Visita | Xi Jinping diz que China e EUA devem ser “parceiros, e não rivais”

O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu ontem que China e Estados Unidos devem ser “parceiros, e não rivais” e apelou à cooperação entre as duas potências, na véspera das aguardadas conversações com o homólogo norte-americano, Donald Trump.

“Os nossos dois países devem ser parceiros, e não rivais”, afirmou Xi, numa mensagem divulgada pela agência de notícias oficial chinesa Xinhua, acrescentando que “os povos chinês e norte-americano mantêm há muito intercâmbios amistosos e os nossos interesses estão estreitamente ligados”.

As declarações surgem na véspera das aguardadas conversações entre os líderes da China e dos Estados Unidos, que trocaram um aperto de mão à chegada de Xi Jinping a Washington. As discussões deverão abordar o comércio, a concorrência tecnológica – em particular no domínio da inteligência artificial – e o apoio de Pequim ao Irão.

O Presidente chinês afirmou também estar “ansioso por manter conversações aprofundadas com o Presidente Trump sobre as principais questões relativas às nossas relações bilaterais e à situação mundial”, segundo a Xinhua.

Os dois países devem “trabalhar em conjunto para promover uma relação estável, tendo a cooperação como principal pilar, a concorrência dentro de limites razoáveis, divergências controláveis e perspectivas pacíficas”, afirmou Xi.

Numa referência ao lema de Donald Trump, o líder chinês acrescentou que “o grande rejuvenescimento da nação chinesa e o objectivo de tornar a América novamente grande podem perfeitamente avançar lado a lado”.

“Acredito que, com os esforços conjuntos, esta visita produzirá resultados frutíferos, melhorará o bem-estar dos nossos dois povos e trará uma nova esperança para a paz mundial”, acrescentou.

IA na agenda

Também ontem, a China confirmou que manteve com os Estados Unidos o primeiro diálogo sobre inteligência artificial (IA) no âmbito do mecanismo de consultas económicas e comerciais entre os dois países.

O porta-voz do ministério do Comércio chinês, He Yadong, afirmou, em conferência de imprensa, que as equipas económicas e comerciais dos dois países realizaram recentemente nos Estados Unidos a oitava ronda de consultas bilaterais.

Segundo He, as duas partes mantiveram uma troca de opiniões “franca, aprofundada e construtiva” sobre questões económicas e comerciais de interesse comum e alcançaram “vários consensos”, sob a orientação dos entendimentos alcançados pelos Presidentes dos dois países, Xi Jinping e Donald Trump.

O porta-voz acrescentou que, no âmbito do mesmo mecanismo de consultas, China e Estados Unidos mantiveram “o primeiro diálogo” sobre inteligência artificial, uma questão que tem ganho peso na agenda bilateral devido à rivalidade tecnológica entre as duas potências e aos debates sobre a segurança dos modelos avançados.

He não forneceu, no entanto, detalhes sobre o conteúdo das conversações nem esclareceu se foram abordados mecanismos de notificação ou gestão de incidentes relacionados com a IA, uma possibilidade discutida em contactos anteriores entre as duas partes.

O responsável referia-se aos encontros mantidos nos últimos dias nos Estados Unidos entre o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

25 Set 2026

MGM Resorts | Multimilionário retira oferta para adquirir empresa

Barry Diller retirou a proposta para adquirir a gigante americana por considerar que as negociações não seguiram o rumo desejado. O negócio que teria implicações MGM China, concessionária do jogo no território, estava avaliado em 18 mil milhões de dólares americanos

O grupo People Incorporated, do multimilionário Barry Diller, retirou a proposta para adquirir o controlo total da MGM Resorts International. O anúncio foi feito na manhã de ontem, e fez com que as acções da empresa-mãe da concessionária MGM China caíssem 8 por cento.

“Não sentimos que as coisas estivessem a caminhar na direcção que esperávamos e, por isso, tivemos de decidir deixar de tentar tornar a companhia privada, por agora”, afirmou Barry Diller, através de um comunicado citado pela agência Reuters.

Em Junho deste ano, o grupo People Incorporated apresentou uma proposta de cerca de 18 mil milhões de dólares americanos para comprar a totalidade da empresa americana. Se a proposta tivesse sido bem-sucedida, a MGM iria deixar de estar cotada na Bolsa de Nova Iorque.

Apesar da compra falhada, o grupo do empresário americano continua a manter 26,1 por cento do capital social daquela que é uma das principais empresas do jogo nos Estados Unidos. “O que permanece inabalável é a nossa crença no futuro da MGM Resorts. Continuamos a deter 66,8 milhões de acções, o que representa aproximadamente 27 por cento da MGM Resorts, e temos total confiança tanto na gestão como nas perspectivas da empresa”, destacou o empresário.

O negócio era relevante para Macau porque a MGM Resorts International é a principal accionista da MGM China, uma das seis concessionárias do jogo no território, e que conta igualmente com a empresária Pansy Ho como uma das principais accionista.

Apesar deste desfecho, no comunicado divulgado ontem, Barry Diller admitiu “continuar interessado na possibilidade de uma transacção estratégica” da MGM e mostrou abertura para futuras parcerias.

Confiança no futuro

Face ao colapso das negociações, Paul Salem, presidente do Conselho de Administração da MGM Resorts, considerou que a direcção da empresa está entusiasmada com as condições actuais.

“O Conselho de Administração continua entusiasmado com a ideia de continuar a liderar a MGM Resorts como uma empresa independente. A nossa posição de liderança em Las Vegas, as nossas propriedades regionais de referência e o contínuo dinamismo da BetMGM destacam o valor que oferecemos aos nossos accionistas”, afirmou Salem.

O responsável vincou ainda a importância dos investimentos em Macau e no Japão, onde a empresa deverá abrir um novo casino, em Osaka, em 2030. “O nosso portfólio internacional da MGM China e a oportunidade significativa que se avizinha com o MGM Osaka sustentam um caminho claro para o aumento do valor para os accionistas”, destacou o responsável.

25 Set 2026

Prostituição | Rede desmantelada com 77 suspeitos detidos

As autoridades de Macau e Guangdong detiveram 47 pessoas numa investigação a uma rede de prostituição que desde Março facturou cerca de 5,3 milhões de dólares de Hong Kong. Além de Macau, a polícia deteve membros da rede em Zhuhai, Guangzhou, Shenzhen, Foshan e Zhongshan

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou ontem a detenção de 47 suspeitos de operarem uma rede de prostituição transfronteiriça que trazia mulheres para Macau, ao abrigo de uma operação conjunta com as forças policiais de Guangdong. As detenções aconteceram em Macau e nalgumas das principais cidades da Grande Baía: Guangzhou, Zhuhai, Shenzhen, Foshan e Zhongshan.

Segundo as informações divulgadas ontem pela PJ, é pressuposto que o grupo criminoso estivesse em actividade há, pelo menos, meio ano, período durante o qual apurou um montante total estimado em cerca de 5,3 milhões de dólares de Hong Kong. As autoridades chegaram a este valor calculando os preços médios de “transacções” entre 1.000 e 2.500 dólares de Hong Kong.

Além dos 47 detidos dos dois lados da fronteira, as autoridades interceptaram 15 prostitutas no Cotai e na Taipa, enquanto no Interior da China foram interceptadas outras 15 prostitutas que trabalhavam na rede. Importa referir que a prostituição não é criminalizada em ambas as jurisdições, mas a exploração e organização é crime, ou seja, as prostitutas não serão alvo de processos crime.

Em Macau, os 16 detidos foram entregues ao Ministério Público por suspeitas dos crimes de exploração de prostituição (punido com pena de prisão de um a três anos), e associação criminosa (punido com pena de prisão de três a 10 anos).

Online e offline

As autoridades acrescentaram que existem possibilidades de haver ainda suspeitos a monte e que a investigação irá continuar.

Entre os detidos, destaque para a cabecilha, uma mulher de 39 anos do Interior da China que a polícia acredita liderar o grupo. Yi terá criado e gerido grupos de conversação em redes sociais, onde as operações entre proxenetas e prostitutas eram combinadas.

Para entrar na rede de prostituição que operava em Macau, onde as mulheres conseguiam inflacionar o preço, as mulheres tinham de pagar uma quota. O histórico de conversações nestes grupos era regularmente apagado.

O grupo contava ainda com a contribuição de proxenetas, que angariavam clientes nas imediações de hotéis, e informavam a líder do grupo que atribuía uma prostituta disponível e próxima.

Para controlar as patrulhas policiais e assegurar que a rede operava com tranquilidade, um segurança de origem nepalesa que trabalhava no hotel informava o grupo da proximidade das autoridades. O segurança foi um dos detidos em Macau.

Em termos de distribuição dos “rendimentos”, a prostituta ficava com 1.000 dólares de Hong Kong por cada “sessão”, sendo o restante dinheiro dividido pela organização.

25 Set 2026

Air Macau | Leong Sun Iok pede investigação a cancelamentos

O deputado ligado à FAOM compreende que a subida do preço dos combustíveis cria desafios à empresa de aviação e alguns cancelamentos de voos. No entanto, nega que a tendência de cancelamentos seja comum a nível mundial e avisa que a política da transportadora prejudica a imagem de Macau

O deputado Leong Sun Iok apelou às autoridades para investigarem a onda de cancelamentos e atrasos nos voos operados pela Air Macau. A posição foi tomada em declarações ao jornal Ou Mun, numa altura em que a companhia aérea está a ser cada vez mais criticada.

O legislador ligado aos Operários considerou que, se a situação actual for mantida, a imagem de Macau como centro mundial de turismo e lazer corre um sério risco de ser afectada. Segundo Leong, a reputação dos destinos turísticos está intimamente ligada à qualidade da rede de transporte aéreo, e maus transportes afastam turistas e criam uma percepção negativa.

No mesmo sentido, se os voos não forem realizados com regularidade e segurança, o deputado considera que se estão a criar mais obstáculos à estratégia de explorar o mercado dos visitantes internacionais e de longa distância.

Leong Sun Iok indicou ainda que a situação actual vai fazer com que cada vez menos residentes recorram aos serviços da Air Macau, que no ano passado apresentou um prejuízo de 765 milhões de patacas, um recorde negativo.

Além de defender a investigação à empresa, o membro da Assembleia Legislativa argumentou que as autoridades devem coordenar-se com a companhia aérea para encontrarem uma solução que permita colocar um fim aos cancelamentos e atrasos frequentes.

Ao mesmo tempo, Leong pretende a melhoria das políticas de resposta aos cancelamentos, para minimizar ao máximo o impacto para os passageiros afectados e assegurar os seus direitos. Sobre este aspecto, o deputado apelou ao Governo para garantir a existência de compensações apropriadas.

Mau exemplo

Na quarta-feira, o presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM), Pun Wa Kin, veio defender a Air Macau e considerar que a política de cancelamentos é uma tendência mundial, face ao aumento do preço dos combustíveis.

No entanto, Leong Sun Iok apresentou uma visão diferente. O legislador concorda que a Air Macau e a aviação estão a sofrer com o preço dos combustíveis e com o aumento dos custos de exploração das empresas.

Contudo, o deputado apontou que a nível mundial a taxa de cancelamentos está longe de ser comparável à da Air Macau, onde o número de voos que ficam em terra é mais elevado.

Nas declarações ao jornal Ou Mun, Leong Sun Iok recordou que desde Fevereiro deste ano entrou em vigor a nova lei da actividade de aviação civil que, entre os diferentes objectivos, pretendia terminar com o monopólio da Air Macau e dar uma nova dinâmica ao mercado local. O deputado considera que o diploma está a contribuir para uma “abertura progressiva do mercado”, mas espera que o Executivo seja mais activo.

Envolvimento da RAEM

A postura da Air Macau e os pedidos de investigação podem deixar o Executivo numa posição complicada, além de colocarem em xeque a empresa-estatal Air China.

Actualmente, a RAEM é a segunda maior accionista da companhia aérea, com uma participação social de cerca de 24 por cento e dois representantes no Conselho de Administração da empresa. Ainda em Junho deste ano, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, nomeou O Hoi Fan como membro no Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Air Macau para os próximos três anos. No mesmo despacho, publicado no Boletim Oficial, também Pun Keng Sang foi escolhido para o Conselho de Administração da Air Macau por um período de três anos.

Se, por um lado, o Governo, através do Chefe do Executivo, nomeia parte dos dirigentes da empresa, por outro, o Governo, desta feita através do secretário para os Transportes e Obras Públicas, nomeia o presidente da AACM, que regula o sector da aviação civil.

Além disso, uma eventual investigação vai incidir sobre as opções de uma empresa que é controlada pela companhia estatal Air China, a maior accionista da Air Macau com uma participação de quase 75 por cento.

25 Set 2026

UE | Assembleia Legislativa rejeita “comentários infundados”

O órgão liderado por André Cheong acusou a União Europeia de interferência nos assuntos internos da China e manifestou “forte desagrado” com relatório sobre liberdades e eleições em Macau

A Assembleia Legislativa (AL), mencionada num relatório da União Europeia (UE) sobre a evolução política e económica no território, rejeitou ontem os “comentários infundados” e manifestou “forte desagrado” com a interferência nos assuntos internos chineses.

O documento da UE, divulgado na terça-feira, “teceu comentários infundados” sobre assuntos de Macau, “tais como as eleições para a 8.ª Assembleia Legislativa”, referiu o parlamento num comunicado que expressa ainda “firme oposição” à análise europeia.

A AL considerou ainda que as eleições legislativas se realizaram “com sucesso, em conformidade com a lei e num ambiente justo, imparcial e íntegro”. O mesmo órgão apontou que a comissão dos assuntos eleitorais “tomou a decisão de que alguns candidatos não preenchiam os requisitos de elegibilidade, no exercício das competências que lhe são atribuídas pela Lei Eleitoral, concretizando o princípio ‘Macau governado por patriotas'”.

O órgão liderado por André Cheong apontou também que os direitos dos residentes de Macau, “incluindo o direito de eleger e de ser eleito”, estão “plenamente salvaguardados” pela legislação local.

O parlamento instou ainda o bloco europeu a respeitar os princípios do direito internacional e as normas fundamentais das relações internacionais, além de “cessar a interferência nos assuntos internos da China e nos assuntos da RAEM, e a promover o desenvolvimento estável e saudável das relações entre ambas as partes com acções concretas”.

Origem da resposta

No relatório, a UE considerou que, em Macau, 2025 “foi marcado por uma maior erosão dos direitos e liberdades fundamentais que deveriam estar protegidos até, pelo menos, 2049”, conforme a Declaração Conjunta Sino-Portuguesa.

Nas legislativas de 2025 – prossegue-se no relatório – a Comissão de Assuntos Eleitorais desqualificou 12 candidatos por não defenderem a Lei Básica e não prestarem fidelidade à Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). Nestas eleições, apenas 14 dos 33 deputados são eleitos por sufrágio directo.

O documento destacou também a primeira detenção ao abrigo da lei de segurança nacional do ex-deputado Au Kam San, além do encerramento do jornal independente All About Macau devido a pressões.

A reacção da Assembleia Legislativa surge depois de o relatório da UE ter causado posições idênticas do Governo de Macau e do Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) em Macau, divulgadas na quarta-feira.

Também o Executivo de Sam Hou Fai instou a UE “a respeitar os princípios do direito internacional e as normas fundamentais das relações internacionais, e a cessar a publicação repetida anualmente do dito relatório”.

O líder do Executivo avisou ainda a UE para encarar “de forma objectiva e racional os enormes êxitos alcançados por Macau sob o princípio ‘um país, dois sistemas’”, e promover “o desenvolvimento saudável das relações bilaterais”.

Por sua vez, o MNE afirmou que: “Uma mentira repetida mil vezes continua a ser uma mentira. Os assuntos de Macau são assuntos puramente internos da China e não admitem qualquer interferência de forças externas”. Os representantes do Governo Central também exortaram a UE a “reconhecer factos, a corrigir a sua posição e a cessar imediatamente a manipulação política que se repete ano após ano.”

25 Set 2026

Economia | Crescimento do PIB chinês deverá abrandar em 2026 e 2027

O “OECD Economic Outlook” descreve cenários de “resiliência” perante a escalada de preços devido à guerra no Irão, prevendo moderação do crescimento do PIB da China na ordem dos 4,5 por cento este ano, e ainda de 4,2 por cento em 2027

O nome do relatório não deixa margem para dúvidas: “Weathering Successive Shocks”, em português “Resistir a Choques Sucessivos” chama a atenção para os tempos difíceis que se vivem na economia global. O relatório em causa é o “OECD Economic Outolook”, produzido pelo secretariado-geral da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico]. O documento foi tornado público na quarta-feira.

Há vários sinais de alerta para o leitor, desde logo pela análise do crescimento económico mais moderado, da existência de maiores dependências face à evolução do conflito do Médio Oriente e preços mais elevados nos bens essenciais, sempre dentro de um cenário de muitas incertezas e imprevisibilidades.

Falando em “moderação do crescimento mundial” da economia no primeiro semestre deste ano, a OCDE prevê o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) chinês até 4,5 por cento este ano, bem como 4,2 por cento em 2027.

“Prevê-se que o crescimento económico nas economias de mercado emergentes do G20 se mantenha globalmente estável, embora o padrão de crescimento varie entre os países. Na China, prevê-se que o crescimento abrande ainda mais, passando de 5 por cento em 2025 para 4,5 por cento em 2026 e 4,2 por cento em 2027”, lê-se.

Em termos globais, acredita-se que o crescimento do PIB a nível mundial seja de 2,9 por cento este ano, ficando ligeiramente abaixo da previsão para 2027, que é de 3 por cento. Para os Estados Unidos da América, a OCDE estima um crescimento do PIB na ordem dos 2,2 por cento este ano, e de 2,1 por cento em 2027. Tal crescimento será pautado “por um forte investimento relacionado com a IA [Inteligência Artificial]”, que irá “compensar parcialmente o abrandamento da despesa dos consumidores e do crescimento do rendimento real”.

Na Zona Euro o crescimento do PIB será inferior, na ordem de 1 por cento este ano, percentagem que deverá ser semelhante em 2027.

A OCDE refere que, em termos globais, a “maior pressão sobre os preços, um crescimento fraco do rendimento real e taxas de juro mais elevadas” vão dominar as economias. Estes factores vão trazer, nos próximos meses, um cenário de “moderação” ao “dinamismo do crescimento a curto prazo em muitas economias”.

O estado da inflação

Os preços deverão continuar mais elevados, mas não sempre. A OCDE prevê que “a inflação aumente a curto prazo, reflectindo a subida dos preços das matérias-primas, antes de diminuir gradualmente em 2027”. A quebra gradual explica-se pela “moderação dos preços da energia e uma política monetária mais restritiva, e que contribuam para limitar as pressões mais gerais sobre os preços”.

Nos países que fazem parte do G20 estima-se que a inflação possa diminuir de 4,1 por cento este ano para 2,5 por cento em 2027. É referido um cenário de “resiliência” perante este crescimento económico mais moderado, apesar “dos efeitos adversos do conflito no Médio Oriente”.

A “resiliência” dos países deveu-se “às reservas consideráveis de petróleo, à oferta adicional proveniente de países exteriores às economias do Golfo e a medidas discricionárias de apoio adoptadas pelos governos”, e que “contribuíram para atenuar o impacto sobre a economia mundial”.

IA como força motriz

A OCDE destaca o papel que os investimentos na área da IA têm tido como força dinamizadora de muitas economias. “A continuação da forte actividade relacionada com a inteligência artificial (IA) também impulsionou o investimento, a produção e o comércio”, lê-se no relatório.

Aliás, é ainda referido no documento que “a robustez da actividade relacionada com a IA e a descida dos preços da energia (…) contribuirão para o reforço da actividade até 2027”.

É explicado que os efeitos do conflito no Médio Oriente “foram parcialmente compensados pela continuidade do rápido crescimento do investimento e da produção relacionados com a inteligência artificial em muitas economias”.

No continente asiático, “a Coreia e Japão, dois importantes fabricantes de semicondutores, registaram um forte aumento das exportações de tecnologia ao longo deste período”, sendo que “o mesmo aconteceu na China”.

Por sua vez, “o crescimento de várias outras economias de mercado emergentes do G20, como a Índia, Indonésia e Brasil, foi sustentado por uma procura interna resiliente e por políticas governamentais que atenuaram o impacto do aumento dos preços da energia sobre as famílias e as empresas”.

Muitas incertezas

Não obstante a capacidade de superação e até um ligeiro crescimento do PIB global em 2027, a OCDE deixa no ar um cenário de muitas incertezas. Isto porque “as perspectivas económicas mundiais continuam fortemente dependentes da possibilidade de se alcançar uma solução duradoura para o conflito no Médio Oriente”.

Lê-se que “os preços da energia voltaram recentemente a subir, num contexto de intensificação das perturbações na produção e nas exportações das economias do Golfo”.

“As elevadas margens de refinação, devido aos estrangulamentos na produção, estão a exercer uma pressão adicional em alta sobre os preços no consumidor e os custos das empresas. Os preços de algumas matérias-primas agrícolas também aumentaram significativamente nos últimos meses, em parte devido ao impacto de fenómenos meteorológicos extremos na oferta”, é ainda explicado.

As incertezas ocorrem também devido às “alterações contínuas nas políticas comerciais, tanto em matéria de tarifas como de restrições às exportações”. Tais cenários trazem também “perturbações na oferta”.

A OCDE realça ainda “as novas taxas tarifárias bilaterais dos EUA, em vigor desde Julho, tenham aumentado em cerca de 1 ponto percentual a taxa tarifária efectiva média dos Estados Unidos”.

Essencialmente, “a trajectória dos preços do petróleo e do gás depende fundamentalmente da duração das perturbações na oferta, da capacidade de produtores e consumidores para se ajustarem e da evolução geopolítica”.

Outro risco apontado no relatório tem a ver com as alterações climáticas, nomeadamente o fenómeno El Niño, “que afecta negativamente a produção agrícola e contribui para aumentar as pressões sobre os preços dos alimentos”.

Livro de receitas

A OCDE deixa algumas sugestões para travar a escalada de preços, referindo que “os bancos centrais devem assegurar que as expectativas de inflação permanecem bem ancoradas”. “Poderão ser necessários novos ajustes às políticas monetárias caso as pressões sobre os preços apresentem sinais de agravamento ou as perspectivas de crescimento se deteriorem significativamente”, acrescenta-se.

Do lado dos governos, a OCDE diz que as medidas para travar a inflação “devem ser bem direccionadas”, apostando-se nos “incentivos à redução do consumo energético e à diversificação das fontes de energia”.

Como tal, a organização internacional recomenda “reformas estruturais para aumentar o crescimento do produto potencial e reforçar a resiliência das economias perante novas perturbações do lado da oferta”. A recomendação inclui “medidas destinadas a diversificar ainda mais o fornecimento de energia e melhorar a eficiência energética”, bem como políticas “que reforcem a capacidade dos mercados de produtos e de trabalho para se ajustarem aos choques e garantam que os trabalhadores dispõem das competências necessárias para se adaptarem às mudanças estruturais”.

25 Set 2026

Encontro | Xi e Trump deverão procurar distensão para evitar nova guerra comercial

Segundo Jörg Wuttk, ex-presidente da Câmara de Comércio da União Europeia na China, o encontro entre Xi Jinping e Donald Trump em Washington deverá servir para baixar tarifas e facilitar o comércio entre as duas potências

A aguardada reunião entre os Presidentes da China e dos Estados Unidos deverá decorrer esta semana num clima de distensão, com ambos os líderes interessados em evitar o regresso a uma guerra comercial aberta, segundo o analista Jörg Wuttke.

“Haverá uma redução de tarifas em determinados sectores, facilidades para o comércio (…) e algum tipo de acordo sobre inteligência artificial [IA], que provavelmente será ‘falaremos sobre isto mais tarde'”, antecipou o sócio da consultora DGA-Albright Stonebridge, num encontro com jornalistas organizado em Xangai pela Câmara de Comércio da União Europeia (UE) na China.

Wuttke, com quase três décadas de experiência empresarial na China e que presidiu àquela câmara em três períodos distintos, afirmou que os Estados Unidos vão procurar mais compras das chamadas “três B” – carne de bovino (‘beef’), leguminosas (‘beans’) e aviões Boeing – e mais investimento. Neste último domínio, porém, vê “muito pouco apetite” por parte de Pequim, perante uma situação de “falta de confiança”.

O analista considerou certo que as duas partes vão prolongar a trégua comercial acordada no ano passado e que termina em 10 de Novembro, restando apenas saber por quanto tempo. “A China quer que seja até ao fim [do mandato] de Trump e os Estados Unidos querem seis meses”, afirmou. Em todo o caso, nem Pequim nem Washington “têm interesse em que isto lhes expluda na cara”, acrescentou.

Wuttke considerou que a cimeira poderá traduzir-se numa espécie de troca de concessões. “Xi aprecia que Trump esteja a travar legislação negativa para a China (…) e [os chineses] sabem que Trump precisa de algo concreto, sobretudo antes das eleições intercalares”, afirmou.

Petróleo e IA

Questionado sobre se Pequim tentará pressionar Washington relativamente à guerra com o Irão, devido ao impacto nos mercados energéticos, Wuttke citou uma fonte de alto nível na região do Golfo Pérsico, que resumiu a posição chinesa da seguinte forma: “Querem estabilidade, mas não responsabilidade”. “A China não gosta da guerra, claro. (…) Mas é um dos países menos afectados”, acrescentou.

O analista apontou as reservas de petróleo chinesas, suficientes para mais de 200 dias, o facto de o consumo ter atingido um pico há dois ou três anos, devido à aposta nos veículos eléctricos e nas energias renováveis, e a segurança do abastecimento de petróleo e gás através das ligações à Rússia e Ásia Central.

Sobre a IA, um dos mais recentes focos de tensão entre as duas potências, Wuttke considerou que Pequim vai concentrar-se no acesso a semicondutores avançados, face às restrições impostas por Washington. Quanto às vendas de armas norte-americanas a Taiwan, um dos tradicionais pontos de discórdia entre Pequim e Washington, Wuttke considerou que “Trump não tem intenção de romper os acordos” existentes.

Segundo Wuttke, o principal problema não será a assinatura de acordos de venda de armamento a Taipé, mas eventuais limitações no fornecimento, devido ao elevado consumo de munições na guerra com o Irão.

24 Set 2026

Semana dourada | Mais de 20 hotéis de luxo esgotados

Com a semana dourada à porta, 21 hotéis de luxo com casinos no resort estão esgotados para, pelo menos, cinco noites durante os feriados do Dia Nacional. Os quartos duplos ainda disponíveis estão com preços entre cerca de 4 mil e 15 mil patacas por noite

O início de Outubro em Macau é sinónimo de ruas cheias, fronteiras entupidas e lotação esgotada nos hotéis da cidade, e este ano não será excepção. Ontem, 21 dos 36 hotéis de luxo em resorts de concessionárias de jogo tinham, pelo menos, cinco noites completamente lotadas durante os feriados da semana dourada de Outubro.

O período de férias em questão foi estabelecido pelo Conselho de Estado para os dias entre 1 e 7 de Outubro, inclusive.

Segundo o portal GGAsia, até segunda-feira, nove das 36 unidades hoteleiras já não tinham quartos para todas as sete noites. Os resultados foram apurados através de buscas nos motores de reservas oficiais desses hotéis, a larga maioria no Cotai, com foco nos quartos standard para duas pessoas, apesar de alguns dos hotéis incluídos na pesquisa apenas disponibilizarem suites.

Entre as unidades hoteleiras que já não têm quartos para os sete dias de feriados contam-se o Grand Lisboa e os hotéis Karl Lagerfeld e Palazzo Versace Macau no Grand Lisboa Palace, todos propriedades da SJM Holdings Ltd.

No universo Galaxy Entertainment Group, estão completamente lotados o Hotel Okura Macau, The Ritz-Carlton e no empreendimento Galaxy Macau o Raffles e Capella. Quanto às propriedades da Sands China, o Paiza Lofts no The Parisian e o Paiza Grand no Londoner têm os sete dias esgotados.

No bom caminho

Entre os hotéis que têm, pelo menos, cinco das sete noites esgotadas, contam-se o hotel de marca própria Grand Lisboa Palace, o MGM Macau e M Tower, Emerald Tower e Skylofts no MGM Cotai, assim como o Wynn Macau e Wynn Palace, o Galaxy Hotel, Banyan Tree Macau e JW Marriott Hotel.

O Londoner Court e o The Grand Suites no Four Seasons, também só já têm quartos disponíveis para duas das sete noites da semana dourada de Outubro.

Em relação aos quartos que ainda estão disponíveis, a busca do GGAsia indica que a noite mais cara dos feriados é 4 de Outubro, um domingo. Os preços da pernoita variam entre pouco mais de 4.000 e cerca de 15.000 patacas, sem contar impostos e taxas de serviço.

Na recta final da semana dourada, nos dias 6 e 7 de Outubro, os preços dos quartos apresentam uma quebra de dois dígitos em relação ao mesmo período do ano passado.

24 Set 2026

Aviação | Pedidos para minimizar impacto de cancelamentos

O presidente da Autoridade de Aviação Civil (AACM), Pun Wa Kin, veio a público mostrar compreensão face ao cancelamento frequente de voos e defendeu que Macau tem cada vez mais ligações internacionais de longo curso

Face à vaga de cancelamentos de voos da Air Macau, que já começou a afectar as ligações previstas para a Semana Dourada, o presidente Autoridade de Aviação Civil (AACM), Pun Wa Kin, afirmou que a autoridade pediu às companhias de aviação para “minimizarem” o impacto dos cancelamentos. As declarações foram prestadas, ontem, ao canal chinês da Rádio Macau, à margem do programa matinal Fórum Macau.

Pun garantiu ainda que a AACM pediu às companhias de aviação para “assegurarem os direitos dos passageiros” afectados pelos cancelamentos, de acordo com as orientações emitidas anteriormente pela autoridade.

Nas declarações prestadas, o presidente da AACM defendeu a política de cancelamentos, que relacionou com o aumento dos combustíveis. “Desde Abril que houve uma subida muito grande dos preços dos combustíveis, o que afecta todas as companhias aéreas, dado que se trata de uma grande pressão em termos dos custos de exploração. Quanto mais sobem os preços, maiores os custos para as companhias áereas”, justificou Pun Wa Kin. “Observámos a situação dos voos cancelados e pedimos às companhias aéreas para assegurarem os direitos dos passageiros. O nosso desejo é que as companhias cancelem ou alterem o menor número de voos possível”, acrescentou.

Para continuar

Na terça-feira, a Air Macau divulgou através da Rádio Macau que vai continuar a cancelar voos. Com o anúncio, a companhia argumentou que a vaga de cancelamentos é “uma prática internacional comum” na aviação face ao aumento do custo do combustível, condições climatéricas adversas ou alterações do mercado.

Apesar desta posição, a Air Macau prometeu “envidar esforços” para ajustar os horários dos voos e avisar os passageiros com antecedência, de forma a evitar criar inconvenientes.

Segundo o Conselho de Consumidores, desde o início do ano até 10 de Setembro foram recebidas 39 queixas relacionadas com o cancelamento dos voos da Air Macau. O CC apelou também à companhia para ter em consideração as circunstâncias reais e as exigências dos consumidores, tomando “medidas de forma adequada”.

Mais ligações

Durante a participação no Fórum Macau, Pun Wa Kin ouviu vários residentes pedirem mais rotas aéreas para destinos na Europa ou na América do Norte. Face a estes pedidos, o responsável indicou que a Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau lançou um programa de estímulo para promover novas rotas de longa distância, através da isenção de tarifas cobradas aos voos e passageiros.

Pun considerou ainda que houve companhias aéreas que já lançaram voos de longa distância, com partida em Macau. Sobre estas ligações, o responsável explicou que há várias ligações para Taipé, onde os passageiros depois apanham voos para os Estados Unidos.

Em termos do transporte de cargas, Pun Wa Kin informou que actualmente a autoridade está a analisar o pedido de uma companhia aérea para estabelecer uma base de transporte de carga em Macau.

24 Set 2026

UE | Governo pede fim de análises aos direitos políticos da RAEM

Um relatório da União Europeia sobre direitos fundamentais em Macau foi criticado pelo Executivo, que manifestou “forte desagrado e firme oposição”. O Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros na RAEM frisou que “uma mentira repetida mil vezes continua a ser uma mentira”

O Governo da RAEM instou ontem a União Europeia (UE) “a respeitar os princípios do direito internacional e as normas fundamentais das relações internacionais, e a cessar a publicação repetida anualmente do dito relatório”, em relação ao documento da (UE) sobre a evolução política e económica de Macau e Hong Kong em 2025.

O Executivo de Sam Hou Fai voltou a indicar que o relatório constitui uma interferência nos assuntos internos da China e da RAEM, através de comentários infactuais sobre o desenvolvimento político e social, tecendo comentários sem fundamentos relativos às eleições para a 8.ª Assembleia Legislativa e a situação dos direitos humanos em Macau. Como tal, o Governo “manifesta o seu forte desagrado e firme oposição por tal ocorrência”.

O Governo acrescenta esperar que a UE “encare de forma objectiva e racional os enormes êxitos alcançados por Macau sob o princípio ‘um país, dois sistemas’”, e que promova “o desenvolvimento saudável das relações bilaterais”.

Em relação à acusação de erosão de direitos políticos e sociais, o Executivo refere que Macau tem procurado o “aperfeiçoamento contínuo do sistema democrático e garantia plena do bem-estar da população” e alcançado desenvolvimento económico estável, prosperidade e estabilidade social com resultados “notáveis”.

“O Governo da RAEM tem promovido continuamente o desenvolvimento da democracia e a consolidação do Estado de direito, garantindo aos residentes, de acordo com a lei, e de forma ampla, os seus direitos e liberdades de expressão, imprensa, reunião e outros, alcançando progressos abrangentes na área dos direitos humanos”, é acrescentado.

Minas e armadilhas

O relatório europeu alega que o foco na segurança nacional está a minar as liberdades fundamentais em Macau. “O ano de 2025 foi marcado por uma maior erosão dos direitos e liberdades fundamentais que deveriam estar protegidos até, pelo menos, 2049”, conforme a Declaração Conjunta Sino-Portuguesa.

A instituição europeia dá os exemplos da detenção do ex-deputado Au Kam San ao abrigo da lei relativa à defesa da segurança do Estado, o encerramento do jornal All About Macau e a desqualificação de mais de uma dezena de candidatos às eleições legislativas.

Também o Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) em Macau reagiu à publicação do relatório com “forte insatisfação e firme oposição”, por atacar de forma arbitrária o Estado de Direito e a situação dos direitos humanos em Macau”, interferindo “de forma flagrante nos assuntos internos da China”.

O organismo liderado por Bian Lixin salienta que “os residentes de Macau gozam de direitos e liberdades mais amplos do que em qualquer outro momento da história”, e que “vida pacífica e próspera da grande maioria dos residentes” é a prova “mais contundente da situação dos direitos humanos e das liberdades em Macau”.

“Uma mentira repetida mil vezes continua a ser uma mentira. Os assuntos de Macau são assuntos puramente internos da China e não admitem qualquer interferência de forças externas”, frisa o comissariado do MNE. Os representantes do Governo Central juntam-se ao Executivo de Sam Hou Fai a exortar a UE a “reconhecer factos, a corrigir a sua posição e a cessar imediatamente a manipulação política que se repete ano após ano.”

Importa referir que a realidade económica da RAEM também foi analisada no documento, desta vez de forma sem reparos, com a UE a realçar que o produto interno bruto de Macau aumentou 4,7 por cento em termos homólogos em 2025, atingindo 45,0 mil milhões de euros. Os números do relativos ao turismo também foram destacados no relatório.

24 Set 2026

Medicina chinesa | Sam destaca saúde para diversificar a economia

Sam Hou Fai sublinhou a importância do Laboratório de Referência do Estado para Mecanismo e Qualidade da Medicina Chinesa num encontro com o director da Administração Nacional de Medicina Tradicional Chinesa

O Chefe do Executivo defende que a diversificação da economia através da saúde começa na Medicina Tradicional Chinesa (MTC). A posição foi tomada, na terça-feira, durante um encontro entre Sam Hou Fai e o subdirector da Comissão Nacional de Saúde e director da Administração Nacional de Medicina Tradicional Chinesa, Liu Jinfeng.

Segundo o comunicado do Gabinete de Comunicação Social (GCS), Sam Hou Fai explicou ao dirigente do Interior que a estratégia de “diversificação económica adequada” e a “optimização activa da estrutura industrial” inclui a “promoção da indústria de big health tendo como ponto de partida a medicina tradicional chinesa”.

Como parte destes esforços, Sam Hou Fai destacou o Laboratório de Referência do Estado para Mecanismo e Qualidade da Medicina Chinesa e a criação do Centro de Transferência e de Transformação de Tecnologia das Instituições de Ensino Superior na área da Medicina Tradicional Chinesa e do Centro de Internacionalização da Indústria de Saúde e Medicina Tradicional Chinesa.

O líder do Governo vincou que os centros vieram “aumentar continuamente” a “capacidade de investigação científica”. “Este factor, em conjugação com as vantagens políticas locais, torna possível uma promoção eficaz da integração entre a indústria-universidade-investigação bem como a aplicação prática dos seus resultados”, realçou.

Sam afirmou que “as empresas de medicina tradicional chinesa do Interior da China podem aproveitar a plataforma de Macau como ponte para o mundo, promovendo os produtos de qualidade no mercado internacional”.

Novos resultados

Por sua vez, Liu Jinfeng elogiou Sam Hou Fai que indicou ter levado Macau a alcançar “novos resultados”. Liu confessou ainda que “a Administração Nacional de Medicina Tradicional Chinesa acompanha com particular atenção o desenvolvimento do sector em Macau, garantindo o empenho contínuo na implementação de forma profunda dos importantes discursos do Presidente Xi Jinping sobre a construção de uma ‘China saudável’ e os trabalhos no sector da medicina tradicional chinesa”.

Liu Jinfeng garantiu ainda que as autoridades centrais vão continuar a “apoiar Macau na melhoria da qualidade e eficiência da indústria de big health e medicina tradicional chinesa”. O responsável apontou também que a construção do Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação entre Guangdong-Macau é essencial nesta estratégia.

24 Set 2026

Xangai | Feira das profissões apresenta talentos portugueses ao mundo

Arrancou ontem em Xangai a WorldSkills, uma feira profissional com 300 espaços de exposição e mais de 100 actividades interactivas, onde concorrem jovens de todo o mundo em profissões tão variadas como designers digitais, técnicos de robótica, floristas ou cabeleireiros. Portugal faz-se representar por alguns jovens talentos

Um robô que recebe uma entrega, chama sozinho o elevador e a leva até ao quarto do hotel surpreendeu Daniel Silva em Xangai, onde o jovem português de 21 anos compete no WorldSkills em robótica móvel. A WorldSkills Xangai começou ontem e termina no domingo.

“Em Portugal temos, por exemplo, o carrinho com o gatinho que leva os pratos”, contou à agência Lusa, referindo-se aos robôs autónomos utilizados em alguns restaurantes. Mas, na China, encontrou uma versão mais sofisticada da mesma tecnologia.

“Já vi um robô do género em que chega alguém de fora com comida, entrega ao robô e aquilo entra no elevador e sobe”, contou. “Chama o elevador sozinho, entra no elevador e vai até ao quarto. É uma coisa muito diferente”, descreveu.

Daniel, natural do distrito do Porto, representa Portugal na categoria de robótica móvel, em equipa com Duarte Serra, na maior competição mundial de profissões, que decorre ao longo desta semana em Xangai, a “capital” económica da China.

A área envolve sistemas autónomos capazes de executar tarefas que reproduzem situações reais, combinando programação, visão artificial e capacidade para transportar ou manipular objectos. “Existe um pedido e depois o robô tem de completar esse pedido”, explicou, dando como exemplo a deslocação de um objecto de um ponto para outro. As aplicações podem ir muito além dos pequenos veículos utilizados em restaurantes ou hotéis.

A China é actualmente o maior mercado mundial de robótica industrial. Mais de dois milhões de robôs operam nas fábricas do país e, só em 2024, foram instaladas 295.000 novas unidades, mais do que o resto do mundo combinado.

A rápida automatização é acompanhada pelo crescimento da indústria local: mais de metade dos robôs industriais produzidos no mundo são já fabricados na China, ao mesmo tempo que empresas como a Unitree procuram acelerar a comercialização de robôs humanoides.

É precisamente a diversidade de aplicações que atrai Daniel. Segundo o jovem, os princípios que aprende podem ser aplicados a diferentes sistemas autónomos, desde veículos a aviões ou submarinos. “Não precisa de ser especificamente uma solução programada de uma certa forma e acabou. É um conceito”, explicou.

O percurso de Daniel começou no ensino profissional, inicialmente na área da mecatrónica, antes de se virar para a robótica móvel. “A mecatrónica é fixe, é uma máquina que temos que montar e programar, mas é estática”, explicou. “A robótica móvel permite inventar mais”, acrescenta. Após concluir formação de níveis 4 e 5, Daniel prosseguiu para o ensino superior e frequenta actualmente Engenharia Electrotécnica e de Computadores no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP).

Quanto às possibilidades de Portugal na competição, Daniel prefere manter expectativas moderadas. “Realisticamente, nós sabemos que não estamos muito perto dos melhores. Temos dois olhos na cara e vemos o que eles fazem e o que têm feito ao longo dos últimos anos”, disse. Um 12.º lugar seria já um resultado que o deixaria satisfeito, admitiu. “Vamos fazer o nosso melhor”, assegurou.

Um espaço maior

Para Gustavo Seia, coordenador da WorldSkills Portugal, a dimensão do evento constitui, por si só, um desafio para os jovens portugueses. Portugal participa com dez jovens, distribuídos por sete profissões: robótica industrial, robótica móvel, mecatrónica, soldadura, controlo industrial, cabeleireiro e maquinação CNC.

“O recinto é esmagador, são 1.400 jovens a participar de mais de 60 países”, afirmou Seia à Lusa, explicando que a preparação inclui também apoio na gestão da pressão e das emoções durante a competição.

Para o coordenador, para lá dos resultados, a competição serve para mostrar aos jovens as possibilidades destas áreas. “Estas profissões valem a pena e são uma óptima opção para quem vai entrar no mercado de trabalho”, disse.

Mas nem só de tecnologia é feita a WorldSkills. Prova disso é a presença de Leonor Silva, que representa Portugal na profissão de cabeleireiro. Aos 15 anos, quando muitos colegas ainda tentavam perceber o que queriam fazer no futuro, Leonor Silva decidiu aprender uma profissão e entrar logo no mercado de trabalho. “Tinha uma grande vontade de trabalhar e gostava da área da beleza. E foi um bocado por aí que decidi escolher um curso profissional”, explicou à agência Lusa a jovem de Santa Maria da Feira, hoje com 20 anos.

Leonor começou uma formação em cabeleireiro em 2021, com cerca de dois anos e meio de duração. “Comecei logo a trabalhar na área. E depois, quando concluí a formação, continuei a trabalhar”, contou. A jovem integra a equipa portuguesa que marca presença na WorldSkills, sendo que Portugal está ligado a esta competição desde a sua origem. Juntamente com Espanha, inaugurou a competição em Madrid, em 1950.

Peso do ensino técnico

A composição da equipa espelha também a diversidade do actual ensino profissional, cada vez mais ligado a áreas tecnologicamente avançadas e para as quais existe procura de trabalhadores qualificados.

Gustavo Seia, coordenador da WorldSkills Portugal, estrutura integrada no IEFP, considera que Portugal continua a enfrentar falta de mão-de-obra nestas áreas. “O nosso país ainda carece de mão-de-obra qualificada”, afirmou, atribuindo parte do problema a uma “hipervalorização do científico-humanístico”, que durante anos levou muitas famílias a privilegiar a universidade em detrimento da formação profissional.

Segundo o responsável, apesar de a percepção ter melhorado, “há trabalho a fazer” para acabar com o estigma associado a esta via de ensino. “Estas profissões são eminentemente manuais”, mas exigem trabalhadores “altamente qualificados” e devem ser valorizadas também ao nível da remuneração, acrescentou.

Para o coordenador da WorldSkills Portugal, uma das principais vantagens do ensino técnico-profissional continua, no entanto, a ser o acesso ao mercado de trabalho. “As profissões que trazemos são profissões com alta empregabilidade”, disse Gustavo Seia, considerando que um jovem que conclua este tipo de formação dispõe de boas perspectivas de encontrar trabalho, mesmo que decida simultaneamente prosseguir os estudos.

Foi precisamente a possibilidade de se tornar independente ainda muito jovem que atraiu Leonor. “Eu queria começar a fazer carreira”, disse. “Queria começar logo a fazer a minha vida”.

O WorldSkills apresenta profissões nas áreas dos Transportes e Logística, Tecnologia de Manufacturas e Engenharias, Moda e Artes Criativas, Tecnologias da Informação e Comunicação, Serviços Pessoais e Sociais e ainda Tecnologias da Construção e de Edifícios. O mote deste evento é que os participantes possam mostrar aquilo que valem em profissões com uma forte componente prática, como montagem de ares condicionais, pinturas de casas ou carpintaria, entre outras, embora a área digital marque presença. Nas áreas mais criativas, não faltam representantes em joalharia, floristas, costura ou merchadising visual. O evento acontece no Centro Nacional de Convenções e Exposições de Xangai.

24 Set 2026

GP Macau | Conhecidos primeiros nomes da prova de Motos

As listas oficiais de inscritos para o 73.º Grande Prémio de Macau só deverão ser divulgadas em meados de Outubro, em linha com a tradição dos últimos anos. Ainda assim, começam já a ser conhecidos alguns dos pilotos que irão enfrentar o desafiante Circuito da Guia na edição deste ano do Grande Prémio de Motos, agendada para 19 a 22 de Novembro

Nas oficinas das equipas, tanto no Reino Unido como na Europa continental, vivem-se dias de intensa actividade. Enquanto os responsáveis pela logística e mecânicos preparam os contentores que irão transportar o material para Macau, as formações ultimam a preparação das suas motos para aquela que é uma das provas mais exigentes do calendário internacional de estrada. Tendo em conta que o transporte marítimo entre os portos europeus e o Extremo Oriente pode demorar até seis semanas, as equipas estão a concluir os últimos ensaios nos bancos de potência e a desmontar os chassis antes de acondicionarem as suas principais motos nos contentores, operação que deverá decorrer no início de Outubro.

À medida que os convites vão sendo formalizados, alguns pilotos têm recorrido às redes sociais para confirmar a sua presença. Foi o caso de Fredrik Matthys e Kevin Keyes, da Daracore Racing.

Numa competição historicamente marcada por uma forte presença de pilotos britânicos e de outras nacionalidades com tradição nas corridas de estrada, o belga Fredrik Matthys, primeiro campeão da ESR (European Series Road Racing), fará a sua estreia no Grande Prémio de Motos de Macau aos comandos de uma BMW.

Com experiência acumulada no Isle of Man TT e no North West 200, o irlandês Kevin Keyes também estará presente, aos comandos de uma Honda. O piloto, vencedor da corrida de Supersport em Kells, terá a sua primeira participação em Macau assegurada pela equipa irlandesa Daracore Racing.

Bottalico procura melhorar resultado

Um dos pilotos que mais surpreendeu na edição do ano passado foi Maurizio Bottalico. O italiano, de 44 anos, participou pela primeira vez no Grande Prémio de Motos de Macau em 2025, aos comandos de uma BMW M 1000 RR preparada pela Crowe Performance / Bottalico, e terminou a prova num excelente sexto lugar. Este ano, Bottalico regressará à RAEM com o objectivo de melhorar esse resultado. A sua BMW M 1000 RR será preparada pela RVS Motorsport.

Também Olivier “Lupi” Lupberger já recebeu o convite para a edição deste ano. O motociclista suíço regressará assim a Macau, depois de ter ficado ausente da lista de participantes na edição de 2025. Habitualmente aos comandos de uma Yamaha R1, Lupberger conhece bem o traçado citadino, onde se estreou em 2023.

Outro regresso já confirmado é o de Mikey Evans. O nativo da Ilha de Man e piloto da Dafabet Racing terminou a edição do ano passado na nona posição, aos comandos de uma Honda CBR1000RR-R, e deverá manter-se fiel à marca japonesa no seu regresso ao Circuito da Guia.

Todd em dúvida, mas há mais nomes fortes

Davey Todd, vencedor das duas últimas edições do Grande Prémio de Motos de Macau, é uma das principais incógnitas para a edição deste ano. O piloto britânico sofreu, em Março, um grave acidente durante a qualificação para a Daytona 200, nos Estados Unidos, quando se preparava para participar na competição. O acidente provocou-lhe fraturas no fémur, na tíbia, no pé e no nariz. Todd foi posteriormente submetido a uma intervenção cirúrgica, durante a qual lhe foi colocada uma haste no fémur e parafusos na tíbia, seguindo-se um longo período de recuperação e fisioterapia. Desde então, o piloto britânico ainda não regressou à competição, sendo, por isso, possível que falhe a prova que encerra a temporada internacional de “road racing”.

Nos bastidores, contudo, há outros nomes de peso associados à edição deste ano. Peter Hickman, vencedor por cinco vezes em Macau, deverá estar de regresso ao Circuito da Guia, tal como Rob Hodson, da SMT Racing.

Também Michael Dunlop poderá voltar a competir em Macau. Filho de Robert Dunlop, vencedor do Grande Prémio em 1989, Michael é uma das figuras maiores da história moderna das corridas de estrada e o seu regresso ao Circuito da Guia, 15 anos depois da última participação, a ser confirmado, será naturalmente um dos pontos de interesse do 58.º Grande Prémio de Macau.

23 Set 2026

Citigroup | Jogo atravessa um dos piores períodos da história recente

A análise mais recente do banco de investimento traça um cenário negativo na principal indústria do jogo, mas os analistas George Choi e Timothy Chau admitem que ainda é cedo para tirar grandes conclusões

O segmento mais elevado do mercado de massas está a atravessar um dos piores períodos recentes. O cenário é traçado no último relatório do banco de investimento Citigroup, citado pelo portal GGRAsia, e levou a uma revisão em baixa da estimativa das receitas para o mês de Setembro.

Como consequência das observações mais recentes, o banco de investimento espera agora receitas brutas do jogo de 18 mil milhões de patacas em Setembro, quando antes esperava que atingissem 19 mil milhões de patacas. A nova estimativa implica uma redução queda de 4 por cento das receitas no terceiro trimestre face ao período homólogo.

As observações dos analistas George Choi e Timothy Chau mostram que o volume das apostas no mercado premium de massas apresentou uma redução anual de 45 por cento face ao mesmo período do ano anterior. Este ano, as apostas observadas totalizaram 6,8 milhões de dólares de Hong Kong, enquanto em Setembro do ano passado tinham atingido 12,3 milhões de dólares de Hong Kong.

Além do montante apostado estar em quebra, o mesmo aconteceu com o número de jogadores do segmento mais alto do mercado de massas. O relatório indica que houve uma redução de 20 por cento do número de jogadores para 401 apostadores. Estes números representam uma média de apostas de 16.958 dólares por mão, uma diminuição de 31 por cento, dado que no período homólogo a média de aposta era de 24.550 dólares de Hong Kong por mão.

“Os resultados da pesquisa nas mesas de jogo em Macau durante Setembro estão entre os piores da história recente”, escrevem os analistas.

Ambiente mais tranquilo

George Choi e Timothy Chau indicaram ainda que o ambiente foi mais tranquilo do que há três meses, quando começou o Campeonato Mundial de Futebol de 2026. No entanto, o banco de investimento admite que ainda não é possível concluir que os jogadores estão menos dispostos a jogar: “Não podemos concluir categoricamente que os fracos resultados são fruto de uma menor disposição dos jogadores para gastar ou da realização da nossa pesquisa num momento desfavorável”, foi vincado.

Apesar do ambiente pouco optimista, o banco explica que os resultados das observações ainda não permitem tirar grandes conclusões porque, em Setembro de 2024 as observações também indicaram resultados fracos, mas seguiu-se uma forte recuperação em Outubro desse ano.

A realidade de Setembro representa uma inversão face a Agosto, quando a pesquisa do Citi tinha revelado um crescimento anual de 7 por cento do volume de apostas no segmento premium de massas. Nesse mês, o total de apostas atingiu 14,3 milhões de dólares, apesar de uma quebra do número de jogadores na ordem dos 16 por cento.

23 Set 2026

Aviação | Air Macau vai manter política de cancelamento de voos

A empresa de Macau controlada pela Air China defende-se das críticas e afirma que o cancelamento de voos é “uma prática internacional comum” para lidar com o aumento do preço dos combustíveis

Após o surgimento de várias críticas à Air Macau devido aos numerosos cancelamentos de voos, a empresa veio justificar a política com o aumento dos preços dos combustíveis.

Em resposta ao canal chinês da Rádio Macau, a companhia argumentou que a vaga de cancelamentos é “uma prática internacional comum” na aviação face ao aumentos do custo do combustível, condições climatéricas adversas ou alterações do mercado.

Na tomada de posição, a Air Macau admitiu ainda que vai continuar a cancelar voos, mas prometeu “envidar esforços” para ajustar os horários dos voos e avisar os passageiros com antecedência.

Numa altura em que se aproximam as férias do Festival do Bolo Lunar, com um fim-de-semana prologando, e ainda os feriados da Semana Dourada, a Air Macau indicou também que vai fazer todos os possíveis para garantir a “estabilidade dos voos”.

Segundo os dados da Air Macau, entre Julho e Agosto deste ano, foram realizados menos 400 voos face ao período homólogo. Em Setembro, até ao dia 21, a diminuição dos voos em comparação com Setembro do ano passado foi de 200 ligações.

Apesar dos sobressaltos, a Air Macau considera que tem minimizado os inconvenientes para os passageiros ao celebrar acordos de transferência de passageiros com várias companhias aéreas de maior dimensão. Desta forma, a companhia indica que os passageiros podem apanhar outros voos e a empresa assume os custos extra relacionados com a necessidade de recorrer a outros meios de transporte. Como alternativa, se os passageiros já não quiserem viajar após o cancelamento, a empresa garante que devolve o dinheiro pago.

Quase 40 queixas

Por sua vez, o Conselho de Consumidores (CC) revelou que desde o início do ano, e até 10 de Setembro, recebeu 39 queixas relacionadas com o cancelamento dos voos da Air Macau. O CC também apelou à companhia para ter em consideração as circunstâncias reais e as exigências dos consumidores, tomando “medidas de forma adequada”.

Todavia, os passageiros arriscam-se sempre a não serem compensados por eventuais danos dos cancelamentos. Segundo o presidente da Associação Seguradora de Macau, Ivan Cheung, geralmente os cancelamentos ou atrasos por motivos comerciais, como os que têm acontecido na Air Macau, não são cobertos pelos seguros de viagem.

Sobre a política de cancelamentos, o presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Andy Wu, considerou que actualmente as agências de viagem que organizam deslocações ao Interior ainda escolhem a Air Macau como primeira opção.

Todavia, como depois das férias de Verão a frequência dos voos da companhia se tornou instável, o dirigente admite que o cenário possa sofrer alterações. Por isso, Andy Wu aconselhou a Air Macau a assegurar a realização regular dos voos e a avisar os passageiros com antecedência sobre eventuais cancelamentos.

Empresa Estatal

Actualmente, a principal accionista da Air Macau é empresa-estatal Air China, com uma participação social de cerca de 75 por cento do capital social fixado em aproximadamente 2,38 mil milhões de patacas. Esta participação está avaliada em 1,78 mil milhões de patacas.

O segundo maior accionista da Air Macau é a RAEM, com uma participação social de 24 por cento, o equivalente a 573 milhões de patacas. Constam ainda como accionistas com participações inferiores a 1 por cento a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, Serviços Aéreos Evergreen (Macau), IPE (Macau) – Investimentos e Participações Empresariais, Centro de Comércio Mundial Macau e Companhia de Seguros de Macau.

23 Set 2026

DICJ | Pereira Coutinho questiona futura dispensa de estagiários

O deputado ligado à ATFPM pede à secretária para a Economia e Finanças que pressione a DICJ para integrar nos quadros do organismo, pelo menos, mais 35 estagiários para colmatar a falta de recursos humanos

O deputado Pereira Coutinho defende que a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) deve contratar mais estagiários para colmatar a falta de trabalhadores. A posição surge numa carta enviada à secretária para a Economia e Finanças, Dora Ng Wai Han, na sequência do programa mais recente de estágios para inspectores nestes serviços.

Segundo o legislador, em 2023, a DICJ anunciou a abertura de um programa de estágios com 120 vagas para inspectores de 2.ª classe. Desde o início que estava prevista a contratação inicial de 60 estagiários para os quadros. A promessa foi cumprida, com a integração nos serviços dos 60 melhores classificados entre os 120 estagiários.

No entanto, Coutinho afirma ter recebido várias queixas de estagiários que não conseguiram um desempenho no estágio entre os 60 melhores classificados. No entender do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), uma vez que há falta de recursos humanos na DICJ, o Governo devia incentivar o emprego local e suprimir essas falhas.

“Lembramos que, em audiência na comissão da Assembleia Legislativa, em Dezembro de 2023, a direcção da DICJ justificou a abertura de 120 vagas de estágio (para um preenchimento inicial de 60 vagas) pela existência de um défice estrutural de pessoal. Foi publicamente assumido que, além das 60 vagas iniciais, o serviço carecia de pelo menos 35 inspectores para fazer face às necessidades decorrentes da reorganização dos turnos de trabalho”, foi recordado pelo deputado. “Não proceder ao recrutamento dos candidatos aprovados, quando tais carências de pessoal subsistem, entra em contradição com o planeamento técnico previamente apresentado”, foi acrescentado.

Contra o relógio

Como argumento a favor da contratação, o deputado indica ainda que a lista classificativa do estágio vai expirar em menos de cinco meses. Se a lista não for aproveitada para as novas contratações, a DICJ vai ter de lançar um novo programa de estágios.

“Uma vez que a carreira de inspecção de jogos corresponde a um regime especial exclusivo da DICJ, não sendo possível o recrutamento por mobilidade a partir das carreiras gerais dos restantes serviços públicos, a caducidade da lista classificativa implicará o desperdício integral de uma parte substancial do investimento público efectuado”, explicou. “Adicionalmente, a abertura de um novo concurso demorará pelo menos dois anos, período durante o qual a DICJ ficará sem capacidade de resposta rápida para suprir as saídas ocorridas no último ano e meio por motivo de aposentação ou rescisão de contrato”, avisou.

O deputado argumenta também que estes estagiários foram prejudicados na procura de trabalho no sector privado dado que o seu nome foi publicado no Boletim Oficial. Como os estagiários surgem como candidatos aprovados, Coutinho considera que as empresas do sector privado não lhes oferecem emprego por temerem que ingressem logo a DICJ, abandonando o posto de trabalho no sector privado.

23 Set 2026

Conselho de Estado | Jovens de Macau recebidos por vice-primeiro-ministro

Mais de 300 alunos e docentes de Macau estiveram cinco dias em Pequim numa actividade de hasteamento da bandeira e uma delegação foi recebida pelo vice-primeiro-ministro Ding Xuexiang. Sam Hou Fai afirmou que o evento reforçou a identidade nacional e o orgulho étnico dos mais jovens

Entre sexta-feira e ontem, mais de três centenas de professores e alunos de escolas de Macau estiveram em Pequim para participar na Actividade de Visita a Pequim de Representantes das Equipas de Hasteamento da Bandeira dos Jovens de Hong Kong e Macau – “Saudação à Bandeira Nacional”.

Na segunda-feira, uma comitiva de representantes dos jovens de Hong Kong e Macau foram recebidos no Grande Palácio do Povo pelo vice-primeiro-ministro do Conselho de Estado, Ding Xuexiang, que transmitiu calorosas saudações do Presidente Xi Jinping.

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, agradeceu ao Presidente Xi Jinping e ao Governo Central pela atenção demonstrada para com a juventude de Macau, “trazendo-a sempre no coração e proporcionando orientações e apoios fundamentais”.

Sublinhando que Macau vive actualmente o melhor período de desenvolvimento da sua história, Sam Hou Fai pediu aos jovens compreensão sobre o significado da bandeira nacional, que a “protejam e lutem pela sua glória”.

O discurso de cariz nacionalista do Chefe do Executivo envolveu também identidade étnica e segurança nacional. “Este momento, irá reforçar certamente o reconhecimento da identidade nacional e o orgulho étnico dos mais jovens, formando uma nova geração com sentimento de amor à pátria e com espírito de responsabilidade, e injectando um novo impulso na consolidação das bases do amor pela pátria e por Macau e da própria barreira de segurança nacional”.

Entidade sagrada

Como o evento nacionalista se revestiu de um cariz educativo, o Chefe do Executivo indicou “a educação patriótica constitui um pilar essencial para a implementação estável e duradoura de ‘um país, dois sistemas’”.

Sam Hou Fai sublinhou que o reforço da consciência nacional e do espírito patriótico das novas gerações pode ser alcançado através do enriquecimento dos conhecimentos sobre a realidade nacional, a Constituição, a Lei Básica e a segurança nacional. Estes são caminhos para que o “patriotismo se enraíze no coração dos jovens, transformando-os numa força motriz para a promoção do crescimento das forças patrióticas e pró-Macau”.

A visita dos grupos de jovens a Macau e Hong foi organizada pelo Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China, o Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, o Governo Popular do Município de Pequim, e os executivos de Macau e Hong Kong.

Os cerca de 1.200 docentes e estudantes dos ensinos primário, secundário e superior das duas regiões especiais administrativas também participaram em “actividades de estudo sobre história, cultura, inovação tecnológica e desenvolvimento coordenado entre Pequim, Tianjin e Hebei”.

23 Set 2026

Óbito | Jorge Palma morreu aos 76 anos vítima de paragem cardiorrespiratória

Jorge Palma, um dos mais importantes músicos portugueses, morreu na noite de segunda-feira vítima de paragem cardiorrespiratória. Deixa êxitos que marcaram gerações, como “Frágil”, “Bairro do Amor” ou “Dá-me Lume”. O músico actuou duas vezes em Macau, nos anos 90 e em 2015

O músico Jorge Palma, que morreu na noite de segunda-feira, aos 76 anos, vítima de paragem cardiorrespiratória, trocou a música clássica pelo rock no início da adolescência, acabando por se tornar num dos cantores e compositores mais marcantes da música portuguesa contemporânea.

Nascido em Lisboa, em 1950, Jorge Palma começou aos seis anos a ter aulas de música, tendo ingressado no Conservatório de Música de Lisboa aos 10. Embora as aulas tenham começado bem cedo, Jorge Palma começou a tocar antes disso, em casa, onde havia um piano.

“Era o meu brinquedo. Tinha bom ouvido e as coisas que ouvia na rádio e no gira-discos reproduzia-as no piano. Tinha jeito para aquilo e as pessoas repararam, a começar pela minha mãe, que também tinha estudado piano. Daí ter-me posto a estudar aos seis anos”, partilhou numa entrevista, publicada em 2024 no jornal digital “Mensagem” de Lisboa.

Em 1963, ficou em segundo lugar num concurso internacional de piano, no Festival Juventudes Musicais, em Palma de Maiorca, Espanha, onde foi também distinguido com uma Menção Honrosa.

Embora a sua carreira comece a ser contada em 1972, ano em que gravou o primeiro ‘single’ em nome próprio, o percurso na música começou oito anos antes, aos 14 anos, quando abandonou a música clássica para se dedicar ao pop-rock.

Na altura, o que o movia “eram miúdas, festa, aquelas coisas”. No liceu, começou “a ouvir a pop rock, a começar por [Elvis] Presley, mas sobretudo [The] Beatles e [The Rolling] Stones”. “Aí abandonei completamente os estudos clássicos, chumbei no Liceu Camões, no 4.º ano, deixei de ir à ginástica, às aulas de piano”, recordou Jorge Palma, em entrevista à Lusa, em 2022. Após terminar o liceu, entrou na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que frequentou durante dois anos, até desistir.

Início sindical

Antes de se apresentar em nome próprio, Jorge Palma fez parte do grupo Sindicato, que tocou na primeira edição do festival de Vilar de Mouros, em 1971, e dos Black Boys. Na mesma época, começou a trabalhar em composição, orquestração e gravação.

Em 1972, gravou “The Nine Billion Names of God”, o primeiro ‘single’ em nome próprio, cujo pagamento recebeu em electrodomésticos. O título do tema foi retirado de um conto de Arthur C. Clarke e inspirado no livro “O Despertar dos Mágicos”, de Louis Pauwels e Jacques Bergier.

“Gostei muito desse conto, ‘The Nine Billion Names of God’, que é um conto pequeno em que há um confronto entre a mística, o espiritualismo dos monges tibetanos, e os computadores do mundo ocidental. E consegui, num inglês ainda académico, fazer uma canção que não está nada mal feita. Tinha eu nessa altura 22 anos”, contou ao jornal Público, em 2022.

Quando quis gravar “The Nine Billion Names of God” e o lado B do ‘single’, “Come, Morpheus”, Jorge Palma foi ter com “o grande músico e maestro” Thilo Krasmann, que o gravou, cedendo espaço de estúdio para que gravasse a maquete, de piano e voz, mas “não pertencia a nenhuma editora”, recordou em entrevista à Lusa em 2022.

O músico foi então “bater à porta da Arnaldo Trindade, cujo director era o Carlos Cruz, que ouviu, achou piada e disse: ‘Nós pagamos-te a gravação e fazemos a gravação’”. O pagamento chegou na forma de “uma máquina de lavar roupa e um frigorífico”.

“O Arnaldo Trindade [1934-2024] tinha um negócio de electrodomésticos”, explicou Jorge Palma, lembrando que, naquela altura, tinha acabado de se casar com a primeira mulher.

A saída da ditadura

Pouco depois, em 1973, foi convocado para o serviço militar, mas decidiu abandonar o país e instalar-se na Dinamarca. Antes de partir, leiloou ‘o pagamento’ que recebeu pelo primeiro ‘single’ entre os amigos.

“Consegui licença militar para sair 15 dias antes de entrar para a tropa. Quando obtive essa licença, em Setúbal, saí aos saltos cá para fora. Quem me tivesse visto deveria ter pensado que eu era maluco. Cheguei ao aeroporto com um bilhete para Londres, e de Londres viajei para Copenhaga”, lê-se na biografia oficial de Jorge Palma, “Na Palma da Mão”, da autoria de Pedro Teixeira.

No mesmo livro conta-se que, em Copenhaga, Jorge Palma trabalhou num hotel onde desempenhou tarefas na manutenção e lavagem dos elevadores e na limpeza dos quartos, entre outras.

Em 1974, regressa a Portugal, após o 25 de Abril, começa a trabalhar como orquestrador e, no ano seguinte, edita o primeiro álbum, “Como uma viagem na palma da mão”, criado numa altura em que o músico estava “muito influenciado pelo rock sinfónico, Genesis, Yes, etc.”.

“Foi sob essa influência que escrevi as canções desse álbum. Somos só três instrumentistas: Vítor Mamede na bateria, que veio do meu grupo Sindicato, Rui Cardoso, sopro, flautas e ‘saxes’, e eu toquei tudo o que era teclas, baixo, as guitarras todas. Fomos só três pessoas a fazer aquele ‘sonzão’, com a voz muito fininha, novinho”, recordou em entrevista à Lusa, em 2022.

Ainda na década de 1970, troca Lisboa por Paris, onde toca nas ruas e no metro, cantando sobretudo Bob Dylan, Paul Simon, James Taylor, Crosby, Stills and Nash e ‘bluegrass’.

Depois de “Como uma viagem na palma da mão” gravou mais 13 álbuns de originais, e “cada um corresponde a um momento” da vida de Jorge Palma. “Com quem me dava, com quem vivia, o tipo de vida que levava, o que ouvia e lia, tudo isso torna cada disco único”, disse à Lusa na mesma ocasião.

A chegada de “Só”

Na década de 1980, de volta a Lisboa, retoma os estudos de piano no conservatório, que terminou em 1990. Logo a seguir, grava “Só”, editado em 1991, a primeira colectânea de carreira de Jorge Palma, na qual revisita, apenas ao piano, canções dos discos das duas décadas anteriores.

Jorge Palma tinha 40 anos quando gravou as 15 canções de “Só”, nos antigos estúdios da Valentim de Carvalho. “É um disco intimista, é um ambiente íntimo que reflecte de facto o que aconteceu na escuridão daquele enorme estúdio. Reflecte-se que há uma entrega grande, que há um empenho”, referiu em entrevista à Lusa em 2016.

Do alinhamento fazem parte, por exemplo, “Bairro do amor” (1977), “Na terra dos sonhos” (1980), “O meu amor existe” (1982), “Estrela do mar” (1984), “Deixa-me rir” (1985) e “Frágil” (1989).

Na altura, “a editora não estava muito abonada para um artista como eu que não é um grande vendedor de discos”, recordou. Deram-lhe a possibilidade de gravar piano e voz, e 30 anos depois ainda era abordado por pessoas que lhe elogiavam o disco.

Depois de “Só”, Jorge Palma passou o resto dos anos 1990 com a discografia que tinha, avançou com o Palma’s Gang (banda com Zé Pedro e Kalu, dos Xutos & Pontapés, e Flak e Alex Cortez dos Rádio Macau), fez música para teatro, fez parte do grupo Rio Grande, compôs para outros, até editar um novo álbum de originais, “É proibido fumar”, em 2001.

Seguiram-se “Norte” (2004), “Voo nocturno” (2007) e “Com todo o respeito” (2011). O álbum mais recente, o derradeiro, “Vida”, foi editado em 2023.

Em Maio de 2025 estreou o espectáculo “3 palmas na mão”, no qual se apresentava em palco com os dois filhos, Vicente Palma, nascido em 1983, e Francisco Palma, nascido em 1995. O título do espectáculo começou por ser o nome do grupo de Jorge Palma e filhos na plataforma Whatsapp, antes de se transformar numa canção incluída no álbum “Vida” e ganhar depois a forma de um concerto.

Vicente Palma faz parte da banda que acompanha o pai há cerca de 20 anos. Sobre os filhos, Jorge Palma disse, numa entrevista ao Mensagem de Lisboa, em 2024, que “têm vozes muito fixes, são muito afinados: o Vicente mais piano do que guitarra, o Francisco mais guitarra do que piano. Escrevi o ‘Três Palmas na Mão’, que em estúdio fomos nós três a tocar, cada um com a sua guitarra, guitarras e voz”.

Jorge Palma venceu o Prémio José Afonso, em 2002, com “Jorge Palma”, e a primeira edição do Prémio Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores, em 2012, com o álbum “Com todo o respeito”.

Em 2020, Jorge Palma recebeu a medalha de mérito cultural da Câmara Municipal de Lisboa, no final de um concerto de celebração dos seus 70 anos, e foi condecorado pelo então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Em Abril de 2026, foi distinguido com o Prémio Carreira dos 8.º PLAY – Prémios da Música Portuguesa.

Jorge Palma actuou em Macau por duas vezes: em 1990, no Teatro D. Pedro V, e em 2015, por ocasião das celebrações do 25 de Abril. Jorge Palma actuou num trio composto pelo filho Vicente Palma (guitarra, piano e voz), e Gabriel Gomes (ex-Madredeus e ex-Sétima Legião, no acordeão).

Políticos destacam legado de Jorge Palma

A morte de Jorge Palma foi lamentada por vários políticos portugueses, nomeadamente o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que escreveu na rede social X, que “Jorge Palma parte, mas a sua música fica”. “Fica nas palavras, nas melodias e na memória de várias gerações. Fica, sobretudo, na cultura portuguesa, que ajudou a transformar com a sua voz única e músicas intemporais. Em meu nome e em nome do Governo, deixo à família e aos amigos as mais sentidas condolências”, destacou.

Também Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, falou num “dia triste – muito triste – para a música portuguesa e, claro, para todos os que o amavam”. Na sua página na rede social X, Paulo Rangel escreve que, perante a morte do cantor e compositor, “ficam a voz, os poemas e o carisma”.

Paulo Rangel abre a mensagem citando uma das canções do músico – “O que eu não vivi, hei-de inventar contigo” -, e termina-a garantindo: “O que ele já não vai viver, vamos nós agora inventar com ele”.

Já a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, agradeceu o legado do músico, considerando-o um “cantautor extraordinário”. Numa publicação na rede social X, Margarida Balseiro Lopes considerou o autor de temas como “Frágil”, “Dá-me Lume” ou “Bairro do Amor” uma das vozes mais icónicas da música portuguesa das últimas décadas e endereçou “sentidas condolências” à família e amigos.

23 Set 2026

Visita | Confirmada ida de Xi aos EUA entre 23 e 25 de Setembro

A visita de Estado do Presidente chinês aos Estados Unidos está confirmada. O encontro entre Xi e Trump deverá colocar em cima da mesa temas como a Inteligência Artificial, relações comerciais ou a guerra no Irão

A China confirmou ontem que o Presidente, Xi Jinping, vai realizar uma visita de Estado aos Estados Unidos entre amanhã e sexta-feira, a convite do homólogo norte-americano, Donald Trump, deslocação já anunciada por Washington.

A confirmação foi divulgada numa breve nota pela agência noticiosa oficial Xinhua, que não forneceu, para já, mais pormenores sobre a agenda do chefe de Estado chinês.

A visita decorrerá poucos dias depois das negociações realizadas em Nova Iorque entre o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, e deverá ter na agenda questões como a guerra no Irão, a inteligência artificial (IA), disputas comerciais ou Taiwan.

Segundo a agenda anunciada por Washington, Xi chegará na quarta-feira aos Estados Unidos e será recebido no dia seguinte, juntamente com a mulher, Peng Liyuan, por Trump e pela primeira-dama, Melania Trump, na Casa Branca.

Estão previstas uma cerimónia de boas-vindas, uma reunião entre os dois chefes de Estado e um jantar de Estado.

IA e outras histórias

Será o segundo encontro entre Xi e Trump este ano, depois da visita que o Presidente norte-americano realizou a Pequim em Maio, durante a qual os dois governos acordaram, entre outras questões, criar um canal intergovernamental de diálogo sobre inteligência artificial.

No plano comercial, os dois países mantêm desde Outubro de 2025 uma trégua na guerra comercial, que expira em 10 de Novembro. No âmbito daquele acordo, Washington e Pequim suspenderam parte das tarifas e restrições adoptadas durante meses de escalada, incluindo alguns controlos chineses sobre as exportações de terras raras.

As conversações de domingo entre He e Bessent abordaram precisamente a aplicação dos acordos alcançados em anteriores rondas, o comércio e o investimento bilateral, e incluíram também um diálogo sobre inteligência artificial, que as duas partes prevêem prosseguir.

22 Set 2026

TNR | Pedida disciplina a sector da administração de propriedades

A DSAL reuniu associações do ramo da administração de propriedades, a quem pediu autodisciplina no respeito pela lei. O encontro foi motivado pela descoberta de um esquema de venda de quotas para contratar trabalhadores não-residentes numa empresa do sector, que resultou em 11 pessoas detidas

Na quinta-feira, foi anunciada a detenção de 11 pessoas envolvidas num esquema de venda de quotas para a contratação de trabalhadores não-residentes (TNR) numa empresa de administração de propriedades.

O caso motivou uma reunião de urgência, na sexta-feira, entre a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e associações do sector. A DSAL pediu aos representantes que exigissem o reforço das boas práticas de gestão e autodisciplina aos seus membros e empresas afiliadas.

Foi também pedido o cumprimento da lei que regula a contratação de não-residentes, com a DSAL a exigir que as empresas se abstenham de “transferir, vender ou emprestar quotas de TNR sob qualquer forma”, e “a cumprir zelosamente as suas responsabilidades enquanto empregadores”.

Em relação ao caso concreto revelado pela Polícia Judiciária (PJ), a DSAL indicou ter realizado “de imediato uma análise exaustiva da situação laboral dos TNR da empresa”, iniciando os “procedimentos administrativos pertinentes”, ressalvando que “não irá tolerar” este tipo de comportamento.

Manifestando “séria preocupação” face ao revelado pelas autoridades policiais, a DSAL frisou que se as empresas se envolverem em actividades ilegais “serão severamente punidas nos termos da lei”. “Além da revogação imediata das quotas TNR, estarão também sujeitas a multas administrativas, à inibição de futuros pedidos de emprego de quotas e a outras sanções administrativas relacionadas com trabalho ilegal”, foi acrescentado.

Ordem e harmonia

A DSAL sublinhou ainda que os TNR têm como papel exclusivo complementar a mão-de-obra local, e que nenhuma empresa ou indivíduo pode utilizar as quotas de TNR para benefício pessoal ou a transferi-las ilegalmente, “perturbando a boa ordem do mercado de trabalho de Macau”.

A reacção da DSAL foi originada pela investigação da PJ que apurou que dois residentes da RAEM, o dono e o gerente de uma empresa de administração de propriedades, terão criado um esquema para vender quotas para a contratação de TNR. Ambos foram detidos, assim como dois funcionários do Interior da China e sete falsos TNR.

Segundo as autoridades, o esquema, que permitiu ganhos indevidos de 1 milhão de renminbis, partia das quotas de TNR pedidas pela empresa, que as vendia a pessoas do Interior para virem para Macau exercer trabalhos por conta própria.

A investigação começou em Maio quando um caso de falso emprego entrou no radar das autoridades, além de que os supostos horários de trabalho dos falsos trabalhadores eram incompatíveis com as horas a que passavam a fronteira. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.

22 Set 2026

Fundo | Investimento e Gestão de Macau passa a instituição financeira

A empresa criada para gerir os 11 mil milhões da reserva que vão ser investidos em Macau e Hengqin foi autorizada a estabelecer-se na RAEM como instituição financeira

A Sociedade de Investimento e Gestão de Macau, criada pelo Governo para gerir os 11 mil milhões de patacas que vão ser investidos na economia, foi autorizada a estabelecer-se como uma instituição financeira. A informação foi divulgada ontem, através de um despacho do Chefe do Executivo publicado no Boletim Oficial.

“É autorizada a Sociedade de Investimento e Gestão de Macau Limitada […] com sede na Região Administrativa Especial de Macau, como instituição financeira, para o exercício da actividade de gestão de activos”, pode ler-se no documento divulgado ontem.

A empresa, que tem um capital social de 100 milhões de patacas e é presidida por Che Weng Keong, foi anunciada em Maio para gerir os denominados “fundos de orientação” que se espera contribuam para a diversificação da economia, com o dinheiro a ser canalizado para Macau e Hengqin.

O primeiro investimento neste tipo de fundos é de 11 mil milhões de patacas, montante proveniente da reserva financeira de Macau e que foi acumulado ao longo dos anos, principalmente devido às receitas do jogo. Che Weng Keong foi escolhido pelo Executivo para presidente, cargo que acumula com as funções de presidente do Conselho de Administração do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM).

Entre os administradores da Sociedade Investimento e Gestão de Macau constam também Tam Chi Neng e Chan Chou Weng, ambos com um salário anual de 95.880 patacas, de acordo com o portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos.

Fábula da multiplicação

Desde o estabelecimento, a Sociedade Investimento e Gestão de Macau criou duas subsidiárias denominadas Macau Gestão de Projecto (Número Um) e Macau Gestão de Projecto (Número Dois).

Tanto a Macau Gestão de Projecto (Número Um) como a Macau Gestão de Projecto (Número Dois) têm um capital social de 25 mil patacas, apresentam como objecto social a gestão de investimento de projectos e revelam como único administrador Tam Chi Neng.

Quando o Executivo anunciou a criação da Sociedade Investimento e Gestão de Macau prometeu que a empresa iria ter uma postura de investimento focada no longo prazo orientada pelas políticas governativas e pelos mercados. Estes valores foram explicados com a intenção de “garantir que a afectação dos investimentos dos fundos de orientação esteja em conformidade com as orientações das indústrias emergentes prioritárias constantes das políticas industriais do Governo da RAEM, promovendo a modernização industrial e a sinergia entre Macau e Hengqin”.

22 Set 2026

Mercados | Che Sai Wang alerta para “impacto sem precedentes” no consumo

A concorrência do Interior da China e a abertura de mais lojas de produtos frescos está a arrasar os mercados tradicionais. O deputado ligado à ATFPM pede ao Executivo que flexibilize as condições de exploração das bancas para revitalizar estes espaços

Che Sai Wang alertou o Governo para os efeitos da redução da procura nos mercados tradicionais e pede medidas para flexibilizar as condições de exploração. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM).

No documento, Che indica que apesar dos esforços para dar uma nova vida aos mercados municipais, as medidas do Executivo não estão a surtir o efeito desejado, com a redução dos clientes.

Segundo o deputado, a ausência de procura justifica-se com “a rápida expansão das cadeias de supermercados e de lojas especializadas em produtos frescos nas comunidades”, assim como com a política local de promover a circulação de veículos de Macau na província de Guangdong. Na perspectiva de Che Sai Wang, estes dois aspectos levaram a “um impacto estrutural sem precedentes nos mercados tradicionais das zonas residenciais”.

A falta de clientes nos mercados tradicionais é ainda mais notada “durante os feriados e fins-de-semana” porque “grande parte do poder de consumo local se desloca para o norte”.

Neste cenário de dificuldades, o legislador recorre aos dados do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) para apontar que nos oito mercados públicos do território há 329 bancas vazias, uma taxa de desocupação de 30 por cento de todas as bancas existentes.

Três obstáculos

Como forma de revitalizar o ambiente de consumo nos mercados tradicionais de Macau, Che Sai Wang apresenta uma lista com três obstáculos que têm de ser ultrapassados.

Em primeiro lugar, o deputado indica que é necessário criar um mecanismo de substituição directa do arrendatário da banca. Em causa está o problema de a banca não poder ser assumida por familiares ou os trabalhadores dos arrendatários, quando estes decidem reformar-se ou ficam doentes. Segundo o modelo actual, é necessário um procedimento com intervenção da administração pública, através da realização de concursos públicos de arrendamento. No entanto, Che defende que este modelo afasta as pessoas mais experientes do mercado e contribui para a desocupação, dado que o negócio da banca não pode ser “herdado” ou transmitido directamente.

Em segundo lugar, o deputado indica que os procedimentos de substituição de um arrendamento por outro levam vários meses e até anos. Por este motivo, o deputado pede ao Executivo que crie mecanismos de arrendamento mais flexíveis, mais rápidos e menos burocráticos.

Como último obstáculo, Che Sai Wang aponta que o modelo de gestão dos mercados está ultrapassado e sugere a contratação de empresas para procurarem activamente no mercado comerciantes interessados em explorar as bancas.

22 Set 2026

IA | Maior aposta em cursos secundários técnico-profissionais

Neste ano lectivo, mais escolas de Macau vão ministrar cursos de ensino secundário complementar técnico-profissional relacionados com inteligência artificial. O Governo quer também reforçar as ligações entre escolas e empresas através de “cartas de intenção de cooperação”

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) está a incentivar as escolas do território para criarem cursos de ensino técnico-profissional relacionados com tecnologia inteligente e firmarem relações com o mundo empresarial de forma a garantir a empregabilidade dos alunos do ensino técnico-profissional. Para tal, encorajaram a celebração de cartas de intenções de cooperação entre escolas e empresas, instituições de ensino superior e entidades sectoriais, com o objectivo de desenvolver o currículo técnico-profissional de inteligência artificial mais adequado às necessidades reais do sector.

Numa resposta a interpelação de Ho Ion Sang, a directora substituta da DSEDJ Iun Pui Iun garante que no ano lectivo de 2026/2027 há mais escolas a “ministrar cursos de ensino secundário complementar técnico-profissional relacionados com a inteligência artificial”.

A responsável salientou que, actualmente, as escolas de Macau estão a organizar, “em cooperação com empresas famosas do Interior da China, cursos técnico-profissionais nas áreas de inteligência científica e tecnológica, e de gestão de informações com inteligência artificial”. Além disso, os alunos vão continuar a ter oportunidades para visitar bases de formação prática de projectos, para testemunhar a aplicação da tecnologia.

A matemática da terra

A diversificação da economia da RAEM é a principal meta do Governo, e para a qual a educação tem um papel fundamental a desempenhar. Como tal, Iun Pui Iun realçou que desde este ano, as universidades de Macau passaram a ministrar “cursos micro-credenciais nas áreas de tecnologia da informação (inteligência artificial), turismo, convenções e exposições, finanças”. A dirigente da DSEDJ indicou que está prevista a criação de mais cursos vocacionados para outras áreas no futuro.

Além disso, para “atender às necessidades de profissionais qualificados impulsionadas pela estratégia de desenvolvimento das indústrias ‘1+4’ de Macau”, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) tem promovido cursos de formação e certificação profissional nos sectores estratégicos.

A dirigente da DSEDJ destaca também a implementação do “Plano para aumento de competências digitais e certificação” e do “Plano de formação de pessoal qualificado para o sector de convenções e exposições”, que “estão a alargar-se sucessivamente para domínios como a big health, as finanças modernas e as tecnologias de ponta”.

22 Set 2026

CCCM | Livro aborda conexão da Rota do Cabo com Rotas da Seda

“The Cape Route and the Silk Roads”, editado pela Brill e coordenado por João Oliveira e Costa e Carmen Amado Mendes, expõe as relações comerciais que se estabeleceram entre a Rota do Cabo, criada no século XV e que ligava Lisboa à Índia, e as rotas da Seda. A obra mostra como Lisboa foi uma cidade central no comércio de porcelana

Estávamos em 1499 quando foi criada a Rota do Cabo para, entre Lisboa e a Índia, transportar especiarias para a Europa, embora “os navios portugueses trouxessem outros produtos das terras da Ásia”. Por sua vez, “a tecnologia e ciências europeias, o cristianismo e a prata das Américas chegavam a todos os recantos da Ásia”.

Editado pela Brill, e recentemente apresentado no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), o livro “The Cape Route and the Silk Roads” [A Rota do Cabo e as Rotas da Seda] expõe a ideia de como “a Rota do Cabo permitiu que produtos e ideias circulassem no âmbito do sistema das Rotas da Seda, que abrangia a Eurásia de oeste a leste”, descreve-se na sinopse do livro.

A obra também mostra como Lisboa se transformou “no centro nevrálgico que difundiu novos padrões de consumo e novas modas na Europa”, sendo que a Rota do Cabo também “introduziu novas formas de guerra, novos conhecimentos científicos e uma nova religião por toda a Ásia”.

A obra é coordenada por João Paulo Oliveira e Costa, especialista em História Moderna e docente na Universidade Nova de Lisboa, e Carmen Amado Mendes, presidente do CCCM. Vários académicos colaboram nesta obra, que inclui capítulos como “Why the Cape Route should be considered parte of the Silk Roads” [Porque a Rota do Cabo deveria ser considerada parte das Rotas da Seda] ou ainda “Lisbon, the hub of the Silk Roads in the 16th century” [Lisboa, o centro das Rotas da Seda no século XVI].

Rui Oliveira, académico responsável pela apresentação do livro, destacou como a obra “trará, certamente, novas perspectivas e terá uma responsabilidade na internacionalização de muito o que se tem feito nesta área em Portugal”.

Para o responsável, existe ainda “alguma dificuldade de mostrar essa perspectiva [da conexão da Rota do Cabo com as Rotas da Seda] e o impacto dos portugueses e das rotas comerciais transatlânticas na sua comunidade e em todas as instituições”.

Rui Oliveira lembrou como o livro constitui uma oportunidade de olhar a Rota do Cabo “e perceber verdadeiramente as implicações que esta teve em diferentes territórios, e que continua a ter, nomeadamente nas questões identitárias do século XXI”.

Ao fazer “a interligação com outros pontos fulcrais da Rota da Seda” tal como a costa oriental africana e sudeste da Ásia, a Rota do Cabo trouxe bastantes contributos para o comércio mundial. Mas Rui Oliveira lembrou que o livro agora editado pela Brill também espelha como se operavam estas interligações comerciais. “Este volume abre a oportunidade de mostrar e ligar a Rota do Cabo a todas as outras rotas, sobretudo no sudeste asiático, no contexto das Rotas da Seda. Trata-se de interligações que não são ainda aceites de forma transversal”, acrescentou.

Da pimenta à porcelana

João Paulo de Oliveira e Costa não deixou de destacar como Lisboa era, nesta época, um lugar onde determinados produtos chegavam bem mais depressa do que noutros pontos da Europa graças à Rota do Cabo, já que “a maneira como estes objectos chegavam e se espalharam pela Europa tem essa dimensão extraordinária”.

“Lisboa estava carregada de porcelana, que entrava na Europa por Lisboa e que, particularmente no século XVI, era o porto asiático da Europa. É isso que tentamos aqui por mostrar, não por mania, mas porque a arqueologia o mostra.”

O co-coordenador da obra fez referência a um artigo da autoria de Maria João Ferreira, intitulado “China at Home: Chinese Silks in Portuguese Households during the Early Modern Period” [China em Casa: Sedas Chinesas nos Lares Portugueses no Início da Era Moderna], e que mostra como existia “abundância da seda em Lisboa no século XVIII e que choca os visitantes europeus, que veem em Lisboa algo que para eles é uma raridade quando, aqui, era uma banalidade”.

Segundo o académico, há “um problema de fundo” na historiografia portuguesa “que foi, durante um tempo, excessivamente preguiçosa, e a divulgação continua a ser preguiçosíssima”, face ao que verdadeiramente se comercializava via Lisboa nestes anos.

“Acho que 90 e tal por cento das pessoas continua a pensar na carreira da Índia como a carreira da pimenta, mas em 1550 já metade dos porões das naus não traziam pimenta, mas sim porcelana, além de tudo o resto”, transportando depois esses produtos para a Europa.

Além do colonialismo

Na sessão de apresentação da obra, João Paulo Oliveira e Costa deixou a ideia de que fazer a história da Expansão Portuguesa está longe de estar relacionada com o colonialismo e ocupação de outros povos. “A Expansão Portuguesa é um episódio incontornável da história da humanidade” e foi “muito mais do que um episódio do Colonialismo.”

Na sua visão, esta obra sobre a Rota do Cabo, além de “ajudar a desencadear novas investigações, ajuda a perceber que a expansão portuguesa não é uma história de guerra”.

“Tem muita guerra, faz parte do ser humano e destes movimentos, mas é uma história que tem outras dimensões incontornáveis e fundamentais para se perceber a história da humanidade”, frisou, até pela maneira “como estes objectos chegavam e se espalharam pela Europa, o que tem uma dimensão extraordinária”.

“Um dos méritos da investigação dos últimos 30 anos é perceber que fazer história da Expansão não é só sobre o que foi, mas também sobre o que vem. A Europa faz a Expansão com a pólvora inventada pelos chineses, os algarismos inventados pelos indianos, transmitidos depois pelos árabes; com a religião inventada pelos judeus. O papel é inventado pelos chineses, onde se faz a burocracia. E, portanto, é uma civilização que parte através de tudo o que tinha incorporado e lhe tinha chegado.”

O académico destacou o exemplo da porcelana e da sua difusão na sociedade portuguesa. “A porcelana é um dos exemplos: não há família em Portugal que não tenha um serviço de porcelana. Faz parte da nossa lógica europeia e continua a ser uma coisa significante na nossa vida social.”

O livro dá também destaque ao posicionamento dos Açores em todo este comércio, nomeadamente com os capítulos “The Sea of the Azores within the Silk Routes” [O Mar dos Açores nas Rotas da Seda], de Avelino de Freitas de Meneses; ou ainda “The Azores and the Legacies of the Silk Roads” [Os Açores e os Legados das Rotas da Seda], da autoria de Susana Goulart Costa, Rute Dias Gregório e Isabel Soares de Albergaria.

22 Set 2026