Estacionamento | Secretário recusa aumentos e fala de “ajustamentos” João Santos Filipe - 9 Jan 2024 Raimundo do Rosário argumentou que os “ajustamentos” são normais e que nas férias de Natal, quando foi cortar o cabelo, também teve de pagar mais 20 patacas O secretário para os Transportes e Obras Públicas recusa que se possa considerar que houve aumento do preço nos auto-silos, e defende que são apenas “ajustamentos”. As declarações de Raimundo do Rosário foram prestadas ontem na Assembleia Legislativa, após ter sido interpelado sobre o assunto por Ella Lei e Zheng Anting. “Não é um aumento das tarifas, é um ajustamento ou uma actualização. […] Recentemente, nas férias de Natal, fui comprar produtos de medicina tradicional chinesa, e o preço que paguei não era o mesmo de há meses atrás, quando comprei os mesmos produtos. Também na loja onde corto o cabelo houve um ajustamento de 20 patacas”, respondeu o secretário. “O ajustamento é global. É aplicável a todos os auto-silos, porque estamos em 2024 e passaram muitos anos sem que tenha havido actualização”, acrescentou. Raimundo do Rosário recusou também a necessidade de haver uma consulta da população antes de se decidir pela actualização, por considerar que as opiniões não são razoáveis, no que diz respeito a pagar mais. “A consulta pública nem sempre tem uma razão de ser, porque qualquer aumento de 10 avos faz com que alguém esteja contra, por isso, a consulta pública não faz muito sentido”, opinou. Os aumentos que geraram polémica entraram em vigor em Novembro e Dezembro do ano passado e afectaram os seguintes parques de estacionamento públicos: Auto-Silo do Posto Fronteiriço Qingmao, Auto-Silo de Nam Van (Pak Wu), Auto-Silo Pak Vai, Auto-Silo do Jardim de Vasco da Gama, Auto-Silo do Edificio Cheng Chong, Auto-Silo Pak Wai e Auto-Silo da Alameda Dr. Carlos d’Assumpção. Segundo a nova tabela, os automóveis ligeiros têm de pagar entre 10 e 8 patacas por hora, no período diurno, e entre 8 e 4 patacas no período nocturno. Em relação aos motociclos e ciclomotores, os preços variam entre 4 e 3 patacas por hora, durante o período diurno e 3 e 1,5 patacas por hora, à noite. Preço de manutenção O secretário para os Transportes e Obras Públicas explicou ainda a necessidade de “ajustar as tarifas” para promover a renovação e manutenção dos auto-silos públicos. “Agora podemos constatar que nos auto-silos houve melhorias nos equipamentos e os custos são suportados pelas concessionárias. E os aumentos servem para as concessionárias repararem ou renovarem os auto-silos” indicou. “Temos 60 e tal auto-silos em Macau, nós não vamos gastar dinheiro com os parques, são as concessionárias que vão pagar”, acrescentou. As declarações sobre a ausência de consulta pública não caíram bem entre alguns deputados, como Che Sai Wang. Face às críticas, Raimundo do Rosário fez um esclarecimento adicional: “Consultámos o Conselho Consultivo de Trânsito, que tem membros das associações cívicas de Macau. Estamos a falar de um conselho que tem uma certa legitimidade”, vincou. “Não queria dizer que não valorize a consulta pública, talvez me tenha expressado mal em chinês, mas não quer dizer que não valorize as opiniões da população”, afirmou.
MNE de Singapura: Sudeste Asiático precisa de “equilíbrio de poder” e não “guerra por procuração” Hoje Macau - 8 Jan 2024 O ministro dos Negócios Estrangeiros de Singapura defendeu no sábado em Lisboa a necessidade de “um equilíbrio de poder” no Sudeste Asiático e não “uma guerra por procuração”, na tensão entre Estados Unidos e China. “O que queremos é um equilíbrio de poder no Sudeste Asiático, não um Sudeste Asiático dividido, não uma guerra por procuração de um lado ou do outro e certamente não para repetir a Guerra Fria, quando houve guerras por procuração no Sudeste Asiático”, comentou Vivian Balakrishnan, em entrevista conjunta à Lusa, DN e TSF, no seu último dia de visita oficial a Portugal. “Tanto os Estados Unidos como a China sabem qual é a nossa posição, e não há razão para mudarmos. Ambos sabem que, porque somos pequenos, abertos e expostos, temos que defender a paz e uma abordagem inclusiva”, considerou. O seu país, salientou, conseguiu cultivar “excelentes relações”, com “uma confiança muito profunda” quer com Pequim, quer com Washington, por se manter, ao longo de décadas, “consistente, honesto e transparente com os dois lados”. Sobre a relação entre estes dois países, Balakrishnan afirmou que não a descreveria como “uma inimizade”, mas como “uma relação de duas superpotências num momento de viragem muito delicado da história mundial”. Reiterou que nenhum dos lados pretende desencadear uma guerra, “mas têm de encontrar oportunidades diplomáticas e económicas para trabalhar em conjunto”. EUA e China têm uma falta de confiança estratégica, mas, sublinhou, “o conflito não é inevitável”. “Que a paz prevaleça” Este é um momento em que se procurará perceber se “as duas superpotências conseguirão chegar a um novo ‘modus vivendi’, para se darem bem, não necessariamente concordarem em tudo – isso é impossível – mas pelo menos terem um respeito mútuo, procurarem oportunidades para colaborar e estabelecer barreiras de protecção para que as áreas de desacordo não saiam do controle”, considerou. “Portanto, o nosso mundo ideal é aquele em que superamos esta situação delicada. No caso do Sudeste Asiático, o nosso paradigma é o de manter uma arquitectura regional inclusiva, onde ambas as superpotências têm interesses”, destacou. Questionado sobre as eleições presidenciais em Taiwan, que Pequim reivindica como parte do território chinês, o MNE singapurense considerou que cabe aos eleitores decidir, no próximo dia 13. “Não nos cabe expressar preferências. Os eleitores de lá, terão que decidir”, disse, ressalvando a necessidade de “líderes e políticos, em ambos os lados e em todo o espectro político, terem muito cuidado, porque na política e na diplomacia, o que dizemos e como dizemos é importante”. Balakrishnan disse esperar que “a paz prevaleça nas ruas”.
Ano novo, preços novos André Namora - 8 Jan 2024 Antes de mais, neste meu primeiro contacto com os queridos leitores em 2024 desejo a todos a maior felicidade e prosperidade ao longo do novo ano. 1 – Portugal entrou em 2024 cheio de preocupação e incógnita devido às mudanças sociais que se apresentam devido essencialmente ao encarecimento do nível de vida de os portugueses que já começaram a fazer contas à vida. A maioria dos preços nos mais distintos paradigmas vão aumentar. Terminou a medida do IVA zero para um número diverso de produtos essenciais. Quase tudo aumenta de preço e quem vai ao supermercado denota uma viragem negativa para enfrentar o seu nível de vida. Os bens alimentares aumentaram de preço, os produtos de higiene aumentaram, os preços da roupa aumentaram, as rendas de casa aumentaram, segundo a lei, de um modo muito perturbador e doloroso para quem vive com dificuldades. Por exemplo, um cidadão com 200 euros de reforma, terá um aumento de seis por cento, o que dá 12 euros mensais, dando apenas para comprar um frango assado com batatas fritas. O preço das casas também já inflacionou e os gurus das imobiliárias já atacaram no aumento dos preços com a sempre esfarrapada desculpa da inflação, quando esta tem diminuído. Os portugueses vão passar um ano de grande dificuldade. Os salários aumentaram um pouco, o salário mínimo passou para 820 euros, mas os impostos indirectos aumentaram em demasia, nomeadamente, o tabaco, as bebidas alcoólicas e a tarifa dos táxis. Contudo, o mais desolador é o aumento no preço da electricidade, do gás natural, dos transportes públicos e das operadoras de telecomunicações. Quem tem telemóvel e televisão associados a um contrato com a Vodafone, NOS ou MEO vai sentir imenso quando receber a próxima factura. Até as portagens nas autoestradas já aumentaram 2,04 por cento. É muito para quem usa diariamente as autoestradas. O único aumento que não se esperava e que está a chocar os mais pobres é o aumento do preço do pão. Há famílias que o alimento dos filhos é à base de pão com qualquer acompanhamento possível. A vida vai ser difícil, mas os portugueses apoiam-se na sua resiliência e na esperança. Algo poderá mudar a partir das eleições antecipadas de 10 de Março. Depende se o novo Governo eleito trará estabilidade, confiança e melhoria no nível de vida, nunca esquecendo os mais desprotegidos que já atingem cerca de quatro milhões de pessoas. 2 – Quanto à política, eleições, alianças, novo governo, tivemos neste fim de semana o Congresso do Partido Socialista. E surpresa das surpresas, o novo secretário-geral, Pedro Nuno Santos, apareceu uma nova pessoa. Deixou de se o líder da Juventude Socialista, para apresentar-se como verdadeiro líder dos socialistas, com um discurso realista, moderado, apelativo à união e de um cariz pouco volátil. Pedro Nuno Santos, como indicam as sondagens, poderá vir a ser o novo primeiro-ministro e o seu discurso no Congresso demonstrou um homem que humildemente pediu desculpas pelos erros eventualmente cometidos, mas prometeu que o povo tem de melhorar o seu nível de vida. Prometeu que o investimento na habitação, saúde e educação tem de ser de uma maneira a que a própria classe média tenha uma casa digna, que as mais de 15 horas de espera nas urgências dos hospitais têm de acabar e que os professores terão de ter os incentivos necessários para que os problemas existentes na classe venham a terminar e que os jovens sintam vontade de optar pelo professorado. O Congresso do PS mostrou um gesto de grande dignidade, o abraço apertado entre dois adversários que agora irão caminhar juntos, referimo-nos a José Luís Carneiro e a Pedro Nuno Santos. Este, na qualidade de novo líder socialista não deixou de louvar a governação de António Costa e de indicar tudo o que foi feito em desenvolvimento do país nos últimos oito anos. Esperemos que possa cumprir o que afirmou aos delegados presentes no auditório da Feira Internacional de Lisboa. O mais importante é que as eleições tragam uma decisão que não prejudique quem já muito sofre. Com uma vitória da aliança direitista assistiremos certamente à privatização de quase tudo e, tenho dúvidas, que seja algo de bom para os mais pobres. Se o Partido Socialista vencer, o povo conta para já com um novo líder activo, peremptório e cheio de vontade de realizar trabalho que provoque uma melhoria significativa na vida dos portugueses. A pré-campanha eleitoral já se iniciou e confirma-se que Luís Montenegro não devia ter sido o líder do PSD. Os sociais-democratas não descolam nas sondagens, continuam longe dos socialistas e negaram-se a uma aliança com o Chega, o partido da extrema-direita que tem cativado cada vez mais os descontentes. Acrescente-se que, se o PS vencer as eleições, Pedro Nuno Santos é um apologista em toda a dimensão para a criação de uma nova geringonça.
Pyongyang | EUA, Japão e Coreia do Sul condenam programa nuclear e laços com Moscovo Hoje Macau - 8 Jan 2024 Os EUA, Japão e Coreia do Sul condenaram, numa reunião em Washington, o programa nuclear e de mísseis da Coreia do Norte e a crescente proximidade do país com a Rússia, segundo uma declaração conjunta divulgada no sábado. Durante o encontro trilateral na capital norte-americana, realizado na sexta-feira, os países criticaram ainda as reivindicações “ilegais” de Pequim em relação ao Mar do Sul da China, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap. “Condenaram o desenvolvimento contínuo pela Coreia do Norte dos programas ilegais de mísseis nucleares e balísticos, a crescente cooperação militar com a Rússia e as graves violações e abusos dos direitos humanos”, lê-se na nota, emitida pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros sul-coreano, Chung Byung-won, e pelos homólogos norte-americano e japonês, Daniel Kritenbrink e Yasuhiro Kobe, respectivamente. Os representantes rejeitaram ainda o “comportamento perigoso” que apoia as “reivindicações marítimas ilegais” de Pequim no Mar do Sul da China, reiterando o “firme compromisso com o direito internacional, incluindo a liberdade de navegação e de sobrevoo, tal como reflectido na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar”. Neste sentido, expressaram oposição “a qualquer tentativa unilateral de alterar o status quo pela força” e sublinharam o alinhamento dos três países com a questão de Taiwan, defendendo que “a paz e a estabilidade” no Estreito de Taiwan são “indispensáveis para a segurança e a prosperidade” no mundo.
Pyongyang faz disparos de artilharia pelo terceiro dia consecutivo Hoje Macau - 8 Jan 2024 A Coreia do Norte retomou ontem exercícios de artilharia com munições reais na costa ocidental, perto da fronteira marítima com a Coreia do Sul, informou a agência noticiosa sul-coreana Yonhap. As autoridades das ilhas sul-coreanas isoladas no Mar Amarelo, perto da costa norte-coreana, disseram à agência francesa AFP que tinham enviado mensagens para os telemóveis dos residentes, pedindo-lhes que ficassem em casa. “Estão a ser ouvidos disparos de canhão norte-coreanos”, alertaram as autoridades nas mensagens. Trata-se do terceiro dia consecutivo de disparos deste tipo por parte da Coreia do Norte. “As tropas norte-coreanas têm estado a disparar a partir da parte norte da ilha de Yeonpyeong desde cerca das 16:00”, disse uma fonte militar à Yonhap. A mesma fonte afirmou que “nenhum projéctil de artilharia norte-coreano caiu a sul da Linha Limite Norte [NLL, na sigla em inglês] no Mar Ocidental”. Uma zona-tampão marítima nas áreas NLL dos mares Ocidental e Oriental foi criada para evitar conflitos comerciais marítimos, em conformidade com o Acordo Militar Intercoreano de 19 de Setembro, assinado em 2018. A fonte militar disse ainda à Yonhap que não se registaram quaisquer danos do lado sul-coreano e que não estava prevista “qualquer resposta de fogo” das forças armadas da Coreia do Sul. Falso alarme? De acordo com o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, os militares norte-coreanos dispararam mais de 200 projécteis, principalmente de artilharia costeira, na manhã da passada sexta-feira. Seul disse que as forças norte-coreanas dispararam no sábado cerca de 60 projécteis, alguns dos quais caíram na zona-tampão marítima a norte do NLL no Mar Ocidental. A irmã do líder norte-coreano, Kim Jong-un, negou ontem que a Coreia do Norte tenha disparado os 60 projécteis, afirmando ter-se tratado de um engodo para testar a reacção do sul. “O nosso exército não disparou um único projéctil para a água”, disse Kim Yo-jong num comunicado divulgado pela agência noticiosa oficial norte-coreana KCNA. Kim Yo-jong explicou que os soldados norte-coreanos quiseram observar a reacção das forças sul-coreanas, detonando 60 cargas explosivas que simulavam o som de um canhão. “O resultado foi exactamente o que esperávamos. Confundiram o som dos explosivos com o de um tiro de canhão, presumiram que se tratava de uma provocação de artilharia e inventaram uma mentira sem vergonha”, afirmou. “No futuro, até confundirão o estrondo de um trovão no céu do norte com fogo de artilharia do nosso exército”, acrescentou, citada pela agência francesa AFP.
Sismo | Japão actualiza para 126 mortos balanço de terramoto Hoje Macau - 8 Jan 2024 O número de vítimas do sismo da passada semana e subsequentes réplicas não pára de subir. As difíceis condições logísticas e meteorológicas não ajudam às operações de salvamento O número de mortos do terramoto de magnitude 7,6 que atingiu o centro do Japão na segunda-feira subiu no sábado para 126, enquanto prosseguem as buscas por mais de 200 pessoas desaparecidas, anunciaram as autoridades japonesas. As buscas têm estado a ser dificultadas pelos danos nas infraestruturas e pela previsão de chuva e queda de neve na região, segundo a agência espanhola EFE. O terramoto, que atingiu a prefeitura de Ishikawa, no centro do Japão, causou danos consideráveis nas estradas, casas e outros edifícios da região. As autoridades acreditam que centenas de pessoas permanecem presas ou isoladas enquanto aguardam a chegada dos serviços de salvamento. As repetidas réplicas, incluindo uma de magnitude 5,3 registada no sábado, e as condições meteorológicas adversas têm provocado novos deslizamentos de terras e inundações nas zonas afectadas. Num balanço divulgado às 17:00 locais, as autoridades actualizaram para 126 mortos e 516 feridos os efeitos do forte sismo, a maioria dos quais nas cidades de Wajima e Suzu. Há também 210 pessoas dadas como desaparecidas e cujas identidades foram tornadas públicas numa tentativa de ajudar a localizá-las. Um deslizamento de lama provocado pela réplica de sábado arrastou dezenas de casas na cidade de Anamizu, provocando a morte de pelo menos três pessoas e deixando outras 12 soterradas, segundo as autoridades. Mais de 72 horas após a catástrofe de segunda-feira, que é considerado o tempo chave para encontrar sobreviventes, os serviços de salvamento continuavam as buscas entre os escombros dos edifícios desmoronados. As buscas abrangem também as áreas que foram soterradas por deslizamentos de terras ou inundadas pelo ‘tsunami’ desencadeado pelo terramoto, que atingiu até quatro metros em algumas zonas costeiras. Condolências globais O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, pediu a todos os ministérios, agências e autoridades locais envolvidas nos esforços de salvamento para “envidarem todos os esforços para tentar salvar o maior número possível de vidas”. O apelo foi feito durante uma reunião de coordenação das operações de emergência, de acordo com os meios de comunicação social locais. Devido aos danos nas infraestruturas, as autoridades também têm tido dificuldades em transportar alimentos e água potável para as cerca de 31.000 pessoas que continuam abrigadas em cerca de 357 centros de acolhimento. O sismo de segunda-feira já é o mais mortífero no Japão desde 2011, quando um terramoto de magnitude 9,0 provocou um ‘tsunami’ que deixou mais de 20 mil mortos e desencadeou o desastre nuclear de Fukushima, o pior desde Chernobyl em 1986. Num gesto invulgar da vizinha Coreia do Norte, o líder Kim Jong-un enviou uma mensagem de condolências a Fumio Kishida, noticiou a agência oficial norte-coreana Korean Central News Agency (KCNA). O Japão recebeu anteriormente mensagens de solidariedade e promessas de ajuda do Presidente norte-americano, Joe Biden, e de outros aliados. O porta-voz do Governo japonês, Yoshimasa Hayashi, disse que o Japão estava grato por todas as mensagens, incluindo a da Coreia do Norte. Hayashi disse que a última vez que o Japão recebeu uma mensagem de condolências da Coreia do Norte por um desastre foi em 1995.
UE | Pequim investiga possível ‘dumping’ em bebidas alcoólicas Hoje Macau - 8 Jan 2024 A China anunciou na passada sexta-feira que está a investigar práticas de concorrência desleal (‘dumping’) na venda de bebidas espirituosas provenientes da União Europeia (UE). De acordo com o Ministério chinês do Comércio, a investigação anti-‘dumping’ foi iniciada na sequência de uma denúncia, apresentada em Novembro passado, pela associação que representa o sector das bebidas espirituosas, como whisky, conhaque e aguardente, um dos produtos mais importados pela China. A investigação, que deverá estender-se até 2025, diz respeito a práticas desleais ocorridas entre 2022 e 2023, com potenciais danos recuados a 2019. ‘Dumping’ é uma prática comercial de venda de produtos no mercado externo a preços inferiores aos praticados no mercado interno. Instada no sábado a comentar a decisão da China, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, insistiu na importância de haver uma concorrência “leal” com Pequim. A investigação ocorre num momento de tensão entre Pequim e Bruxelas, uma vez que a União Europeia anunciou que quer reduzir a dependência comercial da China, nomeadamente no domínio tecnológico. Em Dezembro, por exemplo, a Comissão Europeia anunciou uma investigação sobre suspeitas de comércio desleal de biocombustível proveniente da China no mercado da UE, admitindo medidas retaliatórias, como tarifas aduaneiras, caso se verifique ‘dumping’.
MNE | Aprovadas sanções contra cinco empresas dos EUA Hoje Macau - 8 Jan 2024 A China anunciou ontem medidas restritivas contra cinco empresas norte-americanas do sector da defesa em resposta à venda de armas de Washington a Taipé e às sanções norte-americanas a empresas e indivíduos chineses. Estas sanções vão congelar qualquer propriedade que as empresas tenham na China, além de proibirem organizações e indivíduos chineses de fazerem negócios com essas entidades, disse em comunicado o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. As empresas visadas são a BAE Systems Land and Armament, a Alliant Techsystems Operation, a AeroVironment, a ViaSat e a Data Link Solutions. O ministério afirmou, além disso, que as medidas dos EUA prejudicaram a soberania e os interesses de segurança da China, minaram a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan e violaram os direitos e interesses das empresas e indivíduos chineses. “O Governo chinês mantém-se inabalável na sua determinação de salvaguardar a soberania nacional, a segurança e a integridade territorial e de proteger os direitos e interesses legítimos das empresas e dos cidadãos chineses”, lê-se na nota.
China-EUA | Wang Yi incentiva ao entendimento mútuo Hoje Macau - 8 Jan 2024 Em dia de celebração do 45.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre a China e os Estados Unidos, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês proferiu palavras de paz sublinhando que o bom entendimento entre as duas nações representa um ganho a nível mundial e não só no relacionamento bilateral O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, discursou na sexta-feira sobre os esclarecimentos trazidos pelo desenvolvimento das relações China-EUA, dizendo que a paz é o alicerce mais fundamental dos laços bilaterais. Wang, que também é membro do Bureau Político do Comité Central do Partido Comunista da China, fez as observações numa recepção comemorativa do 45.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre a China e os Estados Unidos em Pequim, indica a agência estatal Xinhua. Wang disse que as relações bilaterais passaram por reviravoltas, o que trouxe lições importantes, acrescentando que “não haver conflito ou confronto” entre os dois grandes países é, por si só, o mais importante dividendo de paz para a humanidade. Observando que a cooperação é a escolha mais correcta para a China e os Estados Unidos se relacionarem bem, Wang afirmou que a cooperação vencedora é a característica mais essencial dos intercâmbios China-EUA. Haja respeito O responsável afirmou também que o alto nível do comércio bilateral e do investimento bilateral reflecte profundamente a estrutura económica altamente complementar dos dois países e sua profunda conexão na cadeia industrial e de suprimentos global. O afastamento e o bloqueio artificiais incorrem em mais perdas do que ganhos. Wang apresentou ainda várias propostas sobre a implementação do consenso alcançado pelos dois chefes de Estado em São Francisco, acrescenta a Xinhua. Pediu que ambos os lados se respeitem mutuamente e estabeleçam um entendimento correcto o mais rápido possível, enfatizando que a China não tem a intenção de substituir ou sobrepor-se a ninguém, tampouco de procurar a hegemonia. A China está comprometida com a construção de relações estáveis, saudáveis e sustentáveis entre a China e os EUA com base no respeito mútuo. Ambos os lados devem defender a coexistência pacífica, especialmente no gerenciamento eficaz das diferenças, disse Wang, expressando oposição às práticas de recorrer ao confronto, à sanção ou ao envolvimento em hegemonia de poder e jogo de soma negativo apenas por causa de diferenças. Wang disse que ambos os lados devem continuar a fazer pleno uso dos mecanismos restaurados ou estabelecidos nos campos da diplomacia, economia, finanças, comércio e agricultura para promover uma cooperação mutuamente benéfica. David Meale, encarregado de negócios da Embaixada dos EUA na China, discursou na recepção. O responsável felicitou, em nome do lado americano, o 45.º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e os EUA, dizendo que o lado americano está disposto a implementar o consenso alcançado pelos dois chefes de Estado e promover o desenvolvimento estável das relações EUA-China.
Fringe | IC aceita trabalhos para exposição até dia 12 Hoje Macau - 8 Jan 2024 Quem estiver interessado em apresentar trabalhos artísticos na “Exposição de Arte para Todos” pode submetê-los até esta sexta-feira junto do Instituto Cultural (IC). De frisar que esta mostra integra-se no cartaz da 22.ª edição do Festival Fringe da Cidade de Macau, que decorre entre os dias 17 e 28 deste mês, sendo que a “Exposição de Arte para Todos” estará patente ao público entre os dias 17 e 22 de Janeiro na antiga Fábrica de Panchões Iec Long e de 23 a 28 de Janeiro no Parque Urbano da Areia Preta, perto do Centro de Saúde. O festival Fringe apresenta este ano um total de 17 espectáculos e uma série de actividades do Festival Extra. Esta exposição pretende dar resposta ao mote “Todos ao redor da Cidade, os nossos palcos, os nossos espectadores, os nossos artistas”. Além de poderem submeter os seus trabalhos junto do IC, os interessados podem ainda criar as suas obras artísticas nos dois locais de exposição. Segundo uma nota do IC, nos locais da exposição haverá “uma zona criativa para permitir que o público possa manifestar o seu potencial criativo de forma improvisada, promovendo a ideia de que todos podem ser artistas”. Destaque ainda para a realização, nos dias 13 e 14 deste mês, de três sessões da iniciativa “Workshops Criativos para Todos”, nomeadamente o “Workshop Criativo de Plasticina para Crianças”, “Workshop Criativo de Carpintaria para Famílias” e o “Workshop Criativo de Electrónica”. Os trabalhos produzidos nos workshops podem ser expostos na “Exposição de Arte para Todos”.
Fotografia | “Somos!” inaugura sexta-feira nova exposição Hoje Macau - 8 Jan 2024 Francisco Ricarte é o curador da nova exposição de fotografia da “Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa”, que será inaugurada esta sexta-feira. “Somos Imagens da Lusofonia 2022 – Na Solidão dos Dias” é o nome da mostra patente na Casa Garden que nasce de um concurso organizado pela associação A “Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa” (Somos – ACLP) inaugura esta sexta-feira, 12, a partir das 18h30, a exposição “Somos Imagens da Lusofonia 2022 – Na Solidão dos Dias”, que estará patente até ao dia 28 deste mês na Casa Garden. A mostra conta com curadoria do arquitecto Francisco Ricarte, apresentando as fotografias vencedoras do concurso lançado em Julho do ano passado, assim como as menções honrosas e outras imagens que o júri considerou relevantes por promoverem a comunicação em língua portuguesa e a disseminação das tradições e características lusófonas. A quarta edição deste concurso de fotografia, organizado anualmente pela “Somos!”, teve como mote “uma autorreflexão fotográfica sobre a solidão vivida nos dias de restrições impostas globalmente pelas autoridades sanitárias, medidas que causaram medo, solidão e deixaram-nos órfãos de afectos”, esclarece a associação em comunicado. Assim, as imagens seleccionadas “transbordam o que sentiram as comunidades dos países de língua portuguesa e de Macau nesse período”, pretendendo-se agora, “com o devido distanciamento, dar uma visão de como se vai fechando esse ciclo de solidão”. Dos vencedores O brasileiro Raphael Alves foi o grande vencedor do concurso com a fotografia intitulada “Insulae”, arrecadando, desta forma, o primeiro prémio, no valor de dez mil patacas. A imagem foi captada num cemitério em Manaus, no Brasil. Na memória descritiva, Raphael Alves refere que a fotografia retrata as desigualdades socioeconómicas e a “falta de políticas para a região mostraram a fragilidade do maior estado brasileiro, o Amazonas”. “Durante a pandemia de covid-19, apenas três familiares de cada vítima podiam comparecer aos enterros nos cemitérios de Manaus. Uma morte isolada”, acrescentou. O segundo prémio, no valor de cinco mil patacas, foi atribuído ao português Jorge Meira, que apresentou a fotografia “Safe Distance”, tirada em Julho de 2020 em Vila Praia de Âncora, depois do plano de desconfinamento do Governo português que previa um distanciamento de 1,5 metros entre veraneantes. “Alguns fizeram marcações na areia para garantirem o cumprimento das medidas governamentais. Por sua vez, Dário Paraíso arrecadou o terceiro prémio, de 3.500 patacas, com uma imagem de São Tomé, captada no Mercado de Bobo Forro em 2020. A “Espera”, descreve a paragem no tempo há muito conhecida de São-Tomé e Príncipe que “após a sua independência, as estruturas físicas e matérias pararam no tempo de mãos dadas com as estruturas imateriais (…) Aqui já se sabia o seu significado. Isolamento. Insularidade. Distâncias. Separação.” Outras distinções Este ano foram também atribuídas três menções honrosas, nomeadamente a Bruno Taveira com a fotografia “Em busca do essencial”, que retrata uma fila de pessoas na busca incessante de bens alimentares, de primeira necessidade, nos supermercados no Concelho de Cascais, logo após o Governo português decretar o estado de emergência. Por sua vez, Rodrigo Cabrita foi distinguido com “Solidão Colectiva”, uma imagem descritiva do dia-a-dia da sua própria família, o “eu” inserido numa espécie de solidão colectiva, esbatida pelas ,tecnologias. Já o moçambicano Marcos Júnior destacou-se com a fotografia “Distância”, onde o fotógrafo refere nunca ter imaginado que uma doença pudesse impedir os afectos, sobretudo de alguém que saiu do seu ventre. O concurso fotográfico foi aberto a todos os cidadãos dos países e regiões da Lusofonia e residentes de Macau, com fotografias tiradas em qualquer um destes locais: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste ou Goa, Damão e Diu. O painel de jurados foi composto por um grupo de fotojornalistas de Macau, Brasil e Portugal, designadamente Gonçalo Lobo Pinheiro, presidente do júri e representante da Somos – ACLP, Rui Miguel Pedrosa; Francisco Ricarte; Marcio Pimenta e Henry Milleo.
Covid-19 | Identificadas duas infecções colectivas Hoje Macau - 8 Jan 2024 Os Serviços de Saúde anunciaram a ocorrência de dois casos de infecção colectiva de covid-19, em espaços com idosos, de acordo com um comunicado de sexta-feira. O primeiro caso foi detectado no Lar de Cuidados Alegria de Viver dos Serviços da Secção de Serviço Social da Igreja Metodista de Macau, na Estrada Nordeste da Taipa. Foram infectados 13 utentes, cinco do sexo masculino e oito do sexo feminino. As idades não foram reveladas. A segunda ocorrência foi identificada na Residência Temporária de Mong-Há, localizada na Avenida de Venceslau de Morais e afectou quatro utentes e um trabalhador, um do sexo masculino e quatro do sexo feminino. Desde o dia 3 de Janeiro, os doentes desenvolveram sintomas no trato respiratório superior, como febre e tosse, tendo os restes rápidos de antigénio para a Covid-19 mostrado um resultado positivo. Os doentes encontram-se num “estado estável, sem complicações graves ou doenças graves”. Face a este desenvolvimento, os SS prometeram “monitorizar rigorosamente e acompanhar a situação de saúde dos utentes e dos trabalhadores infectados e não infectados”. Além da limpeza das instalações, os infectados foram ainda colocados em isolamento.
Horta da Mitra | Mercado reabre amanhã Hoje Macau - 8 Jan 2024 O funcionamento do Mercado da Horta da Mitra e da zona periférica de vendilhões vai ser retomado amanhã, de acordo com um comunicado do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). O mercado estava suspenso desde Março do ano passado, enquanto a zona exterior tinha sido suspensa em Agosto, para a realização de trabalhos de reordenamento. Segundo o IAM, as obras foram “concluídas no final do ano passado de acordo com o plano previsto”, o que permite a reabertura do espaço. O regresso do mercado vai permitir aos actuais “13 arrendatários” voltarem a realizar as vendas naquele local, depois de uma pausa de vários meses. Na nota de imprensa, o IAM voltou a defender a necessidade das obras, de uma infra-estrutura que é quase centenária. “O Mercado da Horta da Mitra foi construído em 1939 e, após vários anos de utilização, a rede de drenagem de águas residuais, o sistema de ventilação e o sistema de iluminação, entre outras instalações, encontravam-se envelhecidas”, foi indicado. “Embora o IAM tenha efectuado várias reparações, não era possível resolver a questão de envelhecimento do mercado, pelo que foi necessário proceder a um reordenamento global, de modo a optimizar as instalações e equipamentos, melhorando o ambiente de negócios”, foi explicado.
Anim’Arte | Agência da China vai explorar restaurantes e lojas João Santos Filipe e Nunu Wu - 8 Jan 2024 O espaço com restaurantes e lojas que era gerido por várias empresas foi entregue, através de concurso público, à agência de turismo estatal China Travel Service. A agência vai pagar uma renda de 200 mil patacas por mês A Agência de Viagens e de Turismo China (Macau), mais conhecida pelo nome inglês China Travel Service (CTS), foi a vencedora do concurso público de entrega de gestão de vários espaços de restauração e lojas na zona Anim’Arte Nam Van. A informação consta do portal do Fundo de Desenvolvimento da Cultura (FDC). A empresa vai pagar uma renda mensal de 200 mil patacas nos próximos cinco anos. O valor do contrato é de 12 milhões de patacas, para um espaço de 3 mil metros quadrados com 12 lojas e restaurantes. De acordo com o jornal Cheng Pou, actualmente apenas dois restaurantes no espaço Anim’Arte estão a operar, tendo as restantes lojas encerrado as portas, algumas forçadas pelo fim dos contratos de arrendamento. No caso da loja Happy Shop, que tinha sido atribuída à Associação de Reabilitação Fu Hong, como forma de contribuir para a reabilitação de pessoas portadoras de deficiências, através da venda de produtos culturais, o encerramento aconteceu a 1 de Dezembro. Por sua vez, o restaurante Seek Your Choice indicou que foi obrigado a fechar as portas, uma vez que o contrato de arrendamento tinha terminado. Segundo uma publicação do restaurante no Facebook, em Outubro do ano passado, e numa altura em que indicava “começar a ver o sol”, depois da pandemia, a empresa afirmou que ia tentar renovar contrato, o que acabou por não acontecer. Concurso público Ao concentrar o espaço e arrendá-lo como um todo, em vez de realizar o concurso público individualmente por cada loja ou restaurante, o FDC eliminou o espaço para as pequenas e médias empresa do território. Ao agregar os diferentes espaços, as concorrentes ficaram obrigados ao pagamento de uma renda muito mais elevada, que tinha como valor mínimo as 180 mil patacas. Além da empresa estatal Agência de Viagens e de Turismo China (Macau), concorreram ainda a Companhia de Gestão de Catering Seek Your Choice Limitada, responsável pelo restaurante com o mesmo nome, que fez uma proposta de 180 mil patacas. Por sua vez, o Grupo CSI apresentou uma proposta de 180 mil e uma pataca. Registou-se ainda uma quarta proposta da Sparkling Will Limitada, que foi excluída, uma vez que a assinatura da concorrente não tinha sido reconhecida notarialmente, ao contrário do que as normas estipulavam. Segundo as regras do concurso, entre os 12 espaços da Anim’Art, oito podem ser utilizados de acordo com a vontade a empresa exploradora, mas três têm de ser “destinadas a serviços de educação artística para famílias” e “actividades culturais comunitárias”. É também exigido que uma loja tenha de operar como “livraria de artes e cultura” e como local de venda de “produtos culturais e criativos de Macau”. Além disso, com autorizado do FDC, a concessionária pode subarrendar os espaços.
Quarta ponte | Montagem da estrutura até fim de Março Andreia Sofia Silva - 8 Jan 2024 Lam Wai Hou, director da Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP), adiantou, em resposta a uma interpelação escrita do deputado Ron Lam U Tou, que a montagem completa da quarta ponte entre a península de Macau e a ilha da Taipa deverá estar concluída no primeiro trimestre deste ano, enquanto toda a empreitada de construção deverá estar concluída no primeiro semestre. Quanto ao incidente que gerou a inclinação da peça durante a elevação e montagem no vão principal da ponte, ocorrido em Julho, e que impossibilitou a conclusão desta montagem, deveu-se “à concepção dos equipamentos para este trabalho”, tendo sido “aperfeiçoados e optimizados o procedimento e o projecto dos trabalhos de elevação e montagem”. O responsável máximo da DSOP esclareceu ainda que foram montadas quatro vigas na futura quarta ponte nos dias 27 de Outubro e ainda 8, 13 e 21 de Novembro. Na mesma resposta, foi ainda esclarecido que as obras da primeira fase do eixo leste da Zona A e a obra de ligação ao Posto Fronteiriço na Ilha Artificial serão concluídas no primeiro trimestre deste ano “devido à obra de construção das galerias técnicas”.
Metro ligeiro | Raimundo do Rosário recusa críticas de Ron Lam João Santos Filipe e Nunu Wu - 8 Jan 2024 Após o deputado Ron Lam defender que a compra de um cabo que levou à suspensão do metro ligeiro durante meses devia ser investigada pelo CCAC, o secretário para os Transportes e Obras Públicas veio acusá-lo de espalhar “notícias falsas” O gabinete do secretário para os Transportes e Obras Públicas, recusou a veracidade de algumas críticas proferidas pelo deputado Ron Lam. Num comunicado em que diz responder “com firmeza”, mas sem nunca identificar o deputado, Raimundo do Rosários recusa que os serviços tenham “eliminado” informação sobre projectos públicos, e fala de “notícias falsas”. Após o Comissariado de Auditoria (CA) ter encontrado falhas na compra de um cabo para o metro ligeiro, Ron Lam defendeu que os contornos do caso justificavam que fosse alvo de uma investigação pelo Comissariado Contra a Corrupção (CCAC), uma vez que tinha sido adquirido um cabo com padrões de qualidade inferiores aos exigíveis. O membro das Assembleia Legislativa apontou igualmente num artigo publicado no Jornal do Cidadão, que tinha havido “omissão de factos evidentes” sobre o projecto e que mesmo como deputado não conseguia obter as informações sobre o metro, e que as respostas lhe chegavam através de comunicados públicos. Na sexta-feira, o gabinete do secretário veio protestar contra a opinião do deputado e negar que tenha existido eliminação “de informações nos serviços públicos” ou “irregularidades na realização de tarefas” ou “no uso de materiais nas obras”. “Tendo em conta que essas alegações afectam gravemente os trabalhos realizados pelo Governo da RAEM, o secretário para os Transportes e Obras Públicas vem agora responder com firmeza sobre o assunto em causa”, foi indicado como justificação para o comunicado. Disco duro No artigo, Ron Lam apontava que documentos de “um disco rígido externo” tinham sido apagados pelo Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT), tendo sido posteriormente recuperados pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP). Para o deputado, este procedimento levava a “suspeitar que alguns serviços públicos” tinham “tentado encobrir o caso, o que é um problema muito grave”. No entanto, esta descrição é recusada pela tutela. “O Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT) foi extinto em 1 de Outubro de 2019, e todos os documentos relativos às obras da responsabilidade desse gabinete foram gravados num disco rígido e, para serem consultados, é necessária a instalação de um sistema de gestão de documentos”, indica o comunicado. “Assim, claro é que não ocorreu qualquer ‘eliminação’ de documentos, nem ‘recuperação’ de informações pelos serviços públicos”, foi acrescentado. “O secretário para os Transportes e Obras Públicas repudia veementemente esta especulação meramente intuitiva e sem qualquer fundamento que põe em causa a credibilidade do Governo da RAEM”, foi completado. O secretário recusou também que o concurso em que foram aceites as propostas para o metro ligeiro adoptasse como critério de qualidade os padrões do Interior. “Antes de 2018, os sistemas electromecânicos das obras públicas de Macau não incluíam as normas nacionais como um dos critérios de projecto e de vistoria para efeitos de recepção da obra”, foi contextualizado. “O concurso público para a construção do sistema de circulação do Metro Ligeiro foi lançado em 2009, pelo que o conteúdo da proposta foi elaborado de acordo com as ‘normas técnicas e requisitos comuns na altura’, e que não ocorreu nenhuma ‘troca secreta’ de materiais ou ‘irregularidades na realização de tarefas ou no uso de materiais’”, foi acrescentado.
Óbito | Wu Zhiwei, fundador da Quinta da Marmeleira, morreu aos 57 anos Hoje Macau - 7 Jan 20248 Jan 2024 Wu Zhiwei, empresário que se destacou por produzir vinhos em Portugal e promover a aproximação das relações entre a China e Portugal, sofreu uma “falência cardiovascular súbita” O empresário de Macau Wu Zhiwei, que produzia vinhos em Portugal, morreu aos 57 anos, confirmou a empresa vitivinícola Quinta da Marmeleira, em Alenquer. De acordo com um comunicado publicado no portal da empresa na Internet, o fundador da Quinta da Marmeleira – Sociedade Agrícola Importação e Exportação, Lda morreu na terça-feira à noite “devido a falência cardiovascular súbita”. A família de Wu Zhiwei garantiu que “mantém o compromisso de dar continuidade ao legado” do empresário, “assegurando a estabilidade e o futuro próspero dos seus negócios”, lê-se ainda na nota. Além da manutenção “das políticas de desenvolvimento da empresa”, o comunicado prometeu a continuidade “das iniciativas de responsabilidade social que [Wu Zhiwei] tanto estimava”. O empresário, vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), anunciou em Abril de 2020, no início da pandemia de covid-19, a doação de mais de 200 mil máscaras ao Ministério da Saúde português. O objectivo foi “ajudar a proteger o pessoal da linha da frente no combate à doença em Portugal”, nomeadamente no Hospital de São João, no Porto, e no Hospital Santa Maria, em Lisboa, entre outras instituições públicas, disse na altura à Lusa uma fonte da Quinta da Marmeleira. Na quinta-feira, a CCILC descreveu num comunicado Wu Zhiwei como “um dinamizador exemplar das relações Portugal-China” e “um empresário visionário”. Para continuar Lançada em 2015, a Quinta da Marmeleira produz mais de 200 mil garrafas de vinho, principalmente para exportação para o mercado do interior da China, em 100 hectares de área de cultivo. O projecto agrícola, situado em Alenquer, a cerca de 50 quilómetros a norte de Lisboa, acabou por ser um factor de combate ao desemprego na zona. A quinta foi um dos locais visitados em Portugal, em Abril de 2023, por uma comitiva de 50 empresários de Macau, liderada pelo secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, no âmbito da primeira deslocação ao exterior do líder do Governo da região chinesa, Ho Iat Seng, após a pandemia. Em Outubro de 2022, Wu Zhiwei avançou estar em andamento o processo de construção de uma nova adega na Quinta da Marmeleira, para enoturismo, para “dar a conhecer aos turistas chineses todo o processo de produção de vinhos, da uva ao produto final”. Na mesma altura, o empresário, nascido na província de Guangdong, adjacente a Macau, anunciou o lançamento de uma agência de viagens para “estabelecer uma ponte de ligação entre Portugal e China”. “O objectivo é levar pessoas da China continental a Portugal para conhecer o país e a cultura e também levar portugueses a conhecer a China”, disse Wu Zhiwei, que também tinha negócios na área do imobiliário e da joalharia, em particular do jade. A família de Wu Zhiwei garantiu que “mantém o compromisso de dar continuidade ao legado” do empresário.
PS | Vítor Moutinho acusa partido de esquecer portugueses de Macau Hoje Macau - 7 Jan 2024 No 24.º Congresso Nacional do PS, o delegado ao Congresso em representação de Macau criticou a imposição de restrições no acesso dos emigrantes ao Serviços Nacional de Saúde e a cobrança de mais-valias na venda de casas em território português Vítor Moutinho, delegado ao Congresso do PS em representação de Macau, acusou partido de esquecer os portugueses do território, queixando-se de que estão a perder direitos e alertando para que a liberdade está a ser restringida. “Sim, camaradas, o PS, os representantes eleitos esqueceram-se de Macau, esqueceram-se de defender aquilo pelo qual os portugueses batalharam nestas últimas décadas, se não séculos”, acusou Vítor Moutinho, numa intervenção no 24.º Congresso Nacional do PS, na Feira Internacional de Lisboa (FIL). O coordenador da secção do PS de Macau defendeu que “há valores inegociáveis que devem ser rapidamente respeitados” na região, onde “muito mudou nos últimos meses”. “A liberdade de manifestação está a ser restringida, a liberdade de imprensa está a ser condicionada, e isto devia permanecer intocável até 2049. Mas parece que neste partido, no Governo, na diplomacia portuguesa se instalou uma doença estranha de esquecimentos colectivos. Esquecem-se das agendas, esquecem-se das decisões, esquecem-se das promessas, esquecem-se que há convenções a respeitar”, criticou. Segundo Vítor Moutinho, talvez Manuel Pizarro, médico e ministro da Saúde, pudesse “estudar a causa desta doença repentina que é o esquecimento colectivo”. “Nas últimas legislativas o PS alcançou pela primeira vez em Macau uma vitória esmagadora sobre a direita. Foi um trabalho intenso que tivemos, e nestes dois anos quase deitámos tudo a perder por não respeitarmos promessas que tivemos para com os cerca de 60 mil eleitores que ali existem”, disse. O coordenador da secção considerou que “não pode o PS pedir o voto, dizendo que há direitos que são inegociáveis, e depois, sem explicações, cortar-se aos emigrantes o acesso ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) tendencialmente gratuito impondo regras absurdas aos portugueses emigrantes”. A seguir, questionou, “por que é que um cidadão português que vive em Macau paga um imposto de mais-valia quando vende a sua casa diferente de um português que vive na Europa”. À espera de sinais No fim do seu discurso, dirigiu-se ao novo secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos: “As comunidades portuguesas estão à espera de um sinal. Há perguntas que urge responder com um programa político que assuma por direito e por inteiro a nacionalidade portuguesa e que integre por inteiro todos os portugueses, com direitos e deveres iguais, estejam eles na Maia, no Porto, em Londres, em França, em Bruxelas, em São Paulo ou em Macau. Somos todos portugueses”. Vítor Moutinho apresentou-se como porta-voz de “um conjunto de cidadãos que em Macau ainda gostam da participação política, ainda gostam de Portugal e são indefectíveis apoiantes do PS”, que “a mais de dez mil quilómetros de distância lutam pelos valores socialistas, procuram promover a igualdade social, a justiça económica, a participação democrática, lutam pela liberdade”. “Valores que o nosso fundador deixou em Macau. Em momentos em que somos obrigados a explicar quem é, o que é o PS a cidadãos que já pouco se lembram de Portugal, bastam duas palavras para os convencer: Mário Soares, aquele, o homem da mãozinha, o amigo bochechas, como carinhosamente é conhecido em Macau. Sim, camaradas, Mário Soares ainda é o referencial em Macau”, afirmou. Foi Mário Soares quem “desbloqueou a nacionalidade de muitos chineses” e quem “garantiu a liberdade dos valores de um sistema que agora começa a estar em causa em Macau”, acrescentou. O 24.º Congresso Nacional do PS marca a transição da liderança do partido de António Costa para Pedro Nuno Santos, que foi eleito secretário-geral nas eleições directas de 15 e 16 de Dezembro, com 61 por cento dos votos, contra José Luís Carneiro, que teve 37 por cento, e Daniel Adrião, que teve 1 por cento.
Óbito | Morreu o fotógrafo que captou a intimidade de John Lennon e Yoko Ono Hoje Macau - 7 Jan 20247 Jan 2024 O fotógrafo japonês Kishin Shinoyama, conhecido pelas imagens do músico John Lennon e da sua mulher, Yoko Ono, entre outras personalidades, morreu na quinta-feira, aos 83 anos, informaram na sexta-feira os meios de comunicação social do seu país. Nascido em Tóquio, Japão, em Dezembro de 1940, Shinoyama estudou fotografia na Faculdade de Artes da Universidade do Japão e, pouco depois, entrou para uma agência de publicidade, antes de iniciar uma carreira como ‘freelancer’. O seu trabalho mais marcante encontra-se nas icónicas fotografias do casal John Lennon e Yoko Ono, que mais tarde foram utilizadas nos seus álbuns “Double Fantasy” e “Milk and Honey”. Também se destacou com as fotografias da cantora japonesa Saori Minami, com quem viria a casar-se em 1979, e de quem teve um filho. Publicou um livro de nus da actriz Rie Miyazawa, em 1991, e cunhou o conceito de “nu capilar”, que alcançou grande fama na altura, realçando a importância do cabelo nas fotografias. A época mais polémica da sua carreira aconteceu quando Shinoyama publicou numerosos livros de raparigas menores de idade sem roupa e em poses ou situações de sedução. Em 2009, a sua casa e escritório foram revistados por suspeita de indecência pública, depois de ter fotografado mulheres nuas nas ruas de Tóquio. Em 26 de Maio de 2010, um tribunal de Tóquio considerou Shinoyama culpado de indecência pública e de profanação de um local de culto por fotografar no cemitério de Aoyama, e multou-o em 300 mil ienes (cerca de 1.900 euros).
Sands China | Aumentos salariais a partir de Março Andreia Sofia Silva - 5 Jan 2024 A Sands China anunciou ontem que vai aumentar os salários de 99 por cento dos 26 mil funcionários da operadora de jogo a partir do dia 1 de Março, sendo que os trabalhadores a tempo inteiro com salários até um limite máximo de 13 mil patacas passam a ganhar mais 600 patacas, o que representa um aumento salarial de 4,7 a 5,4 por cento. Por sua vez, quem ganha mais de 13 mil patacas terá um aumento salarial de 2,5 por cento. Além disso, a empresa irá pagar um bónus a todos os trabalhadores que não pertencem às equipas de gestão e que estão na empresa há um ano ou mais. Este bónus corresponde a um mês de salário e será pago pelo “reconhecimento das suas contribuições em 2023”. Para os trabalhadores com funções de gestão, o bónus será pago no âmbito do Plano de Incentivos à Gestão da Sands China. Por sua vez, todos os funcionários que trabalharam na empresa durante menos de um ano vão também ser contemplados com um bónus caso tenham sido contratados antes do dia 1 de Outubro e estiverem ainda desempregados à data do pagamento do bónus. Citado pelo mesmo comunicado, Wilfred Wong, presidente da Sands China, destacou o trabalho dos funcionários no período da pandemia. “No coração da nossa empresa está uma equipa notável. Quando o turismo de Macau retomou após a pandemia, foi o seu esforço concertado que fez com que a nossa empresa voltasse a funcionar em pleno.”
Evolução do clima no terceiro milénio Olavo Rasquinho - 5 Jan 2024 Terminado o ano 2023, é altura de se fazer um breve balanço das alterações climáticas durante os primeiros 23 anos do presente milénio. Consultando relatórios de vários organismos internacionais, nomeadamente Organização Meteorológica Mundial (OMM) e Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas 1 (IPCC), chega-se à conclusão de que as alterações do clima se têm acentuado no decorrer deste milénio, o que contribui para atrasar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2, estabelecidos em 2015, na “Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” 3. Os 13º e 14º objetivos desta Agenda estão relacionados com, respetivamente, “Ação Climática” (Tomar medidas urgentes para combater as alterações climáticas e os seus impactos) e “Vida Subaquática” (Conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável). A realidade mostra-nos que algumas das antevisões do IPCC foram ultrapassadas no que se refere ao grau de gravidade, em especial relativamente ao aquecimento global. Este, a continuar a acentuar-se, além de contribuir para o não cumprimento da “Agenda 2030”, leva-nos a duvidar da concretização do principal objetivo do Acordo de Paris: limitar, até ao final do século XXI, o aumento da temperatura média global a menos de 2 graus Celsius, de preferência até 1,5 graus, tendo como referência os níveis pré-industriais. Da consulta dos relatórios da OMM e do IPCC ressaltam as seguintes principais evidências ocorridas no atual milénio: Continuação do aumento de: concentrações na atmosfera dos três gases de efeito de estufa mais importantes (dióxido de carbono, metano e óxido nitroso); taxas de aquecimento e acidificação dos oceanos; frequência e intensidade de ondas de calor em terra e nos oceanos; fusão do gelo nas calotas polares, Gronelândia e glaciares; subida do nível do mar. A Gronelândia e a Antártida perderam mais 38% de gelo na década 2011-2020 em comparação com a década 2001-2010; A extensão do gelo no Ártico continua em declínio; Eventos meteorológicos extremos, nomeadamente ciclones tropicais e ondas de calor, causaram elevado número de vítimas mortais e danos económicos consideráveis. A temperatura média do globo atingiu, em 2023, o valor mais alto de sempre desde que há registos, ultrapassando o recorde anterior de 2016. O incremento que o aquecimento global sofreu nestes dois anos foi em parte devido ao episódio do El Niño que ocorreu em 2016 e o que está em desenvolvimento desde meados de 2023. Tanto o El Niño como La Niña são fenómenos característicos da variabilidade climática, não devendo ser confundidos com alterações climáticas. Segundo a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC) 4 a variabilidade climática tem causas naturais e perdura durante períodos relativamente curtos, enquanto as alterações climáticas são atribuídas à atividade humana e repercutem-se por muito mais tempo. Como consequência da subida do nível do mar, pequenas nações instaladas em atóis, no Pacífico e no Índico, estão cada vez mais em risco de se tornarem inabitáveis. São exemplos, no Pacífico, países como Kiribati, Ilhas Marshall e Tuvalu e, no Índico, as Maldivas. Também vastas regiões de países não insulares sofrerão as consequências da subida do nível do mar, como Bangladesh, China, Índia e Países Baixos. Calcula-se que quase 900 milhões de pessoas vivendo em zonas costeiras baixas poderão ter de ser deslocadas se, entretanto, não se conseguir desacelerar as alterações climáticas ou não forem tomadas medidas significativas de adaptação. Ironicamente, a grande maioria das populações mais afetadas são as que menos têm contribuído para essas alterações. Entretanto, graças a um sistema de avisos meteorológicos cada vez mais eficiente, as perdas humanas devidas a fenómenos meteorológicos têm diminuído, contrariamente ao que tem acontecido em relação a danos materiais. Neste aspeto, a OMM tem desempenhado um papel primordial, coordenando, à escala mundial, um sistema de avisos meteorológicos precoces que permitem os governos e as populações tomarem medidas face à aproximação e passagem de fenómenos gravosos como ciclones, tornados, linhas de borrasca, etc. A inexistência deste sistema de avisos em alguns países, ou o seu deficiente funcionamento, tem-se refletido, por vezes, em desastres que ceifaram a vida de muitos milhares de seres humanos. Foi o que aconteceu com o ciclone extremamente severo Nargis, em maio de 2008, em Mianmar (antiga Birmânia), onde as autoridades militares ignoraram os avisos meteorológicos emanados pelos países vizinhos. Cerca de 48 horas antes do ciclone ter atingido a costa de Mianmar, o serviço meteorológico da Índia avisou as autoridades birmanesas sobre o perigo iminente, tendo sido prevista uma maré de tempestade de grandes proporções. As autoridades não tomaram as devidas medidas de evacuação das populações da região densamente povoada do delta do rio Irrawaddy, o que ocasionou um dos maiores desastres naturais que atingiram aquele país. A contagem das vítimas feita pelas autoridades parou em cerca de 138.000, número manifestamente inferior à realidade. Quase dezasseis anos depois desta tragédia, Mianmar progrediu significativamente na preparação para enfrentar as consequências de catástrofes, mas a relação entre o governo ditatorial e as agências internacionais continua tensa, o que põe potencialmente vidas em risco. Apesar do agravamento do estado do clima, nem tudo é negativo. Devido à concretização das medidas preconizadas no “Protocolo de Montreal” 5 (1987), que consistiram na eliminação progressiva da produção e uso de químicos que empobrecem a ozonosfera, esta camada tem vindo a ser reconstituída. Este acordo é um bom exemplo do que a humanidade pode alcançar quando são tomadas ações conjuntas para defender a sustentabilidade da vida no nosso planeta. Também se pode considerar uma boa notícia o facto de no texto final do relatório da COP28, que decorreu no Dubai entre 30 de novembro e 12 de dezembro de 2023, constar pela primeira vez nos quase 30 anos de relatórios das COP, a necessidade de se abandonar progressivamente, até 2050, os combustíveis fósseis no setor energético. Entretanto, quanto mais atrasarmos as ações de combate às alterações climáticas, maiores serão os riscos para o desenvolvimento sustentável do nosso planeta. É, portanto, necessário aprofundar sinergias tendo em vista o combate a essas alterações, as quais constituem o maior desafio deste primeiro século do terceiro milénio. Meteorologista Referências: Intergovernmental Pannel on Climate Change Sustainable Development Goals – SDG The 2030 Agenda for Sustainable Development United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC Montreal Protocol on Substances that Deplete the Ozone Layer
GPM | Browning prova que a F3 ainda conta no caminho para a F1 Sérgio Fonseca - 5 Jan 2024 Longe vão os tempos em que vencer o Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 era um passaporte de entrada directa para a Fórmula 1, até porque hoje os lugares no “Grande Circo” ficam praticamente todos fechados antes do mês de Novembro. Contudo, para Luke Browning, o vencedor da última edição, o triunfo no Circuito da Guia pode não significar a subida directa à Fórmula 1, mas pelo menos significou que poderá continuar a sonhar em lá chegar O piloto de 21 anos venceu o campeonato britânico de Fórmula 4 em 2020 e o campeonato GB3 em 2022, tendo ainda garantido o prestigiado troféu “Autosport BRDC Young Driver of the Year Award”, o que lhe permitiu testar um monolugar de Fórmula 1 da Aston Martin em Outubro passado. Como era natural, em 2023, Browning deu o salto para o Campeonato de Fórmula 3 da FIA e no mês de Abril foi admitido como membro da Williams Driver Academy. Para a sua temporada de estreia na disciplina, o inglês juntou-se à equipa Hitech Pulse Eight, uma das mais fortes do campeonato que o apoiou, visto que sozinho, Browning dificilmente conseguiria os meios financeiros para subir na pirâmide do automobilismo. Todavia, o que parecia uma combinação perfeita equipa-piloto, acabou por ser uma temporada para esquecer, principalmente a segunda metade, recheada de incidentes. O melhor resultado de Browning na sua época de estreia na Fórmula 3 saldou-se num segundo lugar nas ruas do Mónaco. A moral da equipa Hitech Pulse Eight para a viagem ao Oriente no mês de Novembro era tão grande que o patrão Oliver Oakes nem sequer viajou com a equipa para a RAEM, deixando na liderança da operação, o chefe de equipa, Paul Bellringer, que já não visitava Macau desde os anos 1980s, e então para trabalhar nas motos, assessorado pelo português Duarte Fidalgo, o mecânico chefe da equipa baseada em Silverstone. Por seu lado, Luke Browning sabia muito bem que se quisesse continuar a fazer parte da academia de pilotos da Williams e recuperar a confiança da equipa tinha que mostrar algo mais no Circuito da Guia. E assim foi. Apesar de nunca ter corrido anteriormente entre nós, Browning esteve a um nível que nunca tinha demonstrado até aqui na Fórmula 3, conquistando por 0,006 segundos o melhor tempo no cômputo das duas sessões de qualificação, vencendo indiscutivelmente a “Corrida Classificativa” e conquistando a corrida final com a mesma autoridade, mesmo numa corrida que teve vários reinícios e em que teve que defender por diversas vezes a sua primeira posição. No final, o jovem piloto confessou que para este sucesso contribuiu o facto de ter visto e estudado ao detalhe todas as partidas da prova de Fórmula 3 das duas últimas décadas. O esforço compensa Após um triunfo tão categórico como inesperado na exigente prova de Macau, Browning não só viu a sua continuidade na Williams Driver Academy garantida, como também assegurou mais uma temporada no Campeonato de Fórmula 3 da FIA este ano ao serviço da equipa Hitech Pulse-Eight. “Tenho muita fé na equipa que me rodeia, com as coisas que aprendemos ao longo da época do ano passado, acredito que seremos capazes de desenvolver as nossas competências e a capacidade de execução que mostrámos mais recentemente em Macau”, disse Browning, que depois do triunfo no Circuito da Guia dizia aos jornalistas sentir “um bocado surreal” colocar o seu nome ao lado de nomes como Ayrton Senna na lista de vencedores do Grande Prémio. Sobre o seu futuro, Browing admite que “este Campeonato nunca será fácil, não só pelo nível dos pilotos, mas também pela natureza do campeonato. No entanto, tendo já visitado todas as pistas para onde vamos no próximo ano, acredito que estamos numa excelente posição para marcar pontos em todos os fins-de-semana de corrida. Estou muito grato à Williams Racing e à Hitech Pulse-Eight pelo seu apoio na nova época.” Este novo contrato permite-lhe sonhar com um regresso a Macau no final do ano para tentar um segundo triunfo na corrida de Fórmula 3 e caso o faça, e depois da imagem que deixou em 2023, certamente ninguém lhe roubará o título de “grande favorito” à vitória.
Myanmar | Junta militar amnistia 9.700 prisioneiros, incluindo 114 estrangeiros Hoje Macau - 5 Jan 2024 A junta militar no poder em Myanmar anunciou ontem uma amnistia para 9.766 prisioneiros, incluindo 114 estrangeiros, em várias prisões do país por ocasião do Dia da Independência. As autoridades anunciaram a medida, comum nas principais festividades de Myanmar, num decreto no qual especificaram que os estrangeiros serão deportados, informou a agência de notícias independente birmanesa Khit Thit. Não se sabe ainda se a medida beneficia algum dos mais de 19 mil presos políticos do país, entre os quais Aung San Suu Kyi, de 78 anos, detida a 1 de Fevereiro de 2021, quando os militares tomaram o poder. Suu Kyi está a cumprir penas de prisão que totalizam 27 anos depois de ter sido condenada por ter recebido subornos no valor de milhares de euros, algo que os apoiantes dizem ter sido inventadas para a desacreditar. As autoridades de Myanmar anunciam frequentemente amnistias de prisioneiros em dias de celebrações nacionais. Em Maio, foram libertados dois mil presos políticos durante um feriado budista. A propósito do 75.º aniversário da independência, o Conselho de Segurança da ONU, a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, apelaram à junta militar liderada por Min Aung Hlaing para libertar todos os presos políticos e ao fim da violência. No entanto, Min Aung Hlaing recebeu algumas felicitações, como as do Presidente russo, Vladimir Putin, e do rei cambojano, Norodom Sihamoni, avançou ontem o jornal oficial Global New Light of Myanmar. Myanmar tem estado em turbulência desde a tomada do poder pelo exército em 2021, o que levou a protestos pacíficos em todo o país que a junta militar reprimiu com recurso à violência, desencadeando uma resistência armada generalizada que alguns responsáveis da ONU caracterizaram como guerra civil.
Seul considera filha de Kim Jong-un “sucessora mais provável” Hoje Macau - 5 Jan 2024 O chefe do Serviço Nacional de Inteligência (NIS) indigitado da Coreia do Sul disse ontem que considera a filha do líder norte-coreano Kim Jong-un a “sucessora mais provável”. “Com base na análise das suas actividades públicas e no nível de respeito que lhe foi demonstrado no Norte desde a primeira aparição pública, [a filha] Kim Ju-ae parece ser a sucessora mais provável”, afirmou Cho, durante uma audição parlamentar perante a comissão encarregue de ratificar a sua nomeação no NIS. Ainda assim, Cho disse que o NIS deixa em aberto todas as possibilidades sobre a sucessão do regime de Kim, uma vez que o actual líder ainda é jovem – acredita-se que tenha 41 anos – e não parece ter problemas de saúde graves, havendo muitas outras variáveis, incluindo a existência de mais filhos de Kim Jong-un. É a primeira vez que um representante dos serviços secretos sul-coreanos faz uma declaração deste tipo sobre a filha do líder, que terá cerca de 11 anos e que fez a primeira aparição pública em Novembro de 2022. Futuro incerto Este ano, diferentes autoridades sul-coreanas sublinharam o facto de a filha ter aparecido principalmente em eventos militares, desde desfiles a lançamentos de mísseis, embora também tenha sido repetidamente sublinhada a teoria de que Kim Jong-un poderá ter optado por se mostrar ao lado da filha para reforçar a imagem de pai preocupado com o futuro do país. Do mesmo modo, foi também levantada a hipótese de, dada a forte tradição patriarcal do país, o possível futuro herdeiro poder ser um irmão homem, embora não se saiba ao certo o número de filhos de Kim e o sexo das crianças. Kim Jong-un tornou-se o terceiro membro da família a ascender ao poder, depois de suceder ao pai, Kim Jong-il, que morreu em 2011 e que, por sua vez, sucedeu a Kim Il-sung, fundador do país, que morreu em 1994, após 36 anos no poder.