Hoje Macau China / Ásia MancheteCuba | Pequim condena medidas dos EUA contra abastecimento energético Donald Trump lançou mais um ataque contra a ilha ameaçando impor ou aumentar tarifas a países que forneçam petróleo a Cuba, país que já sofre há anos com o embargo norte-americano A China expressou sexta-feira o seu apoio a Cuba e condenou as medidas adoptadas pelos Estados Unidos contra o fornecimento de petróleo à ilha, considerando que priva a sua população do direito ao desenvolvimento. O portavoz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou em conferência de imprensa que Pequim “apoia firmemente Cuba na salvaguarda da sua soberania e segurança nacionais” e se opõe à “ingerência externa” e a “práticas inumanas que privam o povo cubano do direito à sobrevivência e ao desenvolvimento”. As declarações de Pequim surgem após o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter assinado uma ordem executiva que permite impor tarifas a países que vendam ou forneçam petróleo a Cuba, enquadrando a situação em Havana como uma “ameaça extraordinária” para a segurança nacional e política externa dos Estados Unidos. A ordem confere aos departamentos do Comércio e de Estado dos EUA poderes para determinar que países podem ser alvo de taxas alfandegárias, num contexto em que Washington apontou China, Rússia e Irão entre os actores com ligações energéticas a Cuba. Pequim evitou comentar eventuais impactos concretos destas medidas nas relações comerciais com os Estados Unidos, mas reiterou o seu veto às sanções unilaterais e a qualquer política de pressão que, na sua perspectiva, agrave a situação humanitária na ilha. Derrubar barreiras A China tem defendido de forma reiterada o levantamento do embargo económico dos EUA a Cuba e criticado o uso de sanções como instrumento de política externa, instando Washington a pôr fim às barreiras que, segundo Pequim, impedem o desenvolvimento do povo cubano e minam a paz e a estabilidade regional. Nos últimos anos, os dois países têm mantido cooperação em áreas como assistência financeira e fornecimento de bens essenciais, e, segundo analistas, Cuba revendia parte do petróleo subvencionado que recebia da Venezuela, ajuda energeticamente essencial para o funcionamento da ilha, situação que se complicou após a intervenção dos EUA na Venezuela em Janeiro.
Hoje Macau Manchete SociedadeDSEC | Desemprego a crescer após fecho de ‘casinos-satélite’ A construção foi a área onde o desemprego mais cresceu, ao contrário do sector do jogo, onde se contrataram mais pessoas, apesar do encerramento dos casinos. As concessionárias prometeram manter os trabalhadores residentes dos espaços encerrados A taxa de desemprego em Macau aumentou, pela primeira vez em seis meses, para 1,8 por cento, entre Outubro e Dezembro, foi sexta-feira anunciado, após o encerramento de dez ‘casinos-satélite’. De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o indicador subiu 0,1 pontos percentuais em comparação com o período entre Setembro e Novembro, com o número de desempregados a crescer em cerca de 100, para 6.800. Ainda assim, a taxa representa menos de metade do registado no terceiro trimestre de 2022 (4 por cento), o valor mais alto desde 2006, numa altura em que Macau vivia em plena crise económica causada pela pandemia de covid-19. A recuperação motivada pelo fim da política ‘zero covid’, que esteve em vigor em Macau e na China continental durante quase mais de três anos, levou o desemprego a cair para 1,6 por cento entre Novembro de 2024 e Janeiro de 2025, um mínimo histórico desde que a DSEC começou a recolher dados sobre o desemprego em Macau, em 1992, ainda antes da transição de administração do território, de Portugal para a China. O principal responsável pelo aumento do desemprego foi o sector da construção, que despediu cerca de 2.300 pessoas. Pelo contrário, a mão-de-obra nos casinos – o maior empregador privado de Macau – aumentou em cerca de 900, apesar do encerramento até ao final de 2025 de dez ‘casinos-satélite’, onde trabalhavam cerca de 5.600 residentes. Os ‘casinos-satélite’, sob a alçada das concessionárias, são geridos por outras empresas, sendo uma herança da administração portuguesa e que já existia antes da liberalização do jogo no território, em 2002. Os dias do fim Quando a legislação que regula os casinos foi alterada, em 2022, estabeleceu-se o final de 2025 como data limite para terminar a actividade destes espaços de jogo. Macau é a capital mundial do jogo e o único local na China onde o jogo em casino é legal. Operam na região seis concessionárias de casinos, cujo contrato de concessão, válido por 10 anos, entrou em vigor em 1 de Janeiro de 2023. As três concessionárias que tinham a tutela dos ‘casinos-satélite’ prometeram garantir, em outros espaços de jogo, o emprego dos funcionários com estatuto de residente em Macau e directamente contratados pelas empresas. Já os outros trabalhadores locais, foram “convidados a candidatarem-se a vagas relacionadas” dentro do grupo, “com prioridade para contratação” e com condições iguais às que tinham, referiu uma das operadoras, a SJM, fundada pelo falecido magnata Stanley Ho (1921-2020). A reguladora dos casinos, a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos prometeu cooperar com a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais para assegurar o cumprimento das garantias dadas pelas concessionárias, nomeadamente “a recolocação de todos os referidos trabalhadores”.
João Santos Filipe Manchete SociedadeMBC Show! | CQ acusa parceiras de desvio de fundos e falhas contratuais Apesar das acusações da empresa de Macau CQ, não é dado como certo que o caso avance para os tribunais. A CQ recusou que o cancelamento do Festival MBC Show! Music Core in Macau tenha acontecido devido a “circunstâncias locais”, mas ignorou as acusações de que as autoridades de Macau estão a negar vistos de trabalho para artistas japoneses Após o cancelamento do festival MBC Show! Music Core in Macau, o organizador local veio a terreiro recusar que o cancelamento se justifique com “circunstâncias locais”. A Companhia de Entretenimento e Comunicação Cultural (Macau) CQ acusa as parceiras coreanas de se apropriarem de fundos e violarem os contratos para o espectáculo. Contudo, a empresa local ignora totalmente a questão de as autoridades de Macau estarem a recusar vistos de trabalho aos artistas japoneses. O festival com grupos de pop coreano estava originalmente agendado para os dias 7 e 8 de Fevereiro, no Local de Espectáculos ao Ar Livre. Contudo, nas últimas semanas, sugiram várias notícias nos meios de comunicação da Coreia do Sul a indicar que o evento estava em risco, porque as autoridades de Macau não estão a autorizar a entrada para fins profissionais de artistas japoneses. No entanto, a empresa CQ (Macau) veio agora negar que o cancelamento se tenha ficado a dever a “circunstâncias locais”. A CQ acusa antes as empresas coreanas NCh Entertainment e Storypeak de violarem os contratos assinados. “No comunicado a anunciar o cancelamento, a MBC afirmou que a causa era atribuível a ‘circunstâncias locais’. A este respeito, temos de emitir um esclarecimento com base nos factos: esta afirmação é totalmente inconsistente com a realidade”, começar por posicionar-se a empresa local. “A razão fundamental para o cancelamento é que os direitos do espectáculo foram concedidos a organizadores coreanos sem capacidade para cumprir as suas obrigações contratuais, nomeadamente a ‘nCH Entertainment’ e a ‘STORYPEAK’”, foi acrescentado. A empresa que tem como administradores Ng Sao In e Mui Chong Lam vai mais longe e indica que “a nCH Entertainment cometeu repetidamente graves violações do contrato e desviou fundos, enquanto a STORYPEAK ocultou informações relativas ao financiamento e ao andamento do projecto e induziu fraudulentamente certos parceiros a adiantar pagamentos em seu nome”. A CQ indica que o desvio dos fundos congelou toda a logística do evento, que impediu que este fosse realizado nos dias previstos. O HM contactou a empresa nCH Entertainment para obter uma reacção às acusações, mas até ao fecho da edição não recebeu qualquer resposta. Processo? Talvez não Apesar das acusações de desvio de fundos, a CQ não dá como certa a instauração dos procedimentos legais contra as empresas nCH Entertainment e STORYPEAK. “Lamentamos profundamente e estamos insatisfeitos pelo facto de o evento não ter podido ser realizado com sucesso, e apresentamos as nossas sinceras desculpas a todos os fãs, artistas e parceiros que estavam ansiosos por ele”, foi indicado. “Ao mesmo tempo, reservamo-nos o direito de prosseguir a responsabilidade legal contra as partes infractoras pelas perdas decorrentes deste assunto”, foi acrescentado. A confirmação do cancelamento o festival chegou na semana passada, com a empresa MBC a justificar o desfecho com as “condições locais” de Macau, e a indicar que iria procurar organizar o evento no futuro quando se registassem “condições mais estáveis”. A posição da MBC, citada pelos órgãos de comunicação social da Coreia do Sul, também não comentava directamente o bloqueio das autoridades de Macau a artistas japoneses, apesar da informação ter circulado nas semanas anteriores. História repete-se O cancelamento de espectáculos em Macau com artistas japoneses não é novo. E esta também não é a primeira vez que a Companhia de Entretenimento e Comunicação Cultural (Macau) CQ está envolvida. O primeiro cancelamento a envolver a CQ aconteceu em Dezembro do ano passado, quando a empresa anunciou que o concerto em Macau do grupo Hi-Fi Un!corn não seria realizado devido a “circunstâncias imprevisíveis”. Os Hi-Fi Un!corn são um grupo de rock com membros da Coreia do Sul e do Japão. A justificação para a não realização do evento foi a existência de “circunstâncias imprevisíveis”, que foi igualmente utilizada em Xangai, quando o Interior começou a cancelar as actuações dos artistas japoneses. Os cancelamentos na China, com excepção de Hong Kong, surgiram depois de Takaichi Sanae, primeira-Ministra do Japão, ter comentado a possibilidade de uma intervenção japonesa num eventual conflito armado entre o Interior e Taiwan. Em Macau, após estas declarações, foram cancelados os concertos das artistas japonesas Ayumi Hamasaki e Mika Nakashima. Também os grupos Nexz e Hi-Fi Un!corn, que integram artistas com nacionalidade japonesa foram cancelados. No dia 25 de Janeiro, o HM entrou em contacto com Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), os Serviços de Economia, Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Serviços de Alfândega e Instituto Cultural (IC) para obter reacções às informações que circulavam na Coreia do Sul, mas até agora não obteve qualquer resposta. No entanto, anteriormente, o IC recusou ter qualquer ligação com os cancelamentos.
Hoje Macau Manchete PolíticaTrabalho | Consulta pública sobre dias de férias e de licença de maternidade A proposta do Executivo passa por aumentar as férias para 12 dias, de acordo com a antiguidade, face aos 6 actuais, e os dias de licença de maternidade para 90 dias, em comparação com os 70 dias em vigor O Governo propôs um aumento da licença de maternidade, para 90 dias, e das férias anuais, para 12 dias, com o intuito de inverter a taxa de natalidade mais baixa do mundo. Numa conferência de imprensa, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) anunciou o lançamento de uma consulta pública sobre as alterações propostas, com a duração de 45 dias. A iniciativa arrancou no sábado e decorre até 16 de Março. A DSAL propõe estender a licença de maternidade no sector privado de 70 para 90 dias – um valor já aplicado aos funcionários da administração pública – com os custos a serem divididos entre o Governo e os empregadores. Para “aliviar a pressão” sobre os custos das pequenas e médias empresas (PME), o Executivo quer atribuir um subsídio equivalente a até 20 dias da licença de maternidade, mas apenas para as trabalhadoras com estatuto de residente. No final de Novembro, o território tinha mais de 184 mil trabalhadores migrantes, o que representava mais de um terço (37,2 por cento) da população activa. As autoridades querem também aumentar as férias anuais no sector privado, por antiguidade. Há 40 anos que os residentes permanentes de Macau têm direito a apenas seis dias remunerados de descanso anual. Os funcionários públicos têm direito a 22 dias úteis. Trabalhar para gozar O Executivo propõe agora que os trabalhadores tenham direito a mais um dia útil de férias por cada dois anos que passam na mesma empresa, até um máximo de 12 dias úteis por ano. Um dos objectivos das alterações, disse o director da DSAL, Chan Un Tong, é permitir à população de Macau “obter um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar”. O Governo encomendou em 2025 um estudo “a uma terceira entidade” – cuja identidade não foi revelada – sobre o eventual aumento da licença de maternidade e de férias anuais, que foi concluído no final de ano. O estudo incluiu um inquérito, segundo o qual os trabalhadores consideram tanto a actual licença de maternidade como o período de férias anuais “insuficiente para atender às necessidades familiares”. Questionado pela Lusa sobre o potencial impacto das alterações na taxa de natalidade em Macau, que em 2024 foi a mais baixa do mundo, Chan Un Tong respondeu que o objectivo é “aperfeiçoar o direito dos trabalhadores ao descanso”. “O Governo tem, através de várias formas, tentado criar condições para que os residentes possam ter uma vida melhor”, acrescentou o director da DSAL.
João Luz Manchete SociedadeVírus Nipah | Governo apela à calma e prepara medidas de prevenção “Em relação aos recentes casos de infecção pelo vírus Nipah registados no Bengala Ocidental, Leste da Índia, os Serviços de Saúde têm prestado estreita atenção à situação local. Até ao momento, a situação epidemiológica ainda se limita ao local, pelo que se apela aos residentes para não entrarem em pânico.” Foi desta forma que o Governo pediu calma à população, em relação ao surto do vírus, extremamente contagioso, que se alastra na Índia, e que está a trazer recordações dos primeiros tempos da covid-19. Apesar de apelar à calma, os Serviços de Saúde (SS) garantem ter reforçado medidas de prevenção, como a “avaliação e exame médico nos postos fronteiriços para indivíduos com historial de viagem relevante e que apresentam sintomas, aumento da capacidade de detecção do vírus, preparação das instalações de isolamento, assim como planos de tratamento médico”. Com os planos de prevenção e controlo a prontos, as autoridades de saúde organizaram na quarta-feira um colóquio, que contou com a participação de mais de uma centena de pessoas, entre representantes de associações de saúde e organizações e instituições sem fins lucrativos que prestam serviços médicos. O objectivo foi aumentar a vigilância do sector da saúde relativamente a infecções pelo vírus Nipah, a sua detecção precoce e a comunicação de casos suspeitos Tão longe e tão perto Durante o colóquio, o director dos SS, Alvis Lo, referiu que apesar da distância entre a Índia e Macau, a normal circulação de pessoas e a conveniência do transporte internacional não só aproximam regiões, como tornam doenças de elevado grau contágio num problema global. Para já, o Governo reforçou a “linha de defesa” nas fronteiras, com orientações para o “envio de casos suspeitos detectados nos postos fronteiriços para avaliação hospitalar”. Foram também afixados nos átrios de entrada dos postos fronteiriços “avisos sobre a declaração voluntária de saúde por parte de viajantes assintomáticos com histórico de permanência ou contacto relevante”. As autoridades de saúde indicam manter “uma comunicação estreita com o sector de aviação civil de Macau”, para sensibilizar o pessoal da linha da frente em relação a infeções por vírus Nipah e notificar atempadamente os casos suspeitos. A reserva de reagentes de teste e equipamentos de protecção individual também está entre as prioridades do Governo, assim como o reforço da divulgação pública. O vírus Nipah constitui um agente zoonótico potencialmente fatal, identificado em 1999. Nos últimos 20 anos, foram registados vários casos de infecção humana no Bangladesh e na Índia. As autoridades desaconselharam também deslocações às regiões afectadas.
Hoje Macau Manchete SociedadeSands China | Lucros caiem 14,2 por cento em 2025 A operadora de casinos Sands China anunciou lucros de 901 milhões de dólares em 2025, menos 14,2 por cento do que no ano anterior. A empresa tinha terminado 2024 com lucros de 1,05 mil milhões de dólares, um aumento de 50,9 por cento. A Sands terminou o ano passado com uma queda homóloga de 10,1 por cento dos lucros nos últimos três meses, invertendo uma subida homóloga de 1,5 por cento no terceiro trimestre. A operadora tinha registado descidas de 13 por cento e 32 por cento nos lucros no primeiro e segundo trimestres, respectivamente. Os lucros encolheram apesar de as receitas dos cinco casinos da Sands em Macau terem subido 5,1 por cento em 2025, para 7,44 mil milhões de dólares. O aumento homólogo das receitas foi ainda maior no último trimestre, 16,4 por cento, para 2,05 mil milhões de dólares. Com as receitas a subir, a Sands China registou lucros operacionais de 608 milhões de dólares no último trimestre de 2025, uma subida de 6,5 por cento em termos anuais. Mas no total do ano passado, os lucros operacionais do grupo encolheram 0,86 por cento, para 2,31 mil milhões de dólares. Custos da NBA Numa teleconferência com investidores, o presidente da Sands China, Grant Chum Kwan Lock, referiu que as despesas da empresa aumentaram no quarto trimestre, devido aos dois jogos de pré-época da liga norte-americana de basquetebol (NBA). Os dois jogos, em 10 e 12 de Outubro, trouxeram a Macau as equipas dos Brooklyn Nets e dos Phoenix Suns e encheram a Venetian Arena, propriedade da Sands China, que tem capacidade para 14 mil pessoas. Foram os primeiros jogos da NBA na China depois de seis anos de ruptura. Em 9 e 11 de Outubro de 2026, os Houston Rockets irão defrontar, no mesmo local, os Dallas Marevicks, cujo dono é Patrick Dumont, director executivo da empresa-mãe da Sands China, a norte-americana Las Vegas Sands (LVS). O presidente da LVS, Robert Goldstein, recordou que a operadora fez um “compromisso de uma década de realizar investimentos que reforcem a atractividade de Macau para o turismo de negócios e lazer e apoiem o seu desenvolvimento como um centro mundial”. “Continuamos entusiasmados com as nossas oportunidades de alcançar crescimento tanto em Macau como em Singapura, nos próximos anos”, notou Goldstein, citado num comunicado da Sands China. A empresa é uma das seis concessionárias de casinos que operam na região chinesa e cujo contrato de concessão, válido por 10 anos, entrou em vigor em 1 de Janeiro de 2023. A Sands China fez investimentos totais no valor de 274 milhões de dólares entre Outubro e Dezembro, incluindo 121 milhões de dólares em Macau.
Hoje Macau Eventos MancheteHong Kong | Banda japonesa Silent Siren actuou em Kowloon O trio do pop-rock japonês Silent Siren actuou na sexta-feira na sala Tides, em Kowloon. As Silent Siren nasceram para a música em 2010, sob a égide da empresa de talentos Platinum Production, formadas por três modelos: Sumire Yoshida na voz e guitarra, Aina Yamauchi no baixo, a bateria a cargo de Hinako Umemura e Yukako Kurosaka atrás dos sintetizadores a partir de 2012, depois de Ayana Sōgawa ter abandonado a banda. Dois anos depois da formação da banda, as Silent Siren estrearam-se nos registos discográficos com dois EPs, “Sai Sai” e “Love Shiru”. Já com contrato assinado com a Dreamusic, a banda deu o seu primeiro concerto a sério no Nippon Budokan em Tóquio no início de 2015. A ganhar notoriedade, as Silent Siren chegaram a um público mais vasto compondo temas para bandas sonoras de várias séries de Anime, cinema e até para uma publicidade a uma conhecida cadeia de restaurantes de ramen. Chegada à Universal A banda continuou a lançar discos, com destaque para “S” e “Girls Power”, este último registo já pela Universal Music Japan. Durante a pandemia, as Silent Siren interromperam a carreira, suspendendo tournées e a actividade discográfica, regressando no fim de 2023 já em formato de trio. A sonoridade das Silent Siren agrega as diversas características estilísticas e rítmicas do pop-rock japonês. Melodias animadas e aceleradas por ritmos rápidos e dançáveis de bateria, vocalizações ingénuas a evocar o universo da anime, mas riffs de guitarras e baixo a abeirarem-se do punk mais pop e pastilha elástica. O concerto da banda japonesa na região vizinha, onde ainda existem promotoras independentes de concertos, contrasta com o boicote não oficial que se verifica em Macau a espectáculos que envolvam cidadãos japoneses, que começou em Dezembro com o cancelamento da rainha da pop nipónica Ayumi Hamasaki, que tinha um concerto marcado no Venetian. O cancelamento, o primeiro de muitos que se seguiriam, foi anunciado depois do mesmo ter acontecido em Xangai na sequência de tensões políticas entre a China e o Japão, apesar do Governo da RAEM negar qualquer envolvimento no boicote.
Hoje Macau Manchete PolíticaBTL | Macau regressa à Bolsa de Turismo de Lisboa após ausência O Governo de Macau avançou que a região voltará a marcar presença na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), entre 25 de Fevereiro e 1 de Março, depois de um ano de ausência. Num comunicado divulgado na quarta-feira, a Direcção dos Serviços de Turismo de Macau (DST) referiu ainda que irá participar, em Fevereiro, em Portugal, numa campanha de promoção para agências de viagens. De acordo com o portal do grupo de operadores turísticos “Os Especialistas”, a campanha vai passar por Viseu, Porto, Braga, Coimbra e Lisboa, entre 9 e 13 de Fevereiro. Macau não esteve presente na edição anterior da BTL, que decorreu entre 12 e 16 de Março de 2025, mas na altura a DST garantiu, numa resposta escrita à Lusa, que Portugal continuava a ser “um mercado prioritário”. No início de Dezembro, o 50.º congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) reuniu na RAEM mais de mil profissionais do sector, um número recorde. Durante o congresso, a cidade foi pela quarta vez escolhida como Destino Preferido da APAVT em 2026, depois de 2012, 2019 e 2024, “para dirigir a atenção dos operadores europeus a Macau”, recordou a DST. Aprendizagem Electrónica A principal novidade em 2026 do Destino Preferido vai ser o lançamento de um programa de ‘e-learning’ (aprendizagem electrónica) sobre Macau em alemão, para agentes de viagens da Alemanha, e em inglês, para agentes da Finlândia e Países Baixos, tal como o programa que foi lançado em Portugal em 2024. A DST participou, entre 21 e 25 de Janeiro, na Feira Internacional de Turismo de Espanha (FITUR, na sigla em inglês), onde instalou um pavilhão de Macau, para “atrair mais visitantes internacionais de longo curso, incluindo a Europa”. O pavilhão da região organizou workshops sobre o património imaterial de Macau, desde danças folclóricas portuguesas, as artes marciais chinesas Tai Chi e Wing Chun, a pintura de azulejos portugueses e a gastronomia macaense. O número de turistas que chegou a Macau vindo de Portugal, Espanha e da Europa em geral registou “um crescimento de dois dígitos” no ano passado, sublinhou a DST. De acordo com dados oficiais, o território recebeu em 2025 14.300 visitantes de Portugal (mais 43,5 por cento) e 10 mil de Espanha (mais 28,9 por cento). Da Europa, chegaram um total de 242.900 turistas, mais 21,8 por cento do que no ano anterior. A DST lançou uma parceria com a operadora turística Ávoris, com presença em Espanha e Portugal, que começou a lançar uma série de promoções, desde antes do início da FITUR e até Abril. A Ávoris irá ainda “criar mais produtos turísticos que integrem o interior da China e Macau para os mercados de Espanha e Portugal”, referiu a DST.
João Santos Filipe Manchete PolíticaEspectáculos | Festival agendado para Fevereiro foi cancelado Foi cancelado o festival Show! Music Core in Macau, que estava agendado para 7 e 8 de Fevereiro no Local de Espectáculos ao Ar Livre. O cancelamento do evento com música pop coreana foi confirmado pela empresa de entretenimento MBC, envolvida na organização, que justificou a decisão com “condições locais”. Nos últimos dias, tinham surgido várias informações na imprensa sul-coreana a indicar que o festival estava em risco, uma vez que as autoridades de Macau estavam a dificultar a obtenção de vistos para artistas japoneses que integram os grupos de música pop coreana. Por esse motivo, alguns grupos terão cancelado a participação, enquanto outras bandas estavam a tentar adaptar-se e pretendiam actuar privados de alguns artistas. Contudo, os ajustes estavam a dificultar a actividade da organização para assegurar um número suficiente de grupos musicais. “Após uma análise exaustiva das condições locais e gerais, decidimos, infelizmente, cancelar o Music Core in Macau”, pode ler-se no comunicado de imprensa da MBC. “Pedimos as nossas mais sinceras desculpas aos fãs e a todas as partes envolvidas que estavam entusiasmadas com o Music Core in Macau”, foi acrescentado. Sem nunca mencionar as autoridades de Macau, a empresa MBC admite que o festival volte a ser realizado no futuro, se as circunstâncias se alterarem: “Se no futuro houver um ambiente mais estável, vamos analisar novamente a possibilidade de realizar o festival”, foi prometido. Desde o final do ano passado que Macau adoptou uma política não assumida de boicote a artistas com nacionalidade japonesa, com os cancelamentos a somarem-se uns atrás dos outros, apesar do Instituto Cultural (IC) negar qualquer envolvimento. A RAEM segue assim a política do Interior, que tem sido entendida como uma reacção às declarações da primeira-ministra do Japão, Takaichi Sanae, que afirmou que o país nipónico interviria em caso de conflito entre o Interior e Taiwan. Tudo em silêncio A possibilidade de cancelamento do festival começou a circular na semana passada, na imprensa coreana, e foi ligada às dificuldades dos artistas japoneses conseguirem autorização para actuarem na RAEM. No dia 25 de Janeiro, o HM entrou em contacto com Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), os Serviços de Economia, Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Serviços de Alfândega e Instituto Cultural (IC) para obter reacções às informações que circulavam na Coreia do Sul, mas até agora não obteve qualquer resposta. Antes do cancelamento do evento, o cartaz apresentava como grupos presentes Enyphen, Kickflip ou Le Sserafim, todos com artistas de nacionalidade japonesa. Um artigo da semana passada da agência News1KR explicava também que estes cancelamentos estão a fazer com que as empresas coreanas se mostrem mais cautelosas em agendar concertos em Macau, devido aos custos inerentes, assim como o impacto para a imagem dos grupos junto dos fãs. Desde as declarações de Takaichi Sanae, foram cancelados os concertos das artistas japonesas Ayumi Hamasaki e Mika Nakashima. Também o grupo de pop coreano Nexz, que integra artistas com nacionalidade japonesa, viu cancelados dois espectáculos, que estavam totalmente esgotados.
Hoje Macau China / Ásia MancheteVisita | Starmer defende “parceria estratégica e de longo prazo” com a China A visita do primeiro-ministro britânico à China visa relançar as relações entre os dois países e projectar parcerias sólidas para os próximos anos O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, defendeu que Londres e Pequim “precisam de uma parceria estratégica, consistente e de longo prazo”, na sua primeira visita oficial à China, que visa reatar relações bilaterais e reforçar laços económicos. Na primeira deslocação de um chefe de Governo britânico ao país asiático em oito anos, Starmer defendeu a construção de uma relação “consistente, estratégica e abrangente” com Pequim. “A China é um actor vital à escala global. O Reino Unido e a China precisam de uma parceria de longo prazo”, disse Starmer ao Presidente chinês, Xi Jinping, sublinhando a importância de trabalhar em conjunto em áreas como a estabilidade global, o crescimento económico e as alterações climáticas. Xi Jinping reconheceu que as relações bilaterais “passaram por altos e baixos” nos últimos anos, o que “não serviu os interesses de ambos os países”. Antes do encontro com Xi, Starmer foi recebido pelo presidente da Assembleia Nacional Popular chinesa, Zhao Leji, no Grande Palácio do Povo. O líder britânico classificou a visita como “histórica” e disse esperar “dias produtivos” de diálogo sobre segurança global e cooperação económica. A visita inclui também um encontro com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, com quem deverá presidir à assinatura de vários acordos bilaterais centrados em áreas como energias limpas, saúde, indústrias criativas e fabrico inteligente, segundo o ministério do Comércio da China. A China é actualmente o terceiro maior parceiro comercial do Reino Unido, com um saldo favorável de 42 mil milhões de libras para Pequim, segundo dados do Departamento de Comércio britânico. Starmer chegou à China acompanhado de membros do seu gabinete e de uma comitiva de cerca de 60 empresários e representantes culturais, incluindo executivos do HSBC, da farmacêutica GSK e das construtoras automóveis Jaguar e Land Rover. Novo ciclo O objectivo declarado da visita é reforçar os laços económicos e atrair investimento estrangeiro num momento em que a economia britânica enfrenta dificuldades. Fontes de Downing Street indicaram também que Londres procura discutir com as autoridades chinesas a renovação das instalações da sua embaixada em Pequim e temas como a imigração ilegal. A visita de Starmer insere-se num novo ciclo de contactos diplomáticos com Pequim por parte de aliados ocidentais. Só este mês, a capital chinesa recebeu os líderes da Coreia do Sul, Canadá e Finlândia, e o chanceler alemão deverá visitar a China em Fevereiro. Esta reaproximação coincide com o arrefecimento das relações de várias capitais com Washington, após a chegada ao poder de Donald Trump.
João Luz Manchete SociedadeTabaco e álcool | Infracções aumentaram quase 28% em 2025 As infracções à lei de controlo do tabaco e álcool aumentaram 27,9 por cento no ano passado, face a 2024, com quase 5.500 violações da lei detectadas, a larguíssima maioria incindindo em fumadores. As autoridades atribuem a subida à optimização das inspecções e ao aumento do fluxo de turistas em 2025 No ano passado, o número de infracções à lei de controlo do tabaco e álcool aumentaram mais de um quarto, 27,9 por cento, face os casos detectados em 2024, para um total de 5.474 casos, mais 1.194 em termos anuais. A esmagadora maioria das violações da lei foram cometidas por fumadores, com 5.008 casos, mais 1.064 face a 2024, um aumento de 27 por cento, o que significa uma média diária superior a 15 multas por dia. Aliás, em todas as categorias relativas ao combate ao tabagismo 2025 foi um ano de crescimento em todas as vertentes. Os casos de pessoas apanhadas a atravessar a fronteira para entrar em Macau com cigarros electrónicos mais que duplicou face a 2024 (+102,6 por cento) para um total de 316 casos. Em relação aos locais onde é proibido fumar, os mais frequentes continuam a ser os casinos, onde foram identificados 1.111 casos, seguidos por restaurantes (780 casos) e finalmente parques, jardins e espaços recreativos com 414 casos identificados no ano passado. Sempre a subir Os Serviços de Saúde (SS) atribuem “o aumento dos casos de fumo ilegal a uma conjugação de factores, incluindo a contínua optimização dos métodos de inspecção, assim como a sua frequência”. Para dar uma ideia da dimensão da caça ao fumador, em 2025 foram realizadas mais de 240.700 inspecções ao consumo ilegal de tabaco, o que dá uma média de quase 600 inspecções diárias. Outro dado que fez subir as estatísticas, de acordo com as autoridades, foi o aumento de turistas que visitaram Macau em 2025. O número de turistas apanhados a violar as leis de controlo do tabaco aumentou 48 por cento, de 2.063 casos em 2024, para 3.050 no ano passado. Os SS justificam também a subida de infracções com a falta de capacidade para cumprir as responsabilidades estabelecidas pela lei de controlo do tabaco. Os esforços do Governo para apertar o cerco ao tabagismo e consumo de álcool envolvem a cooperação de vários departamentos e serviços públicos. No caso do controlo do tabagismo, o território é inspeccionado por pessoal dos Serviços de Saúde, Corpo de Polícia de Segurança Pública, Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos e Serviços de Alfândega. Em relação ao controlo do consumo de álcool, as autoridades detectaram no ano passado apenas 16 casos, seis dos quais relativos à venda de bebidas alcoólicas a menores, ou a permitir o seu consumo. As restantes infracções relacionaram-se com a falta de sinalização da proibição de bebidas alcoólicas a menores, ou de identificação destes produtos nos espaços comerciais.
Nunu Wu Manchete SociedadeAnálise | Pedidos mais feriados e benefícios familiares O académico e presidente da Associação de Segurança Social Chan Kin Sun considera que Macau deve acompanhar o mundo em matéria de licenças de maternidade e paternidade, assim como aumentar os feriados obrigatórios e férias anuais O equilíbrio entre a vida familiar e o trabalho é uma aspiração dos países mais ricos, algo que está longe de acontecer em Macau, apesar dos esforços positivos do Governo, de acordo com o académico e presidente da Associação de Segurança Social de Macau Chan Kin Sun. Num artigo de opinião publicado ontem no jornal Ou Mun, o responsável indica que existe uma forte vontade na sociedade por políticas que beneficiem as famílias, indo além do aumento dos dias de férias individuais. Chan Kin Sun, que coordena o programa de mestrado em Administração Pública da Universidade de Macau, entende que os cidadãos esperam melhorias no sistema de licenças parentais. Depois de em 2019 o Governo ter introduzido a licença de paternidade e alargado a licença de maternidade, ficou a faltar o estabelecimento de folgas pagas quando um dos progenitores tem de se ausentar do trabalho para, por exemplo, acompanhar um filho numa ida ao médico. Além disso, o académico defende que o Governo deveria criar mais feriados obrigatórios, bastando para tal escolher entre os vários festivais tradicionais que se celebram no território. Socialismo do patronato Chan Kin Sun focou a sua análise também no número de dias de férias anuais pagas praticadas na região. Em Macau, depende do tempo de serviço do trabalhador. Um recém-contratado tem seis dias de férias anuais pagas, requerimento que se mantém inalterado há quatro décadas. Na China, os dias de férias também variam consoante a antiguidade, entre cinco e 15 dias por ano, enquanto em Hong Kong variam entre sete e 14 dias. A Organização Internacional de Trabalho recomenda, pelo menos, três semanas anuais de férias. O académico realçou a discrepância o desenvolvimento económico de Macau, o seu posicionamento como cidade internacional e as expectativas dos trabalhadores em relação à qualidade de vida”. Por fim, Chan Kin Sun elogiou o Governo pelo lançamento dos planos de subsídio de assistência na infância e subsídio complementar atribuído aos empregadores pela remuneração paga na licença de maternidade.
Hoje Macau Manchete PolíticaPortugal | Delegação parlamentar elenca desafios após visitar Macau e Hong Kong Dificuldades no regime de atribuição do Bilhete de Identidade de Residente (BIR), substituição de magistrados, professores e médicos que regressam a Portugal e aversão à utilização da língua portuguesa foram alguns dos obstáculos identificados durante uma visita de deputados lusos As dificuldades no recrutamento de portugueses, na atribuição da nacionalidade, na emissão de passaportes e entraves ao uso da língua portuguesa constam do relatório divulgado ontem sobre a visita de uma delegação parlamentar a Macau, Hong Kong e Timor-Leste. A delegação da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, que esteve entre 3 e 7 de Dezembro em Macau, aponta como dificuldade as alterações – desde 2023 – do regime de atribuição do Bilhete de Identidade de Residente (BIR), criando obstáculos acrescidos ao recrutamento de trabalhadores portugueses. No relatório, assinala-se ainda atrasos significativos nos processos de atribuição da nacionalidade portuguesa em Macau e na emissão de passaportes pelo Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), com casos que podem demorar entre um e cinco anos. A substituição de magistrados, professores e médicos que regressam a Portugal é igualmente identificada como um problema com impacto directo na comunidade, sendo referido que sete médicos deixaram Macau em 2025. A comissão destaca também a resistência de funcionários públicos e de alguns magistrados locais à utilização da língua portuguesa no exercício das suas funções, bem como a necessidade de responder ao aumento da procura por cursos de português, num contexto em que existe o risco de contratação directa de docentes por parte da China. Fizeram parte da comissão, que foi recebida por Sam Hou Fai, José Cesário, Paulo Neves, deputados do Partido Social-Democrata, Manuel Magno, do Chega, e Ana Catarina Louro, do Partido Socialista. Sobre Hong Kong, onde a missão esteve entre 7 e 8 de Dezembro, salientou-se que residem cerca de 30.000 portugueses e a importância do Club Lusitano. Situação em Timor-Leste Em Timor-Leste, onde a delegação esteva de 09 a 12 de Dezembro, foi identificado como principal constrangimento as dificuldades de participação dos cidadãos portugueses nos actos eleitorais, devido à falta de fiabilidade dos serviços postais. Por isso, os emigrantes em Timor-Leste reforçaram o pedido de aplicação do voto electrónico. Foram igualmente sinalizados atrasos nos processos de nacionalidade pendentes no IRN e dificuldades no uso do português no Parlamento Nacional timorense, onde muitos deputados e funcionários privilegiam o tétum ou o inglês, apesar do português ser língua oficial. A construção de uma nova Escola Portuguesa em Timor-Leste é apontada como prioridade urgente, tendo em conta que a actual escola, projectada para 400 alunos, acolhe cerca de 1.400 e tem uma lista de espera de cerca de 400 estudantes. A missão referiu ainda a necessidade de se reforçar a presença cultural portuguesa em Timor-Leste, apoiar estudantes e jovens trabalhadores timorenses em Portugal, preservar edifícios históricos ligados à presença portuguesa e desenvolver oportunidades económicas, nomeadamente nas áreas das conservas, construção naval e logística regional asiática.
João Luz Manchete SociedadeJP Morgan | Jogo com receitas brutas sólidas em Janeiro Os analistas do banco JP Morgan estimam que nos primeiros 25 dias do ano, os casinos de Macau tenham apurado 17,8 mil milhões de patacas em receitas brutas, uma performance “estável e sólida”. A instituição prevê que o mês feche com subidas anuais das receitas de, pelo menos, 15 por cento O ano começou bem para os casinos de Macau, pelo menos de acordo com as estimativas dos analistas do JP Morgan. Segundo a mais recente nota de análise à indústria do jogo, divulgada na segunda-feira, é indicado que os casinos do território poderão ter amealhado nos primeiros 25 dias de Janeiro cerca de 17,8 mil milhões de patacas. O resultado é descrito como “estável e sólido”. “Isto significa que a performance da semana passada se manteve estável face à semana anterior, com receitas brutas diárias de 693 milhões de patacas, apesar dos fracos resultados do segmento VIP. Estes resultados são bastante sólidos quando comparados com os 624 milhões de patacas por dia registados em Dezembro”, referem os analistas DS Kim, Selina Li e Lindsey Qian, citados pelo portal GGR Asia. Face às perspectivas, os analistas esperam que o mês encerre em grande. “Continuamos confiantes com a estimativa de que as receitas brutas cresçam anualmente em Janeiro entre 15 a 20 por cento, com a tendência a aproximar-se mais dos 20 por cento. O resultado abre perspectivas a aumentos anuais a rondar os 13 por cento nos primeiros dois meses e no primeiro trimestre de 2026”, é acrescentado. A longo prazo O ano de 2026 começou com um novo panorama na principal indústria do território, com Janeiro a ser o primeiro mês sem casinos-satélite, alterando a estrutura do mercado. Em Junho do ano passado, quando se soube que a larga maioria dos casinos-satélite iria fechar, a JP Morgan Securities indicava que o impacto do encerramento das operações dos casinos-satélite que operavam com as licenças da Melco e Galaxy seria “insignificante” para as concessionárias. Na realidade, no início do ano, os analistas do banco cortaram as previsões de lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) para o ano de 2026 para 71,9 mil milhões de patacas para o total das seis concessionárias de jogo. Apesar da redução, a estimativa para os resultados EBITDA deste ano representa uma melhoria face à previsão de 68,5 mil milhões de patacas do ano passado. Os resultados EBITDA de 2025 ainda estão no campo das estimativas uma vez que as concessionárias de jogo ainda não reportaram aos accionistas os resultados finais.
Nunu Wu Manchete SociedadeTrabalho ilegal | Nick Lei diz que combate não é eficaz Nick Lei não está satisfeito com a eficácia do combate ao trabalho ilegal. O deputado sugeriu a criação de grupos de WeChat com associações, DSAL e empresas de sectores que normalmente empregam trabalhadores ilegais para que a actuação das autoridades se torne mais ágil Apesar do bom caminho trilhado, Nick Lei considera que a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) podia ser mais eficaz no combate ao trabalho ilegal. O Governo apresentou na segunda-feira os resultados do combate aos trabalhadores ilegais referentes ao ano passado. Em 2025, a DSAL realizou 683 inspecções, 62 das quais visaram motoristas. Um total de 668 pessoas foram punidas administrativamente por terem sido encontradas a trabalhar ilegalmente com multas totais de quase 6,09 milhões de patacas. Foram identificados 157 motoristas ilegais, que resultaram na aplicação de multas de quase 1 milhão de patacas. Em resposta aos resultados, Nick Lei enalteceu os esforços da DSAL, mas indicou que a entidade é pouco eficaz no combate ao fenómeno. Em declarações ao jornal do Cidadão, o deputado ligado à comunidade de Fujian argumentou que a actuação da DSAL continua a não ter correspondência com as expectativas da população, de acordo com as opiniões recolhidas pela sua equipa. Novas mensagens Apesar de defender a continuação de inspecções a locais de trabalho, assim como investigações a anúncios nas redes sociais a oferecer trabalho ilegal, Nick Lei recomenda uma comunicação próxima entre as autoridades, associações e responsáveis de empresas em ramos mais afectados pelo trabalho ilegal. Para tal, o deputado afirma que o método mais simples é criar um grupo de WeChat com todos agentes envolvidos, assim como responsáveis da DSAL para que a resposta e o combate ao trabalho ilegal sejam instantâneos. A falta de eficácia das autoridades é demonstrada, segundo Nick Lei, pelo número reduzido de motoristas ilegais apanhados pelas autoridades, que estão longe da realidade. Por esta razão, Nick Lei defende que a DSAL precisa de rever as actuais penalizações no âmbito de trabalho ilegal e, se o efeito dissuasor não for suficiente, será necessário alterar as leis. O deputado, que por inerência do seu trabalho tem o direito e obrigação de legislar, salienta que os regulamentos sobre o trabalho ilegal entraram em vigor há mais de 20 anos, não correspondendo assim aos tempos actuais. Nick Lei alertou ainda para novos sectores da economia que começaram a empregar trabalhadores ilegais, depois da pandemia, como fotógrafos, ou obras de remodelação para os prédios da Zona A nos novos aterros, com a divulgação de anúncios nas redes sociais a oferecerem trabalho ilegal. O deputado exemplificou ser comum surgirem publicações de empresas do Interior da China a oferecer serviços de “obra de remodelação na habitação económica da Zona A” na aplicação Xiaohongshu (little red book).
João Santos Filipe Manchete PolíticaGoverno Central | Líderes locais prometem a seguir instruções Após o discurso de Xia Baolong a alertar para os perigos da separação de poderes nas regiões administrativas especiais, os titulares de altos cargos emitiram comunicados a prometer assegurar a supremacia do poder Executivo. Prometidas estão também sessões de estudo sobre o discurso de segunda-feira Os secretários do Governo, a presidente do Tribunal de Última Instância (TUI), o presidente da Assembleia Legislativa (AL) e o Procurador da RAEM prometeram todos trabalhar para assegurar a predominância dos diversos poderes ao Chefe do Executivo. Os comunicados dos representantes dos diferentes responsáveis surgiram na sequência de um discurso de Xia Baolong, director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, a definir a separação de poderes como uma ameaça à autoridade do Chefe do Executivo. As palavras de Xia Baolong foram proferidas em Pequim, e o primeiro a reagir foi André Cheong, presidente da Assembleia Legislativa. Em comunicado, Cheong Weng Chon afirmou que “o discurso do Director Xia Baolong reveste-se de elevada pertinência e significado orientador, e todos os deputados da AL irão estudar atentamente para compreender o espírito do discurso, implementar e concretizar firmemente o princípio da predominância do poder executivo”. Cheong indicou que os deputados vão agir “com sentido de responsabilidade e postura prática e eficiente, e consolidar continuamente o paradigma da interacção virtuosa entre os poderes executivo e legislativo, no sentido de promover conjuntamente a boa governação da RAEM”. Por sua vez, também Song Man Lei, presidente do TUI, defendeu a predominância do Executivo, que prometeu respeitar: “A predominância do poder executivo é um bom sistema comprovado pela prática, o qual pode destacar as vantagens institucionais do princípio um país, dois sistemas, defender com eficácia a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento do País, assegurar a prosperidade e a estabilidade da RAEM a longo prazo, reforçar constantemente as vantagens únicas e a competitividade de Macau, melhorar significativamente o bem-estar da população de Macau, bem como resolver e enfrentar eficazmente os riscos e os desafios”, indicou. “Os órgãos judiciais respeitam e defendem a predominância do poder executivo, o que, na verdade, é o respeito pela combinação orgânica entre o poder pleno da governação do Governo Central e o alto grau de autonomia da RAEM, constituindo uma parte integrante da salvaguarda da ordem constitucional e da protecção dos direitos e interesses dos residentes”, frisou. Secretários unidos Às declarações de apoio ao poder executivo do poder legislativo e judicial, juntaram-se ainda os cinco secretários. Wong Sio Chak, secretário para a Administração e Justiça, frisou que as palavras de Xia Baolong aprofundam as exigências do Presidente Xi Jinping. Segundo Wong, “no seu importante discurso, o director Xia Baolong explicou profundamente a exigência explícita do Presidente Xi Jinping de ‘persistir e aperfeiçoar a predominância do poder executivo’, esclareceu que a predominância do poder executivo é um princípio importante no estabelecimento da estrutura política das Regiões Administrativas Especiais pelas Leis Básicas, que tem demonstrado comprovadamente as vantagens do princípio ‘um país, dois sistemas’ através da sua implementação com sucesso”. O secretário indicou também que os seus subordinados vão estudar o discurso recente, e que as orientações vão ser utilizadas na reforma da Administração Pública. Por sua vez, o secretário da Segurança, Chan Tsz King, instou a população a manter-se “vigilante face às interferências externas em relação à predominância do poder executivo”. Ao mesmo tempo, considerou que “a consolidação clara e o aperfeiçoamento da predominância do poder executivo são a chave para a concretização do regime ‘um país, dois sistemas’ exigências e objectivos necessários para a estabilidade a longo prazo e para o desenvolvimento próspero de Macau”. Também os secretários Raymond Tam, Tai Kin Ip e O Lam prestaram declarações de apoio à predominância do Chefe do Executivo. Campanha prometida Tong Hio Fong, Procurador da RAEM, prometeu também combater qualquer crime que coloque em causa a segurança nacional. “Partindo da salvaguarda da legalidade, o Ministério Público irá exercer as funções de fiscalização que lhe são legalmente atribuídas, assegurando que os órgãos administrativos actuem em obediência à lei”, vincou. “Ademais, com vista à defesa intransigente de justiça e imparcialidade, o Ministério Público irá dedicar-se à execução da lei e à tramitação de processos com rigor, ao combate preciso aos crimes que ponham em causa a segurança nacional, lesem os interesses nacionais e prejudiquem a estabilidade da RAEM, a fim de contribuir para a construção do Estado de direito da RAEM e o seu desenvolvimento económico com prosperidade e estabilidade”, acrescentou. Tong Hio Fong realçou ainda o papel de liderança do Chefe do Executivo do Ministério Público: “Sob a liderança sólida do Chefe do Executivo Sam Hou Fai, o Ministério Público irá continuar a preservar a estrutura com predominância do poder executivo, tendo por orientação de trabalho a boa governação, intensificar a comunicação com os órgãos executivo e legislativo e bem desempenhar o seu papel na concretização da predominância do poder executivo, com o objectivo de dar contributos a nível judiciário para a implementação bem-sucedida e o desenvolvimento de alta qualidade de ‘Um País, Dois Sistemas’ na RAEM”, realçou.
Hoje Macau Manchete SociedadeÓbito | Faleceu juiz do Supremo e escritor Rodrigo Leal de Carvalho Intimamente ligado à Administração Portuguesa de Macau, Rodrigo Leal de Carvalho desempenhou funções de juiz, Procurador da República, Presidente do Tribunal de Contas de Macau e liderou as últimas eleições legislativas O juiz conselheiro e escritor Rodrigo Leal de Carvalho morreu aos 93 anos, anunciou o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) português. Num comunicado publicado no portal oficial do STJ no sábado, a instituição demonstrou “pesar e consternação” pela morte do juiz conselheiro jubilado e enviou “sentidas condolências” à família de Leal de Carvalho. Nascido na Praia da Vitória, na ilha Terceira, Açores, em 1932, Leal de Carvalho formou-se em Direito na Universidade de Lisboa, em 1956, ingressando de seguida na magistratura. O juiz começou por trabalhar como delegado-interino na ilha do Pico, mas em 1959 foi para Macau, onde viria a viver boa parte da vida, com passagens por Lisboa e pelas então colónias portuguesas da Guiné, Angola e Moçambique. Já depois da Revolução de 25 de Abril, Leal de Carvalho regressou mais uma vez a Macau, em 1976, como Procurador da República. Em 1995, foi nomeado juiz conselheiro do STJ e, no ano seguinte, liderou a comissão que organizou as últimas eleições para a Assembleia Legislativa de Macau sob administração portuguesa. Já em 1996, tornou-se presidente do Tribunal de Contas de Macau, posto que ocupou até às vésperas da transferência da administração da região para a China, em 1999. Como líder do Tribunal de Contas de Macau, foi em 1998 agraciado com a Medalha de Valor, por decisão do então Presidente Jorge Sampaio. Foi também em Macau que Leal de Carvalho se estreou como romancista, em 1993, com a publicação de “Requiem por Irina Ostrakoff”, livro que lhe valeu o prémio do Instituto Português do Oriente, no ano seguinte, e que acabou por ser traduzido para chinês, em 1999, e para búlgaro, em 2002. Seguiram-se os romances “Os Construtores do Império” (1994), “A IV Cruzada” (1996), “Ao Serviço de Sua Majestade” (1996) e “O Senhor Conde e as suas Três Mulheres (1999)”. Fascínio com Macau Já regressado a Portugal, o juiz continuou a escrever sobre a região chinesa, nomeadamente em “A Mãe” (2000), onde narra a vida de Natasha Korbachenko, nascida na Sibéria, que a revolução bolchevista fez fugir para Xangai e que no pós-guerra do Pacífico acaba por se refugiar em Macau. Leal de Carvalho publicou ainda “O Romance de Yolanda” (2005), a história de uma macaense que aceita casar-se com um milionário filipino perseguido pela polícia para este obter nacionalidade portuguesa. O último livro foi “As Rosas Brancas de Surrey” (2007), que tem como palco o “conturbado período da Revolução Cultural”, nos anos 60, em Macau, disse na altura o diário de língua portuguesa Ponto Final. Este romance integrou uma parceria lançada pelo Ponto Final e pela editora Livros do Oriente para assinalar os cinco anos da transição de administração de Macau. “Com a recriação de ambientes e experiências vividas em mais de 30 anos no território, Rodrigo Leal de Carvalho afirmou-se como um escritor das memórias da cidade de Macau e do universo do funcionalismo português nas colónias ultramarinas das décadas de 1950 e 1960, sempre enquadradas na conjuntura mundial do século XX”, destacou o STJ.
Nunu Wu Manchete SociedadeCasamentos | Crise força a cerimónias simples e menos gastos Os negócios dos casamentos nunca recuperaram da pandemia. Cerimónias simplificadas, banquetes e orçamentos cortados obrigam a transformações na forma como se celebram os matrimónios. O papel da acompanhante de noiva nos casamentos tradicionais chineses também tem menos procura Menos complicações e despesas são as palavras de ordem na forma como se celebram casamentos em Macau nos dias de hoje. Depois da razia absoluta a que a pandemia da covid-19 votou as empresas que operam negócios na área dos casamentos, o sector nunca voltou a recuperar a dimensão de outros dias. O ano de 2025 tinha tudo para resultar na retoma da indústria, por ser considerado um ano auspicioso para casar, de acordo com as superstições do zodíaco chinês. A expectativa para o Ano da Serpente apontava para bons negócios. No entanto, houve uma redução de 13 por cento nos primeiros três trimestres do ano passado. Na semana passada, o fluxo de pessoas que participaram numa feira dedicada a casamentos, com stands de empresas que catering, maquilhagem, vestuário e joalharia, deixou os empresários optimistas. Em declarações ao jornal Ou Mun, um empresário de planeamento de casamentos, de apelido Pang, notou o aumento de afluência de noivos em relação ao ano passado. Apesar disso, o empresário afirmou que o ambiente de negócios continua mau, com o tamanho dos banquetes de casamento a ficarem mais pequenos, passando de 20 a 30 mesas no passado, para pouco mais de 10 mesas actualmente. Também os orçamentos dos noivos caíram cerca de 10 por cento, em comparação com o ano passado. Além disso, Pang salientou que os tradicionais banquetes de casamento caíram um pouco em desuso, com cada vez mais casais a optarem por fazer cerimónias ao ar livre após o registo do matrimónio. A festa fica muitas vezes reduzida a um jantar de família para encerrar a cerimónia. Ajustar à realidade Para fazer face às mudanças no mercado, o empresário confessou ter alterado a tabela de preços e oferecer um serviço único e simples que reúne todas valências, do catering, à maquilhagem e roupa dos noivos. Uma das esperanças de Pang é a entrada na idade de casar dos jovens que nasceram no virar do século, assim como o aumento do subsídio de casamento e permite os notários privados celebrarem o casamento. Também uma acompanhante de noiva, que tem as funções de ajudar a noiva e actuar como uma gerente de todos os rituais do casamento tradicional chinês, deu conta da vontade de simplificar os matrimónios. Como tal, a procura pelos seus serviços também tem diminuído.
João Santos Filipe MancheteLares | Coutinho pede medidas para reduzir tempos de entrada Com filas de espera superiores a dois anos, o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) pede ao Governo mais vagas nos lares e mais apoios José Pereira Coutinho pede ao Executivo que adopte medidas para reduzir os tempos de espera de admissão nos lares públicos e privados subsidiados pelo Governo. O assunto é abordado pelo deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) através de uma interpelação escrita. Segundo o cenário traçado pelo deputado, as famílias locais enfrentam cada vez mais dificuldades para cuidarem dos mais velhos, porque os agregados familiares são cada vez menores. “Os casais têm cada vez menos filhos e mesmos estes filhos na sua maioria estão activos no mercado de trabalho, denotando-se falta notória de familiares para cuidar dos mais velhos”, justifica o legislador. Ao mesmo tempo, o “aumento do envelhecimento populacional, a maior expectativa de vida e a diminuição drástica dos nascimentos” criam “enormes pressões às famílias”, principalmente quando os agregados têm membros que sofrem doenças crónicas e precisam de ficar acamados. “Nestes últimos três anos, o nosso Gabinete de Atendimento aos Cidadãos tem recebido muitos pedidos de apoio por parte de familiares com dificuldades para cuidarem dos seus parentes idosos, principalmente os idosos com alta clínica internados nos hospitais que após recuperação têm de regressar às suas casas”, revela o deputado. Mais vagas Neste contexto, o deputado defende que a solução tem de passar pela existência de mais vagas nos lares públicos e maiores apoios públicos no acesso ao serviço privado. “Em Macau, o tempo de espera por uma vaga num lar público para idosos ou lar privado, mas subsidiado pelo Governo de Macau, demora cerca dois anos”, avisou. “Que medidas pragmáticas vão ser implementadas para construir mais asilos ou lares para idosos na RAEM para colmatar a falta de vagas e resolver a curto prazo este grave problema?”, questionou. Coutinho indica também que como há cada vez mais pessoas a tentar entrar nos lares, a tendência é para que as listas de espera continuem a aumentar. Por isso, pede medidas: “Que medidas vão ser implementadas no curto e médio prazo para reduzir o tempo de espera por uma vaga num lar de idosos público ou lar privado, mas subsidiado pelo Governo de Macau?”, perguntou. Finalmente, o deputado pede “medidas concretas” que estejam em curso para “resolver os problemas dos idosos inscritos na lista” para entrarem nos lares públicos ou privados subsidiados.
João Santos Filipe Manchete PolíticaEspectáculos | Aprovadas novas taxas para utilização de Local ao Ar Livre O novo modelo de cobrança nos eventos de longa duração torna os preços mais baratos. No início do mês, O Lam admitiu que o Executivo pretende que o espaço seja utilizado para a realização de eventos desportivos ou outras actividades As novas taxas de utilização do Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau foram reveladas ontem, variam entre 84 mil patacas e 500 mil patacas por dia e entram em vigor a partir de hoje. A informação sobre a utilização das infra-estruturas no Cotai foi divulgada ontem no Boletim Oficial, através da publicação de um despacho da secretária para os Assuntos Sociais e Cultural, O Lam. As novas taxas vêm criar um modelo que permite um preço mais barato para os casos em que o Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau é arrendado para eventos mais longos, com uma duração que pode chegar aos 30 dias. Quando o espaço é ocupado por um período de 30 dias, nos quais há espectáculos em pelo menos dois desses dias, as autoridades passam a cobrar entre 2,52 milhões de patacas e 3,6 milhões de patacas. O preço mais reduzido, que corresponde a uma média de 84 mil patacas é aplicado quando a audiência é inferior a 30 mil pessoas. Se a audiência ultrapassar esse número, a cobrança sobe para uma média de 120 mil patacas por dia. Anteriormente, caso houvesse a intenção de arrendar o espaço por 30 dias, incluído dois dias de espectáculos, o preço mínimo seria de 5,6 milhões de patacas (média diária de 187 mil patacas) ou 8 milhões de patacas (média diária de 267 mil patacas), sendo mais caro quando a capacidade era de pelo menos 30 mil pessoas. Novo modelo As alterações vêm tornar mais barato o arrendamento do espaço para a realização de outros tipos de eventos, além dos concertos. No início do mês, na Assembleia Legislativa, a secretária O Lam admitiu que o Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau poderia ser arrendado no futuro para realizar eventos desportivos, como torneios de basquetebol, ou outras actividades mais viradas para as famílias. Apesar do novo modelo de cobrança, o arrendamento do espaço para espectáculos de curta duração não sofre alterações. Quando a duração é inferior a 30 dias e ou apenas prevê um único dia com espectáculos, as autoridades cobram 350 mil patacas pelo dia do espectáculo, se a audiência for inferior a 30 mil pessoas. Nestas condições, ao preço cobrado acresce 170 mil patacas por cada dia de ensaios e montagens. Se a capacidade for preparada para pelo menos 30 mil pessoas, os organizadores têm de pagar 500 mil patacas por dia de espectáculo e 250 mil patacas por cada dia de ensaios e montagens. Nos casos em que os espectáculos são efectivamente realizados, os organizadores podem pedir ao Instituto Cultural o reembolso de 25 por cento do valor pago. Esta é uma alteração face ao modelo anterior, porque até agora os organizadores pagavam apenas 75 por cento das taxas previstas. Porém, agora têm de pagar tudo de uma vez, e depois recebem o reembolso.
João Santos Filipe Manchete Política2026 Show! | Artistas japoneses com problemas para actuar em Macau Em causa, está o festival 2026 Show! Music Core in Macau, no Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau, onde deverão actuar vários grupos coreanos com membros japoneses. A opção passa assim por deixar “em terra” os artistas nipónicos Os artistas japoneses que integram grupos de pop coreano estão a enfrentar dificuldades para conseguiram as autorizações para actuarem em Fevereiro em Macau. A informação foi avançada pela agência noticiosa News1KR da Coreia do Sul, que revela ainda que o condicionamento vai fazer com que esses grupos actuem em Macau desfalcados. Segundo o artigo publicado em coreano, entre 7 e 8 de Fevereiro vai decorrer o festival 2026 Show! Music Core in Macau, no Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau, arrendado pelo Instituto Cultural (IC). O concerto ainda não foi confirmado pelas autoridades de Macau, o cartaz não é conhecido, nem se sabe quando é que os bilhetes vão ser colocados à venda. No entanto, desde Dezembro que nas redes sociais surgem informações sobre o evento em Macau. Como parte do cartaz é indicado que vão estar presentes grupos coreanos como Enyphen, Kickflip ou Le Sserafim que têm entre os membros artistas com nacionalidade japonesa. No entanto, o artigo da News1KR avança que as agências dos grupos convidados estão a enfrentar várias dificuldades, porque foram informados que “há vários problemas” com as autorizações de trabalho para os artistas japoneses. O artigo indica igualmente que houve grupos que cancelaram a presença em Macau, enquanto outros estão a tentar alterar as dinâmicas internas, para actuarem sem os membros com nacionalidade japonesa. Os grupos que cancelaram a presença não surgem identificados, mas os organizadores do evento estão a encontrar dificuldades para num curto espaço de tempo reunir o número de grupos necessários para o festival. De acordo com a legislação em vigor, os trabalhadores não residentes precisam de uma autorização para trabalhar em Macau, o chamado Cartão Azul. Contudo, o Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal permite que possam ser exercidas actividades profissionais ocasionais sem essa autorização, quando os não residentes são convidados por uma pessoa singular ou colectiva com sede em Macau. Todavia, a Direcção dos Serviços de Trabalho e Emprego (DSTE), o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) ou os Serviços de Alfândega (SA) pode sempre considerar que o trabalho não se enquadra nas excepções previstas na lei. Macau é China O artigo indica também que no meio artístico coreano surgem agora receios de que as actuações em Macau se tornem cada vez mais difíceis para os grupos com membros japoneses. Os obstáculos colocados às actuações em Macau são ainda encarados como o resultado das declarações da Primeira-Ministra do Japão, Takaichi Sanae, que afirmou que o país nipónico interviria num conflito entre o Interior e Taiwan. Como consequência das declarações a China começou a impôs algumas restrições à importação de produtos do Japão e vários concertos agendados para diferentes cidades no Interior foram cancelados. Em Macau, registou-se também uma onda de concertos com artistas japoneses cancelados, embora o Governo local se tenha distanciado destes acontecimentos. Desde as declarações de Takaichi Sanae, foram cancelados os concertos das artistas japonesas Ayumi Hamasaki e Mika Nakashima. Também o grupo de pop coreano, que integra artistas do Japão, Nexz viu cancelados dois espectáculos, que, na véspera, estavam totalmente esgotados. O HM contactou ontem o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), os Serviços de Economia, Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Serviços de Alfândega e Instituto Cultural (IC) para obter uma reacção à notícia.
Hoje Macau Manchete SociedadeTurismo | Atingido recorde máximo de visitantes em 2025 Para a História. No ano passado, o território recebeu mais de 40 milhões de visitantes, um crescimento de 14,7 por cento face a 2024. Para o aumento, contribuíram as facilidades de deslocação a Macau dos turistas do Interior Macau recebeu mais de 40 milhões de visitantes em 2025, um novo máximo histórico, ultrapassando o anterior recorde de 39,4 milhões, fixado em 2019, antes da pandemia de covid-19, foi sexta-feira anunciado. O número de turistas que passou pelo território no ano passado foi o mais elevado desde que a Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC) começou a compilar dados mensais, em 1998, ainda durante a administração portuguesa. Macau acolheu no total quase 40,1 milhões de visitantes, mais 14,7 por cento do que em 2024 e acima da meta de 39 milhões, fixada em 16 de Dezembro pela directora dos Serviços de Turismo, Maria Helena de Senna Fernandes. No entanto, quase 59 por cento dos visitantes (23,5 milhões) chegaram em excursões organizadas e passaram menos de um dia em Macau no ano passado. Em 2024, o Governo Central divulgou uma série de medidas de apoio ao território, como o aumento do limite de isenção fiscal de bens para uso pessoal adquiridos por visitantes da China. Ao mesmo tempo, as autoridades chinesas alargaram a mais 10 cidades da China a lista de locais com “vistos individuais” para visitar Hong Kong e Macau. Além disso, desde 1 de Janeiro de 2025 que os residentes da vizinha cidade de Zhuhai podem visitar Macau uma vez por semana e ficar até sete dias. Em resultado, a esmagadora maioria (90,6 por cento) dos turistas que chegaram a Macau em Novembro vieram da China continental ou Hong Kong. Visitas internacionais Em 16 de Dezembro, Senna Fernandes sublinhou que o número de visitantes internacionais recuperou até cerca de 80 por cento dos níveis pré-pandemia. Em Agosto, a dirigente tinha apontado como objectivo mais de três milhões de turistas internacionais em 2025. Mas Macau falhou essa meta, ficando-se por 2,76 milhões de visitantes vindos do estrangeiro, ainda assim um aumento de 13,7 por cento em comparação com 2024. Cidadãos da Arábia Saudita, Qatar, Kuwait, Barém e Omã passaram a estar dispensados de visto para entrar na cidade a partir de 16 de Julho. Em 16 de Dezembro, Senna Fernandes recordou que as Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2026 prevêem a abertura de duas delegações de Macau no sudeste asiático e no nordeste da Ásia. As LAG, apresentadas no final de Novembro, prevêem a abertura de uma delegação na Malásia e apontam também como prioridade a aposta nos turistas dos países lusófonos. Só em Dezembro, Macau recebeu 3,58 milhões de visitantes, o valor mais elevado de sempre para este mês. A cidade registou assim um novo máximo histórico para Dezembro, depois de já o ter feito para os meses de Setembro (3,8 milhões), Outubro (3,47 milhões) e Novembro (3,35 milhões).
Hoje Macau Manchete SociedadeMacau facilita passagem a estrangeiros através da Ponte HZM O Governo de Macau anunciou que os nacionais de 82 países, incluindo Portugal, Brasil e Cabo Verde, vão poder usar canais electrónicos automáticos para entrar no Interior através da maior ponte marítima do mundo. A medida vai entrar em vigor na segunda-feira na fronteira que liga Macau à cidade vizinha de Zhuhai, parte da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, e abranger todos os cidadãos dos 82 países isentos de visto de entrada na RAEM. De acordo com um comunicado conjunto da Direcção dos Serviços das Forças de Segurança e da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Macau, os estrangeiros com pelo menos 7 anos de idade terão também de ser residentes permanentes na China continental, ter uma autorização de residência ou um visto válido. No final de Abril, o então secretário para a Segurança de Macau anunciou planos para acelerar o controlo fronteiriço de visitantes estrangeiros, sem estatuto de residente ou autorização de trabalho, através da utilização de canais electrónicos automáticos. As autoridades irão expandir os equipamentos de auto-serviço para o Sistema de Recolha de Dados Biométricos, que passará a aplicar-se a todos os visitantes estrangeiros, explicou Wong Sio Chak. O então secretário acrescentou que o Governo irá estudar a extensão da tecnologia de reconhecimento por íris nos controlos fronteiriços a não residentes ainda em 2025. “Estamos também a estudar formas de alargar o número de utilizadores elegíveis para os canais de passagem automática, permitindo que mais turistas estrangeiros beneficiem de processos de imigração mais rápidos e de uma circulação mais fluida na Grande Baía”, declarou Wong. Projecto nacional A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é um projecto de Pequim para integrar os dois territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong numa região com mais de 86 milhões de habitantes e uma economia superior a um bilião de euros em 2023. A partir de Junho, os nacionais de 82 países, incluindo Portugal, Brasil e Cabo Verde, começaram a poder entrar em Macau, através da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, sem precisar de sair do veículo. A Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, a mais longa travessia marítima do mundo, registou mais de 100 milhões de travessias de passageiros desde a inauguração, em Outubro de 2018, avançou em 6 de Janeiro a agência de notícias estatal chinesa Xinhua. A construção da ponte arrancou em 2009, mas foi afectada por atrasos, a morte de mais de 20 trabalhadores e derrapagens orçamentais. O custo final da infra-estrutura está estimado em 16,4 mil milhões de dólares, mais 25 por cento do que o inicialmente previsto. A ponte inaugurada em 2018 tem uma extensão de cerca de 55 quilómetros, que incluem um túnel subterrâneo de quase sete quilómetros entre duas ilhas artificiais para facilitar a navegação no delta do Rio das Pérolas. A infra-estrutura reduziu em cerca de metade o tempo de viagem entre Macau e Hong Kong.
Nunu Wu Manchete SociedadeAno Novo Chinês | Apelos a preços estáveis na restauração Associações apelaram a empresários da restauração para não aumentarem preços nos feriados do Ano Novo Chinês. Apesar da subida dos custos de operação, para compensar empregados que trabalham nos feriados obrigatórios, as associações sugerem a criação de menus com ofertas mais em conta Com os feriados do Ano Novo Chinês a aproximarem-se, associações que representam o sector da restauração apelam aos empresários e gerentes de restaurantes para não aumentarem os preços durante o período festivo, ou, se não tiverem alternativa, serem contidos na subida dos preços das refeições. Em declarações ao jornal Ou Mun, o presidente da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau, Lei U Weng, referiu que os empresários do sector estão a aplicar todos os esforços para que os residentes fiquem e gastem dinheiro na cidade, de forma a impulsionar a economia local. Sob o actual ambiente económico, Lei U Weng defende que os gerentes e donos de restaurantes não devem aumentar os preços durante os feriados do Ano Novo Chinês. Mas, se não se conseguir evitar a tendência devido ao aumento da taxa de serviço, o representante recomendou que devem ser seguidos os princípios de moderação, razoabilidade, abertura e transparência. Recorde-se que a lei que regula as relações de trabalho obriga os empregadores a compensarem os funcionários que trabalhem em dias de feriado obrigatório, com o triplo do salário ou o dobro (acrescido de um dia de folga adicional). Soluções criativas Lei U Weng salientou a necessidade de recorrer à criatividade comercial para contornar os custos acrescidos. Para tal, sugeriu a criação de menus especiais para os feriados, de forma a incentivar a permanência em Macau dos residentes. Também o presidente da Associação dos Comerciantes da Boa Cozinha de Macau, Ho Tsz Kit, apoiou a ideia, lembrando que muitos restaurantes criaram em anos anteriores menus especiais com descontos para atrair os clientes durante o Ano Novo Chinês. Este ano, os feriados obrigatórios calham a 17, 18 e 19 de Fevereiro. Para desviar o impacto do aumento dos custos, o representante afirmou que os empresários do ramo não têm alternativa. Ou encerram os restaurantes durante os feriados (solução visível para quem fica em Macau durante estes períodos), ou cobram até 30 por cento da taxa de serviço aos clientes. O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) apontou que entre o Natal e o Ano Novo, cerca de 400 estabelecimentos de bebidas e comidas emitiram declarações para utilizar novas tabelas de preços, com aumentos de preços que variaram entre 10 por cento e 40 por cento. Se os restaurantes não pedirem ao IAM novas tabelas de preços ou cobrarem taxas de serviço adicional, nem avisarem os clientes destas mudanças, podem ser multados em 2.500 patacas e 5.000 patacas, respectivamente.