ANIMA | Admitidas dificuldades com dívida de 1,4 milhões

A presidente da ANIMA reconhece que gostaria de ajudar a controlar o número de animais vadios nas ruas de Macau, mas que o campo de acção da associação está cada vez mais limitado, pela falta de recursos

A Sociedade Protectora dos Animais de Macau (ANIMA) admite que a sua capacidade de intervenção face aos recentes ataques de cães vadios na Taipa está limitada, devido ao acumular de uma dívida de 1,4 milhões de patacas. O cenário foi traçado pela presidente da associação, Zoe Tang, em declarações ao jornal Exmoo.

Na semana passada, a questão dos cães vadios no território voltou a ganhar relevância face à ocorrência de ataques contra transeuntes na Taipa. Ao contrário de outros tempos, a ANIMA revelou que a sua capacidade para intervir e resgatar os animais está mais limitada, devido à dívida acumulada e ao facto de os seus abrigos estarem sobrelotados.

Tang apontou que as despesas mensais fixas da associação rondam as 600 mil patacas e que apesar de as campanhas de angariação de fundos terem uma boa participação, o ritmo de recolha de dinheiro não acompanha o aumento das despesas. Para fazer face aos custos de operação, a associação teve de demitir cerca de cinco funcionários, e Tang reconheceu que houve períodos em que os salários foram pagos com atrasos.

Tang indicou também que a associação teve de adoptar um sistema de triagem face ao resgate de novos animais, uma vez que tem a seu cargo mais de 700 cães e gatos. A nova estratégia passa, assim, por resgatar os animais vadios que apresentem ferimentos ou outros problemas de saúde.

Por isso, a responsável defendeu que o Governo deve lidar com este problema através de uma política de captura, esterilização e devolução (TNR, na sigla em inglês), para evitar que os animais se reproduzam nas ruas.

Zoe Tang apontou que a zona mais afectada por animais vadios é Coloane, e que a equipa da ANIMA realiza diariamente esterilizações, com prioridade para os animais do sexo feminino. Contudo, a responsável avisou que a legislação em vigor dificulta a intervenção das associações, porque a captura apenas pode ser feita em espaços privados e não em públicos.

Multas mais pesadas

Em relação às políticas de controlo dos animais, a presidente da ANIMA defendeu um agravamento das multas por abandono e a obrigação de colocar chips tanto em gatos como em cães.

No âmbito da necessidade de adaptar as leis, Tang apontou que a Lei de Protecção dos Animais entrou em vigor há quase 10 anos e que a multa por abandono está fixada em 1.000 patacas. A responsável defende uma subida para pelo menos 5.000 patacas, mas admite que o valor até possa ser superior. O objectivo é combater os abandonos.

Em relação à colocação de chips, que permite sempre identificar a quem pertenciam os animais abandonados, Tang considera que a obrigação deve passar a abranger igualmente os gatos.

9 Set 2026

Ferries | Associação pede a empresas que coordenem horários

Segundo Paul Wong, presidente da Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau, as empresas de ferries precisam de se coordenar, para garantir uma maior oferta e manter a vontade dos passageiros de recorrer a este tipo de transporte

Com o número de passageiros do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior em queda contínua, a Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau defende que as duas transportadoras devem coordenar os horários, para haver maior oferta. As declarações foram prestadas por Paul Wong, presidente da associação, em declarações à estação televisiva TVB.

Apesar dos números mais negativos e da maior concorrência dos autocarros que atravessam a ponte e do transporte privado, Paul Wong considerou que as viagens de ferry podem revelar-se mais convenientes, dada a centralidade dos portos e os horários de navegação.

“As companhias de transporte devem coordenar-se para que haja partidas de ferries mais frequentes e em diferentes horários. Desta forma, os passageiros, tal como acontecia no passado, podem conseguir sempre apanhar um ferry, sem necessidade de esperarem”, argumentou o presidente da associação. Actualmente, o serviço de ferries para Hong Kong é assegurado pela TurboJET e Cotai Water Jet.

Segundo os dados oficiais, no ano passado, o número de visitantes que utilizou o Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior e o Terminal Marítimo da Taipa foi de 7,36 milhões. No entanto, este dado representa uma redução de 70 por cento do volume de passageiros, em comparação com 2017, quando 22,94 milhões de pessoas utilizaram os terminais.

A tendência continua negativa, e desde o início do ano, o volume de passageiros do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior voltou a sofrer uma redução de 12 por cento em termos anuais.

Futuro em causa

Em Dezembro do ano passado, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, admitiu que as autoridades estão a ponderar o encerramento de um dos terminais. Tam afirmou que a decisão nunca seria fácil de tomar, mas face à perda de empregos destacou que o Executivo pode aproveitar o terminal encerrado para “explorar a economia nocturna”.

Em relação às partidas e chegadas de ferries nos dois terminais, registou-se um volume de 53 mil viagens, uma redução de cerca de 61 por cento em comparação com 2017.

Quanto ao facto de ter sido anunciada recentemente a suspensão das viagens regulares de helicóptero entre Hong Kong e Macau, o responsável considerou que o serviço pode ser reconvertido e transformado em turismo aéreo. O presidente da associação explicou que desta forma a Sky Shuttle, responsável pelos helicópteros, pode continuar a aproveitar a licença existente.

9 Set 2026

Burlas | Vong Hou Pio pede alertas direccionados a idosos

O legislador e contabilista alerta as autoridades para a necessidade de se adoptarem novas estratégias de prevenção contra burlas. Os idosos e a classe média são os grupos que mais preocupam o deputado

O deputado Vong Hou Pio defende a adopção de medidas de prevenção de burlas desenhadas especialmente para os idosos. O assunto faz parte de uma interpelação escrita do legislador eleito indirectamente pelo sector profissional.

Segundo o cenário traçado por Vong, nos últimos anos têm ocorrido com frequência burlas de investimento que prometem “ganhos garantidos e sem perdas” ou investimentos com “baixo risco” e “retorno elevado”.

O deputado reconhece que o assunto não é totalmente novo e que a Polícia Judiciária (PJ) tem adoptado “diversas acções de combate”, que levaram a uma redução do número de crimes. No entanto, destaca que “as perdas económicas decorrentes das burlas de investimento continuam elevadas” e que os “os métodos utilizados pelos burlões não cessam de evoluir”.

Os idosos, tidos como um grupo mais vulnerável, são uma das principais preocupações de Vong, que pede medidas direccionadas: “A análise da estrutura das vítimas demonstra que o grupo etário dos idosos, devido à sua menor literacia digital, continua a ser um alvo prioritário dos burlões”, justifica. “As autoridades vão considerar a experiência das regiões vizinhas e a possibilidade de criar um mecanismo para a divulgação regular ao domicílio de prevenção de burlas, especialmente dirigido a idosos com mobilidade reduzida ou que saem pouco de casa?”, pergunta.

O também contabilista pretende uma maior proximidade das campanhas de sensibilização contra burlas porque considera que a aplicação anti-burla da Polícia Judiciária e os alertas de risco do serviço de “Transferência Fácil” não são suficientes, devido à reduzida literacia digital dos idosos.

Classe média em risco

Além dos idosos, Vong Hou Pio alerta que existem várias pessoas da classe média apanhadas nas burlas, muitas delas trabalhadores, e que se deixam enganar, apesar de possuírem um nível de escolaridade mais elevado.

O deputado pede assim novas medidas: “Que ajustamentos específicos serão introduzidos na estratégia de divulgação de prevenção de burlas?”, questiona. “Será efectuada, através de associações profissionais ou organizações sectoriais, uma sensibilização de risco específica e dirigida a profissionais do sector financeiro, quadros de gestão de empresas e profissionais reformados, entre outros?”, acrescenta.

Tendo em conta os desenvolvimentos tecnológicos, Vong defendeu também a necessidade de ser criado um novo sistema de alerta contra burlas relacionadas com activos virtuais e investimentos ligados à inteligência artificial.

9 Set 2026

Hengqin | Universidades da RAEM vão trabalhar em rede no novo campus

As três universidades de Macau vão operar em rede no novo campus na Ilha da Montanha, com os estudantes a poderem inscrever-se em disciplinas das diferentes universidades. A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, presidiu ontem à abertura oficial do ano lectivo no campus de Hengqin

Arrancou oficialmente o ano lectivo no campus universitário em Hengqin, com a cerimónia de inauguração a contar com a participação do Chefe do Executivo, das secretárias para os Assuntos Sociais e Cultura e para a Economia e Finanças, o director do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, entre outros titulares de cargos de departamentos públicos.

Recorde-se que a primeira fase do novo campus universitário de Hengqin já começou a funcionar, com a Universidade Politécnica, a Universidade de Macau e a Universidade de Turismo a oferecer cursos de pós-graduação para mais de 1.450 alunos.

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, destacou que as três instituições de ensino superior público vão operar em rede no campus da Ilha da Montanha. A cooperação entre as três universidades irá permitir aos estudantes escolherem os seus planos académicos, combinando disciplinas leccionadas nas três universidades.

“Neste semestre, os estudantes do campus vão poder assistir a aulas de disciplinas de outras universidades”, na qualidade apenas de assistentes”, nas até ao próximo ano, poderão também frequentar disciplinas de outras universidades”, indicou O Lam.

A secretária afirmou também que as três universidades de Macau presentes no campus de Hengqin vão disponibilizar cursos de “micro-especialização”, a alunos inscritos numa das instituições, que vão contar para os créditos.

“Esperamos que, através deste modelo de partilha de cursos e desenvolvimento conjunto de especializações, as três universidades possam tirar partido dos seus recursos disciplinares vantajosos para formar em conjunto talentos interdisciplinares”, apontou a governante.

Ir mais além

O Lam realçou que o campus universitário “não é apenas uma extensão do espaço educativo das instituições de ensino superior de Macau”, mas também uma plataforma internacional de ciência e educação enraizada na Grande Baía, com ligações ao mundo.

“Tendo a internacionalização como objectivo, a Cidade Universitária introduz continuamente recursos internacionais de ensino e investigação, empenhando-se em promover a internacionalização da formação de talentos, da investigação científica e do intercâmbio tecnológico”, afirmou a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, acrescentando que o campus irá concretizar o conceito “estudar no estrangeiro sem sair de casa”.

O Lam sublinhou o foco educativo nas ciências, engenharias e nas “áreas interdisciplinares e de disciplinas de vanguarda”.

Além disso, deixou uma mensagem aos estudantes para que “façam bom uso dos recursos da plataforma aberta e partilhada da Cidade Universitária”, “aproveitem as oportunidades da educação internacionalizada.” A secretária aconselhou os alunos a cultivarem “um forte sentido de responsabilidade nacional”, integrando os “ideais pessoais no desenvolvimento global do país”.

9 Set 2026

Parques infantis | Estudo alerta para desigualdade na oferta

Um estudo desenvolvido por académicos da China e Macau, dois deles da Universidade Cidade de Macau, analisou dados geográficos e publicações nas redes sociais sobre parques infantis, concluindo que existe desigualdade na sua distribuição, com maior carência em zonas como Coloane, zona sul da península de Macau e Cotai. Defende-se ainda a “melhoria sistemática da qualidade das instalações existentes”

O estudo “Análise das redes sociais e análise espacial no planeamento de espaços de recreio infantil em Macau, uma cidade de alta densidade”, publicado na revista científica E3S Web of Conferences, aponta para a desigualdade na distribuição de parques infantis no território, com maior concentração na zona norte da península e menor em áreas como Coloane, a zona sul da península e o Cotai.

O trabalho, da autoria de vários académicos chineses, dois deles – Yingqian Yang e Yujing Lai – ligados ao Instituto de Urbanismo e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Cidade de Macau, aponta para o facto de Macau, ao ser “uma cidade com uma densidade populacional extremamente elevada”, ser exemplo dos “desafios enfrentados pelas cidades de alta densidade [populacional] na disponibilização de parques infantis adequados”.

Desta forma, “as instalações existentes não conseguem satisfazer plenamente as necessidades reais dos residentes e turistas, tanto em termos de qualidade como de distribuição espacial”.

Com base na análise de publicações na rede social Weibo e de dados de Sistemas de Informação Geográfica (SIG), os autores falam na necessidade de “intervenções prioritárias” por parte das autoridades, nomeadamente “o desenvolvimento de novos parques infantis na Ilha de Coloane, zona sul da Península e faixa do Cotai”.

É também aconselhada uma “melhoria da qualidade das instalações existentes, com especial incidência em equipamentos para brincadeiras com água e criação de zonas adequadas a diferentes faixas etárias”.

No total, foram analisadas 5.167 publicações no Weibo, feitas entre os anos de 2020 e 2025, bem como dados SIG relativos a 46 parques infantis. De destacar que estas publicações dizem respeito a 2.420 utilizadores com contas no Weibo.

Há, no território, “graves desigualdades espaciais” no que diz respeito ao planeamento de parques infantis, sendo que “as deficiências em termos de qualidade contribuem mais para a insatisfação dos utilizadores do que a insuficiência quantitativa de instalações”.

Melhor qualidade

Em matéria de qualidade das instalações, revela-se que 37,9 por cento dos utilizadores mencionaram a necessidade de haver mais equipamentos para brincadeiras com água. Por sua vez, 28,7 por cento destacou a necessidade de mais infra-estruturas de segurança, enquanto 23,8 por cento lembrou a importância da “concepção adequada [de parques] para diferentes faixas etárias”.

Apesar das conclusões pouco favoráveis ao actual planeamento de parques infantis, a análise das publicações no Weibo permite concluir que não existe “uma situação de crise”, existindo sim uma “margem para melhorias”.

Isto porque se percebeu a existência de um “sentimento do público equilibrado em relação aos parques infantis e às instalações associadas às actividades familiares em Macau”. Dos utilizadores, 47,9 por cento deu respostas positivas, e 39 por cento deu respostas neutras. Face a este número, os autores concluem que “muitas publicações têm carácter informativo e não de avaliação, o que reflecte comportamentos de planeamento de actividades familiares”. Apenas 13,1 por cento dos utilizadores fez publicações com teor negativo.

O caso de Coloane

Tendo em conta apenas a análise dos dados SIG, o estudo fala na “existência de graves disparidades geográficas nos seis bairros de Macau”. As pontuações em termos de acessibilidade mostram que Coloane está bem abaixo na tabela – tem apenas 0,2 pontos numa escala de 0 a 10, enquanto o norte da península tem 10 pontos conforme a mesma escala. “A análise de dados SIG identifica a Ilha de Coloane como a zona com menor cobertura, não dispondo de qualquer parque infantil”, pode ler-se.

E se não há tantos parques, os comentários ou publicações no Weibo são também reduzidos. “Na ilha de Coloane a escassez de instalações resulta numa utilização reduzida e, consequentemente, num baixo nível de comentários negativos nas redes sociais. Contudo, na zona do Cotai, a elevada intensidade de utilização, combinada com potenciais deficiências de qualidade — como problemas de manutenção ou sobrelotação — gera níveis significativamente mais elevados de insatisfação.”

Da Grande Baía

Os comentários feitos na rede social Weibo não são apenas feitos por residentes, mostrando como Macau é cada vez mais procurado por famílias que procuram pelos parques infantis existentes e, desta forma, deixam comentários na Internet sobre as zonas da RAEM com mais ou menos parques.

O estudo destaca como “a análise geográfica das publicações com geolocalização”, que são apenas 18,1 por cento de todas as publicações feitas, mostra “a forte integração de Macau no ecossistema de turismo familiar da Grande Baía”.

Neste campo, a província de Guangdong lidera com um total de 1.876 publicações, seguida por Hong Kong, 782 publicações. As publicações dos residentes de Macau estão em terceiro lugar, com um total de 586.

Dizem os autores do estudo que “estas três regiões da Grande Baía representam, em conjunto, a maioria das conversas [online], sublinhando a interligação do mercado regional de turismo familiar”. Há ainda publicações de pessoas de Pequim, Xangai e outras zonas do país, o que mostra “a maior atractividade de Macau como destino familiar em toda a China”.

Os autores dizem que 60,1 por cento publicações online se centram na experiência obtida nos parques, o que mostra “as limitações espaciais e climáticas das cidades subtropicais de elevada densidade”, como é o caso de Macau.

Lê-se no estudo que “a limitada disponibilidade de terrenos e a elevada densidade populacional de Macau restringem a expansão dos parques infantis”, sendo citado um estudo de 2024 que dá conta da “forte desigualdade espacial e concentração na distribuição destas instalações”. Assim, a “melhoria da qualidade das instalações existentes” revela-se a “principal estratégia para aumentar a satisfação dos utilizadores”. Já “a elevada procura por equipamentos para brincadeiras com água reflecte as condições de clima quente e húmido”.

Não está, portanto, em causa propriamente a falta de parques, mas sim a sua desigualdade de distribuição, já que Macau “dispõe de um número globalmente adequado de instalações”, com 46 parques infantis para 55 mil crianças, “correspondendo a uma proporção de 1 para 1:1.196”. Porém, olha-se para o tipo de infra-estruturas dos parques, revelando-se “um défice de 11,8 pontos percentuais relativamente à presença de equipamentos para brincadeiras com água”. Destaca-se, portanto, a qualidade do que existe e não a quantidade.

“Os bairros cujas instalações não possuem as características desejadas apresentam um sentimento negativo mais elevado face aos bairros com um menor número de instalações. Isto sugere que, em contextos de elevada densidade [populacional] e com possibilidades limitadas de expansão, as deficiências de qualidade explicam melhor a insatisfação dos utilizadores do que os défices quantitativos”, lê-se.

Deputados deixam alerta

Algumas conclusões deste estudo vão de encontro aos alertas feitos por alguns deputados sobre a escassez, ou a desigualdade, de espaços de lazer para os mais novos. É o caso da deputada Loi I Weng, que em Abril deste ano interpelou o Governo sobre a “escassez de espaços de lazer para crianças” em “zonas antigas como a Zona Sul, a Rua da Praia do Manduco e San Kio”. “As instalações têm um design monótono e carecem de elementos inclusivos; a segurança e o ambiente dos percursos pedonais na comunidade também necessitam de ser reforçados”, acrescentou.

Tratando-se de uma interpelação oral, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, respondeu no hemiciclo referindo que o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) “tem vindo a atribuir importância às necessidades das crianças no decorrer do seu crescimento, optimizando e disponibilizando mais espaços de lazer para crianças”.

A governante deu o exemplo “do programa de reordenamento na zona de Toi San, que foi concebido tendo em consideração diversos elementos como o planeamento para todas as faixas etárias, a eliminação de barreiras arquitectónicas e [estabelecimento] de espaços de lazer inclusivos para pais e filhos”.

9 Set 2026

Bancos | Lucros encolhem 16,3 por cento até Julho

Nos primeiros sete meses do ano, a banca local registou lucros de 6,33 mil milhões de patacas. Os custos de funcionamento das instituições contribuíram para este resultado ao crescerem para 12,5 mil milhões de patacas

Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 6,33 mil milhões de patacas nos primeiros sete meses do ano, menos 16,3 por cento do que no mesmo período de 2025.

De acordo com dados oficiais, a principal razão para a queda nos lucros foi um aumento de 37,3 por cento nos custos de funcionamento, que atingiram 12,5 mil milhões de patacas. Segundo a Autoridade Monetária de Macau (AMCM), a maior subida registou-se nas dotações para provisões, reservas para cobrir potenciais perdas, que duplicaram, para 5,4 mil milhões de patacas.

Isto apesar de o crédito malparado na banca de Macau ter caído, pelo terceiro mês consecutivo, para 46 mil milhões de patacas, muito longe do máximo de 57,8 mil milhões de patacas, fixado em Junho de 2025.

Os empréstimos vencidos representavam 4,4 por cento dos empréstimos dos bancos de Macau, menos 0,7 pontos percentuais do que em Julho de 2025. Uma percentagem que subiu para 4,7 por cento no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora da região chinesa.

A percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3 por cento alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.

Os lucros da banca local encolheram, mesmo perante uma subida de 36 por cento, para 12,1 mil milhões de patacas, na margem de juros, a diferença entre as receitas dos empréstimos e as despesas com depósitos.

Isto apesar de a AMCM ter aprovado três descidas da principal taxa de juro de referência em 2025, a última das quais um corte de 0,25 pontos percentuais, introduzida em 11 de Dezembro, seguindo a Reserva Federal norte-americana.

Empréstimos em queda

Os empréstimos, a principal fonte de receitas da banca a nível mundial, caíram 3,4 por cento em comparação com Julho de 2025, fixando-se em 1,03 biliões de patacas. Pelo contrário, os depósitos junto dos bancos de Macau aumentaram 6,4 por cento, para 1,48 biliões de patacas no final de Julho passado, disse a AMCM.

Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 7,34 mil milhões de patacas em 2025, quase o dobro do registado no ano anterior (mais 92,7 por cento). O ano mais lucrativo de sempre para a banca da região administrativa especial chinesa foi 2020, quando os lucros ficaram perto de 17 mil milhões de patacas.

Macau tem dois bancos emissores de moeda: a sucursal local do banco estatal chinês Banco da China e o Banco Nacional Ultramarino (BNU), que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos. O BNU anunciou em 12 de Agosto lucros líquidos de 225,3 milhões de patacas na primeira metade de 2026, uma queda de 1,3 por cento face ao mesmo período do ano passado.

8 Set 2026

Renovação urbana | Pedida modernização de bairros

Vong Pui Lam, dirigente da Associação Comercial de Macau, defende que a renovação urbana não deve focar-se apenas na demolição dos edifícios antigos e reconstrução, mas também na modernização dos bairros, com mais pequeno comércio. A responsável destaca o mau exemplo da habitação pública em Seac Pai Van

A Associação Comercial de Macau deixou uma sugestão no jornal Ou Mun sobre a melhor forma de realizar o processo de renovação urbana dos bairros antigos do território, aposta que tem estado na agenda do Governo como um dos assuntos prioritários.

Num artigo de opinião no jornal chinês de maior tiragem em Macau, Vong Pui Lam, subdirectora da Comissão de Estudos Estratégicos da Associação Comercial de Macau, defendeu que a renovação urbana não deve limitar-se à demolição de edifícios antigos e insalubres, mas também na modernização e reorganização dos bairros como um todo, com mais comércio local para usufruto dos seus moradores.

A responsável defendeu que o comércio nestas zonas comunitárias deve focar-se em serviços simples que facilitem a vida no dia-a-dia e que permitam percursos curtos de dez minutos para a compra de alimentos frescos ou a aquisição de refeições baratas.

Na visão de Vong Pui Lam, a renovação urbana deve ter em conta este pequeno comércio que permite aos moradores viver com dignidade no bairro, destacando que Macau tem essa tradição, com os casos das zonas de comida nos Mercado do Bairro Iao Hon, Complexo Municipal do Mercado de S. Lourenço e Complexo Municipal do Mercado do Patane.

Estas zonas são já conhecidas pelas refeições baratas que servem, sendo também procuradas por turistas.

Vong Pui Lam também deu o bom exemplo de Singapura, com a tradição de mercados de rua e bancas de comida. Com o planeamento feito pelo Governo da Cidade-Estado, estes espaços gastronómicos tornaram-se atracções turísticas e também uma espécie de cantina para os locais. Em 2020, a cultura de vendilhões de Singapura foi seleccionada para as listas do Património Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

O mau exemplo

No artigo de opinião, o bairro de habitação pública de Seac Pai Van é referido como mau exemplo que não deve ser seguido neste processo de renovação urbana. A autora recorda que a zona tem hoje entre 30 a 40 mil habitantes, mas estes não têm lojas perto para serviços simples como comprar comida ou cortar o cabelo, precisando percorrer uma longa distância até às zonas mais centrais do território.

Vong Pui Lam entende que Macau tem condições para que a cultura das comidas de rua se transforme numa marca turística, mas falta um planeamento sistemático por parte das autoridades, com perspectiva a longo prazo.

Desta forma, deveria haver espaços suficientes para a criação de novos mercados e espaços de comida no projecto de urbanização da Zona A dos Novos Aterros, com as infra-estruturas necessárias. Além disso, deve ser simplificado o processo de aprovação e análise de pedidos, para incentivar mais jovens a apostar nestes negócios.

Singapura surge novamente como o bom exemplo que Macau deve seguir no que diz respeito à gestão destes espaços gastronómicos por parte do Governo, a fim de se garantir um controlo das rendas, para que as comidas possam estar a preços acessíveis para os consumidores.

Vong Pui Lam defende também a criação de percursos turísticos que incluam estes centros de comida nos mercados, a fim de se poder fazer um mapa com estas bancas gastronómicas. Desta forma, pode ser mais uma forma de levar os turistas a consumir fora da zona dos casinos.

8 Set 2026

Consulado | Marta Cowling deverá suceder a Alexandre Leitão

Marta Sofia Cowling deverá chegar a Macau quando o actual cônsul partir para Manila, numa data que ainda está por definir. Cowling será a primeira mulher a desempenhar as funções de cônsul de Portugal no território

Marta Sofia Cowling deverá ser a futura consulesa de Portugal em Macau e Hong Kong, ocupando o lugar de Alexandre Leitão, quando este se mudar para a Embaixada de Portugal nas Filipinas. A informação foi adiantada pela TDM, e a Cowling pode ser a primeira mulher a ocupar o cargo.

Segundo a emissora, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, decidiu que Alexandre Leitão vai liderar a Embaixada de Portugal nas Filipinas, quando esta representação consular localizada em Manila for reaberta. A data da reabertura ainda não está decidida, mas poderá acontecer ao longo do próximo ano.

Como consequência desta alteração, o cargo de cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong vai ficar disponível, e o ministro decidiu atribuir a posição a Marta Sofia Cowling.

Segundo a informação publicada no Diário da República, a futura consulesa tem 52 anos e actualmente desempenha as funções de subdirectora-geral da Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas.

Natural do Porto, Cowling é licenciada em Relações Internacionais (Relações Culturais e Políticas) pela Universidade do Minho e mestre em Estudos Internacionais e Diplomacia pela School of Oriental and African Studies (SOAS) da Universidade de Londres.

Experiência internacional

Entrou para o corpo diplomático em 1999, assumindo diferentes cargos em embaixadas de Portugal em países como Timor-Leste ou Irlanda. Foi também chefe de divisão de Desarmamento e Não-Proliferação de Armas Ligeiras e de Destruição Maciça, na Direcção de Serviços para os Assuntos de Segurança e Defesa da Direcção-Geral de Política Externa e membro da Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia, em Bruxelas.

A nomeação para o Consulado de Portugal em Macau e Hong Kong não vai ser uma experiência totalmente nova para Cowling, que entre 2018 e 2022 desempenhou as funções de Consulesa-Geral de Portugal em Vancouver, no Canadá. Esta cidade alberga a segunda maior comunidade de falantes de cantonês do país.

Marta Cowling vai ser a sétima pessoa a ocupar o cargo de cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong e a primeira mulher a liderar a representação diplomática portuguesa nestes territórios.

Por sua vez, Alexandre Leitão deverá partir para Manila, onde até 2007 funcionou uma Embaixada de Portugal. Contudo, nesse ano, o Governo português optou por encerrar o posto diplomático devido a motivos financeiros. Como resultado, os assuntos diplomáticos passaram a ser acompanhados pela Embaixada de Portugal em Jacarta.

8 Set 2026

Macau quer atrair mais turistas de países de língua portuguesa e espanhola

A Direcção dos Serviços de Turismo de Macau (DST) afirmou ontem que quer atrair mais visitantes de nações de língua portuguesa e espanhola, no âmbito de uma estratégia para aumentar o perfil internacional da região chinesa.

“Continuamos a aprofundar a nossa presença nos mercados do Sudeste Asiático e do Nordeste Asiático, ao mesmo tempo que expandimos o nosso alcance para as regiões de língua portuguesa e espanhola, Europa, Estados Unidos e países de maioria muçulmana”, disse a directora da DST.

Maria Helena de Senna Fernandes sublinhou que a cidade está a trabalhar com centros culturais chineses e com os postos de turismo criados no estrangeiro pelo Ministério da Cultura e Turismo para promover as atracções turísticas e culturais de Macau.

“Continuamos a melhorar o perfil internacional de Macau”, afirmou.

Macau recebeu 40,7 milhões de visitantes em 2025, um aumento de 14,7 por cento. Os turistas internacionais totalizaram 2,76 milhões, mais 13,7 por cento do que no ano anterior. Na primeira metade de 2026, os visitantes internacionais atingiram 1,42 milhões, um aumento de 6 por cento face ao mesmo período do ano passado.

“Isso reflecte o crescimento constante impulsionado pela recuperação do mercado turístico de Macau, e o seu apelo junto da comunidade internacional também está gradualmente a recuperar”, disse Senna Fernandes.

Do Plano Quinquenal

A responsável falou no início de uma sessão de apresentação do terceiro Plano Quinquenal de Desenvolvimento Económico de Macau (2026–2030) para personalidades dos sectores económicos e financeiros.

Senna Fernandes acrescentou que, durante o período coberto pelo plano, o Governo irá “continuar a expandir activamente” os mercados de turismo, através de um conjunto de iniciativas, com o objectivo de “garantir um aumento constante do número de visitantes internacionais” em Macau.

A comunicação social não esteve presente durante a parte de perguntas e respostas, tendo apenas acesso à sessão durante as intervenções dos governantes e as apresentações dos serviços públicos.

A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os mercados de língua portuguesa em 2003. Mais de duas décadas depois, o Governo de Macau alargou o foco aos países que falam espanhol.

8 Set 2026

Habitação Económica | Escolha de casas arranca hoje

Os seleccionados para a compra de habitação económica no âmbito do concurso realizado em 2021 começam hoje a escolher os futuros apartamentos.

O anúncio foi feito ontem pelo Instituto de Habitação, que nos últimos dias notificou os escolhidos sobre os procedimentos de compra. As fracções de habitação económica disponíveis para aquisição situam-se nos Edifícios Tong Veng, Tong Keong, Tong Man, Tong Tat e Tong Ip, na Zona A dos Novos Aterros.

No total estão disponíveis 5.254 fracções habitacionais, das quais 242 são da tipologia T1, 4.478 da tipologia T2 e 534 da tipologia T3. No concurso de 2021, foram recebidas 11.707 candidaturas, das quais 9.796 foram aceites e 1.911 excluídas por não cumprirem os requisitos de admissão no concurso. Dependendo da localização e do tipo de habitação, os preços de venda variam entre o mínimo de 1,00 milhão de patacas e o máximo 2,06 milhões de patacas.

8 Set 2026

Plano Quinquenal | Governo assume diversificação da economia

Numa sessão de apresentação do Plano Quinquenal, a secretária para a Economia e Finanças avisou os convidados que a diversificação económica é “uma questão de resposta obrigatória”

A secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, comprometeu-se a trabalhar para que até 2030 a riqueza criada pelos sectores não-jogo para a economia atinja 60 por cento do Produto Interno Bruto. A meta foi traçada numa sessão de apresentação do 3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico de Macau a um grupo de convidados ligados às áreas da economia e finanças, que decorreu ontem de manhã.

Segundo a secretária, o Governo vai reforçar a aposta nas áreas da saúde, através da medicina tradicional chinesa, finanças, tecnologia de ponta, convenções, exposições, comércio, cultura e desporto com o objectivo de concretizar a diversificação económica. O objectivo passa por fazer com que o “peso do valor acrescentado das indústrias extrajogo no Produto Interno Bruto local” atinja “cerca de 60 por cento”.

O esforço do Governo não se fica pela aposta nas áreas referidas, mas passa também por medidas para criar um ambiente económico mais dinâmico para as Pequenas e Médias Empresas (PME). “O Governo da RAEM empenhar-se-á também em criar um ambiente de negócios mais competitivo, construindo um ecossistema favorável ao desenvolvimento industrial, e continuará a optimizar as diversas medidas de apoio, ajudando as PME na sua reconversão e modernização, para que possam desempenhar um papel mais relevante no novo quadro da diversificação adequada da economia”, vincou a responsável.

A secretária considerou ainda que o “Chefe do Executivo tem reiterado que a diversificação adequada da economia é o caminho obrigatório para manter a prosperidade e a estabilidade duradouras de Macau” e que se trata, para a RAEM, de “uma questão de resposta obrigatória” que “deve ser bem concretizada”.

Todos envolvidos

Na sessão para convidados, Ng Wai Han avisou ainda que “diversas tarefas e objectivos” do plano quinquenal são “uma missão que requer a participação proactiva e o forte apoio de todos os sectores da sociedade, com concentração de esforços e perseverança, bem como paciência a longo prazo e convicção firme para a concretizar”.

A secretária também reconheceu que o “trabalho da área da economia e finanças abrange múltiplas vertentes, como o bem-estar da população, o emprego e o ambiente de negócios, estando intimamente ligado aos cidadãos e aos diversos sectores”.

Em relação ao Plano Quinquenal, Ng defendeu que reflecte plenamente “a cientificidade” e “a exequibilidade” e que tem objectivos que passam por “promover o desenvolvimento adequado e diversificado da economia” e “alcançar novos progressos”.

8 Set 2026

Crime | Grupo cobrava taxa para proteger infractores em casino

Foi decretada a prisão preventiva do cabecilha de um grupo criminoso composto por seguranças de um casino, alegadamente responsável pela cobrança de dinheiro a infractores de crimes ligados ao jogo, para sua protecção. Há mais de uma dezena de arguidos, sendo que cinco estão detidos preventivamente

Foi em Julho deste ano que as autoridades policiais começaram a perceber que algo de errado se passava num dos casinos do território, fazendo detenções de membros de um grupo que, alegadamente, dava protecção a infractores de crimes ligados ao jogo, e que era composto por seguranças.

Porém, só na última quinta-feira, 3 de Setembro, foi apanhado o cabecilha, que está agora em prisão preventiva. Segundo um comunicado do Ministério Público (MP) divulgado no sábado, este grupo não só dava protecção a infractores como cobraria uma taxa por esse serviço, com o envolvimento de nove funcionários do departamento de segurança e cinco mediadores. Estas cinco pessoas estão agora em prisão preventiva, medida de coacção aplicada enquanto aguardam julgamento. Aos restantes nove funcionários “foram aplicadas outras medidas de coacção”, refere o MP, sem especificar.

Segundo a mesma nota, “suspeita-se que os membros deste grupo cobravam uma ‘taxa de protecção’ e ‘taxa de resolução de processos’, a fim de ocultar actos ilegais e proceder ao devido tratamento”.

O homem agora detido “manteve-se escondido no Interior da China”, nomeadamente em Zhongshan, “tendo as autoridades policiais activado o ‘Mecanismo de ligação policial’ para solicitar a cooperação das congéneres do Interior da China”.

O cabecilha é suspeito dos crimes de associação ou sociedade secreta, coacção, extorsão, favorecimento pessoal e ainda corrupção passiva no sector privado. A sua mulher também foi encaminhada para o MP pelo crime de receptação.

As autoridades entenderam existir “um forte perigo de fuga de Macau em caso de libertação”, pelo que se optou pela prisão preventiva. Além disso, foi tido em conta, para a aplicação das medidas de coação, “a natureza, a gravidade dos crimes imputados ao arguido, o modus operandi, o motivo, a ilicitude dos factos e o grau de dolo, bem como a personalidade” do arguido.

Dinheiro escondido

Na mesma nota, o MP deixa um apelo para que as operadoras de jogo e os agentes de segurança cumpram “rigorosamente as funções de gestão, assegurando os trabalhos de manutenção da ordem e prevenção de riscos nos respectivos estabelecimentos” de turismo e lazer.

Em conferência de imprensa sobre este caso, o suspeito de ser o cabecilha do grupo, de apelido Wong, tinha funções de gestor da equipa de seguranças, tendo saído de Macau e ficado escondido no interior da China antes das detecções realizadas em Julho.

Na quinta-feira, o homem foi preso em Zhongshan, tendo sido entregue à PJ de Macau por volta das 16h na zona entre as fronteiras de Gongbei e Portas do Cerco. Enquanto estava na China, Wong terá instruído a mulher a dar apoio à actividade criminosa, tendo esta escondido os 201 mil dólares de Hong Kong obtidos através da actividade criminosa.

7 Set 2026

Operadoras de jogo apoiam com 40 milhões de patacas vítimas da enxurrada no Tibete

As seis operadoras de jogo anunciaram que vão doar 40 milhões de patacas para apoiar as vítimas afectadas pela enxurrada na região autónoma chinesa do Tibete.

Em comunicado, a SJM Resorts, S.A. referiu que “respondeu ao apelo do Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), doando cinco milhões de patacas, através do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, para apoiar as operações de socorro de emergência”.

A administradora-executiva da SJM, Daisy Ho, citada no comunicado, afirma que a empresa “tem acompanhado com atenção” os desenvolvimentos do incidente ocorrido nos Himalaias no passado dia 26 de Agosto e as necessidades sociais.

“Face a esta catástrofe, esperamos que a nossa doação contribua para apoiar os esforços de socorro e recuperação em curso”, acrescentou.

Também em comunicado, a Wynn Macau Limited, anunciou uma doação de cinco milhões de patacas destinada à mesma região, para apoiar as operações de socorro e emergência e os trabalhos de recuperação pós-catástrofe. A administradora-executiva da Wynn Macau, Linda Chen, afirma no texto que a empresa “se mantém solidária” com a comunidade local neste período difícil.

“Esperamos que esta doação proporcione um apoio significativo para os esforços de socorro, realojamento e reconstrução, ajudando os residentes afetados a superar este período difícil”, afirmou Linda Chen.

Galaxy e fundação

Por sua vez, a concessionária Galaxy Entertainment Group (GEG) anunciou uma doação, em conjunto com a Fundação de Caridade da Família Lui Che Woo, de 10 milhões de patacas.

“Estamos profundamente entristecidos pela devastadora enxurrada no condado de Gyirong, em Xigaze, na Região Autónoma do Tibete, e endereçamos as nossas sinceras condolências aos residentes afectados”, afirma Francis Lui, presidente do GEG, citado num comunicado do grupo.

Também a Sands China, doou dez milhões de patacas e a Melco Resorts & Entertainment Limited doou cinco milhões de patacas, este último um montante igual ao da doação da MGM China.

Pelo menos 1.259 pessoas morreram nas inundações de 26 de Agosto, provavelmente causadas pelo colapso de um glaciar, e mais de 5.000 continuam desaparecidas, de acordo com a agência de gestão de catástrofes do Nepal. A China informou na passada quarta-feira à noite que 21 pessoas morreram e 541 estão desaparecidas no lado tibetano da fronteira.

7 Set 2026

Diplomacia | Alexandre Leitão vai assumir embaixada nas Filipinas

O cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong foi escolhido para ocupar a posição de embaixador nas Filipinas, avançou a TDM. A data da mudança é incerta, porque primeiro a embaixada em Manila vai ter de reabrir

O actual cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, vai ser o embaixador de Portugal nas Filipinas quando reabrir a embaixada em Manila. A informação foi avançada no sábado pelo canal português da TDM.

Segundo a emissora, a reabertura da embaixada de Portugal nas Filipinas é um projecto que vai mesmo avançar, e Alexandre Leitão já foi escolhido para assumir o cargo de embaixador.

No entanto, o momento é de alguma incerteza, porque ainda não há data certa para a reabertura da embaixada em Manila. Todavia, a TDM cita fontes anónimas que garantem que o processo de reabertura está em andamento e pode concretizar-se no próximo ano.

Em Abril, Paulo Rangel defendeu que Portugal devia reforçar a presença no Indo-Pacífico, dado “o activo extraordinário em termos de reputação, em termos de branding [marca]” que Portugal tem nesta zona.

Na ocasião, num seminário realizado em Matosinhos, o ministro português recordou a abertura, em Fevereiro, da embaixada em Hanói, no Vietname e admitiu reabrir a embaixada nas Filipinas. Em termos da região Indo-Pacífico, Portugal tem embaixadas na Coreia do Sul, Japão, China, Tailândia, Singapura, Indonésia, Timor-Leste e Camberra.

Afirmação na Ásia

Nesse seminário, Paulo Rangel admitiu que gostaria de abrir uma embaixada na Malásia, por causa da relação com Malaca. No entanto, o ministro do Governo de Montenegro reconheceu não haver fundos para o projecto.

Paulo Rangel recordou ainda ter determinado a subida do estatuto do consulado-geral de Goa para chefia de missão, bem como a abertura de um escritório consular em Katmandu, no Nepal.

Antes destas declarações, em entrevistas à TDM, no final de 2024, em Lisboa, e Março de 2025, em Macau, o ministro classificou como “estratégica” a afirmação de Portugal na Ásia e indicou que a abertura de novos postos diplomáticos no continente iria ser concretizada em breve.

Mais tarde, já em Maio, numa chamada telefónica com a ministra dos Negócios Estrangeiros das Filipinas, Theresa Lazaro, o chefe da diplomacia portuguesa reafirmou a decisão de Portugal.

A embaixada em Manila foi fechada em 2007 por motivos financeiros. Com o encerramento, os assuntos diplomáticos passaram a ser acompanhados pela Embaixada de Portugal em Jacarta.

7 Set 2026

Crime | Filho de professora atacada pede contenção

O filho da professora atacada por um aluno com líquido corrosivo pediu à sociedade contenção e que espere pelo fim das investigações antes de tirar conclusões sobre o caso. A posição foi tomada através de uma carta enviada ao jornal Ou Mun, publicada na sexta-feira.

Na publicação, o filho da professora pede à população que “mantenha a racionalidade” sobre os acontecimentos e a motivação do ataque até ao final das investigações da polícia. O homem também revelou que actualmente a mãe não consegue falar, dado que ficou desfigurada devido ao ataque.

O autor da missiva criticou ainda “alguns meios de comunicação social” por veicularem a versão do atacante sobre a agressão, principalmente no que diz respeito ao sentimento de perseguição face à docente. O filho contestou igualmente que alguns meios de comunicação tenham apresentado o depoimento do aluno como “factos objectivos”. No entender do filho da vítima, esta postura levou ao surgimento, nas redes sociais, de “comentários maliciosos” contra a sua progenitora.

O filho reconheceu também que a família atravessa um período difícil, mas que vai fazer tudo para apoiar a vítima.

O ataque aconteceu a 2 de Setembro, na Escola São João de Brito, no primeiro dia do ano lectivo, quando um aluno atacou a professora, à entrada da sala de aulas, com um líquido corrosivo. A agressão terá sido motivada, de acordo com a Polícia Judiciária, com desavenças anteriores entre o aluno e a professora. O suspeito de 18 anos foi detido após o ataque.

7 Set 2026

Viagens | Macau e Angola assinam acordo de isenção mútua de vistos

A cerimónia de assinatura do acordo decorreu na sexta-feira e Eduardo Velasco Galiano, cônsul de Angola na RAEM considerou que vai levantar vários obstáculos que pairam sobre as relações comerciais. A data de entrada em vigor do acordo ainda não é conhecida

Os residentes de Macau e os cidadãos angolanos vão passar a poder entrar nos dois territórios sem necessidade de visto, na sequência de um acordo sobre a dispensa mútua dessa autorização assinado na sexta-feira entre as duas jurisdições.

Na cerimónia de assinatura, o secretário para a Administração e Justiça do Executivo de Macau, Wong Sio Chak, afirmou que o acordo “facilitará significativamente a vida” dos residentes de ambas as partes, sobretudo no âmbito do turismo, intercâmbio académico e trocas comerciais.

Wong acrescentou que a medida “promoverá uma maior interacção entre as populações” e “aprofundará o intercâmbio civilizacional e a fusão cultural”.

“Aproveitamos esta oportunidade para convidar mais amigos de Angola a visitar, investir e viajar para Macau, a fim de sentirem a vitalidade, a inclusão e as oportunidades que esta cidade oferece”, enfatizou.

Resolver problemas

Também presente na cerimónia, Eduardo Velasco Galiano, cônsul de Angola na região administrativa especial e delegado angolano junto do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau), sublinhou que, “por diversas vezes, empresários de ambas as partes viram-se forçados a recuar”.

“O vosso gesto, no dia de hoje, não só resolve essas barreiras burocráticas, como dissipa de forma definitiva a incerteza que pairava sobre as nossas relações comerciais, abrindo portas a um futuro de maior prosperidade e intercâmbio económico”, salientou.

Angola torna-se o quarto país de língua portuguesa, depois de Portugal, Brasil e Cabo Verde, a beneficiar do regime de isenção de visto de Macau.

Segundo um comunicado do Serviço de Identificação de Macau, após a entrada em vigor do acordo, os residentes de Macau titulares do Passaporte da RAEM poderão entrar na República de Angola com dispensa de visto e aí permanecer por um período máximo de 30 dias, sendo as mesmas condições concedidas aos titulares de passaporte da República de Angola válido.

A data de entrada em vigor do acordo será anunciada oportunamente, segundo o comunicado, que não indica uma data concreta.

7 Set 2026

Sudeste Asiático | Sam Hou Fai fez balanço positivo de deslocações

A promoção no exterior do “sucesso” do princípio um país, dois sistemas foi um dos objectivos que o Chefe do Executivo considerou alcançado durante as visitas a Singapura, Indonésia e Malásia

O Chefe do Executivo fez um balanço positivo das visitas da última semana a Singapura, Indonésia e Malásia. Segundo Sam Hou Fai, a deslocação alcançou “os resultados previstos” de “promover plenamente ao exterior o sucesso da implementação do ‘princípio um país, dois sistemas’”, assim como o “3.º Plano Quinquenal da RAEM”, “intensificar o intercâmbio e a aprendizagem mútua”, e “aprofundar a cooperação” na economia, comércio, turismo, educação e cultura.

Na perspectiva de Sam Hou Fai, ao longo da viagem “foram aproveitadas todas as oportunidades” para “apresentar o sucesso da implementação do princípio ‘um país, dois sistemas’ em Macau” e o futuro plano quinquenal. Além disso, o líder do Governo indicou que contou “a história de Macau de forma a demonstrar a forte vitalidade e o valor único” do princípio ‘um país, dois sistemas’” e promoveu “uma compreensão mais completa e objectiva […] das enormes conquistas de desenvolvimento de Macau desde o seu regresso à Pátria”.

O Chefe do Executivo afirmou ainda que não se limitou a promover os feitos políticos da RAEM e que também se focou em “aprofundar ainda mais o conhecimento sobre a situação geral e o desenvolvimento socioeconómico” dos destinos visitados.

Neste âmbito, Sam Hou Fai apontou que Singapura é um exemplo para o Governo da RAEM devido a projectos como “um parque industrial, instalações culturais e turísticas, projectos de renovação urbana e de habitação pública”.

Mais investimentos

O representante máximo da RAEM destacou igualmente os esforços feitos para promover Macau e Hengqin como uma zona económica dinâmica, apostada na diversificação da economia. Sam apontou que durante a visita “apresentou-se de forma destacada aos empresários dos três países o ambiente de negócios e as oportunidades de desenvolvimento de Macau e Hengqin”.

Estes esforços resultaram em 370 sessões de bolsas de contacto empresarial e 189 acordos de cooperação com os governos e sectores empresariais dos três países, em áreas como a economia, comércio, indústria de convenções e exposições, tecnologia de ponta, saúde, medicina tradicional chinesa, produtos halal e promoção de marcas.

Em termos de turismo, Sam manifestou o desejo que regressem as ligações aéreas entre Macau e a Indonésia, dado que no ano passado mais de 200 mil turistas deste país visitaram a RAEM. O líder do Governo apontou que durante a visita houve encontros exploratórios para concretizar o desejo, mas não deixou qualquer promessa.

7 Set 2026

Hong Kong | Confirmada condenação do cardeal Joseph Zen

Um tribunal de Hong Kong rejeitou ontem os recursos apresentados por um cardeal católico de 94 anos e outras quatro pessoas contra as condenações pelo registo de um fundo destinado a apoiar detidos nos protestos antigovernamentais de 2019.

O cardeal Joseph Zen, bispo emérito e destacado defensor da democracia no território, era administrador do Fundo de Ajuda Humanitária 612, que ajudava a pagar despesas médicas e judiciais de manifestantes detidos, até encerrar as operações em Outubro de 2021.

Os restantes arguidos – a cantora Denise Ho, o académico Hui Po Keung e as antigas deputadas Margaret Ng e Cyd Ho – também integravam a administração do fundo. Os cinco foram considerados culpados, em 2022, de violarem a Lei das Sociedades e condenados ao pagamento de uma multa de 4.000 dólares de Hong Kong cada. A legislação exige que as organizações locais se registem ou solicitem uma isenção no prazo de um mês após a respectiva criação. As condenações foram as primeiras deste tipo.

4 Set 2026

Cristina Branco, fadista: “Acho importante que as pessoas percebam aquilo que somos, como portugueses”

Da sua voz as canções corajosas de Zeca Afonso ganharam nova roupagem, mas Cristina Branco também assume o Fado, canção tradicional portuguesa, como sendo sua. Vem à China pela primeira vez em trabalho na próxima semana, no âmbito do Festival Internacional do Fado, com concertos em Pequim, Xangai e Zhuhai

Primeira vez com um concerto em Zhuhai. Quais as expectativas para esta edição do Festival Internacional do Fado?

Não é a primeira vez que estou na China, mas é a primeira vez que vou em trabalho e que actuo neste território. Diria que as expectativas são bastante elevadas, e por várias razões: é um público muito diferente do público ocidental e estou muito curiosa em perceber como a nossa música é recebida neste ambiente. Há de facto uma diferença muito grande entre a forma como a minha música é representada e aquilo a que o público chinês poderá estar habituado. Óbvio que vai ser uma coisa extremamente exótica. Temos sempre aquela perspectiva do contrário, de que aquele território é que é exótico, mas, neste caso, seremos nós os exóticos. Tudo isso me desperta uma enorme curiosidade. Em relação ao festival, é sempre um feito quando um festival de Fado chega a territórios tão distantes, porque é uma forma de mostrarmos a nossa música e de darmos a conhecer a nossa língua, e também de nos aproximarmos de uma cultura tão diferente da nossa.

No ano passado lançou “Mulheres de Abril”, álbum novamente focado no universo do Zeca Afonso, que já tinha explorado com “Abril”, em 2007. Porquê voltar? Faltava explorar o universo feminino de Zeca Afonso?

Quero destacar que nos espectáculos na China não vamos levar o “Mulheres de Abril”, mas sim o disco “Mãe”, que é de fado tradicional com arranjos contemporâneos. É, portanto, uma formação musical diferente, com piano, contrabaixo e guitarra portuguesa. “Mulheres de Abril” é uma formação mais de jazz, numa linguagem completamente diferente. Mas o “Mulheres de Abril” é um disco que fala das mulheres que, de alguma forma, estão presentes no repertório do Zeca. Quando fiz “Abril” tinham ficado imensas canções de fora que não conseguimos gravar, e mesmo depois de gravar “Mulheres de Abril” fica imensa coisa por fazer. Achei este momento pertinente para gravar algumas das mulheres do repertório do Zeca, porque, de alguma forma, elas estão presentes, mas são invisíveis. Isso representa um pouco da forma como a mulher estava na sociedade portuguesa antes e mesmo após o 25 de Abril. O que o Zeca apresenta destas mulheres é a sua combatividade, mas também a forma matriarcal em relação à sociedade portuguesa de antes do 25 de Abril. Achei que fazia sentido voltar a pegar nas mulheres de Zeca porque é por demais evidente a importância do momento que vivemos no nosso país, em que temos de falar da mulher e perceber em que ponto estamos, e para onde queremos ir. É chocante como se consegue regredir ou, pelo menos, não evoluir. Como é que passam 50 anos e estamos exactamente no mesmo sítio, ou que temos para fazer para passarmos a ser iguais [aos homens]? A questão não é querer ser melhor ou mais, mas apenas sermos iguais. As mulheres do “Mulheres de Abril” combatem e precisam ser vistas, faladas, saírem da sombra e ganhar voz.

Colocou também nesse disco o poema “Endechas a Bárbara Escrava”, de Camões. Representa, portanto, essa mulher submissa de outros tempos.

Exactamente. É uma negra, e aqui temos o problema da xenofobia, do racismo, e de como há um homem que se apaixona por uma mulher negra que, ainda por cima, é escrava. Imagine-se a questão que isto coloca. Curioso como o Zeca pega numa coisa que não tem nada a ver, porque podemos imaginar que não é do mesmo tempo, mas, infelizmente, é a mesma realidade, pois passam muitos anos e parece que está tudo no mesmo sítio.

Voltamos ao “Mãe”. É um disco de 2023, fale-me desse projecto e de como trabalhou estas canções para levar aos concertos na China.

No concerto não está, claro, apenas o disco “Mãe”. Falar do “Mãe” é, para mim, algo muito grato por várias razões. A primeira é porque é um disco de fado tradicional, com arranjos contemporâneos feitos pelos músicos que vão estar comigo [nos concertos na China], e que estão comigo sempre: Bernardo Couto na guitarra portuguesa, Bernardo Moreira no contrabaixo, e Luís Figueiredo no piano. Eles assumem os arranjos e produção desse disco. Então pensámos pegar em fados tradicionais, agarrar na linguagem que criamos nos 15 anos que temos de trabalho conjunto, e que é muito pessoal, muito Cristina Branco, e alinhar com o fado tradicional. Portanto, o que as pessoas vão ouvir é uma linguagem contemporânea sem perder a raiz, porque a voz canta sempre o fado exactamente como ele é. Depois, nesse disco, cada um de nós assina uma música, e é algo que me deixa muito feliz, porque foi a primeira vez e, provavelmente, a última, que fiz uma música. Foi muito gratificante perceber que era uma música que andava, há muito, a tamborilar na minha cabeça, que eu assobiava imensas vezes. De repente pedi a um dos meus filhos para a gravar, cheia de vergonha, cheguei aos músicos e perguntei: “Vocês acham que isto dá um Fado?”. Deu um Fado. Portanto, há Fado na minha cabeça, além da minha voz, e isso alegra-me profundamente.

Voltando ao espectáculo, disse que não será só sobre o “Mãe”. Que outras músicas irá apresentar?

O concerto andará todo à volta do universo tradicional do Fado, mas levamos os nossos arranjos, a nossa linguagem. As pessoas vão identificar-se com o Fado, e vou contar sempre uma história em torno deles, que é também a história do nosso país e povo. Acho importante que não seja só música e que as pessoas percebam um pouco aquilo que nós somos, como portugueses e como país. São os fados mais antigos, onde imprimimos o nosso cunho muito pessoal. Portanto, não será apenas um concerto de Fado, mas também de Fado, que é a linha condutora de tudo e está sempre presente, mas da qual saíamos porque temos uma linguagem que é, de alguma forma, paralela, porque dois músicos que me acompanham vêm do jazz. Esta junção de linguagens fez o que é hoje a matriz da música de Cristina Branco.

Pergunto então se se considera cem por cento fadista, ou cem por cento intérprete.

Sou cem por cento fadista quando canto Fado. Mas é óbvio que, sendo a minha voz bastante camaleónica, de alguma forma, por ser chamada para fazer coisas diferentes, consigo ir a outros universos com muita facilidade. Mas não sou outra coisa senão fadista.

Mas gosta de deambular pelo trabalho de outros compositores e intérpretes.

Preciso disso, não consigo imaginar a minha música estanque. Nada é fechado e tudo tem abertura e um paralelo com outras coisas. Só assim se evolui, não como cantor, mas como ser humano. Este é o meu trabalho e é uma paixão enorme, mas só acredito na sua evolução desta forma abrangente. Claro que venho do Fado e é isso que me apaixonou inicialmente, mas acredito que a música sofre influências musicais, sociais e políticas. Tudo isso entra para dentro da minha caixinha. Mas sou fadista, absolutamente fadista.

O Fado tem sofrido uma evolução nos últimos anos, na forma como é interpretado, produzido. Conseguimos com que o meio musical português tenha evoluído na sua música essencial?

No Fado diria que sim. Acho que o papel do Museu do Fado [em Lisboa], e o facto de ser património mundial da humanidade ajudou a perceber que o Fado não é, de todo, uma música hermética, mas que cresce com a sociedade, e isso faz com que vá ganhando características diferentes. Temos hoje um acervo de Fado tradicional com cerca de 330 canções, onde se pode colocar diferente poesia. É essa poesia que faz com que o Fado cresça. Portanto, se calhar daqui a dez anos são 340 canções. É isso que torna o Fado, no fundo, tão efervescente. Quando comecei a cantar apaixonei-me pela voz da Amália Rodrigues e pela sua forma de interpretar outras coisas além do Fado. Tinha 20 anos e achava que o Fado era aqueles dez tradicionais e nada poderia sair dali. Só que essa não é a realidade do Fado hoje em dia. Aprendemos muito com o facto de o Fado passar a ser património mundial da humanidade porque, finalmente, podemos estudar as suas origens, para onde podia caminhar e o que se podia fazer com ele. O Fado é uma música em constante evolução e está em crescimento, felizmente.

Parece que Portugal é um país com falta de auto-estima, com coisas boas que só reconhece quando lá fora se dá por elas. Com o Fado foi um bocado isso, era encarado como uma música triste e aborrecida?

Era horrível. Quando comecei a cantar os meus colegas de faculdade olhavam e diziam: “Coitada, mas isso interessa? Tu gostas disso?”. As músicas que gostava não eram fados de verdade, mas os poemas de Alain Oulman que a Amália Rodrigues cantava. Já era, de certa forma, um processo evolutivo dentro do Fado. Hoje vou às casas de Fado e estão cheias de miúdos. Foi preciso esse processo, por causa da nossa auto-estima, é verdade.

Porquê a vergonha de compor?

Costumo dizer esta frase, que resume tudo: “Como encaixar o meu nome como autora entre Luís Vaz de Camões e Fernando Pessoa?” Não faz sentido. Se canto textos tão maravilhosos de gente incrível como Lídia Jorge, Zeca Afonso ou Maria Teresa Horta, e tantos outros, como entalar o meu nome quando sou apenas uma intérprete no meio destas pessoas? Sempre tive um pudor gigante em relação a isso. Escrevo quase todos os dias, mas apenas para mim e apenas em prosa. Não tenho essa mão de escrever para ser cantado.

Fado na China

Cristina Branco é protagonista de três concertos do Festival Fado, iniciativa da produtora Everything is New, que tem promovido espectáculos semelhantes noutros pontos do mundo. O primeiro concerto acontece em Pequim este sábado, 5, no Forbidden City Concert Hall, seguindo-se uma paragem em Xangai domingo, 6. Segue-se depois a deslocação mais para Sul. Além da música, haverá visionamento de filmes e palestras.

4 Set 2026

JLL | Apenas jogo e turismo têm bom desempenho económico

A imobiliária prevê que no resto do ano o mercado de habitação vai continuar estagnado, uma vez que faltam factores de crescimento em todos os sectores, com excepção do jogo e do turismo. Nos primeiros meses, tanto na habitação como nos espaços comerciais, as rendas ficaram mais baixas

A imobiliária JLL considera que em termos económicos apenas o jogo e do turismo apresentam um bom desempenho, enquanto todos os outros sectores, incluindo o imobiliário, apresentam uma falta de factores que impulsionem o crescimento. A situação vem descrita no mais recente relatório da JLL sobre o mercado imobiliário de Macau.

“Com a excepção dos sectores do jogo e do turismo, que apresentaram um bom desempenho, todas as restantes indústrias em Macau continuaram a apresentar uma falta de factores de crescimento”, pode ler-se no texto divulgado ontem.

Em relação ao mercado do imobiliário para a habitação, a JLL indica que a procura se manteve “fraca”, com as transacções a registarem uma “estagnação durante a primeira metade do ano”.

Sobre os meses entre Janeiro e Março, a imobiliária reconhece que houve uma “breve recuperação”, que se deveu à redução das taxas de juro, isenções de imposto de selo e a maior facilidade no acesso ao crédito. Contudo, no segundo trimestre a situação apresentou uma alteração: “a procura limitada de habitação própria por parte dos residentes locais levou a uma desaceleração no volume de transacções”, foi explicado.

Neste ambiente, e até ao final do ano, a JLL aponta que o mercado da habitação vai ficar estagnado: “Olhando para a segunda metade do ano, a crescente pressão inflacionista e a instabilidade económica externa poderão arrefecer o sentimento de compra. Prevê-se que o mercado imobiliário se mantenha estável/estagnado no segundo semestre do ano”, é previsto.

Mais do mesmo

Em termos do imobiliário comercial, como os escritórios e as lojas o ambiente não é muito diferente. “A JLL prevê que o mercado se mantenha cauteloso no segundo semestre do ano, com os preços dos escritórios e do comércio a retalho a continuarem sob a pressão de consolidação”, é indicado.

A imobiliária indica que de acordo com os dados do seu índice, “o valor global das rendas de escritórios no primeiro semestre de 2026 diminuiu 1,1 por cento em comparação com o final do ano passado”.

Também o valor dos escritórios apresentou uma redução, neste caso de 8,7 por cento, em comparação com os preços no final do ano passado. “Os valores de capital dos escritórios continuarão sob pressão devido ao fraco sentimento de investimento e ao número crescente de activos em incumprimento, tornando improvável uma recuperação a curto prazo”, foi explicado.
O valor das rendas das lojas seguiu a tendência e apresentou uma redução de cerca de 3,9 por cento face ao final de 2025.

4 Set 2026

Universidade de São José | Stephen Morgan sai da liderança

A instituição confirmou a saída do reitor que liderava a USJ desde 2020 e que concretizou o objectivo histórico de permitir a inscrição de alunos do Interior na universidade. No entanto, os motivos da desvinculação não foram divulgados

Stephen Morgan deixou de ser reitor da Universidade de São José (USJ), disse à Lusa uma porta-voz da instituição de ensino superior de Macau. A porta-voz afirmou que Morgan, um diácono natural do País de Gales, abandonou oficialmente na terça-feira a liderança da USJ, mas não mencionou quaisquer razões para a mudança.

Alejandro Salcedo passou a ser reitor interino, confirmou a mesma fonte. De acordo com a página da USJ na Internet, o académico espanhol já actuava como reitor substituto desde Dezembro, altura em que Stephen Morgan deixou Macau.

Em 2023, Morgan pediu ao Governo autorização para uma revisão curricular para reforçar o ensino do português, incluindo uma cadeira obrigatória de língua portuguesa nos quatro anos de todas as licenciaturas.

No mesmo ano, o reitor assinou um acordo que permite à USJ contar com professores do Instituto Português do Oriente para responder ao aumento das aulas de português como língua estrangeira.

Marco histórico

Em 2022, a USJ inscreveu os primeiros estudantes da China continental, mas na altura Stephen Morgan garantiu que Pequim não impôs à instituição quaisquer condições à liberdade académica. O reitor admitiu, no entanto, que a instituição prometeu que os estudantes da China continental não poderão mudar para cursos de Estudos Religiosos nem serão “sujeitos a qualquer forma de doutrinação religiosa”.

A universidade recebeu luz verde do Ministério da Educação chinês para admitir alunos da China, numa fase experimental, para os programas de pós-graduação em Arquitectura, Administração Empresarial, Sistemas de Informação e Ciências.

A USJ, criada em 1996 pela Universidade Católica Portuguesa e pela diocese de Macau, era a única universidade local sem autorização para receber estudantes da China, devido à ligação com a Igreja Católica.

Actualmente, a USJ partilha um espaço de 38.145 metros quadrados, na zona da Ilha Verde, com o Colégio Diocesano de São José 6, num ‘campus’ que acolhe cerca de dois mil estudantes.

4 Set 2026

Taipa | Pedidas soluções para animais abandonados

Há muitos cães abandonados na Taipa, sobretudo junto à movimentada Rua do Cunha, o que leva duas associações a exigir medidas por parte das autoridades para travar estes cães vadios que, no seu entender, constituem um perigo para residentes e visitantes

A Associação de Moradores da Taipa e a Associação Promotora para o Desenvolvimento da Comunidade da Taipa exigem soluções para controlar os cães vadios que têm surgido na Taipa, sobretudo junto à Rua do Cunha, e que podem ser um perigo para quem passa por ali.

Segundo o jornal Ou Mun, as duas associações, ligadas à União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), apelam ao Governo para que faça alguma coisa a fim de garantir a segurança do local.

O presidente da Associação de Moradores da Taipa, Chan Chi Seng, e a vice-presidente da Associação Promotora para o Desenvolvimento da Comunidade da Taipa, Lam Ka Chun, argumentam que as zonas por onde vagueiam os cães são bastante frequentadas devido ao turismo, além de existirem escolas nas proximidades. Os responsáveis alertam para o facto de os cães abandonados se concentrarem pelo bairro, sendo agressivos e podendo, por isso, ser uma ameaça à segurança.

Desta forma, é pedido o envio de agentes de inspecção para a Rua do Cunha e zonas próximas de escolas, para que os animais sejam apanhados e as ruas sejam limpas dos alimentos deixados pelos residentes para alimentar os cães. Desta forma, evita-se a concentração de animais que ali buscam alimento.

Além disso, os responsáveis também pedem maior comunicação entre Governo, escolas e associações sobre a situação, a fim de se aumentar a consciencialização sobre o problema dos cães abandonados.

Casos recentes

Não faltam casos para comprovar o cenário de perigo. Esta segunda-feira uma idosa de 66 anos foi mordida na zona da panturrilha por um cão abandonado na localização perto do Mercado Municipal da Taipa, no Largo dos Bombeiros. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, os bombeiros explicaram que a mulher foi transferida para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, tendo também informado o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). O IAM indicou que reforçou as inspecções no local.

Porém, no dia seguinte, um ouvinte do programa matinal Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, queixou-se de que mais pessoas foram mordidas pelos cães da zona. O homem, de apelido Leong, afirmou que a concentração de animais se deve ao facto de os moradores deixarem comida para os gatos, o que acaba por atrair os cães. Leong adiantou que as mordidas de cães são frequentes, mas as autoridades não têm aplicado medidas suficientes para controlar a situação. Este deixou ainda críticas à alegada falta de profissionalismo dos funcionários do IAM, que deixam escapar os cães.

O IAM respondeu ontem ao canal chinês da Rádio Macau indicando que foram apanhados 33 cães abandonados e um gato desde Janeiro, tendo referido que, de facto, a zona da Taipa velha tem muitas pessoas que alimentam os animais abandonados, o que atrai outros para o local. Desta forma, foi feito um apelo para que não se dê comida aos animais de rua em espaços públicos.

4 Set 2026

Trânsito | Número crescente de infracções deve-se a aumento de queixas

Face à preocupação do deputado Leong Pou U com as crescentes infracções de trânsito nas passadeiras, o CPSP indica que a tendência se deve aos melhores meios de prova para sancionar condutas ilegais e ao maior número de denúncias dos cidadãos

O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) defende que o número de infracções de trânsito tem aumentado porque há cada vez mais pessoas a denunciar irregularidades. A posição consta da resposta a uma interpelação escrita do deputado Leong Pou U, em que era abordada a segurança nas estradas locais.

Na interpelação, o legislador ligado aos Operários de Macau recorreu aos dados oficiais para apontar que, na primeira metade do ano, o número de infracções por não cedência de passagem aumentou anualmente 35,7 por cento. Em particular, os casos de não cedência de passagem nas passadeiras tiveram um crescimento anual de 97 por cento.

Todavia, o CPSP indica que o aumento não está ligado apenas a um maior número de infracções, mas também à “elevação da consciência dos cidadãos sobre a segurança rodoviária, que leva à denúncia espontânea das infracções de que são testemunhas”.

Apesar disso, as autoridades reconhecem que existem agora melhores meios para detectar as infracções, devido à “optimização contínua” e ao “alargamento da cobertura do sistema de videovigilância rodoviária”, o que “facilita a recolha de provas”.

Entre os factores que o CPSP considera terem levado a um crescimento das infracções, surgem ainda o “reforço” das “patrulhas diárias e das operações específicas de combate aos diversos tipos de infracções de condução”. “A sinergia destes aspectos permitiu um aumento efectivo da eficácia da execução da lei, bem como um aumento nos dados relativos à autuação de infracções rodoviárias”, foi apontado.

Penas mais pesadas

Na interpelação, Leong Pou U pretendia também que o Governo explicasse as medidas que estão a ser tomadas para assegurar a segurança nas passadeiras e na estrada. Em Maio deste ano, uma criança de 10 anos perdeu a vida depois de ser atropelada por um carro, quando atravessava a rua na passadeira.

A resposta à interpelação, que surge assinada por Chiang Ngoc Vai, director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, deixa antever um agravamento das penas, quando for aprovada uma nova lei do trânsito.

Segundo as explicações, o Governo encontra-se actualmente “a acelerar os trabalhos de consulta relativos à revisão da Lei do Trânsito Rodoviário” para adoptar “um regime jurídico de trânsito mais rigoroso”, “reforçar o efeito dissuasor das disposições sancionatórias vigentes” e “elevar a consciência dos utentes das vias públicas quanto ao cumprimento das regras de trânsito”. O Executivo espera também que o futuro diploma, que ainda tem de ser aprovado na Assembleia Legislativa, reduza o número de acidentes.

Além do aspecto legal, o Governo defende que tem contribuído para uma maior segurança nas estradas “através da optimização da configuração das instalações e equipamentos” e da “promoção de acções de sensibilização sobre a segurança rodoviária”.

Trânsito | Conselheiros pedem mais medidas de segurança

Os membros do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central pediram, esta quarta-feira em reunião ordinária, que sejam criadas mais medidas para garantir a segurança rodoviária.

Em comunicado, é explicado que o conselheiro Leong Kim Kio sugeriu o recrutamento de mais assistentes de trânsito para os locias mais movimentados de Macau, a fim de garantir que os peões usam a passadeira para atravessar. Além disso, tal iria contribuir para reduzir os casos em que os condutores não dão cedência de passagem aos peões. O conselheiro pede também a deslocação destes assistentes de trânsito para zonas próximas às escolas.

Já a conselheira Chan Hio Teng, defendeu a alteração à lei do trânsito rodoviário, considerando que é necessário para regular, por exemplo, a redução da velocidade em estradas perto de escolas. Chan deu o exemplo do interior da China, onde não se pode circular a mais de 30 quilómetros por hora junto às escolas.

Por seu turno, a conselheira Chan Tong Sut defende que a alteração da lei do trânsito rodoviário deve incluir a introdução de sistema de pontos para elevar o efeito dissuasor junto dos condutores, já que correm o risco de ficar sem carta de condução. Esta defendeu ainda a revisão da circulação em todas as passadeiras, pois nas ruas com curvas reduz-se a visibilidade para veículos de maior dimensão.

4 Set 2026

Ensino | Novo ano letivo arranca em Macau com menos três mil estudantes

O ano lectivo 2026/2027 arrancou em Macau com cerca de 86 mil alunos, disse o responsável pela tutela da educação, menos três mil do que no ano anterior.

“O número de turmas do ensino secundário continua a aumentar devido ao ‘baby boom’ dos anos anteriores, enquanto o número de turmas do ensino pré-escolar está em tendência decrescente”, afirmou o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), ao canal chinês da emissora pública TDM, à margem de visitas às escolas no primeiro dia de aulas, na terça-feira.

No ano passado, na mesma ocasião, Kong Chi Meng revelou que o ensino não superior de Macau tinha um total de 89 mil alunos.

Kong confirmou também que, no novo ano lectivo, duas escolas foram fundidas. O Jardim de Infância Caritas passou a estar sob a alçada da Escola São João de Brito, um estabelecimento de ensino católico gerido pela Caritas de Macau. Em Junho, a DSEDJ disse à Lusa que existem entre nove a 11 escolas com intenção de fusão ou transformação.

No ano lectivo de 2025/2026, Macau tinha menos 26 turmas de creche do que no ano anterior, enquanto o número de educadores de infância diminuiu em 63, de acordo com dados citados pela deputada Ella Lei Cheng I em Abril.

Em Março, o único jardim-de-infância português de Macau, o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, reduziu o seu corpo docente de 24 para 18 professores. Macau registou em 2025 2.871 recém-nascidos, o menor número de nascimentos em quase 50 anos. No primeiro trimestre de 2026, nasceram no território 690 bebés, menos 8por cento em comparação com o primeiro trimestre do ano passado, segundo dados oficiais.

De acordo com um relatório do Fundo das Nações Unidas para a População, a taxa de fecundidade total em Macau caiu em 2025 para 0,7 filhos por mulher em idade fértil, a mais baixa do mundo, juntamente com a vizinha região de Hong Kong.

Também a taxa de natalidade em Macau tem vindo a cair desde há 11 anos consecutivos, atingindo em 2025 outro mínimo histórico de 0,47 nascimentos por cada mulher entre 15 e 49 anos, segundo dados oficiais.

3 Set 2026