Wynn Palace | Governo aprova construção de nova torre de suítes

A Wynn Resorts (Macau) tem luz verde do Governo para construir uma nova torre de suites no Wynn Palace, de acordo com um despacho assinado pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, publicado ontem no Boletim Oficial, que revê o contrato de concessão do terreno onde se situa o resort do Cotai da concessionária.

A área bruta do resort da Wynn irá crescer cerca de 17 por cento, com mais de 534 metros quadrados dedicados à construção de um complexo hoteleiro de cinco estrelas (incluindo áreas de jogo, centro de convenções, comércio, restauração, SPA, night club, teatro e centro de entretenimento).

O despacho do secretário para os Transportes e Obras Públicas indica que o teatro terá uma área de cerca de 8.700 metros quadrados, o centro de convenções terá 23 mil metros quadrados, enquanto o casino mantém uma área de 43,5 mil metros quadrados.

A concessionário irá pagar ao Governo um prémio adicional do contrato no valor de 652,3 milhões de patacas, “integralmente e de uma só vez, aquando da aceitação das condições do presente contrato”.

A nova torre vai ficar adjacente à entrada leste do Wynn Palace, e irá acrescentar 432 suítes, ou 25 por cento ao total de quartos do resort. Em Maio, a concessionária indicou que a construção da torre Enclave, como foi designada, devia começar na segunda metade deste ano.

23 Jul 2026

Moçambique | Empresários querem reforçar ligações com Macau

O objectivo é criar um fórum de Câmaras de Comércio dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) que utilize Macau como ligação à China

Alguns empresários moçambicanos defenderam a criação de um fórum de Câmaras de Comércio dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), acrescentando Macau como ligação à China, para trocar experiências e resolver problemas comuns.

O pedido foi formulado, em Maputo, pelo presidente da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), Lucas Chachine, durante uma sessão de intercâmbio entre empresários moçambicanos e cerca de 30 empresários de uma delegação empresarial da China e de Macau, além de elementos de outros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Queríamos aproveitar esta ocasião para propor a criação de um fórum das Câmaras de Comércio dos PALOP, também com o apoio da câmara de Macau, que também ainda tem raízes de língua portuguesa, para podermos ter um fórum de troca de experiências, aproveitar as capacidades que cada país tem, de modo a, em pouco tempo, resolvermos os problemas que ainda nos caracterizam como países menos desenvolvidos”, disse Lucas Chachine.

No encontro, que serviu também para a entrega de uma carta de parceria de expansão de mercados denominada plataforma Comércio Sino-lusófona, o representante da CCM afirmou que as câmaras de comércio podem ajudar a desenvolver a iniciativa, reiterando a vontade de colaborar com o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), com as câmaras da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e com todos os empresários.

“Vamos encontrar um espaço melhor de aproveitar as capacidades de cada lado para criarmos riqueza para os nossos países”, referiu Chachine, destacando o interesse em colher a experiência da China no desenvolvimento da agricultura, agro-indústria, turismo, economia azul, logística, digitalização, infra-estruturas, comércio e produção de automóveis.

Convite ao investimento

O presidente da CCM descreveu ainda as potencialidades de Moçambique, convidando os empresários da China e de Macau a apostarem no intercâmbio entre as delegações e investirem no país africano.

O responsável pediu também a disponibilidade dos empresários das duas instituições asiáticas a recomendarem alguns dos seus membros para ocuparem funções de delegados nas delegações da CCM existentes naqueles países.

“Isto vai ajudar a aproximar os dois empresários com os empresários tanto da China como da região autónoma de Macau. Eu, com os meus colegas, faremos a promoção dos objectivos empresariais naqueles países, com apoio dos delegados que pedimos que nos ajudem a indicar”, explicou Lucas Chachine, pedindo também apoio na mobilização de empresários e de investimentos para Moçambique, China, Macau, e vice-versa.

Já o vogal do conselho de administração do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau, Luíz Jacinto, convidou os empresários moçambicanos a participarem na Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa 2026, na 31.ª Feira Internacional de Macau e na Exposição de Franquia de Macau 2026, que decorrerão entre 21 a 24 de Outubro do corrente ano.

“Esperamos, através do intercâmbio aprofundado que se segue, conhecer melhor a vossa experiência de investimento em Moçambique e explorar o potencial de cooperação futura”, disse Luíz Jacinto, após apresentar as potencialidades daquele país num balanço sobre as relações sino-lusófonas.

23 Jul 2026

Reserva financeira | Novo recorde histórico em Maio

Em Maio, a reserva financeira de Macau atingiu pela primeira vez um valor superior a 700 mil milhões de patacas. Os dados foram revelados ontem pela Autoridade Monetária de Macau

Os activos da reserva financeira de Macau atingiram em Maio um novo recorde máximo, pelo sexto mês consecutivo, de mais de 700 mil milhões de patacas, anunciou ontem a Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

Um balanço publicado pelo regulador financeiro no Boletim Oficial mostra que a reserva valia 702,3 mil milhões de patacas no final de Maio. Este valor significa que em comparação com Maio do ano passado, quando o activo da reserva valia 636,3 mil milhões de patacas, houve um crescimento de 9,6 por cento ou de 66 mil milhões de patacas.

No final de Abril, a reserva financeira estava nos 697,3 mil milhões de patacas, pelo que o valor apresentado ontem representa uma subida em cadeia de 0,7 por cento ou de 5 mil milhões de patacas.

O valor atingido no final de Maio é o mais elevado de sempre. Há seis meses que os activos da reserva têm vindo a atingir de forma consecutiva novos recordes. No final do ano passado, a reserva financeira atingiu 666,7 mil milhões de patacas. Até essa data, o anterior recorde tinha sido fixado em Fevereiro de 2021, apesar de o território viver então em plena pandemia, com um valor de 663,6 mil milhões de patacas.

No entanto, desde Dezembro os recordes têm sido batidos de forma consecutiva. Em Janeiro, a reserva atingiu 673,8 mil milhões de patacas, a valorização continuou em Fevereiro, ao serem atingidos 681,0 mil milhões de patacas.

Nos meses mais recentes, em Março e Abril, a tendência positiva não se alterou, com a reserva a atingir 688,2 mil milhões de patacas, em Março, 697,3 mil milhões de patacas, em Abril.

Longe de outros recordes

Desde o final de 2025, a reserva registou uma valorização de 35,6 mil milhões de patacas. O melhor ano de sempre para a reserva financeira foi 2019, antes do início da pandemia, quando os activos se valorizaram em 70,6 mil milhões de patacas.

O valor da reserva extraordinária no final de Maio deste ano era de 518,4 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau, era de 163,6 mil milhões de patacas, ainda de acordo com a AMCM.

A reserva financeira de Macau é maioritariamente composta por 300,7 mil milhões de patacas em investimentos subcontratados; depósitos e contas correntes no valor de 291,8 mil milhões de patacas e títulos de crédito no montante de 106,8 mil milhões de patacas.

23 Jul 2026

Ásia | Fraudes e drogas sustentam “economia criminosa multinacional”

As Nações Unidas divulgaram ontem o relatório “Um Ecossistema Criminal Interconectado: Avaliação da Ameaça do Crime Organizado Transnacional no Sudeste Asiático 2026”, que indica que a região funciona, cada vez mais, como um centro de crime organizado com ligações ao tráfico de droga e burlas

O crime organizado no Sudeste Asiático transformouse em “economia multinacional” capaz de desafiar Estados, com perdas anuais superiores a 100 mil milhões de dólares em fraudes, alerta um novo relatório das Nações Unidas.

“Estamos a assistir a uma mudança em que grupos que antes actuavam apenas nos seus territórios e especialidades criminais operam agora em múltiplos mercados ilícitos ao mesmo tempo, recorrendo às mesmas cadeias de serviços”, disse a representante regional do Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), Delphine Schantz, num comunicado.

O estudo, intitulado “Um Ecossistema Criminal Interconectado: Avaliação da Ameaça do Crime Organizado Transnacional no Sudeste Asiático 2026”, descreve como diferentes actividades ilícitas – do tráfico de pessoas à fraude cibernética – estão a ser integradas numa infra-estrutura financeira e operacional comum.

Segundo o relatório, o crime organizado está a deslocarse do tráfico de bens físicos para a venda de serviços digitais, como fraudes online e liquidações financeiras em plataformas, difíceis de rastrear.

As perdas anuais com esquemas fraudulentos em 2025 foram estimadas entre 88,3 mil milhões e 114,1 mil milhões de dólares, superando o Produto Interno Bruto (PIB) de vários países da região. A expansão levou ao aumento do tráfico de pessoas para actividades criminosas forçadas, com vítimas de, pelo menos, 80 países, identificadas em complexos de fraude na região, com redes de recrutamento que procuram alargar o alcance à Europa e América do Norte.

O relatório sublinha que o Triângulo Dourado continua a ser o principal centro de produção de metanfetaminas, ketamina e heroína, com um valor anual estimado entre 75 mil milhões e 109,7 mil milhões de dólares.

O texto destaca também o Triângulo SuluCelebes, entre Indonésia, Malásia e Filipinas, como novo corredor estratégico para contrabando marítimo, incluindo tecnologia usada em operações de fraude.

Entre os mercados emergentes, a investigação da ONU aponta para o risco crescente da convergência entre jogos online e apostas ilegais, que torna os jovens particularmente vulneráveis. “A linha entre jogo digital e jogo de azar está cada vez mais difusa”, alertou Schantz.

O relatório identifica ainda tendências tecnológicas como inteligência artificial generativa, ‘deep fakes’ e fraudes automatizadas, incluindo “malvertising”, que explora redes de publicidade legítimas para disseminar malware. “Uma estratégia centrada apenas na disrupção não funciona”, disse Schantz. “É preciso atacar os motores do crime, prevenir e seguir o dinheiro. A apreensão de lucros ilícitos enfraquece estas redes e protege potenciais vítimas”, concluiu.

 

Os antecedentes

Segundo o mesmo estudo, desde que foi divulgada, em Abril de 2019, a última avaliação sobre a ameaça do crime organizado transnacional na região do Sudeste Asiático, “o panorama regional da ameaça do crime organizado transnacional sofreu uma mudança complexa e de grande alcance, devida principalmente ao rápido crescimento da criminalidade facilitada pelas tecnologias digitais”. Desta forma, deu-se uma mudança no “panorama regional das ameaças e o ecossistema criminoso, bem como a escala, a sofisticação e a disponibilidade do ‘crime como serviço’ e de outros serviços criminosos ilícitos”, pode ler-se.

O relatório destaca como o Sudeste Asiático “está a emergir como uma das principais regiões que moldam o ecossistema global do crime organizado transnacional”. Verifica-se, deste modo, “uma mudança estrutural de um modelo associado principalmente a mercados ilícitos discretos e, em grande parte, intrarregionais, para um modelo em que múltiplas economias criminosas operam de forma integrada e que se reforçam mutuamente, ultrapassando as fronteiras regionais”.

Tal mudança deve-se, em parte, a uma “combinação de desenvolvimentos geopolíticos”, bem como a “integração cada vez mais rápida de tecnologias emergentes nas operações criminosas”. Assim, deu-se a “proliferação de centros de fraude à escala industrial”, ocorrendo um cenário em que “grupos de criminalidade organizada expandiram tanto a escala como a complexidade das suas actividades”.

O mesmo documento dá conta que o Sudeste Asiático tem vindo a tornar-se “uma base operacional cada vez mais importante a partir da qual as redes criminosas coordenam uma gama diversificada de actividades ilícitas, cujos impactos se estendem muito além” da região.

Em causa estão “fraudes cibernéticas que visam vítimas em todo o mundo, o tráfico de pessoas provenientes de vários países para operações criminosas e a movimentação e branqueamento de rendimentos ilícitos através de sistemas financeiros regionais e internacionais interligados”.

 

Drogas para o mundo

A dificuldade para rastrear este tipo de criminalidade está intimamente ligada ao uso da tecnologia. “Uma parte crescente das receitas criminosas provém agora de operações baseadas em serviços, fraudes cibernéticas, fornecimento de infra-estruturas criminosas e liquidações financeiras através de plataformas”, destaca a ONU.

São, no fundo, “operações que não exigem que mercadorias físicas atravessem fronteiras e geram receitas que são substancialmente mais difíceis de rastrear, apreender e atribuir a actores criminosos específicos, principalmente devido à sua natureza virtual”.

Relativamente ao Triângulo Dourado, o relatório fala de uma “notável resiliência das actividades criminosas” que operam nesta área. Em causa estão “restrições persistentes de acesso, pela presença de uma miríade de grupos armados não estatais e por redes criminosas descentralizadas e fluidas”.

No que diz respeito aos estupefacientes, lê-se que “a metanfetamina constitui o núcleo da economia das drogas ilícitas para o crime organizado no Sudeste Asiático, com vendas a retalho estimadas em gerar entre 48,1 mil milhões e 74,8 mil milhões de dólares americanos anualmente — cerca de 70 por cento do total combinado do mercado de metanfetamina, heroína e ketamina”.

Estes números representam “um aumento de aproximadamente 20 por cento em comparação com a última estimativa apresentada” na anterior avaliação, em 2019.

“Apesar das apreensões recorde de metanfetamina registadas praticamente todos os anos ao longo da última década, os preços diminuíram em muitos países da região, enquanto os níveis de pureza se mantiveram elevados — tendências que indicam que o mercado é, em grande medida, impulsionado pela oferta e que as redes de crime organizado são fundamentais para esta evolução”, é referido.

Ainda relativamente à ketamina, é descrito como se tornou num “dos mercados de drogas que mais cresce no Sudeste Asiático”, sendo que o crime organizado visa “cada vez mais a região como uma base de produção fundamental”.

A droga fabrica-se mais na região do baixo Mekong, “tendo sido observado pela primeira vez no Myanmar, depois no Camboja e na República Democrática Popular do Laos e, mais recentemente, no Vietname”. No ano passado, a quantidade de ketamina apreendida na Ásia Oriental e também no Sudeste Asiático “atingiu um recorde de 52,5 toneladas, com aproximadamente 46,2 toneladas apreendidas no Sudeste Asiático, o que representa um aumento de mais de três vezes em relação à quantidade apreendida em 2024”.

“Os cinco países do baixo Mekong e a vizinha Malásia, por si só, representaram 97 por cento do total do Sudeste Asiático”, com um valor de vendas de ketamina no Sudeste Asiático e Leste Asiático a atingir “entre 2,7 mil milhões e 7,2 mil milhões de dólares americanos”.

Já a heroína “ganhou uma importância renovada”, ainda que “as drogas sintéticas dominem o mercado regional de drogas”.

A ONU refere que “as 1.010 toneladas de ópio em bruto que se estima terem sido produzidas no Myanmar em 2025 representam o segundo nível mais elevado desde 2005”, sendo “quase 2,5 vezes superior à estimativa feita há cinco anos, com o valor total da economia nacional de opiáceos do Myanmar a situar-se entre 641 milhões e 1,05 mil milhões de dólares”. Valores equivalentes a “0,9 e 1,4 por cento do PIB do país”.

“O aumento da produção de ópio no Myanmar e os sinais de um maior consumo de heroína nos mercados a jusante, incluindo corredores emergentes para a África Ocidental e a Europa — anteriormente abastecidos pelo produto afegão —, sugerem que a heroína está a expandir-se a par das drogas sintéticas, e não a substituí-las”.

O Myanmar parece ter-se tornado, assim, a fonte de três rotas para este tráfico transfronteiriço, com o documento da ONU a referir “uma rota virada para a China através do norte do Estado de Shan, particularmente em torno do corredor Lashio-Muse; uma rota oriental de Shan que liga Myanmar à Tailândia e à República Democrática Popular do Laos; e uma rota para oeste, em direção ao nordeste da Índia.”

Outras drogas destacadas são ainda a canábis e cocaína, tendo a canábis traficada a partir da Tailândia sido “apreendida em vários países europeus”. O tráfico destes dois tipos de estupefacientes “demonstram a crescente exposição do Sudeste Asiático a fluxos de tráfico internacional mais amplos”.

Novamente o triângulo marítimo de Sulu-Celebes surge nesta equação, sendo identificado como um “corredor cada vez mais importante para o trânsito de cocaína proveniente da América Latina”. Assim, é indicado que “o Sudeste Asiático está a funcionar não só como uma região de origem para as exportações de drogas, mas também como um ponto de trânsito e destino emergente para fluxos originários de fora da região”. A.S.S. /Lusa

23 Jul 2026

Taipa | Pedidas explicações para aumento de zonas com cheias

Uma associação da Taipa ligada aos Moradores quer que o Governo analise e explique porque mais zonas nas Ilhas são afectadas por cheias desde o ano passado. Os responsáveis pediram celeridade na construção de estações elevatórias de águas pluviais e inspecção à rede de esgotos e sistema de drenagem

Depois das chuvas intensas na manhã de segunda-feira, que originaram inundações em várias partes da Taipa, a Associação Promotora para o Desenvolvimento da Comunidade da Taipa pediu ao Governo uma investigação às razões pelas quais mais zonas nas Ilhas sofrem com inundações desde o ano passado, face a anos anteriores.

Os dirigentes da associação afiliada na União Geral das Associações dos Moradores de Macau pediram uma análise aos novos pontos negros de cheias, como as proximidades da Avenida Wai Long, Rotunda da Seac Pai Van, Caminho das Hortas, Rotunda do Istmo e Edifício do Lago, que já desde o Verão passado se tornaram em zonas críticas.

Em declarações ao jornal Ou Mun, os vice-presidentes da associação, Lam Ka Chun e U Chi Lek, recordaram que no passado as inundações afectavam sobretudo as áreas mais baixas, como a Rua de Fernão Mendes Pinto, a zona circundante de Chun Su Mei e a Rua da Ponte Negra, na Taipa Velha.

Os dirigentes realçaram ainda a frequência cada vez maior com que situações climáticas extremas atingem o território.

O que é preciso

Entre as soluções possíveis, Lam Ka Chun e U Chi Lek pediram celeridade na construção das estações elevatórias de águas pluviais da Avenida dos Jogos da Ásia Oriental e do Centro Desportivo Olímpico, e o reforço da monitorização da subida das águas para controlar cheias nos bairros antigos.

Além disso, os representantes pediram ao Governo uma análise detalhada à rede de esgotos e a revisão do plano geral de drenagem na Taipa e Coloane, com focos nos novos pontos negros de inundações, para verificar a necessidade de obras de melhoramento. Foram também mencionados testemunhos de moradores que indicaram que a água recuou mais rapidamente na Rua da Ponte Negra.

Saindo do capítulo da prevenção para os trabalhos de apoio durante inundações, os dirigentes sugeriram a colaboração interdepartamental entre Obras Públicas e Assuntos do Tráfego para operações conjuntas de prevenção específicas para os novos pontos negros.

22 Jul 2026

Patriotismo | O Lam quer jovens com o espírito da Longa Marcha

Terminou na segunda-feira o acampamento militar de Verão para estudantes. No encerramento, a secretária O Lam incentivou os jovens a inspirarem-se na Longa Marcha e no nacionalismo. Durante uma semana, 150 alunos de 28 escolas tiveram treino no Quartel Militar da Taipa

Terminou na segunda-feira o 19.º Acampamento Militar de Verão para Jovens e Estudantes na Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês, que durou uma semana e no qual participaram 150 alunos de 28 escolas e instituições de ensino de Macau.

Na cerimónia de encerramento, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, afirmou que o Governo atribui grande importância à educação patriótica, inovando modelos educativos para que os jovens aprofundem a sua compreensão da situação nacional.

A governante afirmou que se assinala este ano o “90.º aniversário da vitória da Longa Marcha do Exército Vermelho dos Trabalhadores e Camponeses Chineses”, referindo-se à retirada das tropas comunistas durante a guerra civil. O Lam encorajou os jovens a “inspirarem-se no espírito da Longa Marcha, a cultivarem o seu carácter, a terem sempre presente o que aprenderam e viveram no exército e a reforçarem as suas convicções”, indicou a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), num comunicado divulgado na noite de segunda-feira.

A responsável encorajou os jovens a estabelecerem metas ambiciosas, persistirem nos estudos, aperfeiçoarem competências e a enraizarem-se em Macau, mantendo a pátria nos corações. O Lam indicou como caminho a seguir a “associação consciente do desenvolvimento pessoal à situação global do país”, para que os jovens contribuam para o rejuvenescimento da nação.

Jogos de guerra

Durante uma semana, os estudantes fizeram treino militar, incluindo conhecimentos básicos sobre equipamento, treino de campo e primeiros socorros, realizaram visitas de estudo e experimentaram a vida militar.

O Major-General Lian Wei, comissário político da Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês, elogiou a dedicação os jovens de Macau e manifestou esperanças de ver associados os seus destinos aos do país, cultivando um profundo sentido de patriotismo.

O responsável mostrou-se esperançado de que os jovens que participaram no acampamento levassem consigo uma nova injecção de coragem, autodisciplina e optimismo no regresso à escola e à sua vida familiar.

22 Jul 2026

Direitos Laborais | Aumentam licença de maternidade e férias anuais

A Assembleia Legislativa aprovou a proposta do Governo para assegurar que as trabalhadoras no sector privado passam a gozar de uma licença de maternidade de 90 dias, cerca de três meses. Os dias de férias podem subir dos actuais seis para um máximo de 12

A licença de maternidade no sector privado vai subir para 90 dias, face aos actuais 70 dias. A medida foi ontem aprovada na Assembleia Legislativa, por unanimidade, onde a matéria estava a ser discutida desde o início de Junho.

Segundo as alterações ontem decididas, os 90 dias podem ser igualmente gozados se a trabalhadora der à luz um nado-morto ou se houver interrupção involuntária, após os primeiros três meses da gravidez. Neste caso, a mulher tem direito a gozar de 21 a 90 dias, dependendo das necessidades comprovados por atestado médico.

A medida vai entrar em vigor no dia seguinte ao da publicação da lei no Boletim Oficial, o que poderá acontecer na próxima segunda-feira.

Após a lei ser aprovada, tanto os deputados ligados à Federação das Associações dos Operários de Macau como à Associação das Mulheres chamaram para si os louros das mudanças. “Os aumentos [aprovados ontem] são um grande progresso nos direitos dos trabalhadores. O Governo deve continuar a pensar no aumento da licença de paternidade, subsídio da natalidade, para criar um bom ambiente de trabalho”, afirmou Leong Pou U, deputado ligado aos Operários em nome deste grupo.

Por sua vez, os representantes do patronato, como Ip Sio Kai e Si Ka Lon pediram apoios do Governo para as Pequenas e Médias Empresas. “Em Macau temos uma indústria muito pequena, portanto muitas PME e microempresas vão ser responsáveis pelos pagamentos e irão sentir dificuldades”, afirmou Ip. “Actualmente, muitas PME ainda sofrem dificuldades, por falta de clientes, e tendo em conta esta aprovação espero que o governo acompanhe o desenvolvimento das PME e adopte políticas de apoio”, acrescentou.

Férias curtas

Em relação aos dias mínimos de férias obrigatórias, os deputados também aprovaram um aumento, que funciona de forma gradual e apenas a partir do próximo ano. Os actuais seis dias anuais são mantidos para os trabalhadores que ainda não cumpriram dois anos no mesmo emprego.

A partir do segundo ano com a mesma empresa, os trabalhadores vão ganhar um dia de férias por cada dois anos de trabalho no mesmo local. Segundo esta lógica, quando estão no mesmo posto de trabalho entre dois e menos de quatro anos, os trabalhadores vão poer gozar de sete dias de férias por ano. Os dias sobem progressivamente até um limite máximo de 12 dias, quando os trabalhadores permanecem na mesma empresa mais de 12 anos.

22 Jul 2026

SMG | Chuvas intensas provocam cheias e aulas suspensas

As chuvadas intensas que afectaram Macau entre a madrugada e a manhã de segunda-feira provocaram um pandemónio no início do dia, com os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) a registarem inundações em várias partes da cidade, com participar incidência na Taipa. Por volta das 07h05, as autoridades emitiram o sinal vermelho, o quinto do ano, alerta para previsões de precipitação de cerca de 50 milímetros numa hora, prevendo inundações nas partes baixas da cidade.

Segundo o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), foram encerradas ao trânsito a Rua Cidade do Porto e a Rua Ponta Negra, na Taipa, e foram registadas inundações na a Avenida Wai Long, Estrada da Ponta da Cabrita e na Rotunda do Istmo.

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude acompanharam o sinal vermelho de chuva intensa e às 07h06 lançaram um aviso de suspensão das aulas no ensino secundário na parte da manhã, e nos ensinos infantil, primário e especial durante o dia todo.

“As escolas devem manter as suas instalações e respectivo pessoal em funcionamento, ocupando e acolhendo os alunos que cheguem às escolas, até que o seu regresso a casa se possa fazer em segurança”, acrescentou a DSEDJ.

 

O top três

Com o sinal vermelho emitido, o CPSP apelou à população para “permanecer em locais seguros, na medida do possível, e evitar sair à rua”. Aos condutores foi pedida prudência na estrada e atenção “às condições de inundação, evitando deslocações a zonas baixas ou a entrada em parques de estacionamento subterrâneos”.

Também o Corpo de Bombeiros pediu à população para ficar em locais fechados e seguros e evitar deslocações a zonas baixas ou ao ar livre.

Mais de três horas e meia depois de ter sido emitido o sinal vermelho de chuva intensa, os SMG substituíram-no pelo sinal amarelo. Nessa altura, várias zonas já registavam precipitação acumulada superior a 100 milímetros, com o recorde a ser batido pela estação de monitorização meteorológica da Taipa Grande com 147,4 milímetros.

O segundo lugar do “pódio” foi para a Universidade de Macau com 133 milímetros e o “bronze” foi para o Porto Exterior com o registo de 125,2 milímetros.

Porém, a inundação mais forte verificou-se no Caminho das Hortas, no centro da Taipa, onde os SMG registaram 37 centímetros de água acumulada.

Apesar das previsões dos SMG apontarem para que a chuva e as trovoadas se mantenham hoje, o céu pouco nublado deve regressar na quarta-feira.

21 Jul 2026

Carnaval Phone Show | Arno Bornkamp estreia-se no Centro Cultural de Macau

O saxofonista clássico holandês vai actuar pela primeira vez em Macau e interpretar temas como a Rapsódia de Debussy, a Sonata Hot de Schulhoff, as Duas Fantasias de Takács e os Três Prelúdios de Gershwin. Os interessados vão também poder ouvir a interpretação do Concerto Tallahatchie do compositor holandês Jacob ter Veldhuis

 

O saxofonista clássico Arno Bornkamp é o cabeça-de-cartaz do concerto “Carnaval Phone Show”, que decorre esta noite, a partir das 19h45, no Centro Cultural de Macau. Os bilhetes para a 10.ª edição do espectáculo organizado pela Associação de Regentes de Banda de Macau custam 300 patacas.

Segundo os organizadores, o evento vai ter uma duração de cerca de 100 minutos e durante a primeira parte, Arno Bornkamp vai tocar em Macau a Rapsódia de Debussy, a Sonata Hot de Schulhoff, as Duas Fantasias de Takács e os Três Prelúdios de Gershwin.

Nascido em 1959, o neerlandês Arno Bornkamp tem uma carreira de quase 40 anos e um estilo distintivo herdado da tradição francesa do saxofone do século XX.

Além disso, o saxofonista europeu foi também profundamente influenciado pelas correntes inovadoras da música holandesa dos anos 1980, tendo sido um dos fundadores do quarteto Aurelia Saxophone Quartet, em 1982. Este quarteto destacou-se ao longo de 30 anos por não se limitar ao repertório clássico francês, interpretando também quartetos de cordas de Bach, Mozart, Ravel e Piazzolla, além de música contemporânea e ter colaborado com artistas de jazz, rock, música étnica, bailarinos e actores.

Ainda durante a primeira parte do espectáculo, Arno Bornkamp recebe a companhia do saxofonista local Hugo Loi, para interpretar peças para duos de saxofones: Canciones de Éxtasis y Nostalgia de Manuel Bonino e Ode to Strauss de Gershwin.

Hugo Loi é um participante frequente dos “Carnaval Phone Show” organizados pela Associação de Regentes de Banda de Macau, associação que integra, estando assim de regresso para actuar em mais uma edição.

Os dois saxofonistas vão ainda ser acompanhados por Cherry Tsang, pianista de Hong Kong, que se estreou em 2009 no Carnegie Hall, em Nova Iorque, e desde então tem actuado em algumas das salas de espectáculo mais famosas do mundo, integrando orquestras como a Orquestra Sinfónica da Hong Kong Academy for Performing Arts, Orquestra Hong Kong Ars Nova e Orquestra the Eastman Symphony.

Oportunidades para todos

Após o intervalo, Arno Bornkamp vai continuar em palco para actuar com um conjunto de saxofonistas escolhidos pela Associação de Regentes de Banda de Macau. Este conjunto inclui alunos de instituições de ensino como a Universidade de Macau, Escola Pui Ching, Escola Sheng Kung Hui, do Colégio de Santa Rosa de Lima (Secção Inglesa), Colégio Yuet Wah, Colégio do Sagrado Coração de Maria (Secção Inglesa), entre outras, e vai ser dirigido por Hugo Loi. Além disso, vão fazer ainda parte do grupo vários jovens saxofonistas de Macau já licenciados ou a frequentar cursos superiores de interpretação de saxofone.

Em conjunto, vão interpretar a obra Concerto Tallahatchie do compositor holandês Jacob ter Veldhuis.

Também nesta fase do espectáculo, vai ser interpretada a obra Bênção Divina, encomendada ao compositor holandês Douwe Eisenga a pensar na 10.ª edição do Carnaval Phone Show. “Trata-se de uma versão inédita encomendada para o conjunto de saxofones, que terá aqui a sua estreia mundial. O estilo musical de Douwe Eisenga funde rock, pop, música do mundo, bem como elementos barrocos e minimalistas”, comunicaram os organizadores. “As suas obras são conhecidas por ritmos hipnóticos e melodias líricas persistentes, cheias de uma força que toca a alma. Esta peça, feita à medida para a ocasião, será sem dúvida um dos pontos altos do evento”, foi acrescentado.

O repertório do concerto abrange desde o impressionismo francês até obras contemporâneas do século XX, com estilos que variam da tradição clássica francesa a peças americanas com fortes cores de jazz, demonstrando plenamente a versatilidade do saxofone.

21 Jul 2026

Ponte da Amizade | Queixas de piso irregular e acidentado

Condutores queixam-se do piso irregular na Ponte de Amizade semelhante a pequenas lombas sempre que passam por uma junta de dilatação, a cada 12 metros. O deputado e engenheiro Leong Hong Sai aponta que a estrutura da ponte já pressupõe alguma trepidação

A trepidação provocada pela circulação na Ponte da Amizade causou algumas queixas de condutores, que consideram o piso mais irregular e acidentado, em comparação com o passado, antes de terem iniciado as obras de manutenção na estrutura. Recorde-se que a Ponte da Amizade está com obras de manutenção no tabuleiro desde meados de Maio, as primeiras de grande escala nos últimos 25 anos.

Segundo queixas ouvidas pelo jornal Ou Mun, os condutores manifestaram dúvidas se a trepidação se deve a problemas com o asfalto, ou se será das juntas de dilatação.

A situação levou o deputado e engenheiro Leong Hong Sai a visitar a ponte. Em primeiro lugar, o legislador da bancada dos Moradores referiu que o facto de o tabuleiro e os viadutos de acesso da ponte terem juntas de dilatação a cada 12 metros é um problema herdado da concepção histórica da ponte.

Leong Hong Sai explica que, com base no desenho estrutural da Ponte da Amizade, um veículo que circule a uma velocidade entre 60 e 80 quilómetros por hora sente a trepidação a cada meio segundo. O engenheiro refere que este sistema “ondulatório” é uma característica da ponte, mas que também se deve ao sistema de drenagem da estrutura. Como tal, a trepidação é sentida com mais intensidade na faixa mais lenta, devido ao declive descendente no asfalto para escoar água acumulada.

Esperar pelo fim

A diferença de materiais pode ser outra explicação para a trepidação, devido às propriedades físicas drasticamente diferentes. O deputado realçou que as juntas de dilatação são estruturas rígidas feitas de aço e betão, enquanto o revestimento rodoviário é constituído por betão asfáltico flexível. A passagem pelas diferentes superfícies cria esse contraste. Porém, se tiver de escolher entre o máximo conforto na condução, ou condução segura quando chove, o deputado e engenheiro não tem dúvidas que a prioridade deve ser a segurança rodoviária.

No entanto, ressalva que a obra ainda não terminou, tendo o fim previsto antes do início do ano lectivo, em Setembro, e que as juntas de dilatação ainda não foram todas substituídas e que a condução deverá ser mais suave quando esse trabalho for concluído.

Por fim, Leong Hong Sai realça a importância de efectuar uma vistoria completa quando as obras estiverem concluídas.

21 Jul 2026

Produtos financeiros | Coutinho alerta para falta de fiscalização

O deputado ligado à ATFPM avisa para o surgimento de novos produtos financeiros na banca local que fazem dos residentes intermediários de crédito. Numa interpelação, Pereira Coutinho recorda que esta actividade exige uma licença especial e pede maior fiscalização por parte da AMCM para evitar abusos

O deputado José Pereira Coutinho pediu à Autoridade Monetária de Macau (AMCM) para fiscalizar os produtos financeiros vendidos por bancos locais e instituições de créditos. Numa interpelação escrita, o deputado alerta que os residentes podem estar a ser manipulados para adquirirem produtos financeiros que não compreendem.

Segundo o legislador ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), as queixas surgiram depois de alguns residentes terem assinado contratos com os bancos em que aceitavam pagar as dívidas de terceiros a esses bancos, e, como contrapartida, recebiam taxas de juro “elevadas” com valores entre 12 a 20 por cento da dívida.

No entanto, Coutinho alerta que estes contratos foram assinados “sob permanente pressão das instituições bancárias”. Além disso, o deputado avisa que os produtos financeiros descritos se enquadram no regime previsto para a “captação e aplicação de recursos em troca de remuneração por juros”, o que de acordo com uma circular da AMCM faz com que estes produtos só possam ser disponibilizados a investidores profissionais.

No cenário descrito pelo membro da Assembleia Legislativa, as instituições, que nunca são identificadas, poderão ter falhado em várias das suas obrigações, ao nível da informação que devem prestar aos clientes: “Impõe-se saber se tais operações foram objecto de comunicação prévia à AMCM […] e se as instituições bancárias envolvidas cumpriram cabalmente os deveres de informação, adequação e transparência que lhes são impostos”, avisou o deputado no documento.

Coutinho vai mais longe e indica ainda que as queixas denunciam que os clientes dos produtos financeiros “não foram devidamente informados sobre a natureza estruturada das complexas operações financeiras, os riscos inerentes à intervenção de terceiros financiadores, nem sobre a existência de eventuais comissões ou remunerações acessórias”. “Tal omissão, caso se confirme, configura uma violação dos deveres de informação”, realça o deputado.

Obrigações paralelas

Coutinho também questiona a AMCM sobre se teve conhecimento da criação por “algumas instituições bancárias” de “complexas operações de produtos financeiros estruturados com empréstimos de moradias hipotecadas em que os cidadãos pagam a dívida bancária do mutuário e recebem em contrapartida taxas de juro anuais entre 12 por cento a 20 por cento”.

O deputado pede igualmente ao Governo para esclarecer se “estas operações foram ou não objecto de comunicação prévia” e se as instituições bancárias que disponibilizam os produtos financeiros foram objecto de fiscalização, no que diz respeito aos direitos de informação, transparência e adequação.

José Pereira Coutinho alerta ainda que segundo os produtos financeiros referidos, os residentes estão “na prática a exercer a actividade de intermediação financeira ou de concessão de crédito” sem terem autorização legal. Por isso, o deputado quer saber quais são as medidas adoptadas pela AMCM para fiscalizar estas situações e sancionar as instituições de crédito de forma a evitarem a repetição destes comportamentos. O deputado quer também que a AMCM explique como está a “proteger os consumidores e salvaguardar a estabilidade e a legalidade do sistema financeiro de Macau”.

21 Jul 2026

Estacionamento | Nam Kwong vai explorar parquímetros por sete anos

A Nam Kwong Tung ganhou o concurso de exploração dos estacionamentos nas vias pública, cuja concessão dura sete anos, substituindo a Macau Forehap Parking Management. A concessão prevê a introdução de várias formas de pagamento electrónico e uma aplicação para pagar à distância

A Companhia Nam Kwong Tung venceu o concurso público para a “Concessão da exploração de lugares de estacionamento na via pública”, que implica a gestão de cerca de 10 mil de lugares com parquímetros nas ruas da cidade. A decisão foi anunciada ontem numa ordem executiva assinada por Sam Hou Fai publicada ontem no Boletim Oficial, que delega no secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man, poderes para representar a RAEM na escritura público do contrato de concessão com a Nam Kwong Tung. O testemunho da concessão passa da Macau Forehap Parking Management para a subsidiária do gigante estatal Nam Kwong Group.

O concurso público, que foi lançado no final de Fevereiro implica a modernização dos estacionamentos na via pública, a começar pelos métodos de pagamento. O Governo exigiu que sejam fornecidos diversos meios de pagamento electrónicos locais e não locais, incluindo o “Simple Pay”, cartões de crédito, porta-moedas electrónicos.

A concessionária terá também de criar uma aplicação móvel e uma página de internet que permita consultar em tempo real se os lugares de estacionamento com parquímetros estão ou não ocupados, além de permitir o pagamento remoto, acabando com a necessidade de voltar ao parquímetro para renovar o pagamento.

Aos seus lugares

A Nam Kwong Tung terá também de adquirir e instalar sensores de detecção de veículos em todos os lugares de estacionamento com parquímetros para automóveis ligeiros e pesados. Ficará ainda a cargo da concessionária o pagamento integral dos custos de aquisição e instalação de um sistema de equipamentos de cobrança para substituir o actual.

Das 12 concorrentes admitidas ao concurso público, a Nam Kwong Tung apresentou a sexta proposta mais elevada, com um preço proposto de retribuição de 48 por cento. A antiga concessionária, a Macau Forehap Parking Management propôs um preço de retribuição de 63 por cento.

A Companhia de Parques de Macau, cujo presidente é Ma Iao Lai, apresentou a proposta mais elevada, com um preço proposto de retribuição de 70 por cento. Ma Iao Lai é o filho mais velho do empresário Ma Man Kei e pai de Frederico Ma Chi Ngai.

Aquando da abertura do concurso, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego indicou que a avaliação e adjudicação teria por base o valor proposto pelos concorrentes, plano de execução do sistema de cobrança e dos equipamentos de hardware e software, prazo de execução das obras e projectos adicionais de exploração do serviço público de estacionamento.

21 Jul 2026

Hotelaria | Prevista taxa de ocupação de 90% no Verão

O ex-deputado e presidente da Associação dos Hoteleiros de Macau, Cheung Kin Chung, acredita que o mercado está a criar condições para os turistas pernoitarem mais tempo no território, antes de regressarem a casa

 

O presidente da Associação dos Hoteleiros de Macau, Cheung Kin Chung, estima que a ocupação hoteleira durante o Verão atinja uma taxa de 90 por cento, com Agosto a ser o mês com mais dormidas. O cenário foi traçado por Cheung, em declarações ao jornal Ou Mun.

O ex-deputado explicou que o Verão tende a reflectir uma maior ocupação, não só devido aos turistas individuais, mas principalmente devido às deslocações em família que acontecem com maior frequência durante o Verão.

Quanto aos preços dos quartos, Cheung Kin Chung apontou que a flutuação dos valores durante as férias de Verão se mantém dentro de um nível que razoável.

O responsável explicou que os preços são mantidos dentro de um nível aceitável, não só porque recentemente abriu um novo hotel na cidade, o que veio aumentar ainda mais a oferta, mas também porque os comerciantes fazem um esforço de autodisciplina sobre a questão dos preços, para evitar grandes impactos junto dos clientes.

Por estes motivos, Cheung Kin Chung não espera grandes subidas dos preços, indicando que devem rondar os valores praticados durante a Semana do Dia do Trabalhador, quando as dormidas custavam cerca de 1.000 dólares de Hong Kong por noite. O dirigente associativo acredita que ao longo do Verão estes valores devem ser mantidos.

Visitam, mas não dormem

Nas declarações prestadas à publicação em língua chinesa, Cheung Kin Chung abordou também a questão do aumento do número de turistas que visitam Macau, mas optam por não pernoitar.

Sobre este aspecto, Cheung Kin Chung afirmou que o sector tem feito diferentes planos para contribuir para permanências mais longas e deu como exemplo a mais recente vaga de descontos. Segundo as novas promoções, quanto mais noites os clientes passam num hotel, maiores são os descontos. De acordo com este modelo, os turistas pagam normalmente a primeira noite, mas depois têm um desconto na segunda noite, que se torna ainda maior se houver uma terceira dormida.

Na linha destes esforços, Cheung Kin Chung revelou também que o mercado tem cada vez mais pacotes de turismo, que juntam refeições com deslocações a atracções turísticas ou eventos, como convenções, de forma a promover estadias em Macau mais longas.

Cheung Kin Chung indicou ainda que o sector vai reforçar a cooperação regional para criar um mercado de turismo mais internacional, com a oferta de produtos turísticos entre Macau e Hengqin ou outras paragens na Grande Baía.

20 Jul 2026

Hong Kong | China saúda EUA por restaurarem privilégios comerciais

A China saudou a decisão dos Estados Unidos de não renovar uma ordem executiva que revogava o estatuto comercial especial de Hong Kong, considerando um passo importante na implementação do consenso alcançado durante encontros entre Pequim e Washington.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos confirmou na sexta-feira que não vai renovar a ordem executiva, assinada em Julho de 2020 durante o primeiro mandato do Presidente norte-americano, Donald Trump, em resposta à imposição pela China da lei de segurança nacional.

Decisão aplaudida na sexta-feira por um porta-voz do Ministério do Comércio da China que, citado pela agência de notícias Xinhua, confirmou a revogação, este ano, da ordem executiva.

Ainda de acordo com este ministério, durante as consultas económicas e comerciais entre a China e os EUA, realizadas em Madrid no ano passado, os Estados Unidos assumiram compromissos sobre questões que incluíram Hong Kong e o investimento.

O porta-voz indicou ainda que a manutenção da prosperidade e da estabilidade de Hong Kong serve os interesses comuns da China e dos Estados Unidos, e que o ajustamento da política dos EUA em relação a Hong Kong numa direcção positiva também vai ao encontro das expectativas da comunidade internacional.

 

Pela estabilidade

A China, afirmou ainda o responsável chinês do Ministério do Comércio, espera que os Estados Unidos honrem as convenções internacionais e o consenso alcançado pelas duas partes, respeitem a soberania da China e o Estado de direito na Região Administrativa Especial de Hong Kong, e restabeleçam e reforcem as relações económicas e comerciais com esta cidade vizinha de Macau.

Esses esforços contribuiriam para a construção de uma relação construtiva de estabilidade estratégica entre a China e os Estados Unidos, acrescentou o porta-voz.

Na sexta-feira, o porta-voz do Departamento do Tesouro afirmou que continuarão em vigor as sanções previstas na Lei de Autonomia de Hong Kong de 2020, que penaliza autoridades que promovem a política chinesa de limitar a autonomia do território, acrescentando que a decisão de não renovar evita a duplicação de sanções.

A ordem executiva de 2020, justificada com a convicção de que Hong Kong deixou de ser suficientemente autónomo para merecer um tratamento diferenciado em relação à China continental sob certas leis, fora renovada pela última vez em Julho de 2025, por um ano.

O Governo de Hong Kong afirmou, em comunicado, ter notado uma “mudança positiva na política dos EUA” em relação à cidade.

“Salvaguardar a prosperidade e a estabilidade de Hong Kong atende aos interesses comuns da China e dos Estados Unidos e também se alinha com as expectativas gerais da comunidade internacional”, referiu.

20 Jul 2026

Habitação | Junho com mais transacções e preços mais altos

Em Junho, registaram-se mais compras e vendas de habitação e os preços ficaram mais caros, o que representa uma inversão das tendências mais recentes. Em Coloane, o preço do metro quadrado ultrapassou as 100 mil patacas

O total de transacções de habitação fixou-se em 433 durante o mês de Junho, um crescimento anual de 97,7 por cento. Os números mais recentes foram divulgados pela Direcção de Serviços de Finanças (DSF) e mostram também que os preços das casas subiram.

Junho totalizou 433 compras e vendas de habitação, o que contrasta com as 219 transacções registadas em Julho do ano passado, um dos valores mais reduzidos dos últimos meses.

No último mês, o mercado mais activo foi o da Península, com um total de 333 transacções, mais 175 do que no período homólogo, quando houve 158 compras e vendas neste mercado.

Também na Taipa e em Coloane, o número de transacções cresceu, para 71 e 29, respectivamente, quando há um ano não tinham ido além das 51 e 10 compras e vendas.

No mês passado, o preço médio do metro quadrado foi de 87.869 patacas, quando há um ano tinha sido de 69.254 patacas, uma diferença de 26,9 por cento.

Recentemente, os preços mais altos foram praticados no mercado da Península, com o metro quadrado a ser comercializado por 90.912 patacas. Há um ano, o preço era de 69.707 patacas por metro quadrado, pelo que se registou um crescimento de 30,4 por cento.

Na Taipa, o preço mais recente do metro quadrado foi de 69.919, quando há um ano tinha sido de 64.761 patacas. Em Coloane, em Junho, o preço da compra de habitação atingiu 105.197 patacas, o que contrasta com as 90.069 patacas do período homólogo.

Aumento mensal

Se a comparação for mensal, entre Maio e Junho do corrente ano, verifica-se igualmente uma tendência para se registarem mais transacções e também a preços mais elevados.

Em Maio deste ano, o número de transacções tinha atingido 303 compras e vendas, o que significa que Junho representou um aumento de 24,1 por cento, face às 433 transacções.

O maior crescimento verificou-se na Península, de 209 transacções para 333, enquanto em Coloane o número de compras e vendas subiu de 16 para 29. A excepção aconteceu na Taipa, onde houve menos sete negócios, uma quebra de 78 negócios em Maio para 71 em Junho.

Em termos dos preços, na Península, o metro quadrado valorizou de 69.420 patacas para 90.912 patacas, enquanto em Coloane o valor aumentou de 76.910 patacas para 105.197 patacas. A excepção foi a Taipa onde os preços perderam valor, de 72.488 patacas para 69.919 patacas.

20 Jul 2026

DSAL | Feira de emprego com 1.600 vagas para recém-licenciados

Na sexta-feira e sábado, a Torre de Macau acolheu uma feira de emprego para jovens que disponibilizou mais de 1.600 vagas para trabalhos e estágios em mais de 50 empresas de Macau e Hengqin. O director da DSAL encorajou os jovens a reforçarem a sua competitividade

Encontrar um emprego a tempo inteiro, que garanta estabilidade financeira e a saída da precariedade que afecta a economia da actualidade. Esta foi a esperança que moveu quem foi à Feira de Emprego para Jovens 2026, organizada pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), que decorreu na sexta-feira e sábado, no Centro de Convenções e Entretenimento da Torre de Macau.

Com foco na vida profissional dos jovens recém-graduado, a feira deste ano disponibilizou mais de 1.600 ofertas de emprego e de estágio em mais de 50 empresas locais e da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin.

Ao longo dos dias que durou a feira, foram organizadas sessões para elucidar os candidatos sobre os diversos sectores de actividade com ofertas de emprego, assim como emparelhamento profissional com entrevistas, avaliações do potencial profissional e sessões individuais de aconselhamento de carreira.

“Nesta edição, foi também introduzido um workshop de simulação de entrevistas, que, através de exercícios práticos em cenários realistas e de comentários especializados de formadores, visou ajudar os jovens a aperfeiçoar as suas técnicas de entrevista, a acumular experiência e a reforçar a sua confiança na procura de emprego”, é descrito pela DSAL.

Aqui e ali

As autoridades organizaram também várias sessões de partilha sectorial para elucidar os jovens sobre as tendências das indústrias emergentes e as diferenças das políticas de emprego em Macau e Hengqin.

Na cerimónia de abertura da feira, o director da DSAL, Chan Un Tong, lançou o repto aos jovens para reforçarem a sua competitividade e a aproveitarem a oportunidade para “estabelecer contactos e encontrar o seu próprio percurso profissional”.

O responsável indicou ainda que, ao longo dos anos, a Feira de Emprego para Jovens tem aperfeiçoado os serviços complementares, reunindo recursos de Macau e Hengqin, com o objectivo de proporcionat aos jovens um leque mais alargado de opções de desenvolvimento.

20 Jul 2026

CPLP | Ji Xianzheng defende papel de Fórum de Macau

Quando se celebram os 30 anos do estabelecimento da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o secretário-geral do Fórum de Macau argumenta que também contribui para os objectivos comuns do organismo

O secretário-geral do Fórum de Macau considera que, mesmo sem ligação institucional formal, o organismo “contribui para a concretização de alguns dos objectivos da CPLP”, ao promover o desenvolvimento comum entre a China, os países lusófonos e Macau.

Ji Xianzheng sublinhou, em declarações envidas por escrito à Lusa a propósito dos 30 anos da CPLP, assinalado na sexta-feira, que o reforço do papel da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) como plataforma de serviços para a cooperação comercial “aproxima os países lusófonos entre si e abre novos caminhos de articulação com a China”, destacando que mantêm “contactos directos com o secretariado-executivo da CPLP”.

O responsável recordou que a Conferência Ministerial do Fórum de Macau conta regularmente com a presença do secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) como convidado e que o Secretariado Permanente tem recebido visitas da Confederação Empresarial da CPLP.

“Embora não exista um mecanismo formal de ligação institucional, na prática desenvolvemos esforços complementares que trazem benefícios concretos”, afirmou Ji.

Sobre uma eventual aproximação institucional mais estruturada, frisou que “depende, antes de mais, das opiniões e da vontade dos 10 participantes do Fórum – a China e os nove países de língua portuguesa”. Ainda assim, garantiu que o Fórum acompanha “com interesse todas as iniciativas que possam reforçar a cooperação económica e comercial entre os Países de Língua Portuguesa e a China”.

A China estabeleceu Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os países de língua portuguesa (Fórum de Macau).

O Secretariado Permanente do Fórum integra o secretário-geral, o chinês Ji Xianzheng e três secretários-gerais adjuntos: o timorense Danilo Afonso Henriques (indicado pelos países lusófonos), Xie Ying (nomeada pela China) e António Lei (nomeado por Macau).

“Através dos serviços prestados pela plataforma de Macau, realizamos de três em três anos uma Conferência Ministerial, na qual é aprovado um Plano de Acção Conjunto que orienta o trabalho de cooperação para o triénio seguinte, permitindo um avanço estável e contínuo das relações”, explicou.

A 7.ª Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa deverá realizar-se no primeiro semestre de 2027, sem uma data exacta ainda definida.

Elo de ligação

Ji destacou também que o Fórum de Macau tem vindo a desempenhar um papel de elo de ligação “particularmente eficaz” entre o Interior da China e os países de língua portuguesa, funcionando como um mecanismo de cooperação directa e regular.

“Através da Conferência Ministerial e dos planos de acção conjuntos, conseguimos assegurar um avanço estável e contínuo das relações, criando oportunidades concretas de desenvolvimento económico e comercial”, afirmou, reforçando que esta coordenação “é essencial para consolidar a confiança mútua e para garantir que os benefícios da cooperação chegam a todos os participantes”.

Apesar de o Governo chinês ter definido Macau como uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa, esse papel foi expandido pelo novo líder da região, Sam Hou Fai, para englobar também os 21 países de língua espanhola.

Questionado sobre a possibilidade de alargar o âmbito do Fórum aos países de língua espanhola, Ji esclareceu que “até ao momento, o Secretariado Permanente não recebeu este tipo de orientações ou propostas formais, quer da parte do Governo central, quer da parte do Governo da RAEM”.

Ainda assim, garantiu que o organismo está “disposto a colaborar activamente com os trabalhos relevantes do Governo da RAEM”, desde que se “mantenham em consonância com o âmbito do Fórum e com as orientações do Governo Central da China”.

20 Jul 2026

Musical | “Frankenstein” renasce em coreano a 25 e 26 de Julho no Broadway

Depois de uma década nos palcos, a adaptação sul-coreana do musical “Frankenstein” regressa com estrondo numa “versão sinfónica” para dois espectáculos no Broadway Theater nos dias 25 e 26 de Julho, sempre às 15h. Os bilhetes estão à venda e custam entre 880 e 1080 patacas, com os bilhetes mais baratos (680 patacas) e os mais caros (1280 patacas) já esgotados.

No papel principal, a super-estrela dos Super Junior, Kyuhyun​ será o Victor Frankenstein. Kyuhyun não é um estranho no mundo dos musicais, contando com um vasto currículo de espectáculos, como “Os Três Mosqueteiros”, “Apanha-me se Puderes”, “Robin Hoo”, “Werther, Mozart”, “O Fantasma”, “Death Note”, entre outros.

Para o papel de Henri Dupre, a produção conta com o experiente actor de musicais Park Eun-tae, que além de ter participado na versão cinematográfica do musical que irá assombrar o palco do Broadway Theater, brilhou nos musicais “Les Misérables”, “The Man in Hanbok” e “Elizabeth”.

A noiva de Victor Frankenstein, Julia, será interpretada por Lee Bom-sori. A actriz especializada em musicais participou em espectáculos como “Mary Curie” e “Letters from Fans”. O papel de Ellen estará a cargo da actriz Chang Eun-Ah.

Ao longo de quase duas horas de espectáculo, a música que dará corpo à actuação será tocada pela Brandon Chamber Orchestra, em alusão ao compositor Brandon Lee (também conhecido como Lee Sung-joon), responsável pela música de “Frankenstein”. Lee é um aclamado compositor e director musical sul-coreano, que além de ter criado a banda sonora deste espectáculo, compôs também os musicais “Ben-Hur” e “La Rose de Versailles”.

 

As raízes de um musical

Baseado no clássico da literatura gótica de Mary Shelley, o musical “Frankenstein” alia a narrativa poderosa e momentos musicais intemporais, a uma interpretação orquestral grandiosa, enriquecida por uma cuidada encenação quase em estilo de concerto.

O ambiente em palco procura emprestar uma roupagem coreana ao romance do século XIX, em que um cientista desafia a autoridade divina ao ressuscitar os mortos, e da morte nasce um monstro com um destino trágico.

Ao longo da última década, a produção tornou-se um dos musicais mais conhecidos da Coreia do Sul, aclamada por atrair espectadores assíduos e por várias temporadas com lotação esgotada.

A versão deste clássico que será apresentada no Cotai é uma autêntica conquista artística, só possível graças à correcta assimilação da obra literária original, aos ajustes e adaptações, bem como às actuações e efeitos cénicos de elevada qualidade.

19 Jul 2026

CCAC | Burla com subsídios gerou ganhos de 13 milhões

O dirigente de uma instituição de serviços sociais está detido, por suspeitas de ter criado um esquema para burlar o Instituto de Acção Social (IAS) na obtenção de subsídios. O caso foi divulgado na quinta-feira pelo Comissariado Contra a Corrupção (CCAC), que indica que o homem terá lucrado, em conjunto com parentes e amigos, cerca de 13 milhões de patacas.

“Segundo o que foi apurado, o responsável de uma instituição de serviços sociais, através dos seus parentes e amigos, terá criado diversas empresas associadas, as quais, desde o início do funcionamento da referida instituição até à presente data, participaram em vários concursos de aquisição de equipamentos e produtos alimentares financiados pelo Instituto de Acção Social (IAS)”, comunicou o CCAC.

A mesma fonte indicou que as várias empresas serviam para inflacionar os valores pagos, porque as propostas eram apresentadas em conluio, para garantir que se conseguia obter o máximo dinheiro possível. “Aquele responsável terá aproveitado os seus poderes funcionais para controlar o resultado das adjudicações, obtendo assim benefícios ilícitos, envolvendo um montante total superior a 13 milhões de patacas”, foi apontado.

O número total de suspeitos não foi revelado, mas as autoridades indicam que estão indiciados por terem praticado o crime de “burla de valor consideravelmente elevado”. Segundo o Código Penal, esta prática pode ser punida com uma pena de prisão mínima de dois anos e máxima de 10 anos.

O principal suspeito vai ficar a aguardar julgamento em prisão preventiva. Os restantes ficaram sujeitos a outras medidas de coacção que não foram detalhadas na nota de imprensa.

 

IAS avisado

Paralelamente, o CCAC garantiu “já” ter entrado em contacto com o Instituto de Acção Social para “acompanhamento” do caso. A autoridade de investigação prometeu ainda “desenvolver uma investigação mais aprofundada” em relação à atribuição de subsídios públicos.

O CCAC deixou igualmente uma mensagem de zero tolerância para qualquer crime, principalmente os que “prejudicam gravemente os interesses da RAEM”. “O CCAC salienta que as burlas envolvendo fundos públicos prejudicam gravemente os interesses da RAEM, pelo que tais situações, se detectadas, não serão toleradas”, pode ler-se.

Ao mesmo tempo, foi indicado à população que não vale a pena arriscar incumprir a lei para enriquecer: “O CCAC alerta ainda os cidadãos para que não desrespeitem a lei, nem assumam uma atitude de ‘tentar a sorte’”, foi escrito.

19 Jul 2026

GP | Duas equipas de Macau nas Taças do Mundo de FR e F4

A Federação Internacional do Automóvel (FIA) divulgou, esta terça-feira, em Paris, a lista das equipas seleccionadas para disputar a Taça do Mundo de Fórmula Regional e a Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA, integradas na 73.ª edição do Grande Prémio de Macau. O território estará representado por duas estruturas e em ambas as corridas.

Em parceria com a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau (COGPM) e com a Associação Geral do Automóvel de Macau-China (AAMC), a FIA confirmou as 13 equipas que alinharão na Taça do Mundo de Fórmula Regional (FR), cada uma com dois monolugares Tatuus T-326 (FIA Formula Regional Gen2). A grelha de partida reunirá 26 carros e inclui algumas das formações mais prestigiadas do Campeonato da Europa de FR da FIA, os actuais vencedores da Taça do Mundo de FR e do Campeonato Japonês de FR, bem como uma equipa que simboliza a longa tradição do automobilismo de Macau: a Theodore Racing.

Entre os participantes destacam-se a R-ace GP, actual líder do Campeonato da Europa da especialidade, bem como nomes incontornáveis do desporto automóvel, como a Prema Racing, ART Grand Prix, Trident e Van Amersfoort Racing. Marcarão igualmente presença a Pinnacle Motorsport, que monopolizou os dois primeiros lugares na edição do ano passado, e a histórica TOM’S Racing, campeã japonesa de FR em 2025. Por sua vez, CL Motorsport, G4 Racing, MP Motorsport, RPM e Rodin Motorsport estrear-se-ão na Taça do Mundo, apesar desta última ser uma encarnação da saudosa Carlin Motorsport.

A tradição automobilística de Macau será assegurada pela Theodore Racing. A estrutura de Teddy Yip Jr tem competido nos últimos anos em estreita colaboração com a Prema Racing, mas apresentará desta feita uma candidatura independente, permanecendo por esclarecer quem ficará responsável pela operação dos monolugares. Tudo aponta para René Rosin, filho de Angelo Rosin, fundador da PREMA, que cessou a sua ligação à equipa italiana no início deste ano.

Asia Racing Team RFN representa Macau na F4

Na Taça do Mundo de Fórmula 4, a FIA seleccionou 12 das melhores equipas provenientes dos campeonatos certificados pela federação internacional, às quais se junta, novamente, a Theodore Racing, admitida pelo seu valor histórico. A segunda edição da competição passará, pela primeira vez, a adoptar um formato multi-equipas, aumentando a grelha de 20 para 24 monolugares.

Entre os participantes figuram algumas das principais referências europeias da formação de pilotos, como Campos Racing, Hitech, R-ace GP, MP Motorsport, Prema Racing, US Racing, Argenti Motorsport e Rodin Motorsport, que enfrentarão estruturas asiáticas como Kageyama Racing, Evans GP e a equipa de Macau Asia Racing Team RFN.

Liderada no terreno pelo piloto português de Macau Rodolfo Ávila, a Asia Racing Team RFN representará o Campeonato da China de Fórmula 4. Fundada em Novembro de 2003, a estrutura, apoiada pela marca chinesa de motociclos eléctricos RFN, do grupo Apollo Motor, possui uma vasta experiência em monolugares e venceu, em 2005, a prova de Fórmula Renault nas ruas de Macau, com o japonês Hiroyuki Matsumura.

Aquela que será a sexta corrida de Fórmula 4 a ser disputada no Circuito da Guia introduzirá ainda outra novidade: a utilização do monolugar Tatuus F4-T421. A Pirelli manter-se-á como fornecedora exclusiva de pneus, um conjunto técnico que poderá favorecer as equipas europeias, mais familiarizadas com este binómio italiano.

FIA destaca qualidade das equipas seleccionadas

Segundo a FIA, “a confirmação das equipas participantes resulta de um processo de selecção conduzido pela FIA e pela AAMC, o clube-membro da FIA em Macau. O processo teve em conta critérios como o mérito desportivo, a representação internacional e a excelência operacional, culminando na escolha de 13 equipas para a Taça do Mundo de Fórmula Regional da FIA e de 12 equipas para a Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA, respeitando os limites máximos da grelha”.

O presidente da Comissão de Monolugares da FIA, Emanuele Pirro, sublinhou que “graças ao trabalho desenvolvido pelo Departamento de Monolugares da FIA e pela Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau durante um rigoroso processo de selecção, tanto a Taça do Mundo de Fórmula Regional da FIA como a Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA contarão com grelhas altamente competitivas, compostas por algumas das melhores equipas do mundo. Estas equipas não só continuam a alcançar resultados de grande destaque a nível nacional e internacional, como operam segundo padrões extremamente elevados e representam sólidos valores desportivos. Ainda faltam mais de quatro meses para a semana do 73.º Grande Prémio de Macau, mas a confirmação das equipas participantes elevou significativamente as expectativas para o evento.”

19 Jul 2026

Porto Interior | Cerca de 1,5 toneladas de gordura retirada dos esgotos

Num raio de escassas centenas de metros, no Porto Interior, uma limpeza de rotina da rede pública de esgotos levou à bizarra descoberta de cerca de uma tonelada e meia de gordura a entupir os esgotos de um quarteirão entre a Rua dos Mercadores e a Rua da Madeira.

A operação de rotina levada a cabo recentemente pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) obrigou à mobilização imediata de camiões de limpeza e desobstrução, bem como equipamentos mecânicos para proceder à desobstrução e limpeza dos esgotos. As autoridades apontam que a operação demorou “vários dias”, culminando com a retirada de cerca de 1.500 quilos de gordura.

Num comunicado divulgado na quinta-feira, a DSOP reitera que “os operadores dos estabelecimentos de restauração e bebidas têm a responsabilidade de proceder, em tempo oportuno, à conservação e à inspecção das câmaras retentoras de gorduras nas suas instalações, de modo a garantir o seu normal funcionamento de filtragem”. Além disso, a DSOP pediu cooperação a lojas e restaurantes no sentido de auxiliarem o trabalho dos inspectores e não colocando instalações fixas ou obstáculos por cima das câmaras retentoras de gorduras, tais como prateleiras, bancadas de trabalho ou frigoríficos.

 

Multar até à higiene

O Governo assinalou que o entupimento da rede pública de esgotos com substâncias gordurosas não só prejudica a higiene pública, mas também afecta a capacidade de escoamento da rede pública de drenagem durante as chuvas intensas.

Em caso da falha de civismo, o Governo recorda que entrou em vigor a 1 de Julho deste ano uma lei que regula a actividade de restauração e bebidas e que prevê a aplicação de multas para situações como a “existência de instalações ou equipamentos de drenagem em mau estado de conservação, ou que não mantenham o seu normal funcionamento, ou com sujidade, gorduras ou detrito”. A nova lei triplicou o valor das multas para valores entre 7.500 e 30 mil patacas, enquanto no quadro legal anterior, as penalizações variavam entre 2.500 e 10 mil patacas.

Além das multas, se a infracção for grave, “as entidades competentes responsáveis pela emissão da licença podem ainda aplicar a medida cautelar de encerramento do estabelecimento”.

No primeiro trimestre deste ano, foram removidas mais de 340 toneladas de lixo nos esgotos públicos, os sumidouros foram limpos cerca de 7.500 vezes, e foram analisados 8.500 metros de esgotos através de imagens de CCTV.

No mesmo período, o Instituto para os Assuntos Municipais inspeccionou cerca de 250 caixas de gordura em restaurantes, dos quais 10 por cento levaram a autos de notícia devido à falta de limpeza atempada.

19 Jul 2026

Turismo | Sector acha insuficiente quatro guias a falar português

Apenas quatro de um universo de quase dois mil guias turísticos registados em Macau até ao final de 2025 sabem falar português, um número considerado insuficiente pelo sector. A precariedade da profissão é um dos entraves à entrada de novos guias que falem português

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) indicou ao Jornal Tribuna de Macau (JTM) que a RAEM contava, no final do ano passado, com um total de 1.851 titulares de Cartão de Guia Turístico, com apenas quatro a dominar a língua portuguesa. O número manteve-se inalterado nos últimos quatro anos, reforçou aquele departamento.

A China estabeleceu Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, graças a esse posicionamento, continuou a DST, o número de turistas oriundos destas geografias poderá retomar a trajetória de crescimento. Nesse sentido, os guias turísticos terão “certas vantagens”, concretizou.

Os visitantes de Portugal e do Brasil – o departamento de estatística do território não especifica os números das entradas de outros países de língua portuguesa – têm vindo a aumentar gradualmente desde a pandemia da covid-19, embora ainda não tenham alcançado os valores de 2019, de acordo com dados consultados pela Lusa.

Em 2025, entraram no território 14.331 portugueses e 12.258 brasileiros, números ligeiramente atrás dos registados em 2019 – 15.967 e 12.770, respectivamente.

E a DST prevê desafios para este scetor. “Quando o volume total de turistas for inferior ao das línguas dominantes, as receitas flutuarão bastante entre as épocas altas e baixas”, notou a direcção, referindo que disponibiliza desde 2016 cursos gratuitos para diferentes línguas para os profissionais do turismo.

Cidade internacional

Ao JTM, a União dos Guias Turísticos lembrou que não há falta de falantes de português em Macau, mas a própria profissão de guia carece de garantias básicas, como salário-base ou seguro de saúde. E guias de línguas minoritárias “agora não conseguem sustentar a vida quotidiana com o volume actual de trabalho”, reflectiu Nelson Hoi, diretor desta associação.

Sobre os quatro profissionais que falam português, Hoi considerou um número insuficiente para responder à procura. “Há muitos países de língua portuguesa e, com o desenvolvimento da economia e a melhoria das condições de vida, o número de turistas oriundos dessas nações tem vindo a aumentar”, disse ao JTM.

Hoi lembrou ainda que estes profissionais “são maioritariamente de idade avançada” e que, quando se reformarem, a oferta vai cessar. Por isso, pediu ao Governo para definir um plano e medidas para atrair as camadas jovens para este sector.

16 Jul 2026

Habitação pública | Aberto concurso para arrendar 25 lojas com “desconto”

O Instituto de Habitação abriu concurso público para arrendar 25 lojas em edifícios de habitação pública, cinco na Zona A dos Novos Aterros. Devido ao “actual ambiente de negócios”, os preços de base estão abaixo dos praticados no mercado, além de os primeiros três meses serem isentos de renda

O Instituto de Habitação (IH) abriu ontem o concurso público para o arrendamento de 25 espaços comerciais em edifícios de habitação pública na Zona A dos Novos Aterros, Mong Há, Ilha Verde, Fai Chi Kei, Taipa e Seac Pai Van. O prazo para apresentação das candidaturas termina às 17h30 de 21 de Agosto.

O IH salienta que, tendo em conta o actual ambiente de negócios, e para reforçar a competitividade no mercado dos espaços comerciais de habitação pública, “o preço base do concurso é relativamente mais baixo que o praticado pelo mercado” e foram concedidos benefícios de isenção de renda nos primeiros três meses.

O preço base do concurso varia entre 3 mil e 45 mil patacas, com as áreas úteis das lojas a variarem entre 18,50 e 562,32 metros quadrados.

Este é o segundo concurso público para arrendamento de 25 espaços comerciais em prédios de habitação pública realizado este ano. As lojas situam-se em 11 prédios.

Na Habitação Social de Mong Há – Edifício Mong Tak estão em concurso cinco lojas, duas no Edifício do Bairro da Ilha Verde, um espaço comercial no Edifício Cheng I, duas lojas Habitação Social do Fai Chi Kei (uma no Edifício Fai Tat e outra no Tamagnini Barbosa).

Na Taipa, no Edifício do Lago existe uma loja para arrendar, enquanto nos complexos de habitação social de Seac Pai Van há oito lojas para arrendar, duas no Edifício Lok Kuan e seis no Edifício Ip Heng.

Regras do jogo

O IH destaca os cinco espaços comerciais para arrendar na Zona A dos Novos Aterros (três no Edifício Tong Seng, um no Edifício Tong Chong e um no Edifício Tong Kai). Este é o terceiro conjunto de cinco espaços comerciais na Zona A, “incluindo uma clínica e uma padaria, a fim de aperfeiçoar as instalações comerciais e os apoios à vida quotidiana dos residentes na zona.”

As autoridades indicam que os espaços estão destinados “à actividade comercial geral”, entre locais de venda de comidas e bebidas com ou sem fogão. Os espaços comerciais estão abertos, entre as 09h e as 14h, à visita de interessados até ao dia 27 de Julho.

O acto público de licitação verbal terá lugar a 8 de Setembro, às 10h30 e às 15h30, na Delegação das Ilhas do IH. Os espaços são adjudicados aos concorrentes que ofereçam a renda de valor mais elevado no mesmo dia. O valor de cada lance é de 500 patacas ou do seu múltiplo. O IH irá ainda realizar uma sessão de esclarecimentos sobre as regras da licitação a 2 de Setembro.

16 Jul 2026

Futebol | Novos estatutos com China no nome e sem versão portuguesa

Com os novos estatutos, a língua portuguesa deixa de ser um meio de comunicação da AFM, e as alterações já se fazem sentir na divulgação com uma versão apenas em chinês. A AFM passa também a considerar que tem como dever obrigar os clubes a manter a neutralidade política

 

Associação Geral de Futebol de Macau-China. É este o novo nome da Associação de Futebol de Macau, de acordo com os novos estatutos que foram divulgados, ontem, no Boletim Oficial (BO).

Com esta modificação, Macau segue o exemplo de Hong Kong, que logo em 2023 alterou o nome de Associação de Futebol de Hong Kong para Associação de Futebol de Hong Kong, China.

Esta é apenas uma das várias alterações dos estatutos, que passam a contar com 69 artigos, um conteúdo mais detalhado em aspectos como a regulação das transferências entre clubes, receitas da associação, entre outros.

Para quem apenas domina o português, os novos estatutos representam uma perda de direitos, porque oficializam a relegação da língua portuguesa para segundo plano, numa situação de igualdade com o inglês. “A língua oficial da Associação Geral de Futebol de Macau-China é a língua chinesa, devendo todos os documentos e textos emitidos pela Associação ser redigidos nesta língua”, consta no artigo 8.º. “Os documentos apresentados à Associação podem ser redigidos em chinês, português ou inglês. Sempre que os documentos incluam a língua chinesa, esta prevalecerá em caso de divergência”, é acrescentado.

Este ponto contrasta com o que foi definido em 2011 no mesmo artigo: “As línguas oficiais da AFM são a língua Chinesa e a língua Portuguesa, devendo os documentos oficiais ser redigidos nessas línguas, no caso de existir alguma divergência na interpretação dos documentos a versão Chinesa prevalecerá”, era indicado. “A Língua Oficial usada na Assembleia Geral deve ser uma das línguas oficiais de Macau, com preferência para a língua Chinesa”, era acrescentado.

Esta alteração já produziu efeitos, com os novos estatutos a serem apenas publicados no BO em chinês, quando até agora tinham sido sempre publicados em ambas as línguas.

 

Neutralidade política

Com os novos estatutos, a Associação de Futebol passa ainda a entrar em campos políticos dos quais até agora tinha optado por se manter distante. Nesta área, os estatutos são mais semelhantes ao que se verifica em Portugal, com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e em Espanha, com a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), mas com diferenças políticas.

Segundo o artigo 3.º, a “Associação Geral de Futebol de Macau-China compromete-se a respeitar todos os direitos humanos internacionalmente reconhecidos e envidará esforços para promover a protecção de tais direitos”. Este artigo é semelhante ao artigo 3.º da Federação Portuguesa de Futebol: “A FPF respeita e promove a protecção dos direitos humanos”. Por sua vez, a RFEF apenas se compromete a promover “valores humanitários” no futebol e actividades relacionadas.

Outra questão abordada nos estatutos, é a neutralidade política. Os estatutos de 2011 indicavam que a AFM era “neutra em relação a assuntos políticos e questões da RAEM”. Este ponto é mantido, mas a AFM agora arroga-se o direito de levar a neutralidade para os clubes-membros: “A Associação mantém-se neutra em matéria política e religiosa, assegurando que os seus membros também mantenham essa neutralidade”, é apontado.

Com esta alteração, a AFM afasta-se do modelo espanhol, uma vez que a RFEF no artigo 1.º dos seus estatutos, tem uma alínea igual à dos estatutos de 2011. Já a FPF não aborda directamente a necessidade de manter a neutralidade política, apenas proíbe a discriminação com base em convicções.

16 Jul 2026