João Luz Manchete PolíticaCuidadores | Subsídio sobe e é alargado a pessoas com deficiência mental A partir deste mês, o subsídio para cuidadores aumenta 10,3 por cento para 2.400 patacas, a primeira actualização desde que começou a ser distribuído de forma permanente em Dezembro de 2023. Este ano, o subsídio passa também a contemplar quem cuida de pessoas com deficiência mental O montante do subsídio para cuidadores será alargado, a começar este mês, assim como os critérios de atribuição. Desde que passou a ser um apoio definitivo, o subsídio para apoiar cuidadores de idosos ou pessoas dependentes por doença ou incapacidade manteve-se pouco mais de dois anos em 2.175 patacas por mês. A partir deste mês, a prestação do apoio passará a ser de 2.400 patacas mensais, ou seja, um aumento de 10,3 por cento. Os critérios de atribuição do subsídio também foram alargados, passando a incluir como beneficiárias pessoas com deficiência mental (autismo ou psicose primária) de grau grave ou profundo. Segundo o despacho assinado pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, publicado ontem no Boletim Oficial, o apoio será alargado também a quem cuida de pessoas portadoras de deficiência motora de grau grave ou profundo, assim como de pessoas que “não consigam realizar acções de sentar e levantar sem ser assistidas por terceira pessoa ou objecto de apoio, devido à incapacidade funcional”. O Governo efectou também “várias melhorias, designadamente o aumento do limite máximo do total de rendimento mensal do agregado familiar e a aceitação dos pedidos apresentados por residentes da RAEM que vivam em Hengqin”. Também cobertos pelo apoio, serão crianças com menos de quatro anos de idade que apresentem as deficiências referidas, ainda sem grau formalmente atribuído. O que fazer O Instituto de Acção Social (IAS) disponibiliza a partir de hoje no seu portal de internet o novo regulamento para atribuição do subsídio para cuidadores, assim como os formulários para requerer o apoio. Para solicitar a atribuição do subsídio, é necessário apresentar atestado médico emitido por instituição médica designada pelo IAS. “No que se refere aos pedidos apresentados para pessoas portadoras de deficiência intelectual, mental (autismo/psicose primária) ou motora, de grau grave ou profundo, deverá contactar a Divisão de Serviços de Reabilitação do IAS”, foi acrescentado num comunicado divulgado ontem. Ao longo de cinco anos, que incluíram três anos em que o apoio ainda tinha carácter provisório, o IAS distribuiu mais de 18 milhões de patacas a 310 cuidadores.
João Santos Filipe Manchete PolíticaPresidenciais | Marques Mendes venceu em Macau António José Seguro e André Ventura passam à segunda volta, mas em Macau o grande vencedor foi o candidato apoiado pelo Partido Social Democrata, que conseguiu mais votos do que Seguro e Ventura juntos Luís Marques Mendes foi o candidato a presidente de Portugal mais votado no consulado em Macau com um total de 1.073 votos, equivalente a 47,19 por cento dos votos. No entanto, os resultados nacionais deixam o político apoiado pelo Partido Social Democrata (PSD) afastado da segunda volta, que vai ser disputada por António José Seguro, o grande vencedor da noite em Portugal apoiado pelo Partido Socialista (PS), e André Ventura, candidato apoiado pelo Chega (CH). Em Macau, Luís Marques Mendes registou mais votos do que os resultados de Seguro e Ventura juntos. O candidato apoiado pelo PS ficou no segundo lugar com a preferência de 477 eleitores (20,98 por cento). O presidente do Chega ficou em terceiro, com 282 votos (12,40 por cento). No entanto, o resultado de Marques Mendes em Macau ganha uma outra dimensão, porque mesmo juntando os 191 votos (8,40 por cento) do quarto mais votado, João Cotrim Figueiredo, candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, aos de Seguro e Ventura, o resultado não é suficiente para ultrapassar o número de preferências obtido pelo candidato do PSD. Os candidatos que ficaram entre segundo e quarto juntos somaram 950 votos, menos 123 que Mendes. Marques Mendes conseguiu superar a votação de Marcelo Rebelo de Sousa em 2021, quando o actual presidente juntou 926 votos, e confirmou o segundo mandato. Segunda metade Em quinto lugar, ficou Henrique Gouveia e Melo com 133 votos (5,85 por cento), seguido por Manuel João Vieira. O cantor e comediante conseguiu 39 votos (1,72 por cento), superando em Macau candidatos consagrados como políticos, casos de Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda, que teve 28 votos (1,23 por cento), e de António Filipe, candidato do Partido Comunista Português, que juntou 20 votos (0,88 por cento). No nono lugar ficou André Pestana, candidato independente que juntou 14 votos (0,62 por cento), à frente de Jorge Pinto, apoiado pelo Livre de Rui Tavares, que não foi além dos 12 votos (0,53 por cento). Finalmente, no último lugar em Macau ficou Humberto Correia, com cinco votos (0,22 por cento). Ao longo dos dois dias de votação no Consulado de Portugal em Macau houve ainda 66 votos nulos (2,78 por cento) e 32 votos em branco (1,43 por cento). Cenário nacional O bom resultado de Luís Marques Mendes não teve reflexo nos resultados eleitorais gerais. Quando faltavam apurar os resultados dos denominados “postos consulares” de México, Arábia Saudita, Costa do Marfim, Etiópia, Luanda, Pequim e Berlim, António José Seguro estava confirmado como o vencedor da noite, com um total de 1.754.895 votos (31,11 por cento), seguido por André Ventura, com 1.326.44 votos (23,52 por cento). Os dois candidatos vão disputar a segunda volta a 8 de Fevereiro, com a votação em Macau a ocorrer durante esse fim-de-semana, ao longo de 7 e 8 de Fevereiro. No terceiro lugar a nível global ficou João Cotrim Figueiredo, com 902.564 votos (16,00 por cento), seguido por Henrique Gouveia e Melo, com 695.088 votos (12,32 por cento), e Luís Marques Mendes, com 637.394 (11,30 por cento). Mais afastado do grupo dos cinco primeiros ficaram Catarina Martins (116.303 votos/2,06 por cento), António Filipe (92.589 votos/1,64 por cento), Manuel João Vieira (60.899 votos/1,08 por cento), Jorge Pinto (38.536 votos/0,68 por cento), André Pestana (10.893 votos/0,19 por cento) e Humberto Correia (4.622 votos/0,08 por cento). A nível global houve ainda 61.226 votos em branco (1,06 por cento) e 65.381 votos nulos (1,13 por cento). Resultados Presidenciais Macau 2026 Candidato Percentagem de Votos Total de Votos Luís Marques Mendes 47,19% 1.073 votos António José Seguro 20,98% 477 votos André Ventura 12,40% 282 votos João Cotrim Figueiredo 8,40% 191 votos Henrique Gouveia e Melo 5,85% 133 votos Manuel João Vieira 1,72% 39 votos Catarina Martins 1,23% 28 votos António Filipe 0,88% 20 votos André Pestana da Silva 0,62% 14 votos Jorge Pinto 0,53% 12 votos Humberto Correia 0,22% 5 votos Em Branco 1,43% 34 votos Nulos 2,78% 66 votos Votantes 4,11% Abstenção 95,89% 2.374 votantes 57.748 inscritos Resultados Presidenciais Macau 2021 Candidato Percentagem de Votos Total de Votos Marcelo Rebelo de Sousa 64,62% 926 votos Ana Gomes 14,45% 207 votos André Ventura 8,03% 115 votos Tiago Mayan Gonçalves 4,61% 66 votos Marisa Matias 3,49% 50 votos João Ferreira 2,93% 42 votos Vitorino Silva 1,88% 27 votos Em Branco 1,02% 15 votos Nulos 1,76% 26 votos Votantes 2,10% Abstenção 97,90% 1.474 votantes 70.134 inscritos
Hoje Macau China / Ásia MancheteDiplomacia |Relações “saudáveis e estáveis” serve interesses de China e Canadá A visita do líder do governo canadiano à China marcou o regresso do entendimento saudável entre as duas nações após um período de tensões e divergências. O Presidente da China, Xi Jinping, afirmou sexta-feira que o desenvolvimento de relações “saudáveis e estáveis” com o Canadá serve os interesses de ambos os países, durante um encontro com o primeiro-ministro canadiano. Xi reuniu-se em Pequim com Mark Carney, naquela que é a primeira visita de um chefe de Governo canadiano ao país em quase uma década e que visa normalizar as relações bilaterais, que atravessaram períodos de tensão nos últimos anos, devido a disputas diplomáticas e comerciais. Durante o encontro, realizado no Grande Palácio do Povo, Xi afirmou que o “desenvolvimento saudável e estável” das relações entre a China e o Canadá “corresponde aos interesses comuns de ambos os países” e contribui para “a paz, estabilidade e prosperidade mundiais”, segundo a televisão estatal chinesa CCTV. O líder chinês destacou que o contacto prévio entre ambos, em Outubro, à margem de uma cimeira na Coreia do Sul, deu início a uma nova fase de aproximação. Xi apelou à construção de “um novo tipo de parceria estratégica” capaz de colocar os laços entre Pequim e Otava numa trajectória “sustentável e duradoura”. Carney agradeceu a recepção e manifestou a vontade do Canadá de trabalhar com a China “com base na boa cooperação passada”, para desenvolver uma relação estratégica adaptada ao actual contexto internacional e promotora de “estabilidade, segurança e prosperidade” para ambos os países e para a região do Pacífico. Na véspera, o primeiro-ministro canadiano reuniu-se com o homólogo chinês, Li Qiang. Os dois abordaram temas como cooperação económica, energia e comércio, e testemunharam a assinatura de vários acordos nas áreas aduaneira e comercial. Laços reforçados Segundo a CCTV, Carney reiterou o interesse do Canadá em reforçar a cooperação nas cadeias de abastecimento e em sectores estratégicos, bem como o compromisso com o multilateralismo e o sistema de comércio internacional. Li Qiang defendeu o alargamento da cooperação em áreas como energia limpa, agricultura moderna, tecnologias digitais e indústria aeroespacial. Também à margem da visita, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, reuniu-se com a ministra canadiana dos Negócios Estrangeiros, Anita Anand, sublinhando a necessidade de eliminar interferências e fortalecer a confiança mútua para promover uma relação “estável, sólida e saudável”. A visita de Carney é a primeira de um primeiro-ministro canadiano à China desde a deslocação de Justin Trudeau em 2017, e ocorre num contexto de crescente instabilidade no comércio internacional, com Otava a procurar diversificar as parcerias económicas.
João Luz Eventos MancheteCCM | Peça “Adeus, Minha Concubina” com workshops e actvidades Entre os dias 29 de Janeiro e 1 de Fevereiro, a companhia Teatro do Povo de Pequim apresenta quatro sessões da peça “Adeus, Minha Concubina” no Estúdio II do Centro Cultural de Macau (CCM). Os bilhetes custam 220 patacas e estão à venda na Bilheteira de Enjoy Macao. Os espectadores podem gozar de um desconto de 50 por cento, “mediante a apresentação de Bilhete de Identidade de Residente de Macau, Cartão de Estudante a tempo inteiro, Cartão de Professor de Macau, Cartão de Benefícios Especiais para Idosos ou Cartão de Registo de Avaliação de Deficiência válidos”, indicou na sexta-feira o Instituto Cultural. A apresentação da peça apresentada pelo Teatro do Povo de Pequim é um dos pontos altos da “1.ª Temporada de Espectáculos de Cultura Chinesa”, que começou no fim de Novembro do ano passado e decorre até Março. O ciclo é organizado pelo IC e o Departamento de Publicidade, Cultura e Desporto do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, com o patrocínio da secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura. A peça, descrita pela organização como como imersiva, foi escrita por Mo Yan, laureado com o Prémio Nobel da Literatura. O IC acrescenta que a encenação de “Adeus, Minha Concubina” que irá subir ao palco do CCM “rompe com a estrutura narrativa tradicional do drama histórico, explorando temas intemporais como o poder, a sobrevivência e a responsabilidade através de múltiplos encontros e uma estrutura de diálogos entrelaçados temporalmente, entre as personagens Yu Ji e Lü Zhi”. Com um design cénico imersivo, o público ficará rodeado pelo acampamento do Exército de Chu, sentado em almofadas ou bancos de palha dispostos em vários níveis, para testemunhar de perto os intensos enredos de amor e ódio entre as personagens. Aprender com arte Além das quatro sessões de teatro, “serão também organizados workshops e actividades complementares que convidam o público a participar e a experienciar a beleza da cultura tradicional chinesa sob múltiplas perspectivas”, é descrito pelo IC. Nos dias 30 e 31 de Janeiro, após o espectáculo (entre as 22h e as 22h30), os espectadores vão ter a oportunidade de conversar com os artistas. No dia 27 de Janeiro, em jeito de antecipação, será organizado o “Diálogo Inter-regional entre Jovens Artistas”, que contará com “os principais criadores da produção e jovens actores do Interior da China e de Macau”. O objectivo desta actividade é lançar uma “discussão aprofundada sobre a construção de personagens e as artes performativas, desconstruindo o processo criativo, as percepções e as técnicas de representação de personagens dramáticas a partir de múltiplas dimensões, como a acção, a personalidade e a imagem”. A conversa, marcada para o Auditório do Museu de Arte de Macau, é dirigida a grupos de teatro e jovens actores sediados em Macau e a admissão será feita por ordem de chegada. Além das conversas, será realizada uma oficina de joalharia em esmalte, no dia 31 de Janeiro entre as 16h30 e as 17h30 na Sala de Conferências do Centro Cultural de Macau, que tem como destinatários residentes de Macau maiores de 6 anos No dia seguinte, no mesmo lugar e às mesmas horas, realiza-se o Workshop de Caligrafia para Idosos para residentes de Macau com mais de 55 anos de idade. As vagas são limitadas e os interessados podem inscrever-se na aplicação Conta Única de Macau.
Hoje Macau Manchete SociedadeNatalidade | Igualdade e equilíbrio entre vida e trabalho essenciais Uma académica da UPM considera que Macau deve legislar licenças parentais iguais, promovendo a igualdade de género e o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho, que afirma serem factores essenciais para reverter a baixa da natalidade. “O equilíbrio entre a vida profissional e pessoal é um factor chave para impulsionar a taxa de fertilidade”, afirmou à Lusa Lok Cheng, académica da Universidade Politécnica de Macau (UPM) que estuda políticas públicas. A investigação de Lok, que compara as políticas parentais de Macau com as de países como Alemanha, Suécia e Estados Unidos, apoia esta conclusão. Macau registou a taxa de natalidade mais baixa do mundo em 2024 e o número mais reduzido de nascimentos em quase 50 anos em 2025, disse, no início do ano, o director substituto do hospital público de Macau, Tai Wa Hou, citado pelo canal em chinês da emissora pública TDM Macau. Este declínio persistiu apesar de um orçamento revisto aprovado no ano passado para reforçar apoios sociais, incluindo subsídios para pais com crianças até três anos, aumentos dos abonos de natalidade e subsídios de casamento. Macau oferece actualmente 70 dias de licença de maternidade e apenas cinco dias de licença de paternidade para trabalhadores do sector privado (no público são 90 dias para as mães e cinco para os pais), lembrou a especialista: “Menos do que os 98 dias recomendados pela Organização Internacional do Trabalho”, referiu. Esta disparidade, argumentou Lok, reforça a ideia de que as mulheres têm a principal responsabilidade pelos recém-nascidos, o que também tem impacto na carreira profissional. “Aceitámos tacitamente que as mulheres têm uma responsabilidade maior no cuidado dos recém-nascidos, e isso reflecte-se no local de trabalho”, continuou. Olhar para fora Em contraste, a especialista, que também é funcionária pública, aponta para políticas europeias. “A Suécia tem uma política parental bem estabelecida e registou um aumento na taxa de natalidade no início dos anos 2000”, disse. “Tanto a Alemanha como a Suécia proporcionam licenças de maternidade mais longas e estão a promover activamente a participação do pai”, reforçou. Lok explicou que a Suécia oferece mais de 300 dias de licença parental partilhada, sendo 90 dias reservados exclusivamente para o pai. “Macau actualmente não tem regulamentação relevante quanto ao pai”, observou a académica, sugerindo que a região poderia aprender com este modelo para implementar uma licença parental igualitária e “promover a igualdade de género no local de trabalho”. Tal política, disse, ajudaria as famílias a partilhar o cuidado das crianças e “eliminaria o preconceito de género que coloca as mulheres como as principais cuidadoras”. “Este preconceito é prejudicial para o desenvolvimento profissional das mulheres”, avaliou. De acordo com os últimos dados oficiais da Base de Dados das Mulheres de Macau, o salário médio mensal da população feminina em 2024 era de 16.800 patacas, inferior às 19.300 patacas auferidas pelos homens. Lok explicou que muitas mulheres hesitam em ter filhos, receando o aumento dos deveres familiares e a estagnação das carreiras. Mas quando o cuidado das crianças é partilhado, “isso pode aumentar a vontade de ter filhos e reduzir os custos associados”. Tal mudança também beneficiaria as mulheres profissionalmente, acrescentou. Se os deveres parentais forem distribuídos de forma mais igualitária, “as empresas estariam menos preocupadas com o género ao contratar mulheres em idade fértil, e as mulheres poderiam prosseguir carreiras em pé de igualdade”. Lok reconheceu que pode ser um desafio para Macau adoptar um sistema como o da Suécia, mas é necessário “avançar gradualmente”. “O primeiro passo é aumentar a licença de maternidade para 98 dias, de acordo com o padrão internacional”, concluiu.
Hoje Macau Manchete SociedadeJogo | Receitas VIP subiram 24,1% ao longo de 2025 As receitas vindas dos grandes apostadores, um segmento conhecido em Macau como jogo VIP, subiram 24,1 por cento em 2025, de acordo com dados oficiais divulgados na sexta-feira. O jogo bacará VIP atingiu receitas de 68 mil milhões de patacas no ano passado, revelou a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Só no último trimestre, as receitas das grandes apostas aumentaram 45 por cento em comparação com o período entre Outubro e Dezembro de 2024, para 20,3 mil milhões de patacas. No entanto, o jogo VIP em Macau continua longe dos picos históricos atingidos antes da pandemia da covid-19. Em 2019, o bacará para este segmento representava 46,2 por cento das receitas totais dos casinos. Mas em 2025 ficou-se por uma fatia de 27,5 por cento. As grandes apostas foram afectadas pela detenção do líder da maior empresa angariadora de apostas VIP do mundo, em Novembro de 2021. O antigo director executivo da Suncity Alvin Chau Cheok Wa foi condenado, em Janeiro de 2023, a 18 anos de prisão, num caso que fez cair de 85 para 18 o número de licenças de promotores de jogo emitidas em Macau. De acordo com dados da DICJ, o número de licenças tem vindo a recuperar e atingiu a marca de 30 no final de Julho, número que se mantinha na mais recente actualização, em 15 de Dezembro. Ainda assim, permanece aquém do limite máximo fixado pelo Governo, que é de 50. Número a aumentar Também as receitas do jogo mais popular em Macau, o bacará no chamado mercado de massas, aumentaram 3,4 por cento em 2025, para 137,9 mil milhões de patacas. O bacará de massas representou 57,7 por cento do total das receitas dos casinos no território no ano passado, sendo de longe o jogo de fortuna e azar mais procurado pelos apostadores chineses. As receitas das máquinas de jogos aumentaram 7,3 por cento em comparação com 2024, para 13,9 mil milhões de patacas. Em 2025, os casinos de Macau registaram receitas totais de 247,4 mil milhões de patacas, um aumento de 9,1 por cento. O Governo de Macau tinha previsto, no orçamento inicial para 2025, receitas do jogo de 240 mil milhões de patacas, o que representaria um aumento de 6 por cento em comparação com o ano anterior. Mas, em 11 de Junho, a Assembleia Legislativa aprovou um novo orçamento, proposto pelo Executivo, que reduziu em 4,56 mil milhões de patacas a previsão para as receitas públicas. O secretário para a Economia e Finanças, Anton Tai Kin Ip, admitiu aos deputados que o corte se deveu ao facto de as receitas brutas do jogo no primeiro trimestre de 2025 terem “ficado ligeiramente abaixo do previsto”.
Hoje Macau Manchete PolíticaEleições | Portugueses em Macau pedem atenção a quem está longe À porta do histórico edifício do Consulado-Geral de Portugal em Macau, portugueses que escolheram votar no sábado celebram o momento democrático e exigem “mais cuidado” com quem vive longe. Vários eleitores voltaram a sugerir a implementação do voto electrónico. Foi uma campanha presidencial “algo confusa – como está o mundo neste momento -“, mas que Cristina Osswald fez questão de acompanhar. E neste dia de Inverno, mas de sol, em Macau, a portuguesa celebra a possibilidade de escolha. “Sempre que possível ia ouvindo entrevistas, debates e apresentações dos candidatos. Mas pareceu-me que, se calhar, há essa questão de uma dispersão de votos, que faz parte da democracia, não é? E sobretudo quando se vive num regime que não é democrático, claramente mais se aprecia a democracia”, diz à Lusa a docente da Universidade Politécnica de Macau depois de votar. Mas o caminho que um eleitor de Macau percorre até ao momento do voto, sublinha Osswald, não é o ideal. A viver há seis anos fora de Portugal, a docente nota que os “procedimentos têm melhorado”, embora “continuem abaixo das expectativas”. “O mundo é cada vez mais global, não vejo razão para não haver voto electrónico”, considera a docente, que, antes de Macau, passou por Florença, onde para votar tinha de se deslocar a Milão. “Podemos ir ao banco [‘online’], às finanças, e não conseguirmos votar ‘online’ parece uma coisa que não faz muito sentido. Acho que seria por aí que deveria também haver um maior investimento. Por exemplo, aqui, pessoas com pouca mobilidade não podem vir votar”, declara. Cristina Osswald olha para a escadaria que conduz ao consulado, onde nesse momento, idosos sobem os degraus com dificuldade – apesar de, nas traseiras do edifício, haver uma outra porta com acesso a elevador. “É a democracia que perde. Em tempos que são complicados e são, diria, quase dramáticos, acho que era uma coisa extremamente simples poder votar-se ‘online'”, continua a professora, referindo ainda a “pouca informação” em Macau sobre os procedimentos que antecedem o acto eleitoral. “Conheço muita gente aqui em Macau, sobretudo pessoas mais idosas, que não vêm votar, porque não foi divulgado que tínhamos que nos inscrever antes”, nota. Pretensão antiga A escolha electrónica tem sido uma reivindicação de longa data do Conselho das Comunidades Portuguesas, órgão consultivo do Governo para as políticas relativas à emigração e às comunidades portuguesas no estrangeiro. Rui Marcelo, presidente do Conselho Regional das Comunidades Portuguesas da Ásia e Oceânia, disse à Lusa, no ano passado, que o tema “foi abordado várias vezes e com vários governos”. Félix Teixeira, técnico de laboratório reformado a viver em Macau há 30 anos, defende que votar ‘online’ poderia servir sobretudo regiões onde “a deslocação está dificultada”. “Macau é pequeno, aqui tanto faz”. E que expectativas tem das presidenciais? Para o antigo funcionário do Instituto para os Assuntos Municipais, a multiplicidade de caras nos boletins é bom prenúncio: “Ouvem-se mais vozes”, diz. E para os emigrantes, sublinha, estar hoje aqui é aproximar-se de casa: “Se não estiver em contacto directo com o país, está-se fora de todo o circuito, da política e da esfera social”, concretiza. Sentir à distância De acordo com o consulado, existem mais de 150 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. No entanto, inscritos para votar, o número é quase três vezes inferior: 57.748, segundo dados cedidos à Lusa pela representação diplomática. Do topo das escadarias do histórico edifício do consulado – antigo Hospital de São Rafael, fundado em 1569 – o casal de macaenses Francisco Xavier Leong e Alina da Luz pedem mais atenção a quem está no exterior. “Esperamos que o novo presidente tenha mais cuidado com os cidadãos estrangeiros, não só de Portugal”, refere Leong. “Votamos porque somos portugueses e, enquanto bons cidadãos, é nosso dever”, completa a mulher. Para o casal, que vive ali perto, votar presencialmente é mais simples. Francisco Leong admite mesmo “mais dificuldade” com a opção electrónica. “Felizmente em Portugal sempre tivemos grande confiança nos resultados eleitorais. Há muitas pessoas que têm dúvidas relativamente ao voto electrónico, mas julgo que se for bem conduzido, é uma boa opção”, diz, por sua vez, José Paulo Esperança. À Lusa, o professor de Finanças da Universidade Cidade de Macau assume que espera elevada participação no escrutínio, porque “há preocupações para a democracia portuguesa” e “candidatos preocupantes”. “Portugal – e o mundo – está com evoluções que me preocupam. Porque há cada vez mais subida da extrema direita e de fenómenos que são muito preocupantes”, afirma. Nas presidenciais de 2021 votaram em Macau 1.479 pessoas, ou seja 2,1 por cento do total de inscritos (70.134). Marcelo Rebelo de Sousa venceu nesta região chinesa com 64,62 por cento dos votos, seguindo-se Ana Gomes (14,45 por cento) e André Ventura (8,03 por cento).
João Santos Filipe Manchete PolíticaGoverno | Sam Hou Fai fala de “bom início” de mandato O Chefe do Executivo considera que o Governo teve “um bom início”. Foi desta forma que Sam Hou Fai fez o balanço do primeiro ano de governação, num encontro com 70 membros da Administração para reiterar a necessidade dos governantes “implementarem o espírito” dos discursos de Xi Jinping. De acordo com a versão oficial do encontro, divulgada pelo Gabinete de Comunicação Social, Sam Hou Fai “afirmou que o trabalho do primeiro ano deste governo decorreu de forma estável, sucessiva e tranquila, com reformas, inovações, avanços e resultados”, o que considerou ser “um bom início”. O Chefe do Executivo elogiou os serviços públicos por terem como prioridade “os interesses fundamentais do País e os interesses integrais de Macau” que são encarados como “o ponto de partida para instalar uma mentalidade global que garanta firmemente a soberania, a segurança nacional e o interesse de desenvolvimento do País, e assegure a situação estável e harmoniosa de Macau”. Em segundo lugar, Sam destacou os esforços dos funcionários no reforço da “colaboração e cooperação interdeapartamental a fim de elevar a eficiência executiva” e destacou a concretização “com precisão” das acções governativas. Sam Hou Fai referiu ainda “a importância de haver mais consciência das insuficiências” e a necessidade de as insuficiências “serem verificadas à medida que o trabalho é realizado, de forma a analisar os problemas existentes e executar o devido aperfeiçoamento”. Seguir o espírito Em relação ao corrente ano, Sam Hou Fai prometeu que vai continuar “a implementar plenamente o espírito dos discursos do Presidente Xi Jinping para planear os próximos trabalhos”. O líder do Governo pediu ainda um Governo de pensamento único, que maximiza o “papel central do Chefe do Executivo”. “Todas as tutelas e serviços devem unificar o mesmo pensamento, envidar todo o seu esforço e colaborarem proactivamente, com um elevado sentido de responsabilidade e de missão e assim criar uma enorme força para trabalhar e avançar juntos, de modo a que, em conjunto, completem esta tarefa prioritária do governo da RAEM para este ano”, afirmou. “Paralelamente, deve instar e aperfeiçoar a predominância do poder executivo, maximizando o papel central do Chefe do Executivo e do governo da RAEM no sistema de governação”, acrescentou. E nesta organização centralizada à volta do Chefe do Executivo, a Assembleia Legislativa também está incluída: “Deve a Secretária para a Administração e Justiça cumprir efectivamente as suas atribuições e responsabilidades, reforçando a coordenação e cooperação para garantir que o governo da RAEM assuma as suas funções centrais de governação com profissionalismo e pragmatismo, no sentido de criar uma estrutura de governação com uma interligação entre os níveis superiores e inferiores e uma sinergia de cooperação entre os serviços, e de promover uma interacção positiva entre os poderes executivo e legislativo que cooperem, apoiem e promovam reciprocamente, a nível institucional, político e operacional”, atirou.
Andreia Silva Grande Plano MancheteEleições | Portugal prepara-se para escolher o próximo Presidente da República Portugal vai a votos no domingo para escolher o próximo Presidente da República. Dos 11 candidatos, apenas dois têm mandatários por Macau: Bessa Almeida do PSD, e Neto Valente do PS. O ex-presidente da Associação dos Advogados de Macau realça que António José Seguro “não alinha em provocações à China”, enquanto Bessa Almeida considera que Marques Mendes é o homem certo para o momento Onze candidatos vão a votos no domingo para a escolha do próximo Presidente da República portuguesa, para um mandato de cinco anos. Trata-se de um número recorde, sendo que apenas sete tem apoio de partidos políticos. Concorrem ao cargo Luís Marques Mendes, apoiado pelo Partido Social-Democrata (PSD), e que nomeou António Bessa Almeida para seu mandatário na RAEM. Segue-se António José Seguro, com apoio do Partido Socialista (PS), que tem Jorge Neto Valente, presidente da Fundação da Escola Portuguesa de Macau e advogado, como seu mandatário. São os únicos candidatos à Presidência da República que escolheram figuras para mandatários da RAEM. Os restantes candidatos são Henrique Gouveia e Melo, João Cotrim de Figueiredo, Catarina Martins, António Filipe, André Ventura Jorge Pinto, Manuel João Vieira, André Pestana e Humberto Correia. Ao HM, António Bessa Almeida, militante do PSD e explicou as razões para apoiar Marques Mendes. “Na altura que Portugal atravessa, o país necessita de um candidato como Marques Mendes, profundo conhecedor das diversas políticas”, começou por apontar. Questionado sobre o tipo de acções desenvolvidas em Macau para captar o eleitorado para o voto em Marques Mendes, Bessa Almeida apenas referiu que “a campanha em Macau é totalmente diferente da de Portugal”, sendo que as acções desenvolvidas passam por “aquilo que o candidato vai procedendo na proximidade com o povo, passando informação”. Para Bessa Almeida, “o eleitorado em Macau, do lado chinês, também é constituído por portugueses”, e que “tem acompanhado estas eleições como qualquer outro português acompanha, com visões seguras para o futuro de Portugal”. No passado dia 6 de Janeiro, o mandatário divulgou uma nota a realçar a importância da candidatura de Marques Mendes, que neste momento está longe dos lugares cimeiros nas sondagens. “Sempre nos preocupamos com tudo o que está relacionado com Portugal e neste momento, a nível mundial, as mudanças políticas são bruscas e inesperadas. Por isso precisamos de um presidente visionário, experiente e ponderado na condução dos destinos de Portugal e dos portugueses nascidos e radicados fora do país.” Uma volta segura Em Portugal as sondagens relativas às eleições presidenciais têm sido quase diárias, e mostram um volte face na escolha dos candidatos. Se inicialmente António José Seguro estava algo afastado dos lugares cimeiros, uma sondagem realizada pela Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e jornal Público, entre os dias 6 e 9 de Janeiro e divulgada esta semana, mostra como Seguro está em empate técnico com André Ventura, candidato do Chega, garantindo 23 por cento das intenções de voto, quando Ventura arrecada 24 por cento. João Cotrim de Figueiredo surge em terceiro lugar, com 19 por cento, havendo possibilidade de ir à segunda volta de eleições, seguindo-se Marques Mendes e Gouveia e Melo com 14 por cento. Outra sondagem, desta vez para a TVI, CNN, TSF e Jornal de Notícias, com dados recolhidos nos dias 10, 11 e 12 de Janeiro, mostram Seguro com 23,9 por cento das intenções de voto, seguindo-se Cotrim de Figueiredo com 20,8 por cento e Ventura com 20,5 por cento. Marques Mendes cai para quinto lugar, com 13,2 por cento. Seguro escolheu, na RAEM, Jorge Neto Valente para seu mandatário, que não atendeu a chamada do HM. Num comunicado divulgado nos jornais esta quarta-feira, o ex-presidente da Associação dos Advogados de Macau declarou que Seguro “propõe uma visão de futuro assente na modernização do país, na valorização da educação e aposta na inovação”. Referindo-se especificamente às relações Portugal-China, Neto Valente destaca que “diferentemente de outros candidatos, Seguro não alinha em provocações à China no que respeita ao estatuto de Taiwan, sendo também um candidato que “conhece Portugal, a Europa e o mundo”. Neto Valente afirmou também que Seguro “é um homem decente”. “Participou em todos os debates, revelou educação, defendeu as suas ideias com firmeza, nunca foi excessivo na linguagem e, ao contrário dos outros, não insultou adversários, nem lhes fez insinuações maliciosas.” Um “percurso consistente” Paulo Pisco, mandatário da campanha de Seguro para a emigração, recordou ao HM que o candidato “chegou a exprimir a opinião que, dado tratar-se de um voto presencial [para as eleições presidenciais], o Governo poderia ter feito muito mais, designadamente cumprindo aquilo que diz a lei eleitoral para a Presidência da República, que é a possibilidade de serem abertas mais mesas de voto”. Seguro defendeu ainda, segundo Paulo Pisco, “que poderia ter sido também aplicado o voto em mobilidade, tendo por base a experiência anteriormente realizada nas últimas eleições para o Parlamento Europeu”. Paulo Pisco refere que António José Seguro tem feito um “percurso muito consistente, sólido e objectivo”, que o permitiu chegar aos primeiros lugares das sondagens. Relativamente ao eleitorado que está emigrado, o deputado destaca que Seguro “não se desviou dos propósitos, forma e valores com que pretende exercer a Presidência da República”. Além disso, é “um garante da estabilidade do sistema político e também da democracia”. “Esta imagem que o candidato António José Seguro tem passado neste seu percurso tem-lhe valido uma maior receptividade por parte dos eleitores”, destacou Paulo Pisco. O mandatário não esquece que “Seguro é o candidato que tem mais mandatários por país na nossa diáspora”. “São 18, dez na Europa e oito fora da Europa. Julgo que isto consubstancia um compromisso muito firme do candidato para com o exercício de funções como Presidente da República, e na relação que pretende ter com a diáspora”, frisou. Olhando para os candidatos nos lugares mais abaixo nas sondagens, temos muitos rostos da esquerda. A mesma sondagem com dados recolhidos nos dias 10, 11 e 12 de Janeiro coloca Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, com 2,5 por cento; seguindo-se António Filipe, do PCP, com 1,4 por cento, taco a taco com Jorge Pinto, do Livre, que tem 1,3 por cento. Manuel João Vieira, artista plástico e músico, obtém 1 por cento das intenções de voto.
Sérgio Fonseca Desporto MancheteGP | Rui Valente questiona permanência no automobilismo Rui Valente viveu um 72.º Grande Prémio de Macau para esquecer. A tal ponto que o piloto com mais anos de actividade no automobilismo do território admite seriamente a hipótese de pendurar o capacete e arrumar as luvas, ou, pelo menos, deixar de alinhar na prova rainha de Macau, seja na Macau Roadsport Challenge ou mesmo em todo o evento “Há um conjunto de factores que me levam a questionar se faz sentido continuar”, afirmou Rui Valente ao HM. O experiente piloto de carros de Turismo aponta várias razões para essa reflexão, nomeadamente “o facto de as corridas do Grande Prémio terem hoje muito menos interesse, por serem disputadas quase sempre atrás do Safety-Car, o actual sistema de pontuação para a qualificação de Macau e a atitude de alguns pilotos em pista”. A mais recente edição do Grande Prémio não deixou boas recordações a quem se estreou no Circuito da Guia em 1988. O fim de semana da Macau Roadsport Challenge começou de forma negativa para o piloto português, que não evitou um toque nos rails na zona do Paiol durante o treino livre de quinta-feira, um incidente que condicionou toda a sua prestação. Depois de alcançar o 25.º tempo na sessão de qualificação, o infortúnio voltou a manifestar-se na corrida, quando a tentativa de recuperação aos comandos do Subaru BRZ n.º 16 terminou prematuramente na abordagem à Curva de São Francisco. No recomeço após o primeiro Safety-Car, Rui Valente foi abalroado por Li Kwok Chuen, numa manobra em que o piloto de Hong Kong tentou uma ultrapassagem pelo interior, num local onde não existia espaço disponível. “Ainda hoje não consigo perceber o que lhe passou pela cabeça. Não sei como é que viu um espaço que simplesmente não existia. Talvez tenha pensado que eu iria levantar o pé para o deixar passar”, recordou o piloto, que soma trinta e seis participações no Grande Prémio de Macau e foi um dos nove representantes da RAEM na edição de 2025 da Macau Roadsport Challenge. Lotaria do apuramento Rui Valente tem sido uma das vozes mais críticas do actual modelo de qualificação para o Grande Prémio, que beneficia sobretudo quem termina uma das corridas entre os dez primeiros classificados. A utilização de viaturas idênticas por todos os concorrentes, Toyota GR86 (ZN8) ou Subaru BRZ (ZD8), acentua o equilíbrio de andamento em pista. A este factor junta-se o facto de apenas quatro provas contarem para o apuramento e de as grelhas ultrapassarem frequentemente as três dezenas de participantes, transformando cada corrida numa autêntica “batalha campal”, em que o objectivo passa por alcançar um resultado de topo numa única prova para garantir os pontos necessários à presença na grelha de partida do evento do mês de Novembro. “Com tantos carros em pista ao mesmo tempo, há muitos pilotos sob enorme pressão para pontuar, o que acaba por provocar um número elevado de incidentes”, admite o piloto português. “Desta forma, o apuramento aproxima-se mais de uma lotaria do que de um processo verdadeiramente assente no mérito”, acrescenta o representante da Premium Racing Team. Por outro lado, Rui Valente reconhece que os mais jovens são os principais prejudicados. Com uma experiência claramente superior à dos estreantes, que dispõem de menos quilómetros de pista e menor bagagem competitiva, o piloto sublinha, ainda assim, que a dificuldade não se restringe aos novatos. “Mesmo para quem tem muitos anos de corridas, como eu, a qualificação é extremamente complicada. Se assim é para os mais experientes, torna-se evidente que os jovens acabam por ser os mais penalizados por este modelo”, concluiu. Próximo passo Quanto ao futuro, Rui Valente – que recebeu o prémio de terceiro classificado entre os pilotos de Macau no Grupo A do MTCS Macau Roadsport Challenge, na Cerimónia de Entrega de Prémios de 2025 da Associação Geral Automóvel de Macau-China – ainda não tomou uma decisão definitiva. As alternativas em cima da mesa passam por manter-se em competição nos mesmos moldes, equacionar uma mudança de categoria, opção condicionada por limitações orçamentais, ou, em última instância, colocar um ponto final nas suas participações no Grande Prémio, ou mesmo na carreira. O segundo piloto com mais participações na história do Grande Prémio de Macau, apenas atrás de Albert Poon, confessa que não perdeu o gosto pelo automobilismo, actividade que o mantém em excelente forma física aos 64 anos. No entanto, admite que “se calhar está a chegar a altura de deixar Macau. É uma pena, porque gosto mesmo muito disto. Aliás, o problema é que gosto muito disto”.
Hoje Macau China / Ásia MancheteCanadá | Primeiro-ministro Mark Carney de visita a Pequim Depois de anos marcados por incidentes diplomáticos e divergências, a viagem do primeiro-ministro canadiano à China é encarada como um novo capítulo nas relações entre as duas nações A visita do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, à China, a primeira de um chefe de Governo do Canadá em oito anos, é vista por ambos os países como o início de uma nova fase nas relações bilaterais. Segundo um comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, o chefe da diplomacia Wang Yi considerou a visita de Carney como “ponto de viragem” com potencial para abrir “novas perspectivas” na relação entre Pequim e Otava. A ministra dos Negócios Estrangeiros canadiana, Anita Anand, que se reuniu ontem com Wang, afirmou que Carney pretende “definir o rumo para o desenvolvimento das relações” e retomar o diálogo em múltiplos domínios, segundo a mesma nota. Carney, que assumiu funções há 10 meses, tenta restabelecer laços com Pequim depois de um período marcado por divergências, que inclui a detenção, em 2018, da directora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, a pedido dos EUA, e a imposição de tarifas mútuas sobre produtos estratégicos como veículos eléctricos, aço, alumínio, canola e produtos do mar. O primeiro-ministro canadiano reuniu-se ontem com o homólogo chinês, Li Qiang, e deverá encontrar-se com o Presidente Xi Jinping amanhã. Factor Trump A missão ganha urgência num momento em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, agravou as tarifas sobre exportações canadianas. Actualmente, mais de 75 por cento das exportações do Canadá têm como destino os Estados Unidos. Carney definiu como meta duplicar as exportações canadianas para fora do mercado norte-americano na próxima década. “Estamos prontos para construir uma nova parceria, assente no melhor do nosso passado e preparada para os desafios do presente”, escreveu Carney na rede X após a chegada a Pequim, na quarta-feira à noite. As tarifas aplicadas pelo Canadá em 2024, sob o Governo de Justin Trudeau, seguiram o exemplo dos EUA e impuseram taxas de 100 por cento sobre veículos eléctricos chineses e 25 por cento sobre aço e alumínio. Em resposta, Pequim aplicou tarifas de 100 por cento ao óleo e farelo de canola canadianos, 75,8 por cento às sementes de canola e 25 por cento à carne de porco e aos produtos do mar, praticamente encerrando o mercado chinês a estas exportações, segundo fontes do sector. A China tem expressado esperança de que a pressão económica exercida por Trump leve aliados dos EUA, como o Canadá, a adoptar uma política externa mais autónoma. Pequim acusa frequentemente Washington de formar alianças para isolar a China, uma linha de crítica comum sob as administrações de Joe Biden e de Trump. As relações entre os dois países deterioraram-se gravemente em 2018, quando Meng Wanzhou foi detida no Canadá a pedido dos EUA. A China retaliou com a detenção de dois cidadãos canadianos por alegada espionagem, num episódio que congelou o diálogo diplomático durante mais de dois anos.
João Santos Filipe Manchete SociedadeShuttle Bus | Governo quer condomínios a contratar à TCM ou Transmac Face à proibição dos condomínios contratarem agências de viagem para disponibilizarem shuttle bus, o Governo quer ver os condomínios a comprarem os próprios veículos ou a delegarem o serviço na TCM ou na Transmac A partir do próximo mês, entra em vigor a nova lei da actividade das agências de viagens e da profissão de guia turístico e como consequência vários edifícios residenciais estão em risco de deixar de disponibilizar o serviço de shuttle bus. Em causa, está o facto de o serviço ser contratado pelos condomínios a agências de viagens, o que segundo a nova lei vai deixar de ser possível. A nova política foi aprovada em Junho de 2025 pela Assembleia Legislativa, dando seguimento a uma proposta apresentada pelo Governo, em Março de 2024. Contudo, a polémica instalou-se nos últimos dias, quando os condomínios e residentes locais se começaram a queixar à imprensa em língua chinesa da nova medida, porque vão ficar privados de um serviço que tinham como garantido. A resposta às queixas chegou ontem através da Direcção de Serviços de Turismo (DST), com a garantia de que nada mudou face à situação actual, porque a proibição já se encontrava em vigor: “No que diz respeito ao âmbito das operações das agências de viagens, o actual Decreto-Lei n.º 48/98/M estipula explicitamente que os serviços de recepção e trânsito prestados pelas agências de viagens devem ter uma ‘natureza turística’”, foi indicado. A DST justificou também a opções dos deputados na Assembleia Legislativa: “Durante o processo de alteração da nova legislação (nomeadamente a Lei n.º 5/2025, que entra em vigor a 1 de Fevereiro), foi decidido, após deliberação aprofundada, manter este princípio fundamental: a actividade principal das agências de viagens não deve desviar-se da esfera do turismo”, foi apontado. A proposta foi aprovada na Assembleia Legislativa anterior por unanimidade, à excepção de Kou Hoi In, presidente da Assembleia Legislativa, que apesar de estar presente preferiu não votar de todo. O Governo alertou também que vai continuar a multar as agências de viagem que forneçam os serviços de transporte dos moradores dos condomínios. Além disso, indicou que entre 2015 e 2025 foram iniciados mais de 140 processos contra agências de viagens por violação de regulamentos relacionados com a utilização de veículos, incluindo a disponibilização não autorizada de autocarros turísticos para transporte de trabalhadores ou para edifícios residenciais. Duas soluções Em relação ao problema dos edifícios agora detectado, a DST indica que “Macau interveio proactivamente” no assunto “através da colaboração interdepartamental para prestar assistência”. A DST explicou também que a postura proactiva passa por pedir às empresas de autocarros públicos que disponibilizem o serviço para os condomínios para “prever as necessidades da comunidade”. O facto de o serviço ser agora prestado por apenas duas empresas não é indicado, nem como uma eventual necessidade de controlar os preços praticados, dada a falta de concorrência. Como alternativa a estabelecer contratos com a TCM e Transmac, a DST indica aos complexos habitacionais que comprem os próprios autocarros.
Hoje Macau Manchete SociedadeEconomia | Associação Económica alerta para dificuldades em bairros Casinos com mais receitas e bairros residenciais em que as pequenas e médias empresas enfrentam cada vez mais dificuldades. É este o estado esperado da economia local até Março, de acordo com a previsão mais recente da Associação Económica de Macau Até Março, a economia do território deverá manter-se estável, de acordo com o Índice de Prosperidade mais recente da Associação Económica de Macau, publicado ontem. De acordo com um comunicado da associação, que teve como autor o deputado Joey Lao, a estabilidade não impede que os bairros residenciais atravessem mudanças complicadas. Segundo a previsão, espera-se um desenvolvimento económico desequilibrado, com o ambiente de negócios nos bairros comunitários a sofrer uma mudança “complicada”. Neste contexto, prevê-se que o crescimento da economia se deva quase exclusivamente ao sector do jogo e aos grandes empreendimentos turísticos, enquanto as pequenas e médias empresas (PME) deverão continuar a atravessar um período de sofrimento. Ao mesmo tempo, Lao apontou como riscos para as PME a incerteza económica no exterior, principalmente no Interior da China, e os novos modelos de consumo, mais virados para as compras online. Com os rendimentos dos residentes sob pressão, assim como as PME, não se espera grande disponibilidade para o investimento. Também no Interior da China estima-se que o Índice de Confiança dos Consumidores se mantenha num nível baixo durante algum tempo. Pico de turistas Se para as PME a situação deverá permanecer difícil, para os grandes empreendimentos espera-se a continuidade do crescimento moderado, motivado por novos recordes de visitantes. O deputado recordou que, apesar de os últimos dois meses do ano passado terem trazido alguma estabilidade face ao período homólogo, a indústria do jogo apresentou uma expansão anual das receitas. Por outro lado, é destacado o número de turistas que visitaram Macau em 2025, um novo recorde de 40,06 milhões, que ultrapassou o registo de 2019. Em comparação com a 2024, o número de turistas aumentou 14,7 por cento. Joey Lao apontou que o volume de hóspedes e a taxa de ocupação média hoteleira também se mantiveram num nível elevado, fazendo com que os resorts continuem a ser o principal motor da economia. Em relação à taxa de desemprego, a associação espera que mantenha o nível de 1,7 por cento, por considerar que há muitas vagas por preencher. Nunu Wu (com J.S.F.)
João Luz Manchete PolíticaSaúde | Governo quer ligação permanente com comissão nacional O Chefe do Executivo reuniu com dirigentes da Comissão Nacional de Saúde e defendeu a criação de um mecanismo de colaboração permanente com a entidade nacional. A formação profissional e a promoção da big health como uma das indústrias nucleares de Macau foram alguns dos temas discutidos O Chefe do Executivo reuniu na quarta-feira com o director e secretário do Grupo de Liderança do Partido da Comissão Nacional de Saúde, Lei Haichao, com a agenda marcada pela vontade de aprofundar a cooperação, promover o desenvolvimento da indústria de big health, e a formação integrada de quadros qualificados. Sam Hou Fai defendeu a criação de um mecanismo de colaboração permanente entre o Governo da RAEM e a Comissão Nacional de Saúde para “desenvolver ainda mais a indústria de cuidados de saúde e de big health, tanto no Interior da China e como em Macau”, um sector caracterizado como nuclear para a economia do território. A ligação entre negócios e saúde foi um dos fios condutores da reunião, com Sam Hou Fai a destacar a necessidade de “promover a diversificação adequada da economia e aproveitar plenamente as vantagens regionais e políticas de Macau”. Outra das vertentes que o líder do Governo de Macau gostaria de ver desenvolvida com a comissão nacional, é o reforço da prevenção e o controlo de doenças transmissíveis, sem que, no entanto, tenham sido dados detalhes sobre o assunto. Conversas a três O “cultivo” de quadros qualificados interdisciplinares na área de saúde foi mais um objectivo que Sam Hou Fai enfatizou, afirmando “esperar que a comissão preste um forte apoio a Macau para que a cidade aproveite plenamente o seu papel enquanto plataforma sino-lusófona”. O objectivo será elevar o nível de profissionalismo da equipa médica e de enfermagem através da formação de quadros “capazes de servir organizações internacionais”. Perante o director do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas, Liu Zhengyin, que também participou na reunião, o Chefe do Executivo sublinhou o simbolismo que a unidade representa para o “projecto de cooperação marcante entre a RAEM e o Interior da China no domínio da saúde, sob o princípio de ‘um país, dois sistemas’”. Os dirigentes da Comissão Nacional de Saúde viajaram até Macau para participar na 20.ª Reunião Conjunta das Cúpulas da Administração de Saúde do Interior da China, Hong Kong e Macau. Estiveram ainda presentes no encontro, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, a chefe do Gabinete do Chefe do Executivo, Chan Kak, o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, além de vários dirigentes de entidades do Interior da China.
Hoje Macau Manchete SociedadeIA | Docentes alertam para erros na plataforma de correcção de trabalhos Vários professores dizem temer as falhas de uma nova plataforma de inteligência artificial anunciada pelo Executivo para ajudar na correcção de trabalhos de alunos. Um dos docentes, da escola Pui Va, diz que a plataforma pode obrigar à correcção de erros de forma manual As autoridades de Macau anunciaram recentemente o lançamento, no próximo ano lectivo, de “uma plataforma de serviços localizada, no âmbito do ensino de inteligência artificial” (IA). Esta ferramenta vai incluir funções como “composição de enunciados inteligente, a correção inteligente e outras funções, com vista a reduzir a carga de trabalho dos docentes, desde a preparação das aulas até à avaliação”. Embora sejam a favor da plataforma, professores sublinharam à Lusa as limitações actuais da tecnologia. Estes defendem que a IA pode, de facto, ajudar a reduzir a carga de trabalho, mas alertam para as fragilidades desta plataforma, nomeadamente quando utilizada para a correcção de trabalhos dos alunos. “Usar a IA para classificar trabalhos pode resultar em erros que exigem correcção manual”, reagiu Ruan Zhanpeng, professor de tecnologias de informação na Escola Secundária Pui Va. Ruan reconheceu que a IA pode reduzir a carga de trabalho na “correcção de perguntas de escolha múltipla simples, mas para perguntas de resposta aberta, ainda são necessários ajustes manuais”. A professora de chinês Nora Lam, da Escola dos Moradores de Macau, tem a mesma opinião quanto às limitações da IA no que diz respeito a questões que exigem desenvolvimento. “É necessária revisão após a correcção de uma composição feita pela IA, porque esta não consegue entender textos baseados em sentimentos”, referiu. Um ponto de partida Pedro Lobo, professor com mais de 30 anos de experiência em tecnologias de informação no território, revelou que tem usado a IA como “ponto de partida na preparação das aulas e de materiais para os alunos”. O português concorda que pode ser uma boa ferramenta para os docentes, mas enfatiza a necessidade de formação. “Para os professores que não falam chinês, dificilmente tenho visto qualquer formação”, disse à Lusa. A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) afirmou que, para o ano lectivo corrente, disponibiliza, pelo menos, 10 horas de formação para professores de tecnologias de informação e, pelo menos, seis horas para professores de outras disciplinas. “No ano lectivo de 2025/2026, foram disponibilizadas cerca de três mil vagas de formação e mais de 51.800 horas lectivas aos docentes da disciplina de tecnologias de informação e cerca de nove mil vagas de formação e mais de 355 mil horas lectivas aos docentes das outras disciplinas”, referiu a DSEDJ numa resposta escrita a uma interpelação da deputada Ella Lei sobre estratégias para reduzir a carga de trabalho dos professores.
João Luz Manchete SociedadeCreches gratuitas | 22 candidaturas em dois dias Nos primeiros dois dias de inscrições para o plano de “Creche Gratuita para Crianças de Famílias em Situação Vulnerável”, o Instituto de Acção Social recebeu 22 candidaturas, sete destas foram já processadas. As inscrições estão abertas até ao dia 23 de Janeiro Na segunda e terça-feira, os primeiros dois dias em que foi possível submeter inscrições para o “Regime de Creche Gratuita para Crianças de Famílias em Situação Vulnerável”, o Instituto de Acção Social (IAS) recebeu 22 candidaturas. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, sete das candidaturas já tinham sido processadas ontem. O plano de creches grátis para famílias com carências implementado este ano alarga o escopo dos serviços que já conferiam prioridade nas inscrições em creches subsidiadas a crianças em agregados familiares carenciados. A chefe da Creche da Caritas Fai Chi Kei, Ng Fei Lei, afirmou à emissora pública que a nova medida, que irá substituir a antiga política de prioridade nas inscrições, poderá aliviar a pressão de muitas famílias. Como tal, a responsável estima que o número de candidaturas irá aumentar. Além da creche no Fai Chi Kei, subsidiada pelo IAS, a Caritas opera mais duas creches, que ofereceram 555 vagas no ano lectivo corrente, correspondente a uma taxa de ocupação de 65 por cento. Do total de vagas ocupadas no ano lectivo 2025/2026, Ng Fei Lei indica que 3 por cento são crianças provenientes de famílias carenciadas. Apesar de elogiar a medida, a responsável considera que as inscrições deveriam estar abertas o ano inteiro, em vez de apenas durante menos de duas semanas em Janeiro. Requisitos a preencher O regime de creches gratuitas é um plano gerido pelo IAS em coordenação com mais de 30 creches subsidiadas para atender às necessidades de crianças com menos de três anos provenientes das famílias desfavorecidas, monoparentais, com membros deficientes, com doentes crónicos, compostas apenas por avós e netos ou beneficiárias do subsídio regular do IAS. O programa tem também um requisito financeiro, com metas mínimas de rendimentos estabelecidas para os agregados familiares, consoante o número de pessoas que os compõem. Famílias com duas pessoas têm um rendimento mensal máximo fixado em 19.975 patacas, com três pessoas sobe para 27.550 patacas, e 33.475 patacas com quatro pessoas. O limite máximo de rendimentos mensais para famílias com oito ou mais membros é de 50.675 patacas.
João Santos Filipe Manchete PolíticaFronteiras | Criticados atrasos na promoção de espaços comerciais Song Pek Kei está preocupada com a falta de aproveitamento das zonas comerciais nas fronteiras, ao contrário do que acontece em Zhuhai. Para a deputada, o comércio nas zonas fronteiriças é essencial para a diversificação da economia A deputada Song Pek Kei criticou o subdesenvolvimento do comércio nas fronteiras de Macau com o Interior e pede ao Executivo medidas para solucionar um problema que se arrasta nos últimos anos. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita da legisladora ligada à Associação de Fujian. No texto da interpelação, a deputada destaca que 2025 foi o melhor ano de sempre em termos da entrada de turistas, ultrapassando-se o anterior recorde, estabelecido em 2019 com a entrada de 39,4 milhões de visitantes. Como parte deste aumento, Song Pek Kei aponta que o número de pessoas a utilizar a Fronteira de Qingmao e da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau cresceu significativamente. No entanto, o comércio nas fronteiras não está a acompanhar a tendência de crescimento, nem a abertura de espaços comerciais em Qingmao contribuiu para uma maior actividade para os comerciantes ou para desviar turistas da Fronteira das Portas do Cerco, a mais utilizada: “O desempenho operacional global está actualmente muito aquém das expectativas, não conseguindo alcançar o efeito desejado de atrair fluxos de passageiros, o que faz com que os benefícios comerciais sejam muito limitados”, atirou a deputada. Song indica também que a atracção de empresas para explorarem os espaços comerciais nas fronteiras tem sido um desafio constante, com excepção das Portas do Cerco. A legisladora recorda que a empresa responsável pela exploração das lojas na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau pediu para rescindir o contrato em 2024, e desde então tem havido problemas para ocupar todas as lojas. Eles fazem melhor Em contraste, Song aponta que as autoridades de Zhuhai têm aproveitado o novo fluxo de turistas para promover o comércio no seu lado da fronteira com muito sucesso. Neste contexto, a legisladora questiona o Governo sobre os planos para “aproveitar as vantagens dos novos fluxos fronteiriços para o desenvolvimento económico” e “reforçar o papel de desvio do fluxo da Fronteira das Portas do Cerco”. A deputada quer também saber quando vai ser lançado um novo concurso público para a exploração das áreas comerciais da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e se vai ser adoptado um novo modelo de exploração. Por último, Song indica que “a economia fronteiriça” é “fundamental para a diversificação moderada do desenvolvimento económico de Macau, pelo que pergunta se existem planos para criar um grupo de trabalho que tenha como tarefa exclusiva definir o futuro desta área da economia.
João Luz Manchete PolíticaTerrenos | Trinta espaços usados para estacionamento e lazer O Governo vai dar início à utilização temporária de 30 terrenos para fins recreativos, estacionamento, desporto e até para albergar postos para recolha de reciclagem. Alguns destes terrenos ainda terão de passar por processos de despejo até poderem ser utilizados Atendendo a uma velha reivindicação de deputados e analistas, o Governo irá arrancar com a utilização temporária a curto prazo de 30 terrenos desocupados, foi avançado ontem na reunião Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas, da Assembleia Legislativa. A presidente da comissão, Ella Lei, revelou que destes terrenos, 13 vão ser convertidos em espaços recreativos, 12 serão usados para estacionamento, um irá albergar equipamentos desportivos para uso da população. Três vão ter “fins mistos”, enquanto um será um posto de recolha de resíduos recicláveis. De acordo com o jornal Ou Mun, Ella Lei especificou que a utilização dos terrenos temporários será distribuída consoante as necessidades das diversas zonas da cidade. A deputada dá como exemplo a carência de lugares de estacionamento na freguesia de Santo António, como uma das áreas onde terrenos não-utlizados terão essa função. Em relação à situação actual dos espaços, Ella Lei indicou que se encontram em fases bem distintas. Alguns terrenos estão prontos para avançar para as fases de concepção do design e construção, enquanto outros ainda terão de passar por processos de despejo. Para dar seguimento No ano passado, o Governo deu início aos trabalhos de design e construção de outros nove terrenos temporários. À semelhança do anúncio de ontem, as finalidades serão estacionamento (três terrenos), recolha de material para reciclagem (dois terrenos), três espaços para a prática desportiva e um terreno onde será instalado uma estação para carregamento de automóveis eléctricos. Ella Lei recordou que destes terrenos, os três parques de estacionamento já estão abertos desde Dezembro no Centro de Formação das Águias Voadoras de Coloane, no Edifício D.ª Julieta Nobre de Carvalho de Tamagnini Barbosa e ao lado da Escola de Pilotagem da Barra. No total, estes três locais acrescentaram 194 lugares para carros ligeiros e 140 para motociclos. Segundo os dados do Governo, os 39 terrenos têm uma área total superior a 100 mil metros quadrados. Cumprindo os planos anunciados ontem por Ella Lei, os 12 terrenos podem acrescentar um milhar de lugares de estacionamento.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteExposição | Eric Fok mostra “Dreaming of the Occident” em Taiwan: “Em Portugal, vejo vestígios da minha cidade” O ano começou com um novo projecto de Eric Fok, que apesar de viver em Portugal não deixou Macau e o Oriente. “Dreaming of the Occident” está exposta na galeria Helios, em Taipei, e pode ser vista até 24 de Janeiro. Ao HM, o artista local revela que quer explorar artisticamente o universo da bifana de Vendas Novas, pela ligação à costeleta de porco de Macau Como está representado o Ocidente nesta exposição? Sempre me fascinou o cruzamento entre as culturas do Oriente e Ocidente, e já explorei a forma como Macau foi um território moldado por missionários e navegadores ocidentais que trouxeram novas ciências e ideias para o Oriente. A propósito de uma anterior exposição, e durante o processo de pesquisa, percebi como era raro os chineses viajarem para a Europa na época dos Descobrimentos. Li com entusiasmo os relatos dos poucos que o fizeram. Há diários que recriam de forma vívida as perigosas viagens marítimas e como era a vida nas antigas cidades europeias. Isso permitiu projectar-me nas suas histórias, fazendo a ponte entre o passado e o presente, entre o Oriente e o Oriente. Essas diferenças culturais não são apenas história para mim, mas tornaram-se numa rica fonte de imaginação para o meu novo trabalho. Como artista de Macau, de que forma a história do território, marcada pelo intercâmbio entre o Oriente e o Ocidente, moldou a sua forma de pensar esta mostra? Tudo começou com o mapeamento de Macau para a série “Paraíso” [exposição de 2014], um projecto que nasceu da minha curiosidade sobre o passado da cidade num contexto de rápida expansão das indústrias do turismo e jogo. Através deste diálogo com a história local, comecei a compreender verdadeiramente a cidade. Passei de ter o foco nos pequenos detalhes da vida urbana para ter uma perspectiva macro do mundo, relevando o papel significativo de Macau na história global. Isso inclui o estatuto de porta de entrada para a China durante os Descobrimentos, a contribuição para o início da globalização, ou ainda ter sido um espaço de difusão do catolicismo a Oriente. [Não podemos esquecer] a profunda influência da cultura marítima. Todos estes temas constituem uma extensão da minha exploração em torno da experiência histórica, e singular, de Macau. Pode descrever com mais detalhe o processo criativo para “Dreaming of the Occident”? Além dos mapas de Macau, esta exposição apresenta também mapas da Eurásia e de várias colónias asiáticas, onde exploro temas como a navegação, o comércio e o império. A minha investigação estende-se também à experimentação de materiais. Além de usar o papel e a madeira, incorporei suportes não convencionais, como ovos de avestruz. Estes objectos funcionam como telas para narrar histórias sobre espécies endémicas e a história da migração, estabelecendo uma ponte entre um lado biológico e histórico. A exposição pretende criticar a influência ocidental em Macau, reflectir sobre ela ou simplesmente observá-la? Na minha exploração destes temas interesso-me sobretudo pelas dimensões culturais da história. Quando os europeus chegaram pela primeira vez à Ásia, viam o mundo de uma perspectiva eurocêntrica. O termo “Extremo Oriente” não era apenas uma designação geográfica, mas um símbolo de poder e uma visão específica do mundo. Mas, por outro lado, o termo “Extremo Ocidente” representa uma imaginação global inicial, no sentido de ser um espaço de compreensão mútua, ainda que incompleta. Hoje, que vivemos numa era de muita informação, em que a conectividade é instantânea, perdemos esse sentido de mistério, e o meu trabalho procura recuperar um pouco daquilo que é a fantasia da distância. Espera leituras diferentes da exposição ou um conhecimento mais profundo do que é Macau, em termos culturais e históricos? No processo criativo dou privilégio à expressão pessoal como respostas à sociedade e ao mundo em que vivemos. Embora expor numa galeria comercial traga, inevitavelmente, uma dimensão de mercado ao meu trabalho, o meu foco é sempre na integridade da obra. Nos últimos anos, a minha vontade de que o público “descodifique correctamente” a minha arte foi-se alterando, no sentido em que, embora sinta uma profunda satisfação quando alguém se conecta com o meu mundo interior, passei a aceitar esse “vazio” na narrativa do meu trabalho. Essas lacunas destinam-se a ser preenchidas pelas experiências e emoções de quem vê, ou talvez pelo próprio tempo e pela história. Num tempo de mudanças rápidas e efémeras, utilizo o pincel para documentar e preservar. O meu trabalho consiste numa partilha da experiência urbana que convida o público a criar uma ligação emocional com as cidades, promovendo uma reflexão profunda sobre identidade e pertença. Tem vivido entre Macau e Portugal. De que forma isso influencia o seu trabalho e a visão da história e cultura de Macau? No momento em que respondo a esta entrevista encontro-me em Vendas Novas, uma localidade em Portugal que é famosa pela bifana. Actualmente, estou a explorar se existe alguma ligação directa entre esta especialidade local e o pão com costeleta de porco de Macau. Há séculos atrás, os portugueses procuraram construir um “lar” em Macau, deixando estruturas portuguesas que definiram o horizonte da minha cidade. Actualmente, estando em Portugal, vejo vestígios da minha cidade por todo o lado. Sendo asiático, e estando rodeado por diferentes raças e línguas, encontro um certo sentimento de pertença que tanto pode trazer uma ideia de alienação como de algo profundamente familiar. A enorme distância geográfica é encurtada pela cultura e história, que são partilhadas. Esta troca de identidades e o movimento entre lugares constituem profundas inspirações para o meu trabalho. A busca por um lugar desconhecido No portal de Internet da galeria Helios, a nova exposição de Eric Fok é descrita como uma busca por uma Europa que, do lado oriental, se sabia existir, mas que estava longe de ser conhecida, sobretudo a partir de meados do século XVI, quando surge o termo “Taixi” como referência ao “Grande Ocidente”. A expressão chinesa foi usada pelo missionário jesuíta Matteo Ricci e é um dos focos do trabalho do artista de Macau em “Dreaming of the Occident”. Segundo a apresentação da Helios, “Taixi” era um termo atribuído à “terra extremamente distante no Ocidente e que foi, outrora, um espaço em branco nos mapas, ainda por explorar”. Desta forma, os mapas imaginados de Eric Fok exploram as ideias de um lugar ausente e desconhecido, sendo analisada também “a identidade do eu, o transporte de memórias, poder e ideologia”. Com recurso a pesquisa histórica, o artista de Macau “redescobre a ‘Taixi’ a partir do olhar do Extremo Oriente, por meio da escrita e da representação cartográfica”. Eric Fok investigou também “as visões do mundo que existiam no passado, formadas pela interligação entre o poder e a crença”, é descrito.
João Santos Filipe Manchete SociedadeSalários | Galaxy e Wynn imitam Sands e anunciam aumentos No caso da Wynn, os aumentos salariais vão acontecer em Março, mas na Galaxy entram em vigor apenas em Abril. Os salários vão crescer entre 500 patacas e 4,5 por cento As concessionárias Wynn Macau e Galaxy Entertainment Group anunciaram aumentos para os trabalhadores que variam entre 500 patacas e 4,5 por cento do valor mensal do salário. As empresas seguem o exemplo da Sands China, a primeira concessionária a anunciar os aumentos, logo na segunda-feira. No caso da concessionária americana, anunciou-se um aumento salarial entre os 2 por cento e os 4,5 por cento para os trabalhadores dos Wynn Macau e WYnn Palace, excluindo as posições sénior de administração. O aumento entra em vigor a partir de 1 de Março e cobre 98 por cento dos 11.803 trabalhadores. No caso dos trabalhadores com salários até 16 mil patacas, o aumento é de 500 patacas, o que corresponde a um aumento de 2 por cento a 4,5 por cento. No caso de os trabalhadores terem um salários superiores a 16 mil patacas, o aumento é de 2 por cento. “O sucesso da empresa depende dos esforços incansáveis e da dedicação de cada membro da equipa. Esperamos partilhar os frutos das nossas conquistas colectivas através deste aumento salarial”, afirmou Linda Chen, directora executiva da Wynn Macau. “Este ano tem um significado especial, pois celebramos o 20.º aniversário da Wynn Macau e o 10.º aniversário do Wynn Palace. Esperamos continuar a nossa jornada juntos, lutando por novos patamares para a Wynn e Macau, e abraçando um futuro ainda mais brilhante juntos”, acrescentou. Galaxy segue No caso da empresa Galaxy, responsável pelos casinos Galaxy e StarWorld, os aumentos deverão abranger cerca de 98 por cento dos trabalhadores, incluindo cargos seniores de administração. No caso dos trabalhadores receberem até 16 mil patacas, incluindo salários e gorjetas garantidas, o aumento vai ser de 500 patacas. No entanto, se o salário e as gorjetas garantidas ficarem acima das 16 mil patacas, o aumento aplicável é de 2 por cento. Os trabalhadores vão sentir a mudança em Abril, o que difere do prometido pela Wynn e pela Sands, onde os aumentos entram em vigor um mês antes, em Março. “A Galaxy Entertainment Group agradece a todos os membros da equipa pela sua dedicação e trabalho árduo, e espera alcançar juntos um sucesso ainda maior, guiados pela crença de ‘Uma equipa, um objectivo’”, pode ler-se no comunicado em que foi divulgado o aumento.
Hoje Macau Manchete SociedadeCasinos | Transacções suspeitas caem 6,1 por cento em 2025 Os dados oficiais mostram que o número de transacções suspeitas caiu no último ano para um total de 3.603 O número de transacções suspeitas registadas em casinos caiu 6,1 por cento em 2025, de acordo com dados oficiais. O Gabinete de Informação Financeira (GIF) referiu que as seis operadoras de casinos submeteram, no total, 3.603 participações de transacções suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo. Numa publicação feita na plataforma chinesa WeChat na segunda-feira à noite, o GIF apontou “a diminuição do número de participações de transacções suspeitas reportadas pelo sector do jogo” como a principal razão para a queda do número total, também de 6,1 por cento. No ano passado, o gabinete recebeu 4.925 participações, 73,1 por cento vindas das concessionárias de casinos, enquanto 20,5 por cento vieram de bancos e seguradoras e 6,4 por cento de outras instituições e entidades. Os sectores referenciados, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transacção igual ou superior a 500 mil patacas. Em 2024, o GIF recebeu 5.245 participações, sendo que a maioria veio dos casinos do território: 3.837, mais 11,8 por cento do que no ano anterior e um novo recorde. A cumprir Segundo o relatório anual do GIF, Macau era o único membro do Grupo Ásia-Pacífico Contra o Branqueamento de Capitais (GAFI) que cumpria “todos os 40 padrões internacionais” sobre a prevenção da lavagem de dinheiro e do financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa. O gabinete assinou acordos para a troca de informação com 33 países e territórios, incluindo a Unidade de Informação Financeira da Polícia Judiciária de Portugal, em 2008, a Unidade de Informação Financeira do Banco Central de Timor-Leste, em 2018, e, em 2019, o Conselho de Controlo de Actividades Financeiras do Brasil e a Unidade de Informação Financeira de Cabo Verde. Em Julho, o GIF disse que tinha ultimado os procedimentos para assinar, também com Angola, um acordo de troca de informações para prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo e à proliferação de armas de destruição em massa. O gabinete indicou que o acordo esteve na mesa num encontro com representantes da Unidade de Informação Financeira da República de Angola, à margem da reunião do Grupo Egmont entre 6 e 11 de Julho, no Luxemburgo. O Grupo Egmont é uma organização internacional de luta contra a lavagem de dinheiro, que reúne 181 unidades de informação de todo o mundo.
João Santos Filipe Manchete PolíticaGravidez | Ella Lei pede explicações sobre garantias laborais A deputada quer que o Governo explique o conteúdo dos Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau (2019-2025) que têm como meta a “igualdade de género e desenvolvimento pleno” A deputada Ella Lei Cheng I pediu ao Governo para explicar como pretende garantir os direitos laborais das grávidas no âmbito dos novos Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau, que vão vigorar entre este ano e 2032. O assunto faz parte de uma interpelação escrita da legisladora ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau, divulgada pelo portal da Assembleia Legislativa. No final do ano passado, chegou ao fim o programa com os Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau (2019-2025). Por isso, na segunda reunião plenária do Conselho para os Assuntos das Mulheres e Crianças, em Dezembro, foram apresentados os novos objectivos para contribuir para a “igualdade de género e desenvolvimento pleno”. Contudo, Ella Lei considera que o Governo tem de explicar melhor a forma como vai “promover mecanismos especiais de protecção para as mulheres grávidas e as novas mães que trabalham por turnos”, aumentar o “tempo de amamentação” e garantir que as instalações de amamentação são comuns não só na Função Pública, onde se encontram generalizadas, mas também no sector privado. A deputada mostra-se igualmente preocupada com a situação do “emprego das mães solteiras” e recorda que os objectivos em vigor até ao ano passado tinham várias metas laborais para estas situações. Contudo, admite que talvez sejam necessários mecanismos mais eficazes para as grávidas solteiras, que se encontram em situação vulnerável: “Espera-se que a eficácia destas medidas e a sua implementação sejam continuamente revistas. As autoridades irão introduzir salvaguardas institucionais mais específicas no futuro?”, questiona. Protecção contra assédio Além das questões de natureza laboral, Ella Lei defende a criação “de um organismo para lidar com as queixas de assédio sexual, mecanismo dedicado a promover a igualdade de género e lidar com incidentes de discriminação de género”. Um dos objectivos para a deputada é garantir que os mecanismos de queixa oferecem a protecção das queixosas nos lugares de trabalho ou instituições de ensino, sem que sofram represálias. “No que diz respeito aos esforços para promover a igualdade de género e reforçar as salvaguardas contra o assédio sexual de mulheres e crianças, quais são os planos das autoridades para melhorar os quadros institucionais, criar órgãos estatutários e desenvolver mecanismos de reclamação”, questiona.
João Luz Manchete PolíticaFAOM | Direcção reúne com Sam Hou Fai e recebe elogios Os novos corpos dirigentes dos Operários reuniram com Sam Hou Fai. Entre os temas discutidos, destaque para o apelo à manutenção da estabilidade social e a promoção do nacionalismo. O líder do Governo reiterou que irá “implementar integralmente as instruções e exigências” de Xi Jinping Sam Hou Fai recebeu, na segunda-feira, na Sede do Governo os novos corpos dirigentes da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), eleita em meados do passado mês de Dezembro. Nacionalismo, cumprimento absoluto dos planos traçados pelo Governo Central para Macau e estabilidade social foram os temas principais discutidos entre os governantes e os dirigentes da associação tradicional alimentada com fundos públicos. Segundo o Gabinete de Comunicação Social, depois de saudar a nova direcção da FAOM, Sam Hou Fai elogiou a associação “por ter constituído uma força fulcral para o fortalecimento das bases do amor pela pátria e por Macau, contribuindo para a RAEM implementar de forma inabalável o princípio ‘um país, dois sistemas’”. O Chefe do Executivo recordou que o Presidente Xi Jinping e o Governo Central “reconheceram plenamente os resultados alcançados pelo governo da RAEM em liderar e unir esforços dos diversos sectores sociais no ano passado”, e que esses resultados “contaram também com o contributo significativo da FAOM”. Sam Hou Fai salientou também o papel dos Operários “para unir e servir os trabalhadores em geral e manter a estabilidade da sociedade”, assim como na “salvaguarda dos direitos e interesses laborais” e no “firme apoio à governação da RAEM”. Seguir o líder O Chefe do Executivo reiterou que em 2026, “o Governo continuará a trabalhar com todos os sectores da sociedade, para implementar integralmente as instruções e exigências do Presidente Xi Jinping, sem defraudar as suas expectativas e do Governo Central”. Para o futuro, Sam Hou Fai espera que a FAOM “continue a unir os trabalhadores de todos os sectores, sobretudo os jovens trabalhadores, aumentando de forma abrangente a competência profissional” através de formação especializada. O objectivo é “implementar plenamente os planos do Governo Central e tarefas confiadas a Macau, de promover um progresso contínuo do princípio ‘um país, dois sistemas’ na nova era.” O deputado Lam Lon Wai foi eleito no dia 16 de Dezembro presidente da FAOM, após a primeira reunião ordinária da direcção. O novo presidente da direcção é Kong Ioi Fai, e a nova presidente do Conselho Fiscal é Ho Sut Heng. Em relação à missão dos novos corpos dirigentes da FAOM, Lam Lon Wai salientou que a promoção do patriotismo estará no topo das prioridades.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteEstudo | Sociedade de Hong Kong domina notícias sobre depressão Um estudo publicado no Journal of Medical Internet Research analisou temas e tom emotivo de notícias sobre depressão publicadas em Hong Kong. O “sistema societário”, relacionado com saúde, família ou trabalho, surge em primeiro lugar com 34,83 por cento do total das notícias, tendo uma “inclinação mais negativa” O sistema da sociedade de Hong Kong domina o grupo de temas presentes em notícias sobre depressão, representando 34,83 por cento dos artigos analisados, seguindo-se temáticas como a aplicação da lei, com 18,81 por cento, ou a ainda a recessão económica global em terceiro lugar. Esta é a principal conclusão do estudo “Analyzing Themes, Sentiments, and Coping Strategies Regarding Online News Coverage of Depression in Hong Kong: Mixed Methods Study” [Análise de Temas, Sentimentos e Estratégias de Enfrentamento Relacionados com a Cobertura Jornalística Online Sobre Depressão em Hong Kong: Estudo de Métodos Mistos], publicado no Journal of Medical Internet Research no ano passado. O estudo é da autoria de Chen Sihui, Cindy Sing e Yangna Hu, da Universidade Politécnica de Hong Kong; e Cecília Cheng, da Universidade de Hong Kong. O estudo é focado na cobertura de notícias online sobre depressão na região vizinha, nomeadamente de publicações como o South China Morning Post e Hong Kong Free Press, e que procurou perceber quais os temas dominantes e a carga emocional dos textos, se eram positivos ou negativos, entre outras questões. Assim, o estudo revela que o “sistema societário” da região esteve na origem de 34,83 por cento das notícias sobre depressão, ou seja, 848 num total de 2.435, seguindo-se o tema da “aplicação da lei”, representando 458 de todas as notícias analisadas, com uma fatia de 18,81 por cento. Segue-se, em terceiro lugar, o tema da “recessão global”, com 17,4 por cento de respostas; “estilo de vida”, com 8,05 por cento; “lazer”, com 11,21 por cento de respostas; “questões de saúde”, com 6,94 por cento e, finalmente, “política dos Estados Unidos”, representando apenas 3,12 por cento das notícias. O estudo descreve, assim, que analisando o sentimento inerente às notícias, “torna-se evidente que o sistema societário apresentou uma inclinação mais negativa”, estando “relacionado com diversos sistemas da sociedade de Hong Kong, incluindo de saúde, social, família, educação e trabalho”. Entre extradição e covid-19 A recolha de notícias online foi feita entre Fevereiro de 2019 e Maio de 2024 “com o intuito de examinar a representação mais recente da depressão, especialmente durante e após o período de agitação social e a pandemia de covid-19”. Os artigos foram escolhidos com base em três critérios, sendo que um deles era a acessibilidade aos leitores sem assinatura paga, além de que o website em questão “deveria permitir a recuperação de uma quantidade suficiente de notícias relacionadas com depressão (isto é, mais de 20) para garantir dados adequados para as análises subsequentes”. Foram ainda escolhidos sites com notícias em inglês. Depois, foram feitas pesquisas separadas com as palavras-chave “depression” e “depressed”. As datas escolhidas para este estudo prendem-se com duas ocorrências. Uma delas foi em Fevereiro de 2019, com a introdução de a proposta de lei sobre extradição para a China, intitulada “Fugitive Offenders and Mutual Legal Assistance in Criminal Matters Legislation (Amendment)”. Tal “desencadeou protestos e marchas em Hong Kong devido a divergências políticas, levando a um aumento significativo nos casos de depressão, agravado em 2020 com o surto da covid-19”. Os autores revelam que houve “picos de cobertura” de notícias relacionadas com a depressão, nomeadamente em Abril e Maio de 2020 e em Julho de 2023. Seguiu-se a covid-19 como segunda ocorrência. No caso das notícias de 2020, o estudo constata que “as medidas de confinamento devido à covid-19 afectaram fortemente Hong Kong, contribuindo para um humor mais depressivo”, sendo que este período “correspondeu à segunda onda do surto de covid-19”. A segunda onda pandémica originou fortes medidas de confinamento como o encerramento de escolas, “políticas de trabalho remoto e a proibição de refeições presenciais em restaurantes”. O fecho de escolas, “conforme relatado nas notícias, resultou no aumento das taxas de depressão entre crianças e ansiedade entre os pais, que precisaram cuidar simultaneamente dos filhos e idosos em casa”. “Além disso, conflitos entre trabalho e família também se intensificaram devido à interrupção da rotina normal de trabalho”, nomeadamente “a ausência de espaço de escritório e indefinição dos horários de trabalho”, o que “foi associado a sentimentos depressivos”, descreve-se. Por sua vez, em 2023 observou-se “um aumento nos casos de suicídio noticiados”, sobretudo porque Coco Lee, “uma estrela influente que enfrentava a depressão, morreu por suicídio em casa, o que gerou maior consciencialização sobre a necessidade de expansão de serviços de apoio na área da saúde mental e melhoria em termos de acessibilidade, sendo frequentemente destacadas as linhas de apoio”. Um certo estigma No que diz respeito ao segundo tema mais encontrado nas notícias, a “aplicação da lei”, o estudo releva que acarreta também “um sentimento negativo”. “O volume de notícias atingiu picos em Novembro de 2020 e Agosto de 2019”, sendo que, em 2020, foram sobretudo noticiados “crimes individuais e processos judiciais, com destaque para o caso de um professor de Hong Kong que assassinou a esposa, o que pode ter causado um grande choque social e atenção pública”. Os autores explicam que, neste caso, “a depressão foi frequentemente citada nas notícias como explicação para as acções ilegais do perpetrador, o que pode reforçar atitudes estigmatizantes e retratar pessoas com depressão como violentas, perigosas e mais propensas a cometer crimes”. Outros tópicos que também apresentaram “tendências negativas” são “questões de saúde” e “política dos Estados Unidos”, sendo que temas como “estilo de vida” ou “lazer” “tenderam para sentimentos mais positivos”. No que diz respeito a outro tema associado a notícias sobre depressão, o da “recessão global”, o foco são as “dificuldades económicas provocadas pela disseminação da covid-19 em diversos sectores”, apresentando-se “um sentimento positivo mais contraditório”. Ou seja, “a estrutura das reportagens descrevia inicialmente os desafios económicos, para enfatizar, de seguida, as iniciativas para facilitar a recuperação em resposta à crise”. Assim, os autores denotam que se “observou uma mudança significativa no sentimento geral”, pois “até Janeiro de 2021, interrompeu-se a diminuição contínua na quantidade de notícias positivas”, e que depois “o número agregado de notícias positivas superou o de notícias negativas quase todos os meses, sinalizando uma mudança geral de um sentimento negativo para um sentimento mais positivo em relação às circunstâncias económicas discutidas”. Os autores consideram que a mudança pode dever-se “ao facto de as pessoas terem sido forçadas a adaptar-se a um ‘novo normal’ e iniciar a recuperação da economia, saúde, e sociedade após um ano de convivência com a pandemia”. No que respeita ao tema da política dos EUA encontrado em notícias associadas a depressão, os textos “enfatizavam a rivalidade e o processo eleitoral presidencial, bem como políticos de diferentes partidos que vivenciaram depressão”. Poucas respostas institucionais O estudo olhou também as chamadas estratégias de enfrentamento, ou seja, esforços cognitivos, ou comportamentais, usados para lidar com situações menos boas. E aqui, as notícias analisadas centraram-se sobretudo em “informações sobre habilidades e recursos” disponíveis para ajudar pessoas com depressão, como “as linhas de apoio para intenções suicidas e prevenção do suicídio”. Foram ainda apresentados programas de saúde mental disponibilizados por organizações locais, como a Mind HK, o Kely Support Group e a Mental Health Association of Hong Kong, e foram escritos artigos sobre “serviços de aconselhamento e terapias para pessoas com depressão”, ou ainda recomendações de exercício físico. Os autores destacam que, ao analisar as notícias, perceberam “a insuficiência de intervenções políticas, apoio institucional e assistência financeira para indivíduos com depressão, o que indica uma deficiência no nível societário das estratégias de enfrentamento e que estão presentes na cobertura jornalística”.