Exposição | Clara Brito é a mentora do projecto “She Left Her Body” Andreia Sofia Silva - 4 Set 20234 Set 2023 “She Left Her Body” é o nome da exposição que a designer Clara Brito traz à Casa Garden a partir do dia 23 de Setembro, que reúne trabalhos seus e também das artistas locais Elsa Lei Pui Mio, artista de luzes, Lora Lo Iok Iong, estilista, e Mandy Cheuk Yin Kin, maquilhadora. A possibilidade de dissociação das emoções do corpo de quem as sente é, assim, revelada em diversas expressões artísticas E se abandonássemos o nosso próprio corpo quando vivemos um momento difícil para não sentirmos todas as emoções negativas que brotam a partir dele? Deixando o corpo, não sentimos, e sobrevivemos numa espécie de piloto automático. É esta a ideia por detrás de “She Left Her Body” [Ela Deixou o Seu Corpo], uma exposição com mentoria e curadoria da designer Clara Brito e organizada através da Associação Cultural +853. Nesta mostra, Clara Brito reuniu os seus trabalhos juntando-se a mais três artistas locais de outras áreas, como é o caso de Elsa Lei Pui Mio, artista de luzes, Lora Lo Iok Iong, estilista, e Mandy Cheuk Yin Kin, maquilhadora. O público poderá, assim,observar trabalhos com recurso à caligrafia, instalação, colagem e desenho, entre outras expressões. A mostra nasce depois de uma residência artística realizada este ano pela própria Clara Brito na Casa Garden, apoiada por diversas entidades. Ao HM, a designer disse que criar esta exposição foi um processo quase novo, com elementos que a própria está a “reavivar”. “Uma das coisas que encaro como sendo nova é o facto de ser a primeira exposição em que, apesar de ser a artista principal, a mentora do projecto e a curadora da exposição, ter convidado três mulheres com perfis, competências e um trabalho criativo diferente do meu. Há uma colaboração entre quatro criativas com experiências diferentes que narram este conceito de deixar o corpo.” Neste processo, Clara Brito acabou por ir buscar elementos performativos que usava nos projectos que desenvolveu em Portugal antes de se mudar para Macau, há mais de 20 anos. Observa-se, assim, “um lado de fusão entre as indústrias tradicionais, o artesanato, os tecidos e a moda, mas também um lado cenográfico que estava muito presente nas minhas instalações de moda. Para Macau pode ser algo novo, o lado performativo da moda”. Citada por um comunicado, Clara Brito explica melhor a parte emocional tão intrínseca neste projecto, que começou a ser desenvolvido em 2021. “Fiz algumas leituras e escrevi sobre a fase da vida em que estava a viver, na qual me sentia muito infeliz. Quando visualizo esses momentos, é quase como se eu tivesse deixado o meu próprio corpo, para deixar esse momento [em específico] e apagar as emoções.” Na área da psicologia, o acto inconsciente de colocar emoções de lado e continuar como se nada tivesse acontecido é entendido como uma dissociação. O projecto pretende ainda passar alguma literacia emocional a quem o vê ou visita, “permitindo que os outros tenham uma vida melhor”. Ao mesmo tempo, Clara Brito recorreu aos materiais tradicionais usados a Oriente, explorando “a oportunidade de fazer uma grande pesquisa desses mesmos materiais e usando-os como uma ferramenta de comunicação, a fim de fazer um trabalho artístico que explora esses conceitos”, referiu ainda, segundo o mesmo comunicado. Património do amanhã “She Left Her Body” é um desafio que Clara impôs a si mesma, “[de pensar] o que poderiam ser, em termos artísticos e até filosóficos, os patrimónios do amanhã relacionados com as indústrias”. A mostra é também resultado “de um processo auto-biográfico criativo e artístico, especificamente ligado à ideia de dissociação”. É feito um cruzamento do lado emocional com as ideias de património e de auto-conhecimento. “Sou uma coleccionadora por natureza, uma designer que olha para os materiais e que tem apreço pela indústria e pelas tradições, por esse saber fazer, e pareceu-me um cruzamento interessante.” A exposição acontece abrangida pelo projecto “Tomorrow’s Heritage” [O Património do Amanhã], no qual Clara Brito participa e que tem vindo a ser desenvolvido “de uma maneira intuitiva e inconsciente já há bastante tempo”, onde se faz um levantamento de materiais e indústrias tradicionais de Macau, Hong Kong e do sul da China. Algo que a designer tem vindo a pôr em prática com colaborações com a marca portuguesa Burel, que fabrica roupas e produtos têxteis com o burel, um tecido feito com lã de ovinos da Serra da Estrela. “Todos estes projectos de correlação entre o Ocidente e o Oriente, desenhando cá e produzindo lá, e vice-versa, foram trazendo ao de cima uma ideia e uma vontade de fazer um cruzamento [de ideias] e um levantamento das indústrias tradicionais deste lado do mundo na minha relação com Portugal e os países de língua portuguesa”, disse a designer, que, depois de fazer o mapeamento, quis “aproveitar e desenvolver criativamente um projecto que trabalhasse estas indústrias”.
Economia | Receitas do jogo atingiram valor mais alto desde a pandemia Hoje Macau - 4 Set 2023 As receitas da indústria do jogo foram quase oito vezes superiores ao valor registado em Agosto do ano passado. Desde o início do ano, os casinos tiveram receitas superiores a 114 mil milhões de patacas As receitas do jogo atingiram 17,2 mil milhões de patacas em Agosto, o valor mais alto desde Janeiro de 2020, de acordo com dados oficiais revelados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), na sexta-feira. O valor registado em Agosto é 3,3 por cento mais elevado do que em Julho, que já tinha fixado um recorde pós-pandemia de covid-19, com o montante de 16,7 mil milhões de patacas. Além disso, as receitas da indústria do jogo foram durante Agosto quase oito vezes superiores ao registado no mesmo mês do ano passado, que o valor total não tinha ido além das 2,19 mil milhões de patacas. Apesar da recuperação em termos anuais, o valor que os casinos de Macau arrecadaram no mês passado ainda é inferior em cerca de 29,1 por cento inferior ao montante contabilizado em igual período de 2019, antes do início da pandemia. Entre Janeiro e Agosto, as receitas do jogo quase quadruplicaram em comparação com igual período de 2022, atingindo 114 mil milhões de patacas. No entanto, de acordo com os dados do regulador do jogo, a receita acumulada nos primeiros oito meses do ano representa apenas 57,5 por cento do montante registado no mesmo período de 2019. Desde Junho que as receitas do jogo estão a subir, com 15,2 mil milhões de patacas em Junho, 16,7 mil milhões de patacas e Julho e, finalmente, 17,2 mil milhões de patacas em Agosto. Números mais positivos Macau, que à semelhança da China continental seguia a política ‘zero covid’, anunciou em Dezembro o cancelamento da maioria das medidas de prevenção e contenção, depois de quase três anos das rigorosas restrições. Com o alívio das medidas, Macau registou nos primeiros sete meses deste ano 14,4 milhões de visitantes, indicou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, quatro vezes mais do que em igual período do ano passado, mas ainda assim 60,5 por cento do registado em 2019. A indústria do jogo, a principal fonte de receita via impostos do Governo do território, representava mais de metade do produto interno bruto (PIB) de Macau em 2019 e dava trabalho a quase 68 mil pessoas no final de 2022, ou seja, a quase 20 por cento da população empregada. Na quarta-feira, o director do Instituto para os Estudos da Indústria do Jogo da Universidade de Macau, Davis Fong, disse que as receitas dos casinos podem atingir 180 mil milhões de patacas este ano e 200 mil milhões de patacas em 2024.
Acidente | Polémica instalada com comunicado da Polícia de Segurança Pública João Santos Filipe - 4 Set 20234 Set 2023 Um homem foi detido devido a um acidente com uma viatura conduzida a alta velocidade junto do Hotel Lisboa, depois de ter passado um sinal vermelho. Contudo, o caso está a gerar celeuma, porque ao contrário da prática habitual, a informação do CPSP é escassa Na quinta-feira, um carro da marca Mercedes bateu à frente do Hotel Lisboa, depois de ter passado dois sinais vermelhos a elevada velocidade, ter atingido um autocarro e uma viatura particular. As imagens tornaram-se virais, mas a ocorrência ficou marcada pela forma como o Corpo da Polícia de Segurança Pública (CPSP) divulgou a ocorrência. Ao contrário de outras situações em que a divulgação do CPSP fornece vários pormenores, inclusive os apelidos dos envolvidos, o mesmo não aconteceu com esta situação. A primeira mensagem sobre a ocorrência, em chinês, tinha apenas 72 caracteres, dos quais sete eram sinais pontuação. Após o contacto de vários órgãos de comunicação social, o CPSP lançou mais informação, desta feita com 300 caracteres, mas a dualidade de critérios levou a Associação dos Jornalistas de Macau a emitir um comunicado, em que indica haver desconfianças sobre a tentativa de encobrir a ocorrência. “Ao olharmos para a mensagem do CPSP enviada aos média na última noite [31 de Agosto] podia ler-se: ‘Aconteceu um acidente de trânsito com dois carros privados e um autocarro perto do Hotel Lisboa. Não houve feridos nem ninguém foi transportado para o hospital. Ninguém ficou preso nas viaturas’”, começou por indicar a associação. “Não há nada de errado com a informação! Mas quem ler a mensagem pensa que tudo se tratou de um acidente pequeno, sem impacto, o que é totalmente diferente das imagens captadas”, foi indicado. Muitas dúvidas Face à forma como ocorreu a comunicação, a Associação dos Jornalistas de Macau recordou que tem feito pedidos junto das autoridades para “melhorarem” o mecanismo de divulgação dos crimes, com mais informação. Apesar dos pedidos, a associação reconhece que na prática a informação disponibilizada “é cada vez mais simplificada”, o que torna difícil de perceber no meio das 50 a 60 mensagens diárias “os crimes com valor de notícia”. A associação apontou ainda que “há suspeitas de que neste caso houve tentativa de encobrimento”. Por último, face a respostas anteriores das autoridades que “algumas emergências não são divulgadas, devido aos critérios internos da polícia”, a Associação dos Jornalistas de Macau ironizou com a precisão da divulgação da informação. “As autoridades estão a operar o mecanismo de informação de forma tão precisa, que os grandes incidentes são reduzidos a pequenas ocorrências e as pequenas ocorrências são eliminadas. Não admira por isso, que neste caso não tenha acontecido nada…”, foi apontado. Condução perigosa Quanto ao acidente, de acordo com a informação divulgada após os contactos dos órgãos de comunicação social e da divulgação de vários vídeos online, o CPSP informou que o condutor tem 30 anos. Na altura do sinistro, apesar de ter atingido um carro particular e um autocarro público e ter passado a alta velocidade dois sinais vermelhos, não houve feridos aregistar. Também os testes para medir o consumo de álcool ou estupefacientes terão tido resultados negativos. O homem foi enviado para o Ministério Público e está indiciado da prática dos crimes de “condução perigosa de veículo rodoviário”, que implica uma pena de prisão que pode chegar a três anos de prisão, e pelo crime de fuga à responsabilidade, cuja pena pode chegar a um ano de prisão.
Covid-19 | Surto afecta 19 utentes do “Lar – A baía do Sole” João Luz - 4 Set 2023 Os Serviços de Saúde foram notificados na quinta-feira de surto de covid-19 no “Lar – A baía do Sole” da Secção de Serviço Social da Igreja Metodista de Macau, na Avenida de Lok Koi, em Seac Pai Van, com 19 utentes e três trabalhadores infectados. Segundo um comunicado do organismo liderado por Alvis Lo, emitido na sexta-feira, os doentes têm idades compreendidas entre 18 e 64 anos. Para conter a propagação do surto, os serviços procederam à “aplicação rigorosa das normas de isolamento para os utentes e trabalhadores infectados”, assim como à desinfecção, limpeza e manutenção da ventilação de ar no interior das instalações. O “Lar – A baía do Sole” acolhe pessoas portadoras de deficiência mental de grau moderado ou superior com mais de 16 anos de idade. Os Serviços de Saúde acrescentam que os doentes começaram a apresentar sintomas como febre, dor de garganta e tosse na passada quarta-feira, mas que todos se encontram “se em estado estável, sem complicações graves ou doenças graves”. Os resultados dos testes rápidos de antigénio efectuados aos outros utentes e trabalhadores do lar foram negativos.
Ron Lam pede melhorias para prevenir suicídios Hoje Macau - 4 Set 20234 Set 2023 Ron Lam afirmou que o número de suicídios está a aumentar nos últimos cinco anos, mas que o Governo não tem medidas para obrigar as vítimas de tentativas falhadas a serem internadas para um acompanhamento médico eficaz. A opinião do deputado faz parte de uma interpelação escrita, em que se considera que os médicos não conseguem realizar um acompanhamento adequado dos casos de suicídio, antes destes acontecerem, mesmo quando existem vários sinais preocupantes ou tentativas falhadas. No documento, o deputado pergunta ao Governo quais são os critérios actualmente adoptados para “prevenir e identificar os grupos novos com alto risco de suicídio”. O legislador quer saber como funciona o mecanismo actual de acompanhamento das potenciais vítimas ou pessoas com tendência para o suicídio, ou que sofrem de depressões. Ron Lam levantou ainda dúvidas sobre a eficácia do papel dos Serviços de Saúde, face ao aumento do número de suicídios, e pediu uma revisão interna dos procedimentos, para que haja uma melhoria dos serviços prestados e para que se evitem mais mortes. Na interpelação, Lam recorda o caso da youtuber Jane Lao, que se suicidou após ter estado no hospital para receber tratamento a uma tentativa falhada de acabar com a própria vida. Na altura, antes de concretizar o suicídio, a jovem acusou a ex-empresa Manner de bullying. Neste contexto, o deputado defende que o Governo precisa de prestar mais atenção aos casos de bullying e ter uma rede de apoio à população, não só nas escolas, onde o fenómeno é mais conhecido, mas também para toda a comunidade. Todos aqueles que estejam emocionalmente angustiados ou considerem que se encontram numa situação de desespero devem ligar para ligar para a Linha Aberta “Esperança de vida da Caritas” através do telefone n.º 28525222 de forma a obter serviços de aconselhamento emocional.
Fotografia | Gonçalo Lobo Pinheiro vence prémio no Brasil Hoje Macau - 4 Set 20234 Set 2023 O fotojornalista Gonçalo Lobo Pinheiro, radicado em Macau há 13 anos, foi o vencedor, na categoria de ensaio, na edição deste ano do Paraty em Foco – Festival Internacional de Fotografia, no Brasil. O projecto premiado, intitulado “O que foi não volta a ser…”, cativou o júri e destacou-se entre uma série de trabalhos de excepção. Gonçalo Lobo Pinheiro expressou a sua gratidão ao júri do festival, afirmando estar “sem palavras perante esta distinção”. “É uma honra inigualável ser reconhecido neste prestigiado evento de fotografia. Agradeço do fundo do meu coração por esta distinção, que representa anos de trabalho e dedicação à arte da fotografia. Quero também parabenizar todos os vencedores e finalistas deste incrível Festival, que vai já na sua 19.ª edição. A qualidade das obras apresentadas é verdadeiramente inspiradora. Estou orgulhoso de fazer parte desta comunidade de talento global”, afirmou o fotojornalista. A obra premiada estará em exposição no Centro Histórico (Quadra da Matriz) da cidade de Paraty. Gonçalo Lobo Pinheiro já havia arrecadado uma menção honrosa na edição de 2019 do mesmo festival com o retrato de Ratna Khaleesy, uma migrante indonésia residente em Macau.
SMG | Realçado impacto de alterações climáticas em super tufões João Luz - 4 Set 20234 Set 2023 No rescaldo da passagem do tufão Saola, as autoridades realçaram o aumento de tempestades graves nos últimos anos. Porém, o tufão Saola acabou por enfraquecer mais depressa que o previsto, com as zonas baixas da cidade a serem poupadas a inundações. O Observatório de Hong Kong pondera emitir hoje sinal 1 devido ao tufão Haikui Apesar do alerta máximo e de ter atingido o sinal 10, o tufão Saola passou por Macau sem causar grandes estragos. Segundo os dados avançados pelo Centro de Operações de Protecção Civil (COPC), as autoridades foram chamadas para acorrer a “188 incidentes, 118 casos sobre tratamentos de objectos com risco de queda e 55 casos sobre objectos desabados”. Os “Serviços de Saúde e o Hospital Kiang Wu receberam seis feridos, entre os quais um com ferimento de grau grave (fractura), um de grau médio (prendeu o dedo) e quatro de grau ligeiro”, COPC. Devido à expectativa de inundações, a polícia apelou à evacuação de 9.064 residências e 3.111 residentes das zonas baixas, transportando 10 pessoas com necessidade especiais aos centros de acolhimento de emergência. Foram também acolhidos nos 17 centros de acolhimento de emergência e nos quatro pontos de permanência para evacuação de emergência 247 pessoas. Destas, 106 eram residentes de Macau, 71 turistas do Interior da China, quatro turistas de Hong Kong e 66 turistas de outros países. Ao início da tarde de sexta-feira, o Chefe do Executivo declarava o estado de prevenção imediata. Os casinos, escolas e parques de estacionamento encerraram temporariamente e foram cancelados mais de 200 voos no aeroporto internacional. As fronteiras também foram encerradas e o serviço de transportes públicos foi suspenso, assim como a circulação rodoviária nas pontes, levando à paralisação do território com as autoridades a aconselhar os residentes a não saírem de casa. Marés baixas Apesar de o Porto Interior ter registado inundações ligeiras logo na manhã de sexta-feira, ainda antes da chegada da chuva e dos ventos, o pior cenário acabou por não se verificar. Ainda assim, a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) emitiu o segundo alerta mais elevado para inundações (vermelho), estimando que o nível da água acima do pavimento atingisse valores entre 1,5 e 2,5 metros. Quanto aos ventos, os SMG previram que podia exceder 118 quilómetros por hora. De acordo com as informações dos diversos modelos, os SMG estimaram que o “Saola iria trazer a Macau e até à zona do Estuário do Rio das Pérolas um ‘Storm Surge’ mais significativo”. Porém, “dado que Saola enfraqueceu mais rápido do que o previsto, a velocidade de deslocação aumentou, o aumento da água resultante do “Storm Surge” reduziu mais do que o previsto, o pico de inundações ficou desfasado”, apontaram os serviços meteorológicos, acrescentando que a situação das inundações “não correspondeu à previsão”. Monte dos vendavais Os SMG explicaram que qualquer ligeira alteração na trajectória, poderia trazer “um impacto diferente para Macau”, uma vez que o Saola era um tufão forte, com uma estrutura firme e circulação relativamente pequena. Segundos os dados dos serviços meteorológicos, a rajada mais forte foi sentida em Ká-Hó (superior a 147 quilómetros por hora), local que também registou a maior velocidade de vento (103,3 quilómetros por hora). Além dos dados numéricos, os SMG teceram considerações sobre as causas que têm levado ao elevado número de grandes tempestades. “As alterações climáticas levam a condições meteorológicas extremamente severas mais frequentes. Após a passagem do tufão “Hato” em 2017, do tufão “Mangkhut” em 2018 e do tufão “Higos” em 2020, o sinal n.º 10 de tempestade tropical de “Saola” foi emitido pela quarta vez em sete anos. Em comparação com o sinal n.º 10 emitido o mesmo número de vezes entre 1968 e 2016 (49 anos no total). Nos últimos anos, registou-se um aumento significativo da frequência de emissão”, apontam os SMG. Ao largo Entretanto, a tempestade tropical “Haikui” levou as autoridades meteorológicas de Macau e Hong Kong a emitir comunicados. Os SMG previam ontem que a tempestade iria atravessar Taiwan e entrar no Mar do Sul da China nos próximos dias”. Ainda com a trajectória e desenvolvimento do “Haikui” incertos após entrar no Mar do Sul da China, a estimativa preliminar dos SMG ponta a direcção a Fujian ou à área costeira a leste de Guangdong como possíveis “destinos” para a chegada a terra. Para já, uma coisa parece certa, durante os próximos quatro dias, “o tempo na região será muito quente, durante o dia”. O Observatório de Hong Kong adiantou ontem a possibilidade de emitir hoje de manhã o sinal 1 de tempestade. Sem tempo Na sexta-feira, Pereira Coutinho revelou ter recebido “muitas queixas de trabalhadores da função pública” devido à “falta de racionalidade de alguns serviços de autorizar a saída dos seus trabalhadores em tempo útil para poderem chegar às suas casas e em segurança”. O deputado afirmou que com a emissão do sinal 8 às 14h de sexta-feira, muitos trabalhadores ficaram numa situação complicada para conseguirem voltar a casa, porque “os transportes públicos nomeadamente os autocarros e táxis deixaram de funcionar”. Para evitar situações semelhantes no futuro, Pereira Coutinho sugeriu que perante tempestades, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública deve emitir “antecipadamente instruções gerais para todos os serviços públicos”, uniformizando de vez decisões arbitrárias como se verificou com o pessoal de atendimento na Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego. IC | Edifícios patrimoniais em bom estado depois de tufão O Instituto Cultural (IC) realizou ontem uma inspecção a vários locais protegidos como património arquitectónico, para aferir o estado dos edifícios e “relíquias culturais” depois da passagem do tufão Saola pelo território, afirmou ontem o organismo em comunicado. Na sequência da inspecção, feita ao abrigo do mecanismo de resposta a emergências do património cultural, o IC concluiu que o estado geral dos bens imóveis classificados de Macau está basicamente intacto, e que o vento e a chuva dos últimos dias não provocaram grande impacto nos mesmos. Apesar disso, o IC deu conta de que alguns edifícios manifestaram danos ligeiros no telhado e foram afectados pela queda de ramos de árvores. O IC dispõe um mecanismo de resposta a emergências para desastres naturais e crises, e realiza anualmente trabalhos de prevenção e resposta antes da época de tufões e chuva, incluindo a convocação das reuniões de trabalho sobre resposta a crises e desastres naturais. Ao mesmo tempo, para os templos e as igrejas situados em zonas baixas, o IC disponibiliza bombas de drenagem, montagem de comportas contra inundações e poda de árvores que precisem de manutenção.
ASEAN | Economia e Myanmar dominam cimeira em Jacarta Hoje Macau - 31 Ago 2023 A situação económica no Sudeste Asiático e a crise em Myanmar vão marcar a 43.a cimeira da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), no início de Setembro, em Jacarta, onde estarão representantes de 22 países. Mais de 60 reuniões estão previstas para os três dias da cimeira, antecipando-se a aprovação de um conjunto de documentos, alguns dos quais relativos ao que a ministra dos Negócios Estrangeiros indonésia, Retno Marsudi, considerou serem os “grandes desafios” regionais. Além de questões como a economia, o ambiente e crescente integração regional, os líderes dos países-membros da ASEAN, incluindo Timor-Leste como observador e representado pelo primeiro-ministro, Xanana Gusmão, vão analisar ainda a situação em Myanmar. A junta militar, no poder em Myanmar desde 2021, não será, mais uma vez, autorizada a participar nos encontros de líderes. Além dos líderes da ASEAN e dos representantes de nove organismos internacionais, vão estar em Jacarta responsáveis dos parceiros da organização regional, nomeadamente Coreia do Sul, Japão, Índia, China, Austrália, Canadá, Rússia e Estados Unidos. Os responsáveis de vários organismos internacionais, como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a ONU, representada pelo secretário-geral António Guterres, também participam no encontro. O Presidente da Indonésia, Joko Widodo, vai liderar pelo menos 12 reuniões alargadas, incluindo cimeiras com a China, a Coreia do Sul, o Japão, os Estados Unidos, o Canadá, além de participar em vários encontros bilaterais. No último dia da cimeira, estão previstos encontros da ASEAN com os parceiros externos, Índia, Austrália, ONU e membros da cimeira da Ásia Oriental. Olhos focados Mais de mil jornalistas de quase 250 órgãos de comunicação social acompanham os encontros de Jacarta. No quadro dos preparativos para a cimeira, as autoridades indonésias anunciaram um conjunto de iniciativas para combater a poluição atmosférica, que recentemente se tornou particularmente grave na capital. Ensino à distância e trabalho remoto para funcionários públicos, são algumas das medidas tomadas para tentar reduzir a poluição e, ao mesmo tempo, as pressões do intenso trânsito em Jacarta.
Quando um grão de trigo morre Paul Chan Wai Chi - 31 Ago 2023 A Bíblia diz que se um grão de trigo cai na terra não morre, fica só; mas se morre, produz muitos frutos. Recentemente, recebi três mensagens. A primeira vinha de uma empresa que costumava anunciar os seus serviços no jornal “Observatório de Macau”, perguntando se o jornal tinha retomado a sua actividade, depois de um ano de suspensão. O “Observatório de Macau” é um semanário dirigido pela Associação de Leigos Católicos de Macau. Eu (sendo o director voluntário do Observatório de Macau) fui informado pela Associação de Leigos Católicos de Macau em Janeiro de 2022, que se estava a planear interromper a actividade do jornal depois da Páscoa. Como o “Observatório de Macau” já tinha recebido as cotas anuais dos seus muitos subscritores para esse ano, enquanto director voluntário, pedi que se continuasse a publicá-lo ao longo do ano antes da suspensão. Mesmo sem contratar funcionários a tempo inteiro para nos candidatarmos ao subsídio do Gabinete de Comunicação Social, acreditava que conseguiríamos manter o jornal a funcionar através de donativos, tal como tínhamos feito quando começámos e ainda não havia apoios do Governo. O “Observatório de Macau” foi publicado até Junho de 2022, e terminei nessa altura a minha colaboração voluntária de mais de 27 anos com este jornal. Já passou um ano sobre este acontecimento e os frutos ainda não surgiram. A segunda mensagem vinha de um colunista de outro semanário a comunicar-me que ia fazer uma pausa na sua escrita. Sou seu amigo e sei que esta decisão se deve a motivos estritamente pessoais, sobretudo a um grande cansaço. Dado o seu grande patriotismo e amor por Macau, teve de lidar com várias pressões invisíveis como colunista e eu compreendo a sua posição. Possivelmente ter feito uma pausa foi a escolha mais acertada nesta fase e, no futuro, podem vir a germinar mais sementes. A terceira mensagem dizia respeito ao falecimento de Ng Sio Ngai, directora do jornal online “All About Macau”. Conheci Ng Sio Ngai depois do incidente de Tiananmen, em 1989. Ela e outra jornalista de apelido Tam abordaram-me para uma entrevista. Como membro de um grupo de cristãos preocupados com a Lei Básica, aceitei dar a entrevista e essa foi a minha primeira experiência com a imprensa. Passaram muitos anos desde essa altura, Tam mudou de carreira, ao passo que Ng Sio Ngai permaneceu firmemente na linha da frente do jornalismo. Ng acompanhou a elaboração e a promulgação da Lei Básica de Macau e testemunhou o regresso da cidade à soberania chinesa. A sua paixão de décadas pelo jornalismo acompanhou verdadeiramente o crescimento e a transformação de Macau. Para ter mais espaço de expressão, Ng fundou o “All About Macau”, ao mesmo tempo que continuava a trabalhar diariamente num jornal local, lutando incansavelmente pela liberdade de imprensa e pela liberdade de expressão em Macau. Nos últimos anos, os desafios colocados ao sector da informação em Macau aumentaram, com a substituição da imprensa escrita pelos jornais online. Neste ambiente mais instável, a presença de jornalistas idealistas e pró-activos como Ng Sio Ngai é essencial. Infelizmente, a energia humana é limitada e, tal como o trigo, chega a hora do seu definhamento. Mas acredito que o desejo de Ng Sio Ngai seria que este grão de trigo viesse a ar muitos frutos no futuro. Morreu um grão de trigo. A capacidade de vir a dar muitos frutos depende de várias condições, mas sem os “grãos”, ou sementes, a humanidade pode perecer. Depois de me dedicar muitos anos a um trabalho voluntário na área das publicações, só tenho uma convicção, “Ai de mim se eu não pregar o Evangelho”, porque espalhar a palavra de Deus é o dever de todo o cristão. Se não quisermos ver Macau vir a tornar-se uma cidade morta e um deserto cultural, temos de criar um ambiente favorável para que os “grãos de trigo” mortos tenham a possibilidade de vir a dar origem a muitos outros “grãos”.
Identidade e futuro em duas obras da artista Kate Ngan Wa Ao Andreia Sofia Silva - 31 Ago 2023 A artista Kate Ngan Wa Ao, natural de Macau e actualmente a residir na Polónia, foi um dos nomes integrantes do cartaz do festival Hvitsten Salong, que decorreu entre os dias 6 e 9 deste mês na Noruega. A artista participou com dois trabalhos que abordam as identidades de Macau e Hong Kong que nasceram de uma residência artística realizada na Noruega intitulada “Whose Voice is Being Heard?” [De quem é a voz que está a ser ouvida?]. Com a peça “No Colour is Fine”, feita com metal e poliésteres, a artista fala da cor como uma expressão política. “Como asiática comecei a entender as implicações de ser uma pessoa de cor a viver nos países ocidentais. As cores representam diversos aspectos das nossas vidas, definindo os nossos valores ou afiliações políticas”, descreveu. É disse exemplo as cores da bandeira LGBT ou “o azul e o amarelo mostrando o apoio à Ucrânia”. Em Hong Kong, temos o exemplo do amarelo e do preto usados no chamado “Movimento dos Guarda-Chuvas”. Com a instalação “Bowling Game” a artista aborda a política “Um país, dois sistemas” que vigora em Macau e Hong Kong desde a transição. A referência ao bowling é uma metáfora a questões políticas vividas nos dois territórios, nomeadamente a chegada das novas leis de segurança nacional e a educação nacional nas escolas, “que causam incertezas em relação ao futuro”. A primeira obra “explora o sentido fronteiriço de identidade, em particular a forma como se relaciona com conceitos artificiais, como o significado simbólico da cor”, enquanto “Bowling Game” remete “para a sensibilização dos 50 anos de política inalterada e o futuro desconhecido que enfrentamos”. No mesmo barco Kate Ao encontra-se em Pozna, na Polónia, há vários anos onde estuda artes. Ao HM, confessou que participar nesta residência artística, que decorreu em Julho, proporcionou-lhe “uma grande oportunidade de conhecer artistas que vêm de países que enfrentam desafios relacionados com a liberdade de expressão e várias formas de repressão política”. “As experiências partilhadas de incerteza quanto ao futuro e a luta pela identidade foram lições profundas para mim, tanto como artista como como ser humano. Além disso, tive a oportunidade de organizar uma conversa com artistas e de apresentar Macau aos habitantes locais, já que a maioria das pessoas nunca tinha ouvido falar de Macau”, disse ainda.
Documentário | Festival internacional arranca na próxima semana Andreia Sofia Silva - 31 Ago 202331 Ago 2023 “Toda a Beleza e Carnificina”, documentário de Laura Poitras sobre a fotógrafa americana Nan Goldin, dá o pontapé de saída para a sétima edição do Festival Internacional do Documentário de Macau. Entre os dias 8 e 24 de Setembro o evento organizado pela associação Comuna de Han-Ian traz uma panóplia de películas sobre temas tão diversos como a guerra na Ucrânia ou o Myanmar, entre outros Poucos poderão negar que a vida da fotógrafa norte-americana Nan Golding dava um filme. E deu mesmo. O documentário “Toda a Beleza e Carnificina”, de Laura Poitras, revela o percurso pouco vulgar de uma mulher que, através da máquina fotográfica, revelou as vidas da comunidade LGBT na Nova Iorque dos anos 70, com imagens carregadas de boémia, sentimentos e, muitas vezes, violência. O documentário aborda também a luta pessoal de Nan Goldin contra os opiáceos e a sua prescrição médica. É esta película que serve de arranque à sétima edição do Festival Internacional do Documentário de Macau (MOIDF, na sigla inglesa), evento organizado pela associação Comuna de Han-Ian e que decorre a partir da sexta-feira da próxima semana, dia 8, até 24 de Setembro. “Toda a Beleza e Carnificina” será exibido, precisamente, nesses dias. No total, o programa conta com 29 documentários com uma diversidade de temas, incluindo produções locais, como é o caso de “Mama Dream of Family” dos realizadores emergentes Hao Chit e Kiwi Chan. Esta película conta a história de um grupo de mulheres que emigrou para Macau, de forma ilegal, nos anos 80. Além disso, será exibida a cópia restaurada de “Center Stage”, uma produção de Hong Kong do realizador Stanley Kwan Kam Pang de 1991. Este filme retrata a vida da actriz chinesa de cinema mudo Ruan Lingyu nos anos 40. O realizador franco-cambojano Davy Chou será o “realizador em destaque” neste festival, onde dará uma masterclass em inglês para os amantes de cinema ou interessados na sua carreira. Serão ainda exibidos os principais títulos do cineasta, como “Return to Seoul”, que explora questões de identidade e que foi seleccionado para a categoria de “Melhor Filme Internacional” na 95.ª edição dos Óscares. A organização do MOIDF trouxe ainda para o cartaz “Golden Slumbers”, que conta a história do cinema feito no Camboja dos anos 60 até à actualidade, e “Diamond Island”, o primeiro filme de Davy Chou, que “captura a melancolia e as contradições vividas pela juventude cambojana no meio de uma sociedade em transformação”. Histórias internacionais A sétima edição do MOIDF inclui também documentários de cariz internacional, como é o caso da produção da agência Associated Press “20 Dias em Mariupol”, que conta um pouco da história do conflito que se vive na Ucrânia, com foco nos jornalistas que, muitas vezes, arriscaram a sua vida para contar a guerra aos leitores e telespectadores. O cartaz do festival apresenta também “Myanmar Diaries” [Diários de Myanmar], produção independente de um grupo de cineastas intitulado “Myanmar Film Collective” que retrata o golpe de Estado que decorreu no país do sudeste asiático em Fevereiro de 2021 e que colocou de novo os militares no poder. Destaque ainda para “And Miles to Go Before I Sleep”, que reconstrói a história por detrás de um fatal tiroteio que vitimou um trabalhador vietnamita em Taiwan em 2017. Em “After the Rain” revelam-se as histórias de vida interligadas ao sismo de Sichuan, de 2008, que retirou os filhos a seis mil pais. Na tela de cinema, irão contar-se histórias de quem vive com o luto e teve novos filhos, aprendendo a viver uma nova vida. Em português O MOIDF inclui ainda a secção “Taste of Portuguese” [Sabor Português] que, como o nome indica, inclui apenas filmes feitos por realizadores portugueses. O cartaz integra “Rising Sun Blues” [Rua dos Anjos], de Renata Ferraz, feito em conjunto com Maria Roxo, trabalhadora do sexo com 65 anos. “Juntas, partilham os seus papéis e respectivos segredos à frente e detrás da câmara”, lê-se no comunicado. “Astrakan 79”, de Catarina Mourão, conta a história de um jovem de 15 anos, natural de Lisboa, que foi enviado para esta cidade da antiga União Soviética em 1979 onde viveu durante um período. Trata-se de um filme que gira em torno de memórias e as falhas de uma educação ideológica, ligada ao comunismo, com todas as questões e convicções postas em causa no presente. “Através do filme, a realizadora tenta explorar questões relacionadas com os segredos de família e memórias que atravessam gerações”, sendo este um trabalho cinematográfico que, até certo ponto, “reflecte o contexto político português de 1974 até ao presente”. O cartaz do MOIDF encerra com a realização de seminários temáticos e exposições que “exploram a ética, autenticidade e a estética cinematográfica da realização de documentários”. As exibições de filmes e eventos acontece nos cinemas CGV Nova Mall, na avenida de Kwong Tung, na Taipa.
Diplomacia | Han Zheng reúne com secretário dos Negócios Estrangeiros britânico Hoje Macau - 31 Ago 2023 O vice-presidente chinês, Han Zheng, reuniu-se com James Cleverly, secretário de Estado para Assuntos Estrangeiros, de Commonwealth e do Desenvolvimento do Reino Unido, em Pequim, esta quarta-feira. Han disse que a China e o Reino Unido estabeleceram relações diplomáticas há mais de meio século e alcançaram resultados positivos na cooperação em vários campos. Face aos riscos e desafios da actual situação internacional, as duas partes, como membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e das principais economias do mundo, devem manter o espírito de respeito mútuo e de cooperação e ganho recíproco, acomodar os interesses centrais e as principais preocupações uma da outra, manter a comunicação nos assuntos internacionais e regionais e promover conjuntamente a paz e o desenvolvimento mundiais, acrescentou, citado pela Xinhua. “A cooperação económica e comercial é a base para o desenvolvimento sólido e constante das relações China-Reino Unido”, disse Han, acrescentando que os dois governos devem criar um ambiente de negócios sólido e explorar activamente novos pontos de crescimento para a cooperação. Observando que a China é um país importante com influência global e desempenha um papel cada vez mais importante na governanção internacional, Cleverly disse que o Reino Unido aprecia a importante contribuição da China para a economia mundial e a redução da pobreza. O Reino Unido está disposto a fortalecer os intercâmbios de alto nível e a comunicação estratégica com a China para construir consensos e aprofundar a cooperação, disse Cleverly.
PMI | Sectores chave da economia chinesa crescem em Agosto Hoje Macau - 31 Ago 2023 O índice de gerentes de compras do mês de Agosto revela uma tendência positiva na actividade geral do país. Dos 21 sectores pesquisados, 12 relataram expansão O sector manufactureiro da China presenciou uma melhoria do clima de negócios em Agosto, com o indicador-chave a subir pelo terceiro mês consecutivo, revelam os dados oficiais esta quinta-feira. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do sector ficou em 49,7 em Agosto face a 49,3 em Julho, segundo o Departamento Nacional de Estatísticas (DNE). Uma leitura acima de 50 indica expansão, enquanto uma leitura abaixo, contração. Entre os 21 sectores pesquisados, 12 relataram expansão em Agosto, face a 10 no mês anterior. Houve uma melhoria geral no clima de fabricação, disse Zhao Qinghe, estatístico do DNE, citado pelo Diário do Povo. Os dados desta quinta-feira também mostraram que o PMI não manufactureiro – 51 em Agosto – ficou bem acima da linha que distingue expansão e contração pelo oitavo mês consecutivo, o que indica actividades robustas nos sectores de serviços e construção. O PMI composto da China situou-se em 51,3 em Agosto, sinalizando que a produção geral nas empresas manufactureiras e não manufatureiras continuou a expandir-se, disse Zhao. Indústria a contrair Já a actividade da indústria transformadora da China voltou a contrair em Agosto, pelo quinto mês consecutivo, segundo dados oficiais ontem divulgados. O índice de gestores de compras (PMI, na sigla em inglês), elaborado pelo Gabinete Nacional de Estatística da China, fixou-se nos 49,7 pontos, em Agosto, acima dos 49,3 pontos registados em Julho e mais do que o esperado pelos analistas, que previam 49,4 pontos Apesar da contração, Zhao Qinghe, estatístico do Gabinete Nacional de Estatística, destacou a tendência ascendente registada a partir de Maio, quando se fixou nos 48,8 pontos. “A produção e a procura recuperaram simultaneamente. Em particular, o subíndice de novas encomendas passou a registar crescimento pela primeira vez desde Abril”, disse Zhao, que reconheceu, no entanto, que o principal problema para as empresas do sector é a “procura insuficiente do mercado” e que as “bases da recuperação ainda precisam de ser consolidadas”. Sheana Yue e Julian Evans-Pritchard, analistas da Capital Economics, apontaram também uma “ligeira melhoria” da actividade económica em Agosto, embora apontem que a tendência “continua fraca” e que “vão ser necessárias mais medidas de apoio para evitar outro abrandamento no final do ano”. Outros indicadores O PMI que mede a actividade no sector dos serviços continuou a desacelerar em Agosto, passando de 51,5 pontos para 51, o que significa que se manteve na zona de expansão, tal como no resto do ano, embora marque uma clara tendência descendente desde Março. O setor da construção recuperou, de 51,2 para 53,8 pontos, algo que, segundo a Capital Economics, se deve a um aumento na emissão de títulos obrigacionistas para construção de infraestruturas por parte dos governos locais e regionais, acatando com as directrizes de Pequim. O sector dos serviços caiu de 51,5 pontos para 50,5, o nível mais baixo desde a reabertura da China, após o fim da política de ‘zero casos’ de covid-19. O PMI composto, que combina a evolução da indústria transformadora e não transformadora, subiu para 51,3 pontos, depois de se fixar em 51,1 pontos, em Julho, o seu ponto mais baixo desde que há registo, se for excluído o período da pandemia.
PJ | Arranja namorada virtual e perde 110 mil patacas Hoje Macau - 31 Ago 2023 Um residente com cerca de 70 anos foi burlado em cerca de 110 mil patacas, depois de ter sido convencido por uma “namorada virtual” a investir em produtos financeiros. Segundo o relato da Polícia Judiciária, citado pelo Jornal Ou Mun, no dia 29 de Junho o homem conheceu uma mulher online, que afirmou trabalhar no sector financeiro. O casal depressa se aproximou, e o homem passou a encarar a mulher como sua namorada, apesar de nunca a ter conhecido pessoalmente. A relação evoluiu, e a alegada burlona acabou por prometer casar com o homem se fizessem um investimento conjunto em produtos financeiros. Aposta que acabou por obter lucros. Seduzido, o homem enviou cerca de 3.100 dólares americanos para uma conta em Hong Kong, indicada pela mulher. Ao mesmo tempo, o sujeito podia seguir o alegado investimento através de uma aplicação online. No passado mês de Julho, com um lucro superior a 50 mil dólares, o homem decidiu levantar os seus ganhos. Contudo, o serviço a clientes da aplicação disse-lhe que tinha de fazer um pagamento de 10 mil dólares americanos para cobrir despesas administrativas, de forma a poder levantar os dividendos. Apesar de ter desconfiado, o homem contactou a namorada, que o encorajou a pagar o montante pedido, o que fez. Porém, o sujeito nunca conseguiu aceder ao dinheiro, e acabou bloqueado tanto pelo serviço ao cliente da aplicação, como pela namorada, o que fez com que apresentasse queixa às autoridades.
Crime | Rede de entradas ilegais no território desmantelada João Santos Filipe - 31 Ago 2023 As autoridades prenderam um homem de 56 anos suspeito de ser o cabecilha de uma rede ligada a quatro casos de entrada ilegal em Macau, entre Março e Agosto deste ano. A detenção aconteceu depois de já terem sido detidas 19 pessoas ligadas às operações da rede A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção do alegado cabecilha de uma rede que se dedicava a trazer para Macau pessoas de forma ilegal, evitando os controlos nas fronteiras. O caso foi apresentado numa conferência de imprensa realizada ontem de manhã, onde as autoridades revelaram que o principal suspeito é do Interior da China e está indicado pela prática do crime de auxílio à imigração ilegal. Segundo a informação da PJ, a suposta organização criminosa foi responsável por, pelo menos, quatro casos de entrada ilegal no território, detectados entre Março e Agosto deste ano. À medida que os quatro casos foram descobertos, as autoridades procederam à detenção de 11 membros da rede de contrabando, assim como de mais oito pessoas que tentavam entrar ilegalmente em Macau. No entanto, o cabecilha da rede de contrabando continuava a monte. Na conferência de imprensa, as autoridades anunciaram a detenção do líder do grupo criminoso, um residente do Interior com 56 anos de idade. Segundo a versão da PJ, o suspeito terá elaborado os planos para permitir a entrada no território de indivíduos à margem do controlo fronteiriço. Trabalho de fundo O detido tinha igualmente a seu cargo a realização de contactos no Interior com possíveis interessados em entrar em Macau de forma ilegal, assim como por procurar barcos para o transporte e possíveis locais de embarque e desembarque dos dois lados da fronteira. Por cada viagem ilegal, a rede criminosa cobrava entre 30 mil e 70 mil yuan. Com base nos casos detectados, a PJ apontou que a rede criminosa conseguiu um lucro de, pelo menos, 380 mil yuan. Contudo, o número pode ser maior, uma vez que as autoridades não garantem que não tenham sido feitas mais viagens que passaram ao lado do sistema de vigilância. A detenção do indivíduo aconteceu na quarta-feira, quando se preparava para deixar Macau. De acordo com a PJ, que estava a acompanhar o percurso do sujeito, este entrou no território na terça-feira, através das Portas do Cerco. Durante o dia que passou no território, o homem deslocou-se aos casinos do Cotai, onde fez vários contactos, que a PJ acredita terem sido conduzidos com o propósito de organizar mais entradas ilegal no território. No entanto, quando se preparava para deixar Macau, o homem foi interceptado pelas autoridades. O principal suspeito estava identificado, depois de um dos passageiros clandestinos dos casos anteriores ter concordado em cooperar com a investigação. No entanto, a maior parte dos outros suspeitos recusou cooperar. O caso foi encaminhado para o Ministério Público, e o homem está indiciado pelo crime de auxílio à imigração ilegal, que tem uma moldura penal que pode chegar a oito anos de prisão.
Exportações e importações com quebras em 2022 Hoje Macau - 31 Ago 2023 No ano passado, as exportações de mercadorias diminuíram 17,6 por cento em termos anuais e as importações caíram 9,1 por cento, de acordo com a informação da Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Os dados com a estimativa preliminar da Balança de Pagamentos em relação a 2022 foram publicados ontem. Face à redução das exportações e importações de mercadorias, o défice registado na conta de mercadorias diminuiu de 86,8 mil milhões de patacas em 2021 para 84,3 mil milhões em 2022, o que a AMCM explicou com o facto de o valor base das “importações ter sido superior ao das exportações”. No que diz respeito ao valor das exportações da conta de serviços, registou-se uma redução de 31,7 por cento em 2022 “devido às exportações de serviços turísticos terem descido em consequência da pandemia”, indicou a AMCM. A registar uma tendência oposta, as importações de serviços subiram 6,4 por cento. “Reduziu-se entre 2021 e 2022 o superavit registado na conta de serviços, de 115,6 mil milhões de patacas para 66,7 mil milhões”, é frisado pelas autoridades. Mais entradas Na conta de rendimento primário, que reflecte os fluxos transfronteiriços dos rendimentos dos factores, o valor da entrada aumentou entre 2021 e 2022, de 46,6 mil milhões de patacas para 68,6 mil milhões. Ao mesmo tempo, o valor da saída diminuiu de 48,5 mil milhões para 30,8 mil milhões, registando-se, uma entrada líquida de 37,8 mil milhões em 2022. Por outro lado, a conta de rendimento secundário, que inclui as transferências correntes entre residentes de Macau e não residentes, registou uma saída líquida de 9,4 mil milhões de patacas em 2022, o que representa um decréscimo de 3,4 mil milhões face à saída líquida de 2021. Ainda em 2022, o superavit da conta corrente situou-se em 10,8 mil milhões de patacas, tendo caído 3,3 mil milhões, face a 14,1 mil milhões registados em 2021. O superavit a nível do comércio de serviços e a entrada líquida de rendimento primário compensaram o défice do comércio de mercadorias e a saída líquida de rendimento secundário.
Tufão Saola | Autoridades alertam para cenário de alto risco Hoje Macau - 31 Ago 2023 Com a possibilidade do tufão Saola passar a cerca de 70 quilómetros da cidade, os SMG alertaram para a possibilidade de se repetir um cenário de “desastre meteorológico” para o qual a população se deve preparar As autoridades alertaram ontem a população para o risco de inundações e para o impacto dos ventos fortes do tufão Saola, que se aproxima do território. Os avisos foram deixados ontem, numa conferência de imprensa que contou com a presença de Ivan Leong, director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), em que foram abordadas duas possibilidades. No pior dos cenários, se o tufão seguir a linha da costa de Macau, sem tocar na terra, existe a possibilidade de ocorrerem graves inundações, sobretudo nas zonas baixas da cidade. “Nesse cenário, vai afectar muito Macau e pode ser perigoso (…) com um desastre meteorológico a poder ocorrer muito rapidamente”, afirmou Ivan Leong, director dos SMG. No entanto, no segundo cenário, em que o tufão toca terra antes de seguir para Ocidente, “o sistema [do tufão] vai enfraquecer um pouco”, explicou Ivan Leong. Todavia, a probabilidade de ocorrer o cenário mais grave é “relativamente alta”, alertaram as autoridades, porque se espera que o tufão passe a cerca de 70 quilómetros do território. A dimensão do tufão é mais pequena do que grandes tufões que atingiram Macau nos últimos anos, principalmente em comparação com o tufão Mangkhut, mas a velocidade dos ventos no centro do sistema é mais elevada. Número três hoje Os SMG indicaram ainda que a probabilidade de emitir o alerta 3 durante o dia de hoje é “alta”, quando o tufão estiver a menos de 300 quilómetros do território. No que diz respeito a içar o sinal de tufão número 8, a probabilidade de ser içado entre a noite de hoje e a madrugada de amanhã é “relativamente alta”. Ontem, o tufão severo Saola encontrava-se a pouco mais de 400 quilómetros de Macau, ao início da tarde, e a partir de hoje espera-se que a chuva e o vento se intensifiquem. A escala de alerta de tempestades tropicais é formada pelos sinais 1, 3, 8, 9 e 10, cuja emissão depende da proximidade da tempestade e da intensidade do vento. Em Setembro de 2018, o tufão Mangkhut provocou 40 feridos e inundações graves no território. Um ano antes, o Hato, considerado o pior tufão em mais de 50 anos a atingir o território, causou 10 mortos e 240 feridos.
Macau Legend | Primeiro semestre com menos prejuízo Hoje Macau - 31 Ago 2023 A Macau Legend Development registou um prejuízo de 182,5 milhões de dólares de Hong Kong (HKD) na primeira metade deste ano, resultado que apesar de negativo representa uma melhoria significativa face às perdas de 485,5 milhões de HKD registadas nos primeiros seis meses de 2022. Num comunicado enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong, o grupo empresarial informa que no primeiro semestre deste ano obteve uma receita de 420,2 milhões de HKD, que representou um decréscimo de 22,7 por cento em relação ao período homólogo anterior, quando a receita atingiu 543,8 milhões de HKD. Tendo em conta os resultados antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês), o grupo registou uma margem de lucros de 103,8 milhões de HKD, voltando à tona depois de sucessivos resultados negativos. As receitas totais do jogo do grupo diminuíram 49,2 por cento em relação ao ano anterior, para 228,2 milhões de HKD. A descida deveu-se principalmente à cessação dos serviços no Landmark Casino e à interrupção das operações das mesas VIP no Babylon Casino em Janeiro deste ano. Porém, as receitas de jogo do mercado de massas do Legend Palace Casino e do Savan Legend Casino no Laos, registaram um notável aumento anual de 62,1 por cento para 163,0 milhões de HKD. A Macau Legend Development é proprietária do complexo Macau Fisherman’s Wharf e explorou casinos satélite no Babylon, Landmark e Legend Palace. Embora continue a explorar o casino Legend Palace sob a concessão da SJM Resorts, o grupo diminuiu o escopo da exploração de mesas de jogo com a interrupção da actividade de dois outros casinos-satélite.
Transportes | Satisfação com novo serviço para aeroporto de HK Hoje Macau - 31 Ago 2023 No primeiro dia de operações do autocarro directo entre a fronteira da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e o Aeroporto Internacional de Hong Kong, a empresa responsável pelo serviço mostrou-se satisfeita com os resultados. Em declarações ao Jornal Ou Mun, Chan Man Iok, o director geral adjunto da Empresa de Serviços de Transporte de Passageiros do Aeroporto de Hong Kong (Macau), apontou que se registou procura nas duas regiões, com um autocarro de cada lado a partir com cerca de 20 passageiros. O administrador admitiu ainda que na maior parte das situações os autocarros tinham menos de 10 indivíduos ou iam vazios, porém a empresa acredita que com uma maior promoção do serviço haverá mais procura. Chan Man Iok indicou ainda que a tendência para a compra de bilhetes tem registado um aumento. Por seu turno, o presidente da Associação de Indústria, Andy Wu, afirmou ao Jornal Ou Mun, que espera que a empresa responsável pelo serviço possa reduzir o tempo de check-in para embarcar no autocarro. Os clientes que viajam para o aeroporto precisam de chegar uma hora e meia antes da partida do autocarro, para tratar das formalidades. Wu afirmou esperar que este tempo possa ser reduzido. O serviço lançado na quarta-feira permite viajar de autocarro para o Aeroporto de Hong Kong pela nova ponte, com o check-in da bagagem, a ser feito em Macau. O serviço só está disponível para quem viajar com as companhias Cathay Pacific, HK Express, e Greater Bay Airlines.
Fukushima | Apreendidos produtos importados do Japão João Santos Filipe - 31 Ago 2023 As autoridades anunciaram ter impedido a entrada no mercado de duas caixas de ostras com origem em Miyagi. O importador tinha declarado como origem das ostras a prefeitura de Iwate, que não foi abrangida pela proibição de importações O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) anunciou ter impedido a entrada em Macau de duas caixas com ostras importadas de Miyagi, no Japão. Esta é uma das 10 prefeituras alvo da proibição de importação de produtos marítimos, animais e vegetais imposta pela China, após a descarga para o mar de água com resíduos radioactivos da Central Nuclear de Fukushima. De acordo com um comunicado na quarta-feira à noite, em chinês, as caixas de ostras com origem em Miyagi foram detectadas numa operação de rotina à radiação dos produtos importados do Japão. Terá sido durante esse procedimento que os inspectores do IAM descobriram que duas das caixas tinham como origem a prefeitura de Miyagi. Contudo, no pedido de licença de importação, a empresa responsável pela entrada dos produtos em Macau terá declarado que os produtos tinham origem na prefeitura de Iwate, que faz fronteira a norte com a prefeitura de Miyagi, mas que não foi alvo do bloqueio. “O Instituto para os Assuntos Municipais lembra os importadores que devem cumprir rigorosamente as leis e os regulamentos aplicáveis, declarar de forma honesta a origem e qualidade dos produtos, e não importar alimentos das áreas proibidas”, sublinhou o organismo liderado por José Tavares, em comunicado. Ao mesmo tempo, o IAM apelou aos importadores para manterem os registos e os documentos das mercadorias, para que “a origem” possa ser identificada a qualquer altura, quando considerado necessário pelas autoridades. Sem resultados positivos A informação oficial emitida na quarta-feira indica que esta foi a primeira apreensão de produtos proibidos de entrar em Macau. Contudo, não foi indicado o destino das duas caixas de ostras. No caso de as autoridades seguirem os procedimentos adoptados durante a pandemia, as caixas deverão ser destruídas, porém, esta informação não foi revelada. No comunicado, o IAM também não refere que os testes de radiação tenham gerado qualquer resultado positivo, pelo que se assume que todos os testes tenham sido negativos. Desde 24 de Agosto que é proibida a entrada em Macau de alimentos frescos e vivos, com origem animal, sal e algas marinhas com origem nas prefeituras de Fukushima, Chiba, Tochigi, Ibaraki, Gunma, Miyagi, Niigata, Nagano e Saitama e da Metrópole de Tóquio. Apesar de a Agência Internacional de Energia Atómica (AEIA) ter declarado que a água libertada no mar é considerada segura, a China coloca em causa os dados das autoridades japonesas. Por esse motivo, foi lançado uma proibição de importação de produtos que abrange o Interior, Macau e Hong Kong. As autoridades de Macau apelaram também aos residentes que viajam para estas zonas para não trazerem consigo produtos proibidos como lembranças. Também não foi afastada a possibilidade de ser lançado um aviso de alerta sobre as viagens para o Japão, o que poderia colocar em causa a cobertura dos seguros para os residentes interessados em viajar o país nipónico.
Infiltrações | Leong Sun Iok pede melhor formação Hoje Macau - 31 Ago 2023 Leong Sun Iok considera ser necessário melhorar a qualidade dos recursos humanos, de forma a lidar mais eficazmente com o problema das infiltrações. A opinião foi partilhada ontem, através de um comunicado em que o deputado da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) surge ao lado da colega de bancada, Ella Lei Cheng I. Segundo Leong, a criação de um sistema de arbitragem vai permitir resolver muitas disputas relacionadas com as infiltrações nos edifícios e os diferendos causados por vizinhos que não só não querem cooperar na resolução do problema, como também recusam assumir as despesas. Porém, o deputado aponta que tem de haver uma maior promoção deste mecanismo, por parte do Executivo. Por outro lado, Leong considera que é preciso formar mais quadros com conhecimentos técnicos sobre as infiltrações, principalmente ao nível da detecção precoce do problema e também da manutenção dos edifícios. O deputado apelou igualmente para que seja criado um sistema de certificação dos técnicos, para que a qualidade da fiscalização de infiltrações seja melhorada. Por sua vez, no mesmo comunicado, Ella Lei destacou a importância do Centro de Interserviços para Tratamento de Infiltrações de Água nos Edifício da resolução de vários problemas de infiltrações entre vizinhos, e deixou o desejo de que apesar da criação de um novo mecanismo de mediação, o centro não seja relegado para segundo plano.
Salvo-conduto | Emissões para Macau, HK e Taiwan sobem no Verão João Luz e Nunu Wu - 31 Ago 2023 Entre 1 de Julho e 29 de Agosto, a Administração Nacional de Imigração emitiu mais de 18,5 milhões de salvos-condutos para Macau, Hong Kong e Taiwan. Em menos de dois meses, as autoridades do Interior da China passaram quase metade das autorizações da primeira metade do ano, com Macau a ser o destino preferido dos turistas chineses Dados divulgados ontem pela Administração Nacional de Imigração revelam que entre 1 de Julho e 29 de Agosto foram emitidos quase 18,6 milhões de salvos-condutos que autorizam cidadãos chineses a visitar Macau, Hong Kong e Taiwan, números que representam um aumento de 27,5 por cento em relação aos dois meses anteriores. Recorda-se que no primeiro semestre deste ano foram emitidos quase 42,8 milhões de salvos-condutos para deslocações a Macau, Hong Kong e Taiwan, volume que atingiu 96,5 por cento do nível registado no primeiro semestre de 2019, antes da pandemia paralisar a movimentação transfronteiriça. Em termos externos, a Administração Nacional de Imigração emitiu entre 1 de Julho e 29 de Agosto 3,42 milhões de vistos para visitas ao estrangeiro, menos de um quinto do volume de salvos-condutos para as regiões administrativas especiais e Taiwan, que ainda assim representa um aumento de 7,1 por cento face aos dois meses anteriores. No cômputo geral, a Administração Nacional de Imigração contabilizou entre 1 de Julho e 29 de Agosto mais de 82,4 milhões de entradas e saídas em todos os postos fronteiriços do país, quase 1,4 milhões por dia. Deste universo de travessias, mais de 32,4 milhões era residentes de Macau, Hong Kong e Taiwan. Reflexo turístico Segundo os últimos dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, Macau recebeu 2,8 milhões de visitantes em Julho, com mais de 1,9 milhões oriundos do Interior da China e mais de 660 mil de Hong Kong. Apesar de ainda não terem sido divulgados dados oficiais sobre o número de turistas referentes a Agosto, a directora dos Serviços de Turismo, Helena de Senna Fernandes, indicou recentemente que a média diária de entradas em Agosto atingiu cerca de 100 mil. Volume que perspectiva o mais elevado registo mensal desde o início da pandemia. Tantos os dados internos, como as estatísticas reveladas pelas autoridades nacionais apontam para a preferência dos turistas chineses pelo destino Macau. Há duas semanas, o relatório sobre o turismo externo referente ao primeiro semestre de 2023, divulgado pela Academia de Turismo da China, “mostra que Hong Kong, Macau e Taiwan representam 80 por cento dos destinos de viagens escolhidos pelos residentes do interior da China, durante o primeiro semestre do corrente ano, com Macau a ficar no primeiro lugar do ranking, com uma taxa de 50 por cento”, apontaram as autoridades, em comunicado.
Casa Garden | 40 anos da arquitectura de Eduardo Flores em exposição Andreia Sofia Silva - 31 Ago 202331 Ago 2023 “PROVADEVIDA – Eduardo Flores – 40 anos em Macau” é o nome da mostra inaugurada na terça-feira na Casa Garden. Chegado a Macau no início da década de 80, Eduardo Flores tem a sua assinatura em muitos edifícios e infra-estruturas do território, como a piscina de Cheoc Van, a Escola Portuguesa de Macau ou o plano de urbanização do ZAPE. O arquitecto está também a preparar o livro “Biografia na Arquitectura” Fotos de Rómulo Santos Quando olhamos para a história da arquitectura de Macau no século XX habituamo-nos a ver nomes portugueses. Eduardo Flores é um deles, estando o seu trabalho espelhado em vários recantos do território, a título individual ou em equipa, não apenas em edifícios residenciais que hoje passam despercebidos, mas também em projectos maiores, como a piscina de Cheoc Van, em Coloane, ou a edificação do ZAPE [Zona de Aterros do Porto Exterior]. São 40 anos de arquitectura, iniciados em Portugal nos anos 80, que podem agora ser revisitados em “PROVADEVIDA – Exposição de Eduardo Flores, 40 anos em Macau”, patente na Casa Garden entre 5 e 17 de Setembro. Além disso, Eduardo Flores prepara um livro, em edição de autor, sobre a sua carreira, com fotografias, histórias pessoais e esquissos de projectos edificados ou que ficaram pelo caminho. “Biografia na Arquitectura” é, contudo, um projecto em andamento, sem data de publicação. A história profissional de Eduardo Flores começa a contar-se com o projecto da Casa da Nazaré, o primeiro, uma encomenda de um cliente, em 1982. “Embora emocionante, não houve receios nem questionamentos existenciais. Tratou-se da renovação de uma casa de férias de família, na malha antiga da Nazaré. Da arquitectura original, projectada e aprovada, não retiro uma virgula, mas o facto de ter-me afastado da obra a meio, por ter de vir para Macau, complicou a qualidade e fidelidade do desenho, mas isso era quase normal”, recordou ao HM. Pouco tempo depois, chegava ao Oriente e começou a projectar a piscina de Cheoc Van, em Coloane, logo em 1983. Aquilo a que designa como “um projecto da juventude”. “Não gostando particularmente de piscinas, abordei a questão com uma ingenuidade que, julgo, não falhou. Só aquele pedacinho espraiado, onde nos podemos espojar e resfolegar feitos leões marinhos, já valeu a pena. Numa primeira abordagem, o tanque entrava pelo mar adentro, com águas bem separadas e, no entanto, muradas, sem grande entusiasmo. A ideia foi emendada, felizmente”, apontou. Nos anos 80, além de diversos projectos para edifícios públicos, Eduardo Flores participou no Plano de Intervenção Urbanística do ZAPE, um projecto “complicado”. “O modo como encarámos essa ‘missão’ foi esforçado”, conta o arquitecto, recordando o trabalho com parceiros vindos de Hong Kong. “Havia, claro e infelizmente, as perfeitamente dispensáveis opiniões de gabinetes completamente incompetentes no assunto, e não estou a falar das Obras Públicas de então, tão sofredoras quanto nós. Não fiquei satisfeito [com o resultado final], até hoje”, confessou. Na zona norte da península, Eduardo Flores projectou alguns edifícios residenciais da chamada classe M, com poucos pisos. Aqui, não houve grandes desafios. “Na altura, eram muito mais compensadores os projectos públicos, sobretudo intelectualmente, mas os honorários também eram suficientes para, com atenção, não darem prejuízo. Na encomenda privada estávamos sempre espartilhados. Eram prédios muito grandes e densos, normalmente bastante feios. Nada que me envergonhe, mas não consigo definir esses dois prédios [na zona norte].” O arquitecto recorda que, à época, “as Obras Públicas eram muito pouco ou nada interventivas, como aliás, competia, nas questões de liberdade do arquitecto”, mas com os edifícios de classe M “era uma história, de diversas maneiras, diferente”, “nos edifícios mais altos havia muitas imposições de modelos e tipologias de Hong Kong”. Restaram, desses tempos, “imensos prédios fantasiosos, invisíveis a não ser em fotografias que tínhamos de nos apressar a fazer antes de ficarem completamente mascarados com grades e prateleiras para vasos”. “Havia a conversa recorrente sobre qual seria o aspecto de Macau se, de repente, tudo fosse retirado e pudéssemos ver os prédios todos no seu estado original. Aposto que seria surpreendente e, talvez, motivo para mais uma exposição”, acrescentou. Destaque ainda para a participação de Eduardo Flores no projecto de requalificação do bairro de São Lázaro em 2001 em colaboração com a empresa de José Chui Sai Peng, a CAA – Chui & Associates. No livro, o arquitecto descreve que, com este projecto, foi permitido reintroduzir, tal como no Plano do ZAPE, “os mais simples e reais valores urbanísticos que, contrariando o poder do mercado especulativo, pudessem contaminar, de modo positivo, dinâmicas avassaladoras”. São Lázaro “é um território bem demarcado na malha urbana da cidade”, destaca Eduardo Flores na publicação, sendo também “significante na história política de Macau, na ocupação colonial de mais território, sobretudo com Ferreira do Amaral [Governador assassinado em Macau em 1849], que, por isso, literalmente perdeu a cabeça”. Eduardo Flores ajudou também a projectar a Escola Portuguesa de Macau, inaugurada em 1998, em parceria com o atelier de Carlos Marreiros. “Simbolicamente, foi o meu último trabalho em Macau, num fecho da história que delimitou o mais importante ciclo da minha vida.” O arquitecto deixou Macau, pela primeira vez, em Agosto de 1999. “Embora doloroso, era o momento certo para o desejado regresso à metrópole”, descreve em “Biografia na Arquitectura”. O regresso ao Oriente fez-se em Agosto de 2001, no pós-transição, para mais esquissos e projectos. Esquecimentos e cuidados Muitos prédios de Eduardo Flores e tantos outros projectos, incluindo a piscina de Cheoc Van, parecem estar hoje votados ao esquecimento ou à falta de manutenção. Algo que o arquitecto lamenta. “As cidades, e em particular os edifícios, precisam de cuidados primários para terem saúde”, frisou. Na vida de um arquitecto nem tudo o que é desenhado e pensado sai do papel. Convidámos, por isso, o arquitecto a olhar para o que correu bem e menos bem nos seus 40 anos de carreira. “Houve projectos muito aliciantes de elaborar e depois construir. A piscina [de Cheoc Van], ainda com a consciência pouco afinada daquilo que um projecto público pode acarretar, chateou até dizer chega”. Seguem-se os “viadutos ZAPE-NAPE”, de 1993, que entraram “num ‘negócio’ quase paralelo, apesar de lhes chamarem ‘obras de arte’. Neste ponto, Eduardo Flores convida a uma visita à exposição para se conhecerem todos os detalhes a fundo da história. Em relação aos projectos que não avançaram, “os enjeitados”, o arquitecto diz apenas que “não há roda onde todos caibam”. Acima de tudo, 40 anos de arquitectura, grande parte deles passados em Macau, não são mais do que um “drama completo, incluindo cenário e personagens”, ironiza. “Foi um sonho real. Aconteceu-me quase tudo o que desejava de bom, e não havia grandes problemas, só umas chatices de vez em quase. Claro que exagero, mas não de mais. Até porque Macau, por vezes, seria uma paixão um tanto canalha; mas rapidamente sabíamos com que contar.” Maior qualidade Quanto ao exercício da profissão no território, até 1999, Eduardo Flores recorda que “nunca houve grandes variações de práticas, tanto do lado privado como do público”. Após 2001, “as relações tornaram-se menos fluídas e até me pareciam menos francas”. “Parece-me não haver dúvidas de que a construção dos novos casinos e hotéis, e a exigência aí exercida, rapidamente se expandiu, influenciado com mais qualidade os hábitos de construção anteriores, que eram, normalmente, muito maus”, frisou. Em relação aos ganhos e perdas dos profissionais nos últimos anos, Eduardo Flores aponta que “a vida dos projectistas não se facilitou”. “A familiaridade entre técnicos deixou de funcionar tão bem. Além disso, houve subtis alterações de regulamentos e práticas que em nada melhoraram os processos. Ganhámos numa qualidade de execução que podemos mais facilmente exigir – ou que já começa a sentir-se por si. O que se chamava as ‘boas práticas’ construtivas, descuradas com o ‘boom’ dos anos 70 a 90, e que se notam do pouco que sobra de anos anteriores, podem ter regressado”, confessou. Tanto na exposição, como no livro, Eduardo Flores revela os bastidores da arquitectura, retratos de momentos felizes a projectar e de companheirismo com outros profissionais de Macau, como Mário Duque, João Palla, entre outros. É também dado destaque a viagens e projectos em Portugal, nomeadamente a Biblioteca Municipal da Chamusca, de 1996, ou as Seis Vivendas edificadas em Vila Franca do Campo, na ilha açoriana de São Miguel.
Rússia | Indústria do sexo vira-se para a Ásia Hoje Macau - 30 Ago 2023 O regresso do principal evento da indústria do sexo na Ásia, que arrancou ontem, após um interregno de dois anos devido à pandemia, atraiu empresários russos a Hong Kong, à margem das sanções ocidentais. Olga, uma consultora que vive há uma década na região chinesa, disse à Lusa que foi à Asia Adult Expo (AAE) para servir como tradutora para um empresário russo interessado em comprar novos produtos fabricados na China continental. “O mercado russo é bastante grande e isto [a indústria do sexo] é muito importante na Rússia, mais do que em outros países”, disse Olga, que descreve os russos como mais desinibidos no que toca à sexualidade. A China é há muito um importante fornecedor de brinquedos sexuais para a Rússia, mas a consultora admitiu que as sanções ocidentais devido à invasão da Ucrânia fizeram os empresários russos virarem-se ainda mais para a Ásia. Anna, uma empresária russa, confirmou também à Lusa o impacto das sanções, após assistir a uma palestra, no programa da AAE, onde uma convidada sublinhava o potencial do mercado do sexo na Rússia. “As sanções fizeram com que até voar para países ocidentais seja difícil”, lamentou Anna, recordando que a União Europeia fechou o espaço aéreo europeu a aviões russos logo após o início da invasão da Ucrânia. “Esta é praticamente a primeira oportunidade que temos de falar pessoalmente com os fabricantes e de ver os novos produtos desde o início da pandemia” de covid-19, sublinhou a empresária. “Ao longo dos últimos três anos, houve muitas empresas que surgiram, mas durante este período não houve esta plataforma de comércio cara-a-cara”, lamentou Kenny Lo, diretor da Brilliant Vertical Exhibition, empresa que organiza a AAE. Lo disse à Lusa que o evento conta com cerca de 250 expositores, um número que “mais que duplicou” em comparação com a última edição, realizada em 2019, antes do início da pandemia. O organizador confirmou que a maioria dos expositores vem da China continental e que mais de metade são empresas novas, que participam pela primeira vez na AAE.