Coutinho quer jovens mais perto da política

Rómulo Santos

O deputado José Pereira Coutinho quer saber que medidas estão a ser pensadas para atrair os mais jovens para a política e para os trabalhos desenrolados na Assembleia Legislativa (AL). A pretensão consta numa interpelação escrita, divulgada ontem pelo deputado, em que é abordada a abstenção de 42 por cento nas últimas legislativas, um recorde negativo deste o estabelecimento da RAEM.

Segundo o deputado, apesar da Comissão dos Assuntos Eleitorais das Assembleia Legislativa (CAEAL) ter justificado a taxa de abstenção histórica de 42 por cento “com as restrições impostas devido à pandemia e ao mau tempo”, a questão de fundo prende-se com “o desinteresse dos jovens, e dos cidadãos, de uma forma geral, pelas questões referentes aos trabalhos da Assembleia Legislativa”.

No entender do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), que nunca menciona o facto do deputado mais jovens de sempre na RAEM, Sulu Sou, ter sido impedido de participar nas últimas eleições, o desinteresse é motivado pela “opacidade das comissões” da AL e a “crónica falta de transparência”.

Coutinho acusa também as escolas secundárias e do ensino superior de contribuir para a actual situação, por terem “demonstrado um profundo alheamento pela educação política, e cívica” e de de não incentivarem “a participação dos alunos nos trabalhos da Assembleia Legislativa”.

Neste cenário, o deputado quer saber que planos tem o Governo para aumentar a participação dos jovens da política, e levar as escolas a terem um maior envolvimento, como com a criação de um programa de um parlamento jovem.

Portugal | Comunidade chinesa manifesta-se junto à embaixada dos EUA 

HM
A Liga dos Chineses em Portugal, presidida por Y Ping Chow, juntamente com outras associações representativas da comunidade chinesa, está a organizar uma manifestação contra a visita de Nancy Pelosi a Taiwan. O protesto vai decorrer junto à embaixada dos EUA em Lisboa, na próxima segunda-feira, dia 22

 

A comunidade chinesa em Portugal vai manifestar-se na próxima segunda-feira, dia 22, junto à embaixada dos EUA, em Lisboa, contra a recente visita de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, a Taiwan. O protesto é organizado pela Liga dos Chineses em Portugal, presidida por Y Ping Chow, bem como por outras associações representativas da comunidade chinesa. Pretende-se que a manifestação seja “organizada, com slogans e bandeiras”.

“Os subscritores e apoiantes desta manifestação querem exprimir livre e pacificamente o seu protesto pela visita da senhora Nancy Pelosi, na qualidade de presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, à província chinesa de Taiwan, a que a diplomacia chinesa se opôs legitimamente, porque à luz daquela resolução e dos acordos estabelecidos com os EUA, representa uma violação da soberania da China”, lê-se no pedido de manifestação feito às autoridades portuguesas.

Ao HM, Y Ping Chow declarou que a visita de Nancy Pelosi “não cria apenas problemas à China, mas também instabilidade na região, além de promover uma guerra”. “Quando há instabilidade reflecte-se no comércio e na possibilidade de fazer negócios, não afectando apenas a Ásia mas todo o mundo. A intenção dos americanos cria instabilidade em todo o mundo, além da que já existe na Europa com a guerra na Ucrânia”, frisou o responsável.

Um dos rostos mais importantes da comunidade chinesa em Portugal, residente no Porto, confirmou que todos os dirigentes de associações chinesas vão marcar presença, bem como “algumas personalidades portuguesas”, sem querer referir quais. Y Ping Chow acredita mesmo que mais comunidades chinesas espalhadas pela Europa darão os mesmos passos contra a visita de Pelosi. “Os chineses são bastante pacíficos, mas tenho a certeza de que vamos ter bastante adesão”, disse ainda. As contas da Liga dos Chineses em Portugal apontam para um máximo de 1000 participantes.

“Uma só China”

No pedido feito às autoridades portuguesas, para a realização da manifestação, lê-se que “o princípio de ‘Uma Única China’ é o núcleo essencial dos três comunicados conjuntos China-EUA e a premissa e fundamento para o estabelecimento e desenvolvimento das relações diplomáticas entre a China e os EUA”.

É ainda feita uma referência à “afronta” feita “ao consenso mundial estabelecido pelas Nações Unidas de não ingerência nos assuntos internos dos países e do reconhecimento da unidade da nação chinesa, o que, no caso de Taiwan, significa respeitar o caminho soberano da República Popular da China de promover a reunificação pacífica com Taiwan através da política de ‘Um país, dois sistemas’”. Esta é uma fórmula “já aplicada com sucesso no regresso à mãe pátria de Hong Kong e Macau”, rematam os responsáveis.

Covid-19 | Pyongyang acaba com obrigatoriedade do uso da máscara

DR

A Coreia do Norte decretou ontem o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em quase todos os locais públicos, dias após o líder Kim Jong Un ter declarado vitória na luta contra a covid-19.

“A exigência de uso de máscara foi suspensa em todos os lugares, excepto nas áreas da linha de frente e cidades e condados fronteiriços”, anunciou a agência de notícias oficial norte-coreana KCNA.

As medidas de distanciamento social também foram suspensas em todas as regiões, excepto nos territórios fronteiriços, acrescentou a KCNA.

O regime, no entanto, recomenda o uso de máscara para pessoas com sintomas e pede aos norte-coreanos que “fiquem alerta a qualquer coisa anormal”, uma possível referência aos balões com propaganda enviados por activistas da Coreia do Sul.

Apesar de uma proibição imposta pelas autoridades de Seul em 2021, activistas sul-coreanos continuam a enviar balões contendo panfletos políticos e notas de dólares, provocando protestos de Pyongyang.

A Coreia do Norte acusou Seul de ter introduzido o coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença covid-19, a partir da fronteira entre os dois países.

Durante o pico da vaga de covid-19 na Coreia do Norte em Maio, foram comunicados até 200.000 casos num único dia. Desde o final de Julho, as autoridades norte-coreanas têm anunciado sucessivamente zero casos, o que levou Pyongyang a facilitar as medidas de isolamento.

Conselho Executivo conclui análise sobre três diplomas legais

DR

Está concluída a análise, por parte do Conselho Executivo, de três diplomas legislativos que darão entrada na Assembleia Legislativa. Um deles é o novo Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau (ETAPM) e diplomas conexos. O novo regime visa flexibilizar a mobilidade dos funcionários públicos e garantir um melhor aproveitamento dos recursos humanos. Além disso, “foram clarificadas as competências do pessoal de direcção na gestão [dos funcionários públicos]”, tendo sido introduzidas “disposições legais para regulamentar a digitalização” dos processos. Tudo para “elevar a eficiência administrativa”.

O Conselho Executivo concluiu ainda, na sexta-feira, a discussão do regulamento administrativo relativo ao regime jurídico da construção urbana, que define o procedimento a adoptar para o licenciamento de obras. Ficam, assim, definidos os critérios exigidos para pedir o licenciamento de uma obra, bem como “as fases de apresentação dos projectos de obra, os procedimentos e critérios de apreciação e aprovação dos projectos, a emissão de licença de obra, bem como a fiscalização e vistoria de obras concluídas”. São ainda acrescentadas as disposições sobre os projectos de segurança contra incêndios, sistemas de segurança contra incêndios e de telecomunicações.

O novo regulamento administrativo visa ainda a “simplificação dos circuitos”, sendo criado o regime de comunicação prévia. Desta forma será mais fácil fazer obras simples de reparação ou modificação sem necessidade de apresentar um pedido de licença.

Mudanças nos incêndios

Outro diploma analisado pelo Conselho Executivo foi o “regulamento técnico de segurança contra incêndios em edifícios e recintos”, que alarga as competências do Corpo de Bombeiros (CB) para estes locais, além de melhorar e actualizar as regras técnicas de segurança contra incêndios. É ainda reforçada a monitorização inteligente dos incêndios por parte do CB, para que estes possam acompanhar, em tempo real, o funcionamento dos sistemas de segurança contra incêndios. O diploma implementa também o novo regulamento técnico de segurança contra incêndios.

Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau – III – Da arte de andar a pé

Rómulo Santos

Por Mário Duarte Duque*

 

A mobilidade pedonal é a mais primordial, a mais comprometida com o acréscimo da complexidade urbana, mas também aquela que mais revela tendência e vontade crescentes em dela cuidar, nomeadamente devolvendo um sentido de humanidade às cidades.

A mobilidade pedonal é também aquela dotada de maior liberdade de movimentos, seja por se processar por decisões individuais, seja por não depender da utilização de equipamentos. Ou seja, algo que aos humanos importa, porque isso reveste-se de sentido de auto determinação.

A tradição urbana que caracteriza as cidades de hoje ainda se pauta pela condução sistemática de serviços, tal como resultou da revolução industrial, os quais convivem regradamente num espaço canal (as ruas), onde cada utilidade tem um local destinado (i.e. as circulações motorizadas individuais e colectivas, rodoviárias e de carril, mas também redes de esgotos e de abastecimento), o qual define um território “infra-estruturado”, onde a circulação pedonal tem um local reservado lateralmente a que chamamos “passeio”, construídos elevadamente para resguardo da drenagem de superfície que corre na parte rodoviária da via, antes de ser recolhida subterraneamente. Ou seja, um arquétipo urbano, que em cada situação concreta tem um desenho próprio, mas subjacente à mesma ideia.

É isto que identificamos ter sido implementado na RAEM na cidade antiga, ter sido praticado nas urbanizações recentes, mas que também que se antevê ser o modelo dos novos aterros.

Todavia, modelos que têm como limites uma proporção máxima e fixa entre os diferentes caudais de fluxos, e que entram necessariamente em crise quando esses caudais se alteram, como aconteceu com o exponencial acréscimo do transporte rodoviário individual.

A primeira consequência foi a redução da largura desses passeios para aumento de número de faixas de rodagem.
A segunda consequência foi “guardar” os passeios com vedações de segurança, porque o fluxo de peões também aumentou. Mais fácil e perigosamente esses peões podiam resvalar para a faixa rodoviária, como atravessar essas vias onde passou a não ser autorizado.

A terceira foi dotar esses passeios de um sentido pedonal único, como acontecia na Av. Almeida Ribeiro, em tempos em que a economia de Macau efervescia com o turismo, mas muito disfuncionalmente.

Da mesma forma que os lugares têm um contingente máximo de ocupação, as comunicações também têm um contingente máximo de fluxo

Efectivamente, a circulação pedonal de superfície vem sendo condicionada na RAEM sem moldes de quantificação, e vem sendo definida com grande sacrifício para a liberdade dos peões.

Simultaneamente, e em sentido contrário, os centros das cidades conheceram o aumento de circulação pedonal com o estabelecimento de zonas pedonais exclusivas.

Tipicamente a pedonalização dos centros iniciou-se com grande oposição dos comerciantes com receio de perda de negócio. Antagonicamente, os centros das cidades acabaram mudar as características do comércio, exactamente por acréscimo de afluência, e disso o centro de Macau não foi excepção.

Efectivamente, pela pedonalização, o centro das cidades aliviou-se e humanizou-se mas também por compressão no restante tecido urbano, colocando o interface de fluxos nos pontos onde se comuta da circulação pedonal para as circulações gerais da cidade. Principalmente quando esses centros não estão serviços por outro transporte público subterrâneo.

A isso o centro de Macau também não é excepção. Efectivamente não é razoável que o acesso pedonal da Av. da Praia Grande ao centro, se faça por um passeio vedado com menos de metro e meio de largura na Calçada de S. João, logo ao lado de uma circulação rodoviária, onde os veículos, predominantemente poluentes, têm que aumentar drasticamente a rotação dos motores, por causa da subida.

Também nunca se cuidou em diversificar esses acessos ao centro, nomeadamente libertando alguns logradouros públicos que proliferam pela cidade antiga, e que se encontram bloqueados. Ou seja, situações que não podem expandir, mas que podem ser mais bem aproveitadas no seu detalhe, nomeadamente dando utilidade ao obsoleto.

Noutra vertente, mas também em consequência da intensificação do trânsito, houve necessidade de resolver os atravessamentos das circulações para que se processassem sem interrupções de fluxo, nomeadamente os atravessamentos pedonais, introduzindo passagens superiores para peões.

Foram soluções necessárias, mas pouco atractivas para os peões pelo esforço e desconforto que acarretam, e mais uma vez em sacrifício de uma liberdade pedonal. Por essa razão, a medida complementou-se com os gradeamentos ao longo dos passeios para impedir os peões de atravessar as vias em locais não designados.

Anos depois o sacrifício foi atenuado com a equipagem dessas passagens superiores com elevadores e escadas rolantes. Só mais recentemente se deu a mudança de paradigma quando algumas dessas passagens deixaram de ser meros atravessamentos desnivelados e passaram a constituir um nível de circulação próprio, que Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau, em discussão, apresentou como um sistema 3D, e que se caracteriza por camadas desejavelmente contínuas, autónomas e intercomunicáveis, que se pautam por um melhorado e elevado sentido de conforto. Ou seja, um sistema que não devolvendo a mesma liberdade de movimentos que os peões tinham à superfície, alivia-os sobremaneira de muitos sacrifícios de que foram aflitos.

Importa também ter presente que esse modelo também não constitui outro paradigma que a mesma condução sistemática de serviços por uma via infra-estruturada, tal como resultou da revolução industrial, e por que ainda se pauta toda a cidade, tal como a conhecemos. Constitui apenas maior intensificação, com melhor desempenho, por mais bem arrumado e melhor coordenado e articulado.

Ou seja, a verdadeira mudança de paradigma na forma de conduzir circulações e fluxos deveria acontecer nos novos aterros que, sendo planeados de início, poderiam ser palco de soluções que melhoram acomodam todas as necessidades tal como já se conhecem, se quantificam, e se antevêem, e não aquelas que, mesmo sendo engenhosas, resultam de situações de exaustão.

Efectivamente, a malha urbana dos novos aterros antecipa vias convencionais, a serem infra-estruturadas convencionalmente, definindo lotes convencionais, para os quais, pelas actuais regras da edificação, a DSSCU continuará a exigir o ingresso das edificações à superfície, atribuindo uma cota de soleira. Assim como o Departamento de Planeamento Urbanístico continuará a definir ingressos à superfície para as entradas de estacionamento, seja em Planos de Pormenor, seja em Plantas de Condições Urbanísticas na delonga de Planos de Pormenor.

No que se prende com o acréscimo significativo de percursos pedonais que vêm sendo proporcionados, nomeadamente com aperfeiçoadas condições ambientais, importa distinguir os que se fazem em tempo de pausa, por desporto ou por lazer, dos que se fazem em rotinas diárias.

As rotinas pedonais diárias figuram em planeamento urbanístico e prende-se com a distância máxima a atribuir a esses percursos, nomeadamente em complemento dos trajectos efectuados em transportes públicos, como uma distância admissível de 400m.

Esse valor é deveras relativo na medida em que tanto é reduzido por factores de comunidade, como é aumentado por factores de saúde e de desejáveis rotinas de manutenção. Ou seja, depende do que anima uma sociedade em determinado momento.

Todavia essas distâncias pedonais podem ser consideravelmente estendidas se esses percursos puderem ser feitos por bicicleta, praticamente com a mesma autonomia dos circuitos pedonais, contando que esses utilizadores possam transportar bicicletas nos transportes públicos, nas passagens elevadas, e nos elevadores que lhes dão acesso.

Para isso assistem bicicletas que se dobram e se admitem em transportes públicos, que por sua vez têm entradas próprias e espaços designados, para não atrapalharem os demais utentes. E se a tendência é de reduzir o transporte automóvel privado, o mesmo significa um decréscimo de utilização rodoviária, logo alguma capacidade de devolver algum equilíbrio tradicional às circulações de superfície, nomeadamente as pedonais. Em verdade, em toda a RAEM os edifícios continuam a ser pedonalmente acessíveis ao nível da rua.

*arquitecto

(continua)

FRC acolhe “Exposição de Banda Desenhada e Animação de Macau” até sábado

DR

A Fundação Rui Cunha (FRC) inaugura amanhã, a partir das 18h30, uma mostra que reúne trabalhos dos membros da Associação de Intercâmbio Cultural de Banda Desenhada e Animação de Macau 2002, em exibição até ao próximo sábado. A organização indica que não haverá lugar a cerimónia de abertura, uma vez que já ocorreu no passado dia 16 de Julho.

A mostra colectiva é composta por cerca de 30 trabalhos criados por oito artistas de banda desenhada, cartoon e animação. Seis dos artistas representados neste projecto são locais e amadores, que se dedicam de alma e coração ao género. Outros dois, são profissionais de Hong Kong e do Japão.

Vincent Ho é um dos artistas de Macau, com o background em cinema, que se dedica há muitos anos à banda desenhada e está neste momento concentrado no seu primeiro trabalho pessoal, denominado “Cruel Angel”.

Outro dos participantes na mostra, é Wing Mo, um ilustrador iniciante que começou por explorar diferentes técnicas de pintura e explora agora o universo da mixed media. Por sua vez, Greymon Chan é o autor de “Bony Guy”, uma personagem popular e amplamente divulgada nas redes sociais, cujos subprodutos estão em plena promoção.

Z é desenhadora de manga desde 2012 e conhecida pelo seu trabalho mais recente, “Inumanos”, embora continue a explorar novas técnicas e temas de pintura.

Nasu define-se como «50 por cento artista, 50 por cento beringela» e concentra a sua arte em ilustrações e personagens no estilo kawaii, hoje pintando sobretudo com aquarela e iPad.

ST é outro dos membros da associação que organiza a mostra a ser inaugurada amanhã. O criador teve grande sucesso no mercado infantil de banda-desenhada com o seu primeiro trabalho, “The Caterpillar Family”, passando a publicar regularmente cartoons no jornal diário Vakio. O mais recente projecto de ilustração foi “Super Awakening” e hoje, além de continuar a explorar diferentes estilos, é também professor de ilustração.

Os profissionais

Leung Wai Ka é cartoonista profissional em Hong Kong e foi editor-chefe de projectos como “Eternal Dragon Slayer”, “The Legend of Black Panther”, e tantos outros. Depois de se tornar um criador independente, co-editou “Extinction Game” com Beyen Dai, produziu ilustrações e storyboard para a série de TV “The Detective”, coordenou a banda-desenhada de “Black Comics”, ilustrou o capítulo africano do “Jogo de Extinção” e está agora a trabalhar no novo projecto “One Hundred Spirits, One Kind of Man”.

Hiroshi Kanatani é um consagrado cartoonista japonês, cujos trabalhos incluem Shonen Sunday, ilustrações encomendadas de Godzilla para a Toho Studios, contributos para o Famous Monsters of Filmland e a Monster Attack Team, e a colaboração com Clint Eastwood e o espólio de Bruce Lee. A sua paixão por monstros e heróis levou-o desenvolver projectos em Hong Kong, Taiwan e na América. Hoje é membro da Japan Manga Association e 2019 marcou a sua segunda aparição no San Diego Comic Fest.

10 Fantasia | Embrace the Rainbow – “An Emotional Outlook” até 28 de Setembro

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As exposições estão de regresso ao espaço 10 Fantasia, ao lado do Albergue SCM, sob a batuta organizadora da Ark-Association of Macau Art. Até 28 de Setembro, está em exibição Embrace the Rainbow – “An Emotional Outlook”, que reúne trabalhos de U Weng Kam, Cheong Un Mei entre pinturas a óleo e composições mistas

 

Depois de as nuvens se dissiparem, os primeiros raios de sol no céu artístico de Macau voltam a brilhar. É com essa filosofia de retorno que a Ark-Association of Macau Art retoma o ciclo de exposições no segundo andar do espaço 10 Fantasia, ao lado do Albergue SCM, aberto ao público todos os dias, excepto à segunda-feira, das 11h às 18h.

Ontem, foi inaugurada a 4.ª e penúltima edição do ciclo Embrace the Rainbow, intitulado “An Emotional Outlook”, que reúne trabalhos das artistas U Weng Kam e Cheong Un Mei.

Segundo a Ark-Association of Macau Art, a exposição que estará patente no espaço 10 Fantasia até ao dia 28 de Setembro representa a saída de um período negro em direcção a um horizonte colorido. “Depois da neblina surge o sol, e o arco-íris vem sempre depois da tempestade. O título desta série de exposições gira em torno das ideias de esperança e recuperação. O que nos aconteceu durante a pandemia? O que merece a nossa gratidão? O que nos inspirou?”, questiona a associação.

A organização da mostra realça a importância da arte no reajuste de mentalidades e no reforço da confiança e esperança. A estética e a expressão artística são instrumentos para encontrar paz interior, num mundo ditado por distâncias sociais e restrições de toda a ordem.

Na apresentação da peça de U Weng Kam, é referido o aspecto permanente da existência de arcos-íris, apesar da presença ou não de seres humanos. “Animais e plantas que povoam o planeta vão continuar a viver, partilhando os recursos da Terra em harmonia contínua. Talvez um arco-íris não tenha significado para eles, porque é apenas um fenómeno físico”, teoriza a artista.

U Weng Kam acrescenta que a sua expressividade artística é impregnada por elementos existencialistas, que procura questionar a posição do ser humano e das sociedades organizadas, e a forma como a pandemia veio baralhar tudo.

Raízes no território

U Weng Kam é mestrada em pintura a óleo e educação artística pelo Instituto Politécnico de Macau. Além da criação artística, lecciona em centros de educação no território.

No que à inspiração diz respeito, U Weng Kam entende que a arte vai muito além da apreciação do que é belo, passa também pela interacção entre artista e público, na busca de espaços de reflexão, exploração, alívio e entendimento sobre as realidades sociais e pessoais.

Cheong Un Mei teve um percurso semelhante à sua companheira de exposição, também passando pela formação em artes visuais no Instituto Politécnico de Macau, hoje em dia designado como Universidade Politécnica de Macau.

Apesar de não se dedicar exclusivamente a uma forma de expressão artística, Cheong Un Mei tem predilecção pela arte conceptual e interactiva, em particular em peças tridimensionais e escultura que provoquem reacções.

A Ark-Association of Macau Art irá organizar mais uma exposição depois de “An Emotional Outlook” para completar o ciclo de mostras que pretendem apresentar a criatividade e a esperança depois da pandemia.

Economia | Menos 518 sociedades face a 2.º trimestre de 2021

DR

Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que, no segundo trimestre deste ano foram criadas 923 sociedades, menos 518 por comparação a igual período do ano passado. Os números mostram também que a maior parte das sociedades, 346, pertence à área do comércio por grosso e retalho, enquanto que 237 pertencem ao ramo dos serviços prestados às empresas. No entanto, criaram-se, nestes segmentos económicos, menos 121 e 151 sociedades, respectivamente.

Relativamente ao capital social, mais de metade das sociedades, 69,6 por cento, tem um capital social inferior a 50 mil patacas, sendo que a totalidade do montante envolvido é de 17 milhões de patacas. A nível global, o capital das sociedades criadas no segundo trimestre deste ano foi de 322 milhões de patacas, mais 39,2 por cento em termos anuais. A DSEC explica este aumento no capital social devido “à constituição de sociedades com capital social relativamente elevado no ramo dos serviços prestados às empresas e no ramo das actividades financeiras”.

Sobre a origem do dinheiro investido, 78 por cento do capital social das sociedades veio do Interior da China, num total de 251 milhões de patacas, enquanto que o capital social da mesma zona do país, mas de cidades que pertencem à Grande Baía, foi de 154 milhões de patacas, dos quais 53 por cento de Zhongshan. O capital social proveniente de Macau foi de 62 milhões de patacas e o de Hong Kong fixou-se em seis milhões de patacas. Por sua vez, no mesmo período, foram dissolvidas 171 sociedades com um capital social de 27 milhões de patacas.

Justiça | Arranca julgamento no Interior relacionado com Alvin Chau

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As autoridades de Wenzhou anunciaram que 35 arguidos suspeitos de crimes relacionados com jogo ilegal no Interior e as actividades de Alvin Chau confessaram-se culpados. A informação foi divulgada através de um comunicado do Tribunal Popular de Segunda Instância de Wenzhou, da província de Zhejiang, na rede social WeChat.

Os arguidos estão acusados de crimes de jogo ilegal e organização ilegal, num processo que tem como protagonista Alvin Chau e as actividades da Suncity. Segundo a informação disponibilizada, os crimes foram possíveis porque desde 2007 que Alvin Chau e a empresa junket exploravam salas VIP de jogo em Macau. Além disso, a rede criminosa terá igualmente, a partir de 2015, passado a permitir o jogo online em casinos das Filipinas e outras regiões, a que os jogadores podiam aceder no Interior, através dos telemóveis.

Ainda segundo a acusação, os arguidos auxiliaram o milionário de Macau a obter ganhos ilegais, com a criação de um sistema de agentes para a captação de jogadores. Este “serviço” implicou a criação de uma empresa de gestão de activos, utilizada para garantir que as dívidas relacionadas com Macau e o jogo online podiam ser cobradas do outro lado da fronteira. Os agentes e os criminosos, em troca da participação na rede de jogo, recebiam avultadas comissões.

As autoridades dizem ainda que até Novembro de 2021, a rede de jogo online contava com 60 mil agentes, que terão chegado a pelo menos 60 mil jogadores. Na versão da acusação, esta rede “trouxe grandes riscos para a sociedade e economia”.

Obras Públicas | Julgamento de Li Canfeng e Jaime Carion arranca em Novembro

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A primeira sessão está agendada para 4 de Novembro, e vai ter como presidente do colectivo de juízes Lou Heng Ha, que também tem em mãos o caso que implica Alvin Chau

 

O julgamento do caso que envolve os ex-directores dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, Li Canfeng e Jaime Carion vai arrancar no dia 4 de Novembro. A informação foi divulgada na sexta-feira pela Rádio Macau.

A primeira sessão daquele que é o maior escândalo de corrupção a implicar as autoridades da RAEM desde o julgamento de Ho Chio Meng, ex-Procurador, está marcada para as 10h.

O colectivo de juízes vai ter como presidente Lou Heng Ha, juíza que, segundo a Rádio Macau, está igualmente encarregue de outro caso mega mediático, com Alvin Chan, junket fundador da empresa Suncity.
Jaime Carion é acusado de um crime de associação secreta, em concurso com o crime de associação criminosa, cinco crimes de corrupção passiva para acto ilícito e seis crimes de branqueamento de capitais. O antigo director das Obras Públicas não está em Macau há vários anos. O seu paradeiro é desconhecido, apesar das suspeitas de que esteja algures em Portugal ou no Brasil, pelo que as hipóteses de passar tempo na prisão são praticamente nulas.

No que diz respeito a Li Canfeng, sucessor de Carion nas Obras Públicas, é acusado de um crime de associação secreta, em concurso com o crime de associação criminosa, 11 crimes de corrupção passiva para acto ilícito, 10 crimes de branqueamento de capitais, um crime de falsificação de documentos e quatro crimes de inexactidão de elementos. O ex-director está preso preventivamente no Estabelecimento Prisional de Coloane desde Dezembro de 2021, depois de ter sido detido no Interior do país.

Outros crimes

Por sua vez, Sio Tak Hong é acusado de um crime de associação secreta, em concurso com o crime de associação criminosa, dois crimes de corrupção activa, cinco crimes de branqueamento de capitais e quatro crimes de falsificação de documentos.

O empresário William Kuan Vai Lam, que enquanto estava em liberdade foi responsável pela venda de terrenos mais cara de sempre em Macau, é acusado de um crime de associação secreta, em concurso com o crime de associação criminosa, três crimes de corrupção activa e três crimes de branqueamento de capitais.
Sio Tak Hong e William Kuan foram detidos em Macau em Dezembro de 2021, na mesma altura que Li Canfeng.

No processo, consta ainda o nome do empresário Miguel Wu, ex-sócio de Pedro Chiang, que já havia sido condenado no âmbito do processo com o ex-secretário Ao Man Long. Wu é acusado de um crime de associação secreta, em concurso com o crime de associação criminosa, dois crimes de corrupção activa e dois crimes de branqueamento de capitais.

Jogo | Leong Hong Sai questiona critérios de concurso público

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O deputado dos Kaifong, Leong Hong Sai, questionou o Governo sobre a viabilidade de fazer o concurso de atribuição das licenças de jogo, numa altura em que a Assembleia Legislativa está a discutir a lei da actividade de exploração de jogos de fortuna ou azar em casino.

Para o deputado, esta é uma dificuldade acrescida para os participantes no concurso público, uma vez que o futuro diploma que define alguns aspectos como a relação entre as concessionárias e as empresas promotoras de jogo ainda está a ser discutido.

Por outro lado, Leong Hong Sai apontou que critérios de apreciação das propostas incluem a avaliação sobre campanhas para atrair clientes do exterior. No entanto, Leong não deixou de notar que este objectivo é definido numa altura em que o Governo local tem medidas altamente restritivas ao nível da circulação de estrangeiros. Por isso, e a bem da principal indústria do território, Leong apelou para que sejam levantadas as restrições mais apertadas.

Na interpelação, é também questionado o que vai ser feito para que a cidade tenha mais sinais e indicações nas línguas inglesa, japonesa e coreana, para facilitar a circulação dos turistas.

Finalmente, Leong Hong Sai quer saber se o Governo vai promover o desenvolvimento de atracções turísticas em Hengiqn, na Zona da Cooperação com Cantão.

Casinos | Ron Lam pede acesso a documentos do concurso

Rómulo Santos

Ron Lam quer saber se o Governo vai permitir que a população tenha acesso aos documentos do concurso público para a atribuição das novas licenças do jogo. Segundo uma interpelação escrita, o concurso para a exploração do jogo é um assunto fundamental para a população e uma oportunidade para o Governo aumentar a transparência da sua governação.

No documento, Lam apontou que no passado houve alguns concursos públicos, como os dos taxímetros electrónicos, contratos de autocarros públicos ou exploração dos estacionamentos públicos, em que se registaram queixas de falta de transparência face aos critérios adoptados, que geraram várias polémicas. Em causa, está o facto de as pessoas não perceberem os critérios utilizados pelos decisores.

Além disso, Ron Lam quer saber se o Governo pode elaborar orientações uniformizadas para que todos os serviços públicos sejam obrigados a disponibilizar online nos seus websites os documentos sobre os concursos.

O deputado levantou igualmente dúvidas sobre os preços estipulados pelo Governo para se poder aceder à documentação dos concursos públicos. Para Ron Lam é incompreensível que os documentos para o concurso público dos taxímetros custassem 300 patacas, mas que os documentos para as concessões do jogo custem 5 mil patacas. A diferença é considerada demasiado grande.

Hengqin | Comissão de gestão discute orçamento e planos de investimento

DR
Durante a terceira reunião da Comissão de Gestão da Zona de Cooperação Aprofundada, os governos de Macau e Guangdong apreciaram o orçamento e planos de investimento. Foi ainda vincada a aposta no sistema dos “quatro conjuntos” relativos ao comércio, construção, gestão e partilha

 

Realizou-se na sexta-feira na Ilha da Montanha a terceira reunião da Comissão de Gestão da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, presidida pelo Chefe do Executivo, Ho Iat Seng e o governador da província de Guangdong, Wang Weizhong.

Entre os principais pontos da agenda estiveram a apreciação do relatório de actividades, o orçamento e o plano de investimentos e foi ainda negociado o plano de actividades para a próxima fase.

Segundo o Gabinete de Comunicação Social, Ho Iat Seng sublinhou a necessidade de actuar em conformidade com os objectivos fundadores do projecto de integração. “O Presidente Xi Jinping reiterou, várias vezes, que o propósito inicial da construção de Hengqin é promover a diversificação adequada da economia de Macau”, indicou o Chefe do Executivo. Porém, Ho Iat Seng confessou que “existe ainda uma ligeira discrepância entre a Zona de Cooperação e outras zonas desenvolvidas”.

Quanto a atrair investidores e capitais, os governos das duas regiões reforçaram ser “imprescindível uma perspectiva focada na promoção, considerando Hengqin como um conjunto, baseada nas necessidades de Macau e na escassez verificada em Hengqin”. No capítulo dos recursos humanos, a política é semelhante, com a introdução de quadros qualificados seguindo a compatibilidade das necessidades dos quatro grandes sectores programados para a zona de cooperação.

Ho Iat Seng defendeu ainda o cumprimento rigoroso das exigências previstas no “novo sistema de desenvolvimento baseado nos “quatro conjuntos”, ou seja, o comércio conjunto, construção conjunta, gestão conjunta e partilha conjunta”. O Chefe do Executivo de Macau enalteceu o sistema, realçando-o como “a principal vantagem da zona de cooperação e, por outro lado, uma enorme reforma, sem precedentes, no contexto da política de ‘Um País, Dois Sistemas’”.

Ontem hoje e amanhã

O Chefe do Executivo realçou o trabalho feito na primeira metade de 2022 com a “introdução de benefícios fiscais, designadamente do imposto complementar, destinadas aos contribuintes singulares e às empresas”, para atrair os “quadros qualificados e empresas de excelência de Macau, de dentro e fora do Interior da China”. Até ao fim do ano, Ho Iat Seng indicou que o caminho deverá ser trilhado rumo “à construção de área de cooperação financeira”.

O governador da província de Guangdong, Wang Weizhong, sublinhou que “a construção da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin constitui uma grande decisão, tomada, planeada e promovida pessoalmente pelo Presidente Xi Jinping”.

Referindo que os trabalhos de construção da zona aprofundada decorrem a “bom ritmo”, Wang Weizhong “afirmou que é indispensável pôr em prática o espírito de abertura e desenvolvimento de Hengqin, proposto pelo Secretário-Geral Xi Jinping”, assim como “promover a diversificação adequada da economia de Macau.”

O dirigente da província de Guangdong destacou a necessidade de apostar nos grandes projectos para “para acelerar a construção das instalações de fiscalização e operações alfandegárias de controlo da ‘segunda linha’”.

Estas infra-estruturas são requisitos para “aproveitar a estação Norte de Hengqin da extensão da linha Cantão-Zhuhai de Intercity Railway e o sistema ferroviário interurbano Cantão-Zhuhai e o Metro Ligeiro de Macau”.
Wang Weizhong sublinhou ainda a necessidade de “promover a coexistência das populações e das mentalidades” de ambos os lados da fronteira, assim como “consolidar a articulação com o ambiente de emprego, os serviços públicos prestados, o sistema de segurança social, as infraestruturas e a internet”.

Restauração | IAM recolhe informações de trabalhadores

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O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) lançou um programa para recolher informações relativas a trabalhadores da restauração que estão obrigados a realizar testes de ácido nucleico regularmente. Segundo um comunicado do IAM, a medida foi anunciada depois de reuniões com “várias associações comerciais e grupos do sector” e tem o apoio da Associação Comercial de Macau.

Com a programada compilação de dados, o IAM está em posição de fiscalizar os diversos estabelecimentos e garantir que as pessoas estão testadas, para actuar no caso de as exigências não serem cumpridas.

A implementação de um sistema de monitorização implica a cooperação dos proprietários dos espaços. Nesse sentido, o organismo liderado por José Tavares reuniu-se com proprietários e fez sessões de explicações para ensinar o sector a disponibilizar as informações necessárias.

No comunicado divulgado na sexta-feira, o instituto congratulou-se pelo trabalho feito até agora. “O IAM tem vindo a manter uma boa comunicação com os sectores da restauração e dos produtos alimentares de Macau, já antes tendo organizado o registo de trabalhadores e inspecções para supervisão e controlo, e ouvido as opiniões dos representantes da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau, Associação das Pequenas e Médias Empresas de Restauração de Macau, Associação de Desenvolvimento da Indústria de Restauração e Bebidas de Macau, Associação dos Comerciantes da Boa Cozinha de Macau, Associação de Qualidade Verde Marca”, pode ler-se no comunicado.

DSEDJ | Regresso às aulas com regras apertadas

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A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) vai permitir que as aulas do ensino não superior recomecem na segunda metade de Agosto e no início de Setembro. A informação foi avançada na sexta-feira, através de um comunicado em que foi exigida uma “rigorosa observância das medidas de prevenção da epidemia”.

Entre as orientações é pedido aos alunos que regressem “à sua residência habitual (Macau, Zhuhai ou Zhongshan) 10 dias antes do início das aulas”. Os estudantes vão ficar ainda obrigados a apresentar “um certificado de teste negativo de ácido nucleico no mesmo dia do início das aulas, realizado até 72 horas antes, que será verificado pela respectiva escola”. Este critério é igualmente aplicado aos alunos do ensino superior.

Ainda de acordo com as mesmas indicações da DSEDJ, os alunos e docentes que não fiquem 10 dias na residência habitual antes do início das aulas devem adiar o regresso, até cumprirem o critério.

Nos últimos dias foram vários os pedidos de escolas e deputados para que a DSEDJ desse início à preparação dos trabalhos para o novo ano lectivo. No comunicado, o Governo considera que actuou no tempo oportuno. “A DSEDJ forneceu, em tempo útil, orientações às escolas do ensino não superior sobre a suspensão das aulas devido à epidemia, contidas no ‘Guia de Funcionamento das Escolas’ e, nos próximos dias, vai continuar a comunicar com o sector educativo para implementar as diversas disposições”, foi considerado.

Além disso, a DSEDJ apelou igualmente à vacinação dos alunos e prometeu continuar a promover o “Dia da Vacinação dos Alunos”.

Porto Interior | Detectados dois casos positivos em zona “de controlo”

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O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus anunciou duas infecções por covid-19 no Porto Interior. Os casos positivos dizem respeito a um residente de 64 anos e uma mulher de 70 anos, ambos classificados como casos importados

 

O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus anunciou na sexta-feira a descoberta de um caso positivo de covid-19 na zona de controlo do Porto Interior, o que levou as autoridades a decretarem duas rondas de testes de ácido nucleico para quem vive e trabalha na área. A pessoa infectada é um residente com 64 anos de idade, e as duas rondas de testagem têm de ser concluídas até hoje.

“Foi diagnosticado um caso positivo do teste de ácido nucleico da covid-19 num residente de Macau, tripulante de navios de Hong Kong e Macau, do sexo masculino, com 64 anos de idade, que tinha sido considerado contacto próximo do caso diagnosticado em 10 de Agosto, também tripulante de navios de Hong Kong e Macau”, foi revelado pelo centro de coordenação de contingência.

Segundo a mesma informação, o homem estava “sob controlo” desde a manhã de 10 de Agosto, por ter trabalhado entre 7 e 9 de Agosto com outro trabalhador infectado. Contudo, “todos os testes de ácido nucleico realizados entre 4 e 10 de Agosto foram negativos”, foi indicado.

Esta infecção foi classificada “preliminarmente como caso importado de infecções assintomáticas da covid-19”, por estar relacionada com o caso mais recente importado, também de um trabalho no sector da logística, que realizava viagens entre Macau e Hong Kong. Em relação a contactos próximos, o centro informou que “os coabitantes e colegas estavam sob controlo desde 10 de Agosto”.

Ontem, as autoridades reportaram um caso, referente uma residente de Macau, com 70 anos idade. A paciente é a mulher do tripulante com 73 anos de idade que foi diagnosticado no passado dia 10 de Agosto.

18 casos importados

Além do caso confirmado, as autoridades anunciaram igualmente que até quinta-feira tinham sido registados mais onze casos importados, dos quais nove negaram qualquer histórico de infecção anterior, levando a que fossem considerados casos importados de infecções.

Estas infecções envolveram três pessoas do sexo masculino e seis do sexo feminino, com idades entre os 26 e 63 anos, provenientes do Reino Unido, Portugal, Filipinas, Japão, Estados Unidos, Singapura, Hong Kong e Taiwan.

Além disso, foram registados dois casos importados, do sexo masculino, com idades entre os 2 e 4 anos, provenientes de Hong Kong, que alegaram que tinham sido infectados pela COVID-19, pelo que foram classificados como caso de recaída.

Ontem foram acrescentados mais sete casos à lista de importações, referentes a dois homens e cinco mulheres, com idades compreendidas entre 13 e 73 anos.

Até ao dia de ontem, tinham sido registados 791 casos confirmados de covid-19 e 1.423 casos de infecção assintomática, num total de 2.214 casos.

6 de Agosto

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São vários os rios que atravessam a cidade onde vivo, o que vai oferecendo diversidade às paisagens, consoante o que se vai vislumbrando em cada margem, em geral aproveitada para a criação de espaços verdes, propensos ao lazer, ao passeio, ao descanso ou às brincadeiras infantis. Predominam as utilizações gratuitas, a que não corresponde uma mercantilização sistemática do espaço público. São muitos os caminhos para peões e bicicletas e não faltam os bancos para quem se queira sentar à beira-rio. Ocasionalmente há também cafés e esplanadas, geralmente em construções precárias e temporárias, num sinal claro de que o que é prioritário é o carácter público daqueles espaços.

Estas paisagens ribeirinhas percorrem também o centro da cidade, estão próximas dos lugares onde se concentra a actividade empresarial de serviços, as instituições públicas, os principais espaços comerciais, os restaurantes e a animação nocturna, enfim, os elementos que geralmente a centralidade urbana oferece. Neste caso há também o castelo, com a sua relevância histórica e estética, vastas instalações desportivas, em vias de ser ampliadas com um novo estádio de futebol, e equipamentos culturais diversos, como também é habitual nas grandes cidades.

Sempre me surpreendeu por isso a impressionante dimensão de conjuntos habitacionais que, pela significativa volumetria e pela repetição de um mesmo padrão arquitectónico ao longo de uma área relativamente vasta e com semelhantes espaços verdes, me parecia destinada a habitação social. A surpresa tinha a ver com a localização: além de ocupar uma área central, grande parte dos apartamentos destes blocos beneficia de amplas vistas para o rio, jardins ou áreas monumentais da cidade. E ainda assim trata-se, de facto, de habitação social.

Na realidade, esta zona faz parte da vasta área de Hiroshima destruída por uma das bombas atómicas lançadas pelos Estados Unidos da América no Japão, numa das suas mais brutais e desnecessárias intervenções em defesa dos valores da paz e da democracia. Todas as casas desta zona foram destruídas pelo impacto da bomba. E a rapidez – internacionalmente reconhecida – com que a população de Hiroshima reconstruiu a cidade também oculta outra característica menos referida desse processo de reconstrução: a falta de qualidade e de segurança das novas zonas habitacionais, construídas com a urgência de quem de repente perdeu o lugar de residência.

Dessa precariedade foram resultando acidentes vários, mais ou menos graves, incluindo a ocorrência mais ou menos regular de incêndios de razoáveis proporções. E foi para resolver esse problema que se desencadeou um programa massivo de habitação social, um dos maiores jamais implementados no Japão, e que persiste no coração de Hiroshima, quase 80 anos depois da bomba atómica e cerca de 60 anos depois da construção de bairro. Não é esta a única área deste tipo na cidade, mas só aqui estão 1.060 habitações sociais, num conjunto que inclui cerca de 1.800 fogos habitacionais (além de escolas, zonas comerciais e espaços de lazer).

Na realidade, é frequente encontrarem-se áreas de habitação social nas grandes cidades do Japão – e também em Hiroshima há outras. O que chama a atenção nesta é a proximidade – e até a interacção directa – com zonas monumentais, grandes jardins públicos, espaços comerciais e de localização privilegiada para empresas. É um dos sinais de uma sociedade em que muito se faz para que ninguém fique para trás – e onde é muito raro encontrarem-se pessoas sem-abrigo, seja qual for a cidade.

O dia 6 de Agosto que assinala aniversário do lançamento da bomba é normalmente dia de homenagem à memória colectiva da população massivamente assassinada, com a presença habitual de representantes do Estado japonês, quer nas cerimónias mais oficiais, quer no largo número de iniciativas comunitárias que envolvem grande parte da população local, de forma mais interveniente ou apenas como espectadora. O lançamento de lanternas luminosas ao rio pelo anoitecer é um dos exemplos mais notórios.

Vim viver para Hiroshima já em plena pandemia de Covid-19, com as inerentes restrições, incluindo a suspensão das cerimónias de homenagem que normalmente ocorrem na cidade a 6 de Agosto. Por má coincidência, neste ano em que se retomaram estes actos públicos estava ausente da cidade – e continuo sem poder assistir a um dos mais notórios eventos públicos que ocorrem anualmente no Japão. No entanto, a mensagem que se vai propagando através da imprensa e também através da comunidade local é semelhante, ano após ano: a defesa da paz e a rejeição do armamento nuclear, em nome da memória desta população brutalmente assassinada pela bomba atómica. Na realidade, tem sido também em Hiroshima que se têm também realizado as maiores manifestações recentes contra a utilização de energia nuclear no Japão.

Nem sempre é o caso, mas ocasionalmente há personalidades estrangeiras convidadas para as cerimónias oficias. Barack Obama foi o primeiro presidente dos Estados Unidos a marcar presença neste evento de inevitável melindre nas relações históricas com o Japão. E este ano foi o secretário-geral da ONU, António Guterres, a discursar em Hiroshima. A fazer fé na imprensa, repetiu o discurso habitual de quem está na cidade e sente o peso inevitável da obrigação de homenagear a memória dos que morreram com a bomba, clamando pela não repetição de erros passados em guerras e matanças massivas. Também pediu desculpa às gerações mais jovens pelo lastimoso estado do mundo que têm que herdar das gerações anteriores, incluindo a sua – ainda que não tenha dado sinal de que pretenda abandonar os lugares de poder que vai ocupando, para de alguma forma reduzir o lastro desse nefasto legado.

Não terá tido tempo, o ex-primeiro ministro português, para se aperceber da importância da habitação para a resiliência – como se gosta de dizer agora – da cidade e da sua população. Sociedades pacíficas também requerem equidade social, inclusão generalizada, redução de desigualdades, igualdade de direitos. E o caso da habitação é o de um direito sistematicamente negado a demasiadas pessoas em Portugal – e sistematicamente negligenciado por sucessivos governos, incluindo aqueles em que António Guterres participou. E é essa histórica e reiterada negligência de uma política inclusiva de habitação que faz com que haja tantas pessoas sem-abrigo e que a população portuguesa esteja entre as populações da Europa em que maior parte do rendimento disponível é utilizado para cobrir despesas com o direito elementar à habitação. A paz também se faz destas coisas.

Romantizar o mundo

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– Neste asfalto em que tudo é a causa de um efeito imediato e onde a casualidade se interpreta como sendo ela mesma matriz de esperado movimento, todos os seres deviam estar unidos por vínculos perecíveis, sim, porém de longo afecto, até se atingir no grupo a quintessência de um movimento maior. «Le Monde doit être romantisé» – é Novalis quem o afirma de sua época nada remota e que ecoa agora como necessidade e urgência: se não o conseguirmos, perecemos. Abandonados ao medonho das configurações onde se ajuíza tudo de todas as maneiras, retemos o grau de aceitação para mostrar os caninos ungidos em despudoradas formas felizes onde se nota o predador triunfante e grosseiro de um mundo “trincado”. Este triunfalismo “sadio” tem de ser abatido!

– Devemos então romantizar o mundo dando espaço aos mais constantes temas da nossa civilidade que vão muito para lá da sepultura das políticas locais, dos pareceres domésticos, e do transe obsessivo da fealdade do atrito como segmento de complexidade cheio de interesse sórdido mas nunca buscado pela inteligência pura. É claro que o desassossego de se ser algo para o qual não se tem aptidão pode provocar em sociedades assim embustes medonhos, onde alguns apelam a uma certa reserva de bom-senso para não partilhar do seu alarme. Por derivas misteriosas, encontram-se os seres manifestamente repulsivos, e em suas manifestações tributáveis são ainda a senda de todos os pareceres em tentativas de torturante afirmação; decrescemos em civilização perdendo o pulso sanguíneo de nossa lenda distante.

– Há vidas acelerativas! Novalis viveu vinte e oito anos, a sua vida breve produziu longos tratados e a sua romantização sincopou o estatuto dos mais fiéis depositários do estilo. Não falamos de “efebos” politicamente tidos por alguns governantes como grandes beneficiários das ablações entediantes produzidas pela longevidade, falamos de um homem que num espaço curto de tempo não teve intenção de reproduzir vícios, e através de um sintoma autónomo cujo grau de competência desconhecemos, nos vem dar mensagens essenciais para os dias de hoje. Pode-se escrever em fragmento de uma forma concebível, mas apenas e só, aqueles que de tão inteiros se não querem imobilizar no labor da inércia narrativa, que o que existe de belo na fragmentação excede os ciclos de composição passiva das descrições, pois que este livro, se encontra alinhado na grande correspondência de um monumental alerta contra as derivas mórbidas dos especulativos exercícios das personagens esdrúxulas.

– São cinco manuscritos escritos por Novalis a Freiberg, na primeira metade do ano de 1798, e não creio que exista ainda uma tradução portuguesa, mas nós faremos o melhor na esperança de conjugar o que está suspenso na esfera salvífica que é dar a conhecer em português transfigurado aquilo que na grande composição foi ainda, e também, o nosso Romantismo. Descrer de tantos dons por imposição de uma época é uma forma de assassinato colectivo, e nada existe mais fácil de reverter que a tendência suicida. É fácil, sim, porém, não ajustada a um princípio que a impeça. Já todos jogámos às originalidades, porém «Le monde doit être romantisé. C´est ainsi que l´ on retrouvera le sens originel.» Tal operação, diz ainda- é totalmente desconhecida- (já o era no seu tempo?) – [apesar disso dou ao trivial um sentido elevado, às coisas comuns um aspecto misterioso, e ao conhecido a dignidade do incomum, ao finito a aparência de infinito, e é então que tudo romantizo]

– Paramos diante das lendas dos sonhos por resolver, que eles esperam de nós maiores proezas que não correspondam à ruptura do pensamento, fórmulas estilísticas de omissão, e outras coisas assim…
– Estamos diante de uma beleza prestes a ser conceptualizada sem a afronta temível da razão obscura dos ideais gregários, estamos na Romantização que precede o mundo, onde um dia encontrar um Homem será felicidade tanta que ficaremos ardendo de memória universal e de contentamento constante. Pode ser para breve esse tempo em que iremos enquanto espécie sentir saudade imensa. Depois, virão «Os filhos do Homem» mas não serão Românticos, ou aqueles que considerámos romantizados para inaugurar aquilo que foi este nosso destino.

Comum. Que incomuns serão sempre os humanos que farão obras como esta: “cada palavra é encantamento, e todo aquele que a chama pelo espírito o fará aparecer” que o nascimento do Amor requer a proeza de não sermos ninguém, apenas essa grande centelha que uma luz transmite pela eternidade fora.

5G | Operadores chineses investem 400 mil milhões de yuans

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Os operadores de telecomunicações da China investiram um total de 401,6 mil milhões de yuans na tecnologia 5G, de acordo com a Convenção Mundial 5G, inaugurada na quarta-feira em Harbin, província de Heilongjiang, nordeste da China, informa o Diário do Povo.

A China tem mais de 1,85 milhões de estações de 5G e mais de 450 milhões de usuários de 5G, ambos representando mais de 60 por cento do total global, segundo a convenção.

De acordo com Liu Liehong, presidente do China United Network Communications Group Co., Ltd., a aplicação acelerada da tecnologia 5G levou ao surgimento de novas indústrias e novos modos de negócios. “Várias empresas chinesas estão lideram actualmente o mundo em investigação e desenvolvimento de 5G e aplicativos”, disse Liu.

“A construção da 5G na China fez avanços notáveis, obtendo progressos significativos nas áreas de internet industrial, cidades inteligentes e vilas inteligentes”, disse Wu Hequan, académico da Academia Chinesa de Engenharia.

Com o tema “5G+ Por Todos Para Todos”, a convenção de três dias visa reunir as mais recentes conquistas do mundo no desenvolvimento da tecnologia 5G e construir uma plataforma internacional para a cooperação tecnológica e industrial. A primeira sessão deste evento foi realizada em Pequim em 2019.

Caxemira | Cinco mortos após invasão rebelde em acampamento militar

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Três soldados indianos e dois atacantes morreram ontem durante uma invasão por parte de rebeldes de um acampamento militar na região disputada de Caxemira, disseram as autoridades indianas. Pelo menos dois assaltantes com armas e granadas atacaram o acampamento na área remota de Darhal, no sul do distrito de Rajouri, disse um comandante policial, Mukesh Singh.

Os soldados responderam ao ataque, desencadeando um tiroteio que durou pelo menos três horas, disse Singh.
Um reforço de soldados e agentes especializados em contraterrorismo cercaram o campo enquanto os combates aconteciam no interior, disseram autoridades.

Além das cinco mortes, dois soldados ficaram feridos nos combates, disse Singh, num incidente que não foi confirmado por fontes independentes. Na quarta-feira, a polícia disse que foram mortos três rebeldes no distrito de Budgam, durante uma operação antiterrorismo.

Bloqueio chinês

Caxemira, de maioria muçulmana, está dividida entre a Índia e o Paquistão desde 1947. Ambos os países reivindicam a região na sua totalidade e travam conflitos pelo seu controlo. A Índia insiste que os rebeldes de Caxemira são terroristas apoiados pelo Paquistão, uma acusação negada por Islamabad.

Na quarta-feira, a China bloqueou a imposição de sanções da ONU, solicitadas pelos Estados Unidos e pela Índia, contra o vice-líder do Jaish-e-Mohammad, um grupo extremista com sede no Paquistão e activo em Caxemira, já designado pelas Nações Unidas como uma organização terrorista.

Os Estados Unidos impuseram sanções a Abdul Rauf Azhar desde Dezembro de 2010. A Índia diz que Azhar esteve envolvido no planeamento e execução de vários ataques terroristas, incluindo o sequestro de um avião da Indian Airlines em 1999, o ataque de 2001 ao parlamento indiano e o ataque de 2016 a uma base da força aérea indiana em Pathankot.

Em Junho, a China suspendeu também a imposição de sanções a Abdul Rehman Makki, vice-líder do Lashkar-e-Taiba, um outro grupo paquistanês considerado pela ONU como uma organização terrorista. “Precisamos de mais tempo para estudar o caso”, disse à agência de notícias Associated Press um porta-voz da missão diplomática da China junto da ONU.

Taiwan | ELP vai patrulhar “regularmente” águas em torno da ilha

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As forças militares chinesas vão continuar a supervisionar as áreas em redor da ilha, reforçando a soberania nacional sobre o território

 

O Exército de Libertação Popular (ELP) “vai organizar patrulhas regulares de combate” nas águas ao redor de Taiwan, anunciou um porta-voz do exército chinês, citado ontem pela imprensa estatal. Shi Yi, porta-voz do Comando do Teatro Leste, disse que os recentes exercícios militares chineses, que incluíram o uso de fogo real e lançamento de mísseis, “atingiram os seus objectivos” e “testaram efectivamente a capacidade de combate” das Forças Armadas chinesas.

Após a visita da líder do Congresso norte-americano, Nancy Pelosi, a Taiwan, Pequim anunciou manobras militares ao redor da ilha, que duraram quase uma semana. Os exercícios, de uma intensidade inédita em várias décadas, incluíram o bloqueio do espaço aéreo e marítimo em seis áreas da costa de Taiwan.

Sob controlo

Shi Yi explicou que as forças do Comando de Operações do Teatro Oeste “vão proteger resolutamente a soberania nacional e a integridade territorial” da China.

O porta-voz do ministério da Defesa chinês, Tan Kefei, afirmou que as manobras constituem um “poderoso impedimento às forças separatistas de Taiwan e à interferência estrangeira”, e acrescentou que as acções militares chinesas são “necessárias e justificadas para proteger a soberania de Taiwan”.

Tan acrescentou que os exercícios militares foram realizados “de acordo com as leis e práticas nacionais e internacionais” e que o “processo de reunificação é imparável”. “Estamos dispostos a exercer máxima sinceridade e os melhores esforços para alcançar a reunificação pacífica, mas o ELP não vai dar espaço para que forças separatistas taiwanesas e potências estrangeiras alcancem os seus objectivos”, concluiu.

Na semana passada, Pequim anunciou várias sanções contra Pelosi e suspendeu mecanismos de cooperação com Washington em questões judiciais, alterações climáticas, repatriação de imigrantes ilegais, assistência judiciária criminal e luta contra crimes transnacionais.

Fronteiras | Song Pek Kei defende testes gratuitos

Rómulo Santos

A deputada Song Pek Kei defendeu ontem na Assembleia Legislativa (AL), no período de antes da ordem do dia, a necessidade de o Governo pagar as despesas com testes realizados por quem necessita de atravessar a fronteira com regularidade.

“O Governo afirmou que a passagem fronteiriça é uma necessidade dos cidadãos e o seu custo não deve ser uma responsabilidade do Governo. Mas em Zhuhai é o Governo local que suporta as despesas normais com o teste de ácido nucleico, que é gratuito e serve para a entrada e saída de Macau. Em comparação, em Macau o teste só é gratuito para os grupos-alvo de risco, por isso é pago para a passagem fronteiriça. Após a introdução da concorrência, o Governo reduziu apenas o preço em cinco patacas, o que é muito pouco.”

Na mesma intervenção, Song Pek Kei entende que deve ser avaliada “a possibilidade de o resultado dos testes gratuitos servir também para a passagem fronteiriça com o código de saúde, aliviando os encargos dos cidadãos e maximizando a utilização do erário público”.

A deputada ligada à comunidade de Fujian pede também a redução do preço dos testes, que actualmente é de 50 patacas. “Em comparação com o Interior da China, o custo aqui ainda não consegue acompanhar as necessidades de desenvolvimento social face à normalidade da pandemia”, disse.

Queixas sobre malas devem ser dirigidas à Autoridade de Aviação Civil

DR

Vários residentes dizem ter ficado com roupas e outros produtos danificados devido à desinfecção das bagagens à chegada a Macau, no Aeroporto Internacional de Macau. Liz Lam, relações públicas da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), confirmou ontem na conferência de imprensa do centro de coordenação e de contingência do novo tipo de coronavírus que as queixas devem ser dirigidas à Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) ou às próprias companhias aéreas.

“Não temos queixas e recebemos essa informação [dos produtos danificados] por parte dos meios de comunicação social. [Os residentes] devem apresentar queixa junto da autoridade de aviação civil. Sobre o processo de desinfecção é melhor consultar os serviços competentes ou as companhias aéreas, porque diferentes companhias têm diferentes orientações”, adiantou.

O HM falou com duas residentes que ficaram com roupa completamente inutilizada devido às manchas de lixívia, peças que estavam junto aos fechos das malas. As residentes indicaram vontade de apresentar queixa colectiva sobre esta situação, tendo uma das residentes sido informada, no aeroporto, para reclamar junto da companhia aérea com a qual viajou.

Sem risco comunitário

Entretanto, foi ontem confirmado que o segundo caso de infecção importado de Zhuhai diz respeito à esposa do homem infectado, que levou ao bloqueio de um prédio residencial. As autoridades realçaram não haver risco de infecção na comunidade e que a mulher trabalha numa loja de produtos de beleza e cosméticos na zona das Portas do Cerco.

“O caso diz respeito à mulher da pessoa que já estava infectada antes e foi detectado na parte de gestão e controlo. O casal teve os mesmos itinerários, mas não trabalham juntos. Não divulgamos o percurso da mulher porque foi detectado em Zhuhai e é semelhante ao do marido”, explicou a médica Leong Iek Hou, coordenadora do centro de coordenação e de contingência.

Para já os testes realizados nas zonas alvo junto às Portas do Cerco deram negativo, pelo que “afastamos a possibilidade de infecção comunitária causada pelo casal”.

Quanto ao homem, a infecção é da estirpe BA 5.2 da variante Ómicron, “diferente da estirpe que circulava em Macau”, mas em relação à esposa ainda está a ser feita a análise. As autoridades estão ainda a estudar as fontes destas infecções.

Sobre o caso detectado na quarta-feira, respeitante a um trabalhador de um navio de carga entre Macau e Hong Kong, foi também referido que o risco para a comunidade é baixo. Entre quarta-feira e as 16h de ontem foram recolhidas 80 mil amostras de testes de ácido nucleico realizadas na zona do Porto Interior, todas com resultados negativos.

As autoridades apelaram ainda ao uso de mais postos fronteiriços que não o de Qingmao, que tem registado grande fluxo. “Temos enviado polícias para manter a ordem, fazendo uma triagem das pessoas e mantendo a ordem social. Abrimos mais canais [de passagem] e disponibilizamos autocarros gratuitos em coordenação com a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego. As pessoas podem ir para outras fronteiras de autocarros”, disse o responsável do Corpo de Polícia e Segurança Pública.

Isolamento | Coutinho sugere cumprimento de quarentenas em casa

Rómulo Santos
Pereira Coutinho propôs a substituição de quarentenas em hotéis designados pelo isolamento domiciliário. O deputado pediu ainda ao Governo para rever procedimentos e burocracias à chegada ao Aeroporto de Macau, que resultam em esperas longas

 

O deputado José Pereira Coutinho pediu ontem ao Governo para substituir o isolamento obrigatório em hotéis por quarentenas domiciliárias e defendeu novas políticas para atracção de turistas e de defesa da economia do território.

“O Governo deve avançar de imediato com planos concretos de revitalização da economia, tanto na indústria do jogo, como em relação às pequenas e médias empresas, com o objectivo de atrair turistas para a indústria de convenções e exposições, e procedendo à eliminação das medidas burocráticas administrativas de retenção dos passageiros Aeroporto Internacional de Macau (AIM), substituindo-as por quarentenas domiciliárias” no âmbito da prevenção à covid-19, defendeu o deputado no período antes da ordem do dia na sessão de ontem da Assembleia Legislativa (AL).

O deputado afirmou que a política de combate à pandemia de covid-19 em Macau está a ameaçar o futuro da indústria do jogo e a afastar turistas do território. “Decorridos quase três anos desde o início da pandemia, (…) continuamos a assistir, continuamente, a uma total descoordenação no processamento da chegada dos passageiros ao Aeroporto Internacional de Macau (AIM), pelo que é pertinente questionar como irão as concessionárias do jogo atrair turistas, do estrangeiro, com esta multiplicidade de medidas sanitárias desarticuladas e desproporcionais, e uma descoordenação inaceitável na sala de visitas, por excelência, do território”, criticou.

Pereira Coutinho sublinhou que, na passada semana, mais de 80 passageiros, entre eles portugueses, foram obrigados a esperar cerca de 12 horas para cumprir as formalidades necessárias das autoridades sanitárias antes de serem encaminhados para uma quarentena obrigatória de sete dias num hotel designado.

“Como é que a indústria do jogo de Macau conseguirá competir com o profissionalismo das autoridades da Tailândia, Japão, Vietname, Camboja ou Singapura?”, questionou, lembrando que esta é uma das exigências do caderno de encargos do concurso para a concessão de novas licenças para os casinos.

Futuro em jogo

A ausência de perspectivas em relação à reabertura de Macau ao mundo e do fim das restrições impostas pelo intenso combate à pandemia foram também temas explorados por Pereira Coutinho na intervenção antes da ordem do dia.

“Nesta conjuntura, como poderão as candidatas ao concurso de futuras concessões de licenças do jogo apresentar, e cumprir com integridade, as propostas de acordo com as exigências do caderno de encargos, com previsões apropriadas sobre a visita anual de turistas estrangeiros, sem que se consiga perspectivar, neste momento, o fim da pandemia da covid-19, e o número de confinamentos, e suspensões temporárias, a que os casinos, e a sociedade em geral, irão estar sujeitos a curto e médio prazo?”, perguntou ainda.

O deputado lamentou que, apesar da legislação específica que “facilitou a adopção de medidas restritivas de direitos e liberdades, e sem indagações quanto à sua legalidade e/ou constitucionalidade, na gestão da pandemia causada pelo novo coronavírus”, as candidatas às novas licenças se deparem ainda “com um espectro de incerteza em relação ao método, e ao conjunto de medidas sanitárias, que irão ser adoptadas, no futuro, no combate a crises sanitárias”.