Turismo | Pedidos autocarros durante o sinal 8 de tufão

O presidente da Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau, Paul Wong, considera que é necessário garantir o funcionamento de autocarros nos períodos em que o sinal 8 de tufões está içado. A ideia foi defendida em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, com o dirigente associativo a pedir que os autocarros e shuttle buses das empresas do jogo se foquem nos turistas.

De acordo com Paul Wong, Macau é uma cidade turística, pelo que é necessário garantir que os visitantes têm alternativas aos táxis, quando está içado o sinal n.º 8 de tufão. O presidente da associação explicou que para proteger a imagem turística da RAEM é necessário assegurar que os turistas não ficam regularmente retidos e que os autocarros disponibilizados circulam em condições de segurança.

Paul Wong recordou também que a Ponte Macau passou a permitir a circulação durante o sinal 8 e pediu que a possibilidade de os turistas se deslocarem entre as fronteiras, a zona centro da cidade e os hotéis do Cotai deve ser permanente.

Além disso, o dirigente associativo deseja que as informações meteorológicas sejam anunciadas de forma mais antecipada, para que o sector tenha tempo suficiente para acomodar os turistas, e organizar os turnos para os empregados, que enfrentam dificuldades de deslocação.

JP Morgan | Outubro com as receitas mais altas em seis anos

Embora o crescimento das receitas de jogo na Semana Dourada esteja abaixo das expectativas iniciais, o banco de investimento acredita que a cifra de 23 mil milhões de patacas vai ser atingida

Em Outubro, as receitas dos casinos deverão atingir 23 mil milhões de patacas, o valor mais alto desde o mesmo mês de 2019. As estimativas foram feitas pelo banco de investimento JP Morgan, tendo em conta as receitas da principal indústria de Macau nos primeiros dias da Semana Dourada.

De acordo com o relatório do JP Morgan, citado pelo portal GGR Asia, as receitas brutas do jogo atingiram 5,5 mil milhões de patacas nos primeiros cinco dias do mês, o que representou uma média diária de 1,1 mil milhões de patacas. “Foi a melhor Semana Dourada em mais de cinco anos”, pode ler-se no relatório citado, que vem assinado pelos analistas DS Kim, Selina Li e Lindsey Qian.

Apesar deste aspecto, os analistas reconhecem que os números ficaram um pouco abaixo das expectativas iniciais para este mês: “o crescimento anual parece relativamente moderado, com um aumento de 3 por cento em relação à base (muito) elevada do ano passado, ficando alguns pontos abaixo das nossas expectativas e das expectativas do mercado, que apontavam para um crescimento médio de um dígito”, foi justificado.

O crescimento das receitas abaixo das expectativas não é encarado como preocupante para a JP Morgan, porque a semana dourada de 2025 tem mais um dia de feriado do que a semana dourada do ano passado. Por isso, os analistas acreditam que a procura vai continuar forte na segunda semana de Outubro.

Expectativas mantidas

Os analistas acreditam que a procura vai continuar forte na segunda semana de Outubro, com as receitas diárias a atingirem 750 milhões de patacas, um crescimento de cerca de 15 por cento face ao ano passado. Na segunda semana de Outubro, é assim esperada uma quebra de 30 por cento em comparação com a primeira semana. Esta redução é mais ligeira do que aconteceu no ano passado, quando a quebra das receitas da primeira para a segunda semana chegou aos 40 por cento.

“A nossa projecção para o mês permanece inalterada por enquanto, com as receitas brutas do jogo a atingirem 23 mil milhões de patacas, o valor mais elevado em seis anos, crescendo entre 11 por cento e 13 por cento em relação ao ano anterior”, foi indicado.

Os analistas do banco afirmaram também esperar que a tendência de crescimento dure até ao próximo ano, com “um crescimento sustentado de dois dígitos das receitas brutas do jogo até, pelo menos, ao primeiro trimestre de 2026”.

Porto / Kevin Ho | Emitido alvará de construção para “Torre do JN”

A Câmara do Porto emitiu a 30 de Janeiro um alvará de construção para dar início à obra da adaptação da torre do Jornal de Notícias (JN) em hotel, respondeu a autarquia à Lusa, mas as obras ainda não avançaram. De acordo com o município, o alvará, emitido no início do ano, serve para “obras de demolição, ampliação e alteração para adequar a preexistência a hotel”.

O edifício foi vendido em 2018 pela Global Media à sociedade Authentic Empathy. Desde 2020, pertence apenas a uma das sociedades que a constituíam, a Magnetic Pocket, gerida pelos empresários de Macau Lei Ka Kei e David Siu, gerentes da Burgosublime, cuja empresa-mãe é a sucursal portuguesa da KNJ, de Kevin Ho, recentemente eleito deputado.

O processo da transformação da torre já tem uma década e remonta a 2015, quando deu entrada nos serviços de urbanismo do município um Pedido de Informação Prévia (PIP) para reconverter aquele espaço numa unidade hoteleira com mais de 200 quartos, processo esse que obteve um despacho favorável em Março de 2016 e que “foi sucessivamente revalidado”.

O projecto de arquitectura do futuro “Hotel Jornal” foi entregue ao colectivo Oporto Office for Design and Architecture (OODA). De acordo com o ‘site’ do atelier de arquitectura, o painel de azulejos na fachada da torre, da autoria do escultor Charters de Almeida, será mantido e vai ser demolida uma parte do edifício que fica junto à Estação da Trindade.

Os jornalistas saíram deste espaço em Julho de 2023. Os trabalhadores do JN e do desportivo O Jogo mudaram-se para um edifício na Rua do Monte dos Burgos, na Prelada, e os da TSF para um espaço na Boavista. A torre, da autoria do arquitecto Márcio Freitas, foi a terceira redacção dos trabalhadores daquele jornal, que se mudaram para estas instalações em 1970.

Gastronomia | Estudo fala na “subvalorização” do restaurante Fernando

Em “Restaurante Fernando: Um Estudo de Caso sobre Autenticidade Culinária e Património Cultural”, José Ferreira Pinto, docente da Universidade Cidade de Macau, chama a atenção para uma “subvalorização”, por parte das autoridades, do valor cultural do restaurante, destacando a manutenção da identidade do espaço

 

José Ferreira Pinto, docente na área do turismo da Universidade Cidade de Macau (UCM), acaba de publicar um estudo de caso sobre o Restaurante Fernando na plataforma académica CABI Digital Library, intitulado “Restaurante Fernando: Um Estudo de Caso sobre Autenticidade Culinária e Património Cultural”, alertando para a falta de reconhecimento cultural deste espaço por parte das autoridades.

“Para os decisores políticos e programadores de destinos, o [restaurante] Fernando representa um activo subutilizado”, tendo em conta que é um “activo que contribui para a identidade global de Macau e proporciona um modelo de turismo sustentável”.

É ainda explicado que “apesar do estatuto icónico entre os habitantes locais e visitantes internacionais, o Restaurante Fernando não foi formalmente reconhecido pelas instituições oficiais de turismo ou cultura como um dos principais expoentes da marca de destino de Macau”, mas a verdade é que tem “uma influência inegável” nestes campos.

“Há casos documentados de viajantes que voam para Macau apenas para jantar no Fernando antes de regressarem aos seus países de origem, uma prova da sua atracção magnética e valor simbólico”, é acrescentado.

Desta forma, “reconhecer e apoiar estas instituições poderia melhorar as estratégias de ‘branding’ dos destinos e promover ligações mais profundas entre os visitantes e o local”, é referido.

No mesmo estudo de caso, destinado a estudantes universitários e operadores do sector, refere-se que “o Restaurante Fernando é um exemplo convincente de como a autenticidade, quando cultivada de forma cuidada e consistente, pode transcender tendências comerciais e tornar-se numa instituição cultural”.

O Fernando existe desde 1986 em Coloane, junto à Praia de Hac-Sá, sendo desde então um ponto de passagem quase obrigatório para muitos turistas e residentes. Este estudo foi realizado com base “numa combinação de observação etnográfica, conversas qualitativas e evidências documentais”, sendo que em 15 meses foram feitas mais de 20 visitas ao restaurante “para interagir com funcionários, clientes, o proprietário do restaurante e o gerente do restaurante”. Através de “conversas informais, mas sistemáticas”, abordaram-se temas como as “percepções sobre autenticidade, fidelidade do cliente e pressões comerciais”.

Resistir às crises

Outro ponto destacado neste estudo de caso é o facto de o restaurante ter resistido a várias crises ao longo da sua existência. “A perseverança do [restaurante] Fernando durante crises económicas, pandemias e mudanças na dinâmica do turismo oferece uma poderosa lição de resiliência. A sua recusa em comprometer a identidade do restaurante em favor da modernização preservou um espaço que parece intemporal e emocionalmente fundamentado.”

Assim, o autor considera que a manutenção do restaurante tradicional “desafia a lógica dominante da inovação constante na hotelaria e no turismo, sugerindo que a consistência e a fidelidade cultural podem ser igualmente, se não mais, valiosas”.

No tocante ao futuro deste espaço gastronómico bastante conhecido, são deixadas perguntas a que só o próprio Fernando poderá responder: “Deve continuar a resistir à modernização em favor da preservação do espírito original, ou adaptar-se às novas tendências da hotelaria e formalizar a sua marca para atrair públicos mais jovens e mercados internacionais?”

Equipamentos | Mulheres querem mais instalações recreativas

As vice-presidentes da Associação Geral das Mulheres de Macau, Wong Kit Cheng e Loi I Weng, defendem que o Governo deve aproveitar melhor os espaços interiores em edifícios públicos para disponibilizar mais opções recreativas para a população. A posição foi deixada em declarações ao jornal Ou Mun, com as também recém-eleitas deputadas a elogiar os trabalhos do Governo, por considerarem que o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) tomou a decisão certa ao planear abrir um pavilhão infantil no interior do novo Centro de Serviços da RAEM, na Avenida de Venceslau Morais.

As recém-eleitas deputadas pediram também que o exemplo da abertura de mais equipamentos sociais em espaços desocupados seja replicado no Mercado Provisório do Mercado Vermelho e no Mercado Municipal do Bairro Iao Hon, dando um uso produtivo às salas vazias nesses edifícios.

Ao mesmo tempo, foi pedida a realização de estudos para se escolher o tipo de serviços que mais fazem falta à população e que devem ser disponibilizados nas salas desocupadas. Nas opiniões partilhadas, as deputadas apontaram alguns exemplos como espaços para desporto, espectáculos ou salas de reuniões.

Em relação ao planeamento urbano das diferentes zonas do território, Wong Kit Cheng e Loi I Weng pediram ao Executivo para fazer um planeamento de potenciais parques e outros espaços, com base nos dados da população e as necessidades de cada zona.

Toxicodependência | Número de casos a diminuir

Na primeira metade do ano, havia 85 toxicodependentes registados no sistema do registo central de Macau, o que representa uma redução de 11,5 por cento em comparação com o mesmo período do ano passado. O número foi divulgado durante uma reunião da Comissão de Luta Contra à Droga, que teve lugar na segunda-feira.

Segundo um comunicado do Instituto de Acção Social (IAS), não havia registo de toxicodependentes com idades inferiores a 21 anos. Os dados mostravam ainda que o ice é a droga mais consumida entre os toxicodependentes, com 22,7 por cento a consumirem esta substância regularmente. Segue-se o consumo da heroína, consumida por 9,1 por cento dos toxicodependentes, e a canábis, consumida por 4,5 por cento dos toxicodependentes registados.

O encontro serviu para que a comissão também abordasse o plano de trabalho para o próximo ano, que passa por intensificar as campanhas de promoção para atrair mais jovens para o combate contra o consumo de droga. Além disso, os trabalhos vão igualmente ter como objectivo a melhoria da qualidade dos serviços de reabilitação de toxicodependentes. O consumo de estupefacientes em Macau é considerado crime.

Suicídio | Administração deixa de publicar dados

Após, em 2024, o número de suicídios ter atingido o valor mais elevado desde que há registos, os Serviços de Saúde estão desde o segundo trimestre do ano sem apresentar dados sobre o fenómeno. A TDM avança que houve pelo menos 40 suicídios entre Abril e Outubro, mas o número real deve ser superior ao contabilizado

 

Os Serviços de Saúde (SS) deixaram de publicar dados sobre o número de suicídios, uma estatística que costumava ser divulgada trimestralmente. A sonegação dos dados surge depois de em 2024 o valor de suicídios ter sido o mais elevado de sempre no território.

Além de não terem publicado os dados do segundo trimestre, que tendo como referência o ano anterior deveriam ter sido publicados em Agosto, os SS também terão ignorados vários pedidos feitos pelo Canal Macau sobre a compilação desta estatística.

A emissora pública revela que desde Abril apresentou vários pedidos junto dos SS para perceber os motivos do atraso da divulgação dos dados, mas há meses que é ignorada pelo organismo liderado por Alvis Lo. A nova tendência para lidar com as estatísticas de saúde aconteceu também poucos meses depois de Sam Hou Fai ter assumido o cargo de Chefe do Executivo. Esta é uma postura totalmente diferente da adoptada pelos seus antecessores, quando os números eram considerados informação pública.

No primeiro trimestre do ano, foram divulgados 18 casos de suicídio, o que aparentava indicar uma redução de quatro ocorrências em relação ao período entre Janeiro e Março de 2024.

Nesse ano registou-se um total de 90 suicídios, o maior registo desde 2003. No entanto, desde 2021 que se assistia a um crescimento sucessivo do número anual de suicídios, sem que a tendência se invertesse, apesar de as autoridades prometerem regularmente estar a prestar atenção à situação.

Cerca de 40 mortes

Face à ausência de estatística, o Canal Macau recorreu às mensagens partilhadas pela Polícia Judiciária para tentar calcular o número de suicídios.

As mensagens da PJ apresentam desafios na recolha de informações porque muitas vezes classificam os casos simplesmente como “descoberta de cadáver” sem indícios suspeitos de crime, o que nem sempre permite fazer a distinção entre suicídio ou uma morte ligada às condições de saúde da vítima.

Apesar destes desafios, o Canal Macau contabilizou as mensagens em que ficou claro que as mortes se deveram a casos de suicídio e indica que desde Abril até Outubro houve pelo menos 40 pessoas a colocar fim à vida. Todavia, o número real deverá ser mais elevado.

As idades das vítimas não foram apuradas pela emissora, porque a PJ deixou de divulgar as idades, utilizando, ao invés descrições genéricas, como meia idade, um termo que pode abranger pessoas com mais de 30 anos e até aos 65 anos. Ainda assim, a TDM adianta que a maioria das vítimas era de “meia idade”. Registaram-se 10 casos com jovens e um caso com uma menor. Entre as vítimas de suicídio, também surgem alguns casos de idosos.

Todos aqueles que estejam emocionalmente angustiados ou considerem que se encontram numa situação de desespero devem ligar para a Linha Aberta “Esperança de vida da Caritas” através do telefone n.º 28525222 de forma a obter serviços de aconselhamento emocional.

Israel | Sánchez condena Hamas e pede fim do genocídio

O primeiro-ministro espanhol lembrou ontem os “terríveis atentados” do grupo islamita radical Hamas em Israel há dois anos, condenou “o terrorismo em todas as suas formas” e exigiu a Telavive que “pare o genocídio do povo palestiniano”.

“Hoje (ontem) passam dois anos dos terríveis atentados perpetrados pelo Hamas. É um dia para reiterar a nossa rotunda condenação do terrorismo em todas as suas formas. Para pedir a libertação dos reféns israelitas. E para exigir a Netanyahu que pare o genocídio do povo palestiniano e abra um corredor humanitário”, disse Pedro Sánchez, que se referia ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

“O diálogo e a consolidação dos dois Estados [Israel e Palestina] são a única solução possível para pôr fim ao conflito e conseguir um futuro de paz”, acrescentou o líder do Governo de Espanha, numa mensagem publicada na rede social X.

Em 07 de outubro de 2023, milícias lideradas pelo Hamas, grupo terrorista que controla o território palestiniano da Faixa de Gaza, realizaram ataques sem precedentes no sul de Israel há dois anos, durante os quais assassinaram cerca de 1.200 pessoas e raptaram 251 que levaram como reféns para Gaza.

O exército israelita respondeu com uma ofensiva contra o Hamas no enclave controlado pelo grupo extremista desde 2007, que provocou mais de 67.100 mortos em dois anos e originou a acusação de genocídio contra Israel.

Representantes do Hamas e de Israel iniciaram na segunda-feira, no Egipto, negociações indirectas sobre um plano proposto pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para acabar com o conflito. O plano, de 20 pontos, prevê a libertação dos reféns ainda em Gaza, um cessar-fogo, o desarmamento do Hamas, a retirada das tropas israelitas e uma administração internacional transitória da Faixa de Gaza.

Nestes dois anos, o governo espanhol, liderado pelo socialista Pedro Sánchez, foi dos primeiros e dos mais contundentes a criticar a ofensiva de Israel em Gaza, que o próprio primeiro-ministro qualifica como um genocídio. Espanha foi também um dos primeiros países a reconhecer o Estado da Palestina neste período, em maio de 2024.

Apelos do Qatar

O Qatar defendeu ontem que Israel já deveria ter cessado as operações militares na Faixa de Gaza, em conformidade com o plano do Presidente norte-americano, Donald Trump. “Esperamos pelos resultados das negociações nos próximos dias relativamente ao cessar-fogo”, declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed al-Ansari, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

“Esta questão deve, antes de mais, ser colocada a Israel. Deveria já ter posto termo às operações militares se as declarações do primeiro-ministro israelita sobre a adesão ao plano de Trump fossem verdadeiras”, acrescentou.

Física | Nobel para tunelamento mecânico quântico macroscópico

O Prémio Nobel da Física foi atribuído a John Clarke, Michel H. Devoret e John M. Martinis “pela descoberta do tunelamento mecânico quântico macroscópico e pela quantização de energia num circuito elétcrico”, anunciou ontem a Real Academia Sueca de Ciências.

“Uma questão importante em física é o tamanho máximo de um sistema capaz de demonstrar efeitos da mecânica quântica. Os laureados com o Prémio Nobel deste ano realizaram experiências com um circuito eléctrico no qual demonstraram tanto o tunelamento quântico como os níveis de energia quantizados num sistema suficientemente grande para ser segurado na mão”, explica a academia sueca das ciências em comunicado publicado no seu ‘site’.

O britânico John Clarke realizou a sua investigação na Universidade da Califórnia, em Berkeley, EUA; o norte-americano John Martinis na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara; e o francês Michel Devoret na Universidade de Yale e também na da Califórnia, Santa Barbara.

Segundo a academia, a mecânica quântica permite que uma partícula atravesse directamente uma barreira, através de um processo chamado tunelamento. Quando um grande número de partículas está envolvido, os efeitos quânticos geralmente tornam-se insignificantes. As experiências dos cientistas agora distinguidos demonstraram que propriedades quânticas podem ser tornadas concretas em escala macroscópica.

“É maravilhoso poder celebrar a forma como a mecânica quântica, com mais de um século de existência, continua a oferecer novas surpresas. Ela também é extremamente útil, já que é a base de toda a tecnologia digital”, disse o presidente do Comitê Nobel de Física, Olle Eriksson, citado no comunicado.

A academia sueca diz que os transístores nos microchips de computadores são um exemplo da tecnologia quântica consolidada. Os cientistas hoje distinguidos com o Nobel da Física partilham um prémio de 11 milhões de coroas suecas (quase um milhão de euros).

O pecado da incúria

Nos passados dias 23 e 24 de Setembro, o Tufão Ragatsa atingiu a Província de Guangdong, na China continental, e também Hong Kong e Macau, duas regiões administrativas especiais da China. Este super tufão causou alguns estragos nestas três zonas. Felizmente, todos estavam preparados e os danos foram mínimos. As ocorrências mais sérias foram ferimentos provocados em algumas pessoas.

Em Hong Kong, uma família decidiu ir para a o molhe observar os ventos e as ondas. Infelizmente a mãe e o filho caíram ao mar. O pai saltou logo para os salvar deixando para trás a filha de 9 anos, sozinha e a chorar. Outras pessoas que aí se encontravam tentaram salvá-los de imediato, mas não conseguiram. Por sorte, um barco de pesca estava a passar e o marinheiro e o filho foram em socorro das vítimas. A mãe e o filho estavam inconscientes e o pai embora consciente estava ligeiramente ferido.

Posteriormente, o secretário para a Segurança de Hong Kong, Chris Tang, afirmou que embora a “perseguição de ventos e ondas” (追風逐浪) não fosse criminalizada em Hong Kong, levar crianças para o meio da tempestade durante a passagem de um tufão pode constituir “negligência infantil” (疏忽照顧兒童) e disse ainda que o Governo de Hong Kong irá investigar mais aprofundadamente esta matéria. Isto significa que a “perseguição de ventos e ondas ” pode vir a ser criminalizada.

Há algumas semanas, mencionámos nesta coluna o processo movido em Shenzhen contra pessoas que escalaram a montanha durante uma tempestade. Actualmente, Hong Kong só tem legislação que pune a entrada em praias vedadas pelo Governo Hong Kong, com uma multa máxima de 2.000 HKD e 14 dias de prisão. No entanto, apenas é criminalizada a “entrada em zonas proibidas” e não a “perseguição de ventos e ondas” durante uma tempestade. Em última análise, em Hong Kong, a “perseguição de ventos e ondas” não é crime.

Para impedir completamente as tragédias causadas pela “perseguição de ventos e ondas” durante a passagem de tufões, é necessário a implementação de legislação que a criminalize. Como mencionámos na coluna anterior, o acto de “perseguir ventos e ondas” é difícil de definir e de regular. Se o facto de ficar na praia durante uma tempestade for considerado um delito de “perseguição de ventos e ondas”, muitas pessoas serão acusadas. A lei tem de ser clara e detalhada e o seu âmbito deve ser limitado. Caso contrário, cria-se uma lei que será quebrada por muitas pessoas, o que não será certamente a intenção do legislador. Além disso, a actual agência de fiscalização é composta por funcionários do Departamento de Serviços Culturais e de Lazer (LCSD) do Governo de Hong Kong, e não da polícia. Se houver resistência às indicações dos funcionários, a situação será ainda mais caótica.

Outra consideração na legislação penal é a questão da prova. Como é que se pode provar que este grupo de pessoas estava a “perseguir ventos” na costa durante uma tempestade? Os funcionários do LCSD, embora estejam de serviço, também põem as suas vidas em risco durante as intempéries e têm simultaneamente de fazer cumprir a lei. O ambiente adverso em matéria de aplicação da lei exige uma atenção especial. Por outras palavras, num ambiente de alto risco, como podemos garantir que a equipa do LCSD está a aplicar a lei em segurança?

Talvez Hong Kong pudesse considerar a utilização de drones para patrulhar a costa durante as tempestades. Se fosse detectada qualquer actividade de “perseguição de ventos e ondas”, podia ser emitida de imediato uma mensagem sonora apelando à retirada do local. Como este delito ficava registado em filme, se os infractores se recusassem a sair o Governo de Hong Kong teria naturalmente provas para os processar.

O sucesso desta legislação dependeria da atitude futura da sociedade de Hong Kong, pelo que para já é difícil de prever. No entanto, o Governo de Hong Kong deverá certamente vir a considerar a possibilidade de obrigar os infractores a pagar as despesas das operações de salvamento. Durante uma tempestade, as equipas de resgate arriscam a vida para salvar quem “persegue ventos e ondas,” e o equipamento usado é muito caro. Não é despropositado pedir a estes “aventureiros” que suportem os custos.

A legislação para regular a “perseguição de ventos e ondas” passa mais pela prevenção do que pela acusação. Estas leis destinam-se a dissuadir estes comportamentos. As acções penais só são iniciadas após avisos repetidos. Mesmo com a legislação em vigor, a sua aplicação está repleta de dificuldades. Por último, devemos prestar homenagem àqueles que permanecem de serviço durante os tufões ou que realizam operações de salvamento. Sem eles, a segurança seria muito menor durante os tufões. A respeito do caso da família que caiu ao mar em Hong Kong, devemos prestar homenagem a todos os socorristas. A sua coragem e abnegação no salvamento de três pessoas durante uma tempestade foram admiráveis.

Macau tem actualmente um “sistema jurídico de defesa civil” (民防法律制度) e implementou uma série de medidas para serem aplicadas durante as tempestades, como o destacamento preventivo, a evacuação de residentes de zonas ribeirinhas e a garantia de abastecimento para as necessidades diárias. Muitas pessoas foram evacuadas, demonstrando a robustez do sistema de defesa civil de Macau. Além disso, não houve registo de incidentes de “perseguição de ventos e ondas” na costa, prova do excelente trabalho do Governo de Macau na protecção da vida e da propriedade dos residentes. Os residentes de Macau levam muito a sério a sua segurança pessoal. Por conseguinte, embora em Macau a “perseguição de ventos e ondas” não esteja criminalizada, as pessoas são cuidadosas. Actualmente, com condições meteorológicas invulgares e tufões frequentes e particularmente poderosos, a sociedade de Macau deve priorizar a consciencialização e a educação para garantir que as pessoas compreendam o que deve ser feito para protegerem as suas vidas e os seus bens durante uma tempestade. Só quando todos prestarem atenção à segurança é que o impacto dos tufões poderá ser minimizado.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
Email: cbchan@mpu.edu.mo

Universidade timorense investiga professor suspeito de assédio sexual

A universidade pública timorense está a investigar um docente suspeito de ter cometido crimes de assédio sexual contra estudantes do sexo feminino desde 2008.

“O Conselho Disciplinar da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) é quem está a conduzir a investigação, porque não podemos tomar uma decisão sem uma investigação. O Conselho vai estabelecer uma comissão executiva para investigar o caso, ouvir as vítimas e também o professor acusado”, afirmou o reitor da UNTL, João Soares Martins.

O reitor falava aos jornalistas após uma palestra pública do ministro da Cultura da Indonésia dirigida aos estudantes da universidade, no auditório da Faculdade de Ciências Sociais, em Díli.

Um grupo de estudantes do Departamento de Política Pública exigiu na segunda-feira ao reitor da UNTL a demissão do docente, por estar alegadamente envolvido em casos de assédio sexual a estudantes desde 2008. João Soares Martins afirmou que, se se provar que o docente cometeu o crime, terá de enfrentar as consequências.

“Quando houver resultados que confirmem os factos, tomaremos medidas, seja impedindo o professor de continuar a dar aulas, seja aplicando uma suspensão”, salientou o reitor. O responsável da UNTL sublinhou também que, se as suspeitas forem confirmadas, o caso será encaminhado à Comissão da Função Pública para que sejam tomadas medidas disciplinares, uma vez que o docente é também um funcionário público permanente.

Tolerância zero

João Soares Martins recordou que a UNTL tem promovido acções de sensibilização dirigidas a professores e estudantes sobre assédio sexual e outras condutas impróprias. “Temos uma pró-reitoria para aconselhamento que encoraja todos os estudantes ou qualquer pessoa que seja vítima de assédio sexual ou de outras condutas imorais a apresentar queixa”, referiu o reitor.

O dirigente reconheceu também que a UNTL procura criar um ambiente seguro para todos, com vista à liberdade no processo de aprendizagem, e reiterou o compromisso da universidade com uma política de tolerância zero ao assédio sexual.

Francelino Alves Correia, porta-voz dos estudantes do Departamento de Política Pública da Faculdade de Ciências Sociais e Políticas da UNTL, afirmou que, após uma conferência de imprensa, o departamento emitiu uma carta solicitando a suspensão do horário letivo do referido docente.

“O departamento colaborou com a faculdade, que por sua vez elaborou uma circular para avançar com a investigação ao alegado predador sexual, suspeito de ter cometido crimes desde 2008”, explicou o porta-voz.

Evereste | Centenas de alpinistas presos devido a tempestade de neve

As equipas de resgate estão a ajudar centenas de alpinistas presos pela neve em acampamentos turísticos numa encosta do monte Evereste, no Tibete, revelou a imprensa estatal chinesa.

Cerca de 350 alpinistas chegaram a um ponto de encontro na região de Tingri e os socorristas estavam em contacto com outros 200, referiu a emissora estatal CCTV no domingo à noite. Os alpinistas ficaram presos a uma altitude de mais de 4.900 metros, de acordo com uma notícia anterior do Jimu News, um ‘site’ chinês.

O monte Evereste tem cerca de 8.850 metros de altura. Um alpinista que se apressou a descer antes que a neve bloqueasse o caminho contou ao Jimu News que outros ainda na montanha lhe disseram que a neve tinha um metro de profundidade e tinha destruído tendas.

Centenas de equipas de resgate subiram a montanha no domingo para abrir caminhos para que as pessoas presas pudessem descer, informou a reportagem do Jimu. Um vídeo gravado por um morador mostrou uma longa fila de pessoas com cavalos e bois a subir um trilho sinuoso na neve.

A tempestade de neve ocorreu durante um feriado nacional de uma semana na China, quando muitas pessoas viajam para o país e para o estrangeiro. Noutra região montanhosa no oeste da China, um alpinista morreu de hipotermia e de doença de altitude e outros 137 foram retirados na parte norte da província de Qinghai, noticiou segunda-feira a CCTV.

A busca numa área no condado de Menyuan, com uma altitude média de mais de 4.000 metros, foi complicada pelo terreno, clima imprevisível e nevões contínuos, pode ler-se ainda numa reportagem ‘online’ da CCTV. O monte Evereste, conhecido como monte Qomolangma em chinês, fica na fronteira entre a China e o Nepal, onde as fortes chuvas recentes fizeram mais de 40 mortos. Os alpinistas tentam escalar o pico mais alto do mundo a partir de acampamentos-base em ambos os países.

Coreia do Norte | Li Qiang no aniversário do Partido dos Trabalhadores

O primeiro-ministro chinês vai visitar esta semana a Coreia do Norte para participar nas celebrações do 80.º aniversário da fundação do Partido dos Trabalhadores, que decorrem na sexta-feira em Pyongyang, anunciou ontem a diplomacia chinesa.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês indicou, em comunicado, que Pequim vai aproveitar a visita de Li Qiang para “reforçar a comunicação estratégica, fortalecer os intercâmbios e a cooperação e promover o desenvolvimento contínuo das tradicionais relações de amizade e cooperação entre a China e a Coreia do Norte”.

“A China e a Coreia do Norte são vizinhos tradicionais e amigáveis. Manter, consolidar e desenvolver bem as relações sino-norte-coreanas tem sido sempre uma política estratégica firme e inabalável do Partido e do Governo chineses”, lê-se na nota.

Na semana passada, o primeiro-ministro chinês reuniu-se em Pequim com a ministra dos Negócios Estrangeiros norte-coreana, Choe Son-hui, a quem garantiu que a China está disposta a “reforçar os intercâmbios e as interações” com a Coreia do Norte “a todos os níveis”.

Durante o encontro, Li assegurou que o a China valoriza o “apoio consistente e firme” da Coreia do Norte em questões que afetam os “interesses centrais e as principais preocupações” chinesas. Choe, por seu lado, declarou que “consolidar e desenvolver as relações com a China” é uma “posição inabalável” de Pyongyang.

A presença de Li na Coreia do Norte ocorre um mês depois de o líder norte-coreano, Kim Jong-un, se ter deslocado à capital chinesa para assistir a uma parada militar para assinalar o 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico. Pequim continua a ser o principal aliado político e parceiro económico de Pyongyang, num cenário marcado pelas sanções internacionais contra a Coreia do Norte e pela crescente cooperação militar deste país com a Rússia.

HK | Apreendido anestésico ligado a droga sintética que matou três pessoas

A polícia de Hong Kong anunciou a apreensão de 850 gramas de um anestésico usado para produzir uma nova droga sintética, conhecida como ‘petróleo espacial’, que terá causado pelo menos três mortes no território.

Num comunicado divulgado no domingo, a Alfândega da região semiautónoma chinesa disse que o anestésico etomidato foi apreendida na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, a maior travessia marítima do mundo. A substância, em forma de pó, foi encontrada escondida dentro de duas latas de leite em pó para crianças, no interior de um veículo privado que tinha atravessado a ponte para entrar em Hong Kong, no sábado.

O condutor, de 41 anos, e o passageiro, de 49, foram ambos detidos. Mais tarde, a polícia encontrou, entre os pertences do passageiro, uma cápsula de etomidato, que pode consumido em dispositivos de cigarros eletrónicos. A quantidade de etomidato apreendida tinha um valor de mercado de 2,3 milhões de dólares de Hong Kong.

Made in Malásia

O etomidato, um anestésico de curta ação, administrado por via intravenosa, é utilizado principalmente em serviços de urgência, unidades de anestesia, salas de cirurgia e unidades de cuidados intensivos.

De acordo com os media de Hong Kong, a polícia disse numa conferência de imprensa que a substância apreendida terá sido originalmente enviada da Malásia para a região vizinha de Macau. Em Fevereiro, as forças de segurança de Hong Kong anunciaram a apreensão de três quilos de etomidato no aeroporto, dentro de uma bagagem não reclamada, vinda da Malásia.

No início de Novembro, as autoridades de Hong Kong confirmaram terem suspeitas de que pelo menos três mortes estão relacionadas com o ‘petróleo espacial’. Em Fevereiro, o território implementou novos protocolos que envolvem um controlo mais rigoroso não só sobre o armazenamento da droga, mas também sobre os requisitos de documentação e manuseamento nos hospitais locais.

O etomidato foi incluída numa lista de produtos perigosos alvo de restrições, elevando a pena máxima por posse de ‘petróleo espacial” para sete anos de prisão e uma multa de um milhão de dólares de Hong Kong. Já o tráfico ou importação ilegal desta substância passou a ser passível de uma pena máxima de prisão perpétua e de uma multa de cinco milhões de dólares de Hong Kong.

Também Macau revelou em Dezembro que a polícia já detectou quatro casos ligados a este narcótico desde o primeiro caso de ‘petróleo espacial’ encontrado numa escola local, em Outubro de 2023. Esta droga é conhecida em Hong Kong como ‘droga zombie’ porque pode causar graves danos físicos e mentais, incluindo dependência, perda de memória, convulsões, perda de consciência e até morte.

África | Importação de painéis da China ajuda a bater recorde na energia solar

A consultora Oxford Economics disse segunda-feira que o aumento da compra de painéis solares dos países africanos à China ajudou a que a capacidade solar até Julho batesse o recorde, com 9.516 megawatts (MW).

“África, com o seu vasto potencial solar, está a passar por um aumento nas importações de painéis solares provenientes da China; esse influxo está a impulsionar a capacidade de geração do continente, com as importações deste ano até Julho a atingirem um recorde de 9.516 MW”, lê-se numa análise do departamento africano desta consultora britânica.

Num comentário à evolução da produção de energia solar no continente africano, enviado aos clientes e a que a Lusa teve acesso, os analistas escrevem que a diminuição dos custos das instalações solares tem feito com que a capacidade solar de África continue a aumentar.

“O custo ao longo da vida útil da energia solar caiu drasticamente na última década, e é agora considerada a forma mais barata de energia elcétrica da história. Esses custos mais baixos estão a impulsionar o aumento dos investimentos e da geração em todo o mundo, com a capacidade global de energia solar a mais do que duplicar nos últimos três anos”.

Para África, isto significa um benefício importante, apontam os analistas: “A África subsaariana tem o menor acesso à electricidade do mundo, com apenas 53,3 por cento da população electrificada em 2023, bem abaixo da média global de 91,6 por cento, e muitos países africanos também enfrentam um abastecimento pouco fiável e custos elevados de eletricidade, o que dificulta o desenvolvimento económico”.

A quantidade de importações de painéis solares por capacidade atingiu um valor recorde de 1.702 MW em Julho de 2025, mas olhando para o conjunto dos primeiros sete meses do ano, as importações solares por capacidade aumentaram para 9.516 MW, em comparação com 6.625 MW no mesmo período do ano passado, o que representa um aumento de 43 por cento.

Por partes

Por país, os maiores aumentos nas importações de capacidade de produção de energia solar ao longo destes sete meses foram da África do Sul (+1.790 MW), Argélia (+1.073 MW), Nigéria (+1.064 MW) e Egito (+798 MW), lê-se ainda no relatório da Oxford Economics.

Expandir o abastecimento de electricidade de forma significativa “poderia ser transformador, pois reduziria o custo de vida e apoiaria as indústrias necessárias para a criação de empregos e o aumento da produtividade”, acrescenta a Oxford Economics, notando, ainda assim, que os riscos ao aumento da produção de energia solar em África continuam a ser significativos.

“A intermitência da energia solar significa que África ainda precisa de investir nas infraestruturas de base para garantir um abastecimento fiável, e muitas empresas estatais de serviços públicos encaram a energia solar privada como uma ameaça, criando barreiras para os produtores independentes”, o que dificulta a disponibilização de energia nas zonas mais remotas do continente, concluem os analistas.

Macau | Ascensão e queda das casas de penhores

Alexander Wai Kai Leong, de 39 anos, quarto proprietário da Veng Seng Casa De Penhores, é um homem cuja história é contada em ouro e jade, e a sua primeira impressão é marcante, graças às joias que usa.

Um relógio de ouro brilhante e um anel de ouro com uma grande pedra de jade verde-viva atraem imediatamente o olhar para a mão esquerda. A mão direita está igualmente adornada, com um anel de dragão dourado enrolado no dedo indicador e um gigantesco rubi a cintilar no dedo anelar. Um cordão de contas de madeira envolve o pulso direito, acrescentando o toque final ao conjunto. O legado de Alexander Leong começou em 1940, quando a família era dona de oito casas de penhores em Hong Kong.

Naquela época, durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, as casas de penhores viviam um ‘boom’, alimentado pelos refugiados que fugiam para Hong Kong e Macau em graves dificuldades. “As pessoas penhoravam sapatos, edredões e roupas no tempo do meu avô”, contou Leong à Lusa.

Depois de 70 anos no reduto dos jogadores, a loja mudou-se para um bairro habitado por trabalhadores migrantes. A mudança fez com que o negócio de Leong passasse a ter como principais clientes os trabalhadores de países do Sudeste Asiático, o que significou “lucros significativamente mais baixos”.

“Um cliente jogador equivale a 30 ou 50 trabalhadores locais ou migrantes”, estimou, sublinhando que estes trabalhadores frequentemente penhoram joias para obter liquidez, depois de enviarem a maior parte dos salários para os países de origem. Ainda assim, Alexander Leong não se arrepende da mudança. “Ainda bem que nos mudámos. Se não o tivéssemos feito, teria sido terrível”, disse o empresário, que também é presidente do conselho fiscal da Associação dos Comerciantes de Penhores de Macau.

O poder do jogo

A família Leong testemunhou todo o ciclo de expansão e contração da indústria de penhores de Macau, um sector intrinsecamente ligado ao negócio dos casinos.

Logo a seguir à liberalização do jogo em 2003, conta Alexander, o número de casas de penhores em Macau “aumentou drasticamente”, quando comparado com o período até antes da transferência de soberania do território para a China, em Dezembro de 1999. “Macau tinha até então não mais de 40 ou 50 estabelecimentos destes”, afirmou.

“Nos momentos de pico da actividade, por volta de 2014, havia mais de 200 casas de penhores”, sublinhou. Este número caiu, entretanto, significativamente, hoje são apenas 56, um número que não se via desde o período anterior a 1999, e a descida ainda não estancou, face aos novos desafios que se anunciam.

O declínio começou em 2019. “Os protestos maciços em Hong Kong impactaram a nossa indústria em Macau. Os turistas [chineses] do continente tinham medo de vir a Hong Kong e, como Macau é vizinha, também não viajavam para cá”, explicou o penhorista.

“Depois, quando chegou a pandemia, o negócio caiu a pique”, continuou. Após o encerramento de fronteiras, muitos negócios de penhores, que antes funcionavam 24 horas por dia, passaram a ter horário apenas diurno. “Isto forçou o encerramento de inúmeras casas”, acrescentou.

O desafio mais recente surge agora, com o encerramento dos casinos-satélite até ao final do ano, e a crise no sector “vai aprofundar-se ainda mais”, garante Alexander Leong.

Este sente que o sector tem sido “marginalizado pelas autoridades, que consideram os penhores um negócio de ‘alto risco’ para a lavagem de dinheiro”. Porém, argumenta, embora a indústria do jogo de Macau seja considerada nuclear, “as casas de penhores têm servido um propósito mutuamente benéfico, a si mesmas e aos poderes governantes, durante séculos”.

As casas de penhores são uma parte vital do ecossistema, afirmou o líder associativo, em jeito de recado: “não só geram receita fiscal para o governo e valorizam a cidade que nunca dorme, como também providenciam oportunidades de emprego adicionais aos residentes de Macau”.

Cinema | “A Memória do Cheiro das Coisas” distinguido em Marrocos

O filme “A Memória do Cheiro das Coisas”, do realizador António Ferreira, foi distinguido com a Menção Honrosa para ‘Melhor Argumento’ no Festival de Cinema de Tânger, no noroeste de Marrocos, anunciou ontem a produtora.

A Persona Non Grata Pictures sublinhou que a longa-metragem foi reconhecida pelo júri oficial do festival “pela originalidade e subtileza com que o argumento aborda questões do envelhecimento”. O argumento foi escrito pelo próprio realizador e pelo co-argumentista Tiago Cravidão, referiu a produtora, num comunicado.

“Este é um filme sobre empatia, sobre aprender a ver o outro, através do diálogo, não como uma ameaça, mas como alguém que tal como nós, tem desejos e aspirações semelhantes aos nossos, por mais diferentes que aparentemos ser”, disse António Ferreira, durante a cerimónia de entrega de prémios.

O Festival de Cinema de Tânger decorreu de 01 a 04 de Outubro. “A Memória do Cheiro das Coisas” estreia nos cinemas portugueses a 06 de Novembro. O filme já tinha vencido, em Junho, o prémio de melhor actor do Festival Internacional de Cinema de Xangai, no leste da China, para José Martins.

No final, José Martins interpreta “um veterano da guerra colonial forçado a entrar num lar de idosos, onde enfrenta os fantasmas do seu passado e forma um vínculo inesperado com a sua cuidadora negra”, segundo a sinopse.

O filme, uma co-produção Portugal-Brasil, apresenta-se como “um retrato poético e intimista de um idoso numa instituição, explorando a fragilidade da condição humana, a inevitabilidade da morte e a busca de redenção”, trabalha “questões prementes da sociedade, como o envelhecimento populacional e o racismo estrutural.”

Nova Lei dos Estrangeiros aumenta o racismo

O racismo é cada vez mais uma realidade infeliz em Portugal. É suficiente dar-vos um exemplo: numa sala de aula cheia de rapazes e raparigas brancos havia um aluno preto, o Kikas. A professora perguntou aos alunos o que tinham gostado mais até agora na vida. Todos responderam e quando o Kikas se pronunciou sobre o que mais tinha gostado, salientou que tinha sido a volta ao mundo que tinha dado. A professora gritou-lhe, chamando-o “Mentiroso!!!”. Kikas respondeu que não aceitava a ofensa e informou a professora que era filho adoptivo de uma família branca muito rica e que tinha ido passear pelo mundo com os pais. Não satisfeita, a professora ripostou: “Cala-te! Os tipos como tu acabam sempre na rua!” e mandou-o sair da sala dando-lhe falta disciplinar. Este, é um dos muitos exemplos mais deploráveis de atitudes racistas existentes na nossa sociedade.

Na semana passada, a aliança AD/Chega aprovou na Assembleia da República uma nova Lei dos Estrangeiros. As críticas têm sido mais que muitas, fundamentalmente porque esta lei poderá aumentar o racismo em Portugal. Quem veio de imediato a terreiro foi a organização SOS Racismo que se opôs à nova lei dos imigrantes, considerando-a um retrocesso na protecção das garantias dos direitos fundamentais e das liberdades, por alterar as condições de residência e a obtenção de cidadania direccionadas aos imigrantes, incluindo os cidadãos da CPLP. Segundo Mariana Carneiro, directora da SOS Racismo, a aprovação da lei com o apoio da direita radical representa uma violação da Constituição de República Portuguesa e das convenções europeias de direitos humanos, além da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A dirigente da SOS Racismo ainda denunciou que a imigração tem sido tratada como crime, o que infelizmente, não é novidade, pois Portugal vem trilhando esse caminho há bastante tempo. Mariana Carneiro adiantou que o governo, empossado em Março de 2024, já tinha adoptado uma postura cada vez mais alinhada com a extrema direita cedendo a princípios racistas e xenófobos presentes na sociedade portuguesa. Para a directora da SOS Racismo, a nova lei trata-se de um ataque flagrante às pessoas que escolhem viver e trabalhar no nosso País, enquanto os vistos Gold recebem tratamento privilegiado, quando simultaneamente são implementadas políticas de imigração cada vez mais restritivas aplicadas aos demais imigrantes.

O clamoroso chumbo pelo Tribunal Constitucional da versão inicial da lei sobre autorização de residência de estrangeiros e reagrupamento familiar foi uma preciosa oportunidade dada pelo Presidente da República ao Governo para corrigir o tiro em matérias que são um teste aos valores humanistas, à defesa dos princípios da família e a uma relação privilegiada com os países lusófonos. A solução encontrada pela AD e Chega é um rendilhado jurídico para contornar os argumentos do Tribunal Constitucional mantendo todos os inconvenientes políticos da versão inicial. Mantém como regra o prazo de dois anos para ser pedido o reagrupamento familiar, a contar da concessão da autorização de residência e não do seu pedido com a prova de pagamento de impostos e contribuições para a Segurança Social, apesar das excepções de redução para um ano quando existem filhos menores.

Confirma-se o desaparecimento do regime especial para cidadãos de países da CPLP. Desmentindo a propalada preferência pela lusofonia e violando os nossos compromissos sobre mobilidade no âmbito do espaço lusófono. Por outro lado, estranhamos que se mantenha o privilégio no acesso ao reagrupamento familiar para titulares de vistos Gold, de Blue Card europeu ou para indivíduos considerados altamente qualificados, privilegiando o rendimento sobre a origem ou a integração na sociedade portuguesa. A prova de detenção de condições de habitação condigna e de meios de subsistência continua a ser fixada por portaria com manifesta violação do princípio da reserva de lei em matéria de direitos fundamentais. Mas, todas estas limitações podem ser superadas por despacho ministerial o que é a porta aberta para a discricionariedade ilimitada e a falta de transparência. Mantém-se uma ampla possibilidade de prorrogação até 18 meses do prazo de apreciação do pedido de reagrupamento familiar, bem como a possibilidade de recurso aos tribunais para intimar a AIMA a cumprir prazos de decisão que continua a ser fortemente limitada.

Para termos ideia das más intenções da lei, claro que assuntos como a penalização agravada de quem viola os direitos laborais de trabalhadores estrangeiros, o controlo eficaz da imigração irregular penalizando os traficantes e os empregados ou a responsabilidade patronal pela habitação condigna de trabalhadores sazonais são matérias absolutamente ignoradas. O mesmo acontece com as regras sobre o acesso à aprendizagem da língua portuguesa.

Concluindo, podemos constatar que a nova Lei dos Estrangeiros vai ao encontro dos racistas do Chega e que os imigrantes são o alvo mais significativo para serem cada vez mais prejudicados, dando força aos neofascistas para continuarem a tratar os imigrantes como lixo a atirá-los para fora de Portugal e, isto, é racismo puro.

Japão | Ex-ministra deve tornar-se a primeira mulher a liderar o país

Sanae Takaichi, uma nacionalista de direita, foi eleita sábado líder do Partido Liberal Democrático (PLD) e deverá tornar-se em breve a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Japão.

O PLD – partido que lidera o Governo – pode ter perdido a maioria absoluta em ambas as câmaras do Parlamento neste ano, mas a oposição parece demasiado fragmentada para impedir Takaichi de ser eleita primeira-ministra nos próximos dias, na semana de 13 de Outubro, segundo os meios de comunicação locais.

Sanae Takaichi, de 64 anos, vai suceder a Shigeru Ishiba, que foi eleito chefe do Governo em outubro de 2024 e se demitiu no mês passado. No segundo escrutínio, que aconteceu sábado e no qual votaram apenas os representantes eleitos e os membros do PLD, Sanae Takaichi superou o ministro da Agricultura, Shinjiro Koizumi, de 44 anos.

Takaichi terá de garantir que o PLD – um partido nacionalista de direita no poder quase ininterruptamente desde 1955, mas agora cada vez mais rejeitado pelos eleitores -, recupere parte da sua antiga glória. “Com todos vós, inaugurámos uma nova era para o PLD”, disse a nova líder aos seus pares alguns minutos após a sua eleição.

Coreia do Norte afirma ter mobilizado “meios especiais” contra Coreia do Sul

A Coreia do Norte mobilizou “meios especiais” contra a Coreia do Sul, onde estão destacados aproximadamente 28.500 soldados dos Estados Unidos, disse o líder norte-coreano Kim Jong-un, citado ontem pela imprensa estatal.

De acordo com a agência noticiosa oficial da Coreia do Norte, a KCNA, a revelação aconteceu no sábado, num discurso proferido na abertura de uma exposição de armas em Pyongyang, mas Kim não divulgou detalhes sobre os “meios especiais”. “A aliança nuclear entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul está a progredir rapidamente, e estão a conduzir vários tipos de exercícios para testar cenários perigosos”, disse o líder norte-coreano.

“À medida que os militares norte-americanos reforçam o seu arsenal na região da Coreia do Sul, as nossas preocupações estratégicas com esta região também se intensificam e, por conseguinte, alocamos os nossos recursos especiais a alvos-chave”, disse Kim. O líder da Coreia do Norte garantiu que estava a “acompanhar de perto” os desenvolvimentos militares do outro lado da fronteira.

“O inimigo (…) terá de se preocupar com as mudanças no seu ambiente de segurança”, afirmou. Fotos divulgadas pela KCNA mostram Kim a caminhar em frente a armas, incluindo um míssil, rodeado por generais norte-coreanos num centro de exposições.

Promessas por cumprir

Em 22 de Setembro, o líder norte-coreano declarou-se disposto a retomar o diálogo com os Estados Unidos se estes deixarem de exigir que Pyongyang abandone o programa de armas nucleares. “Se os Estados Unidos abandonarem a sua obsessão delirante pela desnuclearização e, reconhecendo a realidade, desejarem verdadeiramente coexistir pacificamente connosco, então não há razão para que não possamos sentar-nos à mesa com eles”, afirmou Kim.

“Tenho boas recordações do actual Presidente norte-americano, Donald Trump”, acrescentou. A Coreia do Norte realizou seis testes nucleares entre 2006 e 2017 e, desde então, continuou a desenvolver o seu arsenal, apesar das pesadas sanções internacionais. Pyongyang justifica o seu programa nuclear militar com as ameaças de que afirma ser alvo por parte dos Estados Unidos e dos seus aliados, entre os quais a Coreia do Sul.

OMC | Pequim pede ao México que proteja interesses de empresas chinesas

A China pediu ao México que cumpra as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) nas suas investigações antidumping e salvaguarde os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas, indicou o Ministério do Comércio na sexta-feira. Um porta-voz do ministério fez as observações em resposta a uma pergunta da imprensa sobre as recentes quatro investigações antidumping do México sobre produtos chineses, incluindo vidro flutuante e lonas de PVC, aponta a Xinhua.

A China opõe-se firmemente a medidas proteccionistas que prejudicam os seus direitos e interesses legítimos e monitorará de perto o desenvolvimento das investigações, disse o porta-voz. Observou-se que, este ano, o México abriu 11 investigações antidumping sobre produtos chineses até ao momento — quase o dobro do total do ano passado — enquanto a China continuou a exercer moderação no lançamento de investigações de defesa comercial.

No contexto do uso excessivo de tarifas pelos Estados Unidos, a China advoga que todos os países devem trabalhar juntos para se opor ao unilateralismo, conter a disseminação do proteccionismo e abster-se de impor restrições à China sob vários pretextos devido à coerção externa, de acordo com o porta-voz.

Em resposta aos aumentos tarifários e outras restrições propostos pelo México, o ministério lançou uma investigação sobre as barreiras comerciais e de investimento de acordo com as leis e regulamentos relevantes. “Com base nas nossas descobertas e circunstâncias reais, a China tomará todas as medidas necessárias para salvaguardar resolutamente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas, incluindo medidas no comércio e investimento”, disse o porta-voz.

Matmo | Cancelados voos e encerradas lojas

As autoridades chinesas cancelaram voos e encerraram lojas sábado, em antecipação à passagem do tufão Matmo, que se aproximava das províncias de Hainan e Guangdong, no sul da China. As autoridades chinesas aumentaram sábado o nível de alerta para laranja, o segundo mais elevado, obrigando à supressão de comboios, voos e aulas como medida preventiva.

O NMC informou que o Matmo, o 21.º tufão da temporada no Pacífico, se intensificou durante a madrugada de sábado, passando de tempestade tropical severa a tufão. O aeroporto de Haikou deveria inicialmente receber mais de 632.000 passageiros entre 01 e 08 de outubro para as férias combinadas do feriado nacional e do feriado do Meio do Outono, de acordo com o grupo Hainan Airport, que opera o aeroporto.

As autoridades também cancelaram vários serviços ferroviários e ordenaram que os barcos de pesca regressassem aos portos. O tufão Matmo deverá trazer ventos que podem atingir 160 km/hora antes de a intensidade diminuir gradualmente depois de chegar a terra, afirmou o NMC no sábado.

Brasil | Investimentos chineses impulsionam sector tecnológico

As relações entre o Brasil e a China atravessam um dos melhores períodos da sua história. Pequim continua a investir em força no desenvolvimento tecnológico do país lusófono

O crescente investimento da China no Brasil deve impulsionar a inovação e a tecnologia locais, beneficiando a economia e gerando novas oportunidades de crescimento, segundo um artigo no jornal China Daily. Dados publicados este mês pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) revelaram que o investimento chinês no Brasil totalizou 4,8 mil milhões de dólares no ano passado, mais do dobro do valor registado em 2023, indica o Diário do Povo.

Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, disse que o Brasil pretende canalizar capital para tornar o país um produtor de tecnologia e um investidor em economias parceiras.

O país considera esse crescimento como muito positivo, numa parceria que se vem expandindo há mais de uma década, de acordo com Moreira, acrescentando que as fontes desses investimentos estão a diversificar-se e que o Brasil é agora o quinto maior destino de investimentos estrangeiros em todo o mundo, o que gera empregos e rendimentos.

Os investimentos chineses em toda a economia brasileira podem estimular ganhos em inovação e tecnologia para a indústria local, afirmou o responsável. Segundo Moreira, o Brasil pretende expandir os seus investimentos no exterior e em vários sectores já presentes na China, incluindo café, proteínas e alimentos, celulose e equipamentos eléctricos.

Com essas duas vertentes – receber e fazer investimentos, o Brasil está a construir sinergia para um ecossistema inovador, criando centros de pesquisa, enviando brasileiros para a China, ampliando a sua curva de aprendizagem e agregando valor à cadeia produtiva do país, observou.

Outros investimentos

Entretanto, os investidores privados também acolheram o crescimento dos investimentos chineses. Ricardo Martins, economista-chefe da Planner Investimentos, da agência de corretagem da Bolsa de Valores de São Paulo, disse que os saltos nas duas direcções foram significativos. A China, como principal parceiro comercial do Brasil nos últimos anos, vem abrindo portas para maiores fluxos comerciais, destacou.

Isso permite a diversificação de mercados, assinalou Martins, acrescentando que as oportunidades nos projectos de agricultura, energia renovável, infraestrutura e aeroespaço estão a surgir desse relacionamento cada vez mais próximo. Da soja, minério de ferro, carne aos carros, foram abertas portas para 183 empresas brasileiras que exportam para a China, indicou Martins.

Para durar

Além disso, uma grande quantidade de investimentos chineses também foi para o sector energético, observou o responsável. Só a State Grid, da China, investiu cerca de 5 mil milhões desde que entrou no Brasil. Ramon Haddad, vice-presidente da State Grid Brazil Holding, disse que o Brasil faz parte da estratégia de longo prazo da empresa.

A State Grid opera em 14 dos 27 estados do Brasil, além do Distrito Federal. A sua infraestrutura fornece cerca de 10 por cento da electricidade do país. Haddad informou que mais projectos – principalmente para sistemas de transmissão de ultra-alta tensão – estão por vir, com um investimento total estimado de 3,5 mil milhões planeado para os próximos quatro anos.

O Elogio de Wang Juzheng à Àrdua Labuta Das Mulheres

Zhang Xuan (713-755), o pintor dos Tang, foi autor de uma pintura que hoje se pode admirar através de uma cópia atribuída ao imperador dos Song, Huizong (r.1022-63), onde se observam belas damas ricamente vestidas, penteadas e adornadas executando tarefas práticas de tratamento de tecidos, que habitualmente se espera ver a serem executadas por serviçais dessas senhoras. Nesse precioso rolo horizontal (tinta, cor e ouro sobre seda, 37,7 x 466 cm, no Museu de Belas Artes de Boston) onde se alardeia o luxo e que na verdade mostra a celebração de um rito anual relativo à produção da seda, que tem lugar na Primavera servindo de exemplo para o resto do Império, podem observar-se no fim, do lado esquerdo duas senhoras, uma de cada lado, estendendo uma peça de seda branca que uma terceira está a passar a ferro, ajudada por uma jovem.

E embora uma das senhoras se dobre ligeiramente no zelo de estender o tecido, nada parece estar a exigir um grande esforço, todas parecem executar uma actividade amena. Desse tempo em que na corte se recriava uma cena doméstica que decorre no seio da élite, um pintor talvez não menos erudito, recriou num modesto rolo horizontal (tinta e cor sobre seda, 26,1 x 69,2 cm, no Museu do Palácio Nacional, em Pequim), um emocionante contraponto dessa cena em que são protagonistas duas senhoras humildes. Uma de cada lado das pontas de dois fios na penosa função de fabricar um tecido que podia ser aquele que no outro rolo as damas se entretêm a eliminar as rugas. As senhoras aqui não são doces nem belas como as outras mas simples mulheres do campo que dependem da força fisica para accionar a roda de fiar que permite a sobrevivência da família. É notória a simpatia que a pintura mostra pela vida pobre e virtuosa mas inglória destas mulheres, o que suscita uma perplexidade sobre quem e porque foi criada.

Wang Juzheng, que viveu durante os Song do Norte, era natural de Hedong (actual Yongji, Shanxi) no reino do imperador Renzong (1023-63), era filho de um pintor e outras obras que lhe são atribuídas confirmam ser esta uma excepção. Porém, o apreço com que ela foi recebida pode ler-se no comentário que o preclaro Zhao Mengfu escreveu ao lado dela: «É um pequeno rolo mas o trabalho do pincel é magnífico, possui uma alta compreensão da vida. Com os seus maravilhosos apontamentos pode bem ser descrita como um trabalho digno dos deuses.»

E tudo feito com grande economia. Uma mulher mais velha será a avó de um menino que brinca com um sapo preso numa vara no início do rolo, dois velhos troncos e ramas de salgueiro, lembram a ausência do pai, uma mulher já não tão nova sentada num banco de madeira vai movendo a roda de fiar e, mal se vê, tem no peito um bebé, à sua frente brinca o pequeno cão da família. Nas mãos da cansada mulher velha, dois fios têm um peso tremendo.