João Santos Filipe Manchete PolíticaMundial | Lam Lon Wai quer combate intenso às apostas ilegais Os casos de jogo ilegal aumentaram em Macau mais de vinte vezes desde 2023. O deputado da FAOM pede mais atenção ao Campeonato Mundial de Futebol e avisa que pode levar a uma nova vaga de apostas ilegais O deputado Lam Lon Wai defendeu a necessidade das autoridades intensificarem o combate às apostas ilegais. O assunto foi abordado pelo legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), através de uma interpelação escrita, numa altura em que decorre o Campeonato Mundial de Futebol. Segundo Lam, nos “últimos anos” o número de casos de “jogo ilegal em Macau aumentou significativamente”, uma tendência que antevê que vai continuar a verificar-se “tendo em conta o eventual aumento das apostas clandestinas durante o Mundial de Futebol”. Devido a estes receios, Lam Lon Wai pede às autoridades para reforçarem “a cooperação policial transfronteiriça, a partilha de informações e a utilização de meios tecnológicos de investigação”. O objectivo passa por “aumentar a eficácia da prevenção e do combate às apostas clandestinas online e aos crimes com ele relacionados”, que muitas vezes implicam diferentes jurisdições. O deputado considera ainda que só combater o crime não chega, e elogia o Governo pelas “campanhas nos bairros comunitários, palestras em escolas e educação sobre prevenção criminal” sobre este tipo de crimes. No entanto, o legislador acredita que é possível fazer mais e pede que o Executivo, em cooperação com as associações desportivas, escolas, organizações juvenis e concessionárias de jogo, aposte mais na prevenção. O deputado da FAOM sugere a realização de actividades como “simulacro de casos”, “acções de divulgação jurídica sobre o Mundial de Futebol ou outros grandes eventos desportivos” e “educação sobre a cibersegurança” com os mais jovens. Apostas ilegais a aumentar Lam Lon Wai cita dados oficiais que mostram que os casos de jogo ilegal têm subido desde 2023: “Segundo dados divulgados pela área da Segurança, em 2023 registaram-se apenas 28 casos de jogo ilegal em Macau, número que, em 2024, aumentou para 137, portanto, um aumento anual de 389,3 por cento; e, em 2025, para 570, mais 316,1 por cento em comparação com o ano de 2024”, é apontado. “Os dados dos últimos anos revelam que o jogo ilegal continua a merecer uma elevada atenção da sociedade”, vincou. O legislador pede também mais atenção aos eventos desportivos, por levarem a um pico de apostas ilegais. “No passado, quando se realizavam jogos de futebol de grande envergadura, nas regiões vizinhas, registava-se sempre um aumento notório de actividades de jogo ilegal, o que demonstra que muitas vezes os grandes eventos desportivos acabam por constituir períodos de pico para as apostas clandestinas”, justificou. Além de envolver problemas de segurança pública, isto também gera facilmente uma cadeia de riscos para, entre outros, a usura, fraudes, branqueamento de capitais e problemas familiares”, considerou.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaPlano director | Macau terá 37 quilómetros quadrados até 2040 Começou ontem a consulta pública da primeira alteração ao Plano Director da RAEM. No documento de consulta lê-se que Macau terá, até 2040, uma área total de 37 quilómetros quadrados, que vai incluir 18 áreas de planeamento Macau terá, até 2040, uma área total de 37 quilómetros quadrados, enquanto que o Plano Director da RAEM irá abranger, por essa altura, uma área de 36,96 quilómetros quadrados, tendo em conta o desenvolvimento da Zona D dos Novos Aterros, a expansão do Aeroporto Internacional de Macau e a construção de mais zonas de aterro na área costeira. Estes dados constam no documento de consulta pública sobre a primeira alteração ao Plano Director da RAEM, que começou ontem e que decorre até ao dia 27 de Agosto. Ontem realizou-se uma sessão de esclarecimento destinada a deputados, dirigentes públicos e imprensa, onde o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, declarou que a nova proposta de Plano Director “incide, essencialmente, sobre duas vertentes”. São elas as alterações feitas em articulação com projectos de grande envergadura que estão a ser planeados, como a Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau, o Parque Ciên-Tec de Macau e o Hub (Porto) de Transporte Aéreo Internacional de Macau na margem oeste do Rio das Pérolas. O secretário falou ainda “das alterações decorrentes de outras actualizações face aos diplomas legais e regulamentares”, bem como “projectos e estudos publicados nos últimos anos”. Novos arranjos Além de serem propostas 18 zonas de planeamento como divisão territorial, a nova proposta do Plano Director traz novas classificações: as áreas terrestres e marítimas que ficam a sudeste do Posto Fronteiriço de Gongbei, em Zhuhai, passam a pertencer à Unidade Operativa de Planeamento e Gestão (UOPG) Norte-2. Actualmente não pertencem a nenhuma zona. Por sua vez, a área do Posto Fronteiriço da parte de Macau do Posto Fronteiriço de Hengqin, bem como as áreas adjacentes, ficam integradas na chamada “Zona do Cotai”. Enquanto isso, a Zona A dos Novos Aterros Urbanos e a Zona de Administração de Macau na Ilha Fronteiriça Artificial da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau vão ser divididas nas UOPG Este-2 e Este-3. Por sua vez, o Parque Industrial da Concórdia passa a integrar a UOPG de Coloane. Outra alteração prevista é na Zona C dos Novos Aterros Urbanos, actualmente com a classificação de zona habitacional e comercial, e que passa a ser zona de equipamentos de utilização colectiva. Já o terreno na Avenida Wai Long, pensado primeiro para acolher habitação pública, será agora reclassificado como zona industrial, integrando o futuro Parque Ciên-Tec de Macau. Raymond Tam declarou que as alterações agora propostas ao Plano Director da RAEM pretendem “aperfeiçoar a estrutura física urbana e ajustar a finalidade dos solos”, com o objectivo de avançar para a diversificação das indústrias e promover o “desenvolvimento inovador e a interligação regional”. A ideia é que Macau se possa articular “com as estratégias de desenvolvimento nacional, aproveitando melhor o posicionamento e as suas vantagens singulares”, além de elevar “a sua competitividade global”, destacou o secretário.
Hoje Macau Desporto MancheteFutebol | Clubes de Macau falham registo nas competições asiáticas Os clubes de Macau voltaram a falhar, pelo terceiro ano, o licenciamento na Confederação Asiática de Futebol (AFC), confirmou à Lusa o Instituto de Desporto (ID). Nenhuma equipa de Macau consta na lista divulgada pela AFC, em 8 de Junho, para as competições asiáticas, incluindo a Liga Challenge, a terceira competição mais importante da região. Numa resposta escrita às questões da Lusa, o ID disse que a Associação de Futebol de Macau apresentou à AFC “pedidos dos clubes de futebol de Macau para a licença do Grupo 3”, o nível mais baixo. “No entanto, como parte da documentação apresentada não cumpria integralmente os regulamentos de licenciamento da AFC, a licença 2026/27 não foi concedida”, explicou o ID. De acordo com o portal da AFC na Internet, o licenciamento de um clube implica requerimentos mínimos para áreas como os cuidados médicos, os escalões de formação e o estádio. “A associação indicou que continuará em contacto com a AFC e auxiliará os clubes locais nos pedidos subsequentes e nas formalidades de licenciamento”, acrescentou o ID. A Lusa perguntou à Associação de Futebol de Macau e à AFC quais os clubes que tinham pedido o licenciamento e quais as razões para terem sido rejeitadas, sem, no entanto, ter recebido qualquer resposta. A equipa da MUST IPO venceu a edição de 2025 da Liga de Elite de Macau, com mais um ponto do que a maior surpresa da prova, o Shao Jiang, que estava a fazer a estreia no escalão principal do futebol no território. A última vez que um clube de Macau participou nas competições asiáticas foi em 2023, quando o campeão Monte Carlo foi eliminado no play-off pelo Taichung Futuro, de Taiwan.
Sérgio Fonseca Desporto MancheteAutomobilismo | FIA reforçou presença em Macau olhando para o futuro Na semana passada, Macau foi palco da Assembleia Geral Extraordinária e da Conferência Anual da Federação Internacional do Automóvel, encontros que terão contribuído para consolidar ainda mais a relação entre a FIA e o seu clube membro local, a Associação Geral de Automóvel de Macau-China A edição deste ano da Assembleia Geral Extraordinária e da Conferência Anual da Federação Internacional do Automóvel (FIA), realizada em Macau, reuniu mais de 450 representantes de clubes membros provenientes de 149 países e regiões. A cerimónia de abertura, realizada a 23 de Junho, contou com a presença da Directora Substituta do Instituto do Desporto de Macau, Lei Sio Leng, em representação da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura. Durante a Conferência Anual foram aprovadas diversas medidas relacionadas com a segurança no desporto automóvel e debatidos temas como o desenvolvimento da modalidade, a segurança rodoviária e a mobilidade sustentável. No plano desportivo, durante as reuniões do Conselho Mundial, a FIA destacou a aprovação das alterações regulamentares aos motores de Fórmula 1 para as temporadas de 2027 e 2028, a aprovação do novo regulamento técnico do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), o novo calendário do mundial de Fórmula E, assim como a votação favorável à eliminação dos limites de mandatos para os seus órgãos, incluindo a presidência da FIA. Os membros da FIA aprovaram igualmente o Relatório e Contas Anuais de 2025, confirmando a contínua transformação da federação. No exercício de 2025, o organismo registou um lucro operacional de cerca de 61 milhões de patacas, representando um aumento de 43 por cento face ao ano anterior e uma recuperação financeira significativa relativamente ao prejuízo operacional de 221 milhões de patacas registado em 2021. A FIA aproveitou também para realçar que a sua estrutura internacional, com a abertura de um escritório em Londres em 2025 e o aumento do número de colaboradores permanentes para 308, mais 14 por cento do que no ano anterior. Foi ainda confirmado que a Assembleia Geral Anual da FIA de 2026 terá lugar em Xangai, no dia 12 de Dezembro, organizada pela Federação Chinesa de Automobilismo e Motociclismo (CAMF) e pela Administração do Desporto de Xangai. Já a Assembleia Geral Extraordinária da FIA de 2027, como anteriormente anunciado, decorrerá novamente em Macau, em Junho de 2027, sob organização da Associação Geral de Automóvel de Macau-China (AAMC). O Galaxy International Convention Center, integrado no complexo Galaxy Macau, será o local anfitrião da Conferência da FIA. Elogios aos anfitriões Durante a sua estadia, Mohammed Ben Sulayem visitou o Kartódromo de Coloane, onde conheceu os programas de formação de jovens pilotos e de oficiais de prova do Grande Prémio de Macau, considerando que a RAEM reúne condições para se afirmar como um centro internacional de formação. A pensar no futuro, 180 estudantes de Macau, com idades entre os 6 e os 16 anos, participaram na Conferência Anual, onde conheceram a diversidade de oportunidades e carreiras disponíveis no desporto automóvel e na mobilidade. Chong Coc Veng, Presidente da AAMC, explicou que na associação “estamos empenhados em garantir que os jovens tenham oportunidade de crescer e desenvolver-se. Macau é um território com excelentes futuros profissionais e, através da nossa parceria com a FIA, esta iniciativa ajuda a inspirar a próxima geração, dando a conhecer a diversidade e o entusiasmo das oportunidades de carreira no desporto automóvel e na mobilidade.” Os delegados tiveram igualmente oportunidade de visitar o Kartódromo de Coloane, desenhado pelo arquitecto Carlos Couto no final da década de 1990, ficando a conhecer o trabalho desenvolvido por Macau na promoção do automobilismo de base e do karting. Houve ainda uma troca de experiências sobre a organização de provas de Fórmula 4, tendo a FIA defendido a importância de aproximar o automobilismo dos estudantes e incentivar os jovens a iniciar-se na modalidade. No final da visita, o Presidente da FIA elogiou a capacidade organizativa e a hospitalidade de Macau, afirmando que todos os participantes tiveram uma experiência positiva na cidade. Mohammed Ben Sulayem destacou ainda a longa tradição automobilística do território e o ambiente único vivido durante os eventos, descrevendo Macau como uma “cidade do automobilismo”, realçando o seu dinamismo e a arte de bem receber dos seus habitantes. Venham as corridas Para a FIA, em termos desportivos, Macau assume particular importância na segunda metade do calendário de 2026. O Campeonato FIA Ásia-Pacífico de Karting “Arrive & Drive”, uma das mais recentes apostas da FIA para promover a formação de jovens pilotos, decorrerá entre 11 e 13 de Setembro no Kartódromo de Coloane. Já a 73.ª edição do Grande Prémio de Macau está agendada para 19 a 22 de Novembro, com o Circuito da Guia a receber diversas competições internacionais, entre as quais a Taça do Mundo FIA de Fórmula Regional, a Taça do Mundo FIA GT de Macau, a Taça do Mundo FIA de Fórmula 4 e ainda a última prova do calendário do Kumho FIA TCR World Tour.
Hoje Macau Manchete SociedadeHotelaria | Palácio 13 com funcionamento experimental O Palácio 13, empreendimento hoteleiro que nasceu do antigo Hotel 13, abriu portas no sábado ainda de forma experimental, noticiou o jornal Ou Mun. Lui Ka Hei, administrador-executivo do hotel, disse que a gerência optou por uma abertura de forma experimental para garantir a qualidade dos serviços prestados. Nesta fase, disse o responsável, o foco não está em conseguir uma elevada taxa de ocupação, mas sim garantir a qualidade e estabelecer a reputação da marca. Lui Ka Hei assegurou que o Palácio 13 vai ser divulgado através das redes sociais, plataformas de turismo e meios de comunicação social para que mais turistas conheçam o hotel. Por outro lado, ficou feita a promessa de que o salão de banquetes e demais espaços de grande dimensão do Palácio 13 serão utilizados para a realização de eventos corporativos, casamentos e conferências. Hotéis com quebra anual de hóspedes Os hotéis de Macau receberam em Maio, 1.174.000 de hóspedes, um decréscimo de 4,5 por cento, em termos anuais, anunciou na sexta-feira a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). O número de hóspedes da China continental (847.000) e de Hong Kong (148.000) diminuíram 6,2 por cento e 8,6 por cento, respectivamente, lê-se num comunicado da DSEC, que refere ainda que o número de hóspedes internacionais (117.000) aumentou 16,1 por cento no mês em análise. No final de Maio, Macau contava com 147 estabelecimentos hoteleiros, o mesmo número do que no mesmo período do ano passado, e disponibilizava quase 45 mil quartos (-0,5 por cento), ainda de acordo com os dados divulgados pela DSEC. A taxa de ocupação média dos estabelecimentos hoteleiros, em Maio, fixou-se em 89,8 por cento, subindo 1,8 pontos percentuais, em termos anuais, indica-se no comunicado. Nos cinco primeiros meses do ano, refere ainda a DSEC, os estabelecimentos hoteleiros hospedaram 6,02 milhões pessoas, ou mais 0,3 por cento em relação a igual período do ano passado. Em 2025, os estabelecimentos hoteleiros de Macau fixaram um novo recorde de hóspedes, com quase 14,6 milhões, mais 1 por cento do que o anterior máximo, atingido no ano anterior.
Hoje Macau Manchete SociedadeDroga | Mais de 400 pessoas pediram ajuda para desintoxicação em 2025 No ano passado, 46 pessoas pediram ajuda pela primeira vez devido ao consumo de drogas, num total de mais de quatro centenas. Os dados constam do relatório anual do Sistema do Registo Central dos Toxicodependentes Um total de 418 pessoas procuraram apoio para desintoxicação em 2025 – incluindo 46 novos casos – uma diminuição de 30 por cento face ao ano anterior, de acordo com um relatório das autoridades de Macau. “De um modo geral, o número de pedidos de apoio para desintoxicação tem-se mantido estável nos últimos anos,” afirmou na quinta-feira o Instituto de Acção Social (IAS) em comunicado, citado no relatório anual do Sistema do Registo Central dos Toxicodependentes, divulgado na véspera do Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, celebrado na sexta-feira. De acordo com a Lei de Combate à Droga, quem consumir ilicitamente estupefacientes, como cetamina, ecstasy, cocaína, heroína, canábis, entre outros, é punido com pena de prisão de três meses a um ano ou com pena de multa de 60 a 240 dias por consumo ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas. Segundo o relatório, em 2025, o número total de consumidores de droga registados em Macau foi de 132, uma diminuição de 10,8 por cento relativamente a 2024, dos quais dois eram jovens com menos de 21 anos. “Comparando com os últimos cinco anos, a situação geral da toxicodependência mantém-se num nível relativamente baixo, sendo a metanfetamina a droga principalmente consumida, persistindo, contudo, de forma significativa, o problema da ocultação do consumo de drogas”, acrescentou. Mais tráfico e consumo Dados separados da Polícia Judiciária (PJ) de Macau mostram que houve 63 casos de tráfico de droga (+12) em 2025, o que representa um aumento de 23 por cento em termos homólogos. No mesmo período, os casos de consumo de droga também aumentaram mais de 60 por cento, para 29 casos. “Novas drogas estão constantemente a surgir e os métodos dos traficantes estão cada vez mais dissimulados, representando uma ameaça e um perigo cada vez maiores para os jovens,” afirmou o director da PJ, Sit Chong Meng, numa campanha antidroga na terça-feira. A PJ lançou este ano um programa antidroga nas escolas, tendo recrutado 20 alunos de 11 escolas, “formados para serem embaixadores na promoção do combate às drogas”. Por outro lado, o IAS tem vindo a implementar, desde 2000, um programa de educação para a prevenção da toxicodependência, com um plano de estudos que abrange desde o jardim de infância até ao 11º ano e que abrange mais de 80 por cento das escolas de Macau. A Lusa questionou a PJ sobre o valor total das drogas apreendidas em 2025 e sobre dados relativos ao número de estudantes consumidores de drogas, mas até ao momento, não recebeu respostas.
Hoje Macau Manchete SociedadeIAM | Primeiros pandas nascidos em Macau deixam região em Outubro Com o envio para o Interior dos gémeos Jian Jian e Kang Kang, ou Hoi Hoi e Sam Sam em cantonês, o Pavilhão do Panda Gigante vai ficar reduzido a dois pandas. Apesar das saídas, não há planos para o envio de mais pandas para Macau O Governo anunciou que os primeiros pandas gigantes nascidos em Macau, os gémeos Jian Jian e Kang Kang, irão partir em Outubro para a China continental. O anúncio foi feito pelo presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), Chao Wai Ieng, durante a festa do 10º aniversário dos pandas gémeos, para a qual foram convidados dez estudantes de 10 anos. Num discurso, Chao disse que os gémeos irão partir para a Base de Estudo de Procriação dos Pandas Gigantes de Chengdu, no sudoeste da China, “para iniciarem a próxima fase de aprendizagem e crescimento”. De acordo com um comunicado do IAM, Chao recordou que tem sido esta instituição a ajudar Macau a cuidar de Jian Jian e Kang Kang, que agora “entram na idade adulta”. Segundo o Fundo Mundial para a Natureza, os pandas gigantes geralmente são considerados adultos a partir dos 4 anos, atingem a maturidade sexual por volta dos 6 anos e podem viver até 30 anos em cativeiro. Em Chengdu, os gémeos nascidos em Macau “vão aprender a adaptar-se ao ambiente natural num espaço mais vasto e experimentar uma vida natural mais rica”, acrescentou Chao. A decisão “reflecte a grande importância atribuída pelo país à protecção dos animais raros” e a filosofia de “respeitar a Natureza, adaptar-se à Natureza e proteger a Natureza”, disse o presidente do IAM. Apesar de estar emocionada, a chefe da Divisão de Conservação da Natureza do IAM, Mok Weng Han, que cuida de Jian Jian e Kang Kang, sublinhou que “são como crianças, estão a crescer e queremos que saiam e aprendam mais”. Jian Jian e Kang Kang são chamados em cantonês Hoi Hoi e Sam Sam. Os dois nomes em conjunto significam felicidade. O Estado manda Já o chefe da Divisão de Estudos de Protecção da Natureza do IAM, Chan Hoi Fong, admitiu à imprensa local que “ainda não há planos” sobre um eventual regresso dos gémeos e sublinhou que “todos os pandas gigantes estão sob a gestão do Estado”. O IAM disse aos jornalistas que também não há planos para o envio de mais pandas para Macau e revelou que irá aproveitar a partida de Jian Jian e Kang Kang para realizar obras no Pavilhão do Panda Gigante. O pavilhão, situado no parque de Seac Pai Van, em Coloane, é formado por dois espaços interiores de 330 metros quadrados – destinados às actividades do panda – e um jardim exterior de 600 metros quadrados. Nascidos a 26 de Junho de 2016, os gémeos, ambos do sexo masculino, são filhos de Kai Kai e Xin Xin, o segundo casal de pandas gigantes oferecido pela China a Macau em 2015. Os nomes dos gémeos, Jian Jian e Kang Kang, ditos em conjunto significam “saúde”, tanto em cantonês como em mandarim. Os nomes foram escolhidos pelo então líder do Governo, Fernando Chui Sai On, a partir de uma lista de nomes sugeridos pelos residentes de Macau.
João Santos Filipe Manchete PolíticaAPEC | Sam Hou Fai destacou papel da RAEM na ligação ao Ocidente No discurso de boas-vindas da reunião ministerial da Cooperação Económica Ásia-Pacífico, o Chefe do Executivo destacou a importância histórica de Macau e apelou a novas formas de cooperação O papel de Macau ao longo da história enquanto elo de ligação entre o Oriente e o Ocidente foi um dos principais destaques de Sam Hou Fai, durante o discurso no jantar de boas-vindas da 13ª Reunião Ministerial do Turismo da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC). Diante dos convidados, o Chefe do Executivo começou com poesia: “‘De todos os portos de acesso a Cantão, o que mais floresce é o de Macau’, diz um poema chinês, como testemunho vívido do papel histórico de Macau enquanto um centro importante de intercâmbio comercial entre o Oriente e o Ocidente”, afirmou. “É esta pequena cidade do oriente, com apenas cerca de 33 quilómetros quadrados e uma população inferior a 700 mil habitantes, que continuamente se constrói numa sedimentação cultural do Oriente e do Ocidente”, realçou, antes de pedir aos convidados para explorarem novas formas de cooperação. Sam Hou Fai defendeu ainda que a RAEM “incorpora o espírito de reforma, abertura, pragmatismo e perseverança” e que transmite “um legado de património mundial marcado pela cooperação e concertação, que se estende por toda a cidade”. O dirigente máximo da RAEM considerou igualmente que “em diferentes períodos históricos, Macau sempre desempenhou um papel importante no fomento do intercâmbio entre o Oriente e o Ocidente”. Sam Hou Fai não esqueceu a última vez que Macau recebeu o evento: “A realização, mais uma vez, em Macau, da Reunião Ministerial do Turismo da APEC, após um intervalo de doze anos, portanto desde 2014, reveste-se de especial significado para nós. É uma grande honra o Governo da RAEM acolher novamente este importante evento internacional, o que demonstra, na íntegra, a profunda confiança e o firme apoio do Governo Central à RAEM”, vincou. A reunião deste ano teve como tema “Inovação Digital, Empoderamento Colaborativo: Alavancando o Turismo para uma Comunidade da Ásia-Pacífico”, e ficou marcada pelo cancelamento da conferência de imprensa final com a apresentação dos resultados do fim-de-semana de reuniões. Encontros à margem Antes do jantar, o Chefe do Executivo recebeu o director-executivo do Secretariado da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), Eduardo Navarro Pedrosa. Durante a reunião, Sam Hou Fai mostrou abertura para que “as economias-membro da APEC aproveitem plenamente a função de plataforma de Macau e aproveitem a oportunidade gerada pelo desenvolvimento de Macau e da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”. O líder do Governo pediu também que as economias-membro da APEC “usufruam das vantagens integradas de Macau e Hengqin e transformem ambas num ‘elo de ligação’ e ‘trampolim’ para aceder à Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e ao mercado do Interior da China”. Por sua vez, Eduardo Pedrosa destacou que a RAEM possui uma forte atractividade e um encanto específico nos domínios do turismo, gastronomia, indústria de convenções e exposições. A APEC é um bloco económico formado por 21 membros fundada em 1993 com o objectivo de criar uma área de livre-comércio. Entre os membros constam a China, Hong Kong e os Estados Unidos, que estiveram ausentes do encontro no território. Apesar de ser o anfitrião, Macau não integra este bloco.
Hoje Macau Grande Plano MancheteSismos na Venezuela fizeram mais de 160 mortos, com projecções a apontar para milhares Foto: DR Os dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala de Richter que atingiram ontem a região central da Venezuela fizeram pelo menos 164 mortes e 971 feridos, no último balanço feito pelas autoridades antes do fecho desta edição. Porém, projecções apontam para a possibilidade de largos milhares de mortos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima, no entanto, com base em modelos informáticos, entre 10 mil e 100 mil mortes. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez disse que La Guaira terá sido a região mais afectada e declarou o estado, situado no norte do país sul-americano, perto da capital, como uma “zona de desastre”. “Podemos dizer que o estado de La Guaira enfrenta uma verdadeira tragédia e tornou-se uma zona de catástrofe”, enfatizou. Rodríguez admitiu, num primeiro balanço, que eram esperadas mais vítimas mortais, à medida que decorrem os esforços de resgate e salvamento, após os dois sismos de magnitude superior a 7 na escala de Richter, com apenas 39 segundos de intervalo. Os dois abalos foram registados na Venezuela pelas 18h de quarta-feira (06h de ontem em Macau). O USGS, que monitoriza a actividade sísmica em todo o mundo, calculou uma probabilidade de 42 por cento de que o número de mortos se situe entre as 10 mil e as 100 mil vítimas mortais; a possibilidade de 33 por cento de entre mil e 10 mil mortes e uma hipótese que indica 17 por cento de mais de 100 mil mortes. Para realizar as estimativas, o USGS tem em conta variáveis como a densidade populacional local e as características dos edifícios. “Em geral, a população desta região vive em edifícios vulneráveis a sismos, embora também existam estruturas resistentes a sismos. Os tipos mais comuns de edifícios vulneráveis são estruturas de tijolo, alvenaria não reforçada e de blocos de adobe”, destacou a agência. Vinte réplicas O USGS estimou ainda as perdas económicas resultantes dos sismos, calculando — com base nos dados actuais — que podem variar entre 1 a 7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o primeiro sismo, de magnitude 7,2, atingiu a costa da Venezuela a oeste de Morón, a cerca de 168 quilómetros de Caracas, com uma profundidade de 22 quilómetros, noticia a Associated Press (AP). Menos de um minuto depois, USGS registou um sismo de magnitude 7,5. Este segundo abalo teve uma profundidade de 10 quilómetros e epicentro a 16 quilómetros a sudoeste de Morón. Foram depois registadas cerca de 20 réplicas, ainda segundo o USGS, que descreveu a situação como “uma catástrofe que se espera ser de magnitude considerável”. O sismo de magnitude 7,5 que atingiu a Venezuela foi o mais forte registado no país em mais de um século, indicam os dados avançados ontem pelo USGS. Um terramoto de magnitude estimada em 7,7 na costa do país, a nordeste de Caracas, foi registado a 29 de outubro de 1900, tendo causado “danos consideráveis”, lembrou o Serviço Geológico dos EUA. Venezuela | Portugal vai enviar 50 elementos de protecção civil Portugal colocou à disposição da Venezuela, que aceitou, uma equipa de proteção civil de emergência de 50 elementos para ajudar nas operações no país após os dois sismos de ontem, anunciou o primeiro-ministro. Luís Montenegro fez este anúncio através da rede social X, depois de ter falado telefonicamente com a Presidente venezuelana, Delcy Rodriguez. “Portugal está disponível para ajudar a Venezuela quando, onde e da forma que o Governo venezuelano entenda útil. Pusemos desde já à disposição imediata uma equipa de protecção civil de emergência de 50 elementos, o que a Presidente Delcy Rodriguez prontamente agradeceu e aceitou”, afirmou. No telefonema, o primeiro-ministro português disse ter transmitido à Presidente da Venezuela “plena solidariedade dos portugueses para com o povo e o Governo da Venezuela, perante esta tragédia” e condolências pelas vidas perdidas. “Participaremos no apoio conjunto da União Europeia, através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, cuja ajuda a Venezuela já solicitou”, referiu. Montenegro assegurou ainda que a Embaixada portuguesa em Caracas e rede consular “está mobilizada para apoiar a enorme comunidade portuguesa na Venezuela”, “A Venezuela tem canal aberto com Portugal, para apoio no plano bilateral e da União Europeia. A Venezuela conta com Portugal na reacção e na recuperação desta catástrofe natural”, disse. Cinco portugueses, quatro dos quais da mesma família, estavam ontem desaparecidos em La Guaira, na Venezuela, onde dois sismos causaram na quarta-feira dezenas de mortos e centenas de feridos, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros português.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeCasas de Macau | Dificuldades financeiras e demográficas discutidas Na conferência online “Os últimos 30 anos da Diáspora Macaense: evolução e desafios”, que reuniu na quarta-feira Casas de Macau espalhadas pelo mundo, foram apontados desafios como o financiamento e a importância da preservação da cultura macaense A Fundação Casa de Macau (FCM) celebra 30 anos de existência e, a pensar na efeméride, organizou na quarta-feira um debate online intitulado “Os últimos 30 anos da Diáspora Macaense: evolução e desafios”, que juntou dirigentes da Casa de Macau espalhadas pelo mundo. Foram apontados problemas comuns nestas instituições, apesar da distância geográfica: comunidade envelhecida, ausência de novos sócios, desafios na preservação da cultura macaense e ainda dificuldades na obtenção de financiamento. José Cordeiro, presidente da associação Amigu di Macau Arts & Culture, disse que “poderá ser útil promover uma maior articulação entre instituições da diáspora e entidades de Macau, permitindo definir objectivos comuns”. O responsável refere-se ao Conselho das Comunidades Macaenses (CCM), que volta a reunir-se no próximo ano, ou ainda o Instituto Internacional de Macau. O responsável salientou a importância da “coordenação de iniciativas orientadas para a preservação do património cultural macaense”, sendo que, “de entre as prioridades identificadas, destacam-se a valorização da gastronomia macaense e a preservação do patuá, dois dos elementos mais distintivos da nossa identidade colectiva e que merecem especial atenção nas estratégias futuras”. José Cordeiro referiu também a necessidade de olhar “a evolução demográfica das associações e a atracção de novas gerações”. Júlia Carion, presidente da Casa de Macau no Rio de Janeiro, sublinhou “a redução gradual do número de descendentes” de macaenses. “Antigamente as pessoas tinham quatro, cinco, seis filhos, e hoje essa realidade mudou” o que “fez com que haja uma diminuição da participação associativa”, afirmou. No tocante à questão financeira, Júlia Carion destacou que há muitos eventos não pagos, além de que não recebem subsídios, “a não ser o investimento dos próprios associados que pagam uma mensalidade simbólica”. Montante que “não cobre todas as despesas fixas e outras que a casa tenha, então temos limitações financeiras”. Por esse motivo, a Casa de Macau no Rio de Janeiro “não consegue aumentar o número de eventos”, existindo “essa grande necessidade de reconstrução dos vínculos após a reabertura da Casa”, no contexto pós-pandemia. No caso de Armando Santos, vice-presidente da Casa de Macau em Vancouver, disse que o objectivo é “manter o espírito macaense vivo, seja através das aulas de português, seja através do patuá, algo que não é fácil continuar”. É também feita uma aposta na gastronomia macaense, nomeadamente com aulas oferecidas aos sócios. “Cerca de 70 por cento dos nossos sócios têm 50 ou mais anos, e como podem ver, não é fácil atrair membros mais jovens, mas fazemos os possíveis: com eventos ou música, porque precisamos deles para levar a Casa de Macau para a frente”, declarou. Conselho, as expectativas José Cordeiro referiu também as expectativas que deposita na realização de um novo encontro do CCM, que representa, para si, “uma das maiores e mais importantes estruturas de ligação entre Macau e a diáspora”. “Poderá ser oportuno reflectir sobre o seu papel futuro e a possibilidade de reforçar a sua intervenção em áreas estratégicas relacionadas com a preservação cultural, o envolvimento das novas gerações e o fortalecimento das relações entre as instituições da diáspora, e não apenas em encontros.” Além disso, o dirigente declarou que “a evolução das comunidades macaenses e os desafios actuais justificam uma reflexão abrangente sobre os mecanismos de funcionamento e representatividade do Conselho”. O objectivo seria “assegurar que continua a responder eficazmente às necessidades e expectativas da comunidade macaense global”. Para o encontro de 2027, José Cordeiro pede o reforço “da presença de elementos que constituem referências da identidade da cultura macaense, nomeadamente a gastronomia e o patuá, frequentemente apontados como patrimónios únicos e distintivos da nossa comunidade”.
João Santos Filipe Manchete SociedadeRenovação Urbana | Associação pede entrada de privados A Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau quer que o Executivo permita a entrada de empresas privadas na Renovação Urbana. O vice-presidente Chris Wong Sai Fat sugere também construção em altura para financiar a reconstrução dos prédios A Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau defende que o Governo deve distribuir mais incentivos à renovação urbana, ao agilizar procedimentos e permitir a entrada dos privados neste mercado. A posição foi tomada pelo vice-presidente executivo da associação, Chris Wong Sai Fat, em declarações ao jornal Ou Mun. Actualmente, as obras de renovação de um prédio podem ser realizadas se tiverem o apoio de 80 por cento dos proprietários. O responsável destacou que o número é positivo, dado que não há muito tempo o apoio necessário era mais elevado. No entanto, Chris Wong entende que há margem para reduzir ainda mais o critério, como se faz nas regiões vizinhas. A alteração é tida como mais importante para prédios com mais de 40 anos, e que vão precisar de ser renovados mais depressa. Ao mesmo tempo, Wong afirmou que para promover a renovação urbana, o Governo deve permitir uma maior utilização do solo e construções mais altas. O dirigente entende que desta forma é possível construir novas habitações nos prédios reconstruidos. Estas fracções autónomas podem depois ser vendidas para reduzir o investimento feito pelos proprietários do prédio, permitindo que mais gente pague o investimento da obra. Segundo o modelo actual da renovação urbana, o processo está a cargo da Macau Renovação Urbana, empresa com capitais da RAEM. Chris Wong defende que o Governo deve promover a entrada dos privados neste processo. Segundo o dirigente, como a Macau Renovação Urbana é uma empresa com capitais públicos, o seu envolvimento é susceptível de levantar várias dúvidas sobre a utilização eficaz do erário público, e reduzir a velocidade do processo. Nesta lógica, a introdução das empresas privadas no mercado é encarada como forma de acelerar os trabalhos. Rendas a baixar Nas declarações prestadas ao jornal Ou Mun, o vice-presidente executivo da Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau abordou ainda a situação do mercado do arrendamento de lojas. Segundo os dados mais recentes da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), as rendas tiveram uma redução trimestral de 1,2 por cento e anual de 3,4 por cento. Todavia, o território continua a apresentar uma economia a duas velocidades, dado que em locais como a zona central, o Patane e junto das Ruínas de São Paulo as rendas das lojas apresentaram um crescimento entre 1,9 e 27,2 por cento. No pólo oposto, na zona do San Kio as rendas caíram 19,7 por cento em três anos. Chris Wong apontou que o valor das rendas de lojas em locais como a Pérola Oriental e no centro da Taipa têm mostrado uma redução mais ligeira, porque são áreas com mais pessoas, logo mais clientes, o que permite sustentar o comércio local. No entanto, o dirigente explicou que nos bairros antigos, como o San Kio e a Praia do Manduco, as rendas são mais baixas, devido à maior concentração de prédios antigos. Os moradores com mais idade optam assim por procurar casas com melhores condições e com elevadores, e alugam as habitações a trabalhadores não-residentes do Sudeste Asiático. Como estes têm menor capacidade de consumo, as rendas das lojas acabam por ser mais baixas.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaTake-away | Leong Pou U defende protecção laboral de condutores Leong Pou U defendeu ontem uma maior protecção para condutores que trabalham para aplicações de distribuição de comida, dado que “a actual legislação laboral dificilmente consegue proteger de forma eficaz os direitos laborais dos trabalhadores”. O deputado pede que o Governo faça “uma análise abrangente da situação actual da protecção dos direitos laborais dos trabalhadores de plataformas, reforçando a salvaguarda dos seus direitos e colmatando as lacunas existentes”. Leong Pou U destacou ainda que estes trabalhadores “não são incluídos no sistema de garantia de segurança ocupacional devido à condição laboral ambígua, enfrentando riscos por causa do trânsito, condições meteorológicas extremas e carga de trabalho pesada”. Assim, pede que sejam “clarificadas as responsabilidades das plataformas”, para que “assumam directamente a responsabilidade de pagamento do seguro por acidentes de trabalho”.
Hoje Macau Manchete PolíticaAPEC | Delegação dos EUA ausente por “restrições consulares” A revelação foi feita no dia em que arrancaram os encontros da APEC em Macau. As autoridades norte-americanas consideram que os seus diplomatas não deveriam precisar de vistos para entrar na RAEM em “situações de emergência” Os Estados Unidos da América (EUA) não vão enviar representantes a uma reunião ministerial que decorre esta semana em Macau, devido a restrições impostas à capacidade de prestar assistência consular de emergência a cidadãos norte-americanos no território. A 13ª Reunião Ministerial do Turismo da Cooperação Económica da Ásia-Pacífico (APEC, na sigla em inglês) e a 67ª Reunião do Grupo de Trabalho de Turismo da APEC estão a realizar-se em Macau desde quarta-feira e prolongam-se até domingo. Em comunicado divulgado na quarta-feira, o Departamento de Estado sublinhou que “a segurança dos norte-americanos é uma prioridade” da Administração Trump e recordou que Washington mantém um aviso de viagem de nível 3 para o território, por “limitações impostas às equipas do Consulado-Geral em Hong Kong e Macau”. O Governo dos EUA indicou anteriormente ter uma capacidade limitada para prestar serviços de emergência a cidadãos norte-americanos na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) devido às restrições de viagem impostas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China (RPC) ao pessoal diplomático norte-americano. “Mesmo em situações de emergência, o Ministério exige que todo o pessoal diplomático dos EUA, incluindo os acreditados junto da RAEM, solicite e obtenha vistos antes de entrar no território”, destacaram as autoridades norte-americanas. “A aprovação demora pelo menos cinco a sete dias, limitando de forma significativa a capacidade de oferecer serviços consulares atempados”, acrescentaram. Amor com amor se paga Washington afirmou ter pedido repetidamente à China que levantasse os requisitos de visto “arbitrários e direccionados”. Uma solução, proposta quando Pequim decidiu acolher uma reunião da APEC dedicada ao turismo, foi rejeitada, acrescentou o Departamento de Estado norte-americano. “Como questão de princípio, os Estados Unidos não enviarão participantes de alto nível a uma reunião ministerial que promove o turismo num local onde os diplomatas norte-americanos não podem prestar serviços de emergência a turistas em necessidade”, declarou o Departamento de Estado. A decisão reflecte o impasse nas relações bilaterais, apesar das tentativas de Washington e Pequim de construir uma relação “de estabilidade estratégica” baseada na reciprocidade, segundo a nota oficial. Devido a estas limitações em prestar serviços de emergência, Macau possui actualmente um alerta de viagem do mesmo nível que o aplicado ao Interior da China, e mais elevado do que Hong Kong, que detém um alerta de nível 2 imposto pelas autoridades norte-americanas. A APEC é um bloco económico formado por 21 membros fundada em 1993 com o objectivo de criar uma área de livre-comércio entre seus membros. Tem como membros os Estados Unidos, China, Hong Kong, mas não Macau. Segundo a organização, mais de 200 dirigentes vão reunir-se em Macau para dialogar sobre as experiências de desenvolvimento sustentável de turismo, bem como, traçar novos caminhos a explorar em cooperações turísticas da Ásia-Pacífico.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaBullying | Deputados pedem medidas após agressão a aluna Dois deputados querem medidas contra o bullying nas escolas depois da divulgação nas redes sociais de um vídeo em que um grupo de jovens agride uma rapariga. Todos os envolvidos são menores. Chan Hao Weng sugeriu penas mais pesadas para este tipo de casos O bullying em contexto escolar e a necessidade de medidas preventivas foi um tema levado ontem por dois deputados à Assembleia Legislativa (AL). No período de intervenções antes da ordem do dia, o deputado Chan Hao Weng declarou que cabe às autoridades “disponibilizar, continuadamente, aos alunos que são vítimas aconselhamento psicológico e apoio emocional”, devendo-se impor aos estudantes que são agressões “educação sobre o Estado de Direito e correcção comportamental, sem tolerância nenhuma”. O deputado ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau exige que seja “aperfeiçoada a legislação” com “penas severas para os casos de bullying”. ” A intervenção do deputado surge depois de a Polícia Judiciária (PJ) ter divulgado, na última semana, um caso de agressão a uma aluna por parte de um grupo de seis jovens, três rapazes e três raparigas, com idades compreendidas entre os 11 e 15 anos. O vídeo, filmado pelos agressores, foi parar às redes sociais. “Recentemente, sucederam-se, entre estudantes, casos de agressões em grupo, extorsão, bullying verbal e até cyberbullying com gravação de vídeos. A situação tende a agravar-se, o que deixa todos os pais em Macau muito preocupados e inquietos”, disse o deputado. Chan Hao Weng pede também a implementação de “mecanismos de alerta dentro e fora das escolas” bem como online, fazendo-se uma “cobertura integral” de protecção das vítimas, e assegurar “o bom funcionamento dos canais de denúncia e o aumento da formação de professores e assistentes sociais”. Protecção 24 horas Também o deputado Iau Teng Pio levou este assunto para o hemiciclo, alertando para o facto de muitos pais “relatarem que os seus filhos também já sofreram algum tipo de bullying”. “Com a crescente popularidade das redes sociais, o bullying já se estendeu muito além do recinto escolar, atingindo também o espaço digital. A difusão das imagens violentas não só provoca um dano secundário às vítimas, como também deixa uma mancha duradoura na vida dos jovens agressores.” Iau Teng Pio sugere a criação de canais de denúncia nas escolas com o mote “zero obstáculos e zero riscos”, com a participação de professores e criação de “linhas abertas e formulários de denúncia por escrito ou via internet”. O deputado defende que sejam criadas, a “nível institucional, garantias de protecção ao denunciante, com procedimentos de acompanhamento iniciados 24 horas após a recepção da denúncia”.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteEric Fok, artista, sobre edifício “Bela Vista”: “Uma joia arquitectónica tão bela” A Residência Consular vai hoje abrir portas ao público, entre as 14h e as 18h, para apresentar a exposição “Bela Vista por Eric Fok – Descubra as Histórias dentro da Vista”. A entrada é livre com lotação limitada. Eric Fok desvendou ao HM o que está por trás das 12 obras expostas Que perspectivas do edifício “Bela Vista” explorou nestas obras? Esta exposição apresenta uma mistura de obras minhas, tanto recentes como antigas. Os meus trabalhos anteriores centravam-se, principalmente, em temas como a História, a era dos Descobrimentos e a globalização. No entanto, as novas obras centram-se neste monumento histórico do século XIX, que é uma antiga mansão que, mais tarde, foi transformada num hotel. Em várias ocasiões serviu de escola, campo de refugiados e centro de retiro. Fazendo jus ao nome, “Bela Vista” oferece uma paisagem de tirar o fôlego e, do alto da encosta, é possível contemplar toda a Praia Grande. Ainda me lembro de visitar o terraço deste edifício há onze anos, por ocasião de uma exposição. Não fazia ideia de que Macau abrigava uma joia arquitectónica tão bela, e a vista das janelas despertou a minha imaginação sobre o passado da cidade. Tendo servido tantos propósitos diferentes ao longo dos anos, este monumento ergue-se como testemunha da história local e também dos grandes acontecimentos globais que se desenrolavam na região, naquela época. Além disso, a própria criação da residência consular resultou de transições políticas, e o edifício testemunhou a mudança das diferentes épocas. Para mim, é como um livro de história escrito por pessoas diferentes, cada uma com a sua história única, sobre como chegaram a Macau. Quais as principais histórias do Bela Vista aqui contadas? Conto a história do encontro de diferentes culturas no Extremo Oriente, de pessoas de várias nações, como comerciantes, viajantes, soldados e refugiados que fugiam da guerra, e que chegaram a Macau, ficando hospedados no Hotel Bela Vista por uma infinidade de razões. Todos estes imigrantes e viajantes trouxeram consigo as suas próprias culturas e origens distintas. Acredito que é extremamente significativo continuar a expandir o meu trabalho através destas personagens e da própria arquitectura. Para esta exposição em particular, o foco recai principalmente na relação histórica entre este edifício e a cidade. Esta mostra integra-se nas celebrações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. Qual a importância, para si e a sua carreira, deste projecto? Talvez devido aos círculos sociais onde cresci, não sabia muito sobre esta celebração quando era criança. Olhando para trás tenho um pouco pena disso, porque se tivesse sabido mais cedo, certamente que teria alargado os meus horizontes. O poeta Luís de Camões, por exemplo, viveu em Macau e tornou-se uma parte vital do tecido cultural do território. Mas sinto-me incrivelmente afortunado pelo facto de a minha exposição ter, este ano, sido incluída nas celebrações. Para mim é um grande incentivo e uma forma de reconhecimento, além de ser uma forma de o meu trabalho estar ligado, de forma activa, a esta celebração e a esta cultura. Por coincidência estava em Portugal nesse período [durante o 10 de Junho], quando havia celebrações por todo o lado. Tanto a participação no Dia de Portugal, como as exposições de obras de arte, constituem experiências inestimáveis para mim, e um combustível essencial para as minhas futuras criações.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeAlmeida Ribeiro | Incêndio em edifício antigo não causa feridos Um curto-circuito terá provocado um incêndio na cave de uma loja perto do edifício Chow Tai Fook. O fogo começou de madrugada e só foi extinto ao início da tarde. Por se tratar de um edifício antigo, o Instituto Cultural vai avaliar a necessidade de reparação da fachada Foto:DR A Avenida de Almeida Ribeiro foi ontem palco de um incêndio que deflagrou a partir das 05h da manhã, na cave de uma loja perto do edifício Chow Tai Fook, conhecida marca de joalharia. O fogo ficou resolvido por volta das 14h30 e obrigou ao corte de trânsito naquela que é uma das principais artérias do território mais de uma hora e meia, afectando também o funcionamento normal das carreiras de autocarros. Não houve feridos, nem necessidade de evacuar pessoas, tendo o Corpo de Bombeiros (CB) enviado ao local 44 bombeiros, 10 carros de emergência e um drone para ajudar nas operações. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, as autoridades revelaram, após uma investigação preliminar, que o incêndio terá sido provocado por um curto circuito causado pelos cabos do ar-condicionado. O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) enviou 35 agentes para o local. Quando o CB chegou à zona, depararam-se com uma nuvem de fumo a sair da loja. Além disso, foi detectada uma fuga de corrente eléctrica, que impediu a entrada imediata no local para extinguir o incêndio, e levou ao pedido para o corte do fornecimento de electricidade à loja à Companhia de Electricidade de Macau. Os soldados da paz optaram por pulverizar água a partir do exterior do edifício, arrombando a porta quando as condições de segurança o permitiram. IC acompanha incidente Uma vez que o edifício onde se deu o incêndio pertence à área do património histórico a proteger, funcionários do Instituto Cultural (IC) também se deslocaram ao local para avaliar a situação. Em declarações ao Ou Mun, a presidente do IC, Deland Leong Wai Man, garantiu que o local vai ser inspeccionado em conjunto com a Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana para serem avaliados os danos, nomeadamente na fachada do edifício, e se são necessárias obras de reparação. A presidente do IC apontou que a fachada é o foco em termos de protecção do património, pelo que, se ficar danificada com o incêndio, serão cumpridos os critérios para o restauro patrimonial. Deland Leong Wai Man adiantou que, se for preciso avançar com o restauro da fachada, será essencial seguir o projecto e materiais originais, para garantir a preservação do património e a sua autenticidade.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeCCAC | Quatro pessoas suspeitas do crime de corrupção O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) divulgou ontem os resultados da investigação de um caso suspeito de pagamento de comissões de forma ilegal por parte de um empresário. Segundo um comunicado do CCAC, estes pagamentos terão servido “para obter a adjudicação da prestação de serviços de entrega”, estando quatro pessoas suspeitas da prática dos crimes de corrupção activa e passiva no sector privado, bem como do crime de burla de valor consideravelmente elevado. O caso foi encaminhado para o Ministério Público. O CCAC “descobriu que um fornecedor local terá pago, mensalmente, comissões ao responsável da região de Macau de uma sociedade internacional de entregas rápidas, para obter a adjudicação da prestação de serviços de entrega”. Esse fornecedor “prestou falsas declarações sobre o número de registos de entrega, em conluio com um dirigente da respectiva sociedade de entregas rápidas, para obter, de forma fraudulenta, as taxas de serviço”. Entre os anos de 2020 e 2025, esse fornecedor local pagou, todos os meses, “comissões não inferiores a 20 mil de dólares de Hong Kong ao então responsável da região de Macau da sociedade de entregas rápidas”. Em contrapartida, o seu nome aparecia sempre que surgiam novas propostas ou em contexto de facilitação de contratos. O CCAC acrescenta que o responsável da empresa de entregas recebeu “comissões ilícitas de mais de 1,1 milhões de dólares de Hong Kong”, e que o crime de burla cometido por três dos quatro suspeitos atinge um valor superior a cinco milhões de patacas.
João Santos Filipe Manchete SociedadeAutocarros | Concessionárias com lucros de 97,1 milhões de patacas No ano passado, os lucros da TCM e da Transmac cresceram anualmente 6,6 por cento e 17,6 por cento, respectivamente. No entanto, a Transmac alerta que este ano enfrenta vários desafios, como o aumento do preço dos combustíveis No ano passado, as duas empresas de transporte público de autocarros apresentaram lucros de 97,1 milhões de patacas. Os resultados da Sociedade de Transportes Colectivos de Macau (TCM) e da Transmac – Transportes Urbanos de Macau foram divulgados ontem, através do Boletim Oficial. A empresa com maiores lucros foi a TCM que registou 49,25 milhões de patacas em ganhos operacionais. Este número representa um aumento do lucro de 6,6 por cento em comparação com 2024, quando os ganhos tinham sido de 46,18 milhões de patacas. Nos resultados da empresa, assinados por Leong Mei Leng, representante do Conselho de Administração, consta também que 2025 ficou marcado por um novo recorde de transporte de passageiros para a TCM. “Continuamos a optimizar a rede de rotas, permitindo a utilização eficaz dos recursos de transporte colectivo e a operação eficiente, empenhando-nos em satisfazer as necessidades de deslocação dos passageiros. Em 2025, o número total acumulado de passageiros atingiu os 125 milhões, alcançando um novo recorde”, foi apontado. A empresa destacou igualmente que estreou o primeiro autocarro eléctrico em Macau. “A TCM continuou a contribuir para a construção de uma cidade com emissão de carbono reduzida, pelo que adquiriu 30 novos autocarros ecológicos, sendo um deles um autocarro movido a energia eléctrica, introduzido, pela primeira vez, na operação do sector de transporte colectivo”, foi revelado. Menos passageiros, mais dinheiro Por sua vez, a Transmac perdeu passageiros em 2025, transportando aproximadamente 107 milhões de pessoas. Na mensagem do Conselho de Administração, assinada pela presidente Liu Hei Wan, a empresa reconhece que enfrenta maior concorrência devido ao Metro Ligeiro. “No entanto, devido à concorrência da linha de Seac Pai Van e linha de Hengqin do Metro Ligeiro, o número de passageiros transportados desceu para 107 milhões em 2025, o que corresponde a uma média diária de 293 mil passageiros, apresentando um decréscimo de 1,5 por cento face ao período homólogo do ano anterior”, foi revelado. Apesar da redução dos clientes, a Transmac fechou o ano passado com um lucro maior, ao registar 47,85 milhões de patacas em lucros líquidos após impostos, um aumento de 17,6 por cento, face ao valor declarado em 2024 de 40,70 milhões de patacas. “Devido ao reforço de gestão de eficiência e de controlo de custos, bem como à descida dos preços dos combustíveis em relação a 2024, a nossa empresa conseguiu lucros líquidos após os impostos de 47,85 milhões de patacas em 2025”, foi justificado. Liu Hei Wan alertou também que o ano em curso vai ter vários desafios: Sob os grandes impactos negativos na economia, na vida da população e no preço dos combustíveis provocados pela instabilidade da conjuntura política global, precisamos de reforçar a qualidade dos serviços e, ao mesmo tempo, optimizar a gestão de custos operacionais”, foi indicado.
Hoje Macau Manchete PolíticaFinanças | Reserva fixa novo recorde pelo quinto mês consecutivo Cinco meses a estabelecer novos recordes. No final de Abril, a reserva financeira estava avaliada em 697,3 mil milhões de patacas, valorizando 9,08 mil milhões de patacas num mês. Desde o final do ano passado, a valorização foi de 30,5 mil milhões de patacas Os activos da reserva financeira de Macau atingiram um novo recorde máximo em Abril, pelo quinto mês consecutivo, anunciou ontem a Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Um balanço publicado pelo regulador financeiro no Boletim Oficial mostra que a reserva valia no final de Abril 697,3 mil milhões de patacas. A reserva ganhou 9,08 mil milhões de patacas em comparação com o anterior recorde, 688,2 mil milhões de patacas, fixado no final de Março. Desde o final de 2025, a reserva registou uma valorização de 30,5 mil milhões de patacas. A reserva ganhou 50,5 mil milhões de patacas durante o ano passado, mais do que em 2024, ano em que os activos tinham subido 35,7 mil milhões de patacas. O melhor ano de sempre para a reserva financeira continua a ser 2019, antes do início da pandemia, quando os activos se valorizaram em 70,6 mil milhões de patacas. O valor da reserva extraordinária no final de Abril era de 518,4 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau, era de 163,6 mil milhões de patacas. Rentabilidade de 6,9 por cento Em Novembro, a Assembleia Legislativa aprovou, por unanimidade, o orçamento para 2026, que prevê despesas públicas de 113,5 mil milhões de patacas. Investimentos subcontratados representam a maior fatia da reserva financeira de Macau, 298 mil milhões de patacas, que inclui ainda depósitos e contas correntes no valor de 288,9 mil milhões de patacas e títulos de crédito no montante de 108,4 mil milhões de patacas. Em 2025, os investimentos renderam à reserva financeira mais de 42,9 mil milhões de patacas, correspondendo a uma taxa de rentabilidade de 6,9 por cento, disse em Março a AMCM. O retorno nesse ano aumentou 38,7 por cento em comparação com 2024, quando os rendimentos renderam à reserva quase 31 mil milhões de patacas, correspondente a 5,3 por cento.
João Santos Filipe Manchete PolíticaPME | Chan Hao Weng pede apoios face a competição do Interior O deputado ligado à ATFPM avisa que a qualidade da concorrência no Interior está a aumentar e que os residentes fazem cada vez mais compras e refeições do outro lado da fronteira. Como tal, pede medidas para salvar as pequenas e médias empresas O deputado Chan Hao Weng está preocupado com o impacto em Macau do novo centro comercial do outro lado das Porta do Cerco, e pretende saber as medidas que vão ser tomadas para garantir a competitividade das pequenas e médias empresas (PME) locais. O assunto foi abordado pelo legislador ligado à Associação dos Trabalhadores das Função Pública de Macau (ATFPM), através de uma interpelação escrita. “Há dias, entrou em funcionamento, a título experimental, um centro comercial situado na zona central do Posto Fronteiriço de Gongbei, em Zhuhai, cujo fluxo de clientes ultrapassou os 100 mil nas primeiras seis horas de funcionamento, dos quais cerca de um terço (cerca de 33 mil) eram provenientes de Hong Kong e Macau”, pode ler-se no documento. “Nas primeiras cinco horas de funcionamento, o volume de negócios ultrapassou 400 mil renminbis, o que demonstra que este projecto possui uma forte atracção para os grupos de consumidores transfronteiriços”, foi acrescentado. Por isso, Chan avisa que as PME de Macau estão a ter dificuldades em lidar o “aperfeiçoamento contínuo das instalações comerciais do Interior da China e a facilitação das deslocações transfronteiriças”. Segundo o deputado, esta nova realidade faz com seja normal que “residentes de Macau se desloquem à China para consumirem, desviando, de forma contínua, o fluxo de clientes de venda a retalho, restauração e consumo geral de Macau”. “De um modo geral, as pequenas e médias empresas locais deparam-se com dificuldades decorrentes da diminuição do fluxo de clientes, redução das receitas operacionais, agravamento da pressão de negócios, etc., e algumas estão prestes a fechar portas, o que afecta directamente a vitalidade económica e a estabilidade do emprego nos bairros comunitários de Macau”, alertou. Novas mudanças Uma vez que o deputado considera que é necessário “fazer face às mudanças do mercado e apoiar o desenvolvimento estável das pequenas e médias empresas locais”, pede ao Executivo para “definir políticas complementares de curto, médio e longo prazo” para “elevar a competitividade global do sector do comércio a retalho e das pequenas e médias empresas de Macau”. O membro da Assembleia Legislativa questiona ainda se vão ser tomadas medidas para apoiar as “empresas locais na reconversão e valorização das suas actividades” para atenuar as “dificuldades operacionais” e “estabilizar o desenvolvimento e exploração”. Chan Hao Weng considerou ainda que “as actuais medidas” de apoio ao consumo têm tido impacto limitado, pelo que pede “uma revisão global das políticas” e novas medidas mais “atraentes e sustentáveis”.
Hoje Macau China / Ásia ManchetePeritos concluem que elevada fatalidade em Tai Po era “totalmente evitável” Dois grupos de peritos disseram a um comité independente de investigação que o elevado número de mortes no pior incêndio a atingir Hong Kong desde 1948 teria sido “totalmente evitável”. De acordo com a imprensa local, o advogado principal da comissão disse numa audiência, segunda-feira, que os dois grupos, a trabalhar de forma separada, chegaram a conclusões “em grande medida semelhantes”. Victor Dawes sublinhou que 91 das 168 vítimas morreram devido à inalação de fumo durante o incêndio que em Novembro devastou sete edifícios do complexo de habitação pública de Wang Fuk. O fumo espalhou-se rapidamente, porque, durante obras de renovação, as janelas à prova de fogo tinham sido substituídas por tábuas de madeira nas escadas de emergência, acrescentou o advogado. Os peritos identificaram também placas de espuma utilizadas para cobrir as janelas e alarmes de incêndio desactivados, por erro humano, como factores que dificultaram a fuga dos residentes. “O tempo disponível para evacuação foi praticamente nulo” e muitos dos mais de 4.600 residentes do complexo, situado na zona de Tai Po, não foram alertados para o incêndio a tempo, lamentou Dawes. A líder da divisão de ciências forenses do laboratório público de Hong Kong, Lee Wing-man, disse que a causa mais provável do incêndio terão sido pontas de cigarro fumadas por trabalhadores. A polícia deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude. A agência anticorrupção deteve ainda 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos. Sem tempo a perder Em 10 de Junho, sete pessoas e duas empresas foram acusadas de 25 crimes, incluindo homicídio involuntário, conspiração para cometer fraude, branqueamento de capitais, tentativa de obstrução à justiça e fraude fiscal. Ainda assim, o presidente do comité anunciou na segunda-feira que não irá recomendar que este seja transformado numa comissão de inquérito, com poderes legais para convocar testemunhas. David Lok Kai-hong disse que o comité já tinha recolhido provas substanciais e alertou que uma mudança de estatuto poderia arrastar o processo e atrasar as conclusões pelas quais esperam os sobreviventes e a população. O juiz do Tribunal de Primeira Instância do Supremo Tribunal de Hong Kong recordou o incêndio de Grenfell, em 2017, no Reino Unido, cuja investigação demorou nove anos, sendo que o julgamento não deverá ocorrer antes de 2029. “O nosso comité não deseja, nem permitirá, que tal coisa aconteça”, garantiu David Lok, que foi nomeado em Dezembro pelo líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu.
Hoje Macau China / Ásia MancheteAviação | Retomada ligação aérea directa entre Pequim e Lisboa A companhia aérea chinesa Beijing Capital Airlines inaugurou na segunda-feira uma nova rota directa entre o Aeroporto Internacional de Pequim Daxing e Lisboa, que vai operar durante cerca de três meses Segundo um comunicado enviado pela Beijing Capital Airlines à Lusa, o voo inaugural JD627 partiu às 10h55 (hora de Pequim) e aterrou às 17h15 (hora local) no Aeroporto de Lisboa, assinalando a primeira ligação directa entre Daxing e a capital portuguesa. A rota com uma duração aproximada de 13 horas, será operada semanalmente, às segundas-feiras, com aeronaves Airbus A330 de fuselagem larga. Portugal já conta com um voo regular para a China operado pela mesma companhia duas vezes por semana, entre Lisboa e Hangzhou, capital da província de Zhejiang. Essa ligação tem uma frequência de dois voos semanais, sendo operada de forma regular desde a retoma das ligações aéreas entre os dois países, após o fim da política chinesa de ‘zero covid’. Actualmente, não existem voos directos regulares entre Lisboa e Pequim, sendo as ligações normalmente asseguradas com escalas em ‘hubs’ europeus ou do Médio Oriente. O anúncio da companhia aérea surge num contexto da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, que levou ao cancelamento de vários voos com escala na região. Na cerimónia de boas-vindas, organizada em conjunto com a ANA Aeroportos de Portugal e a Embaixada da China em Lisboa, o embaixador Yang Yirui afirmou que “esta ligação constitui um importante marco na cooperação aeronáutica entre a China e Portugal, contribuindo para aprofundar a colaboração bilateral nas áreas do comércio, investimento, turismo, educação e intercâmbio cultural”. A directora comercial da ANA, Karen Strougo, sublinhou no comunicado que “Lisboa reforça a sua posição como hub europeu e plataforma transatlântica, permitindo aos passageiros provenientes da China aceder a destinos na Europa, América e África através da rede da TAP Air Portugal”. Entretanto, a representante da Capital Airlines, Coral Chen, destacou que “a inauguração bem-sucedida da rota Pequim Daxing-Lisboa só foi possível graças ao apoio das autoridades governamentais da China e de Portugal, dos organismos reguladores da aviação civil, dos aeroportos parceiros e de todos os sectores da sociedade”. Volta à Rússia em avião Desde o início do ano, o aeroporto de Daxing inaugurou diversas rotas internacionais, incluindo voos directos para Helsínquia, Frankfurt e Milão, expandindo ainda mais sua rede europeia, disse o aeroporto ao jornal oficial chinês Global Times na segunda-feira. A expansão das ligações aéreas directas entre Portugal e China ocorre também num contexto marcado por assimetrias operacionais no sector da aviação. As companhias aéreas chinesas continuam a beneficiar do acesso ao espaço aéreo russo, ao contrário das transportadoras europeias, que estão impedidas de o utilizar na sequência das sanções impostas a Moscovo após a invasão da Ucrânia. Essa diferença traduz-se em rotas mais curtas e custos operacionais mais baixos para as companhias chinesas em voos entre a Ásia e a Europa, conferindo-lhes uma vantagem competitiva relevante face às congéneres europeias, que são obrigadas a contornar o espaço aéreo russo, aumentando tempos de voo e consumo de combustível. A Capital Airlines foi financiada e estabelecida em conjunto pelo Governo Municipal de Pequim e pelo Grupo de Aviação HNA em 2010. A companhia inaugurou a primeira ligação aérea directa entre a China e Portugal em 2017. No primeiro ano que voou para Portugal, a companhia transportou mais de 80 mil passageiros, segundo dados da empresa. A taxa média de ocupação do voo fixou-se nos 80 por cento, nos meses mais fracos, enquanto na época alta superou os 95 por cento.
João Santos Filipe Manchete SociedadeJogo | Morgan Stanley corta estimativa de crescimento deste ano O banco de investimento estima que a indústria vai gerar receitas de 260,6 mil milhões de patacas ao longo deste ano, um valor abaixo do esperado pela maioria dos analistas. O Mundial de Futebol está a ter um impacto negativo nas receitas brutas dos casinos O banco de investimento Morgan Stanley reduziu a estimativa de crescimento anual das receitas brutas do jogo para 5,3 por cento, quando antes apontava para 6 por cento. De acordo com o mais recente relatório sobre o mercado de Macau, citado pelo portal GGRAsia, as receitas devem crescer para 260,6 mil milhões de patacas ao longo do ano. Em 2025, as receitas dos casinos atingiram 247,40 mil milhões de patacas, um crescimento anual de 9,1 por cento. Todavia, a previsão mais recente aponta para uma subida para 260,6 mil milhões de patacas: “Estimamos que as receitas brutas do jogo aumentem 5,3 por cento em relação ao ano anterior, um valor inferior às expectativas consensuais de crescimento de 6 por cento”, pode ler-se no relatório. “As nossas previsões implicam um crescimento trimestral das receitas de jogo entre 2 por cento e 3 por cento até ao quarto trimestre de 2026”, foi explicado. A previsão anterior da Morgan Stanley calculava um crescimento de 6 por cento da receitas semelhante ao consenso dos analistas, o que significava um montante de 262,24 mil milhões de patacas. A nova estimativa representa uma redução de cerca de 2 mil milhões de patacas. O menor optimismo foi justificado, em parte, com o impacto do Campeonato Mundial de Futebol: “Em Junho e Julho podemos assistir a um abrandamento das receitas relacionadas com o Campeonato do Mundo, e o crescimento anual até pode ser negativo”, foi indicado. Menos ganhos A revisão em baixa não ficou limitada às receitas da principal indústria do território. O banco de investimento acredita que as concessionárias vão sentir o impacto também nos seus resultados. Segundo os analistas Praveen Choudhary e Stephen Grambling espera-se que o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA, em inglês) conjunto das concessionárias tenha uma redução de 2 por cento para 1 por cento, para um valor de 64 mil milhões de patacas. O banco de investimento previu que a Sands China e SJM Holdings vão ser as mais afectadas pela redução nos ganhos anuais. Ao mesmo tempo foi alertado que as estimativas do EBITDA podem sofrer novas revisões em baixa no futuro: “Prevemos que as revisões negativas das estimativas do EBITDA continuem, motivadas por expectativas mais pequenas de crescimento das receitas brutas e por uma base de custos estruturalmente mais elevada”, foi indicado. A Morgan Stanley abordou igualmente os ganhos das concessionárias relativos à primeira metade do ano, que deverão ser anunciados no próximo mês. O banco indica que as concessionárias Sands China, Melco Resorts & Entertainment deverão perder quota do mercado, enquanto MGM China e Wynn Macau deverão reforçar as suas quotas.
João Santos Filipe Manchete SociedadeMacau Investimento | Perdas triplicaram no ano passado As perdas da Macau Investimento e Desenvolvimento (MID) totalizaram 317,97 milhões de patacas no ano passado 2025, mais do triplo do reportado no ano anterior. Em 2024, o prejuízo da MID tinham sido de 103,37 milhões de patacas, e ambos os números constam no portal da Direcção dos Serviços de Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). Para os resultados negativos contribuiu uma desvalorização de 255,76 milhões de patacas nos seus imóveis de investimento. A empresa atribuiu o aumento das perdas à contínua crise do mercado imobiliário no Interior, que continua a pressionar a avaliação dos seus activos que estão principalmente localizados no outro lado da fronteira. A MID tem como objecto social a “concepção, gestão e exploração de espaços destinados à implantação física de empresas e entidades não empresariais” e a “prestação directa ou indirecta de serviços de apoio a clientes”. Aposta no Interior A Macau Investimento e Desenvolvimento tem como principal função a exploração do Parque de Medicina Tradicional Chinesa, na Ilha da Montanha, e tem como accionistas a RAEM, com uma participação de 94 por cento, o Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização, com uma participação de 3 por cento, e o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM), que também tem uma participação de 3 por cento. A MID tem 17 subsidiárias directas ou indirectas que se encontram instaladas não só na Ilha da Montanha, onde gere o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa Guangdong-Macau, mas também em Zhongshan, como acontece com a Incubadora de Indústria Parafuturo de Macau (Zhongshan) Limitada que se dedica à “incubação de empresas de alta tecnologia”.