China / ÁsiaPeru | Pequim responde a Rubio e defende transparência dos investimentos Hoje Macau - 10 Set 2026 O Governo chinês afirma que todos os investimentos realizados no país sul-americano são transparentes e cumprem as leis locais A China defendeu ontem que os investimentos no Peru são “transparentes” e respeitam a legislação local, após o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, acusado projectos apoiados por Pequim de ameaçarem a transparência e segurança dos dados. A missão diplomática chinesa reagiu a um artigo de opinião de Rubio publicado no mesmo dia no jornal peruano El Comercio, no qual afirmou que “os projectos apoiados pelo Partido Comunista Chinês ignoram os quadros jurídicos do Peru e ameaçam a transparência e a segurança dos dados”. O secretário de Estado da Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, referia-se ao litígio iniciado contra o Estado peruano pela transportadora marítima estatal chinesa Cosco, proprietária do porto de Chancay, construído no Peru com um investimento de 1,3 mil milhões de dólares. A empresa pretende ficar excluída da supervisão e controlo das tarifas, argumentando que se trata de um porto privado e não de uma concessão estatal. A embaixada chinesa em Lima afirmou através das redes sociais que o investimento da China no Peru “é transparente e está em conformidade com a lei”, com uma carteira de 30 mil milhões de dólares que, segundo a representação diplomática, “traz oportunidades de desenvolvimento, emprego, receitas fiscais, excedente comercial e reservas internacionais, sem gerar um único cêntimo de dívida”. “Os investimentos e as operações de todos os países no Peru devem estar sob a jurisdição do Estado peruano. Em particular, se as vendas recentes geraram níveis significativos de endividamento para o Peru, deveriam estar sujeitas ao mesmo padrão de transparência”, sustentou a embaixada. Parceiros de longa data A missão diplomática destacou ainda que “a China se mantém há 12 anos consecutivos como o maior parceiro comercial do Peru e o Peru é o terceiro maior país exportador da América Latina para a China”, acrescentando que “a cooperação comercial bilateral assenta no princípio do benefício mútuo e dos ganhos partilhados”. Segundo a embaixada, o excedente comercial acumulado pelo Peru nas trocas com a China atingiu 52 mil milhões de dólares desde a entrada em vigor, em 2010, do acordo de comércio livre entre os dois países, citando dados do Ministério do Comércio Externo e Turismo peruano. “Espera-se que o Protocolo de Atualização do Acordo de Comércio Livre China-Peru entre em vigor em breve. O mercado chinês abre as portas aos produtos peruanos que cumprem os requisitos”, acrescentou. Sobre a política migratória, a embaixada lembrou que “os cidadãos peruanos com passaportes comuns podem visitar a China sem visto e permanecer durante 30 dias” para fins de comércio, turismo, visitas familiares, intercâmbios ou trânsito. “A China abre as portas e recebe o povo peruano de braços abertos. Então, por que razão os peruanos, ao solicitarem um visto para determinado país, têm de se submeter a controlos rigorosos e até enfrentar ameaças de cancelamento dos vistos de toda a família?”, questionou a missão diplomática, numa referência aos Estados Unidos. Rubio chegou ontem a Lima e reúne-se hoje com a Presidente peruana, Keiko Fujimori, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Carlos Espá, no âmbito de uma visita que inclui também Colômbia e Equador, entre 08 e 10 de Setembro.