No aniversário de Bergman

O grande director de cinema sueco nasceu a 14 de Julho de 1918 e marcaria as nossas vidas como nenhum outro quando olhado do ângulo mais puro de uma intimidade que imprime códigos de decifração e de iniciação, olhamo-lo como se olham os espelhos- no outro lado- e sem dúvida que o formalismo quase religioso, ritualístico, enigmático, e quantas vezes indecifrável, foi nos seus filmes a única liturgia conhecida em duas gerações.

O seu legado em nós permanece, o seu sentido estético era mais do que poderíamos ter exigido num mundo em que muito deste conceito estava desvanecente nas prioridades sociais, mas Bergman, foi uma espécie de fronteira que precisámos observar enquanto ritmo quase litúrgico. Só que o feérico Bergman seria bem mais do que isso, viveu bastante, morreria em 2007 e o seu lado de morcego não nos impede jamais de lhe prestarmos sincera gratidão.

E, o que pode haver nele de tão negro? A sua circunstância e a época onde desenvolveu paixão grandiosa por Hitler, talvez pela influência familiar, ou não, nunca se sabe, mas suponhamos que sim, e como jovem musculado nas Olimpíadas de Berlim, Bergman exultou até ao último momento, apenas quebrando diante da realidade daquilo que foram os campos de concentração. Uma inquietante pergunta se nos impõe: devemos nós julgar os seres de forma moralista, ou exultar neles a dádiva do seu legado?

Neste caso, e abertamente, o último parece o mais justo e recompensador, que o homem no seu instante histórico pode propor-se a coisas abomináveis, mas quando ultrapassado, pode transmutar-se e ser agente de grandes feitos. O ser moral não coincide com o génio, o talentoso ser pode ser de certa forma amoral e não lhe pedimos confessionalismos que magoem a sua fonte criativa, e é isso que nunca devemos esquecer.

É bem evidente que nem todos aqueles que deram a mão à desgraça amanheceram transfigurados, mudados e mais humanos: não! a maioria seguiu o curso dos tempos e multiplicou-se reverberando um adágio alucinante que desaguou nesta colmeia de parasitas infelizes, a extrema- direita europeia.

Entre os nacionalistas armilados, congregações de capa e espada, delírios hermenêuticos e cavalarias descalças, eles nunca levantaram mais nada para além do ridículo malsão que teima em se afirmar como lembrança desnecessária. É perigoso não saber discernir o local onde a beleza mora, e onde o ritmo civilizador se desvanece.

É neste Verão que os «Morangos Silvestres» sabem bem como todos os frutos que nascem da seiva natural, e em seu memorável, frutuoso, e lendário legado, havia que enumerar dezenas de outros “frutos” onde a própria natureza não se vê. Há um além terrestre que o povoa e vai na direção de identidades ontológicas, onde sabemos que ir a Fátima a pé é muito mais perto que alcançar o milagre da sua iniciação. Manuel de Oliveira andou ligeiramente perto deste registo mas sem a componente translúcida e sequencial dos discursos, e muito aquém da refinada esquematização de imagem que requer um brilho que uma máquina parada nunca saberá devolver, porém, vamos encontrar nele reflexos escondidos do mestre da quase perfeição.

Os políticos são sombras ao lado dos artistas, e o que eles fazem só a Deus pertence, onde suas faltam nada significam ao lado do significado que lhes dão. A sombra da soberba inquisitiva não pode culpabilizar os mestres que têm direito a falhas tão humanas quanto os demais, mas onde há um hiato que convém sempre salvaguardar, a própria excelsitude. O professor António de Macedo sabia bem do que falava nas suas quase homilias cinematográficas acerca da obra do grande cineasta. Parabéns aos dois.

GP | FIA já definiu como será a Taça do Mundo de F4

O Grande Prémio de Macau recebe a primeira edição da Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA, entre 13 e 16 de Novembro deste ano. A Federação Internacional do Automóvel publicou o regulamento desportivo, que revela alguns detalhes sobre o que será a mais recente Taça do Mundo integrada no programa do 72.º Grande Prémio de Macau

 

As inscrições para a Corrida de Macau de Fórmula 4 – Taça do Mundo de Fórmula 4 da Federação Internacional do Automóvel (FIA) estão abertas até ao dia 30 de Julho, cabendo à FIA a selecção dos pilotos que irão participar. Os responsáveis da FIA terão feito uma pré-selecção dos melhores pilotos dos campeonatos nacionais de Fórmula 4, encorajando também todos outros os pilotos interessados em contactar directamente a FIA e a fornecer detalhes do seu historial desportivo para serem considerados.

A lista final de vinte pilotos será confirmada através de uma carta oficial de convite, tendo em conta a classificação actual dos pilotos nos respectivos campeonatos. A selecção final só deverá ser tornada pública em meados de Outubro, conforme é tradição na prova do Circuito da Guia.

Numa altura em que, nos bastidores, se fala da possibilidade de a FIA aumentar a idade mínima da Fórmula 4 para 16 anos, o regulamento desportivo estipula que todos os pilotos devem ter, no mínimo, 15 anos de idade, sendo vinculativa a data de aniversário. Um piloto inscrito não poderá ter participado em mais de duas provas de um campeonato com qualquer tipo de monolugar que tenha sido concebido e/ou construído para atingir uma relação peso-potência inferior a 3,0 kg/cv, o que impede a participação nesta corrida de pilotos que tenham disputado temporadas da Fórmula Regional ou Fórmula 3.

O regulamento desportivo não especifica pormenores técnicos, mas em comunicações anteriores, a FIA já havia confirmado que a Mintimes – organizadora do Campeonato Chinês de F4 – será o “Operador Único” da prova, em conjunto com a FFSA (Fédération Française du Sport Automobile), responsável pelo apoio técnico à Taça do Mundo. Na prática, todos os concorrentes utilizarão monolugares Mygale M21-F4, recentemente re-baptizados como Ligier JS F422.

Estes fórmulas, equipados com motores Renault 1.3 litros turbo, serão alugados a equipas do Interior da China e operados por uma única equipa técnica – a mesma que organiza o Campeonato Francês de F4. A Pirelli será o fornecedor exclusivo de pneus, como já acontece no Grande Prémio de Macau de Fórmula Regional e na Taça do Mundo de GT da FIA.

Apesar de o horário oficial do evento ainda não ter sido divulgado, sabe-se que a Taça do Mundo contará com uma corrida de qualificação disputada ao longo de 8 voltas, ou no máximo 60 minutos, muito provavelmente no sábado. A Corrida Principal será realizada no domingo, com 10 voltas ou, igualmente, um máximo de 60 minutos. Antes disso, terá lugar uma sessão de Treinos Livres com a duração de 40 minutos, seguida de uma sessão de Qualificação com a mesma duração.

Patacas e Pontos

Cerca de 350 mil patacas em prémios monetários serão distribuídas pelos concorrentes presentes nesta primeira Taça do Mundo, com o vencedor da Corrida Principal a arrecadar oito mil dólares americanos. Como curiosidade, todos os participantes receberão trezentos dólares de participação – o mesmo valor atribuído à pole-position da corrida de qualificação de sábado e ao piloto que atingir a velocidade de ponta mais elevada durante o evento.

Mais importante do que os prémios monetários, o vencedor da primeira Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA nas ruas de Macau conquistará dois pontos para a Super Licença – pontos esses que podem vir a ser decisivos para aceder ao restrito mundo da Fórmula 1. O vencedor estará também obrigado a marcar presença na Cerimónia de Entrega de Prémios da FIA, que este ano terá lugar a 12 de Dezembro, em Tashkent, no Usbequistão.

Coreia do Norte | Kim pede preparação “para guerra a sério”

O líder da Coreia do Norte pediu a soldados do país que se preparem “para uma guerra a sério”, durante um exercício de tiro de artilharia que presenciou, informou ontem a imprensa oficial norte-coreana.

Fotos divulgadas pela agência de notícias KCNA mostram Kim Jong-un, vestido com um fato preto, a dirigir-se a soldados de uniforme. Outras imagens mostram Kim a observar atentamente um exercício de tiro de artilharia ao lado de vários líderes militares norte-coreanos. A sessão de tiro decorreu na quarta-feira, num local não revelado. Imagens divulgadas pela agência mostraram ainda projécteis a serem disparados em direcção ao mar.

Durante a visita, Kim discursou para os soldados norte-coreanos, a quem pediu para se prepararem “para uma guerra a sério” e para serem capazes de “destruir o inimigo em todas as batalhas”, de acordo com a KCNA.

Esta visita acontece depois de um contingente norte-coreano ter participado em combates contra as forças ucranianas na região russa de Kursk, parcialmente ocupada pelas tropas de Kiev desde o Verão de 2024 e que a Rússia anunciou ter retomado totalmente no final de Abril.

Tailândia | Nove mortos e 14 feridos por ataques aéreos cambojanos

Os ataques aéreos cambojanos mataram nove pessoas, incluindo uma criança de oito anos, e feriram 14, informou ontem o exército tailandês, no dia em que se intensificou o conflito entre os dois países

 

Nove pessoas morreram e 14 ficaram feridas na Tailândia na sequência da ofensiva de ataques aéreos cambojanos. Segundo o exército tailandês, uma das vítimas mortais foi uma criança de 14 anos. A Tailândia afirmou ter lançado ataques aéreos contra dois alvos militares no Camboja, enquanto os soldados cambojanos dispararam vários foguetes contra território tailandês.

Seis pessoas foram mortas num ataques perto de um posto de abastecimento de combustível na província de Sisaket (nordeste), duas na província de Surin (nordeste) e uma na província de Ubon Ratchathani (nordeste).

As autoridades tailandesas anunciaram o encerramento total de todas as passagens fronteiriças terrestres com o Camboja, após confrontos entre os dois exércitos em várias áreas que separam estes países vizinhos.

O nível de segurança nas passagens fronteiriças foi elevado para o 4 — o máximo —, o que constitui um encerramento completo, disse, em conferência de imprensa o porta-voz do centro tailandês que monitoriza a situação na fronteira com o Camboja, o almirante Surasant Kongsiri.

“Dada a situação actual, é necessário que a Tailândia feche as barreiras nas passagens fronteiriças para proteger a nossa soberania, integridade territorial e a segurança das pessoas nas zonas fronteiriças”, disse, na mesma ocasião, o porta-voz dos Negócios Estrangeiros do centro, Maratee Nalita.

Terra cobiçada

Desde o final de Junho, a Tailândia implementou restrições de acesso em todos os postos fronteiriços ao longo dos mais de 800 quilómetros de fronteira que partilha com o Camboja, permitindo a entrada apenas por motivos humanitários, de saúde ou educação.

O encerramento total acontece após os confrontos de ontem entre os exércitos tailandês e cambojano numa zona fronteiriça disputada, segundo indicaram os dois lados, que se acusam mutuamente de iniciar o conflito após semanas de tensão.

Entretanto, o primeiro-ministro do Camboja, Hun Manet, solicitou ontem uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. “Considerando as recentes agressões extremamente graves da Tailândia, que ameaçaram gravemente a paz e a estabilidade na região, peço sinceramente que convoque uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para pôr fim à agressão da Tailândia”, escreveu Hun Manet numa carta dirigida ao presidente do Conselho de Segurança, Asim Iftikhar Ahmad.

O conflito de longa data entre os dois países reacendeu-se a 28 de Maio, após um confronto entre os dois exércitos em torno de uma zona fronteiriça não demarcada reivindicada pelas duas nações, que resultou na morte de um soldado cambojano.

A Embaixada da Tailândia no Camboja solicitou ontem aos cidadãos tailandeses que abandonem o país vizinho, após os confrontos e dada a possibilidade de os ataques “continuarem e espalharem-se”. A tensão territorial tem sido geralmente abordada diplomaticamente, embora entre 2008 e 2011, cerca de 30 pessoas tenham morrido em confrontos militares entre os dois países num território adjacente ao templo hindu de Preah Vihear.

China-UE | Compromisso para reforçar esforços contra alterações climáticas

China e União Europeia (UE) comprometeram-se ontem a reforçar os esforços conjuntos no combate às alterações climáticas, segundo um comunicado divulgado no âmbito da 25.ª cimeira bilateral, realizada em Pequim.

“O aquecimento global é tradicionalmente uma área de convergência entre Bruxelas e Pequim”, refere o texto, sublinhando a intenção de acelerar uma acção climática “rápida, em grande escala e a todos os níveis”. A UE pretende atingir a neutralidade carbónica até 2050, enquanto a China, maior emissora mundial de gases com efeito de estufa, comprometeu-se com esse objectivo até 2060.

Apesar das tensões bilaterais, ambas as partes acordaram reforçar a cooperação em áreas como a transição energética, adaptação às alterações climáticas, controlo das emissões de metano, mercados de carbono e tecnologias verdes e de baixo carbono.

O comunicado apela ainda ao alargamento global das energias renováveis e à facilitação do acesso a tecnologias ecológicas, sector no qual a China é líder mundial, incluindo em veículos eléctricos e painéis solares.

Segundo David Waskow, do centro de reflexão World Resources Institute (WRI), esta declaração envia “um sinal importante de que a cooperação climática pode superar as tensões geopolíticas”.
Já Yao Zhe, representante da organização ambiental Greenpeace, alerta que “é agora preciso passar à prática”.

Mongólia Interior | Seis estudantes morrem em visita a mina

Seis estudantes universitários morreram após caírem num tanque de flotação durante uma visita académica a uma unidade de processamento de minerais na região autónoma chinesa da Mongólia Interior, informaram ontem as autoridades locais.

O acidente ocorreu na quarta-feira, por volta das 10h20, quando uma grelha metálica cedeu sob o peso do grupo, provocando a queda dos alunos num tanque com lamas industriais, na planta de concentração de cobre e molibdénio de Wunugetushan, operada pela Inner Mongolia Mining, subsidiária do grupo estatal China National Gold.

Apesar das operações de resgate, os seis estudantes – todos no terceiro ano da Universidade do Nordeste, em Shenyang – foram declarados mortos no local. Um professor que acompanhava a visita ficou ferido, segundo as autoridades locais. “Investigações preliminares indicam que a grelha se partiu durante a visita, provocando a queda acidental”, afirmou um responsável citado pelo portal Jimu News. As dimensões do tanque não foram divulgadas.

O reservatório continha uma mistura espessa de água, minerais moídos e reagentes químicos que, segundo especialistas ouvidos pela imprensa chinesa, torna a sobrevivência “praticamente impossível”.

O acidente ocorreu apenas dez dias após a empresa ter realizado uma reunião sobre segurança laboral, segundo uma publicação de 16 de Julho na sua conta oficial na plataforma WeChat, onde destacava protocolos “rigorosos” e a meta de “zero acidentes” para 2024.

A planta é considerada uma das primeiras na China a operar com sistemas de flotação de grande capacidade, segundo um artigo técnico publicado em 2011.

António Costa pede à China que use influência para pôr fim à guerra na Ucrânia

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu ontem uma relação mais equilibrada com a China e pediu a Pequim que use a sua influência para pôr fim à guerra na Ucrânia, numa cimeira marcada por tensões comerciais.

Num encontro com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, parte da 25ª cimeira bilateral entre a União Europeia (UE) e a China, Costa afirmou que, passados 50 anos sobre o estabelecimento de relações diplomáticas, os laços económicos e humanos entre ambas as partes “cresceram exponencialmente, trazendo prosperidade para os dois lados”.

“Como parceiros comerciais de peso, as nossas economias e sociedades tornaram-se estreitamente interligadas. A UE e a China também cooperam no avanço da agenda ambiental multilateral”, sublinhou.

“Queremos trabalhar para garantir que a nossa relação económica seja equilibrada, recíproca e mutuamente benéfica. O comércio entre a UE e a China tornou-se crescentemente assimétrico e isso não é sustentável”, alertou Costa, ao lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Segundo dados chineses, as exportações da China para a UE cresceram 7 por cento no primeiro semestre do ano, enquanto as importações provenientes do bloco europeu caíram 6 por cento, agravando o défice comercial europeu, que ultrapassa actualmente os 300 mil milhões de euros.

Tom conciliador

António Costa reforçou também as preocupações da UE em relação ao apoio chinês à Rússia, apelando a Li Qiang para que, enquanto membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, use a sua influência para pôr fim à guerra na Ucrânia. “Temos um interesse comum em manter relações construtivas e estáveis. Mas para isso é preciso que a China desempenhe um papel activo em prol da paz e da estabilidade internacional”, afirmou.

A China tem evitado condenar a invasão russa e é acusada por Bruxelas e Washington de apoiar indirectamente Moscovo com exportações de bens de uso duplo civil e militar. Na véspera da cimeira, Pequim criticou as sanções europeias contra dois bancos chineses por alegadas ligações ao comércio com a Rússia.

Apesar das divergências, Costa frisou que a UE está “comprometida em aprofundar a parceria bilateral e em trabalhar com boa-fé e honestidade para enfrentar os desafios globais”, numa base de respeito mútuo, reciprocidade e compromisso com a ordem internacional baseada em regras.

União Europeia | Xi Jinping pede renovação estratégica de relações

O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou ontem a uma renovação estratégica nas relações com a União Europeia, durante uma cimeira em Pequim marcada por crescentes tensões comerciais, tecnológicas e geopolíticas entre os dois blocos

 

A reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, decorreu no Grande Palácio do Povo, no âmbito da 25.ª cimeira China-UE, que assinala o 50.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre Bruxelas e Pequim.

Segundo Xi, ao longo das últimas cinco décadas, os laços sino-europeus produziram “resultados frutíferos” e beneficiaram ambas as partes e o mundo. O líder chinês defendeu que, perante “uma situação internacional mais desafiadora e complexa”, a China e a UE devem reforçar a comunicação, fomentar a confiança e aprofundar a cooperação, contribuindo com mais estabilidade e previsibilidade para o mundo.

“Devemos procurar convergências, mesmo mantendo divergências, e persistir na abertura e no benefício mútuo”, afirmou, sublinhando a importância de promover um relacionamento bilateral “que continue a crescer na direcção correcta” e que possa projectar-se para os próximos 50 anos “ainda mais brilhantes”.

Apesar da retórica diplomática, analistas e fontes europeias advertiram que a cimeira ocorre num clima de desconfiança mútua e com expectativas limitadas de resultados concretos.

O grupo de reflexão (‘think tank’) Bruegel classificou o encontro como uma “não-cimeira”, devido ao impasse persistente nas principais áreas de discórdia. Entre os temas centrais estão o desequilíbrio comercial – com um défice europeu superior a 300 mil milhões de euros – e o acesso a matérias-primas críticas, como as terras raras, sujeitas a restrições de exportação por parte da China.

A UE acusa Pequim de distorcer os mercados ao subsidiar fortemente a sua indústria, sobretudo no sector dos veículos eléctricos, cujas exportações a preços abaixo dos praticados por fabricantes europeus levaram Bruxelas a impor tarifas adicionais entre 17 e 45,3 por cento.

Outros focos

Outro foco de tensão reside no apoio chinês à Rússia. Em Junho, Von der Leyen acusou Pequim de alimentar a economia de guerra russa com apoio “incondicional” a Moscovo.

De acordo com o South China Morning Post, jornal de Hong Kong, o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, terá alertado interlocutores europeus de que um eventual colapso russo desviaria o foco estratégico dos Estados Unidos para o Indo-Pacífico – algo que a China pretende evitar.

Diplomatas europeus citados pela revista Politico acusam ainda Pequim de tentar dividir o bloco comunitário, privilegiando relações bilaterais com países como a Alemanha ou a França, em detrimento de uma abordagem unificada.

Já a publicação The Diplomat observa que o simbolismo do 50.º aniversário contrasta com a realidade actual: “A cimeira deverá apenas confirmar quão distantes estão os valores e interesses de ambas as partes.”

O Budismo na História da China

Por Mario Poceski

O budismo na China tem uma história notavelmente longa e complexa. Ao longo dos últimos dois milénios, a tradição budista exerceu uma grande influência em praticamente todas as facetas da vida religiosa chinesa, tanto a nível popular como de elite. Além disso, o budismo deixou impactos multifacetados e duradouros noutros aspectos da civilização chinesa, incluindo a história, a sociedade, as artes e a cultura.

No processo de sua transmissão, aculturação e crescimento na China, o budismo passou por extensas mudanças e múltiplas adaptações. Como resultado do prolongado encontro com as tradições chinesas, as crenças, doutrinas, práticas e instituições budistas sofreram transformações de grande alcance, mesmo que, na sua maioria, mantivessem um sentido de identidade com a religião budista mais alargada que teve origem na Índia.

Este processo de sinicação resultou na formação de uma tradição budista rica e diversificada que é quintessencialmente chinesa. O impacto destes desenvolvimentos também se fez sentir para além das fronteiras da China, uma vez que as formas chinesas de budismo foram transmitidas a outras partes da Ásia Oriental e do Sudeste Asiático que tradicionalmente se encontravam sob a esfera de influência cultural e política da China, nomeadamente a Coreia, o Japão e o Vietname. Consequentemente, o budismo chinês tem constituído tradicionalmente o núcleo de uma variedade de budismo pan-oriental asiático, e a familiaridade com os modelos e desenvolvimentos chineses é essencial para compreender as ricas heranças budistas de outros países da região.

Introdução inicial do Budismo na China

Os registos históricos chineses contêm uma série de referências dispersas sobre a introdução inicial do budismo na China, embora a sua veracidade possa ser posta em dúvida. Na verdade, não sabemos realmente quando o budismo “entrou” pela primeira vez na China; de qualquer forma, essa é uma noção problemática que pressupõe um único ponto de entrada oficialmente sancionado.

Talvez o relato quase histórico mais conhecido desse género seja a história frequentemente citada sobre o sonho do Imperador Ming (r. 58-75 d.C.) acerca de uma divindade estrangeira mistificadora com tons dourados, que um dos conselheiros da corte identificou como sendo o Buda. Em resposta, diz-se que o intrigado imperador enviou uma expedição ao Ocidente em busca da divindade. A expedição terá trazido a primeira escritura budista a entrar na China, a Escritura em Quarenta e Duas Secções (Sishier zhang jing, que alguns estudiosos acreditam ser um texto apócrifo composto na China).

De acordo com versões posteriores da história, a expedição enviada pelo Imperador Ming trouxe também dois monges budistas para Luoyang, a capital da China na altura. Em resposta, o imperador ordenou a construção do primeiro mosteiro budista, que foi mosteiro budista, que recebeu o nome de Mosteiro do Cavalo Branco (Ch’en 1964: 29-31; Zürcher 2007: 22). Embora esta história possa ser apócrifa, exemplifica uma tendência predominante para se concentrar na introdução “oficial” do budismo, que está ligada ao Estado chinês e ao seu governante. Tais associações tinham um valor propagandístico óbvio para a comunidade budista nascente no início da China medieval, uma vez que ajudavam a legitimar a nova religião.

O tipo de estratégia de legitimação exemplificado pelas histórias contadas nas crónicas oficiais foi muitas vezes acompanhado de uma propensão para fazer recuar no tempo a chegada do budismo a solo chinês. Dadas as tendências chinesas predominantes para exaltar a antiguidade e evocar o passado historicizado, esta abordagem ajudou a melhorar as percepções públicas do budismo. Essas tendências são evidentes em duas lendas que atrasam a cronologia da chegada inicial do budismo e o ligam a monarcas famosos. A primeira lenda descreve a chegada de monges budistas à corte de Qin Shihuangdi (221-210 a.C.), o famoso primeiro imperador que uniu a China num único império (Zürcher 2007: 19-20; Ch’en 1964: 28). A segunda lenda estabelece uma ligação entre o rei Aśoka (r. 268-232 a.C.), o famoso monarca indiano que se celebrizou pelo seu generoso patrocínio do budismo, e a chegada de missionários budistas à China. Além disso, outra lenda frequentemente citada, mencionada em Hou han shu (História dos Han Posteriores), situa a chegada do Budismo à corte chinesa em 2 a.C.; neste caso, o primeiro transmissor foi um enviado da Ásia Central do reino de Yuezhi, que se situava em Bactria (Ch’en 1964: 31-32).

Apesar das incertezas que ainda persistem quanto à fiabilidade histórica dos acontecimentos específicos descritos nestes relatos, podemos afirmar que o budismo já tinha pelo menos alguma presença na China durante o primeiro século da Era Comum. Existe mesmo a possibilidade de alguns budistas terem entrado na China mais cedo. A principal via de transmissão era a bem conhecida rede de rotas comerciais, normalmente designada por Rota da Seda, que se estendia desde a capital chinesa Chang’an até ao Mediterrâneo, ligando assim a China à Ásia Central, ao Sul da Ásia e ao Médio Oriente. O crescimento inicial do budismo esteve assim ligado ao comércio de longa distância, tendo a diplomacia também desempenhado um papel importante. Isto estava em sintonia com um padrão global significativo, uma vez que a disseminação do comércio ao longo da Rota da Seda estava intimamente relacionada com a transmissão e expansão de uma variedade de religiões, embora a guerra e os realinhamentos políticos também pudessem ter impactos notáveis. Nessa altura, impulsionado pelo seu carácter missionário, o budismo estava no bom caminho para se tornar uma religião pan-asiática, com um apelo universal e uma capacidade de transcender as fronteiras étnicas, linguísticas e culturais estabelecidas.

A maioria dos primeiros monges e leigos budistas que entraram na China vieram com caravanas de mercadores da Ásia Central, uma área onde o budismo já tinha estabelecido uma forte presença. Consequentemente, embora a transmissão do budismo possa ser vista como o principal elemento de um intercâmbio cultural em grande escala que ligou a China e a Índia – duas grandes civilizações com longas histórias e culturas sofisticadas – os kushans, os sogdianos e outros centro-asiáticos foram também importantes actores históricos e intermediários fundamentais (ver o capítulo de Mariko Walter neste volume). Consequentemente, as listas de notáveis missionários budistas deste período são dominadas por monges da Ásia Central. Exemplos bem conhecidos dessa tendência são An Shigao (ativo por volta de 148-180), um parta que produziu as primeiras traduções de uma variedade de escrituras e estabeleceu padrões preliminares de tradução, e Lokak ema (n. 147?), um cita que alcançou grande aclamação pelas traduções de uma série de importantes textos Mahāyāna, incluindo as primeiras escrituras que pertenciam ao corpus da perfeição da sabedoria (ver Zürcher 2007: 32-36).

No início, a maioria dos seguidores do Budismo eram presumivelmente imigrantes da Ásia Central. No entanto, desde cedo, a religião estrangeira atraiu também a atenção dos chineses nativos, um número crescente dos quais se inspirou nos seus ensinamentos e se sentiu atraído pelos seus rituais. À medida que os missionários estrangeiros introduziam uma variedade de doutrinas, práticas, textos e tradições budistas, os chineses faziam esforços concertados para se adaptarem à nova religião e compreenderem os seus elementos essenciais. Normalmente, os conceitos e ensinamentos budistas eram interpretados em termos de valores religiosos nativos e de estruturas intelectuais estabelecidas, e esta situação manteve-se durante um longo período.

No final da dinastia Han, em 220, já havia uma série de estabelecimentos budistas em várias partes da China, e o cenário estava montado para o crescimento exponencial do budismo ao longo dos vários reinos e impérios que se ergueram e caíram durante o Período da Desunião (220-589). O colapso do domínio imperial da dinastia Han deu lugar a uma situação sociopolítica lânguida, marcada por um sentimento generalizado de fragmentação e pela emergência de múltiplos centros de poder político. As circunstâncias instáveis criaram também um clima de abertura intelectual e religiosa a novas ideias, que contribuiu para atenuar um sentimento persistente de superioridade cultural chinesa e de preconceito etnocêntrico. Este tipo de sentimentos foi acompanhado de um maior ceticismo em relação aos valores normativos e aos paradigmas sociorreligiosos de longa data. A longo prazo, a situação um tanto ou quanto lúbrica e imprevisível beneficiou provavelmente o crescimento do budismo.

Crescimento durante o período de divisão

Durante o Período da Divisão (também conhecido como Dinastias do Norte e do Sul), o crescimento do Budismo e a sua penetração na sociedade chinesa continuaram a um ritmo constante. No século VI, que marcou o fim deste período frequentemente turbulento mas também fascinante, o budismo tinha-se estabelecido como a tradição religiosa dominante na maior parte do reino chinês, concretizando assim um processo histórico prolongado a que Erik Zürcher chamou a conquista budista da China (Zürcher 2007). Numerosos seguidores e simpatizantes do budismo podiam ser encontrados entre os membros de todos os estratos da sociedade chinesa, desde os camponeses pobres até aos imperadores. As ideias e os artigos de fé budistas, incluindo as noções prevalecentes sobre renascimento, lei cármica, graça salvífica e perfetibilidade humana, passaram a permear a cultura chinesa e a influenciar a vida do povo chinês, mesmo quando este não subscrevia formalmente a fé budista.

Durante este período, o budismo tornou-se também uma força dominante na vida intelectual e exerceu uma grande influência na sensibilidade estética e nas criações artísticas. Entre as recordações duradouras do extraordinário fervor religioso do período estão os objectos de arte budista que sobreviveram, muitos deles atualmente nas colecções de vários museus na Ásia, Europa e América. Existem também os notáveis complexos de santuários rupestres de Yun’gang e Longmen, que foram inicialmente construídos durante a dinastia Wei do Norte.
A ordem monástica, que incluía tanto monges como monjas, também cresceu exponencialmente, com efeitos notáveis na economia chinesa (Gernet 1995: 3-25). Estes desenvolvimentos reflectiram-se na dimensão e esplendor arquitetónico dos principais mosteiros, especialmente os situados nas capitais das principais dinastias (por exemplo, Luoyang), que não eram muito diferentes dos palácios imperiais (ver Yang 1984).

À medida que uma vasta gama de textos e ensinamentos budistas foi introduzida na China, os budistas chineses mostraram desde cedo uma clara preferência pela tradição Mahāyāna. Com o estabelecimento de um tipo inclusivo e eclético de Mahāyāna como a corrente principal do Budismo, os seus ideais centrais e crenças fundamentais tornaram-se parte integrante da paisagem religiosa chinesa. Isso incluiu a exultação do ideal do bodhisattva, especialmente a sua virtude central de compaixão universal, bem como a fé numa multiplicidade de Budas supremamente sábios e compassivos que se manifestam numa multiplicidade de mundos através de um cosmos infinito, repleto de virtudes sublimes e poderes inspiradores.

O crescimento bem-sucedido do budismo baseou-se, em grande parte, no apelo considerável de seus ensinamentos, rituais e práticas, que surgiram numa profusão muitas vezes desconcertante de formas e variedades. Incluíam rituais solenes de arrependimento e outras cerimónias religiosas que eram frequentemente encenadas em grande escala, juntamente com raras reflexões filosóficas sobre a natureza da realidade. Havia também vários tipos de práticas devocionais, técnicas contemporâneas e observâncias éticas.

O budismo também provou ser útil como instrumento de legitimação política, especialmente para os governantes das dinastias do norte, a maioria dos quais não eram chineses nativos. Para os Tuoba Wei e outras tribos governantes do norte, o ethos universalista do budismo era apelativo, pelo menos em parte, devido à sua utilidade sociopolítica, especialmente tendo em conta os desafios que tinham de enfrentar quando governavam populações étnica e culturalmente diversas. Exemplos impressionantes da estreita relação entre o budismo e o Estado eram as identificações ocasionais do imperador com o Buda (McNair 2007: 7-30).

Para além disso, a fragmentação política desta época fomentou o aparecimento de variações regionais notáveis no seio do budismo chinês. Os estudiosos contrastam tipicamente o estilo de budismo do norte, com a sua ênfase na taumaturgia, ascetismo, envolvimento político e prática cúltica, com o tipo de budismo supostamente mais suave que prevalecia no sul, pelo menos entre as elites aristocráticas que se deleitavam com discussões intelectuais abstrusas, em grande medida inspiradas pela perfeição da literatura sapiencial (Ch’en 1964: 121-83). No entanto, o meio budista meridional não era de modo algum avesso à mistura entre religião e política. Por exemplo, deu origem ao mais famoso (ou notório) monarca budista da história chinesa: O Imperador Wu da Dinastia Liang (r. 502-549), conhecido pelas suas demonstrações públicas de piedade budista e pelo seu extravagante patrocínio de monges e mosteiros.

Os variados elementos novos trazidos pelo budismo enriqueceram e alargaram os contornos da vida religiosa e cultural chinesa. Ao mesmo tempo, certos aspectos do budismo evocaram comparações ou analogias com elementos das tradições religiosas nativas, especialmente as do taoísmo. Após o seu surgimento inicial como religião organizada durante o segundo século da Era Comum, o taoísmo experimentou um desenvolvimento substancial durante o período de divisão, que em muitos casos se cruzou com o crescimento do budismo. Muitos chineses ignoraram as caraterísticas únicas ou as fronteiras distintas que separavam as duas religiões – especialmente a nível popular – o que inicialmente facilitou a aceitação e assimilação do budismo. Com o tempo, a relação entre os dois tornou-se cada vez mais complexa. De um modo geral, esta relação era de complementaridade, pois havia numerosos casos de influências e interações mútuas, mas também havia tensões e contestações, que giravam frequentemente em torno de competições contínuas pelo patrocínio (para as ligações rituais e textuais, ver Mollier 2008).

(continua)

CURB | Eduardo Leal e António Leong distinguidos em concurso

Já são conhecidos os vencedores da edição deste ano do concurso de fotografia arquitectónica promovido pelo CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo. O primeiro lugar foi arrecadado por Wong Chi Hin, seguindo-se Lei Heong Ieong no segundo lugar e, em terceiro, Eduardo Leal, fotojornalista português radicado em Macau. Estes foram os vencedores na categoria “Grupo Aberto”.

Eduardo Leal ganhou ainda uma menção honrosa por outra imagem sem título, juntamente com Wong Cheng Chon, e António Leong, distinguido aqui duas vezes com as imagens “Inside Out of Penha” e “The Staircase”, entre outros fotógrafos. Na categoria “Grupo de Estudantes” destaca-se a vitória de Chong Man Hin.

Segundo um comunicado do CURB, as fotografias distinguidas celebram “o ambiente interior construído da cidade”, apuradas de um total de 338 fotografias enviadas por 149 participantes. “Os trabalhos enviados foram avaliados por um painel de jurados experientes que selecionaram as melhores fotografias para o tema deste ano, considerando a sua qualidade artística e técnica e a originalidade da visão”, é referido.

Esta edição do concurso, a quarta, teve como tema “Inside Out”, convidando os participantes “a olhar para além e a entrar no ambiente construído de Macau, para descobrir e capturar as qualidades e a beleza raramente vista da arquitectura de dentro para fora”. A cerimónia de entrega dos prémios terá lugar na Ponte 9 – Plataforma Criativa, na Rua das Lorchas Ponte n.º 9, 3.º andar, no dia 9 de Agosto, às 17h00, onde serão expostas as obras distinguidas.

A exposição estará aberta ao público até 29 de Agosto, de segunda a sexta-feira, das 10h às 13h e das 14h30 às 18h30. O CURB revelou ainda que o concurso de fotografia decorre “com sucesso” há quatro anos, atraindo um total de 688 participantes e 1.611 inscrições.

GalaxyArt | Obras de design de Bruno Moinard expostas até Dezembro

Conhecido pelo design criativo e mobiliário único, Bruno Moinard é o destaque da nova exposição patente no espaço GalaxyArt, incluída na programação do “Art Macao: Bienal Internacional de Arte de Macau”. A mostra é apresentada como “uma viagem imersiva ao mundo visionário” de Moinard

 

Mais de 300 obras originais de design e mobiliário estão patentes na nova exposição no GalaxyArt, intitulada “Na Mente de Bruno Moinard”, que está disponível para visitas do público até 31 de Dezembro. Integrada na edição deste ano da “Art Macao: Bienal Internacional de Arte de Macau”, a mostra nasce de uma parceria entre o Galaxy Entertainment Group e o Instituto Cultural (IC).

Segundo um comunicado do Galaxy sobre a iniciativa, a exposição constitui uma “viagem imersiva ao mundo visionário” de Bruno Moinard, descrito como “pioneiro criativo internacionalmente aclamado”.

Entre as 300 obras destacam-se “esboços a pinturas e manuscritos de design” e “conceitos de design personalizados do seu estúdio de design de interiores Moinard Bétaille para o empreendimento ‘Capella’, no Galaxy Macau, que será inaugurado em breve”. Trata-se de uma “residência dourada com suites que irá redefinir novos padrões de luxo personalizado”.

Citado pela mesma nota, Bruno Moinard referiu na inauguração da sua exposição, que a mostra constitui “uma tentativa modesta, mas sincera, de convidar o público a entrar neste espaço invisível, que é uma alegoria do meu mundo criativo, onde várias disciplinas conversam, como a pintura, design, arquitectura de interiores ou cenografia”. “Juntas contam uma história, e uma forma única de ver o mundo”, acrescentou o artista.

30 anos de carreira

Bruno Moinard é “conhecido por combinar as melhores tradições do artesanato francês com o design moderno”, tendo recebido a distinção de Cavaleiro da Legião de Honra em 2010. Expor o trabalho em Macau representa também uma forma de celebração dos seus 30 anos de carreira e 12 de constituição da marca com o seu nome, a “Bruno Moinard Éditions”.

“Na mente de Bruno Moinard ― Uma exposição especial na Art Macao 2025” revela, assim, “os feitos multifacetados de Moinard, como artista por direito próprio e como designer de primeira linha, oferecendo aos visitantes uma visão única de sua filosofia de design exclusiva”.

Ao mesmo tempo, destaca a organização, revela-se “a arte instintiva por trás de algumas das propriedades e espaços de luxo mais icónicos do mundo”, apresentando-se “uma diversidade de pinturas contemporâneas, fotografias e obras multimédia”. O foco é feito “na forma como o trabalho de Bruno Moinard, seja para as mais proeminentes ‘maisons’ [casas, ou empreendimentos] de luxo do mundo, seja no contexto do luxo quotidiano, irradia espontaneidade e talento instintivo”. O espaço GalaxyArt fica no primeiro andar do Galaxy Promenade, Galaxy Macau.

Contrafação | Autoridades fazem rusga em loja

As autoridades realizaram uma rusga numa loja na Avenida Horta e Costa, na quarta-Feira, que levou à apreensão de 155 peças de roupa e malas contrafeitas. O balanço da operação foi feito ontem numa conferência de imprensa, que apenas foi divulgada em língua chinesa.

De acordo com a informação oficial, citada pelo jornal Ou Mun, a operação enquadrou-se dentro do mecanismo de cooperação Cantão-Hong Kong-Macau da Propriedade Industrial. Em causa está o facto da loja disponibilizar roupas de marca a preços acessíveis, embora os Serviços de Alfândega tenham definido as imitações como “de baixa qualidade”.

Se fossem vendidos ao preço dos produtos que imitavam, as peças de roupa e as malas estariam avaliadas em 2,39 milhões de patacas. O caso resultou na detenção de uma mulher com 47 anos, não-residente, responsável pela venda dos produtos.

De acordo com os Serviços de Alfândega, nesta fase as autoridades ainda estão a tentar apurar a identidade dos fornecedores dos produtos assim como do proprietário da loja na Avenida Horta e Costa.

A venda dos produtos em causa constitui uma infracção ao regime jurídico da propriedade industrial. Para os infractores nestes casos está prevista uma punição que pode chegar a seis meses de prisão ou uma pena de multa dos 30 aos 90 dias.

Segundo o jornal Ou Mun, na apresentação dos resultados da rusga, os Serviços de Alfândega insistiram que não vão poupar esforços a “combater proactivamente as infracções ao regime jurídico da propriedade intelectual”. No entanto, foi deixado também o apelo que os titulares dos direitos de propriedade industrial cooperem para apresentar queixa.

Jogo | Lucro da Macau Sands caiu 13% no segundo trimestre

A empresa responsável pelos casinos Venetian, Parisian e Londoner fechou o segundo trimestre com lucros de 214 milhões de dólares. Apesar da redução face ao ano passado, os responsáveis do grupo sublinham o compromisso de investimento na RAEM

 

A operadora de casinos em Macau Sands China anunciou ontem lucros de 214 milhões de dólares americanos no segundo trimestre, uma queda de 13 por cento em relação ao mesmo período de 2024.

A Sands China já tinha registado uma queda homóloga de 32 por cento no lucro do primeiro trimestre. Isto depois de ter terminado 2024 com lucros de 1,05 mil milhões de dólares, um aumento de 50,9 por cento.
Pelo contrário, as receitas dos cinco casinos da empresa em Macau subiram 2,5 por cento entre Abril e Junho, para 1,8 mil milhões de dólares.

Com as receitas a subir, a Sands China registou lucros operacionais de 566 milhões de dólares no segundo trimestre de 2025, uma subida de 0,9 por cento em termos anuais. Robert Goldstein, o presidente da empresa-mãe da Sands China, a norte-americana Las Vegas Sands (LVS), apontou como meta para os casinos em Macau lucros operacionais entre 600 e 650 milhões de dólares por trimestre.

De acordo com um comunicado da Sands China, Goldstein disse ainda, numa teleconferência com investidores, que a meta anual, até 2027, é de lucros operacionais de entre 2,6 e 2,7 mil milhões de dólares.
De acordo com dados oficiais, a indústria do jogo em Macau registou receitas totais de 61,1 mil milhões de patacas entre Abril e Junho, mais 8,3 por cento do que no mesmo período de 2024.

Compromisso longo

Ainda assim, Goldstein recordou que a Sands China tem um “compromisso de uma década de fazer investimentos que aumentem o apelo do turismo de negócios e lazer de Macau e apoiem o seu desenvolvimento como um centro mundial de turismo”.

A empresa é uma das seis concessionárias de casinos que operam no território e cujo contrato de concessão, válido por dez anos, entrou em vigor em 1 de Janeiro de 2023. Na altura, as seis operadoras comprometeram-se a investir “mais de 100 mil milhões de patacas” em elementos não ligados ao jogo. A Sands anunciou “um jardim de Inverno icónico” com 50 mil metros quadrados.

“Continuamos entusiasmados com as nossas oportunidades de alcançar um crescimento líder na indústria, tanto em Macau como em Singapura, nos próximos anos”, notou Goldstein. A Sands China fez investimentos totais no valor de 286 milhões de dólares entre Abril e Junho, incluindo 138 milhões de dólares em Macau.

A maioria do dinheiro foi para remodelar o empreendimento integrado hotel-casino Londoner Macao, uma parceria com o antigo futebolista britânico David Beckham. A remodelação ficou pronta em meados de Abril, a tempo da chamada ‘semana dourada’ de 1 de Maio, um período de feriados na China continental e uma época alta para o turismo em Macau.

Fronteiras | Macau atrás de HK no ranking de melhores passaportes

Macau ocupa a 31ª posição a nível mundial na lista dos passaportes mais poderosos, atrás de Hong Kong, que está na 17ª posição e tem mais destinos sem necessidade de visto. Portugal ocupa o 4º lugar e a China o 60º no ranking liderado por Singapura

 

O mais recente índice de passaportes da Henley&Partners, intitulado “Henley Passport Index” coloca Macau em 31º lugar, bem atrás da 17ª posição detida por Hong Kong. As duas regiões administrativas especiais estão, porém, em melhores posições face à China, que ocupam o 60º lugar.

O passaporte de Macau permite viajar sem visto para 144 destinos, enquanto que para Hong Kong a lista de países a viajar sem visto é maior, com 169. No caso da China, há apenas 83 países para onde os cidadãos nacionais podem viajar sem necessidade de visto.

Num comunicado de imprensa sobre os resultados do relatório, a Henley&Partners destaca que a China lidera, juntamente com os Emirados Árabes Unidos (EAU), uma “mudança no poder dos passaportes”. A consultora destaca “uma mudança global geral em direcção a mais abertura, maior mobilidade e aumento da força dos passaportes”, tendo em conta que, na última década, “mais de 80 passaportes subiram pelo menos 10 posições”.

Além disso, “o número médio global de destinos aos quais os viajantes podem aceder sem visto quase duplicou, passando de 58 em 2006 para 109 em 2025”.

No caso da China, a subida foi de 34 posições, “passando da 94ª para a 60ª posição desde 2015 ― o que é particularmente impressionante, considerando que, ao contrário de outros países que mais subiram no ranking, a China ainda não obteve acesso sem visto ao Espaço Schengen da Europa”, destaca-se no comunicado.

O índice de passaportes mostra como “a ascensão da China foi auxiliada pelo seu movimento significativo em direcção a uma maior abertura”, tendo em conta que o país “concedeu acesso sem visto a mais de uma dúzia de novos passaportes desde Janeiro, elevando a sua pontuação total de abertura para 75 nações, uma mudança notável considerando que permitia a entrada sem visto a menos de 20 países há apenas cinco anos”.

Análise global

O índice de passaportes da Henley&Partners classifica 199 países e regiões de acordo com o número de nacionalidades a que permitem a entrada sem visto prévio. Os dados que servem de referência a este ranking são da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).

Ainda no que diz respeito ao posicionamento da China, referem-se “as adições notáveis à lista de isenção de visto da China” este ano, com nações como o Bahrein, Kuwait, Omã e Arábia Saudita. Tal significa, para os analistas, que “os cidadãos de todos os países do Conselho de Cooperação do Golfo podem viajar para a China sem visto prévio ―, bem como de vários países da América do Sul, incluindo Argentina, Brasil, Chile, Peru e Uruguai”.

“A concessão de acesso sem visto pela China a vários países europeus nos últimos dois anos também contribuiu para o domínio dos passaportes europeus no topo do Henley Passport Power Index, que mede a percentagem do PIB [Produto Interno Bruto] global que cada passaporte proporciona aos seus titulares sem visto”, é referido.

A nível mundial, “as nações asiáticas dominam o ranking de poder dos passaportes”, com os EUA e Reino Unido a continuarem “em declínio”. Singapura “detém o título de passaporte mais poderoso do mundo, com acesso sem visto a 193 destinos de entre 227 em todo o mundo”. Os países asiáticos continuam a liderar a corrida pela mobilidade global, com o Japão e a Coreia do Sul a partilharem o segundo lugar, cada um concedendo aos seus cidadãos acesso a 190 destinos sem visto.

Economia | Inflação acelerou para 0,25% em Junho

A inflação em Macau acelerou em Junho, num mês em que também no Interior da China o índice de preços no consumidor voltou a subir, após quatro meses consecutivos de descidas, foi ontem anunciado.

O Índice de Preços no Consumidor (IPC) subiu 0,25 por cento em Junho, em termos homólogos, mais rápido do que o valor registado em Maio (0,19 por cento), e o valor mais elevado desde Janeiro (0,57 por cento), segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

De acordo com os dados oficiais, a aceleração da inflação deve-se em parte ao custo das refeições adquiridas fora de casa, que subiu 1,39 por cento, e da alimentação, com o preço de produtos como o pão e biscoitos a aumentar 2,11 por cento. Os gastos com rendas ou hipotecas de apartamentos subiram 0,93 e 0,52 por cento, respectivamente, depois de a Autoridade Monetária de Macau ter aprovado três descidas da taxa de juro nos últimos três meses de 2024.

Obras Públicas | Concurso público recebe 23 propostas

A Obras Públicas receberam 23 propostas no âmbito do concurso público para a construção de um aterro e diques no Aterro para Resíduos de Materiais de Construção. A abertura pública das propostas decorreu ontem de manhã na sede da Direcção de Serviços de Obras Públicas (DSOP).

De acordo com o jornal Ou Mun, as propostas tinham um prazo máximo de 270 dias, e vão ser avaliadas com base no preço, que conta 50 por cento para a decisão do vencedor do concurso, prazo de execução (20 por cento), experiência e qualidade em obras (20 por cento) e o programa de execução (10 por cento).

Não havia limitações ao nível do preço exigido. No caso de mais do que uma proposta obter a pontuação mais elevada, vigora o critério do preço. As propostas exigiam uma caução provisória de 1,6 milhões de patacas.

Imobiliário | Chan Iek Lap pede redução do imposto do selo

O deputado acha que o Governo deve seguir os exemplos de Hong Kong e do Interior da China e reduzir o valor do imposto do selo na compra de casa. Além disso, defende que o imposto não deve ser pago quando o negócio é abortado

 

O deputado Chan Iek Lap defende a redução do imposto do selo sobre as transacções de imóveis. O assunto é abordado através de interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa.

No documento, o deputado pergunta se há abertura do Executivo para baixar o valor do imposto do selo sobre transacções de imóveis, como indica acontecer em Hong Kong e no Interior da China: “Tendo em conta a tendência de alteração dos impostos sobre as transacções imobiliárias nas regiões vizinhas, e uma vez que as cidades do Interior da China e também Hong Kong indicaram claramente que o futuro passa pelo ajustamentos dos impostos para reduzir os encargos sobre as transacções imobiliárias, será que o Governo vai considerar a possibilidade de reduzir os custos fiscais em benefício do público?”, pergunta o legislador.

Actualmente, o imposto de selo nas transmissões de imóveis a título oneroso varia de 1 por cento nas transmissões com um valor até 2 milhões de patacas, sobe para 2 por cento quando o valor do negócio supera 2 milhões de patacas e chega às 4 milhões de patacas. O imposto mais alto é de 3 por cento, quando o valor da transmissão do imóvel supera os 4 milhões de patacas. Se a transmissão não tiver custos para as partes, o imposto é de 5 por cento.

No mesmo sentido, Chan quer saber se o Executivo tem planos para reduzir os custos burocráticos associados às transacções de imóveis.

Desde a pandemia da covid-19 e a campanha contra os promotores do jogo que o mercado imobiliário local entrou em crise, com quebras sucessivas do valor dos imóveis e a redução das transacções. A situação encontra paralelo no Interior, onde o mercado imobiliário também sofreu uma diminuição acentuada.

Como forma de reacção à crise do imobiliário, o Governo de Ho Iat Seng lançou em 2024 um pacote de medidas que visaram baixar a tributação que incide nas transacções de residentes e não-residentes.

Interrupção voluntária

Na interpelação, Chan Iek Lap defende que o Executivo deve alterar o regime da cobrança do imposto do selo nos casos em que as transacções de imóveis são abortadas.

Actualmente, os contratos-promessa de compra e venda de imobiliário ficam sujeitos ao pagamento do imposto, mesmo que não haja transmissão do direito de propriedade do imóvel, porque as partes optam por desistir do negócio. Também há situações em que o imposto é pago, mesmo que mais tarde as partes apresentem condições que impossibilitam a transmissão do imóvel. Para Chan Iek Lap o pagamento do imposto nestas situações é “extremamente irrazoável”.

Mesmo nos casos em que é possível recuperar o montante do valor pago, quando não houve transmissão do imóvel, o deputado queixa-se que é necessário enfrentar um processo nos tribunais, e pagar os custos que a acção implica.

Face a este cenário, o deputado pretende que o Governo altere a legislação para que o imposto só seja devido quando as partes transmitem efectivamente o imóvel. Ao mesmo tempo, pede o regresso ao passado, quando 0,5 por cento do valor do imposto era pago no momento da transacção e o restante no momento da assinatura do certificado notarial de compra e venda.

Turismo | Visitantes internacionais aumentam 14,8%

Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) mostram que no primeiro semestre deste ano o número de entradas de visitantes internacionais em Macau foi de 1.341.674, o que representa um aumento de 14,8 por cento em termos anuais.

Destaque para a subida de 16,8 por cento no número de entradas de visitantes das Filipinas e 13,8 por cento da Indonésia. Relativamente ao Sul da Ásia, o número de entradas de visitantes da Índia (58.309) registou um crescimento homólogo de 6,2 por cento, enquanto que o número de entradas de visitantes da República da Coreia (282.151) e o do Japão (76.435) também aumentaram 21,7 e 23,5 por cento, respectivamente, em comparação com o primeiro semestre de 2024.

No primeiro semestre do corrente ano o número de entradas de visitantes em Macau totalizou 19.218.540, mais 14,9 por cento em termos anuais. Realça-se que o número de entradas de excursionistas (11.182.913) e o de turistas (8.035.627) aumentaram 25,8 e 2,6 por cento, respectivamente, em termos anuais.

No primeiro semestre o número de entradas de visitantes do Interior da China fixou-se em 13.767.810, mais 19,3 por cento em termos anuais, destacando-se o aumento de 24,6 por cento no número de entradas com vistos individuais.

Da Grande Baía chegaram 7.016.216 pessoas em seis meses, mais 25,7 por cento face ao primeiro semestre de 2024, graças ao número de entradas de visitantes provenientes de Zhuhai ter crescido 57 por cento.

AL | Ron Lam preocupado com falta de vozes diversas

Ainda a lidar com o impacto da exclusão das eleições, o deputado Ron Lam considera que nesta fase o mais importante é garantir que entre os futuros 14 deputados eleitos directamente alguém represente as opiniões da população no hemiciclo

 

Numa altura em que ainda é deputado, apesar de impedido de participar nas próximas eleições por decisão política da Comissão de Defesa da Segurança do Estado, Ron Lam mostrou-se preocupado com falta de vozes na Assembleia Legislativa (AL) que representem a população. A posição foi tomada durante o episódio mais recente do podcast da Associação da Sinergia de Macau, que servia de base de apoio à lista do deputado.

De acordo com Lam, com a sua saída existe o risco de todas as vozes dentro do hemiciclo se limitarem sempre a apoiar o Governo, sem questionarem os projectos apresentados. O legislador teme assim que os deputados, devido ao medo de questionar, se limitem a concordar com quase tudo o que o Governo apresente e não contribuam para o desenvolvimento do território, nem para que sejam tomadas medidas que vão ao encontro dos desejos da população.

Ron Lam justificou um novo ambiente na Assembleia Legislativa, devido à forma como passou a ser encarado pelo sistema como um radical, quando antes era visto como um moderado. “Olhando para os meus discursos e fazendo uma comparação com o passado, as pessoas diziam que eram suaves e em vão. Mas agora dizem que são radicais”, considerou Lam. “Mas para ser sincero, se nem estas críticas são aceites, também não iria conseguir continuar a trabalhar”, acrescentou.

O deputado focou depois a sua substituição: “Agora a questão mais importante é ver quem vai ficar com o lugar de Ron Lam U Tou na Assembleia Legislativa. Mesmo que o Ron Lam U Tou nem a Associação da Sinergia de Macau estejam representados, isso não é o mais importante. O importante é que alguma das seis listas e os 14 deputados eleitos desempenhem o mesmo papel”, vincou.

Quase tudo a favor

Ao longo do podcast, Ron Lam não fugiu do processo da sua exclusão, que mais uma vez afirmou não conseguir compreender.

Apesar das críticas e dúvidas levantadas no Plenário da AL, o ainda deputado afirmou ter votado em quase 95 por cento das ocasiões a favor do Governo. E quando votou contra, Ron Lam justificou que as propostas tinham problemas muito evidentes, ou que o Governo não quis explicar os motivos de opções legislativas, como disse ter acontecido na votação da nova lei da habitação intermédia e na lei do jogo forçando o fim dos casinos satélites.

Ron Lam também recordou que apesar das suas críticas terem sido visadas por alguns governantes, dado que era o único que se atrevia a questionar, que alguns dos seus pontos de vista foram adoptados e que resultaram em poupanças para o Erário Público: “Lembro-me que uma vez, um governante me disse: ‘só você tem problemas, os outros deputados não têm’”, contou. “Também num assunto mais importante e recente, como aconteceu com os edifícios habitacionais para médicos especialistas, fui o único contra o projecto.

Nessa altura a nossa lista foi acusada de ser a oposição. Agora, o Governo abandonou o projecto e conseguiu poupar 500 milhões de patacas,” acrescentou.

Saída sem problemas

Ron Lam mostrou ainda numa vitrine e com orgulho o juramento de defesa da Lei Básica e de lealdade à RAEM, feito a 16 de Outubro de 2021, na cerimónia de tomada de posse como deputado. Por isso, Lam considerou ridícula a possibilidade de ser encarado como alguém que não apoia a Lei Básica nem defende a RAEM: “A vitrine deste lado guarda o juramento do dia em que tomei o posse em 16 de Outubro de 2021 como deputado. Por isso, ser agora acusado não ser fiel à RAEM é uma grande piada”, afirmou.

Ron Lam U Tou revelou também que, apesar de ter sido excluído das eleições, conseguiu entrar e sair do Interior da China sem ter problemas: “No dia posterior ao anúncio da exclusão, viajei para Hengqin. E ontem (terça-feira) voltei de Shenzhen”, contou.

Durante o podcast, Ron Lam foi questionado sobre o principal arrependimento enquanto esteve na AL. O deputado apontou a ausência de um crematório, uma instalação que iria contribuir para que a população tivesse um serviço melhor e mais barato. Lam lamentou que continue a existir um monopólio nos serviços de cremação, ao mesmo tempo que Hong Kong consegue disponibilizar funerais e cremações a preços mais humanos.

Ron Lam confessou ainda que só vai pensar no seu futuro depois de deixar de ser deputado, o que deverá acontecer a 16 de Outubro, quando os futuros deputados tomarem posse.

Hong Kong | Anulada proibição de casas de banho para pessoas transgénero

Um juiz de Hong Kong decidiu ontem anular os regulamentos que criminalizavam o uso de casas de banho públicas por pessoas transgénero de acordo com a sua identidade de género, considerando que violam o princípio da igualdade.

O juiz Russell Coleman deu provimento ao pedido de revisão judicial interposto por K, um homem trans que nasceu mulher, sustentando que as normas em vigor representam uma “intrusão desproporcionada e desnecessária nos direitos à privacidade e à igualdade”.

Apesar da decisão, o magistrado suspendeu por um ano a anulação formal dos regulamentos, dando tempo ao Governo local para decidir se pretende adoptar um novo enquadramento legal para resolver a situação.

A actual legislação apenas permite que crianças com menos de cinco anos, acompanhadas por um adulto do sexo oposto, entrem numa casa de banho destinada a outro género. A violação da norma é punível com uma multa de até 2.000 dólares de Hong Kong.

K, diagnosticado com disforia de género, apresentou a queixa em 2022, alegando que a proibição de utilizar casas de banho públicas masculinas violava os seus direitos constitucionais, ao impedi-lo de viver plenamente de acordo com a sua identidade de género.

A decisão representa mais um avanço nos direitos da comunidade LGBTQ+ na região administrativa especial chinesa, que tem revisto algumas políticas após vitórias judiciais de activistas.

Em 2023, o mais alto tribunal de Hong Kong decidiu que a realização de cirurgia de reatribuição de sexo não devia ser obrigatória para alterar o género nos documentos oficiais.

No ano seguinte, o Governo actualizou a política, permitindo a mudança de género nos cartões de identidade sem cirurgia completa, desde que os requerentes cumpram determinadas condições médicas, como tratamento hormonal contínuo durante pelo menos dois anos e remoção parcial de órgãos sexuais.

Surto de chikungunya em Foshan já ultrapassa 2.500 casos

As autoridades sanitárias da cidade de Foshan, na província chinesa de Guangdong (sudeste), estão a tentar conter um surto de febre chikungunya que já registou 2.658 casos, todos considerados leves, informou ontem a imprensa local.

O surto foi detetado a 08 de Julho através dos sistemas de vigilância locais, o que levou à activação imediata de um plano de resposta por parte das autoridades de saúde municipais.

A febre chikungunya é uma doença viral causada por um vírus homónimo, transmitido principalmente por mosquitos. Os sintomas mais comuns incluem febre elevada, dores articulares intensas, fadiga e erupções cutâneas.

Com uma população de cerca de 7,4 milhões de habitantes, Foshan designou 53 hospitais como centros de tratamento e disponibilizou mais de 3.600 camas com proteção contra mosquitos, segundo a televisão estatal CCTV.

Além disso, 35 hospitais da cidade receberam autorização para realizar testes PCR específicos para deteção do vírus. Os casos suspeitos que resultem positivos vão ser internados com o objectivo de evitar a propagação do surto. O aumento de infeções ocorre durante a época de calor e chuvas no sul da China, condições propícias à proliferação de mosquitos transmissores da doença.

Da prevenção

Na sequência da propagação do vírus no sudeste do país, as autoridades sanitárias de Pequim recomendaram esta semana o reforço das medidas de prevenção e apelaram à população para reduzir a exposição a picadas, através do uso de roupa que cubra a pele, aplicação de repelente e eliminação de criadouros de larvas.

O período de incubação da febre chikungunya varia geralmente entre dois e quatro dias, podendo prolongar-se até uma semana. A doença manifesta-se de forma súbita, com febre, inflamação articular e erupções cutâneas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) apelou esta terça-feira para a adopção de medidas preventivas para evitar surtos de grande escala semelhantes aos registados há cerca de 20 anos em ilhas do Índico como Mayotte, Reunião ou Maurícia, que acabaram por levar à propagação da doença para países vizinhos como Madagáscar, Somália ou Quénia.

O Papa Americano (II)

“Let us disarm words and we will help to disarm the world.”

Pope Leo XIV

A Carta a Diogneto foi preservada em um manuscrito medieval. Destruída em 24 de Agosto de 1870 pela artilharia prussiana no bombardeio da biblioteca de Estrasburgo, mas preservado para a posteridade em três cópias do século XVI. Entre pergaminho, Constantino e ofensa bélica, haveria motivos para gritar milagre e catalogá-la entre as relíquias sagradas. Não tendo autoridade para tal, é de limitar a evocar o fundo deste autorretrato de grupo pintado por um seguidor de Jesus para uso do pagão Diogneto. Prolegómeno a toda geopolítica cristã. Em análise trinitária. Primeiro, «Os cristãos representam no mundo o que a alma é no corpo». Segundo, «Habitam cada um na sua pátria, mas como se fossem estrangeiros; respeitam e cumprem todos os deveres dos cidadãos e assumem todos os encargos como se fossem estrangeiros; cada região estrangeira é a sua pátria, mas cada pátria é para eles terra estrangeira». Terceiro, «São como peregrinos que viajam entre coisas corruptíveis, mas esperam a incorruptibilidade celestial». Pode-se imaginar algo mais actual?

Mais subversivo do que o ordo amoris evocado pro patria sua por J.D. Vance na qualidade de vigário do bispo de Mar-a-Lago, que suscitou reprovação no moribundo Francisco e na então eminência Prevost? Um fio misterioso liga o desconhecido escriba paleocristão às correntes de disputa em torno da missão evangelizadora. É de desenvolver para historicizar a essência antropológica e social do homo catholicus ao longo de três pistas paralelas e entrecruzadas como milagres da geometria divina no sentido e forma da Igreja; a sua relação com o poder político e a sua raiz euro-ocidental. Três maneiras de compreender a crise da empresa cofundada pelos santos Pedro e Paulo nos seus dois mil anos de história. Temos assim uma ideia do que está em jogo hoje. Sim, o barco está a afundar enquanto a orquestra toca maravilhosas melodias. Prevost é chamado a endireitá-lo. É verdade, «não é mais tempo do homem sozinho no comando». Mas sine papa nulla ecclesia. E sem Igreja, muitas seitas. Até mesmo satânicas.

O Vaticano, Capela Sistina, manhã de 9 de Março de 2013. Os senhores cardeais estão reunidos em pré-conclave para traçar o perfil do sucessor do papa Ratzinger. O arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, faz um discurso improvisado fulminante de cinco minutos sobre o mistério da Lua. Alegoria destilada no início do século III na eclesiologia alexandrina, em torno do grande exegeta Orígenes (cerca de 183/6-254/5), que lê no tríptico astral Sol-Lua-Terra o nexo Deus-Igreja-Mundo. Para Bergoglio, é um manifesto da Igreja evangelizadora, imune às inclinações mundanas daqueles que a querem fechada em si, por si e para si. Ousando brilhar com luz própria. Não reflectida pelo Sol/Deus para iluminar a sua missão terrena. Narcisismo teológico ao dizer «Às vezes penso que Jesus bate por dentro, porque o deixamos sair. A Igreja autorreferencial pretende manter Jesus dentro de si e não o deixa sair». A evocação lunar contribuirá para a convergência de grande parte dos cardeais em torno do candidato argentino, derrotado por Ratzinger no conclave de 2005, também graças ao apoio do confrade Cardeal jesuíta Carlo Martini que denunciará o atraso bicentenário da Igreja em relação ao mundo em favor do teólogo bávaro.

Atrito entre jesuítas. A imagem lunar fala da inspiração intelectual que o contacto com a tradição helenístico-romana inspira nos primeiros cristãos. O cristianismo primitivo é filosófico, depois dogmatizado na teologia. Baseia-se na tradição neoplatónica para procurar respostas aos seus paradoxos, como a presença do Mal no mundo criado por Deus ou a divindade de Cristo no contexto monoteísta estabelecido pelo judaísmo. O que teria sido o cristianismo, o que restaria dele sem tanta hibridação? «Filosofia verdadeira», para dizer com Justino (100-163/7), pai da Igreja. Pensamento que se torna poesia. Nos seus símbolos alegóricos reconhecem-se os mártires, testemunhas de uma fé ilícita. Ateus, para os pagãos. Daí a inculturação entre cristãos e seguidores do panteão greco-romano afiliados ao culto, não ao dogma. Entre eles destacam-se os adoradores do Sol Invictus, do Helios querido pelo imperador Juliano (331-363), apóstata na tradição cristã.

No entanto, a sua mística solar «não era mais do que cristianismo disfarçado», observará Hugo Rahner, jesuíta a quem devemos uma profunda investigação na parábola do “Mysterium Lunae”. A sintonia cristã entre o Sol e a Lua é, de facto, influenciada pela desconstrução do culto solar helenístico-romano para o assimilar ao vínculo luminoso Deus-Igreja. Preparação para a Luz de Cristo. A encruzilhada entre teologia e missão versus autorreferencialidade dogmática que ainda divide o povo de Deus tem origem na apreciação da hibridização entre a prática cristã e os cultos pagãos, pois a cristianização de Helios e Selene é o ápice do sincretismo da era patrística. Diluição da verdadeira fé, pródromo da heresia, segundo os puristas que contraem o cristianismo em doutrina imune ao tempo.

Tese à iteração do dogma, à recitação febril do Credo. Enriquecimento da comunidade cristã para aqueles que, em vez disso, se deixam fertilizar «de fora». Rahner dizia que «O cristianismo nunca se apresentou como pura e simples doutrina». Foi capaz de realizar com perfeita segurança de si o gesto de se apropriar de tudo o que era verdadeiro e bom que tinha sido adquirido pelo espírito grego, e que lhe pertencia originalmente como propriedade, mesmo que ninguém o soubesse». De Orígenes ao futuro Francisco, o “Mysterium Lunae” percorre sub-repticiamente os séculos do papado. Os seus raios incidem tanto na teologia como na própria estrutura da Igreja. Em pleno século XIX, século do Sillabo e do Vaticano I, ápice do isolamento doutrinário e geopolítico do papado dentro das Muralhas Leoninas a exegese pregada no século XX por jesuítas como os irmãos Hugo e Karl Rahner ou Henri de Lubac é antecipada por John Newman, antigo anglicano e depois cardeal da Santa Igreja Romana, para quem «o que os pagãos disseram de verdadeiro, a Igreja fez seu».

Cotai | Rapper chinês Yitai Wang apresenta último álbum no Galaxy

“Love Me Later” é o nome do último disco de Yitai Wang, rapper chinês, e também o nome do espectáculo que tem subido aos palcos nos últimos tempos integrado na digressão do músico. Macau também está na agenda e acolhe, este domingo, o concerto de Yitai Wang na G Box do Galaxy Macau

 

Este domingo é dia de estreia para o rapper chinês Yitai Wang, que pela primeira vez sobe a um palco de Macau para apresentar a sua música. O concerto “Love Me Later” acontece no espaço G Box do Galaxy Macau a partir das 20h e traz ao público local a oportunidade de ouvir os mais recentes êxitos do artista que começou a sua carreira no grupo de Chengdu CDC.

Depois, a partir de 2018, Yitai Wang embarcou numa carreira a solo, acabando no top seis dos músicos mais importantes do “The Rap of China”. Seguiu-se a participacão em programas musicais na China como “I’m CZR” e “Me to Us”.

“Love Me Later”, que dá nome a este espectáculo no Cotai, é o terceiro álbum de estúdio do artista e inclui faixas como “Time To Be A Man”, “Wake Up”, “Rich Forever”, “Do It Like This” ou “Where to Go”. De frisar que, antes da estreia do músico em Macau, o rapper passou por Hong Kong com a mesma digressão em Abril, tendo actuado no Macpherson Stadium.

Viagem sentimental

Segundo a apresentação do álbum “Love Me Later” na plataforma de streaming Apple Music, este é um trabalho discográfico que “apresenta um conceito abrangente e uma lista de colaboradores internacionais”, revelando a forma como o músico embarcou “numa jornada pelo tempo e emoções”.

Na mesma descrição, o artista confessa que quando se começa a ouvir o álbum “pode começar a sentir-se um pouco deprimido”, mas que depois surge uma mistura de experiências e emoções transmitidas através da música.

“De repente começo a fazer uma perspectiva de experiências passadas, com laivos que levaram à construção de algo com confiança. Na música ‘Where To Go’ já não estou preocupado com o que possa vir a acontecer, e na segunda parte do álbum já olho essencialmente para o futuro”, descreveu.

Este trabalho foi escrito e produzido ao longo de dois anos em Los Angeles, contando com colaborações de artistas como Masiwei, rapper de Chengdu e ainda dois rappers americanos, o que demonstra os passos de Yitai Wang na internacionalização da sua carreira. Este trabalhou também, neste último álbum, com o produtor premiado Myles William, que deambula pelas sonoridades do trap beat.

O portal RADII descreve o artista de Chengdu, Sichuan, como um dos principais nomes do rap chinês actual, que descobriu “o talento para o hip hop por acaso”, depois de ter estudado piano. “Estava a tentar fazer rap com as músicas do Eminem e os meus amigos disseram: ‘Uau, você fez muito bem’. Então pensei: ‘Eu consigo fazer rap’, e comecei a tentar escrever as minhas próprias letras”, descreveu, segundo o mesmo portal.

UNESCO | Pequim critica a saída dos EUA e questiona que seja gesto responsável

A China criticou ontem a decisão dos Estados Unidos de abandonarem a UNESCO, considerando-a indigna de “um país grande e responsável”, e pediu um compromisso com o multilateralismo e os princípios da Carta das Nações Unidas.

“Os Estados Unidos têm acumulado, há muito tempo, pagamentos em atraso das suas contribuições como membro da UNESCO”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun, lamentando o novo anúncio de retirada feito por Washington esta semana.

“A China sempre apoiou firmemente o trabalho da UNESCO”, sublinhou Guo, destacando a missão da organização em “promover a cooperação internacional em educação, ciência e cultura, fortalecer o entendimento entre civilizações e salvaguardar a paz mundial”.

No contexto das comemorações do 80.º aniversário da fundação das Nações Unidas, o diplomata apelou a todos os países para que “reafirmem o seu compromisso com o multilateralismo” e apoiem um sistema internacional com a ONU no centro, “baseado no direito internacional e nos princípios da Carta das Nações Unidas”.

O Governo de Donald Trump anunciou que os EUA abandonarão formalmente a UNESCO a 31 de Dezembro de 2026, alegando que a permanência na organização “já não serve os interesses nacionais”. Washington acusa a agência de promover uma “agenda globalista” e critica a decisão de aceitar a Palestina como Estado-membro.

A República Popular da China é membro da UNESCO desde 1971, ano da sua entrada na ONU, e ocupa actualmente um assento no Conselho Executivo da agência (2021–2025). Nos últimos anos, a China tornou-se um dos principais contribuintes financeiros da UNESCO e acolhe vários centros ligados à organização, nas áreas da educação, património e ciência.