Meloni não prevê deteriorar de relações com China caso abdique de “Uma Faixa, Uma Rota”

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse ontem que não prevê um deteriorar das relações entre Roma e Pequim caso Itália opte por não renovar o acordo de participação na Iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”. “Eu não prevejo que o nosso relacionamento com a China se torne complicado”, disse Meloni, citada pelo jornal italiano Il Sole 24 Ore.

“As relações entre Roma e Pequim são antigas e existem grandes benefícios mútuos, não apenas na esfera comercial”, vincou. “Penso, por exemplo, que a China pode ser um excelente parceiro para o sector de luxo italiano”, afirmou.

Em Março de 2019, o então primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte assinou um memorando de entendimento no âmbito da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, o principal programa da política externa de Pequim.

O projecto inclui a construção de portos, linhas ferroviárias ou autoestradas, criando novas rotas comerciais entre o leste da Ásia e Europa, Médio Oriente e África. O maior relacionamento entre Pequim e os países envolvidos abarca um incremento da cooperação no âmbito do ciberespaço, meios académicos, imprensa, regras de comércio ou acordos financeiros, visando elevar o papel da moeda chinesa, o yuan, nas trocas comerciais.

Lançada em 2013, pelo Presidente chinês, Xi Jinping, a iniciativa simboliza uma mudança na política externa da China, de um perfil discreto para uma postura mais assertiva.

Voltar atrás?

A decisão do anterior Executivo foi alvo de críticas pelo actual ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto.

“Foi um acto improvisado e atroz”, disse Crosetto, em entrevista ao jornal Corriere della Sera. “Exportamos um monte de laranjas para a China, enquanto [os chineses] triplicaram as exportações para Itália nos últimos três anos”, acrescentou.

A questão agora para Roma é como voltar atrás sem prejudicar as relações com a segunda maior economia do mundo: “A verdade é que a China é um concorrente e, ao mesmo tempo, um parceiro”, notou o ministro.

A decisão formal de Giorgia Meloni sobre a renovação ou não do acordo com Pequim por mais cinco anos deve ser anunciada no final do ano.

Desde que Pequim lançou a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, dois terços dos membros da União Europeia, principalmente países do leste, aderiram ao programa, visando aproveitar o investimento chinês e impulsionar o crescimento económico.

Em 2018, Portugal tornou-se o primeiro país da Europa Ocidental a assinar um memorando de entendimento no âmbito da iniciativa, durante a visita a Lisboa de Xi Jinping. No ano a seguir, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa participou, na capital chinesa, na 2.ª edição do Fórum Faixa e Rota para a Cooperação Internacional.

Índia protesta contra mapa chinês que reivindica território indiano

Nova Deli formalizou um protesto contra um novo mapa chinês que reivindica território indiano, disse ontem fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia, aumentando a tensão diplomática face ao impasse militar entre as duas nações.

O momento do protesto é significativo, uma vez que o Presidente chinês, Xi Jinping, deve participar na cimeira dos países industrializados e em desenvolvimento (G20), agendada para Nova Deli, na próxima semana.

“Rejeitamos estas alegações porque não têm qualquer fundamento. Estas medidas da parte chinesa apenas complicam a resolução da questão da fronteira”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Arindam Bagchi, em comunicado.

Bagchi afirmou que o protesto formal foi apresentado na terça-feira, através dos canais diplomáticos, face ao mapa publicado no ‘site’ do Ministério dos Recursos Naturais chinês.

No mapa, é possível observar que Arunachal Pradesh e o planalto de Doklam, estão incluídos nas fronteiras chinesas, juntamente com Aksai Chin na secção ocidental, que a China controla, mas que a Índia ainda reivindica.

O ministro dos Negócios Estrangeiros indiano, Jaishankar Subhramanyam, também rejeitou a reivindicação da China numa entrevista televisiva na terça-feira à noite. “Fazer reivindicações absurdas sobre o território da Índia não o torna território da China”, afirmou.

Na semana passada, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, falou informalmente com Xi, à margem da cimeira dos BRICS [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul], em Joanesburgo, onde Modi sublinhou as preocupações de Nova Deli sobre as questões fronteiriças não resolvidas.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia informou que os dois líderes concordaram em intensificar os esforços para diminuir as tensões na fronteira disputada entre os dois países e trazer para casa milhares das tropas destacadas na região.

Fronteiras da paz

“As duas partes devem ter em mente os interesses globais das relações bilaterais e tratar adequadamente a questão da fronteira, de modo a salvaguardar conjuntamente a paz e a tranquilidade na região fronteiriça”, declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, após a reunião dos dois líderes.

Os comandantes militares indianos e chineses reuniram-se, no início deste mês, num aparente esforço para estabilizar a situação. Uma fronteira, designada por “Linha de Controlo Real”, separa os territórios detidos pela China e pela Índia, desde Ladakh, a oeste, até ao estado indiano de Arunachal Pradesh, a leste, que Pequim reivindica na totalidade.

A Índia e a China travaram uma guerra sobre a fronteira em 1962. A China reivindica cerca de 90 mil quilómetros quadrados de território no nordeste da Índia, incluindo Arunachal Pradesh.

Nova Deli afirma que a China ocupa 38 mil quilómetros quadrados do território no planalto de Aksai Chin, que a Índia considera parte de Ladakh, onde decorre o actual conflito.

Bangladesh | HRW pede que país que aceite investigar desaparecimentos

Segundo a organização não governamental, as forças de segurança do Bangladesh estariam envolvidas em mais de 600 desaparecimentos forçados desde 2009. Mais de 100 continuam sem paradeiro. As autoridades negam o envolvimento e afirmam que os desaparecidos estão apenas escondidos

 

A Human Rigts Watch pediu ontem ao Bangladesh que aceite a oferta da ONU para apoiar uma comissão independente sobre os desaparecimentos forçados no país, no Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados.

De acordo com a organização não-governamental (ONG), as autoridades negam repetidamente que as forças de segurança do Bangladesh estejam envolvidas em desaparecimentos forçados, afirmando que estas vítimas estariam apenas escondidas.

Segundo os activistas dos direitos humanos do Bangladesh, as forças de segurança estariam envolvidas em mais de 600 desaparecimentos forçados desde 2009.

A HRW referiu que, embora algumas pessoas tenham sido posteriormente libertadas, apresentadas em tribunal ou tenham morrido durante confrontos armados com as forças de segurança, perto de 100 pessoas continuam desaparecidas.

O Governo bangladeshiano recusou a oferta das Nações Unidas para estabelecer um mecanismo especializado para investigar estes desaparecimentos forçados, em conformidade com os padrões internacionais.

“As autoridades do Bangladesh não enganam ninguém ao continuar a negar a realidade dos desaparecimentos forçados e, em vez disto, estão a prolongar o sofrimento das famílias que estão desesperadas para saber o paradeiro dos seus entes queridos”, afirmou Julia Bleckner, investigadora sénior para a Ásia da Human Rights Watch.

“O Governo deve demonstrar um compromisso genuíno em abordar os abusos, cooperando com a ONU para abrir uma comissão independente de inquérito sobre desaparecimentos forçados”, sublinhou a investigadora da ONG.

Ouvidos moucos

Em 10 de Dezembro de 2021, o Governo dos Estados Unidos aplicou sanções contra o Batalhão de Acção Rápida (RAB) do Bangladesh e os principais comandantes implicados em abusos, particularmente desaparecimentos forçados e execuções extrajudiciais.

No entanto, ao invés de investigarem de forma independente e transparente as alegações de desaparecimentos forçados, as autoridades do Bangladesh estão a perseguir e a intimidar as famílias das vítimas.

Segundo a HRW, o Bangladesh tem repetidamente ignorado os apelos dos governos doadores, da ONU, das organizações de direitos humanos e da sociedade civil para abordar de forma significativa os desaparecimentos forçados pelas suas forças de segurança.

O Bangladesh é signatário de todos os principais tratados de direitos humanos da ONU, excepto o tratado sobre desaparecimentos forçados.

Brasil | Investimento chinês cai para valor mais baixo dos últimos 13 anos

O investimento chinês no Brasil caiu 78 por cento no ano passado, para 1,3 mil milhões de dólares, o valor mais baixo desde 2009, de acordo com um estudo divulgado na terça-feira.

O relatório publicado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) revelou que quase metade (45 por cento) do investimento chinês em 2022 foi para o sector da electricidade, seguido pela indústria automóvel (28 por cento)

O estudo “Investimentos Chineses no Brasil 2022: Tecnologia e Transição Energética” sublinhou que o número de projectos atingiu 32, mais quatro do que em 2021 e um novo máximo histórico, sendo que metade está ligada também ao sector da electricidade.

Na apresentação do documento, o director de conteúdo e pesquisa do CEBC, defendeu que os dados não reflectem uma “falta de interesse da China”, mas sim a existência de grandes investimentos que exigem “uma série de licenças ou negociações longas”.

Oito projectos chineses no Brasil, no valor de 3,4 mil milhões de dólares, foram anunciados em 2022, mas ainda não saíram do papel ou foram iniciados apenas este ano, referiu o estudo.

No relatório, a economista da gestora de fundos Bradesco Asset, Fabiana D’Atri, disse que os investimentos chineses são “ainda volumosos no segmento de energia eléctrica, ao mesmo tempo em que o segmento automóvel começa a aquecer”.

Em Julho, a empresa chinesa BYD anunciou que irá investir três mil milhões de reais para construir no estado da Bahia, no nordeste do Brasil, a primeira fábrica de automóveis eléctricos fora da Ásia.

De acordo com dados do CEBC e do China Global Investment Tracker, uma base de dados do ‘think tank’ norte-americano American Enterprise Institute, o Brasil ficou em nono lugar no que toca ao investimento chinês no exterior em 2022.

No ano anterior, o Brasil tinha sido o maior destino para os investimentos chineses em todo o mundo, com 5,9 mil milhões de dólares. O Brasil é o maior parceiro comercial da China na América Latina e há 14 anos consecutivos que a China é o maior parceiro comercial brasileiro.

Visita | Chefe da diplomacia britânica inicia primeira viagem à China em cinco anos

O chefe da diplomacia do Reino Unido, James Cleverly, iniciou ontem uma visita oficial à China, numa altura em que os dois países tentam estabilizar os laços bilaterais, que se deterioraram nos últimos anos. Trata-se da primeira viagem de um secretário dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido à China em mais de cinco anos.

Cleverly reuniu-se primeiro com o vice-presidente chinês, Han Zheng, que disse que a visita “vai promover ainda mais o desenvolvimento sólido e estável das relações bilaterais”.

Cleverly reuniu-se no final do dia de ontem com o homólogo chinês, Wang Yi, que é o principal quadro do Partido Comunista para os assuntos externos e que, recentemente, retomou o antigo cargo como ministro dos Negócios Estrangeiros, após o desaparecimento ainda inexplicável do seu antecessor, Qin Gang.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Wenbin, disse que Pequim espera que o lado britânico trabalhe com a China para “defender o espírito de respeito mútuo, aprofundar os intercâmbios, melhorar a compreensão mútua e promover o desenvolvimento estável das relações sino – britânicas”.

Cleverly afirmou que levantaria questões sensíveis, como Xinjiang e Hong Kong e que vai transmitir às autoridades chinesas que a crescente influência da China acarreta responsabilidades no cenário global – incluindo ajudar a acabar com a invasão da Ucrânia pela Rússia e reduzir as tensões geopolíticas no Mar do Sul da China.

O primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, pretende seguir uma abordagem diferenciada e não conflituosa nas relações com Pequim. Sunak descreveu a China como um “desafio sistémico” aos valores e interesses do Reino Unido, mas também sublinhou a necessidade de manter uma relação com a potência asiática.

China | Inundações deixam quatro mortos e dezenas de desaparecidos no sudoeste do país

Quatro pessoas morreram e dezenas foram dadas como desaparecidas, na sequência das chuvas torrenciais que atingiram o sudoeste da China, na semana passada, informou ontem a imprensa estatal chinesa.

A televisão estatal chinesa CCTV disse que as tempestades provocaram grandes inundações, que atingiram uma instalação de processamento de aço, onde trabalhavam mais de 200 pessoas. “Até agora, quatro pessoas morreram nas inundações e 48 continuam desaparecidas”, indicou a CCTV, afirmando que as operações de resgate prosseguem.

Chuvas fortes atingiram Jinyang, uma vila montanhosa, situada na província de Sichuan, no dia 21 de Agosto, mas os danos não foram comunicados. Cinco pessoas foram detidas por suspeita de “não comunicar ou comunicar falsamente um incidente de segurança”, de acordo com a CCTV.

O Presidente chinês, Xi Jinping, ordenou às autoridades que “façam tudo o que estiver ao seu alcance para procurar os desaparecidos (…) e confortar as famílias”, informou o canal. O incidente “deve ser investigado minuciosamente e as partes responsáveis devem ser tratadas de acordo com a lei”, disse Xi.

A China passou por vários eventos climáticos extremos nos últimos meses. Eventos que, apontam cientistas, serão cada vez mais frequentes devido às alterações climáticas. Em Julho, pelo menos 78 pessoas morreram devido às grandes inundações que atingiram o norte do país, na sequência da passagem do tufão Doksuri.

Gabão | Pequim pede que se garanta segurança do Presidente

A China apelou ontem às “partes relevantes” no Gabão que “garantam a segurança” do Presidente Ali Bongo, após o golpe militar ocorrido no país centro-africano, rico em petróleo e outras matérias-primas.

“A China está a acompanhar de perto a evolução da situação no Gabão e apelou às partes relevantes para que actuem no interesse do povo gabonês, visando o retorno à normalidade e a segurança pessoal de Ali Bongo”, disse o porta-voz da diplomacia chinesa, Wang Wenbin, em conferência de imprensa.

Bongo foi eleito em 2009, após a morte do pai, Omar Bongo Ondimba, que governou o Gabão durante mais de 41 anos.

As autoridades gabonesas tinham ontem acabado de anunciar a sua reeleição, com 64,27 por cento dos votos, quando um grupo de uma dezena de soldados apareceu nos ecrãs do canal de televisão Gabão 24 para anunciar o “fim do regime em vigor”.

Ali Bongo, de 64 anos, cujo paradeiro é desconhecido, visitou Pequim, em Abril passado. O Presidente chinês, Xi Jinping, chamou-o então de “velho amigo” da China e elogiou as suas “importantes conquistas” no desenvolvimento do país africano.

EUA | Secretária do Comércio enaltece abertura de comunicação “regular” com China

No final da sua visita à China, em Xangai, Gina Raimondo congratulou-se com a criação de novos canais de comunicação entre as duas nações

 

A secretária do Comércio dos Estados Unidos, Gina Raimondo, afirmou ontem que o maior sucesso da sua viagem à China foi ter conseguido estabelecer “comunicação regular” com as autoridades do país asiático.

“A maior conquista, após três dias de reuniões produtivas, foi o estabelecimento de comunicação regular”, disse Raimondo, em Xangai, onde concluiu a sua primeira visita à China, desde que assumiu o cargo, em 2021.

Na segunda-feira, a representante máxima da Casa Branca para o comércio anunciou uma série de novos canais formais de comunicação com Pequim, que vão abranger controlos de exportação e questões comerciais.

“Agora, temos de lançar estes mecanismos e ver quais as questões que podemos resolver”, antecipou. “No geral, é um excelente começo e, embora esteja muito claro que existe desafios a longo prazo, nos próximos meses veremos se há algum progresso”, acrescentou.

Pequim interrompeu o diálogo com Washington sobre questões militares, comerciais ou climáticas, em Agosto de 2022, em retaliação contra a visita a Taiwan da então presidente da Câmara dos Representantes do Congresso dos EUA, Nancy Pelosi.

Conversa aberta

A secretária do Comércio dos EUA defendeu que as linhas de comunicação servem para abrir caminho para a criação de um “ambiente regulatório previsível e condições de concorrência equitativas”.

“Não espero resolver tudo da noite para o dia, mas tenho esperança de que uma comunicação mais directa permitirá mais transparência e menor risco de avaliações erradas”, apontou.

A responsável norte-americana explicou que, durante a sua estadia no país asiático, manteve reuniões “sinceras e construtivas”.

“Eu não estive com rodeios: consegui explicar claramente que vamos proteger as áreas em que achamos que devemos fazê-lo e que vamos promover as áreas que pudermos”, vincou. “Isto significa que a nossa segurança nacional não é negociável”, defendeu Raimondo.

Entre as principais divergências estão as restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de determinados produtos norte-americanos, em especial de alta tecnologia, para a China.

Uma das principais queixas de Pequim envolve os limites no acesso a ‘chips’ semicondutores e outras tecnologias norte-americanas, que ameaçam dificultar o desenvolvimento de telemóveis, sistemas de inteligência artificial e outras indústrias cruciais nos planos de modernização industrial do Partido Comunista.

Em Pequim, Raimondo defendeu a estratégia da administração de Joe Biden de tentar “reduzir riscos”, através do aumento da produção doméstica de semicondutores e outros bens de alta tecnologia nos EUA, e criar fontes adicionais de abastecimento, para reduzir as chances de interrupção nas cadeias de produção. Pequim considerou que aquela política visa isolar a China e dificultar o seu desenvolvimento.

“Não se destina a impedir o progresso económico da China”, disse Raimondo, durante uma reunião com o ministro do Comércio da China, Wang Wentao, na segunda-feira. “Buscamos uma concorrência saudável com a China. Uma economia chinesa em crescimento que cumpra as regras é do interesse de ambos”.

Outros diálogos

Já na terça-feira, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, reuniu-se com Gina Raimondo, pedindo que os dois lados aumentem a cooperação mutuamente benéfica.

Li disse que as relações económicas e comerciais entre a China e os Estados Unidos são mutuamente benéficas e de natureza de benefício recíproco. A politização dos assuntos económicos e comerciais e o exagero do conceito de segurança não só afectarão seriamente as relações bilaterais e a confiança mútua, mas também prejudicarão os interesses das empresas e dos cidadãos dos dois países, e terão um impacto desastroso na economia global, afirmou, citado pelo Diário do Povo.

Observando que a China é o maior país em desenvolvimento e os Estados Unidos são o maior país desenvolvido, Li disse que os dois lados devem fortalecer a cooperação mutuamente benéfica, reduzir o atrito e o confronto e promover conjuntamente a recuperação económica mundial e enfrentar os desafios globais.

“O respeito mútuo, a coexistência pacífica e a cooperação de benefício mútuo são os caminhos certos para a China e os Estados Unidos se darem bem. Esperamos que o lado norte-americano trabalhe com a China para adoptar ações mais práticas e benéficas para manter e desenvolver as relações bilaterais”, acrescentou.

Durante uma visita a Pequim, no mês passado, a Secretária de Estado do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, tentou tranquilizar as autoridades chinesas sobre as múltiplas restrições impostas pela Casa Branca.

O enviado dos EUA para o clima, John Kerry, visitou também a China em Julho. O chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, visitou Pequim no mês anterior, na visita de mais alto nível por um responsável norte-americano desde 2018.

Macau Art Garden | Festival de curtas de Hong Heng Fai exibido no sábado

No sábado, o espaço Macau Art Garden acolhe o “3 in 1”, um pequeno festival de curtas-metragens que irá exibir três filmes do realizador local Hong Heng Fai. Após a exibição das películas, a noite prossegue com uma tertúlia com o cineasta e Wong Pak Hou, o protagonista masculino da trilogia de curtas apresentadas

 

Se as condições meteorológicas deixarem, no próximo sábado o Macau Art Garden, na Avenida Dr. Rodrigo Rodrigues, irá acolher um pequeno festival de cinema, “3 in 1”, centrado nas obras do realizador local Hong Heng Fai.

O início da projecção tem hora marcada para 21h30, a que se segue uma sessão de perguntas e respostas e interacção regada etilicamente entre o público, o realizador e Wong Pak Hou, actor que protagoniza as três curtas-metragens exibidas.

Exceptuando o primeiro filme, todos têm legendas em inglês. A película que abre a sessão é “Before Dawn”, lançado em 2014 e que arrebatou o prémio “48 Rush Hours” Video Challenge Award, organizado pelo Centro Cultural de Macau.

O segundo filme na lista é “In Memory of Her”, obra seleccionada na edição de 2015 do Festival Internacional de Filme e Vídeo de Macau.

Finalmente, a fechar a sessão será exibido “Crash”, curta multipremiada que correu festivais como o Festival de Curtas de Berlim, o Festival de Filme Independente de Hong Kong, e foi nomeado para o Taipei Golden Horse Film Festival and Awards.

O filme de 20 minutos conta a história de um homem de 50 anos de idade que sofreu com a “perda” da sua mãe e se vê envolvido numa crise existencial. Tendo como tema a relação entre o espaço virtual e a realidade, o filme procura introduzir questões éticas, explorando a situação de “digitalização” nos tempos modernos.

O outro lado da câmara

O realizador estreou-se no formato de longa-metragem no ano passado com “Kissing the Ground You Walked On”, filmado em Macau. A obra foi reconhecida com o prémio de melhor realizador dos “Firebird Awards in the Young Cinema Competition” da 47ª edicção do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong.

Hong Heng Fai foi director do Teatro Horizonte (Macau), estando envolvido na área das artes performativas há mais de uma década e meia. Licenciado em publicidade pela Universidade de Shih Hsin em Taiwan, o realizador, juntamente com seus amigos, produziu o documentário “Rice for the Dead” durante a sua estadia em Taiwan, que trata dos fenómenos na área de comunicação social de Taiwan, gerando repercussões a nível social.

Fundou o “Day Day Studio” em 2014, e a sua primeira curta-metragem de ficção, “Before Dawn”, ganhou o prémio do desafio “Rush: 48 Horas a Abrir”. Mais tarde, os filmes “Caged”, “In Memory of Her” e “Crash” entraram na selecção do “Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Macau”. O evento na Macau Arte Garden tem um preço de entrada de 50 patacas, com uma bebida incluída.

PJ | Anunciada detenção de transexuais

Numa operação em que apontou ter o objectivo de “purificar o ambiente em Macau”, a Divisão de Investigação de Crime Organizado da Polícia Judiciária anunciou a detenção de “oito homens de nacionalidade filipina”, que se vestiam de mulheres e alegadamente se dedicavam à prostituição.

Segundo o comunicado da PJ, com direito a fotografias da parada dos detidos, publicadas na edição online do Jornal Ou Mun, as detenções aconteceram por suspeitas de alojamento ilegal, uma vez que a PJ indica que todos viviam no mesmo apartamento que estava a ser utilizado como “pensão ilegal”.

Além disso, os homens, que terão admitido a prática de prostituição, foram encaminhados para os Serviços de Migração, por “desempenharem actividades inconsistentes” com o visto de turismo.

MGM | Resorts remodelados para dar espaço à cultura

A MGM China vai reformular os “espaços que não estão totalmente utilizados” dos seus resorts para criar áreas dedicadas às artes e a elementos culturais. De acordo com a previsão de Pansy Ho, a remodelação do MGM Macau deverá estar concluída no último trimestre de 2024. No Cotai, será construída uma nova estrutura temática, ainda no segredo dos deuses

 

Os resorts integrados da MGM China vão ser remodelados para acrescentar áreas dedicadas às artes e à cultura. A novidade foi adiantada na terça-feira à tarde pela directora executiva da MGM China, Pansy Ho, à margem da inauguração da instalação “Valkyrie Miss Dior”, em que a artista plástica portuguesa Joana Vasconcelos deu uma nova vida ao Valkyrie Octopus.

Em declarações à comunicação social, Pansy Ho reconheceu que os espaços dos resorts da MGM China não estão a ser utilizados de forma a maximizar as suas potencialidades.

A directora executiva da concessionária indicou que no primeiro piso do MGM Macau será remodelado um espaço com mais de 5.500 metros quadrados, e no MGM Cotai a remodelação irá incidir sobre um espaço com quase 9.300 metros quadrados de área. A intervenção no resort da península de Macau deverá estar concluída antes fim do fim de 2024.

A intervenção no resort da península de Macau deverá dar foco aos sectores das convenções e exposições. O objectivo da concessionária passa por acrescentar novos espaços dedicados a eventos temáticos “de elevada qualidade”, como “exposições de arte, joalharia e outros bens de luxo”, e colmatar a falta de áreas nos resorts do grupo para organização de eventos comerciais de larga escala.

A área intervencionada no resort do Cotai está actualmente ocupada por lojas, estabelecimentos de restauração e venda de bebidas e zonas de jogo VIP.

Incógnita temática

Além das remodelações nos resorts da concessionária, Pansy Ho deixou em aberto que estão em curso negociações com o Governo para construir uma “estrutura temática” ao lado do MGM Cotai. Apesar de não querer arriscar prazos para a construção da obra, nem detalhes sobre o âmbito do projecto, Pansy Ho adiantou que a estrutura não deverá ultrapassar metade da altura do MGM Cotai.

As novidades foram anunciadas numa altura em que se sabe que o Governo exigiu às operadoras de jogo planos detalhados para cada projecto de investimento, incluindo provas sólidas de que os seus planos promovem as quatro principais indústrias centrais para a estratégia do governo de diversificação de Macau.

Essas indústrias incluem pesquisa científica e tecnológica e manufactura de alta tecnologia, medicina tradicional chinesa, turismo cultural, MICE e finanças modernas.

“Saola” ganha força. Sinal 8 pode ser içado na madrugada de sábado

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) emitiram ontem à tarde o sinal 1 devido à entrada do Saola num raio de 800 quilómetros do território. As autoridades entendem que a probabilidade de içar o sinal 3 entre a tarde e noite de amanhã é “moderada a relativamente alta”, e que a probabilidade de chegar a sinal 8, entre a madrugada e manhã de sábado, é moderada.

 

No final desta semana poderá ocorrer uma interacção com a tempestade tropical Haikui, pelo que ainda há incertezas quanto à trajectória e local onde o Saola vai tocar terra, acrescentaram.

Entretanto, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Marítimos e da Água (DSAMA) emitiu ontem um alerta sobre a necessidade de protecção das embarcações de pesca estacionadas no Porto Interior, tendo em conta a possibilidade de subida das marés para uma altura de três metros. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, a DSAMA alerta os passageiros para programarem melhor as suas viagens tendo em conta a chegada da tempestade e os donos das embarcações a deslocarem-se para outros locais a fim de evitar acidentes.

Também ontem, o Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau (CPTTM) a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) apelaram aos empresários de pequenas e médias empresas situadas nas zonas baixas do território para prestarem atenção às informações meteorológicas e “implementar bem as medidas contra tufões e inundações”.

A soprar forte

O tufão começou ontem a dirigir-se para a costa sul da China, depois de se ter intensificado durante a madrugada, de acordo com as autoridades de Taiwan. O tufão estava a deslocar-se para noroeste com ventos sustentados de 191 quilómetros por hora e rajadas de até 234 quilómetros por hora, de acordo com a Agência Central de Meteorologia de Taiwan, sendo agora considerado um tufão forte. O olho do tufão não atingirá a parte continental de Taiwan, mas vai atingir as cidades do sul da ilha com as bandas exteriores.

Os serviços de meteorologia alertaram também para a possibilidade de chuvas e ventos fortes nas cidades do sul de Taiwan e, em especial, no sul da região de Pingtung. Actualmente, o Saola dirige-se o sul de Taiwan, no canal Bashi, que separa a ilha das Filipinas. Até ao momento, a tempestade não causou grandes danos quando passou pelas Filipinas, no início desta semana, embora milhares de pessoas tenham ficado desalojadas quando a tempestade provocou fortes chuvas e inundou zonas baixas no norte do país. Prevê-se que o tufão atinja o sul das províncias de Fujian e Guangdong na sexta-feira.

Mulheres | Alerta para falsos docentes que tiram dinheiro a pais

A Associação Geral das Mulheres alerta para o número cada vez maior de casos de burla levados a cabo por falsos docentes que, em grupos de WeChat, pedem dinheiro aos encarregados de educação para alegadas despesas escolares. A entidade exige, assim, maior acção do Governo na prevenção deste tipo de ocorrências

Cada vez mais pessoas fazem-se passar por professores para burlar encarregados de educação em grupos na plataforma WeChat. O alerta é deixado pela Associação Geral das Mulheres, que pede maior divulgação de medidas preventivas por parte do Governo e políticas que levem ao aumento da consciência dos alunos universitários contra burlas.

Chu Oi Lei, directora do Centro de Serviços da Família da Associação Geral das Mulheres, afirmou, em comunicado, que as burlas perpetradas por falsos professores não acontecem apenas no interior da China, tendo já ocorrido algumas vezes em Macau. Tudo começa com um perfil falso nos grupos de WeChat, sendo depois pedido aos pais pagamentos para despesas com materiais escolares, por exemplo. Chu Oi Lei recordou que, em Agosto do ano passado, e ainda antes de começar um novo ano lectivo, ocorreu um caso de burla semelhante, quando um encarregado de educação foi informado de que tinha de pagar despesas escolares através de um grupo no WeChat. O pagamento foi feito porque o burlão apresentava, no seu perfil, uma fotografia e o nome semelhantes aos do director de turma.

Desta forma, Chu Oi Lei recomenda que as autoridades policiais informem a Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) sobre as investigações levadas a cabo quanto aos professores falsos, além de pedir uma melhor comunicação entre a escola e os pais. A responsável entende que os pais devem sempre ligar para a escola a fim de confirmar que o pedido de pagamento é verdadeiro.

Burla na universidade

A dirigente da Associação Geral das Mulheres disse ainda que os alunos universitários são também burlados, sendo que aqueles que vêm do exterior são mais facilmente enganados por não conhecerem a sociedade local.

Chu Oi Lei referiu dados já divulgados pelas autoridades policiais relativos ao primeiro trimestre do corrente ano, quando ocorreram 435 burlas em que os jovens foram as principais vítimas. Um terço dessas burlas esteve relacionado com burlas a estudantes do ensino superior.

A responsável entende que as medidas de sensibilização e prevenção devem ser lançadas nas redes sociais e plataformas mais populares entre os jovens.

Lei Chan U desvaloriza perdas do Fundo de Segurança Social

Lei Chan U considera que a população “não precisa de se preocupar muito” com as perdas em investimentos do Fundo de Segurança Social (FSS), que no ano passado atingiram 7,95 mil milhões de patacas. Numa opinião partilhada ontem, com os meios de comunicação social, o deputado apontou que a situação do FSS é estável, e que as perdas se devem a “normais” flutuações de curto prazo do mercado.

A desvalorização do legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau, surge depois do FSS ter reagido ao próprio anúncio com as perdas do ano passado. Num novo comunicado depois das perdas de 2022 terem sido tornadas públicas, o FSS apontou que primeiros seis meses deste ano obteve ganhos com os investimentos de 4,5 mil milhões de patacas.

Segundo o deputado Lei Chan U, as perdas são vistas como normais, uma vez que os investimentos foram afectados “pelo ambiente internacional”. Contudo, o legislador argumenta que os activos do FSS estão avaliados em 90 mil milhões de patacas, pelo que apesar das perdas a situação é “estável”.

Megafone governativo

O legislador defendeu ainda a estratégia de investimento do FSS, ao indicar que a maior parte dos investimentos do fundo, cerca de 51,14 por cento, é feita em depósitos a longo prazo em diferentes bancos, com taxas de juro fixas. Os investimentos em produtos financeiros são de 48,86 por cento, pelo que para Lei Chan U existe uma “dispersão eficaz dos riscos”.

Por isso, o deputado apelou à população para “fazer uma análise a partir dos dados do investimento a longo prazo”, e num discurso em que adoptou a linha do Governo, indicou que na primeira metade deste ano registaram-se ganhos de 4,5 mil milhões de patacas.

Lei também sublinhou que nos últimos cinco anos, os ganhos acumulados com os investimentos foram de 15,6 mil milhões de patacas, pelo que elogiou os resultados das operações de investimento.

Ainda assim, o deputado apelou para que se tente encontrar um maior equilíbrio e sustentabilidade para o FSS.

Hidroginástica | Fim das aulas na piscina do Centro de Lin Fong causa polémica

A suspensão das aulas de hidroginástica na piscina do Centro de Lin Fong originou um coro de críticas. Depois de José Pereira Coutinho, ontem foi a vez do deputado Ma Io Fong e da Associação dos Moradores juntarem as suas vozes aos protestos

 

O deputado Ma Io Fong apelou ao Instituto do Desporto (ID) para manter as aulas de hidroginástica na piscina do Centro de Lin Fong. O pedido surge na sequência da reorganização da utilização da piscina anunciada pelo ID, justificada com uma nova estratégia para poder ser utilizada por mais pessoas.

Em declarações ao Jornal do Cidadão, o legislador ligado à Associação das Mulheres revelou que após ter sido anunciada a suspensão das aulas de hidroginástica, o seu gabinete recebeu várias queixas, não só de cidadãos que frequentavam as aulas, mas também de instrutores.

De acordo com os dados apresentados por Ma, actualmente existem cerca de 17 aulas de hidroginástica no território, sendo que 12 decorrem na piscina do Centro de Lin Fong, o que representa uma proporção de 70 por cento. Além disso, com a medida do ID, Ma aponta que “mais de 500 estudantes” ficam impossibilitados de frequentar as aulas.

O deputado também argumentou que as aulas de hidroginástica são especialmente importantes para os alunos mais velhos, porque sob a orientação de um instrutor profissional podem fazer exercícios que mantêm a sua força muscular.

Ma destacou igualmente a valia deste tipo de aulas para os estudantes com problemas de mobilidade, que têm a oportunidade de praticar aulas de reabilitação. Por isso, aponta que “a hidroginástica é uma terapia rara em Macau e uma actividade de reabilitação”.

Em alternativa à suspensão, Ma indica que os alunos de hidroginástica propõem duas vias possíveis para manter o futuro das aulas: realizá-las em horários de menor utilização da piscina, ou dividir parte da piscina só para estas aulas.

Queixas dos Moradores

Também a União Geral das Associações dos Moradores de Macau criticou as alterações ao calendário das aulas da piscina do Centro de Lin Fong.

Ao jornal Ou Mun, Ho Wai San, directora do Centro I Chon dos Moradores, criticou a decisão, e apontou que ao longo dos anos se tornou cada vez mais difícil arranjar vagas na piscina, principalmente para os mais velhos, que são os mais afectados pela nova decisão.

Por isso, Ho Wai San indicou terem medo que as aulas para os idosos voltem a ser suspensas e reduzidas, pelo que apelou ao Executivo para considerar apropriadamente as necessidades destas pessoas e garantir as necessidades dos mais velhos de fazerem exercício.

As reacções de Ma Ion Fong e dos Moradores surgem depois de também José Pereira Coutinho, deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), ter sido o primeiro a criticar a decisão do ID. Porém, Coutinho destacou além do impacto para os alunos o despedimento de cerca de 70 instrutores.

Fukushima | Wong Wai Man protesta descarga de águas

O presidente da Associação dos Armadores de Ferro e Aço, Wong Wai Man, esteve em Hong Kong e entregou uma carta no Consulado do Japão, a protestar contra a descarga no mar de águas com resíduos nucleares da Central Nuclear de Fukushima.

A descarga começou na semana passada e deverá prolongar-se nos próximos 30 anos. O ex-candidato à Assembleia Legislativa em Macau divulgou a entrega da carta, através de um vídeo em directo nas redes sociais, em que aparecia com mais três pessoas.

Além da entrega da carta, os quatro também exibiam uma faixa onde se podia ler: “Protestamos veementemente contra o Japão pela descarga de água poluída nuclear que ameaça a Humanidade”. Apesar de a Agência Internacional da Energia Atómica ter garantido a segurança do procedimento, a descarga teve oposição em vários países, principalmente na China, incluindo Macau e Hong Kong, onde foi implementado um bloqueio à importação de produtos marítimos e vegetais de 10 prefeituras japonesas.

SAFP | André Cheong envia Kou Peng Kuan para Centro de Formação Jurídica

Os Serviços de Administração e Função Pública vão passar a ser liderados por Ng Wai Han, subdirectora do organismo desde Junho de 2020. Ng está há pouco mais de três anos nos SAFP e o seu percurso na Administração passou essencialmente pelos Serviços para os Assuntos Laborais

 

Ng Wai Han vai ser, a partir de amanhã, a nova directora dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), substituindo Kou Peng Kuan, que foi nomeado director do Centro de Formação Jurídica e Judiciária. A reorganização promovida por André Cheong, secretário para a Administração e Justiça, foi tornada pública ontem, através de dois despachos publicados no Boletim Oficial.

A nova directora dos SAFP chega ao topo da hierarquia do organismo, depois de ter sido nomeada subdirectora há pouco mais de três anos, em Junho de 2020, em plena pandemia.

O percurso de Ng Wai Han esteve principalmente ligado à Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), onde ingressou em 1999 e se manteve até 2020, exercendo diferentes posições, como técnica superior na área jurídica, chefe de várias divisões e departamentos. Antes de ser escolhida para integrar os SAFP, em 2020, Ng atingiu a posição de subdirectora na DSAL.

Em termos de currículo académico, a futura directora dos SAFP conta com uma licenciatura em Direito e um mestrado em Direito Penal, ambos concluídos na Universidade de Sun Yat-Sen, em Guangzhou.

Um novo lugar

As decisões reveladas ontem significam também o fim da linha do percurso de Kou Peng Kuan nos SAFP, iniciado em 1991, e como director desde 2015. O ainda director dos SAFP vai mudar-se para o Centro de Formação Jurídica e Judiciária, onde assumirá a liderança, inicialmente pelo prazo de um ano.

O cargo de director do Centro de Formação Jurídica e Judiciária estava livre, depois de Manuel Trigo ter deixado as funções, após 21 anos de serviço, em Abril deste ano. Desde esse mês que a actual sub-directora Tina Cheng Wan Yan liderava o organismo de forma interina.

Kou Peng Kuan vai agora enfrentar um novo desafio profissional, depois de ter desempenhado vários cargos nos SAFP, como adjunto de divisão, chefe de divisão e departamento e subdirector, até ter chegado à liderança em 2015. Além disso, no âmbito das funções como director da SAFP, integrou a comissão eleitoral responsável pela exclusão política de vários candidatos às eleições para a Assembleia Legislativa de 2021.

Como director dos SAFP, Kou foi protagonista de um dos momentos políticos menos habituais na RAEM, quando em Setembro de 2019 contestou um relatório do Comissariado de Auditoria que criticava o sistema centralizado de recrutamento. Na altura, Kou Peng Kuan foi acusado pelo organismo liderado por Hou Veng On de “falta de respeito”, por ter concordado com as críticas do relatório durante a elaboração, mas depois ter apresentado uma contestação, em declarações à comunicação social.

A nível académico, Kou é licenciado em Gestão Empresarial pela Universidade Ji Nan, tem um mestrado em Direito Económico pela Universidade Sun Yat-Sen e é doutorado em Administração Pública pela Universidade Popular da China.

Espaço | China vai apostar em “modelo aberto de cooperação”, diz académico

O académico Diogo Cardoso acredita que a política espacial chinesa irá apostar num “modelo aberto de cooperação”, fomentando um rápido desenvolvimento tecnológico. Num artigo académico, o doutorando da Universidade de Lisboa traça um olhar sobre a história da exploração espacial chinesa

 

A agenda de exploração espacial é uma área de interesse do Governo chinês há décadas. Dos votos de intenção, falta de recursos e intenções militares da era de Mao Tsé-tung até à aposta actual durante a presidência de Xi Jinping, muitos passos foram dados em direcção ao espaço.

Diogo Cardoso, doutorando do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa (UL), analisou o tema vertido num artigo académico publicado na última edição da revista Daxiyangguo – Revista Portuguesa de Estudos Asiáticos, publicação deste instituto.

O artigo intitulado “As políticas do Espaço e de Segurança chinesas de Mao Zedong a Xi Jinping: Em busca do ‘Chinese Dream’ [Sonho Chinês]” e conclui que “nos próximos cinco anos a China deverá fortalecer a capacitação básica da sua indústria aeroespacial”, bem como “avançar na implementação de pesquisas de ponta e implementar grandes projectos científicos e tecnológicos”.

Incluem-se ainda, nesta estratégia, a aposta em “projectos prioritários em áreas-chave, como os voos espaciais tripulados, a exploração lunar, o sistema de observação da Terra de alta resolução, o seu sistema de navegação BeiDou-3, e ainda a nova geração de foguetões de lançamento espacial”.

Desta forma, o país vai continuar a melhorar, “de forma abrangente, a infraestrutura espacial, promover o desenvolvimento da indústria de satélites, conduzir pesquisas científicas em profundidade e aprimorar o desenvolvimento abrangente, coordenado e sustentável da indústria aeroespacial”.

Na ascensão do poder chinês em matéria de política espacial, Diogo Cardoso entende que estão em causa “preocupações gerais com as mudanças na distribuição do poder económico e militar” bem como “preocupações específicas de como esses recursos são alocados e se isso pode levar a um conflito”.

“Resta saber se a mudança nos objectivos espaciais da China, conforme articulado pelos seus cientistas e formuladores de políticas espaciais, para adquirir recursos baseados no espaço, bem como a montagem de uma estação espacial permanente, levarão ao nacionalismo de recursos, territorialismo e expansionismo”, lê-se ainda no artigo académico.

Um modelo aberto

Ao HM, Diogo Cardoso declarou ainda que a China, nos próximos anos, vai “propor um modelo de cooperação aberta no que concerne ao espaço, utilizando inclusive os seus activos espaciais para possibilitar a países em desenvolvimento que tenham acesso a serviços de rede de telecomunicações, navegação por satélite através do serviço BeiDou, agora com alcance global, e até utilização de satélites meteorológicos”.

Para o académico, “todos estes serviços têm um grande impacto no desenvolvimento político, económico e social dos países em desenvolvimento”.

Por outro lado, “a China continuará a apostar no desenvolvimento e expansão da estação espacial chinesa, que já se encontra totalmente funcional, na promoção do seu programa de exploração lunar e de Marte, bem como num grande conjunto de projetos espaciais com possíveis resultados extremamente importantes para a humanidade”.

Importa ainda referir a ligação da política espacial com o projecto “Uma faixa, uma rota”, através da “Rota da Seda Espacial”, com a qual a China “tem promovido uma posição de cooperação internacional, colocando a sua estação espacial Tiangong ao serviço da ciência e da comunidade internacional”.

Pelo contrário, o académico considera que os Estados Unidos “irão adoptar uma estação espacial privada no futuro, o que poderá colocar em causa os princípios de cooperação científica internacional para o espaço, uma vez que a maioria dos países não dispõem de avultados fundos para financiarem viagens espaciais”, aponta Diogo Cardoso.

O doutorando do ISCSP entende que “o Programa Espacial Chinês destaca-se facilmente como uma das joias da coroa chinesa”, sendo que as suas origens remontam a 1955, quando o pioneiro dos foguetes e mísseis Quian Xuesen regressou dos Estados Unidos para a China.

Esta foi a época em que “após um período de consolidação, os líderes da China olhavam para uma agenda em prol do desenvolvimento com papéis-chave desempenhados pela ciência e tecnologia”. Desde então, e ao longo das diversas presidências, a China “é agora um actor importante na arena espacial global.

Um conflito espacial?

Questionado sobre a tensão geopolítica entre a China e os EUA pode chegar ao espaço, Diogo Cardoso relembra que “a guerra comercial [entre os dois países] é, em grande parte, uma guerra tecnológica pela luta pelo domínio [nesta área], bem como nos padrões e normas internacionais”.

“Em relação a um possível conflito espacial, e apesar de existirem armas anti satélite e outro tipo de armas a serem testadas, considero que um possível conflito, a acontecer, seria do tipo não convencional, com o uso de munições e tiros, mas através de tecnologias cibernéticas, que podem colocar em causa a actividade dos satélites de outro país.”

O académico acredita que os EUA “vão adoptar uma postura ainda mais defensiva em relação ao espaço, uma vez que outros países já dispõem de tecnologias espaciais extremamente avançadas, pelo que a sua posição de dominação está ameaçada e, para isso, os EUA tentarão proteger a sua posição”.

As bases fundacionais para o programa espacial chinês surgiram em 1956 com a criação da Comissão da Indústria de Aviação da China e da Quinta Academia do Ministério da Defesa. O artigo aponta que “o primeiro local de lançamento foi estabelecido em 1958 e o primeiro satélite foi lançado em 1970”.

A primeira nave espacial não tripulada, Shenzhou-1 (Navio Divino 1), foi lançada em 1999, e em 2003 o primeiro astronauta chinês foi ao espaço a bordo da Shenzou-5. Por outro lado, a exploração da Lua foi iniciada em 2003, com o lançamento do satélite Chang’e-1 (Deusa Chinesa da Lua 1) e o primeiro laboratório espacial Tiangong-1 (Palácio Espacial 1) em 2011, descreve o académico no seu trabalho.

Xi Jinping chegou ao poder em 2013 e desde então tem desenvolvido a ideia do “Sonho Chinês”, onde um dos objectivos é fazer com que o país disponha de um “exército forte” e poder espacial até 2030, daí observarem-se “esforços de modernização e fortalecimento do Exército de Libertação Popular (ELP) e das forças espaciais chinesas”. Os diversos Livros Brancos publicados por Pequim dão conta que “a exploração do espaço exterior é parte do desenvolvimento nacional geral”.

Durante a governação de Mao Tsé-tung, “o espaço era visto mais como um gesto político do que uma parte vital da arena militar ou económica”, sendo uma “prioridade inferior” do Governo Central.

Entre 1956 e 1976, a China teve “avanços muito limitados nas suas capacidades espaciais, devido à falta de recursos financeiros, tecnológicos e recursos humanos treinados, bem como às repetidas convulsões políticas que interromperam os esforços de pesquisa”. De frisar que a cooperação internacional em matéria espacial arrancou em 1970.

Deng Xiaoping, por sua vez, “inicialmente fez pouco para promover o desenvolvimento espacial para os sectores militar ou civil”, tendo-se concentrado no processo de abertura e reforma económica do país. Nos anos 90, “o programa espacial beneficiou do investimento e do apoio intensificado de alto nível”, tendo como exemplo a implementação de diversos satélites no período de Jiang Zemin, entre 1992 e 2002. Hu Jintao “manteve o apoio ao programa espacial chinês. Durante os seus dois mandatos” tendo sido implementados, durante o seu mandato, “uma variedade de novos sistemas de satélites”.

Hoje em dia, Xi Jinping olha para o programa espacial chinês “como um reforço do clima de inovação científica, especialmente no campo da robótica, inteligência artificial e aviação”, com um enquadramento na iniciativa “Made in China 2025”. Com o espaço, o Governo e o Partido Comunista Chinês esperam obter “enormes dividendos económicos”.

Pyongyang | Kim Jong-un quer reforçar Marinha por “risco de guerra nuclear”

O líder da Coreia do Norte pediu o reforço da Marinha, devido ao “risco de guerra nuclear”, noticiaram ontem os meios de comunicação oficiais do regime, quando Seul, Washington e Tóquio realizam exercícios navais conjuntos.

Kim Jong-un criticou o aumento da cooperação trilateral entre os “líderes de gangues” dos Estados Unidos, da Coreia do Sul e do Japão “reunidos”, informou a agência de notícias oficial norte-coreana (KCNA), numa referência à recente cimeira em Camp David (EUA), onde o Presidente norte-americano, Joe Biden, recebeu o homólogo sul-coreano, Yoon Suk-yeol, e o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida.

Esta foi a primeira vez que os líderes dos três países se reuniram numa cimeira independente.

Kim Jong-un acusou Washington de estar “mais agitado do que nunca” com as manobras navais conjuntas e a continuação da instalação de meios nucleares estratégicos nas águas em torno da península coreana, indicou a KCNA.

“Devido às acções imprudentes de confronto dos Estados Unidos, entre outras forças hostis, as águas em torno da península coreana foram forçadas a tornar-se o ponto mais concentrado de material de guerra do mundo, as águas mais instáveis com o risco de guerra nuclear”, disse Kim.

“Conseguir desenvolver rapidamente a força naval tornou-se uma questão muito urgente, tendo em conta as recentes tentativas de agressão do inimigo”, afirmou.

Estudo | Poluição é primeira ameaça mundial para saúde humana

Um estudo ontem publicado indica que a poluição atmosférica representa um risco maior para a saúde global do que o tabagismo ou o consumo de álcool, perigo exacerbado em regiões como Ásia e África.

De acordo com este relatório do Instituto de Política Energética da Universidade de Chicago (EPIC) sobre a qualidade do ar a nível mundial, a poluição por partículas finas, emitidas pelos veículos a motor, pela indústria e pelos incêndios, representa “a maior ameaça externa à saúde pública” a nível mundial.

Mas, apesar disso, os fundos para a luta contra a poluição atmosférica representam apenas uma fracção ínfima dos fundos consagrados às doenças infecciosas, por exemplo, sublinhou o relatório. A poluição por partículas finas aumenta o risco de doenças pulmonares e cardíacas, de acidentes vasculares cerebrais e de cancro.

O EPIC estimou que, se o limiar da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a exposição a partículas finas fosse respeitado em todas as circunstâncias, a esperança de vida global aumentaria 2,3 anos, com base nos dados recolhidos em 2021.

Em comparação, o consumo de tabaco reduz a esperança de vida global numa média de 2,2 anos e a subnutrição infantil e materna em 1,6 anos.

No Sul da Ásia, a região do mundo mais afectada pela poluição atmosférica, os efeitos na saúde pública são muito pronunciados.

De acordo com os modelos criados pelo EPIC, os habitantes do Bangladesh poderiam ganhar 6,8 anos de esperança de vida se o limiar de poluição fosse reduzido para o nível recomendado pela OMS.

O ar do mundo

A capital da Índia, Nova Deli, é a “megalópole mais poluída do mundo”, enquanto a China “fez progressos notáveis na luta contra a poluição atmosférica” iniciada em 2014, disse a directora dos programas de qualidade do ar do EPIC, Christa Hasenkopf.

A poluição média do ar no país diminuiu 42,3 por cento entre 2013 e 2021, mas continua a ser seis vezes superior ao limiar recomendado pela OMS. Se este progresso se mantiver ao longo do tempo, a população chinesa deverá ganhar uma média de 2,2 anos de esperança de vida, referiu o estudo.

Mas, de um modo geral, as regiões do mundo mais expostas à poluição atmosférica são as que recebem menos recursos para combater este risco, observou o relatório.

“Existe uma profunda discrepância entre os locais onde o ar é mais poluído e aqueles onde são mobilizados mais recursos colectivos e globais para resolver este problema”, explicou Hasenkopf.

Embora existam mecanismos internacionais de luta contra o VIH, a malária e a tuberculose, não há equivalente para a poluição atmosférica.

“E, no entanto, a poluição atmosférica reduz a esperança média de vida de uma pessoa na República Democrática do Congo e nos Camarões mais do que o VIH, a malária e outras doenças”, salientou o relatório.

Nos Estados Unidos, o programa federal “Clean Air Act” contribuiu para reduzir a poluição atmosférica em 64,9 por cento desde 1970, aumentando a esperança média de vida dos norte-americanos em 1,4 anos.

Na Europa, a melhoria da qualidade do ar ao longo das últimas décadas seguiu a mesma tendência que nos EUA, mas continuam a existir grandes disparidades entre o leste e o oeste do continente.

Todos estes esforços estão ameaçados, entre outros factores, pelo aumento do número de incêndios florestais em todo o mundo, causado pelo aumento das temperaturas e por secas mais frequentes, associadas às alterações climáticas, provocando picos de poluição atmosférica.

Trabalhar depois da reforma

A semana passada, os jornais de Hong Kong assinalaram que alguns deputados do Conselho Legislativo defendem que o Fundo de Previdência Obrigatório (MPF sigla em inglês) deve ser abolido devido ao fracasso do esquema de investimento. Nas primeiras três semanas deste mês, as perdas no investimento do MPF atingiram os 5,31 por cento. O Fundo de Previdência Obrigatório começou a operar a 1 de Dezembro de 2000. Desde então, existiram apenas 13 ocorrências de perdas que excederam os 5 por cento. Esta perda eliminou 80 por cento do rendimento do investimento nos primeiros sete meses de 2023.

As perdas no investimento no MFP afectam o rendimento dos reformados. E porque é que este problema é tão grave? De acordo com os dados publicados pelo Hong Kong Census and Statistics Department (Departamento de Estatística e Censo de Hong Kong), em 2022, Hong Kong tinha 7,29 milhões de habitantes, sendo que 1,52 milhões ultrapassaram os 65 anos, o que significa que 20.9 por cento, ou 1/5, da população é idosa. O Census and Statistics Department prevê que em 2037, os idosos representem 30 por cento do total da população de Hong Kong.

No ano financeiro de 2022-23, a despesa estimada do Governo de Hong Kong com serviços de apoio aos idosos é de cerca de 15 mil milhões de dólares de Hong Kong (HKD), um aumento de cerca de 74 por cento em relação aos cerca de 8,6 mil milhões do ano financeiro de 2018-19. Embora os serviços de apoio aos idosos impliquem vários tipos de despesas, a pensão de velhice dada pelo Governo local às pessoas com mais de 70 anos, é de apenas 1,475 HKD mensais. Obviamente, esta quantia não é suficiente para cobrir as despesas de sobrevivência.

De acordo com os regulamentos das Nações Unidas sobre esta matéria, quando a percentagem de idosos se situa entre os 14 por cento e os 20 por cento do total da população, estamos perante uma “sociedade envelhecida”; mais de 20 por cento significa uma “sociedade super-envelhecida”. O envelhecimento da população implica que o ónus dos cuidados dos idosos, que recai sobre os filhos, vai aumentar. Em 2019, em Hong Kong, 3,3 pessoas no activo tinham a seu cargo 1 idoso. Prevê-se que em 2031, este rácio seja de 2 pessoas no activo por cada idoso. Em 2037, apenas 1,7 pessoas no activo vão ter a ser cargo 1 idoso, e em 2069, a relação será de 1,4 para 1.

Segundo um inquérito realizado este ano em Hong Kong, sobre as despesas que os filhos têm com o apoio a pais idosos, 43 por cento dos inquiridos dá 3.000 e 6,000 HKD por mês aos pais para que eles possam sobreviver, 24 por cento dá entre 6.000 e 10.000 HKD; 15 por cento dá 10.000. O inquérito também mostra o índice de satisfação dos pais com o apoio que recebem dos filhos. De um total de 10 pontos, a média do nível de satisfação dos pais foi de 6,9, o que reflecte que no geral estão satisfeitos com o apoio financeiro que recebem dos filhos.

A partir daqui, sabemos que a pensão de velhice paga pelo Governo, mais as mensalidades do MPF, juntamente com o apoio prestado pelos filhos, não garantem protecção suficiente aos idosos. Então, o que devem os idosos de Hong Kong fazer depois da reforma?

Singapura anunciou recentemente um “Programa de Encorajamento ao Emprego de Pessoas de Meia-Idade”, com um orçamento de mais de 40 mil milhões de HKD. O objectivo é encorajar as pessoas que têm entre 50 e 60 anos a continuar a trabalhar depois da reforma. Embora as notícias não especifiquem em detalhe os conteúdos do programa, o seu objectivo é louvável. Como a população idosa de Hong Kong continua a aumentar, os apoios sociais também terão de aumentar. A taxa de natalidade em Hong Kong é baixa, com tendência a diminuir, o número de filhos por casal é cada vez menor, e as despesas que cada pessoa terá para poder sustentar os pais na velhice vão aumentar. Este problema não é apenas do Governo de Hong Kong, mas também um problema dos idosos e dos seus filhos.

Macau vai passar a ser uma sociedade envelhecida em 2026, quando a população com mais de 65 anos atingir os 14 por cento. O Governo de Macau paga Pensões de Velhice e o Subsídio para Idosos, que no total excedem largamente o valor pago em Hong Kong, mas com o aumento da população idosa, esta despesa vai também aumentar. Macau espera implementar o “Regime de Previdência Central Obrigatório” em 2026, quando o Fundo criado para o efeito tiver poupanças suficientes. Embora existam diferenças entre as taxas de natalidade de Macau e de Hong Kong, em Macau esta taxa também está a diminuir, e o encargo financeiro dos filhos que apoiam os pais aumentou.

Talvez possamos considerar o programa de Singapura ” Encorajamento ao Emprego de Pessoas de Meia-Idade ” para solucionar os problemas financeiros dos idosos, estimulando a manutenção do trabalho depois da reforma. Embora não exista qualquer disposição na Lei das Relações de Trabalho que estipule a idade da reforma aos 65 anos, este conceito está profundamente enraizado na mente das pessoas.

Talvez se possa considerar uma alteração da lei para que os empregadores venham a negociar com os empregados quando eles atingem os 65 anos: se os últimos assim o desejarem, reformam-se, se não, poderá haver uma extensão do contrato de trabalho possivelmente em regime part-time. Até certo ponto, isto iria reduzir os encargos económicos do Governo e os idosos poderiam fazer as suas próprias escolhas. Além disso, o encargo financeiro que recai sobre os filhos não seria tão pesado. Esta medida beneficiaria a sociedade, os idosos e os seus filhos. Este modelo poderá aplicar-se a Hong Kong em moldes basicamente semelhantes.


Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Escola de Ciências de Gestão do Instituto Politécnico de Macau
Blog: http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk

GPM | Sudeste Asiático confirma presença em Macau

Logo após o Campeonato da China de Fórmula 4 ter concluído a sua segunda visita ao circuito urbano de Pingtan, o organizador do revitalizado Campeonato do Sudeste Asiático de Fórmula 4 confirmou a presença no primeiro fim de semana do 70.º Grande Prémio de Macau

 

Depois de três anos em que o campeonato chinês de F4 foi presença assídua no Circuito da Guia, no fim de semana de 10 e 11 de Novembro, será o pelotão do campeonato agora promovido pela empresa Top Speed Shanghai a visitar a RAEM num evento extra-campeonato que irá contar com vários pilotos internacionais. Será igualmente a estreia dos monolugares da última geração de F4 entre nós. Tatuus F4 T421 GEN2 com motor Fiat Abarth 1400cc preparado pela Autotecnica Motori, e com o seu equipamento de segurança Halo homologado pela FIA.

O Grande Prémio de Macau começa com os treinos livres e as sessões de qualificação no sábado, 10 de Novembro, seguidos de uma corrida de qualificação de oito voltas e de uma corrida principal de 12 voltas no domingo, proporcionando aos pilotos uma experiência inestimável de início de carreira na pista que recebe o Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 – Taça do Mundo FIA de F3.

Antes de Macau, o campeonato do Sudeste Asiático realiza a sua corrida de abertura em Outubro, no circuito permanente da cidade Zhuhai, para depois da passagem pelo território viajar até ao Circuito Internacional de Sepang, a antiga casa do Grande Prémio da Malásia, para as rondas três e quatro. Para participarem, os pilotos devem ter pelo menos 15 anos e possuir uma licença FIA Internacional C ou Nacional emitida pela respectiva associação nacional de desportos motorizados.

Rumo à liderança

No remodelado e agora mais curto circuito citadino da Ilha de Pingtan, o Campeonato da China de Fórmula 4, que perdeu a sua prova no Grande Prémio de Macau, realizou a sua terceira jornada da temporada de 2023. Entre os dezasseis concorrentes presentes para disputar as quatro corridas do fim de semana estiveram dois pilotos de Macau: Tiago Rodrigues e Marcus Cheong Man Hei.

Na sua temporada de estreia em provas de monolugares, Tiago Rodrigues voltou a estar em plena evidência ao terminar as quatro corridas em posições do pódio, tendo inclusive vencido a segunda corrida disputada na tarde de sábado. “Eu acredito que posso vencer este campeonato”, disse o jovem piloto na conferência de imprensa da tarde de sábado, citado pela assessoria de imprensa do campeonato.

À vitória e ao segundo lugar obtido na primeira corrida de sábado, o piloto treinado por Charles Leong ainda juntou dois valiosos terceiros lugares no domingo. Esta série de óptimos resultados conquistados numa pista que não conhecia, colocam Tiago Rodrigues isolado na primeira posição do campeonato chinês.

Já Marcus Cheong, a realizar a sua segunda prova de monolugares, conseguiu um quinto lugar à geral como melhor resultado. O novo circuito de Chengdu Tianfu, ainda por estrear, irá receber a prova seguinte do campeonato no próximo mês. A organização do campeonato, a cargo da empresa Mitime, uma subsidiária do gigante automóvel chinês Geely, ainda não confirmou que circuito irá substituir Macau no calendário.

Japão | Pequim garante segurança de estrangeiros no país

A China garantiu ontem a segurança dos estrangeiros no país após actos de assédio ocorridos nas proximidades das instalações da embaixada do Japão e por telefone, desde o início da descarga de água contaminada de Fukushima.

“A China sempre protegeu a segurança, os direitos e interesses legítimos dos estrangeiros, de acordo com a Lei”, disse o porta-voz da diplomacia chinesa Wang Wenbin, em conferência de imprensa.

A Embaixada japonesa em Pequim disse ontem estar “extremamente preocupada” com actos assédio nas proximidades das suas instalações e por via telefónica, desde o início da descarga de água contaminada da central nuclear de Fukushima. “É claro que lamentamos [o assédio] e estamos extremamente preocupados”, disse um porta-voz da embaixada, citado pela agência France Presse.

“Apelamos ao Governo chinês, de acordo com o Direito internacional, para que forneça segurança às embaixadas e consulados na China, incluindo algumas instalações relacionadas com o Japão e cidadãos japoneses”, afirmou.

Internautas chineses partilharam o número de telefone da embaixada nas redes sociais nos últimos dias, gerando uma onda de chamadas para reclamar do início da descarga de água da central de Fukushima.

Isto não foi condenado pelo Governo chinês, que se opõe às descargas no Oceano Pacífico, aprovadas pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, condenou na segunda-feira o lançamento de pedras contra a embaixada japonesa e escolas japonesas na China desde o início da descarga.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Yoshimasa Hayashi, referiu que foi atirado um tijolo à embaixada.

A embaixada japonesa pediu, este fim de semana, aos seus cidadãos que evitem falar alto em japonês e reforçou as medidas de segurança nas proximidades das escolas japonesas e das missões diplomáticas no país.

BYD | Lucro da fabricante de eléctricos aumenta 205%

A fabricante de veículos eléctricos chinesa BYD obteve lucros líquidos de 10.954 milhões de yuan, no primeiro semestre do ano, um aumento de 205 por cento, em termos homólogos, segundo resultados ontem publicados.

Na demonstração dos resultados, enviada à Bolsa de Valores de Hong Kong – onde está cotada -, a empresa informou que o volume de negócios aumentou 72,7 por cento, para 260.124 milhões de yuan.

“O grupo alcançou um desenvolvimento substancial dos seus negócios apesar da concorrência cada vez mais acirrada”, afirmou a BYD, ao analisar o desempenho nos sectores automóvel e produção de baterias.

A empresa destacou que a sua quota no mercado dos veículos eléctricos aumentou 6,5 por cento, para 33,5 por cento, mantendo a posição de liderança a nível global.

A subsidiária de fabrico de componentes e montagem de telemóveis e outros dispositivos do grupo, a BYD Electronics, anunciou também ontem um acordo para comprar, por cerca de 15.800 milhões de yuan, duas fábricas na China da empresa norte-americana do segmento da indústria transformadora Jabil.

As instalações incluídas no acordo são as fábricas de peças para telemóveis da Jabil nas cidades de Chengdu e Wuxi, que vão servir para fortalecer a presença da BYD Electronics naquele sector e melhorar a sua estrutura de clientes e produtos, disse a empresa.

De acordo com o portal de notícias económicas Yicai, a Jabil é o quarto maior fornecedor de serviços para fabrico de produtos electrónicos, enquanto a BYD Electronics ocupa o sexto lugar, sendo a única empresa chinesa no ‘top 10’.

No ano passado, foram vendidos na China quase seis milhões de carros eléctricos, mais do que em todos os outros países do mundo juntos.