Caso das Saunas | PJ anuncia detenção de mais um agente aposentado

O número de agentes e ex-agentes envolvidos nas três organizações de exploração de prostituição subiu para seis. A mais recente detenção aconteceu na quinta-feira, quando o suspeito que estava a monte entrou no território

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de mais um inspector reformado ligado ao caso das saunas. A informação foi revelada na sexta-feira, e faz subir para seis o número de agentes e ex-agentes da PJ ou do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) detidos.

O suspeito tem 63 anos, é um residente local, agente reformado da PJ e foi detido na quinta-feira, pouco tempo depois de ter entrado em Macau.

Segundo a investigação, o suspeito juntou-se, em 2024, a um dos grupos de exploração de prostituição e recebia mensalmente 100 mil patacas para fornecer informações ao grupo sobre as fiscalizações policiais.

Além disso, a PJ indicou que o detido aconselhava o grupo de exploração de saunas a operar de forma a evitar a aplicação da lei e a evitar as potenciais investigações. O agente reformado é assim suspeito de auxiliar o grupo ilegal a organizar e manter a exploração contínua da prostituição, e lucrar pelo menos 2,6 milhões de patacas.

Quando apresentou a detenção, a PJ afirmou que “dispõe de provas suficientes” para demonstrar que o detido integrava a organização criminosa de exploração de prostituição, recebia pelo papel que desempenhava e ajudava a encobrir as actividades tidas como ilegais.

O homem está indiciado pelos crimes de associação criminosa, exploração de prostituição e favorecimento pessoal.

À espera da entrada

A PJ comunicou também que a detenção do sexto agente só foi possível na quinta-feira, porque até agora o homem estava fora de Macau.

Apesar disso, as autoridades estavam sinalizadas para a necessidade de fazer a detenção, o que aconteceu na quinta-feira, na Zona Norte de Macau, depois do homem ter voltado ao território.

O caso das saunas foi revelado no mês passado, quando a PJ anunciou a detenção de 26 pessoas, incluindo três polícias e dois agentes reformados, por alegadamente estarem envolvidos numa rede de prostituição. Entre os detidos encontra-se Leong Heng Hong, então Segundo-Comandante do CPSP e que foi removido do cargo, após a detenção.

As autoridades acreditam que os envolvidos nos alegados crimes foram responsáveis pela gestão e exploração de várias saunas que terão gerado lucros de 790 milhões de patacas.

Apesar de o caso só ter sido revelado no mês passado, a PJ divulgou que desde 2019 tinha informações sobre a existência de três grupos de prostituição que utilizavam saunas como fachada para disfarçarem a prestação de serviços sexuais, com mulheres recrutadas na Ásia, Sudeste Asiático e no Leste Europeu.

13 Jul 2026

Países hispânicos | Macau é “largamente desconhecido”

Apesar do desconhecimento geral, Macau pode ter sucesso no novo objectivo se conseguir provar que é a melhor forma de os países hispânicos explorarem as relações comerciais com a China ou se afirmar a nível do investimento em infra-estruturas

 

Analistas hispânicos consideraram em declarações à Lusa que Macau continua “largamente desconhecido” para países de língua espanhola, apesar da ambição do Governo local em afirmar-se como plataforma de ligação entre a China e o bloco hispanófono.

Segundo Carlos Martin, professor associado em Relações Internacionais na Universidade Europeia de Valência, Macau tem “um potencial ainda por explorar”, com “bases para se tornar o conector natural entre a China e o mundo hispânico”, mas continua “largamente desconhecido nesses mercados”.

O académico defendeu à Lusa que o Governo deve “executar uma estratégia inteligente para activar as conexões certas”, de maneira a que os sectores civil e empresarial “vejam Macau como a melhor opção para operar na China”.

O analista espanhol propõe mesmo a criação de ligações regionais específicas, sugerindo “ligar os centros regionais adequados”, como por exemplo, Macau e cidades espanholas como Valência e outras.

Para Martin, a ligação cultural entre Macau e os países hispanófonos é relevante, fruto da sua história lusófona, mas não suficiente, pois “o tamanho das empresas, os sectores envolvidos, a mão de obra necessária” são factores que influenciam a “perspectiva dos governos regionais e a forma como consideram a cooperação e o equilíbrio do envolvimento”.

O académico concluiu também que as oportunidades não se limitam a um país ou região, e que, “se o foco for apenas empresarial”, oportunidades podem ser encontradas em todo o continente latino-americano.

“Destaco directamente o interesse da Argentina, Colômbia e Equador [no mercado chinês]”, indicou.

Poderio económico

A China é actualmente o segundo maior parceiro comercial de toda a América Latina, com o comércio bilateral a atingir o recorde de 518 mil milhões de dólares em 2025.

O Governo chinês definiu em 2003 Macau como uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa, papel que foi expandido pelo novo líder da região, Sam Hou Fai, para englobar também os 21 países de língua espanhola.

Questionado sobre se Macau pode ter esse papel de ligação com a China, Juan Enrique Serrano Moreno, professor associado do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, é peremptório: “Não creio”.

“Não penso que Macau venha a tornar-se um centro de negócios para empresários latino-americanos. Há formas mais eficazes através de centros de negócios na China continental e, em menor medida, em Singapura”, indicou à Lusa o analista chileno.

Ignacio Araya, analista relações China–América Latina na Universidade Diego Portales, sublinhou que Macau está a procurar “um papel maior dentro da projecção internacional que a China está a construir hoje”.

Para o académico, o território pode funcionar como “ponte complementar”, especialmente para ligar latino-americanos ao sul da China e à província de Guangdong.

Os planos de integração e cooperação existentes de Macau com a província de Guangdong e a zona económica especial na vizinha Hengqin, estabelecida para ajudar a diversificação económica da cidade, oferecem também uma via para a entrada das empresas dos países de língua espanhola na China.

Araya destaca, no entanto, que “a oportunidade mais concreta está nas infra-estruturas”, lembrando que Macau foi sede do Fórum de Cooperação em Infra-estruturas China-América Latina e Caraíbas.

“Macau pode ser especialmente útil se se especializar como nó de infra-estruturas para o Brasil e outros países sul-americanos, onde já existe uma presença significativa de empresas e financiamento chineses”, acrescentou.

O investigador destacou que a China não se projecta internacionalmente apenas a partir de Pequim, fazendo-o também através de províncias, cidades e universidades com “agendas próprias de internacionalização”.

“Nesse mapa, Macau pode ser útil, se se posicionar como um nó especializado capaz de articular essas conexões, não como substituto de outros canais, mas como espaço capaz de os interligar”, concluiu.

13 Jul 2026

Desastres Naturais | Governo reúne para exigir melhor preparação

Segundo a versão oficial, o encontro agendado pelo Chefe do Executivo visou “implementar uma série de importantes instruções do Presidente Xi Jinping sobre a prevenção de inundações e socorro em catástrofes”

 

Face aos desafios de Verão, como as inundações e tufões, o Chefe do Executivo exigiu aos serviços que melhorem “ainda mais o trabalho da segurança geral”, de forma a assegurar “a harmonia e tranquilidade da conjuntura de Macau e a segurança da vida e dos bens da população”. A mensagem foi deixada durante uma reunião realizada na sexta-feira, e divulgada em comunicado.

O encontro foi convocado por Sam Hou Fai para “implementar uma série de importantes instruções do Presidente Xi Jinping sobre a prevenção de inundações e socorro em catástrofes, a prevenção resoluta de ocorrência de incidentes graves e a salvaguarda efectiva da segurança da vida e dos bens do povo”.

As instruções do Chefe do Executivo focaram seis áreas diferentes, a começar pela identificação e resposta a “riscos de incêndio e de segurança em estaleiros de construção, bem como, na prevenção e preparação para desastres extremos, como ventos, chuvas e marés”. Em segundo lugar, Sam pediu o reforço da segurança nos “estabelecimentos relevantes, bairros antigos e durante os feriados principais”, ao mesmo tempo que se avança com a renovação urbana.

O líder do Governo pediu também que se efectuem “seriamente os trabalhos de prevenção de inundações, ventos e marés” e o reforço da “previsão meteorológica” e dos “alertas de condições meteorológicas extremas”.

Melhorar a resposta

Ao mesmo tempo, foi pedido aos serviços para elevarem “o nível das capacidades das equipas de socorro profissionais de Macau” e para optimizarem “o sistema de gestão de contingência de protecção civil e também contra incêndios”.

O esforço não se fica apenas por medidas entre os serviços, Sam Hou Fai também exigiu a intensificação da “educação da população em geral sobre a consciência de segurança”, tendo em conta a luta contra incêndios, prevenção, redução e acções de salvamento em catástrofes.

Finalmente, o líder do Executivo pediu o reforço da “colaboração com as principais associações para identificação de todos os tipos de riscos, mobilizando a força das associações para ajudar a despistar diferentes tipos de riscos em habitações”.

Além de Sam Hou Fai e dos secretários do Governo participaram ainda na reunião o presidente da Assembleia Legislativa, André Cheong, a presidente do Tribunal de Última Instância, Song Man Lei, a comissária contra a Corrupção, Ao Ieong Seong, o Comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários, Leong Man Cheong e o director-geral dos Serviços de Alfândega, Adriano Marques Ho.

13 Jul 2026

DSAT | Recebidas 47 propostas para licenças para 700 táxis novos

O concurso público para atribuir 14 licenças que vão colocar no mercado 700 novos táxis recebeu 47 propostas. Cada concessionário poderá operar 50 veículos. Um dos requisitos do concurso passa pela obrigatoriedade de os serviços estarem disponíveis em aplicações online para chamar táxis

Foram abertas ontem as propostas do concurso público para atribuição de 14 licenças de táxi, que vão introduzir 700 novos táxis no território. Cada concessionária poderá operar 50 veículos. Segundo a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), foram recebidas 47 propostas para as licenças e os resultados do concurso serão divulgados no último trimestre deste ano.

Ainda não há certeza quanto a datas, mas a DSAT prevê que as sete centenas de novas viaturas comecem a operar de forma faseada entre o segundo e o terceiro trimestre do próximo ano, e terão licença para operar durante oito anos.

Um dos requisitos para a atribuição de licenças procura colmatar uma lacuna do mercado de táxis de Macau: a não generalização das plataformas online para chamar um táxi, como funciona a Uber ou DiDi. Dessa forma, um dos requisitos para a atribuição das licenças é a obrigatoriedade de fornecer serviços de marcação de táxis, à semelhança da forma como operam as aplicações referidas.

O chefe da Divisão de Gestão de Transportes da DSAT, Pang Man Kin, afirmou ontem que actualmente estão em circulação 1.553 táxis, 303 dos quais vão sair do mercado com a validade das licenças a expirarem em 2028.

Termos e condições

Além do requisito de facultar os serviços de táxi em plataformas online, as empresas candidatas ao concurso público também devem garantir que as viaturas são híbridas (gasolina e electricidade), ou movidas a energias renováveis, têm capacidade para seis lugares e aceitam pagamentos electrónicos.

Além disso, cada concessionária tem de incluir na sua frota veículos aptos a transportar pessoas com mobilidade reduzida.

Recorde-se que entre os critérios de avaliação das propostas, o Governo terá em conta sobretudo o valor da licença, mas também a proporção de recursos humanos locais contratados.

O preço base das licenças foi fixado em 2,5 milhões de patacas e do concurso não pode resultar que uma empresa fique com a operação de mais de 300 táxis. Além do preço das licenças, os candidatos tiveram de pagar uma caução de 3,5 milhões de patacas para submeter as propostas.

12 Jul 2026

Atropelamentos | DSAT prepara mais passagens aéreas pedonais

Após o acidente mortal com uma criança de 10 anos, o Executivo quer “segregar” carros e pessoas, através de passagens aéreas e subterrâneas. As medidas ainda estão a ser equacionadas pela DSAT

Face ao recente atropelamento fatal de uma criança na passadeira, a Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) quer reduzir o número de passadeiras, levar os peões a subirem escadas e a esperarem por elevadores para atravessarem as estradas. A estratégia está a ser estudada e foi explicada na resposta a uma interpelação escrita do deputado José Pereira Coutinho.

Segundo o documento assinado por Chiang Ngoc Vai, director da DSAT, a estratégia para reduzir o número de atropelamentos passa pela aposta “na segregação entre veículos e peões”.

A DSAT está, assim, a “estudar” a criação “de instalações pedonais desniveladas em determinados troços de elevada circulação, em novas zonas urbanas e em locais onde se verifiquem riscos de segurança na travessia”.

Os governantes acreditam que com mais passadeiras aéreas, ou subterrâneas, acedidas através de rampas, escadas e elevadores vai ser possível melhorar “o ambiente de deslocação pedonal”.

O documento com a data de 29 de Junho explica que as medidas ainda vão demorar algum tempo a ser implementadas, porque o Governo está ainda numa fase de auscultação das escolas e associações locais.

A resposta foi escrita antes da passada segunda-feira, dia em que foram registados quatro atropelamentos, dois dos quais em passadeiras.

Na interpelação, o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) pretendia saber quais são os esforços feitos pelas autoridades para familiarizar os condutores do exterior com as estradas e hábitos de condução locais.

Vídeos online

Na resposta, Chiang Ngoc Vai indicou que foram colocados vídeos online e que foram emitidas “orientações”: “Relativamente às precauções a ter em conta pelos condutores provenientes do exterior ao conduzir em Macau, a DSAT e o CPSP [Corpo de Polícia de Segurança Pública] lançaram conjuntamente as ‘Orientações e normas de condução a cumprir em Macau’”, foi contado. “A par disso, foi publicada na página electrónica oficial uma série de vídeos sobre a ‘Situação rodoviária de Macau’, acompanhados de textos e imagens, no sentido de reforçar, desde a sua origem, a consciencialização destes condutores sobre o cumprimento da lei”, foi acrescentado.

Chiang indica que como forma de garantir a segurança, as autoridades multaram 2.176 pessoas por atravessar a estrada fora da passadeira, e 1.279 condutores por não cederem passagem nas passadeiras ou conduzirem ao telemóvel.

12 Jul 2026

Concerto | Belle and Sebastian regressam a Hong Kong em Outubro

É oficial! Os Belle and Sebastian estão de volta a Hong Kong com um concerto no Tides no dia 2 de Outubro, às 20h, para tocar na sua totalidade um dos mais aclamados discos do indie pop dos anos 1990: “If You’re Feeling Sinister”, lançado em 1996.

Os bilhetes estão à venda desde sexta-feira, com os preços a variar entre 680 e 880 dólares de Hong Kong. O espaço Tides fica em Whampoa (Kowloon).

O alinhamento do concerto estará dividido em duas partes. Na primeira parte, a banda escocesa irá tocar na integra o disco que celebra este ano três décadas de lançamento, pela mesma ordem das faixas no álbum. Na segunda parte, o alinhamento será imprevisível, passando, por certo, por alguns hinos da banda de Stuart Murdoch e companhia.

A última vez que os Belle and Sebastian actuaram em Hong Kong foi em Fevereiro de 2015, na AsiaWorld Expo, numa tournée baseada no acabado de sair “Girls in Peacetime Want to Dance”.

O disco que a banda vai tocar na totalidade no Tides é o registo do meio de uma trilogia de álbuns que os colocou numa espécie de Olimpo indie a meio dos anos 1990. “Tigermik” saiu em Junho 1996, e cinco meses depois era lançado “If You’re Feeling Sinister”, menos de dois depois a banda lançava “The Boy with the Arab Strap”, formando um corpo de músicas impressionante para uma banda formada, na altura, há menos de três anos.

 

Como Dylan nos filmes

Com os três primeiros discos na bagagem, e um bom punhado de hinos que marcaram a época de ouro do indie-pop, a banda alargou a sua legião de fãs.

Em Outubro, os Belle and Sebastian chegam a Hong Kong com 12 discos, mas é o segundo que estará em destaque. “The Stars of Track and Field”, que abre o álbum, seguindo de “Seeing Other People”, “Me and the Major” e “Like Dylan in the Movies”, são todos clássicos que resistiram à passagem do tempo.

Os Belle and Sebastian foram formados por Stuart Murdoch na guitarra, piano e voz e o baixista Stuart David (que saiu da banda em 2000), que se conheceram num programa para músicos desempregados. Continuam na banda alguns membros da formação original, como Stevie Jackson também na guitarra, vozes e piano, Chris Geddes em sintetizador, piano e percussão, Richard Colburn na bateria e Sarah Martin no violino, flauta, sintetizador e percussão. Hoje em dia, a guitarra baixo está a cargo de Bobby Kildea.

A cantora Isobel Campbell esteve na fundação da banda, mas embarcou numa carreira a solo e múltiplas colaborações a partir de 2002, incluindo três discos com Mark Lanegan.

A digressão que traz a banda escocesa a Hong Kong irá passar por Lisboa, para um concerto no Coliseu dos Recreios no próximo dia 21 de Julho.

12 Jul 2026

Casinos | Transações duvidosas sobem 8,7% no até Junho

As transações suspeitas em casinos subiram 8,7 por cento na primeira metade do ano, em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com dados oficiais. Das mais de 2.700 participações recebidas pelo Gabinete de Informação Financeira, 73,7 por cento foram provenientes de casinos

 

Durante os primeiros seis meses de 2026, o Gabinete de Informação Financeira (GIF) registou um aumento de 8,7 por cento das transações suspeitas nos casinos do território. A entidade referiu que as seis operadoras de jogo submeteram, no total, 2.018 participações de transações suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo.

Segundo estatísticas divulgadas na terça-feira, o GIF apontou “o aumento do número de participações reportadas pelo sector do jogo” como a principal razão para uma subida de 9,5 por cento no número total de transações suspeitas.

Entre Janeiro e Junho, o gabinete recebeu 2.753 participações, sendo que 73,3 por cento vieram das concessionárias de casinos, enquanto 19,1 por cento vieram de bancos e seguradoras e 7,6 por cento de outras instituições e entidades.

Os sectores referenciados, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transação igual ou superior a 500 mil patacas.

Em 2025, o GIF recebeu 4.925 participações, menos 6,1 por cento do que no ano anterior, quando Macau tinha fixado um recorde no número de transações suspeitas.

 

Fama ou proveito

No final de Março, o Ministério Público de Taiwan acusou 10 pessoas de usarem casinos de Macau para branquear 33 mil milhões de dólares taiwaneses (893 milhões de euros), provenientes de jogo ilegal na Internet.

Em Março de 2022, o Departamento de Estado dos EUA designou Macau como um dos principais pontos de branqueamento de capitais a nível mundial, apontando os angariadores de grandes apostadores (conhecidos como ‘junkets’) e as “actividades ilícitas que eles muitas vezes facilitam”. Isto apesar da detenção, em Novembro de 2021, de Alvin Chau Cheok Wa, líder da Suncity, então o maior angariador de apostas VIP do mundo.

No início de Abril, especialistas em crime organizado indicaram à Lusa que Macau continua a ser um “nó fundamental para a lavagem de dinheiro” por organizações criminosas, apesar do desmantelamento do sistema de ‘junkets’.

“Embora grandes sindicatos criminosos chineses tenham deslocado operações pelo Sudeste Asiático em resposta a medidas repressivas, Macau continua a ser um ponto operacional e de encontro para estas redes profundamente enraizadas”, disse Martin Pubrick, antigo membro da Polícia Real de Hong Kong e especialista em corrupção e crime organizado. “Casas de câmbio, lojas de penhores e movimentos através de cartões de crédito absorveram essa procura, o que pode significar que a lavagem de dinheiro em Macau é hoje menos centralizada e menos visível”, sublinhou John Wojcik, investigador sénior da Infoblox Threat Intelligence e ex-analista do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.

9 Jul 2026

PJ | Investigador demitido por ausências e atrasos foi reintegrado

O cancelamento da demissão resulta de uma decisão do Tribunal de Segunda Instância, que entendeu que o processo disciplinar não teve em conta os mais de 10 anos de classificações de bom e muito bom do desempenho do agente

 

 

A Polícia Judiciária (PJ) foi obrigada a reintegrar um investigador criminal que através de atrasos e ausências sem autorização evitou 22 dias interpolados de trabalho no espaço de um ano e meio. A informação foi publicada ontem no Boletim Oficial, e resulta de uma decisão do Tribunal de Segunda Instância (TSI) que considerou ilegal a aplicação da pena de demissão ao agente.

“Nos termos do artigo 174.º do Código de Processo Administrativo Contencioso […] é anulada a pena de demissão ao ex-investigador criminal principal […] com efeitos retroactivos a partir do dia 23 de Novembro de 2024”, pode ler-se num despacho assinado por Sit Chong Meng, director da PJ.

O caso começou em 2022, quando a PJ instaurou um processo disciplinar ao agente ligado a várias infracções, todas cometidas entre Agosto e Setembro desse ano.

Segundo a acusação, o agente deixou o posto de trabalho sem autorização 12 vezes, chegou atrasado ou saiu antes de cumprir o horário 12 vezes, não picou o ponto 33 vezes, apresentou 8 relatórios falsos de trabalho, transferiu as chamadas do telemóvel de trabalho para o seu telemóvel pessoal seis vezes, o que contraria as normas internas, e não apresentou um relatório de transferência de turno. Houve ainda 18 vezes em que deixou Macau e foi a Zhuhai sem pedir autorização aos superiores, como exige o regulamento interno da PJ.

Com base nas infracções de atrasos e saídas do posto de trabalho, a PJ concluiu que o agente deixou por cumprir um total de horas que é equivalente a 22 dias de trabalho.

Atenuantes ignoradas

Apesar de a acusação não ter levantado problemas a nível da factualidade para o TSI, os juízes optaram por aceitar o recurso do agente, porque o processo disciplinar não valorizou condições atenuantes nem explicou o impacto das infracções na manutenção da relação entre as duas partes.

Segundo o tribunal, a penalização do processo disciplinar está obrigada a ter em conta a conduta do agente antes e depois das infracções. Em relação a este aspecto, concluiu-se que em mais de 10 anos de serviço o agente teve um desempenho classificado como “bom” ou “muito bom”. Como este facto não foi considerado pela Administração, a pena de demissão foi anulada pelo tribunal.

A sanção tinha também valorizado a agravante de o agente ter um grau de bacharel e ter atingido a categoria de investigador criminal principal. Apesar da regra que exige mais a quem tem um nível de instrução superior e funções com mais responsabilidade, os juízes entenderam que tal não se aplica a deveres gerais mais básicos, como os zelo e obediência.

9 Jul 2026

Albergue SCM | Exposição apresenta trabalhos do arquitecto He Jingtang

Na próxima quarta-feira, o Albergue SCM acolhe uma a exposição “Lugar, Cultura, Tempo — Design para um desenvolvimento de alta qualidade na China: Selecção de obras arquitectónicas de He Jingtang e da sua equipa”. A mostra centra-se nas obras de marcos académicos do arquitecto e académico chinês

 

No próxima quarta-feira, dia 15, é inaugurada no Albergue SCM a exposição “Lugar, Cultura, Tempo — Design para um desenvolvimento de alta qualidade na China: Selecção de obras arquitectónicas de He Jingtang e da sua equipa”. A cerimónia que dará o pontapé de saída da mostra está marcada para as 18h30 de quarta-feira e estará patente ao público até 13 de Agosto na Galeria A2 do Albergue.

Centrada no conceito central de “Lugar, Cultura, Tempo”, a mostra reúne uma selecção de obras arquitectónicas e os marcos académicos alcançados ao longo dos anos por He Jingtang e a sua equipa.

A organização, a cargo do Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, da Federação de Académicos de Guangdong e Instituto de Pesquisa e Design de Arquitectura da Universidade de Tecnologia do Sul da China, salienta que a iniciativa tem como objectivos a promoção da arte e cultura arquitectónicas e criar uma plataforma para o intercâmbio mútuo e o enriquecimento entre Macau e o Interior da China.

He Jingtang nasceu em 1938 em Dongguan, na província vizinha de Guangdong. É arquitecto e membro da Academia Chinesa de Engenharia, e actualmente desempenha as funções de Reitor Honorário da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Tecnologia do Sul da China.

Ao longo da carreira, He Jingtang especializou-se na concepção de edifícios com fins culturais, assim como no planeamento de campus, liderando equipas de profissionais responsáveis pela concepção e concretização de um grande número de edifícios emblemáticos com influência internacional.

Vida cheia

Entre os projectos mais emblemáticos de He Jingtang contam-se o Pavilhão da China na Exposição Mundial de 2010 em Xangai, a ampliação do Memorial às Vítimas do Massacre de Nanjing perpetrado pelos invasores japoneses (Local de Memória Público Nacional), o Centro Internacional de Conferências de Qingdao (sede principal da Cimeira da Organização de Cooperação de Xangai), o Arquivo Nacional de Publicações e Cultura (Guangzhou), o Museu da China (Hainan) do Mar da China Meridional.

Entre os projectos de espaços e edifícios dedicados ao ensino, destaque local para o Campus de Hengqin da Universidade de Macau no portfolio do académico e arquitecto.

Outra das conquistas de He Jingtang, foi quebrar o monopólio de arquitectos estrangeiros na concepção de marcos nacionais chineses, liderando o caminho da criação arquitectónica com características chinesas, descreve a organização da exposição.

Com uma vida de trabalho com arquitecto, académico e investigador, He desenvolveu a teoria “Dois Conceitos (conceitos holísticos e sustentáveis) e Três Características (lugar, cultura e tempo)”, que está no cerne dos trabalhos selecionados.

A mostra pode ser visitada todos os dias das 12h às 19h, excepto às segundas-feiras em que o horário vai das 15h às 19h. A entrada é livre.

9 Jul 2026

Obras | Túnel entre Portas do Cerco e Parque Desportivo custa 1,7 mil milhões

A concepção e construção do túnel entre as estações das Portas do Cerco e do Parque Desportivo para os Cidadãos, da Linha Leste do Metro Ligeiro, vai custar 1,74 mil milhões de patacas. O adjudicatário do projecto é um consórcio de empresas estatais, que irá receber pagamentos faseados a partir deste ano até 2030

A empreitada de concepção e construção do túnel, com recurso a tuneladora, para a extensão da Linha Leste do Metro Ligeiro da Estação ES1, nas imediações das Portas do Cerco, até à Estação do Parque Desportivo para os Cidadãos vai custar mais de 1,74 mil milhões de patacas aos cofres públicos, num pagamento faseado entre este ano e 2030.

A informação consta da relação discriminada de encargos plurianuais publicada ontem no Boletim Oficial pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF).

Os trabalhos vão estar a cargo de um consórcio formado pela Ccecc (Macau) Companhia de Construção e Engenharia Civil China, a Companhia de Fomento Predial Nam Kwong, e a China Railway.

A factura deste ano será de 24,3 milhões de patacas, subindo para o custo anual mais elevado em 2027 para 662,7 milhões de patacas, e 514,7 milhões de patacas em 2028. No ano seguinte, o consórcio de empresas estatais irá receber 486,7 milhões de patacas e, finalmente, em 2030 a RAEM irá desembolsar 54,8 milhões de patacas.

A Linha Leste do Metro Ligeiro terá um traçado de cerca de 7,7 quilómetros de comprimento, seis estações e fará a ligação às Portas do Cerco, à Zona A dos Novos Aterros Urbanos, à Zona E dos Novos Aterros Urbanos, bem como à Estação do Terminal Marítimo da Taipa, também servida pela Linha da Taipa. As três primeiras estações serão subterrâneas.

Prata e bronze

A segunda obra com custos mais elevados, mencionada ontem na relação de encargos plurianuais, é a empreitada de concepção e construção de habitação pública no lote A3 da Zona A dos novos aterros.

Os trabalhos foram adjudicados ao consórcio formado pela Companhia de Construção & Engenharia Shing Lung e a AD&C Engenharia e Construções Companhia por 1,1 mil milhões de patacas. Este é o último ano, desde 2022, em que o projecto entra no relatório da DSF, com um custo de 1,5 milhões de patacas. O ano mais “caro” foi 2024, quando o projecto representou um encargo de quase 502 milhões de patacas.

A terceira obra mais cara para os cofres da RAEM enumerada pela DSF diz respeito à empreitada de construção do Edifício de Escritórios para a Administração no Lote Q-1d da ZAPE – Obra de Superestrutura, adjudicada à Top Builders Internacional por 346,4 milhões de patacas, pagos a três anos.

Este ano, o projecto que irá congregar múltiplos serviços públicos, irá custar cerca de 33,7 milhões de patacas, valor que sobe para 201,4 milhões de patacas em 2027. No último ano da empreitada da superestrutura, a RAEM terá de desembolsar quase 111,3 milhões de patacas.

Consignado no mês passado, e com data de conclusão apontada para Julho de 2028, a obra tem como projectista a Luís Sá Machado, Conceição Perry e Isabel Bragança Arquitectos Limitada. Recorde-se que o projecto tem uma área de implantação de cerca de 2.770 metros quadrados, onde será construído um edifício de escritórios para a Administração com 12 pisos de altura e três pisos em cave.

9 Jul 2026

Hengqin | Entrada de veículos de Macau em toda a província no horizonte

As autoridades de Guangdong deram o primeiro passo para possibilitar a circulação em toda a província a veículos de Macau autorizados nas estradas de Hengqin. Esse passo foi a recolha de opiniões. Num primeiro instante, será dada prioridade a residentes que vivam, trabalhem ou tenham negócios na zona de cooperação

Poderá estar para breve a correcção de uma incongruência ao nível das políticas de integração entre a RAEM e a província vizinha de Guangdong em que os veículos com matrícula de Macau autorizados a entrar em Hengqin não podiam conduzir nas estradas de Guangdong, e os autorizados a conduzir em Guangdong não podiam entrar em Hengqin.

Na segunda-feira, o Gabinete para os assuntos da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin do Governo Popular da Província de Guangdong começou a recolher opiniões sobre a possibilidade de os veículos de Macau em Hengqin poderem circular em Guangdong. O período de auscultação irá decorrer até quarta-feira da próxima semana.

Segundo as autoridades provinciais, para solicitar autorização para saírem da Ilha da Montanha para o Interior, os condutores de Macau devem cumprir os mesmos requisitos que lhes permitem conduzir em Hengqin. A saber, são elegíveis residentes que compraram um imóvel ou trabalhem na zona de cooperação, que tenham chegado a Hengqin a através do programa de captação de quadros qualificados.

No entanto, as autoridades de Guangdong sublinharam que será dada prioridade a pedidos submetidos por residentes que vivam, trabalhem e criem negócios na Zona de Cooperação Aprofundada.

Regras do jogo

Cada veículo com matrícula da RAEM pode registar um máximo de dois condutores de Macau, que precisam de ter carta de condução do Interior da China, assim como documentos válidos de migração, para poderem sair de Hengqin e conduzir no resto da província. Quando a medida entrar em vigor e forem entregues pedidos para circular em Hengqin, os requerentes podem logo pedir também a saída da ilha.

Além disso, a validade da licença provisória para entrar em Guangdong precisa de ser igual à do seguro obrigatório, mas o período máximo não pode ultrapassar um ano.

Porém, a permanência dos veículos do lado de lá da fronteira não é ilimitada. A contar do primeiro dia de entrada em Hengqin, os veículos devem regressar a Macau num prazo máximo de seis meses. Se saírem de Hengqin, não podem permanecer em Guangdong mais de 30 dias seguidos, e o número de dias acumulados não pode ultrapassar 180 dias por ano.

Quem violar estas regras de permanência ou conduzir fora de Guangdong, pode ficar entre 1 a 2 anos sem licença.

A polícia de Guangdong incluiu ainda um capítulo sobre responsabilidade legal que pode levar ao cancelamento da licença, sem que possa ser pedida nova licença num espaço de três anos. Estas penalizações aplicam-se a quem use o carro para fazer contrabando, imigração ilegal, ou em caso de fuga após acidente de trânsito.

9 Jul 2026

Concerto | ITZY trazem energia adolescente do Kpop ao Venetian

A banda coreana ITZY vai actuar no Venetian Arena no dia 15 de Agosto, prevendo-se uma corrida aos bilhetes, que serão postos à venda na próxima segunda-feira. O público pode esperar uma performance enérgica, uma grande produção visual em palco e uma celebração da cultura “teen crush”

Atitude e energia, dois dos principais pilares do conceito “teen crush” transversal a muitas das girl bands do pop coreana actual. Estes são os ingredientes que fizeram das ITZI um fenómeno de popularidade. A banda sul-coreana vai actuar no Venetian Arena no próximo dia 15 de Agosto, às 18h, e os bilhetes serão postos à venda na próxima segunda-feira ao meio-dia a preços que variam entre 799 e 1.999 patacas.

O concerto em Macau da banda que Kpop está integrado na sua terceira digressão mundial, a “ITZY 3rd World Tour”, como foi originalmente designada. O conjunto de espectáculos desta tournée promete deslumbrar o público com uma produção cénica totalmente nova, efeitos visuais melhorados e actuações ao vivo electrizantes, tudo o que é preciso para um início de noite memorável para os fãs (os MIDZY).

Desde a estreia em 2019 com “Dalla Dalla”, as ITZY afirmaram-se como um dos principais grupos femininos do K-pop com êxitos como “Wannabe”, “Loco”, “Sneakers” e “Untouchable”, alcançando uma popularidade impossível de ignorar na indústria, não só rebentando tabelas de vendas, como arrebatando prémios musicais e reconhecimento internacional.

Após duas digressões mundiais e o lançamento do mais recente mini-álbum, “Tunnel Vision”, as ITZY chegam a Macau com o estatuto de um dos principais grupos femininos de Kpop.

Rebeldia sem causa

A aparência, atitude e as letras da banda transpiram irreverência e atrevimento, factores que determinam a presença dinâmica em palco de Yeji, Lia, Ryujin, Chaeryeong e Yuna. Estes são os ingredientes que o quinteto usa para apelar ao público mais jovem através do conceito “teen crush”, uma fórmula comercial “desenhada” por produtores para capitalizar no poder de compra dos adolescentes.

Este conceito, muito baseado no aspecto estético, está associado principalmente à “4.ª geração” das bandas de pop coreano que adoptou uma postura agressiva, mas ao mesmo tempo juvenil e muito polida para a beleza. A nova vaga é a réplica à mais tradicional “girl crush”, em que as “artistas” adoptam imagens mais sombrias e maduras.

A “teen crush” usa e abusa de uma variada paleta de cores de alta saturação, acessórios kitsch e elementos de moda de rua, projectando uma imagem de rebeldia juvenil e confiança.

Em termos visuais, esta estética caracteriza-se pela subversão dos uniformes escolares tradicionais e do vestuário desportivo, misturando-os com elementos de inspiração industrial ou punk, tais como botas militares, correntes e tecidos em tons néon.

Em termos musicais, bandas como as ITZI navegam em mares de dance-pop e EDM, com letras que enfatizam o amor-próprio e a independência em detrimento de temas românticos.

8 Jul 2026

Trânsito | Segunda-feira marcada por quatro atropelamentos

As ocorrências na tarde de chuva fizeram com que três peões e um condutor tivessem de receber assistência médica. Pelo menos dois dos atropelamentos aconteceram em duas passadeiras

A tarde de segunda-feira ficou marcada por quatro atropelamentos, dois dos quais em passadeiras, de acordo com a informação divulgada pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). Estes são os mais recentes episódios deste género, num ano que já ficou marcado pela morte de uma criança que atravessava numa passadeira.

Segundo o CPSP, citado pelo canal chinês da Rádio Macau, um dos quatro atropelamentos aconteceu na Avenida do Almirante Magalhães Correia, na Areia Preta, junto ao Centro Industrial Keck Seng. Neste acidente, o condutor, de 40 anos, terá desrespeitado um semáforo vermelho e atingido um transeunte.

A vítima terá precisado de receber assistência hospitalar, ao contrário do condutor. O homem acabou multado no local por não respeitar o sinal vermelho, sendo que o teste do álcool acusou negativo.

Registaram-se ainda outros dois casos em passadeiras. Uma das ocorrências foi verificada no cruzamento entre a Avenida do Ouvidor Arriaga e a Rua de Silva Mendes, na Península de Macau, quando o condutor não terá cedido a passagem a um peão. O outro atropelamento, também numa passadeira, aconteceu na Taipa, na Estrada do Tiro, perto do hotel Wynn Palace. Estes dois acidentes causaram três feridos que foram levados para o hospital, incluindo um idoso com cerca de 60 anos.

Fora da passadeira

Também na tarde de segunda-feira, registou-se um quarto atropelamento de uma mulher de 80 anos. Neste caso, o acidente teve origem no facto de a idosa ter decidido atravessar a estrada fora da passadeira.

O atropelamento aconteceu perto do Edifício Kam Shau, com a idosa a sofrer uma contusão, o que levou a que fosse hospitalizada. Além dos ferimentos, segundo o canal chinês da Rádio Macau, a mulher foi ainda multada pela polícia por não ter atravessado a rua na passadeira.

Ao contrário de outras ocorrências, nos atropelamentos de segunda-feira não houve vítimas mortais. No entanto, este ano tem ficado marcado por alguns casos mais mediáticos.

A principal ocorrência aconteceu no final de Maio, quando um menino de 10 anos foi atingido por um carro que não parou na passadeira, na Avenida do Conselheiro Borja. O acidente ficou registado em vídeo, e mobilizou a comunidade, levando a várias homenagens no local e pedidos de maior segurança na estrada, até agora sem resultados visíveis.

Também na semana passada, uma idosa de 74 anos morreu, depois de ter sido atropelada no cruzamento entre a rua da Harmonia e a Travessa da Corda. De acordo com a Polícia de Segurança Pública, o acidente ocorreu quando a idosa atravessava a estrada e foi atropelada por um carro ligeiro que saía do cruzamento e fazia uma curva.

8 Jul 2026

Justiça | Três jornalistas do All About Macau vão a tribunal

Três repórteres do jornal ‘online’ All About Macau, entretanto encerrado, vão a julgamento em 16 de Julho e arriscam penas de até três anos de prisão, acusadas de “perturbação do funcionamento” do parlamento local.

De acordo com o portal dos tribunais de Macau na Internet, consultado ontem pela Lusa, a defesa das jornalistas no Tribunal de Primeira Instância está a cargo de Ricardo Carvalho.

O advogado português confirmou ontem à Lusa que aceitou o caso, mas não revelou mais pormenores.

Duas jornalistas do All About Macau foram detidas em 17 de Abril de 2025 pela polícia quando tentavam entrar no salão da Assembleia Legislativa.

As repórteres foram impedidas de assistir à apresentação do programa político na área da Administração e Justiça para 2025, alegadamente por não haver lugares vagos no salão – algo negado pela publicação.

O Ministério Público (MP) acusou as jornalistas de “perturbação do funcionamento de órgãos da Região Administrativa Especial de Macau”, crime que acarreta uma pena máxima de até três anos de prisão.

A Lusa pediu mais informação ao MP, incluindo os fundamentos da acusação contra a terceira jornalista do All About Macau, mas não recebeu qualquer resposta.

Morte anunciada

O jornal ‘online’ e publicação mensal impressa anunciou o encerramento no final de Outubro devido a “pressões crescentes”, falta de recursos e os processos judiciais contra três dos seus jornalistas.

Três meses depois, o Governo anunciou o cancelamento do registo da publicação, sem revelar publicamente as razões.

Na sequência da detenção, a Sociedade de Jornalistas e Profissionais da Comunicação Europeus na Ásia (JOCPA) disse à Lusa que Portugal deveria ter feito “um gesto discreto ou uma expressão de preocupação” face à detenção destas jornalistas.

“Consideramos o silêncio de Portugal preocupante, dados os seus profundos laços históricos e culturais com Macau”, lamentou o presidente da JOCPA, Josep Solano.

“A situação inédita ocorrida é triste e preocupa-nos, pois consideramos que abre um precedente, no mínimo, constrangedor”, reagiu também à Lusa o presidente da Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau.

Em Abril de 2025, José Miguel Encarnação pediu ao MP “ponderação na avaliação dos factos, por forma a que não haja consequências de maior”.

A Associação de Jornalistas de Macau declarou na altura que “lamenta profundamente” a detenção das repórteres, incluindo a presidente da organização, Island Ian Sio Tou.

Em Novembro, Island Ian, antiga chefe de redação do All About Macau, foi impedida por funcionários do Tribunal de Segunda Instância de acompanhar o julgamento do ex-procurador-adjunto Kong Chi por corrupção.

8 Jul 2026

Turismo | DST procura atrair estrangeiros que vão a Guangzhou

O Governo está a negociar com operadores estrangeiros benefícios de transporte para atrair turistas que visitam Guangzhou. Em relação ao projecto de abrir um escritório em Kuala Lumpur, a DST informa que já foi registada a empresa e as instalações estão a ser renovadas

O objectivo de captar turistas estrangeiros está a tomar forma em vários pontos do mundo. A directora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes, indicou que estão em curso negociações com operadores estrangeiros para disponibilizar benefícios de transporte aos visitantes com destino a Guangzhou. O objectivo é incentivar os turistas internacionais que visitam o Interior da China, nomeadamente a capital da província vizinha, a prolongar o seu itinerário até Macau e expandir o mercado de viagens conjuntas.

A iniciativa insere-se na lógica das promoções lançadas para captar turistas que chegam ao aeroporto de Hong Kong, com bilhetes gratuitos de ligação directa do Aeroporto de Hong Kong até Macau, assim como com colaborações com companhias aéreas asiáticas e agências de viagens online para criar pacotes turísticos.

Helena de Senna Fernandes, em resposta a uma interpelação escrita de Song Pek Kei, indicou também que a abertura do escritório em Kuala Lumpur está a decorrer sem sobressaltos. “Actualmente, o Governo da RAEM já iniciou os trabalhos de implementação, avançando em simultâneo com o registo da empresa e a renovação das instalações de escritório.”

Esta entidade será detida totalmente por capitais públicos, mas terá um “registo comercial local sob a forma de sociedade privada limitada”.

Recorde-se que a abertura de uma representação na capital da Malásia foi uma promessa deixada na apresentação das Linhas de Acção Governativa para tratar de assuntos de economia, comércio, turismo e cultura, nomeadamente promovendo a marca turística Macau.

Pelos céus

Em relação ao Aeroporto de Macau, a líder da DST refere que a estratégia passa por reforçar a rede de rotas aéreas regionais centrada no Interior da China, no Sudeste Asiático e no Nordeste Asiático, e criar rotas de ligação à RAEM.

Desta forma, segundo Helena de Senna Fernandes, entende que será possível satisfazer as necessidades de deslocações de longa distância dos residentes de Macau, mas também facilitar a chegada de turistas internacionais a Macau através da rede de conexões aéreas.

Neste contexto, a responsável acrescenta que a Air Macau está a trabalhar, através da rede internacional da sua empresa-mãe, a Air China, no estabelecimento de Pequim e Chengdu como dois importantes hubs de ligação nacional. A ideia é criar voos interligados com “bagagem despachada até ao destino final e bilhete único”, de forma a ampliar “o alcance externo do mercado turístico de Macau”.

8 Jul 2026

Função Pública | Song Pek Kei pede alívio da pressão

A legisladora ligada à comunidade de Fujian considera que os funcionários públicos estão cada vez mais carregados com trabalho, pelo que pede ao Governo maior reconhecimento da situação actual, através de novos apoios

A deputada Song Pek Kei defende que o Executivo deve aliviar a carga de trabalhos dos funcionários públicos e atribuir mais subsídios, principalmente aos reformados. A posição da legisladora ligada à comunidade de Fujian consta de uma interpelação escrita.

Segundo a deputada, a Administração está a atribuir aos seus trabalhadores cada vez mais tarefas administrativas e uma carga horária mais pesada. Por isso, Song Pek Kei entende que o Governo de Sam Hou Fai precisa de mostrar que valoriza os funcionários, com medidas para “aliviar a pressão” do quotidiano e “cuidar” do pessoal.

A membro da Assembleia Legislativa pede assim a adopção de medidas para responder à situação do quadro de trabalhadores, e afirma que o sistema actual está a resultar numa rotatividade dos quadros, dado que há cada vez mais pessoas a optar por deixar a função pública.

Song Pek Kei fez também um balanço negativo das medidas para simplificar as carreiras da administração pública. Segundo a deputada, vive-se uma contradição, porque muitos dos funcionários que fazem trabalho de atendimento aos balcões acabam por ter de fazer cada vez mais trabalho administrativo.

Enquanto a simplificação foi apresentada no passado como uma forma de especializar cada vez mais os trabalhadores, Song aponta que na prática há cada vez mais funcionários a terem de realizar tarefas com naturezas muito diferentes das previstas na carreira.

 

Pecado original

A legisladora considera assim que a “intenção original da reforma” administrativa não está a ser cumprida, o que tem um impacto directo na “eficiência dos trabalhos”, tidos como menos eficientes.

Ao mesmo tempo, Song Pek Kei pediu ao Governo para alterar o sistema de mobilidade interna. A deputada recorreu a dados oficiais para indicar que desde a entrada em vigor do sistema actual, em Março de 2023, e o final de Fevereiro deste ano, foram transferidas 353 pessoas em 59 serviços. Este número foi considerado insuficiente e uma prova de que as necessidades actuais não estão a ter resposta.

No entanto, a deputada também reconheceu que o Executivo tem planos para fazer uma nova revisão legislativa nesta área. Por isso, questionou o andamento dos trabalhos: “Qual é o estado actual da revisão por parte das autoridades, especialmente no que diz respeito à transferência de pessoal. Vai haver um reforço da comunicação interdepartamental para promover um ambiente de trabalho mais positivo para os funcionários públicos?”, perguntou.

A legisladora recordou também que o Executivo fez a promessa de manter o regime de previdência dos trabalhadores dos serviços públicos, pelo que pede um aprofundamento dos apoios existentes. “Por exemplo, o Executivo vai permitir que os trabalhadores abrangidos pelo regime de previdência e com determinados anos de serviço tenham acesso a um subsídio para habitação durante a reforma?”, questionou.

8 Jul 2026

Bienal de Curitiba | Governo enaltece estreia de Macau como “ponte crucial”

A participação de Macau pela primeira vez na Bienal Internacional de Curitiba materializa a visão do Governo no posicionamento da RAEM no “importante circuito de bienais latino-americanas”. O pavilhão de Macau apresenta a mostra “Matéria, Corpo e Linguagem”, patente na capital Paraná até 15 de Novembro

A presença inaugural de Macau na 16.ª Bienal Internacional de Curitiba representa o culminar da “visão do Governo da RAEM de posicionar Macau como uma ‘importante ponte crucial, a nível nacional, para uma abertura de alto padrão’ e ‘uma janela importante para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental’. Foi desta forma que o Governo, através do Instituto Cultural (IC), mencionou a estreia de Macau, através da exposição “Matéria, Corpo e Linguagem” circuito de bienais latino-americanas.

A mostra, inaugurada no passado dia 14 de Junho, pode ser vista, até 15 de Novembro, no Museu Oscar Niemeyer na capital do estado brasileiro do Paraná.

A participação de Macau insere-se também nas “comemorações do Ano da Cultura China-Brasil 2026, evidenciando o papel vital e a vantagem única de Macau enquanto plataforma de intercâmbio cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. O IC refere também que a participação de Macau é “uma demonstração prática do seu posicionamento como uma base de intercâmbio e cooperação para a promoção da coexistência multicultural, com predominância da cultura chinesa”.

Matéria e espírito

Com curadoria geral de Adriana Almada e Tereza de Arruda, sob o tema “LIMIARES”, a Bienal aborda as fronteiras contemporâneas entre o humano e a tecnologia. Em co-curadoria, o Museu de Arte de Macau (MAM), apresenta a exposição “Matéria, Corpo e Linguagem” que reúne três obras encomendadas aos artistas Peng Yun, Bianca Lei (Macau) e Gao Fuyan (Interior da China). Estas peças, anteriormente patentes em “Estou Aqui – Helena Almeida: Presença e Ressonância” (2026) e na mostra principal da “Arte Macau – Bienal Internacional de Arte de Macau” (2025), são agora reenquadradas à luz do tema “LIMIARES”, explorando as condições existenciais do corpo, da linguagem e da matéria face ao avanço tecnológico. Segundo o IC, “Matéria, Corpo e Linguagem” evoca um espírito de introspecção e convida à “reflexão humanística”.

O Conselheiro Cultural da Embaixada da China no Brasil, Zhang Zhiyun, visitou o Pavilhão de Macau e elogiou o trabalho de Macau no estabelecimento de “intercâmbios culturais com a América Latina, reflectindo o compromisso estratégico do governo central em integrar Macau no desenvolvimento nacional”.

A Bienal Internacional de Curitiba, um dos maiores eventos de arte contemporânea da América Latina, realiza-se desde 1993.

A edição deste ano reúne mais de 300 artistas de 38 países em diversos espaços da cidade. Em celebração do “Ano da Cultura China-Brasil 2026”, a Bienal reforçou a cooperação com instituições chinesas, estabelecendo parcerias com o Grupo de Artes e Entretenimento da China e com o IC para a criação dos Pavilhões da China e de Macau.

7 Jul 2026

Saúde | Um quarto dos doentes com sintomas respiratórios tem covid-19

Um quarto das consultas médicas devido a sintomas respiratórios revelam infecções de covid-19, taxa que o director dos Serviços de Saúde considera “relativamente elevada”. Alvis Lo recomenda o uso de máscaras em locais públicos e vacinação a pessoas com sistemas imunológicos debilitados

Cerca de 25 por cento pessoas que vão a consultas médicas em Macau devido a sintomas de respiratórios estão infectadas com covid-19, revelou o director dos Serviços de Saúde, enquanto 15 por cento testam positivo ao vírus da gripe, proporção que está próxima do limite de alerta.

Em declarações prestadas no domingo, citadas pelo jornal Ou Mun, Alvis Lo aconselhou os residentes a prestarem atenção à higiene pessoal e ambiental, e a procurar assistência médica em caso de febre ou sintomas respiratórios, para evitar a propagação do vírus. Nesse sentido, o responsável recomenda o uso de máscaras em locais públicos, assim como manter hábitos que favoreçam o descanso e a vida saudável.

Além disso, apesar de não estarmos na época de vacinação para doenças respiratórias, Alvis Lo recordou que as vacinas para a covid-19 estão disponíveis e são aconselháveis para idosos, crianças e pessoas com sistemas imunológicos enfraquecidos.

Os Serviços de Saúde revelaram ontem dois casos colectivos de covid-19, um deles no Centro de Serviços Integrados para Idosos do Exército de Salvação, na Rua da Doca Seca, com 11 utentes a testarem positivo. O outro caso verificou-se na Creche Fai Chi Kei da Cáritas, na Travessa de Fai Chi Kei, onde foram identificadas três crianças infectadas. Em nenhum dos casos houve registo de casos graves ou outras complicações e os doentes apresentam condições clínicas estáveis.

Saúde nos bairros

Em relação à prevenção de doenças crónicas, Alvis Lo acrescentou que na primeira metade deste ano quase 100 mil pessoas receberam assistência nos diversos postos de saúde e consulta médica espalhados pelos bairros residenciais do território.

Os exames de medição de pressão arterial e níveis de glicemia identificaram mais de 1.900 novos doentes com hipertensão e mais de 300 novos doentes com diabetes. Face a estes resultados, o director dos Serviços de Saúde apelou à população com mais de 18 anos a verificar a pressão arterial pelo menos uma vez por ano, enquanto as pessoas com mais de 40 anos devem verificar a glicemia e lípidos no sangue, pelo menos, de três em três anos. O objectivo é detectar doenças crónicas precocemente.

7 Jul 2026

Defesa | China e Rússia iniciam exercícios conjuntos no mar Amarelo e no Pacífico

A China e a Rússia iniciaram ontem exercícios navais conjuntos em Qingdao (nordeste chinês), que decorrerão até 13 de Julho no mar Amarelo e no Pacífico, anunciaram a agência Xinhua e o ministério da Defesa russo.

Segundo a Xinhua, os dois países estabeleceram um comando conjunto, integrado por elementos das marinhas chinesa e russa, e os exercícios, designados Interacção Marítima 2026, decorrem em três fases: concentração de forças, planeamento em porto e operações no mar.

A fase de concentração terminou no domingo e, após a cerimónia de abertura, as duas marinhas realizaram exercícios de coordenação táctica e de comando, acrescentou a agência oficial.

O comando conjunto definiu ainda os principais objectivos da fase marítima, durante a qual os navios participantes vão operar em águas próximas de Qingdao para realizar exercícios de reconhecimento conjunto, defesa aérea e antimíssil, bem como treinos com recurso a fogo real.

O ministério da Defesa russo indicou anteriormente, através da rede social Telegram, que um destacamento da Frota russa do Pacífico chegou a Qingdao com o cruzador Variag, a corveta Rezkiy, o submarino Ufa e o navio de salvamento Igor Belousov.

Do lado chinês participam os contratorpedeiros Anshan e Kaifeng, a fragata Wuhu, um submarino diesel-eléctrico da classe Yuan, o navio de reabastecimento Kekexilihu e o navio de salvamento Yangchenghu, segundo a mesma fonte.

As manobras incluem operações conjuntas de busca e salvamento, guerra antissubmarina, defesa aérea, exercícios de artilharia, além da participação de fuzileiros navais dos dois países e apoio da aviação naval.

 

Plano de cooperação

O ministério da Defesa chinês anunciou no domingo que as marinhas da China e da Rússia realizariam este mês exercícios em águas e espaço aéreo chineses, seguidos de uma operação de “patrulhamento marítimo conjunto” em “áreas relevantes” do Pacífico.

Pequim indicou então que as manobras fazem parte do plano anual de cooperação entre as Forças Armadas dos dois países e visam “responder conjuntamente aos desafios de segurança” e “proteger a paz e a estabilidade regionais”.

Os exercícios decorrem numa altura de intensa actividade militar chinesa no Pacífico Ocidental, depois de a marinha do Exército de Libertação Popular ter lançado ontem um míssil estratégico, equipado com uma ogiva simulada, a partir de um submarino nuclear para águas do Pacífico (ver texto secundário).

A China e a Rússia realizam exercícios militares conjuntos de forma regular desde que, no início de 2022, pouco antes da invasão russa da Ucrânia, anunciaram uma parceria estratégica reforçada, entretanto aprofundada através de manobras conjuntas, patrulhas aéreas e contactos frequentes entre os comandos militares.

7 Jul 2026

Subemprego | Associação alerta para falta de confiança das empresas

A Associação dos Recursos Humanos de Macau considera que a subida da taxa de subemprego é um sinal sobre o estado da economia e afirma que esta tendência aumenta a pressão económica sobre os residentes

A Associação dos Recursos Humanos de Macau considera que o aumento da taxa de subemprego reflecte a falta de confiança das empresas na economia, que estão a optar por trabalhadores a tempo parcial. O subemprego verifica-se quando um empregado trabalha menos horas pagas do que aquelas que desejava, como acontece, por exemplo, em situações de layoff ou de emprego parcial.

Ao jornal Ou Mun, o presidente da associação, Choi Chin Man, explicou que a subida da taxa de subemprego para 2,4 por cento resulta do ambiente económico actual que faz com que as empresas evitem os vínculos laborais a tempo inteiro e prefiram os contratos a tempo parcial.

Choi indicou também que o facto de haver mais pessoas disponíveis para realizarem vários trabalhos em regime de part-time não reflecte uma preferência, mas antes a falta de alternativas.

No entanto, a Associação dos Recursos Humanos de Macau alerta para os efeitos nocivos desta tendência. Segundo o responsável, o facto de estes trabalhadores não gozarem da totalidade da protecção laboral prevista na lei faz com que sintam uma pressão económica e familiar maior.

O dirigente associativo apontou também que este tipo de fenómeno muitas vezes não vem reflectido nas estatísticas oficiais, o que faz com que seja um problema “oculto”.

Ainda sobre o mercado de trabalho a tempo parcial, Choi alertou para a “forte sazonalidade”, o que faz com que as necessidades dessa mão-de-obra variem ao longo do ano, havendo alturas em que até garantir um trabalho deste género é difícil.

Concessionárias douradas

Sobre o mercado de trabalho, a Associação dos Recursos Humanos de Macau indicou que actualmente apenas as concessionárias de jogo estão a contratar trabalhadores de forma regular.

Em relação aos negócios nas zonas comunitárias e nas zonas antigas, Choi Chin Man explicou que os incentivos ao consumo do Governo, através do sorteio de cupões de desconto, apenas aliviaram alguma pressão, mas não resolvem as dificuldades operacionais. E como não se espera uma alteração desta tendência, Choi indicou que mesmo que na segunda metade do ano se verifique uma redução da taxa de subemprego não é de esperar que estes problemas fiquem resolvidos.

Apesar dos problemas, Choi Chin Man elogiou a cooperação entre o Executivo e as concessionárias de jogo, que adoptaram o modelo: “contratar, primeiro, formar depois”. Para o dirigente da associação esta iniciativa está a apresentar resultados, pelo que deixou o desejo de que seja estendida a outros sectores, como empresas estatais, bancos, instituições de interesse público e de ensino superior.

7 Jul 2026

Metro Ligeiro | Leong Hong Sai quer comercialização mais efectiva

O deputado dos Moradores defende que o metro precisa de gerar mais receitas, para reduzir o subsídio público, que actualmente é de 600 milhões de patacas. Leong quer ainda saber se vai haver um novo centro intermodal do terreno do Jockey Club

O deputado Leong Hong Sai defende a necessidade de o Metro Ligeiro adoptar uma estratégia comercial mais agressiva, com a exploração de mais espaços comerciais. A opinião surge numa interpelação escrita do legislador ligado à Associação dos Moradores de Macau.

No documento, Leong afirma que “desde o início da sua operação, o metro ligeiro de Macau tem enfrentado dificuldades operacionais”, como um “reduzido volume de passageiros, elevados custos operacionais e forte dependência de apoio financeiro público”.

A situação até melhorou com a “entrada em funcionamento da Linha de Hengqin”, em Dezembro de 2024, com as receitas “de bilheteira, arrendamentos e parques de estacionamento” a ultrapassarem pela primeira vez os 50 milhões de patacas.

No entanto, Leong Hong Sai considera preocupante que o metro ainda precise de “mais de 600 milhões de patacas” de subsídios do Governo, o que representa “87 por cento” das receitas totais deste meio de transporte. “Embora a sociedade compreenda que o metro ligeiro é uma ‘infra-estrutura de política pública’ e não um ‘negócio que deve ser financeiramente auto-sustentável’, é necessário ‘reduzir o subsídio e aumentar os benefícios marginais’”, explicou. “Por conseguinte, o desenvolvimento de componentes comerciais associados ao metro ligeiro é indispensável”, acrescentou.

Neste sentido, o membro dos Moradores quer saber se as autoridades “vão ponderar cooperar com as empresas” para “aumentar os espaços publicitários de grande dimensão nas áreas de espera do metro ligeiro e no interior das carruagens”.

 

Na linha dos concertos

Em termos de oportunidades comerciais, Leong reconhece que a utilização do Metro Ligeiro beneficia com a realização vários concertos no território, pelo que procura saber se as autoridades têm uma estratégia para explorar comercialmente esse fenómeno. “Em resposta à economia dos concertos, [as autoridades] vão promover o desenvolvimento integrado das zonas envolventes e estender os espaços de desenvolvimento comercial até ao metro ligeiro?”, pergunta.

Na interpelação, o deputado aborda também a futura ligação a Hengqin feita através da estação do Jockey Club. Leong Hong Sai defende a construção de um novo centro modal. “As autoridades vão, com base na análise do fluxo de passageiros, ponderar incrementar elementos comerciais na estação de Hengqin e aproveitar o terreno não utilizado do antigo Jockey Club para planear a construção de um grande centro modal de transportes?”, interroga.

7 Jul 2026

Negócios | Consulta pública sobre licenciamento até 19 de Agosto

Segundo a proposta do Governo, vai ser criado um novo sistema de licenciamento de negócios ou de actividades como venda de rifas, produção e filmagens de cinema. O objectivo passa por adaptar o regime às exigências actuais e tornar os pedidos mais rápidos

Arrancou ontem, e prolonga-se até 19 de Agosto, a consulta pública sobre a futura lei que vai definir as condições para a realização de actividades e exploração de negócios, como concertos, filmagens, cabeleireiros, saunas ou oficinas. Na apresentação da consulta sobre o “regime para a regulação de determinadas actividades e eventos”, o Executivo apresentou como objectivos do diploma “aumentar a eficiência da coordenação interdepartamental” e “criar um ambiente de negócios e uma ordem de mercado ‘justos, transparentes e previsíveis’.”

Segundo o regime actual, criado em 1998, o controlo actual é feito através de dois sistemas: a notificação e a licença. No caso da notificação, que o Governo entende como uma autorização, o interessado pode começar a actividade, mesmo quando as autoridades competentes ainda não se pronunciaram. Em relação ao processo de licença, o negócio do interessado apenas pode ser iniciado depois de obter a autorização das entidades competentes.

Todavia, ontem, Ng Chi Kin, director substituto dos Serviços de Assuntos de Justiça, afirmou que o modelo actual está desactualizado, que a divisão de funções entre os diferentes serviços não permite uma resposta em tempo útil e que os moldes actuais não permitem a simplificação, digitalização e aumento da eficiência dos procedimentos.

Novo modelo

A proposta visa criar um sistema alternativo, de acordo com o grau de risco percepcionado pelo Executivo. Neste enquadramento, há actividades que deixam de exigir qualquer tipo de procedimento, além do cumprimento das exigências gerais relacionadas com aspectos como a segurança contra incêndios, ruído ou a gestão de espaços públicos. Vai ser a situação aplicável aos espectáculos de danças tradicionais ou ópera chinesa sem fins lucrativos, recolha de fundos, espectáculos de organismos públicos, bazares e feiras, barbearias e cabeleireiros, salas de bowling ou saunas sem serviços de massagem, entre outros.

Ao mesmo tempo, vai ser criado um sistema de registo. Segundo estes moldes, a exploração do negócio só pode ser iniciada depois de a Administração confirmar que recebeu o pedido e todos os documentos necessários, embora este seja um procedimento apresentado como praticamente automático. O registo vai ser obrigatório para marchas de caridade, salões de beleza, lavandarias, ginásios, sorteios, salas de bilhar e oficinas de reparação e manutenção de veículos motorizados sem actividades como pinturas por pulverização, soldadora ou montagem e desmontagem de baterias de lítio.

No que diz respeito às actividades ou eventos com “elevado risco para a segurança pública, a ordem do mercado, a ordem pública, os bons costumes”, optou-se por manter o sistema de notificação ou licença. Este regime vai aplicar-se a qualquer produção e realização de filmes em Macau, o que significa que abrange mais filmes do que no passado, cinemas, teatros, espectáculos públicos, massagens, karaokes, comércio de materiais pornográficos, cibercafés, entre outros.

7 Jul 2026

Exames nacionais de Portugal com atrasos e novas datas

A avaliação dos exames nacionais em Portugal passou a ser realizada electronicamente. Porém, a inovação trouxe dificuldades aos professores no acesso a provas e critérios de correcção

Os erros técnicos na avaliação dos exames nacionais em Portugal levaram o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) a adiar o lançamento das notas e a 2ª fase das provas. O anúncio sobre as novas data, que vão ter impacto nos alunos e corpo docente da Escola Portuguesa de Macau foi feito na sexta-feira, através de um comunicado.

Este ano, pela primeira vez, mais de 300 mil exames nacionais dos alunos do 11º e 12º anos foram digitalizados, para depois serem distribuídos pelos professores para avaliação. Contudo, o procedimento tem encontrado vários problemas, com docentes, sindicatos e associações a revelarem situações como falta de folhas de respostas dos alunos ou falhas no portal que impediram o acesso aos itens de avaliação.

Estes problemas obrigaram o MECI a reagir: “As dificuldades informáticas no processo de classificação electrónica dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário pressionaram o cumprimento do calendário inicialmente previsto”, foi reconhecido. “Embora seja tecnicamente ainda possível assegurar o cumprimento dos prazos para a entrega das classificações, a 10 de Julho, e para a afixação das pautas, a 14 de Julho, o MECI entende que devem ser igualmente ponderadas as condições de trabalho dos professores classificadores, garantindo sempre o rigor e a qualidade do processo de classificação, dimensões das quais o MECI não abdica”, foi acrescentado.

Como resultado, as avaliações passam a decorrer até 14 de Julho, em vez de 10, e as pautas vão ser afixadas a 17 de Julho, em vez de 14 de Julho. A 2ª fase dos Exames Finais Nacionais foi adiada para o período entre 20 e 24 de Julho, quando estava previsto que decorresse entre 20 e 22 de Julho.

Mais problemas à vista

Face às alterações, em declarações ao Canal Macau, Filipe Figueiredo, presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Portuguesa de Macau (APEP), reagiu com “espanto”, porque afirmou que anteriormente o ministro da Educação de Portugal tinha dito que “estava tudo a correr lindamente”. “Isto só nota que isto foi mal feito. Em primeiro lugar, nunca foi ponderado o interesse dos alunos nem das famílias, porque isto não traz vantagens para ninguém, causa mais mal-estar, mais ansiedade e agora resta saber o que vai acontecer quando saírem as notas”, apontou.

Segundo Filipe Figueiredo, os problemas vão agravar-se quando forem divulgadas as notas: “As notícias são bastante assustadoras. Conheço professores que estão a corrigir exames e que dizem que o sistema está em baixo e que não apresenta informações fidedignas”, revelou.

No entanto, até sexta-feira, dia do comunicado, Filipe Figueiredo ainda não tinha recebido qualquer queixa, embora admitisse que entre a comunidade escolar a confiança nos resultados da primeira fase dos exames é “nula”.

6 Jul 2026

Jogo | Dependência económica traz “riscos estruturais” para a China

Um dos principais riscos enumerados pelos académicos do Instituto de Economia da Universidade de Jinan é a movimentação de fluxos de capital do Interior da China para o exterior, através de Macau

Dois académicos chineses alertaram, com base num estudo que fizeram, que a dependência de Macau do jogo trouxe ganhos económicos consideráveis ao território, mas representa “riscos estruturais” para a estabilidade financeira da cidade e da China continental.

Os investigadores Zhong Yun e Hu Zhouqin, do Instituto de Economia da Universidade de Jinan, acompanharam a evolução do sector desde a abertura das concessões em 2002 até ao presente, avaliando o seu papel na estratégia governamental de “diversificação económica adequada”.

O estudo, publicado na revista académica “Estudos na Área do Jogo e do Turismo Mundial” da Universidade Politécnica de Macau, conclui que, embora o jogo e o turismo tenham desempenhado um papel decisivo no crescimento económico, na acumulação fiscal e no desenvolvimento urbano, também geraram potenciais ameaças à segurança financeira nacional, sobretudo devido aos fluxos transfronteiriços de capitais.

Segundo a investigação, a indústria funcionou como motor de crescimento de Macau desde 2002, impulsionando a chegada de visitantes e apoiando a expansão de hotéis, restauração, comércio e serviços turísticos.

As receitas brutas do jogo subiram de cerca de 23,5 mil milhões de patacas em 2002 para 361,8 mil milhões de patacas em 2013, com o valor acrescentado do jogo a representar entre 45 por cento e 60 por cento do PIB durante muitos anos.

Entre 2010 e 2019, os impostos do jogo representaram entre 70 por cento e 80 por cento das receitas públicas, atingindo 88,12 mil milhões de patacas em 2024.

Mais de 80 mil trabalhadores

O emprego no sector passou de cerca de 23.500 trabalhadores em 2002 para 82.900 em 2025, com o total da população activa a subir de 204.000 para 388.000.

No entanto, os académicos alertam para a “dominância esmagadora de uma única indústria”, que deixou a economia vulnerável.

Os investigadores apontaram que o sector hoteleiro aumentou a sua quota no PIB de 1,6 por cento em 2003 para 5,9 por cento em 2024, mas as infra-estruturas não ligadas ao jogo funcionam sobretudo como complemento ao negócio central dos casinos.

A pandemia expôs essa fragilidade: o PIB caiu de 444,1 mil milhões de patacas em 2019 para 202,0 mil milhões em 2020.

“Formou-se uma profunda dependência em termos de receitas fiscais, estrutura laboral e ecossistema industrial”, afirmaram os autores.

Em 2025, os trabalhadores de casino recebiam salários médios de 28.020 patacas, acima da mediana, desincentivando a mobilidade para outros sectores. Segundo o documento, esta estrutura laboral cria um bloqueio de talento que limita o desenvolvimento de indústrias emergentes como tecnologia, finanças e saúde.

Segurança financeira

Mais crítico, os investigadores alertaram que a dependência do jogo ameaça à segurança financeira da China, considerando que a natureza intensiva em numerário das actividades de jogo pode ser “explorada para branqueamento de capitais”, pois os residentes do continente recorrem a “bancos clandestinos e canais ilegais para transferir fundos”, contornando os controlos cambiais.

Ao mesmo tempo, os académicos alertaram que as perdas de empresas ou gestores em apostas podem desencadear falências, afectando cadeias industriais e sistemas sociais.

O estudo sublinha que Macau depende fortemente de visitantes da China continental, que representam mais de 70 por cento dos turistas, tornando a estabilidade económica do território estreitamente ligada às políticas e condições do continente.

O estudo reconhece que a atractividade turística de Macau está a diversificar-se com património cultural, eventos internacionais, desporto e lazer, mas adverte que “o jogo continuará a ser a principal fonte de receitas no curto e médio prazo”.

6 Jul 2026