China / ÁsiaGaza | 400 activistas de flotilha detidos e a caminho de Israel Hoje Macau - 20 Mai 2026 Os organizadores da flotilha humanitária com destino a Gaza que foi interceptada por Israel na segunda-feira reportaram a detenção de mais de 400 activistas que estavam ontem a ser levados para o porto israelita de Ashdod. A flotilha com 54 embarcações, que incluía navios da flotilha Global Sumud (GSF), da Freedom Flotilla Coalition e de várias outras organizações da Turquia, Malásia e Indonésia, foi interceptada na manhã de segunda-feira em águas internacionais perto do Chipre, a aproximadamente 250 milhas náuticas de Gaza. Em um comunicado, a Freedom Flotilla indicou que “mais de 400 participantes civis desarmados de 45 países foram sequestrados em águas internacionais pelas forças militares israelitas”, embora não tenham fornecido números discriminados por nacionalidade. Segundo a organização, “o navio cargueiro ‘prisão’, para onde foram levados os capitães, a tripulação e os participantes da flotilha após a intercepção, está a navegar lentamente em direcção ao porto de Ashdod, em Israel, onde os participantes da flotilha têm sido habitualmente identificados pelo Governo israelita”. Entretanto, a Freedom Flotilla Coalition informou que dez navios, incluindo um fretado pela organização, o ‘Lina’, ainda navegavam em direcção a Gaza com aproximadamente 70 pessoas a bordo, “numa tentativa de romper o bloqueio naval ilegal de Israel a Gaza”. Em relação aos navios interceptados, denunciaram que “foram deliberadamente danificados pelo Exército israelita e deixados à deriva, representando um perigo para a navegação internacional e constituindo mais uma violação do direito internacional por parte do Governo israelita”. O Governo israelita ainda não divulgou números oficiais sobre o número de detidos ou para onde estão a ser levados. Protesto português No final de Abril, as forças israelitas detiveram 175 pessoas a bordo de cerca de vinte embarcações da Flotilha Global Sumud em águas internacionais ao largo da costa da Grécia. Dois dos activistas, o hispano-palestiniano Saif Abukeshek e o brasileiro Thiago Ávila, foram detidos e levados para uma prisão israelita, embora tenham sido libertados uma semana depois e deportados, enquanto os restantes foram libertados e desembarcados em solo grego. O Governo português convocou na segunda-feira o embaixador israelita em Lisboa para protestar contra a detenção, “em violação do direito internacional”, de dois médicos portugueses que integravam a flotilha Global Sumud, disse à Lusa o ministro do Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. A Ordem dos Médicos indicou que foi esta tarde informada da detenção dos médicos portugueses Beatriz Bartilotti e Gonçalo Dias, “após a intercepção da embarcação em que seguiam [o navio “Tenaz”], em águas internacionais”, um caso que disse acompanhar “com bastante preocupação”. Rangel adiantou que o Governo está a acompanhar a situação através da embaixada em Telavive e dos serviços consulares.