UM | Assinado acordo para divulgação da Lei Básica Nunu Wu - 21 Jan 2021 A Associação de Divulgação da Lei Básica de Macau assinou um acordo de cooperação com o Centro de Estudos da Lei Básica e Direito Constitucional da Universidade de Macau, com o objectivo de reforçar os estudos e divulgação da Lei Básica e Direito Constitucional nas escolas primárias, secundárias, institutos superiores e sociedade. “Com o acordo de cooperação com o Centro, contribuímos nos esforços para aprofundar os estudos e divulgação educativa, que são uma necessidade real e cujo significado é profundo”, afirmou o presidente da direcção da associação, Chui Sai Cheong. No seu entender, a Lei Básica e o Direito Constitucional elaboram o fundamento constitucional da RAEM, constituindo “pedras basilares” do princípio “Um País, Dois Sistemas”. O reitor da Universidade de Macau, Song Yonghua, apontou que a cooperação nesta área pode trazer vantagens de complementaridade porque a associação tem experiência abundante na divulgação da Lei Básica e Direito Constitucional, enquanto a universidade contribui a vertente do ensino. Song Yonghua explicou que se criaram cursos obrigatórios da Lei Básica e do Direito Constitucional para os alunos da licenciatura de Direito, enquanto para outras licenciaturas foi criado um curso obrigatório de conhecimento geral.
Covid-19 | Faz amanhã um ano que Macau registou primeira infecção Hoje Macau - 21 Jan 2021 Foi a 22 de Janeiro de 2020 que Macau registou o primeiro caso de contágio de covid-19, de uma mulher oriunda de Wuhan. O Governo adoptou então medidas urgentes, muitas delas inéditas, como o fecho dos casinos. Hoje, Macau está no fim da lista dos países em termos do número de casos de covid-19 e sem óbitos Macau foi um dos primeiros territórios a identificar infectados com o novo coronavírus, mas é hoje um dos locais mais seguros do mundo, sem registar contágios há cerca de sete meses. Os dados oficiais dão força à campanha que as autoridades têm procurado passar de um território livre de covid-19: há cerca de sete meses sem registar casos, há quase dez meses sem identificar contágios locais, sem contabilizar qualquer morte ou infecções entre profissionais de saúde. De resto, é preciso olhar para o ‘ranking’ da plataforma ‘online’ Worldmeter, que reúne as estatísticas mundiais sobre a pandemia, para descobrir Macau no fundo da tabela de casos e óbitos, concorrendo com territórios como as Ilhas Salomão, Samoa, Micronésia, Vanuatu, Cidade do Vaticano e Ilhas Marshall. A 22 de Janeiro as autoridades de saúde anunciaram o primeiro caso, uma mulher natural da cidade de Wuhan, onde se crê que a pandemia teve origem. Um padrão nas diferentes vagas, em que foram identificados dois contágios locais relacionados com os casos importados: a celeridade das medidas e das restrições decididas pelas autoridades, tanto fronteiriças como dentro do território, com destaque para o inédito encerramento dos casinos. No final de Janeiro, dois dias após ter sido detectado o primeiro caso em Macau, as autoridades avançaram para a venda racionada de máscaras, cujo uso se tornou obrigatório nos transportes públicos e nos serviços públicos. A cada dez dias, cada pessoa pode adquirir dez máscaras em cerca de meia centena de farmácias convencionadas no território, a um preço reduzido: oito patacas. Reacções rápidas Logo no início de Janeiro, mal Pequim decidiu avisar o resto do mundo sobre o vírus altamente contagioso identificado em Wuhan, Macau avançou para o reforço da medição da temperatura corporal nos postos fronteiriços, com a medida a alastrar para quem quisesse entrar nos casinos, serviços públicos e, mesmo hoje, em alguns casos, simplesmente no acesso às habitações. Em Março, em entrevista à Lusa, um representante dos serviços de saúde explicou que 40 por cento dos casos tinham sido detectados precisamente através da medição da temperatura corporal, uma decisão que se pode também explicar pela experiência em outros ‘combates virais’, como foi o caso em 2009/2010, com a gripe suína. Macau fechou então escolas, estabelecimentos de diversão nocturna e espaços desportivos, remeteu os funcionários públicos para o teletrabalho e encaminhou milhares de residentes que entraram no território para hotéis onde foram obrigados a cumprir quarentena de 14 dias (entretanto alargada para 21 dias), com ‘direito’ a testes regulares de despiste à covid-19. Hoje, ainda, e apesar de Macau não registar casos há cerca de sete meses, é muito raro descobrir pessoas sem máscaras na rua, ainda que a lei não obrigue a tal. As mesmas pessoas que se isolaram em casa assim que foram anunciadas as acções de prevenção iniciais, mesmo que o Governo não tivesse determinado, mas apenas aconselhado o confinamento. O histórico no combate a outros vírus ajudou também a delinear a estratégia a seguir pelas autoridades de saúde para proteger, com sucesso, o pessoal da linha da frente. Os profissionais de saúde trabalharam por turnos de 14 dias, equipados com material de protecção individual, que incluía óculos, luvas e máscaras. E, uma vez revezados, seguiam para uma quarentena de outros tantos dias, cumprida numa residência anexa ao local onde prestaram tratamento aos primeiros infectados, num total de 46 desde o início da pandemia. À excepção da China, na prática, Macau mantém as fronteiras fechadas a todos aqueles que não possuam o estatuto de residentes, obrigando-os, ainda assim, quando regressam, a uma quarentena obrigatória de 21 dias num quarto de hotel.
Jogo | Economistas alertam para resultados abaixo das expectativas do Governo Hoje Macau - 21 Jan 202121 Jan 2021 O Governo prevê que as receitas do jogo cheguem a 130 mil milhões de patacas este ano, mas os economistas Albano Martins e José Sales Marques alertam para o excesso de optimismo e para a possibilidade de os números serem bem diferentes. A desilusão pode começar já no Ano Novo Chinês, que deverá ter menos visitantes do que é esperado O economista Albano Martins considera que tudo joga contra o optimismo do Governo na previsão de receitas do jogo para 2021, apesar de ser um dos territórios mundiais mais seguros no controlo da pandemia. A tradição conservadora do Executivo na previsão das receitas do jogo no orçamento deu lugar a um invulgar optimismo, estranhou o economista, que duvida que o valor arrecadado se aproxime das projecções anunciadas para a capital mundial do jogo, que assinala agora um ano desde que registou o primeiro caso de covid-19, uma mulher natural de Wuhan, na China. “Tudo joga contra a expectativa dos 130 [mil milhões de patacas de receitas] para este ano. O montante permanece uma grande incógnita, mas acredito que seja melhor do que em 2020, que foi uma catástrofe. Mas não os 10,8 [mil milhões de patacas], a não ser que o Governo de Macau tenha informação privilegiada”, procurou resumir, em declarações à Lusa. “Nunca vi a Administração ser tão optimista, ela que é normalmente tão conservadora”, enfatizou o economista. O Governo de Macau estimou que o jogo possa render 130 mil milhões de patacas este ano, mesmo assim, metade do valor projectado inicialmente no Orçamento de 2020. “A técnica habitual nos orçamentos é subestimar receitas e maximizar despesas para não haver ‘buraco’”, explicou. Contudo, isso pressupõe que em média os casinos consigam ter receitas mensais de 10,8 mil milhões de patacas. Isto quando em Dezembro, o melhor mês em 2020 para as concessionárias da capital mundial do jogo no período pandémico, as receitas foram de 7,8 mil milhões de patacas. “A não ser que o Governo de Macau tenha informação privilegiada de Pequim, algo como um aval da China que permita perceber que ainda este ano, por exemplo, se verifique um crescimento do segmento VIP, e que pode valer mais de metade da receita”, admitiu Albano Martins, que salientou as restrições nos fluxos turísticos, com o segmento de massas a ser fortemente afetado. “É muito difícil de prever, há demasiadas variáveis, sendo uma delas o facto de a China estar bem ou mal-humorada, de poder fechar ou abrir a torneira”, em especial num período em que têm aumentado os casos, contrariando a ideia de que o país tinha a situação pandémica completamente controlada, até porque a maioria dos contágios resulta de surtos locais. Ano Novo, vida velha Também à Lusa, o economista José Luís Sales Marques defendeu que a economia deve viver em Fevereiro “um Ano Novo Chinês invernoso”. Em causa está o facto de Pequim e depois a China terem desencorajado a população a viajar por altura do Ano Novo Lunar chinês, quando tradicionalmente tem lugar a maior migração interna do planeta, e Macau regista habitualmente um crescimento significativo do fluxo turístico e enchentes nos casinos. “As recomendações (…) e o aumento dos casos na China a impressão que temos é que vamos ter um Ano Novo Chinês invernoso”, estimou Sales Marques, agora que se assinala um ano desde que o território registou o primeiro caso de covid-19, mas está há cerca de sete meses sem identificar qualquer contágio. “É muito cedo para tirar conclusões, mas a perspectiva não é muito encorajadora”, ainda que seja o “princípio do ano e se espere que, com a vacina, as previsões possam ser mais positivas”, acrescentou. Recuperação tímida Sales Marques sustentou que manda a prudência não se fazer qualquer tipo de prognóstico em relação ao comportamento da economia de Macau para 2021, sobretudo na área do jogo, que tem evidenciado uma recuperação tímida, mas com muitas variáveis difíceis de analisar. “Os dados sobre o mercado VIP não são famosos”, exemplificou. Em Dezembro, o melhor mês de 2020 durante o período da pandemia, “o peso do mercado VIP no jogo foi apenas de 26 por cento, quando normalmente é de metade”, justificou. Sales Marques admitiu a dificuldade de fazer previsões num contexto pandémico, mas defendeu que “quando o Executivo fez as projecções, obviamente que tinha elementos à sua disposição e procuraram ser razoavelmente prudentes”. O economista duvida que este ano se venham a repetir as ajudas financeiras governamentais de 2020, sem precedentes e dirigidas à população e pequenas e médias empresas. “Não existem mais dados de que venham a ser dados mais apoios. De resto, não está orçamentado pelo Governo, e existem expectativas de que a economia regresse um pouco à normalidade”, salientou. Contudo, “se alguma vez a situação piorar, é evidente que o Governo terá de tomar outra atitude, admitiu. Derrocada de visitantes No ano passado, o território perdeu 85 por cento dos visitantes em comparação com 2019, segundo dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) ontem divulgados. Em 2020 entraram 5.896.848 visitantes no território, longe dos quase 40 milhões registados no ano anterior. O período médio de permanência dos visitantes foi de 1,4 dias, mais 0,2 dias, relativamente a 2019. A esmagadora maioria dos visitantes, mais de 4,7 milhões, veio da China continental, segundo a DSEC. A China continental beneficia de excepções face às restrições fronteiriças determinadas no âmbito do combate à pandemia do novo coronavírus. Os últimos dados apontam para um aumento de 3,6 por cento em Dezembro, em relação aos números de Novembro, mas um decréscimo de 78,6 por cento quando comparado com o mesmo mês de 2019. Neste momento, e segundo o ‘ranking’ da plataforma ‘online’ Worldmeter, que reúne estatística mundial sobre a pandemia, Macau encontra-se no fundo da tabela em termos de casos e óbitos por covid-19, estando ao lado de territórios como Ilhas Salomão, Samoa, Micronésia, Vanuatu, Cidade do Vaticano e Ilhas Marshall. Sector VIP instável e ligeira recuperação no segundo semestre, diz Bernstein Analistas da consultora Stanford Bernstein defendem que o sector do jogo pode “recuperar no semestre de 2021 e atingir a retoma em 2022, com o regresso à normalidade no ambiente de operações e no mercado bolsista”. Em relação ao jogo VIP, as previsões apontam para alguma instabilidade este ano, cenário que se deverá prolongar até 2022. “O sector VIP vai continuar a sofrer com o escrutínio das transferências de dinheiro e as preocupações de clientes e agentes na relação com os junkets. No entanto, tal pode resultar num impacto positivo para o jogo de massas directo e premium”, com a transferência de clientes do segmento VIP, explica o comunicado da consultora citado pelo portal GGRAsia. Macau irá continuar a sofrer alguma instabilidade este ano no que diz respeito à vinda de turistas da China, uma vez que persistem “obstáculos” quanto à emissão de vistos e a necessidade de apresentação de testes à covid-19 negativos. Além disso, há também o impacto negativo da “contínua suspensão” dos vistos turísticos para excursões. “Muitos clientes de Macau estão a adiar viagens, mesmo ao nível do consumo premium, enquanto as viagens na China recuperam. Não esperamos nenhuma abertura na bolha de viagem [sem a realização de uma quarentena obrigatória] com Hong Kong até finais do primeiro trimestre, ou mesmo no segundo”, frisaram os analistas. “As restrições de viagem relacionadas com Macau não serão eliminadas até ao segundo semestre de 2021”, adiantaram os analistas da Bernstein, mas poderá haver uma “forte” melhoria nas receitas do jogo de massas e no número de visitantes assim que as opções de viagem “regressem ao normal”. Quanto ao desempenho dos casinos, a Bernstein prevê que o segmento do mercado de massa chegue 75 por cento dos valores de 2019, com o sector VIP a aproximar-se apenas dos 50 por cento. “O sector já está a atingir um melhor EBITDA [lucros antes de impostos, juros, depreciações e amortizações] com os actuais níveis de receitas e a projecção da forte recuperação do sector de massas (e do segmento não jogo) deverá registar-se um aumento do crescimento dos lucros EBITDA”, lê-se.
Bilionário chinês Jack Ma reaparece após estar “desaparecido” quase três meses Hoje Macau - 20 Jan 2021 O bilionário fundador do gigante do comércio eletrónico chinês Alibaba, Jack Ma, reapareceu hoje numa reunião virtual com professores rurais após meses de incerteza sobre o seu paradeiro. No vídeo, publicado no ‘site’ do jornal Tianmu News, a sua província natal (Zhejiang), Ma cumprimenta uma centena de professores rurais do país asiático seleccionados para um prémio. “Quando a epidemia acabar, voltaremos a encontrar-nos”, afirmou. Embora o seu discurso não faça qualquer menção à sua situação, Jack Ma afirmou que durante “os últimos seis meses” – ou seja, um período que inclui o tempo em que esteve longe dos holofotes – tem participado activamente no processo de selecção de professores para o prémio que apresentou. Ma não aparecia em público desde finais de outubro de 2020 e a imprensa internacional tinha especulado sobre o seu paradeiro, chegando ao ponto de utilizar o termo “desapareceu” após o atrito que teve com o Governo chinês, que forçou a suspensão, em novembro, da Oferta Pública Inicial da sua empresa Ant Group. O grupo seria objeto da maior oferta pública de aquisição da história. Na sua última aparição pública, dias antes de se ter gorado a Oferta Pública Inicial, Ma tinha feito um discurso altamente crítico da estratégia de Pequim de minimizar os riscos no sistema financeiro e dos bancos tradicionais, que, segundo ele, ainda são geridos como “lojas de penhores”. Os rumores cresceram em novembro depois de Ma não ter participado como juiz no programa televisivo “Heróis de Negócios em África”, que fundou e no qual foi substituído por outro executivo Alibaba. Entretanto, os meios de comunicação oficiais mantiveram um silêncio coordenado durante semanas, coincidindo com as notícias de alegadas ordens de Pequim para não dar mais cobertura mediática à investigação ‘antitrust’ recentemente aberta contra o grupo. Na semana passada, fontes familiarizadas com o processo disseram à agência noticiosa espanhola Efe que Ma estava a tentar manter um “baixo perfil” e que se encontrava “bem”, enquanto chamavam “infundados” os rumores de que tinha sido preso ou que as autoridades o tinham proibido de sair do país. Ma deixou a presidência de Alibaba em 2019 – 20 anos após a sua fundação – e não exerce quaisquer cargos executivos, embora seja acionista maioritário da empresa.
Covid-19 | China regista 103 novos casos, incluindo 88 de contágio local Hoje Macau - 20 Jan 2021 A Comissão Nacional de Saúde da China informou hoje que o país asiático diagnosticou 103 novos casos de covid-19 na segunda-feira, 88 dos quais são infeções locais. As infeções locais foram detectadas nas províncias de Jilin (46), Hebei (19) e Heilongjiang (16), enquanto na capital, Pequim, o número subiu para sete casos. As autoridades chinesas redobraram os seus esforços para conter os surtos nestas três províncias do nordeste, onde várias áreas foram isoladas e estão a ser efetuados testes em massa entre a população, numa tentativa de refrear a curva dos casos. As autoridades estão a tentar travar o ressurgimento de surtos na véspera do período de férias do Ano Novo lunar, que decorre entre 11 e 17 de Fevereiro de 2021, quando centenas de milhões chineses viajam para os seus locais de origem. A Comissão de Saúde da China disse que, nas últimas 24 horas, 17 pacientes receberam alta, pelo que o número de pessoas infectadas activas no país se fixou em 1.473, incluindo 62 em estado grave. O organismo tinha anunciado uma nova morte devido à covid-19 na quinta-feira, depois de quase oito meses, desde 17 de maio, sem registar qualquer óbito causado pela doença. O número de mortes é agora de 4.635. O país somou, no total, 88.557 infectados desde o início da pandemia. A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.041.289 mortos resultantes de mais de 95,4 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
Conta-fios João Paulo Cotrim - 20 Jan 2021 Horta Seca, Lisboa, sexta, 8 Janeiro Não sei bem o que pensar sobre o assunto. O encontro do editor com o autor começa sempre por um texto, mas a expectativa está em que o autor entre nesta casa para a habitar. «Nós não somos do século d’inventar as palavras. As palavras já foram inventadas. Nós somos do século d’inventar outra vez as palavras que já foram inventadas.» Custa-me trazer para o assunto a palavra trabalho, uma palavralha, mas disso se trata, além dos textos e das suas potencialidades, interessam-me trabalhar com autores para nasçam criações que seriam diferentes sem esse encontro. Daqui mais se poderia desdobrar, assim escadote extensível. Nisto me afasto dos caçadores de tesouros que por aí proliferam. Terão o seu lugar no ecossistema literário, claro, mas procuro outras madrugadas. Uma inesgotável produtividade somada à ânsia de ver papel impresso, faz com que as gavetas transbordem para todas as chancelas e mais uma. Na poesia não há lugares, está visto. E um logótipo pouco mais é. Enfim, o Herberto sofreu ao ler nas suas capas Porto Editora na vez de Assírio & Alvim, mas o homem era excepção. O mais curioso, digamos à falta de melhor palavra, acontece quando a justificação assenta no facto de a abysmo ser editora de casos difíceis. Aqui te deixo este objecto desafiante, mas vou ali publicar o habitual. Depósito de complicações, não me parece mal como apresentação. Não sei bem o que pensar, mas tomo nota da perturbação que estes trânsitos me causam. Talvez seja natural, por estes dias de fragmento e ruína, atirar tijolos o mais depressa possível a quantas janelas se possa. Janelas Verdes, Lisboa, domingo, 10 Janeiro Está um frio como há muito não se via. E uma luz como há muito não a sentia. As manhãs são mais esplendorosas nesta colina expectante, comentando à vez com o Tejo as passagens, do tempo e das mercadorias, as diferentes velocidades, a rima dos degraus de uma escadaria ignorada pelos nossos filmes e as solipas de uma linha férrea que desenha este contorno com que o oceano beija a cidade. Este museu não podia ter escolhido melhor porto para atracar. Fujo das famílias deliciadas com o sangue que brota do «encontro» das civilizações e vou ao encontro do Simão [Palmeirim] na Sala do Tecto Pintado, para me emaranhar com ele no Almada que pensa. O original que se mostra é o pensamento, o resto são maquetas, uma exposição de reversos, da carpintaria que sustenta a arte. (Minto, há dois originais absolutamente fascinantes, de tal modo que hesito no rumo do texto. O gozo que me dá este titubear…) Fiquemos, por ora, com o «retábulo imaginado para o Mosteiro da Batalha». A história de «Almada Negreiros e os painéis» tem as facetas de diamante, mais perspectivas que prisma, e, se nos metermos com ela pelos becos da vida e da morte, nuances de roman noir. Três putos e um século na casa dos vinte entram no museu e, perante, meia dúzia de velhas tábuas fazem uma aposta: estudá-las, autopsiá-las, enfim, fazê-las suas. Amadeo de Souza Cardoso e Guilherme de Santa Rita acabaram não tendo tempo. Almada usou o dele para decifrar o enigma da criação artística. Enquanto a praticava. A vanguarda rasgava épocas para descobrir raízes nos primitivos. O estudo enquanto duradoira obsessão. Fora isto policial e tratava de disparar sobre esta moralidade que agora assomou. O caro António [Valdemar] reconta bem os meandros, que, aliás, o envolvem, no catálogo. A entrada no debate de lava da nossa historiografia da arte nasce de pormenor, o chão que as figuras pisam. Se aplicada lógica geométrica, o movimento das circunferências e dos triângulos haveriam de nos levar longe, a certa capela de mosteiro onde encaixar aquelas personagens e várias outras, em narrativa que, ainda por cima, poria no centro aquele perturbador e irradiante Ecce Homo. Quando, no fim da vida, ergue o painel Começar, à volta do qual construíram a Gulbenkian, Almada confirmava o eterno retorno: a sua vida estava toda ela cheia de inícios, de invenções de Dias Claros. «Há palavras que fazem bater mais depressa o coração – todas as palavras – umas mais do que outras, qualquer mais do que todas. Conforme os logares e as posições das palavras. Segundo o lado d’onde se ouvem – do lado do Sol ou do lado onde não dá o Sol./ Cada palavra é um pedaço do universo. Um pedaço que faz falta ao universo. Todas as palavras juntas formam o Universo./ As palavras querem estar nos seus logares!» Eis-me aqui basbaque a mirar os bastidores de uma ideia. Só que estes esboços, com reproduções fotográficas à escala, montados em madeira e depois percorridos por fios de várias cores são ainda, além de ferramenta, obra em si. Vibrante. Atravesso o corredor feito de passagens entre as salas até ao Tiepolo, saudei o general do mar (se tivesse que ser general queria ser do mar, só para cavalgar a revolta das ondas) e dei-lhe costas para vislumbrar a maravilhosa cama-de-gato que Almada aplicou sobre os painéis para descobrir as mais insuspeitas relações, entre números e gestos da geometria, entre objectos de nada e posições de mão. Chamou-lhe com delícia «estudo em fio», como deveriam ser todos, e pouco importa agora que seja mapa de descoberta. O encantamento não pára um instante e chama-nos de longe, fazendo-nos atravessar poses e afirmações, lugares, palácios e paisagens, nuvens e pesadelos, esperanças e demónios, seres das mais geométricas carnes e formas pensantes ou não, evocações e narrativas. Vem, parece dizer a estrela sob o tecto pintado, que aqui se oferece a vera explicação de tudo. Pega nos números e arrisca dar esses passos de funâmbulo sobre cada um dos fios. Este caminho há-de ser diagonal sobre plano. «Há systemas para todas as coisas que nos ajudam a saber amar, só não há systemas para saber amar!» Esta exposição está ligada por um fio a outra, na Capela do Fundador, no Mosteiro da Batalha, de igual composta pela mão conhecedora do Simão. Estas curadorias são também elas performance. Ainda está para uns meses, mas não sei se a pandemia me permitirá ir lá pôr os olhos. Entretanto, antes de regressar à luz ajoelho perante o Ecce Homo, agora a ignição do estudo a linha do Almada. Voltarei. Alecrim, Lisboa, quarta, 13 Janeiro O Bernardo [Trindade] resolveu mudar de pele e encerrar, 44 anos volvidos, o 44 da Rua do Alecrim. Cidade que perde faróis desta altitude arrisca naufragar, quebrando casco nos penhascos da desmemória, da ignorância, da cegueira. Vezes sem conta fui espectador. Da luxúria que se arrumava nas estantes e nos recantos, nas gavetas e na memória narradora do senhor da casa. Livros em toda a sua extensão, de capa encerada a guarda colorida, desdobráveis e ilustrações, cunhos a ouro e compartimentos secretos, incunábulos e uma floresta cerrada e luminosa de tipografia. E depois mapas, pautas, cartazes, dedicatórias, cartas, bilhetes, fotografias, documentos fulgurantes, restos de nada, pequenas esculturas e largas pinturas. Do jogo de sedução entre aquele que anseia e o seu procurador. Entendi os modos como um negócio pode ser elevado a bela arte, com elegância e extrema generosidade. E humor. Aqui se misturavam os tempos em dança vertiginosa de alegria e descoberta, a de certos rostos à vista do objecto do desejo. Vezes sem conta fui espectador da vida nesta loja onde ela brotava que nem fonte. Esta noite vi ainda a tristeza ser tratada como deve ser. E depois, Bernardo, está nos livros, que o aprenderam das velhas voltas do mundo: a cada noite sucede um dia.
Batom Vermelho Tânia dos Santos - 20 Jan 2021 O batom vermelho precisa de contexto, muito para além de explicação. O batom vermelho, para além de muita coisa, é um símbolo de sensualidade. Para mim foi sempre um fetiche do glamour hollywoodesco dos anos 50. Valeu-nos a Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor para tornar o batom vermelho bem mais comum do que qualquer outro. Mas o batom teve (e tem) uma vida para além desta sensualidade cinematográfica. Nasceu de práticas e vivências centenárias (milenares?) para chegar a um momento onde ainda é, de algum modo, polémico. Há um pluralismo aparente nos lábios encarnados, mas uma consistente assumpção: a da sexualidade no feminino e a sua história de luta por legitimidade. Na Grécia Antiga as mulheres eram identificadas como prostitutas porque usavam uma cor vermelha nos lábios. Nos tempos medievais os lábios vermelhos eram sinais do demónio, de imoralidade e da heresia. Foi a rainha Elizabeth de Inglaterra que lhe deu moda e visibilidade, por mais tóxico que fosse (nesta altura ninguém sabia que o mercúrio o era). As sufragistas tinham como arma e símbolo de sororidade os seus lábios vermelhos. Uma espécie de indicador de união e resistência – que durou até aos tempos da segunda guerra mundial. O Hitler tinha um ódio especial por esta cor de lábios. Foi assim que o batom vermelho se tornou parte da indumentária das mulheres pelos Aliados e a sua produção nunca foi parada. De tantas estórias e história voltada, os lábios vermelhos foram pela visibilidade e contestação. Dá nas vistas, ressalta, vira-cabeças. Chateia muita gente, mas dá espaço a muita outra. Para além disso, há secções de pornografia dedicadas ao fetiche com este tão icónico batom. O batom vermelho nunca deixou de ser cultural, político e sexual. Quando, recentemente, os lábios vermelhos foram acusados de serem sinal de brincadeira – opondo-se a seriedade, entendi eu – mobilizaram-se os muitos batons vermelhos que estavam guardados nas gavetas. Reclamou-se o uso do batom com o poder que a cor vermelha tem, sem medo de ser visível. Mobilizou-se este passado de resistência que nem eu tinha consciência que existia. Um batom vermelho nunca foi só um batom vermelho. A resistência com este tão singelo objecto de maquilhagem uniu as pessoas de forma incrivelmente bonita. Não querendo ser pessimista, contudo, é preciso estender este gesto, e esta conversa a outros domínios. Vale a pena reflectir acerca dos batons que ficam, e ficaram, por usar. Os muitos contextos em que o batom vermelho ainda é mal visto, criticado e simbolicamente desprezado. Tenho eu tanto espaço para usar um batom vermelho como a outra pessoa que está ao meu lado? A que nível de normalização do batom vermelho nos encontramos? Pode um homem cisgénero pintar os lábios de vermelho para ir para o trabalho? Será que uma mulher racializada pode usar um batom da mesma forma que uma mulher branca? A luta pelo batom vermelho está longe de estar terminada. Ainda que nos apareçam pessoas e ideias que põem em causa as conquistas que há muito pensámos terem sido travadas, não percamos o foco das muitas outras lutas que ainda estão por travar. A luta actual contra o re-surgimento de valores conservadores precisa de ser enquadrada nesta outra em que as oportunidades e liberdades ainda não são de todos. Nunca comprei outro batom na minha vida, senão o vermelho. Nunca soube muito bem porquê, mas talvez a nível inconsciente percebesse que a resistência está na visibilidade e a contestação está tanto nas palavras como nos gestos.
Carta de separação a um lugar e mais Nuno Miguel Guedes - 20 Jan 2021 Em 29 de Outubro de 1953 o extraordinário cronista brasileiro Paulo Mendes Campos escrevia mais uma das suas jóias do quotidiano, desta vez virada para dentro. A crónica chama-se (Carta de separação à garrafa de uísque) – assim mesmo, entre parêntesis – e o título é auto-explicativo. Com humor mas também com alguma nostalgia o autor despede-se da sua bebida preferida, que tantas vezes lhe fez companhia – até que essa companhia tomou conta dele. A separação era inevitável, para que ambos sobrevivessem. A princípio não percebi porque é que este texto me veio à memória. É certo que o conheço de trás para a frente e aconselho os leitores a procurarem-no. Mas depois de fazer de detective de mim próprio durante algum tempo cheguei à causa da coisa. Elementar, meu caro Guedes: estou prestes, também eu, a enfrentar uma separação. Nada que tenha a ver com amores, amigos, países ou dependências. Não: tem a ver com um lugar e nesse lugar existem pessoas. É esta separação que mesmo não sendo definitiva – poderei sempre regressar a lugares onde fui feliz – me remeteu para o humor terno da crónica de Mendes Campos. Despeço-me então do lugar onde vivo, pronto que estou para rumar a outras geografias que são felizmente desejadas. Escrevo para me despedir de um lugar lindo, no coração da cidade que mais amo no mundo, com vista próxima para o azul-lisboa e tudo o que sob esse milagre existe. Mas sobretudo a separação aqui é do bairro feito gente, à escala humana. Escrevo para me despedir do senhor Manuel, do Carlos ou do épico mau humor do senhor Sebastião do café que eu frequentava e que ao recomendar o prato do dia não se abstinha de comentar: “Eu não gosto como eles fazem mas se quiser é bom…”. Separo-me do senhor Manuel, cozinhando sempre de boné e da sua mulher, a Dona Carmo, casal proprietário e resistente do restaurante onde tantas vezes fui o único cliente e onde, quando isso não acontecia, tive o prazer de discutir tudo e mais alguma coisa com os nativos do bairro. Ou seja: pertencer, pertencer-lhes. Despeço-me dos miúdos da escola municipal número 1, cujo chilrear me entrava pela janela e tantas vezes me deu forças para enfrentar os dias. Digo adeus a esta rua íngreme com frutarias, armazéns de revenda, floristas, cafés onde se joga à moeda, com quatro ou cinco nacionalidades por metro quadrado. Lisboa vive, sem folclore e assumindo sem problemas a sua raiz mestiça, esfarrapada mas digna, capaz de a qualquer momento sair de casa na sua mais deslumbrante roupa só porque sim. Escrevo esta carta de separação um pouco triste mas com a certeza de que irei regressar. Porque de facto é de mim que me separo, do pedaço da minha vida que fica agarrado a esta calçada, a estas vozes, a estes sorrisos. Sei que me esperam outras aventuras e rostos amigáveis. Mas seremos sempre Ítacas de nós próprios e francamente não quero escapar a esse destino. Não é adeus, é até já.
Fotojornalismo | World Press Photo regressa a Hong Kong Hoje Macau - 20 Jan 2021 De 1 a 21 de Março, a população de Hong Kong vai poder ver presencialmente as fotografias premiadas no concurso anual da World Press Photo, noticiou a Tatler. A galeria Koo Ming Kown vai acolher a mostra de 2020, que inclui fotografias dos protestos em Hong Kong. Os vencedores foram escolhidos por um júri independente que avaliou mais de 73.996 fotografias, submetidos por mais de quatro mil fotógrafos. Entre os nomeados encontra-se uma série de fotografias intitulada “Hong Kong Unrest”, de Nicolas Asfourni, que inclui a imagem de um homem a segurar um poster em Shatin. A exposição conta com a organização do Instituto para o Jornalismo e Sociedade da Hong Kong Baptist University, e o apoio do Consulado Geral dos Países Baixos em Hong Kong e Macau. Recorde-se que a exposição passou pela RAEM no ano passado, mas acabou por ser encerrada sem aviso prévio. Na altura, o fecho prematuro foi justificado pela Casa de Portugal com um “problema de gestão interna”, mas levantaram-se suspeitas de pressões políticas.
Exposição | Instituto Cultural quer trazer a Macau trabalhos de Siza Vieira Andreia Sofia Silva - 20 Jan 2021 O Museu de Arte de Macau poderá receber a exposição “In/Disciplina”, com obras dos arquitectos Álvaro Siza Vieira e Carlos Castanheira. O Instituto Cultural contactou a Fundação de Serralves para tornar a mostra uma realidade, mas a pandemia remeteu o processo de volta à estaca zero O Instituto Cultural (IC) pretende trazer para Macau a exposição “In/Disciplina”, que faz a retrospectiva das obras de arquitectura de Álvaro Siza Vieira, vencedor de um prémio Pritzker, e Carlos Castanheira. A exposição esteve patente na Fundação de Serralves, no Porto, entre 19 de Setembro de 2019 e 5 de Janeiro de 2020. A confirmação foi dada ao HM pelo IC. “O Museu de Arte de Macau (MAM) pretende, no que se refere à exposição ‘Álvaro Siza – In/Disciplina’, exibir, de forma sistemática, as obras arquitectónicas de destaque projectadas por Álvaro Siza em todo o mundo e pretende acrescentar ainda os seus projectos de arquitectura no Interior da China, em Macau e noutras cidades asiáticas.” Foi, neste contexto, solicitado “ao curador da exposição uma nova escolha de obras”, mas a pandemia veio adiar os planos, não existindo, para já, um calendário concreto. “Devido à situação pandémica, o conteúdo, a dimensão, a duração, e os pormenores dos preparativos da exposição, entre outros, estão sujeitos a uma nova avaliação após discussão com os co-organizadores, pelo que não há mais informações a disponibilizar de momento.” Do lado da Fundação de Serralves, também existe vontade de colaboração. “Existe todo o interesse na realização da exposição In/Disciplina no MAM, tendo já sido tomadas as providências necessárias para que tal seja possível. A crise sanitária obrigou à reavaliação de alguns aspectos relativos à exposição, nomeadamente as datas de exibição, algo que está a ser analisado pelo IC do Governo da RAEM e por Serralves.” Mudança de cadeiras O projecto de expor as obras de Siza Vieira em Macau foi tornado público por Carlos Castanheira numa entrevista ao HM. Confrontado com a resposta do IC, o arquitecto, que assina há muitos anos projectos com Siza Vieira, sobretudo na Ásia, disse estar afastado deste projecto, pelo menos para já. “Não sei que contactos Serralves tem mantido com o IC, e vice-versa. Esta situação da pandemia tem-nos limitado muito. Não tenho tido contactos com ninguém de Macau, não tem havido razão”, frisou. Carlos Castanheira recorda que o projecto começou a ser desenvolvido quando Alexis Tam era ainda secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, não afastando a hipótese das alterações se ficarem a dever à mudança de Executivo. “Perdeu-se muito trabalho feito, mas, pelo que sei, os serviços são os mesmos, assim como a maioria das pessoas. Só nos resta aguardar e ver se esta pandemia nos larga para que a exposição, com um ou outro formato, avance e seja uma realidade”, rematou o arquitecto.
TSI | Ex-funcionário público perde retroactivos após reforma Andreia Sofia Silva - 20 Jan 2021 Um antigo coordenador do Centro de Promoção e Informação Turístico de Macau em Portugal (CPITMP), ligado à Direcção dos Serviços de Turismo (DST) em Lisboa, viu rejeitado um recurso que apresentou ao Tribunal de Segunda Instância (TSI) sobre o pedido de abonos e subsídios com retroactivos após a reforma. O pedido foi rejeitado pelo Governo em 2018, mas o homem recorreu da decisão para o TSI, entendendo estar em causa “a violação da lei e a falta de audiência dos interessados”. O tribunal deu meia razão ao recorrente, mas entendeu que, segundo a lei, não tem direito a receber os retroactivos. O acórdão refere que o despacho do Executivo está “inquinado dos vícios de forma e de violação de lei”, mas o pedido do ex-funcionário “nunca poderia ser deferido nos termos da lei”, uma vez que o regime do pessoal das delegações contém “normas especiais” que “só se aplicam ao pessoal que presta serviço nas delegações da RAEM”. Entendeu o TSI que, no caso do CPITMP, “embora funcionando nas instalações da Delegação Económica e Comercial de Macau, em Portugal, não é, ele próprio, uma Delegação da RAEM, mas apenas uma pequena equipa de projecto que tem objectivos muito limitados e específicos, razão pela qual ao pessoal que presta serviço no CPITMP, não é aplicável o Regime do Pessoal das Delegações.” O recorrente entrou para a função pública em 1982 e exerceu o cargo de técnico superior no escritório de representação da DST em Lisboa. Em 2005 foi criado o CPITMP, do qual o recorrente foi coordenador até se aposentar, em 2018.
DSAL | Cloee Chao denuncia caso de croupiers chantageados com despedimento Pedro Arede e Nunu Wu - 20 Jan 2021 A Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo entregou uma carta a pedir a intervenção da DSAL num caso de cerca de 10 croupiers pressionados a apresentar demissão. Cloee Chao considera que os argumentos do casino não são válidos, sobretudo quando todas as concessionárias estão a distribuir bónus aos funcionários A presidente da Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo, Cloee Chao, entregou ontem uma carta à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) a alertar para um caso de cerca de 10 croupiers, de um casino de uma subconcessionária não mencionada, que terão sido chantageados, através de cartas de aviso, com despedimentos por justa causa. Isto, caso os funcionários não apresentem a demissão por sua própria iniciativa. De acordo com Cloee Chao, o empregador justificou o acto com o facto de os trabalhadores terem ultrapassado o limite de 45 dias de faltas justificadas ou injustificadas, previsto na lei das relações de trabalho, por motivo de acidente ou doença. Para a responsável, o argumento não faz sentido pois, para além de as faltas terem sido aprovadas pelas chefias, durante a pandemia as empresas de jogo têm incentivado os funcionários a pedir licenças sem vencimento. Além disso, argumenta Chao, que também trabalhou como croupier, “é impossível não falhar nesta carreira”. “É como perguntar a um motorista com 20 anos de experiência se nunca recebeu uma multa”, disse aos jornalistas. À porta das instalações da DSAL, a presidente da Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo revelou ter contactado o casino em questão e que, na réplica, a empresa afirmou não favorecer uma “política de despedimento”. Contudo, acrescenta, até à manhã de ontem os 10 croupiers chantageados não foram informados acerca do seu futuro. Cloee Chao considera ainda que, dependendo da gravidade, existe um mecanismo que permite ao empregador anular cartas de aviso e que é injustificável despedir 10 trabalhadores quando concessionárias como a MGM, Wynn e Melco anunciaram recentemente o pagamento de bónus para os seus funcionários. “Acredito que a culpa é do departamento de recursos humanos deste casino. Várias concessionárias anunciaram o pagamento de bónus aos seus funcionários, que já custaram centenas de milhões de patacas. Não é preciso despedir uma dezena de croupiers para poupar algumas centenas de milhares de patacas”, vincou a responsável. Sentir na pele Uma das croupiers, que acompanhou Cloee Chao na entrega da carta na DSAL, revelou ter sido forçada a demitir-se ao final de um ano, logo após ter recebido a terceira carta de aviso. “Fui informada que se não tivesse pedido a demissão, entraria numa lista negra, que me impediria de trabalhar no sector do jogo no futuro,” apontou. Segundo revelou a ex-trabalhadora do casino satélite, que pediu para não ser identificada, o seu único requisito passa por manter o cargo, para poder cumprir obrigações, como o pagamento da hipoteca da casa. Situação agravada por problemas físicos que impediram de assumir outro tipo de trabalho.
MP | Explicador arguido por nove crimes de abuso sexual de crianças Andreia Sofia Silva - 20 Jan 2021 O Ministério Público (MP) deduziu a acusação contra um explicador de um centro de explicações pela prática de nove crimes de abuso sexual de crianças, tendo sido aplicadas ao arguido as medidas de coacção de prestação de caução, apresentação periódica às autoridades e proibição de ausência do território. O MP esclarece ainda que, “a prática de importunação sexual ou acto exibicionista de carácter sexual contra menor de 14 anos pode constituir o crime de abuso sexual de crianças”. Nesse sentido, “não obstante a falta de apresentação de queixa, o respectivo processo, por razões excepcionais relativas à protecção de interesses do ofendido, pode começar legalmente por iniciativa do MP, no sentido de se efectivar a responsabilidade penal do agente do crime”. O inquérito relativo ao processo de investigação já foi remetido para o Tribunal Judicial de Base para a marcação do julgamento. O caso foi descoberto em Outubro do ano passado, quando “umas menores, com idade inferior a 14 anos, tinham sido ofendidas sexualmente por um explicador de um centro de explicações”. A investigação concluiu que o arguido “se aproveitou, por várias vezes, na orientação do estudo a alunos no centro de explicações, para as acariciar ou tocar intencionalmente nas partes corporais íntimas de várias alunas menores, actos que o arguido continuou a praticar não obstante as menores terem evitado ou recusado expressamente”. Foram as menores que apresentaram queixa ao responsável do centro de explicações. O arguido pode incorrer numa pena de prisão de até três anos por cada crime cometido”, aponta o MP.
Suspeito de furtar apartamento foi apanhado no regresso a Macau Salomé Fernandes - 20 Jan 2021 A Polícia Judiciária revelou ontem que foi interceptado um indivíduo suspeito de ter aproveitado a entrada de pessoas num prédio para furtar bens e dinheiro num valor superior a 100 mil patacas. O crime terá acontecido depois de ter perdido no jogo Um homem suspeito de furtar um apartamento em Dezembro do ano passado, foi interceptado pelas autoridades na segunda-feira, quando voltou a entrar em Macau pelas Portas do Cerco. O caso foi ontem relatado pela Polícia Judiciária (PJ) em conferência de imprensa. A queixa sobre o alegado furto qualificado foi apresentada a 8 de Dezembro, depois de três moradoras de um apartamento na Rua Central da Areia Preta terem detectado a falta de alguns bens. No dia anterior, uma das habitantes notou que lhe faltava dinheiro, alertando as colegas. Uma das mulheres deu conta do desaparecimento de um relógio de pulso, no valor de 100 mil patacas, e a outra a falta de dinheiro num total de 33 mil patacas. Durante a investigação verificou-se que as janelas e portas estavam intactas. Ao consultar imagens das câmaras de vigilância, a polícia descobriu que no dia 6 de Dezembro um homem aproveitou a entrada de moradores no edifício para aceder ao prédio por volta das 18h30, tendo saído por volta das 20h. De acordo com a PJ, observou-se que o suspeito tentou empurrar a porta do apartamento em causa e que esta abriu. Depois de alegadamente cometer o crime, o indivíduo deslocou-se para a China Continental, tendo regressado a Macau esta semana. As autoridades indicam que confessou o crime, explicando que o cometeu depois de ter perdido dinheiro no jogo. O suspeito foi presente ao Ministério Público por furto qualificado. Acordar sem nada As autoridades deram ontem a conhecer um outro caso de furto qualificado, em que o suspeito já foi presente ao Ministério Público. Um residente do Interior da China apresentou uma queixa à Polícia Judiciária dia 3 de Janeiro, depois de ter detectado a falta de dinheiro e fichas de jogo no quarto de hotel onde estava hospedado. A alegada vítima conheceu um outro indivíduo do Interior da China num casino, com quem ficou alojado no dia 1 de Janeiro num quarto de hotel no Cotai. A vítima tinha no quarto um saco com 240 mil dólares de Hong Kong em numerário, bem como 260 mil em fichas de jogo. Quando acordou, apercebeu-se de que o dinheiro, as fichas e o homem tinham desaparecido. Perante este cenário, apresentou queixa às autoridades. Quando o suspeito, de 39 anos, foi interceptado na segunda-feira num hotel, tinha em sua posse 10 mil dólares de Hong Kong. A PJ indicou que o suspeito confessou o crime, explicando que perdeu todo o dinheiro no jogo.
Eleições Legislativas | Mais de 325 mil eleitores inscritos Pedro Arede - 20 Jan 2021 De acordo com dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), até 31 de Dezembro de 2020 estavam inscritos 325.180 eleitores, que podem participar nas eleições para a Assembleia Legislativa deste ano. O registo traduz um acréscimo de 14.027 eleitores em comparação com o ano anterior. Detalhando por zona de residência, a freguesia de Nossa Senhora de Fátima continua a ser a zona da RAEM com maior número de eleitores, contribuindo com 143.769 inscritos nos cadernos de recenseamento eleitoral de 2021. Seguem-se as freguesias de Santo António (76.913), São Lourenço (28.775), da Taipa (27.965), Sé (20.604), São Lázaro (20.098), Coloane (6.114) e “outra” (942). Destas, Coloane foi onde se registou um maior aumento de inscritos, com uma subida de 22,11 por cento do número de eleitores. Recorde-se que, desde ontem e até 28 de Janeiro, os cadernos de recenseamento eleitoral estarão expostos durante dez dias no rés-do-chão do Edifício Administração Pública, sito na Rua do Campo. Em caso de inconformidades, no decurso do prazo de exposição dos cadernos de recenseamento eleitoral, os interessados podem reclamar por escrito para os SAFP procederem à eventual rectificação ou aditamento dos dados.
Mercados | Concurso público não prejudica bancas com menor capacidade económica Pedro Arede - 20 Jan 2021 O Governo garantiu ontem que o concurso público para atribuir bancas nos mercados públicos não irá prejudicar os vendilhões com menor capacidade económica, pois terá em conta critérios como a experiência e o tipo de produtos. Os espaços não serão transformados em “centros comerciais”, assegura o Executivo Em reunião com a 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), que está a analisar a proposta de lei sobre a gestão dos mercados públicos, o Governo assegurou que não será dada primazia ao valor das propostas apresentadas pelos vendilhões no concurso de atribuição de bancas. Isto, tendo em conta que a proposta de lei prevê ser este o novo mecanismo a adoptar, em detrimento do actual regime de sorteio. Até aqui, o Governo tinha apontado apenas que matéria seria regulada através de diplomas complementares. “O Governo referiu que o procedimento do concurso público vai ser regulado por diplomas complementares, nomeadamente quanto à duração do concurso, os requisitos, entre outros. O Governo disse também que os critérios não vão dar primazia às propostas que apresentem o valor mais elevado para a atribuição de bancas, pois vai ter em conta questões como a experiência dos concorrentes e o tipo de produtos a disponibilizar ao público”, transmitiu ontem Ho Ion Sang, que preside à Comissão. No seguimento do esclarecimento, o deputado acrescentou ainda que a comissão sugeriu que o Governo discrime critérios de forma detalhada na proposta de lei. O Executivo afirmou que “vai estudar essa matéria”. Sobre o mecanismo de atribuição de bancas “por ajuste directo”, outro ponto de discórdia em reuniões anteriores, por carecer de detalhes, Ho Ion Sang explicou que o objectivo passa apenas por facilitar situações em que se verifique, por exemplo, uma mudança de instalações dos mercados públicos, contornando a necessidade de realizar um novo concurso público. “A concessão por ajuste directo tem como objectivo responder a razões de interesse público (…), nomeadamente quando há uma mudança de local dos mercados públicos. Nestes casos, o Governo irá atribuir as bancas por ajuste directo. No entanto, isso não está reflectido na proposta de lei”, acrescentou Ho Ion Sang. Perante o cenário, o Governo comprometeu-se a melhorar a redacção do diploma. Crise de identidade Outro dos temas em debate ontem foi o facto de o conceito de “Mercado Público” apresentado no diploma prever uma finalidade mais abrangente, pois refere ser um espaço destinado, não só à compra de bens de consumo diário, mas também à aquisição de serviços pelo público. Segundo Ho Ion Sang, o Governo apontou que o objectivo do novo diploma é diversificar serviços dos mercados públicos, mas que, apesar disso, não tenciona transformar os espaços em “centros comerciais”. “O Governo referiu que o objectivo dos mercados passa pela venda de produtos e bens diversificados aos residentes. Perante isto, a comissão perguntou se no futuro os mercados vão ser transformados em centros comerciais e o Governo respondeu que não. No futuro, os mercados públicos poderão vir a ter serviços como sapateiros ou de duplicação de chaves”, partilhou o deputado. Também sobre o tópico ficou a promessa de melhorar o texto da proposta de lei, com o objectivo de deixar claro para os residentes que os mercados públicos vão continuar a vender produtos como “carne e legumes fescos”. Ho Ion Sang referiu ainda que o Governo quer “revitalizar” os mercados públicos, oferecendo mais escolha, sem deixar de satisfazer as necessidades dos clientes que gostam de comprar de forma mais tradicional.
Coutinho quer medidas de segurança para TNR retidos em Macau Pedro Arede - 20 Jan 2021 Tendo em conta os trabalhadores não residentes (TNR) sem autorização de trabalho, que ficaram retidos em Macau devido às medidas de prevenção da pandemia, Pereira Coutinho quer saber que medidas estão a ser ponderadas pelo Governo para garantir a segurança pública e prestar apoio aos TNR afectados. O deputado sublinha ainda que a entrada em vigor da nova lei de contratação de TNR, que estipula que não podem entrar em Macau na qualidade de turista e tratar depois das formalidades de contratação, impede estes trabalhadores de obter autorização de permanência temporária que lhes permitiria arranjar emprego. Isto porque não podem entrar e sair do território “nem mesmo para Zhuhai” sem fazer quarentena de 14 dias. “Esta epidemia demonstra que a lei recentemente alterada deu origem a problemas relacionados com a segurança pública e com a vida dos TNR em Macau, resultantes do encerramento prolongado das fronteiras. O Governo tem de continuar a dar atenção à segurança dos bairros comunitários e a prestar o apoio oportuno e adequado aos TNR afectados”, pode ler-se numa interpelação escrita assinada pelo deputado. Para Coutinho, o Governo deve introduzir “ajustamentos e modificações à lei” que permitam aos serviços competentes a criação de um mecanismo de execução “flexível” e “sem desrespeito pelos respectivos procedimentos”. Referindo que, segundo o Governo, existem actualmente 700 TNR com contratos suspensos e documentos de permanência provisória, Pereira Coutinho alerta para o “risco” de, para se manterem em Macau, estes TNR virem a “praticar actos ilegais para ganhar dinheiro. “São muitas incertezas para a segurança pública. Nos últimos dias, o nosso gabinete recebeu queixas de cidadãos, referindo que existem alguns estrangeiros a pedir dinheiro (…) uma vez que não podem trabalhar”, acrescentou. Escassez preocupa Por escrito, Pereira Coutinho refere ainda que algumas famílias estão preocupadas com as dificuldades em contratar TNR, a curto prazo, pedindo a intervenção do Executivo. “O Governo tem de resolver a (…) dificuldade em contratar TNR adequados e o problema dos TNR que não são de nacionalidade chinesa retidos em Macau por terem sido despedidos ou por se terem demitido e que não conseguem obter novas autorizações de trabalho. De que medidas concretas dispõe para o efeito?”, questionou o deputado.
Governo invoca interesse dos alunos para compensação de aulas por parte de professores Salomé Fernandes - 20 Jan 2021 O interesse dos alunos e a flexibilidade das datas de consultas foram argumentos apresentados pelo Governo para justificar a obrigatoriedade de os professores das escolas públicas terem de compensar o tempo despendido em consultas médicas. Entre 2017 e 2019, mais de três mil aulas não foram compensadas O Governo justificou a proposta de os professores das escolas públicas passarem a ter de compensar o tempo gasto em consultas médicas – tanto as que marcam por iniciativa própria como por prescrição médica – com o interesse dos alunos. Esta é uma das medidas da proposta de alteração ao Estatuto do Pessoal Docente das Escolas Oficiais. O diploma está a ser discutido pelos deputados da 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa. O presidente da comissão, Vong Hin Fai, disse que face à oposição de alguns deputados ao novo regime por entenderem que “reduz os direitos e interesses dos docentes”, o Governo respondeu que “tem de ter em conta o interesse dos alunos em terem as aulas”. Outro argumento apresentado foi a flexibilidade na marcação de consultas. “O Governo salientou que na consulta por prescrição médica, o docente ou doente pode negociar com o médico para escolher uma data, daí esta alteração”, explicou Vong Hin Fai. Entre 2017 e 2019, as aulas que não foram compensadas aumentaram de ano para ano e totalizaram 3.240, com apenas 36 repostas voluntariamente pelos docentes. Só em 2019, o número de aulas que não foram repostas fixou-se em 1.245, enquanto sete foram leccionadas. “As aulas compensadas foram poucas em comparação com as aulas que não foram, envolvendo 332 docentes”, analisou o presidente da Comissão. Com esta proposta, alguns dos motivos para faltas justificadas do Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau deixam de existir, nomeadamente quando forem a exames ou reuniões de avaliação de alunos. São deixados de fora cinco cenários, que incluem o exercício de actividade sindical, doação de sangue e formação académica, profissional e linguística. “O Governo respondeu que se no futuro for criada uma lei sindical, então vai ser tratado de acordo com a lei sindical. Mas de acordo com o proponente, atendendo a que os exames e reuniões de avaliação dos alunos são importantes para o interesse público, estas cinco situações são consideradas injustificadas”, explicou Vong Hin Fai. Matéria de reflexão A proposta de impedir os professores que sejam despedidos depois de processo disciplinar de exercer nas escolas oficiais, mesmo reabilitados, também esteve em cima da mesa. “Alertámos o Governo para ter em conta o Código Penal e outras leis”, relatou Vong Hin Fai, acrescentando que depois desse aviso e da opinião da assessoria, o Governo respondeu que vai fazer um novo estudo e análise. Alguns deputados observaram que a proposta proíbe o exercício de funções nas escolas públicas, mas permitido que trabalhem em escolas privadas, centros de explicações ou creches no futuro e que “se a lei é tão rigorosa então o Governo deve atender melhor a todas as profissões que têm a ver com o ensino”. Assim, questionaram se a proibição deve ser alargada, por exemplo, ao ensino primário e centros de explicações.
EUA | Biden toma hoje posse como Presidente, com a cidade de Washington sitiada Andreia Sofia Silva - 20 Jan 202120 Jan 2021 Joe Biden toma hoje posse como Presidente dos Estados Unidos da América num dos momentos mais conturbados da história moderna do país. Além da pandemia, a cidade de Washington encontra-se vigiada por 25 mil tropas da Guarda Nacional devido ao risco elevado de motins nas ruas. Joe Biden já tem um plano para reverter uma série de políticas de Trump em áreas como a imigração e combate à covid-19 Com agências É num cenário de quase guerra civil que Joe Biden toma hoje posse como Presidente dos EUA. Depois do assalto ao Capitólio por apoiantes de Donald Trump, a 6 de Janeiro, dia em que foi confirmada a vitória de Biden, a cidade de Washington tem estado barricada nos últimos dias. Cerca de 25 mil homens da Guarda Nacional, o exército de reserva norte-americano, foram destacados para travar potenciais protestos ou motins na cerimónia de tomada de posse de Biden e Kamala Harris, vice-presidente. Diante da colina do Capitólio haverá uma “zona vermelha” protegida pelos guardas, enquanto que o parque do “National Mall”, onde centenas de milhares de norte-americanos se deslocam habitualmente de quatro em quatro anos para assistir à cerimónia de tomada de posse, está encerrado e fechado a cadeado. Pelo menos dois civis foram detidos nos últimos dias em redor desta “zona vermelha”. Hoje dezenas de estações de metro estarão fechadas ao público, e foram alterados voos e viagens de autocarro para Washington, além de canceladas reservas no website Airbnb. A Reuters falou com a norte-americana Dana O’Conner, que descreveu a capital do país como “uma cidade fantasma, mas com militares”. Nos anos anteriores, as cerimónias de tomada de posse reuniam sempre milhares de pessoas, mas este ano o cenário é bem diferente. “Não queremos ver grades. Sem dúvida que não queremos ver tropas armadas nas nossas ruas. Mas temos de adoptar uma postura diferente”, disse a Mayor de Washington, Muriel Bowser, ao canal NBC, no domingo. A governante disse que, depois do ataque ao Capitólio, “os chamados patriotas poderiam tentar derrubar o seu próprio Governo e matar polícias”. Christopher Miller, Secretário da Defesa ainda em funções, emitiu um comunicado esta segunda-feira, a afirmar que estas medidas são “normais ao nível do apoio militar para grandes eventos”. “Apesar de não termos nenhuma informação que indique uma ameaça interna, não deixamos nada para trás para garantir a segurança da capital”, acrescentou Miller, que agradeceu também “o apoio do FBI na assistência a esta missão e a cada um dos mais de 25 mil guardas”. Esta segunda-feira o ensaio para a tomada de posse de Joe Biden foi interrompido por razões de segurança, depois de um incêndio ocorrido num centro de refugiados próximo do Capitólio, na capital norte-americana. Fontes dos serviços de segurança norte-americanos, citados pela agência Associated Press (AP), disseram que todos os que se reuniam para uma parada, incluindo elementos de uma banda militar, foram orientados para se refugiarem num local seguro dentro do complexo do Capitólio, em Washington. Os participantes no ensaio indicaram ter recebido a informação das forças de segurança presentes de que o incidente não era um exercício. Quatro agentes da polícia adiantaram à AP que houve um incêndio a alguns quarteirões de distância e que o ensaio foi suspenso por “razões de segurança”. Uma hora depois, e extinto o fogo, o Capitólio voltou a abrir portas. “Por uma questão de precaução o complexo do Capitólio foi temporariamente encerrado. Não há ameaça para o público”, escreveram os serviços secretos norte-americanos na rede social Twitter, segundo a Reuters. Combater a China Janet Yellen, futura secretária do Tesouro do Executivo de Biden, disse esta terça-feira que os EUA vão utilizar um grande arsenal de ferramentas para conter as práticas “abusivas, injustas e ilegais” da China. Janet Yellen falava num discurso no Comité do Senado norte-americano no âmbito do escrutínio aos novos membros do Governo. A antiga presidente do Banco Central norte-americano (FED, na sigla em inglês) foi questionada sobre qual a atitude que a administração de Joe Biden, que será empossado quarta-feira, vai adoptar face a Pequim, após uma guerra comercial entre as duas maiores economias mundiais durante o mandato presidencial do Presidente cessante Donald Trump. “Temos de combater as práticas abusivas, injustas e ilegais da China”, disse Yellen, defendendo que Pequim está a “prejudicar” as empresas norte-americanas, exemplificando com as barreiras comerciais e com subsídios corporativos “ilegais”. “[Pequim] rouba propriedade intelectual e envolve-se em práticas que lhe conferem uma vantagem tecnológica injusta. (…) Estamos a preparar-nos para usar uma gama completa de ferramentas para enfrentá-los”, acrescentou. Por outro lado, e tendo como pano de fundo a crise pandémica desencadeada pela covid-19, Yellen aproveitou a audiência para pedir apoio ao Congresso para um grande estímulo fiscal destinado a “evitar o risco de uma recessão mais prolongada e dolorosa” nos Estados Unidos. “Os economistas nem sempre estão de acordo, mas creio que, actualmente há um consenso: sem uma ação mais forte, arriscamo-nos a uma recessão mais prolongada e dolorosa, bem como cicatrizes a longo prazo na economia”, avisou Yellen na audiência virtual com o Comité de Finanças do Senado. Na sua intervenção, Yellen reconheceu que um estímulo desta magnitude acrescentará problemas ao “crescente peso da dívida” do país. “Mas, actualmente, com a taxas de juro a níveis historicamente baixos, o mais inteligente que podemos fazer é ir em frente. A longo prazo, acreditamos que os benefícios vão superar os custos, sobretudo se nos preocuparmos em ajudar as pessoas que estão a sofrer há muito tempo”, frisou. Yellen, quando confirmada no cargo, será a primeira mulher a liderar o Departamento do Tesouro da história dos Estados Unidos, já depois de ter sido a primeira a ocupar a presidência da Reserva Federal (FED), cargo que desempenhou entre 2014 e 2018. Antony Blinken, futuro secretário de Estado, considerou que Donald Trump “teve razão” para demonstrar uma posição “mais firme com a China”, embora estivesse em desacordo em muitos temas. “O princípio de base estava correto”, disse Blinken no Comité de Negócios Estrangeiros do Senado norte-americano sobre a firmeza demonstrada pela Administração Trump, mas fez questão de vincar o seu “desacordo” em relação a “muitos pontos” da estratégia do Presidente cessante. “Devemos fazer face à China com uma posição de força, não de fraqueza”, defendeu Blinken, que assegurou que tal implicará “trabalhar com os aliados em vez de denegri-los” e “participando e liderando as instituições internacional em vez de se retirar delas”. Sobre o conflito israelo-palestiniano, Blinken indicou que Joe Biden defende que a única saída possível é “a solução de dois Estados”, reconhecendo, porém, que uma tal conclusão “não é realista a curto prazo”. Nesse sentido, apelou aos palestinianos e aos israelitas para, no imediato, “evitarem medidas unilaterais que tornem o processo ainda mais difícil”. Por outro lado, o futuro chefe da diplomacia norte-americana adiantou que a administração Biden terá de “restaurar” a posição dos Estados Unidos no mundo, construindo sobre algumas das políticas externas de Trump. Para Blinken, muitas das decisões da política externa de Trump “deixaram muito a desejar”, ignorando questões críticas como a das alterações climáticas. Na audiência de confirmação perante o Senado relativamente não contenciosa, Blinken disse que, se for confirmado no cargo, trabalhará com o Congresso para fortalecer e melhorar o acordo nuclear com o Irão, de que Trump retirou os Estados Unidos em 2018. Assegurou também que vai tentar trabalhar sobre os “acordos de normalização israelo-árabes” que Trump selou nos últimos meses de sua presidência. Blinken salientou ainda que a promoção dos direitos humanos e da democracia serão parte integrante da aproximação da administração Biden no que diz respeito às relações internacionais e pediu para que os Estados Unidos possam acolher uma cimeira mundial de líderes eleitos democraticamente. Quem é quem? Outro órgão que também será dirigido, pela primeira vez, por uma mulher, é a CIA [Agência Central de Inteligência]. Avril Haines trabalhou com Barack Obama como conselheira para a área da segurança nacional. O cubano Alejandro Mayorkas deverá ser o próximo Secretário da Segurança Interna, numa altura em que Joe Biden prepara um plano de reforma das leis da imigração. O Departamento de Segurança Interna do Governo norte-americano tem actualmente 240 mil funcionários que prestam serviço nas fronteiras e nos postos de alfândega, sem esquecer a área da cibersegurança e protecção civil. Para Secretário da Defesa foi apontado o nome do General Lloyd Austin, que também trabalhou com Obama e que será o primeiro governante de raça negra neste cargo. Na área dos Transportes foi escolhido o Mayor Pete Buttigieg. Um dos primeiros trabalhos nesta pasta será coordenar o investimento de 20 milhões de dólares já anunciado por Joe Biden para salvar as empresas que têm enfrentado uma enorme queda no número de passageiros devido à pandemia da covid-19. Denis McDonough foi nomeado para Secretário dos Assuntos de Veteranos, uma escolha que gerou alguma controvérsia pelo facto de McDonough nunca ter servido nas forças armadas. Susan Rice irá chefia o Conselho de Política Nacional da Casa Branca. Sobre esta equipa, Joe Biden disse ser “a certa para este momento da história”. “Sei que cada um desses líderes começará a trabalhar desde o primeiro dia para enfrentar as crises interconectadas que as famílias enfrentam hoje”, frisou. Fim das políticas de Trump Segundo a Reuters, Joe Biden deverá assinar dezenas de ordens executivas e enviar muitas leis para o Congresso nos primeiros dias a seguir à tomada de posse, para reverter políticas da Administração Trump. Muitas dessas medidas versam sobre a pandemia da covid-19, incluindo a aprovação de um orçamento de 1,9 mil de biliões de dólares para a distribuição de vacinas e apoio económico aos cidadãos. A Administração Biden deverá obrigar ao uso de máscara nos autocarros, aviões e outros espaços públicos, a implementação de moratórias e alívio nas despesas com a educação. Biden quer também aumentar o número de testes e regras mais claras de saúde pública, além de assinar uma ordem executiva que permite ajudar escolas e negócios a abrirem portas em segurança. Outras prioridades visam as áreas do ambiente e imigração. O novo Presidente deverá pôr um fim à polémica medida de separação de crianças dos pais imigrantes na fronteira dos EUA, priorizando a reunificação das famílias. Deverá também chegar ao fim as medidas apertadas sobre asilos, tal como as restrições adicionais a quem viaja do México ou Guatemala. Biden quer também acabar com a declaração de Emergência Nacional que permitia o envio de fundos federais do Departamento de Defesa para construir um muro na fronteira dos EUA com o México. Trump não recebe Esta segunda-feira a ainda primeira-dama dos EUA, Melania Trump, despediu-se com uma mensagem que instou os cidadãos norte-americanos a “escolher o amor ao ódio” e “a paz à violência”. Em vídeo, distribuído pela Casa Branca, com uma duração de sete minutos, Melania afirmou: “Devemos centrar-nos em tudo o que nos une, superar o que nos divide e escolher sempre o amor ao ódio, a paz à violência”. Apesar destas palavras amáveis, os Trump (Donald e Melania) vão romper uma das tradições mais antigas da investidura presidencial e sair da Casa Branca sem receber os seus sucessores, o democrata Joe Biden e a sua esposa, Jill. Pressão para manter Os Estados Unidos vão utilizar um grande arsenal de ferramentas para conter as práticas “abusivas, injustas e ilegais” da China, garantiu ontem a futura secretária do Tesouro, Janet Yellen, num discurso no Comité do Senado norte-americano. “Temos de combater as práticas abusivas, injustas e ilegais da China”, disse Yellen, defendendo que Pequim está a “prejudicar” as empresas norte-americanas, exemplificando com as barreiras comerciais e com subsídios corporativos “ilegais”. “[Pequim] rouba propriedade intelectual e envolve-se em práticas que lhe conferem uma vantagem tecnológica injusta. (…) Estamos a preparar-nos para usar uma gama completa de ferramentas para enfrentá-los”, acrescentou. Por outro lado, e tendo como pano de fundo a crise pandémica desencadeada pela covid-19, Yellen aproveitou a audiência para pedir apoio ao Congresso para um grande estímulo fiscal destinado a “evitar o risco de uma recessão mais prolongada e dolorosa” nos Estados Unidos.
Covid-19 | China defende a sua gestão após críticas de especialistas Hoje Macau - 19 Jan 2021 A China defendeu hoje a sua gestão da pandemia da covid-19, embora admitindo que devia “esforçar-se para fazer melhor”, após as críticas de uma comissão independente mandatada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O país foi criticado diversas vezes por não ter alertado imediatamente a sua população ou imposto um confinamento no início da pandemia, quando as transmissões entre humanos ainda não estavam confirmadas. A alegada falta de transparência das autoridades de Wuhan (centro), primeira cidade onde o novo coronavírus foi detetado no final de 2019, e a intimidação pela polícia de médicos locais, que revelaram a situação e foram acusados de “espalhar boatos”, também geraram críticas. Em julho, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou a criação de um grupo independente para realizar “uma avaliação honesta” da gestão da crise no mundo e “retirar lições”. A equipa de 13 especialistas é copresidida pela ex-primeira-ministra neozelandesa Helen Clark e a antiga presidente da Libéria Ellen Johnson Sirleaf. No seu segundo relatório apresentado hoje à OMS, o grupo considera que “teria sido possível agir mais rapidamente com base nos primeiros sinais”. “É claro que poderiam ter sido aplicadas com mais vigor medidas de saúde pública pelas autoridades chinesas locais e nacionais em janeiro de 2020”, sublinham os seus autores. Interrogada, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying, respondeu hoje que Pequim reagiu rapidamente ao confinar Wuhan desde 23 de janeiro, o que “reduziu as infeções e as mortes”. A China tem contido a pandemia no país desde a primavera, mas já morreram mais de dois milhões de pessoas em todo o mundo devido à doença. “Claro que nos devemos esforçar para fazer melhor. Todos os países, não apenas a China, mas também os Estados Unidos, o Reino Unido, o Japão ou qualquer outro país se deve esforçar para fazer melhor”, indicou Hua Chunying. “Como primeiro país a dar o alarme anti-epidémico mundial, a China tomou decisões rápidas e decisivas, apesar de na altura só ter informações incompletas” sobre o vírus, sublinhou. Uma equipa da OMS encontra-se atualmente na China para investigar as origens do novo coronavírus, assim que terminar a quarentena de duas semanas a que os seus membros estão sujeitos. A porta-voz assegurou ser um facto e não uma informação dos media chineses que o novo vírus foi encontrado em muitos lugares no outono de 2019, realçando que rastrear a origem do SARS-CoV-2 é “um assunto científico muito sério”, que deve ter por base a ciência e a realidade.
Covid-19 | China regista 118 novos casos, incluindo 106 de contágio local Hoje Macau - 19 Jan 2021 A Comissão Nacional de Saúde da China informou hoje que o país asiático diagnosticou 118 novos casos de covid-19 na segunda-feira, 106 dos quais são infeções locais. Os casos locais foram detectados nas províncias nordestinas de Jilin (43), Hebei (35) e Heilongjiang (27), enquanto um caso foi registado na capital, Pequim. Pelo menos onze áreas nestas três províncias permanecem em isolamento devido a surtos de coronavírus detetados nos últimos dias e estão a realizar testes em massa entre a população para refrear o contágio. A Comissão de Saúde da China disse que, nas últimas 24 horas, 17 pacientes receberam alta, pelo que o número de pessoas infetadas ativas no país se fixou em 1.387, incluindo 61 em estado grave. O organismo tinha anunciado uma nova morte devido à covid-19 na quinta-feira, depois de quase oito meses, desde 17 de maio, sem registar qualquer óbito causado pela doença. O número de mortes é agora de 4.635. O país somou, no total, 88.454 infectados desde o início da pandemia. A pandemia da covid-19 provocou, pelo menos, 2.031.048 mortos resultantes de mais de 94,9 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência noticiosa francesa AFP.
China | State Grid Corporation nomeia Xin Baoan como novo presidente Hoje Macau - 19 Jan 2021 A State Grid Corporation of China nomeou esta segunda-feira Xin Baoan como novo presidente na empresa estatal chinesa, a maior acionista da portuguesa REN – Redes Energéticas Nacionais. Num comunicado, a State Grid revelou que Xin Baoan foi escolhido numa reunião dos quadros intermédios e de topo da empresa. O executivo, que até agora era director-geral da State Grid, passa também a ser o secretário do Comité do Partido Comunista Chinês na empresa. A legislação chinesa obriga qualquer empresa que tenha pelo menos três membros do Partido Comunista Chinês a criar um comité. Mais de 91 milhões de chineses são membros do Partido Comunista Chinês, revelou em junho o Comité Central do Partido. Numa reunião realizada também ontem, o conselho de administração da State Grid defendeu o aproveitamento “das vantagens políticas e organizacionais únicas das empresas estatais” para “acelerar a evolução de um grupo empresarial moderno com características chinesas”. A State Grid é desde 2012 a maior accionista da REN com 25% do capital, segundo a informação disponibilizada na página da gestora das redes energéticas portuguesas na Internet. O grupo estatal chinês está ainda presente no Brasil, onde explora a Hidroelétrica de Xingu, após construir as linhas de transmissão de energia eléctrica entre Xingu e o Rio de Janeiro, com uma extensão de 2,5 mil quilómetros. O acordo que entregou a exploração da Hidroelétrica de Xingu à State Grid foi assinado em outubro de 2019, durante a primeira visita ao país asiático do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.
Guia Michelin | Restaurante O Castiço, na Taipa, entre os sete distinguidos Hoje Macau - 19 Jan 2021 O restaurante português O Castiço, situado na zona da Taipa Velha, é um dos sete restaurantes de Macau distinguidos pela edição deste ano do Guia Michelin de Hong Kong e Macau, na secção Bib Gourmand. Segundo o portal Macau News Agency, foram distinguidos também o restaurante educacional do Instituto de Formação Turística (IFT), o Chan Seng Kei, Cheong Kei e o Din Tai Fung, localizado no City of Dreams, o espaço Lok Kei Noodles e ainda o Lou Kei, no Fai Chi Kei. A secção Bib Gourmand do guia Michelin distingue espaços de restauração que oferecem comida de alta qualidade a preços acessíveis, o que significa refeições, sem bebidas, a um valor máximo de 400 patacas ou 400 dólares de Hong Kong. Gwendal Poullennec, director internacional para os guias Michelin, disse que “apesar da situação particularmente difícil que os empresários da restauração em Hong Kong e Macau têm enfrentado desde 2019, os nossos inspectores têm o prazer de divulgar os melhores espaços em termos de relação qualidade-preço”. Em Hong Kong, um total de 63 restaurantes foram distinguidos. A edição deste ano do guia Michelin será lançada no próximo dia 27.
Metro Ligeiro | Pedida ligação à Ferreira do Amaral Hoje Macau - 19 Jan 2021 A Praça de Ferreira do Amaral deveria ter uma estação de Metro Ligeiro, na opinião de Lei Chan U. Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau sustentou o ponto de vista com a necessidade de atenuar o fluxo de pessoas no centro da península, através da interface entre autocarros e Metro Ligeiro. A Praça de Ferreira do Amaral é um ponto nevrálgico do sistema de transportes públicos de Macau, por onde passam todos os dias, em hora de ponta, 43 linhas de autocarro, com 5200 frequências, servindo perto de 36 mil utilizadores. O deputado recordou ainda um projecto que inclui um segmento, maioritariamente subterrâneo, que passa entre os lagos Sai Van e Nam Van no traçado do metro. Para Lei Chan U, o Governo deveria considerar avançar com este segmento, com ligação à Praça de Ferreira do Amaral.