APN | Xi pede reforço da luta contra a corrupção no Exército após purgas Hoje Macau - 9 Mar 2026 As recentes destituições de líderes militares levaram o Presidente chinês a reiterar a importância do combate à corrupção revigorado desde que chegou ao poder O Presidente chinês comprometeu-se a “continuar a avançar decididamente” na luta contra a corrupção no Exército e alertou que, nas Forças Armadas, “não pode haver pessoas desleais” ao Partido Comunista Chinês, após recentes purgas na cúpula militar chinesa. Xi fez estas declarações no sábado, durante uma reunião com deputados do Exército Popular de Libertação (EPL, exército chinês) e da Polícia Armada Popular, no âmbito da sessão anual da Assembleia Popular Nacional (APN, legislativo), informou a agência de notícias estatal Xinhua. O dirigente é também presidente da Comissão Militar Central (CMC), órgão que dirige o EPL e constitui a máxima autoridade militar da China. Ao discursar, Xi sublinhou que as Forças Armadas devem manter, “sem vacilar”, a liderança do Partido Comunista Chinês (PCC). Xi instou ainda a que sejam reforçados os mecanismos de supervisão em áreas sensíveis, como o fluxo de fundos, o exercício do poder e a gestão de grandes projectos militares, ao mesmo tempo que pediu para que seja melhorado o controlo do orçamento da defesa e seja garantido que os recursos sejam utilizados de forma eficiente. Durante o encontro, o Presidente chinês reiterou que o objectivo para o próximo período do plano quinquenal (2026-2030) é avançar na modernização do Exército e cumprir a meta de converter as Forças Armadas chinesas num exército totalmente moderno para o centenário da fundação do mesmo, em 2027. As imagens divulgadas pela imprensa estatal sobre a reunião mostraram apenas Xi e o vice-presidente da CMC, Zhang Shengmin, sentados à mesa principal ao lado dos deputados militares, em contraste com reuniões semelhantes de anos anteriores, nas quais costumavam aparecer vários membros do órgão dirigente das Forças Armadas. Campanha devastadora A redução visível da cúpula militar ocorre após vários meses de demissões e investigações disciplinares – no âmbito da campanha anticorrupção levada a cabo por Xi – que afectaram altos cargos do aparato militar, incluindo os ex-ministros da Defesa Li Shangfu e Wei Fenghe, bem como os ex-vice-presidentes da CMC Zhang Youxia e He Weidong e responsáveis pela Força de Mísseis do EPL e pelo Estado-Maior Conjunto. Este contexto coincide também com o anúncio, esta semana, de um aumento de 7 por cento do orçamento da defesa para 2026, até 1,91 biliões de yuans, apresentado à APN juntamente com o relatório governamental. O aumento, inferior aos 7,2 por cento registados em cada um dos três anos anteriores, acompanha outros objectivos económicos anunciados durante a abertura do Legislativo, entre os quais uma meta de crescimento “entre 4,5 por cento e 5 por cento” para 2026, a mais baixa desde 1991. Em 2025, as autoridades chinesas investigaram 115 funcionários de nível provincial, ministerial ou superior, de acordo com dados oficiais, num contexto de reforço do controlo disciplinar que coincidiu com o início do XV Plano Quinquenal (2026-2030).
CCM | Vinda de Rodrigo Leão a Macau adiada Hoje Macau - 9 Mar 20269 Mar 2026 O concerto de Rodrigo Leão em Macau, programado para a próxima quarta-feira e adiado devido ao impacto da guerra no Irão nas ligações aéreas, realiza-se “em Abril ou mais tarde”, disse à Lusa a organização. O espectáculo realiza-se no âmbito da 15.ª edição do festival literário de Macau Rota das Letras, que arrancou na quinta-feira e decorre até dia 15 de Março. “Temos de ver quando é que a sala do grande auditório do Centro Cultural de Macau está disponível outra vez, em Março já sei que é impossível. No mínimo vai ser em Abril ou mais tarde, mas vamos tentar que seja em Abril”, referiu à Lusa o director do festival, Ricardo Pinto. O responsável notou que é necessário conciliar a disponibilidade do músico e da equipa, da sala do espectáculo, além de “ver se, entretanto, normalizaram os preços dos aviões”. “Estavam a pedir 30 mil patacas ou 40 mil patacas, no mínimo, por cada voo em classe económica”, referiu. Em comunicado, divulgado no sábado nas redes sociais, o festival anunciou que o concerto “O Rapaz da Montanha” foi adiado “devido à instabilidade regional no Oriente Médio e ao impacto nas operações de voos internacionais”. “Apesar dos melhores esforços da equipa de produção para garantir rotas alternativas, o cancelamento das ligações aéreas de origem impossibilitou a chegada a Macau conforme planeado”, lê-se. Ainda de acordo com a nota, os ingressos já adquiridos permanecem válidos, embora o reembolso integral do bilhete seja possível para quem não puder comparecer na nova data a anunciar.
Rota das Letras | Guy Delisle defende que BD é um “meio eficaz” de jornalismo Hoje Macau - 9 Mar 20269 Mar 2026 O escritor franco-canadiano defende que a banda desenhada costumava ser vista como “algo só para crianças”, mas que actualmente é lida “tanto por avôs como por netos” O premiado autor Guy Delisle, conhecido por obras gráficas de não-ficção, descreveu a Banda Desenhada (BD) como um “meio eficaz” de jornalismo que atinge um público mais vasto. O escritor franco-canadiano foi convidado da 15.ª edição Festival Literário de Macau – Rota das Letras que decorre entre 5 e 15 de Março para uma conversa sobre um meio que “costumava ser visto como algo só para crianças”, mas que é hoje em dia lido “tanto por avôs como netos”. Delisle escreveu vários livros aclamados no género de não-ficção gráfica centrados nas suas experiências de viagem e vida incluindo Pyongyang, Jerusalém: Crónicas da Cidade Santa, Crónicas da Birmânia, e Shenzhen. No entanto, o autor nascido no Québec considera-se mais parte da primeira vaga de “autores de livros de viagem” gráficos, e menos como jornalista no estilo de autores como Joe Sacco, conhecido por livros que descrevem o quotidiano em cenários de guerra na Palestina e nos Balcãs. “Há muitas direcções, existem muitos livros de viagem de Banda Desenhada. Joe Sacco é um jornalista e faz algo parecido, mas tem experiência de jornalista e tem uma perspectiva e abordagem diferente”, indicou Delisle em resposta a uma pergunta da Lusa. “Eu faço alguma pesquisa do contexto dos locais em foco, mas prefiro a abordagem de fazer observações casuais, apontar os detalhes que considero mais engraçados e interessante”, disse. O autor trabalhou principalmente na indústria de animação, mas acabou por entrar no mundo das novelas gráficas depois de ser destacado para Shenzhen em 1997. Desenhos para a família Começando como um método de contar as suas experiências de viagem “para a família” transformando os seus apontamentos diários nesta cidade no sul da China na sua primeira BD. O autor seria transferido em trabalho, inusitadamente, para a capital da Coreia do Norte em 2001, que gerou o seu livro mais traduzido, Pyongyang. “Fui enviado para a Coreia do Norte durante dois meses. Conhecia muita gente da indústria da animação que me disseram que era super aborrecido […] mas eu sempre me senti fascinado pelo país”, destacou. “Quando lá cheguei recebi flores para por aos pés de uma estátua de Kim Jong Il [líder da Coreia do Norte na altura]. Só isso me fez pensar que daria um bom livro”. O escritor franco-canadiano recebeu também o prémio máximo da Banda Desenhada europeia quando a edição francesa de “Jerusalém “ foi eleita Melhor Álbum no Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême. Uma das suas obras de maior teor jornalístico inclui o “Refém”, que descreve a experiência de Christophe Andre, um membro dos Médicos Sem Fronteiras, sequestrado durante três meses como refém na Tchetchénia. “Um sequestro é uma experiência muito difícil, mas quando lhe perguntei ele contou-me tudo”, lembrou. Habituado a descrever as suas memórias, Delisle teve pela primeira vez que descrever as experiências de terceiros, realizando “gravações de quase 8 horas” das conversas com Andre. “Era material muito bom, mas a primeira versão parecia mais um filme de Hollywood e funcionava, por isso mudei o estilo para uma descrição realista da experiência de alguém privado da sua liberdade.” O livro descreve, por exemplo, como a certa altura os sequestradores esqueceram-se de fechar a porta do quarto, com Andre a ponderar durante horas se deveria arriscar sair. “Ele esperou algumas horas até ficar escuro. A pergunta que ponho ao leitor é o que faria na situação dele? Abria a porta?”, disse Delisle. Novo livro brevemente O seu livro mais recente, MuyBridge publicado em 2024, descreve a vida de Eadeward MuyBridge, um dos pioneiros da fotografia, com Delisle a revelar que um novo livro será publicado na “próxima semana”. Quanto a usar o seu tempo em Macau e Hong Kong para um livro, considera que “infelizmente precisaria de ficar muito mais tempo” do que três meses para ter notas suficientes para um livro. A edição deste ano do Festival Literário de Macau irá prestar um tributo a Camilo Pessanha, no centenário da morte do poeta português. O programa do festival inclui ainda o jornalista e comentador político João Miguel Tavares, que publicou em Outubro o livro “José Sócrates – Ascensão”. Também virá a Macau Miguel Carvalho, autor de “Por dentro do Chega. A face oculta da extrema-direita em Portugal”, que resulta de uma investigação que o jornalista e escritor fez ao longo de cinco anos.
Hong Kong | Roubados 10 milhões a residente de Macau e familiar Nunu Wu - 9 Mar 20269 Mar 2026 Um residente de Macau e um familiar de Hong Kong foram alvo de um roubo de cerca de 10 milhões de dólares de Hong Kong, na sexta-feira, na estação do metro Sheung Wan. O caso foi revelado pela polícia de Hong Kong, e os ladrões detidos logo no local. Segundo a informação divulgada em conferência de imprensa, as vítimas foram roubadas por dois ladrões, depois de serem ameaçadas com uma faca. O roubo aconteceu logo depois de o residente de Macau e o familiar terem trocado moeda numa loja de câmbio em Hillier Street. Nessa operação, as vítimas trocaram dólares americanos e renminbi pelos 10 milhões de dólares de Hong Kong. Após o assalto, os ladrões foram detidos, porque os agentes apareceram rapidamente no local. Também um polícia interceptou um carro que se encontrava nas proximidades e deteve o condutor, que é tido como cúmplice dos detidos. O superintendente de polícia, Lo Ka Chun, revelou que durante o assalto e a detenção, apenas o residente de Macau ficou ferido, de forma ligeira, numa mão. Os ferimentos aconteceram durante a resistência inicial face ao roubo, e apesar de não serem graves, o residente de Macau foi conduzido ao Hospital Queen Mary. Lo Ka Chun reconheceu ainda que a polícia já tinha recebido uma denúncia para a possibilidade de uma associação criminosa estar a planear este roubo. Segundo a investigação inicial, os três detidos são portadores do bilhete de identidade de residente de Hong Kong e um dos deles tem passaporte filipino. Além disso, alguns detidos têm ligações com as tríades. Este é o terceiro caso do género, nos últimos três meses, em Sheung Wan.
Tribunal | Ex-CEO de grupo Star falhou por ligações com Suncity João Santos Filipe - 9 Mar 20269 Mar 2026 O Tribunal Federal da Austrália considerou que Matthias Bekier violou as suas obrigações de diligência, na forma como lidou com o grupo fundado por Alvin Chao. No entanto, a justiça ilibou os outros ex-directores do grupo australiano de qualquer falha Um juiz do Tribunal Federal da Austrália decidiu que o ex-administrador do grupo Star Matthias Bekier violou as suas obrigações legais, devido às ligações com a promotora de jogo Suncity. O caso remonta a 2022, quando a Comissão Australiana de Valores Mobiliários e Investimentos (ASIC, em inglês) instaurou um processo contra o grupo de casinos australiano, por considerar que não foram adoptados os procedimentos necessário para mitigar os riscos de branqueamento de capitais. De acordo com a Sky News Australia, o juiz Michael Lee decidiu que o ex-presidente do conselho de administração da Star, Matt Bekier, e a jurista da empresa, Paula Martin, falharam nos seus deveres de diligência, principalmente no que diz respeito às operações da Suncity no casino The Star. A empresa de Macau explorava uma sala de jogo com o nome Salon 95 no casino localizado em Sydney. Segundo a decisão, Bekier devia ter tido conhecimento dos relatórios sobre as ligações dos promotores de jogo Alvin Chau e Qin Sixin, e terminado as relações comerciais com estes empresários. Michael Lee indicou também que Bekier devia ter conhecimento dos riscos devido às alegadas ligações de Alvin Chau com o crime organizado. Em relação a Qin, além de promotor, era jogador no casino The Star, e foi detido no início da década de 2010, por suspeita de lavagem de dinheiro e de actividades bancárias ilegais. Derrota do regulador Segundo a Sky News Australia, a decisão foi uma derrota para o regulador, uma vez que a ASIC pretendia que a justiça considerasse não só que todos os directores da empresa tinham falhado nas suas obrigações de diligência, como também parte deles tinham prestado declarações enganadoras aos reguladores. A ASIC também defendeu em tribunal que os funcionários da Star manuseavam sacos com notas de 50 dólares amarradas com elásticos, que depois eram entregues nas mesas de jogo em sacos térmicos, enquanto os operadores bloqueavam a visão das câmaras de CCTV com cobertores. Apesar da posição do regulador, o juiz considerou inocentes os ex-directores da Star John O’Neill, Richard Sheppard, Katie Lahey, Sally Pitkin, Gerard Bradley, Benjamin Heap e Zlatko Todorcevski, por entender que não deixaram “de exercer os seus poderes e cumprir as suas funções”.
Lisboa-Hong Kong | Empresários avisam que ligação requer subsídios Hoje Macau - 9 Mar 2026 O especialista Erik Young considera que os voos de ligação a Portugal iriam servir não só Hong Kong, mas toda a Grande Baía, incluindo Macau. Porém, avisa que o sucesso da ligação dependeria da forma como Lisboa lidasse com os passageiros de África e do Brasil Representantes empresariais e do sector de aviação alertam que uma ligação aérea entre Lisboa e Hong Kong teria custos elevados e poderia precisar de apoios estatais para reduzir o risco. Uma possível ligação aérea entre Portugal e Hong Kong voltou a ganhar destaque após contactos recentes entre autoridades portuguesas e a Autoridade do Aeroporto de Hong Kong. No início de Fevereiro, decorreu uma reunião entre o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, e a directora executiva da Autoridade do Aeroporto de Hong Kong (AAHK, na sigla em inglês), Vivian Cheung Kar-fay. “[O encontro em Hong Kong foi uma] oportunidade de abordarmos assuntos de interesse mútuo”, disse o Consulado na altura. Numa resposta escrita a questões da agência Lusa, a AAHK disse que tem procurado “estabelecer contactos com companhias aéreas e parceiros comerciais do sector global, incluindo autoridades governamentais e operadores aeroportuários”. Segundo Erik Young, especialista em aviação sediado em Hong Kong, uma transportadora como a TAP teria que olhar para “além do simples interesse dos passageiros” e analisar vários “pilares críticos”. O consultor destacou que “seria necessário avaliar o equilíbrio entre viagens de negócios de alto rendimento, turismo e, crucial para este tipo de percurso de longo curso”, a capacidade de carga no porão. “Um voo destes não serve apenas Hong Kong; o seu sucesso depende da área de captação da Grande Baía e da eficiência com que o hub de Lisboa consegue ligar passageiros a mercados secundários no Brasil e em África”, apontou o especialista em aviação. Ligações com PLP Em termos económicos, sublinhou que se deve observar as “tendências de investimento estrangeiro directo, os volumes de comércio entre a Grande China e os mercados lusófonos”, e a competitividade relativa da frota da TAP face às transportadoras que oferecem ligações com uma escala. Young apontou ainda que para rotas de longo curso com custos de entrada elevados, “algum tipo de apoio inicial ou um Acordo de Serviços Aéreos robusto” é frequentemente o factor decisivo na mitigação do risco. “Em última análise, não é uma questão de sim ou não. Trata-se de um projecto de viabilidade aprofundado e não de uma observação rápida. O caso comercial exige um alinhamento muito específico destes pontos”, concluiu. O secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), Bernardo Mendia, disse à Lusa que a possibilidade de uma ligação aérea directa entre Portugal e Hong Kong ou Macau “surge ciclicamente no debate público devido ao interesse histórico e económico crescente entre Portugal e o sul da China. “Do ponto de vista técnico, hoje essa ligação parece ser possível”, disse Mendia, lembrando que a distância entre Lisboa e Hong Kong ronda os 11 mil quilómetros e que aeronaves modernas de longo curso, como o Airbus A330-900neo da TAP Air Portugal, têm autonomia suficiente para realizar o voo sem escalas. No entanto, o responsável destacou que “a questão central não é tecnológica, mas sobretudo económica” pois “as rotas intercontinentais exigem uma massa crítica consistente de passageiros e carga para serem sustentáveis”. Actualmente, o mercado entre Portugal e o sul da China é servido de forma indirecta através de grandes hubs europeus e do Médio Oriente. “Existem mais de 300 voos semanais entre a região da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau e Lisboa com ligação intermédia em aeroportos como Paris, Frankfurt, Istambul ou Dubai. Isto demonstra que existe procura, mas ainda distribuída por esses grandes centros de ligação”, acrescentou. Potencial significativo Apesar disso, Mendia considera que o potencial estratégico é significativo, considerando que Grande Baía, que integra Hong Kong, Macau, Shenzhen e Guangzhou, reúne mais de 70 milhões de habitantes e constitui um dos maiores polos económicos do mundo. O espaço da lusofonia reúne cerca de 260 milhões de pessoas, o que cria um eixo potencial muito relevante entre a Ásia e os países de língua portuguesa, avisa, no qual “Portugal pode desempenhar um papel natural de plataforma de ligação”. Neste contexto, uma ligação directa poderia beneficiar não apenas do tráfego entre Portugal e o sul da China, mas também de fluxos mais amplos entre a Ásia e os mercados lusófonos. “Lisboa pode tirar partido da sua posição geográfica e da rede atlântica da TAP Air Portugal”, disse. O secretário-geral da CCILC apontou ainda um cenário “particularmente interessante” de algum eventual envolvimento de uma companhia aérea chinesa no processo de privatização da TAP. “Nesse caso, poderia abrir-se a possibilidade de posicionar Lisboa como um verdadeiro hub de ligação entre a Europa, a Ásia e o espaço lusófono”, afirmou. “Em vez de os passageiros portugueses terem de se deslocar a grandes capitais europeias para voar para a Ásia, poderia acontecer o inverso: passageiros de várias cidades europeias passarem a utilizar Lisboa como porta de entrada para voos directos para a Ásia, com todos os benefícios para Portugal associados”, acrescentou. Se tal vier a acontecer, concluiu Mendia, “Lisboa poderá afirmar-se como um ponto de encontro natural entre três grandes espaços económicos: a Europa, a Grande Baía do sul da China e o mundo lusófono”.
Cigarros | Governo quer proibição total de cigarros electrónicos Hoje Macau - 9 Mar 2026 A proposta de lei em consulta visa os cigarros electrónicos, as bolsas de nicotina e o tabaco para os cachimbos de água. Os infractores apanhados na posse destes produtos vão ter de pagar multas que chegam às 1.500 patacas O Governo de Macau apresentou na sexta-feira uma proposta de lei que prevê a proibição da posse e consumo de cigarros electrónicos, “face aos riscos associados à saúde pública”. Os Serviços de Saúde anunciaram o lançamento de uma consulta pública, entre 8 de Março e 8 de Abril, sobre a revisão da lei de prevenção e controlo tabágico. Desde 2018, que já é proibida em Macau a venda, publicidade e promoção a cigarros electrónicos. Em 2022, a região proibiu também o fabrico, distribuição, importação, exportação e transporte destes dispositivos. Mas o chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e Alcoolismo dos Serviços de Saúde admitiu que os residentes têm continuado a usar cigarros electrónicos, que “devido ao seu tamanho reduzido são facilmente ocultáveis”. “Os cigarros electrónicos não são melhores do que os cigarros tradicionais. Mas, com diferentes sabores e diferentes formas, são mais atraentes e conseguem atrair o consumo dos jovens”, lamentou Lam Chong. “Algumas pessoas, depois de algum tempo, passam a fumar cigarros tradicionais”, acrescentou, numa conferência de imprensa. Drogas ilegais Além disso, o dirigente alertou que os cigarros electrónicos têm sido usados “como utensílio” para o consumo de drogas ilegais, como o caso de uma nova droga sintética, conhecida como ‘petróleo espacial’. “A população, de modo geral, demanda o fortalecimento da fiscalização sobre o consumo dos cigarros electrónicos”, defenderam os Serviços de Saúde, no documento de consulta pública. O ‘petróleo espacial’, produzido a partir do anestésico etomidato, já terá causado pelo menos três mortes na região vizinha de Hong Kong. Em Macau, a primeira apreensão foi feita numa escola local, em Outubro de 2023. A substância é conhecida em Hong Kong como ‘droga zombie’ porque pode causar graves danos físicos e mentais, incluindo dependência, perda de memória, convulsões, perda de consciência e até morte. Os Serviços de Saúde sublinharam que a posse de cigarros electrónicos já está proibida em Singapura desde 2018 e que Hong Kong irá banir o consumo em locais públicos a partir de 30 de Abril. “Esperamos que a revisão possa entrar em vigor no próximo ano, embora vá haver um período de transição”, disse Lam Chong. Após a entrada em vigor, quem for apanhado em público com cigarros electrónicos, irá enfrentar uma multa de até 1.500 patacas. Cachimbos de água visados A proposta de lei prevê também a proibição do fabrico, distribuição, importação, exportação e transporte na entrada e saída de Macau de bolsas de nicotina, cigarros à base de plantas e tabaco ou pasta para cachimbos de água. O objectivo, explicou Lam Chong, é banir estes produtos alternativos de tabaco, que não são abrangidos pela actual legislação, “antes que se generalizem” no território, nomeadamente entre os jovens consumidores. O dirigente avisou que os fabricantes têm descrito estes produtos, de forma errónea, como “livres de tabaco”, “sem malefícios” ou como “substitutos saudáveis” dos cigarros convencionais. Lam deu como exemplo o consumo de um cachimbo de água durante 45 a 60 minutos, algo que disse ser “equivalente a fumar 100 cigarros”, com “uma maior quantidade de monóxido de carbono”.
Duas Sessões | André Cheong diz que deputados não são “apenas espectadores” João Luz - 9 Mar 20269 Mar 2026 Todos os secretários e responsáveis de altos cargos da RAEM garantiram que vão “implementar seriamente o espírito das duas sessões nacionais”. O princípio da predominância do poder Executivo e a defesa da segurança nacional foram compromissos partilhados pelas principais figuras políticas da RAEM Depois das sessões inaugurais da Assembleia Popular Nacional (APN) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) e do encontro da delegação da RAEM com Ding Xuexiang, membro do Comité Permanente do Politburo do Partido Comunista da China e Vice-Primeiro-Ministro do Conselho de Estado encarregado dos assuntos de Hong Kong e Macau, todas as principais figuras políticas locais garantiram que vão implementar o espírito das duas sessões. O presidente da Assembleia Legislativa (AL), André Cheong, afirmou que o órgão legislativo “vai tomar como orientação as declarações e instruções importantes proferidas pelo Presidente Xi Jinping durante a sua visita a Macau e a Hengqin no final de 2024, (…) e estudar a fundo e implementar o espírito das duas sessões nacionais”. André Cheong indicou que a “Assembleia Legislativa tomará medidas concretas para concretizar o princípio da predominância do poder executivo, para não ser apenas um ‘comentador’ ou ‘espectador’”, com os deputados serem os representantes da opinião pública. O líder da AL salientou a responsabilidade dos deputados na salvaguarda da segurança nacional e no impulso ao desenvolvimento económico e social de Macau”. Além da segurança nacional, André Cheong apontou a necessidade produzir legislação que facilite a vida dos residentes de Macau que vivem ou trabalham em Hengqin, e o reforço da colaboração com os órgãos legislativos da Província de Guangdong e do Município de Zhuhai. Por seu turno, o secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, salientou que o sistema jurídico de defesa da segurança do Estado será aperfeiçoado e consolidado e que será “intensificada a educação do amor pela pátria e por Macau junto dos trabalhadores dos serviços públicos”. Cultura nacionalista Também a pasta da área dos Assuntos Sociais e Cultura sublinhou que “estudará com afinco o espírito das instruções importantes proferidas pelo Presidente Xi durante as ‘Duas Sessões’, o relatório de trabalho do Governo, bem como as instruções do Vice-Primeiro-Ministro Ding”. A tutela liderada por O Lam apontou a importância do desenvolvimento integrado da educação, da ciência e tecnologia e dos quadros qualificados. Neste ponto, o gabinete da secretária salientou a inclusão no 15.º Plano Quinquenal Nacional do desenvolvimento da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin. No plano cultural, O Lam defende que a cultura deve “transmitir os valores essenciais do amor à Pátria e amor a Macau e contar bem a história de Macau”. Já a presidente do Tribunal de Última Instância, Song Man Lei, afirmou que a realização das Duas Sessões apontou o rumo para o desenvolvimento futuro de Macau, e que os tribunais da RAEM irão apoiar firmemente o Chefe do Executivo e o Governo da RAEM na sua governação”. A mais alta magistrada da RAEM afirmou ainda que “os tribunais da RAEM irão exercer o poder judicial nos termos da lei, pautando-se pelo conceito de justiça imparcial, apoiando firmemente o Chefe do Executivo na sua governação em conformidade com a lei. Além disso, os crimes contra a segurança nacional serão punidos “severamente”. O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, afirmou que a “predominância do poder executivo é a orientação das decisões do Governo Central que conta com a colaboração e o apoio do Governo da RAEM, da população em geral e dos diversos sectores da sociedade”. Mensagens semelhantes foram partilhadas pelos restantes secretários, e comissárias Contra a Corrupção e Auditoria, os Serviços de Alfândega e o Procurador do Ministério Público.
Jogo | SJM culpa fecho de casinos-satélite por prejuízos em 2025 Hoje Macau - 6 Mar 2026 A concessionária do jogo em Macau SJM Holdings culpou ontem o encerramento de oito ‘casinos-satélite’, após terminar 2025 com um prejuízo de 429 milhões de dólares de Hong Kong. Em 2024, o grupo fundado pelo magnata do jogo Stanley Ho Hung Sun (1921-2020) tinha registado um lucro de três milhões de dólares de Hong Kong. Num comunicado enviado à bolsa de valores de Hong Kong, a empresa admitiu que o desempenho financeiro no ano passado “foi afectado pelo encerramento progressivo dos casinos-satélite”. Quando a legislação que regula os casinos foi alterada, em 2022, estabeleceu-se o final de 2025 como data limite para terminar a actividade destes espaços de jogo. No entanto, a SJM apenas encerrou oito ‘casinos-satélite’, dos nove que detinha, uma vez que a empresa adquiriu, por 1,75 mil milhões de dólares de Hong Kong, o Casino Royal Arc e obteve autorização do Governo para gerir directamente o espaço. “Estes desenvolvimentos resultaram numa perturbação das receitas a curto prazo; consequentemente, exerceram pressão sobre a rendibilidade global e a quota de mercado durante o período de transição”, disse a operadora. A quota de mercado da SJM encolheu 1,1 pontos percentuais, para 11,9 por cento, em 2025, uma vez que as receitas do grupo caíram 0,7 por cento, para 28,6 mil milhões de dólares de Hong Kong em 2025. Já as receitas do jogo nos casinos geridos directamente pela SJM aumentaram 4,6 por cento, para 18,9 mil milhões de dólares de Hong Kong. A presidente da SJM, Daisy Ho Chiu-fung, defendeu no comunicado que há razões para optimismo ao “abrir um novo e empolgante capítulo”, depois de “um período de significativo realinhamento estratégico”. A empresa sublinhou que as receitas vindas do chamado mercado de massas – apostadores que não recorrem a crédito – já ultrapassaram em 44,4 por cento o nível atingido em 2019, antes da pandemia de covid-19. Após a compra do Royal Arc, a dívida da SJM aumentou 7,3 por cento, para 29,3 mil milhões de dólares de Hong Kong.
Óbito | António Lobo Antunes morre aos 83 anos Hoje Macau - 6 Mar 2026 O escritor António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, morreu ontem aos 83 anos, confirmou à Lusa fonte editorial. António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 01 de Setembro de 1942, licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, tendo-se especializado em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda. Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas. “Nunca soube verdadeiramente fazer outra coisa que não escrever”, declarou o escritor, que se definiu com um “caçador de palavras”, à agência Lusa, em 2004, quando já tinha recebido o Prémio União Latina (2003) pelo conjunto da obra, e a lista de distinções já ia do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE) ao Melhor Livro Estrangeiro publicado em França (“Manual dos Inquisidores”) e ao reconhecimento pela Feira do Livro de Frankfurt (1997), na Alemanha. O seu primeiro livro, “Memória de Elefante”, surgiu em 1979, logo seguido de “Os Cus de Judas”, no mesmo ano, sucedendo-se “Conhecimento do Inferno”, em 1980, e “Explicação dos Pássaros”, em 1981, obras marcadas pela experiência da guerra e pelo exercício da Psiquiatria, que depressa o tornaram um dos autores mais lidos em Portugal. A República Portuguesa condecorou-o com a grã-cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 2004 e, em 2019, com a Ordem da Liberdade. França deu-lhe o grau de “Commandeur” da Ordem das Artes e das Letras, em 2008. Inédito em Abril Um livro inédito de poemas de António Lobo Antunes, que o escritor que sempre lamentou não ter sido poeta foi escrevendo ao longo da vida, vai ser publicado em Abril, anunciou hoje a sua editora, em comunicado. “Poemas” é o título deste livro, em que a Dom Quixote estava a trabalhar, e que acaba por não ser publicado ainda em vida do escritor. A editora, que tem publicado toda a sua obra, “anuncia que publicará já em Abril um inédito, não de prosa, o seu género favorito, mas de poesia, onde estarão reunidos os poemas que António Lobo Antunes foi escrevendo ao longo da sua vida. Ele que sempre lamentou não ter sido poeta”. Esta publicação insere-se no âmbito do compromisso da Dom Quixote em continuar a trabalhar e a promover uma obra, “cuja importância ultrapassou fronteiras, premiada e distinguida um pouco por todo o mundo”. O Governo português decretou um dia de luto nacional pelo falecimento de escritor que deverá ser cumprido no sábado, 7 de Março.
As tempestades e a falta de cultura meteorológica em Portugal Olavo Rasquinho - 6 Mar 2026 Já muito se falou e escreveu sobre a tempestade Kristin que afetou Portugal na madrugada do 28 de janeiro de 2026, causando graves prejuízos, em especial nas regiões do centro do país. Começou como núcleo depressionário associado a uma depressão muito mais vasta, designada por Joseph, tendo sofrido uma diminuição brusca da pressão no seu centro, o que se pode classificar como ciclogénese explosiva, visto que a queda da pressão ultrapassou 24 hPa em 24 horas. Este fenómeno meteorológico é também designado por ciclone-bomba. Note-se que, na Europa, à semelhança do que é prática corrente nas regiões tropicais relativamente aos ciclones tropicais, são atribuídos nomes próprios às depressões sempre que se prevê que poderão ter impactos significativos. Esta prática foi iniciada pela Irlanda e Reino Unido, em 2015. Mais tarde, em 2017, Portugal, Espanha, França, Bélgica e Luxemburgo também passaram a elaborar listas de nomes próprios. Entretanto, outros grupos regionais foram formados, elaborando cada grupo a sua própria lista de nomes, alternadamente femininos e masculinos. O critério principal está relacionado com a severidade que justifique a emissão de avisos meteorológicos de nível laranja ou vermelho. Em Portugal, o principal parâmetro a considerar é o vento, podendo também ser justificação para avisos outras variáveis, como precipitação intensa e agitação marítima. Durante um período de algumas semanas, entre meados de janeiro e meados de fevereiro de 2026, ocorreu uma sequência inusitada de depressões às quais foram atribuídos nomes. Destacam-se, além de Kristin, as depressões Joseph e Cláudia que, embora tenham provocado estragos, não tiveram consequências tão acentuadas. Quando as depressões com nomes próprios não têm consequências significativas, os seus nomes permanecem na lista de acontecimentos futuros. Contrariamente, como no caso de Kristin, serão banidos e substituídos por outros. O facto de se ter formado um bloqueio anticiclónico entre a Gronelândia e a Península Escandinava, e o Anticiclone dos Açores se encontrar bem a sul do paralelo 40º N, fez com que se estabelecesse uma espécie de corredor nas vizinhanças deste paralelo, o que favoreceu o rápido percurso de oeste para leste de uma sequência de depressões em geral associadas a ondulações frontais. Habituados à amenidade do clima, os portugueses surpreenderam-se com a gravidade das consequências, que se traduziram no derrube de centenas de milhares de árvores, cheias, inundações, deslizamentos de terras, danificação de edifícios, postes de eletricidade, diques e outras infraestruturas. A região centro, que já havia sofrido graves danos com a passagem de uma depressão extratropical resultante do furacão Leslie, em 2018, foi a mais fustigada. As imagens de satélite da depressão Kristin apresentam uma configuração com o aspeto de gancho ou cauda de escorpião, o que denota a existência de uma forte corrente de ar descendente que se designa por “sting jet” (“sting” em inglês significa ferrão). Este tipo de corrente, ao atingir a superfície, origina ventos extremamente fortes, numa faixa de dezenas de quilómetros, frequentemente superiores ao grau 12 da escala de Beaufort (ventos superiores a 118 km/h). No caso da depressão Kristin, foram registadas rajadas superiores a 150 km/h, nomeadamente na Base Aérea de Monte Real, onde uma rajada atingiu valor superior a 170 km/h. Vem este texto não só a propósito da tempestade Kristin, mas também sobre a linguagem inadequada que se usa quando se fala do tempo e do clima. Num dos despachos assinados pelo Primeiro-Ministro (despacho n.º 1335-A/2026, de 4 de fevereiro) a tempestade Kristin é classificada como “fenómeno climatérico adverso”. Também no Despacho n.º 1218/2026 de 3 de fevereiro, referente à depressão Cláudia, assinado pelo Ministro da Agricultura e Mar, aquele fenómeno meteorológico foi também classificado da mesma maneira. Mesmo em documentos oficiais da União Europeia, as expressões “phénomenes climatiques défavorables” e “adverse climatic events” são traduzidas para português como “fenómenos climatéricos adversos”, o que se pode considerar, no mínimo, uma tradução inadequada. É o caso, por exemplo, da versão portuguesa do Regulamento (UE) 2021/2115 do Parlamento Europeu, relativo a regras para apoiar planos estratégicos a elaborar pelos Estados-Membros relativos à política agrícola comum. Ainda no âmbito das consequências da depressão Kristin, numa entrevista à CNN Portugal, em 4 de fevereiro de 2026, a Ministra do Ambiente e Energia referiu-se à tempestade declarando explicitamente “isto foi um furacão” e afirmando que se tratava de um “evento como não há memória”. Claro que se trata de afirmações feitas por alguém que não é especialista nas áreas da meteorologia e do clima. Seria conveniente, no entanto, um mínimo de coerência nas afirmações sobre eventos que caem no âmbito do seu ministério, que tutela o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e que, por sua vez, é a autoridade meteorológica nacional. Kristin não se pode classificar como furacão, pois trata-se de uma depressão extratropical. Na realidade, os furacões formam-se nas regiões tropicais e os processos de formação são distintos. Infelizmente a legislação portuguesa adotou a designação “fenómenos climatéricos adversos” para se referir a eventos meteorológicos com consequências devastadoras, evidenciando uma falta de cooperação entre os legisladores e o IPMA. Provavelmente este Instituto nem terá sido consultado sobre a tradução do documento da União Europeia atrás referido. Sobre a afirmação “evento como não há memória”, foi de facto um dos mais gravosos nas últimas dezenas de anos, mas ainda há cidadãos portugueses que se lembram do “Ciclone de 1941”, considerado a tempestade mais mortífera que afetou Portugal desde que se fazem observações regulares. Causou graves danos em todo o país, tendo provocado uma quantidade elevada de mortos, que se estima ter sido entre 150 e 200, não se sabendo o número exato devido à censura que caracterizava o regime então vigente. Outras imprecisões de linguagem ocorrem com alguma frequência. Por exemplo, não é raro ouvir e ver escrito “metereologia”, “metereologista”, “metereológicas”, etc., em vez de “meteorologia”, “meteorologista” e “meteorológicas”. Trata-se de uma falta de conhecimento da etimologia da palavra “meteorologia”, termo que designa a ciência que estuda a atmosfera terrestre. Entre outros assuntos, esta ciência estuda os meteorosi, os quais, segundo a Organização Meteorológica Mundial, se definem como sendo todos fenómenos observados na atmosfera que resultam da existência de partículas líquidas ou sólidas, ou de processos óticos ou elétricos. Provavelmente, devido a haver uma certa dificuldade em articular corretamente as sílabas da palavra “meteorologia” e seus derivados, e à tendência natural de simplificar a fala, alguns profissionais da comunicação social preferem recorrer à expressão “condições climatéricas” em vez de “condições meteorológicas”. Cometem, no entanto, um outro erro, atendendo a que pretendem relacionar a palavra “climatéricas” com o tempo que faz, ou fez, num determinado momento ou durante um período relativamente curto. São frequentes frases como esta: “o espetáculo foi interrompido devido às condições climatéricas”. Ora o termo “climatérico” poderá estar relacionado com o clima ou com o tempo, como mencionam alguns dicionários, mas esta expressão não é adequada para referirmos às condições meteorológicas num determinado momento, visto que “tempo” e “clima” têm significados diferentes. Quando pretendemos referir-nos ao tempo devem ser usadas as expressões “condições meteorológicas”, “condições atmosféricas”, “estado do tempo” ou simplesmente “tempo”. Quando falamos do clima de uma determinada região estamos a referir-nos às condições meteorológicas médias durante um vasto período, no mínimo de 30 anos. Ao escrever “metereologia” estamos a cometer um erro ortográfico, enquanto chamar “clima” ao “tempo” incorremos num erro semântico. O termo “climático” (e não “climatérico”) é mais adequado, quando nos queremos referir ao clima. Mais uma razão para não usar o termo “climatérico” consiste no facto de, no âmbito da medicina e da botânica, se referir, respetivamente, ao “período de transição fisiológica e psicológica que antecede e sucede a menopausa ou a andropausa” e ao “processo de maturação de certos frutos” (segundo os Dicionários Infopédia da Porto Editora). Em resumo, é de evitar termos, como “metereologia” (erro ortográfico) e seus derivados, e “climatérico” (erro semântico) sobre fenómenos meteorológicos como o que infelizmente é frequente em reportagens e em documentos oficiais. Por respeito à língua portuguesa e ao público em geral é fundamental que se recorra a termos precisos para evitar equívocos.
Empresa japonesa falha lançamento de primeiro satélite privado do país Hoje Macau - 6 Mar 2026 A Space One falhou ontem pela terceira vez consecutiva a tentativa de se tornar a primeira empresa japonesa a colocar satélites em órbita. O foguetão Kairos III conseguiu descolar às 11:10 locais, conforme previsto, a partir da prefeitura de Wakayama, no oeste do Japão, mas foi obrigado a abortar a missão de lançamento pouco após a descolagem. Apenas cinco minutos depois da descolagem, a empresa nipónica anunciou a decisão de abortar a missão, sem fornecer por enquanto mais informações, enquanto continua a “investigar os detalhes” do ocorrido, de acordo com comunicado da Space One. O lançamento do foguetão, com 18 metros de altura, já tinha sido adiado três vezes, a última na quarta-feira, devido a uma falha nas ligações com os satélites que transportava. O objectivo da missão era colocar em órbita cinco satélites a cerca de 500 quilómetros, segundo detalhou a emissora pública japonesa NHK. Caso tivesse conseguido, a empresa tornar-se-ia a primeira do país a colocar um satélite em órbita, um marco que, por agora, continua por alcançar. Histórial de falhanços A Space One lançou o primeiro foguetão Kairos em Março de 2024, mas o aparelho explodiu cerca de cinco minutos após a descolagem devido a um erro na previsão do impulso. Em Dezembro do mesmo ano, lançou o segundo aparelho, o Kairos II, que se autodestruiu depois de os responsáveis do projecto concluírem que seria difícil cumprir a missão devido a problemas nos sensores. Fundada em 2018, a empresa procura comercializar serviços de transporte espacial de baixo custo e oferecer lançamentos regulares de foguetões exclusivamente com fundos privados. O fracasso representa um novo revés para os esforços e ambições da indústria espacial japonesa de competir a nível global com empresas como a norte-americana SpaceX.
Defesa | Orçamento a subir 7 por cento Hoje Macau - 6 Mar 2026 A China anunciou ontem um aumento de 7 por cento no orçamento da Defesa para 2026, mantendo a tendência dos últimos anos, num esforço para reforçar a dissuasão face aos Estados Unidos e a sua posição em disputas regionais. O valor foi anunciado na abertura da sessão anual da Assembleia Nacional Popular, o órgão legislativo chinês, que decorre em Pequim. Segundo os dados divulgados, a China prevê gastar 1,9096 biliões de yuan (cerca de 238 mil milhões de euros) em defesa este ano, um montante que permanece cerca de três vezes inferior ao orçamento militar dos Estados Unidos. A subida mantém-se em linha com os aumentos registados na última década, que têm oscilado geralmente entre 7 por cento e 8 por cento ao ano. Em 2025, o orçamento militar chinês aumentou 7,2 por cento. Analistas indicam que os novos recursos deverão financiar aumentos salariais para militares, exercícios e treinos, manobras militares nas proximidades de Taiwan, o reforço das capacidades de ciberdefesa e a aquisição de equipamento militar mais avançado. Segundo Song Zhongping, comentador militar e antigo instrutor do Exército chinês, a China pretende manter uma política externa independente, o que exige o reforço das capacidades militares e tecnológicas. “O país quer uma política externa independente. As nossas capacidades militares e tecnológicas devem acompanhar essa ambição, caso contrário essa política ficará sujeita à coerção ou mesmo à dominação de outros países, nomeadamente dos Estados Unidos”, afirmou. Apesar do aumento, as despesas militares chinesas continuam relativamente moderadas quando comparadas em percentagem do produto interno bruto (PIB). A China dispõe actualmente de apenas uma base militar no estrangeiro, situada no Djibuti, e afirma que a sua política de defesa visa exclusivamente proteger a sua soberania territorial, incluindo Taiwan, que considera parte do seu território.
APN | Reafirmado princípio “uma só China” Hoje Macau - 6 Mar 2026 A China reafirmou ontem o compromisso com o princípio de “uma só China” e garantiu que irá combater as forças separatistas que promovem a “independência de Taiwan”, afirmou o primeiro-ministro chinês, Li Qiang. As declarações foram feitas durante a apresentação do relatório anual de trabalho do Governo na sessão da Assembleia Popular Nacional (APN), o órgão legislativo chinês, inaugurada ontem no Grande Palácio do Povo, em Pequim. Li sublinhou que Pequim continuará a avançar na “reunificação nacional” e a aplicar “de forma aprofundada a estratégia geral do Partido [Comunista] para resolver a questão de Taiwan na nova era”. Segundo o relatório apresentado à ANP, o Governo chinês actuará de acordo com o princípio de “uma só China” e com o chamado Consenso de 1992, ao mesmo tempo que se oporá ao que classificou como “interferência de forças externas”. O chefe do Executivo acrescentou que Pequim pretende promover o “desenvolvimento pacífico das relações entre os dois lados do estreito” e incentivar intercâmbios, cooperação e integração entre Taiwan e o continente. A questão de Taiwan continua a ser uma das principais fontes de tensão na região. No mês passado, Pequim acusou o líder taiwanês de ser um “instigador de guerra”, após William Lai Ching-te ter alertado para o impacto regional que poderia resultar de um eventual controlo chinês da ilha. Analistas taiwaneses citados por órgãos de comunicação locais consideram, contudo, pouco provável uma acção militar chinesa a curto prazo, tendo em conta o actual contexto internacional, marcado também pelas tensões relacionadas com o conflito no Irão. Segundo esses especialistas, Pequim continua a manter como objectivo oficial a chamada “reunificação pacífica”.
Economia | Fixada meta de crescimento entre 4,5% e 5% para 2026 Hoje Macau - 6 Mar 2026 A China estabeleceu ontem uma meta de crescimento económico entre 4,5 por cento e 5 por cento para este ano, ligeiramente abaixo dos objectivos definidos nos últimos anos, num contexto marcado pela prolongada crise no sector imobiliário e por incertezas externas. A meta foi anunciada pelo primeiro-ministro chinês, Li Qiang, durante a apresentação do relatório de trabalho do Governo na sessão de abertura da Assembleia Nacional Popular (ANP), o órgão máximo legislativo da China. O relatório estabelece o objectivo de crescimento nesse intervalo, acrescentando que o Governo procurará “alcançar melhores resultados na prática”. “Embora reconheçamos as nossas conquistas, também temos plena consciência das dificuldades e desafios que enfrentamos”, afirma o relatório. Nos últimos três anos, Pequim fixou metas de crescimento de “cerca de 5 por cento”. Em 2025, a economia chinesa registou uma expansão de 5 por cento. Ao estabelecer um intervalo entre 4,5 por cento e 5 por cento, o Governo procura dar maior margem de manobra para ajustar as políticas económicas ao longo do ano. O documento destaca o aumento dos riscos geopolíticos e assinala que o comércio livre está sob forte ameaça. As exportações chinesas para os Estados Unidos foram afectadas pelas tarifas impostas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, embora a China tenha expandido as vendas para outras regiões do mundo. No plano interno, o relatório sublinha um desequilíbrio “acentuado” entre uma oferta forte e uma procura fraca, bem como o desafio de fazer a transição da economia para novos motores de crescimento. “Internamente, ainda enfrentamos diversos problemas e desafios, tanto antigos como novos”, acrescenta o documento. “Ao propor estas metas, tivemos em conta a necessidade de deixar algum espaço para ajustes estruturais, prevenção de riscos e reformas no primeiro ano deste período do plano quinquenal, de modo a estabelecer uma base sólida para alcançar melhores resultados nos próximos anos”, refere o relatório. Outros planos A sessão anual da ANP, que reúne cerca de 3.000 delegados e é considerada o principal evento político anual do país, deverá também aprovar um plano quinquenal que definirá as prioridades políticas e económicas da China até 2030. O documento inclui também compromissos para reforçar a economia doméstica e, ao mesmo tempo, avançar com as ambições do Presidente chinês, Xi Jinping, de transformar o país num líder global em tecnologia.
Música | Recital de piano “A Vida em Poesia” amanhã na FRC Hoje Macau - 6 Mar 20266 Mar 2026 A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe amanhã à tarde, a partir das 17h, o recital de piano “A Vida em Poesia”, uma apresentação “entre performance intimista e o teatro de rua, com a dupla de artistas Sofia da Mar (Andreia Correia) e Barqueiro de Oz (Rui Filipe). Segundo a organização do concerto, o recital assenta num “conceito que cruza a música e a poesia, a dança e o teatro, o encontro e a diversão, em doses leves de humor, charme e tentação”. O público de Macau poderá apreciar composições musicais e textos originais, “com sonoridades e palavras influenciadas pelos quatro cantos da diáspora portuguesa”. A performance protagonizada pela dupla Sofia da Mar e Barqueiro de Oz estreou em Portugal no auditório da Sociedade Portuguesa de Autores no passado dia 13 de Fevereiro. “A Vida em Poesia” é um encontro íntimo entre palavra e música, onde cada verso respira e cada nota acende memórias. Um espectáculo que abre janelas dentro de nós, guiando o público por sentimentos profundos, humor subtil e momentos de pura beleza. Entre piano, voz e silêncio, a poesia ganha corpo e a vida revela-se em gesto, ritmo e emoção. Uma celebração sensorial do que somos e do que ainda podemos sentir”, revelam os artistas, citados por um comunicado da FRC. A entrada é livre.
Trio musical toca em Hong Kong em busca de novo público para o patuá Hoje Macau - 6 Mar 2026 Um trio que compõe músicas originais em patuá vai amanhã dar em Hong Kong o primeiro concerto fora de Macau, para tentar criar um novo público para o dialecto crioulo de origem portuguesa. Há cerca de seis anos, o engenheiro civil Delfino Gabriel começou a tentar fazer músicas em patuá. “Eu sou macaense e pai de duas crianças. Por isso, acho necessário promover e mostrar-lhes as suas raízes, que não é só a gastronomia macaense”, diz Gabriel. “Na maior parte das vezes, escrevia em português e depois pedia ajuda a bons amigos que têm talento para o crioulo. Ensinaram-me e tentaram traduzir para mim”, explica Gabriel. Depois de lançar vários trabalhos a solo, o cantor criou há dois anos o trio Gabriel & Friends, com Water, um multi-instrumentalista local, e Halen Mory Woo, um percussionista de Hong Kong. “Quando nos conhecemos, foi amor à primeira vista, porque partilhamos a mesma paixão por fazer música original com instrumentos invulgares – handpan, jambé, kora – tudo ‘champurado’ [‘misturado’ em patuá]”, defende Gabriel. O trio Gabriel & Friends passou em Outubro pelo palco do Festival da Lusofonia de Macau. Para 2026, o objectivo é ir além de Macau, a começar amanhã, no Museek Studio, em Hong Kong, um espaço que acolhe concertos de música alternativa, com um máximo de 25 espectadores. “O dono ficou muito interessado quando ouviu falar de música em patuá e ele apoia muito este tipo de partilha cultural”, diz Halen, que dá aulas na Universidade de Macau. Por outro caminho “O Gabriel está a tentar não apenas preservar a língua, mas também promovê-la. Só que em vez de uma palestra, com um ‘Power Point’, apresentamos o patuá com música”, disse o percussionista. “As canções tradicionais são muito interessantes. Inspirei-me na Tuna Macaense. Mas estamos a tentar fazer algo diferente, novo, música pop alternativa”, explica Gabriel. O cantor acredita que pode “atrair um novo público” para o patuá, algo que já tem feito também através das actividades da Associação de Estudos da Cultura Macaense. “Muitos dos estudantes [vindos da China continental] consideram a cultura macaense em geral muito interessante”, diz Gabriel, que trabalha a tempo inteiro na Universidade de Macau. Gabriel sublinha que o Governo da região chinesa tem “apoiado muito” os esforços para preservar o patuá e sonha com um futuro em que o crioulo seja “como o pastel de nata de Macau”. “Não apenas um património que possa ser passado de geração em geração, mas também algo que, quando um turista vem cá, sabe que existe o patuá, como um símbolo de Macau”, explicou o macaense.
Rota das Letras | Fim-de-semana com cinema, poesia, música e passeios históricos João Luz - 6 Mar 2026 Depois das sessões inaugurais de ontem, o festival literário Rota das Letras entra hoje em velocidade cruzeiro, com um cartaz variado e intenso em termos de agenda até domingo. As “festividades” de hoje arrancam às 17h30 na Casa Garden com a apresentação “Desenhar o Mundo”, uma palestra conduzida pelo cartoonista Guy Delisle sobre a intersecção entre banda desenhada, cultura e humanismo. O cartoonista canadiano conta na bagagem várias novelas gráficas que, além da ficção, retratam realidades que marcam a actualidade internacional, como “Shenzhen: A Travelogue from China”, “Pyongyang: A Journey in North Korea” ou “Jerusalem: Chronicles from the Holy City”. Às 19h, também na Casa Garden (que acolhe todos os eventos de hoje), será a vez de António Cortez e Alice Neto de Sousa terem um “Diálogo Poético Intergeracional: Palavras de Ferem e Curam”. À mesma hora, também na Casa Garden, é apresentado o livro “Posse e Paixão: Um Guia para Colecionadores de Arte” de Konstantin Bessmertny. Entretanto, o jardim da Casa Garden, a partir das 20h, será palco para uma performance de música e poesia de Tim Yiu e 45 minutos depois as palavras vão soar mais alto com “Línguas em Harmonia”, que irá contrapor leituras e português, chinês e inglês, por Tim Yiu, Kam Un Loi, Si Tou Chi U, Alice Neto de Sousa e António Cortez. Letras a pé O programa de amanhã começa às 11h com um passeio com história conduzido por Christopher Chu e Maggie Hoi, que irão levar a literatura para a rua sobre o tema “Camilo Pessanha e as suas estórias de Macau: Anos Ímpares”. Os interessados em seguir os passos de Pessanha e desvendar os segredos que Macau esconde têm como ponto de encontro o Edifício Si Toi (Praia Grande) às 11h. O programa de sábado prossegue às 15h na Casa Garden com a palestra “Nostalgia e Modernidade na Literatura de Macau”, que propõe uma “reflexão sobre a escrita numa cidade moldada pela fusão Oriente-Ocidente”. O evento será conduzido por Cheung Wai-man e Rai Mutsu. À mesma hora, noutra parte da Casa Garden, a literatura policial será o foco com a apresentação de Adam Sisman sobre John Le Carré na palestra “O Espião e o Biógrafo”. Uma hora depois, a organização do festival propõe um mergulho num dos mestres contemporâneos do thriller literário, Xiao Bai, numa palestra conduzida pelo próprio autor. Às 16h, segue-se um dos momentos altos do programa do Rota das Letras deste ano com “Meio Século de Luz e Memória”, uma palestra que irá iluminar os pontos fundamentais da trajectória artística de Carlos Marreiros. A agenda da tarde de sábado prossegue com uma narração sobre a crise planetária “Clima, Ficção e o Impensável” pelo escritor indiano Amitav Ghosh. O autor apresenta no domingo, às 18h30 na Casa Garden uma palestra que tem como foco principal a trilogia de livros que escreveu sobre as implicações do comércio do ópio, tendo como ponto de partida o centro histórico de Macau. Vampiros, sorte e azar Outro dos momentos de destaque da programação de amanhã gira em torno do filme “Ballad of a Small Player”, que tem Macau como pano de fundo de um drama, com toques de comédia, que ilustra a vida de um jogador que se perde entre as mesas dos casinos e a fantasmagoria da região. Amanhã às 18h30, no local que concentra as actividades deste ano do Rota das Letras, o autor do livro que deu origem ao filme, Lawrence Osborne, e o realizador Edward Berger protagonizam uma palestra onde se vão desvendar os segredos da adapção da estória de “Lord Doyle” das páginas para os ecrãs. O filme, que estreou em Outubro do ano passado, será exibido também amanhã às 21h15 no Cinema Alegria. Os bilhetes custam 100 patacas. No domingo, o dia começa às 11h com mais passeio com história guiado por Christopher Chu e Maggie Choi intitulado “Camilo Pessanha e as suas estórias de Macau: A Sociedade dos Poetas Mortos”. O ponto de partida do passeio é a estátua do poeta simbolista no Jardim das Artes, na Rua Cidade de Sintra. À tarde, a acção retorna à Casa Garden, com o workshop “Nushu. Aprender a Escrever a Linguagem Secreta das Mulheres”, conduzido por Shengwen Pan a partir das 14h30. Meia hora depois, noutra zona da Casa Garden, André Lai, Daniel Lai, Justin e Florita Alves vão discutir os sabores e aromas locais na palestra baseado no livro “Recitas com Esperança. Também às 15h, é apresentado o livro “Crónicas da Carris e da Mesquita ao Nam Vam”, de Ana Paula Barros. Entre as 16h e as 17h seguem-se uma série de palestras. “Visões do Futuro da Humanidade”, que apresentará uma perspectiva feminina sobre o panorama da ficção científica chinesa por Gu Shi. Para os fãs da literatura de horror, também às 16h de domingo está marcada uma conversa sobre o “género vampírico”, focado nas obras de John Polidori e Sheridan Le Fanu, e o seu impacto na literatura de terror. A sessão terá como anfitrião o professore e autor Nick Groom. Às 17h, será a vez de um dos mais destacados convidados internacionais do Rota das Letras deste ano. O autor argentino Hernan Diaz, que ganhou o Pulitzer para Ficção em 2023, com o livro “Trust”, irá falar sobre os limites da verdade e da ficção nos corredores do poder e da riqueza. Domingo será também um dia de cinema, com a projecção de “Hidden Letters”, de Violet Du Feng, às 17h15 no auditório da Casa Garden. O mesmo local irá receber o filme “Mulheres do Mar”, de Raquel Martins, a partir das 19h30.
Burla | Homem engana mulher com negócio fictício Hoje Macau - 6 Mar 2026 Um homem foi detido, depois de ter burlado uma mulher de Hong Kong, num valor de aproximadamente 320 mil patacas. O caso foi divulgado ontem pela Polícia Judiciária (PJ). Segundo os contornos, citados pelo jornal Ou Mun, a primeira vez que o residente comprou um carro usado para a vítima, que depois o revendeu, foi em 2024, sem que tivesse havido qualquer tipo de problemas. Por esse motivo, a mulher voltou a recorrer ao suspeito, em Março do ano passado, uma vez que queria expandir o seu negócio de compra de carros usados para revenda. A vítima pediu ao agora detido que lhe comprasse mais dois carros por 531 mil dólares de Hong Kong (HKD), e entregou-lhe uma caução de 50 mil HKD. Todos os procedimentos de compra das viaturas foram efectuados pelo suspeito, dado que a vítima se encontrava fora de Macau. Com base na relação de confiança, o suspeito pediu à vítima que fizesse o pagamento das duas viaturas, depois de criar um grupo de conversação numa aplicação online, onde também se encontraria um outro homem, apresentado como o vendedor. A mulher aceitou fazer logo o pagamento de 311 mil HKD, equivalente a 350 mil patacas. Todavia, a mulher nunca recebeu as viaturas, e com o passar do tempo, questionou o residente, que acabou por lhe dizer que o outro homem tinha perdido todo o dinheiro no jogo e não queria entregar as viaturas. Sem carros, o suspeitou perguntou então à mulher se ela queria apresentar queixa, e mostrou-se disponível para tratar de tudo. A vítima concordou, mas de seguida o residente deixou de estar contactável, o que levantou suspeitas. A mulher acabou por apresentar queixa, e o homem foi detido na quarta-feira, ao entrar em Macau pela Ponte de Hong Kong-Zhuhai-Macau. A polícia suspeita também que no momento da detenção o homem estava na posse de um telemóvel de 19 mil patacas, que se acredita ter sido furtado.
CCAC | Investigado motorista do TUI por alegada burla João Santos Filipe - 6 Mar 2026 Um motorista do Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância (GPTUI) está indiciado pela prática de burla num valor superior a 120 mil patacas, com o caso a ser encaminhado para o Ministério Público (MP). A informação foi divulgada ontem pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC), depois de ter recebido uma denúncia contra o motorista. Segundo a investigação preliminar do CCAC, o motorista fez o pedido de subsídio de família, apesar de saber que os rendimentos do agregado familiar ultrapassavam os limites para se aceder a este apoio social previsto para os funcionários públicos. “Na sequência da investigação, o CCAC descobriu que o motorista em causa vivia com a sua mulher e os seus sogros há muitos anos, tendo pleno conhecimento de que o seu sogro trabalhava a tempo inteiro e auferia uma remuneração mensal fixa, que os sogros recebiam Pensão para Idosos, e que o montante total do rendimento anual per capita de ambos já ultrapassava o limite máximo fixado para poder requerer o subsídio de família”, foi comunicado. “Ainda assim, o motorista em causa entregou ao serviço a que pertence o ‘pedido de subsídio de família’, entre outros documentos, com informações falsas. No total, esta burla em subsídios de família atingiu mais de 120 mil patacas”, foi acrescentado. Quando os funcionários públicos têm familiares a seu cargo e estes familiares auferem rendimentos anuais inferior a 56.400 patacas (média de 4.700 patacas por mês), os funcionários podem pedir o subsídio de família, que actualmente corresponde a um valor mensal de 940 patacas, por cada um dos familiares. Por ano, o subsídio pode chegar assim a um total de 11.280 patacas, por cada familiar. Segundo o CCAC, o motorista terá assim prestado informações falsas para aceder aos subsídios, recendo mais de 120 mil patacas de forma indevida. Cinco anos de prisão O caso foi encaminhado para o Ministério Público, sendo o homem indiciado pelo crime de burla de valor elevado. O Código Penal prevê uma pena que pode chegar aos cinco anos de prisão para este crime ou uma multa de 600 dias. Considera-se existir uma burla de valor elevado, quando o dinheiro obtido ultrapassa as 30 mil patacas, mas fica abaixo das 150 mil patacas. No comunicado em que divulgou a investigação, o CCAC defendeu também que “o subsídio de família destina-se aos trabalhadores da função pública e tem como objectivo suportar as despesas com a vida dos seus familiares”. “Os trabalhadores da função pública devem declarar a situação real de forma verdadeira e precisa, e receber os subsídios de acordo com os requisitos exigidos, não devendo correr riscos e prestar falsas declarações para obter vantagens económicas indevidas”, foi deixado como aviso.
Telecomunicações | Pedida maior protecção de consumidores João Santos Filipe - 6 Mar 202610 Mar 2026 O Centro da Políticas da Sabedoria Colectiva defende que o mercado das telecomunicações está a caminhar para um duopólio, pelo que apela às autoridades para reforçarem a regulamentação e protegerem os consumidores. A mensagem foi deixada por Loi Man Keong, vice-presidente da associação ligada aos Moradores, na sequência da aquisição da Hutchison Telecom (Macau) pela Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM). Segundo Loi Man Keong, citado pelo jornal Ou Mun, as novas alterações deixam essencialmente o mercado de Macau com dois agentes, a CTM e a China Telecom, pelo que este cenário “levanta inevitavelmente preocupações sobre o ambiente competitivo na indústria e as práticas ao nível dos preços”. O dirigente associativo espera assim que o Governo vá “reforçar a supervisão do mercado, de forma a proteger os direitos dos consumidores”. Apesar das preocupações, Loi Man Keong considera positiva a aquisição da Hutchison Telecom (Macau), que se fazia representar pela marca 3. Para Loi, esta operadora adoptou, nos últimos anos, uma “postura passiva e negativa” no que diz respeito à implementação do serviços de 5G, pelo que a qualidade e cobertura dos serviços ficava muito abaixo do que seria expectável. “Muitos dos clientes não conseguiram mudar de operadora, devido às obrigações contratuais. Mas com esta aquisição, os problemas sentidos pelos clientes da Hutchison talvez melhorem”, apontou Loi. Esta é a segunda operadora a sofrer alterações desde 2024. No final desse ano, a operadora SmarTone (Macau) deixou o mercado, com os seus clientes a serem transferidos para a CTM. Agora, a operadora detida maioritariamente pelo grupo estatal chinês CITIC adquire também a Hutchison Telecom (Macau). Os detalhes do negócio não foram revelados publicamente, apesar de os rumores terem começado a circular nos últimos dias. Mercado pequeno Sobre as alterações no mercado das telecomunicações nos últimos anos, Loi Man Keong apontou como motivos a “pequena dimensão” do mesmo. O dirigente associativo indicou também que a principal fonte de receitas das operadoras de telecomunicações são os serviços cobrados aos turistas em Macau, que utilizam dados móveis, pelo que o volume dos clientes e utilização da rede pelos residentes é considerada reduzida. Por este motivo, Loi indica que não há muitas empresas em investir na RAEM. Neste cenário, Loi defendeu que o Executivo faça um aumento do investimento em infra-estruturas de telecomunicações, e mais obras, para que as operadoras possam optimizar os serviços, ao mesmo tempo que se reduzem os custos de entrada no mercado e de operação. Veio para ficar Por sua vez, o Governo da RAEM, através da Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT), garante que a Hutchison Telecom (Macau) vai manter-se no mercado, apesar de ter os mesmos accionistas que a CTM. “Esta transmissão de participações sociais envolve, essencialmente, uma alteração dos accionistas da Hutchison, que continua a operar a sua rede e a prestar serviços”, foi apontado. “Por outras palavras, actualmente, o mercado continua a contar com três operadoras de telecomunicações móveis, e o Governo continua a fiscalizar, rigorosamente, o cumprimento, por parte da Hutchison, das suas obrigações constantes da licença, garantindo a prestação dos serviços de telecomunicações móveis estáveis aos utilizadores”, foi explicado. Por outro lado, os CTT garantem que nos “diplomas legais e licenças vigentes, encontram-se estabelecidas normas relativas a práticas concorrenciais das operadoras, proibindo actos que falseiem a igualdade de condições de concorrência ou que se traduzam em abuso de posição dominante”. Finalmente, o Governo prometeu até ao final do ano uma proposta Lei das Telecomunicações, que está a ser adiada há vários anos.
Consulado de Moçambique recebeu 79 mil patacas para vítimas de cheias Hoje Macau - 6 Mar 2026 O cônsul-geral de Moçambique em Macau, Rodrigues Muêbe, disse ontem à Lusa que já recebeu mais de 79 mil patacas numa campanha de recolha de donativos para as vítimas das inundações. Na quarta-feira, o diplomata recebeu 45 mil patacas, um valor angariado entre os 19 mil membros da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau. No final de Janeiro, o Consulado-Geral de Moçambique na RAEM apelou à recolha de donativos, monetários e em espécie, para as vítimas das inundações que afectaram o país lusófono africano Desde então, a representação diplomática recebeu também 18 mil patacas da Associação de Desenvolvimento de Profissionais Internacionais de Turismo de Macau, assim como 16 mil patacas em “donativos de anónimos”, disse Muêbe. Os donativos monetários serão aceites, até ao final de Maio, nas contas do consulado no Banco Nacional Ultramarino (BNU). Já os donativos em espécie, serão encaminhados para um ponto de recolha em Guangzhou, de onde será “mais fácil” o transporte para Moçambique, explicou Muêbe. O cônsul acrescentou que recebeu uma oferta de ajuda da Cruz Vermelha de Macau e que está em contacto com a organização humanitária para coordenar o transporte dos donativos para Guangzhou. Também a Escola Portuguesa de Macau realizou, entre os alunos e professores, uma campanha de recolha de artigos, que deverão ser doados, com o apoio do Consulado-Geral de Portugal, na próxima semana, referiu Muêbe. O consulado tinha lançado um apelo ao “apoio humanitário e solidário junto das instituições público-privadas, associações e pessoas de boa vontade de Macau e da região da Grande Baía”. Números da calamidade O consulado pediu apoio monetário ou na forma de “roupas, materiais de higiene, medicamentos, alimentos não perecíveis, material didáctico, utensílios domésticos [e] material de produção agrícola”. O objectivo é “ajudar as vítimas das cheias e inundações a erguerem as suas vidas”, perante uma “situação que decorre dos efeitos das mudanças climáticas”, lamentou a representação diplomática moçambicana. Moçambique já recebeu 17,5 milhões de euros e 6,7 mil toneladas de produtos diversos para apoiar vítimas das inundações, anunciou na terça-feira o Governo de Maputo. O número total de mortos na actual época das chuvas em Moçambique subiu para 262, com registo de quase mil pessoas afectadas, desde Outubro, segundo a actualização de terça-feira pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
DSEDT | Macau alarga a Espanha concurso para tecnológicas Hoje Macau - 6 Mar 2026 O Governo de Macau anunciou ontem que vai abrir portas a ‘startups’ de Espanha na sexta edição do concurso de inovação e empreendedorismo que até agora estava reservado para tecnológicas de Portugal e Brasil. Representantes da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) de Macau estiveram na exposição de tecnologia Mobile World Congress (MWC), que arrancou na segunda-feira em Barcelona. De acordo com um comunicado, a DSEDT aproveitou a presença na MWC para promover o novo modelo da competição junto de plataformas e empresas de inovação tecnológica espanholas. A ‘startup’ brasileira de biotecnologia Hilab venceu a última edição do concurso, realizada em Junho, na qual foram distinguidas outras seis empresas portuguesas e brasileiras, abrindo as portas a apoios e financiamento e ao mercado chinês. A Hilab, com um capital de 200 milhões de patacas, dinheiro angariado de 125 milhões de patacas e à procura de contactos, oportunidades de negócio, de financiamento e de expandir-se na China, foi fundada em 2016. A ‘startup’ desenvolveu um dispositivo de diagnóstico portátil que fornece resultados de qualidade laboratorial. De acordo com informação da Hilab, o dispositivo requer “apenas algumas gotas de sangue” e pode “realizar 25 tipos de exames, cobrindo 85 por cento dos diagnósticos médicos mais solicitados”. Um painel de investidores, académicos e especialistas em finanças seleccionou em segundo lugar outro projecto brasileiro, Klike.AI LLC, uma plataforma de análise de marketing alimentada por inteligência artificial, e em terceiro ficou a ‘startup’ portuguesa OWLplaces, especializada em inteligência artificial e análise de dados geoespaciais Outras prioridades O actual líder do Governo de Macau, Sam Hou Fai, que tomou posse em Dezembro de 2024, apontou como prioridade a promoção dos serviços financeiros e comerciais entre a China e os países hispânicos. A China estabeleceu a RAEM como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Macau. O organismo integra, além da China, os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, desde 2022, Guiné Equatorial. Num fórum integrado na MWC, o subdirector da DSEDT, Chan Chou Weng, apresentou o projecto do Parque Industrial de Investigação de Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau. O Governo prevê investir 18,1 mil milhões de patacas na construção do parque, que deverá ficar concluído até 2029.
APN | Li Qiang garante que Pequim irá apoiar a integração da RAEM Hoje Macau - 6 Mar 2026 Durante a apresentação de ontem do relatório de trabalho do Governo Central, o primeiro-ministro, Li Qiang, reiterou que irá “apoiar uma melhor integração das Regiões Administrativas Especiais na conjuntura do desenvolvimento nacional e na prestação de serviços ao país”, indicou ontem o Gabinete de Comunicação Social. O governante afirmou ainda que a aposta para Macau e Hong Kong passa por potenciar as vantagens únicas e o papel importante de apoio ao país na interligação com o mundo, mas também impulsionando a prosperidade e estabilidade a longo prazo das duas regiões administrativas especiais. O mesmo comunicado salienta que o Sam Hou Fai, que assistiu ontem à apresentação de Li Qiang no Grande Palácio do Povo em Pequim, “aprendeu e compreendeu profundamente o espírito importante e as políticas principais”. O Chefe do Executivo indicou ainda que “a RAEM está confiante e tem capacidade para aproveitar bem as oportunidades geradas pelo desenvolvimento do país, criar uma nova conjuntura do desenvolvimento de maior prosperidade e estabilidade em Macau e escrever um novo capítulo para a implementação com sucesso do princípio ‘um país, dois sistemas’ em Macau. Sam Hou Fai garantiu também que Macau irá continuar a zelar pela defesa de ‘um país’ e aproveitar as vantagens dos ‘dois sistemas’, defendendo “com firmeza a soberania, a segurança e os interesses do desenvolvimento nacional”.