Cinemateca Paixão | Dezembro com “Elvis” e selecção internacional

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Retratos de intimidade à japonesa, o filme biográfico “Elvis” e um punhado de películas europeias são os ingredientes principais da Selecção de Dezembro da Cinemateca Paixão. “A Hundred Flowers” do japonês Genki Kawamura e a produção búlgara “Women Do Cry” são sugestões imperdíveis

 

Mais um mês, mais um rol de propostas cinematográficas da equipa da Cinemateca Paixão. A Selecção de Dezembro arranca com meia dúzia de filmes nas antípodas das óbvias programações recheadas por insípidos super-heróis, animação recauchutada até ao infinito e os habituais clichés natalícios.

A programação do próximo mês começa no dia 1, às 21h30, com a exibição de “Women Do Cry”, um drama realizado por Mina Mileva e Vesela Kazakova. A produção búlgara tem como epicentro Sonja, uma adolescente de 19 anos que é diagnosticada com HIV, quando o seu futuro enquanto compositora promissora começava a despontar.

Obrigada a abandonar o conservatório, Sonja torna-se numa causa de apoio incondicional de duas gerações de mulheres lutadoras que face à luta da protagonista voltam ao campo de batalha contra traumas antigos.

Após a estreia no Festival de Cannes, “Women Do Cry” reuniu a unanimidade da crítica internacional e fez as rondas dos festivais dedicados à sétima arte, incluindo o Festival Internacional de Cinema de Bruxelas, o Glasgow Film Festival, South by Southwest, Sofia International Film Festival, entre outros.

Chega agora a Macau, e será exibido na Cinemateca Paixão em mais duas sessões, no dia 7 e 10 de Dezembro às 21h30. No dia 2 de Dezembro, é a vez de “A Hundred Flowers” tomar conta da Travessa da Paixão, às 21h30, um filme do realizador japonês Genki Kawamura.

Uma bomba emocional, “A Hundred Flowers” assenta na relação entre filho e a mãe diagnosticada com demência. Entre memórias perdidas e recuperadas, o passado da mãe do protagonista começa a ser revelado de forma fragmentada. “A Hundred Flowers” volta ao ecrã da Cinemateca Paixão no dia 4 de Dezembro, às 19h e no dia 8 de Dezembro às 19h30.

Pessoal e intransmissível

No dia 3 de Dezembro, às 21h, é exibida a segunda parte de “Intimacies”, do realizador japonês Ryusuke Hamaguchi que destilou para filme parte da psique nipónica. A ambiciosa obra que o autor criou enquanto leccionava na Escola de Teatro e Cinema de Tóquio, está dividida em três partes. A primeira roupagem é uma espécie de documentário teatral, um vislumbre de bastidores, a segunda parte é a peça em si e a terceira parte um epílogo que encerra a acção onde o núcleo é a poesia e o uso da palavra.

O filme é exibido de novo no dia 11 de Dezembro, às 18h30, depois da primeira parte de “Intimacies”, cuja sessão começa às 16h30. “Murina”, da realizadora croata Antoneta Alamat Kusijanović é a obra que se segue no cartaz da Cinemateca Paixão. Com a primeira sessão marcada para o dia 4 de Dezembro, às 21h, será uma oportunidade única para viajar pela costa do Mar Adriático até à pequena ilha onde a acção se desenrola. A base do guião é o projecto familiar de vender a terra onde vivem, numa ilha paradisíaca a um empresário com o objectivo de ali instalar um resort de luxo.

Com estreia em Cannes, “Murina” arrebatou o prémio Caméra d’Or e conquistou a crítica internacional. O filme de estreia da realizadora croata volta a ser exibido no dia 8 de Dezembro, às 21h30, e 12 de Dezembro às 19h30.

Ancas não mentem

No dia 6 de Dezembro, às 19h30, a Cinemateca Paixão apresenta “Elvis”, o filme biográfico baseado na vida de um dos maiores ícones da cultura pop do século passado. Realizado por Baz Luhrmann, “Elvis” explora a vida e obra de Elvis Presley, numa jornada pessoal carregada de melodrama, percorrendo os recantos da obscuridade, passando ao sucesso, até finalmente atingir um patamar inigualável de estrelado.

“Elvis” segue a natural exuberância cénica de Luhrmann, que tem no currículo filmes como “Strictly Ballroom”, “Romeo + Juliet”, “Moulin Rouge!” e “The Great Gatsby”. O filme começa com o colapso do manager de Presley, o Coronel Tom Paker, um personagem dúbio e misterioso interpretado por Tom Hanks que face à hipótese de morrer com uma reputação de ladrão decide contar a verdadeira história da ascensão de Elvis Presley.
“Elvis” será exibido seis vezes, até à véspera de Natal.

Finalmente, a encerrar a Selecção de Dezembro, é exibido no ecrã da Travessa da Paixão a produção internacional “A Chiara”, no dia 7 de Dezembro, às 19h. Realizado pelo cineasta italiano Jonas Carpignano, “A Chiara” é um drama familiar que começa a ser deslindado no aniversário de uma adolescente, marcado por um incidente violento que dá a primeira pista para ligações familiares ao crime organizado.

“A Chiara” volta a ser exibido nos dias 10 de Dezembro, 19h, e no dia 15 de Dezembro às 21h30. Os bilhetes custam 60 patacas.

Zhengzhou | Confrontos violentos irrompem em fábrica de iPhones

Bloomberg

Protestos violentos irromperam ontem na maior fábrica de iPhone do mundo, situada no centro da China, numa altura em que as autoridades tentam conter um surto de covid-19 e manter a produção, antes do período natalício.

Vídeos difundidos pelos trabalhadores da fábrica, situada na cidade de Zhengzhou, província de Henan, mostram funcionários em confrontos com agentes da polícia armados com cassetetes e vestidos com fatos de protecção brancos. As imagens mostram polícias a espancar trabalhadores, entre os quais alguns surgem a sangrar da cabeça e outros a coxear.

A política de tolerância zero à covid-19 da China constitui um desafio para a administração da fábrica detida pelo grupo taiwanês Foxconn, que emprega, num período normal, mais de 200.000 trabalhadores nos subúrbios de Zhengzhou. A empresa confirmou, em comunicado, que ocorreram confrontos violentos nas instalações.

O grupo, que monta produtos electrónicos para muitas marcas internacionais, incluindo a norte-americana Apple, referiu que os trabalhadores reclamaram devido a questões salariais e más condições de trabalho.

A fábrica registou um aumento de casos de covid-19, nas últimas semanas, impondo um sistema de trabalho em ‘circuito fechado’. Isto significa que os trabalhadores estão proibidos de sair das instalações.

Problemas ocorridos na fábrica, no início deste mês, levaram a Apple a rever as datas para a entrega do iPhone 14 de última geração e a emitir um raro aviso aos investidores sobre os atrasos.

Trabalhadores da fábrica da Foxconn disseram que os protestos começaram depois de a empresa ter negado o pagamento de bónus prometidos. Os vídeos mostram trabalhadores a virar carretas, a entrar nos escritórios da fábrica e a destruir uma cabine onde se fazem testes de detecção da covid-19.

UE | Borrell defende relações com Pequim sem dependência excessiva

Reuters

O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, defendeu ontem a necessidade de falar com a China para acautelar os interesses europeus, mas alertou para os perigos de uma excessiva dependência do país asiático.

“Precisamos de falar, precisamos de trabalhar, precisamos de comerciar e negociar com a China”, disse Borrell na sessão plenária do Parlamento Europeu (PE), que decorreu na cidade francesa de Estrasburgo até ontem.

Num debate sobre as relações UE-China, Borrell lembrou que os líderes europeus confirmaram, em Outubro, a política face a Pequim e concordaram na necessidade de haver unidade “em todos os aspectos” do relacionamento com o país asiático.

“Sem unidade, perderemos tanto a credibilidade como a influência, tanto em relação à China como a nível global”, disse.

O também vice-presidente da Comissão Europeia alertou, no entanto, que a dependência da UE da China não se pode tornar uma vulnerabilidade, como aconteceu com a Rússia no campo energético.

Borrell disse que oito em cada dez painéis solares importados pela Europa são de fabrico chinês e que a UE troca diariamente bens no valor de 2.000 milhões de dólares com a China.

“A nossa dependência da China em relação à transição verde pode ser tão importante no futuro como tem sido hoje a nossa dependência dos combustíveis fósseis da Rússia”, disse. Borrell reconheceu que a China é um país que gera opiniões divergentes, como no PE, sobretudo em matéria de direitos humanos.

Defendeu, por isso, ser necessário “obter uma síntese de diferentes pontos de vista e manter uma forte unidade”.
O líder da diplomacia europeia disse ainda que a atenção da UE em relação à China não diminuiu com a guerra na Ucrânia, que a Rússia iniciou há nove meses.

Apesar de a China ainda não ter condenado a guerra, Borrell disse que o país asiático “estabeleceu linhas vermelhas claras” sobre o uso de armas nucleares e está “cada vez mais preocupado com as consequências globais” do conflito.

Covid-19 | Menos de 30% dos idosos em Pequim com dose de reforço

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A relutância dos mais velhos em se vacinarem justifica, segundo as autoridades, a manutenção da estratégia de zero casos. Os idosos, por sua vez, não sentem necessidade de se vacinarem devido ao baixo número de casos

 

Menos de 30 por cento das pessoas com mais de 80 anos em Pequim receberam uma dose de reforço da vacina contra a covid-19, afirmaram ontem as autoridades locais, numa altura em que a capital chinesa enfrenta novo surto.

Dois pacientes internados em estado grave, de 52 e 89 anos, estão entre os que não receberam a terceira dose, explicou o vice-director do Centro de Controlo de Doenças da cidade, Liu Xiaofeng, citado pela imprensa local.
Liu observou a proporção baixa de pessoas com mais de 60 anos que receberam uma dose de reforço e instou os residentes idosos a vacinarem-se o “mais rápido possível”.

Pequim tem mais de 21 milhões de habitantes, cerca de 600.000 dos quais têm idade superior a 80 anos, considerada a faixa etária com mais risco de sofrer doença grave ou morte pelo coronavírus SARS-CoV-2. O actual surto na capital da China fez mais de 3.000 infectados e três mortos. Foram os primeiros óbitos por covid-19 registados no país em seis meses.

Os habitantes de Pequim têm de fazer testes PCR a cada 48 horas, já que a entrada em locais públicos exige a apresentação de um resultado negativo. A baixa taxa de vacinação entre os idosos, um dos grupos mais vulneráveis, mas também um dos mais relutantes em se vacinar, é apontada pelas autoridades como um dos motivos para manter a actual estratégia, que contrasta com o resto do mundo.

Em expansão

O país asiático enfrenta actualmente um dos maiores surtos de covid-19 desde o início da pandemia, com surtos activos em quase todas as províncias.

Segundo dados oficiais difundidos este mês, 86 por cento dos chineses com mais de 60 anos receberam o esquema vacinal completo, embora a percentagem diminua no grupo com mais de 80 anos (65,7 por cento). A proporção de idosos com mais de 80 anos que recebeu a dose de reforço, a nível nacional, é de 40 por cento.

Os idosos chineses não sentem urgência em vacinar-se, já que o número de casos permanece relativamente baixo devido às restritivas medidas de prevenção epidémica vigentes no país. A estratégia chinesa inclui o bloqueio de cidades inteiras, a obrigatoriedade de apresentar um teste negativo para o novo coronavírus para aceder a espaços públicos e o isolamento de todos os casos positivos e respectivos contactos directos em instalações designadas. A China mantém, também, as fronteiras praticamente encerradas desde Março de 2020.

Estas medidas têm um alto custo económico e social e são fonte de forte descontentamento popular, gerando por vezes confrontos violentos entre moradores e funcionários de saúde.

O país asiático relatou quase 30.000 novos casos, entre terça e quarta-feira. Segundo dados oficiais, desde o início da pandemia morreram 5.231 pessoas na China devido ao novo coronavírus.

IAS | Governo diz que existem 53 toxicodependentes em Macau

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O Instituto de Acção Social considera que o número de consumidores de drogas em Macau diminuiu 42,4 por cento na primeira metade de 2022, para um total de 53 consumidores. A estatística não reflecte a realidade porque contabiliza quem cumpre pena por consumo ou quem está em reabilitação

 

O Instituto de Acção Social (IAS) revelou na terça-feira que durante os primeiros seis meses de 2022 o número de toxicodependentes em Macau desceu 42,4 por cento. A estatística divulgada apenas em chinês, revela ainda que o consumo de estupefacientes entre os mais jovens diminuiu 66,7 por cento.

Os números apresentados pela Comissão de Luta Contra à Droga são baseados no Sistema do Registo Central dos Toxicodependentes de Macau, onde são registadas as pessoas que entram no sistema correccional e cumprem penas de prisão por consumo de drogas e quem está em processo de reabilitação.

Além deste universo de pessoas, as autoridades esperam que os consumidores de drogas se registem no sistema, uma perspectiva optimista face à criminalização do consumo na RAEM. Recorde-se o caso do residente de Macau na casa dos 20 anos que foi detido no ano passado pela prática do crime de consumo ilegal de estupefacientes, após se ter dirigido aos serviços de urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário, alegando que não se estava a sentir bem.

Para fazer o registo, os residentes precisam de carregar “apenas o apelido, o sexo e a data de nascimento, de modo a que se possa, por um lado, proteger a privacidade dos indivíduos e, por outro, identificar com exactidão os toxicodependentes para evitar a duplicação do registo de casos”, é referido no website do sistema.

É também referida a recolha de dados referente ao “local de nascimento, estado civil, com ou sem filhos, zona onde habita, habilitações literárias, situação de emprego, registo criminal, etc., a fim de se inteirar do seu background social”. Dados que podem resultar na identificação da pessoa.

Coisa pouca

Face a esta situação, nos primeiros seis meses do ano, apenas 53 indivíduos entraram no sistema, três deles eram jovens. Por substância, as três drogas mais consumidas pela pouco mais de meia centena de consumidores registados foram o ice (28,8 por cento), benzodiazepinas (23,1 por cento) e canábis (19,2 por cento).

Em relação ao local do consumo, mais de 80 por cento dos indivíduos registados no sistema afirmaram consumir droga em casa, casa de amigos ou hotel.

O IAS adianta ainda que a “Comissão de Luta Contra à Droga discutiu um plano para no próximo ano usar mega-dados para endereçar o problema do consumo clandestino e construir estratégias de intervenção”, para prevenir e controlar a toxicodependência. O comunicado do IAS não especifica de que forma será usada a tecnologia para “responder” ao consumo clandestino.

Os membros da comissão aproveitaram a reunião para elogiar os esforços do Governo na promoção de campanhas anti-droga, e na legislação que incide sobre o consumo de cigarros electrónicos e de bebidas alcoólicas por menores de idade.

Habitação | Académica defende política do Governo

Rose Lai, académica especializada no mercado do imobiliário da Universidade de Macau, considera que o modelo criado pelo Governo com recurso a cinco tipo de habitação será suficiente para resolver os problemas de habitação em Macau. A defesa da política do Executivo foi feita num artigo publicado ontem no jornal Ou Mun.

Segundo a académica, depois da transição, com o crescimento acelerado da economia, os preços no mercado do imobiliário subiram a um ritmo muito elevado.

Com preços a aumentar, Rose Lai indicou que se tornou cada vez mais difícil para os jovens terem acesso a habitação própria, o que também foi motivado pela falta de terrenos, que permitissem a construção de mais prédios.
Face a esse cenário, explicou Lai, nem a possibilidade de fazer mais aterros pareceu contribuir para resolver o problema.

Contudo, a académica entende que a conciliação de esforços e a apresentação de mais classes de habitação pública, com a criação das casas para a classe intermédia e as habitações para idosos, vão agora resolver um problema que se arrasta há anos.

Segundo a especialista, o modelo com habitação social, económica, intermédia, para idosos, e ainda com o recurso ao mercado privado, que copia algumas das soluções adoptadas em países do estrangeiro, vai cobrir todas as necessidades da sociedade.

Orçamento | Au Kam San questiona estimativas de receitas do jogo

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O ex-deputado considera “muito baixas” as hipóteses das receitas do jogo atingirem os estimados 130 mil milhões de patacas, devido ao novo ambiente no Interior, crise económica e o valor elevado do imposto do jogo

 

O ex-deputado Au Kam San considera que as previsões do Governo sobre as receitas do jogo para o próximo ano levantam muitas dúvidas e que as hipóteses de se concretizarem são muito baixas. A posição foi tomada na terça-feira e ontem, através de duas publicações nas redes sociais.

Desde que Ho Iat Seng está no cargo de Chefe do Executivo o Governo tem estimado todos os anos que as receitas brutas do jogo vão ser de 130 mil milhões de patacas. O valor tem sido mantido ao longo dos diferentes orçamentos, apesar de nunca corresponder à realidade. Com os efeitos das medidas de combate à pandemia a fazerem-se sentir, o melhor registo foi obtido no ano passado com 86,86 mil milhões de patacas. Também este ano, até Outubro, as receitas brutas não foram além dos 35,72 mil milhões de patacas, naquele que vai ser o pior ano desde o surgimento da covid-19.

No seguimento destes dados, o ex-deputado acha difícil conseguir entender as bases para uma estimativa que se apresenta como optimista, até pela mudança do contexto político no Interior face ao jogo em Macau.

“Desde que fomos atingidos pela pandemia, as receitas do jogo caíram para 60,4 mil milhões de patacas, em 2020, e nos anos mais recentes têm ficado pelas dezenas de milhões de patacas”, apontou. “Mas, mesmo que os efeitos da pandemia terminem quantos milhares de milhões a indústria do jogo pode valer?”, questionou.

Au justificou as suas dúvidas: “Na verdade, temos de ter em conta que o cenário anterior mudou, devido à revisão do artigo 303 da Lei Criminal do Interior, que tornou impossível trazer jogadores VIP do Interior a Macau para jogar”, afirmou. “E os casinos de Macau tinham uma grande dependência deste tipo de jogadores, que contribuíam com cerca de metade das receitas do jogo”, adicionou.

A falácia internacional

Au Kam Sam considerou ainda pouco provável que a indústria de Macau tenha as condições necessárias para atrair jogadores vindos dos mercados internacionais, como Europa e Médio Oriente.

“Para sermos realistas temos de entender a lógica dos proprietários dos casinos ou empresas do jogo. Será que essas pessoas preferem trazer um grande apostador do Médio Oriente para Macau, ou preferem levá-lo para jogar em Las Vegas ou Monte Carlo?”, questionou. “Não nos podemos esquecer que em Macau o imposto sobre o jogo é 35 por cento, o mais alto do mundo. Se um grande apostador perder 10 milhões de patacas, o Governo fica logo com 3,5 milhões de patacas”, respondeu. “Em termos puramente empresariais, faz sentido que prefiram não trazer os jogadores para Macau”, acrescentou.

Por outro lado, Au Kam San considera também que os efeitos das medidas de covid zero se vão prolongar durante o próximo ano, ao mesmo tempo, que a economia chinesa atravessa uma das piores crises dos últimos anos.

Estes dois factores em conjunto vão contribuir para afectar o jogo de massas, que deverá continuar em valores reduzidos, face aos períodos pré-pandémicos, quando as receitas totais do jogo, incluindo o segmento de apostares VIP e de massas, era de 290 mil milhões de patacas.

Trânsito | Coutinho quer semáforos inteligentes

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O deputado José Pereira Coutinho considera necessário instalar semáforos inteligentes nas estradas de Macau, para ajudar o a descongestionar o trânsito. O tema foi assunto de uma interpelação escrita divulgada ontem pelo legislador, que entende que este tipo de equipamentos pode contribuir para a segurança nas estradas do território.

Por outro lado, o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau está preocupado com as pessoas que andam nas vias públicas distraídas, prestando atenção apenas ao telemóvel e quer saber se o Executivo vai instalar nas passadeiras sistemas de alerta sonoros. “Irá ser a equacionada a instalação de um tipo de semáforos no chão para os utilizadores que andam agarrados aos telemóveis enquanto transitam nas estradas?”, questionou.

Concessões | Governo exige museu e plano de espectáculos a operadoras

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A Melco prometeu trazer de volta o espectáculo The House of Dancing Water. Para corresponder às exigências do Executivo em relação aos componentes não-jogo, as propostas apresentadas incluíram um recinto de patinagem no gelo e um ringue para skate e patins em linha

 

O Governo pediu às futuras concessionárias do jogo que criem o principal museu de arte do território, um plano anual de espectáculos e convenções, recintos para concertos, espectáculos e obras de arte ao ar livre. Alguns dos pedidos que surgiram no âmbito das negociações entre o Executivo e as empresas candidatas às concessões foram revelados ontem, pela TDM-Rádio Macau.

De acordo com a emissora pública, os representantes das concessionárias reuniram pela última vez com os membros da comissão do jogo na segunda-feira, e agora vão aguardar pela atribuição provisória das concessões. Segundo os prazos apresentados anteriormente pelo Governo, as novas concessões entram em vigor no início do próximo ano.

Na parte cultural, o Governo pediu um plano e calendário para a criação do principal museu de arte, recintos para concertos e respectivos programas. Um dos objectivos do Executivo passa por garantir que no futuro são apresentados, pelo menos, dois espectáculos internacionais por semana.

Houve também quem tivesse apresentado planos para um recinto de patinagem no gelo ou um ringue para a prática de skate ou patins em linha. Por sua vez, a Melco terá garantido que vai trazer de volta o espectáculo The House of Dancing Water.

A apresentação de diversões temáticas de nível internacional e organização de passeios marítimos temáticos, foi outro dos pedidos feitos pelo Governo liderado por Ho Iat Seng.

Investimento de 100 mil milhões

Anteriormente, foi revelado que o plano de investimentos das futuras concessionárias deve rondar os 100 mil milhões de patacas divididos por todas as concessionárias. Porém, o valor pode ser superior, uma vez que a comissão, durante as negociações, pediu às candidatas que aumentassem os valores.

A Galaxy e a Venetian chegaram a acordo com valores que devem ultrapassar 50 mil milhões de patacas, os outros concorrentes podem atingir valor idêntico.

Concluídas as negociações, a comissão do concurso elabora um relatório em que apresenta a selecção das propostas que considera mais vantajosas para a RAEM. Só depois o Chefe do Executivo decide se adjudica todas as concessões ou se opta por fazer as adjudicações em número mais reduzido.

Todas as empresas do jogo actualmente a operar em Macau apresentaram propostas, ou seja, Sands China, SJM, Wynn Macau, Galaxy, MGM China e Melco. A estas juntou-se a GMM Limitada, uma empresa ligada a Lim Kok Thay, presidente do grupo Genting.

Kou Hoi In | Imagem de Macau “continua a ser de casinos”

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O debate de ontem ficou marcado por uma longa intervenção do presidente do hemiciclo, Kou Hoi In, sobre a crise económica que o território atravessa e o futuro. “A imagem de Macau continua a ser casinos para a maioria dos visitantes. O que podemos fazer para mudar isto?”, começou por questionar, chamando a atenção para as lacunas no uso de Macau como plataforma comercial.

“Em várias ocasiões em que me desloquei ao Interior da China percebi que não são claras as linhas orientadoras do Governo Central. Como podemos clarificar [as directrizes] para que as pessoas venham primeiro a Macau e depois para Hengqin e Grande Baía? Muitos deles [investidores] vão directamente para Hengqin”, lamentou.

Kou Hoi In disse que, em 23 anos após a transição, não viu “muitos trabalhos sobre a criação de um centro mundial de turismo e lazer”. “O que poderemos oferecer às pessoas? Como podemos revitalizar os bairros antigos, atraindo cidadãos e empresas, criando novos pontos turísticos? Que histórias podemos oferecer? Espero que haja novos cenários que proporcionem essa revitalização.”

Relativamente às pequenas e médias empresas (PME), o presidente da AL disse que talvez seja altura de rever os formatos em que os apoios financeiros são concedidos.

“Têm sido criadas várias medidas de apoio às PME, mas haverá necessidade de persistir nelas ou revê-las a fim de atrair mais PME para Macau, levando depois os produtos de Macau para outros sítios? Pelos vistos, esses conteúdos não foram revistos. Peço que os deputados consultem esta mensagem para formular perguntas”, sugeriu.

Cartão de consumo | Rejeitadas 8 mil patacas a cada três meses

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A proposta partiu do deputado José Pereira Coutinho: injectar oito mil patacas no cartão de consumo a cada três meses. “Muitos trabalhadores enfrentam um enorme risco, e, para ser franco, se continuarmos com estes problemas sugiro que no próximo ano, a cada trimestre, se injecte no cartão de consumo oito mil patacas. Isso deixaria todos contentes”, sugeriu no hemiciclo.

Uma proposta que foi rejeitada pelo secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong. “Respeito a sua opinião, mas não concordo. Sobre os subsídios e apoios já repeti que temos o nosso princípio, e o Orçamento já está em apreciação. Usamos de forma justa a Reserva Financeira e penso que nestes três anos todos conseguem ver o que já fizemos”, apontou.

LAG 2023 | Executivo diz haver condições para baixar taxa de desemprego

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Numa altura em que o território enfrenta uma crise económica e o desemprego cresce devido à pandemia, o Governo afirma ser possível baixar a taxa de desemprego dos actuais 5,4 por cento para 5 por cento.

“Temos, em princípio, condições para baixar a taxa de desemprego dos 5,4 para 5 por cento, mas claro que continua a ser um número considerável. Entre Janeiro e Novembro ajudámos 5.700 desempregados a encontrar trabalho e penso que conseguimos bater o recorde. Assegurámos oportunidades de trabalho aos locais”, referiu o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, no debate sobre o relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para a área da Economia e Finanças.

A elevada taxa de desemprego que o território enfrenta actualmente foi um dos grandes temas do debate de ontem. O secretário apresentou ainda dados sobre o apoio dado aos jovens, por parte da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), na procura de emprego. “Este ano oferecemos estágios a 1.780 jovens recém-graduados, houve 900 inscritos, mas só 400 compareceram.”

A deputada Ella Lei disse conhecer casos de jovens até aos 30 anos que estão desempregados há mais de seis meses, mesmo com experiência. “Só este ano o sector do jogo perdeu 20 mil postos de trabalho. O Chefe do Executivo disse que as novas concessões vão assegurar os empregos, mas os trabalhadores continuam preocupados. Queremos que o Governo dê respostas concretas, incluindo sobre os casinos-satélite, mesmo que não seja hoje.” E, de facto, o secretário não deu uma resposta detalhada sobre este ponto.

Lei Wai Nong referiu que “a saída dos trabalhadores não residentes (TNR) é muito fácil, mas o mais difícil é o emparelhamento [dos residentes nas vagas de emprego]. Todas as semanas realizamos três actividades [de apoio ao recrutamento]. Há sempre muitas dificuldades e acredito que os sectores laborais sabem quais são”.

O secretário espera “um entendimento mútuo” na bitola residentes-TNR. “O Governo só pode dar condições de escolha. A pessoa pode escolher se, por exemplo, quer ser contratada por um salário de cerca de seis mil patacas. Se determinada empresa conseguir contratar locais, claro que não vamos autorizar vagas para TNR.”

Direitos em baixa

O deputado Lei Chan U abordou a questão dos direitos laborais e das lacunas que considera existirem no relatório das LAG. “O relatório não aborda muito a questão da protecção dos direitos laborais e isso ficou aquém das minhas expectativas. O padrão da protecção dos direitos laborais está atrasado”, acusou o deputado, que pediu mais dias de licença de maternidade.

O secretário ripostou afirmando que o Governo tem em consideração “os direitos dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, o ambiente de negócios”. “Há que atingir um equilíbrio. Após elaborarmos os diplomas vamos avançar para os trabalhos, mas isso não significa que nos inclinemos mais para um lado ou para o outro”, rematou Lei Wai Nong.

Casinos | Governo quer “mudar a imagem de Macau”

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No dia em que foram tornadas públicas algumas das exigências feitas às concessionárias para a atribuição de novas licenças de jogo, o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, garantiu que os próximos dez anos servirão para “mudar a imagem de Macau” e promover os elementos não jogo, num esforço dividido entre Executivo e empresas

 

A redução do espaço do jogo na economia será mesmo uma realidade nos próximos dez anos. No debate de ontem sobre o relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para a área da Economia e Finanças para 2023 o secretário, Lei Wai Nong, deixou claro que o Governo pretende “mudar a imagem de Macau” e que o novo concurso público passará por uma crescente aposta nos elementos não jogo.

“O desenvolvimento do sector dos casinos faz com que muitas pessoas e turistas pensem que Macau só tem jogo. Este sector é ainda primordial em Macau, mas isso prejudica a diversificação económica e é por isso que temos de concretizar a política de ‘1+4’. Nos próximos dez anos teremos de promover os elementos não jogo.”

Ontem, foram tornadas públicas algumas das exigências feitas às concessionárias a propósito do concurso público para a atribuição de novas licenças de jogo (ver texto página 4) e, na Assembleia Legislativa (AL), Lei Wai Nong adicionou outros comentários.

“Só quando conseguirmos promover os elementos não jogo é que teremos mais turistas. Para já, a nossa fonte de turistas é única e é difícil de competir com as cidades vizinhas. Temos de ter muitas actividades, espectáculos, compras, exposições e convenções. As empresas deverão promover uma economia comunitária. A política do Governo não é apenas promover a zona do Cotai em detrimento dos bairros antigos”, disse.

50-50

Neste jogo, o secretário deixou claro como serão lançadas as cartas: caberá também às empresas uma quota parte da responsabilidade nesta matéria. “O desenvolvimento dos elementos não jogo não deve ser feito apenas pelas concessionárias; o Governo deve fazer metade e a restante parte deve ser feita pelo mercado.”

Lei Wai Nong deu o exemplo do que o Executivo já fez nos bairros antigos de Coloane, na maioria trabalho promocional. “Foram acrescentados elementos digitais nos bairros antigos e promovidas as lojas com características próprias. Fizemos episódios sobre gastronomia com a CCTV [canal de televisão da China].”

O governante adiantou também que “a maior parte dos turistas de Macau, agora, são jovens. Temos de ter um novo pensamento. Nos contratos de concessão acrescentamos os elementos não jogo e o essencial é que toda a sociedade se ajuste também, além das empresas”, rematou.

O futuro do sector do jogo, a par com as medidas para a tão esperada revitalização da economia, foram dois temas marcantes no debate sectorial das LAG de ontem. O deputado José Pereira Coutinho lembrou, no entanto, que basta um novo surto epidémico para que tudo caia por terra.

“Não é fácil transformar a nossa economia quando o jogo é dominante. O que podemos oferecer aos turistas? Espectáculos com drones e bandas? Impossível!”

Ironizando sobre a política de “1+4” para revitalizar a economia, Coutinho disse que actualmente “temos cinco indústrias e não quatro, é que a dos testes de ácido nucleico”. “Basta um surto epidémico para que todas as medidas e a sua eficácia, deixem de ser relevantes”, afirmou.

As poderosas mergulhadoras de Ataúro, vencedoras em corrida de barcos tradicionais

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Reportagem de António Sampaio, da Agência Lusa

O suor escorre pelo rosto de Prisca de Araújo, 52 anos, pescadora em apneia de Bikele, em Ataúro, enquanto ergue os remos com que acaba de vencer a pequena corrida de ‘beiros’, os barcos tradicionais timorenses.

A seu lado, também com os rostos ofegantes e suados, remos de madeira toscos erguidos nas mãos, estão as duas companheiras de equipa, Querima Soares, 37, e Mariana de Araújo, 48 anos, esta última a única a quem não se vê o sorriso triunfante, eventualmente escondido atrás da máscara.

“Somos todas família, pescadoras de Bikele”, explica a ‘chefe de equipa’, vencedora entre seis grupos de mulheres na primeira prova das “Corridas de Barcos”, primeiro evento desportivo do Festival de Música e Cultura em Ataúro que decorre esta semana na ilha a norte de Díli.

Na costa os principais líderes do país, incluindo o Presidente da República, José Ramos-Horta – que deu a ‘largada’ acenando uma bandeira preta e branca – aplaudem a vitória da curta regata, uma viagem rápida de ida e volta, da praia até ao início da barreira de coral.

Praticamente ninguém prestou atenção à corrida dos homens, logo a seguir, preferindo – atletas e VIP – vir para a sombra do tosco mercado ao lado do cais de Beloi, para beber uns cocos abertos na hora.

“Hoje foi a primeira vez que algumas delas remaram, por isso andavam aos ziguezagues. Normalmente são mergulhadoras. Juntaram-se hoje para esta corrida”, explica à Lusa José Ramos-Horta, a quem coube a iniciativa do festival, evento a que se juntou depois o Governo.

Quatro dias com competições, concursos e várias atividades, que começou na segunda-feira de uma forma inovadora, com embaixadores acreditados em Díli, em trajes tradicionais, a liderar delegações de todos os municípios e da Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA).

“É uma forma de trazer entretenimento para esta ilha que está perto de Díli, mas está muito isolada. Vem pouca gente cá e até vem mais estrangeiros residentes em Díli que dão alguma animação e animação económica à ilha”, nota o chefe de Estado.

“Pretende-se que haja mais turismo doméstico, que os timorenses venham a Ataúro e a outros locais. Novembro não é o mês ideal, é época das chuvas, mas para o ano vamos fazer em julho ou agosto. Se calhar até conseguiremos reanimar a corrida de iates entre Darwin e Díli, que existiu no tempo português”, disse.

Normalmente, em Ataúro, a divisão de tarefas no mar não é como foi hoje, para esta pequena corrida no mar cristalino da maior atração turística de Timor-Leste.

Normalmente, nos ‘beiros’, quem rema são os homens, deixando às mulheres, as poderosas ‘wawata topu’ de Ataúro a outra tarefa: a de mergulhar em apneia, arpão na mão, para pescar.

Wawata Topu é o termo no dialeto rasua que descreve mulheres mergulhadoras, as sereias de Ataúro, que se lançam dos pequenos beiros, a vários metros de profundidade, para pescar.

Nas mãos levam um arpão tosco, de madeira, ferro e borracha e na face os óculos de mergulho tradicionais, feitos de madeira ou bambu esculpido e duas lentes de plástico ou, tradicionalmente, de vidro de garrafa.

Mergulham vestidas e descem tranquilamente vários metros, flutuando junto a corais que são considerados dos mais biodiversos do mundo e que, claramente, são o principal atrativo turístico de Timor-Leste.

A corrida de hoje de manhã – sob o sol forte e perante dezenas de personalidades que viajaram de Díli especialmente para o Festival – é um dos vários eventos programados para estes dias.

Fora do programa oficial, mas eventualmente mais importante para o futuro mais imediato da ilha, está a decisão do Governo realizar um Conselho de Ministros em Ataúro, que se transformou este ano em município.

“É a primeira e provavelmente a última vez. O programa do festival inclui uma quarta-feira e optámos por reunir o Governo, como normalmente, aqui”, explica o primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, à Lusa. José Ramos-Horta espera que seja um encontro que possa começar a fazer nascer alguns projetos cruciais para a ilha.

“Tem que haver mais investimento na água potável, um porto pequeno de atracagem, incluindo para iates. Depois uma clínica mais profissional e até com uma câmara hiperbárica, para os mergulhadores”, refere, entre outros projetos essenciais.

Taur Matan Ruak concorda com essas questões, avança ainda aspetos como a eletricidade e nota que a transformação da região em município e a criação de um fundo especial de investimento demonstra a aposta nas melhorias.

“A comissão do fundo está agora a analisar o que há para fazer. Só o orçamento para Ataúro em 2022 são cerca de 15 milhões, ultrapassa duas vezes os orçamentos de Díli, Baucau e Ermera”, notou. “A questão da água é um problema sério. E na eletricidade estamos a pensar avançar para energias renováveis. Temos que melhorar as estradas também”, referiu.

Entre várias questões, disse, é importante também enquadrar o desenvolvimento que algum setor privado tem feito, especialmente no turismo, no plano de ordenamento para Ataúro. Temas complicados para resolver que as gentes de Ataúro esperam não fiquem esquecidos nas ‘espumas’ de uma maré de líderes timorenses que estão esta semana na ilha.

Macau vai trocar informação com Malta para prevenir branqueamento de capitais

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Macau vai começar a trocar informação financeira com Malta para prevenir o branqueamento de capitais e o financiamento ao terrorismo, anunciaram hoje as autoridades. Segundo o Boletim Oficial da região administrativa especial chinesa, o Gabinete de Informação Financeira (GIF) vai assinar um acordo com a Unidade de Análise de Inteligência Financeira de Malta.

Num despacho datado de 16 de novembro, o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, autoriza a coordenadora do GIF, Chu Un I, a assinar o memorando de entendimento. Macau e Malta assinaram em 2013 um acordo para a troca de informações em matéria fiscal.

O GIF recebeu este ano, até ao final de setembro, 1.677 relatórios sobre transações suspeitas, menos 13,4% do que em igual período de 2021. Mais de metade dos relatórios vieram das operadoras de casinos.

Ao contrário de Macau, os jogos de fortuna e azar através da Internet são legais em Malta, de acordo com a Autoridade do Jogo do arquipélago europeu.

Em outubro, o Parlamento Europeu criticou a falta de progresso em Malta “na repressão de atos de corrupção e de branqueamento de capitais”, questões que a jornalista maltesa Daphne Caruana Galizia estava a investigar quando foi assassinada, há cinco anos.

Em junho, o Grupo de Ação Financeira, um órgão de vigilância internacional contra atividades ilegais e criminosas, retirou Malta da “lista cinzenta” de vigilância reforçada no combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo.

Segundo o relatório anual do GIF, divulgado no final de agosto, Macau era o único membro do Grupo Ásia-Pacífico Contra o Branqueamento de Capitais “que logrou obter a aprovação em todos os 40 padrões internacionais” sobre a prevenção da lavagem de dinheiro, do financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição maciça.

No entanto, o relatório anual do Departamento de Estado dos EUA, divulgado em março, designou Macau como um dos principais pontos de branqueamento de capitais a nível mundial.

Ainda assim, o documento admite que a detenção, em novembro de 2021, do antigo diretor executivo do maior angariador de apostas VIP do mundo, a Suncity, Alvin Chau Cheok Wa, “põe em dúvida o futuro do negócio dos ‘junkets’ e das atividade ilícitas que eles muitas vezes facilitam”.

Alvin Chau e mais 20 arguidos estão a ser julgados em Macau por associação criminosa e branqueamento de capitais, com o início das alegações finais marcado para 29 de novembro. O GIF de Macau assinou memorandos sobre a troca de informação para prevenir o branqueamento de capitais e o financiamento ao terrorismo com 29 países e territórios.

A lista de acordos inclui a Unidade de Informação Financeira da Polícia Judiciária de Portugal, em 2008, a Unidade de Informação Financeira do Banco Central de Timor-Leste, em 2018, e, em 2019, o Conselho de Controlo de Atividades Financeiras do Brasil e a Unidade de Informação Financeira de Cabo Verde.

Festival das Luzes | Portugal representado com grupo “Ocubo Criativo”

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A nova edição do Festival de Luz de Macau acontece entre os dias 3 de Dezembro e 1 de Janeiro e promete trazer muitos espectáculos de vídeo mapping à cidade. Este ano, Portugal faz-se representar com o grupo “Ocubo Criativo – Actividades Artísticas e Literárias”

 

Uma equipa de Portugal vai participar na oitava edição do Festival de Luz de Macau, que irá decorrer entre 3 de Dezembro e 1 de Janeiro, anunciou ontem o Governo. Segundo a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), o grupo português Ocubo Criativo – Actividades Artísticas e Literárias criou uma das quatro obras de ‘vídeo mapping’ em três dimensões que farão parte do festival.

Numa apresentação à imprensa, a DST disse que a obra da equipa portuguesa, chamada “Ponto de partida da integração”, irá ser exibida na fachada da Igreja de São Francisco, na ilha de Coloane, e “irá apresentar a história de Macau”.

A Ocubo Criativo já participou em outras edições do festival e foi convidada a desenhar uma obra alinhada com o tema principal deste ano, “Inverno Deslumbrante”, disse à Lusa a directora da DST. A empresa, com sede em Agualva-Cacém, “tem experiência em eventos em Portugal e não só” e “sempre que participa trazem ideias muito inovadoras”, disse Maria Helena de Senna Fernandes.

A Ocubo Criativo já apresentou trabalhos em França e na Finlândia e foi responsável pela cerimónia de inauguração em 2019 do Al Janoub, o primeiro estádio construído de raiz para o Mundial de futebol de 2022, a decorrer no Qatar.

O grupo português não estará presente em Macau “por causa da situação epidémica”, pelo que a obra será entregue pela Internet, com a DST a fornecer “equipamento e pessoal técnico para ajudar na projecção”. “Esperemos que no futuro possamos convidá-los a vir presencialmente em Macau”, disse Senna Fernandes.

Para todos os gostos

O festival, que este ano tem um novo nome, “Iluminar Macau 2022”, irá estender-se a oito zonas do território, incluindo a hotéis-casinos na península de Macau e no Cotai, uma vez que as seis operadoras de jogo foram “convidadas, pela primeira vez, para colaborarem”, disse a DST. A cooperação com as empresas permite ao governo “controlar o orçamento” do festival, que este ano é de 17,4 milhões de patacas, menos 8,4 por cento do que em 2021, disse a directora da DST. “Temos que ver a realidade”, sublinhou Senna Fernandes.

Na conferência de imprensa a directora da DST disse, citada por um comunicado, que o festival tem, nos últimos anos, mostrado “empenho na inovação e no aumento da eficácia do evento”. Este ano, e pela primeira vez, foram convidadas seis empresas de Macau ligadas às áreas do turismo e do lazer, tendo sido seleccionados “novos pontos nas zonas comunitárias”, a fim de expandir ainda mais o festival pela cidade.

Desta forma, o evento cobre este ano oito zonas do território, nomeadamente a zona Norte, zona Centro, zona da Praia do Manduco, zona de Nam Van, zona Nova dos Aterros do Porto Exterior (NAPE), Taipa, Cotai e Coloane, num total de 28 locais. “Percorrendo ruas e ruelas da cidade, o evento adiciona um programa de entretenimento nocturno, com o objectivo de atrair os residentes e visitantes a visitarem e consumirem nos diferentes bairros comunitários, beneficiando as pequenas e médias empresas, promovendo a economia nocturna e dinamizando a economia comunitária”, aponta o mesmo comunicado.

O evento integra exposições de vídeo mapping com temas como “Imersão · Metaverso”, “Património Mundial · Estética” ou “Percorrer · Natureza”, entre outras, além de que o público poderá ver de perto diversas instalações de luz e participar em jogos interactivos. Destaque para a exibição de “A Porta dos Píxeis” e “Universo dos Píxeis” nas zonas históricas como a Calçada do Amparo, o Pátio de Chôn Sau ou a Rua dos Ervanário, entre outros bairros antigos.

Zhejiang | Multado empreiteiro com presença lusófona

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O governo da província de Zhejiang, no leste da China, multou a China Railway Construction Corporation (CRCC), um empreiteiro estatal com presença em Angola, Brasil e Timor-Leste, por usar material e equipamento de fraca qualidade.

Num comunicado, o Gabinete Municipal de Transportes de Hangzhou, capital de Zhejiang, anunciou uma multa de 338.800 yuan ligada à reabilitação de uma autoestrada.

Segundo o gabinete, uma subsidiaria da CRCC “usou material, componentes e equipamento de construção não adequado e levou a cabo trabalhos que não seguiram os planos de engenharia ou os padrões técnicos de construção”.

A autoestrada G235 liga as províncias de Jiangsu, no leste do país, e de Guangdong, no sul, sendo que o contrato atribuído à CRRC, no valor de 105 milhões de yuan, envolveu um troço de 11,3 quilómetros.

A CRCC está a construir o novo Porto de Beaço, que se vai inserir na nova unidade de processamento de gás natural vindo do projeto do Greater Sunrise, no sul de Timor-Leste, e avaliado em 943 milhões de dólares.

O empreiteiro faz também parte de um consórcio, formado por empresas estatais chinesas, que venceu em 2019 um leilão para construir e operar aquela que será a segunda maior ponte do Brasil, no estado da Bahia.

A CRCC está ainda presente em Angola onde, entre outros projectos, concluiu em Julho um sistema de abastecimento de água potável a cerca de 600 mil habitantes de Cabinda, a província mais a norte do país.

Incêndio | Fogo que fez 38 mortos causado por mau manuseio de equipamento

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O incêndio que destruiu as instalações de uma empresa que lida com produtos químicos, no centro da China, matando 38 pessoas, foi causado pelo manuseio inadequado de equipamento por um funcionário, informou ontem a imprensa estatal.

“Segundo as conclusões iniciais da investigação, o acidente foi desencadeado pelo manuseio contrário aos regulamentos por parte de um funcionário da empresa”, informou a televisão estatal CCTV, sobre o incêndio, ocorrido na segunda-feira, na cidade de Anyang, província de Henan. “[Uma operação de] soldadura eléctrica provocou o incêndio”, detalhou a mesma fonte.

Os bombeiros levaram cerca de três horas e meia para controlar o fogo, que começou na segunda-feira por volta das 16:30. Imagens difundidas pela televisão estatal CCTV mostram chamas e fumo a sair do que parece ser um edifício de dois andares tomado pelo fogo. Fotos nocturnas mostram os bombeiros a examinar o que restou da estrutura, com uma escada de extensão e luzes.

As informações disponíveis ‘online’ sobre a empresa proprietária do edifício, a Kaixinda, revelam que se trata de um grossista que lida com uma ampla gama de produtos industriais, incluindo produtos químicos especializados.
Uma grande explosão, em 2015, num depósito de produtos químicos na cidade portuária de Tianjin, no norte da China, resultou na morte de 173 pessoas.

Taiwan | China considera a ilha “linha vermelha intransponível” na relação com EUA

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Num encontro do Camboja, que reuniu ministros da Defesa de vários países do Sudeste Asiático, Pequim reiterou a sua posição inabalável sobre a soberania da antiga Formosa, alertando os Estados Unidos para que nenhuma força exterior deve interferir na matéria que apenas diz respeito ao povo chinês

 

O ministro da Defesa chinês, Wei Fenghe, alertou ontem que a “questão de Taiwan é uma linha vermelha intransponível nas relações entre China e Estados Unidos” durante uma reunião no Camboja com o homólogo norte-americano, Lloyd Austin.

O encontro decorreu na cidade de Siem Reap, à margem da cimeira dos ministros da Defesa da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), para a qual ambos foram convidados.

Wei indicou a Austin que a “resolução da questão [de Taiwan] é um assunto do povo chinês”, alertando que “nenhuma força externa tem o direito de interferir” em algo que Pequim considera fazer parte dos seus “interesses fundamentais”, de acordo com um comunicado emitido pelo ministério da Defesa da China.

O ministro assegurou que a responsabilidade pelo deteriorar das relações sino-americanas recai sobre os Estados Unidos e exortou Washington a “cumprir as suas promessas” e a “adoptar uma política racional e pragmática em relação” a Pequim.

“Os militares chineses têm a confiança e a capacidade de proteger resolutamente a unidade da pátria”, advertiu.
O porta-voz do ministério da Defesa do país asiático, Tan Kefei, declarou ontem também que as conversações realizadas no Camboja têm “importância significativa” para colocar as relações entre as duas potências “no caminho de um desenvolvimento saudável e estável”. Citado pela imprensa local, Tan descreveu as negociações como “sinceras e construtivas”.

Diálogo retomado

Tratou-se do primeiro encontro entre as autoridades de Defesa das duas potências desde o encontro no Diálogo de Shangri La, que se realizou em Singapura, em Junho passado.

Desde então, a deslocação da presidente da Câmara dos Representantes norte-americana, Nancy Pelosi, a Taiwan – a visita de mais alto nível realizada pelos Estados Unidos à ilha em 25 anos – renovou as tensões entre os dois países.

Em retaliação, Pequim lançou exercícios militares numa escala sem precedentes, que incluíram o lançamento de mísseis e o uso de fogo real. A China suspendeu também o diálogo de alto nível com os EUA em várias matérias, incluindo as de defesa e alterações climáticas.

Mais recentemente, os líderes de ambos os países, Joe Biden e Xi Jinping, reuniram-se na semana passada, à margem da cimeira do G20, na ilha indonésia de Bali, para retomar o diálogo, visando evitar que as tensões levem a um confronto bélico.

Zhuhai | Novo caso positivo com trabalhador em Macau

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Um homem de 60 anos, que vive no Interior e trabalha em Macau, foi diagnosticado com covid-19. O empregado de uma empresa de limpeza tinha estado a trabalhar nos hotéis MGM Macau e Galaxy

 

O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus anunciou que foi detectado mais um caso de covid-19 em Zhuhai, relacionado com Macau. De acordo com o relato divulgado ontem, trata-se de um residente do Interior que esteve a trabalhar nos casinos MGM Macau e Galaxy, no Cotai.

A informação foi transmitida às autoridades de Macau pelas congéneres de Zhuhai, local onde o homem de 52 anos vive e testou positivo. Segundo os dados apresentados, o homem foi testado nos dias 18, 19 e 20 de Novembro, com os três testes a registarem resultados negativos. Contudo, na segunda-feira, já depois de ter estado em Macau a trabalhar, fez mais um teste para poder atravessar a fronteira e o resultado foi positivo.

Em Macau, o homem, que trabalha para Companhia de Serviços de Ying Nong, esteve no dia 20 de Novembro no Lion Club, no segundo andar do casino MGM Macau, na Península, a fazer limpezas. No dia seguinte, o local de trabalho foi a terceira fase do casino Galaxy, segundo o comunicado, de dois parágrafos, que demorou mais de cinco horas a ser traduzido do chinês para português.

Segundo o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, os dois locais estão encerrados ao público, pelo que as medidas adequadas estão ainda a ser equacionadas.

Além destes locais de trabalho, o homem limitou-se a apanhar os transportes públicos para de deslocar entre a fronteira e os dois casinos.

Testes negativos

Também ontem, o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus revelou que os testes relacionados com o caso de covid-19, ligado a uma turista do Interior, diagnosticado a 19 de Novembro, foram todos negativos.

“Ontem (dia 21), durante as 24 horas, foram recolhidas amostras de um total de 107.405 pessoas nas zonas-alvo e nos postos regulares de testes de ácido nucleico, tendo todos os resultados sido negativos”, pode ler-se no comunicado.

Depois do diagnóstico do caso de 19 de Novembro, o Governo ordenou às pessoas que estiveram mais de meia hora nos mesmos locais que a turista que realizassem quatro testes em cinco dias.

Caso os indivíduos não realizem os testes, conforme as exigências, os seus códigos de saúde serão convertidos na cor amarela no dia seguinte. O código verde só pode ser restabelecido após a realização de teste com o resultado negativo. Quem não apresentar código de cor verde, pode ser proibído de frequentar espaços públicos e forçado a ficar em Macau, mesmo contra a sua vontade. Esta medida tem sido justificada com a missão do Executivo de evitar infecções em outros países.

Catar2022 | Associação Sheng Kung Hui alerta para vício de apostas

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A Associação Sheng Kung Hui apelou aos residentes para que tenham cuidado durante o Campeonato do Mundo, principalmente os mais jovens, e evitem o vício das apostas.

Segundo o jornal Ou Mun, o chefe do Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais Sheng Kung Hui Macau, Ip Kam Po, defendeu que como desta vez os horários são mais acessíveis, há um risco maior de que as pessoas se deixem levar pela vontade de apostar nos resultados dos jogos.

Além disso, o responsável destacou “o efeito das redes sociais”, que disponibilizam várias plataformas para análise, publicidade e previsões dos diferentes encontros. Na perspectiva de Ip, estas novas tecnologias são muito viradas para os mais jovens e podem fazer com que estes não consigam controlar os montantes que apostam.

No mesmo sentido, o chefe do Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais da Associação Sheng Kung Hui Macau vincou que a associação está disponível para ajudar todos os necessitem de fazer face ao vício e que pode ser contactada a qualquer altura. Ainda assim, durante o Campeonato do Mundo de 2018, Ip Kam Po reconheceu que não houve um aumento dos pedidos de ajuda.

Sobre os pedidos relacionados com o vício do jogo, ao longo deste ano, até Setembro, Ip Kam Po revelou que houve uma quebra de 20 por cento em termos anuais.

MP | Li Canfeng e familiares adquiriram 18 propriedades em sete anos

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O ex-director das Obras Públicas Li Canfeng irá responder em tribunal às acusações de que terá recebido propriedades, dinheiro, vinhos caros e até favores para conseguir residência, via IPIM, através de investimento. O ex-dirigente começa a ser julgado na sexta-feira num processo onde é acusado de mais de 20 crimes

 

Entre os anos de 2011 e 2018, o ex-director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) Li Canfeng comprou cinco imóveis por um total de 48,9 milhões de patacas, enquanto que familiares seus compraram, entre 2007 e o ano passado, 11 imóveis no Interior da China a troco de 44,6 milhões de renminbis. Além disso, o filho do ex-dirigente adquiriu dois imóveis em Sidney, na Austrália, por 20,9 milhões de patacas, indicou ontem a Macau Business, com base na acusação do Ministério Público (MP).

Segundo os argumentos da acusação, o portfolio imobiliário de Li Canfeng e da sua família cresceu consideravelmente graças ao esquema criminoso que envolve o seu antecessor Jaime Carion, e os empresários Sio Tak Hong, William Kuan e Ng Lap Seng.

Recorde-se que Li Canfeng foi vice-presidente da DSSOPT entre 1998 e 2008, substituindo Jaime Carion à frente do organismo entre 2014 e 2019.

Além da aquisição de imóveis, o MP alega que os benefícios recebidos por Li se estenderam à sua família. Ainda assim, o ex-dirigente irá responder em tribunal por 11 crimes de corrupção passiva, 10 crimes de branqueamento de capitais agravado, um crime de falsificação de documentos e quatro crimes de prestações de declarações falsas.

Um dos pontos curiosos da acusação é a descoberta de inúmeros “vinhos luxuosos” por agentes da Comissão contra a Corrupção na residência de Li Canfeng na Avenida da República. As garrafas avaliadas em, pelo menos, 512,8 mil patacas, terão sido contrapartidas ilícitas de actos de corrupção.

Furar barreiras

Um dos aspectos da acusação que melhor representa a proximidade entre os arguidos é a alegação de que Li Canfeng terá estabelecido com o empresário Sio Tak Hong, e Si Tit Sang (também arguido no processo), uma empresa de desenvolvimento imobiliário chamada Kou Fong – Construção Civil e Consultoria, Lda.

Segundo a acusação, citada pela Macau Business, Li Canfeng pertencia ao conselho de administração e era detentor de 40 por cento do capital social da empresa, que tinha sede no FIT Center, perto do Lago Nam Van.

O MP alega ainda que o ex-director da DSSOPT terá trabalhado também numa empresa chamada Nagn Kuai Golf (Jiangmin City), Ltd, entre 2013 e 2014, dirigida também por Sio Tak Hong.

A proximidade entre o dirigente das Obras Públicas e Sio Tak Hong ganhou contornos de familiaridade quando o empresário foi instrumental no processo de obtenção de residência da RAEM para a esposa de Li Canfeng, através do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM).

Participações divinas

Segundo a tese do MP, Li Canfeng, um ano antes de ascender à liderança da DSSOPT, terá pedido à secretária de Sio Tak Hong a transferência de 1 por cento do capital da Gestão de Empresas Tin Fok, S.A.R.L., a empresa-mãe do Hotel Fortuna.

A acusação refere que, à altura, a unidade hoteleira estava avaliada em 1,67 mil milhões de dólares de Hong Kong (HKD), e que, ao valor de mercado, 1 por cento do capital detido pela mulher de Li Canfeng representaria aproximadamente 14 milhões de HKD.

A quantia seria suficiente para que a esposa de Li, cujo estado matrimonial nunca teria sido reconhecido em Macau, adquirisse o estatuto de residente não-permanente da RAEM em Fevereiro de 2015.

Porém, a “parceira de Li Canfeng nunca transferiu os 14 milhões de HKD, nem qualquer valor aproximado, em troca da participação social para uma conta bancária de Sio Tak Hong, ou para qualquer outra conta bancária associada à empresa”, lê-se na acusação.

Ainda assim, a esposa do ex-director da DSSOPT recebeu dividendos enquanto accionista da empresa, entre 2017 e 2019, num valor de quase 390 mil HKD.

Emprego | Seis sessões de recrutamento a partir de amanhã

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Amanhã, sexta-feira e segunda-feira realizam-se seis sessões de recrutamento de emprego, que vão disponibilizar 300 vagas, informou ontem o Governo. As sessões que têm como objectivo conectar empresas e trabalhadores serão organizadas pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e a Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

As vagas disponibilizadas estão relacionadas com os sectores da venda a retalho de topo de gama, venda a retalho em marcas de moda, segurança e restauração. As inscrições para os eventos de ligação entre empregadores e candidatos encerram hoje ao meio-dia e podem ser feitas no website da DSAL.

Para amanhã, serão disponibilizadas 66 ofertas de emprego em empresas de venda a retalho de topo de gama “para funções como vendedor, estagiário de gestão, pessoal de atendimento ao cliente e empregado de armazém”.

Na sexta-feira de manhã, a DSAL e a FAOM proporcionam o encontro entre candidatos a emprego e empresas de venda a retalho em marcas de moda, disponibilizando 60 vagas para cargos de vendedor, guia de galerias e director de guia de galerias.

No mesmo dia, à tarde, será a vez do sector da segurança, com 65 vagas de emprego para as funções de guarda.
As sessões de amanhã e sexta-feira serão realizadas na sede da FAOM (Rua da Ribeira do Patane, nº 2-6).

Finalmente, na próxima segunda-feira, serão organizadas duas sessões destinadas ao sector da restauração, disponibilizando 109 ofertas de emprego para funções como empregado de mesa, assistente de cozinha, assistente de relações públicas, empregado de bar e cozinheiro. Esta sessão realiza-se no Centro para o desenvolvimento de carreiras da FAOM (Istmo de Ferreira do Amaral, nº 101-105A.

Jogo | Morgan Stanley revê em baixa previsão de receitas

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A Morgan Stanley Asia reconsiderou as estimativas de resultados da indústria do jogo para este ano e 2023. A revisão mais significativa, 15 por cento, diz respeito aos resultados esperados até ao final de 2022, empurrada pelos surtos de covid-19 no Interior e as consequências na emissão de vistos electrónicos

 

Na segunda-feira, as autoridades de Guangzhou confinaram o distrito de Baiyun, onde residem mais de 3,7 milhões de pessoas, interromperam o trânsito e cancelaram aulas, em resposta ao surto que afecta a capital da província vizinha de Guangdong, o maior mercado de turistas e jogadores que alimentam tradicionalmente os casinos de Macau.

Desde o final de Outubro que algumas zonas de Guangzhou têm sido alvo de confinamentos, situação que inclusive originou protestos da população.

Com os surtos de covid-19 a espalharem-se pelo Interior da China, a corretora Morgan Stanley anunciou na segunda-feira que revira em baixa as previsões que havia feito em relação aos resultados dos casinos de Macau para este ano e 2023.

A revisão mais substancial diz respeito aos resultados de 2022, com um corte de 15 por cento nas receitas brutas esperadas, para um total de 5,6 mil milhões de dólares, valor que se situa em cerca de 15 por cento das receitas brutas apuradas em 2019.

Em relação às perspectivas para 2023, os analistas da Morgan Stanley baixaram a estimativa em 3 por cento, para um total de 16 mil milhões de dólares em receitas brutas, uma fasquia que significa cerca de 43 por cento dos resultados de 2019. “Estamos em linha com as estimativas do Governo da RAEM para 2023”, indicaram os analistas Praveen Choudhary e Gareth Leung.

A Morgan Stanley frisa que as suas estimativas para este ano e 2023 são, respectivamente, abaixo do “consenso do mercado” 10 e 15 por cento.

Retorno em pausa

Importa recordar que o Executivo de Ho Iat Seng estimou que as receitas brutas dos casinos para o ano fiscal de 2023 se fixe em 16,08 mil milhões de dólares (130 mil milhões de patacas), de acordo com a proposta de orçamento do próximo ano.

Um dos destaques dos analistas é a forma como o número crescente de casos positivos de covid-19 na China “não ajuda à retoma dos vistos electrónicos”, cuja emissão supostamente começaria no início deste mês.

“Ainda estamos a aguardar o retorno gradual, a curto-prazo, da emissão de vistos electrónicos, mas prevemos alguma normalização de viagens a partir do próximo ano”, acrescentam os analistas.

Em relação aos resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações [EBITDA], a Morgan Stanley estima que os casinos de Macau acumulem no fim deste ano prejuízos combinados de 1,28 mil milhões de dólares, valor que contrasta com os lucros de 577 milhões de dólares registados no ano passado.

“Estimamos que em 2022, as perdas líquidas da indústria do jogo de Macau se agravem em 7 por cento” para cerca de 5,10 mil milhões de dólares, indicam os analistas.