João Luz Manchete SociedadeTufão | Voo para Macau obrigado a aterrar em Nanning O tufão Noul levou ao cancelamento de mais de 60 voos no aeroporto de Macau, à interrupção das ligações marítimas e da circulação na Ponte do Delta. Um voo de Osaka, com chegada prevista à RAEM na tarde de sábado, foi desviado para Guangxi, onde fez uma aterragem de emergência Apesar de não ter provocado danos de maior, o tufão Noul causou a paralisia dos transportes na região. A situação mais complexa envolveu um voo da Air Macau, oriundo de Osaka com destino à RAEM, que foi obrigado a aterrar de emergência no Aeroporto Militar de Nanning, na província de Guangxi, a oeste de Guangdong, indicou ontem a Direcção dos Serviços de Turismo (DST). O voo deveria aterrar em Macau na tarde de sábado, mas devido às condições meteorológicas foi desviado para Guangxi, onde fez uma aterragem de emergência. A bordo vinham 166 passageiros, 93 destes residentes da RAEM. Segundo indicou ontem a DST, a companhia aérea providenciou o alojamento dos passageiros e afirmou que será organizado “um voo de Nanning, em Guangxi, para Macau ainda hoje, assim que for possível, dependendo das condições meteorológicas”. A linha aberta para o turismo recebeu nove pedidos de assistência de passageiros deste voo. O voo desviado foi a situação mais preocupante, revelada quase um dia depois, porém, a passagem do Noul originou uma confusão generalizada nas fronteiras. Ontem, ao início da tarde, alguns passageiros aguardavam nos postos fronteiriços o reatamento dos transportes entre regiões, tanto nos terminais marítimos para Hong Kong e Shenzhen, como na Ponte do Delta. Também as ligações ferroviárias no Interior foram interrompidas. Com o sinal 3 de tempestade tropical emitido às 18h de sábado, já os cancelamentos de voos eram a tónica dominante no Aeroporto de Macau e de Hong Kong. Em Macau, foram cancelados 62 voos, principalmente no sábado e domingo, nos dois sentidos entre a RAEM e destinos como Taipé, Kaohsiung, Xiamen, Nanjing, Chengdu, Xangai, Hangzhou, Banguecoque e Manila. Além disso, mais de 30 voos foram afectados com atrasos. Macau radical Outra situação que obrigou à intervenção de uma equipa de salvamento, ocorreu perto da praia de Hac Sá, quando um jovem de 14 anos foi resgatado ao largo do trilho de Long Chao Kok, depois de a prancha de windsurf se ter virado, atirando-o ao mar. A ocorrência foi detectada através do sistema de monitorização dos Serviços de Alfândega, que activaram o mecanismo de resposta de emergência com lanchas rápidas. O jovem não necessitou de apoio médico e as autoridades levaram-no de volta ao centro náutico de Hac Sá. A circulação da Ponte Hong Kong – Zhuhai – Macau foi interrompida à meia-noite de domingo e só foi retomada às 13h de ontem, altura em que foram também reatados os serviços dos autocarros dourados. Em relação às ligações marítimas, o último barco da TurboJet saiu de Macau para Hong Kong às 21h de sábado, e no sentido inverso a última partida antes da suspensão dos serviços foi às 21h30. As embarcações da Cotai Water Jet, entre a Taipa e Sheung Wan partiram às 21h de sábado para Hong Kong e no sentido inverso às 20h30. Os serviços foram retomados ontem às 13h30. Os transportes foram retomados ao início da tarde de ontem. Em terra, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude suspenderam ontem todas as actividades educativas dos ensinos infantil, primário e especial, enquanto os eventos planeados para ontem para alunos do secundário se mantiveram sem alterações.
Hoje Macau Manchete SociedadeMiniso abre loja em Macau com colaborações com Disney e Harry Potter A marca chinesa Miniso abriu em Macau a primeira loja Miniso Land, um conceito premium que aposta em experiências imersivas e áreas temáticas dedicadas a marcas como Harry Potter, Disney e Pokémon. Localizada no centro comercial do hotel-casino Venetian, a loja ocupa uma área de 400 metros quadrados e é a maior da marca no território, informou na quinta-feira o portal de notícias Inside Retail Asia. Este espaço disponibiliza mais de 1.200 produtos, incluindo artigos de colecção, ‘blind boxes’ – caixas lacradas que contêm bonecos e bens coleccionáveis aleatórios -, peluches, artigos de papelaria e produtos de ‘lifestyle’. Apresenta, ainda de acordo com a revista especializada, mais de 30 colecções de personagens e marcas, com áreas temáticas dedicadas a universos como Disney, Harry Potter, Sanrio, Pokémon, One Piece, Crayon Shinchan e Chiikawa. O espaço inclui ainda figuras próprias da Miniso, como o YoYo. A abertura insere-se na estratégia da Miniso de reforçar a expansão global do conceito de retalho imersivo, assente em colaborações com marcas licenciadas. O formato Miniso Land combina uma oferta alargada de produtos com merchandising temático e expositores interactivos, transformando as lojas em destinos de entretenimento, ainda de acordo com a Inside Retail Asia. Expansão internacional No início do ano, a empresa inaugurou também em Kuala Lumpur, na Malásia, a primeira Miniso Land do país, com 1.700 metros quadrados. Com mais de 7.700 lojas no mundo, a marca – que nasceu em 2013, em Guangzhou, no sul da China, pelas mãos do empresário Ye Guofu – entrou no mercado português em 2021, no Arrábida Shopping, em Vila Nova de Gaia. Conta hoje com vários espaços no país, incluindo em Lisboa e Póvoa do Varzim. Ao viajar com a família para fora da China, Ye apercebeu-se de várias lojas especializadas com produtos de qualidade, design apelativo e preços acessíveis, na maioria fabricados na China. “Impulsionado pela paixão pelo retalho e pela convicção no potencial do sector, Ye Guofu fundou a Miniso”, lê-se na página da marca.
João Santos Filipe Manchete SociedadeImobiliário | Associação opõe-se a novos apoios do Governo A associação Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios pediu ao Executivo para desistir da ideia de criar novos apoios para as empresas responsáveis pela construção imobiliária. A associação defende um Governo que ajude antes a população a ter acesso à habitação A associação Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios apelou ao Governo para acabar com os apoios às empresas que promovem a construção de imobiliário em Macau. O pedido da associação que anteriormente se denominava Poder do Povo foi feito na sexta-feira, através da entrega de uma carta na sede do Chefe do Executivo. Na missiva, a associação critica o facto de os apoios do Governo ao sector imobiliário apenas incentivarem lucros exorbitantes e tornarem os preços da habitação mais caros, ao ponto de não serem acessíveis para a grande maioria da população. A Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios defendeu que os preços dos imóveis devem regressar a “níveis razoáveis”, como acontecia no passado, para permitir que as novas gerações consigam comprar casa. A associação recordou que, em 2000, antes de o Governo adoptar a política de imigração por investimento, os preços da habitação na zona do bairro do Iao Hon eram “bastante razoáveis”. A associação exemplifica que, nessa altura, um apartamento T2 nos edifícios Seng Lei, Hong Tai, Lok Fu e Man On custava cerca de 100 mil patacas. “Todos os residentes conseguiam suportar o custo de uma habitação e a população tinha uma boa qualidade de vida”, pode ler-se na carta. Nos últimos anos, a Associação dos Empresários do Sector Imobiliário, ligada ao ex-deputado e empresário Ung Choi Kun, e os deputados Song Pek Kei e Nick Lei, que pertencem à lista da comunidade de Fujian, que no passado também elegeu Ung Choi Kun, têm defendido o regresso da política de acesso ao bilhete de identidade de residente para quem investe no imobiliário. Contra a especulação No documento, a associação responsabiliza ainda a política de imigração por investimento pelo descontrolo do mercado imobiliário, ao mesmo tempo que os promotores aproveitaram para “obter lucros exorbitantes através da especulação”. “Os preços das fracções passaram de 100 mil patacas para milhões de patacas devido à especulação”, acusaram. A associação argumenta ainda que, actualmente, é impossível para a maioria dos jovens acederem à habitação, porque muitos têm ordenados de cerca de 10 mil patacas. A política de imigração foi adoptada pelo Executivo de Edmundo Ho e oferecia Bilhete de Identidade de Residente a quem investisse um determinado montante no imobiliário. No entanto, Fernando Chui Sai On acabou com a política, devido ao impacto para os preços da habitação. Segundo a Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios, também Ho Iat Seng, ex-líder do Executivo, afirmou que a especulação imobiliária em Macau teve origem na política de imigração por investimento. Segundo os números da Direcção de Serviços de Estatística e Censos, em 2002 o preço médio do metro quadrado da habitação era de 6.261 patacas. O valor médio anual mais elevado foi atingido em 2018, quando o metro quadrado chegou a 108.427 patacas. No ano passado, o valor médio do metro quadrado foi de 70.935 patacas, o mais baixo desde 2013, quando o metro quadrado custava 81.811 patacas.
Hoje Macau Manchete PolíticaIPIM | Assinados 24 memorandos para projectos de investimento em Maputo O Centro de Arbitragem do Centro de Comércio Mundial de Macau assinou memorandos com as Faculdades de Direito das Universidades Católica de Moçambique, Eduardo Mondlane e São Tomás de Moçambique e a Ordem dos Advogados de Moçambique Moçambique e a China assinaram, em Maputo, 24 memorandos de entendimento para futuros projectos de investimento e cooperação económica envolvendo países de língua portuguesa e a participação de Macau nas áreas de construção, energia, logística e indústria. “Foram assinados acordos entre instituições públicas e empresas privadas desses países e vão concorrer para a concretização desses projectos”, anunciou Luís Machava, director da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX). Luís Machava falou à margem do 17.º Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Oficial Portuguesa, explicando que os investimentos ainda não avançaram para a fase de execução e que os memorandos assinados representam intenções de cooperação em áreas como construção, energia, logística e indústria. “Não estamos a falar em termos de valores de investimento. Estamos a falar de intenções para serem materializados em termos de projectos concretos”, frisou. Macau presente Segundo a lista de contratos assinados a que a Lusa teve acesso, os acordos estão distribuídos por nove secções e abrangem diferentes sectores económicos. Na área das infra-estruturas, foi assinado um acordo para o fornecimento de materiais destinados à construção de habitações pré-fabricadas em Moçambique, envolvendo o Conselho Municipal de Maputo e empresas da China, Macau e Angola. No sector industrial, o município de Maputo assinou um memorando com a Companhia de Indústria de Automóveis Aulong Kattai Limitada para o desenvolvimento de veículos comerciais de nova energia em Moçambique. Na cooperação jurídica e académica, foram rubricados memorandos entre o Centro de Arbitragem do Centro de Comércio Mundial de Macau e várias instituições moçambicanas, incluindo as Faculdades de Direito das Universidades Católica de Moçambique, Eduardo Mondlane e São Tomás de Moçambique e a Ordem dos Advogados de Moçambique. Para o desenvolvimento do comércio e do sector empresarial, as partes assinaram igualmente um protocolo de cooperação envolvendo o Centro de Arbitragem do Centro de Comércio Mundial de Macau e a Câmara de Comércio Moçambique-China, além de um memorando entre a Federação de Empresários dos Países de Língua Portuguesa em Macau e a Câmara de Comércio de Moçambique. No sector da tecnologia e dos recursos minerais, foi assinado um contrato de consultoria para expansão de negócios ligados à exploração mineira com recurso a drones, inteligência artificial, geofísica aérea e desenvolvimento mineral em Moçambique. Organização do IPIM O encontro foi organizado pela Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX, IP), em colaboração com o Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional (CCPIT) e o Instituto para a Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), sob o lema “Investimento em Infra-estruturas Logísticas como Motor de Desenvolvimento”. O evento reúne delegações empresariais da China e dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), visando promover relações económicas e comerciais, identificar oportunidades de comércio e investimento e reforçar a cooperação em sectores estratégicos, incluindo infra-estruturas, energia, agronegócio, turismo e indústria.
João Luz Manchete PolíticaCombustíveis | Deputados preocupados com subida de preços Leong Sun Iok e Chan Lai Kei pediram ao Governo um mecanismo permanente de controlo de preços dos combustíveis e a importação de gasolina 95 sem chumbo. Os deputados temem que os preços voltem a subir devido ao regresso das hostilidades no Médio Oriente Os deputados Leong Sun Iok e Chan Lai Kei estão preocupados com a evolução dos preços do petróleo e com a supervisão do mercado após o fim do plano de subsídios aos preços do GPL e da gasolina. Em declarações ao jornal Ou Mun, Leong Sun Iok afirmou que os preços internacionais do petróleo voltaram a subir recentemente devido à “situação geopolítica no Médio Oriente”, retomando a elevada volatilidade que levou o Executivo de Sam Hou Fai a subsidiar o sector. O deputado dos Operários salientou que se a situação não acalmar, os preços locais do gasóleo, da gasolina e do gás de petróleo liquefeito (GPL) vão subir, afectando os custos operacionais das empresas e fazendo subir os preços em geral. Leong alerta para o efeito dominó que poderá afectar vários sectores, como os transportes, turismo, restauração e serviços. Assim sendo, o legislador defendeu que o Executivo deve continuar a supervisionar os preços e introduzir no mercado local a gasolina sem chumbo de 95 octanas, que é mais barata, para reduzir o peso da pressão inflaccionária sobre os combustíveis. O deputado não afasta a hipótese de serem retomados os subsídios, mas recomendou também a avaliação do impacto dos preços internacionais do petróleo nos preços de retalho locais, e a aposta na transição energética para lá dos combustíveis fósseis. Pedir aos santinhos Leong Sun Iok defendeu também o reforço da regulamentação e da transparência dos preços dos combustíveis, mas apelou ao sector que ajuste os preços nos postos de abastecimento, divulgando também a forma como são estruturados os preços. Por seu turno, Chan Lai Kei afirmou compreender as razões pelas quais o Governo deu por terminado o plano de subsídios, medida que considerou eficaz no alívio das com dificuldades sentidas pela população. Porém, o deputado ligado à comunidade de Fujian citou preocupações de residentes e empresários em relação a um eventual aumento dos preços depois de findos os subsídios. Nesse aspecto, Chan pediu ao sector da venda de combustíveis que assuma uma postura de responsabilidade social, reduzindo os preços de retalho. A longo prazo, o deputado considera que o Governo deve tirar ilações desta crise e estabelecer um mecanismo regular de ajustamento dos preços do petróleo, bem como planos de contingência para garantir a estabilização dos mesmos.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteAna Mendes Godinho, directora de estratégia da Universidade Nova de Lisboa: “Macau vai ser mercado de formação” A antiga ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social de Portugal esteve em Macau, em Junho, para assinar, em representação da Universidade Nova de Lisboa, um acordo para intercâmbio de alunos com a Universidade de Turismo de Macau. Ao HM, Ana Mendes Godinho destaca a evolução do ensino superior e as esperanças que a cidade universitária de Hengqin suscita Com que impressões ficou do ensino de Macau e Hong Kong nesta última visita? Foi a minha quarta vez em Macau. Notei uma grande diferença nestes últimos anos do ponto de vista económico, e naturalmente no desenvolvimento da indústria turística. Mas muito mais interessante foi ver a evolução da dimensão da educação, e a forma como a Universidade de Turismo de Macau (UTM) se afirmou e se transformou ao longo dos tempos. É interessante ver que a UTM tem, aproximadamente, a mesma data de criação da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril [ESHTE, integrada na Universidade Nova de Lisboa]. Mesmo estando tão distantes, [as duas instituições de ensino superior] acabaram por ter percursos muito interessantes e a mesma vontade inicial de ter a capacidade de uma especialização e formação de pessoas para a área do turismo. Foi reconhecido que é fundamental ter pessoas qualificadas na área do turismo para a actividade crescer em valor. É muito interessante ver quase dois projectos gémeos que agora se voltam a encontrar nesta parceria, que queremos que cresça mais. Esteve em Macau a propósito do 4º Fórum de Reitores de Universidades da China e dos Países de Língua Portuguesa e também do 35º Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP). Sim. Mas elogio a forma como a UTM evoluiu do ponto de vista das instalações, e neste momento tem um novo hotel-escola extraordinário. Destaco também o investimento que fizeram na qualificação e investimento dos currículos da escola, alinhando-se também com as necessidades do turismo. Concretamente, o que poderemos esperar do protocolo assinado a 15 de Junho? Deu-se a assinatura do protocolo para o intercâmbio de alunos e professores, mas também para o reconhecimento de duplas certificações de alunos que estudem na ESHTE, agora no novo contexto com a Universidade Nova de Lisboa. Portanto, vai haver a dupla certificação de cursos e mestrados, mas ficou aberto um caminho para uma maior presença física nos dois campus. Refere-se ao programa de bolsas de estudo que arranca já neste ano lectivo. Também falo disso. Acho que é um programa simbólico, pois mostra a forma como valorizamos a experiência que os alunos possam ter na UTM. A UTM preparou um curso de uma semana para os alunos que entrarem com as melhores notas no ano lectivo 2026-2027 nas cinco licenciaturas da ESHTE, e que terão a oportunidade de ir uma semana, em Setembro, à UTM com uma bolsa oferecida pela Universidade Nova de Lisboa. [Esse curso] inclui a cultura e história do património de Macau, a gastronomia e uma dimensão associada à indústria do jogo. Pode ser muito interessante para os alunos terem essa experiência. De que forma pode Macau trazer novas perspectivas à Universidade Nova na área do turismo e do jogo? As áreas que identificamos para projectos conjuntos nos próximos tempos são essencialmente o turismo e tecnologia. Macau, neste momento, está com uma evolução muitíssimo grande do ponto de vista de investimento tecnológico, até associado a outras áreas e outras universidades, e também na área das questões de turismo, saúde e longevidade. Portanto, estas foram duas áreas-chave identificadas para projectos conjuntos a desenvolver, no novo campus em Hengqin. Portanto, na futura cidade universitária. Sim. Portanto, Macau e Portugal são plataformas de ligação à China, por um lado, e à Europa. Diria que somos este entreposto de ligação aos países de língua portuguesa e temos esta enorme oportunidade de internacionalização das nossas escolas. Quando fala na área da saúde, recentemente a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau falou na aposta do turismo de saúde no território. Esta questão foi falada na visita, ou ficou com a percepção deste investimento? Fiquei com a percepção de que há um forte investimento e que é dada prioridade à dimensão da saúde em Macau. Na articulação entre as duas escolas identificámos como essencial a forma como o investimento feito nessa articulação entre turismo e saúde também responde ao desafio da longevidade, mas como qualidade de vida. [Observámos] como esta relação entre turismo e saúde pode ser um elemento diferenciador. Portanto, essa dimensão da qualidade de vida associada à alimentação, gastronomia e a estilos de vida, onde o turismo pode ser um elemento diferenciador, é algo em que Portugal está a investir muito. Diz que a UTM tem investido em tecnologia. De que falamos, concretamente? Falamos essencialmente de como a tecnologia pode acrescentar, por um lado, valor à indústria do turismo, e também de como pode ajudar a que haja uma maior eficiência e produtividade no turismo. Isso permite aumentar a qualidade de vida dos trabalhadores e os salários. Se nós hoje não tivermos capacidade para sermos mais eficientes, retirando funções que, hoje em dia, não acrescentam valor e são feitas pelas pessoas, atribuindo-as à tecnologia, podemos libertar trabalhadores da área do turismo para funções mais qualificadas. Esse cenário não poderia levar ao desemprego, por exemplo? Não é necessário equilíbrio? Naturalmente que é evidente que tem que haver um equilíbrio, mas nós também queremos que haja uma maior dignificação de quem trabalha no turismo, colocando nas funções dos humanos aquilo que acrescenta mais valor e retirando aquilo que não acrescenta valor e que muitas vezes perturba – o que é mais mecânico, funções desenvolvidas à noite e que tiram qualidade de vida. Temos de ser inteligentes na forma como utilizamos e colocamos a tecnologia ao serviço do turismo. Mas temos de liderar esse processo por antecipação e esse é o grande desafio: planear, preparar, sermos nós a comandar a utilização da tecnologia ao serviço do que interessa, e não nos deixarmos ir por um efeito não controlável e massificado que não interessa. É nesta parte que a academia é fundamental, pois tem de ter a capacidade para antecipar. Refiro agora um programa concreto que lancei quando era ministra, em 2020, o “Programa UPskill”, em que as empresas tecnológicas fizeram um levantamento das competências necessárias para os próximos cinco anos e, em parceria com as universidades, fizeram acções para trabalhadores. Conheci pessoas que fizeram estas formações e que tiveram uma total transformação de vida, e é isso que o turismo está a precisar em todo o mundo, essa antecipação inteligente. É também por isso que nos queremos posicionar internacionalmente, e com parcerias como a que temos com a UTM, podemos ser uma referência na capacidade de antecipação e de reconversão de competências, que é necessária. Falo não apenas dos que se estão a formar, mas também na reconversão de quem já está no mercado de trabalho. Tendo em conta a realidade de Macau, com o sector do jogo, acredita numa substituição de funções pela tecnologia, por exemplo? A tecnologia está numa aceleração tão grande que o que achamos hoje que vai acontecer amanhã já é passado. Mas basta pensarmos nas soluções de robôs que neste momento estão a surgir e que, por exemplo, conseguem entregar e distribuir produtos, realizar serviços e que estão customizados à medida do negócio. E, portanto, certamente que nessa área haverá uma evolução enorme. Haverá certamente uma evolução em termos da gestão de informação e dados, não apenas do jogo, mas das reservas hoteleiras, da gestão em termos de “revenue management”, gestão de clientes. Temos de ser inteligentes para identificar as áreas onde, neste momento, estamos a desperdiçar valor, perdendo tempo em tarefas burocráticas e que, com a tecnologia, se pode acrescentar valor ao território. Esse é o grande exercício a fazer. Macau é um território pequeno, e vai firmar-se cada vez mais como um mercado de formação e não como um mercado que vai absorver todos os licenciados na área do turismo. Portanto, o futuro passa mesmo por criar parcerias, para que Macau seja um território que forma pessoas no turismo. É evidente que Macau tem uma grande oportunidade para a especialização na área da educação, sendo uma porta aberta para toda a China. A Universidade Nova também celebrou acordos, nesta visita, com a Universidade Politécnica de Hong Kong e a Universidade Metropolitana de Hong Kong. Trata-se de um território com uma dimensão diferente na área do turismo. A abordagem que fizemos com Hong Kong resultou do facto de a Universidade Politécnica de Hong Kong ter uma semelhança muito grande com a Universidade Nova de Lisboa em termos de escolas. Com a UTM, o acordo foi direccionado para o turismo, mas com a Universidade Politécnica de Hong Kong o acordo foi mais transversal a outras dimensões. Vimos, claramente, da parte da Universidade Politécnica de Hong Kong, um grande interesse em ter em Portugal uma porta aberta para uma interacção, pois o nosso país começa a ser um espaço de referência na área da educação internacional, nomeadamente pelo peso de alunos estrangeiros que a Nova tem. Cerca de 22 por cento dos alunos são estrangeiros. Algumas universidades portuguesas têm celebrado acordos para marcarem presença na futura cidade universitária de Hengqin. Considera que o projecto uma porta de entrada para o ensino superior português no mercado asiático? Acho [um projecto] muito interessante. Havendo uma história partilhada com Macau, torna-se mais fácil o estabelecimento dessas ligações. Vejo Hengqin como uma porta segura e muito interessante do ponto de vista de parcerias estratégicas para o desenvolvimento da interdisciplinariedade das universidades portuguesas. Parece-me que é uma oportunidade muito interessante para que as universidades portuguesas tenham acesso a alunos asiáticos, numa lógica de diversificação de mercados.
João Luz Manchete SociedadeSMG | Tufão poderá passar a cerca de 400 quilómetros de Macau A tempestade que atravessa as Filipinas deverá passar a 400 quilómetros de Macau na tarde de sábado na categoria de tufão. Os SMG estimam que no domingo à tarde a tempestade atinja a posição mais próxima do território, a cerca de 100 quilómetros, já como ciclone tropical severo depois de ter chegado a terra e enfraquecido A Agência Meteorológica da China indicou ontem que o centro da depressão tropical que estava a cerca de 930 quilómetros a Leste de Manila seguia uma trajectória rumo ao Mar do Sul da China a uma velocidade entre os 25 e 30 quilómetros por hora. As autoridades nacionais apontaram para a chegada do tufão a terra entre as zonas costeiras de Zhuhai e Zhangpu, em Fujian, entre o final da tarde de sábado e a manhã de domingo. Após atingir terra, o tufão deverá virar gradualmente para norte-noroeste à medida que irá enfraquecendo. As estimativas de ontem dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) indicavam que a tempestade poderá passar a cerca de 100 quilómetros de Macau com ciclone tropical severo por voltas das 14h de domingo, já com contacto em terra. Porém, 24 horas antes, na tarde de sábado, as previsões apontam para que a tempestade esteja a 400 quilómetros de Macau na categoria de tufão. Os SMG estimam também que os aguaceiros fortes e trovoadas se estendam ao longo da próxima semana, pelo menos, até quarta-feira, com a intensidade do vento a diminuir gradualmente a partir de segunda-feira. Segundo as autoridades nacionais, a velocidade no centro da tempestade era ontem de cerca de 15 metros por segundo e as estimativas indicavam que a entrada da tempestade no Mar do Sul da China deveria acontecer na madrugada de sábado. A Agência Meteorológica da China prevê que a tempestade atinja a intensidade máxima entre tufão e tufão severo, depois de atravessar o Canal de Bashi, que faz parte do estreito de Luzon, entre a ilha de Y’ami Filipinas e Taiwan. Aqui ao lado Por sua vez, o Observatório de Hong Kong prevê que a tempestade atinja a costa na zona entre Huizhou e Shantou na madrugada de domingo, a leste da região vizinha. As autoridades da cidade vizinha estimavam ontem que o tufão chegue a uma distância de 800 quilómetros de Hong Kong hoje ao fim do dia, altura em que deverá ser emitido o sinal 1 de tempestade. Devido à proximidade de Macau e do critério de içar o sinal 1 de tempestade quando a distância para o território seja precisamente de 800 quilómetros, é expectável que o sinal 1 seja emitido entre o fim do dia de hoje e amanhã. Apesar de realçar as incertezas em relação ao local onde irá tocar em terra, o Observatório de Hong Kong indicou que entre sábado e domingo a zona costeira de Guangdong seja fustigada por ventos fortes, aguaceiros intensos e trovoadas.
Hoje Macau Manchete SociedadeSands | Lucros com queda de 50 por cento A concessionária responsável por casinos como o The Venetian, The Londoner Macao ou The Parisian apresentou uma redução para metade do lucro entre Abril e Junho. A tendência contrasta com o início do ano, quando os lucros cresceram 45 por cento A operadora de jogo Sands China registou um lucro líquido de 107 milhões de dólares norte-americanos no segundo trimestre, uma queda homóloga de 50 por cento, anunciou ontem empresa. Entre Abril e Junho de 2025, o lucro líquido da operadora de casinos tinha alcançado 214 milhões de dólares, de acordo com um relatório financeiro publicado pela operadora. Em Macau, referiu Patrick Dumont, presidente e CEO da Las Vegas Sands, a empresa mãe da Sands China, “investimentos contínuos em serviços de hospitalidade melhorados contribuíram para o crescimento dos volumes em todos os segmentos de jogo em comparação com o ano anterior”. No entanto, “um ‘hold’ anormalmente baixo no jogo VIP teve impacto negativo nos resultados financeiros” do trimestre, completou. O ‘hold’ é a percentagem das apostas que o casino retém como receita líquida depois de pagar os ganhos aos jogadores. A queda deste trimestre ocorre depois de nos primeiros três meses do ano, o lucro líquido da operadora no território chinês ter aumentado 45,5 por cento para 294 milhões de dólares. No período agora em análise, registou-se também uma queda das receitas líquidas totais de 0,8 por cento, para 1,78 mil milhões de dólares, face ao mesmo período de 2025 (1,79 mil milhões de dólares). Sobe e desce local No que diz respeito às propriedades da empresa em Macau, o The Londoner Macao, o The Parisian Macau e o Sands Macau registaram subidas nas receitas líquidas de 10,6 por cento, 12,3 por cento e 33,8 por cento, respectivamente. Já o Venetian Macau viu as receitas caírem 10,8 por cento e, no caso do Plaza Macau, a queda foi de 29,4 por cento. No comunicado, a empresa sublinhou ainda outro factor que afectou os resultados. Entre Abril e Junho, deu-se uma diminuição de clientes VIP nas propriedades de Macau e no Marina Bay Sands, em Singapura, durante o Mundial de Futebol. “Esta tendência foi muito evidente em Junho, tendo em conta a evolução dos negócios em ambos os mercados no início do trimestre”, refere-se na nota. Nas últimas semanas vários analistas apontaram o Campeonato Mundial de Futebol, que terminou na passada segunda-feira, como um dos aspectos a influenciar negativamente a indústria do jogo.
João Santos Filipe Manchete PolíticaAquecimento Global | Pedida maior protecção dos trabalhadores O deputado dos Operários considera quem, face a ondas de calor mais fortes é necessário regular limites no trabalho prestado no exterior, para evitar a exposição prolongada ao sol e ao calor Leong Pou U defendeu a actualização das orientações sobre o trabalho em condições meteorológicas extremas, devido ao que indica ser o aquecimento global. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, com o deputado dos Operários a pedir que se sigam os exemplos do Interior e de Hong Kong. “Nos últimos anos, com o aquecimento global, têm ocorrido com frequência eventos meteorológicos extremos, tais como chuvas intensas, temperaturas elevadas e tufões”, escreveu Leong. “As condições meteorológicas extremas representam sérios riscos para a segurança no trabalho dos trabalhadores em geral, especialmente daqueles que trabalham ao ar livre, como na construção civil, estafetas e jardinagem”, avisou. Neste novo ambiente, Leong Pou U considera que a regulamentação de Macau está atrasada, em comparação com o Interior, onde afirma existir desde 2012 um mecanismo que limita o trabalho a seis horas no exterior, quando as temperaturas variam entre os 37 e 40 graus. Se as temperaturas ultrapassarem os 40 graus o trabalho ao sol nem é permitido. Ao mesmo tempo, o legislador aponta que Hong Kong criou um sistema de alerta com base em cores, que indica os cuidados que têm de ser adoptados pelos patrões para protegerem os trabalhadores. “Em comparação, no que diz respeito à organização do trabalho dos empregados sob condições meteorológicas extremas, como o calor intenso, Macau ainda tem margem para melhorias”, apontou. Fixar limites Face ao cenário descrito, o deputado pretende que o Governo explique como vai “formular orientações detalhadas sobre o trabalho dos empregados em condições meteorológicas extremas” e “definir cientificamente a duração do trabalho ao ar livre com base na temperatura real ou na sensação térmica” para reduzir os riscos de segurança para os trabalhadores. O legislador defende igualmente que a insolação passe a ser uma ocorrência que justifique accionar o seguro profissional, como acontece no Interior. “Os trabalhadores no Interior que sofram de insolações por trabalharem em temperaturas elevadas ou em tempo quente, após o diagnóstico de doença profissional, gozam legalmente das regalias do seguro de acidentes de trabalho. Irão as autoridades tomar como referência estas práticas do Interior para reforçar a protecção da segurança no trabalho dos trabalhadores ao ar livre em tempo de temperaturas elevadas?”, questiona. Além disso, Leong Pou U interrogou o Executivo sobre a revisão do regime jurídico da reparação dos danos emergentes de acidentes de trabalho e doenças profissionais.
Hoje Macau Manchete PolíticaCombustíveis | Governo quer evitar açabarcamento devido a fim de apoio A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) indicou ontem que consumidores e comerciantes “devem encomendar gás conforme as suas necessidades, não acumulando quantidades excessivas de GPL, (…) para evitar graves riscos potenciais de segurança contra incêndios”. O alerta foi dado devido ao fim do Plano de subsídio aos preços do GPL e da gasolina, que termina hoje às 23h59. O Governo realça também que a lei estabelece um limite máximo para a quantidade de armazenagem de substâncias inflamáveis e explosivas (incluindo o GPL). A DSEDT indica também que os preços internacionais do petróleo recuaram do seu pico, não mencionando o retorno da guerra no Irão e o efeito recente nos preços do barril de brent. O Governo realça ainda a descida de 0,15 por cento do Índice de Preços no Consumidor em Junho, com quebras mensais nos transportes (1,01 por cento) e na habitação e combustíveis (0,16 por cento).
João Santos Filipe Manchete PolíticaComércio | Importadores apostam em produtos mais baratos do Interior O presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau explicou que os importadores procuram produtos mais baratos no Interior da China para substituir as importações da Europa. O objectivo é manter os preços baixos Para fazer face ao aumento dos preços motivados pela guerra e o encerramento do Estreito de Ormuz, os importadores locais estão à procura de produtos mais baratos no Interior da China, de forma a substituírem as importações do estrangeiro. O cenário foi explicado por Ip Sio Man, presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau. Em declarações ao jornal Ou Mun, Ip Sio Man explicou que o aumento dos custos com os transportes depende do lugar de origem. Devido à proximidade geográfica, as variações são mais moderadas nos produtos vindos do Interior da China. No entanto, no caso das importações do Sudeste Asiático, o preço de transporte de um contentor subiu entre 1.000 e 3.000 patacas. Os aumentos são ainda mais acentuados nas mercadorias provenientes da Austrália, Nova Zelândia e América Central e do Sul. Todavia, a situação mais grave prende-se com as importações da Europa, com os produtos a demorarem cerca de três meses a chegar a Macau, quando antes o transporte ficava concluído em cerca de um mês. Face aos produtos importados da Europa, Ip Sio Man explicou que as ligações alternativas não só tornaram tudo mais caro, como fazem com que a gestão dos stocks seja mais imprevisível, o que pode facilmente levar a rupturas. Neste cenário, a Associação da União dos Fornecedores de Macau indicou que a alternativa passa por encontrar produtos semelhantes no Interior da China, com preços mais próximos daqueles que a população está disposta a pagar. Ip revelou ainda que alguns importadores locais fizeram prospecção de mercado, para encontrar produtos mais baratos, em locais do Interior como Ningxia e Hubei. Realidades diferentes O presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau abordou igualmente as queixas da população sobre o facto de os produtos do Interior serem mais baratos em Hong Kong. Segundo Ip Sio Man, a economia de Hong Kong tem melhores ligações à China, o que permite o transporte directo por comboio de importações do Leste e do Norte do país. Este tipo de transporte é mais barato do que o transporte rodoviário. Ao mesmo tempo, Ip explicou que Macau apenas tem boas ligações com a província de Cantão, pelo que as importações de outras províncias precisam de passar por Hong Kong ou Shenzhen, aumentando os preços. Situação recorrente Numa altura em que os preços dos combustíveis estão novamente a subir, o subsídio do Governo da RAEM está a chegar ao fim. Esta situação foi abordada pelo vice-reitor da Universidade da Cidade de Macau, Ip Kuai Peng. Segundo o académico, a medida foi eficaz para aliviar o custo do aumento do nível de vida. No entanto, o académico defendeu que o fim do subsídio não deve significar o fim dos apoios à população. Ip considerou que Macau se deve preparar a “longo prazo” para uma nova realidade, uma vez que a crise no Médio Oriente é recorrente e provoca fortes flutuações nos preços do petróleo bruto. Ip Kuai Peng apontou ainda que é necessário aumentar a transparência dos preços, assim como reforçar a fiscalização e a cooperação transfronteiriça para estabilizar o abastecimento de combustíveis e os respetivos preços.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteDora Lyu, CEO da MedPHA, empresa sediada em Hengqin: “Passámos de startup a referência” A MedPHA Bioscience, sediada no Parque Industrial de Medicina Tradicional Chinesa de Guangdong-Macau em Hengqin desde 2019, tem vindo a afirmar-se no mercado dos materiais biodegradáveis e suplementos alimentares de saúde cerebral. O HM conversou com Dora Lyu, CEO da empresa, que denuncia a “escassez” de talentos nesta área Abriram portas em Hengqin em 2019. Que balanço faz da presença na região? Em 2019 começámos do zero, dedicando-nos à investigação e desenvolvimento, fabrico e comercialização de novos materiais derivados da biologia sintéctica e de um suplemento alimentar para a saúde do cérebro: a molécula de beta-hidroxibutirato (D3HB). Após mais de sete anos de consolidação no mercado, a empresa passou de startup a interveniente de referência no seu sector, tanto a nível nacional como internacional, detendo a propriedade intelectual de novos materiais biofabricados, desenvolvida de forma independente. O 15º Plano Quinquenal inclui os biomateriais entre as quatro principais indústrias emergentes estratégicas e a biofabricação entre as seis indústrias do futuro. O foco do nosso negócio alinha-se precisamente com estes novos motores de crescimento económico. Que projectos concretos desenvolvidos nestes anos pode destacar? É particularmente digno de nota que a empresa tenha sido pioneira num primeiro suplemento alimentar do mundo para a saúde cerebral, a pequena molécula de beta-hidroxibutirato, produzida e comercializada através da fermentação da glicose por meio da biofabricação. Trata-se de um exemplo clássico de [um produto] “desenvolvido em Hengqin, comercializado em Macau”. Actualmente, é produzido em escala e comercializado na base do Grupo Nam Yue em Macau, com receitas previstas de dezenas de milhões de patacas de Macau em 2026 e mais de 100 milhões em 2027. Têm apostado sobretudo em produtos ligados à área farmacêutica ou os que substituem artigos de plástico, como palhinhas ou copos de café. Nos últimos sete anos focámo-nos em três áreas-chave: biomateriais PHA de base biológica e totalmente biodegradáveis no sector ecológico e ambiental; materiais PHA biorreabsorvíveis de grau médico, líderes a nível mundial, no sector médico e de cuidados de saúde; e ainda o suplemento alimentar para a saúde cerebral, a pequena molécula de beta-hidroxibutirato, D3HB, no sector da nutrição e saúde. Na prática, os nossos materiais PHA biodegradáveis desenvolvidos em Hengqin, através de fabricantes na Grande Baía, estão a ser utilizados em produtos como palhinhas, tampas de copos e cápsulas de café para marcas como a Starbucks, o McDonald’s, a Nespresso e a Saturnbird. A pequena molécula de beta-hidroxibutirato, ao que sabemos, é o primeiro produto do mundo obtido através da fermentação da glucose e da biofabricação, detendo patentes nacionais e internacionais em toda a cadeia industrial, desde as estirpes e a biofabricação até ao desenvolvimento de aplicações, oferecendo uma vantagem significativa em relação aos produtos sintetizados quimicamente, tanto em termos de pureza como de custo, com um enorme potencial de mercado. Os nossos materiais PHA de grau médico já estão a apoiar várias empresas líderes no desenvolvimento de aplicações tanto para produtos médicos de consumo como para dispositivos médicos. Como podem colocar estes produtos ou materiais biodegradáveis num grande mercado como o chinês, com milhões de consumidores? Ainda existem entraves à adesão a este tipo de produtos? O principal obstáculo é a diferença de preço significativa entre o PHA e os plásticos de base petroquímica, enquanto a implementação e o lançamento completos das políticas ambientais ainda levarão tempo. Estamos a trabalhar para reduzir os custos, garantindo financiamento industrial e capital de risco e investindo continuamente na inovação tecnológica e no aumento da produção, ao mesmo tempo que sensibilizamos a sociedade e o mercado. Que vantagens competitivas oferece Hengqin a empresas no geral, e em particular na vossa área de produção e investigação? O papel da Zona de Cooperação Aprofundada de Hengqin na diversificação das indústrias de Macau está a tornar-se cada vez mais proeminente, particularmente nas áreas da biofarmácia, dos dispositivos médicos e dos novos aditivos alimentares. Tomemos, por exemplo, o Parque Industrial de Medicina Tradicional Chinesa de Guangdong-Macau, onde estamos sediados. A indústria biofarmacêutica está aqui concentrada, com equipamento de teste avançado e plataformas de ampliação fornecidas pelo laboratório provincial de Medicina Tradicional Chinesa e pelas empresas farmacêuticas de Guangdong-Macau, bem como recursos de aplicação provenientes de clientes a jusante. Políticas altamente competitivas de atracção de talentos têm atraído um grande número de doutorados e investigadores de pós-doutoramento para Hengqin para se juntarem a nós, acelerando o desenvolvimento de tecnologias de ponta. Os principais projectos de investigação científica e tecnológica cuidadosamente definidos pelo Departamento de Desenvolvimento Económico também estão a produzir resultados positivos. Entretanto, o sistema universitário bem desenvolvido e robusto de Macau fornece a Hengqin talentos de engenharia de alto calibre. Em termos gerais, Hengqin fez grandes progressos nos últimos anos no âmbito da atracção de talentos, do investimento em financiamento para investigação científica e da construção de plataformas. De que forma a localização em Hengqin tem contribuído, ou pode contribuir, para o crescimento e desenvolvimento da vossa empresa? Essencialmente em três áreas: reforça a sinergia entre as redes comerciais de Macau e Guangdong; integra a empresa no polo de alta tecnologia da Grande Baía; e o excelente ambiente ecológico de Hengqin, combinado com a sua vantagem geográfica de estar adjacente a cidades centrais regionais como Guangzhou e Shenzhen, e oferece uma enorme conveniência para a investigação e desenvolvimento e os intercâmbios comerciais. Que oportunidades específicas encontram na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau que dificilmente existiriam noutras zonas da China? Há o papel da Grande Baía como base de fabrico avançado e mercado orientado para a exportação, com uma via rápida para os mercados internacionais através de Hong Kong e Macau. Em segundo lugar, há a vantagem política oferecida pelo Governo de Macau na aprovação de novos alimentos. Em terceiro lugar, e mais importante, há a ligação natural de Macau com os países de língua portuguesa. Podemos aceder ao mercado europeu através de Portugal, à América do Sul através do Brasil e a África através de Moçambique, expandindo assim rapidamente a nossa rede comercial global. Considera difícil atrair talentos na área? Deveria mudar a política de recursos humanos para atrair mais quadros qualificados na área das ciências para Hengqin? O talento neste domínio é, de facto, escasso, provindo actualmente principalmente de um pequeno número de instituições, tais como a Universidade de Tsinghua, a Academia Chinesa de Ciências e a Universidade de Tecnologia do Sul da China. No entanto, os programas relevantes da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Macau e da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau estão perfeitamente alinhados com as necessidades da empresa, e estamos a reforçar os nossos laços com estas instituições. Ao mesmo tempo, instituições como a Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul, a Universidade Sun Yat-sen, o Instituto CAS em Shenzhen e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong estão também a expandir o seu trabalho no campo da biologia sintética, lançando bases para o talento na indústria. A cidade universitária em Hengqin está a ser construída. Acha que pode ser uma mais valia para a vossa empresa? Sem dúvida. O campus universitário atrairá mais jovens profissionais e estagiários de gestão, ajudando a empresa a crescer e a aumentar a sua visibilidade e, mais importante ainda, promovendo uma colaboração mais estreita entre a indústria, o meio académico e a investigação, o que impulsiona o desenvolvimento tecnológico. Qual a vossa estratégia para chegar ao mercado, seja chinês, seja lusófono ou de língua espanhola? A proximidade de Macau e também Hong Kong é um factor diferenciador e privilegiado? Estar perto de Hong Kong e Macau é altamente vantajoso. Hong Kong já introduziu uma proibição do plástico, e o nosso negócio de PHA de grau industrial está a expandir-se por lá. As vendas da pequena molécula de beta-hidroxibutirato estão a prosperar em Hong Kong e Macau e podem ser alargadas ao Sudeste Asiático. Todas as três linhas de produtos visam o mercado global, e usar Macau como ponte para alcançar os países de língua portuguesa é uma vantagem singularmente favorável. Especificamente, o PHA de grau industrial está focado em entrar no mercado europeu, os dispositivos de PHA de grau médico estão prestes a passar pela certificação CE e a pequena molécula de beta-hidroxibutirato está destinada ao mercado brasileiro. À medida que o nosso negócio global se expande, a influência da empresa continua a crescer. Na China, os produtos das três linhas de negócio também ganharam reconhecimento dos clientes, com vendas a ultrapassarem os cem milhões de yuans. “Longa Marcha” rumo ao Sul Dora Lyu confessou ao HM que a vinda até Hengqin, desde que começou os estudos universitários, foi como uma espécie de ‘Longa Marcha’, uma viagem para sul para se dedicar à inovação e ao empreendedorismo na Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau. Formada em Engenharia Química pela Universidade de Yantai e também em Ciência de Materiais na Universidade de Tecnologia Química de Pequim, Dora Lyu fez ainda um MBA na Universidade de Pequim e na Vlerick Business School, na Bélgica, onde teve acesso a “todo o espectro da gestão empresarial, estratégia de mercado, gestão financeira, recursos humanos e gestão da cadeia de abastecimento”.
João Luz Manchete SociedadeMercados municipais | Abertos concursos para 14 bancas O Instituto para Assuntos Municipais anunciou ontem a abertura de concursos de 14 bancas nos centros de comida dos mercados de S. Lourenço, Patane, Horta da Mitra e Iao Hon. No fim do mês serão realizadas três sessões de esclarecimento para interessados e possíveis candidatos O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) abriu ontem concursos públicos para 14 bancas no Centro de Comidas do Edifício de Vendilhões do Iao Hon, no Centro de Comidas do Mercado de S. Lourenço, no Centro de Comidas do Patane e no Mercado da Horta da Mitra, com a missão de introduzir um novo dinamismo nos mercados públicos, “responder às solicitações da sociedade e assegurar o uso eficaz dos recursos públicos”. Os interessados no concurso podem entregar até 20 de Agosto as suas propostas, mas, entretanto, o IAM irá realizar, entre 30 e 31 de Julho, três sessões de esclarecimento no Centro de Actividades do Patane. No centro de comidas do Mercado do Bairro do Ian Hon já está em concurso quatro bancas, enquanto no centro de comidas do Mercado de S. Lourenço estão disponíveis cinco bancas. No Mercado do Patane vai a concurso o espaço para uma banca para comidas prontas. Por seu turno, no Mercado da Horta da Mitra vão estar em concurso quatro bancas, uma para a venda de peixe e três para refeições ligeiras. Neste caso, o IAM salienta que os espaços públicos do mercado serão optimizados e a zona de refeições aumentada “na expectativa de proporcionar aos consumidores do bairro uma experiência mais diversificada”. Do que estamos a falar As bancas disponíveis têm áreas úteis entre 6,5 e cerca de 13 metros quadrados, com a excepção de uma banca no Centro de Comidas do Patane, que tem uma área de 17,2 metros quadrados. Em relação às sessões de esclarecimento, o IAM informa que estas se destinam a ajudar os concorrentes a compreenderem melhor a forma correcta de preencher o boletim de candidatura para o concurso, assim como para elaborar a proposta. No dia 30 de Julho, serão organizadas duas sessões de esclarecimento, uma às 15h30 e outra às 19h30, enquanto no dia seguinte a sessão começa às 11h, sempre no Centro de Actividades do 9.º piso do Mercado do Patane. Os interessados podem inscrever-se através da “Conta única de acesso comum”. Entre os critérios de avaliação, as autoridades vão valorizar a estratégia de operação (que conta 50 por cento), a experiência do concorrente (25 por cento), a diversidade da tipologia de mercadorias (15 por cento), enquanto horário diário e conveniência de pagamentos valem 5 por cento cada. Os concorrentes têm de prestar pagar 5 mil patacas de caução provisória para participar no concurso público.
Nunu Wu Manchete SociedadeHengqin | Excursionistas quase triplicam no primeiro semestre Na primeira metade deste ano, Hengqin e Macau receberam 96,3 mil excursionistas, total que quase equivaleu ao registo de todo o ano passado, ou um aumento de quase 170 por cento. As autoridades de Hengqin relevaram que desde que começaram as excursões com múltiplas entradas, Maio de 2024, o número de excursionistas superou os 200 mil No primeiro semestre de 2026, Macau e Hengqin receberam 93,6 mil turistas ao abrigo da política de excursão com múltiplas entradas entre os dois territórios, segundo a Direcção dos Serviços de Desenvolvimento Industrial da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin. A direcção de serviços salienta que este registo significa um aumento anual de 168,7 por cento, quase totalizando o número de excursionistas de 2025. As autoridades indicam também que, desde que entrou em vigor a política de excursão com múltiplas entradas entre Hengqin e Macau em Maio de 2024, até 30 de Junho, os dois territórios acolheram um total de 204,4 mil excursionistas. Actualmente, existem 58 agências de viagem que vendem pacotes turísticos conjuntos para os dois territórios, cobrindo oito províncias chinesas, mas as autoridades da Ilha da Montanha estimam que o número de agências aumente para 61 ainda este ano. Em linha ascendente A direcção de serviços de Hengqin indica também que na primeira metade de 2026 foram realizados 11 eventos de exposições e convenções conjuntos em Macau e Hengqin, quase o dobro em comparação com o mesmo período do ano passado. Nesse capítulo, o organismo garante que vai reforçar o mecanismo de coordenação com Macau para promover o modelo de “um evento organizado em múltiplos destinos”. No seguimento do aumento de turistas para os dois destinos, no mês passado foram inauguradas três unidades hoteleiras na Zona de Cooperação Aprofundada, aumentando o número de quartos na Ilha da Montanha para cerca de 107 mil quartos. Na primeira metade deste ano, a taxa média de ocupação hoteleira foi de 60,6 por cento. As autoridades indicam também que entraram na Ilha da Montanha pelo Posto Fronteiriço de Hengqin 96 mil travessias fronteiriças de estrangeiros, nos primeiros seis meses deste ano, mais 76,9 por cento em comparação com 2025 no mesmo período.
Hoje Macau Manchete SociedadeWynn Palace | Governo aprova construção de nova torre de suítes A Wynn Resorts (Macau) tem luz verde do Governo para construir uma nova torre de suites no Wynn Palace, de acordo com um despacho assinado pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, publicado ontem no Boletim Oficial, que revê o contrato de concessão do terreno onde se situa o resort do Cotai da concessionária. A área bruta do resort da Wynn irá crescer cerca de 17 por cento, com mais de 534 metros quadrados dedicados à construção de um complexo hoteleiro de cinco estrelas (incluindo áreas de jogo, centro de convenções, comércio, restauração, SPA, night club, teatro e centro de entretenimento). O despacho do secretário para os Transportes e Obras Públicas indica que o teatro terá uma área de cerca de 8.700 metros quadrados, o centro de convenções terá 23 mil metros quadrados, enquanto o casino mantém uma área de 43,5 mil metros quadrados. A concessionário irá pagar ao Governo um prémio adicional do contrato no valor de 652,3 milhões de patacas, “integralmente e de uma só vez, aquando da aceitação das condições do presente contrato”. A nova torre vai ficar adjacente à entrada leste do Wynn Palace, e irá acrescentar 432 suítes, ou 25 por cento ao total de quartos do resort. Em Maio, a concessionária indicou que a construção da torre Enclave, como foi designada, devia começar na segunda metade deste ano.
Hoje Macau Manchete PolíticaMoçambique | Empresários querem reforçar ligações com Macau O objectivo é criar um fórum de Câmaras de Comércio dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) que utilize Macau como ligação à China Alguns empresários moçambicanos defenderam a criação de um fórum de Câmaras de Comércio dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), acrescentando Macau como ligação à China, para trocar experiências e resolver problemas comuns. O pedido foi formulado, em Maputo, pelo presidente da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), Lucas Chachine, durante uma sessão de intercâmbio entre empresários moçambicanos e cerca de 30 empresários de uma delegação empresarial da China e de Macau, além de elementos de outros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). “Queríamos aproveitar esta ocasião para propor a criação de um fórum das Câmaras de Comércio dos PALOP, também com o apoio da câmara de Macau, que também ainda tem raízes de língua portuguesa, para podermos ter um fórum de troca de experiências, aproveitar as capacidades que cada país tem, de modo a, em pouco tempo, resolvermos os problemas que ainda nos caracterizam como países menos desenvolvidos”, disse Lucas Chachine. No encontro, que serviu também para a entrega de uma carta de parceria de expansão de mercados denominada plataforma Comércio Sino-lusófona, o representante da CCM afirmou que as câmaras de comércio podem ajudar a desenvolver a iniciativa, reiterando a vontade de colaborar com o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), com as câmaras da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e com todos os empresários. “Vamos encontrar um espaço melhor de aproveitar as capacidades de cada lado para criarmos riqueza para os nossos países”, referiu Chachine, destacando o interesse em colher a experiência da China no desenvolvimento da agricultura, agro-indústria, turismo, economia azul, logística, digitalização, infra-estruturas, comércio e produção de automóveis. Convite ao investimento O presidente da CCM descreveu ainda as potencialidades de Moçambique, convidando os empresários da China e de Macau a apostarem no intercâmbio entre as delegações e investirem no país africano. O responsável pediu também a disponibilidade dos empresários das duas instituições asiáticas a recomendarem alguns dos seus membros para ocuparem funções de delegados nas delegações da CCM existentes naqueles países. “Isto vai ajudar a aproximar os dois empresários com os empresários tanto da China como da região autónoma de Macau. Eu, com os meus colegas, faremos a promoção dos objectivos empresariais naqueles países, com apoio dos delegados que pedimos que nos ajudem a indicar”, explicou Lucas Chachine, pedindo também apoio na mobilização de empresários e de investimentos para Moçambique, China, Macau, e vice-versa. Já o vogal do conselho de administração do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau, Luíz Jacinto, convidou os empresários moçambicanos a participarem na Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa 2026, na 31.ª Feira Internacional de Macau e na Exposição de Franquia de Macau 2026, que decorrerão entre 21 a 24 de Outubro do corrente ano. “Esperamos, através do intercâmbio aprofundado que se segue, conhecer melhor a vossa experiência de investimento em Moçambique e explorar o potencial de cooperação futura”, disse Luíz Jacinto, após apresentar as potencialidades daquele país num balanço sobre as relações sino-lusófonas.
Hoje Macau Manchete PolíticaReserva financeira | Novo recorde histórico em Maio Em Maio, a reserva financeira de Macau atingiu pela primeira vez um valor superior a 700 mil milhões de patacas. Os dados foram revelados ontem pela Autoridade Monetária de Macau Os activos da reserva financeira de Macau atingiram em Maio um novo recorde máximo, pelo sexto mês consecutivo, de mais de 700 mil milhões de patacas, anunciou ontem a Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Um balanço publicado pelo regulador financeiro no Boletim Oficial mostra que a reserva valia 702,3 mil milhões de patacas no final de Maio. Este valor significa que em comparação com Maio do ano passado, quando o activo da reserva valia 636,3 mil milhões de patacas, houve um crescimento de 9,6 por cento ou de 66 mil milhões de patacas. No final de Abril, a reserva financeira estava nos 697,3 mil milhões de patacas, pelo que o valor apresentado ontem representa uma subida em cadeia de 0,7 por cento ou de 5 mil milhões de patacas. O valor atingido no final de Maio é o mais elevado de sempre. Há seis meses que os activos da reserva têm vindo a atingir de forma consecutiva novos recordes. No final do ano passado, a reserva financeira atingiu 666,7 mil milhões de patacas. Até essa data, o anterior recorde tinha sido fixado em Fevereiro de 2021, apesar de o território viver então em plena pandemia, com um valor de 663,6 mil milhões de patacas. No entanto, desde Dezembro os recordes têm sido batidos de forma consecutiva. Em Janeiro, a reserva atingiu 673,8 mil milhões de patacas, a valorização continuou em Fevereiro, ao serem atingidos 681,0 mil milhões de patacas. Nos meses mais recentes, em Março e Abril, a tendência positiva não se alterou, com a reserva a atingir 688,2 mil milhões de patacas, em Março, 697,3 mil milhões de patacas, em Abril. Longe de outros recordes Desde o final de 2025, a reserva registou uma valorização de 35,6 mil milhões de patacas. O melhor ano de sempre para a reserva financeira foi 2019, antes do início da pandemia, quando os activos se valorizaram em 70,6 mil milhões de patacas. O valor da reserva extraordinária no final de Maio deste ano era de 518,4 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau, era de 163,6 mil milhões de patacas, ainda de acordo com a AMCM. A reserva financeira de Macau é maioritariamente composta por 300,7 mil milhões de patacas em investimentos subcontratados; depósitos e contas correntes no valor de 291,8 mil milhões de patacas e títulos de crédito no montante de 106,8 mil milhões de patacas.
Hoje Macau Grande Plano MancheteÁsia | Fraudes e drogas sustentam “economia criminosa multinacional” As Nações Unidas divulgaram ontem o relatório “Um Ecossistema Criminal Interconectado: Avaliação da Ameaça do Crime Organizado Transnacional no Sudeste Asiático 2026”, que indica que a região funciona, cada vez mais, como um centro de crime organizado com ligações ao tráfico de droga e burlas O crime organizado no Sudeste Asiático transformouse em “economia multinacional” capaz de desafiar Estados, com perdas anuais superiores a 100 mil milhões de dólares em fraudes, alerta um novo relatório das Nações Unidas. “Estamos a assistir a uma mudança em que grupos que antes actuavam apenas nos seus territórios e especialidades criminais operam agora em múltiplos mercados ilícitos ao mesmo tempo, recorrendo às mesmas cadeias de serviços”, disse a representante regional do Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), Delphine Schantz, num comunicado. O estudo, intitulado “Um Ecossistema Criminal Interconectado: Avaliação da Ameaça do Crime Organizado Transnacional no Sudeste Asiático 2026”, descreve como diferentes actividades ilícitas – do tráfico de pessoas à fraude cibernética – estão a ser integradas numa infra-estrutura financeira e operacional comum. Segundo o relatório, o crime organizado está a deslocarse do tráfico de bens físicos para a venda de serviços digitais, como fraudes online e liquidações financeiras em plataformas, difíceis de rastrear. As perdas anuais com esquemas fraudulentos em 2025 foram estimadas entre 88,3 mil milhões e 114,1 mil milhões de dólares, superando o Produto Interno Bruto (PIB) de vários países da região. A expansão levou ao aumento do tráfico de pessoas para actividades criminosas forçadas, com vítimas de, pelo menos, 80 países, identificadas em complexos de fraude na região, com redes de recrutamento que procuram alargar o alcance à Europa e América do Norte. O relatório sublinha que o Triângulo Dourado continua a ser o principal centro de produção de metanfetaminas, ketamina e heroína, com um valor anual estimado entre 75 mil milhões e 109,7 mil milhões de dólares. O texto destaca também o Triângulo SuluCelebes, entre Indonésia, Malásia e Filipinas, como novo corredor estratégico para contrabando marítimo, incluindo tecnologia usada em operações de fraude. Entre os mercados emergentes, a investigação da ONU aponta para o risco crescente da convergência entre jogos online e apostas ilegais, que torna os jovens particularmente vulneráveis. “A linha entre jogo digital e jogo de azar está cada vez mais difusa”, alertou Schantz. O relatório identifica ainda tendências tecnológicas como inteligência artificial generativa, ‘deep fakes’ e fraudes automatizadas, incluindo “malvertising”, que explora redes de publicidade legítimas para disseminar malware. “Uma estratégia centrada apenas na disrupção não funciona”, disse Schantz. “É preciso atacar os motores do crime, prevenir e seguir o dinheiro. A apreensão de lucros ilícitos enfraquece estas redes e protege potenciais vítimas”, concluiu. Os antecedentes Segundo o mesmo estudo, desde que foi divulgada, em Abril de 2019, a última avaliação sobre a ameaça do crime organizado transnacional na região do Sudeste Asiático, “o panorama regional da ameaça do crime organizado transnacional sofreu uma mudança complexa e de grande alcance, devida principalmente ao rápido crescimento da criminalidade facilitada pelas tecnologias digitais”. Desta forma, deu-se uma mudança no “panorama regional das ameaças e o ecossistema criminoso, bem como a escala, a sofisticação e a disponibilidade do ‘crime como serviço’ e de outros serviços criminosos ilícitos”, pode ler-se. O relatório destaca como o Sudeste Asiático “está a emergir como uma das principais regiões que moldam o ecossistema global do crime organizado transnacional”. Verifica-se, deste modo, “uma mudança estrutural de um modelo associado principalmente a mercados ilícitos discretos e, em grande parte, intrarregionais, para um modelo em que múltiplas economias criminosas operam de forma integrada e que se reforçam mutuamente, ultrapassando as fronteiras regionais”. Tal mudança deve-se, em parte, a uma “combinação de desenvolvimentos geopolíticos”, bem como a “integração cada vez mais rápida de tecnologias emergentes nas operações criminosas”. Assim, deu-se a “proliferação de centros de fraude à escala industrial”, ocorrendo um cenário em que “grupos de criminalidade organizada expandiram tanto a escala como a complexidade das suas actividades”. O mesmo documento dá conta que o Sudeste Asiático tem vindo a tornar-se “uma base operacional cada vez mais importante a partir da qual as redes criminosas coordenam uma gama diversificada de actividades ilícitas, cujos impactos se estendem muito além” da região. Em causa estão “fraudes cibernéticas que visam vítimas em todo o mundo, o tráfico de pessoas provenientes de vários países para operações criminosas e a movimentação e branqueamento de rendimentos ilícitos através de sistemas financeiros regionais e internacionais interligados”. Drogas para o mundo A dificuldade para rastrear este tipo de criminalidade está intimamente ligada ao uso da tecnologia. “Uma parte crescente das receitas criminosas provém agora de operações baseadas em serviços, fraudes cibernéticas, fornecimento de infra-estruturas criminosas e liquidações financeiras através de plataformas”, destaca a ONU. São, no fundo, “operações que não exigem que mercadorias físicas atravessem fronteiras e geram receitas que são substancialmente mais difíceis de rastrear, apreender e atribuir a actores criminosos específicos, principalmente devido à sua natureza virtual”. Relativamente ao Triângulo Dourado, o relatório fala de uma “notável resiliência das actividades criminosas” que operam nesta área. Em causa estão “restrições persistentes de acesso, pela presença de uma miríade de grupos armados não estatais e por redes criminosas descentralizadas e fluidas”. No que diz respeito aos estupefacientes, lê-se que “a metanfetamina constitui o núcleo da economia das drogas ilícitas para o crime organizado no Sudeste Asiático, com vendas a retalho estimadas em gerar entre 48,1 mil milhões e 74,8 mil milhões de dólares americanos anualmente — cerca de 70 por cento do total combinado do mercado de metanfetamina, heroína e ketamina”. Estes números representam “um aumento de aproximadamente 20 por cento em comparação com a última estimativa apresentada” na anterior avaliação, em 2019. “Apesar das apreensões recorde de metanfetamina registadas praticamente todos os anos ao longo da última década, os preços diminuíram em muitos países da região, enquanto os níveis de pureza se mantiveram elevados — tendências que indicam que o mercado é, em grande medida, impulsionado pela oferta e que as redes de crime organizado são fundamentais para esta evolução”, é referido. Ainda relativamente à ketamina, é descrito como se tornou num “dos mercados de drogas que mais cresce no Sudeste Asiático”, sendo que o crime organizado visa “cada vez mais a região como uma base de produção fundamental”. A droga fabrica-se mais na região do baixo Mekong, “tendo sido observado pela primeira vez no Myanmar, depois no Camboja e na República Democrática Popular do Laos e, mais recentemente, no Vietname”. No ano passado, a quantidade de ketamina apreendida na Ásia Oriental e também no Sudeste Asiático “atingiu um recorde de 52,5 toneladas, com aproximadamente 46,2 toneladas apreendidas no Sudeste Asiático, o que representa um aumento de mais de três vezes em relação à quantidade apreendida em 2024”. “Os cinco países do baixo Mekong e a vizinha Malásia, por si só, representaram 97 por cento do total do Sudeste Asiático”, com um valor de vendas de ketamina no Sudeste Asiático e Leste Asiático a atingir “entre 2,7 mil milhões e 7,2 mil milhões de dólares americanos”. Já a heroína “ganhou uma importância renovada”, ainda que “as drogas sintéticas dominem o mercado regional de drogas”. A ONU refere que “as 1.010 toneladas de ópio em bruto que se estima terem sido produzidas no Myanmar em 2025 representam o segundo nível mais elevado desde 2005”, sendo “quase 2,5 vezes superior à estimativa feita há cinco anos, com o valor total da economia nacional de opiáceos do Myanmar a situar-se entre 641 milhões e 1,05 mil milhões de dólares”. Valores equivalentes a “0,9 e 1,4 por cento do PIB do país”. “O aumento da produção de ópio no Myanmar e os sinais de um maior consumo de heroína nos mercados a jusante, incluindo corredores emergentes para a África Ocidental e a Europa — anteriormente abastecidos pelo produto afegão —, sugerem que a heroína está a expandir-se a par das drogas sintéticas, e não a substituí-las”. O Myanmar parece ter-se tornado, assim, a fonte de três rotas para este tráfico transfronteiriço, com o documento da ONU a referir “uma rota virada para a China através do norte do Estado de Shan, particularmente em torno do corredor Lashio-Muse; uma rota oriental de Shan que liga Myanmar à Tailândia e à República Democrática Popular do Laos; e uma rota para oeste, em direção ao nordeste da Índia.” Outras drogas destacadas são ainda a canábis e cocaína, tendo a canábis traficada a partir da Tailândia sido “apreendida em vários países europeus”. O tráfico destes dois tipos de estupefacientes “demonstram a crescente exposição do Sudeste Asiático a fluxos de tráfico internacional mais amplos”. Novamente o triângulo marítimo de Sulu-Celebes surge nesta equação, sendo identificado como um “corredor cada vez mais importante para o trânsito de cocaína proveniente da América Latina”. Assim, é indicado que “o Sudeste Asiático está a funcionar não só como uma região de origem para as exportações de drogas, mas também como um ponto de trânsito e destino emergente para fluxos originários de fora da região”. A.S.S. /Lusa
Nunu Wu Manchete SociedadeTaipa | Pedidas explicações para aumento de zonas com cheias Uma associação da Taipa ligada aos Moradores quer que o Governo analise e explique porque mais zonas nas Ilhas são afectadas por cheias desde o ano passado. Os responsáveis pediram celeridade na construção de estações elevatórias de águas pluviais e inspecção à rede de esgotos e sistema de drenagem Depois das chuvas intensas na manhã de segunda-feira, que originaram inundações em várias partes da Taipa, a Associação Promotora para o Desenvolvimento da Comunidade da Taipa pediu ao Governo uma investigação às razões pelas quais mais zonas nas Ilhas sofrem com inundações desde o ano passado, face a anos anteriores. Os dirigentes da associação afiliada na União Geral das Associações dos Moradores de Macau pediram uma análise aos novos pontos negros de cheias, como as proximidades da Avenida Wai Long, Rotunda da Seac Pai Van, Caminho das Hortas, Rotunda do Istmo e Edifício do Lago, que já desde o Verão passado se tornaram em zonas críticas. Em declarações ao jornal Ou Mun, os vice-presidentes da associação, Lam Ka Chun e U Chi Lek, recordaram que no passado as inundações afectavam sobretudo as áreas mais baixas, como a Rua de Fernão Mendes Pinto, a zona circundante de Chun Su Mei e a Rua da Ponte Negra, na Taipa Velha. Os dirigentes realçaram ainda a frequência cada vez maior com que situações climáticas extremas atingem o território. O que é preciso Entre as soluções possíveis, Lam Ka Chun e U Chi Lek pediram celeridade na construção das estações elevatórias de águas pluviais da Avenida dos Jogos da Ásia Oriental e do Centro Desportivo Olímpico, e o reforço da monitorização da subida das águas para controlar cheias nos bairros antigos. Além disso, os representantes pediram ao Governo uma análise detalhada à rede de esgotos e a revisão do plano geral de drenagem na Taipa e Coloane, com focos nos novos pontos negros de inundações, para verificar a necessidade de obras de melhoramento. Foram também mencionados testemunhos de moradores que indicaram que a água recuou mais rapidamente na Rua da Ponte Negra. Saindo do capítulo da prevenção para os trabalhos de apoio durante inundações, os dirigentes sugeriram a colaboração interdepartamental entre Obras Públicas e Assuntos do Tráfego para operações conjuntas de prevenção específicas para os novos pontos negros.
João Luz Manchete PolíticaPatriotismo | O Lam quer jovens com o espírito da Longa Marcha Terminou na segunda-feira o acampamento militar de Verão para estudantes. No encerramento, a secretária O Lam incentivou os jovens a inspirarem-se na Longa Marcha e no nacionalismo. Durante uma semana, 150 alunos de 28 escolas tiveram treino no Quartel Militar da Taipa Terminou na segunda-feira o 19.º Acampamento Militar de Verão para Jovens e Estudantes na Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês, que durou uma semana e no qual participaram 150 alunos de 28 escolas e instituições de ensino de Macau. Na cerimónia de encerramento, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, afirmou que o Governo atribui grande importância à educação patriótica, inovando modelos educativos para que os jovens aprofundem a sua compreensão da situação nacional. A governante afirmou que se assinala este ano o “90.º aniversário da vitória da Longa Marcha do Exército Vermelho dos Trabalhadores e Camponeses Chineses”, referindo-se à retirada das tropas comunistas durante a guerra civil. O Lam encorajou os jovens a “inspirarem-se no espírito da Longa Marcha, a cultivarem o seu carácter, a terem sempre presente o que aprenderam e viveram no exército e a reforçarem as suas convicções”, indicou a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), num comunicado divulgado na noite de segunda-feira. A responsável encorajou os jovens a estabelecerem metas ambiciosas, persistirem nos estudos, aperfeiçoarem competências e a enraizarem-se em Macau, mantendo a pátria nos corações. O Lam indicou como caminho a seguir a “associação consciente do desenvolvimento pessoal à situação global do país”, para que os jovens contribuam para o rejuvenescimento da nação. Jogos de guerra Durante uma semana, os estudantes fizeram treino militar, incluindo conhecimentos básicos sobre equipamento, treino de campo e primeiros socorros, realizaram visitas de estudo e experimentaram a vida militar. O Major-General Lian Wei, comissário político da Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês, elogiou a dedicação os jovens de Macau e manifestou esperanças de ver associados os seus destinos aos do país, cultivando um profundo sentido de patriotismo. O responsável mostrou-se esperançado de que os jovens que participaram no acampamento levassem consigo uma nova injecção de coragem, autodisciplina e optimismo no regresso à escola e à sua vida familiar.
João Santos Filipe Manchete PolíticaDireitos Laborais | Aumentam licença de maternidade e férias anuais A Assembleia Legislativa aprovou a proposta do Governo para assegurar que as trabalhadoras no sector privado passam a gozar de uma licença de maternidade de 90 dias, cerca de três meses. Os dias de férias podem subir dos actuais seis para um máximo de 12 A licença de maternidade no sector privado vai subir para 90 dias, face aos actuais 70 dias. A medida foi ontem aprovada na Assembleia Legislativa, por unanimidade, onde a matéria estava a ser discutida desde o início de Junho. Segundo as alterações ontem decididas, os 90 dias podem ser igualmente gozados se a trabalhadora der à luz um nado-morto ou se houver interrupção involuntária, após os primeiros três meses da gravidez. Neste caso, a mulher tem direito a gozar de 21 a 90 dias, dependendo das necessidades comprovados por atestado médico. A medida vai entrar em vigor no dia seguinte ao da publicação da lei no Boletim Oficial, o que poderá acontecer na próxima segunda-feira. Após a lei ser aprovada, tanto os deputados ligados à Federação das Associações dos Operários de Macau como à Associação das Mulheres chamaram para si os louros das mudanças. “Os aumentos [aprovados ontem] são um grande progresso nos direitos dos trabalhadores. O Governo deve continuar a pensar no aumento da licença de paternidade, subsídio da natalidade, para criar um bom ambiente de trabalho”, afirmou Leong Pou U, deputado ligado aos Operários em nome deste grupo. Por sua vez, os representantes do patronato, como Ip Sio Kai e Si Ka Lon pediram apoios do Governo para as Pequenas e Médias Empresas. “Em Macau temos uma indústria muito pequena, portanto muitas PME e microempresas vão ser responsáveis pelos pagamentos e irão sentir dificuldades”, afirmou Ip. “Actualmente, muitas PME ainda sofrem dificuldades, por falta de clientes, e tendo em conta esta aprovação espero que o governo acompanhe o desenvolvimento das PME e adopte políticas de apoio”, acrescentou. Férias curtas Em relação aos dias mínimos de férias obrigatórias, os deputados também aprovaram um aumento, que funciona de forma gradual e apenas a partir do próximo ano. Os actuais seis dias anuais são mantidos para os trabalhadores que ainda não cumpriram dois anos no mesmo emprego. A partir do segundo ano com a mesma empresa, os trabalhadores vão ganhar um dia de férias por cada dois anos de trabalho no mesmo local. Segundo esta lógica, quando estão no mesmo posto de trabalho entre dois e menos de quatro anos, os trabalhadores vão poer gozar de sete dias de férias por ano. Os dias sobem progressivamente até um limite máximo de 12 dias, quando os trabalhadores permanecem na mesma empresa mais de 12 anos.
João Luz Manchete SociedadeSMG | Chuvas intensas provocam cheias e aulas suspensas As chuvadas intensas que afectaram Macau entre a madrugada e a manhã de segunda-feira provocaram um pandemónio no início do dia, com os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) a registarem inundações em várias partes da cidade, com participar incidência na Taipa. Por volta das 07h05, as autoridades emitiram o sinal vermelho, o quinto do ano, alerta para previsões de precipitação de cerca de 50 milímetros numa hora, prevendo inundações nas partes baixas da cidade. Segundo o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), foram encerradas ao trânsito a Rua Cidade do Porto e a Rua Ponta Negra, na Taipa, e foram registadas inundações na a Avenida Wai Long, Estrada da Ponta da Cabrita e na Rotunda do Istmo. A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude acompanharam o sinal vermelho de chuva intensa e às 07h06 lançaram um aviso de suspensão das aulas no ensino secundário na parte da manhã, e nos ensinos infantil, primário e especial durante o dia todo. “As escolas devem manter as suas instalações e respectivo pessoal em funcionamento, ocupando e acolhendo os alunos que cheguem às escolas, até que o seu regresso a casa se possa fazer em segurança”, acrescentou a DSEDJ. O top três Com o sinal vermelho emitido, o CPSP apelou à população para “permanecer em locais seguros, na medida do possível, e evitar sair à rua”. Aos condutores foi pedida prudência na estrada e atenção “às condições de inundação, evitando deslocações a zonas baixas ou a entrada em parques de estacionamento subterrâneos”. Também o Corpo de Bombeiros pediu à população para ficar em locais fechados e seguros e evitar deslocações a zonas baixas ou ao ar livre. Mais de três horas e meia depois de ter sido emitido o sinal vermelho de chuva intensa, os SMG substituíram-no pelo sinal amarelo. Nessa altura, várias zonas já registavam precipitação acumulada superior a 100 milímetros, com o recorde a ser batido pela estação de monitorização meteorológica da Taipa Grande com 147,4 milímetros. O segundo lugar do “pódio” foi para a Universidade de Macau com 133 milímetros e o “bronze” foi para o Porto Exterior com o registo de 125,2 milímetros. Porém, a inundação mais forte verificou-se no Caminho das Hortas, no centro da Taipa, onde os SMG registaram 37 centímetros de água acumulada. Apesar das previsões dos SMG apontarem para que a chuva e as trovoadas se mantenham hoje, o céu pouco nublado deve regressar na quarta-feira.
João Santos Filipe Eventos MancheteCarnaval Phone Show | Arno Bornkamp estreia-se no Centro Cultural de Macau O saxofonista clássico holandês vai actuar pela primeira vez em Macau e interpretar temas como a Rapsódia de Debussy, a Sonata Hot de Schulhoff, as Duas Fantasias de Takács e os Três Prelúdios de Gershwin. Os interessados vão também poder ouvir a interpretação do Concerto Tallahatchie do compositor holandês Jacob ter Veldhuis O saxofonista clássico Arno Bornkamp é o cabeça-de-cartaz do concerto “Carnaval Phone Show”, que decorre esta noite, a partir das 19h45, no Centro Cultural de Macau. Os bilhetes para a 10.ª edição do espectáculo organizado pela Associação de Regentes de Banda de Macau custam 300 patacas. Segundo os organizadores, o evento vai ter uma duração de cerca de 100 minutos e durante a primeira parte, Arno Bornkamp vai tocar em Macau a Rapsódia de Debussy, a Sonata Hot de Schulhoff, as Duas Fantasias de Takács e os Três Prelúdios de Gershwin. Nascido em 1959, o neerlandês Arno Bornkamp tem uma carreira de quase 40 anos e um estilo distintivo herdado da tradição francesa do saxofone do século XX. Além disso, o saxofonista europeu foi também profundamente influenciado pelas correntes inovadoras da música holandesa dos anos 1980, tendo sido um dos fundadores do quarteto Aurelia Saxophone Quartet, em 1982. Este quarteto destacou-se ao longo de 30 anos por não se limitar ao repertório clássico francês, interpretando também quartetos de cordas de Bach, Mozart, Ravel e Piazzolla, além de música contemporânea e ter colaborado com artistas de jazz, rock, música étnica, bailarinos e actores. Ainda durante a primeira parte do espectáculo, Arno Bornkamp recebe a companhia do saxofonista local Hugo Loi, para interpretar peças para duos de saxofones: Canciones de Éxtasis y Nostalgia de Manuel Bonino e Ode to Strauss de Gershwin. Hugo Loi é um participante frequente dos “Carnaval Phone Show” organizados pela Associação de Regentes de Banda de Macau, associação que integra, estando assim de regresso para actuar em mais uma edição. Os dois saxofonistas vão ainda ser acompanhados por Cherry Tsang, pianista de Hong Kong, que se estreou em 2009 no Carnegie Hall, em Nova Iorque, e desde então tem actuado em algumas das salas de espectáculo mais famosas do mundo, integrando orquestras como a Orquestra Sinfónica da Hong Kong Academy for Performing Arts, Orquestra Hong Kong Ars Nova e Orquestra the Eastman Symphony. Oportunidades para todos Após o intervalo, Arno Bornkamp vai continuar em palco para actuar com um conjunto de saxofonistas escolhidos pela Associação de Regentes de Banda de Macau. Este conjunto inclui alunos de instituições de ensino como a Universidade de Macau, Escola Pui Ching, Escola Sheng Kung Hui, do Colégio de Santa Rosa de Lima (Secção Inglesa), Colégio Yuet Wah, Colégio do Sagrado Coração de Maria (Secção Inglesa), entre outras, e vai ser dirigido por Hugo Loi. Além disso, vão fazer ainda parte do grupo vários jovens saxofonistas de Macau já licenciados ou a frequentar cursos superiores de interpretação de saxofone. Em conjunto, vão interpretar a obra Concerto Tallahatchie do compositor holandês Jacob ter Veldhuis. Também nesta fase do espectáculo, vai ser interpretada a obra Bênção Divina, encomendada ao compositor holandês Douwe Eisenga a pensar na 10.ª edição do Carnaval Phone Show. “Trata-se de uma versão inédita encomendada para o conjunto de saxofones, que terá aqui a sua estreia mundial. O estilo musical de Douwe Eisenga funde rock, pop, música do mundo, bem como elementos barrocos e minimalistas”, comunicaram os organizadores. “As suas obras são conhecidas por ritmos hipnóticos e melodias líricas persistentes, cheias de uma força que toca a alma. Esta peça, feita à medida para a ocasião, será sem dúvida um dos pontos altos do evento”, foi acrescentado. O repertório do concerto abrange desde o impressionismo francês até obras contemporâneas do século XX, com estilos que variam da tradição clássica francesa a peças americanas com fortes cores de jazz, demonstrando plenamente a versatilidade do saxofone.
Nunu Wu Manchete SociedadePonte da Amizade | Queixas de piso irregular e acidentado Condutores queixam-se do piso irregular na Ponte de Amizade semelhante a pequenas lombas sempre que passam por uma junta de dilatação, a cada 12 metros. O deputado e engenheiro Leong Hong Sai aponta que a estrutura da ponte já pressupõe alguma trepidação A trepidação provocada pela circulação na Ponte da Amizade causou algumas queixas de condutores, que consideram o piso mais irregular e acidentado, em comparação com o passado, antes de terem iniciado as obras de manutenção na estrutura. Recorde-se que a Ponte da Amizade está com obras de manutenção no tabuleiro desde meados de Maio, as primeiras de grande escala nos últimos 25 anos. Segundo queixas ouvidas pelo jornal Ou Mun, os condutores manifestaram dúvidas se a trepidação se deve a problemas com o asfalto, ou se será das juntas de dilatação. A situação levou o deputado e engenheiro Leong Hong Sai a visitar a ponte. Em primeiro lugar, o legislador da bancada dos Moradores referiu que o facto de o tabuleiro e os viadutos de acesso da ponte terem juntas de dilatação a cada 12 metros é um problema herdado da concepção histórica da ponte. Leong Hong Sai explica que, com base no desenho estrutural da Ponte da Amizade, um veículo que circule a uma velocidade entre 60 e 80 quilómetros por hora sente a trepidação a cada meio segundo. O engenheiro refere que este sistema “ondulatório” é uma característica da ponte, mas que também se deve ao sistema de drenagem da estrutura. Como tal, a trepidação é sentida com mais intensidade na faixa mais lenta, devido ao declive descendente no asfalto para escoar água acumulada. Esperar pelo fim A diferença de materiais pode ser outra explicação para a trepidação, devido às propriedades físicas drasticamente diferentes. O deputado realçou que as juntas de dilatação são estruturas rígidas feitas de aço e betão, enquanto o revestimento rodoviário é constituído por betão asfáltico flexível. A passagem pelas diferentes superfícies cria esse contraste. Porém, se tiver de escolher entre o máximo conforto na condução, ou condução segura quando chove, o deputado e engenheiro não tem dúvidas que a prioridade deve ser a segurança rodoviária. No entanto, ressalva que a obra ainda não terminou, tendo o fim previsto antes do início do ano lectivo, em Setembro, e que as juntas de dilatação ainda não foram todas substituídas e que a condução deverá ser mais suave quando esse trabalho for concluído. Por fim, Leong Hong Sai realça a importância de efectuar uma vistoria completa quando as obras estiverem concluídas.