Camboja | China elogia combate às burlas digitais num encontro em Pequim

O Presidente chinês elogiou a “determinação e as acções” do Camboja no combate às burlas digitais, durante um encontro em Pequim com o antigo primeiro-ministro cambojano Hun Sen no qual defendeu mais cooperação bilateral

 

Xi Jinping teceu elogios à forma determinada e pragmática como as autoridades do Camboja têm combatido o fenómeno das burlas digitais, durante uma reunião com o antigo primeiro-ministro cambojano Hun Sen em Pequim. Segundo um comunicado divulgado pela agência oficial Xinhua, Xi afirmou que a China está disposta a colaborar com Phnom Penh para “erradicar completamente este flagelo” da criminalidade cibernética.

Nos últimos anos, o Camboja tornou-se um dos principais centros de burlas digitais do Sudeste Asiático, muitas delas operadas por redes criminosas de origem chinesa e com vítimas em todo o mundo, incluindo em Portugal, segundo denúncias das Nações Unidas e de organizações não-governamentais.

Durante o encontro, realizado no Grande Palácio do Povo, em Pequim, Xi afirmou que a China pretende estabelecer uma “parceria de segurança” com o Camboja, país que classificou como uma prioridade da diplomacia chinesa de boa vizinhança. Pequim e Phnom Penh anunciaram, nos últimos meses, um reforço da cooperação no combate às burlas informáticas. No entanto, especialistas e organizações não-governamentais acusam as autoridades cambojanas de conivência com redes criminosas que transformaram este tipo de fraude num negócio altamente lucrativo.

Xi reiterou ainda o apoio da China ao Camboja na defesa da sua soberania e segurança, bem como na escolha de um modelo de desenvolvimento “adequado às suas condições nacionais”.

Foco completo

Em Maio, um sobrinho de Hun Sen anunciou que detinha 30 por cento das acções de uma empresa financeira ligada a um centro de burlas online e branqueamento de capitais. Ainda assim, segundo a Xinhua, Hun Sen, que é pai do actual primeiro-ministro do país, afirmou que o combate às fraudes nas telecomunicações constitui uma “prioridade actual” do Camboja e manifestou disponibilidade para aprofundar a cooperação com Pequim nesta área.

Hun Sen, de 73 anos, governou o Camboja entre 1985 e 2023. Actualmente preside ao Senado e ao Partido Popular do Camboja (CPP), mantendo uma forte influência política, apesar de ter sido sucedido como primeiro-ministro pelo filho, Hun Manet.

O encontro decorreu no âmbito de uma visita de Hun Sen à China, à frente de uma delegação de alto nível que deverá reunir-se também com outros dirigentes chineses.

A China é um dos principais parceiros económicos e políticos do Camboja, tendo financiado grandes projectos de infra-estruturas e reforçado a cooperação nas áreas da segurança e da defesa, incluindo a renovação da base naval de Ream, cujo alegado uso militar pela China tem sido negado por Pequim.

DeepSeek | Preparada vaga de contratações em disputa por talento na IA

A empresa chinesa de inteligência artificial (IA) DeepSeek lançou uma campanha de recrutamento para duplicar a dimensão de muitas das suas equipas, procurando acelerar a comercialização da tecnologia e reforçar a competitividade. Em comunicado, a empresa afirmou que pretende “expandir todos os departamentos”, acrescentando que muitas equipas deverão duplicar de dimensão.

A iniciativa assinala uma nova fase para a DeepSeek, que procura evoluir de um laboratório centrado na investigação para uma empresa de produtos de IA, ao mesmo tempo que prepara a sua primeira ronda de financiamento externo.

As vagas abertas abrangem gestores de produto, especialistas em operações, engenheiros de infra-estruturas e gestores de dados, incluindo perfis com experiência em áreas como direito, medicina e linguística, sinalizando uma aposta no desenvolvimento de aplicações específicas para diferentes sectores.

Piloto de avioneta que chocou com edifício mais alto de Pequim faleceu

Pequim confirmou que o piloto da avioneta que chocou contra um arranha-céus da capital chinesa morreu e que outras 13 pessoas ficaram feridas, na primeira referência pública ao incidente por parte de autoridades ou meios de comunicação chineses.

O acidente ocorreu às 17h55, hora local de sexta-feira, nas imediações da terceira rodovia de contorno de Pequim, onde uma aeronave desportiva leve, monomotor e biposto, colidiu em voo contra “um edifício de grande altura”, segundo uma conta das autoridades do distrito de Chaoyang, em Pequim, na rede social Wechat.

A escassa comunicação não identifica o piloto nem precisa o nome do edifício contra o qual o avião colidiu, embora o acidente tenha ocorrido contra o China Zun, também conhecido como CITIC Tower, o arranha-céus mais alto de Pequim.

A fonte indicou que o piloto era o único ocupante do aparelho e que os 13 feridos recebem tratamento médico, embora se desconheça se correm perigo de vida ou as circunstâncias em que sofreram lesões.

O texto acrescenta que “os departamentos competentes investigam as circunstâncias do acontecimento”, sem dar mais pormenores sobre o incidente. O comunicado também não esclarece de onde descolou a aeronave ou qual era o seu destino previsto, nem as causas pelas quais colidiu contra o edifício.

Até à publicação da mensagem oficial, os meios de comunicação chineses não tinham referido qualquer informação sobre o caso e as buscas em plataformas locais como Weibo ou Douyin não apresentavam resultados recentes sobre o impacto, enquanto as imagens e vídeos do incidente circulavam no X, rede social bloqueada na China.

A mensagem

Mesmo após as informações das autoridades, as imagens dos danos causados na sexta-feira pelo impacto e dos destroços da pequena aeronave continuavam sem circular nas redes sociais do gigante asiático.

O incidente ocorreu em Guomao, um dos principais distritos financeiros da capital chinesa, uma área de intensa actividade empresarial onde têm sede numerosas empresas chinesas e estrangeiras e que costuma registar uma elevada afluência no final da semana laboral.

O impacto provocou um buraco na fachada envidraçada do China Zun, a grande altura, e a queda de fragmentos da aeronave numa via próxima ao arranha-céus e peças dos níveis superiores.

A base de dados Aviation Safety Network, da Flight Safety Foundation, já tinha incluído na sexta-feira uma entrada sobre o incidente na qual identificava a aeronave como um Sunward SA 60L Aurora com matrícula B-12PP, embora advertisse que a informação disponível procedia por enquanto de fontes não oficiais.

O sinistro ocorreu numa capital submetida a um estrito controlo de segurança devido à condição de sede do Governo Central e do Partido Comunista Chinês, com amplos dispositivos de vigilância e restrições sobre o uso de drones e do espaço aéreo de baixa altitude reforçadas nos últimos meses. O China Zun tem 528 metros de altura, foi inaugurado em 2018 e tornou-se então no arranha-céus mais alto da capital chinesa.

Cooperação | Hong Kong e Brasil negoceiam acordo para facilitar comércio

O Governo de Hong Kong anunciou ontem o início das negociações com o Brasil para um acordo que poderá facilitar o comércio entre os dois mercados. O plano irá abrir portas a benefícios mútuos como taxas de inspecção reduzidas e desalfandegamento prioritário

 

A região vizinha de Hong Kong está a negociar com o Brasil um acordo para agilizar o mercado entre os dois mercados, foi ontem anunciado pelo Governo da RAEHK. A Alfândega da região disse ontem que assinou, no sábado, um plano de acção com a Secretaria Especial da Receita Federal, que está sob a tutela do Ministério da Fazenda do Brasil. O plano “inicia oficialmente as negociações” com o Brasil para um Acordo de Reconhecimento Mútuo para Operadores Económicos Autorizados, disse a Alfândega, num comunicado.

O acordo permitirá aos operadores económicos autorizados “de ambas as economias usufruir de benefícios recíprocos de facilitação do comércio, incluindo taxas de inspecção reduzidas e desalfandegamento prioritário”, explica a nota.

O plano de acção foi assinado pelo comissário adjunto Li Kin-kei, e pelo coordenador-geral de Administração Aduaneira do Brasil, Felipe Mendes Moraes, em Bruxelas. A assinatura aconteceu à margem de reuniões de vários órgãos da Organização Mundial das Alfândegas, que decorreram entre 22 e 27 de Junho, na capital da Bélgica.

Também em Bruxelas, o comissário da Alfândega de Hong Kong, Chan Tsz-tat, assinou um Acordo de Reconhecimento Mútuo para Operadores Económicos Autorizados com o Chile. O Governo de Hong Kong sublinhou que este é o segundo protocolo assinado com uma economia da América do Sul, depois do acordo firmado com o Peru, em Dezembro.

Ir a todas

A Alfândega de Hong Kong prometeu prosseguir com discussões sobre acordos de reconhecimento mútuo com outras jurisdições e expandir a rede de operadores económicos autorizados. O Governo apontou como alvos a Associação das Nações do Sudeste Asiático – da qual Timor-Leste é membro – estados árabes, países africanos e os que fazem parte da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota, como incluindo Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

A Alfândega de Hong Kong já tinha assinado acordos de reconhecimento mútuo para operadores autorizados com 18 economias, incluindo o Interior da China, Macau, Japão, Índia, Canadá e Austrália.

Em 17 de Junho, o Governo de Hong Kong anunciou o alargamento a mais oito países, incluindo o Brasil, de um fundo criado para promover a internacionalização das pequenas e médias empresas (PME) locais.

O secretário para o Comércio e Desenvolvimento Económico, Algernon Yau Ying-wah, referiu também que o limite de financiamento por candidatura subiu de 100 mil para 150 mil dólares de Hong Kong. O subsídio pode ser usado para participar em feiras e exposições numa das 48 economias abrangidas, assim como em publicidade, registo de marcas, testes ou certificações e em portais de PME na Internet.

Hong Kong | Detidos por manipulação de jogos de futebol e apostas ilegais

As autoridades de Hong Kong anunciaram a detenção de 19 pessoas, incluindo treinadores e jogadores, suspeitos de integrarem um esquema de manipulação de resultados de jogos de futebol e apostas ilegais.

Num comunicado, a agência anticorrupção da região anunciou uma operação conjunta com a polícia para “desmantelar uma organização criminosa controlada por membros do meio futebolístico local”.

“Com recurso aos contactos dos jogadores e a subornos, manipulavam resultados de jogos locais com o objectivo de obter lucro”, disse Bill Ng Siu-kei, investigador da Comissão Independente Contra a Corrupção, numa conferência de imprensa. Entre os 19 detidos estão dois treinadores, incluindo um de um clube da primeira divisão de Hong Kong, sete futebolistas de três equipas do principal escalão da cidade e um antigo jogador.

A agência acredita que o grupo criminoso estava em actividade “há aproximadamente dois ou três anos” e terá movimentado mais de seis milhões de dólares de Hong Kong em apostas ilegais.

Um relutante coleccionador de arte na dinastia Song

Zhao Heng (968-1022), o terceiro imperador, com o nome Zhenzong (r.997-1022) da dinastia Song, recebeu em 1013 o quarto, último e mais volumoso, volume intitulado Cefu yuangui, «Tartaruga primordial do departamento dos livros», de um extraordinário empreendimento visando registar mais do que de modo enciclopédico, porque abarcava por exemplo cópias completas de textos, todo o conhecimento disponível naquele tempo.

Se é certo que já desde o século III existiam esses repositórios que incluíam compêndios e antologias, foi só durante a dinastia Song (960-1279) com esses quatro volumes que começaram a ser compostos no tempo do imperador Taizong, o pai de Zhenzong, então designados Songsi dashu, que esse género de compilação recebeu o título de leishu «categoria de livros».

Foi também nesse tempo que mais se expandiu o culto da antiguidade entre literatos fora do palácio imperial, presente na expressão jinshi xue, «estudo de bronzes e pedras», em que estes se dedicavam a excavações e a catalogar e coleccionar objectos da cultura e da arte. Esse interesse pelo coleccionismo não se desenrolava sem alguma ambiguidade porque tanto o Daoísmo, o Confucionismo como o Budismo que influenciavam a cultura, pugnavam pela noção da superioridade do ser sobre o ter.

Um caso evidente dessa heterodoxia é notório no percurso do poeta, pintor e homem de letras em geral, Su Shi (1037-1101). Seguindo o exemplo de seu pai para quem chegou a comprar objectos raros, o poeta valorizava em particular artefactos relacionados com as artes do pincel. Num famoso relato sobre o «Pavilhão dos tesouros da pintura», Baohui tang do pintor e poeta Wang Shen (c.1036-c.1093) alertava contra o perigo de se deixar ficar obcecado ou espiritualmente embaraçado pela posse de riquezas materias porque, escreveu: «Entre todos os objectos que nos podem dar prazer, nada se compara com caligrafias e pinturas na sua capacidade de deleitar os homens sem os fazer desviar do bom caminho.»

Xiao Chen (c. 1645-c. 1715), um pintor e homem de letras que viveu num tempo em que os imperadores manchus buscavam exibir a legitimidade do mandato celeste através do reconhecimento da cultura, também seguiu esse propósito imperial. Numa pintura feita no formato de leque desdobrável (tinta e cor sobre papel, 51,6 x 18 cm, no Museu do Palácio, em Pequim) retrata Su Shi com o seu tradicional chapéu alto, Dongpo jin, sentado a uma mesa onde estão antigos objectos de bronze, recebendo um criado que chega com os braços cheios de rolos de pinturas ou caligrafias. À sua frente um literato exibe a outro um estranho objecto. Diz-se que num excesso de admiração diante de uma antiga pintura de um dragão feita por Huang Quan (903-965), que fazia pinturas com minuciosos detalhes que ele desprezaria, Su Shi acendia uma vela e rezava por chuva em dias de seca.

Grande Baía | CURB assume presidência da Aliança de Design

O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, sediado em Macau e presidido pelo arquitecto Nuno Soares, assumiu a presidência da Great Bay Area Urban Design Alliance (Aliança do Design Urbano da Grande Baía).

Segundo um comunicado do CURB, a presidência “posiciona Macau como um centro de excelência regional” nesta área, sendo que a anterior presidência da entidade esteve a cargo da Sociedade de Planeamento Urbano de Shenzhen.

O CURB irá presidir à Aliança nos próximos dois anos, pretendendo colocar a RAEM “no centro de uma rede regional dedicada a promover a excelência no design urbano e a colaboração interdisciplinar”, trabalhando “em estreita colaboração com organizações parceiras, numa agenda clara para melhorar a qualidade de vida através de espaços públicos dinâmicos”.

Pretende-se ainda “contribuir activamente para o desenho urbano nas principais cidades da região da Grande Baía”, lê-se na mesma nota.

A Aliança de Design Urbano da Grande Baía foi criada “para promover o diálogo, a colaboração e a inovação no design urbano e no planeamento”, reunindo “instituições profissionais de referência de toda a região”, nomeadamente o Instituto de Design Urbano de Hong Kong, a Associação de Planeamento Urbano de Guangzhou, a Sociedade de Planeamento Urbano de Shenzhen, a Associação da Indústria de Exploração e Design de Planeamento de Zhuhai e o CURB.

IC | Nova edição de festival infantil de artes arranca esta semana

Cinema, espectáculos e muita magia: arranca amanhã a terceira edição do Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau. O cartaz traz produções de companhias de teatro locais e ainda a participação da Trupe Fandanga, de Portugal, com “Os Lobos de Pedra”

 

Começa amanhã mais uma edição, a terceira, do Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau (MICAF, na sigla inglesa), que traz muitos espectáculos destinados aos mais novos, workshops e cinema exibido na Cinemateca Paixão.

Com um cartaz repleto de actividades até Agosto, o festival, que é organizado pelo Instituto Cultural (IC), apresenta também exposições de arte, uma feira artística, sessões de leitura para crianças e também um “Acampamento Criativo para Crianças”. O objectivo, segundo uma nota do IC, é “incentivar crianças, adolescentes e famílias a aproximarem-se e a experimentar a arte”, bem como promover o desenvolvimento artístico dos mais novos.

É oferecida “uma variedade de experiências culturais e de entretenimento familiar, permitindo que crianças e adultos criem memórias inesquecíveis e emocionantes com as suas famílias durante as férias de Verão”.

Um dos destaques da programação vai para a presença do grupo “Trupe Fandanga”, de Portugal, que apresenta entre os dias 14 e 17 de Agosto o espectáculo de marionetas “Os Lobos de Pedra”, no Estúdio I do Centro Cultural de Macau (CCM).

Neste espectáculo entra-se “no coração de um menino” e embarca-se “numa aventura divertida e emotiva”, em que a brincadeira “se desenrola numa ilha feita de madeira, chapas de metal e objectos estranhos, onde tudo pode, de repente, desmanchar-se, transformando-se em novos lugares, como por magia”, descreve a sinopse do espectáculo.

Este menino é o Pedro que “imerge até ao mais profundo do seu ser”, um lugar “onde vivem lobos pretos, brancos e, por vezes, cinzentos”, sendo este espectáculo uma nova interpretação do clássico “Pedro e o Lobo”. Nos dias 1 e 2 de Agosto é a vez do espectáculo de produção local – “Os Hamesters de Chong Chong”, do Teatro de Marionetas Rolling Puppet, que se apresenta no pequeno auditório do CCM.

Pretende-se aqui “reavivar uma história plena de momentos ternurentos”, sobre o momento em que Chong Chong “ganha o seu primeiro hamster e a criaturinha se torna, inesperadamente, no seu guia, ajudando-o a lidar com a perda”, e também a lidar com “a aventura de crescer”. A peça fala “de amizade e de despedidas”, lê-se na sinopse.

Ainda em Julho, nos dias 11 e 12, a Escola de Dança do Conservatório de Macau apresenta o espectáculo “Crescer com a Dança 2026 – A Minha Cidade, o Meu Sonho”, que “tece uma narrativa comovente sobre uma pequena cidade e as suas grandes aspirações, traçando um retrato emocionante e onírico através de histórias fantásticas e coreografia brincalhona”.

Destaca-se ainda, na programação, a presença de outro grupo internacional, o Erth Visual & Physical Inc. da Austrália, que apresenta, já esta semana, sexta-feira e sábado, o espectáculo “O Zoo dos Dinossauros de Earth”, no grande auditório do CCM.

O espectáculo propõe uma “gigantesca diversão para pequenitos exploradores”, numa “emocionante viagem no tempo”, em que o público é transportado para um tempo em que havia dinossauros. Estes, personificados em marionetas, marcam presença no palco do CCM com outras criaturas, como “insectos e herbívoros de tempos antigos”.

Além disso, do Interior da China chega a Companhia Artística Anjo da Paz Soong Ching Ling, que apresenta o espectáculo de variedades infantil “Paz e Futuro”. Trata-se de uma estreia em Macau, apresentando-se ao público “ópera de Pequim, música e actuações corais, mostrando o encanto diversificado da cultura tradicional chinesa”.

Livros e companhia

O tema da edição deste ano do festival é “crescimento, comunicação e legado”, pretendendo-se “levar crianças e adultos a experimentar a vida através de histórias comoventes e emocionantes no ecrã”, descreve uma nota do IC.

O cartaz apresenta também, nos meses de Julho e Agosto, a “Festa de Fim-de-Semana com MICAF”, que se realiza, como indica o título, todos os fins-de-semana na praça do CCM. Os participantes podem aproveitar os jogos, experiências interactivas com insufláveis e oficinas de artes, sendo que nas últimas duas semanas de Agosto, entre sexta-feira e domingo, realiza-se a actividade “Artes em Festa”, com uma área infantil de disfarces, espectáculos interactivos, visitas aos bastidores, workshops, zona de restauração e bancas de jogos.

Destaca-se ainda a “Livraria das Crianças”, em formato “pop-up”, aberta todos os sábados e domingos, de Julho a Agosto, na Sala ARTmusing do CCM, onde se incluem “mais de 600 tipos de livros ilustrados, livros para jovens leitores, livros com imagens, cartilhas e outros produtos culturais e criativos de vários países e regiões”.

Cinema na cidade

Outro ponto alto do festival é o ciclo de cinema infantil que passa não apenas nos ecrãs da Cinemateca Paixão como também em alguns locais públicos. É o caso do filme de animação “Flow”, do realizador Gints Zilbalodis, que fez um brilharete nos Óscares, exibido dia 11 de Julho, às 20h30, no Jardim do Mercado do Iao Hon. Nesta história, um gato vai descobrindo o mundo destruído aos poucos pela presença humana, tendo de sobreviver a inúmeros perigos. Também no mesmo dia, e no mesmo local, será exibido “Monstros da Montanha”, a partir das 18h, do realizador Yu Shui.

Este festival parece estar a ter boa adesão por parte do público, ao ponto de o IC ter criado sessões adicionais para alguns espectáculos, cujos bilhetes começaram a ser vendidos no sábado. É o caso dos espectáculos “O Zoo dos Dinossauros”, “O Bosque das Maravilhas”, “Crescer com a Dança 2026 – A Minha Cidade, o Meu Sonho”, “Acampamento Artístico Familiar” e “Acampamento Criativo para Crianças”.

Algumas sessões de cinema também já estão esgotadas, sendo que, para as exibições ao ar livre, os bilhetes têm de ser levantados na Cinemateca Paixão. Os bilhetes para o festival estão à venda na plataforma Enjoy Macao.

Hotelaria | Palácio 13 com funcionamento experimental

O Palácio 13, empreendimento hoteleiro que nasceu do antigo Hotel 13, abriu portas no sábado ainda de forma experimental, noticiou o jornal Ou Mun. Lui Ka Hei, administrador-executivo do hotel, disse que a gerência optou por uma abertura de forma experimental para garantir a qualidade dos serviços prestados.

Nesta fase, disse o responsável, o foco não está em conseguir uma elevada taxa de ocupação, mas sim garantir a qualidade e estabelecer a reputação da marca. Lui Ka Hei assegurou que o Palácio 13 vai ser divulgado através das redes sociais, plataformas de turismo e meios de comunicação social para que mais turistas conheçam o hotel.

Por outro lado, ficou feita a promessa de que o salão de banquetes e demais espaços de grande dimensão do Palácio 13 serão utilizados para a realização de eventos corporativos, casamentos e conferências.

Hotéis com quebra anual de hóspedes

Os hotéis de Macau receberam em Maio, 1.174.000 de hóspedes, um decréscimo de 4,5 por cento, em termos anuais, anunciou na sexta-feira a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

O número de hóspedes da China continental (847.000) e de Hong Kong (148.000) diminuíram 6,2 por cento e 8,6 por cento, respectivamente, lê-se num comunicado da DSEC, que refere ainda que o número de hóspedes internacionais (117.000) aumentou 16,1 por cento no mês em análise.

No final de Maio, Macau contava com 147 estabelecimentos hoteleiros, o mesmo número do que no mesmo período do ano passado, e disponibilizava quase 45 mil quartos (-0,5 por cento), ainda de acordo com os dados divulgados pela DSEC.

A taxa de ocupação média dos estabelecimentos hoteleiros, em Maio, fixou-se em 89,8 por cento, subindo 1,8 pontos percentuais, em termos anuais, indica-se no comunicado. Nos cinco primeiros meses do ano, refere ainda a DSEC, os estabelecimentos hoteleiros hospedaram 6,02 milhões pessoas, ou mais 0,3 por cento em relação a igual período do ano passado.

Em 2025, os estabelecimentos hoteleiros de Macau fixaram um novo recorde de hóspedes, com quase 14,6 milhões, mais 1 por cento do que o anterior máximo, atingido no ano anterior.

Droga | Mais de 400 pessoas pediram ajuda para desintoxicação em 2025

No ano passado, 46 pessoas pediram ajuda pela primeira vez devido ao consumo de drogas, num total de mais de quatro centenas. Os dados constam do relatório anual do Sistema do Registo Central dos Toxicodependentes

 

Um total de 418 pessoas procuraram apoio para desintoxicação em 2025 – incluindo 46 novos casos – uma diminuição de 30 por cento face ao ano anterior, de acordo com um relatório das autoridades de Macau.

“De um modo geral, o número de pedidos de apoio para desintoxicação tem-se mantido estável nos últimos anos,” afirmou na quinta-feira o Instituto de Acção Social (IAS) em comunicado, citado no relatório anual do Sistema do Registo Central dos Toxicodependentes, divulgado na véspera do Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, celebrado na sexta-feira.

De acordo com a Lei de Combate à Droga, quem consumir ilicitamente estupefacientes, como cetamina, ecstasy, cocaína, heroína, canábis, entre outros, é punido com pena de prisão de três meses a um ano ou com pena de multa de 60 a 240 dias por consumo ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas.

Segundo o relatório, em 2025, o número total de consumidores de droga registados em Macau foi de 132, uma diminuição de 10,8 por cento relativamente a 2024, dos quais dois eram jovens com menos de 21 anos.

“Comparando com os últimos cinco anos, a situação geral da toxicodependência mantém-se num nível relativamente baixo, sendo a metanfetamina a droga principalmente consumida, persistindo, contudo, de forma significativa, o problema da ocultação do consumo de drogas”, acrescentou.

Mais tráfico e consumo

Dados separados da Polícia Judiciária (PJ) de Macau mostram que houve 63 casos de tráfico de droga (+12) em 2025, o que representa um aumento de 23 por cento em termos homólogos. No mesmo período, os casos de consumo de droga também aumentaram mais de 60 por cento, para 29 casos.

“Novas drogas estão constantemente a surgir e os métodos dos traficantes estão cada vez mais dissimulados, representando uma ameaça e um perigo cada vez maiores para os jovens,” afirmou o director da PJ, Sit Chong Meng, numa campanha antidroga na terça-feira.

A PJ lançou este ano um programa antidroga nas escolas, tendo recrutado 20 alunos de 11 escolas, “formados para serem embaixadores na promoção do combate às drogas”.

Por outro lado, o IAS tem vindo a implementar, desde 2000, um programa de educação para a prevenção da toxicodependência, com um plano de estudos que abrange desde o jardim de infância até ao 11º ano e que abrange mais de 80 por cento das escolas de Macau.

A Lusa questionou a PJ sobre o valor total das drogas apreendidas em 2025 e sobre dados relativos ao número de estudantes consumidores de drogas, mas até ao momento, não recebeu respostas.

Universidades Cidade de Macau e Beira Interior iniciam cooperação

As universidades da Cidade de Macau (CityU Macau) e da Beira Interior (UBI) marcaram “o início de uma cooperação académica” com um acordo para a mobilidade académica e a possibilidade de investigação sobre os países de língua portuguesa.

O memorando de entendimento prevê o “desenvolvimento de iniciativas de interesse mútuo”, como o intercâmbio de docentes, investigadores e estudantes, a implementação de projectos de ensino, investigação e extensão, a promoção de palestras e intercâmbio de publicações académicas, lê-se num comunicado da UBI, divulgado na quinta-feira.

Entre as possibilidades abordadas, refere-se na nota, está a criação de oportunidades de mobilidade temporária para estudantes da UBI no território chinês, com o vice-reitor da CityU Macau a apontar a existência de apoios “em áreas como propinas, alojamento e viagens”. “Esperamos que estas medidas possam atrair alguns estudantes da vossa universidade para o nosso campus”, indicou Ip Kuai Peng.

Acordo na Covilhã

O acordo, assinado na semana passada na Covilhã por este responsável – que liderou uma comitiva de cerca de 20 elementos – e a reitora da UBI, Ana Paula Duarte, marca “o início de uma cooperação académica, científica e institucional” entre as duas instituições, indica-se na nota.

Outras possibilidades de cooperação, em diferentes áreas científicas representadas na comitiva da CityU Macau, debateram-se no encontro: entre os participantes encontravam-se, por exemplo. elementos do Instituto de Investigação sobre Países de Língua Portuguesa, do Centro de Investigação para o Desenvolvimento Social e Económico de Macau e da Faculdade de Saúde e Bem-Estar.

A UBI vai receber em Julho uma delegação de 20 estudantes do ensino secundário de Macau, que participam num programa de integração dedicado à língua e à cultura portuguesas, nota-se ainda no comunicado da instituição de ensino superior portuguesa.

IAM | Primeiros pandas nascidos em Macau deixam região em Outubro

Com o envio para o Interior dos gémeos Jian Jian e Kang Kang, ou Hoi Hoi e Sam Sam em cantonês, o Pavilhão do Panda Gigante vai ficar reduzido a dois pandas. Apesar das saídas, não há planos para o envio de mais pandas para Macau

 

O Governo anunciou que os primeiros pandas gigantes nascidos em Macau, os gémeos Jian Jian e Kang Kang, irão partir em Outubro para a China continental. O anúncio foi feito pelo presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), Chao Wai Ieng, durante a festa do 10º aniversário dos pandas gémeos, para a qual foram convidados dez estudantes de 10 anos.

Num discurso, Chao disse que os gémeos irão partir para a Base de Estudo de Procriação dos Pandas Gigantes de Chengdu, no sudoeste da China, “para iniciarem a próxima fase de aprendizagem e crescimento”. De acordo com um comunicado do IAM, Chao recordou que tem sido esta instituição a ajudar Macau a cuidar de Jian Jian e Kang Kang, que agora “entram na idade adulta”.

Segundo o Fundo Mundial para a Natureza, os pandas gigantes geralmente são considerados adultos a partir dos 4 anos, atingem a maturidade sexual por volta dos 6 anos e podem viver até 30 anos em cativeiro. Em Chengdu, os gémeos nascidos em Macau “vão aprender a adaptar-se ao ambiente natural num espaço mais vasto e experimentar uma vida natural mais rica”, acrescentou Chao.

A decisão “reflecte a grande importância atribuída pelo país à protecção dos animais raros” e a filosofia de “respeitar a Natureza, adaptar-se à Natureza e proteger a Natureza”, disse o presidente do IAM. Apesar de estar emocionada, a chefe da Divisão de Conservação da Natureza do IAM, Mok Weng Han, que cuida de Jian Jian e Kang Kang, sublinhou que “são como crianças, estão a crescer e queremos que saiam e aprendam mais”.

Jian Jian e Kang Kang são chamados em cantonês Hoi Hoi e Sam Sam. Os dois nomes em conjunto significam felicidade.

O Estado manda

Já o chefe da Divisão de Estudos de Protecção da Natureza do IAM, Chan Hoi Fong, admitiu à imprensa local que “ainda não há planos” sobre um eventual regresso dos gémeos e sublinhou que “todos os pandas gigantes estão sob a gestão do Estado”.

O IAM disse aos jornalistas que também não há planos para o envio de mais pandas para Macau e revelou que irá aproveitar a partida de Jian Jian e Kang Kang para realizar obras no Pavilhão do Panda Gigante.

O pavilhão, situado no parque de Seac Pai Van, em Coloane, é formado por dois espaços interiores de 330 metros quadrados – destinados às actividades do panda – e um jardim exterior de 600 metros quadrados.
Nascidos a 26 de Junho de 2016, os gémeos, ambos do sexo masculino, são filhos de Kai Kai e Xin Xin, o segundo casal de pandas gigantes oferecido pela China a Macau em 2015.

Os nomes dos gémeos, Jian Jian e Kang Kang, ditos em conjunto significam “saúde”, tanto em cantonês como em mandarim. Os nomes foram escolhidos pelo então líder do Governo, Fernando Chui Sai On, a partir de uma lista de nomes sugeridos pelos residentes de Macau.

Mercado laboral | Subemprego subiu para 2,4%

A taxa de subemprego dos residentes cresceu para 2,4 por cento no período entre Março e Maio. Este número representa um aumento de 0,2 pontos percentuais em comparação com o período entre Fevereiro a Abril, de acordo com a informação dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

“O número de residentes subempregados foi de 7.100, salientando-se que a maioria trabalhava no ramo dos serviços prestados às empresas e no ramo dos transportes e armazenagem”, foi comunicado.
Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego dos residentes manteve-se em 2,3 por cento, igual à registada no período entre Fevereiro a Abril.

“O número de residentes desempregados foi de 6.700, a maioria dos que estavam à procura de novo emprego trabalhavam anteriormente no ramo de actividade económica do comércio a retalho, no ramo da construção e no ramo dos transportes e armazenagem”, foi explicado. O número de residentes desempregados à procura do primeiro emprego representou 9,3 por cento do total de residentes desempregados, menos 0,2 pontos percentuais, face ao período precedente.

Em termos globais, a taxa de desemprego manteve-se nos 1,8 por cento, enquanto a taxa de subemprego (1,9 por cento) aumentou 0,2 pontos percentuais.

Sessões oferecem 110 vagas de trabalho

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e a Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) vão organizar duas sessões de emparelhamento de emprego com 110 vagas. Os lugares disponibilizados na próxima sexta-feira dizem respeito a funções numa farmácia e ainda em dois supermercados.

As inscrições encontram-se abertas a partir das 09h de hoje até às 12h de quinta-feira. No dia 3 de Julho, na parte da manhã, será realizada a sessão para trabalhar na Farmácia Wan Tung, com 20 vagas de emprego para vendedor ao balcão. À tarde, há 90 vagas para vender em caixa, arrumar prateleiras, empacotar produtos, entre outras, nos supermercados Royal e San Fan Seng.

A DSAL comunicou que as sessões têm como objectivo “ajudar os residentes de Macau a encontrar o emprego e dar resposta às necessidades e à pressão dos sectores em torno de recursos humanos”.

Zona de Cooperação | Mais de 1.300 candidatos fazem prova escrita

Mais de 1.300 candidatos fizeram no sábado provas escritas para 50 vagas nos serviços públicos da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. O concurso está aberto apenas a residentes de Macau

 

A Direcção dos Serviços de Assuntos Administrativos da Zona de Cooperação Aprofundada revelou que, na tarde de sábado, 1.304 candidatos realizaram provas escritas para um concurso para cargos públicos na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin.

O concurso, que visa a contratação de residentes da RAEM para 50 vagas na Zona de Cooperação, atraiu 4.550 candidatos, sendo que, após uma primeira selecção, 1.426 ficaram qualificados para as provas escritas, que se realizaram em duas escolas situadas em Hengqin, em 48 salas de exame.

Segundo um comunicado da referida direcção de serviços, após apresentação de documentos adicionais por parte dos candidatos, um total de 1.304 pessoas puderam fazer as provas escritas, representando uma taxa de participação de 91,44 por cento. Esta taxa é considerada pela entidade responsável como a mais elevada em comparação com as mais recentes provas escritas realizadas em concursos deste género.

Autocarros para ajudar

As autoridades de Hengqin referem que 781 candidatos aptos a realizar as provas escritas já haviam passado no concurso de avaliação de competências integradas, feito em Macau. Estes candidatos partiram de uma posição de vantagem, com a possibilidade de receberem pontos adicionais no processo de selecção para as provas escritas.

A Direcção dos Serviços de Assuntos Administrativos da Zona de Cooperação Aprofundada disse ainda que foi criado um serviço de autocarros exclusivo para garantir que nenhum candidato faltasse às provas, tendo sido transportados de forma gratuita cerca de 500 candidatos entre o Posto Fronteiriço de Hengqin e as escolas na Zona de Cooperação. Além disso, foram mobilizados agentes de trânsito nas proximidades das escolas para organizar o trânsito.

As regras do concurso público determinam ainda que, depois das provas escritas, serão escolhidos 250 candidatos para a fase de entrevistas, o que representa a proporção de uma vaga por cada cinco candidatos.

Segundo foi anunciado em Maio, as 50 vagas de emprego disponíveis neste concurso dizem respeito às áreas jurídica, administrativa, gestão financeira, estatística, planeamento urbanístico ou desenvolvimento de quadros qualificados, estando definido um salário base de 19 mil renminbis. O salário, durante o período experimental, será de 80 por cento desse montante. Pediam-se candidatos com idades compreendidas entre os 18 e 38 anos, nascidos entre 21 de Maio de 1987 e 20 de Maio de 2008.

Óbito | Ex-directora do Kiang Wu morreu aos 105 anos

Leong Sao Chan, ex-directora Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu e do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, morreu na semana passada. O óbito foi assinalado pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, que enviou uma mensagem de condolências à família.

“A Senhora Leong Sao Chan foi uma patriota que toda a sua vida amou a Pátria e Macau. Desde 1939, ano em que ingressou na Escola de Enfermagem Kiang Wu, dedicou toda a sua vida ao desenvolvimento dos cuidados de saúde de Macau. A sua bondade e virtude iluminaram Macau, e o seu legado resplandece como um testemunho eterno da missão hospitaleira”, pode ler-se na mensagem.

O Lam destacou ainda o papel de Leong Sao Chan durante a guerra com o Japão, ao nível dos cuidados médicos de população e soldados. “A Senhora Leong Sao Chan teve sempre no seu coração os assuntos de Macau e as grandes causas da Pátria”, foi acrescentado.

APEC | Sam Hou Fai destacou papel da RAEM na ligação ao Ocidente

No discurso de boas-vindas da reunião ministerial da Cooperação Económica Ásia-Pacífico, o Chefe do Executivo destacou a importância histórica de Macau e apelou a novas formas de cooperação

 

O papel de Macau ao longo da história enquanto elo de ligação entre o Oriente e o Ocidente foi um dos principais destaques de Sam Hou Fai, durante o discurso no jantar de boas-vindas da 13ª Reunião Ministerial do Turismo da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC).

Diante dos convidados, o Chefe do Executivo começou com poesia: “‘De todos os portos de acesso a Cantão, o que mais floresce é o de Macau’, diz um poema chinês, como testemunho vívido do papel histórico de Macau enquanto um centro importante de intercâmbio comercial entre o Oriente e o Ocidente”, afirmou. “É esta pequena cidade do oriente, com apenas cerca de 33 quilómetros quadrados e uma população inferior a 700 mil habitantes, que continuamente se constrói numa sedimentação cultural do Oriente e do Ocidente”, realçou, antes de pedir aos convidados para explorarem novas formas de cooperação.

Sam Hou Fai defendeu ainda que a RAEM “incorpora o espírito de reforma, abertura, pragmatismo e perseverança” e que transmite “um legado de património mundial marcado pela cooperação e concertação, que se estende por toda a cidade”. O dirigente máximo da RAEM considerou igualmente que “em diferentes períodos históricos, Macau sempre desempenhou um papel importante no fomento do intercâmbio entre o Oriente e o Ocidente”.

Sam Hou Fai não esqueceu a última vez que Macau recebeu o evento: “A realização, mais uma vez, em Macau, da Reunião Ministerial do Turismo da APEC, após um intervalo de doze anos, portanto desde 2014, reveste-se de especial significado para nós. É uma grande honra o Governo da RAEM acolher novamente este importante evento internacional, o que demonstra, na íntegra, a profunda confiança e o firme apoio do Governo Central à RAEM”, vincou.

A reunião deste ano teve como tema “Inovação Digital, Empoderamento Colaborativo: Alavancando o Turismo para uma Comunidade da Ásia-Pacífico”, e ficou marcada pelo cancelamento da conferência de imprensa final com a apresentação dos resultados do fim-de-semana de reuniões.

Encontros à margem

Antes do jantar, o Chefe do Executivo recebeu o director-executivo do Secretariado da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), Eduardo Navarro Pedrosa. Durante a reunião, Sam Hou Fai mostrou abertura para que “as economias-membro da APEC aproveitem plenamente a função de plataforma de Macau e aproveitem a oportunidade gerada pelo desenvolvimento de Macau e da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”.

O líder do Governo pediu também que as economias-membro da APEC “usufruam das vantagens integradas de Macau e Hengqin e transformem ambas num ‘elo de ligação’ e ‘trampolim’ para aceder à Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e ao mercado do Interior da China”.

Por sua vez, Eduardo Pedrosa destacou que a RAEM possui uma forte atractividade e um encanto específico nos domínios do turismo, gastronomia, indústria de convenções e exposições.

A APEC é um bloco económico formado por 21 membros fundada em 1993 com o objectivo de criar uma área de livre-comércio. Entre os membros constam a China, Hong Kong e os Estados Unidos, que estiveram ausentes do encontro no território. Apesar de ser o anfitrião, Macau não integra este bloco.

Sismos na Venezuela fizeram mais de 160 mortos, com projecções a apontar para milhares

Foto: DR

Os dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala de Richter que atingiram ontem a região central da Venezuela fizeram pelo menos 164 mortes e 971 feridos, no último balanço feito pelas autoridades antes do fecho desta edição. Porém, projecções apontam para a possibilidade de largos milhares de mortos.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima, no entanto, com base em modelos informáticos, entre 10 mil e 100 mil mortes.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez disse que La Guaira terá sido a região mais afectada e declarou o estado, situado no norte do país sul-americano, perto da capital, como uma “zona de desastre”. “Podemos dizer que o estado de La Guaira enfrenta uma verdadeira tragédia e tornou-se uma zona de catástrofe”, enfatizou.

Rodríguez admitiu, num primeiro balanço, que eram esperadas mais vítimas mortais, à medida que decorrem os esforços de resgate e salvamento, após os dois sismos de magnitude superior a 7 na escala de Richter, com apenas 39 segundos de intervalo. Os dois abalos foram registados na Venezuela pelas 18h de quarta-feira (06h de ontem em Macau).

O USGS, que monitoriza a actividade sísmica em todo o mundo, calculou uma probabilidade de 42 por cento de que o número de mortos se situe entre as 10 mil e as 100 mil vítimas mortais; a possibilidade de 33 por cento de entre mil e 10 mil mortes e uma hipótese que indica 17 por cento de mais de 100 mil mortes.

Para realizar as estimativas, o USGS tem em conta variáveis como a densidade populacional local e as características dos edifícios. “Em geral, a população desta região vive em edifícios vulneráveis a sismos, embora também existam estruturas resistentes a sismos. Os tipos mais comuns de edifícios vulneráveis são estruturas de tijolo, alvenaria não reforçada e de blocos de adobe”, destacou a agência.

Vinte réplicas

O USGS estimou ainda as perdas económicas resultantes dos sismos, calculando — com base nos dados actuais — que podem variar entre 1 a 7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela.

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o primeiro sismo, de magnitude 7,2, atingiu a costa da Venezuela a oeste de Morón, a cerca de 168 quilómetros de Caracas, com uma profundidade de 22 quilómetros, noticia a Associated Press (AP). Menos de um minuto depois, USGS registou um sismo de magnitude 7,5. Este segundo abalo teve uma profundidade de 10 quilómetros e epicentro a 16 quilómetros a sudoeste de Morón.

Foram depois registadas cerca de 20 réplicas, ainda segundo o USGS, que descreveu a situação como “uma catástrofe que se espera ser de magnitude considerável”.

O sismo de magnitude 7,5 que atingiu a Venezuela foi o mais forte registado no país em mais de um século, indicam os dados avançados ontem pelo USGS. Um terramoto de magnitude estimada em 7,7 na costa do país, a nordeste de Caracas, foi registado a 29 de outubro de 1900, tendo causado “danos consideráveis”, lembrou o Serviço Geológico dos EUA.

Venezuela | Portugal vai enviar 50 elementos de protecção civil

Portugal colocou à disposição da Venezuela, que aceitou, uma equipa de proteção civil de emergência de 50 elementos para ajudar nas operações no país após os dois sismos de ontem, anunciou o primeiro-ministro.

Luís Montenegro fez este anúncio através da rede social X, depois de ter falado telefonicamente com a Presidente venezuelana, Delcy Rodriguez. “Portugal está disponível para ajudar a Venezuela quando, onde e da forma que o Governo venezuelano entenda útil. Pusemos desde já à disposição imediata uma equipa de protecção civil de emergência de 50 elementos, o que a Presidente Delcy Rodriguez prontamente agradeceu e aceitou”, afirmou.

No telefonema, o primeiro-ministro português disse ter transmitido à Presidente da Venezuela “plena solidariedade dos portugueses para com o povo e o Governo da Venezuela, perante esta tragédia” e condolências pelas vidas perdidas. “Participaremos no apoio conjunto da União Europeia, através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, cuja ajuda a Venezuela já solicitou”, referiu.

Montenegro assegurou ainda que a Embaixada portuguesa em Caracas e rede consular “está mobilizada para apoiar a enorme comunidade portuguesa na Venezuela”, “A Venezuela tem canal aberto com Portugal, para apoio no plano bilateral e da União Europeia. A Venezuela conta com Portugal na reacção e na recuperação desta catástrofe natural”, disse.

Cinco portugueses, quatro dos quais da mesma família, estavam ontem desaparecidos em La Guaira, na Venezuela, onde dois sismos causaram na quarta-feira dezenas de mortos e centenas de feridos, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros português.

Que surpresa!

No passado dia 16, o Chefe do Executivo compareceu à sessão plenária da Assembleia Legislativa. De acordo com o website da Assembleia, a agenda do dia era a seguinte: perguntas e respostas sobre as Linhas de Acção Governativa e assuntos sociais com a presença do Chefe do Executivo”. Inicialmente, pensei que esta sessão seria semelhante às anteriores, nas quais existia uma troca dinâmica de dúvidas e esclarecimentos entre os deputados e o Chefe do Executivo.

No entanto, no início da sessão, o Presidente da Assembleia Legislativa anunciou um novo modelo: o Chefe do Executivo iria primeiro apresentar as Linhas de Acção Governativa e depois responderia às perguntas dos deputados. Além disso, as perguntas seriam agrupadas por categorias e os deputados seriam separados em vários grupos de acordo com a natureza das suas questões.

A sessão de perguntas e respostas prosseguiu com os deputados de cada grupo colocando as questões individualmente, a que se seguiu uma resposta geral do Chefe do Executivo dirigida a todo o grupo. Não foram permitidas mais perguntas após ter sido dada a resposta geral. Depois das questões colocadas pelos deputados de todos os grupos terem sido respondidas a sessão terminou.

A sessão abriu com o Chefe do Executivo a fazer uma apresentação de 40 minutos dos resultados das acções governativas do primeiro semestre de 2026 e das prioridades das acções governativas do segundo semestre. Seguidamente foram colocadas as perguntas do primeiro grupo de seis deputados relativas ao tema da “renovação urbana”.

A sessão prosseguiu desta forma, grupo após grupo, até estar concluída. Este novo modelo concebido pelo Chefe do Executivo e pelo Presidente da Assembleia Legislativa impressionou-me bastante.

No tempo em que participava nas sessões de perguntas e respostas da Assembleia Legislativa, os Serviços de Apoio à Assembleia Legislativa notificavam os deputados da data da sessão com antecedência. Cerca de duas semanas antes, os deputados apresentavam aos Serviços de Apoio à Assembleia Legislativa um máximo de três perguntas para serem respondidas pelo Chefe do Executivo. Devido ao intervalo de tempo entre a submissão das perguntas e a realização da sessão, alguns deputados poderiam modificar as suas questões e havia mesmo alturas em que colocavam perguntas de improviso sobre temas que não tinham sido submetidos aos Serviços de Apoio à Assembleia Legislativa.

Submeter as perguntas com antecedência tem a vantagem de permitir que o Chefe do Executivo tenha uma janela de tempo para se preparar, e a vantagem de poder fazer perguntas de improviso é trazer à liça com prontidão as preocupações públicas mais urgentes. As perguntas de improviso podem apanhar uma pessoa desprevenida, no entanto eu vi o antigo Chefe do Executivo, Chui Sai On, manter a compostura respondendo com grande nível às questões colocadas pelos deputados, o que criou um ambiente interactivo na Assembleia Legislativa.

Ao categorizar as perguntas colocadas pelos deputados, limita-se as suas questões a um único tópico, ou então as perguntas têm de ser negociadas e decididas entre eles. A resposta geral do Chefe do Executivo enquadra-se no critério “mais informação, mais rápida, de maior qualidade e mais económica”, o que melhora significativamente a eficácia. Mesmo as pastas com documentação em papel do Chefe do Executivo nesta sessão eram mais “magras” do que costumavam ser (porque ele precisa de se preparar com antecedência antes de responder às perguntas).

Este modelo da sessão de perguntas e respostas, que foi discutido e aprovado, introduziu um novo quadro de governação coordenada entre os ramos executivo, legislativo e judicial, que demonstra em pleno a predominância do poder executivo. É particularmente digno de nota que na véspera da ida do Chefe do Executivo a esta sessão, a nova Secretária para a Economia e Finanças tenha tomado posse, permitindo que todos os cinco Secretários tenham estado presentes na sessão plenária da Assembleia Legislativa.

Os tópicos debatidos na sessão incluíram o “15.º Plano Quinquenal do País”, o “3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM”, a “Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”, a Zona de Cooperação Aprofundada Qianhai-Macau, as “quatro principais indústrias” e os “quatro grandes projectos”. Se estes planos e projectos irão ajudar a população de Macau, especialmente os mais jovens, será sem dúvida a questão que mais preocupa as pessoas em geral.

Hyundai | Trabalhadores aprovam greve por melhores salários

Os trabalhadores da sul-coreana Hyundai Motor aprovaram o recurso à greve, após o fracasso das negociações salariais, exigindo um aumento de 85 euros e um prémio de desempenho. O Sindicato dos Metalúrgicos da Coreia (KMWU) indicou ontem que 86,65 por cento dos seus cerca de 40.000 associados aprovaram a greve, sem adiantar as datas para a sua realização.

Os representantes dos trabalhadores e a administração da empresa estão em negociações desde Maio, mas ainda não foi alcançado um acordo. Segundo a estrutura sindical, os próximos passos seriam decididos após uma sessão de mediação com a Comissão Nacional de Relações Laborais, agendada para ontem.

Os trabalhadores exigem um aumento salarial de 149.600 won (cerca de 85,31 euros) e um prémio de desempenho equivalente a 30 por cento do lucro líquido da empresa no ano passado. Por outro lado, reivindicam que o limite da idade da reforma seja fixado nos 65 anos.

Os trabalhadores da Hyundai Motor também têm vindo a demonstrar preocupação face ao futuro do seu posto de trabalho perante o recurso à Inteligência Artificial.

Timor-Leste | Cabo Verde e Angola destacam importância de “Lu Olo”

O Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, e a embaixada de Angola em Timor-Leste manifestaram consternação com a morte, domingo, de Francisco Guterres “Lu Olo”, antigo chefe de Estado timorense, destacando a sua importância na história do país.

“Foi com enorme consternação que tomei conhecimento do falecimento de Francisco Guterres Lu Olo”, afirma José Maria Neves, numa carta enviado ao homólogo timorense, José Ramos-Horta, e divulgada ontem à imprensa. Na carta, o Presidente cabo-verdiano recorda “Lu Olo” como uma “figura incontornável da história” timorense, enquanto “obreiro da construção de um Timor-Leste independente e democrático e defensor da reconciliação, da paz e do desenvolvimento sustentável”.

Numa outra carta, também enviada à Presidência timorense e hoje divulgada, Angola, através do seu embaixador em Díli, salienta que o legado de “Lu Olo” vai permanecer como “testemunho de coragem, dedicação e compromisso com a liberdade, a democracia e a soberania de Timor-Leste, valores que unem profundamente as nossas nações no seio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”.

O velório de “Lu Olo”, também presidente da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente, começou segunda-feira na sua residência e terminou ontem. As cerimónias fúnebres realizam-se hoje.

Filipinas | Aplicação de jogos bloqueada depois de tiroteio em escola

As Filipinas bloquearam um jogo para telemóvel, depois da investigação ao tiroteio numa escola de Tacloban, que resultou em três mortos, ter apurado que um dos jovens atiradores jogava um jogo violento. Estudos científicos nunca encontraram ligações entre videojogos e comportamentos violentos

O Governo das Filipinas bloqueou temporariamente no país um jogo para telemóvel, chamado “Gorebox”, depois de se ter descoberto que um dos dois jovens atiradores que espalharam o pânico numa escola secundária de Tacloban, na ilha central de Leyte jogava o referido jogo.

O caso ocorreu na passada segunda-feira, quando dois rapazes, de 14 e 15 anos, dispararam armas de fogo dentro de uma sala de aula na Escola Secundária Nacional de San Jose. Três alunos morreram e outros 20 ficaram feridos. O alegado jogador de “Gorebox” será, segundo as autoridades, o menor de 14 anos.

Segundo a descrição na Google Play, o jogo permite ao jogador “destruir tudo o que deseja e “envolver-se em combates brutais com um vasto arsenal de armas e explosivos”.

Apesar de, até hoje, nenhum estudo científico ter encontrado relações directas entre jogar videojogos e comportamentos violentos na vida real, a agência de cibersegurança das Filipinas avançou essa possibilidade.

“Não podemos ignorar possíveis influências online que possam ter contribuído para este trágico incidente. O bloqueio temporário do jogo permitirá às autoridades fazer uma avaliação exaustiva para determinar se a plataforma desempenhou algum papel nas acções dos suspeitos”, afirmou Aboy Paraiso, subsecretário do Centro de Investigação e Coordenação de Cibercriminalidade, citado pela BBC News.

O “Gorebox” é um “first person shooter”, que coloca a visão do jogador numa perspectiva de primeira pessoa, que permite a interacção online entre vários jogadores. Devido à extrema violência, o jogo é para maiores de 18 anos, restrição que facilmente é contornada por menores que têm telemóveis.

Não virar a cara

Apesar da relativa frequência nas Filipinas de crimes que envolvem arma de fogo, tiroteios em massa são um fenómeno raro no país, muito menos cometidos por menores. Na terça-feira, já ao fim do dia, a polícia apresentou acusações de homicídio contra o suspeito de 15 anos. O suspeito que jogava “Gorebox”, um ano mais novo, é demasiado novo para ser acusado do crime de acordo com a legislação filipina.

O porta-voz da Polícia Nacional das Filipinas afirmou que o jovem de 14 anos aparentou ter sido “fortemente influenciado” por conteúdos online, além de ter publicado conteúdos violentos na Internet.

Recorde-se que na investigação preliminar, os suspeitos alegaram serem vítimas de bullying na escola, traçando um cenário de vingança.

Ouvido pela BBC News, um amigo do suspeito acusado descreve o suspeito de 15 anos como um jovem que se recusava aceitar insultos, envolvendo-se em cenas de pancadaria, com uma educação muito disciplinada e conhecimento profundo de armas.

“Dizia-lhe para ser mais maduro em caso de mal-entendidos, ou para pedir desculpa se se envolvesse em brigas, mas ele não me dava ouvidos. Ele não permitia que ninguém o ofendesse. A sua roupa e penteado davam ares militares. Acho que foi influenciado pelo avô para ser muito disciplinado. Mas não conseguia imaginar que pudesse fazer uma coisa tão hedionda”, comentou o amigo em anonimato.

Justiça | Auditoria oficial detecta evasão fiscal em bancos estatais

Uma auditoria oficial chinesa acusou dois dos maiores bancos estatais do país de evasão fiscal e concessão irregular de empréstimos, envolvendo milhares de milhões de yuan, segundo um relatório divulgado ontem pelo Tribunal Nacional de Contas.

De acordo com o relatório anual do organismo, o Bank of China evitou o pagamento de 2,4 mil milhões de yuan em impostos entre abril de 2023 e agosto de 2025. Segundo os auditores, o banco pediu aos seus trabalhadores que investissem entre um e 100 yuan em 11 fundos de capital privado, de forma a que estes pudessem ser apresentados como fundos públicos e beneficiar de isenções fiscais.

O relatório acusa ainda o Agricultural Bank of China de conceder ilegalmente 11 mil milhões de yuan em empréstimos destinados a projectos agrícolas entre Dezembro de 2021 e Agosto de 2025. Parte desse financiamento foi desviada para a compra de produtos de gestão de património e para o reembolso de dívidas, segundo o documento. Citado pela imprensa chinesa, o Agricultural Bank of China afirmou que “aceita sinceramente a supervisão” da auditoria e prometeu reforçar os mecanismos internos de conformidade.

O relatório identifica igualmente falhas de gestão no China Everbright Group, outro conglomerado financeiro estatal.

Segundo os auditores, o grupo deixou de exercer controlo sobre várias subsidiárias até Agosto de 2025 e algumas empresas utilizavam indevidamente a marca Everbright. A divulgação da auditoria gerou reacções nas redes sociais chinesas, onde vários utilizadores questionaram como um banco controlado pelo Estado conseguiu evitar o pagamento de impostos.

“Para que bolsos foram os impostos desviados?”, escreveu um utilizador, enquanto outros defenderam a aplicação de multas e a recuperação dos montantes em causa.

Unidade étnica| Defendida lei que poderá ser aplicada fora do país

A China defendeu como legítima a lei sobre “unidade étnica”, aplicável fora do território nacional, e considerou estar em conformidade com a prática internacional. A legislação promove o mandarim como língua comum nacional na educação, administração e locais públicos

 

A lei sobre a unidade étnica, que entra em vigor a 1 de Julho, foi aprovada em Março pela Assembleia Nacional Popular e, segundo especialistas, consolida a abordagem de assimilação em relação às minorias étnicas, dando continuidade a anos de alterações políticas a nível provincial.

A lei oficializa políticas destinadas a promover o mandarim como “língua comum nacional” na educação, na administração e nos locais públicos. De acordo com o artigo 15º da nova lei, o mandarim deve ser ensinado a todas as crianças antes do jardim de infância e durante toda a educação obrigatória, até ao final do ensino secundário.

O mandarim já é a principal língua de ensino na Mongólia Interior, no Tibete e em Xinjiang, regiões onde vivem grandes populações de minorias étnicas chinesas, mas esta lei estabelece que as línguas minoritárias não podem ser a principal língua de ensino no país.

A coesão social constitui um eixo central desta nova lei sobre a “unidade étnica”, que tipifica como infracção o envolvimento em “actividades terroristas violentas, actividades separatistas étnicas ou actividades extremistas religiosas”.

Uma cláusula do texto prevê que as suas disposições podem ser aplicadas fora das fronteiras chinesas, ou seja, organizações ou pessoas que se encontrem no estrangeiro e sejam consideradas infractoras podem ser “responsabilizadas juridicamente”. O vice-ministro da Justiça chinês, Hu Weilie, afirmou que esta cláusula “estava em conformidade com os princípios jurídicos”.

“Esta disposição está enraizada nas realidades nacionais (…), está em conformidade com a prática internacional e constitui uma medida jurídica legítima, lícita, necessária e exequível”, disse Hu, em conferência de imprensa, de acordo com uma transcrição oficial.

Mais harmonia

O responsável criticou veementemente os meios de comunicação social ocidentais, acusando-os de distorcer a interpretação desta cláusula, e afirmou que esses ‘media’, que não identificou, ao apresentarem esta disposição como uma “competência extraterritorial”.

O Governo chinês é acusado de implementar políticas de assimilação forçada em todo o país, tendo defensores de Direitos Humanos alertado que esta nova lei poderá marginalizar ainda mais as 55 minorias étnicas reconhecidas oficialmente.

A maioria da população da China é de etnia han e a língua oficial é o mandarim. Os 55 grupos étnicos estão espalhados por todo o território, que representam 8,9 por cento da população.

A Constituição china estabelece que “cada etnia tem o direito de usar e desenvolver a sua própria língua” e “tem o direito à autogovernação”. O vice-ministro da Justiça chinês acrescentou que a lei visa “actos ilegais” que “prejudicam a unidade e o progresso das etnias ou incitam ao separatismo étnico”. “O objectivo fundamental é preservar a harmonia étnica, a estabilidade social e a segurança nacional, o que está em conformidade com o espírito do direito internacional”, disse.

Dois japoneses detidos por suspeitas de tentarem exportar terras raras

As autoridades chinesas detiveram dois cidadãos japoneses suspeitos de tentarem retirar ilegalmente terras raras da China, num caso que agrava as tensões entre Pequim e Tóquio, num contexto de crescente disputa em torno do controlo de minerais estratégicos.

Os dois japoneses, funcionários da mesma empresa industrial, foram detidos em Maio na cidade portuária de Dalian, no nordeste da China. As detenções foram confirmadas na quarta-feira pelos governos chinês e japonês.

Segundo fontes citadas pelo jornal britânico Financial Times, os dois homens tentavam transportar terras raras para fora da China, materiais considerados essenciais para as cadeias globais de abastecimento de sectores como os semicondutores, veículos eléctricos e equipamento militar.

Questionado sobre o caso, o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês apelou ao Japão para orientar os seus cidadãos e empresas a “cumprirem as leis e regulamentos chineses” quando operam no país.

O Governo japonês afirmou que responderá “de forma adequada, do ponto de vista da protecção dos cidadãos japoneses no estrangeiro”, disse o secretário-chefe do gabinete, Minoru Kihara. Responsáveis japoneses admitiram que o incidente poderá agravar o ambiente de negócios para as empresas japonesas na China, já afetado pela deterioração das relações bilaterais.

Mesmo a tempo

As detenções ocorreram no mesmo dia em que o ministério do Comércio chinês reforçou a campanha contra o contrabando de terras raras, apelando à população para denunciar suspeitas de violações das regras de exportação através de uma linha telefónica e de uma plataforma na Internet. O ministério advertiu que poderão ser responsabilizadas não apenas as pessoas envolvidas na exportação ilegal, mas também empresas ou indivíduos que prestem apoio logístico, financeiro, aduaneiro ou através de plataformas de comércio electrónico.

A China domina a produção mundial de terras raras, matérias-primas indispensáveis para uma vasta gama de tecnologias civis e militares, e tem vindo a reforçar os controlos às exportações destes minerais no contexto das disputas comerciais e tecnológicas com os Estados Unidos e o Japão.

Este ano, Pequim endureceu também as restrições à exportação para o Japão de produtos classificados como de “dupla utilização”, ou seja, susceptíveis de aplicações civis e militares.