Hoje Macau Manchete SociedadeVisitantes | Registado novo recorde até Março Macau registou a entrada de mais de 11,2 milhões de visitantes no primeiro trimestre do ano, um recorde na história do território para os três primeiros meses do ano, indicam dados divulgados na sexta-feira. No primeiro trimestre de 2026, entraram na RAEM 11.213.904 visitantes, mais 13,7 por cento do que no mesmo período do ano anterior (9.862.665), indica-se num comunicado da Direção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Nunca na história do território a cidade recebeu tantos visitantes entre Janeiro e Março. Há 10 anos, em 2016, entraram cerca de 7,5 milhões de visitantes em Macau e, em 2006, o valor alcançou cerca de 5,2 milhões de entradas. O valor mais alto registado anteriormente, nos três primeiros meses de um ano, foi em 2019, antes da pandemia da covid-19, com quase 10,4 milhões de visitantes. Ainda em relação ao primeiro trimestre de 2026, o número de entradas de excursionistas (cerca de sete milhões) e o de turistas (cerca de 4,2 milhões) aumentaram, em termos homólogos, 20,3 por cento e 4,1 por cento, respectivamente. A maioria dos visitantes durante o período em análise continua a ser da China continental, com cerca de 8,4 milhões, uma subida de 16,4 por cento, em termos anuais, referiu ainda a DSEC. O número de entradas de visitantes de Hong Kong (cerca de 1,8 milhões) e de Taiwan (285.464) aumentaram 1,8 por cento e 29,1 por cento, respetivamente, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Nos primeiros três meses do ano, o número de entradas de visitantes internacionais totalizou 755.756, ou seja, mais 10,7 por cento, em termos anuais.
João Santos Filipe Manchete SociedadeCAM | Negociações para criar ligação Macau- Lisboa A CAM quer mais voos para grandes centros de transporte no Interior, que permitam mais partidas de Macau para a Europa, com escalas pelo meio. A nível do transporte de carga, os dados oficiais mostram uma procura cada vez maior A CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau está em negociações com a Capital Airlines, transportadora do Interior, para lançar voos entre Macau e Lisboa. A revelação foi feita por Edman Lei, subdirector do Departamento de Marketing da CAM, em declarações à TDM. “Esperamos lançar voos da Capital Airlines de Hangzhou para Macau de forma a podermos usar Hangzhou como ponto de trânsito nos voos directos para Lisboa”, revelou Edman Lei. A Capital Airlines tem actualmente um voo entre Hangzhou e Lisboa. O objectivo da CAM é voar para Hangzhou, como ponto de trânsito para os passageiros apanharem nesse aeroporto os voos directos. Os planos da empresa passam não só por utilizar este método no voo para Lisboa, mas igualmente em outras ligações aéreas. “Utilizando Pequim, Chengdu e Chongqin como centros de trânsito, o aeroporto tem como objectivo manter os tempos de ligação nas três horas e oferecer um serviço de check-in de bagagem num único ponto para voos com destino a países como Espanha e outros europeus”, explicou. O voo entre Macau e Portugal, com escala em Hangzhou, faria assim parte da estratégia da CAM de diversificar a oferta de voos do território para centros de aviação no Interior, aproveitando a maior oferta destes aeroportos. Aposta na carga Nas declarações prestadas à TDM, os responsáveis da CAM destacaram ainda o maior crescimento do transporte de cargas, que contrasta com a situação a nível dos passageiros, que no ano passado sofreu uma quebra. “Em 2025, o volume de carga nas rotas europeias foi de aproximadamente 31.700, representando cerca de 29,3 por cento do volume total de carga do aeroporto. Deste total, a rota para Madrid movimentou aproximadamente 8.700 toneladas, representando cerca de 8 por cento”, revelou Frank Wu, director do Departamento Logística e Desenvolvimento da Aviação Geral da CAM. “O comércio electrónico transfronteiriço é o principal motor, representando 90 por cento do volume de carga do aeroporto. Para rotas de longa de distância, o aeroporto planeia promover voos na plataforma sino-portuguesa e pretende expandir-se para a América do Sul, tal como o Brasil. O Brasil tem uma grande população e uma elevada frequência de utilização de serviço de comércio electrónico”, acrescentou.
Hoje Macau Manchete SociedadeIA | Lançado projecto para colocar robôs a ajudar idosos O Executivo pretende promover uma melhor qualidade de vida da população idosa, numa altura em que o envelhecimento no território se acentua O Governo apresentou na sexta-feira um projecto para promover uma melhor qualidade de vida da população idosa, em rápido crescimento no território, que inclui robôs a ensinar tai chi e inteligência artificial (IA) para combater a solidão. As autoridades lançaram uma área de exposição de cuidados inteligentes para idosos e de gerontecnologia, para promover o uso de tecnologia no apoio à população de terceira idade da cidade. Na cerimónia de abertura, o presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, sublinhou que “o Governo de Macau definiu a ‘big health’” e “a tecnologia inteligente”, como áreas prioritárias no plano de apoio à comunidade idosa até 2035. Segundo o responsável, o Governo Central apresentou no 14.° Plano Quinquenal pela primeira vez o combate “activo do envelhecimento populacional” como uma estratégia nacional. A China tem registado quedas populacionais anuais, numa tendência inédita desde o início da década de 1960. As autoridades estimam que, até 2035, mais de 400 milhões de chineses terão mais de 60 anos, o que representará cerca de um terço da população e aumentará a pressão sobre o mercado de trabalho, o sistema de pensões e o crescimento económico. Em Macau, a população idosa ultrapassou pela primeira vez a dos jovens em 2023, com as autoridades locais a preverem uma “superbaixa taxa de natalidade” ainda esta década e perto de um quarto da população idosa até 2041. Com o número de nascimentos a cair, os idosos de Macau, com 65 ou mais anos – cerca de 105.200 em 2025 – representavam já 15,3 por cento da população, mais 0,7 pontos percentuais do que no ano anterior. Dar explicações As autoridades do território indicaram na sexta-feira quererem organizar sessões explicativas dirigidas a empresas de ‘design’ de interiores e de remodelação, com o objectivo de aprofundar o conhecimento do sector sobre a adaptação do ambiente domiciliário para idosos, com novas tecnologias a apoiar esta população no dia-a-dia. Entre os expositores presentes no evento, esteve o Centro de Ciência de Macau, que apresentou um robô humanóide produzido pela empresa chinesa AgiBot, que pode ser programado para comunicar e fazer companhia a idosos. “Este tipo de robô já é um sucesso de vendas no interior da China e pode fazer companhia aos idosos, conversar, mudar expressões faciais e até ensinar tai chi ou dançar (…) Apesar das limitações em tarefas complexas, o robô é visto como uma ferramenta para combater a solidão”, descreveu à Lusa. A companhia de Xangai obteve mais de mil milhões de yuan em receita em 2025, exportando quase 10.000 robôs humanóides globalmente, segundo informação da empresa. Ao mesmo tempo, a Votee, uma startup tecnológica de Macau e Hong Kong, apresentou na sexta-feira ‘software’ de IA que “pode ajudar a treinar assistentes sociais a lidar com idosos, melhorar a sua capacidade de resposta e até fazer companhia, registando memórias e histórias de vida”, descreveu o director comercial, Jeff Tai, à Lusa. Segundo o responsável, a tecnologia entende cantonês, a língua mais falada em Macau, e pode “conversar com eles e transcrever o que dizem, ajudando-os a exercitar o raciocínio e a chamar assistência em caso de emergência, mesmo através da leitura de expressões faciais”. Alerta de imobilidade Já Alex Siu, director de Inovação em IA e Big Data da Companhia de Telecomunicações de Macau, destacou a tecnologia desenvolvia pela maior empresa de telecomunicações do território, que permite a monitorização de tendências de mobilidade da população idosa através de GPS em telemóveis. “Podemos ver as áreas em que eles se movimentam mais, ou se passam mais tempo em casa. No entanto, não monitorizamos cada pessoa individualmente, só a tendência de movimento da população em grupo. Isto pode ajudar o Governo a planear medidas que possam ajudar esta população”, contou Siu à Lusa.
Hoje Macau Manchete PolíticaLusofonia | Macau quer profissionais de saúde, tecnologia, finanças e eventos O desejo foi deixado por Kong Chi Meng, secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados, num encontro com a direcção da Universidade de Lisboa As autoridades de Macau querem atrair para o território quadros qualificados de países lusófonos de sectores emergentes como saúde, tecnologia de ponta, finanças modernas e convenções e exposições. O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, realizou a sua primeira visita oficial a Portugal de 17 a 21 de Abril, com uma delegação de 120 empresários e membros do Governo. Durante a visita, o secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados (CDQQ), Kong Chi Meng, encontrou-se com a direcção da Universidade de Lisboa, sublinhando a necessidade de quadros qualificados em sectores emergentes como saúde, tecnologia de ponta, finanças modernas e convenções e exposições, de acordo com um comunicado divulgado na quinta-feira à noite pelo Gabinete de Comunicação Social. A instituição de ensino portuguesa manifestou interesse em reforçar a cooperação académica e científica com Macau, através de programas conjuntos de investigação e formação. Os representantes da CDQQ reuniram-se também com a Câmara de Comércio Portugal-China PME (CCPC-PME), presidida por Y Ping Chow, e com representantes de empresas portuguesas dos sectores da medicina tradicional chinesa, turismo e outros. Durante a reunião, Kong Chi Meng apresentou as políticas do território para a captação de quadros qualificados, destacando a terceira edição dos programas de recrutamento, que introduzem critérios específicos para candidatos lusófonos. Sem grandes novidades O plano de atracção de talentos de Macau, lançado em 2023, foca-se na captação de quadros qualificados, incluindo lusófonos, para sectores financeiros, tecnológicos e científicos, oferecendo benefícios fiscais e facilidades de residência. O programa recebeu mais de duas mil candidaturas, com cerca de 900 aprovadas. A terceira fase do programa, que começou em Dezembro e decorre durante um ano, atraiu quase 300 candidaturas. Entre as medidas estão a valorização da proficiência em português, o reconhecimento de diplomas das principais universidades dos países de língua portuguesa e a inclusão de prémios e títulos internacionalmente reconhecidos. Este programa tornou-se a única alternativa para cidadãos portugueses obterem o bilhete de identidade de residente no território através de trabalho. Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. Segundo o comunicado, a CDQQ e a câmara de comércio acordaram em promover em Portugal as políticas de captação de talentos de Macau, funcionando como “cabeça de ponte” para atrair profissionais e empresas lusófonas para Macau, ao mesmo tempo que apoiam a entrada de empresas do território chinês e do Interior da China no mercado português.
João Luz Manchete PolíticaUE | Sam Hou Fai quer retomar comissão mista com Bruxelas Sam Hou Fai pediu apoio ao Parlamento Europeu para retomar os trabalhos da comissão mista da União Europeia e Macau. Num encontro com o vice-presidente da instituição europeia, o Chefe do Executivo apontou à cooperação em áreas como a inovação, desenvolvimento tecnológico e indústrias verdes O Governo da RAEM quer reiniciar o mecanismo de diálogo e cooperação entre Macau e União Europeia através da Comissão Mista da União Europeia e Macau. A intenção foi transmitida por Sam Hou Fai ao vice-presidente do Parlamento Europeu, Younous Omarjee, num encontro realizado no sábado em Bruxelas, a quem o dirigente de Macau pediu apoio para relançar a comissão mista. O encontro teve como pano de fundo temas como a consolidação e alargamento das parcerias económicas e comerciais entre Macau e a União Europeia, o “reforço do intercâmbio entre a população” e o aproveitamento da plataforma de Macau para “apoiar” a relação entre Bruxelas e Pequim. Sam Hou Fai adiantou também que o seu Executivo espera reforçar a articulação com a Europa em “áreas como a inovação e o desenvolvimento tecnológico, as indústrias verdes e a colaboração entre a indústria, a academia e a investigação”. O governante realçou a importância destas parcerias para reforçar as relações entre a União Europeia e a China para alcançar “benefícios mútuos e resultados para ambas as partes na conjuntura de abertura ao exterior de alto nível”. A relação “amigável” de longa data entre Macau e a União Europeia foi enaltecida por Sam Hou Fai, que relembrou a assinatura do acordo de cooperação com a Comunidade Económica Europeia em 1992 e o papel que teve na consolidação de parcerias comerciais. Grandes êxitos O princípio “Um País, Dois Sistemas” e o espírito dos discursos do Presidente Xi Jinping foram também temas apresentados pelo líder do Governo da RAEM. Sam Hou Fai realçou a “harmonia e estabilidade da sociedade, o crescimento contínuo da economia e o aperfeiçoamento ininterrupto do bem-estar da população” como consequências da realidade política da RAEM. O Chefe do Executivo mostrou-se esperançado que a visita a Bruxelas aumente o “conhecimento geral do Parlamento Europeu sobre o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”. Por seu turno, Younous Omarjee mencionou as “características singulares culturais” de Macau como ponto de partida para o reforço do intercâmbio cultural e artístico com os países europeus. O vice-presidente do Parlamento Europeu apontou também à cooperação “em áreas como as indústrias inovadoras, o desenvolvimento verde, os transportes e a logística, os serviços de convenções e exposições e as finanças”.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteEstudo | Desporto em Macau incorpora “legados coloniais e integração chinesa” Qual o papel do desporto em Macau nos últimos anos, tendo em conta a história da região? Um estudo dos académicos Emanuel Leite Júnior e Dongye Zyu responde à questão, descrevendo como o desporto “incorpora a coexistência de legados coloniais e integração chinesa”, revelando ligações a Portugal e mantendo um papel diplomático O desporto em Macau tem funcionado, ao longo dos séculos, como um espelho da multiplicidade de funções do território, que durante séculos teve administração portuguesa. Esta é uma das ideias deixada no estudo “Exploring Sports and Identity in Macau: A Historical Perspective on Portuguese Influence and Contemporary Significance” [Explorando o Desporto e a Identidade em Macau: Uma Perspectiva Histórica sobre a Influência Portuguesa e a Relevância Contemporânea], da autoria de Emanuel Leite Júnior, investigador associado do International College of Football da Tongji University, em Xangai; e Dongye Zyu, leitor do College of Education Sciences da Hong Kong University of Sciences and Technology. O trabalho, publicado na revista académica “The International Journal of the History of Sport”, “argumenta que a experiência desportiva de Macau incorpora a coexistência de legados coloniais e integração chinesa”, e que, ao longo dos anos, “o desporto em Macau funcionou tanto como um instrumento de governação colonial quanto como um espaço de adaptação local”. Desta forma, as diversas práticas desportivas, que incluem futebol, hóquei de campo ou até torneios de cariz regional, revelam “como identidades culturais e políticas foram negociadas num contexto não soberano”, ou seja, em que Portugal apenas administrou o território. No caso do futebol e do hóquei, nomeadamente de campo, reflectiram “a interacção entre as comunidades portuguesa, chinesa e macaense ao longo dos períodos colonial e pós-transferência de soberania”, sendo que, já na fase da RAEM ocorreram “grandes eventos internacionais”, nomeadamente os Jogos do Leste Asiático, em 2005, ou os Jogos da Lusofonia, no ano seguinte. Estas competições vieram mostrar “o papel renovado do desporto na diplomacia e na visibilidade global” no território. Os autores chamam a atenção para o facto de Macau sempre ter sido “um território chinês não soberano administrado por Portugal durante mais de quatro séculos”, ocupando “uma posição distintiva na história global dos impérios”, por ter funcionado como uma colónia na prática, embora “nunca foi formalmente designado como tal pelas Nações Unidas”. Desta forma, o desporto acabou por “reflectir e reformular o sentimento de pertença cultural num espaço suspenso entre império e nação”. Ao longo da sua história, Macau foi lugar de troca de experiências culturais e sociais, nomeadamente no desporto, “que se tornou um dos primeiros espaços de interacção entre tradições ocidentais e chinesas”, indicam os académicos. Como já foi referido, a era da RAEM levou a uma perspectiva mais diplomática do desporto já que, “com o apoio de Pequim”, houve uma “reinvenção”, com Macau a “acolher grandes eventos como os Jogos do Leste Asiático, os Jogos da Lusofonia e os Jogos Asiáticos em Recinto Coberto, utilizando o desporto como meio de afirmar a sua hibridez cultural e visibilidade internacional”. Desporto desde os jesuítas O estudo de Emanuel Leite Júnior e Dongye Zyu traça uma perspectiva histórica sobre as diversas práticas desportivas em Macau, começando no século XVI, quando os portugueses se começaram a estabelecer no território para fins comerciais, trazendo consigo membros da Companhia de Jesus. “O desporto escolar emergiu como um aspecto significativo desta transformação, tendo as escolas religiosas de Macau desempenhado um papel pioneiro na introdução do conceito de educação física na China”, pode ler-se, nomeadamente “em meados do século XVI”, quando “os jesuítas estabeleceram escolas em Macau, onde actividades físicas como a dança, o teatro, as caminhadas, a natação e o montanhismo reflectiam os programas de educação física escolares predominantes na Europa no mesmo período”. Citando estudos de Carmo Azevedo, entre outros, os autores destacam como havia “pouca interação entre os ocidentais e os chineses”, com as “actividades físicas promovidas pelos portugueses tinham um ‘intenso espírito de propaganda’, enquanto os chineses permaneciam confinados a uma parte da cidade, entretendo-se com actividades tradicionais como o p’ai kau (Paijiu), o uâi-k’ei (weiqi) e jogos proibidos pelos mandarins, como jogos de cartas, de moedas ou de dados, bem como o combate de kung fu (gongfu)”. No início do século XIX deu-se então “a segunda fase do desporto em Macau”, com os ingleses a promover também alguma actividade física, como “o críquete, as corridas de cavalos, as regatas, o croquet e, mais tarde, o ténis de relva”. A partir de 1870 e 1880 surgiram “os primeiros clubes desportivos associativos” que reuniam “elites locais”, nomeadamente o Grémio Militar (1870), Associação Club Y-On (1881), Club China Sang-Li (1881), Club China Tum Vo (1882) e Club União (1887). Só no início do século XX o desporto, “especialmente o futebol e o ténis”, passou a estar “mais integrado na sociedade macaense”, deixando de “estar restrito à elite”. Desta forma, ao longo dos anos o desporto em Macau “desenvolveu as tensões das relações coloniais, atenuando as diferenças entre colonizadores e nativos e estimulando uma maior identificação com a ideia de nação, ‘formando um maior sentido de pertença à ‘comunidade imaginada’ portuguesa'”. O estudo revela mesmo que o desporto “desafiou o paradigma colonial, cujas dinâmicas sociais ora promoviam a segregação racial e implicavam heterogeneidade cultural, ora ajudavam a estabelecer uma imagem de solidariedade entre Portugal e as suas colónias, reforçando a ideia de nação”. Uma vida melhor Só a partir da revolução republicana portuguesa de 1910 começa a regularização da prática desportiva em Macau, já que as autoridades locais perceberam “a importância do desporto para a qualidade de vida da população e para o desenvolvimento social”. Um dos exemplos dessa regularização ocorreu em Janeiro de 1911, quando foi fundada a Associação Desportiva de Macau, “o primeiro organismo administrativo criado pelo Governo para supervisionar o desporto no território, embora continuasse a excluir a população nativa”, ou seja, os chineses. O estudo refere ainda a existência de um “período áureo do desporto moderno em Macau ocorreu entre 1925 e 1936, quando as relações entre portugueses e chineses se estabilizaram após o Incidente de 29 de Maio de 1922”. Em 1928 seria assinado o Tratado de Amizade e Comércio entre Portugal e China, o que contribuiu para a estabilidade. Um dos exemplos descritos é a criação do hóquei em campo, graças ao estabelecimento do Hóquei em Campo Clube de Macau. Aqui o desporto “deixou de ser um monopólio português, passando a reflectir uma sinergia sino-portuguesa”. Nesta fase, “equipas macaenses começaram a competir em torneios intermunicipais e até internacionais”, nomeadamente os Jogos Provinciais de Guangdong, os Jogos Provinciais Aquáticos e até os Jogos Nacionais, como o realizado em 1935 em Xangai, “no qual a equipa de ténis de mesa de Macau conquistou o campeonato”. No caso concreto do futebol, “desde o início do século XX” que Macau o adoptou “como prática cultural simbólica e desportiva popular profundamente enraizado na sua ligação histórica a Portugal”. Segundo Emanuel Leite Júnior e Dongye Zyu, “o futebol português desempenhou um papel relevante na formação da cultura popular nas cidades coloniais”. Destaca-se que “os primeiros registos de clubes de futebol em Macau datam de 1919, como o Colégio de S. José, o Macao Chinese Football Club, o Fantasma, o Macau Football Club e a South China Athletic Association”, enquanto que em 1923 e 1926 “surgiram outros clubes, como Almirante, Associação Desportiva Macaense ou “República A”. Havia também clubes a representar a comunidade chinesa, e nos anos 20 já eram tantos que se fez “primeira tentativa de organizar uma competição, criando-se uma liga com duas divisões”, mas “não há registos da continuidade desse campeonato macaense”. “A Associação de Futebol de Macau foi criada em 1939, tornando-se membro da FIFA e da Confederação Asiática de Futebol a partir de 1978”, é ainda indicado. Actualmente, ainda existem associações que representam os grandes clubes portugueses, nomeadamente o Benfica, Sporting e FC Porto. O trabalho destaca também a importância do hóquei em campo e em patins no território, que “desempenhou um papel central na formação da cultura desportiva de Macau, reflectindo as particularidades do seu contexto colonial e da sua identidade híbrida”. Trata-se de desportos que foram “introduzidos pelos portugueses”, tendo sido “rapidamente apropriados e reinterpretados pela população local, tornando-se símbolos de prestígio e excelência atlética”. No caso do hóquei em campo, “destacou-se desde meados do século XX pela sua intensidade competitiva e frequência de torneios internacionais realizados em Macau, que acolheram equipas da Europa, Ásia e Oceânia — muitas vezes derrotadas por equipas locais, demonstrando elevado nível técnico”. A questão olímpica O estudo de Emanuel Leite Júnior e Dongye Zyu chama também a atenção para o “paradoxo do reconhecimento olímpico de Macau”, por não ser reconhecido pelo Comité Olímpico Internacional (COI), não obstante “o crescente papel internacional de Macau”. Os autores destacam que, “apesar da frustração por ainda não ver o seu comité olímpico reconhecido pelo COI, a Associação de Futebol de Macau é membro da FIFA desde 1978, ou seja, desde o período em que o território era dependente de Portugal, tendo mantido esse estatuto após a transferência de soberania para a China em 1999”. Numa fase mais contemporânea, os académicos referem como o “desporto tem também funcionado como instrumento de diplomacia e soft power”, já que desde o início do século XXI “Macau tem vindo a integrar-se cada vez mais com a China continental no âmbito do conceito da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau”. O estudo destaca a realização da 15.ª edição dos Jogos Nacionais da China, tendo sido a “primeira vez na história deste evento que várias regiões administrativas de nível provincial o organizam em conjunto”. Em suma, “a experiência desportiva de Macau sintetiza a sua identidade paradoxal”, ou seja, num território que funciona como “um espaço onde os legados coloniais coexistem com a integração nacional e a aspiração global”. Por um lado, “os traços culturais portugueses permanecem visíveis em instituições, práticas e ligações ao mundo lusófono”, mas “a diplomacia desportiva e a orientação política da cidade afirmam a sua posição como Região Administrativa Especial da República Popular da China, dependente do apoio de Pequim para a sua projecção internacional”. Verifica-se, portanto, uma “dualidade entre heranças coloniais e dependência política contemporânea”, o que faz “do desporto um espelho poderoso da identidade complexa e em constante evolução de Macau”.
Andreia Sofia Silva Eventos MancheteCinema | “The Violin Case”, de Maxim Bessmertny, estreia em Maio Maxim Bessmertny, filho do conhecido pintor Konstantin Bessmertny, trouxe para a tela uma história verídica passada com o pai para a sua primeira longa-metragem. “The Violin Case” esteve em rodagem e produção desde 2020 e tem finalmente estreia marcada no dia 15 de Maio, primeiro nos cinemas Studio City, e depois nos cinemas locais para um público maior Já há data para ver a primeira longa-metragem do realizador local Maxim Bessmertny. “The Violin Case” apresenta-se pela primeira vez ao público no cinema Studio City dia 15 de Maio, apresentando-se depois nos restantes cinemas locais a partir do dia 22 de Maio. Portugal também vai receber “The Violin Case”, nomeadamente a 11 de Setembro, no Museu do Oriente, sendo o país o primeiro “de uma série de locais onde o filme vai estrear internacionalmente”, destaca um comunicado oficial. Esta é uma película “Made in Macau”, contando a história de um pintor que se depara com “a pior noite da sua vida quando deixa a sua maior obra artística na mala de um táxi”. Trata-se de uma “história inspirada em factos reais, que tem no centro o renomado artista Konstantin Bessmertny, radicado em Macau desde 1992, para onde veio com o filho, o realizador deste filme, então com quatro anos”, descreve-se na mesma nota. O elenco de “The Violin Case” é “multicultural e multilíngue”, pretendendo incorporar “a verdadeira essência de Macau”, nomeadamente “das suas gentes e da sua cultura única”. A estreia do filme em Portugal integra-se ainda “no âmbito de uma ampla exposição sobre o crescente panorama cinematográfico de Macau, a sua diversidade artística e o seu património cultural”, é descrito. Pauline persegue Theo A personagem principal do filme é “Theo”, protagonizada por Kelsey Wilhelm, que interpreta o pintor estrangeiro que procura o violino que deixou num táxi. “A perda desta que é a sua mais valiosa obra de arte deixa Theo em maus lençóis e numa gigante crise financeira – e artística”. Pauline, personagem interpretada pela designer Clara Brito, é galerista e começa a perseguir Theo, sendo uma mulher “fria e calculista”. “A odisseia de Theo em busca do violino leva o artista a conhecer a estonteante Evelyn (Mi Lee), uma empresária da área vinícola, que apresenta ao artista um lado mais boémio e eclético da cidade”, descreve ainda a sinopse do filme. Na noite que avança, a aventura de Theo continua pelos becos de Macau, ocorrendo “reviravoltas surreais – até sair completamente fora do controlo do artista”. “The Violin Case” é descrito como “uma autêntica história de Macau para um público mundial”, sendo “uma longa-metragem independente, feita em Macau, com um elenco com várias nacionalidades e narrada em inglês, cantonês e português”. O realizador quis também, neste filme, captar “o espírito único de Macau que nenhum forasteiro consegue replicar sem conhecimento de causa”, nomeadamente “as contradições e as nuances entre o Oriente e o Ocidente, o antigo e o novo”. Desafios de rodagem No ano passado, o realizador Max Bessmertny e a produtora Virginia Ho levaram “The Violin Case” a dez mercados e festivais de cinema no âmbito de uma iniciativa patrocinada pelo Fundo de Desenvolvimento da Cultura do Governo de Macau para promover o filme. Participaram em eventos importantes da indústria do cinema asiática como o Hong Kong International Film Festival & TV Market (FILMART) ou o Asian Art Film Awards, ou ainda o Singapore International Film Festival Industry Days, entre tantos outros. A “viagem global” que esta longa-metragem vai fazer por outros países e regiões inclui Europa, Hong Kong e a restante Ásia e ainda os EUA, estando programadas “exibições, festivais, workshops, actividades comunitárias”. O que se pretende é, não só, “um profundo envolvimento com o público”, como “dar a conhecer a fascinante dinâmica deste centro de entretenimento e lazer que é Macau – mas que vai muito além dos casinos”, descreve a mesma nota. “The Violin Case” demorou quase seis anos a ficar concluído e passou por muitos desafios até ver a luz do dia, com destaque para o facto de “quase não ter sido concretizado”. A primeira concepção do filme arrancou em 2020, em plena pandemia, contando com o apoio de “cinéfilos e mecenas das artes”, com financiamento individual feito por etapas. A estreia do filme no Studio City faz-se com o apoio da operadora de jogo Melco, por exemplo. Maxim Bessmertny estreou a sua curta-metragem “Tricycle Thief” no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2014, tendo vencido o Prémio Kodak de Ouro. “À medida que Macau se torna cada vez mais conhecida internacionalmente, Max Bessmertny partilha histórias das mudanças sem precedentes que a cidade sofreu, relembrando as suas origens humildes até à sua presença no cenário mundial, proporcionando ao público uma compreensão autêntica da beleza e do mistério de Macau – e do lugar que a cidade merece no cinema”, é apontado.
Hoje Macau Manchete SociedadeSands China | Lucro sobe 23,6 por cento até Março A operadora apontou a recuperação no mercado de luxo como um dos motivos que levou ao crescimento das receitas, apesar de ser um segmento com concorrência intensa A operadora de casinos em Macau Sands China anunciou ontem um aumento significativo no desempenho financeiro no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pela recuperação do mercado de luxo. De acordo com os resultados divulgados ontem pela empresa-mãe, a norte-americana Las Vegas Sands, as receitas líquidas totais da Sands China subiram 23,6 por cento para 2,1 mil milhões de dólares em comparação com o mesmo período de 2025. O lucro líquido da operadora em Macau aumentou 45,5 por cento para 294 milhões de dólares durante o trimestre. No mesmo período, as operações da Sands China no território apresentaram lucros operacionais de 633 milhões de dólares, representando um crescimento superior a 18 por cento. A administração do grupo atribuiu o desempenho ao foco estratégico no segmento ‘premium’ – grandes apostadores, mas que não recorrem ao crédito, que actualmente lidera o mercado de Macau. Entre as propriedades da empresa, o The Londoner Macao registou uma subida considerável das receitas para 754 milhões de dólares, enquanto o The Venetian Macao gerou 710 milhões de dólares em receitas líquidas. Concorrência intensa A empresa destacou que o crescimento actual em Macau tem sido impulsionado pelo “segmento premium”, um mercado em que a “concorrência é intensa” e o sucesso depende da combinação de suítes de luxo com “níveis de serviço excepcionais”. Tendo em vista angariar mais clientes desse sector, a empresa está a proceder a uma renovação da maior propriedade no território, o The Venetian Macao, com novos quartos disponíveis a partir do terceiro trimestre de 2026, e a conclusão da renovação total e da introdução de suítes adicionais, prevista para o final de 2027 ou início de 2028. A empresa conseguiu também uma quota de 25,7 por cento das receitas no mercado de massas, marcando o melhor desempenho da empresa entre os pequenos apostadores desde o primeiro trimestre de 2024. Em Singapura, a Las Vegas Sands também reportou crescimento, embora os totais financeiros específicos para a região tenham sido apresentados no contexto da execução estratégica mais ampla da empresa-mãe. O centro comercial The Shoppes at Marina Bay Sands, em Singapura, registou 69 milhões de dólares em receitas brutas no trimestre, mantendo uma taxa de ocupação elevada de 96,6 por cento. No conjunto do portefólio asiático de retalho, as operações geraram 204 milhões de dólares em receitas brutas, com uma margem de lucro operacional de 87,7 por cento. Apesar do forte crescimento das receitas, a empresa salientou que os investimentos acrescidos em níveis de serviço e contratação de pessoal continuarão a afectar as margens de lucro.
Hoje Macau Manchete PolíticaGuangdong | Abertura a iates de Macau e Hong Kong O Governo da província de Guangdong está a preparar um esquema que permitirá, no Verão, a iates de Hong Kong e Macau navegar para seis portos designados. Segundo o jornal South China Morning Post (SCMP), entre os portos de entrada previstos estão Nansha (Guangzhou), Shekou e o terminal do aeroporto de Shenzhen, Wanshan e Jiuzhou (Zhuhai), e Zhongshan. Um documento oficial consultado pelo jornal de Hong Kong também recomenda rotas de lazer em áreas como o Delta do Rio das Pérolas, a Baía de Castle Peak e as ilhas Wanshan. O esquema prevê que apenas residentes de Hong Kong e Macau com autorização de viagem para a China continental possam participar numa fase inicial, ficando os estrangeiros excluídos. Os iates locais poderão obter certificados temporários de nacionalidade de embarcação para operar durante 180 dias em zonas delimitadas. O economista Lee Shu-kam, da Universidade Shue Yan, disse ao SCMP que o esquema poderá servir como projecto-piloto para monitorização transfronteiriça antes de uma eventual abertura a participantes internacionais. A Autoridade Aeroportuária de Hong Kong estima que o mercado global de iates atinja 45 mil milhões de dólares até 2032. Actualmente, a cidade conta com 12.500 iates licenciados, mas apenas 4.300 lugares de amarração, o que levou ao lançamento de novas infra-estruturas como a marina Skytopia.
João Santos Filipe Manchete PolíticaTabaco | Alvis Lo faz balanço positivo de programa-piloto Alvis Lo revelou que o número de advertências para não fumar na zona do Parque Dr. Carlos D’Assumpção caiu de 40 por dia para duas por dia, com a implementação do projecto-piloto O director dos Serviços de Saúde (SS), Alvis Lo, fez ontem um balanço positivo do projecto-piloto que estendeu a proibição de fumar em várias ruas circundantes ao Parque Dr. Carlos D’Assumpção. O programa está em curso há cerca de dois meses, e os SS admitem instalar mais zonas de fumo. Actualmente, existem nove áreas para fumar perto do Parque Dr. Carlos D’Assumpção. Em declarações à imprensa, Alvis Lo afirmou que nos primeiros dias do programa-piloto, o director dos SS admitiu que havia uma média de cerca de 40 pessoas a serem alertadas para não fumarem nas zonas proibidas. Contudo, com o passar do tempo o número de advertências foi reduzido para duas por dia. O director revelou igualmente que como actualmente está a decorrer uma fase experimental os advertidos não foram multados, apenas advertidos. No entanto, dado a mudança de comportamentos, Alvis Lo considerou que o projecto está a produzir resultados. Apesar do balanço positivo, os Serviços de Saúde têm planos para instalar mais locais para fumar naquela zona. As instalações devem entrar em funcionamento no próximo mês. O responsável explicou que o plano inicial é instalar zonas para fumadores, que concentrem o fumo e ainda cinzeiros. Alvis Lo admitiu ainda que o programa em curso vai sofrer ajustes de acordo com a aceitação dos moradores e comerciantes das zonas afectadas: “Estamos a experimentar com modelos diferentes, tendo em conta a consulta pública recentemente concluída sobre a alteração da lei. Vamos fazer os ajustes de acordo as opiniões baseadas de todas as partes,” apontou. Portas do Cerco e Ruínas Ao mesmo tempo, o director dos SS afirmou que está a ser equacionado alargar as áreas de proibição de fumar existentes nas Portas do Cerco e nas Ruínas de São Paulo. No entanto, o responsável considera que é necessário esperar até o modelo operacional que está a ser desenvolvido ficar mais maduro. Além disso, Alvis Lo prometeu ouvir as opiniões da população, e ponderar estender a proibição a outras zonas densamente povoadas. Em meados deste mês, terminou a consulta pública para alterar a lei do tabaco. A proposta ainda não foi concluída, mas espera-se a proibição total de possuir ou fumar cigarros electrónicos e produtos semelhantes, como os cigarros aquecidos ou até cachimbos de água. Como parte da consulta foi igualmente ouvida a opinião da população sobre o alargamento das zonas na cidade onde é proibido fumar. Casinos e restaurantes dominam infracções Os Serviços de Saúde (SS) dizem ter detectado, no primeiro trimestre deste ano, 1.524 casos de infracção à lei do tabaco, no contexto de 65.548 inspecções realizadas a estabelecimentos. Trata-se, segundo um comunicado oficial, de uma média diária de 728 inspecções. Neste conjunto, incluem-se 1.459 casos de fumo ilegal, 43 casos de transporte de cigarros electrónicos na entrada ou saída da RAEM e 22 casos suspeitos de violação da lei. Os casinos lideram o número de infracções, com 254 casos, representando 17,4 por cento; seguindo-se os estabelecimentos de restauração, com 245 casos, uma representação de 16,8 por cento. Por sua vez, nas paragens de veículos de transporte colectivo de passageiros ocorreram 192 casos, 13,2 por cento. Destaca-se que os Serviços de Saúde e a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos realizaram 163 inspecções conjuntas aos casinos de Macau, tendo sido detectados 254 casos de fumo ilegal.
João Santos Filipe Manchete SociedadeLei sindical | Três sindicatos aprovados no primeiro ano Dois, dos três sindicatos registados, estão ligados à Federação das Associações dos Operários de Macau e têm como principal objectivo, antes da defesa dos interesses dos trabalhadores, a promoção do patriotismo Em pouco mais de um ano, três sindicatos conseguiram registar-se junto da Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). Os dados foram adiantados ao HM pela própria entidade, depois da lei sindical ter entrado em vigor a 31 de Março de 2025 “Até 31 de Março de 2026, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais recebeu um total de cinco pedidos de registo de sindicatos, dos quais três foram aprovados, um foi indeferido e um está em fase de análise”, foi comunicado. “Os três sindicatos acima referidos, cujo registo foi aprovado, foram registados em 2025”, foi acrescentado. Sobre os pedidos aprovados, a informação pública mostra que dois dos três sindicados estão ligados à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). Em ambos os casos, não apresentam denominação em português nem em inglês. O motivo da recusa do registo revelado não foi indicado. O primeiro sindicato reconhecido da RAEM foi registado 21 de Outubro de 2025. O nome em chinês corresponde a União dos Trabalhadores da Indústria de Transportes de Macau. Nos estatutos publicados no Boletim Oficial, o sindicato apresenta-se como “parte integrante da causa sindical patriótica” e define como principal objectivo “promover o patriotismo e o amor por Macau entre os trabalhadores da indústria de transportes” e “a solidariedade e a ajuda mútua”, aos quais acrescenta a “preocupação com a sociedade e a participação nos assuntos sociais”, “fortalecimento da força sindical”, “desenvolvimento do intercâmbio técnico e a formação” e organização diversas actividades culturais, recreativas e de lazer”. Segundo a descrição, as actividades vão ser realizadas para “defender e promover os direitos laborais dos trabalhadores, e representar os membros na resolução e negociação de litígios ou diferendos laborais de natureza individual”. FAOM vezes dois Também o segundo sindicato a ser registado está ligado à FAOM, com a denominação em chinês a poder ser lida como Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Transformadora de Macau. No entanto, os estatutos apresentam algumas diferenças, uma vez que o primeiro objectivo é a união dos trabalhadores da indústria, e só depois surge a promoção do patriotismo e do amor por Macau. Apesar disso, este sindicato também se apresenta como “parte integrante da causa sindical patriótica”. Contudo, tem objectivos mais focados nos trabalhadores, como a “formação profissional” a “melhoria da qualificação dos trabalhadores” e a “promoção actividade do emprego”. Na lista de objectivos, consta ainda a intenção de “defender e promover os direitos laborais dos trabalhadores, e representar os membros na resolução e negociação de litígios ou diferendos laborais de natureza individual”. Das Telecomunicações O terceiro sindicado registado, apresenta como nome em português União da Indústria de Tecnologia da Informação de Macau. Na apresentação, este sindicato indica pautar-se pelo “espírito patriótico e de amor a Macau” e apoiar “activamente” a integração da RAEM no “panorama geral do desenvolvimento nacional”. No entanto, apresenta como primeiro objectivo a “defesa dos direitos dos membros” a nível da segurança e saúde no trabalho, assim como uma entidade de auxílio aos membros da resolução de “litígios ou controvérsias laborais, prestando serviços de aconselhamento jurídico e apoio”. Esta sindicato aponta ainda como objectivos a melhoria das competências profissionais dos membros, a promoção da inovação tecnológica, cooperação entre indústria, academia e investigação e elevação dos padrões do sector. Apesar de ser uma exigência da Lei Básica, que foi aprovada em 1993, entrando em vigor em 1999, apenas em 2025 Macau assegurou a primeira lei sindical.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaSam Hou Fai em Espanha | Governo quer expandir delegação de Lisboa Terminou ontem a visita de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, a Espanha. Aos jornalistas, o governante máximo da RAEM demonstrou vontade de alargar as funções da Delegação Económica e Comercial de Macau de Lisboa até Madrid, com maiores ligações a Bruxelas e Genebra e ao respectivo tecido empresarial As autoridades de Macau querem expandir as funcionalidades da Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa para que haja uma aproximação nas relações comerciais com Espanha. A ideia foi deixada pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, na conferência de imprensa de balanço da visita oficial da RAEM a Espanha, que terminou esta quinta-feira. O “plano” de aproximação a Espanha, em sectores como a cultura ou turismo, será entre o Governo e “as operadoras de lazer e entretenimento de Macau”, disse Sam Hou Fai, mas este quis deixar “outra ideia”. “Espanha está ao lado de Portugal e queremos aproveitar a delegação para promover as relações. Será possível que o Governo possa estender e alargar o papel da delegação de Macau em Lisboa para abrir ao mercado de Espanha? Falei com a chefe da delegação, a doutora Lúcia [Lúcia Abrantes dos Santos], sobre a possibilidade de aplicar este plano. Queremos estender os serviços até Espanha.” O Chefe do Executivo disse também que Macau possui delegações em Genebra e Bruxelas, podendo ser estabelecida uma maior conexão entre serviços. “Gostaríamos de aproveitar essa delegação [de Lisboa] para estender [os serviços] e apoiar as empresas de Macau e da China”, disse. Em Madrid, foram muitas as personalidades políticas com quem Sam Hou Fai reuniu, nomeadamente Concha Andreu Rodríguez, segunda vice-presidente do Senado de Espanha, e também com José Manuel Albares Bueno, ministro dos Negócios Estrangeiros, da União Europeia e da Cooperação de Espanha. Na capital espanhola não faltou também uma reunião com Shaikha Al Nuwais, secretária-geral da Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas. Sobre o encontro com Concha Rodríguez, Sam Hou Fai disse que esta “conhece as potencialidades de Macau na área do turismo”, embora ainda não tenha visitado o território. “Espero que se possa [entre as autoridades espanholas], e juntamente com os nossos serviços de turismo, o IPIM e as operadoras de jogo, desenvolver [mais acordos de cooperação e projectos] também através das agências de viagens”. Semelhanças e diferenças E por falar em turismo, Sam Hou Fai saiu de Madrid a pensar que, afinal de contas, até existem semelhanças com Macau, sobretudo no que diz respeito à existência de um centro histórico e da sua preservação. “Apesar de haver uma distância muito grande, Espanha e Macau têm uma história muito profunda. Macau é um centro de lazer e de entretenimento, tem uma história profunda a nível de cultura, e Espanha tem uma história de longa data, e ambas as partes podem fazer a promoção a nível de turismo.” Sam Hou Fai destacou também, aos jornalistas, que o caminho a traçar é aumentar o número de visitantes internacionais e levar mais espanhóis a Macau. “A Direcção dos Serviços de Turismo, em conjunto com as autoridades turísticas de Espanha, analisou como podem ser levados os turistas de Espanha a Macau. A conjuntura internacional é complicada e há a possibilidade de alterações, sobretudo devido às carreiras aéreas que foram afectadas. Mas, segundo a nossa avaliação, achamos que o desenvolvimento de Macau na área de turismo ainda está em progresso.” O governante disse que, até 21 de Março, o território já registou dez milhões de turistas, pelo que este ano, a nível de visitantes internacionais, no primeiro trimestre, contabilizaram-se 750 mil entradas em Macau, “registando-se um aumento de dez por cento”. “Em relação aos turistas e ao seu aumento, mantemos uma posição cautelosa, mas estamos a obter pistas”, acrescentou o Chefe do Executivo.
Hoje Macau Manchete SociedadeUM | IA afasta alunos da área da tradução para português O director do departamento de Português da Universidade de Macau (UM) afirmou ontem que a inteligência artificial (IA) está a ser vista “como uma espécie de papão” e a afastar estudantes da área da tradução. “Há uma espécie de entendimento comum de que a inteligência artificial irá acabar com a tradução. Para as pessoas que trabalham na área do português, da linguística, da tradução, essa relação de causa e efeito (…) não faz sentido”, disse João Veloso aos jornalistas, em declarações à margem de um concurso de língua portuguesa, na UM. Existe uma “certa histeria à volta da questão da inteligência artificial”, completou. Veloso reconheceu que, até há alguns anos, a tradução era a área mais procurada dentro dos estudos de pós-graduação, com mais candidatos do que vagas. “Temos vindo a reparar que nos últimos anos não é bem essa a situação com que somos confrontados”, afirmou, sublinhando que há um decréscimo na procura. O director indicou que, em conversas com alunos de licenciatura, estes afirmam não pretender seguir tradução nos estudos pós-graduados “por causa da tradução automática e da inteligência artificial”. Receio que Veloso diz ser alimentado por “algum discurso público” de “algumas instituições”, publicações e intervenções de pessoas com responsabilidades. Sem fundamento O responsável defendeu que a ideia de que a IA vai acabar com o trabalho dos tradutores “não tem grande fundamento” e que tanto inteligência artificial como tradução automática têm “muitas vantagens” se forem usadas como ferramenta auxiliar de trabalho. “No departamento do português trabalhamos muito com a tradução literária – também contemplamos a tradução técnica, jurídica, comercial, etc. Na tradução literária, a inteligência artificial ainda – ou eu pessoalmente diria nunca – atingirá o nível de um tradutor humano”, reforçou. Segundo João Veloso, os cursos do departamento de Português da Universidade de Macau chegam a mais de mil alunos, entre estudantes de licenciatura, mestrados e doutoramentos deste departamento da faculdade de Artes e Humanidades, alunos da faculdade de Direito e outros que frequentam as disciplinas de língua oferecidas transversalmente em todos os cursos da instituição de ensino superior. Nove alunos de várias universidades de Macau participaram ontem de manhã na 22.ª edição do concurso de eloquência em língua portuguesa, que este ano assinalou os 100 anos da morte de Camilo Pessanha, poeta que viveu e morreu no território. “Esta tradição dos chamados concursos de eloquência é muito popular na Ásia. E neste contexto faz o maior sentido e tem vindo a ser um sucesso”, referiu ainda João Veloso. Apesar de poucos alunos presentes e de algumas edições canceladas nos últimos anos, o director notou tratar-se de uma iniciativa “muito importante”, porque “alimenta a visibilidade e o interesse do português e do estudo português”.
Sérgio Fonseca Desporto MancheteGP | Provas de apuramento com 70 participantes A Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) publicou as listas de inscritos das suas duas competições, Macau Roadsport Challenge e GT4, que este ano regressam a Zhuhai para as tradicionais corridas de apuramento para o Grande Prémio de Macau. Apenas quinze pilotos de Macau estarão presentes A Macau Roadsport Challenge, cuja grelha de partida se divide entre os Toyota GR86 (ZN8) e os Subaru BRZ (ZD8), volta a reunir mais de meia centena de pilotos, sendo que, dos 57 carros inscritos, apenas 10 são tripulados por desportistas da RAEM. Um dos presentes será o experiente Jerónimo Badaraco, que regressa à aguerrida competição de carros de Turismo para tripular um Toyota GR86 da equipa Flexible Speed. A lista de inscritos revela um claro ascendente de pilotos de Hong Kong, com 31 participantes, representando mais de metade do total, o que evidencia a forte presença e tradição deste território no desporto automóvel na Grande Baía. Segue-se o Interior da China, com 14 pilotos, consolidando igualmente a sua influência crescente. Macau, anfitrião do evento, contará com 10 representantes. Com apenas trinta e seis vagas para o grande evento do Circuito da Guia, no mês de Novembro, antecipam-se quatro corridas particularmente animadas. O Circuito Internacional de Zhuhai regressa este ano ao calendário, acolhendo duas jornadas duplas pontuáveis de importância decisiva, algo que sucede pela primeira vez desde 2018. A primeira está agendada para o fim-de-semana de 8 a 10 de Maio, enquanto a segunda decorrerá entre 28 e 31 de Maio de 2026. As corridas da Macau Roadsport Challenge determinarão os apurados para a prova homónima do Grande Prémio de Macau. Manhão na GT4 A maior surpresa da lista de inscritos da GT4 é a presença de Maximiano Manhão. O jovem macaense, que traz consigo um apelido com tradição no automobilismo local, irá conduzir um dos dois McLaren 570S GT4 da equipa LW World Racing Team, fazendo dupla com Wong Cheng Tou. Recorde-se que Maximiano Manhão, que desenvolveu grande parte do seu percurso desportivo nas provas organizadas pela AAMC no Kartódromo de Coloane, participou na Macau Roadsport Challenge na temporada passada, mas não conseguiu apurar-se para o Grande Prémio. Esta será a sua primeira experiência em carros de GT. A lista de inscritos conta com treze participantes, dos quais apenas cinco são de Macau, incluindo também os experientes Kelvin Leong Ian Veng e Billy Lo, sendo os restantes provenientes de Hong Kong. Destaque ainda para a presença de Kevin Tse, terceiro classificado na temporada passada do Campeonato Britânico de GT (GT3), e do regressado Matt Solomon, piloto que competiu na Fórmula 3 contra Charles Leclerc ou George Russell. A competição reservada às viaturas GT4 apurará os participantes para a Taça GT – Corrida da Grande Baía. Ausências de peso Nas duas listas de inscritos agora divulgadas sobressaem duas ausências de relevo no automobilismo macaense: Célio Alves Dias e Rui Valente. O primeiro já tinha explicado ao HM que este ano iria fazer uma pausa sabática das corridas, por motivos de ordem pessoal, após dois anos consecutivos a competir na Macau Roadsport Challenge. Ainda assim, o piloto do território não pretende abandonar a competição, apontando a um regresso na categoria GT4 já em 2027. Insatisfeito com o rumo que a competição de carros de Turismo de Macau tem vindo a seguir nos últimos anos, Rui Valente ponderou a possibilidade de competir na categoria GT4. Contudo, o piloto da RAEM com mais participações no Grande Prémio de Macau não concretizou essa opção. Segundo apurou o HM, Rui Valente não tem planos para pousar já o capacete e encontra-se em conversações para continuar a competir no automobilismo e, possivelmente, regressar ao Circuito da Guia no próximo mês de Novembro.
Hoje Macau China / Ásia MancheteCarros chineses lideram inovação e invertem papéis face à Europa À imagem da BYD, que alugou a Opéra de Paris para um espectáculo de grande dimensão, as marcas automóveis chinesas estão a entrar sem complexos na Europa, apoiadas em tecnologia que os europeus tentam replicar, numa inversão de papéis. Em grande parte desconhecidas na Europa há três anos, marcas como BYD, MG, Chery, Geely, Leapmotor, Jaecoo e Xpeng atingiram em conjunto 9 por cento das vendas na Europa em março, e mesmo 14 por cento no segmento dos veículos eléctricos, segundo a consultora Dataforce – o dobro face ao ano anterior. Alguns modelos já figuram entre os mais vendidos em países como Itália, Espanha ou Reino Unido. O seu sucesso está a abalar construtores europeus fragilizados por um mercado interno em queda desde 2019, e surpreendidos pelo plano da União Europeia para atingir 90 por cento de carros elcétricos até 2035. Em contrapartida, a política europeia acabou por beneficiar os fabricantes chineses, muito mais avançados no sector eléctrico e apoiados pelo Estado nos seus mercados de origem. “A Europa, um dos poucos grandes mercados mundiais, é um destino natural para os construtores chineses. O plano da UE para o carro eléctrico foi praticamente feito para eles, abrindo-lhes o mercado europeu em muito pouco tempo”, resumiu Jamel Taganza, responsável da consultora Inovev, citado pela agência France Presse. A exportação é ainda mais necessária para estes fabricantes do que para os europeus, dado o excesso de capacidade: as fábricas chinesas operam a cerca de 50 por cento do seu potencial, face a cerca de 60 por cento na Europa, sublinhou Alexandre Marian, analista da AlixPartners, citado pela AFP. “Os pontos fortes dos construtores chineses não se limitam aos custos laborais, passam também pela inovação”, disse Michael Foundoukidis, analista automóvel da Oddo. “Na China, oferecem hoje veículos duas vezes mais eficientes por metade do preço” face aos europeus, explicou. O próximo passo é produzir localmente. “Todos os construtores consideram que, para se implantarem num mercado, é mais simples produzir no local, evitando tarifas aduaneiras e problemas logísticos”, afirmou Lionel French Keogh, diretor comercial da Chery em França, que pretende fabricar na Europa um pequeno veículo elétrico urbano. “Se quiserem ultrapassar de forma sustentável os 10 por cento de quota de mercado na Europa, não terão outra escolha senão montar veículos no continente”, acrescentou o analista da Oddo. Em expansão As barreiras aduaneiras impostas pela União Europeia em 2024 aos veículos eléctricos importados reforçam esta tendência. A BYD vai abrir uma fábrica na Hungria. A Leapmotor, parceira da Stellantis, prevê produzir dois modelos numa fábrica do grupo em Saragoça, Espanha. Segundo a imprensa, a Stellantis equaciona também produzir modelos Leapmotor sob a marca Opel em Espanha. Já a Xpeng monta veículos na Áustria. Para responder, os construtores europeus estão a adoptar a estratégia chinesa dos anos 2000: aprender com o concorrente através de parcerias. Exemplos incluem a Stellantis com a Leapmotor e a Volkswagen com a Xpeng, que lançaram um primeiro modelo eléctrico conjunto para o mercado chinês. Outro caso é a Renault, que se aliou à Geely no desenvolvimento de motores térmicos e híbridos.
João Santos Filipe Manchete SociedadeRenovação Urbana | Registado lucro de 787,9 milhões de patacas No espaço de um ano, os lucros da Macau Renovação Urbana caíram para mais de metade, o que pode ser explicado com o menor volume de vendas no Novo Bairro de Macau A Macau Renovação Urbana apresentou um lucro de 787,9 milhões de patacas no ano passado. Os resultados foram apresentados ontem através do portal da Direcção Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). Em termos anuais, o lucro de 787,9 milhões de patacas representa uma quebra dos ganhos superior 50 por cento, dado que em 2024 os lucros tinham sido de 1.791 milhões de patacas. A principal diferença aconteceu ao nível das receitas, com os lucros operacionais a caírem para 2.040 milhões de patacas em 2025, quando no ano anterior tinham atingido 3.694 milhões de patacas. Esta é uma diferença que pode ser justificada com o facto de a procura por habitações em projectos como o Novo Bairro de Macau, na Ilha da Montanha, ter abrandado. Entre os 2.040 milhões de patacas em receitas, o relatório indica que se devem à venda de habitações, enquanto 14 milhões de patacas foram gerados através do arrendamento de espaços. As actividades de arrendamento da empresa, embora com um peso muito limitado nos resultados finais, mostram uma melhoria, significativa, dado que em 2024 este tipo de receitas era de 4 milhões de patacas. Quanto às outras receitas, a empresa apresentou ganhos de 5,1 milhões de patacas, também uma diminuição face ao ano anterior, em que o montante tinha sido de 15,8 milhões de patacas. A redução das receitas foi acompanhada por uma redução dos custos de exploração. Em 2025, os custos da empresa foram de 1.344 milhões de patacas, quando em 2024 tinham sido de 2.699 milhões, uma redução de 50 por cento. Foco no Iao Hon Em relação ao corrente ano, a Macau Renovação Urbana está focada em continuar a promover a renovação dos edifícios do território, com especial foco no Bairro do Iao Hon. Além disso, consta no documento partilhado ontem que vão ser estudadas alterações, não especificadas, aos moldes como são utilizadas as habitações de substituição. Estas habitações foram construídas na Areia Preta com o objectivo de alojarem os moradores de edifícios que sejam alvo de obras de renovação ou reconstrução. A Macau Renovação Urbana foi criada em 2019 com capitais públicos, sendo controlada a 96 por cento pela RAEM, a 3 por cento pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização e a 1 por cento pelo Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia.
João Santos Filipe Manchete SociedadeFeriados | Anunciados nove fins-de-semana prolongados em 2027 Cinco meses, cinco fins-de-semana prolongados. Entre Janeiro e Maio, os trabalhadores da Função Pública vão ter um período de descanso prolongado todos os meses. Outubro e Dezembro também contam com paragens prolongadas Os trabalhadores da Administração Pública vão gozar de nove fins-de-semana prolongados no próximo ano. O calendário foi publicado ontem, no Boletim Oficial, através de despacho assinado por Leong Weng In, directora dos Serviços de Administração e Função Pública. De acordo com os dados apresentados, em 2027 os funcionários públicos vão gozar de 20 feriados, aos quais se juntam seis dias de descanso compensatório e ainda duas tolerâncias de ponto para os períodos da tarde. O primeiro fim-de-semana prolongado acontece logo com o arranque de 2027, dado que 1 de Janeiro, uma sexta-feira, é feriado para assinalar o dia da Fraternidade Universal. Os trabalhadores gozam assim de três dias de descanso ininterruptos. O segundo fim-de-semana continuado, decorre em Fevereiro, com as celebrações do Ano Novo Lunar. Logo na sexta-feira, 5 de Fevereiro, há tolerância de ponto na parte da tarde. Entre feriados e dias compensatórios de descanso, os funcionários públicos só têm de regressar ao trabalho a 11 de Fevereiro, uma quinta-feira, num total de cinco dias de descanso, antecedidos de uma sexta-feira com tolerância de ponto na parte da tarde. Mais um mês, mais um fim-de-semana prolongado, e vai ser assim até Maio. No que diz respeito a Março, o fim-de-semana prolongado decorre entre o dia 26, que assinala a Morte de Cristo, e 29 de Março, uma segunda-feira, que é utilizada para compensar o facto do feriado da Páscoa ser assinalado ao domingo, como acontece sempre. Terminada a Páscoa, os trabalhadores começam uma nova semana de quatro dias trabalho e depois têm logo outro fim-de-semana prolongado. Este deve-se ao Dia do Cheng Ming, que coincide com 5 de Abril, uma segunda-feira. Em Maio, o Dia de Trabalhador acontece a um sábado, pelo que dia 3, segunda-feira, foi decretado dia de descanso compensatório. Ainda neste mês, celebra-se o Dia do Buda, que coincide com uma quinta-feira, no dia 13. Ritmo mais lento Na segunda metade do ano, o ritmo dos feriados abranda, com quatro fins-de-semana alargados, divididos por Outubro e Dezembro. O segundo semestre arranca com um feriado a 9 de Junho, para celebrar os Barcos-dragão, seguindo-se Julho e Agosto, meses em que não há qualquer feriado. Em Setembro, o dia 16 vai ser feriado devido ao dia seguinte ao Bolo Lunar. Com o início de Outubro, e as celebrações do estabelecimento da República Popular da China, regressam os períodos prolongados de descanso. A primeira paragem decorre entre 1 de Outubro, uma sexta-feira e segunda-feira, devido a um dia compensatório. Também o fim-de-semana seguinte é alargado, com as celebrações do Culto do Antepassados (Chong Yeong), na sexta-feira, dia 8. Os feriados prolongados regressam com as celebrações da transferência de soberania, o 20 e Dezembro, que calha a uma segunda-feira. Também a véspera de Natal é feriado, dia 24, sexta-feira, e dado que haverá compensação de descanso no dia 27, segunda-feira, há uma paragem de quatro dias. Aos fins-de-semana prolongados do segundo semestre juntam-se os feriados 2 de Novembro, terça-feira, 8 de Dezembro, quarta-feira e 22 de Dezembro, quarta-feira. Também a 31 de Dezembro, há tolerância de ponto, na parte da tarde.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaPortuguês | Sam Hou Fai diz que língua “não merece preocupação” Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, partiu de Lisboa para Madrid esta terça-feira referindo que as ligações do território com Portugal estão cada vez mais estreitas e que o caminho da cooperação está traçado. Em encontros com ministros, destacou que “a língua [portuguesa] não é questão que mereça preocupação”, quer ao nível do ensino, quer no uso pelos tribunais “Posso garantir que a língua não é questão que mereça preocupação.” Foi desta forma que o Chefe do Executivo da RAEM, Sam Hou Fai, se referiu ao panorama do ensino e uso da língua portuguesa no território em reuniões com ministros portugueses. Na conferência de imprensa de balanço da visita da delegação da RAEM a Lisboa, que decorreu entre sábado e esta terça-feira, Sam Hou Fai destacou alguns pontos abordados na intensa agenda que teve na capital portuguesa. Tanto nos encontros com o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, ou com a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, o uso do português foi abordado. “Eles mostraram interesse sobre a formação em língua portuguesa”, disse Sam Hou Fai. “Após o retorno de Macau à China, Macau fez muito pela formação e nunca houve uma formação tão abrangente. Nunca houve tantas escolas [a ensinar a língua] e, na história de Macau, nunca houve tantos estudantes a aprender português. Eles [ministros] sabem que, actualmente, há mais chineses a aprender português em Macau do que as pessoas de Portugal a aprender português. Sabem que damos importância à utilização do português, sobretudo no sistema judicial”, destacou. Sam Hou Fai lembrou que a ministra da Justiça e a sua equipa tem conhecimento de que no Tribunal de Última Instância (TUI) “a maioria das sentenças, sobretudo a nível civil, continuam a ser em língua portuguesa”. “Eles têm conhecimento da utilização da língua portuguesa em Macau, qual a situação e que continuamos a apostar na forte formação da língua portuguesa. Eles ficaram satisfeitos com a minha resposta”, adiantou. O governante não deixou de lembrar que esta foi a primeira vez, em quase 27 anos, que um líder da RAEM foi recebido pelos “quatro líderes nacionais dos poderes executivo, legislativo e judicial”. Sam Hou Fai disse ainda que desenvolveu “um programa destinado a aprofundar a amizade e a promover a cooperação, obtendo resultados positivos e atingindo os objectivos previstos”. Salários mais altos No contexto da necessidade de mais quadros qualificados em Macau, Sam Hou Fai disse ter feito “uma apresentação muito pormenorizada sobre a força laboral de Macau” no encontro com o ministro português da Economia, sem que tenha havido espaço para questionar, concretamente, a questão da atribuição de residência a portugueses. “Temos cerca de 180 mil trabalhadores não residentes em Macau. Não tenho aqui o número exacto, mas muitos deles são de países de língua portuguesa. No âmbito da terceira fase de importação de quadros qualificados do Governo da RAEM, expliquei que às pessoas que dominam a língua portuguesa, nomeadamente de universidades de excelência de Portugal, pode dar-se um valor [salarial] mais elevado para que possam ser atraídas a ir para Macau.” Sam Hou Fai referiu-se concretamente às pessoas oriundas dos países de língua portuguesa, “incluindo Portugal”, para que tenham condições laborais mais atractivas. Tudo para que haja uma maior atracção de “quadros qualificados [para participar] no desenvolvimento de Macau”. Mercado em projecção Foi um corre-corre de encontros e visitas desde sábado, e que só terminou na tarde de terça-feira, dia em que se deu a partida da comitiva da RAEM para Madrid. O líder do Governo de Macau reuniu também com o Presidente da República, António José Seguro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano. Nestes encontros, Sam Hou Fai foi destacando o papel de Macau enquanto ponte nas relações sino-portuguesas. “Os principais líderes da República Portuguesa reconheceram que Macau desempenha um papel importante como plataforma nas relações estratégicas e de cooperação entre a China e Portugal, e manifestaram o desejo de aproveitar ainda mais as funções e vantagens únicas desta plataforma”, afirmou. De acordo com Sam Hou Fai, o Governo português manifestou particular interesse em potenciar uma plataforma para permitir que empresas chinesas e de Macau utilizem e aproveitem as vantagens de Portugal como uma porta de entrada para novos mercados em África, Europa e América Latina. Em contrapartida, foi explorada “a possibilidade de promover a colaboração entre empresas de Macau e de Portugal para explorar os mercados dos países da Península Ibérica”. “A cooperação entre a China e Portugal está voltada para o futuro e irá criar melhores oportunidades de desenvolvimento”, afirmou. Sam Hou Fai adiantou que vai exigir ao IPIM – Instituto de Promoção do Comércio e Investimento que “promova esses projectos, ao nível da cultura, educação, assuntos sociais e também da economia, para que possam ter acompanhamento e avançar”. Citado por uma nota oficial, Luís Montenegro, primeiro-ministro português, “afirmou que Portugal está empenhado em aprofundar a cooperação amigável luso-chinesa, esperando continuar, através da estreita ligação e cooperação pragmática com Macau, a consolidar ainda mais e até elevar ininterruptamente a amizade tradicional”. Montenegro disse que “Macau é uma janela importante para o sector português entrar no mercado chinês”, e que Portugal “poderá igualmente ser uma plataforma de cooperação económica e comercial para as empresas do Interior da China e de Macau entrarem no mercado europeu”. Por essa razão, deve ser reforçada “a articulação e cooperação”, a fim de se chegar, por parte dos dois territórios, “a um maior mercado”. O governante português afirmou que o país “espera ter mais empresas chinesas e de Macau a investir em Portugal”, apostando-se na cooperação nas áreas “judiciária, cultura e turismo, promoção da língua portuguesa e quadros qualificados de alto nível”. Mais justiça Dada a experiência que Sam Hou Fai tem na área da justiça, uma vez que presidiu ao TUI durante décadas antes de ser Chefe do Executivo, esta foi uma área relevante na agenda. No âmbito da reunião com João Cura Mariano, ficou a promessa de Macau participar, no Outono, num evento que irá decorrer em Lisboa que analisa a relação entre a tecnologia, o Direito e as instituições judiciais, realizado pela União Europeia. “Vou falar com a presidente do TUI de Macau [Song Man Lei] para que Macau possa enviar uma delegação para participar nesse evento. Queremos ajudar os representantes dos tribunais da China na participação, e esse é um trabalho que vou acompanhar quando regressar [a Macau]. Vamos activar também essa formação de quadros” na área judicial. Segundo um comunicado oficial, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça sublinhou que “a RAEM é um espaço onde coexistem o sistema jurídico europeu e o direito da China, bem como a continuidade do sistema jurídico tradicional e da língua portuguesa”, tendo reconhecido ainda que “Portugal e Macau partilham um vasto espaço de cooperação no âmbito judicial, que poderá ser reforçado no futuro”. Além disso, João Cura Mariano adiantou que existe a “expectativa de que os sectores judiciais das duas partes reforcem ainda mais a ligação e a cooperação, promovendo visitas mútuas de juízes, para que estes possam adquirir e acumular experiências práticas mais ricas através dos intercâmbios”. Comissão Mista ainda sem data Questionado sobre uma eventual data para a realização da próxima Comissão Mista Macau-Portugal, Sam Hou Fai disse que dos encontros com as autoridades portuguesas ainda não saiu uma data. Destaca-se que a última vez que esta reunião aconteceu foi em Maio de 2019. A Comissão Mista é um organismo existente para discutir a cooperação bilateral entre a RAEM e Portugal no contexto da assinatura da Declaração Conjunta e transferência de administração. Luís Montenegro referiu apenas “ter a expectativa de que ambas as partes possam negociar activamente para se convocar, o mais breve possível, uma outra reunião da Comissão Mista Macau-Portugal, e promover, de forma sólida, a cooperação bilateral pragmática em diversas áreas”. Sam Hou Fai disse apenas na conferência de imprensa de balanço que Portugal e a RAEM “têm mantido contactos desde sempre”, mas falta ainda definir um calendário para aquela que será a sétima reunião. “Não tenho um calendário porque há interesses das duas partes para por na agenda”, rematou.
Hoje Macau China / Ásia MancheteGuangdong | Inaugurada nova central nuclear em Huizhou Uma nova central nuclear com capacidade de produzir mais de nove mil milhões de quilowatt-hora (kWh) por ano foi inaugurada na província chinesa de Guangdong. Segundo meios de comunicação chineses, uma unidade nuclear Hualong One desenvolvida pelo Grupo Nuclear Geral da China (CGN, na sigla em inglês), o maior operador nuclear do país, entrou oficialmente em operação comercial na segunda-feira em Huizhou, uma cidade a cerca de 150 quilómetros de Macau e Hong Kong. Esta unidade tem capacidade para produzir mais de nove mil milhões de quilowatt-hora por ano, suficiente para abastecer milhões de residentes da região. Segundo o jornal estatal China Daily, o Hualong One é a primeira tecnologia nuclear de terceira geração desenvolvida de forma independente pela China e já está em operação em várias províncias, incluindo Fujian e Zhejiang. O presidente da CGN Huizhou Nuclear Power, Zhang Guoqiang, indicou ao jornal Global Times, a unidade passou por todos os testes de desempenho e funcionou durante 168 horas consecutivas em carga máxima, apresentando resultados “estáveis e seguros”. Ao mesmo jornal, o director do Instituto Sino-Francês de Tecnologia Nuclear da Universidade Sun Yat-sen, Wang Wei, considerou que a unidade nuclear será uma fonte de energia estável para apoiar o desenvolvimento económico de alta qualidade na Grande Baía. A Grande Baía é um projecto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, com cerca de 86 milhões de habitantes e com uma economia superior a um bilião de euros. Segundo o jornal, a procura por energia limpa e estável na região tem vindo a aumentar, com o consumo total de electricidade da província de Guangdong a atingir 958,97 mil milhões de kWh em 2025, um crescimento de 4,93 por cento em relação ao ano anterior, colocando a província no topo do consumo energético nacional. A província de Guangdong já é um importante polo de energia nuclear na China, e detém várias centrais nucleares de grande dimensão, incluindo Daya Bay, Yangjiang e Taishan. O projecto Taipingling, entretanto, prevê a construção de seis unidades Hualong One em três fases. Quando concluído, espera-se que produza mais de 55 mil milhões de kWh por ano, o que permitirá poupar cerca de 16,65 milhões de toneladas de carvão padrão e reduzir aproximadamente 50,82 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono. Base energética Com a entrada em funcionamento da Unidade 1, a CGN passa a operar 29 unidades nucleares com uma capacidade total de 33,04 milhões de quilowatts. A empresa tem ainda 19 unidades em construção, das quais 17 utilizam a tecnologia Hualong One, consolidando a tecnologia como uma “pedra basilar da futura matriz energética da China”. O China Daily acrescentou que o Hualong One já está em operação em outras províncias, como Fujian e Zhejiang, e que a CGN está a investir fortemente em digitalização e inteligência artificial para melhorar a segurança e eficiência das centrais nucleares. Estes esforços fazem parte da estratégia nacional para atingir a neutralidade carbónica até 2060, na qual a energia nuclear foi incluída como “pilar essencial”.
João Santos Filipe Manchete SociedadeImobiliário | Vendas com aumento anual de 39 por cento O número de compras e vendas de habitação subiu para 328 durante o mês de Março, um crescimento anual. Apesar do aumento de transacções, o preço do metro quadrado continua a apresentar quebras Em Março, o número de vendas de imobiliário registou um aumento anual de 39 por cento, de acordo com os dados mais recentes da Direcção de Serviços de Finanças (DSF). As compras e vendas totalizaram assim 328 transacções no último mês, quando no período homólogo tinham sido 236. No mês mais recente, o mercado mais activo foi o da Península, com um total de 260 transacções, mais 79 do que no período homólogo, quando houve 181 compras e vendas neste mercado. Também na Taipa e em Coloane, o número de transacções cresceu, para 54 e 14, respectivamente, quando há um ano não tinha ido além das 50 e 5 compras e vendas. Apesar de haver mais transacções, os preços apresentam uma redução. No último mês, o preço médio do metro quadrado foi de 69.625 patacas, quando há um ano tinha sido de 74.041 patacas, uma diferença de 6 por cento. Recentemente, os preços mais altos foram praticados no mercado da Península, com o metro quadrado a ser comercializado por 71.403 patacas. Há um ano, o preço era de 73.988 patacas por metro quadrado, pelo que se registou uma redução de 3,5 por cento. Na Taipa, o preço mais recente do metro quadrado foi de 63.278, a redução mais acentuada no território, dado que em Março de 2025 o preço médio atingia 74.678 patacas, uma diferença de 15 por cento. A excepção à redução aconteceu em Coloane, onde o preço do metro quadrado aumentou de 68.606 patacas para 70.967 patacas, uma subida anual de 3,4 por cento. Redução mensal Em termos mensais, as variações são menos positivas para o mercado, uma vez que houve reduções ao nível das transacções e do preço. No segundo mês do ano, o número de transacções tinha atingido 494 compras e vendas, o número mais elevado desde Agosto de 2021, quando houve um total de 545 transacções. A diferença é que em 2021 o preço médio do metro quadrado atingia 103.337 patacas, e no mês de Fevereiro de 2026 não foi além de 77.713 patacas. Quando comparação é feita entre Fevereiro de Março deste ano, a redução do número de transacções foi de 10 por cento, das 494 compras e vendas para 328. A maior quebra acontece na Península, de 411 transacções para 260. Na Taipa, as 65 compras e vendas caíram para 54, e em Coloane a redução foi de 18 para 14. Em termos dos preços, na Península o metro quadrado caiu de 80.672 patacas para 71.403 e na Taipa de 67.970 patacas. A excepção aconteceu em Coloane, com o preço a apresentar um aumento de 66.747 patacas para 70.976 patacas.
João Santos Filipe Manchete SociedadeTurismo | Macau pode beneficiar com aumento dos combustíveis Com os preços das viagens para o estrangeiro a ficarem mais caras, Macau pode tornar-se o destino de eleição durante a Semana Dourada para os turistas do Interior Duas associações locais ligadas ao turismo acreditam que Macau pode beneficiar com o aumento dos preços dos combustíveis durante a Semana Dourada, uma vez que os turistas do Interior podem abdicar de realizar férias no estrangeiro, para poupar dinheiro, e virar as atenções para a RAEM. Segundo o presidente da Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau, Paul Wong, durante a Semana Dourada o turismo local vive essencialmente dos turistas do Interior, com os feriados este ano a decorrer entre 1 e 5 de Maio. Por isso, explicou Paul Wong, como os preços das viagens estão mais caros, e também várias ligações aéreas estão a ser canceladas, é expectável que os turistas optem por deslocações maus curtas, para controlarem os gastos e evitar cancelamentos de ligações. Nesta lógica, o dirigente associativo considera que Macau se torna um destino mais atractivo. Por sua vez, o presidente da Associação dos Hoteleiros de Macau e deputado, Cheung Kin Chung, admitiu que a indústria está a sofrer as pressões do aumento dos preços, mas que vai tentar manter o montante cobrado aos clientes, o que pode tornar Macau mais atractivo. Cheung Kin Chung revelou também que para lidar com os aumentos dos preços dos combustíveis, o sector do turismo está focado em explorar as ligações a Macau através do comboio da alta velocidade no Interior. Por esta razão, e apesar de o sector desejar explorar mais o mercado dos turistas internacionais, o deputado admitiu que o tipo de turistas vai ser afectado, com um maior foco nos visitantes da Grande Baía. Reservas a subir Em relação às reservas de hotéis, Paul Wong ainda não adiantou qualquer tipo de número, mas reconheceu que estão a subir de forma gradual, como esperado. Segundo este dirigente associativo, uma vez que as reservas são feitas por turistas com vistos individuais, as escolhas são feitas mais perto da data de viagem, ao contrário do que acontece com as excursões. Wong indicou também que os hotéis do Cotai estão a garantir que haverá o maior número possível de hotéis no mercado. Sobre a Semana Dourada, Paul Wong destacou os planos do Governo, que fazem com que as concessionárias disponibilizem shuttles para os turistas visitarem os bairros residenciais, onde se espera que possam consumir mais. Sobre este plano, o presidente da Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau afirmou que uma implementação bem-sucedida por levar a que a iniciativa se repita aos fins-de-semana. Contudo, Wong alertou que para que os bairros comunitários sejam mais atractivos para os turistas talvez seja necessário distribuir vales de consumo aos visitantes.
João Santos Filipe Manchete PolíticaCombustíveis | Aumentos nos ferries e em veículos pesados Após o aumento dos preços na aviação, TurboJET e Cotai Water Jet receberam autorizações do Governo para seguir o mesmo caminho, nas ligações entre Macau, Hong Kong e o Interior As operadoras de ferries TurboJET e Cotai Water Jet anunciaram um aumento de 10 por cento no preço dos bilhetes entre Macau e Hong Kong. O transporte de cargas com veículos pesados vai seguir o mesmo caminho. Os novos preços começam a ser praticados a partir de sábado, e foram justificados com os aumentos internacionais do custo dos combustíveis. “A Shun Tak-China Travel Shipping Management Limited foi autorizada pelo Governo de Macau para ajustar as tarifas das rotas da TurboJET entre Hong Kong e Macau, da rota entre Macau e o Terminal de Ferry do Aeroporto de Shenzhen e do Passeio Aquático em Macau,” pode ler-se num comunicado da TurboJET, divulgado na Segunda-Feira. A TurboJET acrescentou que o aumento de cerca de 10 por cento serve para aliviar “ligeiramente” a pressão do aumento dos custos. Actualmente, o preço de ferry da classe económica entre Hong Kong e Macau em durante os dias úteis está fixado nos 175 dólares de Hong Kong. A partir de sábado, sobe para 194 dólares de Hong Kong. Aos fins-de-semana, o preço da classe económica é de 190 dólares de Hong Kong e o preço nocturno da classe económica é de 220 dólares de Hong Kong. Com a nova tabela de preços, a viagem vai passar a custar 212 dólares de Hong Kong, no horário diurno, e 242 dólares de Hong Kong à noite. O preço de ferry da classe económica entre Macau e o Terminal de Ferry do Aeroporto de Shenzhen será aumentado para 259 dólares de Hong Kong, de 235 dólares de Hong Kong. Quanto ao Passeio Aquático em Macau, o preço vai subir para 88 patacas, face às 80 patacas actuais. Por sua vez, no comunicado a anunciar os aumentos, a Cotai Water Jet não indicou as razões. Porém, a empresa esclareceu que vai aumentar o preço de ferry na classe económica de 175 dólares de Hong Kong para 192 dólares de Hong Kong, enquanto o preço nocturno da classe económica vai passar para 242 dólares de Hong Kong, quando agora é de 220 dólares de Hong Kong. Pesados acompanham Em relação aos transportes em veículos pesados, a Associação de Motoristas de Veículos Pesados de Macau anunciou ontem no jornal Ou Mun que os preços vão aumentar 20 por cento. A escalada entra em vigor a partir de hoje, e a medida foi justificada com o aumento internacional do preço dos combustíveis. “Devido ao impacto grave da tensão no Médio Oriente, os preços de combustíveis em Macau continuam a subir e a bater recordes, provocando o aumento dos custos. O sector enfrenta uma pressão operativa como nunca aconteceu”, lê-se na publicação. Na semana passada, a associação defendeu que o Governo subsidiasse os preços de combustíveis, seguindo o exemplo de Hong Kong. Estes não são os primeiros aumentos a nível dos transportes. Anteriormente, a Air Macau anunciou o aumento da sobretaxa de combustível, pelos mesmos motivos. A transportadora de Macau tem também optado por cancelar vários voos, para não perder dinheiro. Até Junho, espera-se o cancelamento de pelo menos 400 voos.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaSam Hou Fai em Lisboa | Macau é “ponte eficaz” para negócios, diz ministro A agenda do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, por Lisboa incluiu encontros com os ministros portugueses da Economia e da Justiça. Manuel Castro Almeida destacou Macau como “ponte eficaz, segura e facilitada” para negócios entre Portugal e China. Já Rita Júdice, foi convidada para visitar Macau A semana começou recheada de encontros para Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, que em Lisboa reuniu com alguns ministros do Governo português, nomeadamente com Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial, e Rita Alarcão Júdice, ministra da Justiça. Ambos os encontros apenas tiveram direito a recolha de imagens, sem lugar a declarações aos jornalistas. Citado por uma nota oficial divulgada após o encontro, o ministro português declarou que “Macau também constitui uma ponte eficaz, segura e facilitada para as empresas chinesas entrarem nos países de língua portuguesa”, destacando que existem apoios “para profissionais de diversas áreas de Portugal se deslocarem a Macau”, a fim de procurarem e aproveitarem “as oportunidades de desenvolvimento”. Manuel Castro Almeida referiu também a “estabilidade social e prosperidade económica” de Macau graças ao princípio “Um país, dois sistemas”. O ministro entende que “graças a relações únicas e insubstituíveis entre Portugal e Macau a região dispõe de um vasto leque de quadros qualificados nas áreas jurídica e linguística, o que lhe permite manter uma ligação estreita com os países de língua portuguesa”. Destaque para o facto de o ministro da Economia ter frisado que “Portugal valoriza as relações amigáveis com a China” e que “já tinha defendido o ensino do chinês nas escolas primárias locais, a fim de aproveitar as oportunidades de desenvolvimento da China”. Ajuda lusa Por sua vez, Sam Hou Fai referiu as vantagens de Macau por estar cada vez mais integrado na região da Grande Baía, sobretudo devido à existência da Zona de Cooperação Guangdong-Macau em Hengqin. O Chefe do Executivo “agradeceu a Portugal o apoio constante ao desenvolvimento económico da RAEM”, tendo sublinhado que o território, “com as suas vantagens únicas”, nomeadamente “o bilinguismo (chinês e português) e o sistema jurídico continental europeu tornou-se uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa para a cooperação económica e comercial”. Sam Hou Fai lembrou que o Executivo “está a acelerar o desenvolvimento da diversificação adequada da economia, promovendo de forma ordenada quatro projectos-chave”. Nestes projectos Portugal pode ajudar, pois possui “vantagens em sectores da inovação científica, educação, turismo, e convenções e exposições”. O governante máximo da RAEM espera, portanto, poder “reforçar o intercâmbio e a cooperação bilaterais nessas áreas” com Portugal. Sistema impecável No encontro com a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice deu os parabéns à RAEM, fazendo “um enorme elogio à implementação bem-sucedida do princípio ‘um país, dois sistemas’ em Macau”, ficando a promessa de, no futuro, se dar “impulso à cooperação judiciária com Macau”. Rita Júdice “elogiou ainda o Governo da RAEM pelo seu empenho na protecção da multiculturalidade, sublinhando que a língua portuguesa e a cultura portuguesa têm sido bem preservadas em Macau”, segundo a mesma nota oficial. Sam Hou Fai deixou o repto a Rita Júdice para visitar Macau. O governante “manifestou que será bem-vinda uma futura visita da ministra Rita Alarcão Júdice a Macau, para reforçar ainda mais os laços com o Governo da RAEM, em particular com o secretário para a Administração e Justiça”.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaSam Hou Fai em Lisboa: AICEP pede investimento em “projectos concretos” Foi numa sala do MEO Arena, em Lisboa, que se assinaram dezenas de acordos de cooperação entre empresas portuguesas e chinesas e se apresentaram, esta segunda-feira, as vantagens económicas de Macau e Hengqin. Uma empresa chinesa, a Tenways, vai produzir bicicletas eléctricas em Aveiro. A AICEP pede investimento com impacto real Imagine-se que investir na RAEM é como aceder a um menu gastronómico, neste caso no tipicamente português Tromba Rija, em Macau. Há de tudo, desde novas tecnologias de ponta à medicina ou outras áreas da saúde, e não faltam robots a anunciar as vantagens de uma economia com baixos impostos e flexibilidade na criação de empresas. Este foi o conteúdo do vídeo visionado esta segunda-feira no MEO Arena, em Lisboa, na “Sessão de Promoção da Cooperação Económica e Comercial Macau-Portugal”, que acolheu dezenas de empresários de Portugal, Macau e China em sessões de negócio e assinatura de protocolos de cooperação. No período da manhã, foram assinados 20 acordos, à tarde 18 (ver texto secundário). Incluem-se nas parcerias e bolsas de contactos empresas como os grupos Nam Kwong e Bai Li, a OWLPlaces AI, a Teixeira Duarte ou o município de Sintra, sem esquecer associações e câmaras de comércio. No eclodir da manhã foram-se sentando alguns empresários nas mesas, seguindo-se apresentações sobre aquilo que Macau tem para oferecer em conjugação com Hengqin e o interior da China, e o que Portugal pode dar: entre a vontade de diversificar e o panorama de negócios em língua portuguesa, ficou a promessa de muitas vantagens que podem ser aproveitadas. À margem do evento, falou António Martins da Cruz, antigo embaixador que preside à Oeiras Valley Investment Agency (OVIA), uma entidade de captação de investimento para o município de Oeiras. Um dos projectos destacado por Martins da Cruz é a construção de um parque empresarial em Oeiras, anunciado em 2024 com um investimento de 400 milhões de euros. “Temos vários acordos assinados quer com instituições de Macau, quer de Hengqin. Dois dos nossos associados, a China State Construction Engineering, através da sociedade que está em Macau, e o grupo Teixeira Duarte, que é uma das grandes empresas de construção em Portugal, vão começar a construir, penso que no mês que vem, um enorme parque empresarial e habitacional em Oeiras. Entendemos que, quando estiver pronto, é o local ideal para as empresas chinesas que estão em Portugal ou que querem instalar-se em Portugal, incluindo as de Macau, Hengqin e Grande Baía. Uma das razões para a nossa ida para Macau é esta”, salientou. Sobre a visita de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, a Portugal e Espanha, na qual se integrou a sessão de contactos empresariais, o presidente da OVIA destacou que “é muito importante para Macau e Portugal”, já que, actualmente, e além da ligação histórica existente, “Macau é a plataforma ideal para as relações políticas, económicas e culturais não apenas entre Portugal e a China, mas entre a China e os países de língua portuguesa”. Estabilidade no país Madalena Oliveira e Silva, presidente do conselho de administração da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), disse que Portugal tem hoje um “ambiente estável e previsível” em termos económicos, sendo importante que, no tocante ao papel de Macau como plataforma, haja “benefícios concretos para as empresas, em particular as portuguesas”. Isto porque, no seu entender, “continua a ser essencial facilitar o acesso ao mercado da China, nomeadamente através de soluções que permitam uma maior eficiência, previsibilidade e redução de custos no acesso a este mercado”. Para Madalena Oliveira e Silva, este “é um momento particularmente relevante para o aprofundamento da relação económica entre Portugal e a República Popular da China”, sendo que Portugal “reafirma a sua total disponibilidade para continuar a aprofundar a cooperação económica com Macau, reforçando os fluxos domésticos, de investimento e cooperação empresarial”. Neste contexto, “Portugal está plenamente aberto ao investimento da China, incluindo a agentes económicos sediados em Macau”, mas o que se procura é “investimento com impacto real, projectos produtivos e tecnológicos que sejam geradores de emprego qualificado e que contribuam para a transformação da nossa base económica” e ainda “valor a longo prazo”. A responsável da AICEP acrescentou no seu discurso que “Portugal posiciona-se como uma porta inteligente para a entrada na Europa”, sendo uma “base estratégica que permite a empresas aceder a um espaço económico de cerca de 450 milhões de consumidores no quadro da União Europeia”. Bicicletas em Aveiro Shawn Liang, fundador e director-geral da Tenways, empresa chinesa dedicada a meios de mobilidade amigos do ambiente, como é o caso das bicicletas eléctricas, anunciou no evento desta segunda-feira um investimento superior a mil milhões de renminbis numa fábrica em Aveiro. A produção será, essencialmente, de bicicletas eléctricas. “A minha empresa vai investir numa fábrica em Aveiro, com um investimento que ultrapassa os mil milhões [de renminbis] e depois a empresa vai fornecer produtos a toda a Europa. Estou confiante neste projecto.” Na visão deste empresário, “Portugal pode oferecer muitos recursos empresariais e governamentais”, referindo que persistem entraves de ordem prática. “A minha empresa já investiu em Portugal, mas o processo de estabelecimento da confiança entre empresas da China e Portugal é muito lento. Este evento pode ajudar a acelerar o processo para a criação de confiança entre duas empresas”, rematou.