EventosAlbergue SCM | Leong Kit Man apresenta a sua “Ilha dos Amores” Andreia Sofia Silva - 2 Jun 2026 A artista Leong Kit Man está de regresso às exposições com “Ilha dos Amores”, em referência ao conhecido episódio d’Os Lusíadas, de Luís de Camões. A mostra é inaugurada amanhã no Albergue SCM e integra o cartaz das comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas Não é por acaso que a nova exposição disponível no Albergue da Santa Casa da Misericórdia (SCM) de Macau integra as comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. “Ilha dos Amores”, da artista Leong Kit Man, remete para parte da história relatada na obra maior da literatura portuguesa, “Os Lusíadas”, de Luís de Camões, quando a deusa Vénus compensa os navegadores portugueses depois de realizarem o caminho marítimo para a Índia, proporcionando-lhes um paraíso repleto de ninfas. Camões escreveu assim, nos Cantos IX e X de “Os Lusíadas”, sobre o amor carnal feito e vivido entre navegadores e as ninfas que permaneciam nesta ilha: “Já não fugia a bela Ninfa tanto, / Por se dar cara ao triste que a seguia, / Como por ir ouvindo o doce canto, / As namoradas mágoas lhe dizia. / Volvendo o rosto, já sereno e santo, / Toda banhada em riso de alegria, / Cair se deixa aos pés do vencedor, / Que todo se desfaz em puro amor.” A exposição “Ilha dos Amores” é inaugurada amanhã, a partir das 18h30, na Galeria A2 do Albergue SCM, sendo uma organização do CAC – Círculo dos Amigos da Cultura de Macau. Segundo uma nota da exposição, o público pode ver uma “colecção de pinturas chinesas centrada na estadia de Luís de Camões em Macau e nas imagens vívidas do poema épico de Os Lusíadas”. “Inspirando-se na ilha mítica, a artista capta a sua essência através de uma técnica delicada e requintada”, abordando-se “a interacção entre o Oriente e Ocidente tal como personificada por Macau”, numa “ponte entre duas civilizações distintas”. A mesma nota descreve como a artista, através da sua pintura, “explora a imaginação humana partilhada a partir de um ‘paraíso ideal’, revelando os fios condutores que unem as tradições culturais orientais e ocidentais”. Desta forma, “Ilha dos Amores” faz também uma “sincera homenagem ao rico património cultural de Portugal”. Rolos monumentais Uma das obras que pode ser vista nesta mostra é “The Regret of Love”, sobre a qual Mo Xiaoye, professor do departamento de Belas Artes da Zhejiang Sci-Tech University disse tratar-se de uma “pintura monumental ao estilo Gongbi, com um carácter épico”, tal como a história relatada nos versos d’Os Lusíadas. “The Regret of Love” é um “monumental rolo de seda com quatro metros de comprimento e mais de 1,8 metros de altura”, descreve Lam Kong Chuen, citado numa nota sobre a exposição. Aqui, a artista “constrói um ambiente temporal que se opõe de forma frontal ao acelerar contemporâneo”, onde “o nevoeiro do rio Mekong e correntes subterrâneas no leito desse rio avançam em relação ao espectador”, numa conexão com a viagem marítima relatada na Epopeia portuguesa. Mais do que constituir um episódio que é fruto da imaginação do poeta, os versos sobre a Ilha dos Amores contam também a interligação entre a moral cristã e pagã, povoada pelos amores vividos na ilha, sendo também a forma de Camões celebrar os navegadores portugueses pelos feitos na descoberta do caminho marítimo para a Índia. Leong Kit Man é artista, curadora e professora, sendo licenciada pela Academia Nacional de Artes da China e doutorada em Belas Artes. Dá aulas de Belas Artes e orienta mestrados e doutoramentos na Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST).