Hong Kong | Joshua Wong condenado a mais 10 anos de prisão

A cumprir uma pena de prisão de quatro anos e oito meses, que deveria terminar em Janeiro, o activista viu agora ser-lhe aplicada uma sentença de mais 10 anos de prisão por atentar contra a segurança nacional

O activista de Hong Kong Joshua Wong foi ontem condenado a 10 anos de prisão pela segunda vez ao abrigo da lei de segurança nacional. Wong foi acusado em 2025 de conspiração para actuar em conluio com forças estrangeiras com o objectivo de pôr em risco a segurança nacional, ao abrigo da referida lei, imposta por Pequim.

Em Setembro, declarou-se culpado do crime, uma medida que normalmente pode reduzir a pena. “O tribunal (…) proferiu uma sentença definitiva de dez anos de prisão” contra Joshua Wong, indica-se num comunicado de imprensa publicado pelo tribunal.

De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), o juiz William Tam afirmou, durante a audiência, que o crime de Wong era de natureza grave e rejeitou a alegação de que o papel do jovem tivesse sido limitado. Afirmou ainda que considerou uma pena de prisão de 13 anos como ponto de partida, mas que a reduziu devido à confissão de culpa de Wong.

Joshua Wong entrou na sala de audiências com ar sereno, vestido com uma camisa azul e óculos de armação preta, acenando com a cabeça aos apoiantes. Após a leitura da sentença, Wong agradeceu a quem os apoiava e acenou-lhes com a mão ao sair. “Esperaremos por ti quando saíres”, ouviu-se no local. Tiffany Chin, que fazia parte do já dissolvido grupo “Scholarism”, outrora liderado por Wong, estava em lágrimas.

O activista de 30 anos, um dos protestantes mais conhecidos de Hong Kong durante as manifestações de 2019, já estava a cumprir uma pena de prisão de quatro anos e oito meses pelo maior caso de segurança nacional da cidade, relacionado com primárias não oficiais, após ter-se declarado culpado nesse processo.

Joshua Wong deveria ser libertado em Janeiro, após ter cumprido quatro anos e oito meses de prisão por subversão, ao abrigo da lei de segurança nacional imposta pela China em 2020. As autoridades de Hong Kong recorreram à mesma lei em 2025 para o acusar de ter pedido a países e entidades estrangeiras que o ajudassem a obter sanções contra a cidade e a China.

Joshua Wong arriscava, no máximo, prisão perpétua pela acusação, enquanto a defesa pedia uma pena de três a 10 anos. O juiz afirmou ainda que Wong pode cumprir as duas penas de prisão em simultâneo, restando-lhe cerca de dois meses da pena relativa à anterior condenação.

Apoios e condenações

Algumas das pessoas aguardavam desde a noite de quarta-feira para assistir à audiência, enquanto um importante dispositivo policial estava mobilizado em frente ao tribunal.

A residente ET Wong afirmou, citada pela AP, que quando Joshua Wong era adolescente já possuía uma “visão global” e que percorreu um caminho difícil pelo futuro de Hong Kong, pelos direitos humanos e pelo movimento estudantil. “Pelo menos no meu coração, ele não deveria ter passado um único dia numa prisão injusta”, declarou.

Pequim descreveu Wong como uma figura anti-chinesa que apoia a independência de Hong Kong. As autoridades locais afirmaram que a lei de segurança nacional é crucial para a estabilidade da cidade na sequência dos protestos de 2019.

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