Semana Dourada | Atingido recorde de mais de 2.430 milhões de viagens

A China registou mais de 2.430 milhões de viagens domésticas durante os oito dias de férias da recente “Semana Dourada”, um novo recorde para este período festivo, segundo dados oficiais divulgados ontem.

Entre 01 e 08 de Outubro, foram contabilizadas em média 304 milhões de deslocações diárias, um aumento de 6,3 por cento face ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o Ministério dos Transportes, citado pela agência noticiosa oficial Xinhua. Durante as férias, o país somou cerca de 888 milhões de viagens turísticas, mais 123 milhões do que nos sete dias de folga da “Semana Dourada” de 2024, segundo o Ministério da Cultura e Turismo.

O gasto turístico interno atingiu 809 mil milhões de yuan, o que representa um crescimento homólogo de 15,4 por cento. A Administração Nacional de Imigração informou que foram realizados 16,34 milhões de viagens transfronteiriças durante o feriado, mais 11,5 por cento do que no ano passado.

As viagens internacionais de estrangeiros aumentaram 21,6 por cento, para 1,43 milhões, e dos 751 mil estrangeiros que entraram na China, 535 mil beneficiaram da política de isenção de visto – subidas de 19,8 por cento e 46,8 por cento, respectivamente, em termos homólogos.

As férias começaram em 1 de Outubro, data que assinala o aniversário da fundação da República Popular da China, e prolongaram-se até quarta-feira, um dia mais do que o habitual, devido à coincidência com o Festival do Meio Outono, celebrado este ano a 6 de Outubro. A “Semana Dourada” é um dos principais períodos de férias na China e constitui um importante motor para o turismo e o consumo interno.

Comércio | 14 organizações estrangeiras declaradas entidades não confiáveis

A maioria das novas empresas incluídas na lista de não confiáveis têm sede nos Estados Unidos e estão ligadas a actividades militares

 

A China incluiu ontem catorze organizações estrangeiras, a maioria com sede nos Estados Unidos e ligadas ao sector da defesa, na sua “lista de entidades não confiáveis”, num novo episódio das crescentes fricções comerciais e tecnológicas com Washington. Num comunicado, o Ministério do Comércio justificou a decisão com a necessidade de “salvaguardar a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento nacional” do país.

Entre as empresas visadas estão Dedrone by Axon, AeroVironment, BAE Systems, TechInsights e as suas filiais, bem como o Fórum Internacional de Segurança de Halifax (Canadá), no qual participou no final do ano passado a ex-líder de Taiwan Tsai Ing-wen (2016-2024).

A lista inclui ainda a subsidiária norte-americana da israelita Elbit, além das companhias DZYNE Technologies, Epirus, Exelis e VSE Corporation, entre outras. De acordo com o ministério, as entidades sancionadas ficam proibidas de realizar actividades de importação e exportação relacionadas com a China, bem como de efectuar novos investimentos no país.

O comunicado acrescenta que organizações e pessoas dentro da China não poderão manter transacções, cooperação ou qualquer tipo de relação comercial com essas empresas, especialmente no que se refere à “transmissão de dados ou fornecimento de informação sensível”.

Malícia e segurança

Em nota separada, o ministério afirmou que várias das empresas agora incluídas “mantiveram cooperação tecnológica militar com Taiwan, divulgaram declarações maliciosas sobre a China e ajudaram governos estrangeiros a reprimir empresas chinesas”.

“Tais acções prejudicaram gravemente a soberania nacional, a segurança e os interesses de desenvolvimento da China”, acrescentou o Ministério do Comércio, sublinhando que Pequim apenas adicionou “um número muito reduzido de entidades estrangeiras” que “colocam em risco” a segurança nacional.

“As empresas estrangeiras que actuam com integridade e cumprem a lei não têm motivo de preocupação. O Governo chinês, como sempre, dá as boas-vindas às empresas de todo o mundo para investirem e desenvolverem actividades no país, comprometendo-se a oferecer um ambiente de negócios estável, justo e previsível”, conclui o comunicado.

A decisão surge poucas horas depois de Pequim ter anunciado um novo pacote de restrições à exportação de terras raras, num contexto de crescente disputa tecnológica e comercial entre a China e os Estados Unidos

Química | Nobel para o desenvolvimento de estruturas metalorgânicas

O Prémio Nobel da Química foi atribuído a Susumu Kitagawa, da Universidade de Quioto, Richard Robson, da Universidade de Melbourne, e Omar M. Yaghi, da Universidade da Califórnia, “pelo desenvolvimento de estruturas metalorgânicas”, anunciou ontem a Real Academia Sueca de Ciências.

Susumu Kitagawa, Richard Robson e Omar Yaghi desenvolveram uma nova forma de arquitectura molecular – estruturas metalorgânicas – que pode ser usada para colectar água do ar do deserto, capturar dióxido de carbono, armazenar gases tóxicos ou catalisar reacções químicas.

Os três laureados criaram construções moleculares com grandes espaços através dos quais gases e outros produtos químicos podem fluir. O presidente do Comité Nobel de Química, Heiner Linque, salientou precisamente o facto de estas “estruturas metalorgânicas terem um enorme potencial, trazendo oportunidades antes imprevistas para materiais personalizados com novas funções”.

A investigação que levou à descoberta desta nova forma de arquitectura molecular começou há cerca de quatro décadas, em 1989, quando Richard Robson testou a utilização das propriedades inerentes dos átomos, combinando iões de cobre com carga positiva com uma molécula de quatro braços.

Quando combinados, eles ligaram-se “para formar um cristal espaçoso e bem ordenado. Era como um diamante cheio de inúmeras cavidades”, explica a academia. Robson percebeu imediatamente o potencial da sua construção molecular, mas ela era ainda instável e desmoronava facilmente. Foram os químicos Susumu Kitagawa e Omar Yaghi que conseguiram fornecer uma base sólida para esse método de construção.

Aplicações notáveis

Após as descobertas dos três laureados, os químicos construíram dezenas de milhares de diferentes MOF. Alguns deles podem contribuir para resolver alguns dos maiores desafios da humanidade, com aplicações que incluem a decomposição de vestígios de produtos farmacêuticos no ambiente, a captura de dióxido de carbono ou a recolha de água do ar do deserto.

A descoberta permite ainda a separação de substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS) da água. As PFAS são um grupo de compostos químicos sintéticos conhecidos como “químicos eternos” devido à sua extrema persistência no ambiente e no corpo humano.

As PFAS são utilizadas numa vasta gama de produtos industriais e domésticos, como têxteis resistentes a manchas e água, embalagens de alimentos, panelas antiaderentes e espumas de combate a incêndios. A sua acumulação no ambiente e os potenciais riscos para a saúde, incluindo danos no fígado e outros problemas, têm levado a preocupações e à procura por alternativas mais seguras.

Estudo | Trump foi principal disseminador de desinformação nos EUA em 2024

O Presidente norte-americano, Donald Trump, foi o principal disseminador de desinformação nos Estados Unidos da América (EUA), em 2024, concluiu um estudo do International Center for Jounalists (ICFJ). “O Presidente dos EUA, Donald Trump, foi a fonte dominante e distribuidora de desinformação” em 2024, afirmam os autores do estudo “Desarmando a Desinformação: Estados Unidos”.

O estudo destaca que Trump recorreu a funções das forças políticas domésticas, em vez de actores estatais estrangeiros, como a principal fonte de narrativas de desinformação no discurso político dos EUA. Além disso, a existência de grupos de WhatsApp e outros espaços digitais fechados muitas vezes actuam como “casulos de informação” que fomentam rumores e outras formas de desinformação.

Desta forma, “a disseminação viral de desinformação e o ataque estratégico a jornalistas surgiram como ameaças interligadas à democracia. Numa era de crescente autoritarismo e retrocesso democrático, as falsidades são frequentemente utilizadas como arma por actores estatais para influenciar a opinião pública, minar o jornalismo e intimidar jornalistas”.

Os autores do estudo afirmam que estes factores são cada vez mais a realidade norte-americana, com Donald Trump a “promulgar narrativas manifestamente falsas” nos últimos anos.

“Os media americanos enfrentam uma profunda crise de informação, num tempo de repressão à liberdade de expressão”, lê-se no estudo. Neste sentido, a confiança na grande imprensa continua a diminuir num clima de crescentes ataques aos media, por parte do Governo Trump.

O estudo publicado pelo International Center for Jounalists (ICFJ) teve como base a análise de 10.000 notícias e publicações em meios de comunicação durante 2024, bem como um inquérito a 1.020 americanos.

Paz para a Ucrânia

“The test of policy is how it ends, not how it begins. Peace must reflect reality, not illusion.”

Henry Kissinger

A Ucrânia, como país candidato à União Europeia (UE), representa um dos maiores desafios e oportunidades da história recente do projecto europeu. A guerra entre a Rússia e a Ucrânia, iniciada em 2022, representa um dos mais graves conflitos armados em solo europeu desde a II Guerra Mundial. As suas consequências são devastadoras com milhares de mortos, milhões de deslocados, cidades destruídas, economias colapsadas e uma profunda fractura geopolítica entre o Leste e o Ocidente. A paz, embora desejada por muitos, continua a parecer um horizonte distante. No entanto, a história ensina que mesmo os conflitos mais prolongados e violentos podem encontrar resolução, desde que haja vontade política, mediação eficaz e uma arquitectura diplomática sólida. Para compreender as possibilidades de paz, é necessário revisitar as causas profundas do conflito.

A guerra não começou em 2022, mas tem raízes históricas, identitárias e geopolíticas que remontam à dissolução da União Soviética. A Ucrânia, ao afirmar a sua soberania e ao aproximar-se das estruturas euro-atlânticas, tornou-se, aos olhos de Moscovo, um território estratégico em disputa. A anexação da Crimeia em 2014 e o apoio russo às repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk foram os primeiros sinais de uma escalada que culminaria na invasão total. A Rússia justifica a sua acção com argumentos de segurança, protecção das populações russófonas e resistência à expansão da OTAN. A Ucrânia, por sua vez, defende o seu direito à autodeterminação, à integridade territorial e à escolha dos seus aliados.

Este antagonismo é alimentado por narrativas históricas divergentes, por interesses estratégicos e por uma profunda desconfiança mútua. Qualquer processo de paz terá de enfrentar estas raízes, reconhecê-las e encontrar formas de as ultrapassar sem negar a soberania de cada Estado. A paz entre a Rússia e a Ucrânia enfrenta obstáculos de várias ordens em primeiro, a ocupação territorial pois a presença militar russa em território ucraniano, incluindo a Crimeia e partes do Donbass, é um dos principais entraves. A Ucrânia exige a retirada total das forças ocupantes como condição para qualquer acordo. A Rússia, por sua vez, considera a Crimeia parte integrante do seu território e vê o Donbass como uma zona de influência legítima.

Em segundo, o reconhecimento internacional, pois a comunidade internacional, em particular os países ocidentais, apoiam a Ucrânia e impõe sanções à Rússia. Esta polarização dificulta a mediação e reforça a lógica de bloco. A paz exige um espaço diplomático neutro, onde ambas as partes possam negociar sem pressões externas excessivas. Em terceiro, as perdas humanas e traumas colectivos pois a guerra gerou feridas profundas na sociedade ucraniana. A destruição de cidades, os massacres, os bombardeamentos e os deslocamentos forçados criaram um sentimento de dor e revolta que não pode ser ignorado. A reconciliação exige justiça, memória e reparação. Em quarto, as lideranças políticas e narrativas internas, pois tanto na Rússia como na Ucrânia, os líderes políticos construíram narrativas que dificultam o compromisso.

A paz pode ser vista como fraqueza, como traição ou como capitulação. É necessário criar condições para que os líderes possam negociar sem perder legitimidade interna. Apesar dos obstáculos, existem factores que podem favorecer a construção de um processo de paz sendo primeiro, a fadiga da guerra pois o prolongar do conflito gera desgaste económico, social e político. A Rússia enfrenta sanções, isolamento e dificuldades internas. A Ucrânia vive em estado de emergência permanente. A fadiga pode abrir espaço para soluções negociadas. Segundo, a pressão internacional, pois Organizações como as Nações Unidas, a OSCE e países neutros podem desempenhar um papel de mediação.

A diplomacia multilateral, quando bem estruturada, pode criar pontes e facilitar compromissos. Terceiro, as experiências históricas pois a Europa tem exemplos de reconciliação após conflitos intensos como a Alemanha e a França após a II Guerra Mundial, os acordos de paz na Irlanda do Norte e a reunificação alemã. Estes modelos mostram que a paz é possível, mesmo entre inimigos históricos. Quarto, a sociedade civil e cultura pois estas conjuntamente com a educação podem ser motores de aproximação. Projectos de diálogo, intercâmbio e reconstrução simbólica podem preparar o terreno para a paz política. A paz entre a Rússia e a Ucrânia pode assumir diferentes formas, dependendo da evolução do conflito e das negociações.

Assim há a considerar primeiro, a paz condicional com um cessar-fogo acompanhado de negociações sobre territórios, segurança e garantias internacionais. Este modelo exige compromissos mútuos e pode incluir zonas desmilitarizadas, missões de observação e acordos de não agressão. Segundo, a paz com reconhecimento parcial com um acordo em que a Ucrânia reconhece a perda de certos territórios em troca de garantias de segurança e apoio à reconstrução. Este modelo é controverso e pode gerar divisões internas, mas foi aplicado noutros contextos. Terceiro, a paz como mediação internacional, em que a criação de uma conferência internacional de paz, com participação de países neutros, organizações multilaterais e representantes da sociedade civil. Este modelo permite uma abordagem mais abrangente e menos polarizada.

Quarto, a paz por etapas com um processo gradual, com fases de desescalada, reconstrução, justiça transicional e integração regional. Este modelo exige tempo, paciência e compromisso de longo prazo. Para que a paz seja duradoura, é necessário cumprir certas condições como primeiro, o respeito pela soberania, pois a Ucrânia deve manter o direito de decidir o seu futuro, os seus aliados e o seu modelo político. A Rússia deve reconhecer esse direito e comprometer-se com a não interferência. Segundo, justiça e reparação dado que os crimes cometidos durante a guerra devem ser investigados e punidos. As vítimas devem ser reconhecidas e compensadas. A justiça é essencial para a reconciliação. Terceiro, a paz deve incluir garantias de segurança para ambos os países, com mecanismos de verificação, diálogo militar e cooperação em áreas como o controlo de armas. Quarto, a Ucrânia precisa de apoio financeiro, técnico e institucional para reconstruir o país.

A Rússia, por sua vez, deve encontrar formas de reintegrar-se na economia global, desde que respeite os princípios do direito internacional. Quinto, a educação para a paz dado que esta não se constrói apenas com tratados. É necessário investir na educação, na cultura e na memória, para que as novas gerações compreendam o valor do diálogo e da coexistência. A UE, os Estados Unidos, a China e outras potências têm responsabilidades na promoção da paz. A Europa, em particular, deve assumir um papel activo, não apenas como aliada da Ucrânia, mas como mediadora e promotora de soluções duradouras. A paz não pode ser imposta mas deve ser construída com base no respeito mútuo, na justiça e na cooperação. A comunidade internacional deve evitar a tentação de transformar a Ucrânia num campo de batalha prolongado entre blocos.

O objectivo deve ser a reconstrução, a estabilidade e a dignidade dos povos. Assim, a paz entre a Rússia e a Ucrânia é possível, mas exige coragem, visão e compromisso. Não será um processo rápido nem simples. As feridas são profundas, os interesses são complexos e as emoções são intensas. A alternativa é aceitável à perpetuação da guerra. A história mostra que mesmo os conflitos mais violentos podem encontrar resolução. A Europa, que foi palco de tantas guerras, pode ser também o espaço da reconciliação. A paz não é apenas um acordo mas uma construção colectiva, feita de gestos, palavras, políticas e memórias. A Ucrânia e a Rússia têm o direito de existir, de prosperar e de viver em segurança. A paz entre elas será um sinal de maturidade política, de respeito pela vida e de esperança para o futuro. Cabe aos líderes, às sociedades e à comunidade internacional transformar esse horizonte em realidade.

Timor-Leste | UE apoia sociedade civil com mais de dois milhões de euros

A União Europeia (UE), em parceria com várias organizações não-governamentais timorenses, lançou ontem três projectos para reforçar a capacidade da sociedade civil para apoiar comunidades vulneráveis e monitorizar a implementação de políticas públicas.

“A UE e Timor-Leste partilham o compromisso de garantir um espaço cívico livre, porque a monitorização e a advocacia feitas pelas organizações da sociedade civil são essenciais para uma sociedade livre como a nossa. Estamos satisfeitos por fazer parcerias com esta coligação para melhorar o desempenho do desenvolvimento e da responsabilização”, afirmou o embaixador da União Europeia em Timor-Leste, Thorsten Bargfrede.

As organizações da sociedade civil parceiras da União Europeia incluem a CARE, Oxfam, PLAN International, A-HAK, Caucus, Fórum de Comunicação para as Mulheres de Timor-Leste (FOKUPERS), Fórum das Organizações Não Governamentais de Timor-Leste (FONGTIL), Instituto Kdadalak Sulimutu (KSI) e Instituto Mata Dalan (MDI).

O apoio da União Europeia, no valor de 2,2 milhões de euros, será distribuído por três projectos. :“Reforçar as Organizações da Sociedade Civil Locais para uma Governação Responsiva e Responsável nos Direitos Humanos e Igualdade de Género”, “Reforçar a Sociedade Civil para Promover uma Boa Governação” e “Fortalecer a Sociedade Civil para a Diversidade: Reforçar a Liderança da Sociedade Civil para Melhorar a Governação e o Desenvolvimento Sustentável”.

Pelo menos dez mortos no Vietname devido a cheias provocadas pelo tufão Matmo

Pelo menos dez pessoas morreram e várias continuam desaparecidas no norte do Vietname em consequência das cheias provocadas pelo tufão Matmo, que atingiu o sul da China na segunda-feira antes de enfraquecer, declarou ontem o Governo vietnamita. O primeiro-ministro vietnamita, Pham Minh Chinh, visitou ontem a cidade de Thai Nguyen, capital da província com o mesmo nome e a região com o maior número de mortos, com quatro vítimas mortais e cerca de 200 mil casas afectadas.

Com água até aos joelhos, o político vietnamita inspeccionou a zona e ajudou a distribuir ajuda humanitária, de acordo com informações publicadas no portal do governo. As autoridades mobilizaram mais de 7.600 soldados e voluntários para esforços de ajuda de emergência, depois de o país ter sido atingido por sete tempestades severas desde o final de Agosto.

De acordo com o balanço provisório, três pessoas morreram também na província de Bac Ninh — a 30 quilómetros a noroeste de Hanói —, outras duas na província de Thanh Hoa e uma na província de Cao Bang, na fronteira com a China. As equipas de emergência estão à procura de, pelo menos, duas pessoas em Thai Nguyen e outra em Thanh Hoa.

As cheias causaram também perdas significativas à agricultura e danos consideráveis nas infraestruturas, enquanto as autoridades alertam a população para a possibilidade de deslizamentos de terra e transbordamentos de rios nas regiões afectadas pelas chuvas.

Outros desastres

Na Tailândia, as chuvas provocadas pelo Matmo causaram pelo menos 22 mortes, tendo sido registadas inundações em cerca de vinte províncias do centro, norte e nordeste do país na terça-feira, afectando quase 370 mil pessoas, informaram as autoridades. Os tufões são fenómenos recorrentes no sudeste asiático, quando as águas quentes do Oceano Pacífico favorecem a formação de ciclones.

No final de Setembro, o tufão Bualoi fez pelo menos 58 mortos ou desaparecidos no Vietname e, no final de Agosto, o tufão Kajiki matou sete pessoas. Em Setembro de 2024, o país foi fortemente atingido pelo tufão Yagi, que fez mais de 300 mortos devido às fortes chuvas e deslizamentos de terra.

Diplomacia | Wang Yi de visita a Itália e Suíça

O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, está de visita a Itália onde realiza a 12ª Reunião Conjunta do Comité Governamental China-Itália e, de seguida, viajará para a Suíça onde decorrerá a 4ª ronda do Diálogo Estratégico dos Ministros dos Negócios Estrangeiros China-Suíça, até 12 de Outubro, anunciou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China no domingo. Wang, também membro do Bureau Político do Comité Central do Partido Comunista da China, está a realizar a viagem a convite do vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Internacional da Itália, Antonio Tajani, e do conselheiro federal e ministro dos Negócios Estrangeiros da Suíça, Ignazio Cassis, disse o porta-voz, indica o diário do Povo.

Feriados| Consumo durante feriados mostra vitalidade económica

Com a convergência dos feriados do Dia Nacional da China e do Festival do Meio Outono, as actividades culturais, as redes de transporte movimentadas e as cenas de consumo inovadoras do país pintaram um quadro vívido da resiliência económica e do potencial de crescimento do país.

O feriado de oito dias, que começou a 1 de Outubro, registou fluxos de pessoas e consumo sem precedentes em todo o país. Desde cerimónias de hasteamento da bandeira na Praça Tiananmen, em Pequim, até exibições assistidas por drones no topo do Monte Emei, o fervor patriótico misturou-se perfeitamente com a atividade económica, escreve a Xinhua.

Às 04h da manhã de 1 de Outubro, enquanto o céu ainda estava escuro, a Praça Tiananmen já estava lotada de pessoas. Neste Dia Nacional, 121 mil pessoas contemplavam o mastro da bandeira, aguardando ansiosamente o momento em que a bandeira nacional da China seria hasteada ao nascer do sol. “Sempre esperei ansiosamente por este momento, em que poderia fazer uma confissão sincera ao meu amado país”, disse Tao Bufan, 27 anos.

Os eventos culturais tornaram-se uma força motriz para o turismo regional. Em Tangshan, Província de Hebei, no norte da China, uma série de concertos do Dia Nacional atraiu grandes multidões, com apresentações gratuitas para o público, acrescenta a agência estatal.

Wen Chao, presidente de uma empresa local de apresentações culturais, observou que o evento tem como objectivo “oferecer festas culturais de alta qualidade para residentes e turistas durante o feriado”. Estimativas indicam que mais de 12 mil eventos culturais foram realizados em todo o país durante o feriado.

Os sistemas de transporte desempenharam um papel fundamental na facilitação da mobilidade. Na primeira metade dos feriados, as viagens inter-regionais de passageiros atingiram um recorde de aproximadamente 1,25 mil milhões. Rodovias, ferrovias, hidrovias e aviação registaram crescimento ano a ano, reflectindo a vitalidade de uma China hiperconectada, indica a Xinhua.

Outros destinos

As áreas cénicas em cidades menores também ganharam popularidade, com dados da agência de viagens online Qunar.com a mostrar que destinos como Jiuzhaigou e Pingtan se tornaram pontos turísticos de destaque no Outono. Um turista da cidade de Nanjing, no leste da China, de sobrenome Zhan, que dirigiu até a província vizinha de Zhejiang para assistir a um jogo de basquetebol, disse à Xinhua: “Reunir-se com parentes e amigos aqui para assistir a jogos e saborear petiscos adiciona uma atmosfera única ao feriado.”

Novas formas de consumo dinamizaram o mercado. Em 1 de outubro, a base de “autocarros de baixa altitude” no Lago Qingshan, na cidade de Hangzhou, iniciou oficialmente as suas operações. A base lançou dois serviços principais – “passeios aéreos” e “transfers interurbanos”, permitindo aos visitantes embarcar em helicópteros e subir a uma altitude de 500 metros para desfrutar de vistas aéreas deslumbrantes da paisagem outonal.

Um visitante da Província de Guangdong, no sul da China, disse: “É tão especial poder apanhar um helicóptero e desfrutar de uma vista aérea da paisagem.”

Medidas políticas também estimularam os gastos. Antes do feriado, o governo central alocou 69 mil milhões de yuans em títulos especiais para apoiar a troca de bens de consumo, elevando o total anual para 300 mil milhões de yuans. De Janeiro a Agosto, os programas de subsídios para trocas atraíram 330 milhões de inscrições, impulsionando vendas de mais de 2 biliões de yuans.

Mais inovação

Os governos locais também introduziram iniciativas inovadoras. A província oriental de Anhui lançou um programa de viagens baseado em crédito que permite aos visitantes reservar bilhetes e hotéis sem fazer um pagamento adiantado, enquanto o Município de Tianjin, no Norte, promoveu actividades de consumo financeiro para impulsionar os gastos com férias.

Um porta-voz do Ministério do Comércio enfatizou que os esforços para aumentar a oferta, inovar as formas de consumo e fortalecer a integração intersectorial irão promover ainda mais o potencial de consumo diversificado, remata a Xinhua.

FRC | Debate hoje em torno da “Arte de Batê Saia”

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a mesa-redonda “A Arte de Batê-Saia”, integrada no ciclo de conferências intitulado “Ser Macaense no Século XXI – Cultura, Tradição, Identidade, Desafios”. Esta é o segundo evento deste ciclo de palestras.

“A Arte de Batê-Saia” será uma conversa conduzida por José Luís de Sales Marques, presidente do Conselho das Comunidades Macaenses, e que conta com a participação de Maria Magalhães de Sousa e Marina Senna Fernandes, duas representantes locais das artes de confecção, decoração de bolos e da culinária tradicional.

“Bâte Saia? Cuza São? O que é isso? Bater na saia? Que disparate! É trabalho de mainato? São tudo expressões previsíveis, de espanto, para quem, não sabendo do que se trata, se depara com este anúncio! Ora bem, “batê saia” é uma arte decorativa tradicional macaense, cuja divulgação será objecto desta palestra”, descreve a proposta para a sessão de conversas sobre a identidade macaense nos dias de hoje.

A ideia é que o público possa saber mais sobre a arte de “batê saia”, ou bate saia, uma antiga tradição local de recorte de papel de seda ou papel rendado, inicialmente para enfeitar cestas e tabuleiros de bolos, mas que evoluiu para a decoração de bonecas que ornamentavam bolos festivos em ocasiões especiais como baptizados, comunhões, crismas, casamentos, aniversários, e outros eventos importantes.

O evento pretende abordar “o modo de vida dos macaenses, a comunidade ou as comunidades, em Macau e na diáspora, e os seus desafios diários para manter o ser e o sentir da realidade macaense”. O propósito da conferência, e das próximas neste ciclo, é promover a “discussão construtiva a olhar para o presente e o futuro, sem esquecer a tradição e os diferenciados marcos identitários, em especial a Gastronomia e o Teatro em Patuá, ambos Património Imaterial da RAEM e da República Popular da China”.

CURB | Bienal sobre uso de espaços públicos em Dezembro

O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo prepara-se para realizar, em Dezembro, um evento diferente em torno do chamado “placemaking”, ou seja, o debate em torno das várias opções para planear e gerir espaços públicos. Para acontecer, o “IN SITU Placemaking Biennale” aceita propostas de arquitectos e designers até ao final do mês

É um “projecto pioneiro” que não é “apenas um festival”, mas sim “uma conversa que envolve toda a cidade”. Assim é descrito pela organização o “IN SITU Placemaking Biennale”, agendado para os dias 11 a 14 de Dezembro, em Macau, e que aborda o “placemaking”, uma teoria em torno das ideias de melhoria da gestão do espaço público com uma abordagem multifacetada, em que a ideia é que todos se sentam e discutem o que é melhor para determinado lugar ou o que poderia ser feito face a uma realidade menos boa.

Desta forma, pretende-se que durante quatro dias “as ruas e praças icónicas de Macau se transformem numa tela viva para o design, diálogo e imaginação colectiva”, através da criação de seis instalações espaciais “construídas ‘in situ’ por talentos internacionais e locais”, sendo que estas instalações “irão ligar e activar espaços públicos icónicos”, transformando-os em “espaços para reunir, reflectir e interagir”, descreve o CURB.

Os seis locais escolhidos para estas intervenções são a Praça Ponte e Horta, no Porto Interior; a Rua de São Lourenço, a intersecção entre a Travessa do Aterro Novo e a Rua dos Mercadores, o Largo de Aquino, o Pátio da Claridade e Largo do Lilau.

Dentro dos objectivos, pretende-se ainda levar o público a “experimentar”, construindo-se, nesse sentido, um “itinerário por toda a cidade com workshops, espetáculos, exposições e gastronomia, tudo com curadoria da comunidade”. Com o “IN SITU” pretende-se também “redescobrir a cidade”, com “visitas guiadas que irão ligar pontos entre a arte, o património e as histórias ocultas de Macau”.

Desta forma, decorre até ao final do mês o processo de recolha de propostas por parte de designers e arquitectos, procurando-se “equipas visionárias para projectar e construir instalações espaciais temporárias que estimulem o diálogo e transformem a forma como vivemos a nossa cidade”.

Itinerários com história

Com o “IN SITU”, o CURB quer que a “cidade se torne num palco, tela e laboratório”. As seis instalações espaciais temporárias, três delas concebidas por equipas internacionais e três por equipas locais, servirão para “activar espaços públicos como locais de encontro e reflexão”.

Além das seis instalações haverá “workshops, espectáculos, exposições, barracas de comida e iniciativas culturais co-criadas com associações locais, garantindo que o festival cresça a partir da comunidade e pertença à comunidade”. As seis instalações vão ainda formar “um itinerário urbano, guiando os visitantes pelos bairros de Macau, revelando tanto o design contemporâneo como as camadas ocultas do património”, com visitas em chinês e inglês.

Ainda segundo a organização, “mais do que uma exposição de arquitectura e design, a Bienal é uma experiência participativa de ‘placemaking'”.

“Com base na colaboração e na criatividade, a criação de espaços muda o foco da infraestrutura para as experiências vividas pelas pessoas, enfatizando como os espaços públicos podem fortalecer os laços sociais, a identidade cultural e a resiliência numa cidade em rápida mudança”, é explicado.

O CURB é uma instituição sem fins lucrativos criada em Macau para “promover a investigação, educação, produção e divulgação de conhecimento em arquitetura, urbanismo e cultura urbana”. O Centro diz funcionar como “uma plataforma de intercâmbio entre o meio académico, a sociedade civil, a prática profissional e as instituições governamentais, servindo os interesses da comunidade em geral através de estudos de investigação, workshops, conferências, exposições, concursos e outras iniciativas”.

Filme na Ponte 9

Outra actividade do CURB, acontece este fim-de-semana, integrado no evento de passeios de bicicleta “ON THE MOVE”. Assim, este sábado, às 18h30, decorre, na Ponte 9 – Creative Platform Rooftop, a sessão “Rooftop Parallel Screening”, onde “o público poderá percorrer as ruas de Macau através do ecrã, desta vez explorando a Ilha Verde e os bairros do norte de Toi San e Fai Chi Kei”. Este filme é o resultado do som e imagens capturados nos passeios criativos de bicicleta realizados a 27 de Setembro. Este material foi usado “por artistas audiovisuais para criar uma obra de vídeoarte e um documentário”, descreve o CURB numa nota.

AMCM | Queda mensal de depósitos e empréstimos

Dados da Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM) relativamente aos depósitos, empréstimos e massa monetária revelam que, entre Julho e Agosto, houve uma quebra nos depósitos e empréstimos efectuados por residentes. Os empréstimos internos concedidos ao sector privado registaram uma quebra de 1,1 por cento face a Julho, tendo sido de 501,9 mil milhões de patacas.

Por sua vez, a queda de empréstimos concedidos ao exterior foi ainda maior, na ordem dos 9,1 por cento, no valor de 511,8 mil milhões de patacas. Desta forma, as estatísticas da AMCM mostram que o volume total de empréstimos na banca caiu 5,3 por cento entre Julho e Agosto, uma quebra de 1.013,7 mil milhões de patacas.

No tocante aos depósitos, a quebra mensal foi de 0,4 por cento, sendo de 813,8 mil milhões de patacas, enquanto que a quebra dos depósitos por não residentes foi bem maior, na ordem dos 7,1 por cento, no valor de 338,1 mil milhões de patacas.

Os dados da AMCM mostram ainda que “os depósitos do sector público na actividade bancária cresceram para 220,9 mil milhões de patacas, representando um crescimento de 5,2 por cento”. Assim, em termos gerais, “o total dos depósitos da actividade bancária registou um decréscimo de 1,3 por cento, atingido 1.372,8 mil milhões de patacas”. Em termos mensais, a circulação monetária cresceu 0,3 por cento, mas os depósitos à ordem baixaram seis por cento.

Hengqin | Pedida cautela para evitar burlas no arrendamento

As dicas para actuar no mercado de arrendamento na Ilha da Montanha surgem depois da divulgação de um mega caso de burlas em contratos de arrendamento que geraram perdas de 3,64 milhões de renminbis

 

Com cada vez mais residentes a optarem por se mudar para a Ilha da Montanha, o director da Agência Imobiliária Centaline de Macau e Hengqin, Roy Ho, aconselha cuidados especiais ao nível do arrendamento. Em declarações ao jornal Exmoo, o responsável da agência imobiliária indicou as práticas a adoptar para evitar problemas, depois da ocorrência uma mega burla que atingiu centenas de estudantes e perdas de 3,64 milhões de renminbis.

Segundo Roy Ho, quando os residentes pretendem arrendar uma habitação em Hengqin devem verificar muito bem todas as certidões e documentos legais sobre o apartamento, antes de concretizarem o negócio. Este é um ponto fundamental para evitar futuros problemas: “Não importa quem aluga a habitação, empresa ou indivíduo, também não importa se as condições do apartamento são muito boas. Se não houver certidões válidas, as pessoas devem sempre recusar o arrendamento”, frisou.

Roy realçou que é sempre necessário pedir ao proprietário para mostrar a certidão de propriedade do imóvel e o seu documento de identidade. Os interessados são aconselhados a insistir que lhes sejam mostrados os originais, em vez de cópias. E se os originais forem recusados, mesmo que seja com a justificação da necessidade de proteger os dados pessoais, o agente afirma que se deve desistir do aluguer.

Transferências bancárias

Além disso, para reduzir os riscos de burla, Roy aconselha que os arrendatários tenham como prioridade a escolha de empresa imobiliárias mais conhecidas, por motivos de credibilidade, em vez de recorrerem a negócios online menos transparentes.

Roy Ho apelou também aos residentes que não se deixem atrair por preços demasiado bons para serem verdade. A apresentação de um “preço barato com excelente qualidade” é apontada como um dos principais chamarizes dos burlões.

Os alertas foram deixados pelo director da Agência Imobiliária Centaline de Macau e Hengqin na sequência de uma mega burla, revelada em Agosto pela Procuradoria de Hengqin. Um homem fez-se passar por vários proprietários de apartamentos e conseguiu burlar mais de 100 estudantes em 3,64 milhões de renminbis. Entre as vítimas, estavam estudantes de Macau.

O burlão terá falsificado a assinatura dos proprietários dos apartamentos, com quem assinava contratos de arrendamento, para depois manipular os contratos de compra e venda desses imóveis e aparecer como proprietário. As vítimas faziam o arrendamento com base nos contratos manipulados por acreditarem que estavam a lidar com o proprietário real. Neste processo, o burlão terá contado com o auxílio de algumas agências imobiliárias.

Assinado o contrato de arrendamento, o burlão oferecia promoções especiais o que levou várias vítimas a pagarem antecipadamente o valor anual da renda. O caso foi descoberto porque o falso proprietário não pagou a tempo a renda a um dos verdadeiros proprietários, que despejou os estudantes que viviam na habitação. A Procuradoria pediu uma pena de prisão de 10 anos para o homem e uma multa de 100 mil renminbis.

CCAC | Médico da DSC obteve falsos atestados para aumentar salário

O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) descobriu um caso de burla e falsificação de documentos por parte de um médico ao serviço da Direcção dos Serviços Correccionais (DSC). Segundo um comunicado, este médico “terá obtido vários atestados médicos para si próprio ou os seus pais, em conluio com médicos que exerciam funções em instituições médicas públicas ou privadas de Macau”, entre os anos de 2014 e 2018, conseguindo auferir “durante vários anos, um vencimento de cerca de 150 mil patacas”.

O médico, com ligação laboral à DSC, os familiares e médicos da entidade privada envolvida “terão cometido os crimes de burla e falsificação de documento” previstos no Código Penal, tendo o CCAC descoberto também que o médico “exercia funções remuneradas a tempo parcial sem conhecimento e consentimento do serviço onde exercia funções”.

Da parte da DSC, foi iniciado um processo disciplinar contra este funcionário com a entidade a “colaborar activamente com a investigação do CCAC”, tendo o caso sido transferido para o Ministério Público para investigação.

A DSC diz ainda que “atribui elevada importância ao caso e desenvolveu “uma revisão abrangente do mecanismo de gestão de faltas ao trabalho por doenças, bem como ao reforço da fiscalização interna, incluindo visitas ao domicílio dos trabalhadores e a verificação do estado de doença juntamente com os profissionais dos Serviços de Saúde”. Pretende-se, assim, “prevenir o abuso de baixas médicas para obter fundos públicos”. Pediu-se também às chefias das subunidades da DSC para “reforçar a supervisão”, exigindo-se “que todos os trabalhadores cumpram as obrigações inerentes ao exercício de funções públicas, com dedicação e respeito pela lei”.

Cancro | Taxa de sobrevivência aumenta 3 por cento em dez anos

Os Serviços de Saúde apresentaram ontem os dados relativos aos casos de cancro registados na última década. A doença continua a ser muito comum, mas mata menos, com a taxa de sobrevivência a aumentar de 59 por cento, em 2013, para 62 por cento em 2023. O cancro do pulmão, com 15,9 por cento de casos, está no topo da lista

 

Foram ontem apresentados pelos Serviços de Saúde de Macau (SS) os dados estatísticos relativos à evolução dos casos de cancro em Macau em dez anos (2013-2023). Segundo noticiou a TDM Rádio Macau, Alvis Lo, director dos SS, explicou que o cancro é das doenças mais comuns em Macau, mas em dez anos houve uma evolução positiva no que diz respeito à taxa de sobrevivência, que passou de 59 por cento para 62 por cento.

Em 2023, registou-se um total de 2.445 casos de cancro em Macau, com 1.201 casos a afectarem homens e 1.244 mulheres. Em termos de incidência, falamos da ocorrência de 238 casos de doença por cada 100 mil habitantes. No relatório relativo aos dados estatísticos sobre o cancro em 2023, divulgado em Agosto deste ano pelos SS, lê-se que o número de mortes foi 874, uma quebra anual (face a 2022) de dez por cento.

O cancro do pulmão domina a lista, com 15,9 por cento de casos, segundo avançou a médica Leong Iek Hou, chefe do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças. Segue-se o cancro da mama, o cancro colorectal, da próstata e tiroide. Leong Iek Hou adiantou também algumas das potenciais causas para a maior ocorrência de doenças do foro oncológico, nomeadamente o envelhecimento e hábitos de vida da população. A médica disse que, no tocante à taxa de mortalidade com origem no cancro, Macau tem tido uma evolução positiva na última década.

Olhando para o relatório anual relativo aos casos de cancro, dos SS, de 2013, nesse ano houve 713 mortes e 1600 novos casos da doença. Já então se verificava uma tendência de subida da doença, com 1093 casos registados em 2003 e a subida de quatro por cento face a 2013, quando se registaram 1600 novos casos oncológicos.

Rastreio essencial

Há casos de sucesso em alguns tipos de cancro, como é o caso do cancro do colo do útero, que em dez anos sofreu uma redução de 28 por cento na taxa de incidência, escreveu o jornal Ou Mun. Sobre esta doença falou Chou Mei Fang, directora do Centro de Saúde da Areia Preta, que descreveu também uma quebra na taxa de mortalidade em quatro por cento.

As taxas do rastreio a este tipo de cancro também parecem animadoras, uma vez que em 2023, entre 65 a 66 por cento das mulheres de Macau realizaram estes exames preventivos, disse Choi Mei Fang, embora persistam problemas como a idade tardia na realização do primeiro exame e o facto de mais de metade das mulheres não fazerem o rastreio de forma regular.

Num comunicado de 2024, os SS avançaram que, em cinco anos, a taxa média de incidência do cancro do colo do útero diminuiu quase 30 por cento em comparação com o período anterior a 2011, enquanto a taxa de mortalidade diminuiu oito por cento.

No caso do cancro colorrectal, foi dito na conferência de imprensa que a taxa de incidência deste tipo de cancro de forma invasiva, no caso dos homens, caiu seis por cento em dez anos, sendo que a taxa de mortalidade diminuiu cerca de 18 por cento. Leong Iek Hou referiu que desde que foi criado, em 2016, o programa de rastreio do cancro colorretal, que participaram mais de 35 mil pessoas até Agosto deste ano, registando-se mais participantes todos os anos.

Deste grupo de pessoas, 330 foram diagnosticadas com pólipos malignos e 175 com tumores malignos, sendo que a maioria se encontrava em fase inicial da doença, escreveu o jornal Ou Mun.

Consumo | Estudo da MUST indica diminuição da confiança

Os preços dos bens, a situação do emprego e o nível de vida estão a abalar a confiança dos consumidores. A MUST destaca também que a economia do Interior alcançou novas “conquistas” que deixam os consumidores mais animados, enquanto a situação internacional apresenta um crescimento mais fraco

 

A população está cada vez menos confiante na altura de consumir, de acordo com o Índice de Confiança do Consumidor de Macau no terceiro trimestre de 2025, divulgado ontem pela Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na siga inglesa). No segundo trimestre do ano, o índice apontava para a existência de uma confiança reduzida, mas a situação agravou-se e o sentimento dos consumidores é agora de pessimismo.

Numa escala de 0 a 200 pontos, o índice global apresenta um resultado de 99,33 pontos, quando no trimestre anterior era de 101,71 pontos. Segundo a MUST, uma pontuação abaixo de 100 pontos indica que existe falta de confiança em termos do consumo, enquanto uma pontuação acima de 100 pontos reflecte um clima de confiança. “Isto representa uma descida de 2,38 pontos, ou 2,34 por cento, em comparação com o trimestre anterior (101,71 pontos)”, pode ler-se no comunicado da instituição. “A tendência descendente acelerou neste trimestre, fazendo com que o índice saísse da faixa optimista, sinalizando que a confiança do consumidor entrou numa fase de cautela”, foi acrescentado.

As alterações foram justificadas com os ambientes externo e interno. Em relação ao que se passa no mundo, para além do Interior da China, o comunicado indica existir um ambiente “cada vez mais complexo e desafiante”, e aponta que o “ritmo de crescimento da economia global enfraqueceu” ao mesmo tempo que “as barreiras comerciais continuaram a aumentar”.

Para os investigadores, o cenário na China é muito diferente, porque “foram alcançadas novas conquistas no desenvolvimento de alta qualidade” com a economia a manter “um progresso constante com melhorias contínuas”. Ainda assim reconhece-se “a procura insuficiente e os níveis de preços persistentemente baixos”.

Inflação e emprego preocupam

O resultado global da confiança foi afectado por vários factores que levaram a população a estar mais pessimista. A maior quebra de confiança no consumo foi motivada pelo nível médio dos preços no território. Este aspecto foi avaliado com 97,74 pontos no segundo trimestre, mas no terceiro não foi além e 91,87 pontos, uma diferença de 5,87 pontos.

O nível do padrão de vida é outro aspecto que apresentou uma descida da confiança, embora ainda esteja numa margem positiva. Foi avaliado com 102,73 pontos, quando antes tinha sido catalogado com 107,08 pontos, uma redução de 4,06 pontos. A maior desconfiança tem igualmente por base a situação do emprego, com um resultado pessimista de 92,69 pontos, quando no trimestre anterior era de 96,33 pontos, uma diminuição de 3,78 pontos.

Os investimentos em acções é outro dos indicadores que apresentou uma redução significativa, de 3,26 pontos para 112,42 pontos de 116,21 pontos, mas que continua a ser positivo.

Com os preços dos imóveis em quebra, o índice reflecte uma maior confiança dos consumidores. Em relação à compra de habitação, o índice apresentou 101,99 pontos, um aumento de 2,72 pontos face à pontuação de 99,29 do trimestre anterior. A confiança de consumo de habitação mantém-se assim num nível de optimismo.

Ao mesmo tempo, as perspectivas sobre a economia local são agora melhores, embora permaneçam em território negativo. Este aspecto teve uma pontuação de 94,14 pontos, um aumento de 0,57 pontos face ao valor de 93,41 do trimestre anterior. Apesar do crescimento, os consumidores mostram-se pessimistas em relação ao estado da economia local.

O Índice de Confiança do Consumidor de Macau do terceiro trimestre de 2025 teve por base 829 inquéritos junto de residentes com mais de 18 anos, realizados entre 1 e 15 de Setembro.

Universidades de Coimbra e Macau criam laboratório para o envelhecimento

A Universidade de Coimbra (UC) e a Universidade Politécnica de Macau (MPU, na sigla em inglês) firmaram um acordo de cooperação para a criação de um laboratório dedicado ao estudo e desenvolvimento de soluções para o envelhecimento. A parceria estabelece o “Laboratório Conjunto em Inteligência Artificial para a Longevidade Saudável”, com um polo de investigação em Coimbra e outro em Hengqin, revelou a UC, num comunicado enviado à agência Lusa.

Segundo a instituição de ensino superior portuguesa, a missão central da estrutura é “o desenvolvimento de soluções inovadoras que possam permitir retardar o envelhecimento e melhorar a qualidade de vida da população, combinando a investigação biomédica com as potencialidades da inteligência artificial”.

O laboratório reforça a colaboração entre a UC e a MPU, uma parceria que tem vindo a unir diversas equipas de investigação em projectos científicos, como é o caso do Laboratório Conjunto em Tecnologias Avançadas para Cidades Inteligentes, criado em 2022.

Laços reforçados

Durante a cerimónia que marcou o arranque da nova estrutura científica, foram ainda firmados protocolos para a promoção da cooperação no ensino e na mobilidade de estudantes, docentes e investigadores das duas academias.

Para o reitor da UC, Amílcar Falcão, citado no comunicado, o laboratório “significa a internacionalização do conhecimento da Universidade de Coimbra na área do envelhecimento”, com uma projecção global do trabalho desenvolvido pela UC nesta área, através do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA Portugal).

Por sua vez, o reitor da Universidade Politécnica de Macau, Im Sio Kei, destacou o objectivo de trabalhar em conjunto na saúde, com especial enfoque na longevidade saudável, “uma vez que a Universidade de Coimbra é muito forte nesta área” e a MPU “é muito forte na área da inteligência artificial”.

Trabalho | Deputados prometem lutar por mais direitos laborais

Leong Pou U e Lam Lon Wai, deputados eleitos no sufrágio indirecto pelo sector do trabalho, prometeram ontem assumir funções a partir de 16 de Outubro para garantir mais direitos laborais. A promessa foi deixada durante a presença no programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau.

Voltando a um dos assuntos antigos da agenda dos Operários, Lam Lon Wai recordou que as férias anuais e os feriados obrigatórios não são aumentados há vários anos. O também actual deputado deixou o desejo de que este aspecto seja alterado na próxima Legislatura. Actualmente, o número de dias de férias obrigatórios é de seis dias por ano.

Lam Lon Wai também espera que os dias de remuneração paga durante a licença de maternidade do sector privado sejam equivalentes aos do sector público. No sector público, as trabalhadoras gozam de 90 dias pagos de licença de maternidade. No entanto, no sector privado o número é de 70 dias.

Lam Lon Wai apontou também que no próximo mandato vai prestar maior atenção à melhoria de segurança ocupacional do sector de construção. A promessa foi deixada depois de nos últimos dias ter morrido um trabalhador num estaleiro de obras.

Por seu turno, Leong Pou U afirmou que vai focar-se nas garantias laborais dos trabalhadores das indústrias emergentes, e em principal nos distribuidores de take-away. Para o futuro deputado, é imperativo definir as responsabilidades face ao seguro de trabalho destes distribuidores. Leong Pou U declarou ainda a vontade de contribuir para o aumento das licenças de maternidade e paternidade.

Edifícios | Alerta para perigos de fachadas sem manutenção

O vazio ao nível da responsabilidade face às fachadas dos edifícios está a criar uma situação alarmante para o deputado dos Moradores, Leong Hong Sai, que pede a intervenção do Executivo para evitar acidentes

 

Leong Hong Sai alerta o Governo para a necessidade de definir claramente as responsabilidades face às fachadas dos edifícios, para evitar a queda de objectos para as vias públicas. O aviso para o Executivo foi deixado através de uma interpelação escrita, com o deputado a indicar que a queda de reboco ou azulejos é um perigo para a segurança pública.

“A integridade e segurança das paredes exteriores não só afectam directamente os interesses vitais dos residentes, como também afectam significativamente a segurança pública e a paisagem urbana”, começa por justifica o deputado apoiado pelos Moradores. “No entanto, na prática, inúmeros edifícios privados enfrentam incertezas ou lacunas na propriedade das fachadas devido a legados históricos, disputas sucessórias e ao sistema de títulos estratificados”, indica. “Isto cria desafios significativos para a gestão unificada da manutenção, o controlo de qualidade e a resposta a emergências”, avisa.

Ao mesmo tempo, o legislador indica que nem sempre é fácil os proprietários dos apartamentos chegarem a um acordo sobre como fazer a manutenção ou realizar obras. “Quando as paredes externas desses edifícios se deterioram, ficam danificadas ou até representam perigos imediatos, muitas vezes ocorrem atrasos nas reparações devido a disputas sobre a atribuição de responsabilidades e a partilha de custos, criando riscos para a segurança da comunidade”, descreve.

Criar estatística

Como primeiro passo para lidar com o problema, Leong Hong Sai defende que o Executivo tem de compilar os dados sobre o número de edifícios privados em que existem dúvidas sobre os responsáveis pela manutenção das fachadas. O deputado pretende também que o Executivo explique como vai “lidar com os perigos imediatos decorrentes de edifícios com propriedade das paredes exteriores incerta ou incompleta”.

Além disso, Leong quer saber o que vai acontecer quando os proprietários não cumprirem as suas obrigações: “Que medidas existem para garantir a segurança estrutural das paredes exteriores quando os proprietários não cumprem as suas obrigações de manutenção, exigindo a intervenção do governo? Quais são os procedimentos e prazos relevantes envolvidos?”, interroga.

No mesmo sentido, Leong Hong Sai revela ter recebido queixas dos moradores do edifício Koi Nga porque durante os vários tufões que afectaram Macau este ano voltou a ocorrer queda de reboco e azulejos. O deputado pede o auxílio do Governo a lidar com esta questão. “Os residentes questionam por que tais ocorrências são raras noutros edifícios. As autoridades e empreiteiros vão dar a maior prioridade a esta questão e ajudar os residentes afectados a reparar as paredes externas?”, pergunta.

Cientistas ‘reduzem’ idade do templo egípcio de Karnak, no Egipto

Os investigadores realizaram o estudo geoarqueológico mais abrangente do templo de Karnak, próximo de Luxor, e revelaram ligações sugestivas com a mitologia egípcia antiga e novos dados sobre a interacção entre a paisagem ribeirinha do complexo e os povos que ocuparam o local durante os seus quase 3.000 anos de utilização.

Os resultados da investigação foram publicados na segunda-feira na revista Antiquity, noticiou a agência Efe. Participaram no estudo investigadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, e da Universidade de Uppsala, na Suécia. Foram analisadas até 61 amostras de sedimentos do interior e da envolvente do templo e milhares de fragmentos de cerâmica encontrados no complexo de Karnak, localizado a 500 metros a leste do atual rio Nilo, perto de Luxor, na antiga capital religiosa egípcia de Tebas.

Os investigadores mapearam como a paisagem em redor do sítio mudou ao longo da sua história e descobriram que, antes de 2520 a.C., o local não poderia ter sido adequado para ocupação permanente devido às inundações periódicas causadas pelas fortes correntes do Nilo. Por conseguinte, situaram a ocupação mais antiga em Karnak durante o Império Antigo (entre 2591 e 2152 a.C.).

Os fragmentos de cerâmica encontrados no sítio corroboram esta descoberta, sendo que os mais antigos datam entre 2305 e 1980 a.C. Portanto, as conclusões desta equipa internacional de investigadores fornecem novas evidências sobre a idade de Karnak, que tem sido acaloradamente debatida nos círculos arqueológicos há décadas.

A origem de tudo

O solo sobre o qual o templo foi fundado formou-se quando os canais dos rios avançaram para oeste e para leste, criando uma ilha de terreno elevado no que é atualmente a região este-sudeste do sítio. Esta ilha emergente lançou as bases para a ocupação e a construção inicial de Karnak.

Ao longo dos séculos e milénios seguintes, os canais dos rios de ambos os lados do sítio divergiram ainda mais, criando mais espaço para o desenvolvimento do complexo do templo, como confirmaram agora os investigadores. Esta nova compreensão da paisagem do templo apresenta semelhanças impressionantes com um antigo mito da criação egípcia, levando a equipa a acreditar que a decisão de localizar o templo ali pode ter estado relacionada com as visões religiosas dos seus habitantes.

Textos egípcios antigos do Império Antigo indicam que o ‘Deus Criador’ se manifestou como um terreno elevado a emergir do lago, e os investigadores verificaram que a ilha onde Karnak foi fundada é a única área conhecida de terreno elevado rodeada de água na região.

Assim, os arqueólogos sugeriram que as elites tebanas escolheram a localização de Karnak para ser a morada de uma nova forma de ‘Deus Criador’, aludindo a Amon-Rá, o deus supremo do antigo Egito, uma vez que o local se enquadrava perfeitamente no cenário mitológico das terras altas que emergiam das águas circundantes como a origem da formação do Universo.

UNESCO | Egípcio Khaled el-Enany eleito para próximo director-geral

O museólogo egípcio Khaled el-Enany foi eleito esta segunda-feira director-geral da UNESCO, pelo conselho executivo da Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura, sucedendo à francesa Audrey Azoulay, no próximo mandato de quatro anos.

Os resultados da votação, anunciados pela presidente do conselho executivo, Vera El Khoury Lacoeuilhe, mostram que Khaled el-Enany recebeu 55 dos 57 votos possíveis, batendo o segundo candidato, o diplomata congolês Firmin Edouard Matoko. O resultado da votação deverá ser ratificado no próximo dia 6 de novembro, na Conferência Geral da UNESCO, em Samarcanda, no Uzbequistão.

Khaled el-Enany, que deverá tomar posse como 12.º director-geral da UNESCO em 14 de Novembro, tornar-se-á assim o primeiro cidadão de um país árabe a desempenhar o cargo e o segundo africano, depois do senegalês Amadou Mahtar Mbow (1974-1987). Antigo ministro das Antiguidades e do Turismo (2016-2022) do Governo egípcio, egiptólogo de formação, Khaled el-Enany, de 54 anos, é professor de Egiptologia na Universidade de Helwan, no Cairo, a que está ligado há mais de 30 anos, como indica a biografia no seu ‘site’.

No seu percurso académico, que inclui ainda o ensino da língua egípcia antiga, estão também outras instituições de ensino superior como a Universidade de Palermo, em Itália, a Universidade Paul-Valéry-Montpellier, em França, e a Universidade de Tecnologia de Brandeburgo, na Alemanha.

O próximo director-geral da UNESCO, que dirigiu o Museu Nacional da Civilização Egípcia, em Fustat, Cairo, é também académico correspondente do Instituto Arqueológico Alemão, em Berlim, investigador associado e membro do conselho de administração do Instituto Francês de Arqueologia Oriental.

Audrey Azoulay, antiga ministra francesa da Cultura, e a segunda mulher à frente da UNESCO depois da búlgara Irina Bokova (2009-2017), completa, em Novembro, dois mandatos consecutivos desde 2017.

“Prémios da Lusofonia” | Fundação Oriente distinguida

A gala “Prémios da Lusofonia”, marcada para este sábado no Casino do Estoril, em Portugal, pretende realçar o papel das pessoas e instituições que melhor têm representado a imagem da comunidade “em todo o mundo”, anunciou a organização à Lusa. O evento vai nesta 9.ª edição premiar cidadãos e instituições de toda a comunidade lusófona, do Brasil a Timor-Leste, contextualizou a Associação Internacional das Comunidades de Língua Portuguesa, promotora do evento.

Entre os premiados estão a Fundação Oriente (Portugal/Macau), o cineasta Flora Gomes (Guiné-Bissau), o artista plástico Ed Ribeiro (Brasil), o professor Valentino Viegas (Goa), o cantor Bonga (Angola), o programa “A Nossa Cultura” (Guiné Equatorial), a diplomata Fernanda Lichale (Moçambique), a ex-primeira-ministra de São Tomé e Príncipe Maria do Carmo Silveira e o ex-primeiro-ministro de Timor-Leste Mari Alkatiri e o escritor Germano Almeida (Cabo Verde), frisou.

Para a associação, a gala tem procurado evidenciar e reconhecer a arte e cultura lusófonas dos vários países que constituem a comunidade.

“Iremos, portanto, assistir a um evento onde terão lugar intervenções de grande qualidade e relevo, no quadro da cidadania de língua portuguesa em Portugal e no mundo. Veremos e ouviremos diplomatas, escritores, artistas, responsáveis associativos, actores. E, claro, haverá momentos de intervenção cultural da maior qualidade”, explicou. Durante a cerimónia serão também entregues o Prémio Carreira, o Prémio Excelência Lusófona, o Prémio Diplomacia Lusófona, o Prémio Especial Lusofonia e o Prémio Revelação Lusófona, entre outros.

ARTM | Associação celebra 25 anos com iniciativa solidária

“Hike With a Purpose” é o nome dado à iniciativa da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau para celebrar 25 anos de existência. Há corridas e caminhadas, conforme a capacidade física de cada um, programados para este domingo, no Parque Natural da Barragem de Hac-Sá

A Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM) celebra 25 anos e para marcar o acontecimento promove, este domingo, das 06h30 às 12h, a iniciativa “Hike With a Purpose”, que decorre no Parque Natural da Barragem de Hac Sá, e que pretende levar residentes a caminhar ou correr em prol de uma causa.

“Esta iniciativa destina-se a promover uma comunidade livre de substâncias ilícitas, incentivar estilos de vida e hábitos saudáveis, e fomentar actividades ao ar livre e o envolvimento da comunidade entre participantes de todas as idades”, destaca a associação numa nota. A primeira edição do evento decorreu em 2022.

Esta é uma iniciativa que decorre em colaboração com o Trailman 100 com duas opções de participação, nomeadamente a “Corrida Desafio de 14Km” e a “Corrida Divertida de 8Km”, ambas “projectadas para fomentar o espírito comunitário e promover a aptidão física”.

No caso da “Corrida Desafio de 14Km”, no formato individual, é feita numa distância de 14 quilómetros como o nome indica e o registo deve ser feito das 06h15 às 07h, com início da corrida programado para as 07h. Os participantes terão um limite de tempo de 3 horas e 30 minutos e devem ter 16 anos ou mais para participar.

Já a “Corrida Divertida de 8Km”, com grupos de três pessoas, é realizada num percurso de oito quilómetros, com registo obrigatório entre as 08h e as 09h e início programado para as 09h. Os participantes terão um limite de tempo de 2 horas e 30 minutos e devem ter 8 anos ou mais. Aqui, os prémios serão atribuídos ao grupo vencedor, enquanto no caso da corrida individual os prémios serão atribuídos aos três melhores corredores masculinos e femininos.

Aquecer antes de correr

Este evento da ARTM conta ainda com o apoio do UFC Gym para “proporcionar uma sessão de aquecimento antes da corrida divertida em grupo”, além de que no evento vão existir duas bancas de venda de artigos, comida e bebida com fins solidários, em parceria com a “Friends U Can Keep Macau” e a “Go Tower”, com parte dos lucros a reverter para a ARTM.

Espera-se que o evento atraia cerca de 300 participantes, reunindo famílias, amigos e membros da comunidade na tentativa de envolvimento “em actividades saudáveis”, aumentando também “a consciência sobre a prevenção do abuso de substâncias”.

Em 1993, a ARTM nascia com o nome “Ser Oriente” e começou por disponibilizar sessões de conversa e apoio psicológico a dependentes de drogas, além de apostar na sua integração social. A associação passou a designar-se ARTM em 2000, possuindo hoje centros de acolhimento para dependentes de álcool, droga ou jogo, tendo criado uma comunidade terapêutica que visa a cura sem a prisão e o regresso à vida em sociedade. A ARTM desenvolve também um trabalho social em Ka-Hó, nas moradias da antiga leprosaria, com o projecto de cafetaria e galeria de arte “Hold On To Hope”.

Imobiliário | Mercado a crescer em Setembro

O início de Setembro mostra um mercado em recuperação face ao número de transacções do ano passado. No entanto, a maior compra e vendas de habitação também resulta de os preços serem agora mais baixos

Na primeira metade de Setembro, o mercado imobiliário registou um aumento anual de 22 por cento de compras e vendas de casa e apartamentos, com 127 transacções efectuadas. Os números foram divulgados pela Direcção de Serviços de Finanças (DSF). No início do mês transacto, foram assim registadas 127 transacções, quando no início de Setembro do ano passado se contabilizaram 104 compras e vendas de habitação.

O mercado esteve mais activo na Península de Macau com 102 transacções, mais 48 do que no ano passado, o que representou um crescimento de 88,8 por cento. Contudo, no início de Setembro de 2024 o número de transacções na Península não foi além das 54, um valor historicamente reduzido para este mercado.

Em relação às transacções na primeira quinzena de Setembro deste ano, na Taipa foram apresentadas 21 compras e vendas de habitação, mais quatro do que no ano passado (17), uma alteração de 23,5 por cento. Em Coloane, registaram-se quatro transacções, uma redução de 87,9 por cento. Contudo, a transacção de 33 habitações em Coloane constituiu igualmente um número invulgarmente alto para aquela zona do território.

Em termos dos preços, registou-se uma redução anual do montante de 90.543 patacas por metro quadrado para 78.418 patacas, uma diminuição de 13,4 por cento.

Os preços foram afectados pela desvalorização em Coloane. Há um ano, os imóveis eram transaccionados a uma média de 124.162 patacas por metro quadrado. No entanto, mais recentemente o valor médio do metro quadrado não foi além de 75.292, uma redução de 16,8 por cento.

Em Macau, o preço apresentou uma valorização para 74.698 patacas por metro quadrado, de 6,4 por cento face ao valor anterior de 70.216 patacas. Na Taipa, a valorização foi de 30,3 por cento para 92.638 patacas, quando antes era de 71.129 patacas por metro quadrado.

Mercado estável

Quando a comparação é feita em termos mensais, os números mostram um mercado mais estável, com ligeiras variações a nível das transacções e do preço do metro quadrado.

Em comparação com o início de Agosto (118 transacções), Setembro teve mais nove compras e vendas de habitação para 127, um aumento de 7,6 por cento. Em Agosto, Macau tinha sido o mercado mais activo com 96 transacções (102 em Setembro), 19 na Taipa (21 em Setembro) e três em Coloane (quatro em Setembro).

Em termos dos preços, Setembro apresentou uma ligeira redução de 572 patacas por metro quadrado, dado que o preço no início de Agosto tinha sido de 78.990 patacas por metro quadrado. Em Agosto, os preços mais elevados tinham sido registados em Coloane, com uma média de 83.444 patacas por metro quadrado, seguido pela Península de Macau (82.734 patacas) e Taipa (62.219 patacas).

Habitação | Índice de preços com redução

Entre Junho e Agosto, o índice global de preços da habitação foi de 192,4, tendo descido 0,8 por cento, em comparação com o período transacto de Maio a Julho. Os números foram revelados na sexta-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). O índice de preços de habitações construídas (206,7) baixou 1,1 por cento, face ao período precedente, porém, o índice de habitações em construção (233,6) aumentou 0,3 por cento.

Quanto ao índice de preços de habitações construídas, o da Península de Macau (195,8) e o da Taipa e Coloane (250,1) desceram 1,3 por cento e 0,2 por cento. Em termos do ano de construção dos edifícios, o índice de preços de habitações construídas pertencentes ao escalão superior a 20 anos diminuiu 1,4 por cento, face ao período transacto. O índice de preços de habitações do escalão inferior ou igual a 5 anos e o índice do escalão dos 6 aos 10 anos desceram ambos 1,2 por cento, todavia, o índice do escalão dos 11 aos 20 anos cresceu 0,1 pro cento.