Cabo Verde | Novo líder quer reforçar cooperação Hoje Macau - 22 Mai 2026 O presidente do PAICV (Partido Africano da Independência de Cabo Verde) e próximo primeiro-ministro de Cabo Verde, Francisco Carvalho, afirmou ontem à Rádio Macau, que pretende reforçar a cooperação com Macau e o Interior da China. Nas declarações, o futuro líder de Cabo Verde disse querer mais apoio chinês ao seu país. Em relação à área empresarial, Francisco Carvalho mostrou-se aberto à entrada de mais empresários chineses em Cabo Verde. O sector dos transportes poderá ser uma das áreas que deverá impulsionar o reforço da cooperação. O PAICV, liderado por Francisco Carvalho, venceu as eleições legislativas de domingo com maioria absoluta, elegendo 37 dos 72 deputados. No segundo lugar ficou o MpD, partido ligado ao actual primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que elegeu 33 deputados. A UCID elegeu dois deputados.
MID | Empresa visita Brasil para promover MTC Hoje Macau - 22 Mai 2026 A Macau Investimento e Desenvolvimento (MID), empresa constituída com capitais da RAEM, enviou uma delegação ao Brasil para uma visita com a duração de 10 dias. A comitiva ligada ao Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação entre Guangdong-Macau é chefiada pelo administrador Zhang Haihong, de acordo com a informação divulgada pela MID. Durante a visita são esperados encontros com o Conselho Federal de Farmácia (CFF) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). No primeiro encontro, vai ser assinado um memorando de entendimento com o CFF, que se espera impulsione a “internacionalização da indústria de medicina tradicional chinesa (MTC)” e promova “o intercâmbio e a cooperação na área da saúde e medicina entre Guangdong, Macau e os países de língua portuguesa”. No entanto, o primeiro encontro da delegação foi com o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao. Segundo a versão oficial, nessa reunião Zhu “manifestou o seu reconhecimento pelos resultados alcançados pelo Parque Industrial na promoção da entrada de produtos e técnicas de MTC no mercado brasileiro, e manifestou o apoio ao aprofundamento da cooperação entre o Parque Industrial e as entidades reguladoras da saúde brasileiras”. Por sua vez, Zhang Haihong “apresentou os progressos dos trabalhos de internacionalização da MTC realizados pelo Parque Industrial” e abordou questões como o registo de produtos de MTC, o intercâmbio técnico e a promoção no mercado.
Tabagismo | Macau inspira campanha em Hengqin João Luz - 22 Mai 2026 A experiência de Macau no combate ao tabagismo deve servir de modelo para a Grande Baía, segundos as autoridades de Hengqin. Inspirado nas políticas da RAEM, o Executivo da Zona de Cooperação lançou uma campanha para sensibilizar a população para os perigos do tabaco Em jeito de celebração do Dia Mundial Sem Tabaco, que se celebra a 31 de Maio, o Executivo da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin lançou uma campanha de sensibilização sobre os malefícios do tabaco inspirada nas políticas de Macau. “Construir em Conjunto uma Hengqin sem Fumo” arrancou na quarta-feira e irá estender-se até 19 de Junho, com sessões informativas sobre os malefícios do consumo de tabaco em escolas e zonas comunitárias. A campanha irá também incluir palestras e a instalação de “estações para consulta e redução de danos” para fumadores. A Direcção dos Serviços de Assuntos de Subsistência de Hengqin indicou que cerca de 30 estabelecimentos assumiram compromissos para converterem os seus espaços em zonas livres de fumo. Importa referir que o consumo de tabaco no Interior da China é prevalente, incluindo em Zhuhai, sendo normal uma casa de banho pública aparentar o ambiente de uma sala de fumo. As autoridades de Hengqin indicaram também que vão apresentar as medidas mais recentes implementadas em Macau, mas também trabalhos que ganharam na última década concursos de pintura para promover entre os jovens de Macau uma vida “Sem Fumo e Sem Álcool”. Pérola na Baía Na sessão de apresentação da campanha, Fong Fong Tan, directora dos Serviços de Assuntos de Subsistência de Hengqin, afirmou que a Grande Baía irá aprender com as “experiências avançadas” de Macau no controlo do tabagismo. Com essa inspiração, a também directora da Comissão Nacional de Campanhas Patrióticas de Saúde garantiu que irá realizar “campanhas publicitárias de controlo do tabagismo, assim como informar fumadores para a obrigação de respeitarem as proibições de fumar em locais públicos e convencê-los a deixarem de fumar o mais rapidamente possível”. Recentemente, o Governo da RAEM lançou um programa-piloto para zonas na via pública nas imediações do Parque do Dr. Carlos d’Assumpção, no NAPE, em que é proibido fumar, excepto numa cabine. Além disso, no ano passado, as infracções à lei de controlo do tabaco e álcool aumentaram mais de um quarto, 27,9 por cento, com quase todas as irregularidades associadas ao tabaco. A esmagadora maioria das violações da lei foi cometida por fumadores, com 5.008 casos, mais 1.064 face a 2024, um aumento de 27 por cento, o que significa uma média diária superior a 15 multas por dia.
Diogo Lopes Teixeira, arquitecto e professor na USJ: “Estamos a aquecer as nossas cidades” Andreia Sofia Silva - 22 Mai 2026 Arquitecto, co-fundador do atelier “Hori-zonte”, no Porto, e professor convidado na Universidade de São José, Diogo Lopes Teixeira foi considerado um dos melhores arquitectos europeus com menos de 40 anos nos “Europe 40 Under 40”. Em entrevista, chama a atenção para a importância do bambu e alerta para o excesso do ar condicionado Qual o significado deste prémio para a sua carreira? O prémio parte de candidatura feita em definição com os meus dois sócios. É, obviamente, importante, porque traz sempre motivação e confirma um bocadinho daquilo que estamos a tentar fazer com a nossa profissão, mais especificamente nós, como arquitectos mais ligados à área da sustentabilidade. O reconhecimento do trabalho que temos feito dá-nos motivação para continuar, para o fazer ainda melhor. É um privilégio ser reconhecido num grupo restrito de 40 arquitectos na Europa que têm feito um trabalho ligado à inovação e a alguns projectos de sustentabilidade. Mas nós damos aulas ou estamos ligados a algumas universidades, como a Universidade de São José (USJ) de Macau. Portanto, vestimos sempre a camisola em equipa, ainda que haja alguns momentos individuais. Como tem corrido a experiência de docência na USJ? Somos professores convidados. O primeiro contacto foi em 2024 através do professor Filipe Afonso, que é nosso colega e amigo. Tem sido uma boa experiência, e no meu caso acompanhei alunos no processo de desenhar e concorrer a um concurso que costumam fazer para desenhar um pavilhão em bambu, explorando [a utilização] de software e tecnologia. Foi um concurso aberto não apenas a pessoas de Macau, Hong Kong ou China, mas de todo o Sudeste Asiático, e o projecto ganhou. Em termos de formação em arquitectura, os cursos são relativamente recentes. Como olha para o panorama do ensino de arquitectura no território? A nossa experiência é muito recente, mas o que posso dizer é que, obviamente, é importante que os habitantes de Macau, que vivem a cidade todos os dias, consigam ter uma palavra sobre o seu desenvolvimento, seja num plano mais público, ao nível de infraestruturas e do urbanismo, mas também no desenho dos próprios edifícios e espaços interiores onde habitam. Nós, como escritório de arquitectura focado na sustentabilidade e no reconhecimento do local, achamos que a parte de identidade é muito importante. É preciso entender o local onde vivemos, e este tem muito a ver com o clima, os materiais disponíveis, os tipos de vida. Portanto, eles próprios são os melhores agentes da transformação da cidade. Existe uma série de talentos e arquitectos que podem ter uma palavra a dizer na transformação das cidades. O seu trabalho foca-se na ideia da arquitectura sustentável. Como encara o uso do bambu, a sua preservação e papel em termos de sustentabilidade? Quando comparamos com a Europa a maioria das estruturas e andaimes são feitos em bambu, e é algo que, para nós, não é concebível, porque estamos habituados às estruturas metálicas que ocupam a paisagem das cidades durante os anos em que os edifícios estão em construção. É uma pena que os andaimes em bambu não possam ser usados como uma estrutura permanente. Por exemplo, se tivermos de formular a imagem de um edifício, e se vai ser construído o andaime em bambu, porque não pensar numa forma em que este possa servir de base para, por exemplo, as varandas do edifício no futuro, ou como parte integrante da estrutura. Da nossa experiência, com o densificar das cidades e a necessidade de construir mais em altura, tecnologias e instrumentos como o bambu não são os mais apropriados, ou passam a ficar um bocado em desuso. Há também menos pessoas especializadas para o fazer. As universidades, e estes concursos, são importantes para sensibilizar as pessoas de que existe aqui um material que faz parte de uma cultura e que poderá ser introduzido, se calhar não em edifícios com grande altura e escala, mas noutros projectos. É cada vez mais importante a arquitetura sustentável? Ainda estamos longe dos padrões ideais? Sim, tendo em conta o objectivo que achamos que deveria existir num sector muito poluente. O sector da construção contribui cerca de 40 por cento para a emissão de gases e efeitos de estufa para atmosfera, e devia tentar olhar para aquilo que constrói uma pegada neutra, que deve ser dividida em dois parâmetros. Um deles é a energia, no sentido em que devemos pensar que os nossos edifícios são energicamente neutros e produzem energia suficiente para as necessidades em termos de manutenção, evitando-se gastos energéticos muito grandes. [Falo também] nas escolhas de sistemas de construção e materiais, que devem ser o mais neutros possível. Obviamente que o mercado não está 100 por cento preparado para isso, devendo existir legislação e apoios, ou incentivos fiscais. Como estes apoios podiam ajudar, na prática? No sentido em que novos materiais de base natural poderiam vir ao de cima e ser mais recorrentes no mercado. Isso ainda não acontece e há um caminho grande a fazer, porque é preciso perceber o que existe neste momento no nosso parque edificado. Há um comparativo engraçado entre a cidade de Lisboa, onde muitos edifícios não são dotados de isolamento ou de boas janelas e não têm sistemas de climatização, então há muitos ares condicionados espalhados no exterior do edifício. Esta imagem é ainda mais presente em Macau. É importante perceber que estes sistemas e as renovações que são feitas aos edifícios são prejudiciais também para o exterior. Em que sentido? Se colocarmos máquinas exteriores que não são bem dimensionadas ou bem feitas, ou se o projecto não for bem feito, estamos a aquecer ar exterior, ou seja, a retirar ar quente do interior das habitações e a colocá-lo no exterior. Estamos a aquecer as nossas cidades, e depois se precisamos de ir buscar ar fresco ao exterior, ele está mais quente do que deveria estar, além da poluição que já existe. Em Macau, e em muitas áreas da China, essa é uma imagem recorrente, vemos edifícios completamente cheios de máquinas de ar condicionado, e as temperaturas, bem como os níveis de humidade, são muito altos nestas localizações. Desenvolveu dois projectos na China, um deles o “Park Greenhouse Garden”, em Xangai, e o “Taiyuan Botanical Garden”, onde decerto terá desenvolvido a ideia da arquitectura mais amiga do ambiente? Teve margem para explorar novas coisas nesta área? Há princípios adoptados que são muito importantes e destaco dois. Houve a intenção de desenhar um edifício que fosse menos dependente de infra-estruturas exteriores e que pudesse produzir o máximo de energia possível. Portanto, é um edifício com muitos painéis solares e que consegue produzir muita energia para a sua manutenção. São projectos interessantes. Não é algo comum hoje em dia na Europa, mas são, praticamente, museus de plantas que criam atmosferas diferentes. Há um espaço dedicado a plantas suculentas, com um clima mais árido, tipo deserto, e temos um pavilhão com esse tipo de ecologia. Temos depois um pavilhão mais tropical, que já implica ter a vegetação do Sudeste Asiático, e aí conseguiu-se que o edifício fosse bastante neutro nesse aspecto. A outra questão é o facto de se situar numa zona onde foi a Expo de Xangai, muito central da cidade, mas desabitada, com muitos edifícios devolutos. Assim, este edifício [Park Greenhouse Garden] surge numa infra-estrutura existente que foi reaproveitada para introduzir um novo programa. Há esta ideia de circularidade, de aproveitar algo que estava lá, mas que não tinha função, para se adaptar e receber pessoas. Ao mesmo tempo, acompanhou-se a recriação de um parque urbano na zona. Estes dois fenómenos aproximam-se muito daquilo que gostamos de fazer, ou do que achamos que pode ser um projecto mais sustentável. Arquitectura é mais do que construir para habitar, é preciso também ter sensibilidade para o fazer. Como define a sua profissão? A arquitectura é o palco de muitas actividades humanas, sejam elas vividas no exterior, nas cidades. Neste aspecto, a arquitectura e o urbanismo andam de mãos dadas. Mas é também palco de muitos fenómenos importantes para a vida das outras pessoas. Portanto, a arquitectura está por todo o lado e acolhe outras dinâmicas e outras funções da vida humana com o desenho dos espaços, sejam eles museológicos, parques, zonas de conforto das pessoas com a introdução de vegetação, onde estas se sintam confortáveis, ou mesmo os próprios edifícios de habitação. Para nós, é importante sentir que temos responsabilidade de desenhar algo para as pessoas utilizarem, onde se possam sentir confortáveis, apelando ao seu bem-estar e conforto quando usam os espaços. Ao mesmo tempo, podermos também balancear isto com o conforto do nosso planeta e com os recursos limitados. Foi fácil projectar na China? Ou foi desafiante lidar com esse mercado? O projecto de Xangai fez parte de uma prática profissional anterior minha, quando estava num escritório de arquitectura na Áustria. Existe uma barreira cultural que é preciso compreender e também de comunicação. Para o prémio “Europe 40 Under 40” concorreu com três projectos, o “Eco Retreat Yuma”, em Setúbal; o “Dome Next Door”, na Letónia; e “Historical Palace Office”, no Porto. Que ligações têm entre si? São três projectos muito diferentes e que contam histórias diferentes, mas com um propósito comum. O projecto na Letónia é feito em parceria com outras pessoas que são muito próximas. A possibilidade de projectar num território que é património da UNESCO, como é Praça da Catedral de Riga, é muito interessante, porque nos permitiu utilizar materiais locais e ter uma estrutura em madeira, um material mais sustentável. [O projecto foi pensado para] ser palco de actividades que trouxesse de novo as pessoas para o centro da cidade. O centro histórico de Riga é muito bonito, mas pouco habitado pelos habitantes da cidade, sendo muito mais turístico. Criar este parque recreativo, onde as pessoas se possam encontrar, usufruir dele e ter momentos de encontro na sua própria cidade é muito importante. Tentámos recriar muito da arquitectura e património existentes através das formas geométricas dos arcos e com materiais locais. No Porto fizemos a reabilitação de um edifício, e as reabilitações enquadram-se bem na nossa filosofia. Houve um cuidado muito grande para tentar preservar e recuperar parte dos materiais existentes e dar nova vida a um edifício que estava sem função, e que tem também a integração com uma zona verde, introduzindo meios de biodiversidade. Utilizámos materiais locais e com uma baixa pegada [ecológica], como a ardósia, o que se alinha muito com os nossos pressupostos. Depois, o projecto em Setúbal é de turismo ecológico, feito num lugar muito específico e bonito. Houve bastante cuidado na maneira como intervimos no local, tentando ter o mínimo de impacto, com uma construção feita em fábrica, que chegou ao local e que foi pousada. Foi também planeada através de uma leitura muito presente do ambiente e do clima. A forma como se constrói nesta área, podendo-se construir num ambiente em que se respeita a paisagem natural existente, é quase como se o edifício desaparecesse no meio da paisagem.
Vacina contra o vírus Ébola poderá demorar entre seis a nove meses Hoje Macau - 21 Mai 2026 As doses da vacina potencialmente “mais promissora” contra o vírus Bundibugyo, que está a causar um surto de Ébola na África Central, não estarão disponíveis entre seis a nove meses, afirmou ontem a Organização Mundial de Saúde (OMS), à medida que o número de casos suspeitos subiu para 600. Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da OMS, disse numa conferência de imprensa sobre o surto na República Democrática do Congo e no Uganda que, até à data, havia o registo de 139 mortes, mas que os números deverão aumentar. As autoridades afirmaram acreditar que a doença pode ter começado a propagar-se “há alguns meses”, impulsionada por um “evento super-propagador”, possivelmente um funeral, no início de Maio. A situação de segurança na província de Ituri, onde mais de 100 mil pessoas foram deslocadas nos últimos meses devido a conflitos armados, complicou os esforços de detecção, afirmou Tedros. Com profissionais de saúde a tentar escapar da violência, as instituições médicas deixaram de conseguir prestar cuidados ou manter a vigilância em possíveis surtos de doenças infecciosas. Outras doenças endémicas da região, como malária e febre tifoide, apresentam os mesmos sintomas iniciais do Ébola, o que também pode atrasar o diagnóstico, acrescentou o responsável. Compreensão lenta Tedros afirmou que as críticas à organização por parte do secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, que afirmou que a OMS tinha declarado o surto “um pouco tarde”, se baseavam provavelmente numa “alta de compreensão”. “Talvez, o que o secretário disse, tenha resultado de falta de compreensão em relação ao funcionamento dos Regulamentos Sanitários Internacionais e das responsabilidades da OMS e de outras entidades. Não substituímos o trabalho dos países, apenas os apoiamos”, afirmou Tedros. Recorde-se que a Administração Trump retirou os Estados Unidos da OMS no início deste ano. Vasee Moorthy, que lidera o plano de investigação e desenvolvimento da OMS, afirmou que a vacina potencial mais promissora contra o Bundibugyo utiliza a mesma base que as vacinas contra o Ébola que visam a estirpe do Zaire. “Não há doses desta vacina disponíveis actualmente para ensaios clínicos. A informação de que dispomos é que isto provavelmente demorará entre seis a nove meses”, afirmou.
Cooperação | Macau e Cazaquistão celebraram acordos judiciais Hoje Macau - 21 Mai 2026 Macau e Cazaquistão celebraram ontem três acordos judiciais, numa cerimónia em o secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, representou a RAEM, e o Procurador-Geral da República, Berik Assylov, representou o Governo cazaque. Os acordos versam sobre auxílio judiciário mútuo em matéria penal, entrega de infractores em fuga e transferência de pessoas condenadas. O gabinete do secretário para a Administração e Justiça realça que a assinatura dos três acordos “possui um significado bastante especial, pois simboliza o avanço para um novo patamar da relação de cooperação entre os dois lados, além de demonstrar os excelentes resultados obtidos pela RAEM no domínio da cooperação judiciária com o exterior”. O Executivo salienta que os acordos são nucleares no domínio da cooperação judiciária em matéria penal, e permite a criação de “um mecanismo de colaboração claro e de alta eficiência” para a recuperação de bens furtados, captura de fugitivos, investigação e recolha de provas. A cooperação foi também aplaudida pela capacidade para combater actividades criminosas transfronteiriças e proporcionar “uma melhor garantia jurídica destinada à cooperação económica e comercial e à circulação de pessoas entre os dois lados”. Além disso, permitirá que pessoas condenadas regressem ao local de origem com vista ao cumprimento de pena, o que é favorável para a reabilitação e reintegração na sociedade, demonstrando “o espírito humanitário e do Estado de Direito”.
Rua da Felicidade | Música irá animar o fim-de-semana Hoje Macau - 21 Mai 202621 Mai 2026 A Rua da Felicidade e algumas artérias circundantes vão encerrar temporariamente ao trânsito entre hoje e domingo devido à realização de diversas actividades culturais e musicais, assim como para permitir a instalação e desmontagem de um palco. Hoje e amanhã, no período das 14h30 e 21h30, não será possível circular no troço entre a Travessa do Aterro Novo e Rua da Alfândega, bem como entre sexta-feira e domingo das 12h às 21h30. O troço da Rua dos Mercadores e Travessa do Aterro Novo, entre a Avenida de Almeida Ribeiro e Rua da Felicidade, também estará encerrado ao trânsito nos mesmos horários. A música começa amanhã, a partir das 18h, com os dj “Room Service” e “Belle”, sendo que no sábado a música começa mais cedo, a partir das 15h30, também com a actuação de “Room Service” e o dj “Mihon Reko”, entre outros eventos. Um dos pontos altos da agenda deste fim-de-semana na Rua da Felicidade é a actuação do cantor e compositor de Hong Kong Tyson Yoshi, este domingo, a partir das 18h. O cantor, cujo nome verdadeiro é Ben Cheng Tsun Yin, estreou-se no mundo da música em 2018 com o single “To My Queen”. No domingo haverá ainda actuações dos dj “Room Service” e Mihon Reko. A entrada para os eventos é gratuita.
Badminton | Open de Macau realiza-se entre os dias 16 e 21 de Junho Hoje Macau - 21 Mai 2026 O torneio “Sands China Ltd. Macau Open Badminton 2026” irá realizar-se na Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental de Macau, entre os dias 16 a 21 de Junho, anunciou ontem a Sands China. Este será o terceiro ano consecutivo em que a parceria entre a concessionária de jogo e Federação de Badminton de Macau se alinha com a estratégia governamental “turismo+”, “elevando o perfil internacional de Macau como ‘Cidade do Desporto’, indica a empresa. Enquanto evento do HSBC BWF World Tour Super 300, o Open de Macau 2026 será composto por cinco provas: Individual Masculino, Individual Feminino, Pares Masculinos, Pares Femininos e Pares Misto. O prémio monetário total do torneio deste ano será de 370 mil dólares americanos (aproximadamente 3 milhões de patacas), o mais elevado da série Super 300 deste ano, sublinhando a influência crescente da competição no panorama desportivo internacional. O torneio deste ano recebeu inscrições de 390 atletas de 29 países e regiões, dos quais 275 se qualificaram. O alinhamento inclui Jiang Zhenbang e Wei Yaxin, a dupla de pares mistos da selecção chinesa, número 2 do mundo, He Jiting e Ren Xiangyu, a dupla de pares masculinos da selecção chinesa que venceu a Taça Thomas em Maio, Lee Zii Jia, medalhista de bronze da Malásia em singulares masculinos nos Jogos Olímpicos de 2024. O elenco da competição inclui ainda os jogadores de singulares masculinos Angus Ng Ka Long, de Hong Kong, Teh Jia Heng, de Singapura, Kim Ga-Eun, n.º 16 mundial em singulares femininos da Coreia do Sul, que levou a sua equipa à vitória na Taça Uber, e a dupla tailandesa de singulares femininos Busanan Ongbamrungphan e Pitchamon Opatniputhm. Os atletas de Macau, Pui Pang Fong, Leong Kok Chong, Pui Chi Chon, Ng Weng Chi e Pui Chi Wa, irão competir em todas as cinco provas do torneio.
Automobilismo | André Couto vai regressar ao troféu Lamborghini Sérgio Fonseca - 21 Mai 2026 André Couto vai regressar à competição automóvel quando, este fim-de-semana, o Lamborghini Super Trofeo Asia visitar o Ningbo International Speedpark, no Interior da China. Um convite irrecusável de última hora voltou a colocá-lo no papel de piloto Apesar de não ter um programa desportivo fixo, o piloto português da RAEM mantém-se bastante activo no automobilismo regional, mas neste fim-de-semana vai trocar o papel de driver coach pelo de condutor, assumindo de novo os comandos de um Lamborghini Huracán Super Trofeo EVO2. O troféu asiático da marca de automóveis de luxo de Sant’Agata Bolognese é bem familiar a André Couto: em 2024, venceu a categoria Pro-Am ao volante de um dos espectaculares Huracán da equipa chinesa Madness Racing Team. O piloto de Macau confessa que o convite lhe “caiu de surpresa”. Desta vez, fará dupla com o experiente piloto chinês Ryan Zexuan Liu, novamente na classe Pro-Am, mas sob as cores de uma equipa diferente: a sul-coreana Lamborghini Bundang by Racegraph. Como o nome indica, a estrutura é apoiada pelo concessionário da marca localizado na zona de Bundang, em Seongnam, nos arredores de Seul. Troféu com sabor a Macau Para o vencedor do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 de 2000, este convite representa o reconhecimento do trabalho realizado no troféu monomarca, mas também uma nova oportunidade de brilhar com as cores da marca fundada por Ferruccio Lamborghini que já defendeu noutras paragens como o campeonato japonês Super GT, o Asian Le Mans Series, as 12 Horas de Sepang e até no Grande Prémio de Macau. “Estou bastante contente por conseguir voltar”, disse André Couto ao HM. “A última vez que corri no troféu Lamborghini foi em 2024, quando ganhámos na Pro-Am. Agora regresso com esta equipa, mas é apenas uma corrida. Veremos como corre e depois logo se vê.” O Lamborghini Super Trofeo Asia tem proporcionado bastantes alegrias à RAEM. Para além do título conquistado em 2024 por André Couto, no ano passado Charles Leong Hon Chio sagrou-se vencedor da classe Pro ao serviço da local SJM Theodore Racing. Curiosamente, com um calendário bastante abrangente no continente asiático, o Lamborghini Super Trofeo Asia visitou o Circuito da Guia por uma única vez, em 2013, numa corrida ganha pelo italiano Max Wiser.
Xi considera que o mundo corre o risco de cair “na lei da selva” Hoje Macau - 21 Mai 202621 Mai 2026 O Presidente Xi Jinping afirmou ontem que o mundo corre o risco de regredir para a “lei da selva” e elogiou a relação entre a China e a Rússia como uma força estabilizadora a nível global, ao receber ontem Vladimir Putin em Pequim, poucos dias depois de ter recebido Donald Trump. A recepção ao líder russo decorreu com a respectiva pompa e circunstância, antes do início das conversações no Grande Salão do Povo, no coração de Pequim. As reuniões de trabalho entre Xi e Putin começaram num “formato restrito”, com menos delegados para discutir questões sensíveis. De seguida, o formato das conversações foi alargado aos restantes membros das duas delegações, terminando por volta das 14h. De seguida, os dois líderes participaram numa cerimónia de assinatura de vários documentos abrangendo áreas como tecnologia, comércio, investigação científica e propriedade intelectual. Entre os documentos, de acordo com a comunicação social estatal chinesa, encontrava-se uma prorrogação do “Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável China-Rússia”, assinado pela primeira vez há 25 anos. Elevada qualidade Em declarações proferidas após a cerimónia de assinatura, Xi afirmou que as relações entre Pequim e Moscovo se encontravam no “mais alto nível de parceria estratégica abrangente”, ao mesmo tempo que exortou ambos os países a oporem-se a “todas as formas de intimidação unilateral” na arena internacional. As palavras de Xi ecoaram as suas observações iniciais, nas quais afirmou que o mundo corria o risco de regressar à “lei da selva”. Acrescentou que novas hostilidades no Médio Oriente eram “desaconselháveis” e que um “cessar-fogo abrangente é da máxima urgência”, segundo noticiou a comunicação social estatal. Nas suas observações iniciais, Putin elogiou a relação entre os países como estando num “nível sem precedentes”, e afirmou que Moscovo continua a ser um “fornecedor de energia fiável”. Putin também convidou Xi a visitar a Rússia no próximo ano. O Presidente chinês deverá receber Putin para um chá em Zhongnanhai, o antigo jardim imperial que agora alberga a sede do Partido Comunista Chinês.
“Taiwan Travelogue”, de Yáng Shuang-zi, vence Booker Internacional Hoje Macau - 21 Mai 2026 O livro “Taiwan Travelogue”, de Yáng Shuang-zi, traduzido do mandarim por Lin King, venceu a edição deste ano do prémio literário Booker Internacional, anunciou a organização. O livro, publicado pela editora britânica And Other Stories (que também foi responsável pelo vencedor de 2025), passa-se em 1938 e é uma “história agridoce do amor entre duas mulheres, acomodada numa habilidosa exploração de linguagem, história e poder”, segundo a sinopse do prémio. Publicado originalmente em mandarim em 2020, o livro foi uma “sensação”, tendo vencido o prémio Golden Tripod, a que se seguiram, já na tradução para inglês, o National Book Award para literatura traduzida, nos Estados Unidos, e o primeiro prémio Baifang Schell da Asia Society. A obra torna-se na primeira escrita em mandarim a ser premiada com o Booker Internacional. Mundo em letras Para além de “Taiwan Travelogue”, os finalistas deste ano foram a tradução para inglês, por Padma Viswanathan, de “Assim na Terra como em baixo da Terra”, da escritora e argumentista brasileira Ana Paula Maia, “The Nights Are Quiet in Tehran”, da alemã Shida Bazyar, traduzido por Ruth Martin, “She Who Remains”, da búlgara Rene Karabash, traduzido por Izidora Angel, “The Director”, do alemão Daniel Kehlmann, traduzido por Ross Benjamin, e “The Witch”, da francesa Marie NDiaye, traduzido por Jordan Stump. O prémio Booker Internacional distingue uma obra literária traduzida para inglês, publicada no Reino Unido ou na Irlanda. As seis obras finalistas vão receber um prémio de cinco mil libras, a repartir entre autor e tradutor. O livro vencedor terá um prémio de 50 mil libras, igualmente dividido entre autor e tradutor. O vencedor da edição de 2025 do Prémio Booker Internacional foi o livro de contos “Heart Lamp”, da escritora indiana Banu Mushtaq, traduzido por Deepa Bashthi.
Teatro | Dóci Papiaçám di Macau apresenta sátira sobre negócios em crise Andreia Sofia Silva - 21 Mai 2026 “Agora Como? (E Agora?)” é o nome da peça que os Dóci Papiaçám di Macau apresentam este fim-de-semana no Centro Cultural de Macau. Como faz parte da identidade da companhia, o espectáculo lança um olhar crítico à situação difícil do pequeno comércio local, com muito humor à mistura “Esperança servida numa cidade em mudança.” É assim, numa espécie de mote, que começa a sinopse do novo espectáculo em patuá do grupo teatral Dóci Papiaçám di Macau apresentado este fim-de-semana, sábado e domingo, no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM), integrado no cartaz do Festival de Artes de Macau (FAM). As sessões estão marcadas para sábado, às 20h, e domingo, às 15h. A peça, da autoria de Miguel de Senna Fernandes, centra-se nas vidas de Marta e Elena, filhas “do velho Secundino”, que ficam com o restaurante do pai depois da sua morte. É então que Marta e Elena se deparam com uma economia ainda a recuperar da pandemia, mas já com números bem mais animadores dos que foram registados no pico da crise. Há turistas, mas estes não passam sempre nos bairros residenciais. Entretanto, os casinos-satélite fecharam e levaram com eles muitos dos consumidores dos pequenos negócios da cidade. Qualquer semelhança com a realidade não é coincidência. Ao HM, Miguel de Senna Fernandes explica que “Agora Como? (E Agora?)” não é apenas “sobre os casinos-satélite, pois são apenas uma parte da situação actual” da economia. “Não há dúvidas de que Macau está a recuperar em termos económicos, e fala-se muito de recordes, a indústria do jogo está a recuperar lentamente em relação a antes da pandemia e também quanto ao número de turistas em Macau, que não para de crescer. Estes dois números representam muito dinheiro para Macau, e como cidadão de Macau só me posso congratular com isto, naturalmente. Mas o grande capital e os turistas vão para as zonas turísticas, e o resto? Esta é a questão.” A peça alerta também para o crescente cenário de afastamento do consumo das lojas e restaurantes locais para o Interior da China, para onde passou a ser mais fácil viajar. Há, portanto, “a abertura dos cidadãos de Macau ao continente onde abundam sítios para consumo de qualidade”, destacou o advogado e dramaturgo. “É inevitável que haja um aumento da qualidade dos serviços e produtos [na China], com um preço muito mais baixo do que em Macau. Não há nada a fazer, e depois as rendas continuam nos mesmos valores, as condições continuam a ser as mesmas”, alertou. “Tudo isto gera situações de alguma contradição, e se, por um lado, sou um cidadão que vê com bons olhos o facto de Macau estar a recuperar economicamente, também vejo o poder de consumo diminuído face à concorrência que vem do outro lado da fronteira”, disse ainda Miguel de Senna Fernandes. Uma história simples Os espectadores que acorrerem ao CCM este fim-de-semana vão poder assistir a “uma história simples”, de duas filhas que regressam a Macau vindas da Europa, de Lisboa e Madrid, e que se deparam com um “restaurante à deriva”. “Uma das filhas quer vender já, porque face a esta situação é melhor vender, sem alimentar mais algum sonho; mas a outra quer manter o espírito com que foi criado o estabelecimento, que tem muitas memórias, defendendo que o tempo não pode apagar-se assim. Este ‘giga-joga’ em torno da ideia de vender ou não é a trama de toda esta peça”, contou. Como não podia deixar de ser, há muitas “situações hilariantes”, conforme os Dóci Papiaçám di Macau já nos habituaram. A narrativa é pontuada por “coisas do dia-a-dia, com muito absurdo”, já que se trata de uma “comédia situacional”, em que se “brinca” com “situações absurdas que às vezes encontramos e não conseguimos controlar”. Linhas do horizonte Há muito que o FAM é o palco principal para o trabalho desenvolvido pelos Dóci Papiaçám di Macau na preservação do patuá, e Miguel de Senna Fernandes acredita que o interesse, do público e das autoridades, não esmoreceu. “Continua a haver uma apetência pelo teatro em patuá, que todos sabem ser um teatro satírico. É, provavelmente, o único teatro de sátira social em Macau, que é bem-sucedido e que marca sempre o Festival de Artes, com todo o respeito pelos outros grupos.” Miguel de Senna Fernandes refere que, quanto aos conteúdos, “há linhas vermelhas”, mas que nunca sentiu “que haja algum controlo” relativamente ao que pode ser escrito, dito ou interpretado em palco. “Eu, pelo menos, nunca senti que haja algum controlo, uma espécie de censura, em que não se pode dizer isto ou aquilo. Mas, por outro lado, sei quais são as linhas vermelhas, sei que elas existem. E dentro destas linhas vamos brincando. Posso estar errado, mas penso que temos conseguido sempre a confiança do Governo para que isto não resvale para sítios indesejados.” Porém, tudo depende do futuro e de possíveis novas linhas. “Claro que isto vai evoluir mais tarde, mas não sabemos o que vai acontecer daqui a uns anos. Depende muito de qual é a orientação do Governo Central a respeito de Macau, e quais as manifestações culturais que passam a ser permitidas. É tudo meio incógnito e, face a isto, não sei como responder, mas vamos fazendo, ano após ano, aquilo que sabemos fazer”, rematou. O que é certo é que, actualmente, “o Instituto Cultural continua a acarinhar o teatro em patuá, que é património cultural intangível”. Este fim-de-semana estarão em palco 20 actores, três deles crianças. A grande maioria são veteranos, que asseguram os papéis principais.
Jogo | Citigroup aponta para receitas superiores a 22,5 mil milhões em Maio João Santos Filipe - 21 Mai 2026 A principal indústria de Macau continua a crescer, à medida que aumenta o fluxo de turistas. O banco de investimento acredita que as receitas deste mês superem 22,5 mil milhões de patacas, com a ajuda da Semana Dourada e do cartaz de espectáculos O Citigroup estima que as receitas dos casinos vão ser superiores a 22,5 mil milhões de patacas ao longo deste mês, o que representaria uma subida anual de 6 por cento. As previsões do banco, citadas ontem pela Rádio Macau, contrastam com a performance de Maio de 2024 quando as receitas do jogo totalizaram 20,2 mil milhões de patacas. Segundo a emissora pública, os analistas apontam que as receitas do jogo nos primeiros 17 dias de Maio tenham sido ligeiramente inferiores a 13 mil milhões de patacas. Para este valor representou uma média diária de 693 milhões de patacas por dia, entre 11 e 17 de Maio. Contudo, os analistas acreditam que nos restantes dias até ao final do mês a média diária das receitas terá de rondar 704 milhões de patacas, o que irá permitir superar o valor dos 22,5 milhões patacas. A previsão dos analistas do Citigroup é sustentada com o aumento do número de visitantes na segunda metade do mês associada a vários espectáculos que vão ser organizados nos empreendimentos turísticos das concessionárias, como o concerto da girlband coreana IVE, o espectáculo da boyband EXO e o evento de luta UFC Fight Night. Perto dos melhores registos Caso a previsão do banco de investimento se confirme, as receitas de Maio, que inclui o pico de turismo ligado à Semana Dourada, vão ficar perto dos melhores registos mensais deste ano. Até Abril, o mês com receitas de jogo mais elevado foi Janeiro, com um total de 22,63 mil milhões de patacas, seguido pelo registo de Março, em que as receitas foram de 22,61 mil milhões de patacas. Nos primeiros quatro dos meses deste ano, os casinos registaram receitas brutas de 85,8 mil milhões de patacas, o que correspondeu a um aumento anual de 12,1 por cento, uma vez que o montante acumulado entre Janeiro e Abril foi de 76,5 mil milhões de patacas. Apesar da recuperação do jogo no pós-pandemia, o valor das receitas ainda se encontra a 86,1 por cento do nível de 2019, quando entre Janeiro e Abril as receitas do jogo atingiram 99,7 mil milhões de patacas.
Concertos | Nick Lei pede clarificação de regras de segurança Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 21 Mai 2026 Depois da confusão no Cotai durante o festival “K-Spark”, Nick Lei interpelou o Governo sobre a necessidade de clarificar regras de segurança no Local de Espectáculos ao Ar Livre. Além disso, defende que a futura concessão do espaço não deve olhar apenas para o lucro O deputado Nick Lei defende a necessidade de clarificar as regras de segurança no Local de Espectáculos ao Ar Livre, tendo em conta o recente episódio de desacatos entre fãs ocorrido no “K-Spark”, festival de música pop sul-coreana (K-Pop), no início deste mês. Recorde-se que o facto de o evento ter lugares sentados com cadeiras desdobráveis fez com que dezenas de pessoas tenham deslocado as cadeiras mais para a frente do palco, o que gerou alguns desacatos. Na interpelação escrita, o deputado referiu algumas opiniões divulgadas nas redes sociais sobre o facto de o espectáculo revelar regras insuficientes de segurança, bem como a falta de controlo da multidão. “Podem as autoridades elaborar regras claras sobre a utilização do espaço, bem como orientações para o comportamento dos espectadores, melhorar a gestão de segurança e a ordem”, questionou. Nick Lei pediu ainda a criação de um “mecanismo de mediação para [o registo] de bilhetes e normas para o reembolso dos bilhetes” que sejam adquiridos em diferentes regiões vizinhas, a fim de “assegurar que as actividades se realizam de forma segura e ordenada”. Nick Lei, ligado à comunidade de Fujian, recordou que as autoridades do Interior da China possuem já regras para a realização de espectáculos de grande dimensão, como os princípios de “organizador responsável de evento com supervisão do Governo”, ou “prioridade à segurança e prevenção acima de tudo”. Porém, e ainda que exista em Macau um regulamento para a utilização do Local de Espectáculos ao Ar Livre, Nick Lei considera que o documento não é claro quanto a regras de segurança. Para o deputado, deve ser criado um sistema “segundo o número de participantes, fazendo-se a diferenciação, em matéria de segurança, para actividades de escala diferente”, sem esquecer a implementação de diferentes “procedimentos de apreciação e aprovação, e respostas de emergência”. O deputado pede ainda que seja integrada a “participação de entidades profissionais na avaliação de segurança”, sendo importante a elaboração de “normas regulamentares vinculativas para garantir o sucesso da realização dos espectáculos no futuro”. O Local de Espectáculos ao Ar Livre fica no cruzamento da Avenida do Aeroporto com a Rua de Ténis, no Cotai, entre o Grand Lisboa Palace e o Hotel Lisboeta, com uma área 94 mil metros quadrados e capacidade para mais de 50 mil pessoas. O Instituto Cultural definiu mapas que incluem a “Zona de Espectadores”, “Zona Tampão para Evacuação”, “Zona do Palco e dos Batidores” e “Zona de Espera (controlo de segurança)”. Olhar além dos lucros Nick Lei defende também que a filosofia quanto à futura concessão do Local de Espectáculos ao Ar Livre não deve ser puramente comercial, mas incorporar obrigações públicas além de olhar a critérios como a obtenção de lucros e o valor comercial da zona, a fim de garantir apoios à comunidade. Tais necessidades devem ficar claras no contrato de concessão, referiu. “Pode o Governo especificar no futuro contrato os indicadores concretos, nomeadamente um número mínimo de espectáculos para fins de caridade, a cobrança mais baixa em horários específicos e a obrigatoriedade de abrir o local à comunidade em períodos em que não se realizam espectáculos”, lê-se na interpelação.
UMTec | Subsidiária com perdas de 10 mil renminbis João Santos Filipe - 21 Mai 2026 No ano passado, a Companhia de Desenvolvimento Tecnológico da UMTec em Guangdong Hengqin apresentou perdas de 10.356 renminbis, de acordo com a informação divulgada no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos. Segundo a mesma informação, a empresa pouca actividade apresentou, mas as perdas foram reduzidas em relação a 2024, quando o prejuízo tinha atingido 14.260 renminbis. Desde que foi criada em 2019, com um capital social de 300.000 renminbis a empresa tem acumulado perdas que totalizada 241.878 renminbis. Apesar disso, não apresenta qualquer actividade e as receitas limitam-se aos juros do dinheiro inicialmente investido. A Companhia de Desenvolvimento Tecnológico da UMTec em Guangdong Hengqin foi criada no Interior da China como uma das duas subsidiárias da UMTec, a empresa de investimento da Universidade de Macau. A empresa registou como possíveis actividades, que ainda não foram desenvolvidas, a formação na área da educação, consultadoria na área da tecnologia, transferência tecnológica, assim como investigação na área das ciências agrícolas, sociais e participação em actividades de investimento. O conselho de administração é liderado por Xu Jian, na condição de presidente, tendo também Chen Guokai, Leung Lai Han, Zhou Jiantao e Wang Yizhe como administradores.
IAS | Pedido estudo à UM sobre renovação de casas para idosos Hoje Macau - 21 Mai 2026 O chefe do Departamento de Solidariedade Social do Instituto de Acção Social (IAS), U Ka Wai, revelou que o IAS encarregou a Universidade de Macau de elaborar um estudo sobre as orientações para a renovação de casas para idosos, de forma a evitar acidentes domésticos. A informação foi adiantada no programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau. Com o envelhecimento populacional, o responsável defendeu a necessidade de transformar habitações e espaços públicos para responderem às necessidades dos idosos. U Ka Wai afirmou também esperar que as futuras obras de construção e renovação resultem na instalação de equipamentos que garantam a segurança dos idosos e criem maior conveniência.
Turismo | Lam Lon Wai alerta para limitações durante feriados nacionais João Santos Filipe - 21 Mai 2026 O legislador da Federação das Associações dos Operários de Macau pede ao Governo para tomar medidas, de forma a aumentar a capacidade para acolher o crescente número de turistas O deputado Lam Lon Wai escreveu uma interpelação a avisar o Governo sobre a falta de capacidade para acolher mais visitantes. Segundo o membro da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) o problema prende-se com os feriados prolongados no Interior da China, sendo necessário aumentar a capacidade das infra-estruturas. “Durante a “semana dourada” do “1.º de Maio” no Interior da China, que terminou recentemente, Macau recebeu um total de 873 mil visitantes, e o número de visitantes num só dia atingiu 248 mil, batendo um novo recorde histórico, o que demonstra o aumento contínuo da atractividade de Macau enquanto Centro Mundial de Turismo e Lazer”, escreveu o legislador. “No entanto, à medida que o número de visitantes continua a aumentar, e que são cada vez mais frequentes os concertos e as actividades festivas de grande envergadura, surgem, mais uma vez, problemas relacionados com a capacidade de acolhimento de visitantes e com as instalações complementares da cidade”, alertou. Como partes destes problemas, o deputado indica “o grande fluxo de pessoas nos pontos turísticos mais procurados”, “a pressão dos transportes públicos” e “o escoamento de multidões após os concertos”. Face a este cenário, o deputado pretende saber como o Governo vai “melhorar os seus planos relativos ao fluxo de pessoas, ao trânsito e às instalações turísticas complementares, durante as férias longas do Interior da China, os feriados e concertos de grande envergadura de Macau”. Caminhos futuros Ao mesmo tempo, Lam Lon Wai sugere “o reforço dos serviços de autocarros de ligação”, “desvio de fluxo de pessoas nos pontos turísticos mais procurados”, “monitorização inteligente do fluxo de pessoas” e optimização “da frequência dos autocarros do plano Autocarro de Turismo e Lazer”, que procura levar os turistas aos bairros residenciais. O deputado volta a abordar o serviço “Cruzeiro Turístico”, atribuído à Turbojet, cujo funcionamento tem ficado marcado por várias suspensões. A mais recente foi anunciada a 9 e Abril devido à “inspecção e manutenção anual dos pontões flutuantes da Ponte-Cais da Barra”. O legislador quer saber se o serviço vai ser “optimizado”, com passeios nocturnos transfronteiriços e visitas a Hengqin, para aumentar a competitividade do turismo de Grande Baía.
DSF | Devolução do imposto profissional a partir de amanhã Hoje Macau - 21 Mai 2026 A Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) começa a devolver amanhã 60 por cento do imposto profissional relativo ao ano de 2024. Segundo os serviços de finanças, a medida é aplicável até ao valor limite de 14 mil patacas, sendo que o montante total devolvido será de cerca de 1,04 mil milhões de patacas. Os residentes que se registaram no sistema “Caixa Rápida” recebem esta sexta-feira o montante na conta bancária, enquanto que trabalhadores dos serviços ou entidades públicas recebem o depósito em Junho juntamente com o salário, caso não tenham feito o registo. Para os restantes contribuintes a devolução será feita de forma faseada nas próximas semanas, por cheque. A DSF prevê terminar as devoluções “no início de Junho”, estando abrangidas, no primeiro lote de devolução, 169.300 pessoas. A partir do dia 15 de Junho pode ser pedida à DSF uma segunda via do cheque, caso o primeiro cheque não tenha sido recebido, ou em caso de extravio ou dano.
Renovação urbana | Paulo Tse lidera empresa de capitais públicos João Santos Filipe - 21 Mai 2026 O empresário Paulo Tse vai substituir Peter Lam Kam Seng, que ficou de fora do novo conselho de administração da Macau Renovação Urbana. O Chefe do Executivo também afastou os vice-presidentes Tommy Lau Veng Seng e Leong Keng Seng O empresário Paulo Tse vai assumir a presidência da Macau Renovação Urbana a partir de domingo. A decisão do Chefe do Executivo foi divulgada ontem no Boletim Oficial, e o novo presidente vai substituir Peter Lam Kam Seng, cuja nomeação política não foi renovada. Apesar da manutenção no conselho de administração da empresa liderada por Paulo Tse, que é o 1.º vice-presidente, Sam Hou Fai promoveu uma renovação deste órgão ao nível dos cargos de liderança, ao deixar de fora do novo mandato o actual presidente, Peter Lam, o 2.º vice-presidente, Leong Keng Seng, e o 3.º vice-presidente da empresa, o ex-deputado Tommy Lau Veng Seng. Paulo Tse está ligado a vários cargos, como administrador na empresa Golden Crown Development, ex-presidente e membro da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial de Macau, presidente honorário da Câmara de Comércio Americana de Macau, administrador na Associação de Comércio de Macau e também na Câmara de Comércio Canadiana de Macau. Além de substituir alguns membros que estavam na empresa há mais tempo, Sam Hou Fai reduziu o tamanho do conselho de administração da Macau Renovação Urbana, dado que entre os 11 membros existentes cinco não tiveram os mandatos renovados, e apenas houve três nomeações novas, cortando para nove o número de administradores. Os novos nomeados são Mok Chi Wai, Xiao Dongwen e Chan Weng Hei. Mok Chi Wai é empresário, membro da Associação de Comércio de Macau, do Conselho de Curadores da Fundação Macau e administrador na empresa pública Macau Investimento e Desenvolvimento. Homem das máquinas Por seu turno, Xiao Dongwen é presidente da Associação dos Proprietários de Máquinas de Construção Civil de Macau e vice-presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau. Já Chan Weng Hei tem uma carreira ligada à administração pública e às obras públicas, tendo sido nomeado, em 2022, assessor do então secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, actual presidente da Assembleia Legislativa. A Macau Renovação Urbana foi criada em 2019, com capitais públicos, e foi responsável por projectos como a construção do Novo Bairro de Macau em Hengqin e construção da habitação para substituição do Lote P, na Areia Preta. Espera-se também que seja a empresa responsável pela renovação de alguns edifícios antigos de habitação, cumprindo aquele que foi o seu propósito inicial. No ano passado, a empresa apresentou um lucro de 787,9 milhões de patacas, uma redução face a 2024, quando o lucro atingiu 1.791 milhões de patacas.
Zona de Cooperação | 50 vagas de emprego para residentes Hoje Macau - 21 Mai 2026 A Direcção dos Serviços de Assuntos Administrativos da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau anunciou ontem que existem em Hengqin 50 vagas de emprego para residentes de Macau. Segundo um comunicado emitido pela entidade, é exigido que os candidatos cumpram a Constituição chinesa e demais leis da República Popular da China, além de terem de defender o Socialismo com características chinesas e o princípio “um país, dois sistemas”. Os residentes que se candidatem devem ainda defender as ideias de “unificação, segurança, honra e benefícios do país”. As vagas disponíveis são para posições nas áreas jurídica, administrativa, gestão financeira, estatística, planeamento urbanístico ou desenvolvimento de quadros qualificados, com salários base de 19 mil renminbis. Além disso, o salário, no período experimental, será de 80 por cento desse montante. Os candidatos devem ter entre 18 e 38 anos, nascidos entre 21 de Maio de 1987 e 20 de Maio de 2008, podendo apresentar os seus currículos até ao dia 29 de Maio no website de recrutamento disponibilizado pela direcção de serviços de Hengqin. As provas escritas dos candidatos seleccionados realizam-se em Junho, seguidas de provas orais. A fase posterior irá incidir sobre provas físicas e “verificação de antecedentes”, nomeadamente habilitações académicas dos concorrentes.
Gaza | 400 activistas de flotilha detidos e a caminho de Israel Hoje Macau - 20 Mai 2026 Os organizadores da flotilha humanitária com destino a Gaza que foi interceptada por Israel na segunda-feira reportaram a detenção de mais de 400 activistas que estavam ontem a ser levados para o porto israelita de Ashdod. A flotilha com 54 embarcações, que incluía navios da flotilha Global Sumud (GSF), da Freedom Flotilla Coalition e de várias outras organizações da Turquia, Malásia e Indonésia, foi interceptada na manhã de segunda-feira em águas internacionais perto do Chipre, a aproximadamente 250 milhas náuticas de Gaza. Em um comunicado, a Freedom Flotilla indicou que “mais de 400 participantes civis desarmados de 45 países foram sequestrados em águas internacionais pelas forças militares israelitas”, embora não tenham fornecido números discriminados por nacionalidade. Segundo a organização, “o navio cargueiro ‘prisão’, para onde foram levados os capitães, a tripulação e os participantes da flotilha após a intercepção, está a navegar lentamente em direcção ao porto de Ashdod, em Israel, onde os participantes da flotilha têm sido habitualmente identificados pelo Governo israelita”. Entretanto, a Freedom Flotilla Coalition informou que dez navios, incluindo um fretado pela organização, o ‘Lina’, ainda navegavam em direcção a Gaza com aproximadamente 70 pessoas a bordo, “numa tentativa de romper o bloqueio naval ilegal de Israel a Gaza”. Em relação aos navios interceptados, denunciaram que “foram deliberadamente danificados pelo Exército israelita e deixados à deriva, representando um perigo para a navegação internacional e constituindo mais uma violação do direito internacional por parte do Governo israelita”. O Governo israelita ainda não divulgou números oficiais sobre o número de detidos ou para onde estão a ser levados. Protesto português No final de Abril, as forças israelitas detiveram 175 pessoas a bordo de cerca de vinte embarcações da Flotilha Global Sumud em águas internacionais ao largo da costa da Grécia. Dois dos activistas, o hispano-palestiniano Saif Abukeshek e o brasileiro Thiago Ávila, foram detidos e levados para uma prisão israelita, embora tenham sido libertados uma semana depois e deportados, enquanto os restantes foram libertados e desembarcados em solo grego. O Governo português convocou na segunda-feira o embaixador israelita em Lisboa para protestar contra a detenção, “em violação do direito internacional”, de dois médicos portugueses que integravam a flotilha Global Sumud, disse à Lusa o ministro do Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. A Ordem dos Médicos indicou que foi esta tarde informada da detenção dos médicos portugueses Beatriz Bartilotti e Gonçalo Dias, “após a intercepção da embarcação em que seguiam [o navio “Tenaz”], em águas internacionais”, um caso que disse acompanhar “com bastante preocupação”. Rangel adiantou que o Governo está a acompanhar a situação através da embaixada em Telavive e dos serviços consulares.
Seul | Ex-ministro condenado a três anos de prisão por imposição da lei marcial Hoje Macau - 20 Mai 2026 O ex-ministro da Defesa sul-coreano Kim Yong Hyun foi ontem condenado a três anos de prisão por obstrução da justiça devido à imposição da lei marcial em Dezembro de 2024 pelo então presidente, Yoon Suk Yeol. O Tribunal Distrital Central de Seul declarou que Kim enganou membros dos serviços de segurança presidenciais para aceder a um telefone que Yoon pudesse usar para comunicar durante a mobilização dos militares nas ruas, antes de a lei marcial ter sido revogada pelo parlamento. Para o tribunal, Kim “exorbitou o exercício das suas funções” ao obter o telefone em 02 de Dezembro de 2024, um dia antes de Yoon declarar a controversa lei marcial, que mergulhou o país em uma grave crise política e levou à sua prisão e processo de destituição. Kim Yong Hyun também foi condenado por “incitar à destruição de provas” por ordenar que um de seus assessores se desfizesse de documentos relacionados com o dia seguinte ao decreto ter sido revogado pela Assembleia Nacional sul-coreana, em 05 de Dezembro. O Ministério Público da Coreia do Sul defendia uma pena de cinco anos de prisão, mas a sentença teve em conta que Kim não tinha antecedentes criminais, segundo a agência de notícias Yonhap. O ex-governante continua a culpar a então oposição por desencadear uma “crise política” naquele país asiático e nega “qualquer irregularidade”, mantendo que a imposição da lei marcial se destinava a “alertar sobre o poder da oposição” — que Yoon associou à Coreia do Norte — e para recolher informações sobre uma possível “fraude eleitoral”.
Imprensa | Trump sugeriu a Xi união com Putin contra TPI Hoje Macau - 20 Mai 2026 O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu ao homólogo chinês, Xi Jinping, unir forças com o presidente russo, Vladimir Putin, contra o Tribunal Penal Internacional (TPI), noticiou o Financial Times. Citando “fontes próximas das reuniões”, o jornal britânico avançou ontem que este foi um dos temas abordados entre os dois líderes políticos na visita de Trump a Pequim da passada semana. A Casa Branca recusou comentar o assunto, ainda segundo o Financial Times, que não aprofundou detalhes sobre a proposta de Trump ou sobre a forma como ela foi recebida por Xi Jinping. Nenhum dos três países reconhece a autoridade do TPI e a sua jurisdição sobre os estados-nação. Contudo, a oposição de EUA e Rússia ao tribunal de Haia é mais veemente do que o posicionamento chinês, já que Pequim nega a jurisdição sobre o seu território chinês, mas tem apoiado decisões em conflitos como na Líbia ou no Sudão. Em 2023, o TPI emitiu um mandado de prisão contra Putin por “crimes de guerra” na Ucrânia, mas o presidente russo continuou a viajar, principalmente para países da esfera de influência da antiga União Soviética, mas também para os EUA (Alasca), China ou Índia, todas em 2025. A animosidade de Trump em relação ao TPI aumentou bastante com a imposição de sanções económicas e restrições de viagem contra o procurador Karim Khan, alegando que o tribunal tomou “medidas ilegítimas e infundadas contra os Estados Unidos e seu aliado próximo, Israel”. O TPI é um dos pilares da ordem mundial que Trump está determinado a desacreditar desde seu retorno ao poder para o seu segundo mandato, juntamente com a ONU e suas diversas agências e acordos internacionais (como o Acordo de Paris, sobre o clima).
A derrota do Labour e a onda de extrema-direita Carlos Coutinho - 20 Mai 2026 Por Carlos Coutinho A derrota de proporções históricas dos trabalhistas britânicos nas recentes eleições autárquicas e regionais – acha o historiador português Manuel Loff e eu, por acaso, também – “confirma a crise da social-democracia europeia”. Se é verdade que a doença, por vezes, se confunde “com a crise da esquerda, velha discussão feita habitualmente por quem não quer discutir o capitalismo, nem como metástases do neoliberalismo asfixiam qualquer perspetiva de democracia social e têm aberto o caminho a esta crescente fascização das relações sociais e da política internacional”. “Na aparência”, diz ele, “a crise iniciou-se, se não na viragem de século, pelo menos na gestão que os governos social-democratas fizeram da devastação social trazida pela crise financeira de 2008. O PASOK grego, os social-democratas polacos e húngaros ficaram reduzidos a cinzas, os alemães, escandinavos, holandeses abandonaram os grupos que neles habitualmente confiavam para a manutenção de um mínimo de dignidade do Estado social. “Quando os sistemas eleitorais permitiram governar sozinhos (França, 2012-17, Grã-Bretanha, desde 2024, fizeram tão mal quanto tem feito ao se coligar à direita por essa Europa fora, a começar pela Alemanha. Se o PSOE é uma exceção, e porque, como o PS português em 2015, se viu na obrigação, já em fase de perda de apoio, a fazer acordos â esquerda que o obrigaram a introduzir correções nas políticas neoliberais que tem adotado desde há 40 anos. Quem se esqueceu já da “geringonça” que o Costa começou a esvaziar logo que precisou disso para realizar outras ambições pessoais? – pergunto eu. “Sempre que interrompem esse processo”, lembra o Loff , “(como Corbyn tentou no Labour, entre 2015 e 2020), conseguem alguma reconexão com quem trabalha, paga uma renda de casa e vive do crédito para sobreviver . Quando regressam às receitas neoliberais (privatizar,, precarizar, securitizar, discriminar), o fascismo cresce. “Depois de uma campanha infame dentro do partido para se livrar de Corbyn (acusando-o de antissemitismo), Starmer obteve uma maioria absoluta nas eleições de 2024 com apenas um terço dos votos. O mesmo sistema eleitoral que sobrerrepresenta artificialmente o partido mais votado pode vir a dar o poder de mão beijada à ultradireita racista do Reform UK, porque ninguém acredita que Starmer aguente até 2029. “O Reform UK reúne nas sondagens 25%-30% das intenções, 5%-10% à frente dos trabalhistas, conservadores e verdes. É o suficiente para ganhar uma maioria num sistema fragmentado. É, por isso, elevada a probabilidade de podermos vir a ter num futuro próximo governos de ultradireita racista e neofascista entre os três maiores países europeus ocidentais: a Itália, onde a ultradireita já dirige o Governo, França e Grã-Bretanha.” Quem fala assim não é gago… * Já passou quase um século após o aparecimento de um verdadeiro tratado sobre a canalhice, mas não me parece que já não seja de ter em conta a vantagem da sua vigência, dadas a sua abrangência e, sobretudo, a sua profundidade. Aconteceu nas vésperas da Segunda Guerra Mundial o aparecimento nas livrarias de um livro feroz do filósofo alemão Ernst Bloch que analisa a ascensão de Hitler ao poder e se interroga sobre como foi possível que a consciência coletiva de quase todo o país se tivesse degradado a ponto de aceitar a nazificação, como uma espécie apodrecimento que quase nunca parou de se agravar. A propaganda oficial e o trauma da humilhação, em resultado da derrota e do esbulho sofrido às mãos dos vencedores em 1918, reivindicavam a continuidade do Terceiro Reich, restaurando o Primeiro – o do Sacro Império Romano-Germânico – criado por quem reclamava a atualização do instaurado por Carlos Magno que durou entre 962, e a suas aniquilação por Napoleão, em 1806, seguindo-se o Segundo Reich, isto é, o império que foi erguido com a unificação da Alemanha e a guerra franco-prussiana em 1871, cujos efeitos só foram travados com o colapso alemão na Primeira Guerra Mundial, mas tal consequência não explica para Ernst Bloch a mórbida e sanguinária aceitação da ditadura nazi. Como se fizeram, então, os canalhas e se instituiu o seu regime? Como foi aceite a fábula segundo a qual este novo império iria durar 1000 anos? E o que se pode concluir desta histórica tragédia que custou perto de 70 milhões de mortos? Não estava escrito que o führer conquistasse o poder e que 10 anos depois de ter ocupado a presidência do partido nazi, bem como que, após uma curta prisão por envolvimento numa tentativa de golpe de Estado, o paranoico político aguarelista austríaco disputasse a segunda volta das eleições presidenciais alemãs em abril de 1932 e obtivesse 37% dos votos e que os comunistas e os social-democratas somados se ficassem pelos 36%. Contudo o presidente eleito, o tão celebrado marechal Hindenburg entregou-lhe o lugar em Berlim, que não era a capital da Áustria, mas viria ser anexada com geral aplauso germânico, em 30 de janeiro de 1933. Quando, poucos anos depois, Bloch se pergunta sobre como se chegou a este desfecho, a conclusão que encontra é que o centro e a direita, aceitam a receita da extrema direita, aceitam Hitler como se de uma solução de curto prazo se tratasse, ou apenas fosse um mal menor, para impor a ordem, enquanto amplos setores da burguesia e do que hoje se chama classe média, como comerciantes, militares e acadêmicos, celebravam no despotismo. Havia nisso a evocação de um fundo cultural – considera Bloch – e não foi a magia propagandística de Goebbels que respondeu à desintegração do regime de Weimar. Foi antes a recuperação de mitos incrustados na crença da epopeia germanista mobilizando um romantismo reacionário que se apropriou de Nietzsche e de Wagner, ou seja, foi a ideologia social dominante que fez de Hitler o seu porta-voz e o estandarte dos interesses económicos dominantes. Leio estas análises e percebo melhor os êxitos eleitorais do nosso Ventura e de quem lhe paga as campanhas, bem como os favores que recebe da comunicação social quase toda. Vade retro, Satanás…