dedicado à pintura de modo profissional fez num rolo uma descrição de um caminho que ia em sentido inverso. Contrariando a sensação de sufoco na buliçosa metrópole e para ser observada de modo individual e lento. Num rolo horizontal com Paisagens das quatro estações e nos estilos de antigos mestres (tinta e cor sobre papel, 32,1 x 1183,6 cm, no Metmuseum) o pintor Wei Zhike (activo c. 1600 – depois de 1635) a representação inicia-se com reconhecíveis monumentos da cidade. Como a torre liulita, o «pagode de cerâmica vidrada», que de dia reflectia a luz solar e de noite luzia à claridade de cerca de cento e quarenta luminárias. Wei Zhike, realizando a ideia que está na expressão woyou, enunciada pela primeira vez por Zong Bing (375-443) de «viajar reclinado», mostra a seguir uma porta da muralha, atraindo o olhar do observador para sair, estendendo o rolo, numa viagem por caminhos desconhecidos e de constante adaptação a mudanças climáticas e de estilo de representação. Mas onde é reconhecível uma ondulante linha com quem o espectador vai, ajustando-se a rios com e sem ondas, montanhas que surpreendentemente se derramam e nuvens delineadas ou figuradas apenas como espaço em branco. E também evocando a forma como o engenho humano gentilmente se foi espelhando no carácter adaptativo da água, com diversos formatos de pontes para a ultrapassar ou noras que aproveitam a sua força.
Restauração | Após Macau, Manteigaria salta para Hong Kong Hoje Macau - 16 Fev 2026 A Manteigaria está ligada ao Grupo Portugália Restauração e tem o objectivo de no espaço de um ano abrir pelo menos três lojas na RAEHK. Porém, o futuro pode levar a expansão para mais mercados, como o Interior da China, Coreia do Sul ou o Japão O Grupo Portugália Restauração vai abrir em Abril a primeira loja em Hong Kong da Manteigaria – Fábrica de Pastéis de Nata, disse à Lusa o sócio-gerente do grupo em Macau. “É um projecto real e em andamento. Atrasou um bocadinho, mas já temos o espaço identificado [e] vai entrar em obras logo após o Ano Novo Chinês”, na zona Central da ilha de Hong Kong, disse Diogo Vieira. O período dos feriados do Ano Novo Lunar, palco da maior migração anual em todo o mundo, decorre este ano entre 15 e 23 de Fevereiro na China continental. “Estamos com muita expectativa e muito felizes por podermos entrar naquele mercado, que tem uma dinâmica diferente”, disse o sócio-gerente do Grupo Portugália Restauração em Macau. Vieira sublinhou que a Manteigaria tem planos maiores para Hong Kong, “uma cidade com sete milhões de habitantes, pelo menos, com uma área muito grande, com muitos turistas, com zonas muito populosas, onde é possível expandir com alguma rapidez”. “É o objectivo da marca, no espaço de um ano, após a abertura da primeira, conseguirmos pôr pelo menos três lojas abertas em diferentes locais de Hong Kong”, revelou o executivo. Mostrar Portugal “Vamos querer mostrar aos locais e aos turistas que visitam Hong Kong que é possível ter um produto que vem de Portugal (…) e mostrarmos o fabrico, a tradição portuguesa”, disse Vieira. Depois de Hong Kong, revelou o executivo, o “projecto de expansão” da Manteigaria irá espreitar “os outros mercados circundantes”, incluindo a China continental, Coreia do Sul, Singapura e Tailândia. A marca abriu a primeira loja na baixa de Macau em Janeiro de 2025, seguida de um segundo espaço na ilha da Taipa, em Novembro, e, disse Vieira, actualmente emprega “entre 25 e 30 pessoas”, vendendo em média 2.500 pastéis por dia. A operação da Manteigaria em Macau “é lucrativa e está em crescimento, portanto, espera-se que o investimento seja recuperado em bastante pouco tempo”, acrescentou o sócio-gerente do grupo. Macau contava no mercado com pastéis de nata locais, inspirados pelo pastel português, recriados por um britânico radicado na cidade, Andrew Stow (1955-2006). Apesar de isso ser “uma vantagem”, Vieira diz que foram feitos “os ajustamentos necessários (…) às necessidades de mercado, às vontades e à cultura local”, com uma redução para metade do açúcar usado na receita do pastel de nata. Em Outubro, o Governo de Macau inscreveu 12 manifestações, incluindo os pastéis de nata locais e a dança folclórica portuguesa, na Lista do Património Cultural Intangível do território. Uma decisão que irá beneficiar também o pastel português, defendeu Vieira. “Nós com a versão original portuguesa, os outros produtores locais com a versão de Macau, mas todos competimos um pouco no mesmo meio e num produto muito semelhante e acabamos todos por sermos beneficiados”, disse o executivo.
Lucros da operadora Melco quadruplicam em 2025 Hoje Macau - 16 Fev 2026 A operadora de casinos em Macau Melco Resorts and Entertainment anunciou lucros de 185 milhões de dólares em 2025, quatro vezes mais do que no ano anterior. Num comunicado enviado à bolsa em Nova Iorque, o presidente da Melco, Lawrence Ho Yau Lung, diz que “2025 foi um ano de crescimento e recuperação, impulsionado por uma gestão de custos disciplinada e pela expansão das margens”. As receitas da empresa aumentaram 11,2 por cento, para 5,16 mil milhões de dólares, apesar de ter encerrado em 2025 o Grand Dragon Casino, um ‘casino-satélite’, e três das seis salas de máquinas de jogos que detinha. Os ‘casinos-satélite’, sob a alçada das concessionárias, são geridos por outras empresas, sendo uma herança do passado que já existia antes da liberalização do jogo no território, em 2002. Quando a legislação que regula os casinos foi alterada, em 2022, estabeleceu-se o final de 2025 como data limite para terminar a actividade destes espaços de jogo. Dez dos 11 ‘casinos-satélite’ fecharam portas. O único sobrevivente foi o Royal Arc, que foi adquirido pela operadora SJM, fundada pelo falecido magnata do jogo Stanley Ho Hung Sun, que assumiu a gestão directa do espaço. Ritmo elevado As receitas da Melco subiram mais depressa do que o sector em geral. As receitas dos casinos de Macau cresceram 9,1 por cento em 2025, atingindo 247,4 mil milhões de patacas. Lawrence Ho, filho de Stanley Ho, sublinhou que o lucro operacional da empresa em Macau subiu 25 por cento no ano passado, para 1,23 mil milhões de dólares, “impulsionado por receitas e margens de jogo mais robustas”. A Melco opera em Macau, assim como em Chipre e nas Filipinas, tendo aberto um casino no Sri Lanka em Agosto. A Melco prevê gastar cerca de 10 mil milhões de patacas no segmento além-casino numa década, incluindo no “único parque aquático em Macau com instalações interiores abertas durante todo o ano”. A empresa destacou o relançamento, em Maio, no hotel-casino City of Dreams, do maior espectáculo permanente do território, The House of Dancing Water, que estava suspenso desde Junho de 2020, devido à pandemia de covid-19.
Wynn | Lucro da operadora encolhe 7,7% em 2025 Hoje Macau - 16 Fev 2026 Apesar da quebra nos lucros, a concessionária declarou-se optimista face ao futuro da principal indústria de Macau. Um dos motivos para o optimismo prende-se com o aumento das apostas em todos os segmentos do mercado A operadora de casinos Wynn Macau anunciou lucros operacionais de 1,09 mil milhões de dólares em 2025, uma queda de 7,7 por cento. Os proveitos da Wynn encolheram apesar de as receitas das duas propriedades da empresa em Macau terem aumentado 0,97 por cento em comparação com 2024, para 3,72 mil milhões de dólares, de acordo com um comunicado da operadora. As apostas nos casinos Wynn Macau e Wynn Palace foram responsáveis pela maioria do volume de negócios da empresa em 2025, arrecadando 3,13 mil milhões de dólares em receitas, uma subida de 3,5 por cento. Os resultados “reflectem a força contínua em todos os sectores da empresa e o progresso constante nas nossas iniciativas de desenvolvimento global”, afirmou Craig Billings, diretor executivo da empresa-mãe, a Wynn Resorts, citado no mesmo comunicado. O grupo norte-americano opera em Macau, assim como nos Estados Unidos e no Reino Unido, estando ainda a construir um casino nos Emirados Árabes Unidos. “Em Macau, observámos aumentos substanciais tanto nas apostas VIP como no mercado de massas, em comparação com o ano anterior e também em relação ao trimestre anterior”, disse Billings, referindo-se ao último trimestre de 2025. No segmento conhecido como jogo VIP, as apostas dos grandes jogadores subiram 15,9 por cento nos dois casinos da Wynn Macau, mas as receitas aumentaram muito menos, 0,93 por cento, para 632,7 milhões de dólares. Em média, os casinos a operar em Macau vão buscar 3 por cento das apostas no jogo VIP, mas em 2025 este valor caiu para 2,55 por cento no caso da Wynn Macau. Domínio das massas O chamado mercado de massas continuou a ser, de longe, o principal segmento para a operadora, representando receitas de 2,92 mil milhões de dólares, mais 2,4 por cento do que em 2024. Em 2019, o chamado jogo bacará VIP representava 46,2 por cento das receitas totais dos casinos de Macau. Mas em 2025 este segmento ficou-se por uma fatia de 27,5 por cento, apesar das receitas absolutas terem subido 24,1 por cento. As grandes apostas foram afectadas pela detenção do líder da maior empresa angariadora de apostas VIP do mundo, em Novembro de 2021. Alvin Chau Cheok Wa, antigo director executivo da Suncity, foi condenado em Janeiro de 2023 a 18 anos de prisão, num caso que fez cair de 85 para 18 o número de licenças de promotores de jogo emitidas em Macau. Numa teleconferência com investidores, realizada após o anúncio dos resultados, Craig Billings disse que “o bom momento em Macau tem continuado” em 2026, com o volume de negócios “ligeiramente acima” do registado no final do ano passado. “Continuamos optimistas quanto ao futuro de Macau”, disse o executivo.
Financiamento | Crédito malparado a subir Hoje Macau - 16 Fev 2026 Em Dezembro do ano passado, o rácio das dívidas não pagas dos empréstimos hipotecários para a habitação aumentou 0,1 pontos percentuais, em termos anuais, para 3,6 por cento, de acordo com os dados da Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Entre o mês de Novembro e Dezembro, o crédito malparado dos empréstimos para a habitação apresentou uma redução de 0,2 pontos percentuais. No que diz respeito aos empréstimos comerciais para as actividades imobiliárias, o crédito malparado teve igualmente um aumento anual de 0,1 pontos percentuais, para 5,4 por cento. Em Dezembro, os novos empréstimos para a compra de habitação totalizaram 898,36 milhões de patacas, uma redução anual de 11,0 por cento e mensal de 28,2 por cento. Rendas | Casas mais caras em 2025 No ano passado, a renda média por metro quadrado, medida pela área útil, da habitação atingiu 139 patacas, o que representou uma subida anual de 2,1 por cento, de acordo com os dados da Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC). As zonas onde as rendas da habitação mais subiram foram em Coloane (152 patacas), Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE), média de 120 patacas, e na Baixa da Taipa (140 patacas), com um aumento de 3,5 por cento. Contudo, a renda média das lojas caiu anualmente 1,7 por cento, para 469 patacas, enquanto as rendas dos escritórios registaram uma redução anual de 4,8 por cento, para 281 patacas. Em relação às zonas industriais, as rendas caíram 2,3 por cento no espaço de um ano, para 120 patacas. Reservas Cambiais | Janeiro arranca com redução Em Janeiro, as reservas cambiais da RAEM apresentaram uma redução de 1,5 por cento, em comparação com o valor apurado, e rectificado, de Dezembro do ano passado. A informação foi divulgada pela Autoridade Monetária de Macau, com o valor da reserva a cifrar-se nos 241,8 mil milhões de patacas no final de Janeiro. A taxa de câmbio efectiva da pataca de Macau, ponderada pelas suas quotas do comércio, foi de 100,5 em Janeiro de 2026, o que representou uma diminuição de 0,65 pontos face a Dezembro, e uma redução de 7,08 pontos em comparação com Janeiro de 2025. Face a esta variação, a AMCM explicou que “globalmente, a pataca de Macau caiu face às moedas dos principais parceiros comerciais”.
PIB | Macau com segundo valor per capita mais alto da Ásia Hoje Macau - 16 Fev 2026 Apesar de o PIB per capita ter superado as 600 mil patacas, ainda está longe do valor recorde de 2014, quando atingiu mais de 705 mil patacas O Produto Interno Bruto (PIB) per capita de Macau cresceu 4,3 por cento em 2025, foi anunciado na sexta-feira, superando as 600 mil patacas, o segundo valor mais elevado da Ásia. Os dados detalhados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que o PIB per capita da região atingiu 607.263 patacas no ano passado. De acordo com dados do Fundo Monetário, Macau tem o segundo PIB per capita mais elevado da Ásia, ficando apenas atrás de Singapura, e ocupa o 11.º lugar entre as jurisdições mais ricas do mundo. Apesar de ter crescido pelo terceiro ano consecutivo – graças ao fim das restrições impostas devido à pandemia – o PIB per capita do território permanece muito aquém do recorde de 705.535 patacas fixado em 2014. Depois de crescer 8,8 por cento em 2024, a economia de Macau – capital mundial do jogo e único local na China onde este é legal – desacelerou para uma expansão de 4,7 por cento no ano passado, sustentada sobretudo pelos casinos. O benefício económico do jogo aumentou 10 por cento em 2025, atingindo 198,1 mil milhões de patacas, representando quase metade (47,3 por cento) de todo o PIB da cidade. Se aos casinos se juntar o benefício económico do turismo, que cresceu 0,1 por cento no ano passado, para 111,6 mil milhões de patacas, então este sector reúne 74,1 por cento da economia de Macau. Longe de outros tempos O PIB de Macau em 2025 atingiu 418 mil milhões de patacas. Isto significa que a economia local é ainda 10,4 por cento menor do que em 2019, antes do início da pandemia. Na quarta-feira, a Fitch disse esperar que Macau continue a impulsionar o desenvolvimento de outros sectores, nomeadamente “aprofundando a integração” com a vizinha zona económica especial da Ilha da Montanha. No entanto, a agência de notação financeira alertou que as restrições à mão-de-obra vinda do exterior e a falta de pessoal qualificado estão a travar a diversificação da economia da região. Mas a Fitch alertou que os recursos humanos “irão restringir a capacidade de Macau de construir uma vantagem competitiva em sectores emergentes não relacionados com o jogo a curto prazo”. A região empregava no final de 2025 quase 184 mil trabalhadores migrantes, um aumento de quase 32 mil desde o fim da política ‘zero covid’, em Janeiro de 2023, mas ainda longe do pico máximo de 196.538, atingido no final de 2019. As autoridades de Macau têm apontado as relações económicas com os países de língua portuguesa como uma das prioridades para reduzir a dependência dos casinos. Em Dezembro, a Fitch previu que o crescimento do PIB do território irá desacelerar para 4 por cento em 2026, porque as condições económicas mais fracas” irão “pesar cada vez mais sobre os turistas chineses”.