China | Sacos não biodegradáveis vão ser proibidos nas principais cidades Hoje Macau - 21 Jan 2020 A guerra à poluição ambiental conhece novo capítulo com a medida agora anunciada de banir o plástico não biodegradável dos maiores centros populacionais do país. A China usa diariamente mais de 31 milhões de toneladas de plástico [dropcap]A[/dropcap]s autoridades chinesas vão proibir ainda este ano o uso de sacos não biodegradáveis nas principais cidades, parte de um plano agora aprovado para reduzir o desperdício de plástico descartável. Segundo o documento, publicado no domingo pelo ministério da Ecologia e do Meio Ambiente e pela Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, o órgão máximo chinês de planificação económica, a proibição deve alargar-se a “todas as áreas urbanas acima do nível da prefeitura e a comunidades costeiras bem desenvolvidas”. O mesmo anúncio revela que a produção e a venda de talheres descartáveis fabricados com espuma de plástico – copos de poliéster ou palhinhas, por exemplo – vão ser banidos. As autoridades esperam reduzir o uso de talheres de plástico descartáveis em 30 por cento, até 2025. Os hotéis de categoria superior devem também parar de “fornecer activamente” produtos de plástico de uso único, antes do final de 2022, embora possam vendê-los, numa medida que se alargará a todo o tipo de alojamento, em 2025. Nas principais províncias do país, os serviços de entrega ao domicílio – um dos sectores que mais utiliza embalagens de plástico, face ao ‘boom’ no comércio electrónico no país -, não poderão usar embalagens de plástico não biodegradáveis ou sacos descartáveis de tecido plástico, a partir de 2022. Três anos depois, os novos regulamentos vão alargar-se a todas as empresas do sector. Números pesados Segundo dados das Nações Unidas, mais de 31 milhões de toneladas de plástico são utilizadas na China todos os dias, entre as quais 74 por cento não são adequadamente processadas: entre os 10 rios que transportam mais de 90 por cento do plástico que acaba nos oceanos, seis correm parcial ou totalmente através do gigante asiático. A China proibiu, em 2018, a importação de resíduos de plástico não-industriais, numa decisão com impacto mundial, já que a China era o principal destino de plástico para reciclar exportado pelos países mais ricos. As importações e exportações globais anuais de resíduos de plástico dispararam em 1993, crescendo 800 por cento até 2016. Segundo dados oficiais, em 1992, a China recebeu cerca de 106 milhões de toneladas de resíduos de plástico, o que representa cerca de metade das importações mundiais.
Rede 5G | Vietname contorna Huawei e desenvolve tecnologia própria Hoje Macau - 21 Jan 2020 [dropcap]O[/dropcap] maior grupo de telecomunicações do Vietname vai implementar este ano o 5G com recurso à sua própria tecnologia, contornando os chineses da Huawei, num sinal das implicações geopolíticas da rede de quinta geração. A empresa estatal vietnamita Viettel, que é operada pelo ministério da Defesa do Vietname, vai começar a instalar a próxima geração de rede móvel a partir de Junho e concluirá a implementação em todo o país no espaço de um ano, segundo o plano anunciado esta semana e citado pela imprensa local. A empresa realizou na sexta-feira o seu primeiro teste com tecnologia 5G, concluindo um trabalho de seis meses desenvolvido pelo seu braço de pesquisa e desenvolvimento, a Viettel High Technology, que desenvolveu o seu próprio hardware e o software para executar a ligação. Poucas empresas desenvolveram com sucesso tecnologia 5G. A Viettel tornou-se assim a sexta, depois da Ericsson, Nokia, Huawei, Samsung Electronics e ZTE. A Viettel possui mais de 110 milhões de clientes em 11 países, incluindo no Camboja, Haiti ou Peru. No Vietname, a empresa também excluiu equipamentos da Huawei da rede 4G, actualmente em uso, apesar de recorrer a tecnologia chinesa em alguns dos outros países onde as suas subsidiárias locais fornecem serviços de quarta geração, incluindo no Laos ou Camboja. Fricções marítimas A decisão de Hanói ilustra as sensibilidades geopolíticas daquele tipo de tecnologia. A Austrália e a Nova Zelândia baniram já as redes 5G da Huawei, por motivos de segurança nacional, após os Estados Unidos e Taiwan, que mantém restrições mais amplas à empresa, terem adoptado a mesma medida. Também o Japão, cuja agência para a segurança no ciberespaço classificou a firma chinesa como de “alto risco”, baniu as compras à Huawei por departamentos governamentais. O Vietname é, tal como a China, um regime comunista, mas Hanói mantém-se apreensivo face ao país vizinho, com quem travou várias guerras ao longo da História. Nos últimos anos, Hanói passou a denunciar de forma mais assertiva as movimentações chinesas no Mar do Sul da China, e tem-se vindo a aproximar dos Estados Unidos. Embarcações vietnamitas e chinesas enfrentaram-se ao longo de mais de três meses, no ano passado. As hostilidades ocorreram depois de Pequim enviar um navio de pesquisa sísmica e navios da guarda costeira para águas territoriais do Vietname, especialmente ricas em óleo e gás, para realizar atividades de prospecção. A China reivindica a quase totalidade do mar do Sul da China, apesar dos protestos dos países vizinhos.
Rede 5G | Vietname contorna Huawei e desenvolve tecnologia própria Hoje Macau - 21 Jan 2020 [dropcap]O[/dropcap] maior grupo de telecomunicações do Vietname vai implementar este ano o 5G com recurso à sua própria tecnologia, contornando os chineses da Huawei, num sinal das implicações geopolíticas da rede de quinta geração. A empresa estatal vietnamita Viettel, que é operada pelo ministério da Defesa do Vietname, vai começar a instalar a próxima geração de rede móvel a partir de Junho e concluirá a implementação em todo o país no espaço de um ano, segundo o plano anunciado esta semana e citado pela imprensa local. A empresa realizou na sexta-feira o seu primeiro teste com tecnologia 5G, concluindo um trabalho de seis meses desenvolvido pelo seu braço de pesquisa e desenvolvimento, a Viettel High Technology, que desenvolveu o seu próprio hardware e o software para executar a ligação. Poucas empresas desenvolveram com sucesso tecnologia 5G. A Viettel tornou-se assim a sexta, depois da Ericsson, Nokia, Huawei, Samsung Electronics e ZTE. A Viettel possui mais de 110 milhões de clientes em 11 países, incluindo no Camboja, Haiti ou Peru. No Vietname, a empresa também excluiu equipamentos da Huawei da rede 4G, actualmente em uso, apesar de recorrer a tecnologia chinesa em alguns dos outros países onde as suas subsidiárias locais fornecem serviços de quarta geração, incluindo no Laos ou Camboja. Fricções marítimas A decisão de Hanói ilustra as sensibilidades geopolíticas daquele tipo de tecnologia. A Austrália e a Nova Zelândia baniram já as redes 5G da Huawei, por motivos de segurança nacional, após os Estados Unidos e Taiwan, que mantém restrições mais amplas à empresa, terem adoptado a mesma medida. Também o Japão, cuja agência para a segurança no ciberespaço classificou a firma chinesa como de “alto risco”, baniu as compras à Huawei por departamentos governamentais. O Vietname é, tal como a China, um regime comunista, mas Hanói mantém-se apreensivo face ao país vizinho, com quem travou várias guerras ao longo da História. Nos últimos anos, Hanói passou a denunciar de forma mais assertiva as movimentações chinesas no Mar do Sul da China, e tem-se vindo a aproximar dos Estados Unidos. Embarcações vietnamitas e chinesas enfrentaram-se ao longo de mais de três meses, no ano passado. As hostilidades ocorreram depois de Pequim enviar um navio de pesquisa sísmica e navios da guarda costeira para águas territoriais do Vietname, especialmente ricas em óleo e gás, para realizar atividades de prospecção. A China reivindica a quase totalidade do mar do Sul da China, apesar dos protestos dos países vizinhos.
A noite saturnina Amélia Vieira - 21 Jan 2020 [dropcap]R[/dropcap]ecolher no Inverno ao ritmo das sombras e suster a respiração até passar o denso nevoeiro significa uma doce hibernação, um tempo de sonhos e de intimidade. Nos tempos distantes os frios eram maiores, a rude natureza era um festim de augúrios e lendas, a vida uma excepção tão frágil que não se apanhava dela senão o seu secreto esplendor. E foi assim que se viveu no mundo e se deu sentido às histórias onde a imaginação dos homens se forjou. Há porém na longa marcha, o mito de Saturno que na sua época áurea era Cronos, e que representou a «Idade de Ouro» mas este fora a enterrar e ficou representado como a parte escura da matéria, uma fonte para o conhecimento da estrutura pesada, aquilo a que se ousou chamar «inteligência petrificante». No aquecimento súbito e no lagar destas tempestades vamos esquecendo o fermento da terra onde jaz a putrefação, a noite de chumbo, a dissolução… e ainda hoje a morte pelo chumbo se apelida de saturnismo, e o esquartejamento de Osíris com todas as suas partes encontradas, renovadas, daria um deus mortuário, mas nem por isso esta forma é menos vivificante para a «bílis negra» do melancólico elemento saturnino que propícia profundo conhecimento e transmutação tamanhas! A terra do Inverno é ainda um túmulo onde todas as odes foram interpretadas, imaginadas e por fim cantadas, e do soberano instante há uma frase que nos indica mais sobre a terra que muitas descrições «visita o interior da terra e através da rectificação descobrirás a pedra oculta» estamos diante do sedimento da construção. Sem pedra não haveria o esqueleto, a linha fixa da separação, e com ela, ainda, metaforicamente, o surgimento das religiões. É de facto um tempo de pedra! Por vezes imóvel, pode ser golpeante nos seus ventos, nas suas agudas angulosidades, mas é sempre estranhamente silencioso como a morte e suas projeções ilusórias : é um manancial de imaginação e uma fonte de interpretação, plenas, e há que recorrer ao essencial onde dormitam as revelações. Tomamo-nos de noites grandes, e nem sempre a noite é um local de repouso, por vezes avançam os espectros, as finas camadas de subconsciente infinito, custam-nos os dias e suas sombras, temos receio desse sol que não aquece, protegemos o nosso frágil ser em rotinas de solidão e nem a festa lá fora nos desperta de tal pesar. Tem as célebres noites «finas e esguias como catedrais» é certo, talvez ainda um longínquo latido dos lobos das nossas recuadas cercanias, e uma imperturbável luz que nos toma e aquieta, e parar, é ser nele a certeza de alargar um velho instinto de duração. Forjado no aço difícil de transpor, esta é também a ermida do ancião que se enfrenta esperando o seu fim no cimo da montanha. Mas foi Durer quem melhor enalteceu este estado nas suas sumptuosas gravuras e testou «Melancolia» com uma compunção estarrecedora e a perseverança de quem transmutará esse estado de obscura servidão, porque olhando-o longamente, entende-se a reserva de resistência que foi necessária para alcançar a parte de uma luz que lhe está para acontecer. Atravessamos um imenso período Saturnino, um ciclo de cinzas, e a Ordem é agora um grande corpo desfeito, mas um novo tempo irromperá do fluido desta matéria – Capital putrefacto – preparamos neste estado de coisas as bases que darão a nova Pedra, a Filosofal, que por ora, a filosofia confinou-se ao seu grau de quase inexistência e os poetas saboreiam ainda as virtudes de estar sós. Esgotámos o trituramento, estamos na húmida decomposição sem disso nos apercebermos como realidade que a tudo preside. Estamos no tempo do Corvo que voa sem asas nas trevas da noite. Estilizado e destilado, aparecerá outro humano, talvez um novo Céu e uma nova Terra, que não veremos, mas sentimos saudades. Mas não podemos dar saltos no vazio! Este é o tempo que nos foi dado viver com todos os graves desafios, e de nada servirá fugir à metódica condição quase inconsciente do nosso destino comum. Talvez entender que tudo se desfaz por uma lei mais forte que os nossos desejos, sabendo contudo, que continua. Cabe-nos então não açoitar ainda mais os tristes dias de civilizações à deriva, cansadas da queda comum, e os nossos dias não serem desprezados em tarefas vãs. Por mais que se faça brilhar o fantasma do mundo, ele é agora a sombra, a sua composição aflita, tingido de um negrume quase insuportável porque atravessa a sua Noite Saturnina.
O drama de ler Paulo José Miranda - 21 Jan 2020 [dropcap]R[/dropcap]oger Gult escreveu um livro no início dos anos 80 onde mais do que a descrição do acto de ler é um elogio do mesmo. Depois de uma enigmática e provocadora frase, “infelizmente, todos nós temos de viver fora dos livros”, começa por fazer um paralelismo entre o mito de Dionísio e o acto de ler. Dionísio era filho de Zeus e da princesa tebana Sémele. Os ciúmes de Hera, esposa de Zeus, levaram a princesa à morte ainda antes do nascimento de seu filho. Mas Zeus resgatou-o do ventre de Sémele e colocou-o na sua coxa, até que se completasse a sua gestação. Nascido o filho, Zeus confiou-o aos cuidados das Ninfas e dos Sátiros do monte Nisa. Como escreve Gult: “É através do mito do nascimento do deus Dionísio que melhor podemos entender o acto de ler. A acção de ler não é similar ao nascimento de Dionísio ou sequer a ele mesmo enquanto inventor do culto da embriaguez. A acção de ler, esse drama, é a acção de resgate que Zeus faz no ventre morto de Sémele, de modo a fazer com que o seu filho continue a sua gestação, agora na sua própria coxa. A acção de ler, seja que texto literário ou filosófico for, é um gesto de deus pai a resgatar seu filho à beira da morte, na possibilidade eminente da morte. Evitar a morte de um texto é arrancá-lo do ventre inerte da história e trazê-lo até si, para aí viver até que seja capaz de respirar pelos seus próprios pulmões.” Para Gult, não há dois modos de ler. Ler é sempre resgatar um filho ao ventre inerte da mãe e impor-lhe o período gestativo no nosso corpo, até ele ter tempo suficiente para ir à sua própria vida. Ler é isto. Não há ler assim e ler assado. Ler é fazer de Zeus na salvação de um filho seu e de uma mortal. No fim da acção de ler, no fim da gestação, é tempo de esse filho nascer e enfrentar o mundo. Aqui, sim, aqui os filhos distinguem-se uns dos outros. Há filhos e filhos. “Nem todos os filhos que saem de nosso corpo de Zeus são Dionísios! A leitura pode até nem ver a luz do mundo, a leitura pode nascer morta.” Ler não é escolher caminhos, como faz Hermes, esse deus das moradas que se movem, mas retirar um filho quase morto e abrigá-lo na nossa carne até o devolvermos ao mundo. “Ler não é interpretar, mas ressuscitar, dar vida ao que estava condenado a ser morte.” O drama de ler é igual ao drama da possibilidade iminente da morte de um filho. Ao ler ressuscita-se um filho – pois aquele que para viver ou continuar a viver contraria as leis da natureza, ressuscita – e antecipa-se a própria morte, fica-se deposto no sujeito da morte de cada um que lê. Escreve Gult: “Neste drama de ler, que é o acto de todo aquele que se debruça sobre um livro, transformamo-nos no objecto da nossa morte, passamos a experienciar-nos como morte; o sujeito da minha morte sou eu transformado num objecto perdido de mim mesmo. Isto é aquilo a que chamo o drama de ler: a condição antagónica do esforço de Zeus; a consciência ganha por Zeus de que tudo pode, excepto repetir o seu prazer já vivido ou o momento inaugural de uma descoberta, embora salve um filho.” Neste esforço, neste cuidado, nesta nossa condição de deuses vislumbramos também a nossa própria morte e confirmamos a nossa impotência. Infelizmente não se pode viver dentro de um livro, como diz Gult logo no início, ou dentro de todos os livros, apenas fazer com que, através deles, tenhamos em nós os nossos filhos, as nossas leituras. Se vivêssemos dentro de livros não haveria drama. O drama é também a condição do leitor, preso entre a sua leitura à distância intransponível do livro. O seu filho, colocado na sua coxa durante a leitura, deixará também de lhe pertencer. Ao longo das 150 páginas, Gult conduz-nos por este drama com vários exemplos e reflexões, deixando em suspenso uma pergunta à qual responde no fim, colocando também ele mesmo a pergunta: “Todo o acto de ler é um acto heróico, um acto de Zeus, zeusino? Todo o acto de ler é uma imitação de Zeus, que pode ser bem ou mal sucedida, porque ler é criar. Lembrando uma canção tão popular hoje em dia, Heroes, de David Bowie, que diz que nós podemos ser heróis apenas por um dia, nós somos Zeus no tempo de leitura.” É um livro que vale sempre a pena revisitar.
O Debussy sublime de Michelangeli Michel Reis - 21 Jan 2020 [dropcap]A[/dropcap]s gravações do lendário e enigmático pianista italiano Arturo Benedetti Michelangeli (1920-1995), cujo centenário do nascimento se assinalou no passado dia 5 de Janeiro, dos Préludes pour piano, L. 117 e L. 123 do compositor impressionista francês Claude Debussy para a editora Deutsche Grammophon, realizadas nos anos 70 e 80 do séc. XX e consideradas das mais surpreendentes do pianista, foram aclamadas na época como revolucionárias, magistrais e unicamente emocionantes, tendo-se os encómios repetido em cada relançamento subsequente. O som destas gravações, prístino e cristalino, foi remasterizado com tal fidelidade que o piano parece ser mais real que a maior parte dos pianos reais. O domínio de Michelangeli é completo: cada nuance soa na sua interpretação. As cores são transparentes e brilhantes, mas iridescentes e luminosas. A concepção de Michelangeli possui o alcance e a escala de poesia épica, sendo cada Prelúdio a sua própria ode. A sua execução é superior e, apesar da paixão que confere à sua interpretação, é a música que ressoa no Debussy de Michelangeli. Estas gravações, raramente fora do catálogo desde o seu lançamento em 1978, alcançaram um estatuto de culto. O refinado colorido de teclado e a lucidez textual penetrante de Michelangeli são extraordinários e durante muitos anos, a interpretação de Michelangeli desta música superior foi considerada aquela “au delà de ceci il n’y a aucun autre”. Os dois livros dos Préludes pour piano de Claude Debussy foram compostos entre 1909 e 1913. O primeiro livro, mais concretamente, entre Dezembro de 1909 e Fevereiro de 1910; e o segundo, dos últimos meses de1912 até Abril de 1913. Ambos contêm doze prelúdios cada. Em conjunto com En blanc et noir e com os seus doze Études, todos compostos em 1915, os vinte e quatro Préludes pour piano de Debussy marcaram definitivamente o pensamento pianístico do compositor. Debussy escolheu o nome dos seus prelúdios, composições muito livres, em honra aos Prelúdios de Frédéric Chopin e nunca teve a intenção nem o desejo de reunir todas estas peças numa mesma série, pois considerava cada uma delas como uma obra aparte. Um dos aspectos que os diferenciam dos prelúdios do compositor polaco é que não seguem nenhuma ordem cromática; mais, Debussy nem sequer utilizou cinco tonalidades. Embora estes Préludes sejam considerados um dos pináculos da música impressionista, devem ser vistos como um convite à viagem e ao sonho mais do que como uma pintura descritiva. Debussy teve o cuidado de indicar os títulos dos seus prelúdios apenas no final de cada peça, entre parêntesis e depois de reticências, de maneira a que o intérprete pudesse descobrir as suas próprias impressões sem estar condicionado pelas suas ideias iniciais. Esses títulos foram escolhidos para criar associações de imagens ou de sensações. Alguns, contudo, são bastante ambíguos: Voiles, por exemplo, pode interpretar-se no masculino e no feminino. A atmosfera das peças varia enormemente, desde a profunda calma de La cathédrale engloutie ao virtuosismo sem limites de Ce qu’a vu le vent d’ouest; ou desde a misteriosa Brouillards à explosividade de Feux d’artifice. Os dois prelúdios mais conhecidos destas duas séries pertencem ambos ao primeiro livro: La fille aux cheveux de lin é uma breve mas no entanto harmonicamente complexa expressão de beleza. La cathédrale engloutie alude à lenda da cidade submersa de Ys, cuja catedral se elevava por cima da superfície uma vez por dia para recordar a glória da cidade perdida para logo a seguir fundir-se de novo nas águas. Debussy conseguiu um fiel reflexo da história, pois poderia dizer-se que se ouvem os cânticos dos monges e o campanário da catedral. Foram feitas numerosas orquestrações dos vários prelúdios , a maior parte de La fille aux cheveux de lin e La cathédrale engloutie. Sugestão de audição: Arturo Benedettti Michelangeli Plays Debussy Arturo Benedetti Michelangeli, piano – Deutsche Grammophon, 1995
Um caso sério Andreia Sofia Silva - 21 Jan 2020 [dropcap]O[/dropcap] triste episódio de violência doméstica de que foi vítima Lao Mong Ieng é exemplo por diversos motivos, bons e maus. Recordo-me dos primeiros tempos em que tornar a violência doméstica num crime público não era, sequer, uma opção considerada pelas autoridades. O trabalho de activistas e da imprensa (mais em português e inglês do que em chinês) ajudaram a transformar as mentalidades em prol de uma evolução. Implementada uma lei melhor, acontece este caso que se tornou um desafio para as autoridades policiais e judiciais. Mas feitas as leis, resta-nos olhar para o lado prático desta questão. O marido decidiu recorrer de uma sentença de 13 anos e não parece estar arrependido do acto horrendo que praticou. Impõe-se, então, uma maior sensibilização e formação sobre a violência de qualquer tipo, mas sobretudo deste. A vítima necessita de apoio do Governo a longo termo e todos os mecanismos podem não estar devidamente criados ou accionados para apoiar um caso inédito na sociedade de Macau. Além disso, resta lembrar que, depois deste processo e das cirurgias feitas, a vítima vai enfrentar um duro processo de divórcio, em que terá de discutir a guarda do filho. De que lado ficará o tribunal, perante a evidência de uma vítima que é mulher, com parcos rendimentos e ainda por cima com mazelas para toda a vida? Aguardemos.
Preconceito David Chan - 21 Jan 2020 [dropcap]S[/dropcap]oube-se há pouco tempo, que o ministro do Ambiente japonês, Shinjiro Koizumi, tirou uma licença de paternidade de duas semanas, para ajudar a mulher a tomar do bebé que está prestes a nascer, facto que deu muito que falar na sociedade nipónica. Embora este direito esteja previsto na lei, muito poucos homens recorrem a ele, e a notícia ainda teve mais impacto porque Koizumi é encarado como o futuro primeiro-ministro do país. Mas algumas pessoas apoiaram a decisão de Koizumi, entre elas encontra-se um pai solteiro canadiano, Wood, que vive há 30 anos no Japão. Wood pediu uma licença quando o seu bebé nasceu. A licença foi-lhe concedida e quando acabou voltou ao trabalho. No entanto, no regresso foi discriminado pelos colegas, ofendido pela entidade patronal e finalmente forçado a demitir-se. Posteriormente Wood moveu uma acção num tribunal japonês contra a empresa. Por causa desta atitude discriminatória, é possível que a empresa perca o processo. O principal motivo para as empresas se oporem a estas licenças é o receio de que o trabalho venha a ser prejudicado. No entanto, as licenças de paternidade no Japão não são pagas. Como tal, as empresas não têm nenhum prejuízo financeiro e durante a ausência do funcionário o seu trabalho será certamente executado pelos colegas. Haverá alguma necessidade de discriminar um trabalhador nesta situação, se a empresa não suporta os custos e se, de uma forma ou de outra, o trabalho será feito? É justo que as mulheres suportem sozinhas o fardo de tomar conta de um bebé recém-nascido? No Japão existem muitas empresas familiares. A maioria das pessoas deveria compreender, sejam elas homens ou mulheres, que tomar conta das crianças é uma responsabilidade do casal, que deve ser partilhada. Os homens não devem ser discriminados quando querem tomar conta dos filhos. No Japão, a ideia de que cabe à mulher a responsabilidade de tomar conta das crianças ainda está muito enraizada. Para ultrapassar este preconceito, é necessário educar as pessoas. Mesmo que o Governo nipónico tenha intenção de legislar sobre esta matéria no futuro, penso que a hipótese de mudar mentalidades por processos legais é muito baixa. Hoje em dia, em Hong Kong e em Macau, as pessoas aceitam a ideia da responsabilidade parental partilhada. Não se vê com maus olhos, como no Japão, que um homem queira ajudar a mulher a tomar conta dos filhos. Um homem e uma mulher formam uma família. Após o nascimento dos bebés, a prestação de cuidados é responsabilidade de ambos. Porque criar uma criança é um projecto a longo prazo, o esforço e a dedicação dos pais não podem ser mensuráveis em termos financeiros. Numa família normal existe muito amor entre os pais e os filhos. Os pais não esperam ser remunerados pelos cuidados que prestam à sua descendência. O amor é a única recompensa esperada. Este artigo é o último que escrevo antes dos feriados do Ano Novo chinês. Aproveito a oportunidade para desejar a todos os meus leitores “Feliz ano Novo e que tudo corra pelo melhor”. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado do Instituto Politécnico de Macau Blog: http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk
I Nyoman Suarnata, pintor | A sustentável procura do ser Pedro Arede - 21 Jan 2020 “Eksploring of Identity, between Imagination and Reality” é a exposição do artista balinense, I Nyoman Suarnata, que abre ao público a partir de amanhã na Casa Garden. Desde super-heróis às alterações climáticas, passando pelas influências de Basquiat, o HM procurou compreender o que está na génese de uma obra, no mínimo, peculiar [dropcap]A[/dropcap] arte pode ser quase um sonho onde o passado e o presente convivem com a imaginação e a realidade numa sinergia que tenta encontrar explicações para o mundo que nos rodeia. É desta forma que I Nyoman Suarnata resume em traços gerais a constante busca por aquilo que considera ser a sua identidade artística, onde residem, não poucas vezes, a renovação hinduísta através da reencarnação, memórias de infância, a exploração animal e a esperança na construção de um mundo melhor. Natural de Tampaksiring, na região de Ubud, na indonésia, o artista de 39 anos de sorriso fácil, que vai ver a sua obra exposta na galeria principal da Casa Garden até ao próximo dia 23 de Fevereiro, contou ao HM como gosta de incluir nos seus trabalhos, mensagens que pretendem ser críticas sociais do mundo à sua volta. Materializando a sua criativade espontânea na pintura de figuras humanas inseridas em vastas multidões e animais “prontos a consumir”, o artista formado pelo Indonesia Institute of Arts combina a técnica mista de pintura a óleo, acrílico, recortes de papel e escritos, para dar vida aos seus trabalhos. Esporadicamente, confidencia, conta até com a ajuda do sobrinho para embelezar alguns trabalhos. Como descreve a sua obra à luz do que resulta do encontro entre a imaginação e a realidade? A imaginação e a realidade são o ponto de encontro da exploração da minha técnica nas obras que faço. Através da pintura pretendo transmitir mensagens ao público. A imaginação surge para dar vida a imagens abstractas que também pretendem ser mensagens para o público, como por exemplo, o tema da exploração animal que pode ser vista, por exemplo, no quadro onde represento uma galinha a ser transformada numa salsicha pronta para ser consumida. Da imaginação, faz parte tudo o que está dentro da minha cabeça e as obras, são a materialização disso mesmo. Do lado da realidade procuro usar no meu trabalho o que vejo à minha volta e os problemas que existem no sítio onde vivo. Estando atento à realidade consigo transmitir mensagens ao público através das minhas obras, procurando fazer com que o público entenda o meu passado e presente. Que mensagem pretende passar com os seus trabalhos? Existem muitas mensagens diferentes nas minhas obras e tento pensar de forma global, ao invés de tentar focar-me num único problema, conceito ou tema, pois não gosto disso. Nas minhas obras abordo, por exemplo, o tema da exploração animal intensiva ou outras situações culturais, sociais ou políticas. Quanto às alterações climáticas que têm resultado ultimamente nalgumas tragédias, penso que existe um problema global que tem de ser resolvido por todos e não apenas em Jacarta [no caso das cheias] ou [dos incêndios] na Austrália. Acho que a humanidade e o estilo de vida das pessoas têm contribuído drasticamente para o aparecimento deste tipo de problemas. Já o tema da exploração animal que tento transmitir através da minha obra, aborda a superioridade humana sobre os animais, que acaba por legitimar a possibilidade de fazer tudo. Tenho pena que se tenha de matar animais atrás de animais para servir de alimento. Gostava que homens e animais vivessem de forma harmoniosa e convivessem, sem interesses. Qual o papel que a arte pode desempenhar na resolução de problemas sociais? Acho que cada artista tem o seu próprio estilo, alguns mais interessados em pintar paisagens, outros mais virados para a crítica social e penso que não há problema nenhum nessa variedade. Mas penso ser importante que possa haver crítica através da arte para tentarmos mudar o mundo através das mensagens que queremos transmitir. É preciso continuar a tentar. Uma “ideia” recorrente nesta exposição diz respeito à busca feita por uma multidão que tenta ir para um novo planeta. Porque acha que a humanidade precisa de encontrar uma nova casa? Por um lado, resulta da minha própria experiência de vida em Bali onde as multidões e a falta de espaço são uma constante. Por outro, acho que o planeta Terra tem demasiadas pessoas e que está a chegar ao limite para acolher tanta gente. O que tento representar é que, como não há espaço para todos, existe a missão de encontrar um novo planeta, uma nova casa para as pessoas que vivem na Terra. Existe esperança, mas, nestas obras, desenho sempre as nuvens carregadas e com cores escuras também por que penso que existe demasiada poluição e isso faz com que as pessoas queiram procurar uma nova casa. Quais os principais desafios que encontra no processo de produção das suas obras? Não tenho encontrado dificuldades a nível técnico. A maior dificuldade que encontro passa sobretudo por arranjar ideias para as minhas obras, de forma a que público possa compreender as mensagens subjacentes ao meu trabalho. Esse é o meu maior problema e é muito difícil para mim passar a mensagem. Por exemplo, ao ver o trabalho não deve ser preciso perguntar sobre o tema que retrata, deve ser compreensível por si só e por toda a gente. As ideias surgem normalmente, através da minha imaginação, através de livros ou jornais que leio ou através do contacto com situações do dia a dia. Por outro lado, às vezes fico cansado ou aborrecido de pintar e preciso de parar por exemplo três meses até encontrar novamente a disposição certa para voltar ao trabalho. Quando deixo de ter ideias páro outra vez. Além disso, não trabalho todos os dias. Tenho a sorte de poder parar quando quero e recomeçar quando sinto que é o momento certo. Como é que decidiu enveredar por uma carreira no meio artístico? Desde pequeno, sempre gostei de desenhar e todos os dias desenhava, mesmo mais tarde durante a adolescência. A zona onde eu vivo, em Tampaksiring, Ubud, é uma zona culturalmente forte em Bali e onde estão os artistas todos. Originalmente queria ser arquitecto, mas não fui bem sucedido nos exames de admissão à universidade e acabei por ingressar o Indonesian Institute of the Arts, em Denpasar e fiz aí a minha formação. Por outro lado, por ter crescido em Bali, influenciado por muitas culturas fortes e pela filosofia própria da região, aprendi que o trabalho deve ser levado muito a sério e vem do coração, vem de deus. O trabalho em Bali é uma das muitas formas do Taksu, um conceito que significa “carisma” ou “vida” das artes retidas pelos olhos, mentes ou corações, tanto humanos como divinos. Quais são as suas principais referências artísticas? Tenho muitas referências, mas sublinho em primeiro lugar a influência de Basquiat. Entre artistas indonésios tenho de citar Made djirna, um artista de Bali de que gosto muito. Os filmes e os desenhos-animados que via quando era pequeno na televisão também foram uma influência forte, como é possível ver nalgumas obras onde retrato esse imaginário. Por vezes uso estes super-heróis nas minhas obras de forma distorcida e crítica, como por exemplo na obra do rei falso, que conta a história de uma eleição de fachada para um cargo político, onde o ex-dirigente que abandona o cargo é representado com uma capa vermelha e super-poderes. Além disso, o Hinduísmo está também presente no meu trabalho. A religião hindu é como uma confidente com quem podemos falar e que tem subjacente a ideia da reencarnação. Eu acredito que nós morremos e nascemos como se fosse um rolo de renovação contínua e por isso mesmo é que abordei esse tema da morte como um novo recomeço em algumas das minhas obras. É verdade que o seu sobrinho de seis anos deu o seu contributo nalgumas obras? Sim, às vezes encontro-me com o meu sobrinho para colaborarmos porque ele diz que gosta muito de desenhar, como eu. É um processo totalmente espontâneo, em que ele aparece e desenha se tiver vontade. Para mim não há problema nenhum que ele desenhe nos meus quadros, até gosto disso.
I Nyoman Suarnata, pintor | A sustentável procura do ser Pedro Arede - 21 Jan 2020 “Eksploring of Identity, between Imagination and Reality” é a exposição do artista balinense, I Nyoman Suarnata, que abre ao público a partir de amanhã na Casa Garden. Desde super-heróis às alterações climáticas, passando pelas influências de Basquiat, o HM procurou compreender o que está na génese de uma obra, no mínimo, peculiar [dropcap]A[/dropcap] arte pode ser quase um sonho onde o passado e o presente convivem com a imaginação e a realidade numa sinergia que tenta encontrar explicações para o mundo que nos rodeia. É desta forma que I Nyoman Suarnata resume em traços gerais a constante busca por aquilo que considera ser a sua identidade artística, onde residem, não poucas vezes, a renovação hinduísta através da reencarnação, memórias de infância, a exploração animal e a esperança na construção de um mundo melhor. Natural de Tampaksiring, na região de Ubud, na indonésia, o artista de 39 anos de sorriso fácil, que vai ver a sua obra exposta na galeria principal da Casa Garden até ao próximo dia 23 de Fevereiro, contou ao HM como gosta de incluir nos seus trabalhos, mensagens que pretendem ser críticas sociais do mundo à sua volta. Materializando a sua criativade espontânea na pintura de figuras humanas inseridas em vastas multidões e animais “prontos a consumir”, o artista formado pelo Indonesia Institute of Arts combina a técnica mista de pintura a óleo, acrílico, recortes de papel e escritos, para dar vida aos seus trabalhos. Esporadicamente, confidencia, conta até com a ajuda do sobrinho para embelezar alguns trabalhos. Como descreve a sua obra à luz do que resulta do encontro entre a imaginação e a realidade? A imaginação e a realidade são o ponto de encontro da exploração da minha técnica nas obras que faço. Através da pintura pretendo transmitir mensagens ao público. A imaginação surge para dar vida a imagens abstractas que também pretendem ser mensagens para o público, como por exemplo, o tema da exploração animal que pode ser vista, por exemplo, no quadro onde represento uma galinha a ser transformada numa salsicha pronta para ser consumida. Da imaginação, faz parte tudo o que está dentro da minha cabeça e as obras, são a materialização disso mesmo. Do lado da realidade procuro usar no meu trabalho o que vejo à minha volta e os problemas que existem no sítio onde vivo. Estando atento à realidade consigo transmitir mensagens ao público através das minhas obras, procurando fazer com que o público entenda o meu passado e presente. Que mensagem pretende passar com os seus trabalhos? Existem muitas mensagens diferentes nas minhas obras e tento pensar de forma global, ao invés de tentar focar-me num único problema, conceito ou tema, pois não gosto disso. Nas minhas obras abordo, por exemplo, o tema da exploração animal intensiva ou outras situações culturais, sociais ou políticas. Quanto às alterações climáticas que têm resultado ultimamente nalgumas tragédias, penso que existe um problema global que tem de ser resolvido por todos e não apenas em Jacarta [no caso das cheias] ou [dos incêndios] na Austrália. Acho que a humanidade e o estilo de vida das pessoas têm contribuído drasticamente para o aparecimento deste tipo de problemas. Já o tema da exploração animal que tento transmitir através da minha obra, aborda a superioridade humana sobre os animais, que acaba por legitimar a possibilidade de fazer tudo. Tenho pena que se tenha de matar animais atrás de animais para servir de alimento. Gostava que homens e animais vivessem de forma harmoniosa e convivessem, sem interesses. Qual o papel que a arte pode desempenhar na resolução de problemas sociais? Acho que cada artista tem o seu próprio estilo, alguns mais interessados em pintar paisagens, outros mais virados para a crítica social e penso que não há problema nenhum nessa variedade. Mas penso ser importante que possa haver crítica através da arte para tentarmos mudar o mundo através das mensagens que queremos transmitir. É preciso continuar a tentar. Uma “ideia” recorrente nesta exposição diz respeito à busca feita por uma multidão que tenta ir para um novo planeta. Porque acha que a humanidade precisa de encontrar uma nova casa? Por um lado, resulta da minha própria experiência de vida em Bali onde as multidões e a falta de espaço são uma constante. Por outro, acho que o planeta Terra tem demasiadas pessoas e que está a chegar ao limite para acolher tanta gente. O que tento representar é que, como não há espaço para todos, existe a missão de encontrar um novo planeta, uma nova casa para as pessoas que vivem na Terra. Existe esperança, mas, nestas obras, desenho sempre as nuvens carregadas e com cores escuras também por que penso que existe demasiada poluição e isso faz com que as pessoas queiram procurar uma nova casa. Quais os principais desafios que encontra no processo de produção das suas obras? Não tenho encontrado dificuldades a nível técnico. A maior dificuldade que encontro passa sobretudo por arranjar ideias para as minhas obras, de forma a que público possa compreender as mensagens subjacentes ao meu trabalho. Esse é o meu maior problema e é muito difícil para mim passar a mensagem. Por exemplo, ao ver o trabalho não deve ser preciso perguntar sobre o tema que retrata, deve ser compreensível por si só e por toda a gente. As ideias surgem normalmente, através da minha imaginação, através de livros ou jornais que leio ou através do contacto com situações do dia a dia. Por outro lado, às vezes fico cansado ou aborrecido de pintar e preciso de parar por exemplo três meses até encontrar novamente a disposição certa para voltar ao trabalho. Quando deixo de ter ideias páro outra vez. Além disso, não trabalho todos os dias. Tenho a sorte de poder parar quando quero e recomeçar quando sinto que é o momento certo. Como é que decidiu enveredar por uma carreira no meio artístico? Desde pequeno, sempre gostei de desenhar e todos os dias desenhava, mesmo mais tarde durante a adolescência. A zona onde eu vivo, em Tampaksiring, Ubud, é uma zona culturalmente forte em Bali e onde estão os artistas todos. Originalmente queria ser arquitecto, mas não fui bem sucedido nos exames de admissão à universidade e acabei por ingressar o Indonesian Institute of the Arts, em Denpasar e fiz aí a minha formação. Por outro lado, por ter crescido em Bali, influenciado por muitas culturas fortes e pela filosofia própria da região, aprendi que o trabalho deve ser levado muito a sério e vem do coração, vem de deus. O trabalho em Bali é uma das muitas formas do Taksu, um conceito que significa “carisma” ou “vida” das artes retidas pelos olhos, mentes ou corações, tanto humanos como divinos. Quais são as suas principais referências artísticas? Tenho muitas referências, mas sublinho em primeiro lugar a influência de Basquiat. Entre artistas indonésios tenho de citar Made djirna, um artista de Bali de que gosto muito. Os filmes e os desenhos-animados que via quando era pequeno na televisão também foram uma influência forte, como é possível ver nalgumas obras onde retrato esse imaginário. Por vezes uso estes super-heróis nas minhas obras de forma distorcida e crítica, como por exemplo na obra do rei falso, que conta a história de uma eleição de fachada para um cargo político, onde o ex-dirigente que abandona o cargo é representado com uma capa vermelha e super-poderes. Além disso, o Hinduísmo está também presente no meu trabalho. A religião hindu é como uma confidente com quem podemos falar e que tem subjacente a ideia da reencarnação. Eu acredito que nós morremos e nascemos como se fosse um rolo de renovação contínua e por isso mesmo é que abordei esse tema da morte como um novo recomeço em algumas das minhas obras. É verdade que o seu sobrinho de seis anos deu o seu contributo nalgumas obras? Sim, às vezes encontro-me com o meu sobrinho para colaborarmos porque ele diz que gosta muito de desenhar, como eu. É um processo totalmente espontâneo, em que ele aparece e desenha se tiver vontade. Para mim não há problema nenhum que ele desenhe nos meus quadros, até gosto disso.
Autocarros | Aplicação que avalia volume de passageiros em vigor Hoje Macau - 21 Jan 2020 [dropcap]C[/dropcap]omeça hoje a funcionar a aplicação móvel que permite calcular o volume de passageiros nos autocarros. De acordo com um comunicado da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), o sistema irá ser desenvolvido em três fases. A ideia é que os passageiros possam “informar-se através da aplicação móvel ‘localização dos autocarros’ sobre o volume de passageiros dos autocarros em que o sistema está instalado, por forma a pensar melhor no seu plano de utilização de autocarros ou roteiro de viagem”. Assim sendo, “a DSAT espera que, através da aplicação de trânsito inteligente, as deslocações dos cidadãos sejam mais fáceis”. O sistema cobre, para já, 20 carreiras de autocarros, sendo elas a 1, 1A, 3, 3A, 5, 7, 8, 10, 12, 22, 23, 25, 25B, 26A, 33, 34, 101X, 102X, AP1 e MT4. Estas carreiras ocupam 40 por cento da totalidade da frota de autocarros em circulação. A partir de hoje o sistema funciona em 100 autocarros das carreiras 1, 10, 33 e 101X, sendo que até finais de Fevereiro a aplicação deverá funcionar com 200 autocarros. Até finais de Março está prevista a visualização do volume de passageiros dos restantes 157 autocarros.
Autocarros | Aplicação que avalia volume de passageiros em vigor Hoje Macau - 21 Jan 2020 [dropcap]C[/dropcap]omeça hoje a funcionar a aplicação móvel que permite calcular o volume de passageiros nos autocarros. De acordo com um comunicado da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), o sistema irá ser desenvolvido em três fases. A ideia é que os passageiros possam “informar-se através da aplicação móvel ‘localização dos autocarros’ sobre o volume de passageiros dos autocarros em que o sistema está instalado, por forma a pensar melhor no seu plano de utilização de autocarros ou roteiro de viagem”. Assim sendo, “a DSAT espera que, através da aplicação de trânsito inteligente, as deslocações dos cidadãos sejam mais fáceis”. O sistema cobre, para já, 20 carreiras de autocarros, sendo elas a 1, 1A, 3, 3A, 5, 7, 8, 10, 12, 22, 23, 25, 25B, 26A, 33, 34, 101X, 102X, AP1 e MT4. Estas carreiras ocupam 40 por cento da totalidade da frota de autocarros em circulação. A partir de hoje o sistema funciona em 100 autocarros das carreiras 1, 10, 33 e 101X, sendo que até finais de Fevereiro a aplicação deverá funcionar com 200 autocarros. Até finais de Março está prevista a visualização do volume de passageiros dos restantes 157 autocarros.
Retalho e restauração com quebras no negócio no final de 2019 Andreia Sofia Silva - 21 Jan 2020 [dropcap]D[/dropcap]ados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) relativos a um inquérito feito a profissionais da restauração e do retalho revelam uma quebra no negócio dos restaurantes nos últimos meses do ano passado. De acordo com um comunicado oficial, os proprietários de restaurantes afirmaram que, relativamente a Novembro, “o desempenho dos negócios do ramo da restauração continuou a enfraquecer”, uma vez que “47 por cento dos entrevistados da restauração declararam diminuições homólogas no volume de negócios, tendo esta proporção ascendido a quatro pontos percentuais relativamente a Outubro”. Pelo contrário, “30 por cento dos proprietários entrevistados da restauração declararam acréscimos homólogos no volume de negócios, tendo esta proporção diminuído dois pontos percentuais, relativamente a Outubro”, explicou a DSEC. Relativamente ao mês de Dezembro, os proprietários de restaurantes “não previram nenhuma melhoria significativa no desempenho dos negócios”. Um total de “52 por cento dos proprietários entrevistados anteviram aumentos homólogos ou estabilizações homólogas no volume de negócios, tendo esta proporção diminuído dois pontos percentuais relativamente a Novembro”. Ainda na área da restauração, “48 por cento dos proprietários anteviram diminuições homólogas no volume de negócios para Dezembro, tendo esta proporção aumentado dois pontos percentuais relativamente a Novembro”. No que diz respeito ao retalho, “o desempenho dos negócios foi satisfatório”, uma vez que “53 por cento dos retalhistas entrevistados declararam aumentos homólogos no volume de negócios em Novembro de 2019, tendo esta proporção subido 13 pontos percentuais face a Outubro”. “Simultaneamente, 31 por cento dos retalhistas entrevistados manifestaram decréscimos homólogos no volume de negócios tendo esta proporção descido nove pontos percentuais face a Outubro”, acrescenta a DSEC. Um total de 68 por cento dos retalhistas do ramo do comércio “previram que o comportamento do mercado enfraquecesse para o mês de Dezembro de 2019”.
Wuhan | Três casos de pneumonia viral confirmados em Zhuhai Pedro Arede - 21 Jan 2020 No mesmo dia em que as autoridades chinesas confirmaram o terceiro caso mortal e mais de 130 novos casos derivados da pneumonia viral de Wuhan, os Serviços de Saúde (SS) afirmaram que Macau vai manter, por enquanto, o nível três de alerta. Ao final do dia de ontem, já depois do anúncio em Macau, as autoridades de Guangdong confirmaram a existência de três casos em Zhuhai [dropcap]D[/dropcap]e acordo com informações divulgadas ontem ao final do dia e citadas pelo canal chinês da Rádio Macau, as Autoridades de Guangdong confirmaram 14 novos casos de pneumonia viral, três dos quais detectados na cidade vizinha de Zhuhai. Antes ainda do anúncio das Autoridades de Guangdong, os Serviços de Saúde (SS) de Macau já tinham admitido a possibilidade de vir a aumentar o nível de alerta de emergência devido à aproximação das celebrações do Ano Novo Lunar, altura em que se verificam grandes movimentações de pessoas em toda a China. “Estamos a observar a situação epidémica em todo o mundo, incluindo Shenzhen, Zhuhai e Hong Kong para fazer um resumo da situação. É possível que o grau de risco seja aumentado. O surto da epidemia deve manter-se, especialmente durante a Festa da Primavera e podem surgir casos suspeitos importados”, afirmou Lam Chong, director do Centro de Prevenção e Controlo de Doença. Para já, segundo os SS, mantém-se assim o nível três de alerta de emergência, considerado de risco médio (Grave), em vigor desde o passado dia 5 de Janeiro. A legislação de Macau define cinco níveis de alerta, sendo o nível seguinte de gravidade (nível dois) considerado “Muito Grave” e o nível máximo (nível um) “especialmente grave”. As declarações foram feitas por ocasião de uma conferência de imprensa convocada no mesmo dia em que a Coreia do Sul informou ter detectado o primeiro caso no país e depois de a China ter relatado um terceiro caso mortal e um aumento acentuado no número de infectados com este novo tipo de pneumonia. Até à hora do anúncio existiam assim, excluindo os novos casos reportados pelas Autoridades de Guangdong, 136 novos casos, elevando o número total de infectados com a nova pneumonia viral para mais de 190. Sob controlo Em relação à situação da doença em Macau, os SS confirmaram que não foi detectado qualquer caso, registando-se até à tarde de ontem 13 casos suspeitos que estão a ser monitorizados. Os serviços de saúde garantiram ainda que o hospital e centros de saúde estão preparados para lidar com a pneunomia viral e que existem na região medicamentos suficientes para combater a doença. Quanto a medidas de prevenção para fazer face à disseminação da doença, os SS afirmaram que todos os turistas que chegam de Wuhan estão a ser verificados individualmente através de uma declaração de saúde que têm forçosamente de preencher à entrada de Macau e através do controlo de temperatura, quer o acesso seja feito por via terrestre, marítima ou aérea. Com Lusa
Wuhan | Três casos de pneumonia viral confirmados em Zhuhai Pedro Arede - 21 Jan 2020 No mesmo dia em que as autoridades chinesas confirmaram o terceiro caso mortal e mais de 130 novos casos derivados da pneumonia viral de Wuhan, os Serviços de Saúde (SS) afirmaram que Macau vai manter, por enquanto, o nível três de alerta. Ao final do dia de ontem, já depois do anúncio em Macau, as autoridades de Guangdong confirmaram a existência de três casos em Zhuhai [dropcap]D[/dropcap]e acordo com informações divulgadas ontem ao final do dia e citadas pelo canal chinês da Rádio Macau, as Autoridades de Guangdong confirmaram 14 novos casos de pneumonia viral, três dos quais detectados na cidade vizinha de Zhuhai. Antes ainda do anúncio das Autoridades de Guangdong, os Serviços de Saúde (SS) de Macau já tinham admitido a possibilidade de vir a aumentar o nível de alerta de emergência devido à aproximação das celebrações do Ano Novo Lunar, altura em que se verificam grandes movimentações de pessoas em toda a China. “Estamos a observar a situação epidémica em todo o mundo, incluindo Shenzhen, Zhuhai e Hong Kong para fazer um resumo da situação. É possível que o grau de risco seja aumentado. O surto da epidemia deve manter-se, especialmente durante a Festa da Primavera e podem surgir casos suspeitos importados”, afirmou Lam Chong, director do Centro de Prevenção e Controlo de Doença. Para já, segundo os SS, mantém-se assim o nível três de alerta de emergência, considerado de risco médio (Grave), em vigor desde o passado dia 5 de Janeiro. A legislação de Macau define cinco níveis de alerta, sendo o nível seguinte de gravidade (nível dois) considerado “Muito Grave” e o nível máximo (nível um) “especialmente grave”. As declarações foram feitas por ocasião de uma conferência de imprensa convocada no mesmo dia em que a Coreia do Sul informou ter detectado o primeiro caso no país e depois de a China ter relatado um terceiro caso mortal e um aumento acentuado no número de infectados com este novo tipo de pneumonia. Até à hora do anúncio existiam assim, excluindo os novos casos reportados pelas Autoridades de Guangdong, 136 novos casos, elevando o número total de infectados com a nova pneumonia viral para mais de 190. Sob controlo Em relação à situação da doença em Macau, os SS confirmaram que não foi detectado qualquer caso, registando-se até à tarde de ontem 13 casos suspeitos que estão a ser monitorizados. Os serviços de saúde garantiram ainda que o hospital e centros de saúde estão preparados para lidar com a pneunomia viral e que existem na região medicamentos suficientes para combater a doença. Quanto a medidas de prevenção para fazer face à disseminação da doença, os SS afirmaram que todos os turistas que chegam de Wuhan estão a ser verificados individualmente através de uma declaração de saúde que têm forçosamente de preencher à entrada de Macau e através do controlo de temperatura, quer o acesso seja feito por via terrestre, marítima ou aérea. Com Lusa
DST | Duas pensões ilegais desmanteladas no fim-de-semana João Luz - 21 Jan 2020 [dropcap]N[/dropcap]o domingo, entre as 12h e as 22h, a Polícia Judiciária (PJ) destacou 16 inspectores para a Taipa para averiguar apartamentos suspeitos de servirem para alojamento ilegal. A equipa da PJ detectou uma pensão ilegal num prédio sito na Rua Seng Tou, na Taipa, onde foram detidas 23 pessoas oriundas do Interior da China (12 homens e 11 mulheres). As 23 pessoas foram levadas para a esquadra, mas após investigação e identificação, foram libertadas por não haver suspeita da prática de qualquer crime, de acordo com informação prestada pela PJ. O apartamento, que foi selado pela Direcção dos Serviços de Turismo, tinha 19 beliches. De acordo com declarações das pessoas encontradas no interior, e que terão sido solicitadas no Cotai, o preço dos quartos andaria por 100 yuan por dia, 500 yuan por semana e 1.500 yuan por mês. Também na Areia Preta, o Corpo de Polícia de Segurança Pública encontrou um caso suspeito de pensão ilegal. No apartamento em causa, sito na Rua Central da Areia Preta, foram encontradas seis pessoas, entre as quais uma mulher suspeita de prestação ilegal de alojamento.
DST | Duas pensões ilegais desmanteladas no fim-de-semana admin - 21 Jan 2020 [dropcap]N[/dropcap]o domingo, entre as 12h e as 22h, a Polícia Judiciária (PJ) destacou 16 inspectores para a Taipa para averiguar apartamentos suspeitos de servirem para alojamento ilegal. A equipa da PJ detectou uma pensão ilegal num prédio sito na Rua Seng Tou, na Taipa, onde foram detidas 23 pessoas oriundas do Interior da China (12 homens e 11 mulheres). As 23 pessoas foram levadas para a esquadra, mas após investigação e identificação, foram libertadas por não haver suspeita da prática de qualquer crime, de acordo com informação prestada pela PJ. O apartamento, que foi selado pela Direcção dos Serviços de Turismo, tinha 19 beliches. De acordo com declarações das pessoas encontradas no interior, e que terão sido solicitadas no Cotai, o preço dos quartos andaria por 100 yuan por dia, 500 yuan por semana e 1.500 yuan por mês. Também na Areia Preta, o Corpo de Polícia de Segurança Pública encontrou um caso suspeito de pensão ilegal. No apartamento em causa, sito na Rua Central da Areia Preta, foram encontradas seis pessoas, entre as quais uma mulher suspeita de prestação ilegal de alojamento.
Jogo Ilegal | Marca “Grand Lisboa Macau” usada em esquema no Vietname João Luz - 21 Jan 2020 [dropcap]N[/dropcap]uma operação conjunta forças policiais chinesas e vietnamitas detiveram um grupo de 395 pessoas suspeitas de pertenceram a uma rede que operava jogo online ilegal, a partir do Vietname, que usava a marca “Grand Lisboa Macau”. De acordo com a agência Xinhua, as autoridades vietnamitas trabalharam em parceria com o Ministério da Segurança Pública chinês e a polícia de Zhuhai para desmantelar a operação avaliada em 3 mil milhões de renminbis. Os suspeitos foram detidos na cidade de Hai Phong City, perto de Hanói, onde se suspeita que 21 grupos de crime organizado se tenham juntado para, a partir de mais de uma dezena de apartamentos, montar e gerir 187 portais de internet dedicados a jogo ilegal. O domínio de internet, onde estavam alojadas as páginas, usava o nome “Grand Lisboa Macau” e, de acordo com informação avançada pela Xinhua, os oitos sites independentes alojados nesse domínio eram os que conseguiam atrair maiores somas de dinheiro. De acordo com o Inside Asian Gaming, a operação terá começado com um restrito grupo de cinco indivíduos em Shenzhen e Huizhou em 2017, e depois migrou para o Vietname em 2018 com um plano de expansão. Para a abertura da “sucursal” vietnamita foi contratado um grupo grande de residentes em Hai Phong City. De acordo com as autoridades, na semana passada foram congeladas 1.279 contas de Alipay de contas bancárias com montantes totais de 2,54 milhões de renminbis.
Jogo Ilegal | Marca “Grand Lisboa Macau” usada em esquema no Vietname admin - 21 Jan 2020 [dropcap]N[/dropcap]uma operação conjunta forças policiais chinesas e vietnamitas detiveram um grupo de 395 pessoas suspeitas de pertenceram a uma rede que operava jogo online ilegal, a partir do Vietname, que usava a marca “Grand Lisboa Macau”. De acordo com a agência Xinhua, as autoridades vietnamitas trabalharam em parceria com o Ministério da Segurança Pública chinês e a polícia de Zhuhai para desmantelar a operação avaliada em 3 mil milhões de renminbis. Os suspeitos foram detidos na cidade de Hai Phong City, perto de Hanói, onde se suspeita que 21 grupos de crime organizado se tenham juntado para, a partir de mais de uma dezena de apartamentos, montar e gerir 187 portais de internet dedicados a jogo ilegal. O domínio de internet, onde estavam alojadas as páginas, usava o nome “Grand Lisboa Macau” e, de acordo com informação avançada pela Xinhua, os oitos sites independentes alojados nesse domínio eram os que conseguiam atrair maiores somas de dinheiro. De acordo com o Inside Asian Gaming, a operação terá começado com um restrito grupo de cinco indivíduos em Shenzhen e Huizhou em 2017, e depois migrou para o Vietname em 2018 com um plano de expansão. Para a abertura da “sucursal” vietnamita foi contratado um grupo grande de residentes em Hai Phong City. De acordo com as autoridades, na semana passada foram congeladas 1.279 contas de Alipay de contas bancárias com montantes totais de 2,54 milhões de renminbis.
Gabinete de Dados Pessoais diz “não estar pronto” para revisão da lei Andreia Sofia Silva - 21 Jan 2020 [dropcap]O[/dropcap] Gabinete de Protecção de Dados Pessoais (GPDP) emitiu ontem uma nota explicativa sobre a garantia do cumprimento da lei no que diz respeito à instalação do reconhecimento facial no sistema de videovigilância. No mesmo comunicado, é referido que o GPDP não está, para já, preparado para rever a lei de protecção dos dados pessoais com base na entrada em vigor, em 2018, na União Europeia (UE), do Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados. “Não se sabe se Macau vai adoptar esse método, isso necessita do consenso social. Actualmente, o GPDP está atento à tendência internacional [e] não está preparado para a revisão da LPDP [lei de protecção de dados pessoais], por isso a realização de tratamento de dados pessoais pela entidade da execução de lei ainda está sujeita rigorosamente à LPDP”, adianta o organismo. O GPDP recorda ainda que a lei em causa é afecta às normais que vigoram na UE, não existindo violação da lei no que diz respeito ao uso do sistema de reconhecimento facial nas câmaras de videovigilância. “Na verdade, essa aplicação da tecnologia de reconhecimento facial tem de estar sujeita ao Regime Jurídico da Videovigilância em espaços públicos e à Lei da Protecção de Dados Pessoais. As câmaras seleccionadas podem ser instaladas depois de se ouvir a opinião vinculativa do GPDP e de se obter de novo uma autorização adequada.” Nesse sentido, o organismo “entende que a aplicação adicional referida no plano experimental (o termo dos Serviços de Segurança é ‘modo background’) não está envolvida no assunto alusivo à instalação do equipamento que se estipula no segundo capítulo da “lei de Olhos no Céu”, não é necessário pedir uma autorização para tal efeito nos termos dessa lei, pelo que não é preciso ouvir a opinião vinculativa do GPDP”, acrescenta o mesmo comunicado. Contradições que não existem O GPDP responde também, na mesma nota, às alegadas diferenças de actuação entre o organismo e a tutela para a Segurança. “Relativamente ao facto de que há quem considere que os termos ou a forma de explicação do GPDP não são idênticos aos dos Serviços de Segurança, e que os termos ou a forma de explicação poderão contradizer-se, o GPDP reitera que não existe a questão de contradição, visto que o papel de ambas as partes é totalmente diferente.” Isto porque o GPDP é autónomo em relação à tutela do Chefe do Executivo e pode apenas emitir pareceres não vinculativos sobre estas matérias, “não participando activamente no planeamento, organização e implementação do plano relevante em concreto, não podendo [também] dar explicações em nome do responsável”. A mesma entidade explica que, “quanto à matéria em causa já utiliza um meio de supervisão que é frequentemente utilizado pelas autoridades supervisoras de dados pessoais dos diversos países”.
Vírus de Wuhan | Wong Kit Cheng apela a reforço de medidas João Santos Filipe - 21 Jan 202021 Jan 2020 No dia em que se registou a terceira vítima mortal no Interior da China, a deputada ligada à Associação das Mulheres admitiu temer o agravamento da epidemia e apelou a que se reforce a supervisão nas fronteiras. Pede ainda ao Executivo que “lide” com os rumores que podem gerar “pânico social” [dropcap]N[/dropcap]o dia em que as autoridades do Interior da China revelaram mais uma morte relacionada com a pneumonia de Wuhan, que aumenta o número de vítimas fatais para três, a deputada Wong Kit Cheng apelou ao Governo para que se prepare para o Ano Novo Chinês. Entre as 22 intervenções antes da ordem do dia, a legisladora ligada à Associação Geral das Mulheres foi a única que fez da epidemia o assunto principal. Ontem, ficou igualmente a saber-se que o número de infectados subiu para 190 no Interior do país. “Neste momento, não se registou em Macau nenhum caso confirmado de pneumonia de Wuhan, e todos os 13 casos suspeitos são infecções por vírus de gripe ou constipação. A pneumonia de Wuhan e a gripe são doenças respiratórias transmissíveis com características semelhantes, que não podem ser subestimadas”, alertou. Por isso, Wong avisa que numa altura em que se espera que mais de um milhão de turistas visite Macau, devido às celebrações do Ano Novo Chinês que “os trabalhos de prevenção e tratamento de doenças transmissíveis do Governo e dos cidadãos não podem ser relaxados”. Neste contexto, a deputada, que é enfermeira de formação, deixou várias sugestões ao Governo que espera ver cumpridas. Para evitar a importação do vírus, Wong sugere um “reforço da monitorização da temperatura corporal e da divulgação sobre a prevenção da epidemia nos postos fronteiriços”, porém vai mais longe. Segundo a legisladora é igualmente necessário, caso haja um agravar da situação, tomar medidas mais drásticas como o reforço da “monitorização”, “o preenchimento de impressos de saúde pelos visitantes”, a “divulgação de informações sobre a prevenção nos postos fronteiriços de Macau”, “a elaboração de orientações de saúde para os turistas” e ainda a disponibilização de máscaras. Caça ao rumor Situada no espectro político mais tradicional, Wong Kit Cheng mostra-se ainda preocupada com os rumores que podem conduzir ao “pânico social”. Neste sentido, apelou ao Governo para “reforçar a divulgação imediata de informações” de forma a “prevenir rumores que podem provocar pânico”. A deputada recorda também ao Executivo que deve lidar “com os rumores falsos que circulam na sociedade”. Além da deputada, apenas Mak Soi Kun mencionou o assunto com duas frases na sua intervenção. Segundo o deputado ligado à comunidade de Jiangmen, “os cidadãos estão preocupados”, mas a “responsável pelos Assuntos Sociais e Cultura tomou a iniciativa de enfrentar a situação, realizando várias reuniões e lançando medidas detalhadas de protecção, o que merece elogio!”. Porém, Mak Soi Kun avisou que o problema sanitário de acumulação do lixo nas ruas pode contribuir negativamente, no caso da situação se agravar. A Pneumonia de Wuhan surgiu em Dezembro e suspeita-se que a origem tenha estado num mercado de marisco. Segundo os dados revelados pelas autoridades, há três vítimas mortais entre os 190 casos identificados no Interior da China, um número que cresceu em 136 ocorrências só no dia de ontem. Segundo o South China Morning Post, há inclusive casos em Xangai e Shenzhen, além de no Japão, Tailândia e na Coreia do Sul.
Vírus de Wuhan | Wong Kit Cheng apela a reforço de medidas João Santos Filipe - 21 Jan 2020 No dia em que se registou a terceira vítima mortal no Interior da China, a deputada ligada à Associação das Mulheres admitiu temer o agravamento da epidemia e apelou a que se reforce a supervisão nas fronteiras. Pede ainda ao Executivo que “lide” com os rumores que podem gerar “pânico social” [dropcap]N[/dropcap]o dia em que as autoridades do Interior da China revelaram mais uma morte relacionada com a pneumonia de Wuhan, que aumenta o número de vítimas fatais para três, a deputada Wong Kit Cheng apelou ao Governo para que se prepare para o Ano Novo Chinês. Entre as 22 intervenções antes da ordem do dia, a legisladora ligada à Associação Geral das Mulheres foi a única que fez da epidemia o assunto principal. Ontem, ficou igualmente a saber-se que o número de infectados subiu para 190 no Interior do país. “Neste momento, não se registou em Macau nenhum caso confirmado de pneumonia de Wuhan, e todos os 13 casos suspeitos são infecções por vírus de gripe ou constipação. A pneumonia de Wuhan e a gripe são doenças respiratórias transmissíveis com características semelhantes, que não podem ser subestimadas”, alertou. Por isso, Wong avisa que numa altura em que se espera que mais de um milhão de turistas visite Macau, devido às celebrações do Ano Novo Chinês que “os trabalhos de prevenção e tratamento de doenças transmissíveis do Governo e dos cidadãos não podem ser relaxados”. Neste contexto, a deputada, que é enfermeira de formação, deixou várias sugestões ao Governo que espera ver cumpridas. Para evitar a importação do vírus, Wong sugere um “reforço da monitorização da temperatura corporal e da divulgação sobre a prevenção da epidemia nos postos fronteiriços”, porém vai mais longe. Segundo a legisladora é igualmente necessário, caso haja um agravar da situação, tomar medidas mais drásticas como o reforço da “monitorização”, “o preenchimento de impressos de saúde pelos visitantes”, a “divulgação de informações sobre a prevenção nos postos fronteiriços de Macau”, “a elaboração de orientações de saúde para os turistas” e ainda a disponibilização de máscaras. Caça ao rumor Situada no espectro político mais tradicional, Wong Kit Cheng mostra-se ainda preocupada com os rumores que podem conduzir ao “pânico social”. Neste sentido, apelou ao Governo para “reforçar a divulgação imediata de informações” de forma a “prevenir rumores que podem provocar pânico”. A deputada recorda também ao Executivo que deve lidar “com os rumores falsos que circulam na sociedade”. Além da deputada, apenas Mak Soi Kun mencionou o assunto com duas frases na sua intervenção. Segundo o deputado ligado à comunidade de Jiangmen, “os cidadãos estão preocupados”, mas a “responsável pelos Assuntos Sociais e Cultura tomou a iniciativa de enfrentar a situação, realizando várias reuniões e lançando medidas detalhadas de protecção, o que merece elogio!”. Porém, Mak Soi Kun avisou que o problema sanitário de acumulação do lixo nas ruas pode contribuir negativamente, no caso da situação se agravar. A Pneumonia de Wuhan surgiu em Dezembro e suspeita-se que a origem tenha estado num mercado de marisco. Segundo os dados revelados pelas autoridades, há três vítimas mortais entre os 190 casos identificados no Interior da China, um número que cresceu em 136 ocorrências só no dia de ontem. Segundo o South China Morning Post, há inclusive casos em Xangai e Shenzhen, além de no Japão, Tailândia e na Coreia do Sul.
Crime | Ataque com faca provoca uma morte e dois feridos na Areia Preta Pedro Arede - 21 Jan 2020 Por volta das 19h, num prédio na Areia Preta, uma mulher entrou num apartamento empunhando uma faca. Até à chegada das autoridades, os ferimentos que infligiu resultaram numa morte, numa mulher ferida com gravidade e em múltiplos cortes numa criança de cinco anos [dropcap]E[/dropcap]ram cerca de 19h de domingo, quando uma mulher bateu à porta de um apartamento num prédio situado na Rua do Padre Eugénio Taverna, na Areia Preta. A mulher, oriunda do Interior da China, procurava um homem que, segundo, quem a atendeu, não estaria em casa. Os momentos seguintes foram dignos de um pesadelo para os ocupantes da fracção – a mãe e esposa do homem “procurado”, e dois filhos. De acordo com informação prestada pela Polícia Judiciária (PJ), a mulher terá forçado a entrada no apartamento de faca na mão, atacando a mãe, a esposa do homem que procurava e um rapaz de cinco anos. Durante o ataque, a menina que estava dentro de casa conseguiu sair e avisar o porteiro do que estava a acontecer, que de pronto chamou a polícia. Assim que as autoridades policiais chegaram ao local dominaram e detiveram a suspeita. Como estava transtornada e se queixava de náuseas, a suspeita foi transportada para o Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ), juntamente com as vítimas do ataque. A mulher, de 30 anos, “foi sujeita a avaliação mental e devolvida à PJ, mas não sabemos se tem algum problema mental”, referiu ontem Lei Wai Seng, médico adjunto da direcção do CHCSJ. À chegada ao hospital, a mulher de 32 anos não resistiu ao golpe profundo que sofreu no pescoço e foi declarado o óbito, menos de duas horas depois do ataque. A vítima mais idosa, com 62 anos de idade, foi ferida no abdómen e encontra-se internada em estado grave. O menino de cinco anos sofreu ferimentos no rosto, peito e costas e continua internado na ala de pediatria no CHCSJ com um quadro clínico estável e está fora de perigo. Apoios em acção O Instituto de Acção Social (IAS) reagiu à tragédia de domingo, em comunicado citado pelo canal chinês da TDM – Rádio Macau, declarando preocupação e afirmando que desde que os serviços foram notificados da ocorrência, de imediato intervieram junto dos familiares com o intuito de disponibilizar os apropriados serviços de apoio. Além disso, o IAS apresentou condolências pelo falecimento e colocou em acção o mecanismo de gestão de crises 24 horas, em colaboração com os assistentes sociais da Polícia de Segurança Pública, da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude e do CHCSJ para prestar apoio emocional e terapia. Além disso, o IAS disponibilizou-se também para ajudar a pagar o funeral e apoiar em termos de habitação. O HM contactou o Ministério Público para saber se a suspeita já teria sido presente a juiz, com acusações e medida de coacção aplicada, mas até ao fecho da edição, não recebemos resposta.
Crime | Ataque com faca provoca uma morte e dois feridos na Areia Preta Pedro Arede - 21 Jan 2020 Por volta das 19h, num prédio na Areia Preta, uma mulher entrou num apartamento empunhando uma faca. Até à chegada das autoridades, os ferimentos que infligiu resultaram numa morte, numa mulher ferida com gravidade e em múltiplos cortes numa criança de cinco anos [dropcap]E[/dropcap]ram cerca de 19h de domingo, quando uma mulher bateu à porta de um apartamento num prédio situado na Rua do Padre Eugénio Taverna, na Areia Preta. A mulher, oriunda do Interior da China, procurava um homem que, segundo, quem a atendeu, não estaria em casa. Os momentos seguintes foram dignos de um pesadelo para os ocupantes da fracção – a mãe e esposa do homem “procurado”, e dois filhos. De acordo com informação prestada pela Polícia Judiciária (PJ), a mulher terá forçado a entrada no apartamento de faca na mão, atacando a mãe, a esposa do homem que procurava e um rapaz de cinco anos. Durante o ataque, a menina que estava dentro de casa conseguiu sair e avisar o porteiro do que estava a acontecer, que de pronto chamou a polícia. Assim que as autoridades policiais chegaram ao local dominaram e detiveram a suspeita. Como estava transtornada e se queixava de náuseas, a suspeita foi transportada para o Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ), juntamente com as vítimas do ataque. A mulher, de 30 anos, “foi sujeita a avaliação mental e devolvida à PJ, mas não sabemos se tem algum problema mental”, referiu ontem Lei Wai Seng, médico adjunto da direcção do CHCSJ. À chegada ao hospital, a mulher de 32 anos não resistiu ao golpe profundo que sofreu no pescoço e foi declarado o óbito, menos de duas horas depois do ataque. A vítima mais idosa, com 62 anos de idade, foi ferida no abdómen e encontra-se internada em estado grave. O menino de cinco anos sofreu ferimentos no rosto, peito e costas e continua internado na ala de pediatria no CHCSJ com um quadro clínico estável e está fora de perigo. Apoios em acção O Instituto de Acção Social (IAS) reagiu à tragédia de domingo, em comunicado citado pelo canal chinês da TDM – Rádio Macau, declarando preocupação e afirmando que desde que os serviços foram notificados da ocorrência, de imediato intervieram junto dos familiares com o intuito de disponibilizar os apropriados serviços de apoio. Além disso, o IAS apresentou condolências pelo falecimento e colocou em acção o mecanismo de gestão de crises 24 horas, em colaboração com os assistentes sociais da Polícia de Segurança Pública, da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude e do CHCSJ para prestar apoio emocional e terapia. Além disso, o IAS disponibilizou-se também para ajudar a pagar o funeral e apoiar em termos de habitação. O HM contactou o Ministério Público para saber se a suspeita já teria sido presente a juiz, com acusações e medida de coacção aplicada, mas até ao fecho da edição, não recebemos resposta.