Veteranos | Associação faz torneio de homenagem a Dédé

Depois de quase 40 anos em Macau a jogar futebol, José Cruz, mas conhecido como Dédé, está de regresso a Portugal. Mas, antes, vai ser homenageado pela sua carreira, forma de estar e importância para a modalidade no território

Após 40 anos a viver em Macau, José Cruz, mais conhecido como Dédé, vai regressar a Portugal para prosseguir a carreira profissional. No entanto, a marca deixada no futebol local levou a Associação dos Veteranos do Futebol de Macau a realizar um torneio de futebol para homenagear aquele que é um dos membros fundadores.

A iniciativa vai decorrer amanhã, no Campo D. Bosco, a partir das 17h, e foi explicada pelo fundador e ex-presidente da associação, Francisco Manhão, com a popularidade do português no futebol local.

“O Dédé vai regressar em definitivo a Portugal, mas ele contribuiu para o futebol de Macau, jogou durante muitos anos na primeira divisão, terá sido o jogador que passou por mais equipas no futebol local e que mais jogos realizou”, justificou Manhão, ao HM.

Após a abertura das inscrições para o evento foram reunidas quase de pronto 30 inscrições. Segundo o responsável pelo torneio, este facto mostra a importância do jogador e ex-funcionário público local. “Só mostra que o Dédé é muito popular no círculo do futebol de Macau, mas também em todas as comunidades”, vincou. “Ele é muito boa pessoa, muito simpático e, como costumo dizer, não faz mal a ninguém, por isso as pessoas gostam muito dele. Por isso, decidimos fazer esta homenagem para estar mais uma vez com ele, uma presença que valorizamos muito. É uma homenagem muito merecida”, acrescentou.

Percurso longo

Dédé admitiu estar “muito feliz e honrado” com a homenagem, que destacou ser a primeira feita a uma pessoa em vida pela Associação dos Veteranos do Futebol de Macau.

O atleta de 65 anos foi um dos membros fundadores da associação em 1999: “É um torneio que mostra o reconhecimento da associação pela minha dedicação ao grupo, personalidade, interesse e maneira de estar na associação”, disse ao HM. “É uma homenagem que tem a ver com a minha saída de Macau, mas é apenas uma saída física. Vou estar sempre disponível para continuar a contribuir para a associação no que conseguir e não me vou desligar”, prometeu.

Chegado a Macau em 1989 para jogar futebol, na altura como ponta-de-lança, Dédé representou clubes como o Sporting de Macau, Casa do Futebol Clube do Porto, Monte Carlo, Negro Rubro e até a formação do Consulado de Macau, no projecto liderado pelo cônsul Vítor Sereno. O percurso, que vai continuar em Portugal, não se limitou ao futebol de 11 também incluiu jogos de futsal, Bolinha e vários troféus. Contudo, com o passar dos anos, Dédé foi recuando no terreno, até chegar a defesa.

“Joguei em muitas equipas, algumas com nomes mais relevantes, mas também é natural porque as pessoas procuram jogadores versáteis, que conseguem desempenhar várias funções em campo. Além disso, como viram que eu era uma pessoa com quem conseguiam lidar facilmente, que não queria quezílias, isso fortaleceu a minha vida desportiva”, comentou sobre o percurso.

“Também é natural que uma pessoa que vive quase 40 anos em Macau tenha jogado futebol de salão, futebol de 11, Bolinha e jogos de amizade. E mesmo sem se querer, ou planear, acaba-se por mudar de equipa, por razões pessoais, e também monetárias, mais no início da vida em Macau, embora eu não tenha propriamente jogado por dinheiro”, partilha Dédé sobre o percurso. “Aliás, acho que o facto de eu não jogar por dinheiro, porque consegui uma vida estável como escrivão nos tribunais, permitiu-me encarar o futebol pelo meu bem-estar, por me sentir melhor. Esta minha postura levou a que fosse reconhecido, fizesse mais amigos e posso dizer que estou muito bem integrado em Macau, em todas as comunidades, seja a chinesa, a portuguesa, a tailandesa ou filipina”, apontou.

Saudades a bater

Com o aproximar da despedida do território, o funcionário público e futebolista admite que já sente muitas saudades de Macau, um território onde afirma que foi muito bem tratado e que sente como porto de abrigo.

“Ainda não me fui embora e já estou cheio de saudades. São quase 40 anos de Macau e como estou com 65 anos posso dizer que foram anos que me construíram muito como homem”, reconhece Dédé. “Macau para mim é um porto de abrigo e quero voltar frequentemente. Não tenho aqui família de sangue, mas tenho uma família de adopção muito grande. Aliás, esta família adoptiva é tão grande, que tenho antes de considerar que é uma população adoptada, não é só um povo nem uma família. Estou completamente identificado com Macau”, confessou.

Subscrever
Notifique-me de
guest
0 Comentários
Mais Antigo
Mais Recente Mais Votado