Venezuela | China critica licenças mineiras dos EUA

A China acusou ontem os Estados Unidos de interferirem na sua cooperação com a Venezuela, após a emissão de uma licença que permite investimentos no sector mineiro do país sul-americano, mas exclui empresas chinesas.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou em conferência de imprensa que Pequim “se opõe firmemente” ao uso, por parte de Washington, de “alegadas licenças gerais para interferir na cooperação entre a China e a Venezuela”, sublinhando que os “direitos e interesses legítimos” do país asiático devem ser protegidos.

Mao acrescentou que os Estados Unidos deveriam “levantar imediatamente as suas sanções unilaterais ilegais contra a Venezuela”, em vez de utilizarem estas licenças para “encobrir acções que prejudicam os direitos e interesses legítimos da Venezuela e de outras partes”.

As declarações surgem depois de o Departamento do Tesouro norte-americano ter emitido nos últimos dias uma licença que autoriza empresas dos Estados Unidos a negociar, assinar contratos e investir no sector mineiro venezuelano, incluindo a exploração e comercialização de minerais como o ouro, até agora sujeitos a sanções.

2 Abr 2026

Cooperação | RDCongo e China assinam acordo no sector mineiro

Os minerais africanos ganham cada vez mais relevância no desenvolvimento das novas tecnologias

A República Democrática do Congo (RDCongo) e a China assinaram um memorando de entendimento para reforçar a sua cooperação no sector mineiro, numa época marcada pela concorrência global pelo acesso aos minerais estratégicos africanos.

O acordo estabelece um “quadro de cooperação estruturado baseado na consulta contínua, no respeito pelo quadro jurídico e normativo congolês, na protecção dos investimentos e na promoção do processamento local dos recursos naturais”, afirmou o Governo deste país africano num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

“As partes acordaram também estabelecer um mecanismo de diálogo e acompanhamento para acompanhar a execução dos projectos, em particular no que diz respeito ao cumprimento normativo, num ambiente de investimento estável, transparente e seguro”, acrescenta-se ainda no documento. O acordo foi assinado na quinta-feira em Pequim pelo ministro das Minas da RDCongo, Louis Watum Kabamba, e pelo ministro dos Recursos Naturais do gigante asiático, Guan Zhi’ou, cujo país já detém um amplo controlo do sector mineiro congolês.

Com este documento, afirmou o Executivo congolês, a RDCongo “reafirma o seu compromisso de construir um sector mineiro moderno, responsável e gerador de valor, plenamente integrado nas dinâmicas económicas mundiais, ao serviço da sua industrialização, da sua soberania económica e do bem-estar sustentável da sua população”.

Concorrência global

O acordo foi assinado num contexto de tensão geopolítica e de concorrência global pelo acesso aos minerais africanos, especialmente congoleses, como o cobalto, fundamental para a indústria tecnológica de fabrico de telemóveis. Em Dezembro, os Estados Unidos patrocinaram a assinatura, em Washington, de um acordo de paz entre a RDCongo e o vizinho Ruanda, país que apoia o poderoso grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23) nos seus combates no leste congolês.

Este acordo de paz inclui também uma componente económica, ao conceder aos EUA acesso preferencial a minerais estratégicos da região.

Outro exemplo da competição entre os EUA e a China em África é o Corredor do Lobito, uma ferrovia que ligará o Atlântico às minas da RDCongo e da Zâmbia através de Angola e com a qual o Ocidente procura ganhar terreno a Pequim no abastecimento de minerais africanos.

A China, no entanto, tem apoiado a construção de numerosas infraestruturas através da Nova Rota da Seda, uma iniciativa adoptada em 2013 como projecto emblemático da política externa do Presidente chinês, Xi Jinping, para além de ser um dos principais credores do continente.

30 Mar 2026

Brasil | CMOC compra quatro minas de ouro no por 863 milhões de euros

A gigante mineira chinesa CMOC vai adquirir as operações da canadiana Equinox no Brasil por 863 milhões de euros, passando a deter direitos de exploração sobre quatro minas de ouro, incluindo reservas em Maranhão, Bahia e Minas Gerais. Num comunicado publicado no seu portal oficial, a empresa chinesa indica que espera concluir a operação no primeiro trimestre de 2026, estando ainda sujeita à aprovação dos reguladores competentes.

A venda será concretizada através de um pagamento inicial de 900 milhões de dólares e outro adicional de 115 milhões de dólares, condicionado ao volume de vendas durante o primeiro ano após a conclusão oficial do negócio. A CMOC ficará com três explorações que totalizam cerca de 3,87 milhões de onças de ouro em reservas: Aurizona, no estado de Maranhão (nordeste do Brasil); o complexo de Bahia (este), que inclui as minas de Fazenda e Santa Luz; e RDM, no estado de Minas Gerais (centro).

“Tendo em conta os ricos recursos naturais e o ambiente geopolítico estável do Brasil, esta aquisição representa uma adição estratégica aos nossos activos existentes, criando uma sinergia mais forte e uma presença crescente da CMOC na América do Sul”, afirmou o presidente da empresa, Liu Jianfeng.

A companhia adianta que, com esta compra e o arranque das operações na mina de Odin (Equador), a sua produção aurífera poderá ultrapassar as 20 toneladas anuais. Segundo o jornal de informação económica Securities Times, estes níveis colocariam a CMOC entre os principais produtores de ouro da China, embora ainda atrás dos líderes do sector, Zijin Mining e Shandong Gold.

O jornal recorda que a CMOC já é actualmente o maior produtor mundial de cobalto e figura entre os dez maiores produtores de cobre. O ouro, considerado um activo de refúgio em períodos de incerteza, tem oscilado nos últimos dias. Especialistas antecipam que o metal continuará a subir em 2026, impulsionado pelas compras dos bancos centrais.

17 Dez 2025

Mongólia Interior | Seis estudantes morrem em visita a mina

Seis estudantes universitários morreram após caírem num tanque de flotação durante uma visita académica a uma unidade de processamento de minerais na região autónoma chinesa da Mongólia Interior, informaram ontem as autoridades locais.

O acidente ocorreu na quarta-feira, por volta das 10h20, quando uma grelha metálica cedeu sob o peso do grupo, provocando a queda dos alunos num tanque com lamas industriais, na planta de concentração de cobre e molibdénio de Wunugetushan, operada pela Inner Mongolia Mining, subsidiária do grupo estatal China National Gold.

Apesar das operações de resgate, os seis estudantes – todos no terceiro ano da Universidade do Nordeste, em Shenyang – foram declarados mortos no local. Um professor que acompanhava a visita ficou ferido, segundo as autoridades locais. “Investigações preliminares indicam que a grelha se partiu durante a visita, provocando a queda acidental”, afirmou um responsável citado pelo portal Jimu News. As dimensões do tanque não foram divulgadas.

O reservatório continha uma mistura espessa de água, minerais moídos e reagentes químicos que, segundo especialistas ouvidos pela imprensa chinesa, torna a sobrevivência “praticamente impossível”.

O acidente ocorreu apenas dez dias após a empresa ter realizado uma reunião sobre segurança laboral, segundo uma publicação de 16 de Julho na sua conta oficial na plataforma WeChat, onde destacava protocolos “rigorosos” e a meta de “zero acidentes” para 2024.

A planta é considerada uma das primeiras na China a operar com sistemas de flotação de grande capacidade, segundo um artigo técnico publicado em 2011.

25 Jul 2025

Nove dos 10 mineiros ainda presos numa mina chinesa foram encontrados mortos

Nove dos 10 mineiros que ainda estavam presos numa mina de ouro na China, há duas semanas, foram encontrados mortos, anunciou hoje a agência de notícias estatal Xinhua.

Uma explosão numa mina de ouro em Qixia, na província oriental de Shandong, a 10 de janeiro, bloqueou 22 mineiros a várias centenas de metros de profundidade. Desde então, 10 morreram, 11 foram retirados com vida e um ainda continua desaparecido, de acordo com a Xinhua.

No domingo, onze mineiros foram trazidos em segurança para a superfície. A televisão estatal CCTV mostrou os mineiros a serem retirados um a um na tarde de domingo, com os olhos cobertos para os proteger depois de tantos dias a viver na escuridão.

Um mineiro morreu devido a um ferimento na cabeça logo após a explosão, que depositou grandes quantidades de escombros no poço da mina.

O aumento da supervisão melhorou a segurança na indústria de mineração da China, que costumava ter uma média de 5.000 mortes por ano.

No entanto, a grande procura de carvão e metais preciosos continua a estimular a construção de mina, e dois acidentes em Chongqing, no ano passado, mataram 39 mineiros.

25 Jan 2021

China | Explosão deixa mais de 20 mineiros presos

[dropcap]V[/dropcap]inte e dois mineiros ficaram presos numa mina de carvão na província de Shandong, no leste da China, na sequência de uma explosão que causou a liberação de uma rocha, informaram hoje as autoridades locais.

O acidente ocorreu por volta da meia-noite num mina localizada no distrito de Yuncheng daquela província. As autoridades locais indicaram que o sistema de ventilação da mina voltou a funcionar após o acidente e que a operação de resgate está em curso.

No início de Agosto, 13 mineiros morreram em resultado de uma explosão numa mina no sul da China. As minas chinesas, especialmente as de carvão – a principal fonte de energia país -, estão entre as mais perigosas do mundo, embora nos últimos anos se tenha verificado um significativo decréscimo no número de mortes.

Em 2017, apenas nas minas de carvão chinesas foram registados 219 acidentes que causaram 375 mortos, um decréscimo de 28,7% cento em relação a 2016 e quase 20 vezes menos do que no início da década passada, quando se verificavam sete mil mortes todos os anos.

21 Out 2018

China | Resgatados 23 mineiros após explosão que fez 11 mortos

[dropcap style≠’circle’]U[/dropcap]m total de 23 trabalhadores foram resgatados com vida após uma explosão numa mina de ferro, na província chinesa de Liaoning, no nordeste do país, que fez pelo menos 11 mortos, noticiou ontem a imprensa estatal.

A explosão ocorreu na terça-feira às 16h10 à entrada da mina, na cidade de Benxi, depois de os mineiros atirarem explosivos pelo poço da mina, a cerca de mil metros de profundidade, indicou a agência noticiosa oficial Xinhua. A detonação destruiu o sistema de elevação da mina e deixou 25 mineiros presos, a maioria dos quais foi resgatada durante a madrugada de ontem. As equipas de resgate continuam a tentar localizar os restantes mineiros.

Todos os mineiros resgatados não estão em perigo de vida, apesar de cinco deles terem ferimentos graves e estarem a receber tratamento hospitalar, segundo a Xinhua, que citou as autoridades locais.

No ano passado, morreram 375 pessoas em 219 acidentes em minas na China, segundo dados oficiais, o que faz das minas chinesas, sobretudo as de carvão, das mais perigosas do mundo. No início da década passada, o número de mortos em acidentes em minas chinesas chegou a atingir os sete mil por ano.

Cerca de dois terços da energia consumida no “gigante” asiático é produzida através da combustão de carvão.

Muitos acidentes ocorrem em depósitos que operam ilegalmente e não colocam em prática medidas de segurança básicas.

7 Jun 2018