Acidente | Governo e comandante de avião com versões distintas

O Governo japonês concluiu ontem que o avião da Guarda Costeira japonesa, envolvido no acidente no aeroporto de Tóquio que fez cinco mortos, não tinha ordem para entrar na pista. O capitão do avião da guarda costeira, sobrevivente do acidente, tem outra versão

 

O avião da Guarda Costeira japonesa que colidiu com um avião comercial no aeroporto de Haneda, em Tóquio, na terça-feira, não tinha autorização para entrar na pista, disse ontem o Governo do Japão. “Não havia nada na transcrição das comunicações que pudesse ser considerado como autorização para entrar na pista”, afirmou o director-geral adjunto do Gabinete de Aviação Civil do Ministério dos Transportes japonês, Toshiyuki Onuma, citado pela agência de notícias Kyodo.

Onuma referia-se às comunicações do controlo de voo divulgadas pelo Ministério dos Transportes do Japão. No entanto, o capitão do avião da guarda costeira e único sobrevivente dos seis tripulantes, disse que o aparelho tinha autorização para entrar na pista. Noutras declarações, terá indicado que o avião tinha recebido autorização para levantar voo.

Nos registos de comunicação entre os controladores de tráfego aéreo e a companhia do voo comercial, a Japan Airlines (JAL), também não há indicação de qualquer atraso na aterragem, o que levou especialistas a sugerir ser possível que ambas as partes não tivessem conhecimento da presença de outro avião na pista.

De acordo com a estação pública NHK, o piloto da JAL disse à companhia não ter visto nenhum avião quando se aproximava da pista e que tinha recebido autorização dos controladores para aterrar.

Consequência do sismo

O Ministério dos Transportes, através do seu Conselho de Segurança dos Transportes (JTSB), está a investigar o acidente ocorrido no aeroporto de Haneda, um dos aeroportos mais movimentados do país, depois de o voo comercial da JAL proveniente de Sapporo ter colidido com o avião da Guarda Costeira na terça-feira.

O acidente ocorreu às 17:47 e desencadeou um incêndio nos dois aparelhos, obrigando à saída de emergência dos passageiros e da tripulação. Todos os 379 ocupantes do voo comercial conseguiram sair do aparelho com vida, mas 14 ficaram feridos. Dos seis ocupantes do avião da Guarda Costeira, apenas o comandante, que ficou gravemente ferido, escapou com vida.

O avião da Guarda Costeira estava a caminho para transportar alimentos e água para a zona afectada pelo forte sismo que atingiu a costa oeste do centro do Japão na segunda-feira.

A companhia aérea japonesa acrescentou que a perda do Airbus A350 será coberta pela seguradora e referiu estar a analisar o impacto do acidente nos resultados comerciais para este ano fiscal, que termina a 31 de Março, incluindo a redução das vendas devido ao cancelamento de voos e à indemnização dos passageiros envolvidos.

Irão | Pequim condena ataque terrorista e apoia Teerão

A diplomacia chinesa manifestou ontem “profundo choque” pelo ataque bombista que deixou pelo menos 84 mortos e mais de 140 feridos no Irão, garantindo que apoiará os “esforços” de Teerão na “salvaguarda da segurança e estabilidade”.

“Estamos profundamente chocados com o ataque terrorista ocorrido na cidade de Kerman, no sudeste do Irão, que causou um grande número de vítimas. Expressamos as nossas condolências aos feridos e às famílias das vítimas”, disse o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Wenbin, em conferência de imprensa.

Wang disse que a China se opõe ao terrorismo “em todas as suas formas” e “condena firmemente os atos terroristas”. “Também apoiamos os esforços do Irão para salvaguardar a sua segurança e estabilidade nacional”, acrescentou.

As explosões desta quarta-feira em Kerman ocorreram no cemitério da cidade, onde se assinalou o quarto aniversário do assassinato do tenente-general Qassem Soleimani, considerado no Irão um mártir da revolução e morto num ataque dos EUA.

Segundo a agência oficial IRNA, a primeira explosão ocorreu a 700 metros do túmulo do general Soleimani e a segunda explosão ocorreu a um quilómetro de distância. O ministro do Interior iraniano, Ahmad Vahidi, garantiu em declarações divulgadas na televisão pública que os responsáveis por este ataque terão “em breve” uma “resposta esmagadora”.

Mar da China | Pequim critica exercícios de EUA e Filipinas

As águas do Mar da China continuam agitadas. Pequim condena os exercícios militares conjuntos das tropas norte-americanas e filipinas na região que diz ser uma demonstração de força desapropriada

 

A China qualificou ontem como provocações os exercícios militares conjuntos entre os Estados Unidos e as Filipinas no Mar do Sul da China, onde o exército chinês está a realizar manobras paralelas. Para Pequim, tais exercícios constituem um ataque à integridade territorial da China, segundo o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Wang Wenbin.

Os exercícios visam “demonstrar força e não são conducentes ao controlo de disputas e da situação”, afirmou aos jornalistas em Pequim, citado pela agência francesa AFP. As manobras militares conjuntas realizam-se após uma série de incidentes em águas disputadas.

Manila e Pequim têm uma longa história de disputas marítimas no Mar do Sul da China, mas o ex-presidente filipino, Rodrigo Duterte, estava relutante em criticar o poderoso vizinho. Desde que assumiu a presidência em Junho de 2022, o seu sucessor, Ferdinand Marcos Jr., adoptou uma posição mais dura contra a China em questões de soberania e aproximou-se dos Estados Unidos.

Em Dezembro, navios chineses dispararam canhões de água contra navios filipinos durante duas missões de abastecimento separadas em recifes disputados, de acordo com vídeos divulgados pela guarda costeira filipina. Registou-se também uma colisão entre um navio filipino e um navio da guarda costeira chinesa. Na altura, a China e as Filipinas culparam-se mutuamente pelo acidente.

Neste contexto, o exército chinês anunciou na quarta-feira que as suas forças navais e aéreas estavam a “efectuar patrulhas de rotina” nas próximas 24 horas no Mar do Sul da China. O exército não especificou o local destes exercícios nem o número de soldados ou aviões envolvidos. O anterior exercício militar chinês a ser tornado público no Mar da China data de Novembro. A China realizou outros quatro exercícios em Setembro.

Ponto estratégico

Os exercícios dos Estados Unidos com as Filipinas envolvem um grupo aéreo naval do porta-aviões de propulsão nuclear “Carl Vinson”, segundo a Marinha norte-americana.

“A Marinha dos Estados Unidos efectua regularmente exercícios deste tipo para reforçar os laços com as nações aliadas e parceiras”, declarou em comunicado, acrescentando que as manobras também terão a duração de dois dias. A China afirma ter sido a primeira nação a descobrir e a dar nome às ilhas do Mar do Sul da China, uma vasta zona marítima por onde passa actualmente grande parte do comércio entre a Ásia e o resto do mundo.

Outros países ribeirinhos (Filipinas, Vietname, Malásia, Brunei) têm reivindicações concorrentes e cada um deles controla várias ilhas. Em 2016, o Tribunal Permanente de Arbitragem, uma organização com sede nos Países Baixos, rejeitou as reivindicações chinesas, considerando-as sem base jurídica.

Pequim denunciou a decisão, alegando que os procedimentos das Filipinas perante o tribunal não estavam em conformidade com a lei. Nos últimos anos, a China construiu ilhas artificiais no Mar da China e militarizou-as para reforçar posições.

“O Mar do Sul da China está a tornar-se uma zona defensiva fundamental para a China”, disse à AFP o analista militar Michael Raska, professor na Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura. Pequim pretende fazer desta vasta zona marítima “uma via navegável controlada apenas pela China”, para reforçar a influência e capacidade de projecção, segundo Raska.

Perante as reivindicações territoriais da China e a sua crescente influência e capacidade militar, as Filipinas assinaram este ano acordos militares com os Estados Unidos e a Austrália.

Segredos da Seda 12 – Sagradas Árvores e a eternidade

O pensamento de Kongfuzi (Confúcio) enumera cinco importantes virtudes simbolizadas numa árvore. “A primeira, na raiz, encontra-se no procurar sempre o bem nos outros. A segunda, no tronco, relaciona-se com a justiça e rectidão. A terceira virtude está nos ramos e representa as formas de agir no campo ético e moral. A quarta, na flor, a sabedoria. E por fim o fruto, a fidelidade”. A árvore sem raízes não pode existir.

As árvores dividem-se em dois grupos simbólicos: as árvores da vida, a expressar a fortuna e a longa vida da família e as árvores cósmicas, que representam o entendimento do Universo e dos fenómenos astronómicos. As árvores da vida [aeróbia], além de serem um símbolo de Civilização, são-no do Sagrado e plantadas a reflectir o Cosmos encontram-se nos pátios dos templos e mausoléus como meio para comunicar com o Céu. No Templo do Céu (Tiantan) em Beijing (Pequim) e nos mausoléus dos Ancestrais, Soberanos e Imperadores, assim como de notáveis filósofos chineses, existem florestas de ciprestes.

Os quatro mil ciprestes do Parque de Tiantan, muitos com mais de oitocentos anos, servem para prestar homenagem ao Céu (Tian). Encontramos enormes ciprestes fossilizados nos jardins do Museu de Sanxingdui. Já no interior do museu, numa complementar exposição, imagens em fotografia de outras árvores Sagradas, Cósmicas e da Vida, provenientes de diferentes partes do Mundo.

Cada um dos tipos de árvores representa diferentes funções, muitas ligadas por simbólicos rituais ao reino vegetal, a acordar o perdido no padrão animal com a estatutária autoridade de ser humano. Espelhos nos ciclos de consciência da Natureza expressavam concepções de mundos transmitidos por os Antigos Shu nas representações e mitos. Esse legado da cultura Wu Zhu dá a consciência englobante do Animismo (a Filosofia do Dao), onde ninguém é mais nem menos que o outro e os superlativos são a inferioridade de quem julga.

Árvores e ervas, antepassados vegetais do reino animal e dos humanos, numa atitude passiva de não acção (wu wei) colocaram-se ao serviço do Outro dando algo que não vemos, oxigénio para respirar. Serviram-nos também como casas e a elas subindo, em vigia chegou-se ao Céu. Como seres antecederam o animal, no qual o humano já não se consciencializa e como vegetal, expressam a sensibilidade emocional do Espírito, a anima do vivo. [Lado feminino inconsciente do homem, assim Carl G. Jung define a anima.]

No animus [lado masculino inconsciente da mulher], pelas árvores os deuses desciam à Terra e por elas ascendia-se ao Céu; caminho animista simbolizado no dragão a subir a árvore. Visualizam-se nos troncos talhados com dragões no Pavilhão Taihe do Palácio Imperial de Beijing e em 1724, cinzelados nas colunas do Pavilhão Palácio Dacheng do Templo de Confúcio (Kongmiao) em Qufu, onde se regista um trabalho tão esmerado que as tiveram de tapar com seda, quando o Imperador (?Qianlong?) aí foi prestar homenagem ao grande sábio Kongfuzi, pois melhor esculpidas que as do Palácio de Beijing.

AMOREIRA FUSANG

A árvore Fusang, considerada a amoreira sagrada, permitia também subir ao Céu e assim ligar o Céu à Terra. O pássaro Jinwu nas antigas lendas representava o Sol e inspeccionava o mundo durante o dia, empoleirando-se à noite nos ramos da árvore de Fusang. Na Mitologia eram dez aves irmãs encarregadas, uma por dia, de levantar da Árvore Sagrada e dar uma volta ao mundo, iluminando-o e aquecendo os seres vivos. Mas um dia todas as aves Jinwu voaram para o Céu e assim dez sóis apareceram de repente, tornando a vida na Terra insuportável. O arqueiro Hou Yi, chefe da tribo Yi durante o período do Soberano Yao (2357-2287 a.n.E.), disparando nove setas, acabou com nove dos dez sóis, deixando apenas um Sol afim de haver luz durante o dia e a vida voltar a desenrolar-se normalmente sobre a Terra.

O calendário, na altura com ciclos de dez dias, estava em mudança e preparava-se um outro de uma nova engrenagem, a conjugar os ciclos solares e os lunares num ciclo lunisolar com a duração de 52 anos, chegando ele até à Dinastia Xia. É ainda usado no calendário dos chineses Miao e no continente americano por o povo Maya.

Ao visitar em Sichuan o Museu de Sanxingdui [a 25 km da capital Chengdu e a 200 km de Langzhong] ficamos em contacto com esculturas a representar as árvores sagradas e cósmicas, numa exposição do encontrado nos fossos das escavações arqueológicas em Sanxingdui, capital do povo dos Antigo Shu, (Ba e Qiang), da Cultura Sanxingdui, no período Yufu (1700-1200 a.n.E.). Na China, estas árvores têm como mais representativas a de Fusang no Leste, a de Jianmu no Centro e a de Ruomu no Oeste, e apresentam conceitos e maneiras de reflectir o Universo, contendo várias características, funções e rituais, ainda hoje expostos em crenças populares e religiosas sobreviventes do Todo do Mundo Antigo.

A árvore sagrada de Sanxingdui, espectacular exemplo de árvore cósmica na China, conjuga a Fusang e a Jianmu, sendo a sua principal função facilitar a ascensão ao Céu, ligando o Céu à Terra, os deuses com os humanos. Os deuses desciam à Terra por elas e os xamãs [ajudantes de Imperadores] ascendiam ao Céu; caminho animista simbolizado pelo dragão a subir a árvore.
Na mitologia chinesa, a amoreira está associada ao Sol e no Ocidente significa circunspecção e prudência.

ÁRVORE DO DINHEIRO

A variedade de esculturas de árvores demonstra uma preocupação pelo Cosmos proveniente do sagrado Céu visto da Terra, tendo diferentes funções cada um dos tipos de árvores. Expressavam mitos dos antigos Shu.

Do povo Qiang [com antepassados na tribo Yi de Fuxi e colocado a Oeste com os Ba, fugindo os Miao para Sul, após Huangdi derrotar Chiyou, chefe dos Dongyi] existe a árvore do dinheiro encontrada em Madao, Xichang (Sichuan) e tal como as árvores sagradas e cósmicas era também construída em bronze. A forma da árvore do dinheiro derivou das árvores celestes de Sanxingdui e como elas, ajudava os seres humanos a comunicar com os deuses. Quando lhe eram colocadas as moedas, reflectiam a luz do Sol.

[Em Chiang Mai na Tailândia encontramos num templo duas árvores do dinheiro, uma com representações de folhas douradas e a outra com folhas prateadas, a Lua.] Já os pássaros das árvores do dinheiro eram vermelhos e encontravam-se entre o Sol e o seu brilho nas folhas.

Quando a dinastia Xia (夏, 2207-1600 a.n.E.) foi substituída pela dinastia Shang (商, 1600-1046 a.n.E.) ocorreu a seguinte história ligada às amoreiras. Após cinco anos de Cheng Tang (成汤) ter destronado o Imperador Jie da Dinastia Xia e fundado a Dinastia Shang, a chuva não caiu. O povo estava desesperado e só após Cheng Tang ter orado na floresta de amoreiras começou a chover.

Nas aldeias chinesas, as amoreiras nunca são plantadas em frente da porta de entrada das casas, pois o nome desta árvore, sang shu (桑树) tem a mesma sonoridade de sang shi (丧事), a significar um dos residentes da casa morrera, sendo normalmente o féretro com o defunto colocado numa tenda em frente à porta de entrada, esperando em corpo presente pelo menos três dias, ou por uma data mais auspicioso para ser sepultado.

O papel feito com fibras da amoreira é conhecido por o nome de sang zhi (桑纸).

A amoreira tem grande valor económico, sendo a madeira desta árvore recomendada para mobiliário, utensílios e instrumentos musicais, refere Wang Zhu Hao, no livro Árvores de Macau, (Câmara Municipal das Ilhas, 1997, Macau). “A casca das raízes, folhas e ramos novos são utilizados na Medicina Tradicional Chinesa para a cura da tosse, perda de sangue e inchaço e para a redução da pressão sanguínea. A fibra da casca é usada para produção de papel e algodão artificial. As amoras, os frutos da amoreira, são utilizadas contra a fadiga, tonturas, anemia e incontinência.”

Associaram-se os humanos ao ciclo da vida do bicho-da-seda, que simboliza o conceito de eternidade, pois os antigos olhavam o acto da lagarta envolver-se no fio e formar o casulo como uma etapa para chegar ao Céu, depois da passagem por a Terra. Por isso, vestiam os defuntos com seda e ofereciam tecidos aos espíritos e deuses. Expressavam a esperança de ascender ao Céu e tornarem-se imortais, tal como julgavam acontecer à crisálida dentro do casulo, qual nave da imortalidade de onde sai transformada em mariposa. Vive três a cinco dias e após o acto sexual, a fêmea borboleta põe ovos e recomeça o ciclo do bicho-da-seda.

Marionetas |”A Lagartinha Muito Comilona” no CCM em Fevereiro

O pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) recebe nos dias 3 e 4 de Fevereiro o espectáculo infantil de marionetas “A Lagartinha Muito Comilona”, uma peça inspirada num dos livros infantis mais populares de todos os tempos da autoria de Eric Carle.

“A Lagartinha Muito Comilona” consiste “num desfile de mais de 70 marionetas, todas elas personagens imaginadas pelo ilustrador americano ao longo de uma carreira que durou mais de meio século”, descreve o Instituto Cultural (IC), em comunicado.

O livro que lançou Carle vendeu mais de 50 milhões de cópias e foi criado com uma mistura de colagens em papel e desenhos, técnica que também utilizou para produzir êxitos de vendas como “Urso Castanho”, “Urso Castanho, o que vês aqui?”, “10 Patinhos de Borracha” ou “Um Pirilampo Muito Solitário”.

Levando todas estas personagens das páginas de papel para o palco, esta história de marionetas para crianças a partir dos dois anos foi criada pelo conhecido produtor australiano e americano Jonathan Rockefeller e é agora produzida por uma companhia sediada em Xangai. “A Lagartinha Muito Comilona” sobe aos palcos com legendas em chinês, sendo um espectáculo apresentado em inglês. Os bilhetes começam a ser vendidos no domingo, 7.

FRC | Cristina Vinhas expõe novas peças de joalharia

“Quando o Ocidente Encontra o Oriente” é o nome da nova exposição patente na Fundação Rui Cunha (FRC) em que o trabalho da joalheira Cristina Vinhas é protagonista. Trata-se de uma mostra com novas peças de joalharia da profissional ligada à Casa de Portugal em Macau, inspiradas no elemento madeira

 

A Fundação Rui Cunha apresenta na próxima terça-feira, 9, a partir das 18h30, a exposição de joalharia “When West Meets East” [Quando o Ocidente Encontra o Oriente], da autoria de Cristina Vinhas, joalheira que já realizou diversas exposições em Macau e que é ainda monitora de alguns cursos na Casa de Portugal.

Esta mostra reúne trabalhos da artista inspirados na madeira, um dos cinco elementos da natureza, criados a partir de texturas e formas orgânicas como troncos e pedaços de madeira reclamada ao mar, aqui reutilizados e fundidos com metais nobres que ganham novo significado criativo.

Exibe-se, assim, uma colecção de 12 peças de joalharia em madeira e prata. O conjunto inclui colares, pulseiras, pregadeiras e outros objectos de adorno, cujas formas remetem para imagens livres da natureza, como as montanhas, rios, cascatas, estuários, penhascos e outras referências das terras do Oriente, que têm sido fonte de inspiração para a obra da artista na última década e meia.

Influência chinesa

Citada por um comunicado da FRC, Cristina Vinhas entende que esta exposição “reflecte a marcante influência da cultura chinesa” no seu trabalho. “A representação da paisagem, dos elementos da natureza, continua a ser a minha grande fonte de inspiração, onde vou carregar e revitalizar energias. A influência da natureza, de uma energia masculina por ela emanada que atrai e transforma. Ou o deslumbre representado através do uso da madeira e da prata, e a forma como interpreto essa natureza, combinado com a energia feminina proveniente do instrumento de corda chinês, Erhu, pelo músico Lio Un, é o que proponho visitar”, disse ainda.

A artista fez estas peças depois de realizar uma viagem às montanhas de Lushan, na província de Jiujiang, em Outubro. Destaque ainda para o facto de a inauguração contar com uma pequena apresentação de música tradicional chinesa.

Cristina Vinhas é uma joalheira profissional nascida em Vila do Conde, Portugal. Iniciou a sua carreira em 2003, após terminar o curso no CINDOR – Centro de Formação Profissional da Indústria do Ouro e da Relojoaria. Em 2007 mudou-se para Macau e tornou-se formadora e coordenadora das oficinas de joalharia na Casa de Portugal em Macau, que tem apoiado a artista na cedência do atelier para a execução das suas obras de arte. Em paralelo, tem continuado a desenhar e a criar colecções próprias para a indústria portuguesa de joalharia. Além de inúmeras exposições individuais e colectivas, a artista participa regularmente em feiras e festividades para as comunidades locais, onde aproveita a oportunidade para contactar com o público. As suas obras encontram-se também, desde 2010, à venda na loja do Museu de Arte de Macau. A mostra vai estar aberta ao público até ao dia 20 de Janeiro.

Casinos | Carteiristas roubam 119 mil dólares

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de três membros de um grupo de carteiristas do Interior que terá roubado cerca de 119 mil dólares de Hong Kong em vários casinos locais. Além disso, as autoridades estão à procura de outros quatro homens, que se suspeita também fazer parte do grupo de carteiristas.

Os detidos têm entre 47 e 49 anos de idade. Os polícias foram alertados para a situação, por três indivíduos do Interior, em Novembro do ano passado que apresentaram queixa junto das autoridades.

Segundo os relatos apresentados pelos queixosos, quando entravam nos edifícios dos casinos, sofriam encontrões e os carteiristas aproveitavam para subtrair os bens às vítimas. Em relação às queixas apresentadas, as perdas das vítimas variaram entre 33 mil e 46 mil dólares de Hong Kong, sendo o total de 119 mil dólares de Hong Kong.

Quando observou as imagens de videovigilância e os momentos do crime, a PJ chegou à conclusão de que os sete homens trabalhavam em equipa, com uma divisão clara das tarefas. Enquanto parte dos membros era responsável pelos encontrões, outros colocavam-se em posições estratégicas, para evitar que os roubos fossem detectados por outras pessoas nas zonas onde aconteciam os ataques, havendo ainda quem ficasse responsável por levar os bens da zona.

Português | Chineses em Macau adoptam diversos modos de aprendizagem

Os estudantes chineses de português em Macau adoptam diversas estratégias de aprendizagem da língua, não existindo um método uniforme. Além disso, o ambiente multilingue do território beneficia os estudantes que vêm da China. As conclusões são de um estudo de Hao Ian Chen, da Universidade Politécnica de Macau

Um estudo de Hao Ian Chen, da Universidade Politécnica de Macau (UPM), conclui que não existe, da parte dos estudantes chineses de português em Macau, um método de aprendizagem uniformizado, sendo que cada um escolhe técnicas que passam pela memorização, uso de materiais didácticos diversos, linguagem usada no dia-a-dia ou ferramentas que ajudam na compreensão oral do idioma, tendo como base, muitas das vezes, estratégias de aprendizagem já usadas com o inglês.

Em “Um Estudo de Caso das Estratégias de Aprendizagem de Estudantes Universitários Chineses no Ambiente Multicultural de Macau”, recentemente publicado no International Journal of Education and Humanities, conclui-se que existe, no ensino superior de Macau, “um carácter dinâmico das estratégias de aprendizagem da língua, bem como a sua variabilidade individual”.

Hao Ian Chen desenvolveu este estudo com base nas experiências de quatro alunos de diferentes universidades locais, vindos da China. Dois deles estiveram em Macau no contexto de um intercâmbio de um ano.

O artigo conclui que “cada um deles implementou ajustamentos estratégicos para ultrapassar as dificuldades de aprendizagem do português com que se deparou face às mudanças no ambiente de aprendizagem e às mudanças cognitivas que daí resultaram”.

O trabalho académico destaca ainda que essas estratégias de aprendizagem eram semelhantes, apresentando, contudo, “trajectórias de desenvolvimento diferentes, reflectindo a natureza dinâmica das estratégias de aprendizagem de línguas, a sua certeza e incerteza”.

Apresenta-se o exemplo da aluna D, que através da leitura e da memorização “de um grande número de artigos em português” conseguiu “a acumulação de vocabulário e aplicações gramaticais”. A estudante usou ainda o vocabulário e estruturas gramaticais na vida real a fim de melhor as memorizar.

Desafios do multilinguismo

O estudo em questão fala ainda dos “desafios colocados pelo ambiente multilingue à aprendizagem e utilização da língua pelos participantes”, sendo que, no caso dos estudantes vindos do continente, esse multilinguismo tão presente em Macau os ajudou no ensino.

“O ambiente multilingue de Macau teve um impacto positivo nos dois participantes do continente que estudaram em Macau, principalmente em termos de ensino multilingue na sala de aula e de comunicação com falantes nativos de português”, lê-se.

O relatório fala ainda de um “certo grau de correlação” entre os métodos de aprendizagem de uma primeira língua estrangeira e de aprendizagem de um segundo idioma, pois “os quatro participantes seguiram as estratégias eficazes de aprendizagem do inglês no passado, combinando-as depois com as suas próprias situações para formar um novo modo de aprendizagem”.

O artigo destaca ainda a necessidade de compreensão por parte dos professores e educadores quanto “à diversidade das estratégias de aprendizagem e diferenças individuais, não para mudar à força as estratégias de aprendizagem dos alunos, mas para os ajudar a compreender o impacto complexo do ambiente de aprendizagem e as características dos seus próprios factores individuais na sua aprendizagem”.

Tosse convulsa | Detectado primeiro caso do ano

Foi registado, no hospital Kiang Wu, esta quarta-feira, o primeiro caso de tosse convulsa do ano. Segundo um comunicado dos Serviços de Saúde de Macau (SSM), trata-se de uma bebé de sete meses que começou a apresentar sintomas de doença no dia 22 de Dezembro, nomeadamente tosse, maioritariamente no período nocturno, sem febre nem corrimento nasal, tendo sido atendida no Kiang Wu nos dias 26 e 28 de Dezembro, sem melhoria dos sintomas.

No dia 1 deste mês os sintomas pioraram e a bebé começou a manifestar estridor, ou seja, um som ofegante durante a inalação, resultante de uma obstrução parcial da garganta (faringe), caixa de voz (laringe) ou traqueia, tendo sido internada.

No Kiang Wu foram então realizadas análises que detectaram a presença de uma bactéria que origina a tosse convulsa. A bebé está ainda internada, sendo que o seu estado clínico é considerado estável. A menina recebeu três doses da vacina DTPa, contra a difteria, tétano e tosse convulsa, não tendo viajado ou estado em nenhuma creche. Os SSM explicam que “o pai que coabita com ela manifestou sintomas de tosse”, sendo que, “até ao momento, nenhum outro membro da família com quem coabita se sentiu indisposto”.

Combustíveis | Governo defende subida de preços

Contrariando as queixas da população, o Conselho de Consumidores indica que os preços dos combustíveis em Macau tiveram um aumento inferior ao praticado em Hong Kong e Zhuhai

 

O Conselho de Consumidores considera que o território registou uma menor subida média do preço da gasolina em comparação com Hong Kong e Zhuhai. A defesa da eficácia das medidas de supervisão foi deixada em resposta a uma interpelação escrita da deputada Ella Lei da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

“Em comparação com o início de Janeiro de 2020, o preço médio na venda a retalho da gasolina sem chumbo em Hong Kong, Zhuhai e Macau teve uma subida aproximada de 6,34, 1,82 e 1,66 patacas por litro, respectivamente, em comparação com o início de Dezembro de 2023”, pode ler-se na resposta, assinada por Ao Weng Tong, vice-presidente do Conselho de Consumidores.

A resposta visa os preços da gasolina sem chumbo 98, uma vez que em Macau não está disponível a gasolina sem chumbo com 95 octanas, um tipo de gasolina mais barato, mas que em teoria resulta num desempenho menos eficiente das viaturas. Em relação à introdução da gasolina sem chumbo 95, Ella Lei pediu um ponto da situação e recordou que em Novembro o secretário para a Economia e Finanças tinha prometido a introdução deste combustível na RAEM.

Para o futuro

A réplica de Ao Weng Tong tem por base as informações da Direcção de Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT). Segundo o responsável, a DSEDT ainda está a “estudar a viabilidade de introduzir novos combustíveis”, junto dos importadores. “Como a introdução de novos combustíveis no mercado exige uns certos ajustamentos e configurações nos barcos de transporte, infra-estruturas de armazenamento e nos camiões de transporte, etc., a indústria ainda precisa de tempo para estimar os custos”, foi acrescentado.

Neste aspecto, foi igualmente indicado de que no futuro, quando se realizarem concursos públicos para atribuição de mais terrenos para a instalação de bombas de combustível, poderá ser exigido aos operadores que introduzam novos produtos.

Sobre os trabalhos de fiscalização, o CC indicou que existe uma equipa “interdepartamental” que acompanha “as tendências internacionais dos preços”, “os preços de importação” e os “preços na venda a retalho” e que também segue as condições de mercado no Interior e em Hong Kong.

Seguros transfronteiriços | Governo dialoga com interior da China

A Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM) encontra-se em conversações “com ministérios e comissões na área financeira do Interior da China, no sentido de permitir, no futuro, o câmbio de prémios de seguro, através da ‘cerca electrónica’ de fundos constituída na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, desde que cumpridos os requisitos de supervisão”.

Esta informação consta numa resposta dos Serviços de Saúde de Macau a uma interpelação escrita do deputado Ho Ion Sang que versa sobre as burocracias e impedimentos inerentes aos seguros de saúde transfronteiriços.

Estas conversações decorrem devido ao facto de as seguradoras de Macau disponibilizarem seguros de saúde transfronteiriços, mas terem dificuldades na renovação de apólices, a regularização de sinistros e o resgate de apólices de seguros devido à “política vigente de gestão cambial do Interior da China”.

Um dos exemplos dessas dificuldades prende-se com o facto de as seguradoras de Macau “não poderem transferir as indemnizações relativas a sinistros directamente para contas no Interior da China”, explicou o director dos SSM, Alvis Lo.

Habitação intermédia | Lam Lon Wai questiona suspensão de construção

A reduzida procura por habitação económica leva o deputado da FAOM a questionar as razões que levaram o Executivo a suspender a construção de habitação intermédia na Avenida Wai Long

 

O deputado Lam Lon Wai está preocupado com a decisão do Governo de suspender a construção de habitação intermédia, e quer saber o que vai ser feito, quando a procura por este tipo de habitação aumentar. A questão faz parte de uma interpelação oral que vai ser feita na Assembleia Legislativa, na próxima segunda-feira, pelo legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

Ho Iat Seng anunciou no final do ano passado a suspensão da construção de habitação intermédia, justificando a medida com a “redução do número de candidatos à habitação económica”. Na altura, o Chefe do Executivo prometeu ser apenas uma suspensão e ainda guardar os terrenos da Avenida Wai Long para o efeito, como estava planeado.

No entanto, o Governo encomendou um estudo à Universidade de Macau para reavaliar a política de habitação, principalmente no que diz respeito à construção de apartamentos na Zona A dos Novos Aterros. Na pergunta que vai ser colocada, Lam Lon Wai quer saber quando é que o estudo vai estar concluído.

“Quando é que essa avaliação vai estar concluída? O Governo vai ajustar, quanto antes, o plano de construção de habitação pública, tendo em conta os respectivos resultados?”, questiona o deputado.

Lam avisa também que, com a suspensão do projecto, a resposta às necessidades habitacionais da população pode ser atrasada: “Com a mudança das políticas e do ambiente do mercado, também muda a estrutura da oferta e da procura. A construção de habitações intermédias pode demorar, no mínimo, três anos, e se for suspensa, será difícil a sua articulação com as necessidades”, alertou.

As conclusões do estudo podem servir como factor para legitimar o Governo a abdicar da promessa de construção de 28 mil habitações económicas, o que pode levar as pessoas a terem de comprar casa no mercado privado ou mudarem-se para a Ilha da Montanha.

Outra alternativa?

O mais recente concurso para a venda de habitação económica visa a venda de 5.415 apartamentos. Inicialmente o concurso deveria ter terminado a 27 de Dezembro do ano passado, mas foi prolongado até 26 de Abril deste ano, devido ao reduzido número de candidaturas.

Até ontem, contabilizavam-se 4.127 candidaturas para as 5.415 fracções. O facto de os compradores só poderem vender no futuro as casas ao preço de compra ao Instituto de Habitação, excluídos os custos de eventuais obras, e de os preços ainda não serem conhecidos, terá contribuído para uma redução do interesse por estas casas.

Face ao cenário da diminuição do interesse na habitação económica, Lam Lon Wai quer saber que terrenos na Zona A vão ser utilizados para construir habitação intermédia. “Há quem entenda que a Avenida Wai Long não é o local adequado para a construção de habitação intermédia, então, se a procura de habitação económica diminuir e a oferta for suficiente, o Governo vai ponderar sobre a finalidade dos terrenos planeados e mudar de habitação económica para habitação intermédia?”, questiona o deputado.

Mulheres | Associação recebeu mais de 150 pedidos de aconselhamento

Os deputados Wong Kit Cheng e Ma Io Fong, que representam a Associação Geral das Mulheres, dizem ter recebido, no ano passado, 156 pedidos de aconselhamento jurídico, de ajuda ou esclarecimento nos 22 dias de recepção a residentes promovidos pela entidade.

Segundo um comunicado, grande parte dos residentes que procuraram ajuda revelaram estar preocupados com a situação económica e com a habitação, sobretudo no que diz respeito às políticas de habitação para idosos, atribuição de casas económicas ou a habitação intermédia, pensada para a classe média. Além disso, muitos representantes de pequenas e médias empresas queixaram-se de que, no ano passado, o panorama de negócios foi ainda pior do que no período da pandemia devido à quebra do consumo, o que levou ao encerramento de muitos espaços comerciais.

Desta forma, os deputados sugerem que o Governo crie medidas de estímulo ao consumo interno, encorajando os residentes a comprarem no território, além de defenderem mais políticas de apoio às PME. No que diz respeito à habitação, Ma Io Fong e Wong Kit Cheng pedem que o Governo tenha em conta a situação real da população na hora de definir políticas habitacionais, bem como o ambiente económico e os factores inerentes ao mercado imobiliário, defendendo a realização de um novo estudo sobre a procura de habitação.

Destaque ainda, no âmbito dos pedidos de ajuda, para a predominância de casos relacionados com o casamento e família, nomeadamente processos de divórcio, direitos parentais, divisão de bens ou casos em que é necessária mediação familiar.

Metro | Pedida investigação do CCAC sobre compra de cabo

A compra e instalação de um cabo de qualidade duvidosa levou à suspensão do metro ligeiro durante meses. Para o deputado Ron Lam o incidente deve ser investigado, dado que anteriormente o Governo tinha garantido que os materiais cumpriam os padrões de qualidade

 

O deputado Ron Lam defende que o Comissariado contra a Corrupção (CCAC) deve investigar a compra do cabo eléctrico que obrigou à suspensão do metro ligeiro durante meses. A posição foi tomada em declarações prestadas ao Jornal do Cidadão, na sequência de um relatório do Comissariado de Auditoria (CA) sobre o caso.

De acordo com as conclusões do CA, os danos sofridos pelo cabo que obrigaram à suspensão do metro ligeiro deveram-se ao facto de o cabo inicialmente instalado não cumprir os padrões mínimos de qualidade. Sobre o incidente, Ron Lam indicou que para a maioria da população o metro ligeiro é visto como um “elefante branco” e a opinião sobre o projecto é negativa.

Face a esta situação, mantém a esperança de que o CCAC investigue os procedimentos de compra, de forma a legitimar o projecto junto da sociedade, e para aumentar a confiança da população sobre este meio de transporte.

Na opinião do deputado, o relatório do CA veio a público mostrar que houve uma falha “inaceitável” cometida por todos os envolvidos, desde o Governo, à empresa de consultoria e ao fornecedor. Por outro lado, Ron Lam destacou o facto de o antigo Gabinete de Infra-estruturas de Transportes, responsável pelo projecto no início, ter “omitido factos evidentes”.

Debaixo do tapete

O deputado criticou ainda os responsáveis, porque, no seu entender, se não fosse o CA, nunca se teria conhecimento da natureza dos problemas relatados. O legislador considerou igualmente negativo o facto de no passado ter pedido várias vezes informações sobre o metro, mas apenas ter obtido respostas através de comunicados.

Ron Lam recordou ainda que confrontou Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, com o assunto na Assembleia Legislativa, e lhe foi respondido que não tinham sido utilizados materiais com qualidade inferior: “Os procedimentos foram concretizados, não utilizámos materiais com qualidade inferior, não cometemos erros nem saltámos nenhum passo [na construção”, citou, sobre a resposta do secretário.

Na opinião de Lam, face às respostas do secretário, o problema não devia ter acontecido, pelo que é necessário averiguar o que se passou, até porque o CA apontou existir problemas de supervisão nas obras do metro.

Também a deputada Ella Lei abordou o caso, e defendeu que o Governo deve assumir um maior papel na fiscalização dos trabalhos, mesmo quando contrata empresas para desempenhar essa função. A legisladora defendeu que deve ser o Governo a assumir o maior papel, porque se tratam de áreas muito específicas com as quais a população não tem competência para lidar, pelo que não consegue detectar os problemas.

Aeroporto de Macau a 55 por cento dos níveis pré-pandemia em 2023

Cerca de 5,15 milhões de passageiros passaram pelo Aeroporto Internacional de Macau (MIA) em 2023, perto de 55 por cento do recorde máximo fixado em 2019, antes do início da pandemia, disse ontem a companhia gestora. Num comunicado, a CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau sublinhou que “houve um aumento significativo de passageiros”, nove vezes mais do que o número registado no ano anterior: pouco mais de 599 mil.

Em 2023, o volume de tráfego do MIA “estabilizou e recuperou gradualmente”, disse a empresa, sublinhando que o aeroporto processou um total de 42.504 voos no ano passado, equivalente a 54 por cento do registado em igual período de 2019. O aeroporto tem apenas ligações à China continental, Taiwan e Sudeste Asiático e a CAM garantiu que, “em resposta à procura do mercado, a rede das principais cidades do Interior da China e das rotas internacionais recuperou rapidamente”.

China domina

Os passageiros vindos ou tendo como destino a China representaram 58 por cento do total, seguidos do Sudeste Asiático, 27 por cento, e de Taiwan, 15 por cento, acrescentou a companhia.

A CAM prometeu que vai “colaborar constantemente com companhias aéreas estrangeiras e locais para explorar os mercados internacionais, de modo a desenvolver mais ligações de longo curso directas”. Em Novembro, o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, garantiu que serão criados “mais voos internacionais directos” e que as obras de aterro e ampliação da infraestrutura serão lançadas na segunda metade de 2024. O aeroporto, atualmente com uma pista, tem capacidade para receber até 9,6 milhões de passageiros, mas a taxa de utilização é de “apenas 60 por cento”, lamentou Ho Iat Seng.

“Espero que a Air Macau possa adquirir aviões maiores, para realizar voos de longo curso”, sublinhou o governante, referindo-se à companhia aérea de bandeira do território. Em Junho, a directora dos Serviços de Turismo, Maria Helena de Senna Fernandes, descreveu o lançamento de voos directos entre Macau e Portugal como “um sonho”, mas lembrou também ser possível trabalhar com os aeroportos vizinhos de Hong Kong, Cantão e Shenzhen.

SJM | Fitch melhora perspectiva da dívida da operadora de jogo

A agência de notação financeira Fitch Ratings melhorou ontem a perspectiva da dívida da operadora de jogo Sociedade de Jogos de Macau (SJM) Holdings, de negativa para estável, graças à recuperação do turismo na região. De acordo com o comunicado, a Fitch manteve a classificação da dívida da SJM em ‘BB-’, sublinhando, contudo, que “a recuperação robusta” no número de visitantes e das receitas de jogos deverão beneficiar a empresa.

As receitas do jogo no território atingiram no último trimestre 75 por cento dos níveis de 2019, enquanto o número de turistas atingiu 89 por cento dos níveis pré-pandemia de covid-19, “apesar da recessão económica na China”, sublinhou a agência de notação.

A Fitch disse acreditar numa “melhoria sequencial moderada” do turismo este ano, “à medida que a capacidade de viagens aéreas continua a normalizar” tanto em Macau como na vizinha Hong Kong.

O Grand Lisboa Palace, empreendimento que a SJM inaugurou em Julho de 2021 no Cotai, em plena pandemia, obrigou a empresa a acumular um nível elevado de dívida, alertou a Fitch. A concessionária teve ainda de assumir os contratos dos trabalhadores de cinco casinos cuja operação tinha sido entregue a outras empresas e que encerraram durante a pandemia, sublinhou a agência.

A Fitch recordou também que a SJM se comprometeu a investir 12 mil milhões de patacas em elementos não jogo até 2032, na expectativa de diversificar a economia de Macau. O compromisso faz parte do contrato de concessão de dez anos da SJM, fundada pelo falecido magnata do jogo Stanley Ho, que, tal como o das restantes cinco concessionárias, entrou em vigor em 1 de Janeiro de 2023.

O contrato prevê ainda que, uma vez que as receitas dos casinos de Macau ultrapassaram 180 mil milhões de patacas em 2023, cada uma das operadoras terá de investir mais 2,4 mil milhões de patacas em actividades não ligadas ao jogo.

Número de visitantes do Louvre no nível pré-pandemia e Prado bate recordes

O Museu do Louvre, em Paris, regressou em 2023 a um nível próximo do pré-covid, com 8,9 milhões de visitantes, enquanto o Museu do Prado, em Madrid, bateu o seu próprio recorde, com 3,2 milhões de entradas. Com este número, o Louvre, o museu mais visitado do mundo, regressou a um nível próximo do de 2019, antes da crise sanitária, indicou na quarta-feira aquela entidade à AFP.

“Este aumento de 14% no número de visitantes em relação a 2022 (7,8 milhões de visitantes) está próximo do nível pré-pandémico” de 2019 (9,6 milhões de visitantes)”, precisou o museu. No entanto, o maior museu do mundo disse que “não estava a contar com um número recorde de visitantes como no passado – em 2018 recebeu 10,2 milhões de visitantes – porque decidiu manter uma capacidade diária de 30.000 visitantes”, a fim de garantir “melhores condições de recepção e visita” ao público.

“Esta capacidade diária será mantida durante os Jogos Olímpicos (de 26 de Julho a 11 de Agosto)”, apesar do afluxo esperado de visitantes de todo o mundo à capital francesa, acrescentou o museu.

Chineses marcam presença

Em 2023 o Louvre recebeu 32% de visitantes franceses e 68% de visitantes estrangeiros, incluindo 13% de americanos e muitos europeus de países vizinhos (7% de Itália, 5% do Reino Unido e da Alemanha, 4% de Espanha).
Os visitantes asiáticos (Japão, Coreia, China) representaram apenas 2,5% do total, ao passo que, em 2018, só os visitantes chineses representaram 8%.

Segundo o sector do turismo e as autoridades francesas, esta redução do número dos turistas chineses explica-se por uma “retoma muito gradual das ligações aéreas” com a China e por “dificuldades na emissão de vistos”, segundo a AFP.

Em Espanha, muitos dos museus nacionais e privados bateram recordes de entradas em 2023, nomeadamente o Museu Nacional do Prado, em Madrid, que recebeu 3.209.285 visitantes, um número que supera o alcançado em 2019, quando celebrou o seu bicentenário.

Por sua vez, outro dos mais visitados na capital espanhola – o Museu Rainha Sofia – recebeu 2.530.560 visitantes em 2023, dos quais 1.409.113 no edifício principal, o que representa um aumento de 20% em relação a 2022.
Por seu turno, o Património Nacional, que gere palácios mosteiros e espaços verdes em seis comunidades autónomas do país, anunciou terem sido ultrapassados os seus dados históricos, com mais de seis milhões de visitantes, segundo a agência EFE.

A entidade registou 6.370.770 entradas, sendo os monumentos mais visitados o Palácio Real (1.421.428), o Mosteiro de San Lorenzo de El Escorial (445.166) e, com apenas meio ano de existência, a Real Galeria de Coleções, que ocupa o terceiro lugar, com 336.058 entradas.

O Museu Nacional Thyssen-Bornemisza anunciou também esta semana que, pelo sétimo ano consecutivo, recebeu mais de um milhão de visitantes (1.012.660 entradas).

Do seu lado, o Museu Guggenheim de Bilbau anunciou ter vivido o “melhor ano da sua história” graças aos 1.324.221 visitantes recebidos (mais 35.074 que em 2022). O Guggenheim indicou ter recuperado o nível de visitantes estrangeiros anterior à pandemia, que ascendem a 60% do total geral (mais 10% do que em 2022).

Japão | Avião que colidiu com Boeing sem autorização para entrar na pista, diz Governo

O avião da Guarda Costeira japonesa que colidiu com um avião comercial no aeroporto de Haneda, em Tóquio, na terça-feira, não tinha autorização para entrar na pista, disse hoje o Governo do Japão.

“Não havia nada na transcrição das comunicações que pudesse ser considerado como autorização para entrar na pista”, afirmou o diretor-geral adjunto do Gabinete de Aviação Civil do Ministério dos Transportes japonês, Toshiyuki Onuma, citado pela agência de notícias Kyodo.

Onuma referia-se às comunicações do controlo de voo divulgadas pelo Ministério dos Transportes do Japão. No entanto, o capitão do navio da guarda costeira e único sobrevivente dos seis tripulantes, disse que o aparelho tinha autorização para entrar na pista. Noutras declarações, terá indicado que o avião tinha recebido autorização para levantar voo.

Nos registos de comunicação entre os controladores de tráfego aéreo e a companhia do voo comercial, a Japan Airlines (JAL), também não há indicação de qualquer atraso na aterragem, o que levou especialistas a sugerir ser possível que ambas as partes não tivessem conhecimento da presença de outro avião na pista.

De acordo com a estação pública NHK, o piloto da JAL disse à companhia não ter visto nenhum avião quando se aproximava da pista e que tinha recebido autorização dos controladores para aterrar.

O Ministério dos Transportes, através do seu Conselho de Segurança dos Transportes (JTSB), está a investigar o acidente ocorrido no aeroporto de Haneda, um dos aeroportos mais movimentados do país, depois de o voo comercial da JAL proveniente de Sapporo (norte do Japão) ter colidido com o avião da Guarda Costeira na terça-feira.

O acidente ocorreu às 17:47 e desencadeou um incêndio nos dois aparelhos, obrigando à saída de emergência dos passageiros e da tripulação. Todos os 379 ocupantes do voo comercial conseguiram sair do aparelho com vida, mas 14 ficaram feridos. Dos seis ocupantes do avião da Guarda Costeira, apenas o comandante, que ficou gravemente ferido, escapou com vida.

O avião da Guarda Costeira estava a caminho para transportar alimentos e água para a zona afetada pelo forte sismo que atingiu a costa oeste do centro do Japão na segunda-feira. A JAL estimou perdas de cerca de 15 bilhões de ienes (cerca de 95,7 milhões de euros) no acidente, indicou a NHK.

A companhia aérea japonesa acrescentou que a perda do Airbus A350 será coberta pela seguradora e referiu estar a analisar o impacto do acidente nos resultados comerciais para este ano fiscal, que termina a 31 de março, incluindo a redução das vendas devido ao cancelamento de voos e à indemnização dos passageiros envolvidos.

Turquia | Iniciado julgamento por mortes nos sismos de 2023

Onze pessoas acusadas de serem responsáveis pelo desabamento de um hotel, causando 72 mortes, nos sismos que abalaram a Turquia em Fevereiro de 2023, matando mais de 70.000 pessoas, começaram ontem a ser julgadas na cidade turca de Adiyaman.

Segundo reporta a agência noticiosa espanhola EFE, acredita-se que o resultado do julgamento poderá abrir um precedente para muitos outros casos de edifícios que sucumbiram aos tremores devido a deficiências na sua construção.

No meio de uma segurança apertada, a primeira audiência do caso começou com a identificação dos arguidos, incluindo o proprietário do hotel, num tribunal de Adiyaman, capital da província homónima e que foi atingida por dois terramotos de magnitude 7,7 e 7,6 a 6 de Fevereiro, informou a agência estatal Anadolu.

Acompanhado por uma delegação de cerca de 100 pessoas, o primeiro-ministro da República Turca do Norte de Chipre, Ünal Üstel, bem como familiares das vítimas do desabamento do hotel, estão a assistir ao processo judicial.

Entre as vítimas mortais do desmoronamento do hotel Isias, de quatro estrelas, figuram 26 crianças de duas equipas de voleibol de escolas do Norte de Chipre, bem como um grupo de guias turísticos cipriotas turcos que se encontravam num curso de formação.

“O caso é muito importante para nós”, disse Üstel antes de entrar no tribunal e garantir que permanecerá, tal como a delegação que o acompanha, em Adiyaman até ao final do julgamento. “Temos confiança no Supremo Tribunal da República da Turquia”, acrescentou, citado pela Anadolu. Cinco dos 11 arguidos, incluindo o proprietário e o arquitecto do hotel, estão detidos.

Devido às enormes falhas encontradas pelos peritos no planeamento e na construção do edifício, o Ministério Público turco acusa-os de terem causado a morte de 72 pessoas por negligência, um crime pelo qual poderão ser condenados a mais de 22 anos de prisão.

Israel-Hamas e Ucrânia-Rússia entre principais conflitos em 2024

A guerra entre Israel e o Hamas, com o risco de alargamento a todo o Médio Oriente, e entre a Rússia e a Ucrânia, estão entre os principais conflitos mundiais em 2024, prevê o International Crisis Group (ICG).

Segundo a análise do centro de investigação sobre conflitos, as guerras em Gaza, no Sudão e na Ucrânia, entre outras em todo o mundo, significam que “os esforços diplomáticos para acabar com os combates estão a falhar” e que os líderes “estão a perseguir os seus objectivos militarmente”.

Sobre o conflito entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, que começou em 07 de Outubro com um ataque sem precedentes do movimento islamita palestiniano em solo israelita, este organismo detalhou, na sua análise, que “os esforços de pacificação enfraqueceram há anos e os líderes mundiais desviaram o olhar”.

“Vários governos árabes fecharam acordos mediados pelos EUA com Israel que, na sua maioria, ignoraram a situação dos palestinianos”, atirou. Para o ICG, é “difícil imaginar uma saída”, lembrando que o custo da guerra até agora “já foi muito elevado” e que é imperativa uma nova trégua.

Apesar dos analistas do ICG considerarem que nem os EUA e Israel procuram um confronto regional, ou seja, alargado ao restante Médio Oriente, estes alertaram para um “ponto de conflito” perigoso, na fronteira entre Israel e o Líbano, onde as forças israelitas intensificaram confrontos com o movimento xiita Hezbollah.

“Os ataques de grupos apoiados pelo Irão às forças dos EUA na Síria e no Iraque aumentam as tensões, tal como os ataques dos rebeldes houthis do Iémen aos navios no mar Vermelho”, alertaram ainda.

Riscos e incertezas

A guerra na Ucrânia, na sequência da invasão russa em Fevereiro de 2022, está actualmente estagnada, com poucas alterações na linha da frente, mas o Crisis Group refere que, por agora, “pouco sugere” que as negociações possam resultar no fim do conflito.

“As aparentes exigências da Rússia – rendição, território e um governo mais flexível em Kiev – são compreensivelmente rejeitadas pela Ucrânia. Entretanto, os debates ocidentais levantam receios de que o apoio a Kiev esteja a vacilar”, frisou.

Este organismo chamou também a atenção para os “riscos elevados” de uma vitória da Rússia na Ucrânia: “a sua propensão para a agressão conduzirá a uma Europa e a uma Eurásia inseguras nos próximos anos”. Para o ICG, a incerteza sobre os Estados Unidos, que tem eleições presidenciais em 2024, também contribui para a incerteza global.

“Uma votação potencialmente ‘divisiva’ em 2024 e o possível regresso do antigo Presidente dos EUA Donald Trump, cujo gosto por homens fortes e desdém pelos aliados tradicionais já abala grande parte da Europa e da Ásia, tornam o ano especialmente difícil pela frente”, frisou também este organismo.

Apesar do recente encontro, considerado positivo pelos analistas, entre o Presidente dos EUA Joe Biden e o homólogo chinês Xi Jinping, em Novembro, os “interesses das grandes potências colidem na Ásia-Pacífico”.

O ICG lembrou as eleições em Taiwan e as tensões no mar da China Meridional, podem levar a tensão EUA-China “ao auge”. “A rivalidade não dá sinais de diminuir, com os falcões de ambos os lados a falarem de competição (…) e até a falarem, de uma forma normalizadora, de guerra”, sublinharam.

Com a diplomacia a fazer o seu trabalho, o ICG alertou ainda que o maior perigo por agora é a colisão de aviões ou navios chineses e norte-americanos, lembrando que o Pentágono tem vindo a alertar para o aumento dos riscos nos últimos dois anos.

Para este organismo, é improvável que os líderes mundiais, devido às suas divisões, reconheçam os riscos actuais ou se unam para pedir que não se mudam fronteiras “pela força”. Outros conflitos destacados pelo International Crisis Group para 2024 são o Sudão, Myanmar (antiga Birmânia), Etiópia, Sahel, Haiti e Arménia-Azerbaijão.

Jerusalém

«A cidade santa de Jerusalém» traduz nesta nobilíssima expressão um oxímero e o que a reveste não foi jamais conseguido, os abismos não serão menos santos que as suas colinas- que eles não olham para penhascos- e se não é a santidade que a governa, nem por isso todos se sentem próximos dela. «Todos dizem que chegaram a Jerusalém (judeus, cristãos, muçulmanos, socialistas, anarquistas e reformadores do mundo) acudiram a Jerusalém, não tanto para a construírem ou serem construídos por ela, mas para serem crucificados ou para crucificarem outros. Há uma desordem mental muito arreigada, uma reconhecida doença mental chamada «síndrome de Jerusalém»: uma pessoa chega, inala o ar puro e maravilhoso da montanha e, de repente, inflama-se e pega fogo a uma mesquita, a uma igreja ou a uma sinagoga.» Assim a descreveu Amos Oz e, sem dúvida, que deve haver na sua origem uma qualquer influência alucinatória que ao longo dos tempos contribuiu para severas lutas, acontecimentos únicos, transcendência e queda, desolação e esplendor. Vimos como pela Porta dos Leões o movimento sionista conseguiu finalmente entrar e fazer que os judeus ausentes do Monte do Templo por mil e oitocentos anos caminhassem em júbilo destronando camadas de culturas instaladas junto ao Muro Ocidental.

David já tinha conquistado a cidade aos jebuseus e Maomé feito a sua viagem nocturna, Jesus entrado para celebrar a Páscoa, intricando a cidade numa seminal fundação religiosa de que nunca saiu. Jerusalém é santa, Jerusalém é noiva. Todos a disputam, por ela a humanidade enlouquece. Não será uma torrente de leite e mel e muitas vezes transforma-se mesmo num jorrar de sangue e fel, e nem mesmo assim perde a brancura da sua santidade e o encanto do seu legado. Agora são os arménios na Cidade Velha a chorar as ofensivas, estão ali há oitocentos anos, não crescem nem diminuem, fazendo parte intrínseca da paisagem, e claro, quem por lá andar pode sempre testar a possibilidade de estar entrando num outro umbral.

Nem Adriano tão cheio de seu Império consegue nomear por muito tempo o nome sombrio de Élia Capitolina, que o Templo destruído, não consentiu, nem o povo da Judeia alguma vez ousou pronunciar, em consequência, foram proibidos por séculos de lá entrar. Depois de persas e romanos, só no Califado, já sob o domínio árabe, os judeus tiveram autorização para regressar. Mas viriam os cruzados, que matariam uns e outros até ao extermínio. [Jerusalém, a Bela das Nações, foi palco da avaria rotineira da sede de conquista e da uma eloquência passional]

No turbilhão lançado podemos estar confrontados com um tipo de atracção fatal que, e voltando a Oz, enlouquece povos, nativos, e quiçá os de passagem, um umbigo nevrálgico para onde converge a saga do mundo para transcender do infortúnio de uma demasiada, e ainda, humana condição. Que somos atraídos para os centros do milagre, e somos dirigidos como taumaturgos por visões celestiais cuja presença ao não se dar, pode reverter em pasmo e dor. Por pouco tempo seria o anfitrião Saladino bem sucedido, viriam mamelucos agora correr com os cristãos, logo após ter ficado saqueada por tártaros. E a Bela não descansa! Mas vai adormecer por alguns séculos na regência do domínio otomano, não que tivesse estado parada, mas menos abrupta dentro das suas muralhas que se quebravam com trombetas. Esta Jerusalém quase vira Feiticeira no amplo emaranhado das transfigurações de uns e de outros, mas, como sabemos, ela será sempre a cidade de Deus.

Nos tempos bíblicos parece que tinha o odor do Paraíso, que as suas cercanias cheiravam a pinheiros, cedros, árvores de fruto, rosas de Sharon, e crê-se que corria pelos seus desfiladeiros leite e mel. Os santos homens comiam gafanhotos, alimentavam-se de néctar, oravam, enchiam os pés de areia e por ali seguiam o trilho de um percurso de retorno ao céu. Ao lado do Mar Morto ainda podiam andar sobre as águas vencendo assim a lei da gravidade… e ainda em seus rios há pássaros com asas. Todos nós já fizemos esta viagem nocturna como Maomé, e lá nos encontrámos com a sarça-ardente, os profetas, e o cheiro a rosas… todos caminhamos, somos expulsos, retornamos e choramos na margem de um qualquer Sião. E todos achamos que esse sonho foi único, profético e só nosso. Mas não! Esta é a saga humana.

E talvez Borges responda a este último parágrafo «Sei que perdi tantas coisas que não poderia contá-las e que essas perdas são agora o que é meu. Israel aconteceu quando era apenas uma antiga nostalgia. Não há outros paraísos que não sejam paraísos perdidos».

Nuclear | Central nipónica detecta subida do nível do mar

A central nuclear de Shika, no centro do Japão, registou uma subida do nível do mar após o terramoto de segunda-feira e detectou danos num muro que protege um reactor de tsunamis, informou ontem a NHK.

De acordo com a televisão japonesa, embora o operador da central, Hokuriku Electric Power, tenha anunciado no início da terça-feira que não tinha detectado grandes flutuações no nível da água, um controlo efectuado ao fim da tarde revelou uma subida de três metros entre as 17:45 e as 18:00 locais de segunda-feira.

Estes níveis foram registados cerca de uma hora e meia após o terramoto de magnitude 7,6, que teve o epicentro na península de Noto – a cerca de 80 quilómetros do local onde se situa a central – e que levou à activação de um alerta de tsunami durante 18 horas.

Durante a última revisão, a empresa descobriu também que um muro de quatro metros de altura, instalado em 2011 para proteger um dos dois reactores da central, encerrada há quase 13 anos, estava inclinado vários centímetros. O operador disse na altura que um tremor foi observado na cave do edifício do mesmo reactor quando ocorreu o terramoto de segunda-feira.

O tremor danificou dois transformadores utilizados para fornecer electricidade aos sistemas de arrefecimento dos dois reactores, embora a empresa afirme que as duas unidades estão a receber energia de geradores a diesel com combustível suficiente para funcionar durante mais cinco dias.

Em 2011, um terramoto de 9,1 graus na escala de Richter ao largo da costa leste do Japão provocou um tsunami que causou a morte de mais de 20 mil pessoas e a fusão parcial de três reatores da central nuclear de Fukushima Daichi, naquele que foi o pior acidente nuclear desde o de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

O impacto da catástrofe foi tal que, desde 2011, apenas uma dúzia dos mais de 30 reactores nucleares japoneses foram reactivados.

Irmã de Kim Jong-un critica discurso de ano novo de Presidente sul-coreano

A irmã do líder norte-coreano condenou ontem o discurso de Ano Novo do Presidente sul-coreano, que falou na estratégia de dissuasão de Seul e Washington, justificando-a com o reforço das capacidades nucleares de Pyongyang.

“Agradeço da forma mais cordial o compromisso do Presidente da República da Coreia, Yoon Suk-yeol, de prestar continuamente ‘serviços distintos’ ao rápido desenvolvimento da superioridade militar do nosso Estado também no novo ano”, escreveu Kim Yo-jong, em tom sarcástico, num artigo publicado pela agência de notícias oficial da Coreia do Norte KCNA.

Yoon Suk-yeol sublinhou no discurso de Ano Novo que a Coreia do Sul e os Estados Unidos vão concluir até meados do ano a modernização do mecanismo de dissuasão contra a Coreia do Norte, que inclui agora também a opção de uma resposta nuclear ao persistente aumento do armamento do regime de Pyongyang.

Kim Yo-jong acusou ainda Yoon Suk-yeol de banalizar as preocupações de segurança do Sul e disse que, durante o processo de diálogo que a Coreia do Norte encetou com o anterior Governo sul-coreano, entre 2018 e 2019, fez Pyongyang perder “muito tempo” que poderia ter sido gasto no reforço militar do país.

Nada de mais

A porta-voz adjunta do Ministério da Unificação da Coreia do Sul, Kim In-ae, afirmou que as observações da irmã do líder norte-coreano são “um truque mesquinho” destinado a culpar Seul pelo actual rumo das tensões intercoreanas.

Os comentários de Kim, também vice-chefe da propaganda do regime, surgem depois de o irmão ter encerrado uma importante sessão plenária do partido único na semana passada afirmando que já não há qualquer hipótese de reconciliação ou reunificação entre as duas Coreias.

Kim Jong-un prometeu também que o regime vai lançar mais três satélites espiões este ano e continuar a reforçar o programa nuclear e de mísseis.

Após o fracasso das conversações para a desnuclearização com Washington, em 2019, Pyongyang adoptou um plano de modernização do armamento – com a instalação de satélites militares e inúmeros testes de mísseis -, recusou reatar o diálogo e procurou estreitar os laços com Pequim e Moscovo.

Seul e Washington reforçaram a cooperação militar com Tóquio e fortaleceram o mecanismo de dissuasão, multiplicando as manobras conjuntas e implantando cada vez mais meios estratégicos dos EUA na península.

Eleições em Taiwan são “escolha crucial entre guerra e paz”, defende associação chinesa

Uma associação chinesa para as relações com Taiwan pediu ontem aos taiwaneses que tomem “a decisão certa” nas eleições de dia 13, que qualificou de escolha “crucial entre a paz e a guerra”.

“São uma escolha crucial entre a paz e a guerra, entre a prosperidade e a recessão”, afirmou o presidente da Associação chinesa para as Relações entre os dois lados do Estreito de Taiwan, Zhang Zhijun, de acordo com a agência de notícias estatal chinesa Xinhua. O responsável instou os taiwaneses a permanecerem “do lado certo da história” e a trabalharem “para o desenvolvimento pacífico das relações” dos dois lados do Estreito.

Zhang indicou ainda que Pequim não vai alterar “a sua aspiração original de promover o intercâmbio e a cooperação entre as duas margens do Estreito”. “Continuaremos a opor-nos à independência de Taiwan e a qualquer interferência do exterior”, acrescentou.

Pequim, que considera Taiwan parte integrante do território chinês, há muito que promete voltar a integrar a ilha, recorrendo à força se necessário. No discurso de Ano Novo, o Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que a reunificação da China com Taiwan é inevitável, não tendo mencionado as eleições presidenciais e legislativas de Taiwan.

Via da paz

A líder de Taiwan afirmou na segunda-feira esperar uma “coexistência pacífica” a longo prazo entre Taipé e Pequim e sublinhou que o futuro das relações deve ser decidido pelos “procedimentos democráticos” da ilha, que em breve realiza eleições. “Esperamos que os dois lados [do Estreito de Taiwan] retomem o mais rapidamente possível intercâmbios saudáveis e sustentáveis”, declarou Tsai Ing-wen no discurso de Ano Novo, o último antes do fim do mandato, em Maio.

“Esperamos também que as duas partes procurem conjuntamente uma via, estável e a longo prazo, para uma coexistência pacífica”, acrescentou. A China cortou as comunicações de alto nível com o governo de Tsai desde que a líder foi eleita, em 2016, e aumentou a pressão militar, diplomática e económica sobre o território.