Grande PlanoVacina contra o vírus Ébola poderá demorar entre seis a nove meses Hoje Macau - 21 Mai 2026 As doses da vacina potencialmente “mais promissora” contra o vírus Bundibugyo, que está a causar um surto de Ébola na África Central, não estarão disponíveis entre seis a nove meses, afirmou ontem a Organização Mundial de Saúde (OMS), à medida que o número de casos suspeitos subiu para 600. Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da OMS, disse numa conferência de imprensa sobre o surto na República Democrática do Congo e no Uganda que, até à data, havia o registo de 139 mortes, mas que os números deverão aumentar. As autoridades afirmaram acreditar que a doença pode ter começado a propagar-se “há alguns meses”, impulsionada por um “evento super-propagador”, possivelmente um funeral, no início de Maio. A situação de segurança na província de Ituri, onde mais de 100 mil pessoas foram deslocadas nos últimos meses devido a conflitos armados, complicou os esforços de detecção, afirmou Tedros. Com profissionais de saúde a tentar escapar da violência, as instituições médicas deixaram de conseguir prestar cuidados ou manter a vigilância em possíveis surtos de doenças infecciosas. Outras doenças endémicas da região, como malária e febre tifoide, apresentam os mesmos sintomas iniciais do Ébola, o que também pode atrasar o diagnóstico, acrescentou o responsável. Compreensão lenta Tedros afirmou que as críticas à organização por parte do secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, que afirmou que a OMS tinha declarado o surto “um pouco tarde”, se baseavam provavelmente numa “alta de compreensão”. “Talvez, o que o secretário disse, tenha resultado de falta de compreensão em relação ao funcionamento dos Regulamentos Sanitários Internacionais e das responsabilidades da OMS e de outras entidades. Não substituímos o trabalho dos países, apenas os apoiamos”, afirmou Tedros. Recorde-se que a Administração Trump retirou os Estados Unidos da OMS no início deste ano. Vasee Moorthy, que lidera o plano de investigação e desenvolvimento da OMS, afirmou que a vacina potencial mais promissora contra o Bundibugyo utiliza a mesma base que as vacinas contra o Ébola que visam a estirpe do Zaire. “Não há doses desta vacina disponíveis actualmente para ensaios clínicos. A informação de que dispomos é que isto provavelmente demorará entre seis a nove meses”, afirmou.