Pequim contra resolução do Parlamento Europeu sobre Hong Kong

A China expressou a sua firme oposição a uma resolução aprovada pelo Parlamento Europeu em relação a Hong Kong, exigindo que a instituição europeia respeite a soberania da China e pare de repreender outros países sobre os direitos humanos.

A porta-voz do Ministério do Negócios Estrangeiros da China, Hua Chunying, disse que os assuntos de Hong Kong são simplesmente assuntos internos da China e não necessitam de nenhuma interferência de qualquer governo estrangeiro, organização ou indivíduo.

“Certos membros do Parlamento Europeu, confundindo o certo com o errado, promoveram a aprovação da alegada resolução, o que constitui uma interferência brutal nos assuntos de Hong Kong e assuntos internos da China”, disse Hua, acrescentando que a China se opõe firmemente a essas práticas.

“Pedimos que o Parlamento Europeu enfrente directamente o facto de que Hong Kong já retornou à China, adira à lei internacional e às normas básicas que governam as relações internacionais, abandone os duplos padrões e deixe de repreender os outros países sobre os direitos humanos”, disse Hua.

“O Parlamento Europeu deve respeitar honestamente a soberania da China e o estado de Direito em Hong Kong e parar de interferir nos assuntos de Hong Kong e assuntos internos da China sob qualquer forma”, acrescentou a porta-voz.

Nancy Io, cineasta: “Macau é o local ideal para exibir cinema independente”

A curta-metragem “Projecto Miúdos”, de 2016, foi a estreia de Nancy Io no mundo do cinema de Macau. Licenciada em Taiwan, a também professora decidiu regressar aos bancos da universidade para aprender mais sobre pós-produção, estando neste momento a trabalhar num filme que se passa em Macau nos anos 90. Nancy Io assume que construir uma verdadeira indústria do cinema no território é preciso exibir mais cinema independente e apostar na formação

 

Antes de “Projecto Miúdos”, foi para Taiwan estudar cinema. Porquê Taiwan?

O “Projecto Miúdos” teve uma boa reacção em Macau e, por sorte, também foi exibido duas vezes em Taiwan. Nesse período conheci muitos produtores e pude sentir a sua paixão pelo cinema. Um amigo meu também tinha feito uma pós-graduação em Taiwan e havia lá vários locais de exibição de filmes com temas novos que eram raros em outros sítios. Havia também um festival de cinema. Fui para Taiwan porque queria estudar a origem, o desenvolvimento e as características dos filmes chineses, por serem parte importante da cultura chinesa. Também quis perceber o desenvolvimento do cinema em diferentes países. A diferença nos modos de vida tem impacto nas características dos filmes. Agora estou a produzir um filme em parceria com um professor da universidade.

De que projecto se trata?

Estou a frequentar uma pós-graduação em cinema na Universidade Nacional de Artes de Taiwan, onde quero desenvolver mais o meu conhecimento sobre empresas do ramo da pós-produção. Estou na fase de preparação para um filme novo cujo conteúdo é sobre os anos 90 em Macau. É uma história de suspense e de amor, mas é também o trabalho final da minha pós-graduação de quatro anos.

Porquê apostar tanto no conhecimento sobre a pós-produção?

Para mim é uma parte muito importante de cada filme, tem de ter um estilo certo e tem uma enorme influência. Nem todos conseguem tratar bem a cor, o som, a edição de um filme, e só o nosso coração sabe o que é o mais correcto. Por isso tenho de ser prudente na escolha da empresa de pós-produção.

De que forma é que “Projecto Miúdos” mudou a sua carreira?

O filme fez parte de um projecto da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, sobre o consumo de leite nas escolas. As escolas distribuem inquéritos aos pais para estes escolherem se os seus filhos bebem ou não leite. O nosso filme era muito parecido com esse projecto, focado no facto de serem escolhas dos pais em vez das crianças. Achamos que o leite é um alimento nutritivo, mas será que as crianças gostam? Por isso pusemos o nome “Projecto Miúdos”. Sou professora num jardim de infância e vejo que há alguns problemas no sistema educativo em Macau.

Tais como?

Os pais querem que os filhos aprendam coisas novas, as escolas querem que as crianças participem em espectáculos para desenvolverem talentos. Quando produzi o filme quis apresentar a pressão que é colocada pelos directores das escolas aos professores, que depois pressionam as crianças. No fim, as crianças são vítimas.

Como concilia a sua profissão de docente com a carreira no cinema?

Mesmo sendo professora, fiz a mim própria a promessa de fazer um novo filme por ano. Sou professora de artes, o que está muito relacionado com aquilo que eu mais gosto no cinema, que são os arranjos, a concretização de um mundo fictício para o telespectador. É o poder combinar a luz, a fotografia, os efeitos especiais, o criar todo um estilo visual num filme. Neste momento o mercado cinematográfico atravessa uma fase próspera e temos muitos filmes com a mesma qualidade e efeitos usados nos filmes feitos na China. Por isso quis estudar diferentes linguagens do cinema.

Trabalhou no projecto do filme “Fig”. Como surgiu esta oportunidade?

O “Fig” é uma obra de Vincent Chui Wan Shun, que foi meu professor quando estava no segundo ano da universidade. Quando acabei o curso ele propôs-me trabalhar na realização do filme e também na direcção de arte. Fiquei surpreendida mas, como gostava do filme, concordei em trabalhar no projecto. O meu professor queria juntar jovens que se interessavam por um período mais antigo do cinema de Hong Kong para se fazer filmes independentes e foi criado o grupo Ying e Chi, e vários jovens que fizeram parte deste grupo tornaram-se realizadores em Hong Kong. O Vincent organiza um festival de cinema independente por ano, procura filmes de todo o mundo para que os mais jovens possam ter esse contacto.

Também tem essa vontade de contribuir para o cinema local que não apenas através dos seus filmes?

Gostava de levar mais curtas-metragens de Macau para serem exibidas em Taiwan, para que o público de Taiwan possa conhecer melhor o que se faz em Macau e para que haja uma comunicação. Também quero atrair mais estudantes para esta área. Espero que Macau possa ter a sua própria indústria cinematográfica no futuro, e que eu possa contribuir para isso.

Mas Macau já tem um sector do cinema com algum desenvolvimento?

Há dez anos começaram a ser umas longas metragens, mas a reacção não foi muito boa, e também não havia formação em cinema. Havia apenas cursos na área do jornalismo e da comunicação e ao nível da produção de curtas-metragens. Não temos uma verdadeira indústria, pois mesmo com conhecimentos não temos muitas oportunidades nem espaço para desenvolvimento. Pelo contrário, a indústria do cinema em Hong Kong está muito mais desenvolvida. Macau está apenas numa fase inicial e é por isso que a educação é essencial.

Alguns filmes de Macau têm tido presença lá fora, por exemplo.

Sim. Temos um festival de cinema com a presença de vários países e o filme de Tracy Choi, “Sisterhood”, venceu a primeira edição do Festival Internacional de Cinema de Macau. Recentemente o filme “Crash”, de Hong Heng Fai, entrou para a lista de candidatos ao prémio de melhor curta-metragem dos Prémios Cavalo de Ouro do Festival de Cinema de Taipé. Alguns realizadores de Macau também participaram em festivais em Berlim, Índia e Taiwan, o que significa que o cinema em Macau já teve o seu início.

Como explica que só agora a indústria do cinema esteja a dar os primeiros passos?

Em Macau pensa-se que trabalhos como as artes, o cinema ou as indústrias culturais e criativas no geral não dão o mesmo nível de rendimento, por isso é mais difícil formar uma atmosfera artística no território. Se os jovens puderem ver filmes diferentes podem entender outro tipo de questões sociais, bem como o significado de fazer um filme independente. Mas não é fácil afastarmo-nos da cultura cinematográfica dominante.

E os cinemas de Macau, estão prontos para o cinema independente?

Há várias salas de cinema, mas não há muitas que queiram projectar cinema independente. Gostava de ver algumas salas a exibir mais filmes de Macau e não apenas o cinema comercial que tem como intuito ganhar dinheiro. Quem estuda cinema sabe que uma oferta baseada no cinema comercial não chega para desenvolver um sector. Num território pequeno é preciso equilibrar as coisas. Para desenvolvermos o cinema é preciso ensinar cinema. É mais fácil o público compreender o cinema comercial, porque tem celebridades e temas populares, enquanto que o cinema independente tem baixo custo e os filmes são mais experimentais. Mas os cinemas não devem ter em conta apenas os elementos comerciais de um filme. Há também realizadores que só querem fazer dinheiro, outros que assumem esta profissão por vaidade. Mas Macau é um local apropriado para a exibição de cinema independente devido aos casinos, porque muitos jovens acham que os casinos dão oportunidade de salários mais altos e pensam que a educação não é importante e só querem começar a trabalhar o mais cedo possível.

SMG | Pandemia ajudou à melhoria da qualidade do ar em 2020

O relatório divulgado pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos conclui que a qualidade do ar em Macau registou melhorias o ano passado, sobretudo a partir da segunda metade do ano. A pandemia terá contribuído para uma quebra do número de dias insalubres em todas as estações de monitorização, bem como na concentração de partículas PM2,5

 

O território enfrenta uma crise devido à pandemia da covid-19, mas houve, pelo menos, uma boa consequência: uma melhor qualidade do ar. Segundo o relatório dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) ontem divulgado, o número de dias insalubres foi menor em todas as estações de monitorização, além de se ter registado uma quebra na média anual de concentração de partículas PM 2,5 – partículas inaláveis muito finais em suspensão.

Olhando para a situação da qualidade do ar ambiental na zona da Taipa, 53 por cento dos dias do ano, ou seja, 195, registaram uma boa qualidade do ar. A qualidade do ar foi moderada em 156 dias, 43 por cento do ano, e insalubre em apenas 15 dias em todo o ano de 2020.

Em Coloane, também ao nível da qualidade do ar ambiental, houve 220 dias com uma boa qualidade do ar, ou seja, 63 por cento. O ar na ilha de Coloane foi insalubre em apenas dez dias do ano, ou seja, três por cento.

No que diz respeito à qualidade do ar em Macau, em termos de zona de alta densidade habitacional, houve 294 dias com boa qualidade do ar e apenas 74 com ar insalubre. Para termos dados tão bons teremos de regressar ao ano de 2011, quando houve um total de 274 dias com boa qualidade do ar.

No caso da Taipa, em termos de qualidade do ar em zona de alta densidade habitacional, houve 307 dias com boa qualidade do ar e 59 dias com qualidade do ar moderada. Só em 2002 é que se verificaram níveis de qualidade do ar tão bons, quando o ar foi de boa qualidade durante 251 dias.

Pandemia ajudou

Ouvido pela TDM Rádio Macau, o investigador Thomas Lei, da Universidade de São José (USJ), destacou a melhoria da qualidade do ar sobretudo a partir da segunda metade do ano. “A partir de Junho podemos ver que há uma redução substancial da poluição. Não tanto nos primeiros três meses do ano, mas depois sim. Há uma grande diferença.”

A pandemia terá ajudado a estes valores, frisou. “Há menos turistas e menos carros a circular. Tudo factores que contribuem para a concentração de particular PM2.5.”

Os sinais de melhoria da qualidade do ar já tinham sido anunciados num estudo desenvolvido pela USJ e pela Universidade Nova de Lisboa, intitulado “Statistical Forecast of Pollution Episodes in Macao during National Holiday and Covid-19”, e publicado em Julho do ano passado.

O estudo avaliou o impacto da mobilidade de pessoas e veículos nos níveis de poluição do ar no início do ano passado, por comparação ao período da Semana Dourada de 2019, e concluiu que “os níveis de concentração das partículas PM2.5 tiveram uma redução significativa depois da confirmação do primeiro caso de covid-19 em Macau a 22 de Janeiro”, para depois registarem nova subida em Março.

Na altura, Thomas Lei disse ao HM que “os níveis de mobilidade em Janeiro e Fevereiro baixaram e baixaram também praticamente todos os níveis de poluentes. Vemos que a redução da circulação de veículos melhorou de facto a qualidade do ar em Macau.”

Covid-19 | Trabalhadores e estudantes não residentes com direito a vacina gratuita

Os trabalhadores não residentes e alunos do exterior que estudem em Macau também vão ser incluídos na vacinação gratuita. A existência de um seguro para os vacinados é justificado com o facto de nada ser totalmente certo e de outros países e regiões terem também feito essa opção

 

A vacina contra a covid-19 também vai ser gratuita para os trabalhadores e estudantes não residentes, avançou ontem o médico adjunto da direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ), Alvis Lo Iek Long. O Governo já se tinha comprometido com uma vacina gratuita e voluntária para residentes. “Além de proteger os indivíduos, também pode criar uma imunidade colectiva. Daí que esses são os três grupos que incluímos no plano gratuito de vacinação. Isto já está confirmado”, afirmou o médico.

As primeiras doses de vacina deverão chegar a Macau até ao final de Março, mas ainda não há uma data mais precisa. Alvis Lo Iek Long defendeu que o Governo tem “uma atitude muito transparente” e que espera lançar o programa de vacinação o mais rapidamente possível.

Apesar de reconhecer que outros motivos podem levar as doses a chegar “um pouco tarde”, mantém-se a confiança de que o prazo vai ser cumprido. “Tudo está a correr bem. Claro que existe a possibilidade de [haver uma] força maior, mas também temos planos de contingência. Daí podermos concluir que teremos as vacinas (…) no primeiro trimestre”, respondeu.

Nenhuma das vacinas pode ser dada a menores de 16 anos. Além disso, não podem ser vacinadas mulheres grávidas, indivíduos com febre, bem como portadores de doenças crónicas no estágio agudo ou portadores de doenças agudas. Fica também excluído quem é alérgico a componentes da vacina.

Trabalhos preparativos

Entretanto, a página electrónica especial contra epidemias já tem informação sobre a vacinação e estão em curso preparativos. “Temos uma pagina electrónica para fazer a marcação da vacina. Podemos através do código QR aceder à pagina e depois fazer a marcação. Conforme o tempo e local marcado, podem deslocar-se para administrar a vacina. Também têm de aceitar ser avaliados e assinar o termo de consentimento”, explicou Leong Iek Hou, do Centro de Controlo e Prevenção da Doença.

A médica acrescentou que são necessárias duas doses, por norma administradas com quatro de semanas de intervalo. “Cerca de duas semanas após a vacinação, a maioria das pessoas podem desenvolver imunidade contra a covid-19”, observou.

O Governo está a estudar a aquisição de um seguro para quem for vacinado, com um custo estimado de 500 patacas, além de pagar o preço da vacina. A Autoridade Monetária de Macau está a dar apoio no processo.

Alvis Lo Iek Long frisou que nada é totalmente seguro e que a vacinação em massa é o melhor método para conter a epidemia, mas afasta que o seguro seja um motivo adicional para os cidadãos tomarem a vacina. “Para todo o mundo é uma novidade. Nos outros países ou regiões também há fundos de vacinação ou outros sistemas para garantir a compensação, se houver efeitos adversos após a vacinação”, acrescentou ainda Leong Iek Hou.

Afastada nova variante

As autoridades de saúde estimam que a paciente diagnosticada com covid-19 à chegada do voo vindo de Tóquio na semana passada estaria infectada há três semanas. O médico Alvis Lo Iek Long disse que a amostra recolhida revela que o vírus não é a nova variante do Reino Unido, Brasil ou África do Sul. De acordo com a análise realizada, estima-se que a paciente esteja já “na fase média ou final da infecção”. A residente mostrava sinais de bem-estar e não havia indícios de pneumonia.

APN e CCPCC | Vacinas a delegados de Macau administradas em Zhuhai

Os delegados de Macau à Assembleia Popular Nacional (APN) e à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) estão a receber a vacina contra a covid-19 em Zhuhai para poderem participar nas reuniões destes organismos que acontecem em Pequim em Março. Segundo a TDM Rádio Macau, a iniciativa foi do Gabinete de Ligação e Vong Hin Fai, delegado e também deputado à Assembleia Legislativa foi um dos primeiros a ser vacinado num hospital de Zhuhai, na passada quarta-feira. Vong Hin Fai disse não ter sentido qualquer reacção adversa depois da toma da vacina, do laboratório da Sinopharm, adquirida por Macau.

FDCT | Secretário para a Economia passa a presidir conselho de curadores

O Conselho Executivo terminou a análise à alteração do regulamento administrativo que regula o funcionamento do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e Tecnologia (FDCT), que financia projectos de investigação. Com a mudança, o secretário para a Economia e Finanças passa a presidir ao conselho de curadores do FDCT, além de que a secretaria para a Economia e Finanças passa a ser a entidade tutelar do fundo.

Além disso, “foram reforçados o impulso e o incentivo de medidas destinadas ao desenvolvimento da inovação científica e tecnológica”, tal como o financiamento a estudos, investigação, promoção e projectos inovadores destinados ao desenvolvimento industrial, bem como projectos de investigação científica sobre a transformação dos resultados científicos”. Quanto à comissão de consultoria de projectos foi actualizada a sua composição, para permitir “examinar, com maior precisão, os diversos tipos de projectos das diferentes áreas”.

Esta alteração vem na sequência da reestruturação da Direcção dos Serviços de Economia (DSE) na “Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT)”. Pretende-se que o FDCT e a DSEDT promovam em conjunto “uma estreita integração da tecnologia com a economia, impulsionando a industrialização dos resultados da investigação científica”. As alterações entram em vigor na próxima segunda-feira, dia 1 de Fevereiro.

Zhuhai | Nove processos para sancionar burlas na compra de casa

“De Janeiro de 2020 até 18 de Janeiro deste ano, a Direcção dos Serviços de Economia abriu 119 processos de inspecção à publicidade de edifícios. De entre estes processos, foram acompanhados 37 casos suspeitos de irregularidades (36 dos quais envolveram edifícios no Interior da China) e foram instaurados processos sancionatórios contra 9 casos (edifícios no Interior da China)”, lê-se num comunicado da Direcção dos Serviços de Economia e Conselho de Consumidores divulgado ontem.

Esta foi alguma da informação que saiu da reunião entre o vice-secretário do Partido Comunista do Governo Municipal de Zhuhai, Liu Jiawen, o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, e dirigentes da DSE e do Conselho de Consumidores sobre os casos de burlas na compra de casa em Zhuhai.

Os Governos das duas cidades estão a tentar dar respostas às muitas queixas de residentes da RAEM relativas a burlas na aquisição de imóveis em Zhuhai. Uma das medidas é a verificação das “cinco licenças” de imóveis, que os consumidores podem consultar para aferir a veracidade dos anúncios.

As “cinco licenças” são: “Autorização de planeamento de terrenos para construção”, “Autorização de planeamento de obras de construção”, “Autorização para execução de obras de construção”, “Licença de uso de terrenos do Estado/Título da propriedade de imóvel” e “Licença de pré-venda de habitações comercializáveis”.

Sulu Sou quer debater na AL projectos para zona de Nam Van

O deputado Sulu Sou apresentou na Assembleia Legislativa uma proposta de debate sobre a questão da preservação da paisagem em torno da Colina da Penha, tendo em conta os projectos de construção previstos para as zonas C e D do lago Nam Van. Sulu Sou apela à aprovação em prol da “realização de um debate totalmente aberto sobre a matéria”

Depois da Associação Novo Macau (ANM) ter lançado uma petição online sobre a necessidade de preservação da paisagem em torno da Colina da Penha, tendo em conta os projectos de construção previstos para as zonas C e D do lago Nam Van, eis que o deputado Sulu Sou volta à carga com um pedido de debate na Assembleia Legislativa (AL) sobre o mesmo assunto.

“Acredito que a realização de um plenário para um debate totalmente aberto sobre a matéria em causa em um grande e oportuno significado e valor para a resolução desta controvérsia e a consolidação de um consenso”, defendeu.

Sulu Sou acredita que há falta de “mecanismos legais completos” para “proteger a integridade visual entre a Colina da Penha, a ponte antiga e o mar” e acusa a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) de apresentar à pressa e de forma incompleta duas plantas de condições urbanísticas (PCU) para as zonas C e D, onde está prevista a construção de instalações judiciais.

“A DSSOPT lançou recentemente, sem divulgar quaisquer informações científicas, como o relatório da avaliação do corredor visual, e de forma apressada, dois projectos de PCU relativos à zona C do lago Nam Van no sentido de aligeirar o limite da altura dos edifícios”, escreveu. Tal suscitou, segundo o deputado ligado à ANM, “a oposição da população e as críticas dos profissionais da área”.

“Se os projectos acabarem por ser autorizados, a paisagem entre a Colina da Penha e a ponte antiga vai ser completamente cortada, o que causa danos irreversíveis para a paisagem”, criticou.

Uma luta antiga

A importância da preservação da paisagem envolvente da Colina da Penha é uma questão antiga, mas para o deputado Sulu Sou tornou-se mais premente com a consulta pública para o Plano Director da RAEM. “Apesar da opinião pública dominante e do compromisso do Governo, surgiram grandes riscos durante a consulta pública sobre o projecto do plano director, realizada recentemente.”

Isto porque, para Sulu Sou, “em termos de conservação da paisagem da Colina da Penha só se referem [o Executivo] ao ‘miradouro da Colina da Penha na direcção do Porto Interior’ e a ‘direcção oposta entre a capela da nossa senhora da penha e o lago sai van’”. Desta forma, “ignora-se por completo a salvaguarda da paisagem formada pela Colina da Penha, pela ponte antiga e pela zona B dos novos aterros urbanos”, conclui o deputado.

Concertação Social | Coutinho e Cloee Chao queixam-se de falta de representatividade

O texto de consulta relativo à Lei Sindical está a ser analisado pelo Comité Permanente da Concertação Social desde Novembro. Pereira Coutinho alerta para o monopólio dos Operários e da Associação Comercial no organismo, enquanto Cloee Chao teme demasiadas concessões do sector laboral. Leong Sun Iok aponta o dedo ao Executivo na demora em legislar

 

Nunca na história moderna de Macau o território precisou tanto de uma lei sindical. Esta é a opinião de Pereira Coutinho. O deputado, em declarações ao HM, enumera algumas dificuldades que a crise provocada pela pandemia trouxe à vida de quem trabalha em Macau. “As concessionárias de jogo, inclusive os hotéis de 5 estrelas, obrigam trabalhadores a continuar em licenças sem vencimento. O que faz com que as famílias tenham dificuldades financeiras para suportar despesas fixas, nomeadamente pagamentos das amortizações bancárias”, aponta o deputado.

Neste aspecto, Coutinho considera que as instituições bancárias do território não estão a cumprir com a responsabilidade social, numa altura de aperto, nem que o Governo se esforçou para exigir que o façam. Porém, a questão laboral mantém-se, assim como o impasse legislativo para avançar com a lei sindical, uma promessa de campanha de Ho Iat Seng.

Cloee Chao, presidente da Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo é uma das representantes laborais fora da discussão, assim como Pereira Coutinho, que preside à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau. Ambos apontam o dedo ao órgão que está a analisar o texto de trabalho da proposta de lei sindical, desde Novembro: o Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS).

Em declarações ao All About Macau, Cloee Chao destaca o domínio da Federação das Associações dos Operários de Macau, em termos de representação na Concertação Social, e a preocupação com a possibilidade de cedências da parte laboral na discussão da lei que vai regular a actividade sindical. “Estamos preocupados com o conteúdo, por isso espero que o Governo divulgue publicamente o texto de consulta”, comentou, citada pelo All About Macau.

Pereira Coutinho destaca a bipolaridade do CPCS, em termos de representação dos vários sectores laborais e empresariais. Por exemplo, o deputado acha inaceitável que muitas associações representativas das pequenas e médias empresas não estejam representadas no organismo. “O monopólio da Associação Geral dos Operários de Macau e da Associação Comercial de Macau perdura há mais de 20 anos”, destaca o legislador e dirigente associativo.

Aumentar a mesa

Em prol da transparência no funcionamento da Concertação Social, Pereira Coutinho entende que “deve ser alargado o seu leque de representatividade”, algo que teima em não acontecer “porque não querem ouvir opiniões diferentes”.

Na óptica de Cloee Chao, o entusiasmo da população arrefeceu no que toca à representação sindical. “Sentimos que não querem ouvir as opiniões de todos, portanto, só podemos esperar passivamente e reagir depois de publicarem uma proposta de diploma”, afirmou, acrescentando que, mesmo enquanto representante de uma associação laboral, está afastada da discussão.

A dirigente, que já foi croupier, receia que a lei não contribua para fortalecer a posição do trabalhador na relação laboral. Chao afirma que para se formar um sindicato pode ser necessário a adesão de um número mínimo de trabalhadores, algo que a entidade patronal pode contornar ao filiar um recém-contratado numa associação que domine. “Estamos preocupados com a possibilidade de os patrões forçarem os empregados a aderirem a um sindicato maior, não lhes dando escolha”.

Lei fundamental

O deputado Leong Sun Iok, da bancada da associação que domina o lado laboral da CPCS, destacou em declarações ao HM que a própria participação no dirigismo sindical deve ser protegida. “Muitas vezes, os líderes de associações de trabalhadores acabam por ser destacados para posições com más condições de trabalho”, comentou. Outra preocupação do legislador dos Operários é o sistema de lista negra, com prevalência nas concessionárias de jogo, que ameaça a empregabilidade do trabalhador no sector.

Quanto à elaboração da lei sindical, Leong Sun Iok lamenta que o Executivo demore os trabalhos legislativos.
Pereira Coutinho confessa ter recebido muitas queixas de trabalhadores que são forçados a demitirem-se para evitar que a entidade patronal pague as devidas compensações, nos termos legais, “ameaçando, caso não se demitam de livre iniciativa, colocá-los numa lista negra deixando de poderem trabalhar em qualquer outra concessionária de jogo”. O deputado acha que o “Governo não se interessa em resolver esta situação”.

Quanto à possibilidade de os direitos à greve, manifestação e contratação colectiva de trabalho serem salvaguardados na lei, Coutinho aponta para a lei fundamental da RAEM como Estrela Polar. “A Lei Básica e o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ são para ser cumpridos. Se na Lei Básica existem esses mecanismos de protecção dos trabalhadores, não estou a ver porque é que não se cumprem rigorosamente. Portanto, estou esperançado que o Governo se limite a cumprir aquilo que está na Lei Básica.

Presidenciais | Marcelo é o primeiro a ganhar em todos os concelhos em Portugal

Marcelo Rebelo de Sousa ganhou a votação deste ano em todos os concelhos do país, sendo o primeiro a conseguir esse feito, e afirmou a necessidade de avançar com voto por correspondência, antes de novas eleições. Outros recordes foram batidos, como a maior abstenção de sempre em presidenciais e o maior número de votos para uma candidata. Na luta pelo 2.º lugar, Ana Gomes e Ventura bateram-se até ao fim

 

Marcelo Rebelo de Sousa começou o seu discurso, a partir da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, por recordar os mais recentes números da pandemia, bem como os de 2 de Novembro, dia em que se invocaram as vítimas da pandemia.

“A 2 de Novembro, dia da evocação das vítimas da pandemia no Palácio de Belém, havia 2.590 mortos. São agora 10.469. Para eles, assim como para os mortos não covid, destes quase 11 meses de provação, vai o meu primeiro emocionado pensamento, para eles e para as suas famílias”, começou por dizer Marcelo.

“São, com os demais que sofreram e sofrem e lutam dia após dia pela vida e pela saúde, o retrato do Portugal em que decorreu esta eleição, em plena pandemia agravada em Janeiro, com estado de emergência e confinamento inevitável, com crise económica e social, queda de crescimento e projecção na pobreza e das desigualdades”, continuou. “Para eles vai o meu e o nosso pensamento”, afirmou, relembrando também as famílias afectadas pela covid-19.

De seguida, Marcelo saudou os portugueses que proporcionaram a realização destas eleições, com apreço para “os que se mobilizaram para as mesas de voto, para que pudesse haver eleição, os que votaram apesar da pandemia e do Inverno agreste, os que só não votaram por impossibilidade legal ou física, os que não o fizeram por sua opção muito pessoal. Para todos eles — mas em particular os que mais se sacrificaram para que a democracia não fosse vencida pela pandemia — vai uma palavra de gratidão ilimitada, pelo serviço que prestaram à liberdade, ao estado de direito e a Portugal.”

Cheque e cobertura

Quanto ao resultado da eleição, Marcelo lembrou que estas eleições representam uma resposta dada “quanto à escolha feita entre a renovação da confiança no Presidente da República em funções e a sua substituição por outra ou outro dos candidatos com diversos perfis”, sendo que “perante essa opção, que envolvia também julgar o desempenho de quem se submetera ao voto como o responsável máximo do Estado e, nessa medida, da gestão da pandemia, os portugueses responderam, renovando a confiança no actual Presidente da República por mais cinco anos”.

Além disso, Marcelo referiu estar “honrado e agradecido por esta confiança em condições tão mais difíceis do que em 2016”.

Agradecendo de “coração aberto” a quem votou nele, o Presidente deixou também uma palavra a quem não o fez, pois “o Presidente é um só e só um e representa todo o Portugal”. “Tenho a exacta consciência que a confiança agora renovada é tudo menos um cheque em branco e diz que tem de continuar a ser um Presidente de todos e de cada um dos portugueses”, começou por dizer, frisando que não pode ser um presidente “de uns contra os maus, que não seja de facção, que respeite o pluralismo e a diferença e que nunca desista da justiça social”.

Fazendo referência à abstenção, Marcelo lembrou que, mesmo assim, se registou uma “subida significativa do voto absoluto em relação há cinco anos”.

Retomando o tema inicial, Marcelo frisou que os portugueses “não querem uma pandemia infindável, uma crise sem fim à vista, um recuo em comparação com outros países, uma radicalização e um extremismo nas pessoas, nas atitudes, na vida social e política”, mas sim “uma pandemia dominada o mais rápido possível, uma recuperação do emprego”.

Voto por correspondência

No seu discurso de vitória, Marcelo Rebelo de Sousa prometeu “tudo fazer para persuadir quem pode elaborar leis a ponderar a revisão antes de novas eleições daquilo que se concluiu dever ser revisto, para ajustar a situações como a vivida”. E prosseguiu: “Mais em geral, para ultrapassar objeções ao voto postal ou por correspondência, objeções essas que tanto penalizaram os votantes, em especial os nossos compatriotas espalhados pelo mundo. Compreendi este outro sinal e insistirei para que seja finalmente acolhido”.

O chefe de Estado afirmou ainda ter a noção de “que os portugueses, ao reforçarem o seu voto, querem mais e melhor”, seja “em proximidade, em convergência, em estabilidade, em construção de pontes, em exigência, em justiça social e de modo mais urgente, em gestão da pandemia”.

Luta no pódio

Ana Gomes venceu André Ventura nos distritos do litoral continental, com exceção de Leiria, mas o candidato do Chega ganhou o interior. Quanto às ilhas, Ana Gomes conquistou o segundo lugar nos Açores, André Ventura na Madeira. A nível nacional Ana Gomes conquistou 12,93 por cento dos votos, pouco mais de um ponto percentual a mais do que o candidato da extrema-direita, André Ventura, que obteve 11,89 por cento dos votos.

Foi nos grandes distritos do território continental que Ana Gomes consolidou o segundo lugar, sobretudo no Porto, onde venceu André Ventura com quase 54 mil votos de vantagem: os 116.906 votos corresponderam a 15,58 por cento da votação no distrito, contra os 63.194 de André Ventura que lhe garantiram um resultado de 8,42 por cento.

Em Lisboa, Ana Gomes chegou perto dos 15 por cento, conquistando 139.629 votos, deixando André Ventura em terceiro lugar com 123.573 votos correspondentes a 12,85 por cento da votação no distrito.

Abandono eleitoral

“Se eu não tivesse estado nesta disputa, estaríamos hoje a lamentar ainda mais a progressão da extrema-direita”, afirmou Ana Gomes, em declarações aos jornalistas, no final da noite eleitoral.

“Lamento profundamente a não comparência a estas eleições por parte do meu partido, o PS, que assim contribuiu para a dar vitória ao candidato da direita democrática. Foi uma deserção que critiquei e pela qual decidi apresentar esta candidatura”, afirmou a militante do PS e antiga eurodeputada socialista, na sua declaração no final da noite eleitoral.

Na fase de perguntas, e questionada se responsabilizava o secretário-geral do PS por essa deserção, respondeu: “António Costa, obviamente, foi o principal responsável por essa deserção”.

Questionada se António Costa também lhe telefonou – como fez com o Presidente reeleito -, Ana Gomes respondeu negativamente: “Esta noite só falei com o professor Marcelo Rebelo de Sousa, não falei com mais nenhum dirigente partidário”,

Ana Gomes considerou que a sua candidatura foi “uma missão de serviço público” e, questionada sobre o seu futuro, garantiu que nunca se reformará da política. “Nunca me resignarei a que a democracia degenere e fique à mercê de foras antidemocráticas que cavalgam o ressentimento dos cidadãos”, disse.

Recado ao PSD

André Ventura confirmou a sua decisão de “devolver a palavra aos militantes” na sala de um hotel lisboeta que serviu de sede à candidatura do partido da extrema-direita parlamentar nesta noite eleitoral.

“Nós somos firmes naquilo que defendemos. Ficámos aquém dos 15 por cento que eu deveria ter, com algumas décimas de diferença da candidata que representa o que Portugal de pior tem, a esquerda mais medíocre e colada às minorias e àqueles que têm destruído Portugal. Não fugirei à minha palavra. Devolverei a palavra aos militantes do Chega”, disse.

André Ventura foi recebido com aplausos pelos cerca de 50 apoiantes e militantes partidários na ampla sala de um hotel lisboeta, falando em penúltimo lugar dos concorrentes a chefe de Estado, imediatamente antes do vencedor do sufrágio, Marcelo Rebelo de Sousa, e escusou-se a responder a perguntas dos jornalistas, num primeiro momento.

“Não há segundas-vias depois desta noite. Hoje ficou claro em Portugal e para a Europa e para o Mundo que não haverá Governo em Portugal sem que o Chega seja parte fundamental. Não há volta a dar. PSD, ouve bem, não haverá governo em Portugal sem o Chega!”, gritou.

O líder do partido da extrema-direita parlamentar felicitara antes a reeleição do Presidente da República, desejando-lhe um “segundo mandato, com dignidade, respeito por Portugal e pelos portugueses de bem e que marque uma ruptura face ao seu primeiro mandato”.

“Foi uma noite histórica para a direita em Portugal, que se reconfigurou completamente”, congratulou-se, sublinhando os cerca de meio milhão de votos angariados e a oportunidade aproveitada por esta “força antissistema” para “furar o bloqueio habitual”.

Dois dígitos perigosos

Paulo Portas defendeu que não se ignore que, pela primeira vez em 40 anos, “há um populista, de direita extrema ou extrema direita, consoante os dias, que tem dois dígitos”, numa referência a André Ventura. “A técnica do populismo é sempre a mesma: dizem uma barbaridade e toda a gente vai atrás da discussão da barbaridade”, adiantou. Para Portas, estes líderes “têm de ser confrontados com a agenda normal de um português normal: economia, educação, saúde, ambiente”. E referiu que, nesta campanha, que classificou de “absolutamente insólita e inaudível”, nem sequer percebeu o que certos candidatos fariam com a pandemia. “Eu vejo estes candidatos e eram todos contra o estado de emergência. Então, como é que resolveriam a pandemia amanhã?”, questionou. A partir de hoje, acrescentou, “há um facto novo que não se deve desvalorizar e que representa para o PSD, e ainda mais para o CDS, uma questão séria”.

Derrota canhota

“Acho que à esquerda, com três excelentes candidatos, todos foram derrotados. Marisa Matias certamente, uma votação muito inferior à que tinha, há uma queda de 10 para 5 por cento. Acho que ninguém vai festejar à esquerda. Houve quatro candidatos da esquerda nas últimas eleições presidenciais que tiveram cerca de 40 por cento juntos.

Há três desta vez, menos dispersão, que têm cerca de 25 por cento juntos, porque Marcelo Rebelo de Sousa entrou em todos estes eleitorados, com intensidades diferentes, naturalmente muito mais no PS, mas também nos outros, e polarizou essa votação”, disse Francisco Louçã. Ana Gomes ficou “muito abaixo” de Manuel Alegre ou Sampaio da Nóvoa. “Pode-se dizer que António Costa, e isso acompanho, sai bem destas eleições, porque apoia Marcelo, porque Ana Gomes quis aparecer no fim da campanha eleitoral como instrumento de uma luta interna no PS a favor de Pedro Nuno Santos, coisa que é bastante incompreensível, porque reduz o espaço da candidatura e porque os partidos com os quais discute no parlamento as condições maioritárias de decisões como o Orçamento do Estado e outros saem enfraquecidos deste resultado eleitoral”, defendeu Louçã.

 

Resultados finais

Marcelo Rebelo de Sousa 60,70%
2.533.799 votos

Ana Gomes 12,97%
541.345 votos

André Ventura 11,90%
496.653 votos

João Ferreira 4,32%
180.473 votos

Marisa Matias 3,95%
164.731 votos

Tiago Mayan Gonçalves 3,22%
134.427 votos

Vitorino Silva 2,94%
122.743 votos

EM BRANCO 1,10%
47.041 votos

NULOS 0,94%
39.997 votos

Covid-19 | China constrói centro de quarentena em Hebei para quatro mil pessoas

Um centro de quarentena com capacidade para mais de quatro mil pessoas está a ser construído na cidade de Shijiazhuang, com 10 milhões de habitantes, na província de Hebei, afetada por um surto de covid-19.

Imagens captadas por satélite pela Agência Espacial Europeia mostram, de acordo com a Associated Press, mudanças ocorridas na área de construção nos últimos 10 dias. Grupos de casas pré-fabricadas também podem ser vistas nas imagens.

Por outro lado, o jornal People’s Daily, órgão oficial do Partido Comunista da República Popular da China, indica que 600 quartos estão prontos desde o passado dia 19 de janeiro e que 3.600 estão a ser preparados.

Outras publicações do regime referem que operários de vários pontos do país estão a ser enviados para Hebei para a construção do complexo. A mobilização de mão-de-obra ou de equipas de salvamento a nível nacional são uma prática comum do regime quando ocorrem desastres naturais ou outro tipo de crises.

No ano passado, os hospitais Huoshenshan e Leishenshan foram construídos em poucos dias para doentes com covid-19 na cidade de Wuhan onde o novo coronavírus foi inicialmente detetado a nível mundial.

Pequim afirma que tem controlada “amplamente” a propagação da pandemia de covid-19 mas admite surtos, sobretudo nas regiões do norte do país mais atingidas pela descida das temperaturas.

A Comissão Nacional de Saúde afirma ter registado 145 casos nas últimas 24 horas, “incluindo 11 casos” na província de Hubei. O suposto novo centro de tratamento foi concebido para manter em quarentena as pessoas que estiveram em contacto com doentes com covid-19.

De acordo com a China News Service, a segunda maior agência estatal de notícias – depois da Agência Nova China -, cada quarto tem 18 metros quadrados, uma cama, um aparelho de ar condicionado, uma mesa, uma televisão e rede de internet.

Segundo as notícias dos meios de comunicação social do regime, o complexo fica situado em Zhengding, na área suburbana de Shijiazhuang, a capital da província de Hebei, a cerca de 260 quilómetros a sul de Pequim.

Nove dos 10 mineiros ainda presos numa mina chinesa foram encontrados mortos

Nove dos 10 mineiros que ainda estavam presos numa mina de ouro na China, há duas semanas, foram encontrados mortos, anunciou hoje a agência de notícias estatal Xinhua.

Uma explosão numa mina de ouro em Qixia, na província oriental de Shandong, a 10 de janeiro, bloqueou 22 mineiros a várias centenas de metros de profundidade. Desde então, 10 morreram, 11 foram retirados com vida e um ainda continua desaparecido, de acordo com a Xinhua.

No domingo, onze mineiros foram trazidos em segurança para a superfície. A televisão estatal CCTV mostrou os mineiros a serem retirados um a um na tarde de domingo, com os olhos cobertos para os proteger depois de tantos dias a viver na escuridão.

Um mineiro morreu devido a um ferimento na cabeça logo após a explosão, que depositou grandes quantidades de escombros no poço da mina.

O aumento da supervisão melhorou a segurança na indústria de mineração da China, que costumava ter uma média de 5.000 mortes por ano.

No entanto, a grande procura de carvão e metais preciosos continua a estimular a construção de mina, e dois acidentes em Chongqing, no ano passado, mataram 39 mineiros.

Covid-19 | Preocupações aumentam em Timor-Leste com mais casos em Timor Ocidental

Reportagem de António Sampaio, da agência Lusa

 

O aumento dos casos de covid-19 na metade indonésia da ilha de Timor está a causar “grandes preocupações” às autoridades timorenses que temem eventuais contágios, disseram responsáveis. Nas últimas semanas registou-se um aumento significativo de casos em Timor Ocidental, com mortes de pessoas infectadas com covid-19 em locais como Atambua, a poucos quilómetros da fronteira com Timor-Leste.

Uma situação preocupante para toda a zona fronteiriça, mas especialmente para o enclave de Oecusse-Ambeno, onde só nos últimos dias foram capturadas mais de 90 pessoas em transações e movimentações ilegais nas fronteiras, disse à Lusa o presidente da Região Administrativa Especial Oecusse-Ambeno (RAEOA), Arsénio Bano.

“Os casos estão a aumentar de dia para dia em Timor Ocidental e estão cada vez mais perto. Agora já há casos muito próximo da fronteira na zona de Oesilo, num dos subdistritos de Kefa [Timor Ocidental]”, afirmou Bano. “E em Atambua não há boas notícias. Estamos cercados e estamos a fazer o possível, com vigilância máxima, porque o contágio comunitário já está em pleno em Timor Ocidental”, admitiu o responsável, expressando preocupação.

O vice-ministro do Interior timorense, António Armindo, disse à Lusa que desde o início do ano, pelas várias vias, entraram no país quase 380 pessoas, das quais cerca de 100 ilegalmente pela fronteira terrestre, na maioria estudantes ainda em quarentena.

“Temos de gerir isto com muito cuidado porque temos medo de transmissão comunitária. Evitar isso implica apelarmos a todos os que vivem fora de Timor-Leste para que entendam que travessias ou movimentos ilegais não são a opção certa”, salientou.

“Se amam Timor-Leste, a população das fronteiras, as suas famílias, organizem com os nossos consulados, registem-se para que o MNE possa falar com o Ministério da Saúde para ver se os podemos receber. E depois o Ministério do Interior pode abrir as portas”, sublinhou.

Sem referir o dispositivo de patrulhas fronteiriças, por questões de segurança, o vice-ministro disse notar um reforço da acção conjunta da polícia e forças armadas.

“É por isso que estamos a detetar estes ilegais. Mas tem de haver colaboração de todos. Todos têm de ter consciência de que não podemos fazer isto. Temos que fazer entradas legais para que o Governo possa gerir a situação”, destacou.

A sensibilização envolve também chefes de aldeia, de suco (equivalente a freguesias) e jovens, para que “ajudem na segurança, informando de movimentos ilegais”.

O responsável da RAEOA explicou que na província de Nusa Tengarra Timur, que inclui a metade indonésia da ilha, há atualmente quase dois mil casos ativos, com um total de 114 mortos desde o início da pandemia.

As autoridades iniciaram já em meados deste mês a vacinação de trabalhadores da linha da frente dos serviços de saúde em Kupang, a capital de Timor Ocidental, programa que vai ser agora progressivamente alargado.

“Eles também estão em pânico. As populações, os serviços de saúde, que já estão sobrecarregados. Por isso, aqui em Timor-Leste temos que ter o máximo cuidado”, sublinhou.

Um dos sinais do perigo evidenciou-se na última semana com 14 casos positivos, 11 timorenses e três estrangeiros, entre um grupo de cerca de 120 pessoas, muitos dos quais estavam há semanas em Timor Ocidental e que entraram em 20 de Janeiro.

A resposta à ameaça e à pandemia envolve actualmente mais de 700 pessoas entre efectivos da Unidade de Patrulhamento de Fronteira (UPF), funcionários de saúde e vigilantes fronteiriços. O dispositivo acabou de ser reforçado e procura responder ao número elevado de pessoas que atravessam ilegalmente para a Indonésia, nomeadamente para trocas comerciais.

Uma prática antiga para as populações das zonas fronteiriças, que Bano admitiu ser necessária para quem passa dificuldades, mas que na grande maioria dos casos envolve “oportunistas que colocam em risco a saúde pública” de toda a população.

“Quem é capturado é levado de imediato para a quarentena, onde já temos actualmente quase 100 pessoas. Há alguns com dificuldades, mas também há oportunismo. Não temos pessoas suficientes e eles aproveitam-se disso”, notou.

Arsénio Bano disse que estão a ser construídos novos espaços de quarentena, esperando ter mais 60 quartos em breve, e zonas de triagem nos locais mais usados na fronteira.

“A situação em Timor Ocidental vai continuar e a nossa única opção é a prevenção. Triagem, evitar contactos com famílias e comunidades e canalizar quem atravessa a fronteira diretamente para a quarentena”, disse.

A autoridade regional está igualmente num processo de reforço das condições do hospital, com ventiladores, medicamentos e consumíveis médicos, reforçando as condições de isolamento e outros serviços.

O presidente da RAEOA disse que a ministra da Saúde timorense, Odete Belo, vai enviar uma equipa “para fazer a avaliação rápida do que é necessário com mais urgência em Oecusse”, especialmente a nível da prevenção.

“Mas recomendo que o Governo central olhe para as outras fronteiras terrestres, nas zonas de Maliana e Suai, porque o risco é o mesmo. Há que actuar para prevenir qualquer contágio comunitário”, disse.

Timor-Leste tem actualmente 17 casos activos no país, com um total de 67 casos desde o início da pandemia, dos quais 50 recuperaram. A deteção de três casos positivos entre pessoas que entraram ilegalmente em Oecusse em dezembro levou à aplicação até meados desde mês de uma cerca sanitária na região.

O país está actualmente no nono período de 30 dias de estado de emergência, com restrições à entrada e quarentena obrigatória, entre outras medidas. O Governo pediu já ao Presidente timorense a renovação do estado de excepção por mais 30 dias até ao início de março. O Ministério da Saúde adiou indefinidamente um programa de testes em massa, que devia começar hoje.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.121.070 mortos resultantes de mais de 98,6 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Diplomata norte-coreano desertou para a Coreia do Sul em 2019

Um alto diplomata norte-coreano, que assegurou interinamente o cargo de embaixador no Kuwait, desertou em 2019 para a Coreia do Sul com a família, noticiou hoje um diário sul-coreano.

Ryu Hyun-woo chegou em setembro de 2019 à Coreia do Sul, onde pediu asilo político, de acordo com o diário Maeil Business, citado pela agência de notícias France-Presse, mas a fuga foi mantida em segredo.

Cerca de 30 mil norte-coreanos fugiram já à repressão e à pobreza no país para o Sul, na maioria dos casos passando primeiro pela fronteira com a China.

As deserções de responsáveis são raras. No entanto, a chegada de Ryu à Coreia do Sul ocorreu alguns meses depois da fuga do antigo embaixador interino em Itália Jo Song-gil, que também pediu asilo a Seul.

“Decidi desertar porque queria dar ao meu filho um futuro melhor”, declarou Ryu, citado pelo Maeil Business.

Em setembro de 2017, Ryu assumiu interinamente a liderança da embaixada, na sequência da expulsão pelo Kuwait do diplomata So Chang-sik, depois de a ONU ter adotado sanções contra Pyongyang relacionadas com os programas nuclear e balístico.

Os meios de comunicação social identificaram Ryu como familiar de Jon Il-chun, antigo chefe do Gabinete 39, que gere os fundos secretos dos dirigentes norte-coreanos.

Em 2016, o antigo “número dois” da embaixada da Coreia do Norte no Reino Unido Tae Yong-ho desertou para a Coreia do Sul, naquela que foi a mais recente deserção de um responsável do Norte.

Eleito deputado no ano passado, Tae apresentou Ryu como membro do “coração da elite” do regime.

“Independentemente dos privilégios que se possam ter na Coreia do Norte, o vosso espírito só poderá mudar quando se vai ao estrangeiro e se faz a comparação”, afirmou.

O Norte reforçou as restrições e o controlo das fronteiras no âmbito das medidas contra a covid-19 e o número de norte-coreanos a fugir para o Sul diminuiu consideravelmente no ano passado.

Mas, para Tae, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, “nunca poderá impedir os norte-coreanos que sonham com a liberdade de fugirem para a Coreia do Sul”.

Depois de uma notável melhoria nas relações intercoreanas em 2018, na sequência dos Jogos Olímpicos de inverno, o fracasso da segunda cimeira entre Kim e o ex-Presidente dos Estados Unidos Donald Trump, em fevereiro de 2019, em Hanoi, trouxe um novo “arrefecimento” à política na península.

As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra, depois de a Guerra da Coreia (1950-53) ter terminado com a assinatura de um armistício, que ainda não foi substituído por um acordo de paz.

Covid-19 | China com 124 novos casos, 117 de contágio local

A Comissão de Saúde da China anunciou hoje ter identificado 124 casos de covid-19 nas últimas 24 horas, 117 dos quais são contágios locais registados em três províncias e duas cidades. Os casos locais foram detetados no nordeste do país, nas províncias de Jilin (67), Heilongjiang (35) e Hebei (11). Nas cidades de Pequim e de Xangai foram registados três casos e um, respetivamente.

As autoridades chinesas isolaram várias zonas naquelas províncias do nordeste do país, para controlar os diferentes surtos, e estão a realizar uma campanha maciça de testes à covid-19 entre a população, para travar o aumento dos casos.

Os três casos detetados em Pequim foram registados no distrito de Daxing, palco de um surto que as autoridade estão a tentar controlar através de confinamentos seletivos, rastreio de contactos próximos e testes maciços.

O Governo chinês está a tentar evitar a propagação da doença durante o período das festividades do Ano Novo Lunar, que este ano decorre entre 11 e 17 de fevereiro, quando centenas de milhões de chineses regressaram aos locais de origem.

Em algumas províncias, as autoridades cancelaram férias, comemorações públicas e exposições típicas nesta época e pediram para limitar as deslocações a viagens essenciais.

A Comissão de Saúde da China indicou que os restantes sete casos detetados nas últimas 24 horas foram diagnosticados em viajantes oriundos do estrangeiro e chegados às cidades de Xangai (dois) e Tianjin (dois), e às províncias de Guangdong (dois) e Fujian (um).

O número de infetados ativos no país fixou-se em 1.850, incluindo 109 em estado grave, acrescentou.

Em 14 de janeiro, e depois de quase oito meses sem registar qualquer óbito, o organismo anunciou uma nova morte, o que eleva o número total de mortos para 4.635, de acordo com os dados oficiais.

Desde o início da pandemia, o país somou 89.115 infetados.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.121.070 mortos resultantes de mais de 98,6 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Chineses Ultramarinos apoiaram luta anti-covid

A Associação Geral de Chineses Ultramarinos de Macau celebrou no passado sábado a chegada do Ano do Búfalo, com um jantar onde estiveram presentes os media locais.

Lao Ngai Leong, presidente da associação, referiu que “os chineses ultramarinos regressados a Macau cooperaram com o governo para prevenir e combater a epidemia, fazendo a diferença. Especialmente na fase inicial, quando confrontados com uma grave escassez de materiais anti-epidémicos, os chineses ultramarinos na Indonésia, Estados Unidos, Coreia do Sul e outros países enviaram para Macau quase 10 milhões de máscaras. Outros materiais foram adquiridos no Continente.”

Três detidos por tráfico de droga em máscaras de hidratante

A Polícia Judiciária (PJ) desmantelou uma rede suspeita de tráfico de droga que terá usado pacotes de máscaras de hidratante para o rosto e embalagens de snacks para esconder estupefacientes.

De acordo com o jornal Ou Mun, as autoridades encontraram um homem a comportar-se de forma suspeita no NAPE. O sujeito, de apelido Guan, residente da China continental, tinha consigo quatro embalagens de máscaras hidratantes e pequenos sacos com um pó suspeito. A PJ deteve outros dois suspeitos e, no total, foram apreendidas 7 gramas de ecstasy, 384 mililitros de metanfetamina líquida, assim como ferramentas para embalar drogas e uma arma taser.

O primeiro suspeito admitiu trabalhar para uma associação criminosa da China continental como traficante, mas recusou colaborar com mais informações.

Os três homens detidos acusaram ecstasy e metanfetamina nas análises à urina. De acordo com a PJ, a droga apreendida terá um valor de rua na ordem dos 1,26 milhões de patacas.

O caso foi encaminhado para o Ministério Público e os detidos podem ser acusados dos crimes de tráfico e consumo de droga e posse de armas proibidas e substâncias explosivas.

Burla com “notas de treino” | Mais de 40 inquéritos no espaço de um mês

O Ministério Público (MP) tratou, entre o início de Dezembro e meados de Janeiro deste ano, com 40 inquéritos relativos a burlas relacionadas com “notas de treino”, sendo que em 17 inquéritos “os montantes envolvidos são elevados e os arguidos não são residentes”. Além disso, “em alguns casos os seus co-autores ainda se encontram em fuga”. Em muitos casos, as burlas foram descobertas pelas autoridades “quando alguns dos ofendidos contavam as notas in loco”, embora “os valores transferidos sejam de difícil recuperação”, admite o MP.

O valor em causa “varia entre dezenas de milhares e centenas de milhares” de patacas, podendo constituir os crimes de burla, burla de valor elevado e burla de valor consideravelmente elevado, com penas de prisão que podem ir até aos dez anos.

Nestes inquéritos, a um total de 18 arguidos foi aplicada pelo Juízo de Instrução Criminal sob a promoção do Delegado do Procurador, a medida de coacção de prisão preventiva, “a fim de assegurar a eficácia do processo e evitar o perigo de fugirem de Macau ou da continuação da prática da actividade criminosa da mesma natureza”, adianta o MP.

Neste tipo de burla com “notas de treino”, “os arguidos alegavam que poderiam prestar o serviço de troca de dinheiro e exigiam aos ofendidos a transferência antecipada do montante a ser trocado, através de Internet de telemóvel, para as contas bancárias do Interior da China indicadas pelos arguidos”. Após a transferência, os arguidos “entregavam de imediato aos ofendidos, em maços, as notas tidas como verdadeiras, mas que na realidade apenas eram as da sua superfície, sendo todas as outras falsificadas com a impressão de ‘notas de treino’”, conclui o MP.

Colina da Penha | Emitidas plantas de condições urbanísticas para edifícios judiciais

A Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) já emitiu as duas plantas de condições urbanísticas (PCU) relativas aos projectos de construção de instalações judiciais (tribunais e Ministério Público) na zona do lago Nam Van, nomeadamente na avenida doutor Stanley Ho, Rua do Lago Sai Van e terreno junto à Avenida Dr. Sun Yat Sen.

Os referidos projectos têm sido alvo de críticas, nomeadamente por parte da Associação Novo Macau, quanto ao impacto negativo no corredor visual com a Colina da Penha, mas a DSSOPT afirma que a paisagem não será afectada.

“O Instituto Cultural (IC) procedeu à análise da paisagem em conformidade com os limites da altura previstos nos respectivos dois projectos, os quais asseguram a vista da principal área do mar a partir do Miradouro da Capela de Nossa Senhora da Penha em direcção à Taipa (o que não significa que se mantenha igual à vista de toda a área do mar actualmente existente), não alterando assim a configuração do espaço urbano global de Macau.”

A DSSOPT explica também que “caso a construção seja realizada de acordo com a altura planeada nas PCU, a partir da Colina da Penha ainda se poderá avistar o tabuleiro da Ponte Governador Nobre de Carvalho e a zona marítima”, sendo que “apenas a parte marítima por debaixo dos pilares da ponte é que poderá ficar escondida”.

Sem planos para demolir os edifícios do Tribunal Judicial de Base e dos Tribunais de Segunda e Última Instâncias já construídos, o Governo vem agora propor uma redução de dois terços da altura dos edifícios principais, de 90 para cerca de 30 metros, “havendo também um grande decréscimo relativamente ao índice de utilização do solo, o que reflecte a importância da protecção do centro histórico”. O IC será também ouvido aquando das fases de anteprojecto e projecto de arquitectura.

A palhaçada do fascismo

Por André Namora

 

Assistimos a uma não campanha eleitoral para as eleições presidenciais. Mais uma vez a pandemia fez das suas. O governo decretou o confinamento. O povinho não mostrou qualquer civismo e responsabilidade. Saiu tudo à rua e de confinamento ao ar livre aconteceu tragédia. A campanha eleitoral não existiu. Os candidatos iam suspendendo as acções já agendadas. O governo e o país assistiram à desgraça de verem o número de óbitos e de infectados a subir assustadoramente. Os dias passaram a ser de uma constante surpresa com mais de 200 mortos em 24 horas.

Os candidatos a presidente da República, em número demasiado na esquerda política e com pouco sumo de mudança política passaram a limitar-se a umas mensagens nas televisões.

O Partido Socialista deixou o país incrédulo em não apoiar um candidato próprio e ainda por cima em não dar o seu aval à socialista Ana Gomes em detrimento de Marcelo Rebelo de Sousa. Porque não venham com a história da chamada liberdade de voto porque não pega. O actual presidente Marcelo obviamente que será reeleito e por larga vantagem. Só não sabemos uma coisa: é se a abstenção é significativa e poderá provocar uma segunda volta. Com quem? Bem, isso é outra conversa. Andam dois passarões a disputar a mesma presa do segundo lugar, a candidata Ana Gomes e o “bocas” que fez Portugal voltar a falar e a pensar naquilo que já ninguém imaginava – no fascismo.

O homem André Ventura apareceu como o “palhaço” da moda política: dizer mal de tudo e de todos, mas deixando um rasto bem visível de que a extrema-direita europeia estava a financiar as suas campanhas. Extrema-direita com a cabeça de fora não se imaginava que passasse a ser uma realidade. Falar em fascismo e aparecerem ideias autenticamente fascistas, racistas e xenófobas é uma realidade na companha do homem que aprendeu política no PSD. O homem insulta, ofende, diz que vai ser presidente, governante, autarca, diz tudo e mais alguma coisa sem lógica, mas com o perigo de angariar apoios nos descontentes. Acontece que os portugueses estão zangados com muitos actos governativos, especialmente pelo que não se faz pelos mais desprotegidos. E aqui é que o homem bate forte numa onda de populismo como nunca se vira nas hostes do CDS ou do PSD.

Portugal está triste, preocupado e de luto. Morre muita gente com a covid-19, os hospitais do norte ao sul do país estão em ruptura, sem mais camas e profissionais de saúde. Nenhum governo alguma vez se preocupou que poderíamos ser alvo de uma catástrofe. Nesse sentido, deviam-se ter construído mais hospitais e valorizado o trabalho dos profissionais de saúde. O número de óbitos, que nos últimos dias ultrapassou os 220 por dia, criou o medo permanente em toda a gente, excepto nos inconscientes que até andam pelas ruas sem máscara. E é neste ambiente nacional de tristeza e preocupação que o candidato Ventura provoca o impensável: regressaram as manifestações idênticas aos da década de 1970, com protestos de “Fascismo nunca mais” e “Fascismo não passará”, sempre que ele aparece numa cidade. Em todos os locais onde o candidato se desloque os protestos contra a sua presença fazem-se ouvir. Em Setúbal, a polícia teve de intervir porque a caravana automóvel do candidato Ventura foi alvo de grande ostracismo por um grupo de opositores de etnia cigana.

Onde está a noção de confinamento para o candidato Ventura, quando todos os outros candidatos suspenderam as actividades de rua? O homem só sabe gritar que há o bem e o mal. É óbvio que ele e o seu grupelho se acham a parte boa da população e tem o desplante de anunciar que vai vencer as eleições numa segunda volta, quando se sabe há anos que Marcelo Rebelo de Sousa será reeleito logo à primeira votação.

No entanto, a campanha presidencial teve momentos de grande elevação com as posições de candidatos como Ana Gomes, Marisa Matias, João Oliveira e Tino de Rans. Souberam trocar palavras que não ofendiam, não insultavam, simplesmente demonstraram que em política não podem ser todos iguais nem anunciar as mesmas medidas. Os debates nas televisões tiveram sobriedade, cordialidade e em certos casos nas entrevistas realizadas aos candidatos, estes souberam, com clareza, manifestar o que poderia mudar em Portugal.

Durante esta campanha eleitoral ficou uma nódoa negra, a mais negra da campanha: a posição do candidato Ventura contra a comunidade cigana. A maioria dos ciganos trabalha à sua maneira, alguns já têm cursos superiores, há dias conheci um que é veterinário. Os ciganos não merecem os insultos do candidato Ventura que anunciou que os ciganos nada fazem e que vivem à custa do dinheiro do povo. É mentira. Conheço vários casais de ciganos que se levantam todos os dias às cinco da madrugada para se deslocarem nas suas carrinhas para vender os seus produtos nos mais variados locais onde se realizam feiras de rua. Há ciganos que trabalham em empresas de distribuição, nas obras de construção civil, nos armazéns de hipermercados e nos mais variados tipos de trabalho. O candidato Ventura disso não fala e nada diz sobre o prejuízo que têm os ciganos, tal como todos nós, devido ao confinamento e de não poderem ganhar dinheiro para sustento das famílias que normalmente são numerosas.

O candidato Ventura mostrou ao país uma única teoria: a palhaçada do fascismo, que até teve a presença em Portugal da líder fascista francesa Le Pen. No meio disto tudo, com as escolas também encerradas, o povo apenas deseja que a pandemia termine e que Marcelo Rebelo de Sousa tenha um novo mandato especialmente virado para a defesa dos mais desprotegidos no nosso país.

Antuérpia – A impressão (1981) – Jacques Attali

(tradução de Emanuel Cameira)
tradução de:
ATTALI, Jacques, “Anvers – L’imprimerie”, in Les Trois Mondes, Paris, Fayard, 1981, pp. 285-288

 

Para que se reforme a Ordem, o custo da organização deve diminuir. É necessário, para isso, dissolver os impérios e conceder aos burgueses os meios para gerir o coração e o meio, fazer com que acedam ao conhecimento. É então que a impressão, até aqui reservada à elite, se torna técnica industrial. No dealbar do século XV, ractifica a vitória da Ordem mercantil sobre a Ordem imperial, destruindo o sonho de homogeneizar a Europa em torno de uma só língua, o latim. O seu sucesso é avassalador, tal a necessidade das novas classes dirigentes face ao que ela veicula.

Por volta de 1440, quarenta anos após a sua introdução na Europa, as prensas operavam em 110 cidades europeias. Ainda antes de 1500, vinte milhões de livros são publicados, e 200 milhões são-no no século XVI. Antuérpia desempenha um papel decisivo nessa difusão. Em particular, as oficinas de Christophe Plantin são um farol da impressão, apoiado pela burguesia local que de lá extrai os meios da sua força.

Mas o livro é apenas um suporte de conhecimento e não um bem industrial básico capaz de recriar o excedente. Mais uma vez, esse bem sai da terra. Omnipresente, esta fornece alimento, roupas, transporte, abrigo. Aqui, com Antuérpia, é que começa a industrialização do vestuário. Antuérpia desenvolve, de facto, a indústria da lã e, para as suas trocas, concebe uma sofisticada rede bancária, utilizando moedas de prata e, sobretudo, o «Gros». A partir do século XIII, Antuérpia conhece, assim, uma tremenda actividade de trocas (tecidos flamengos, sal zelandês, talheres ingleses, metais alemães). Depois, aproveita o declínio de Bruges para se tornar o local de troca dos produtos da Europa do Norte por especiarias portuguesas (pimenta, malagueta, canela, açúcar). Foi lá que os ingleses tingiram os seus tecidos, até à revalorização da libra, em 1564. Aí se estabeleceram os banqueiros alemães, os Höchsteller, os Fugger, os Welser. Embora marcados por um certo arcaísmo técnico, o mercado financeiro e a bolsa de Antuérpia tornaram-se os primeiros da Europa em matéria de seguros, apostas e lotarias.

A cidade, que apenas tem 20 000 habitantes em 1450, conta com 100 000 em 1560, no seu apogeu. Apesar dos Habsburgos acreditarem poder interditar a cidade aos estrangeiros, estes afluem sem cessar, acelerando o progresso e o dinamismo: 15 000 intelectuais de Espanha e de França, tendo esquecido o seu poder, asseguram o de Antuérpia, antes de fazerem, mais duradouramente depois, o de Amesterdão. Com Antuérpia, o coração muda de tamanho, tornando-se maior, mais alargado que os anteriores. É certo que, privada de exército próprio, Antuérpia domina unicamente pela sua exclusiva capacidade de administrar os vários tipos de moedas de prata. Inglaterra, França e Itália permanecem no centro. Na Alemanha e na Polónia, o sistema imperial persiste; a nobreza, para eliminar a burguesia, contenta-se em fornecer trigo, por intermédio de mercadores estrangeiros, ao resto da Europa. Exporta assim o seu excedente. Ao mesmo tempo, os impérios periféricos do mundo ameríndio são destruídos e integram-se na periferia: a Ordem mercantil mata, sem exército, melhor que os exércitos dos impérios.

Mas, por volta de 1550, esse avatar mal desenhado, essa figura da Ordem mercantil, apaga-se novamente. Antuérpia, arruinada pelas guerras religiosas, não está mais à altura da Ordem. Decresce o seu poder de compra; nela rebentam violentas crises sociais.

Junta-se uma coincidência: em meados do século XVI, a descoberta das minas da América provoca a baixa do valor da prata. Toda a rede comercial de Antuérpia, baseada nas moedas de prata, fica então desacreditada. Antuérpia ainda tenta resistir atraindo para Sevilha a prata que chega da América. Mas o ouro, que se tornou mais caro, é muito mais tentador para os especuladores. Além disso, a guerra rompe as ligações marítimas entre os Países Baixos e Espanha: o ouro e a prata da América não podem mais rumar a Norte. Antuérpia está isolada e os seus bancos são vítimas das bancarrotas espanhola e francesa, em 1557, e, depois, da portuguesa, em 1560.

Uma última vez, Espanha perde a oportunidade: a prata da América assegura-lhe uma considerável renda que pode ajudá-la a tornar-se o coração. Mas a lógica do império ainda é perversa. Sendo a prata desvalorizada graças à sua abundância, o preço dos bens, avaliados em prata, sobe. Os soldados espanhóis recebem então soldos cada vez mais elevados em prata, sem que encontrem, em Espanha, os produtos necessários para os seus gastos. Espanha deve, portanto, importar bens de consumo em troca de prata da América. Ao mesmo tempo, desencadeia-se uma acentuada inflacção. O país fica endividado e a sua moeda entra em declínio. Nem Madrid, nem Sevilha, nem Lisboa são, portanto, confiáveis para os banqueiros. Os metais preciosos apenas passam por Espanha, sem lhe acrescentar valor. Em 1557, os bancos espanhóis colapsam. A Espanha permanece no centro. Sozinha, Génova assume o último sobressalto do mundo mediterrânico e o derradeiro eco do sonho de Carlos V e de Filipe II.

Uma cidade empurrada para o mar retira daí a sua glória fugaz. Controlada, desde o ano mil, por burgueses, cinco séculos mais tarde faz deles, durante cinquenta anos, os senhores do mundo.

Figuras da Alegria e do Silêncio no Acolhimento do Chan

Fanyin Tuoluo, o abade pintor de um mosteiro de Kaifeng no século XIV, utilizou o seu estilo caligráfico num álbum de pinturas que retratam encontros entre um mestre e um aprendiz intitulados «Feitos dos mestres Chan», diálogos de monges que foi um dos temas que ajudaram o reconhecimento do Budismo Chan. Na página que retrata «Budai e Jiang Mohe» (35,6 x 48,5 cm, a tinta sobre papel) que se conserva no Museu de Arte de Nezu, em Tóquio, ele mostra o momento em que Jiang se apercebe finalmente que o monge Budai é uma manifestação de Maitreya, o Buda do futuro. Budai, também referido como o «buda que ri», ou o «gordo» ou o «feliz», cuja lenda diz que teria vivido cerca de 907-923 no reino de Wuyue no tempo das Cinco Dinastias e Dez Reinos, e cujo nome significa «bolsa de pano», um dos elementos que o caracterizam e onde transportava consolações para o mundo que sofre, seria uma reconhecível figura na difusão popular do Chan. O riso, expressão clara da empatia com que quase sempre é retratado o Budai, também está presente na pintura do século XII, «Três gargalhadas no Rio dos tigres»

Huxi Sanxiao, que refere um provérbio que conta o momento em que o solitário monge budista Huiyuan (334-416) se encontrou com o confuciano Tao Yuanming (365-427) e o daoísta Lu Xiujing (406-477) e desataram a rir quando se aperceberam que, de tão embrenhados que estavam na sua conversa, nem se aperceberam que tinham atravessado uma região infestada de tigres. Nessa pintura que está no Museu do Palácio Nacional em Taipé, feita no estilo de «rugas talhadas com machado», fupi cun de Li Tang (c. 1050-1130) a tinta e cor sobre seda, fica clara a relação harmoniosa entre as três filosofias. Num outro ícone do Budismo, desta vez sempre envolto em silêncio, também se espelhava a harmonia e seria repetido pelos pintores.

Jueji Yongzhong, um obscuro monge pintor do século XIII é o autor de uma dessas figuras. A sua fluida e sintética «Guanyin vestida de branco» (104 x 42,3 cm, rolo vertical, tinta sobre papel) de que uma cópia está no Museu de Arte de Cleveland, contém uma curiosa anotação: «uma de oitenta e quatro mil pintadas pelo sacerdote Insei», o que seria uma resposta a uma promessa do «Sutra do Loto» que assegurava a «via do Buda» a quem se dedicasse a mostrar as figuras do Budismo. Dessa Guanyin, a que «escuta os pesares do mundo», na aparente informalidade do traço rápido, desprende-se uma impressão de proximidade. Como também no caso do diálogo a dois, ou na conversa a três com diversos pontos de vista; nessas confissões privadas transmitidas em silêncio à Guanyin, estão exemplificados valores de cumplicidade e de atenção fraterna que foram mostrados pelos pintores, testemunhos da forma como o Chan foi sendo acolhido desde que Bodhidharma atravessou um largo rio numa fina cana de bambu.

Fernão de Magalhães & Francisco de Almeida

Aos 21 barcos da sétima armada capitaneada por D. Francisco de Almeida (1457-1510), que deixaram Lisboa a 25 de Março de 1505 com 1500 homens e onde embarcou Fernão de Magalhães, o seu irmão Diogo de Sousa, assim como Fernão Peres de Andrade, que em 1517 levará o primeiro embaixador português à China, juntaram-se depois mais seis naus, que saíram a 18 de Maio e outras duas, em Setembro.

Oito meses após a partida, já a 26 de Novembro de 1505 regressavam cinco barcos capitaneados por Fernão Soares carregados de tecidos, pérolas e especiarias e só em pimenta traziam 15 mil quintais, chegando quatro a Portugal a 22 de Maio de 1506.

Fernão de Magalhães andou um ano na expedição comandada por Nuno Vaz Pereira, que desde finais de 1506 esteve na costa oriental de África, entre Melinde, Quíloa e Sofala, servindo o Vice-Rei D. Francisco de Almeida, a executar o plano de D. Manuel proposto por Afonso de Albuquerque, regressado em Agosto de 1504, vindo de passar um ano no Oriente.

Afonso de Albuquerque fora capitão-mor da quinta armada (1503-04), da qual ainda não viera a frota comandada por seu primo Francisco de Albuquerque, com quem em Calicute derrotou o Samorim e em Cochim, da feitoria fizeram em 1503 uma fortaleza de madeira [só em 1506 erguida em pedra], deixando como capitão Duarte Pacheco Pereira, que contara com a ajuda de 30 mil malabares, associados a 160 homens dos nossos, contra 70 a 100 mil naíres do Samorim, segundo Joaquim Candeias Silva. Em Dezembro, Afonso de Albuquerque criara a feitoria em Coulão, estava em Cochim a 12 de Janeiro 1504 e seguiu para Cananor, onde se juntou ao primo. Seria a última vez que o via.

“O Estado Português da Índia surge como entidade política com a nomeação do primeiro governador, D. Francisco de Almeida, em 1505, sete anos após a chegada de Vasco da Gama [cuja armada, a quarta à Índia (1502-03), era de doze barcos da Coroa e treze de mercadores] – sete anos, em que a presença portuguesa, de início meramente diplomática e comercial, tomara gradualmente um cunho militar e passara de intermitente, ao sabor da ida e vinda das armadas, a contínua, com uma força de patrulhamento marítimo constantemente presente. D. Francisco é ainda um vice-rei flutuante, governador de um estado sem território, com o convés da sua nau por capital”, refere Luís Filipe Thomaz, que lembra, a “Índia, mais dotada pela Natureza do que a Europa e não menos desenvolvida em indústria humana, quase nada tinha a importar do Ocidente.” Os navios na viagem de Portugal para Oriente iam sem suficientes mercadorias de troca [transportando cobre, prata, chumbo e cera] e para ter lastro, ainda embarcavam pedras para erguer fortalezas e madeira já cortada para fazer barcos. “Na ausência de produtos que interessassem aos mercados indianos, os Portugueses são obrigados a pagar em metal sonante as especiarias que adquirem – o que os leva a interessarem-se igualmente pelo ouro do Monomotapa, escoado pelo porto de Sofala.

Este era tradicionalmente obtido pelos Árabes a troco de tecidos de algodão indiano, oriundo sobretudo do Guzerate. O comércio do ouro conduz assim os Portugueses ao dos panos e arrasta-os para o golfo de Cambaia – como o das especiarias os levara ao do ouro e às costas moçambicanas.”

Bloqueio à Arábia

Na oitava armada à Índia, o capitão-mor Tristão da Cunha partiu de Lisboa com onze naus a 6 de Março de 1506 e a 28 largava Afonso de Albuquerque (1452-1515), que regressava ao Oriente com cinco naus de guerra, levando já a carta para dois anos depois suceder a Francisco de Almeida no governo das Índias. As duas frotas juntaram-se na costa Oriental de África, onde em Moçambique fizeram um forte e em Abril de 1507, à entrada do Mar Vermelho conquistaram a ilha de Socotorá. Aí se separou a armada e Tristão da Cunha chegou à Índia em Agosto, apoiando o cerco de Cananor, onde os portugueses em 1505 tinham feito uma fortaleza em madeira, que então passou a ser de pedra. A 23 de Novembro dava auxílio ao Vice-Rei para derrotar a frota do Samorim de Calicute e por Cananor regressou a Lisboa a 7/12/1507 carregado de especiarias.

Já Afonso de Albuquerque, de Socotorá rumou à costa da Arábia conquistando Omã, fazendo tributárias as suas cidades e a 21 de Setembro chegava à ilha de Ormuz, à entrada do Golfo Pérsico. Cercando-a, enviou recado ao Rei, de apenas 12 anos, para se fazer vassalo dos portugueses e evitar uma guerra. Habituado a receber por quem vinha comerciar e não a pagar, o regente do Rei não aceitou. Então os portugueses abriram fogo demorado sobre as forças navais e terrestres, muito superiores às suas, sendo a resposta tão fraca que a deram por conquistada. A paz foi negociada com um tributo anual à Coroa portuguesa de 15 mil xerafins em ouro, o pagamento dos prejuízos sofridos nas naus durante o combate e um terreno na ilha para construir uma feitoria e a fortaleza. O Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz era o principal objectivo de Afonso de Albuquerque e, apesar de o ter começado em 1507, só o terminaria em 1515, pois, em Fevereiro de 1508 três capitães dos navios, liderados por Afonso Lopes da Costa, recusando ficar a construir a fortaleza, revoltaram-se e abandonaram-no para irem fazer queixa ao Vice-Rei. O futuro governador Albuquerque, [tomará posse a 29/10/1509], deixou a meio a construção, indo também para a Índia.

Conquista de Diu

Já em Março de 1508 Lourenço de Almeida morrera em Chaul, apanhado de surpresa no interior do porto pela armada do Sultão do Egipto, pois pensara ser a frota de Albuquerque, que falhara o controlo e no aviso. O Vice-Rei D. Francisco de Almeida, para vingar o filho, em Dezembro foi ao território de Cambaia, onde arrasou o porto de Dabul e seguiu para Diu.

Fernão de Magalhães participou a 2 e 3 de Fevereiro de 1509 na batalha naval de Diu, quando o ainda Vice-Rei com 19 velas atacou essa praça dos rumes (turcos) e destruiu a esquadra do egípcio mameluco Mir Hocem, a do Sultão Otomano Beyazid II, com as forças do Samorim de Calicute e do Melique Iaz de Guzarate, que governava Diu. Esta vitória deu aos portugueses o domínio do Mar Arábico.

A expedição de Diogo Lopes de Sequeira, que saíra do Tejo com quatro navios em Abril de 1508 a caminho de Malaca, afim de estabelecer um tratado comercial num dos portos mais concorridos da Ásia, passava por Cochim a 20 de Abril de 1509. Aí estava Fernão de Magalhães, que embarcou e assim passou por Samatra, antes de chegar a 11 de Setembro a Malaca, onde os locais lhes prepararam uma cilada. Avisados por chineses do plano para destruir a frota lusa, tal não teve total sucesso devido às precauções de nunca se desembarcar todos os marinheiros e assim, Sequeira conseguiu fugir com dois barcos para a Índia, deixando dezoito portugueses prisioneiros. Foram depois barrados por um barco muçulmano com quem entraram em batalha, quando Magalhães salvou da morte pela segunda vez Francisco Serrão, seu grande amigo e companheiro de aventura.

Turcos e Bordados

6 de Dezembro de 2020

Com a cidade semi-deserta uma das coisas boas é sem dúvida ir lendo os nomes dos estabelecimentos comerciais e tentar entender a nomeação de tais espaços. Se nos dermos conta, só mesmo as lojas chinesas que já estão em maioria por todos os lados, escusam designações de qualquer género, o que se entende, dada a profusão de mercadoria diversa e em nada coincidente. E este deambular numa terra de titularidades é um exercício também ele linguístico acerca daquilo que o denominar abrange, e vamos aos turcos: de repente, pensamos no Império Otomano, em Solomião o Magnífico, Istambul, cidade entre dois continentes, e chás no deserto — mas não — apenas passamos por uma loja com o nome «Turcos e Bordados» e é bonito!

Para um qualquer transeunte de outros lados reparar nisto deve causar estranheza, mas há quem conviva com certas coisas com tanta naturalidade que nunca pensou nos turcos, e ainda outros para quem não aquece nem arrefece, e é aqui, na manobra da correlação que entra a temperatura; as toalhas turcas! Um tecido todo feito integralmente de algodão para os famosos banhos que séculos de domínio islâmico aperfeiçoou. Quanto aos banhos, são também eles um legado greco-latino, só que uma religião monoteísta requer práticas constantes de higienização fazendo de tal labor uma prédica mais, por vezes até bastante compulsiva.

É, sem dúvida, um facto que um pano por si mesmo não é nada, o que faz que se possa acrescentar toda uma técnica decorativa que transponha o seu carácter de objecto, e, por isso mesmo, na loja lhe acrescentem, bordados, que sendo esses panos “turcos” ainda suportem a delicadeza de tais artifícios, é obra! Mas um verdadeiro exemplar, tributado numa mancha iconoclástica tamanha, levará apenas franjas na ponta e riscas no fundo, o mais perto de um tratado geométrico simples, requerendo-se leve para se tornar absorvente, e quem estiver ainda muito distraído pensará que se trata de um «talit», o manto da oração, que sendo aspectos aparentemente transversais nos mostram bastante da natureza das coisas, que quanto muito, e neste caso, poderia fazer sentido uma loja «Turcos e Molhados». As franjas mostram somente que Deus nos toca indelevelmente, e sempre, em regime de extremidade, quer estejamos a tomar banho ou envoltos na oração, as riscas indicam a impossibilidade, talvez, de recorrer às imagens, mas Lisboa, é como Constantinopla, outra cidade das sete colinas, e no que diz respeito a Impérios sabe também que estes se esfrangalham, e na derrocada, as bases de uns vão formando outros, como as lojas dos tapetes persas chamados «Aladinos» que não raro têm inscrições de Arraiolos. Que os há! Bem perto até dos «Turcos e Bordados». A simulação da oferta é uma mais valia com que os puristas não contavam, e também é neste cruzar de dados com o nosso cristianismo pagão que vamos construindo estéticas desconcertantes e admiráveis.

Bom, mas também é certo que a cidade está cifrada. Os nomes em inglês, as ofertas tresvariáveis, as coberturas de pequenos cubículos sem graça nenhuma, a não ornamentação do minimalismo mórbido, mais os eloquentes «Pés de Salsa» convivem como se cada um vivesse num planeta distinto, mas que não deixa de fazer os encantos destes olhares. Como ainda não se pode ir naturalmente a lado nenhum, não raro apetece muito um «-hamame-» e em seguida jantar uma bela chanfana com vinho tinto, o que não afecta de todo a distância a que está cada um destes prazeres.

Os “turcos” podem ser bordados, e nós não reparamos nos lindos monogramas que representam o grau de familiaridade: avô, mãe, pai, filho, e se os tecidos engrossam é por que há mais algodão e não precisamos de secar tão depressa. Na cidade antiga, ainda existe a «Camisaria Controle» e os «Lençóis tipo Zé» o que dá uma tónica indispensável à sua humanização. Coisas que já não dizemos nem escrevemos, mas tempo houve em que se podia dizer e não escrever, o que ficou conhecido certamente pela frase popular «o que tu dizes não se escreve». Nestas linhas, como nos fusos de tecer, há ainda muitos Impérios, e os turcos ajudaram à queda de alguns, foram pioneiros nos Holocaustos do século XX, tentaram derrubar o nosso, mas, o seu fascínio persiste, pois que estamos em cidade de califado.

«Istanbul (not) Constantinopla» nem o Santo Sudário, uma peça de linho para os dias de maior calor; mas que estes panos são grandes monumentos, isso, ninguém duvida. Lojas abertas com inscrições várias precisam-se para manter a economia de bairro bem desperta (a venda de relíquias está proibida). «Sudário & Filhos» ao lado de «Turcos e Bordados» e ainda Maomé bordado numa nestas toalhas com a inocência estrangeira das multidões.

Xi Jinping | Luta contra a corrupção está longe de terminar

O presidente Xi Jinping destacou, na sexta-feira, na quinta sessão plenária da Comissão Central de Inspeção Disciplinar (CCID) do 19º Comité Central do PCC, a importância de reforçar os papéis de orientação e salvaguarda de uma governação rigorosa do Partido em todos os aspectos para assegurar o cumprimento dos objectivos de desenvolvimento e as tarefas no período do 14º Plano Quinquenal (2021-2025).

“O ano de 2020 foi extraordinário na história da República Popular da China”, disse Xi ao resumir os êxitos do ano passado na construção do Partido. “A população sente profundamente que, em tempos difíceis, pode contar com a forte liderança do Partido e a autoridade do Comité Central do PCC”.

Contudo, se “na luta contra a corrupção, êxitos históricos foram alcançados, a situação continua a ser desafiante e complexa”, advertiu Xi. “A corrupção, como o maior risco para a governança do Partido, ainda existe”, disse Xi, assinalando que os velhos e novos tipos de corrupção se entrelaçaram e que a corrupção é cada vez mais encoberta e complexa.

Em 2020, 18 funcionários foram investigados pelas autoridades centrais. Além disso, 1229 fugitivos no exterior retornaram e 2,45 mil milhões de yuans foram recuperados nos primeiros 11 meses de 2020. Já em 2021, o mais alto órgão anti-corrupção da China anunciou punições para sete funcionários que foram acusados de aceitar subornos.

“A luta entre a corrupção e os esforços anti-corrupção continuará existindo durante um longo período no futuro”, afirmou Xi. “Não há alternativa e devemos avançar na luta apesar das dificuldades”.

Xi enfatiza constantemente a melhoria da conduta do Partido, a construção do governo limpo e o combate à corrupção. “A governação do Partido deve sempre ser rigorosa, para que o PCC possa liderar e garantir a navegação tranquila do grande navio do socialismo com características chinesas”, disse.

Xi exigiu uma supervisão política forte para garantir a implementação das principais decisões e planos do Comité Central. “Devemos continuar resolutamente com a luta anti-corrupção”, disse Xi, enfatizando a necessidade para construir sistemas e medidas para garantir que os funcionários não se atrevam, sejam incapazes e não desejem cometer actos de corrupção. Nesse sentido, Xi exigiu esforços para refrear a prática de “usar o formalismo pelo fim do formalismo” e a burocracia.

“Esforços contínuos devem ser feitos para lidar com a corrupção e a conduta imprópria que afectam os interesses imediatos da população, a fim de impulsionar o seu sentido de estar a ser beneficiada”, acrescentou.

Xi enfatizou ainda a necessidade de melhorar os sistemas de supervisão do Partido e do Estado, e para integrar a supervisão no desenvolvimento do país durante o período do 14º Plano Quinquenal. “As agências de inspecção disciplinar e de supervisão devem tomar a liderança no fortalecimento da construção política do Partido. Elas devem também ser sujeitas à restrição e supervisão mais estritas”, disse Xi.