Manchete SociedadeEstudo | Quase metade de inquiridos querem apoios para habitação Nunu Wu e João Luz - 6 Nov 2026 A FAOM fez um inquérito para apurar as razões económicas que podem levar os jovens de Macau a não terem filhos. Quase metade revela necessitar de apoios à habitação e mais de 80 por cento apontam estabilidade salarial e segurança laboral como aspectos fundamentais para constituir família A Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) e a Associação das Mulheres de Dupla Carreira de Macau apresentaram ontem o resultado de um inquérito sobre as questões socio-económicas que podem condicionar os jovens de Macau a ter filhos. Em conferência de imprensa, Ella Lei afirmou esperar que o Governo promova políticas de incentivo à natalidade com base em três vectores: habitação e emprego, maternidade e cuidados de saúde, políticas amigas da família. Entre os mais de 650 inquiridos, 46,5 por cento indicaram que apoios concretos à habitação seriam medidas que favorecem casais que pensam ter, ou já têm, filhos. Já 48,9 por cento dos inquiridos sem filhos salientaram a importância do bom ambiente comunitário e estabilidade do espaço habitacional. Quanto às questões laborais, 81,4 por cento apontaram a estabilidade salarial e segurança de manter o emprego como factores fundamentais para solidificar a confiança económica para constituir família. A FAOM revelou ainda que 68,4 por cento dos entrevistados destacaram a importância de receber orientações sobre competências parentais e reforço dos serviços de apoio a cuidados pós-parto, enquanto 62,7 por cento defenderam a implementação de apoios à recuperação física pós-parto. Ainda no capítulo da saúde, mais de metade dos inquiridos pediram a redução do tempo de espera nas consultas pré-natais e pós-parto e nos serviços de acompanhamento. O que fazer Ella Lei considera que a natalidade pode ser promovida através de políticas de habitação. A deputada sugeriu que no sistema de pontuação as famílias com filhos, ou que planeiam ter filhos, deviam ter mais pontos e prioridade na lista de vencedores dos concursos para habitação pública. Subsídios directos para atenuar o peso das rendas no orçamento familiar ou incentivos fiscais na compra de habitações foram outras das sugestões de Ella Lei. Em termos laborais, a deputada pediu ao Governo a optimização da lei das relações de trabalho, com a proibição explícita da discriminação em razão da gravidez, e medidas para assegurar oportunidades de emprego para quem espera ou já é mãe. Foi ainda sugerido que os serviços de apoio a cuidados pós-parto e a recuperação física sejam incluídos no sistema dos serviços de saúde pública, oferecendo preços acessíveis através da cooperação entre Governo e associações e instituições privadas.