Nada está perdido

PRIMEIRO ACTO CENA 1

Uma pequena sala escura com paredes empedradas e chão de madeira escura. Ao fundo, dois toros robustos ardem na lareira. Encostado à lareira, um fogão de ferro envelhecido com uma cafeteira ainda a fumegar; do lado oposto, um balcão de madeira com um lava-loiça de pedra onde alguns pratos jazem amontoados. À direita de cena, uma janela com as portadas abertas para uma noite escura. Nem árvores, nem estrelas. Encostada à janela, uma pequena mesa com uma máquina de escrever, algumas garrafas de vinho e um pequeno candeeiro a petróleo. Na esquerda alta, a porta da casa e o bengaleiro, de onde pendem dois casacos de neve e alguns cachecóis. Há alguns quadros pendurados nas paredes: algumas naturezas-mortas, um oficial exibindo as suas condecorações e uma aberração de circo, sem braços e sem pernas, equilibrando uma bola na ponta do seu grande nariz. Ao fundo, na direita alta, uma porta para quem se quiser aventurar para outras divisões. Há livros e jornais espalhados pelo chão da pequena divisão.

Gonçalo está sentado numa cadeira de madeira, ensimesmado, de costas para o fogo. Por cima dele, um lustre dourado e envelhecido com algumas velas acesas. Ao seu lado, estão três garrafas de vinho vazias, pousadas no chão. Valério está ao pé da mesa, abrindo outra garrafa com um saca- rolhas. As labaredas recortam as suas sombras intermitentes nas paredes.

Gonçalo

É mais como se fosse um sopro, agudo… mas às centenas. O calor que me rodeia é insuportável. [pausa] E estou sozinho…
Valério
Sozinho?
Gonçalo
Sim. [pausa] Quando penso nisso… é o que me parece, sim. Que estou sozinho. Só eu e o inimigo… não há ninguém do meu lado. Ou melhor, ninguém a meu lado… porque mesmo que haja, seja quem for… ninguém me poderá valer nessa altura… é cada um por si, cada um consigo próprio e o inimigo, que é comum a todos.
Valério
E o calor, vem de onde?
Gonçalo
Dos fogos… dos rebentamentos. A floresta arde, os morteiros continuam a silvar…
Valério
Ah, é numa floresta!
Gonçalo
[surpreso]
Sim.
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Valério
Não tinhas referido.
Gonçalo
Hmmm… o sol está quase a pôr-se.
Valério
Ajuda a elevação.
Gonçalo
Sim.
Valério pousa o saca-rolhas na mesa e cheira o vinho pelo gargalo. Enche o seu copo e prova o vinho. Depois, vem sentar-se num velho cadeirão, ao lado de Gonçalo. Este bebe o resto que tem no copo e Valério enche-o com o novo néctar.
Valério
Os morteiros continuam a silvar…
Gonçalo
Sim.
Valério
E…?
Gonçalo
Eu encolho-me… no meio de uns arbustos. Tapo os ouvidos… [pausa] A mistura dos cheiros, o sangue queimado e o metal a ferver…[pausa] é…
Valério
Nauseabundo?
Gonçalo
Não… não diria tanto. É… [pausa] perturbador. Valério
Hmmm…
Gonçalo
E é precisamente nessa diferença que está a questão. [pausa] Se fosse nauseabundo, eu continuaria vergado, a vomitar o medo… mas o cheiro do metal ardente… [pausa]… impele-me…
Valério
A olhar para cima?
Gonçalo
Sim. [pausa] E é nesse momento que acontece… o relâmpago interior, fugaz…
Valério
O êxtase?
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Gonçalo
O êxtase, sim. Os sentidos… o conflito dos cheiros, as balas que me sopram ao ouvido, os silvos dos morteiros… uma sobra gigante cobre-me… olho… e lá em cima, no céu alaranjado… um bombardeiro desaparece no meio das nuvens depois de largar a carga mortal… e algures entre o sol e as nuvens há uma… [sorri]… uma presença, uma paz… [pausa] Encho-me de felicidade… e nunca estive tão desprotegido como estou ali, naquele momento. E sou invencível.
Os dois amigos ficam em silêncio durante algum tempo, repisando aquele episódio nas suas cabeças e beberricando o vinho.
Valério
Isso parece um sonho molhado de um neo-nazi!
Os dois desatam a rir, Valério entorna o seu vinho.
Gonçalo
Du bist… du bist… du bist ein schwein!
Valério
Nein, nein, nein… ich bin ein untermenschen!
Gonçalo
Nein, nein, nein! Mein Gott… du bist ein arschloch!
Valério limpa o vinho que caiu em cima de alguns livros, passando a manga da camisola sobre eles, enquanto espreita os títulos. Depois da limpeza, dá-se conta da quantidade de livros espalhados pela pequena divisão.
Valério
Tens livros suficientes para ficares sozinho e nunca te sentires sozinho… [pausa] Isso é perigoso! Gonçalo
Hmmm…
Valério serve-se de vinho, repara que Gonçalo ainda tem o copo a meio e mesmo assim enche-o até quase transbordar.
Gonçalo
Falei-te do primeiro conto que escrevi? E que foi recusado por uma revista?
Valério
Ainda havia revistas a publicar contos e foste recusado? Fala-me disso!
Gonçalo
Primeiro vou mijar.
Ele não se levanta. Valério acende um cigarro e dá duas longas baforadas. Oferece o maço a Gonçalo. Este tira um cigarro e acende-o, dando uma longa baforada. Os dois em silêncio, recordistas em apneia de fumo.

Covid-19 | OMS começa a deixar a China sem resultados conclusivos

Especialistas da missão da Organização Mundial da Saúde (OMS) encarregados de investigar as origens do novo coronavírus começaram ontem a deixar a China, país que consideram o “início do caminho” para desvendar a origem da covid-19. “A equipa está a trabalhar até sair [da China]. Este é apenas o início do caminho, com muito trabalho a ser feito, seguindo as pistas dos nossos colegas chineses”, afirmou ontem o britânico Peter Daszak, membro da missão, na rede social Twitter. “Muito orgulhoso das nossas conquistas e realista sobre o percurso que nos espera”, acrescentou.

Também Marion Koopmans, virologista holandesa, declarou-se “exausta”, mas comemorou a missão de 27 dias em Wuhan, a cidade chinesa onde foram diagnosticados os primeiros casos de covid-19. “Estou realmente ansiosa para dar os próximos passos”, escreveu no Twitter.

A epidemiologista dinamarquesa Thea K. Fischer, que considerou na mesma rede social que a missão foi uma “experiência única”, apontou duas teorias preliminares sobre as origens do vírus: através de um animal que serviu de hospedeiro intermediário para humanos ou através de algum alimento congelado.

Esta segunda teoria tem sido defendida pela China repetidamente, nos últimos meses, após a detecção de vestígios do vírus em alguns produtos congelados importados pelo país asiático. A investigação é extremamente sensível para o regime, cujos órgãos oficiais têm promovido teorias que apontam que o vírus teve origem em outros países.

A administração do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump acusou o Instituto de Virologia de Wuhan de ter deixado o vírus escapar, voluntariamente ou não. Peter Daszak admitiu que a equipa teve de realizar as suas investigações num ambiente de pressão política.

O chefe da missão, o especialista em zoonose dinamarquês Peter Ben Embarek, descartou na que o vírus tenha tido origem num laboratório, e considerou a possibilidade de que tenha chegado à China por meio de produtos congelados.

“Tudo continua a apontar para um reservatório deste vírus, ou um vírus semelhante, nas populações de morcegos”, seja na China, em outros países asiáticos ou mesmo em outros lugares, defendeu. O especialista disse que rastrear o percurso do vírus ainda é um “trabalho em andamento”.

O vírus olímpico

Primeiro por manifesta influência familiar e depois por opção, a prática desportiva foi desde cedo importante na minha existência, apesar das minhas limitadas habilidades. A ginástica ocupou grande parte da minha infância e depois passei a desportos colectivos e com bola, tendo aderido à grande família do andebol português, onde permaneci por uns 10 anos, só depois de ter comprovado a minha manifesta incompetência para a prática do desporto-rei. Passei para o pavilhão em vez dos ar livre e a usar as mãos em vez dos pés, mas na realidade o jogo até era semelhante. Eram tempos em que acompanhava com regularidade os Jogos Olímpicos, na altura relativamente fáceis de entender: que modalidades se praticavam ou não, que atletas podiam ou não participar, enfim, até a Guerra Fria que se jogava naqueles dias – e os inerentes boicotes políticos aos Jogos – eram coisas inteligíveis, mesmo para crianças ou adolescentes que seguissem o assunto com algum interesse e dedicação.

Não viria a ser assim depois: hoje estou muito longe de perceber o que se passa nos Jogos Olímpicos, porque são aquelas as modalidades praticadas, porque estão outras de fora, que critérios estão definidos para a participação de atletas, agora que a divisão entre “amadores” e “profissionais” é tão dificilmente aplicável, porque há critérios diferentes segundo a modalidade, enfim, toda uma série de questões regulamentares que certamente condicionam a competição e os resultados mas que deixaram de ser facilmente inteligíveis, requerem um certo estudo para mim incompatível com a simplicidade das regras que historicamente tornaram globalmente tão populares tantos jogos desportivos. Deixei-me de Olimpíadas, portanto, e passei a seguir campeonatos nacionais e mundiais, competições simples e de regras claras que ainda consigo acompanhar com a minha limitada disponibilidade para o estudo de normas regulamentares que não me dizem directamente respeito. De resto, o romântico, generoso e inteligente princípio de que o que importa é participar há muito tinha sido erradicado do desporto em geral e do Olimpismo em particular.

Foi no Japão que me reconciliei com os Jogos. Foi logo na primeira visita ao país, quatro meses no Verão de 2012. Com a diferença dos fusos horários, as competições em Londres podiam ser vistas em directo na noite japonesa e quase todos os cafés, bares ou restaurantes que tivessem televisão davam grande importância ao assunto. Não deixava de haver alguma motivação nacionalista a determinar o interesse nas modalidades que se acompanhavam, mas estava o Japão representado em tantas modalidades, com homens e mulheres, que era grande a diversidade de opções. Mesmo com as insuficiências e barreiras comunicacionais inerentes à língua, não foi difícil perceber o genuíno entusiasmo e apoio popular às equipas e atletas e também – muito mais importante – a aceitação generosa da possibilidade de derrota, quando muito manifesta num certo desinteresse pelo resto da prova depois da eliminação da participação japonesa, mas em nenhuma circunstância orientada para manifestações de ódio, xenofobia ou violência verbal contra adversários e equipas de arbitragem que vão caracterizando – aparentemente cada vez mais – as competições desportivas.

Quando se jogaram os Jogos de 2016 já eu estava no Japão mais regularmente e voltei a acompanhar os Jogos, desta vez no continente americano e com horários mais difíceis, com muitas provas a disputar-se na minha manhã.

Seriam Jogos de grande impacto político no Brasil, que queria transformar o relativo sucesso económico e social dos anos anteriores numa projecção internacional sem precedentes, a que estas competições globais aparecem hoje inevitavelmente associadas: foi também o Mundial de futebol de 2014, ambos vividos já no contexto dos impactos implacáveis da crise económica global que se seguiu à crise financeira de 2008. Com maior ou menos demagogia ou manipulação mediática, em vez de projecção internacional estes eventos contribuíram para intensificar a revolta e a oposição popular a um governo em dificuldades para lidar com o regresso da crise social e históricos problemas de corrupção. Os Jogo, enquanto super-evento mediático, contribuiriam então para o declínio da popularidade dão PT e a emergência deste novo poder que ainda vigora.

Em 2020 teria oportunidade de acompanhar pela terceira vez os Jogos Olímpicos em território japonês, com a particularidade de ser Tóquio a cidade escolhida para os organizar, essa fabulosa metrópole com 37 milhões de pessoas em intenso movimento. Como é norma actual, também aqui os Jogos se assumiram como uma gigantesca intervenção de renovação urbana e promoção internacional, com investimentos de visível impacto ainda muito longe de se começar a competir. Os principais estádios e os edifícios da aldeia olímpica estavam prontos ainda no final de 2019, mais um significativo desenvolvimento na baía de Tóquio, um oásis de tranquilidade, amplas avenidas, espaços verdes e transportes com pouca gente, numa cidade intensa em que o normal é o contrário: multidões aceleradas em espaços relativamente exíguos, transportes cheios e infra-estruturas urbanas pesadas. As estações de comboios e transportes metropolitanos foram objecto de renovação profunda, passando a ter informação digital e multilíngue a facilitar a vida a pessoas como eu, e novas torres de escritórios, hotéis e centros comerciais, que por aqui as grandes estações são, na realidade, pequenas cidades – ou não tão pequenas, já que as maiores (como Shinjuku ou Shibuya) movimentam mais de 3 milhões de pessoas por dia.

Foi com alguma supresa que assisti a esta gigantesca renovação. É verdade que se trata da maior área metropolitana do mundo, mas também é verdade que é das únicas em que a população está a decrescer, apesar do contexto global em que as pessoas continuam a concentrar-se cada vez mais nas grandes cidades. Esta excepção de Tóquio tem a ver com o envelhecimento populacional que caracteriza o Japão há várias décadas mas nem assim constituiu impedimento para que se investisse tanto em novos edifícios e infra-estruturas para diferentes tipos de uso, aproveitando-se, naturalmente, para melhorar os aspectos da ecologia urbana, dos modes de transporte e da ocupação dos espaços públicos. Como visitante, só posso agradecer.

Em todo o caso, com ou sem realização dos Jogos este ano, o impacto desta operação parece inevitavelmente longe das intenções: todas as intervenções urbanas associadas a este evento – e também à Expo-2025, em Osaka – estão fortemente orientadas para a promoção internacional do país, não só do ponto de vista turístico, mas também do ponto de vista da localização de empresas e atração de população estrangeira jovem e qualificada, um papel que o Japão já teve mas no qual foi perdendo protagonismo em relação a Singapura, Hong Kong ou mesmo Seul, actualmente o mais importante ponto de ligação para os transportes aéreos entre a Ásia e o resto do mundo. Além do evidente impacto do covid-19, que na melhor das hipóteses permitirá a realização de umas mini-olimpíadas em 2021, o contexto actual parece ser de de-globalização, não só turística mas da generalidade da economia. Não parece ser o tempo dos grandes eventos de promoção internacional. Também não parece bom tempo para Jogos Olímpicos, agora ou num futuro próximo.

Restaurante Harmonia

(por ocasião do Ano Novo Lunar)

Enquanto em Portugal se desenrolam vários dramas, por Macau caminha-se com pachorra p’ró Ano Novo Lunar. De nenúfar em nenúfar, no pequeno país teme-se pela pancada; no pequeno enclave é que não se teme nada: tudo aqui é passível de uma marcha regular, sem tragédias, nem lamentos: isto é bom de governar.
Com a bênção lá do Céu e as riquezas da Terra, aqui não medram tormentos. Nesta nova utopia, à sombra da grande árvore da pataca, regurgitamos e rimos: não sabemos, não vemos e não ouvimos. Mas, por enquanto, comemos. Eis o menu:

Primeiro prato: o leitão.
Ornado de luzes com um alegre piscar. Iguaria para os olhos, jovens de uniforme rosa não param de desfilar. Seguram sobre as cabeças o bicho sacrificado, a cada um distribuem elegantes um bocado. Depois, é sublime o momento em que os dentes se cravam na crocante pele enquanto, em simultâneo perfeito, afluem às narinas odores de um aipo santo. Uma respiga de picante vermelho conclui o incidente.

Segundo prato: Garoupa ao vapor.
Lascas que se elevam brancas, oferecidas, em cama de ervas claras, de coentros da ribeira, da escura soja a pontilhar. Delírio de suavidade no palato, inflamado pela sombra de gengibre. Rodou o peixe e, quando aqui chegou, restava uma ternura de óleo sobre o arroz alvíssimo. Cheirava a fresco, que delícia…

Terceiro prato: Galinha assada.
Apresente-se a condenada! Tostadinha, crepitante, de cabeça ainda agarrada. Reparta-se agora a ave p’los ilustres comensais: para ali, o peito gordo, a perna, o ovo; as peles para os demais. Não gostais? Mas a pele é nutritiva, tem gordura e bom sabor. Há quem diga que é mesmo a melhor parte, ainda que a rejeite quem parte.

Quarto prato: Sopa de tubarão.

Que delícia de odor se evola daquela panela, onde ossos e barbatanas partilham da mesma cama, do calor, da cozedura. É cálido o caldo fino, desliza pela colher e sinaliza a fartura. Aí vem a minha vez, levo ao lábios a loucura. E, quando, com prudência, engulo a carne do frango, ainda creio na língua fiapos de tubarão, que certamente nadou numa outra direcção.

Quinto prato: Camarões à Sichuão.
Polvilhados de picante, do que faz adormecer, são camarões singulares que fartamente se dão a todos os populares. Fazem beber, é certo, mas a vida não se faz a metro: é à unidade e camarões de Sichuão para todos são, não queremos excepção. Afinal, há que dar comida ao povo e o picante dormente é um achado brilhante. Saia mais uma travessa para aquela mesa do canto até que barriga cante.

Sexto prato: Bacalhau à brava.
Adaptação local do lusitano à Brás. Igual na confusão, na mistura e na falta de rigor, da caótica acepção do ovo com a batata, da cebola que todo o prato engraça, da salsa com a chalaça. À origem, acrescente-se-lhe o “vale tudo”, condimento a ser usado com toda a impunidade, sem pejo e sem poejo. Mexa-se bem, evite-se o sal, pimenta ainda vale, mas deixe de fora o mistério, público ou privado: um prato para comer como se fosse a sério.

Sétimo prato: Arroz frito, massa e sobremesa.
Para quem ainda tiver fome, eis o truque definitivo, a tranca da refeição. Que ninguém diga: ai que fome, meu Senhor! Aqui tem, senhor doutor, o complemento da casa: arroz ali de Cantão, massa e doce de feijão. É comer até fartar. De barriga bem fornida, são suaves os desgostos desta e da outra vida. Tendes queixas da comida? Não digais que estava má. Deve ser da digestão. Recomendamos um chá…

Convém uma explicação. A refeição apresentada foge ao tradicional banquete de catorze pratos. A razão é a contenção necessária em época de crise internacional, para não despertar escusadas invejas em vizinhos e parentes.
Por aqui tudo desliza, com vigor e alegria, à medida do menu do Restaurante Harmonia. Kung Hei Fat Chói!

Um pioneiro chamado Blanchot

A ideia de fim – ou mesmo de fim último – fez uma alegre caminhada ao longo de milénios. Fosse nos “Livros” que se pretendiam revelatórios, fosse nos mais diversos domínios agnósticos. Na cultura contemporânea (divirto-me quando a intitulo por “mundo-pós-pós”), esse modelo linear, que liga as visões de uma origem única ao seu termo, parece hoje, no mínimo, encoberta por uma névoa bastante espessa.

Em primeiro lugar, porque a rede inventou um novo modo de ‘morrer e nascer ao mesmo tempo’, como se com isso tivéssemos fundido a metempsicose platónica às redenções do Ganges com um tipo de instantaneidade que hoje brilha de modo natural no instinto das nossas crianças. Em segundo lugar, porque a febre da actualização (o deslumbre do ‘refresh on-off’) já se tornou numa aprendizagem que nos diz que um corpo só é de facto um corpo, se estiver sempre conectado com a rede.

Esta reinvenção da vida que se baseia no ‘update’ permanente afasta-nos das tradições melancólicas, pois passamos o tempo a nadar nas vagas do presente como se nada mais existisse. A tradição da melancolia sempre se associou a um tipo de “História” – ou a um conjunto de narrativas –, cujo significado irradiava do passado por razões míticas, canónicas ou de domesticação moderna do tempo. Contudo, nas últimas décadas, esse tipo de narrativas estáticas – que me educaram na escola e fora dela – foram perdendo as suas estruturas subjacentes, os seus centros e a sua territorialidade imperial.

A supremacia do ‘Agora’ passou a governar todas as novas melancolias, convertendo-as numa doce ansiedade que apenas se conforma ao teclar ou ao deslizar com o dedo sobre os ecrãs. Já não existe hoje a melancolia que se estruturava em objectos fixos (na Carta medieval do Pseudo-Hipócrates, a bílis era ainda o humor da melancolia), tendo esta dado origem a uma outra que se dilui na exaltação das interacções e na acelerada ‘desreferenciação’ da vida e do quotidiano.

Quando penso neste tipo de efeitos que decorrem da nossa ininterrupta ligação à rede, ocorre-me quase sempre Maurice Blanchot, no momento em que, possuído por uma espécie de desespero apocalíptico, se pôs a imaginar o último escritor sobre a terra (o autor referia-se ao escritor, enquanto figura pós-romântica que encarnaria um deus a passear-se para sempre nas arenas do espaço público). Quase no final de Le livre à venir (Gallimard, 1959), Blanchot colocou em cena a morte do último escritor e questionou, alarmado: o que resultaria de um tal facto? A resposta, umas linhas à frente, era clara: “Apparemment un grand silence”. É uma daquelas frases de que me lembro muitas vezes.

A reflexão de Blanchot é logo a seguir invadida por um vaticínio dramático, já que, com a morte do último escritor, apareceria “um novo ruído” com a função de nos anunciar ‘a era da não palavra’ (“l´ère sans parole”). Este novo ruído passaria a ouvir-se para sempre, transformando-se num vazio que fala (“un vide qui parle”). Um vazio insistente, indiferente, sem segredos, capaz de isolar os homens; capaz mesmo de separá-los de si mesmos e de os conduzir a labirintos ínvios e sem fim. Este “terrível” ruído, espécie de recriação da música com apelo disfórico, teria uma natureza estranha (“l´etrangeté de cette parole”) e basear-se-ia na mais pura simulação. Se parecia querer comunicar-nos qualquer coisa concreta, essa “palavra” estaria antes a convidar-nos ao nada, ou seja, ao paraíso da angústia pura, território desapossado de passado onde, como é natural, não há sequer lugar para um olhar melancólico.

Blanchot reviu nesta metáfora da ‘palavra-ruído’ algo que escaparia à intimidade e ao ânimo, como se tivesse sido criado expressamente para os operários-autómatos a que Fritz Lang deu corpo no seu magistral ‘Metropolis’. Uma “palavra” que, ao fim e ao cabo, subtrairia a humanidade ao essencial pois só sobreviveria se estivesse ligada a uma máquina. Uma “palavra” fantasmática e em forma de vírus – continuava Blanchot já no penúltimo capítulo do livro (capítulo IV) – que seria “essencialmente errante”, manipuladora e exterior (“toujours au-dehors”), ao contrário, por exemplo, do fulgor do monólogo interior que seria movido a partir de um centro irradiador.

Apesar de se poder hoje escarnecer desta metáfora de Blanchot, ela contém em si uma premonição interessantíssima do mundo da rede. Ao ‘actualizarmos por actualizar’, a todo o momento, removemos o que antes aconteceu e, a pouco e pouco, apagamos a memória sem sequer darmos por isso; ao entregarmo-nos minuto a minuto aos nossos terminais, prendemos a mente a esse gesto e o próprio rosto torna-se num diagrama que declina e que se assume em estado de dependência.

Relembro que este livro de Blanchot, baseado no mais puro questionamento metafórico-literário, saiu a público curiosamente na mesma altura em que, no campo da ciência, duas teorias – que viriam a ser importantes para uma história da internet – se tornaram conhecidas: a teoria dos grafos aleatórios de Paul Erdos e Alfréd Rényi e a teoria da interacção simbiótica homem-computador de Joseph Licklider. A coincidência fala por si.

Erdos, Paul e Rényi, Alfréd, ‘On Random Graphs’, Publicationes Mathematicae, Debrecen, N.6, pp. 290-297, 1959.
Licklider, Joseph, ‘Man-Computer Symbiosis’, IRE Transactions on Human Factors in Electronics, Piscataway – New Jersey, Vol.1 pp. 4-11, 1960.

Marcha dos cangalheiros

No último mês tenho assistido aos telejornais portugueses a que posso aceder (RTP e TVI), e estou atónito: a Cultura foi exterminada. Aliando isto à inexplicável proibição de comprar livros “presencialmente” e à suspensão de tudo o que seja espectáculo, confirma-se: para além de um imenso tecido profissional rasgado em pedaços por determinações do poder que pela metade são algo arbitrárias (não vejo a dificuldade das salas de teatro ou de espectáculos – se não convém ter orquestras em palco, divulge-se a música de câmara, por ex. – poderem abrir com restrições de lugares que salvaguardem as medidas sanitárias), regista-se uma profunda insensibilidade para o que seja e representa a cultura. O escandaloso? Que não haja um político revoltado contra “o estatuto de coisa decorativa e dispensável em que se confinou a cultura”; que os agentes da cultura não estejam unidos contra a vileza da miséria simbólica que permeia o actual “pensamento” político (cada sector indiferente aos demais); que os professores não sejam os primeiros a repudiar este estado de coisas. Veremos porquê.

No meu ensaio sobre o Bocage escrevi: «Bocage foi o artista possível num mundo intelectual que era a inúmeros títulos uma farsa. No tempo de Pombal, na ópera italiana da corte, “o primeiro dançarino era cego. Acostumavamo-nos a ver a medida dos seus passos regulada pelas proporções do palco”», e dizia-se «”(…) A representação nem sempre é de bom nível, excepto no caso das farsas”. É um povo que só dá para a farsa, desde que a mordacidade seja doce — e que não se quer creditar para além disso. Natural que os castratri e o travestismo durem em Portugal até ao último lustro do século XVIII, enquanto os actores eram menosprezados, no dizer de Cavaleiro de Oliveira, que daqui zarpou: “Os portugueses, a exemplo dos romanos, têm os actores em grande desprezo. A profissão de comediante é a mais vergonhosa de todas. Consideram-se ainda abaixo das que são realmente infames e criminosas.

Para nos convencermos disto, basta dizer-se que negam sepultura em sagrado aos actores, e que as dão aos salteadores e facínoras” (…) Ao mesmo tempo, segundo os testemunhos estrangeiros, na cidade denota-se um estulto orgulho em ser “mosca”, esbirro, servil, bufo (…) e veja-se esta observação de Eduardo Mascarenhas, biógrafo de Manique: “aos moscardos e moscas entretetidos a vigiar de longe e de perto os cafés (…) não lhes sobrava horas para outros serviços” — ó codiciosa e recompensada preguiça! Neste chão em que os ociosos eram recrutados como delatores, todos eles se viam, mediam e ajuizavam uns aos outros, comendo à vez da mesma gamela; uns pelo elogio e a hipocrisisa, outros pela vileza da denúncia. A dignidade não é ainda uma palavra com plena cidadania. » Daqui não saímos.

Para o filósofo e pedagogo José Antonio Marina, uma cultura fracassa quando, em confronto com um mundo mais complexo do que aquele em que crêem os seus políticos ou comunicadores, estes simplificam a realidade. É um vivo retrato do jornalismo actual, ocupado a simplificar a realidade e a encurrá-la num único índice: a morte. Passámos com exaltação das Indústrias Culturais para as Indústrias da Morte. E com a indignidade dos bufos, que num afã de controle, se esmeram em não falhar nenhum número, esquecendo outros pontos de vista da realidade e até qualitativos, os pivots vestem a pele dos gatos-pingados. É tão deslocado como recrutar Paulo Portas para comentar o Covid.

Um dos marcadores que faz esmorecer a inteligência colectiva é o medo.
Quatro desejos fundamentais motivam as actividades humanas (cf. JAM): sobreviver, desfrutar, vincular-se e ampliar as possibilidades. Para que esta última, a mais importante, se realize é necessário que a relação entre o indivíduo e a sociedade se paute por uma cada vez maior autonomia individual; dinamismo emancipador que faz nutrir a inteligência e essa capacidade desiquilibradora que é o pensamento crítico.

Só depois da terra estar remexida por estes dois instrumentos se semeia a liberdade, nem há desenvolvimento sem que isto se cumpra.

Vejo os telejornais e só me lembro da abertura de um ensaio sobre o Mal do Fernando Gil: «Venho falar-vos do mal. O bem está acima das minhas posses». Esta irónica inversão dá conta dos paradoxos do mundo: a loucura com que a humanidade se evade de interrogar a atracção para alimentarmos com o erário público fortunas instantâneas que nos exaurem, ou o desleixo de não interrogamos porque é que nenhum director de canal televisivo ou um pivot de renome (esses Novos Cangalheiros que passam por “influencers”) se lembrou de que, sendo uma das funções da arte a catarse, e, dada a Grande Anomalia em que vivemos, despontava uma óptima oportunidade para conciliar a arte e a cultura com novos públicos e para aumentar na programação televisão as horas dedicadas ao teatro, à música, à dança, aos livros, às artes plásticas. A questão é: porque é que nenhum se lembrou, desbaratando esta oportunidade histórica? O que os motiva?

Há um contínuo derrame de bens e recursos, como se, precisamente, o Bem estivesse acima das nossas posses enquanto pelo consentimento do Mal brilhasse a promessa de nos lambuzarmos com os restos do saque.

Outra frase, no ensaio de Gil: «A malignidade da natureza humana não é tanto a maldade… isto é… uma intenção de admitir o mal enquanto mal como motivo… como a perversão do coração» resume aquilo a que assistimos hoje: um encortiçamento geral do coração. E se onde há cortiça há vinho, neste caso, não é do que nos aquece o sangue mas é do que nos habitua ao sabor da ira e da cólera e alimenta os Venturas.

Os canais televisivos traíram o resguardo simbólico que só a cultura de um país pode vivificar. Os seus jornalistas aderiram à cobardia militante e já não desfrutam nem vinculam: colocando-se por escolha exclusiva do lado da morte, onde, como arautos desta, só enrolham.

Conto 2

Tenho um olimpo de bolso onde moram o clássico, o moderno…
Coro: Sou solidário: como, sem alguém que o assista, sem um sócio que o esguarde, infeliz, sozinho sempre, padece de moléstia que não cede…

Neoptólemo: Começo pelo início: somos gregos, se é isso o que desejas conhecer.
Filoctetes: Que som subtil! Depois de tanto tempo, ouvir desse rapaz a doce música.

Estou deitada de costas de olhos postos no céu, como se ele fosse o grande atlas de todas as cidades que planeei conhecer nestes contos. O céu, não sei onde termina, mas sei que é do tamanho do meu olhar. Lá se projectem as imagens do Olimpo, que contemplo da humilde plateia planetária. Está tudo ali desde a primordial angústia, o primitivo som, o original risco, a grávida palavra, o primigênio grão semeado, o inconfudível símbolo orto-gráfico, a paradigmática sedentarização, a linguagem que nos permite, entre outros, ao trágico e à cidade.

Anseio que se soltem na tela do destino todos os pequenos olimpos que os humanos guardam no bolso, libertando performativamente a figuralidade, entre passados, presentes, e futuros, na valsa da realidade que nenhuma linguagem pode captar totalmente. O baile, devassando poeticamente a experiência, remete as obras para a empiricidade e para as imagens, que se instalam na crosta volúvel e caprichosa da Terra, o singular acontecimento que nos move no mundo.

Em profundidade, a cena ganha a cor dos belos cabelos de Ariadna quando entrega a Teseu o fio que, mais do que salvá-lo no labirinto, o salva da natureza que ela representa e, traindo-a, o herói afirma a isonomia e a polis. Vendo isso, Dionísio, deus da potência e do irracional, casa-se com a princesa abandonada por Teseu e dá-lhe filhos. Mais tarde, mata-a, projectando para sempre no céu a constelação da figura trágica de Ariadna. O labirinto pode ser Dionísio, mas pertence ao touro -“besta que desatrela a vida e que a afirma na legitimidade da ocupação do seu labirinto”- como segreda Deleuze. Certo é ser um lugar sempre inaugural: cada vez que se avança, entre figuras, fantasmas e corpos, a natureza incontrolável da experiência renova-se nas entradas, corredores e clareiras, onde afinal não nos perdemos, mas retornamos nietzscheanamente.

Numa voluntariosa afirmação, Sófocles, o cidadão da polis grega, e Godard, saído da multidão contemporânea, entram em cena, opondo dramaturgicamente a cidade que ganha, à cidade que nos perde. A imagem é refractada e desfocada pelo choro que inquieta as urbes quando a tradição se quebra, e novas linguagens emergem. A Tragédia, quando a cidade está na aurora da sua positividade com o nascimento da Polis Grega; o Cinema, quando a cidade moderna enfrenta o seu primeiro momento de crise e negatividade, como é a Paris de Baudelaire e Benjamin. Neste devir solta-se um testamento que não é destinado ao futuro, como desconfia Char, mas deixa herança desde que romperam na terra a divisão entre os que veem e os que actuam, criando uma comunidade específica: a dos espectadores, separados fisicamente do palco ou do ecrã. A luz baixa, e dois offs – que os textos também os têm – juntam-se à cena.

Aristóteles (OFF): A plateia é a comunidade de cidadãos…
Barthes(OFF): … que provavelmente conhecem as tragédias que vão assistir. Como se uma grande faca tombasse sobre a experiência, a mão grega corta ontologicamente com a totalidade mítica do mundo. Numa paideia cívica sem precedentes a Tragédia exorta a universalidade racional da acção humana e persuasão dos cidadãos pela palavra, no espaço público da polis.

Vernant e Barthes confirmam que as perguntas dramatúrgicas expressam o novo quadro cívico e se distanciam das antigas respostas míticas. O fio de Ariadna ligava, afinal, dois mundos cuja separação foi mobilizada politicamente na Tragédia, celebrando com os contemporâneos a superioridade do novo mundo grego.

Como um tremor de terra, 2000 anos depois, a crescente velocidade tecnológica acelera e instabiliza a experiência, esfacelando o espaço público clássico, actualizando um modo de ver adequado à vivência moderna: tempo descontínuo, espaço fragmentado, montagens rápidas de imagens e sons, numa estética do choque. O cinema é a escola desta nova forma de percepção, “aquilo que os gregos designavam por estética”. Benjamin deixa claro que a “percepção da colectividade humana transforma-se ao mesmo tempo que o seu modo de existência”.
Benjamin(OFF): A plateia do cinema é uma multidão que perde a capacidade de contemplação e se conforma em ser um colectivo de espectadores distraídos e alienados.

Num mesmo lance, defrontam-se as raízes do clássico e do moderno e estremeço porque sou ávida desta dilogía em que balança a positividade e negatividade da civilização ocidental, desde o seu berço à sua forma contemporânea. O cinema representa o “inconsciente visual” da sua época, como “um caleidoscópio dotado de consciência dos “perigos existenciais mais intensos com os quais se confronta o homem contemporâneo” e a função política do cinema, “não está em condicionar espectadores distraídos, mas em descondicionar espectadores manipulados. O grande cinema é crítico, não mobilizador”, palavras de Benjamin com ressonância criativa em Godard, que se inspira também na vontade do filósofo de conceber uma obra a partir de arquivos, citações, montagem, constelações, e que se ergue de novo no palco deste meu pequeno olimpo.

Godard: o cinema foi a fábrica do século XX e do mundo contemporâneo!
Vernant: A tragédia foi a fábrica do século V e do mundo grego! Do homem trágico que morre de temor de não viver na cidade.

Num interlúdio trágico as figuras valsam neste céu de veludo que somos nós a
pensar. Porque o pensamento está sempre a recomeçar.

Food Truck | Canções e Poemas de Amor e Ódio este sábado

Sábado, dia 13 de Fevereiro, pelas 20 horas, juntam-se novamente num concerto acústico Fabrizio Croce e Luís Bento, para uma viagem musical. Local de partida, o Food Truck, na Rua dos Ervanários.

A “viagem” levará a audiência, de forma descontraída, por paisagens feitas canções, cantadas em português, italiano e inglês. Com paragens em autores como Paul Simon, Neil Young, Cat Stevens, Jorge Palma, Rui Veloso, Eros Ramazzotti, Toto Cutugno, Battisti, entre outros.

Domingo, 14 de Fevereiro, Ballantine’s Day. “Poemas de Amor e Ódio”, também no Food Truck, regados a vinho e outro álcool. Microfone aberto para quem quiser dizer um poema, relacionado com o amor, a paixão, o ciúme, o esquecimento, a inveja ou o ódio. A partir das 17 horas. Oferta de uma bebida.

“Vitalina Varela” de Pedro Costa de fora da corrida aos Óscares

O filme “Vitalina Varela”, de Pedro Costa, ficou de fora dos 15 finalistas para uma nomeação para o Óscar de Melhor Filme Internacional, revelou ontem a Academia de Hollywood, nos Estados Unidos.

A longa-metragem de Pedro Costa tinha sido considerada elegível em Janeiro passado, quando a academia norte-americana revelou os 93 filmes candidatos a uma nomeação ao Óscar de Melhor Filme Internacional.

No entanto, “Vitalina Varela” já não chegou à lista de 15 filmes finalistas anunciada ontem, e que o comité da academia votou, com vista às nomeações da 93.ª edição dos Óscares, a anunciar a 15 de março.

De acordo com a organização dos Óscares, são finalistas os filmes “Another Round” (Dinamarca), “Quo Vadis, Aida?” (Bósnia Herzegovina), “La llorona” (Guatemala), “El agente topo” (Chile), “Charlatan” (República Checa), “Deux” (França), “Better days” (Hong Kong), “Sun children” (Irão), “Night of the kings” (Costa do Marfim), “Ya no estoy aqui” (México), “Hope” (Noruega), “Collective” (Roménia), “Dear comrades!” (Rússia), “A Sun” (Taiwan) e “The man who sold his skin” (Tunísia).

A academia anunciou ainda listas de finalistas de outras oito categorias aos Óscares, entre as quais de Melhor Documentário em longa e curta-metragem, Melhor Filme de Animação e Melhor Banda Sonora.

Apesar de anualmente submeter uma obra candidata aos Óscares, Portugal nunca teve qualquer filme entre os nomeados para o prémio de melhor filme estrangeiro, em língua não inglesa, categoria recentemente renomeada de Melhor Filme Internacional.

Percurso trilhado

“Vitalina Varela” teve estreia mundial em Agosto de 2019, no Festival de Cinema de Locarno (Suíça), onde arrecadou os principais prémios: Leopardo de Ouro e Leopardo de Melhor Interpretação Feminina para Vitalina Varela, a mulher que inspirou a história filmada por Pedro Costa.

Desde Locarno, o filme soma mais de 22 prémios, a maioria de melhor filme e melhor realização, integrou mais de 50 festivais e mostras internacionais de cinema e reúne críticas elogiosas, tendo integrado as listas de melhores filmes do ano (2020) por vários media especializados.

O documentário brasileiro “Babenco – Alguém tem de ouvir o coração e dizer: parou”, de Bárbara Paz, sobre o cineasta argentino radicado no Brasil, que dirigiu “O Beijo da Mulher Aranha”, também ficou fora da lista de candidatos.

De fora ficou também o candidato da Palestina, “Gaza, mon amour”, dos irmãos Tarzan Nasser e Arab Nasser, que contou com coprodução portuguesa. Os nomeados para a 93.ª edição dos Óscares serão anunciados a 15 de Março e a cerimónia acontecerá a 25 de Abril.

Música | Free Yoga Mats aguardam melhores tempos para voltar aos palcos lá fora

Os Free Yoga Mats [Tapetes de Yoga Gratuitos] só têm este nome por brincadeira, e a música que fazem, muito ligada ao género rock, punk ou grunge, pretende igualmente transmitir boas vibrações a quem os ouve. Depois de alguns concertos e de uma demo gravada, a banda ensaia agora com um novo baixista e espera pelo fim da pandemia para voltar à estrada

 

Tudo começou quando um grupo de amigos se juntou num festival de música na Tailândia, mas a ideia de formar uma banda em Macau já há muito andava na cabeça de Pedro Domingues. O guitarrista dos Free Yoga Mats queria construir algo e, numa conversa com o vocalista, Hafiz Said, foi feita uma proposta.

“Aí dissemos que se ele voltasse para Macau que iríamos fazer uma banda. Voltamos e daí a uns meses ele arranjou trabalho cá. Depois começamos a trabalhar com o Marcio [Rios, baterista] e com o Bastiani [Bani, baixista]”, contou ao HM Pedro Domingues, guitarrista do grupo.

Já o nome foi ideia de Adam Cook, também ele guitarrista. “Tudo começou com uma piada do Adam, que disse ‘se pusermos free yoga mats [tapetes de yoga grátis]’, de certeza que vem gente, e vêm muitas raparigas [risos]. E as nossas mulheres fazem yoga, uma delas até é instrutora. Foi uma piada e gostamos porque é um nome que não é para levar muito a sério.”

O projecto dos Free Yoga Mats é recente e, para já, o grupo tem apenas uma demo tape gravada para reunir todas as canções que foram compondo e tocando nos últimos tempos. Mas essa demo tape servirá também para promover o projecto online numa altura em que os palcos estão fechados devido à pandemia da covid-19.

O último concerto da banda foi no espaço Live Music Association e, para trás, teve de ficar o plano de tocar fora de Macau. “Em Macau estamos optimistas porque temos seguidores e sítios onde tocar, mas já tocámos em todos. Mas facilmente podemos organizar um concerto. Mas a realidade é que este ano e até meados do próximo ano a situação vai estar comprometida, e não há garantias de que possamos andar a viajar.”

“O nosso plano para este ano, sem a covid, era tocar em Hong Kong, Singapura, Taiwan, em várias cidades da China. Olhamos para a realidade como ela é e esperamos que isto melhore, e aí estaremos prontos para ir para fora”, adiantou Pedro Domingues.

Músicas de intervenção

Os dias têm sido passados a ensaiar com o novo baixista que substituiu Bastiani Bani, que teve de voltar a Singapura, a sua terra natal, pelo facto de ter ficado numa situação de lay-off. No entanto, o projecto musical não está parado. A demo tape é, para já, uma ferramenta de promoção, mas já antes o grupo tinha gravado o EP “Made in Macau”, com músicas como “Tokyo”, “Go Robot” ou “War and Order”.

“O nosso espírito como banda e em palco é, sem dúvida, positivo e construtivo, de amizade. Mas as nossas letras são mais de intervenção, contra a sociedade e as coisas que não estão bem”, adiantou Pedro Domingues. Cabe a Hafiz Said a composição de todas as letras.

Para já, “não existe nada de concreto sobre a possibilidade de gravarmos um novo álbum”, frisou o guitarrista.
Questionado sobre as referências musicais da banda, Pedro Domingues assegura que são várias, embora quem os oiça associe de imediato o seu trabalho às sonoridades mais ligadas ao rock. “Dentro da banda temos o Adam que ouve mais rock e grunge, o Marcio também anda mais nessa onda, começou no punk hardcore, eu sou mais punk-rock, mas ouvimos um pouco de tudo. Mas diria que é o rock, grunge e o punk que são as grandes referências da banda.”

Previsões por signos e por anos para 2021

As previsões aqui expressas são a ideia criada pela interpretação das escritas por Edward Li.

 

O Tai Sui (Deus do Ano) do ano lunar de 2021 é Yang Xin, general da dinastia Han do Oeste nascido na província de Shaanxi. Foi o oficial escolhido por Wudi (Imperador entre 140 e 87 a.n.E.) para o representar entre 116 a 111 a.n.E. (era Yuanding) nas negociações com os Xiong-nu, uma confederação de tribos do povo nómada das estepes do Norte. Temíveis guerreiros, fortes nas tácticas de guerra retiradas do arrebanhar gado, infligiam, nas incursões para Sul ao território dos sedentários chineses, constantes e pesadas baixas. Após cinco batalhas, para estudar as tácticas e armamento, em 121 a.n.E., a dinastia Han expulsou das suas fronteiras os Xiong-nu e por várias ocasiões se realizaram acordos de paz, através de casamentos. Com o propósito de tornar seguro o caminho terrestre para Oeste, a proposta do General Yang Xin era consolidar de novo a confiança por casamentos reais e daí, a troca de princesas entre ambos os lados, havendo assim um refém em caso de quebra de palavra. Logo no ano de 115 a.n.E. conseguiu integrar a actual província de Gansu e uma extensão de terra a Oeste do Rio Amarelo, onde o Imperador Wu Di estabeleceu quatro prefeituras. Para Ocidente, o deserto de Taclimacan e com oásis se permitiu dar os passos para em 101 a.n.E. a dinastia Han do Oeste se expandir pela bacia de Tarim, até ao vale de Fergana, na Ásia Central. Seguia-se o território dos Partos Arsácidas a ligar por comércio com o Império Romano.

O dia de ir ao templo oferecer sacrifícios ao General Yang Xin, Deus do Ano (Tai Sui), é o oitavo da primeira Lua, que ocorre a 19 de Fevereiro de 2021.

 

Búfalo

Como animal do ano, os nativos de Búfalo estão em Zhi Tai Sui (em confronto com o Tai Sui) a trazer forte ondulação e grande movimentação, logo ano de mudança.

Ano cheio de possibilidades para os nativos revelar os talentos, em especial os nascidos na Primavera e Verão. Contará com a poderosa estrela da sorte Hua Gai (华盖, bonito e poderoso guarda-sol real, pálio), que reconhece talento e habilidade, e dá protecção. Captará a atenção dos outros e por isso, é importante aproveitar todas as oportunidades para se mostrar. Se resolver realizar algo, os seus opositores afastam-se. Esta estrela para o masculino está ligada à carreira, mas para o elemento feminino amplifica o poder e leva-a a ficar só. Este ano sentirá terem-lhe retirado as amarras das charruas e ganhar independência do trabalho feito para os outros. Com acumulada energia de anos a andar à volta, por ser bastante sensível está pronto a explodir mas, esse longo sacrifício de interiorizado carregar, terá agora oportunidade de se expor e liberto, brilhar.

Está sob a influência de três más estrelas, Jian Feng (剑锋, ponta da Espada), Po Sui (破碎, separação) e Fu Shi (伏尸, Corpo Morto), e por isso, deverá acalmar o seu temperamento impulsivo e tranquilizar a disposição anímica pois, pelas suas qualificações, não há dúvida poder controlar tudo o que vier. Use bem este ano, poderá ser o início de uma nova vida.

Carreira: A estrela da sorte Hua Gai (华盖) eleva os nativos ao pódio dos três mais bafejados do ano quanto à carreira, os outros dois são os nativos de Serpente e Galo, bons aliados para se juntar. Não se esconda por trás dos outros, coloque-se à frente e mostre as suas qualificações e talentos. Claro, terá de entrar em competição e estar sob tensões, mas isto não retirará a hipótese de atingir uma posição cimeira.

Amor: Ofuscados pela carreira, os nativos de Búfalo, sem tempo para pensar em organizar família, ficam-se nas relações ocasionais. Para os casais, se a mulher for nativa de Búfalo, o homem terá de ser paciente e se não se controlar, facilmente a relação quebra.

Saúde: Ano propenso para lhe ocorrer acidentes e daí, deverá ir ao templo oferecer sacrifícios ao Deus do Ano. Preocupe-se com o seu fígado, pois poderá trazer-lhe problemas e por isso, trate-o bem. Caminhe com cuidado para não cair, não quebre nenhum membro. Evite, discussões e correr grandes riscos. Ao sentir-se com menos saúde, use roupa interior vermelha.

Os nativos de Búfalo nascidos em:

1973 – Serão de todos os nativos de Búfalo os mais bafejados do ano. Terá um impulso na carreira, contando com muita gente a ajudar, e também com a estrela An Lu (暗禄, Dinheiro Sombra, ou da Sorte), significando para além da carreira conseguir dinheiro fora das suas expectativas. Cada oportunidade apanhada trará como resultado ganhos e boas colheitas. É aproveitar as ondas criadas pelo Tai Sui e ‘surfar’.

1961 – Ano calmo, sem muita ondulação e com a ajuda de amigos poderá chegar a um novo patamar. Não se esqueça de oferecer sacrifícios ao Deus do Ano e celebrar o seu aniversário para trazer boas energias e sorte.

1949 – Vida social activa e com o suporte de pessoas competentes os seus planos realizam-se e encontrará um novo sentido para a vida.

1985 – Cheio de ideias e vontade para as realizar, deve tomar atenção pois encontrará detractores e assim, antes de fazer alguma coisa precisa de pensar melhor; dinheiro fácil não permanece muito tempo.

1997 – Ano para se começar a mostrar. Conseguirá um salário satisfatório. Trabalhe arduamente e o tentar encontrar novas direcções resultará, de repente, no reconhecimento.

Tigre

O ponto central este ano para os nativos de Tigre é o Amor. Estará mais atraente, apelativo ao olhar dos outros e conta com imensos adeptos e seguidores. Com a estrela Hong Luan (红鸾, Sorte no Amor) o ponto fulcral para os nativos solteiros é casar e para os casados, ter um filho, um descendente. Mas sendo a carreira para os nativos sempre o mais importante, não fazendo o amor parte das suas prioridades, perdem a oportunidade de desfrutar dum ano tão generoso e só os próprios saberão se será bom, ou mau para eles.

Carreira: Não conseguirá este ano puxar para cima a carreira, nem mesmo os projectos já planeados, pois de um momento para o outro sofrem uma mudança e perplexo, perceberá estar a ficar sem controlo, a colocá-lo numa posição difícil. Para conseguir daí sair contará com duas estrelas da sorte, Tian Yi Gui Ren, (天乙贵人) e Tai Ji Gui Ren, (太极贵人), significando ter poderosa e criativa ajuda de alguém qualificado. Já quanto às más estrelas, Gua Su (寡宿, arrogância), a levar a viver sozinho e Mo yue (陌越, estrela de mudança), colocando o ano a depender com quem se conjuga, se for boa estrela melhora a situação. Apesar de muito pensar não se consegue encontrar, ou perdeu a direcção e fraco, sem poder, também não acredita nos outros. Ano em que menos é mais e trabalhando menos, cometerá menos erros. Retorne à família e aos amigos, não é o material que conta.
Amor: Os solteiros descobrem parceiro, mas devido à má estrela Gua Su (寡宿, ficar sozinho) a relação só não ocorre se não quer, já que as suas expectativas são sempre muito altas. Quem destrói a relação é você mesmo, por prezar em demasia a sua liberdade. Não importa como, dê um ano para si, sem pensar na carreira e dinheiro, desfrute Amor.
Saúde: Terá duas más estrelas, Bing Fu (病符, sinaliza doença) e Fei Ren (飞刃, fio da lâmina) a levar a uma operação cirúrgica, mas poderá substitui-la por antecipação ao doar sangue, permitindo transferir essa má, numa boa energia. Faça um exame à sua saúde. Mantenha relaxada a vida, sem esquecer o exercício físico. Dê mais tempo à família e retire-se do trabalho árduo fora de horas, esse é o melhor tratamento a dar ao corpo.

Os nativos de Tigre nascidos em:

1974 – Terá o melhor desempenho quanto à carreira entre os nativos de Tigre. Trabalhe muito e bem e haverá possibilidade de ser promovido e ter reconhecimento na sua especialidade.
1962 – Ano ameno, mas com surpresas. Terá muita gente a ajudar e o dinheiro vai pingando, sem precisar de se preocupar. Deverá realizar uma festa de aniversário a trazer boas energias e sorte.
1986 – Para ganhar o que pretende terá de trabalhar arduamente, mas a boa notícia é ter alguém qualificado como suporte. Poderá usufruir de um estável rendimento.
1998 – Revela-se pelo bom trabalho, mas não o deixe ficar fora do seu controlo e das suas forças. Bom ano para estudar.
1950 – Activo ano social, não faltando encontros com muitos amigos, levando a descobrir novos interesses. Ano despreocupado, mas precisa de tomar cuidado com a saúde, em especial com o fígado.

Coelho

Se no ano passado os nativos de Coelho tiveram inúmeras ajudas e suporte, nem mesmo a pandemia criou problemas, para este ano o caso é completamente diferente. Deve preparar-se, pois os que o suportavam desaparecem e sem suporte, vai trabalhar sozinho. Assim, proteja-se a si mesmo e o tentar ajudar outros poderá trazer-lhe problemas. Evite relações complicadas.

Carreira: Sem ajudas, nem estrelas da sorte, coloque a vida simples, pois quanto mais faz mais problemas pode ter. A má estrela Gua Su (寡宿, arrogância) leva-o a não ter paciência e a fechar-se, desinteressando-se da vida social. Já Tian Gou, (天狗, Cão do Céu), fácil a provocar conflitos, leva a criar inimigos e perder dinheiro. Pelas más estrelas, Pi Tou (披头, deixar solto o cabelo) e Bao Wei (豹尾, cauda do leopardo), o querer ajudar o amigo, para além de só lhe trazer problemas, nem agradecimento recebe. Tenha cuidado ao assinar garantias. Ano para dar um passo atrás afim de conseguir discernir melhor o que se passa à volta, pois para a frente, poderá cair no precipício.

Amor: Este ano as relações serão complicadas e confusas, colocando os nativos de Coelho muito cansados. Os casais serão afectados pela estrela Gua Su (寡宿) e facilmente entram em guerra-fria. Sensível, seja inteligente e por isso não se coloque nas pontas dos cornos do búfalo, pretenda-se estúpido.

Saúde: A má estrela Diao Ke (吊客), relacionada com receber más notícias da família, coloca-o triste e desconsolado, a poder levar a facilmente ter um acidente. Por isso, no princípio do ano é melhor ir prestar sacrifícios ao Deus do Ano, a pedir protecção e na parte Leste da casa, ou escritório, coloque uma planta verde, para ajudar a abrir mais o seu coração. Ano em que o fígado e olhos podem dar-lhe problemas, por isso dê tempo a si e encontre mais maneiras para relaxar, como ouvir música, …

Os nativos de Coelho nascidos em:

1963 – São os mais bafejados de todos os nativos de Coelho para este ano em relação à carreira e dinheiro devido às duas estrelas da sorte, Fu Xing (福星) e An Lu (暗禄). Não se vanglorie, proteja-se e não o divulgue e assim poderá ter uma vida maravilhosa.
1975 – Ano para falar menos e trabalhar mais. Fuja de relações complicadas e terá menos problemas. As ondas este ano não lhe trazem perigo.
1951 – Regresse à vida simples e rejeite entrar em competições. Em conjunto com os amigos não fale sobre tópicos sensíveis. Necessário realizar uma festa de aniversário.
1987 – Este ano vai trabalhar só, ninguém o ajudará, levando-o a tornar-se mais flexível para tentar algo novo. Poderá ter surpreendentes resultados.
1999 – Ano trabalhoso. Precisa de aprender a ser independente. Quando mais forte lhe baterem, mais alto se vai erguer. Não é ano para ganhar muito, mas para muito aprender.

Dragão

Os nativos de Dragão viram a carreira a progredir e este ano continuará a ser promissora. Virada para a criação, tanto na carreira como no amor, o seu sonho torna-se realidade. À sua volta rodopiam possibilidades e o sucesso.

Carreira: Contará com três poderosas estrelas da sorte, Tian De (天德, Céu protector) a limpar o caminho, Long De (龙德, Dragão da Virtude), promissora para a carreira e Fu Xing (福星), significando ter ajuda para conseguir resolver todos os problemas e por isso, só terá de dar o seu melhor. Poderá expandir-se do local ao internacional devido a outra estrela da sorte, Ban An (板鞍, ligada à viagem), que representa boas novas vindas do exterior, a permitir poder tomar a iniciativa de sair e conseguir boa cooperação, ganhando nome no estrangeiro.

Quando o nativo de Dragão se encontra no ano de Búfalo, em Po Tai Sui (destruído por o Deus do Ano), significa ocorrer de repente alguns danos, que apenas o assustarão, sem trazer outros problemas. A má estrela Juan She (卷舌) alguém a falar mal de si por trás, também pouca mossa fará, pois é só por inveja. Não importa como, é ano para a sua vida chegar a um novo patamar.

Amor: Será activo nas suas relações sociais, fazendo boas amizades. Os solteiros podem encontrar a cara-metade durante uma viagem, ou reunião, a trazer alento emocional e permitir revolucionar a sua vida e mesmo casar. Com uma forte personalidade, centrado apenas em si mesmo, as discussões são imparáveis, este o único senão, a não dar ainda este ano a perfeição aos nativos de Dragão.

Saúde: Por causa de estar num ano Po Tai Sui haverá hipótese de ter problemas de saúde e apesar de contar com inúmeras estrelas da sorte, será bom ir ao templo e fazer sacrifícios ao Deus do Ano. Pratique mais exercício físico, mas com menos intensidade e varie nos exercícios e movimentos dos membros. Relaxe e ouça música, ou leia um livro. Os nativos nascidos no Outono e Inverno devem usar mais a cor verde, assim como o vermelho ajudará a defendê-lo do Metal, ou a balançá-lo.

Os nativos de Dragão nascidos em:

1964 – Ano cheio de novos projectos e com muito bons comentários, colocando-o em posições de topo, levando a sentir-se muito orgulhoso de si mesmo.
1952 – Cheio de suporte, a carreira navega num mar sem ondas e os rendimentos não param. Espera-lhe uma vida feliz, com boa saúde.
1976 – Tem uma base firme e este ano terá muitas oportunidades para livremente criar, por isso precisa de agarrar a oportunidade e promover a sua imagem.
1988 – De repente, a mente abre e descobre-se em muitas coisas que não sabia e cheio de energia encontra novos significados. Com qualificado suporte e ajuda poderá criar o seu próprio negócio. Apenas não leve a extremos o trabalho, para não magoar a saúde.
1940 – Terá energia para acompanhar a vida social, que será intensa e continue a procurar o que gosta. Será um ano interessante.
2000 – Oportunidade para construir uma boa relação de amizade, a substituir a criada em competição e aprender a relacionar-se com os outros. Mergulhe no estudo para criar uma base de conhecimentos com alicerces mais profundos.

Serpente

Mesmo em situação difícil como foi o ano anterior, os nativos continuaram a ter um bom progresso na carreira. Este ano, os nativos de Serpente e Galo combinam-se com Búfalo por aliança dos três animais (San He), significando amizade entre eles e tudo se poderá realizar. Ano de muitas oportunidades, mas ao mesmo tempo cheio de desafios, pois quanto melhor é, mais complicadas serão as dificuldades. Ultrapassadas, pode aspirar a um lugar de chefia, ou ser o melhor na sua área. Chegar aí, dependerá como coopera com a outra parte, sendo a melhor solução, ganhar e dar a ganhar, representado no He. Levar o outro a perder, só para conseguir ganhar, é para quem se presta a aí cair.

Os nativos de Serpente sofrem este ano da influência da Estrela de Conflito Beligerante, 3 Jade (San Bi) a trazer disputas, alertando-o para alguém lhe quer fazer mal. Assim, ofereça sacrifícios ao Deus do Ano.

Carreira: Terá a estrela da sorte Hua Gai (华盖, protecção real) a representar boa carreira, mas para as mulheres empurra-as a ficarem sozinhas. Esta estrela quando aparece representa o Rei, significando continuar a comandar firmemente na sua área e tudo o que faz, dá-lhe mais poder. As duas estrelas da sorte, Guo Yin Gui Ren (国印贵人) e Fu Xing (福星, protectora, a limpar caminho) significam, ter apoio de oficiais poderosos no que realiza. A estrela Ci Guan (词馆, perfeitas palavras) dá-lhe eloquência numa clara mente e coloca as pessoas a acreditar em si. Daqui, estar ao seu alcance conseguir uma muito boa reputação, após se distinguir por mérito. Mas o sucesso nunca se consegue facilmente e assim, deve contar com uma das fortes más estrelas, Bai Hu (白虎, Tigre Branco), a representar, facilmente entrar em problemas, a poder levá-lo à justiça e ser julgado em tribunal. Mas mais sério será uma disputa com violência física, para magoar. Significa ser o seu adversário muito poderoso e se com quem necessita de negociar é um ser feminino, mais difícil se tornará a tarefa. Assim reúna à sua volta os amigos, para conseguir resolver o conflito. Já as más estrelas Da Sha (大 煞, grande acidente) e Fei Lian (飞廉, calamidade) representam algo imprevisto e inesperado a perturbar os seus planos, sendo apanhado não preparado.

Amor: Os nativos de Serpente são sempre bem vindos quando aparecem na vida social e muito activos nas associações a que pertencem. Mas com a sua áurea e estatuto de perfeição, os outros têm receio de ir ter consigo. A nativa de Serpente, demasiadamente poderosa, leva a existir entre o casal imensas discussões e o marido terá de ser muito paciente e condescendente, pois ela é o Rei.

Saúde: Evite discussões, de outro modo irá ficar em perigo. As grávidas devem tomar cuidados para não perderem o bebé. Muita atenção ao viajar e conduza com redobrada precaução. Os nativos nascidos no Outono e Inverno precisam de se resguardar em Maio e Setembro.

Os nativos de Serpente nascidos em:
1953 – São os melhores para este ano entre os nativos de Serpente na carreira e dinheiro e mesmo enfrentando algum problema, é ele facilmente resolvido.
1965 – Mesmo a dar o seu melhor, encontrará resistências e maus comentários, mas isso só o surpreende, não trazendo grande perigo devido às inúmeras ajudas com que pode contar.
1977 – Experimente fora da sua área de trabalho, pois é ano para investir em outras matérias e conseguir ganhar mais experiência, conhecimentos e dinheiro.
1989 – Ano em que estará muito ocupado por ter de tratar de tudo, sem ninguém a ajudar, mas mostrará talento nos resultados das suas criações. O ser feminino deverá ter mais cuidado com a saúde.
1941 – Vida social activa, apenas precisará de cautela com a saúde do corpo.

Cavalo

O passado ano teve grandes oscilações, entre alegrias a tristezas, mas no de Búfalo, os nativos de Cavalo estão de parabéns, pois são o primeiro dos doze animais. Libertar-se-á do freio e com rédea solta, tem prados para correr. Poderá controlar e decidir o que pretende fazer, mas lembre-se ao investir deverá providenciar o continuar seguinte.

O carácter dos nativos é de rectidão e falar sempre de frente e por isso, facilmente ofendem as pessoas sem intenção. Assim, aja com tacto e flexibilidade. Crie bases para o desenvolvimento futuro.

Carreira: De cliente, este ano passará a patrão devido às estrelas da sorte Zi Wei (紫微, promoção) e Long De (龙德, Dragão da Virtude), boas para a carreira. Aproveite e use bem esta boa sorte, pois só daqui a doze anos a voltará a ter tão forte. A estrela Tian Yi Gui Ren, (天乙贵人, edificar) é promissora para começar algo de novo, investir e fazer negócios, o que trará bastantes proveitos. Mas por outro lado, este ano o Cavalo está em Hai Tai Sui (magoado pelo Deus do Ano), a representar poder ter problemas devido a amigos. Isso não o levará a perdas, apenas ficar zangado. Também poderão ocorrer obstruções e resistências, devido às más estrelas, Bao Bai (暴败, mudança sem controlo) e Tian E (天厄, Catástrofe do Céu) e por isso, em tudo o que fizer deve dar espaço para poder retornar, não siga até ao fim quando vê o caminho a afunilar e então, já não há volta a dar. Pense duas vezes antes de tomar uma decisão e faça um plano geral e detalhado dos objectivos que pretende alcançar.

Amor: Está no seu meio, como peixe na água, feliz e com fortes emoções. A flor do amor já abriu para os solteiros, está na altura de colher a fruta, prognosticando uma vida familiar. Os casais viverão em harmonia.
Saúde: Por ser um ano em Hai Tai Sui, é fácil ter pequenos acidentes, sobretudo os idosos. Os nativos estão propensos a facilmente se irritarem e daí, precisar de relaxar e abrandar a sua velocidade. Tudo o que está ligado ao fígado (como os olhos, os braços e pernas) levará a não se sentir bem, procure exercícios físicos calmos para evitar problemas.

Os nativos de Cavalo nascidos em:

1954 – Chegarão a um novo patamar, mas o sucesso vem do suporte do seu grupo de trabalho e por isso, uma boa relação retira-lhe trabalho e com menos esforço obtém melhores resultados.
1966 – A carreira está como o Sol ao meio-dia, tudo o que fizer terá pessoas qualificadas a ajudar e sem obstáculos, conseguirá ganhos, tantos quanto esperava ter.
1978 – Os seus planos podem realizar-se e terá bom desenvolvimento. Cuidado, pois trabalha arduamente e precisa de tempo para descansar. Realize uma festa de aniversário para trazer boa fortuna ao ano.
1990 – Bom para iniciar o próprio negócio, mas melhor é encontrar um parceiro para cooperar.
1942 – Continua em firme posição e respeitado, com bons resultados financeiros. Pense abrandar o ritmo de vida e coloque a saúde em primeiro lugar.
2002 – Ano fácil, com tudo aplanado.

Cabra

Está em ano Chong Tai Sui, em oposição ao Deus do Ano. Prepare-se bem para aceitar as mudanças, pois este ano será de confronto entre dois poderes energéticos de cargas diferentes. Os nativos nascidos no Outono e Inverno, num gelado mês, ao entrar no ano de Búfalo o frio encontra Terra húmida e afecta-lhes a saúde. Os nascidos no calor da Primavera e Verão fazem balança com a Terra yin e encontram-se com algo novo, a levá-los a ver pelo outro lado. Essa mudança propicia o trocar de emprego, casa, ou de parceiro, mas a saúde deve ser a sua principal prioridade.

Carreira: Sem estrelas da sorte para ajudar e sem conseguir uma clara imagem do que está à frente, terá de ser paciente e tolerante com o que se lhe apresenta. Coloque as aspirações num ponto mais baixo e assim reconhecerá ser menos difícil o ano. De más estrelas conta com Da Hao (大耗, despender fortuna), que a nível financeiro pressupõe gastar mais do que ganhará, no entanto, se for a investir não haverá prejuízo. Lan Gan (阑干, barreira) revela o aparecer sempre problemas a necessitar de serem resolvidos e a má estrela Bao Wei (豹尾, fraude, batido pela cauda do leopardo) a significar, facilmente cair na armadilha e ser enganado, mesmo por amigos. Daí, faça um pé-de-meia, evite dar garantias e primeiro que tudo, proteja-se.

Amor: No ano Chong Tai Sui facilmente os nativos de Cabra entram em discussões, por isso use o amor e não argumentos para resolver as questões. O nada ocorrer são boas notícias.

Saúde: No início do ano deverá prestar sacrifícios ao Deus do Ano e meditar sobre as suas preocupações e anseios. Para segurança faça um exame de saúde. Ao movimentar-se deverá ter cuidado pois está propenso a cair, ou ter um acidente. Quem nasceu no Outono e Inverno deverá trajar com cores quentes (vermelhos e amarelos) e evitar o preto e cores frias, para conseguir mais fogo a equilibrar.

Os nativos de Cabra nascidos em:

1955 – A carreira não será fácil, mas consegue ter ajudas. Não se exponha, pois o resultado será o contrário do que pretende. Cuide da saúde.
1967 – Mudança é o ponto principal do ano e se não encontrar um caminho para seguir, não fique no antigo percurso, pois está propenso ao divórcio. Tente diversificar e terá surpresas.
1979 – Ano para aprender a lidar com as mudanças; seja mais activo e com mais vida social. Desenvolva os seus interesses pessoais. Cuidado ao conduzir e evite desportos de alto risco.
1943 – Ano sem problemas, com ganhos estáveis, mas cuidado com o que faz. Sentir-se-á muito sozinho e por isso, deverá juntar-se com amigos e abrir o coração.
1991 – Vai ser confrontado com enorme competição, por isso mantenha-se silencioso e trabalhe arduamente, degrau a degrau é o caminho. Uma boa e amistosa relação com as pessoas poderá ajudar a resolver muitas resistências e problemas.

Macaco

No ano transacto, os nativos de Macaco, mesmo em tempos de epidemia, conseguiram evoluir na carreira e para o ano de Búfalo as boas notícias continuam. Terá ajuda da estrela da sorte Yue De (月德, Virtude da Lua), estrela da Paz e Harmonia, a colocá-lo esplendoroso e com brilho, atraindo os amigos. Pela auspiciosa super estrela da sorte Tian Xi (天喜, Alegria Celeste) contará com muitas celebrações e cerimónias para festejar e daí a Felicidade. Mas não se esqueça ter cuidado em controlar os custos, válido tanto para a saúde como monetariamente, pois extremos prazeres levam a gastos que o arruínam e o põem a pedir. Será um ano feliz pois esta estrela transforma pequenos infortúnios em bons acontecimentos e é propícia ao casamento e para o relacionamento entre pessoas.

Carreira: Com a estrela da sorte Ban An (板鞍, sela) a significar viajar e negócios no estrangeiro, agora com um novo significado por se poder vender on-line os produtos no mundo inteiro. Assim a popularidade neste virtual meio leva-o ao sucesso. A estrela da sorte Tian Guan (天官, oficial do Céu) permite continuar a receber ajuda, mas não a suficiente para favorecer a sua carreira. A má estrela Xiao Hao (小耗, pequenos gastos) indica ter contas de pequenos montantes a pagar em muitos lados e se não controlar bem, entrará em insolvência. Isto é, a carreira leva-o a conseguir maior reputação, mas não favorece no dinheiro.

Amor: Com a estrela da sorte Tian Xi (天喜, Alegria Celeste) não importa se for casado ou solteiro vai ter eventos felizes, muitas celebrações familiares para festejar como nascimentos, casamentos e aniversários, mas tenha atenção às despesas e não gaste o que não pode.

Saúde: Cuidado com os problemas de intestinos e diabetes. Conta duas más estrelas, Yang Ren (羊刃, fio da navalha, cirúrgica) e a Shi Fu (死符, sinal de morte) e para reverter isso, deverá tomar especial atenção aos alimentos que ingere, como excessos de carne e marisco, fritos e grelhados. Tenha um horário regrado, coma a horas certas e durma cedo. Viva menos à noite e mantenha tranquilas as suas emoções, evitando conflitos e zangas. É a maneira de ganhar saúde.

Os nativos de Macaco nascidos em:

1992 – Contarão com a estrela da sorte Jin Yu Lu (金舆禄, grande fortuna) a favorecer a carreira e finanças.
1980 – Deve contar com um mar revoltado e o sentido da sua vida vai dar uma volta e mudar de direcção. Não trabalhará sozinho pois terá pessoas a ajudar. Não se esqueça, em tudo o que fizer a segurança é o mais importante.
1968 – As suas criativas ideias encontram este ano espaço para serem apresentadas. Não terá via rápida e por isso será degrau a degrau. Preste muita atenção à saúde.
1956 – Para este ano a sua evolução desenvolve-se ordenadamente e poderá gozar a vida, pois não terá nenhum problema a incomodar.
1944 – Se continua a trabalhar, terá possibilidade de desenvolver muito o seu negócio. Se está reformada, procure novos interesses, mantenha-se activo.
2004 – Com a mente clara, consegue facilmente aprender e torna-se um bom aluno.

Galo

O ano anterior não foi muito difícil, mas também nada fácil e para este, o Galo combina-se com Búfalo, o animal do ano, no grupo dos três amigos, conjuntamente com Serpente. Não será um ano simples, mas para onde for terá suporte e estará rodeado de amigos. Pode chamar vento e chuva, tal é o seu poder e a sua qualificação e talento colocam-no num ano perfeito.

Carreira: Glorioso ano pois conta entre as seis estrelas da sorte, três poderosas para a carreira, San Tai (三台, Carimbo), Ba Zuo (八座, promoção) e Hua Gai (华盖, protecção, pálio), conseguindo com a ajuda deste arsenal energético positivo atingir o topo na sua área. Para resolver os problemas e quebrar todos os obstáculos, as estrelas da sorte Tian Jie (天解) e Jie Shen (解神), a levá-lo a poder voar à altura que quiser. Com a estrela da sorte Lu Shen (禄神) ganha reputação e rendimentos. Mas deve contar com um número igual de más estrelas. Previna-se, pois há pessoas a querer enganá-lo, a fazer-lhe mal pelas costas, ou a levá-lo a tribunal e tal é devido às três más estrelas, Wu Gui (五鬼, Cinco fantasmas), Guan Fu (官符) e Fei Fu (飞符, más notícias). Já as outras três más estrelas, Huang Fan (黄幡, danosa notícia) Xue Ren (血刃, corte de lâmina) e Chen fu (沉浮, grandes oscilações) colocam-no muito em baixo, desanimado. Quanto mais responsabilidade, mais pressão na carreira, a fazer-lhe lembrar que o custo para ganhar a medalha de ouro é o de precisar passar por tudo isto.

Amor: Ajudado pela relação dos seus amigos, Búfalo e Serpente, a vida social dos nativos de Galo é activa e tal como gosta, é o centro das atenções. Tem a estrela da sorte Hong Yan (红艳, emoção e amor) a promover uma vida emocionante e feliz, e não importa se casado ou solteiro, leva-o a estar cheio de pretendentes. Uma enchente de relações e por isso, deve tomar cuidado e não torne o que é bom em maus momentos. Este ano, as nativas de Galo facilmente entram em discussões com os seus parceiros.

Saúde: Sob grande pressão no trabalho, os nativos de Galo entrarão este ano facilmente em depressão e por isso, devem controlar o temperamento, sobretudo no Outono e Inverno. Dentro de casa, na parte Noroeste não coloque objectos cortantes e a Sudoeste, ponha uma lâmpada vermelha para o proteger das más estrelas voadoras.

Os nativos de Galo nascidos em:

1993 – Conseguirão ter suportes qualificados e boas relações, contando com a admiração dos outros pelo seu talento. Para a carreira e dinheiro, é entre os nativos de Galo quem terá o melhor ano.
1981 – Conte com grande competição, que virá não só dos seus inimigos, como de alguns amigos. Terá de trabalhar duplamente para sair do redemoinho e atingir a sua meta. Tome mais cuidado com a saúde de um parente idoso. É bom realizar uma festa de aniversário para limpar as más energias.
1969 – Altura de mostrar em diferentes áreas o seu lado criativo, mas cuide da saúde.
1957 – Invista em diferentes áreas, o que lhe trará um novo rumo e pode mesmo empurrar um passo para a frente o seu antigo negócio.
1945 – Ouvirá muitas acusações criadas pelos seus detractores por inveja de si; não precisa de se zangar e quanto mais calmo se mantiver, mais facilmente os cala. Faça exercício físico para se manter em forma.

Cão

Sem as grandes mudanças do ano passado, a principal função dos nativos de Cão para este ano é servirem de meio para se fazer a ponte nas negociações, porque Cão (戌, Xu) é Terra yang, o que balança a Água e o Fogo, levando-as a não se combaterem. Conta com a super estrela da sorte Tai Yin (太阴), a representar boas relações sociais, pois combina bem yin e yang, transformando o negativo em situações positivas, a permitir criar um negócio com o seu parceiro oposto. Excelente para relações públicas, ou enviado da paz.

Carreira: Não precisará de trabalhar muito, apenas criar boas relações pois, as três más estrelas, Tian Sha (天煞), Gou Jiao (勾绞) e Cu Bao (卒暴) significam catástrofe proveniente do Céu, fora do seu controlo. Encontrará resistência de onde menos espera, que destrói os seus muito bem preparados planos, sendo à última hora cancelados, ou adiados. De facto, a gentileza do nativo de Cão leva a facilmente os outros acreditarem nele e o acolherem. Estenderá o seu social campo de amizade e abrirá a mente para novos temas e fora da competição, resolve problemas aos outros. Ganha e dá a ganhar. Será um ano confortável.

Amor: A estrela da sorte Tai Yin (太阴), a representar boas relações sociais, permitirá encontrar o seu amor. Os nativos solteiros terão de tomar mais iniciativa, o que trará agradáveis surpresas. Os casais estarão em harmonia e encontram prazer na vivência familiar. Passivo na carreira, a emocional vida permite aos nativos estar todo o ano como se fosse Primavera, cheio de felicidade e esperança.

Saúde: Este ano não contará com grandes problemas de saúde, apenas coisas leves como, questões de pele, ou dor de ossos e músculos.

Os nativos de Cão nascidos em:

1982 – Não precisarão de se preocupar com as finanças, pois nos anos anteriores capitalizaram, assim este será para relaxar e desfrutar da vida, já que nada poderá fazer quanto à carreira.
1994 – Terá possibilidade de ser promovido. Ano criativo com novas ideias, a ajudar a encontrar uma nova área de trabalho. Precisa de celebrar o seu aniversário.
1970 – Activo ano na vida social, encontrará novas funções e outras maneiras de trabalhar. Conte com muita competição e resistências. Prepare um plano de longa duração. Regresse ao seio familiar e terá boas surpresas.
1958 – As suas boas relações continuarão a evoluir, precisando apenas de se controlar na bebida e comida e não abusar da nocturna vida. Dê mais tempo ao exercício físico.
1946 – Ano para tentar manter o que tem e não procurar mudança. Evite investir onde ninguém se mostra interessado.

Porco

Se no ano passado deitou foguetes, este é para apanhar as canas. Após o ribombar da pólvora e o seu brilho ao rebentar, para os nativos de Porco este ano vem o silêncio e preferem isolar-se das outras pessoas. Siga a sua ideia e não aceite as sugestões, e mesmo trabalhando arduamente é fácil ser apanhado por tristes emoções. A vida complica-se e insatisfeito protesta. Tudo isto, devido à má estrela Sang Men (丧门, de má sorte), a dar más notícias, que muito o entristecem. Ano para aprender a deixar de ter negativas emoções, pois estas ainda mais atraem más novas.

Carreira: A estrela da sorte Tai Ji Gui Ren (太极贵人) significa ter alguém a ajudá-lo e Jin Yu Lu (金舆禄, grande fortuna), receber dinheiro não proveniente do trabalho, mas da sorte. As más estrelas, Da Hao (大耗, gastar fortuna) e Bao Wei (豹尾, ser apanhado pela cauda do leopardo), significam ter à frente muitos problemas, colocando-o perdido. Deverá ser paciente e não perder a serenidade, pois está na altura de saber temperar-se e não explodir emocionalmente. Mas muito positivo nos nativos de Porco é nunca desistirem. Perdido e sob pressão, até chegar ao fim não saberá se ganhou ou perdeu, pois às vezes, a desgraça traz razões que levam a vantagens.

Amor: Terá de cuidar mais dos familiares e mostre-se paciente e condescendente, abrindo o coração, pois numa sociedade tão agitada é preciso descomprimir. Coloque dentro de casa, na sala a Nordeste, uma flor aberta de pessegueiro, o que ajudará a melhorar as relações com as pessoas. Boas energias levam-no a atrair boas situações.

Saúde: Antes de tudo o mais, primeiro deve ir oferecer sacrifícios ao Deus do Ano, devido à má estrela Fei Lian (飞廉, imprevista calamidade), pois será um ano de grandes e fortes emoções, a não lhe permitir mente limpa e visão clara. Cuidado com o coração e poderá ter problemas de sangue e com a uretra. Quando não se sentir com vontade, melhor descansar, ouvir música, ler um livro e fazer exercício físico. Atenção especial aos meses de Abril, Junho e Agosto.

Os nativos de Porco nascidos em:

1983 – Ano no topo na carreira e rendimentos de entre todos os nativos de Porco. Se controlar as suas emoções continuará a ser ganhador.
1971 – Vai parecer-lhe ter uma vida simples, mas ganhará vitalidade e conquista profundidade. Procure abrir-se para uma activa vida social e encontre-se mais com os amigos. Para os nativos masculinos devem tomar cuidado com a saúde e acidentes.
1959 – Tem já uma boa posição e este ano não precisa de viver em competição, o que lhe falta e precisa é fazer exercício físico e manter-se com saúde.
1947 – Vida estável e não haver notícias é a melhor notícia. Se conseguir manter-se calmo encontrará a Felicidade.
1995 – Se mantiver o que tem, já está a ganhar. Expectativas maiores é apenas para chamar problemas e meter-se em trabalhos, arriscando a sofrer maldosos comentários e apreciações.

Rato

No ano passado os nativos de Rato estavam em Zhi Tai Sui (confronto com o Deus do Ano) e daí terem ocorrido grandes mudanças, mas este ano encontra-se num grande barco sentado a pescar, pois Rato e Búfalo são um dos seis pares de animais que combinam (Liu He). Normalmente receosos, no ano de Búfalo a química que ocorre aos nativos de Rato leva-os a ficar mais confiantes e seguros, tornando-se corajosos. Terá as estrelas da sorte, Wen Chang (文昌), Deus dos Letrados) a levá-lo ao estudo, em especial à cultura e artes e Tian Chu (天厨, Cozinha do Céu), a permitir dedicar-se a ser cozinheiro e aperfeiçoar e saborear boa comida. Terá boas mudanças, tornando-se popular.

Carreira: A super Tai Yang (太阳, a estrela Sol) significa cheio de energia e se a colocar em tudo o que faz, nada nem ninguém o conseguirá deter. A estrela da sorte Yu Tang (玉堂) leva a ter suporte de pessoas competente a ajudá-lo a atingir uma alta posição, colocando-o como pessoa mais respeitável, a quem se presta homenagem. Ban An (板鞍, sela), a boa estrela de viagem, representa terem os nativos de Rato a possibilidade de desenvolver os negócios com o estrangeiro, ou emigrar, ou investir no comércio on-line. Tudo o que fizer terá sucesso. Já a má estrela Tian Kong (天空, Vazio Céu) leva os nativos a muito pensar e mesmo assim, não conseguir tomar uma decisão, mas tal não trará problemas à carreira. Ano para criar a sua própria marca, que aparecerá como poderosa imagem.

Amor: Especial para os nativos de Rato solteiros, pois facilmente irão descobrir a pessoa certa para se juntar, casar e ter filhos. A melhor altura para celebrar o casamento é no oitavo mês lunar. Quanto aos casados, muitas são as pessoas a sentirem-se atraídas por si, mas deverá transferir essa relação para o campo da amizade, a permitir ajudar na carreira, levando a muitas surpresas.

Saúde: A boa energia da estrela Tai Yang (太阳, Sol) coloca-o a sentir-se mais novo e traz-lhe boa saúde. Quem nasceu no Outono e Inverno deve nos meses de Maio e Novembro tomar cuidado ao nadar no mar, viajar de barco e em todos os desportos aquáticos. Os nativos de Rato ao sentirem-se doentes, devem vestir-se com roupa vermelha.

Os nativos de Rato nascidos em:

1972 – Terão um ano perfeito, não precisando de trabalhar arduamente para ganhar aplausos. Na carreira e nos rendimentos este ano será o melhor de todos os nativos de Rato.
1984 – Tudo seguirá a direcção que planeou, será promovido e a sua carreira entra num novo patamar. Terá possibilidade de comprar casa e abrir uma companhia.
1996 – Preste especial atenção ao desenvolvimento da sua carreira, pois conseguirá uma excelente resposta e com a ajuda de uma pessoa competente terá um futuro brilhante.
1960 – Uma activa vida social coloca-o cheio de amigos. Este ano com uma nova ideia terá hipóteses de arranjar um novo emprego, o qual já estava interessado, mas é apenas para trabalhar e não querer logo ser materialmente recompensado.
1948 – Vai ter um novo projecto e isso levará a uma mudança, sendo o trabalho completamente diferente do que até então já fez. Deite fora o antigo e invista no novo. Tal levará a ter de trabalhar muito, mas não estará só, pois será ajudado e lembre-se de o equilibrar com descanso.

Deixamos aqui votos de um Feliz Ano Novo – San Lin Fai Lok, em mandarim Xin Nian Kuai Le, e sobretudo com muito Boa Saúde – 身体健康 (Sun Tan Kin Hong, em mandarim Shen ti Jian Kang).

Governo renova concessão de dois terrenos à Diocese de Macau para fins educativos

O Governo atribuiu uma nova concessão, sem concurso público, de dois terrenos à Diocese de Macau para que esta possa manter as escolas Dom João Paulino e o infantário de Nossa Senhora do Carmo, na Taipa, bem como as escolas de São José e D. Luís Versíglia, na povoação de Ká-Hó, em Coloane

 

O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, assinou dois despachos, ontem publicados em Boletim Oficial (BO), que dão conta da concessão de dois terrenos à Diocese de Macau para fins educativos. Um dos terrenos está localizado junto à avenida Carlos da Maia, na Taipa, e destina-se a “manter construídas a creche e a escola particular dedicadas à educação regular”, estando estas “integradas no sistema de escolaridade gratuita”. As instituições de ensino são a Escola Dom João Paulino e o infantário de Nossa Senhora do Carmo.

A 9 de Agosto de 2019 foi declarada a caducidade da concessão gratuita, por arrendamento, do referido terreno. No entanto, a 25 de Julho do mesmo ano a Diocese de Macau já tinha solicitado a concessão gratuita do terreno, pedido que mereceu o parecer favorável da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). A DSSOPT entendeu que a Diocese de Macau “reúne as condições para que lhe seja atribuída uma nova concessão gratuita”, além de que “a concessão solicitada visa manter as instalações escolares particulares existentes no terreno, dedicadas à educação regular e integradas no sistema escolar de escolaridade gratuita”.

Terreno em Ka-Hó

O segundo terreno também concessionado à Diocese de Macau fica situado na Estrada de Nossa Senhora de Ká-Hó, em Coloane, onde funcionam a escola de S. José de Ká-Hó e escola D. Luís Versíglia. O pedido para uma nova concessão foi feito a 1 de Junho de 2017, tendo em conta que terminou o prazo de 25 anos “sem que a concessionária tivesse requerido oportunamente a renovação da concessão”.

A DSSOPT voltou a dar um parecer favorável a uma nova concessão gratuita por arrendamento, processo esse que foi analisado pela Comissão de Terras a 12 de Novembro do ano passado.

Governo espera entre 16 a 20 mil visitantes diários no Ano Novo Chinês

Helena de Senna Fernandes, directora dos Serviços de Turismo, disse ontem que o Executivo espera uma média diária de 16 a 20 mil pessoas nos sete dias do Ano Novo Chinês, num total de 100 mil pessoas. Quanto às previsões do número de turistas para este ano, a responsável falou de seis a dez milhões de pessoas, um valor abaixo dos 14 milhões de turistas previstos no Orçamento

 

Com a campanha de vacinação contra a covid-19 a arrancar em Macau e em outros lugares do mundo, e com as autoridades chinesas a desaconselharem viagens para o exterior, os números do turismo vão continuar a ser tímidos face ao boom registado nos anos anteriores.

Ontem, na Conferência Anual do Turismo, Helena de Senna Fernandes, que lidera a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), disse prever uma média diária de visitantes nos sete dias do Ano Novo Chinês entre as 16 e 20 mil pessoas, num máximo de 100 mil pessoas nesse período. “Parece-me difícil atingir o número total de 200 mil [pessoas]”, disse à margem do evento.

“Em Janeiro houve poucos dias onde se ultrapassaram as 20 mil pessoas por dia. No interior da China as autoridades estão a aconselhar as pessoas a não saírem da sua província, e a nossa perspectiva é a de um Ano Novo Chinês com menos visitantes”, frisou.

Sobre a taxa de ocupação hoteleira, a responsável explicou que está nos 30 por cento entre hoje e até à próxima quarta-feira, dia 17, dados relativos a esta terça-feira. “Nos hotéis de 3 e 5 estrelas é melhor, a taxa é superior a 30 por cento. Nos estabelecimentos de 1 ou 2 estrelas e pensões, a situação é pior, [a taxa de ocupação] não chega aos dois dígitos.”

Helena de Senna Fernandes destacou o facto de muitos residentes optarem por passar os feriados do Ano Novo Chinês em hotéis. “Da nossa parte encorajamos isso porque também ajuda o sector.”

Em relação às previsões de visitantes para este ano, Helena de Senna Fernandes garantiu que não irá além dos dez milhões de turistas. “Gostávamos de ter dez milhões, mas a nossa estimativa é entre seis a dez milhões. Esperamos que após a pandemia a situação volte à normalidade, porque o ano passado recebemos 5,9 milhões de pessoas.”, disse. De frisar que o Orçamento para 2021 previa a vinda de 14 milhões de turistas.

“Tudo depende do começo da vacinação e de como vão ser as exigências para as fronteiras. Só aí é que conseguiremos ter uma visão mais correcta do número de visitantes. Com os números de Janeiro não vemos a possibilidade de um aumento grande do número de turistas este ano”, disse Helena de Senna Fernandes que espera, no entanto, um melhor cenário no segundo semestre.

“Talvez na segunda parte do ano [a situação] seja melhor, porque só com 60 por cento das pessoas vacinadas haverá uma protecção alargada, segundo sei. Antes de relaxar qualquer controlo das fronteiras temos de ter uma grande proporção da população vacinada.”

Novas excursões

Depois do lançamento do programa de excursões locais intitulado “Vamos! Macau!”, a DST está a ponderar criar o programa “Macau Ready Go”. “Podemos lançar um novo programa e não uma réplica do antigo. Estamos a conversar com o sector e a pensar em possíveis alternativas. Nós, residentes, podemos não aceitar que nos ofereçam exactamente o mesmo produto antigo sem qualquer alteração.”

Relativamente às agências de viagens, funcionam actualmente 217, sendo que 13 fecharam portas o ano passado e quatro abriram. A directora da DST não soube precisar o número de trabalhadores despedidos, nem sequer no seio dos guias turísticos, uma vez que a maioria trabalha em regime freelance. No início da pandemia houve 33 hotéis que pediram para suspender a sua actividade devido à falta de turistas mas entretanto já abriram portas.

José Tavares garante que IAM está preocupado com mortes de gatos

Após terem sido encontrados seis felinos mortos no Iao Hon, que eleva o número de gatos massacrados para onze desde Dezembro, o Governo sublinha que está empenhado na luta contra os crimes de violência que visam animais

 

O presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), José Tavares, garante que o organismo está a assumir todas as responsabilidades no caso do surgimento de seis corpos de gatos no Iao Hon. O caso foi denunciado pela ANIMA, em duas situações diferentes, nos últimos dias.

“É uma preocupação do IAM e logo na primeira instância colaborámos com o Corpo de Polícia de Segurança Pública para começar as averiguações”, disse José Tavares sobre o caso. “Na primeira denúncia foram detectados três corpos, mas afinal eram mais. Quando fomos ao local na segunda vez, os restantes corpos já estavam muito deteriorados. Tentámos recolhe-los e fizemos uma análise. Mas tudo foi entregue à polícia para fazer uma investigação mais a sério”, acrescentou.

Segundo os resultados da autópsia aos corpos encontrados não foram detectados vestígios de envenenamento que expliquem as mortes felinas.

Aos seis corpos encontrados no Iao Hon junta-se um outro caso que aconteceu no Edifício Jardins do Oceano, onde foram cinco gatos terão sidos atirados pela janela por um dos moradores. O caso só foi relatado quase um mês depois de ter acontecido, o que prejudicou a investigação uma vez que as autoridades nunca encontraram os corpos.

Apelo a denúncias

Face a este contexto, o presidente do IAM apelou às pessoas para que denunciem as situações de abusos, e prometeu que o Governo vai actuar contra os crimes. “As pessoas têm que ter uma sensibilização e qualquer acto que considerem esquisito deve comunicá-lo. Os animais não falam, por isso as pessoas têm de interagir e colaborar connosco. Só podemos actuar através de denúncias”, atirou.

Na conversa com os jornalistas sobre os dois massacres de gatos, Tavares defendeu ainda a actuação Governo e negou que não haja vontade para punir os infractores à lei da protecção animal.

“Temos sempre a vontade de punir [os infractores]. Temos dezenas de acusações do ano passado, não ficamos de braços cruzados. Houve condenações e multas, não muito graves, mas foram aplicadas de acordo com a lei”, sustentou.

Além dos seis gatos encontrados mortos no Iao Hon, entre os quais estava uma gata grávida, a ANIMA procedeu igualmente ao resgate de outros sete felinos vivos, que foram levados para o abrigo da associação.

Orçamento para eleições legislativas cortado para 50,8 milhões de patacas

A Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa vai seguir as políticas de austeridade e reduz 5 milhões de patacas no orçamento para a eleição de 26 deputados

 

O orçamento para as eleições legislativas deste ano vai ter uma quebra de 8,5 por cento para 50,8 milhões de patacas, em consonância com a política de austeridade adoptada pelo Executivo. O anúncio foi ontem feito pelo presidente da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL), Tong Hio Fong, após uma reunião de trabalho.

“O orçamento é de 50,8 milhões de patacas, com uma redução de 8,5 por cento face à ultima eleição [de 2017]. Queremos seguir as políticas de poupança”, afirmou. Tong. “Tentámos cortar nos trabalhos desnecessários para poupar nas despesas. Além disso, vamos utilizar equipamentos e recursos antigos, que podem ser reaproveitados, como computadores, porque não queremos desperdiçar os recursos”, acrescentou.

Na eleição de 2017, em que também foram eleitos 14 deputados pela via directa e 12 pela indirecta, o orçamento foi ligeiramente superior a 55 milhões de patacas.

Na conferência de imprensa de ontem da CAEAL foi igualmente feito um ponto da situação sobre os trabalhos desenvolvidos até ao momento. A pensar na pandemia, a CAEAL explicou como vão decorrer as acções de campanha e as aglomerações para votar.

“Caso a situação se mantenha estável, todas as medidas vão ser semelhantes com as que temos actualmente. Por exemplo, se forem organizadas actividades de campanha ou mesmo no acto de votação, as pessoas têm de utilizar a máscara, tem de haver medição de temperatura e as pessoas têm de utilizar desinfectante nas mãos”, explicou.

Sobre a existência de um plano B, para a eventualidade de haver um agravamento da situação, o presidente da CAEAL apontou que a comunicação com os Serviços de Saúde de Macau vai ser permanente.

Pequenos-almoços em estudo

Um dos episódios que marcou as eleições do ano passado foi a oferta de pequenos-almoços com apelos ao voto na lista número 2, na altura denominada União Promotora para o Progresso, que elegeu o deputado Ho Ion Sang, ligado aos Kaifong.

Tong Hio Fong foi ontem questionado sobre se este tipo de práticas seria permitido durante o acto eleitoral deste ano e o também juiz explicou que o Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) ainda está a fazer estudos sobre as instruções a emitir para estas situações. Em 2017, considerou-se que não foi cometida qualquer ilegalidade.

“Discutimos o assunto com o CCAC e que nos indicou que vai acompanhar este assunto e que vai fazer estudo”, respondeu Tong.

Esta semana soube-se ainda que uma candidata das eleições de 2017 foi condenada com uma pena de quatro anos de prisão suspensa por não ter retirado do facebook publicações vistos como “material de campanha” durante o período de proibição. Sobre a decisão, Tong limitou-se a dizer que foi “tomada de acordo com a lei”.

Eleições | Fotografia de Josie utilizada para atacar o pai e deputado Ho Ion Sang

O que era para ser um simples publicação numa rede social desencadeou uma série de paródias e rumores contra Ho Ion Sang. O analista Larry So acredita que o deputado dos Kaifong está a ser vítima de uma “campanha negra” típica das eleições

 

Josie Ho, filha do deputado Ho Ion Sang, colocou uma fotografia na rede Instagram a promover a abertura da primeira loja da Lego em Macau. Mas, o que parecia uma publicação de uma “influencer” local sem consequências, desencadeou uma onda nas redes sociais, que está a servir para visarr o deputado apoiado pelos Kaifong.

Foi este mês que a loja da Lego abriu as portas num casino local, onde Josie Ho trabalha como assessora. Após a abertura, a cantora que integra o grupo MFM, com o macaense Adriano Jorge, fez uma publicação sobre o espaço em que aparecia a segurar um produto da marca dinamarquesa. No entanto, o caso fez com que surgissem imediatamente rumores apontar que Josie teria utilizado o seu cargo como assessora para aceder a ofertas grátis da marca, que de outra forma não teria recebido.

Os rumores ganharam força e as ligações familiares de Josie levaram a várias paródias políticas nas redes sociais, que visam Ho Ion Sang. Numa das imagens mais populares do denominado “Lego Gate”, o internauta é mesmo desafiado a escolher o seu pequeno-almoço Lego favorito, numa alusão a um dos casos das eleições de 2017, quando a lista 2, de Ho, terá oferecido refeições com apelos ao voto.

Só que os desenvolvimentos não se ficaram pelas paródias, e as últimas alegações anónimas, e sem qualquer tipo de imagens de conversações que as substanciem, apontam para ameaças de processos à divulgação da história.

Na sequência do sucedido, o HM tentou ouvir Ho Ion Sang sobre o caso e a forma como estava a ser visado, apesar de não ter tido qualquer intervenção no caso. Porém, o deputado limitou-se a responder que não estava a par do sucedido.

Magia Negra

Se por um lado, a situação não tem qualquer ligação com as actividades políticas de Ho, por outro, não é de excluir que estas situações se repitam, até com outros candidatos, porque estamos em ano de eleições. É esta a opinião do analista Larry So, que inclusive fala em “campanha negra”.

“Estamos numa altura em que vai haver mais ataques a potenciais candidatos às eleições porque estamos a seis ou sete meses do dia das decisões. Este vai ser o tópico principal do ano para diferentes grupos de pessoas, principalmente as mais activas na política”, afirmou So. “Estamos numa altura em que se discutem e se falam das listas candidatas. Por isso, é normal que grupos de candidaturas opostas comecem a fazer campanha e a adoptarem tácticas para causar danos na imagem dos adversários”, acrescentou.

Para Larry So, a utilização de “memes” e outras formas de comunicação mais próximas de um eleitorado jovem a visar Ho Ion Sang também não surpreendem. “O senhor Ho faz parte dos Kaifong, um grupo com um forte apoio de uma geração mais idosa. As gerações mais novas [que usam este tipo de formas de comunicação] preferem outro tipo de associações, têm uma certa distância das forças que percepcionam como mais tradicionais, conservadoras e envelhecidas”, justifica.

O analista considera ainda que o que está a acontecer com Ho Ion Sang tem sido igualmente utilizado para visar outros candidatos, mesmo com cores diferentes. Um dos exemplos apontados por Larry So foram as informações que visaram Au Kam San, que em 2017 foi acusado de ter tido um caso com uma estagiária. A relação nunca foi provada, e num vídeo apenas se via os dois a entrarem e saírem de um gabinete. “Quando pensamos nas Eleições Legislativas, tem havido sempre o recurso aos ‘conteúdos negros’. É uma forma que contribui para chamar a atenção dos eleitores e passar a mensagem que um certo candidato está longe de ser ideal e focar os aspectos que são vistos como negativos nesse mesmo candidato”, explicou.

Face a este contexto, e pensado nos próximos meses, Larry So acredita que o episódio tem potencial para se repetir nos próximos tempos e com outros candidatos: “Antes de sabermos que vão ser os candidatos e vamos ouvir muitos rumores sobre os nomes escolhidos e vai haver acções de campanha negra. O que estamos a assistir é um prenúncio para que vamos ver nos próximos meses”, conclui.

Alterações Climáticas | Cumprir Acordo de Paris poderia salvar milhões de vidas, diz estudo

Um estudo da Lancet estima que cerca a morte de mais de 10 milhões de pessoas pode ser evitada se as metas estabelecidas no Acordo de Paris forem alcançadas. A investigação, que tem como horizonte temporal 2040, teve por base um leque de países que representam metade da população mundial e 70 por cento das emissões de gases com efeito de estufa

Com agências

 

Milhões de pessoas poderiam ser salvas em cada ano se os países aumentassem as medidas para cumprir os objectivos do Acordo de Paris e impedir o aquecimento global, indica um estudo divulgado ontem, que tem 2040 como horizonte.

O estudo é da responsabilidade da revista científica britânica Lancet, através da iniciativa “Lancet Countdown on Health and Climate Change” (Contagem decrescente em Saúde e Alterações Climáticas), e foi publicado ontem no boletim “The Lancet Planetary Health”.

De acordo com o documento, a adopção de políticas que deem prioridade à saúde e que sejam consistentes com os objectivos do Acordo de Paris, de impedir que as temperaturas globais não subam mais de dois graus em relação à época pré-industrial, e de preferência menos de 1,5 graus celsius, poderiam salvar vários milhões de vidas até 2040 em nove países.

Nos cálculos dos investigadores poderiam ser salvas 6,4 milhões de pessoas através de melhor alimentação, 1,6 milhões conseguindo ar mais limpo e 2,1 milhões promovendo o exercício físico.

Os países considerados para o estudo – Brasil, China, Alemanha, Índia, Indonésia, Nigéria, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos – representam metade da população mundial e 70 por cento das emissões de gases com efeito de estufa (GEE).

Segundo o Acordo de Paris, sobre redução de emissões, todos os países devem apresentar as suas contribuições nacionais (NDC, Nationally Determined Contributions) para a redução de GEE e limitar o aquecimento do planeta.

Essas NDC deviam ser actualizadas antes da próxima cimeira do clima (COP26) prevista para 2020, mas adiada para este ano devido à covid-19. Até agora, muitos países, incluindo seis do grupo dos nove em estudo, ainda não actualizaram as NDC (actualizaram 39 países e a UE), sendo que, notam os autores, com as actuais metas há o risco de a temperatura aumentar mais de três graus.

Como pão para a boca

Ian Hamilton, director executivo da “The Lancet Countdown on Health and Climate Change”, diz, citado no estudo, que os benefícios para a saúde de políticas climáticas ambiciosas têm um impacto positivo imediato, e acrescenta que “existe uma oportunidade de colocar a saúde na vanguarda das políticas relativas às alterações climáticas para salvar ainda mais vidas”.

Sustentado nos resultados do estudo, Hamilton argumenta que cumprir as metas no Acordo de Paris não só previne a morte prematura de milhões de pessoas todos os anos, como eleva a qualidade de vida e a saúde das populações.

Os autores do estudo fizeram estimativas tendo em conta as emissões de GEE geradas pelos sectores da energia, agricultura e transportes, as mortes anuais devidas à poluição atmosférica e factores de risco relacionadas com a dieta e inactividade física. E usaram três cenários diferentes, um com as actuais políticas decorrentes das NDC em vigor, outro cumprindo o Acordo de Paris e outro que analisa os benefícios adicionais de incorporar no segundo cenário objectivos de saúde explícitos.

“Os benefícios para a saúde do reforço dos compromissos das NDC são gerados tanto através da mitigação directa das alterações climáticas como através do apoio a acções para reduzir a exposição a poluentes nocivos, melhorar as dietas e permitir uma actividade física segura”, diz-se no documento.

Seguindo a linha orientadora da Organização das Nações Unidas (ONU) para Alimentação e Agricultura, o estudo da Lancet traça uma clara relação entre dieta alimentar e ambiente. Colocando o foco no aumento do consumo de fruta, vegetais e legumes, e na diminuição da carne vermelha e comida processada, a saúde das populações e do planeta sai a ganhar. A agência das Nações Unidas aponta que a produção industrial de carne e produtos lácteos contribui com 14,5 por cento das emissões globais de carbono. Face a esta dimensão, mesmo uma pequena diminuição no consumo global de carne tem um efeito considerável na saúde e nas emissões de gases com efeito de estufa.

O mau caminho

E apesar de dizerem que alguns países reforçaram as suas ambições em termos de redução de emissões de GEE, alertam que mesmo assim, com base nesses anúncios de compromissos, “o mundo ainda não está no bom caminho para cumprir os objectivos do Acordo de Paris e enfrentaria 2,5 graus celsius de aquecimento até final do século”.

O “Lancet Countdown on Health and Climate Change” é uma colaboração internacional para uma visão global da relação entre a saúde pública e as alterações climáticas e junta mais de 120 especialistas em diversas áreas, publicando todos os anos um relatório.

O estudo “The Lancet Planetary Health” é publicado num momento oportuno na agenda global do ambiente. A cidade escocesa de Glasgow acolhe em Novembro a 26ª Conferência das Alterações Climáticas da ONU, o que faz com que os países signatários do Acordo de Paris tenham apenas alguns meses para actualizar e rever as suas contribuições nacionais para a redução de emissões.

Num comunicado, citado pela CNN, a ex-directora da Organização Mundial de Saúde Margaret Chan teceu um comentário ao estudo da Lancet, referindo que “no fim de contas, populações mais saudáveis serão mais resilientes face a crises de saúde pública”.

“Os resultados do estudo providenciam um incentivo extra para os líderes mundiais respeitarem os seus compromissos ambientais, mas também para que as metas ambientais sejam alinhadas com os objectivos de saúde nos planos de recuperação da pandemia de covid-19”, afirmou Margaret Chan.

Época das alergias cada vez mais longa e intensa

As alergias sazonais são cada vez mais prolongadas e intensas devido às alterações climáticas, revela um estudo divulgado esta semana, da autoria de uma equipa de investigadores da Universidade de Utah, Estados Unidos.

Os cientistas concluíram que a época de maior concentração de pólen dura actualmente mais 20 dias e tem 21 por cento mais pólen do que em relação a 1990.

Liderados por William Anderegg, da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Utah, os investigadores descobriram que as alterações climáticas causadas pela actividade humana desempenharam um papel significativo no prolongamento da ‘estação do pólen’ e que também têm um efeito no aumento da quantidade de pólen. “A forte ligação entre o tempo mais quente e as estações do pólen fornece um exemplo cristalino de como as alterações climáticas já estão a afectar a saúde das pessoas em todos os Estados Unidos”, disse William Anderegg a propósito da investigação, publicada na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of América”, a publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

A equipa compilou dados medidos entre 1990 e 2018, a partir de 60 estações de medição do pólen nos Estados Unidos e no Canadá. E através desses números concluiu que houve um aumento da quantidade de pólen e que este começa a ser produzido 20 dias mais cedo do que em 1990, o que indica que o aquecimento global está a alterar o calendário interno das plantas (fenologia). E ao dividir os anos do estudo em dois períodos, 1990-2003 e 2003-2018, os investigadores descobriram também que a contribuição das alterações climáticas para o aumento da quantidade de pólen esta a acelerar.

As alergias ao pólen transportado pelo ar podem provocar desde um simples incómodo a infecções nas vias respiratórias.

A linguagem esquecida dos móveis

Santa Bárbara a pensar nas Janelas Verdes, Lisboa, domingo, 31 Janeiro

Ícone patético, «Ecce Homo» mantém-se enigma fulgurante. O seu criador (chamam-se mestre) é desconhecido e conhecem-se umas quatro variantes, nisso se perdendo a ideia peregrina de original ou cópia. Os veios da madeira permitiram datações mais aproximadas de uma realidade que até interessa pouco. No rectângulo não está uma representação de Cristo, cumprida a via-sacra, instantes antes da crucificação. Um ícone tem a potência de evocar o que representa, ali manifesta-se uma forma de santidade. Uma presença. A banalização da palavra tornou-a emblema, quando muito símbolo. Assim como patético na correnteza da língua deixou algures de ser móvel de afectos, algo tocante, que provoca dó, piedade, tristeza.

Neste umbral entre o humano e o divino, encontra-se a inteireza do indivíduo. Os olhos ocultos pelo panejamento branco permitem que cada qual neles se reveja. A humana condição: sangrada por espinhos que tudo atravessam, a pele como pano sobre o esqueleto marcada pelos castigos, as mãos atadas ao pescoço, agir e respirar presos na escravidão de desígnios indomináveis. Os lábios assentes em extrema tranquilidade. Afinal, levanta-se no horizonte a possibilidade solar da auréola, a escapatória do sagrado ao alcance do homem comum. Esta promessa da alegria não se detecta com facilidade. Exige a nudez da entrega.

A exposição «Almada Negreiros e os painéis», a cargo do Simão [Palmeirim], revelou dois extraordinários originais do mestre conhecido. Um aplica a trama de fios leitores ao «Ecce Homo», em recriação inesgotável na minúcia. O outro (aqui na página) diz-se estudo geométrico e revela sem cessar a essência. Ondas concêntricas nascem de 9 círculos, tantos os meses da gestação, a multiplicação por três das sagradas trindades, por exemplo, Pai, Filho e Espírito Santo. «Ecce Homo» cumpre jornada que abre para o infinito. Como pedras atiradas ao lago dos nossos dias, as ondas continuam a reverberar. Não nascemos para sofrer.

Santa Bárbara, Lisboa, quarta, 4 Fevereiro

Ao que parece, existe em papel e tudo a versão polaca de «Salazar, Agora na hora da sua morte», novela de sombras e fogos-fátuos que compus com o querido Miguel [Rocha], de quem tenho imensas saudades, avivadas agora com estes trânsitos. Ninguém como ele extrai dos cardos matéria de nos encher de alegria. O objecto, que atravessa uma Europa a passo de caracol, está a ter fortuna crítica, dizem. A ponto de suscitar viagens que parecem o horizonte: quanto mais nos aproximamos, mais elas se afastam. O que chegou, entretanto, foi a altura de reeditarmos esta ida com volta ao esqueleto do armário, isto é, às ossadas do fantasma que se imaginou nação. Pensou-se encarnação de país, mas estava só com a sua arrumadinha esterilidade. Aquela nossa visão encheu-se de cadeiras de todas as formas e feitios. O poder não conhece descanso, apenas desânimo.

Santa Bárbara, Lisboa, sábado, 6 Fevereiro

Com o esvair da luz na tarde chuvosa veio-me estranho desejo de mobiliário, desconfio que suscitado por ter plantado raízes no sofá. Encontraria conforto no mero beneficiar da madeira, cheiro e aparas, a visão do caos a arrumar-se. Assalta-me com tudo, entalhes e cola branca, determinado objecto, reflexo no corpóreo da mais gasosa abstração: uma mesa. Desde que sem utilidade, anã e desnivelada, feita de restos e de madeiras diversas, descomposta, mas capaz de se encher de gavetas e compartimentos ocultos. E que se tenha de pé.

Santa Bárbara, Lisboa, domingo, 7 Fevereiro

Esta atenção diária às nuvens, a partir da colheita do João Francisco [Vilhena], por vezes do próprio dia, com enorme variante na proximidade à mais fantasiosa imagem do real, tem produzido irónico desacordo. Na vez de proporcionar escape, marca-me com o ferrete do concreto, lembrete do irresolvido que se acumula. A suposta leveza ganha corpo de âncora, a jaula está feita de transparência. Mas o jogo tem de continuar. Apesar de tudo, é momento consumido na liberdade mais absoluta, ainda que a melancolia ou o absurdo, velhos parceiros, insistam em sentar-se à mesa. A perspectiva dispersa-se pelas mais variadas direcções, muita vezes para o miolo das palavras e a iridescência dos sentidos, mas nunca se dirigiu às nuvens. Ao vigésimo terceiro dia, o saque do fotógrafo apresentava-se épico e resolvi levantar os olhos, encontrando estampada ali a justificação para o que vamos fazendo. Não foi dado a ler nas entregas quotidianas, por estar fora de tom, a olhar para onde não devia Os manifestos trazem a língua de fora na mania de se anunciarem tonitruantes. 
«Sinais minúsculos nas dobras da pele, as asperezas fazem parte. Pedem toques no panejamento que tornem cabal a experiência do ver. E daí alcançar a soma, o complexo. Do micro ao macro, estão como nas velhas fotografias sem fazer nada. Ao óculo parece-lhe ter capturado o momento, fixou-o no âmbar do olhar. Mas desassossegado. No coração da aparência revolvem-se lavas abrasadoras, fossas abissais, alísios, suões. Os sucessivos cambiantes locomovem-se sobre a sua própria irrequietude, mastigando-se na potente auto reflexividade, o sépia da memória aconchegando-se à epiderme do negro que contém tempestades, um quase branco a deixar-se brilhar nas ascendentes passagens de tom. Tecidos esculpidos em mármore. Análogo se está desenrolando com o peso, pinceladas de preto agravadas no baixo, âncoras pardas, que não evitam o drapejar das massas logo acima. Logo será distinto e de igual e feliz modo indiferente, inútil, mas por agora acontece uma inesgotável meditação acerca da vizinhança. Dos corpos, dos seres, até das palavras. E da pele, poroso passadiço, senhora da proximidade, movediço miradouro de ver ao perto. As nuvens indicam em contínuo o lugar do observador, o da conversão. Uma exigência de entrega plena ao ficar. Pairando, se for o caso. Absorvendo até à saciedade, tão só existindo, pulsando, emitindo-se. Ignorando-se por completo de modo a ser inteiro.”

Churchill não virá hoje jantar

“If you’re going through hell, keep going.”
Winston Chuchill

 

Foi numa dessas tardes de chuva, ainda antes da ordem de reclusão e quando o ócio nas ruas ainda não estava proibido. Com tempo a meu favor decidi dedicar-me a uma das minhas actividades preferidas: deambular entre livros. Aconteceu numa dessas livrarias que se encontram nas estações de metro lisboetas e que reúnem exemplares que são restos de colecções, best-sellers que nunca se venderam, livros de auto-ajuda semi-clandestinos e, para o caçador atento, algumas pérolas a preço extremamente convidativo.

A caça ao livro é um desporto onde a sorte, a perspicácia e a paciência têm de estar juntas. Sobretudo em lugares como este de que vos falo: há muita oferta mas na realidade muito pouca coisa interessante. Mas há: e nesses casos o olhar treinado e algumas obsessões temáticas ajudam a separar o trigo do joio. Eu, felizmente, possuo essas duas características; e foi assim que consegui resgatar meia dúzia de livros que me interessavam, sendo um deles e para o que aqui nos interessa, a edição portuguesa da biografia de Churchill – obsessão, lá está – da autoria de Paul Johnson e que julgava já fora de mercado.

Feliz com o resultado da minha expedição dirigi-me à jovem encarregada da livraria, que ao ver a biografia que eu levava confirmou que aquele exemplar tinha sido salvo da guilhotina. Mas depois, depois: a rapariga – que não teria mais de 30 anos – pega no livro, demora-se a olhá-lo com um de forma quase apaixonada e diz-me num suspiro: «Ah…O que nós precisávamos agora era de um Churchill».

Achei extraordinário e fiquei sem palavras, limitando-me a sorrir e pagar. Mas regressei a casa a pensar: um Churchill porquê, para quê? Por mais que admire o homem nas suas gloriosas imperfeições e lhe esteja eternamente grato pelo legado de liberdade que nos deixou não consegui encaixar a necessidade premente de ressuscitar o estadista. Quer dizer: pelo menos é um gigantesco passo em frente em relação ao antigo chorrilho ouvido nos táxis que pedia o regresso urgente de Salazar para “pôr ordem nisto”. Mas duvido que Sir Winston se desse bem com os dias de agora.

A conclusão chegou pouco depois: o que a moça reflectiu foi o atavismo nacional do providencialismo, da figura maior do que a vida que, de uma maneira ou de outra, irá mesmo pôr ordem “nisto”. E aqui, parece-me está o problema: lidamos mal com o que temos, com o hoje. É verdade que a nossa história está repleta de maus decisores políticos. Agora mesmo não será excepção. Mas esta velha tradição de remeter para uma figura vinda de um nevoeiro de utopia que a todos irá resgatar é para mim mais perigosa. Mais: há gente e agrupamentos políticos que vivem exactamente dessa cultura messiânica de pacotilha. E estão a crescer.

Não virá Churchill, não virá ninguém em nosso auxílio. Apenas podemos contar connosco e com as armas que nos são dadas e usá-las até à exaustão. Agora. Já.

Desolação

O Inverno pandémico traz uma consternada atmosfera vista de qualquer ângulo o que impõe uma severa contrição interior. Contribui para isto muita desigualdade social que se transforma em fragilidade humana face à magnitude dos ciclos transformadores. Mesmo que o Sol brilhe a desolação não é menor, nesta altura não aquece, e por vezes, essa claridade torna-se ainda mais ameaçadora. É a vida agora uma parede húmida por onde escorre um fio de água doce de doçuras amargas, que nós, estamos sitiados na enxerga dos pesadelos e das insónias com populações envelhecidas e sonâmbulas. Subitamente vimos como a Europa é um continente envelhecido e frio por um calor qualquer que se foi.

O mundo de Janeiro parece nesta latitude e com a dimensão viral em mutação um aglomerado de fantasmas, uns falantes, outros mutantes, e muitos, paralisantes. Não tem havido espaço para recapitulação, e os desejos frouxos vão apenas até ao restabelecimento daquilo que fora interrompido fazendo do acontecimento global um interregno estarrecedor. Enquanto isto, há excepcionais trabalhos que avançam, que abrem cortinas de interesse maior e permitirão sem dúvida conquistas breves do estado de consciência tais como, teletransporte de mecanismo remoto, falar com os mortos em registo combinatório com um programa de alta tecnologia bem como uma vibrante e modeladora escala poética difíceis de decifrar no instante pela força fechada das necessidades.

A reanimação vem de zonas até agora desconhecidas mas que estimulam a capacidade humana de ir fechando capítulos cujos alicerces a própria vida se encaminhou de anular. Dobramos um cabo sem precedentes! Agregados por distância imposta, olhamos melhor o contorno do nosso corpo, e longe nos parecem já os tempos da Hidra das mil cabeças de quando nos deslocávamos febris para amálgama de grupo. Esta consciência espacial só por si recria um movimento novo de orientação, e não estar atento é ficar irremediavelmente em estado de sabotagem, desviando os dons para uma obstrução perigosa. Deste conflito nascem todas as teorias da conspiração, todos os vales caídos dos negacionismos, e depois, a loucura, esse perigo que grassa como lepra pois que a energia estagnada se dissolve em pranto.

As capacidades transgressoras não vivem bem neste domínio desolador, se acrescentarmos a isto a incerteza endémica de cada nação para os «amanhãs que cantam» ninguém no seu juízo perfeito desejará ouvir muita coisa, que ditas em modelo salva-vidas parecem tão só um mecanismo para náufragos. Unir pontes requer audácia, e estar sentado a falar para ecrãs com vultos obscuros do outro lado à espera de salvação, não é a manobra certa para sair disto ileso. Por outro lado, já mergulhamos em transparência, o que faz do lastro insano uma urgência para o findar; tudo já tinha passado diante dos nossos olhos, continentes inteiros que arderam, florestas comidas por longas e altas labaredas, vastíssimos ecossistemas dizimados, finas camadas de gelo – que o Ártico foi estilizando na horizontal até nos chegar em grandes inundações muito para cima dos calcanhares.

Desoladoramente atingimos o cansaço de grupo mais rapidamente que a imunidade, pois que ninguém se encontra nem impune, nem imune, face à sua própria circunstância. Ter visto tudo isto sem suspeitar em mudanças bruscas com efeitos letais configura um quadro de cegueira colectiva que não desmerece um acordar com assombro e curvatura de coluna. E mesmo assim, muitos há que sem recurso a inteligência associativa e em plena era da artificial, não viu, não ouviu, nem quis saber. Perante factos tão desoladores como o frio impassível do Inverno da pobreza generalizada que é como água fria escorrendo entre lençóis, da transumância das reformas em regime de abstinência, da dúvida intragável do amanhã, zumbis e homens dão pela primeira vez as mãos para a grave travessia, que os regimes mundiais apelam a ambos para as eleições com a mesma legitimação.

Vacinas já existem, vacinados também, uns querem outros não, e o medo de obedecer tornou-se mais paralisante que o medo da desobediência, o que pode colocar em risco a construção do conceito de Liberdade que é a única que ainda dita a Condição Humana. Em certos períodos a Liberdade é radical. Saber que o que se quer ou se deseja é apenas um capricho face à sua eloquente voltagem que estando muito acima dos graves apetites pode eletrocutar incautos, é saber que ela como conquista não deverá dar voz aos seus intermitentes usufrutuários. As opiniões destes inválidos deve ser norteada com admoestação pois que eles apenas gritam para acordar fantasmas adormecidos como a tirania.

Esguios e frios como Catedrais os nossos dias avançam olhando a Abóboda do Mundo. É que ainda pode haver coisas não nomeáveis a concordar para nos surpreender sem o arrastão do primeiro impacto.

O elusivo capitalismo

“Capitalism is facing at least three major crises. A pandemic-induced health crisis has rapidly ignited an economic crisis with yet unknown consequences for financial stability, and all of this is playing out against the backdrop of a climate crisis that cannot be addressed by “business as usual.”
Mariana Mazzucato
Capitalism’s triple crisis

 

A defesa é muito mais importante do que a riqueza. Adam Smith marca assim os limites da economia política, no momento do seu nascimento. Ainda hoje, o mercado tem o seu único limite na segurança nacional, o domínio arcano dos grandes concorrentes na arena global, os Estados Unidos e a China. As duas potências fundem as esferas económica e política, através das decisões do Partido Comunista Chinês (PCC) e dos aparelhos de defesa e segurança nacional dos Estados Unidos. Pequim e Washington vivem um conflito acalorado de geo-dirreito, ou seja, uma guerra jurídica e tecnológica travada através de sanções, utilização política de instituições internacionais e bloqueios aos investimentos estrangeiros. O “capitalismo” é um termo elusivo. É um conceito que utilizamos por conveniência, devido à falta de alternativas, mas também devido à estratificação histórica e filosófica que o caracteriza.

É impossível evitar o capitalismo, mesmo para aqueles que ainda o rejeitam em retórica, tais como a China. É de recordar as palavras de Alan Greenspan, o ex-chefe de longa data da Reserva Federal, numa entrevista a um jornal suíço no Outono de 2007 quando afirmou “Temos sorte, pois graças à globalização, as decisões políticas nos Estados Unidos foram em grande parte substituídas pelas forças do mercado global. Para além da segurança nacional, faz pouca diferença quem é o próximo presidente. O mundo é governado pelas forças do mercado”. São palavras poderosas, ditas num momento significativo (e infeliz, dada a sequência) por alguém que foi “o” banqueiro central de outra época. Uma paisagem de há alguns anos atrás que agora parece estar a algumas eras geológicas de distância.

A liderança do banco central é um trabalho que historicamente tem exigido silêncio ou a obscuridade. As palavras de Greenspan, tão peremptórias, confiam às forças de mercado o “governo” político-administrativo do mundo, daí a produção de decisões e políticas públicas. Acrescentam a advertência de “segurança nacional”, e assim, talvez involuntariamente, voltam a uma ambiguidade histórica, fundamental para nós, que é o peso da segurança na construção da economia, o espaço político de quem decide o que é segurança e o que não é, moldando a decisão através de medidas legais. É uma decisão essencial da sociedade comercial, pelo menos desde que Adam Smith em “A Riqueza das Nações” recordou a primazia da defesa sobre a riqueza.

É uma decisão que também acompanha os capitalismos contemporâneos como uma sombra, no pêndulo entre Estados e mercados, particularmente se olharmos para a impotência geopolítica do cenário europeu e as potências presentes na cena internacional (em primeiro lugar, os Estados Unidos e a China). Este é então o destino da frase de Greenspan, o discípulo de Ayn Rand, o “mágico” dos bancos centrais, aprisiona-se no odiado Manifesto de Marx e Engels. Ele assemelha-se ao inevitável “mágico que não consegue dominar os poderes do submundo que conjura”. A investigação sobre o capitalismo político deve entrelaçar três vertentes como a história do Estado, e as formas como o poder estatal é declinado nos aparelhos burocráticos, nos confins do político e do económico; as ordens jurídicas com que os mercados interagem; a história do espaço em que o capitalismo é codificado, a Europa, e a história presente e futura em que o espaço europeu tendo perdido o seu papel de sujeito da história, se torna a periferia ou o objecto de divisão dos outros. Em particular, os poderes do capitalismo político, os Estados Unidos e a China, empenharam-se num combate de leão com armas legais.

O sulco vem dos juristas que foram mais longe no seu confronto com a filosofia, identificando os elementos de crise do nosso tempo. A primeira lição que se retira do académico e político italiano Guido Rossi, que, além de ter raciocinado sobre a última crise do capitalismo nas suas obras, reconheceu por um lado a dificuldade das definições, por outro a importância do evento não só jurídico-económico, mas também histórico-filosófico, que nos conduz “da Companhia das Índias à Lei Sarbanes-Oxley”. Só com esta perspectiva histórico-filosófica, no método de Rossi, é possível ler o direito comercial e as suas transformações, tendo também em conta as questões políticas e sociais colocadas pelo antitrust.

O outro horizonte fundamental vem das obras do académico e advogado italiano Natalino Irti, que antecipou a mesma revelação candidata de Greenspan, identificando a ambiguidade entre a ausência de fronteiras da economia e a ancoragem a lugares próprios do direito. Sem ver em “geo-direito” a simples superação dos espaços, mas identificando o problema do confronto entre o horizonte político e os poderes económicos, bem como os acontecimentos da sua negociação. O capitalismo, se visto nestes termos, pode ser considerado um problema de geo-direcção, na esteira identificada por Irti, a fim de reler e expandir as consequências involuntárias da própria declaração de Greenspan.

É este o assunto essencial e não outros elementos específicos como a origem do pensamento económico em relação à ascensão do estado moderno (“a invenção da economia”), nem a génese do capitalismo, o estatuto filosófico da ciência económica, o peso das finanças na actual globalização, o papel do euro, a história do chamado “neoliberalismo”, o futuro do trabalho, pois sobre estas questões existe uma vasta e controversa literatura. A questão-chave é sobre a relação problemática entre capitalismo e segurança, que conduz a confrontos geo-jurídicos com amplas implicações no presente e no futuro próximo, e tem recebido menos atenção, mas é mais importante para a compreensão do conflito China-Estados Unidos.

Aqui está então a razão essencial para esse entendimento, e ao mesmo tempo a limitação das suas reivindicações. O “capitalismo político” na nossa época pode ser definido por características como a interpenetração da economia e da política num “todo” orgânico, que nos sistemas de autoridade musculada coincide com a presença de um partido-Estado articulado, enquanto nos sistemas democráticos passa pela intrusão na liberdade económica das burocracias de segurança e dos poderes de emergência; a utilização política do comércio e das finanças, num cenário em que os elementos competitivos coexistem sempre com a interdependência económica; a utilização da tecnologia, e das empresas tecnológicas, para fins e vantagens políticas e dentro de conflitos geopolíticos e a designação de indústrias e empresas estratégicas como “inimigos” devido à sua localização geográfica.

Estas indústrias e empresas são protegidas e opostas não só através de participações, mas também e sobretudo através de directivas políticas, burocracias estatais dedicadas, regulamentos especiais, o julgamento da economia com base na segurança nacional, e o seu alargamento conceptual e operacional, através de instrumentos de “geo-direito”. É com base nestes elementos, que o “capitalismo político” é praticado pela China e pelos Estados Unidos, os dois principais actores económicos e geopolíticos do planeta. A extensão e o poder do capitalismo político merecem, mais atenção do que outras expressões de capturar tudo o utilizado para designar a ordem económica mundial. O chamado “neoliberalismo” não ajuda totalmente a enquadrar os fenómenos com que estamos a lidar. À luz destas considerações, é necessário investigar a construção da economia política como um “ramo da ciência dos legisladores e estadistas”, de acordo com a opção de Adam Smith. De particular interesse é o renascimento das interpretações de Adam Smith no contexto da crise. Especialmente a leitura chinesa. Na apropriação por parte dos líderes chineses do grande pensador escocês, a ciência do legislador torna-se parte de um novo capitalismo político.

É a realidade do capitalismo em que coexistem as forças do mercado e a omnipresença política do governo chinês, detentor da “mão visível” e do monopólio da força no Império do Centro. O equilíbrio específico entre “mão invisível” e “mão visível” mostra a sobrevivência da violência no que diz respeito ao império dos mercados. É ainda necessário comparar Adam Smith e Carl Schmitt, a fim de analisar os problemas da sociedade comercial e a sua relação com os conflitos. A “Riqueza das Nações” e “Os Nomos da Terra, O: No Direito das Gentes do Jus Publicum Eruropaeum” parecem responder a duas antropologias incompatíveis, enunciadas noutras obras como empatia, por um lado, conflito, por outro. Isto está interligado com o chamado “problema de Adam Smith”, ou seja, a suposta incompatibilidade entre o papel de simpatia na “Teoria dos Sentimentos Morais” e o da mão invisível em “A Riqueza das Nações”. O que está realmente em jogo, é a relação entre comércio e segurança.

A sociedade comercial de Smith é a dissolução do jus publicum europaeum de Schmitt. Ambos lidam com a era da descoberta e as contradições do comércio como um factor de poder e de exclusão. O conflito sobre o comércio não pode ser divorciado da história da ascensão e declínio das grandes potências, razão pela qual existe uma crítica às formas de “romantismo geopolítico” de Carl Schmitt que caracterizam a sua interessante leitura instrumental dos impérios britânico e americano (através dos escritos de Alfred Thayer Mahan). É importante também a centralização antes no problema europeu. Seja o que for, a União Europeia foi derrotada pela crise que começou em 2007. Tentativas de fazer história da crise, como o livro de Adam Tooze “Crashed: How a Decade of Financial Crises Changed the World” reflectem este facto flagrante, confirmado pelas reconstruções autobiográficas dos protagonistas que viveram a crise como decisores políticos económicos.

A crise parece ter confirmado que o Estado Providência, o grande caminho económico e social europeu do pós-II Guerra Mundial, foi uma excepção, não a norma na história do capitalismo. Thomas Piketty, no seu livro “Capital no Século XXI”, de grande sucesso, deve ser um dos focos. Apesar do seu título, o livro de Piketty está intimamente ligado ao século XX, entendido como o “século social-democrata” (Ralf Dahrendorf). É sempre difícil, mesmo no século XXI na Europa, levar a sério a citação profética shakespeariana do economista e académico italiano, Raffaele Mattioli, do início da década de 1960 de que “os milagres acabaram”. O que significa viver após milagres, para aqueles que acreditavam que a “excepção” do Estado-Providência do pós-II Guerra Mundial era a progressão normal e inevitável do mundo? A demografia europeia está em declínio, em comparação com os outros pólos de crescimento e com os Estados Unidos. Alguns países europeus, além disso, estão na vanguarda deste processo, porque há mais pessoas com mais de sessenta anos do que com menos de trinta anos.

Os Estados europeus não estão a convergir, mas estão a separar-se no seu interesse. Os seus horizontes estão a afastar-se e dada a fraqueza do aparelho militar e da relação crucial entre defesa e indústria (as longas “férias da história” vividas no intervalo após a II Guerra Mundial), a capacidade da Europa para gerar inovação em relação aos outros é reduzida. É importante repensar e aprofundar os diferentes pontos de vista da grande questão do capitalismo dos últimos quarenta anos, como o problema chinês, na relação com os Estados Unidos. Há ainda que relembrar das “características chinesas”, tais como missionários americanos e burocratas chineses, a fim de retraçar a controvérsia sobre o atraso e a natureza do capitalismo chinês, de Max Weber a Xi Jinping, passando por Deng Xiaoping e Zhu Rongji. Os técnicos ocidentais são abandonados para um confronto com o pensamento e as acções dos grandes burocratas do nosso tempo que abraçam o capitalismo e que são os quadros do PCC.

O capitalismo chinês, apesar das suas dificuldades estruturais, resiste às perspectivas repetidas do seu colapso iminente, refuta as profecias sobre a ascensão de uma classe média contrária ao controlo do PCC, reescreve a relação entre a autoridade e a difusão da inovação. Acima de tudo está o elemento central e fulcral do casamento entre capitalismo e burocracia como a continuidade multi-milenar da “burocracia celestial” estudada pelo académico húngaro Balázs Kovács e ampliada pelo PCC. É o mandarinato que também pode ser encarnado num centro de transferência de tecnologia ou num laboratório de computação quântica, refutando a ilusão da impossibilidade de inovação num sistema como o chinês sem deixar de concluir aplicando o inverso de uma das categorias do filósofo político francês Alexandre Kojève aos investimentos chineses em infra-estruturas e à sua influência à escala global. É ainda de interesse o papel dos Estados Unidos no capitalismo político que a começar por Joseph Schumpeter como o “profeta da inovação”, e que foi um pensador que com uma originalidade insuperável colocou a inovação no centro da sua análise.

É por isso que os seus escritos são essenciais para abordar o capitalismo digital e as suas encarnações nos Estados Unidos e nos gigantes chineses, bem como a guerra tecnológica entre as duas potências. A dupla cidadania de Schumpeter nos seus dois mundos, de política pública e académica. A Europa Central e os Estados Unidos continua a ser interessante ver que as suas intuições dizem respeito ao papel do empresário, mas também às contradições entre capitalismo e democracia. Temos de considerar Schumpeter como um leitor de Marx e um admirador-adversário do socialismo, por um lado, e por outro lado como um guia do capitalismo digital e das suas contradições monopolistas. Nas fases do capitalismo americano ainda devolve o caminho da Companhia das Índias à Lei Sarbanes-Oxley ou, para actualizar o destino, do bilionário Elon Musk, enviando “tweets”, fumando um charuto e sendo sancionado pela Comissão de Títulos e Câmbios.

O singular pensador/investidor que se apanha em Schumpeter à sua maneira é Peter Thiel, o bilionário jurista, uma figura central no elogio do monopólio e do planeamento que se destaca na paisagem americana, sempre com a relação interminável com o aparelho de defesa que marca a forma americana do capitalismo político. Uma peça do capitalismo político que vive na “terra de Canaã do capitalismo”, enquanto a capacidade de análise e vigilância de dados dos gigantes digitais aprofunda as “possibilidades técnicas”, particularmente na Inteligência Artificial (IA) e na simbiose entre o homem e a máquina. Até à última tonelada em que restará algo que reconhecemos como humano. É importante ainda considerar o problema da relação entre segurança e mercados, utilizando a categoria de geo-direito para descrever em pormenor o conflito entre os Estados Unidos e a China que caracteriza a nossa era.

A casuística do geo-direito, que pode ser colocada a par das operações da lei (o prosseguimento da guerra, incluindo a guerra económica, através de meios legais), mostra o poder da tensão entre os dois litigantes. Algumas pedras de fronteira caracterizam a crise entre Washington e Pequim, quase reescrevendo a sentença de Greenspan numa constante, bem como violenta, ampliação do primado smithiano da defesa sobre a riqueza.

Os conflitos estão a ocorrer em instituições internacionais, particularmente na OMC. Dizem respeito ao crescimento exponencial da proeminência do CFIUS (Committee on Foreign Investment in the United States), o aparelho burocrático que decide sobre o investimento estrangeiro, um obstáculo à invasão do sentido global do mercado, já cimentado na altura da ascensão japonesa. No caso dos Estados Unidos, não é uma “burocracia celestial”, mas a mais poderosa burocracia de segurança nacional da história que toma o centro das atenções, como no caso Huawei.

Não se pode abordar o trabalho de Adam Smith sem considerar a ascensão do Império Britânico. Não se pode considerar a leitura de Schumpeter sem ler a transição entre o capitalismo burguês europeu e as contradições do sistema americano, e portanto o exercício do poder dos Estados Unidos, na continuidade geopolítica do pensamento de Mahan, nas reflexões sobre as “fases” do capitalismo americano, que têm repercussões no direito das sociedades e na governação empresarial.

No outro pólo está a ascensão da China, a ser considerada na relação entre o Estado-Partido e o mercado, na definição daquilo que, na retórica do PCC, ainda é “socialismo com características chinesas”, no qual uma nova burocracia celestial assimilou o capitalismo. Ao fundo, dançar as bruxas e as suas vítimas, antigos e novos Macbeths. Pois a “dança das bruxas” adapta-se e continua, como na troca relatada em “Modern Capitalism, entre Werner Sombart e Max Weber: “até ao fim da dança das bruxas que a humanidade tem vindo a encenar nos países capitalistas desde o início do século XIX? “até que a última tonelada de ferro seja fundida com a última tonelada de carvão”.

Tráfico de droga | TUI mantém pena por co-autoria em crime

O Tribunal de Última Instância (TUI) decidiu negar provimento ao recurso apresentado por um indivíduo acusado do crime de tráfico de droga como co-autor do mesmo. Este arguido foi condenado pelo Tribunal Judicial de Base (TJB) a uma pena de prisão efectiva de sete anos e seis meses pela “co-autoria material na forma dolosa e consumada do crime de tráfico ilícito de estupefacientes”.

No entanto, o indivíduo, depois de perder um primeiro recurso no Tribunal de Segunda Instância (TSI), recorreu para o TUI alegando que “a sua conduta não deve ser qualificada como. A prática, em co-autoria material, do crime de tráfico ilícito de estupefacientes, devendo antes ser considerado mero cúmplice do dito crime e, como tal, beneficiar de uma atenuação especial da pena”.

O TUI não entendeu assim, uma vez que “o recorrente fez a viagem combinada e juntamente com outro agente de Hong Kong para Macau para levar a cabo a respectiva actividade com o propósito de obter vantagens económicas, agindo com conhecimento de todos os pormenores daquela, de forma livre e conscientemente, de comum acordo e em conjugação de esforços, acompanhando e participando activamente em todas as fases do projecto criminoso até a sua concretização”.

Além deste indivíduo o TJB condenou também um outro, também pelo crime de tráfico de droga, com a mesma moldura penal. Este chegou a recorrer para o TSI a fim de ver reduzida a pena, sem sucesso.

ANIMA | Encontrados mais três gatos mortos no bairro do Iao Hon

A ANIMA encontrou ontem mais três gatos mortos na Rua Seis do bairro de Iao Hon, na zona norte da península de Macau. A associação ligada à protecção dos direitos dos animais adiantou nas redes sociais que um dos corpos já se encontrava em decomposição.

Tanto a polícia como os responsáveis do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) foram chamados ao local, onde também foram resgatados sete outros felinos, reencaminhados para as instalações do IAM. Esta segunda-feira foram encontrados, no mesmo bairro, mas na Rua Dois, outros três gatos mortos. A entidade liderada por José Tavares afirmou que, neste caso, uma gata estava grávida e que não se registaram sinais de traumas ou fracturas nos animais. Foi, por isso, excluída a possibilidade de maus tratos ou de queda. No entanto, o IAM afirmou também que há indícios de morte em circunstâncias suspeitas pelo que o caso foi qualificado como crime de crueldade contra animais, estando a ser investigado pelas autoridades.

Segundo a lei de protecção dos animais em vigor, o crime pode levar a uma pena de prisão de até um ano ou pagamento de uma multa de 120 dias. Desde Dezembro que foram encontrados 11 gatos mortos, cinco deles nos últimos dias só na zona do Iao Hon.

A ANIMA tem neste momento a decorrer uma campanha de angariação de fundos dadas as dificuldades financeiras que enfrenta. Segundo informação divulgada pela associação, a campanha começou há 20 dias e já permitiu pagar os salários de todos os funcionários relativos ao mês de Janeiro, o que corresponde a 370 mil patacas. No total, a ANIMA conseguiu 809 mil patacas. A campanha vai continuar até o apoio concedido pela Fundação Macau ficar garantido.

Aniversário | Primeiro jogo do Clube de Râguebi de Macau foi há 25 anos

Começou como o passatempo de um grupo de amigos, mas 25 anos depois o Clube de Râguebi de Macau tem uma formação com mais de 100 crianças. Hoje a associação celebra o aniversário do primeiro jogo, um empate 12-12 com a secção do râguebi Hong Kong Football Club

 

Foi no campo que actualmente está a cargo dos Operários, nas Portas do Cerco, que há 25 anos o que o Clube de Râguebi de Macau se estreou em competição. Na altura, o Governo português disponibilizou o recinto, remodelado, e a formação de que fazia parte Luís Herédia não desiludiu, alcançou um empate por 12-12 contra a secção do râguebi Hong Kong Football Club.

“Foi um empate 12-12 contra a secção do râguebi Hong Kong Football Club. Na altura, eles jogavam juntos há muito tempo, e alguns eram atletas muito experientes, podemos dizer que já eram veteranos. Nós tínhamos uma equipa formada há pouco tempo”, recordou Luís Herédia, um dos fundadores do clube e jogadores do primeiro encontro.
Contudo, o percurso para o primeiro jogo não foi fácil e esteve longe de ser preparado nas melhores condições.

A ideia de formar um clube de râguebi em Macau começou a nascer com um grupo de amigos e aficionados do desporto, que pretendia ir apoiar a selecção de Portugal nas participações do Torneio de Sevens, em Hong Kong.

Só que o que poderia ter sido uma “claque” acabou por evoluir para algo mais: “Desde 1994 que a selecção portuguesa era convidada para ir ao Torneio Sevens de Hong Kong. Era um torneio que se realizava há uns anos e era um dos maiores do mundo”, contou Herédia. “Nós éramos alguns portugueses que estávamos em Macau e tínhamos praticado a modalidade em Portugal. Por isso, começámos a pensar em criar uma espécie de Clube dos Amigos do Râguebi para apoiar Portugal”, acrescentou. “Só que quando começamos a materializar a ideia, verificamos que tínhamos um grupo com muitas pessoas que tinham jogador râguebi, que ainda estavam em idade de jogar e que tínhamos um grupo para formar uma equipa”, recordou.

Aos portugueses e amigos locais juntaram-se vários emigrantes anglo-saxónicos, naturais de países com uma cultura mais desenvolvida deste desporto. Só que para jogar era preciso encontrar um adversário….

Treinos em asfalto

Com uma rede de contactos em Hong Kong, foi da região que se aproximava a passos largos de regressar à administração chinesa que chegou o primeiro adversário, ligado ao Hong Kong Football Club. “Como tínhamos contactos em Hong Kong, falámos com pessoas que conhecíamos para trazerem uma equipa para o primeiro jogo.

Eles perceberam muito bem a nossa situação, e colocaram-nos em contactou com esta equipa mais próxima do nosso nível…”, apontou Herédia, um dos jogadores. “E pelos vistos acertaram na muche com a equipa [secção do râguebi Hong Kong Football Club] que enviaram porque terminámos empatados”, lembrou.

Com o adversário escolhido, ficava a faltar um recinto para desempenhar o encontro. A questão foi resolvida com o contributo da administração portuguesa. “Antes de irmos com a ideia ao Instituto do Desporto que gostaríamos de fazer este jogo, o campo nas Portas do Cerco estava em muito mau estado. Só que eles tiveram o cuidado de fazer reparações e quando jogámos não podemos dizer que o campo estivesse novo, mas estava muito bem preparado, com os postes e todos os equipamentos necessários”, relatou.

Já os treinos para o desafio foram um desafio mais complicado, com parte a ser feita em superfícies de alcatrão. “Treinávamos em asfalto num campo polivalente, que era no Hyatt, e corríamos na rua. Nem sequer tínhamos tido ocasião de treinar como deve ser”, apontou.

Jantar de comemoração

O primeiro encontrou tornou-se um marco para o Clube de Râguebi de Macau e a partir desse momento foram realizados muitos jogos, com vitórias, derrotas e empates, como acontece no desporto. Mas o dia 10 de Fevereiro de 1996 não foi esquecido e esta noite vai ser celebrado com um jantar, em que vão estar presentes alguns membros da equipa original, como Anacleto Cabaça, Álvaro Duarte, Miguel Madaleno e Paulo Sá.

A história do Clube de Râguebi de Macau também não ficou parada e hoje, com 25 anos, houve sempre actividades e hoje são vários os jovens, mais de 100, que participam nos escalões de formação, através de um segundo clube.

E os desafios também não acabaram, com o principal a ser, como acontece com outros tipos de desporto em Macau, o acesso a locais para os treinos e jogos.

No caminho de 25 anos, um dos aspectos que mais deixa Luís Herédia, fundador do clube, satisfeito passa por uma maior adesão à modalidade dos locais, que contrasta com o início em que os praticantes eram mais portugueses e anglo-saxónicos. “Temos bastantes locais e foi sempre um dos nossos objectivos, que houvesse mais locais a praticar. E hoje em dia quando se vai aos treinos já há dias em que são bastantes mais locais que portugueses ou imigrantes”, admite. Mesmo assim, o clube não pára, nem com a pandemia: “Há sempre muito para fazer e não vamos parar”, promete.